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Numero do processo: 16643.000017/2010-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2005
REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR, DE JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2005. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE.
De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador.
EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006.
A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia.
Numero da decisão: 9303-005.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2005 REMESSAS AO EXTERIOR DE ROYALTIES PELA LICENÇA DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR, DE JANEIRO/2002 A DEZEMBRO/2005. INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. DESNECESSIDADE. De 1º de janeiro de 2002, com as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001 na Lei nº 10.168/2000, a 31 de dezembro de 2005, data após a qual passou a ter vigência o art. 20 da Lei nº 11.452/2007, a contribuição passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas que remetessem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, havendo ou não transferência de tecnologia, aí incluída a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador. EFEITOS RETROATIVOS SOBRE COBRANÇA DE TRIBUTO. LEI EXPRESSAMENTE INTERPRETATIVA. ART. 20 DA LEI Nº 11.452/2007. FIXAÇÃO EXPRESSA DA SUA EFICÁCIA, NA MESMA LEI (ART. 21), A PARTIR DE 01/01/2006. A teor do art 106, I, do CTN, para que uma lei retroaja seus efeitos, no que tange à cobrança de tributo, ela tem que ser expressamente interpretativa, o que não ocorre com a Lei nº 11.452/2007, que é expressa, outrossim, ao fixar, em seu art. 21, a data a partir da qual passou a ter efeitos o seu art. 20 (1º de janeiro de 2006), que exige, para a incidência da contribuição sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, que esteja envolvida a transferência de tecnologia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 17 /2 01 0- 11 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 564 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausente, justificadamente, a Conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 507 a 528), interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, contra o Acórdão 3101001.082, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 491 a 505), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Exercício: 2005 CIDE. NÃO INCIDÊNCIA. REMESSA AO EXTERIOR. SOFTWARE. Somente incidirá a CIDE sobre remessa ao exterior quando referirse a pagamento de royalties decorrente de transferência de tecnologia. A remuneração de direitos autorais relativa ao licenciamento de cópia de software ou de cessão de direitos de uso de cópia, não está abrangida pela norma tributária da CIDE. CIDE. NÃO INCIDÊNCIA. NORMA INTERPRETATIVA. 0 artigo 20 da Lei n° 11.452/07, que alterou a Lei nº 10.168/00 para determinar a não incidência da CIDE sobre remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, tem caráter puramente interpretativo. Recurso Voluntário Provido. Ao Recuso Especial foi dado seguimento (fls. 554 a 556), e, logo ao início dos seus fundamentos, explicita a PGFN quais operações são objeto de discussão, transcrevendo, com grifos seus, o que o contribuinte diz no Recurso Voluntário, à fl. 344 (sempre na numeração eletrônica): “Na consecução de suas atividades sociais, a Impugnante firma contratos com Fl. 564DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 565 3 outras sociedades domiciliadas e residentes no exterior, cujos objetos são, resumidamente, concessão de licença para usar e sublicenciar “software”. Complementa a contextualização fática, dizendo que, “conforme se verifica pelo Relatório da Ação Fiscal primeiro, o elemento fundamental considerado foi a aquisição da permissão/licença de uso/comercialização do software, independente do meio físico eventualmente usado para o seu envio ou utilização; segundo, a incidência da Cide foi definida em relação aos valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a beneficiário residente ou domiciliado no exterior a título de remuneração pela licença de uso de programas (softwares), criados e licenciados por empresa lá localizada, por caracterizarem rendimentos correspondentes à exploração comercial (royalties)...” Tratando agora de matéria de Direito, em apertada síntese, argumenta que, conforme estabelece o § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000 (que instituiu a contribuição), com a redação da Lei nº 10.332/2001, de janeiro de 2002 a dezembro de 2005 – pois a art 20 da Lei nº 11.452/2007 (que nada teria de interpretativa) passou a produzir efeitos somente a partir de 1º de janeiro de 2006 – a CIDEREM incide sobre “a remessa de royalties ao exterior a título de pagamento pela licença de uso e de comercialização de softwares (royalty pela exploração de direito autoral)”, independentemente de haver ou não transferência de tecnologia. Quanto à polêmica sobre ‘royalties x direito do autor’, desfia longa abordagem sobre a legislação que trata do assunto, concluindo que “... o pagamento pela utilização de direito autoral (p. ex, licença de uso de software) possui a natureza jurídica de royalty ...”. Transcrevo a seguir os dispositivos legais citados relativos à CIDE, para melhor instruir este relato: Lei nº 10.168/2000 (com as alterações vigentes à época dos fatos geradores) Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1º Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) Lei nº 11.452/2007 Fl. 565DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 566 4 Art. 20. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1ºA: “Art. 2º (...) § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. O contribuinte não apresentou Contrarrazões, pelo que remeto ao Recurso Voluntário (fls. 467 a 486) para bem nos situar sobre o que efetivamente foi trazido para julgamento pelo CARF. Lá vemos que nada é dito sobre a discussão ‘royalties x direito do autor’, alegando a recorrente unicamente (sem falar da ilegalidade da multa de ofício, já desconsiderada pela 3ª Câmara) que o art. 20 da Lei nº 11.452/2007 – que teria caráter interpretativo, retroagindo, assim, os seus efeitos, a teor do art. 106, I, do CTN – “esclareceu explicitamente a desoneração tributária da CIDE – Remessas ao Exterior no que diz respeito à remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização de programas de computador, excetuandose os casos em que ocorrer transferência de tecnologia (da propriedade sobre o software), fato este que já estava estabelecido na Lei nº 10.168/00, ainda que de forma implícita” (fls. 473). É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas as formalidades previstas no RICARF, pelo que dele conheço. As Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico, por definição, sempre têm algum caráter regulatório, extrafiscal, não deixando, por isto, de ter também a sua função arrecadatória, inerente a todos os tributos. Sem dúvida, a função precípua da CIDERemessas ao Exterior (ou CIDE REM, ou CIDERE) é o de estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro, onerando quem destina recursos ao exterior para comprar serviços e utilizarse da tecnologia neles embutida, com o objetivo tanto de desestimular esta prática (com limites, já que, na mais das vezes, não há como deixar de se buscar “na fonte” as fontes de aprimoramento) como de obter recursos para que o mesmo serviço possa um dia vir a ser prestado aqui no Brasil. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 567 5 Mas a transferência de tecnologia não é, como regra, pressuposto para a incidência da CIDE. Não vou procurar “espaço” no caput do art. 2º da Lei nº 10.168/2000 para aí também encontrar a não exigência, para determinadas remessas, de transferência de tecnologia (mesmo sendo plausível esta interpretação), pois estamos a tratar aqui do anocalendário 2005, ou seja, já na vigência da Lei nº 10.332/2001, que ampliou (e muito) o campo de incidência da contribuição, atingindo fatos geradores apartados de forma expressa dos previstos originalmente, quando no § 2º do mesmo artigo se diz que a contribuição “passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias ...”. Isto poderia ter sido feito através de outra lei, “independente”?? Sem dúvida. A União pode – observados, obviamente, os balizamentos constitucionais – instituir outras CIDE (como eram as para o IAA e para o IBC e, ainda hoje, o ARFMM) por lei ordinária, mas se optou por utilizar de um arcabouço legal que já existia, pois, em grande parte, seria aplicável também às novas hipóteses de incidência. Vejamos o que diz a Solução de Consulta Cosit nº 1, de 06/01/2006: Ementa: CIDE. LICENÇA DE USO DE PROGRAMAS DE COMPUTADOR (SOFTWARE) INCIDÊNCIA A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000, para atendimento ao Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação, incide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a residentes ou domiciliados no exterior a título de remuneração decorrente de licença de uso de programas de computador (software), independentemente de os contratos relativos a tal licença estarem atrelados à transferência de tecnologia. Dispositivos Legais: Lei nº 9.609, de 1998, arts. 2º, 9º e 11; Lei nº 10.168, de 2000, arts. 1º e 2º; Lei nº 10.332, de 2001, art. 6º. A ementa não traz algo diferente do aqui até agora quis dizer, mas a fundamentação é preciosa, neste sentido, de forma taxativa – e acrescentando um elemento, obviamente não verificável na simples leitura da lei, que é a relação com a legislação do Imposto de Renda na Fonte: 13. De outra parte, da leitura do § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168, de 2000 (na redação dada pela Lei nº 10.332, de 2002), percebe se que sua intenção foi a de agregar novos fatos geradores aos até então existentes. 14. Tal intenção (de agregar novos fatos geradores aos até então existentes) foi expressamente manifestada no item 19 da Mensagem nº 1.060, de autoria conjunta dos Ministros do Estado da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, que acompanhou o projeto de lei (convertido na Lei nº 10.332, de 2001) encaminhado ao Congresso Nacional: Fl. 567DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 568 6 “19. O projeto de lei prevê ainda a adequação da base de incidência da contribuição, criada pela lei nº 10.168, de 2000, ampliando sua abrangência de forma a coincidir com a base de incidência do imposto de renda, com a redução concomitante do mesmo." Tanto é fato que se buscou esta convergência com a incidência do Imposto de Renda. O § 2º do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, em boa parte, é cópia fiel da conjugação dos arts. 718 e 710 do RIR/99 [transcrevi somente os trechos que interessam especificamente a este tópico, repetindo – para maior clareza – os da Lei 10.168/2000 (alterada)]: Lei nº 10.168/2000 (com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001) Art. 2º (...) (...) § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 2001) (...) Art. 3º (...) Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal ..., bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) Art. 708. Estão sujeitos à incidência do imposto na fonte ... os rendimentos de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes derivados do Brasil e recebidos por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior ... (...) Art. 710. Estão sujeitas à incidência na fonte ... as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas para o exterior a título de royalties, a qualquer título. Acrescento, ainda, tratando desta convergência de legislações, a Solução de Divergência Cosit nº 18, de 27/03/2017 (que reformou a Solução de Divergência Cosit nº 27, de 30/05/2008, da qual alguns ainda procuram se utilizar): Fl. 568DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 569 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF LICENÇA DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO DE SOFTWARE. PAGAMENTO, CRÉDITO, ENTREGA, EMPREGO OU REMESSA PARA O EXTERIOR. ROYALTIES. TRIBUTAÇÃO. As importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a residente ou domiciliado no exterior em contraprestação pelo direito de comercialização ou distribuição de software, para revenda a consumidor final, o qual receberá uma licença de uso do software, enquadramse no conceito de royalties e estão sujeitas à incidência de Imposto sobre a Renda na Fonte (IRRF) à alíquota de 15% (quinze por cento). SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA QUE REFORMA A SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 27, DE 30 DE MAIO DE 2008. Dispositivos Legais: Arts.1º e 2º da Lei nº 9.609, de 19 de fevereiro de 1998; art. 7º, inciso XII, da Lei nº 9.610, de 2 de fevereiro de 1998; art. 710 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. E norma legal superveniente (outra questão nodal da discussão) deixa ainda mais claro o que aqui defendo, se vista a contrario sensu, que é o § 1ºA do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, incluído pelo art. 20 da Lei nº 11.452/2007: § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. Ora, se a transferência de tecnologia fosse pressuposto para a incidência da contribuição, qual a razão de ser desta norma? Se a CIDE já não incidisse pelo fato de que não estivesse envolvida na operação a transferência de tecnologia, por óbvio, seria ela totalmente desnecessária. O contribuinte alega que o dispositivo teria caráter interpretativo, ou seja, seus efeitos seriam retroativos, mas a própria lei (nº 11.452/2007), em seu art. 21, como já visto, tratou logo de afastar este entendimento: Art. 21. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação ao disposto no art. 20 a partir de 1º de janeiro de 2006. Ora, o CTN é claríssimo ao exigir que, para ser retroativa, a lei seja expressamente interpretativa (por exemplo, que diga, como em regra ocorre, “para fins de interpretação do art. ....): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 570 8 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Não estamos aqui diante de aplicação pretérita de penalidades, mas tão somente de cobrança de tributo. Absolutamente, então, não vejo nenhuma razão para que alguém entenda que esta lei seja retroativa até janeiro de 2002, pois ela fixa, outrossim, expressamente, a data em que o seu art. 20 passaria a produzir efeitos, qual seja, 1º de janeiro de 2006. No sentido de tudo o que foi aqui colocado, aos paradigmas acrescento Acórdão nº 3102002.141, de 25/02/2014, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul, pois abarca, ao mesmo tempo: (i) a não exigência de transferência de tecnologia para a incidência da CIDE; e (ii) a irretroatividade, além de 01/01/2006, do § 1ºA do art. 2º da Lei nº 10.168/2000, incluído pela Lei nº 11.452/2007: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/08/2004 a 31/08/2004, 01/10/2004 a 30/11/2004 LICENÇA DE USO. AQUISIÇÃO DE CONHECIMENTO TECNOLÓGICO. CONTRATOS QUE IMPLIQUEM TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. SERVIÇOS TÉCNICOS, DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. ROYALTIES. PAGAMENTO, CREDITAMENTO. ENTREGA. EMPREGO OU REMESSA AO EXTERIOR. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. CONDIÇÃO. INEXISTÊNCIA. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE onera os valores pagos creditados, entregues, empregados ou remetidos a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, por licença de uso de conhecimentos tecnológicos, aquisição de conhecimentos tecnológicos, contratos que impliquem transferência tecnológica, serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes e royalties. A transferência de tecnologia ou de conhecimento tecnológico não é condição sine qua non à incidência da Contribuição. LICENÇAS DE USO OU DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMAS DE COMPUTADOR. AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. EXCLUSÃO DAS HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. VIGÊNCIA. A exclusão das hipóteses de incidência da CIDE da remuneração paga pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programas de computador quando não houver transferência de tecnologia, determinada pela Lei 11.452/07, não é disposição de natureza interpretativa. Não há menção expressa na norma a essa condição e seu artigo 21 determinou que a regra entraria em vigor no dia 1º de janeiro de 2006. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 571 9 (...) Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Depreendendose da análise dos autos desse processo, peço vênia ao ilustre Conselheiro Presidente Rodrigo da Costa Pôssas, quem tanto admiro, para expressar meu entendimento acerca da lide. E o cerne da lide posta em recurso especial interposto pela Fazenda Nacional versa sobre a discussão acerca do caráter a ser dado ao art. 20 da Lei 11.5421/07 para fins de se definir se o r. dispositivo ao dispor que a CIDE não incide sobre as remessas a título de remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computados, aquisição de softwares, “sem transferência de tecnologia”, inovou no plano tributário, instituindo uma norma de isenção, não retroagindo a fatos pretéritos, OU se reconheceu/esclareceu uma hipótese de não incidência tributária com alcance, por conseguinte, a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência. A priori, importante destacar que não há dúvida de que a remuneração que originou a remessa ora discutida não ensejou transferência de tecnologia. Ventiladas tais considerações, passo a analisar as normas para elucidar o meu entendimento. Para tanto, importante trazer que a Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico foi instituída pela Lei 10.168/00 para financiar o Programa de Estímulo à Interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação. Para fins de atendimento ao Programa, então, foi instituída a CIDE que, nos termos do “caput” do art. 2º da r. Lei, seria devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos Fl. 571DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 572 10 que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse ínterim, vêse que o próprio “caput” do art. 2º da Lei já trazia que a CIDE não incidiria sobre a remuneração pela aquisição de software de prateleira que não envolva transferência de tecnologia. Ora, a CIDE somente foi instituída para onerar a pessoa jurídica adquirente de conhecimentos tecnológicos em contratos que impliquem a transferência de tecnologia firmados com não residentes, eis que tinha como intuito basilar motivar à inovação NACIONAL utilizando nosso capital humano e científico NACIONAL. Para tanto, deveria haver um estímulo para a utilização de recursos humanos, científicos nacional com aplicação ao capital nacional, quer seja, através de “criação de pedágio tributário” para as pessoas jurídicas que, ao invés de se utilizar ou dispor oportunidades aos residentes ou domiciliados no país, firmam contratos ou adquirem conhecimentos tecnológicos que impliquem transferência de tecnologia com residentes ou domiciliados no exterior. Nesse diapasão, vêse que, independentemente do advento do art. 20 da Lei 11.452/07 – que trouxe o § 1ºA ao art.2º da Lei 10.168/00 – já era possível se interpretar que sobre a remessa para a aquisição de software que não envolva transferência de tecnologia não seria devida a CIDE. Eis que não é fato gerador passível de incidência da r. contribuição. Visando buscar segurança jurídica para não se tributar pela CIDE as remessas de aquisição de software que não envolva transferência de tecnologia, vários sujeitos passivos formularam consultas à Receita Federal do Brasil. Essa autoridade fazendária, assim, emitiu entendimento pela não tributação da contribuição tratando da mesma hipótese. Frisese tal constatação a Soluções de Consulta emitidas pela Receita Federal: “Solução de Consulta DISIT/SRRF 8 nº 513/06: Ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF REMESSAS PARA O EXTERIOR Programas de Computador (Software) Não estão sujeitas à incidência do imposto de renda na fonte as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por tratar se de mercadorias. Dispositivos Legais: Art. 710 do Decreto nº 3.000, de 26.03.1999 (republicado em 17.06.1999); e Portaria MF nº 181, de 28.09.1989. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições CIDE Fl. 572DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 573 11 Não ocorre a incidência da Cide sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior pela aquisição de programas de computadorsoftware produzidos em larga escala e de maneira uniforme, colocados no mercado para aquisição por qualquer interessado, sem licença para reprodução no Brasil, por não caracterizar hipótese de incidência da referida contribuição. Dispositivos Legais: Art. 2º da Lei nº 10.168, de 29.12. 2000 (alterado pelo art. 6º da Lei nº 10.332, de 19.12.2001); e art. 10 do Decreto nº 4.195, de 11.04.2002” E as Soluções de Consulta 20/04, 15/04, 290/03, 133/03, 81/03 e 298/02 emitidas pela Receita Federal do Brasil no mesmo sentido. Cabe trazer que tais atos foram emitidos anteriormente à publicação da Lei 11.452/07 – o que reforça que já era possível afastar, somente observando o art. 2º, caput, da Lei 10.168/00, a CIDE sobre tais remessas. Sendo assim, vêse que o art. 20 da Lei 11.452/07 transcritos abaixo – apenas veio a “ESCLARECER” a aplicação do art. 2º, “caput”, da Lei 10.168/00 para os casos inerentes as remessas pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador que não envolvam transferência de tecnologia (Grifos meus): “Art. 20. O art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, alterado pela Lei no 10.332, de 19 de dezembro de 2001, passa a vigorar acrescido do seguinte § 1ºA: “Art. 2º (...) (...) § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Tanto é assim que trouxe “textualmente” o termo “não incide”, deixando claro que se trata de norma “esclarecedora”, e não norma institutiva de “isenção”. Ora, sem o dispositivo também poderíamos entender que a CIDE nesse caso não seria devida, pois não poderíamos ignorar a regra matriz de incidência da contribuição que trouxe que a incidência abarcaria aquisição e contratos que impliquem transferência de tecnologia. Cabe trazer ainda que norma “esclarecedora” que apenas clarifica hipótese de incidência já abarcada por lei não deve ser tratada como norma inovadora, pois nada inova. Podese ainda inferir que tal dispositivo teria o condão de interpretar norma anterior – o que, nos termos do art. 106 do CTN, poderia ser aplicável a fatos pretéritos. Com efeito, independentemente de ser norma “esclarecedora” – que automaticamente aplicaria a fatos pretéritos, se entendêssemos como norma interpretativa, poderseia insurgir na discussão de que norma interpretativa deve ser expressamente interpretativa para tentar afastar a não tributação para fatos pretéritos. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 16643.000017/201011 Acórdão n.º 9303005.981 CSRFT3 Fl. 574 12 No entanto, vejo que tal insurgência seria demasiadamente ignorada, eis que tal norma poderia ainda ser vista como “expressamente interpretativa”. Ora, ressurgindo ao dispositivo (Grifos meus): "Art. 2º (...) (...) § 1ºA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.” Resta claro que “expressamente” traz que a CIDE NÃO INCIDE sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, SALVO QUANDO ENVOLVEREM A TRANSFERÊNCIA DA CORRESPONDENTE TECNOLOGIA. Expressamente, então, traz que NÃO INCIDE A CIDE nesses casos – e repete regra já posta na Lei 10.168 quando se incide. Portanto, não há como se entender que tal norma não seria esclarecedora ou interpretativa – com aplicação retroativa. No direito positivo, temse que somente devem observar regras constitucionais de anterioridade quando se tratar de instituição ou majoração de tributos. O que, por conseguinte, vêse não ser o caso. Ademais, é de se esclarecer que também não se trata de norma de isenção com aplicação a partir da publicação da lei, eis que tal norma deverá trazer literalmente a outorga de isenção – conforme pressupõe o próprio art. 111 do CTN. Ademais, se fosse norma de isenção, em respeito ao art. 176 do CTN, vêse que a lei que traz tal norma, deve especificar as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e não há nada que pudesse se dispor para tal direcionamento, tampouco para se incentivar determinado setor. E a norma de não incidência, ao contrário da isenção, traz enunciado de inexistência de relação jurídica entre as partes. Eis que a norma isentiva dispensa o pagamento do tributo em razão de determinado ato ou fato jurídico e a norma de não incidência reconhece que tal ato ou fato jurídico jamais foi hipótese de incidência daquele tributo. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.010736/2005-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/10/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/10/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 07 36 /2 00 5- 29 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10314.010736/200529 Acórdão n.º 9303006.659 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 320100.400, que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição de imposto de importação protocolado pelo Contribuinte. Sustenta que pagou a maior imposto de importação por não haver aplicado o benefício fiscal de 40% previsto na legislação, notadamente na Lei n° 10.182/01. Mediante despacho decisório o pedido de restituição foi indeferido por não atender todas as condições legais no momento de ocorrência do fato gerador do imposto (CTN, art. 179, L. 9.069/95 art. 60, Dec. 4.543/2002, art. 109). Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: habilitouse junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDS (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal); posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei nº 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei nº 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI tratada neste processo foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála; menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente à Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de “drawback”. Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada; Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10314.010736/200529 Acórdão n.º 9303006.659 CSRFT3 Fl. 4 3 na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CND’s (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho; à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: “... III verificação de que o contribuinte , à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)”. Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ e, na sequência, o recurso voluntário apresentado teve o provimento negado pelo colegiado a quo. O Contribuinte interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência quanto à exigência de apresentação da Certidão Negativa de Débito em cada um dos processos de importação que utilizaram benefício tributário. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.633, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10314.010742/200586, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.633): "Da Admissibilidade Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10314.010736/200529 Acórdão n.º 9303006.659 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 234 e 235. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime." (...)1 "Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5692 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio neste processo, uma vez que o entendimento nele expresso restou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303 006.633). 2 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10314.010736/200529 Acórdão n.º 9303006.659 CSRFT3 Fl. 6 5 comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte a recorrente quando se adentra à essência da lide. Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10314.010736/200529 Acórdão n.º 9303006.659 CSRFT3 Fl. 7 6 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de tê lo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10314.010736/200529 Acórdão n.º 9303006.659 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 248DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000549/2009-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2005, 2006
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Na ocasião o STJ pacificou entendimento que o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN. Aplicação do art. 62-A do RICARF.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SUBSUNÇÃO DOS FATOS AOS TIPOS PENAIS.
A qualificação da penalidade decorre da constatação de fato jurídico diverso da simples dedução indevida de despesas. Inexistindo no auto de infração a prova da fraude perpetrada pelo contribuinte, descabe a qualificação da multa
DEDUÇÕES. DEPENDENTE. INSTRUÇÃO. LIVRO-CAIXA.
Todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, sendo de se manter as glosas se o contribuinte não consegue comprová-las ou justificá-las, por meio de documentação hábil e idônea.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária a qual prevê multa de ofício no percentual de 75%. Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2002-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência da exigência relativa ao ano-calendário 2003, tornando-a insubsistente, e, no mérito, por maioria, negar provimento ao recurso no tocante aos anos-calendário 2005 e 2006. Vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que deu provimento parcial em razão do acolhimento da preliminar.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DECADÊNCIA. DEDUÇÕES. MULTA QUALIFICADA. Recorrente HERMES ALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2005, 2006 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA PARCIAL RECONHECIDA. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. Nos casos de lançamento por homologação, em que ocorre a antecipação do pagamento do imposto, devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC, julgado na forma do art. 543C do CPC. Na ocasião o STJ pacificou entendimento que o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do CTN. Aplicação do art. 62A do RICARF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SUBSUNÇÃO DOS FATOS AOS TIPOS PENAIS. A qualificação da penalidade decorre da constatação de fato jurídico diverso da simples dedução indevida de despesas. Inexistindo no auto de infração a prova da fraude perpetrada pelo contribuinte, descabe a qualificação da multa DEDUÇÕES. DEPENDENTE. INSTRUÇÃO. LIVROCAIXA. Todas as deduções pleiteadas na declaração estão sujeitas à comprovação ou justificação, sendo de se manter as glosas se o contribuinte não consegue comproválas ou justificálas, por meio de documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 05 49 /2 00 9- 16 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 163 2 MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária a qual prevê multa de ofício no percentual de 75%. Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de decadência da exigência relativa ao anocalendário 2003, tornandoa insubsistente, e, no mérito, por maioria, negar provimento ao recurso no tocante aos anos calendário 2005 e 2006. Vencido o conselheiro Virgílio Cansino Gil, que deu provimento parcial em razão do acolhimento da preliminar. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 164 3 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referentes aos exercícios de 2004, 2006 e 2007, anocalendário 2003, 2005 e 2006, tendo em vista a apuração de dedução indevida com dependentes, de despesas médicas e com instrução e de livrocaixa (fls.87/99). O contribuinte apresentou impugnação (fls.102/112), assim sintetizada na decisão a quo: Cientificado do lançamento em 02/02/2009 (fl. 97), o contribuinte apresentou, em 27/02/2009, por meio de representante (procuração à fl. 107), a impugnação de fls. 98/106, onde, após breve relato dos fatos, preliminarmente, com base no art. 150, § 4º do CTN, alega decadência do direito de a Fazenda constituir em 2009, credito tributário relativo a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, e, assim, entende, que apesar de ter apresentado todos os comprovantes, não estaria mais sujeito a qualquer comprovação. No mérito, em síntese, contesta a glosa e o lançamento com multa de todos os valores referidos no auto de infração; que as acusações de fraude não merecem prosperar, pois todos os pagamentos foram efetuados em espécie; que é abusiva a exigência de que a comprovação ocorra por cheques nominais emitidos em favor dos profissionais ou por extratos de conta corrente que comprovem saques em valores e datas compatíveis com os pagamentos efetuados, inexistindo lei que proíba o pagamento em moeda corrente, caracterizandose o abuso de poder repudiado pela Constituição e contra o qual lhe é assegurado o direito de petição; que os recibos apresentados são legais, comprovam os pagamentos efetuados e estão em consonância com o Código de Defesa do Consumidor; que deve ser observada a máxima de que o ônus da prova é de quem alega; que utilizou os serviços da Dra. Roziclei Cezar e que as alegações de fraude não passam de meras suposições, pois nada se provou contra a sua pessoa, não se podendo falar em glosa com multa qualificada; contesta a assertiva de que os recibos seriam "graciosos" e que não lhe compete fiscalizar a regularidade cadastral da profissional junto ao Conselho Regional de Psicologia, sendo descabida a representação fiscal para fins penais por fato alheio à sua responsabilidade; e que é injusto concluir pela fraude, ocorrendo, novamente, abuso de poder, contesta ainda, as glosas das despesas supostamente havidas com Carolina Martin e Michael Guerra, por falta de comprovação do efetivo pagamento. Insurgese contra a glosa de dependente e instrução, pois teria apresentado os comprovantes, os quais estariam anexados ao Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 165 4 procedimento administrativo juntamente com toda a documentação exigida pela RFB. Em relação às despesas de livro caixa, diz que nunca teve um livro e que sempre deduziu as despesas, porém, nunca na forma de livro Caixa, justamente por não ser um profissional liberal, aduzindo que todos os recibos que comprovam as deduções foram apresentados à fiscalização. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) negou provimento à Impugnação (fls. 114/124), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2006, 2007 DECADÊNCIA. No lançamento de oficio a contagem do prazo decadencial obedece a regra geral expressamente prevista no art. 173, I do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTO E EFETIVO SERVIÇO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do pagamento e da efetiva prestação dos serviços. DESPESAS COM INSTRUÇÃO E DEPENDENTE. Descabe a dedução de despesa dependente e de instrução de filhos que não se enquadram no conceito legal de dependente. DEDUÇÕES. DESPESAS DE LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. A dedução das despesas de livro Caixa, a teor do § 2° do art. 6° da Lei 8.134, de 1990, está condicionada à comprovação da veracidade das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro Caixa. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CABIMENTO . As infrações cometidas com evidente intuito de fraude, consistentes dedução de despesas médicas inexistentes, com o fim de reduzir os montantes devidos do imposto sobre a renda da pessoa física, estão sujeitas à multa qualificada. Cientificado dessa decisão em 23/4/2009 (fl.127), o contribuinte formalizou, em 22/5/2009 (fl.128), seu Recurso Voluntário (fls. 128/154), no qual apresenta as seguintes alegações: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 166 5 a decisão de piso iria de encontro a tudo o que se tem como verdade dentro das normas, regras, preceitos e princípios do ordenamento jurídico e administrativo pátrio. tendo sido autuado em 2/2/2009, a exigência relativa ao anocalendário 2003 estaria fulminada pela decadência, a teor do artigo 150 do CTN. ainda que se aplique o artigo 173, inciso I, do CTN, a exigência estaria igualmente decadente, visto que, no caso, o fato gerador ocorrido em 2003 teria seu marco inicial em 1/1/2004, findando em 31/12/2008 a glosa das despesas médicas por falta de comprovação do efetivo pagamento não poderia prosperar visto que ele cumpriu todas as exigência legais para utilização da dedução. Ressalta que a legislação não faria referência a demonstração de saques em datas e valores compatíveis com os pagamentos declarados. a exigência de comprovação do efetivo pagamento ensejaria a quebra do seu sigilo fiscal, o que só poderia ser feito pela via judicial. os recibos seriam suficientes a fazer a prova exigida. Acrescenta que se trata de uma relação de consumo, entre o profissional liberal e o consumidor, e que o Código do Consumidor, em seu artigo 84, estabelece que o recibo é o meio usual para comprovar o serviço contratado, o atendimento realizado ou a relação estabelecida. a RFB estaria inserindo palavras e interpretações inexistentes à legislação, de forma a adequar as suas autuações, eivadas de vícios e ilegalidades. seria abusiva a exigência de comprovação do efetivo pagamento, ressaltando que inexiste lei que proíba pagamento em moeda corrente. o ônus probatório recairia sobre o Fisco, visto que não pode desconsiderar os documentos comprobatórios apresentados, sem nenhuma prova a lhe respaldar. no tocante às despesas informadas com Roziclei Cezar, cuja inscrição no órgão de classe estaria suspensa, não poderia ser penalizado por conduta da profissional, visto que seria mais uma vítima, que teria acreditado em sua aptidão. a autuação não poderia prosperar com base em indícios de fraude, sendo lhe exigida multa exorbitante, de nítido caráter confiscatório. requer a realização de exame grafotécnico, de forma a confirmar que os recibos foram emitidos pela profissional indicada. as datas dos recibos nada provariam contra ele, visto ser normal receber recibos com datas retroativas e também por não ser o calendário cristão observado por todos os cidadãos. no tocante à concomitância de tratamentos dispendiosos em três anos calendário, enfatiza possuir dependentes e também a inexistência de leis vetando a realização de tratamentos concomitantes. as multas aplicadas, de 75% e de 150%, são confiscatórias e não podem prosperar. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 167 6 em relação à dependente e às despesas com instrução, informa que os documentos comprobatórios já foram anexados aos autos. no tocante ao livrocaixa, informa que jamais teve livrocaixa e tampouco utilizou dessa dedução, restando equivocada a autuação. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.126). É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 168 7 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Decadência Nos casos de lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda, devese aplicar à espécie o REsp nº 973.733/SC, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC (art. 62A do RICARF). Na ocasião, o STJ decidiu que, na hipótese de ocorrer a antecipação do pagamento do imposto, ainda que parcial, o dies a quo deve ser contado a partir da data do fato gerador, conforme prevê § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele anocalendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador. Isto porque, de acordo com o art. 2° da Lei n° 7.718/1988, a tributação do IRPF só se torna definitiva com o ajuste anual, na forma dos arts. 2°, 10 e 11 da Lei n° 8.134/1990, corroborada por Leis posteriores. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O lançamento recai sobre os anoscalendário 2003, 2005 e 2006, sendo que, para parte da exação relativa a 2003, foi aplicada multa qualificada. As Declarações de Ajuste juntadas (fls. 70, 75 e 79) confirmam que o contribuinte sofreu a retenção na fonte do imposto de renda, nos anoscalendário indicados. Desse modo, como houve antecipação do imposto, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase, para o anocalendário 2003, em 31 de dezembro de Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 169 8 2003 (art.150, § 4o, do CTN) com termo final em 31/12/2008, salvo no tocante à infração para qual foi aplicada multa qualificada, que será tratada em seguida. Como o contribuinte foi cientificado da autuação em 2/2/2009 (fl.101), é de se reconhecer como decadente o crédito tributário relativo às infrações relativas ao ano calendário 2003 para as quais não houve qualificação da multa de ofício. Nos casos de existência de dolo, ocorre o lançamento de ofício, a teor do art. 149, inciso VII, do CTN, consubstanciandose o termo inicial para a contagem do prazo decadencial como o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I ,do art. 173, do CTN. No caso, a autoridade fiscal qualificou a multa aplicada à infração de dedução indevida de despesas médicas informadas com Rosiclei Cezar Pereira, consignando (fls.94/95): A PROFISSIONAL ROSICLEI CEZAR PEREIRA, PSICÓLOGA, ESTAVA COM SUA INSCRIÇÃO NO CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DO PARANÁ CANCELADO NO PERÍODO DE 08 DE ABRIL DE 2002 A 31 DE MARÇO DE 2006, QUANDO SOLICITOU SUA REATIVAÇÃO, CONFORME OFÍCIO DIR/298606 DE 02 DE AGOSTO DE 2006 DAQUELE CONSELHO, CÓPIA JUNTADA À FOLHA 02 DO PROCESSO. QUANDO INTIMADA A PROFISSIONAL RESPONDEU POR CARTA QUE NÃO TINHA COMO AFIRMAR QUE EMITIU RECIBOS PARA O CONTRIBUINTE HERMES ALVES EM 2003 (CÓPIA A FOLHA 03). PELOS INDÍCIOS DE USO DE RECIBOS PARA A DEDUÇÃO DE DESPESAS, SEM A COMPROVAÇÃO DO EFETIVO ATENDIMENTO E EFETIVO PAGAMENTO, GLOSAMOS TOTALMENTE ESTAS DESPESAS COM ROSICLEI CEZAR E COM CAROLINA MARTIN E MICHAEL GIERRA, LANÇANDO COM MULTA QUALIFICADA SOBRE O VALOR DECLARADO PARA ROSICLEI CEZAR, POR TER O CONTRIBUINTE COMETIDO, "EM TESE", CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTARIA, NOS TERMOS DA LEI Nº 8.137, DE 1990. ELABORAMOS A REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, ONDE OS RECIBOS ORIGINAIS DE ROSICLEI CEZAR FORAM JUNTADOS. A decisão de piso manteve a aplicação da multa de ofício qualificada nos seguintes termos: No caso dos autos, está caracterizado, de fato, o evidente intuito de fraude em relação à pretensão de dedução de despesas médicas com base em recibos atribuídos à psicoterapeuta Roziclei Cezar, no montante de R$ 4.000,00, no anocalendário de 2003, cuja prestação de serviços foi negada pela suposta emitente dos recibos, associada à circunstância de o autuado não comprovar o pagamento e nem a existência real de supostos serviços contratados, tratase de hipótese em que restou constatada a utilização de recibos emitidos e obtidos de Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 170 9 forma "graciosa" (fls. 02/03 e 07/10), com o único fim de reduzir o montante devido de imposto sobre a renda da pessoa física. Entendo que, nesse tocante, a decisão a quo deve ser reformada. Vejamos. O Fisco apurou que, no ano de 2003, a profissional estava com sua inscrição no órgão de classe suspensa (fl.4). Diligenciando junto à profissional, essa informou (fl.5): Considerar como atendidos 46 nomes da relação enviada, com exceção dos 20 abaixo relacionados, pois não tenho como afirmar que emiti recibos para os mesmos e fazse necessário visualizar cópia destes recibos: ... Não consta dos autos que os recibos apresentados pelo contribuinte tenham sido submetidos à profissional, como ela própria indica na resposta enviada à autoridade fiscal que seria necessário para que reconhecesse ou não sua emissão. Assim, não é possível afirmar, como fez a autoridade autuante, que o contribuinte se utilizou de recibos não reconhecidos pela profissional, o que revelaria sua conduta dolosa, sua intenção de não recolher tributo. É possível que, confrontada com esses recibos, a profissional viesse a reconhecer sua emissão. Quanto à inscrição da profissional no órgão de classe, embora entenda que se trate de uma informação que dê menos força probante aos recibos, justificando a exigência de outros elementos para sua aceitação, não pode ser utilizada como fato a comprovar seu dolo, uma vez que tal averiguação não cabe ao recorrente. Como será tratado em ponto mais a frente, entendo que a autoridade fiscal pode exigir elementos adicionais aos recibos de forma a comprovar o efetivo pagamento das despesas declaradas. Entretanto, o não atendimento dessa exigência por si só não pode respaldar a qualificação da multa de ofício. Inclusive, foi como assim procedeu à autoridade fiscal no feito ora em análise, no tocante às demais despesas médicas glosadas, quando aplicou a multa de ofício no percentual de 75%. Assim, em relação a essas despesas médicas, entendo que as provas indicadas não se revelam suficientes a comprovar a conduta fraudulenta que teria sido perpetrada pelo contribuinte, devendo ser cancelada a qualificação da multa aplicada. Por decorrência, também em relação a essa infração, se aplica, quanto ao prazo decadencial, o disposto no artigo 150, §4º do CTN, sendo de se cancelar sua exigência, uma vez que fulminada pela decadência. Não há que se falar em decadência para os demais anoscalendário, 2005 e 2006, visto que a ciência se deu em 2009 e o direito da Fazenda constituir essas exigências findaria em 31/12/2010 e 31/12/2011, respectivamente. Pelo exposto, cabe cancelar integralmente a exigência no tocante ao ano calendário 2003. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 171 10 Assim, passase a análise das infrações apuradas para os anoscalendário 2005 e 2006. Dependente A glosa recaiu sobre a filha do contribuinte, Luana Rocha Alves, nascida em 30/8/1981. Para os anoscalendário de 2005 e de 2006, os contribuintes podiam deduzir na determinação da base de cálculo do IRPF anual os valores de R$ 1.404,00 e de R$1.516,32, respectivamente, por dependente, nos termos do art. 8º, inc. II, alínea “c” da Lei nº 9.450, de 1995. Cabe ao contribuinte, evidentemente, apresentar comprovação quanto à relação de dependência dos dependentes informados na Declaração de Ajuste, quando solicitado (artigo 73 do RIR/99). Nesse sentido, dispõe o artigo 35 da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: ... III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; .... § 1º Os dependentes a que se referem os incisos III e V deste artigo poderão ser assim considerados quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. (destaques acrescidos) Assim, uma filha nascida em 1981 poderia figurar como sua dependente nos anoscalendário 2005 e 2006, desde que restasse comprovada sua condição de universitária ou de estudante de escola técnica de segundo grau nesses períodos. Tanto a autuação como a decisão de piso consignam que nenhum documento relativo à dependente foi anexado aos autos. Em seu recurso, o recorrente aponta que os documentos teriam sido apresentados à DRJ/CTBA. Não obstante, da análise dos autos, não se encontra qualquer documento relativo a essa dependente, de comprovação da filiação ou de sua situação educacional, no curso da ação fiscal ou em sede de impugnação. Ainda que cientificado dessa situação, em seu recurso, o recorrente nada apresenta. Registrese que são documentos que estão a seu alcance e que seria de seu interesse juntálos, sob pena de serem mantidas as glosas. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 172 11 Isto posto, não há reparos a se fazer à decisão de piso, sendo de se manter a glosa da dependente para os dois anoscalendário. Despesas com Instrução Nesse tocante, resta em litígio as despesas declaradas com Associação dos Magistrados do Paraná, vinculados à dependente Luana (fl.98), no anocalendário 2005. A teor do disposto no artigo 8o, inciso II, alínea b, da Lei no 9.250, de 1995, são dedutíveis os pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as préescolas, ao ensino fundamental, ao ensino médio, à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de pósgraduação (mestrado, doutorado e especialização) e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico. Nesse tocante, tal qual a dedução com dependente, nada foi anexado aos autos. Assim, além de não restar comprovada a despesa, esta seria relativa à dependente, para a qual também não restou comprovada a relação de dependência. Dessa feita, cabe a manutenção da decisão de piso, visto que nenhuma prova foi anexada aos autos. LivroCaixa Em seu recurso, o contribuinte afirma que jamais teve livrocaixa e tampouco deduziu essas despesas, justamente por não ser ele um profissional liberal. Aponta equívoco e pede a desconsideração de tal autuação. Do exame das Declarações de Ajuste do recorrente, verificase que ele, ao contrário do que afirma, se utilizou dessa dedução (fls. 71, 74/75 e 78/79). Considerando que nenhuma prova dessas deduções foi carreada aos autos, cabe a manutenção de suas glosas. Despesas Médicas Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probatório absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 173 12 e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 174 13 usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) No caso, por ocasião do procedimento de fiscalização, a autoridade fiscal intimou o contribuinte para apresentação dos recibos e comprovação do efetivo pagamento, no tocante aos anoscalendário 2003 e 2006, ora em julgamento, das despesas médicas informadas com Ana Flávia Pinheiro, Fabiane de Souza, Gisele de Souza, Jeanine Padilha, Franciele Chiaratti e Luciane Ferreira (fl.51). Em atendimento, o contribuinte limitouse a juntar os recibos emitidos. Em sua impugnação, o sujeito passivo defendeu que os recibos seriam suficientes a fazer a prova exigida, insurgindose contra a exigência de comprovação do efetivo pagamento. A decisão de piso manteve a autuação, consignando: Quanto à dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual, a Lei nº 9.250, de 1995, em seu art. 8º, estabelece: ... O artigo 73 e §10 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, com a correspondente matriz legal indicada, estabelece: ... Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração está sempre vinculado à comprovação prevista em lei e restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega. Entretanto, a lei também pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3° do DecretoLei n° 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comproválas ou justificálas, deslocando para ele o ônus probatório. A inversão legal do ônus da prova, do fisco para o contribuinte, transfere para o impugnante a obrigação de comprovação e justificação das deduções e, não o fazendo, sofre as Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 175 14 conseqüências legais, ou seja, o não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. As deduções são expressivas e cabe ao fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4°, do DecretoLei n 0 5.844, de 1943. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou da efetiva prestação do serviço, mormente quando se tratam de recibos confeccionados em série transparecendo contemporaneidade, de valores expressivos e continuados, alguns com datas de sábado (05/04/2003 fl. 08; 05/07/2003 fl. 09; 04/10/2003 fl. 10; 29/04/2006 fl. 34; 03/06/2006 fl. 40) domingo (20/04/2003 fl. 13; 10/08/2003 fl.14, 20/11/2005 fl. 26, 23/04/2006 fl. 39; 13/08/2006 fl. 42), 2ª e 3ª feira de carnaval 02/2006 fl. 33 e 04/03/2003fl. 07), dia de Corpus Christi (26/05/2005 fl. 17), que não identificam o paciente e discriminam os procedimentos de forma genérica, e outros emitidos por profissional não regularmente habilitada junto ao Conselho de Classe e que não confirmou a prestação dos serviços (fls. 02/03 e 07/10). Além disso, ha concomitância de tratamentos dispendiosos com os odontólogos Carolina Martin (R$ 3.000,00) e Michael Guerra (R$ 6.800,00), no anocalendário de 2003; com as psicoterapeutas Jeanine do Rocio Ramos (R$ 1.280,00) e Gisele de Souza (R$ 3.750,00), no anocalendário de 2005; e com as fisioterapeutas Luciane Bettega S. Ferreira (R$ 5.950,00) e Franciele R. M. Chiaratti (R$ 3.380,00), no anocalendário de 2006. Vale notar que quando se tratam de despesas médicas dispendiosas e continuadas há sempre um histórico da doença, de forma que os contribuintes independentemente de solicitação por parte do fisco, costumeiramente apresentam sem qualquer parcimônia exames, prescrições e laudos médicos e periciais comprovando a sua patologia, bem assim, cópias de cheques, extratos bancários comprovando transferências ou saques para pagamento em moeda corrente. Portanto, revelase equivocado o entendimento de que o inciso III do § 2° do art. 8° da Lei 9.250, de 1995, reproduzido no inciso III do § 1° do art. 80 do RIR/1999, apenas exige que o recibo tenha o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Esta não é a correta interpretação do dispositivo. A indicação referese aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados estes baseados na Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 176 15 documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida ã dedução, consoante dispositivos legais acima referidos. Documentos, de natureza particular, por si sós, podem não ser suficiente para a comprovação do efetivo pagamento. Quanto à suposição de valor probante dos recibos em face de citação genérica ao Código de Defesa do Consumidor, é equivocada tal pretensão, eis que as obrigações tributárias são regidas por legislação própria, que faculta â fiscalização, como antes visto, a exigência da comprovação do pagamento e do serviço contratado, o que, ademais, não se confunde com a oponibilidade de um recibo, numa relação de consumo, ao fornecedor que o emite. ... Nesse contexto, por tudo que foi exposto, não há como se admitir a dedução das pretensas "despesas médicas supostamente havidas, anocalendário de 2003, com Roziclei Cezar (R$ 4.000,00), Carolina Martin (R$ 3.000,00) e Michael Guerra (R$ 6.800,00); no anocalendário de 2005: com Jeanine do Rocio Ramos (R$ 1.280,00), Gisele de Souza (R$ 3.750,00) e Fabiane Gonsales de Souza (R$ 1.350,00); e no anocalendário de 2006, com Jeanine do Rocio Ramos (R$ 2.745,00), Luciane Bettega S. Ferreira (RS 5.950,00) e Franciele R. M. Chiaratti (R$ 3.380,00), sem que haja a comprovação do pagamento e da efetiva prestação de serviços. Além disso, não serão acolhidas as despesas supostamente havidas com a Nutricionista Ana Flávia Pinheiro, no valor de R$ 2.650,00, por absoluta falta de previsão legal para a sua dedução. Quanto às demais despesas médicas glosadas, serão mantidas pelas mesmas razões mencionadas na descrição dos fatos do auto de infração (fls. 90/92), uma vez que não se acostou qualquer documento que pudesse alterar o entendimento desta instancia julgadora. Em seu recurso, o recorrente insiste no poder probante dos recibos. Não há reparos a se fazer à decisão de piso. Como já defendi acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 177 16 provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas o contribuinte nada apresentou nesse sentido. Por fim, importa salientar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. O ônus da prova do direito constitutivo, no caso, é do contribuinte, a teor do art. 373, inciso I, do CPC, na medida em que pretende deduzir de seus rendimentos tributáveis o valor pago a título de despesa médica. Na ausência dessa comprovação, a glosa deve ser mantida. Cabe registrar que a autoridade fiscal procedeu à glosa de outras despesas médicas, apontando como justificativa a falta de comprovação ou de previsão legal (nutricionista) ou por terem como beneficiária a dependente não acatada (fls.95/96). No entanto, em relação a essas despesas, o recorrente nada juntou ou argumentou, limitandose a contestálas de forma genérica e sustentando que os documentos comprobatórios foram anexados aos autos. Do exame dos autos, é de se manter essas glosas, seja porque suas comprovações não foram anexadas aos autos, seja porque o recorrente não rebateu os fundamentos da exação ou da decisão de piso (falta de previsão legal e despesas efetuadas com dependente não acatada por falta de comprovação). Multa de Ofício Na análise da decadência do crédito tributário, foi afastada a aplicação da multa de ofício qualificada aplicada para uma infração do anocalendário 2003. O recorrente questiona a aplicação da multa de ofício de 75%, aduzindo seu caráter confiscatório, em confronto com a Constituição Federal. A multa incidente no lançamento de ofício sob exame está regulada pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Reproduzo abaixo o dispositivo de lei, na parte afeta ao feito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10980.000549/200916 Acórdão n.º 2002000.150 S2C0T2 Fl. 178 17 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) A multa de ofício com percentual de 75%, aplicada em face de infração às regras instituídas pelo direito fiscal, possui a devida previsão legal e, aplicase na cobrança de imposto suplementar, por falta de declaração ou declaração inexata, independendo da gravidade da infração, máfé ou intenção do contribuinte, sendo que a mera inadimplência verificada em procedimento de ofício é supedâneo à sua exigência. O percentual de 75% corresponde ao valor mínimo da penalidade, no caso de lançamentos de ofício, aplicado mesmo quando há apenas culpa do infrator. A possibilidade de exclusão da multa, como medida excepcional, exige a indubitável ausência de culpa do sujeito passivo na conduta de deixar de recolher o tributo lançado, o que não se evidenciou nos autos. Quanto à avaliação de eventual excesso do legislador ordinário ao fixar o percentual da multa punitiva, de uma forma exorbitante e desproporcional, é tarefa exclusiva do Poder Judiciário, porquanto implica verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Aplicase, no caso, o enunciado da Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para acolher a preliminar de decadência da exigência relativa ao anocalendário 2003, tornandoa insubsistente, e, no mérito, nego provimento ao recurso no tocante aos anoscalendário 2005 e 2006. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.902974/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO - AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO.
