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Numero do processo: 10768.005837/2003-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE HOMOLOGAÇÃO.
O prazo de que dispõe o Fisco para homologação, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, é de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação, independentemente da data de constituição dos débitos que se pretende compensar.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VINCULAÇÃO.
Existindo procedimento administrativo próprio vinculado ao Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, aplica-se às Declarações de compensação a ele vinculadas, o resultado obtido acerca da existência ou não do crédito postulado.
Numero da decisão: 3201-004.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE HOMOLOGAÇÃO. O prazo de que dispõe o Fisco para homologação, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, é de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação, independentemente da data de constituição dos débitos que se pretende compensar. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VINCULAÇÃO. Existindo procedimento administrativo próprio vinculado ao Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, aplica-se às Declarações de compensação a ele vinculadas, o resultado obtido acerca da existência ou não do crédito postulado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE HOMOLOGAÇÃO. O prazo de que dispõe o Fisco para homologação, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, é de cinco anos contados da data da entrega da declaração de compensação, independentemente da data de constituição dos débitos que se pretende compensar. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. VINCULAÇÃO. Existindo procedimento administrativo próprio vinculado ao Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, aplicase às Declarações de compensação a ele vinculadas, o resultado obtido acerca da existência ou não do crédito postulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 58 37 /2 00 3- 88 Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10768.005837/200388 Acórdão n.º 3201004.059 S3C2T1 Fl. 885 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1321.885, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II (RJ), que assim relatou o feito: A empresa acima identificada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 62/72) contra o despacho decisório da DERAT/RJO (fls. 53/54), que não homologou a Declaração de Compensação de fls.01, onde a interessada pretende a extinção do débito relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, relativamente aos PA's 03/2003 e 04/2003, no valor de R$ 52.031,28 e R$ 60.811,53, respectivamente, com crédito proveniente do pagamento a maior da contribuição ao PIS relativo aos períodos ' de apuração de janeiro a dezembro de 1991, requerido no processo administrativo 10768.002730/200388. Na data de 18 de junho de 2008, sobreveio o despacho decisório de fls. 54 pelo qual a DERAT/RJO indeferiu a compensação perpetrada pelo contribuinte, por inexistência de crédito a compensar, tendo em vista pleito anterior formulado acerca do mesmo direito creditório, formulado no processo administrativo acima referendado, objeto de decisão denegatória por parte da autoridade local. O interessado contesta o despacho decisório que indeferiu seu pleito argumentando, em síntese às fls.62/72, que: 1. Deverá ser reconhecido pelo órgão julgador o efeito suspensivo da presente Manifestação de Inconformidade, suspendendo a exigibilidade do débito em cobrança até, decisão final, com o conseqüente recolhimento e anulação da carta de Cobrança remetida; , 2. A matéria de mérito que fundamenta o crédito utilizado pelo contribuinte para a compensação declarada neste processo está sendo discutida no processo 10768.002730/2003 88, que ainda não tem julgamento definitivo na esfera administrativa, face Recurso Especial protocolado em 15/07/2008, à Câmara Superior de Recursos Fiscais; 3. A recorrente, na forma da lei, esteve sujeita ao recolhimento da contribuição 1, ao Programa de Integração Social — PIS, instituído pela Lei Complementar n° 7/70, alterado posteriormente pelos Decretosleis 2.445, de 29/06/1988 e 2.449, de 21/07/1988 e, em obediência a essa obrigatoriedade, recolheu os valores conforme DARF's acostados ao processo; Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10768.005837/200388 Acórdão n.º 3201004.059 S3C2T1 Fl. 886 3 4.Posteriormente, restou pacificado o entendimento de que as Empresas que haviam recolhido o tributo segundo as normas vigentes à época, o teriam feito indevidamente, culminando com o advento da 36a reedição da MP 1.621, em 12/05/1998, que passou a permitir a restituição desta exação a requerimento do contribuinte; 5. É nosso entendimento que de acordo com o art.168, inciso I, do Código Tributário Nacional, o termo inicial do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário começa a fluir a partir da data da decisão ou ato que cria efeito erga omnes, fazendose valer para todos; 6. Neste caso, temse a data da publicação da 36 a Edição da MP 1.621, em 12/06/1998, como marco inicial para contagem do prazo prescricional, visto até a presente data, ato executivo, quais sejam as inúmeras edições da MP 1.110/95, vedavam expressamente a restituição pretendida; 7. Não faltam razões para a reforma do despacho guerreado, visto ter o contribuinte direito ao crédito utilizado para compensação, advindo de pagamento de tributo' cobrado indevidamente com base em Lei declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; Junto com a manifestação de inconformidade, a interessada apresentou cópia de Procuração e Atas de Reunião do Conselho de Administração e da Assembléia Geral I Extraordinária. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991 CRÉDITOS EM COMPENSAÇÃO. PEDIDO ANTERIOR. O sujeito passivo poderá utilizar, na compensação de débitos próprios relativos aos tributos e contribuições administrados pela RFB, créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento encaminhado a RFB, desde que referido pedido se encontre pendente de decisão administrativa à data do encaminhamento da "Declaração de Compensação". PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO TERMO INICIAL O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10768.005837/200388 Acórdão n.º 3201004.059 S3C2T1 Fl. 887 4 inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, conforme preceitua o art 150, § 1° do CTN. Compensação não Homologada Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Em primeira análise do feito por este CARF, foi lavrada a Resolução nº 3201000.300, de 24/01/2012 (fls. 199 e seguintes eprocesso), solicitando diligência nos seguintes termos: O presente processo discute a não homologação da compensação de COFINS pretendida, sob fundamento de prescrição do crédito proferida nos autos do processo 10768.002730/200388. Entretanto, da análise dos autos, não há comprovação da decisão proferida no referido processo, fato necessário para o julgamento da lide. Diante do exposto, voto por ser realizada diligência para que a autoridade preparadora junte aos autos informação sobre o processo 10768.002730/200388, bem como cópia de eventual decisão proferida sobre o recurso especial interposto pela recorrente e de seu eventual trânsito em julgado. Realizadas as diligências, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para julgamento. Em cumprimento à diligência solicitada, foi juntada aos autos a cópia do processo de restituição nº 10768.002730/200388 (fls. 215 a 432) e elaborada a Informação Fiscal de fl. 437 relatando o trâmite processual daquele feito. Após a referida diligência, os autos retornaram a este CARF e foram a mim redistribuídos por sorteio, pelo fato do antigo Relator não mais integrar este colegiado. Quando do recebimento dos autos para relatório, tendo sido observada, em consulta ao sítio deste CARF, a notícia de prolação de decisão nos autos do processo de restituição nº 10768.002730/200388 em 15/08/2013, contudo, sem a disponibilização do respectivo acórdão nº 9303002.403, foi proferido o Despacho de Saneamento de fls. 569/571, nos seguintes termos: Desse modo, conforme noticiado, no momento da manifestação fiscal, ainda não havia decisão definitiva de mérito nos autos do processo de restituição nº 10768.002730/2003 88. Em consulta realizada ao sítio deste CARF, observase a notícia de prolação de decisão nos autos do processo de restituição nº Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10768.005837/200388 Acórdão n.º 3201004.059 S3C2T1 Fl. 888 5 10768.002730/200388 em 15/08/2013, que recebeu o nº 9303 002.403. Contudo, não está disponível para consulta a íntegra da referida decisão. Salientase que esta Relatora não possui acesso amplo aos processos no âmbito do eprocesso, tendo sua consulta limitada exclusivamente aos processos aptos para julgamento no âmbito desta Turma. Assim, considerando que a decisão no presente processo de compensação nº 10768.005837/200388 está essencialmente vinculada à decisão proferida nos autos do processo de restituição nº 10768.002730/200388, para efetivo cumprimento da Resolução exarada por esta Turma, e, consequentemente, a prolação de decisão de mérito, é necessária a instrução complementar do presente feito. Desse modo, determino a devolução dos autos à SECAM para que providencie a coleta de informações processuais relativas ao processo de restituição nº 10768.002730/2003 88, apresentando, especialmente, o inteiro teor da decisão 9303 002.403, supostamente proferida em 15/08/2013, e informações quanto ao seu trânsito em julgado, juntando a este autos as cópias pertinentes. Após a instrução requerida, que seja feita a devolução dos autos para relatório e voto. Em cumprimento ao solicitado, foram juntadas aos autos as cópias de fls. 5739 e seguintes, relativas ao processo de restituição nº 10768.002730/200388. Após, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Não obstante o extenso relatório, podese sintetizar a questão do seguinte modo: O presente processo nº 10768.005837/200388 controla Pedido de Compensação de débitos de COFINS, cujo crédito utilizado é objeto de Pedido de Restituição controlado pelo processo nº 10768.002730/200388 (PIS Decretos). Logo, a eventual homologação das compensações aqui controlada está diretamente vinculada ao reconhecimento do crédito utilizado. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10768.005837/200388 Acórdão n.º 3201004.059 S3C2T1 Fl. 889 6 Conforme cópias juntadas aos presentes autos, notadamente o Acórdão nº 9303002.403 de 15 de agosto de 2013, o referido crédito foi negado nos autos do Pedido de Restituição controlado pelo processo nº 10768.002730/200388: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1991 a 31/12/1991 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, conforme a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO Assim, ante o resultado lá obtido, pelo não reconhecimento do direito creditório, as compensações controladas no presente feito não podem ser homologadas, por inexistência de crédito, devendo ser mantida a decisão recorrida. Em que pesem os argumentos despendidos em sede de Recurso Voluntário acerca da legitimidade do crédito postulado, tal discussão está restrita ao processo de crédito, não podendo ser renovada em sede de procedimento em que se discute exclusivamente a compensação. Quanto à alegação de prescrição (homologação tácita), melhor sorte não socorre à Recorrente, posto que o prazo de que dispõe o Fisco para examinar os Pedidos de Compensação apresentados pelos contribuintes é de 5 (cinco) anos contados da sua transmissão, nos termos do art. 74, §5º da Lei nº 9.430/96, e não da data de constituição dos débitos que se pretende compensar. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 889DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.930434/2009-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 04 34 /2 00 9- 78 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade em face do despacho decisório que não homologou a compensação declarada, diante da inexistência de crédito, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Não é possível compensar estimativa por meio de PER/DCOMP entre 29/10/2004 e 31/12/2008, nos termos da legislação tributária." Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Tratase de Despacho Decisório [...] que não reconheceu o direito creditório, cujo valor inicial original seria de R$ 337.538,92, pleiteado por meio de PER/DCOMP [...]. O crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL) por meio do DARF do período de apuração de 30/06/2003, com data de arrecadação de 19/12/2003, no valor total de R$ 337.538,92(incluindo multa de mora e juros de mora), pois o valor do DARF discriminado no PER/DCOMP em tela já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e portanto, não homologou a compensação com débito no valor total original de R$ 4.813,76(mais multa de mora e juros de mora) declarado no mesmo PER/DCOMP[...]. A manifestação de inconformidade [...] foi apresentada pelos procuradores [...] acompanhada de cópias de Despacho Decisório, DARF, DCTF e DIPJ [...]. Alega “que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido”. Diz que o Despacho Decisório data de 20/04/2009, cerca de 4 anos após a entrega do PER/DCOMP, e que a empresa não teve “conhecimento desta incorreção comprovada pela certidão negativa em anexo.”. Diz, também, que o “não cancelamento dos débitos citados no despacho decisório ... trará enorme prejuízo a empresa uma vez que o crédito tributário utilizado na Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 4 3 compensação já se encontra prescrito.” (sic). Por esses motivos, solicita a exclusão dos débitos constantes neste despacho decisório.”. É o relatório." Inconformada com o Acórdão da DRJ/SP1, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito para a reforma da decisão da Instância a quo: (A) Quanto à possibilidade de compensação de estimativa mediante PER/DCOMP · Caso se entenda que supostamente não seria possível a compensação de estimativa por meio de PER/DCOMP porque no período de 29/10/2004 a 31/12/2008 não havia legislação permitindo expressamente tal procedimento, requer a Recorrente seja aplicada retroativamente a IN 900/2008, em obediência ao art. 106, II, "c", do CTN, que consagra o principio da aplicação da lei mais benéfica ao contribuinte. (B) Violação ao princípio da verdade material · A Recorrente realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. · É imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. (C) Ofensa aos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade · o v. acórdão ora recorrido ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo, portanto, ser reformado. Como destacado, todas as retificações necessárias foram realizadas pela Recorrente e demonstram que o crédito existente é suficiente para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Foge à razoabilidade a não extinção de débito mediante compensação de estimativa sob o simples argumento de que o procedimento não seria o correto, muito embora a existência de crédito seja manifesta. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.362, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.930429/2009 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.362): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 6 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 7 6 a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 8 7 das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 9 8 Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 10 9 final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 11 10 bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADNSRF n° 3, de 2000; INRFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Porém, apenas em tese assiste razão ao recorrente em suas alegações, haja vista que teve seu pedido de restituição indeferido, pois, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. No acórdão de 1ª Instância, concluise que as estimativas recolhidas de março e de abril devem ter sido apuradas em conformidade com as leis comerciais e fiscais. Na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal, se houvesse o devido permissivo legal. A Recorrente alega que realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, argumenta que não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. O Recorrente argumenta que é imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. Não assiste razão ao Recorrente em suas alegações, pois a mera retificação de DIPJ e DCTF não confirmam o crédito alegado, que já foi objeto de procedimento fiscal. No presente voto, adotase o mesmo entendimento do acórdão recorrido, ou seja, na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal. A comprovação do crédito, através da demonstração de erro no balancete de suspensão/redução é condição Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.930434/200978 Acórdão n.º 1402003.393 S1C4T2 Fl. 12 11 imprescindível para a homologação do Per/Dcomp, não se caracterizando como "formalidade processuais extravagante". Portanto não deve prosperar a alegação de ofensa ao princípio da verdade material. Da mesma forma devem ser afastada a alegação de ofensa ao princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois as retificações de declarações não são suficientes para demonstrar a existência do crédito para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 86DF CARF MF
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Numero do processo: 15582.000202/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
PIS/COFINS - BASE DE CÁLCULO - EMPRESA IMPORTADORA
Compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, observado, a partir de agosto de 2001, o disposto no art. 81 da MP nº 2.158-35/2001, atendidos os requisitos fixados nas normas regulamentadoras editadas pela RFB.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
PIS/COFINS - BASE DE CÁLCULO - EMPRESA IMPORTADORA -
Compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, observado, a partir de agosto de 2001, o disposto no art. 81 da MP nº 2.158-35/2001, atendidos os requisitos fixados nas normas regulamentadoras editadas pela RFB.
