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Numero do processo: 15956.720256/2014-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão do julgamento embargado. Sendo detectada omissão do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, cabível a retificação, porém sem necessariamente implicar em efeitos infringentes.
Numero da decisão: 3402-005.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, suprindo a omissão apontada pela Embargante, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão do julgamento embargado. Sendo detectada omissão do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, cabível a retificação, porém sem necessariamente implicar em efeitos infringentes.
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OMISSÃO. EXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão do julgamento embargado. Sendo detectada omissão do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, cabível a retificação, porém sem necessariamente implicar em efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, suprindo a omissão apontada pela Embargante, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 02 56 /2 01 4- 29 Fl. 2181DF CARF MF 2 Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Contribuinte, sob os pressupostos de omissão e contradição no Acórdão embargado. No julgamento do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte, mediante o Acórdão nº 3402002.997, de relatoria da Conselheira Valdete Marinheiro, com designação do Conselheiro Antonio Carlos Atulim como redator do Acórdão vencedor, este Colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário, com julgamento pautado na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2008, 2009 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. COISA JULGADA. EFICÁCIA. A coisa julgada formada em mandado de segurança coletivo só alcança os substituídos domiciliados no âmbito territorial do órgão judiciário que proferiu a decisão. DECISÕES DO STF. APLICABILIDADE. À luz do art. 62 do RICARF, o RE 212.484 tornouse inaplicável no âmbito do CARF desde a decretação da repercussão geral no RE 592.891. CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67. CRÉDITOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. Comprovado que o fornecedor dos insumos descumpriu o Processo Produtivo Básico e que não aplicou matériasprimas regionais de origem vegetal na produção dos concentrados, é ilegítimo o crédito tomado com amparo no art. 6º do DecretoLei nº 1.435/75. MULTAS. EXCLUSÃO. CONDUTA DO CONTRIBUINTE CONSOANTE DECISÃO IRRECORRÍVEL NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Conquanto o art 76, II, "a", da Lei nº 4.502/64 não tenha sido recepcionado pelo art. 100, II, do CTN, o art. 486, II, do RIPI/2002 determinou a não aplicação de penalidades aos que, enquanto prevalecer o entendimento, tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa. Recurso voluntário provido em parte. Como bem delineado pelo despacho de admissibilidade dos presentes Embargos, a Contribuinte tomou ciência da decisão embargada no dia 29/03/2017 (fl. 1660) e apresentou os embargos no dia 31/03/2017 (fl. 1548), com a guarda do prazo regimental de cinco dias. Alegou a Embargante a existência das seguintes omissões e contradições no julgado: Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402005.500 S3C4T2 Fl. 2.182 3 1) Omissão quanto ao erro material cometido quando da transmissão da escrituração fiscal digital, que acarretou erro na apuração do IPI do mês de abril de 2010; 2) Contradição quanto à observância dos atos da Suframa, pois a conclusão do julgado no sentido de que a Suframa não teria concedido o benefício do art. 6º do DL nº 1.435/75 aos concentrados se contrapõe literalmente aos termos gramaticais dos arts. 1º e 4º da Resolução CAS nº 298/2007; 3) Contradição em relação ao alcance do temo "matériaprima" constante do art. 6º do DL nº 1.435/75. O Colegiado concluiu no sentido de que o art. 6º, § 1º do DL nº 1.435/75 determinaria a utilização direta de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional na elaboração dos concentrados, mas isso se contrapõe literalmente aos termos gramaticais do próprio § 1º do art. 6º do DL nº 1.435/75, invocado como premissa da conclusão; 4) Omissões quanto à existência de decisões específicas do STJ relativas à própria embargante; 5) Omissão quanto à aplicabilidade ao caso concreto do RE nº 212.484; Requereu o acolhimento dos embargos para que a omissão fosse suprida, com atribuição de efeitos infringentes ao recurso ora manejado. A conclusão do despacho de admissibilidade (fls 1780 a 1784), depois de analisar ponto a ponto as alegações da Embargante, foi a seguinte: Com esses fundamentos, valhome do disposto no art. 65, § 3º do RICARF para rejeitar os embargos de declaração, em caráter definitivo, em razão da manifesta improcedência das alegações relativas aos vícios nº 2, 3, 4 e 5 acima enumerados. Por outro lado, devem ser admitidos os embargos de declaração em relação ao vício nº 1, consistente na omissão da apreciação do argumento relativo ao erro na apuração do IPI do mês de abril de 2010, em razão do equívoco cometido na EFD. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. De acordo com o despacho de admissibilidade, com o qual concordo em sua integralidade, os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os requisitos do artigo 65, §3º do Regimento Interno do CARF com relação a uma das omissões apontadas pela Embargante. Assim, passo ao mérito. Segundo a Embargante, o Acórdão foi omisso, uma vez que deixou de apreciar pontos sobre o qual o Colegiado deveria ter se pronunciado: erro material cometido na Fl. 2183DF CARF MF 4 Escrituração Fiscal Digital (fl.1345), equívoco este que teria acarretado em erro na apuração do imposto devido no mês de abril de 2010, pois o crédito registrado no livro de apuração do IPI é maior do que o informado na EFD. Pois bem, quanto ao ponto, bem sintetiza o relatório do Acórdão da DRJ quais são as razões trazidas pela Contribuinte: Diferenças Apuradas nos Saldos Credores (...) O Fisco também aponta uma diferença de R$ 5.647,94 referente ao mês de junho de 2010, como créditos escriturados a maior na EFD. Ocorre que a EFD original foi transmitida com um valor total de créditos de R$ 3.647.159,06 em abril de 2010, quando deveria ter informado o valor de R$ 3.652.807,00. Posteriormente, em junho de 2010, foi efetuado o ajuste e o registro da diferença de R$ 5.647,94 na EFD. No RAIPI, o lançamento foi efetuado corretamente no mês de abril de 2010 (DOC. 07), ou seja, o erro somente ocorreu no momento de transmissão da EFD e não refletiu nos valores registrados no RAIPI. (...) Não há reparos a serem feitos nas considerações da DRJ de Ribeirão Preto com relação a essa questão, abaixo colacionadas: Quanto à diferença de R$ 5.647,94 referente ao mês de junho de 2010, como créditos escriturados a maior na EFD, por certo, a impugnante se refere ao relato constante dos itens 7.5, 7.10 e 7.12 do TERMO DE ENCERRAMENTO DE PROCEDIMENTO FISCAL (efls. 912/913) e ao demonstrativo do item 7.12 (efls. 914/915). Justifica que errou ao fazer os lançamentos na EFD relativamente ao mês de abril de 2010, porque os créditos do mês seriam de R$ 3.652.807,00 e não os R$ 3.647.159,06 lá informados. Ao perceber o erro, efetuou o ajuste em junho de 2010. Segundo a impugnante, o lançamento foi efetuado corretamente no RAIPI, e o erro somente ocorreu no momento da transmissão da EFD, não refletindo nos valores registrados no RAIPI. Mas há, aqui, um outro erro, de natureza conceitual, na alegação. Nos termos da cláusula sétima do Convênio ICMS nº 143, de 15 de dezembro de 2006, a EFD substitui a escrituração dos seguintes livros: Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Inventário, Registro de Apuração do IPI e Registro de Apuração do ICMS. A consulta ao endereço eletrônico do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital (https://www.sped.fazenda.gov.br/spedfiscalserver/ConsultaCont ribuinte) mostra que a contribuinte é obrigada a EFD/SPED desde o ano de 2009. Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 15956.720256/201429 Acórdão n.º 3402005.500 S3C4T2 Fl. 2.183 5 Portanto, não há que se falar em lançamento no RAIPI e transmissão da EFD como se fossem documentos fiscais distintos. Para todos os efeitos legais, somente a EFD (que inclui os registros do RAIPI) possui a validade de representar a escrituração da contribuinte ora impugnante, desde 2009. Sendo assim, o RAIPI a que alude a impugnante não é instrumento hábil a produzir os efeitos pretendidos. Neste diapasão, a mera inserção injustificada de um incremento do saldo credor inicial no mês de junho de 2010 não é o procedimento correto, para a finalidade de corrigir um erro de escrituração detectado em períodos passados. Para isso, o recurso adequado é a retificação da EFD referente ao período em questão ou o registro de crédito extemporâneo em períodos posteriores. Contudo, se comprovada a existência de crédito passível de escrituração, ele poderia ser aproveitado, de ofício, quando da apuração do saldo devedor do período em procedimento fiscalizatório. Mas no caso, não consta nos autos esta comprovação. Saliento que embora tenha se insurgido contra a decisão da DRJ nesse específico aspecto, a Recorrente nada trouxe de novo aos autos em termos probatórios para justificar sua indignação. Simplesmente insiste no erro na escrituração da EFD e na prevalência da verdade material, mas sem apresentar nenhum documento fiscal para corroborar suas alegações. Assim, adoto as razões de decidir do Acórdão n. 1456.734, da 8ª Turma da DRJ/RPO, com fulcro no artigo 50, §1º da Lei n. 9.784/99, o qual autoriza ao julgador na motivação, que deve ser explícita, clara e congruente, a fazer declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Por tudo quanto exposto, voto por acolher os presentes embargos de declaração, suprindo a omissão apontada pela Embargante, porém sem efeitos infringentes. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 2185DF CARF MF
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Numero do processo: 35570.005722/2006-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/06/2005
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal.
RESPONSABILIDADE. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS.
A informação dos representantes na relação de co-responsáveis não atribui responsabilidade às pessoas ali indicadas. Súmula CARF nº 88.
NORMA PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA.
As normas que determinam procedimentos possuem aplicação imediata, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido em data anterior à vigência desses diplomas.
ARBITRAMENTO.
A fiscalização está legalmente autorizada a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
APOSENTADORIA ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL.
Constatada a presença de agentes nocivos no ambiente de trabalho que ensejam a concessão de aposentadoria especial, é devida pela empresa a contribuição adicional para o financiamento de tal benefício.
RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços.
O percentual de 11% é acrescido de quatro, três ou dois pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados pelo segurado empregado cuja atividade permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente.
Numero da decisão: 2401-005.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2003 a 30/06/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. RESPONSABILIDADE. RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. A informação dos representantes na relação de co-responsáveis não atribui responsabilidade às pessoas ali indicadas. Súmula CARF nº 88. NORMA PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. As normas que determinam procedimentos possuem aplicação imediata, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido em data anterior à vigência desses diplomas. ARBITRAMENTO. A fiscalização está legalmente autorizada a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. APOSENTADORIA ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL. Constatada a presença de agentes nocivos no ambiente de trabalho que ensejam a concessão de aposentadoria especial, é devida pela empresa a contribuição adicional para o financiamento de tal benefício. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. O percentual de 11% é acrescido de quatro, três ou dois pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados pelo segurado empregado cuja atividade permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 495 1 494 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35570.005722/200674 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.688 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAL APOSENTADORIA ESPECIAL. Recorrente COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 30/06/2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. RESPONSABILIDADE. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. A informação dos representantes na relação de coresponsáveis não atribui responsabilidade às pessoas ali indicadas. Súmula CARF nº 88. NORMA PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO RETROATIVA. As normas que determinam procedimentos possuem aplicação imediata, ainda que os fatos geradores tenham ocorrido em data anterior à vigência desses diplomas. ARBITRAMENTO. A fiscalização está legalmente autorizada a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. APOSENTADORIA ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO ADICIONAL. Constatada a presença de agentes nocivos no ambiente de trabalho que ensejam a concessão de aposentadoria especial, é devida pela empresa a contribuição adicional para o financiamento de tal benefício. RETENÇÃO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 57 0. 00 57 22 /2 00 6- 74 Fl. 495DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 496 2 A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. O percentual de 11% é acrescido de quatro, três ou dois pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados pelo segurado empregado cuja atividade permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Matheus Soares Leite, substituído pelo conselheiro Thiago Duca Amoni. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luiz Hentsch Benjamin Pinheiro e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada contra o sujeito passivo em epígrafe, referente ao recolhimento do adicional de 2% incidente sobre o valor dos serviços prestados mediante cessão de mão de obra (movimentação de granéis no Porto de Sepetiba/RJ) pela empresa Transportadora JB Fernandes Ltda, aposto em nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, para o financiamento da aposentadoria especial após 25 anos. Nos termos do Relatório Fiscal, fls. 68/79, foi constatada a existência de trabalhadores terceirizados na atividade cujo risco ocupacional enseja a concessão de aposentadoria especial, sem que tivesse sido efetuada a retenção nem o correspondente recolhimento de 2% dos serviços constantes da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços. Constatouse que a empresa não fazia de forma eficaz o gerenciamento do ambiente do trabalho, deixando inclusive de controlar os riscos ocupacionais existentes devido a presença de agentes nocivos, os quais trazem prejuízo à saúde ou à integridade física dos trabalhadores terceirizados, que prestam serviços à CSN. Consta ainda do Relatório Fiscal que: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 497 3 10.1 A empresa TRANSPORTADORA JB FERNANDES LTDA. 29.873.841/000195 presta serviços na CSN através do contrato identificado como S10345942, cujo objeto é "Movimentação de Granéiscom vigência de 01/10/2003 a 30/09/2005. Conforme se observa dos contratos e das demonstrações ambientais juntadas, os trabalhadores atuam no Terminal de Granéis Sólidos do Porto de Sepetiba. Solicitada a documentação desta empresa, na forma do item anterior, foram apresentados os PPRA e o PCMSO relativos ao ano de 2004. Passamos à análise destes documentos. 10.2 DA ANÁLISE DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS 10.2.1 Do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA, elaborado pela contratada: 10.2.1.1. Este Programa visa à preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores, por meio da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do conseqüente controle da ocorrência de riscos ambientais. 10.2.1.2. Pela análise do PPRA verificouse que tanto para os Agentes Físicos quanto para os Agentes Químicos não houve avaliações qualitativas, tampouco as quantitativas, deixando de cumprir, como veremos a seguir, os parâmetros mínimos exigidos pela NR09 PPRA, destacamos o item 9.1.5, 9.3.4 e 9.3.5, abaixo transcrito: (grifo nosso) [...] 10.2.1.3. Portanto está claro, que para determinar se um agente é capaz de causar danos à saúde do trabalhador, precisase conhecer qual é o agente, qual sua concentração para os agentes químicos ou intensidade para os físicos, bem como o tempo de exposição. É por meio da análise quantitativa que a empresa irá avaliar o controle da exposição ou a inexistência do risco na etapa de reconhecimento, se os resultados das avaliações quantitativas da exposição dos trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na NR15, deverão ser adotadas as medidas necessárias para eliminação, a minimização ou o controle dos riscos ambientais. Considerando que o referido PPRA não traz nenhuma avaliação de risco, tornase evidente que este documento está longe de comprovar o controle da exposição ou a inexistência do risco, chegandose à conclusão incontornável do completo descontrole do gerenciamento de riscos. (grifo nosso) [...] 10.3 Da conclusão quanto à obrigatoriedade do acréscimo da retenção 10.3.1 Diante dos fatos apurados na fiscalização, considerando que esta fiscalização constatou que a contratante CSN não participou na elaboração e implementação dos documentos supracitados, uma vez, que os dados do PPRA da CSN não coincidem com os da contratada, as deficiências apresentadas Fl. 497DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 498 4 no PPRA e no PCMSO, da constatação que existem trabalhadores cuja exposição a agentes nocivos permite a concessão de aposentadoria especial, e principalmente considerando a falta de apresentação pela empresa contratante do LTCAT da contratada, documento necessário para elisão da solidariedade ou comprovação da não obrigatoriedade do acréscimo da retenção, verificase que a contratante está obrigada à contribuição adicional prevista no § 6º do art. 57 da Lei n s 8.213, de 1991, nos termos do inciso VI do art. 30 da Lei nQ 8.212, de 1991 e art. 6º2 da Lei n s 10.666, de 2003. (grifo nosso) [...] 11.2 Considerando que, pelo PPRA apresentado, embora possamos determinar a quantidade de trabalhadores expostos, o mesmo não traz a quantidade de trabalhadores a serem utilizados nos serviços que estariam expostos a agentes nocivos, e considerando ainda que a contratada não discriminou em suas notas fiscais o valor dos serviços prestados em condições especiais, tampouco elaborou notas fiscais específicas, ficando portanto, impossível para a fiscalização quantificar o total de trabalhadores expostos a Agentes Nocivos, somos obrigados a considerar como Base de Cálculo o valor de mão de obra constantes na nota fiscal/fatura. (grifo nosso) A notificada impugnou o lançamento (fls. 354/362), apresentando as seguintes razões (conforme relatado na DecisãoNotificação): Das Preliminares 8.1. Protesta pela nulidade do lançamento, em decorrência de terem sido incluídos seus diretores no relatório de co responsáveis, sem que fosse apresentada a capitulação legal para tal procedimento, entendendo por isso que lhes foi cerceado o direito à ampla defesa, garantido pelo art. 5°, LV da Constituição Federal. Apresenta excerto doutrinário. 8.2. Defende a tese de afronta ao Princípio da Irretroatividade da Lei, uma vez que foi aplicada como fundamentação legal do lançamento a Instrução Normativa SRP 03/2005, que só entrou em vigência em 01/08/2005, enquanto o período lançado vai de 11/2003 a 06/2005. Do Mérito 8.3. Invoca o art. 219, §2° do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, para destacar que, co esclarece o art. 156 da Instrução Normativa INSS/DC 100/2003, este determina relação exaustiva de serviços sujeitos à retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais/faturas de serviços, do que decorre a impossibilidade de "qualquer interpretação ou analogia quanto aos serviços enquadrados como de retenção compulsória". 8.4. Entende que o lançamento não procede, uma vez que os serviços sob análise estariam descritos no inciso XIX do §2° do art. 219 do RPS, ou seja "operação de transporte", a qual não Fl. 498DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 499 5 abrange o transporte de cargas desde a edição do Decreto 4.729, de 09/06/2003 (DOU de 10/06/2003). Corno todo o período lançado é posterior ao referido decreto, não caberia a retenção. 8.5. O objeto social da contratada é, conforme indicado por seu enquadramento no CNAE 60.26702, "transporte de cargas em geral, intermunicipal, interestadual e internacional", sendo cadastrada no Registro Nacional de Transportes de Carga RNTRC, da Agência Nacional de Transportes Terrestres ANTT sob o n° 070919/06883235, conforme o documento de fls. 385. 8.6. Define que os serviços contemplados no contrato em análise e, em especial, seus Anexos I e II, movimentação de granéis, são serviços de transporte, movimentando cargas como carvão, coque e pelotas, com uso de veículos automotivos terrestres, como caminhões basculantes trucados. Explica, ainda, que granéis são mercadorias que, por suas características peculiares, são transportadas sem embalagem, como cereais, minérios ou petróleo. 8.7. Invoca o art. 730 do Código Civil , Lei 10.406/2002, que define o contrato de transporte como aquele em que "alguém se obriga, mediante retribuição, a transportar, de um lugar para outro, pessoas ou coisas". 8.8. Assim, junta todos os conceitos anteriores para definir o objeto do contrato como "transporte de minérios, coque, carvão e pelotas de um lugar para outro, por intermédio de veículos automotivos terrestres" e, assim, afirmar a inexegibilidade da retenção. Foi proferida a DecisãoNotificação DN nº 17.422.4/0345/2006, fls. 390/398, que julgou o lançamento procedente, assim ementada: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ACRÉSCIMO DE ALÍQUOTA NA RETENÇÃO PARA FINANCIAMENTO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. A partir de 04/2003, por determinação do art 6 ° da Lei 10.666/2003, o percentual previsto no art. 31 da Lei 8.212/91 (redação alterada pela Lei 9.711/98), a cargo da contratante, de retenção do valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, é acrescido de 2 pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados por segurado em atividade que permita a concessão de aposentadoria especial após 25 anos de contribuição. PEÇAS QUE INSTRUEM O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PREVIDENCIÁRIO. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. A relação de coresponsáveis é anexo obrigatoriamente integrante da Notificação Fiscal de Débito NFLD, e apenas lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do Fl. 499DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 500 6 sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, conforme artigo 660, inciso X da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. LANÇAMENTO PROCEDENTE Cientificado da DN em 10/10/06, conforme Avisto de Recebimento AR de fl. 402, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 9/11/06, fls. 404/423, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da impugnação e acrescenta alguns pontos (itens 'c' e 'd' a seguir): a) Preliminarmente, a nulidade da NFLD, haja vista que a inclusão de diretores no relatório de coresponsáveis implica em exclusão do direito de ampla defesa e do contraditório, até porque não houve nos autos qualquer menção a prática de ato de gestão que viesse a ensejar a imputação de responsabilidade dos diretores como coresponsáveis da obrigação previdenciária. b) Que a notificação fere o princípio da irretroatividade das normas, pois está fundamentada na IN SRP n° 3, de julho de 2005, que somente entrou em vigor em 1º de agosto de 2005, não podendo retroceder ao período do lançamento, 11/03 a 06/05. c) Os documentos ambientais exigidos pela lei, embora elaborados por profissional qualificado e registrado no Ministério do Trabalho, foram afastados pelo próprio auditor notificante. d) Embasada no art. 689 da Instrução Normativa n° 100/2003, entende que a NFLD não atinge os requisitos de clareza exigidos pela norma previdenciária, inviabilizando qualquer presunção de liquidez e certeza do crédito previdenciário, sendo o lançamento impreciso e irregular. d.1) Aponta diversas irregularidades no lançamento, quais sejam: i) a falta de uma relação dos empregados terceirizados considerados pelo auditor fiscal, que ensejaram a obrigação da retenção da contribuição; ii) ausência de uma análise técnica para comprovar os dados constantes da documentação apresentada pela empresa; iii) o procedimento adotado para a estipulação dos valores foi o arbitramento, que somente deve ser utilizado em caráter excepcional e quando o sujeito passivo não matem escrituração contábil e fiscal irregulares ou em razão da inexistência de documentos avaliadores dos riscos ambientais do trabalho, que não é o caso; iv) apesar de a própria fiscalização ter atestado que recebeu os documentos ambientais, deixou de avaliálos de forma a individualizar os trabalhadores supostamente expostos à atividade laboral de risco, deixando inclusive de considerar a utilização de equipamentos de proteção individual e coletivas, os quais mitigariam o prejuízo à saúde do trabalhador; v) ao eleger os valores totais das notas fiscais sem individualizar os segurados efetivamente expostos aos riscos ambientais, afrontam os requisitos de precisão e clareza. e) No mérito, diz que não há obrigatoriedade de retenção para o serviço de transporte de cargas no período lançado, já na vigência do Decreto 4.729/2003, e que o objeto da empresa contratada é o transporte de cargas em geral, atuando no caso para o transporte de minérios, coque, carvão e pelotas de um lugar para outro, por intermédio de veículos automotores terrestres. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 501 7 Requer, preliminarmente, que seja declarada nula a NFLD. Caso assim não se entenda, que sejam retificados os valores, identificandose os trabalhadores expostos a agentes nocivos. Os autos foram baixados em diligência conforme Resolução de fls. 441/445, nos seguintes termos: Segundo consta do relatório fiscal, os valores referentes ao adicional de 2% sobre os valores da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, executados mediante cessão de mãode obra, relativamente aos serviços prestados por segurado empregado que exerce a atividade coberta pela concessão de aposentadoria especial, após 25 anos de contribuição, conforme determina o artigo 6ºo da Lei n° 10.666, de 8 de maio de 2003. Ainda segundo a informação fiscal a empresa não comprovou que gerencia de forma correta e eficaz o seu ambiente de trabalho, bem como que o lançamento foi realizado por aferição indireta, ante a impossibilidade de o fisco quantificar o total de trabalhadores expostos a agentes nocivos, no que foi considerado como base de cálculo o valor de mãodeobra constantes da nota fiscal/fatura. No meu entender, resta comprovado nos autos que a empresa se descuidou de suas demonstrações ambientais, entretanto, o lançamento do débito relativo ao adicional é matéria complexa e que depende de uma análise pericial da realidade fática encontrada no interior da empresa. Até porque, é necessário identificar, por setor e por funcionários, a efetiva exposição dos trabalhadores aos agentes novivos. De maneira que a generalidade do lançamento, por aferição, não serve para evidenciar a realidade da empresa, principalmente, no que se refere a ausência de informação se todos os funcionários terceirizados, considerado pelo auditor, estariam ou não expostos. Além do mais, o auditor fiscal não evidencia em seu relatório fiscal os agentes nocivos presentes no estabelecimento da empresa, nem a utilização ou não de equipamentos que seriam distribuídos para proteger os trabalhadores. Vale ressaltar que o procedimento de aferição é a alternativa a ser utilizada quando reste plenamente comprovado que a empresa, pela sua atividade, expõe seus empregados a riscos que ensejam a aposentadoria especial ou efetua precariamente o controle desses agentes, de tal sorte que efetivamente permaneçam expostos a tais riscos. O lançamento por arbitramento, como todos os atos administrativos, deve observar os Princípios Básicos da Administração Pública, dentre os quais destaco o da Razoabilidade, que segundo Hely Lopes Meirelles "determina nos processos administrativos, a observância do critério de adequação entre os meios e os fins, cerne da razoabilidade, e Fl. 501DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 502 8 veda imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". No presente caso, a procedência do lançamento terá o condão, em verdade, de declarar e afirmar o direito à aposentadoria especial de todos os trabalhadores considerados expostos pela auditoria fiscal, de tal sorte que todo esse contingente de pessoas poderá apresentar requerimento junto às Agências da Previdência Social pleiteando o reconhecimento do tempo de contribuição para a aposentadoria especial. Tal conseqüência não se mostra em consonância com as mudanças feitas na legislação de aposentadoria especial, que passou a exigir a efetiva exposição aos agentes nocivos para o deferimento dos benefícios. Desta forma, considerando o acima exposto e a natureza eminentemente técnica da controvérsia travada nos presentes autos, tenho que o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que seja elaborado parecer técnico para cada um dos estabelecimentos da empresa, a ser elaborado por Médico Perito do Fisco, de forma a comprovar que os segurados empregados da recorrente encontramse efetivamente expostos a agentes nocivos (considerando, inclusive, se havia ou não utilização eficaz de equipamento de proteção para cada um dos agentes), que lhes garanta aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 e seguintes da Lei n° 8.213/91. Para tanto, deverá ser realizada inspeção técnica no local de trabalho da empresa, considerado pelo auditor fiscal, emitindo se parecer conclusivo. Inclusive com a confirmação se houve a concessão de benefícios por incapacidade acidentaria aos segurados da empresa em epígrafe, no período do levantamento do crédito previdenciário, referente a cada um dos respectivos estabelecimentos da empresa. Da mesma forma, seja elaborada planilha relacionando os empregados expostos e seus respectivos setores, de forma a deixar claro se estão ou não incluídos no presente lançamento. Tais informações poderão ser adquiridas no local de trabalho dos segurados ou na prestadora de serviços, já que esta é obrigada a ter folha de salário separada por cada sociedade empresária contratante (art. 31, §5°, da Lei n° 8.212/91) ou outro meio capaz de assegurar que os segurados efetivamente estavam expostos a agentes nocivos à saúde. Conforme documento de fls. 453/455, a Delegacia da RFB em São Paulo DERAT informa que: 4. Para a fiscalização ficou comprovada a obrigatoriedade do acréscimo da retenção relativa à contribuição adicional prevista no §6° do art. 57, da Lei n° 8.213/91, nos termos do art. 6ºo da Lei n° 10.666/2003, diante do tipo de serviço prestado. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 503 9 5. Apesar de solicitada à empresa contratante, através da emissão de diversos TIAD (fls. 45 a 53 ) na ação fiscal, a apresentação dos documentos que ela tinha a obrigação de manter consigo e apresentar à fiscalização, foi apresentada somente parte dos documentos. 6. Após análise da documentação apresentada, confrontando documentos apresentados pela empresa contratante com os da empresa contratada, verificouse a incompatibilidade entre a documentação. Diante dessa análise e com a apresentação deficiente de documentos, a fiscalização concluiu que a notificada não cumpriu o determinado na legislação para elidir se da obrigação, quanto ao acréscimo da retenção sobre as notas fiscais/fatura emitidas pela Transportadora JB Fernandes Ltda. 7. O fato exposto acima fez com que se tornasse impossível para o fisco quantificar e individualizar o total de trabalhadores, prestadores de serviços, expostos a agentes nocivos, tornandose necessário considerar como Base de Cálculo para o levantamento, o valor de mãodeobra constante na nota fiscal (vide Relatório Fiscal, item 11.2 em fls. 76) e cabendo à notificada o ônus da prova em contrário. [...] 8. A realização de um laudo pericial como solicita o CARF em sua Resolução, para o exame do local de trabalho, poderia acabar não representando a situação real, pois neste tipo de laudo não se tem como evitar que os locais de trabalho e até os trabalhadores pudessem ser "preparados" para o dia designado para a realização da perícia e também não é mais possível encontrar a mesma situação do passado. Para cumprimento da diligência, foi solicitada informação ao INSS. Em documento de fl. 472 o INSS afirma que é incompetente para avaliar todos os benefícios concedidos aos trabalhadores, identificando aqueles que culminaram em aposentadoria por invalidez. Diz não contar com número adequado de peritos médicos para tal tarefa, prejudicando outras atividades essenciais da perícia médica do INSS. Acrescenta que pode ser feita uma análise dos LTCAT em confrontação com vistoria técnica dos locais de trabalho. Considerando o porte da empresa e a atividade contínua de fabricação de cimento, parece difícil a preparação do ambiente do trabalho com o escopo de ocultar as reais condições laborativas dos empregados. Em nova manifestação, a DERAT em São Paulo apresentou o despacho de fls. 473/476, que contém, em síntese: Pedese ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que prestigie a legislação relativa ao assunto tratado cujos dados estão presente no Relatório Fiscal e não deixa dúvidas quanto à legitimidade da cobrança. Uma simples pesquisa na internet também torna evidente a situação tratada, haja vista a própria propaganda institucional da empresa prestadora de serviços e também a quantidade elevada de processos na Justiça Fl. 503DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 504 10 do Trabalho específicos da relação de prestação de serviços em questão, tomadora e prestadora de serviços, mostrando a situação notória das condições de trabalho precárias dos trabalhadores que certamente acaba sempre por gerar benefícios previdenciários referentes a afastamentos do trabalho que por se tornarem contínuos acabam implicando a concessão de aposentadoria por invalidez [...] OBS: portanto, juntamos aos autos os dados encontrados numa simples pesquisa na internet muito esclarecedora, fls. 457 a 471, contendo: i) a propaganda institucional da própria empresa prestadora de serviços envolvida (endereço: www.transportadorajb.com.br/), que demonstra a inequívoca atividade de notória condição insalubre, cujo contrato tomadora/prestadora descreve como “Movimentação de Granéis”, cujos trabalhadores atuavam no Terminal de Granéis Sólidos do Porto de Sepetiba; ii) os dados de afastamentos de trabalhadores informados pela própria prestadora de serviços, dados estarrecedores pela continuidade e pela proporção em relação ao número de empregados da empresa; iii) uma pequena parte exemplificativa da extensa relação de processos trabalhistas relativos à relação da tomadora e prestadora de serviços e os empregados relacionados. [...] Cremos que a presente análise e manifestação e documentos juntados pode contribuir para a solução da questão no atendimento satisfatório em relação à necessidade de informações a justifica a revisão da decisão que determinou o cumprimento da diligência determinada na decisão fls. 443 e 444, para o regular prosseguimento do processo no contencioso administrativo fiscal, devendo ser dada oportunidade para a empresa notificada exercer o direito ao contraditório em relação à presente análise e informações. A autuada foi cientificada do resultado da diligência em 2/2/18 (Termo de Ciência por abertura de mensagem de fl. 478) e em 20/2/18 apresentou manifestação, fls. 482/492, que contém, em síntese: Afirma que a diligência solicitada pelo CARF não foi cumprida, havendo a necessidade de cancelamento da autuação. Diz ser irretocável a diligência requerida, pois não compete ao contribuinte produzir prova negativa. Nessa linha, ante a impossibilidade de realização da diligência, naturalmente deve ser cancelado o Auto de Infração, uma vez que o próprio “CARF” já reconheceu que há mera suposição de ocorrência do fato gerador, e não a sua comprovação, razão pela qual não pode a presente cobrança se manter. Alega que é infundada a tentativa de afastar a necessidade de diligência, apresentando imagens do site da empresa prestadora, processos trabalhistas e dados de afastamentos de empregados, para comprovar a exposição a agentes nocivos. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 505 11 Pede o cancelamento da exigência fiscal, ante a impossibilidade de realização da diligência determinada pelo CARF. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRECLUSÃO Quanto às alegações de que a fiscalização não poderia afastar os documentos elaborados por médico do trabalho e que o lançamento não atinge os requisitos de clareza exigidos pela norma previdenciária, apontando irregularidades, temse que o sujeito passivo sequer apresentou tais argumentos na impugnação, sendo considerada não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, ocorrendo a preclusão. DILIGÊNCIA Ressaltese que o relator da resolução que determinou a conversão do julgamento em diligência foi o conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior, que deixou de integrar o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Assim, o processo foi distribuído para minha relatoria, conforme despacho de fl. 494. Logo, toda uma análise prévia feita pelo antigo relator não significa ser o entendimento desta relatora. Pelo contrário, esta relatora entende prescindível a realização de diligência. Diante dos fatos que se apresentam, inferese que o relator levou ao colegiado situação fática diversa da que se apresenta nos autos. Não mencionou que o conteúdo sobre risco ocupacional não foi impugnado, tendo ocorrido a preclusão, e interpretou, de forma equivocada, os dispositivos legais que determinam o lançamento do adicional para o financiamento da aposentadoria especial. Como já descrito acima, a diligência se baseou nos argumentos apresentados somente no recurso voluntário a questão da exposição aos agentes nocivos, tendo ocorrido a preclusão. Ademais, quanto aos elementos solicitados pelo referido relator na Resolução, temse que: Fl. 505DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 506 12 Em que pese afirmar que resta comprovado nos autos que a empresa se descuidou de suas demonstrações ambientais, solicita que seja identificado por setor e por funcionários a efetiva exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos. Sobre isso, a própria fiscalização destacou que foi impossível referida individualização, o que determinou, inclusive, o arbitramento. Acrescentese que caberia à prestadora a individualização dos segurados expostos e emitir nota fiscal específica com o valor dos serviços relativo a tais segurados. À tomadora, diante da presença de agentes nocivos prejudiciais à saúde no ambiente de trabalho, ao contratar serviços mediante cessão de mão de obra, deveria efetuar a retenção de 11% acrescida do adicional para o financiamento da aposentadoria especial (2%, 3% ou 4%, conforme o caso). Em outro ponto, referido relator afirma que: Vale ressaltar que o procedimento de aferição é a alternativa a ser utilizada quando reste plenamente comprovado que a empresa, pela sua atividade, expõe seus empregados a riscos que ensejam a aposentadoria especial ou efetua precariamente o controle desses agentes, de tal sorte que efetivamente permaneçam expostos a tais riscos. (grifo nosso) Ora, foi exatamente isso que a fiscalização explicou para justificar o arbitramento! O relator pede que seja elaborado parecer por médico perito do fisco de forma a comprovar que os segurados encontramse efetivamente expostos a agentes nocivos. Aqui, vêse uma incongruência. A lei determina que a empresa (e não o fisco!) realize as demonstrações ambientais para a efetiva comprovação de que há trabalhadores expostos, ou não, a agentes nocivos. Se os agentes estão dentro dos limites de tolerância, se há EPC ou EPI capaz de isolar ou atenuar a nocividade. Logo, descabida a solicitação para que o fisco elabore documento com tais informações. Quanto à determinação para que se confirme a concessão de benefícios por incapacidade acidentária no período do lançamento, mais uma vez não se verifica a importância dessa solicitação. O que está em discussão é a possível concessão, no futuro, de aposentadoria especial e não a concessão de benefícios por incapacidade aposentadoria por invalidez, auxílio doença ou auxílio acidente durante o período do lançamento. Logo, descabida a intimação do INSS para prestar referidas informações. Sendo assim, confirmandose ser desnecessária e descabida a diligência anteriormente requerida, por evidente perda de objeto, desnecessário tecer argumentos sobre os despachos e manifestações decorrentes da Resolução que determinou a realização da diligência. Cabe esclarecer ao sujeito passivo que diante da presença do agente nocivo no ambiente de trabalho e como não foram apresentados todos os documentos necessários, especialmente os LTCATs, não foi possível averiguar os níveis de concentração, se estavam dentro dos limites de tolerância. Também não foi possível confirmar se havia o fornecimento Fl. 506DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 507 13 de EPI capaz de isolar/atenuar a exposição ao agente nocivo (vide item 11.2 do Relatório Fiscal). Sendo assim, corretamente agiu a fiscalização ao arbitrar a base de cálculo (valor dos serviços constantes nas notas fiscais) e apurar o adicional de 2% (que é o percentual mínimo) incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mão de obra. Acrescentese que é preciso separar o custeio previdenciário da concessão de benefícios. Constatada a presença do agente nocivo no ambiente de trabalho que enseja a concessão de aposentadoria especial, deve a empresa recolher os adicionais previstos em lei, independentemente de haver, no futuro, a concessão de tal benefício aos segurados. Para a concessão da aposentadoria especial, a Lei 8.213/91 assim determina: Art.57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei. [...] § 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. §4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício. [...] Portanto, provando o segurado a efetiva exposição ao agente nocivo, o INSS deverá concederlhe o benefício, independentemente de ter havido a contribuição adicional devida pelas empresas para esse fim. Logo, o fato de ter havido a contribuição adicional não significa, necessariamente, que os trabalhadores terão direito à aposentadoria especial. Por outro lado, mesmo não havendo a contribuição adicional, se o segurado comprovar a exposição, terá direito à aposentadoria especial. Não se pode perder de vista que o fundo para o financiamento da previdência social é único e permite a concessão de diversos benefícios, pautado no princípio da solidariedade e cujo regime financeiro é de repartição simples. Logo, não se pode vincular uma contribuição realizada à concessão de qualquer benefício. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 508 14 PRELIMINARES RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS A Súmula CARF nº 88, assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP", o"Relatório de Representantes Legais RepLeg"e a"Relação de Vínculos VÍNCULOS", anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, irrelevantes os argumentos apresentados sobre tal documento. AFRONTA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS NORMAS Não há como serem acatadas as alegações de que a notificação está fundamentada na IN SRP n° 3, de julho de 2005, que somente entrou em vigor em 1º de agosto de 2005, não podendo retroceder ao período do lançamento, 11/03 a 06/05. Neste ponto, vêse que o recorrente se confunde quanto ao direito material aplicável, para o qual deve ser observada a legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores, e as normas procedimentais, que orientam a fiscalização, devendo ser observadas as vigentes por ocasião do procedimento fiscal. O CTN, art. 144, § 1º, assim dispõe: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. A notificação está fundamentada na Lei 8.212/91, na Lei 10.666/03 e no Decreto 3.048/99, conforme Relatório Fundamentos Legais do Débito, fls. 25/26, legislação vigente à época dos fatos geradores. A IN SRP n° 3/05, que "Dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária SRP e dá outras providências", é norma que determina os procedimentos a serem adotados pela fiscalização, não havendo que se falar em irretroatividade. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 509 15 Ademais, os documentos solicitados, para verificação dos agentes nocivos presentes no ambiente, PPRA/PGR/PCMAT, PCMSO e LTCAT são os exigíveis conforme legislação da época dos fatos geradores. A orientação prevista na IN SRP nº 3/05, art. 381, incisos I a V, é a mesma já prevista na IN INSS/DC 100/03, art. 404, incisos I a V, e também na IN INSS/DC 70/02, art. 234, incisos IV a VIII, vigentes à época dos fatos geradores, não tendo sido exigido qualquer documento que a empresa já não tivesse obrigatoriedade de manter e apresentar à época dos fatos geradores. MÉRITO O lançamento teve por base o que determina a legislação sobre o adicional para o financiamento da aposentadoria especial: Lei 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei. Lei 10.666/03: Art. 6o O percentual de retenção do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços relativa a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, a cargo da empresa contratante, é acrescido de quatro, três ou dois pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados pelo segurado empregado cuja atividade permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216. [...] §12ºO percentual previsto no caput será acrescido de quatro, três ou dois pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados pelos segurados empregado, cuja atividade permita a Fl. 509DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 510 16 concessão de aposentadoria especial, após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. RETENÇÃO DE 11% O sujeito passivo limitase a questionar a obrigatoriedade da retenção de 11% pelo serviço de transporte contratado. Inicialmente, ressaltese que esse fato não foi questionado pelo contribuinte à época dos fatos geradores, pois efetuou a retenção no percentual de 11%. O objeto da autuação não foi a obrigatoriedade de efetuar a retenção, mas tãosomente o adicional de 2% devido em virtude dos trabalhadores que prestaram serviços mediante cessão de mão de obra estarem expostos a agentes nocivos que ensejam a concessão de aposentadoria especial após 25 anos. De qualquer forma, a decisão recorrida enfrentou muito bem a questão: 22. Quanto à incidência de retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços em questão, nos termos do srt. 31 da Lei 8.212/91, ao qual seriam adicionados os 2% lançados através da presente NFLD, observase que todos os protestos da defendente restringemse à tese de que os serviços em questão seriam classificados como transporte de cargas, sendo, assim, excluídos da nova redação do inciso X!X do §2° do art. 