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Numero do processo: 15504.015264/2009-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO.SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PACTO NA FORMA DA LEI ESPECÍFICA.
Entende-se por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades.
A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada sem o pacto exigido pela Lei n° 10.101,de 19 de dezembro de 2000, integra o salário de contribuição.
LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
MULTA DE OFÍCIO
Para as Contribuições Previdenciárias, a imposição de penalizar o contribuinte infrator mediante aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída na forma da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DE PACTO NA FORMA DA LEI ESPECÍFICA. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada sem o pacto exigido pela Lei n° 10.101,de 19 de dezembro de 2000, integra o salário de contribuição. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 52 64 /2 00 9- 19 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 MULTA DE OFÍCIO Para as Contribuições Previdenciárias, a imposição de penalizar o contribuinte infrator mediante aplicação de multa de ofício só veio a ser instituída na forma da Medida Provisória MP n° 449 a partir de sua edição em 03/12/2008. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Carlos Alberto Mees Stringari na questão das multas Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi , na íntegra, com grifos de minha autoria: “ Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, no montante de R$ 88.638,64, no período de 01/05 a 07/05, consolidado em 03/09/2009, que, conforme informado no Relatório Fiscal de fls. 14/17, foi apurado com base em folhas de pagamento e Livro Diário , referindose a contribuições da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a titulo de participação nos lucros e resultados PLR, em desacordo com a lei especifica Lei 10.101/2000, e ao contribuinte individual José Wilson Fonseca Cambuy. A ação fiscal foi precedida de Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF, fls. 48/49. A interessada foi cientificada da presente autuação em 09/09/2009, conforme documento de fl. 1, e apresentou impugnação, as fls. 105/116, com os seguintes argumentos: alega que o pagamento da participação nos lucros e resultados durante o período fiscalizado foi realizado dentro do previsto na Convenção Coletiva firmada entre os sindicatos representantes das categorias, em 26/12/2004, vigorando no período de 01/10/2004 a 30/09/2005; que a mencionada convenção, cópia anexa à defesa, atende todas as determinações impostas pela Lei 10.101//00, uma vez que é fruto de negociação entre a impugnante e seus empregados e nela constam regras claras e objetivas sobre a forma, periodicidade e vigência da distribuição de lucros pactuada, conforme disposição contida em seus parágrafos segundo e septuagésimo oitavo; que o § 1°, I e II, do art. 2° da Lei 10.101/00, ao dispor sobre "programas de meta, resultados e prazos, previamente pactuados", em nenhum momento trata da obrigatoriedade da utilização de tais programas, mas, sim, faculta, permite sua utilização pela empresa, sendo que o que é permitido não é obrigatório; reforça seu entendimento de que as regras da PLR adotas na convenção coletiva são claras, objetivas e simples, já que sua aferição se baseava em valores fixos, não havendo necessidade Fl. 427DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 de descer a detalhes e estabelecer formular complexas, de difícil compreensão; diz, ainda, que o auto de infração se baseia no RPS, art. 214, § 9 0, X, e § 10, cujas normas regulamentares restringem o alcance da Lei n.10.101 e os direitos dela decorrentes; que o citado regulamento, que não é lei, mas simples decreto, diz o que a lei não diz, sendo que as restrições regulamentares usadas pela União ofendem o principio da legalidade CF, art. 5°, II, 37 e 1501; quanto ao contribuinte individual José Wilson Fonseca Cambuy, esclarece que o referido advogado presta serviço ao Banco Nordeste do Brasil S/A (BNB), sendo que os valores a ele pagos referemse a honorários de sucumbência, ônus da impugnante, derrotada na execução, na ação ordinária 0433.00.0065592 e nos embargos de n. 0433.01.0667742, conforme cópia das petições que anexa; que o fato de ter pago honorário ao advogado da parte contrária não torna a impugnante devedora da contribuição previdenciária, pois ele não prestou serviço a ela, requisito essencial para que a empresa se tornasse devedora, conforme art..22, III, da Lei 8.212, de 1991; pede redução da multa aplicada, em atenção A retroatividade benigna da norma punitiva, aplicandose ao caso o CTN, art. 106, II, "c"; quanto aos juros, alega que os mesmos devem incidir apenas sobre valor de tributo e não sobre multa, como ocorreu no presente lançamento, conforme determina o art. 161 do CTN e art. 61 da Lei 9.430/96. Sobre a matéria cita, ainda, Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que trata da inaplicabilidade da taxa SELIC sobre a multa de oficio. Ao final, pede o cancelamento do auto de infração atacado, com extinção da exigência por ele lançada ou a redução dos montantes lançados. Requer, ainda, que as intimações dos atos processuais sejam remetidas aos signatários da impugnação, procuradores devidamente constituídos pela autuada. Considerando os argumentos da impugnante em relação ao contribuinte individual José Wilson Fonseca Cambuy, o processo retomou ao Auditor notificante, que emitiu a Informação Fiscal de fls. 179, sendo a empresa dela cientificada em 24/08/2010, conforme ciência de seu representante legal As mesmas fls. 179. Concedido prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da Informação Fiscal acima mencionada, a empresa não apresentou nova manifestação. É o relatório. ” Cumpre ressaltar que muito embora não tenha sido considerado no Relatório supra, o Auditor Fiscal notificante considerou procedente a impugnação sobre o contribuinte Fl. 428DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 4 5 individual José Wilson Fonseca Cambuy e na forma do item 3 do Relatório Complementar de fls. 179, registrou que : “no Auto 37.245.6340 procedeuse à exclusão de Base de calculo no levantamento, CI”. Aduz que às fls. 180, o Auditor assim se manifestou : “ Empresa: Minasfer S/A CNPJ: 16.518.649/000139 Assunto: Impugnação DEBCAD: 372456340 Atendendo a solicitação da DRJBHE temos a dizer o seguinte: 1 Impugnação procede. A empresa apresentou fatos novos, referentes ao contribuinte individual Jose Wilson Fonseca Cambuy. 2 Com os novos fatos apresentados, procedeuse exclusão de valores nos Autos: 37.245.6340, 37.240.3921 e 37.240.3875. 3 Foi entregue a empresa a segunda via do relatório fiscal complementar para dar ciência e conhecimento. 4 Segue abaixo quadro de exclusão do Auto: 37.245.6340 5 A consideração do supervisor. ” ( grifos de minha autoria) DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.183, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 10 de fevereiro de 2011, exarou o Acórdão n° 0230.824 , mantendo parcialmente procedente o lançamento em razão de ter havido entendimento de que seria cabível a retificação proposta pelo Auditor Notificante em sua Informação de fls. 178/180, devendo ser retirado do presente lançamento os valores constantes nos levantamentos Cl E Z1 , nas competências 01/2005 a 07/2005, para exclusão da contribuição previdenciária lançada relativamente ao segurado contribuintes individual José Wilson Fonseca Cambuy. DO RECURSO Não obstante o êxito parcial, irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.181, onde combatendo o decisium reiterou em parte as alegações que fizera em instancia “ad quod ” . Fl. 429DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro nos autos, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO De plano , convém trazer à lume o registro do item 09 do Relatório Fiscal onde a Autoridade Fiscal assim se pronuncia: “ Da análise do que foi apresentado e demais elementos verificados por esta auditoria, na própria empresa e acompanhado pela funcionaria do RII da empresa, a senhora Maria Mônica Wanderley verificouse que o "programa de participação nos lucro e resultados" da empresa está em desacordo com Lei n° 10.101,de 19 de dezembro de 2000, que regula matéria, representando, na verdade, uni complemento salarial.” ( grifos de minha autoria) Às fls 149, consta colacionada pela Recorrente que seria a CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO que sustentaria a prática dos pagamentos de PLR. A cláusula segunda do documento supra registra quais as empresas estariam pactuando a PLR com os sindicatos das categorias. É de se destacar que na sobredita cláusula não se observa o recorrente como pactuante do acordo. DA IMPUGNAÇÃO E DO RECURSO Às fls. 110, na peça de impugnação , reiterado na íntegra às fls. 185 na peça recursal, a empresa afirma que agiu com correção na medida em que naquela oportunidade denominavase Minaço S/A então parte integrante do acordo. Cumpre ressaltar que não juntou prova alguma a respeito do que afirmara: “ Tal participação se baseia na convenção coletiva de trabalho firmada entre o Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas Minasfer S/A e de Material Elétrico de Várzea da Palma, Corinto e Lassance (representante da à época, denominada Minaço S/A) e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Várzea da Palma vejase a clausula segunda, caput e parágrafos, da convenção. A mencionada convenção (texto anexado a esta peça de defesa), firmada em 26/12/2004, vigorou no período de 12/10/2004 a 30/9/2005.” Em contraponto à genérica afirmação da empresa, a Autoridade Fiscal é pontual e efetiva ao apontar a origem dos fatos geradores : Fl. 430DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 5 7 “ 2Contribuições devidas à Seguridade Social, calculadas sobre os salários de contribuição, dos segurados empregados e contribuinte individual, quadro em anexo, levantados com base nas folhas de pagamento analíticas e seus respectivos resumos gerais, cujas verbas foram comandadas sob as rubricas Participações nos Lucros e Resultados e Livro Diário que comprova pagamento a contribuinte individual.”( grifos de minha autoria) Assim, os documentos que instruíram o presente lançamento registram pagamentos efetuados pela MINASFER S/A.. É oportuno ressaltar que o lançamento reportase ao período 01/01/2005 a 31/07/2005 e em 31 de janeiro de 2005 e no Relatório de Representantes Legais REPLEG, que registra o cadastro da empresa, recebido e não contestado pela Recorrente, à exceção de apenas um , todos os representantes são contemporâneos ao lançamento atuando desde período bastante anterior . De relevo,também, destaquese que conforme fls. 119 a empresa com a mesma denominação MINASFER S/A , em 31 de janeiro de 2005 , realizara assembléia geral sem alteração da denominação, na forma do extrato parcial abaixo: “ MINASFER S.A . CNPJ/MF 16.518.649/000139 NIRE/JUCEMG N° 31300044025 ATA DA ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA REALIZADA NO DIA 31 DE JANEIRO DE 2005.” No mesmo diapasão, às fls. 134, em documento datado de maio de 2006, o advogado José Wilson Fonseca Cambuy excluído em sede de impugnação da incidência como contribuinte individual na forma do item 3 do Relatório Complementar de fls. 179, registra nos autos do litígio de n.: 433.00.005.0420 (Execução) que tramitara na 3° VARA CÍVEL DA COMARCA DE MONTES CLAROS/MG a existência de ambas empresa Minaço S/A Minasfer S.A que a Recorrente que fazer acreditar ser a mesma pessoa jurídica: “ 3° VARA CÍVEL DA COMARCA DE MONTES CLAROS/MG Autos de n.: 433.00.005.0420 (Execução) Exeq0ente: Banco do Nordeste do Brasil S/A Executado: Minaço S/A Minasfer S.A. e outros ” ( grifos de minha autoria) Por derradeiro, consulta ao sitio da Fazenda Nacional desqualifica a alegação posto o registro da data de abertura da empresa MINASFER S/A é datado de 24/04/1971: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 16.518.649/000139 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 24/09/1971 NOME EMPRESARIAL MINASFER S/A TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) MINASFER S/A CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 24.51200 Fundição de ferro e aço CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS Não informada CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2046 SOCIEDADE ANONIMA ABERTA LOGRADOURO AV AMAZONAS NÚMERO 7700 COMPLEMENTO CEP 30.510000 BAIRRO/DISTRITO GAMELEIRA MUNICÍPIO BELO HORIZONTE UF MG SITUAÇÃO CADASTRAL ATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 03/11/2005 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL O artigo 2° da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000 determina que a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados : "Art 2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo.” Tudo isto posto, muito embora a instância “ ad quod ” não tenha percebido a empresa MINASFER S/A não tem um pacto convencionado de pagamento de PLR conforme o Fl. 432DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 6 9 exigido na forma da Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Desta forma, o lançamento é procedente. DOS JUROS Os juros aplicados estão de acordo com a normas contidas nos dispositivos legais constantes do Relatório dos Fundamentos Legais do DébitoFLD ( fls. 11/12), e, ao contrário do argumento da empresa, foram calculados sobre o valor originário, conforme explicitado no referido Relatório. DA MULTA. É compulsório observar que o artigo 144 do Código Tributário Nacional CTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada : “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Na hipótese de novos critérios de apuração ou de novos processos de apuração é que se aplica a previsão do § 1º deste artigo: “ § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios ” O presente lançamento não está submetido à novos critérios de apuração. Na forma do registro de fls.11, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo revogado art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. Entretanto o artigo supra foi alterado pela MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, estabelecendo não novos critérios de apuração mas determinando que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: Fl. 433DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” No item 14 do Relatório Fiscal de fls. 16, na forma do texto abaixo transcrito, o Auditor registra que procedera a apuração da multa mais benéfica : “14Esta sendo aplicado a multa de oficio, nas competências 01, 02, 03 e 04 de 2005 que é a mais benéfica para Autuada, e a anterior a medida provisória 449 nas competências 05, 06 e 07 de 2005 que é a mais benéfica para a Autuada, após comparação feita entre as multas, conforme quadro, em anexo.” O quadro anexo a que se refere o Auditor autuante consta de fls. 45. No quadro em questão não se vislumbra coluna que estabelece o cálculo considerando a aplicação da multa em 0,33% ao dia, limitada a 20% . A planilha supra não permite concluir que fora construída na forma dos preceitos atuais posto que e não fica claro se teria considerado o artigo 35 da Lei 8.212/91, que sustenta a penalidade, no que concerne aos acréscimos da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 : “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( grifos de minha autoria) MULTA MAIS BENÉFICA Fl. 434DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 7 11 O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” DA MULTA DE OFÍCIO Conforme registra o Relatório Fiscal, tratase de crédito lançado em razão de fatos geradores ocorridos no período de 01/05 a 07/05, consolidado em 03/09/2009. Exortando os mesmos artigos para aplicação da multa de mora, se nota que a penalidade de impingir multa de ofício às contribuições previdenciárias só se observa a partir da ocorrência de fatos geradores contemplados a partir da vigência da edição da Medida provisória MP 449 ocorrida em, 03/12/2008, consolidadas pela redação dada pela Lei 11.941/2009. Ocorre que às mesmas fls.11, no mesmo Relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, desconsiderando que os fatos geradores ocorreram antes da emissão da aludida MP 449, de 2008, imputaramse, também, os efeitos desta penalizando a infração com aplicação de multa de ofício : Fl. 435DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 “ 701 FALTA DE PAGAMENTO, FALTA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA 701.01 Competências : 01/2005 a 04/2005 Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Art. 35A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996 “ Assim, muito embora o crédito tenha sido constituído e lançado de ofício , pós emissão da sobredita MP 449/2008, entendo que esta não alcança lançamentos pretéritos como os em comento que se reportam ao período 01/05 a 07/05 posto que sem previsão à época dos fatos geradores. O legislador ao revogar o anterior artigo art. 35 e seus incisos I, II, III da Lei 8.212/91, sabedor da existência de um estoque de autos lavrados e outros ainda por lavrar sob a égide daquele preceituado, foi explícito ao determinar que a nova redação dirigiase aos débitos NÃO PAGOS. Assim. devese ter presente que o artigo 35 da Lei 8.212/91 sob o comando da nova redação é aplicado e sopesado nos termos do benefício da retroatividade benigna nos casos em que se verifiquem obrigações principais ainda NÃO PAGAS, verbis: “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). ” A novidade está em que nos casos de lançamento de ofício por óbvio nas ocorrências de fatos geradores inadimplidos pós emissão da MP 449/2008 se deva , DE FORMA NÃO CUMULADA com a multa de mora, observar a multa de ofício – penalidade nova na legislação previdenciária disposta no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduzida pela Lei 11.448, de 2007 na forma do disposto no comando do artigo 35 – A introduzido pela Lei 11.941/2009, verbis: “ Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.( Incuído pela Lei n 11.941/2009).” Abaixo, com grifos de minha autoria, vasta jurisprudência deste Conselho, corrobora meu entendimento sobre a questão: “ 05/12/2000 Acórdão nº 20306981 do Processo 108300017319551PIS MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de ofício exclui a multa de mora. Recurso negado.” “ 06/03/2008 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 8 13 Primeiro Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10196598 do Processo 11030001309200680 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA A utilização de crédito de natureza não tributária justifica o lançamento de ofício para imposição de multa isolada. MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de ofício, mas sim, que a multa de ofício é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. CUMULAÇÃO A multa de ofício, absorve a de mora, não sendo admissível a cumulação.” “ 26/01/2007 Segundo Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20217713 do Processo 10980009260200105 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/1997 a 30/11/1997 Ementa: MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. LANÇAMENTO. DESCABIMENTO. De acordo com a Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a MP nº 351, inexiste previsão legal para lançamento de multa de ofício pelo recolhimento a destempo da multa de mora. Recurso provido” “ 14/05/2003 Segundo Conselho de Contribuintes. 1ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 20176943 do Processo 108450008609932 MULTA DE OFÍCIO. O procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. A conseqüência prática da perda da espontaneidade é que o contribuinte fica sujeito à multa de ofício ao invés da multa de mora em relação aos valores que venham a ser levantados pela fiscalização. O termo de início de fiscalização vale pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Se o Fisco não formaliza qualquer ato escrito indicando o prosseguimento, ou o encerramento, dos trabalhos, a partir do 61º. dia, o contribuinte readquire a espontaneidade. O resultado concreto desse fato é que o contribuinte pode efetuar o Fl. 437DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 recolhimento dos valores devidos acrescidos de multa de mora ao invés da multa de ofício. Se o contribuinte já havia recolhido os tributos, acrescidos de multa de mora, antes de readquirir a espontaneidade e por inércia do Fisco a recupera, fica dispensado da multa de ofício e sujeito, apenas, à multa de mora. Recurso provido” “ 08/10/2008 Primeiro Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10249304 do Processo 10768000216200227 CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de ofício isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. ERRO DE FATO. Tratandose de mero erro de fato no preenchimento da DCTF pelo contribuinte, mas estando mencionado o período correto nas guias DARF`s não há que se aplicar qualquer sanção ao contribuinte. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido.” “ 26/06/2008 Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10423323 do Processo 10825002460200111 Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Ano calendário: 1998 RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO DE TRIBUTO DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA INAPLICABILIDADE RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (Lei nº 11.488, de 2007, e art. 106 do CTN). CONVERSÃO DE MULTA DE OFÍCIO EM MULTA DE MORA NOVO LANÇAMENTO A conversão de multa de ofício isolada, exigida por meio de Auto de Infração, em multa de mora, caracteriza um novo lançamento, o que é vedado à instância de julgamento. Recurso provido.” “ 19/03/2004 Turma Ordinária da 8ª Câmara, do Primeiro Conselho de Contribuintes exarou em Acórdão nº 10807758 do Processo 108350015859966 : “ CSL COOPERATIVAS RESULTADO TRIBUTÁVEL ATOS NÃO COOPERATIVOS Constatado que a entidade também praticou atos não abrangidos pelo conceito do cooperativismo, correta é a exigência da contribuição sobre o resultado líquido destas operações. PERÍCIA DESNECESSIDADE Rejeitase o pedido de realização de perícia, quando os autos estão corretamente instruídos permitindo ao julgador formar a sua Fl. 438DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 9 15 convicção em relação à matéria discutida. NORMAS PROCESSUAIS ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO CONHECIMENTO A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal. No julgamento de recurso voluntário fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de lei em vigor. (Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 55/1998, art. 22A, acrescentado pelo art. 5º da Portaria MF nº 103/2002). MULTA DE OFÍCIO FALTA DE PAGAMENTO DECLARAÇÃO INEXATA APLICABILIDADE No caso de falta de pagamento cumulada com declaração inexata a multa de ofício está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 6.430/96, em consonância com os incisos IV e V do artigo 149 do CTN. Já a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 6.430/96 é aplicável apenas aos procedimentos espontâneos ou de cobrança de valores já declarados. JUROS DE MORA TAXA SELIC Para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1995, os juros de mora incidentes sobre tributos não pagos no vencimento, serão calculados, a partir de 01/04/1995, com base na taxa SELIC acumulada mensalmente. (Lei 9.065/95, art. 13). Por sua vez, o CTN prevê que os juros moratórios serão calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º). Recurso negado.” ARTIGO 44 DA LEI NO 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996 “ Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). Fl. 439DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 16 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ( Redação dada pela Lei n° 11.448, de 2007). (...) ” Portanto, no caso em comento, não há que falar em multa de ofício ainda que seja para beneficiar o infrator uma vez que a multa de ofício atualmente aplicada exclui a multa de mora. Como visto alhures, no item 14 do Relatório Fiscal de fls. 16, na forma do texto abaixo transcrito, o Auditor registra que procedera a apuração da multa mais benéfica tendo como paradigma a MP 449/2008: “14Esta sendo aplicado a multa de oficio, nas competências 01, 02, 03 e 04 de 2005 que é a mais benéfica para Autuada, e a anterior a medida provisória 449 nas competências 05, 06 e 07 de 2005 que é a mais benéfica para a Autuada, após comparação feita entre as multas, conforme quadro, em anexo.” Desse modo, em razão de tudo que foi exposto, entendo que é pertinente o recálculo da multa cujo valor se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso, para NO MÉRITO,DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, determinando o recálculo da multa de mora conforme o previsto no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de Souza – Relator. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.015264/200919 Acórdão n.º 2403001.590 S2C4T3 Fl. 10 17 Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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Numero do processo: 16327.000967/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
INSTITUIÇÃO ISENTA. TÍTULOS PATRIMONIAIS. RESERVA DE ATUALIZAÇÃO AINDA NÃO TRIBUTADA. REALIZAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO.
Em face da entrega dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F ao único sócio (instituição financeira) da contribuinte, em devolução de capital, deve ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor da reserva de atualização desses títulos que não sofreram tributação do imposto.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO.
Sujeita-se à incidência do imposto de renda, computando- se na determinação
do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio.
JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO
LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA.
