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Numero do processo: 13971.720793/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SUMULA CARF Nº 122. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE.
Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo de seis meses após a entrega da DITR/2005.
Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentado Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta emitido pela Delegacia Estadual do IBDF.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO LAUDO ´TÉCNICO. NÃO SUBSTITUI O ADA.
O laudo técnico não supre a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR.
PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. PERTINÊNCIA.
É legitimo buscar prova em outro processo, para subsidiar decisão que guarda pertinência com os fatos se pretenda provar.
Numero da decisão: 2202-005.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa da área de 475,56 ha declarada como área de preservação permanente, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente
(assinado digitalmente)
Rorildo Barbosa Correia - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RORILDO BARBOSA CORREIA
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DISPENSA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. SUMULA CARF Nº 122. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. APRESENTAÇÃO INTEMPESTIVA. POSSIBILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDA A MESMA FINALIDADE. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao IBAMA no prazo de seis meses após a entrega da DITR/2005. Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentado Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta emitido pela Delegacia Estadual do IBDF. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INTEMPESTIVO LAUDO ´TÉCNICO. NÃO SUBSTITUI O ADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 07 93 /2 00 7- 26 Fl. 138DF CARF MF 2 O laudo técnico não supre a falta da entrega tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir as áreas de preservação permanente da incidência da tributação do ITR. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. PERTINÊNCIA. É legitimo buscar prova em outro processo, para subsidiar decisão que guarda pertinência com os fatos se pretenda provar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa da área de 475,56 ha declarada como área de preservação permanente, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que deu provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão nº 0418.899 proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, exercício 2005, acrescido da multa e dos juros de mora, totalizando o valor de R$ 58.392,50, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Areia Branca, com área total de 752,3 ha., NIRF 26796422, localizado no município de Mirim Doce/RS. (104/109 e 115/122). Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, o relatório que acompanha a decisão da DRJ/CGE (fl. 105) mencionou o seguinte: Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou a área de preservação permanente e o VTN declarados na DITR/2005, o que justificou a glosa dessa área e a alteração do VTN para o valor apurado no laudo técnico apresentado em atendimento à intimação. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 05 a 50. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13971.720793/200726 Acórdão n.º 2202005.021 S2C2T2 Fl. 139 3 Regulamente intimada do lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/CGE (fls. 104/109). Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da apreciação do caso em tela, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou procedente o lançamento, conforme ementa a seguir transcrita (fls. 104): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas e cumprimento de exigências legais de entrega do ADA ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária, e de averbação da reserva legal junto ao Registro de Imóveis Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A DRJ/CGE analisou os documentos apresentados pela contribuinte e não os acatou, para efeito de exclusão da base de cálculo, entendendo que faltou apresentar tempestivamente o Ato Declaratório Ambiental ADA com as respectivas áreas declaradas, nos seguintes termos (fl. 108): Em razão da entrega intempestiva do ADA ao Ibama, não é possível afastar da tributação a área de preservação permanente declarada no Exercício em questão, assim como não é possível deferir pedido de retificação dos dados declarados, como pretendido pela interessada, para afastar da tributação área superior à declarada na DITR/2005 e no ADA de 2007. Destaquese, ainda, que não constou desse ADA informação sobre área de reserva legal e que a área pretendida a esse título é superior à averbada junto ao Registro de Imóveis. Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ/CGE, em 23/11/2009, conforme Aviso de Recebimento AR (fl. 114) apresentou, em 15/12/2009, recurso voluntário (fls. 115/122). Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ/CGE, alegando que não há necessidade do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para excluir da base de cálculo do ITR as áreas classificadas como Área de Preservação Permanente (APP) e como Área de Reserva Legal (ARL), para tanto, a contribuinte citou legislação Fl. 140DF CARF MF 4 correlata bem como ementas de decisões do STJ (fls. 120/121) e, em síntese, apresentou suas contestações alegando que: É proprietária de um imóvel rural denominado Areia Branca com 752,3 hectares, no município de Mirim Doce e para efeito do cálculo do ITR, sempre foi considerado 500 hectares como área de preservação permanente. "Apesar de constar do Registro de Imóveis a existência de área de preservação permanente e de reserva legal, o cálculo do imposto foi realizado pela autoridade fazendária como se estas áreas inexistissem!!" "Para esclarecer definitivamente a área do imóvel, a requerente contratou o engenheiro Heiko Budag, inscrito no CREA/SC 63.9973 que constatou a seguinte distribuição das áreas do imóvel (conforme laudo o em anexo): Do laudo realizado por profissional competente, constatase que, somadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal, temse a área de 603,25 hectares, ou seja, ainda maior do que aquela declarada anteriormente!!" "Apresentada a impugnação ao auto de infração fiscal, a 1ª Turma da DRJ/CGE decidiu pela manutenção do crédito tributário exigido sob o, fundamento de que "para a exclusão do área do incidência do ITR no exercício ora tratado, o contribuinte deveria protocolar o ADA no IBAMA, ou em órgãos ambientais estaduais delegados por meio de convênio, no prazo de até 6 (seis) meses contado, a partir do término do prazo fixado o para a entrega da declaração". "Contudo, como se demonstrará a seguir, para a exclusão do base de cálculo do ITR de área de preservação permanente, não há necessidade de Ato Declaratório Ambiental do IBAMA (..)" Nas suas alegações argumentou ainda que "Por outro lado, cumpre referir que não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e conseqüente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do §7° do art. 10 da Lei n° 9393196 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes." Do Pedido Ao final, a Recorrente requer o seguinte (122): À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado e o lançamento de ITR do exercício de ____ uma vez que desconsiderada a área não tributável de 603,25 hectares (área de preservação permanente e área de reserva legal) do imóvel de propriedade da requerente. Documentos apresentados No curso da ação fiscal e no momento da contestação do lançamento tributário, a contribuinte apresentou cópias de diversos documentos, destacando os seguintes: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13971.720793/200726 Acórdão n.º 2202005.021 S2C2T2 Fl. 140 5 a) Certidão do imóvel com matrícula nº 13.012, referente ao livro nº 2 e à folha 01, emitida pelo Registro de Imóveis e Hipotecas da Comarca de Taió/SC com o registro da averbação da área de reserva legal (fls. 34 e 97/98); b) Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta celebrado com o IBDF em 18/05/1982 (fls. 49 e 99); c) Termo de Manutenção de Floresta Manejada celebrado com o IBAMA em 16/05/1990 (fls. 50/51 e 100/101); d) Laudos técnicos emitido por profissional de engenharia com avaliação do imóvel e com a descrição das áreas destinadas a preservação ambiental e a atividades de pastoreio (fls. 35/48 e 90/96); e) Recibo de entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) referente ao exercício de 2007, no qual declara área de 504,64 ha como área de preservação permanente, com data de entrega de 25/10/2007 (fl. 33). É o relatório. Voto Conselheiro Rorildo Barbosa Correia Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O deslinde da questão contida nos presentes autos exige que se decida sobre a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA dentro do prazo legal, para efeito de exclusão da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR das áreas correspondentes à área de preservação permanente e à área de reserva legal. O ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é um imposto de apuração anual e que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano, nos termos da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. No tocante à exclusão das áreas de preservação ambiental da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, cabe observar os requisitos estipulados para tal exoneração e previstos no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, com a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) Fl. 142DF CARF MF 6 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Assim, ao analisar a composição da base de cálculo para apuração do ITR nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir que podem ser excluídas da tributação as áreas protegidas e de interesse de proteção ambiental, como APP e ARL, quando atendido aos requisitos exigidos na referida lei. Dessa forma, notase que as áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal nos termos do art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e do art.. 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) da Lei nº 4.771/65, pelas limitações que lhe são impostas por expressa determinação legal, podem ser excluídas da apuração do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do referido imposto. Por isso, para o deslinde do processo em tela, fazse necessário estabelecer as diferenças, para o caso da desoneração do tributo, existentes entre uma área de preservação permanente APP e uma área de reserva legal ARL, uma vez que as referidas áreas impactam diretamente no cálculo do ITR, especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA, bem como se preencheram os requisitos legais e formais para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR. Área de Preservação Permanente APP De acordo com o artigo 2º da Lei nº 4.771/65, para que a área pleiteada se enquadrasse como área de preservação permanente, bastava apenas que estivesse localizada nos espaços definidos naquele artigo, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da mesma lei nº 4.771/65, para as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização. Todavia, para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos na Lei nº 4.771/65, obrigatoriamente, a contribuinte deveria apresentar o ADA ao IBAMA, dentro do prazo normativo, nos termos do parágrafo 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981 (com redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13971.720793/200726 Acórdão n.º 2202005.021 S2C2T2 Fl. 141 7 Do mesmo modo, o Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, no inciso I, parágrafo 3º, art. 10, também tratou da obrigatoriedade de apresentar o ADA para efeito da exclusão da área tributável das áreas correspondentes à de preservação permanente. Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); (grifo não faz parte do original). No mesmo sentido, o parágrafo 1º A, art. 17O, da Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981 (incluído pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000) prevê a necessidade de pagamento de uma taxa de vistoria ao IBAMA. Contudo, caso haja a realização de vistoria e não se confirmando a existência das áreas excluídas de tributação, poderá ensejar o lançamento de ofício do tributo resultante da desoneração. No que tange ao Ato Declaratório Ambiental, o qual deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados ao ITR, podese afirmar que é um documento de cadastro junto ao IBAMA das áreas de interesse ambiental que integram o conjunto do imóvel rural e que possibilita ao Proprietário Rural reduzir o Imposto Territorial Rural – ITR, com a exclusão da área de Preservação Permanente APP da base tributária, efetivamente protegida e informada no Documento de Informação e Apuração DIAT/ ITR. À vista disso, entendo que a contribuinte não atendeu aos requisitos legais, quando deixou de apresentar o ADA no prazo definido pelas normas regulamentares, para efeito de desoneração do ITR/2005, em relação a totalidade da área de preservação permanente declarada na DITR, pois, a entrega do ADA, para efeito da desoneração do ITR, é uma determinação legal, conforme § 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938/81 e inciso I, do parágrafo 3º, art. 10, do Decreto nº 4.382/2002. Além do mais, o fato de apresentar nos autos o recibo de entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) referente ao exercício de 2007, no qual declara área de 504,64 ha como área de preservação permanente, com data de entrega de 25/10/2007 (fl. 35), não se presta a atender ao que se exige para o exercício de 2005, porque foi entregue depois do início da ação fiscal (fls. 06/08). Fl. 144DF CARF MF 8 Por outro lado, notase que com base nos documentos apresentados, cópia da certidão emitida pela Cartório de Registro de Imóveis (fls. 97/98) bem como no termo lavrado pelo órgão ambiental IBDF (fl. 99), foi possível verificar que houve duas averbações de área com interesse de preservação ambiental, gravadas na condição de preservação permanente, conforme dados extraídos para a Tabela 1. Ressalvando apenas que a área averbada no registro (AV213012) está em metros quadrados e foi convertida para hectares na proporção de 10.000 m2 para 1 ha. Tabela 1: Áreas averbadas preservação permanente Identificação data averbação Área Ha Termo Autos AV113012 15/04/1996 29.08 0 folhas 97/98 AV213012 15/04/1996 114,56 IBDF folha 99 Fonte: Certidão do Cartório do Registro de Imóveis e Termo emitido pelo IBDF (fls. 97/99) Das áreas gravadas como preservação permanente, percebese que a área de 114,56 ha averbada no registro AV213012, em 15/04/1996, teve como base o Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta emitido pela Delegacia Estadual do IBDF em 18/05/1982 (fl. 99). Dessa forma, entendo que o Termo emitido pelo IBDF, atestando que no imóvel existe uma área de 114,56 ha, correspondente à preservação permanente, permite concluir que a contribuinte Otília Machado Poffo faz jus à exclusão de tal APP da base de cálculo do ITR, visto que o referido Termo emitido pelo IBDF é mais consistente do que o ADA, pois não se trata de mera informação, mas de reconhecimento efetivo da existência de 114,56 ha da APP. Neste aspecto, para corroborar o fundamento para tal decisão de reconhecer a área de 114,56 ha, como preservação permanente, cabe citar o acórdão nº 920201.933 proferido pela 2ª turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, que assim se pronunciou: No caso em tela, apesar de não possuir esse documento específico, o sujeito passivo possui declaração de órgão ambiental, emitida muito antes do fato gerador, que atesta que o imóvel está inteiramente inserido em área de preservação permanente. Assim, há que se concluir que o documento apresentado é mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois não se trata de mera informação para que o órgão ambiental verifique que o imóvel possui área de preservação permanente, mas de reconhecimento do fato pelo órgão. Nesse sentido, entendo que a exigência legal foi atendida por documento diferente do nela previsto, mas que cumpre de forma mais completa a intenção do legislador. Acrescentando ainda a ementa do referido Acórdão, a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. OBRIGATORIEDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL APRESENTADO TEMPESTIVAMENTE. POSSIBILIDADE DE Fl. 145DF CARF MF Processo nº 13971.720793/200726 Acórdão n.º 2202005.021 S2C2T2 Fl. 142 9 SUBSTITUIÇÃO POR DOCUMENTO OFICIAL QUE ATENDE À MESMA FINALIDADE. Para ser possível a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Entretanto, essa obrigação pode ser substituída por outro documento que atenda à finalidade de informar ao órgão ambiental da existência da área. No caso, foi apresentada declaração, expedida pelo Instituto Estadual de Florestas IEF antes do exercício fiscalizado, de que o imóvel estava totalmente abrangido em área de preservação permanente definida por decreto estadual, documento mais consistente do que aquele exigido pela lei, pois já traz o reconhecimento da área pelo órgão ambiental. Recurso Especial do Procurador Negado. Assim sendo, entendo que a contribuinte Otília Machado Poffo faz jus à exclusão da base de cálculo do ITR de 114,56 ha referente à área de preservação permanente, com base no Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta emitido pela Delegacia Estadual do IBDF em 18/05/1982 (fl. 99). Área de Reserva Legal ARL (Área de Utilização Limitada) No caso da Área de Reserva Legal (utilização limitada), para efeito de sua caracterização com o objetivo de desoneração do ITR, cabe observar o contido nos §§4º, 8º e 10 do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal, com alterações posteriores, que determina, além da exigência do interesse de proteção ambiental, os seguintes requisitos; a) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda b) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel. Verificando as cópias das certidões emitidas pela Cartório de Registro de Imóveis (fls. 34 e 97/98), notouse que nas referidas cópias apresentadas não constavam a informação referente a terceira averbação (AV513012). Contudo, a informação relativa a terceira averbação (AV513012), consta do processo nº 13971.720779/200722, da mesma contribuinte e que está sendo julgado conjuntamente nesta mesma sessão. Assim, como se trata de processo do mesmo tema ITR e da mesma contribuinte, extraiu informação sobre a terceira averbação (AV513012), que conta na certidão às folhas 36/39 do processo nº 13971.720779/200722 e registrou na Tabela 2. Ressaltando que é legitimo buscar prova em outro processo, para subsidiar decisão que guarda pertinência com os fatos se pretenda provar. Dito isso, passouse a analisar os autos, com o objetivo de verificar a existência de Área de Reserva Legal, nos termos estabelecidos pela Lei nº 4.771/65. Assim, com base nos documentos apresentados, cópia da certidão emitida pela Cartório de Registro de Imóveis (fls. 34, 97/98 e fls. 36/39 do processo 13971.720779/200722) bem como no termo lavrado pelo órgão ambiental IBAMA (fl. 100), foi possível verificar que houve uma averbação Fl. 146DF CARF MF 10 de área com interesse de preservação ambiental, na condição de utilização limitada, conforme dados extraídos para a Tabela 2. Tabela 2: Averbações de área para reserva legal Identificação data averbação Área Ha Termo Autos AV513012 15/04/1996 361,00 IBAMA emprestada Fonte: Certidão do Cartório do Registro de Imóveis (fls. 100 e fls. 36/39 do processo 13971.720779/200722) Da análise do registro que consta da averbação da citada certidão (fls. 36/39 do processo 13971.720779/200722) realizada em conjunto com o Termo emitido pelo IBAMA (fl. 100), foi possível verificar a existência de uma área de 361,0 ha, gravada como de utilização limitada e que necessita de autorização do IBAMA para realização do manejo sustentado, como descrito na Tabela 2. No caso desta área de 361,0 ha averbada no registro (AV513012), gravada na condição de utilização limitada e que necessita de autorização do IBAMA para realização do manejo sustentado, entendo que se trata de reserva legal, pois foram preenchidos os requisitos definidos para tal caracterização, conforme entendimento esposado pelo teor dos §2º e §8º do artigo 16 da Lei nº 4.771/65. Isto posto, percebese que no imóvel rural da contribuinte, no ano de 1996, antes do fato gerador do ITR/2005, já existia uma área de 361,0 ha averbada no registro de imóveis a título de reserva legal, mas que a DRJ/CGE manteve o lançamento exclusivamente em função da falta de apresentação do ADA. Todavia, de acordo com a Súmula CARF nº 122, o cumprimento dos requisitos formais da referida averbação da reserva legal supre a necessidade de apresentação tempestiva do ADA. SUMULA CARF Nº 122. A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Dessa forma, entendo que deve ser excluída da base de cálculo do ITR exercício de 2005, a área de 361,0 ha correspondente a reserva legal, tendo em vista que houve averbação no registro público de imóveis da respectiva área antes de ocorrência do fato gerador e também pelo que determina a Súmula CARF nº 122. Do Laudo Técnico A contribuinte argumentou que ao apresentar o laudo técnico comprovou a existência de reserva legal com área de 365,28 ha. (143,64 ha. de floresta nativareserva legal e 221,64 ha. de floresta nativa destinada a reserva legal) e de preservação permanente, enquadradas no art. 2º da Lei n.° 4.771/1965, com área de 237,97 ha., totalizando 603,25 ha. de áreas pleiteadas neste processo para exclusão da base de cálculo do ITR (fls. 92/93). Entretanto, com base nos documentos apresentados nos autos (fls. 34, 97/101 e fls. 36/39 do processo nº 13971.720779/200722) verificouse que foi comprovada a existência de uma área equivalente a 114,56 ha correspondente à preservação permanente e uma área de 361,0 ha correspondente à reserva legal, totalizando uma área total de 475,56 ha passível de exclusão da base tributável do ITR. Portanto, de acordo com os documentos acostados aos autos (fls. 34, 97/101 e fls. 36/39 do processo nº 13971.720779/20072289/96) bem como pela análise realizada neste Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13971.720793/200726 Acórdão n.º 2202005.021 S2C2T2 Fl. 143 11 voto, em relação a cada ponto da APP e da ARL, observo que da área requerida no laudo técnico, como passível de exclusão da base tributável do ITR, foi acatada uma área total de 475,56 ha correspondente ao somatório da área de 361,0 ha referente à reserva legal e uma área de 114,56 ha referente à preservação permanente. Assim, no tocante a área de 127,69 ha remanescente (603,25 475,56 = 127,69), decorrente da diferença entre a área requerida no laudo técnico (603,25 ha) e a área confirmada nos documentos apresentados (475,56 ha), entendo que a contribuinte não faz jus à exclusão de tal área da base de cálculo do ITR, pois extrapolou a área declarada na DITR/2005 (área declarada e glosada 500,0 ha, fl. 04). Além disso, para efeito de comprovação da área remanescente de 127,69 ha, cabe observar que a apresentação apenas do laudo técnico não supre a entrega tempestiva do ADA, uma vez que, para efeito de exclusão da referida área remanescente de 127,69 ha (preservação permanente), a contribuinte obrigatoriamente deveria ter apresentado o ADA dentro do prazo normativo, conforme determina o parágrafo 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981 (com redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000) ou, se fosse o caso, poderia ter comprovado por meio de documento emitido por órgão ambiental oficial atestando a existência da respectiva área, como realmente fez para as outras áreas acatadas (fls. 103/104). Assim, não se acata o referido laudo para efeito de considerar a área de preservação permanente correspondente a 127,69 ha (603,25 475,56 = 127,69) como área passível de exclusão da base tributável do ITR/2005. Decisão Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para cancelar a glosa da área de 475,56 ha declarada como área de preservação permanente. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720843/2016-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA.
Descabem os questionamentos acerca da inobservância de requisitos legais para desconsideração de atos, negócios e identidade de pessoas jurídicas se a acusação fiscal repousa na constatação de redução das bases tributáveis por repasse de receitas a pessoas jurídicas desprovidas de estrutura administrativa para a prestação dos serviços acordados contratualmente. As evidências reunidas no sentido de que as receitas foram repassadas a pessoas jurídicas que não teriam prestado os serviços contratados são suficientes para validar o lançamento e transferir o litígio para a comprovação, pela autuada, de que outro seria o cenário fático em relação às operações investigadas.
OMISSÃO DE RECEITAS. REPASSE A PESSOAS JURÍDICAS DESPROVIDAS DE ESTRUTURA ADMINISTRATIVA PARA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS.
Subsiste a exigência se o sujeito passivo não infirma as constatações fiscais e se limita a defender a regularidade formal das pessoas jurídicas contratadas e a afirmar a efetiva prestação dos serviços em razão das notas fiscais emitidas e dos tributos pagos pelas contratadas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste alteração de critério jurídico se a autoridade julgadora não agrega fatos novos à acusação fiscal, e apenas analisa seus elementos à luz da doutrina e da legislação aplicável a fim de avaliar se os efeitos dos negócios jurídicos podem ser desconsiderados no âmbito fiscal, mantendo a exigência sob o mesmo fundamento legal consignado no lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRATO FIRMADO ENTRE PARTES RELACIONADAS (CONTROLADORA E SUBSIDIÁRIA INTEGRAL). ALTERAÇÃO DE REMUNERAÇÃO AVENÇADA SEM ALTERAÇÃO CONTRATUAL. NEGÓCIO COMPROVADAMENTE MANTIDO FORA DE CONDIÇÕES DE MERCADO (ARM'S LENGHT). REFLEXOS FISCAIS. PROCEDÊNCIA.
É licito o pacto e a relação comercial entre empresas do mesmo grupo empresarial, sob o mesmo controle societário. Contudo, inclusive considerando a previsão do art. 245 da Lei das S/A, devem ser observadas em tais transações plenas condições de mercado, como se efetuadas com terceiro alheio à cadeia societária (arm's length).
Se cabalmente comprovado pelo Fisco que houve redução de faturamento mediante a alteração de valores nas prestações avençadas entre partes relacionadas (controladora e subsidiária integral), sem o respaldo contratual correspondente, claramente, promovida fora de condições de mercado, mostra-se procedente a apuração de omissão de receitas.
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PROVISÕES. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. ARTS. 335 A 338 RIR/99. PROGRAMA DE PONTOS PARA CLIENTES QUE GERAM DESCONTOS EM COMPRAS FUTURAS. DESPESA NÃO INCORRIDA. ADIÇÃO AO LUCRO REAL.
Não configura despesa incorrida a mera concessão de pontos a clientes, dentro programa de benefício e estímulo de consumo, que podem, dentro de determinado prazo, ser resgatados, de forma a representar um desconto em futuras compras.
Uma vez que tal valor compôs negativamente o resultado apurado e demonstrada a ausência de adição correspondente no cálculo do Lucro Real, é devido o lançamento de ofício do crédito tributário.
JUROS SOBRE A MULTA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 108.
Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício".
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-003.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade: i) rejeitar a preliminar de "Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica", vencido o Relator e os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; e ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao TVF 01, vencido o Relator e os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por maioria de votos: iii) rejeitar a arguição de nulidade por "Indevida Alteração do Critério Jurídico no Acórdão Recorrido", vencido o Relator e os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por unanimidade de votos: iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas imputada no TVF 02; v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas imputada no TVF 02; e vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros sobre a multa de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. Descabem os questionamentos acerca da inobservância de requisitos legais para desconsideração de atos, negócios e identidade de pessoas jurídicas se a acusação fiscal repousa na constatação de redução das bases tributáveis por repasse de receitas a pessoas jurídicas desprovidas de estrutura administrativa para a prestação dos serviços acordados contratualmente. As evidências reunidas no sentido de que as receitas foram repassadas a pessoas jurídicas que não teriam prestado os serviços contratados são suficientes para validar o lançamento e transferir o litígio para a comprovação, pela autuada, de que outro seria o cenário fático em relação às operações investigadas. OMISSÃO DE RECEITAS. REPASSE A PESSOAS JURÍDICAS DESPROVIDAS DE ESTRUTURA ADMINISTRATIVA PARA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. Subsiste a exigência se o sujeito passivo não infirma as constatações fiscais e se limita a defender a regularidade formal das pessoas jurídicas contratadas e a afirmar a efetiva prestação dos serviços em razão das notas fiscais emitidas e dos tributos pagos pelas contratadas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. Inexiste alteração de critério jurídico se a autoridade julgadora não agrega fatos novos à acusação fiscal, e apenas analisa seus elementos à luz da doutrina e da legislação aplicável a fim de avaliar se os efeitos dos negócios jurídicos podem ser desconsiderados no âmbito fiscal, mantendo a exigência sob o mesmo fundamento legal consignado no lançamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRATO FIRMADO ENTRE PARTES RELACIONADAS (CONTROLADORA E SUBSIDIÁRIA INTEGRAL). ALTERAÇÃO DE REMUNERAÇÃO AVENÇADA SEM ALTERAÇÃO CONTRATUAL. NEGÓCIO COMPROVADAMENTE MANTIDO FORA DE CONDIÇÕES DE MERCADO (ARM'S LENGHT). REFLEXOS FISCAIS. PROCEDÊNCIA. É licito o pacto e a relação comercial entre empresas do mesmo grupo empresarial, sob o mesmo controle societário. Contudo, inclusive considerando a previsão do art. 245 da Lei das S/A, devem ser observadas em tais transações plenas condições de mercado, como se efetuadas com terceiro alheio à cadeia societária (arm's length). Se cabalmente comprovado pelo Fisco que houve redução de faturamento mediante a alteração de valores nas prestações avençadas entre partes relacionadas (controladora e subsidiária integral), sem o respaldo contratual correspondente, claramente, promovida fora de condições de mercado, mostra-se procedente a apuração de omissão de receitas. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PROVISÕES. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. ARTS. 335 A 338 RIR/99. PROGRAMA DE PONTOS PARA CLIENTES QUE GERAM DESCONTOS EM COMPRAS FUTURAS. DESPESA NÃO INCORRIDA. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. Não configura despesa incorrida a mera concessão de pontos a clientes, dentro programa de benefício e estímulo de consumo, que podem, dentro de determinado prazo, ser resgatados, de forma a representar um desconto em futuras compras. Uma vez que tal valor compôs negativamente o resultado apurado e demonstrada a ausência de adição correspondente no cálculo do Lucro Real, é devido o lançamento de ofício do crédito tributário. JUROS SOBRE A MULTA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 108. Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-06T13:35:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-06T13:35:34Z; Last-Modified: 2019-03-06T13:35:53Z; dcterms:modified: 2019-03-06T13:35:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:760b840f-2526-41c1-851f-d09d8f106c4a; Last-Save-Date: 2019-03-06T13:35:53Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-06T13:35:53Z; meta:save-date: 2019-03-06T13:35:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-06T13:35:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-06T13:35:34Z; created: 2019-03-06T13:35:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 75; Creation-Date: 2019-03-06T13:35:34Z; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-06T13:35:34Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.471 1 1.470 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720843/201659 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.706 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2019 Matéria PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO Recorrente CLUB ADMINISTRADORA DE CARTOES DE CREDITO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. Descabem os questionamentos acerca da inobservância de requisitos legais para desconsideração de atos, negócios e identidade de pessoas jurídicas se a acusação fiscal repousa na constatação de redução das bases tributáveis por repasse de receitas a pessoas jurídicas desprovidas de estrutura administrativa para a prestação dos serviços acordados contratualmente. As evidências reunidas no sentido de que as receitas foram repassadas a pessoas jurídicas que não teriam prestado os serviços contratados são suficientes para validar o lançamento e transferir o litígio para a comprovação, pela autuada, de que outro seria o cenário fático em relação às operações investigadas. OMISSÃO DE RECEITAS. REPASSE A PESSOAS JURÍDICAS DESPROVIDAS DE ESTRUTURA ADMINISTRATIVA PARA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONTRATADOS. Subsiste a exigência se o sujeito passivo não infirma as constatações fiscais e se limita a defender a regularidade formal das pessoas jurídicas contratadas e a afirmar a efetiva prestação dos serviços em razão das notas fiscais emitidas e dos tributos pagos pelas contratadas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. Inexiste alteração de critério jurídico se a autoridade julgadora não agrega fatos novos à acusação fiscal, e apenas analisa seus elementos à luz da doutrina e da legislação aplicável a fim de avaliar se os efeitos dos negócios AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 43 /2 01 6- 59 Fl. 2541DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.472 2 jurídicos podem ser desconsiderados no âmbito fiscal, mantendo a exigência sob o mesmo fundamento legal consignado no lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRATO FIRMADO ENTRE PARTES RELACIONADAS (CONTROLADORA E SUBSIDIÁRIA INTEGRAL). ALTERAÇÃO DE REMUNERAÇÃO AVENÇADA SEM ALTERAÇÃO CONTRATUAL. NEGÓCIO COMPROVADAMENTE MANTIDO FORA DE CONDIÇÕES DE MERCADO (ARM'S LENGHT). REFLEXOS FISCAIS. PROCEDÊNCIA. É licito o pacto e a relação comercial entre empresas do mesmo grupo empresarial, sob o mesmo controle societário. Contudo, inclusive considerando a previsão do art. 245 da Lei das S/A, devem ser observadas em tais transações plenas condições de mercado, como se efetuadas com terceiro alheio à cadeia societária (arm's length). Se cabalmente comprovado pelo Fisco que houve redução de faturamento mediante a alteração de valores nas prestações avençadas entre partes relacionadas (controladora e subsidiária integral), sem o respaldo contratual correspondente, claramente, promovida fora de condições de mercado, mostrase procedente a apuração de omissão de receitas. DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PROVISÕES. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO LEGAL. ARTS. 335 A 338 RIR/99. PROGRAMA DE PONTOS PARA CLIENTES QUE GERAM DESCONTOS EM COMPRAS FUTURAS. DESPESA NÃO INCORRIDA. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. Não configura despesa incorrida a mera concessão de pontos a clientes, dentro programa de benefício e estímulo de consumo, que podem, dentro de determinado prazo, ser resgatados, de forma a representar um desconto em futuras compras. Uma vez que tal valor compôs negativamente o resultado apurado e demonstrada a ausência de adição correspondente no cálculo do Lucro Real, é devido o lançamento de ofício do crédito tributário. JUROS SOBRE A MULTA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 108. Súmula CARF nº 108: "Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício". ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Fl. 2542DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.473 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade: i) rejeitar a preliminar de "Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica", vencido o Relator e os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio; e ii) negar provimento ao recurso voluntário relativamente ao TVF 01, vencido o Relator e os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por maioria de votos: iii) rejeitar a arguição de nulidade por "Indevida Alteração do Critério Jurídico no Acórdão Recorrido", vencido o Relator e os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Junia Roberta Gouveia Sampaio. Por unanimidade de votos: iv) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas imputada no TVF 02; v) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à glosa de despesas imputada no TVF 02; e vi) negar provimento ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros sobre a multa de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2390 a 2510), interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Ribeirão Preto /SP (fls. 2336 a 2381) que manteve integralmente a Autuação sofrida pela Contribuinte (fls. 1948 a 1999), negando provimento à Impugnação apresentada (fls. 2012 a 2332). Fl. 2543DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.474 4 Os autos versam sobre lançamento de ofício de IRPJ, CSLL do ano calendário de 2011, sob a acusação fiscal de ter a Contribuinte perpetrado planejamento tributário, apurando nesse contexto infrações de omissão de receitas, dedução indevida de despesas de provisão e aproveitamento indevido de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas. O cerne fático dos autos, relatado na primeira porção do Termo de Verificação Fiscal (TVF 01), é a constatação de que parte da base tributável da Contribuinte, optante pelo Lucro Real, teria sido deslocada para 3 (três) empresas do mesmo Grupo Econômico, Primos Participações Ltda, TCM Participações Ltda, e TEF Serviços de Processamento de Dados Ltda, todas optantes pelo Lucro Presumido, obtendo, assim, vantagens tributárias por meio de planejamento tributário. Igualmente, apontase na segunda parte do Termo de Verificação Fiscal (TVF 02) que a Contribuinte era subsidiária integral da empresa Marisa Lojas S/A, com a qual celebrou contratos de prestação de serviços, pelos quais, em razão de variação de percentual que determinava sua contraprestação, promoveu a transferência de receitas entre empresas do mesmo grupo, de forma abusiva, dando margem a omissão de receitas. Também, por consequência das infrações apuradas, averiguouse que a Contribuinte deixou de adicionar ao cálculo do Lucro Real e da base tributável da CSLL valores de provisões, referentes a programas de fomento de vendas. Por muito bem resumir o início da lide, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado, a Autoridade fiscal identificou algumas infrações, as quais são relatadas conforme Termo de Verificação Fiscal 01 – TVF 01 (fls. 1948/1967) e Termo de Verificação Fiscal 02 – TVF 02 (fls. 1968/1975). No TVF 01, explica a Autoridade Lançadora que a autuada Club Administradora de Cartões de Crédito S/A (doravante denominada de Club) prestava serviços de administração e gerenciamento do cartão de crédito/débito Marisa para a empresa Marisa Lojas S/A, CNPJ nº 61.189.288/000189, (doravante denominada Marisa). A Club era subsidiária integral da Marisa. Este Termo de Verificação Fiscal versa sobre o deslocamento da base tributável, no anocalendário de 2011, relativa à diversas receitas que foram repassadas inicialmente pela Credi21 Participações Ltda, CNPJ nº 03.529.067/000106, (doravante denominada de Cred21) e posteriormente pela Club, Fl. 2544DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.475 5 pois a Credi21 foi incorporada pela Club em 28/02/2011, para as seguintes empresas: a) Primos Participações Ltda, CNPJ nº 04.055.313/000106 (doravante denominada de Primos); b) TCM Participações Ltda, CNPJ nº 06.276.746/000109 (doravante denominada de TCM); e c) TEF Serviços de Processamento de Dados Ltda, CNPJ nº 07.445.167/000105 (doravante denominada de TEF). Todas as três empresas acima eram controladas pela Club e gozavam de tributação mais favorável, pois a opção delas foi pela tributação pelo lucro presumido. Demonstrou a Autoridade que as despesas, inerentes à obtenção das receitas que foram repassadas, ficaram a cargo da Club e que praticamente toda a receita repassada para estas empresas retornou para a Club na forma de distribuição de lucros (pagamento de dividendos). Expõe a Autoridade que as remunerações repassadas pela Club para a Primos versavam sobre as vendas de seguros e de planos odontológicos realizadas para os clientes do Cartão Marisa, que era administrado pela Club. Os seguros oferecidos eram administrados pela Assurant Seguradora S/A, CNPJ nº 03.823.704/000152 (doravante denominada de Assurant), enquanto os planos odontológicos eram administrados pela Prodent Assistência Odontológica Ltda, CNPJ nº 61.590.816/000107 (doravante denominada de Prodent). Afirma a Autoridade que todos os valores recebidos pela Club, relativa à venda de seguros e planos odontológicos, no ano calendário de 2011 foram repassados para a Primos, que retinha o valor da comissão e repassava para a Assurant e Prodent o valor pertinente às mesmas, de acordo com os contratos assinados entre as partes. Apesar de quase todas as despesas associadas a vendas destes seguros e planos odontológicos terem sido contabilizadas pela Club e terem causado a redução do valor da apuração do seu lucro real e da sua base de cálculo da CSLL, as receitas das comissões incidentes sobre estas vendas não foram tributadas na Club, mas foram tributadas na Primos, de forma mais favorável, na opção pelo lucro presumido. Ressalta também que boa parte da receita que deveria ser tributada na Club retornou para a mesma sob a forma de distribuição de lucros, a Primos efetivamente pagou dividendos a Club, em 2012, no valor de R$ 35.999.708,40 relativo à distribuição de lucros do anocalendário de 2011. A Autoridade expõe esmiuçadamente as operações realizadas nas fls. 1949 e ss. Quanto à remuneração repassada para a TCM, alega que o contribuinte teve dificuldades para explicar quais foram os serviços prestados pela TCM para a Club, pois em resposta apresentada em 03/10/2016 afirmou que não tinha localizado Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.476 6 contratos celebrados com a TCM, porém informou que foi repassado um valor total de R$ 8.349.296,77, no período de janeiro a junho de 2011, cujo histórico do lançamento era “Repasse serviços cobrança”. Após indagar a autuada acerca da motivação econômica para ter efetuado repasses para a TCM, respondeu, em 14/10/2016, que se tratavam de pagamentos efetuados pelos serviços prestados de cobrança junto aos clientes. Confrontada com a pergunta para explicar o motivo pelo qual as receitas de tarifas de cobrança foram integralmente repassadas para a TCM, no anocalendário de 2011, sem passar pelo resultado da Club, visto que as despesas associadas a estas receitas permaneceram sob a responsabilidade da Club, respondeu, em 23/11/2016, que estas receitas foram integralmente repassadas, pois a TCM era a responsável pela prestação de serviços de cobrança em caso de inadimplemento, bem como de assessoria de cobrança, porém informou que a tarifa de cobrança era paga através da fatura do Cartão Marisa, junto com as demais compras do cliente. Afirma então a Autoridade que fica prejudicado o entendimento da Club de não contabilizar a receita, visto que a tarifa de cobrança fazia parte do extrato enviado pela Club, era controlada pelos sistemas informatizados da Club, a Club tinha contratos com diversas empresas de cobrança que cobravam todos os valores devidos na fatura, e havia diversas outras despesas associadas a obtenção desta receita que ficaram sob responsabilidade da Club. Demonstra após (fls. 1956 e ss.) que as despesas que ficaram sob responsabilidade da TCM são muito pequenas comparadas com as que ficaram sob responsabilidade da Club. Realça que toda a remuneração recebida pela Club no valor de R$ 8.349.296,77, relativa à tarifa de cobrança no anocalendário de 2011, não foi tributada na Club, pois foi repassada para a TCM, sendo tributada pela opção de lucro presumido. A TCM por sua vez pagou a Club, no anocalendário de 2012, o valor de R$ 9.709.100,00 a título de dividendos relativos à distribuição de lucros do anocalendário de 2011. Em relação à remuneração repassada para a TEF, alega a Autoridade que o contribuinte teve dificuldades para explicar quais foram os serviços prestados pela TEF para a Club, pois em resposta apresentada em 03/10/2016 afirmou que não tinha localizado contratos celebrados com a TEF, porém informou que foi repassado um valor total de R$ 41.515.848,88, no ano calendário de 2011, cujo histórico do lançamento era “Pagamentos pela prestação de serviços de processamento de faturas de cartão para os clientes da Contratante” e “Anuidade Diferenciada”. Indagada sobre qual a motivação econômica de ter efetuado repasses para a TEF, respondeu que se tratavam de pagamentos efetuados pelos serviços prestados de processamento de dados das faturas enviadas aos clientes da fiscalizada. Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.477 7 Confrontada com a pergunta para explicar o motivo pelo qual as receitas de anuidade diferenciada foram integralmente repassadas para a TEF, no anocalendário de 2011, sem passar pelo resultado da Club, visto que as despesas associadas a estas receitas permaneceram sob a responsabilidade da Club, respondeu que estas receitas foram integralmente repassadas, pois a TEF era a responsável pela negociação e contratação de parceiros, bem como pela disponibilização e gerenciamento de programas e benefícios e/ou recompensas vinculadas ao Cartão Marisa. Sustenta a Autoridade que fica prejudicado o entendimento da Club de não contabilizar tanto a receita proveniente da Tarifa de Processamento de Fatura, repassada até o dia 31/05/2011, bem como da Anuidade Diferenciada, repassada a partir de 01/06/2011, visto que praticamente todas as despesas associadas à obtenção destas receitas ficaram sob responsabilidade da Club. Na sequência (fls. 1959 e ss.), detalha a operação acerca das receitas e despesas incorridas por estas duas empresas. No item 1.5 DESCONSTRUÇÃO DO PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO E RECONSTIUIÇÃO DA BASE TRIBUTÁVEL NA CLUB do TVF 01 (fls. 1963 e ss.), explica a Autoridade que foram consideradas apenas as receitas repassadas pela Club para a Primos, TCM e TEF, as quais somaram R$ 94.015.836,99 no anocalendário de 2011 (conforme exposto nos itens 1.1.4, 1.2.2 e 1.3.2 do respectivo Termo), e que foram tributadas nas empresas controladas, não serão incluídas as demais receitas que não foram repassadas pela Club, conforme quadro abaixo: A tabela a seguir calcula qual foi o valor tributado de IR e CSLL nestas empresas, relativo às receitas que foram repassadas, sabendo que a opção delas foi pelo lucro presumido e que, em todas, a base de cálculo do IR e da CSLL é calculada pela aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta. A tabela abaixo indica que os valores de IR e CSLL que foram pagos pela Primos, TCM e TEF sobre todas as suas receitas são superiores aos valores de IR e CSLL incidentes sobre as receitas repassadas pela Club, portanto os valores de IR e CSLL, calculados na tabela anterior, no total de R$ 7.521.266,96 e R$ Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.478 8 2.707.656,11, respectivamente, foram abatidos dos valores devidos na Club. Na reconstituição da base de cálculo na Club, foram consideradas todas as despesas que foram apropriadas pela Primos, TCM e TEF, no anocalendário de 2011, com exceção das despesas com tributos. As despesas consideradas estão listadas nos itens 1.1.5, 1.2.3 e 1.3.3 do TVF 01 e foram consolidadas na tabela abaixo. A base de cálculo do IR e da CSLL na Club, com a desconstrução do planejamento tributário, foi calculada na tabela abaixo. Estão incluídas as receitas repassadas para Primos, TCM e TEF bem como todas as despesas apropriadas nestas empresas, com exceção das despesas tributárias: Como, no anocalendário de 2011, a Club tinha um saldo de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores no valor R$ 26.144.763,25, dos quais já compensou na apuração do exercício o valor de R$ 22.789.324,34, foi compensado de ofício o valor de R$ 3.355.438,91, relativo ao saldo restante, por ser mais favorável ao contribuinte. A tabela a seguir calcula o valor que seria devido de IR e CSLL pela Club. Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.479 9 O valor devido pela Club foi reduzido do IR e CSLL incidente sobre as receitas repassadas e que foram ofertadas à tributação pela Primos, TCM e TEF, conforme calculado na tabela a seguir. Argumenta a Autoridade Fiscal que esta desconstrução do planejamento tributário recompõem a verdade material e evidencia que a Club, apesar de ter efetivamente suportado o ônus pelos serviços prestados, ficou sem a contrapartida da receita, que acabou retornando para a Club, através da distribuição de dividendos, reduzida por uma tributação mais favorecida realizada na Primos, TCM e TEF, as quais não tinham a capacidade para prestar os serviços, como restou demonstrado neste TVF 01. No TVF 02, explica a Autoridade que a autuada prestava serviços de administração e gerenciamento do cartão de crédito/débito Marisa para a empresa Marisa Lojas S/A (doravante denominada Marisa). A Club era subsidiária integral da Marisa. Este Termo (fls. 1968 e ss.) trata da receita recebida pela Club em relação à administração e gerenciamento do Cartão Marisa e do programa de vantagens denominado Amiga, que foi criado para incentivar as compras dos clientes nas lojas da Marisa utilizando o cartão Marisa. O contrato de prestação de serviços de administração e gerenciamento do Cartão Marisa foi apresentado pela Club em 23/11/2016. O mesmo foi celebrado em 26/10/1999 entre as empresas Marisa e Credi21 Participações Ltda. (doravante denominada Credi21) e¸ segundo informação prestada pela Club, não sofreu qualquer aditivo. O prazo de vigência do contrato era indeterminado, conforme descrito em sua cláusula 7.1. A Credi21 foi incorporada pela Club em fevereiro de 2011. A remuneração da Club estava prevista na cláusula 8.1, a qual especificava que a Marisa pagaria à Club o percentual de 2,5% aplicado sobre os valores adquiridos pelos clientes utilizando o Cartão Marisa junto às lojas da Marisa. A cláusula 8.5 informava que a remuneração poderia ser alterada mediante comunicação, por escrito, da Club à Marisa, com 15 (quinze) dias de antecedência. Acrescenta a Autoridade Fiscal que, apesar do contrato prever uma remuneração para a Club de 2,5% sobre as vendas, a Marisa pagou, de março a setembro, o percentual de 3% e a partir de outubro o percentual de 1%. Indagada sobre a motivação destas mudanças nos percentuais de remuneração e se elas foram aplicadas às demais operadoras de cartão de crédito, o contribuinte informou, em 23/11/2016, que o motivo da alteração foi o aumento de vendas com o cartão Marisa e, por isso, a consequente redução/ajuste na remuneração. Porém, realça a Autoridade que não houve formalização contratual deste ajuste, e que essa redução não foi aplicada às demais Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.480 10 operadoras de cartão de crédito. Afirma a Autoridade que, obviamente, a motivação alegada para a redução da remuneração não é sustentável, pois as vendas em outubro e novembro foram inferiores às vendas observadas de maio a junho, e o aumento verificado em dezembro ocorre todos os anos devido às compras de natal. Se fosse aplicado o percentual de 2,5%, previsto em contrato, sobre o total de vendas, a Club teria que receber, no anocalendário de 2011, o total de R$ 25.424.712,03, ou seja, ela recebeu R$ 2.366.773,23 a menos do que o valor previsto contratualmente. Explica a Autoridade que o contribuinte apresentou uma cópia do projeto piloto denominado de Projeto Programa de Fidelidade Marisa cuja implementação estava prevista para julho de 2010, e uma cópia do projeto definitivo denominado de Amiga – Programa de Vantagens. O programa visava fidelizar o cliente, incentivandoo a usar o Cartão Marisa de forma a aumentar as vendas, em troca de benefícios e vantagens. A cada compra o cliente ganhava pontos, que variava de acordo com o valor da compra, e a cada 25 pontos acumulados ele ganhava um “valemoda” de R$ 25,00. Estes “valesmoda” poderiam ser utilizados pelos clientes para reduzir o valor a pagar de novas compras. A adesão ao programa era gratuita, mas o cliente deveria aderir por escrito ao programa para gozar dos benefícios. Os pontos expiravam em 1 (um) ano, caso não fosse atingida a pontuação mínima para ganhar um “valemoda”, enquanto os “valesmoda”, uma vez obtidos, expiravam em 3 (três) meses para serem utilizados em novas compras. Relata a Autoridade que a contabilização deste programa de vantagens pela Club era feita nas contas 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar e 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade. A conta 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar contabilizava uma despesa de provisão no momento em que o cliente realizava uma compra com o cartão e acumulava pontos pelo programa de benefícios. O lançamento contábil utilizado pelo contribuinte foi um débito em uma conta de receita, na verdade uma despesa de provisão, contra um crédito em uma conta do passivo diferido. D 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar C 21701003 Receita Diferida Prog. De Fidelidade A conta 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade contabilizava uma despesa efetiva quando o cliente utilizava a sua pontuação acumulada através de compras anteriores para abater o valor a ser pago por uma nova compra. Os lançamentos utilizados pelo contribuinte eram de reverter a despesa de provisão contra o passivo diferido e de contabilizar uma despesa efetiva contra o passivo que controlava os valores a serem repassados para a Marisa. D 21701003 Receita Diferida Prog. De Fidelidade C 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.481 11 D 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade C 21601020 Marisa Lojas Varej Ao final do anocalendário de 2011 a Club apropriou uma despesa de provisão na conta 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar no valor de R$ 1.941.502,00, e uma despesa de R$ 4.755.620,00 na conta 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade. O contribuinte, em resposta apresentada em 14/10/2016, informou que não adicionou na apuração do lucro real de base de cálculo da CSLL as despesas de provisão lançadas na conta 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar. No tópico 1.3 IMPACTO TRIBUTÁRIO OBTIDO COM A REDUÇÃO DA REMUNERAÇÃO DA CLUB (fls. 1970 e ss.) relata a Autoridade que a implementação do programa de vantagens trouxe despesas para a Club que passaram a sobrepujar a remuneração recebida pela administração do cartão de crédito, já que houve uma redução desta remuneração a partir de outubro de 2011. A Autoridade Lançadora apresenta a tabela abaixo e afirma que as vendas feitas pelo programa de fidelidade começaram a ganhar corpo a partir de agosto de 2011 e que as despesas vinculadas à utilização dos benefícios deste programa pelos clientes passaram a sobrepujar a remuneração recebida pela Club a partir de dezembro de 2011. Complementa que se a remuneração da Club não fosse reduzida e fosse mantido o percentual de remuneração previsto no contrato, a despesa de fidelidade não iria sobrepujála. Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.482 12 Entende que não faz sentido econômico uma operadora de cartão de crédito participar de um programa de incentivo às vendas cuja despesa relacionada a este programa supera a sua remuneração incidente sobre as vendas realizadas com este cartão. Como esta redução de remuneração não foi aplicada a nenhuma outra operadora de cartão de crédito, esta redução também não poderia ser aplicada justamente à operadora que é subsidiária integral da Marisa e cujo resultado tributário beneficia o grupo econômico, conforme demonstrado a seguir. Realça a Autoridade que operações de prestação de serviços entre empresas do mesmo grupo econômico devem ser conduzidas com transparência e de forma que sigam as regras de mercado, pois não existe independência formal entre as partes. No caso, em questão, o pagamento realizado pela Marisa foi inferior ao acordado contratualmente e foi também inferior ao praticado no mercado. Argumenta a Autoridade que a motivação econômica apresentada pelo contribuinte não coaduna com as verdades dos fatos, além de que esta redução iria causar um prejuízo constante para a Club, e em condições normais de mercado nenhuma empresa iria pactuar em receber uma remuneração que lhe causasse prejuízo ao prestar o serviço demandado. Fl. 2552DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.483 13 Explica que a Marisa e a Club dispõem de liberdade para decidir a remuneração que uma deveria pagar a outra, porém não podem lesar o fisco quando estas remunerações não obedecem aos contratos assinados e tampouco às regras de mercado, nestes casos deve o fisco verificar se o total dos tributos devidos pelo grupo foi reduzido pela prática de atos contrários às regras contratuais ou às condições normais de mercado. Conclui então que a autuada incorreu em duas infrações distintas, a primeira porque deduziu indevidamente despesas de provisão da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, a segunda devido à omissão de receita proveniente de um planejamento tributário envolvendo o grupo econômico formado pela Club e pela Marisa. Com relação as despesas de provisão (tópico 2.1 do TVF 02, fls. 1972 e ss.), reitera a Autoridade que quando o cliente ganhava pontos, a Club contabilizava um passivo referente a uma possível despesa que só se concretizaria caso o cliente utilizasse estes pontos acumulados para abater do valor devido em novas compras, a contrapartida da conta do passivo era um lançamento a débito na conta de receita 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar. Quando o cliente efetivamente utilizava a pontuação obtida para abater o valor de novas compras ou quando a pontuação ou os “valesmoda” expiravam, a Club revertia o passivo anterior com um lançamento a crédito na conta 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar. Portanto a conta, 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar, era utilizada para lançar as despesas de provisão bem como as receitas de reversão de provisão referentes aos pontos que o cliente obtinha e que resgatava ou que perdia pelo decurso do prazo. Como, ao final do anocalendário de 2011, esta conta tinha um saldo negativo que foi levado para a apuração do lucro líquido do período, podemos afirmar que se tratava de uma despesa de provisão, pois ela era referente a uma despesa que ainda não tinha se concretizado pois era de caráter futuro e incerto. Esta despesa não foi adicionada ao lucro líquido para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, e sob a égide do DecretoLei nº 1.598/77 e da Lei nº 7.689/88 com a redação dada pela Lei nº 8.034/90), a fiscalização adicionou de ofício o valor de R$ 1.941.502,00. Quanto à omissão de receitas (tópico 2.2 do TVF 02, fls. 1973 e ss.), reitera a Autoridade que a remuneração prevista no contrato era de 2,5% incidente sobre o total de vendas realizadas com o cartão Marisa, podendo ser alterada, desde que formalizada através de petição escrita da Club com 15 (quinze) dias de antecedência. Relata que, conforme o demonstrativo apresentado pelo contribuinte, a remuneração da Club sofreu alterações ao longo do ano, sem qualquer Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.484 14 formalização entre as partes, resultando em uma remuneração anualizada de 2,27% sobre o total de vendas. Estas alterações reduziram a receita da Club, em relação ao valor acordado contratualmente, no montante de R$ 2.366.773,23. A justificativa apresentada pelo contribuinte da redução da remuneração foi que como as vendas aumentaram foi feita uma equalização da remuneração, porém, realça a Autoridade que o que ocorreu efetivamente foi uma queda abrupta da receita da Club em praticamente um terço do valor que ela vinha recebendo. Concomitante com a redução da receita foi implementado um programa de benefícios para incentivar os clientes a realizarem compras nas Lojas Marisa utilizando o cartão Marisa que era administrado pela Club, este programa criou uma despesa que a partir de dezembro passou a superar a receita pela administração e gerenciamento deste cartão. Ressalta a Autoridade que não faz sentido econômico uma operadora de cartão de crédito participar de um programa de incentivo às vendas cuja despesa relacionada a este programa supera a sua remuneração incidente sobre as vendas realizadas com este cartão. Entende que faz menos sentido ainda a redução de uma remuneração que só poderia ser alterada caso a Club solicitasse por escrito, conforme previsto na cláusula contratual 8.5, ou seja, em uma operação comercial de livre mercado jamais uma empresa iria demandar a redução de uma receita que lhe causaria prejuízo ao prestar o serviço contratado. Tal procedimento só foi possível porque as empresas fazem parte do mesmo grupo econômico em que existe independência meramente formal entre as mesmas, pois na realidade ambas se sujeitam a um mesmo controle gerencial. Repisa que as operações de prestação de serviços entre empresas do mesmo grupo econômico devem ser conduzidas com transparência e de forma que sigam as regras de mercado. Porém, relata que no caso, em questão, o pagamento realizado pela Marisa foi inferior ao acordado contratualmente e a redução não foi aplicada aos demais prestadores do mesmo serviço, a motivação econômica apresentada pelo contribuinte não coaduna com as verdades dos fatos, além de que esta redução iria causar um prejuízo constante para a Club, que em condições normais de mercado jamais iria ter a iniciativa para reduzir a sua remuneração de forma que lhe causasse prejuízo ao prestar o serviço demandado. Esclarece que a Marisa e a Club dispõem de liberdade para decidir a remuneração que uma deveria pagar a outra, porém não podem lesar o fisco quando estas remunerações não obedecem aos contratos assinados e tampouco às regras de mercado. Neste caso, deve o fisco verificar se o total dos tributos devidos pelo grupo foi reduzido pela prática de atos contrários às regras contratuais ou às condições normais de mercado. Fl. 2554DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.485 15 Explica ainda que, conforme visto no item 1.3 deste Termo, a redução da receita da remuneração da Club causou a diminuição de uma receita tributável na Club e uma diminuição de uma despesa dedutível na Marisa. Ambas eram tributadas pela opção do lucro real anual, como a Marisa teve um prejuízo fiscal no período e a Club teve lucro real, ocorreu uma economia tributária de R$ 1.775.079,92 do grupo econômico. Com esta economia foi obtida de forma abusiva, em desrespeito às regras contratuais e comerciais de mercado, cabe ao fisco efetuar a desconstrução deste planejamento tributário e reconstituir a receita pactuada contratualmente entre as partes no valor de R$ 2.366.773,23. No tópico 03 (fls. 1974 e ss.), trata a Autoridade da compensação indevida de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativa de CSLL. Afirma que os valores tributáveis apurados no TVF 02 e TVF 01 foram de R$ 4.308.275,23 e R$ 73.349.465,72, respectivamente, totalizando o montante de R$ 77.657.740,95. Reconstruiu, então, com base nos ajustes apurados durante o procedimento de fiscalização, as compensações indevidas do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL de 2011 até 2012. Apresentou a tabela abaixo (fl. 1975). O valor de R$ 3.355.438,91 foi considerado uma compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL no anocalendário de 2012. Irresignada com a autuação, a interessada apresentou impugnação, alegando em síntese conforme capítulos abaixo: II DA PRELIMINAR II.1 Da Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica (TVF n° 01) Após apresentar tabela constante do relatório fiscal (fls. 17/18), explica a impugnante que ao optar pela “desconstrução do planejamento tributário” e “reapurar” a base de cálculo da Impugnante considerando as “receitas repassadas” à PRIMOS, TCM e TEF como se receitas fossem da Impugnante, a Fiscalização cometeu um equívoco inaceitável: a desconsideração da personalidade jurídica, com a consequente confusão entre os patrimônios das pessoas jurídicas (Impugnante, PRIMOS, TCM e TEF). O Sr. Agente Fiscal, em síntese, entendeu que a PRIMOS, TCM e TEF não tinham “capacidade para prestar os serviços” presumindo que tais pessoas jurídicas seriam inexistentes. Porém, defende que tal entendimento está equivocado, pois os atos societários de constituição da PRIMOS, TCM e TEF foram Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.486 16 devidamente registrados no órgão público de competência, a saber, a Junta Comercial do Estado de São Paulo ("JUCESP"), que verificou o conteúdo e as formalidades aplicáveis aos atos levados ao arquivamento, conferindoos verdadeiros, dandoos a devida transparência e publicidade e tornandoos passíveis de oposição a terceiros. Argumenta que a regular constituição de pessoas jurídicas acarreta na separação patrimonial das pessoas jurídicas (sejam do mesmo Grupo Econômico ou não), a fim de que seja realizada devidamente a exploração de atividade econômica, não podendo o Fisco unir sociedades distintas de forma manifestamente arbitrária. Acrescenta que para a aludida desconsideração da personalidade jurídica, é indispensável que sejam trazidas provas por parte da Autoridade Fiscal, o que não pode ser identificado no presente caso, em que a Fiscalização trouxe apenas esta alegação por via oblíqua, ao atribuir indevidamente à Impugnante as receitas que, de fato, são de competência da PRIMOS, TCM e TEF. Destaca que que somente em caso de existência de fraude ou abuso de direito, ou seja, a existência de dolo, devidamente demonstrado pelo Fisco, é que se poderia aplicar a desconsideração da personalidade jurídica. Contudo, no caso em questão é evidente a inexistência de dolo ou fraude, tanto que sequer houve a imposição de multa agravada pela Fiscalização. Conclui então que a desconsideração da personalidade jurídica, pretendida pela Fiscalização, é totalmente descabida, sendo que (i) ainda que fosse aplicável ao caso, o que se nega, mas se alega para argumentar, não foram trazidos à baila quaisquer elementos de prova capazes de embasar a desconsideração em pauta; e (ii) não há decisão judicial a este respeito. Por tais razões, sustenta que há vício de motivação no ato administrativo, o que o torna nulo, motivo pelo qual aguardase o cancelamento integral dos autos de infração lavrados. III DO DIREITO III.1 Esclarecimentos Iniciais / Estrutura Operacional do Grupo (TVF n° 01) Antes de se adentar às questões de direito que esclarecem a total legalidade dos atos praticados pela Impugnante e pelos seus prestadores de serviços, a impugnante tece breves esclarecimentos quanto a sua estrutura de negócio (fls. 2019 e ss.). III.2 Da Análise das Operações Efetivamente Realizadas (TVF n° 01) Explica a autuada que a Fiscalização entendeu que a PRIMOS, TCM e TEF não teriam capacidade para prestar os serviços, respectivamente, (i) de oferecer propostas de vendas de seguros e planos odontológicos; (ii) de cobrança; e (iii) de controle de processamento de dados; emissão de fatura; de negociar e Fl. 2556DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.487 17 contratar parceiros; e gerenciar programas de benefícios e recompensas, induzindo que referidas empresas não seriam existentes, motivo pelo qual a Fiscalização realizou a reapuração da base de cálculo da Impugnante considerando as receitas pertencentes à PRIMOS, TCM e TEF como se receitas fossem da Impugnante. Argumenta a autuada que as empresas PRIMOS, TCM, e TEF eram efetivamente existentes e exerciam plenamente os seus objetos sociais, motivo pelo qual não merecem prosperar os autos de infração em questão. Explica que tem por atividade precípua a prática de administração de cartões de crédito, a qual representa alto risco de inadimplência. Ademais, tal atividade de administração de cartões exige um alto grau de organização para controlar o adimplemento dos clientes, os processamentos e emissões de faturas, cobranças, e planos de benefícios pelo uso do cartão. Evidente, portanto, que um Grupo do porte da Impugnante deve estar em constante adaptação às condições do mercado de modo a estruturar suas atividades e vendas da forma que melhor lhe convier dentro de um planejamento estratégico em relação à sua atividade de administração de cartões, visando benefícios econômicos, administrativos e financeiros. Diante deste cenário, aduz que celebrou contratos de prestação de serviços com: [i] a PRIMOS (CNPJ 04.055.313/000106): que exerce o papel de explorar a base de clientes da Impugnante, com o objetivo de angariar e fomentar a venda e controle de seguros e planos odontológicos; [ii] a TCM (CNPJ 06.276.746/000109): empresa responsável pela prestação de serviços de cobrança decorrente de inadimplemento, bem como de assessoria de cobrança, sendo remunerada por meio de Tarifas de Entrada de Cobrança e Manutenção de Cobrança; [iii] a TEF CNP3 n° 07.445.167/000105 ("TEF"): empresa responsável pelo serviço de controle e processamento de dados, emissão de faturas e de negociar e contratar parceiros, bem como por disponibilizar e gerenciar programas de benefícios e/ou recompensas vinculados ao cartão, sendo remunerado por meio de Tarifas de Processamento de Fatura e Anuidade Diferenciada. Acrescenta que, com relação a cobrança das Tarifas de Processamento de Faturas e de Anuidade Diferenciada, tais tarifas foram consideradas legítimas, o que comprova a efetiva prestação de serviços. A título exemplificativo, apresenta decisão proferida pelo PROCON Pernambuco, que reconheceu que a Tarifa de Processamento de Fatura é uma justa contraprestação, não restando configurada uma cobrança indevida. Cita também decisão proferida pela 1ª Turma Recurso do Estado do Acre, a qual reconheceu a legalidade da Tarifa de Anuidade (Doc. 11). Expõe então que a constituição das empresas PRIMOS, TCM e TEF decorreram de processo estratégico de reorganização das atividades operacionais do Grupo, objetivando o Fl. 2557DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.488 18 desenvolvimento da atividade de oferecer e vender propostas e certificados de Seguros, de assessoria de cobrança no caso de inadimplemento e serviços de contratação de parceiros e gerenciar programas de benefícios e/ou recompensas vinculados ao cartão, serviços estes que são absolutamente distintos das demais atividades desenvolvidas pela Impugnante (administração de cartões de crédito). Ou seja, o Grupo optou, à época dos fatos em questão, por razões principalmente administrativas, em segregar a sua atividade de administração de cartões (CLUB Administradora de Cartões LTDA, ora Impugnante) das atividades de oferecer e vender propostas e certificados de Seguros e Planos Odontológicos (PRIMOS); de assessoria de cobrança no caso de inadimplemento (TCM); e gerenciar programas de benefícios e/ou recompensas vinculados ao cartão (TEF), por se tratar de atividades específicas e absolutamente distintas. Notase que em razão da contraprestação pelos serviços prestados pela PRIMOS, TCM e TEF, essas empresas tinham direito as seguintes receitas: [i] PRIMOS: valores correspondentes a intermediação e organização dos montantes atinentes à contratação de seguros e planos odontológicos, os quais eram debitados nos cartões Marisa para posterior direcionamento aos titulares das receitas (Assurant Seguros) e (Prodent planos odontológicos); [ii] TCM os valores das Tarifas de Entrada de Cobrança e Manutenção de Cobrança; e [iii] TEF os valores das Tarifas de Entrada de Processamento e Anuidade Diferenciada, conforme acordado nos contratos de prestações de serviços apresentados durante a Fiscalização e reapresentados na presente Impugnação. Portanto, não há que se falar em "repasse" como entendeu equivocadamente a Autoridade Fiscal, mas sim de valores que em sua essência pertenciam a tais empresas, mas, por uma questão organizacional, estavam todos consolidados na fatura que era recolhida pelos titulares dos cartões Marisa. Reitera que não se trata de "repasse de receitas", mas sim de uma disponibilização de valores referentes aos serviços prestados pela PRIMOS, TCM e TEF, e não serviços prestados pela própria Impugnante. Diante disso, não pode prosperar a desconsideração dos valores recebidos e tributados pelas empresas PRIMOS, TCM e TEF, já que as receitas indevidamente atribuídas à Impugnante, são, de fato, pertencentes