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Numero do processo: 10380.908429/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 1301-003.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolata-se nova decisão para supri-la, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, conclui-se pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
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OMISSÃO. NOVA MANIFESTAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Constatada omissão no acórdão embargado, prolatase nova decisão para suprila, implicando necessários efeitos infringentes quando, na nova decisão, concluise pela alteração no resultado do julgado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DE PRELIMINAR EM QUE SE BASEARAM AS DECISÕES ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE DE DECISÃO DE MÉRITO EM INSTÂNCIA ÚNICA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. No julgamento de recurso voluntário em que se supera preliminar que embasou tanto o despacho decisório da unidade de origem, quanto o acórdão de primeira instância, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DAS DECLARAÇÕES. Constatado a existência do crédito tributário, por meio das DCTFs e DIPJs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório tributário, este deve ser analisado pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 84 29 /2 00 9- 10 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10380.908429/200910 Acórdão n.º 1301003.118 S1C3T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.908429/200910 Acórdão n.º 1301003.118 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório Transcrevo os trechos de interesse do despacho quando da admissão dos embargos: No julgamento do recurso do processo em epígrafe, entendeu o colegiado em superar os óbices de direito, elencados preliminarmente, pela unidade de origem para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Ato contínuo, entendeuse por bem converter julgamento em diligência a fim de que a unidade de origem, superadas as questões de direito, procedesse às análises de fato a fim de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado. Ao final, deveria elaborar relatório circunstanciado, abrindose vista ao contribuinte para que esse, querendo, se manifestasse a respeito das conclusões da autoridade fiscal, e a seguir encaminhasse os autos novamente ao CARF para que pudesse, enfim, decidir sobre o mérito da exigência. Pois bem, assim deliberando, o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. Por essas razões, nos termos do inciso I, do art. 65, do Anexo II do RICARF, oponho os presentes embargos de declaração em razão de omissão, no acórdão embargado, de ponto sobre qual deveria pronunciarse a turma. E, a fim de se evitar burocracia absolutamente desnecessária, tendo em vista que compete ao Presidente do colegiado analisar a admissibilidade dos embargos, já o admito de plano, determinandose o encaminhamento dos autos ao relator do acórdão embargado para relato e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.908429/200910 Acórdão n.º 1301003.118 S1C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.088, de 17.05.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.904202/201110, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.088): "Conforme já relatado, no acórdão embargado o colegiado deixou de se manifestar sobre eventual prejuízo do contribuinte, em tese, ao direito de recurso em caso de não reconhecimento integral do crédito pleiteado, uma vez que o mérito da exigência poderia não vir a ser examinado não examinado pela DRJ, acarretando, repitase, em tese, supressão de instância. De fato, no acórdão embargado, o colegiado entendeu por bem superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância. Contudo, ao se determinar, superada a citada preliminar, a conversão do julgamento em diligência para apreciação do mérito do pedido, com o posterior retorno dos autos ao CARF para nova decisão poderá implicar cerceamento do direito de defesa do contribuinte em razão da impossibilidade de apresentação de recurso em matéria probatória. Por essas razões, entendo que o resultado mais adequado para o julgado seria dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analise o mérito do pedido. Caberá à DRF de origem analisar o mérito do crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas. Saliento que a autoridade fiscal deverá considerar que o IRPJ e a CSLL devem ser apurados mediante aplicação dos coeficientes, respectivamente, de 8% e de 12%, nos termos do acórdão no REsp 1.116.399/BA, decidido sob a sistemática de Recurso Repetitivo do Superior Tribunal de Justiça. Nessa hipótese, eventual indeferimento do pleito do contribuinte, ainda que parcial, poderá ensejar nova apresentação de manifestação de inconformidade, e, se, for o caso, interposição Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10380.908429/200910 Acórdão n.º 1301003.118 S1C3T1 Fl. 6 5 de novo recurso voluntário, garantindo ao contribuinte o pleno exercício de sua defesa. CONCLUSÃO Isso posto, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por acolher os embargos de declaração para suprir omissão no acórdão embargado, com efeitos infringentes, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a preliminar em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13653.720281/2016-53
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
Numero da decisão: 2001-000.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
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Numero do processo: 13839.914405/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ.
Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno.
Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.460
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ICMS NA BASE DE CÁLCULO. Recorrente QUÍMICA AMPARO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. Transitou em julgado decisão do STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática de recurso repetitivo, que deu pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do seu Regimento Interno. Já o STF, entendeu pela não inclusão, no Recurso Extraordinário nº 574.706, que tramita sob a sistemática da repercussão geral, mas de caráter não definitivo, pois pende de decisão embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional, elemento necessário à vinculação deste CARF. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por maioria qualificada de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. O Conselheiro Ari Vendramini votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 44 05 /2 01 1- 87 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13839.914405/201187 Acórdão n.º 3301004.460 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 06051.777, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba. Por meio de Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal de Jundiaí foi indeferido o pleito constante do Pedido Eletrônico de Restituição – PER transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. Em referido ato administrativo, a autoridade fiscal indeferiu o pleito da interessada tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para quitação do débito de COFINS cumulativa/o, não restando saldo de crédito disponível para o reconhecimento do crédito solicitado. A contribuinte foi cientificada do citado despacho decisório e apresentou, tempestivamente, a Manifestação de Inconformidade cujo conteúdo é resumido a seguir. A interessada defende, em apertada síntese, o direito ao crédito solicitado com a alegação de ter incluído de forma indevida o ICMS na base de cálculo da contribuição recolhida. Diz que o ato administrativo foi proferido de forma precipitada e com flagrante desrespeito à legislação tributária, notadamente a que trata da necessidade de lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional). Sustenta a legitimidade do indébito tributário informado no pedido de restituição alegando que no presente caso não existe óbice à restituição, nos termos do art. 165, do Código Tributário Nacional, uma vez que houve um erro na composição da base de cálculo da contribuição e que a vinculação do DARF, pago indevidamente, a um débito declarado em DCTF, constituise em uma mera informação. Relata que está juntando ao processo planilha por meio da qual se pode constatar a existência do pagamento a maior do que o devido e que este documento faz a prova necessária para confirmar o indébito alegado. Acrescenta que em caso de dúvida quanto ao crédito o julgamento pode ser convertido em diligência para que a interessada seja intimada a demonstrar, através de outros elementos, o crédito vindicado. Defende a tese relativa a improcedência da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição alegando que referido tributo não integra o conceito de faturamento (receita bruta), pois tratase de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF, consoante o voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio no Recurso Extraordinário nº 240.785/MG, entendeu que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo das contribuições Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13839.914405/201187 Acórdão n.º 3301004.460 S3C3T1 Fl. 4 3 (PIS e Cofins). Sustenta que a interpretação da autoridade tributária relacionada com a questão da inclusão do ICMS nas receitas dos contribuinte (interpretação do art. 3º da Lei 9.718, de 1988) é contrária ao art. 110 do CTN, uma vez que não se caracteriza como juízo de inconstitucionalidade, mas sim como controle administrativo interno dos atos administrativos. Aduz, por fim, que a declaração de inconstitucionalidade (exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição) em referido RE é iminente e que o proferimento dela pelo Supremo Tribunal Federal tornará sua observância obrigatória pela Administração Tributária. Diante do exposto, requer a interessada o acolhimento da manifestação para o fim de afastar o Despacho Decisório questionado e deferir integralmente o pedido de restituição. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento, em síntese, que falece ao julgador da esfera administrativa competência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e pela impossibilidade de exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo da contribuição. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, basicamente, repetindo os argumentos trazidos em sede de manifestação. Ao final, pugna pela reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13839.914405/201187 Acórdão n.º 3301004.460 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.397, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.900183/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.397): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. O núcleo da discussão em pauta é a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da Cofins. O acórdão recorrido enumera diplomas legais de regência, concluindo não haver previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins: Pelas argumentações trazidas em sua manifestação de inconformidade, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, na forma aduzida pela interessada, já que esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário. De fato. A Lei Complementar nº 7, de 1970, a Lei Complementar nº 70, de 1991, a Lei nº 9.715, de 1998 (que resultou da conversão da Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições), a Lei nº 9.718, de 1998, e, mais recentemente, as Leis 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao longo de seus dispositivos, definem expressamente todos os aspectos das hipóteses de incidência vinculadas ao PIS e à Cofins. As citadas normas definem os sujeitos passivos da relação tributária, os casos de nãoincidência, a alíquota, a base de cálculo, o prazo de recolhimento, etc., e submetem as contribuições às normas do processo administrativo fiscal, além do que, para os casos de atraso de pagamento e penalidades, as 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13839.914405/201187 Acórdão n.º 3301004.460 S3C3T1 Fl. 6 5 subordina, de forma subsidiária, à legislação do imposto de renda. Como se percebe, nada resta a definir. Os atos legais descrevem expressamente todas as feições das exações instituídas, nada deixando ao alvedrio do intérprete. Quando remetem atribuições a normas de outro tributo, o fazem estabelecendo com precisão os limites da remissão; limites estes, aliás, que, in concreto, jamais se estendem sobre a definição das bases de cálculo das contribuições. O conceito de faturamento tem sua extensão perfeitamente delimitada pela explicitação de seu conteúdo e pela expressa enumeração das exclusões passíveis de serem efetuadas, não havendo dentre essas, como se vê, qualquer referência ao ICMS devido pela venda de mercadorias. Caso pretendesse o legislador excluir o ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, estaria a hipótese expressamente prevista como uma das exclusões da receita bruta. Sobre o tema, o STJ decidiu, em recurso especial sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, já com trânsito em julgado. Já o STF entendeu pela sua não inclusão, em recurso extraordinário sob a sistemática da repercussão geral, mas em caráter não definitivo, pois pende de decisão sobre embargos de declaração protocolados pela Fazenda Nacional. É o que detalha decisão recente deste Conselho: PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Decisão STJ, no Recurso Especial nº 1144469/PR, sob a sistemática do recurso repetitivo, art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado (CARF, 3º Seção, 4º Câmara, 2º Turma Ordinária, Ac. 3402 004.742, de 24/10/2017, rel. Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire). Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13839.914405/201187 Acórdão n.º 3301004.460 S3C3T1 Fl. 7 6 Assim, transitada em julgado decisão do STJ, em recurso especial, sob a sistemática de recurso repetitivo, pela inclusão do ICMS na base de cálculo da PIS/Pasep e da Cofins, deve este Conselho observála, nos termos do seu Regimento Interno, descabendo analisar argumentos trazidos aos autos sobre o tema. A decisão do STF, em sentido contrário, em recurso extraordinário de repercussão geral, mas de caráter não definitivo, não tem o mesmo efeito. Nos ditos embargos, a Fazenda Nacional requer a modulação dos efeitos da decisão embargada, para que produza efeitos ex nunc, apenas após o julgamento dos embargos. Ora, se há pedido de modulação dos efeitos, tratase de atividade satisfativa, incluíndose na solução de mérito nos termos do art. 487 do atual CPC. E se assim é, podese afirmar que não houve ainda decisão definitiva de mérito, independentemente do transito em julgado. A embargante ainda suscita, entre outras questões, haver erro material ou omissão, por ter a corrente vencedora prestado ao art. 187 da Lei 6.404/76 efeito que ele não possui: estabelecer conceito de receita bruta: 7. Observese que, no caso dos autos, alguns votos da corrente vencedora2 [...] concederam grande relevância ao fundamento de que “receita bruta”, expressão a que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, ao longo de inúmeros julgados, equiparou ao vocábulo “faturamento” (art. 195, I, b, da Constituição), possui um sentido próprio no direito privado, definido no art. 187, I, da Lei 6.404/76. 8. No entanto, cumpre destacar que há um equívoco evidente em tal linha de argumentação: o mencionado dispositivo legal não estabelece qualquer conceito para receita bruta. Apenas disciplina que, na demonstração do resultado do exercício, deverá estar descrita a “receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos”. A assertiva, simplesmente, permite concluir que tais expressões se referem a grandezas diferentes, mas não afirma que uma não esteja contida na outra. Levanta também, na mesma toada que os votos vencedores "deixaram de considerar o disposto no art. 12 do DecretoLei 1.598/77, reiteradamente citado pelos votos vencidos", que dá pela inclusão dos tributos na receita bruta: art. 12. A receita bruta compreende: I o produto da venda de bens nas operações de conta própria; II o preço da prestação de serviços em geral; III o resultado auferido nas operações de conta alheia; e IV as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. § 1o A receita líquida será a receita bruta diminuída de: (...) III tributos sobre ela incidentes; e Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13839.914405/201187 Acórdão n.º 3301004.460 S3C3T1 Fl. 8 7 (...) § 4o Na receita bruta não se incluem os tributos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de mero depositário. § 5o Na receita bruta incluemse os tributos sobre ela incidentes e os valores decorrentes do ajuste a valor presente, de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, das operações previstas no caput, observado o disposto no § 4o. (Grifos do original). Ainda que sejam três os pilares da argumentação da corrente vencedora, apenas um deles tratando do conceito de receita, tratase evidentemente de questão meritória. A recorrente traz aos autos planilha na qual recalcula a base de cálculo da Cofins "sem o ICMS", com a qual, juntamente como os documentos mencionados na seqüência, pretende provar o seu direito ao crédito em discussão: (...) Instrui o recurso voluntário com relatórios "NOVA GIA" a demonstrarem a apuração do ICMS, referente apenas a novembro de 2011, como também o balancete referente apenas a este período. O acordão recorrido assim se manifestou quando lhe fora levada dita planilha: "não sendo hábil para a comprovação do direito à repetição do indébito, uma simples planilha, desacompanhada de documentação contábil e fiscal que lhe conceda suporte e validade.A planilha segue abaixo". Tais elementos não demonstram o direito ao crédito sem que a questão de direito que defende, de não inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, prospere. A planilha mencionada também não se fez acompanhar de documentos que lhe fizessem prova, para todos os períodos. Assim, também, a diligência que requer, para, eventualmente, "atestar in loco a regularidade da escrituração e do crédito", somente mereceria provimento, em caso de demonstração da exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Insurgese a recorrente contra a afirmação do acórdão de piso de que "o débito de Cofins cumulativa, do período de apuração de nov/2002 (para o qual consta alocado o pagamento objeto do pedido de restituição), foi constituído, nos termos do art. 142 do CTN, através de [...] DCTF apresentada pela interessada, posto que essa declaração constituí confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito tributário, conforme prevê o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984". Ainda que se apliquem tais normas, há decisões deste Conselho que têm entendido pela relativização de tal meio de prova, com as quais concordo, privilegiandose o princípio da verdade material: Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13839.914405/201187 Acórdão n.º 3301004.460 S3C3T1 Fl. 9 8 COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DOCUMENTAÇÃO SUPORTE. LIQUIDEZ E CERTEZA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O direito creditório pleiteado não pode ser vinculado a requisitos meramente formais, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional. Assim, ainda que a DCTF seja instrumento de confissão de dívida, a comprovação por meio de outros elementos contábeis e fiscais que denotem erro na informação constante da obrigação acessória, acoberta a declaração de compensação, em apreço ao princípio da verdade material Recurso Voluntário Provido (CARF, 3º Seção, 3º Câmara, 1º Turma Ordinária, Ac. 3301 002.678, de 08/12/2015, rel. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas). O acórdão de piso entendeu não ter se configurado qualquer das hipóteses do art. 165 do CTN, aquele que estabelece o direito à restituição de tributo, especialmente por que "não existe a comprovação de que tenha ocorrido, em face da legislação aplicável, pagamento da contribuição em valor a maior do que o devido"; como também porque "não foi demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado reconhecendo a existência de indébito tributário (relativamente ao pagamento apontado no pedido de restituição – PER) que diga respeito à inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição. não havendo decisão". Argumenta a recorrente ter havido erro na composição da base de cálculo da Cofins, visto que "a Recorrente considerou inadvertidamente o ICMS como componente de sua receita bruta", nos termos do inciso II, do dito artigo. Mais uma vez, somente com a demonstração do direito ao crédito, o que não ocorre, poderseia falar no dito erro. Assim, pelo exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13839.914405/201187 Acórdão n.º 3301004.460 S3C3T1 Fl. 10 9 Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720115/2015-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO INDEVIDADA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - RELANÇAMENTO - ERRO DE DIREITO - NECESSIDADE DE CONJUGAÇÃO DO ARTIGO 906 DO RIR/99 COM OS ARTIGOS 145 E 199 DO CTN - NULIDADE
Não basta a mera autorização formal prevista no artigo 906 do RIR para que se abra a possibilidade de uma nova fiscalização sobre os mesmos fatos objetos de lançamento pretérito, devendo ser observados os limites do artigo 149 do CTN.