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.043/99. 23. Da leitura do contrato S10345942, fls. 87/107, temos que "serviços de movimentação de granéis no Terminal de Carvão do Porto de Sepetiba" (grifado), ou seja, dentro das instalações do referido Terminal de Carvão, não pode ser confundido com "transporte de cargas", no mesmo sentido que o termo é empregado de forma geral para as operações de transporte pelas estradas do país ou entre países. Para operações como a descrita no referido contrato, temos o termo movimentação... e, no caso em teia, esta é desenvolvida por caminhão forade estrada. Tais condições ficam bastante claras no Anexo II, item II B Especificação dos Serviços, fls. 99 a 101 dos autos, uma vez que, mesmo empregando o termo "transporte", a especificação dos serviços sempre se reporta ao deslocamento dentro do referido terminal, senão, vejamos alguns excertos, cujos pontos mais esclarecedores foram grifados: "001 Transporte de carga da terceiros do píer para os Pátios incluindo operação Botoeira descarregadores o arrumação de pátios c/limpeza do píer. 002 O transporte é realizado utilizandose, por aparelho, entre 20 e 25 caminhões trucados com caçamba de 15m3 ou 10 a 15 carretas com caçamba de 30m3. A operação é realizada durante 24hs./dia enquanto durar a descarga do navio. Deverá ficar a disposição durante a operação uma pá carregadeira tipo 930 ou similar para efetuar os serviços de limpeza do Píer e vias de acesso. A equipe necessária a operação do sistema de Fl. 510DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 511 17 acionamento do alimentador de bandejas dos descarregadores (botoeira), é de responsabilidade da contratada, assim como a equipe para controle do número de viagens por veículo. No custo da operação também está incluso o uso de uma ou mais pás carregadeiras tipo 950 ou similar necessárias a remontagem da carga nos pátios de estocagem. Q03 Transbordo de carvão entre Pátios incluindo carregamento e arrumação da carga. 004 (descrição bastante similar ao item 002). 005 Transbordo de Coque o derivados entre Pátios internos incluindo carregamento e arrumação da carga. 006 (descrição bastante similar ao item 002). 008 (descrição bastante similar ao item 002). 007 Transbordo de Pelota entre Pátios incluindo carregamento e arrumação da carga. 009 Transbordo de terceiros entre Pátios incluindo carregamento e arrumação da carga. 010 (descrição bastante similar ao item 002). 24. Como fica patente no excerto acima , a alegação de que os serviços em comento referemse a transporte de cargas, na acepção do inciso XIX do 52° do art. 219 do RPS. constitui verdadeiro sofisma, uma vez que temos no inciso XVII do § 2º5 do art. 219 do Decreto 3.048/99 a descrição dos referidos serviços, conforme excerto abaixo: DECRETO N3 3.048 DE 6 DE MAIO DE 1999 DOU DE 7/5/99 Republicado em 12/5/99 Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5° do art. 216. (Redação dada pelo Decreto n° 4.729, de 9/06/2003) ... § 2° Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; (GRIFADO) 25. Para esclarecermos o conceito dos serviços abrangidos no texto acima reproduzido, basta recorrer à Instrução Normativa MPS/SRP 03/2005 que, no inciso XVI do art. 146, descreve os Fl. 511DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 512 18 serviços em questão, mantendo o mesmo texto, respectivamente, do inciso XVI do art. 155 da Instrução Normativa MPS/DC 100/2003 que, por sua vez, reproduziu o incisos XVI da Instrução Normativa MPS/DC 71/2002: INSTRUÇÃO NORMATIVA MPS/SRP 03/2005 "XVI operação de máquinas, de equipamentos e de veículos relacionados com a sua movimentação ou funcionamento, envolvendo serviços do tipo manobra de veículo, operação de guindaste, painel eletroeletrônico, trator, colheitadeira, moenda, empilhadeira ou caminhão foradeestrada; (GRIFADO) 26. Esclarecemos, ainda, que tal entendimento está pacificado desde 1999, ano de publicação da Ordem de Serviço INSS/DAF 209, que já dispunha quanto à retenção sobre tais serviços em seu art. 12.1, alínea "q", como se vê do excerto abaixo: "2.1 Aplicase a retenção aos seguintes serviços quando executados mediante cessão de mãodeobra: ... q) operação de máquinas e equipamentos de veículos; 27. Por fim, cumpre ressaltar que nem a empresa prestadora dos referidos serviços teve qualquer dúvida quanto à incidência da retenção sobre o valor bruto das notas fiscais que emitiu, posto que nelas destacou a retenção cabível, promovida como de obrigação da empresa contratante, conforme a legislação pertinente. 28. Pacificado o entendimento quanto à incidência da retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas para os serviços sob análise, basta verificar o conteúdo do § 12 do art. 219 do Decreto 3.048/99, abaixo reproduzido, para verificar que é correta a cobrança do adicionai objeto do lançamento ora examinado : § 12. O percentual previsto no caput será acrescido de quatro, três ou dois pontos percentuais, relativamente aos serviços prestados pelos segurados empregado, cuja atividade permita a concessão de aposentadoria especial, após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Parágrafo acrescentado pelo Decreto n° 4.729, de 09/06//2003) 29. Resta evidente a legalidade e correção da NFLD, lavrada de forma clara e precisa, provida de fundamento legal o com a indicação dos valores apontados, possibilitando à defendente entender o modus operandi utilizado para alcançar o valor devido. Os fatos geradores encontramse devidamente identificados e motivados, conforme demonstram a notificação, anexos e Relatório Fiscal, não havendo, desta forma, qualquer inobservância ao código Tributário Nacional, art. 142, e às Lei 8.212/91, 9.711/98 e 10.666/2003. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 35570.005722/200674 Acórdão n.º 2401005.688 S2C4T1 Fl. 513 19 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares, considerar prescindível a diligência anteriormente solicitada e, no mérito, negar lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001681/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA.
Para que uma despesa decorrente de serviços prestados seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com contratos, documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, com a demonstração efetividade do serviço prestado, devendo ainda ser necessária, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a efetividade dos serviços, correta a sua glosa.
RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
A norma tributária é muito clara ao dispor sobre a tributação da reserva de reavaliação. A legislação permitiu a tributação de tal acréscimo patrimonial para o momento de sua realização, que pode se dar, dentre outras formas, na alienação e na apropriação da depreciação do bem. Se um bem foi reavaliado e posteriormente vendido, a empresa também pode optar pelo diferimento da tributação para o momento do recebimento, mas desde que efetue os ajustes necessários no momento da venda do bem. Caso não o faça, a tributação deverá recair no momento da venda do bem, independentemente do ingresso de caixa.
CSLL. REFLEXO.
Aplica-se indistintamente à CSLL o quanto deliberado em relação ao IRPJ, se a recorrente cingiu seu pedido tão somente na aplicação reflexa de um tributo ao outro.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. EXIGÊNCIA.
A liquidação extrajudicial não impede a exigência de multa de ofício e juros de mora. A previsão contida na legislação aplicável às empresas nessas condições deve ser avaliada somente pelo poder judiciário. Além disso, o art. 60 da Lei 9.430/96 dispõe que as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial estão sujeitas às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO.
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
Numero da decisão: 1401-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto ao mérito da autuação. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para exonerar a multa isolada até o limite da imputação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Designada a Conselheira Livia De Carli Germano para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. Para que uma despesa decorrente de serviços prestados seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com contratos, documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, com a demonstração efetividade do serviço prestado, devendo ainda ser necessária, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a efetividade dos serviços, correta a sua glosa. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A norma tributária é muito clara ao dispor sobre a tributação da reserva de reavaliação. A legislação permitiu a tributação de tal acréscimo patrimonial para o momento de sua realização, que pode se dar, dentre outras formas, na alienação e na apropriação da depreciação do bem. Se um bem foi reavaliado e posteriormente vendido, a empresa também pode optar pelo diferimento da tributação para o momento do recebimento, mas desde que efetue os ajustes necessários no momento da venda do bem. Caso não o faça, a tributação deverá recair no momento da venda do bem, independentemente do ingresso de caixa. CSLL. REFLEXO. Aplica-se indistintamente à CSLL o quanto deliberado em relação ao IRPJ, se a recorrente cingiu seu pedido tão somente na aplicação reflexa de um tributo ao outro. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007 LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. EXIGÊNCIA. A liquidação extrajudicial não impede a exigência de multa de ofício e juros de mora. A previsão contida na legislação aplicável às empresas nessas condições deve ser avaliada somente pelo poder judiciário. Além disso, o art. 60 da Lei 9.430/96 dispõe que as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial estão sujeitas às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
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GLOSA. Para que uma despesa decorrente de serviços prestados seja deduzida da base do IRPJ, deve ser comprovada com contratos, documentos fiscais, comprovantes de pagamento e, principalmente, com a demonstração efetividade do serviço prestado, devendo ainda ser necessária, normal e usual ao desenvolvimento da atividade da empresa. Se a empresa não comprovou sequer a efetividade dos serviços, correta a sua glosa. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. A norma tributária é muito clara ao dispor sobre a tributação da reserva de reavaliação. A legislação permitiu a tributação de tal acréscimo patrimonial para o momento de sua realização, que pode se dar, dentre outras formas, na alienação e na apropriação da depreciação do bem. Se um bem foi reavaliado e posteriormente vendido, a empresa também pode optar pelo diferimento da tributação para o momento do recebimento, mas desde que efetue os ajustes necessários no momento da venda do bem. Caso não o faça, a tributação deverá recair no momento da venda do bem, independentemente do ingresso de caixa. CSLL. REFLEXO. Aplicase indistintamente à CSLL o quanto deliberado em relação ao IRPJ, se a recorrente cingiu seu pedido tão somente na aplicação reflexa de um tributo ao outro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 81 /2 01 0- 61 Fl. 906DF CARF MF 2 LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. EXIGÊNCIA. A liquidação extrajudicial não impede a exigência de multa de ofício e juros de mora. A previsão contida na legislação aplicável às empresas nessas condições deve ser avaliada somente pelo poder judiciário. Além disso, o art. 60 da Lei 9.430/96 dispõe que as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial estão sujeitas às mesmas normas de incidência dos impostos e contribuições da União aplicáveis às demais pessoas jurídicas. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratandose de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto ao mérito da autuação. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para exonerar a multa isolada até o limite da imputação da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Designada a Conselheira Livia De Carli Germano para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 907 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1449.861, de 24 de abril de 2014, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa. Observo que solicitei a distribuição deste processo a mim pelo fato de ter sido designado para o julgamento do processo nº 16327.721266/201370, que trata de lançamento de IRPJ e reflexos dos anoscalendário 2008 e 2009 lavrado em desfavor da recorrente e que também resultou na compensação de ofício de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, que resultou em glosa de compensação a maior. Como a fiscalização se utilizou do saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL corrigido após o resultado da lavratura do auto de infração constante neste processo que aqui se julga (nº 16327.001681/201061), percebeuse que o resultado do julgamento daquele processo restou prejudicado em relação ao julgamento deste. Outrossim, solicitei a distribuição a mim do processo nº 16327.720464/2010 73, que também trata de lançamento de IRPJ e reflexos, referentes aos anoscalendário de 2005 a 2008, cujo resultado também se apropriou do saldo de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, que também influenciou nos processos nº 16327.001681/201061 e nº 16327.721266/201370. Desta feita, solicitei a inclusão em pauta e julgamento em conjunto dos três processos. Em continuidade ao relatório deste processo, reproduzo, por oportuno, o relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls. 731/749, que se prestaram a exigir o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e respectivos consectários legais, como também a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, relativos a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007, em razão da glosa de despesas não comprovadas pela contribuinte e da tributação da realização da reserva de reavaliação decorrente de depreciação e de venda do bem reavaliado. Foi exigida a multa isolada, tendo em vista a falta de pagamento do IRPJ e CSLL, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal. O crédito tributário exigido neste processo está composto dos seguintes montantes: Fl. 908DF CARF MF 4 TRIBUTO PRINCIPAL (R$) JUROS (R$) MULTA (R$) MULTA ISOLADA (R$) TOTAL (R$) IRPJ 1.102.265,21 317.783,06 826.698,90 551.132,62 2.797.879,79 CSLL 405.455,48 116.892,81 304.091,61 202.727,74 1.029.167,64 TOTAL (R$) 1.507.720,69 434.675,87 1.130.790,51 753.860,36 3.827.047,43 O enquadramento legal para o lançamento dos tributos encontrase descrito nos autos de infração. Consta no Termo de Verificação Fiscal que, no termo de intimação fiscal datado de 30/08/10, a contribuinte foi intimada a comprovar a efetiva prestação de serviços pela empresa PORT SERV LTDA, CNPJ: 03.270.070/000158, assim como apresentar razão da conta contábil onde foi registrada a despesa. Após solicitação de prorrogação de prazo para apresentação da resposta, a empresa apresentou (fls. 320 a 408) notas fiscais e, como prova do pagamento, comprovantes de depósitos, fichas de compensação e documentos internos da Companhia Mutual de Seguros denominados "Formulários de Solicitação de Transferências" com a indicação dos valores despendidos em cada mês, conforme planilha anexada (fls. 318/319). Após reintimação (fl. 443), a contribuinte informou à fl. 446 que o serviço era "comissão de agenciamento" calculada sobre os prêmios e que a despesa estava contabilizada na conta 31525101.01.0870 DESPESA DE ADMINISTRAÇÃO SEGURO DIRETO, anexando o razão da conta de fls. 447 e 448. No entanto, à fl. 509, a empresa declarou que, de acordo com normas da SUSEP, as comissões pagas devem ser registradas na conta 31411111 — Despesas com Comissões e que a conta 31525101 recebe registros decorrentes de despesas de administração de apólices. Considerando que, até então, a fiscalizada não havia apresentado o contrato celebrado com a empresa PORT SERV LTDA, expediuse nova reintimação (fl.452) para apresentálo, bem assim o extrato bancário para comprovação dos valores transferidos. Em sua resposta à fl. 457, a empresa informou que os extratos bancários não foram localizados e, por fim, apresentou cópia do contrato de fls. 504 a 508. Verificouse no contrato a ausência de identificação e qualificação do representante legal da empresa contratada e falta da assinatura de duas testemunhas. Ou seja, não houve obediência a formalidades básicas de um contrato, como menção do nome completo, RG, CPF do representante da pessoa jurídica, a fim de dar veracidade ao documento particular. O contrato assinado entre as partes e sem testemunhas tem validade jurídica, porém não tem força executiva. Além disso, o contrato prova a vontade das partes, não comprovando a efetividade das despesas apropriadas contabilmente. Registrou a fiscalização que, da mesma forma, as notas fiscais apresentadas não descrevem com clareza os serviços supostamente prestados. A simples apresentação de notas fiscais, que tenham por conteúdo a descrição genérica "prestação de serviços" não constitui prova suficiente para a demonstração da existência do serviço. Cabe à contribuinte demonstrar a efetiva prestação dos serviços, através de todos elementos de provas cabíveis no direito. Salientou o autuante que a contribuinte não apresentou o extrato bancário para comprovação das transferências indicadas em sua resposta, e ainda que o fizesse, este elemento, assim como as cópias dos depósitos e fichas de compensação apresentadas, comprovam tãosomente a efetividade do desembolso. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 908 5 Acrescentou que não bastam como elementos probantes notas fiscais com descrição genérica, comprovantes de desembolso como fichas de compensação e depósitos ou apresentação de contrato. É imprescindível que os mesmos guardem consonância com os respectivos lançamentos no livro Razão e contenham relação intrínseca documental que evidencie sua conexão com valores; descrições claras e suficientes dos serviços prestados cujos dispêndios devem corresponder à contrapartida de algo recebido e coerência com as contas utilizadas em seus registros contábeis. Considerando a relevância do valor em relação aos demais beneficiários, a contribuinte foi intimada a comprovar também a efetiva prestação do serviço pela empresa PORTO REAL DIVISÃO SP CORRETORA DE SEGUROS LTDA, CNPJ:00.719.214/000112 (valor total de R$ 3.194.763,67). A empresa apresentou seus esclarecimentos nos seguintes termos: Em relação ao valor de R$ 3.194.763,67 constante do nosso último relatório de agenciamentos e prolabores pagos, em nome da Porto Real Divisão SP Corretora de Seguros Ltda, CNPJ: 00. 19.214/000112, informamos que por um engano foram listados todos as pagamentos em nosso sistema operacional constando indevidamente o nome do corretor, quando o correto seria o nome do agenciador ou estipulante. Quando solicitamos novamente o relatório constatamos que não existe a identificação do favorecido em nosso sistema operacional, o que nos leva a crer que pode ter sido pago a diversos beneficiários, uma vez que não estão identificados. Diante do exposto ficamos impossibilitados de levantar tal informação e fornecer a documentação solicitada no valor acima, em razão de não ter sido pago a Porto Real fls. 515/516. Ou seja, declara não possuir documentos hábeis e idôneos para comprovação da despesa contabilizada. Anexou a sua resposta notas fiscais relativas a comissões de corretagem de seguros, as quais foram contabilizadas na conta 31411111 Despesas com Comissões, nada apresentando com relação à despesa contabilizada na conta 31525101 Despesa de Administração Seguro Direto. Diante do acima exposto, foram glosadas as despesas não comprovadas pela contribuinte, as quais foram contabilizadas na conta 31525101 Despesa de Administração Seguro Direto, ocasionando, desta forma, redução indevida no lucro liquido da empresa no exercício de 2007, nos valores abaixo: PORT SERV LTDA documentos apresentados não retratam os fatos registrados na contabilidade da empresa 2.195.000,00 Demais despesas total ausência de documentação comprobatória 3.194.763,67 TOTAL 5.389.763,67 A fiscalização constatou, ainda, que, no mês de outubro de 2007, a contribuinte vendeu dois terrenos que, de acordo com escrita fiscal, possuía custo contábil de: Conta Contábil Denominação Valor (R$) 142111C1.C1.0000 TerrenosCusto de Aquisição 149.811,25 142112C1.C1.0000 TerrenosReavaliação 1.410.188,75 TOTAL 1.560.000,00 Fonte: Razão às fls. 106 e 107. Fl. 910DF CARF MF 6 A venda dos dois terrenos: "Purgatório" e "Curralinho" foi realizada pelo valor de R$ 2.000.000,00, para recebimento a prazo, conforme documento de fls. 426 a 435. A empresa apurou ganho na venda de ativo permanente no valor de R$ 440.000,00, conforme registros na conta 38111201.01.0000 Imóveis (fls. 440). Este valor, conforme lançamento na conta indicada e espelho da ficha 06C da DIPJ Demonstração do Resultado às fls. 683, foi transferido para encerramento do exercício na data de 31/12/07. O ganho na venda do ativo permanente foi reconhecido em sua totalidade no ano de sua apuração, considerando o lançamento na Demonstração de Resultado às fls. 683 e a inexistência de elementos escriturados no Lalur que indiquem o exercício da faculdade prevista no. art. 421 do RIR/99 diferimento da tributação do lucro na alienação dos imóveis. No entanto, com relação à realização da reserva de reavaliação, de acordo com os registros contábeis apresentados pela contribuinte de fls. 436 a 440, restou claro que esta não transitou pelo resultado do exercício e também não foi adicionada ao lucro líquido no momento da apuração do lucro real, conforme comprovam registros no Lalur (fls. 88 a 104). Intimada a esclarecer o fato, a contribuinte declarou em sua resposta às fls. 180 que "em nossas verificações não identificamos o oferecimento à tribulação da realização da reserva de reavaliação dos terrenos vendidos em 2007." Outro ponto observado pelo fisco foi que a contribuinte possuía edificações reavaliadas, as quais foram objetos de depreciação, conforme registros em escrita contábil: Coma Contábil Denominação Valor (RS) 14219201.01.0000 Depreciação Acumulada Edificações ', Reavaliação 46.360,00 Fonte: balancete com saldo em 31/12/07 à fl. 64 No entanto, conforme razão às fls. 110, ao contabilizar a realização da reserva decorrente depreciação de bem reavaliado, a fiscalizada lançou em contrapartida à conta de prejuízos acumulados (24182101.01.0000), ou seja, não transitando em conta de resultado, e, ainda, conforme Lalur de fls. 88 a 104, também não adicionou o valor ao lucro líquido na apuração do lucro real, tampouco na apuração da base de cálculo da CSLL (fls. 153 a 166). Logo, diante do exposto, considerando que a contribuinte não ofereceu à tributação os valores de realização de reserva de reavaliação, os mesmos foram adicionados de ofício no presente procedimento fiscal para a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, conforme planilha à fl. 695. Conforme informação nas Fichas 11 e 16 da DIPJ/2008 AC 2007 (fls. 685 a 692), a contribuinte foi tributada pela sistemática do Lucro Real Anual e levantou balanço/balancete de suspensão em todos os meses do anocalendário. No entanto, na apuração dos balancetes de suspensão, a fiscalizada não efetuou os ajustes necessários para a correta apuração do Lucro Real e da CSLL, deixando de adicionar a realização da reserva de reavaliação, conforme Demonstrações do Resultado do Exercício à fl. 675 e registros no Lalur de fls. 88 a 104. Além disso, reduziu indevidamente o lucro líquido através de contabilização de despesas não comprovadas, conforme descrito no item 4.1. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 909 7 A combinação desses dois fatores proporcionou a suspensão do recolhimento mensal, quando, na verdade, seria devido o valor da antecipação nos meses e valores indicados na planilha à fl. 694. Diante disto, é devida a multa de que trata o artigo 44, II "b" da lei 9.430/96 com a redação dada pela Lei n°11.488/2007 em seu art. 14. Informou, ainda, a fiscalização que na apuração do crédito tributário, procedeuse à compensação de ofício do Prejuízo Fiscal e da Base de Cálculo Negativa da CSLL, conforme demonstrado nas planilhas às fls. 694 e 695. Notificada da autuação, a contribuinte ingressou, por meio de seu representante legal, com a impugnação de fls. 759 a 775, na qual alega: ● Os lançamentos não podem prosperar porque: a) A glosa de despesas não pode ser mantida, porque houve a efetiva prestação de serviços pela Port Serv, conforme comprovado pelos documentos fornecidos pelo impugnante. O que enseja a dedução da despesa; b) Falta liquidez, certeza e exigibilidade ao lançamento. no que concerne à realização da reserva de reavaliação: b) (sic) improcede a exigência da multa isolada pelo não reconhecimento da estimativa. ● NULIDADE DOS LANÇAMENTOS COM BASE EM PRESUNÇÃO. FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. O objeto do contrato com a Port Serv é a prestação de .serviços de administração parcial das rotinas mensais inerentes às apólices de seguro de quebra de garantia SQG e de vida em grupo prestamista, que fazem parte da carteira da Mutual, ora impugnante (fls. 504 a 508). A fiscalização desconsiderou a prestação de serviços, alegando que não houve prova da efetiva realização. No termo de verificação consta que a impugnante, ao ser intimada, apresentou o contrato firmado com a Port Serv., notas fiscais, comprovantes de depósitos, fichas de compensação e documentos internos denominados "Formulários de Solicitação de Transferências" com indicação dos valores despendidos em cada mês. destinados à contratada. Para desconsiderar o contrato, a fiscalização deu as seguintes explicações: a) "Solicitamos a apresentação dos extratos bancários para a comprovação dos valores transferidos" e, a empresa, em sua resposta disse que não localizou os extratos; b) no contrato não consta identificação e qualificação do representante legal da empresa contratada e falta a assinatura de duas testemunhas, e assim, "não houve, obediência a formalidades básicas de um contrato "; c) as notas fiscais apresentadas não descrevem com clareza os serviços efetivamente prestados, visto que no seu corpo não está especificado o tipo de serviço realizado. E a fiscalização concluiu: Fl. 912DF CARF MF 8 "Dessa forma, considerando que a dedutibilidade das despesas está inteiramente condicionada ao preenchimento dos pressupostos de necessidade, escrituração e comprovação, e que ainda, no tocante aos pagamentos efetuados à empresa Port Serv Ltda. a titulo de 'comissão de agenciamento os comprovantes apresentados não se fizeram acompanhar de elementos subsidiários que atestassem a sua efetiva execução, é inadmissível o cômputo de tais despesas sem as respectivas provas de que as contraprestações realmente existiram ". Antes de mais nada, cumpre destacar que não é verdade que no contrato não consta a identificação do representante legal da empresa. pois conforme se vê das fls. 504 do processo, está destacado no contrato que a impugnante está "representada pelo Sr. Mauricio Tadeu Di Giorgio, brasileiro, separado, administrador, portador do RG n°3.797.4476 SSP/SP e do CPF/MP n° 595.504.22887" (fls. 504 a 508). Isto evidencia a falta de critério no levantamento fiscal, os inúmeros erros cometidos, e aponta para a total nulidade dos lançamentos. A interpretação dada pela fiscalização para desconsiderar o negócio firmado entre a impugnante e a Port Serv e assim glosar a despesa contraria as normas basilares do nosso ordenamento jurídico. De se lembrar que, no negócio avençado, não há forma jurídica especifica a ser seguida. Quanto a essa questão, estabelece o Código Civil: "Art. 104. A validade da negócio jurídico requer: I agente capaz; II objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III forma prescrita ou não defesa em lei". "Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir". "Art. 112. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem". "Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé e as usos do lugar de sua celebração " Maria Helena Diniz ensina, nesse aspecto, que "os requisitos formais dos contratos são atinentes à forma do contrato. Entretanto, é preciso ressaltar que, atualmente, não há o rigorosismo de forma, pois a simples declaração volitiva tem o condão de estabelecer o liame obrigacional entre os contraentes, gerando efeitos jurídicos independentemente da forma de que se revista, seja ela oral, escrita (por meio de instrumento particular ou público), de tal sorte que o elemento formal, na seara contratual, constitui uma exceção nos casos em que a lei exige, para a validade do negócio, a observância de certa forma" ("Tratado Teórico e Prático dos Contratos". 3ª Ed. Editora Saraiva. 1999. v. l. p.36). Assim, os pretensos "vícios contratuais" apontados pela fiscalização, não se sustentam, porque a regra geral è da liberdade de forma. De se salientar, que nos contratos, a assinatura das testemunhas tem apenas a função de dar caráter executivo ao contrato. Vale dizer, se descumprido o contrato, a parte credora pode interpor ação de execução, ao invés de entrar com uma ação ordinária ou sumária (processo de conhecimento). Eis o artigo do CPC que trata do assunto: Fl. 913DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 910 9 "Art. 585. São títulos executivos extrajudiciais: (...) II a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor: o documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas: o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública ou pelos advogados dos transatores ". As assinaturas de duas testemunhas não têm o condão de validar ou de invalidar qualquer avença. Mesmo porque, a própria sociedade, que é a principal interessada, reputou válido o contrato, cumpriu todas as obrigações que lhe eram pertinentes, inclusive emitindo notas fiscais, apresentando comprovantes de depósitos bancários e fichas de compensação (fls. 320 a 408) e esclarecendo minuciosamente os serviços contratados, quando intimada para tanto. Além do mais, o fato de a nota fiscal não discriminar o tipo específico do serviço prestado, não serve de pretexto para desconsiderála. Ora, para comprovar o serviço a impugnante apresentou o contrato firmado (no qual consta o objeto e descrição de serviços) e as notas fiscais. Deste modo, no contrato consta o tipo de serviço prestado e isto, obviamente, substitui a menção expressa do serviço na nota fiscal, como forma de prova. Assim, resta demonstrado que o contrato tem eficácia jurídica. Por outro lado, quanto à prova da existência efetiva do negócio jurídico, está bem clara, pois a própria fiscalização admite a existência da empresa Port Serv, a emissão de notas fiscais, que há comprovantes de depósitos, conforme inclusive se vê das fls. 93 a 177. Ademais, o objeto do contrato, do qual a fiscalização teve pleno acesso, demonstra que o serviço contratado, além de necessário, é típico da atividade de seguros, visto que do seu objeto se extrai tratarse de "prestação de serviços de administração das rotinas mensais inerentes às apólices de seguro de (quebra de garantia — SOG e de vida em grupo prestamista". Quanto á alegação de que a impugnante, apesar de intimada não apresentou os extratos bancários, com a devida vênia, isto não pode ser utilizado como presunção de que não houve pagamento dos serviços prestados para a Port Serv (ainda mais, porque foram apresentados os comprovantes de depósitos). Tratase de exigência absurda, visto que os extratos bancários são documentos sigilosos, que por DISPOSIÇÃO CONSTITUCIONAL o fiscalizado/contribuinte não é obrigado a apresentar. Tanto isso é assim, que recentemente, o Supremo Tribunal Federal decidiu pelo seu Plenário, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808 no dia 15.12.2010 (acórdão ainda não publicado), que a exigência por agentes da administração tributária de exibição de documentos acobertados pelo sigilo bancário e medida arbitrária que transgride a ordem jurídica fundada na (Constituição Federal e que fere os direitos individuais. Ora, é notório que os documentos apresentados e anexados ao presente processo comprovam a efetiva prestação de serviços, visto que há um contrato idôneo, notas fiscais, e comprovantes de pagamento. A impressão que fica é que Fl. 914DF CARF MF 10 qualquer documento que a impugnante apresentasse, seria insuficiente para a fiscalização. Não se pode olvidar também, que mesmo que a efetiva prestação de serviço não tivesse sido provada, o que se admite apenas por hipótese, de acordo com o princípio da tipicidade em matéria tributária, cumpre à fiscalização, que se julga credora, provar que não houve a efetiva despesa, pois o nosso sistema jurídico não admite lançamento baseado em mera presunção. Se a fiscalização não se sentiu segura diante das provas apresentadas pelo impugnante, cabialhe diligenciar para obter mais subsídios e não apenas presumir sem quaisquer dados concretos, que não foi comprovada a efetiva prestação de serviços. A glosa de despesa pelo fisco deve estar amparada em informações concretas, objetivas, sólidas, e não cm presunções simplistas, fundadas cm circunstâncias aleatórias. E porque o fisco NÃO FEZ PROVA DE QUE NÃO HOUVE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO, deve ser aplicado o artigo 112 do CTN. ● a fiscalização alega que a realização da reserva de reavaliação não foi oferecida à tributação, visto que não integrou o lucro liquido no momento da apuração do lucro real e não foi considerada na apuração da base de cálculo da CSLL, no anobase de 2007. Ocorre que, conforme reconhecido pela fiscalização, a alienação dos dois imóveis foi realizada "para recebimento a prazo, conforme documento de fl. 426 a 435'". Vale dizer, a venda dos terrenos foi realizada parceladamente, sendo que a impugnante recebe parcelas de R$ 20.000.00 (vime mil reais), até os dias de hoje (contratos às fls. 462 a 435). Não obstante isso, a fiscalização lançou o valor total de R$ 1.410.188,75 da reserva de reavaliação, o que não poderia ter sido feito, visto que esse montante não foi integralmente recebido. Assim, tem a faculdade de diferir a tributação tendo em vista o teor do artigo 421 do RIR/99 e o artigo 31, § 2º do DecretoLei n° 1.598, de 1977. Em vista disso, excluiu o ganho na apuração do lucro real correspondente ao exercício social em que realizou a alienação (anobase 2007). Grande parte do ganho auferido na alienação sequer foi recebido e ainda não surgiu o momento para incluílo na determinação do lucro real em vista do diferimento, razão pela qual é totalmente improcedente a adição do valor de R$ 1.410.188,75 para apuração do IRPJ e da CSLL no anobase de 2007. O critério de apuração do crédito tributário utilizado no caso concreto é incompatível com os princípios da legalidade e tipicidade da tributação, sendo razão suficiente para determinar a nulidade do lançamento assim elaborado. ● DA IMPROCEDÊNCIA DAS MULTAS ISOLADAS PELO NÃO RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA. A impugnante não havia apurado lucro tributável em nenhum mês do ano base de 2007, conforme comprovam os documentos acostados aos autos e, em vista disso, jamais optou por efetuar o pagamento mensal por estimativa no decorrer do período. Em verdade, os valores de IRPJ e CSLL exigidos pelo Auto de Infração somente se deram por conta da glosa de despesas, que a fiscalização entendeu indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e CSLL. E nem se diga que a impugnante optou pelo regime de estimativa, por conta das suas declarações à Receita Federal, pois nos termos da lei, somente quando do pagamento do imposto é que a opção é efetivamente realizada. Fl. 915DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 911 11 Não obstante isso, a fiscalização aplicou a multa isolada de que trata o artigo 44, II, "b" da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, que se aplica apenas quando a pessoa jurídica optante pelo regime de pagamento por estimativa, deixar de efetuálo. Ocorre que o agente fiscal não tem a prerrogativa de substituir a pessoa jurídica e exercer a opção, em seu lugar, pelo pagamento do imposto sobre base de cálculo estimada e, o que é mais grave, acusar a impugnante pela falta de pagamento das estimativas mensais do imposto. Esta prerrogativa é exclusiva da pessoa jurídica, conforme se extrai do artigo 2° da Lei 9.430/96. E ainda que a fiscalização tivesse a prerrogativa de atribuir a forma e pagamento do imposto de renda da pessoa jurídica sobre a base de cálculo estimada, mesmo assim o cálculo da multa foi realizado em violação aos critérios legais, vale dizer, a forma de apuração da multa contrariou os ditames do artigo 44, II, "b" da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007. De fato da leitura da norma se depreende que a base de cálculo da multa isolada é o valor do pagamento mensal de estimativa. Ocorre que no cálculo elaborado, a fiscalização aplicou a multa sobre o valor devido ao final da apuração do imposto e não sobre o valor do pagamento mensal, nos termos da lei. Isto fica muito claro quando se vê o Demonstrativo de Multa Isolada feito pela fiscalização, bem como quando se verifica que a fiscalização apurou: R$ 1.102.265,21 de IRPJ a pagar (apuração final do imposto) e exatamente 50% deste valor a titulo de multa isolada: R$ 551.132,62. Por outro lado, apurou R$ 405.455,48 de CSLL a pagar (apuração final da CSLL) e exatamente 50% deste valor a pagar de multa isolada, ou seja, R$ 202.727,74. ● além da multa isolada de 50% ora exigida da impugnante, o fisco, em razão dos mesmos fatos e sobre a mesma base de cálculo, está exigindo multa de oficio de 75% e de juros de mora calculados pela taxa SELIC. A jurisprudência administrativa já consolidou o entendimento de que não podem ser exigidas duas multas cumulativamente sobre a mesma base de cálculo, ● Por fim, solicitou que todas as intimações referentes ao presente feito sejam dirigidas à Rua Itatiara, 163, Pacaembu, CEP 01242020, São Paulo, SP. É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1449.861, de 24 de abril de 2014, julgou improcedente a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. GLOSA. Para que despesas com prestação de serviços sejam dedutíveis perante o imposto de renda é necessária a comprovação da efetiva prestação do serviço, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de contrato e notas fiscais com descrição genérica dos serviços prestados. Fl. 916DF CARF MF 12 RESERVA DE REAVALIAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. REALIZAÇÃO DO BEM. PROPORÇÃO DO RECEBIMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A reserva de reavaliação deve ser adicionada ao lucro real em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, descabendo alegar adição proporcional ao recebimento, por falta de previsão legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicílio fiscal eleito por ele. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento das antecipações mensais das estimativas e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão da DRJ na data de 09/06/2014 (cf. ARECF de efl. 842), e não satisfeita com a decisão da delegacia de piso, apresentou recurso voluntário em 07/07/2014 (efls. 844 a 866), conforme protocolo de efl. 844, em que repete basicamente os argumentos apresentados na impugnação. Na data de 05/07/2016 (efl. 898), a recorrente protocolou o documento "Fato Superveniente Decretação de Liquidação Extrajudicial da Companhia" (efls. 879 a 887), em que informa que a SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) havia decretado sua liquidação extrajudicial, nos termos da Portaria SUSEP nº 6.382, de 05 de novembro de 2015. Após longa digressão sobre a legislação aplicável às instituições em liquidação extrajudicial, submetidas ao controle da SUSEP, pugnou pelo que segue: Em vista dos argumentos acima expendidos, requer a Recorrente nos termos do artigo 16, § 4º, letra “b” do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: a) Seja suspensa a fluência dos juros exigidos à Taxa Selic, desde o momento que foi decretada a liquidação extrajudicial; a) (sic) seja declarada totalmente insubsistente a exigência das multas aplicadas neste lançamento contra a Recorrente, por força do regime de liquidação extrajudicial. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 912 13 Como dito, solicitei a distribuição deste processo a mim, tendo em vista ter sido designado relator de outros 2 (dois) processos que dependem do julgamento deste, em razão do reflexo da glosa de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL resultante deste processo que ora se julga. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo pois ser conhecido. Preliminar suspensão dos juros e inaplicabilidade da multa em empresa com liquidação extrajudicial voto vencedor Em razão da decretação de liquidação extrajudicial em 05/11/2015, a recorrente pede (i) pela suspensão da fluência dos juros exigidos à Taxa Selic, desde o momento que foi decretada a liquidação extrajudicial e (ii) que seja declarada totalmente insubsistente a exigência das multas aplicadas neste lançamento contra a Recorrente. Inicialmente, mister observar que tais pedidos foram feitos após o julgamento pela DRJ, mas em razão de surgimento de fato superveniente: a DRJ julgou a impugnação na data de 24/04/2015 e a liquidação extrajudicial foi decidida em 05/11/2015. Desta forma, pela relevância e necessidade do enfrentamento das questões postuladas pela ora recorrente, reconheço o documento protocolado, como base na alínea 'b' do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, e passo doravante a enfrentálo: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (...) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (...) Quanto à incidência da juros, a recorrente informa que o seu Patrimônio Líquido apurado no balanço patrimonial de 31/12/2015 é negativo em R$ 42.343.350,57. Desta forma, de acordo com o artigo 98 do Decretolei nº 73 de 21 de novembro de 1966, que prevê que os juros são suspensos quando o ativo não é suficiente para quitar o passivo, há de se concluir pela suspensão da aplicação dos juros com base na Selic, desde a decretação de falência da empresa. Fl. 918DF CARF MF 14 Veja que a Lei de Falências (Lei nº 11.101/2005) também traz dispositivo legal idêntico em seu art. 124: Art. 124. Contra a massa falida não são exigíveis juros vencidos após a decretação da falência, previstos em lei ou em contrato, se o ativo apurado não bastar para o pagamento dos credores subordinados. Parágrafo único. Excetuamse desta disposição os juros das debêntures e dos créditos com garantia real, mas por eles responde, exclusivamente, o produto dos bens que constituem a garantia. Quanto ao pedido de inaplicabilidade de multa decorrentes de procedimento fiscal, a recorrente apresenta entendimento firmado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em relação a esta questão: O entendimento foi confirmado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. De fato, o Ato Declaratório PGFN nº 10 de 16/11/2006, Publicado no DO em 17 nov 2006, que dispensou a apresentação de contestação, a interposição de recursos e autorizou a desistência dos já interpostos, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide multa fiscal, de qualquer natureza, nas liquidações extrajudiciais, submetidas ao regime da Lei nº 6.024 de 13 de março de 1974. Eis do Ato Declaratório: “O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação da Nota PGFN/PGA/Nº 722/2006, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, DECLARA que ficam dispensadas a apresentação de contestação, a interposição de recursos e fica autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide multa fiscal, de qualquer natureza, nas falências submetidas ao regime do Decretolei nº 7.661, de 21 de junho de 1945, e nas liquidações extrajudiciais de instituições financeiras, submetidas ao regime da Lei nº 6.024 de 13 de março de 1974". Pois bem. Sem emergir na discussão sobre a aplicação às seguradoras das normas atribuídas às entidades financeiras, entendo que o argumento da recorrente deve ser afastado, pelas razões que passarei a dispor: A partir do advento da Lei nº 9.430/1996, que teve seus efeitos produzidos desde 01/01/1997, ou seja, antes dos fatos geradores apurados no procedimento fiscal em referência, consignouse que as normas tributárias devem ser aplicadas indistintamente entre as demais pessoas jurídicas e as empresas em processo de liquidação extrajudicial, veja: Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 913 15 Art. 60. As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência sujeitamse às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Observese que o tratamento isonômico também é aplicado durante o processo de liquidação extrajudicial, donde se infere que a incidência de juros não pode ser suspensa, tampouco as multas fiscais não podem ser exoneradas, como quer a recorrente. Assim, em vista da referida previsão legal, não compete a este órgão julgador administrativo ponderar sobre a aplicação de multa e juros sobre empresa em processo de liquidação extrajudicial. No mesmo sentido, cito o Acórdão nº 10321.942 deste Conselho Administrativo, que trata de empresas em liquidação extrajudicial, como a recorrente. Veja a Ementa: ENTIDADE EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. LIMITE À COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS, MULTA E JUROS DE MORA. Nos termos do art. 60 da Lei 9.430/96, as entidades submetidas ao regime de liquidação extrajudicial estão sujeitas às normas de incidência dos impostos e contribuições de competência da União aplicáveis às pessoas jurídicas, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Aplicamse a essas entidades o limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL, muita ex officio e juros de mora. Além disso, todo o regramento trazido pela recorrente, para fundamentar seu pleito, diz respeito à fase de execução fiscal. É nesta fase que se deve verificar a aplicabilidade ou não dos juros e das multas decorrentes do procedimento de fiscalização. O próprio Ato Declaratório PGFN nº 10 de 16/11/2006 é muito claro ao dispor sobre a dispensa de apresentação de contestação ou demais medidas somente em relação às ações judiciais, o que impende concluir que tal posicionamento não se aplica ao caso aqui tratado. Diante do exposto, afasto os argumentos da recorrente pelo que proponho manter a incidência dos juros com base na Selic e a aplicação das multas fiscais decorrentes do procedimento de fiscalização. Glosa de despesas com prestação de serviços voto vencedor A recorrente direciona suas razões recursais somente