desde a sua origem à tais empresas. Ademais, importante salientar que a PRIMOS, TCM e TEF prestaram seus respectivos serviços, conforme se verifica das Notas Fiscais apresentadas durante a Fiscalização, bem como reconheceram a totalidade das receitas auferidas em função do exercício de suas atividades, bem como foram recolhidos todos os tributos devidos sobre tais montantes, conforme relatado pelo próprio Sr. Agente Fiscal. Defende que tal organização foi feita sob total transparência e todos os atos e negócios jurídicos foram realizados em estrita observância à legislação de regência, tanto é verdade que o Sr. Fl. 2558DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.489 19 Agente Fiscal não lançou multa agravada no presente caso. Assim, resta demonstrado a existência de propósito negocial nas atividades exercidas pela PRIMOS, TCM e TEF, bem como no negócio jurídico celebrado entre estas e a Impugnante, devendo ser refutadas as alegações do Sr. Agente Fiscal em sentido divergente. Reforça que tanto é verdade que tais empresas realizavam as funções especificadas nos contratos firmados com a Impugnante que elas incorriam em despesas e tributavam as suas receitas. Tanto que Fiscalização foi obrigada a considerar os pagamentos dos tributos e as despesas quando da indevida "desconstrução do planejamento tributário" Expõe que a justificativa da Fiscalização para a desconstituição do suposto planejamento tributário realizado pela Impugnante, partiu da presunção de que as despesas vinculadas aos serviços realizados pela PRIMOS, TCM e TEF, bem como as despesas administrativas de funcionamento das empresas PRIMOS, TCM e TEF, teriam sido arcadas pela Impugnante, sem a contrapartida das respectivas receitas. Contudo, afirma que esse entendimento é equivocado e não deverá prevalecer: (...) Quanto à distribuição de lucros, explica que sendo a Impugnante empresa controladora das empresas PRIMOS, TCM e TEF, é obvio e natural o recebimento de distribuição de lucros de suas empresas controladas, não havendo qualquer impedimento legal nesse ato que possa desqualificar as receitas auferidas pelas controladas. Diante de todo o exposto, considerandose que (i) a PRIMOS realiza o agenciamento, controle cadastral e financeiro das operações de aquisição de seguros e planos odontológicos da base de clientes da Impugnante, com o objetivo de fomentar a contratação de seguros e planos odontológicos; (ii) a TCM presta serviços de cobrança decorrente de inadimplemento, bem como de assessoria de cobrança, tendo direito ao recebimento das Tarifas de Entrada de Cobrança e Manutenção de Cobrança; e (iii) a TEF presta serviços de controle e processamento de dados, emissão de faturas e negocia e contrata parceiros, bem como disponibiliza e gerencia programas de benefícios e/ou recompensas vinculados ao cartão Marisa, sendo remunerada por meio de Tarifas de Processamento de Fatura e Anuidade Diferenciada, alega que deverá essa D. DRJ reconhecer a nulidade dos lançamentos ora em análise, cancelandose integralmente os autos de infração lavrados. III.3 Da Inexistência de Vedação Legal à Constituição da "PRIMOS", "TCM" e "TEF" para Prestação de Serviços à Impugnante (TVF n° 01) Após a comprovação da efetiva existência e propósito negocial das empresas PRIMOS, TCM e TEF, alega que não existe qualquer vedação no ordenamento jurídico brasileiro que proíba a constituição de empresas aptas a realizar a prestação de serviços (i) agenciamento, controle cadastral e financeiro das Fl. 2559DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.490 20 operações de aquisição de seguros e planos odontológicos; (ii) de cobrança decorrente de inadimplemento e assessoria de cobrança; e (iii) de controle de processamento de dados; emissão de fatura; de negociar e contratar parceiros; e gerenciar programas de benefícios e recompensas, nem tampouco há vedação à realização do negócio jurídico consubstanciado na celebração de contrato de prestação de serviços entre duas ou mais pessoas jurídicas, ainda que pertencentes a um mesmo Grupo Econômico. Em razão disso, defende os atos e procedimentos adotados pela Impugnante e pelas empresas PRIMOS, TCM e TEF não afrontam qualquer norma vigente no ordenamento jurídico brasileiro, além de representarem operações devidamente fundadas em interesses de cunho comercial e operacional das partes envolvidas. Conforme destacado no tópico anterior, a PRIMOS, TCM e TEF: (i) foram legalmente constituídas com a observância das normas de regência; (ii) apresentavam todas as declarações e demais obrigações acessórias às Autoridades Fazendárias; (iii) declarava e tributava devidamente as receitas por ela auferidas, (iv) arcava com todas as despesas atinentes ao seu negócio; e (v) prestavam serviços essenciais para potencializar as vendas e o faturamento ultimado Grupo. Afirma que a presente autuação fiscal tem como verdadeiro fundamento o "inconformismo" do Sr. Agente Fiscal quanto à segregação de atividades desenvolvidas pela PRIMOS, TCM e TEF, o que não pode ser admitido. Isso porque, não existe qualquer vedação legal, no ordenamento jurídico brasileiro, quanto à forma de organização das atividades operacionais dentro de um grupo societário. Tampouco há na legislação norma que restrinja a celebração de contrato de prestação de serviços, tal como feito entre a PRIMOS, TCM e TEF e a Impugnante. Devese mencionar, por oportuno, que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") já reconheceu expressamente que o fato de uma empresa segregar suas atividades, não deve ser visto como um ato ilícito pela Autoridade Fiscal, nos termos do citado acórdão n° 3302 003.138. Cita os principais trechos do voto do acordão que não deixam dúvidas quanto a legitimidade da segregação de atividades das empresas (fls. 2040/2041). Complementa: Importante destacar que no presente caso, em nenhum momento o Sr. Agente Fiscal nos TVF's, mencionou a palavra simulação, dolo, ou fraude, por parte da Impugnante ou por parte das empresas controladas pela Impugnante (PRIMOS, TCM e TEF), o que demonstra que não há fundamento legal para a desconstituição dos atos praticados pelas empresas envolvidas nas operações indevidamente questionadas pelo Fisco. Assim, não existindo lei que proíba a constituição das sociedades PRIMOS, TCM e TEF, a Autoridade Administrativa jamais poderia ter desconsiderado a existência dessas empresas e, muito menos, os serviços por elas realizados, restringindo o direito da Impugnante de disponibilizar as receitas para quem efetivamente praticou a prestação do serviço, que no caso em tela, foram as Fl. 2560DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.491 21 empresas PRIMOS, TCM e TEF, sob pena de grave afronta ao Princípio da Legalidade, expresso no art. 5o, inciso II da Constituição da República e, especificamente no que diz respeito aos tributos, no artigo 150, I do texto constitucional e no artigo 3o do Código Tributário Nacional. E nem se alegue que a opção da PRIMOS, TCM e TEF pelo lucro presumido, bem como o eventual efeito de economia tributária supostamente decorrente, encontrariam qualquer vedação legal. De fato, conforme será analisado adiante, a opção da PRIMOS, TCM e TEF pelo lucro presumido encontra estrita guarida na legislação em vigor, não cabendo à Autoridade Fiscal pretender vedar tal opção à guisa de desconsiderar as atividades por elas desenvolvidas, desconstituindo os seus atos. Acrescenta que somente a lei pode proibir e criar alguma obrigação, encargo ou ônus para o cidadão. A atividade administrativa é subalterna à Lei, ou seja, não poderá proibir nem impor procedimento algum a terceiro, salvo se embasada em expressa disposição legal. A função da Administração é concretizar os comandos existentes no ordenamento jurídico pátrio, dando efetividade aos textos legais, mas jamais lhe caberá inovar, instaurando originalmente qualquer dever ou direito do administrado. E, estando a atividade funcional do administrador sujeita aos mandamentos da Lei e às exigências do bem comum, deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido. Cita doutrina do professor Celso Antônio Bandeira de Mello, a qual explicita o dever da administração de respeito ao princípio da legalidade. No mesmo sentido, aponta ensinamento de Roque Antônio Carraza (fl. 2043). Sustenta então que a lei é a fonte suprema de geração de obrigações e direitos, estabelecida sempre de acordo com o Texto Constitucional, não podendo a Administração proibir o que a lei não proíbe, como ocorreu no presente caso no que se refere à desconsideração das atividades desenvolvidas pela PRIMOS, TCM e TEF, bem como do próprio negócio jurídico consubstanciado na prestação de serviços por estas empresas. Pontua ainda que que houve total transparência dos atos praticados não só pela Impugnante, mas pelas empresas PRIMOS, TCM e TEF, quando (i) da segregação das atividades de prestação de serviços pelas PRIMOS, TCM e TEF; (ii) na disponibilização de valores pela Impugnante de valores originários das funções exercidas pela PRIMOS, TCM e TEF; (iii) no oferecimento à tributação pela PRIMOS (R$ 44.799.149,30); TCM (R$ 7.638.218,05); e TEF (R$ 41.578.469,64), de suas receitas, em razão da prestação de serviços, devidamente informadas às Autoridades Fiscais em todas as declarações pertinentes. Além disso, os atos societários de constituição da PRIMOS, TCM e TEF (vide Doc. 03, 04 e 05), foram devidamente registrados no órgão público de competência, a saber, a Junta Comercial do Estado de São Paulo ("JUCESP"), que verificou o conteúdo e as formalidades Fl. 2561DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.492 22 aplicáveis aos atos levados ao arquivamento, conferindoos verdadeiros, dando aos mesmos a devida transparência e publicidade e tornandoos passíveis de oposição a terceiros. Reforça também que não há qualquer indício ou comprovação de que os atos praticados pela Impugnante foram realizados de modo a encobrir, enganar ou impedir o conhecimento do Fisco ou de quaisquer terceiros. Ao contrário, os atos foram praticados com a devida transparência e publicidade, representando os negócios jurídicos exatamente como praticados e formalizados nos documentos competentes. Neste sentido, evidentemente, os livros contábeis da PRIMOS, TCM e TEF também refletiram todas as suas receitas oriundas de prestação de serviços, conforme reconhecido pelo próprio Sr. A gente Fiscal no TVF n° 01 (fls. 05, 10 e 13). Ou seja, as Autoridades Fiscais sempre tiveram pleno conhecimento dos atos efetivamente praticados entre a Impugnante e as empresas PRIMOS, TCM e TEF e seus efeitos tributários. Conclui então que: (i) a constituição da empresa PRIMOS, TCM e TEF e os serviços por elas prestados são atos lícitos e legais, para os quais se deu total publicidade, tendo sido devidamente registrados nos órgãos competentes, quando cabível; (ü) a opção da PRIMOS, TCM e TEF pelo lucro presumido reflete uma opção legal, não podendo a Autoridade Fiscal contestála por via oblíqua, ao determinar a completa desconsideração das atividades desenvolvidas por tais pessoas jurídicas, para apurar nova base de cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL da Impugnante. Ademais, a atividade desenvolvida pelas PRIMOS, TCM e TEF não se confunde nem se assemelha àquela desenvolvida pela Impugnante; (iii) a celebração dos negócios jurídicos consubstanciados nos contratos de prestação de serviços estão em pleno acordo com a legislação em vigor, não havendo razões legais para desconsiderálos ou desqualificálos; (iv) as informações referentes às disponibilizações de valores referentes as prestações de serviços pela PRIMOS, TCM e TEF, foram devidamente registradas nos livros contábeis e fiscais, havendo transparência absoluta de tais atos e procedimentos, seja em relação ao Fisco ou a quaisquer terceiros; III.4 Do Exercício da Opção Fiscal de Tributação pelo Lucro Presumido da PRIMOS, TCM e TEF (TVF n° 01) Além da nítida legalidade das operações realizadas pela Impugnante, suficiente ao cancelamento integral das autuações, ressalta também a impugnante que a PRIMOS, TCM e TEF, no desenvolvimento de suas atividades, recolheu rigorosamente os tributos aos quais estava submetida pela sistemática do Lucro Presumido. Entretanto, no ponto de vista da Fiscalização, o Fl. 2562DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.493 23 exercício dessa opção fiscal foi um indício de que as operações realizadas visavam apenas a tributação mais benéfica. Contudo, diversamente do entendimento da Fiscalização, argumenta que as opções fiscais jamais podem ser confundidas com "planejamento" e evasão fiscal. Na verdade, elas configuram verdadeiras alternativas que a própria legislação oferece aos contribuintes. Aponta lição de Marco Aurélio Greco, no sentido de que as opções fiscais “são alternativas criadas peio ordenamento, propositalmente formuladas e colocadas à disposição do contribuinte para que delas se utilize, conforme a sua conveniência”. Expõe que este autor é enfático ao dizer que “quando a opção é exercida, não se está fazendo planejamento”. Argumenta que a necessidade de otimização da avaliação empresarial passa, necessariamente, pela reavaliação de redução de suas despesas tributárias, que tem por fundamento o direito que o contribuinte detém de não ser obrigado a sofrer uma carga tributária maior quando existe uma opção fiscal mais econômica, autorizada pelo próprio ordenamento jurídico. Nesse exato sentido, cita o escólio de Ruy Barbosa Nogueira “Ninguém é obrigado a escolher, entre várias formas possíveis, aquela que seja sujeita a impostos mais altos, [...]”. Ressalta ainda que a opção fiscal deve, necessariamente, estar no campo da legalidade, devendo existir uma norma de apoio para que o contribuinte faça a opção mais econômica. A título exemplificativo, cita a legislação do imposto sobre a renda, que admite a tributação com base no lucro presumido ou no lucro real (exatamente o caso presente). Acrescenta que, de fato, o contribuinte deve, em princípio, apurar o referido imposto pelo lucro real, mas, atendidas certas exigências (que efetivamente foram cumpridas), pode fazêlo com base no lucro presumido, o que poderá implicar numa menor carga tributária. Nota, portanto, que as opções legais estão dentro do campo de legalidade que não se confundem com as patologias do negócio jurídico, tais como o abuso de direito e a fraude à lei como bem observou Marco Aurélio Greco (fl. 2048). Cita também entendimento proferido pelo Conselheiro do E. CARF, Alberto Pinto, relator do voto do "Caso Multiplan", Acórdão n° 1302 001.150 (fls. 2048/2049). Conclui então que os serviços prestados pela PRIMOS, TCM e TEF e sujeitos à tributação presumida são uma mera opção fiscal / legal, permitida pelo ordenamento jurídico, ainda que essa opção possa ter gerado, como consequência, uma economia fiscal. Desse modo, não há como admitir que o exercício de opção legal pela PRIMOS, TCM e TEF (que não se confunde com fraude ou simulação, como reconhece o I. Marco Aurélio Greco, que repitase sequer foram fundamentos utilizados pelo Sr. Agente Fiscal para desconstituir as operações em questão) possa servir Fl. 2563DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.494 24 de fundamento para a lavratura dos autos de infração ora combatidos, razão pela qual requerse a esta E. DRJ o cancelamento integral dos autos de infração em questão. III.5 Da Inexistência de Omissão de Receitas de Vendas e Serviços /Impossibilidade de Ingerência do Fisco nas Atividades Empresariais do Contribuinte (TVF n° 02) O Sr. Agente Fiscal entendeu que a Impugnante teria omitido receitas de vendas e serviços, no anocalendário de 2011, referente a um suposto planejamento tributário envolvendo a Impugnante e a Marisa Lojas S/A no valor de R$ 2.366.773,23 (Itens 1.1; 1.3; e 2.2 do TVF n° 02). Em 23/11/2016 (Doc. 15), a Impugnante no curso da Fiscalização, informou que a redução do percentual ocorreu em razão do aumento de vendas com o cartão Marisa e a consequente redução/ajuste na remuneração. Entretanto, o Sr. Agente Fiscal alegou que na verdade teria ocorrido uma queda bruta da receita da Impugnante e que a redução da remuneração só poderia ocorrer se houvesse formalização por escrito. Explica a impugnante que ao analisar o demonstrativo mensal com o Total de Vendas com o cartão Marisa e a remuneração da Impugnante (fls. 01 do TVF n° 02), é possível constatar que: (i) no mês de Setembro/2011, último mês pago no percentual 3%, o Total de Vendas correspondeu ao montante de R$ 74.493.958,58; (ii) nos Meses de Outubro/2011 e Novembro/2011, logo após a alteração da alíquota, o Total de Vendas correspondeu, respectivamente, ao montante de R$ 88.519.645,88 e R$ 89.771.904,84, ou seja, houve um aumento das vendas, conforme alegado pela Impugnante no curso da Fiscalização, informação olvidada pela Fiscalização; e (iii) no mês de Dezembro/2011, último mês pago no percentual de 1%, o Total de Vendas correspondeu ao montante de R$ 194.294.231,68. Pontuase que foi o maior valor de venda do ano de 2011. Logo, não há como prosperar o argumento da Autoridade Fiscal de que teria ocorrido uma redução na quantidade de vendas. Ademais, no que tange a queda bruta da receita da Impugnante, entre os meses de outubro a dezembro do ano de 2011, alegada pela Fiscalização, destaca que, como é reconhecido pelo próprio Sr. Agente Fiscal, que tanto a Impugnante como a Marisa são empresas optantes pela tributação do Lucro Real. Ou seja, sendo empresas do mesmo Grupo Econômico e por estarem sob a mesma sistemática de tributação (Lucro Real), o fato de um período ocorrer uma redução bruta da remuneração da Impugnante, no caso em questão, a Marisa terá uma diminuição na despesa dedutível, o que ocasionará um aumento de recolhimento na tributação por parte da Marisa, ainda que haja uma diminuição na tributação recolhida pela Impugnante, em razão da diminuição da remuneração paga pela Marisa à Impugnante. Notase que no presente caso, o Fisco não foi lesionado, pela liberalidade entre as partes, pois a remuneração será tributada quer seja pela Impugnante ou pela Marisa, razão pela qual não pode prosperar o entendimento do Sr. Agente Fiscal em desconstituir os procedimentos e pactos firmados entre Fl. 2564DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.495 25 a Impugnante e a Marisa. Assim, é indevida a infração imputada pela Autoridade Fiscal de que teria havido omissão de receita no importe de R$ 2.366.773,23. Acrescenta que é cediço que não pode o Fisco adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizado entre partes contratantes que visam sempre o sucesso de sua atuação no mercado, mesmo que a alternativa adotada pelos contribuintes seja a menos onerosa fiscalmente por meio de um planejamento tributário lícito. Argui que a liberdade de autoorganização sempre foi tida como resultado das garantias asseguradas por diversos princípios constitucionais. O mais importante deles, o princípio da legalidade, é basilar em nosso ordenamento jurídico, estando previsto de forma genérica no artigo 5o, inciso II, da Constituição Federal, e, dada sua cabal importância, adotado específica e expressamente para fins tributários no artigo 150, I, do mesmo diploma. Cita lições do doutrinador Alberto Xavier a respeito do tema, afirmando a impossibilidade de o Fisco, por razões de ordem fiscal, reprimir a liberdade de contratar do contribuinte (fl. 2053). Acrescenta que esse entendimento é também adotado pelo Professor Schoueri, que complementa o fato de os empreendedores terem o direito de se organizar da forma que melhor lhes convier, inclusive buscando a melhor carga tributária, em razão da liberdade de iniciativa (fl. 2054). Nesta linha, menciona que a legislação societária concedeu uma prerrogativa às partes envolvidas. Efetivamente, havendo norma autorizadora que permita à pessoa jurídica realizar a operação desta maneira, não se pode proibir o contribuinte de agir em conformidade com a legislação, partindose de premissas baseadas exclusivamente em fins arrecadatórios, sob pena de se afrontar a liberdade contratual; a liberdade de exercício da atividade econômica e a autonomia da vontade das partes contratantes, que são verdadeiros princípios constitucionais. Aponta os ensinamentos do prof. Humberto Ávila, o qual leciona que o Estado não tem apenas o dever de não restringir o modo que o contribuinte realizará seus negócios jurídicos (em observância da lei), mas também tem o dever de proteger esta liberdade (fl. 2055). Segundo essa visão clássica, conjugando esse princípio com o da livre iniciativa e o da garantia à propriedade privada, dispostos no artigo 170 da Constituição Federal, temse que, mesmo na remota hipótese das operações debatidas nesses autos ser enquadrada como "planejamento tributário", o que se admite apenas a título argumentativo, é certo que o planejamento tributário é legítimo quando se vale de meios não vedados expressamente em lei para produzir o efeito da economia fiscal. Assim, a tentativa do Sr. Agente Fiscal de invalidar as operações debatidas no caso em questão não possui qualquer respaldo legal no ordenamento jurídico, motivo pelo qual, deve ser desconsiderada, em obediência ao princípio da legalidade e aos demais princípios anteriormente tratados, os quais devem ser observados pelos contribuintes e protegidos pela Administração Pública. Fl. 2565DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.496 26 Argumenta ainda que as operações livremente organizadas pelos contribuintes somente poderiam ser contestadas com base em sua legalidade estrita, estando sujeitas à desconstituição apenas nos casos em que fosse constatada a ocorrência de atos ilícitos, realizados depois da ocorrência do fato gerador, ou se houvesse simulação. Uma vez superados estes testes, como ocorre no presente caso em que não há qualquer demonstração de dolo ou fraude, deveriam ser aceitas como válidas e legítimas para todos os fins fiscais. Nesse sentido, cita Marco Aurélio Greco que aponta “o desenho clássico da elisão: anterioridade ao fato gerador, ilicitude e sem simulação”. III.6 Da Regularidade das Despesas com o Programa de Benefícios do Cartão Marisa (TVF n° 02) A impugnante destaca que dentre as supostas infrações cometidas pela Impugnante, o Sr. Agente Fiscal entendeu que a Impugnante deduziu indevidamente, no anocalendário de 2011, despesas de provisão das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, no importe de R$ 1.941.502,00, referente ao "Programa de Vantagens", instituído com o intuito de incentivar o aumento de compras por meio do cartão Marisa (fls. 05 do TVF 002). Explica que o raciocínio utilizado pelo Sr. Agente Fiscal está equivocado, pois, ao contrário do que pretendeu fazer crer, a despesa no total de R$ 1.941.502,00 não possui a natureza de provisão, mas sim de despesa efetiva. Frisa que a redução do lucro real apurado pela Impugnante no exercício de 2011 não decorre da dedução das despesas reconhecidas no resultado, em razão da constituição de provisões, como equivocadamente supôs a Fiscalização, mas sim da dedução de despesa reconhecida no resultado em razão de a Impugnante ter confirmado que esses valores possuíam a natureza de passivos efetivos e decorrentes de obrigações legais com prazo certo e valor determinado, gerada pela concretização dos benefícios oriundos do cartão Marisa. Aponta os conceitos aprovados pela Deliberação CVM n° 489/05 (fls. 2058/2060), sintetizando: a. por provisões: um passivo de prazo ou valor incertos; e b. por passivo: uma obrigação presente de uma entidade, decorrente de eventos já ocorridos, cuja liquidação resultará em uma entrega de recursos. Afirma então que tendo em vista os conceitos expostos, na verdade, nos termos da deliberação da CVM n° 489/05, o que se deduziu (despesas com benefício instituído pelo cartão Marisa) foram despesas com a constituição de passivos efetivos, decorrentes do surgimento de uma obrigação legal. Ou seja, a Impugnante não deduziu valores de “caráter futuro e incerto”, como afirmou a Autoridade Fiscal, mas, sim, valores provenientes de uma obrigação legal decorrente do contrato firmado com a Marisa, o qual estipulava que o cliente ao utilizar o seu cartão Marisa ganhava pontos que eram abatidos em novas compras. Assim, sempre que se estiver tratando de uma obrigação contratual (obrigação legal), o seu registro nas demonstrações contábeis nunca será reconhecido como uma mera provisão, como, equivocadamente afirmou o Sr. Agente Fiscal, mas sim, como um Fl. 2566DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.497 27 efetivo passivo de prazo e valor certo. Assim, diante do exposto, também com relação à suposta infração no valor de R$ 1.941.502,00, aguarda a Impugnante que esta C. Turma Julgadora exonere os créditos tributários de IRPJ e da CSLL lançados. Ademais, apenas a título argumentativo, ainda que se entenda que a despesa registrada ainda não fosse dedutível no ano de 2011, ao menos, o Sr. Agente Fiscal deveria ter verificado se tais valores não impactaram em ano futuro. Ou seja, na remota hipótese da suposta provisão ter se concretizado apenas em 2012, é patente a hipótese de postergação. Isso porque, o instituto da postergação do pagamento deve ser observado até a data da lavratura do auto de infração (que no caso em tela ocorreu em 2016) e não apenas com relação ao anobase objeto de autuação fiscal (anobase autuado 2011). Com efeito, segundo o disposto no artigo 273 do RIR/99, quando o contribuinte computar na apuração do lucro real uma despesa que apenas seria dedutível em períodobase futuro, aplicase a regra relativa à postergação do pagamento (fl. 2061). Nesses casos, o lançamento de eventual diferença deve ser feito pelo valor líquido, compensandose o valor do pagamento realizado em outro exercício ao que o contribuinte tinha direito. Assim, uma vez mais, resta evidente a falta de liquidez e certeza dos lançamentos originários do presente processo administrativo, o que demonstra a sua manifesta nulidade, devendo ser cancelado os autos de infração de IRPJ e CSLL. III.7 Da Inexistência de Excesso de Compensação de Prejuízo Fiscal e Base de Cálculo Negativa de CSLL No Ano Calendário de 2012 (TVF n° 02) Explica a impugnante que em razão das supostas infrações que motivaram as presentes autuações fiscais, o Sr. Agente Fiscal compensou de ofício parte do saldo de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL, e, como decorrência, entendeu que teria ocorrido uma compensação indevida de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, no anobase de 2012, como se verifica pela leitura do trecho transcrito na fl. 08 do TVF n° 02. Contudo, por tudo o que já foi exposto, entende que restou comprovada a inexistência de qualquer dedução indevida de despesas ou omissão de receitas, passível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, estando, portanto, plenamente correto o procedimento adotado pela Impugnante. Assim, conclui que caberá a essa C. Turma Julgadora cancelar as autuações originárias do presente processo, e como consequência, deverão ser recompostos os saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL acumulados pela Impugnante, e, como consequência, exonerada a exigência relativa ao suposto excesso de compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em 2012. Fl. 2567DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.498 28 III.8 Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa Por fim, articula ainda que, se essa Turma Julgadora entenda por manter os autos de infração ora combatidos, afastando os argumentos expostos anteriormente, o que se alega apenas a título argumentativo, deverá, ao menos, haver o reconhecimento acerca da necessidade de cancelamento dos juros sobre a multa de ofício lançada nesse processo. Isso porque, considerando que (i) multa não é tributo e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, utilizada no cálculo da Receita Federal do Brasil para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos já citados artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser admitido por essa Turma Julgadora. (...) É o relatório. Processadas a Defesa, foi proferido pela 1ª Turma da DRJ/RPO o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento à Impugnação apresentada. Confirase sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. INAPLICABILIDADE. A desconsideração de atos de empresa controlada, para inclusão da verdadeira contribuinte no polo passivo da exação tributária, não se trata de desconsideração de personalidade jurídica. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. EMPRESAS CONTROLADAS. Criar empresas controladas apenas para a economia tributária, não demonstrando ter estrutura adequada para a consecução das atividades, configura planejamento tributário ilícito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. Os atos jurídicos praticados devem refletir a realidade, exteriorizando a efetiva materialidade das atividades desenvolvidas para que não sejam considerados como atos ilícitos, provenientes de abuso de direito, quando da análise dos respectivos efeitos tributários deles decorrentes. LICITUDE DOS ATOS. LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE Sob a égide da livre iniciativa, não pode o interessado praticar atos unicamente para eximirse das obrigações tributárias, Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.499 29 devendo a Autoridade Fazendária, em face dessa circunstância, obrigatoriamente, identificar o real fato gerador e efetuar o lançamento dos tributos devidos. DESPESAS DE PROVISÃO. CONTA DE RESULTADO COM SALDO DEVEDOR. CARACTERIZAÇÃO. Havendo o lançamento devedor em uma conta de resultado em decorrência de uma obrigação presente como resultado de um evento passado, da qual seja provável uma saída de recursos para sua liquidação, cuja estimativa seja confiável, caracterizada está a natureza de provisão. JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. O Código Tributário Nacional, em seu art. 113, § 1º, estabelece que a obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (multa) e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. O art. 161, por sua vez, prescreve que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. Destarte, o conceito de crédito utilizado pelo CTN alcança não apenas o tributo, mas também a penalidade pecuniária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 2390 a 2510), em suma, reiterando suas alegações de defesa já trazidas nos autos, bem como apontando, especificamente, as razões de reforma do v. Acórdão recorrido, inclusive a Alteração do Critério Jurídico do lançamento de ofício por meio de tal prestação jurisdicional. Intimada, a Procuradoria da Fazenda Nacional ofertou Contrarrazões (fls. 2513 a 2534), refutando a argumentação da Contribuinte, apontado para elementos da exação supostamente não atacados nessa sua defesa recursal. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.500 30 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Inicialmente, consta do Apelo da Contribuinte duas alegações preliminares ao mérito da exação, quais sejam: Da Indevida Alteração do Critério Jurídico no Acórdão Recorrido e Da Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica. Dito isso, entendendo este Conselheiro haver relação de prejudicialidade da primeira alegação em face da segunda e, estando ambas intimamente relacionadas, passase a apreciar, agora, o tema da desconsideração perpetrada pelo Fisco, para, posteriormente se proceder à analise da suposta ocorrência de alteração dos critérios jurídicos do lançamento pelo v. Acórdão recorrido. Observase do TFV 01 que a Autoridade Fiscal, por entender que, no ano calendário de 2011, diversas receitas que foram repassadas por empresa incorporada pela Recorrente e ela própria para 3 (três) empresas do mesmo Grupo Econômico (Primos Participações Ltda, TCM Participações Ltda, e TEF Serviços de Processamento de Dados Ltda), todas essas optantes pelo Lucro Presumido, de modo que as despesas, inerentes à obtenção das receitas que foram repassadas, ficaram a cargo da Club e que praticamente toda a receita repassada para estas empresas retornou para a Club na forma de distribuição de lucros, procedeu à desconstrução desse planejamento tributário, para recompor a verdade material. Em resumo, com base no próprio TFV 01 e nos documentos acostados autos, temos que a Recorrente, que atua como administradora de cartões do Grupo Marisa, detendo e controlando a exploração da base de clientes que possuem e usam os cartões Marisa, mantinha contratos com essas empresas, PRIMOS, TCM e TEF, do mesmo conglomerado, bem como e conjuntamente com terceiros fora do Grupo os quais ofereciam serviços e direitos aos clientes do Grupo. Em relação a PRIMOS, está era responsável e concentrava o trânsito financeiro das operações referentes à venda de seguros e planos odontológicos, contratados e pagos através dos cartões Marisa, retendo comissão. Assim, quando o valor total faturado nos Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.501 31 cartões era recebido, transferia CLUB (Autuada) a tal empresa do Grupo os valores que por ela eram especificamente geridos, os quais acabavam direcionados às empresa externas, Assurant (seguros) e Prodent (planos odontológicos). Já a TCM era responsável pela prestação de serviços de cobrança em caso de inadimplemento, bem como de assessoria de cobrança. As taxas e tarifas de cobrança e de atrasos eram exigidas por meio de faturas, sendo estes valores repassados diretamente pela Contribuinte à esta empresa coligada, como previsto em contrato. Tais cobranças cessaram em julho de 2011, coincidindo com a edição da Resolução nº 3.518 do Banco Central. Por fim, a TEF era responsável pelas Tarifa de Processamento de Fatura e da Anuidade Diferenciada, sendo os valores referentes a tais serviços pagos em fatura e, logo depois, diretamente repassados a esta companhia pela Recorrente. Pois bem, como mencionado, entendeu a Fiscalização que tais operações e seu resultado tributário compõem planejamento tributário e não refletiam a verdade material, mormente pois, como indicado nessa primeira parte do TVF, muitas despesas atribuídas pela Autoridade Fiscal aos serviços prestados pelas 3 (três) empresas do Grupos teriam sido registradas na contabilidade da Contribuinte autuada. Confirase a explanação fiscal: PRIMOS Despesas associadas à venda e cobrança de seguros e planos odontológicos (Esta lista não é exaustiva): 41106003 – Correio – R$ 5.167.634,47 41105008 Propaganda – Outros – R$ 3.279.168,11 41107013 Serviços Gráficos – R$ 2.597.647,06 41106006 Telefone – R$ 6.512.962,76 41107004 – Informática – R$ 3.999.705,08 42301018 Despesas Boleto Bancário – R$ 2.074.876,53 43301008 Despesas Serv. Cobrança – R$ 4.348.107,64 41107003 Honorários Advocatícios – R$ 2.953.171,29 41109005 Custas Judiciais – R$ 2.867.478,55 41109034 Perdas com Processos Judiciais – R$ 16.107.834,70 Despesas administrativas (Esta lista não é exaustiva). 41106004 Energia Elétrica – R$ 322.519,76 Fl. 2571DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.502 32 41104004 Condomínios – R$ 228.415,80 41107005 Limpeza – R$ 209.672,21 41107006 – Segurança – R$ 263.452,09 41109012 Material de Consumo – R$ 166.853,36 41109014 Material de Escritório – R$ 68.625,99 41107002 Conservação e Manutenção – R$ 271.429,33 Esta fiscalização também identificou que a Club apropriou despesas em outras três contas, cujo histórico de alguns lançamentos revelou que se referiam aos seguros e planos odontológicos vendidos (vide Anexo II deste Termo). 41101010 – Prêmios – R$ 1.485.565,06 42301002 Descontos Concedidos – R$ 569.894,30 43201008 Perdas em Operações De Credito L9430/96 Art9 – R$ 4.218.098,42 (fls. 1955) TCM A Club, desconsiderando as despesas com tributos, teve despesas que somaram R$ 273.431.539,19 no anocalendário de 2011, entre elas devemos destacar: Despesas associadas à atividade de cobrança (Esta lista não é exaustiva). 41106003 – Correio – R$ 5.167.634,47 41107013 Serviços Gráficos – R$ 2.597.647,06 41106006 Telefone – R$ 6.512.962,76 41107004 – Informática – R$ 3.999.705,08 42301018 Despesas Boleto Bancário – R$ 2.074.876,53 43301008 Despesas Serv. Cobrança – R$ 4.348.107,64 41107003 Honorários Advocatícios – R$ 2.953.171,29 41109005 Custas Judiciais – R$ 2.867.478,55 41109034 Perdas com Processos Judiciais – R$ 16.107.834,70 Despesas administrativas (Esta lista não é exaustiva). 41106004 Energia Elétrica – R$ 322.519,76 41104004 Condomínios – R$ 228.415,80 Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.503 33 41107005 Limpeza – R$ 209.672,21 41107006 – Segurança – R$ 263.452,09 41109012 Material de Consumo – R$ 166.853,36 41109014 Material de Escritório – R$ 68.625,99 41107002 Conservação e Manutenção – R$ 271.429,33 Esta fiscalização também identificou que a Club apropriou despesas em outras três contas, cujo histórico de alguns lançamentos revelou que se referia às tarifas de cobrança (Vide Anexo III deste Termo). 