Numero da decisão: 3401-005.356
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PIS/COFINS - BASE DE CÁLCULO - EMPRESA IMPORTADORA Compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, observado, a partir de agosto de 2001, o disposto no art. 81 da MP nº 2.158-35/2001, atendidos os requisitos fixados nas normas regulamentadoras editadas pela RFB. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PIS/COFINS - BASE DE CÁLCULO - EMPRESA IMPORTADORA - Compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, observado, a partir de agosto de 2001, o disposto no art. 81 da MP nº 2.158-35/2001, atendidos os requisitos fixados nas normas regulamentadoras editadas pela RFB.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PIS/COFINS BASE DE CÁLCULO EMPRESA IMPORTADORA Compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, observado, a partir de agosto de 2001, o disposto no art. 81 da MP nº 2.15835/2001, atendidos os requisitos fixados nas normas regulamentadoras editadas pela RFB. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 2. 00 02 02 /2 00 9- 71 Fl. 2962DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.963 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 2821 e seguintes) contra decisão da 17ª Turma da DRJ/RJ1, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de dois Autos de Infração, exarados pela DRF Vitória, em 02.01.2007, referente aos valores de falta de recolhimento da Cofins, períodos de apuração compreendidos entre os meses 01 a 12/2002 (primeiro auto de infração) e falta de recolhimento da contribuição para o PIS, período de 01 a 12/2002 (segundo auto de infração) Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 660 e 2052) de: R$621.467,36 (seiscentos e vinte e um mil, quatrocentos e sessenta e sete reais e trinta e seis centavos) mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$1.550.584,59 (um milhão, quinhentos e cinquenta mil, quinhentos e oitenta e quatro reais e cinquenta e nove centavos), referente à Cofins; R$131.690,51 (cento e trinta e um mil, seiscentos e noventa reais e cinquenta e um centavos) mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$328.775,93 (trezentos e vinte e oito mil, setecentos e setenta e cinco reais e noventa e três centavos), referente ao PIS. Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: Fl. 2963DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.964 3 A fiscalizada encontrase cadastrada no sistema FUNDAP Fundo para o Desenvolvimento das Atividades Portuárias, junto ao Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo S.A — BANDES, programa implementado pelo Governo do Espirito Santo, visando entre outras coisas, ampliar a renda do setor terciário do Estado, através do incremento e diversificação do intercâmbio comercial com o exterior. A partir das informações prestadas pela fiscalizada por meio das planilhas de folhas 31 e 32, confrontou os valores apurados do PIS e da COFINS, com os valores declarados em DCTF e com os valores recolhidos, tendo sido constatada falta de recolhimento dessas contribuições, conforme demonstrativos de folhas 29 e 30. A fiscalizada não admite a condição de contribuinte relativamente ao PIS e à Cofins nas operações de importação de mercadorias por conta e ordem de terceiros. Entretanto, a análise dos documentos que acobertaram as importações por conta e ordem de terceiros demonstra que a fiscalizada, na verdade, é a proprietária das mercadorias que importou na rubrica "por conta e ordem", uma vez que realiza a importação em seu nome, promove o desembaraço e nacionaliza a mercadoria, recolhe todos os tributos e encargos devidos, registra contabilmente o valor da operação como receita de venda que é, transfere a propriedade da mercadoria mediante pagamento aos contratantes com valor que engloba o preço da mercadoria, tributos e taxas etc, e por último emite duplicatas e faturas para efetivar a transação comercial. Os artigos 80 e 81 da MP 215835/2001, vigentes no período em apreço, disciplinaram a incidência do PIS e da Cofins nas importações realizadas por conta e ordem de terceiros e incumbiram a Receita Federal do estabelecimento de requisitos e condições para o efetivo controle fiscal dessas operações. Assim, dispondo sobre a matéria foram editadas as Instruções Normativas SRF n° 75, de 13 de setembro de 2001, a de n° 98, de 05 de dezembro de 2001, e o Ato Declaratório Interpretativo n° 07, de 13 de junho de 2002, que assim dispôs: Art. 2ºPara que se caracterize a aquisição, pela empresa comercial importadora, da propriedade das mercadorias importadas, é suficiente que ocorra uma das seguintes hipóteses em que a referida empresa: I conste como adquirente no contrato de câmbio; II conste como adquirente na fatura internacional (invoice); III emita nota fiscal de entrada ou de saída a título de compra ou venda; ou IV contabilize a entrada ou a saída da mercadoria importada como compra ou venda. No caso em análise, a fiscalizada deixou de atender todos os incisos do artigo 2° do ADI n° 07/2002. A norma estipula, ainda que, caso tais requisitos não sejam cumpridos pelo contribuinte, as importações efetuadas por conta e ordem, relativamente à tributação do PIS e da COFINS seguirão a regra, geral, ou seja, serão tributadas na. pessoa do importador da mercadoria, aquela que contrata câmbio em seu nome; promove o desembaraço aduaneiro; emite notas fiscais de entrada em nome do estabelecimento e de saída das mercadorias. Visto que a fiscalizada não declarou nem efetuou os recolhimentos dos valores devidos referentes ao PIS e a COFINS incidentes sobre o faturamento Fl. 2964DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.965 4 correspondente as vendas das mercadorias importadas no período de 2002, cabe à Receita Federal exigir, de oficio, sua cobrança. Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 10.01.2007 (fl.668), e interpôs impugnação, em 09.02.2007 (fls.671 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: Na importação "por conta e ordem de terceiros" a empresa importadora não age com intuito comercial, haja vista que ao final da operação simplesmente restitui o bem importado para quem o adquiriu no mercado externo e cobriu todos os gastos necessários sua nacionalização, isto é, o "terceiro" (logicamente é impróprio pensar que alguém venderia o que não lhe pertence!); Se na importação "por conta própria" a vantagem econômica se expressa no lucro extraído pelo importador com a venda do bem importado no mercado brasileiro; na importação "por conta e ordem de terceiros" o ganho é obtido com a remuneração dos serviços executados pelo importador para que a importação do produto adquirido pelo "terceiro", no estrangeiro, seja bem sucedida; (...) Notese que para documentar tais restituições a impugnante emitiu notas fiscais de saída utilizandose exatamente do código 6.99 (CFOP), condizente as simples saídas de produtos sem caráter comercial, assim aqueles importados nas operações "por conta e ordem de terceiros", coerentemente, inclusive, com as entradas dos bens em seu estabelecimento que foram associadas ao código 3.99 (CFOP). Notese, nesse sentido, que a fiscalização equivocouse completamente ao interpretar as aparências externas das operações, pois assinalou que a impugnante teria figurado em documentos ("invoices" e conhecimentos de embarque) relacionados às importações "por conta e ordem de terceiros" realizadas em 2002 na condição de "compradora", malgrado tais escritos não contenham tal informação ou assinalem expressamente que a empresa despontou nos aludidos negócios como simples recebedora dos produtos. A fiscalização equivocouse, ainda, ao associar a emissão de duplicatas pela impugnante à realização de faturamento, ignorando o fato de que foram expedidas para o fechamento da contabilidade das Operações, uma vez que sem elas não haveria qualquer escrito para justificar os registros dos respectivos valores nos livros da empresa, exigido pelo principio documental da contabilidade. E mais: demonstrando grande desconhecimento quanto à sistemática do FUNDAP, a fiscalização invocou o fechamento de contratos de câmbio, pela impugnante, como indicio de que a mesma é que teria adquirido os produtos importados "por conta e ordem de terceiros" ao longo de 2002, não obstante a normativa do Banco Central do Brasil é que faculte a implementação de tal providência por empresas integradas ao citado incentivo. A fiscalização reconhece que as importações "por conta e ordem de terceiros" procedidas em 2002 não acarretavam exigências de Cofins para o importador, posto Fl. 2965DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.966 5 haver certificado em seu relatório que o artigo 81 da Medida Provisória 2.15835/01; que as disposições das Instruções Normativas SRF 75 e 98 ambas de 2001 18; e ainda que o Ato Declaratório Interpretativo SRF 07/2002 declararam a impossibilidade de se associar a exigência da contribuição mencionada a tais operações. Interessante dizerse ainda que tais textos foram expedidos após a emissão do Parecer n. 1.316/01 da Procuradoria Geral da Fazenda Naciona120 , que analisou e atestou a perfeição da Nota COSIT n. 579, de 25/08/200021 , a qual se posicionou no sentido de não ser possível exigir o Pis e a Cofins nas importações "por conta e ordem de terceiros" realizadas no ámbito do FUNDAP. Diante de tal reconhecimento cumpria averiguar o atendimento de meras formalidades pela impugnante, as quais a fiscalização estranhamente reputou descumpridas com afirmação pautada no artigo 2° do Ato Declaratório Interpretativo SRF 07/2002. Entretanto, os documentos anunciados no artigo 2° do Ato Declaratório lnterpretativo SRF 07/2002, coletados pela fiscalização para instrumentar o presente processo administrativo, não confirmam a afirmação de que neles está evidenciada a qualidade da impugnante de "compradora" de produtos no mercado externo (situação peculiar as importações "por conta própria"). Observese primeiramente que todas as cópias das "invoices" (faturas internacionais) juntadas pela fiscalização ao presente feito, relacionadas às fl. 654 dos autos, que inauguram as documentações das importações "por conta e ordem de terceiros", apontam para a impugnante como importadora ou recebedora dos produtos, e para a cliente desta, isto é, a "terceira" como compradora dos mesmos. (...) No que concerne aos contratos de câmbio, é suficiente salientar que a impugnante figurou em alguns deles como compradora em razão de seu nome constar associado ao negócio por força de sua condição de importadora. Isso se explica pelo fato de excepcionalissimamente as empresas atuantes no FUNDAP a exemplo da impugnante haverem sido expressamente investidas pelo Banco Central do Brasil da prerrogativa de realizar os fechamentos dos câmbios das operações, nada obstante assim o façam com recursos recebidos dos "terceiros", isto é, dos clientes que realizaram as compras dos produtos no mercado externo. Finalmente, é necessário observar que a impugnante apenas incluiu as operações "por conta e ordem de terceiros" na conta contábil referente à receita bruta operacional em vista do plano de contas ordinária e genericamente adotado pelas empresas não dispor de conta especifica para a efetivação dos registros dos valores referentes a tais negócios. Entretanto, a impugnante especificou que os .valores . registrados referiamse às operações "por conta e ordem de terceiros", e não às importações "por conta própria", objeto de conta especifica. De qualquer modo, escrita contábil não constitui fato gerador de PIS/Cofins, sobretudo se, substancialmente, as operações "por conta e ordem de terceiros" continham elementos que nelas certificavam as inocorrências de faturamentos. Fácil concluirse, portanto, que a impugnante observou todos os itens assinalados no artigo 2° do Ato Declaratório Interpretativo SRF 07/2002, impondo ao Fisco (i) o reconhecimento irrestrito da realização de importações "por conta e Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.967 6 ordem de terceiros" pela empresa em 2002 e, via reflexa, a (ii) admissão da não incidência de PIS/Cofins sobre as situações a elas relacionadas. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acordão 1253.187 (fls 2795 e seguintes), exarado pela 17ª Turma da DRJ/RJ1, em 25.02.2013, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 12.03.2013 (fl.2813 ), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 PIS/COFINS BASE DE CÁLCULO EMPRESA IMPORTADORA Compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pelo estabelecimento importador as receitas decorrentes da venda de mercadorias importadas, concretizada com a emissão da respectiva nota fiscal de venda, ainda que haja prévia definição do adquirente, observado, a partir de agosto de 2001, o disposto no art. 81 da MP nº 2.15835/2001, atendidos os requisitos fixados nas normas regulamentadoras editadas pela RFB. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação: É o relatório. . Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado, Relator Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.968 7 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acordão ocorreu em 12.03.2013 (flS.2.813),e o Recurso Voluntário foi protocolado em 11.04.2013 (fls 2821 e seguintes) , e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito A questão substantiva a ser deslindada no presente Recurso é se, dadas as evidências acostadas no auto de infração, a contribuinte não teria atendido os requisitos exigidos pelas normas infralegais para deixar de recolher PIS/COFINS sobre os valores registrados como receita decorrente de operações de importação por conta e ordem. Assim previu a Medida Provisória 2.15835/2001: Art. 81.Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Já a Instrução Normativa Normativa 75/2001, ao regulamentar a aplicação no âmbito da Receita Federal, estabeleceu regras objetivas para o cumprimento do entendimento exarado quando da emissão do Parecer PGFN 1.316/2001: Art. 1o No caso de importação efetuada por pessoa jurídica importadora, por conta e ordem de terceiro, a receita bruta para efeito de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) corresponde ao valor: I dos serviços prestados ao adquirente, na hipótese da pessoa jurídica importadora contratada; e II da receita auferida com a comercialização da mercadoria importada, na hipótese do adquirente por encomenda. § 1o Entendese por adquirente, para os efeitos desta Instrução Normativa, a pessoa jurídica encomendante da mercadoria importada. § 2o As normas de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive nas hipóteses de alíquotas diferenciadas, aplicáveis à receita bruta de importador, aplicarseão à receita bruta do adquirente, decorrente da venda de mercadoria importada na forma deste artigo. Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.969 8 Art. 2o O disposto no art. 1o aplicase, exclusivamente, às operações de importação que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente por encomenda, caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros; II os registros fiscais e contábeis da pessoa jurídica importadora deverão evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; III a nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador deverá ser emitida pelo mesmo valor constante da nota fiscal de entrada, acrescido dos tributos incidentes na importação. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o documento referido no inciso III do caput não caracteriza operação de compra e venda. § 2o A importação e a saída, do estabelecimento importador, de mercadorias em desacordo com o disposto neste artigo caracteriza compra e venda, sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com base no valor da operação. Nesse cenário, a Recorrente veio a desconsiderar os valores escriturados como receita de venda de produtos importados sob a alegação de que se tratavam de operações de importação por conta e ordem de terceiros, a despeito de não haver cumprido os requisitos previstos nas normas acima previstas, entendendo que elas não teriam o condão de estabelecer reqiusitos obrigatórios. Contudo, não comungo desse entendimento. Isso porque, pareceme claro que tais Instruções Normativas são normas instrutoras das condições sine qua non para usufruir da exclusão da incidencia de PIS/COFINS, legitimada pela própria MP 2.15835/2001. Assim foi a racional exprimida da decisão ora recorrida: Alega a impugnante sua condição de empresa vinculada ao FUNDAP, e que as receitas decorrentes das operações de importação por ela realizada não são base de cálculo do PIS e da COFINS, por serem relativas a operações por conta e ordem de terceiros, acordadas em contrato específico. Inicialmente, cabe esclarecer a atividade praticada pela autuada, considerando as informações constantes do presente processo. A empresa, conforme Contrato Social de fl. 09, tem por objeto social a importação e exportação de bens e mercadorias em geral, e consultoria de Importação e Exportação. (...) A legislação federal que trata da importação por conta e ordem de terceiro sofreu, a partir de agosto de 2001, enorme modificação com a edição da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a qual, em seus artigos 80 e 81, dispunha que: Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.970 9 I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e; II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. O artigo 81, como se vê, equiparou a pessoa jurídica contratante à figura do importador, especificamente para a situação em questão e para a apuração das contribuições sociais. Em conseqüência de tal alteração e, ainda, das conclusões do Parecer PGFN/CAT nº 1.316, de 9 de julho de 2001, a SRF editou a IN nº 75, de 13 de setembro de 2001, a qual dispõe que: Art. 1º. No caso de importação efetuada por pessoa jurídica importadora, por conta e ordem de terceiro, a receita bruta para efeito de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) corresponde ao valor: I – dos serviços prestados ao adquirente, na hipótese da pessoa jurídica importadora contratada; e II – da receita auferida com a comercialização da mercadoria importada, na hipótese do adquirente por encomenda. § 1º Entendese por adquirente, para os efeitos desta Instrução Normativa, a pessoa jurídica encomendante da mercadoria importada. Art. 2º. O disposto no art. 1o aplicase, exclusivamente, às operações de importação que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I – contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente por encomenda, caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros; II – os registros fiscais e contábeis da pessoa jurídica importadora deverão evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; III – a nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador deverá ser emitida pelo mesmo valor constante da nota fiscal de entrada, acrescido dos tributos incidentes na importação. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o documento referido no inciso III do caput não caracteriza operação de compra e venda. § 2º A importação e a saída, do estabelecimento importador, de mercadorias em desacordo com o disposto neste artigo caracteriza compra e venda, sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com base no valor da operação. A norma acima foi editada, conforme especificado em seu próprio texto, tendo em vista a alteração procedida pelo artigo 81 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, uma vez que anteriormente a ele não havia base legal que fundamentasse tal entendimento. Portanto, não se trata de norma meramente interpretativa, pois tem Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.971 10 como fundamento legal expressamente o referido artigo 81, o qual criou hipótese de exclusão à norma geral de incidência da COFINS e do PIS, na medida em que passou a aplicar ao contratante as normas relativas à apuração da contribuição devida sobre as receitas do importador. Devese notar, no entanto, que o artigo 2º da IN/SRF nº 75/2001 estipula determinados requisitos, os quais devem ser atendidos, cumulativamente, pela operação de importação, para que a ela possa ser aplicada à sistemática prevista na nova norma. Caso a operação esteja em desacordo com tais requisitos, será considerada como compra e venda normal, sujeita à incidência das contribuições. Desta forma, fica claramente caracterizado o caráter não interpretativo da citada norma, na medida em que estabelece condições não previstas anteriormente, conforme autorizado pelo artigo 80I da Medida Provisória nº 2.15835/2001, exigíveis, por conseguinte, somente nas operações efetuadas a partir de sua edição. Quando tais requisitos não são atendidos, a tributação pelo PIS/Cofins da operação de importação segue a regra geral aplicada anteriormente à modificação implementada pelo artigo 81 ou seja, a contribuição é devida pelo importador da mercadoria, aquele que efetua o seu desembaraço e recolhe os tributos aduaneiros. O disposto na norma citada, portanto, deixa clara a mudança por ela implementada, estabelecendo condições anteriormente inexistentes, cujo atendimento é necessário para que o contribuinte se beneficie da nova hipótese legal, a qual caracteriza exceção à regra geral, que volta a ser aplicada em caso de não observação dos requisitos. Sobre as operações de importação em análise, também dispõem a IN/SRF nº 98, de 5 de dezembro de 2001 e o Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 7, de 13 de junho de 2002, o seguinte: IN/SRF nº 98/2001 Art. 2o Em virtude do disposto no artigo anterior, a pessoa jurídica importadora deve: I emitir, na data em que se completar o despacho aduaneiro das mercadorias, nota fiscal de entrada na qual deverão ser informados: a) as quantidades e os valores unitários e totais das mercadorias, assim entendidos os valores constantes da fatura comercial, expressos em moeda estrangeira convertidos em reais pela cotação, para compra, divulgada pelo Banco Central do Brasil no dia anterior ao da emissão da nota fiscal de entrada; b) em linhas separadas, o valor de cada tributo incidente na importação; II registrar na sua escrituração contábil, em conta específica, o valor das mercadorias importadas por conta e ordem de terceiros, pertencentes aos respectivos adquirentes; III registrar, no Livro Registro de Inventário, sob títulos específicos, as mercadorias referidas no inciso anterior, que ainda estiverem sob sua guarda na data do levantamento de balanço correspondente a encerramento de período de apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido; Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.972 11 IV emitir, na data da saída das mercadorias de seu estabelecimento, nota fiscal de saída tendo por destinatário o adquirente, na qual deverão ser informados: a) as quantidades e os valores unitários e totais das mercadorias, assim entendidos os valores expressos em reais apurados de conformidade com o disposto na alínea "a" do inciso I, acrescidos do valor dos tributos incidentes na importação; b) o destaque do valor do ICMS incidente na saída das mercadorias do estabelecimento da pessoa jurídica importadora, calculado de conformidade com a legislação aplicável. c) o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, calculado sobre o valor da operação de saída; V emitir, na mesma data referida no inciso anterior, nota fiscal de serviços, tendo por destinatário o adquirente, pelo valor cobrado a título de serviços prestados para a execução da ordem emanada do adquirente. Parágrafo único. Na nota fiscal de serviços dever constar o número das notas fiscais de saída das mercadorias a que corresponder os serviços prestados. Art. 3o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas operações de que trata esta Instrução Normativa será: I o valor dos serviços prestados referido no inciso V do art. 2o, no caso do importador da mercadoria por conta e ordem de terceiro; II o valor da receita bruta correspondente ao faturamento nas operações de venda das mercadorias importadas, no caso do adquirente. Art. 4o As contribuições a que se referem este artigo serão calculadas às alíquotas estabelecidas na legislação em vigor. Parágrafo único. O adquirente sujeitase, relativamente à receita bruta decorrente da venda de mercadoria importada na forma desta Instrução Normativa, às normas de incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, inclusive nas hipóteses de alíquotas diferenciadas, aplicáveis à receita bruta de importador, tais como as estabelecidas nos incisos I e II do art. 4o e no inciso I do art. 5o da Lei No 9.718, de 27 de novembro de 1998, com a redação dada pelo art. 3o da Lei No 9.990, de 21 de julho de 2000, e no inciso I do art. 1o da Lei No 10.147, de 21 de dezembro de 2000. Art. 5o Relativamente às importações por conta e ordem de terceiros, a pessoa jurídica importadora somente pode emitir nota fiscal de saída das mercadorias tendo como destinatário o adquirente. Parágrafo único. Caso o adquirente determine que as mercadorias sejam entregues em outro estabelecimento, serão observados os seguintes procedimentos: I a pessoa jurídica emitirá nota fiscal de saída das mercadorias para o adquirente; II o adquirente emitirá nota fiscal de venda para o novo destinatário, com destaque do IPI, com a informação, no corpo da nota fiscal, de que a mercadoria dever sair do estabelecimento da importadora, bem assim com a indicação do número de inscrição no CNPJ e do endereço da pessoa jurídica importadora. Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.973 12 ADI/SRF nº 7/2002 Art. 1º As disposições das Instruções Normativas nº 75, de 2001, e nº 98, de 2001, aplicamse somente às operações em que a pessoa jurídica comercial importadora empresa comercial importadora atue apenas como prestadora de serviços. Parágrafo único. A empresa comercial importadora atua como prestadora de serviços somente na hipótese em que ela não adquira a propriedade das mercadorias importadas. Art. 2º Para que se caracterize a aquisição, pela empresa comercial importadora, da propriedade das mercadorias importadas, é suficiente que ocorra uma das seguintes hipóteses em que a referida empresa: I conste como adquirente no contrato de câmbio; II conste como adquirente na fatura internacional (invoice); III emita nota fiscal de entrada ou de saída a título de compra ou venda; ou IV contabilize a entrada ou a saída da mercadoria importada como compra ou venda. Parágrafo único. Na hipótese de a empresa não ter escrituração comercial regular, o aferimento da condição prevista no inciso IV farseá com base na natureza da operação efetivada, constante de notas fiscais. Frisese que o ADI/SRF nº 7/2002 esclarece que as referidas IN somente são aplicáveis às operações em que a pessoa jurídica comercial importadora atue apenas como prestadora de serviços (IN/SRF nº 75/2001, art. 1ºI e IN/SRF nº 98/2001, art. 2ºV). As normas acima foram ratificadas pelos art. 12 e 86 da IN SRF nº 247, de 25/11/2002. Ocorre que no caso vertente a Fiscalização apurou que: 1 Em todas as operações os registros contábeis e fiscais indicam que as operações foram realizadas por conta própria; 2 Em todas as operações a Freetrade consta como comprador nos contratos de câmbio; 3 Em parte das operações a Freetrade consta como adquirente na fatura internacional (invoice); 4 A interessada contabilizou as operações de entrada e saída como compra ou venda. Assim, embora tenham sido consideradas, pelo impugnante, como importações por conta e ordem de terceiros, as operações levantadas e discriminadas pela fiscalização devem ser consideradas como importações realizadas em conta própria, porque requisitos expressos na legislação supracitada não foram atendidos. Sobre tal conclusão exaustivamente demonstrada no Termo de Constatação Fiscal, onde o Auditor autuante aponta ausência de requisito(s) em Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 15582.000202/200971 Acórdão n.º 3401005.356 S3C4T1 Fl. 2.974 13 cada Declaração de Importação (DI), a impugnante além de tecer considerações gerais sobre o Fundap e intermediação de negócios, apenas afirma que os equívocos cometidos não desnaturam a verdadeira natureza jurídica dos negócios. Ora, não se trata de um ou outro equívoco cometido, mas de requisitos legalmente previstos que não foram sistematicamente atendidos. (...) Pelo exposto, aproveitando os fundamentos da decisão recorrida, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Fl. 2974DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.971293/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de Cofins, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 71 29 3/ 20 09 -8 7 Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15374.971293/200987 Resolução nº 3401001.458 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte da COFINS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher a COFINS nãocumulativa, calculada sobre Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15374.971293/200987 Resolução nº 3401001.458 S3C4T1 Fl. 4 3 suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, do art. 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração da COFINS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível da COFINS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15374.971293/200987 Resolução nº 3401001.458 S3C4T1 Fl. 5 4 contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. ... Fl. 297DF CARF MF Processo nº 15374.971293/200987 Resolução nº 3401001.458 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 15374.971293/200987 Resolução nº 3401001.458 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996343/2012-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 63 43 /2 01 2- 09 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.996343/201209 Acórdão n.º 1201002.542 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 4º trimestre/2006. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.996343/201209 Acórdão n.º 1201002.542 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.996343/201209 Acórdão n.º 1201002.542 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.996343/201209 Acórdão n.º 1201002.542 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.978969/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2003
LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA.
Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1201-002.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 LEGISLAÇÃO NÃO APLICÁVEL. DECISÃO NULA. Deve ser anulada a decisão que se baseou em legislação não mais aplicável e que não analisou o fundamento do Despacho Decisório objeto da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 89 69 /2 00 9- 20 Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.978969/200920 Acórdão n.º 1201002.429 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o pagamento informado estar integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente, pelo fundamento de que na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. Foi manejado o Recurso Voluntário no qual é alegado que, à época do fato, a legislação permitia a restituição do pagamento de estimativa feito indevidamente ou a maior que o devido. A restrição só ocorreu posteriormente, por legislação superveniente ao fato. Desse modo, independentemente da data da apresentação da Dcomp, é aplicável a legislação vigente à época do pagamento de estimativa efetuado indevidamente ou a maior. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.418, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.968411/2009 36, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.418): "Admissibilidade. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.978969/200920 Acórdão n.º 1201002.429 S1C2T1 Fl. 4 3 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Como visto, no Despacho Decisório o crédito não foi reconhecido em face de utilização total do pagamento para a amortização de débitos da interessada. Manejada a manifestação de inconformidade, o fundamento nela exposto, consentâneo com a motivação do Despacho Decisório, não foi analisado na decisão de primeira instância, que não reconheceu o crédito e não homologou a compensação em face de que, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, esse valor somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo de IRPJ. A Solução de Consulta Interna nº 19 Cosit, de 5 de dezembro de 2011, assim dispõe: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.978969/200920 Acórdão n.º 1201002.429 S1C2T1 Fl. 5 4 A Dcomp foi apresentada anteriormente à edição da IN RFB nº 900, de 2008. Contudo, o Despacho Decisório só foi emitido após 1º de janeiro de 2009 e, por óbvio, também a decisão recorrida. Vêse, portanto, que o fundamento da decisão de primeira instância não só não poderia ser mais utilizado, como também não foi analisado o fundamento inicial (Despacho Decisório). Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, com o retorno dos autos à DRJ de origem." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000454/2009-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2010
INDEFERIMENTO DO TERMO DE OPÇÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITO MOTIVADOR EXTINTO POR DECISÃO JUDICIAL. INSUBSISTÊNCIA.
Insubsistente o indeferimento do Termo de Opção pelo Simples Nacional quando comprovada a extinção do débito que o motivou por sentença judicial com trânsito em julgado.
Numero da decisão: 1002-000.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2010 INDEFERIMENTO DO TERMO DE OPÇÃO DO SIMPLES NACIONAL. DÉBITO MOTIVADOR EXTINTO POR DECISÃO JUDICIAL. INSUBSISTÊNCIA. Insubsistente o indeferimento do Termo de Opção pelo Simples Nacional quando comprovada a extinção do débito que o motivou por sentença judicial com trânsito em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 04 54 /2 00 9- 27 Fl. 55DF CARF MF 2 Relatório Por bem expressar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra o indeferimento do Termo de Opção pelo Simples Nacional, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Trata o presente processo de manifestação de Inconformidade contra o Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples nacional, expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (fls.04), motivado por débito inscrito em Dívida Ativa da União, cuja exigibilidade não está suspensa, segundo o artigo 17, inciso V da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Alega a interessada que : a pendência constante dos arquivos da PGFN diz respeito ao processo de execução fiscal , que j á transitou em julgado tendo sido desfavorável a exeqüente e que o débito está garantido em penhora nos autos de execução. a pendência citada decorre de erro no cadastro da DRF/Araçatuba/SP, a qual competia ter atualizado. A Manifestação de Inconformidade foi indeferida pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1432.855, de 14 de março de 2011 (efl. 21), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 Indeferimento de Opção Pelo Simples NacionalDébito inscrito na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Correta a razão de decidir que negara o ingresso no Simples Nacional, o decisório do Termo de Opção não merece reforma. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário no qual elenca os fundamentos de fato e de direito abaixo sintetizados. Diz que "O Acórdão recorrido manteve o indeferimento da opção pelo Simples Nacional estribado na alegação da existência, contra a então manifestante, de uma pendência na PGFN acarretadora do indeferimento resistido, sendo que tal pendência era relativa a Débito Inscrito cuja exigibilidade não estaria suspensa." Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10820.000454/200927 Acórdão n.º 1002000.370 S1C0T2 Fl. 56 3 Sustenta que "A pendência constante dos arquivos da PGFN diz respeito ao processo de execução fiscal 2001.61.07.0034851, cujos embargos foram distribuídos sob o número 2001.61.07.0025854" e que "Nessa execução o magistrado ao receber os embargos, suspendeu a execução...". Alega que "As razões adotadas pelo acórdão recorrido para manter o indeferimento de não inclusão da recorrente no SIMPLES NACIONAL no anocalendário de 2009 não são válidas primeiro porque o débito inscrito sob o número 80 6 99 22422746 e excutido nos autos da execução fiscal 2000.61.07.0034851 estava ao tempo dos fatos, com sua exigibilidade suspensa por decisão judicial conforme comprova a publicação do despacho respectivo, copiada anexo, segundo porque a execução em questão estava garantida por penhora judicial de bem imóvel de valor superior ao débito excutido, conforme se vê na cópia da matricula do imóvel penhorado e na do TERMO DE REAVALIAÇÃO JUDICIAL ambas em anexo." Ao final requer a reforma do acórdão n. 1432.855 da 1ª Turma da DRJ/RPO para o fim de admitir a empresa no Simples Nacional e, ainda, a sustentação oral na forma do artigo 5º, inciso II do RICARF Regimento Interno do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O ora Recorrente teve sua solicitação de opção pelo Simples Nacional indeferida pelo Termo de Indeferimento de efls. 4, em razão da constatação de débitos com exigibilidade não suspensa inscritos em Dívida Ativa da União e objeto de execução fiscal nos autos do processo 2000.61.07.0034851 (efls. 05). Para melhor entendimento da matéria, reproduzo a base legal em que se enquadra a exclusão do contribuinte do Simples (grifos nossos): Lei Complementar nº 123/2006 Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: I (...) (...) Fl. 57DF CARF MF 4 V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; VI (...) O Recorrente não contesta a existência dos débitos que motivaram o indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional; apenas reitera que estavam com sua exigibilidade suspensa por decisão judicial ao tempo dos fatos e que a execução em questão estava garantida por penhora judicial. Compulsando os autos, constato que o débito que motivou o indeferimento da opção pelo Simples Nacional do ora Recorrente consta do processo de execução fiscal de nº 2000.61.07.0034851 (efls. 17). Assiste razão ao Recorrente, porém, por fundamento diverso do alegado no Recurso Voluntário, conforme será explicado na seqüência. O Recorrente confunde a decisão judicial de suspender a ação de execução em decorrência da penhora nos autos do processo com o instituto da suspensão da exigibilidade do crédito tributário previsto no artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN. Entretanto, a penhora não consta do artigo 151 do CTN como hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme se depreende da leitura de seu texto: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. Assim, o argüição da penhora como fundamento contra o indeferimento da opção pelo Simples Nacional não teria o condão de revertêlo, não fosse o fato de o débito que o motivou ter sido desconstituído por força de sentença judicial na ação de Embargos à Execução Fiscal de nº 2001.61.07.0025854 (efls. 37), que foi objeto de apelação pela União e da qual resultou a confirmação da decisão de primeiro grau favorável ao Recorrente1, por meio da seguinte ementa (grifos nossos): 1 BRASIL. Tribunal Regional Federal da 3ª REgião. Embargos à Execução Fiscal nº 2001.61.07.0025854, da Turma Suplementar da Segunda Seção, Brasília, DF, 10 abr. 2008. Disponível em: <http://www.jfsp.jus.br/foruns federais/>. Acesso em: 20 ago. 2018. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10820.000454/200927 Acórdão n.º 1002000.370 S1C0T2 Fl. 57 5 EMENTA EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL – MULTA EM SEDE DE IPI IMPORTAÇÃO ACUSAÇÃO DE AQUISIÇÃO (CELULARES) IRREGULAR SOBRE TERCEIRO DE BOA FÉ OPERAÇÃO INTERNA DOCUMENTADA, PELO AQUI AUTOR. DESCONSTITUIÇÃO DO AUTO ( INCERTEZA ATÉ PELA AUTORIDADE FISCAL). PROCEDÊNCIA DA PRETENSÃO DO AUTUADO 1. Adquiriu a parte apelada, entre julho e agosto/95, telefones celulares inicialmente cometidos em compra perante Oliveira Celular Comercial e Importação Ltda, a qual, não dispondo de tais bens em pronta entrega, efetuou venda direta dos tais telefones pelo ente Tok Phone Telecomunicações Ltda, sendo que a autuação federal, de fevereiro/97, a partir de procedimento fiscal estadual, o qual, de 31/01/96, propôs bloqueio de inscrição quanto à Tok em 05/02/96, Tok esta que se apurou encerrada em suas atividades em 23/09/92. 2. Ressarcida foi a parte apelada do quanto teve de recolher, fruto da enfocada fiscalização estadual, por parte da empresa Oliveira Celular. 3. Ante a suspeita sobre os vendedores em questão, está sendo exigida a receita fiscal em causa, junto ao pólo comprador, multa em sede de IPI. 4. Em cena o tema da responsabilidade tributária infracional, cuja natureza é claramente objetiva, nos termos do art. 136, CTN, tanto quanto ao particular de pertinência o estabelecido em caput e parágrafo pelo art. 82, Lei 9.430/96. 5. A internação dos bens, aqui implicados, não se deu por mãos da recorrida/autuada, nem evidenciado restou foi sua a aquisição imediata já em solo brasileiro. 6. A significar a boafé estado de espírito a animar aquele que pratica negócio jurídico com sinceridade, clareza e objetividade, revelase de rigor se reconheça assim se conduziu a parte ora apelante, comprovando adquiriu formalmente referidos bens junto às citadas, prestandose as notas de faturas e de movimentações contábeis, antes mencionadas, indubitavelmente como justos títulos, máxime pois, como visto, somente proposto o bloqueio de inscrição em fevereiro/96 ( ou seja, averiguação que se fizesse na espécie, quando daqueles julho e agosto/95, não revelaria dito óbice, evidentemente). 7. Põese o erário a punir o pólo recorrido por ilícito por outrem perpetrado, relativamente a compras documentadas e de anos, pelo pólo apelado. 8. Se busca a União punir o irregular ingresso daqueles bens, veemente que inoponível o contexto, constatado em 1997, de Fl. 59DF CARF MF 6 potenciais ilicitudes pelos vendedores de tais bens, em operações, reiterese, de 1995. 9. Equivocada a imputação infracional a um terceiro distante da operação internadora acoimada de fraudulenta e veementemente dotado de documentação respaldadora da retratada operação. 10. Sobre ter havido pagamento expressamente documentado (cheques) a favorecer aquele vendedor (Tok), também acerta a r. sentença ao flagrar que as próprias autoridades fiscais autuadoras em esfera federal se puseram em objetiva dúvida sobre se se punha a incorrer ou não em ilicitude a parte autuada/aqui recorrida, consoante cuidadoso quadro comparativo construído pelo E. Juízo a quo, a partir dos relatos fiscais. 11. Por igual explícito o retratado parágrafo único do art. 82, Lei n° 9.430/96, precisamente a eximir de reprimenda a parte aqui acusada, ora apelada. 12. Com objetividade haverá o Poder Público de investigar o efetivo infrator, com o qual não guarda pertinência a parte aqui recorrida, assim se afastando, pois, o invocado art. 365, I, RIPI/82. 13. Legítima a desconstituição da autuação fiscal lavrada, flagrante a ilegitimidade da conduta fazendária em pauta, pois logra a parte apelada afastar a presunção de certeza do crédito em pauta. 14. Improvimento à apelação. Os excertos abaixo, extraídos do sítio da justiça federal do estado de São Paulo2, indicam que houve o trânsito em julgado da decisão que julgou procedente os Embargos à Execução de nº 2001.61.07.0025854 para o fim de desconstituição do crédito tributário que constava da Certidão de Dívida Ativa da União à época dos fatos e que foi motivo de indeferimento da opção do contribuinte pelo Simples Nacional, eis que em 14/04/2009 houve a baixa definitiva à Seção Judiciária de Origem (destaques nossos): 2 Disponível em: <http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais/>. Acesso em: 20 ago. 2018. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10820.000454/200927 Acórdão n.º 1002000.370 S1C0T2 Fl. 58 7 Sendo assim, aplicase ao caso vertente o inciso X do art. 156 do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I (...) (...) X a decisão judicial passada em julgado. (...) Comprovado que o débito que constituiu o motivo do indeferimento do Termo de opção pelo Simples Nacional foi extinto por decisão judicial com trânsito em julgado, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, reformando integralmente a decisão de piso. É como voto. Fl. 61DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721487/2014-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. SUBSUNÇÃO À TRIBUTAÇÃO REGULAR.
