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Numero do processo: 10120.907655/2009-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do
crédito para o qual pleiteia compensação.
Numero da decisão: 3002-000.598
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 38/42 dos autos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 76 55 /2 00 9- 44 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10120.907655/200944 Acórdão n.º 3002000.598 S3C0T2 Fl. 3 2 "Cuidam os autos da Compensação de crédito, decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior, efetuado em 13/02/2004, com débito(s) próprio(s) da contribuinte. Irresignada com a não homologação da compensação, a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Providenciou a retificação da Dctf em 01/07/2009, corrigindo o débito da Cofins de R$ 21.442,94 para 13.996,49, fato que originou o crédito declarado na Dcomp. Caso não haja reconsideração do despacho decisório, seja dado efeito suspensivo aos supostos débitos apurados." Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: "APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A Manifestação de Inconformidade suspende a exigibilidade do crédito tributário (débito objeto da compensação). DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos." Uma vez intimado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls. 51/59) oportunidade em que repisou as razões desenvolvidas em sua manifestação de inconformidade. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10120.907655/200944 Acórdão n.º 3002000.598 S3C0T2 Fl. 4 3 É o breve relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, pretende o contribuinte, através do seu Recurso Voluntário, ver reformada a decisão recorrida, para fins de reconhecer o seu direito creditório, com a consequente homologação do pedido de compensação apresentado. Primeiramente, insta destacar que o despacho denegatório da compensação perpetrada pautouse pelo fato do crédito utilizado pelo contribuinte ter sido utilizado para saldar outro débito, ou seja, pelo fato do crédito apontado pelo contribuinte já ter sido utilizado previamente. Ciente deste despacho, o contribuinte retificou a DCTF sobredita em (01/07/2009) recibo nº 28.79.26.39.71.58 e em sua manifestação de inconformidade, relatou que a origem do pedido de compensação decorria de pagamento a maior de COFINS. De início, é válido observar que, a DRJ deixou de deferir o pleito do contribuinte, por entender que "a ciência do despacho deuse em 29/06/2009 e a entrega da retificadora em 01/07/2009, portanto, após ato da autoridade que decidiu pela não homologação da compensação", argumentando ainda que "sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme reza a legislação tributária (art. 5.º do DL n.º 2.124, de 1984, e demais atos normativos da SRF pertinentes a DCTF), a retificação por parte do declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante a comprovação do erro em que se funde, e antes de notificação do ato fiscal ou qualquer procedimento administrativo (CTN, Arts. 147, § 1º, e 139, § único)", concluindo que "ademais, a competência para apreciar declaração retificadora apresentada, antes de qualquer procedimento ou ato de ofício, é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal". Contudo, considerando que, após o envio da DCTF retificadora, a unidade de origem não chegou a apreciar o direito creditório em comento (repisese que a DCTF retificadora foi transmitida após o despacho decisório, o que impossibilitou a análise da DRF acerca da regularidade da correção ali realizada), entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Por oportuno, é válido mencionar que a legislação pátria não impõe qualquer impedimento para que a DCTF seja retificada após a transmissão da DCOMP ou do despacho decisório, nem afasta da DCTF retificadora o seu efeito natural de substituir a DCTF originalmente apresentada. Sobre os efeitos da DCTF retificadora, tragase à colação o art. 18 da MP nº 2.18949/2001, bem como o art. 11 da Instrução Normativa nº 903/2008, in verbis: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10120.907655/200944 Acórdão n.º 3002000.598 S3C0T2 Fl. 5 4 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. *** Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada do início de procedimento fiscal. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, verificase que o caso concreto aqui analisado (procedimento eletrônico de não homologação da compensação pleiteada em razão da não localização de créditos suficientes) não se encontra dentre as hipóteses expressamente previstas na legislação em que a retificadora não surtirá efeitos. Logo, inferese que os efeitos da DCTF retificadora em tal caso, desde que validamente comprovadas as alterações ali inseridas, serão os mesmos da DCTF originalmente transmitida. Consolidando o entendimento acima disposto, oriundo da legislação que rege a matéria, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015 assim dispôs: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10120.907655/200944 Acórdão n.º 3002000.598 S3C0T2 Fl. 6 5 As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10120.907655/200944 Acórdão n.º 3002000.598 S3C0T2 Fl. 7 6 O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014." Do transcrito acima, extraise que a limitação trazida pela legislação para fins de admissão de DCTF retificadora tendente à homologação de pedidos de compensação é de que esta retificadora esteja em linha com o princípio da verdade material, correspondendo aos valores corretamente registrados nos registros contábeis/fiscais da empresa, e que não esteja divergente de outras declarações apresentadas pelo contribuinte, a exemplo da DIPJ e Dacon. Ou seja, mesmo após o despacho decisório, é possível que a DCTF retificadora atinja os seus efeitos de substituir a original, desde que os valores ali retificados correspondam à realidade dos fatos. Entretanto, em tal caso, é cediço que a comprovação há de ser realizada pelo contribuinte, visto que incumbe a ele o ônus probatório no caso de pedido de compensação. Nos termos do que dispõe o art. 373 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova incumbe ao autor (no caso ora analisado ao contribuinte que iniciou o processo de compensação), quanto ao fato constitutivo do seu direito (correspondente à comprovação do direito ao crédito tributário que pretende ter reconhecido para fins de homologação da compensação). É o que se infere da transcrição a seguir: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso dos presentes autos, verificase que o contribuinte, observando a sua obrigação processual, não trouxe aos autos elementos probatórios que apresentamse aptos a demonstrar o seu direito creditório. Pelo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente). Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10120.907655/200944 Acórdão n.º 3002000.598 S3C0T2 Fl. 8 7 Alan Tavora Nem Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002173/2010-74
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS.
O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte.
MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, bem como o próprio transporte do produto (frete) são essenciais a sua proteção e integridade e geram direito a créditos no regime das contribuições não-cumulativas, com exceção dos casos do frete nas operações de venda destas mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, nos termos do § 4° do art. 6 da Lei n° 10.833/2003.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE.
No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
Numero da decisão: 3003-000.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório sobre os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições não-cumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, bem como o próprio transporte do produto (frete) são essenciais a sua proteção e integridade e geram direito a créditos no regime das contribuições não-cumulativas, com exceção dos casos do frete nas operações de venda destas mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, nos termos do § 4° do art. 6 da Lei n° 10.833/2003. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório sobre os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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E EXP. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. O conceito de insumos, no contexto das contribuições nãocumulativas, deve ser interpretado à luz dos critérios da essencialidade e relevância do bem ou serviço para o processo produtivo ou prestação de serviços realizados pelo contribuinte. MATERIAIS DE EMBALAGEM. TRANSPORTE. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens utilizados para transporte de produtos, bem como o próprio transporte do produto (frete) são essenciais a sua proteção e integridade e geram direito a créditos no regime das contribuições nãocumulativas, com exceção dos casos do frete nas operações de venda destas mercadorias adquiridas com o fim específico de exportação, nos termos do § 4° do art. 6 da Lei n° 10.833/2003. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA DA RECORRENTE. No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus da recorrente a comprovação precisa e minuciosa do direito alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 21 73 /2 01 0- 74 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 305 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito creditório sobre os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento, por meio de PER/DCOMP, de COFINS exportação, apurado no regime nãocumulativo, com base no §1º do artigo 6º da lei 10.833 de 2003, relativo ao 2º. trimestre de 2009, no valor de R$ 29.073,29. Em verificação fiscal do PER/DCOMP, foram realizadas as seguintes glosas: 1) Embalagens (caixa de papelão ondulado, etiquetas, cinta, cantoneira, selo, bandeja para maçã, rótulo, fundos e tampos de papelão ondulado), porque essas embalagens, embora essenciais à garantia da integridade de seu conteúdo, por não conterem rótulos dispensáveis ou indicações promocionais que tenham implicado em despesas mais elevadas em sua elaboração, não tinham o objetivo de, por si, motivar a compra do produto nelas acondicionado ou valorizálos em razão dos materiais e acabamentos nelas empregados, que é o que caracteriza uma embalagem de apresentação; 2) despesas com fretes nas operações de vendas dos produtos industrializados, vinculados às exportações, tendo em vista que este processo se refere aos créditos decorrentes das vendas no mercado interno. Nesse sentido foi reconhecido apenas parte do pedido de ressarcimento, nos seguintes termos do resumo do crédito: Antes desta auditoria fiscal, o contribuinte tinha apurado um crédito total, conforme Dacon, no valor de R$ 36.198,98, sendo R$ 7.125,69 a título de mercado interno nãotributado e R$ 29.073,29 a título de mercado externo, conforme os rateios realizados pelo contribuinte (Obs: esses valores foram obtidos após a dedução do saldo de crédito de meses anteriores, pois este saldo já foi objeto de pedido de ressarcimento anterior). Em virtude das glosas, o montante do crédito apurado pelo contribuinte reduziu para R$ 4.192,11, sendo RS 1.280,96 a Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 306 3 título de mercado interno nãotributado e R$ 2.911,15 a título de mercado externo, conforme o devido rateio em relação às receitas de vendas. Em face de tais glosas, com o consequente não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (sem acrescentar nenhuma prova), efls 250/256, na qual alegou, em síntese, que há previsão legal para o creditamento das despesas com frete, acondicionamento e armazenagem, assim como das despesas com materiais de embalagem necessários para o acondicionamento de produtos e para a garantia de sua integridade até a entrega ao cliente. A 4ª Turma da DRJ em Florianópolis proferiu acórdão n. 0731.953, efls 279/285. cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS.Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividade fim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo a sua aplicação direta ao produto fabricado. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito a creditamento relativo às suas aquisições. São consideradas embalagens de apresentação, para fins de direito creditório da não cumulatividade aquelas que: tem como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final; contêm o produto em quantidades compatíveis com sua venda no varejo e apesar de conter quantidades maiores, contenham rótulos destinados exclusivamente ao propósito de promover ou valorizar o produto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 307 4 RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (sem acrescentar nenhuma prova), efls 288/298, sustentando o seguinte: 1. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com embalagens: sustenta a recorrente que as glosas foram realizadas em virtude da receita aplicar o conceito do IPI para definição de insumos e utilizar o mesmo conceito para aplicar na apuração dos créditos de COFINS, para fins da nãocumulatividade e por essa razão as embalagens terem sido consideradas embalagens de transporte. Argumenta, porém, que os gastos com materiais de embalagem são necessários para o acondicionamento e integridade do produto. Nesse caso, sustenta a recorrente, que os materiais de embalagem caixas de papelão, etiquetas, pallets, etc. não se destinam meramente ao fim de transporte, mas de materiais necessários para que o produto chegue em ótimas condições no ponto de venda. Aduz, por fim, que as referidas despesas devem ser consideradas como insumo, uma vez que necessárias para a preservação da integridade dos produtos comercializados (frutas); 2. No tocante à glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes: a recorrente afirma que a glosa de parte das despesas com frete se deu pela ausência se sua comprovação. A recorrente sustenta, então, que possui sim direito a esses créditos, eis que as mercadorias foram adquiridas com a incidência de COFINS e, portanto, devem gerar créditos em sua saída em razão da nãocumulatividade e que todos os documentos foram apresentados tempestivamente pela Recorrente em atendimento à intimação anterior do Fisco. Por fim, a recorrente aduz que a decisão recorrida aplicou o conceito de insumos previsto na legislação do IPI, distanciandose, assim, do entendimento de diversas decisões, inclusive do CARF, que corroboram a sua tese. Voto Conselheiro Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo à análise do mérito. I Do conceito de insumos Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 308 5 Inicialmente, importa destacar que, a jurisprudência recente do CARF tem afastado a interpretação restritiva consolidada no âmbito do IPI e rejeitado a aplicação do amplo conceito de insumos consagrado na legislação do Imposto sobre a Renda, posto que o judiciário também tem entendido que cabe a relativização do conceito de insumos analisando caso a caso, conforme veremos. Nesse sentido o conceito de insumos, no âmbito da COFINS não cumulativos, pressupõe que os bens ou serviços sejam consumidos durante o processo produtivo (ou de prestação de serviços) e dentro de seu espaço, salvo expressas disposições legais, como é o caso das despesas com frete e armazenagem nas operações de comercialização, as quais se dão após o término do processo produtivo, mas geram direito a crédito de COFINS por inequívoca previsão normativa: art. 3º, inciso IX, e art. 15, inciso II, ambos da Lei 10.833/03. A jurisprudência majoritária do CARF se orienta, portanto, no sentido de vincular o conceito de insumos à relação de pertinência ou inerência da despesa incorrida com o limite espaçotemporal do processo produtivo (ou de prestação de serviços). Na esteira de tal entendimento, os excertos da ementa e do voto vencedor do Acórdão nº 9303002.659, Processo nº 13204.000070/200455, sessão de 14/11/2013, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, transcritos abaixo, sublinham a necessidade de pertinência entre o gasto ao qual se busca aplicar o conceito de insumos e sua inerência ao processo produtivo (grifo meu): EMENTA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Este colegiado fixou o entendimento de que a legislação do IPI que define, no âmbito daquele imposto, o que são matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem não se presta à definição de insumo no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos, definição que tampouco deve ser buscada na legislação oriunda do imposto de renda. A corrente majoritária sustenta que insumos são todos os itens, inclusive serviços, consumidos durante o processo produtivo sem a necessidade de contato físico com o produto em elaboração. Mas apenas se enquadra como tal aquilo que se consuma durante a produção e em razão dessa produção. Assim, nada que se consuma antes de iniciado o processo ou depois que ele se tenha acabado é insumo, assim como também não são insumos bens e serviços que beneficiarão a empresa ao longo de vários ciclos produtivos, os quais devem ser depreciados ou amortizados; é a correspondente despesa de depreciação ou amortização, quando expressamente autorizada, que gera direito de crédito. Recurso Especial do Procurador Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. VOTO CONDUTOR (...) Para uma primeira corrente, que se formou concomitantemente à que a Fazenda mais uma vez pretende seja aplicada, e em antítese a ela, a Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 309 6 demarcação deviase buscar nas normas atinentes ao imposto sobre a renda, equiparandose, assim, a expressão a tudo que fosse despendido, de forma necessária, seja como custo ou despesa. Essa posição também já se encontra superada, entendendo a maioria que nem tudo que é despendido, ainda que contabilmente até possa ser registrado como custo ou despesa, é verdadeiramente consumido no processo. Essa posição majoritária, portanto, acentua a necessidade de que o consumo ocorra durante a produção, isto é, que o bem (ou serviço) seja consumido enquanto perdura o processo produtivo, entendido este, obviamente, em sentido amplo para englobar até mesmo a “produção” de serviços. Afastam se, em conseqüência, os gastos ocorridos antes ou depois de iniciado aquele processo por mais que possam ser necessários à produção. E por esse mesmo critério também têm de ser rejeitados aqueles dispêndios em bens e serviços que produzirão efeito ao longo de diversos ciclos produtivos. Tais desembolsos ocorrem, no mais das vezes, em obras ou bens permanentes, hipótese em que devem, pela própria contabilidade, ser ativados. Deles apenas as correspondentes despesas de depreciação ou amortização podem ser deduzidas como créditos, mas apenas nas restritivas condições demarcadas pela própria norma legal específica. (...) Vale, por fim, o registro de que a própria lei expressamente autorizou o direito de crédito com relação a algumas despesas que ocorrem após o fim do processo (frete do produto final, armazenagem) ou relativas a gastos que beneficiam mais de um ciclo produtivo (depreciações e amortizações). Sua inclusão explícita confirma que em tais casos de insumos propriamente não se trata, sendo imprescindível a expressa referência no texto legal. Pela leitura dos excertos, podese observar que o conceito de insumos exige o consumo de bens ou serviços no contexto do processo produtivo, excluindose, de tal conceito, as despesas que não tenham pertinência com o processo produtivo salvo exceções legais explícitas. Não posso me furtar de sinalizar que tal matéria foi levada ao poder judiciário e, em decisão recente, o Superior Tribunal de Justiça, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), vejamos a decisão: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 310 7 comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (Resp n.º 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Conforme se verifica, o STJ relativizou o conceito, atribuindo a análise do caso concreto a responsabilidade por decidir a essencialidade e a relevância, afastando, desse modo, aquele conceito restritivo de insumos enunciado pelas IN´s nº 247/2002 e 404/2004. Assim, o STJ assimilou uma concepção de insumos que é intermediária, distinta daquelas albergadas pela legislação do IPI e do Imposto de Renda. O conceito formulado pelo STJ, baseado na essencialidade e relevância é de grande abrangência e não esta vinculado a conceitos contábeis (custos, despesas, imobilizado, intangíveis e etc), de forma que a modalidade de creditamento sobre a aquisição de insumos deve ser vista como regra geral de apuração de créditos para as atividades de produção de bens e de prestação de serviços, sem prejuízo das demais hipóteses previstas em lei. Entendo que andou bem o STJ, em especial da leitura de seu voto condutor, que de forma clara determina a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Sendo de relevante importância a fase instrutória do processo administrativo. Nessa mesma linha, porém de forma mais material, se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais na votação do acórdão nº. 9303007.719– 3ª Turma, assim ementado: CONCEITO DE INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 311 8 empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. DESPESAS. FRETES. PRODUTOS ACABADOS. TRANSFERÊNCIA/ TRANSPORTE. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, DEPÓSITO FECHADO, ARMAZÉM GERAL. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte e/ ou para depósito fechado e armazém geral para venda posterior constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. Feitas tais ponderações e esclarecido o posicionamento desta relatoria, passamos a analisar o caso concreto posto em julgamento. II Da glosa dos créditos referentes a despesas com embalagens No caso concreto, constatase que o colegiado a quo sustentou a glosa de despesas com material de embalagem, pois, segundo seu entendimento, construído a partir da interpretação das IN´s nº 247/2002 e 404/2004, as embalagens para transporte não dão direito a créditos no regime nãocumulativo: a decisão recorrida adota a distinção entre embalagens de transporte e embalagens de representação. No tocante ao creditamento das despesas com embalagens, cabe lembrar que a 3ª. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu sobre tal matéria recentemente, tendo assumido o conceito de insumos esposado na decisão do STJ acima exposta, exarando o Acórdão nº. 9303006.068, cujos excertos importantes para a presente análise, extraídos do voto condutor do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, estão a seguir transcritos (grifamos algumas partes): A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 312 9 xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS nãocumulativos. (...)Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 313 10 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " A fundamentação acima exposta esta em linha com a decisão do STJ (Resp n.º 1.221.170 PR), de maneira que descordo do entendimento assumido na decisão recorrida, já que ela esta apoiada em atos normativos já ultrapassados. Analisando o caso concreto, e tendo em mente a atividade desenvolvida pela recorrente produção e comercialização de frutas verificase que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente são essenciais para a conservação e integridade de seus produtos. Nesse passo, o meu entendimento, que é filiado ao entendimento do STJ, é de reconhecer que os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos devem integrar o conceito de insumos, de maneira que deve ser afastada a glosa das respectivas despesas que foram devidamente comprovadas, aqui observo que, em concordância com a análise fiscal, o crédito deve considerar apenas as despesas devidamente comprovadas. III Da glosa dos créditos atinentes a despesas com fretes Alega a recorrente que possui direito ao crédito relativo aos fretes das mercadorias adquiridas com a incidência de PIS e COFINS já que elas geram créditos em sua saída em razão da nãocumulatividade. O despacho decisório, ao tratar do assunto, afirmou que essas despesas de fretes nas operações de venda, na sua maioria, foram consideradas corretas, contudo, careceu de provas em alguns lançamentos, vejamos: Em relação aos serviços, a memória de cálculo apresentou valores referentes a transporte nas vendas das frutas, tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo. Essas despesas de fretes nas operações de venda, na sua maioria, foram consideradas corretas, apesar de terem sido lançadas em linha equivocada do Dacon (deveriam ter sido lançadas na linha 07 das fichas 06A e 16A). Todavia, alguns valores de fretes relacionados às exportações foram glosados, visto que alguns Conhecimentos de Transporte estavam vinculados a notas fiscais de venda que não foram localizadas nos arquivos apresentados pela requerente, e para outros Conhecimentos não foi informada a nota fiscal de venda vinculada, ou seja, Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 314 11 nesses dois casos não houve a comprovação de que os respectivos fretes vinculavamse, de fato, a operações de venda. Foi constatado, também, que vários Conhecimentos estavam vinculados a notas fiscais de venda cujo CFOP era 7501 (exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação). Como a aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação não gera direito ao crédito, conforme § 4o do art. 6 da Lei n° 10.833/2003, transcrito abaixo (grifos nossos), o frete nas operações de venda destas mercadorias (adquiridas com o fim específico de exportação) também não gera direito ao crédito. Quanto aos créditos das despesas com fretes, observase que houve glosa de créditos em virtude ter sido constatado, que dois conhecimentos estavam vinculados a notas fiscais de venda cujo CFOP era 7501 (exportação de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação). Como a aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação não gera direito ao crédito, conforme § 4° do art. 6 da Lei n° 10.833/2003 (grifos nossos), o frete nas operações de venda destas mercadorias (adquiridas com o fim específico de exportação) também não gera direito ao crédito. Vejamos o que diz a lei 10.833 de 2003. Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei n" 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 315 12 por qualquer das formas previstas no §1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Nesse sentido, a lei nos termos expostos acima deve ser aplicada, de maneira que a aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação não gera direito ao crédito, tendo em vista que a empresa recorrente é uma empresa exportadora. Ocorre que a recorrente insiste no pedido de crédito dessas despesas em seu Recurso Voluntário, embora que de forma genérica, o que me leva a crer que seu pedido esta relacionado ao que não foi homologado no despacho decisório: a aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação. Assim, o entendimento ao qual me filio é de que cabe créditos das despesas com fretes, posto que o transporte do produto é essencial "para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte",contudo, no que for comprovado que as referidas despesas tenham sido realizadas na aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação esse crédito não é devido, bem como as demais despesas não comprovadas também devem ser glosadas. E no que se refere as provas, fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que estabelece o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10925.002173/201074 Acórdão n.º 3003000.087 S3C0T3 Fl. 316 13 Assim, no caso concreto, o relato fiscal fundamentado com as planilhas alimentadas a partir das informação do DACON é a prova que contribui para o entendimento de que os valores referentes ao frete de bens para revenda com o fim específico de exportação, não gera direito ao crédito. Nesse lastro, observo que o recorrente não tratou dessa matéria em seu recurso, de modo que não impugnou o posicionamento fiscal, não trouxe provas que desconstituísse essas informações fazendo com que o fato seja incontroverso, acarretando inclusive na preclusão da matéria, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...)§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Reconheço que os valores referentes a transportes nas vendas das frutas, conhecidos como despesas com frete, devem integrar o conceito de insumos, contudo, no que for comprovado que as referidas despesas tenham sido realizadas na aquisição de bens para revenda com o fim específico de exportação esse crédito não é devido por determinação legal do § 4° do art. 6º da Lei n° 10.833/2003. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório nos seguintes termos: dar provimento ao pedido de crédito sobre os materiais de embalagem utilizados pela recorrente na conservação, armazenagem e preservação da integridade de seus produtos, apenas no que foi devidamente comprovado; negar provimento ao pedido sobre as despesas com frete. Márcio Robson Costa Relator Fl. 316DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.003186/2007-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9303-007.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran,, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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(nova denominação de ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA PAULISTA S/A) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2004 BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. EFEITOS. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Uma vez que somente o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 tenha sido declarado inconstitucional, no sistema cumulativo de apuração, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep é o faturamento mensal da pessoa jurídica, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO AUFERIDA. DISPÊNDIOS FUTUROS A ELA ASSOCIADOS. EXCLUSÃO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Por ausência de previsão legal, não podem ser deduzidos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP os valores recebidos por execução de atividade remunerada, nos casos em que houver a interveniência de terceiros contratados, que, por força de circunstâncias materiais e/ou contratuais, recebam do contratante, em momento posterior, parte da remuneração auferida por ele. Tampouco se admite a dedução da base de cálculo dos valores correspondentes à chamada recuperação de despesa por força do repasse de mãodeobra a outra operadora ou, ainda, nas situações em que haja a subconcessão ou subarrendamentos de direitos outorgados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 31 86 /2 00 7- 14 Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2004 BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. LEI 9.718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. EFEITOS. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Uma vez que somente o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 tenha sido declarado inconstitucional, no sistema cumulativo de apuração, a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é o faturamento mensal da pessoa jurídica, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. BASE DE CÁLCULO. REMUNERAÇÃO AUFERIDA. DISPÊNDIOS FUTUROS A ELA ASSOCIADOS. EXCLUSÃO. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Por ausência de previsão legal, não podem ser deduzidos da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins os valores recebidos por execução de atividade remunerada, nos casos em que houver a interveniência de terceiros contratados, que, por força de circunstâncias materiais e/ou contratuais, recebam do contratante, em momento posterior, parte da remuneração auferida por ele. Tampouco se admite a dedução da base de cálculo dos valores correspondentes à chamada recuperação de despesa por força do repasse de mãodeobra a outra operadora ou, ainda, nas situações em que haja a subconcessão ou subarrendamentos de direitos outorgados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran,, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos pela FAZENDA NACIONAL (efls. 2.339 a 2.363) e pela Contribuinte RUMO MALHA PAULISTA S/A (nova denominação de ALL AMÉRICA LATINA LOGÍSTICA MALHA PAULISTA S/A) (efls. 2.428 a 2.447), com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e 343/2015, respectivamente, buscando a reforma do Acórdão de recurso voluntário nº 3402001.797 (efls. 2.300 a 2.337) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26 de junho de 2012. A Turma a quo entendeu por: (a) não conhecer da matéria relativa aos juros de mora sobre a multa de ofício, em razão da preclusão; e na parte conhecida, (b) negar provimento em relação à exclusão da tributação dos valores relativos ao tráfego mútuo e à locação de mãodeobra; (c) dar provimento parcial para afastar a tributação sobre as receitas provenientes das subconcessões no período da vigência da Lei nº. 9.718/98; (d) dar provimento para reconhecer o direito ao crédito de arrendamento de bens e equipamentos; e (e) negar provimento quanto à espontaneidade. Os fundamentos da decisão ora recorrida foram sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração, 01/03/2003 a 31/03/2004 Ementa: BASE DE CALCULO. EXCLUSÃO. TRAFEGO MÚTUO. É incabível a exclusão da base de cálculo da Cofins dos valores pagos a terceiros em razão da operação denominada "tráfego mútuo", que consiste na permissão do transporte ferroviário que ultrapasse os limites da malha própria. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE EMPREGADOS. Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 5 4 As receitas decorrentes da cessão de empregados, de forma onerosa, a terceiros por força de concessão para exploração de malha ferroviária compõem a base de cálculo da Cofins, assim como os valores decorrentes. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. SUBCONCESSÕES As subconcessões para exploração e desenvolvimento de trechos da malha ferroviária na prestação de serviço de transporte ferroviário de cargas caracterizam transferências de direito e sobre a receita proveniente dessas transferências não incidem a contribuição para o PIS e a Cofins, no período em que a cobrança dessas contribuições estava regida pela Lei n° 9.718, de 1998. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONDIÇÕES. A apuração de créditos na sistemática nãocumulativa de apuração está condicionada ao seu envolvimento no processo produtivo da sociedade. Uma vez comprovado a participação no processo produtivo, é devido o creditamento. Não resignada em parte com a decisão, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial (efls. 2.339 a 2.363) insurgindose contra a determinação de exclusão das receitas de subconcessões e subarrendamentos de malha férrea da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS. Para comprovar a divergência jurisprudencial, colacionou como paradigma o acórdão n.º 9303001.714. Com fundamentos do pedido de reforma do julgado, aduz, em síntese, que: (a) o acórdão recorrido entendeu que os valores referentes às subconcessões e subarrendamentos não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, acolhendo os argumentos da Contribuinte de que se tratam de ingressos financeiros e não receitas, sob a égide da Lei nº 9.718/98; (b) consoante entendimento do acórdão paradigma n.º 930301714 e do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n.º 346.084/PR, no qual foi declarada a inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, o conceito de receita deve ser entendido como o produto da venda de mercadorias ou prestação de serviços. Assim, os valores relativos às receitas com as subconcessões e subarrendamentos são oriundos da prestação de serviços da contribuinte, devendo fazer parte da base de cálculo do PIS e da COFINS, nos regimes cumulativo e nãocumulativo, conforme Lei n.º 9.718/98 e Lei Complementar nº 70/91; (c) os valores não poderiam ser excluídos pelo contribuinte, pois se enquadram no conceito de receita uma vez que alteram de forma positiva o patrimônio da empresa, não se desnaturando tal característica o fato de posteriormente terem saído de sua contabilidade, bem como são provenientes da atividade que constitui o objeto social da empresa, qual seja o transporte ferroviário de cargas; (d) requer o provimento do recurso especial. Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 6 5 Nos termos do despacho n.º 340000.226, de 06 de outubro de 2014 (efls. 2.365 a 2.366) foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no qual postula a incidência das contribuições para o PIS e COFINS sobre as receitas de subconcessões de linhas férreas, por ter restado caracterizada a divergência jurisprudencial. De outro lado, a Contribuinte RUMO MALHA PAULISTA S/A interpôs recurso especial (efls. 2.428 a 2.447) alegando divergência jurisprudencial quanto aos seguintes pontos: (a) incidência de PIS e COFINS sobre os ingressos financeiros relativos ao tráfego mútuo; (b) direito ao crédito em relação aos valores repassados a título de tráfego mútuo; (c) inclusão na base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep dos ingressos decorrentes da cessão onerosa de empregados a terceiros por força de concessão para exploração de malha ferroviária. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos n.ºs 0202.223 (a); 3403003.005 (b); e 20177.020 (c), respectivamente. Sobreveio o despacho de admissibilidade s/nº, de 19 de abril de 2017 (fls. 2.500 a 2.505), que deu seguimento parcial ao recurso especial da Contribuinte quanto às seguintes matérias: inclusão dos ingressos financeiros relativos ao tráfego mútuo na base de cálculo da COFINS cumulativa (a) e inclusão dos ingressos decorrentes da cessão de empregados a terceiros na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep nos regimes cumulativo e nãocumulativo (c). Com relação ao tema do item "b" direito a crédito relativo aos valores repassados a título de tráfego mútuo foi negado seguimento. Nessa esteira, a Contribuinte interpôs agravo (efl. 2.528) combatendo o prosseguimento parcial do recurso especial, no entanto, o mesmo foi rejeitado, nos termos do despacho de 31 de julho de 2017 (efls. 2.531 a 2.535), prevalecendose o exame de admissibilidade originalmente proferido. Para fundamentar a sua pretensão de reforma do acórdão de recurso voluntário, na parte em que foi conhecido o recurso especial, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) até janeiro de 2004, a recorrente pagou a COFINS de acordo com o previsto na Lei n.º 9.718/98 (regime da cumulatividade). A partir de fevereiro de 2004, a RUMO MALHA PAULISTA foi submetida ao regime da não cumulatividade, de que trata a Lei n.º 10.833/2003. Já o PIS, em todas as competências autuadas (2003 a 2006), encontrase regido pela Lei n.º 10.637/2002 (regime da nãocumulatividade); (b) tanto no regime cumulativo quanto nãocumulativo das contribuições, a base de cálculo é a receita auferida pela Contribuinte, conceito que difere do termo "ingresso", conforme disposições do direito público (art. 212, §1º da CF) e do direito privado (art. 187 da Lei n.º 6.404/76); (c) após discorrer sobre os conceitos doutrinários de receita e sobre a regulamentação do transporte ferroviário de cargas, aduz que no caso do tráfego mútuo, o valor total do frete (tarifa única), que consta na nota fiscal de prestação de serviços de transporte, engloba a remuneração de mais de uma concessionária. Tratase de determinação do §5º, art. 17, do Decreto n.º Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 7 6 1.832/96, razão pela qual a concessionária é impedida de ajustar e receber apenas o valor do frete relativo ao trecho por ela operado; (d) a operação de tráfego mútuo difere do direito de passagem, em que a concessionária detentora do trecho permite que outra concessionária passe com o material rodante desta última; (e) a partilha das receitas nos casos de tráfego mútuo é definida em contratos operacionais que as concessionárias são obrigadas a firmar (artigo 4º, inciso II da Resolução ANTT n.º 433/2004); (f) a recorrente não é uma empresa locadora e não cedeu onerosamente mão deobra. A cessão decorreu de uma cisão parcial da empresa, e enquanto pendente a aprovação do órgão regulador, no período entre a celebração do acordo com a FCA e a autorização concedida pela ANTT, os salários e encargos sociais dos funcionários cedidos pela ora Contribuinte eram pagos pela FCA através de repasses para a recorrente, caracterizandose como reembolsos de despesas que eram de sua responsabilidade; (g) por fim, requer o provimento do recurso especial. Cientificada a Fazenda Nacional (efls. 280 a 283), apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao apelo da Contribuinte. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade Os recursos especiais de divergência interpostos pela FAZENDA NACIONAL e pela RUMO MALHA PAULISTA S/A atendem aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 8 7 Mérito A matéria de mérito dos recursos especiais interpostos centrase na definição da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS, nos regimes cumulativo e nãocumulativo. A FAZENDA NACIONAL requer a inclusão na base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS das receitas decorrentes das subconcessões e subarrendamentos de linhas férreas, no período em que estavam sob o regime cumulativo de apuração. De outro lado, a Contribuinte RUMO MALHA PAULISTA S/A busca a reforma do acórdão do recurso voluntário no que tange à inclusão dos ingressos financeiros relativos ao tráfego mútuo na base de cálculo da COFINS cumulativa; e à inclusão dos ingressos decorrentes da cessão de empregados a terceiros na base de cálculo da COFINS e do PIS/Pasep, nos regimes cumulativo e nãocumulativo. a) Apuração pelo regime cumulativo Com relação ao período em que as contribuições para o PIS e a COFINS estavam regidas pela cumulatividade, houve readequação da sua base de cálculo, pois a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 2711 2008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL 0020802 PP00871 ) (grifouse) Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 9 8 Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 10 9 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ficou estabelecido, para o período sujeito ao regime cumulativo, o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas quaisquer outras receitas. a.1) Subconcessões – Cofins cumulativa A Fazenda Nacional insurgese, por meio do recurso especial, quanto à exclusão das receitas decorrentes de subconcessões no período de vigência da Lei n.