A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitamente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Recorrente E.J IMAGEM SERVICOS DE RADIOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 29 74 /2 01 1- 55 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10875.902974/201155 Acórdão n.º 1401002.375 S1C4T1 Fl. 3 2 A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitamente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar crédito próprio com crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10875.902974/201155 Acórdão n.º 1401002.375 S1C4T1 Fl. 4 3 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão de primeira instância, em 13 de janeiro de 2014, apresentou recurso voluntário em 13 de fevereiro de 2014, alegando, em síntese: preliminarmente: incompetência da DRJ em Recife para julgar a manifestação de inconformidade no mérito, sustenta que efetuou pagamento do IRPJ a maior que o devido, visto que utilizou percentual de presunção do lucro de 32%, enquanto faz jus ao percentual reduzido de 8%, consoante Solução de Consulta nº 63, SRRF/8ª Região Fiscal, de 23 de março de 2004, a qual anexa, e que retificou a DIPJ em questão, razão pela qual não existe motivo por parte da RFB para não homologar a compensação em questão. Defende que a ausência de retificação da DCTF não pode impedir o reconhecimento de seu direito. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.372, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.905274/200906, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.372): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, constatase que tal apelo é aparentemente intempestivo. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão. O artigo 5o deste mesmo diploma esclarece que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Sobre a data da ciência da decisão, o artigo 23 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a intimação pode ser feita via postal ou por meio eletrônico. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10875.902974/201155 Acórdão n.º 1401002.375 S1C4T1 Fl. 5 4 No caso, a ciência foi postal e, como se observa às fl. 88, o rastreamento do objeto pelos Correios indica que o contribuinte foi intimado em 13/01/2014, uma segundafeira. Assim, o prazo para interposição do recurso iniciouse dia 14/01/2014, findando em 12/02/2014, uma quartafeira. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado dia 13/02/2014, quintafeira, como comprovam a solicitação de juntada de fl. 104, assim como o carimbo oficial da repartição da RFB, na primeira folha das suas razões (fl. 90). Nas razões recursais, não há tópico, nem qualquer comentário ou alegação sobre a sua tempestividade. Com base nas informações acima, a constatação necessária seria de que o prazo recursal foi extrapolado em 1 dia. Ocorre que, não obstante tenha sido juntado aos autos o status de rastreamento dos Correios, não há comprovação de que tal documento foi efetivamente recebido, por ausência de juntada do respectivo Aviso de Recebimento AR. Uma vez que não foi anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 13/01/2014, considero não haver nos autos prova de que a intimação tenha sido recebida no endereço cadastral da Recorrente em tal data. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) O simples histórico da entrega do AR extraído do sítio eletrônico dos Correios até pode ser tomado como início de prova, especialmente quando nenhuma das partes questiona a data ali consignada. Mas este não é o documento oficial dotado de fé pública que atesta a entrega. Até porque, em um caso extremo em que o contribuinte alegue não ter sido intimado, exigir deste prova em contrário que infirme o conteúdo dessa declaração unilateral dos Correios significaria demandar a apresentação de prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Em outra ocasião já votei por converter o julgamento em diligência, a fim de que (i) a unidade de origem anexe aos autos Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10875.902974/201155 Acórdão n.º 1401002.375 S1C4T1 Fl. 6 5 cópia do AR assinado correspondente à intimação da Recorrente acerca do acórdão 1144.008, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RecifePE (Código de Rastreamento JG106969555BR); e (ii) se por qualquer motivo não houver possibilidade de tal documento ser juntado pela unidade de origem, diligenciar aos Correios para obter 2a via do AR assinado, ou documento equivalente, que comprove a data da entrega da correspondência à Recorrente, sendo que, não sendo possível obter a 2a via do AR ou documento equivalente, solicitar aos Correios que este informe a data da entrega da correspondência objeto do AR Código de Rastreamento JG106969555BR, conforme seus registros internos, fornecendo a documentação pertinente. Em tal diligência considerei também que deveria ser intimada a contribuinte para provar, se entender necessário, a ocorrência de justa causa que a tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 223 do Código de Processo Civil: Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. § 1o Considerase justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2o Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar. Não obstante, a experiência demonstra que em casos como tais a diligência resta infrutífera porque nem a unidade de origem nem os Correios guardam por tanto tempo tas registros. Neste sentido, considerando que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada, havendo dúvida quanto à data da intimação e tendo esta sido supostamente ultrapassada em apenas 1 dia, considero que o recurso deve ser tido por tempestivo. Concluo que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade e portanto dele tomo conhecimento. Passo ao mérito. A DRJ não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que, como não houve retificação da DCTF por ocasião da ciência da Solução de Consulta, cabia ao interessado o ônus de provar seu direito. Considerou que a Solução de Consulta cuida da matéria em tese, de forma que não haveria nos autos comprovação de que a interessada efetivamente faz jus ao percentual de presunção reduzido de 8%. A razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10875.902974/201155 Acórdão n.º 1401002.375 S1C4T1 Fl. 7 6 No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10875.902974/201155 Acórdão n.º 1401002.375 S1C4T1 Fl. 8 7 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/documentos portaria502/listadedispensadecontestarerecorrerart2ovviie a7a73oa8odaportariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10875.902974/201155 Acórdão n.º 1401002.375 S1C4T1 Fl. 9 8 REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Dispositivo Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10875.902974/201155 Acórdão n.º 1401002.375 S1C4T1 Fl. 10 9 Ante o exposto, oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 122DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.934794/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.606
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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COFINS. Recorrente Sociedade Paranaense de Ensino e InformáticaSPEI Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade cuja argumentação é a seguir resumida. Sustenta que é uma instituição de educação sem fins lucrativos e, nos termos do art. 14, X da MP nº 2.15835, de 2001, estaria isenta da COFINS. Argumenta que tal RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 34 79 4/ 20 09 -1 1 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10980.934794/200911 Resolução nº 3301000.606 S3C3T1 Fl. 3 2 dispositivo estabelece que tal isenção se dá, a partir de 01/02/1999, para as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13, o qual, por sua vez, referese às “instituições de educação e de assistência social” arroladas no art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Afirma que se encaixa nos requisitos legais, uma vez que: (a) não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (b) aplica integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e (c) assegura a destinação de seu patrimônio à outra instituição congênere, em caso de extinção. Anexa o seu Estatuto Social para provar o alegado. Relativamente à expressão “atividade própria” (art. 14, X, da MP 2.158/35), argumenta que deve ser entendida como aquela atividade regular e relativa à natureza essencial da entidade. Sustenta que ‘própria’ é toda a atividade prevista em seu estatuto, ou na lei, já que conexa à própria existência da pessoa jurídica. Assim, assevera que “a existência de finalidade lucrativa não devia ser vinculada à gratuidade ou não dos serviços prestados ou à forma de obtenção da receita, nas, sim, à forma como ela é aplicada. Caso constitua objetivo da instituição exercer atividade educacional sem fins lucrativos, ainda que o serviço seja prestado mediante o pagamento de mensalidade ou retribuições, a receita obtida com as mensalidades constitui receita própria de sua atividade e, desta forma, estaria isenta da COFINS.” Afirma, outrossim, que os princípios da legalidade e da legalidade tributária impede o Fisco de exigir tributo que não está previsto em lei, acrescentando que a lei, nesse caso, prevê expressamente uma isenção. Portanto, em seu entendimento, não há “espaço para que atos normativos como, por exemplo, decretos, instruções normativas, atos interpretatórios ou declaratórios criem qualquer redução ou limitação à isenção de COFINS prevista nos artigos 13 e 14 da MP 2.15835/01”. No seguimento, tece comentários sobre o instituto da compensação para afirmar que “tendo a instituição recolhido o tributo de forma indevida tem direito à restituição/compensação”. Em razão do alegado, requer a homologação da compensação pleiteada. A 3ª Turma da DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06035.931. Em seu recurso voluntário, a empresa: § Reitera os fundamentos de sua manifestação de inconformidade; § Declara que se subsume à isenção do art. 14, X da MP n° 2.15835; § Aduz que “todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos são receitas decorrentes de atividades próprias”. § Defende a inaplicabilidade da IN n° 247/2002; § Junta documentos que comprovariam sua condição de isenta. É o relatório. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10980.934794/200911 Resolução nº 3301000.606 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.589, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.934789/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.589): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Os fundamentos da negativa do pleito da Recorrente pela DRJ foram: I. Na interpretação do art. 14, X da MP, entendeu o voto condutor que seriam receitas de atividades próprias das instituições a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532/97, apenas as receitas típicas dessas entidades, como as decorrentes de contribuições, doações e subvenções por elas recebidas, bem assim mensalidades ou anuidades pagas por seus associados, destinadas à manutenção da instituição e consecução de seus objetivos sociais, sem caráter contraprestacional. A DRJ aplicou o art. 47, da Instrução Normativa n° 247/2002: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. II. Atendeu ao comando do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, aduzindo que se sujeitam à incidência da COFINS, as receitas decorrentes de atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10980.934794/200911 Resolução nº 3301000.606 S3C3T1 Fl. 5 4 associados e em seu benefício e, receitas de aplicações financeiras. Concluiu que estão sujeitas à COFINS, por força da Lei nº 9.718/98, as receitas de caráter contraprestacional, inclusive as mensalidades cobradas por instituições de educação e as receitas financeiras auferidas. A revisão dos dois pontos será feita a seguir. Isenção do art. 14, X, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 Prescreve o art. 14, X da MP n° 2.15835: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Por sua vez, o art. 13 do mesmo veículo normativo dispõe: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Notese que o art. 13, III da MP nº 2.15835/2001 ao fazer remissão ao art. 12 da Lei n° 9.532/1997, condiciona a Instituição ao cumprimento das exigências impostas por esta Lei. O art. 12 da Lei n° 9.532/1997, com redação vigente à época, exigia: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10980.934794/200911 Resolução nº 3301000.606 S3C3T1 Fl. 6 5 d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinando exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado. Ocorre que as mensalidades cobradas por instituições de educação estão ao abrigo da norma isentiva, como já pacificado pela Súmula CARF n° 107 e pelo REsp 1.353.111 RS, DJ 18/12/2015, julgado como recurso repetitivo, transitado em julgado desde 02/03/2016, verbis: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. REsp 1.353.111 – RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COFINS. CONCEITO DE RECEITAS RELATIVAS ÀS ATIVIDADES PRÓPRIAS DAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PARA FINS DE GOZO DA ISENÇÃO PREVISTA NO ART. 14, X, DA MP N. 2.15835/2001. ILEGALIDADE DO ART. 47, II E § 2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 247/2002. SOCIEDADE CIVIL EDUCACIONAL OU DE CARÁTER CULTURAL E CIENTÍFICO. MENSALIDADES DE ALUNOS. 1. A questão central dos autos se refere ao exame da isenção da COFINS, contida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), relativa às entidades sem fins lucrativos, Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10980.934794/200911 Resolução nº 3301000.606 S3C3T1 Fl. 7 6 a fim de verificar se abrange as mensalidades pagas pelos alunos de instituição de ensino como contraprestação desses serviços educacionais. O presente recurso representativo da controvérsia não discute quaisquer outras receitas que não as mensalidades, não havendo que se falar em receitas decorrentes de aplicações financeiras ou decorrentes de mercadorias e serviços outros (vg. estacionamentos pagos, lanchonetes, aluguel ou taxa cobrada pela utilização de salões, auditórios, quadras, campos esportivos, dependências e instalações, venda de ingressos para eventos promovidos pela entidade, receitas de formaturas, excursões, etc.) prestados por essas entidades que não sejam exclusivamente os de educação. 2. O parágrafo § 2º do art. 47 da IN 247/2002 da Secretaria da Receita Federal ofende o inciso X do art. 14 da MP n° 2.15835/01 ao excluir do conceito de "receitas relativas às atividades próprias das entidades", as contraprestações pelos serviços próprios de educação, que são as mensalidades escolares recebidas de alunos. 3. Isto porque a entidade de ensino tem por finalidade precípua a prestação de serviços educacionais. Tratase da sua razão de existir, do núcleo de suas atividades, do próprio serviço para o qual foi instituída, na expressão dos artigos 12 e 15 da Lei n.º 9.532/97. Nessa toada, não há como compreender que as receitas auferidas nessa condição (mensalidades dos alunos) não sejam aquelas decorrentes de "atividades próprias da entidade", conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001). Sendo assim, é flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 4. Precedentes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (...) 6. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: as receitas auferidas a título de mensalidades dos alunos de instituições de ensino sem fins lucrativos são decorrentes de "atividades próprias da entidade" , conforme o exige a isenção estabelecida no art. 14, X, da Medida Provisória n. 1.858/99 (atual MP n. 2.15835/2001), sendo flagrante a ilicitude do art. 47, §2º, da IN/SRF n. 247/2002, nessa extensão. 7. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Logo, deve a decisão de piso ser reformada nesse ponto. A respeito do cumprimento dos requisitos do art. 12 da lei n° 9.532/97, aponta a Instituição os artigos do seu Estatuto Social que comprovam exatamente o exigido pela Lei n° 9.532/97 (art. 1°, 3°, 30, 32, 34), junta a DIPJ alegando que sua condição sempre foi de conhecimento do fisco e prossegue: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10980.934794/200911 Resolução nº 3301000.606 S3C3T1 Fl. 8 7 Entendo que a prova do cumprimento dos requisitos é da Recorrente, contudo não foi instada a isso quando da edição do Despacho Decisório. No recurso voluntário, acostou documentos que merecem a análise da Delegacia de Origem. Alargamento da Base de Cálculo da COFINS – RE n° 585.235/MG RG Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10980.934794/200911 Resolução nº 3301000.606 S3C3T1 Fl. 9 8 Logo, assiste razão à Recorrente quando alega que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da COFINS. Conclusão Diante da plausibilidade do pleito da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pela COFINS sobre as receitas operacionais (“próprias”), bem como sobre as receitas financeiras. Isso porque a tributação sobre as “receitas próprias”, incluídas as mensalidades pagas por alunos, são isentas, nos termos do art. 14, X da Medida Provisória. Ao passo que a exclusão das receitas financeiras se dá com base na inconstitucionalidade do alargamento a base de cálculo da COFINS pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente no recurso voluntário; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas próprias e receitas financeiras na base de cálculo da COFINS, fazendo a segregação entre as receitas, se houver; Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10980.934794/200911 Resolução nº 3301000.606 S3C3T1 Fl. 10 9 c) Verifique o cumprimento pela Recorrente dos requisitos do art. 12 da Lei n° 9.532/1997. Para tanto, intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos, caso necessário; d) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Após, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.002820/2006-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004, 2005
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, V, DO DECRETO-LEI 1455/76. ÔNUS PROBATÓRIO.