A obrigação tributária principal dá-se com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º., IV, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 1301-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada ; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à desmutualização. Vencido nesse ponto o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier, que apresentou Declaração de voto; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício à taxa SELIC. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de ofício à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator
Paulo Jakson da Silva Lucas Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente INDUSVAL S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 INSTITUIÇÃO ISENTA. TÍTULOS PATRIMONIAIS. RESERVA DE ATUALIZAÇÃO AINDA NÃO TRIBUTADA. REALIZAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Em face da entrega dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F ao único sócio (instituição financeira) da contribuinte, em devolução de capital, deve ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor da reserva de atualização desses títulos que não sofreram tributação do imposto. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS DE VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computando se na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 67 /2 01 0- 29 Fl. 559DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 2 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo, sendo assim, a obrigatoriedade do recolhimento das estimativas não fica afastada pela apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa. Ao contrário disso, tal obrigatoriedade subsiste, e a sua não observância enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, § 1º., IV, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada ; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto à desmutualização. Vencido nesse ponto o Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier, que apresentou Declaração de voto; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício à taxa SELIC. Vencido nesse ponto o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, que entendeu incidir juros de mora sobre a multa de ofício à taxa de 1%; por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, quanto a não incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Carlos Augusto de Andrade Jenier, Edwal Casoni de Paula Fernades Junior e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor desse ponto o Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior – Relator Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidasse de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte INDUSVAL S/A CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, contra decisão proferida pela 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrado autos de infração para formalização e cobrança do crédito tributário no valor originário de R$ 14.315.590,38, incluindo as multas de ofício, juros de mora (calculados até 30/07/2010) e Multa Exigida Isoladamente (fls. 165 – 176). Fl. 560DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 3 3 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 145 – 151), a Fiscalização descreveu as circunstâncias que redundaram na autuação, aduzindo que a recorrente, constituída em 24/07/1989, tem como objeto social operar em Bolsa de Valores, de Mercadorias e de Futuros, com títulos e valores mobiliários de negociação autorizada, comprar e revender títulos e valores mobiliários, vender e intermediar operações com mercadorias, inclusive ouro, em bolsa ou fora dela, à vista ou a termo, e exercer outras atividades regulamentadas pelo Banco Central do Brasil, sendo que nesta condição, para operar como corretora na Bolsa de Valores de São Paulo Bovespa e na Bolsa de Mercadorias & Futuros BM& F era detentora de títulos patrimoniais e que no ato da Constituição da Corretora, o Banco Indusval integralizou parte do Capital Social de Ncz$ 1.400.000,00 (...) mediante a conferência do Título Patrimonial nº 15 da Bolsa de Valores de São Paulo pelo valor de RS Ncz$ 1.328.236,99. Atestou a Fiscalização que em 02.12.1996, a Corretora adquiriu do Banco Indusval o título de Membro de Compensação n° 15 pelo preço de RS 2.180.000,00; o título de Corretora de Mercadorias n° 15 pelo preço de RS 1.060.000,00; e 2 (dois) títulos de Sócio Efetivo pelo valor unitário de RS 8.287,00, todos da BM&F, perfazendo o montante de RS 3.256.574,00, conforme Contrato de Compra e Venda celebrado entre as partes e respectivos registros contábeis às folhas 88 a 92. Destacousse que a forma de contabilização dos títulos patrimoniais está prevista no Capítulo I, item 11, subitem 3, parágrafo 3º do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro NacionalCOSIF, (são atualizados por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos lançamentos de ajustes nas contas "TÍTULOS PATRIMONIAIS" e "RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS) e que os títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F representavam frações ideais dos seus respectivos patrimônios e estavam sujeitos a atualizações de seus valores através de informações fornecidas pelas próprias Bolsas com base na variação dos seus patrimônios líquido de conformidade com o artigo 9º do Anexo à Resolução CMN (BACEN) n° 2.690, de 28 de janeiro de 2000, sendo registrados no Ativo Permanente Investimentos (2.1.4.10.208), e as referidas atualizações eram registradas como acréscimos ao valor dos títulos em contrapartida a subconta "Reserva de Atualização de Títulos" (6.1.3.70.009), integrante da conta de Reserva de Capital do Patrimônio Líquido, por força do disposto na Portaria MF n° 785 de 20 de dezembro de 1977. Frisou a Fiscalização, que em 30 de março de 2007 conforme Ata da Assembléia Geral Extraordinária, foi aprovada a redução do capital social da corretora Indusval S/A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários "Corretora" no montante de RS 16.774.786,83 (...), passando o capital de RS 22.593.139,76 (...) para R$5.818.352,93 (...), mediante o cancelamento de 1.758 (...) ações ordinárias e 1.758 (...) ações preferenciais, nominativas sem valor nominal e, em decorrência da redução do seu capital social, a Corretora a transferiu para o Banco Indusval S/A (único acionista) 06 Títulos Patrimoniais da Bovespa pelo valor contábil de R$ 7.693.335,60; Título de membro de Compensação da BM&F pelo valor contábil de R$ 4.570.013,55; e Título de Corretora da BM&F pelo valor contábil de R$ 4.511.437,68. Mencionouse ainda, que a redução de capital foi realizada a débito da conta do Patrimônio Líquido nº 6.1.1.40.10.01 "Reservas de Capital País" e a crédito das respectivas contas do Ativo Permanente n° 2.1.4.10.10.01 "Títulos Patrimoniais Bovespa" e 2.1.4.10.20.01 "Títulos Patrimoniais BM&F" conforme lançamentos contábeis (fls. 31/33) e as atualizações monetárias dos Títulos Patrimoniais decorrentes das alterações patrimoniais da BOVESPA e da Fl. 561DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 4 BM&F foram debitadas nas contas contábeis do Ativo Permanente que registravam os Títulos Patrimoniais e creditadas na conta 6.1.3.70.00.01 "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais" cujo saldo em 30.03.2007 era de RS 11.912.501,34 sendo que nesta data foi capitalizado o montante de RS 11.066.395,84, correspondente ao saldo da reserva em 31.12.2006, mediante lançamento a débito da conta COSIF n° 6.1.3.70.00.01 "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais" e crédito das contas COSIF n° 1.1.20.13.01" Ações Ordinárias País" RS 5.533.197,92 e 1.1.20.16.01" Ações Preferenciais não Cumulativas e não Resgatáveis País" RS 5.533.197,92 e na mesma data de 30.03.2007 o Banco Indusval S/A também reduziu seu capital no mesmo montante procedido pela INDUSVAL mediante transferência dos mesmos títulos patrimoniais aos seus acionistas, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária realizada às 14:00hs (fls. 27/30) e, ainda na mesma data, os acionistas do Banco Indusval venderam para a CORRETORA os mesmos títulos patrimoniais anteriormente cedidos ao Banco Indusval na redução do capital social, pelo mesmo valor, conforme "Instrumento Particular de Cessão de Transferência de Direitos sobre Titulo Patrimonial de Corretora de Mercadorias e Membro de Compensação da Bolsa de Mercadorias& Futuros e Outras Avencas" e "Instrumento de Cessão e Transferência de Direitos sobre Título Patrimonial de Corretora de Valores da Bolsa de Valores de São Paulo e Outras Avencas (fls. 39 a 52), sendo que os lançamentos contábeis desta operação foram efetuados a débito da conta COSIF nº 2.1.4.10.10.01 "Títulos Patrimoniais Bovespa" no valor de RS 7.693.335,60 e a débito da conta COSIF n° 2.1.4.10.20.02 "Títulos Patrimoniais BM&F" no valor de RS 9.081.451,23 e as atualizações monetárias mensais foram efetivadas a débitos destas contas e a crédito da conta COSIF Cód. 6.1.3.70.00.01" Reserva de Atualização de títulos Patrimoniais" e o saldo das atualizações do título patrimonial da BOVESPA em 28/08/2007 era de R$ 1.067.828,52 e o saldo das atualizações monetárias dos títulos da BM&F em 20/09/2007 era de RS 767.880,16. Esclareceuse que tendo em vista a existência de cláusula resilitiva da Cessão e Transferência, a propriedade dos títulos patrimoniais teria retornado aos sócios do Banco Indusval por ocasião das desmutualizações. Entretanto, a Corretora teria participado efetivamente do processo de desmutualização e, portanto, ainda era a real detentora dos títulos patrimoniais. Feitas tais assertivas, passou a Fiscalização a discorrer acerca do processo de desmutualização das Bolsas de Valores (fls. 149/150), destacando que em 28/08/2007 (data da desmutualização da Bovespa), o proprietário de um título patrimonial da extinta BOVESPA passou a deter 706.762 ações da “Bovespa Holding S/A” de valor unitário de R$ 2,06 (data base 30/06/2007), que foi recebido a título de devolução de patrimônio social. O valor de cada ação da CBLC foi determinado em R$ 4.224,98. Tendo por base os valores apurados em demonstrativos contábeis levantados em 28/08/2008, o valor do título patrimonial foi determinado em R$ 1.568.803,71, com valor residual de R$ 86,46. Pela devolução de 6 (seis) títulos patrimoniais de sua propriedade, a Corretora recebeu 4.240.614 ações pelo valor unitário de R$ 2,23 por ação. Com a incorporação da CBLC, houve novo aumento de capital e emissão de ações, com a troca de 25 ações da CBLC por 46.223 ações da Bovespa Holding. A corretora era detentora de 700 ações da CBLC cujo valor contábil em 28/08/2007 era de R$ 2.206.255,32 e, em troca dessas ações, recebeu 1.294.244 ações da Bovespa Holding. No mais, destacouse que em 20/09/2007 (data da desmutualização da BM&F) e, em decorrência da operação, o capital social da BM&F S/A passou a ser de R$ 901.877.292,00 divididas em 901.877,292 ações ordinárias que foram distribuídas aos detentores dos títulos patrimoniais da BM&F, conforme tabela à fl. 150. Considerando que a recorrente era detentora de 01 Título de Membro de Compensação, 01 Título de Corretora de Mercadorias e 02 Títulos de Sócio Efetivo, a Corretora recebeu 9.879.625 ações da BM&F Fl. 562DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 4 5 S/A, das quais 9.859.625 foram transferidas aos correntistas do Banco Indusval em decorrência da redução de capital da Corretora em 30 de março. Mencionouse no item seguinte, que a contribuinte alegou não ter havido nem perda nem ganho de capital na operação de desmutualização, entendendo a Fiscalização, no entanto, que nas datas das desmutualizações, a recorrente detinha a posse dos títulos patrimoniais conforme registros contábeis, e, portanto, não haveria como não impor a ela a sua participação nos processos. Para fundamentar a autuação em comento, aduziu a Fiscalização que as Bolsas eram associações regidas pelos arts. 53 a 61, da Lei n° 10.406, de 2002 (Código Civil), e, pela sua natureza, sem fins lucrativos, gozavam da isenção preconizada pelo art. 15 da Lei n° 9.532, de 11 de dezembro de 1997, sendo que tal isenção fiscal também se refletia para os associados, uma vez que as atualizações dos títulos patrimoniais eram registradas em conta de "Reserva" por força do disposto na Portaria MF n° 785 de 20 de dezembro de 1977, norma tributária complementar, que autorizou as corretoras a postergar a tributação dos acréscimos ao valor de aquisição dos títulos patrimoniais, em função do aumento do capital social das bolsas, para o momento em que houvesse a redução do capital ou ocorresse a sua extinção, razão pela qual, os valores que compunham as reservas de atualização foram utilizados para 'aumento de capital’, e, ao mesmo tempo, compuseram o montante distribuído ao sócio Banco Indusval em operação de redução de capital, considerando que neste momento ocorreu a disponibilidade econômica, fato gerador da incidência tributária previsto no artigo 249 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1.999, que contempla a tributação de acréscimo patrimonial ainda não tributado, independentemente se houve ou não trânsito por conta de resultado, ou seja, mesmo que ele tenha sido contabilizado diretamente em conta do patrimônio líquido. Considerousse que em relação ao processo de desmutualização, as bolsas de valores só poderiam destinar seu patrimônio em caso de extinção para outra entidade de fins não lucrativos conforme previsto no art. 61 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, que instituiu o novo Código Civil e que a desmutualização foi um processo contrário ao que preconiza o citado art. 61 da Lei n° 10.406, de 2002, pois a "transformação" dos títulos patrimoniais em ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A representou uma devolução do capital aos associados em forma de ações, porquanto as corretoras deixaram de ser associadas das extintas Bovespa e BM&F para serem acionistas das novas empresas, pessoas jurídicas com finalidade lucrativa submetidas às normas da Lei n° 6.404, de 1976. Atestou a Fiscalização que este foi o entendimento consolidado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio da Solução de Consulta n° 10 expedida em 10 de outubro de 2007 pela COSIT , constituindose em Norma Complementar conforme definido no artigo 100 do Código Tributário Nacional, destacando que referida consulta foi formulada pela Comissão Nacional de Bolsa de Valores (CNB), no processo n° 10768.002443/200700, visando esclarecer o processo de desmutualização e suas implicações tributárias, concluindo na apontada Solução de Consulta, pela tributação do ganho de capital obtido no processo de desmutualização, conforme disposto no artigo 17 da Lei nº 9.532/97, com correspondência no artigo 239 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3000/1999. Concluiuse, destarte, que o valor a ser adicionado à base de cálculo do Imposto de Renda corresponde à diferença entre o valor nominal das ações recebidas e o custo de aquisição das cotas ou frações ideais representativo do patrimônio segregado das Bolsas. Diferença esta correspondente aos valores das atualizações do valor do título patrimonial de Fl. 563DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 6 titularidade da corretora, espelhados no saldo da conta de "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", sendo que os acréscimos patrimoniais permaneciam não tributados até o momento de sua distribuição e, se distribuídos, a qualquer forma ou título, passariam a integrar a base de cálculo do imposto de renda, de sorte que o artigo 17 da Lei n° 9.532/97 guardaria concordância com o que já previa a Portaria MF n° 785, de 1977, afirmandose que por se tratar de operação estritamente patrimonial, os acréscimos patrimoniais foram classificados como resultados não operacionais e o resultado deve ser adicionado ao Lucro Líquido para ser computado no Lucro Real e na Base de Cálculo da CSLL do ano calendário 2007. Quanto à apuração dos valores tributáveis lançados de ofício o autuante informa serem correspondentes: (a) ao montante entregue pela Corretora na operação de redução do seu capital em 30 de marco, originário da reserva de atualização de títulos patrimoniais das bolsas ainda não tributado, reduzido do custo de aquisição respectivos títulos patrimoniais; e (b) à mais valia correspondente a diferença entre o novo valor de aquisição dos títulos em 30.03.2007 e valor na data desmutualizações. Conforme demonstrativos de folhas 154 a 155. Por fim, lançouse os fundamentos para a aplicação da multa isolada e registrou, em relação à “baixa de um título de sócio efetivo”, alegou o autuante que (a) a corretora interessada adquiriu do Banco Indusval, em 02/12/1996, 02 Títulos de Sócio Efetivo pelo preço unitário de R$ 8.287,00, conforme Contrato de Compra e Venda celebrado entre as partes (fl. 88), cujo lançamento contábil foi efetuado a débito da conta que registrava os títulos patrimoniais da BM&F n° 2.1.4.10.20 (fl. 91); e (b) no processo de desmutualização da BM&F. a Corretora recebeu 20.000 ações da BM&F S/A no valor de R$ 1,00/ação, relativamente à devolução dos dois títulos, sendo que em 16/11/2007 o contribuinte alienou 1000 ações ao Grupo General Atlantic, pelo preço de R$ 9.698,59, realizando um lucro de R$ 8.698,59 e na mesma data a Corretora efetuou uma baixa de 10.000 ações com prejuízo de R$ 10.000,00, o que foi contabilizado a débito da conta 8.3.1.10.00.01 Prejuízo na Alienação de Investimentos e a crédito da conta 2.1.5.10.20.02 Ações BM&F S/A (fls. 131 a 133). Destacou a Fiscalização que regularmente intimada a esclarecer esta baixa, a Corretora respondeu que "o título de sócio efetivo era de propriedade do sócio Luiz Masagão Ribeiro e que até a respectiva baixa contábil estava emprestado à Corretora", entretanto, não teriam sido apresentados quaisquer documentos que comprove a propriedade do título pelo referido sócio, nem tampouco o alegado empréstimo à Corretora e seu motivo. Mencionou a Fiscalização ainda, que "mesmo que o alegado empréstimo e sua motivação tivessem sido comprovados, o lançamento contábil deveria ter sido a crédito de conta passiva de empréstimo e, a sua liquidação, a débito desta mesma a débito de prejuízo" e conclui pela inexistência do prejuízo de R$ 10.000,00, que deveria ser objeto de glosa, asseverando que a recorrente era a detentora dos dois títulos de sócio efetivo, pois foi quem recebeu as 20.000 ações da BM&F no processo de desmutualização e também porque a propriedade do título remonta a 1996 conforme contrato de Compra e Venda (fls. 88), considerando que as ações da BM&F foram transferidas ao sócio Luiz M. Ribeiro pelo valor de R$ 1,00, notoriamente inferior ao valor de mercado de R$ 9,69, concluindo que em relação à diferença (R$ 8,69 X I000) presumemse "distribuição disfarçada de lucros", preconizada nos artigos 60 a 62 do Decreto Lei n° 1.598 de 26 de dezembro de 1.977 com as alterações do art. 20 do Decreto Lei n° 2.065, de 26 de outubro de 1.983, com transposição no art. 464, inciso I, do RIR/99. Aponta que o valor de mercado das ações é aquele negociado em 16/11/2007 com o Grupo General Atlantic que, consoante definição contida no item 7 do Parecer Normativo CST n° 449, de 1971, é notória a inferioridade do valor das ações da BM&F transferidas a pessoa ligada. Conclui, assim, pela adição, no lucro líquido do exercício, da diferença de R$ 86.985,90 mais o valor de R$ 10.000,00 referente ao prejuízo na alienação de investimento Fl. 564DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 5 7 indevidamente apurado, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. À folha 160 a autoridade fiscal, considerando as infrações apuradas, apresenta a recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL relativamente ao ano calendário 2007 (Valor tributável: R$ 16.829.628,56). Inconformada com as imputações fiscais, a recorrente apresentou Impugnação (fls. 179 – 221), acompanhada dos documentos de fls. 222 a 370 e ao descrever os fatos destacou (i) dos dois títulos da categoria de Sócio Efetivo da BM&F por ela adquiridos em 1996, um era patrimonial e o outro não; (ii) as operações de aumento e redução de capital foram realizadas num momento em que o Banco Indusval passava por um processo de oferta inicial de ações (IPO) e, assim, não poderia o Banco (ou a sua subsidiária, recorrente) deter ativos (por exemplo títulos das bolsas) que suscitassem dúvidas aos investidores quanto ao seu real valor de mercado, tendo inclusive atendido ao disposto nos artigos 173 e 174 da Lei n° 6.404, de 1976; (iii) a reaquisição dos títulos ocorreu por meio de contratos de cessão com cláusula de resilição no caso de ocorrer a desmutualização antes de 24/03/2008, e os títulos que os acionistas voltaram a deter foram substituídos por ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A.; (iiii) o Sr. Luiz Masagão Ribeiro, que detinha um título patrimonial da BM&F (categoria de sócio efetivo), e a recorrente firmaram contrato (verbal), pelo qual restouestabelecido o empréstimo à recorrente para que pudesse conferilo em garantia à BM&F e, por tal motivo, não há registro nos livros contábeis da interessada. Passou a recorrente a elencar as infrações apuradas pela fiscalização: (i) falta de adição ao lucro líquido do valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", em março de 2007, em razão da operação de redução de capital social (ii) falta de adição ao lucro líquido do valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", em agosto e outubro de 2007, em razão da operação de desmutualização da Bovespa e BM&F ; (iii) a distribuição disfarçada de ao Sr. Luiz Masagão Ribeiro e dedução indevida de prejuízo; e (d) falta de recolhimento de IRPJ e CSLL devidos por estimativa (aplicação de multa isolada) pela falta de adição às correspondentes bases de cálculo, nos meses de março, agosto e outubro/2007, decorrentes de redução de capital, e da desmutualização da Bovespa e da BM&F. Quanto ao Direito, discordou a recorrente do entendimento da Fiscalização no sentido de que as operações de aumento e redução de capital, por ela realizadas, dariam ensejo à aplicação do artigo 249, parágrafo único, inciso I do RIR/99, com a conseqüente tributação do valor registrado na conta destinada à atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F e neste, defendeu que: o dispositivo contido no artigo 249 do RIR/99 foi editado no período em que os lucros apurados pelas empresas eram tributados também quando distribuídos aos sócios, o que já não ocorre desde a edição do artigo 10 da Lei n° 9.249/1995; hoje não mais se tributa aumentos de capital, realizados com o aproveitamento de lucros acumulados ou reservas de lucro, mesmo quando ocorre uma posterior redução desse capital; equivocase a Fiscalização ao utilizar o mencionado dispositivo legal para tributar montante que não se configura, e não se pode configurar, como lucro, rendimento ou acréscimo patrimonial tributável da Impugnante; a simples leitura do artigo 249, parágrafo único, inciso I do RIR/99 evidencia que o legislador pretendeu tributar, com esse dispositivo, as quantias retiradas dos lucros (inclusive lucros suspensos ou acumulados) não tributados por qualquer razão; no presente caso, conforme quadros de fls. 10 e 11 do Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização entendeu por tributar o valor registrado em conta de patrimônio líquido que reflete a atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F detidos pela Impugnante que não podem ser confundidos com "lucros"; o montante de R$ 14.187.809,30 (composto pelos Fl. 565DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 8 valores de R$ 7.256.358,04 e R$ 6.931.451,23) representa, tão somente, a diferença entre o valor de aquisição dos títulos (BMF e Bovespa) e o valor atualizado desses títulos, conforme variações dos patrimônios das respectivas Bolsas. Ou seja, não se trata de acréscimo patrimonial ou lucro, previsto no artigo 249 do RIR/99, pelo que não se pode admitir o entendimento do Sr. Agente Fiscal; tal valor (R$ 14.187.809,30), bem como sua contabilização, é resultado de determinação expressa da Portaria MF n° 785/1977 e equiparase ao resultado da aplicação do método de equivalência patrimonial, trazido pela Lei n° 6.404/1976, e, nos termos dos artigos 225 e 388 do RIR/99, esse valor, enquanto resultado de aplicação do método de equivalência patrimonial, não é submetido à tributação pelo IRPJ e CSSL; não pode ser aceito o entendimento adotado pela Fiscalização, no presente processo, para tributar o valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", quer pela inaplicabilidade do artigo 249, parágrafo único, inciso I do RIR/99 ao presente caso (visto que não se trata de lucro/rendimento não tributado); ou pela impossibilidade de se tributar o resultado de equivalência patrimonial; não se aplicando ao presente caso as hipóteses de disponibilização presumida do artigo citado o aumento e a redução de capital realizados pela Impugnante não representam, por si só, situações de disponibilização do lucro, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional como afirmou, equivocadamente, o Sr. Agente Fiscal; Argumentou ainda, no tocante à aplicabilidade do artigo 17 da Lei n° 9.532/97, que (i) à época da desmutualização, eram os acionistas que detinham os títulos patrimoniais e não a recorrente; (ii) a fiscalização equivocouse ao afirmar que a recorrente é que teria participado desse processo e recebido as ações da Bovespa S/A e da BM&F; (iii) conforme se observa dos lançamentos contábeis realizados seria claro que, em data anterior à realização da operação de desmutualização, a recorrente devolveu os Títulos aos acionistas realizando um lançamento a crédito em sua conta de ativo que espelhava a detenção dos Títulos; (iiii) o contrato de cessão (instrumento pelo qual a recorrente adquiriu os títulos) previa a "resilição" daquela cessão, com a devolução dos Títulos aos cedentes (acionistas), caso se confirmasse a expectativa acerca da operação de desmutualização. Segundo arrazoou, a aplicação do artigo 17 da Lei n° 9.532, de 1997 não seria cabível, pois não teria ocorrido na operação de desmutualização, a extinção das associações e a criação das sociedades anônimas, mas, sim, mera reestruturação societária, operação permitida e expressamente prevista pelo art. 2.033 do Código Civil de 2002, alegando que, após a referida alteração da estrutura societária das associações, as entidades continuaram a existir e a operar, porém sob a forma de sociedades anônimas e, conseqüentemente, os títulos transformaramse em ações, sendo que a operação de desmutualização implica mera reclassificação de um direito, ou, quando muito, uma permuta de ativos, frisando não ter havido devolução de capital, por se tratar de simples substituição. Mencionou por fim, que se a não incidência preconizada pela Portaria nº 785/77 foi expressamente reconhecida e o artigo 17 da Lei n° 9.532/97 é inaplicável ao presente caso, então não haveria dúvidas de que não resta nenhum outro fundamento legal hábil a justificar a incidência dos tributos exigidos por meio dos autos de infração ora combatidos, defendendo que não seria permitida a tributação da "valorização" do título, vez que, de acordo com a Portaria nº 785/77 do Ministério da Fazenda, referidas atualizações, quando positivas, não estão sujeitas à tributação, disposição que entende encontrarse em vigor até hoje. Registrou que a conta de reserva que espelha a atualização do valor dos títulos seria elevada quando as bolsas apresentassem resultado positivo e reduzida quando tal resultado fosse negativo, o que nada mais é do que a aplicação do regime jurídico da equivalência patrimonial. Procedimento este de observância obrigatória em face de determinações do Banco Central do Brasil e da Comissão de Valores Mobiliários, concluindo que seriam aplicáveis ao caso os preceitos legais que versam sobre o tratamento tributário das Fl. 566DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 6 9 avaliações procedidas pelo método da equivalência patrimonial (arts. 225 e 389 do RIR), que estabelecem a não incidência do IRPJ e da CSL sobre a atualização dos títulos das bolsas e que este entendimento estaria alinhado com a conclusão da Decisão COSIT n° 13, de 1997, repelindo o entendimento no sentido de que a substituição dos títulos patrimoniais por ações pode ser classificada como uma operação de alienação e, conseqüentemente, como a realização da reserva de atualização dos títulos) pois a desmutualização não possibilita às corretoras qualquer outra alternativa que não seja a substituição dos títulos pelas ações da Bovespa Holding S.A. e BM&F S/A correspondentes. Assim, não existe a prerrogativa de venda dos títulos ou de permuta por outro ativo. Considerou a recorrente não haver falar na realização de qualquer ganho por de sua parte ou de qualquer detentor dos Títulos, uma vez que inexiste qualquer pagamento em dinheiro pelas bolsas por ocasião da desmutualização, insistindo haver apenas uma troca de ativos de valores idênticos (títulos x ações), lembrando que operação análoga, que envolveu a substituição de títulos patrimoniais da Bovespa por ações da Clearing, atual CBLC, já foi objeto de apreciação pela Receita Federal, que na Decisão 13 da COSIT de 1997, acentuou que tal operação é, efetivamente, mera permuta, conforme se infere do excerto que transcreve à fl. 155, arrematando que este ato permutativo é previsto no art. 22 da Lei n° 9.249/95, que assevera não haver incidência do Imposto sobre a Renda em decorrência de operações dessa natureza. Acerca do tópico "III.4 Da Distribuição Disfarçada de Lucros e da Baixa do Título não Patrimonial", a contribuinte sustentou a não ocorrência de Distribuição Disfarçada de Lucro (DDL) ao sócio Luiz Masagão Ribeiro, assentando que a fiscalização não teria acatado sua justificativa de que não se tratou de alienação ou transferência do título para o sócio, mas, sim, da devolução de um empréstimo feito pela interessada com o sócio e que o Sr. Luiz Masagão Ribeiro sempre foi o detentor do título de sócio efetivo da BM&F S/A, apresentando as Declarações de Ajuste Anual do sócio referentes aos anos base de 1990. 