º 9.718/98, em que estava a Contribuinte sujeita ao regime cumulativo. Ao firmar contrato de concessão da malha ferroviária, a Contribuinte tornouse detentora da concessão, isto é, do direito de explorála e desenvolvêla, tendo acesso à infraestrutura para oferecer o serviço de transporte ferroviário de cargas em nome do Poder Público, conforme contrato. Dessa forma, quando efetua a subconcessão, a título oneroso, a terceiros, está fazendo a transferência de um direito do qual é titular segundo disposições legais e contratuais de processo licitatório, sendo que os pagamentos recebidos para tanto não podem ser caracterizados como decorrentes da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e serviços. Tratase da cessão de um direito do qual é titular. As subconcessões do direito de explorar a malha ferroviária são transferências de ativos intangíveis, sendo que os pagamentos recebidos em contrapartida não se enquadram no conceito de faturamento da Lei nº 9.718/98, frente a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, declarada pelo STF. Por conseguinte, sobre referidos montantes não deve incidir a contribuição para o PIS no regime cumulativo. a.2) Tráfego mútuo A Resolução nº 433, de 17 de fevereiro de 2004, da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, definiu o tráfego mútuo nos seguintes termos: Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 11 10 "Art. 2° Para efeito desta Resolução, serão adotadas as seguintes definições: I tráfego mútuo: é a operação em que uma concessionária, necessitando ultrapassar os limites geográficos de sua malha para complementar uma prestação de serviço público de transporte ferroviário, compartilha recursos operacionais, tais como material rodante, via permanente, pessoal, serviços e equipamentos, com a concessionária em cuja malha se dará o prosseguimento ou encerramento da prestação de serviço, mediante remuneração ou compensação financeira; [...] Em razão das limitações geográficas para a utilização das malhas férreas, as empresas ferroviárias obrigamse a trabalhar de forma conjunta, por meio de tráfego mútuo, evitando a falta do serviço de transporte. Atendendo à regulamentação do setor de transporte ferroviário, portanto, atuam em conjunto com outras empresas de transporte (art. 6º do Decreto nº 1.832/96). A forma da prestação do serviço dáse nos termos em que regulamentado pelo Poder Público, face às limitações geográficas. Além disso, a inexistência de vínculo entre o cliente (contratante do transporte) e a concessionária contratada pela prestadora do serviço não tem o condão de caracterizar os valores repassados como receita, pois a sistemática decorre da regulamentação do setor e do cumprimento das regras para otimizar o serviço e proteger o próprio contratante. Portanto, os valores que são repassados às demais empresas prestadoras do serviço não se constituem em receita da Recorrente, apenas trafegando pelas suas contas, não se caracterizando como faturamento para fins de incidência da COFINS no regime cumulativo. b) Regime nãocumulativo do PIS e da COFINS. Conceito de receita. Cessão de empregados a terceiros No regime da nãocumulatividade, consoante redação das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003 vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, a base de cálculo das Contribuições ao PIS/PASEP e COFINS é o faturamento mensal, que se constitui no total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Com relação às receitas decorrentes da cessão de mãodeobra, no acórdão recorrido o Colegiado afirmou que "pela LC nº 70/91, o valor da Cofins incidirá sobre o faturamento, considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Já para os artigos que introduziram a não cumulatividade do PIS e da Cofins, as exações tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 12 11 sua classificação contábil. Portanto, resta claro e evidente que sendo faturamento nos termos da LC nº 70/91, muito mais obvio que será para o regime nãocumulativo". Por outro lado, frente às controvérsias causadas pela indeterminação do conceito de receitas da base de cálculo do PIS e da COFINS no regime nãocumulativo, o Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, de relatoria da Ministra Rosa Weber, estabelecendo como receita o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. O julgado restou assim ementado: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 13 12 reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) O conceito de receita está vinculado a um ganho da empresa, incremento patrimonial, por meio de atividade plenamente afeiçoada aos seus objetivos sociais e às suas atividades operacionais. Conforme relata a Contribuinte, no caso em apreço verificase a cessão de mão deobra para terceiro a FCA e o respectivo ingresso dos valores relativos aos salários e encargos, posteriormente repassados aos empregados, não gerando qualquer receita para a empresa, in verbis: [...] As concessionárias ALL e a FCA exploravam, respectivamente, as malhas ferroviárias Sul e CentroLeste, as quais eram contíguas à malha da recorrente. Considerando a vocação geoeconômica, bem como aspectos técnicos, operacionais e comerciais, as referidas concessionárias sempre entenderam que haveria uma melhora na qualidade dos serviços se parte da malha da recorrente fosse operada pela ALL e pela FCA. Por tal razão, a recorrente celebrou acordos com a ALL (fls. 128/138) e com a FCA (fls. 228/246) pelos quais cedeu a operação dos trechos Pinhalzinho/Apiaí – Iperó e Presidente Epitácio – Rubião Junior à ALL e do trecho Araguari – Vale Fértil à FCA. Foram cedidos, ainda, equipamentos e pessoal. Fl. 2594DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 14 13 Os referidos acordos foram celebrados tendo por escopo posterior transferência definitiva de parte da concessão. Assim, em 13.01.2000 as concessionárias solicitaram ao órgão competente autorização para promover a cisão parcial da recorrente (fls. 140/154), a fim de que tais trechos passassem a integrar as malhas da ALL e da FCA. A autorização foi concedida pelo Despacho do Ministro dos Transportes publicado no Diário Oficial da União de 22.12.2000 (ALL) e pela Resolução da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT n.º 1009, de 28 de junho de 2005 (FCA). Após a autorização dos órgãos competentes, a recorrente transferiu os empregados inicialmente cedidos. Em relação à ALL tal providência ocorreu em 01.06.2001 e em relação à FCA em 01.12.2005, dados que podem ser verificados nos respectivos CAGED´s – Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados. Evidente que a recorrente não cedeu onerosamente sua mãodeobra; o que houve foi uma cisão parcial da empresa cuja concretização dependia da aprovação do órgão regulador. No período compreendido entre a celebração do acordo com a FCA e a autorização concedida pela ANTT os salários e encargos sociais dos funcionários cedidos pela recorrente eram pagos pela FCA através de repasses para a recorrente. [...] Entendese que referidos repasses se constituíram em mero reembolso de despesas, que eram de responsabilidade da FCA, e foram pagos pela Contribuinte em razão da demora na autorização pelas autoridades competentes para a cisão parcial da mesma. Além disso, a partir da cessão de empregados, não houve geração de receita que incrementasse o patrimônio da Recorrente, não se caracterizando como base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos. Assim, devem ser excluídos da tributação pelo PIS e pela COFINS os valores relativos à cessão de empregados. Dispositivo Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o voto. Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 15 14 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, pelas razões que a seguir exponho, ouso discordar de suas conclusões relativas ao presente julgamento. Recurso Especial da Fazenda Nacional De plano, insta dizer que Fazenda não contraditou o acórdão recorrido na parte em que, favoravelmente à autuada, reconheceu o direito ao crédito vinculado aos gastos com arrendamento de bens e equipamentos. Por conta disso, a matéria que remanesce em litígio não alcança os créditos em questão. Também favoravelmente à empresa, a decisão contestada considerou que as receitas provenientes das subconcessões e subarrendamentos de linhas férreas não poderiam ser incluídas na base de cálculo das Contribuições enquanto essas estiveram disciplinadas pela Lei 9.718/98, já que não se enquadram no conceito de faturamento tal como definido na Lei Complementar 70/91: vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Essa questão, como a ninguém é dado desconhecer, diz respeito ao chamado alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 e tem sua questão nuclear associada ao conceito de faturamento introduzido pela Lei, que incluiu na base imponível toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil1. A inconformidade dos contribuintes alcançados pela medida levou o assunto ao Poder Judiciário, onde a matéria terminou sendo 1 Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 16 15 reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso), com o § 1º declarado inconstitucional. Ocorre, contudo, que os menos atentos não perceberam que a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 em nada influenciou a alteração introduzida pelo caput do artigo 3º e por todos os demais critérios de apuração especificados nos parágrafos e artigos subsequentes e na legislação superveniente. Com efeito, é de sabença que a Pretório Excelso fez expressa menção à constitucionalidade do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, como fica claro nos pronunciamentos do Ministro Cezar Peluso encontrados, pelo menos, nos Recursos Extraordinários nº. 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840. E de fato, no que diz respeito à base de cálculo da Cofins, já havia uma forte tendência ao reconhecimento de uma equivalência entre o conceito de faturamento e receita (de observar que a própria LC 70/91, muito antes da EC nº 20/98, já especificava a base de cálculo como sendo a receita). O problema foi que a expansão promovida pelo parágrafo primeiro foi para muito além daquilo que estava e ainda está sedimentado como sendo o possível conceito de faturamento empresarial (pelo menos quando o assunto gira em torno da base de cálculo das Contribuições). Observese algumas referências do Exmo. Ministro Cesar Peluso encontradas nos autos dos precitados recursos extraordinários, fixando determinados limites para definição possível para o conceito veiculado no (constitucional) caput do artigo 3º da Lei 9.718/98. Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. (grifos meus) Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.(grifos meus) (...) Sr. Presidente, gostaria de enfatizar meu ponto de vista, para que não fique nenhuma dúvida ao propósito. Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 17 16 prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado à idéia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas. Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento.”(grifos meus) (...) 6. (...) Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (...) E também os apontamentos de autoria do Ministro Ilmar Galvão no Voto proferido nos autos do RE 346.084, pelo Ministro Ilmar Galvão. O recorrente considera que tais precedentes não seriam aplicáveis ao caso, haja vista que o STF teria estabelecido sinonímia entre faturamento e receita bruta quando tais expressões designavam receitas oriundas de vendas de bens e/ou serviços. Tal leitura não é correta. A Corte, ao admitir tal equiparação, em verdade assentou a legitimidade constitucional da atuação do legislador ordinário para densificar uma norma constitucional aberta, não estabelecendo a vinculação pretendida pelo recorrente em relação às operações de venda. Ao contrário do que pretende o recorrente, a Corte rejeitou qualquer tentativa de constitucionalizar eventuais préconcepções doutrinárias não incorporadas expressamente no texto constitucional. O STF jamais disse que havia um específico conceito constitucional de faturamento. Ao contrário, reconheceu que ao legislador caberia fixar tal conceito. E também não disse que eventuais conceitos vinculados a operações de venda seriam os únicos possíveis. Não fosse assim, teríamos que admitir que a composição legislativa de 1991 possuía um poder extraordinário. Por meio da Lei Complementar nº 71, teriam aqueles legisladores fixado uma interpretação dotada da mesma hierarquia da norma constitucional, interpretação esta que estaria infensa a qualquer alteração, sob pena de inconstitucionalidade. Na tarefa de concretizar normas constitucionais abertas, a vinculação de determinados conteúdos ao texto constitucional é legítima. Todavia, pretender eternizar um específico conteúdo em detrimento de todos os outros sentidos compatíveis com uma norma aberta constitui, isto sim, uma violação à força normativa da Constituição, haja vista as necessidades de atualização e adaptação da Carta Política à realidade. Tal perspectiva é sobretudo antidemocrática, uma Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 18 17 vez que impõe às gerações futuras uma decisão majoritária adotada em uma circunstância específica, que pode não representar a melhor via de concretização do texto constitucional. No mesmo diapasão, a interpretação dada pelo Ministro Eros Grau em Voto Vista versando sobre o conceito jurídico e tipológico do termo faturamento. “06. No caso, faturamento terá sido tomado como termo de uma das várias noções que existem as noções de faturamento na e com uma de suas significações usuais atualmente. Sabemos de antemão que já não se a toma como atinente ao fato de ‘emitir faturas’. Nós a tomamos, hoje, em regra, como o resultado econômico das operações empresarias do agente econômico, como ‘receita bruta das vendas de mercadorias e mercadorias e serviços, de qualquer natureza’ [art.22 do decretolei n. 2.397/87]. Esse entendimento foi consagrado no RE 150.764, Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, e na ADC n. 1, Relator o Ministro MOREIRA ALVES. 07. Daí porque tudo parece bem claro: em um primeiro momento diremos que faturamento é outro nome dado à receita bruta das vendas e serviços do agente econômico. Essa é uma das significações usuais do vocábulo [i.é., a noção da qual o vocábulo é termo é precisamente esta faturamento é receita bruta das vendas e serviços do agente econômico]. A análise dos precedentes aponta, no entanto – isso é proficientemente indicado em parecer de HUMBERTO ÁVILA no sentido de inversão dos termos: a lei tributária chamou de receita bruta, para efeitos do FINSOCIAL, o que é faturamento; o conceito de receita bruta [ = receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços], na lei, é que coincide com a noção de faturamento, na Constituição. 08 .Ora, o artigo 3º da Lei n. 9.718/98 não diz mais do que isso. Seu § 1º é que vai além, para afirmar que ali e ali não se cogita de faturamento, mas de receita bruta se trata da totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. (...) 10. (...) Eis o que aí se tem, nesse § 1º do artigo 3º e da Lei nº 9.718/98, uma definição jurídica de receita bruta: a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. 11 .Cumpre então indagarmos se a lei poderia ter afirmado essa definição de receita bruta. A Constituição dizia, anteriormente à EC 20/98, que a seguridade social seria financiada, entre outros, mediante recursos provenientes de contribuição social "dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros" art. 195, I). A EC 20/98 alterou o preceito, para afirmar que essa mesma contribuição incidirá sobre a folha de salários e outros rendimentos do trabalho, sobre "a receita ou o faturamento" e sobre o lucro. A lei é anterior à EC 20/98, ao tempo em que o artigo 195, I da Constituição afirmava que a contribuição incidiria "sobre a folha de salários, o faturamento e os lucros". Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 19 18 12. A alteração no texto da Constituição aparentemente, mas não necessariamente, indica alteração do campo de incidência da contribuição. A emenda , ao referir “a receita ou o faturamento", poderia estar a tomar receita como sinônimo de faturamento e faturamento como sinônimo de receita. Anteriormente à EC 20/98 ela incidia sobre a receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços [= receita bruta], que coincidia, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento. Após a EC 20/98 ela incide sobre “a receita ou o faturamento". Ora, se receita bruta [= receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços] coincide, qual afirmou esta Corte, com a noção de faturamento, a inserção do termo de um outro conceito "receita" no texto constitucional há de estar referindo outro conceito, que não o que coincide com a noção de faturamento. Para exemplificar, sem qualquer comprometimento com a conclusão: receita como totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante para a determinação dessa totalidade o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para tais receitas. Temos aí receita bruta, termo de um conceito, e receita bruta, termo de outro conceito. No primeiro caso, receita bruta que é enquadrada na noção de faturamento, receita bruta das vendas e serviços do agente econômico, isto é, proveniente das operações do seu objeto social. No segundo, receita bruta que envolve, além da receita bruta das vendas e serviços do agente econômico isto é, das operações do seu objeto social aquela decorrente de operações estranhas a esse objeto. (grifos meus). Impõese então distinguirmos: de um lado teremos receita bruta/faturamento; de outro, a receita bruta que excede a noção de faturamento, introduzida pela EC 20/98, para a determinação de cuja totalidade são irrelevantes o tipo de atividade que dá lugar a sua percepção e a classificação contábil adotada. 13. Dirseá que a Constituição, ao não definir faturamento, incorporou noção que dele se tinha à época. Na verdade incorporou uma das noções que dele à época se tinha. A Constituição poóleria [sic], mais do que incorporar, poderia ter contemplado uma definição jurídica, de faturamento. Não o tendo feito, prevaleceu um dos entendimentos possíveis, aquele nos termos do qual receita bruta coincide com a noção de faturamento enquanto receita da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Poderia ter prevalecido outro. De tudo isso, não me parece que possam remanescer dúvidas de que o conceito de faturamento que restou consagrado no julgamento da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 pelo Pretório Excelso está associado à receita decorrente das atividades empresariais próprias da empresa, sejam elas quais forem. À luz desse entendimento me parece incontroverso que as receitas provenientes das subconcessões e subarrendamentos de linhas férreas estão, sim, sujeitas à tributação pelas Contribuições ao PIS/Pasep e Cofins. Recurso Especial do Contribuinte Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 20 19 Não há contestação na peça de defesa da autuada acerca da perda do benefício da espontaneidade, do que se depreende a sua conformidade com a decisão tomada na instância a quo. No que concerne à tributação dos ingressos decorrentes do transporte mútuo e da cessão de mãodeobra, não vislumbro melhor a fazer do que reproduzir uma vez mais as elogiáveis e precisas consideração de lavra do i. Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos nos autos do acórdão nº 930301714, de 07 de novembro de 2011, já lembradas pelo i. Relator do acórdão recorrido. RECEITA de TRÁFEGO MÚTUO Das disposições estatutárias da autuada vêse que ela realiza a prestação do serviço de transporte ferroviário de cargas em trechos da malha paulista mediante concessão do poder público e utilizando o material rodante e as estradas de ferro de propriedade da RFFSA que lhe foram arrendadas. Essa prestação, que implica levar uma determinada carga entre dois pontos A e C, desdobrase por sua vez, em pelo menos três atividades normalmente realizadas em conjunto pela própria concessionária, mas que podem ser desmembradas. A primeira consiste nas operações de carga, descarga e transbordo, que podem ser terceirizadas. A segunda, que constitui o núcleo mesmo do serviço é a operação efetiva da composição — locomotiva e vagões — com a carga entregue pelo cliente, e o terceiro, associado ao anterior, é a utilização das estradas de ferro que ligam A a C. A obrigação da prestadora envolve todo o trajeto contratado, pelo que ela é remunerada de forma única e em montante que cubra as três operações nele implicadas, ainda que em sua execução conte com a interveniência de terceiros por ela contratados. E assim ocorre na figura aqui discutida. De fato, não possuindo a operadora determinados trechos de estrada de ferro entre os pontos A e C contratados vêse obrigada a contratar a outra operadora a passagem de suas composições por aquelas estradas de ferro. Obviamente, tem de remunerar a outra concessionária por isso. Em contrapartida, vêse também obrigada a permitir que composições de outras concessionárias façam o mesmo pelas suas, o que gera pagamentos e recebimentos. Entende a concessionária que somente é receita sua a parcela do preço do serviço que remunera a passagem pelos seus trilhos e o valor que recebe de outras concessionárias a esse título. A parcela "transferida" a outras concessionárias, que apenas "transita" pelo caixa da empresa não seria receita, nos termos Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 21 20 das lições dos celebrados Aliomar Baleeiro e Ayres Barreto. Quando muito, se receita fossem, caberia a aplicação do comando do inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, como é hoje admitido em outras hipóteses de "transferência" de receitas. Não concordo com esse entendimento, como já tive oportunidade de expor em outras ocasiões. É que à hipótese não tem aplicação a lição dos eminentes professores citados. É que ambos, ao discutirem a diferença entre ingressos e receitas, enfatizam a necessidade de os valores ingressados serem da plena propriedade da entidade que os recebe. Costumase apegar à idéia de definitividade mencionada pelo primeiro como se apenas valores que nunca mais viessem a sair do patrimônio pudessem configurar receitas. Ora, se assim fosse nada seria, pois a toda receita corresponde um custo para sua obtenção. O que se agrega de forma definitiva ao patrimônio é o resultado líquido — receita menos custos e despesas — de cada operação. Portanto, o que os doutrinadores estão a dizer é que não se pode considerar receita tudo aquilo que ingressa no caixa da empresa. Pois aí também ingressam valores que são de terceiros. E exatamente por serem deles, por eles podem ser e serão exigidos. Estes, que constituem os