A interposição fraudulenta na operação de comércio exterior perfaz-se quando houver a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação. As demonstrações feitas pela fiscalização devem ser amparadas por documentação que atestam a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Ônus probatório da simulação é do fisco.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.648
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, V, DO DECRETOLEI 1455/76. ÔNUS PROBATÓRIO. A interposição fraudulenta na operação de comércio exterior perfazse quando houver a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação. As demonstrações feitas pela fiscalização devem ser amparadas por documentação que atestam a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Ônus probatório da simulação é do fisco. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Processo julgado em sessão de julgamento do dia 19/04/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 20 /2 00 6- 41 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 94 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de lançamento da multa substitutiva à pena de perdimento prevista no art. 23, § 3.º do Decretolei n.º 1.455/76, com redação da Lei n.º 10.637/2002, no valor de R$1.426.331,00 lançada contra a empresa PROAD S/A e Megacom Memórias Ltda, como responsável solidária. Segundo o que consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração de fls. 01/13, a autuada PROAD foi selecionada para os procedimentos de fiscalização de que trata a IN SRF n.º 228/2002, tendo em vista a constatação de que após a habilitação provisória concedida nos termos da IN SRF 286/2002, houve um aumento expressivo das importações, acima da previsão feita no ato da concessão, e um aumento das ocorrências cadastradas no sistema Radar referentes aos despachos de importação. Cientificada do procedimento especial de fiscalização, após intimação, apresentou documentos e esclarecimentos a respeito de suas atividades. Com base na análise desta documentação, a fiscalização apurou a ocorrência de irregularidades que consistiam na simulação de operações de comércio exterior por conta própria, quando na verdade tratavamse de importações por conta e ordem de terceiros, ocultando os reais adquirentes das mercadorias importadas. Às fls. 05/09 do Auto de Infração estão transcritos os dados constantes do Livro Razão dos anos 2004 e 2005 onde foram registrados lançamentos nas contas “Clientes Nacionais” do ativo e “Adiantamentos de Clientes” do passivo. Nestas contas aparecem valores que correspondem aos recursos monetários antecipados pelos clientes para as importações feitas pela PROAD, como se fossem por conta própria. A PROAD efetuou as importações, pagando todas as despesas de nacionalização e emitiu notas fiscais de compra e venda, remetendo as mercadorias aos adquirentes. Alega a fiscalização que a empresa teria obtido vantagem com o pagamento a menor dos impostos devidos além de evitar que os reais adquirentes das mercadorias importadas se apresentassem à fiscalização aduaneira, sem habilitaremse como operadores de comércio exterior. A Megacom Memórias Ltda, empresa atuada como solidária, foi a adquirente de mercadorias importadas pela importadora autuada nos anos de 2004 e 2005, conforme planilha feita pela fiscalização às fls. 65/68. Nas DI’s destas importações também Fl. 286DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 95 3 foi verificado uma referência à empresa Megacom, no campo de informações complementares da seguinte forma: IN/REF:MEG, numa seqüência de 001/04 a 043/05 com uma nítida indicação a quem se dirigia a importação (fls. 23/64). Também alega a fiscalização que foi constatada a vinculação dos valores recebidos na subconta “Adiantamento de Clientes – Megacom” nos anos 2004 e 2005 com as operações de importação das mercadorias que foram vendidas à Megacom após sua nacionalização. Ressalva que pequena parte das mercadorias nacionalizadas foram vendidas a outra empresa que à época também era administrada pelo mesmo sócio administrador da Megacom. Tendo concluído pela ocultação do real adquirente, com simulação no registro das importações feitas por conta e ordem de terceiros, a fiscalização lançou a multa por conversão da pena de perdimento, nos termos do art. 23 da DecretoLei n.º 1.455/1976. Intimadas, apenas a empresa PROAD apresentou a impugnação de fls. 74/109 com as seguintes alegações: 1 Alega a impugnante que foi incluída no procedimento especial de fiscalização nos termos da IN SRF n.º 228/2002 sem que tenha sido informada dos atos administrativos que balizaram tal procedimento. Que com base no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n.º 0727600 200500274 6, a fiscalização reuniu atos e documentos que originaram o processo administrativo n.º 12466.000528/200694, que trata da representação para fins de inaptidão de CNPJ. No entanto este MPF foi emitido para verificação do recolhimento de II no período de 01/2003 a 07/2005, tendo sido prorrogado por duas vezes até o dia 04/03/2006. Portanto alega que o procedimento de que trata a IN SRF n.º 228/2002 foi nulo já que o MPF expedido foi para apuração de II. Além disto a fiscalização não demonstrou naquele processo administrativo a ocorrência de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa. Também foi excedido o prazo para sua conclusão em aproximadamente 8 meses, sem que houvesse justificativa devidamente documentada nos autos. Por todas estas razões, é nulo o procedimento instaurado contra a peticionária e nulo, por conseqüência, o auto de infração originado dele e instaurado através do presente processo. 2 Refuta a afirmação da fiscalização de que sua habilitação no siscomex era provisória, haja vista que não foi notificada sobre a vigência da habilitação e ainda que o processo foi encaminhado ao arquivo não havendo pendências, portanto, neste particular. Afirma também que o embasamento no art. 33 da IN SRF n.º 455/2004 (revisão das habilitações) para o procedimento especial de fiscalização é decadente haja visto que além de não ser provisória sua habilitação ainda não foi intimada da revisão de sua habilitação. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 96 4 3 A finalidade da empresa sempre foi o lucro. Nos anos anteriores a sua habilitação o foco da empresa estava direcionado a atividades de venda no atacado e varejo de produtos adquiridos no mercado nacional, além da prestação de serviços de consultoria. De acordo com os próprios dados levantados pela fiscalização quanto a previsões e importações realizadas pela interessada, não há demonstração de que a mesma obteve habilitação no Radar iludindo a fiscalização. Quanto ao volume de ocorrências após a habilitação, isto se deve ao fato de que se aumentou o volume de operações, também aumentou o número de ocorrências. Mesmo assim estas ocorrências foram suportadas pela PROAD demonstrando a idoneidade da empresa. 4 A PROAD além das atividades de comércio exterior também atua na área de informática e tecnologia, fornecendo mercadorias para órgãos privados e públicos através da participação em licitações. O cliente procura o setor de venda da empresa e verifica se existe mercadoria disponível em estoque ou para fornecimento num prazo determinado, pouco interessando a este cliente a origem da mercadoria. Geralmente é feito uma antecipação parcial do pagamento para garantir o negócio, como é normal em qualquer empresa comercial. Caso não seja cumprido o acordado o cliente requererá a devolução do valor pago antecipadamente, o que será arcado e suportado pela PROAD. Por esta razão tratase de adquirente de boafé, que compra o bem importado no mercado interno, de estabelecimento idôneo, mediante entrega de nota fiscal. Junta acórdãos do STJ quanto à presunção de boafé do adquirente. 5 Para que seja aplicada a pena de perdimento, nos termos do DecretoLei n.º 1.455/1976 é necessário que seja provada a existência de fraude, simulação ou de interposição fraudulenta. Não houve a fraude nos termos da Lei n.º 4.502/64, art. 72, já que não houve interferência de um terceiro na cadeia de circulação de mercadoria, de forma intencional para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o recolhimento de tributos, objetivando a ocultação do real beneficiário da operação. A interposição fraudulenta que a lei coíbe não é qualquer interposição de terceiros que é um fenômeno natural no processo de produção e circulação de bens, que decorre da própria necessidade de especialização de atividades. A lei prescreve um indício que permite presumir a interposição fraudulenta nos casos em que não há comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Somente nesta hipótese há a presunção de interposição fraudulenta. E isto não se confunde com recebimento antecipado de clientes que é uma espécie de arras ou mesmo garantia da celebração do negócio jurídico. Haveria de se constatar que a empresa importadora só teve condições de efetuar a operação mediante o recebimento antecipado dos recursos, o que não se deu com a interessada que é empresa que possui recursos próprios para suportar todas as operações de comércio exterior por ela realizadas, conforme comprovam os extratos financeiros que sempre estiveram à disposição da fiscalização. Desta feita não foi comprovada a Fl. 288DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 97 5 inexistência de capacidade financeira da PROAD para realizar as importações. Desse modo, o recebimento antecipado das operações não caracteriza de forma isolada a interposição fraudulenta de terceiros, devendo ser conjugada com outros elementos. Todos os pagamentos antecipados por clientes estavam devidamente escriturados, não havendo aí simulação de operação por conta própria. 6 A fiscalização se baseou na presunção de que todas as operações feitas com recebimento antecipado de clientes foram feitas mediante a utilização de recursos de terceiros, e por conseguinte, deveriam ser tratadas como por conta e ordem destes. O recebimento antecipado é apenas um indício de utilização de recursos de terceiros. Todavia se a empresa escritura em sua contabilidade esses adiantamentos, eles passam a ser recurso próprio da empresa, principalmente porque eles não são essenciais à concretização da operação, visto que a importadora possuía capacidade financeira para operar sem o recebimento deste recurso. Até porque dentre os vários autos de infração lavrados pela fiscalização, há alguns clientes indicados como adquirentes que ainda são devedores da PROAD mesmo tendo realizado algum adiantamento. A previsão de sinal é um negócio lícito nas operações de compra e venda, razão pela qual o simples adiantamento não pode descaracterizar a operação por conta própria da PROAD. Caso a empresa não possuísse fontes para financiamento próprio poderia a interpretação da fiscalização estar correta, mas isto não foi em nenhum momento questionado no Relatório Fiscal como razão para aplicação da penalidade. Então somente quando a capacidade financeira não for comprovada é que se pode ser evidenciada a interposição fraudulenta de terceiros. 7 Para aplicação da pena de perdimento é preciso que a conduta se enquadre em infrações como a fraude e simulação, de apuração subjetiva, sendo indispensável a prova concreta de sua ocorrência. A presunção do art. 27 da Lei n.º 10.637/2002 é inaplicável e como não foi comprovada a fraude ou simulação, é indevida a aplicação da pena em comento. 8 Quanto aos argumentos utilizados pela fiscalização como fatos causadores da infração, alega que não há elementos reais para balisar suas conclusões e que merecia uma maior investigação. Afirma que para o cliente da empresa pouco importa se as mercadorias foram adquiridas através de importação pela PROAD ou de terceiros no comércio interno. O cliente não tem conhecimento sobre este fato e sequer imagina como a empresa vai fazer para disponibilizar a mercadoria pela qual manifestou interesse em adquirir e para tanto antecipou parte de seu pagamento. Este cliente é um adquirente de boafé. 9 A fiscalização alega que houve recolhimento a menor de IPI devido, visto que foi calculado sem a majoração do preço da mercadoria pela margem de lucro do real comprador. Desta Fl. 289DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 98 6 forma o prejuízo ao erário seria esta diferença ínfima de imposto, o qual não foi sequer mensurado pela fiscalização. Também é falaciosa a alegação de que deixou de ser tributada no IRPJ e CSLL sobre os ganhos obtidos com a prestação de serviços. Pressupõese que seja do conhecimento dos auditores da receita federal que o benefício do FUNDAP (incentivos financeiros) já promove o retorno financeiro para as empresas fundapianas, não havendo espaço para cobrança de operações realizadas por conta e ordem de terceiros, face à concorrência entre as beneficiárias. Portanto não existindo esta cobrança, não que se falar em ISS e quanto aos outros tributos, todos foram recolhidos sobre a margem de lucro embutida na revenda da mercadoria. Não existiu prejuízo algum ao fisco. 10 Requer ao final que seja julgado insubsistente o auto de infração, tendo em vista que as irregularidades apontadas não caracterizam interposição fraudulenta de terceiros ou qualquer outra que implique na aplicação de pena de perdimento de mercadoria. Requer também a produção de provas, em especial a documental, pericial e testemunhal, para análise de todas as questões envolvidas no caso vertente. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 0717.755, sessão de 09/10/2009, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004, 2005 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. Descumprimento das obrigações aduaneiras pertinentes à importação por conta e ordem e conduta dolosa que resultou no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, caracteriza fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, sujeitando os infratores à multa por conversão da pena de perdimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Submetido a julgamento nesta Turma, na sessão de 25/04/2012, acórdão nº 3201000.328, após reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e conhecêlo quanto aos demais requisitos, decidiu os conselheiros em converter o julgamento em diligência para que na Unidade de Origem providenciasse: (i) juntada de cópias do processo nº 12466.000528/200694 e (ii) MPF´s relacionados ao lançamento; e (iii) a informação quanto à existência de auto de infração com a exigência de tributos decorrentes as operações versadas no presente processo. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 99 7 O relator fundamentou sua proposta conforme extraise de excerto de seu voto: Trata o presente processo de lançamento da multa substitutiva à pena de perdimento prevista no art. 23, § 3.° do Decretolei n.° 1.455/76, com redação da Lei n.° 10.637/2002, no valor de R81.426.331,00 lançada contra a empresa PROAD S/A e Megacom Memórias Ltda, como responsável solidária. Da leitura do Auto de Infração, a fiscalização é clara: O procedimento especial de fiscalização foi concluído com a constatação da prática de irregularidades no comércio exterior pela Proad, inclusive a interposição fraudulenta, motivo pelo qual foram lavrados Representação fiscal para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ da empresa, processo no 12466.000528/200694 e vários Autos de Infração para aplicação de pena de perdimento de mercadorias nos termos do art. 23 da Lei n 2 1.455/76, redação dada pelo art. 59 da Lei n.º 10.637/2002. Vemos então que foi decorrente do processo de inaptidão de CNPJ que foram aplicadas as conversões das penas de perdimento em multa. Assim, entendo que para o correto julgamento do processo, se faz necessário ter vistas Daquele processo de inaptidão de CNPJ. Ainda, a recorrente aduz ilegalidades quanto às expedições dos MPF´s (mandados de procedimento fiscais). Entretanto, da análise dos autos, não consegui verificar a juntada de tais documentos, motivo pelo qual também entendo devam os mesmos ser juntados, antes que se analise o mérito da demanda. Diante do exposto, voto por baixar este processo em diligência para que a autoridade lançadora junte cópia integral do processo n.º 12466.000528/200694, bem como cópia de todos os MPF´s relacionados a este lançamento. Deve ainda ser informado se existe algum auto de infração relacionado ao caso exigindo os tributos decorrentes das operações. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. A ALF/Porto de Vitória informou a disponibilidade para consulta no sistema eprocesso do PAF nº 12466.000528/200694, contudo mantevese silente em relação as Fl. 291DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 100 8 demais providências solicitadas: cópias dos MPF´s relacionados ao lançamento e a existência de auto de infração com a exigência de tributos decorrentes as operações versadas no presente processo. Na sequência, providenciou a ciência do sujeito passivo e da Procuradoria (fls. 277/281) Com essas informações, o processo retornou ao CARF providenciandose nova redistribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator. Há matérias preliminares e de mérito a serem enfrentadas; as primeiras dividemse em tópicos de nulidade suscitados pela recorrente e o cumprimento parcial pela Unidade de Origem da diligência determinada no acórdão nº 3201000.328, de 25/04/2012. Preliminares 1. Cumprimento parcial de diligência A diligência determinada pela Turma que primeiro enfrentou o julgamento do recurso voluntário justificouse na ausência nos autos de elementos que principiaram o procedimento especial fiscal aduaneiro previsto na IN SRF 228/2006, finalizado com a elaboração de substancioso relatório fiscal que desencadeou a lavratura de vários autos de infração dentre eles, o formalizado neste processo e representação fiscal para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ da PROAD. No acórdão de diligência solicitouse cópias do processo nº 12466.000528/200694 (inaptidão) pois entendeu a Turma que dele decorreu a autuação fiscal versada neste processo nº 12466.002820/200641. Equivocouse a Turma neste ponto, vez que no auto de infração (fl. 38) a autoridade fiscal informa que do procedimento especial de fiscalização, previsto na IN SRF 228/06, originou a lavratura de vários autos de infração e a representação fiscal para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ. Vejase o excerto: O procedimento especial de fiscalização foi concluído com a constatação da prática de irregularidades no comércio exterior pela Proad, inclusive a interposição fraudulenta, motivo pelo qual foram lavrados Representação fiscal para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ da empresa, processo no 12466.000528/200694 e vários Autos de Infração para aplicação de pena de perdimento de mercadorias nos termos do art. 23 da Lei n 2 1.455/76, redação dada pelo art. 59 da Lei n 2 10.637/2002. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 101 9 Aquele processo, que perfaz 14 volumes, não fora juntado, contudo foi possível sua consulta no eprocesso. Dele extraise as outras duas providências não cumpridas pela unidade de origem. Verificase que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, nº 07.2.76.00 2005002746 foi emitido para o procedimento de fiscalização do imposto de importação, com abrangência para o período de 01/2003 a 07/2005 e que amparou tanto o procedimento especial da IN SRF 228/06 bem como a presente autuação, conforme apontado à fl. 03: Esta conclusão está lastreada no trabalho de diligência e evidenciada na documentação apresentada durante a ação fiscal emanada do MPF n° 0727600 2005 00274 6, compondo o RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO, que passa a fazer parte integrante e inseparável desta Representação. Segue a imagem do MPF (fl. 04): Fl. 293DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 102 10 No procedimento fiscal, o MPF foi regularmente prorrogado (fl. 05): Quanto à última providência não cumprida verificar " ... se existe algum auto de infração relacionado ao caso exigindo os tributos decorrentes das operações" não se tem notícia no Relatório de Fiscalização. Todavia, podese inferir tal inexistência sob dois argumentos: (i) o auto de infração foi lavrado para a aplicação da multa substitutiva de perdimento, isto é sem a cobrança de tributos ou quaisquer diferenças; e (ii) os tributos foram cobrados no registro das DIs objeto de atuação, registradas em período anterior à autuação fiscal, lavrada em 07/08/2006. Firmado nessas considerações, e invocando os princípios de celeridade e eficiência do processo administrativo fiscal, entendo despiciendo o retorno do processo à unidade de origem, porquanto espancadas deficiências instrutórias para o justo julgamento da lide. 2. Nulidade do MPF A recorrente argui a nulidade do auto de infração por entender irregularidades no conteúdo (alcance do objeto) e validade (prorrogações) do MPF. Se razão a recorrente. É pacífico nas Turmas deste Conselho que eventuais irregularidades formais ou materiais no MPF não são passíveis de nulidade do procedimento fiscal ou auto de infração, mormente em virtude de ausência de prejuízo à parte; ademais, é instrumento de controle interno de procedimentos fiscais. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 103 11 Nesta turma, o entendimento é unânime, como exarado no acórdão nº 3201 003.146, sessão de 25/09/2017, de relatoria do conselheiro Windereley Morais Pereira: MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração. 3. Nulidade por cerceamento do direito de defesa: falta de apreciação do pedido de perícia Suscita a recorrente em sede de recurso voluntário a negativa da decisão recorrida em apreciar seu pedido de perícia técnica. A perícia solicitada na impugnação encontrase no bojo do pedido genérico de produção de provas1 (fl. 138), e como tal foi enfrentado pela DRJ, como se vê: Quanto ao pedido feito pela PROAD para juntada posterior de documentos, esclareço que todos os elementos de prova, em especial os documentais a que se refere a interessada, devem ser apresentados juntamente com a impugnação nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal). De qualquer modo não há como deferirse pedido genérico de juntada de documentos sem o motivo de sua necessária postergação. Por estas razões, indefiro o pedido da impugnante. Ainda assim, o pedido de perícia fezse sem os requisitos de sua postulação previsto no art. 15, parágrafo único, inciso IV do Decreto 70.235/72. Sem razão a recorrente quanto ao cerceamento do direito de defesa por indeferimento/não apreciação ao pedido de perícia técnica. 4. Nulidade do procedimento especial de fiscalização No tópico, a alegação é de nulidade do procedimento especial de fiscalização instaurado contra si nos termos da IN SRF n.º 228/2002, para verificação das operações de comércio exterior. A principal acusação é refutar a regularidade do MPF que fundamentou o procedimento que constatou a ocorrência de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa. Tal procedimento especial é de cunho fiscalizatório aduaneiro e cabe ao titular da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento matriz da empresa determinar o início e o andamento da mesma. No caso, o seu resultado é que implicou 1 "Requerse, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a documental suplementar, a pericial e a testemunhal, haja vista a necessidade de analise mais acurada das operações analisadas pelo Fisco no caso vertente e o exíguo prazo para a análise de todas as questões envolvidas no caso vertente." Fl. 295DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 104 12 a instauração de processo com vistas a aplicação da pena de perdimento, este sim, sujeito e submetido à julgamento na esfera administrativa. Não há, portanto, qualquer nulidade no presente processo com referência a estas questões trazidas pela impugnante. Mérito No mérito a PROAD manifesta sua irresignação em face da manutenção da aplicação da multa substitutiva do perdimento ancorada nos argumentos de defesa de: (i) inocorrência da importação por conta e ordem de terceiro, (ii) ausência de comprovação pela fiscalização da ocultação do real adquirente, (iii) inexistência de prática de fraude ou simulação, (iv) não comprovação do dano ao Erário e o prejuízo causado, e (v) falta de demonstração de irregularidades. O fundamento da autuação fiscal recaiu na prática de simulação das importações de mercadorias promovidas pela PROAD, declarandoas "por conta própria", mantendo oculta a real adquirente, incidindo, assim, na prescrição dos comandos dos artigos 23, inciso V e parágrafos 1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/1976. Portanto, a acusação fiscal é de dano ao Erário causado pela importação de mercadoria com a prática de ocultação do real adquirente, mediante simulação, a qual doutrinariamente denominase "interposição ou ocultação fraudulenta comprovada", em distinção àquela presumida (§ 2º do art. 23 do DL 1455/76). O mérito do litígio trata da acusação de interposição fraudulenta de terceiro (PROAD) na importação de mercadoria em que a fiscalização atribuiu a condição de real adquirente e responsável pela operação de comércio exterior à empresa MEGACOM, que fora ocultada nos documentos instrutivos do despacho aduaneiro de importação. Cumpre, assim, analisar a operação em comento à luz da legislação que rege a matéria. A ocultação dos reais intervenientes configura, por força legal, dano ao erário, punível com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos definidos no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. "Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) Fl. 296DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 105 13 § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A interposição fraudulenta que trata o comando legal é aquela em que um terceiro participa na operação de comércio exterior com o objetivo de ocultar o real vendedor, comprador ou o responsável pela operação, utilizandose de artifícios fraudulento ou simulado. Significa que aquele que deveria configurar no polo passivo da relação jurídica aduaneira como importadoradquirente da mercadoria estrangeira investe um terceiro, por interposição, como se titular fosse das obrigações decorrentes, omitindo o verdadeiro negócio jurídico realizado sob a forma de outro diverso. A interposição comprovada modalidade prevista no inciso V do art. 23 do DL 1455/76 que exige a fraude ou simulação, deve reunir provas diretas ou indiretas que apontam, sem sombra de dúvida, tratarse de uma evidente incompatibilidade entre o negócio declarado e as possibilidades reais para a sua efetivação no plano fático. Ou seja, devese provar a ocorrência da infração (materialidade) e de sua autoria (importação foi efetuada em favor de terceira pessoa, o qual conduziu e pagou pela compra internacional ordem e risco) Como consequência, a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior é tipificada como conduta de dano erário punível com a pena de perdimento. Dano ao erário O dano ao erário, figura que abarca rol exaustivo nos incisos I a V do art. 23 do DL 1.455/76, expressa situações em que o bem tutelado é o controle aduaneiro. A Aduana brasileira alocada na estrutura funcional da Receita Federal exerce o controle aduaneiro que envolve uma gama de procedimentos executados com vistas à proteção das fronteiras do País, como efetivo exercício da soberania nacional, em relação a diversas demandas objetos do interesse público em áreas como segurança pública, meio ambiente, patrimônio cultural, concorrência desleal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas. Assim, o dano que exsurge na seara aduaneira não visa apenas questões tributárias, mas sim a proteção do País em relação aos mais diversos ilícitos. O combate e aplicação de sanções à interposição fraudulenta de pessoas em operações de comércio exterior foram implementados com o objetivo de exercer um controle efetivo sobre a parcela de operadores que praticam as mais diversas fraudes aduaneiras. O dano ao erário não está relacionado à eventual prejuízo pecuniário, ocorre por violação ao controle político do Estado, na espécie, o aduaneiro. Constitui, portanto, uma infração de mera conduta, tornandose desnecessário a apuração de eventual economia tributária; inócua também a discussão sobre sua existência, eis que decorre de expressa disposição legal. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 106 14 De se ressaltar, contudo, que não se dispensa na conduta considerada dano ao Erário a intenção dolosa de praticar a fraude ou simulação, com fins à interposição de terceiro na operação de comércio exterior. A fraude ou simulação não comporta a figura culposa, depende sim da intenção deliberada do agente em praticar o ato ilícito. O dolo estará caracterizado uma vez que na demonstração do ato ilícito fraude ou simulação há de se aflorar qual a real intenção e características da operação. Infração tipificada como dano ao erário A tipificação da infração considerada dano ao erário é a ocultação de pessoas participante da operação de comércio exterior cuja materialidade se traduz na ação de encobrir ou esconder das autoridades aduaneiras os verdadeiros agentes dessas operações, deixando de informar corretamente nos documentos instrutivos do despacho aduaneiro e na própria Declaração de Importação DI. Contudo não é qualquer ocultação a ser apenada; há aquelas plenamente lícitas, v.g, a ocultação de fornecedores ou clientes para a realização de negócios sob o manto do "segredo comercial", prática mercantil lícita. Apenada será aquela com a prática deliberada de fraude ou de simulação, o que caracterizaria a conduta típica prevista no comando do DL 1455/76. A intenção de ocultar pessoas envolvidas da operação implica a utilização de meio ardiloso, com recurso fraudulento ou simulado para o alcance do objetivo. De observar que no caso de interposição fraudulenta, a fraude não está relacionada apenas à questão tributária (ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou excluir ou modificar suas características essenciais), isto porque envolve situações atinentes ao controle aduaneiro. Dito de outra forma, apontase para a possibilidade de fraudar com vistas à ocultação de pessoas, sem qualquer conotação tributária. Em relação à simulação, é aquela conceituada no código Civil2 que confere o significado de, em um negócio jurídico, formalizar algo diferente da realidade dos fatos, dandolhe uma forma jurídica não correspondente à realidade, tendo em vista lesar terceiro. Luís Eduardo Garrosini Barbieri bem exemplifica a simulação no despacho aduaneiro: 2 Lei nº 10.406/2002 Art. 167 (...) § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 107 15 Em regra, as partes envolvidas, em conluio, acordam o ato simulatório, de modo a assentar o que será declarado às autoridades aduaneiras em divergência da realidade dos fatos (p. ex. informase na declaração de importação que a modalidade de importação é por conta própria, quando na realidade há uma terceira pessoa o real adquirente conduzindo toda a operação). (BARBIERI, Luís Eduardo G.. Coord. Demes Brito. Questões controvertidas do direito aduaneiro. Artigo: Interposição fraudulenta de pessoas. São Paulo: IOB SAGE: 2014, p. 423424) Comprovação do dolo Entendo imprescindível a comprovação do dolo por parte da fiscalização para a tipificação da interposição fraudulenta de pessoas, na situação do inciso V do art 23 do DL 1455/76, ou seja, a denominada "ocultação comprovada". O legislador atribuiu a responsabilidade subjetiva à infração de interposição fraudulenta, clara situação de excepcionalidade à regra de responsabilidade objetiva no bojo do § 2º do art. 94 do DL 37/66, e, igualmente, à do art. 136 do CTN. Assim, a responsabilização pela infração depende da intenção de ocultação dos partícipes da operação, materializada na utilização de meios fraudulentos ou simulados. Mais uma vez o ensinamento de Barbieri: O legislador, a nosso ver, prescreveu a necessidade da comprovação da conduta dolosa em caso de ocultação dos agentes envolvidos na operação. Quem comete fraude ou ato simulado o faz com manifesta intenção de enganar alguém, causandolhe prejuízo, imbuído de máfé. Na ocultação, alguém, dolosamente, por meio de fraude ou simulação, esconde ou encobre o verdadeiro beneficiário da transação e, na maioria das vezes, o mentor intelectual da operação. Há a deliberada intenção de causar dano ao Erário, bem como a terceiras pessoas jurídicas nos casos de concorrência desleal, pirataria ou contrafação. Assim, na análise da regularidade de uma operação de importação, caso se constate a existência de omissão de informação sobre algum agente envolvido na operação (sujeito passivo, o real vendedor, o real comprador ou o responsável pela operação), é importante verificar se restou comprovada a ocorrência de fraude ou simulação com propósito da ocultação do responsável pela operação. A prova da ocorrência da infração aduaneira, portanto, deve ser feita demonstrandose a existência de conduta dolosa fraude ou simulação na ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do real comprador ou de responsável pela operação. (BARBIERI, Luís Eduardo G.. Coord. Demes Brito. Questões Fl. 299DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 108 16 controvertidas do direito aduaneiro. Artigo: Interposição fraudulenta de pessoas. São Paulo: IOB SAGE: 2014, p. 427) De outra banda, a infração restará tipificada com a comprovação da ocultação do agente, por meio fraudulento ou simulatório, não se exigindo, para sua consumação, o fim alcançado com a conduta (resultado). José Fernandes do Nascimento3 leciona que a demonstração da ocorrência da infração de interposição fraudulenta depende da prova (imediata) da ocultação dolosa da pessoa interveniente na operação de importação, mediante (i) a identificação do real interveniente ou beneficiário oculto na operação de importação; e (ii) a comprovação de que a ocultação do real interveniente ou beneficiário foi efetivada mediante fraude ou simulação. Repisase que a interposição, seja provada ou presumida, há de revelar que quanto ao interposto, e à operação de comércio exterior que declara realizar por sua conta (recursos próprios) e risco (ordem), há uma evidente incompatibilidade entre o negócio declarado e as possibilidades reais para a sua efetivação no plano fático. Nesse mister, a fiscalização deve reunir provas diretas ou indiretas que apontam, sem sombra de dúvida, tratarse dessa incompatibilidade entre o negócio declarado e aquele de fato revelado na operação. Pontuam Maria Regina Godinho de Carvalho e Sonia Maria Coutinho de Luna Freire que: Cabe enfatizar que a RFB recebe informações não verdadeiras, inidôneas, quando o importador de direito processa o despacho aduaneiro declarando na DI, ser o adquirente da mercadoria, responsável pela negociação comercial, quando, de fato, está ocultando o nome do verdadeiro adquirente, o que vem a caracterizar e tipificar a figura da interposição fraudulenta, mediante simulação e conluio, entre o importador e o real adquirente. [...] Nesses caso, a fiscalização, para identificar os participantes desta fraude, na busca de provas, precisa amparar sua fundamentação num conjunto de indícios, decorrentes de outros fatos [...]