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Numero do processo: 10283.901854/2008-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.
Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Votaram pelas conclusões os conselheiros José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 18 54 /2 00 8- 03 Fl. 86DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 23137.61370.310704.1.3.048118 (efls. 02/06), de 31/07/2004, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ Estimativa (04/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório (efl. 89), que analisou as informações e reconheceu que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0120.024 3ª Turma da DRJ/BEL, e fl. 34/36). Assim dispôs em relatório aquela decisão de primeira instância: Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 31.07.2004, através do qual foi pedida restituição de IRPJ (PA abril/2003 estimativa mensal) no valor original de R$ 20.751.59 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com parte desse crédito (fl. 05). 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06), indeferiu o pedido de restituição e considerou "não homologada" a referida compensação, sob o argumento de que o DARF indicado como origem do crédito foi utilizado na quitação do débito do contribuinte, inexistindo saldo para a compensação. 3. Cientificada em 31.07.2008 (fl. 09) a interessada apresentou, tempestivamente, em 31.08.2008, manifestação de inconformidade (fl. 10) na qual alega, em síntese, que houve erro no preenchimento da DCTF, já tendo sida a mesma retificada. A mesma decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas contábeis que comprovassem a disponibilidade integral do crédito o crédito: (...) 12. Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a confissão de dívida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre que a obrigação tributária principal é indevida. 13. Dessa forma, não tendo o contribuinte trazido aos autos documentos de suporte capazes de indicar o quantum do tributo efetivamente devido, caracterizando o erro de haver confessado e pago um débito superior ao que afirma ser o real, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.901854/200803 Acórdão n.º 1001000.521 S1C0T1 Fl. 87 3 A Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 09/03/2011 (efl. 37), em que alega, em resumo, que houve um equívoco no preenchimento da mencionada DCTF, que demonstrava valores do débito apurado igual ao pagamento efetuado, mas que retificou a DCTF de modo a refletir as transações corretas, quando ficou demonstrado que o valor devido era de R$ 92.608,20 enquanto que os pagamentos totalizaram R$ 113.360,09, ficando assim demonstrado o pagamento a maior no valor de R$ 20.751,59. Afirmou também que anexou à época, os documentos que julgou necessários, não tendo incluído cópia das DCTF's e nem da DIPJ por entender que essas informações seriam facilmente resgatadas no sistema da Receita Federal. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário verificar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Nesse sentido o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Este CARF tem consignado que em tema de restituição e compensação cabe o atendimento de quatro premissas: Ia) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2a) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3a) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4a) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. No caso de compensações de estimativas mensais com utilização de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior, ou de saldos negativos de anos calendário anteriores, há que se comprovar a regularidade de tais procedimentos. Para tanto, imprescindível se fazia a apresentação, pelo postulante, quando da apresentação da manifestação de inconformidade à DRJ, de elementos probatórios tais como: os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), de modo a dar sustentação à veracidade de eventual saldo negativo de IRPJ declarado. Fl. 88DF CARF MF 4 Neste sentido, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado deve ser indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Neste sentido, e em caso que se referia a pedido de restituição/compensação, assim decidiu a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9303006.241: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Observo que no caso em apreciação nesta segunda instância o recorrente de novo traz documentos que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Mas mesmo que trouxesse não lhe socorreria. Isto porque, conforme disposto nos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, não se pode apreciar as provas que no processo administrativo o contribuinte se absteve de apresentar na impugnação/manifestação de inconformidade, pois operase o fenômeno da preclusão. O texto legal está assim redigido: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.901854/200803 Acórdão n.º 1001000.521 S1C0T1 Fl. 88 5 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é a preclusão, impossibilidade de o fazer em outro momento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 90DF CARF MF 6 Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.935057/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2007
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2007 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.935057/200941 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.202 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria PIS/Cofins Recorrente THYSSENKRUPP ELEVADORES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2007 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 50 57 /2 00 9- 41 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.935057/200941 Acórdão n.º 3402005.202 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.886, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.935057/200941 Acórdão n.º 3402005.202 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.935057/200941 Acórdão n.º 3402005.202 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.935057/200941 Acórdão n.º 3402005.202 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.935057/200941 Acórdão n.º 3402005.202 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.935057/200941 Acórdão n.º 3402005.202 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.935057/200941 Acórdão n.º 3402005.202 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.935057/200941 Acórdão n.º 3402005.202 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 372DF CARF MF Processo nº 11080.935057/200941 Acórdão n.º 3402005.202 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 373DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.001962/2011-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados
da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-005.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente justificadamente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 19 62 /2 01 1- 28 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10830.001962/201128 Acórdão n.º 2401005.456 S2C4T1 Fl. 79 2 Relatório Cuidase os autos de Pedido de Restituição de Retenção relativa à Contribuição Previdenciária. Constam anexados aos autos notas fiscais de prestação e demonstrativos de folha de pagamento do período em referência. Apreciando o pedido de restituição, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas concluiu pelo indeferindo do pleito da recorrente, conforme Despacho Decisório DRF/CPS/SEORT nº 1965/2011. Fundamentação 4. Analisados os documentos juntados, integrantes da instrução e formalização do pedido, verificamos que os pedidos, compreendendo período de 02/2004 a 12/2005 relativos aos processos acima , encontramse abrangidos pela prescrição quinquenal, ou seja, seu protocolo se deu há mais de 05 anos da data do recolhimento da contribuição, conforme já mencionado anteriormente. Decisão 5. Por todo o exposto, no uso da competência que me foi delegada, decido pelo não reconhecimento do direito creditório, mediante o INDEFERIMENTO da restituição pleiteada. 6. Fica aberto o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da ciência deste, para interposição de recurso, à DRJ Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme disposto na Portaria RFB n° 10.875 de 16.08.2007 — D.O.U. De 24.08.2007. A pessoa jurídica tomou ciência do despacho e mediante requerimento, datado de 17/09/2012, reiterar os termos da manifestação de inconformidade que interpôs em 17/08/2012. O colegiado de primeira instância, por meio de acórdão da 6ª Turma da DRJ Belo Horizonte(MG), assim se manifestou: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESCRIÇÃO. O direito de pleitear restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado do pagamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10830.001962/201128 Acórdão n.º 2401005.456 S2C4T1 Fl. 80 3 Cientificada da decisão de primeira instância em 08 de janeiro de 2015, interpôs Recurso Voluntário, apresentou basicamente os mesmos argumentos defendidos na manifestação de inconformidade, ou seja: primeiramente, alega que a prescrição não extingue o direito material, ou seja, os créditos devidos ao recorrente. Voltase , em regra, ao direito de ação judicial; a questão não se volta na aplicação do Decreto 3.048/99, mesmo porque este tipo de diploma normativo não tem o condão de restringir direitos, mas sim, conferir aplicabilidade à uma lei. Assim, tal decreto exorbita sua função; ao tratar da prescrição, aplicase o prazo de 10 anos para se pleitear a restituição, para os fatos geradores anteriores ao advento da Lei Complementar 118/2005; referida questão já está sedimentada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário 566.621RS. Transcreve a ementa e parte dos fundamentos do acórdão; diz que entendimento do STJ está no sentido de que o citado art. 3º da LC nº 118/05 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham ocorrer a partir de sua vigência, não antes, como são os casos que se apresentam; conclui que a prescrição para as restituições objeto do pedido de restituição nestes autos, não ocorreu; requer seja reformada a decisão que indeferiu o pleito do recorrente. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10830.001962/201128 Acórdão n.º 2401005.456 S2C4T1 Fl. 81 4 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator De início, convém analisar a tempestividade do Recurso Voluntário apresentado em 19 de fevereiro de 2015. O Acórdão da 6ª Turma da DRJ/BHE foi julgado na sessão do dia 27 de novembro de 2014, cujo dispositivo está assim redigido: Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por meio do Comunicado SEOR/DRF/CPS/10.830/3570/2014, encaminhou se cópia do referido julgado, assim como de outros processos: INTERESSADO: CONTATUS ELETRICIDADE LTDA. CNPJ / CPF: 56.167.331/000175 PROCESSOS: 10830.001962/201128 10830.001971/201119 10830.001963/201172 10830.001973/201116 10830.001965/201161 10830.001980/201118 10830.001972/201163 10830.001981/201154 10830.001974/201152 10830.001982/201107 10830.001984/201198 10830.001967/201151 ASSUNTO: RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Campinas, em 30 de Dezembro de 2014. COMUNICADO SEORT/DRF/CPS/10.830/ 3570/2014 1. Encaminhamos, em anexo, cópias dos Acórdãos de 27/12/2014 emitido pela 6ª Turma da DRJ/BHE, que culminou com a improcedência de sua manifestação de inconformidade relativa ao pedido de restituição em epígrafe. 2. Fica aberto o prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para o interessado apresentar recurso para a Segunda Seção do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme art. 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF Portaria MF 256 de 22 de junho de 2009, caso não concorde com a decisão de primeira instância. 3. O processo ficará à Vs. disposição para vista, pelo mesmo prazo, sendo que, após este prazo sem que haja manifestação, o processo será encaminhado para arquivo definitivo. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10830.001962/201128 Acórdão n.º 2401005.456 S2C4T1 Fl. 82 5 Atenciosamente. Maria José De Rogatis Lessa Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula SIAPE 0932959 Portaria GD/RFB/CPS nº 31, de 21/05/2012 . O sujeito passivo tomou ciência do referido comunicado em 08/01/2015, conforme transcrição do Aviso de Recebimento: Em 19/02/2015, a recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 67), onde especifica a defesa do acórdão referenciado e de outros. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10830.001962/201128 Acórdão n.º 2401005.456 S2C4T1 Fl. 83 6 Do exposto acima, considerando que o sujeito passivo tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/01/2015, concluise que o recurso voluntário foi apresentado fora do prazo, em 19/02/2015. Conclusão Em vista do exposto, por restar prejudicado, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901110/2014-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO.
Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original.
Numero da decisão: 1402-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA INEQUÍVOCA. ERRO ALEGADO NÃO COMPROVADO. DENEGAÇÃO DO CRÉDITO PRETENDIDO. Não se reconhece o crédito pretendido, referente a pagamento indevido ou a maior, fundamentado exclusivamente em DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório, quando o contribuinte deixa de apresentar elementos de prova materiais, capazes de, cabalmente, comprovar erro supostamente cometido no preenchimento da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 11 10 /2 01 4- 44 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 11040.901110/201444 Acórdão n.º 1402003.095 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, denegando a existência do crédito declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que teria havido recolhimento a maior de IRPJ e CSLL, fato este que teria sido percebido apenas após auditoria contábil externa. Assim, procedeu a Contribuinte a inúmeras compensações, valendose de tal valor. A Recorrente também esclarece que não foi reconhecida a existência do crédito pela Unidade Local pois apenas veio a retificar sua DCTF após a prolatação r. decisório de piso, corrigindo, então, suposto erro na declaração originalmente transmitida. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória, estando ausente nos autos qualquer demonstração ou prova de erro que justificaria a retificação procedida na DCTF. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, repetindo as suas alegações da Manifestação de Inconformidade, apontando expressamente para os motivos de reforma do v. Acórdão recorrido, afirmando ter constituído prova eficaz do seu direito. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 11040.901110/201444 Acórdão n.º 1402003.095 S1C4T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.112, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11040.901104/2014 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.112): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. Como relatado, a Recorrente alega ter recolhido valores de IRPJ e CSLL maiores do que aquilo efetivamente devido no período. Uma vez constatado tal excesso no adimplemento fiscal, prontamente procedeu a compensações via DCOMP. Contudo, apenas veio a retificar a DCTF correspondente posteriormente à prolatação do r. Despacho Decisório, motivo pelo qual a Autoridade Fiscal não teria reconhecido a existência de tal crédito naquela oportunidade. Restou firmado no v. Acórdão da DRJ que, ainda que retificada a DCTF, validando o cálculo da monta da pretensão creditícia da Contribuinte, não houve a comprovação da existência de erro na primeira declaração ou a prova de qualquer outro motivo que justificasse tal alteração. Em Recurso Voluntário a Recorrente afirma que possui a plena prerrogativa de proceder à retificação da sua DCTF e o fez regularmente, em momento adequado, dentro do prazo concedido pelas normas que regem a matéria em tela. Alega que denegar o crédito implicaria em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ora, é certo que a Contribuinte tem a prerrogativa de retificar suas declarações, inclusive a DCTF. Todavia, os efeitos de tal correção não são automáticos e absolutos, para todos os fim tributários, quando envolvida a percepção de crédito em favor do contribuinte após tal manobra. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 11040.901110/201444 Acórdão n.º 1402003.095 S1C4T2 Fl. 5 4 Nesse sentido, a Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, aplicável ao presente caso, é clara ao regular o tema em seu artigo 9º: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11040.901110/201444 Acórdão n.º 1402003.095 S1C4T2 Fl. 6 5 fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; ehttp://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutro s.action?idArquivoBinario=0 II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. (destacamos) Extraise de tal dispositivo que, promovida a alteração após a prolatação de r. Despacho Decisório, deveria a Contribuinte ter trazidos prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original, demonstrando que os valores originalmente inseridos na declaração primeiramente transmitida não refletiam os fatos e eventos efetivamente apurados na mensuração das obrigações lá constituídas. Sobre isso, a Recorrente alegou que teria trazido aos autos sua DIPJ, dando o necessário respaldo probante ao seu direito. Ocorre que apenas foram juntadas Fichas isoladas da DIPJ do período. Nenhum elemento de prova material, relacionado à contabilidade ou mesmo às atividades da Contribuinte, foi acostado ao processo. Frisese que a DIPJ, ainda que integralmente considerada, regularmente preenchida e transmitida, tem caráter informativo, sendo confeccionada unilateralmente pelo contribuinte, sem a necessidade de instrução direta com documentos. Assim, mesmo que as informações inseridas na linhas das Fichas da Declaração acostada guardassem identicidade com aquilo trazido na DCTF retificadora, tal encontro de dados guarda valor probante extremamente relativo, não se revestindo de prova inequívoca. Nos casos referente a restituição e compensação, regulados pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96, o ônus probatório do crédito alegado recai sobre contribuinte. Por fim, o entendimento acima professado possui pleno respaldo na jurisprudência atual desse E. CARF. Ilustrando, confirase o Acórdão nº 1301002.103, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, de relatoria do I. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 11040.901110/201444 Acórdão n.º 1402003.095 S1C4T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, publicado em 23/08/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EXISTÊNCIA DE OUTROS IMPEDIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE Não há impedimento para que a DCTF seja retificada após o despacho decisório, desde que sejam respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010, e alterações posteriores. Necessidade de análise das restrições através do exame de documentação juntada ao processo, o que foi impossível, ante a não juntada de documentos pela interessada, sendo seu dever o ônus de provas. INDÉBITO.COMPROVAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A comprovação da certeza e liquidez dos créditos deve ocorrer pelo exame de documentação hábil e apta, cujo ônus de juntar a documentação pertinente pertence a parte que requer o reconhecimento do direito creditório. Ainda, na mesma esteira decidiuse no Acórdão nº 3402 004.849, prolatado pela C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção dessa C. Corte Administrativa, de relatoria do I. Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, publicado em 02/02/2018: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 29/07/2005 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11040.901110/201444 Acórdão n.º 1402003.095 S1C4T2 Fl. 8 7 PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose o v. Acórdão recorrido." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679529/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelo seguinte fundamento: "a pessoa jurídica tributada pelo lucro real que efetuar pagamento RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 79 52 9/ 20 09 -9 2 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.679529/200992 Resolução nº 1201000.365 S1C2T1 Fl. 3 2 indevido ou a maior a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago na dedução do tributo devido ao final do período de apuração". Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) houve um equívoco da contribuinte ao indicar o crédito como decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido; b) o valor do "pagamento indevido" é exatamente o mesmo do saldo negativo apurado ao final do período de apuração; c) houve retificação da DIPJ para que esta espelhasse com exatidão o valor do saldo negativo; d) não foi possível retificar a Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, por impedimento imposto pelo próprio sistema da Receita Federal; É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.362, de 23.02.2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.679536/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2006 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débito com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 30/08/2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.362): "O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas e IRRF durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.679529/200992 Resolução nº 1201000.365 S1C2T1 Fl. 4 3 Nas DCOMPs com que a recorrente pretendeu retificar as originariamente entregues, há informações quanto a estimativas pagas, compensadas e de IRRF. Ocorre que esses valores também não são consentâneos com os declarados na DIPJ. Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000553/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/08/2009
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 31/08/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/08/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 05 53 /2 00 9- 79 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11634.000553/200979 Acórdão n.º 1301003.068 S1C3T1 Fl. 92 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0639.587, proferido pela 6ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, com a manutenção do crédito tributário constituído. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração – DEBCAD 37.211.0045, cadastrado no COMPROT sob nº 11634.000553/200979, lavrado contra C. H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA, por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com informações incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias. 1.1. Em decorrência da infração praticada foi aplicada a multa cabível, prevista no art. 32A, “caput”, inciso I e §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212, de 1991, incluídos pela Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, no valor de R$ 5.500,00 (cinco mil e quinhentos reais). 2. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, à fl. 08, a empresa foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, pelo Ato Declaratório Executivo nº 15, de 16/04/2007, por exercer atividades vedadas aos seus participantes, sendo também excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL, pelo Ato Declaratório Executivo nº 41, de 09/07/2009. 2.1. Em decorrência de ter se mantido indevidamente nos citados regimes tributários, informava, mensalmente, o código de pagamento em GPS “2003”, relativo a empresas optantes pelo SIMPLES, sendo correto o código “2100”, destinado às empresas em geral. Também deixou de declarar o campo Código de Terceiros (FNDE, INCRA, SESC,SENAC e SEBRAE), para os quais estaria obrigada a contribuir, em razão do exercício de atividade impeditiva à opção. 3. Cientificada em 03/09/2009, por via postal (fl. 39), a Contribuinte apresentou impugnação às fls. 43/53, em 02/10/2009, alegando, em síntese: a) afirmar que a Requerente foi excluída do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL é desrespeitar o Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, além do que foi Fl. 93DF CARF MF Processo nº 11634.000553/200979 Acórdão n.º 1301003.068 S1C3T1 Fl. 93 3 demonstrado que, no processo administrativo nº 16370.000075/200705, não foi notificada do ADE de exclusão, lhe foi negado o constitucional direito de ampla defesa, e que as atividades por ela exercidas são compatíveis com o regime jurídico do SIMPLES. Também no processo administrativo nº 11634.000419/200978 restou demonstrado que a empresa exerce atividades totalmente compatíveis com o regime jurídico do SIMPLES NACIONAL, razão pela qual o Auto de Infração é nulo; b) a Lei Complementar nº 128, de 2008, em seu art. 13, prescreveu que ficam revogados os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, e portanto, o prazo prescricional é aquele apresentado no CTN, ou seja, de 5 (cinco) anos, inclusive para as obrigações acessórias. Logo, deverá ser desconsiderado do auto de infração os fatos geradores superiores há cinco anos, em respeito ao prazo decadencial prescrito no § 4º do art. 150 do CTN; c) a Requerente está sendo penalizada pelo suposto preenchimento incorreto de dois campos da GFIP (código de pagamento e código de Outras Entidades e Fundos), porém, esse “erro” não implica em falta de recolhimento de tributos, nem resultou em prejuízo aos cofres públicos. Na verdade, a penalidade (multa) não se sustenta quer pela própria improcedência do auto de infração ou, ainda, pela ilegalidade material frente aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; 4. O presente Auto de Infração foi apensado ao processo nº 11634.000419/200978. 5. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimada, a empresa autuada apresenta seu Recurso, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Fl. 94DF CARF MF Processo nº 11634.000553/200979 Acórdão n.º 1301003.068 S1C3T1 Fl. 94 4 Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou vários processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em decorrência da exclusão do regime simplificado denominado de SIMPLES. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência das contribuições previdenciárias baseiase em remunerações de seus empregados. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata de lançamento de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) Fl. 95DF CARF MF Processo nº 11634.000553/200979 Acórdão n.º 1301003.068 S1C3T1 Fl. 95 5 A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício. Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de seus empregados, resta claro que está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721928/2014-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1327; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 897 1 896 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.721928/201408 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.071 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de maio de 2018 Matéria DECLINAR COMPETÊNCIA Recorrente BZM INDUSTRIA E COMERCIO DE AUTO PECAS LTDA EPP E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 19 28 /2 01 4- 08 Fl. 898DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 898 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratamse de Recursos Voluntários interpostos pelo contribuinte e demais interessados contra o acórdão 0835.745, proferido pela 6ª Turma da DRJ/FOR, na sessão de 11 de maio de 2016, que, ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, por unanimidade de votos, julgoua improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigações principais, consoante discriminação a seguir: AI DEBCAD 51.050.5899, importando R$ 1.941.731,80, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte da empresa e devidas a título de GILRAT, com lastro em fundamentação legal contido no respectivo relatório FLD, competências 01/2009 a 12/2011. O relatório fiscal aduz que: O Ato Declaratório Executivo da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, nº 21/2014, assinado digitalmente em 16.06.2014, determinou a exclusão da autuada do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES NACIONAL. A exclusão do SIMPLES NACIONAL surtiu efeitos a partir de 01/01/2009 e deuse: I) Pela negativa não justificada da exibição de documentos e informações sobre bens e movimentação financeira (artigo 29, inciso II, da LC 123/2006 e artigo 5º, inciso II da Resolução CGSN nº 15/2007). II. Pela falta da escrituração do livro caixa (artigo 29, inciso VIII, da LC 123/2006 e artigo 5º, inciso VIII da Resolução CGSN nº 15/2007). III. Por prática reiterada de infração ao disposto na LC 123 (artigo 29, inciso V, da LC 123/2006 e no artigo 5º, inciso V da Resolução CGSN nº 15 de 23/07/2007). IV. Por ultrapassar o faturamento anual de R$ 2.400.000,00 no ano calendário 2011, considerando a receita omitida (artigo 3º, Inciso II e § 9º (redação original) e no artigo 29, inciso I, ambos Fl. 899DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 899 3 da Lei Complementar 123/2006 e do artigo 3º, inciso II, “a” da Resolução CGSN nº 15 de 23/07/2007 e artigo 12, I da Resolução CGSN nº 04 de 30/05/2007) . V. Pela utilização de interpostas pessoas como sócios (artigo 29, Inciso IV da Lei Complementar 123/2006 e no artigo 5º, inciso IV da Resolução CGSN nº 15 de 23/07/2007). VI. Por ser remanescente de desmembramento (qualquer forma) da pessoa jurídica com a criação de outra empresa e da utilização de uma empresa que se encontrava paralisada, com finalidade de dividir o faturamento e empregados (3º, § 4º, IX da Lei Complementar 123/2006 e no artigo 5º, inciso XI da Resolução CGSN 15 de 23/07/2007 e no artigo 12, inciso X da Resolução CGSN 04 de 30/05/2007). VII. Por ter a participação de pessoa física em seu quadro social que é sócia em outra empresa participante do SIMPLES NACIONAL (3º, § 4º, III da Lei Complementar 123/2006 e no artigo 5º, inciso XI da Resolução CGSN 15 de 23/07/2007 e no artigo 12º, inciso IV da Resolução CGSN 04 de 30/05/2007). DOS FATOS GERADORES foram lançadas contribuições pagas ou creditadas aos segurados empregados e aos contribuintes individuais, declaradas em GFIP; DA FALTA DE RECOLHIMENTO não foram deduzidos pagamentos, pois estes não existiram para o período, conforme Extrato do Simples Nacional; DOS FATOS As empresas BZM Indústria e Comércio de Auto Peças LTDA – CNPJ 03.608.391/000110, ROBERTO BUTSCH INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTO PEÇAS LTDA ME CNPJ 04.782.187/000183 e KREIZEN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS AUTOMOTIVAS LTDA – CNPJ 10.567.112/000182 formam um grupo econômico de fato; DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS Conquanto (re)intimado, o contribuinte deixou de apresentar livros contábeis (livros Diário e Razão) ou livros caixa e seus respectivos documentos em que se assentaram os lançamentos, bem como os extratos de toda movimentação financeira e bancária: DA OMISSÃO DE RECEITA Há mais de mil notas fiscais não registradas nos livros de registro de saída e omitida da Declaração Anual do Simples Nacional – DASN, período de 07/2009 a 12/2011; Fl. 900DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 900 4 conquanto intimado, o contribuinte não esclareceu o motivo da falta de registro já citada; o faturamento real da empresa, no ano de 2011, de acordo com a declaração prestada pela empresa (doc 09) e confirmado com as notas fiscais extraídas do SPED, ultrapassa o limite para inclusão como empresa do Simples; DA CONSTITUIÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS E DO GRUPO ECONÔMICO as três empresa já citadas possuem mesmo endereço e atividade, vejase: i) BZM: Objeto Social no Contrato Social – “3ª) A sociedade terá por objetivo social a exploração do ramo de fabricação e comércio de auto peças, máquinas e equipamentos industriais, automação e montagens industriais”. ii. ROBERTO BUTSCH: Objeto Social na 2ª Alteração do Contrato social – “3ª) A sociedade terá por objetivo social a exploração do ramo de fabricação e comércio de auto peças de máquinas e equipamentos industriais, de automação e de montagens industriais”. iii) KREIZEN: Objeto Social no Contrato Social – “3ª) A sociedade terá por objetivo social a exploração do ramo de fabricação e comércio de auto peças, acessórios e equipamentos e produtos automotivos; de máquinas e equipamentos industriais, de automação e de montagens industriais; representações comerciais; importação e exportação”. [...] Os endereços das empresas constantes dos contratos sociais e alterações são muito próximos, o que por si só denotam que funcionam no mesmo local: i.BZM Rodovia Ivo Silveira, 10466, Km 11, Bairro Barracão– Gaspar – SC ii. ROBERTO BUTSCH Rodovia Ivo Silveira, km 10 – Sala B, 10500 – Bairro Barracão – Gaspar – SC. iii. KREIZEN Rodovia Ivo Silveira, km 10, 10500 – Sala A – Bairro Barracão – Gaspar – SC. O Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA descreve vários setores idênticos das empresas: i.Setor: Produção Área de aproximadamente 300 m2, pé direito aproximado de 7 m .... (PPRA BZM 2008/2009 e PPRA ROBERTO BUTSCH 2008/2009, 2011/2012); ii. Setor: Ferramentaria – Ambiente de aproximadamente 300 m2 ... (KREIZEN 2009/2010, 2010/2011, 2011/2012); iii. Setor: Montagem Ambiente de aproximadamente 300 m2, pé direito aproximadamente de 7 m ... (PPRA KREIZEN Fl. 901DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 901 5 2009/2010, 2010/2011, 2011/2012 e PPRA ROBERTO BUTSCH 2008/2009, 2009/2010, 2011/2012); iv. Setor: Acabamento Ambiente de aproximadamente 300 m2, pé direito aproximadamente de 7 m ... (PPRA KREIZEN 2010/2011); v. Setor: Usinagem Ambiente de aproximadamente 300 m2, pé direito medindo 7m, ... (PPRA KREIZEN 2010/2011, 2011/2012, PPRA ROBERTO BUTSCH 2008/2009, 2009/2010, 2011/2012). Em visita à empresa, a fiscalização constatou que as três pessoas jurídicas funcionam no mesmo local, os empregados trabalham em conjunto, não há limitação entre as empresas, tampouco, indicação de placas que pudessem indicar existência apartada delas; continua: O departamento pessoal (RH) das empresas BZM, ROBERTO BUTSCH e KREIZEN é realizado pela funcionária Marilene Machado Lenzi, conforme declarou no Termo de Entrevista (DOC 11). 50. Em entrevista (DOC 11) com SILVIO JOÃO MERISIO (Registro:ROBERTO BUTSCH), coordenador do setor de montagem, declarou que Ademar Venera, Sidnei Schaefer, Cristiane Schlucobier, Jacson da Silva, Jéssica Carbolin da Silva e Jéssica da Silva Cardoso trabalham no seu setor e não sabe onde estão registrados. Na informação prestada pela empresa em GFIP observase que Ademar Venera, Sidnei Schaefer e Jéssica Carbolin da Silva estão registrados na BZM, Cristiane Schlucobier está registrada na ROBERTO BUTSCH, Jacson da Silva e Jéssica da silva Cardoso estão registrados na KREIZEN. 51. Em outra entrevista (DOC 11) com JORGE LANG JUNIOR (Registro: BZM), encarregado geral de produção, relatou que José de Borba, Salatiel de Souza, Rogério Nicolete, Rogério Russi, Fernando Kohler, Luciano Soares Chagas, Luciano Maraschi e Wagner dos Santos fazem parte do setor que é encarregado. Na informação prestada pela empresa em GFIP observase que Salatiel de Souza, Rogério Nicolete, Rogério Russi, Fernando Kohler, Luciano Maraschi estão registrados na BZM, José de Borba e Wagner dos Santos estão registrados na ROBERTO BUTSCH, Luciano Soares Chagas está registrado na KREIZEN. Nas entrevistas (DOC 11) com os empregados Anderson Costa e João Rogério Baptista, registrados na BZM, informaram que o dono da empresa era Paulo Bittencourt (Paulo Roberto Butsch Bittencourt), demais empregados entrevistados informaram que a dona da empresa é a Cristiane (Cristiane Lang). Paulo Roberto Butsch Bittencourt não aparece como sócio das empresas BZM, ROBERTO BUTSCH e KREIZEN. Tais empresas Fl. 902DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 902 6 foram constituídas em nome de seus filhos (alguns menores) e de sua companheira, conforme quadro elaborado pela fiscalização; outros fatos relatados foram: Paulo Roberto Butsch Bittencourt e sua companheira Cristiane Lang utilizaram interpostas pessoas, seus filhos, para compor o quadro societário das empresas optantes do Simples Nacional. 