passivos da entidade, vinculamse, sempre, à obrigação de devolução, mais ou menos remota, a quem os disponibilizou à entidade ou os pôs sob sua guarda. Não se incluem ai quaisquer parcelas que integrem o preço cobrado para a prestação do serviço, mesmo que, desde o inicio, a prestadora já saiba que deverá "repassar" a terceiro. E mesmo que seja um tributo, como é o ICMS. Logo se vê que é esse o caso da receita em discussão. O valor integral recebido pela empresa em virtude do contrato firmado com o cliente remuneraa pela prestação contratada. Por outro lado, para prestálo tem de assumir custos, entre os quais a contratação de pessoal para carga e descarga, maquinistas para operação das composições e o direito de passagem dos seus trens pelas estradas de ferro de terceiros. A natureza configuradora do custo está na contratação feita entre a empresa prestadora do serviço e a possuidora da linha. Não há qualquer vínculo entre o cliente da contratante e a outra concessionária. Por isso, a analogia adequada não é com o caso abaixo, mas sim com os valores pagos, a título de pedágio e semelhantes, pelas transportadoras por rodovia: embora elas incluam no seu preço o que sabem terão de pagar às concessionárias das estradas ou balsas etc, não deixa de ser esse valor receita sua e o repasse custo seu. Por isso mesmo, sendo, como são, custos, não se pode sequer cogitar de dar aplicação ao comando do inciso III do § 2° do art Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 22 21 3° da Lei n° 9.718/98 que cuida de "receitas transferidas", ainda que se considerasse o aplicável mesmo sem a regulação que ele próprio previu. Como já disse em outras oportunidades', não existe na ciência contábil o conceito de "transferência de receitas", mas da experiência prática podese tentar inferir que o legislador tenha querido se referir às hipóteses em que dada entidade seja obrigada a arrecadar determinada receita para repassála a quem nenhum serviço lhe prestou. Exemplo disso é o caso do transporte coletivo municipal em que se prevê um "fundo de compensação tarifária" para ressarcir empresas obrigadas a operar a preço inferior ao devido. Nesses casos, para equalizar a tarifa, as empresas que recebem mais do que deveriam, são obrigadas a repassar a diferença — legalmente definida — para as que operam abaixo do "custo". Nesses casos, obviamente, nenhum vínculo prestacional se estabelece entre a repassante e a recebedora. A primeira, por disposição legal, recebe mais do que o seu "preço", excesso que é obrigada, por disposição do ente concedente, a repassar às deficitárias. Nesse último sentido, não socorre a autuada o fato de o "tráfego mútuo" ser uma obrigação legal. A regulamentação do setor ferroviário apenas impede que uma concessionária bloqueie a passagem por suas linhas férreas de trens de outras concessionárias. O que essa obrigação quer evitar, portanto, é o abuso do poder econômico oriundo do monopólio natural que é obtido com a construção da estrada. Evita, assim, que dado serviço não possa ser executado na forma que o cliente quer contratar. Mas não estabelece nenhuma obrigação de "repasse" àquele por algo que ele não prestou. A analogia ficaria perfeita se a empresa contratada de fato somente realizasse o transporte até o ponto em que detém concessão, digamos um ponto B entre A e C. Daí, e até C, o transporte (as três operações acima indicadas) seriam realizadas pela outra concessionária. E, repitase, somente se poderia excluir essa receita se admitisse desnecessária a regulamentação do dispositivo legal já mencionado. Sua necessidade, porém, decorre exatamente da falta de definição legal do que seja a transferência. O que está exposto acima é mera opinião quanto a um critério que poderia ser adotado numa eventual regulamentação. Mas nem de longe é isso o que ocorre. Há sim uma prestação de serviço por parte da segunda concessionária à primeira. Vale aduzir, porém, que ele não é um novo serviço de "transporte": envolve apenas a terceira das operações que o constituem. E por configurar receita da segunda concessionária deve também ser incluído na sua própria base de cálculo da contribuição. Em conseqüência, na primeira, também é receita o que ela recebe a título de tráfego mútuo. Em suma, o mesmo valor é tributado em duas empresas distintas. Isso, porém, longe de configurar bitributação, nada mais é do que a conseqüência da tributação cumulativa a que estiveram sujeitas as contribuições até o advento das Leis nº 10.637 e 10.833. Ela bem Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 23 22 enfatiza o caráter injusto dessa forma de tributação, mas nada há a fazer se ela decorre da lei. Com essas considerações, acompanho integralmente o voto do acórdão recorrido quanto a essa matéria e voto por negar provimento ao recurso nesse ponto. DAS DEMAIS RECEITAS Os outros três pontos da autuação resumemse definição de receitas. Socorrese, novamente, a empresa nas já contestadas afirmações de que seriam meros ingressos. Assim, porém, não penso e pelos mesmos motivos já acima apontados. Com efeito, celebrou com outras empresas contratos por meio dos quais repassoulhes o direito concedido pelo Poder Público. Por esse repasse recebe daquelas mensalmente valores que coincidem exatamente com os que ela por sua vez tem de repassar ao Poder concedente. Ora, a mera coincidência dos valores nada afeta sua natureza econômica e jurídica. Os recebidos são receitas porque acrescem o patrimônio da autuada, pois sobre eles não há nenhuma obrigação de devolução. Os que paga são parte dos seus custos de operação, decorrente da concessão obtida. Sobre os valores que as subconcessionárias lhe pagam, têm a natureza econômica de renda de monopólio, que decorre da concessão original a favor da autuada. Portanto, sem alongarme mais, reitero as argumentações já aqui aduzidas para afastar a doutrina citada pela recorrente e faço minhas as palavras do acórdão recorrido para votar pelo não provimento do recurso no que tange as receita de sub concessões. E igual sorte hão de ter as "recuperações de despesas" originadas do repasse da mãodeobra operadora dos serviços repassados. E que há de se distinguir esse repasse do anterior, visto que a operação dos trechos transferidos não requeria a transferência também dos funcionários; poderia se dar por mão deobra das próprias subconcessionárias. No entanto, acordaram que continuaria a ser pelo quadro de pessoal da recorrente. Ora, nessa operação, o que há é uma cessão onerosa de mãodeobra, atividade que é própria de empresas de locação de mãodeobra. Também aqui o que se pretende é descaracterizar a natureza de receita dos valores pagos pelas "subconcessionárias" porque eles serão integralmente "repassados" aos empregados, ou seja, só constituiriam receitas valores que eventualmente superassem aqueles, e que no caso inexistem. Sobre isso já me manifestei em autuação sobre empresa de locação de mãodeobra temporária (EPT). Reproduzo pequeno trecho, tãosomente acrescendo que o fato de a cedente da mão Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 24 23 deobra aqui não ter nisso sua principal atividade nada muda na coisa: “No período coberto pela autuação a COFINS era devida sobre receita da prestação de serviços de pessoas jurídicas. O cerne da discussão é qual a receita de prestação de serviços da EPT. Para facilitar o entendimento, talvez seja útil especular o que fará a contratante com o trabalho que lhe foi disponibilizado. Admitamos, para começar, que ela o utilize para produzir alguma mercadoria de cuja venda obtenha uma receita. Esta será integralmente tributada pela COFINS, independentemente de quem pague os custos da mãodeobra, que não serão deduzidos em qualquer hipótese. Se, ao invés destes custos, ela recorrer a uma EPT, a esta caberão tais custos, e àquela os custos pelo serviço de seleção, treinamento e colocação prestado pela EPT. Certamente que estes últimos serão maiores, pois deverão incluir uma parcela de lucro da EPT. A contratação da EPT por conseguinte, transfere os custos da mãodeobra, necessários em qualquer caso, para outra empresa que não a tomadora do serviço. A contratante, por seu turno, arcará com o custo decorrente da contratação da EPT; custo para aquela, receita para esta. É certo que incluílos também na tributação da EPT constitui uma "tributação cumulativa", na medida em que já estarão embutidos no preço cobrado pela tomadora pelos seus bens. Não é menos certo, todavia, que é isto exatamente que constitui a natureza mesma da COFINS até o advento da sistemática da nãocumulatividade. E não se alegue que não são custos da EPT porque os trabalhadores estão cedidos, não prestando a ela os serviços. O contrato celebrado com os trabalhadores dá à EPT o direito de servirse do seu trabalho como melhor lhe aprouver: aprouve lhe cedêlos onerosamente a terceiros. Assim, a possibilidade de apropriação dos resultados econômicos do trabalho, que caracteriza a natureza do trabalho assalariado nas economias capitalistas, consumase, para a EPT, com a cessão dele, da qual extrai a receita que a remunera. A natureza de custos resulta da obrigatoriedade de registrar os trabalhadores em seu nome, assumindo, ademais, todas as obrigações trabalhistas disto decorrentes, consoante expressa disposição da Lei (arts. 4°e 11 da Lei 6.019/74 e 8°e 17 a 20 do Decreto 73.891). É ela que terá de pagar aos trabalhadores, e é por causa dessa obrigação assumida que adquire o direito de cedêlos e cobrar por isso. A conclusão não muda se o trabalho temporário contratado for aplicado "improdutivamente", isto é, em alguma função não geradora de mercadoria. Neste caso, não haveria receita dele diretamente decorrente para tributar na contratante; com muito mais razão ainda, deva ser ela tributada na EPT. Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 10830.003186/200714 Acórdão n.º 9303007.653 CSRFT3 Fl. 25 24 E para finalizar, repito que a denominação de "recuperação de despesas" nada muda, seja porque a própria Lei n° 9.718 já dispôs que a classificação contábil adotada para a receita não interfere na sua inclusão ou não na base de cálculo das contribuições — para isso bastando que sejam de fato receitas — seja porque a Lei n° 4.506/64 já considerava tais "recuperações"como integrantes da Receita Operacional Bruta das entidades, conforme seu art. 44 abaixo transcrito: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Com isso, voto por negar provimento ao recurso também quanto aos dois itens restantes da autuação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. Conclusão Voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2606DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910302/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.376
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 10 30 2/ 20 11 -1 4 Fl. 182DF CARF MF Processo nº 16327.910302/201114 Resolução nº 3201001.376 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 16327.910302/201114 Resolução nº 3201001.376 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 16327.910302/201114 Resolução nº 3201001.376 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.006020/2003-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.584
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) manifeste-se, conclusivamente, sobre a divergência entre os valores originais lançados nos cálculos da fiscalização e aqueles indicados como referentes ao indébito tributário pela recorrente, na manifestação de e-fls. 278, elaborando relatório conclusivo, com os demonstrativos necessários para justificar as diferenças; e (ii) cientifique a recorrente do relatório da diligência, concedendo prazo de 30 dias para nova manifestação, retornando-se, posteriormente, os autos a este CARF.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) manifestese, conclusivamente, sobre a divergência entre os valores originais lançados nos cálculos da fiscalização e aqueles indicados como referentes ao indébito tributário pela recorrente, na manifestação de efls. 278, elaborando relatório conclusivo, com os demonstrativos necessários para justificar as diferenças; e (ii) cientifique a recorrente do relatório da diligência, concedendo prazo de 30 dias para nova manifestação, retornandose, posteriormente, os autos a este CARF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .0 06 02 0/ 20 03 -1 9 Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Resolução nº 3401001.584 S3C4T1 Fl. 386 2 Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Adotase o relatório do Acórdão n. 3401001.938 da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária de piso (efls. 298 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ que julgou procedente em parte auto de infração da Cofins, de modo a determinar a exigência da multa de mora no lugar da multa de ofício lançada. O lançamento devese, segundo a fiscalização, a compensação indevida cujos créditos têm origem na Ação Ordinária nº 94.00.056451, relativo a indébito do Finsocial. Por bem resumir o que consta dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: 2. A DRF em Porto Alegre concluiu, analisando as DCTF's nas quais a contribuinte declarou extintos os débitos de Cofins dos períodos de janeiro a junho de 2001 por força de compensação com créditos de Finsocial, e cotejando tais valores com os créditos propriamente ditos, com base na decisão judicial e nas bases de cálculo declaradas nas DIPJ's, que o valor pago a maior que o devido seria suficiente apenas para a extinção dos débitos de Cofins dos períodos de janeiro a abril (parcialmente) de 2001, ficando em aberto os valores devidos de abril (parcial) a junho do mesmo ano, objeto do lançamento, conforme explicitado no Relatório da Atividade Fiscal (fls. 114/115), com base nos Demonstrativos de fls. 86/113. 3. A interessada apresenta impugnação ao lançamento de ofício (fls. 119/141) relatando que a ação judicial foi impetrada por ela e outra contribuinte, a qual, por estar inativa, optou pela restituição dos valores pagos a maior que o devido via precatório. Assim, preliminarmente, questiona os cálculos efetivados pela autoridade administrativa, já que se diferenciam dos cálculos para o precatório em favor da outra impetrante da ação judicial. Argumenta que a Procuradoria da Fazenda Nacional acatou os cálculos apresentados pela outra demandante e que incluíam os juros da taxa Selic. Quanto ao mérito, volta a criticar a forma de cálculo utilizada pela autoridade administrativa, a qual, a seu ver, não utilizou todos os índices de correção do indébito, a saber, INPC e taxa Selic. Segundo argumenta, a utilização da taxa Selic não foi pedida na exordial, simplesmente porque a mesma não havia ainda sido criada. Da mesma forma, a sentença proferida em instância singular foi prolatada em 27/10/1995, portanto também anterior à edição da Lei n° 9.250, de 26/12/1995. Seu entendimento estaria respaldado pelo disposto na Norma de Execução Conjunta SRF /COSIT/COSAR n° 08, de 27 de junho de 1997, que reconheceria a compulsoriedade do acréscimo de juros equivalentes à taxa Selic a partir de 1º de janeiro de 1996. Ante tais considerações, requer o cancelamento do auto de infração. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Resolução nº 3401001.584 S3C4T1 Fl. 387 3 A 2ª Turma da DRJ, ao dar provimento parcial à impugnação, aplicou o art. 18 da Lei nº 10.833/2003, alterado pelo artigo 25 da Lei n° 11.051/2004, que deu nova redação ao art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, restringindo o lançamento na hipótese de valores declarados à multa de ofício isolada, caso caracterizada a prática de infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64. Quanto aos cálculos do indébito realizados pela DRF de origem, a DRJ observou que a sentença judicial estabeleceu a correção monetária, porém sem esclarecer quais índices deveriam ser utilizados e, por isso, forem empregados os índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08, de 27/06/97, na qual constam os percentuais serão de variação da BTN (março/90 a janeiro/91), INPC (fevereiro a dezembro de 1991) e UF1R (janeiro/92 a dezembro/95). Ainda segundo a DRJ, não houve incidência da Selic porque a sentença judicial de primeiro grau, embora exarada em 27 de outubro de 1995 – antes, portanto, da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 , foi literalmente confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região em 01/10/1996 ao apreciar a Apelação Civil interposta pela contribuinte e pela União, sendo que no Recurso Especial e no Agravo de Instrumento e respectivo Agravo Regimental apresentados pela contribuinte não foi questionada a aplicação da nova legislação que fixou os juros pela taxa Selic aos valores dos indébitos. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na aplicação de juros com base na Selic sobre o indébito. Afirma que referida taxa só não consta da sentença judicial porque esta foi proferida em 27/10/95, antes da Lei nº 9.250, de 26/12/95, e que os juros de 1% ao mês após o trânsito em julgado, determinado na decisão judicial, devem ser substituídos pela taxa Selic a partir de 01/01/96. Para a Recorrente a aplicação da Selic, determinada pela Lei nº 9.250/95, é meramente interpretativa. Em favor de sua interpretação menciona jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, do STJ e do TRF da 4ª Região, invocando ao final o tratamento isonômico – se a Selic é empregada na inadimplência do contribuinte, o mesmo deve acontecer na restituição de pagamento indevido ou a maior. Em 03/12/2009 o julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 380100.037, para que fossem “realizados novos cálculos aplicando a Taxa SELIC ao crédito originário existente em favor da contribuinte, analisandose, desta feita, se remanesce crédito suficiente para extinguir os valores autuados.” (fl. 239). A unidade de origem aplicou a Selic sobre o montante do crédito atualizado até 31/12/96, chegando à conclusão de que remanescem os débitos de R$ 6.359,14 e 7.224,06 nos períodos de apuração 05/2001 e 06/2001, respectivamente (ver INFORMAÇÃO FISCAL de fl. 248). Contestando o resultado da diligência, a contribuinte informa que os novos cálculos contêm dois equívocos: não aplicação do IPC em março, abril e maio de 1990, iguais, respectivamente a 84,32%, 44,80% e 7,87% (foram aplicados os índices baseados no BTN), e incompatibilidade com os valores originais do indébito reconhecido judicialmente. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Resolução nº 3401001.584 S3C4T1 Fl. 388 4 A Recorrente discrimina na fl. 254 os montantes do indébito que reputa corretos, referentes ao recolhimento do Finsocial de 10/89 a 05/91, acostando às fls. 262/269 cópias dos DARF respectivos. Da parte provida em parte pela DRJ não há recurso de ofício porque o valor da multa de ofício exonerado é inferior ao limite de alçada. (Negritos do Relator). Por meio do Acórdão nº 3401001.938, o Recurso Voluntário foi provido em parte, sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 INDÉBITO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. OBEDIÊNCIA ESTRITA AOS TERMOS DO PROVIMENTO JUDICIAL. Indébito reconhecido judicialmente pode ser restituído e compensado na esfera administrativa com obediência estrita à decisão do Judiciário, sendo que quando a sentença transitada em julgado não especifica os índices de correção monetária do indébito a opção pela via administrativa leva à aplicação dos índices oficiais da correção empregados pela administração tributária. Recurso não conhecido em parte, por preclusão, e provido em parte no restante. (Negritos do Relator). A Contribuinte ao tomar ciência da decisão interpôs Recurso Especial, no qual sustentou que o v. acórdão recorrido incidiu em duas divergências: 1) com o Acórdão nº 9303 002.130, quanto à aplicação do IPC (expurgos) em alguns meses do ano de 1990; e 2) com o Acórdão nº 3803003.593, quanto à possibilidade de corrigir o erro material consistente no equívoco quanto ao valor original do indébito reconhecido pelo Poder Judiciário. Por conseguinte, a Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão 9303005.763, o qual deu provimento parcial ao Recurso Especial interposto, para que fosse incluído ao cálculo de atualização do crédito os expurgos inflacionários, por meio da utilização do IPC. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11080.006020/200319 Resolução nº 3401001.584 S3C4T1 Fl. 389 5 O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. “A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelo Art. 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Em sede de Recurso Especial a recorrente obteve decisão favorável no sentido de ser incluído ao cálculo de atualização os expurgos inflacionários, por intermédio da utilização do IPC. Isto posto, tornase necessária a retificação do cálculo de atualização do crédito, para verificar se o indébito é suficiente ou não para suprir o débito de COFINS, objeto de compensação. Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) manifestese, conclusivamente, sobre a divergência entre os valores originais lançados nos cálculos da fiscalização e aqueles indicados como referentes ao indébito tributário pela recorrente, na manifestação de efls. 278, elaborando relatório conclusivo, com os demonstrativos necessários para justificar as diferenças; e (ii) cientifique a recorrente do relatório da diligência, concedendo prazo de 30 dias para nova manifestação, retornandose, posteriormente, os autos a este CARF.” (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan (Ad Hoc) Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002243/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 16/03/2004 a 31/12/2008
IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 48.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Incidência do artigo 63 da Lei nº 9.430/96 e Súmula CARF nº 48.