42301002 Descontos Concedidos – R$ 399.213,19 43301014 Despesas com Perdas por Fraudes – R$ 26.478,44 43301004 Perdas com Processos Operacionais – Cartão – R$ 10.305,03 (fls. 1958) TEF A Club, desconsiderando as despesas com tributos, teve despesas que somaram R$ 273.431.539,19 no anocalendário de 2011, entre elas devemos destacar: Despesas associadas à atividade de processamento de fatura e gerenciamento de programas de benefícios (Esta lista não é exaustiva). 41106003 – Correio – R$ 5.167.634,47 41107013 Serviços Gráficos – R$ 2.597.647,06 41107004 – Informática – R$ 3.999.705,08 42301018 Despesas Boleto Bancário – R$ 2.074.876,53 43301008 Despesas Serv. Cobrança – R$ 4.348.107,64 41107003 Honorários Advocatícios – R$ 2.953.171,29 41109005 Custas Judiciais – R$ 2.867.478,55 41109034 Perdas com Processos Judiciais – R$ 16.107.834,70 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade – R$ 4.755.620,00 Despesas administrativas (Esta lista não é exaustiva). 41106006 Telefone – R$ 6.512.962,76 41106004 Energia Elétrica – R$ 322.519,76 Fl. 2573DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.504 34 41104004 Condomínios – R$ 228.415,80 41107005 Limpeza – R$ 209.672,21 41107006 – Segurança – R$ 263.452,09 41109012 Material de Consumo – R$ 166.853,36 41109014 Material de Escritório – R$ 68.625,99 41107002 Conservação e Manutenção – R$ 271.429,33 Esta fiscalização também identificou que a Club apropriou despesas em outras três contas, cujo histórico de alguns lançamentos revelou que se referiam à Tarifa de Processamento de Fatura e à Anuidade Diferenciada (Vide Anexos IV e V deste Termo). Tarifa de Processamento de Fatura 42301002 Descontos Concedidos – R$ 79.250,52 43301014 Despesas com Perdas por Fraudes – R$ 11.260,95 43301004 Perdas com Processos Operacionais – Cartão – R$ 2.963,74 Anuidade Diferenciada 42301002 Descontos Concedidos – R$ 16.940,36 43301014 Despesas com Perdas por Fraudes – R$ 2.919,75 43301004 Perdas com Processos Operacionais – Cartão – R$ 1.130,66 E dessa forma, entendendo que tais companhias não arcaram com as despesas necessárias para o desempenho de seu objeto empresarial, também apontado para a pobre estrutura de recursos humanos e o mesmo endereço que as demais empresas do Grupo, bem como a distribuição de lucros à Contribuinte, acabou por considerar todas as receitas, transferidas dentro das avenças contratuais firmadas com a PRIMOS (Assurant e Prodent também), TCM e TEF como de titularidade da Recorrente, recompondo o Lucro Real desta, consideradas conjuntamente todas as despesas que foram apropriadas pela Primos, TCM e TEF, no anocalendário de 2011, com exceção das despesas com tributos. Claramente, estáse diante de verdadeira desconsideração da identidade empresarial, para fins tributários, das empresas PRIMOS, TCM e TEF, atribuindo a titularidade das suas operações próprias, com as receitas e despesas correspondentes, a sua sócia, ora Recorrente. Consequentemente, a Autoridade Fiscal promoveu a requalificação dos fatos jurídicos apurados, permitindo o lançamento de ofício do modo como procedido. Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.505 35 Lembrese aqui que tais manobras foram o que fundamentaram e permitiram a apuração de uma infração de omissão de receitas, não se tratando aqui mera glosa de despesas. Tal postura Fiscal é medida extrema, sendo prerrogativa excepcional da Fazenda Pública desconsiderar atos e negócios do contribuinte (e requalificálos), os quais presumemse válidos, devendo, então, ser devidamente demonstrada a ocorrência da sua hipótese legal autorizativa, alicerçada em comprovação da ocorrência, concreta e inequívoca. Antes de se adentrar no entendimento deste Conselheiro sobre diante de quais circunstâncias legais poderia, então, a Autoridade Fiscal proceder a tal artifício, notase que nesse TFV 01 não existe passagem em que se aponta para o cometimento de qualquer ilícito ou mesmo se constrói acusação de simulação ou fraude ou, ainda, de ocorrência de dissimulação, ausência de propósito negocial/de motivação extratributária, abuso de direito ou abuso de forma. Confirmando, confirase todos os trechos dessa parte do TVF, que versam sobre a qualificação jurídica da postura da Recorrente e suposto fundamento para a desconsideração procedida: Este Termo de Verificação Fiscal versa sobre o deslocamento da base tributável, no anocalendário de 2011, relativa à diversas receitas que foram repassadas inicialmente pela Credi21 Participações Ltda, CNPJ nº 03.529.067/000106, (doravante denominada de Cred21) e posteriormente pela Club, pois a Credi21 foi incorporada pela Club em 28/02/2011, para as seguintes empresas: a) Primos Participações Ltda, CNPJ nº 04.055.313/000106 (doravante denominada de Primos); b) TCM Participações Ltda, CNPJ nº 06.276.746/000109 (doravante denominada de TCM); e c) TEF Serviços de Processamento de Dados Ltda, CNPJ nº 07.445.167/000105 (doravante denominada de TEF). Todas as três empresas acima eram controladas pela Club e gozavam de tributação mais favorável, pois a opção delas foi pela tributação pelo lucro presumido. Restará demonstrado que as despesas, inerentes à obtenção das receitas que foram repassadas, ficaram a cargo da Club e que praticamente toda a receita repassada para estas empresas retornou para a Club na forma de distribuição de lucros (pagamento de dividendos). Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.506 36 (...) A Primos utilizava uma sala do prédio ocupado pela Club e dispunha de apenas 03 (três) funcionários, enquanto a Club tinha 876 (oitocentos e setenta e seis) funcionários. (...) A TCM utilizava uma sala do prédio ocupado pela Club e dispunha de apenas 03 (três) funcionários, enquanto a Club tinha 876 (oitocentos e setenta e seis) funcionários. (...) A TEF utilizava uma sala do prédio ocupado pela Club e dispunha de apenas 04 (quatro) funcionários, enquanto a Club tinha 876 (oitocentos e setenta e seis) funcionários. (...) Esta desconstrução do planejamento tributário recompõem a verdade material e evidencia que a Club, apesar de ter efetivamente suportado o ônus pelos serviços prestados, ficou sem a contrapartida da receita, que acabou retornando para a Club, através da distribuição de dividendos, reduzida por uma tributação mais favorecida realizada na Primos, TCM e TEF, as quais não tinham a capacidade para prestar os serviços, como restou demonstrado neste Termo. (...) O procedimento adotado pela Club feriu dois princípios fundamentais da contabilidade que se denominam de Princípio da Entidade e Princípio da Competência. O Princípio da Entidade define que não se misturam transações de uma empresa com as de outra, mesmo que ambas sejam do mesmo grupo empresarial; é respeitada, portanto, a individualidade. O Princípio da Competência consiste no fato de que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado da empresa no período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. Conforme visto no item 1 deste Termo, a Club repassou diversas receitas para o patrimônio das empresas Primos, TCM e TEF, mas continuou contabilizando em seu patrimônio a maior parte das despesas que eram correlacionadas com a obtenção destas receitas, ou seja, houve um desrespeito aos Princípios da Entidade e da Competência. Estes repasses de receitas com a manutenção das despesas na Club não são oponíveis ao Fisco, pois causaram uma redução indevida dos tributos. Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.507 37 Como a Club era tributada pelo lucro real enquanto a Primos, TCM e TEF eram tributadas pelo lucro presumido, a transferência das receitas para estas empresas e a manutenção das despesas na Club permitiu uma redução do IR e da CSLL devidos, pois a tributação das receitas nas empresas de lucro presumido é menor, enquanto as despesas, que não são dedutíveis no lucro presumido, podem ser deduzidas na apuração do lucro real. Portanto, fazse necessária a recomposição da verdade material através da desconstrução deste planejamento tributário. Esta desconstrução foi devidamente demonstrada no item 1.4 deste Termo e resultou em um valor a pagar de R$ 17.768.687,66, referente ao IR e à CSLL que não foram recolhidos em virtude do planejamento tributário adotado pelo contribuinte. A seguir apresentamos alguns acórdãos do CARF sobre o tema. “UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. DESLOCAMENTO DA BASE TRIBUTÁVEL PARA SOCIEDADES QUE SE ENCONTREM EM SITUAÇÃO TRIBUTARIAMENTE MAIS FAVORÁVEL. TRANSFERÊNCIA DE RECEITAS DE EMPRESA TRIBUTADA PELO LUCRO REAL PARA EMPRESA OPTANTE PELO LUCRO PRESUMIDO. ACUMULAÇÃO DE DESPESAS NA PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. Quando comprovado por indícios convergentes que se constituiu sociedade com o único intuito de se transferir a base tributável para essa nova empresa que se encontra em situação tributariamente mais favorável, uma vez identificada a verdade dos fatos e o real contribuinte das operações que geraram as respectivas receitas, cabível a exigência dos tributos devidos do efeito sujeito passivo. Nessa situação, não constituem despesa ou custo dedutível os pagamentos a título de remuneração pela prestação de serviços a beneficiária que foi criada pela fonte pagadora para desenvolver atividades que esta mesma realizava ou é capaz de realizar, se ficar comprovado que essa beneficiária não possui finalidade econômica ou negocial nem estrutura administrativa própria, que carece de condições materiais para realizar os serviços, ou, ainda, que obtém rendimento desproporcional ou incompatível com as condições de mercado nas operações realizadas com a sua controladora.( Acórdão nº 1402001.399)” “CONSTITUIÇÃO DE EMPRESA COM ARTIFICIALISMO – DESCONSIDERAÇÃO DOS SERVIÇOS PRETENSAMENTE PRESTADOS – MULTA QUALIFICADA – NECESSIDADE DA RECONSTITUIÇÃO DE EFEITOS VERDADEIROS – Comprovada a impossibilidade fática da prestação de serviços por empresa pertencente aos mesmos sócios, dada a inexistente estrutura operacional, resta caracterizado o artificialismo das operações, cujo objetivo foi reduzir a carga tributária da recorrente mediante a tributação de relevante parcela de seu resultado pelo lucro presumido na pretensa prestadora de serviços. Assim sendo, devem ser desconsideradas as despesas correspondentes. Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.508 38 Todavia, se ao engendrar as operações artificiais, a empresa que pretensamente prestou os serviços sofreu tributação, ainda que de tributos diversos, há de se recompor a verdade material, compensandose todos os tributos já recolhidos (Acórdão nº 101 95.208)” “DESCONSIDERAÇÃO DA ATIVIDADE EXERCIDA NECESSIDADE DE READEQUAÇÃO DE TODA A SITUAÇÃO TRIBUTÁRIA DAS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS – Quando a fiscalização descaracteriza os negócios jurídicos realizados (no caso consócio de empresas), a formalização de exigências fiscais deve levar em conta a situação tributária de todas as pessoas jurídicas envolvidas, sob pena de se verificar tributação em duplicidade (Acórdão nº 10708.957)” Verificase que apenas rotulouse a postura da Contribuinte como planejamento tributário, sequer o qualificando como ilícito, abusivo ou até agressivo. E quando menciona violação de institutos, apenas afirma que tal procedimento feriu dois princípios fundamentais da contabilidade que se denominam de Princípio da Entidade e Princípio da Competência. Também não se apontou para nenhuma ilegalidade, defeito e vício nos Instrumentos firmados entre as empresas ou impedimento legal para tanto, ou mesmo mácula na motivação para a criação das empresas optantes pelo Lucro Presumido, o que deixaria claro sob qual justificativa legal estavase desconstruindo tal planejamento tributário para, então, desconsiderar atos e negócios, prerrogativa fiscal esta que, por nexo causal, permitiu a constatação de omissão de receitas pela Recorrente. A exigência da necessidade de qualificação jurídica dos fatos apurados quando se procede a tal tipo de manobra excepcional do Fisco não se trata de preciosismo, mas, sim, de parte fundamental da devida motivação da Autuação, (identificação do fato gerador e da matéria tributável), bem como permite a determinação das demais consequencias jurídicas do lançamento e das sanções aplicáveis. Como mencionado, a infração colhida e imputada à Recorrente é de omissão de receitas. Somente podese considerar as operações (receitas e despesas) das empresas optantes pelo Lucro presumido como se fossem, realmente, da Contribuinte com o procedimento da desconsideração de atos, negócios e, principalmente, da identidade operacional das pessoas jurídicas. Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.509 39 Assim como no caso do emprego de outras abstrações e prerrogativas excepcionais e específicas pela Fiscalização (como presunções e ficções), as desconsiderações e a requalificação dos fatos apurados, como procedidas nesse caso, são a premissa sine qua non para a existência da infração apurada, devendo ser apontada a hipótese legal autorizativa para precedêlas. Não pode simplesmente a Fiscalização informar que existe planejamento tributário e que é necessária a sua desconstrução para se atingir a verdade material, de maneira ordinária, apurandose omissão de receitas da empresa sócia e controladora. Os diferentes institutos jurídicos não se confundem com meras palavras do léxico nacional, não havendo sinonímia, confusão ou fungibilidade entre si, possuindo regulamentação legal e consequentemente alcances e efeitos diversos. Por exemplo, atribuise a regulamentação da simulação ao art. 167 do Código Civil de 2002, sendo expressamente mencionada, junto com a fraude no art. 149, inciso VII, do Código Tributário Nacional; já o abuso de direito é regulado na esfera privada pelo art. 187 do Código Civil vigente, sem qualquer menção no Codex Tributário. Ao seu turno, a dissimulação é mencionada no polêmico parágrafo único do art. 116 do Compêndio Tributário, havendo debate se tal instituto também abarca o abuso de forma, a ausência de propósito negocial e a elusão, assim como é muito questionável a própria eficácia do dispositivo. A identidade e individualidade de cada instituto de Direito e da sua correspondente regulamentação (ou não) é motivo determinante na existência de uma multiplicidade de entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, judiciais e deste mesmo E. CARF, sobre a legalidade da adoção de determinados institutos para o desfazimento e desconsideração de atos, negócios e pessoas jurídicas acatandose alguns e rejeitando outros, para o mesmo fim. E esclareçase que não se exige que a Autoridade Fiscal seja academicamente precisa na qualificação dos fatos, quando da demonstração de que, naquele caso, existe a possibilidade legal de desconsideração e requalificação dos fatos (chamando de abuso aquilo que alguns entendem como simulação ou de fraude ou simplesmente afirmando que está diante de dissimulação). O que não pode se aceitar é o silêncio quando à hipótese permissiva de sua manobra. Se a própria Autoridade Fiscal não é capaz de demonstrar onde encontrase a autorização para promover tal procedimento excepcional que permitiu o lançamento de ofício e a apuração de omissão de receitas, isso não pode ser elemento a ser, posteriormente à sua Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.510 40 lavratura, trazido no curso do processo administrativo fiscal seja pelas Partes ou pelos Julgadores. Guardado todo respeito e a retidão devidos, digase que permitir a prevalência da manobra fiscal de desconsideração mediante abordagem jurídica tão carente e supérflua representaria esvaziar o debate jurisprudencial que vem sido travado há mais de uma década nessa esfera jurisdicional administrativa sobre a sua legalidade, seus limites e os requisitos de prova para tanto. Posto isso, desde já, entendese que não há a devida qualificação dos fatos colhidos e fundamentação jurídica do lançamento de ofício, sendo, data maxima venia, precária a motivação para desconsideração da individualidade empresarial das empresas envolvidas e, consequentemente, da constatação de omissão de receitas, devendo ser canceladas as infrações referentes ao TVF 01, por vício material. Mesmo que superado tal entendimento, ainda enfrentando esta preliminar do Contribuinte e, em razão da natureza da exação em tela, já adentrado algumas questões de mérito, como antes defendido por este Conselheiro em outros julgamentos (vide Resolução nº 1402000.759, Acórdãos nº 1402002.772 e 1402002.373), o amparo do Fisco para manobras de desconstituição de atos e negócios, resultando em lançamento de ofício, encontrase na norma contida no art. 149, inciso VII1, do CTN, que exige a demonstração da perpetração dolosa de simulação ou fraude pelo Contribuinte. Como já fartamente demonstrado, o TVF 01 não trouxe acusação de fraude ou de simulação, o que já bastaria para se afirmar que, neste lançamento de ofício, a desconsideração procedida para permitir a constituição do crédito tributário não está legalmente justificada. Indo mais além, é certo que ambos institutos configuram ilícitos, sendo necessário para a sua caracterização, no caso concreto, a demonstração de vícios e defeitos correspondentes nos atos e negócios jurídicos procedidos. Observase na fundamentação do lançamento de ofício que em momento algum se questionou a licitude, se apontou para vícios ou inverdades presentes nos contratos 1 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.511 41 firmados entre a Contribuinte e as demais empresas de seu Grupo (ou com terceiros), assim como não se questionou a legalidade das transações. O mesmo deuse em relação à criação das empresas PRIMOS, TCM e TEF. Diferentemente de outros casos semelhantes julgados por esta C. Turma Ordinária, a Autoridade Fiscal não se preocupou em construir demonstração inequívoca e prova, cabal e específica, da inexistência de tais empresas. As únicas conjecturas feitas em relação à sua existência e ao seu funcionamento foram, pontualmente, a mera constatação que apenas possuíam 3 (três) ou 4 (quatro) funcionários legalmente registrados como seus empregados e o baixo valor de suas despesas, exclusivamente no anocalendário de 2011, em comparação com aquelas percebidas pela Contribuinte. Frisese que, certamente, a diminuto número de funcionários é algo que salta aos olhos no relato fiscal e geralmente, na jurisprudência administrativa fiscal federal, é tratado como indício de irregularidade no funcionamento de empresas de alto faturamento, principalmente com objetos sociais industriais e manufatureiro. Mas tal informação foi trazida de maneira objetiva, sem qualquer aprofundamento e a devida contextualização com a natureza das atividades desenvolvidas, com a necessidade de emprego de mão obra para realização dos serviços prestados, com o efetivo emprego de tecnologia e com seu histórico de funcionamento, desde a sua inclusão no Grupo empresarial. Assim, a constatação de que uma empresa possui somente 3 (três) funcionários, per si, não configura ilícito algum, fraude ou simulação e, logo, não basta para se desconsiderar a titularidade de suas operações. Quanto ao fato de, comparativamente, as empresas optantes pelo Lucro Presumido possuírem baixo valor de despesas registradas, é certo e notório que isso não configura qualquer ilegalidade, fraude ou simulação. Até porque tal fato é verificado em diversas configurações de organização empresarial, segregando atividades, consideradas lícitas por este E. CARF. Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.512 42 Frisese que, apesar de no presente caso a Fiscalização tratar o trânsito financeiro comercial entre as empresas como repasse, o próprio TVF 01 atesta sua total previsão contratual e repitase, sem questionar a validade destes instrumentos, a legalidade e a veracidade das transações. Sequer a segregação de atividades foi objeto de questionamento ou da existência de propósito negocial. O descompasso entre receitas e despesas, ou mesmo o desrespeito a regras abstratas contábeis (Princípio da Entidade e Princípio da Competência), podem até guardar diversas consequências tributárias, que realmente ensejam cobrança complementar de tributos por autuação, mas, certamente, não se enquadram na hipótese do art. 149, inciso VII, do CTN. Reforçando tal conclusão, registrese aqui que não houve a aplicação de multa qualificada, mas apenas a sanção ordinária de 50%, inexistindo constatação de sonegação, fraude ou conluio. Como se observa, os elementos efetivamente demonstrados e comprovados na acusação fiscal são insuficientes para a fundamentação das desconsiderações de atos e negócios procedidos, que exclusivamente deram ensejo à infração de omissão de receitas, por parte da Contribuinte. Por tais motivos, mostrase igualmente improcedente o lançamento de ofício em relação ao TVF 01. E não obstante, registrese que, analisando as demonstrações específicas do TVF, de que teria a Contribuinte, optante pelo Lucro Real, se apropriado de despesas referentes às atividades e operações das outras 3 (três) outras empresas, denotase, primeiro, a listagem tanto de valores específicos, ligados ao desempenho dos contratos, como a de dispêndios gerais e típicos de qualquer companhia (telefone, informática, energia elétrica, condomínio, segurança e conservação e manutenção), que se repetem, com precisão de centavos, na relação de imputação individual de despesas da PRIMOS, TCM e TEF o que dá margem ao questionamento se não houve redundância e repetição indevida em tal apuração contábil do Fisco. E, ao seu turno, a razão de atribuir tais despesas da Recorrente às atividades das outras empresas optantes pelo Lucro Presumido (em nome da verdade material) foi o fato destas companhias não terem registrado, no anocalendário de 2011, despesas da mesma natureza ou apurado valores muito pequenos. Ainda que muito coerente o raciocínio da Autoridade Fiscal, tal constatação fundamentaria apenas a glosa da dedução de tais valores do Lucro Real da Recorrente, não Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.513 43 sendo base para motivar, legalmente, a desconsideração da titularidade das operações das pessoas jurídicas e as suas consequências. Desse modo, mais uma vez revelase a inadequação do Auto de Infração quanto à matéria tributável e a determinação da base de cálculo, vez que apurouse omissão de receitas da Contribuinte ao passo que, da forma como efetivamente fundamentado o lançamento de ofício e provados os fatos (presumindo procedente a acusação fiscal), seria autorizada apenas a glosa das despesas supostamente deslocadas para a Contribuinte, ora autuada. Por fim, registrese que em relação ao entendimento jurisprudencial sobre a plena vigência e eficácia da norma contida no famigerado parágrafo único do art. 116 do CTN, no sentido de que a sua aplicação pelo Fisco restaria autorizada por meio da incidência de um suposto princípio do dever fundamental de pagar tributos, considerado em conjunto com o princípio da capacidade contributiva e com o valor de repúdio a praticas abusivas superando o comando expresso do final de sua redação, de que deverão ser observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária diverge, respeitosamente, este Conselheiro, concluindo pela sua improcedência. Ainda que exista muito o que se debater sobre tal tema, em suma, é absolutamente certo que a eficácia e a aplicação da referida norma ficaram, por determinação do legislador complementar, limitadas e condicionadas à edição de outro normativo, por meio de lei ordinária, regulando seus efeitos. A simples invocação de princípios constitucionais e valores não pode superar e derrotar prescrição literal e objetiva contida no próprio texto legal, que não concede qualquer margem interpretativa, e nem fundamentar a manutenção da exigência de tributos principalmente em ambiente de jurisdição administrativa. Caso superado em relação ao cancelamento da exação por deficiências insanáveis na sua fundamentação, passase a apreciar a alegação da Indevida Alteração do Critério Jurídico no Acórdão Recorrido. Como fartamente demonstrado anteriormente, a Autoridade Fiscal deixou de fundamentar legalmente a motivação da desconsideração das empresas optante pelo Lucro Presumido, não apresentando, também, uma qualificação jurídica dos fatos colhidos, inexistindo logicamente demonstração e comprovação de simulação ou fraude, nos moldes do art. 149, inciso VII, do CTN. Por sua vez, a DRJ a quo, analisando os fatos, expressamente qualificou a conduta do contribuinte como simulação e aplicou o correspondente tratamento jurídico, versando longa e profundamente sobre sua ocorrência. Confirase alguns trechos: Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.514 44 Nos termos do art. 142, compete à Autoridade Fiscal constituir o crédito tributário pelo lançamento, para isso, é preciso, dentre outros atos, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente e identificar o sujeito passivo da respectiva obrigação. Em seu artigo 149, VII, “determina” a realização do lançamento de ofício quando houver simulação, ou seja, quando o sujeito passivo apresentado ao fisco não for o que praticou o fato jurígeno, necessariamente é preciso identificalo para regular constituição do crédito tributário. E este foi exatamente o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal, lançando de ofício, juntando aos autos farta instrução probatória, a qual demonstra que a fiscalizada é quem de fato praticava as prestações de serviço, utilizandose indevidamente de outros registros, com os quais constituiu pessoas jurídicas diversas, apenas formalmente, para eximirse de pagamento de tributos. Atuando de acordo com o que preconiza a Lei (art. 149 do CTN), lançando de ofício em face de situações simuladas, existentes apenas para esquivarse do pagamento de tributos devidos, correto está o procedimento fiscal. Desse modo, não há que se falar em vício de motivação no ato administrativo. (destacamos) (...) Compulsando os autos, verificase que Autoridade Fiscal mais do que comprovou a atuação apenas formal das empresas supramencionadas, delineando cristalinamente o planejamento tributário praticado. (...) Alegar genericamente não desqualifica todo o trabalho fiscal, que demonstrou a existência apenas formal, com o fim ilícito de economia tributária, pois as despesas eram contabilizadas na autuada, e as receitas – que deveriam ter sido registradas e tributadas quando percebidas pela autuada – foram repassadas para essas empresas criadas com o regime tributário mais favorável. (...) A Autoridade Lançadora demonstrou tratarse de planejamento ilícito, não sendo possível delinear a autonomia das pessoas jurídicas controladas, visto que não tinha capacidade para exercer as atividades declaradas, pois era a impugnante quem suportava diversas despesas relacionadas a essas atividades. Quando há uma declaração enganosa, visando aparentar negócio diverso do que efetivamente existe, afeiçoase a simulação, nos termos do art. 167, §1º do Código Civil, transcrito abaixo (grifo nosso): (...) Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.515 45 Na tentativa de reduzir a carga tributária, a impugnante utilizou se das controladas, cujo regime de tributação era o Lucro Presumido, para registrar as receitas pelos serviços prestados. Não é permitido realizar, por meio de simulação, um planejamento tributário nocivo, promovendo o desiquilíbrio concorrencial, tendo em vista que outra empresa, nas mesmas condições, teria uma carga tributária maior. No caso em questão, resta claro que, ao registrar despesas das controladas, as quais eram sediadas em salas do mesmo prédio da autuada, havia uma confusão administrativa, patrimonial, operacional e gerencial, não sendo possível identificar a autonomia de cada uma dessas pessoas jurídicas. A separação (administrativa, patrimonial, operacional e gerencial) é condição indispensável para a existência de pessoas jurídicas distintas, optantes por regimes de tributação diversos. No direito tributário prevalece o princípio da substância sobre a forma. (...) Em linhas gerais, podese evitar o surgimento da obrigação tributária, pois ninguém é obrigado a realizar o fato gerador do tributo. Porém, caso ele ocorra, devese honrar com a obrigação tributária de apurálo e pagálo corretamente. Não pode, no entanto, o contribuinte proceder de forma ilícita, ou seja, aproveitarse apenas das despesas das controladas para reduzir a carga tributária. Este planejamento ilícito é o que se denomina evasão fiscal. (destacamos parcialmente) (...) Pelo que consta dos autos, entendo que essas empresas foram criadas apenas formalmente para reduzir a carga tributária. No caso sub examine, houve abuso do direito, visto que os interessados praticaram atos plenamente lícitos, no entanto, existiram apenas para suscitar efeitos tributários benéficos às partes. (destacamos) Ainda que no final do trecho destacado exista certa contrariedade do v. Acórdão recorrido, observase que toda a efetiva acusação e demonstração de ocorrência de simulação foi procedida pelos N. Julgador daquela 1ª Instância, em clara inovação e complementaridade à fundamentação de que o lançamento de ofício era, até então, totalmente carente. Mais do que isso: a DRJ afirma e arrima a manutenção da exação em acusação de inexistência das empresas PRIMOS, TCM e TEF, o que não houve por parte da Fiscalização. Ora, as demonstrações e comprovações procedidas pela Autoridade Fiscal no TVF foram, expressamente, de deslocamento de despesas para a Contribuinte no ano calendário de 2011, desrespeito a princípios contábeis e aponta que alguns elementos de sua Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.516 46 estrutura eram incondizente com seus registros financeiros diferente de uma acusação de inexistência de uma pessoa jurídica. Ainda que ulteriormente desconsideradas suas identidades operacionais para fins tributários na lavratura Autuação, tal manobra da Autoridade que seria uma prerrogativa/medida do Fisco não se confunde ou supri uma demonstração de inexistência das pessoas jurídicas que seria, então, suposto fato a ser constatado como efetivamente fez a DRJ, para fundamentar a presença de simulação. Posto isso, e considerando tudo aquilo exposto anteriormente sobre os elementos da acusação fiscal e suas deficiências, evitandose repetições, concluíse pela efetiva ocorrência da modificação dos critérios jurídicos do lançamento de ofício, diante de inovação referente à constatação de simulação e evasão por parte da Contribuinte. Conforme versa a norma contida no art. 1462 do CTN (que deve ser considerada em interpretação conjunta e sistemática com disposto nos arts. 142 e 149 do CTN, no § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 2º da Lei nº 9.784/99) é expressamente vedada a modificação dos critérios jurídicos de uma exigência fiscal, não podendo haver inovação, por meio de decisão administrativa ulterior, do fundamento para a manutenção da exigência do crédito tributário, individualmente formalizado em um determinado lançamento de ofício. A norma contida no art. 149, inciso VII, do CTN traz hipóteses específicas para a realização do lançamento de ofício e, por sua vez, em parte nenhuma do TVF 01 o Contribuinte foi acusado de praticar simulação, fraude ou evasão. Assim, sua defesa inaugural não pôde ser tecnicamente direcionada e aprofundada no combate de tais constatações e acusações posteriores pela DRJ que, igualmente, somente naquele momento, ensejaram o reconhecimento da incidência de tal dispositivo legal aos fatos colhidos. Ou seja, até a decisão da DRJ, a Contribuinte não tinha ciência de que estava sendo expressamente acusada de perpetrar simulação e evasão e, conseqüentemente, nem que tal lançamento de ofício tinha se arrimado no art. 149 do CTN. Como mencionado, há mais de uma década apresentamse, na doutrina e na jurisprudência administrativa, prolíferos e diversos e divergentes entendimentos acerca das circunstâncias autorizadoras ou não da desconsideração de atos e negócios pela Fazenda 2 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.517 47 Pública, sendo o motivo determinante dos mais diversos posicionamentos adotados a acusação construída, considerando os institutos de Direito invocados, com suas regulamentações jurídicas próprias (simulação, abuso, dissimulação, por exemplo) e os elementos efetivamente provados, necessários para a sua configuração. Esta C. 2ª Turma Ordinária já se manifestou sobre tal vício de inovação de motivação do lançamento de ofício, afastando tais razões inovadoras de manutenção de crédito tributário, de maneira unânime, como se verifica no Acórdão nº 1402002.603, de relatoria deste mesmo Conselheiro, publicado em 29/08/2017. Confirase: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 (...) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2011, 2012 MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. Se a decisão administrativa que promove a revisão do lançamento de ofício utilizase, expressamente, de outros fundamentos, diversos daqueles trazidos pela Fiscalização para sustentar a exigência fiscal, resta configurada a modificação dos critérios jurídicos, vedada pela norma extraída das disposições dos arts. 142, 146 e 149 do CTN, devendo ser cancelado o crédito tributário. Posto isso, reconhecese a procedência de tal arguição preliminar, anulando se tal r. decisum, devendo ser proferido novo Acórdão de primeira instância, considerando a legalidade e a adequação do lançamento como procedido, com base exclusiva nas acusações fiscais efetivamente trazidas e construídas pela Autoridade Fiscal, considerando como fundamento jurídico a sua correspondente regulamentação legal vigente. Caso vencido, cabe agora apreciar as alegações de mérito trazidas pela Contribuinte em seu Recurso Voluntário. As alegações tidas como de mérito resumemse ao i) esclarecimento da estrutura operacional do Grupo Marisa, ii) à análise das operações efetivamente realizadas, iii) à inexistência de vedação legal para a constituição da PRIMOS, TCM e TEF, visando à Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.518 48 prestação de Serviços para a Recorrente e iv) o exercício da opção fiscal de tributação pelo Lucro Presumido das mesmas 3 (três) empresas mencionadas. No primeiro tópico, o Contribuinte demonstra como funcionaria a divisão de atribuição de desempenho das funções empresariais das empresas do Grupo, devidamente previsto e regulado nos contratos firmados, dentro de uma organização societária e comercial desejada, visando à otimização de gastos e recursos. Ressalta que as receitas auferidas pelas empresas estão devidamente respaldadas nos instrumentos firmados. Em seguida, no tópico sequente, pugna pela licitude da segregação de atividades empresariais por meio de diversas empresas, ainda que optantes por regimes tributários diversos, trazendo jurisprudência deste E. CARF, com a intenção de também demonstrar a efetiva existência das empresas PRIMOS, TCM e TEF e o exercício de seu objeto social, trazendo Notas Fiscais de prestação de serviços e esclarecendo que as empresas desconsideradas (TCM e TEF) eram beneficiarias de Regime Especial, que permitialhe a emissão de documento fiscal consolidado, ao final do período justificando a pouca quantidade destes, como mencionado no TVF 01. Ainda, refuta a lógica da Autoridade Fiscal de que o desequilíbrio comparativo de despesas registradas nas empresas de diferentes portes não justifica a conclusão de que os serviços não tenham sido prestados e esclarece que, em face da relação societária com a Contribuinte, é lícito e lógico a distribuição de dividendos. Em outro tópico, invoca o princípio da legalidade na condução da atividade fiscal e se aprofunda na demonstração da plena legalidade de sua organização societária, dos negócios procedidos e instrumentos firmados, devidamente registrados nos órgãos competentes, não havendo motivação válida para seu desfazimento. E, por fim ,aponta que as vantagens tributárias percebidas deramse exclusivamente pela dinâmica do regime do Lucro Presumido, do qual as empresas desconsideradas gozavam, tratando de opção fiscal, que sequer se confunde com planejamento tributário, representando ofensa à legalidade a manobra perpetrada pelo Fisco. Dito isso, como antes mencionado, o mérito do presente lançamento mistura se e se confunde com o conteúdo das arguições preliminares. Deve se ter em vista que a infração apurada é de omissão de receitas da Contribuinte, referentes àquelas inicialmente apuradas pelas empresas PRIMOS, TCM e TEF, Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.519 49 dentro da dinâmica intraempresarial estabelecida por contratos. Assim, como exaustivamente defendido, é premissa lógicojurídica da autuação a desconsideração de suas identidades, atribuindo a outra pessoa jurídica titularidade das suas receitas e despesas. E é exatamente de tal manobra que a Recorrente se defende nas suas alegações de mérito, no sentido de que não havia devida autorização do Fisco para tanto, restando a Recorrente abarcada pela plena legalidade. De fato, não há acusações individuais e específicas de ilicitude ou vício nos contratos firmados, na segregação das operações, na inadequação da opção pelo Lucro Presumido. As afirmações e alegações da Recorrente são verdadeiras. Mas temos que os derradeiros argumentos da Autuação são a falta de estrutura das empresas e o suposto deslocamento das despesas para Contribuinte. Já mencionouse que é extremamente comum empresas funcionarem no mesmo imóvel de outras do mesmo Grupo, mais ainda quando prestam serviços não há aqui qualquer ilegalidade ou transgressão. Em relação às empresas possuírem muito poucos funcionários, ainda que seja um indício contundente, entende este Conselheiro que este foi adotado de maneira isolada e objetiva, sem a devida contextualização de tal fato diante de outras características das empresas, sua controladora e a essência dos serviços prestados. Nada se aborda sobre o patrimônio de tais empresas e a estrutura material que dispunham, não podendo se presumir sua total ficção empresarial. É muito temerário permitir que a simples demonstração de tal fato possa implicar na imediata conclusão em inexistência da pessoa jurídica. Uma investigação mais profunda, com mais elementos de prova, abrangendo o histórico e a temporalidade da empresa no Grupo, apurando as funções atribuídas aos funcionários, trânsito de dados, correspondências, emprego de tecnologia na prestação dos serviços (tanto das PRIMOS, TCM e TEF como da Contribuinte) poderia representar efetiva prova de que, realmente, os serviços foram prestados pela CLUB Administradora ou de que, simplesmente, mantinhase o indevido registro de funcionários daquelas empresas na Recorrente. As provas e a fundamentação legal mais robustas são referentes às receitas que circularam entre as empresas e as despesas que foram alocadas na Contribuinte. Mas, como já dito, tal trabalho realizado prestarseia para fundamentar a sua glosa tão somente, com as devidas consequências jurídicas correspondentes a tal tipo infracional tributário. Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.520 50 Assim, ainda que não se absolva a dinâmica financeira criada entre as empresas do Grupo Marisa, repitase, no entender desse Conselheiro, não houve a prova necessária da presença dos requisitos legais para a configuração das hipóteses do inciso VII do art. 149 do CTN, divergindose da DRJ a quo em relação à existência de simulação e evasão, sendo, por consequência, improcedente a infração de omissão de receitas referente ao TVF 01. No que tange ao TFV 02, este também carrega infrações de omissão de receitas, mas em relação ao trânsito de valores respaldado em contrato firmado entre a Recorrente e a empresa Lojas Marisa, ambas do mesmo Grupo e optantes pelo Lucro Real, bem como de dedução indevida do Lucro Real de despesas de provisões. A primeira infração de omissão de receitas foi apurada pela análise das conta referentes a contrato de prestação de serviços de administração e gerenciamento do cartão Marisa, no qual foi avençado que a Contribuinte faria jus, como contraprestação de seus serviços, a 2,5% dos valores líquidos gastos pelos clientes através do cartão Marisa junto às lojas da Marisa. Existia cláusula prevendo que a remuneração poderia ser alterada mediante comunicação, por escrito, da Club à Marisa, com 15 (quinze) dias de antecedência. Relatase e fora confirmado pela Contribuinte que outras administradoras de cartões, fora do Grupo Marisa, também prestavam tal serviços, sob condições e termos muito semelhantes, se não idênticos. Demonstra a Autoridade Fiscal que no anocalendário de 2011 tal percentual remuneratório de 2,5% não foi respeitado, sendo aplicado no início do período o índice de 3% e posteriormente apenas de 1%, sem respaldo em aditivo contratual: Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.521 51 Indagado, a Contribuinte respondeu que tal variação deuse em face de aumento das vendas esperadas, o que economicamente justificaria a alteração de tal percentagem. Diante de tal resposta, assim concluiu a Fiscalização: Obviamente a motivação alegada para a redução da remuneração não é sustentável, pois as vendas em outubro e novembro foram inferiores às vendas observadas de maio a junho, e o aumento verificado em dezembro ocorre todos os anos devido às compras de natal. Se fosse aplicado o percentual de 2,5%, previsto em contrato, sobre o total de vendas, a Club teria que receber, no ano calendário de 2011, o total de R$ 25.424.712,03, ou seja, ela recebeu R$ 2.366.773,23 a menos do que o valor previsto contratualmente. Devemos relembrar que a Club era subsidiária integral da Marisa e que, conforme definido pelo artigo 494 da IN/RFB nº 971/2009, estas empresas caracterizam um grupo econômico, pois se submetem a uma mesma unidade gerencial. Tal fato repercute com uma independência meramente formal destas pessoas jurídicas, logo estas mudanças nos valores de remuneração podem ensejar uma transferência de receitas entre empresas do mesmo grupo. No período em questão, a Marisa teve prejuízo fiscal e a Club teve lucro real. (...) Não faz sentido econômico uma operadora de cartão de crédito participar de um programa de incentivo às vendas cuja despesa relacionada a este programa supera a sua remuneração incidente sobre as vendas realizadas com este cartão. Como esta redução de remuneração não foi aplicada a nenhuma outra operadora de cartão de crédito, esta redução também não poderia ser aplicada justamente à operadora que é subsidiária integral da Marisa e cujo resultado tributário beneficia o grupo econômico, conforme demonstrado a seguir. Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.522 52 Operações de prestação de serviços entre empresas do mesmo grupo econômico devem ser conduzidas com transparência e de forma que sigam as regras de mercado, pois não existe independência formal entre as partes. No caso, em questão, o pagamento realizado pela Marisa foi inferior ao acordado contratualmente e foi também inferior ao praticado no mercado, a motivação econômica apresentada pelo contribuinte não coaduna com as verdades dos fatos, além de que esta redução iria causar um prejuízo constante para a Club, e em condições normais de mercado nenhuma empresa iria pactuar em receber uma remuneração que lhe causasse prejuízo ao prestar o serviço demandado. A Marisa e a Club dispõem de liberdade para decidir a remuneração que uma deveria pagar a outra, porém não podem lesar o fisco quando estas remunerações não obedecem aos contratos assinados e tampouco às regras de mercado, nestes casos deve o fisco verificar se o total dos tributos devidos pelo grupo foi reduzido pela prática de atos contrários às regras contratuais ou às condições normais de mercado. Em sua defesa, a Recorrente afirma que as transações estavam devidamente respaldadas em instrumento contratual, que a redução do percentual compensava pagamento de índice superior ao avençado no primeiro semestre e demonstra que, em relação a agosto e setembro daquele ano, houve aumento de vendas nos meses em se praticou a alíquota de 1%. Igualmente alega, em suma, que, sendo ambas empresas optante pelo Lucro Real, não houve lesão ao Fisco, assim como as avenças firmadas entre as Companhias estavam plenamente respaldas na liberdade contratual dos particulares, no princípio da livre iniciativa, na liberdade de organização empresarial e acobertado pela legalidade estrita, não havendo fundamento para ser tal trânsito financeiro rotulado de planejamento tributário abusivo. Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.523 53 Posto isso, temos aqui que, diferente do TVF 01, ainda que tenha a Autoridade Fiscal apontado para a existência de planejamento tributário abusivo, não houve propriamente a desconsideração da identidade jurídica de nenhuma das Partes envolvida, assim como do negócio firmado entre elas. Pelo contrário, um dos motivos da apuração de omissão de receitas foi o desrespeito às cláusulas do contrato firmado, seja em relação à percentagem fixada, seja em relação à ausência de instrumento de alteração de tal índice. No entender desse Julgador o fundamento determinante (e, nesse ponto, adequado) adotado pela Fiscalização é que tais empresas não só eram do mesmo Grupo econômico, como também era a Contribuinte subsidiária integral da Marisa, demonstrando, analiticamente, que a mesma redução não foi aplicado a outras empresas, externas ao conglomerado empresarial, havendo palpável vantagem fiscal na alteração, sem previsão contratual, do percentual de remuneração. Tal argumento é chave para legitimar essa segunda parte do procedimento fiscal, ao passo que, considerando o controle comum das empresas e principalmente a relação da Contribuinte de subsidiária integral com as Lojas Mariza, temos que o auferimento das receitas em questão, por meio de transação entres tais companhias, não dependeu, ou mesmo refletiu, uma relação comercial independente e naturalmente ocorrida sob a dinâmica do mercado. Nesses casos, é necessária a demonstração de que a transação deuse como se com terceiro fosse, inclusive em relação à mensuração dos valores envolvidos, devendo haver identidade ou extrema proximidade àqueles praticados em ambiente mercadológico livre (arm's lenght), sendo isso fator determinante na verificação da presença de infração tributária. Em outras palavras, nestas operações intragrupo, para a validade de seus efeitos, fica exigido o critério arm's length, que há muito está presente em inúmeras normas do sistema jurídico nacional, inclusive em legislação fiscal, visando evitar e mitigar artificialidades. Tanto assim é que o artigo 245 da Lei das S/A3, quando determina a adoção de condições estritamente comutativas em transações entre empresas relacionadas 3 Art. 245. Os administradores não podem, em prejuízo da companhia, favorecer sociedade coligada, controladora ou controlada, cumprindolhes zelar para que as operações entre as sociedades, se houver, observem condições estritamente comutativas, ou com pagamento compensatório adequado; e respondem perante a companhia pelas perdas e danos resultantes de atos praticados com infração ao disposto neste artigo. Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.524 54 societariamente, exprime o claro intuito de desconsiderar a dependência entre as sociedades no contexto da prática de operações entre elas, como defendem os professores André Mendes Moreira e Eduardo Lopes de Almeida Campos4. Por outro lado, nenhuma das alegações da Contribuinte combate tal constatação, havendo, já em sede de fiscalização, a confirmação de que a alteração da percentagem contratual não foi aplicada aos contratantes externos. Desse modo, e não havendo questionamentos sobre a monta da infração apurada, deve ser mantida exigência da exação em tela, não merecendo reforma o v. Acórdão recorrido. Em relação à segunda infração contida no TVF 02, demonstra a Fiscalização que a Contribuinte deduziu na apuração do Lucro Real despesas referentes a provisionamento de programa de vantagens concedido aos seus clientes, que acumulavam "pontos", os quais, quando acumulados, podiam ser convertidos em descontos em novas compras. Confirase a acusação: Em 27/10/2016 o contribuinte apresentou uma cópia do projeto piloto denominado de Projeto Programa de Fidelidade Marisa cuja implementação estava prevista para julho de 2010, e uma cópia do projeto definitivo denominado de Amiga – Programa de Vantagens. O programa visava fidelizar o cliente, incentivandoo a usar o Cartão Marisa de forma a aumentar as vendas, em troca de benefícios e vantagens. A cada compra o cliente ganhava pontos, que variava de acordo com o valor da compra, e a cada 25 pontos acumulados ele ganhava um “valemoda” de R$ 25,00. Estes “valesmoda” poderiam ser utilizados pelos clientes para reduzir o valor a pagar de novas compras. A adesão ao programa era gratuita, mas o cliente deveria aderir por escrito ao programa para gozar dos benefícios. Os pontos expiravam em 1 (um) ano, caso não fosse atingida a pontuação mínima para ganhar um “valemoda”, enquanto os “valesmoda”, uma vez obtidos, expiravam em 3 (três) meses para serem utilizados em novas compras. A contabilização deste programa de vantagens pela Club era feita nas contas 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a 4 In O Ágio no Direito Tributário e Societário: Questões Atuais. São Paulo : Quartir Latin, 2015. pp. 392393. Fl. 2594DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.525 55 Realizar e 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade. A conta 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar contabilizava uma despesa de provisão no momento em que o cliente realizava uma compra com o cartão e acumulava pontos pelo programa de benefícios. O lançamento contábil utilizado pelo contribuinte foi um débito em uma conta de receita, na verdade uma despesa de provisão, contra um crédito em uma conta do passivo diferido. D 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar C 21701003 Receita Diferida Prog. De Fidelidade A conta 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade contabilizava uma despesa efetiva quando o cliente utilizava a sua pontuação acumulada através de compras anteriores para abater o valor a ser pago por uma nova compra. Os lançamentos utilizados pelo contribuinte eram de reverter a despesa de provisão contra o passivo diferido e de contabilizar uma despesa efetiva contra o passivo que controlava os valores a serem repassados para a Marisa. D 21701003 Receita Diferida Prog. De Fidelidade C 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar D 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade C 21601020 Marisa Lojas Varej Ao final do anocalendário de 2011 a Club apropriou uma despesa de provisão na conta 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar no valor de R$ 1.941.502,00, e uma despesa de R$ 4.755.620,00 na conta 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade. O contribuinte, em resposta apresentada em 14/10/2016, informou que não adicionou na apuração do lucro real de base de cálculo da CSLL as despesas de provisão lançadas na conta 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar. (...) Quando o cliente ganhava pontos, a Club contabilizava um passivo referente a uma possível despesa que só se concretizaria caso o cliente utilizasse estes pontos acumulados para abater do valor devido em novas compras, a contrapartida da conta do passivo era um lançamento a débito na conta de receita 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar. Portanto a conta, 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar, era utilizada para lançar as despesas de provisão bem como as receitas de reversão de provisão referentes aos pontos que o cliente obtinha e que resgatava ou que perdia pelo decurso do prazo. Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.526 56 Como, ao final do anocalendário de 2011, esta conta tinha um saldo negativo que foi levado para a apuração do lucro líquido do período, podemos afirmar que se tratava de uma despesa de provisão, pois ela era referente a uma despesa que ainda não tinha se concretizado pois era de caráter futuro e incerto. Esta despesa não foi adicionada ao lucro líquido para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, e sob a égide do DecretoLei nº 1.598/77 e da Lei nº 7.689/88 com a redação dada pela Lei nº 8.034/90), esta fiscalização irá adicionar de ofício o valor de R$ 1.941.502,00. Ao seu turno, em sua defesas, a Contribuinte primeiro afirma que, diferentemente da conclusão do Fisco, tais valores eram referentes a despesas, correspondentes a um passivo efetivo decorrente de obrigações legais com prazo certo e valor determinado, geradas pela concretização dos benefícios oriundos dos cartões Marisa, trazendo as definições dadas pelas regas da CVM e normas do CPC, referentes a passivo, provisão e outros elementos da contabilidade societária. Por fim, conclui que sempre que se estiver diante de uma obrigação contratual (obrigação legal), o seu registro nas demonstrações contábeis nunca será reconhecido como uma mera provisão, como, equivocadamente afirmou o Sr. Agente Fiscal, mas sim, como um efetivo passivo de prazo e valor certo. Alternativamente, aponta a Recorrente que, mesmo que se entenda estar diante de provisões, em face da eventualidade da sua efetivação futura, o que lhe revestiria de despesas, deveria, no momento da fiscalização, a Autoridade Fiscal ter apurado a ocorrência da postergação do pagamento, nos termos do art. 273 do RIR/99, pugnando pelo cancelamento do lançamento. Dito isso, temos que as provisões, as quais podem ser grosseiramente definidas como o registro da expectativa de valor a saldar de despesas futuras, tem profundo relevância e impacto na contabilidade societária. Contudo, em termos fiscais, observando o disposto nos arts. 335 a 338 do RIR/99, vigentes à época dos fatos colhidos, é certo a dedução de tais lançamentos contábeis somente pode ser feita mediante autorização expressa da Lei, sendo objetivamente permitido, ao tempo dos fatos, a dedução das provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, assim como o 13º salário e as férias dos funcionários. Ainda que seja comum no diaadia empresarial o registro de despesas incorridas como provisões, a acusação fiscal deixa claro que a Contribuinte lançou na conta 31201020 os valores referentes aos "pontos" dos benefícios concedidos aos seus clientes no Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.527 57 momento das compras que lhes geravam (e não aqueles efetivamente resgatados, que acabaram compondo os registro da conta nº 43301016, que não fora questionada no lançamento). Ainda na fase fiscalizatória, foi esclarecido pela própria Empresa que o valor de tal conta contendo as provisões não foi adicionado no cálculo do Lucro Real. Dessa forma, ainda que considerando a dinâmica do regime de competência, tendo em vista que a mera concessão de "pontos", que, ainda que expirem em determinado prazo, necessitam ser acumulados e expressamente resgatados para que, efetivamente, representem um real desconto nas vendas futuras, fica caracterizada a eventualidade da ocorrência de tal evento e segura incerteza de sua concretização, não se revestindo de despesas incorridas, o que remeteria sua dedutibilidade aos termos do art. 229 do RIR/99. Mesmo que a Recorrente tenha procedido a rico trabalho de demonstração de conceitos contábeis, afirmando, de maneira geral, que tais valores não foram diretamente subtraídos das contas de resulta, se relacionando à constituição de um passivo, tal argumento não é capaz de infirmar a clara constatação da natureza dos valores que compuseram o saldo da conta 31201020, bem como a ausência de sua adição ao cálculo do Lucro Real do ano calendário de 2011, efetivamente, então, reduzindo indevidamente as bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Não houve qualquer trabalho de demonstração específica e concreta de que esse trânsito contábil, realmente, não compôs o resultado do período, prescindindo, então, a adição de maneira diversa daquilo que constatado e demonstrado pela Fiscalização sendo bastante abstratas as alegações e afirmações da Parte insurgente sobre tal ocorrência. Por fim, em relação à postergação do pagamento, nos termos do art. 273 do RIR/99, a Contribuinte apenas destaca que a Fiscalização não fez tal verificação ao tempo do lançamento. Nesse sentido, não havendo propriamente uma obrigação da Autoridade Fiscal assim proceder, que macularia o lançamento de ofício na sua ausência, não houve qualquer demonstração e, muito menos, prova da concreta ocorrência dessa hipótese contemplada por tal dispositivo por parte Parte insurgente, restando ineficaz tala alegação. Desse modo, deve prevalecer tal parcela do lançamento, não merecendo reforma o v. Acórdão recorrido. Ainda, resta enfrentar a matéria referente a alegação da Contribuinte de inexistência de excesso de compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL no anocalendário de 2012. Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.528 58 Nesse ponto, tanto a fundamentação do TVF 02, como as alegações da Recorrente, apontam para a total natureza consequencial de tal infração em relação à procedência das infrações de omissão de receitas e ausência de adições ao Lucro Real, do ano calendário de 2011, tratadas nessa mesma Autuação. Não existe, aqui, qualquer tema autônomo a ser apreciado, mas apenas o transporte da manutenção ou do cancelamento das demais infrações, que influenciam diretamente no prejuízo utilizado pela Recorrente no anocalendário de 2011, gerando tal reflexo de glosa de compensações no período subsequente de 2012. Assim, tendo em vista que decidiuse pela improcedência das infrações referentes ao TFV 01 e mantevese aquelas referentes ao TVF 02, deverá, no momento da execução do presente julgado, ser considera a referida redução promovida, consequentemente alterandose a monta da glosa referente às compensações levadas a cabo pela Contribuinte no anocalendário de 2012. Por fim, a Recorrente questiona a legalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício aplicada. Atualmente, a resolução jurisdicional de tal matéria resumese à aplicação do disposto na Súmula CARF nº 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Por consequência, devem ser rejeitadas as arguições de ilegalidade da Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da Contribuinte, para anular o TFV 01, cancelando o crédito tributário correspondente, mantendo integralmente as infrações contidas no TVF 02. Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.529 59 Caso vencido, voto no sentido dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da Contribuinte, em face da alteração do critérios jurídicos que fundamentaram a ocorrência das infrações referentes ao TFV 01, promovida pela DRJ a quo, anulandose parcialmente o v. Acórdão recorrido, para seja proferida decisão complementar de primeira instância, considerando a legalidade e a adequação do lançamento como procedido, com base exclusiva nas acusações fiscais efetivamente trazidas e construídas pela Autoridade Fiscal, considerando como fundamento jurídico a sua correspondente regulamentação legal vigente. Caso vencido, no mérito, voto no sentido dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da Contribuinte, entendendose pela inocorrência da infração de omissão de receitas demonstrada no TVF 01, devendo ser cancelado o crédito tributário correspondente, mantendo integralmente as infrações contidas no TVF 02. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Voto Vencedor Conselheira Edeli Pereira Bessa Redatora designada. O I. Relator restou vencido quanto ao acolhimento da preliminar de "Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica", bem como em relação ao provimento do recurso voluntário acerca da acusação veiculada no TVF 01, e à rejeição da arguição de nulidade por "Indevida Alteração do Critério Jurídico no Acórdão Recorrido". Com referência à "Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica", a decisão recorrida assim relata e enfrenta as alegações da interessada: RELATÓRIO [...] II DA PRELIMINAR II.1 Da Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica (TVF n° 01) Após apresentar tabela constante do relatório fiscal (fls. 17/18), explica a impugnante que ao optar pela “desconstrução do planejamento tributário” e “reapurar” a base de cálculo da Impugnante considerando as “receitas repassadas” à PRIMOS, TCM e TEF como se receitas fossem da Impugnante, a Fiscalização cometeu um equívoco inaceitável: a desconsideração da personalidade jurídica, com a consequente confusão entre os patrimônios das pessoas jurídicas (Impugnante, PRIMOS, TCM e TEF). O Sr. Agente Fiscal, em Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.530 60 síntese, entendeu que a PRIMOS, TCM e TEF não tinham “capacidade para prestar os serviços” presumindo que tais pessoas jurídicas seriam inexistentes. Porém, defende que tal entendimento está equivocado, pois os atos societários de constituição da PRIMOS, TCM e TEF foram devidamente registrados no órgão público de competência, a saber, a Junta Comercial do Estado de São Paulo ("JUCESP"), que verificou o conteúdo e as formalidades aplicáveis aos atos levados ao arquivamento, conferindoos verdadeiros, dandoos a devida transparência e publicidade e tornandoos passíveis de oposição a terceiros. Argumenta que a regular constituição de pessoas jurídicas acarreta na separação patrimonial das pessoas jurídicas (sejam do mesmo Grupo Econômico ou não), a fim de que seja realizada devidamente a exploração de atividade econômica, não podendo o Fisco unir sociedades distintas de forma manifestamente arbitrária. Acrescenta que para a aludida desconsideração da personalidade jurídica, é indispensável que sejam trazidas provas por parte da Autoridade Fiscal, o que não pode ser identificado no presente caso, em que a Fiscalização trouxe apenas esta alegação por via oblíqua, ao atribuir indevidamente à Impugnante as receitas que, de fato, são de competência da PRIMOS, TCM e TEF. Destaca que que somente em caso de existência de fraude ou abuso de direito, ou seja, a existência de dolo, devidamente demonstrado pelo Fisco, é que se poderia aplicar a desconsideração da personalidade jurídica. Contudo, no caso em questão é evidente a inexistência de dolo ou fraude, tanto que sequer houve a imposição de multa agravada pela Fiscalização. Conclui então que a desconsideração da personalidade jurídica, pretendida pela Fiscalização, é totalmente descabida, sendo que (i) ainda que fosse aplicável ao caso, o que se nega, mas se alega para argumentar, não foram trazidos à baila quaisquer elementos de prova capazes de embasar a desconsideração em pauta; e (ii) não há decisão judicial a este respeito. Por tais razões, sustenta que há vício de motivação no ato administrativo, o que o torna nulo, motivo pelo qual aguardase o cancelamento integral dos autos de infração lavrados. [...] VOTO [...] II DA PRELIMINAR II.1 Da Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica (TVF n° 01) Inicialmente esclareçase que o procedimento adotado pela Autoridade fiscal não se trata de desconsideração de Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.531 61 personalidade jurídica, instituto que, no âmbito judicial, busca atingir os bens particulares dos administradores ou sócios no caso de abuso da personalidade jurídica caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial conforme regra matriz prevista no art. 50 do CC/02. Não basta o registro no órgão competente para provar a existência da pessoa jurídica. É necessário demonstrar que houve a efetiva atuação, com estrutura operacional, administrativa e financeira, para que seja considerada existente para efeitos tributários. Conforme relata a Autoridade lançadora, a Primos utilizava uma sala do prédio ocupado pela Club e dispunha de apenas 03 (três) funcionários, enquanto a Club tinha 876 (oitocentos e setenta e seis) funcionários; a TEF utilizava uma sala do prédio ocupado pela Club e dispunha de apenas 04 (quatro) funcionários; a TCM também se utilizava de uma sala do prédio ocupado pela Club e dispunha de apenas 03 (três) funcionários, enquanto a Club tinha 876 (oitocentos e setenta e seis) funcionários! Pelo que se depreende do relato pormenorizado da Autoridade, devidamente instruído com documentos constantes dos autos, correto está o procedimento fiscal. Não se pode arquitetar um planejamento tributário fictício, existente apenas formalmente, para eximirse de tributos que são devidos. Rememorese conceito elementar acerca do fato gerador: diante de certo fato imponível surge a obrigação tributária. Quem pratica o fato gerador ocorrido no mundo fenomênico é quem deve figurar no polo passivo da exação tributária. Surge o “fato gerador” quando o fato concreto corresponde rigorosamente ao delineado previamente na norma (hipótese de incidência), dando nascimento à obrigação tributária principal, nos termos do art. 113, §1º c/c art. 114 do CTN. A inteligência do Código Tributário Nacional soluciona os casos em que não há correspondência entre os fatos ocorridos e as declarações e esclarecimentos prestados ou documentos expedidos pelo sujeito passivo. No curso do procedimento fiscal foi demonstrado que foi a impugnante quem suportou diversas despesas que, em tese, deveriam ter sido registradas em suas controladas. Por outro lado, repassou as receitas para que fossem tributadas em um regime mais favorável e consequente retorno dos recursos sob a forma de distribuição de lucros. Demonstrou a autoridade que as controladas foram criadas apenas com o intuito de economizar tributos, porquanto não tinham estrutura para realizar as atividades declaradas conforme os respectivos objetivos sociais. Nos termos do art. 142, compete à Autoridade Fiscal constituir o crédito tributário pelo lançamento, para isso, é preciso, dentre outros atos, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.532 62 correspondente e identificar o sujeito passivo da respectiva obrigação. Em seu artigo 149, VII, “determina” a realização do lançamento de ofício quando houver simulação, ou seja, quando o sujeito passivo apresentado ao fisco não for o que praticou o fato jurígeno, necessariamente é preciso identificalo para regular constituição do crédito tributário. E este foi exatamente o procedimento adotado pela Autoridade Fiscal, lançando de ofício, juntando aos autos farta instrução probatória, a qual demonstra que a fiscalizada é quem de fato praticava as prestações de serviço, utilizandose indevidamente de outros registros, com os quais constituiu pessoas jurídicas diversas, apenas formalmente, para eximirse de pagamento de tributos. Atuando de acordo com o que preconiza a Lei (art. 149 do CTN), lançando de ofício em face de situações simuladas, existentes apenas para esquivarse do pagamento de tributos devidos, correto está o procedimento fiscal. Desse modo, não há que se falar em vício de motivação no ato administrativo. [...] Em recurso voluntário, a interessada reprisou seus argumentos, reafirmando a desconsideração da personalidade jurídica da PRIMOS, TCM e TEF, mesmo que realizada indiretamente por meio da simples desconsideração da existência de tais pessoas jurídicas para efeitos tributários. Aduziu, ainda, que restou comprovado na impugnação apresentada pela Recorrente, e durante todo o procedimento fiscalizatório, que foram prestados os respectivos serviços pela PRIMOS, TCM e TEF, sendo delas, portanto, as receitas indevidamente transmitidas à Recorrente pela Fiscalização. Transcreveu doutrina e indicou decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça ("STJ"), o qual acertadamente decidiu pela necessidade de comprovar a fraude ou abuso de direito para aplicação da teoria da desconsideração de personalidade jurídica. Na acusação fiscal, porém, observase, desde o início, a indicação de que a contribuinte autuada, além de estar obrigada à apuração do lucro real, por força do art. 14, inciso II da Lei nº 9.718/98 e do art. 22, §1º da Lei nº 8.212/91, sujeitavase à alíquota de CSLL majorada em 15% para tais instituições financeiras. Registrouse, ainda, que as receitas em debate foram por ela recebidas, mas repassadas às empresas PRIMOS, TCM e TCF, optantes pelo lucro presumido, tendo a autoridade lançadora também constatado que praticamente toda a receita repassada para estas empresas retornou para a Club na forma de distribuição de lucros (pagamento de dividendos). Quanto às atividades de PRIMOS, a autoridade lançadora expôs os contratos firmados com Assurant Seguradora S/A e Prodent Assistência Odontológica, sempre com a intervenção da autuada ou da sucedida Credi21 Participações Ltda, detalhando as obrigações das partes e as remunerações correspondentes, demonstrando que os repasses a PRIMOS, a título de comissão, representaram R$ 44.799.149,30 no anocalendário 2011, mas, analisando se as despesas correspondentes: Podemos observar que as despesas com correios, R$ 2.209.809,14 (32201001), com provisão, R$ 333.454,50 (32201001), e serviços gráficos, R$ 144.757,68 (41209029), respondem por 96,26% do total das despesas da Primos. Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.533 63 A Primos utilizava uma sala do prédio ocupado pela Club e dispunha de apenas 03 (três) funcionários, enquanto a Club tinha 876 (oitocentos e setenta e seis) funcionários. Conforme consta do contrato assinado com a Assurant, caberia a Primos faturar e cobrar os prêmios dos segurados e, caso houvesse cancelamento do seguro, deveria processar e reembolsar os prêmios não ganhos aos segurados. Conforme consta do contrato assinado com a Prodent, a Primos seria a responsável pela arrecadação das prestações debitadas nos cartões Marisa dos beneficiários, o repasse das prestações a Prodent e as prestações de informações para a Marisa elaborar os relatórios que seriam enviados a Prodent, caberia também a Primos o agenciamento, controle cadastral e gestão financeira dos planos odontológicos. Interessante observar que a Primos não incorreu em diversas despesas associadas às atividades informática, boletos bancários, pagamentos para empresas de cobrança, honorários advocatícios, custas judiciais, etc., bem como não incorreu nas demais despesas administrativas necessárias para a manutenção de qualquer atividade empresarial como energia elétrica, condomínio, limpeza, segurança, equipamentos, materiais de consumo e escritório, conservação e manutenção, etc. Como a Club não contabilizou qualquer receita relativa à venda destes seguros e planos odontológicos, era de se esperar que também não contabilizasse quaisquer despesas associadas a estas vendas, ou caso contabilizasse, que elas fossem excluídas da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. O contribuinte foi devidamente intimado a informar quais foram as despesas incorridas pela Club para o cumprimento do contrato assinado com a Assurant e a Prodent, em sua resposta datada de 10/08/2016, a Club informou que as despesas incorridas foram apropriadas nas contas 41106003 – Correio e 41105008 – Marketing. Alegou que as despesas de correio eram fruto do envio da fatura para cobrar o seguro e os planos odontológicos, a qual era enviada mesmo que não houvesse compra de mercadorias na fatura do cliente, mas apenas de seguros e planos odontológicos, enquanto as despesas com marketing eram relativas às campanhas com banner, treinamentos e pontos de venda. As despesas apropriadas nestas duas contas somavam R$ 8.446.802,58, assim distribuídas: 41106003 – Correio – R$ 5.167.634,47 41105008 Propaganda – Outros – R$ 3.279.168,11 Em resposta apresentada em 28/11/2016, a Club afirmou que a conta 42301018 Despesas Boleto Bancário registra as tarifas Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.534 64 bancárias relacionadas a cobrança dos extratos dos clientes da Marisa e que tais extratos englobam todo o saldo devedor do cliente desde a compra de mercadorias até produtos financeiros. Esta é uma das despesas apropriadas pela Club e que está diretamente associada à obtenção da receita referente à venda de seguros e de planos odontológicos. A Club, desconsiderando as despesas com tributos, teve despesas que somaram R$ 273.431.539,19 no anocalendário de 2011, entre elas devemos destacar: Despesas associadas à venda e cobrança de seguros e planos odontológicos (Esta lista não é exaustiva). 41106003 – Correio – R$ 5.167.634,47 41105008 Propaganda – Outros – R$ 3.279.168,11 41107013 Serviços Gráficos – R$ 2.597.647,06 41106006 Telefone – R$ 6.512.962,76 41107004 – Informática – R$ 3.999.705,08 42301018 Despesas Boleto Bancário – R$ 2.074.876,53 43301008 Despesas Serv. Cobrança – R$ 4.348.107,64 41107003 Honorários Advocatícios – R$ 2.953.171,29 41109005 Custas Judiciais – R$ 2.867.478,55 41109034 Perdas com Processos Judiciais – R$ 16.107.834,70 Despesas administrativas (Esta lista não é exaustiva). 41106004 Energia Elétrica – R$ 322.519,76 41104004 Condomínios – R$ 228.415,80 41107005 Limpeza – R$ 209.672,21 41107006 – Segurança – R$ 263.452,09 41109012 Material de Consumo – R$ 166.853,36 41109014 Material de Escritório – R$ 68.625,99 41107002 Conservação e Manutenção – R$ 271.429,33 Esta fiscalização também identificou que a Club apropriou despesas em outras três contas, cujo histórico de alguns lançamentos revelou que se referiam aos seguros e planos odontológicos vendidos (vide Anexo II deste Termo). 