Procedida a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL, a partir do período em que se processarem os efeitos desta, deve a empresa sujeitar-se à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1201-002.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. SUBSUNÇÃO À TRIBUTAÇÃO REGULAR. Procedida a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL, a partir do período em que se processarem os efeitos desta, deve a empresa sujeitar-se à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. SUBSUNÇÃO À TRIBUTAÇÃO REGULAR. Procedida a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL, a partir do período em que se processarem os efeitos desta, deve a empresa sujeitarse à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 14 87 /2 01 4- 36 Fl. 770DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório do Acórdão nº 0836.066 da 6ª Turma da DRJ/FOR (fls. 731 a 746), com a complementação necessária em seguida: Do Ato Declaratório Tratase do Ato Declaratório Executivo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, nº 23/2014, assinado digitalmente em 16.06.2014, por meio do qual a empresa em epígrafe foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL. A exclusão do SIMPLES NACIONAL surtiu efeitos a partir de 01/01/2009 e deuse: I) Pela negativa não justificada da exibição de documentos e informações sobre bens e movimentação financeiras (artigo 29, inciso II, da LC 123/2006 e artigo 5º, inciso II da Resolução CGSN nº 15/2007). II. Pela falta da escrituração do livro caixa (artigo 29, inciso VIII, da LC 123/2006 e artigo 5º, inciso VIII da Resolução CGSN nº 15/2007). III. Por prática reiterada de infração ao disposto na LC 123 (artigo 29, inciso V, da LC 123/2006 e no artigo 5º, inciso V da Resolução CGSN nº 15 de 23/07/2007). IV. Pela utilização de interpostas pessoas como sócios (artigo 29, Inciso IV da Lei Complementar 123/2006 e no artigo 5º, inciso IV da Resolução CGSN nº 15 de 23/07/2007). V. Por ser remanescente de desmembramento (qualquer forma) da pessoa jurídica com a criação de outra empresa e da utilização de uma empresa que se encontrava paralisada, com finalidade de dividir o faturamento e empregados (3º, § 4º, IX da Lei Complementar 123/2006 e no artigo 5º, inciso XI da Resolução CGSN 15 de 23/07/2007 e no artigo 12, inciso X da Resolução CGSN 04 de 30/05/2007). O Ato Declaratório foi precedido de representação fiscal para efeito de exclusão, nos seguintes termos: As empresas KREIZEN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS AUTOMOTIVAS LTDA – CNPJ 10.567.112/000182, BZM Indústria e Comércio de Auto Peças LTDA – CNPJ 03.608.391/000110 e ROBERTO BUTSCH INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTO PEÇAS LTDA ME CNPJ 04.782.187/000183 e formam um grupo econômico de fato; DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS conquanto (re)intimado, o contribuinte deixou de apresentar livros contábeis (livros Diário e Razão) ou livros caixa e seus respectivos documentos em que se assentaram os lançamentos, bem como os extratos de toda movimentação financeira e bancária: tais fatos configuram hipótese de exclusão de ofício do Simples Nacional, quais sejam: Fl. 771DF CARF MF Processo nº 13971.721487/201436 Acórdão n.º 1201002.578 S1C2T1 Fl. 3 3 Pela negativa não justificada da exibição de documentos e informações sobre bens e movimentação financeiras (artigo 29, inciso II, do LC 123/2006 e artigo 5º, inciso II da Resolução CGSN nº 15/2007). Pela falta da escrituração do livro caixa (artigo 29, inciso VIII, do LC 123/2006 e artigo 5º, inciso VIII da Resolução CGSN nº 15/2007). DA OMISSÃO DE RECEITA há mais de trezentas notas fiscais não registradas nos livros de registro de saída e omitidas da Declaração Anula do Simples Nacional – DASN, período de 07/2009 a 08/2011; conquanto intimado, o contribuinte não esclareceu o motivo da falta de registro já citada; tal fato configura hipótese de exclusão de ofício do Simples Nacional, quais sejam: Por prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar 123 (deixar de declarar, na forma do artigo 25 da Lei Complementar 123/2006, parte da receita bruta e deixar de apurar o tributo devido na forma do artigo 18, § 1º e § 3º da Lei Complementar 123/2006 relativo à receita bruta omitida), previsto no artigo 29, inciso V, da LC 123/2006 e no artigo 5º, V da Resolução CGSN nº 15 de 23/07/2007. Por ultrapassar o faturamento anual de R$ 2.400.000,00, no ano de 2011, nos termos do artigo 3º, Inciso II e § 9º (redação original) e no artigo 29, inciso I, ambos da Lei Complementar 123/2006 e do artigo 3º, inciso II, “a” da Resolução CGSN nº 15 de 23/07/2007 e artigo 12, I da Resolução CGSN nº 04 de 30/05/2007. DA CONSTITUIÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS E DO GRUPO ECONÔMICO as três empresa já citadas possuem mesmo endereço e atividade, vejase: i) BZM: Objeto Social no Contrato Social – “3ª) A sociedade terá por objetivo social a exploração do ramo de fabricação e comércio de auto peças, máquinas e equipamentos industriais, automação e montagens industriais”. ii. ROBERTO BUTSCH: Objeto Social na 2ª Alteração do Contrato social – “3ª) A sociedade terá por objetivo social a exploração do ramo de fabricação e comércio de auto peças de máquinas e equipamentos industriais, de automação e de montagens industriais”. iii) KREIZEN: Objeto Social no Contrato Social – “3ª) A sociedade terá por objetivo social a exploração do ramo de fabricação e comércio de auto peças, acessórios e equipamentos e produtos automotivos; de máquinas e equipamentos industriais, de automação e de montagens industriais; representações comerciais; importação e exportação”. [...] Os endereços das empresas constantes dos contratos sociais e alterações são muito próximos, o que por si só denotam que funcionam no mesmo local: i. BZM Rodovia Ivo Silveira, 10466, Km 11, Bairro Barracão– Gaspar – SC Fl. 772DF CARF MF 4 ii. ROBERTO BUTSCH Rodovia Ivo Silveira, km 10 – Sala B, 10500 – Bairro Barracão – Gaspar – SC. iii. KREIZEN Rodovia Ivo Silveira, km 10, 10500 – Sala A –Bairro Barracão – Gaspar – SC. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA descreve vários setores idênticos das empresas: i. Setor: Produção Área de aproximadamente 300 m2, pé direito aproximado de 7 m .... (PPRA BZM 2008/2009 e PPRA ROBERTO BUTSCH 2008/2009, 2011/2012); ii. Setor: Ferramentaria – Ambiente de aproximadamente 300 m2 ... (KREIZEN 2009/2010, 2010/2011, 2011/2012); iii. Setor: Montagem Ambiente de aproximadamente 300 m2, pé direito aproximadamente de 7 m ... (PPRA KREIZEN 2009/2010, 2010/2011, 2011/2012 e PPRA ROBERTO BUTSCH 2008/2009, 2009/2010, 2011/2012); iv. Setor: Acabamento Ambiente de aproximadamente 300 m2, pé direito aproximadamente de 7 m ... (PPRA KREIZEN 2010/2011); v. Setor: Usinagem Ambiente de aproximadamente 300 m2, pé direito medindo 7m, ... (PPRA KREIZEN 2010/2011, 2011/2012, PPRA ROBERTO BUTSCH 2008/2009, 2009/2010, 2011/2012). Em visita à empresa, a Fiscalização constatou que as três pessoas jurídicas funcionam no mesmo local, os empregados trabalham em conjunto, não há limitação entre as empresas, tampouco, indicação de placas que pudessem indicar existência apartada delas; continua: O departamento pessoal (RH) das empresas BZM, ROBERTO BUTSCH e KREIZEN é realizado pela funcionária Marilene Machado Lenzi, conforme declarou no Termo de Entrevista (DOC 11). 50. Em entrevista (DOC 11) com SILVIO JOÃO MERISIO (Registro: ROBERTO BUTSCH), coordenador do setor de montagem, declarou que Ademar Venera, Sidnei Schaefer, Cristiane Schlucobier, Jacson da Silva, Jéssica Carbolin da Silva e Jéssica da Silva Cardoso trabalham no seu setor e não sabe onde estão registrados. Na informação prestada pela empresa em GFIP5 observase que Ademar Venera, Sidnei Schaefer e Jéssica Carbolin da Silva estão registrados na BZM, Cristiane Schlucobier está registrada na ROBERTO BUTSCH, Jacson da Silva e Jéssica da Silva Cardoso estão registrados na KREIZEN. 51. Em outra entrevista (DOC 11) com JORGE LANG JUNIOR (Registro: BZM), encarregado geral de produção, relatou que José de Borba, Salatiel de Souza, Rogério Nicolete, Rogério Russi, Fernando Kohler, Luciano Soares Chagas, Luciano Maraschi e Wagner dos Santos fazem parte do setor que é encarregado. Na informação prestada pela empresa em GFIP observase que Salatiel de Souza, Rogério Nicolete, Rogério Russi, Fernando Kohler, Luciano Maraschi estão registrados na BZM, José de Borba e Wagner dos Santos estão registrados na ROBERTO BUTSCH, Luciano Soares Chagas está registrado na KREIZEN. Nas entrevistas (DOC 11) com os empregados Anderson Costa e João Rogério Baptista, registrados na BZM, informaram que o dono da empresa era Paulo Bittencourt (Paulo Roberto Butsch Bittencourt), demais empregados entrevistados informaram que a dona da empresa é a Cristiane (Cristiane Lang). Fl. 773DF CARF MF Processo nº 13971.721487/201436 Acórdão n.º 1201002.578 S1C2T1 Fl. 4 5 Paulo Roberto Butsch Bittencourt não aparece como sócio das empresas BZM, ROBERTO BUTSCH e KREIZEN. Tais empresas foram constituídas em nome de seus filhos (alguns menores) e de sua companheira, conforme quadro elaborado pela Fiscalização; outros fatos relatados foram: Paulo Roberto Butsch Bittencourt e sua companheira Cristiane Lang utilizaram interpostas pessoas, seus filhos, para compor o quadro societário das empresas optantes do Simples Nacional. 59. Na BZM constam a companheira de Paulo Roberto Butsch Bittencourt (Cristiane Lang) e sua filha menor (Bruna Albino Bittencourt) da qual é representante legal. 60. Na ROBERTO BUTSCH constam a companheira de Paulo Roberto Butsch Bittencourt (Cristiane Lang) e seu filho (Paulo Roberto Bittencourt Filho). 61. Já na KREIZEN constam dois filhos de Paulo Roberto Butsch Bittencourt (Thiago Bittencourt e Thayrine Lang Bittencourt), sendo que Thayrine Lang Bittencourt é filha de Cristiane Lang que é represente legal da menor. há procuração outorgada pela empresa Roberto Butsch para Cristiane Lang; Cristiane Lang é sócia administradora da BZM e administradora da Roberto Butsch, conforme citada procuração anexada aos autos (doc 13); há várias reclamatórias trabalhistas em desfavor das três empresas concomitantemente, o que demonstra, pela petição inicial destas, a formação de grupo econômico de fato; as reclamatórias foram encerradas por meio de acordo, sem contestação das empresas; a Fiscalização conclui da seguinte forma: A gestão administrativofinanceira das duas empresas é exercida pelos administradores do negócio Sr. Paulo Roberto Butsch e sua companheira Sra.Cristiane Lang. Parentes (filhos) estão nos atos contratuais da representada como parte figurativa do processo, isto é, a sociedade possui um único comando, independentemente de onde estejam registrados os trabalhadores. Tudo é feito na sua administração: o RH, a compra, a venda, o expediente, a produção, o pagamento, a execução do serviço etc são realizados pelos administradores do negócio. O objetivo do grupo é desenvolver a atividade com três empresas paralelas para dividir o faturamento e diminuir os encargos previdenciários. Os segurados trabalham para o mesmo patrão, os pagamentos são feitos pelo mesmo financeiro, o RH e o Financeiro são os mesmos. Ficou evidenciado a intenção da empresa BZM em desmembrar a atividade com outras duas empresas (ROBERTO BUTSCH e KREIZEN), utilizando como sócios, interpostas pessoas, seus filhos, inclusive menores, sendo que os verdadeiros proprietários são Paulo Roberto Butsch Bittencourt e Cristiane Lang, com o fim de Fl. 774DF CARF MF 6 fatiar o faturamento e continuar a usufruir os benefícios concedidos pelo SIMPLES NACIONAL. a soma do faturamento das empresas excede o limite anual para permanência no Simples Nacional nos anos de 2009, 2010 e 2011; tais fatos configuram hipótese de exclusão de ofício do Simples Nacional, quais sejam: Por constituir a sociedade com interpostas pessoas, prevista no artigo 29, Inciso IV da Lei Complementar 123/2006 e no artigo 5º, inciso IV da Resolução CGSN 15 de 23/07/2007. Por ser remanescente de desmembramento (qualquer forma) da pessoa jurídica com a criação da KREIZEN e da utilização de uma empresa que se encontrava paralisada (ROBERTO BUTSCH, anteriormente denominada Seven Life