2006 e 2007 (fls. 312 a 351). Destacou que pela Declaração referente ao ano base 2007, resta evidente que o referido título foi substituído por 10.000 ações da BM&F S/A, em decorrência do processo de desmutualização daquela associação. Ou seja, as ações ingressaram diretamente no patrimônio do Sr. Luiz Masagão Ribeiro, não passando, em nenhum momento, pelo patrimônio da recorrente e conclui ser evidente o equívoco cometido em seus registros contábeis, ao justificar a baixa do montante de R$ 10.000,00 como sendo decorrente da "baixa ações BM&F S/A do Sr. Luiz M. Ribeiro", porque, como afirmado, em momento algum houve o ingresso contábil do título de propriedade do Sr. Luiz, nos livros da recorrente que justificasse um retorno/baixa contábil. No subtópico "Do Equívoco Cometido pela Fiscalização correta Baixa de Título Não Patrimonial e Dedução da Despesa" a contribuinte frisa que adquiriu em 1996, (...), dois títulos da categoria de Sócio Efetivo da BM&F, sendo um deles patrimonial e o outro não e que tais títulos não se confundem com um terceiro título da categoria de Sócio Efetivo da BM&F, também utilizado pela recorrente, mas em decorrência do empréstimo firmado com o Sr. Luiz Masagão Ribeiro. Dos dois títulos da Categoria Sócio Efetivo adquiridos e contabilizados em 1996, apenas um (o patrimonial) resultou em ações (processo de desmutualização, o outro (não patrimonial), no jargão do mercado financeiro, "virou pó" e, assim, seguindo o que restou consignado em Ofício Circular da BM&F, sendo que a recorrente teria baixado este título que estava registrado em seu ativo, deduzindo a despesa decorrente Fl. 567DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 10 dessa baixa, tendendo que o fato de ter registrado em sua contabilidade apenas 10.000,00 ações da BM&F, no valor de R$ 10.000,00, após a desmutualização faria prova do que ala alega. Registra por fim, que este título baixado estava ligado às operações da recorrente na BM&F pelo que a perda de seu valor em decorrência da desmutualização implica em despesa dedutível, nos termos do artigo 299 do RIR/99. Por fim se insurge contra a aplicação da multa isolada e da Taxa Selic. A 8ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 373 a 401, manteve integralmente as exigências fiscais, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Ano calendário: 2007 INSTITUIÇÃO ISENTA. TÍTULOS PATRIMONIAIS. RESERVA DE ATUALIZAÇÃO AINDA NÃO TRIBUTADA. REALIZAÇÃO. ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO. Em face da entrega dos títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F ao único sócio (instituição financeira) da contribuinte, em devolução de capital, deve ser adicionado ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, o valor da reserva de atualização desses títulos que não sofreram tributação do imposto. AUTO DE INFRAÇÃO. DESMUTUALIZAÇÃO DE BOLSAS E VALORES E DE MERCADORIAS. ASSOCIAÇÕES ISENTAS. DEVOLUÇÃO DE TÍTULO PATRIMONIAL E SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES DAS NOVAS EMPRESAS. SUJEIÇÃO À TRIBUTAÇÃO. Sujeitase à incidência do imposto de renda, computandose na determinação do lucro real do exercício, a diferença entre o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa jurídica, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver sido entregue para a formação do referido patrimônio. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. TÍTULO PATRIMONIAL. Fica caracterizada a distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica entrega a seu sócio ações da BM&F por valor notoriamente inferior ao de mercado. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. E MULTA PROPORCIONAL. APLICAÇÃO. A materialidade da multa calculada sobre a totalidade ou diferença de contribuição nos casos de falta de pagamento/declaração inexata, não se confunde com aquela calculada sobre a base estimada ao longo do ano calendário e que deixou de ser paga. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 7 11 A multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL. Ano calendário: 2007 CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência da mesma infração.Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente notificada da decisão desfavorável (fls. 402 – 404), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 405 – 454), reiterando os argumentos já relatados e pugnando por provimento. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões afirmando o acerto da decisão recorrida e pretendendo o desprovimento do Recurso Ordinário. É o relatório. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 12 Voto Vencido Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admito o para julgamento. Analisase prioritariamente a questão atinente à redução do capital social da recorrente e disponibilização ao único sócio da recorrente do valor registrado na conta “Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais”. Conforme se depreende do Termo de Verificação Fiscal, entende a Fiscalização que a recorrente disponibilizou ao seu sócio, Banco Indusval, o valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais" (R$ 14.187.809,27) no momento em que realizou a redução de seu capital social, de sorte que esse valor disponibilizado deveria ter sido adicionado ao lucro líquido do período de março de 2007, nos termos do artigo 249 do RIR/99. A decisão recorrida, acatando o entendimento da Fiscalização, assim se manifestou em conclusão: "Assim, a realização da reserva de atualização dos títulos patrimoniais, ainda não tributada, impõe que o valor correspondente seja, por força da norma acima transcrita, adicionado ao Lucro Líquido do Exercício para fins de apuração do Lucro Real." (fls. 387 dos autos) (...) "Concluise pelo descumprimento dessa condição, como ocorreu in casu com a distribuição (devolução) dos títulos ao único sócio (Banco Indusval S/A), resulta na tributação dos acréscimos patrimoniais (valorização dos títulos desde a aquisição)." (fls. 389 dos autos) (...)” Como bem descreve a Procuradoria da Fazenda Nacional em suas Contrarrazões, mesmo que as operações de redução do capital social da recorrente tenham ocorrido em momento anterior ao processo desmutualização das bolsas, para o deslinde da questão em apreço, de rigor pontuarse alguns aspectos do funcionamento das bolsas de valores naquele período. Atentese ao oportuno trecho extraído das Contrarrazões: (...) Isso porque, a Desmutualização ocorreu em 28 de agosto de 2007 (Bovespa) e 20 de setembro de 2007 (BMF), enquanto as operações que passaremos a analisar neste tópico ocorreram em março de 2007, mais especificamente em 30 de março de 2007. Dessa forma, convém registrar que a Bovespa e a BMF (Bolsas) nasceram, respectivamente em 1967 e 1985, como Associações sem Fins Lucrativos. Tal característica assim permaneceu até agosto e setembro de 2007, data em que tais entidades assumiram a forma de sociedades anônimas. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 8 13 Durante sua existência, essas associações emitiram diversos títulos, representativos de frações do seu patrimônio, cuja propriedade dos mesmos era condição necessária ao acesso às operações por elas intermediadas. Ou seja, as pessoas físicas e jurídicas que desejassem participar de operações organizadas pelas bolsas (Bovespa e BMF, posteriormente BM&F) deveriam adquirir tais títulos patrimoniais. (...) Tal como se observa dos autos, a recorrente era detentora de alguns desses títulos patrimoniais: um título patrimonial da Bovespa, que fora utilizado pelo Banco Indusval S.A. para integralizar parte do capital social da recorrente – Indusval S.A. Corretora; e 4 (quatro) títulos da BM&F, adquiridos em 1996 do Banco Indusval. Sendo a propriedade destes títulos condição para operar nas bolsas a legislação dispunha que a contabilização dos acréscimos do valor nominal dos títulos, traduzidos no aumento do patrimônio social da Bovespa e da BM&F, deveriam constituir reserva para futura e compulsória incorporação ao capital do Associado, sendo requisito para a postergação da tributação do ganho de capital experimentado pela valorização dos títulos não apenas a manutenção em conta de reserva de capital, mas, também, não haver distribuição dos acréscimos. Ocorreu, como bem descrito no relatório acima minudenciado, que em 30 de março de 2007, foi aprovada a redução do capital social da recorrente (Indusval S/A Corretora de Títulos e Valores Mobiliários), no montante de R$ 16.774.786,83, passando o capital de R$ 22.593.139,76 para R$ 5.818.52,93, mediante o cancelamento de 1.758 ações ordinárias e 1.758 ações preferenciais, nominativas, sem valor nominal e, corolário desta redução do seu capital social, a recorrente transferiu para o Banco Indusval S/A., os seis Títulos Patrimoniais da Bovespa e o Título de Membro de Compensação da BM&F e o Título de Corretora de Mercadorias da Bolsa de Mercadorias e Futuros. Com a referida operação, de redução de capital, foi realizada a débito da conta do Patrimônio Líquido nº 96.1.1.40.10.01 "Reservas de Capital País" e a crédito das respectivas contas do Ativo Permanente nº 92.1.4.10.10.01 "Títulos Patrimoniais Bovespa" e 2.1.4.10.20.01 "Títulos Patrimoniais BM&F" conforme lançamentos contábeis (fls. 31 33), sendo que as atualizações monetárias dos Títulos Patrimoniais decorrentes das alterações patrimoniais da BOVESPA e da BM&F foram debitadas nas contas contábeis do Ativo Permanente que registravam os Títulos Patrimoniais e creditadas na conta 6.1.3.70.00.01 "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais" cujo saldo em 30/03/2007 era de R$ 11.912.501,34. Na mesma data foi capitalizado o montante de R$ 11.066.395,84, correspondente ao saldo da reserva em 31/12/2006, mediante lançamento a débito da conta COSIF nº 96.1.3.70.00.01 "Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais" e crédito das contas COSIF nº 91.1.20.13.01 "Ações Ordinárias País" R$ 5.533.197,92 e 1.1.20.16.01 "Ações Preferenciais não Cumulativas e não Resgatáveis País" R$ 5.533.197,92. Ainda na mesma data (30 de março de 2007) o Banco Indusval S.A. também reduziu seu capital no mesmo montante procedido pela recorrente, mediante transferência dos mesmos títulos patrimoniais aos seus acionistas, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária (fls. 27 30), sendo que os acionistas do Banco Indusval venderam para a Fl. 571DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 14 recorrente os mesmos títulos patrimoniais anteriormente cedidos ao Banco Indusval na redução do capital social, pelo mesmo valor, conforme "Instrumento Particular de Cessão de Transferência de Direitos sobre Titulo Patrimonial de Corretora de Mercadorias e Membro de Compensação da Bolsa de Mercadorias & Futuros e Outras Avencas" e "Instrumento de Cessão e Transferência de Direitos sobre Título Patrimonial de Corretora de Valores da Bolsa de Valores de São Paulo e Outras Avenças" (fls. 39 a 52). As operações acima descritas, a exemplo do que concluiu a decisão recorrida, mesmo sem grande esforço investigativo revelam efetiva distribuição de tais valores, seguramente, ao reduzir o Capital Social e transferir os títulos patrimoniais que detinha ao seu acionista (Banco Indusval), a recorrente distribuiu os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, acumulados ao longo do tempo, e que, até então, não haviam sofrido qualquer tributação. A decisão recorrida bem resumiu esta imputação ao delinear no item 5.1.2, que na espécie o que está sendo objeto de tributação é justamente o valor de "atualização de título patrimonial" que não transitou por conta de resultado e, por conseguinte, deixou de ser tributado, ou seja, não se está tributando o valor distribuído ao sócio (sob o ponto de vista de quem o recebe o rendimento art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995), mas sim o valor que foi usado para aumento de capital e que ainda não havia sofrido tributação (do IR e da CSLL), exatamente o caso previsto no artigo 249 do RIR/99, confirase: Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 6o, § 2o): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Parágrafo único. Incluem se nas adições de que trata este artigo: I ressalvadas as disposições especiais deste Decreto, as quantias tiradas dos lucros ou de quaisquer fundos ainda não tributados para aumento do capital, para distribuição de quaisquer interesses ou destinadas a reservas, quaisquer que sejam as designações que tiverem, inclusive lucros suspensos e lucros acumulados; (...) Observase ainda, que a Portaria MF nº 785/77 era induvidosa ao vedar a distribuição dos acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, se sorte que tendo havido a distribuição, como no caso, não há correções a serem feitas no lançamento de ofício realizado e no entendimento sufragado pela decisão recorrida. No tocante ao item da autuação atinente à falta de adição ao lucro líquido do valor registrado na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", em agosto e outubro de 2007, em razão da operação de desmutualização da Bovespa e BM&F, convém registrar analisando a operação de desmutualização da Bovespa e da BM&F, a Fiscalização entendeu que o montante de R$ 2.544.833,39, que corresponderia à diferença entre o custo de aquisição dos Títulos Patrimoniais da Bovespa e dos Títulos Patrimoniais da Associação Fl. 572DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 9 15 BM&F e o valor total das ações que teriam sido recebidas em substituição a tais Títulos, que estaria refletido na conta "Reserva de Atualização dos Títulos Patrimoniais", deveria ter sido adicionado ao lucro líquido dos meses de agosto e outubro de 2007, respectivamente, para tributação pelo IRPJ e CSLL. Ou seja, tratase de autuação pelo não oferecimento à tributação de ganho obtido com a devolução de patrimônio de entidade isenta por ocasião do processo de desmutualização das bolsas de valores, mais pontualmente a aplicação do artigo 17 da Lei 9.532/97. Especificamente em relação a este tópico tratase na espécie, resumidamente, de autuação acerca do processo de desmutualização das Bolsas de Valores, assim compreendidos os procedimentos pelos quais se levou a efeito diversas alterações societárias que modificaram a estruturação jurídica das Bolsas de Valores, e a Fiscalização reputa que a recorrente deixou de recolher o IRPJ e a CSLL incidente sobre a atualização de títulos patrimoniais da BOVESPA e da BM&F. A Fiscalização, bem como a recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional, nos arrazoados que apresentaram, bem cuidaram de delinear em que consistiu o processo de desmutualização das bolsas de valores, sendo que estas, falo das bolsas de valores, nos termos da Lei nº 6.385/76, ostentam a posição de órgão integrante do sistema de distribuição de valores mobiliários (art. 15, IV), bastando referir, para que se entenda o processo de desmutualização, que em sua constituição originária detinham natureza jurídica de Associações sem Fins Lucrativos e assim o foi até o ano de 2007, quando então se alterou o regime jurídico das bolsas de valores. Enquanto existiram como “associações sem fins lucrativos”, as bolsas de valores emitiram títulos representativos do seu patrimônio, sendo condição inarredável para “operar” no mercado financeiro, melhor dizendo, às operações nas bolsas de valores, ser detentor dos apontados títulos. Sabidamente, dado a natureza jurídica distinta, bem como a destinação das bolsas de valores, estas dispunham de tratamento tributário diferenciado, mas, sem prejuízo disso, as bolsas de valores aprovaram o que se chamou de processo de desmutualização, acarretando a extinção das “associações sem fins lucrativos” com a conversão dos títulos patrimoniais dos associados, a exemplo da recorrente, em ações ordinárias da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A. A Fiscalização reputa, em resumo, que a extinção das associações sem fins lucrativos, irradiou a aplicação do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997, de sorte que tendo havido devolução de patrimônio de pessoa isenta, o constatado ganho haveria de ser tributado. A recorrente, por seu turno sustenta ter havido mera cisão parcial e incorporação no processo de desmutualização das bolsas, ou seja, teria ocorrido a cisão parcial do patrimônio das antigas associações e a incorporação da parcela cindida em novas sociedades, situação que obstaria a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, porquanto não teria havido qualquer devolução de patrimônio. Antes mesmo de seguirse com os demais fundamentos, convém reproduzir o referido artigo, in verbis: Fl. 573DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 16 Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicamse as normas do inciso I do art. 17. da Lei nº 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva; b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. Conquanto não se tenha formado uma jurisprudência sólida no âmbito deste CARF, entendo que na espécie a decisão recorrida conferiu correta interpretação aos fatos sucedidos e não está, portanto, a merecer qualquer reforma. Não me parece legítimo concluir, por tudo quanto já se relatou nestes autos e pelo que se sabe do processo de desmutualização das Bolsas de Valores, ter havido cisão parcial e posterior incorporação sem qualquer devolução de patrimônio de sociedade isenta, contrário disso, não sobram dúvidas de que a desmutualização alterou de tal modo a situação jurídica, que atraiu para a espécie a incidência do artigo 17 da Lei nº 9.532/1997, porquanto em momento ao processo, a recorrente participava de uma entidade isenta (em tópico próprio se analisará se de fato a recorrente era a detentora dos títulos), que não podia distribuir resultados e era participante por exigência da legislação, pois lhe era impossível o exercício de sua atividade em caso contrário. Com a desmutualização, a recorrente recebeu da BM&F e da Bovespa, cotas do capital social, na forma de devolução de capital social. Como bem descrito no termo de verificação fiscal e reafirmando pela decisão impugnada, os títulos patrimoniais das bolsas de valores devem ser avaliados por seu custo de aquisição, pois nunca estiveram as sociedades corretoras autorizadas a avaliar tais cotas ou frações ideais pelo Método de Equivalência Patrimonial, mas, sim, autorizados pela Portaria nº 785/1977, a postergar a tributação sobre o valor dos acréscimos efetuados ao valor nominal das cotas ou frações ideais recebidos em virtude de aumento do capital social das bolsas de valores para o momento em que houvesse a redução do capital ou até mesmo a extinção dessas associações. Como bem reconheceu a decisão recorrida, o embate que se trava nestes autos coincide com o que tratado no âmbito da Receita Federal do Brasil, pela Coordenação Fl. 574DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 10 17 Geral de Tributação por meio da Decisão Cosit nº 13/1997, que, numa primeira interpretação, reconheceu a aplicação do Método de Equivalência Patrimonial – MEP para avaliar os títulos patrimoniais representativos da participação das corretoras no capital das Bolsas, que eram instituições isentas, admitindo a neutralidade dos seus efeitos quanto à tributação, o que, segundo a recorrente acolheria sua tese e seria aplicável ao presente caso. Mas, como referido acima, a despeito do posicionamento da COSIT supramencionado, o que se imputa à recorrente é que, em momento posterior à Decisão 13/97, foi promulgada, em 10/12/1997, a Lei 9.532 que, em seu artigo 17, afastou a eficácia daquele entendimento porque previu, no caso de devolução de patrimônio, a tributação do valor de atualização do investimento no patrimônio de instituição isenta, representado pelo montante que excede o custo histórico do investimento, situação que esvazia o argumento de que se teria mudado o entendimento fiscal sem alteração do critério jurídico. Importante também salientar que os títulos representativos do patrimônio das Bolsas eram contabilizados na conta de ativo permanente das corretoras, ficando sujeitos às atualizações periódicas de acordo com as informações fornecidas pela BM&F e pela Bovespa, decorrentes do engrandecimento do patrimônio das Bolsas. Essas atualizações eram contabilizadas como acréscimos ao valor dos citados ativos, em contrapartida à sub conta "reserva de atualização dos títulos patrimoniais", dentro da conta "reserva de capital", que compõe o patrimônio liquido das corretoras de acordo com as orientações contidas no COSIF — Plano Contábil das Instituições Financeiras, Capitulo 1, item 11, sub item 3, § 3º; A Portaria MF n° 785/1977 conferiu neutralidade tributária aos referidos acréscimos do valor desses títulos, enquanto mantidos no ativo de seus detentores. Assim disposto: I " Os acréscimos do valor nominal dos títulos patrimoniais das Bolsas de Valores, em decorrência de alteração do seu patrimônio social, não constitui receita nem ganho de capital das sociedades corretoras associadas e, por isso, pode ser excluído do lucro real destas desde que não seja distribuído e constitua reserva para oportuna e compulsória incorporação ao capital. II "Aos aumentos de capital assim procedidos aplicase o disposto no DL n° 1.109/70, art. 3°, § 3°." Decreto n° 1.109/70, art. 3°: " Os aumentos de capital das pessoas jurídicas mediante a incorporação de reservas ou lucros em suspenso não sofrerão tributação do IR(..)§3° Ocorrendo a redução do capital ou a extinção da pessoa jurídica nos 5 anos subseqüentes o valor da incorporação será tributado na pessoa jurídica como lucro distribuído, ficando os sócios, acionistas ou titular, sujeitos ao imposto de renda da declaração de rendimentos, ou na fonte, no ano em que ocorrer a extinção ou redução." Portanto, em função da Portaria, os aumentos nominais dos títulos patrimoniais em virtude de aumento do capital social das bolsas ficam sujeitos à tributação em caso de extinção ou redução do capital social (a qualquer titulo) da bolsa de valores. A descrição da legislação e dos fatos evidencia que houve aumento patrimonial da recorrente decorrente do aumento do patrimônio das Bolsas e que esse aumento de riqueza teve sua tributação diferida para momento futuro que foi alcançado com o processo de desmutualização e a Lei 9.532/97 definiu esse como o critério temporal da hipótese tributária. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 18 De igual modo, é certo que houve a devolução de capital pelas extintas bolsas à recorrente e esses direitos recebidos foram utilizados para compor o capital das novas empresas. Considerar de forma diferente seria admitir isenção sem lei que a autorize, pois é inegável que os associados aportaram recursos no momento de ingressarem na associação sem fins lucrativos e, tiveram acréscimos nos valores de suas participações decorrentes dos acréscimos patrimoniais nas associações, acréscimos estes que não foram tributados pela permissão do diferimento dada pela Portaria MF 785/77, mas deveriam ser tributados no momento da devolução. Registrase ainda, para afastar o argumento de que possa ter havido mera cisão e posterior incorporação do patrimônio das bolsas, e apenas em complemento ao que já que foi exposto, é que sendo as Bolsas, primitivamente associações sem fins lucrativos, regida por normas do Direito Civil, é seguramente inaplicável a sua sucessão a forma da legislação comercial, próprio das sociedades mercantis, situação que ainda mais se evidencia com a presença do tratamento distinto da associação e da sociedade, inclusive tratamento tributário, mas sem afastarse do fato de serem tratadas em capítulos inteiramente distintos na legislação civil e tributária. Tanto é assim que o Novo Código Civil dispõe separadamente seus preceitos legais, princípios, órgãos, e a sua própria dissolução, conforme se constata do Livro I do Código Civil que rege os preceitos das associações, ao passo que o Livro II rege a sociedade empresarial. Sendo assim, somados aos outros fundamentos já expostos, tem se que o que de fato ocorreu, ainda que outra tenha sido outra a denominação, foi a dissolução da BM&F e Bovespa, com a respectiva restituição do seu patrimônio, tal como expresso no artigo 61, § 1º, do Código Civil, na forma de ações a seus associados, e a constituição de novas sociedades. Em conclusão, não se pode olvidar também o posicionamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil nos termos da Solução de Consulta nº 10/2007, que tem como interessado a Comissão Nacional de Bolsa de Valores: (...) 32. Visto que não se aplica às associações (bolsas de valores) nenhum dos institutos regulados pela Lei n. 6.404, de 1976, pois esses entes estão submetidos ao regime jurídico do Código Civil, analisemos, então, a natureza da operação denominada pela consulente como “desmutualização”. 33. A primeira questão que se coloca é que tanto o Código Civil de 1916 não versava como o de 2002 não versa sobre cisão de associação ou mesmo sobre sua incorporação a uma sociedade de fins lucrativos, mesmo porque, conforme já abordado, estes são institutos próprios das sociedades, em especial das S. A., e estranhos aos entes sem fins lucrativos. Assim sendo, ainda que a consulente insista em chamar a operação descrita de “cisão parcial” e de “incorporação”, na verdade, a natureza das operações consiste em uma mera devolução e patrimônio aos associados divididas em duas etapas, conforme a seguir explicado: 33.1. Na primeira etapa, quando ocorrer o que a consulente chama de “cisão parcial”, com a aquisição de parte do patrimônio da associação (bolsa de valores) por uma pessoa Fl. 576DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 11 19 jurídica com fins lucrativos (sociedade) e a troca dos títulos patrimoniais dos associados, proporcionais a parte segregada, por ações desta sociedade, ou seja, o associado deixa de assim ser qualificado, para se tornar sócio de empresa lucrativa, com todas as liberdades próprias da qualificação resultante desta transformação. 33.2. Na segunda etapa, diz a consulente que o patrimônio remanescente nas associações bolsas de valores serão “incorporados” por uma pessoa jurídica de fins lucrativos (sociedade) e novamente os associados passarão a condição de sócios desta empresa lucrativa, o que na verdade se constitui numa transformação disfarçada, já que também sem esteio no Código Civil. (...) De qualquer sorte, para o prisma tributário, tais efeitos são tributados abstratamente de sua legitimidade formal, nos termos do artigo 118, I e II, do Código Tributário Nacional. Assim, a aludida “desmutualização”, qual seja, a transformação de títulos em ações gera acréscimo patrimonial, já que de mera associada, passou a recorrente a ser sócia de empresa com fins lucrativos, cuja projeção econômica foi divulgada internacionalmente por todos os meios de comunicação, dada a dimensão econômica dos negócios. Daí o patente acréscimo patrimonial, interpretado nos termos do artigo 118 do CTN, em sintonia com a norma impositiva de dissolução da associação. Verificado ser devida a tributação do ganho obtido com o processo de desmutualização das Bolsas de Valores, de rigor analisar o argumento da recorrente de que à época do referido processo, não era mais detentora dos títulos patrimoniais das associações, em razão de cláusula resilitiva, firmada no bojo do contrato pelo qual reaquisição dos títulos patrimoniais do seu sócio. Tenho para mim que as alegações da recorrente não prosperam, pois ficou demonstrado nos autos que ela foi quem recebeu ações da Bovespa e BM&F decorrentes da desmutualização, situação que por si só já invalidaria seu argumento. Demais disso, não passou despercebido pela decisão recorrida o fato de que a recorrente não tomou as providências formais exigidas pelas bolsas de valores, porquanto a comunicação das transferências efetuadas em 30/03/2007 e a sua anotação no "Livro de Registro de Títulos Patrimoniais da Bolsa de Valores de São Paulo" se fazia imperativa inclusive para que a recorrente não tivesse cessada sua atividade perante à Bolsa, anotandose que na correspondência datada de 17/08/2007 (cópia à fl. 26), o último registro anotado aponta que a titularidade dos 6 Títulos Patrimoniais era "Indusval S.A. CTVM". Não consta carta posterior da Bovespa comunicando a alteração desse último registro. Com razão, portanto, a decisão recorrida ao concluir que a documentação acostada aos autos corrobora a conclusão da autoridade fiscal no sentido de que a corretora participou efetivamente do processo de desmutualização e, portanto, nas datas das mesmas, ainda era a real detentora dos títulos patrimoniais. Por fim, necessário o enfretamento da parcela da autuação relacionada à distribuição disfarçada de lucros ocorrida, segundo inteligência da decisão recorrida, na transferência de ação da BM&F pela recorrente, ao sr. Luiz Masagão Ribeiro. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 20 Acerca do comentado tópico, a Fiscalização teceu as seguintes considerações: (...) Na desmutualização da BM&F a Corretora recebeu 20.000 ações da BM&F S/A pelo valor unitário de R$ 1,00 por ação, correspondente a devolução dos 02 (dois) títulos de sócio efetivo. Em 16/11/2007 o contribuinte alienou 1000 (um mil) ações ao Grupo General Atlantic, pelo preço de R$ 9.698,59, realizando um lucro de R$ 8.698,59. Na mesma data a Corretora efetuou uma baixa de 10.000 ações com prejuízo de R$ 10.000,00 , o que foi contabilizado a débito da conta 8.3.1.10.00.01 Prejuízo na Alienação de Investimentos e a crédito da conta 2.1.5.10.20.02Ações BM&F S/A (fls. 131 a 133). Regularmente intimada a esclarecer esta baixa, a Corretora respondeu que "o título de sócio efetivo era de propriedade do sócio Luiz Masagão Ribeiro e que até a respectiva baixa contábil estava emprestado à Corretora". Entretanto, não foram apresentados quaisquer documentos que comprove a propriedade do título pelo referido sócio, nem tampouco o alegado empréstimo à Corretora e seu motivo. Mesmo que o alegado empréstimo e a sua motivação tivessem sido comprovados, o lançamento contábil deveria ter sido efetuado a crédito de conta passiva de empréstimo e, a sua liquidação, a débito desta mesma conta e não a débito de prejuízo. Assim, concluímos que inexiste o prejuízo de R$ 10.000,00 o que importa em sua glosa. Por outro lado, se na desmutualização a Corretora recebeu 20.000 ações da BM&F S/A em troca dos dois títulos de sócio efetivo, é indiscutível que a Corretora era a detentora dos mesmos. (...) Efetivamente a propriedade deste título pela Corretora remonta a 1996 uma vez que o mesmo foi adquirido do Banco Indusval conforme Contrato de Compra e Venda às fls. 88, já acima referido. Diante disso, considero que os fatos descritos pela fiscalização e a documentação acostada aos autos apenas confirmam o acerto da autoridade fiscal na apuração da infração concernente à Distribuição Disfarçada de Lucro e à Glosa de Prejuízo na Alienação de Investimento (R$ 10.000,00), não tendo a recorrente logrado apresentar prova em contrário. Tratandose do argumento da recorrente segundo o qual não haveria previsão legal para cobrança de juros sobre a multa, mencionou a contribuinte que o artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos, concluindo que multa não é tributo e por isso não há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre elas (multas). Seguramente, a matéria alusiva à cobrança de juros sobre multa é daquelas controvertidas no âmbito administrativo, sendo certo que a própria CSRF, no julgamento do PA nº 18471.001680/200430, manifestado no Acórdão nº 0203.133, entendeu não ser aplicável os juros sobre a multa. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 12 21 Ocorre, que configurada a relação obrigacional, polarizada entre sujeito ativo e passivo e tendo por objeto uma prestação em dinheiro, se afigura pelo sujeito ativo o “crédito” e pelo sujeito passivo um “débito”, a revelar que “débito” e “crédito” são duas facetas de obrigação dita cumulativa. Com efeito, não me parece prosperar a tese defendida pela recorrente, de ausência de fundamento legal para hospedar a cobrança de juros sobre a multa, na medida em que o próprio artigo 161, § 1º, do CTN dispõem exatamente que “crédito” não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, e que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Sendo assim, não se concebe conclusão outra, diversa daquela consagradora de sobre o crédito tributário (sua totalidade, principal e consectários), não pago no vencimento incidem sempre juros de mora (exceto na pendência de consulta, conforme § 2º do mesmo artigo 161). Tanto é assim que o artigo 139 do CTN, estatui que o crédito tributário decorre da obrigação principal, possuindo a mesma natureza. Obrigação que a seu turno, consoante o § 1º do artigo 113 do mesmo CTN dispõe que “a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Diante disso, aperfeiçoado o fato gerador, presente a obrigação principal nasce o crédito dela decorrente, ou seja, da concretização do fato gerador, surge o direito de lançamento que, conforme define o artigo 142 do CTN, implica identificar o sujeito passivo e calcular o montante do tributo devido e, se for o caso, aplicar a multa, a revelar, estreme de dúvidas, que a multa de ofício proporcional decorrente do descumprimento da obrigação principal compõe o crédito tributário (é parte dele), ou seja, não há falar em ausência de fundamento legal para as exigências da espécie. Tanto é assim, que artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 estabelece que a multa de ofício, se não paga do vencimento, sujeitase a juros de mora segundo a taxa Selic (§ 3° do art. 5° da Lei 9.430/96), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por fim, reputo que a única parte da decisão recorrida que merece reparos diz com a aplicação da multa isolada. A exemplo do que tenho manifestado em casos semelhantes, conquanto vencido, entendo que a multa isolada por falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, bem como, considero que no curso do período de apuração, descumprido o dever de antecipar, é que incide a penalidade sobre as estimativas não recolhidas, situação que obsta tal exigência após o encerramento do período, quando já não existe mais o dever de antecipar, mas sim e unicamente o de promover o ajuste pelo confronto entre o valor devido efetivamente e os valores recolhidos na forma estimada, incide tão somente a multa de oficio proporcional ao imposto que está sendo exigido. Com tais ponderações, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar e no mérito DAR PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para o único fim de afastar a multa isolada. Fl. 579DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 22 Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2012. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 13 23 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas. Inobstantes as valiosas considerações do Ilustre Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, divergiu do entendimento acerca da incidência da multa isolada sobre as estimativas não recolhidas Para o Relator, a referida sanção só pode ser aplicada dentro do próprio exercício fiscal. Não foi essa, contudo, a conclusão a que chegou esta Turma Ordinária. Com efeito, predominou o entendimento de que inexiste na legislação de regência as condições acima referenciadas, isto é, o diploma legal instituidor da sanção administrativa, ao descrever as situações motivadoras da aplicação da penalidade, não fez menção à circunstância de que, encerrado o período de apuração, a multa isolada só subsistiria no caso de apuração de saldo positivo de imposto. Destacouse, inclusive, que a norma impositiva estabelece, de forma expressa, que, ainda que se tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa, a penalidade deve ser aplicada, bastando para tanto que o sujeito passivo tenha incorrido na sua hipótese de incidência, qual seja, deixar de ter efetuado o recolhimento mensal incidente sobre a base de cálculo estimada. A conclusão, pois, dirigiuse no sentido de que os requisitos condicionadores da aplicação da penalidade indicados pelo Ilustre Relator decorrem de exercício de interpretação da norma sancionadora que, na visão do Colegiado, não pode ser recepcionado. Mantida, assim, as multas isoladas decorrentes da falta de recolhimento das estimativas devidas. Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2012. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas – Redator Designado Fl. 581DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 24 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto de Andrade Jenier. A discussão em torno da regularidade nas operações apontadas já foi objeto de análise neste CARF, sendo relevante, a título de destaque, o acórdão exarado nos autos do processo 16327.000679/201074, da lavra do Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO, que, por maioria, negou provimento ao recurso da empresa CREDIT SUISSE (BRASIL) S.A. CORRETORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, em acórdão que assim restou ementado: Nº Recurso 902838 Número do Processo 16327.000679/201074 Órgão Julgador Terceira Câmara/Primeira Seção de Julgamento Contribuinte CREDIT SUISSE (BRASIL) S.A. CORRETORA DE TITULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Recurso Voluntário Negado POR MAIORIA Data da Sessão 10/04/2012 Relator(a) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Nº Acórdão 1302000.879 Tributo / Matéria Decisão Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos Lavinia e Eduardo quanto ao lançamento de IRPJ e CSLL e por maioria de votos, manter a aplicação da multa isolada, vencidos lavinia, Guilherme e Diniz. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. IRPJ e CSLL Processo de desmutualização da BMF e BOVESPA. O processo de desmutualização da BMF e da Bovespa redundou na devolução do capital e conseqüente tributação nos termos do art. 17 da Lei 9532. Método de Equivalência Patrimonial. O MEP só se aplica aos investimentos em sociedades não sendo aplicável às associações civis sem fins lucrativos, não reguladas pela Lei 6404. Decadência. Não há de admitir a decadência do direito de lançar se entre o momento da ocorrência do fato gerador e o lançamento não foi ultrapassado o prazo de cinco anos previsto no art. 150 do CTN Multa isolada e multa de ofício. Não há impedimento de aplicação simultânea da multa de ofício por pagamento insuficiente de tributo e da multa isolada por falta de pagamento de estimativa. Em que pesem, entretanto, os relevantes fundamentos adotados naquela decisão, entendo, particularmente, que, do ponto de vista da exclusiva análise jurídica, a conclusão possível e aplicável à hipótese, com a devida vênia, não poderia, de forma alguma, imputar à contribuinte a referida sustentação do gravame apontado. Isso porque, conforme aqui restará apontado, ao menos em análise sumária, não se verifica – ab initio , no patrimônio da contribuinte, o recebimento ou a disponibilidade de um “ganho” quando das referidas operações. Senão, vejamos. Em primeiro lugar, insta destacar a discussão em torno da (im)possibilidade de aplicação dos critérios de “cisão/incorporação” às chamadas associações civis sem fins lucrativos. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 14 25 Ora, sustenta a recorrente que o sistema jurídico pátrio, não veda a utilização dessas formas de “transformações” societárias a essas entidades, havendo, ao revés inclusive, expressa previsão legal, conforme se afere nas disposições do invocado Art. 2033 do Código Civil Brasileiro, que assim especificamente se apresenta: Art. 2.033. Salvo o disposto em lei especial, as modificações dos atos constitutivos das pessoas jurídicas referidas no art. 44, bem como a sua transformação, incorporação, cisão ou fusão, regemse desde logo por este Código. O invocado art. 44, por sua vez, assim especificamente se apresenta: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I as associações; II as sociedades; III as fundações. IV as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) V os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº 10.825, de 22.12.2003) VI as empresas individuais de responsabilidade limitada. (Incluído pela Lei nº 12.441, de 2011) (Vigência) (...) O entendimento fazendário a respeito da impossibilidade de aplicação das sistemáticas de cisão/incorporação às chamadas associações civis, seria decorrente da interpretação das disposições da Lei 6.404/76, que, pela redação contida nas disposições de seu art. 220 e seguintes, apenas a admitiria às “sociedades”, não fazendo, assim, qualquer referência às associações e/ou outras das pessoas jurídicas mencionadas. Ainda de acordo com a visão fazendária, o único destino possível para as associações seria a sua dissolução, a teor, então, do que determinariam as disposições do art. 61 do Código Civil. Ocorre que, com todas as vênias, a meu ver, aqui se verifica um efetivo e verdadeiro equívoco exegético, uma vez que, ao contrário do que sustentado pela r. decisão recorrida, nas relações civis provadas – ao contrário das relações próprias de direito público , não se exige a expressa autorização legal para a admissão e/ou execução de atos lícitos, sendo aplicável, a esse respeito – inclusive , a expressa garantia constitucional da liberdade, constante nas disposições do Art. 5o, inciso II da CF/88, que determina: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Fl. 583DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 26 (Grifos nossos) Nessas circunstâncias, ao contrário do que pretende fazer crer a douta Procuradoria, entendo que, inexistindo óbice legal específico para a aplicação de transformação (cisão, fusão, incorporação) de uma “associação civil” em “sociedade por ações”, tal ato seria pois perfeitamente lícito e regular, apenas dependendo da concordância estatutária/regimental dos agentes envolvidos. Sob essas mesmas razões, inclusive, não vejo suficiência no argumento de inexistência de referências à possibilidade de aplicação da cisão/incorporação a entidades que não sejam “sociedades mercantis”, de acordo com as disposições da Lei 6.404/76, seja pela simples análise das disposições do mencionado art. 2033 do Código Civil, aqui antes comentado, ou ainda, pela própria verificação de que, tratandose a Lei 6.404/76 de norma específica anterior às disposições do Novo Código Civil (Lei 10.406/2002 – norma geral), aqui restaria pois perfeitamente aplicada a chamada “Teoria do Diálogo das Fontes”, tendo em vista a dinâmica da interpretação das disposições aplicáveis à matéria. Assim, em que pese inexistir na Lei 6.404/76 qualquer referência ás “associações civis”, a partir das novas disposições do Código Civil Brasileiro (Lei 10.406/2002), inexiste óbice para a sua aplicação a essa modalidade de atuação civil, podendo ser lhes aplicadas assim, perfeitamente, as disposições daquela norma. A possibilidade de admissão da aplicação de transformações societárias também às associações civis, cumpre destacar, encontram se também travestidas nas disposições da referida lei 9.532/97, que, em seu art. 16, assim especificamente aponta: Art. 16. Aplicam se à entrega de bens e direitos para a formação do patrimônio das instituições isentas as disposições do art. 23 da Lei n.º 9.249, de 1995. Parágrafo único. A transferência de bens e direitos do patrimônio das entidades isentas para o patrimônio de outra pessoa jurídica, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, deverá ser efetuada pelo valor de sua aquisição ou pelo valor atribuído, no caso de doação. Além do mais, entender, no âmbito das relações jurídico civis privadas(como o é a das associações civis e também a das sociedades comerciais), que o fim único possível das instituições privadas não seria outro, senão, a extinção/dissolução da entidade, é simplesmente desconsiderar a liberdade contratual e o “princípio da preservação”, aplicável, por nosso sistema, com vistas à manutenção e a continuidade das atividades civis. Em síntese: nada, absolutamente nada, veda a aplicação das formas de transformações societárias às associações civis, apenas sendo exigível a manutenção do respeito às regras específicas a elas aplicáveis, ao respeito das suas próprias disposições estatutárias e, ainda, em cada caso, a adequação dessa transformação a sua atuação própria. A partir desses paradigmas, entendendo pela possibilidade de alteração da formatação jurídica das associações civis, para a sua transformação em sociedades mercantis, verifico, desde logo, como afastada a obrigatoriedade da conclusão de que, na apontada “desmutualização”, a única conseqüência possível seria a entrega (devolução) de dinheiro, bens e/ou direitos às associadas, tendo ocorrido de fato, da forma como antes amplamente apontado pela contribuinte, a simples “permuta”, substituindose os títulos de associadas pelas, agora, ações das respectivas sociedades mercantis. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 15 27 Ora, afastado o óbice supostamente existente da aplicação de cisão/incorporação no presente caso, conforme aqui apontado, verificase que, por conseguinte, inexiste qualquer “devolução” dos valores apontados, sendo relevante, nesse ponto, as disposições contidas nos art. 227 e 229 da Lei 6.404/76, que, sobre aquelas transformações, assim determina: Art. 227. A incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operação, deverá autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante versão do seu patrimônio líquido, e nomear os peritos que o avaliarão. § 2º A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operação, autorizará seus administradores a praticarem os atos necessários à incorporação, inclusive a subscrição do aumento de capital da incorporadora. § 3º Aprovados pela assembléia geral da incorporadora o laudo de avaliação e a incorporação, extinguese a incorporada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação dos atos da incorporação. (...) Art. 229. A cisão é a operação pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindose a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou dividindose o seu capital, se parcial a versão. § 1º Sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da companhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados. § 2º Na cisão com versão de parcela do patrimônio em sociedade nova, a operação será deliberada pela assembléia geral da companhia à vista de justificação que incluirá as informações de que tratam os números do artigo 224; a assembléia, se a aprovar, nomeará os peritos que avaliarão a parcela do patrimônio a ser transferida, e funcionará como assembléia de constituição da nova companhia. § 3º A cisão com versão de parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições sobre incorporação (artigo 227). § 4º Efetivada a cisão com extinção da companhia cindida, caberá aos administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimônio promover o arquivamento Fl. 585DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 28 e publicação dos atos da operação; na cisão com versão parcial do patrimônio, esse dever caberá aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimônio. § 5º As ações integralizadas com parcelas de patrimônio da companhia cindida serão atribuídas a seus titulares, em substituição às extintas, na proporção das que possuíam; a atribuição em proporção diferente requer aprovação de todos os titulares, inclusive das ações sem direito a voto. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) Diante dessas considerações, em ambas as hipóteses (cisão/incorporação) inexiste, de fato, qualquer devolução de numerário, bens e/ou direitos aos anteriores sócios, mas apenas, como se sabe, a alteração da formatação jurídica de atuação da entidade, o que, como se sabe, foi exatamente o que acontecido no caso tratado nos presentes autos. Em face dessas considerações, forçosa se faz a conclusão de que, não se tratando de finalização das atividades da associação, inexistindo, como se verifica, qualquer ato de dissolução dos haveres, não se tratando de qualquer tipo de “devolução” de bens/direitos, concluise, inexoravelmente, na total impossibilidade de aplicação das disposições do Art. 17 das lei 9.532/97, que, em suas disposições, assim arremata: Art. 17. Sujeitase à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento a diferença entre o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos de instituição isenta, por pessoa física, a título de devolução de patrimônio, e o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos que houver entregue para a formação do referido patrimônio. § 1º Aos valores entregues até o final do ano de 1995 aplicam se as normas do inciso I do art. 17 da Lei n.º 9.249, de 1995. § 2º O imposto de que trata este artigo será: a) considerado tributação exclusiva b) pago pelo beneficiário até o último dia útil do mês subseqüente ao recebimento dos valores. § 3º Quando a destinatária dos valores em dinheiro ou dos bens e direitos devolvidos for pessoa jurídica, a diferença a que se refere o caput será computada na determinação do lucro real ou adicionada ao lucro presumido ou arbitrado, conforme seja a forma de tributação a que estiver sujeita. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, para a determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido a pessoa jurídica deverá computar: a) a diferença a que se refere o caput, se sujeita ao pagamento do imposto de renda com base no lucro real; b) o valor em dinheiro ou o valor dos bens e direitos recebidos, se tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 16327.000967/201029 Acórdão n.º 1301000.111 S1C3T1 Fl. 16 29 Ora, inexistindo a finalização das atividades da entidade, inexistindo a dissolução da associação (mas apenas a sua transformação), inexistindo qualquer forma de “devolução” de dinheiro, bens e/ou direitos, inexiste, por conseqüência, a possibilidade de incidência das referidas disposições, sendo, portanto, inexistente, também por isso, a obrigação de sustentação do ônus tributários sobre o eventual ganho apontado. A BOVESPA e a BM&F, como é de sabença geral, não deixaram de existir. O que ocorreu – e isso é completamente incontroverso nos autos , foi apenas a sua readequação à formatação jurídica mundialmente aplicável ás bolsas de valores, a partir de atos e operações perfeitamente admitidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, e, ainda, expressamente acolhidos pela CVM, pelo BACEN e por todos os órgãos de controle das atividades relacionadas ao mercado financeiro brasileiro. A recorrente, por sua vez, era antes associada daquelas entidades, e, agora, acionista das mesmas, mantendo, inclusive, com elas relevante relação de atuação. Tal apontamento, a nosso sentir, apresentase como relevante, tendo em vista que, ultrapassadas as discussões a respeito da validade jurídica da operacionalização das referidas “transformações societárias”, discutese ainda, nos autos – conforme antes destacado, a (ir)regularidade do tratamento contábil da atualização dos títulos patrimoniais antes da desmutualização. Conforme destaca a recorrente, em decorrência das regras de controle das atividades do mercado financeiro estabelecidas pelo BACEN e pela CVM (Resolução BACEN 1.656/89 e Ofício Circular CVM 325/79), tinham as empresas associadas a obrigatoriedade de manutenção da escrituração contábil da valorização dos títulos daquelas referidas associações, o que, inclusive, deveria ser feito sob rubrica contábil própria, criada para esse específico fim, conforme, inclusive, expressamente contido no COSIF, intitulada “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais – RATP”. A portaria MF 785/77, por sua vez, expressamente reconhecera que a atualização dos títulos patrimoniais não seria tributada, desde que registrada a contrapartida da atualização do ativo em conta de Reservas de Capital no Patrimônio Líquido, e que tal valor registrado em Reservas de Capital não seja distribuído e seja usado somente para capitalização. O caso é de expressa não incidência tributária, e não de diferimento de tributação, da forma como parece pretender a fiscalização, o que se confirma, inclusive, no fato de que a Portaria, em suas disposições, expressamente invoca o art. 3º do Decreto lei 1.190/70, segundo o qual a incorporação de reservas de lucros não deve ser tributada. Por essa razão, verifica se que, existindo a específica regra relativa à manutenção da escrituração contábil da valorização patrimonial do ativo mantido pela recorrente – que era o título de associação à BM&F e BOVESPA , ulteriormente transmutado em participação acionária desta naquelas entidades (em decorrência da referida “transformação”), completamente nula, se verifica, é a substituição dos referidos ativos, inexistindo, naquela oportunidade, qualquer possibilidade de incidência do IRPJ e da CSLL, da forma como pretendido. Por essas razões, pedindo vênia à maioria já formada, entendo pela inexistência de óbice para a materialização da referida operação, e, por essas razões, completamente insubsistente o lançamento efetivado. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA 30 É como voto. Sala das Sessões, 04 de dezembro de 2012. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier – Declaração de Voto. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 15/06/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/06/2013 p or PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 16/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JE NIER, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10675.900297/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. A contribuinte AGROCAFÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0938.534, proferido em primeira instância pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA, que julgou parcialmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 00 29 7/ 20 09 -7 2 Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.900297/200972 Resolução nº 3802000.102 S3TE02 Fl. 120 2 Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório confeccionado pela autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu o Dcomp nº 30757.85791.310505.1.3.04 7673, visando compensar os débitos nele declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, efetuado em 15/01/2005; A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que o crédito foi apurado conforme DIPJ e DCTF retificadoras; É o breve relatório” O órgão julgador a quo esclarece que “a compensação é ação unilateral do sujeito passivo, isto é, cabe a ele apurar o crédito que há de ser líquido e certo para dar suporte à extinção do débito” e que “a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e comunica à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora).” Prossegue afirmando que “com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso.” Os motivos fornecidos pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA para negar provimento à Manifestação de Inconformidade da contribuinte foram sintetizados na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada acerca do posicionamento acima, a contribuinte interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário, no qual alega que o direito creditório pleiteado seria decorrente do indevido recolhimento da Cofins em função da redução a zero da alíquota do referido tributo incidente sobre a importação e a receita bruta de venda no mercado Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.900297/200972 Resolução nº 3802000.102 S3TE02 Fl. 121 3 interno dos produtos mencionados no art. 1º da Lei nº 10.925/04, juntando aos autos diversos documentos fiscais (DIPJ, DCOMP’s, Notas Fiscais e planilhas com resumo de apuração do período considerado. É o relatório. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que “procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)”. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim “(defensivos, adubos, sementes, etc.)”. Apresenta então a Recorrente sua tese central de origem dos créditos: Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.900297/200972 Resolução nº 3802000.102 S3TE02 Fl. 122 4 Ora, o art. 1o da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9o, § 1o, e 15, § 3o), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1o. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime – o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuinte é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo. Por outro lado, a documentação comprobatória juntada pela Recorrente é deveras numerosa, de modo que este julgador não tem possibilidade de conferirlhe o exercício de cognição de modo exauriente o suficiente para afirmar seu quantum. Assim sendo, diante da impossibilidade concreta de se confirmar, peremptoriamente, o montante líquido e certo passível de compensação, a prudência recomenda a conversão do feito em diligência. Diante disso, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para que a contribuinte também se manifeste a respeito. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 18471.004198/2008-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.352
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Thiago Taborda Simões, Ana Maria Bandeira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 04 19 8/ 20 08 -8 5 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 135 2 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 03/12/2008 (fl. 3), para exigência de contribuições previdenciárias referente à parte dos segurados empregados, não retidas, incidentes sobre as remunerações pagas a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR sem observância dos requisitos legais, nas competências 08/2004 e 12/2004. Consta do Relatório Fiscal (fls. 14/18) o seguinte: “7. Conforme descrição da lei nº 8212, art. 28, parágrafo 9º, alínea j, a empresa precisa cumprir alguns requisitos exigidos em lei específica para que não haja incidência da contribuição social. Auditorando as folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas pelo contribuinte a todos empregados, referente ao ano de 2004, verificamos que a empresa pagou Participação nos Resultados a seus funcionários. Solicitamos documentação à empresa, referente aos resultados, e até o término da fiscalização a documentação necessária não foi apresentada. Os valores foram escriturados no Livro diário conta: 3.1.2.01.006. 8. Outro ponto verificado é que a empresa não efetuou o pagamento da participação conforme acordado em Convenção Coletiva de Trabalho, pagando um salário para cada funcionário no mês de agosto e dezembro de 2004. Logo, a empresa distribuiu lucro em desacordo com a lei n° 10.101/00 (converteu em lei a MP n° 794/94), que regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. 9. Apesar do pagamento das verbas, constar no acordo coletivo a empresa não cumpriu todos os requisitos exigidos em lei: deixou de elaborar os programas de metas, resultados e prazos, índices de produtividade, além de não cumprir o próprio acordo. Portanto, a empresa não se enquadra na alínea j, parágrafo 9º, da lei 8212/91, que condiciona o cumprimento da lei acima citada.” Este processo foi apenso ao de nº 18471.004200/200816, decorrente da mesma ação fiscal (fl. 25). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 26/39), sustentando, em síntese, (i) a imunidade da PLR conforme previsto na CF/88, (ii) não incidência das contribuições sobre a PLR paga aos seus empregados e (iii) não incidência das contribuições sobre as verbas pagas de forma eventual, requerendo, ao final, que o auto seja cancelado, com a consequente extinção do crédito tributário nele exigido. A DRJ/RJ1 julgou a impugnação improcedente (fls. 63/73), concluindo, em suma, que (i) o pagamento de verba a título de participação nos lucros fora dos parâmetros legais impostos pela Lei nº 10.101/00 está suscetível de incidência de contribuição Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 136 3 previdenciária, (ii) a PLR não integrará o salário de contribuição somente se a sua concessão estiver em consonância com os ditames estabelecidos pela referida lei, o que não foi demonstrado pela empresa e (iii) descumpridas as exigências legais, não prospera a argumentação de que o pagamento eventual da PLR macula a sua natureza salarial. Dessa decisão a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 82/102), que foi considerado tempestivo e encaminhado a este Conselho para prosseguimento (fl. 132). Nas razões de Recurso Voluntário a Recorrente essencialmente repisa os mesmo argumentos já apresentados na impugnação, sob os seguintes e principais fundamentos: (i) a PLR é desvinculada da remuneração por determinação constitucional (art. 7º, inciso XI, da CF/88), cuja imunidade não pode ser restringida por lei, (ii) ainda que essa imunidade pudesse ser restringida por lei, a exigência das contribuições seria descabida, posto que a Recorrente observou as regras da Lei nº 10.101/00 e (iii) mesmo que os pagamentos efetuados não correspondessem à PLR, o auto seria improcedente por exigir contribuições sobre ganhos eventuais, contrariando o disposto no art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 137 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando os autos, verifico que o ponto fulcral está em determinar se os pagamentos efetuados pela Recorrente a título de PLR em favor de seus empregados, em 08/2004 e 12/2004, sujeitamse ou não à incidência das contribuições que foram lançadas no presente auto de infração. Entendeu a DRJ/RJ1, em suma, que tais pagamentos não foram efetuados em consonância com os ditames estabelecidos pela Lei nº 10.101/00, e que a empresa não trouxe aos autos quaisquer elementos probatórios de suas alegações referentes ao pagamento de PLR com base em acordos mais favoráveis com seus empregados, concluindo consequentemente que os valores pagos integram o salário de contribuição sujeito à incidência das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, transcrevo o seguinte trecho da decisão de 1ª instância: “12. Não obstante as alegações da empresa quanto ao disposto nos incisos do § 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00, conforme item 3 (três) da sua impugnação, resta claro pelos documentos acostados aos autos que a Convenção Coletiva de Trabalho de 2003/2004 não estabeleceu qualquer critério ou condição quanto à fixação dos direitos da participação, determinando somente o pagamento de um valor fixo para os empregados, de acordo com o porte da empresa, independentemente de qualquer lucro ou resultado, desobedecendo, portanto, o disposto nos incisos do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101 de 19/12/2000. 13. Desta forma, em análise aos documentos anexados ao processo, concluise que pelo disposto na Convenção Coletiva apresentada pela fiscalização não só foram desobedecidas as regras referentes aos prazos e valores pactuados assim como, observase que tal documento não dispunha de qualquer regra referente a esta distribuição conforme previsto em Lei. 14. Tal constatação é confirmada pela própria impugnante em sua defesa ao alegar ser descabida a afirmação de que efetuou o pagamento do PLR sem a observância das regras previstas em Convenção Coletiva de Trabalho uma vez que tal fato ocorreu tendo em vista que as regras previstas nos acordo celebrados entre a impugnante e seus empregados eram mais favoráveis. Porém em momento algum juntou ao processo qualquer documento que pudesse comprovar tais alegações acerca da existência de outros acordos com seus empregados. 15. Ou seja, cabe ressaltar que a empresa não traz aos autos quaisquer elementos probatórios de suas alegações referentes ao pagamento de Fl. 137DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 138 5 PLR com base em acordos mais favoráveis com seus empregados. Portanto, em que pesem suas alegações, em nenhum momento foram juntados elementos hábeis à cabalmente comproválas. (...) 17. Desta forma temos que a Convenção Coletiva de Trabalho de 2003/2004 não estabeleceu qualquer critério ou condição quanto à fixação dos direitos da participação. Desta forma, verificase que a impugnante não respeitou o requisito legal de negociação entre a empresa e os empregados. Tal inobservância fez incidir a contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas em desacordo com a norma específica, parcelas estas que representaram uma vantagem econômica para os segurados empregados, obtida em razão da relação de trabalho. 18. Como se pode inferir dos dispositivos legais acima transcritos, o conceito de salário de contribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. 19. Concluise, portanto, que a participação nos lucros e resultados não integrará o salário de contribuição somente se a sua concessão estiver em consonância com os ditames estabelecidos por lei específica, sendo esta a Lei 10.101/00, vigente à época e que ocorreram os fatos geradores do crédito previdenciário em questão. O que não foi demonstrado pela empresa.” Contudo, analisando o presente processo, verifico que juntamente com o seu Recurso Voluntário a Recorrente traz aos autos os “Termos de Acordos” de fls. 107/112, celebrados entre ela e seus empregados “para o fim de disciplinar as condições de pagamentos da participação nos lucros ou resultados, de acordo com a Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000”. Pretende a Recorrente demonstrar que “o pagamento de PLR tinha por critérios claros e objetivos o resultado auferido pela empresa no ano de 2004, aliado com a assiduidade dos seus empregados naquele ano” e que “o pagamento de PLR relativa ao ano de 2004 se deu em conformidade com as regras previstas nos referidos ACORDOS, por serem mais favoráveis aos empregados da RECORRENTE, e não conforme as regras previstas em Convenção Coletiva de Trabalho (doc. 2).” (itens 1.3 e 3.11 do seu Recurso Voluntário). Nesse tocante, esclarece ainda a recorrente que “não juntou os referidos acordos em sua impugnação, pois, conforme expressamente consignado no Relatório Fiscal que acompanha o AUTO, eles foram apresentados à fiscalização e estavam anexados ao AUTO”, citando trechos do Relatório Fiscal que segundo entende comprovam sua assertiva (item 3.9 do Recurso Voluntário). Diante disso, para que se possa julgar com segurança o presente processo, concluindo pela procedência ou não da autuação (ainda que parcialmente), e em homenagem ao princípio da verdade material que orienta a atuação administrativa, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência, a fim de que a fiscalização esclareça e documente os seguintes aspectos em relação aos valores pagos a título de PLR em cada uma das competências do período fiscalizado: Fl. 138DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 18471.004198/200885 Resolução nº 2402000.352 S2C4T2 Fl. 139 6 (i) a regularidade dos “Termos de Acordo” juntado aos autos pela Recorrente com o seu Recurso Voluntário (fls. 107/112), esclarecendo se estão ou não em consonância com os ditames estabelecidos na legislação pertinente ao PLR, especialmente a Lei nº 10.101/00; (ii) independentemente dos esclarecimentos a serem prestados no item anterior, quais são exatamente os resultados, metas e requisitos que foram estabelecidos nos referidos “Termos de Acordo”, bem como se a empresa tem ou não provas e controles do seu cumprimento; (iii) se os referidos “Termos de Acordo”, com os esclarecimentos dos itens (i) e (ii) acima, aplicamse ou não para todas as competências e pagamentos a título de PLR exigidos no presente processo e, caso negativo, para quais competências e pagamentos se aplicam; (iv) apresentar a fiscalização outros esclarecimentos adicionais que porventura entender pertinentes para o adequado entendimento da questão. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o auditor fiscal verifique e responda as questões expostas acima. Após a realização da diligência, deve ser aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio da ampla defesa e do contraditório. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 139DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11239.000918/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1995 a 30/11/1998
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1995 a 30/11/1998 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
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CONCOMITÂNCIA. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 23 9. 00 09 18 /2 01 0- 61 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Período de apuração: 01/03/1995 a 30/11/1998 Data da lavratura da NFLD: 30/05/2000. Data da ciência da NFLD: 30/05/2000. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD lavrada em face da empresa acima identificada, referente a contribuições previdenciárias a cargo dos segurados e a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, devidas e não recolhidas nos prazos e na forma prevista na legislação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 30/32. Informa a fiscalização que contribuições lançadas incidem sobre as seguintes rubricas: · Diferenças de salário de contribuição de empregados incluídos em folha de pagamento; · Remunerações de trabalhadores, considerados indevidamente como autônomos pela empresa, por não atenderem aos pressupostos previstos no artigo 12, inciso IV, alínea "a", da Lei n° 8.212/91, em decorrência dos elementos verificados pela fiscalização, constatando, em observância à legislação previdenciária, serem segurados empregados; · Retiradas prólabore do sóciogerente; · Remunerações a autônomos. Os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram com: · Pagamento a empregados incluídos em folhas de pagamento, termos de rescisão de contrato de trabalho, recibos de férias, recolhidos a menor; · Pagamento da remuneração aos trabalhadores relacionados em planilha anexa (Anexo II), em razão dos serviços de armador, pedreiro, pintor, bombeiro, servente de pedreiro e carpinteiro, os quais foram qualificados como segurados empregados, uma vez que se encontravam presentes os pressupostos legais de tal qualificação: Pessoalidade, onerosidade, subordinação e não eventualidade; · Retiradas prólabore do sóciogerente Tarciso de Queiroz Bicalho e remunerações a autônomos (contadores, advogados, médicos e engenheiros), verificadas em recibos, cópias de cheques e registros contábeis. No desenvolvimento da ação fiscal foram examinados os seguintes documentos: Folhas de pagamento, recibos de férias, termos de rescisão de contrato de trabalho, Livros Diários de número 1 a 9, sendo o último registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais/JUCEMG sob nº 52.001.595, em 04/04/2000. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11239.000918/201061 Acórdão n.º 2302002.495 S2C3T2 Fl. 353 3 A empresa Recorrente ajuizou Ação Anulatória de Débito Fiscal nº 2001.38.03.0012417, copia a fls. 258/285, perante a 2ª Vara Federal Subseção Judiciária de Pato de Minas /MG, visando a desconstituir o lançamento formalizado pela NFLD ora em julgamento e a afastar a incidência de juros moratórios à taxa SELIC. Sentença a fls. 218/222 julgou procedente o pedido do autor. Porém, o INSS interpôs recurso de apelação, a fls. 331/338, pendente ainda de julgamento no TRF1. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 95/108. O Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva em Uberaba/MG lavrou DecisãoNotificação a fls. 136/141, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 29/12/2000, fl. 143. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 145/158, requerendo, ao fim o cancelamento da Autuação. Contrarrazões pelo Órgão Fazendário a fls. 187/188. A 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social converteu o julgamento em diligência para que, in verbis: (a) a Autarquia elabore nova planilha, relacionando quais são os segurados indevidamente caracterizados como "autônomos", expondo os motivos que levaram a tal conclusão e exibindo indícios comprobatórios de suas alegações; (b) caso entenda ser necessária a retificação da autuação, proceda à elaboração de nova DecisãoNotificação e, após, cientifique o autuado dos seus termos, oferecendo prazo para apresentação de defesa, caso lhe interesse; (c) caso entenda pela desnecessidade de retificação, profira despacho fundamentado e, após, cientifique o autuado dos seus termos, antes de encaminhar os autos à presente CaJ para regular processamento. Informação Fiscal a fl. 212, pugnando pela manutenção do lançamento. Devidamente intimada da Informação Fiscal acima referida, o Recorrente deixou transcorrer in albis o prazo que lhe fora assinalado, sem se manifestar nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/12/2000, sextafeira, dia útil, conforme revela Carimbo de Recebimento a fl. 143, e extrato de Consulta a Dados Identificadores do Processo a fl. 349. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91 e ao Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, que concederam ao sujeito passivo o prazo de 15 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528/1997) (grifos nossos) §1º Em se tratando de processo que tenha por objeto a discussão de crédito previdenciário, o recurso de que trata este artigo somente terá seguimento se o recorrente, pessoa jurídica, instruílo com prova de depósito, em favor do Instituto Nacional de Seguro SocialINSS, de valor correspondente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão. (Incluído pela Lei nº 9.639/98) §2º Após a decisão final no processo administrativo fiscal, o valor depositado para fins de seguimento do recurso voluntário será: (Incluído pela Lei nº 9.639/98) I devolvido ao depositante, se aquela lhe for favorável; (Incluído pela Lei nº 9.639/98) II convertido em pagamento, devidamente deduzido do valor da exigência, se a decisão for contrária ao sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 9.639/98) §3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711/98) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11239.000918/201061 Acórdão n.º 2302002.495 S2C3T2 Fl. 354 5 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. §1º É de quinze dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (grifos nossos) Art. 307. A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 29/12/2000, sextafeira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do prazo recursal na terçafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 02/01/2001, dia útil. Sendo de 15 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário vigente à época dos fatos ora em debate, este se encerraria aos 16 dias do mês de janeiro de 2001, inclusive, terçafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, circunstância que foi devidamente considerada no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 02/01/2001, o que implica na fixação do 16 do mesmo mês e ano como o dies ad quem para a protocolização do competente recurso. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de janeiro de 2001, como assim denuncia o carimbo de protocolo do INSS PAF em Pato de Minas, aposto na folha de rosto do Recurso Voluntário a fl. 145 dos autos, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo. Tal conclusão não discrepa das disposições contidas no Decreto nº 70.235/72 que rege o Processo Administrativo Fiscal no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal de constituição de crédito previdenciário. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11239.000918/201061 Acórdão n.º 2302002.495 S2C3T2 Fl. 355 7 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10380.725850/2010-21
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2009
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial ou remuneratória.
Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, devendo ser a decisão a quo e o lançamento reformado em parte para exonerar/cancelar o crédito tributário lançado com base nos valores pagos a título de aviso prévio indenizado. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira entendem que o resultado da decisão deve ser: recurso voluntário provido em parte e não recurso voluntário provido.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial ou remuneratória. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, devendo ser a decisão a quo e o lançamento reformado em parte para exonerar/cancelar o crédito tributário lançado com base nos valores pagos a título de aviso prévio indenizado. Vencido o Conselheiro Oseas Coimbra Junior. Os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Eduardo de Oliveira entendem que o resultado da decisão deve ser: recurso voluntário provido em parte e não recurso voluntário provido. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 58 50 /2 01 0- 21 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 179 2 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.163169) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 150157), que manteve o crédito tributário oriundo de incidência de contribuições previdenciárias do segurado não retidas sobre verbas pagas a título de prolabore, aviso prévio indenizado e salários não informados em GFIP, nas competências 01/2009 e 06/2009 a 12/2009. A ciência do auto de infração inaugural foi em 13.12.2010 (fls. 01). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apenas recorreu da incidência das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de aviso prévio indenizado, em razão de sua natureza indenizatória, deixando de recorrer quanto às demais créditos lançados pelo auto de infração. Esse é o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 180 3 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Como o recurso voluntário em questão apenas recorreu de parte da decisão a quo, no que tange à incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamento a título de aviso prévio indenizado, as demais possíveis questões já transitaram em julgado administrativamente, não sendo objeto do presente julgamento. No ponto recorrido, a incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas pagas a título de aviso prévio indenizável, devese anotar que a fiscalização e o julgador a quo entenderam que, em vista que o Decreto 6.727/2009, houve a revogação do disposto na alínea “f” do parágrafo 9º do art. 214 do Decreto 3.048/99, isso porque Lei nº 8.212/91, que originalmente previa a não incidência sobre o aviso prévio indenizado, assim haveria a incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos sob tal rubrica. Contudo, devese anotar que esse entendimento fiscal não é o correto. Como já ressaltado anteriormente, as contribuições previdenciárias têm como hipótese de incidência e base de cálculo (arts. 22, 23, 28, I, da Lei n. 8212/1991) são os valores pagos ou creditados aos empregados/contribuintes individuais a título de contraprestação ou remuneração por serviços prestados. Os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, ou não trabalhado, não tem natureza de remuneração ao trabalho, pois não há mais trabalho a remunerar, ou seja, tem clara natureza indenizatória pelo ato imotivado de dispensa do trabalhador, inclusive por própria determinação legal (art. 487, da CLT). Observese que o art. 111, do Código Tributário Nacional, é claro em determinar que a legislação tributária é vedada de alterar o conteúdo e o alcance de institutos legais do direito privado. Ou seja, nem a lei em sentido estrito, nem decreto (instrumento infralegal), podem alterar a natureza indenizatória. Atentese ao fato de que a legislação (lei em sentido estrito) que estabelece que a hipótese de incidência da contribuição previdenciária em momento algum foi alterada para incluir verbas indenizatórias como fato gerador do tributo em questão. Atentese, que a alínea “f” do parágrafo 9º do art. 214 do Decreto 3.048/99, revogada pelo Decreto n. 6727/2009, apenas exercia sua função integralizadora e consolidadora da legislação ordinária e complementar, não podendo exercer função criadora ou inovadora como pretendeu a fiscalização, sob pena de ferir o princípio da estrita legalidade (art. 97, do CTN), em que a administração fiscal somente pode cobrar tributos sobre fatos que estejam expressamente previstos em lei em sentido estrito. O caso em pauta tratase de um caso típico nãoincidência, campo do mundo dos fatos que não foi previsto na hipótese de incidência de uma norma geral e abstrata, pois considerando que as verbas pagas tem clara natureza de indenização, e os valores pagos a título de indenização são a própria antítese dos valores que são incluídos pela hipótese de incidência das contribuições previdenciárias (remuneratória). Nesse passo, devese colocar que não trata se de afastar a aplicação da norma de incidência tributária, pois os pagamentos a título de aviso Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 181 4 prévio indenizado sequer são previstos no antecedente da regramatriz de incidência tributária, isso é, sequer tratase de um caso de incidência tributária. Essa interpretação é pacifica nos tribunais superiores: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não incide contribuição previdenciária sobre os primeiros 15 dias do pagamento de auxíliodoença e sobre o aviso prévio, ainda que indenizado, por configurarem verbas indenizatórias. Precedentes do STJ. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 231.361/CE, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/12/2012, DJe 04/02/2013) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. Tratase de agravo regimental interposto contra decisão que, ao negar seguimento ao recurso especial, aplicou jurisprudência do STJ no sentido de que é indevida a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado. 2. "A contribuição previdenciária incide sobre base de cálculo de nítido caráter salarial, de sorte que não a integra as parcelas de natureza indenizatória" (REsp 664.258/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 31.5.2006) 3. "Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial" (REsp 812.871/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1218883/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 22/02/2011)PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE. REMUNERAÇÃO DE FÉRIAS GOZADAS. NATUREZA SALARIAL. INCIDÊNCIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. É pacífico no STJ o entendimento de que o salário maternidade não tem natureza indenizatória, mas sim Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 182 5 remuneratória, razão pela qual integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. 2. O pagamento de férias gozadas possui natureza remuneratória e salarial, nos termos do art. 148 da CLT, e integra o salário de contribuição. Salientese que não se discute, no apelo, a incidência da contribuição sobre o terço constitucional. 3. O valor pago ao trabalhador a título de aviso prévio indenizado, por não se destinar a retribuir o trabalho e possuir cunho indenizatório, não está sujeito à incidência da contribuição previdenciária sobre a folha de salários. Precedentes do STJ. 4. Agravos Regimentais não providos. (AgRg nos EDcl no AREsp 135.682/MG, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 29/05/2012, DJe 14/06/2012) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA. ART. 22, INC. I, DA LEI N. 8.212/91. BASE DE CÁLCULO. VERBA SALARIAL. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A indenização decorrente da falta de aviso prévio visa reparar o dano causado ao trabalhador que não fora alertado sobre a futura rescisão contratual com a antecedência mínima estipulada na CLT, bem como não pôde usufruir da redução da jornada a que fazia jus (arts. 487 e segs. da CLT). 2. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado, por não se tratar de verba salarial. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1.198.964/PR, 2ª T. Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 04/10/2010) Por esses motivos, está clara que a natureza dos valores pagos aos empregados a título de aviso prévio indenizado não sofrem a incidência do tributo questionado, logo o crédito lançado é nulo e insubsistente, devendo ser cancelado. Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, devendo a decisão a quo e o lançamento reformados em parte para exonerar/cancelar o crédito tributário lançado com base nos valores pagos a título de aviso prévio indenizado. (Assindado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.725850/201021 Acórdão n.º 2803002.259 S2TE03 Fl. 183 6 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 35476.000973/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 18/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO
ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES,
DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS
EMPREGADOS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados servidores públicos estatutários a seu serviço.
SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO
O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a titulo de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial.
CO-RESPONSÁVEIS
Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-000.505
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / lª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que entendeu que deveria ser excluídos da relação de co-responsáveis os sócios da recorrente.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados servidores públicos estatutários a seu serviço. SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a titulo de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. CO-RESPONSÁVEIS Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. Recurso Voluntário Negado
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo e 35476.000973/2007-11 Recurso n° 147.064 Voluntário Acórdão n° 2301-00.505 — 3' Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2009 Matéria Auto de Infração: Obrigações Acessórias em Geral Recorrente NATURE S PLUS FARMACÊUTICA LTDA. Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/12/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS- Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados servidores públicos estatutários a seu serviço. SALÁRIO INDIRETO - PRÊMIO O prêmio fornecido pela empresa a seus empregados a titulo de incentivo pelas vendas, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. CO-RESPONSÁVEIS Todos representantes legais do sujeito passivo devem constar do CORESP, consoante determinações contidas nos normativos legais que tratam da constituição do crédito previdenciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Processo n°35476.000973/2007-li S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.505 Fl. 232 ACORDAM os membros da 3' Câmara / l Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do iiii i voto da relatora. Vencido , C. elheiro Leonardo Henrique Pires Lopes que entendeu que deveria ser excluídos da re .: a.7. r co-responsáveis os sócios da recorrente. ‘ i 144IN JULIO ti 5' 1 !EIRA GOMES Presiden". BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relatora • Participaram do julgamento os conselheiros: Daznião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira . Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 Processo n°35476.000973/2007-li S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00305 9. 233 Relatório Trata-se de Auto de Infração, lavrado em 18/12/2006, por ter a empresa acima identificada deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o inciso I, alínea "a", do art. 30, da Lei 8.212/91, e art. 4, "caput", da Lei 10.666/03, ele o art. 216, inciso!, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 04/05), a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos segurados que lhe prestaram serviços, incidentes sobre os pagamentos efetuados pela empresa por intermédio de cartões de premiação, no período de 09/1996 a 12/2005, e sobre prêmios, comissões, gratificações, salários, 13° salário e férias, no período de 09/96 a 12/99. A autoridade autuante esclarece que, apesar de intimada por meio do TIAD, a empresa não forneceu a relação com os valores creditados nos cartões de cada segurado beneficiado, o que impossibilitou o cálculo das quantias exatas que deixaram de ser descontadas, sendo aferidas com base na alíquota de 8% sobre os valores creditados nos cartões. A autuada impugnou o débito (fls. 75 a 102), alegando, em apertada síntese, decadência do débito e inexistência da co-responsabilidade tributária dos sócios. A Secretaria da Receita Previdenciária, por meio da DN n° 21.424.4/176/2007, fls. 105 a 109, julgou a autuação procedente e a autuada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 112 a 143), repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Preliminarmente, reitera que a maior parte dos créditos tributários ora exigidos encontram-se extintos pela decadência, nos termos do § 4°, do art. 150, ou art. 173, ambos do CTN, pelo fato de terem sido constituído em lapso temporal superior a cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. No mérito, em apertada síntese, insiste na natureza não salarial do prêmio concedido e na impossibilidade de sua inclusão na base de cálculo de Contribuições Previdenciárias. Defende que os termos "salário" e "remuneração" não são próprios de direito tributário e traz conceitos de salário pelo trabalho tentando demonstrar a diversa natureza jurídica dos prêmios de incentivo e a impossibilidade de utilizá-los como base de cálculo das Contribuições Sociais em voga. Argumenta que, ao contrário dos conceitos de remuneração e do salário, nos prêmios concedidos não se vislumbra nenhum ajuste de vontades e muito menos retribuitividade a serviço prestado ou habitualidade, pois se trata de mero ato unilateral de declaração de vontade, configurando como promessa de recompensa. 3 Processo n° 35476.000973/20074 52-C3T1 Acórdão n.• 2301-00305 Fl. 234 Traz a doutrina e a jurisprudência para reforçar a alegação de que os prêmios de incentivo em função de campanhas motivacionais não apresentam natureza salarial, até porque não apresentam caráter remuneratório do trabalho, não podendo, portanto, se cogitar em incidência de contribuições previdenciárias sobre tais valores. Insiste no entendimento de que não se aplica a responsabilidade solidária aos administradores da recorrente, já que não restou comprovada, nos autos, a realização de atos excessivos, ilegais ou de controle, administração e gerência efetiva da recorrente. Em Contra-Razões, às fls 217/218, a Secretaria da Receita Previdenciária manteve a decisão recorrida. É o relatório. • 4 Processo n°35476.000973/2007-li S2-C3T1 Acórdão n.• 230140.505 Fl. 235 Voto Conselheira BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a notificada alega decadência de parte do débito nos termos do art. 150, § 40, ou art. 173, do CTN, pelo fato de terem sido constituído em lapso temporal superior a cinco anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. No entanto, o auto em questão foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, consoante determinação contida no art. 30, I, "a", da Lei 8.212/91 e art. 4°, caput, da Lei 10.666/03: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: 1- a empresa é obrigada a: arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração; Lei 10.666/2003: Art. 4° Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando-a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. A penalidade pela infração ao dispositivo legal transcrito acima é a aplicação de uma multa cujo valor independe do número de competências em que se verificou a ocorrência da infração. Portanto, basta que a empresa deixe de efetuar o desconto de contribuição de um segurado a seu serviço em apenas uma competência não alcançada pela decadência para que fique configurada a infração à legislação previdenciária. No caso presente; a empresa deixou de arrecadar contribuições dos segurados no período compreendido entre 09/1996 a 12/2005. Dessa forma, constata-se que houve infração à legislação previdenciária em período não alcançado pela decadência, não havendo que se falar que é indevida a maior parte do montante objeto do lançamento, como quer a recorrente, já que, conforme exposto acima, o valor da penalidade aplicada pela infração cometida independe do número de competências em que tenha ocorrido, conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 06). te--) Processo Tr 35476.00097312007-11 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00305 Fl. 236 Assim, rejeito a preliminar de decadência. No mérito, a recorrente não nega que tenha deixado de arrecadar as contribuições devidas pelos segurados incidentes sobre os valores relativos aos bónus de premiação concedido por meio de empresas contratadas, administradoras do programa de premiação. Ela apenas entende que tais valores não se subsumem à definição de remuneração e, portanto, não integram o salário de contribuição. Contudo, o conceito de salário-de-contribuição não se confunde com o conceito de remuneração retirado do Direito Laboral. Segundo Wladimir Novaes Martinez (Comentários à Lei Básica da Previdência Social), "O conceito previdenciário de salário-de- contribuiçao não tem de coincidir exatamente com a definição trabalhista de remuneração ou, com mais razão, com a descrição de salário. Para isso é necessário o tipo legal circunscrever o fato gerador, impondo suas condições". A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4° do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional n°20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciá ria e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) Restou claro, nos autos da NFLD que lançou as contribuições devidas incidentes sobre a verba em comento, que a concessão de prêmio aos empregados em função de desempenho, como incentivo para as vendas não é eventual e esporádica, e sim habitual. Tais verbas, como a própria recorrente insiste em afirmar em sua defesa, possuem a natureza de prêmio. E, segundo Amauri Mascaro Nascimento: "A natureza jurídica do prêmio não sofre, praticamente, contestações. É uma forma de salário vinculado a um fator de ordem pessoal do empregado ou geral de muitos empregados, via de regra a sua produção. Dalfalar- se, também, em salário por rendimento ou salário por produção. Caracteriza-se, também, pelo seu aspecto condicional Uma vez verificada a condição de que resultam, devem ser pagos". (In "Teoria Jurídica do Salário", Editora LTR, 1994, pg. 256). Assim, prêmio é remuneração. Esse também é o entendimento do TST: "Prêmio é gratificação, e gratificação é salário, se ajustada expressa ou tacitamente, porque a CLT não exige o ajuste expresso" 7S7' pleno E-RR 1943/82 - DJU 06/12/85 - pág. 22644". A fiscalização constatou, o que não foi negado pela recorrente em sua peça recursal, que tais prêmios poderão ser trocados por produtos ou serviços nas redes de fornecedores das empresas administradoras, ou mesmo que poderia ser efetuado o saque em dinheiro em caixas eletrônicos. Dessa forma, os valores referentes aos prêmios concedidos pela recorrente a seus empregados integram o salário de contribuição, conforme inciso 1, art 28, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n° 1.596-14/1997, convertida na Lei 9.528/97. 6 Processo n0 35476.000973/2007-11 S2-C3T1 Acórdão n.° 230140305 Fl. 237 Ademais, é oportuno lembrar que, conforme art. 176 do CTN, "a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...". No presente caso, não resta dúvida que os prêmios concedidos por meio das empresas prestadoras listadas no Relatório Fiscal, não estão incluídos nas hipóteses legais de isenção previdenciária, previstas no § 90, art. 28, da Lei 8.212/91. Nem toda utilidade fornecida ao trabalhador tem caráter contraprestacional, sendo necessário distinguir a utilidade fornecida como retribuição pelo trabalho, que se caracteriza "salário-utilidade" e que deve ser incluída na base de cálculo da contribuição previdenciária, daquela fornecida como instrumento de trabalho, ou para o trabalho, que não se caracteriza salário-utilidade, eis que meramente instrumental para o desempenho das funções do trabalhador. Resta claro que o pagamento feito pela recorrente a título de programa de incentivo em favor dos seus empregados não se trata de fornecimento de meio para que esses trabalhadores possam exercer suas funções, e sim uma vantagem que representa um acréscimo indireto à remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária. A recorrente alega, ainda, que não incide contribuição previdenciária sobre notas fiscais pagas relativas a serviços prestados pelas empresas de marketing de premiação, ressaltando que as empresas citadas, ainda que prestadora de serviço, não recebe do tomador salário ou remuneração sendo, por conseguinte, impossível tributar tais valores, pois nesse caso não há que se cogitar em existência do fato gerador dos tributos cobrados pelo agente fiscal. No entanto, em nenhum momento a fiscalização afirmou que as prestadoras de serviço recebem salário do tomador, ou tentou enquadrar tais empresas de marketing no conceito de trabalhador constante do art. 195 da Constituição Federal, como entendeu de forma equivocada a recorrente. A autoridade notificante deixou muito claro, no Relatório Fiscal, que o fato gerador da contribuição lançada por intermédio da NFLD 35.848.359-0 é a concessão, pela empresa recorrente, a seus empregados, de prêmios por intermédio das empresas administradoras ali discriminadas, por ela contratadas. Cumpre informar, ainda, que a referida NFLD já foi objeto de análise por esse Conselho de Contribuintes, que conheceu do recurso apresentado nos autos do processo n° 10830.006566/2007-19, acolheu parcialmente a preliminar de decadência e, no mérito, negou- lhe provimento. Portanto, não cabe mais discussão sobre o mérito da questão. Com relação ao entendimento de que não se pode imputar responsabilidade solidária aos sócios pelo pagamento das obrigações tributárias sem a comprovação de que ocorreram as hipóteses previstas nos arts. 134, 135 e 137 do CTN, cumpre esclarecer que a inclusão do nome dos co-responsáveis é um dos requisitos necessários para a constituição do crédito, e visa principalmente o sucesso de futura execução fiscal, nos termos do art. 4° da lei 6830/80. 4-, 7 Processo n°35476.000973/2007. 11 S2-C3TI Acórdão n.• 2301-00.505 Fl. 238 Vale ressaltar que os diretores e/ou sócios não estão sendo penalizados com a lavratura do AI em tela, já que o mesmo foi lavrado contra a NATURE'S PLUS, que é o sujeito passivo da obrigação tributária. Conforme restou demonstrado na identificação do autuado, à fl. 01 é a NATURE'S PLUS FARMACÊUTICA LTDA que foi autuada, e não os seus sócios. E, ao constatar o inadimplemento das obrigações acessórias previdenciárias, o agente autuante lançou corretamente o débito em nome do contribuinte inadimplente, fazendo constar os co-responsáveis nos relatórios do AI, consoante determinações contidas nos normativos legais que regem a matéria. Nesse sentido e, Considerando tudo o mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 07 de julho de 2009 e BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relatora • Page 1 _0011100.PDF Page 1 _0011200.PDF Page 1 _0011300.PDF Page 1 _0011400.PDF Page 1 _0011500.PDF Page 1 _0011600.PDF Page 1 _0011700.PDF Page 1
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Numero do processo: 19311.720037/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
PROVA. ESCRITA.