59. Na BZM constam a companheira de Paulo Roberto Butsch Bittencourt (Cristiane Lang) e sua filha menor (Bruna Albino Bittencourt) da qual é representante legal. 60. Na ROBERTO BUTSCH constam a companheira de Paulo Roberto Butsch Bittencourt (Cristiane Lang) e seu filho (Paulo Roberto Bittencourt Filho). 61. Já na KREIZEN constam dois filhos de Paulo Roberto Butsch Bittencourt (Thiago Bittencourt e Thayrine Lang Bittencourt), sendo que Thayrine Lang Bittencourt é filha de Cristiane Lang que é represente legal da menor. há procuração outorgada pela empresa Roberto Butsch para Cristiane Lang; Cristiane Lang é sócia administradora da BZM e administradora da Roberto Butsch, conforme citada procuração anexada aos autos (doc 13); há várias reclamatórias trabalhistas em desfavor das três empresas concomitantemente, o que demonstra, pela petição inicial destas, a formação de grupo econômico de fato; as reclamatórias foram encerradas por meio de acordo, sem contestação das empresas; a fiscalização conclui da seguinte forma: A gestão administrativofinanceira das duas empresas é exercida pelos administradores do negócio Sr. Paulo Roberto Butsch e sua companheira Sra.Cristiane Lang. Parentes (filhos) estão nos atos contratuais da representada como parte figurativa do processo, isto é, a sociedade possui um único comando, independentemente de onde estejam registrados os trabalhadores. 71. Tudo é feito na sua administração: o RH, a compra, a venda, o expediente, a produção, o pagamento, a execução do serviço etc são realizados pelos administradores do negócio. 72. O objetivo do grupo é desenvolver a atividade com três empresas paralelas para dividir o faturamento e diminuir os encargos previdenciários. Fl. 903DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 903 7 73. Os segurados trabalham para o mesmo patrão, os pagamentos são feitos pelo mesmo financeiro, o RH e o Financeiro são os mesmos. 74. Ficou evidenciado a intenção da empresa BZM em desmembrar a atividade com outras duas empresas (ROBERTO BUTSCH e KREIZEN), utilizando como sócios, interpostas pessoas, seus filhos, inclusive menores, sendo que os verdadeiros proprietários são Paulo Roberto Butsch Bittencourt e Cristiane Lang, com o fim de fatiar o faturamento e continuar a usufruir os benefícios concedidos pelo SIMPLES NACIONAL. a soma do faturamento das empresas excede o limite anual para permanência no Simples Nacional nos anos de 2009, 2010 e 2011; quanto aos efeitos da exclusão, explica a auditoria que; Como as ocorrências mais remotas são aquelas dos incisos II, IV e VIII do art. 29 da Lei Complementar 123 e nos incisos II, IV e VIII da Resolução CGSN nº 15 de 23/07/2007, a exclusão do Simples nacional darseá a partir de 01/01/2009, conforme disposto no artigo 29, § 1º da Lei Complementar 123/2006 e artigo 6º, inciso VI da Resolução CGSN nº 15/2007. DA MULTA QUALIFICADA foi aplicada multa qualificada de 150%, em razão da prática de sonegação e conluio, conforme arts. 71 e 73, da Lei nº 4.502/64 c/c art. 44, da Lei nº 9.430/96; DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – GRUPO ECONÔMICO DE FATO houve responsabilização solidária das empresas do mesmo grupo econômico por força do art. 124, I e II, do CTN c/c art. 30, IX, da Lei nº 8.212/91 c/c art. 222, do Decreto nº 3.048/99; Afirma, ainda, a auditoria: Notase que no caso configurase um grupo econômico de fato, pois as empresas BZM, ROBERTO BUTSCH e KREIZEN têm aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, são interdependentes; havendo a confusão patrimonial, vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores, abuso de forma entre as empresas integrantes do agrupamento; DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais para apuração de crime, em tese, de sonegação de contribuição previdenciária; Da Impugnação Fl. 904DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 904 8 Inconformada com a autuação da qual foi cientificada em 13.08.2014, a empresa BZM (devedora principal) apresentou impugnação em 05.09.2014, que, em síntese, argumenta que: NULIDADE DO AI a presente autuação e a que se refere aos terceiros (processo 13971.721929/201444) não contempla as obrigações a cargo dos segurados, que não foi lançada, o que revela falta de convicção da fiscalização, ferindo o art. 142, do CTN; tal omissão resulta em nulidade, por ofensa ao art. 150, I, da CF/88, que regula o princípio da tipicidade, pois, ou se lança tudo ou nada se lança, não podendo haver lançamento parcial; continua: [...] o fato dos prestadores de serviços terem procedido ao recolhimento de sua contribuição pela pessoa jurídica não afeta a obrigação fiscal, vez que lhe competia proceder ao lançamento da exigência junto à instituição, compensando os valores já recolhidos, a fim de certificarse de que todas as obrigações tributárias foram efetivamente adimplidas. DA DECADÊNCIA por se tratar de tributo sujeito à homologação, a norma a ser aplicada é a contida no art. 150, §4º, do CTN; como a intimação deuse em 13.08.14, todos os fatos geradores anteriores a 13.08.2009 encontramse decadentes, pois a impugnante recolheu contribuição pela sistemática do Simples Nacional; a parte final do §4º, do art. 150, do CTN, ressalva os casos de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso; [...] Portando, caso não sejam reconhecidas as irregularidades da autuação e a consequente nulidade do procedimento de lançamento, pede possa Vossa Excelência reconheça a caducidade parcial dos créditos relativos ao ano de 2005, os quais foram alcançados pela decadência FORMA DE ATUAÇÃO E INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO não há grupo econômico e as alegações relativas a esse tópico já foram abordadas quando da defesa ao Ato Declaratório, porém pelo princípio da eventualidade, serão aqui novamente trazidas; não houve sonegação de informações e a empresa sempre esteve à disposição do agente fiscal, fornecendo todas as informações solicitadas; Fl. 905DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 905 9 houve descompasso entre exigências da fiscalização e possibilidade de atendimento, devido ao porte diminuto da empresa; os valores apresentados à fiscalização coincidem com o faturamento da empresa, conforme verificado pela própria fiscalização; eventual descumprimento de “uma ou outra” obrigação acessória não constitutiva de hipótese de incidência não é hábil para exclusão do Simples, mas, eventualmente, aplicação de multa, se necessário; não há grupo econômico; desde a fundação, a empresa dedicase a produção de um componente automobilístico denominado impulsor de partida, componente este complexo; continua: O que ocorre é que houve uma especialização na produção do aludido componente, sendo que hoje sua produção é dividida em diversas partes autônomas e independentes. Algumas destas empresas encontramse localizadas nas proximidades da ora contribuinte, e detém no seu quadro societário pessoas com determinado vínculo familiar com os sócios desta contribuinte, mas inexiste qualquer relação entre as mesmas. não há vínculo entre as empresas, os sócios e administradores são distintos, os clientes são distintos, cada qual faz frente a suas próprias despesas e agem de forma autônoma e independente; contratos sociais, procurações e supostas entrevistas não são hábeis ao propósito da fiscalização; continua: [...] a complexidade e especialização do processo produtivo imposto verificado entre as empresas mencionadas afigura de difícil identificação para aqueles que não detém o conhecimento técnico necessário. [...] O que ocorre verdadeiramente é o apego dos membros familiares (Estirpe Bittencourt) à indústria metal mecânica. Parte substancial de seus membros dedicamse a esta atividade, de forma que não se afigura difícil defrontarse na cidade de Gaspar com empresas, do ramo metal mecânico, que tenham em seu quadro societário pessoas de sobrenome Bittencourt. [...] Quanto ao fato de eventualmente a sócia administradora desta contribuinte (Cristina Lang) ter praticado um ou outro ato, por meio de procuração, em auxílio a algum membro de sua família, este de forma alguma pode gerar qualquer vínculo entre as empresas. Fl. 906DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 906 10 não há prova capaz de sustentar qualquer vínculo societário entre contribuinte e as empresas; as afirmações contidas em petição inicial são unilaterais não comprovadas; os acordos firmados entre as partes não implicam em reconhecimento dos fatos alegados pelo autor, conforme entendimento dos Tribunais; o PAF deve regerse pela busca da verdade real e não por suposições ou convicções pessoais da fiscalização; existem evidências que derrogam completamente as suspeitas da constituição, organização e funcionamento das empresas; pela ausência de elementos capazes de subsidiar a autuação, a exação deve ser extinta; continua: [...] Sua localização, atividade e quadro societário decorrem de algumas particularidades envolvidas, tais como: (i.) fracionamento das atividades na produção de impulsores de partida; (ii.) melhor coordenação dos trabalhos pela proximidade entre as unidades produtivas; (iii.) tradição familiar na atividade metal mecânica. [...] podemos afirmar que para a configuração do grupo "de fato" é necessário que (i) uma das sociedades tenha influência significativa na outra, sem controlála (coligada), ou (ii) uma das empresas seja titular de direitos de sócio sobre as outras que lhe assegure, de modo permanente, preponderância seja titular de direitos de sócio sobre as outras que lhe assegure, de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais, em especial o de eleger a maioria dos administradores (art. 116, 'a'), hipótese em que será considerada sociedade controladora. [...] E para serem consideradas controladas, filiadas ou de simples participação, as empresas deverão possuir: 1) Maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou assembleia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores; 2) O poder perante outra sociedade mediante ações ou quotas possuídas por sociedade já controlada; 3) Dez por cento ou mais do capital da outra empresa sem controlála; 4) Menos do que dez por cento do capital de outra com direito a voto. Em não sendo constatada qualquer uma das hipóteses acima, não há como admitir que duas empresas sejam coligadas. [...] QUANTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO deve ser excluído da exigência o valor já recolhido na sistemática do Simples Nacional, para que não haja dupla incidência; DA MULTA QUALIFICADA Fl. 907DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 907 11 não é cabível qualificação da multa, pois tal hipótese somente tem cabimento quando o contribuinte utilizase de expedientes ilícitos para fraudar o fisco, o que não ocorreu; as empresas são antigas, regulares, devidamente inscritas nos órgãos competentes, mantêm escrituração regular, prestam informações ao fisco regularmente e não foi criado qualquer embaraço à fiscalização; todas as conclusões absurdas a que chegou o fisco foram obtidas de documentos fornecidos pela própria empresa; a manterse o entendimento da fiscalização, estáse diante de um excludente de ilicitude, visto que todas as empresas são autênticas e matêm escrituração regular, sendo aplicáveis as determinações do art. 112, do CTN; em momento algum a contribuinte furtouse a colaborar com a Fiscalização, fornecendo as informações disponíveis; não houve o preenchimento das condições estabelecidas em lei para a aplicação da multa qualificada; a multa qualificada de 150% é uma verdadeira apropriação de bens do contribuinte, um confisco não de efeitos tributários, mas patrimoniais, sendo ilegal por ultrapassar os limites do próprio imposto, sendo causa de enriquecimento estatal ilícito; os valores de multa ferem os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da capacidade contributiva, violando o CTN e a CF/88; caso pertinente a multa, deve esta ser aplicada de forma básica; DA REPRESENTAÇÃO CRIMINAL a representação criminal deve ser extinta dada a ausência de elementos caracterizadores do crime; DOCUMENTOS JUNTADOS NO ATO FISCAL os elementos justados pelo fisco comprovam a inexistência de interligação entre as empresas mencionadas; a visão distorcida da realidade fez a fiscalização extrair uma conclusão errônea; DAS PROVAS outros elementos de descaracterização da imposição fiscal serão oportunamente apresentados, caso seja necessário; requerse produção de todos os meio de prova admitidos, inclusive diligências, caso persistam dúvidas; Requer insubsistência/nulidade da autuação; Fl. 908DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 908 12 Cientificada em 13.08.2014, a empresa Roberto Butsch Indústria e Comércio de Auto Peças Ltda ME (devedora solidária 1), apresentou impugnação em 05.09.2014, trazendo os mesmos argumentos da empresa anterior , acrescentando que: a caracterização da responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN em nada se assemelha à hipótese nos autos, pois não há interesse comum no fato gerador; conforme doutrina, não se trata de interesse econômico, mas jurídico; aduz ainda que: Importa destacar que nem mesmo o dispositivo da lei previdenciária mencionado pela autoridade fiscal (art. 30, Lei n. 8.212/91) afigurase capaz de alterar a realidade, na medida em que seu fundamento de incidência encontrase diretamente ligado ao fundamento supra combatido. DA MULTA QUALIFICADA não há elemento oculto, todos foram disponíveis à fiscalização, não havendo fundamento para qualificação da multa; incide o princípio “in dubio pro contribuinte”; deve a penalidade ser reduzida ao patamar comum de 75%; Requer improcedência do auto e declaração de insubsistência da responsabilidade solidária. Cientificada em 13.08.2014, a empresa Kreizen Indústria e Comércio de Peças Automotivas LTDA (devedora solidária 2), apresentou impugnação em 05.09.2014, trazendo os mesmos argumentos e pedido da solidária 1. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimadas todas as interessadas, elas apresentam seus respectivos Recursos, pugnando pelo provimento, onde apresentam argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; Fl. 909DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 909 13 I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou três processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, onde é exigido crédito tributário por descumprimento de obrigações principais, consoante discriminação a seguir: AI DEBCAD 51.050.5899, importando R$ 1.941.731,80, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte da empresa e devidas a título de GILRAT, com lastro em fundamentação legal contido no respectivo relatório FLD, competências 01/2009 a 12/2011. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência aqui reclamada baseiase em remunerações de seus empregados. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata nem mesmo de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; Fl. 910DF CARF MF Processo nº 13971.721928/201408 Acórdão n.º 1301003.071 S1C3T1 Fl. 910 14 (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações de seus empregados, resta claro que ele está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 911DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720432/2012-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO.
É nulo o lançamento em que há divergência entre a caracterização da infração e sua descrição, a ponto de não ser possível ao contribuinte compreender o fato gerador da exigência fiscal.
SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho.
SUSPENSÃO DO JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS PELO STF. AUSÊNCIA DE PREVISÃO REGIMENTAL.
O novo RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, não mais comporta a antiga previsão regimental de suspender o julgamento no CARF quando o STF determinasse o sobrestamento dos julgamentos de recursos extraordinários da mesma matéria, constante no art. 62-A, § 1º, da Portaria MF nº 256/2009.
IDENTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DUPLICIDADE DO LANÇAMENTOS DE VALORES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do lançamento pela simples afirmação de que o mesmo valor foi incluído na base de cálculo referente a omissão de rendimentos por depósitos bancários e em outra infração (como omissão de rendimentos do ganho de capital ou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício). Trata-se, isso sim, de questão de mérito. Caso fique comprovada a duplicidade de tributação dos mesmos valores, então deve ser revisado o lançamento para excluir o referido valor da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada porquanto ficou comprovada a origem e a tributação (foi considerado na base de cálculo de outra infração).
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO.
A isenção prevista no artigo 4º do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO.
Uma vez aplicada a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, cabe ao Contribuinte comprovar a origem dos recursos. Outrossim, não basta demonstrar quem depositou tais valores, sendo imprescindível demonstrar que os mesmos já foram oferecidos a tributação ou são isentos (caso se tratem de rendimentos) ou que não são rendimentos (como transferências do próprio titular ou mútuos, e.g.). Também devem ser excluídos da base de cálculo os valores que se comprovem decorrentes de rendimentos sujeitos a tributação exclusiva, como o ganho de capital.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA QUE SE CONVERTE EM PRINCIPAL. CABIMENTO.
Uma vez inobservada a obrigação acessória, caso seja cominada multa, esta se torna obrigação principal, nos termos do art. 113, §3º, do CTN. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal. Considerando ainda o texto das Súmulas CARF nº 4 e 5, bem como os acórdãos que as embasam, é patente a possibilidade de incidir juros sobre multa.