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL E LANÇAMENTO DE OFÍCIO COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Implica em concomitância a propositura de ação judicial antes ou depois da lavratura de auto de infração sobre o mesmo objeto. Incidência da Súmula CARF nº 1.
CRÉDITO DE IPI. CORREÇÃO. POSSIBILIDADE. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO JUDICIAL. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 5.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Incidência da Súmula CARF nº 5.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em julgar o Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos, em não conhecer o recurso quanto a matéria objeto da ação declaratória em razão da concomitância, devendo a unidade de origem aplicar a decisão judicial definitiva. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado) que conheciam do recurso para aplicar a decisão transitada em julgado; (ii) por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário na parte conhecida quanto aos juros de mora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 16/03/2004 a 31/12/2008 IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Incidência do artigo 63 da Lei nº 9.430/96 e Súmula CARF nº 48. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL E LANÇAMENTO DE OFÍCIO COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Implica em concomitância a propositura de ação judicial antes ou depois da lavratura de auto de infração sobre o mesmo objeto. Incidência da Súmula CARF nº 1. CRÉDITO DE IPI. CORREÇÃO. POSSIBILIDADE. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO JUDICIAL. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Incidência da Súmula CARF nº 5. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em julgar o Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos, em não conhecer o recurso quanto a matéria objeto da ação declaratória em razão da concomitância, devendo a unidade de origem aplicar a decisão judicial definitiva. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado) que conheciam do recurso para aplicar a decisão transitada em julgado; (ii) por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário na parte conhecida quanto aos juros de mora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
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IPI Recorrente ADELBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ADESIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 16/03/2004 a 31/12/2008 IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 48. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Incidência do artigo 63 da Lei nº 9.430/96 e Súmula CARF nº 48. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL E LANÇAMENTO DE OFÍCIO COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Implica em concomitância a propositura de ação judicial antes ou depois da lavratura de auto de infração sobre o mesmo objeto. Incidência da Súmula CARF nº 1. CRÉDITO DE IPI. CORREÇÃO. POSSIBILIDADE. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE DEPÓSITO JUDICIAL. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Incidência da Súmula CARF nº 5. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 22 43 /2 00 9- 18 Fl. 881DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em julgar o Recurso Voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos, em não conhecer o recurso quanto a matéria objeto da ação declaratória em razão da concomitância, devendo a unidade de origem aplicar a decisão judicial definitiva. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Renato Vieira de Avila (suplente convocado) que conheciam do recurso para aplicar a decisão transitada em julgado; (ii) por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário na parte conhecida quanto aos juros de mora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão nº 14 25.858 proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação e manteve o lançamento por Autos de Infração lavrado perante a Delegacia da Receita Federal em Campinas/SP, pelos quais restou constituído crédito tributário no valor total de R$ 16.645.144,64 (dezesseis milhões, seiscentos e quarenta e cinco mil, cento e quarenta e quatro reais e sessenta e quatro centavos). Por bem descrever os fatos ocorridos neste processo até aquele momento, reproduzo o relatório descrito pela DRJ/RPO em decisão recorrida: Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10830.002243/200918 Acórdão n.º 3402005.973 S3C4T2 Fl. 882 3 Fl. 883DF CARF MF 4 A decisão de Primeira Instância foi proferida com a seguinte Ementa: A Contribuinte foi intimada por via postal (Intimação nº 1532/09) em data de 19/10/2009 (segundafeira), conforme Aviso de Recebimento de fls. 304. Às fls. 305323 apresentou Recurso Voluntário com as seguintes alegações: i) Necessidade de sobrestamento ou paralisação imediata do processo administrativo até ulterior julgamento definitivo da ação judicial correspondente; ii) Inexigibilidade e cancelamento do auto de infração em razão da ilegalidade da exigência e da cobrança de juros de mora, pela inexistência de infração, posto que os valores encontramse com a exigibilidade suspensa em razão de decisão judicial; iii) Direito ao crédito do IPI quando as operações anteriores são beneficiadas com isenção, não tributadas ou alíquota zero; iv) Aplicação indevida de juros. Em data de 24/08/2010 foi proferido o Acórdão nº 330200.556 (fls. 330335), seguido da interposição de Recurso Especial de fls. 353362, o qual teve seguimento negado por ausência dos requisitos legais, conforme decisão de fls. 665 667, posteriormente ratificada pelo Presidente da CSRF. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10830.002243/200918 Acórdão n.º 3402005.973 S3C4T2 Fl. 883 5 Através do Despacho de Encaminhamento de fls. 668 o processo retornou para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão do Pedido de Nulidade apresentado pela Contribuinte em data de 28/01/2013, considerando o erro na publicação da pauta através do Diário Oficial da União, pela qual constou o nome da empresa como ALDEBRAS INDUSTRIA E COMÉRCIO DE ADESIVOS LTDA. e não com a grafia correta que seria ADELBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ADESIVOS LTDA. Ante a negativa de seguimento do pedido (fls. 684) por falta de previsão legal, considerando que o Recurso Especial já havia sido interposto e julgado, a Contribuinte ajuizou Ação Ordinária nº 001218967.2013.4.03.6100, obtendo decisão liminar proferida pela 10ª Vara Federal Cível da Justiça Federal de São Paulo, pela qual foi determinada a suspensão deste processo administrativo até julgamento final da ação judicial, posteriormente confirmada em sentença (fls. 751757), com a declaração de nulidade do julgamento do recurso voluntário deste processo administrativo, realizado em data de 24/08/2010, bem como a determinação de novo julgamento. O processo foi redistribuído para cumprimento da ordem judicial (fls. 769). Às fls. 781785 foi proferia a Resolução nº 3402000.743, de relatoria da Eminente Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, convertendo o julgamento em diligência para retorno do processo à repartição de origem para aguardar a decisão definitiva do Recurso de Apelação nº 2013.61.00.0121893, o qual tramitava perante a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. A Recorrente apresentou manifestação de fls. 787796 com os seguintes argumentos: Que o auto de infração foi constituído para interromper a decadência de exação compensada com créditos de IPI lançados na contabilidade extemporaneamente sob o título "Valor Outros Créditos Crédito tomado de acordo com o Acórdão nº 821204 processo nº 2001.61.05.00010394 6". Que referidas decisões judiciais ainda não transitaram em julgado, entretanto, face a autorização judicial para o aproveitamento do crédito, mediante aferição do Fisco, como se destacou na sentença (fls. 172), a recorrente reconheceu o valor na sua contabilidade e compensou com o IPI devido; Que a matéria discutida nos autos tem cunho vinculativo e, tendo a própria administração pública iniciado a contenda administrativa, não resta outra alternativa senão a pronúncia sobre a questão posta; Que a sentença que garante o direito da recorrente (fls. 167), faz expressa menção ao artigo 11 da Lei 9.779/99; Por seu turno, o Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em recurso de repercussão geral (artigo 543B do Código de Fl. 885DF CARF MF 6 Processo Civil), atestando o direito ao crédito da recorrente após a publicação da Lei nº 9.779/99, conforme Ementa abaixo: IPI CREDITAMENTO ISENÇÃO OPERAÇÃO ANTERIOR À LEI N° 9.779/99. A ficção jurídica prevista no artigo 11 da Lei n° 9.779/99 não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu." (Recurso Extraordinário nO562.9805/SC, por maioria do Pleno do STF, j. 06/05/2009 pb no DJe de 04/09/2009) PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DO IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DESTINADOS À INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS OU SUJEITOS AO REGIME DE ALÍQUOTA ZERO. LEI 9.779/99. NOVEL JURISPRUDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O direito ao crédito de IPI, fundado no princípio da nãocumulatividade, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos isentos ou sujeitos ao regime de alíquota zero, exsurgiu apenas com a vigência da Lei 9.779/99, cujo artigo 11 estabeleceu que: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda." 2. "A ficção jurídica prevista no artigo 11, da Lei nº 9.779/99, não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu" (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: RE 562.980/SC, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, Rel. p/ Acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe167 DIVULG 03.09.2009 PUBLIC 04.09.2009; e RE 460.785/RS, Rel. Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 06.05.2009, DJe 171 DIVULG 10.09.2009 PUBLIC 11.09.2009). 3. In casu, cuidase de estabelecimento industrial que pretende o reconhecimento de direito de aproveitamento de créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériaprima, material de embalagem e insumos destinados à industrialização de produto sujeito à alíquota zero, apurados no período de janeiro de 1995 a dezembro de 1998, razão pela qual Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10830.002243/200918 Acórdão n.º 3402005.973 S3C4T2 Fl. 884 7 merece reforma o acórdão regional que deferiu o creditamento. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente provido, restando prejudicadas as pretensões recursais encartadas nas aduzidas violações dos artigos 166 e 170A, do CTN. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 860.369/PE, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) E mesmo que a questão ainda esteja em discussão judicial, inafastável a aplicação dos recursos: representativos de controvérsia do Superior Tribunal de Justiça e de repercussão geral do Supremo Tribunal Federal; Requer o julgamento da presente causa com o enfrentamento da demanda administrativa como preveem o S 2° do artigo 62, o inciso VI do artigo 45 e o artigo 80 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por tratarse de matéria já parametrizada pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. Após atualização da situação processual referente ao Processo, nos termos determinados em Resolução de fls.. 781785, a Recorrente novamente apresentou manifestação (fls. 828837) comunicando que foi reconhecido o direito ao aproveitamento do crédito relativo à aquisição de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagens nos termos do art. 11 da Lei nº 9.979/99, considerando determinação da VicePresidência face ao recurso com repercussão geral (RE 562.980/SC). Informou ainda: Que a decisão foi proferida em sede de Incidente de Retratação sob a égide dos artigos 1.039 e 1.040, II do Código de Processo Civil, o que impede o curso de novos recursos sobre a mesma controvérsia, diante do fato de que tal reexame foi efetuado de forma alinhada ao Acórdão Paradigma em Tema de Repercussão Geral (RE 562.980/SC); Que o Acórdão restou transitado em julgado, vez que a União Federal dele não recorreu; Que foi publicada a Portaria PGFN nº 502/2016, que libera os procuradores de apresentar recursos sobre assuntos sedimentados em recursos de repercussão geral (RE 562.980/SC). Às fls. 863 consta o seguinte despacho proferido pela Delegacia da Receita Federal de Campinas/SP, com relação à Ação Ordinária nº 0012189 67.2013.4.03.6100, especificamente sobre a anulação do julgamento realizado anteriormente por este Tribunal Administrativo (fls 330335), objeto da Resolução de fls 781785: Fl. 887DF CARF MF 8 DESPACHO PROFERIDO POR CLÉLIO BERTI – 10830.723298/201686 Conforme despacho da PSFN/Campinas – fls. 50 e 51, houve o trânsito em julgado, favorável ao contribuinte, no sentido de enviar o PAF 10830.002243/200918, ao CARF, para novo julgamento. PROPONHO deixar o processo 10830.002243/200918, na condição de devedor e encaminhálo, ao Contencioso, para as providências de enviálo ao CARF. Encaminhar o PAJ 10830.723298/201686 à PSFN/Campinas para que sejam anexadas as informações, em relação aos PAFS 10830.721332/201335 e 10830.727053/201628. Campinas, 28 de junho de 2018. Concluídas as diligências necessárias, o processo retornou a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para novo julgamento. Às fls. 875876 a Recorrente pediu pela urgência em razão de comunicado de inscrição no Cadastro Informativo dos Créditos não Quitados do Setor Público Federal CADIN. Por aplicação do § 6º do art. 50 do Anexo II do RICARF, os autos foram redistribuídos para minha relatoria (fls. 879 e 880). É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10830.002243/200918 Acórdão n.º 3402005.973 S3C4T2 Fl. 885 9 Mérito Da concomitância. Nos termos já relatados em decisão recorrida, a 2ª Turma da DRJRPO julgou pela concomitância de objetos entre processos administrativo e judicial, seguida pela interposição de recurso voluntário, preliminarmente para requerer o sobrestamento do processo administrativo até decisão definitiva da ação judicial e, no mérito, requerer a declaração da inexigibilidade e improcedência do auto de infração, com o cancelamento da respectiva exigência do IPI, bem como afastada a cobrança de juros de mora. Inicialmente, consignase que resta prejudicada a análise do pedido preliminar, considerando as razões abaixo demonstradas em julgamento ao mérito do recurso em análise. Por sua vez, é fato incontroverso nestes autos que a matéria objeto da Ação Declaratória nº 2001.61.05.000103946 se refere ao mesmo crédito tributário constituído através do lançamento impugnado e objeto do presente processo administrativo, resultando em flagrante concomitância. Apenas para destacar a identidade de objeto, colacionase as observações constantes do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 63102: (...) (...) Fl. 889DF CARF MF 10 (...) Portanto, resta claro que tratase de constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência sobre lançamento do imposto (IPI) não recolhido e objeto da discussão judicial, bem como a inexistência de lançamento de multa de ofício em razão da suspensão da exigibilidade do débito, nos termos previstos pelo Artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Outrossim, importante frisar que a decisão judicial objeto da Ação Declaratória ajuizada pela Contribuinte aplica a decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 398.365/RS e RE. 590.809/RS, afastando o direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, respeitada, porém, a compensação dos créditos do IPI nos termos do artigo 11 da Lei nº 9.779/99. Assim foi decidido na esfera judicial, conforme decisão de fls. 838845: Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10830.002243/200918 Acórdão n.º 3402005.973 S3C4T2 Fl. 886 11 Restou consignado no r. voto do Eminente Desembargador do TRF3 em julgamento ao recurso da Contribuinte: Conforme se extrai do relatado, cuidase, na espécie, de exame de retratação a ser procedido nos termos do artigo 543B, § 3º, do CPC/1973. A parte autora propôs Ação Ordinária c/c Pedido Condenatório (fls. 02/657) objetivando a declaração do direito ao lançamento da alíquota do IPI incidente na saída, nas matérias primas entradas no seu estabelecimento industrial, cuja operação não fosse tributada, isenta ou de alíquota zero, bem como do direito Fl. 891DF CARF MF 12 à compensação do crédito apurado dos valores recolhidos indevidamente para pagamento de tributos vencidos e vincendos, administrados pela SRF e, ainda, a compensação com impostos devidos da mesma espécie ou a restituição em espécie, mediante precatório. Como se vê da inicial a parte autora também tem por pretensão a aplicação do artigo 11 da Lei 9.779/99 para recuperação dos seus créditos tributários incidentes sobre matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, inclusive aqueles adquiridos com alíquota zero ou isentos. Confirase o seu pedido: "Seja, por fim, proferida sentença reconhecendo, cumulativamente, a existência de relação jurídica que autorize a Autora a se creditar e utilizar os valores de IPI (futuros e pretéritos, atualizados pelos mesmos índices utilizados pela fazenda nacional), advindos das aquisições de insumos isentos, não tributados ou ainda tributados à alíquota zero, empregados na fabricação de produtos sujeitos à tributação, com a aplicação da mesma alíquota utilizada nas respectivas saídas (15%); e, por consequência, seja declarada a existência de crédito tributário em favor da Autora, relativamente ao período comprovado nos autos em que não houve creditamento dos insumos (matéria prima) em tela. Requer, mais, seja assegurado o direito de proceder o creditamento dos valores de IPI nos livros fiscais da empresa e sua posterior utilização, nos termos do artigo 11 da Lei nº 9.779/99, para pagamento de tributos vencidos e vincendos, de qualquer receita ou destinação constitucional, desde que administrados pela Secretaria da Receita Federal (art. 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentada pelo decreto nº 2.38/97);" (fl.23) (...) Ora, de um exame do que consta dos autos, verificase que a matéria em discussão foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários nº 398.365/RS e RE. 590.809/RS, submetidos à sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil (Tema 844). Nos referidos acórdãos, firmouse o entendimento sobre a impossibilidade de creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero. Confirase: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. (RE 398365 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015). Fl. 892DF CARF MF Processo nº 10830.002243/200918 Acórdão n.