. (Maria Regina Godinho de Carvalho e Sonia Maria Coutinho de Luna Freire. A interposição fraudulenta no comércio exterior. In A Prova no processo tributário.Coordenação de Marcos Vinicius Neder, Eurico Marcos Diniz de Santi e Maria Rita Ferragut. São Paulo: Dialética: 2010, p. 144145) Atividade fiscal comprobatória da conduta dolosa: identificação do interveniente oculto e da fraude ou simulação 3 NASCIMENTO, José Fernandes. Ensaio de Direito Aduaneiro. Org. Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Raquel Segalla Reis. Artigo: As formas de comprovação da interposição fraudulenta na importação. São Paulo: Intelecto Soluções, 2015, p. 409410. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 109 17 Sem a pretensão de se elaborar rol exaustivo de meios de prova da conduta dolosa de ocultação do interveniente na operação de comércio exterior e da fraude ou simulação, propõese estabelecer pontos a serem identificados que podem conduzir o trabalho fiscal na atividade probatória. Importa asseverar que haverá situações que isoladas e de per si não passam de meros indícios mas que no conjunto reforçam ou convergem para a evidência da incompatibilidade da operação, na identificação do oculto e na fraude/simulação. O trabalho fiscal é apurar todas as provas e evidências da interposição trazendo à lume os fatos que em seu entender corroboram o conjunto probatório da interposição fraudulenta. Coligidas as provas aos autos, cabe ao julgador analisar o conjunto probatório, contrapondoos aos argumentos e provas em contrário do interposto e/ou do acusado interveniente, até que à luz dos fatos e sua subsunção ou não ao direito possa decidir. Portanto, importa ao julgador, com o fim de trazer justiça pela aplicação do direito analisar cada uma das acusações e argumentos contrários, ponderálos, balanceálos e decidir se a operação de comércio exterior é ou não eivada, por presunção legal ou conjunto probatório, da incompatibilidade entre o negócio declarado e o que se desnudou e revelou no plano fático. Assentadas as premissas, cumpre apontar os elementos que podem servir de provas diretas ou indiretas na atividade probatória da interposição fraudulenta comprovada. Comprovação do real adquirente na operação de importação: Deverá a fiscalização perquirir os elementos da operação relacionados a pessoas, documentos, logística com o fim de constatar e/ou demonstrar alguma(s) da(s) situação(ões): 1. Tratase do efetivo comprador da mercadoria no exterior, diretamente do fornecedor ou exportador, mediante assinatura de contratos e/ou condução das tratativas comerciais; 2. Tratase do efetivo provedor e/ou remetente dos recursos financeiros para a aquisição da mercadoria no exterior, diretamente ou na forma de adiantamento, anterior ao pagamento, ao importador interposto; 3. Tratase do responsável devedor pela assunção de dívidas relacionadas às mercadorias importadas; 4. Tratase do responsável por conduzir a negociação e logística de transporte/seguro da mercadoria procedente do exterior, ou seja, tem exerce efetivo comando e direção quanto aos trâmites de remessa da mercadoria importada ao País; 5. Documentos emitidos no exterior, em data que antecede a aquisição da mercadoria importada, trazem consignado o nome do real adquirente; Fl. 301DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 110 18 6. O processo de "follow the money" no pagamento da mercadoria ou dos tributos na importação revelam a intermediação irregular ou incomum do real adquirente; 7. Transferência de recursos do adquirente oculto ao importador ostensivo, anteriormente à compra internacional; 8. Celebração de contrato de prestação de serviços de importação entre importador ostensivo e real adquirente; 9. Outras provas de que o importador, ostensivo, o é somente na aparência. Comprovação da fraude ou simulação: Deverá, também, perquirir outros elementos reveladores da operação e conduta dos intervenientes, que podem configurar alguma(s) da(s) situação(ões): 1. Existência de conluio entre importador ostensivo e real adquirente na prática de ato fraudulento ou simulado, em quaisquer das etapas de aquisição de mercadoria no exterior e/ou sua importação; 2. O recurso utilizado na aquisição da mercadoria no exterior e/ou no pagamento dos tributos e/ou outras despesas relacionadas com importação suportadas pelo real adquirente; 3. A operação por conta própria declarada foi simulada, e a importação verdadeira foi realizada por conta e ordem dissimulada; 4. Ocultação ocorreu mediante indícios de incapacidade operacional, econômica e financeira do importador, de subfaturamento na revenda da mercadoria ao real adquirente, de revenda com prejuízo ou com lucro reduzido; 5. A mercadoria importada não tem características de fungibilidade comercial, isto é, sua especificidade dificulta e/ou inviabiliza a revenda não é mercadoria de "prateleira"; 6. A mercadoria não se destina à comercialização a qualquer cliente de um mesmo ramo de atividade, em decorrência de sua especificidade; 7. Mercadoria é adquirida com especificações que a torna inservíveis a outros clientes; 8. O importador tem o conhecimento de que não poderá revender a mercadoria a qualquer clientes; 9. Mercadoria é exclusiva e/ou específica de uso do cliente adquirente; 11. Documentos ou logística de transporte após desembaraço aduaneiro revela mercadoria não entregue ao importador ou providências de remoção/retirada a cargo do adquirente oculto; 12. Permissividade do importador ostensivo em relação aos comandos diretivos do adquirente oculto na operação de importação ou na gestão empresarial do interposto; Fl. 302DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 111 19 13. Negócios mantidos entre as sociedades interposta e oculta revelam situação de sócios comuns, pessoas com incapacidade profissional na direção da interposta, sócios da interposta possuem vínculo trabalhista com a oculta, terceiros com poder de gerência procurações com plenos poderes; 14. Compartilhamento de instalações, pessoas, bens e despesas entre interposta e oculta; 15. Escrituração contábil e/ou fiscal da pessoa oculta revela provas negociação e/ou pagamento ao exterior realizada em relação à mercadoria importada pela pessoa interposta; 16. Adquirente da mercadoria importada é vinculado ao exportador ou fornecedor estrangeiro; 17. Nota fiscal emitida pelo importador ostensivo na saída de mercadoria em revenda ao adquirente oculto revela custo unitário de mercadoria inferior ao preço unitário consignado na respectiva nota fiscal de entrada, considerandose as despesas e gastos incorridos após a chegada da carga, tais como: descarga, armazenagem, taxa de registro da DI, tributos incidentes na importação, despesas com despachante aduaneiro; 18. Constatação de outros fatos fraudulento ou simulado, com o objetivo de acobertar os referidos intervenientes e beneficiários. Diante das provas apontadas pela fiscalização a interposição fraudulenta somente restará comprovada se demonstrado que a auditoria fiscal não se limitou a simples enunciação dos fatos indiciários apresentados; ao contrário, realizou efetiva demonstração lógica da correlação dos fatos indiciários com as conclusões expostas tornando evidenciada a incompatibilidade entre o negócio declarado e as possibilidades reais para a sua efetivação no plano fático. Da acusação fiscal e provas coligidas Repisando, e em síntese, a acusação fiscal é no sentido de que as importações realizadas pela PROAD, foram operações simuladas, uma vez que a real adquirente, a empresa MEGACOM foi ocultada. Consabido nos autos que a autuação fiscal retratada neste processo é fruto de extenso e abrangente procedimento especial de fiscalização realizado no âmbito da IN SRF nº 228/2006, que ao final concluiu pela prática de inúmeras infrações à legislação aduaneira (interposições fraudulentas, subfaturamento na importação e na exportação de mercadorias, irregularidades no cadastramento no Siscomex, como exemplo) envolvendo dezenas de outras empresas. O resultado daquele procedimento especial está consubstanciado no Relatório de Fiscalização que se encontra às folhas 2.338 a 2.374, do volume nº 12, do processo nº 12466.000528/200694 (inaptidão) e se mostra exaustivo em evidenciar o resultado da análise das operações de comércio exterior da PROAD nos anos de 2003 a 2005, que culminou na representação para fins de inaptidão da inscrição no CNPJ e em diversas autuações. Não obstante, o indigitado Relatório não se fez elemento de prova nos autos, sequer há menção de translado dos documentos pertinentes às provas colhidas no tocante a esta autuação. Como se verá a seguir, apenas duas provas indiciárias (informação aposta no campo Fl. 303DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 112 20 de "Informações Complementares" da DI e cópia da conta "Adiantamento de Clientes" do Livro Razão) foram apresentadas para sustentar a acusação de interposição/ocultação fraudulenta comprovada, dentre várias outras que, indubitavelmente, não se relaciona à presente autuação que trata apenas de operações de importação de mercadorias não há acusação de superfaturamento ou subfaturamento de preços, nem operações de exportação. No auto de infração (fls. 28/40) a fiscalização apontou as constatações fáticas que entendeu caracterizarem as irregularidades comprobatórias da fraude/simulação, a saber: aumento expressivo do volume de importações da PROAD, constatada pelo sistema LINCE; a PROAD nos anos de 2004 e 2005, somente vinculou 05(cinco) empresas como seus adquirentes em operações por conta e ordem; as importações (consumo e nacionalização) registradas pela empresa Proad, por conta própria e por conta e ordem de terceiros, totalizaram no ano de 2004 o valor de US$ 6,521,044.00 ou R$19.276.421,00; e no 1 ° semestre/ 2005, o valor de US$ 2,986,003.00 ou R$ 7.754.311,00 e tais valores se aproximam daqueles verificados nos livros fiscais apresentados pela Proad, em seus lançamentos à conta "Adiantamento de Clientes", que registraram créditos em 2004 no valor de R$ 15.443.404,79; e em 2005 de R$ 8.484.947,56; Os "Clientes Nacionais" da Proad forneceram recursos monetários antecipadamente conforme registro na conta "Adiantamento de Clientes"; Com tais recursos, a Proad registrou as declarações de importação como se fossem operações "por conta própria" e efetuou os pagamentos necessários para nacionalização das mercadorias, emitiu as notas fiscais e deu saída para os reais adquirentes, ou a quem estes determinaram; A declaração de importações como operação por conta própria revelou que as transações comerciais são simuladas, pois ocorreu com a participação de empresas nacionais que permaneceram ocultas; Os responsáveis pelas operações de importação foram os "Clientes Nacionais" ocultados pela simulação de declaração de importação por conta própria da PROAD; As mercadorias relacionadas na planilha de fls. 15/16 após nacionalização foram integralmente vendidas à MEGACOM, ressalvandose aqueles vendidas à empresa sob controle da adquirente; Análise da documentação apresentada revela a vinculação dos valores recebidos da MEGACOM nos anos de 2004/2005 (fls. 44/49); Os campos dos "Dados Complementares" de 43 DI´s (fls. 50/91), foram preenchidos com a referência do importador "N/ REF: MEG" em seqüência de 001/04 a 043/05, demonstrando que para a Proad, desde o registro, essas importações têm características semelhantes. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 113 21 Com base na exclusividade de vendas das mercadorias e as transferências antecipadas de recursos à PROAD, apurados nos extratos bancários [ausentes nos autos] e lançamentos contábeis, em data e valores coincidentes com as despesas incorridas nas operações de importação, concluiu a fiscalização que a MEGACOM é na verdade o real adquirente das mercadorias e responsável pelas operações de importação, permanecendo oculto perante a fiscalização, acobertado pela simulação praticada pela PROAD. A fiscalização imputou as seguintes condutas à autuada: Superfaturamento nas exportações; Subfaturamento nas importações; Simulação no registro de importações "por sua conta e risco"; simulação no registro de importações "por conta e ordem de terceiros"; Simulação nos documentos apresentados para instrução dos despachos; Ocultação dos reais adquirentes de mercadorias importadas; Interposição fraudulenta de terceiros. Da (ausência de) comprovação da fraude e simulação pela fiscalização Os únicos documentos trazidos aos autos para fundamentar as acusações foram (i) planilhas elaboradas pela própria fiscalização indicando, sinteticamente, (a) os números das DIs, das notas fiscais de entrada e saída e dos contrato de câmbio, com respectivas datas, (b) a descrição da mercadorias importadas e seus valores; (ii) cópias das contas "adiantamento de Clientes" no Livro Razão, e (iii) imagem do campo "Informações Complementares" das DIs. Inferese dos autos que não há comprovação de fraude e simulação, porém, alguns indícios diante dos quais a fiscalização não se aprofundou na investigação, ou ao menos na demonstração, que comprovaria que os valores repassados pela MEGACOM representavam não meros adiantamentos (parciais ou integrais) à concretização da transação comercial entre ambos, mas sim o pagamento (parciais ou integrais) para a efetivação da aquisição da mercadoria no exterior. Ou seja, para a caracterização da interposição de terceiro, deveria restar configurado que os recursos para a importação foram providenciados pela real adquirente e não pela importadora, mediante o ajuste doloso. De se assentar que não há nos autos demonstração da correlação entre datas e valores das aquisições de mercadorias no exterior e seu pagamento (liquidação do câmbio) e os valores adiantados pela suposta real adquirente. Ausente tal demonstração, não se permite alegar que a PROAD somente registrou as DI´s mediante prévio pagamentos das aquisições das mercadorias ao exportador pela MEGACOM, ocultando a situação ajustada com fraude e/ou simulação. Outrossim, não há nos autos sequer cópia dos extratos das DI´s, faturas comerciais, contratos de câmbio, extratos bancários, notas fiscais, contratos comerciais que Fl. 305DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 114 22 poderiam, a partir do indício apontado (adiantamento de recursos), construir conjunto probatório direto ou indireto que robusteceria a alegação fiscal de forma a tornála inarredável. Quanto à alegação fiscal que a inserção nos campos da DI a informação de que a expressão "N/ REF: MEG", seguida da numeração "001/04" a "043/05", demonstraria o destino predeterminado ou real adquirente das mercadorias desde o registro, não tem a força probatória desejada. A legislação não impede que a mercadoria depois de chegada no País venha a ser negociada mesmo antes de seu desembaraço, sendo inclusive prática comum e estratégia negocial de redução de custos. Esse indício poderia sim, juntamente com outros elementos de prova, evoluirem a ponto de comprovar a destinação das mercadorias importadas desde a aquisição junto ao fornecedor estrangeiro. Contudo, carecem os autos de prova neste sentido. Asseverou a fiscalização, no requisito de prova da simulação que esta se encontra assentada nas constatações de que os adiantamentos de recursos financeiros da MEGACOM à PROAD são na verdade direcionados ao pagamento das importações, sem, contudo, especificar quais parcelas e datas destinaramse à liquidação do câmbio e ao pagamento dos custos relacionados ao despacho aduaneiro (tributos, despesas com armazenagem, descarga, transporte e despachante aduaneiro). O que se verifica é que em decorrência do procedimento especial de fiscalização na PROAD, autuouse todos aqueles que tinham com ela operado, sem inquirir sobre a especificidade de cada operação, apenas fazendose referência à conta "Clientes Nacionais" do Razão, sem individualizálos. Impende ressaltar que as constatações e indícios colhidos pela fiscalização são insuficientes para enquadrar a operação na modalidade "interposição ou ocultação fraudulenta/simulada comprovada", pois que as alegações fiscais não se sustentam, conforme as considerações a seguir: Os fatos elencados são indícios por vezes considerados fortes suficientes que exigiriam aprofundar na averiguação de outros elementos que comprovariam a ocultação do real adquirente mediante artifício fraudulento ou simulado. A venda de toda mercadoria importada a um único cliente não atesta venda casada premeditada desde a celebração da negociação internacional. Faltaram outros elementos que poderiam apontar a ocultação mediante fraude/simulação, tais como: comprovação de que o real adquirente cliente do importador conduziu a negociação, pagou ou assumiu o encargo pelo pagamento da mercadoria, tem exclusividade na comercialização da mercadoria importada ou sua especificidade é tal que dificulte ou impossibilite a venda para outro cliente do importador, ou ainda, evidentemente a mercadoria não é de "prateleira" caso de determinados dispositivos/máquinas que requeiram fornecimento de soluções técnicas complexas que meros importadores atacadistas não atendem. Coincidência ou proximidade de datas entre o desembaraço e o transporte da mercadoria importada diretamente para estabelecimento do clienteadquirente não constitui venda casada premeditada, eis que é prática usual e revela a eficiência logística e comercial do importador; ademais, não há empecilho legal para a venda da mercadoria logo após a efetivada a negociação internacional. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 115 23 A exigência do importador de pagamentos antecipados pelos clientes adquirentes de mercadoria negociada no exterior não revela compra casada. O pagamento, integral ou parcial, constitui negócio válido e usual e tem por objeto garantir o compromisso assumido pelo cliente. Inexiste nos autos qualquer evidência do vínculo entre a MEGACOM e o fornecedor ou exportador estrangeiro. Faltou o conjunto probatório mínimo capaz de apontar o pagamento da importação pela MEGACOM. Pelo exposto até aqui, não se está a infirmar a ocultação fraudulenta do real adquirente a MEGACOM mediante artifícios fraudulentos ou simulados. Ao contrário, entendo sim a presença de indícios que exigiriam aprofundamento nas investigações para que restasse configurado e comprovado o ilícito doloso com fins à ocultação dos intervenientes. O presente caso consubstanciase na ausência de elementos comprobatórios, em seu conjunto, da prática dolosa, mediante fraude e/ou simulação, da ocultação da Megacom pela PROAD segundo os quais a fiscalização não logrou êxito em fazer prova da infração capitulada no inciso V, do art. 23 do DL 1.455/76, tanto pela ausência de documentos como na enunciação dos fatos indiciários cuja correlação lógica não amparam as conclusões expostas. In casu, não evidenciada incompatibilidade entre o negócio declarado e o relato dos fatos na linguagem das provas, necessária à formação da certeza jurídica a este julgador. Ao meu ver, não se provou a autoria nem a materialidade da infração e, "uma vez não provada a autoria, há ilegitimidade passiva; não provada a materialidade, inexiste infração a ser punida".4 Neste sentido é a decisão deste CARF sob a relatoria do Cons. Rosaldo Trevisan, acompanhado por unanimidade pela Turma, que se aplica o excerto da ementa ao presente processo, reproduzida: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2o do art. 23 Decreto Lei no 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. (Acórdão, 3403002.842, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, julgado em 25/03/2014) 4 BARBIERI, Luís Eduardo G.. Ensaio de Direito Aduaneiro. Org. Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Raquel Segalla Reis. Artigo: A prova da interposição fraudulenta de pessoas no processo tributário. São Paulo: Intelecto Soluções, 2015, p. 380381. Fl. 307DF CARF MF Processo nº 12466.002820/200641 Acórdão n.º 3201003.648 S3C2T1 Fl. 116 24 Trevisan assenta em seu voto que "Não pode o fisco, diante de casos que classifica como 'interposição fraudulenta', olvidarse de produzir elementos probatórios conclusivos. Devem os elementos de prova não somente insinuar que tenha havido nas operações um prévio acordo doloso, mas comprovar as condutas imputadas, o que não se vê no presente processo." Por fim, trago à lume que recentemente esta Turma deparouse com julgamento de situação semelhante envolvendo a mesma importadora PROAD, caracterizada por autuação fiscal com a aplicação de multa substitutiva do perdimento decorrente do mesmo procedimento fiscal (IN SRF 228/06) e Relatório de Fiscalização. Tratase do processo nº 12466.002810/200614, acórdão nº 3201002.620, sessão de 29/03/2017, de lavra da conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, julgado com unanimidade de votos e prolatada a ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 14/08/2012 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, V, DO DECRETOLEI 1455/77 A interposição fraudulenta na operação de comércio exterior perfazse quando houver a ocultação do sujeito passivo da operação de importação, mediante fraude ou simulação ou pela presunção relativa, de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. As demonstrações feitas pela fiscalização através de planilhas devem ser amparadas por documentação. Recurso Voluntário Provido Conclusão Diante de todo o exposto, e do que consta dos autos, voto para DAR PROCEDÊNCIA ao recurso voluntário interposto por PROAD IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.908817/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PERDCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea requer o pagamento do tributo. Considerando que o pagamento e a compensação são modalidades distintas de extinção do crédito tributário, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito por compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada e a multa moratória é devida estando o débito em atraso na data da compensação
Numero da decisão: 1301-002.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Eduardo Morgado Rodrigues que votaram por dar provimento ao recurso. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Eduardo Morgado Rodrigues.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908817/200910 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.794 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2018 Matéria IRPJ PERDCOMP Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PERDCOMP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea requer o pagamento do tributo. Considerando que o pagamento e a compensação são modalidades distintas de extinção do crédito tributário, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito por compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada e a multa moratória é devida estando o débito em atraso na data da compensação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Eduardo Morgado Rodrigues que votaram por dar provimento ao recurso. Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Ausente momentânea e justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Participou do julgamento o Conselheiro Suplente Eduardo Morgado Rodrigues. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Nelso Kichel e Roberto Silva Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 88 17 /2 00 9- 10 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10983.908817/200910 Acórdão n.º 1301002.794 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de estimativa de CSLL, com débitos de estimativas de CSLL referentes a períodos de apuração posteriores, transmitido após a data de vencimento dessas estimativas. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem reconheceu o valor do crédito pretendido e homologou, parcialmente, a compensação declarada. O valor reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, porque referida declaração foi enviada após o vencimento dos débitos nela informados, fato este que ensejou a cobrança pela autoridade fiscal da multa de mora sobre os débitos declarados/compensados em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirma que o reconhecimento do débito, bem como, dos juros de mora foram efetuados voluntariamente, o que torna indiscutível a aplicação do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, e exime o contribuinte da responsabilidade pelo pagamento da multa de mora, pois a efetivação das compensações se deu antes de qualquer procedimento de fiscalização. O Acórdão recorrido entendeu pela inaplicabilidade da denúncia espontânea ao caso concreto, fundamentando sua decisão na Nota Técnica nº 19 Cosit, de 12/06/2012, a qual conclui que nos casos em que o sujeito passivo compensa o débito mediante a apresentação de DCOMP, não se considera ocorrida a denúncia espontânea. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não há insuficiência de crédito porque, apesar da compensação ter sido realizada depois do vencimento do débito, não há incidência de multa de mora, mas tão somente juros de mora, pois a quitação dos débitos (principal + juros de mora) ocorreu antes de qualquer notificação da Receita Federal. Acrescenta que o débito vencido quitado pela compensação não foi previamente confessado em declaração (DCTF), de modo que não seria aplicável a Súmula 306 do STJ, a qual estabelece que não há denúncia espontânea quando a compensação for feita depois que o débito estiver vencido e houver sido lançado por homologação mediante declaração do contribuinte. Com o intuito de corroborar suas alegações, cita o Acórdão nº 340101.045, que deu provimento a recurso por ela apresentado, sob o entendimento de que o débito vencido, não declarado e nem confessado por meio de DCTF, mas quitado, mediante o acréscimo apenas dos juros de mora, por meio de DCOMP, caracteriza o instituto da denúncia espontânea, o que implica no afastamento da multa de mora. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10983.908817/200910 Acórdão n.º 1301002.794 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.787, de 23.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.900843/201025, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.787): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Alega a recorrente que inexiste suficiência de crédito objeto da DCOMP, pois, apesar da compensação ter sido realizada depois do vencimento do débito, não haveria de incidir multa de mora, mas tão somente os juros de mora. Acrescenta que o débito liquidado mediante compensação, nele inclusos o principal e os juros de mora, antes de qualquer notificação ou procedimento fiscal da Receita Federal, afasta a incidência da multa de mora frente ao instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do CTN. A solução da lide reside em determinar se a quitação do tributo por meio de compensação preenche os requisitos necessários à caracterização da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN. Veja o dispõe referido dispositivo legal: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifei) Verificase, portanto, que o instituto da denúncia espontânea está condicionado a duas exigências: a declaração do débito, espontaneamente, antes de qualquer procedimento de ofício e o pagamento do tributo devido acrescido dos juros de mora. No caso dos autos, a recorrente não promoveu qualquer pagamento de tributo, mas sim a compensação deles com créditos. De fato, a compensação e o pagamento são formas de extinção do crédito tributário elencadas no art. 156 do CTN, todavia, diversamente do pagamento que extingue o crédito a partir do momento em que realizado, a compensação está sujeita Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10983.908817/200910 Acórdão n.º 1301002.794 S1C3T1 Fl. 5 4 a posterior homologação, sob condição resolutória, podendo ser confirmada ou não a quitação do tributo, a depender da homologação da compensação. O art. 138 do CTN é taxativo ao estabelecer a necessidade do pagamento para caracterização da denúncia espontânea e, apesar da compensação também ser uma das formas de extinção do crédito tributário, ela não foi contemplada pelo instituto da denúncia espontânea. Nesse sentido, a recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, no AgInt no REsp 1.568.857, em julgamento realizado em 16/05/2017, conforme ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DEFICIÊNCIA NA ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE AO ART. 535 DO CPC/73. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CARACTERIZADA. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 535 do CPC/73 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos pelos quais o acórdão incorreu em omissão, contradição ou obscuridade. Aplicase, na hipótese, o óbice da Súmula 284 do STF. 2. A compensação tributária não se equipara a pagamento de tributo para fins de aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea regido pelo art. 138 do CTN. Precedentes: EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.375.380/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 30/11/2016; AgRg no REsp 1.461.757/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17/9/2015; AgRg no AREsp 174.514/CE, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/9/2012. 3. Agravo interno a que se nega provimento. Também neste órgão julgador várias são as decisões que se manifestam contrariamente à aplicabilidade da denúncia espontânea nos casos de débitos extintos por compensação: COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. INOCORRÊNCIA Pagamento e compensação são modalidades de extinção do crédito tributário distintas, não apenas pela doutrina mas pelo próprio texto legal. A denúncia espontânea, para que se configure, requer o pagamento do tributo. Assim, no caso em que o contribuinte promove a extinção do débito pela via da compensação, a denúncia espontânea não resta caracterizada, e a multa moratória é devida, nos termos da lei, estando o débito em atraso na data da compensação. (Acórdão n° 1301001.991, sessão de 03/05/2016) COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE À compensação, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação por parte da autoridade Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10983.908817/200910 Acórdão n.º 1301002.794 S1C3T1 Fl. 6 5 administrativa competente, não se aplica o instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. (Acórdão nº 1301001.511, sessão de 07/05/2014) CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Declaração de Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Redator Com a devida vênia, divirjo do voto da Ilustre Relatora no que tange à apreciação da aplicabilidade da denúncia espontânea nos casos de débitos extintos por compensação: A denúncia espontânea de infrações é um instituto que afasta a aplicação de multas quando o contribuinte paga e confessa sua dívida antes de iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Com efeito, verificase que a denúncia espontânea se constitui na declaração prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária de que havia cometido um ilícito tributário, mas que, em razão de seu arrependimento, procedese, de forma espontânea, a realização da referida obrigação, com os encargos que lhes são devidos, situação na qual o Fisco restará impedido de lhe aplicar tais sanções. Nesse sentido, a denúncia espontânea evita que o fato moratório seja constituído pela autoridade administrativa, ou seja, impede a constituição, de norma individual e concreta, do descumprimento de um dever, o que ocasionaria a implicação das multas. Desse modo, considerando que a Recorrente apresentou a DCOMP, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal, de tal sorte a extinguir o crédito tributário em questão, bem como arcou com os encargos (juros de mora) de forma voluntária, devese, portanto, aproveitar das benesses trazidas pela denúncia espontânea, nos termos artigo 138 do CTN. Ademais, considerando que o processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, segundo o qual fatos inexistentes ou erros evidentes não devem prosperar em detrimento da verdade material, inobstante a presunção de veracidade relativa dos atos administrativos. Igualmente, em decorrência deste princípio, impõese sejam sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo Fisco. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10983.908817/200910 Acórdão n.º 1301002.794 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, uma vez confirmado o direito do contribuinte, entendo que deve ser aceito o instituto da denúncia espontânea, por meio de compensação. Por conseqüência, deve ser afastada a multa de mora. Diante disso, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, devendo ser homologada a compensação pleiteada. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 270DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721299/2015-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 06/01/2011 a 24/09/2013
OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3402-005.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo suplente convocado.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo suplente convocado.