Numero da decisão: 2202-004.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade em relação à Infração 01 - "Omissão de Rendimentos de Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica", rejeitando as demais nulidades. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à Infração 02 - "Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas Não Negociadas em Bolsa", sendo vencidos os Conselheiros Dílson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto que deram provimento parcial para reduzir a base de cálculo da Infração 02 para R$ 625.825, 18. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso em relação à Infração 03 - "Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada" para reduzir a base de cálculo da Infração 03 para R$ 969.703,28. Em relação às Infrações 02 e 03, o Conselheiro Martin da Silva Gesto deu provimento ao recurso em maior extensão para excluir a incidência de juros sobre a multa de ofício. Foi designada a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ERRO NA CARACTERIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. É nulo o lançamento em que há divergência entre a caracterização da infração e sua descrição, a ponto de não ser possível ao contribuinte compreender o fato gerador da exigência fiscal. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE nº 601.314, e consolidou a seguinte tese: "O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". Nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. SUSPENSÃO DO JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO DE RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS PELO STF. AUSÊNCIA DE PREVISÃO REGIMENTAL. O novo RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, não mais comporta a antiga previsão regimental de suspender o julgamento no CARF quando o STF determinasse o sobrestamento dos julgamentos de recursos extraordinários da mesma matéria, constante no art. 62A, § 1º, da Portaria MF nº 256/2009. IDENTIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DUPLICIDADE DO LANÇAMENTOS DE VALORES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento pela simples afirmação de que o mesmo valor foi incluído na base de cálculo referente a omissão de rendimentos por depósitos bancários e em outra infração (como omissão de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 04 32 /2 01 2- 19 Fl. 2709DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.710 2 rendimentos do ganho de capital ou omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício). Tratase, isso sim, de questão de mérito. Caso fique comprovada a duplicidade de tributação dos mesmos valores, então deve ser revisado o lançamento para excluir o referido valor da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada porquanto ficou comprovada a origem e a tributação (foi considerado na base de cálculo de outra infração). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIO. COMPROVAÇÃO. Uma vez aplicada a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, cabe ao Contribuinte comprovar a origem dos recursos. Outrossim, não basta demonstrar quem depositou tais valores, sendo imprescindível demonstrar que os mesmos já foram oferecidos a tributação ou são isentos (caso se tratem de rendimentos) ou que não são rendimentos (como transferências do próprio titular ou mútuos, e.g.). Também devem ser excluídos da base de cálculo os valores que se comprovem decorrentes de rendimentos sujeitos a tributação exclusiva, como o ganho de capital. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA QUE SE CONVERTE EM PRINCIPAL. CABIMENTO. Uma vez inobservada a obrigação acessória, caso seja cominada multa, esta se torna obrigação principal, nos termos do art. 113, §3º, do CTN. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal. Considerando ainda o texto das Súmulas CARF nº 4 e 5, bem como os acórdãos que as embasam, é patente a possibilidade de incidir juros sobre multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a nulidade em relação à Infração 01 "Omissão de Rendimentos de Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica", rejeitando as demais nulidades. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à Infração 02 "Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Ações/Quotas Não Negociadas em Bolsa", sendo vencidos os Conselheiros Dílson Jatahy Fonseca Neto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto que deram provimento parcial para reduzir a base de cálculo da Infração 02 para R$ 625.825, 18. Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso em relação à Infração 03 "Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem Não Comprovada" para reduzir a base de cálculo da Infração 03 para R$ 969.703,28. Em relação às Infrações 02 e 03, o Conselheiro Martin da Silva Gesto deu provimento ao recurso em maior extensão para excluir a incidência de Fl. 2710DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.711 3 juros sobre a multa de ofício. Foi designada a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho, Rosy Adriane da Silva Dias e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir IRPF em função da identificação de omissão de rendimentos. Insatisfeito, o Contribuinte impugnou o lançamento. Tendo a DRJ mantido parcialmente o crédito fazendário, o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário. Chegando ao CARF, o julgamento foi convertido em diligência, que já foi realizada. Feito o resumo da lide, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Em 02/03/2012 foi lavrado auto de infração (fls. 914/937) em desfavor do Contribuinte, ora recorrente, para constituir IRPF no valor de R$ 4.052.679,56, além de juros e multa de 75%. Foram identificadas como infração: 1. "OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA" (anos calendário 2008, 2009 e 2010); 2. "OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA" (anos calendário 2007, 2008, 2009 e 2010); e Fl. 2711DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.712 4 3. "OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA" (anocalendário 2009). Conforme o TVF (fls. 875/883): · O Contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários e documentos comprobatórios da origem dos recursos depositados nas contas correntes; · O Contribuinte apresentou apenas parte da documentação solicitada; · Que o Contribuinte declarou incorretamente como isentos ou não tributáveis recursos provenientes da alienação de empresas. Também, que o Contribuinte era titular de 95% das quotas da empresa Avamiller, mas que recebeu integralmente o valor pago na alienação; · Que lavrou Termo de Embaraço à Ação Fiscal porquanto o Contribuinte, intimado reiteradamente, deixou de apresentar os seus extratos bancários; · Que foram emitidos RMFs para a requisição dos extratos bancários; · Que o Contribuinte, intimado, não comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias; · Que a autoridade lançadora fez o cruzamento dos extratos bancários com as informações referentes aos pagamento pela alienação da empresa, considerando tais depósitos como comprovados; Intimado em 08/03/2012 (fl. 941), o Contribuinte apresentou impugnação em 05/04/2012 (fls. 949/997 e docs. anexos fls. 998/1.316). Apresentou ainda uma petição em 28/07/2012 (fls. 1.323/1.329), consolidando as informações e documentos juntados anteriormente. Recebidos os autos, a DRJ/SP1 proferiu o acórdão nº 1641.379, de 03/10/2012 (fls. 1.331/1.379), que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO. Fl. 2712DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.713 5 Estando o contribuinte ciente de todos os atos, procedimentos e valores apurados pela fiscalização, revestido de suas formalidades legais, não há que se falar em cerceamento de defesa ou violação aos princípios constitucionais. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Incide o imposto de renda sobre o ganho de capital obtido na alienação de participação societária. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA GANHO DE CAPITAL. ISENÇÃO. Não efetivada a alienação, depois de decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação, na vigência da lei que outorgou a isenção, revogada esta, não há que se falar em direito adquirido. JUROS. OMISSÃO DE RENDIMENTO. Os valores recebidos a título de reajuste, qualquer que seja a denominação, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento na fonte, quando a alienação for para pessoa jurídica, ou mediante o recolhimento mensal obrigatório, quando for para pessoa física, e na Declaração de Ajuste Anual. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Por ocasião do Lançamento os juros são calculados sobre o valor do tributo ou contribuição. Paralelamente, a multa de ofício, porquanto parte integrante do crédito tributário está sujeita à incidência dos juros de mora após seu vencimento. OMISSÃO DE RENDIMENTO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. ENQUADRAMENTO LEGAL. A fundamentação legal aplicada ao lançamento está em concordância com a apuração de omissão de rendimentos sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica decorrente de acréscimos das parcelas recebidas pela alienação de ações que não compõem o ganho de capital. A impugnação apresentada revela que o interessado tinha pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada, não tendo demonstrado quaisquer dúvidas quanto à matéria tida como infringida, inexistindo qualquer embaraço ao exercício do seu direito de defesa, não se vislumbrando a existência de vícios a macular o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. A presunção legal de disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada, caracterizada como omissão de receitas, está prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96 e Fl. 2713DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.714 6 autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao fisco, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, nos termos da LC nº 105/2001. SOBRESTAMENTO DO FEITO. Não há, entre as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal,qualquer previsão que contemple a suspensão de prosseguimento do processo. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem regimento próprio que não prevê sobrestamento de processo o qual não se confunde com o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se cogita a nulidade quando atendida às determinações legais de formalização do processo administrativo fiscal. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. A Administração Pública deve tomar suas decisões com base nos fatos tais como estes se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelo sujeito passivo. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o impugnante apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refira se a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DOUTRINA. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. A doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Fl. 2714DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.715 7 Compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade de lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado da decisão de 1º Grau em 31/01/2013 (fl. 1.388), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 01/03/2013 (fls. 1.394/1.461). Suas razões podem ser resumidas da seguinte forma: · Que os valores classificados pelo fisco como rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício (infração 01) são, na verdade, a correção dos valores devidos pela alienação da empresa. Destarte, impossível classificálos como "rendimentos de trabalho"; · Que, sendo a identificação da infração 01 equivocada e a motivação incongruente, deve ser anulado o lançamento; · Que não é possível tributar o ganho de capital (infração 02) porque o Contribuinte era titular da empresa desde 1970 e, quando da venda da mesma em 2007, já possuía direito adquirido à isenção do art. 4º, "d", do DecretoLei nº 1.510/1976, ainda que este comando legal já tivesse sido revogado; · Que os valores apontados como de origem desconhecida (infração 03) são, na verdade, (i) provenientes da alienação da empresa (vide infração 02); (ii) transferências entre contas do próprio Contribuinte; ou (iii) resgates de investimentos tributados na fonte; · Que o acesso aos dados bancários foi feito de maneira ilícita, porquanto ocorreram sem autorização judicial; · Que, se não for declarada a nulidade do lançamento em decorrência do acesso ilícito aos dados bancários, deve ser, no mínimo, sobrestado o julgamento em decorrência da declaração de repercussão geral da matéria no STF; · Que, sendo cancelado o lançamento, deve ser cancelada também a imposição de multa de ofício; e · Que os juros não incidem sobre a multa de ofício. O recorrente juntou ainda petição em 18/03/2014 (fls. 1.471/1.475 e docs. fls. 1.476/1.487), ratificando tudo quanto tido anteriormente. Chegando ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2202000.586, de 17/07/2014 (fls. 1.488/1.503), na qual foi determinada a realização de diligência para que o Contribuinte apresentasse provas do percentual de participação acionária que poderia estar dentro da isenção instituída pelo DecretoLei nº 1.510/1976. Fl. 2715DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.716 8 O Contribuinte foi então intimado, apresentando em seguida os documentos de fls. 1.517/1.819. A autoridade fiscalizadora elaborou, por sua vez, o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1.820/1.821), ao qual o recorrente já apresentou Manifestação (fls. 1.824/1.835). Retornando os autos ao CARF, foi proferida nova Resolução nº 2202 000.704, de 13/07/2016 (fls. 1.839/1.850), no qual ficou determinado que a autoridade diligenciadora: · Compulse novamente os extratos bancários para analisar se os valores creditados nas contas do Contribuinte, e considerados na base de cálculo da infração 003 (Depósito bancário de origem não comprovada) não são provenientes de transferências ou de resgates de aplicações de titularidade do próprio Contribuinte, focando, principalmente, nas movimentações indicadas em sede de impugnação e de recurso voluntário; · Diante da juntada de comprovantes de origem dos recursos (especialmente os TED com origem na empresa alienada): informe a natureza dos depósitos identificados pelo contribuinte, no seu recurso voluntário, como feitos a título de pagamento do preço da empresa, inclusive circularizando as depositantes para declarar a sua natureza. · Elabore relatório circunstanciado das conclusões e das provas analisadas; após, intime o Contribuinte a se pronunciar sobre dito relatório no prazo de 30 dias; A DRF então, após realizar as diligências que entendeu necessárias, formalizou "Relatório de Diligência Fiscal" (fls. 1.934/1.940) no qual concluiu que diversos valores restaram comprovados, individualizandoos, enquanto outros não o foram. Intimado em 23/05/2017 (fl. 1.941), o Recorrente apresentou Manifestação (fls. 1.947/1.965 e docs. anexos fls. 1.966/2.691), no qual buscou novamente demonstrar que já havia comprovado a origem dos recursos, apresentando tabelas e indicando onde nos autos estariam as provas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. 1. Preliminares: 1.1. Da nulidade do lançamento erro na caracterização da infração: Fl. 2716DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.717 9 Reclama o Contribuinte pela nulidade do auto de infração, argumentando que a infração 01 classificou equivocadamente a natureza do rendimento e que a motivação foi incongruente e imprecisa. Há que se registrar que a Resolução CARF nº 2202000.704, de 13/07/2016, discorreu sobre as preliminares suscitadas pelo recurso voluntário. Efetivamente, somente caso fossem superadas é que faria sentido analisar o mérito e, nesse contexto, solicitar a segunda diligência. Nessa trilha, entendeuse ali ser possível superar todas as preliminares. Contudo, uma vez que aquele julgamento não foi concluído, retornando os autos agora à análise após a realização da diligência, entendo que é necessário alterar meu voto em relação à nulidade do lançamento exclusivamente no tocante à infração 001. Efetivamente, inicialmente entendi que, ainda que o Contribuinte tivesse razão na sua afirmação (de que a infração foi identificada erroneamente), não se tratava de hipótese de nulidade, e sim de análise do mérito, vez que caberia ali apurar se houve ou não a infração imputada pela autoridade lançadora. O que é mais, entendi em um primeiro momento que o Recorrente havia sido capaz de compreender a infração imputada e, consequentemente, não teria havido cerceamento do seu direito de defesa a justificar a aplicação do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972. Acontece que, analisando detidamente a forma como o lançamento foi realizado, constatase que houve efetiva nulidade. Esclareço: · no relatório fiscal foi afirmado que a infração 001 se referia aos acréscimos decorrentes do pagamento parcelado da venda da participação societária. Em outras palavras, juros ou correção monetária, valores esses que não são incluídos no preço do bem, mas sim tributados separadamente, incluídos na apuração final do exercício; · no auto de infração afirmouse que se tratava de "omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício". O que é mais, fundamentou o lançamento no art. 45 do RIR/1999, que trata expressamente do "rendimentos do trabalho não assalariado". Em outras palavras: há duas acusações diversas, o que não pode prevalecer. Ou se tratam de acréscimos do preço, ou se trata de remuneração do trabalho sem vínculo empregatício. Fica a dúvida quanto à acusação que vale, se aquela constante no Termo de Verificação Fiscal ou aquela constante no Auto de Infração. Se se entender que deve prevalecer a acusação constante no Auto de Infração, então o lançamento não prevalecerá no mérito, vez que não há nos autos nenhuma prova de que os valores listados decorreram de trabalho sem vínculo empregatício. Pelo contrário, a própria autoridade lançadora reconhece que os valores se referem aos acréscimos decorrentes do pagamento parcelado do preço da empresa. Se se entender que deve prevalecer a acusação constante no Termo de Verificação Fiscal, então o auto de infração é nulo por outro aspecto: não se apresentou a legislação que embasa a tributação dos acréscimos (juros e correção monetária), requisito Fl. 2717DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.718 10 estabelecido pelo art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/1972. Efetivamente, eis o trecho em que se descreveu a infração: "Os valores usados na apuração do Ganho de Capital foram baseados no Instrumento de Compra e Venda de Quotas do Avamiller, levando em consideração que ao contribuinte correspondia 95% dos recebimentos. Os valores que excederam ao estipulado no Instrumento de Compra e Venda, isto é, acima de R$ 500.000,00 ao mês, foram considerados acréscimos. No caso, correção mensal conforme variação do Certificado de Depósito Interbancário CDI. Nos recebimentos que ficaram aquém de R$ 500.000,00, não foram considerados qualquer tipo de acréscimos. Os acréscimos da parcela recebida não compõem o preço de alienação, devendo ser tributados em separado do Ganho de Capital e assim foram tributados como recebidos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício (0588). Estes acréscimos também foram computados à proporção de 95% para o contribuinte, conforme demonstrado em planilha anexa." fl. 881. Não se pode defender a inocorrência de nulidade por cerceamento do direito de defesa ao argumento de que o Recorrente foi capaz de compreender o lançamento. Ora, defendeuse da acusação apresentada no Termo de Verificação Fiscal, mas não da acusação constante no Auto de Infração. Como poderia o Contribuinte se defender se houvesse uma terceira acusação, ou quatro, cinco, dez acusações diversas, configurando de forma díspares o mesmo fato? Enfim, diante da completa disparidade entre a infração imputada no auto de infração e aquela indicada no Termo de Verificação Fiscal, e considerando que nenhuma delas pode prevalecer isoladamente, entendo que houve nulidade parcial no lançamento, devendo ser extirpada a infração 001. 