Indústria e Comércio Ltda), com finalidade de dividir o faturamento e empregados. Incorreu na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL prevista no artigo 3º, § 4º, IX da Lei Complementar 123/2006 e artigo 5º, inciso XI da Resolução CGSN 15 de 23/07/2007 e no artigo 12º, inciso X da Resolução CGSN 04 de 30/05/2007. Por ter a participação de pessoa física em seu quadro social (CRISTIANE LANG) que é sócia em outra empresa (ROBERTO BUTSCH) participante do SIMPLES NACIONAL e por isso incorreu na hipótese de exclusão do SIMPLES NACIONAL prevista 3º, § 4º, III da Lei Complementar 123/2006 e no artigo 5º, inciso XI da Resolução CGSN 15 de 23/07/2007 e no artigo 12º, inciso IV da Resolução CGSN 04 de 30/05/2007. quanto aos efeitos da exclusão, explica a auditoria que; Como as ocorrências mais remotas são aquelas dos incisos II, IV e VIII do art. 29 da Lei Complementar 123 e nos incisos II, IV e VIII da Resolução CGSN nº 15 de 23/07/2007, a exclusão do Simples nacional darseá a partir de 01/01/2009, conforme disposto no artigo 29, § 1º da Lei Complementar 123/2006 e artigo 6º, inciso VI da Resolução CGSN nº 15/2007. Da Manifestação de Inconformidade A empresa KREIZEN foi intimada do Ato Declaratório Executivo em 24.06.2014. Em 21/07/2014 apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega: FORMA DE ATUAÇÃO E INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO não houve sonegação de informações e a empresa sempre esteve à disposição do agente fiscal, fornecendo todas as informações solicitadas; houve descompasso entre exigências da fiscalização e possibilidade de atendimento, devido ao porte diminuto da empresa; os valores apresentados à fiscalização coincidem com o faturamento da empresa, conforme verificado pela própria fiscalização; eventual descumprimento de “uma ou outra” obrigação acessória não constitutiva de hipótese de incidência não é hábil para exclusão do Simples, mas, eventualmente, aplicação de multa, se necessário; não há grupo econômico; Fl. 775DF CARF MF Processo nº 13971.721487/201436 Acórdão n.º 1201002.578 S1C2T1 Fl. 5 7 desde a fundação, a empresa dedicase a produção de um componente automobilístico denominado impulsor de partida, componente este complexo; continua: O que ocorre é que houve uma especialização na produção do aludido componente, sendo que hoje sua produção é dividida em diversas partes autônomas e independentes. Algumas destas empresas encontramse localizadas nas proximidades da ora contribuinte, e detém no seu quadro societário pessoas com determinado vínculo familiar com os sócios desta contribuinte, mas inexiste qualquer relação entre as mesmas. não há vínculo entre as empresas, os sócios e administradores são distintos, os clientes são distintos, cada qual faz frente as suas próprias despesas e agem de forma autônoma e independente; contratos sociais, procurações, supostas entrevistas não são hábeis ao propósito da fiscalização; continua: [...] a complexidade e especialização do processo produtivo imposto verificado entre as empresas mencionadas afigura de difícil identificação para aqueles que não detém o conhecimento técnico necessário. [...] O que ocorre verdadeiramente é o apego dos membros familiares (Estirpe Bittencourt) à indústria metal mecânica. Parte substancial de seus membros dedicamse a esta atividade, de forma que não se afigura difícil defrontarse na cidade de Gaspar com empresas, do ramo metal mecânico, que tenham em seu quadro societário pessoas de sobrenome Bittencourt. [...] Quanto ao fato de eventualmente a sócia administradora desta contribuinte (Cristina Lang) ter praticado um ou outro ato, por meio de procuração, em auxílio a algum membro de sua família, este de forma alguma pode gerar qualquer vínculo entre as empresas. não há prova capaz de sustentar qualquer vínculo societário entre contribuinte e as empresas; as afirmações contidas em petição inicial são unilaterais não comprovadas; os acordos firmados entre as partes não implicam em reconhecimento dos fatos alegados pelo autor, conforme entendimento dos Tribunais; o PAF deve regerse pela busca da verdade real e não por suposições ou convicções pessoais da fiscalização; existem evidências que derrogam completamente as suspeitas da constituição, organização e funcionamento das empresas; pela ausência de elementos capazes de subsidiar a autuação, a exação deve ser extinta. DOS DOCUMENTOS ACOSTADOS os documentos acostados não fazem prova e a conclusão fiscal fundase em análise isolada dos documentos, sem a devida contextualização com a realidade; Fl. 776DF CARF MF 8 aduz ainda: Contrariamente à conclusão fiscal, os documentos acostados aos autos evidenciam que não existia o malsinado "grupo econômico de fato", nem tampouco que haveria a utilização de interpostas pessoas, quanto menos, o descumprimento de obrigações fiscais. DAS PROVAS outros elementos de descaracterização da imposição fiscal serão, oportunamente apresentados, caso seja necessário; requer produção de prova por todos os meios admitidos, inclusive diligências, caso persistam dúvidas; Requer extinção/cancelamento do Ato Declaratório Executivo. Por essa decisão, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. SUBSUNÇÃO À TRIBUTAÇÃO REGULAR. Procedida a exclusão da empresa do SIMPLES NACIONAL, a partir do período em que se processarem os efeitos desta, deve a empresa sujeitarse à tributação aplicável às demais pessoas jurídicas. No recurso voluntário são repisadas as razões expostas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Quanto ao mérito, nenhuma inovação traz o recurso em relação às razões já expendidas na impugnação, pelo que, conforme autoriza o artigo 57, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, adotase os fundamentos da decisão de piso como razões de decidir, fazendose as devidas complementações: Cada uma das motivações apontadas pela auditoria como suficientes para a exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional serão pormenorizadamente analisadas a seguir: Motivação nº 1 da Exclusão – Não apresentação de documentos Fl. 777DF CARF MF Processo nº 13971.721487/201436 Acórdão n.º 1201002.578 S1C2T1 Fl. 6 9 Verificou a Auditoria que a empresa não apresentou os documentos relativos ao Livro Caixa, tampouco, os extratos de toda movimentação financeira e bancária. A justificativa defensiva para a não apresentação é falta de pessoal, a diminuta importância dos documentos solicitados e ainda a afirmação de que não houve sonegação de informação alguma. Vejase que não é o caso de nenhuma das hipóteses levantadas pela auditada, visto que os argumentos defensivos não se sustentam, considerando o tempo transcorrido desde a auditoria até o presente julgamento e o grau superlativo da qualidade documental exigida, simplesmente, dos documentos de caixa e a movimentação financeira. Vejase a legislação de regência para o tema posto: Lei Complementar 123/2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; ________________________________________________ Resolução CGSN nº 15/2007: Art. 5ºA exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: [...] II – for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública;Percebese, dessa forma, que se materializou nova hipótese para exclusão do Simples Nacional, por meio de provas contundentes, devendose manter a exclusão em litígio, também, pela motivação segunda. Dessarte, preciso o enquadramento de exclusão indicado pelo Fisco. Motivação nº 2 da Exclusão – Não escrituração do Livro Caixa Verificou a auditoria que o contribuinte deixou de apresentar Livro Caixa. Tal fato não foi objeto de repúdio defensivo, que se manteve silente quanto ao constatado pelo Fisco. Fl. 778DF CARF MF 10 Sendo assim, tal matéria é considerada não impugnada, de acordo com o art. 17 do PAF: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Vejase a legislação de regência para o tema posto: Lei Complementar 123/2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; ________________________________________________ Resolução CGSN nº 15/2007: Art. 5ºA exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: [...] VIII – houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; Percebese, dessa forma, que se materializou nova hipótese para exclusão do Simples Nacional. Motivações nºs 3 Exclusão – Prática reiterada de infração Verificou a Auditoria que há várias notas fiscais não registradas nos livros de registro de saída e omitidas da Declaração Anual do Simples Nacional – DASN, período de 07/2009 a 12/2011, o que se afigura como prática reiterada de infração. Tal fato também não foi objeto de repúdio defensivo, que se manteve silente quanto ao constatado pelo Fisco. Sendo assim, tal matéria é considerada não impugnada, acorde o art. 17 do PAF: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10/12/97) Sobre o faturamento, limitase a afirmar que os valores apresentados à fiscalização coincidem com o faturamento da empresa, conforme verificado pela própria fiscalização. A auditoria, entretanto, ao contrário do alegado pela defesa, não abona o faturamento da empresa. Ao revés, demonstra que, quando consideradas as notas omitidas, o faturamento extrapolou os limites legais para permanência no Simples Nacional para o ano de 2011. Vejase a legislação de regência para o tema posto: Fl. 779DF CARF MF Processo nº 13971.721487/201436 Acórdão n.º 1201002.578 S1C2T1 Fl. 7 11 Lei Complementar 123/2006: Art.3 ºPara os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que:[...] II no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). §9º A empresa de pequeno porte que, no anocalendário, exceder o limite de receita bruta anual previsto no inciso II do caput deste artigo fica excluída, no mês subsequente à ocorrência do excesso, do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata oart. 12, para todos os efeitos legais, ressalvado o disposto nos §§ 9oA, 10 e 12. [...] Art. 25. A microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional deverá apresentar anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais, que deverá ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, observados prazo e modelo aprovados pelo CGSN e observado o disposto no§ 15A do art. 18.Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando:] I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; [...] V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; ________________________________________________ Resolução CGSN nº 15/2007: Art. 3ºA exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá: [...] II – obrigatoriamente, quando: Fl. 780DF CARF MF 12 a. incorrer na hipótese do inciso I do art. 12 da Resolução CGSN nº4, de 30 de maio de 2007; Art. 5ºA exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: [...] V – tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar nº123, de 2006; Outrossim, firme a posição fiscalizatória de exlcusão por mais essa duas motivações analisadas. ________________________________________ Resolução CGSN nº 04/2007: Art. 12. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: I que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); Portanto, firme a posição de exclusão sustentada pelo Fisco frente a essas duas outras constatações. Motivação nº 4 Utilização de interpostas pessoas Trazse à baila a lição do ilustre REQUIÃO (apud IBRAHIM, 2007, p. 335), que assim define grupo econômico: Um agrupamento de empresas, juridicamente independentes e economicamente sujeitas à direção única. Dessa forma, correspondem à holding do direito norteamericano, que constitui também sociedade que administra os negócios ou controla as sociedades a elas sujeitas. Várias circunstâncias foram constadas pela fiscalização que apontam para a atuação de um grupo econômico de fato, muitos sequer rebatidos pela defesa. Veja se: o objetivo social das empresas é o mesmo, além de endereços próximos ou funcionando no mesmo local; PPRA apontando setores idênticos das empresas; empregados trabalhando juntos ajudando ambas as empresas a atingir o objetivo do grupo, conforme declarações destes; as empresas são familiares, com mãe e filhos figurando formalmente nos contratos sociais, tendo a participação gerencial oculta do Sr. Paulo Roberto Butsch Bittencourt; há procuração outorgada pela empresa Roberto Butsch para Cristiane Lang; Cristiane Lang é sócia administradora da BZM e administradora da Roberto Butsch, conforme citada procuração anexada aos autos; Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13971.721487/201436 Acórdão n.