A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova dos fatos nela registrados. Insurgindo-se contra ela, deve o sujeito passivo demonstrar o erro, com base em provas hábeis e idôneas. Não o fazendo, é correta a adoção pela fiscalização dos valores escriturados, para lançamento.
MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA.
São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do ano-calendário.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02
Numero da decisão: 1302-001.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) pelo voto de qualidade, em manter a multa isolada por não recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez, Márcio Frizzo, e Guilherme Pollastri Gomes da Silva; b) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nas demais matérias.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ESCRITA. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova dos fatos nela registrados. Insurgindose contra ela, deve o sujeito passivo demonstrar o erro, com base em provas hábeis e idôneas. Não o fazendo, é correta a adoção pela fiscalização dos valores escriturados, para lançamento. MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. INDEPENDÊNCIA. São independentes a multa isolada, decorrente do não recolhimento de estimativas, e a multa proporcional, decorrente do não recolhimento do tributo devido ao final do anocalendário. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) pelo voto de qualidade, em manter a multa isolada por não recolhimento de estimativas, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Cortez, Márcio Frizzo, e Guilherme Pollastri Gomes da Silva; b) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nas demais matérias. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 37 /2 01 2- 14 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 267 2 EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 268 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 4ª Turma da DRJ/CPS, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar IMPROCEDENTE a impugnação, para MANTER o crédito tributário lançado relativo ao IRPJ e CSLL e multas isoladas, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE ESCRITURAÇÃO E DCTF. IRPJ. CSLL. A falta ou insuficiência de recolhimento do IRPJ/CSLL e de declaração em DCTF (ou amortização em DCOMP), antes do início do procedimento fiscal, justifica sua exigência por meio do competente Auto de Infração, com os consectários legais para a constituição de ofício do crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não podendo a administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas, sendo a multa isolada completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal decorrente da apuração de valor devido ao final do período. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 269 4 OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase dos autos de infração, lavrados em 02/02/2012, na sistemática do Lucro Real, abrangendo o anocalendário de 2010, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, nos valores principais de IRPJ – R$ 3.092.674,84 e CSLL – R$ 1.571.763,96, ambos com juros de mora calculados até 02/2012 e multa de ofício aplicada no percentual de 75%; além da formalização, em cada um deles, da exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa. As irregularidades que ensejaram as exigências foram descritas no auto de infração do IRPJ e de CSLL, como segue: IRPJ Fl. 269DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 270 5 CSLL Consta dos autos o Termo de Verificação Fiscal com o seguinte teor, em síntese: “.... A COMPALEAD, conforme se depreende de seu contrato social e posteriores alterações, tem como objeto a fabricação e montagem de produtos eletrônicos, de computadores portáteis (laptops), monitores de cristal líquido, aparelhos de televisão de tela de cristal líquido, telefones Fl. 270DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 271 6 celulares, modems, e demais equipamentos de informática, de aparelhos telefônicos e de outros equipamentos de comunicação, e registra um capital de R$ 20.109.300,00. A presente ação fiscal teve início por intermédio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, com a exigência de que fossem apresentados os Livros de Apuração do Lucro Real (Lalur) referentes aos anoscalendário de 2008 a 2010, bem como arquivos digitais pertinentes à escrituração das notas fiscais de saída e de entrada. Intimações Fiscais posteriores foram lavradas para a apresentação de escrituração contábil e fiscal, e de esclarecimentos quanto ao preenchimento de Declaração Dacon. Devese anotar que a Escrituração Contábil Digital (ECD – Sped Contábil) relativa ao anocalendário de 2010 foi importada no curso desta fiscalização diretamente da base nacional Sped (Sistema Público de Escrituração Digital). O IRPJ e a CSLL referentes ao anocalendário de 2010 foram apurados pelo regime do Lucro Real, na modalidade anual, sendo que o Lucro Real importou, após a compensação de prejuízos fiscais de anos anteriores, em R$ 53.473.345,09. Do confronto dos valores prestados nas declarações DCTF contra os valores escriturados no livro Lalur de 2010, restou constatado que os débitos confessados de IRPJ e CSLL em DCTF mostraramse aquém dos apurados no livro fiscal, conforme demonstrativo a seguir, motivo pelo qual são exigidos de ofício na presente autuação. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 272 7 Foi também constatado que, ao serem reapuradas as estimativas mensais de IRPJ e CSLL, houve recolhimento a menor destes tributos em alguns dos meses de 2010, o que enseja a cobrança da multa exigida isoladamente, nos termos do art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 273 8 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 274 9 Conclusões Em face do acima exposto, procedese ao presente lançamento de ofício, em relação à constatação de infrações à legislação tributária, descritas anteriormente, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, além dos acréscimos moratórios e das multas, demonstrados nos presentes Autos de Infração com o pertinente embasamento legal. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 275 10 ....” Inconformado com a exigência fiscal, da qual foi cientificado em 03/02/2012, o contribuinte, por intermédio seu representante legal, interpôs em 01/03/2012, impugnação expondo em sua defesa as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: De início, resume os fatos. A seguir, preliminarmente, argúi nulidade do AIIM em razão da não atualização monetária em compensação admitida. Neste contexto, assevera que a atividade fiscal, consubstanciada no lançamento ora guerreado, restou comprometida na medida que, a autoridade fiscal, em ato de ofício no curso dos trabalhos desenvolvidos, teria procedido às compensações dos créditos constantes dos Per/Dcomp, porém sem a devida atualização dos créditos, isto é, não foi considerada a atualização dos créditos da autuada insertos em Per/Dcomp, ou seja, não se levou em conta as devidas atualizações – Selic e Juros , como preceituam as instruções normativas da RFB. A corroborar seu pleito, cita os artigos 3º e 72 da IN nº 900, de 2008 e alterações introduzidas pela IN nº 1.224, de 2011. Diz que o lançamento fiscal deve repousar em dados concretos e objetivos, e não em mera pretensão fiscal, sob pena de se respaldar tal ato em mera visão arrecadatória ou fiscalista, a qual não se acha recepcionada pelo atual ordenamento jurídico tributário pátrio. Cita jurisprudência. Conclui este tópico pugnando pela exclusão do montante relativo às atualizações monetárias, do valor exigido no auto de infração. Quanto à multa isolada, ainda em caráter preliminar, defende que esta não há que subsistir, porquanto fora lançada concomitantemente à multa de ofício, fato que caracteriza dupla penalidade, em absoluta desobediência às normas tributárias de regência. Cita jurisprudência e diz ser este o posicionamento do CARF, quando a infração decorre de insuficiência dos recolhimentos mensais estimados. Passa, então, às razões de mérito. Assim, com espeque nos princípios, limites e regras que normatizam o ordenamento jurídico tributário, desenvolve extenso arrazoado asseverando que, in casu, a fiscalização não apontou, pormenorizadamente, a origem das diferenças apuradas, não bastando à autuação, pura e simplesmente, alegar recolhimento a menor, decorrente de mero confronto entre as declarações DCTF e Lalur. Alega que realmente as diferenças existiram e que tais erros, foram, de fato, observados pela autuada quando do encerramento do anocalendário de 2010, porém diante do início do procedimento fiscal, viuse impedida de retificar as DCTF. Prosseguindo, argumenta que não houve acréscimo patrimonial decorrente de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, na forma do que dispõe o Código Tributário Nacional, a justificar a pretendida exação fiscal e que o erro verificado pela autoridade administrativa, o qual o interessado não pôde corrigir, não poderia, jamais, servir de base para incidência de imposto de renda e da contribuição social, posto que, igualmente, inexistente a apuração de lucro. Alega que a prosperar a exigência fiscal, comprometerseia a continuidade do exercício da atividade da impugnante. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 276 11 No tópico seguinte, sustenta que a autuação ora guerreada fere o princípio constitucional da capacidade contributiva, e, por conseqüência, também o princípio da isonomia, posto que atinge o próprio patrimônio da impugnante e não o lucro tributável, o qual deveria resultar da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, como reza a legislação de regência. Quanto à multa de ofício lançada, face ao seu elevado percentual (75%), entende ser ela confiscatória e abusiva, o que, igualmente, é vedado pela Constituição Federal, e mais, pela inexistência de ato doloso praticado pela autuada, estarseia diante de verdadeira nulidade da exigência. Acrescenta, ainda, que em decisão prolatada pelo STF, em sede de ADIM, tal vedação estendese às penalidades e não somente aos tributos. Cita doutrinadores. Continuando, noutros pontos da defesa ofertada, sustenta que dada a irrazoabilidade, irracionalidade e desproporcionalidade da multa lançada em elevado patamar, contrariamente a princípios constitucionais, deve a autoridade competente (julgadora) reduzila, como forma de observar as prescrições superiores da Carta Magna. Ao final, reforça os argumentos apresentados e requer o cancelamento do auto de infração. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou os argumentos apontados na impugnação. É o relatório. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 277 12 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Incidência de juros Selic na apuração do IRPJ devido A recorrente argúi que na apuração do crédito tributário o AFRFB teria procedido a compensações de créditos constantes de Per/Dcomp, sem sua devida atualização – Selic e Juros, como preceituam as instruções normativas da RFB (art. 72 da IN RFB nº 900/2008). Tal suposição fundase no cálculo da matéria tributável, em que o auditor fiscal subtraiu dos valores a lançar valores relativos a rubrica “Compensação IRPJ 2009 (Per/Dcomp)”, sendo de R$4.057.989,72 (IRPJ) e R$1.684.943,91 (CSLL), conforme abaixo demonstrado. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 278 13 Assim, vêse que o débito foi apurado pela fiscalização em 31/12/2010, consoante os valores declarados pelo próprio contribuinte para esta data em seu Lalur (fl. 17), vejase: E, como é cediço, para apurar o valor devido, o auditor efetuou corretamente a subtração, tanto do IRPJ devido como da CSLL devida, dos valores que o próprio contribuinte elencou a título de Compensação com a DIPJ 2009 (saldo negativo), IRRF sobre aplic. Financeira, e débitos confessados em DCTF, restando ao final, tão somente o valor devido, já devidamente subtraído daqueles confessados em DCTF. Assim, contrariamente ao que afirma a recorrente, a fiscalização não efetuou a homologação da compensação pleiteada na DCTF; tão somente reajustou os valores a pagar de IRPJ e CSLL por ter verificado que os valores declarados pela recorrente omitiam valores a pagar, os quais foram lançados. Assim, eventual incidência de juros sobre o saldo negativo de 2009 é questão estranha à discussão aqui travada. Desta forma, a homologação pleiteada em PER/Dcomp seguirá o rito normal do processo administrativo que apura a compensação feita, o qual obedecerá o procedimento correto para compensação, inclusive, observando o art. 72 da IN RFB nº 900/2008, apurando, ao final, compensação total, parcial ou indeferimento do pedido. Assim, a regra invocada pela recorrente (art. 72 da IN RFB nº 900/2008), como se vê, será aplicada no procedimento administrativo destinado a apurar a compensação declarada, relativa ao saldo negativo de 2009, formalizado por meio de PER/Dcomp, sendo que havendo saldo em favor da recorrente (se houver) será creditado a seu favor. Todavia, no âmbito deste procedimento é correto o ajuste de valores com base nos valores declarados/escriturados. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 279 14 Independência entre multa isolada por não recolhimento de estimativas e multa de ofício pelo não pagamento de IRPJ e CSLL A multa de ofício proporcional e a multa isolada por falta de pagamento de estimativas não consistem numa dupla incidência sobre idêntico fato. A multa proporcional tem por fato gerador o crédito devido e não pago apurado ao final do período de apuração, relativo ao tributo ou contribuição apurados naquele período, conforme o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Já a multa isolada tem por fato gerador o crédito devido e não pago relativo às estimativas mensais devidas pelo contribuinte optante do lucro real anual, apurado ao final do mêscalendário, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/96. Vejamos as situações: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Neste ponto, entendo que as incidências mensais não são meras antecipações, posto que seu inadimplemento constitui o contribuinte em mora e é sancionado. Desta forma, se constituem o devedor em mora, e ensejam aplicação de penalidades (as quais incidem sobre o não pagamento de obrigações principais) não podem deixar de ser consideradas como Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 280 15 obrigações tributárias, pois se não o fossem, restariam violados o art. 3º e o art.113 do CTN. Assim, são obrigações tributárias compensáveis, porém, com o tributo ou contribuição apurados no final do período de apuração (art. 2º, §4º, IV, da Lei nº 9.430/96). Esta a saída encontrada pelo legislador, que não as prescreveu como meras antecipações exatamente para poder sancionar seu inadimplemento. Daí ser inócuo reputálas como meras antecipações, sugerindo seu saneamento com base no recolhimento ao final do exercício, após realizada a apuração anual. Isto porque tal raciocínio vai contra o conteúdo prescritivo desejado pelo legislador, que para garantir tal cumprimento, ainda fez constar que o pagamento é devido mesmo que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do exercício. Notese, ademais, que a opção mencionada na redação do art.2º não diz respeito à qualquer faculdade de efetuar ou não o pagamento das estimativas, mas se relaciona com a outra possibilidade prevista em lei, qual seja, a de que o contribuinte opte pela suspensão ou redução do pagamento do imposto, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto ou da contribuição, calculados com base no lucro real do período em curso, nos termos do art.35 da Lei nº 8.981/95, com a redação dada pela Lei nº 9.065/95, in verbis: Lei nº 8.981/95 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 3º O pagamento mensal, relativo ao mês de janeiro do ano calendário, poderá ser efetuado com base em balanço ou balancete mensal, desde que neste fique demonstrado que o imposto devido no período é inferior ao calculado com base no disposto nos arts. 28 e 29. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) § 4º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.065, de 1995) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 281 16 A multa isolada foi reduzida para o percentual de 50%, tendo em vista a retroatividade da lei tributária mais benigna, prevista no art.106 do CTN. Cabe ressaltar, por fim, que as normas que prescrevem ambas as infrações (isolada, por falta de recolhimento de estimativas e proporcional, por falta de recolhimento do tributo ao final do exercício) e cominam as penalidades pela sua violação estão ambas vigentes, não cabendo ao Órgão Julgador Administrativo deixar de observar os efeitos legais daí decorrentes pelo sugerido efeito confiscatório promovido pela dupla incidência, pois tal afastamento da norma que prescreve a multa isolada implicaria violação do art.26A do Decreto nº 70.235/72, que veda o afastamento de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Prova do débito calcada na escrituração do contribuinte A recorrente entende que como o crédito foi apurado com base em sua escrita (Lalur), não foi devidamente provada a origem do débito. Não merece acolhida o argumento, pois os dados utilizados: a) foram espontaneamente produzidos e entregues à fiscalização, para provar suas obrigações; b) estão lastreando sua escrita, a qual, de acordo com a legislação tributária (art. 923, RIR/99), faz prova dos fatos tributários ocorridos. De fato, não é porque a redação do art. 923, RIR/99 (cuja base legal reside no §1º do art.9º do DecretoLei nº 1.598/77) menciona que a escrita faz prova a favor do contribuinte, que se pode entender que ela não possa também fazer prova contra ele. Isto porque a prova, uma vez admitida no processo, não possui dono, servindo a ambas as partes, desde que válida, visto que o objetivo do processo é atingir a verdade material. Além disso, o CPC expressamente ressalta (art. 334, IV) que os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade não dependem de prova. De acordo com os incisos II e III art. 262 do RIR/99, o controle de prejuízos fiscais, e dos demais valores a compensar com o lucro real de períodos futuros, bem como a demonstração do lucro real e a deverão ser feitos no Lalur. Demais disso, a escrituração do contribuinte faz prova dos fatos nela registrados, cabendo à autoridade tributária a prova da inveracidade (art.924, RIR/99). Neste caso, os fatos registrados no Lalur do contribuinte foram adotados pela autoridade fiscal, não cabendo falarse em inexistência do débito, já que o próprio contribuinte o apurou. Quisesse a recorrente questionar a veracidade dos dados ali lançados e de lá colhidos pela autoridade para lançamento deveria pontualmente informar, com base em documentos hábeis e idôneos qual o erro praticado, explicando as razões que o induziram a Fl. 281DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 19311.720037/201214 Acórdão n.º 1302001.084 S1C3T2 Fl. 282 17 erro, bem como qual o valor correto, com demonstração de sua apuração. Não foi o que se viu dos autos. Argüição de inconstitucionalidade de lei O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, em especial, as violações ao conceito de renda, de capacidade contributiva, e de efeito confiscatório da multa de ofício. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 8 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 282DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/06/2013 p or EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 10280.005409/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário:
2009
SIMPLES. EXCLUSÃO. DÉBITO.
É causa excludente do Simples a existência de débito cuja exigibilidade não
estiver suspensa.
Numero da decisão: 1402-000.836
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Ausente, justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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EXCLUSÃO. DÉBITO. É causa excludente do Simples a existência de débito cuja exigibilidade não estiver suspensa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, João Carlos de Figueiredo Neto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.005409/200832 Acórdão n.º 140200.836 S1C4T2 Fl. 175 2 Relatório Vigia Produtos do Mar Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Belém/PA, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de manifestação de inconformidade ao ato declaratório (fl. 20) de exclusão do Simples Nacional — Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) —, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar n° 123/2006, com efeitos a partir de 1 ° de janeiro de 2009. 2. O motivo de exclusão da empresa da sistemática do Simples Nacional foi a existência de débitos no âmbito da Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa (fl. 21). 3. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, as fls. 01/09, de 16 de outubro de 2008, em que aduz: a) Pagou integralmente os débitos nãoprevidenciários da Receita Federal (código 6106), Darfs de fls. 22/25; b) O débito inscrito em divida ativa sob o n. 2040400130017 está com a exigibilidade suspensa desde 06 de julho de 2006, por força da interposição de embargos à execução (n. 200610002115) e nomeação de bem em valor suficiente à garantia do débito objeto da execução; c) Evidenciase a ausência de fundamentação legal para que ocorra a exclusão do Simples, ante à inexistência de débito com exigibilidade não suspensa.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 18.139 (fls. 157159) de 21/06/2010, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte sob o argumento de que a existência de débito sem que esteja com sua exigibilidade suspensa é causa de exclusão do Simples Nacional. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES. A exigibilidade do crédito tributário está suspensa ante o preenchimento de alguma das hipóteses enumeradas, numerus clausus (art. 111, do CTN), no art. 151, do Código Tributário Nacional.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 26/07/2010 (A.R. de fl. 160), a interessada interpôs recurso voluntário em 11/08/2010 (fls. 161171) onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.005409/200832 Acórdão n.º 140200.836 S1C4T2 Fl. 176 3 É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Tendo em vista que o recurso apresentado repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação, e considerando que tais argumentos foram bem enfrentados na decisão de primeira instância, peço vênia ao autor para adotar os fundamentos ali levantados como razão de decidir no presente voto. Por pertinente, transcrevo parte relevante daquele decisum. “5. De acordo com a fundamentação legal do ato impugnado, a opção pelo Simples Nacional esta regulamentada pela Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. § 1A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá:(incluído pela Resolução CGSN n9 56; de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009). 6. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei n° 123/2006, inciso V, base legal utilizada na emissão do Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl. 07): Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (destaquei) 7. Não há que se inferir que a efetivação da penhora ou a apresentação de garantia, no curso de cobrança executiva, implica suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 8. Se há cobrança executiva em curso é porque não há suspensão da exigibilidade. O art. 206 do CTN da efeito semelhante (de certidão negativa) para institutos que não se confundem: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10280.005409/200832 Acórdão n.º 140200.836 S1C4T2 Fl. 177 4 Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa. 9. A garantia da execução permite ao executado evitar a penhora (Art. 7° da Lei nº 6.830/80), bem como a apresentação de embargos à execução (§ 1° do art. 16 da Lei 6830/80), mas não significa suspensão do crédito tributário. 10. O art. 111 do CTN prescreve que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão do crédito tributário. Já o art. 151 prevê as hipóteses (numerus clausus) em que se suspende a exigibilidade do crédito tributário, entre as quais não há a apresentação de garantia no curso de execução fiscal. 11. Ou seja, a despeito do pagamento dos outros débitos, como não há suspensão do crédito tributário de natureza previdenciária, procedente a exclusão impugnada. [...]” Ex positis, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 24 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 05/06/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11610.014876/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
PROCESSO JUDICIAL DESFAVORÁVEL POR CARÊNCIA DA AÇÃO TRÂNSITO EM JULGADO.