41101010 – Prêmios – R$ 1.485.565,06 Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.535 65 42301002 Descontos Concedidos – R$ 569.894,30 43201008 Perdas em Operações De Credito L9430/96 Art9 – R$ 4.218.098,42 As despesas assumidas pela Primos demonstram que ela não suportou sequer as despesas administrativas necessárias para manter uma atividade empresarial bem como não teria capacidade para exercer as atividades previstas em contrato, enquanto a Club suportou diversas despesas associadas às vendas dos seguros e planos odontológicos que ficaram sem a contrapartida da receita de comissão sobre estas vendas, pois elas foram integralmente repassadas para a Primos. Por tudo que foi exposto, restou provado que foi a Club quem efetivamente suportou as despesas associadas às vendas dos seguros e planos odontológicos sem apropriar as receitas pertinentes à estas vendas, portanto este planejamento tributário não pode se opor ao fisco, pois buscou apenas a redução da carga tributária do grupo econômico, sem corresponder com a verdade material dos fatos praticados. Como a Club possuía 99,99% da Primos, esta fiscalização irá recompor a base tributável na Club considerando todas as receitas repassadas para a Primos, todas as despesas apropriadas pela Primos, com exceção das tributárias, apurar o novo lucro real e a base de cálculo da CSLL da Club, e abater do IR e da CSLL devidos os valores que foram efetivamente pagos pela Primos. (negrejouse) Com referência a TCM, a autoridade fiscal descreve a dificuldade da contribuinte em esclarecer quais foram os serviços prestados pela TCM, mormente tendo em conta que as despesas associadas a estas receitas permaneceram sob a responsabilidade da Club. Acrescentou que: Fica prejudicado o entendimento da Club de não contabilizar esta receita, visto que a tarifa de cobrança fazia parte do extrato enviado pela Club, era controlada pelos sistemas informatizados da Club, a Club tinha contratos com diversas empresas de cobrança que cobravam todos os valores devidos na fatura, e havia diversas outras despesas associadas a obtenção desta receita que ficaram sob responsabilidade da Club. Veremos adiante que as despesas que ficaram sob responsabilidade da TCM são muito pequenas comparadas com as que ficaram sob responsabilidade da Club. Contudo, uma vez localizado o contrato firmado com TCM, a autoridade fiscal analisou seus termos, anotou que as receitas repassadas a TCM representaram R$ 8.349.296,77 em 2011, seguindose a distribuição de dividendos de TCM em favor da autuada, em 2012, no valor de R$ 9.709.100,00, e o registro de despesas por TCM, em 2011, de R$ 934.964,71, sendo que as despesas com correios, R$ 834.705,15 (32201001 e 41206003), e serviços gráficos, R$ 53.626,66 (32201001 e 41209029), respondem por 95,01% do total das despesas da TCM. Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.536 66 Na mesma linha do que verificado em relação a PRIMOS, a autoridade fiscal destacou o fato de TCM dispor de apenas 03 (três) funcionários, bem como a natureza das despesas arcadas pela autuada, associadas à atividade de cobrança e administrativa, além de tarifas de cobrança, nos seguintes montantes: 42301002 Descontos Concedidos – R$ 399.213,19 43301014 Despesas com Perdas por Fraudes – R$ 26.478,44 43301004 Perdas com Processos Operacionais – Cartão – R$ 10.305,03 Daí semelhantes conclusões, no sentido de que restou provado que foi a Club quem efetivamente suportou as despesas associadas às atividades de cobrança sem apropriar as receitas pertinentes às mesmas, portanto este planejamento tributário não pode se opor ao fisco, pois buscou apenas a redução da carga tributária do grupo econômico, sem corresponder com a verdade material dos fatos praticados. As dificuldades constatadas em relação a TCM também se verificaram acerca dos serviços prestados por TEF, mas a autoridade fiscal, ainda assim, analisou o contrato tardiamente localizado, observando que ele estaria datado de 01/06/2011, restando prejudicados todos os repasses efetuados até 31/05/2011. Para além disso, do total de receita transferida à TEF (R$ 41.515.848,88), R$ 19.998.742,00 foram distribuídos a título de dividendos à autuada em 2012. Do total de despesas registradas no anocalendário 2011 (R$ 16.938.972,62), as despesas com correios, R$ 15.427.417,29 (32201001 e 41206003), e serviços gráficos, R$ 1.314.439,39 (32201001 e 41209029), respondem por 98,84% do total das despesas da TEF. Contudo, consoante exposto pela autoridade fiscal: Contratualmente a TEF seria responsável, até junho de 2011, pelos serviços de controle, processamento de dados, emissão e remessa de faturas e afins e, posteriormente a junho, pelos serviços de disponibilizar e gerenciar programas de benefícios e/ou recompensas vinculados ao Cartão Marisa. Em relação aos serviços prestados até junho de 2011 a TEF não incorreu em diversas despesas associadas às atividades de controle e processamento de dados, como sistemas de informática, boletos bancários, cobrança, etc. Em relação aos serviços prestados após junho de 2011 a TEF não incorreu em nenhuma despesa associada às atividades de disponibilizar e gerenciar programas de benefícios e/ou recompensas vinculados ao Cartão Marisa. Em julho de 2010 foi criado um projeto piloto de Programa de Fidelidade Marisa que a partir de sua implementação em 2011 passou a se denominar Amiga – Programa de Vantagens. O projeto piloto descrevia todas as áreas envolvidas e podemos observar que a TEF não incorreu em nenhuma despesa destas áreas como telefonia, sistemas de informática, boletos bancários, honorários advocatícios, custas judiciais, treinamento de pessoal, etc. Fl. 2606DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.537 67 O programa Amiga previa a obtenção de pontos no momento da utilização do Cartão Marisa que poderiam resultar em descontos em novas compras realizadas com o Cartão Marisa, e que a Club contabilizava todo o controle destas operações em duas contas, a 31201020 Receita Prog. de Fidelidade a Realizar, que provisionava o possível desconto com os pontos obtidos, e a 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade, que efetivamente contabilizava como despesa a utilização destes descontos. Esta contabilização demonstra de forma cristalina que a Club repassava toda a receita do programa de fidelidade para a TEF ficando, porém, com todas as despesas de gerenciamento inerentes à obtenção desta receita. Importante também ressaltar que a TEF não incorreu em outras despesas administrativas necessárias para a manutenção de qualquer atividade empresarial como, telefonia, energia elétrica, condomínio, limpeza, segurança, equipamentos, materiais de consumo e escritório, conservação e manutenção, etc. Como a Club não contabilizou qualquer receita relativa às tarifas de processamento de fatura e às anuidades diferenciadas, era de se esperar que também não contabilizasse quaisquer despesas associadas às mesmas, ou caso contabilizasse, que elas fossem excluídas da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Em resposta apresentada em 28/11/2016 a Club afirmou que a conta 42301018 Despesas Boleto Bancário, registra as tarifas bancárias relacionadas a cobrança dos extratos dos clientes da Marisa e que tais extratos englobam todo o saldo devedor do cliente desde a compra de mercadorias até produtos financeiros. Esta é uma das despesas apropriadas pela Club e que está diretamente associada à obtenção da receita referente à Tarifa de Processamento de Fatura e da Anuidade Diferenciada. A Club, desconsiderando as despesas com tributos, teve despesas que somaram R$ 273.431.539,19 no anocalendário de 2011, entre elas devemos destacar: Despesas associadas à atividade de processamento de fatura e gerenciamento de programas de benefícios (Esta lista não é exaustiva). 41106003 – Correio – R$ 5.167.634,47 41107013 Serviços Gráficos – R$ 2.597.647,06 41107004 – Informática – R$ 3.999.705,08 42301018 Despesas Boleto Bancário – R$ 2.074.876,53 43301008 Despesas Serv. Cobrança – R$ 4.348.107,64 41107003 Honorários Advocatícios – R$ 2.953.171,29 Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.538 68 41109005 Custas Judiciais – R$ 2.867.478,55 41109034 Perdas com Processos Judiciais – R$ 16.107.834,70 43301016 Despesas Bonificação Programa de Fidelidade – R$ 4.755.620,00 Despesas administrativas (Esta lista não é exaustiva). 41106006 Telefone – R$ 6.512.962,76 41106004 Energia Elétrica – R$ 322.519,76 41104004 Condomínios – R$ 228.415,80 41107005 Limpeza – R$ 209.672,21 41107006 – Segurança – R$ 263.452,09 41109012 Material de Consumo – R$ 166.853,36 41109014 Material de Escritório – R$ 68.625,99 41107002 Conservação e Manutenção – R$ 271.429,33 Esta fiscalização também identificou que a Club apropriou despesas em outras três contas, cujo histórico de alguns lançamentos revelou que se referiam à Tarifa de Processamento de Fatura e à Anuidade Diferenciada (Vide Anexos IV e V deste Termo). Tarifa de Processamento de Fatura 42301002 Descontos Concedidos – R$ 79.250,52 43301014 Despesas com Perdas por Fraudes – R$ 11.260,95 43301004 Perdas com Processos Operacionais – Cartão – R$ 2.963,74 Anuidade Diferenciada 42301002 Descontos Concedidos – R$ 16.940,36 43301014 Despesas com Perdas por Fraudes – R$ 2.919,75 43301004 Perdas com Processos Operacionais – Cartão – R$ 1.130,66 As despesas assumidas pela TEF demonstram que ela não suportou sequer as despesas administrativas necessárias para manter uma atividade empresarial bem como não teria capacidade para exercer as atividades de controle, processamento de dados, emissão e remessa de faturas e afins e de disponibilizar e gerenciar programas de benefícios e/ou recompensas vinculados ao Cartão Marisa, que estavam previstas em contrato, enquanto a Club suportou diversas despesas associadas às estas atividades que ficaram sem a contrapartida tanto da receita de Tarifa de Processamento de Fatura bem como da Anuidade Diferenciada, pois foram integralmente repassadas para a TEF. (negrejouse) Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.539 69 Não resta dúvida, frente a tais constatações, que a contribuinte não logrou provar à autoridade fiscal a efetiva prestação de serviços por PRIMOS, TCM e TEF. O volume de receitas transferidas a tais pessoas jurídicas, considerando os gastos correspondentes aos serviços que elas deveriam prestar e que foram apropriados pela autuada, associados ao fato de tais pessoas jurídicas não disporem de estrutura administrativa, quer em virtude do mínimo quadro de empregados, quer por registrarem inexpressivas despesas administrativas, são indícios consistentes e convergentes de que o repasse de receitas teve por finalidade primordial a redução das bases tributáveis da autuada, especialmente em razão da maior carga que lhe é imposta por sua caracterização como instituição financeira, e também porque o efeito financeiro do repasse das receitas é compensado com o seu retorno mediante distribuição de dividendos isentos. Frisese que a investigação fiscal tem por referência primeira o repasse de receitas às pessoas jurídicas PRIMOS, TCM e TEF, e a consequente redução da receita tributada pela autuada. É sob esta ótica que a autoridade lançadora conclui que este planejamento tributário não pode se opor ao fisco, pois buscou apenas a redução da carga tributária do grupo econômico, sem corresponder com a verdade material dos fatos praticados, acrescendose ao final que: Estes repasses de receitas com a manutenção das despesas na Club não são oponíveis ao Fisco, pois causaram uma redução indevida dos tributos. Como a Club era tributada pelo lucro real enquanto a Primos, TCM e TEF eram tributadas pelo lucro presumido, a transferência das receitas para estas empresas e a manutenção das despesas na Club permitiu uma redução do IR e da CSLL devidos, pois a tributação das receitas nas empresas de lucro presumido é menor, enquanto as despesas, que não são dedutíveis no lucro presumido, podem ser deduzidas na apuração do lucro real. Portanto, fazse necessária a recomposição da verdade material através da desconstrução deste planejamento tributário. Esta desconstrução foi devidamente demonstrada no item 1.4 deste Termo e resultou em um valor a pagar de R$ 17.768.687,66, referente ao IR e à CSLL que não foram recolhidos em virtude do planejamento tributário adotado pelo contribuinte. Não se trata, portanto, de receitas originalmente auferidas por PRIMOS, TCM e TEF, em negócios jurídicos autônomos, sem a participação da autuada, cujos resultados são a ela atribuídos mediante desconsideração daqueles. A acusação repousa sobre receitas recebidas pela autuada e repassados em razão de contratos com sua intervenção, repasse este que demanda a comprovação de que os serviços remunerados foram prestados por terceiros. Desnecessário, assim, discorrer sobre simulação, abuso de direito ou fraude. Correta, portanto, a conclusão da autoridade julgadora de 1ª instância, no sentido de que não houve desconsideração de personalidade jurídica, bem como de que o registro em órgão competente é insuficiente para validar os efeitos tributários dependentes da existência de uma efetiva estrutura operacional, administrativa e financeira. A autoridade lançadora reuniu evidências a partir das quais concluiu que houve omissão de receitas, na medida em que reduzidas indevidamente por repasse pautado em contratos que atribuíam às Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.540 70 beneficiárias serviços que não poderia ter sido por elas prestados, o que é suficiente para afirmar a validade do lançamento e transferir o litígio para a comprovação, pela autuada, de que outro seria o cenário fático em relação às operações investigadas. Estas as razões, portanto, para REJEITAR a preliminar de "Inaceitável Pretensão Fiscal de Desconsideração da Personalidade Jurídica". Quanto ao provimento do recurso voluntário relativamente ao TVF 01, o fato é que a interessada não trouxe qualquer prova que pudesse invalidar as constatações fiscais, consoante exposto na decisão de 1ª instância: Compulsando os autos, verificase que Autoridade Fiscal mais do que comprovou a atuação apenas formal das empresas supramencionadas, delineando cristalinamente o planejamento tributário praticado. A autuada limitouse a rebater genericamente os fatos, alegando que era um processo estratégico de reorganização, visto que os serviços prestados são absolutamente distintos das demais atividades desenvolvidas pela Impugnante. Argumentou que não há que se falar em "repasse" como entendeu equivocadamente a Autoridade Fiscal, mas sim de valores que em sua essência pertenciam a tais empresas, mas, por uma questão organizacional, estavam todos consolidados na fatura que era recolhida pelos titulares dos cartões Marisa. Não demonstrou, no entanto, a improcedência das alegações fiscais retrocitadas, as quais demonstram claramente que as empresas (PRIMOS, TCM e TEF) foram criadas apenas formalmente, com poucos funcionários (no máximo 4), sediadas no mesmo prédio da impugnante, sendo esta quem suportou as despesas associadas às atividades exercidas, “repassando” as receitas com o fim de uma tributação mais benéfica. Pelo que consta dos autos, depreendese que estas empresas eram apenas “departamentos internos” da impugnante, porquanto todas eram sediadas em uma sala do prédio ocupado pela Club, dispunham de apenas 03 ou 04 funcionários (enquanto a Club tinha 876!), e tampouco arcavam com as despesas decorrentes das atividades declaradas. Alegar genericamente não desqualifica todo o trabalho fiscal, que demonstrou a existência apenas formal, com o fim ilícito de economia tributária, pois as despesas eram contabilizadas na autuada, e as receitas – que deveriam ter sido registradas e tributadas quando percebidas pela autuada – foram repassadas para essas empresas criadas com o regime tributário mais favorável. Correto, portanto, todo o procedimento fiscal. [...] Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.541 71 A autuada, por sua vez, não trouxe aos autos provas capazes de demonstrar ou desqualificar todos indícios colacionados pela Autoridade durante o procedimento fiscal. Pelo que consta dos autos, entendo que essas empresas foram criadas apenas formalmente para reduzir a carga tributária. No caso sub examine, houve abuso do direito, visto que os interessados praticaram atos plenamente lícitos, no entanto, existiram apenas para suscitar efeitos tributários benéficos às partes. [...] Por todo exposto, firmo o convencimento de que se trata de uma mesma empresa (atividade econômica organizada), através da qual a autuada, com a mesma estrutura administrativa, operacional, patrimonial e gerencial, se utilizou indevidamente das demais pessoas jurídicas formalmente registradas, apenas para optar por regimes de tributação diversos e obter vantagens fiscais, configurando, desse modo, um planejamento tributário ilícito. A autuada não demonstrou a independência e autonomia de suas controladas. Não refutou convincentemente os fatos narrados, nem os documentos coligidos pela Autoridade Lançadora, os quais compuseram um robusto conjunto probatório e conduziram à conclusão que a impugnante utilizavase das controladas para arquitetar um planejamento tributário ilícito e não recolher devidamente os tributos devidos. [...] Diante dessas alegações e instrução probatória juntada aos autos, caberia à interessada apresentar documentos que comprovassem a existência e efetiva prestação de serviços autossuficiente pelas empresas supracitadas, demonstrando autonomia e independência, desqualificando assim o conjunto probatório coligido pela Autoridade Lançadora. Para demonstrar a existência, é necessário possuir um quadro mínimo de funcionários, além de apresentar outros documentos capazes de comprovar o efetivo funcionamento de forma autônoma e independente, incluindo as despesas necessárias para a consecução das atividades. [...] Mais uma vez a impugnante apresenta alegações genéricas, argumentando acerca da legalidade da opção tributária exercida pelas controladas (Lucro Presumido), sem rebater as evidências colacionadas pela Autoridade no curso do procedimento fiscal. Não contestou os argumentos principais expostos pela Autoridade Lançadora acerca das despesas das atividades das controladas que foram indevidamente registradas em sua contabilidade para obter benefícios tributários segundo o regime do Lucro Real. Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.542 72 Como relata a Autoridade, o contribuinte foi intimado a informar quais foram as despesas incorridas pela Club para o cumprimento do contrato assinado com a Assurant e a Prodent. Em sua resposta (10/08/2016), a Club informou que as despesas incorridas foram apropriadas nas contas 41106003 – Correio e 41105008 – Marketing. Alegou que as despesas de correio eram fruto do envio da fatura para cobrar o seguro e os planos odontológicos, a qual era enviada mesmo que não houvesse compra de mercadorias na fatura do cliente, mas apenas de seguros e planos odontológicos, enquanto as despesas com marketing eram relativas às campanhas com banner, treinamentos e pontos de venda. As despesas apropriadas nestas duas contas somavam R$ 8.446.802,58, assim distribuídas: 41106003 – Correio – R$ 5.167.634,47 41105008 Propaganda – Outros – R$ 3.279.168,11 Em resposta apresentada em 28/11/2016, a Club afirmou que a conta 42301018 Despesas Boleto Bancário registra as tarifas bancárias relacionadas a cobrança dos extratos dos clientes da Marisa e que tais extratos englobam todo o saldo devedor do cliente desde a compra de mercadorias até produtos financeiros. Demonstra a Autoridade que esta é uma das despesas apropriadas pela Club e que está diretamente associada à obtenção da receita referente à venda de seguros e de planos odontológicos. Conforme o Anexo II do TVF 01, a Autoridade identificou que a impugnante apropriou despesas em outras três contas, cujo histórico de alguns lançamentos revelou que se referiam aos seguros e planos odontológicos vendidos: 41101010 – Prêmios – R$ 1.485.565,06 42301002 Descontos Concedidos – R$ 569.894,30 43201008 Perdas em Operações De Credito L9430/96 Art9 – R$ 4.218.098,42 Conforme Anexo III do TVF 01, a Autoridade Fiscal também identificou que a impugnante apropriou despesas em outras três contas, cujo histórico de alguns lançamentos revelou que se referia às tarifas de cobrança: 42301002 Descontos Concedidos – R$ 399.213,19 43301014 Despesas com Perdas por Fraudes – R$ 26.478,44 43301004 Perdas com Processos Operacionais – Cartão – R$ 10.305,03 A Autoridade Fiscal identificou também, conforme Anexos IV e V do TVF 01, que a autuada apropriou despesas em outras três contas, cujo histórico de alguns lançamentos revelou que se Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.543 73 referiam à Tarifa de Processamento de Fatura e à Anuidade Diferenciada. Tarifa de Processamento de Fatura 42301002 Descontos Concedidos – R$ 79.250,52 43301014 Despesas com Perdas por Fraudes – R$ 11.260,95 43301004 Perdas com Processos Operacionais – Cartão – R$ 2.963,74 Anuidade Diferenciada 42301002 Descontos Concedidos – R$ 16.940,36 43301014 Despesas com Perdas por Fraudes – R$ 2.919,75 43301004 Perdas com Processos Operacionais – Cartão – R$ 1.130,66 Desse modo, concluiu corretamente que as despesas assumidas pela Primos, TCM e TEF demonstram que elas não suportaram sequer as despesas administrativas necessárias para manter uma atividade empresarial bem como não teriam capacidade para exercer as atividades previstas em contrato. A existência meramente formal não surte efeitos para propiciar benefícios tributários. Todo o trabalho fiscal pautouse acertadamente na impossibilidade de se repassar as receitas sem transitar pelo resultado e, o que torna ainda mais evidente o planejamento ilícito, no registro das despesas pela autuada que seriam inerentes às atividades das controladas. (destaques do original). Em recurso voluntário a contribuinte manteve a mesma linha argumentativa de sua impugnação, discorrendo sobre o objeto de cada uma das sociedades, sobre a necessidade de adaptações às condições do mercado de modo a estrutura suas atividades e vendas da forma que melhor lhe convier dentro de um planejamento estratégico em relação à sua atividade de administração de cartões e sobre os contratos firmados com PRIMOS, TCM e TEF, citando decisões judiciais acerca da legitimidade da cobrança da tarifa de anuidade e argumentando que os serviços prestados por referidas pessoas jurídicas são absolutamente distintos das demais atividades desenvolvidas pela Recorrente. Contudo, para provar a prestação dos serviços por PRIMOS, TCM e TEF, a interessada se reporta, apenas, às Notas Fiscais apresentadas à Fiscalização, afirmando a partir delas a efetiva prestação dos serviços, mormente tendo em conta a transparência dos negócios jurídicos e a sua legalidade. Em que pese as circunstâncias fáticas apuradas pela autoridade lançadora, evidenciando que a autuada continuou arcando com os encargos dos serviços supostamente contratados, a defesa da autuada se limita a invocar a existência dos contratos, o registro de despesas em sua escrituração e a tributação das correspondentes receitas para afirmar a regularidade de sua atuação. Frente ao descompasso entre os encargos suportados pela recorrente e aqueles escriturados por PRIMOS, TCM e TEF, esperado seria que a recorrente não se limitasse a argumentar que as despesas escrituradas por estas correspondiam às atividades, mas sim que elas eram suficientes para executar as obrigações que lhes foram contratualmente impostas. Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.544 74 Esta é a evidência sobre a qual a acusação fiscal foi erigida, e a interessada, por sua vez, não logrou desconstituir. Acrescentese que, no entendimento da recorrente, não há que se falar em "repasse" como entendeu equivocadamente a Autoridade Fiscal, mas sim de valores que em sua essência pertenciam a tais empresas, mas por uma questão organizacional, estavam todos consolidados na fatura que era recolhida pelos titulares dos cartões Marisa. Nestes termos, a recorrente menospreza o fato de os valores em questão serem atribuídos a PRIMOS, TCM e TCF em razão de acordos contratuais com a autuada, para darlhes uma autonomia como receita auferida por tais pessoas jurídicas em face dos titulares dos cartões Marisa. Irrelevante, assim, se inexiste vedação legal à constituição de pessoas jurídicas para prestação de serviços à recorrente, e se a tributação destes segundo a sistemática do lucro presumido representa mera exercício de opção fiscal. O repasse de receitas seria válido se tais pessoas jurídicas efetivamente prestassem serviços à recorrente, mantendo estruturas administrativas compatíveis com estas obrigações contratuais. Contudo, se assim procedessem, menores seriam as despesas registradas pela autuada e menor também seria o lucro contábil apurado pelas pessoas jurídicas contratadas e, por consequência, menor seria o retorno financeiro por meio de dividendos à recorrente. Por todo o exposto, inexistindo prova de que os serviços foram prestados por PRIMOS, TCM e TCF, as receitas repassadas devem ser mantidas e tributadas na recorrente, razão pela qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao TVF 01. Por fim, no que se refere à arguição de nulidade por "Indevida Alteração do Critério Jurídico no Acórdão Recorrido", releva notar que a autoridade julgadora não agregou fatos novos à acusação fiscal, mas apenas analisou os elementos ali contidos para, à luz da doutrina acerca da matéria, avaliar se os efeitos dos negócios jurídicos poderiam ser desconsiderados para fins fiscais. E, ao assim proceder, a exigência foi mantida sob o mesmo fundamento legal consignado no lançamento. Tem razão a recorrente quando afirma a incompetência das autoridades julgadoras para "aperfeiçoar" ou "alterar" o lançamento. Mas este não é o caso aqui presente. A autoridade julgadora de 1a instância não agregou qualquer elemento fático ou dispositivo legal que fosse determinante para a manutenção da exigência, mas apenas confrontou a acusação fiscal com os argumentos de defesa e demonstrou a prevalência daquela. A recorrente cita o posicionamento da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303001.690, mas a inovação ali constatada ocorreu frente a lançamento decorrente de falta de recolhimento de Contribuição ao PIS por não confirmação do processo judicial vinculado ao débito em DCTF, processo este associado a outro CNPJ. Apreciandoo, a autoridade julgadora de 1ª instância manteve a exigência sob o fundamento de o processo judicial, apesar de vinculado ao autuado, não autorizar a compensação alegada antes do trânsito em julgado da ação judicial. Quanto à decisão proferida no Acórdão nº 2401003.462, considerouse como inovação do critério jurídico a abordagem da autoridade julgadora de 1ª instância acerca da inexistência de Ato Declaratório de Isenção, inferida a partir da acusação fiscal. Em consequência, o voto condutor do julgado limitou a discussão em segunda instância aos Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 16327.720843/201659 Acórdão n.º 1402003.706 S1C4T2 Fl. 1.545 75 aspectos que objetivamente foram consignados como motivação para desconsiderar a isenção de entidade beneficente de assistência social. Nesta linha, aliás, restou evidenciado na exposição precedente que sequer era necessário, aqui, discorrer sobre simulação, abuso de direito ou fraude, dado que a acusação repousa sobre receitas recebidas pela autuada e repassados em razão de contratos com sua intervenção, repasse este que demanda a comprovação de que os serviços remunerados foram prestados por terceiros, ônus do qual a recorrente não se desincumbiu, como também constatado na decisão de 1ª instância e acima reafirmado. Rejeitase, portanto, a argüição de NULIDADE da decisão de 1a instância por indevida alteração de critério jurídico. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Redatora designada. Fl. 2615DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.002755/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. 173, I, CTN.
O crédito decorrente de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é constituído pelo lançamento de ofício, motivo pelo qual se submete à regra geral de decadência constante do art. 173, I, CTN.
Tratando-se, contudo, de multa fixa, cujo valor independe do número de infrações cometidas, tem-se que o reconhecimento da decadência parcial não influencia no valor da penalidade aplicada.
DECADÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE.
Não tendo sido a obrigação principal completamente desconstituída, não há que se afastar a multa fixa cominada.
Numero da decisão: 2202-004.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. 173, I, CTN. O crédito decorrente de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é constituído pelo lançamento de ofício, motivo pelo qual se submete à regra geral de decadência constante do art. 173, I, CTN. Tratando-se, contudo, de multa fixa, cujo valor independe do número de infrações cometidas, tem-se que o reconhecimento da decadência parcial não influencia no valor da penalidade aplicada. DECADÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo sido a obrigação principal completamente desconstituída, não há que se afastar a multa fixa cominada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/12/2002 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. 173, I, CTN. O crédito decorrente de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória é constituído pelo lançamento de ofício, motivo pelo qual se submete à regra geral de decadência constante do art. 173, I, CTN. Tratandose, contudo, de multa fixa, cujo valor independe do número de infrações cometidas, temse que o reconhecimento da decadência parcial não influencia no valor da penalidade aplicada. DECADÊNCIA DO CRÉDITO PRINCIPAL. INOCORRÊNCIA. AFASTAMENTO DA APLICAÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo sido a obrigação principal completamente desconstituída, não há que se afastar a multa fixa cominada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 27 55 /2 00 8- 19 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 15504.002755/200819 Acórdão n.º 2202004.896 S2C2T2 Fl. 76 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausentes os Conselheiros Andréa de Moraes Chieregatto e Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por APIS ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA. contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que rejeitou a impugnação e manteve a multa exigida no auto de infração nº 37.085.3229. Transcrevo, no que importa, trechos do mencionado acórdão (fls. 52/55), por bem sintetizarem a querela ora sob escrutínio: Tratase de infração ao disposto no artigo 33, §2.° da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, pela não apresentação dos documentos e também pela apresentação deficiente dos mesmos, no período de 06/2000 a 12/2002, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, fls. 21 e anexo de fls. 23/24. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 22, foi aplicada a multa no valor de R$11.951,21 (onze mil novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos). A aplicação da multa está de acordo com o previsto na alínea “j”, inciso ll, art. 283 e artigo 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06 de maio de 1999. Não ficaram configuradas, as circunstâncias agravantes e nem a atenuante previstas nos artigos 290 e 291 do referido Regulamento.. (...) A Súmula n ° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, publicada em 20/06/2008, dispõe a respeito da inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91. Entretanto seus efeitos não alteram o valor da multa aplicada no presente Auto de Infração, visto tratarse de multa única, independente do número de faltas cometidas. No presente caso, a autuação abrange o período de 05/2000 a 12/2002. Portanto, permanece válido o levantamento do crédito relativo a este período, objeto das notificações lavradas na mesma ação fiscal, bem como a aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias. (sublinhas deste voto) Intimada do acórdão, a recorrente apresentou, em 30/09/2008, recurso voluntário (fls. 55/60), sustentando, em apertada síntese, que os créditos cobrados não são mais exigíveis, uma vez que foram completamente atingidos pela decadência – seja por aplicação do art. 150, § 4º, CTN, seja pela aplicação do art. 173, I, CTN. Argumenta que não seria possível Fl. 82DF CARF MF Processo nº 15504.002755/200819 Acórdão n.º 2202004.896 S2C2T2 Fl. 77 3 conceber a procedência de uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória quando se tem a improcedência da exigência relativa à obrigação principal. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Relatora Conheço do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Conforme entendimento majoritário deste Conselho, a multa por descumprimento de obrigação acessória submetese ao lançamento de ofício. Justamente por isso, lhe é aplicável a regra do art. 173, I, do CTN, segundo a qual o prazo quinquenal de decadência é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A título de exemplo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO. CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, inciso I do CTN. (...). (CARF. Acórdão nº 2402006.097 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 04 de abril de 2018; sublinhas deste voto). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CFL 30. MULTA POR INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTO. Constitui infração deixar a empresa de preparar folhas de pagamento contemplando a integralidade dos segurados a seu serviço e os valores a eles pagos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...). (CARF. Acórdão nº 2202004.304, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 3 de outubro de 2017; sublinhas deste voto). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 15504.002755/200819 Acórdão n.º 2202004.896 S2C2T2 Fl. 78 4 Desta feita, considerando que a autuação abrangeu o período de 06/2000 a 12/2002 e que a cientificação do lançamento ocorreu em 21/08/2007, temse que as competências de 05/2000 a 11/2001 foram atingidas pela decadência. Entretanto, tal circunstância não é suficiente para provocar uma redução do valor da multa cominada, uma vez que tem valor fixo e independe do número de infrações cometidas. Isso significa que, ainda que a infração seja apurada em uma única competência, já é cabível a aplicação da penalidade, cujo valor só é majorado ou reduzido na existência de atenuantes/agravantes. Esse entendimento, que fundamenta a decisão da DRJ, é majoritário no neste Conselho, conforme possível depreender dos seguintes excertos: (...) Rejeitase a preliminar de decadência no caso de Auto de Infração cuja existência de uma única inobservância de obrigação acessória enseja a manutenção da autuação em sua integralidade ainda que parte do período já tenha sido alcançada pela decadência, não tendo, porém, o condão de afastar a penalidade aplicada, por ser fixa, como constatada no caso vertente. (CARF. Acórdão nº 2301004.222 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 06 de novembro de 2014). (...) A multabase não varia em função da quantidade de objetos da infração, ou seja, não importa se o objeto da infração foi um documento ou dez documentos, a multabase será a mesma, de modo que o reconhecimento quanto à insubsistência parcial da infração, pela verificação da decadência, não influencia no valor da multa aplicada. (CARF. Acórdão nº 2402004.351, – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 08 de outubro de 2014). Anoto ainda que o argumento da recorrente no sentido que a decadência da obrigação principal resultaria no afastamento da exigência da multa, não merece prosperar. este também não merece prosperar, uma vez que a obrigação principal, no caso, não foi completamente atingida pela decadência. É que (...) não ocorrendo a desconstituição total do lançamento da obrigação principal, não se pode acolher o argumento da recorrente de que o acessório não poderia prevalecer em face da extinção do principal pela decadência (Acórdão n. 2402003.478 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 13 de março de 2013). Ante o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 84DF CARF MF Processo nº 15504.002755/200819 Acórdão n.º 2202004.896 S2C2T2 Fl. 79 5 Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720031/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO.
A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração.
No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado.
Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3402-006.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)".