º 1201002.578 S1C2T1 Fl. 8 13 há várias reclamatórias trabalhistas em desfavor das três empresas concomitantemente, o que demonstra, pela petição inicial destas, a formação de grupo econômico de fato; constatação, in loco, pela fiscalização, de que tudo é feito na sua administração dos pais: o RH, a compra, a venda, o expediente, a produção, o pagamento, a execução do serviço etc são realizados pelos administradores do negócio. Esses fatos constituem material probante suficiente para sustentar a existência sim de grupo econômico e de utilização de interpostas pessoas (filhos, inclusive, menores de idade). Não se trata de mera presunção como quer a auditada, mas de provas robusta e contundentes, todas no mesmo sentido. Não é o caso de vontade de o Fisco obstar a atividade econômica familiar, mas de reconhecimento de que há, de fato, um agrupamento de empresas, que, por ventura, são da mesma família, que trabalham em prol do conjunto empresarial, sob direção unificada e objetivos comuns. Ultrapassado esse marco, vejase o que dispõe a legislação de regência sobre o tema: Lei Complementar nº 126/2007: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: [...] I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; [...] IV a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; _______________________________________ Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007: Art. 3ºA exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá:[...] II – obrigatoriamente, quando: a. incorrer na hipótese do inciso I do art. 12 da Resolução CGSN nº4, de 30 de maio de 2007; [...] [...] IV – a sua constituição ocorrer por interpostas pessoas; _____________________________________________ Portanto, deve ser mantida a exclusão nos moldes efetuados, considerandose as motivações aqui analisadas. Motivação nº 5 da Exclusão Ser a empresa remanescente de desmembramento Fl. 782DF CARF MF 14 Alega a fiscalização que a BZM é fruto de desmembramento com a criação da Kreizen e utilização de empresa que se encontrava paralisada (Roberto Butsch), o que incorreria na seguinte hipótese de exclusão: Lei Complementar 123/2006: Art.3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere oart. 966 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que:[...] §4º Não poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complementar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: [...] IX resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anoscalendário anteriores; Analisandose o contrato social da BZM, entretanto, percebese que ela é resultante da primeira alteração contratual da empresa Metalúrgica Cleiton LTDA, que mudou o nome para BZM em 01.12.2000. Vêse dessa forma, que a BZM não é fruto de cisão ou desmembramento algum e ainda assim, tal fato ocorrera há mais de cinco anos da opção da BZM pelo Simples Nacional em 2009. Assim, resta afastada esta justificativa fiscalizatória de exclusão do multicitado programa. Entretanto, tal motivo, isoladamente, não tem o condão de culminar com a procedência das alegações defensivas, vez que permanecem hígidos os demais motivos que levaram a empresa à exclusão do SIMPLES NACIONAL. Do pedido de juntada posterior de documentos Não cabe a juntada posterior de documentos, salvo quando demonstrado algum dos requisitos do §4º do art. 16 do Decreto 70.235/72, o que não é o caso em testilha: Art. 16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 783DF CARF MF Processo nº 13971.721487/201436 Acórdão n.º 1201002.578 S1C2T1 Fl. 9 15 Quanto a esse pedido, muito embora além das hipóteses evidenciadas pela legislação supracitada possa ser aceita a juntada de provas em sede de recurso voluntário se dentro do prazo para a interposição deste, a recorrente não trouxe nenhum documento quer com a manifestação de inconformidade, quer com o recurso. Vejase o que consta desses instrumentos: Manifestação (fls. 725 e 726) e recurso voluntário (fl. 764): Os documentos acostados aos autos do processo administrativo fiscal ora impugnado em se afiguram hábeis ou eficientes para o fim pretendido pela fiscalização, visto que não evidenciam os motivos ensejadores para exclusão da impugnante do regime de tributação do Simples Nacional. [...] Para evidenciar o direito invocado, a contribuinte reportase aos próprios documentos já colacionados ao auto do processo administrativo pela própria fiscalização, por entender que sua contextualização enseja o cancelamento do ato fiscal ora impugnado, reservase o direito de apresentar oportunamente outros elementos que possam ensejar a descaracterização da imposição fiscal, caso façamse necessárias. Do pedido de perícia Sobre o pedido de perícia, julgo esta desnecessária, além de estar perfeitamente instruído o presente processo com todos os elementos necessários ao seu julgamento. A denegatória encontra supedâneo no art. 18 do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário a interessada requer diligências. No entanto, como bem definiu o relator do voto condutor da decisão de piso, essas se mostram totalmente desnecessárias, ante ao conjunto probatório ser suficiente para o entendimento e conclusão sobre os fatos. Conclusão. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, NEGAR LHE provimento. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 784DF CARF MF 16 Fl. 785DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005520/2008-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 22/05/2006
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. PRESSUPOSTOS. SIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 22/05/2006 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. PRESSUPOSTOS. SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre acórdãos recorrido e paradigma.
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CONHECIMENTO. PRESSUPOSTOS. SIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 55 20 /2 00 8- 09 Fl. 164DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 230201.918, proferido na sessão de 10 de julho de 2012, assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/05/2006 Ementa: RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas relativas à Gfip foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de2008, esta mais benéfica para o infrator com a inclusão do art. 32A à Lei nº 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORRESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de corresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de corresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativos fiscais. A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10380.005520/200809 Acórdão n.º 9202007.135 CSRFT2 Fl. 3 3 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. O recurso visa rediscutir a(s) penalidade(s) aplicável(is) em razão da retroatividade benigna, ante as alterações introduzidas na Lei nº 8.212, de 1991, pela MP 449/2008. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de fls. 153 a 156. Em seu apelo a Fazenda Nacional aduz que antes da MP nº 449/2008, o lançamento do principal era realizado separadamente, em NFLD, incidindo a multa de mora prevista no artigo 35, II da Lei nº 8.212/91, além da lavratura do auto de infração, com base no artigo 32 da Lei nº 8.212/91 (multa isolada); que a MP nº 449/2008, instituiu uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários, o que torna essencial a análise de pelo menos dois dispositivos: artigo 32A e artigo 35A, ambos da Lei nº 8.212/91; que o art 32 A trata de preceito normativo destinado unicamente a penalizar o contribuinte que deixa de informar em GFIP dados relacionado a fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91; que o atual regramento não criou maiores inovações aos preceitos do antigo art. 32 da Lei nº 8.212/91, exceto no que tange ao percentual máximo da multa que, agora, passou a ser de 20% (vinte por cento). Assim, a infração antes penalizada por meio do art. 32, passou a ser enquadrada no art. 32A, com a multa reduzida; que a MP nº 449/2008 também inseriu no ordenamento jurídico o art. 35Ao qual remete à aplicação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996; que a leitura do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 corrobora a tese suscitada no acórdão paradigma e ora defendida, no sentido de tal dispositivo abarca duas condutas: o descumprimento da obrigação principal (totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento) e também o descumprimento da obrigação acessória (falta de declaração ou declaração inexata); que se deve privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, temse que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tãosomente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; que toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, sendo essa a conclusão a que chegou a eminente relatora do Fl. 166DF CARF MF 4 acórdão paradigma e que reflete a melhor interpretação da nova sistemática de lançamento das contribuições previdenciárias; que a autoridade fiscal deve aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte considerando os seguintes parâmetros: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009; que a respeito da forma correta para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, a Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 1.027, de 22/04/2010, explicando qual é o procedimento adequado a ser utilizado e que em seu inciso I define o critério ora defendido; Cientificado do Acórdão recorrido, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recuso foi interposto tempestivamente. Quanto aos demais requisitos de admissibilidade, examino a questão, especialmente, a premissa do apelo. É que verifico, de plano, que a autuação objeto deste processo referese apenas a imputação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. É o que se constata facilmente da consulta ao Auto de Infração, efls. 03 a 19. Registrese, ainda, que o auto de infração sofreu posterior revisão de ofício, nos termos do Despacho Decisório de efls. 71 a 73, que assim decidiu: Retificar o lançamento do débito em referência, aplicando a multa prevista na Lei nº 8.212/91, art. 32, § 4º, c/c o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, art. 284, I, no valor de R$ 3.586,17 (três mil, quinhentos e seis reais, dezessete centavos). O apela da Fazenda Nacional, contudo, pleiteia a definição da penalidade mais benéfica partindo da premissa de que o lançamento compreende imposto e multa. o que, como se viu, não é o caso. Por basearse em premissa equivocada, a Fazenda Nacional também indicou como paradigma acórdão (240100.120) em que tratou de situação em que houve lançamento de tributo e penalidade pelo descumprimento de obrigação principal, numa clara dissimilitude fática. Ora, o requisito fundamental de admissibilidade do Recurso Especial é a demonstração do dissídio jurisprudencial, inclusive de forma analítica, a teor do art. 67 do RICARF, aprovado pelo Decreto nº 343, de 2015, com alterações posteriores. Confirase: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10380.005520/200809 Acórdão n.º 9202007.135 CSRFT2 Fl. 4 5 Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. [...] § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Sem similitude fática entre o acórdão recorrido e o(s) paradigma(s) não é possível aferir se os acórdão recorrido e paradigma divergem quanto à interpretação da legislação, o que, obviamente, só é possível aferir mediante a verificação de que, em relação a fatos idênticos, ou, pelo menos similares, um e outro deram soluções distintas. Assim, seja porque baseado em premissa equivocada, seja porque não há similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma, o recurso não demonstra a divergência, razão pela qual não pode ser conhecido. Ante o exposto, não conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.004856/2003-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
1- Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72.