em relação às despesas decorrentes dos serviços supostamente prestados pela empresa Port Serv, nada argumentando em relação às demais despesas glosadas pela fiscalização. Fl. 920DF CARF MF 16 Quanto à Port Serv, afirma que os serviços decorrem de comissão por agenciamento sobre prêmios e alega que os documentos acostados ao processo contrato de prestação de serviços, notafiscal e comprovante de pagamento fazem prova da efetividade da prestação de serviços. Não entendo possuir razão a recorrente. Antes de me aprofundar ao caso específico, que também não precisará de muitas delongas, gostaria de externar minha opinião sobre a comprovação de despesas para fins contábeis e fiscais. Inicialmente, convém estabelecer que há duas premissas para se permita a dedução fiscal de uma despesa incorrida: 1ª) que a despesa seja comprovada; e 2ª) que a despesa seja necessária, normal e usual à atividade da empresa. Entendo que a comprovação da despesa tem a finalidade de acolher tal dispêndio como uma despesa contábil. Já a comprovação da sua necessidade, serve para se aceitar a despesa como uma despesa fiscal. A comprovação da necessidade, a meu ver, é condição secundária, somente atingida após ser preenchida a condição primária de comprovação da existência da despesa. Tenho por convicção que a comprovação de despesas in casu, de serviços condiciona, a quem quer provar sua existência, a apresentação de documentos que confirmem efetivamente que os serviços foram prestados, não podendo se limitar a apenas simples apresentação de documento fiscal e de pagamento. A meu ver, essa comprovação (de que os serviços foram prestados) é essencial para que a despesa seja aceita para fins contábeis. É de se indagar: Para fins contábeis? Respondo: Sim! Para fins contábeis! Explico. A contabilidade é a ciência que abrange um conjugado de técnicas que serve para controlar as variações ocorridas no patrimônio de uma empresa, que é representado pelo conjunto de bens, direitos e obrigações. Desta forma, toda a movimentação patrimonial da empresa deve ser refletida em sua contabilidade. Dentre os princípios fundamentais que norteiam a ciência contábil, convém ressaltar o Princípio da Oportunidade, cuja definição foi trazida pela Resolução CFC nº 750/93. Vejase na redação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores: Art. 6º O Princípio da OPORTUNIDADE referese, simultaneamente, à tempestividade e à integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram. Parágrafo único – Como resultado da observância do Princípio da OPORTUNIDADE: Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 914 17 I – desde que tecnicamente estimável, o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência; II – o registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os aspectos físicos e monetários; III – o registro deve ensejar o reconhecimento universal das variações ocorridas no patrimônio da ENTIDADE, em um período de tempo determinado, base necessária para gerar informações úteis ao processo decisório da gestão. Como visto, o registro das mutações patrimoniais e aí se encaixam os registros das despesas deve ser efetuado a partir da integridade das informações que o suportarem, o que nos faz inferir que devem estar corroborados por documentação hábil e idônea da ocorrência dos fatos. E entendo que nem cabe abraçar argumento de que o inciso I, que estabeleceu que o registro das variações patrimoniais deve ser feito mesmo na hipótese de somente existir razoável certeza de sua ocorrência, dá guarida à possibilidade de se aceitar apenas documentos fiscais como comprovantes da existência da despesa. Esta condição não tem pertinência alguma com a apresentação de documentos, mas sim da ocorrência efetiva daquela variação patrimonial, in casu, da despesa. Ou seja, o que o inciso I quis dizer é que a despesa, mesmo que não necessariamente ocorrida, deve ser contabilizada. E, quanto a este ponto, para aclarar meu discurso, apresento o exemplo das provisões contábeis, que são reservas de valor para atender despesas que se esperam, que visam a cobertura de um gasto já ocorrido ou de um gasto em que há grande probabilidade de sua ocorrência. É isso que o citado inciso I quer dizer. Apesar da provisão não representar uma despesa já incorrida para fins contábeis, deve ser contabilizada, pois há grande probabilidade de sua ocorrência. Entretanto, para que seja contabilizada, também deve estar revestida de documentação hábil e idônea, que, repito, em caso de prestação de serviços, deve representar documento fiscal, comprovante de pagamento e, principalmente, comprovação da efetividade do serviço prestado. Bem. Após alteração promovida pela Resolução CFC nº 1.282/10, o Princípio da Oportunidade recebeu a seguinte redação: Art. 6º O Princípio da Oportunidade referese ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas. Parágrafo único. A falta de integridade e tempestividade na produção e na divulgação da informação contábil pode ocasionar a perda de sua relevância, por isso é necessário ponderar a relação entre a oportunidade e a confiabilidade da informação. (Redação dada pela Resolução CFC nº 1.282/10) (grifei) Não obstante a redação somente ter sido incluída em 2010, entendo relevante dizer que o parágrafo único reforçou a conclusão de que a informação deve ser íntegra, Fl. 922DF CARF MF 18 amparada por documentação hábil e idônea, e que, em sua falta, devese avaliar se é realmente necessário que a informação seja contabilizada. E essa rigidez no registro de uma despesa serve para que a contabilidade reflita a veracidade dos fatos ocorridos, para que, ao fim e ao cabo, os sócios/acionistas de uma empresa/sociedade recuperem o capital aplicado na empresa, que é devolvido em forma de lucros e dividendos. Se isto não ocorre, seus sócios serão prejudicados, principalmente os minoritários, que não têm poder de decisão. Desta feita, para que se demonstre que aquela movimentação patrimonial efetivamente ocorreu, os lançamentos contábeis devem estar amparados documentação hábil e idônea, que vai além de meros documentos que representam tão somente as formalidades extrínsecas da prestação de serviços. Em alguns casos, pude deduzir que tal argumento de que basta a comprovação da despesa com documentação fiscal e comprovante de pagamento para que a despesa possa ser contabilizada serve como uma fenda para que se permita adentrar na discussão da contribuição social para o lucro líquido (CSLL). Isto porque, se uma despesa é aceita para fins contábeis, mas não é aceita como dedutível da base do IRPJ, ingressase na discussão da previsão legal de sua adição para fins de CSLL, o que representaria mais uma contenda no âmbito fiscal. Ou seja, a despesa passaria do status de não comprovada para comprovada mas não dedutível, municiando alguns contribuintes sobre a discussão da base da CSLL. Voltando ao caso, vejo que a recorrente não demonstrou a efetividade da prestação dos serviços, o que é de se concluir pela não comprovação de uma despesa. E não acho que a falta de registro do contrato de prestação de serviços pode servir de argumento para a glosa das despesas, É claro que o contrato sem assinatura de testemunhas, sem registro público, e com algumas outras falhas em sua elaboração (falta de indicação de nome, RG, CPF da representante da empresa contratante) enfraquece os argumentos da recorrente; mas o fundamento principal para a glosa é a falta de comprovação da prestação do serviço contratado. Já disse algumas vezes neste tribunal administrativo que a efetividade de serviços pode ser comprovada com relatórios dos serviços, trocas de emails, atas de reunião e, no caso específico da empresa Prest Serv, como bem descreveu a DRJ, a apresentação de relatórios de acompanhamento, coincidentes em datas e valores com os dispêndios por ela efetuados, relacionando as apólices, clientes e contratos abrangidos no serviço prestado. Outra questão pertinente ao caso é que o sócio majoritário da recorrente, Sr. Paulo Rogério Marchi, era também o sócio majoritário da empresa Port Serv Ltda (95% das cotas), o que gera ao mínimo desconfiança por parte do fisco do propósito em reduzir sua base tributável. E isto se confirma quando a recorrente não consegue comprovar a efetividade da prestação do serviço. É de se concluir que tal conduta é totalmente incoerente e merece ser refutada. Também afasto os argumentos da recorrente quanto à suposta presunção de veracidade das informações quanto ao serviços prestados. Ora, a dedução contábil, e por conseguinte, fiscal deve ser comprovada por quem a aproveita. No caso, a empresa é quem tem que comprovar os fatos que alega. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 915 19 Quanto aos argumentos referentes à falta de apresentação de extratos bancários, também não acho que a comprovação do pagamento faça alguma prova da efetividade da prestação de serviços. E, no caso, como se trata de empresas sob a direção de uma única pessoa, vêse que seria óbvio que tal pagamento tenha ocorrido. Entretanto, este não é o fundamento para a manutenção do lançamento. Como não foram trazidos demais elementos, entendo pela manutenção da glosa das despesas lançadas. Realização da Reserva de Reavaliação voto vencedor Como visto, a fiscalização tributou a realização da reserva de reavaliação por dois motivos distintos: 1) realização na venda do bem do ativo permanente reavaliado; e 2) realização na contabilização da depreciação da parte reavaliada do bem. Inicialmente, convém delimitar que o art. 434 do RIR/99 previu que a contrapartida de aumento do ativo permanente por conta de reavaliação não seria tributada enquanto mantida em reserva de reavaliação: Art 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). §1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. §2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §2º). §3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, §1º, alínea "h", e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). O art. 435 do mesmo RIR/99, por sua vez, estabeleceu o momento da realização da reserva de reavaliação, sujeito à tributação do IRPJ, com destaques meus: Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; Fl. 924DF CARF MF 20 II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; b) depreciação, amortização ou exaustão; c) baixa por perecimento. Realização na alienação do bem Quanto à alienação do bem, e concomitantemente ao diferimento da tributação estabelecido pelos dispositivos acima trazidos, o art. 421 do RIR/99 (artigo 31, § 2º do DecretoLei nº 1.598, de 1977), abaixo transcrito, também permitiu o diferimento da tributação, da venda de ativo permanente, para o momento do recebimento do preço acordado entre as partes: Art. 421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 2º). Parágrafo único. Caso o contribuinte tenha reconhecido o lucro na escrituração comercial no período de apuração em que ocorreu a venda, os ajustes e o controle decorrentes da aplicação do disposto neste artigo serão efetuados no LALUR. Ou seja, é de se indagar se a tributação da alienação de bem do ativo permanente reavaliado pode seguir ambas as regras acima descritas, o que permitiria à ora recorrente diferir "2 (duas)" vezes a tributação do ganho: primeiro, para o momento da alienação; e segundo, para o momento do efetivo recebimento. Por outro lado, cabe argumentar se a regra de tributação contida nos arts. 434 e 435 do RIR/99 não permite a opção de diferir novamente a tributação para o momento do ingresso efetivo no caixa da empresa que optou por diferir a tributação da reserva de reavaliação, por se tratar de norma excepcional. A meu ver, não vejo impedimento para que ambas sejam utilizadas. A legislação que trata das duas situações não estabelece a utilização de uma em detrimento da outra. Entretanto, no caso concreto, vêse que a empresa manteve a contabilização da reserva de reavaliação em conta do patrimônio líquido até o momento de sua efetiva realização, neste caso aqui, em relação à venda dos terrenos que eram de sua propriedade. Esta é a premissa da qual partiu a fiscalização e que não foi infirmada pela recorrente. Ou seja, diferida a tributação da constituição da reserva de reavaliação, a tributação deveria recair sobre o momento da alienação do bem, a não ser que o outro diferimento (tributação no ingresso de caixa) também fosse caracterizado. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 916 21 No entanto, quanto ao diferimento da tributação para o momento do ingresso efetivo no caixa conforme art. 421 do RIR/99 entendo a recorrente não conseguiu comprovar que teria optado por isso. Para isso, no momento da venda de tais bens, a recorrente deveria efetuar ajustes no lucro real e na base de cálculo da CSLL para demonstrar que optara pelo diferimento da tributação para o momento do efetivo ingresso de caixa. Digo isto porque nos contratos de venda dos bens imóveis, há previsão de recebimento de numerário no próprio ano de 2007, veja (efls. 448 e 453, respectivamente): 3 DO PREÇO E FORMA DE PAGAMENTO 3.1 O preço total pactuado para a venda ora compromissada é de R$ 500.000,00 (Quinhentos mil reais), integralizados, em moeda corrente, em 100 (cem) parcelas mensais e sucessivas de R$ 5.000,00 (sete (sic) mil reais), vencendo se a primeira em 30/10/2007 e as demais no dia 30 de cada mês, respectivamente. ___________ 3 DO PREÇO E FORMA DE PAGAMENTO 3.1 O preço total pactuado para a venda ora compromissada é de R$ 1.500.000,00 (Um milhão e quinhentos mil reais), integralizados, em moeda corrente, em 100 (cem) parcelas mensais e sucessivas de R$ 15.000,00 (Quinze mil reais), vencendose a primeira em 30/10/2007 e as demais no dia 30 de cada mês, respectivamente. Ou seja, se fosse escolhida a tributação na medida do recebimento, os valores de R$ 15.000,00 e 45.000,00 3 parcelas de R$ 5.000,00 e R$ 15.000,00 deveriam ser reconhecidos para o cálculo da apuração do ganho de capital referente ao ano de 2007. Para contabilizar o ganho na medida do recebimento, a empresa poderia efetuar de duas formas: (i) adicionar na parte A do Lalur o valor integral da reserva de reavaliação referente aos bens alienados e, para tributar somente o ganho decorrente do efetivo recebimento, deveria excluir (também na parte A do Lalur) o valor que deixou de receber no próprio anocalendário de 2007. Em decorrência desse descompasso entre adição e exclusão, a empresa deveria controlar o saldo (adição [menos] exclusão) na parte B do Lalur, para que este fosse adicionado nos anoscalendário seguintes, na medida do recebimento dos numerários. (ii) adicionar na parte A do Lalur o valor líquido, que seria resultante do valor entre a adição e a exclusão citadas acima. Da mesma forma, deveria controlar na parte B do Lalur, para que este fosse adicionado (ganho) nos anoscalendário seguintes, na medida do recebimento dos numerários. Ocorre que a própria recorrente reconhece que deixou de ofereceu à tributação o ganho efetuado no ano de 2007, conforme resposta protocolada em 16/09/2010 (e fl. 182), veja: Fl. 926DF CARF MF 22 G) Em nossas verificações não identificamos o oferecimento à tributação da realização da reserva de reavaliação dos terrenos vendidos em 2007. E isto é confirmado quando se analisa o Lalur de 2007, porque não há valor algum adicionado no referido livro que pudesse favor prova de que teria oferecido à tributação ao menos o valor recebido por parte da venda dos bens (efl. 100): É de se observar também que a parte B do Lalur somente tem 2 páginas: uma referente ao controle da base de cálculo negativa da CSLL (efl. 103) e outra referente ao controle do prejuízo fiscal (efl. 104). Desta forma, é de se concluir que a empresa não optou pelo diferimento da tributação para o momento do efetivo recebimento. A recorrente também argumentou que não há liquidez e certeza no valor tributado e que, para tal avaliação, a fiscalização deveria fazer um levantamento aprofundado. Ora, o que percebo é que foi exatamente isso que o fisco fez. Após várias intimações para que a empresa apresentasse esclarecimentos sobre a tributação do ganho na operação de venda dos bens do ativo permanente, concluise corretamente pela tributação conforme dispõe a legislação. Outrossim, não vejo violação a nenhum princípio ventilado pela recorrente, como legalidade e tipicidade. Aliás, pelo contrário, a fiscalização efetuou o lançamento com base no art. 142 do CTN (transcrito abaixo), que, dentre outras condições, prevê a ocorrência do fato gerador e o cálculo do montante devido, o que deveras foi efetuado pela fiscalização: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido Fl. 927DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 917 23 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Desta forma, correto o lançamento fiscal. Realização na depreciação do bem Quanto à realização na depreciação do bem, não há muito a acrescentar para que esta parte da autuação fiscal seja mantida, até porque a recorrente não trouxe nenhum argumento quanto a este ponto. A fiscalização fundamentou corretamente o lançamento, com base no art. 435, II, 'b', do RIR/99, já transcrito acima. O valor utilizado como base partiu da própria contabilidade da recorrente. Desta forma, competenos somente manter o lançamento fiscal desta parte. CSLL tributação reflexa voto vencedor A recorrente apenas pede pela aplicação reflexa à CSLL do quanto decidido para o IRPJ. Em razão da manutenção do lançamento quanto ao IRPJ, mister concluir pela tributação da CSLL nos mesmos moldes daquela aplicada ao IRPJ. Multa Isolada voto vencido Quanto à multa isolada, a recorrente pede pela inaplicabilidade da concomitância com a multa de ofício. Pois bem. Entendo que após a alteração dispositiva promovida pela Lei nº 11.488/2007, na redação do art. 44 da Lei 9.430/1996, as multas de ofício e isolada podem ser aplicadas concomitantemente, pois têm fundamentos distintos. Veja a redação legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 928DF CARF MF 24 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Há que distinguir as duas infrações: uma trata da falta de cumprimento de obrigação de recolher, até o mês subsequente à apuração mensal (com base em estimativa pura ou monitorada1); e a outra trata da punição decorrente de inexatidão de base de cálculo do IRPJ e da CSLL, resultantes de procedimento de fiscalização. Outro ponto é que a falta de recolhimento de estimativa gera a aplicação de multa isolada, cabível tão somente pelo fato aqui destacado falta de recolhimento ou recolhimento a menor, e é aplicada mesmo que ao final do exercício não haja imposto a pagar. Ou seja, há uma nítida dissociação com a necessidade de verificação de tributo a recolher. Já a multa de ofício, por sua vez, necessita da verificação de declaração inexata e do tributo a recolher. Por todo o exposto, entendo cabível a aplicação de ambas as multas, pelo que proponho negar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Recomposição do Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa da CSLL voto vencedor O prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, existentes nos cadastros da receita, deverão ser utilizados neste procedimento fiscal e nos processos nº 16327.720464/201073 e nº 16327.721266/201370, se ainda não foram compensados pela fiscalização. Cabe observar que também deverão ser considerados os resultados dos processos nº 16327.720464/201073 e nº 16327.721266/201370, que foram julgados conjuntamente com este processo. Assim, a delegacia de origem deve observar os períodos que são alcançados por todos os processos julgados conjuntamente, para efetuar a recomposição do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, tendo sempre como premissa a utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL dos períodos mais remotos aos períodos mais recentes: 1 Entendese por estimativa pura o cálculo do IRPJ e da CSLL com base na receita bruta do período, ajustada pelas adições e exclusões permitidas por lei. Já a estimativa monitorada resulta do cálculo do IRPJ e da CSLL com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução do resultado fiscal. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 918 25 Processos Fato Gerador lançado (período) 16327.720464/201073 2005 a 2008 16327.001681/201061 2007 16327.721266/201370 2008 a 2010 Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Voto Vencedor Conselheira Livia De Carli Germano Redatora Designada Fui designada para redigir o voto vencedor e respectiva ementa exclusivamente com relação à multa isolada. A Recorrente sustenta a impossibilidade de aplicação de multa isolada de 50% por falta de antecipação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. Ressalto que, sendo o caso de lançamento relativo ao anocalendário de 2007, entendo não aplicável a Súmula CARF n. 105, uma vez que esta trata da redação da Lei 9.430/1996 na redação anterior à Lei 11.488, de 15 de junho de 2007, e a multa isolada foi lançada com base no artigo 44, II, "b", da Lei 9.430/1997, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. A questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais não está pacificada neste CARF. Dos inúmeros julgados a respeito do tema extraemse, pelo menos, três correntes de entendimento. Em um extremo está a corrente que defende que, mesmo após a Lei 11.488/2007, uma vez encerrado o anocalendário não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Por outro lado, há os que entendem que a imposição da multa independe do Fl. 930DF CARF MF 26 resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida. Em uma posição intermediária está a corrente adotada pelo presente voto, há muito sustentada pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, desta Turma. Segundo este entendimento, a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. É a máxima do direito punitivo que, para uma mesma conduta devese aplicar uma só punição. A título ilustrativo reproduzo trecho do acórdão 120100.235, de 7 de abril de 2010, da lavra do ilustre Conselheiro: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. Fl. 931DF CARF MF Processo nº 16327.001681/201061 Acórdão n.º 1401002.648 S1C4T1 Fl. 919 27 No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3o A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Fl. 932DF CARF MF 28 Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Faz toda a diferença considerar que estamos tratando de direito sancionatório e, nesta seara, não se pode admitir que se trate como independentes penas aplicadas sobre uma infração conteúdo (provisório) e sobre uma infração continente (e efetiva). Em outros termos: não há dúvida de que estamos tratando de multas relacionadas a um mesmo fato gerador de tributo (isto é, IRPJ/CSLL devidos em 31 de dezembro do anocalendário), de maneira que, mesmo que se queira dizer que não se trata da mesma infração (conduta), impõese considerar que o bem jurídico maior é o tributo efetivamente devido, do que é conteúdo provisório ou iter preparatório o bem jurídico representado pelo dever de adiantar estimativas de "algo" (e não "algo efetivo"). Desse modo, se por um lado é preciso dar sentido à norma que prevê a aplicação da multa pelo não recolhimento de estimativas mesmo em caso de apuração de prejuízo fiscal ou base negativa (redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007), por outro mantémse a premissa de que não se pode penalizar mais a infração conteúdo que a infraçãocontinente. Assim, no caso em questão, entendo que as multas isoladas devem ser canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 933DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901351/2010-09
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/07/2003
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte.
Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora
(assinado digitalmente)
LARISSA NUNES GIRARD - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 30/07/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora (assinado digitalmente) LARISSA NUNES GIRARD - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/07/2003 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito, cujo ônus é do contribuinte. Não será homologada a compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora (assinado digitalmente) LARISSA NUNES GIRARD Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 13 51 /2 01 0- 09 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10830.901351/201009 Acórdão n.º 3002000.223 S3C0T2 Fl. 253 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 159 dos autos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 01017.51433.140906.1.3.042685, entregue em 14/09/2006, na qual é indicado o crédito de R$ 19.248,94, decorrente do pagamento indevido ou a maior do PIS (código receita 6912), do período de apuração julho de 2003. A origem do referido crédito é o DARF no valor de R$ 144.256,49. 2. Por meio do Despacho Decisório (rastreamento nº 861836672), a compensação não foi homologada, pois o DARF indicado, apesar de localizado, estava integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. 3. O contribuinte foi cientificado da decisão em 23/04/2010 e apresentou tempestivamente a sua defesa em 24/05/2010, alegando em síntese que: 3.1. O valor do PIS de julho de 2003 era de R$ 121.827,00 e o DARF recolhido foi de R$ 144.256,49, restando a seu favor um crédito no montante de R$ 22.429,49. 3.2. Do montante de R$ 22.429,49, utilizou R$ 3.180,55, acrescido da atualização monetária, na compensação informada no PER/DCOMP nº 42511.71766. 110906.1.3.041044. O saldo remanescente de R$ 19.248,94 foi utilizado para compensação no PER/DCOMP nº 01017.51433.140906.1.3.042685, cujo débito declarado é o PIS não cumulativo de agosto de 2006. 3.3. Pede o reconhecimento do seu direito creditório e reforma do Despacho Decisório. O contribuinte afirmou, ainda, em sua manifestação de inconformidade (fls. 02/06), que “o indeferimento do PER/DCOMP sob análise não deve prosperar porque o crédito existe de fato e de direito e foi pleiteado conforme disciplina o artigo 34 da IN 900 de 30/12/2008”. Apresentou os seguintes documentos: (i) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 7/18 e 32/83); (ii) documentos contábeis (fls. 19/30 e 84/85); iii) DCTF retificadora (fls. 86, 144/146); iv) DARF (fls. 88); v) PER/DCOMP original (fls.89/121, 123/128, 130/135, 137/142); vi) comprovante de arrecadação (fls. 122, 129, 136, 143); vii) despacho decisório (fls. 147/148). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por indeferir o pedido formulado pela contribuinte de compensação de valores recolhidos a título de PIS, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 30/07/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10830.901351/201009 Acórdão n.º 3002000.223 S3C0T2 Fl. 254 3 ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. RESTITUIÇÃO. ÔNUS PROBANTE. É do sujeito passivo o ônus probante do direito à restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, o acórdão da primeira instância (fls. 158/164) consignou que o despacho decisório não possui qualquer vício, em razão de o reconhecimento do direito ao crédito alegado pelo contribuinte condicionarse à apresentação da documentação contábil/fiscal comprobatória. Considerando que tal documentação não foi apresentada com a defesa, entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Consignou, também, que o contribuinte se limitou a alegar ter feito a retificação da DCTF, e destacou que a apresentação do documento retificador só se deu após a ciência do Despacho Decisório, ou seja, do procedimento fiscal acerca do indébito, o que implica na não geração de qualquer efeito, nos termos do artigo 11 da IN SRF nº 903/2008. Sendo assim, por não ter ocorrido a retificação tempestiva do alegado erro de fato na declaração do contribuinte, entendeu que deveria desconsiderar a DCTF retificadora. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 23/04/2014 (vide Termo de Ciência por decurso de prazo à fl. 166 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 07/05/2014, Recurso Voluntário (fls. 168/172). Em seu recurso, que denominou de "embargos de declaração", no intuito de combater o acórdão recorrido no tocante à falta de comprovação do crédito, apresentou planilha de memória de cálculo referente ao tributo e período em questão. Quanto ao fundamento de que teria apresentado a DCTF retificadora após emissão do despacho decisório, afirmou não ter havido máfé de sua parte, mas apenas a ocorrência de erro que precisava ser retificado para a completa visualização do crédito que possui. Defendeu, então, que estaria demonstrado nos autos seu direito ao crédito, e que, em casos como o presente, o CARF tem admitido o provimento do recurso. Por fim, requereu, primeiramente, a anulação do processo administrativo, com fulcro os seguintes fundamentos: (a) a apuração do PIS no mês de julho de 2003 comprova que o imposto devido é inferior ao valor recolhido através de DARF; (b) a compensação efetuada é legítima. E, ao final, pediu a reforma da decisão recorrida e o integral cancelamento da exigência fiscal. Além dos documentos já apresentados com a defesa, anexou ao recurso os seguintes documentos: (i) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 173/247); (ii) planilha com a memória de cálculo revisada (248/249). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10830.901351/201009 Acórdão n.º 3002000.223 S3C0T2 Fl. 255 4 Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: De início, é válido mencionar que, embora tenha o contribuinte denominado o seu recurso de "embargos declaratórios", entendo que, em atenção ao princípio da fungibilidade, não há qualquer impedimento para que este seja recebido e processado como recurso voluntário. Até porque, não resta dúvidas que fora interposto dentro do prazo legal de 30 dias para interposição de dito recurso. Nesse contexto, por entender que o recurso interposto in casu, além de tempestivo, reúne os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Consoante acima indicado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 168/172), por meio do qual requereu, primeiramente, a anulação do processo administrativo, tendo em vista que: (a) a apuração do PIS no mês de julho de 2003 comprova que o imposto devido é inferior ao valor recolhido através de DARF; (b) a compensação efetuada é legítima. Como se vê, apesar de ter requerido a anulação do processo administrativo, trouxe o contribuinte em sua defesa fundamentos que se confundem com o mérito da presente contenda (suposta comprovação da legitimidade da compensação realizada), não tendo apresentado qualquer fundamento de nulidade que possa ser analisado em sede de preliminar. Logo, entendo que deverá ser rejeitado o pedido preliminar apresentado pelo contribuinte, visto que não se verifica nos autos qualquer elemento apto a ensejar a anulação do processo administrativo, que seguiu os trâmites regulares e legais quanto ao seu processamento. Passo, então, à análise de mérito da presente contenda. Em seu recurso, o contribuinte requer a reforma da decisão recorrida e o cancelamento da exigência fiscal, defendendo que o seu direito creditório teria restado devidamente comprovado nos presentes autos. Em sua impugnação administrativa, havia juntado aos autos o DARF, a PER/DCOMP original e a DCTF retificadora, documentação esta que fora considerada insuficiente pela DRJ para fins de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, então, no intuito de superar o entendimento da DRJ, anexou aos autos: (i) atos constitutivos e de representação da empresa (fls. 173/247); (ii) planilha com a memória de cálculo revisada (fls. 185/195 e 248/249). Ao analisar o caso concreto em testilha e a nova documentação anexada aos autos, entendo que não assiste razão ao contribuinte em seu pleito. Como é cediço, o ônus da prova quanto à existência do crédito no caso de pedido de compensação é do contribuinte. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, abaixo transcrito, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10830.901351/201009 Acórdão n.º 3002000.223 S3C0T2 Fl. 256 5 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Sobre o assunto, verificase que a DRJ foi categórica em afirmar que os erros apontados deveriam ter sido comprovados por meio de documentação contábil/fiscal hábil, o que não ocorrera neste caso concreto, em que havia sido juntada aos autos na manifestação de inconformidade apenas DACON e DCTF retificadora. É o que se infere da transcrição a seguir: 9.2. Independentemente da mencionada retificação, vale registrar que o sujeito passivo não apresentou por ocasião de sua defesa quaisquer provas de seus registros contábeis/fiscais que pudessem evidenciar a causa do equívoco reportado, motivando a objetivada redução do valor do tributo em tela e, consequentemente, o direito à restituição/compensação. 10. Ainda acerca das provas, é oportuno elucidar que a faculdade da autoridade julgadora em determinar, ex offício, a realização de diligência ou perícia (art. 18, do Decreto nº 70.235/72) não substitui o ônus processual da parte a quem compete – no caso, o sujeito passivo, que melhor do que ninguém detém amplas condições para promover a comprovação de suas alegações com amparo em documentos hábeis – de trazer aos autos os elementos de provas de que dispõe. 10.1. Verificase, portanto, que a norma atribui ao recorrente o dever de apresentar as provas sobre os fatos alegados perante a autoridade julgadora, com a finalidade de convencêla de suas alegações, sendo esta uma regra aplicada tanto no Processo Civil como no presente Processo Administrativo Fiscal. Na linha deste pensamento, oportuno trazer à colação os ensinamentos de Humberto Theodoro5: "[...] Se o direito material é disponível e a parte não cuidou de trazer a prova necessária para demonstrálo ou exercêlo, a presunção lógica é que abriu mão dele. Assim, não seria correto que o juiz viesse sobrepor a essa verdade, passando a advogar a causa da parte." 10.2. A propósito da necessidade de a contribuinte comprovar, devidamente, seu direito creditório, reproduzse Ementa do voto condutor do julgado proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 10480.904515/200844: “No caso específico dos pedidos de restituição e compensação de créditos tributários, o contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelos princípios invocados em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10830.901351/201009 Acórdão n.º 3002000.223 S3C0T2 Fl. 257 6 induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. 11. Ante o exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. Nos termos da decisão recorrida, portanto, caberia ao contribuinte ter trazido em sua manifestação de inconformidade não apenas a DCTF e DACON retificadoras, como também os documentos contábeis/fiscais que lhe dão suporte. Ato contínuo, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário por meio do qual anexou aos autos planilha com a memória de cálculo revisada da apuração dos créditos (Anexo 04 do Recurso – fls. 248/249). Entendo, contudo, que tal documentação ainda não é suficiente a comprovar o direito creditório aqui pleiteado. A uma, porque memória de cálculo produzida unilateralmente pelo contribuinte não possui valor probante. A duas, porque não veio conciliada com os correspondentes livros contábeis e documentos fiscais que lhe dariam suporte. Notese, por exemplo, que a planilha de fls. 249 descreve a origem dos créditos apurados (insumos, revenda, energia, etc.). Não há, contudo, qualquer documentação nos autos apta a comprovar tais despesas, e, consequentemente, a demonstrar a correção das informações apresentadas na DCTF retificadora em detrimento da DCTF originalmente transmitida. Nesse contexto, entendo que a decisão recorrida há de ser mantida, visto que o Recorrente, in casu, não se desincumbiu do seu ônus probatório quanto à matéria fática (direito ao crédito). Sobre o argumento apresentado pelo contribuinte de que a DCTF fora retificada tão somente para corrigir erro outrora incorrido, há de se destacar que não há qualquer impedimento na apresentação de DCTF retificadora. Conforme esclarece o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, esta poderá ser apresentada inclusive após o despacho decisório. Contudo, em tais casos, é cediço que a DCTF retificadora, por si só, não possui o condão de comprovar as informações ali inseridas, incumbindo ao contribuinte o ônus de trazer aos autos, através da correspondente documentação contábil e fiscal, a correspondente conciliação que demonstre o seu direito creditório. Por oportuno, transcrevo o conteúdo do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015: Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10830.901351/201009 Acórdão n.º 3002000.223 S3C0T2 Fl. 258 7 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (grifos apostos). (...). 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação? Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. (Grifos apostos). (...). 13. Ressaltese, por oportuno, que a despeito de a DCTF retificadora, em regra, produzir o mesmo efeito da original, e a DCOMP extinguir o débito desde seu processamento, ambas declarações estão sujeitas à verificação e à homologação da autoridade administrativa, que pode exigir confirmação e comprovação das informações declaradas, seja em auditoria interna da DCTF, seja em procedimento de fiscalização, seja na análise da DCOMP ou da manifestação de inconformidade. Afinal, a apresentação do PER/Dcomp sem a retificação prévia da DCTF gera o ônus ao sujeito passivo de ter de comprovar o crédito pleiteado, conforme julgados do CARF: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10830.901351/201009 Acórdão n.º 3002000.223 S3C0T2 Fl. 259 8 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802¬002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302¬002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) 13.1. O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poder dever de confirmálas. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB. Este tema, inclusive, encontrase pacificado neste Conselho Administrativo Fiscal, consoante demonstra a decisão a seguir colacionada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10830.901351/201009 Acórdão n.º 3002000.223 S3C0T2 Fl. 260 9 Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. (Acórdão nº 3803006.915, de 18/03/2015). (grifos apostos). No caso dos presentes autos, portanto, constatase que o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório, pelo que deverá ser mantida a negativa de homologação da compensação ora analisada. Da conclusão Diante do acima exposto, afasto o pedido preliminar do contribuinte de anulação do processo administrativo e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, em razão da ausência de comprovação do direito creditório pleiteado. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 260DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.001831/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. FATO GERADOR MENSAL.
1. O fato gerador das contribuições devidas à seguridade social é mensal (exemplificativamente, o art. 21 da Lei 8212/91 prevê que o salário de contribuição é mensal e o seu art. 43, § 2º, preceitua que se considera ocorrido o fato gerador na data da prestação do serviço) e o seu encerramento obviamente ocorre no último dia de cada mês.
2. Quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 26/12/2008, não havia transcorrido prazo superior a cinco anos desde a competência dezembro/2003.
NULIDADES. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO E AUTO DEVIDAMENTE MOTIVADOS.
1. A fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente.
2. O acórdão recorrido enfrentou todas as matérias suscitadas, fazendo-o de forma devidamente motivada e fundamentada, não havendo nem persistindo, pois, qualquer vício de motivação que pudesse ter obstaculizado os direitos de defesa e do contraditório.
ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
A fiscalização, em sede de diligência, em nada alterou a valoração dos fatos anteriormente realizada e nem mesmo retificou os valores constituídos no Auto de Infração.
Numero da decisão: 2402-006.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. DECADÊNCIA. FATO GERADOR MENSAL. 1. O fato gerador das contribuições devidas à seguridade social é mensal (exemplificativamente, o art. 21 da Lei 8212/91 prevê que o salário de contribuição é mensal e o seu art. 43, § 2º, preceitua que se considera ocorrido o fato gerador na data da prestação do serviço) e o seu encerramento obviamente ocorre no último dia de cada mês. 2. Quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 26/12/2008, não havia transcorrido prazo superior a cinco anos desde a competência dezembro/2003. NULIDADES. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO E AUTO DEVIDAMENTE MOTIVADOS. 1. A fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente. 2. O acórdão recorrido enfrentou todas as matérias suscitadas, fazendo-o de forma devidamente motivada e fundamentada, não havendo nem persistindo, pois, qualquer vício de motivação que pudesse ter obstaculizado os direitos de defesa e do contraditório. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. A fiscalização, em sede de diligência, em nada alterou a valoração dos fatos anteriormente realizada e nem mesmo retificou os valores constituídos no Auto de Infração.