Numero da decisão: 2002-000.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar de nulidade suscitada no recurso, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que rejeitou a preliminar. Acordam, ainda, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência da conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. No mérito, o julgamento do recurso restou prejudicado.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acatar a preliminar de nulidade suscitada no recurso, vencida a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que rejeitou a preliminar. Acordam, ainda, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência da conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. No mérito, o julgamento do recurso restou prejudicado. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 01 15 /2 01 5- 95 Fl. 177DF CARF MF 2 Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de auto de infração (efls. 02 a 10), relativo a correção de notificação de lançamento anterior, cancelada por decisão da DRJ por vício material, no processo 10675.722246/201461. Tal vício material decorreu da incongruência do lançamento, que se baseou na omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, e utilizou como fundamento a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI (efls. 05 a 09 do processo anexo) Logo, o novo lançamento, devidamente corrigido, decorre de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 8.255,08, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 31 a 43 dos autos, no qual o contribuinte alega, conforme palavras da DRJ: Preliminarmente, suscita a nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora por incorreções na descrição da suposta infração. E, nulidade por incorreções na descrição da suposta infração, por entender que após a decisão que decretou a nulidade do lançamento, não poderia a DRF de Uberlândia emitir um auto de infração substituindo a notificação anulada, não havendo previsão legal para tal. Aduz que o reexame de documentos de um mesmo ano calendário estaria vedado em razão do disposto no art 906 do RIR, não constando dos autos a indispensável ordem escrita, motivada para reexame: Quanto ao mérito, se insurge contra o lançamento afirmando que não foi previamente intimado para entregar documentos, prestar esclarecimentos ou produzir provas. As intimações e comprovações teriam sido feitas nos autos do PAF nº 10675.722246/201461, cuja notificação de lançamento Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10970.720115/201595 Acórdão n.º 2002000.151 S2C0T2 Fl. 178 3 dói anulada e não faria parte integrante deste novo procedimento fiscal. A impugnação foi apreciada na 11ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, em 17/01/2017, no acórdão 1284.464, às efls. 96 a 107, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 22/03/2017, apresentou recurso voluntário, às efls. 114 a 172, no qual alega, em resumo, que: § Preliminarmente, nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora, nulidade por incorreções na descrição da suposta infração, nulidade pela aplicação do artigo 906 do Decreto nº 3.000/99 (RIR); § No mérito alega que não foi intimado para apresentar documentos e esclarecer os fatos, sobretudo se os rendimentos são isentos. Informa, que no processo 10675.722246/201461, às e.fls 40 e 41 demonstrou que ingressou no plano de previdência PETROS em 10/10/1980, contribuindo até 30/12/1992. Informa que em 2011 a empresa ITÁU VIDA E PREVIDÊNCIA S/A SUCEDEU A PETROS. Logo, as contribuições resgatadas estariam dentro do período de isenção de 01/01/1989 a 31/12/1995. Por fim, alega que, ao entregar sua DAA, pagou imposto de renda residual no montante de R$1.806,51, não abatidos pela fiscalização. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 20/12/2017, efls. 110, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 22/03/2017, efls. 114, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na correção de notificação de lançamento anterior, cancelada por decisão da DRJ por vício material, no processo 10675.722246/201461. Tal vício material decorreu da incongruência do lançamento, que se baseou na omissão de rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, e utilizou como fundamento a omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI (efls. 05 a 09 do processo anexo) Logo, o novo lançamento, devidamente corrigido, decorre de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada e FAPI. Fl. 179DF CARF MF 4 Preliminarmente, tanto na impugnação, quanto no presente recurso voluntário o contribuinte alega nulidade do lançamento por incompetência da autoridade lançadora, nulidade por incorreções da suposta infração e nulidade pelo ferimento do artigo 906 do Decreto nº 3.000/99 (RIR). Desde já afasto a nulidade quando a incompetência suscitada, vez que o auto de infração foi lavrado por autoridade competente investido dos poderes inerentes à sua função, auditor fiscal Jorge Candido Da Silva Filho, matrícula 00027944. Ainda, afasto a preliminar por incorreções da suposta infração, já que, o que deu azo ao novo lançamento fiscal foi o cancelamento do ato originário por vício material nos autos do processo 10675.722246/201461, devidamente corrigido pela autuação de efls. 02 a 10. Contudo, acolho a preliminar de nulidade pela aplicação isolada do artigo 906 do Decreto nº 3.000/99 (RIR), que possui a seguinte redação: Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34). A norma insculpida no supracitado artigo não pode ser entendida como autorização ilimitada concedida a Administração Fazendária para promover o relançamento tributário em relação a fatos já analisados pela autoridade em determinado exercício. O conteúdo o artigo 906 deve ser analisado conjuntamente com os artigos 145 e 149 do Código Tributário Nacional (CTN Lei nº 5.172/66), que deliberam sobre a revisão de ofício do lançamento tributário, como se vê: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10970.720115/201595 Acórdão n.º 2002000.151 S2C0T2 Fl. 179 5 recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Desta forma, a meu sentir, não basta a mera autorização formal prevista no artigo 906 do RIR para que se abra a possibilidade de uma nova fiscalização sobre os mesmos fatos objetos de lançamento pretérito, devendo ser observados os limites do artigo 149 do CTN. Destaco o excerto do voto do Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator no acórdão 1201001.687, que muito bem explica: Nenhum reparo caberia ao raciocínio, não fosse, é certo, um “pequeno detalhe”: a refiscalização é matéria regulamentada pelos artigos 145 e 149 do CTN, que assim prescrevem: “Artigo 145 – O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: [...] III – iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149.” “Artigo 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 181DF CARF MF 6 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusase a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Embora seja possível sustentar que a autorização referida no art. 906 do RIR/99 seja suficiente, do ponto de vista formal, a permitir o reexame de período já fiscalizado, a refiscalização ainda está condicionada às hipóteses descritas no artigo 149. Como se nota, o artigo 149 do CTN regulamentou pormenorizadamente as hipóteses de refiscalização ao indicar uma lista numerosa e taxativa das situações que permitem a revisão de ofício do lançamento Nesse passo, a conhecida distinção entre “erro de fato” e “erro de direito” é pertinente, pois os incisos I a IX acima são hipóteses de erro de fato, e não de erro de direito. O mencionado preceito legal, pois, só autoriza a revisão do lançamento quando, em procedimento de fiscalização, for confirmado de forma inequívoca que o contribuinte ou a autoridade fiscal se utilizaram de práticas irregulares resultando em não pagamento do tributo, pois caso contrário, estarseia diante de um cenário de completa insegurança jurídica, onde o contribuinte, após ter o seu lançamento homologado pela administração, estaria sujeito a cobranças posteriores. Destacamse, nesse sentido, o posicionamento doutrinário sobre o assunto. Vejase, a título exemplificativo, algumas lições sobre a matéria: “O que o artigo (art. 149) afirma é que, se vier a ser comprovado que o sujeito passivo desvirtuou a sua declaração, agindo com dolo, fraude ou simulação, o lançamento efetivado com base nessa declaração poderá ser revisto de ofício, resultando daí a sua anulação, total ou parcial, ou sua Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10970.720115/201595 Acórdão n.º 2002000.151 S2C0T2 Fl. 180 7 complementação ou substituição por um novo lançamento, desta feita de ofício”. – g.n. (FREITAS, Vladimir Passos. Código Tributário Nacional Comentado. Editora Revista dos Tribunais. 5ª edição, 2011, página 769) “O tema da revisão do lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa envolve a ponderação de um conflito latente entre o princípio da legalidade – favorável à eliminação da ilegalidade que tenha afetado o ato primário de lançamento – e o princípio da segurança jurídica – favorável à estabilidade das situações jurídicas subjetivas declaradas por atos da autoridade pública. Ora, se é certo que a restauração da legalidade violada, pela revisão do ato ilegal, reclama o afastamento de limites que a impeçam ou dificultem, também é verdade que a inexistência desses limites geraria para os particulares intoleráveis situações de incerteza, submetendoos, porventura de surpresa, a uma pluralidade de novas definições da mesma situação jurídica, por ato da mesma autoridade ou de autoridade distinta, num reexercício ilimitado do seu poder de lançar. Sistemas baseados numa ilimitada revisibilidade dos atos tributários por iniciativa da Administração só podem conceberse em ordens jurídicas de inspiração totalitária, avessas à ideia de segurança jurídica, como a do nacionalsocialismo alemão que autorizava a Administração fiscal a corrigir, sem quaisquer limites, os erros das suas decisões”. (XAVIER, Alberto. Do lançamento: Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário. Editora Forense. 2ª edição, 1997, página 239) “o lançamento, em razão das suas características e dos efeitos que dele decorrem, quer seja, mais exatamente, considerado como um elemento do processo formativo da obrigação tributária, não pode ser revisto, modificado ou substituído por outro, por ato espontâneo da Administração, em prejuízo do contribuinte, com fundamento em erro incorrido na valoração jurídica dos dados ou elementos de fato em que se tenha baseado, quer tal valoração jurídica tenha sido efetuada diretamente pela Administração, quer tenha sido adiantada pelo contribuinte ou terceiro obrigado à declaração ou informação, e aceita pela Administração” – (DE SOUZA. Rubens Gomes. Revista de Direito Administrativo, Volume 14, Pagina 24). Nessa linha de raciocínio, temos que a homologação do lançamento, que no presente caso foi realizada de ofício pela administração pública quando da emissão dos Autos de Infração objeto do processo administrativo nº 16.643720.018/ 201329, só poderia ser revista pela administração pública caso ela motivasse e comprovasse tratarse de uma das hipóteses do artigo 149 do CTN. Ocorre, entretanto, que os Autos de Infração e o TVF não indicam nenhuma das hipóteses previstas em tal dispositivo e sequer fazem menção ao referido artigo 149. Fl. 183DF CARF MF 8 Ora, ao agravar um lançamento já finalizado e homologado de ofício, é dever do fisco demonstrar o preenchimento dos requisitos exigidos pelo artigo 149 do CTN. Uma omissão nesse sentido – como ocorreu no caso concreto – contamina a autuação. Nesse sentido é o entendimento proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme atesta a ementa do julgado abaixo. NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149, CTN. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA AUTUAÇÃO. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do cntribuinte, sob pena de improcedência da autuação. (Acórdão SRF 0202.922. Sessão de 28/01/2008) Comprovado o erro de direito cometido pela Fiscalização, corroborado pela decisão da DRJ nos autos do processo 10675.722246/201461, acolho a preliminar de nulidade absoluta suscitada pelo contribuinte, cancelando o auto de infração lavrado contra ele. Thiago Duca Amoni Relator Fl. 184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.901215/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante).
COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.
Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindo-se salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO.
A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Concede-se o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem.
CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004.
Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.572
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que também dava provimento para as despesas de despacho aduaneiro. Os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram pelas conclusões.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindo-se salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO. A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação. SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Concede-se o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004. Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 12 15 /2 01 0- 29 Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 3 2 restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concedese o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindose salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO. A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação. SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Concedese o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004. Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que também dava provimento para as despesas de despacho aduaneiro. Os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram pelas conclusões. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente do Pedido de Restituição PER nº 17472.52477.050706.1.1.087057 e das Declarações de Compensação – Dcomp nºs 20880.34569.100506.1.3.087029, 01186.52550.280606.1.3.087080, 24063.72271.050706.1.3.08 0819, 39566.29554.010409.1.7.083304, objetivando a compensação dos débitos, nelas declarados, com crédito do Pis/Pasep – regime não cumulativo exportação, relativo ao 2º trimestre de 2006, no montante de R$1.464.104,98. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultou o Relatório Fiscal Final PISCOFINS NÃO CUMULATIVO – 2º TRIMESTRE 2006, constante das Informações Complementares da Análise do Crédito, parte integrante do presente Despacho Decisório, do qual se extrai as seguintes glosas: bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo GLP e óleo diesel, produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero); duplicidade de aproveitamento de crédito, no momento da aquisição e nos encargos de depreciação; encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (i) sobre máquinas e equipamentos nos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água e ENE – Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (ii) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (iii) equipamentos formados por aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004; créditos apurados sobre itens importados sem incidência das contribuições, pois foram objeto de exportação temporária; ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório de fl. 39, por meio do qual foi deferido o crédito no valor de R$1.355.319,66, insuficiente para compensação dos débitos informados pela requerente, razão pela qual homologouse a Dcomp nº 39566.29554.010409.1.7.083304 e foram homologadas parcialmente as Dcomp nº 20880.34569.100506.1.3.087029, nº Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 5 4 01186.52550.280606.1.3.087080, nº 24063.72271.050706.1.3.080819. Não houve crédito a ser ressarcido para o PER nº 17472.52477.050706.1.1.087057. A empresa apresentou manifestação de inconformidade (fls. 47 a 76), na qual, após as alegações deduzidas, requer: Por todo o exposto, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, concluise que deve o r. despacho decisório ser modificado "in totum", para o fim de (i) cancelar as glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição ao PIS; (ii) determinar a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação; (iii) homologar integralmente as compensações realizadas pela requerente, nos autos dos processos n. 10650.901215/201029, 10650.900175/201189, 10650.900181/201136 e 10650.900183/201123; e (iv) cancelar as respectivas Cartas Cobrança. Protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e a juntada de documentos. Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora por intermédio da 1ª Turma, no Acórdão nº 0937.522, sessão de 28/10/2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indefere se pedido de juntada de novas provas e, uma vez que os elementos contidos nos autos são suficientes para o deslinde da questão, é prescindível a realização de perícia ou diligência. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 6 5 SERVIÇOS. CRÉDITO SOBRE INSUMOS. Somente os serviços aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda são considerados insumos e dão direito ao crédito. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DO PIS/Pasep. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. A seguir, após dissertar acerca do conceito de insumos no entendimento daqueles julgadores, mormente consubstanciado nas INs 247/2002 e 404/2004, estabeleceu as rubricas que a contribuinte incorreu em gastos para os quais a Fiscalização glosou os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins, a saber: I Aumento da base de cálculo do PIS em procedimento de análise de direito creditório III Inclusão dos ingresso decorrente de cessão de crédito do ICMS na base de cálculo para apuração do crédito do PIS. IV Glosa de créditos quanto a encargos com aquisição de/para: a) GLP e óleo diesel: b) Alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; c) Depreciação de bens do ativo imobilizado, nos seguintes centro de custo: (i) AGU (Abastecimento e Tratamento de Água), “ENE” (Subestação de energia elétrica); (ii) Móveis e equipamentos alocados em centro de custos produtivos; e (iii) Bem do ativo imobilizado adquirido antes de 30/04/2004, relacionados nos quadros demonstrativos do item 6.1 do relatório fiscal. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 194/236), no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, explicitando sua atividade extrativa/industrial e a utilização de cada um dos bens ou serviços em seu processo, cujos gastos tiveram créditos das contribuições glosados. Submetido à julgamento em Colegiado desta 3ª Seção, na sessão de 26/06/2013, após conhecer do recurso voluntário decidiuse convertêlo em diligência para elaboração de laudo que demonstrasse a vinculação dos bens e serviços ao processo produtivo, Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 7 6 por entende a Turma tratarse de informação essencial para a análise de qualquer pleito de reconhecimento de PIS e de Cofins não cumulativos. Os termos da diligência determinada na resolução nº 3202000.107 (fls. 298/306): Para o deslinde da questão entendo necessária a diligência para se determinar se os insumos objeto de glosa pela fiscalização relacionamse ou não ao processo produtivo da Recorrente. Diante disso, converto o julgamento em diligência para que unidade preparadora jurisdicionante do domicílio fiscal da Recorrente providencie o que segue: 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo processo produtivo, apontando a utilização dos insumos ora glosados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; e 2) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucintoacerca da utilização ou não dos insumos ora glosados no processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. A contribuinte elaborou Laudo (fls. 320/396) por meio de seu corpo técnico no qual descreve seu processo produtivo que se materializa no desenvolvimento de atividade de lavra, extração e produção de minérios utilizados na fabricação de produtos da indústria metalúrgica e siderúrgica. O insumo, minério de pirocloro, no qual é encontrado sob a forma do composto óxido de nióbio (Nb2O5), utilizado na produção de nióbio, e de outros produtos derivados, é explorado pela CBMM de seu próprio depósito minerário, e de outro, em forma de concessão, de propriedade da CODEMIG, que juntas otimizam a exploração do minério por intermédio da COMIPA que os vende, exclusivamente, à CBMM. A COMIPA é pois a responsável pela operação de lavra e transporte do minério até as instalações da CBMM. As máquinas e equipamentos necessários à extração são de propriedade da CBMM que os aluga à COMIPA, por disposição contratual. O minério adquirido pela CBMM é submetido a sucessivos processos de separação dos demais minerais até a obtenção do produto final o nióbio. Esse processo de separação consiste em etapas de concentração, sinterização, desfosforação, metalurgia, britagem e embalagem. Em termos de controle contábil, cada uma das etapas do processo de produção do nióbio constituise um centro de custo. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 8 7 Finda a caracterização de seu processo produtivo, a CBMM passa a discorrer sobre as despesas incorridas com as várias rubricas apropriadas na tomada de créditos das Contribuições para Pis/Cofins nãocumulativas. A Unidade de Origem produziu o relatório de diligência em que, objetivamente, analisou as glosas efetuadas na autuação fiscal comparando as despesas incorridas nas rubricas mencionadas relacionandoas ao processo produtivo descrito. Segue a síntese da manifestação da autoridade fiscal quanto aos itens glosados, que permanecem em litígios. GLP/Óleo diesel O GLP foi utilizado pelos fornos, equipamentos da produção. Contudo, a glosa ocorreu por outra razão: insumos adquiridos sem o pagamento da contribuição, conforme Relatório Fiscal. Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Não se trata de alugueis, locação, mas de serviços prestados com máquinas e equipamentos nas obras, conforme afirmam os Laudos nas folhas 18. Tratase de despesas apropriadas na conta do ativo imobilizado: 13210001 Obras, portanto, ativadas, cujo crédito foi apurado em duplicidade. Há fotografias dos equipamentos no Anexo VIII, do Laudo. Depreciação de bens do Ativo Imobilizado Os bens do centro de custo AGU Abastecimento de Água não foram usados na produção, mas no bombeamento, tratamento, e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais. Os bens do centro de custo ENE Energia Elétrica distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades, suprem de energia elétrica toda a empresa essas são suas funções. Eles não atuam na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Os bens que constam da tabela do item 9, exceto o de número 17, não se desgastaram ou danificaram na fabricação dos produtos. São necessários para viabilizar as atividades de qualquer empresa. Não foram adquiridos para fabricar os produtos da Contribuinte. Contudo, o Detector de radiação G606/650 é um separador magnético escória/produto, que se desgasta ou danificase no processo produtivo e, portanto, o crédito sobre ele deve ser admitido. Quanto aos serviços, que constam da referida tabela do item 9, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admite crédito sobre suas cotas de depreciação. É o relatório. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Conforme se verifica nos autos, a lide está vinculada à (i) à possibilidade de alteração da base de cálculo do PIS de ofício; (ii) inclusão na base de cálculo do PIS dos valores relativos à cessão de crédito de ICMS; (iii) às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição relacionadas às despesas com bens e serviços utilizados pela recorrente nas atividades de lavra, extração e produção de nióbio; e (iv) crédito com encargo de depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004. Aumento da base de cálculo do PIS em procedimento de análise de direito creditório Argui a recorrente que a fiscalização não poderia proceder o aumento da base de cálculo do PIS devida em apuração de créditos da Contribuição. Entende que eventuais ajustes na base de cálculo para exigência de tributo ou cálculo do rateio dos créditos somente poderiam ser feitos por meio de lançamento de oficio e que a interpretação da decisão recorrida ao mencionar o art. 9º, § 4º do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Medida Provisória n° 44/08, é equivocada. O enfrentamento da matéria é despiciendo, pois o aumento suscitado decorreu da inclusão como receita de valores provenientes da cessão de crédito de ICMS, que será analisada em tópico próprio, e goza de decisão definitiva em sede de repercussão geral, com a reprodução obrigatória da decisão do STJ nos julgamentos deste CARF. Desta forma, se não configura receita não há que se falar em aumento da base de cálculo por meio de lançamento de oficio. Cessão onerosa de crédito de ICMS Este mesmo contribuinte teve julgamento desta matéria em Turma do CARF em que se atestou o acúmulo de créditos de ICMS decorrentes de sua condição de exportador, conforme excerto do voto no acórdão nº 3301003.209, prolatado em 21/02/2017, cuja decisão foi o afastamento da exigência por unanimidade: (...) Percebese, quando da leitura da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, de 30 de junho de 2008, que dispõe sobre a reforma integral do estatuto social da Companhia, que tem por objeto social (fls. 417): (i) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de minérios, produtos químicos, fertilizantes e produtos metalúrgicos, e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território nacional; (ii) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; e; (iii) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista; e (iv) o Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 10 9 desenvolvimento de outras atividades correlatas, de interesse da Companhia. (grifouse). Neste sentido, como o Contribuinte desenvolve a atividade de exportação de minérios e requer a retirada da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS (...) A inclusão como receita de PIS e de Cofins da cessão onerosa de crédito de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, foi definitivamente afastada pelo STJ no julgamento do RE nº 606.107/RS, na sistemática de repercussão geral prevista no art. 543B do antigo CPC, não sendo mais passível de discussão no CARF, que deverá reproduzir no julgamento, frente ao comando do § 2º do art. 62 da Portaria nº 343/2015 RICARF, redação dada pela Portaria MF nº 152/2016. Eis a reprodução do julgado no STF, de relatoria da Ministra Rosa Weber, na sessão do Pleno de 22/05/2013: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, trata+se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 11 10 PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. E o comando do § 2º do art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 12 11 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim sendo, de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável ao tema, voto devese afastar da base de cálculo da contribuição o ingresso oriundo da cessão de créditos do ICMS. Glosa de créditos O recurso voluntário apresentado nestes autos, em relação às matérias abordadas na autuação, assemelhase em relação aos demais processos de glosa de créditos de bens e serviços que a fiscalização entendeu não relacionaremse com o processo produtivo da CBMM. Assim, antes de se proceder à análise individualizada de cada item, mister assentar os fundamentos para a utilização do conceito de insumos que irão conduzir este voto. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Neste ponto acolho o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, que fora sintetizado pelo Conselheiro relator ALEXANDRE KERN, no acórdão nº 3402002.663, sessão de 24/02/2015, o qual adoto neste voto e transcrevo: Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 13 12 mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Particularmente, entendo ainda mais apropriada a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 14 13 em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; 2. emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; 3. essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Neste ponto, essencial que se conheça quais são os produtos finais elaborados com os insumos, ou o principal desses minério de pirocloro/óxido de nióbio , adquiridos da CEMIPA. A resposta se encontra às páginas 09/10 do Laudo (fls. 447/448): (i) ferronióbio, de alta pureza; (ii) óxido de nióbio (Nb2O5) de alta pureza; (iii) óxido de nióbio grau ótico; (iv) liga níquelnióbio (NiNb); e (v) nióbio metálico. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços discriminados no Laudo Técnico. GLP e óleo diesel As despesas com óleo diesel e GLP foram glosadas pela aquisição dos referidos bens estar submetida à alíquota zero para o PIS e para a Cofins (art. 41, I da MP nº 2.15835/01), conforme vedação do art. 3º, § 2º, II das Leis nºs. 10.837/02 e 10.833/03. A recorrente, por sua vez, entende que o dispositivo não alcança os combustíveis com tributação na sistemática monofásica. Vejamos os dispositivos legais: Medida Provisória nº 2.15835/01 Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 15 14 Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; E o que dispõe a Lei nº 10.833, de 2003 e, em igual inciso, a Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3° o valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; grifo nosso. [...] § 2° Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." [...] A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos, inclusive de combustíveis e lubrificantes, expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Conquanto este relator mantinha o entendimento de que os gastos com GLP e óleo diesel por pessoa jurídica consumidora não lhe conferia o direito ao crédito, uma vez que a aquisição fora tributada de forma concentrada, esta Turma tem decidido de forma contrária, com supedâneo no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, alinhada com recentes decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo dos Acórdãos nºs. 9303005.908 e 9303 005.623. Assim, tratandose de aquisições de GLP e óleo diesel, combustíveis utilizados no processo produtivo da recorrente, assistelhe razão, sendo possível sua pretensão em manter o crédito sobre tais rubricas. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 16 15 Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos No relatório fiscal justificase a glosa com alugueis de máquinas e equipamentos com o fundamento de que as despesas foram escrituradas em conta de ativo, no momento da aquisição, e também na depreciação. Menciona as Fichas 06A e 16A, Linha 06, do Dacon, como comprovação. A fiscalização não comprovou que os bens alugados foram imobilizados de forma que tenha havido duplicidade de aproveitamento de crédito. Inexistem elementos nos autos que permitam inferir tal assertiva; ao contrário, na tabela apresentada no relatório fiscal há a indicação do equipamento, número de nota fiscal, data, fornecedor e valor correspondente da locação, o que não se confunde com aquisições. Nos Laudos constam informações do bem alugado e o local de sua utilização/aplicação nas atividades da empresa. O aproveitamento de crédito de PIS e Cofins com aluguel de bem está previsto no art. 3º, inciso IV da Lei nº 10.637/02, reproduzido na Lei nº 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Conquanto tenha proferido voto no sentido de que a apropriação do crédito não alcança os veículos, esta Turma tem se manifestado que a determinação legal não restringiu a utilização dos créditos somente as máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. A premissa legal é que os veículos, além de máquinas e equipamentos, sejam utilizados nas atividades da empresa. No presente caso, a descrição da função ou aplicação dos veículos e equipamentos revela claramente estarem relacionados às atividades produtivas, ou seja, a utilização é na movimentação e transporte de insumos, máquinas, equipamentos e prestação de serviços essenciais ao processo produtivo. Portanto, para esta matéria assiste razão aos argumentos da Recorrente, devendo ser afastada as glosas referentes as despesas com alugueis de máquinas, equipamentos e veículos utilizados nas atividades da pessoa jurídica e pagos a pessoa jurídica. Encargos de depreciação de máquinas e equipamento do centro de custo AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) A fiscalização entendeu que os bens deste centro de custo relacionados nos Anexo IV não foram usados na produção, mas no bombeamento, tratamento, e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais, do que decorre a impossibilidade de se apropriar dos créditos com encargos de depreciação. Por sua vez, a contribuinte demonstrou no laudo a existência de vinculação direta da utilidade (água) a etapas do processo de produção de óxidos de nióbio, metalurgia, Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 17 16 concentração, calcinação, bem como em, outra oportunidade, na barragem de contenção de rejeitos direitos da produção. Desta forma, faço me valer da idêntica conclusão a que chegou a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara desta mesma Seção do CARF ao analisar esta matéria da mesma contribuinte no acórdão nº 3301003.209, de 21/02/2017, que por unanimidade reverte a glosa dos bens empregados no centro de custo AGU reproduzida: Entendese, com isso, que o Contribuinte não teria condições de processar os minérios para transformálos em produto final sem a utilização da água, fazendo com que esta seja indispensável no sistema produtivo realizado pelo Contribuinte. Tendo isto claro, respeitando o critério da essencialidade, visto que a água é elemento fundamental no processo produtivo do nióbio, e sem a água nas diversas fases do processo produtivo não é possível processar os minérios objeto da atividade do Contribuinte, voto no sentido de considerar que a depreciação das máquinas e os equipamentos utilizados no tratamento e abastecimento de água permitem o creditamento na contribuição ao PIS nãocumulativo, visto que são utilizados na produção de bens destinados à venda. Assim, com fundamento no art. 3º, VI c/c § 1º, III, e observado os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, todos da Lei nº 10.637/02, reproduzidos na Lei nº 10.833/03, e também o que se encontra disciplinado na IN SRF nº 457/2004, relativamente aos limites dos encargos de depreciação, devem ser estornados as glosas de créditos com encargos de depreciação dos itens imobilizados que constam do Anexo IV, identificados como relacionados ao centro de custo CC AGU. Encargos de depreciação de máquinas e equipamento do centro de custo ENE (Subestação de Energia Elétrica) Consta do relatório de diligência que os bens do centro de custo ENE Subestação de Energia Elétrica distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades, suprem de energia elétrica toda a empresa , sendo assim, entende a fiscalização que não atuam na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Uma vez mais, peço vênia para adotar as conclusões e minhas razões de decidir o voto alhures mencionado no acórdão nº 3301003.209, que se identifica ao do presente processo: Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 18 17 Observase ademais que no laudo elaborado pela requerente (fls. 657 a 711) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.637/02, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado,adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema. Assim, com fundamento no art. 3º, VI c/c § 1º, III, e observado os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, todos da Lei nº 10.637/02, reproduzidos na Lei nº 10.833/03, e também o que se encontra disciplinado na IN SRF nº 457/2004, relativamente aos limites dos encargos de depreciação, devem ser estornados as glosas de créditos com encargos de depreciação dos itens imobilizados que constam do Anexo IV, identificados como relacionados ao centro de custo ENE (Subestação de energia Elétrica). Móveis e equipamentos alocados em centro de custos produtivos Aduz a fiscalização que se trata de bens que não se relacionam ao processo produtivo e estão descritos no subitem 6.2 do Relatório Fiscal e Anexo V do Laudo, conforme indicação da utilização na tabela elaborada: Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 19 18 Entende o Fisco, quanto aos serviços relacionados, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admitiu o crédito sobre suas cotas de depreciação. Exceção feita às glosas pela fiscalização, o item 17, "detector de radiação G606/650" separador magnético escória/produto que se desgasta ou danificase no processo produtivo e, portanto, o crédito fora admitido. A contribuinte postula a reversão das glosas asseverando que desempenham funções nos processos e nas operações das etapas produtivas. Aparelhos de ar condicionado, incluindo serviço de instalação, monitores de LCD, exclusivamente utilizado em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção ou em equipamento (veículo), tanques para armazenagem de água ou outra substância e motoserras, utilizados em etapa produtiva são essenciais ao processo produtivo devendose estornar as glosas. Quanto aos demais bens da tabela, sua utilização não tem relação de essencialidade às etapas de industrialização do produto destinado a venda, portanto, não autoriza o creditamento, eis que secundários ao processo industrial. É o caso de rádios comunicadores, móveis, utensílios e arcondicionado de salas de operadores. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004 Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 20 19 A decisão recorrida manteve a glosa de créditos efetuadas pela fiscalização sobre quotas de depreciação sobre bens adquiridos antes de 30/04/2004, conforme determina o art. 31 da lei nº 10.865/04, que assim dispõe: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio. De forma diversa entende o Contribuinte, que alega em seu Recurso Voluntário, que não se pode aplicar tal dispositivo por haver assim ofensa ao seu direito adquirido referente ao desconto dos créditos do PIS calculados sobre os encargos de depreciação do ativo imobilizado acima mencionado. Suscita que não pode a norma do art. 31 da Lei n. 10865/04 ser aplicada retroativamente para alcançar os créditos relativos aos bens do ativo imobilizado, que tenham sido adquiridos antes de 30.4.2004, conforme reconhecido pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4a Região, no julgamento do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS n. 2005.70.00.0005940/ PR, em 26.6.2008. Apesar dos argumentos do Contribuinte não há como negar a clareza da norma em questão quando define que é vedado o desconto de créditos relativos a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até a data de 30 de abril de 2004. Logo, não se trata de uma ofensa ao direito adquirido do Contribuinte, mas sim a simples e necessária aplicação da legislação pertinente a matéria discutida. Com isso, haja visto a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao pedido do Contribuinte referente a este ponto. Desse modo, não há como afastar a glosa relativa ao aproveitamento de crédito sobre encargos de depreciação referentes às aquisições de bens e serviços do ativo imobilizado, anteriores a 30/04/2004 Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para (i) afastar da base de cálculo da contribuição o ingresso oriundo da cessão de créditos do ICMS; (ii) conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003: 1. GLP e óleo diesel utilizados como combustíveis; Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10650.901215/201029 Acórdão n.º 3201003.572 S3C2T1 Fl. 21 20 2. Despesas com aluguéis de máquinas, equipamentos e veículos utilizados em atividades da empresas relativas às etapas do processo produtivo, relacionados no Anexo VIII do Laudo; 3. Encargos de depreciação de: a. itens imobilizados que constam do Anexo IV identificados como relacionados aos centos de custos AGU e ENE; b. aparelhos de ar condicionado e monitores de LCD, exclusivamente utilizados em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção da etapa produtiva (Anexo V); c. tanques de líquidos e motoserras, utilizados no processo produtivo (Anexo V); 4. Serviço de instalação de ar condicionado em veículo utilizado em etapa do processo produtivo. É como voto. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 456DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001488/2004-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/12/1998 a 31/01/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA.
A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial.
Numero da decisão: 3302-005.400
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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COFINS Recorrente THE FIRST INTERNACIONAL TRADE BANK LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1998 a 31/01/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA DE PEDIDOS NA MATÉRIA MERITÓRIA. A propositura pelo sujeito passivo, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto quanto ao mérito do litígio, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, sendo passível de julgamento somente as demais questões não abrangidas no pleito judicial. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em negarlhe provimento. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 14 88 /2 00 4- 81 Fl. 208DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do acórdão CARF, conforme a seguir transcrito: Tratase de auto de infração de COFINS, referente as competências 09/1995 a 01/99 em razão do não recolhimento da contribuição sobre as atividades decorrentes da atividade de factoring. A ciência do auto de infração ocorreu em 28/10/2004.(grifei). Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente alegou que a totalidade do lançamento estava atingida pela decadência; e no mérito, que inexistia fundamento legaljudicioso que a obrigasse ao recolhimento da COFINS quando exercia o "factoring" estritamente na forma da compra e venda de faturamento, ressalvando apenas a incidência da contribuição quando, eventualmente. Promovia prestações de serviços; e a atividade de factoring, em toda a sua extensão, somente passou a oficialmente a compreender uma atividade enquadrada como prestação de serviços a partir da Lei 8.981/95, e que esta seria inaplicável aos fatos geradores constantes do auto de infração, bem como com o advento da Lei 9.718/98. A DRJ de São Paulo, após analise da defesa apresentada, decidiu manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1995, 1997, 1998 e 1999. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. O direito de constituição do crédito relativo as contribuições sociais decai em 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. COFINS. EMPRESAS DE "FACTORING'. BASE DE CÁLCULO. A receita auferida no desempenho da atividade de "factoring", oriunda das compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, constitui receita de serviços e integra o faturamento mensal, devendo compor a base de cálculo de incidência da COFINS. Lançamento Procedente Apresentado o recurso Voluntário, são reprisados os argumentos da Manifestação de Inconformidade apresentada. É o relatório. Através do Acórdão nº 330200.492, de 28/07/2010, fls.158/163, foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a decadência, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 16327.001488/200481 Acórdão n.º 3302005.400 S3C3T2 Fl. 209 3 Cientificado do referido acórdão, o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à tese aplicada. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida. Nos termos do acórdão nº 9303002.904, de 09/04/2014, fls.197/202, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/09/1995 a 31/01/1999 TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido. Excertos do voto: Não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase ao presente caso o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. No período de 09/1995 a 11/1999, ocorreu a decadência, independentemente de ter ocorrido ou não o pagamento. Resta analisar as competências de dezembro de 1998 e janeiro de 1999. Em havendo pagamento, aplicase o art. 150, § 4º do CTN, caso contrário, o artigo de regência deve ser o 173, I do CTN. Fl. 210DF CARF MF 4 Como se verificou que não houve pagamentos referentes às competências de dezembro de 1998 e janeiro de 1999, conforme explicita o próprio relator do acórdão recorrido, não há que se falar em aplicação do art. 150, § 4º do CTN e tampouco em decadência para esse período. Assim, dou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, com retorno à instância anterior para a análise do mérito.(grifei). Conforme despacho de fl.195, o interessado foi devidamente cientificado do Acórdão, Recurso Especial e Despacho de Admissibilidade, não tendo apresentado, até o presente momento, contrarrazões. Após ciência do julgamento do recurso especial, conforme AR de fl.205, o processo retornou ao CARF. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Observase dos autos que a questão relativa à prejudicial de decadência foi decidida pela CSRF, restando a questão mérito relativa às competências de dezembro de 1998 e janeiro de 1999. Do quantum lançado Argui a recorrente: Nesse contexto, relativamente à receita de prestação de serviços correspondente aos fatos geradores da COFINS conforme indicado no corpo do Auto de Infração em tela, sempre que a Recorrente implementava referida prestação de serviços, era emitida a correspondente Nota Fiscal Fatura e recolhida a COFINS à alíquota de 2% (dois por cento) nos DARF's respectivos, na estrita conformidade da Lei Complementar n° 70/91, em cujos Artigos 10 e 2° consistiu o enquadramento legal constante do procedimento fiscal sob relevo, tudo conforme exemplificado em anexo (does. 04 a 09 juntados à Impugnação). 3. Não obstante tal constatação, a autoridade fiscal não considerou referidos recolhimentos e autuou a Recorrente pelo valor total tributável, sobre o qual fez ainda incidir multa e juros moratórios, o que igualmente subtrai do procedimento administrativo em tela a respectiva procedência, dada a evidente Fl. 211DF CARF MF Processo nº 16327.001488/200481 Acórdão n.º 3302005.400 S3C3T2 Fl. 210 5 carência de liquidez dos valores cobrados da Recorrente, posto que não ressalvados os recolhimentos da exação procedidos conforme acima.(grifei). Constatase dos demonstrativos do auto de infração, fls.10/13, que os valores recolhidos foram considerados na autuação, no entanto os períodos respectivos foram apreciados em definitivo pela CSRF, no acórdão acima referido. MÉRITO Da incidência da COFINS nas operações de "factoring" Esclarece a descrição dos fatos do auto de infração, fl.06: A lavratura do auto de infração visa a constituição dos créditos tributários de Cofins que não foram recolhidos e informados em DCTF. O contribuinte ajuizou em 24 de agosto de 2001 Ação Declaratória Negativa de Relação Jurídica Obrigacional, com pedido de tutela antecipada, com o escopo de ter a declaração do poder judiciário sobre inexistência de relação jurídico obrigacional com a União ( Fazenda Nacional) quanto ao pagamento da COFINS sobre a receita de "factoring" de forma retroativa, relativamente a fatos geradores ocorridos anteriormente ao advento da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. Pleiteava pagar a Cofins com base na receita bruta de serviços ( não incluídas as receitas de factoring) A alíquota de 2%.(grifei). Quanto à questão meritória, destaca a recorrente: 1. Consoante já aqui suscitado, as receitas decorrentes direta e exclusivamente da atividade de "factoring" enquanto DESAGIO proveniente da compra de faturamento não estavam sujeitas à incidência da COFINS nos períodos apontados no Auto de Infração em tela, pelo singelo e incontroverso motivo de que os fatos típicos previstos no Artigo 2° da Lei Complementar n° 70/91, a qual fundamentou tal Auto de Infração, não contemplam a compra de faturamento quão menos o DESÁGIO dai decorrente. 2. Com efeito, à ausência de qualquer dispositivo legal a respeito, a prática de atividades inerentes ao "factoring" puro não implicava de forma alguma a prestação de serviços, muito menos a venda de mercadorias, únicos fatos geradores então exigidos para se caracterizar a incidência da COFINS, dai não se podendo falar em faturamento proveniente de receitas dessa natureza no caso das atividades de faturização pura quando exercida pela Recorrente, à luz da sua própria conceituação doutrinária que época era a única referência para definir tal modalidade negocial, à falta de regulamentação legislativa acerca do assunto. Fl. 212DF CARF MF 6 (...) 4. Mais recentemente, no intuito de conferir abrangência total, genérica e irrestrita no que toca A incidência da COFINS estendendoa a todos e quaisquer ramos de atividades industrial/ empresarial, inicialmente a Lei nº 9.718, de 27.11.98, a par de ter elevado para três por cento a alíquota da COFINS, ampliou a respectiva base de cálculo, ao preceituar o quanto segue: (...) Pugna a defesa em seu argumento nuclear que a incidência das contribuições sociais previstas na lei em destaque recairia sobre a receita de venda de mercadorias e operações de prestações de serviços, não abrangendo a receita decorrente da aquisição de direitos creditórios, portanto que os fatos geradores que ora se examina não estão amparados pelas disposições da Lei Complementar n° 70, de 30/12/91, visto que somente com a vigência da Lei nº 9.718, de 27.11.98, a base da COFINS passou a ser ampliada. Os seguintes diplomas legais, assim dispõem: · Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.(grifei). · Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: Art.2°As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei.(Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2ocompreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977.(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência)(grifei) (...) Art.17. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 16327.001488/200481 Acórdão n.º 3302005.400 S3C3T2 Fl. 211 7 I em relação aos arts. 2°a 8°, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999;(grifei). Em face dos comandos legais acima destacados, verificase que as competências de dezembro de 1998 e janeiro de 1999, que restaram para análise estão portanto sob a égide da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, nesse sentido, constatase da decisão em AGRAVO LEGAL EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 0022002 41.2001.4.03.6100/SP, 2001.61.00.0220029/SP, Apelante THE FIRST INTERNATIONAL TRADE BANK S/C LTDA, proferida pela Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que por unanimidade, negou provimento ao agravo legal, conforme ementa e excertos do voto a seguir colacionados: EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA DE OPERAÇÕES DEFACTORING.AGRAVO IMPROVIDO, MANTENDOSE DECISÃO UNIPESSOAL DO RELATOR QUE ADOTOU A TÉCNICA PER RELATIONEM. 1. A aquisição de direitos creditórios reclama a incidência da exação em tela, porque não é possível o desmembramento do negócio, jurídico, fazendo com que a incidência tributária repercuta apenas sobre parte da base de cálculo. 2. A aquisição do faturamento, como alegado, não é operação apartada da "prestação de serviços de intermediação e contratos de factoring" (fl. 220), nos termos em que alegado pelo autor, mas sim meio para a prestação do serviço. 3. Tratase de fundamento do próprio negócio, num entrelaçamento lógico de causa e efeito que se torna impossível compartimentar o instituto jurídico, a fim de diminuirse carga fiscal da empresa. 4. Não se afigura ilegal a incidência do tributo sobre a atividade do autor, antes da LC 70/91, nos moldes como apurado pelos auditores da receita, que tomaram por base o valor total da operação. 5. A atividade empresarial realizada pela autora já era prevista no item 48 da Lista de Serviços do DecretoLei nº 406/68, na redação da Lei Complementar 56/87, não podendo a interpretação dos normativos citados ser tendente à isenção fiscal, em vista da indisponibilidade do erário.(grifei). 6. Agravo improvido. Excertos do voto: Analisase apelação interposta em face da r. sentença que julgou improcedente a ação declaratória, pelo rito ordinário, na qual a autora objetivava a declaração de inexistência de débito relacionado à COFINS, no período de 30/04/1992 a 31/08/1995. Argumentou, para tanto, a ilegitimidade da incidência de COFINS sobre a receita de operações de factoring, cobrada pela Receita Federal via auto de infração, em período pretérito à Lei Fl. 214DF CARF MF 8 Complementar 70/91, ao argumento de que não havia fundamento legal para a cobrança da exação sobre operações de fomento mercantil, cuja exigência só se faz possível a partir da Lei nº 9.718/88. (...) O ponto controvertido versa sobre a legitimidade da incidência da COFINS sobre operações de factoring, antes da vigência da Lei 9.718/98. Com efeito, aduziu o autor não confundirse a compra do faturamento, sob a qual não há incidência legítima de COFINS, com a prestação de serviços de intermediação de contratos de factoring, de que trata o item 48 da Lista de Serviços da Lei Complementar 56/87, serviços sobre os quais ele teria regularmente recolhido a contribuição em apreço. O cerne do pedido é o cômputo, na base de cálculo do tributo, do valor da diferença verificada entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito creditório adquirido. O pedido é improcedente. A aquisição de direitos creditórios reclama a incidência da exação em tela, porque não é possível o desmembramento do negócio jurídico, fazendo com que a incidência tributária repercuta apenas sobre parte da base de cálculo. É que a aquisição do faturamento, como alegado, não é operação apartada da "prestação de serviços de intermediação e contratos de factoring" (fl. 220), nos termos em que alegado pelo autor, mas sim meio para a prestação do serviço. Vale dizer, tratase de fundamento do próprio negócio, num entrelaçamento lógico de causa e efeito que se torna impossível compartimentar o instituto jurídico, a fim de diminuirse carga fiscal da empresa.(grifei) Logo, não se afigura ilegal a incidência do tributo sobre a atividade do autor, antes da LC 70/91, nos moldes como apurado pelos auditores da receita, que tomaram por base o valor total da operação. A atividade empresarial realizada pela autora já era prevista no item 48 da Lista de Serviços do DecretoLei nº 406/68, na redação da Lei Complementar 56/87, não podendo a interpretação dos normativos citados ser tendente à isenção fiscal, em vista da indisponibilidade do erário. Ante o exposto, depreendese que a questão meritória, posta na via administrativa está submetida ao crivo do Poder Judiciário, já que expressamente analisada na peça decisória acima demonstrada. Nesse mister, verificase quanto a essas matérias a concomitância de pedidos, nas esferas administrativas e judicial, estando portanto afastadas do âmbito decisório na via administrativa, sendo importante ressaltar que, pela sistemática constitucional temse que o Fl. 215DF CARF MF Processo nº 16327.001488/200481 Acórdão n.º 3302005.400 S3C3T2 Fl. 212 9 princípio da unicidade de jurisdição, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal de 1988, confere exclusividade ao Poder Judiciário para a prestação jurisdicional (“a lei não excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito”), estabelecendo, deste modo, uma importante regra limitadora do processo administrativo, qual seja a de que as decisões administrativas não são definitivas e seu cumprimento depende de sua não invalidação por algum provimento judicial. Com efeito, a matéria objeto do processo administrativo pode, a qualquer tempo (antes, durante ou depois do processo administrativo), ser levada à apreciação do Poder Judiciário. Assim, do ponto de vista jurídico, a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, amparado pela garantia constitucional da inafastabilidade do controle judicial, contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, em face da concomitância dos pedidos. Essa questão está disciplinada pelo 1art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) já sumulou a questão, nos seguintes termos: "SÚMULA CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a matéria estava à época da apresentação das impugnações normatizada pelo Ato Declaratório Normativo (Cosit) nº 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/1996), in verbis: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto;(grifei). b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de calculo etc.); 1 Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 216DF CARF MF 10 c) no caso da letra 'a', a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151 do CTN;” Atualmente referida matéria está normatizada pelo Parecer Normativo RFB nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27.8.2014, cuja conclusão a seguir se transcreve apenas como reforço argumentativo sobre o alcance e consequências da concomitância de pedidos: 55. Desse modo, considerando que os arts. 1º, § 2º, do Decreto nº 1.737/1979, e 38, § único, da Lei nº 6.830/80, tem como único objetivo conferir eficácia ao princípio da economia processual, concluise que o não reconhecimento da concomitância pelo CARF resultará numa decisão administrativa prejudicada, redundante e inútil, após a prolação da sentença contrária de mérito no processo judicial que trate da mesma relação jurídica. 56. Repetindo: o não reconhecimento da concomitância tornará o julgamento administrativo desnecessário e inútil naquilo que for contrário à decisão de mérito do Poder Judiciário, simplesmente porque a coisa julgada judicial faz lei entre as partes em caráter definitivo e sua eficácia (ex tunc) não está condicionada ao resultado do julgamento do processo administrativo (arts. 467 e 468 do CPC). A decisão judicial de mérito passada em julgado tem como atributos especiais a indiscutibilidade, a imutabilidade e a coercibilidade, o que obriga o seu cumprimento pela autoridade administrativa, ainda que exista acórdão do CARF em sentido contrário.(gn) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; Pelo que está posto, no que se refere à matéria objeto de demanda judicial, tornouse definitiva e insuscetível de discussão na esfera administrativa, no entanto a renúncia em tela não tem o condão de tornar nulo o ato, tampouco suspender o curso do processo administrativo, podendo tão somente sobrestálo quanto aos atos executórios até pronunciamento final da justiça, se for o caso. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16327.001488/200481 Acórdão n.º 3302005.400 S3C3T2 Fl. 213 11 Assim, diante do desprovimento judicial quanto ao pleito inicial, agiu com acerto a autoridade administrativa a quem cumpre aplicar a norma tributária e tem o dever de exigir o crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, ex vi do parágrafo único do art. 142 do CTN, o que foi feito através do lançamento que ora se examina. Ante o exposto, VOTO: I) por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO quanto à questão referente à incidência da COFINS nas receitas decorrentes da atividade de factoring) , matéria portanto de cunho meritório e DECLARAR DEFINITIVO na esfera administrativa o lançamento formalizado no Auto de Infração de fls.4/18; II) por CONHECER a matéria não incluída no pleito judicial, nos exatos termos dos fundamentos aduzidos no voto, para negarlhe provimento. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 218DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003168/2005-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF NO PERÍODO CONSTITUINDO CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
Quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, se ausente a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como verificada a apresentação de DCTF no período pelo contribuinte, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo artigo 150, § 4°, do CTN.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CONTRARIEDADE NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL
A nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa, diante de suposta contrariedade na capitulação e identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999, 2000
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida, consideradas as arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos três primeiros trimestres de 1999 e dos três primeiros trimestres de 2000, cancelando os lançamentos destes períodos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF NO PERÍODO CONSTITUINDO CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, se ausente a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como verificada a apresentação de DCTF no período pelo contribuinte, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo artigo 150, § 4°, do CTN. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CONTRARIEDADE NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa, diante de suposta contrariedade na capitulação e identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999, 2000 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida, consideradas as arguições especificas e elementos de prova distintos.