1.2. Do sobrestamento do julgamento: O Contribuinte também suscitou em seu Recurso Voluntário que, se não fosse anulado o lançamento por ilicitude do acesso às suas informações bancárias, ao menos deveria o julgamento ser sobrestado enquanto o STF não chegasse a decisão final sobre a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. A verdade é que, além de o STF já ter julgado o "leading case" da repercussão geral (RE nº 601.314), o CARF tem um novo regimento interno, no qual foi suprimido o comando constante do art. 62A do RICARF anterior. Logo, não há mais a possibilidade de sobrestamento do julgamento de processo administrativo fiscal federal, nesse e.CARF, em decorrência da declaração de repercussão geral pelo STF. Por esses motivos, não é possível dar provimento ao pleito do recorrente. 1.3. Da nulidade do lançamento dupla tributação dos mesmos recursos: Argumenta o Contribuinte que grande parte dos valores depositados em suas contas bancárias decorreram do pagamento pela alienação da sua empresa, valores esses que foram tributados na infração 002 (ganho de capital na alienação de cotas de sociedade). Nesse Fl. 2718DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.719 11 sentido, conclui ser um contrasenso tributar os mesmos recursos outra vez, na infração 03 (depósitos de origem não comprovada), porquanto haveria dupla tributação dos mesmos recursos. A autoridade julgadora de primeiro grau, analisando a questão, conclui tratar se de argumento totalmente improcedente. Pelo contrário, afirmou que a autoridade lançadora considerou os depósitos referentes ao pagamento pela alienação da empresa dentro dos valores tidos como depósitos comprovados. Pois bem. Fazse necessário estabelecer algumas premissas: · Em relação ao anocalendário de 2009, foram imputados ao Contribuinte as três infrações; e · Ainda que sejam identificadas três infrações diversas, fazse necessário identificar a natureza do rendimento recebido pelo Contribuinte para, incluindoo na base de cálculo da infração correta, aplicarlhe a metodologia adequada de apuração da base de cálculo. Nesse contexto, o Contribuinte alega que, quando da lavratura do auto de infração, a autoridade lançadora incluiu os mesmos depósitos na base de cálculo da infração 002 (omissão de ganhos de capital) e na base de cálculo da infração 003 (depósitos bancários com origem não comprovada). Por sua vez, a autoridade lançadora expressamente alegou, no TVF, que: "Em relação à MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL MFI, do anocalendário 2.009, não foram comprovados nenhum crédito/depósito conforme solicitado no Termo de Intimação datado de 05/07/2.011. Com base na planilha citada acima, ou seja de alienação do Avamiller, pudermos identificar alguns créditos/depósitos que foram extraídos da planilha de DEPÓSITOS e estão discriminados no demonstrativo DEPÓSITOS COMPROVADOS anexo. Tendo em vista que a origem dos demais créditos/depósitos, não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, preparamos planilha de valores das contas correntes e poupanças das instituições bancárias mencionadas, resultando no valor tributável de R$ 3.147.724,18, no ano calendário 2.009, conforme demonstrativo anexo." fl. 881. Em outras palavras, o Contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Não o tendo feito, a autoridade fazendária foi compelida, nos termos do art. 142, §único, do CTN, a lavrar o auto de infração identificando como infração a omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. É que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 criou a presunção relativa em favor do fisco, cabendo ao Contribuinte o ônus da prova de que os recursos já foram declarados ou tributados. Fl. 2719DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.720 12 Enfim, é nesse contexto que o Contribuinte afirma ter havido dupla tributação, i.e., que os mesmos valores foram incluídos na base de cálculo do ganho de capital e na base de cálculo dos depósitos de origem não comprovada. Tal fato efetivamente levaria à nulidade do auto de infração. Essa linha de argumentação não pode, entretanto, prevalecer. Em primeiro lugar, anotase que a autoridade lançadora teve o cuidado de tentar conciliar os depósitos feitos a título de pagamento pela alienação da empresa com os extratos bancários. Nesse contexto, identificou diversos dos depósitos, excluídoos da base de cálculo da infração 003. Em segundo lugar, o ônus de provar a origem dos depósitos foi atribuído, por Lei, ao Contribuinte, ora recorrente. Cabe a ele, portanto, comprovar que o valor incluído na base de cálculo da infração 003 (omissão de rendimentos por depósito bancário de origem não comprovada) é, na verdade, depósito com intuito de pagamento do preço da alienação da empresa. Se comprovar tal fato, então o valor será excluído da base de cálculo da infração 003, porquanto foi incluído na base de cálculo da infração 002 ou da infração 001. A análise da efetiva comprovação da origem dos recursos, entretanto, é questão de mérito, que deverá ser analisada oportunamente. Em suma, não procede a preliminar suscitada pelo recorrente. 2. Mérito 2.1. infração 002 omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa Contestando a infração 002, o Recorrente afirma que os valores recebidos a título de pagamento pela alienação da empresa são isentos de IRPF uma vez que preencheu os requisitos do art. 4º, 'd', do DecretoLei nº 1.510/1976. Especificamente, ressalta que a empresa foi fundada por ele em 1970, e que, quando da revogação do referido comando legal, já tinha preenchido os requisitos para fazer jus à isenção. Ressalta que a empresa só foi alienada depois de 36 (trinta e seis) anos, em 2007. Retornando ao relatório fiscal, constatase que a autoridade lançadora lançou o auto de infração uma vez que reclassificou os valores declarados pelo Contribuinte. Efetivamente, a autoridade lançadora registrou que o Contribuinte declarou ter recebido os valores referentes à operação de venda, porém os declarou como isentos. A isenção é estabelecida com o propósito de proteger determinado fato jurídico ou de incentivar certa conduta ou atividade econômica. Nesse contexto, a norma isentiva pode ser estabelecida para abarcar apenas determinado território ou região; também pode ser estabelecida por prazo certo ou indeterminado; ainda, pode ser estabelecida de forma que apenas os Contribuintes que observem determinadas condições é que dela gozação. O art. 178 do CTN estabelece que a isenção pode ser revogada ou modificada a qualquer momento. Estabelece como exceção as hipóteses em que a regra isentiva seja estabelecida por prazo certo e que seja concedida sob determinadas condições. Fl. 2720DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.721 13 A norma ora observada não estabelece prazo para a sua vigência. Consequentemente, pode ser revogada a qualquer momento. Defender diferentemente seria operar pela renúncia eterna da receita do fisco, o que não pode ser aceito. Efetivamente, a isenção contida no DecretoLei nº 1.510/1976 tanto podia ser revogada (ou modificada) a qualquer momento, como efetivamente o foi: a Lei nº 7.713/1988 revogou o art. 4º do referido DecretoLei, de sorte que a partir de 1989 não mais poderia garantir isenção a novos Contribuintes. Acontece que, de outro lado, o DecretoLei nº 1.510/1976 estabelecia uma condição para o advento do benefício fiscal: que a pessoa detivesse a propriedade da participação societária por período mínimo de 5 (cinco) anos. E o Contribuinte adimpliu essa condição: era proprietário das ações da empresa alienada desde 1970. Nesse caminho, quando a Lei nº 7.713/1988 revogou a isenção do IRPF sobre o ganho de capital nas operações de alienação de participação societária, o Contribuinte já tinha adimplido a condição necessária para exercer o direito ao benefício. Em outras palavras, já tinha adquirido o direito. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já decidiu de maneira similar em mais de uma hipótese. Exemplo é o acórdão nº 920200.102, de 18 de agosto de 2009, votado à unanimidade, que restou assim ementado: “IRPF – ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA – DIREITO ADQUIRIDO – DECRETOLEI Nº 1.510/76. Não incide imposto de renda quando da alienação de participações societárias adquiridas há mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei nº 7.713/88, nos termos do artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510/76, em razão do direito adquirido.” No voto, explicou que: “Sob minha ótica, o benefício fiscal previsto no DecretoLei nº 1.510/76 tinha por objetivo excluir da tributação os ganhos auferidos quando da alienação de participações societárias, após decorrido o prazo de cinco anos da aquisição ou subscrição das participações. Salvo melhor juízo, esta foi a intenção do legislador. Neste sentido, não se pode olvidar que ao tempo da edição da Lei nº 7.713/88, o interessado já havia cumprido a exigência prevista no artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510/76, pois era proprietário das ações da empresa Pardelli S.A. Indústria e Comércio desde 22/08/1979 e 15/04/1983, quando as recebeu por doação. Entendo que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre o ganho de capital apurado na alienação de participações societárias não se aplica quando tais ações foram adquiridas há mais de cinco anos contados do início da vigência da Lei nº 7.713/88, como ocorre no caso em tela. Fl. 2721DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.722 14 Deve se respeitar o direito adquirido, previsto no artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal e no artigo 6º da Lei de Introdução ao Código Civil – LICC. (...) Por isso, sob o ponto de vista da retroatividade das leis, não somente se consideram adquiridos os direitos aperfeiçoados ao tempo em que se promulga a lei nova, como os que estejam subordinados a condições ainda não verificadas, desde que não se indiquem alteráveis ao arbítrio de outrem. Sob minha ótica, a edição da Lei nº 7.713/88 não pode prejudicar o direito do contribuinte previsto no artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.512/76, apenas pelo fato de a alienação da participação societária não ter ocorrido anteriormente, ou seja, antes da revogação do benefício fiscal.” Ainda no voto, transcreveu ementas de diversos processos julgados no mesmo sentido na CSRF e no Conselho de Contribuintes. Não se trata de posição antiga. O acórdão CSRF nº 9202003.542, de 28 de janeiro de 2015, manteve o mesmo entendimento: “IRPF. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DIREITO ADQUIRIDO. ISENÇÃO. DECRETO Nº 1.510/76. APLICAÇÃO. A manutenção da participação societária da empresa pelo período de 05 (cinco) no decorrer da vigência do DecretoLei nº 1.510/76, importa na não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido a partir da alienação de aludido direito, nos termos do artigo 4º, alínea d, daquele Diploma Legal, ainda que o ato negocial tenha ocorrido posteriormente à revogação da referida benesse fiscal, em face do direito adquirido pelo contribuinte no período sob a égide do precitado comando legal.” E no voto explicou que: “Desta forma, com arrimo no direito adquirido do contribuinte, inscrito no artigo 5º, inciso XXXVI, da CF, sustenta que o fato de sua participação societária ser alienada na vigência da Lei nº 7.713/88, a qual revogou aludida isenção, não tem o condão de afastar seu direito ao gozo do benefício fiscal em comento, porque cumpriu com os pressupostos legais exigidos à época da vigência do DecretoLei 1.510/76, conforme se extrai da jurisprudência e doutrina transcritas na peça recursal, corroborando seu entendimento. Consoante se positiva dos autos, os argumentos do recorrente têm o condão de reformar o Acórdão atacado, por representar a melhor interpretação a propósito do tema, garantindo a segurança jurídica em homenagem ao direito adquirido à isenção de ganho de capital sobre a alienação de participação societária, posteriormente à vigência do Decretolei 1.510/76, conquanto que tenha permanecido com a propriedade de sua Fl. 2722DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.723 15 participação por 05 (cinco) anos durante o período de validade de aludido Diploma Legal, impondo o acolhimento do pleito do contribuinte, com o fito de se restabelecer a ordem legal nesse sentido.” Também na esfera judicial, especificamente no Superior Tribunal de Justiça (STJ), encontramos jurisprudência majoritária no sentido de que a não incidência do IRPF nesses casos é hipótese de direito adquirido: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE A ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ARTS. 4º, "D" E 5º, DO DECRETOLEI N. 1.510/76. ISENÇÃO. 1. A jurisprudência do STJ já se firmou no sentido de que a isenção concedida pelo art. 4º, "d", do DL 1.510/1976, pode ser aplicada a alienações ocorridas após a sua revogação pelo art. 58 da Lei n. 7.713/1988, desde que já implementada a condição da isenção antes da revogação. Precedentes: AgRg no REsp 1.243.855/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 7.6.2011; e REsp 1.133.032/PR, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, Rel. p/Acórdão Min. Castro Meira, julgado em 14.3.2011. 2. A condição para efeito de não sofrer a tributação é completar cinco anos como titular das ações na vigência do art. 4º, "d" do DecretoLei n. 1.510/76. Precedente: REsp. n. 1.257.437 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 18.08.2011. 3. Recurso Especial não provido. Unanimidade. (“REsp 1570781/RS.2015/03049014 Julgado 08/03/2016 Publicado 14/03/2016) TRIBUTÁRIO ACÓRDÃO PROLATADO EXCLUSIVAMENTE POR JUÍZES CONVOCADOS À SEGUNDA INSTÂNCIA AUSÊNCIA DE NULIDADE ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS DECRETOLEI 1.510/76 REVOGAÇÃO PELA LEI 7.713/88 DIREITO ADQUIRIDO – RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Inexiste nulidade em julgamento promovido exclusivamente por juízes de primeiro grau convocados para substituição no Tribunal de Justiça. Precedentes. 2. Tem prevalecido nesta Corte o entendimento de que a isenção conferida pelo Decretolei nº 1.510/1976, art. 4º, 'd', é isenção onerosa, hipótese em que, nos termos do art. 178 do CTN e da Súmula 544/STF não poderia ser revogada se atendidos os seus requisitos, configurandose direito adquirido à isenção. Precedentes. 3. Recurso especial parcialmente provido. Unanimidade. Fl. 2723DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.724 16 (REsp 1241131/RJ.2011/00452194 Julgado 27/08/2013 Publicado 04/09/2013) PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO FISCAL. HIPÓTESES DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO STF. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DA CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. AUSÊNCIA. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBLIDADE. 1. Os embargos de declaração destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade ou eliminar contradição existente no julgado. Também temse admitido os aclaratórios para a correção de meros erros materiais, passíveis de conhecimento de ofício pelo órgão julgador. Entretanto, subverte a finalidade do recurso a tentativa de rediscutir as questões já enfrentadas pelo julgado impugnado. 2. Não há contradição em se afirmar que, via de regra, as isenções fiscais por prazo indeterminado são revogáveis, nos termos do art. 178 do CTN e concluirse, no caso das alienações das participações societárias regulamentadas pelo art. 4º, alínea 'd', do DecretoLei 1.510/76, que o contribuinte tem direito adquirido à benesse fiscal. 3. Não procede a suscitada usurpação de competência da Suprema Corte, pois o acolhimento da tese de que a isenção fiscal persiste, no caso, deuse com base na interpretação dos dispositivos infraconstitucionais aplicáveis à espécie, não se tendo feito, em nenhum momento, juízo de valor sobre as normas insculpidas no Texto Maior. 4. Não se confunde a revogação da isenção fiscal com a revogação da lei isentiva. O legislador, ao exercer a função legislativa inserida no âmbito da liberdade de conformação, pode revogar a lei isentiva. No entanto, a força normativa do novo diploma legal não atinge, na hipótese, quem já cumpriu com os requisitos para a fruição da isenção, em momento anterior ao da revogação da lei. Logo, não se declarou a inconstitucionalidade do art. 58 da Lei 7.713/88, o qual permanece válido, tanto é que, após a edição desse normativo, não é mais possível adquirirse novo direito à isenção. 5. Embargos de declaração rejeitados. Unanimidade. (EDcl no REsp 1133032/PR.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2009/01214660 – Julgado 14/09/2011 – Publicado 27/09/2011) DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. ISENÇÃO CONDICIONADA OU Fl. 2724DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.725 17 ONEROSA. DECRETOLEI 1.510/1976. REVOGAÇÃO PELA LEI 7.713/1988. DIREITO ADQUIRIDO AO BENEFÍCIO FISCAL. 1. A discussão nos autos consiste na caracterização ou não de direito adquirido de isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido na alienação de ações societárias, isenção esta instituída pelo DecretoLei 1.510/1976 e revogada pela Lei 7.713/1988, tendo em vista que a venda das ações ocorreu em janeiro de 2007, ou seja, após a revogação. 