º 3402005.973 S3C4T2 Fl. 887 13 IPI CREDITAMENTO ALÍQUOTA ZERO PRODUTO NÃO TRIBUTADO E ISENÇÃO RESCISÓRIA ADMISSIBILIDADE NA ORIGEM. Possui repercussão geral controvérsia envolvendo a rescisão de julgado fundamentado em corrente jurisprudencial majoritária existente à época da formalização do acórdão rescindendo, em razão de entendimento posteriormente firmado pelo Supremo, bem como a relativa ao creditamento no caso de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. (RE 590.809/RS, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 13.11.2008. Dje 13.03.2009, grifei). No entanto, não se pode olvidar que acabou por ser reconhecido à parte autora o direito ao aproveitamento de créditos de IPI relativos à aquisição de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na industrialização de produtos sujeitos à alíquota zero também nos moldes do art. 11 da Lei nº 9.779/99, questão que restou decidida definitivamente pelo colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 562.980/SC, em 06.05.2009, quando reconheceu não haver isenção de IPI antes do advento de lei em questão. Confirase a ementa do julgado: IPI CREDITAMENTO ISENÇÃO OPERAÇÃO ANTERIOR À LEI Nº 9.779/99. A ficção jurídica prevista no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 não alcança situação reveladora de isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI que a antecedeu. (RE 562980, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 06/05/2009, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe167 DIVULG 03092009 PUBLIC 04092009 EMENT VOL0237203 PP00626 LEXSTF v. 31, n. 369, 2009, p. 285 306). Dessa forma, impõese a aplicação do precedente firmado no RE 398.365 em sede de repercussão geral, em observância ao disposto nos artigos 1.039 e 1.040 do Código de Processo Civil, com as consequências legais pertinentes, para a reforma parcial do julgado. Ante o exposto, em juízo de retratação, com esteio no § 3º do artigo 543B, §3º, do Código de Processo Civil/73, atual art. 1040, II, do Código de Processo Civil/2015, dou parcial provimento ao apelo da União Federal e à remessa oficial, em maior extensão, para afastar o direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, respeitada, porém, a compensação dos créditos do IPI nos termos do artigo 11 da Lei nº 9.779/99.(sem destaque no texto original) Delimitadas as questões de fato objeto da presente análise, impera a aplicação da SÚMULA CARF Nº 1, que assim preceitua: Fl. 893DF CARF MF 14 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Neste caso, em razão da concomitância, deve ser aplicada a decisão judicial definitiva pela Unidade de Origem. Dos juros de mora Por sua vez, necessária se faz a análise do recurso quanto à incidência dos juros de mora por ilegalidade da exigência. A Recorrente havia argumentado em peça de Impugnação (fls. 258274) que o procedimento efetuado tinha respaldo em sentença judicial e respectivo acórdão, sendo que o débito estava com a exigibilidade suspensa por força de ordem judicial e, como a propositura da ação judicial é anterior a lavratura do auto de infração, este não poderia ter sido lavrado, principalmente com aplicação de multa e juros. A decisão recorrida considerou lícita a exigência do encargo com base na variação da Taxa Selic, conforme abaixo se colaciona: Fl. 894DF CARF MF Processo nº 10830.002243/200918 Acórdão n.º 3402005.973 S3C4T2 Fl. 888 15 Em Recurso Voluntário (fls. 305323) a Recorrente argumenta: Que é indevida aplicação de juros de mora sobre o crédito tributário objeto do auto de infração, uma vez que a contagem somente se inicia com o trânsito em julgado das decisões a serem proferidas em ações judiciais, aplicandose o Artigo 167 do Código Tributário Nacional e a Súmula 188 do Superior Tribunal de Justiça, sendo que nas ações de repetição de indébito ou mesmo nas em que se discute a compensação de um imposto, os juros devem incidir após o trânsito em julgado da sentença; Que o presente lançamento está vinculado à ação judicial e visa apenas prevenir os efeitos da decadência e, por isso, antes de transitado em julgada a sentença judicial não se sabe se o próprio tributo pe devido; Cabe observar que, ao contrário do que havia alegado a Recorrente em peça de impugnação, não foi aplicada a multa de mora, conforme já demonstrado e como se observa do auto de infração às fls. 2: Por sua vez, com relação à incidência dos juros de mora, relevante igualmente destacar pela pertinência do lançamento de ofício para prevenção da decadência, cuja exigibilidade estiver suspensa por decisão judicial. Neste caso, há previsão legal tão somente para interromper a incidência da multa de mora, nos termos do artigo 63, § 2º da Lei nº 9.430/96, sendo que o juros de mora tem respaldo no artigo 61, § 3º do mesmo Diploma Legal. Alega a Recorrente em Recurso Voluntário que é indevida a aplicação de juros, fundamentando pela obediência ao equilíbrio da Justiça, uma vez que o termo inicial deve ocorrer com o trânsito em julgado das decisões proferidas nas ações judiciais, a teor do artigo 167 do Código Tributário Nacional e Súmula 188 do Superior Tribunal de Justiça. Argumenta que, se o lançamento está vinculado à ação judicial, visando apenas prevenir a Fl. 895DF CARF MF 16 decadência, deve os juros moratórios igualmente incidir somente após a decisão judicial, caso desacolhida. Descabe a alegação da Contribuinte, uma vez que o artigo 39, § 4º da Lei nº 9.250/1995 assim dispõe: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (SEM DESTAQUE NO ORIGINAL) Registrase que a única hipótese de se afastar os juros de mora, nos moldes pretendidos pela Recorrente, seria em caso de depósito judicial do montante integral objeto do lançamento, o que não ocorreu neste caso, uma vez que, da análise dos autos, concluise que não há qualquer informação neste sentido. Outrossim, oportuno observar que não há que se falar em ofensa ao Princípio da Isonomia, porquanto já resta pacificado pelos Tribunais Pátrios que a correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso, a exemplo da discussão objeto do TEMA 905 do Superior Tribunal de Justiça e TEMA 810 do Supremo Tribunal Federal. E, neste mesmo sentido, foi prolatado o v. Acórdão pelo TRF3 em julgamento ao Recurso de Apelação interposto na Ação Declaratória nº 2000.61.05.0103946, ajuizada pela ora Recorrente. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS E COM ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO. PRECEDENTES DO STF. NÃOTRIBUTADO. MATÉRIA NÃO VENTILADA NA INICIAL. RECURSO NÃO CONHECIDO NESSE ASPECTO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. PRECEDETES DO STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA E TAXA SELIC APLICÁVEIS. VERBA HONORÁRIA ELEVADA. I. Não tendo sido ventilado, na exordial, o pedido relativo aos insumos não tributados e imunes, não se conhece da matéria, face a vedação quanto a inovação em sede de apelação. II Lapso prescricional qüinqüenal contado após o decurso do prazo previsto no Art. 150 do CTN. Exclusão das parcelas prescritas. Fl. 896DF CARF MF Processo nº 10830.002243/200918 Acórdão n.º 3402005.973 S3C4T2 Fl. 889 17 III O princípio constitucional tributário da nãocumulatividade não é, em si, um valor, mas limite objetivo que se preordena à realização de um valor. IV Percussão de duas normas jurídicas distintas: a da regra matriz de direito ao crédito pelo valor do imposto pago nas compras para o processo de industrialização e a da regramatriz de incidência do IPI. V. A norma isentiva tem objetivo determinado: mutilar parcialmente a regra matriz de incidência tributária. Daí por que não alcançar a estrutura da regramatriz de direito ao crédito. VI As isenções funcionam de forma diferençada nos impostos nãocumulativos. Para respeitar sua natureza jurídica, há de ser nãocumulativa. VII A circunstância da operação anterior ser isenta, ter alíquota zero não interfere na instauração do direito ao crédito. VIII Direito ao creditamento, que se mantém, relativamente às aquisições de matériasprimas isentas e reduzidas à alíquota zero, empregados na fabricação de produtos tributados ou não. IX. Correção monetária e Taxa Selic aplicáveis. X. Decaindo a autoria de parte mínima do pedido, é de se elevar a fixação da verba honorária. XI. Apelo da autora parcialmente provido. Apelação da União e remessa oficial improvidas. Assim restou observado pela Eminente Desembargadora Federal Relatora em seu r. voto: Relativamente à correção monetária, o creditamento há de ser efetuada com a devida atualização monetária dos valores em confronto, sob pena de prejuízo de uma parte e favorecimento a outra parte, gerando o injusto desequilíbrio econômico. A jurisprudência é farta e unânime acerca desta questão, consoante provam os julgados mais expressivos: “Reiteradamente afirmado pela Corte, não constituindo um “plus” mas mera atualização da moeda aviltada pela inflação, a correção monetária se impõe como um imperativo econômico, jurídico e ético, para coibir o enriquecimento sem causa.(RSTJ 23/307); No sistema inflacionário e no contexto de uma economia indexada, a correção monetária não constitui um “plus” sobre o valor da condenação, mas simplesmente mecanismo de preservação do valor real da indenização. (STJ, Rel. Min. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, 4ª Turma, v.u., DJU 07.10.91); Fl. 897DF CARF MF 18 Em regime de violenta inflação, reconhecer o direito ao crédito e negar atualização de seu valor é o mesmo que negar o direito.” (STJ, Rel. Min. GARCIA VIEIRA, 1ª Turma, v.u., DJU 02.08.92).” Importa ressaltar, ainda, a superveniente Lei nº 9.250 de 26.12.1995, que no § 4º da Art. 39 trouxe uma inovação, qual seja: “a partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” Portanto, entendo ser a Taxa Selic plenamente aplicável a partir de 1º de janeiro de 1996, como determinada, pois estabeleceuse os mesmos índices utilizados pela Fazenda Pública, lembrando se, entretanto, que sua incidência excluirá a aplicação de quaisquer outros índices de juros e correção monetária. Citase, por oportuno, o v. Acórdão nº 9303006.389, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em julgamento ao Recurso Especial interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13804.002257/200181: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Destacase, ainda, que tanto a previsão da aplicação da Taxa Selic quanto a previsão sobre o termo inicial de incidência dos juros de mora, igualmente encontramse superadas perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através das SÚMULAS CRF 4 e 5, que assim estabelecem: Fl. 898DF CARF MF Processo nº 10830.002243/200918 Acórdão n.º 3402005.973 S3C4T2 Fl. 890 19 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Dispositivo Ante o exposto, voto por não conhecer o Recurso Voluntário quanto a matéria objeto da Ação Declaratória em razão da concomitância, devendo a Unidade de Origem aplicar a decisão judicial definitiva. Na parte conhecida quanto aos juros de mora, voto por negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 899DF CARF MF
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Numero do processo: 15956.000430/2009-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial deve ser conhecido.
NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL.
Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal.
Numero da decisão: 9202-007.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Atendidos os pressupostos regimentais de admissibilidade, o Recurso Especial deve ser conhecido. NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado) e Maria Helena Cotta Cardozo. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 04 30 /2 00 9- 56 Fl. 1156DF CARF MF 2 Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Redatora Designada (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada em substituição à conselheira Ana Paula Fernandes), Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 2401002.863, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, no dia 23 de janeiro de 2013, que por maioria de votos, houve a exclusão do lançamento por vício material, do levantamento "vantagem a dirigente", conforme ementa transcrita abaixo: CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS APURAÇÃO EM GFIP A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP. Alegar que os fatos geradores foram obtidos por meios ilícitos, quando os mesmos foram apurados em GFIP e FOPAG, não merece guarida, face as informações serem emanadas do próprio contribuinte. ENTIDADE ISENTA AUSÊNCIA DE PEDIDO FORMAL PERANTE O INSS DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO CONSTANTE DO ART. 55 DA LEI 8212/91 O descumprimento das exigências legais quanto a condição de entidade isenta, retira o direito a isenção de contribuições previdenciárias patronais. Não se pode alegar direito adquirido para deixar de efetivar as contribuições patronais, considerando inclusive nunca ter a empresa requerido junto ao INSS isenção de contribuições previdenciárias. ISENÇÃO DISCUSSÃO JUDICIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. A existência de ação judicial acerca do direito a isenção não impede o conhecimento administrativo do recurso em relação aos argumentos não suscitados na esfera recursal. DIREITO ADQUIRIDO DECRETO 1.572/77 EXIGÊNCIA DE RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL O direito adquirido a isenção tem como pressuposto a Certificado de Entidade Filantrópica e o Reconhecimento como de utilidade pública Federal até a data do Decreto 1.572, não servindo apenas o reconhecimento com de utilidade pública federal para atribuir direito adquirido a entidades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 15956.000430/200956 Acórdão n.º 9202007.196 CSRFT2 Fl. 1.155 3 01/01/2005 a 28/02/2005 NULIDADE DO PROCEDIMENTO INEXISTÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO DE PERDA DA ISENÇÃO Não há como arguir nulidade pela não emissão de ato declaratório de extinção da isenção, quando a entidade não é isenta perante a Previdência social. O direito a isenção conforme preceitua o art. 55 da lei 8212/91, pressupõe o deferimento do pedido de isenção. DECLARAÇÃO DE ILICITUDE DE PROVAS EM PROCEDIMENTO DE BUSCA E APREENSÃO CONTAMINAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS POSTERIORES INAPLICABILIDADE Não importa nulidade o lançamento que se baseia em documentos e provas obtidos regularmente durante procedimento fiscal, mesmo que tenham anteriormente sido apurados em crédito cuja licitude de sua obtenção tenha sido questionada judicialmente. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DO FATO GERADOR. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. É nulo, por vício material, o lançamento, cujo Relatório Fiscal descreve de forma insuficiente os fatos geradores que motivaram a lavratura. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do recurso. II) Na parte conhecida, por maioria de votos, excluir do lançamento por vício material, o levantamento "vantagem a dirigente". Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que anulava o referido levantamento por vício formal. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Como muito bem relatado pela Câmara a quo, peço vênia para transcrever o relatório constante no acórdão nº 2401002.863: O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.230.0081, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, no período de 01/2005 a 02/2005, apurados sobre os valores pagos ou creditados aos segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 72 a 79 a empresa fiscalizada se auto enquadra como isenta de contribuições previdenciárias e protocolizou em 30/10/97, junto ao Instituto Nacional do Seguro Social —INSS, pedido de isenção da cota patronal que recebeu o n. 4727/97. O Pedido em questão foi protocolizado em Brasília, dirigido diretamente ao presidente do INSS. O Instituto Nacional do Seguro Social — INSS indeferiu em 30/08/00 o pedido de isenção da quota patronal pleiteado pela empresa, fato que lhe foi comunicado pela Gerência Executiva/Ribeirão Preto, através do oficio 21.431/494/00 de 15/09/00. Fl. 1158DF CARF MF 4 Consta ainda do referido relatório que em 04/10/00 a empresa interpôs recurso e após as contrarazões da Gerência Executiva/Ribeirão Preto o processo foi encaminhado a Câmara de Julgamento/CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social que, através do Acórdão 02/03265/2000, conheceu do recurso e lhe deu provimento. A Gerência Executiva/RP interpôs pedido de revisão do Acórdão, sendo que em 14/05/01 o processo foi reencaminhado a 2 Câmara de Julgamento para que o pedido de revisão fosse apreciado onde, através do Acórdão 2051/2003, conheceu do pedido de revisão solicitado pelo INSS, no mérito deulhe provimento e anulou o Acórdão 02103265/2000, restabelecendo o ato administrativo que indeferiu o pedido de isenção. O fato em questão foi comunicado à empresa, pela Gerência Executiva de Ribeirão Preto, através do oficio 21.431/426 de 18/09/03, encaminhado por AR e recepcionado pela interessada em 22/09/03. Por fim, do Acórdão 2051/03 a empresa pediu revisão, que lhe foi negada através do Acórdão n° 1508/04 de 25/08/04, proferido pela r Câmara de Julgamento portanto, conclui o auditor em seu relatório que a Associação de Ensino de Ribeirão Preto — AERP não é isenta de contribuições previdenciárias. Os fatos geradores apurados no pressente AI são as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados informados na categoria 01 e aos contribuintes individuais informados na categoria 13 nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações h Previdência Social — GFIP entregues antes do inicio do procedimento fiscal, e constantes dos Bancos de Dados Corporativos, sendo as Ultimas GFIPs informadas para as competências 01/2005 e 02/2005: Importante, destacar que a lavratura do AIOP deuse em 28/12/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 04/01/2010. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial alegando que a deficiência na descrição dos fatos acarreta nulidade do auto de infração por vício formal e não material, conforme consta no acórdão ora recorrido. Conforme despacho de admissibilidade de efls. 1.118/1.121, o REsp da PGFN foi admitido em relação a segunda divergência apontada, conforme trecho transcrito abaixo: Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e o primeiro paradigma, motivo pelo qual entendo que está configurada a segunda divergência jurisprudencial apontada. De fato, em situações semelhantes, em que houve deficiência na descrição dos fatos, o primeiro paradigma declarou a nulidade do lançamento por vício formal, enquanto que o aresto atacado considerou tal mácula vício material. Por oportuno, reproduzo o seguinte trecho do Acórdão n.º 203 09.332:(...) Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 15956.000430/200956 Acórdão n.º 9202007.196 CSRFT2 Fl. 1.156 5 O Contribuinte apresentou Contrarrazões de efls. 1.130/1.134, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e/ou a negativa no seu provimento, com fundamento que o voto vencedor do acórdão ora recorrido "é claro o suficiente no sentido de que o lançamento não foi revisto por falta de fundamentação legal (descrição insuficiente), mas por ausência de materialidade." Assim, a matéria objeto do presente julgamento é a natureza do vício que ocasionou a nulidade da autuação: formal x material. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Conforme despacho de admissibilidade de efls. 1.118/1.121, o REsp da PGFN é tempestivo entretanto, do acórdão paradigma Acórdão n.º20309.332 trazido para subsidiar o pedido, consta na Ementa, inadvertidamente, a designação Vício Formal, incorrendo em contradição direta ao subsequente decisum e ao voto, verbis: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVAS A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas na norma legal. (Art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72). Preliminar rejeitada. COFINS NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vício insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo que se anula ab initio. (Terceira Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes. 10980.014934/9729.) ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes: 1) por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de pedido de juntada de documentos; e II) no mérito, por maioria de votos, em anular o processo ab initio. Vencidos os Conselheiros Vahnar Fonseca de Menezes (Suplente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Suplente) e Otacílio Dantas Cartaxo. Esteve presente ao julgamento o Advogado da Recorrente Altair Santana da Silva. Entretanto, é absolutamente claro, do voto da Ilustre Conselheira Maria Teresa Martinez Lopes, que se a ausência de motivação levou aquele colegiado ao reconhecimento do vício material, inexistindo divergência apontada pela Fazenda Nacional, verbis: Fl. 1160DF CARF MF 6 O princípio da legalidade impõe que o agente público observe, fielmente, todos os requisitos expressos na lei como da essência do ato vinculado 3 . O seu poder administrativo restringese, em tais casos, ao de praticar o ato, mas o de praticar com todas as minúcias especificadas na lei. Omitindoas ou diversificandoas na sua substância, nos motivos, na finalidade, no tempo, na forma ou no modo indicados, o ato é inválido. 110 Inserese da leitura do art. 142 do CTN que o auto de infração deve conter, com clareza e precisão, todos os elementos necessários à identificação precisa da suposta obrigação tributária que se está constituindo, a saber: a indicação precisa e objetiva das atividades que pretende tributar, indicando, também, detalhadamente, as operações que ensejaram a ocorrência do fato gerador da obrigação. Esses são requisitos mínimos impostos pelo CTN para dar validade à exigência fiscal. De igual modo, tais requisitos devem, obrigatoriamente, estar conjugados com a respectiva "motivação" de forma a permitir ao contribuinte/interessado possa examinar a pretensão fiscal, atendendoa ou se defendendo mediante uma devida impugnação. ... A regra do art. 142 do CTN é de inequívoca clareza. A expressão "determinar" significa conformar por inteiro; não permitir dúvida; e afastar zonas cinzentas. Determinar é dar perfil completo, o desenho absoluto, nítido, claro e cristalino. E tal determinação tem que ser apresentada pelo sujeito ativo, no lançamento, e não pelo sujeito passivo. Nesse sentido, temse que o lançamento é nulo, por falta de vinculação à norma jurídica com a devida descrição dos fatos. ... Em análise aos autos, verificase, portanto, a inexistência da devida motivação do ato administrativo. Não basta a mera invocação da norma jurídica, supostamente aplicável ao fato sem que se explique como e por quê aquela norma jurídica deve ser aplicada. Motivar não é simplesmente apontar o texto da lei, eis que a isso se dá o nome de "fundamentação legal". As partes, tanto quem constitui o crédito tributário, pelo lançamento, como quem se insurge contra o ato administrativo, deverão justificar o porquê do ato administrativo ou da decisão administrativa, ou da não concordância com o ato administrativo. Celso Antonio Bandeira de Mello considera o princípio da motivação como • essencial ao processo administrativo, definindoo como "o da obrigatoriedade de que sejam explicitados tanto o fundamento normativo quanto o fundamento fálico da decisão, enunciandose, sempre que necessário, as razões técnicas, técnicas e jurídicas que servem da calço ao ato conclusivo, de molde a poderse avaliar a procedência jurídica e racional perante o caso concreto ". Por oportuno, conveniente transcrever frase de Benthan, citada por Nfichelle Taruffo: "good decisions are such decisions for which good reasons can be given" (boas decisões são aquelas decisões para as quais boas razões podem ser dadas"6. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 15956.000430/200956 Acórdão n.º 9202007.196 CSRFT2 Fl. 1.157 7 Em verdade, o agente fiscal pode e deve efetuar o ato administrativo do lançamento de acordo com as razões de seu livre convencimento, todavia, deve explicitar as razões que o levaram a adotar este ou aquele procedimento, de maneira que seu procedimento não se configure em arbítrio, logo, imprescindível, indicar, na descrição dos fatos, "os motivos que lhe formaram o convencimento". Ressaltese que essa exigência tem implicação substancial e não meramente formal. Em se tratando de pessoa jurídica de fins não lucrativos, não basta, portanto, a autoridade julgadora dizer que houve falta de pagamento e reportarse a artigos genéricos da lei, como se fosse uma pessoa jurídica comum, eis que necessária, sob pena de nulidade, a exteriorização da base fundamental do procedimento. Portanto, por entender ter ocorrido vício de forma na constituição do crédito tributário, defeito insanável do ato jurídico, que deve ser declarada a qualquer tempo, independentemente de argüição, voto pela nulidade do processo ab initio Como não foi conhecido AC 20601.026, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial da Fazenda Nacional. No mérito: No voto vencido, constante no acórdão ora recorrido, proferido pela Ilma. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, em relação ao ponto em discussão nas e fls. 1.058/1.059, transcrevo: Até podemos considerar, que a “conclusão do auditor”, que determinados pagamentos eram na verdade salário indireto, tivessem nascido, das considerações e documentos apreciados durante o procedimento de busca e apreensão, no qual os fiscos trabalhando em conjunto tiveram acesso a documentos e situações que embasaram a realização de procedimentos posteriores. Contudo, ditas narrativas, deveriam ser destacadas no relatório fiscal, como elementos novos, amarrados a fatos e documentos encontrados no decorrer da presente ação fiscal. Assim, entendo que deva ser excluída do lançamento a verba VANTAGEM AOS DIRIGENTES, uma vez que no relatório fiscal, não restou evidenciado, os elementos para caracterizar a verba como salário de contribuição. Apenas para esclarecer, entendo que a ausência de descrição devida do fato gerador, consiste em vício na constituição do lançamento, razão porque deve ser declarado vício formal no lançamento, quanto a rubrica, vantagem a dirigentes. (Grifamos) Assim, a Ilma. Conselheira destaca que no relatório fiscal não restou evidenciado os elementos para caracterizar a verba paga aos dirigentes como salário de contribuição, entendendo que tal vício é de natureza formal. Por sua vez, o voto vencedor proferido pelo Ilmo. Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo entendeu que a descrição dos fatos geradores de forma deficiente, mácula do lançamento em com um vício de natureza material, conforme transcrito abaixo: Fl. 1162DF CARF MF 8 Ainda sobre os requisitos do lançamento, para as situações em que as provas colacionadas e a motivação do fisco não trazem o convencimento da ocorrência do fato gerador, posto que o mesmo não resta suficientemente demonstrado pela Autoridade Fiscal, há de se declarar a improcedência do lançamento. Votemos ao caso concreto. No meu sentir, foi afetado diretamente um requisito do lançamento, provocado pela descrição insuficiente dos motivos que levaram o fisco a considerar não recolhidas as contribuições exigidas sobre o item “remuneração a dirigente”, posto que não restaram evidenciados os elementos para caracterizar a verba como salário de contribuição. Vêse que, embora vislumbrese a ocorrência dos pagamentos, o fisco não conseguiu demonstrar a contento a incidência de contribuição sobre os mesmos. Assim, tomando como referência os aspectos teóricos acima apresentados, posicionome pela invalidade parcial do lançamento da mesma forma que a Relatora, todavia, não por vício formal, mas por vício material. (Grifamos). No caso de vício formal, o prazo decadencial para a constituição de outro crédito tributário é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade do lançamento, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da data da ocorrência do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Assim, ocorrendo nulidade por vício material poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício incorrido, desde que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento, in totum, do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de nulidade por vício formal. Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 15956.000430/200956 Acórdão n.º 9202007.196 CSRFT2 Fl. 1.158 9 justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falar se do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal não pode estar relacionado aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, não pode referirse à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídicotributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídicotributária. Neste sentido, destaco o acórdão nº 9101002.146 de relatoria do Ilmo. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, cuja ementa transcrevo abaixo: NULIDADE DE LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. A indicação defeituosa ou insuficiente da infração cometida, da data em que ela ocorreu, do montante correspondente à infração Fl. 1164DF CARF MF 10 (base imponível); e dos documentos caracterizadores da infração cometida (materialidade), não configura vício formal.(Processo nº 10280.005071/200142) No presente caso, o vício afeta diretamente um requisito do lançamento, provocado pela descrição insuficiente dos motivos que levaram o fisco a considerar não recolhidas as contribuições exigidas sobre o item “remuneração a dirigente”, posto que não restaram evidenciados os elementos para caracterizar a verba como salário de contribuição, assim, o vício que afeta o presente lançamento é de natureza material. A maioria por qualidade do Colegiado entretanto entende ser este um material, tão somente pelo fato de não poder ser refeito com os mesmos elementos constantes dos autos. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Discordo da Ilustre Conselheira Relatora, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No acórdão recorrido foi declarada a nulidade de parte do lançamento, por vício material. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o vício seja considerado de natureza formal. Assim, tratandose de discussão acerca da natureza de vício em lançamento de tributo, é imprescindível que se verifique a motivação da declaração de nulidade em cada um dos julgados em confronto, a ver se haveria similitude entre elas. No caso do acórdão recorrido, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, declarandose a nulidade do lançamento por vício material, somente no tocante ao levantamento "vantagem a dirigente", considerandose que o Relatório Fiscal descreveu de forma insuficiente os fatos geradores que motivaram a lavratura do Auto de Infração. Confira se os trechos do voto vencedor do acórdão recorrido: "Do voto da Ilustre Relatora depreendese que a mesma declarava a exclusão do levantamento “vantagem a dirigente” em razão de deficiente descrição dos fatos geradores, entendendo que a mácula do lançamento era de natureza formal. Não concordo, data vênia, com a Relatora quanto à natureza da invalidade do lançamento. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 15956.000430/200956 Acórdão n.º 9202007.196 CSRFT2 Fl. 1.159 11 Inicialmente, peço licença para tratar apressadamente dos elementos que constituem o procedimento de lançamento, para depois discorrer sobre as consequências jurídicas advindas de vícios em cada um dessas partes que compõem o ato procedimental de constituição do crédito tributário e, por fim, aplicar essa teorização ao caso trazido a lume. Compõem o ato de lançamento: a) Requisitos: são as formalidades que integram a substância do ato de lançamento, integrando sua própria estrutura. A sua normatividade situase no art. 142 do CTN, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Assim, a descrição do fato gerador, a determinação da base de cálculo, a aplicação da alíquota para obter o valor do tributo e a identificação do sujeito passivo são considerados requisitos do lançamento. (...) Votemos ao caso concreto. No meu sentir, foi afetado diretamente um requisito do lançamento, provocado pela descrição insuficiente dos motivos que levaram o fisco a considerar não recolhidas as contribuições exigidas sobre o item “remuneração a dirigente”, posto que não restaram evidenciados os elementos para caracterizar a verba como salário de contribuição. Vêse que, embora vislumbrese a ocorrência dos pagamentos, o fisco não conseguiu demonstrar a contento a incidência de contribuição sobre os mesmos. Assim, tomando como referência os aspectos teóricos acima apresentados, posicionome pela invalidade parcial do lançamento da mesma forma que a Relatora, todavia, não por vício formal, mas por vício material." (grifei) Visando demonstrar a alegada divergência em relação à matéria se nulidade houve, tratase de vício formal e não material foi analisado o paradigma representado pelo Acórdão nº 20309.332. A Fazenda Nacional colacionou a respectiva ementa, conforme a seguir: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vício insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio.” Fl. 1166DF CARF MF 12 A leitura da ementa já permite perceber que, tal como no acórdão recorrido, o vício apontado foi de descrição deficiente dos fatos geradores. Compulsandose o inteiro teor desse paradigma, constatase que a situação nele tratada se assemelha à do recorrido. Confira se: "Inserese da leitura ao que determina o art. 142 do CTN que o auto de infração deve conter, com clareza e precisão, todos os elementos necessários à identificação precisa da suposta obrigação tributária que se está constituindo, a saber, a indicação precisa e objetiva das atividades que pretende tributar, indicando também, detalhadamente, as operações que ensejaram a ocorrência do fato gerador da obrigação. Esses são requisitos mínimos impostos pelo CTN para dar validade à exigência fiscal. De igual modo, tais requisitos devem obrigatoriamente estar conjugados com a respectiva "motivação" de forma a permitir ao contribuinte/interessado possa examinar a pretensão fiscal, atendendoa ou se defendendo mediante uma devida impugnação. Em síntese, não há tipificação exata das pretendidas irregularidades, gerando, no decorrer do tempo, conseqüente cerceamento de defesa. A regra do art. 142 do CTN é de inequívoca clareza. A expressão "determinar" significa conformar por inteiro. Não permitir duvida. Afastar zonas cinzentas. Determinar é dar perfil completo, o desenho absoluto, nítido, claro, cristalino. E tal determinação tem que ser apresentada pelo sujeito ativo, no lançamento, e não pelo sujeito passivo. Nesse sentido, temse que o lançamento é nulo por falta de vinculação à norma jurídica com a devida descrição dos fatos. Por outro lado, não cabe a este Colegiado dizer qual norma ou sob qual comando legal deve ou está submetida a entidade sem fins lucrativos, em especial a interessada. Desta feita, inexistente a devida e correta motivação do ato administrativo. Não basta a mera invocação da norma jurídica, supostamente aplicável ao fato, sem que se explique como e porque aquela norma jurídica deve ser aplicada. Motivar não é simplesmente apontar o texto da lei, eis que a isso se dá o nome de "fundamentação legal". As partes, tanto quem constitui o crédito tributário, pelo lançamento, como quem se insurge contra o ato administrativo, deverão justificar o porquê do ato administrativo ou da decisão administrativa, ou da não concordância com o ato administrativo. (...) Portanto, por entender ter ocorrido Vício de Forma na constituição do crédito tributário, defeito insanável do ato jurídico, que deve ser declarada a qualquer tempo, independentemente de argüição, voto pela nulidade do processo ab initio." (grifei) Assim, ao contrário do que restou consignado no acórdão recorrido, no paradigma considerouse que a deficiência na descrição dos fatos geradores acarretaria vício formal e não vício material, o que efetivamente caracteriza a divergência suscitada. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, acompanhando a Relatora pelas conclusões, negolhe provimento. Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 15956.000430/200956 Acórdão n.º 9202007.196 CSRFT2 Fl. 1.160 13 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1168DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.722876/2012-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM.
1- A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em bis in idem. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente.