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DECADÊNCIA. FATO GERADOR MENSAL. 1. O fato gerador das contribuições devidas à seguridade social é mensal (exemplificativamente, o art. 21 da Lei 8212/91 prevê que o salário de contribuição é mensal e o seu art. 43, § 2º, preceitua que se considera ocorrido o fato gerador na data da prestação do serviço) e o seu encerramento obviamente ocorre no último dia de cada mês. 2. Quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 26/12/2008, não havia transcorrido prazo superior a cinco anos desde a competência dezembro/2003. NULIDADES. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO E AUTO DEVIDAMENTE MOTIVADOS. 1. A fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente. 2. O acórdão recorrido enfrentou todas as matérias suscitadas, fazendoo de forma devidamente motivada e fundamentada, não havendo nem persistindo, pois, qualquer vício de motivação que pudesse ter obstaculizado os direitos de defesa e do contraditório. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. A fiscalização, em sede de diligência, em nada alterou a valoração dos fatos anteriormente realizada e nem mesmo retificou os valores constituídos no Auto de Infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 18 31 /2 00 8- 61 Fl. 159DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de Auto de Infração, no montante de R$10.226,85, para a constituição e cobrança das contribuições devidas ao SEST e SENAT, incidente sobre os valores pagos aos contribuintes individuais. De acordo com o relatório fiscal, a base de cálculo foi apurada com base nos valores constantes em recibos de pagamento de contribuintes individuais, notas de empenho, notas fiscais e contratos de prestação de serviços, GFIPs, entre outros. O município apresentou impugnação tempestiva, na qual alegou: 1. a decadência das contribuições cujos fatos geradores são anteriores a 26/12/2003 (art. 150, § 4º, do CTN); 2. a nulidade do auto de infração por não atender ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional e no artigo 10, III e IV, do Decreto n° 70.235/72, alegando a inexistência, nos autos, da descrição objetiva dos fatos que teriam gerado a obrigação e os respectivos enquadramentos legais; 3. o auto de infração não veio instruído com demonstrativo apto a indicar exatamente quais receitas integraram a base de cálculo, em cada período de apuração, inviabilizando o exercício dos direitos ao contraditório e à ampla defesa; 4. impugna expressamente a totalidade dos valores registrados no auto de infração, aduzindo serem os mesmos indevidos; Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11444.001831/200861 Acórdão n.º 2402006.271 S2C4T2 Fl. 3 3 5. requer a realização de diligência com a finalidade de decompor e destacar separadamente os valores e respectivas rubricas que integram os valores tributáveis. Apresenta os quesitos e indica assistente técnico; 6. requer, finalmente, o acolhimento das preliminares suscitadas, reconhecendo a decadência parcial e a nulidade do auto de infração. No mérito, requer a insubsistência e o arquivamento do auto de infração. Os autos foram encaminhados à DRF de origem para a realização de diligência, com a finalidade de fazer constar nos autos a relação pormenorizada dos transportadores autônomos, dos membros do conselho tutelar e dos contribuintes individuais incluídos nos levantamentos B1 e B3, sendo, então, apresentadas as planilhas demonstrativas. Na mesma oportunidade, foram solicitados esclarecimentos acerca dos valores lançados e a sua correspondência com as planilhas apresentadas pela fiscalização, sendo, então, prestadas as informações pela autoridade autuante, constantes no item 4 da informação fiscal. Cientificado, o contribuinte apresentou manifestação, alegando, em síntese, ser inadmissível a alteração do lançamento após a notificação e defesa do contribuinte. Aduz que a retificação excluiu parte do lançamento sem especificar a que sobejou. Transcreve os artigos 145, 146 e 149 do Código Tributário Nacional, entendendo não existir hipótese a amparar a modificação estrutural do lançamento. Transcreve doutrina acerca da impossibilidade da alteração dos critérios jurídicos após constituição do crédito tributário. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO DAS DISPOSIÇÕES DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existindo antecipação do pagamento, ainda que parcial, a decadência operase com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, mediante aplicação do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Presentes nos autos todos os elementos fáticos e legais que embasam a autuação, não há que se falar em nulidade em decorrência do cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. DESNECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA. Deve ser indeferido o requerimento de produção de provas quando presentes nos autos todos os elementos necessários ao seu correto entendimento. Fl. 161DF CARF MF 4 A contribuinte foi intimada da decisão em 22/08/2013 e interpôs recurso voluntário em 06/09/2013, no qual reiterou os seguintes fundamentos de sua impugnação: 1. decadência parcial, cujo termo final é em 26/12/2003, uma vez que a autuação é de 26/12/2008; 2. existência de cerceamento de defesa diante da ausência de especificação da matéria tributável e da falta de específica descrição dos fatos que ensejaram a autuação; 3. a modificação de ofício no lançamento, realizada em sede de diligência determinada pela DRJ, importou explícita alteração do critério jurídico do lançamento; 4. no mérito, afirma que a decisão recorrida não motivou adequadamente a "pertinência dos valores registrados no auto de infração". Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Das questões preliminares 2.1 DA DECADÊNCIA O recorrente afirma que o termo final seria em 26/12/2003, uma vez que a autuação é de 26/12/2008. Lembrese que a DRJ decotou do lançamento as contribuições relativas ao período de 12/2002 a 11/2003. Pois bem. O fato de o lançamento ter sido realizado em 26/12/2008 não altera o resultado da decisão recorrida. O fato gerador das contribuições devidas à seguridade social é mensal (exemplificativamente, o art. 21 da Lei 8212/91 prevê que o salário de contribuição é mensal e o seu art. 43, § 2º, preceitua que se considera ocorrido o fato gerador na data da prestação do serviço) e o seu encerramento obviamente ocorre no último dia de cada mês. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11444.001831/200861 Acórdão n.º 2402006.271 S2C4T2 Fl. 4 5 Em sendo assim, quando o lançamento foi notificado ao sujeito passivo, em 26/12/2008, não havia transcorrido prazo superior a cinco anos desde a competência dezembro/2003. Vejase: Logo, deve ser negado provimento ao recurso neste particular. 2.2 DA FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Em tópico de mérito, o recorrente afirma que a decisão recorrida não teria motivado adequadamente a pertinência dos valores registrados no auto de infração. Essa alegação será recebida como preliminar, pois, se fosse acolhida, implicaria a nulidade da decisão por preterição do direito de defesa. Significa dizer que se a decisão recorrida tivesse vício de motivação, este Conselho teria que declarar a sua nulidade (art. 59 do Decreto 70235/72), o que impediria o exame de mérito do Auto de Infração. O que se observa, contudo, é que a fiscalização, ao examinar as folhas de pagamento, os recibos de pagamento de autônomos, as notas de empenho, as notas fiscais de prestação de serviços, os contratos de prestação de serviços, o livro razão analítico de despesas e de fornecedores, as rescisões de contrato de trabalho, as GFIPs, entre outros documentos elaborados pelo próprio sujeito passivo ou por ele detidos, identificou o fato gerador das contribuições ora lançadas, procedendo, ainda, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do tributo devido, à identificação do sujeito passivo, enfim, realizando todos os atos necessários à constituição do crédito. Foram relatados todos os fatos que, no entender da autoridade autuante, implicavam o dever de pagar o tributo e os demais consectários legais dele decorrentes (tais como juros e multa) e o auto tem vários anexos, entre os quais o anexo "FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO". A DRJ, ainda, antes de proceder ao julgamento da impugnação apresentada pelo contribuinte, converteu o julgamento em diligência, para fazer constar nos autos a relação pormenorizada dos transportadores autônomos, dos membros do conselho tutelar e dos contribuintes individuais, inclusive com a apresentação das planilhas demonstrativas, o que trouxe maior clareza à fiscalização, propiciando um trabalho mais adequado à defesa do contribuinte. Ademais, e noutro giro, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu ao recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a autuação foi devidamente motivada e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; o Auto ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do Fl. 163DF CARF MF 6 sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório do recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Ou seja, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa do recorrente. Ao julgar a impugnação do sujeito passivo, por outro lado, impugnação que estava mais centrada em teses preliminares do que propriamente meritórias, a Delegacia de Julgamento enfrentou todas as matérias suscitadas, fazendoo de forma devidamente motivada e fundamentada, não havendo nem persistindo, pois, qualquer vício de motivação que pudesse ter obstaculizado os direitos de defesa e do contraditório. Nesse contexto, devem ser rejeitadas as preliminares de nulidade da decisão recorrida e de nulidade do Auto de Infração. 2.3 DA ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO Segundo o recorrente, a modificação de ofício no lançamento, realizada em sede de diligência determinada pela DRJ, importou explícita alteração do seu critério jurídico. Entretanto, verificase que a fiscalização, em sede de diligência, em nada alterou a valoração dos fatos anteriormente realizada e nem mesmo retificou os valores constituídos no Auto de Infração. A diligência apenas esclareceu os dados que não estavam no relatório fiscal e nos anexos do auto, propiciando, como se disse, um trabalho mais adequado à defesa do contribuinte. Em sendo assim, negase provimento ao recurso neste ponto. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.003091/2007-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/05/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 19647.007683/2007-33, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 30 91 /2 00 7- 29 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 14485.003091/200729 Acórdão n.º 9202006.926 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.915, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 19647.007683/200733, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9202006.915): Fl. 412DF CARF MF Processo nº 14485.003091/200729 Acórdão n.º 9202006.926 CSRFT2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 413DF CARF MF Processo nº 14485.003091/200729 Acórdão n.º 9202006.926 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5º, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei nº 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos Fl. 414DF CARF MF Processo nº 14485.003091/200729 Acórdão n.º 9202006.926 CSRFT2 Fl. 6 5 previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarse á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 415DF CARF MF Processo nº 14485.003091/200729 Acórdão n.º 9202006.926 CSRFT2 Fl. 7 6 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;" Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 14485.003091/200729 Acórdão n.º 9202006.926 CSRFT2 Fl. 8 7 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, Fl. 417DF CARF MF Processo nº 14485.003091/200729 Acórdão n.º 9202006.926 CSRFT2 Fl. 9 8 a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 418DF CARF MF Processo nº 14485.003091/200729 Acórdão n.º 9202006.926 CSRFT2 Fl. 10 9 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001220/2009-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/11/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 12 20 /2 00 9- 02 Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11444.001220/200902 Acórdão n.º 9202006.765 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11444.001220/200902 Acórdão n.º 9202006.765 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11444.001220/200902 Acórdão n.º 9202006.765 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11444.001220/200902 Acórdão n.º 9202006.765 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11444.001220/200902 Acórdão n.º 9202006.765 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11444.001220/200902 Acórdão n.º 9202006.765 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 220DF CARF MF Processo nº 11444.001220/200902 Acórdão n.º 9202006.765 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11444.001220/200902 Acórdão n.º 9202006.765 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905696/2012-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
Ementa:
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 Ementa: PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 Ementa: PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo relator, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 56 96 /2 01 2- 76 Fl. 83DF CARF MF 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014 (AR juntado à efls. 50), a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014 (conforme "termo de solicitação de juntada" de efls. 69), por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905696/201276 Acórdão n.º 1302002.872 S1C3T2 Fl. 84 3 requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "nãodeclarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "não declarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus Fl. 85DF CARF MF 4 (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905696/201276 Acórdão n.º 1302002.872 S1C3T2 Fl. 85 5 declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar nãodeclarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 87DF CARF MF 6 Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.001649/2008-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1988 a 30/09/1995
INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62, § 2º, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, para os pedidos de restituição/compensação de indébito tributário decorrente de pagamento a maior e/ ou indevido de tributo sujeito a lançamento por homologação, protocolados até a data de 09/06/2005, a contagem do prazo prescricional qüinqüenal do direito de se repetir/compensar o respectivo indébito deve ser feita pela tese dos cinco mais cinco, cinco anos para a homologação tácita e mais cinco para a prescrição.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO PROCESSO À INSTÂNCIA DE ORIGEM. ENFRENTAMENTO DEMAIS QUESTÕES DE MÉRITO.
A afastada a prescrição parcial reconhecida na decisão de primeira instância que, inclusive, prejudicou o enfrentamento do mérito da demanda posta nos autos, impõe-se a remessa do processo à instância de origem para que sejam analisadas as demais questões suscitadas pela contribuinte, mormente em relação à efetiva existência dos indébitos pleiteados.
Numero da decisão: 9303-007.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que esta se manifeste sobre a certeza e liquidez dos indébitos apresentados e reclamados pelo contribuinte, para o período de 12/1988 a 09/1990.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 30/09/1995 INDÉBITO. TRIBUTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Em face do disposto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), art. 62, § 2º, c/c a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, para os pedidos de restituição/compensação de indébito tributário decorrente de pagamento a maior e/ ou indevido de tributo sujeito a lançamento por homologação, protocolados até a data de 09/06/2005, a contagem do prazo prescricional qüinqüenal do direito de se repetir/compensar o respectivo indébito deve ser feita pela tese dos “cinco mais cinco”, cinco anos para a homologação tácita e mais cinco para a prescrição. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RETORNO PROCESSO À INSTÂNCIA DE ORIGEM. ENFRENTAMENTO DEMAIS QUESTÕES DE MÉRITO. A afastada a prescrição parcial reconhecida na decisão de primeira instância que, inclusive, prejudicou o enfrentamento do mérito da demanda posta nos autos, impõese a remessa do processo à instância de origem para que sejam analisadas as demais questões suscitadas pela contribuinte, mormente em relação à efetiva existência dos indébitos pleiteados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para que esta se manifeste sobre a certeza e liquidez dos indébitos apresentados e reclamados pelo contribuinte, para o período de 12/1988 a 09/1990. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 16 49 /2 00 8- 71 Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10980.001649/200871 Acórdão n.º 9303007.000 CSRFT3 Fl. 916 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3202001.447, de 12/12/2012, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. nos termos da seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1990 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição tem como termo inicial de contagem a decisão transitada em julgado que reconheceu a inconstitucionalidade da norma. Recurso Provido" Irresignada com essa decisão, a Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, alegando omissão pelo fato de o Colegiado não ter adotado, em relação à prescrição, a decisão do STJ, no RE 566.621/RS, proferida na forma do art. 543B do CPC, conforme determina o § 2º do art. 62 do RICARF. Os embargos foram, no entanto rejeitados, nos termos do Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração às fls. 828/832. Intimada daquele despacho, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, requerendo a reforma do acórdão recorrido e, posteriormente, a remessa dos autos à DRF a fim de se pronunciar acerca da certeza e liquidez dos créditos apresentados pelo contribuinte, alegando, em síntese, que: 1) a contagem do prazo quinquenal da prescrição do direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos reclamados deve ser feita, nos termos da tese dos "5+5", inclusive, com a aplicação do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Assim, adotandose essa tese, na data de protocolo do pedido em discussão, deve ser reconhecida a prescrição para os fatos geradores ocorridos antes de 04/12/1988; e 2) houve supressão de instância, pelo fato de a Turma a quo ter dado provimento ao recurso voluntário para deferir a parcela remanescente do pedido relativa aos pagamentos efetuados anteriormente a outubro de 1990; assim, os autos deverão retornar à instância de origem para apreciação do mérito, evitando a supressão. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10980.001649/200871 Acórdão n.º 9303007.000 CSRFT3 Fl. 917 3 Discorreu sobre a tese dos "5+5", concluindo que, aplicandose a tese adotada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo nº 566.621/RS, em repercussão geral reconhecida no RE nº 561.908/RS, o prazo para repetição/compensação de indébitos decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como no presente caso, é de 10 (dez) anos contados do respectivo fato gerador, em combinação com o disposto nos arts. 150, § 4º, 156, inciso VII, e 168, inciso I, do CTN, desde que o pedido tenha sido protocolado até 09/06/2005, data da vigência da Lei Complementar (LC) nº 118, de 2005. Por outro lado, se o pedido foi protocolado depois daquela data, o prazo quinquenal deve ser contado nos termos do art. 168, inciso I, do CTN, ou seja, da data de extinção do respectivo crédito tributário pelo pagamento. Quanto à supressão de instância, alegou que, levandose em conta que a Turma a quo (DRJ) julgou prescrito o direito de o contribuinte repetir/compensar os pagamentos indevidos e/ ou a maior efetuados em datas anteriores a outubro de 1990 e o Colegiado da Câmara Baixa afastou essa prescrição, os autos deverão ser encaminhados à instância de origem para que seja analisado o mérito, quanto à certeza e liquidez dos valores apresentados pelo contribuinte. Caso contrário, trará prejuízo à ampla defesa e ao contraditório da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A DRJ em Curitiba julgou a manifestação de inconformidade procedente em parte, para reconhecer a prescrição do direito de o contribuinte pleitear a restituição/ compensação dos indébitos decorrentes de pagamentos efetuados em datas anteriores a outubro de 1990, período não abrangido pela ação judicial, e reconheceu o seu direito em relação aos demais pagamento. No entanto, o acórdão recorrido afastou a prescrição sob o fundamento de que a contagem do quinquênio prescricional deve ser feita a partir da data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu a inconstitucionalidade da norma sob a qual o pagamento indevido foi efetuado. Assim, a matéria oposta nesta instância especial restringese à prescrição do direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos tributários decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou a maior do PIS, efetuados em datas anteriores a outubro de 1990. No presente caso, conforme demonstrado e provado nos autos e reconhecido pelo próprio contribuinte, os indébitos pleiteados não foram objetos de quaisquer ações judiciais. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10980.001649/200871 Acórdão n.º 9303007.000 CSRFT3 Fl. 918 4 A prescrição do direito à repetição/compensação de indébitos tributários está regulamentada no CTN, art. 165, I, c/c o art. 168, I, que assim dispõem: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; […]. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; [...].” No entanto, em face do disposto no art. 2º do art. 62 do RICARF, adotase para o presente caso, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no RE nº 566.621, em repercussão geral reconhecida no RE nº 5.619.088/RS. O RICARF, no art. 62, § 2º, assim dispõe: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)” Na decisão do RE nº 566.621, o Plenário do STF, ao negar provimento ao recurso extraordinário interposto pela União Federal contra decisão que reconheceu que a LC nº 118, de 09/02/2005, somente se aplica a partir de sua vigência, e que o prazo qüinqüenal para repetir indébitos decorrentes de tributos sujeitos a lançamento por convalidação, até então, era de 10 (dez) anos, cinco para a extinção tácita e mais cinco para a repetição, tese dos “cinco mais cinco”, sacramentouse a aplicação desta tese até a entrada em vigor daquela LC, em 09/06/2005. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10980.001649/200871 Acórdão n.º 9303007.000 CSRFT3 Fl. 919 5 No presente caso, o pedido de restituição/compensação foi protocolado em 04/12/1998, pleiteando indébitos decorrentes de pagamentos efetuados para as competências de janeiro de 1988 a setembro de 1990. Assim, aplicandose a tese dos "5+5", naquela data, o direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos correspondentes aos períodos de apuração até novembro de 1988 já havia prescrito. Contudo, em relação aos indébitos decorrentes dos pagamentos indevidos e/ ou a maior referentes as competências de dezembro de 1988 a setembro de 1990, seu direito ainda não havia sido atingido pela prescrição decenal. Quanto à supressão de instância, levandose em conta que a Turma da DRJ julgou prescrito o direito de o contribuinte repetir os indébitos decorrentes de pagamentos efetuados em datas anteriores a outubro de 1990 e, consequentemente, não se manifestou sobre o mérito da certeza e liquidez dos indébitos apresentados e reclamados pelo contribuinte, os autos devem retornar a instância de origem para que se pronuncie sobre os valores reclamados para aquele período, evitandose a supressão de instância e o cerceamento de defesa. À luz do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição do direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos decorrentes dos pagamentos efetuados para as competência de janeiro a novembro de 1988 e, consequentemente, reconhecer o direito de o contribuinte repetir/compensar os indébitos decorrentes dos pagamentos efetuados para as competências de dezembro de 1988 a setembro de 1990, com o retorno dos autos à unidade de origem para se manifestar sobre a certeza e liquidez dos indébitos apresentados e reclamados pelo contribuinte, para aquele período (12/1988 a 09/1990). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 925DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.724465/2014-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/01/2014
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO.
Os embargos de declaração não merecem conhecimento quando demonstrada a inexistência de omissão por parte do acórdão recorrido. Tal recurso não apresenta por função a revisão meritória da decisão proferida, o que deve ser objeto de questionamento mediante a interposição de recurso próprio para esse fim.