2. A legislação em regência (arts. 1º e 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76) concede isenção de Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física em virtude de venda de ações mediante o cumprimento de determinado requisito (condição), qual seja, o de a alienação ocorrer somente após decorridos cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. Tratase, portanto, de isenção sob condição onerosa. 3. A isenção onerosa ou condicionada não pode ser revogada ou modificada por lei. Acerca do tema, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 544, que dispõe: "Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas". 4. Em minuciosa leitura do art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/1976, constatase que o referido dispositivo legal estabelecia isenção do Imposto de Renda sobre lucro auferido por pessoa física pela venda de ações, se a alienação ocorresse após cinco anos da subscrição ou da aquisição da participação societária. 5. In casu, o contribuinte cumpriu os requisitos para o gozo da isenção do Imposto de Renda, nos termos da referida lei, antes mesmo da revogação da norma, tendo direito adquirido ao benefício fiscal. 6. A Primeira Seção passou a adotar orientação em sentido contrário à que foi acolhida pelo Tribunal local, entendendo ser isento do Imposto de Renda o ganho de capital decorrente da alienação de ações societárias após cinco anos da respectiva aquisição, ainda que transacionadas após a vigência da Lei 7.713/1988, conforme previsão do DecretoLei 1.510/1976. 7. Agravo Regimental não provido. Unanimidade.” (AgRg no AgRg no REsp 1137701/RS.AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.2009/00823207 – Julgado 23/08/2011 – Publicado 08/09/2011) Esse também foi o entendimento seguido na primeira análise desses autos no CARF, quando a Resolução nº 2202000.586, de 17/07/2014 (fls. 1.488/1.503), determinou a realização de diligência para confirmar a data da aquisição da participação societária pelo Fl. 2725DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.726 18 Recorrente. Inclusive, nessa resolução se reconheceu a aplicabilidade da Súmula nº 544 do STF. Seja como for, na diligência realizada, a autoridade diligenciadora concluiu (fls. 1.820/1.821) que o Recorrente detinha 92% da sociedade em 28/12/1976, mantendo tal participação até pelo menos 31/10/1989. Em 1991 aumentou sua participação, passando a ser proprietário de 95% da sociedade, e foi esse o montante alienado em 2007. A Contribuinte confirma essa conclusão em sua manifestação (fls. 1.824/1.835), defendendo, portanto, a redução do lançamento em 96,84% ( = 92% / 95%), vez que esse é o montante da participação societária alienada que ele já possuía quando adquiriu o direito à isenção. Nesse contexto, entendo que o recurso é parcialmente procedente nesse ponto, devendo ser reduzida a base de cálculo da infração 002 para R$ 625.825,18, conforme a tabela abaixo: Data Valor Lançado (A) Valor Exonerado (A*0,9684) (B) Valor Mantido (AB) 30/09/2007 R$ 1.895.630,00 R$ 1.835.728,09 R$ 59.901,91 31/01/2008 R$ 786.686,45 R$ 761.827,16 R$ 24.859,29 31/03/2008 R$ 1.421.722,50 R$ 1.376.796,07 R$ 44.926,43 30/04/2008 R$ 2.369.537,50 R$ 2.294.660,12 R$ 74.877,38 31/05/2008 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 30/06/2008 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 31/07/2008 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 31/08/2008 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 30/09/2008 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 31/10/2008 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 30/11/2008 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 31/12/2008 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 31/01/2009 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 28/02/2009 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 31/03/2009 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 30/04/2009 R$ 331.735,25 R$ 321.252,42 R$ 10.482,83 31/05/2009 R$ 331.735,25 R$ 321.252,42 R$ 10.482,83 30/06/2009 R$ 331.735,25 R$ 321.252,42 R$ 10.482,83 31/07/2009 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 31/08/2009 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 30/09/2009 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 31/10/2009 R$ 440.733,97 R$ 426.806,78 R$ 13.927,19 30/11/2009 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 31/12/2009 R$ 426.516,75 R$ 413.038,82 R$ 13.477,93 31/01/2010 R$ 473.907,50 R$ 458.932,02 R$ 14.975,48 28/02/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 31/03/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 30/04/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 31/05/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 Fl. 2726DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.727 19 30/06/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 31/07/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 31/08/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 30/09/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 31/10/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 30/11/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 31/12/2010 R$ 379.126,00 R$ 367.145,62 R$ 11.980,38 Total: R$ 19.804.594,42 R$ 19.178.769,24 R$ 625.825,18 2.2. infração 003 omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada 2.2.1. Do sigilo bancário: Reclama o Contribuinte que seja declarada a nulidade do auto de infração, alegando que a autoridade lançadora acessou indevidamente seus dados bancários, por meio de RMFs, uma vez que não tinha autorização judicial para tanto. Percebese, entretanto, que o STF já reconheceu, por meio do RE nº 601.314, em sede de repercussão geral que obrigatoriamente deve ser repetido por este Conselho, nos termos do art. 62 do Anexo II ao RICARF a validade do acesso direto aos dados bancários pela autoridade fazendária, prescindindo de autorização judicial para tanto: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Fl. 2727DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.728 20 Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe198 DIVULG 1509 2016 PUBLIC 16092016) Neste, inclusive, restou fixada a seguinte tese: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; Por essa razão, não pode prevalecer o presente argumento. 2.2.2. Dos creditamentos Argumenta a Contribuinte que os valores considerados como omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários com origem não comprovada são, na verdade, (i) provenientes da alienação da empresa, e portanto já estariam incluídos na infração 002; (ii) transferências entre constas do próprio Contribuinte; ou (iii) resgates de investimentos tributados na fonte. Quanto ao argumento de que há duplicidade, que os valores considerados omitidos depósitos bancários de origem não comprovada seriam em parte os mesmos decorrentes da alienação da empresa, a autoridade lançadora esclareceu que: Fl. 2728DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.729 21 "Em relação à MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL MFI, do anocalendário 2.009, não foram comprovados nenhum crédito/depósito conforme solicitado no Termo de Intimação datado de 05/07/2.011. Com base na planilha citada acima, ou seja, de alienação do Avamiller, pudemos identificar alguns créditos/depósitos que foram extraídos da planilha de DEPÓSITOS e estão discriminados no demonstrativo DEPÓSITOS COMPROVADOS anexo. Tendo em vista que a origem dos demais créditos/depósitos, não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, preparamos planilha de valores das contas correntes e poupança das instituições bancárias mencionadas, resultando no valor tributável de R$ 3.147.724,18, no ano calendário de 2.009, conforme demonstrativo anexo." fl. 881; Efetivamente, consta como anexo ao TVF planilha considerando os valores tidos como comprovados (fls. 884/888). Conforme a autoridade lançadora, esses valores foram considerados comprovados exatamente por se referirem a pagamentos da alienação da sociedade. O que é mais, a DRJ já esclareceu que: "Assim, os valores considerados como depósitos comprovados, no valor total de R$ 5.631.092,49, superam e muito os valores apurados sobre ganhos de capital e juros decorrentes da alienação de ações do Laboratório Avamiller, no valor de R$ 5.268.902,32. A composição do total recebido referente à alienação em 2009 já foi considerado com os valores dos depósitos comprovados e não como pretende o contribuinte." fl. 1.367; Portanto, o argumento de forma genérica não pode prevalecer. Cabe analisar, isso sim, se o Recorrente conseguiu demonstrar que algum dos valores incluídos na planilha de não comprovados (fls. 889/894) se refere a esses pagamentos. Diante da extensa lista de depósitos individualizados e das provas anexadas aos autos, fezse um levantamento por amostragem na Resolução CARF nº 2202000.704, de 13/07/2016, no qual se constatou que a Contribuinte efetivamente comprovava a origem de diversos depósitos incluídos na base de cálculo. Por esse motivo, determinou a realização de diligência. A autoridade diligenciadora, após intimar o Contribuinte e a empresa vendida, elaborou relatório final de diligência, no qual apresentou suas considerações. Especificamente, entendeu comprovados os valores: (i) R$ 7.900,00, de 12/02/2009; (ii) R$ 4.000,00, de 16/02/2009; (iii) R$ 100.000,00, de 25/05/2009; (iv) R$ 3.300,00, de 01/06/2009; (v) R$ 268.966,88, de 04/06/2009; (vi) R$ 11.700,00, de 10/06/2009; e (vii) R$ 2.195,99, de 01/07/2009. Desses, é importante registrar que na Resolução CARF nº 2202000.704 foram analisados especificamente os itens (i) e (v), que justificaram a conversão do julgamento em diligência. Nesse sentido, compulsando os autos e analisando os fundamentos da diligência, concordo com as conclusões, entendo ser necessário exonerar também tais valores da base de cálculos. Intimado, o Contribuinte protocolou Manifestação e novas provas, na qual voltou a insistir na comprovação de diversos depósitos, ressaltando que muitos deles não foram Fl. 2729DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.730 22 analisados pela autoridade diligenciadora. De qualquer sorte, discorreu especificamente sobre os seguintes depósitos: · R$ 261.844,23, em 02/01/2009: valor pago pelo Laboratório Avamiller referente ao pagamento do preço pela alienação. Efetivamente, o extrato de fl. 1.252 esclarece que o valor foi transferido pela empresa nessa data, e a empresa afirma que o valor foi pago a título de pagamento do preço. Considerando que foi juntado aos autos cópias do processo arbitral e do processo judicial instaurados entre ela e a compradora do Laboratório Avamiller (fls. 1.969/2.692). No âmbito desse processos judiciais discutiuse exatamente os pagamentos efetuado, vindo a empresa a apresentar comprovantes de pagamentos, entendo que restou comprovada a natureza desse pagamento, ou seja, que se refere a pagamento do preço pela aquisição da empresa, estando sujeito a tributação exclusiva. Por essa razão, deve ser excluído da base de cálculo; · R$ 288.155,77, em 02/01/2009: valor pago pelo Laboratório Avamiller referente ao pagamento do preço pela alienação. Para atestar que se trata de pagamento do preço, a empresa apresenta cópias do processo arbitral e do processo judicial instaurados entre ela e a compradora do Laboratório Avamiller (fls. 1.969/2.692). No âmbito desse processos judiciais discutiuse exatamente os pagamentos efetuado, vindo a empresa a apresentar comprovantes de pagamentos. Dentre eles consta "Comprovante de TED em conta corrente diferente titularidade" (fl. 2.145), no qual o "Laboratório Avamiller de Cosme" figura domo emitente e "Edson Scoback", no Bradesco, agência e contas coincidentes com aquelas que compõe a base de cálculo, consta como destinatário de R$ 288.155,77, em 02/01/2009. Nesse sentido, entendo que restou comprovada a natureza desse pagamento, ou seja, que se refere a pagamento do preço pela aquisição da empresa, estando sujeito a tributação exclusiva. Por essa razão, deve ser excluído da base de cálculo; · R$ 370, em 05/01/2009: argumenta que esse valor se refere a "retiradas mensais devidas à época" pela Avamiller ao Contribuinte. A Contribuinte argumenta que não pode subsistir o entendimento da autoridade diligenciadora de que não ficou comprovada a natureza dos recursos, uma vez que se tratam de contraprestação pela aquisição do laboratório. Contudo, tal fato não ficou comprovado, de sorte que não pode ser tal valor excluído da base de cálculo. · R$ 100.914,82, em 15/01/2009: o valor teria sido transferido pelo próprio favorecido. A prova que indica é o próprio extrato bancário. Efetivamente, ali consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido" (fl. 672 e 1.268) (em outros lançamentos há apenas "transf ag dinh", e.g.). Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; · R$ 5.000,00, em 20/01/2009: seria comprovado por meio de um cheque. Contudo, qual cheque? Quem foi o emitente? Para pagar o que? Não Fl. 2730DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.731 23 tendo respondido tais perguntas, não é possível excluir esse valor da base de cálculo; · R$ 369, em 05/02/2009: argumenta que esse valor se refere a "retiradas mensais devidas à época" pela Avamiller ao Contribuinte. A Contribuinte argumenta que não pode subsistir o entendimento da autoridade diligenciadora de que não ficou comprovada a natureza dos recursos, uma vez que se tratam de contraprestação pela aquisição do laboratório. Contudo, tal fato não ficou comprovado, de sorte que não pode ser tal valor excluído da base de cálculo. · R$ 10.000,00, em 09/02/2009: seria comprovado por meio de um cheque. Contudo, qual cheque? Quem foi o emitente? Para pagar o que? Não tendo respondido tais perguntas, não é possível excluir esse valor da base de cálculo; · R$ 337,95, em 13/02/2009: seria transferência do próprio contribuinte. Contudo, conforme o extrato (fl. 1.272), tratase de depósito em dinheiro. O contribuinte deveria ter provado a origem dos recursos em espécie para justificar o seu depósito. Ausente tal prova de que os recursos não se referiam a renda nova o depósito deve ser mantido na base de cálculo, ainda que feito pelo próprio sujeito passivo; · R$ 100.000,00, em 16/02/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido, por meio de baixa da conta poupança para c/c. Efetivamente, o próprio extrato da conta corrente (fl. 261) é claro em registrar que o valor decorre de "baixa automat poupança". Acontece que o lançamento recaiu sobre os depósitos ocorridos na conta poupança, e, no extrato de fl. 1.272, há menção a "transf ag dinh", sem esclarecer quem transferiu. Por sua vez, à fl. 1.328 consta informação coincidente em data e valor, esclarecendo que os recursos vieram do próprio contribuinte. Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; · R$ 414,00, em 05/03/2009: seria transferência do próprio contribuinte. Contudo, conforme o extrato (fl. 1.273), tratase de depósito em dinheiro. O contribuinte deveria ter provado a origem dos recursos em espécie para justificar o seu depósito. Ausente tal prova de que os recursos não se referiam a renda nova o depósito deve ser mantido na base de cálculo, ainda que feito pelo próprio sujeito passivo; · R$ 30.264,06, em 16/03/2009: esclarece o Contribuinte que o valor seria referente a TED da Avamiller, apresentando comprovante (fl. 1.329) coincidente em valor, e data. Considerando que foi juntado aos autos cópias do processo arbitral e do processo judicial instaurados entre ela e a compradora do Laboratório Avamiller (fls. 1.969/2.692). No âmbito desse processos judiciais discutiuse exatamente os pagamentos efetuado, vindo a empresa a apresentar comprovantes de pagamentos, entendo que restou comprovada a natureza desse pagamento, ou seja, que se refere a Fl. 2731DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.732 24 pagamento do preço pela aquisição da empresa, estando sujeito a tributação exclusiva. Por essa razão, deve ser excluído da base de cálculo; · R$ 100.000,00, em 17/03/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido, por meio de baixa da conta poupança para c/c. Efetivamente, o próprio extrato da conta corrente (fl. 263) é claro em registrar que o valor decorre de "baixa automat poupança". Acontece que o lançamento recaiu sobre os depósitos ocorridos na conta poupança, e, no extrato de fl. 1.275, há menção a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; · R$ 50.000,00, em 04/05/2009: valor pago pelo Laboratório Avamiller referente ao pagamento do preço pela alienação. Para atestar que se trata de pagamento do preço, a empresa apresenta cópias do processo arbitral e do processo judicial instaurados entre ela e a compradora do Laboratório Avamiller (fls. 1.969/2.692). No âmbito desse processos judiciais discutiuse exatamente os pagamentos efetuado, vindo a empresa a apresentar comprovantes de pagamentos. Dentre eles consta comprovante de "Transferência de Recursos DOC" (fl. 2.160), no qual consta como beneficiário "Edson Scoback", no Bradesco, agência e contas coincidentes com aquelas que compõe a base de cálculo, consta como destinatário de R$ 50.000,00, em 04/05/2009. Nesse sentido, entendo que restou comprovada a natureza desse pagamento, ou seja, que se refere a pagamento do preço pela aquisição da empresa, estando sujeito a tributação exclusiva. Por essa razão, deve ser excluído da base de cálculo; · R$ 59,16, em 06/04/2009: segundo o Contribuinte, tratarse de transferência em dinheiro pelo próprio favorecido. Retornando ao extrato (fl. 1.277), consta "dep cheque o próprio favorecido". Contudo, qual cheque? Quem foi o emitente? Para pagar o que? Não tendo respondido tais perguntas, não é possível excluir esse valor da base de cálculo; · R$ 10.000,00, em 05/05/2009: segundo o contribuinte, tratase de depósito em cheque, e que foi solicitada a identificação pelo Recorrente ao banco. Contudo, uma vez que o cheque não foi apresentado, nem foi demonstrado quem foi o emitente, nem a que se refere, não é possível excluir esse valor da base de cálculo; · R$ 50.000,00, em 06/05/2009: esclarece o Contribuinte que o valor seria referente a TED da Avamiller, apresentando comprovante (fl. 1.329) coincidente em valor, e data. Considerando que foi juntado aos autos cópias do processo arbitral e do processo judicial instaurados entre ela e a compradora do Laboratório Avamiller (fls. 1.969/2.692). No âmbito desse processos judiciais discutiuse exatamente os pagamentos efetuado, vindo a empresa a apresentar comprovantes de pagamentos, entendo que restou comprovada a