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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CONTRADIÇÃO. RETIFICAÇÃO. DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO. A contradição existente entre a fundamentação do Voto condutor e o dispositivo final do acórdão embargado é passível de saneamento por meio dos Embargos de Declaração. No caso, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido originalmente pelo Colegiado, deve ser retificado o seu dispositivo final para excluir do seu texto o item relativo à reversão de glosa que não havia sido efetivamente revertida pelo Colegiado. Na oportunidade, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer o saneamento completo na rubrica relativa à conta embargada, que, conforme se demonstrou, padece do mesmo vício apontado pela embargante. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para retificar o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)". (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 31 /2 01 2- 88 Fl. 1718DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional em face de contradição/obscuridade identificada entre o dispositivo do acórdão e a sua fundamentação nos Votos Vencido e Vencedor relativamente à reversão da glosa de créditos das contribuições relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa". Os Embargos foram admitidos mediante despacho do Presidente do Colegiado, nos seguintes termos: Tratase de embargos de declaração manejados em desfavor do Acórdão 3402 005.334, de 20/06/2018, alegadamente maculado de contradição/obscuridade em relação à reversão da glosa de dispêndios contabilizados na conta “Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", consignada na parte dispositiva do aresto, mas que não teria sido tratada no voto da relatora ou no voto da redatora designada. Os embargos são tempestivos: os autos foram encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional em 30/07/2018 (doc. à efl. 1683) e devolvidos em 03/09/2018, conforme doc. à efl. 1690. Lembrar que de acordo com o disposto no art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016, os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados ao término do prazo de 30 (trinta) dias, contados da entrega dos autos à PFN. No caso dos autos, portanto, a ciência aperfeiçoouse 29/08/2018 e o agravo foi apresentado no prazo regimental de cinco dias. Importa consignar que o contribuinte obteve cópia dos autos por meio do “Portal ECAC” e igualmente apresentou seus embargos de declaração. Entretanto, considerando que, conforme será melhor esclarecido adiante, o aresto embargado será novamente submetido ao Colegiado, não é possível conhecer dos embargos do contribuinte antes da decisão que enfrentará os embargos da Fazenda Nacional, pois ainda não se sabe qual será a versão definitiva do aresto. Igualmente não cabe tomar conhecimento, no presente exame de admissibilidade, da petição apresentada pelo contribuinte por meio da qual apresenta contrarrazões aos embargos da Fazenda, embora não nomine sua petição nesses termos. Como é cediço, o direito processual pátrio adota a taxatividade quando disciplina as hipóteses de intervenção das partes e, na ausência de norma regimental que a preveja, a manifestação do contribuinte não pode ser enfrentada no presente despacho. (...) Tomando tais conceitos como referência, analisando as razões de embargo, juntamente com o acórdão embargado, forçoso é concluir que os embargos devem ser admitidos, pois, de fato, não é possível extrair dos votos da relatora (vencida exclusivamente no que se refere à glosa dos dispêndios com uniformes) ou da redatora designada quais seriam as razões para reversão da glosa dos créditos Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 12585.720031/201288 Acórdão n.º 3402006.207 S3C4T2 Fl. 1.719 3 apurados a partir dos dispêndios contabilizados na conta intitulada “Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa”, exposta na parte dispositiva nos seguintes termos: (...) Consta também nos autos a interposição de Embargos de Declaração pela contribuinte, os quais não foram objeto de despacho de admissibilidade. Os autos foram devolvidos a esta Conselheira Relatora para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Os embargos de declaração interpostos pela contribuinte não foram submetidos a despacho de admissibilidade e, portanto, não podem ser incluídos nesta oportunidade em pauta de julgamento, nos termos do art. 65, §7º do Anexo II do Ricarf, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Os embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e apontam, em verdade, o vício de "contradição entre a decisão e os seus fundamentos", razão pela qual devem ser conhecidos nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Alega a embargante que: (...) Ante a leitura da parte dispositiva, depreendese que o colegiado teria dado parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de créditos de insumos relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa". Entretanto, esta decisão não coincide com o disposto nos votos da relatora e da conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, designada para subscrever a tese vencedora, conforme se confere nos trechos a seguir transcritos, extraídos de ambos os votos: (...) Enquanto o dispositivo da decisão expressa a conclusão pelo provimento parcial para reverter as glosas de créditos de insumos relativos à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", os votos vencido e vencedor não conferem o creditamento em relação à aludida rubrica. Verificase, portanto, descompasso entre a decisão e sua fundamentação. (...) Verificase que, de fato, ocorreu a contradição interna no acórdão embargado apontada pela embargante, como abaixo se demonstrará. No dispositivo do Acórdão, extraído da Ata de Julgamento, assim constou: Acordam os membros do Colegiado, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado Fl. 1720DF CARF MF 4 novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (...) (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (...) Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para (c.1) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto. (c.2) manter as glosas relacionadas aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que afastavam o fundamento do despacho decisório para confirmação da validade do crédito. [negritei e grifei] Como se observa acima, o dispositivo do Acórdão embargado foi redigido de forma a separar o resultado da votação do Colegiado em: a) unanimidade, b) maioria e c) voto de qualidade. Constatase também que: i) na parte do julgado em que houve votação por unanimidade, certamente que o resultado do julgamento deve equivaler à fundamentação dada pela Conselheira Relatora; ii) também no que concerne à votação por voto de qualidade, para a qual não consta a Relatora como vencida, não deve haver divergência entre o resultado final do julgamento e a fundamentação do Voto da Conselheira Relatora; e iii) relativamente à matéria julgada que saiu vencedora por maioria, a divergência da Conselheira Relatora em relação ao resultado final do julgamento deuse apenas em relação ao item (b.4) (despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros), matéria que foi fundamentada no "Voto Vencedor" da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; Em síntese, prevaleceu no resultado do julgamento do Acórdão embargado o provimento parcial do recurso voluntário em maior extensão do que aquele concedido no voto da Conselheira Relatora. Mais precisamente, o resultado final do julgamento equivale ao provimento parcial constante no "Voto Vencido" adicionado da reversão da glosa relativa ao item (b.4), cuja fundamentação constou no "Voto Vencedor". Dessa forma, a fundamentação da decisão final do julgamento deve ser encontrada em sua maior parte no "Voto Vencido", à exceção somente da glosa relativa ao item (b.4) do dispositivo do Acórdão, devidamente motivada no "Voto Vencedor". Com efeito, a parte controversa nos presentes Embargos de Declaração diz respeito somente à reversão da glosa sobre as despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" no montante relativo ao transporte internacional de cargas (item (a.3) no dispositivo Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 12585.720031/201288 Acórdão n.º 3402006.207 S3C4T2 Fl. 1.720 5 acima), com indicação de votação unânime do Colegiado e, portanto, como dito, deveria encontrar fundamentação no Voto da Conselheira Relatora ("Voto Vencido"). No que concerne às "aquisições de bens patrimoniais", o "Voto Vencido" foi assim redigido: 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria pronunciou a DRJ nos seguintes termos: No caso do 4º trimestre de 2010, os bens glosados dizem respeito às seguintes contas: “Despesas com manutenção predial”, “Serviços com manutenção predial”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de infraestrutura”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. No que tange às despesas com “manutenção predial”, temse que não são passíveis de crédito na sistemática da não cumulatividade do PIS/Cofins, porque não são despesas vinculadas ao transporte internacional de cargas. São apenas despesas operacionais da interessada que não podem ser considerados insumos na sistemática da não cumulatividade do PIS/Cofins. Relativamente às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes e serviços de manutenção de equipamentos. A contribuinte, por sua vez, possui como atividade a prestação de serviços de manutenção de aeronaves, o que impõe considerar que os bens relacionados nas contas acima descritas são insumos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. Por isso, os bens e serviços discriminados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2o do art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. Fl. 1722DF CARF MF 6 A recorrente manifesta concordância quanto à glosa relativa a seguintes contas: gastos com equipamentos terrestres, materiais de infraestrutura, materiais de manutenção em equipamentos e serviços de manutenção em equipamentos. Quanto às demais contas “Despesas com manutenção predial” e “Serviços com manutenção predial”, a recorrente não demonstrou que fossem aplicadas nos serviços por ela prestados ou que se tratassem de "edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa". De forma que não cabe reforma na decisão recorrida neste tópico. Como se vê acima, especificamente no presente processo, dentro da rubrica "aquisições de bens patrimoniais" não houve sequer glosa da conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", razão pela qual, obviamente, não poderia haver reversão de tal despesa no Acórdão embargado. Revendo os votos relativos aos 24 processos da mesma interessada julgados em sessão de junho de 2018, observase que o único processo em que foi tratada a glosa relativa à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" foi o de número 16692.720038/201314, no qual foi, inclusive, revertida essa glosa conforme Voto da Conselheira Relatora1. Assim, ao que parece, o equívoco na redação do dispositivo final do Acórdão ora embargado, deveuse à manutenção no texto de parte do resultado do outro processo julgado conjuntamente. O equívoco no resultado do julgamento não se restringe à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa", mas a toda rubrica relativa às "aquisições de bens patrimoniais", para a qual não houve, no presente processo, qualquer reversão de glosa, como se observa na redação do "Voto Vencido" do Acórdão embargado. Embora o equívoco em toda a rubrica "aquisições de bens patrimoniais" do resultado do Acórdão embargado não tenha sido apontado propriamente pela Embargante, que se restringiu ao vício em relação à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" dessa rubrica, entendo que o saneamento deve ser feito de forma completa, ou seja, também em relação também às contas não embargadas da rubrica. Tratase de inexatidão material, devida a lapso manifesto na proclamação do resultado do julgamento pelo Colegiado, reparável pelos embargos inominados, nos termos do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 1 Processo nº 16692.720038/201314 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.323 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 (...) VOTO VENCIDO (...) 3. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais (...) Com relação "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" alega a recorrente que "é impossível a acessibilidade à aeronave sem a utilização de equipamentos de rampa, visto que este é o meio utilizado para o deslocamento da carga até o compartimento do avião e, consequentemente, esse equipamento depende de abastecimento (combustível) para seu funcionamento", o que se adequa ao conceito de insumo adotado neste voto. (...) Assim, em resumo, revertese neste tópico a glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais relativamente: i) à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" no montante relativo ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de cargas; e ii) às contas “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos” no montante pertinente ao transporte internacional de passageiros. (...) Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 12585.720031/201288 Acórdão n.º 3402006.207 S3C4T2 Fl. 1.721 7 O saneamento em toda rubrica "aquisições de bens patrimoniais" é decorrente do correção do próprio erro apontado pela embargante. Ademais, o Colegiado não poderia manter formalmente a parte da decisão embargada que, de forma bem clara, não está de acordo com o que foi efetivamente decidido pelo Colegiado em junho de 2018. Assim, em referência aos princípios da eficiência, da verdade material e da concentração dos atos processuais, é pertinente fazer desde já o saneamento completo do feito. Portanto, para que o resultado do julgamento do Acórdão embargado fique em conformidade com o que foi decidido pelo Colegiado em junho de 2018, deve ser retificado o dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto todo o item (a.3), que tratava da reversão da glosa relativa à rubrica "aquisições de bens patrimoniais", sem que o Colegiado tivesse decidido nesse sentido. Assim, pelo exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, determinando a retificação do dispositivo final do Acórdão embargado para excluir do seu texto o item "(a.3)". (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1724DF CARF MF 8 Fl. 1725DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000177/2004-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT 5/2018, fundado no REsp 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento por este colegiado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros
Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT 5/2018, fundado no REsp 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento por este colegiado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT 5/2018, fundado no REsp 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento por este colegiado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 05 .0 00 17 7/ 20 04 -8 1 Fl. 694DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 695 ___________ RELATÓRIO Cuidase de Recurso Voluntário (fls.664 e seguintes) contra decisão da 1ª Turma da DRJ/JFA, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado relativo ao ressarcimento de Cofins – mercado externo, relativo ao 1º trimestre de 2004. Do Pedido de Ressarcimento e do Despacho Decisório A contribuinte elaborou Pedido de Ressarcimento, em papel, de COFINS – mercado externo, relativo ao 1º trimestre de 2004, no valor de R$ 736.471,89, e posteriormente o crédito pleiteado foi utilizado para compensação por meio de DCOMP's. Em despacho decisório (fls. 215/216) foi negada a compensação declarada na DComp 03001.69633.191207.1.3.096950, tendo em vista que o crédito reconhecido, no valor de R$ 414.722,63, já havia sido integralmente utilizado em outras compensações, nos termos do Parecer Sefis nº 09/2009 (fls. 179/189), solicitado para verificar a existência de créditos de PIS/Pasep e Cofins no período de dezembro de 2002 a junho de 2005, ocasião em que foram glosados diversos créditos lançados como oriundos de aquisição de insumos. Da Impugnação A apresentou Manifestação de Inconformidade (fls.588 e seguintes ), alegando, em síntese, o seguinte: 1) Sejam reconhecidos como de direito, os créditos recuperados pela Impugnante, referentes às contribuições para a COFINS, na modalidade não cumulativa, de todos os insumos (bens e serviços) necessários à consecução de seu objeto social, não se restringindo às limitações impostas pelas Instruções Normativas SRF 247/02 (alterada pela IN 358/03) e 404/04 e Soluções de consultas publicadas pela Receita Federal do Brasil, conforme decisões do CARF e que o judiciário vem chancelando; 2) Seja aplicado como conceito de insumos, conforme exposto nas Leis 10637/2002 e 10833/2003, o conceito de custo previsto na legislação do IRPJ, art. 290 e de despesas operacionais previstas no art. 299, ambos do RIR para reconhecimentos do direito aos créditos ora glosados; 3) Seja reconhecido que a materialidade das contribuições ao PIS e à COFINS diverge da materialidade do IPI, cujo conceito foi "importado" pelas Instruções Normativas SRF 247/02 (alterada pela IN 358/03) e 404/04. A materialidade das contribuições é o comportamento de receber receitas que é relacionado à pessoa do contribuinte, não possuindo qualquer identidade com o fenômeno da circulação, traço característico do IPI; 4) Que sejam reconhecidas, a necessidade e essencialidade dos créditos glosados pela fiscalização no presente processo, conforme manifestados no item 6 e seus subitens desta Manifestação de Inconformidade. Fl. 695DF CARF MF Processo nº 13605.000177/200481 Resolução nº 3401001.806 S3C4T1 Fl. 696 3 Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 0941.728 (fls 650 e seguintes), exarado pela 1ª Turma da DRJ/JFA, em 21.11.2012, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 21.01.2013 (fl. 663), através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO SOBRE INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime não cumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. SERVIÇOS. CRÉDITO SOBRE INSUMOS. Somente os serviços aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda são considerados insumos e dão direito ao crédito. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. VINCULAÇÃO. Falece competência à autoridade julgadora para apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade de normas tributárias, devendo, no julgamento de primeira instância, serem observadas normas legais e regulamentares, bem assim o entendimento da Receita Federal expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, A Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. VOTO Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Verificase que as glosas de créditos decorrentes da não cumulatividade das contribuições sociais ensejaram na negativa de direito ao ressarcimentos desses valores, após a reapuração dos valores devidos pela Recorrente. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 13605.000177/200481 Resolução nº 3401001.806 S3C4T1 Fl. 697 4 Analisando o Parecer Sefis 09/2009, que deu azo ao despacho decisório ora impugnado, notase que o conceito de insumo utilizado como premissa do exame da base de cálculo das contribuições sociais, foi extraído do entendimento já considerado superado pela própria Receita Federal do Brasil, diante do estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo. Nesse ínterim, foi exarado o Parecer Normativo COSIT 5/2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Diante desse novo cenário normativo, vinculante à atividade fiscalizatória, é de bom alvitre que esse colegiado converta o julgamento em diligência para que a unidade de origem proceda à reanálise dos créditos apropriados pela contribuinte e glosados por ocasião do despacho decisório, considerando as premissas exaradas no Parecer Normativo COSIT 5/2018, de modo que emita, conclusivamente, em relatório circunstanciado, se os valores ali registrados como crédito, referemse à aquisição de insumos, nos termos definidos naquele Parecer. Após, que se dê ciência ao Recorrente para, querendo, manifestese em trinta dias contados de sua intimação. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 697DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.915118/2008-73
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3002-000.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que rejeitou a proposta de diligência.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora, vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves, que rejeitou a proposta de diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 99 dos autos: O contribuinte em epígrafe postulou ressarcimento do saldo credor do IPI, com arrimo no art. 11 da Lei 9.779/99, no valor de R$ 5.628,24, referente ao primeiro trimestre de 2004 (lT2004), e compensou parte deste valor (R$ 4.074,63 (fl. 04), na PER/DCOMP l2887.4l914.l20804.l.3.0l5989 e o restante na DCOMP 3479547886.l30904.l.3.0l3932. Contudo, o Despacho Decisório Eletrônico (DDE) de fl. l, não reconheceu direito a crédito algum no período, razão pela qual não homologou as referidas compensações declaradas nas referidas DCOMP. A denegação deuse pelo fato de não terem sido aceitas algumas notas fiscais, pelo que glosado o crédito delas decorrente, conforme motivado nas informações complementares de análise do crédito, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 15 11 8/ 20 08 -7 3 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11080.915118/200873 Resolução nº 3002000.040 S3C0T2 Fl. 190 2 de consulta no sitio da RFB na internet, (“Estabelecimento Emitente da Nota Fiscal na situação de CANCELADO no cadastrado CNPJ”) e “constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER/DCOMP”. O valor dos débitos consolidados das compensações não homologadas foi objeto de cobrança com os devidos acréscimos moratórios (quadro à fl. 1). Não resignado com as conclusões do DDE, o contribuinte manifestou sua inconformidade contra o mesmo, alegando, em síntese, que uma vez “já ultrapassados cinco anos dos fatos geradores”, já teria decaído o direito da Fazenda “constituir o crédito tributário, tendo sido as compensações homologadas tacitamente”, aludindo aos termos do § 5° do art. 74 da Lei 9.430, que transcreve. Alega, também, que em relação às notas fiscais de CNPJ 01.675.793/000292, pertencente a estabelecimentos da então empresa CRAY VALLEY DO BRASIL LTDA., ocorreu mero erro formal no preenchimento desse CNPJ, uma vez que tal empresa fora extinta em 26/02/2003, conforme certidão que anexa às fl. 35, que certifica a baixa daquele CNPJ, além de cópia autenticada das notas que anexa, que em tudo coincidem com os valores declarados. O correto teria sido, em conformidade com os docs que acosta, o CNPJ 01.675.793/000101. Por fim, pugna pela inexigibilidade da multa sobre os débitos cujas compensações não foram homologadas, ao argumento de que o percentual aplicado teria natureza confiscatório. O contribuinte juntou, com a impugnação, atos constitutivos da empresa, procuração, documentos de identificação dos procuradores, documentos contábeis e fiscais (demonstrativo de notas fiscais glosadas, certidão de baixa de inscrição no CNPJ, livro de registro de entradas, cópia das notas fiscais) (fls. 16/97). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRILIZADOS IPI Período de apuração 01/01/2004 a 31/03/2004 GLOSA DE NOTAS FISCAIS Verificado pelos documentos acostados aos autos e nos sistemas internos da RFB de que determinadas notas fiscais embasadoras do crédito declarado eram idôneas, improcede sua glosa. AVISO DE COBRANÇA O aviso de cobrança constante do DDE, expedido em decorrência de compensação não homologada, não comporta impugnação nem manifestação de inconformidade perante esta Delegacia de Julgamento. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Ou seja, em seus fundamentos, o acórdão (fls. 98/101) reconheceu o argumento do contribuinte de terem sido indevidas as glosas relacionadas a determinadas notas fiscais, por ter ocorrido mero erro de preenchimento do CNPJ. Contudo, manteve o indeferimento da compensação, sob fundamento de que o contribuinte não tinha saldo credor algum a ser ressarcido. Afastou o argumento de decadência e suposta homologação tácita, afirmando que o prazo se inicia com o envio da DCOMP, o que ocorreu em 12/08/04, tendo a decisão sido prolatada em 07/11/08, e a ciência do contribuinte se dado em 18/11/08. Afirmou, por fim, não caber insurgência contra a aplicação de multa, por não se tratar de lançamento tributário, mas decorrer da cobrança administrativa, sendo, assim, matéria estranha à lide. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11080.915118/200873 Resolução nº 3002000.040 S3C0T2 Fl. 191 3 O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 13/10/11 (vide fl. 111 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 11/11/11, Recurso Voluntário (fls. 112/123). Em seu recurso, o contribuinte alegou que a não homologação da compensação subsistiu na decisão recorrida pelo entendimento de inexistência de saldo credor, o qual teria se baseado na improcedência dos processos administrativos 11080.915119/200818 e11080.912847/200959. Tais processos se refeririam às PERDCOMP 00813.76178.130904.1.3.014310, 14530.09862.121205.1.3.016273, 13656.18924.110106.1.3.010844 e 21139.93198.141106.1.3.019302, nas quais, por mero lapso formal, teria constado valores no campo “estorno de créditos”, quando, na realidade, se trataria de ressarcimento de créditos. Assim, a não homologação teria subsistido por erro formal quanto ao campo de lançamento dos créditos. Informou que forneceu os documentos contábeis da empresa em suas manifestações de inconformidade, fazendo o mesmo neste processo, para subsidiar o julgador. Requereu a observância dos princípios da proporcionalidade, da boafé, da vedação ao enriquecimento ilícito e da verdade material. Reapresentou sua arguição de caráter confiscatório da multa aplicada. Ao final, pediu a reforma da decisão recorrida e o reconhecimento do saldo credor alegado. Juntou, com seu recurso, demonstrativos de origem e ressarcimento de créditos glosados, livro resumo da apuração do IPI, e PERDCOMP para demonstrar o erro formal do preenchimento do campo. Juntou, também, procuração, documentos de identificação do procurador e atos constitutivos da empresa. Os autos, então, vieramme conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o Despacho Decisório Eletrônico proferida in casu não reconheceu direito a crédito algum no período requerido, não tendo homologado as declarações apresentadas, sob o fundamento de que algumas notas fiscais não poderiam ser aceitas, conforme motivado nas informações complementares de análise do crédito, e “constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER/DCOMP”. O contribuinte, então, trouxe em sua manifestação de inconformidade o argumento de que as glosas realizadas pela fiscalização seriam indevidas, visto que a falha no que tange às notas fiscais glosadas estavam relacionadas tão somente ao erro formal constante da indicação do CNPJ. Ao confirmar a idoneidade das informações apresentadas pelo Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11080.915118/200873 Resolução nº 3002000.040 S3C0T2 Fl. 192 4 contribuinte, a DRJ admitiu as referidas notas fiscais. Apesar disso, entendeu que não havia como homologar as compensações apresentadas, visto que, ainda que consideradas tais notas, inexistia saldo credor disponível (vide demonstrativos anexados às fls. 62/64 dos autos). Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte informa que a suposta inexistência de saldo credor decorreria do indeferimento dos processos nº 11080.915119/200818 e11080.912847/200959. Nesse contexto, afirma que há uma correlação quanto ao julgamento da presente demanda com o julgamento daqueles dois outros processos. Segue dispondo o Recorrente que o indeferimento realizado naqueles dois outros processos seria decorrente de outro equívoco formal seu, o qual teria indicado valores no campo “estorno de créditos”, quando, na realidade, se trataria de "ressarcimento de créditos". Ressaltou, inclusive, que a documentação contábil que atestaria tal falha teria sido anexada desde a sua manifestação de inconformidade apresentadas naqueles respectivos autos, tendo sido juntada no presente processo por meio do Recurso Voluntário interposto. Com isso, requer que sejam homologadas as compensações apresentadas. De início, entendo importante tratar sobre um tema Recorrente nas sessões de julgamento desta Turma Julgadora, qual seja, a preclusão quanto à matéria probatória, nos moldes do que dispõe o parágrafo 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso concreto aqui analisado, vêse que não se configurou tal preclusão. Consoante salientado pelo próprio contribuinte em seu Recurso Voluntário, a documentação em questão fora apresentada pelo mesmo desde a manifestação de inconformidade apresentadas nos respectivos processos administrativos. Além disso, entendo que a indicação de novas justificativas para a admissão das compensações apresentadas quando da interposição do Recurso Voluntário são decorrentes dos fundamentos constantes do acórdão proferido pela DRJ. Sendo assim, penso que este novo fundamento, relativo à indicada correlação entre os referidos processos administrativos em que se indica a existência de erro na indicação de valores no campo “estorno de créditos”, quando, na realidade, tratavam de "ressarcimento de créditos" , deve ser apreciado nesta oportunidade por este Colegiado. Acontece que, considerando os vários elementos necessários ao reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação dos pedidos de compensação apresentados, em que a fiscalização deverá considerar, além dos créditos indicados na presente demanda, a eventual utilização desses mesmos créditos em outros processos administrativos e/ou judiciais, acredito que o caminho mais prudente a ser trilhado nesta oportunidade seja a baixa deste Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11080.915118/200873 Resolução nº 3002000.040 S3C0T2 Fl. 193 5 processo em diligência, para que seja analisado pela unidade de origem se procede este novo argumento trazido pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, manifestandose, por consequência, pela homologação ou não das compensações aqui analisadas. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo seja encaminhado à unidade de origem, para que esta verifique se procede o argumento do contribuinte de que teria havido um erro na indicação de valores no campo “estorno de créditos”, quando, na realidade, tratavam de "ressarcimento de créditos" (argumento este relacionado aos processos nº 11080.915119/200818 e11080.912847/200959), analisando eventual impacto da sua procedência na presente demanda, bem como manifestandose, por consequência, pela procedência ou não dos pedidos de homologação aqui analisados. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 193DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.905193/2012-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.751
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 93 /2 01 2- 50 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10675.905193/201250 Acórdão n.º 3201004.751 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09053.073, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de PIS. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09053.073. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10675.905193/201250 Acórdão n.º 3201004.751 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10675.905193/201250 Acórdão n.º 3201004.751 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10675.905193/201250 Acórdão n.º 3201004.751 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.183) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000093/2006-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
Numero da decisão: 2402-007.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente LUIZ ROBERTO FERREIRA FONSECA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 00 93 /2 00 6- 50 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10865.000093/200650 Acórdão n.º 2402007.124 S2C4T2 Fl. 232 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face de lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de alegada omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Anocalendário: 2000, 2001 Omissão de Rendimentos. Depósitos Bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei ri° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, quando não restar devidamente comprovada a fonte dos recursos. Apresentados, no entanto, na fase impugnatória documentos comprobatórios de origem, é de se alterar o lançamento. Omissão de Rendimentos. Valores Individuais e Total do Depósitos. Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos com base em depósitos bancários injustificados, não serão considerados os depósitos de valores individuais inferiores a doze mil reais, desde que seu montante no anocalendário não ultrapasse oitenta mil reais. Falta de Condições Financeiras e de Saúde. Na ausência de lei que autorize esse procedimento, a autoridade administrativa não pode afastar ou reduzir a exigência de crédito tributário, sob a alegação de falta de condições financeiras ou de saúde para sua quitação. A DRJ excluiu da omissão de rendimentos o valor de R$ 140.000,00 e aplicou a regra do inc. II do § 3º do art. 42 da Lei 9430/96. Vejase, respectivamente, os seguintes trechos do voto condutor do acórdão recorrido: Mérito. Alienação de Imóvel Residencial No quadro Declaração de Bens e Direitos da DIRPF (fl. 162) o contribuinte informou a alienação de imóvel residencial para a Mineração Abrasil Ltda. por R$ 420.000,00. O Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (fl. 166) confirma as informações. A escritura pública (fls. 119/123) confirma a alienação do imóvel pelo mesmo preço e para a Mineração Areiasil Ltda. Finalmente, o Aviso de Crédito via "DOC" (fl. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10865.000093/200650 Acórdão n.º 2402007.124 S2C4T2 Fl. 233 3 118) informa o crédito na conta n° 464570, na agência 32573 do Bradesco, da importância de R$ 140.000,00, em 24/10/2001, data próxima à alienação. Portanto, este item da impugnação deve ser acatado. [...] Da aplicação do artigo 42, II, da Lei n° 9.430/1996. No caso vertente, analisandose os depósitos considerados não justificados pela fiscalização (fls. 17/18), verificase que, no ano calendário 2000, somente um dos depósitos não comprovados superou R$ 12.000,00 (R$ 13.000,00 no dia 06/09/2000, no Bradesco conta n° 46.4570). O montante dos demais depósitos não justificados do anocalendário 2000, considerando a participação de 50% no caso da conta conjunta, perfaz a quantia de R$ 52.740,53. Por ser inferior ao limite legal de R$ 80.000,00, esses depósitos devem ser desconsiderados no presente lançamento. O montante exonerado não implicou a interposição de recurso de ofício. Intimado da decisão em 11/08/2009, através de vista correspondência com aviso de recebimento (fl. 218 do pdf), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 27/08/2009 (fls. 219 e seguintes), no qual basicamente afirmou que não teria havido ganho de capital, que estaria literalmente insolvente e que toda sua tese seria de negativa do fato gerador. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Dos depósitos bancários de origem não comprovada Em seu recurso, o sujeito passivo basicamente sustenta que não teria ocorrido o fato gerador do imposto de renda, como se revela pela leitura do seguinte excerto, extraído da folha 226 do pdf: Toda a defesa é a de que não ocorreu o ganho e não ocorreu o fato gerador. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10865.000093/200650 Acórdão n.º 2402007.124 S2C4T2 Fl. 234 4 O recorrente ainda faz considerações sobre o ônus da prova, sobre a inexistência de ganho de capital e sobre o fato de que estaria insolvente. Tais argumentações, contudo, não afastam o lançamento. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10865.000093/200650 Acórdão n.º 2402007.124 S2C4T2 Fl. 235 5 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10865.000093/200650 Acórdão n.º 2402007.124 S2C4T2 Fl. 236 6 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Diante do exposto, deve ser negado provimento ao recurso voluntário. 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 236DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720690/2014-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não se conhece de recurso especial que não comprove a divergência jurisprudencial nos termos do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
1.0 = *:*