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Recorrente SEGER COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 06/01/2011 a 24/09/2013 OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 99 /2 01 5- 61 Fl. 400DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, substituído pelo suplente convocado. Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança de multa por cessão de nome prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 lavrada em razão da interposição fraudulenta comprovada da empresa SEGER COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA S.A. (SEGER) em operações de comércio exterior que teriam sido de fato promovidas pela LVD DO BRASIL LTDA. (LVD). A multa decorrente da conversão da pena de perdimento1 é cobrada no Auto de Infração objeto do processo n.º 10983.721300/201558 igualmente posto em julgamento nesta sessão em julgamento. A autuação fiscal se respaldou nas informações prestadas pelas duas empresas no curso da fiscalização, concluindo que as importações incorridas pela SEGER entre 2011 e 2013 ocorreram com a LVD como destinatário predeterminado, que inclusive procedia com adiantamentos a título de sinal. Como indicado no Relatório de Ação Fiscal: "Com o objetivo de investigar mais a fundo as importações realizadas pela Seger e cuja destinação era a empresa LVD do Brasil e sanar dúvidas que ainda não haviam sido esclarecidas pela empresa fiscalizada, em 02/03/2015, encaminhamos Termo de Início de Ação Fiscal (TIAFAdq), relativo ao TDPF 0925200.2015.00006 9, cuja ciência ocorreu em 06/03/2015 (ARTIAF Adq). Nesta Intimação, solicitamos que a Seger comprovasse os pagamentos relacionadas a todas as notas fiscais de saída relativas as mercadorias importadas sob fiscalização, explicasse se existiu algum adiantamento de pagamento referente ao pagamento dos tributos incidentes nessas importações, explicasse se a quantidade e características das mercadorias importadas foi determinada pela empresa SEGER ou por terceiros e se existia uma destinação prévia para um cliente específico em cada operação de importação sob fiscalização. Em 30/03/2015, a empresa Seger respondeu (RespTIAF Adq) : em relação à juntada de documentos que comprovassem cada uma das “vendas” realizadas e descritas nas notas fiscais de venda emitidas pela fiscalizada para a empresa LVD, a empresa Seger alegou que a apresentação dos lançamentos contábeis já teria sanado essa solicitação. Vale ressaltar aqui que a mera escrituração de um pagamento de uma nota fiscal em sua contabilidade não é suficiente para sua comprovação. Sendo assim, esse item não foi respondido a contento. quanto ao questionamento se o destinatário final das mercadorias importadas, no caso a empresa LVD, adiantou o pagamento dos tributos incidentes na importação, por ocasião do registro das DI, a Seger respondeu que “como as mercadorias importadas eram máquinas e peças de alto valor agregado e com especificações técnicas peculiares, o acordo comercial da SEGER com o adquirente no mercado interno previa um sinal como garantia à posterior efetivação do negócio”. Logo, houve adiantamento de pagamentos pela LVD antes de efetivada às importações sob fiscalização. quanto ao esclarecimento de como era feita a programação das referidas importações, a Seger juntou alguns pedidos de mercadorias ao fornecedor estrangeiro (Pedidos Exterior), onde podemos observar, nos pedidos encaminhados, 1 Com fulcro no art. 23, inciso V, §§1º e 3º do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10983.721299/201561 Acórdão n.º 3402005.230 S3C4T2 Fl. 396 3 que o fornecedor estrangeiro são as empresas LVD COMPANY NV, LVD (MALASIA) SDN e HUBEI TRIRING METAL FORMING EQUIPMENT. em relação à explicação se existia uma destinação prévia para um cliente específico em cada operação de importação sob fiscalização, no caso em questão, se havia destinação prévia para a empresa LVD do Brasil, a Seger respondeu “ Devido às especificidades, valor e custo da importação das mercadorias, o interesse do destinatário no mercado interno era manifestado (de diversas formas) antes do início da operação e confirmado com o pagamento do sinal”. Logo, havia destinação prévia para um cliente antes da operação de importação ser concretizada. questionada se existia algum contrato entre a Seger e o destinatário das mercadorias importadas, a Seger juntou cópia do contrato (Contrato Seger x Destinatário), cujo título aqui reproduzo: “CONTRATO DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS E OUTRAS AVENÇAS”. Ainda, para coletar mais informações sobre as importações realizadas pela Seger, cujas mercadorias foram destinadas à LVD do Brasil, foi emitido o MPFD nº 0925200.2015.000085, em nome da empresa LVD do Brasil, cuja ciência ocorreu em 06/03/2015 (AR TI LVD), por meio do Termo de Intimação Fiscal 01/2015 (TI LVD). No Termo de Intimação Fiscal nº 01/2015, foram solicitados os seguintes documentos e esclarecimentos: se a empresa mantém ou manteve algum contrato de fornecimento, ou de qualquer outra espécie, com a empresa SEGER, relativamente às importações efetuadas, detalhamento de como foi realizado o contato da empresa LVD com a SEGER para efetuar a compra das mercadorias importadas (motivo de ter escolhido a SEGER como fornecedora data do pedido, nome do contato na empresa SEGER, detalhe do pedido, quantidade, etc), explicação sobre como foram feitos e comprovação (encaminhando a cópia dos comprovantes) dos pagamentos relativos às mercadorias importadas e adquiridas da SEGER e explicação sobre como se deu a entrega do produto importado pela SEGER à empresa. Em 13/05/2015, a LVD do Brasil respondeu às referidas solicitações (Resp LVD). Quanto ao pagamento das mercadorias importadas, a empresa juntou vários comprovantes de transferências bancárias realizadas para a SEGER, sem, no entanto, relacionar a qual nota fiscal determinado comprovante de pagamento se relacionava. E quanto à explicação relacionada à entrega das mercadorias importadas à LVD, a empresa respondeu que “eram praticados dois tipos de procedimentos, um quando a LVD contratava o transporte rodoviário do Porto até a nossa empresa e outro em que a SEGER incluía o transporte rodoviário do Porto até a LVD no pacote do serviço logístico oferecido, ficando os valores inclusos nas notas fiscais emitidas pela SEGER.” Por fim, a LVD juntou cópia de dois contratos firmados entre as partes (Contrato Partes), onde também aparecem os seguintes títulos “CONTRATO DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS E OUTRAS AVENÇAS”." (efls. 24/26 grifei) "Os dados da citada tabela revelam que a maioria das notas de saída foram emitidas na mesma data da nota fiscal de entrada. Isso nos revela que a mercadoria importada não chegou a fazer parte do estoque de mercadorias da empresa Seger, pois no dia em que a nota fiscal de entrada das mercadorias importadas foi emitida, o que representa a data da entrada destas mercadorias no estoque da empresa Seger, também foi emitida a nota fiscal de saída destas mercadorias para a empresa LVD do Brasil, ou seja, a mercadoria não chegou a constar do estoque de mercadorias da empresa Seger. Isto demonstra claramente que as mercadorias, relacionadas nas DI sob análise e mencionadas na Tabela 1, tinham um destinatário predeterminado: a empresa LVD do Brasil. Fl. 402DF CARF MF 4 A Seger já sabia antes mesmo de seu despacho que a mercadoria importada seria destinada à empresa LVD do Brasil. Esse entendimento é corroborado pela própria resposta da empresa Seger, em atendimento ao Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF Adq), abaixo transcrito e contido na resposta da Seger (Resp TIAF Adq): “Devido às especificidades, valor e custo da importação das mercadorias, o interesse do destinatário no mercado interno era manifestado (de diversas formas) antes do início da operação e confirmado com o pagamento do sinal” Não é menos importante o fato de todas as importações terem como fornecedor estrangeiro, declarado em todas as DI sob fiscalização, uma empresa ligada ao grupo LVD no exterior, grupo do qual a destinatária das mercadorias importadas, LVD do Brasil, faz parte. Após a análise das declarações de importação (DI) e das respostas da própria empresa Seger, cristalino está que as mercadorias importadas por meio das declarações sob fiscalização tinham, antes mesmo de serem nacionalizadas no despacho aduaneiro, um destinatário prédeterminado: a empresa LVD do Brasil. E esse fato era conhecido pela empresa Seger no momento do registro destas declarações, oportunidade onde deveria ter sido informado à Receita Federal do Brasil quem era o real destinatário das mercadorias (LVD do Brasil). Logo, concluímos que a proximidade entre as datas de entrada e de saída das notas fiscais relativas às mercadorias importadas, amoldandose à figura de importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda, sendo que a fiscalizada declarou realizar importação “por conta própria” é o primeiro grande indício da ocultação dos reais adquirentes. Lembramos que esse indício é corroborado pela própria Seger, em sua resposta acima reproduzida, ao declarar que o interesse do destinatário das mercadorias importadas no mercado interno era manifestado antes do início da operação de importação, ou seja, antes de estas terem sido nacionalizadas." (efls. 29/30 grifei) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, que foi julgada improcedente pelo acórdão 16071.562, da 23ª Turma da DRJ/SPO, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/01/2011 A infração por "cessão de nome" é um sucedâneo da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros. Cessão de nome. Ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “ceder o nome” agindo em descompasso em relação à higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 275) Intimada dessa decisão em 18/04/2016 (efl. 346), a empresa SEGER apresentou Recurso Voluntário em 18/05/2016 (efls. 348/387) alegando em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão de primeira instância em razão de sua omissão quanto a argumentos trazidos na Impugnação Administrativa quanto ao mérito e por inovar na argumentação (indicando uma quebra da cadeia de IPI); (ii) no mérito, indica a inexistência de interposição fraudulenta de terceiros no presente caso, diante: (ii.1) da não comprovação do dolo, necessária para Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10983.721299/201561 Acórdão n.º 3402005.230 S3C4T2 Fl. 397 5 a própria tipicidade da infração; (ii.2) do respaldo da fiscalização apenas em critérios subjetivos e em indícios, não comprovando a cessão de nome com o fim de ocultar o real adquirente das mercadorias importadas, alegada na autuação. Sustenta que esses indícios já teriam sido afastados por este Conselho em conformidade com o Acórdão 3301002.638; (ii.3) da ausência de simulação na hipótese, sendo que adota política de redução de custos para eliminação de estoques (just in time) sendo que as mercadorias efetivamente entraram em seu estoque. Sustenta que a empresa assumiu risco no negócio, sendo que a SEGER sempre dispôs de capacidade econômico e financeira para realizar suas importações, sendo que a existência de um cliente potencial no mercado interno, cujo interesse pela compra era manifestado previamente à importação mediante o pagamento de um sinal, não elimina o risco da operação face a instância de contrato que previsse sanções em caso de desistência ou falência da empresa interessada na compra. Indica que trouxe aos autos documentos que comprovam as vendas de mercadorias para a LVD que não foram recebidas pela SEGER (doc. 05 da impugnação); (ii.4) a ausência de fraude tributária, fundamentada pela fiscalização na indevida utilização de benefício fiscal relativo ao ICMS, que teria sido adimplido em conformidade com a legislação estadual, inexistindo na hipótese uma operação interestadual como indicado pela decisão recorrida; (iii) a ausência de comprovação de dano ao erário e a desproporcionalidade entre a penalidade aplicada e a infração cometida; e (iv) a impossibilidade da aplicação cumulativa das multas de cessão de nome e a multa por conversão da pena de perdimento. Após ser dado cumprimento à Resolução n.º 3402001.158 para avocar o presente processo conexo ao processo principal n.º 10983.721300/201558, os autos foram direcionados para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Atentando para o argumento preliminar suscitado pela Recorrente de nulidade da decisão de primeira instância, entendo que a ele cabe provimento, na forma a seguir exposta. Como relatado, sustenta a Recorrente que a decisão de primeira instância seria nula por ter deixado de analisar os argumentos de mérito trazidos na Impugnação Administrativa e por inovar na argumentação (indicando uma quebra da cadeia de IPI). Aponta a Recorrente que teriam deixado de ser analisados os seguintes argumentos: (a) que a SEGER teria incorrido em risco comercial para proceder com as importações objeto da autuação, sendo que conforme documentação apresentada, ela teria deixado de receber pela venda de mercadorias para a LVD (doc. 05 da Impugnação); (b) a ausência de obrigatoriedade de remissão às declarações de importação no fechamento dos contratos de câmbio e a vinculação Fl. 404DF CARF MF 6 do contrato de câmbio e a declaração de importação; (c) a comprovação que não houve ocultação dos participantes da operação de importação e a revenda no mercado interno; (d) as considerações de cunho temporal trazidas pela fiscalização (data da intenção de compra, proximidade das datas de emissão das noras fiscais de entrada e saída, tempo das mercadorias em estoque) não são determinantes para a qualificação da modalidade de importação; e (e) importação direta não é caracterizada pela realização de vendas pulverizadas. Atentandose para a r. decisão recorrida, observase que ela segue um formato não ordinariamente aceito por esta Colenda Turma, como já tivemos a oportunidade de discutir nos Acórdãos n.º 3402004.875, de relatoria da Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz e 3402004.134, de relatoria da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. De fato, a decisão aqui analisada foi proferida nos exatos moldes daqueles casos, com um longo, detalhado e genérico levantamento da legislação e dos procedimentos administrativos sobre o exercício dos controle aduaneiros. Inicialmente, evidencia a necessidade de confirmar a prática de interposição fraudulenta de terceiros para verificar a incidência da infração autuada neste processo de cessão de nome. Desenvolve em uma perspectiva geral, não relativa ao presente caso, qual a forma necessária para proceder com uma importação (habilitação no RADAR efls. 281/283), o combate às práticas de interposição fraudulenta de terceiros (efls. 283/286), o conceito de interposição em operação de importação (efls. 286/293) e os elementos necessários para admitir uma prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros (efls. 293/304), todos. Uma suposta consideração específica relativa ao processo teria sido feita na efl. 301 quanto a impossibilidade de existir um comprador predeterminado. Contudo, o referido trecho se refere à Impugnação da LVD apresentada no processo principal n.º 10983.721300/201558, que não consta dos presentes autos. Por sua vez, o trato específico das questões de mérito do presente processo teria sido feito quando da descrição dos fatos que embasaram a autuação fiscal entre as efls. 304/321. Contudo, como se observa da leitura dessas folhas, elas são uma reprodução ipsis litteris dos principais trechos do Relatório de Ação Fiscal (efls. 16/55). Em seguida, à efl. 321, o acórdão traz menção a uma possibilidade de desconsideração do 1º método de valoração aduaneira, que sequer consta do presente processo. Prosseguindo, adentra efetivamente em argumento específico trazido pela Recorrente, quanto à ausência de dano ao erário (efls. 321/330), ponto no qual novamente ingressa em questões que não se referem ao presente processo por não constar no Relatório de Ação Fiscal (sonegação de PIS/COFINS, quebra da cadeia de incidência do IPI, lavagem de dinheiro). Adentra na questão do benefício fiscal do ICMS (efls. 330/332) para ao final efetivamente enfrentar a discussão em torno da multa por cessão de nome cobrada cumulativamente à multa decorrente da conversão da pena de perdimento (efls. 332/340). Pela leitura da r. decisão recorrida é possível atestar que efetivamente os argumentos de mérito do processo, em torno da inexistência de interposição fraudulenta de terceiros no caso, não foram enfrentados. Com efeito, observase que a r. decisão recorrida efetivamente não adentrou nos pontos (a) a (e) indicados acima, da discussão instaurada na Impugnação em torno do mérito objeto da autuação. Diante disso que é possível adotar as considerações e a exata conclusão alcançada no mencionado Acórdão 3402004.875, de relatoria da Conselheira Thais de Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10983.721299/201561 Acórdão n.º 3402005.230 S3C4T2 Fl. 398 7 Laurentiis Galkowicz, de 30/01/2018, que passa a integrar as razões de decidir desse acórdão com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99: "De fato, com a simples alusão ao direito aduaneiro vigente e subsequente transcrição do TVF, as razões e documentos apresentadas como mérito nas defesas não foram sequer mencionadas no julgamento a quo (e.g. o impacto do acordo de parceria e distribuição na impossibilidade de se caracterizar as operações como importação por conta e ordem de terceiro; o aumento do limite da habilitação das empresas para operarem no comércio exterior; as vendas serem faturadas e recebidas pela Adaime, conforme notas fiscais, a diversos clientes além da Res Brasil; provas sobre a Res Brasil não ser a única responsável pelas negociações; e o risco operacional assumido pela Adaime). Com relação ao mérito, saliento que as razões são pertinentes ao bom julgamento desse processo, uma vez que, caso verificado nos autos que as operações fiscalizadas não se tratam de importação por conta e ordem, cujo ato dissimulado seria a prestação do serviço, mas sim, eram de importações por encomenda (por não serem importações financiadas por empresa oculta nas operações), o lançamento poderia ser cancelado, conforme a jurisprudência desse Tribunal (Acórdão n. 3402002.275). (...) Dessarte, é hialino que não se trata de matéria que pode simplesmente deixar de ser analisada no julgamento administrativo, sob pena de restar configurada nulidade em função da omissão do órgão judicante. No caso, houve incontestável omissão da DRJ ao julgar as impugnações dos sujeitos passivos, sendo portanto nula, por preterição do direito de defesa dos sujeitos passivos, conforme já decidiu esse Colegiado, entre outros, nos seguintes casos: Acórdãos 3402003.029 e 3402003.047. Destaco abaixo a lição de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa López2 sobre o tema: No processo administrativo fiscal, dentre as nulidade mais comuns podemse destacar: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente; ou com preterição do direito de defesa; a ilegitimidade de partes; omissão do julgador no enfrentamento das questões de defesa e o não atendimento aos requisitos formais do lançamento. Algumas dessas questões arguidas em preliminar são suficientes para a nulidade dos atos correspondentes e para a extinção de todo o processo administrativo, como a questão da ilegitimidade das partes; outras permitem o saneamento da irregularidade, como é o caso de cerceamento de defesa gerada pela falta indispensável da análise de uma tese arguida pelo contribuinte, ocasionando apenas a nulidade da decisão de primeira instância e o seu saneamento com a prática de ato novo. Efetivamente, ausência de análise dos citados argumentos e provas das impugnações, nesse contexto, ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria por este Conselho, estarseia atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico brasileiro, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o 2 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 558559. 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 406DF CARF MF 8 julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. Nesse sentido o artigo 59, inciso II do Decreto no 70.235/1972 confere efetividade ao texto constitucional ao determinar que: Art. 59. São nulos (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por fim, destaco que foi no intuito de coibir tal sorte de problema que o Novo Código de Processo Civil, o qual deve ser aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos essenciais da sentença, bem como as situações em que considera não fundamentada qualquer decisão: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; (grifei) Resta a este Colegiado, assim, declarar a nulidade do Acórdão referente ao julgamento a quo que pode ser percebido como supressão de instância administrativa, culminando em preterição do direito de defesa." (grifei) Assim, por uma deficiência na análise do mérito da Impugnação Administrativa apresentada nos presentes autos, deve ser declarada a nulidade da r. decisão recorrida. DISPOSITIVO Ante o exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão n. 16071.562, da 23ª Turma da DRJ/SPO, exarado no presente processo, afetando as peças processuais que lhe sucederam. Objetivando considerações úteis ao prosseguimento e à solução do processo, com base no artigo 59, §2º do Decreto n.º 70.235/724, destaco que deve a DRJ, em seu novo julgamento, guardar observância ao artigo 489, §1º do Código de Processo Civil/2015, analisando os argumentos e provas de defesa com relação ao mérito. É como voto. 4 "Art. 59 (...) § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo" Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10983.721299/201561 Acórdão n.º 3402005.230 S3C4T2 Fl. 399 9 (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Fl. 408DF CARF MF
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Numero do processo: 11487.720010/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2013
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. O produto descrito como placa-mãe para computadores, classifica-se no código NCM 8473.30.41. O produto descrito como placa de rede para computadores, classifica-se no código NCM 8517.62.59. O produto descrito como placa de modem para computadores, classifica-se no código NCM 8517.62.55. Os produtos descritos como placa de vídeo para computadores e placa de som para computadores, classificam-se no código NCM 8471.80.00.
CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158-35/2001. Referida multa não poderá ser superior a 10% do valor total das mercadorias constantes da Declaração de Importação (art. 69, caput, da Lei nº 10.833/2003).
MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se caracteriza como mudança de critério jurídico a reclassificação fiscal de mercadorias procedida em sede de revisão aduaneira, mormente quando a legislação que cuida da classificação fiscal não foi alterada.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Demonstrado nos autos que as omissões e incorreções apontadas pela impugnante vieram a ser devidamente sanadas, permitindo-lhe exercer sem restrições seu direito à ampla defesa, não há que se declarar a nulidade do auto de infração, a teor do disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3301-004.095
Decisão: Recurso Voluntário Negado e Recurso de Ofício Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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O produto descrito como “placa mãe para computadores”, classificase no código NCM 8473.30.41. O produto descrito como “placa de rede para computadores”, classificase no código NCM 8517.62.59. O produto descrito como “placa de modem para computadores”, classificase no código NCM 8517.62.55. Os produtos descritos como “placa de vídeo para computadores” e “placa de som para computadores”, classificamse no código NCM 8471.80.00. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com a multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001. Referida multa não poderá ser superior a 10% do valor total das mercadorias constantes da Declaração de Importação (art. 69, caput, da Lei nº 10.833/2003). MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se caracteriza como mudança de critério jurídico a reclassificação fiscal de mercadorias procedida em sede de revisão aduaneira, mormente quando a legislação que cuida da classificação fiscal não foi alterada. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Demonstrado nos autos que as omissões e incorreções apontadas pela impugnante vieram a ser devidamente sanadas, permitindolhe exercer sem restrições seu direito à ampla defesa, não há que se declarar a nulidade do auto de infração, a teor do disposto no art. 60 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado e Recurso de Ofício Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 48 7. 72 00 10 /2 01 3- 99 Fl. 18620DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.621 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Renato Vieira de Avila. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls.18.397/18.438), abaixo transcrito: Trata o presente processo de Auto de Infração formalizado para exigência da diferença de tributos, acrescida de multa de ofício e juros de mora, além de multa regulamentar, em virtude da reclassificação fiscal de mercadorias importadas por meio das Declarações de Importação (DI) relacionadas na peça impositiva, perfazendo o valor total do crédito tributário exigido R$ 27.305.431,57. Relata a fiscalização que procedeu à análise da classificação fiscal adotada pela interessada na importação de produtos, no período de janeiro de 2009 a março de 2013, classificados sob o código NCM 8473.30.49 outros circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos montados, com alíquotas de 12% para o Imposto de Importação (II), 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Com base nas informações fornecidas pela empresa durante o procedimento fiscal, consubstanciadas em descritivos técnicos (data sheets), relatório técnico e planilha com a correta descrição dos partnumbers (Anexos 8 e 9), a fiscalização afirma que pôde conhecer os produtos e proceder à sua correta classificação fiscal, levando em conta sua descrição, função e aplicabilidade. Segundo o fisco, a contribuinte colocou sob o mesmo código uma diversidade de produtos, sendo os diferentes tipos de placas importados descritos de forma genérica e não elucidativa. Cita o fato de a empresa ter declarado trazer placas controladoras, quando pesquisa na internet revelou que a chamada “placa controladora” pode se referir a placas de vídeo, de áudio, de som e até ter função de modem. Aduz que mesmo quando os produtos foram descritos de forma mais clara, foram classificados sem a observância das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, as quais determinam que a classificação de uma mercadoria darseá através da correspondência literal entre Fl. 18621DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.622 3 produto comercializado e título da posição, assim como pela sua função precípua. Ao final, conclui como caracterizado o erro de fato por parte da empresa autuada. Em consequência, houve a lavratura de Auto de Infração para exigência da diferença de tributos, acrescidos de juros e multa de ofício, e também da multa por classificação fiscal incorreta, prevista pelo artigo 84, inciso I, da MP 2.15835/2001, relativamente aos seguintes produtos: 1) PLACA MÃE = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8473.30.41 – “placasmãe (mother board)”, com alíquotas de 12% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PIS Importação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Nesse caso, apesar de não haver diferença de tributos a ser exigida, houve o lançamento da multa regulamentar; 2) PLACA DE REDE = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8517.62.59 – “outros aparelhos para transmissão ou recepção de voz, imagem ou outros dados em rede com fio”, com alíquotas de 14% para o II (25% a partir de 05/05/2010), 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012); 3) PLACA DE MODEM = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8517.62.55 – “moduladores/demoduladores (modems)”, com alíquotas de 16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINS Importação (8,60% a partir de 01/08/2012). Neste caso, para referendar seu entendimento, o fisco cita a Solução de Consulta n° 19 SRRF09/Diana, de 28 de fevereiro de 2012; 4) PLACA DE VÍDEO = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8471.80.00 – “outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados”, com alíquotas de 16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Neste caso, para referendar seu entendimento, o fisco cita a Solução de Consulta n° 6 Coana, de 20/07/2009, fundada no Parecer nº 8471.80/2 da Organização Mundial da Aduanas (OMA), internalizado no Brasil pela IN RFB nº 873/08; 5) PLACA DE SOM = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8471.80.00 – “outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados”, com alíquotas de 16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Neste caso, para referendar seu entendimento, o fisco cita o Parecer nº 8471.80/3 da OMA, internalizado no Brasil pela IN RFB nº 873/08. A fiscalização observa que a contribuinte registrou 8.649 declarações utilizando o código NCM 8473.30.49 (referidas DI estão listadas no Anexo 111, fls. 1.671/1.918). As DI registradas no regime aduaneiro especial de RECOF não foram objeto da Fl. 18622DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.623 4 exigência de diferenças tributárias, apenas da exigência da multa por classificação fiscal incorreta. Cientificada do lançamento em 21/08/2013 (fls. 3.842/3.891), a contribuinte apresentou impugnação em 19/09/2013, juntada às fls. 3.903 e seguintes, alegando, em síntese, que: a) em preliminar, alega nulidade do auto de infração por falta de elementos essenciais, pois inexiste no processo qualquer planilha de apuração que lhe permitisse verificar os valores lançados, o que configura nítida violação aos artigos 9 e 10, inciso V, do Decreto nº 70.235/72. Observa que, dentre as DI relacionadas, há uma série de placas de computadores que não foram objeto de reclassificação fiscal e, por força da ausência dos demonstrativos, não tem como verificar se estas demais placas foram excluídas do lançamento. Também não tem como verificar a regularidade do cálculo das multas de ofício e multa por erro de classificação. Do processo não consta ainda o auto de infração do Imposto de Importação, bem como qualquer demonstração de apuração de juros e multas, fato que por si só já contamina todo o auto de infração. Aduz que o valor lançado a título de PISImportação é quatro vezes superior àquele lançado a título de II, resultado impossível que demonstra que os lançamentos são incoerentes. Diante do cerceamento do seu direito de defesa, entende que o lançamento deve ser anulado integralmente. Cita doutrina e jurisprudência; b) ainda em preliminar, alega nulidade do auto de infração pela falta de indicação da classificação fiscal das placas controladoras. O fato de a fiscalização sustentar que as placas controladoras importadas seriam, na verdade, placas de vídeo, de áudio, de som e até ter função de modem, incorre em dois graves problemas. Primeiro, porque as placas importadas, embora tenham a função de estender a funcionalidade e o desempenho do computador, são especificadas para outras funções que não as de vídeo, áudio ou modem. Conforme informações prestadas na resposta à intimação fiscal (fl. 1.648), tais placas têm finalidade de controle de memória rígida e periféricos. Segundo problema: a fiscalização não apontou qual a suposta função precípua de cada uma das placas controladoras objeto do lançamento, omitindose assim no seu dever de apontar qual seria a correta descrição e classificação destas placas; c) no mérito, alega que o procedimento da Fiscalização realiza uma nítida distorção dos fatos: primeiro sustenta uma inverídica descrição inexata das Placas Controladoras para, posteriormente, sustentar erros de fato que justifiquem a revisão da classificação fiscal de outras placas (que não as Placas Controladoras). No caso, não há que se falar em erro de descrição das mercadorias importadas, nem para as Placas Controladoras e, menos ainda, para as demais placas objeto do auto de infração. Tanto é verdade que, ao tratar da classificação fiscal das demais placas (Placa Mãe, Placa de Rede, Placa Modem, Placa de Vídeo e Placa de Som), a Fiscalização se vale da própria descrição realizada pela Impugnante. Evidente que, não tendo havido erro quanto à Fl. 18623DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.624 5 matéria de fato constante das Declarações de Importação, isto é, no que concerne à identificação física das placas importadas, não há que se admitir a revisão do lançamento, conforme prevê o art. 146 do CTN. Cita jurisprudência pacífica do E. STJ; d) situação que deixa ainda mais evidente a tentativa de alteração dos critérios jurídicos aplicados na ocasião do ato administrativo do desembaraço aduaneiro é o fato de que a Impugnante classificou parte das placas objeto do auto de infração de acordo com orientação expressa da Receita Federal do Brasil expedida através da IN n° 80/96, a qual apontou a NCM 8473.3049 como aplicável para as Placas de Rede, Placas de Vídeo e Placas de Som; e) ainda que se admita a ocorrência de erro de fato, o que se faz apenas para argumentar, tal hipótese se limitaria às Placas Controladoras, cujo suposto erro de fato foi apontado pela fiscalização às fls. 532/533. Mas ainda assim, seria indevida a revisão, uma vez que inúmeras DI foram desembaraçadas através dos canais vermelho e amarelo de parametrização, não mais se admitindo nesses casos a posterior revisão do lançamento, conforme jurisprudência que cita do E. STJ; f) no tocante à classificação fiscal das mercadorias, entende que, com exceção da classificação fiscal das PlacasMãe, as demais classificações pretendidas pelo fisco são indevidas, eis que não atentam para as Regras do Sistema Harmonizado. E mesmo no caso da classificação das PlacasMãe, o equívoco cometido pela impugnante não gerou qualquer prejuízo aos cofres públicos, uma vez que as alíquotas aplicáveis são as mesmas e inexistiu qualquer impacto no controle aduaneiro a justificar a imposição da multa de 1%; g) em relação às (i) Placas de Rede, (ii) Placas de Modem, (iii) Placas de Vídeo e (iv) Placas de Som, entendeu a Fiscalização que as mesmas não se classificam na Posição NCM referente às partes e acessórios de computadores (8473), mas sim nas posições correspondentes aos equipamentos (ou unidades) relativos às funções que irão executar. Ocorre que as placas em questão não podem ser consideradas aparelhos, máquinas ou unidades, uma vez que não possuem uma finalidade própria, assim como não têm funcionalidade se não estiverem conectadas a um computador. Ou seja, qualquer das placas objeto do auto de infração se trata de circuitos impressos sem funcionalidade autônoma, que somente irá desempenhar sua função se estiver instalada em uma unidade central de processamento; h) adicionalmente, ainda para se verificar se as placas em questão são (i) partes e acessórios (8473) ou (ii) aparelhos (8517) ou máquinas e suas unidades (8471), devese considerar as características físicas destas placas, as quais não dispõem de invólucro ou gabinete, sendo que os seus circuitos e demais componentes ficam expostos, característica típica de PARTES de máquinas e aparelhos; Fl. 18624DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.625 6 i) portanto, considerandose as características técnicas e físicas das placas objeto do auto de infração, dúvidas não podem haver de que as mesmas se tratam de partes e acessórios, de forma que, de acordo com os textos das Posições (RGI 1), devem ser classificadas na Posição 8473. Esse entendimento é corroborado pela Nota 2 a) da Seção XVI donde se extrai que as partes, que constituam artefatos compreendidos em qualquer das Posições dos Capítulos 84 ou 85, devem ser classificadas nas posições em que estão compreendidas, qualquer seja a máquina a que se destinem; j) cita, como exemplo, a placa de rede. Para que uma Placa de Rede importada pela Impugnante pudesse ser considerada compreendida na Posição 8517, teria que apresentar, no estado em que se encontra, as características essenciais dos "aparelhos para comunicação em redes por fio ou redes sem fio" (texto fiel da Posição 8517). Entretanto, como vimos, a Placa de Rede não pode ser considerada um aparelho, pois não exerce função alguma sem a unidade de processamento. Assim, não se pode afirmar que a mesma apresenta, no estado em que se encontra, as características essenciais de um aparelho para comunicação em rede; k) e no tocante à nota 2 b) se verifica que a mesma tem plena aplicação para a classificação das placas em questão. Isso porque é inconteste que as placas objeto do auto de infração podem ser identificadas "como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada" (texto fiel da Nota 2 b) ), qual seja: a "máquina automática para processamento de dados" prevista na Posição 8471. Assim, de acordo com a Nota 2 b), as placas de computador em questão devem ser classificadas na Posição 8473, eis que é Posição específica para partes e acessórios das máquinas automáticas para processamento de dados, contendo subposição (simples) específica para "circuitos impressos com componentes elétricos ou eletrônicos, montandos", que são justamente as características das placas objeto do auto de infração. Querer classificar uma parte ou acessório reconhecível como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas da Posição 8471 (no caso, o computador) em outra posição que não a Posição 8473, é tornar letra morta o texto desta última posição (8473); l) ademais, a classificação fiscal adotada pela Impugnante, em relação às Placas de Rede, Placas de Vídeo e Placas de Som, encontra amparo em orientação expressa da Receita Federal do Brasil, através da Instrução Normativa n° 80/96. Foi confirmada também com a criação do Ex Tarifário (Ex 001) específico para "Placas de circuito impresso flexível montada com componentes de conexão e/ou de áudio e/ou de vídeo" criado na NCM 8473.30.49 pela Resolução CAMEX N° 73, publicada em 16/09/2013; m) com relação às soluções de consulta citadas pela fiscalização, observa que não vinculam a impugnante nem o julgador Fl. 18625DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.626 7 administrativo, estando sujeitas a erros e, se for o caso, devem ser revistas; n) no tocante à Solução de Consulta nº 19 SRRF09/Diana, de 28 de fevereiro de 2012, citada pelo fisco, na verdade corrobora a posição da impugnante, uma vez que a mercadoria objeto da consulta evidentemente não é uma Placa de Modem, mas sim um Aparelho de Modem; o) no que tange às Placas de Vídeo e às Placas de Som, a Fiscalização realizou a reclassificação fiscal para incluílas na NCM 8471.8000. A Fiscalização afirma que estas duas placas são análogas e que se enquadram no conceito de unidades da Posição 8471. Para sustentar seu entendimento, a Fiscalização cita um Parecer da OMA, introduzido pela IN RFB n° 873, de 26 de agosto de 2008, que entende que estas placas correspondem a unidades das máquinas de processamento de dados e, assim, devem ser classificadas na NCM 8471.8000. Neste aspecto, a Impugnante não concorda com o posicionamento do referido parecer, uma vez que viola o conceito de unidade adotado pelo Sistema Harmonizado, bem como a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística ("NVE"), a qual teve o seu anexo único alterado através da IN RFB 953/2009, que manteve a classificação das Placas de Vídeo e Placas de Som na NCM 8473.3049. Observa que a IN RFB 953/2009 é posterior à IN RFB n° 873/2008, que introduziu o Parecer da OMA, devendo prevalecer sobre esta; p) a afirmação da Fiscalização de que a classificação inexata da mercadoria teria se dado "com impacto direto no Controle Aduaneiro" é inverídica. Primeiro, porque não houve erro na descrição das mercadorias. Segundo, porque os códigos discutidos estão colocados em patamar de igualdade tanto para a incidência dos tributos devidos na importação, quanto para o cumprimento de requisitos administrativos. Além disso, a Fiscalização não expõe quais seriam os impactos alegados, tampouco justifica porque os supostos impactos seriam "diretos". Por fim, a aplicação da penalidade não procede tendo em vista a impossibilidade de verificação do limite de 10% imposto pela lei; q) é indevida a cobrança de diferenças em relação ao PIS e COFINS, em face da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo dessas contribuições. Tendo o Supremo Tribunal Federal decidido, em sede de "repercussão geral", pela inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINSImportação, devem os lançamentos realizados a título destas contribuições ser igualmente cancelados. Observa que o reconhecimento da inconstitucionalidade de parte do art. 7o da Lei n° 10.865/04 deve ser aplicado pela administração pública, com fulcro no Decreto nº 2.346/97 e também com base no art. 62A do Regimento Interno do CARF; r) por fim, não há que se falar em incidência de multas, juros de mora e atualização monetária do valor da base de cálculo do tributo, por força da incidência do disposto no parágrafo único do Fl. 18626DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.627 8 art. 100 do CTN. Com efeito, conforme demonstrado na presente impugnação, o procedimento fiscal adotado pela Impugnante e objeto do presente auto de infração esteve pautado de acordo com a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística ("NVE"), instituída através da Instrução Normativa n° 80/96; s) requer, ao final, seja o lançamento declarado nulo em face das preliminares arguidas e, no mérito, seja julgado improcedente o auto de infração, consoante as diversas razões deduzidas. Encaminhados os autos a esta Delegacia para julgamento, foi observado pelo Serviço de Recepção e Triagem de Processos – Seret, que não constavam dos autos o Auto de Infração do II, bem como os demonstrativos de cálculos de todos os valores lançados, razão pela qual aquele Serviço devolveu os autos à repartição de origem (fl. 3.988). Os documentos faltantes, então, foram anexados aos autos, que retornaram na sequência para julgamento. Da análise do processo, esta julgadora propôs a conversão do julgamento em diligência por meio do Despacho nº 39, de 18/12/2013, para que fossem adotadas as seguintes providências: (i) juntada aos autos dos Anexos 9 e 10; (ii) apresentação de tradução juramentada dos descritivos técnicos dos produtos que se encontravam em língua inglesa; (iii) ciência ao contribuinte de todos os documentos anexados aos autos, facultandolhe prazo de 30 dias para manifestação (fls. 9.327/9.328). Cientificada do resultado da diligência, em 17/03/2014 (fls. 9.415/16), a impugnante apresentou manifestação em 15/04/2014, juntada às fls. 9.425 e seguintes, alegando, em síntese, que: a) somente teve ciência do auto de infração do II e dos demonstrativos de apuração após diligência requerida pela DRJ e, portanto, não resta dúvida quanto à tempestividade da presente manifestação; b) reitera a nulidade do auto de infração pelo fato de não conter elementos essenciais relativos à apuração dos débitos, estando inclusive ausente o AI do II. Observa que anexar arquivos compactados às folhas em formato “.pdf” é contrário às normas que regem o PAF, ainda mais se considerado que a contribuinte nunca foi informada acerca dos documentos “acostados”. Tais documentos, ademais, foram compactados pela fiscalização no formato “.rar”, cuja descompactação para fins de visualização exige software pago, o que contraria a publicidade do processo administrativo. Finalmente, a anexação dos arquivos tal como feita pela fiscalização fere regra prevista no CPC, uma vez que a numeração de páginas processuais é medida que garante segurança jurídica para as partes e para o julgador; c) todos esses fatos demonstram que o verdadeiro intuito da fiscalização era dificultar e até mesmo inviabilizar o exercício da ampla defesa, caracterizando vício material no lançamento que Fl. 18627DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.628 9 enseja sua nulidade absoluta, não sendo passível de retificação, conforme jurisprudência administrativa e doutrina que cita; d) mesmo que se reconheça a possibilidade de anexação de arquivos digitais, ou ainda a possibilidade de retificação do lançamento, ainda assim subsistem vícios insanáveis nos autos de infração de COFINS e PISImportação, tendo em vista a falta de elementos essenciais em seus respectivos demonstrativos. Conforme já referido na impugnação, sem a presença de demonstrativos que apontem detalhadamente cada DI, adição, produto, NCM aplicada, base de cálculo, alíquota, valor apurado, valor recolhido, data do vencimento, multa e juros aplicáveis, resta inviabilizada a verificação dos valores lançados; e) nos demonstrativos de apuração da COFINS e PISImportação não foram indicadas a NCM aplicada, a base de cálculo e a alíquota, o que impossibilitou verificar se o lançamento estava de acordo com as premissas apontadas no Relatório Fiscal, causando evidente prejuízo ao seu direito de defesa, cujo vício é insanável em face da falta de materialização da relação jurídica que o lançamento visa constituir na forma do art. 142 do CTN. Cita jurisprudência; f) observa que só foi possível verificar que os valores lançados a título de COFINS e PISImportação estavam incorretos, a partir de um cálculo realizado ao inverso. Partindo da fórmula de cálculo definida na IN SRF 572/2005, e mesmo considerando que houvesse uma elevação de 4% no II em todas as adições glosadas nas DI, o diferencial de COFINS e PISImportação seria de apenas 0,53% do valor já recolhido. Ocorre que o auto de infração pretende cobrar mais de 555 vezes os valores máximos devidos a título de diferencial de COFINS e PISImportação, o que demonstra a total incoerência e improcedência do auto de infração, aliada à constatação de que os valores das contribuições lançados superam o valor do próprio II lançado, quando apenas este último sofreu majoração de alíquota. Cita exemplo utilizando a DI 09/04433409; g) em relação à juntada do Anexo 9, requerido pelo Despacho 39 da 24ª Turma da DRJ, requer seja intimada para apresentálo novamente, se for o caso; h) ao final, requer a nulidade do auto de infração em razão dos vícios apontados ou então seu cancelamento pelas razões de mérito já apresentadas na impugnação. Por meio do Termo nº 05 – de Constatação e Encerramento de Diligência (fls. 9.461/66), a fiscalização observa, em síntese, que: (i) não há necessidade de a empresa reapresentar o Anexo 9 para juntada aos autos; (ii) nos CD entregues à contribuinte pela fiscalização já havia a informação de que os arquivos compactados podem ser