A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação.
Numero da decisão: 3402-005.310
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 31/01/2014 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. INADMISSIBILIDADE. JUÍZO DE PRELIBAÇÃO QUE TAMBÉM PODE SER REALIZADO PELO ÓRGÃO COLEGIADO. Os embargos de declaração não merecem conhecimento quando demonstrada a inexistência de omissão por parte do acórdão recorrido. Tal recurso não apresenta por função a revisão meritória da decisão proferida, o que deve ser objeto de questionamento mediante a interposição de recurso próprio para esse fim. A existência de um juízo de admissibilidade positivo quanto à interposição dos embargos de declaração não impede que o colegiado reveja essa questão previamente ao juízo de delibação. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 44 65 /2 01 4- 83 Fl. 5641DF CARF MF 2 Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório 1. Tratase de auto de infração decorrente do processo administrativo n. 10314.723792/201418, oportunidade em que foi imposta multa equivalente a 10% (dez por cento) do valor da operação de importação pelo fato de a empresa Glikimport Comércio Imp. e Exp. de Cosméticos Ltda. (“Glikimport”) supostamente ter cedido seu nome para a Oito Brasil Distribuidora Ltda. (“Oito Brasil”) realizar negócios no âmbito do comércio exterior. Assim, no presente processo administrativo se discute a exigência da diferença de valores pretensamente devidos a título de IPI, exigência essa que se impõe contras ambas empresas de forma solidária. 2. Segundo a acusação fiscal, a empresa Glikimport Comércio importava por encomenda mercadorias estrangeiras (cosméticos das marcas L´anza e Paul Mitchell), se valendo, para tanto, da Sertrading (BR) Ltda. (“Sertrading”). Não obstante, todas as mercadorias importadas pela empresa Glikimport Comércio eram, necessariamente, vendidas no mercado interno para a empresa Oito Brasil, a qual, por seu turno, distribuía tais bens para salões de beleza espalhados pelo país. 3. Ainda segundo a acusação fiscal, a empresa Glikimport utilizou recursos de terceiro nas operações de importação acima citadas, ocultando, pois, o real adquirente das mercadorias registradas nas diversas Declarações de Importação (DIs) relacionadas no presente Auto de Infração e registradas entre 11/01/2011 a 16/01/2014. Segundo a fiscalização, a real adquirente de tais bens seria a empresa Oito Brasil. 4. A ocultação do real importador teria por escopo afastar a condição da Oito Brasil de estabelecimento equiparado a industrial, de modo que a correlata incidência de IPI recaísse na operação perpetrada pela Glikimport, o que ensejou em uma economia no montante a pagar deste imposto. 5. Diante deste quadro, a fiscalização promoveu 03 (três) diferentes Autos de Infração a seguir detalhados. 6. O primeiro deles redundou no (i) processo administrativo autuado sob o n. 10314.723792/201418, lavrado em prejuízo da Glikimport e, solidariamente, em desfavor da Oito Brasil, que, como dito alhures, tem por escopo a imposição de multa equivalente a 10% (dez por cento) do valor da operação (art. 33 da lei n. 11.488/07). 7. Por sua vez, os fatos aqui narrados ensejaram ainda (ii) um segundo processo administrativo (10314.724463/201494) no qual se impôs à empresa Oito Brasil e solidariamente à empresa Glikimport a pena de perdimento das mercadorias importadas, convertida em pena de multa. 8. Por fim, adveio ainda (iii) este terceiro Auto de Infração (autos n. 10314.724465/201483), lavrado em desfavor das recorrentes e que tem por objeto exigir a diferença de IPI devida na operação. 9. Devidamente intimadas no presente processo administrativo, as empresas Oito Brasil e Glikimport apresentaram suas respectivas impugnações (fls. Fl. 5642DF CARF MF Processo nº 10314.724465/201483 Acórdão n.º 3402005.310 S3C4T2 Fl. 5.635 3 2.166/2.203 e 2.959/2.998), as quais foram julgadas improcedentes pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1456.700 fls. 3.942/3.969). 10. Diante deste quadro, as duas empresas interpuseram seus respectivos recursos voluntários (fls. 3.984/4.052 e 4.694/4.762), oportunidade em que os recorrentes repisaram os fundamentos invocados em suas impugnações. 11. Não obstante, o então Relator do caso, Conselheiro José Henrique Mauri, requisitou ao Presidente da 3a Seção deste Tribunal Administrativo que o presente processo (autos n. 10314.723792/201418) fosse redistribuído para a minha relatoria em razão da patente conexão entre os casos mencionados alhures, conforme se observa do despacho de fls. 5.414/5.415), o que foi prontamente deferido pelo Presidente substituto da 3a Seção, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, conforme atesta o despacho de fls. 5.416. Não obstante, a mesma situação se deu em relação ao processo autuado sob n. 10314.724465/201483, no qual se discute o lançamento de IPI em desfavor da Oito Brasil, também sendo deferida pelo Presidente substituto da 3a Seção, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas a reunião, por conexão, dos citados autos para que fosse julgado juntamente com o caso decidendo. 12. O recurso voluntário interposto no presente processo, assim como os recursos conexos, foram julgados procedentes por este colegiado, em sua antiga composição, conforme se observa do acórdão n. 3402004.367 (fls. 5.418/5.429), o qual restou assim ementado: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. A suposta imprecisão do MPF, ainda que impedisse a precisa identificação temporal para o seu encerramento, não implicaria a sua nulidade e do correlato lançamento, uma vez que não trouxe prejuízos às defesas dos contribuintes e, ainda, porque a data do termo final do MPF tem implicações para fins de resgate da espontaneidade do contribuinte (art. 7o, § 2° do Decreto 70.235/72) e decadência do crédito tributário, mas não para a sua validade formal. DENEGAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL EM JULGAMENTO DA DELEGACIA REGIONAL DE JULGAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. A denegação de sustentação oral em sede de julgamento realizado pela Delegacia Regional de Julgamento não viola o devido processo legal e seus consectários lógicos (contraditório e ampla defesa), uma vez que tais valores jurídicos não são absolutos e devem ser conjugados com outros valores jurídicos também tutelados pelo ordenamento constitucional, tais como celeridade e duração razoável do processo. Ademais, não há previsão legal para tal sustentação oral em sede de DRJ. Precedentes do STF. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Haveria alteração de critério jurídico se a decisão recorrida intentasse promover a alteração dos fundamentos fático Fl. 5643DF CARF MF 4 jurídicos que sustentaram a acusação fiscal, o que inexiste no caso em tela. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelos recorrentes nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Logo, não há que se falar em incidência de diferenças de IPI nas operações fiscalizadas. Recursos voluntários providos. Crédito tributário exonerado. 13. Uma vez intimada, a Fazenda Nacional apresentou os embargos de declaração de fls. 5.442/5.443, oportunidade em que, em suma, alegou que a decisão teria sido omissa, uma vez que teria ignorado determinados fatos que atestariam a interposição fraudulenta aqui debatida. De forma mais precisa, a União alega em suas razões recursais que os seguintes fatos não foram tratados pelo acórdão recorrido: (...). A GLIKIMPORT vende todas as mercadorias que importa para apenas um cliente, a OITO BRASIL, uma clara demonstração de que essas mercadorias já tinham destinatários predeterminados, antes mesmo do registro da DI, ou seja, a Real Adquirente das mercadorias; O próprio Sr. Renato Rudge, administrador tanto da Glikimport como da Oito Brasil, reconheceu que todas as mercadorias importadas pela Glikimport são vendidas apenas para um cliente, a empresa Oito Brasil; O saldo da conta Bancos da contabilidade da GLIKIMPORT nos anos de 2011 a 2013 são insignificantes, uma visível evidência de que a empresa era financiada pela OITO BRASIL; Em sua contabilidade, no Razão das contas Clientes e Bancos, a GLIKIMPORT exibe de forma transparente o adiantamento de cliente, no caso OITO BRASIL, para pagamento das importações; Os extratos mostram de forma irrefutável os depósitos efetuados pela OITO BRASIL na conta da GLIKIMPORT para pagamentos diversos, entre eles os títulos referentes às notas fiscais de venda de mercadorias importadas pela empresa SERTRADING. (...). 14. O despacho de fls. 5.594/5.598 admitiu referido recurso. 15. Ciente dos embargos interpostos, o contribuinte, espontaneamente, compareceu as autos e apresentou sua considerações a respeito do recurso interposto por intermédio da petição de fls. 5.447/5.457, complementada pelas petições de fls. 5.601/5.603. Fl. 5644DF CARF MF Processo nº 10314.724465/201483 Acórdão n.º 3402005.310 S3C4T2 Fl. 5.636 5 16. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro I. A inadmissibilidade dos embargos de declaração interpostos 17. Em sede de juízo de prelibação, entendo que os embargos de declaração interpostos não merecem conhecimento, conforme será demonstrado a seguir. 18. Como é sabido, os embargos de declaração configuram uma espécie recursal de fundamentação vinculada, na medida em que, como regra, apresenta objetivos muito específicos, i.e., suprir omissões, contradições e obscuridade e, com isso, qualificar a decisão embargada. 19. Dentre tais hipóteses de cabimento, a contradição é o vício ostentado por decisão cuja conclusão não decorre logicamente da fundamentação1, ou seja, tratase de vício interno da decisão embargada, proveniente do contraste entre o que fora externado ao longo da fundamentação do decisum e a conclusão alcançada pelo sua parte dispositiva. 20. Aliás, com base em tais considerações, a doutrina processual brasileira acertadamente professa que os embargos de declaração não são cabíveis para corrigir uma contradição entre a decisão e alguma prova, argumento ou elemento contido em outras peças constantes dos autos do processo. Não cabem, em outras palavras, embargos de declaração para eliminação de contradição externa2. 21. Acontece que, no presente caso, o recurso interposto pela Fazenda Nacional não tem por escopo suprir eventual omissão, uma vez os fatos pretensamente omissos foram, um a um, tratados pela decisão embargada. Neste diapasão, destaco os seguintes trechos do sobredito acórdão: (...). 41. Em relação ao fato de possuírem as mesmas sócias as recorrentes alegam, e com razão, que não há qualquer ilicitude em tal fato e, ainda, que tal estruturação societária não é, por si só, suficiente para atestar uma pretensa confusão entre as empresas recorrentes, o mesmo valendo para a questão dos seus representantes legais. 42. Não obstante, a recorrente Oito Brasil também refuta a acusação de que existiria apenas com o fito único de comprar e revender as mercadorias importadas pela Glikimport. Para comprovar tal fato, atesta que além das mercadorias adquiridas pela empresa Glikimport, também adquire os produtos Control System I, da empresa Farmoderm, bem como o produto Control System II, da empresa Concepcion (notas fiscais exemplarmente acostadas as fls. 2.809/2.810), ou seja, adquirem produtos de 1 DIDIER JÚNIOR, Fredie. "Curso de procesos civil vol. 3. 14a. ed. Salvador: Jus Podivim", 2017. p. 289. 2 "Op. cit. Loc. cit." Fl. 5645DF CARF MF 6 fabricantes distintos e concorrentes da exportadora das marcas L'anza e Paul Mitchell. 43. Por fim, em relação ao último apontamento da acusação fiscal, qual seja, de que o balancete da empresa Glikimport apontaria saldos finais de contas bancárias próximos de zero, o que atestaria que a importadora teria suas operações financiadas por interposta pessoa, a recorrente Glikimport demonstra o equívoco da assertiva fiscal. Segundo o laudo pericial, o gráfico elaborado pela fiscalização e referente aos lançamentos contábeis na conta Bradesco n. 3020002 simplesmente desconsiderou os saldos de aplicação financeira automática, contabilizados na própria conta (extratos de fls. 370/508 dos autos n. 10314.724463/201494). Vejamos a resposta do expert para a presente questão: (...). 44. Não obstante, outro ponto relevante trazido pelo laudo técnico e que refuta a acusação de que a Glikimport teria suas operações "financiadas" previamente pela Oito Brasil é a comparação de movimentação de estoques das duas empresas, as fls. 2.682/2.683 dos autos. 45. Se de fato houvesse o "patrocínio" das operações da Glikimport pela Oito Brasil haveria, por conseguinte, uma sinergia para a movimentação de estoques das empresas. Em outros termos, haveria uma aproximação das linhas apontadas nos gráficos alhures transcritos, o que, como visto, não ocorreu para o período fiscalizado. A análise, em especial, do período posterior a maio de 2011 deixa isso muito claro. Neste período observase uma curva ascendente de movimentação de estoque por parte da Glikimport, enquanto que, para a Oito Brasil, há uma tendência de estagnação. 46. Por fim, para clarificar de vez a autonomia entre as empresas fiscalizadas, as recorrentes descrevem as particularidades das operações perpetradas por ambas, demonstrando existir gestão de risco e expertise próprias para cada uma das atividades empresariais desenvolvidas. 47. Nesse sentido, destaco que a Glikimport atua no mercado exterior, o que demanda o preenchimento de inúmeros pressupostos formais e requisitos particulares para esse fim. Além disso, é responsável pela internação no país de produtos de beleza, os quais demandam registro perante a ANVISA, o que exige uma expertise no atendimento de uma burocracia muito particular (e.g. fls. 2.740/2.761). Ademais, no âmbito nacional, atua no mercado atacadista, o que implica a existência de uma logística muito mais simples. Não obstante, a concentração das suas vendas em um adquirente gera um menor risco creditício, permitindo, pois, que tal empresa recorrente trabalhe com uma margem de lucro menor. 54. Por sua vez, a Oito Brasil é uma empresa que comercializa produtos de beleza profissionais no varejo, i.e., para salões de beleza espalhados pelo país. Tal fato já denota a existência de uma equipe de representante comerciais, a qual deve ser devidamente treinada para vender produtos com especificidades Fl. 5646DF CARF MF Processo nº 10314.724465/201483 Acórdão n.º 3402005.310 S3C4T2 Fl. 5.637 7 que lhes são próprias. Além disso, as vendas são difundidas por todo o país, o que além de tornar complexa a logística, também implica em um maior risco de inadimplência. Logo, é natural que tal empresa recorrente trabalhe com uma margem de lucro maior. 55. Neste tópico em particular insta registrar que, apesar de acusar as recorrentes de segregar suas atividades para fim de se beneficiarem de uma incidência diminuta de IPI, em momento algum a fiscalização prova que (i) tal modelo de negócio (segregação de atividades empresariais) é incomum no âmbito do nicho empresarial das recorrentes e que (ii) haveria uma discrepância em relação às margens de lucro praticadas pelos contribuintes, em especial no caso da empresa Glikimport (importadora). Em verdade, quer parecer que a fiscalização parte da equivocada e obsoleta premissa que toda e qualquer atividade empresarial deve estruturar de modo a gerar a maior carga tributária possível, subvertendo, portanto, a ordem das coisas e ignorando, por completo, a lícita existência de medidas de elisão fiscal. Ao assim agir a fiscalização quer se arvorar de uma competência que não tem, qual seja, de pautar operações empresariais, denotando um absurdo viés ideológico próprio de ordenamentos totalitaristas. 56. Em conclusão, não se ignora aqui uma óbvia aproximação entre as atividades empresariais desenvolvidas pelas recorrentes, fato este que, por si só, no presente caso decidendo, não redunda na configuração de um negócio jurídico dissimulado ou fraudulento. Aliás, essa aproximação lícita é própria das operações empresariais entre empresas atacadistas e varejistas. 57. Diante de tais justificativas, entendo ser perfeitamente compreensível sob uma perspectiva econômica a existência de uma empresa importadora de produtos de beleza profissionais e que, no âmbito nacional, atua no mercado atacadista, segregada de outra pessoa jurídica, que comercializa estes mesmos produtos em outro nicho comercial, i.e., o comércio varejista. Nesse sentido, i.e., entendo ser juridicamente válida a segregação lícita de atividades empresariais, já decidiu este tribunal administrativo: (...). 58. É exatamente o caso dos autos, já que as empresas em questão, com atividades econômicas próprias, iniciaram suas atividades muito antes (mais de 10 anos) dos fatos aqui fiscalizados6. Aliás, no caso da Glikimport isso era imprescindível, já que para operar no mercado exterior o tempo de existência da empresa e volume de operações empresariais (o que só ocorre no fluxo do tempo) são pressupostos para obtenção e condições do RADAR. 59. Assim, diante do vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelo contribuinte, resta claro que não houve, no presente caso, interposição fraudulenta, mas sim operações Fl. 5647DF CARF MF 8 empresariais válidas e com nítido propósito econômico, em perfeita sintonia, portanto, com o princípio constitucional da livre iniciativa privada. Logo, não há que se falar em incidência de diferenças de IPI nas operações fiscalizadas. (...). 22. Percebese, portanto, que todos os fatos apontados pela embargante como pretensamente omissos foram diretamente tratados pelo acórdão embargado. Assim, se a embargante tivesse o mínimo cuidado de diligentemente ler o acórdão embargado teria interposto o recuso adequado às suas pretensões, qual seja, o recurso especial, uma vez que sua intenção não é de suprir supostas omissões, mas sim reverter a decisão tomada por este colegiado após exauriente deiberação. 23. Em verdade, tal recurso beira a máfé, já que apresenta perfeita subsunção ao disposto no art. 80, incisos IV e VII do Código de Processo Civil3. Aliás, tal conduta torna se anda mais clara quando se observa que os processos conexos e que foram aqui referidos não foram sequer objeto de recurso especial, por expressa desistência da Fazenda Nacional, conforme noticia o embargado (fls. 5.601/5.603) e comprova por intermédio dos documentos de fls. 5.629/5.633. 24. Percebese, pois, que não há qualquer omissão por parte da decisão recorrida. Em verdade, o que existe aqui é um inconformismo da embargante com o mérito do julgamento proferido, inconformismo esse que é passível de ser retratado em recurso especial, mas não por intermédio de embargos de declaração. 25. Nesse sentido, encaminho meu voto para não conhecer os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Aliás, neste particular, convém destacar que a existência de um prévio despacho positivo de admissibilidade carente de motivação, digase de passagem para este recurso não é impeditivo para que este colegiado reveja tal questão. 26. O RICARF, ao disciplinar a questão, prescreve que: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. (...). §2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. (...). 27. Segundo tal dispositivo, o Presidente de Turma pode designar o Relator do caso para prover o despacho de admissibilidade dos embargos de declaração. Embora não seja isso o que tenha ocorrido no caso em concreto, já que o despacho de admissibilidade foi proferido pelo então Presidente da Turma, o que se conclui do citado dispositivo é que, ao prever tal possibilidade, o RICARF atribuiu competência para os Relatores promoverem esse 3 "Art. 80. Considerase litigante de máfé aquele que: (...). IV opuser resistência injustificada ao andamento do processo; (...) VII interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório." Fl. 5648DF CARF MF Processo nº 10314.724465/201483 Acórdão n.º 3402005.310 S3C4T2 Fl. 5.638 9 juízo de prelibação, inclusive em sede de julgamento colegiado, até porque não faz qualquer sentido jurídico que um colegiado tenha competência para fazer juízo de delibação recursal, i.e., para resolver o mérito de um recurso, mas não possa analisálo sob uma perspectiva formal, ou seja, no que tange aos seus pressupostos formais de admissibilidade. 28. Em ultima ratio, tal aptidão tratarseia de uma questão de lógica formal, já que afirmar que o Relator pode realizar tal despacho significa dizer que ele não está proibido de fazêlo: logo, se Pp então Vp. 29. Por fim, tal sistemática, i.e., de um "duplo" juízo de prelibação recursal, não é nenhuma novidade no ordenamento processual brasileiro, sendo esta a tônica imposta ao recurso de apelação durante a vigência do CPC/73 e que, com o advento do CPC/2015, ainda permanece em vigor nas hipóteses de interposição de recursos especial e extraordinário. 30. Diante deste quadro, deixo de conhecer os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Dispositivo 31. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento dos embargos de declaração sub judice. 32. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 5649DF CARF MF
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