2- A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, juntamente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL
Estende-se ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 9101-003.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10940.720510/2011-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10940.720510/2011-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
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CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM. 1 A multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em bis in idem. A multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. 2 A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, juntamente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese ao lançamento decorrente, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 28 76 /2 01 2- 40 Fl. 2838DF CARF MF Processo nº 10120.722876/201240 Acórdão n.º 9101003.919 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe negaram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 10940.720510/201100, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente ao afastamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ/CSLL, relativamente ao(s) ano(s)calendário(s) de 2008. É o breve relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 10120.722876/201240 Acórdão n.º 9101003.919 CSRFT1 Fl. 4 3 10940.720510/201100, relativamente aos fatos geradores objeto do lançamento ora sob exame. Isso posto, no que concerne ao(s) ano(s)calendário(s) de 2008, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.911, exarado em 4 de dezembro de 2018, no âmbito do referido processo 10940.720510/201100, ao qual este é vinculado. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.911: O presente processo tem por objeto lançamento a título de IRPJ e tributos reflexos apurados em relação aos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008 (Lucro Real anual). A autuação fiscal foi embasada em omissão de receitas e glosa de custos e despesas. Nesta fase de recurso especial, só remanesce litígio em relação à exigência da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ/CSLL. (...) O recurso só deve ser conhecido em relação aos anoscalendário de 2007 e 2008. Quanto ao mérito, vêse que o objeto da contestação se refere ao entendimento exposto no acórdão recorrido no sentido de que a multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais não pode ser cobrada concomitantemente com a multa de ofício devida por conta da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual. Até o advento da MP nº 351/2007 e da Lei nº 11.488/2007, a multa isolada devida por ausência de pagamento das estimativa mensais de IRPJ e de CSLL tinha a seguinte previsão: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente; Fl. 2840DF CARF MF Processo nº 10120.722876/201240 Acórdão n.º 9101003.919 CSRFT1 Fl. 5 4 (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"; passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser pago na forma prevista no art. 2º da mesma lei; (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do §1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editouse a já citada Súmula CARF nº 105. Mas com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Friso que a Súmula CARF nº 105 é explícita ao mencionar a impossibilidade de cobrança concomitante da "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996" com a "multa Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 10120.722876/201240 Acórdão n.º 9101003.919 CSRFT1 Fl. 6 5 de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual". Tendo sido a Súmula editada pela 1ª Turma da CSRF apenas em 08/12/2014, muito tempo após a revogação do inciso IV do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o início da vigência da Lei nº 11.488/1997, seria esperado que ela fizesse alguma referência genérica como "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida (...)" caso não desejasse se referir especificamente à multa isolada prevista no dispositivo revogado em 2007. Neste mesmo sentido já se manifestou a CSRF no Acórdão nº 910100.947, cujo voto condutor assim se pronunciou: "Da comparação entre a redação vigente e a anterior do mesmo dispositivo, constatase que com as alterações introduzidas recentemente a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a titulo de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustouse o percentual da multa pela falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Desta forma, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tomar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. Porém, este novo disciplinamento das sanções administrativas aplicadas no procedimento de oficio passaram a viger somente a partir de janeiro de 2007, portanto, após os fatos de que tratam os autos. No caso presente, em relação ao anocalendário 1998, a contribuinte foi autuada para exigir principal e multa de oficio em relação a CSLL não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida. Como dito acima, essa dupla penalização sobre ilícitos materialmente relacionados e por força do principio da consunção, não pode subsistir." (Grifouse) Interpretando a contrario sensu a referida decisão, concluise que, a partir de janeiro de 2007, quando entrou em vigência a MP nº 351/2007, não subsistem os motivos que outrora impediam a cobrança concomitante das duas multas. Ainda quanto ao mérito, considero oportuno reproduzir os fundamentos de uma outra decisão do CARF, o Acórdão nº 1802001.408, em que foi negado provimento a recurso Fl. 2842DF CARF MF Processo nº 10120.722876/201240 Acórdão n.º 9101003.919 CSRFT1 Fl. 7 6 voluntário do contribuinte que pedia o cancelamento da multa isolada, a partir do mesmo tipo de argumentação das contrarrazões que foram apresentadas nos presentes autos: Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. A previsão dessa penalidade está contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei 11.488/2007, já vigentes à época dos fatos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Ao determinar que a multa isolada será aplicada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”, a norma legal evidencia aspectos importantes. Primeiramente, a clareza do texto não admite outra leitura, senão a de que a referida multa será aplicada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa (...)”. Não há espaço para outra interpretação, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, um entendimento contrário (de que essa multa não incidira em caso de prejuízo ...) implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido na alínea “b” acima transcrita (ainda que tenha sido apurado prejuízo ...). Vêse também que o texto diz “ainda que tenha sido apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 10120.722876/201240 Acórdão n.º 9101003.919 CSRFT1 Fl. 8 7 com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tais aspectos não deixam nenhuma dúvida de que as estimativas mensais configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual, em 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação subsiste mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido no ajuste. Com mais razão, portanto, ela deve existir quando há tributo devido ao final do ano, e é esse o nosso caso. Realmente não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido no ajuste), e, sendo assim, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Finalmente, é preciso ressaltar que não há um regime de tributação de IRPJ/ CSLL em que o contribuinte apure o tributo anualmente e o recolha somente no ajuste, com vencimento no último dia útil do mês de março do ano subseqüente. O que há é um regime de apuração anual (opcional) no qual o contribuinte fica obrigado a realizar recolhimentos mensais no decorrer do ano, por meio de estimativas, ressalvada a possibilidade de suspender ou reduzir estes recolhimentos mensais mediante a elaboração de balancetes cumulativos de suspensão ou redução desta obrigação. Fosse o caso de um tributo com fato gerador instantâneo, ocorrido em 31 de dezembro, e com vencimento no mês de março subseqüente, todo o problema relativo ao descumprimento da obrigação estaria resolvido (compensado) pela multa normal de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 10120.722876/201240 Acórdão n.º 9101003.919 CSRFT1 Fl. 9 8 9.430/1996, com as suas devidas majorações, quando cabíveis. Mas tratandose de tributo com fato gerador complexivo, como é o caso do IRPJ e da CSLL, em que a opção pela apuração anual impõe também a obrigação de recolhimentos mensais (as chamadas “antecipações”), a multa de 75%, embora puna o descumprimento da obrigação vencida em março do ano seguinte (ajuste anual), não resolve todos os problemas, porque ela não compensa o atraso no ingresso dos recursos, que deveriam ter sido recolhidos ao longo do próprio ano. O prejuízo sofrido pelos cofres públicos em relação ao atraso nas “antecipações” ficaria a descoberto, não fosse a multa isolada em questão, que está prevista justamente para preencher esta lacuna, dando eficácia ao regime de apuração anual com estimativas mensais. Se não houvesse essa multa isolada, nenhum contribuinte faria recolhimento de estimativas mensais, deixando para recolher todo o tributo de uma só vez, e somente no ajuste, em março do ano seguinte. Vejo com bastante clareza que a multa normal de 75% pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Com efeito, estamos diante de penalidades distintas previstas para diferentes situações/fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos, não havendo, portanto, que se falar em concomitância de multas. Nestes termos, também em relação à multa isolada, nego provimento ao recurso voluntário. A aplicação das duas penalidades mencionadas acima é perfeitamente possível, uma vez que elas configuram penalidades distintas previstas para diferentes situações/ fatos, e com a finalidade de compensar prejuízos financeiros também distintos. O voto acima transcrito elucida com clareza esses aspectos. A contribuinte, ao omitir receitas e fazer exclusões indevidas na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL nos anos calendário de 2007 e 2008, acarretou dois prejuízos aos cofres públicos. Um deles, é de não ter recolhido integralmente, em 31/03/2008 e 31/03/2009, o tributo devido no ajuste anual (o que justifica a multa de ofício exigida juntamente com o tributo lançado em relação ao ajuste anual desses períodos). Antes disso, porém, já havia causado outro prejuízo, na medida em que valores já deveriam ter ingressado nos cofres públicos no curso dos próprios anos de 2007 e 2008, via recolhimento de Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 10120.722876/201240 Acórdão n.º 9101003.919 CSRFT1 Fl. 10 9 estimativas mensais (o que justifica a multa isolada por falta das "antecipações"). Não é razoável pensar que a multa isolada somente pode ser exigida quando não existe valor de principal a ser exigido, na hipótese de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL, ou de já se ter recolhido o tributo. Ora, se a multa isolada deve ser aplicada "ainda" que não haja tributo devido no ajuste (em razão de prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, conforme o texto da lei), com mais razão ela deve ser exigida se há tributo devido ao final do ano, e ainda não quitado. A noção de justiça força essa conclusão, e o fato de a lei utilizar a expressão "ainda", apenas a confirma. Não seria razoável punir por falta de "antecipações" aquele que nada deveu no ajuste anual, e exonerar dessa penalidade aquele que era realmente devedor de tributo. Também não há nenhuma dúvida quanto à possibilidade de aplicação da multa isolada após o fim do anocalendário a que corresponde a estimativa faltante. O texto da lei diz que a pessoa jurídica que deixar de recolher estimativa fica sujeita à multa isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007. Assim, voto no sentido de CONHECER do recurso especial apenas em relação à exigência da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 2007 e 2008, e de DAR provimento ao recurso, para fins de restabelecer a multa isolada nestes períodos. Em síntese, voto por conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto aos anoscalendário 2007 e 2008 e, no mérito, na parte conhecida, voto em darlhe provimento. Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, voto por DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2846DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003262/2007-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1387; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.178 1 2.177 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.003262/200753 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.714 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2019 Assunto PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente DM MOTORS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 26 2/ 20 07 -5 3 Fl. 2178DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.179 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 079/080, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 31.223,24. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 008/012) entregue em 15/08/2003 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000951/200164, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 15/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 061/067), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 068), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 069/078 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000951/200164, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi anulado pelo CARF, resultando em novo Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido, decisão que atualmente encontrase pendente de julgamento de manifestação de inconformidade apresentada. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição Fl. 2179DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.180 3 do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no período de julho de 2003, no valor de R$ 36.147,37, conforme cópia da DCTF do 3ºT/2003 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 31.223,24, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A préexistência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fl. 2180DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.181 4 à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado Fl. 2181DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.182 5 sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de julho/03 no valor de R$ 38.870,41, fls. 2049. Por fim, concluiu que não houve compensação a maior, fls.2.053 e 2.054, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior, no Pedido de Restituição em análise, não havendo nada a restituir ao contribuinte. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução os custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 2.049), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10850.003262/200753 Resolução nº 3402001.714 S3C4T2 Fl. 2.183 6 Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos custos citados. II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.2050 a 2051, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2183DF CARF MF
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Numero do processo: 10510.900050/2006-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa: PRESCRIÇÃO
O STF decidiu que a LC 118/05, embora tenha se autoproclamado
interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido.Assim, esta só tem validade após sua vacatio legis, ou seja, 9 de junho de 2005.
Vistos, relatados e discutidos
Numero da decisão: 1103-000.582
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRF de origem para apuração do valor do crédito da contribuinte.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 1998 Ementa: PRESCRIÇÃO O STF decidiu que a LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido.Assim, esta só tem validade após sua vacatio legis, ou seja, 9 de junho de 2005. Vistos, relatados e discutidos
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para devolver os autos à DRF de origem para apuração do valor do crédito da contribuinte. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Trata se de recurso voluntário interposto pela contribuinte acima qualificada a respeito da decisão da DRJ de Salvador/BA que negou a manifestação de inconformidade da contribuinte. Tratase de Declaração Eletrônica de Compensação, fls. 01 a 05, indicando como crédito o saldo negativo do IRPJ, período de apuração de 31/03/1998, no valor de R$3.582,58, para compensar débito do IRPJ do 4º trimestre /2001, no valor de R$22.770,50. A autoridade tributária, por meio do Despacho Decisório à fl. 08, não homologou a compensação, sob o fundamento de que na data da transmissão do PER/DCOMP, com o demonstrativo do crédito, já estaria extinto o direito de utilização do saldo negativo, em virtude do decurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a data de transmissão do PERDCOMP e a data de apuração do saldo negativo (31/03/1998). Cientificado do despacho decisório, o sujeito passivo, por meio da petição às fls. 11 a 14, apresentou as seguintes razões de defesa: procedeu por meio de vários PERDCOMP, a compensação do débito referente ao IRPJ, do 4º trimestre de 2001, no valor de R$22.770,50, cópias dos recibos anexas, utilizando para tanto os saldos negativos dos quatro trimestres constantes da declaração de rendimentos com base no lucro presumido, relativa ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, e ainda parte do valor pago a maior do IRPJ, relativo ao primeiro trimestre de 1999; em 20/05/2008, a DRF em Aracaju, por intermédio de despacho decisório nº 763956560, não homologou a compensação, e ainda está cobrando todo o débito, em duplicidade ao despacho decisório nº 763956573, alegando que decaiu o direito de uso do crédito proveniente do saldo negativo do primeiro trimestre do ano de 1998; ressaltese que foram utilizados cinco PER/DCOMP para a compensação do débito, portanto, a não homologação da compensação de apenas um PER/DCOMP não exclui o direito de uso do crédito indicado nos demais pedidos; por sua vez, nas compensações foram efetuados, à parte, os acréscimos legais pertinentes, até a data da transmissão, porquanto a primeira versão do PERDCOMP não permitia tal procedimento. Assim, os valores utilizados seguem abaixo: Débito do IRPJ/4º trimestre de 2001, valor original de R$22.770,50 VALOR ORIGINAL MULTA 20% SELIC 28,41 TOTAL IRPJ/4ºTRIM/2001 22.770,50 4.554,10 6.469,10 33.793,70 Créditos utilizados para a compensação do debito acima, atualizados até a data da transmissão: Valor original SELIC TOTAL Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10510.900050/200696 Acórdão n.º 110300.582 S1C1T3 Fl. 2 3 Saldo negativo /1º/trim/1998 3.582,58 3.657,81 (102,10%) 7.240,39 Saldo negativo /2º/trim/1998 3.420,98 3.324,16 (97,17%) 6.745,14 Saldo negativo /3º/trim/1998 5.745,07 5.185,50 (90,26%) 10.930,57 Saldo negativo /4º/trim/1998 4.204,82 3.492,10 (83,05%) 7.696,92 Pagamento a maior IRPJ/1º trim/1999* 2.528,39 2.010,57 (79,52%) 4.538,96 Pagamento a maior IRPJ/1º trim/1999** 3.288,66 2.615,14 (79,52%) 5.903,80 Total dos créditos 22.770,50 20.285,28 43.055,78 o pagamento do IRPJ referente ao primeiro trimestre de 1999 foi realizado com base no faturamento de cada mês, nos seguintes valores: mês de janeiro, R$1.612,45; mês de fevereiro, R$3.239,62 e mês de março, R$4.082,64, perfazendo o total de R$8.934,71. Para este período, o valor do IRPJ a pagar foi de R$2.323,68, ensejando uma diferença a maior de R$6.611,03, assim constituído a soma dos pagamentos de janeiro a fevereiro de R$4.852,07 (R$1.612,45 + R$3.239,62), menos o IRPJ a pagar no primeiro trimestre de 1999 (R$2.323,68), proporcionando a sobra de R$2.528,39 (*), que foi utilizada no PER/DCOMP nº 33365.61219.250703.1.3.040678; restou ainda o pagamento a maior, relativo ao primeiro trimestre de 1999, mês de março, no valor de R$4.082,64, usado na compensação a parcela de R$3.288,66 (**), conforme PER/DCOMP nº 06241.24927.250703.1.3.045659, existindo o saldo de R$793,98, utilizada na compensação do débito da CSLL/4º trimestre de 2001. como se denota, a soma dos créditos é superior ao total do débito, podendo a Receita Federal aproveitar o saldo na compensação de outros débitos; quanto ao crédito relativo ao saldo negativo do 1º trimestre de 1998, entende o manifestante que o prazo para pleitear a restituição ou compensação de tributos pagos indevidamente é de cinco anos. No entanto, se o indébito surge em razão de situação fática não litigiosa, este prazo tem início, no caso de imposto de renda pessoa jurídica, por se tratar de declaração prestada anualmente, a partir da entrega da referida declaração de rendimentos. Como sua entrega ocorreu no ano de 1999, os cinco anos se completaram em 2004, portanto, em data posterior à transmissão dos respectivos PER/DCOMP. Dessa forma, o direito à utilização do crédito relativo ao saldo negativo do IRPJ do 1º trimestre de 1998, encontrase perfeitamente enquadrado dentro das normas legais; por fim, afirma mais uma vez que o fisco, além de não aceitar a compensação objeto deste processo, também não aceitou a compensação realizada nos demais PER/DCOMP, o que caracteriza verdadeiro equivoco, isso porque a análise isolada do PER/DCOMP relativo ao presente processo não conduz a esse entendimento. Para proceder à exigência de todo o débito, haveria a necessidade da glosa dos créditos constantes dos seis pedidos de compensação, fato inexistente neste processo, o qual compensou apenas uma parte da dívida. Por isso, não há razão para cobrança da dívida aqui mencionada, pela não homologação da compensação de parte do débito nele especificado. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 A DRJ decidiu (ementa): “PRESCRIÇÃO. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário no caso de pagamento a maior que o devido, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, conforme determinação contida no artigo 168 do Código Tributário Nacional.” A contribuinte recorre (resumo): Como se verifica acima, o contribuinte solicitou compensação do débito concernente ao IRPJ 4° trimestre de 2001, utilizando para tanto os saldos negativos apurados na Declaração de Rendimentos apresentada A Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1999, completando ainda com o pagamento a maior do IRPJ apurado no 1° trimestre de 1999. No entanto o Despacho Decisório DRFB/Aracaju, indicado através do Rastreamento n° 763956560 de 20/05/2008, Processo 10510900.050/200696, como também o ACÓRDÃO DRJ/SDR 1519.116 DE 06.05.2009, não homologaram a compensação efetuada por meio do PER/DCOMP n° 00341.53218.250703.1.3.022556, em conseqüência pretende haver do Recorrente o débito no valor original de R$ 3.582,58. No entanto se o indébito surge calcado em situação Mica não litigiosa, este prazo tem inicio, no caso do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, por se tratar de declaração prestada anualmente, a partir da entrega da referida Declaração de Rendimentos. Como sua entrega ocorreu no ano de 1999, os cinco anos se completaram em 2004, portanto, em data posterior a transmissão dos respectivos PER/DCOMP. Por conta dos argumentos acima, não há razão para cobrança da divida aqui questionada, a qual decorre do engano pela não homologação da compensação realizada. 0 Recorrente fez o correto, assim, tanto o Despacho Decisório da DRFB em Aracaju, como a decisão no julgamento de primeira instancia, entendese serem ineficazes. Portanto o Pedido de Compensação pleiteada pela empresa contempla todos os requisitos legais, como amplamente demonstrado ao longo deste Recurso. Desta forma, não resta nenhuma dúvida, que é pacifico o direito do contribuinte no deferimento do crédito em tela, como também da homologação sem restrição da Compensação na forma que foi requerida. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10510.900050/200696 Acórdão n.º 110300.582 S1C1T3 Fl. 3 5 A questão se resume ao prazo de prescrição. A prescrição é matéria que se deve reconhecer de ofício. O STF julgou no RE 566.621/RS, com a relatora a Min. Ellen Gracie, em repercussão geral, a questão da inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei complementar 118. A ementa foi: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO 0 VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA A REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados de seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts.150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. (...)” O decisun dispôs: “Isto posto, conheço do recurso extraordinário da União, mas reconhecendo a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/2005 por violação do princípio da segurança jurídica, nos seus conteúdos de proteção da confiança e de acesso à justiça, com suporte implícito e expresso nos art. 1 e 5º, inciso XXXV, e considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão – somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, negolhe provimento aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, §3ºdo CPC.” Em face da decisão do STF, não ouso discutir mais este assunto, dando razão a recorrente afastando a prescrição, pois, o pagamento tornouse a maior quando da apuração do balanço da empresa em 31/03/1998. Assim, a contagem do prazo se inicia na data da extinção do crédito tributário, ou seja, 31/03/1998. O pedido formalizado em 25/07/2003 estaria dentro do prazo concedido pelo Código Tributário Nacional, na interpretação do STF, Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 pois, foi realizado antes da vacatio legis de 120 dias, da entrada em vigor da LC 118/2005 ou seja, antes de 9 de junho de 2005. Resta a DRF de origem apurar os créditos. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso para devolver à DRF de origem para a apuração dos créditos. Sala das Sessões, em 23 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 09/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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