Processo Judicial, com transito em julgado, desfavorável por carência da ação. Não há proteção judicial para a compensação do débito da Cofins com eventual crédito do Finsocial.
CRÉDITO DO FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos.
Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Fernando Tissi Ribeiro, OAB/DF nº. 29.576.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Processo Judicial, com transito em julgado, desfavorável por carência da ação. Não há proteção judicial para a compensação do débito da Cofins com eventual crédito do Finsocial. CRÉDITO DO FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos. Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Acompanhou o julgamento, pela contribuinte, o advogado Fernando Tissi Ribeiro, OAB/DF nº. 29.576. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 48 76 /2 00 2- 41 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através do Auto de Infração eletrônico nº 0034952 (efls. 10/17), para a cobrança da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social no montante de R$ 440.149,21, relativo aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho/1997 a setembro/1997, em decorrência da constatação de que a empresa declarou os valores relativos ao tributo em DCTF, entretanto, os pagamentos não foram localizados. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Em ação fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi apurada falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de julho de 1997 a setembro de 1997, declarados na DCTF, pois foi constatado “Pagto não Localizado”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 10 e 11, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 31/05/2002, perfazendo o total de R$440.149.21 (quatrocentos e quarenta mil. e cento e quarenta e nove reais e vinte e um centavos), com o seguinte enquadramento legal: Arts 1 a 4 LC 70/91; Art 1 L 9249/95; Art 57 L 9069/95; Arts 56 e par Un, 60 e 66, L 9430/96. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/06/2002 (AR à fl. 43), a contribuinte protocolizou, em 10.07.2002, a impugnação de fls. 2 a 7, acompanhada dos documentos de fls. 842, na qual alega: DO MÉRITO 2.1. Preliminarmente, cumprenos esclarecer que a autuação se deu por não terem sido localizados os DARF do recolhimento da COFINS dos meses de competência de agosto e setembro de 1997. 2.1.1. Outrossim, a ora Impugnante informou na DCTF que efetuou compensações da contribuição COFINS com valores recolhidos a maior a titulo de FINSOCIAL, decorrentes do Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 143 3 processo judicial nº 92.00004946. No entanto, o anexo I do Auto de Infração informa que o "processo judicial não comprova". 2.1.2. Fato é, a Impugnante não só recolheu os valores autuados como também recolheu a maior e no prazo estipulado pela legislação vigente à época. Dessa forma, não há porque se exigir os valores contestados como também, os valores referentes a juros e multa. I Falta de recolhimento do débito principal 2.2. De certo, a presente autuação não deve prevalecer, eis que os valores lançados, relativos à COFINS, apurada no período de agosto e setembro de 1997 foram regularmente pagos ao Erário, mediante DARF'S (Doc. 03). 2.2.1. Inclusive, a Impugnante recolheu valores maiores que os autuados, a título de COFINS devida no período. 2.2.2. Dessa feita, não cabe a autuação, uma vez que o recolhimento a maior que o devido gera um crédito para o contribuinte. Como poderia, então, o Sr. Fiscal autuante exigir novamente, valores que não só foram pagos, como os foram a maior? II Da Compensação do FINSOCIAL com a COFINS 2.3. Por ter sido declarada inconstitucional a majoração de alíquotas do FINSOCIAL do período compreendido entre setembro de 1989 a março de 1992, a Impugnante efetuou compensações dos valores recolhidos a maior à titulo de FINSOCIAL, conforme se comprova com as guias de recolhimento DARF em anexo (Docs. 04 a 17), termos do art. 22 do DecretoLei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987." — grifamos. 2.3.1. Resta, pois, cabalmente provado, que as compensações informadas na DCTF foram feitas respeitando todos os aspectos legais do ordenamento tributário. III — Falta de pagamento dos acréscimos legais (multa de mora e/ou juros de mora parcial ou total) 2.4. Conforme consta no Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar, anexo III ao AI, está sendo imputado à Impugnante, uma suposta falta de recolhimento dos acréscimos legais, a multa de oficio capitulada no artigo 44, da Lei n 2 9.430/96, a qual incide sobre 75% do valor do imposto devido. 2.4.1. Porém, é improcedente a autuação em tela, visto que a Impugnante efetuou o recolhimento dos débitos de COFINS, digase mais uma vez, a maior do que o supostamente devido. 2.4.2. Para maior clareza, apresentamos o quadro seguir, que demonstra que a Impugnante efetuou o recolhimento da COFINS a maior que o autuado: AUTO DE INFRAÇÃO (DOC Nº 2) DARF (DOC Nº03) CÓDIGO TRIBUTO PERÍODO DE APURAÇÃO DATA DE VENCIMENTO VALOR PRINCIPAL VALOR RECOLHIDO DATA DE RECOLHIMENTO 2172 31.08.97 10.09.1997 55.282,20 56.282,20 10.09.1997 2172 30.09.97 10.10.1997 15.342,42 15.342,42 10.10.1997 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 2.4.3. Como se observa, a Impugnante efetuou o recolhimento dos débitos em questão dentro do prazo previsto na legislação para recolhimento da COFINS, não cabendo, portanto a incidência de acréscimos moratórios (juros e multa pagos a menor), tampouco a multa de ofício, como assim pretende o Ilustre Fiscal Autuante. 2.4.4. Ressaltese que foi recolhida a maior a COFINS apurada em agosto de 1997, gerando para a Impugnante um crédito, e não um débito, como assim pretende a Autoridade Fiscal autuante. 2.4.5. Pela simples análise da guia de recolhimento DARF, concluise que, apesar do campo "Data de Vencimento" estar preenchida com a data incorreta (15.10.97), a mesma foi devidamente recolhida em seu vencimento, ou seja, em 10.10.97. 2.4.6. Ora, por que se aplicar multa e juros se os valores foram recolhidos, repitase, a maior e dentro do prazo estabelecido pela legislação? DO PEDIDO 2.5. Face ao que se expõe, vem a Impugnante requerer seja o auto de infração, objeto da presente, totalmente julgado improcedente pela r. Autoridade Julgadora, e, consequentemente seja desconstituído, em sua totalidade, o lançamento fiscal dele decorrente, uma vez que os valores lançados, referidos pelo código de receita nº 2172 "COFINS", multa e juros decorrentes, foram regularmente recolhidos, não justificando qualquer exigência, a título de principal e respectivos acréscimos. 2.5.1. Requer, outrossim, que em conformidade com o inciso IV do art.16, do Decreto nº 70.235/72, seja efetuada diligência, no caso de permanecer dúvida quanto aos documentos apresentados pela Impugnante a este I. Órgão Administrativo Julgador, verificandose as operações realizadas que deram origem ao tributo exigido. 2.6. Por fim, pede Deferimento. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita FederalDERAT/DICAT/EQAAR em São PauloSP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, efetuou a revisão de ofício na forma do artigo 149, III do Código Tributário Nacional (CTN) e exarou o DESPACHO em 21/09/2010 (fl. 56), onde consta: “1. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e fundamentação legal a fl. 10. 2. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls. 01 a 06, com seus argumentos de defesa. 3. Os demonstrativos de consolidação e recalculo de fls. 51 a 54 apresentam o resultado parcial da análise do lançamento. 4. Diante do exposto, nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), proponho o Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 144 5 cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes dos demonstrativos de fls. 51 a 54.” 3.1. Após a revisão de ofício, cancelou os débitos abaixo (fl. 54): DÉBITOS CANCELADOS PELA DERAT/EQAAR PA COFINS 2172 MULTA 75% 08/97 56.282,20 42.211,65 09/97 15.342,42 11.506,82 TOTAL 71.624,62 53.718,47 3.2. Restaram em litígio os seguintes débitos (fl. 57): DÉBITOS EM LITÍGIO PA COFINS 2172 MULTA 75% 07/97 90.845,22 68.133,92 4. No tocante a Ação Judicial, em 29/03/11, a EQAMJ proferiu o seguinte DESPACHO (fl. 71): “O débito foi declarado em DCTF como compensação com/DARF com processo judicial n° 92.00.004946, da 3ª Vara Federal/DF. O contribuinte apresentou impugnação alegando compensação Finsocial com base nos permissivos legais vigentes à época. Quanto à ação judicial, não fez menção específica, tampouco trouxe qualquer cópia de decisão que autorizasse a compensação. Pelo acompanhamento no sitio da Justiça Federal do Distrito Federal o que se pode extrair foi que: 1) A ação era de Repetição de Indébito e não de Compensação Acórdão fl. 66; 2) O acórdão do TRF 01°, que transitou em julgado em 1997, entendeu pela carência da ação, por falta de anexação de documentos necessários — Acórdão II. 66; Para a devida verificação do conteúdo decisório transitado em julgado, o contribuinte será intimado a apresentar cópia da petição inicial, da sentença e do acórdão correlatos. Como já mencionado, na esfera administrativa há impugnação do contribuinte. Diante do exposto, proponho a manutenção dos autos nesta equipe, para aguardar o prazo da intimação que será enviada. 4.1. Em 28/04/11, a EQAMJ proferiu DESPACHO (88) nos seguintes termos: “Apenas remeto ao despacho anterior de fl. 69 e registro que, após a resposta apresentada pelo contribuinte, foi possível confirmar ser a Ação Judicial em pauta de Repetição de Indébito e não de Compensação. Possível também foi a constatação de que houve o trânsito em julgado em 1997, de maneira desfavorável ao contribuinte, por carência da ação.” Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 5. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão n.º 1636.217 de 16 de fevereiro de 2012 (folhas e89/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 PROCESSO JUDICIAL DESFAVORÁVEL POR CARÊNCIA DA AÇÃO TRÂNSITO EM JULGADO. O Processo Judicial foi desfavorável ao Impugnante por carência da ação, tendo transitado em julgado. Assim, não há proteção judicial para a pretendida compensação do débito da COFINS com eventual crédito do FINSOCIAL. CRÉDITO DO FINSOCIAL COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITO DA COFINS CONTRIBUIÇÕES DE ESPÉCIES DIFERENTES IMPOSSIBILIDADE O artigo 66 da Lei 8.383/91 autorizou a compensação entre tributos e contribuição da mesma espécie. O ADN COSIT 15/94, de 30/03/1994 definiu que não é passível a compensação do crédito de FINSOCIAL com o débito da COFINS por se tratar de contribuição de espécies diferentes. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA ENTRE CONTRIBUIÇÕES DE ESPÉCIES DIFERENTES. OBRIGATÓRIA A APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. A compensação administrativa entre contribuições de espécies diferentes está sujeita a apresentação do Pedido de Compensação disciplinado artigo 12, § 3º da IN SRF nº 21, de 10/03/1997, o que não consta nos autos tal comprovação. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – São Paulo em 08/03/2012 (folha e100) interpôs Recurso Voluntário em 09/04/2012 (fls. e101/ss), aduz, em apertada síntese, que: há ilegalidade de conteúdo no Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/97, que extrapolou o comando da Lei, ferindo o princípio da legalidade (arts. 96 e 100/CTN); não poderia ter sido negada a compensação administrativa, uma que a decisão transitada em julgado, nos autos do processo n° 92.00004946, reconheceu a inconstitucionalidade do FINSOCIAL. Entende, assim, que houve um pagamento indevido (a Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 145 7 maior), que deve ser restituído à Recorrente por meio da compensação administrativa ora exercida; a única condição estabelecida pelo art. 66 da Lei n.° 8.383/91 foi a de que a compensação somente poderia ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. Aduz que no presente caso estáse diante da compensação de dois tributos da mesma espécie, duas contribuições; e, ainda que assim não o fosse, afirma que a Instrução Normativa n° 21, de 10/03/1997, vigente à época da compensação realizada pela Recorrente, continha, em seu art. 12, § 1º, previsão expressa sobre a possibilidade de compensação entre tributos de espécies distintas e/ou com destinação constitucional distinta; assim, entende que não há, tanto na Lei n.º 5.172/66 (CTN), como na Lei n.º 8.383/91 e mesmo na Instrução Normativa n° 21/97, qualquer previsão no sentido de que não seria possível a compensação de créditos de FINSOCIAL com débitos de COFINS, existindo, no máximo, a exigência de que sejam tributos da mesma espécie, o que, conforme alega, é o caso da Cofins e do Finsocial ambas contribuições; embora a decisão recorrida tenha cancelado a multa de ofício, no DARF que acompanhara a intimação acerca da decisão foi incluída multa no percentual de 20%, inclusão esta não determinada na decisão administrativa ora recorrida, devendo, portanto, ser excluída. Sendo o lançamento consubstanciado no Auto de Infração lavrado em 11/05/2002, ele restou substancialmente reformado pela decisão recorrida, a qual, por consequência, passa a integrar o lançamento em todas as suas características. Partindo dessa premissa, tudo o que não constar da decisão que reforma o Auto de Infração, não compõe o lançamento do crédito tributário. Deste modo, não pode o Fisco realizar a cobrança de valores não autorizados pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal. E mais, afirma que o quadro “Demonstrativo de Crédito Tributário em Real”, constante da decisão recorrida, não possui a multa de mora como componente da coluna “Mantido”. Conclui, assim, que a multa de mora não compõe este lançamento, não foi penalidade aplicável no entendimento da autoridade administrativa que efetuou, integrou o ato de lançamento. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia que restou para análise neste litígio referese exclusivamente à compensação do débito da Cofins, período de apuração de julho/1997, no montante de R$ 90.845,22, com eventual crédito do Finsocial (objeto de ação judicial). A decisão recorrida afastou a incidência da multa de ofício, no montante de R$ 68.133,92, em decorrência do princípio da retroatividade benigna (vide efolha 96). A Recorrente, em sua defesa, alega que os valores correspondentes à competência de julho/97 foram informados em DCTF como compensados com valores recolhidos a maior a título de Finsocial, decorrentes do processo judicial nº 92.00004946. O Fl. 158DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 conteúdo do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15/97 seria ilegal frente aos dispositivos constantes do artigo 66 da Lei n° 8.383/91 e da Lei nº 5.172/66 (CTN). Cita, ainda, a Instrução Normativa n° 21, de 10/03/1997, que conteria, em seu art. 12, § 1º, previsão expressa sobre a possibilidade de compensação entre tributos de espécies distintas e/ou com destinação constitucional distinta. Não assiste razão à Recorrente, quanto ao pleito para compensar de débito da Cofins, período de apuração de julho/1997, no montante de R$ 90.845,22, com eventual crédito do Finsocial, objeto de ação judicial. A compensação de tributos é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II, CTN), nos termos do que dispõe o artigo 170/CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Neste diapasão, a Lei nº 8.383/91, em seu artigo 66 estabeleceu as condições para a exclusão do crédito tributário por meio da compensação, vejamos: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) O dispositivo legal acima transcrito prescreve que a compensação poderá ser efetuada entre tributos da mesma espécie e que a Receita Federal do Brasil expedirá as instruções necessárias ao cumprimento da norma legal. Assim, em atendimento ao §4º, do artigo 66, da Lei nº 8.383/91 normas infra legais foram editadas para regulamentar os procedimentos para que os contribuintes efetuem a compensação de tributos. A IN SRF nº 21, de 10/03/1997, vigente à época dos fatos, estabelecia que os pedidos de compensação de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, bem assim os procedimentos administrativos a eles relacionados, seriam efetuados de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa (artigo 1º). O artigo 12, § 3º, desta Instrução Normativa prescrevia que os créditos, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgados, a serem compensados com débitos do contribuinte, devem ser formalizados com base em “Pedido de Compensação”, com base em modelo próprio aprovado no Anexo III da citada Instrução Normativa. Por sua vez, o artigo 17 da Instrução Normativa, indicava que para efeito de compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deveria anexar ao pedido Fl. 159DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 146 9 uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição ou a compensação. Nada disso foi feito! A Recorrente não cumpriu os procedimentos necessários para efetuar o Pedido de Compensação. Em momento algum restou comprovada a “certeza e liquidez” dos supostos créditos de Finsocial. Ademais, conforme muito bem destacado no voto vencedor do acórdão recorrido, “consta no Despacho da EQAMJ (fl.71 e 88), o resultado final do processo judicial n° 92.00.004946, da 3ª Vara Federal/DF foi desfavorável à Impugnante, por carência da ação, tendo transitado em julgado em 1997, restando assim, não reconhecida judicialmente a compensação pretendida”. A ação judicial impetrada referiase a Repetição de Indébito e não a compensação, e mesmo assim, transitou em julgado de forma desfavorável ao Recorrente. Para corroborar o acima afirmado, transcrevese a ementa e trechos do voto constantes dos autos da Apelação Cível nº 94.01.10915/DF prolatada pelo TRF da 1ª Região (efolhas 81/86): EMENTA CONSTITUCIONAL. . FINSOCIAL. MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA. INCONSTITUCIONALIDADE. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. 1. 0 Egrégio Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 150.7641, declarou a inconstitucionalidade do artigo 9º da Lei nº 7.689, de 15.12.88, do artigo 72 da Lei n2 7.787, de 30.06.89, do artigo 12 da Lei nº 7.894, de 21.11.89 e do artigo 12 da Lei nº 8.147, de 28.12.90, que majoraram alíquotas do FINSOCIAL. 2. Tratandose de repetição de indébito, é indispensável a comprovação do pagamento do valor recolhido a maior que se pretende repetir. 3. É carecedor de ação o autor que não apresenta qualquer titulo relacionado com o interesse que pretende seja tutelado. 4. Apelos e remessa oficial improvidos. VOTO 2. DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO O MM. Juiz a quo julgou improcedente o pedido de restituição das quantias tidas corno pagas indevidamente, à mingua de prova. Não merece reparo, neste ponto também, a r. sentença monocrática. (...) Na espécie, em se tratando de repetição de indébito, firmouse a jurisprudência no sentido de que é indispensável a comprovação do pagamento que se pretende repetir: (...) Fl. 160DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 10 De acrescentar, finalmente, que apesar de a União Federal ter suscitado na Contestação (cf. fl. 107) preliminar no sentido de que, não tendo sido apresentados juntamente com a petição inicial os documentos necessários à instrução do processo, impunhase a sua extinção, limitaramse, todavia, as Autoras a afirmar que como os recolhimentos dos valores são efetuados através de documentos de arrecadação próprios, em beneficio dos cofres públicos, e sendo eles destacados automaticamente para o órgão arrecadador competente, desnecessária era tal apresentação, por isso que os mesmos "já se encontravam à disposição da União Federal". Portanto, tiveram ainda as Autoras a oportunidade de suprir aquela omissão, mas não tomaram qualquer providência. (...) Ora, tãosomente após o sentenciamento do feito, por ocasião da interposição do Recurso de Apelação de fls. 135/138, é que carrearam para os presentes autos os documentos comprobatórios do recolhimento da contribuição em questão. Assim sendo, não merece prosperar o apelo. Depreendese, portanto, que não há “crédito líquido e certo”, como prescreve o artigo 170/CTN, possível de ser compensado, uma vez que a Recorrente também não obteve sucesso em sua demanda judicial, quanto ao reconhecimento do indébito tributário. No tocante à multa cobrada da Recorrente (vide DARF, efolha 99), assiste razão à Recorrente quando afirma que a unidade de origem adotou procedimento indevido na execução do acórdão proferido pela DRF – São Paulo. Vejamos. A Recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância por meio da Intimação nº 174/2002, de 01/03/2002 (efolhas 97), acompanhada do “Demonstrativo de Débito – Intimação nº 174/2012” (efolha 98), onde não consta a cobrança de multa, e de formulário do DARF a pagar (efolha 99), onde consta a cobrança de multa no valor de R$ 18.169,04 (portanto, 20% sobre o valor do tributo, o que nos leva supor tratarse de multa de mora). Entendo que a cobrança da multa constante do DARF (efolha 99) é indevida. O lançamento de ofício, veiculado através do Auto de Infração nº 0034952 (efolha 10/11), constituiu o crédito tributário composto de tributo (Cofins), multa de ofício (75%) e juros de mora, nos termos do que dispõe o artigo 142 do CTN. Por sua vez, o Acórdão nº 1636.217, de 16/02/2012, proferido pela 9ª Turma da DRJ – São Paulo afastou a cobrança da multa de ofício (75%), extinguindo essa parte do crédito tributário, nos termos do artigo 156, inciso IX, do CTN, restando, portanto cabível apenas a cobrança do tributo e juros de mora. Deste modo, não há previsão legal para a cobrança administrativa de valores não constituídos, através do competente ato administrativo de lançamento, nos termos do que prescreve o artigo 142 do CTN. Ante o exposto, conheço do Recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade para, no mérito negar provimento, mantendo a cobrança da Cofins, relativa ao período de apuração de julho/97 e respectivos juros moratórios. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 161DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11610.014876/200241 Acórdão n.º 3202000.681 S3C2T2 Fl. 147 11 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/05/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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