natureza desse pagamento, ou seja, que se refere a pagamento do preço pela aquisição da empresa, estando sujeito a tributação exclusiva. Por essa razão, deve ser excluído da base de cálculo; Fl. 2732DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.733 25 · R$ 52.000,00, R$ 43.000,00 e R$ 264,00, em 25/05/2009: esclarece o Contribuinte que os valores seriam referentes ao contrato de prestação de serviços de assessoria e consultoria e ao seu respectivo distrato. Também, que não pode subsistir o argumento de que não restou comprovado tratar se de pagamento em consequência desse contrato por não ser no valor de R$ 50.000,00, uma vez que a cláusula 3.2. estabelecia a responsabilidade da empresa de reembolsar as despesas incorridas na execução do contrato. Outrossim, que as partes poderiam estabelecer formas diversas de realizar o pagamento. Enfim, que cabia à empresa reter na fonte o IR. Tais argumentos não podem prevalecer. A verdade é que o ônus de comprovar suas alegações é da Contribuinte. Se a empresa estava obrigada a reembolsar as despesas incorridas, deveria ter demonstrado quais foram as despesas incorridas e reembolsadas. Outrossim, que se o pagamento poderia ser feito de outra forma, que demonstrasse as tratativas ou as requisições para que o pagamento fosse feito diferentemente. Enfim, quanto à responsabilidade de a empresa reter na fonte, é suficiente indicar a existência da Súmula CARF nº 12, de observância obrigatória pelos conselheiros desse tribunal administrativo nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF. · R$ 100.000,00, em 25/05/2009: esclarece o Contribuinte que o valor seria referente ao contrato de prestação de serviços de assessoria e consultoria e ao seu respectivo distrato. Esse valor é o item (iii), já reconhecido acima;. · R$ 87.500,00, em 29/05/2009: valor pago pelo Laboratório Avamiller referente ao pagamento do preço pela alienação. Para atestar que se trata de pagamento do preço, a empresa apresenta cópias do processo arbitral e do processo judicial instaurados entre ela e a compradora do Laboratório Avamiller (fls. 1.969/2.692). No âmbito desse processos judiciais discutiuse exatamente os pagamentos efetuado, vindo a empresa a apresentar comprovantes de pagamentos. Dentre eles consta "Depósito em conta corrente", figurando como titular beneficiário o Contribuinte, no valor de R$ 87.500,00, em 29/05/2009 (fl. 2.165). Nesse sentido, entendo que restou comprovada a natureza desse pagamento, ou seja, que se refere a pagamento do preço pela aquisição da empresa, estando sujeito a tributação exclusiva. Por essa razão, deve ser excluído da base de cálculo; · R$ 87.500,00, em 01/06/2009: esclarece tratarse de transferência bancária em dinheiro, e que solicitou informações ao banco. Contudo, não tendo apresentado tal documento nos presentes autos, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto; · R$ 4,14, em 16/06/2009: esclarece tratarse de depósito em dinheiro realizado pelo próprio contribuinte, o que é confirmado pelo extrato (fl. 1.272), tratase de depósito em dinheiro. O contribuinte deveria ter provado a origem dos recursos em espécie para justificar o seu depósito. Ausente tal prova de que os recursos não se referiam a renda nova o Fl. 2733DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.734 26 depósito deve ser mantido na base de cálculo, ainda que feito pelo próprio sujeito passivo; · R$ 50.000,00, em 22/06/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido e que o mesmo teria sido estornado no mesmo dia. Tais informações são confirmadas pelo extrato (fl. 1.286), no qual consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996. Contudo, como bem anotou o Recorrente, consta linhas abaixo, na mesma folha do extrato, a informação de que o valor foi estornado. Essa é razão suficiente para afastar tal valor da base de cálculo; · R$ 50.224,10, em 22/06/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido. Tais informações são confirmadas pelo extrato (fl. 1.286), no qual consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; · R$ 83.653,41, em 25/06/2009: o valor teria sido transferido por meio de depósito em cheque do próprio Recorrente. A verdade é que o extrato esclarece que houve "dep cheque o próprio favorecido". Isso significa que foi o favorecido quem depositou o cheque. Para comprovar que o cheque foi emitido pelo próprio, deveria têlo apresentado. Poderia ter demonstrado, ainda, que o valor saiu de outra conta sua efetivamente, o cheque nada mais é do que uma ordem de pagamento, de sorte que se os recursos entraram em sua conta por depósito em cheque, então saíram de outra conta. Nesse sentido, não comprovou a origem dos recursos, não sendo possível dar provimento à defesa nesse ponto; · R$ 2.195,99, em 01/07/2009: esse valor é o item (vii), já reconhecido acima; · R$ 62.150,00, em 13/07/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido. Tais informações são confirmadas pelo extrato (fl. 1.288), no qual consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; · R$ 100.274,95, em 27/07/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido. Tais informações são confirmadas pelo extrato (fl. 1.289), no qual consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; Fl. 2734DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.735 27 · R$ 2.565,54, em 28/07/2009: o valor teria sido transferido por um sr. Carlos Eduardo Cazari. A informação é corroborada pelo extrato (fl. 1.289), no qual consta a informação "transf ag dinh Carlos Eduardo Cazari". Contudo, como bem esclareceu a autoridade diligenciadora, não basta identificar a origem dos recursos, sendo necessário comprovar que não é tributável por exemplo, não sendo renda (vez que já pertencia ao contribuinte, ou se trata de mútuo) ou que já foi tributado (demonstrando que foi declarado). Portanto, não tendo comprovado a natureza do depósito, não é possível afastar a presunção de omissão de rendimento; · R$ 150.000,00, em 13/08/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido. Tais informações são confirmadas pelo extrato (fl. 1.291), no qual consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; · R$ 150.000,00, em 10/09/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido. Tais informações são confirmadas pelo extrato (fl. 1.293), no qual consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; · R$ 45.000,00, em 17/09/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido. Tais informações são confirmadas pelo extrato (fl. 1.294), no qual consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; · R$ 6.000,00, em 25/09/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido. Tais informações são confirmadas pelo extrato (fl. 1.295), no qual consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; · R$ 1.900,00, em 28/09/2009: esclarece tratarse de transferência bancária em dinheiro, e que solicitou informações ao banco. Contudo, não tendo apresentado tal documento nos presentes autos, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto; · R$ 59.000,00, em 01/10/2009: o valor teria sido transferido do próprio favorecido. Tais informações são confirmadas pelo extrato (fl. 1.295), no qual consta a informação "transf entre agenc dinh o proprio favorecido". Logo, conforme o próprio extrato, os recursos são provenientes do próprio Contribuinte, não sendo possível manter na base de cálculo, nos termos do art. 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430/1996; Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.736 28 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso nesse ponto, para excluir um total de R$ 2.139.390,80 da base de cálculo da infração 003, reduzindoa para R$ 969.703,28, conforme a tabela abaixo: Data Valor Lançado (R$) Valor exonerado pela DRJ (R$) Valor exonerado pelo CARF (R$) Valor Mantido (R$) 31/01/2009 664.688,64 650.914,82 13.773,82 28/02/2009 133.258,88 111.900,00 21.358,88 31/03/2009 134.934,54 130.264,06 4.670,48 30/04/2009 36.162,02 506,56 35.655,46 31/05/2009 472.863,67 506,56 287.500,00 184.857,11 30/06/2009 569.712,24 384.190,98 185.521,26 31/07/2009 307.207,19 35.809,25 164.620,94 106.777,00 31/08/2009 227.428,70 702,56 150.000,00 76.726,14 30/09/2009 214.127,64 1.095,68 201.000,00 12.031,96 31/10/2009 269.226,48 59.000,00 210.226,48 30/11/2009 8.592,49 8.592,49 31/12/2009 109.521,69 9,49 109.512,20 Total: 3.147.724,18 38.630,10 2.139.390,80 969.703,28 2.3. Dos juros sobre a multa de ofício O Recorrente argumenta ainda, subsidiariamente, pela não incidência dos juros sobre a multa de ofício. Em que pese a argumentação levantada pela Contribuinte, o CARF já tem posição consolidada no sentido de que deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício. Esse entendimento é extraído das súmulas do CARF: Súmula CARF nº 04: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 05: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Muitos dos acórdãos que embasaram tais súmulas tratam de “crédito tributário”, sem distinguir se se referem exclusivamente àqueles decorrentes de tributos ou a todos os crédito. Citamos: “JUROS DE MORA — TAXA SELIC — O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente Fl. 2736DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.737 29 à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente.” (Acórdão nº. 10412.935) Interessante, sobretudo, é o acórdão nº 30130.738, em cujo voto se afirmou que: “São várias as jurisprudências no sentido de que somente o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, o que no caso em questão não ocorreu. Portanto, não estando o sujeito passivo acobertado pelo depósito integral do crédito tributário, tornase cabível a exigência formalizada na notificação de lançamento de fls. 01/05, no que concerne aos juros de mora.” Ora, somente o depósito do valor integral do crédito tributário é suficiente para suspenderlhe a exigibilidade e consequentemente a aplicação dos juros. Neste “crédito integral” a ser depositado, necessariamente está incluso o valor da multa. De outro lado, analisando o Código Tributário Nacional, saltam aos olhos o art. 139 que, combinado ao art. 113 do mesmo diploma, sustentam a nossa posição: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (grifei) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também de eventuais penalidades pecuniárias. Consequentemente, o entendimento sumulado, compreendendo o crédito tributário lançado indistintamente, abarca tanto os tributos quanto as multas aplicadas. Há outros julgados que corroboram o entendimento acima expresso. Notese, por exemplo, as ementas dos seguintes acórdãos da Câmara Superior: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011) No mesmo sentido já se pronunciou também o STJ: Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.738 30 TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, concluo que está correta a incidência de juros sobre a multa de ofício, não sendo possível dar provimento ao recurso do contribuinte nesse quesito. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por reconhecer a nulidade em relação à infração 001, rejeitando as demais. No mérito, por dar provimento parcial ao recurso para reduzir a base de cálculo da infração 002 para R$ 625.825,18 e da infração 003 para R$ 969.703,28. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Redatora Designada Congratulo o i. Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, pelas bem fundamentadas razões dispostas em seu voto. Entretanto, peço licença para divergir de seu posicionamento apenas em relação à infração 02 "OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA", quanto à aplicação do direito adquirido à isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital obtido na alienação das participações societárias adquiridas antes da revogação do DecretoLei nº 1.510/1976, e alienadas na vigência da Lei nº 7.713/1988. Colho de seu voto os seguintes trechos: Efetivamente, a isenção contida no DecretoLei nº 1.510/1976 tanto podia ser revogada (ou modificada) a qualquer momento, como efetivamente o foi: a Lei nº 7.713/1988 revogou o art. 4º do referido DecretoLei, de sorte que a partir de 1989 não mais poderia garantir isenção a novos Contribuintes. Acontece que, de outro lado, o DecretoLei nº 1.510/1976 estabelecia uma condição para o advento do benefício fiscal: que a pessoa detivesse a propriedade da participação societária por período mínimo de 5 (cinco) anos. E o Contribuinte adimpliu essa condição: era proprietário das ações da empresa alienada desde 1970. Nesse caminho, quando a Lei nº 7.713/1988 revogou a isenção do IRPF sobre o ganho de capital nas operações de alienação de participação societária, o Contribuinte já tinha adimplido a Fl. 2738DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.739 31 condição necessária para exercer o direito ao benefício. Em outras palavras, já tinha adquirido o direito. A controvérsia cingese à extensão da isenção concedida pelo Decretolei nº 1.510/76, revogada pela Lei nº 7.713/88, quanto às quotas alienadas em períodos em que vigia a lei revogadora. Então vamos analisar essa isenção: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. Art 2º O rendimento tributável de acordo com o artigo anterior será determinado pela diferença entre o valor da alienação e o custo de subscrição ou aquisição da participação societária, corrigido monetariamente segundo a variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. A Lei nº 7.713/88 revogou expressamente os dispositivos acima transcritos: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. [...] § 5º Ficam revogados todos os dispositivos legais concessivos de isenção ou exclusão, da base de cálculo do imposto de renda das pessoas físicas, de rendimentos e proventos de qualquer natureza, bem como os que autorizam redução do imposto por investimento de interesse econômico ou social. [...] Art. 58. Revogamse o art. 50 da Lei nº 4.862, de 29 de novembro de 1965, os arts. 1º a 9º do DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, os arts. 65e66 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, os arts. 1º a 4º do DecretoLei nº 1.641, de 7 de dezembro de 1978, os arts. 12e13 do DecretoLei nº 1.950, de 14 de julho de 1982, os arts. 15e100 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, o art. 18 do DecretoLei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, o item IV e o parágrafo único do art. 12 do DecretoLei nº 2.292, de 21 de novembro de 1986, o item III do art. 2º do DecretoLei nº 2.301, de 21 de novembro de 1986, o Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.740 32 item III do art. 7º do DecretoLei nº 2.394, de 21 de dezembro de 1987, e demais disposições em contrário. O art. 178 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), dispõe sobre a possibilidade da revogação da isenção nos seguintes termos: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104.(Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975) Como o recorrente se firma no direito adquirido à isenção, entendo que o art. 178 do CTN claramente derruba essa tese, à exceção de a isenção ter sido por prazo certo E sob determinadas condições. Em função da exceção disposta no CTN, é oportuno analisar se a isenção de que tratava a alínea "d" do art. 4º do Decretolei nº 1.510/76 atendia aos requisitos para que essa isenção não fosse revogada a qualquer tempo. Ora, não vejo no trecho do Decretolei qualquer dispositivo que diga por quanto tempo essa isenção se estenderá, o que diz o Decreto lei é que as quotas tinham que ficar em poder dos sócios por 5 anos, para que tivessem direito à isenção, mas não diz, por exemplo, que a isenção albergada em função desse dispositivo vigorará por 5, 10 ou 20 anos, assim, não havia um tempo estimado para que a pessoa física gozasse dela. De outro lado, vejo apenas presente o segundo trecho do CTN, sob "determinadas condições", sendo esse, de caráter oneroso, porque, se quisesse gozar da isenção, a pessoa física ficaria impedida de alienar as participações por um determinado prazo, ou seja, ela não teria as participações disponíveis para venda. Assim, não estando presentes todos os elementos para impedir que a isenção pudesse ser revogada ou modificada a qualquer tempo, entendo que não há direito adquirido a essa isenção. Aliás esse foi o entendimento dos acórdãos 9202004.507 e 9202004.506, ambos de 25/10/2016: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. A isenção prevista no artigo 4o do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei n° 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1o de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. Recurso Especial Negado. Acrescento que, a lei vigente à data da alienação das participações societárias era a Lei nº 7.713/88, e, portanto, nos termos do art. 144 do CTN, era ela que deveria ser aplicada. Em relação à Súmula nº 544/STF, que o i. Relator entende se aplicar ao fato, ela foi aprovada na Sessão Plenária de 03/12/1969, portanto, anterior à nova redação do art. Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 19515.720432/201219 Acórdão n.º 2202004.340 S2C2T2 Fl. 2.741 33 178 do CTN, dada pela Lei Complementar nº 24, de 07 de janeiro de 1975. Dessa forma, só pode ser interpretada diante do novo texto, pois Súmula do STF não pode vir em contrariedade à Lei. Aliás, uma simples leitura ao art. 178 do CTN antes e depois da Lei Complementar 24/75 já demonstra a nova interpretação que deve ser feita à Súmula citada pelo recorrente: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo ou em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do artigo 104. (Ressaltei) Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 1975) (Ressaltei) Como visto acima é perfeitamente possível a revogação de isenção que não seja concedida por prazo certo E sob determinadas condições. Portanto, não cabe a aplicação da referida Súmula ao presente caso, e nem há direito adquirido à isenção do imposto sobre o ganho de capital decorrente das participações societárias alienadas pelo recorrente, devendo prevalecer a integralidade do lançamento fiscal. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso para reconhecer a nulidade em relação à infração 01, rejeitando as demais nulidades. No mérito, por negarlhe provimento em relação à infração 02, e darlhe parcial provimento em relação à infração 03 para, reduzir a base de cálculo para R$ 969.703,28. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora Designada Fl. 2741DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.720817/2015-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2014
MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. AUSÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE.