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camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se conhece de recurso especial que não comprove a divergência jurisprudencial nos termos do Regimento Interno do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1265; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.784 1 1.783 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10660.720690/201419 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.981 – 1ª Turma Sessão de 17 de janeiro de 2019 Matéria DECADÊNCIA. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IPANEMA AGRÍCOLA S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não se conhece de recurso especial que não comprove a divergência jurisprudencial nos termos do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 06 90 /2 01 4- 19 Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.785 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado contra o acórdão de nº 1301002.554 (efls. 1.649/1.660) proferido pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 15/8/2017, que teve a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 PROCESSO CONEXO. Nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF, foi reconhecido a conexão existente entre este processo (de exigência de CSLL) e Processo Administrativo de nº 10660.720689/201486 (de exigência de IRPJ), de interesse do mesmo contribuinte, referentes aos mesmos períodos de apuração, em que lhe foram imputadas as mesmas irregularidades, aplicase aqui o decidido naquele processo. Extraise dos autos os seguintes fatos: tratase de auto de infração de CSLL, relativo aos anos calendário de 2009 a 2012, acrescido de juros e multa de ofício de 225%, lavrado em decorrência das seguintes infrações: (1) compensação indevida de prejuízos fiscais, nos montantes de R$ 8.059.764,67, R$ 3.161.147,83, R$ 10.508.410,89 e R$ 6.943.340,10, com os resultados apurados nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, respectivamente; (2) compensação indevida, no ano de 2009, do lucro apurado com “saldo inexistente de base de cálculo negativa de CSLL” no montante de R$ 3.983.472,26; e (3) exclusão indevida, no ano de 2012, do montante de R$ 4.601.022,72, a título de depreciação acelerada. as exigências resultantes das infrações (1) e (2) supra tiveram como fundamento a interpretação que o agente fiscal emprestou à decisão judicial no Mandado de Segurança nº 94.00238258, com base na qual a empresa efetuou a dedução fiscal da diferença de correção monetária de balanço correspondente ao expurgo inflacionário do Plano Verão, aplicada sobre as despesas de depreciação, exaustão, amortização e baixas; o processo formalizado é conexo com o processo de nº 10660.720689/2014 86 (de exigência de IRPJ), de interesse do mesmo contribuinte, referentes aos mesmos períodos de apuração, em que lhe foram imputadas as mesmas irregularidades, com reflexos nas compensações de prejuízos fiscais; cientificado do auto de infração em 31/03/2014, o contribuinte apresentou, em 29/04/2014, a impugnação de fls. 772/825. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.786 3 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília julgou a impugnação procedente em parte, para cancelar a parcela referente às infrações (2) e (3), bem como afastar o agravamento e qualificação da multa de ofício pela ausência de dolo em relação à controvérsia quanto à interpretação do conteúdo da decisão transitada em julgado proferida no Mandado de Segurança, reduzindo a multa para 75%. Dessa decisão coube recurso de ofício. Em face da manutenção parcial da autuação, o contribuinte, inconformado, interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: a decadência do direito de lançar o valor autuado em vista da indevida recomposição das apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos períodos de 1990 a 2008; a ilegalidade da compensação retroativa de prejuízos fiscais; adoção de critérios equivocados para a quantificação do valor autuado em razão da ausência da correção dos efeitos integrais da correção monetária de balanço pela inobservância do conteúdo da coisa julgada proferida em sede de Mandado de Segurança nº 94.00.238258, que teria garantido ao contribuinte o direito de deduzir, da base de cálculo da CSLL, as despesas decorrentes da correção monetária do seu ativo permanente, computandose os expurgos inflacionários decorrentes do Plano Verão (1989); a recomposição e legitimidade dos prejuízos fiscais glosados. O recurso voluntário foi provido pela 1ª Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, que reconheceu a decadência do lançamento, por este ser oriundo da compensação de oficio e retroativa de prejuízos fiscais com valores de CSLL em relação aos anos de 2004 a 2008, que resultou na apuração de valores devidos a título de CSLL entre os anos de 2009 a 2012, aplicando o decidido no processo conexo de IRPJ. Intimada sobre o resultado e teor do acórdão nº 1301002.554, a PFN, tempestivamente, apresenta recurso especial (efls. 1.662/1.674), em que aponta divergência jurisprudencial em relação à tese defendida no acórdão recorrido de que o transcurso do prazo decadencial no tocante aos períodos passados, que repercutem em exercícios futuros, impede, por conseguinte, a glosa de prejuízos fiscais ou de bases negativas de CSLL compensados em exercícios posteriores. Indica como paradigmas os Acórdãos nºs 110200.785 e 10419.219, que veicularam as seguintes ementas: Acórdão nº 110200.785 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.787 4 O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 LUCRO AUFERIDO POR CONTROLADA OU COLIGADA NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DISPONIBILIZAÇÃO. Os lucros auferidos por pessoa jurídica controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil quando ocorrer o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. A alienação de investimento em controlada ou coligada, domiciliada no exterior, caracteriza disponibilização dos lucros auferidos por intermédio da referida controlada ou coligada e ainda não tributados no Brasil, os quais devem ser adicionados ao lucro liquido da alienante, para efeito de determinação do lucro real. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula Acórdão nº 10419.219 IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. IRPF ATIVIDADE RURAL PREJUÍZOS COMPENSÁVEIS CORREÇÃO MONETÁRIA Os prejuízos da atividade rural e excesso de redução por investimentos, nos termos da legislação pertinente — Lei n° 8.23/90, artigos 14 e 15 , são compensáveis, corrigidos monetariamente, constituindo ilícito enriquecimento Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.788 5 do Estado, o óbice administrativo à sua correção plena, por índices legalmente admitidos, para efeitos de sua compensação. Em suma, a PFN discorda do entendimento manifestado no acórdão recorrido que reconheceu a decadência do direito à glosa de bases negativas de CSLL de períodos não decadentes, em face da repercussão de períodos pretéritos, anteriores aos cincos anos fixados na regra do art. 150, § 4º, do CTN. Aduz que os paradigmas afirmam que o transcurso do prazo decadencial no tocante aos períodos pretéritos, que repercutem na formação de prejuízos fiscais ou bases negativas futuras, não impedem o lançamento decorrente da glosa do saldo apurado em exercício não decadente. Por conseguinte, para os paradigmas, é permitida a glosa de prejuízos fiscais e de bases negativas quando o contribuinte aproveita de prejuízos fiscais e bases negativas, inexistentes e indevidos, ainda que já tenham transcorridos mais de 5 (cinco) anos. A decadência, assim, não abrangeria a revisão de valores (prejuízos fiscais e bases negativas) quando estes influenciam na apuração do resultado de anocalendário ainda não decadente. Nesse sentido, lembra que a autuação decorre da compensação indevida de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL no período de 2009 a 2012. Desse modo, ao contrário do que afirma a Turma recorrida, não haveria como reconhecer a decadência do direito de o Fisco glosar o valor dos prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas de 2009 a 2012, uma vez que, inobstante a repercussão de fatos anteriores, o período se insere no quinquênio legal fixado para a constituição do crédito tributário neste lançamento, efetuado em tempo hábil. Em suas palavras: A adoção de procedimento tendente a averiguar a efetiva realização do fato escriturado, cujos efeitos jurídicos se projetam para o futuro pode ser feita a qualquer tempo, independente da época em que o fato foi produzido. Na hipótese, o auto de infração, do qual o contribuinte teve ciência em 31/03/2014, se reporta aos anos calendários de 2009 a 2012 e tem como fato gerador a compensação indevida de prejuízos e bases de cálculo negativas nesse período. Diz que o tempo não pode transformar em verdadeiro determinado fato (prejuízo e base negativa) inexistente e cita julgados administrativos e judiciais. Ao final requer a PFN seja admitido e provido o Recurso Especial para que seja afastada a decadência e restabelecida a decisão de primeira instância. Pelo despacho de admissibilidade de efls. 1.717/1.724 foi dado seguimento ao recurso. Cientificado, o contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 1.733/1.757) em que aponta que o recurso especial é inadmissível diante de "eleição de premissa fática equivocada". Aduz que, diversamente do que foi asseverado pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, bem como no despacho de admissibilidade desse Recurso, a decretação da decadência em relação ao lançamento efetuado pela Fiscalização não ocorreu somente em razão da reavaliação do prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL anterior a 2009, mas Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.789 6 também, e principalmente, em razão da metodologia ilegal e equivocada utilizada para mensurar o valor lançado. Isto porque, para conseguir apurar valores em aberto a título de IRPJ e CSLL passíveis de lançamento entre os anos de 2009 a 2012, a Fiscalização teria adotado um procedimento de compensações retroativas de prejuízos fiscais e bases negativas com valores de IRPJ e de CSLL supostamente em aberto, incorrendo em patente ilegalidade e arbitrariedade, por não haver previsão legal para a realização desse procedimento na situação em questão, e que esse teria sido o fator determinante para a decretação da decadência pelo colegiado a quo. No mérito defende que a decadência em relação ao valor autuado é patente e que a fiscalização deixou de observar o prazo decadencial do crédito tributário, devendo ter se limitado a analisar bases negativas de CSLL apuradas apenas no período objeto do lançamento, entre 2009 e 2012. Assinala que a decadência impede que a Fiscalização glose prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL apurados há mais de 5 anos, porque ambos são formados, declarados e informados em suas declarações fiscais, permitindose que o Fisco já tenha condições de analisar a pertinência e quantificação respeitando o prazo decadencial. Ao final, pede alternativamente: i) seja inadmitido o Recurso Especial, haja vista a comprovação de eleição de premissa equivocada tanto pela Fazenda Nacional quanto pelo despacho de admissibilidade proferido pela Presidência da 1ª Seção do CARF, em relação ao fundamento do acórdão recorrido e, por conseguinte, da imprestabilidade dos acórdãos paradigmas para o conhecimento do recurso; ii) lhe seja integralmente negado provimento, mantendose o cancelamento do lançamento autuado em vista da decadência da Fiscalização em rever os prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL de períodos anteriores a 2009; iii) em caso de provimento, seja determinado o retorno dos autos para a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção apreciar as demais alegações de mérito aduzidas pela Recorrida em seu Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Preliminarmente Como bem destacado no acórdão recorrido, "nos termos do art. 6º do Anexo II do RICARF, foi reconhecido (sic) a conexão existente entre este processo (de exigência de CSLL) e Processo Administrativo de nº 10660.720689/201486 (de exigência de IRPJ), de interesse do mesmo contribuinte, referentes aos mesmos períodos de apuração, em que lhe Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.790 7 foram imputadas as mesmas irregularidades, com reflexos nas compensações de prejuízos fiscais, em despacho exarado à fl. 1625 daquele processo". Assim, trazidos os recursos especiais de ambos para julgamento na mesma sessão, adotamse as mesma razões de decidir manifestadas naqueles autos e aqui reproduzidas. O recurso especial interposto pela PFN é tempestivo. Contudo, o contribuinte apresenta, em contrarrazões, alegações no sentido de que não deve ser conhecido o apelo especial, por entender que os paradigmas foram ofertados com base em uma premissa equivocada sustentada pela Fazenda Nacional que não teria se confirmado no acórdão recorrido. Afirma que a decretação da decadência não ocorreu somente em razão da reavaliação do prejuízo fiscal anterior a 2009, mas também, em razão da metodologia ilegal e equivocada utilizada para mensurar o valor lançado, eis que a Fiscalização teria adotado um procedimento de compensações retroativas de prejuízos fiscais com valores de IRPJ supostamente em aberto. Sustenta, por fim, a imprestabilidade dos acórdãos paradigmas para o conhecimento do recurso. Passo a apreciar a admissibilidade recursal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Analisando os fatos demonstrados nos autos, a maioria dos membros do colegiado a quo acatou as razões da defesa e cancelou a autuação. O voto condutor do acórdão recorrido está assentado nos seguintes fundamentos: No caso em tela, ficou evidenciado que a fiscalização retroagiu a períodos em que não era mais possível alterar a base de cálculo dos tributos, em razão da necessidade de lançamento fiscal para tanto, desde que, como apontado, observado o prazo decadencial. Desse modo, como não poderia ser realizado o lançamento em períodos anteriores, o agente fiscal procedeu a "compensação retroativa de prejuízo fiscais, quando apurou bases de cálculo Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.791 8 positivas, em razão dos ajustes efetuados, inclusive quanto ao mérito da exação fiscal diferença dos IPC/BTNF, ocorrido pela primeira vez no AC 2004 e posteriormente nos anos de 2005 a 2008. Como o lançamento não poderia ter sido efetuado, a fiscalização "carregou" essa base de cálculo positiva para períodos posteriores em que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais, consumindo esses prejuízos em com esses lucros anteriores. Com efeito, os períodos futuros em que o contribuinte compensou tais prejuízos, redundou em insuficiência de prejuízos a compensar. O primeiro período de apuração objeto de lançamento foi em 2009, pois, em relação a tal período, não havia decadência em 2014, época da formalização do lançamento. Desse modo, a fiscalização realizou em 2014 lançamentos que somente poderiam ter sido efetuado em 5 anos da suposta base de cálculo positiva, ora, resultante de períodos retroativos, que fora consumados pela decadência. Assim, entendo que o fisco agiu erroneamente tanto na questão da compensação retroativa para amortizar prejuízos apurados em períodos anteriores, quanto na requalificação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL, uma vez que alcançados pela decadência. Diante o acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, a fim de exonerar o crédito tributário lançado no tocante a infração (i). (grifouse) Como se pode ver, o voto condutor do acórdão recorrido não acolheu o procedimento fiscal na parte em que a Fiscalização efetuou a denominada "compensação retroativa" nem a requalificação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pela decadência. Com efeito, o Termo de Verificação Fiscal, às efls. 28/47, descreve que a Fiscalização refez os cálculos do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL, a partir da DIPJ e do LALUR, confrontando os valores registrados pelo contribuinte com os dados constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal. Desse ponto em diante, a Fiscalização, de ofício, compensou os prejuízos e a base de cálculo negativa da atividade rural com o lucro das demais atividades, desde o ano calendário de 1991 até o anocalendário de 2008. Com isso, os saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa a compensar, em 31/12/2008, restaram reduzidos, o que se refletiu no lapso temporal entre 2009 e 2012, justamente o período abarcado pelo lançamento fiscal. Por sua vez, o Recurso Especial da PFN sustenta que a decadência não abrange a revisão de valores (prejuízos fiscais e bases negativas) quando estes influenciam na apuração do resultado de anocalendário ainda não decadente. Alude aos acórdãos nº 1102 Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.792 9 00.785 e 10419.219. Segue a transcrição das respectivas ementas e trechos colacionados pela recorrente a fim de caracterizar o dissídio jurisprudencial: Acórdão nº 110200.785: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. (grifouse) Voto .... Quanto à alegação de decadência, de se observar que não há, no caso, lançamento de tributo relativo aos balanços da pessoa jurídica domiciliada no exterior levantados nesses anos, nem mesmo propriamente de auditoria de seus resultados, senão tão somente a exigência de comprovação dos resultados negativos que alega ter, os quais repercutem no período fiscalizado. O lançamento é de disponibilização de lucros ocorrida no ano calendário de 2002, e foi cientificado à recorrente em 21.12.2007, portanto dentro do prazo quinquenal de que dispõe o fisco. Neste sentido, as ementas dos acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes colacionadas pela decisão recorrida, bem como as considerações feitas pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional em contrarazões, são bastante elucidativas, expressando a plena possibilidade de exame, pelo fisco, dos livros e documentos das pessoas jurídicas sem limitação temporal, bem como a necessidade de que os fatos formados no passado repercutam na sua exata dimensão, sem distorções, nos períodos futuros ainda não atingidos pela decadência, exatamente como ocorreu no presente caso. (trecho do voto condutor) Acórdão nº 10419.219: IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.793 10 ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de anocalendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. (grifouse) Voto .... De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência. Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Pela simples motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referência. Aliás, o próprio CTN ratifica o entendimento, através de seu artigo 195, invocado pela autoridade recorrida. Este dispositivo infraconstitucional, ao introduzir, na área tributária, o artigo 10, § 30 do Código Comercial, expressamente determina, em seu § único,"verbis": ... A simples leitura do dispositivo em questão evidencia de sua absoluta ressonância com o princípio da decadência, a que se reporta tanto o artigo 149, § único, como os artigos 150, § 4º, e 173, todos do CTN., como antes mencionado. Isto é, se determinada apropriação influi no resultado na apuração do crédito tributário, é passível de revisão essa circunscrita influência. Ainda que, na origem, seja legalmente carregada de período já decadente. (trecho do voto condutor) Portanto, revelase inequívoco que os acórdãos suscitados como paradigmas não refletem qualquer posição sobre a juridicidade da denominada "compensação retroativa." De outro lado, é certo que o voto condutor do acórdão recorrido deu grande relevo a esse tema, ao explicitar que, "desse modo, como não poderia ser realizado o lançamento em períodos anteriores, o agente fiscal procedeu a "compensação retroativa de prejuízo fiscais, quando apurou bases de cálculo positivas, em razão dos ajustes efetuados, Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.794 11 inclusive quanto ao mérito da exação fiscal diferença dos IPC/BTNF, ocorrido pela primeira vez no AC 2004 e posteriormente nos anos de 2005 a 2008". Prosseguindo, o voto condutor do acórdão recorrido conclui: Como o lançamento não poderia ter sido efetuado, a fiscalização "carregou" essa base de cálculo positiva para períodos posteriores em que o contribuinte auferiu prejuízos fiscais, consumindo esses prejuízos em com esses lucros anteriores. Com efeito, os períodos futuros em que o contribuinte compensou tais prejuízos, redundou em insuficiência de prejuízos a compensar. Nesse cenário, o voto condutor do acórdão recorrido não apenas baseouse na proibição à superação do prazo de cinco anos para a efetivação da revisão dos valores dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativa da CSLL; baseouse também no erro da compensação retroativa, ao expressar, por derradeiro, "que o fisco agiu erroneamente tanto na questão da compensação retroativa para amortizar prejuízos apurados em períodos anteriores, quanto na requalificação das bases de cálculo do IRPJ e CSLL." Como se vê, o relator trata do aspecto temporal dizendo que a fiscalização não poderia ter retroagido a períodos anteriores alcançados pela decadência, para recompor os valores das bases de cálculo em razão direta desconsideração dos prejuízos fiscais e das bases negativas de forma cronológica até o período não decaído para promover o lançamento desse período. Assim, não se trata apenas de recálculo dos prejuízos fiscais, como apontado no recurso especial; há também a compensação de prejuízos fiscais em períodos pretéritos, que, sem dúvida, é tratada no voto condutor do acórdão recorrido como razão de decidir e não é mencionada no recurso especial. Verificase, portanto, que a recorrente deixou de apresentar paradigma relacionado à compensação, efetuada de ofício, entre lucros e prejuízos fiscais. Dessa maneira, resta caracterizada a insuficiência recursal por parte da Fazenda Nacional. Nesse sentido, os paradigmas apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF, por não se verificar a necessária similitude fática entre eles e o recorrido. A análise dos paradigmas evidencia que as situações apresentadas são distintas do caso ora analisado, uma vez que tratam apenas de autuações em que se exigiu a comprovação dos resultados negativos de períodos pretéritos (ainda que, em tese, decaídos) que repercutiriam no período objeto de lançamento. Naqueles precedentes inexistiu a situação verificada nos autos, destacada pelo voto condutor do acórdão recorrido, em que a autoridade fiscal realizou a "compensação retroativa de prejuízo fiscais, quando apurou bases de cálculo positivas, em razão dos ajustes efetuados" em períodos pretéritos. O primeiro paradigma Acórdão nº 110200.785 como visto, especificamente na parte controvertida, decidiu: Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.795 12 PERDA DO DIREITO DO FISCO DE REVISAR ATOS PASSADOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros. Se o tempo não pode desfazer o que se consolidou, também não pode transformar em verdadeiro o que não era real. Naquele processo tratouse de tributação de lucros auferidos com coligada/controlada no exterior. Discutiuse se, em decorrência da transferência de ações possuídas na HOHNECK para a SKOL, teria ou não ocorrido disponibilização dos lucros apurados pela HOHNECK à AMBEV, ensejando, então, a tributação destes no Brasil. A autoridade fiscal teria constatado que a coligada HOHNECK no exterior apurou prejuízo fiscal nos anos de 1999, 2000 e 2001 e lucro no ano de 2002. Entretanto, por não ter sido apresentada a documentação que lastreou os registros contábeis, a fiscalização desconsiderou os prejuízos apurados nos anos de 1999, 2000 e 2001 e lavrou, em 2007, auto de infração de IRPJ e CSLL referente ao lucro do ano de 2002. No voto, o relator consignou, em resumo: Deste modo, por absoluta falta de comprovação, correto o procedimento fiscal de desconsiderar os prejuízos alegadamente sofridos em 1999, 2000, e 2001. Não há nenhuma incoerência em não acatar a compensação de alegados prejuízos, por absoluta falta de comprovação destes, e tomar o resultado positivo demonstrado pela recorrente em balanço de 2002, e em nenhum momento infirmado, como sendo o correto. Quanto à alegação de decadência, de se observar que não há, no caso, lançamento de tributo relativo aos balanços da pessoa jurídica domiciliada no exterior levantados nesses anos, nem mesmo propriamente de auditoria de seus resultados, senão tão somente a exigência de comprovação dos resultados negativos que alega ter, os quais repercutem no período fiscalizado. O lançamento é de disponibilização de lucros ocorrida no ano calendário de 2002, e foi cientificado à recorrente em 21.12.2007, portanto dentro do prazo quinquenal de que dispõe o fisco. Neste sentido, as ementas dos acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes colacionadas pela decisão recorrida, bem como as considerações feitas pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional em contrarazões, são bastante elucidativas, expressando a plena possibilidade de exame, pelo fisco, dos livros e documentos das pessoas jurídicas sem limitação temporal, bem como a necessidade de que os fatos formados no passado repercutam na sua exata dimensão, sem distorções, nos Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.796 13 períodos futuros ainda não atingidos pela decadência, exatamente como ocorreu no presente caso. (destacouse) Denotase que, no caso do paradigma, os prejuízos fiscais da HOHNECK no exterior, nos anos 1999, 2000 e 2001, foram considerados como não comprovados, o que resultou na sua desconsideração no confronto com o resultado positivo apurado em 2002. Naquele caso, o colegiado entendeu que é plenamente possível ao fisco proceder ao exame dos livros e documentos das pessoas jurídicas sem limitação temporal, bem como é necessário que os fatos formados no passado repercutam na sua exata dimensão, sem distorções, nos períodos futuros ainda não atingidos pela decadência. Não é o mesmo caso dos autos, em que a autoridade fiscal não se limitou "somente a exigência de comprovação dos resultados negativos que [o contribuinte] alega ter, os quais repercutem no período fiscalizado", mas foi além e efetuou uma auditoria nos resultados apurados em anos anteriores ao período fiscalizado. Neste caso, a autoridade fiscal promoveu o confronto entre os valores apurados pelo sujeito passivo e controlados em LALUR e declarados em DIPJ, com aqueles constantes do sistema interno da Receita Federal que controla os saldos de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL SAPLI, como bem relatado no voto proferido no acórdão recorrido: Conforme TVF às fls 27 a 37, foram verificadas divergências de saldo de prejuízo fiscais e base negativa de CSLL lançados no LALUR e DIPJ da Recorrente quando confrontados com os saldos existentes pelo sistema da Receita Federal (SAPLI). A recomposição compreendeu o período de 1991 a 2008. A partir de então foi constituído o crédito tributário resultante, com nova composição dos LALUR anocalendário 2009 até 2012, período da autuação fiscal. Nesse ponto, a Recorrente alega que a fiscalização, ao realizar tal recomposição acabou por retroceder abusivamente no tempo, vez que apurou as bases de cálculo do IRPJ e CSLL de período 1991 a 2008. Dessa forma, conclui, que as apurações dos referido período já estavam consolidadas no tempo e imutáveis, vez que já alcançadas pela decadência, com base no parágrafo 150 §4º do CTN. Assim, apesar do lançamento se referenciar aos períodos base de 2009 a 2012, o fisco incorreu em glosas referentes períodos pretéritos, refazendo os valores apurados pelo contribuinte. Tal conduta foi verificada na recomposição dos anoscalendário de 1996 a 1998, conforme fl. 14 do TVF. Ou seja, no recorrido houve a compensação retroativa de prejuízo fiscais, a partir da apuração de bases de cálculo positivas em períodos, em tese, decadentes, enquanto no paradigma a situação fática se limitou à falta de comprovação do saldo de prejuízos fiscais utilizados em compensação em período, em tese, não decadente. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.797 14 Logo, não está caracterizada a similitude fática apta a demonstrar a divergência jurisprudencial na comparação entre este paradigma e o acórdão recorrido. Passando a análise ao paradigma seguinte Acórdão nºs 10419.219 recebeu a seguinte ementa no que toca especificamente ao tema: IRPF RESULTADO DA ATIVIDADE AGRÍCOLA REVISÃO DE PREJUÍZO COMPENSÁVEL — DECADÊNCIA — ABRANGÊNCIA O conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia; não abrange a revisão de valores advindos de período anterior, já abrangido pela decadência, que influem na apuração do resultado de ano calendário não decadente, restrita a revisão a essa circunscrita e especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Transcrevese do relatório: Tratase de exigência de ofício do imposto de renda de pessoa física, atinente aos exercícios de 1996 a 2000, anos calendários de 1995 a 1999, fundamentada em glosa de prejuízos da atividade rural, compensados nas declarações de rendimentos correspondentes àqueles anos civis. De acordo com a fiscalização, intimado o sujeito passivo a apresentar demonstrativo da compensação d prejuízos do exercício anterior, relativamente à declaração anual de ajuste relativa ao ano calendário de 1994, corroborado por documentação contábil, o contribuinte apresentou a documentação de fls .149/150 e os esclarecimentos e documentos de fls.153/183. Através destes documentos demonstra a utilização de índices de correção monetária dos valores, com base na Lei n° 8.200/91 e artigo 16 da Lei n° 8.218/91 correção monetária de prejuízos e de saldos de incentivos fiscais, dos anos calendários de 1989 e 1990. Com fundamento no artigo 19, § único, da Lei n° 9.250/95 (RIR/99, art. 65), de que a pessoa física é obrigada à guarda e conservação do livro caixa e dos documentos fiscais que demonstra apuração do prejuízo a compensar. A fiscalização fundamenta a glosa por considerar a) não terem sido comprovados os valores dos anos calendários de 1989 a 1992, corrigidos monetariamente, no montante de 5.010.912,44 UFIR, utilizados à compensação nas declarações dos exercícios de 1996 a 2000, fls. 20; b) a legislação de que se valeu o contribuinte para correção dos valores somente é aplicável às pessoas jurídicas e à apuração de ganho de capital das pessoas físicas. Não, à atividade rural. Ao impugnar a exigência o contribuinte alega, em síntese: 1. da decadência do direito de rever lançamento relativo aos anos calendários de 1989 e 1990, face ao disposto no artigo 150, Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.798 15 § 40, do CTN, Acórdão do TRF 2 . Região n° 95.04.58329 e deste Primeiro Conselho de Contribuintes, cujas ementas são transcritas nos autos, fls.174/175; [...] E, do voto: Duas são as questões dos presentes autos: a preliminar de decadência, relativamente a valores apurados em anos calendários anteriores, que influam em ano calendário não abrangido pela caducidade e, a correção monetária de prejuízos apurados na atividade rural, se admissível a utilização para tal, das disposições da Lei n° 8.200/91 e 8.218/91, art. 16. [...] De fato, a revisão de valores apurados em anos calendários anteriores já abrangidos pelo decurso do prazo decadencial é absolutamente inquestionável. O que não implica reconhecer que o conceito de decadência abranja também a revisão de valores que, advindos de período já tomados pela decadência, venham a influir na apuração do resultado de ano calendário ainda não decadente. Evidentemente que o conceito decadencial não abrange tal influência. Exatamente por esta integrar as apropriações de ano calendário não decadente. Restrita a revisão à essa especifica influência, respeitadas as apropriações efetuadas, ainda que incorretamente, em períodos já decadentes. Pela simples motivação de que o conceito decadencial, quer do artigo 150, § 4°, quer do artigo 173, ambos do CTN, vinculase direta e exclusivamente ao lançamento tributário a que se referencia. A transcrição literal do relatório e do voto do segundo paradigma também evidencia que não se trata de situação fática similar àquela apreciada pelo acórdão recorrido, pois neste paradigma, assim como no primeiro, houve a simples desconsideração de prejuízos fiscais apurados em períodos, em tese, decaídos com repercussão em período de apuração não alcançado pela decadência. Conclusão Por todos estes fundamentos, voto no sentido não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 10660.720690/201419 Acórdão n.º 9101003.981 CSRFT1 Fl. 1.799 16 Fl. 1799DF CARF MF
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Numero do processo: 36624.004448/2006-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2301-000.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora se manifeste sobre o documento de e-folhas 5405 a 5417, especificamente se a empresa Azevedo a Travassos Engenharia Ltda, CNPJ 57.259.392/0001-25, parcelou os débitos relativos aos serviços prestados à Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), constantes do presente lançamento, vencidos os conselheiros Francisco Ibiapino Luz e João Maurício (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Alexandre Evaristo Pinto - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (substituta convocada) e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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Resolvem, os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora se manifeste sobre o documento de efolhas 5405 a 5417, especificamente se a empresa Azevedo a Travassos Engenharia Ltda, CNPJ 57.259.392/000125, parcelou os débitos relativos aos serviços prestados à Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), constantes do presente lançamento, vencidos os conselheiros Francisco Ibiapino Luz e João Maurício (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. João Maurício Vital Presidente e Relator. Alexandre Evaristo Pinto Redator designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (substituta convocada) e João Mauricio Vital (Presidente). Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório constante da Resolução 2301 000.653: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) Debcad n° 32.269.1307, contra a empresa em epígrafe, tendo em vista a responsabilidade solidária com as empresas que lhe prestaram RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 66 24 .0 04 44 8/ 20 06 -1 4 Fl. 5556DF CARF MF Processo nº 36624.004448/200614 Resolução nº 2301000.764 S2C3T1 Fl. 5.557 2 serviços mediante cessão de mãodeobra, conforme dispõe o art. 31, da Lei 8.212/91, na sua redação original. Constam do Relatório Fiscal e seus Anexos (efls. 33/72), as empresas prestadoras de serviço e respectivos serviços considerados no presente lançamento. Devidamente cientificada, a empresa contestou o lançamento mediante impugnação de efls. 74/91 e adendo às efls. 1178/1179, com ajuntada aos autos de vasta documentação (efls. 111/1175, 1180/1484). Foi solicitada diligência às efls. 1176/1177, com manifestação da fiscalização às efls. 1493/1526 (e documentos de rerratificação da autuação de efls. 1485/1492). Novos documentos foram acostados às efls. 1529/3130. Nova Informação Fiscal (efls. 3138/3149), com demonstrativo de retificação e DADR (Demonstrativo Analítico de Débito Retificado) e fls. 3131/3137, 3153/3162. Após as manifestações da autoridade fiscal, foi prolatada a Decisão Notificação n° 21.401.4/0156/2001 (efls. 3163/3171), em 20/04/2001, que julgou parcialmente procedente o lançamento efetuado (excluindo as contribuições destinadas a terceiros, aplicando a multa mais benéfica ao contribuinte e acolhendo a prova da elisão da responsabilidade solidária, em alguns casos, nos termos propostos pelos auditores fiscais). Com ciência em 29/05/2001, apresentou Recurso Voluntário ao CRPS em 11/06/2001 (efls. 3177/3179), alegando, em apertada síntase: preliminarmente, nulidade da DN por cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento do pedido de perícia formulado; no mérito: a) a inconstitucionalidade do art. 33 da Lei n° 8.212, na redação dada pela Lei n° 9032/95, que inseriu a responsabilidade solidária com relação às tomadoras de serviços que se constituam na forma de sociedades de economia mista; b) impossibilidade de autuação do tomador do serviços sem prévia verificação do recolhimento pelas empresas prestadoras; e c) inconstitucionalidade da Ordem de Serviço 176/97 do INSS. O INSS apresentou contrarrazões às efls. 3234/3236. Juntada de documentos aos autos pela recorrente (efls. 3238/3244, 3278/3715, 3717/4619, 4626/4875, 4912/5022). Diligências solicitadas pela 2a Câmara de Julgamento (efls. 3246, 3256, 3258/3259, 3716, 4887/4888, 4911). Informação Fiscal (efls. 3272/3273) e documentos de efls. 3262/3271, com ciência do contribuinte às efl. 4894. Novo Forced efls. 5023/5030, informação fiscal efls.5031/5054. Fl. 5557DF CARF MF Processo nº 36624.004448/200614 Resolução nº 2301000.764 S2C3T1 Fl. 5.558 3 Em razão das novas informações da autoridade fiscal a recorrente foi intimada através do despacho n° 21.003.0/0034/2006 (ciência em 31/03/2006 efl. 5063). para apresentar complemento ao Recurso Administrativo, o que o fez às efls. 5073/5103 e juntada de documentos (efls. 5104/5369). Desta forma, a recorrente pretende a reforma da decisão alegando em síntese: a) Preliminarmente: I) a nulidade da decisão, posto que indeferiu a realização de perícia contábil conforme requerido pela recorrente, cerceando o seu direito a ampla defesa e ao contraditório; II) a nulidade pela falta de chamamento ao processo das outras empresas. b) Mérito: I) a responsabilidade solidária, invocada pelo fisco, não pode ser aplicada, por inexistência de relação jurídica entre o INSS e a COMGÁS; tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 33 da Lei n° 8.212/91; II) deveria ser respeitado o princípio da anterioridade nonagésima!; III) o fisco não poderia autuar a COMGÁS, sem certificarse, primeiro, que a contribuição previdenciária relativa aos referidos empregados não foi recolhida pelas empresas prestadoras de serviço; IV) a ordem de serviço não pode estipular percentuais para se fixar a base de cálculo do salário contribuição; V) seja elidida a responsabilidade solidária da COMGÁS lançadas em virtude dos serviços prestados pela AZEVEDO & TRAVASSOS INDUSTRIAL S;A e AMAFI COMERCIAL E CONSTRUTORA LTDA (ATUAMENTE DENOMINADA BRICK CONSTRUTORA LTDA), uma vez que tais empresas parcelaram os débitos; VI) seja elidida a responsabilidade solidária da COMGÁS lançadas em virtude dos serviços prestados pela AZEVEDO & TRAVASSOS INDUSTRIAL S.A; CONSTRUTORA GOMES LOURENÇO LTDA. E SANGE ENGENHARIA DE SANEAMENTO E EDIFICAÇÕES LTDA., uma vez que o fato das obras prestadas eventualmente não possuírem matrícula CEI não dá respaldo a cobrança em duplicidade das contribuições previdenciarias; VII) seja elidida a responsabilidade solidária da COMGÁS lançadas em virtude dos serviços prestados pela AZEVEDO & TRAVASSOS INDUSTRIAL S.A; CONSTRUTORA GOMES LOURENÇO LTDA.; CONENG ENGENHARIA LTDA, uma vez que as prestadoras de serviços sofreram fiscalização TOTAL, do período relativo a NFLD em questão, não restando dúvidas que o crédito tributário ora perseguido, foi devidamente recolhido; Fl. 5558DF CARF MF Processo nº 36624.004448/200614 Resolução nº 2301000.764 S2C3T1 Fl. 5.559 4 VIII) seja elidida a responsabilidade solidária da COMGÁS lançadas em virtude dos serviços prestados pela CONENG, uma vez que os serviços foram subcontratados e que o recolhimento previdenciário foi devidamente efetuado pelas subcontratadas (STEMAG/AUGUSTO VELLOSO). Nova manifestação do INSS (efls. 5371/5378), pela manutenção do lançamento. Em 30/09/2011, esta Ia Turma, com composição diversa, decidiu por converter o julgamento em diligência, para que fossem esclarecidas dúvidas acerca de eventual parcelamento efetuado pelas empresas prestadoras de serviço (efls. 1/7). Em resposta temse a Informação Fiscal às efls. 415/419. Dado que a resposta à diligência não foi, na opinião deste colegiado, conclusiva, foi determinada nova diligência nos seguintes termos: Pela informação da autoridade fiscal, entendo que ficou demonstrado que o parcelamento da empresa Azevedo & Travassos não engloba os valores constantes da presente autuação, não restando elidida a responsabilidade da tomadora de serviços. Entretanto, com relação ao parcelamento da empresa Amavi Comercial e Construtora, entendo que a informação prestada pela autoridade fiscal não é conclusiva sobre a inclusão dos valores constantes da presente autuação no parcelamento da empresa prestadora de serviços. Também verifiquei que o resultado da diligência (IF de efls. 415/419) não foi cientificado ao contribuinte. Portanto, proponho que seja procedida nova diligência para que a fiscalização se manifeste de forma conclusiva, se os valores constantes da presente NFLD foram incluídos no parcelamento da empresa Amavi Comercial e Construtora, dandose ciência ao contribuinte do resultado da diligência, bem como da informação fiscal de efls. 415/419, visando prevenir uma possível arguição de nulidade por cerceamento de defesa do contribuinte, e aberto prazo de 30 dias para que, querendo, apresente contrarrazões. Da segunda diligência, retornou informação fiscal (efls. 5394 e 5395), da qual se extrai a conclusão de que os valores correspondentes à prestadora de serviços Amafi Comercial e Construtora Ltda (atual Brick Construtora Ltda) foram incluídos no parcelamento disciplinado pela Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, embora os valores amortizados não tenham sido suficientes para a quitação dos débitos. A recorrente manifestouse (efls. 5481 a 5509) quanto à diligência repisando os argumentos recursais e destacando que os valores das contribuições devidas por Azevedo e Travassos e por Amafi foram parcelados pelas empresas, o que afastaria a responsabilidade da recorrente, que é a tomadora dos serviços; É o relatório. Fl. 5559DF CARF MF Processo nº 36624.004448/200614 Resolução nº 2301000.764 S2C3T1 Fl. 5.560 5 Voto Conselheiro João Maurício Vital, relator. Admito o recurso (efls. 3179 a 3197) por ser tempestivo. No entanto, com fundamento na Súmula Carf nº 2, dele não conheço quanto às alegações de inconstitucionalidades, quais sejam: a) é inconstitucional o art. 311 da Lei nº 8.212, de 1991, e, portanto, não se aplica a responsabilidade solidária da tomadora; b) é inconstitucional, por ofensa ao princípio da anterioridade nonagesimal, a aplicação do o art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995; c) é inconstitucional a definição da base de cálculo por ordem de serviço do INSS, pois tratase de matéria reservada a lei complementar; Conheço, pois, das seguintes matérias recursais: a) anulação do lançamento, ou ao menos a decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa em face do indeferimento do pedido de perícia; b) impossibilidade de o Fisco autuar a tomadora antes de se certificar do regular recolhimento das contribuições previdenciárias pelos prestadores de serviços; c) pedido de perícia. Quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa por indeferimento do pedido de perícia, entendo não caber razão à recorrente. Eis que o § 4º do art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação vigente quando do lançamento, obrigava a tomadora a exigir, do executor, os documentos comprobatórios do regular recolhimento das contribuições previdenciárias. Portanto, a documentação que a recorrente pretende ser obtida pela via pericial está, ou deveria estar, em poder dela própria Art. 31. ............................................................................................ § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Grifei.) 1 A recorrente equivocouse ao citar, no recurso, o art.o 33 quando, em verdade, referiuse ao disposto no art. 31, que é o que trata da solidariedade das tomadoras de serviços. Fl. 5560DF CARF MF Processo nº 36624.004448/200614 Resolução nº 2301000.764 S2C3T1 Fl. 5.561 6 Além disso, caminhou muito bem a decisão recorrida porque o pedido de perícia não observou sequer o que consta no art. 16, inc. IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, que determina a formulação clara dos quesitos e a indicação do perito: Art. 16. ............................................................................................ IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Registrese que a recorrente impetrou mandado de segurança com vistas a obter liminar para: 1) anular o processo em face da alega preterição do direito de defesa por indeferimento do pedido de perícia e 2) o recebimento do recurso voluntário independentemente do depósito recursal. Obteve o deferimento da liminar (efls. 3229 e 3230) apenas em relação ao segundo pedido. Rejeito, pois, a alegação de cerceamento do direito de defesa e indefiro o pedido de perícia formulado no recurso. Resta, pois, analisar a alegação de impossibilidade de o Fisco autuar a tomadora antes de se certificar do regular recolhimento das contribuições previdenciárias pelos prestadores de serviços. Inicialmente, destaco que, ao meu ver, as duas diligências empreendidas nos autos, determinadas por esta turma, foram desnecessárias. Isso porque pretendiam constatar a existência de pagamentos ou parcelamentos de contribuições previdenciárias das empresas prestadoras de serviços. Ora, essa matéria não consta do recurso e também não é de ordem pública. Vejo nos procedimentos o risco de se excluir a responsabilidade tributária da tomadora sem que, contudo, se constate se foram declaradas e recolhidas ou parceladas as contribuições devidas especificamente em face dos serviços a ela prestados. O resultado da primeira diligência demonstrou que, ao contrário do que afirmou a recorrente, o parcelamento da empresa Azevedo & Travassos não engloba os valores constantes da presente autuação. Quanto ao resultado da segunda diligência, a autoridade preparadora informou (efls. 5394 e 5395) que os valores constantes da presente NFLD relativos à empresa Amafi Comercial e Construtora foram parcelados ou quitados. Embora discordante da determinação das diligências, o fato é que a segunda diligência esclareceu que valores contidos no presente lançamento foram, de fato, parcelados pelo prestador de serviços. Assim, em face do princípio da verdade material, e para evitar o enriquecimento sem causa do Erário, os valores concernentes à empresa Amafi Comercial e Construtora devem ser excluídos da autuação. Quanto à autuação da tomadora de serviços na condição de responsável tributária, também foi correta, ao meu ver, a decisão recorrida. O parágrafo único do art. 1242 2 Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Fl. 5561DF CARF MF Processo nº 36624.004448/200614 Resolução nº 2301000.764 S2C3T1 Fl. 5.562 7 do Código Tributário Nacional (CTN) não deixa qualquer dúvida de que não há benefício de ordem em se tratando de distintos responsáveis tributários. No caso, estáse diante de responsabilidade tributária por designação legal (art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991): Entendo, pois, correta a definição do sujeito passivo e, por conseguinte, a autuação em face da empresa tomadora dos serviços. Conclusão Voto por conhecer, em parte, do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, rejeitar a preliminar e o pedido de perícia e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recuso para excluir do lançamento os valores relativos à empresa Amafi Comercial e Construtora. João Maurício Vital Voto Vencedor Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Redator designado Com a devida vênia ao voto do ilustre relator, entendo que a autoridade preparadora deveria se manifestar sobre o documento de efolhas 5405 a 5417, especificamente se a empresa Azevedo a Travassos Engenharia Ltda, CNPJ 57.259.392/000125, parcelou os débitos relativos aos serviços prestados à Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), de modo que há indícios juntados aos autos do presente processo administrativo no sentido de que não é devido pela Recorrente o montante do tributo relativo a tal fornecedor. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora se manifeste sobre o documento de efolhas 5405 a 5417, especificamente se a empresa Azevedo a Travassos Engenharia Ltda, CNPJ 57.259.392/0001 25, parcelou os débitos relativos aos serviços prestados à Companhia de Gás de São Paulo (Comgás). É como voto. Alexandre Evaristo Pinto Fl. 5562DF CARF MF
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