Numero da decisão: 9101-003.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a decadência da CSLL do segundo trimestre de 1998.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 1- Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2.394 1 2.393 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10930.004856/200368 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.815 – 1ª Turma Sessão de 2 de outubro de 2018 Matéria IRPJ DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TOYOPAR COMERCIO DE VEICULOS E PECAS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUBMETIDOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO. FATORES DETERMINANTES. PAGAMENTO. DECLARAÇÃO PRÉVIA DE DÉBITO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. 1 Para os tributos submetidos a lançamento por homologação, o ordenamento jurídico prevê a ocorrência de duas situações, autônomas e não cumulativas, aptas a concretizar contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, em detrimento do ambos do CTN. Uma é constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo. Caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. A outra é verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para afastar a decadência da CSLL do segundo trimestre de 1998. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 48 56 /2 00 3- 68 Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Acórdão n.º 9101003.815 CSRFT1 Fl. 2.395 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Adriana Gomes Rego. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 1980/1994) em face da decisão proferida no Acórdão nº 10808.394 (efls. 1948/1977), pela Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 07/07/2005, no qual foi negado provimento ao recurso de ofício, acolhida decadência do IRPJ e CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998 e negado provimento ao recurso voluntário. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: IRPJ PIS DECADÊNCIA Ao tributo sujeito à modalidade de lançamento por homologação, que ocorre quando a legislação impõe ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, aplicase a regra especial de decadência insculpida no parágrafo 4o do"" artigo 150 do CTN, refugindo à aplicação do disposto no art. 173 do mesmo Código. Nesse caso, o lapso temporal de cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Decadente a exigência do IRPJ e PIS em relação aos fatos geradores ocorridos até 31 de agosto de 1998, quando a ciência da autuação pela interessada se deu em 26/09/2003. COFINS e CSLL DECADÊNCIA ACOLHIDA É cristalino o entendimento de que sendo o lançamento da COFINS e da CSLL por homologação, decai em 05 (cinco) anos o direito da Fazenda em procedêlo, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO A falta de comprovação, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, dos saldos das contas componentes do passivo do balanço patrimonial autoriza a presunção legal que as obrigações foram pagas com receitas mantidas à margem da Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Acórdão n.º 9101003.815 CSRFT1 Fl. 2.396 3 escrituração, cabendo à contribuinte a prova da improcedência desta presunção. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. IRPJ GLOSA DE DESPESAS VARIAÇÃO MONETÁRIA PASSIVO NÃO COMPROVADO São indedutíveis na apuração do Lucro Real as despesas cuja efetividade não é comprovada por documentos hábeis e idôneos, mormente quando inexistente o passivo sobre o qual se baseou a variação monetária. TAXA SELIC TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS SOBRE OMISSÃO DE RECEITAS INCONSTITUCIONALIDADE Não cabe a este Conselho negar vigência a lei ingressada regularmente no mundo jurídico, atribuição reservada exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento final e definitivo. TAXA SELIC JUROS DE MORA PREVISÃO LEGAL Os juros de mora são calculados pela Taxa Selic desde janeiro de 1995, por força da Medida Provisória n° 1.621. Cálculo fiscal em perfeita adequação com a legislação pertinente. PIS COFINS TRIBUTAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS Por força do disposto na Lei n° 9.249/95, art. 24, § 2o , o valor da receita omitida deve ser considerado como base de cálculo do PIS e da Cofins. CSL PIS COFINS LANÇAMENTOS DECORRENTES O decidido no julgamento da exigência principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada nos lançamentos dela decorrentes, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. A PGFN interpôs recurso especial, por contrariedade à lei, com base no art. 32, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes vigente à época, em face do entendimento da decisão recorrida em reconhecer a decadência para a CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998, aplicando a contagem para tributos sujeitos a lançamentos por homologação nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Protestou a recorrente pela aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para as contribuições sociais destinadas à seguridade social. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 2004/2005) deu seguimento ao recurso especial. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 2011/2019) pugnando pela manutenção da aplicação da contagem decadencial prevista no art. 150, § 4º do CTN. Em apreciação inicial, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 7 de fevereiro de 2018, resolveu converter o julgamento em diligência, por meio Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Acórdão n.º 9101003.815 CSRFT1 Fl. 2.397 4 da Resolução nº 9101000.044 (efls. 2328/2333), para que a unidade preparadora informasse se as contribuições sociais foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida. O resultado da diligência foi apresentado no RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO SACAT/DRF/LON/PR (efls. 2355/2356). Cientificada do relatório da unidade preparadora, a Contribuinte apresentou petição (efls. 2363/2375), protestando sobre a realização da diligência, que estaria fora da discussão posta nos presentes autos, que seria se a decadência para contribuições sociais estaria submetida ao prazo decadencial de dez anos. A PGFN também apresentou petição (efls. 2385/2390), no sentido de ratificar o resultado da diligência, que não atestou a ocorrência de pagamento para a CSLL do segundo trimestre de 1998. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso especial da PGFN. Registrese que se trata de recurso em face de contrariedade à lei, com fulcro no art. 32, inciso I do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. A matéria devolvida diz respeito à decadência, para a CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998. Aduz a Contribuinte, em petição apresentada às efls. 2363/2375, em manifestação realizada em face do resultado da diligência, RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO SACAT/DRF/LON/PR, no qual foi demandado que a unidade preparadora informasse se as contribuições de seguridade social objeto de análise foram objeto de pagamento ou declaração com efeito de confissão de dívida, que o procedimento teria extrapolado os limites de discussão da lide, vez que a matéria posta seria apreciar apenas se para a decadência das contribuições sociais seria aplicável o prazo de dez anos. Não lhe assiste razão. A matéria devolvida é apreciar se restou consumada a decadência para as contribuições de seguridade social. No caso concreto, as mudanças legislativas e jurisprudenciais conduziram a uma alteração do entendimento anteriormente vigente. O art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para as contribuições sociais destinadas à seguridade social, foi revogado, o que conduziu Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Acórdão n.º 9101003.815 CSRFT1 Fl. 2.398 5 a contagem do prazo decadencial para a sistemática prevista no Código Tributário Nacional (CTN). E a discussão sobre qual regra de contagem decadencial seria aplicável seria aplicável, o art. 150, § 4º, ou o art. 173, inciso I, teve entendimento concretizado pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, inclusive de aplicação vinculante aos conselheiros do CARF. Assim, uma vez conhecido o recurso, e passandose para a apreciação do mérito, cabe ao presente Colegiado aplicar o direito, conforme previsto no artigo 1.034 do novo Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo tributário: Art. 1.034. Admitido o recurso extraordinário ou o recurso especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça julgará o processo, aplicando o direito. Assim, se a aplicação do direito, no caso, implica em verificar se existe pagamento nos autos ou declaração com efeito de confissão de dívida, motivo pelo qual foi encaminhada a diligência para a unidade preparadora, não há que se falar em nenhum excesso. Portanto, não há que se falar em julgamento extra petita, pelo contrário, a apreciação encontrase precisamente dentro dos limites legais, tanto de ordem material quanto processual. Manifestouse ainda da PGFN em petição (efls. 2385/2390) apresentada para se manifestar a respeito da diligência, que o primeiro trimestre da CSLL também seria objeto de apreciação. Não lhe assiste razão. Inclusive, a unidade preparadora opôs embargos, que foram rejeitados pelo Acórdão nº 110300.545, da sessão de 04 de outubro de 2011: Relatório: Trata o referido julgamento de um embargo da DRF de Londrina – PR, a respeito dos acórdãos 10808.394 e 10809.297, ambos da antiga 8ª Câmara do 1º Conselho dos Contribuintes. Aquela Delegacia da Receita Federal do Brasil indagou: Se foi ou não acolhida a decadência referente ao débito do 1º trimestre da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Pergunta, ainda, se positivo se este débito está albergado pelo Recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional fl. 1954/1969. Se deve ser exigido como débito da CSLL do 3º trimestre a contribuição de R$ 117.651,97. ou este valor deverá ser adequado no sentido de exonerar a parcela resultante do recálculo da base de negativa face a decadência do 2º trimestre de 1998 (e até o 1º trimestre de 1998). Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Acórdão n.º 9101003.815 CSRFT1 Fl. 2.399 6 Voto (...) Do voto vencedor fl. 1951 do acórdão original extraio: “Diante do exposto, voto por acolher a preliminar de decadência suscitada em relação a CSLL (2º trimestre e a COFINS dos fatos geradores ocorridos até 31.08.1998.” Assim, está claro o período da decadência. Quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, este item não tem relação com o acórdão embargado. (...) Os embargos do acórdão recorrido foram claros ao tratar de questão, delimitando claramente o período de decadência reconhecido: CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998. Obviamente, fatos geradores anteriores não foram atingidos pelo prazo decadencial nos termos do Acórdão nº 10808.394. Passo ao exame da matéria decadência para a CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998. Dois aspectos devem ser considerados na análise do prazo decadencial. Primeiro, o regime de tributação a que se encontra submetido o contribuinte, para que se possa estabelecer com clareza o termo inicial de contagem. Segundo, qual a regra do CTN aplicável ao caso concreto: (1) do art. 150, § 4º, ou (2) do art. 173, inciso I. E como já dito, para a devida contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, há que se observar entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC, apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Acórdão n.º 9101003.815 CSRFT1 Fl. 2.400 7 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Grifei) Ou seja, são dois elementos determinantes para verificar se cabe a contagem do prazo decadencial do art. 150, §4º ou do art. 173, inciso I, ambos do CTN: 1º) constatar se houve pagamento espontâneo ou declaração prévia de débito por parte do sujeito passivo, sendo que, caso negativo, a contagem da decadência segue a regra do art. 173, inciso I do CTN, consoante entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n.º 973.733/SC , apreciado sob a sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, decisão que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante § 2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015; Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Acórdão n.º 9101003.815 CSRFT1 Fl. 2.401 8 2º) verificar se restou comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, que enseja a qualificação de multa de ofício e, por consequência, a contagem do art. 173, inciso I do CTN, consoante Súmula CARF nº 72 1. Quanto ao conceito de declaração prévia de débito, entendo, numa acepção geral, que se caracteriza por ato que implique em confissão da dívida por parte do sujeito passivo. Assim, podem também ser considerados, além do pagamento espontâneo, por exemplo, o debito confessado em DCTF, em compensação tributária ou parcelamento. Os presentes autos tratam de apreciar a decadência para a CSLL do 2º trimestre e do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até 31/08/1998. A diligência efetuada pela autoridade preparadora, para verificar se as contribuições de seguridade social foram objeto de pagamento ou confissão de dívida, apresentou o seguinte resultado: Tributo Fato Gerador Valor lançado de ofício Valor DIPJ/99 (com efeito de confissão de dívida) Valor pago CSLL 2973 jun/98 44.497,75 0,00 0,00 Cofins 2960 jan/98 440,00 12.334,55 12.334,55 Cofins 2960 mar/98 39.961,00 11.006,01 11.006,01 Cofins 2960 abr/98 412,20 8.835,50 8.835,50 Cofins 2960 mai/98 4.708,87 8.438,68 8.438,68 Cofins 2960 jun/98 12.069,12 10.038,17 10.038,17 Cofins 2960 jul/98 1.085,22 3.431,80 3.431,80 Cofins 2960 ago/98 24.558,47 6.807,38 6.807,38 PIS 2986 jan/98 143,00 4.036,59 4.036,59 PIS 2986 mar/98 12.987,32 3.576,95 3.576,95 PIS 2986 abr/98 133,96 2.871,54 2.871,54 PIS 2986 mai/98 1.530,38 2.742,57 2.742,57 PIS 2986 jun/98 3.922,47 3.262,40 3.262,40 PIS 2986 jul/98 352,69 3.717,77 3.717,79 PIS 2986 ago/98 7.981,50 2.212,40 2.212,40 Como se pode observar, para a CSLL do segundo trimestre de 1998 não consta pagamento e tampouco declaração com efeito de confissão de dívida. Cabe, portanto, aplicação do prazo previsto no art. 173, inciso I do CTN. O lançamento de ofício versa sobre CSLL, apurada em regime trimestral, relativa ao fato gerador 30/06/1998. O "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", assim, é o dia 01/01/1999, sendo o termo final 31/12/2004. Tendo sido a ciência do lançamento dada em 26/09/2003 (efl. 1667), não há que se falar em decadência. 1 Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 10930.004856/200368 Acórdão n.º 9101003.815 CSRFT1 Fl. 2.402 9 Por outro lado, para as demais contribuições de seguridade social, cabe ser mantida a decadência, mediante aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Os fatos geradores mais recentes do PIS e da Cofins, 30/08/1998, poderiam ser objeto de lançamento de ofício até 30/08/2003. Tendo sido a ciência dada em 26/09/2003, resta consumada a decadência. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento parcial ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência da CSLL do segundo trimestre de 1998. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2402DF CARF MF
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