descompactados utilizando software gratuito, sendo que o representante legal da empresa já havia sido cientificado desses documentos, conforme telas comprobatórias que constam do referido Termo. Deste expediente, a empresa foi Fl. 18628DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.629 10 cientificada em 12/05/2014 (fls. 9.467/68), não havendo se manifestado. Quando do retorno dos autos para julgamento, esta julgadora houve por bem propor novamente a conversão do julgamento em diligência, por meio do Despacho nº 20, de 25/06/2014 (fls. 9.471/74), para que fossem adotadas as seguintes providências: a) fosse anexado demonstrativo de apuração dos valores a título de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados (modelo Anexo A), contendo os seguintes campos: data de registro, número da DI, número da adição, descrição detalhada do produto conforme consta na DI, NCM aplicada, base de cálculo, alíquota do tributo, valor devido, valor recolhido, diferença apurada, valor lançado; b) fosse anexado demonstrativo de apuração dos valores a título de COFINS e PISImportação (modelo Anexo B), contendo os seguintes campos: data de registro, número da DI, número da adição, descrição detalhada do produto conforme consta na DI, NCM aplicada, valor aduaneiro, alíquota do II, alíquota do IPI, alíquota do PISImportação, alíquota da CofinsImportação, alíquota do ICMS, valor do X conforme fórmula estabelecida pela IN SRF nº 572/2005, valor devido, valor recolhido, diferença apurada, valor lançado; c) fosse anexado demonstrativo dos valores a título de multa regulamentar (modelo Anexo C), contendo os seguintes campos: data de registro, número da DI, número da adição, descrição detalhada do produto conforme consta na DI, NCM aplicada, base de cálculo, valor apurado da multa, valor devido da multa (observadas as restrição de valor mínimo por adição e valor máximo por DI), valor lançado; d) fosse anexado demonstrativo consolidando os valores totais devidos para cada tributo (tributo, multa de ofício, juros de mora) e também para a multa regulamentar (modelo Anexo D), o qual deverá refletir eventuais correções quanto ao crédito tributário lançado. Como resultado dessa diligência, a fiscalização juntos aos autos os Anexos solicitados, demonstrando a apuração dos valores devidos e procedendo à correção dos valores indevidamente lançados, o que implicou em nova apuração do crédito tributário objeto de exigência, desta feita, no montante total de R$ 3.110.082,83. Por meio do Despacho de fls. 13.197/99, o fisco detalhou as seguintes correções realizadas em relação aos cálculos anteriormente realizados, a saber: a) foi corrigida a base de cálculo do II relativo à DI 12/0683152 0, adição 001, item 01, e DI 09/00000672, adição 018, item 03, com efeitos no cálculo dos demais tributos lançados, conforme informações extraídas do Siscomex; b) foram excluídos os valores exigidos a título de diferenças tributárias em relação à DI 11/11568105, adição 014, item 02, e Fl. 18629DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.630 11 DI 13/03939349, adição 012, item 03, mantendose apenas a exigência de multa regulamentar, haja vista as alíquotas decorrentes da reclassificação fiscal serem as mesmas da classificação adotada pela contribuinte; c) foram corrigidas as alíquotas do II utilizadas no demonstrativo de apuração do imposto, relativamente aos produtos relacionados na tabela de fls. 13.198, uma vez que estavam em desacordo com as alíquotas corretas, devidamente indicadas no Termo de Verificação Fiscal; d) o demonstrativo da multa regulamentar detalha a aplicação da alíquota de 1% sobre o valor aduaneiro, bem como a observância do limite inferior de R$ 500,00 por mercadoria (art. 84, I, §1º, da MP 2.15835/01), e do limite superior de 10% do valor aduaneiro da DI (art. 69, IV, da Lei 10.833/2003); e) para cálculo dos juros devidos foi utilizada como referência a data de lavratura do Auto de Infração (14/08/2013). Cientificada do resultado dessa diligência em 02/10/2014 (fls. 13.200/01), a impugnante apresentou manifestação em 31/10/2014, juntadas às fls. 13.203 e seguintes, alegando em síntese, a par das razões anteriormente deduzidas, que: a) a fiscalização reconheceu erro na indicação da base de cálculo do II e a incorreção do lançamento de diferenças tributárias em relação às DI que menciona; bem como, erro nas alíquotas de II utilizadas nos demonstrativos de apuração do auto de infração com relação a todas as mercadorias reclassificadas. Aduz que foi realizado novo cálculo da multa regulamentar, e que o resultado da diligência implicou em significativa redução do valor lançado, de R$ 27.305.431,57 para R$ 3.110.082,83; b) todavia, em que pese a diligência realizada tenha resultado no cancelamento de parcela significativa dos valores lançados (mais de 88%), não tem o condão de convalidar as nulidades do auto de infração, antes as confirmam diante da gravidade dos equívocos cometidos pela fiscalização. Mesmo que seja considerado válido o auto de infração, o que se admite apenas para argumentar, no mérito os lançamentos não merecem subsistir, pelas razões que seguem expostas; c) em preliminar, reitera a impossibilidade de retificação de auto de lançamento atingido por nulidade absoluta, posto que a impossibilidade de a contribuinte ter acesso aos demonstrativos dos lançamentos caracteriza vício material insanável, exigindo a realização de novo lançamento, conforme jurisprudência do CARF; d) ademais, com relação à multa regulamentar prevista no art. 84 da MP 2.15835/2001, as nulidades relativas a esse lançamento sequer foram corrigidas pela diligência, caso se admitisse isso como possível. Isso porque, no caso dessa multa, há duas bases de cálculo a considerar, conforme entendimento da fiscalização. Uma é o valor da mercadoria que, em tese, foi incorretamente Fl. 18630DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.631 12 classificada, valor sobre o qual é aplicado o percentual de 1%. A segunda base de cálculo é a que deve ser utilizada no cálculo do limite da multa, nos casos em que 1% do valor da mercadoria resultar em valor inferior a R$ 500,00. Nesses casos, a fiscalização entende que a base de cálculo do limite de 10% do valor da multa regulamentar é o valor da DI. Todavia, essa segunda base de cálculo, essencial ao cálculo da multa, não foi indicada no demonstrativo de apuração, o que causa prejuízo insanável ao exercício dos direitos ao contraditório e ampla defesa, maculando de nulidade o lançamento, já que não há meios de verificar se o valor lançado está correto ou não; e) reitera não ser verdadeira a afirmação da fiscalização de que a impugnante teria realizado descrição inexata das placas e, portanto, cometido erro de fato a autorizar a revisão aduaneira das DI. Com efeito, as descrições que subsidiaram a equivocada reclassificação que fundamentou o auto de infração, fornecidas pela empresa autuada, não possuem diferença ou acréscimo de informação relevantes com relação às descrições realizadas nas declarações de importação, conforme tabelas que apresenta (fl. 13.220). Desta forma, não tendo havido erro quanto à matéria de fato concernente à identificação física das placas importadas, não há que se admitir a revisão do lançamento, conforme determinam os artigos 146 e 149 do CTN. Cita jurisprudência do E. STJ, para concluir que, tendo a autuação em tela decorrido de erro de classificação jurídica (erro de direito) resta configurada uma mudança de critério jurídico, situação vedada pelo CTN para dar azo à alteração/revisão do lançamento. Aduz que referida decisão ressalta a plena aplicabilidade da Sumula 227 do extinto TFR, além de referendar entendimento reiterado pela jurisprudência daquele Tribunal Superior. Entende, assim, que o auto deve ser integralmente cancelado por razões de mérito; f) em relação à tabela apresentada pela fiscalização em resposta ao pedido de diligência, é possível identificar que o cálculo da penalidade imposta excede, em várias DI, ao limite imposto pelo art. 69 da Lei 10.833/2003 (10% do valor total das mercadorias constantes da DI). Cita, como exemplo, as DI 09/000000621 e 13/06013234, e conclui que o valor da penalidade imposta continua a merecer revisão; g) requer, ao final, o cancelamento do auto de infração pelas nulidades apontadas e, subsidiariamente, seu cancelamento pelas razões de mérito apresentadas. Por meio do Termo nº 06 – de Constatação e Encerramento de Diligência (fls. 13.232/33), a fiscalização observa, em síntese, que: (i) as alíquotas do II foram corrigidas apenas para os itens das DI relacionados no item 5 do despacho de fls. 13.197/99; (ii) o valor total da DI, para cálculo do limite superior de 10% da multa regulamentar, pode ser encontrado nos demonstrativos de fls. 6.351/6.874; (iii) nas DI citadas como exemplos de cálculo Fl. 18631DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.632 13 da multa regulamentar, a impugnante utilizou os valores das mercadorias reclassificadas para aplicar o percentual de 10% e determinar o limite superior da multa, ao invés do valor total das mercadorias constantes da DI, conforme preconiza o art. 69 da Lei nº 10.833/2003. Deste expediente, a empresa foi cientificada em 06/11/2014 (fls. 13.236), havendo apresentado, em 20/11/2014, a manifestação de fls. 13.240/13.250 onde, além das razões anteriormente expendidas, aduz, em síntese, que: a) diante da manifestação do fisco acerca do cálculo da multa regulamentar, entende restar clara uma divergência de interpretação entre impugnante e fisco, pois enquanto ela entende que a base de cálculo do limite de 10% da multa regulamentar somente irá coincidir com o valor total da DI quando a totalidade dos itens nela declarados for objeto de reclassificação fiscal, o fisco sustenta que essa base de cálculo é o valor total das mercadorias, desconsiderando que em uma mesma DI podem constar diversas outras mercadorias que não foram objeto de reclassificação; b) argumenta que somente a sua interpretação do art. 69 da Lei 10.833/2003 é compatível com a finalidade da sanção em questão, bem como com os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e individualização da pena, bem como com o art. 112, IV, do CTN, pois não haveria qualquer sentido em se punir importações realizadas de acordo com a correta classificação fiscal; c) requer, ao final, que na remota hipótese de vir a ser mantido o auto de infração, deve ser recalculada a multa regulamentar. Considerando que, (i) em 24/10/2014, houve o trânsito em julgado do Recurso Extraordinário (RE) nº 559.937/RS, pelo qual o STF declarou, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do art. 7º, I, da Lei nº. 10.865/2004, na parte em que acrescenta à base de cálculo do PIS e da COFINS, o valor do ICMS incidente sobre o desembaraço aduaneiro, bem como o valor referente a essas próprias contribuições; (ii) que referida matéria foi objeto da Nota PGFN nº 1.254/2014, a qual a RFB encontrase vinculada nos termos da Portaria Conjunta nº 01/2014, os autos foram baixados em diligência por meio do Despacho nº 04, de 18/03/2015 (fls. 13.776/13.779), para fins de nova apuração das contribuições devidas ao PIS e COFINS Importação, em respeito à decisão judicial (Anexos E e F). Na ocasião, requisitouse também que fosse elaborado demonstrativo consolidando os valores lançados para cada um dos produtos objeto de reclassificação (Anexo G). A fiscalização apresentou os demonstrativos solicitados (Anexos E, F e G) e manifestouse acerca do resultado da diligência às 18.373/18.377. No tocante à solicitação para que os valores de PIS e COFINS fossem apurados em consonância com a decisão do STF, os Fl. 18632DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.633 14 demonstrativos elaborados pelo fisco revelaram não subsistir valor devido a título dessas contribuições, uma vez aplicada a base de cálculo estabelecida pela decisão judicial definitiva. No tocante ao demonstrativo do Anexo G, o fisco fez considerações com relação às DI nº 09/04128207, 09/1035581 3, 09/12102610, 09/15559492, 10/13649615 e 10/14720127, nas quais foram declaradas placas de vídeo e de som reclassificadas para a mesma NCM. Como no caso dessas DI, a multa regulamentar de 1% foi aplicada pelo limite inferior de R$ 500,00, não foi possível determinar o valor dessa multa por produto. Da mesma forma, no caso das DI 09/13897153 e 09/13897730, em que a multa foi aplicada pelo limite superior de 10% do valor aduaneiro total da DI, também não possível determinar o valor dessa multa por produto. Cientificada do resultado dessa diligência em 06/08/2015 (fl. 18.381), a impugnante apresentou manifestação em 04/09/2015, juntadas às fls. 18.383 e seguintes, alegando em síntese, a par das razões anteriormente deduzidas, que: a) a involução dos lançamentos objeto do presente processo só demonstra os graves erros cometidos pela fiscalização, os quais vão desde a elaboração dos cálculos, passando por nulidades e atingindo o mérito da reclassificação fiscal pretendida, conforme se observa da seguinte planilha: (...) b) analisando os demonstrativos e as considerações apresentadas pela fiscalização, percebese que persistem erros na aplicação da multa prevista no art. 84 da MP 2.15835/2001; c) primeiramente, ressalva que a DI 0915559492 está equivocadamente tratada nas considerações, pois a multa aplicada nesse caso não foi de R$ 500,00, mas de R$ 673,32; d) em segundo lugar, observa que a fiscalização segue aplicando limitador da multa em desconformidade com os parâmetros legais, pois conforme anteriormente argumentado, entende que, nos termos do art. 69 da Lei 10.833/2003, a base de cálculo do limite de 10% da multa regulamentar somente irá coincidir com o valor total da DI quando a totalidade dos itens nela declarados for objeto de reclassificação fiscal, estando equivocado o entendimento do fisco de que essa base de cálculo é o valor total das mercadorias, desconsiderando que em uma mesma DI podem constar diversas outras mercadorias que não foram objeto de reclassificação; d) requer, mais uma vez, que na remota hipótese de vir a ser mantido o auto de infração, seja recalculada a multa regulamentar. A Dell Computadores do Brasil Ltda. apresentou Recurso Voluntário (fls 18578/18616), como preliminar defende que "O Auto de Lançamento combatido no presente Fl. 18633DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.634 15 processo encontrase maculado de nulidades insanáveis que vão desde a forma de apresentação dos demonstrativos de apuração dos lançamentos até o conteúdo de tais demonstrativos de apuração, que, por deficientes, impedem o contraditório e a ampla defesa da contribuinte" Defende a Recorrente que "é inadmissível a retificação do lançamento como pretendido no presente processo a partir da diligência determinada pelo Despacho nº 20 da 24ª Turma da DRJ/SPO e admitido pela decisão Recorrida, pois a dificuldade de acesso a documentos essenciais configura uma nulidade absoluta, não passível de ratificação. Inclusive, tal situação configura a lavratura do lançamento sem a presença de todos os seus requisitos legais, no caso em tela, sem o demonstrativo de cálculo do valor do crédito tributário, conforme determina o art. 11, inciso II do Decreto nº. 70.235/72". Afirma a Recorrente que as várias diligências realizadas após a lavratura do Auto de Infração, antes de convalidar o lançamento, confirmam a sua nulidade e ainda assevera que, mesmo com todas as diligências realizadas, remanescem substanciais erros de cálculo nos lançamentos referentes à multa regulamentar, não obstante todas as manifestações da Recorrente para que fossem corrigidos. Ainda em preliminar, defende a nulidade de todos os lançamentos porque não teria ocorrido o erro de fato que baseou a autuação fiscal. Afirma a Recorrente que "No Auto de Infração, a Fiscalização sustentou que a Recorrente teria realizado a descrição das placas de computador objeto do auto de infração de forma incorreta nas suas declarações de importação ("DIs"). Assim, em razão desse suposto erro de descrição (erro de fato), a Fiscalização teria se arvorado no direito (dever) de revisar as classificações fiscais realizadas e, assim, cobrar as diferenças de tributos e penalidades que entende cabíveis". Conclui que, não tendo ocorrido a descrição inexata das mercadorias, não houve erro de fato, sendo indevida a revisão de lançamento e da classificação fiscal e, portanto, devendo ser o Auto de Infração integralmente cancelado. No mérito, a Recorrente no qual apresenta as mesmas alegações e pedidos constantes da Impugnação. Ou seja, com exceção da mercadoria denominada "PlacasMãe", defende a classificação que consta das suas declarações de importação. Questiona a aplicação de multas, juros de mora e atualização monetária dos valores dos tributos em pauta. Requer, ao final, que o lançamento seja declarado nulo em face das preliminares levantadas e que seja julgado improcedente o auto de infração segundo as razões aduzidas. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Em preliminar, a Recorrente alega nulidade do auto de infração, porque prescindia de elementos essenciais, como planilha de apuração que lhe permitisse verificar os valores lançados. Contudo, observase que houve saneamento, com juntada das informações e documentos pertinentes, e se verificou também que a Recorrente teve plena ciência e ampla oportunidade de contraditar. Além disso, os valores lançados foram revistos e reduzidos em cerca de oitenta por cento. Dessa forma, entendese, na mesma linha da decisão recorrida, que o presente processo não padece de nulidade. Fl. 18634DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.635 16 Em relação ao mérito, a Recorrente realizou 8.649 declarações utilizando o código NCM 8473.30.49 (outros) e informou tratarse de placas controladoras. Na autuação, esses produtos foram redefinidos como e as respectivas classificações foram alteradas, da seguinte forma: 1) PLACA MÃE = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8473.30.41 – “placasmãe (mother board)”, com alíquotas de 12% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PIS Importação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Nesse caso, apesar de não haver diferença de tributos a ser exigida, houve o lançamento da multa regulamentar; 2) PLACA DE REDE = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8517.62.59 – “outros aparelhos para transmissão ou recepção de voz, imagem ou outros dados em rede com fio”, com alíquotas de 14% para o II (25% a partir de 05/05/2010), 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012); 3) PLACA DE MODEM = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8517.62.55 – “moduladores/demoduladores (modems)”, com alíquotas de 16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINS Importação (8,60% a partir de 01/08/2012). Neste caso, para referendar seu entendimento, o fisco cita a Solução de Consulta n° 19 SRRF09/Diana, de 28 de fevereiro de 2012; 4) PLACA DE VÍDEO = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8471.80.00 – “outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados”, com alíquotas de 16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Neste caso, para referendar seu entendimento, o fisco cita a Solução de Consulta n° 6 Coana, de 20/07/2009, fundada no Parecer nº 8471.80/2 da Organização Mundial da Aduanas (OMA), internalizado no Brasil pela IN RFB nº 873/08; 5) PLACA DE SOM = reclassificada da posição 8473.30.49 para a posição 8471.80.00 – “outras unidades de máquinas automáticas para processamento de dados”, com alíquotas de 16% para o II, 15% para o IPI, 1,65% para o PISImportação e 7,60% para a COFINSImportação (8,60% a partir de 01/08/2012). Neste caso, para referendar seu entendimento, o fisco cita o Parecer nº 8471.80/3 da OMA, internalizado no Brasil pela IN RFB nº 873/08. A Recorrente concordou com a classificação fiscal das placas mãe (impugnando a cobrança da multa respectiva) e impugnou as demais reclassificações. Alegou a Recorrente que não restou comprovado que os produtos importados como "placas controladoras" seriam de fato placas de vídeo, de áudio, de som e, inclusive, teriam a função de modem. Fl. 18635DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.636 17 Segundo a Recorrente, as placas importadas, embora tenham a função de estender a funcionalidade e o desempenho do computador, são especificadas para outras funções que não as de vídeo, áudio ou modem. Defende que as placas em questão não podem ser consideradas aparelhos, máquinas ou unidades, uma vez que não possuem uma finalidade própria, assim como não têm funcionalidade se não estiverem conectadas a um computador; alegou também essas placas não dispõem de invólucro ou gabinete, sendo que os seus circuitos e demais componentes ficam expostos, característica típica de "PARTES de máquinas e aparelhos". Contudo, para correta classificação dos produtos em pauta, necessário buscar respaldo na "regra das partes", ditada pela Nota 2 da Seção XVI, nos seguintes termos: 2. Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artigos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificamse de acordo com as regras seguintes: a) As partes que constituam artigos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluemse nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificamse na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artigos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificamse na posição 85.17; c) As outras partes classificamse nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38, conforme o caso, ou, não sendo possível tal classificação, nas posições 84.87 ou 85.48. Para as placas de rede, placas de modem, placas de vídeo e placas de som, é empregada a alínea "a" dessa Nota 2. Ou seja, as partes que sejam artigos já descritos ou compreendidos em qualquer posição dos Capítulos 84 e 85, classificamse nessa posição. Dessa forma, correta a classificação constante do Auto de Infração, nos seguintes termos: placa mãe 8473.30.41 placa de rede 8517.62.59 placa de modem 8517.62.55 placa de video 8471.80.00 placa de som 8471.80.00 Fl. 18636DF CARF MF Processo nº 11487.720010/201399 Acórdão n.º 3301004.095 S3C3T1 Fl. 18.637 18 Com relação à placa de rede (código 8517.62.59), existem, inclusive, Soluções de Consulta emitidas pelas 9ª e 10ª Regiões Fiscais, todas alinhadas nesse mesmo código NCM: Solução de Consulta SRRF 9ª RF nº 32/2014 8517.62.59 Aparelho para conversão de dados em rede com fio, próprio para conectar um equipamento serial (RS232) a uma rede local (LAN), convertendo o padrão de comunicação serial RS232 em TCP/IP, compatível com a Ethernet versão 2.0/ IEEE 802.3, com endereçamento IP estático, e com suporte aos protocolos TCP/IP, HTTP, ICMP e ARP, denominado comercialmente "placa TCP/IP". Solução de Consulta SRRF 10ª RF nº 42/2008 8517.62.59 Placa de circuito impresso com componentes elétricos e eletrônicos e um conector tipo DB25, padrão PCI, para comunicação serial síncrona em rede por fio (protocolos V.35, V.36, V.28, X.21, RS422, RS449, EIA530 e EIA530A), própria para montagem em microcomputadores, comercialmente denominada "Placa PCI com uma interface V.35" Solução de Consulta SRRF 10ª RF nº 43/2008 8517.62.59 Placa de circuito impresso com componentes elétricos e eletrônicos e dois conectores tipo RJ45, padrão PCI, para comunicação serial síncrona em rede por fio (protocolo G.703 duas portas E1), própria para montagem em microcomputadores, comercialmente denominada "Placa PCI G.703 para comunicação Link E1" Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário e negar provimento ao Recurso de Ofício. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 18637DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901105/2014-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 05 /2 01 4- 03 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901105/201403 Acórdão n.º 1402003.067 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901105/201403 Acórdão n.º 1402003.067 S1C4T2 Fl. 4 3 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901105/201403 Acórdão n.º 1402003.067 S1C4T2 Fl. 5 4 DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901105/201403 Acórdão n.º 1402003.067 S1C4T2 Fl. 6 5 Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901105/201403 Acórdão n.º 1402003.067 S1C4T2 Fl. 7 6 Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13888.901105/201403 Acórdão n.º 1402003.067 S1C4T2 Fl. 8 7 Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 53DF CARF MF
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