A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
Numero da decisão: 3401-004.386
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cássio Schappo (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2014 MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. AUSÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 08 17 /2 01 5- 71 Fl. 6834DF CARF MF 2 Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Cássio Schappo (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 2 a 6, lavrado com a formalizar a exigência do imposto sobre produtos industrializados, acrescido de juros de mora e multa de ofício majorada no percentual de 112,5%, inclusive sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, no montante histórico de R$ 23.198.414,90. 2. Conforme de depreende da leitura do relatório fiscal, situado às fls. 39 a 5774, constatouse: (i) a existência de irregularidades relativas à classificação fiscal dos produtos da linha RELAX (banheiras de hidromassagem, spas, ofurôs e hidros verticais), tendo a autuada promovido saídas de produtos tributados com insuficiência de lançamento de imposto nos documentos fiscais, por erro na classificação fiscal e aplicação da alíquota; (ii) que a empresa vinha informando mensalmente nas DIPJ’s créditos de IPI que, no mês de 01/2010, apresentava um saldo de R$ 1.844.754,96 e, no mês 04/2010, foi aumentado para R$ 1.989.126,97, provenientes da saída de produtos tributados sem o devido destaque do IPI nas notas fiscais em virtude da utilização de classificação fiscal e alíquotas incorretas embora intimada, a contribuinte não comprovou, com documentação hábil e idônea, a origem e o direito desses créditos; e (iii) embora intimada e reintimada, a contribuinte deixou de apresentar os documentos exigidos nas intimações – "Livros Registro de Apuração do IPI, Livros Registros de Entradas e Saídas de Mercadorias, arquivo magnéticos com as informações das notas fiscais, planilha com as informações sobre os produtos industrializados e comercializados, catálogo, fotografias, plantas ou desenhos que identificam os produtos, código interno e descrição dos produtos relacionandoos com os produtos do catálogo (...)", conforme termos de intimação. A escrita fiscal foi reconstituída, conforme “Planilha de Reconstituição de Escrita de IPI”, situada às fls. 26 a 37, e os saldos devedores foram lançados no auto ora combalido. 3. A contribuinte apresentou impugnação, situada às fls. 6688 a 6700, na qual argumentou, em síntese, que: (i) diante do princípio do contraditório e da ampla defesa, apresentar sua irresignação quanto a multa aplicada, e a classificação dos produtos nos códigos 9010.10.00 e 9033.00.00; (ii) as vendas efetuadas e as notas emitidas, possam ser verificadas e periciadas e devidamente classificadas e enquadradas na TIPI; (iii) todos os produtos da RELAX sejam periciados em classificados e enquadrados na TIPI; (iv) independente da classificação e o enquadramento da TIPI, a multa de oficio majorada seja cancelada, tendo em vista que a Impugnante não teve suas solicitações respondidas; (v) suspendase a obrigatoriedade do reconstituição da escrita fiscal do RAIPI no período de 04/2010 a 12/2014, porquanto do julgamento desta Impugnação; (vi) todos os procedimentos sejam reunidos em um só processo, até a decisão final na esfera administrativa. Fl. 6835DF CARF MF Processo nº 11020.720817/201571 Acórdão n.º 3401004.386 S3C4T1 Fl. 6.835 3 4. Em 30/11/2015, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) prolatou o Acórdão DRJ nº 1055.930, de relatoria do AuditorFiscal Evandro Francisco Silva Araújo, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo se transcreve: MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. AUSÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. 5. Diante do cancelamento do crédito tributário, o acórdão foi submetido à apreciação deste Conselho por recurso de ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. 6. A contribuinte, interpôs, em 04/02/2016, recurso voluntário, situado às fls. 6784 a 6797, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator Os recursos voluntário e de ofício preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles conheço. 7. Reproduzo abaixo as razões adotadas pela decisão recorrida para manter o lançamento: Fl. 6836DF CARF MF 4 "Cumpre trazer a lume as prescrições da legislação que rege o processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235, de 1972): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I .....................................................; II ....................................................; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V .................................................. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...)§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 6837DF CARF MF Processo nº 11020.720817/201571 Acórdão n.º 3401004.386 S3C4T1 Fl. 6.836 5 (...)Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos acrescentados) Primeiramente, no que diz respeito à classificação fiscal dos produtos, o impugnante limitouse a acusar o autuante de haver se baseado em presunções. Não contrapôs, em sua impugnação, com razões de fato ou direito ou apresentação de provas, a correção da classificação por ele adotada. Pediu que os produtos fossem objeto de perícia, pedido este que de pronto deve ser considerado não formulado por não atender os requisitos previstos. Sua insurgência é genérica, não contestando expressamente as infrações elencadas no Auto de Infração e devidamente fundamentadas no relatório fiscal. Há, ainda, que ser dito que em relação à glosa dos créditos sequer há referência na peça impugnatória. Insiste que requereu “a remessa da fiscalização” para o domicílio tributário de seu estabelecimento matriz. Sobre isso cumpre esclarecer o que o mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)(sublinhado na trascrição) A apresentação de provas a esta Delegacia de Julgamento deveria acompanhar a impugnação, pois preclui o direito de fazêlo em outro momento, a não ser que a petição para tal fundamentasse as circunstâncias que a permitissem, o que não é o caso. Assim devem ser consideradas não impugnadas as infrações. Fl. 6838DF CARF MF 6 Quanto à penalidade aplicada, defende a não majoração da multa de ofício. Cumpre reproduzir o permissivo legal utilizado para sua aplicação (art. 80, § 6º, inciso I, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007): “Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. .......................................................... § 6º O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; II .................................................... (sublinhado na transcrição) As circunstâncias agravantes estão elencadas no art. 68 da mesma Lei nº 4.502, de 1964, verbis: Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) § 1º São circunstâncias agravantes: (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) I a reincidência; (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) II o fato de o impôsto, não lançado ou lançado a menos, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator; (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) III a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores sôbre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo; (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) Fl. 6839DF CARF MF Processo nº 11020.720817/201571 Acórdão n.º 3401004.386 S3C4T1 Fl. 6.837 7 IV qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34, de 1966) (sublinhado na transcrição) Há dúvida quanto ao não atendimento das intimações para apresentar os documentos fiscais e de outra natureza ter retardado o conhecimento das infrações pela autoridade fazendária, já que tal fato não impediu a fiscalização de determinar a matéria tributável e formalizar a exigência por meio do presente Auto de Infração. Em se tratando de penalidade, a interpretação da legislação deve atender a perfeita tipificação, interpretandose de forma mais benéfica ao infrator conforme a dicção do art. 112 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966): Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.(grifei) Assim, a multa de ofício majorada deve ser reduzida para a multa básica prevista no caput do art. 80, da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 2007. Isto posto, voto por julgar procedente em parte a impugnação, declarando definitiva na esfera administrativa as matérias não expressamente contestadas, e reduzindo a multa de ofício para o percentual de 75%" (seleção e grifos nossos). 8. Assim, não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental: Fl. 6840DF CARF MF 8 Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quorum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida" (seleção e grifos nossos). 9. Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 6841DF CARF MF
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Numero do processo: 12268.000479/2008-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/07/2006
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AUTUAÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA.
O Auto de Infração contém fundamentação legal, estando, inclusive, instruído com o anexo "FLD - Fundamentos Legais do Débito".
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL.
Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são, em verdade, remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social.
ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. RECUSA EM APRESENTAR DOCUMENTO.
O § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.
Numero da decisão: 2402-006.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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INEXISTÊNCIA. AUTUAÇÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADA. O Auto de Infração contém fundamentação legal, estando, inclusive, instruído com o anexo "FLD Fundamentos Legais do Débito". CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são, em verdade, remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social. ARBITRAMENTO. POSSIBILIDADE. RECUSA EM APRESENTAR DOCUMENTO. O § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 04 79 /2 00 8- 98 Fl. 114DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 12268.000479/200898 Acórdão n.º 2402006.168 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório A fiscalização lavrou os seguintes Autos de Infração (AI) em face do sujeito passivo: (a) AI DEBCAD 37.193.7485 PAF 12268.000480/200812, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte da empresa, inclusive a alíquota GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados; (b) AI DEBCAD 37.193.7493 PAF 12268.000479/200898, para a constituição das contribuições devidas à seguridade social, correspondentes à parte dos segurados empregados, incidentes sobre as suas remunerações; (c) AI DEBCAD 37.193.7507 PAF 12268.000498/200814, para a constituição das contribuições devidas a outras entidades e fundos, incidentes sobre as remunerações pagas aos seus empregados; (d) AI DEBCAD 37.193.7558 PAF 12268.000481/200867, para a constituição de multa devida pelo descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. De acordo com a acusação, a contribuinte teria remunerado empregados mediante crédito nas contas dos cartões a eles entregues, os quais podiam ser utilizados em lojas conveniadas ou através de saques em caixas eletrônicos. Os cartões teriam sido fornecidos por meio de contrato de prestacã̧o de serviço celebrado com a Salles, Adan & Associados Marketing de Incentivos S/C Ltda. A base de cálculo das contribuições foi arbitrada, uma vez que a contribuinte, intimada, não teria apresentado o citado contrato, tendo sido utilizadas as notas fiscais e/ou faturas de serviços atinentes ao negócio firmado com aquela empresa. Os fatos geradores não foram declarados em GFIP. O sujeito passivo apresentou impugnação tempestiva, a qual foi julgada improcedente, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA É devida a contribuicã̧o sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, a segurados empregados. AFERIÇÃO INDIRETA Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informacã̧o, ou sua apresentação deficiente, a auditoriafiscal da Fl. 116DF CARF MF 4 Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.O momento para apresentação de provas é quando da impugnação, sob pena de assim não procedendo a Impugnante consumarse a preclusão temporal. Intimada da decisão em 06/03/2009, através de aviso de recebimento, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 06/04/2009, no qual, reafirmando os fundamentos de sua impugnação, suscitou o seguinte: (a) o Auto de Infração não contém fundamentação legal; (b) o fato gerador presumido pela fiscalização não se amolda à legislação; (c) as contribuições previdenciárias não incidem sobre a prestação de serviços entre pessoas jurídicas; (d) não houve prestação de serviços; (e) o caso não admite aferição indireta; (f) a contribuinte não está obrigada a apresentar documento inexistente e nem a fazer prova negativa; (g) não houve recusa ou sonegação de documentos ou informações. O PAF 12268.000481/200867 foi apensado aos demais por força de despacho/decisão de conexão devidamente chancelado pelo Presidente desta Seção. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 12268.000479/200898 Acórdão n.º 2402006.168 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Das razões de decidir O recurso voluntário deve ser desprovido. Ao contrário do que afirma a recorrente, o Auto de Infração contém fundamentação legal, estando, inclusive, instruído com o anexo "FLD – FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO". Por outro lado, a fiscalização constatou que a recorrente remunerou seus empregados através de cartões de incentivo, tendo analisado, segundo se observa no TEAF, as folhas de pagamentos e outros elementos, tais como as notas fiscais de serviços colacionadas aos autos. Essa discussão (remuneração paga por meio de cartões de incentivo ou de premiação) é recorrente neste Conselho, tendo se firmado o entendimento já pacificado, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela incidência das contribuições devidas à seguridade social. Com efeito, no PAF 10803.720155/201216 se decidiu, por unanimidade, que os pagamentos efetuados por meio de cartões de premiação se constituem em remuneração tributável. Eis a ementa do decisum, no ponto em questão: [...] REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10803.720155/201216, Relator Ronaldo de Lima Macedo, Acórdão 2402004.781, Sessão de 09/12/2015). Fl. 118DF CARF MF 6 Para evitar tautologia, devem ser adotados como razões de decidir os seguintes fundamentos: Considerando o Relatório Fiscal (fls. 35/42) e o contrato firmado entre a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda e a Recorrente, constatase que era fornecido cartão de premiação aos segurados empregados, destinado a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionado ao alcance de metas de desempenho, conforme registro no contrato de prestação de serviço, que tem como objeto “Prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Exclusive Card”, no qual foi estabelecido: [...] Assim, os referidos “colaboradores” são escolhidos e indicados pela própria empresa contratante como beneficiários dos prêmios, pela razão mais óbvia possível, são subordinados à Recorrente. É importante esclarecer que os contratos firmados entre a Recorrente e a referida empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda não têm o condão de afastar a incidência da lei, pois, pouco importa que nestes contratos esteja previsto expressamente que os prêmios não configuram salários nem remunerações. Isso está em consonância com o art. 126 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 –, in verbis: [...] Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. [...] A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. [...] O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Por força do art. 126 retro mencionado, é desnecessária qualquer análise sobre a legalidade do contrato, bastando que se apure, como apurou a fiscalização, a existência do fato gerador das contribuições lançadas (art. 142). Fl. 119DF CARF MF Processo nº 12268.000479/200898 Acórdão n.º 2402006.168 S2C4T2 Fl. 5 7 Os argumentos acima são suficientes para rechaçar as alegações do sujeito passivo acerca (a) da existência de fato gerador presumido; (b) da incidência de contribuições sobre a prestação de serviços entre pessoas jurídicas; e (c) de que não teria havido prestação de serviços. A ação real verificada na análise dos documentos foi a de que a recorrente remunerou seus empregados através dos cartões fornecidos pela empresa contratada. Muito menos se pode acolher a afirmação, da contribuinte, sobre o livro de registro de empregados, já que a documentação analisada pela fiscalização demonstrou o pagamento indireto de salários por intermédio dos citados cartões. O que importa para o direito tributário é a realidade, e não a aparente verdade resultante dos negócios jurídicos celebrados pela recorrente. É irrelevante a nomenclatura do instrumento negocial ou mesmo a eventual fatura, importando, sim, identificar a materialidade da hipótese de incidência e sua efetiva ocorrência no mundo real. O princípio da realidade sobrepõese ao aspecto formal, considerados os elementos tributários, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal1. Lembrese que o inc. I do art. 118 do Código Tributário Nacional preleciona que a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Ao tratar da nulidade ou anulabilidade, em comentário ao citado preceito legal, o prof. Hugo de Brito Machado afirma, com precisão, que "ao Direito Tributário importa a realidade. Não a forma jurídica"2. Significa dizer que basta a existência do fato, e "não se há de indagar a respeito da validade do ato ou negócio jurídico"3. Acrescentese, ainda, que à autoridade administrativa compete verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, ex vi do art. 142 do Código, o qual, a propósito, não contém qualquer disposição atinente à licitude ou ilicitude do fato que consubstancia a hipótese de incidência. Apenas a título de argumentação, também vale lembrar que o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove a existência de dolo, fraude ou simulação, o que demonstra a imprescindibilidade do fato, e não de sua qualificação ou exteriorização jurídica. É sabido que o contrato tem eficácia entre as partes, de tal maneira que as suas cláusulas não são necessariamente opostas ao Fisco e a terceiros. Exemplificativamente, e com viés fortemente interpretativo, o art. 123 do Código preceitua que as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública. 1 STF, RE 346084 / PR. 2 MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao código tributário nacional, volume II. São Paulo: Atlas, 2004, p. 396. 3 MACHADO, Hugo de Brito. Obra citada, p. 388. Fl. 120DF CARF MF 8 Dizse com viés interpretativo, porque tal dispositivo apenas enuncia o que o direito privado já enunciava: o contrato obriga as partes contratantes e, em regra, não pode prejudicar direito de terceiros. Ao tratar da jurisprudência administrativa deste Conselho, em tópico atinente à elisão e evasão tributárias, a prof. Maria Rita Ferragut menciona a existência de "negócios lícitos mas não oponíveis ao Fisco"4, corroborando a importância da substância do fato, em detrimento de sua forma de exteriorização. Por fim, o § 3º do art. 33 da Lei 8212/91 preleciona que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Esse dispositivo está inspirado no art. 148 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará a base de cálculo do tributo sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Neste caso concreto, e conforme se vê no relatório fiscal e está devidamente documentado, o sujeito passivo foi intimado a apresentar o contrato de prestação de serviços celebrado com a empresa antes referida, mas não o apresentou, o que resultou no arbitramento de valores, tomandose por base as notas fiscais de serviços. Ademais, a recorrente nem mesmo tentou apresentar qualquer avaliação contraditória, como faculta o Código Tributário Nacional. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci 4 FERRAGUT, Maria Rita. As provas e o direito tributário: teoria e prática como instrumentos para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 115. Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