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L. INDUSTRIA ELETRONICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF NO PERÍODO CONSTITUINDO CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. INCIDÊNCIA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. Quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação, se ausente a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, bem como verificada a apresentação de DCTF no período pelo contribuinte, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo artigo 150, § 4°, do CTN. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CONTRARIEDADE NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. CLAREZA DE FUNDAMENTOS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL A nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa, diante de suposta contrariedade na capitulação e identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999, 2000 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 68 /2 00 5- 18 Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.101 2 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida, consideradas as arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos três primeiros trimestres de 1999 e dos três primeiros trimestres de 2000, cancelando os lançamentos destes períodos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.102 3 Relatório Tratase de redistribuição do feito, após a prolatação do v. Acórdão nº 9101 002.597, pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1084 a 1089), que deu provimento ao Recurso Especial manejado pela Fazenda Nacional, determinando, ao final, o retorno dos autos à C. Turma de origem, para a apreciação das seguinte matérias: a) a preliminar de decadência dos créditos tributários lançados; b) a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; e c) a ilegalidade do emprego da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Em face da extinção da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que julgou o Recursos Voluntário (fls. 629 a 649) procedente, cancelando integralmente o lançamento de ofício, por meio do v. Acórdão nº 10196 469, por entender ausentes os requisitos legais para o arbitramento do lucro, (fls. 1036 a 1047), os autos foram sorteados a este Conselheiro. Em resumo, o presente processo trata de Autos de Infração, referentes a IRPJ e CSLL, dos anoscalendário 1999 e 2000, originários de fiscalização motivada pela apuração de supostas incongruências na escrituração da Contribuinte, lavrados diante do não atendimento às solicitações de entrega da documentação contábil exigida, levando ao arbitramento do lucro com base nas receitas de vendas e prestação de serviços, declaradas em DIPJ (vide TVF e Autuações às fls. 72 a 103). Foram descontados os débitos do período, declarados em DCTF. Tendo em vista já ter havido apreciação anterior do feito por C. Turma extinta do E. Conselho de Contribuintes, adoto, a seguir, o completo relatório do I. Conselheiro Paulo Roberto Cortez, evitandose repetições: M. L.. INDÚSTRIA ELETRÔNICA LTDA., já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 424/444), contra o Acórdão n° 9..691, de 13/07/2006 (fls.. 395/408), proferido pela colenda 1° Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP, que julgou procedente o lançamento Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.103 4 consubstanciado nos autos de infração de IRPJ, fls.. 280 e CSLL, fls. 292. A fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da contribuinte em razão da não apresentação do LALUR correspondente aos anoscalendário de 1999 e 2000, aplicando os percentuais de 9,6% e 38,4%, respectivamente, sobre as receitas de vendas e de prestação de serviços obtidas das informações constantes de suas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ dos exercícios de 2000 e 2001. Dos valores do IRPJ e da CSLL apurados no procedimento fiscal, foram deduzidos os correspondentes declarados em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, referentes a cada trimestre do anocalendário de 2000. Notificada da decisão em 12.12.2005, a interessada apresentou tempestiva impugnação às fis, 325/347, em que alega, em síntese, o seguinte: 1) que parte dos fatos geradores ocorreram entre o 1° trimestre de 1999 e o 30 trimestre de 2000, enquanto o auto de infração foi lavrado em dezembro de 2005, quando já decorrido o prazo decadencial para o lançamento, nos termos dos arts. 150, § 40 e 156, incisos incisos V e VII, ambos do Código Tributário Nacional (CTN); 2) que não é aplicável o prazo decadencial de dez anos para a CSLL, contida no art, 45 da Lei n° 8212/1991, por ofender o art. 146, III, b do texto constitucional, sendo certo que, ainda que assim não o fosse, tal prazo se destinaria apenas às contribuições sociais administradas pelo INSS, conforme disposto no arL 194 da Constituição Federal e dos arts. 11 da Lei n° 8 212/1991 e 1' da Lei n° 11 098/2005; 3) que o arbitramento é modalidade de apuração do lucro tributável que só deve ser utilizado quando for impossível a determinação do lucro real do contribuinte, sem conotação de penalidade, 4) que o Fisco entendeu que a Impugnante infringiu simultaneamente os incisos 1 e 111 do art.. 530 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto n° 3.000/1999), situação impossível, uma vez que se tratam de hipóteses excludentes entre si, pois se uma é aplicável quando o contribuinte não possui escrituração, não poderia, cumulativamente, incorrer na hipótese de recusa em apresentar seus livros e documentos comerciais e fiscais; desta maneira, não sabendo ao certo qual o fundamento da autuação, fica prejudicado o exercício de sua ampla defesa, não restando alternativa senão anular os lançamentos; 5) que a documentação apresentada durante o procedimento fiscal era suficiente para que fosse identificado o lucro tributável, tanto é que a receita bruta foi apurada a partir dela, Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.104 5 demonstrandose desnecessário seu arbitramento, razão pela qual os lançamentos impugnados devem ser cancelados por ofenderam o princípio da verdade material; 6) que também merece a decretação de nulidade o auto de infração em razão de não ter a fiscalização não ter desconsiderado dos cálculos efetuados os valores recolhidos a titulo de antecipações de IRPJ e CSLL; 7) que a taxa Selic tem natureza remuneratória, sendo inconstitucional e ilegal sua aplicação como juros de mora. A Colenda Turma de Julgamento de primeira instância decidiu pela manutenção da exigência tributária, conforme acórdão citado, cuja ementa tem a seguinte redação: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000 ENQUADRAMENTO LEGAL. DUPLICIDADE DESCRIÇÃO DOS FATOS COMPREENSÃO DA INFRAÇÃO NULIDADE, INOCORRÊNClA A menção a mais de um inciso corno o dispositivo legal infringido não vicia o lançamento quando as intimações e a descrição dos fatos contida no Termo de Verificação Fiscal e em campo próprio do formulário do Auto de Infração permitem ao autuado conhecer a infração a ele atribuída, não gerando prejuízo ao exercício da ampla defesa, hipótese que, se verificada, imporseia a anulação da autuação. JUROS DE MORA SELIC. INCONST ITUCIONAL1DADE. CONTROLE JURISDICIONAL. O controle de constitucionalidade de atos normativos é da competência do Poder Judiciário, restringindose o julgador administrativo à análise da legalidade da autuação fiscal. AUTOS REFLEXOS. A ocorrência de eventos que representam ao mesmo tempo fato gerador de vários tributos implica na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que o julgamento que reconhece a ocorrência desses eventos repercute em todos os lançamentos a eles vinculados. Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 IRPJ DECADÊNCIA CINCO ANOS. TERMO INICIAL EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA ENTREGA DA DIPJ. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.105 6 sido efetuado, entendido este como o da entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, ressalvado os casos de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DEZ ANOS, Decai em dez anos o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente a contribuições sociais, nos termos do art. 45 da Lei nº 8,212/1991, independentemente do órgão estatal incumbido de administrálas. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000 LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS NÃO APRESENTAÇÃO ARBITRAMENTO A falta de apresentação dos livros exigidos pela legislação comercial e fiscal não permite a aferição do lucro apurado pela pessoa jurídica segundo o regime de tributação pelo Lucro Real, impondose seu arbitramento. Lançamento Procedente Ciente da decisão de primeira instância em 21/08/2006 e com ela não se conformando, a contribuinte recorre a este Colegiado por meio do recurso voluntário apresentado em 20/09/2006 (fls. 424), alegando, em síntese, o seguinte: a) que, se a fiscalização houvesse analisado todos os documentos disponibilizados peia recorrente, verificaria que a falta de pertinência do auto de infração, bem como do conseqüente arbitramento dos lucros, uma vez presentes todos os elementos necessários para o cálculo dos impostos cobrados, b) que ocorreu a decadência do direito de o Fisco lavrar o auto de infração, pois somente veio a acontecer em dezembro de 2005, sendo que o crédito tributário referente ao período compreendido entre o 1° trimestre de 1999 e o 30 trimestre de 2000 estava extinto, c) que, não obstante o argumento da turma de julgamento, há que se pontuar que o lucro arbitrado é, em verdade, sob o ponto de vista material, um método de apuração (adjetivo) da base de cálculo do FRPJ não devendo figurar, por assim dizer, como de conteúdo sancionador, d) que o arbitramento do lucro é medida que deve ser utilizada excepcionalmente, quando as falhas apresentadas não permitam que o lucro real seja apurado; e) que a documentação e as declarações apresentadas pela recorrente permitem a adequada apuração do lucro tributável. Prova disso é o que consta do próprio Termo de Verificação, quando o Fisco expressamente informa que foi possível identificar a receita bruta da recorrente; Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.106 7 f) que é ilegal a utilização da taxa SELIC para a cobrança dos juros moratórias É o relatório. (fls. 1038 a 1041) Como mencionada, o referido Órgão de Julgamento do C. Conselho de Contribuintes, proferiu o v. Acórdão nº 10196 469, cancelando o lançamento de ofício, ementado e decidido nos seguintes termos: IRPJ — ARBITRAMENTO DE LUCRO — FALTA DE ESCIRUTAÇÃO (SIC) DO LALUR Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das conseqüências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício.. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o conseqüente arbitramento dos lucros Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recursos interpostos por M. L INDÚSTRIA ELETRÔNICA LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento ao recurso, nos , ermos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 1051 a 1060), requerendo a reforma de tal v. Julgado, demonstrando divergência acerca do entendimento jurisprudencial sobre o lucro arbitrado em lançamentos de ofício. Distribuído o processo ao I. Relator, Rafael Araújo Vidal, foi conhecido e provido o apelo fazendário no mérito, entendendose como adequada a manobra da Fiscalização em proceder ao arbitramento do lucro. Contudo, por ter o v. Acórdão recorrido deixado de apreciar a preliminar de decadência em razão dos fundamentos do voto, bem como não ter tratado das alegações referentes ao suposto cerceamento de defesa e a aplicação da Taxa SELIC sobre os juros, foi determinado o retorno dos autos à Instância a quo para sua devida apreciação. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.107 8 Uma vez certificada a extinção do N. Colegiado que primeiro apreciou o Recurso Voluntário, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.108 9 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Ainda que o presente processo, originalmente, tenha sido objeto de conhecimento e deliberação por outro Colegiado, em face da sua extinção e término do mandato do I. Conselheiro relator anterior, o julgamento meritório por essa C. 2ª Turma Ordinária não representa afronta ao disposto no RICARF/MF vigente. Como se observa do relatório, as matérias agora sob apreciação e julgamento, por determinação da C. CSRF, são estritamente: a) a preliminar de decadência dos créditos tributários lançados; b) a preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa; e c) a ilegalidade do emprego da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Adotandose a ardem das arguições trazidas no Recurso Voluntário (repetida pelo I. Relator da C. CRSF), primeiramente enfrentarseá a suposta consumação da decadência de parte dos créditos tributário lançados em face da Recorrente. Previamente, a título de comentário contextual, vale aqui esclarecer que quando do lançamento de ofício e da decisão da DRJ a quo, o E. Superior Tribunal de Justiça ainda não havia julgado o REsp nº 973.733/SC (que ocorreu apenas em 12/08/2009, sob o rito do art. 543C do CPC/73) e, muito menos editado, a Súmula nº 5551 (publicada em 15/12/2015), apresentandose um cenário, jurisprudencial e doutrinário, em que muito se debatia a aplicação de prazos quinquenais, ou decenais, a aplicação de previsão de leis ordinárias, o marco para o início da contagem dos prazos, a influência da modalidade de lançamento do tributo sobre o regramento dessa modalidade de caducidade e a relação entre os arts. 150 e 173 do Código Tributário Nacional. 1 "Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa" Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.109 10 Como se observa, hoje, inclusive na jurisprudência desse E. CARF, tal tema é pacificado, inclusive regimentalmente submetido a tal entendimento do E. STJ, como versa o §2º do art. 62 do Anexo do RICARF agora vigente. Posto isso, devese então analisar as circunstâncias fáticas que suportam a alegação de decadência, depois verificando sua subsunção e enquadramento à posição jurisdicional aplicável. É incontroverso nos autos que a ora Recorrente tomou ciência dos Autos de Infração em 12/12/2005 (confeccionados em 05/12/2005), colhendo fatos jurídicos tributários do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 1999 e 2000, dividindoos nos 4 Trimestres de apuração de cada período anual. Confirase: (fls. 77 e 78) Posto isso, já se pode concluir, antes de quaisquer ilações jurídicas, que todos os débito referentes ao 3 primeiros Trimestres do anocalendário de 1999 foram consumados Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.110 11 pela decadência, independentemente da aplicação do art. 173, inciso I ou do art. 150, § 4º do CTN ou mesmo do debate sobre o marco inicial da contagem de seu prazo. Explicando, ainda que a contagem do prazo de decadência desses débitos dos 3 primeiros Trimestres tivesse se iniciado em 01/01/2000 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado) o quinquênio terminaria em 01/01/2005, mais de 11 meses antes da data da lavratura das Autuações. Desse modo, já se reconhece a decadência dos créditos tributários de IRPJ e CSLL, referentes ao 1º, 2º e 3º Trimestre de 1999. Em relação aos demais períodos (4º Trimestre de 1999 e 1º, 2º, 3º e 4º Trimestres de 2000), é necessário verificar a incidência ou não do previsto no art. 150, § 4º do CTN. Analisando o TVF e as Autuações, resta certo que não houve alegações de perpetração de fraude, dolo ou simulação, que afastaria imediatamente a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN. Sequer foi aplicada multa qualificada no lançamento de ofício, valendose a Autoridade Fiscal da multa de ofício, ordinária, na monta de 75%. Inexiste, também, qualquer ilação, justificativa ou explicação da adoção do prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN (ou qualquer outra possível modalidade de cômputo da decadência). A Fiscalização restou absolutamente silente sobre o tema da caducidade. Não obstante, a Autoridade Tributária menciona e registra que a Contribuinte transmitiu DCTFs referentes a todos os Trimestres do ano 2000: Dos valores de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social S/ o Lucro — CSLL, apurados neste procedimento fiscal sob o regime de tributação do lucro arbitrado estão sendo deduzidos os valores declarados pela fiscalizada em Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF referentes aos trimestres do anocalendário de 2000: Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.111 12 Diante disso, não havendo dúvidas que o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos a lançamento por homologação, em relação a todos os 4 Trimestres do anocalendário de 2000 resta certa a incidência do previsto no art. 150, § 4º do CTN para o cômputo da decadência, seja pela ausência de imputações de condutas fraudulentas, dolosas ou sumuladas, seja pela confirmação da constituição de débitos por DCTF (que, para tal fim, surte o mesmo efeito de antecipação do pagamento). Nesse sentido, confirase o Acórdão nº 9101003.103, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de votação por maioria, e voto vencedor da I. Conselheira Cristiane Silva Costa, publicado em 10/10/2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. 150, §4º, CTN. DCTF. O prazo decadência para exigência do IRPJ é submetido ao artigo 150, §4º, do CTN na hipótese de apresentação de DCTF pelo contribuinte. Reprodução do acórdão do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º). (...) Com a devida vênia ao entendimento da ilustre Relatora, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, mantendo o acórdão recorrrido que aplicou o artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Ressalto que a orientação prevalecente nesta Turma da CSRF é pela aplicação do artigo 150, §4º quando é apresentada declaração com efeito de confissão de dívida, como efetivamente é o caso da DCTF cuja existência é mencionada pela Ilustre Relatora. A esse respeito, destaco precedente desta Turma, relatado pelo Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: (...) Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.112 13 Destaco trecho do voto do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, acompanhado à ocasião por esta Relatora, mencionando o acórdão do STJ no REsp : 4.2. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. 4.3. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. 4.4. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. 4.5. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. (...) 5.3. Ocorre que, compulsando os autos, constatase a presença de documentos (apresentados com o recurso voluntário) que comprovam confissões em DCTF e pagamentos por DARF de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relacionados a fatos ocorridos em todos os meses do anocalendário de 2000. 5.4. Às fls. 292/458, constam cópias das DCTF trimestrais referentes ao anocalendário 2000, todas elas indicando débitos de IRPJ/CSLL para os 4 trimestres de 2000 e débitos de PIS/COFINS para todos os meses desse mesmo ano. (...) Com efeito, tendo o contribuinte declarado os créditos tributários em DCTF, o prazo decadencial contase na forma do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. Por tais razões, nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Considerando aquilo acima exposto, temos que em relação aos débitos do anocalendário de 2000, aplicase (a todos os Trimestres) o art. 150, §4º do CTN, vez que reconhecidamente e incontroversa a transmissão das respectivas DCTFs. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.113 14 Já no que tange ao 4º Trimestre de 1999, não há menção ou prova da existência da DCTF de tal período tanto no TFV, como no conjunto fático probatório apresentado pela Contribuinte. Tampouco existe prova de recolhimentos de IRPJ e CSLL específicos desse período de apuração ou mesmo menção de sua ocorrência nas peças de defesa. Dessa forma, em relação ao 4º trimestre de 1999, deve ser aplicada a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose em 01/01/2001 (vez que o vencimento dos tributos deuse apenas em 01/2000) e findando tal lapso para a verificação da caducidade em 01/01/2006, restando os débitos correspondentes livres da ocorrência de decadência. Por sua vez e para garantir a clareza daquilo decidido, sob a aplicação do prazo no modo como previsto no art. 150, §4º do CTN, temos que os prazos decadenciais referentes aos débitos dos Trimestres do anocalendário de 2000 terminaram, respectivamente em: 31/03/2005, 31/06/2006, 31/09/2005 e 31/12/2005. Assim, com a ciência da Recorrente em 12/12/2005, o crédito tributário do 4º Trimestre do anocalendário de 2000 não foi alcançado pela consumação da decadência. Concluise, então, ser parcialmente procedente a alegação de decadência, devendo ser cancelado o lançamento de ofício em relação aos débitos de IRPJ e CSLL referentes ao 1º, 2º e 3º Trimestres do anocalendário de 1999 e ao 1º, 2º e 3º Trimestres do anocalendário de 2000. Uma vez remanescentes os débitos do 4º Trimestre do anocalendário de 1999 e do 4º Trimestre do anocalendário de 2000, cabe agora enfrentar as alegações de nulidade das autuações por cerceamento de defesa e a ilegalidade do emprego da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Para a Recorrente, o cerceamento do seu direito de defesa, que culminaria na nulidade do lançamento tributário, reside no suposto conflito entre os incisos I e III do art. 530 do RIR/992, os quais foram expressamente arrolados como fundamento legal do lançamento. 2 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.114 15 Textualmente alega que o equivoco reside justamente em razão de que para elaboração da IMPUGNAÇÃO a RECORRENTE teve de se pautar, fundamentalmente, entre outros documentos, no TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONCLUSÃO FISCAL PARCIAL, o qual arrolava, como alicerce legal para o arbitramento do lucro os incisos I e III do artigo 530 do RIR/99. A Contribuinte afirma que das duas uma: ou o sujeito passivo da obrigação tributária não manteve a escrituração na forma da legislação, ou esses documentos deixaram de ser apresentados ao Fisco. E tal falha, teria cerceado seu direito de defesa, ensejando a necessidade de reconhecimento de nulidade das Autuações. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Primeiramente, a contrariedade entre tais dispositivos não é algo objetivo e previamente reconhecido, podendo ser facilmente defendida interpretação em que ambos são aplicáveis conjuntamente. Mais importante para o presente caso é o fato de estar claramente registrada nos fundamentos e razões do TVF a falta de apresentação dos Livros, especificamente do LALUR dos períodos fiscalizados, pela Recorrente, em prazo superior a 550 dias. E, além disso, a Contribuinte foi capaz de elaborar rica e extensa defesa, em duplo grau de jurisdição administrativa. A maior demonstração de que não houve cerceamento de defesa é o fato de seu Recurso Voluntário ter sido integralmente provido, em primeiro julgamento, vindo a ser reformação por razões de interpretação jurídica e câmbio de posicionamento jurisprudencial e não pela ausência de combate ou de adequação postulatória ou probatória de qualquer elemento da defesa. (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 19515.003168/200518 Acórdão n.º 1402002.967 S1C4T2 Fl. 1.115 16 Por isso, não se constata a ocorrência de prejuízo à defesa da Recorrente, nem a nulidade do lançamento de ofício. Por fim, em relação à alegação de ilegalidade do emprego da taxa Selic no cálculo dos juros de mora, tal matéria é há muito pacífica nessa C. 2ª Turma Ordinária, bem como na C. CSRF. Sem necessidade de maiores aprofundamentos em relação a esse tema específico, ilustrando e motivando tal posição, confirase trecho da ementa do o recente Acórdão nº 9101003.222, da C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como voto vencedor do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, publicado em 05/03/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, em relação aos temas agora conhecidos, para reconhecer a decadência dos créditos tributários de IRPJ e CSLL referentes ao 1º, 2º e 3º Trimestres do anocalendário de 1999 e ao 1º, 2º e 3º Trimestres do anocalendário de 2000, cancelando essa parcela do lançamento de ofício. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726389/2016-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO.
O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
Numero da decisão: 2001-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 RENDIMENTOS ISENTOS. DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão.
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DOENÇA GRAVE. COMPROVAÇÃO. O contribuinte apresentou documentação comprovando doença grave, fazendo jus à isenção de imposto de renda dos rendimentos recebidos em razão de aposentadoria ou pensão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 63 89 /2 01 6- 66 Fl. 82DF CARF MF 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Destacamos algumas passagens do Acórdão de Impugnação: Ante o exposto, examinando os documentos que constam dos autos, em especial os de fls. 17 (cópia à fl. 40), 41 a 44 e 54, verificase que o único laudo que atende todos os requisitos estabelecidos na legislação acima mencionada é o de fls. 43, emitido pela Unidade MédicoPericial Previdenciária UMPP, da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, em 23/3/2016, e assinado pelo médico José França dos Santos, CRM 17113, matrícula 108319.8. Ocorre que tal laudo referese à moléstia (CID 10 C67), que somente foi diagnosticada em 2015, não amparando a pretensão da contribuinte para o ano calendário em lide (2011). Quanto ao laudo de fl. 40, além de não trazer o nº de registro no Órgão Público do profissional responsável pela emissão, não preenchendo os requisitos legais, no campo destinado a: “Exposição das observações, estudos, exames efetuados e registro das conclusões” há expressa informação de que a paciente encontrase em remissão da moléstia que havia sido evidenciada em exame anátomopatológico datado de 12/2001 (cópia do exame à fl. 41). Não consta dos autos laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial atestando que a interessada poderia ser considerada portadora de moléstia grave enumerada no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988, no anocalendário 2011 praticamente dez anos após o exame anátomopatológico de fl. 41 período superior ao prazo de validade habitualmente atribuído aos laudos periciais de diagnósticos de neoplasias (cinco anos). Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, são os seguintes: Apresentamos abaixo documentos e algumas passagens do Recurso Voluntário apresentados pelo contribuinte: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11080.726389/201666 Acórdão n.º 2001000.273 S2C0T1 Fl. 3 3 Fl. 84DF CARF MF 4 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11080.726389/201666 Acórdão n.º 2001000.273 S2C0T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. A contribuinte apresentou 2 laudos médicos oficiais: do serviço médico da Prefeitura de Porto Alegre e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O Laudo médico de 2015, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, comprova a doença grave e que o início da doença, neoplasia grave, ocorreu em 2001. Além disso, não tendo sido fixado prazo de validade ou controle pelos laudos, e considerando que a mesma patologia em 2015 foi novamente constatada, há indicação clara da continuidade da doença.O laudo do serviço médico da Prefeitura de Porto Alegre, não menciona o início da doença (existe campo no laudo, mas o médico não o preencheu), no entanto o laudo pericial do Hospital de Clínicas é claro quanto a este aspecto, estabelecendo o início da doença em 2001. Fl. 86DF CARF MF 6 Pelo conjunto das provas apresentado entendo comprovada a doença grave desde 2001. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.729396/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
REVISÃO DA DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. CIÊNCIA POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
Quando resulta improfícua a intimação por via postal, o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação é de trinta dias, contados da data da ciência por edital do lançamento. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 2401-005.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 REVISÃO DA DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. CIÊNCIA POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Quando resulta improfícua a intimação por via postal, o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação é de trinta dias, contados da data da ciência por edital do lançamento. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1068; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 91 1 90 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.729396/201168 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.511 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2018 Matéria IRPF IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA Recorrente FRANCISCO BENEVIDES DE FREITAS VIEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 REVISÃO DA DECLARAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. CIÊNCIA POR EDITAL. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. Quando resulta improfícua a intimação por via postal, o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação é de trinta dias, contados da data da ciência por edital do lançamento. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 93 96 /2 01 1- 68 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10380.729396/201168 Acórdão n.º 2401005.511 S2C4T1 Fl. 92 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10380.729396/201168 Acórdão n.º 2401005.511 S2C4T1 Fl. 93 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR), cujo dispositivo tratou de não conhecer a impugnação do contribuinte, por intempestiva, mantendo o crédito tributário lançado. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0823.498, de 28/05/2012 (fls. 28/34): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 TEMPESTIVIDADE PRELIMINAR. Deixase de acolher a preliminar de tempestividade, quando há nos autos prova da intempestividade da impugnação apresentada de acordo com intimação regularmente efetuada por edital. Impugnação Não Conhecida 2. Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2010/052549544219971, relativa ao anocalendário de 2009, decorrente de procedimento de revisão interna de Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, no montante total de R$ 206.998,01 (fls. 12/16). 2.1 A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindo o Fisco imposto suplementar, acrescido de juros de mora e multa de ofício. 3. Tomando ciência da notificação, o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 19/09/2011 (fls. 02/03). 4. A decisão de piso considerou intempestiva a impugnação, tendo em conta a intimação da notificação de lançamento através do Edital Malha Fiscal nº 0005/2011 no dia 02/05/2011 (fls. 32/33). 5. Cientificado em 25/06/2012, por meio de procurador, da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 25/07/2012, no qual repisa os argumentos da sua impugnação, a seguir resumidos (fls. 37/39 e 41/44): (i) não recebeu o Termo de Intimação Fiscal para apresentação de documentos e/ou esclarecimentos, tampouco há nos autos o comprovante da data e do número do aviso de recebimento da intimação da Notificação de Lançamento, por via postal, o que revelase contrário à legislação processual e invalida o lançamento fiscal; e Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10380.729396/201168 Acórdão n.º 2401005.511 S2C4T1 Fl. 94 4 (ii) é aposentado e, desde o mês de dezembro de 2008, portador de moléstia grave, qualificada como doença de Parkinson, de acordo com o laudo pericial oficial anexado (fls. 66); 6. Por meio da Resolução nº 2801000.338, de 22/01/2015, proferida pela 1ª Turma Especial da Segunda Seção, o julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência, com o propósito de juntarse aos autos uma cópia do Edital Malha Fiscal nº 0005/2011, de 15/04/2011, sem o qual a aferição da tempestividade da petição impugnatória restava prejudicada (fls. 73/75). 7. Cópia do edital foi juntada às fls. 78/86. De forma concomitante, foi oportunizado ao contribuinte manifestarse a respeito da conversão do julgamento em diligência. Porém, após a intimação por edital publicado em dependência, franqueada ao público, do órgão local da RFB, porque novamente frustrada a intimação por via postal, consta que o recorrente permaneceu inerte (fls. 77 e 87). 8. Por fim, tendo em vista que Turma de origem foi extinta, assim como o relator originário não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi realizado novo sorteio e distribuição deste processo para o julgamento do recurso voluntário no âmbito da Segunda Seção (fls. 89/90). É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10380.729396/201168 Acórdão n.º 2401005.511 S2C4T1 Fl. 95 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 10. Nesse momento processual, compete avaliar a tempestividade da apresentação da impugnação, visto que a decisão de piso considerou a defesa intempestiva. 11. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, estabelece que a impugnação da exigência formalizada por escrito instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que intimado o contribuinte: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) 12. A respeito dos meios de intimação e da contagem do prazo quando feita a intimação por edital, prevê o mesmo Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10380.729396/201168 Acórdão n.º 2401005.511 S2C4T1 Fl. 96 6 I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (...) § 3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (...) 13 Da análise dos autos, houve a tentativa inicial de intimação do contribuinte por via postal, no endereço por ele fornecido, para fins cadastrais, na sua DAA/2010, à Rua Pedrina Barbosa nº 20, Pacatuba (CE). Todavia, a intimação restou infrutífera, dada a devolução da correspondência pelos Correios (fls. 18 e 24/25). 13.1 A intimação via postal não mantém ordem de preferência com a ciência pessoal, de acordo com o § 3º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, não há indício que o endereço utilizado para intimação não correspondia ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. 14. Uma vez improfícua a via postal, a intimação da Notificação de Lançamento deuse por edital publicado no endereço da administração tributária na Internet, no dia 15/04/2011, e, portanto, considerada a ciência do contribuinte 15 (quinze) dias após a publicação do edital, em 02/05/2011, primeiro dia útil seguinte (fls. 78/79). 15. Desse feita, intimado da notificação pelo Edital Malha Fiscal nº 0005/2011 em 02/05/2011, segundafeira, foilhe conferido prazo de trinta dias para interposição da impugnação. Com isso, o termo do prazo de defesa iniciouse em 03/05/2011, terçafeira, e finalizou no dia 01/06/2011, quartafeira. 16. Todavia, o notificado protocolou a sua impugnação apenas em 19/09/2011, ou seja, alguns meses depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação (fls. 03/04). 17. Suplantado o permissivo legal, ausente o requisito extrínseco da tempestividade, não se instaura a fase litigiosa, devendo ser declarada intempestiva a petição de defesa, conforme decisão de primeira instância. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10380.729396/201168 Acórdão n.º 2401005.511 S2C4T1 Fl. 97 7 18. O acórdão recorrido realçou com propriedade que a falta de instauração da fase litigiosa, nos termos do Decreto nº 70.325, de 1972, impede que as questões de mérito sejam apreciadas no contencioso fiscal. 18.1 Nada obstante, é possível o procedimento de revisão de ofício do lançamento nos termos do inciso VIII do art. 149 do Código Tributário Nacional (CTN), inclusive quanto à alegada isenção tributária sobre os rendimentos considerados omitidos, devido ao atendimento pelo contribuinte dos requisitos previstos na lei fiscal (Parecer Normativo Cosit nº 8, de 3 de setembro de 2014). 18.2 Compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à avaliação da presença das condições para a revisão de ofício do lançamento. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000532/2009-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
É legítimo o lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas.
MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL. COMPATIBILIDADE.
A presunção de receitas somente tem o efeito de inverter o ônus da prova em desfavor do contribuinte, além de conferir ao fisco uma autorização para quantificar a receita omitida, com base em determinados critérios estipulados em lei, não sendo incompatível com a multa qualificada, que incide quando a empresa introduz em sua contabilidade artifícios para esconder receitas, caracterizando o dolo de sonegar tributos, ainda que a quantificação da autuação tenha derivado de presunção legal.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1º de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 11 DO CARF.
Conforme estabelecido na Súmula 11 deste CARF, não se aplica prescrição intercorrente em processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1401-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É legítimo o lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas. MULTA QUALIFICADA. PRESUNÇÃO LEGAL. COMPATIBILIDADE. A presunção de receitas somente tem o efeito de inverter o ônus da prova em desfavor do contribuinte, além de conferir ao fisco uma autorização para quantificar a receita omitida, com base em determinados critérios estipulados em lei, não sendo incompatível com a multa qualificada, que incide quando a empresa introduz em sua contabilidade artifícios para esconder receitas, caracterizando o dolo de sonegar tributos, ainda que a quantificação da autuação tenha derivado de presunção legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1º de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 11 DO CARF. Conforme estabelecido na Súmula 11 deste CARF, não se aplica prescrição intercorrente em processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 05 32 /2 00 9- 26 Fl. 617DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Relatório Trata o presente processo de exigência fiscal formulada à interessada acima identificada, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples, por meio dos autos de infração do imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ/Simples, de fls. 459/470, no valor de R$48.838,97 de imposto; da contribuição para o programa de integração social – PIS/Simples, de fls. 471/482, no valor de R$48.838,97 de contribuição; da contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL/Simples, de fls. 483/494, no valor de R$76.784,54 de contribuição; da contribuição para o financiamento da seguridade social – Cofins/Simples, de fls. 495/506, no valor de R$153.569,06 de contribuição; e da contribuição para a seguridade social – INSS/Simples, de fls. 507/518, no valor de R$319.078,22 de contribuição; todos acrescidos, ainda, de multa de ofício e de juros de mora. 2. São partes integrantes dos mencionados autos de infração os seguintes documentos: 2.1. Demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta de fls. 444/445; 2.2. Demonstrativo de apuração de valores não recolhidos de fls. 446/452; 2.3. Demonstrativo de apuração do imposto/contribuições sobre diferenças apuradas de fls. 453/458; 2.4. Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 520/526. 3. O procedimento é decorrente de ação fiscal promovida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Bernardo do Campo – DRF SÃO BERNARDO DO CAMPO/SPO, que concluiu que a interessada omitiu receitas em todos os fatos geradores mensais ocorridos no exercício de 2006, anocalendário de 2005, resultando, ainda, na insuficiência de recolhimentos ao Simples. Chegouse a esta conclusão tendo em vista as seguintes constatações: 3.1. A interessada, apesar de regularmente intimada, não comprovou a origem de valores creditados em conta de depósito ou investimento de sua titularidade mantida Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10932.000532/200926 Acórdão n.º 1401002.551 S1C4T1 Fl. 618 3 em instituições financeiras, configurando a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996; e art. 287 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 (RIR/1999); 3.2. Também se concluiu que teria havido omissão de receitas em virtude da constatação de falta de escrituração de notas fiscais relativas a compras efetuadas junta a fornecedores, na forma do disposto no art. 18 da lei 9.317/96, c/c arts. 280, 281, 288, do RIR/99. O autuante esclarece ainda que os valores relativos às compras não escrituradas e tributadas como omissão de receitas foram excluídos na constituição do crédito tributário dos depósitos bancários não escriturados, apresentando quadro demonstrativo dos valores tributados à fl. 524. 3.3. Que em virtude de terem sido apuradas receitas omitidas, a receita bruta mensal acumulada foi recomposta, resultando na constituição de crédito tributário referente à infração denominada "insuficiência de recolhimento", tendo como base os valores resultantes da aplicação dos percentuais do SIMPLES sobre a Receita Bruta Total (declarada mais a omitida), com base nos seguintes dispositivos: art. 5º da Lei n° 9.317/1996, c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98 e arts. 186 e 188 do Decreto n° 3.000/1999 RIR/1999. 4. Os lançamentos foram assim fundamentados: 4.1. IRPJ: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5°, 7º, § 1º, 18, da Lei n° 9.317/1996, com as alterações da Lei n° 11.196, de 2005; art. 42 da Lei n° 9.430/1996; Art. 3º da Lei n° 9.732/98; Arts. 186, 188, 199, do RIR/99; 4.2. PIS/PASEP: Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar n° 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar n°17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória n° 1.249/95 e suas reedições; arts. 2°, §2°, 3º, § 1º, alínea "b", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei n° 9.317/96; Art. 3º da Lei n° 9.732/98. 4.3. CSLL: Art. 1º da Lei n° 7.689/88; arts. 2°, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei n° 9.317/96; Art. 3º da Lei n° 9.732/98. 4.4. Cofins: Arts. 1° e 2° da Lei Complementar n° 70/91; arts. 2°,§ 2°, 3°, § 1º, alínea "d", 5°, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/96; Art. 3º da Lei n° 9.732/98. 4.5. Contribuição p/ o INSS: arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “f”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317/96; art. 3º da Lei nº 9.732/98. 5. Sobre o crédito tributário apurado com base nas infrações descritas como omissões de receitas incidiu a multa de ofício no percentual de 112,5%, na forma do art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/96 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/96. As diferenças de imposto e contribuições apuradas com base na infração descrita como insuficiência de recolhimento do Simples são acompanhadas da multa de ofício no percentual de 75%, conforme determina o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 c/c art. 19 da Lei nº 9.317/96. 6. Inconformada com a exigência, a interessada interpôs a petição de fls. 530/542, na qual pede a improcedência total dos autos de infração alegando, em síntese, o seguinte: 6.1. Que os depósitos bancários como fatos isolados não autorizam o lançamento de imposto de renda contra quem quer que seja, pois não configuram a hipótese tributária desse imposto, e que aceitar a premissa fiscal é demolir uma das espécies que fazem parte do gênero do princípio da legalidade. Argumenta que a hipótese tributária moldada pelo Legislador é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos (art.43 CTN), não a saques e depósitos. O imposto incide sobre a renda e não sobre o patrimônio, que é hipótese tributária do Município e não da União; 6.2. Que se é para admitir como o valor da receita bruta o somatório de depósitos bancários, no valor de R$6.849.108, 88, por evidente devem ser compensados do tributo exigido (R$406.152,17) os valores já quitados no curso de exercício questionado. Aduz que o instituto da compensação independe de convenção das partes e opera seus efeitos mesmo Fl. 619DF CARF MF 4 que uma delas se oponha, pois ela se processa automaticamente, independente da vontade, no momento em que se constituem créditos recíprocos entre os sujeitos. Completa dizendo que não promover a compensação dos valores transmuda os conceitos tratados até agora como presunção, tendo como lançamento o trabalho fiscal, para o arbítrio, hospedandose assim a negativa da aplicabilidade de um direito na possibilidade de uma arbitrariedade; 6.3. Que o princípio da legalidade IMPEDE que se exija do contribuinte tributo que seja calculado sobre base de cálculo fictícia, por ela ter de representar o fato econômico com a real dimensão do ocorrido no momento da consumação do fato gerador. Se o Auditor somou todos os depósitos e batizou como receita bruta para fins de tributação, não excluir deste valor receitas declaradas pelo contribuinte, seria presumir que as receitas declaradas não foram depositadas, o que é irreal; se não é real é fictícia e, por via de consequência, sem condão de dar nascimento a uma obrigação tributária; 6.4. Sobre a multa de ofício aplicada: Que o critério punitivo agasalhado pelo Código Tributário Nacional é objetivo nos termos do preconizado no artigo 136: "Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato". Por evidente, quis o Legislador pátrio, ao anotar " independe da intenção do agente" , declarar de forma expressa que o dolo passou para o conceito de irrelevante. Da mesma forma, quer seja intencional ou não, não podemos esquecer o princípio da proporcionalidade no âmbito da punição no direito à vida, não há pena de morte no direito à liberdade, não existe prisão perpétua quanto a propriedade o impedimento do confisco. Pelo princípio do NãoConfisco que constitui na proibição de que o Estado, em matéria tributária, possa se valer indevidamente do patrimônio do Indivíduo, verificamos "uti oculis" que uma penalidade correspondente a 3 vezes o valor do tributo pretendido deixa patente injusta apropriação estatal, a qual supera e muito o patrimônio do contribuinte, tornandose por isso numa obrigação impossível porque bem maior do que o patrimônio e os rendimentos do contribuinte; 6.5. Sobre a taxa de juros: Que apenas com o trânsito em julgado da decisão desfavorável ao contribuinte é que este pode ser considerado em mora, e que quando da instituição da Taxa SELIC, a intenção do legislador NÃO ERA repassála para tributos, mas sim como meio de estabilização do mercado financeiro. Nada obstante, a TAXA SELIC já traz embutido, em seu coeficiente, desvalorização de moeda e custos financeiros o que, se cumulado com outros acréscimos, se constituirá num "BIS in IDEM", isso sem contar que NADA é devido. Analisando a impugnação apresentada ante as alegações do TVF, a Delegacia de Julgamento proferiu a seguinte decião: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É legítimo o lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em suas contas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10932.000532/200926 Acórdão n.º 1401002.551 S1C4T1 Fl. 619 5 Sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, incidem, por força de lei e a partir de 1º de abril de 1995, juros de mora equivalentes à taxa SELIC. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual apresenta as seguintes alegações: Que a origem dos depósitos estariam comprovados por meio de empréstimos obtidos pela empresa e pela venda de alguns bens; Que a fiscalização não excluiu da lista de depósitos os valores referentes a estes empréstimos e que, embora a fiscalização tenha alegado que não estariam comprovadas as origens dos depósitos, os financiamentos foram comprovados pela empresa e não excluídos da autuação. Que a fiscalização não abateu, do valor do auto, os pagamentos realizados pela recorrente a título de SIMPLES. Pretende que, no caso em tela, seja desconsiderado o cálculo realizado sob a sistemática de apuração do simples, passando à sistemática de apuração pelo lucro presumido ante a falta de escrituração contábil. Que pelo princípio da capacidade contributiva não seria legítimo calcular os tributos devidos pela sistemática do SIMPLES pois oneraria a empresa em valor maior do que sua capacidade. Alega o princípio de vedação ao confisco como fundamento para a revisão do auto. Contesta a aplicação dos juros de mora que considera excessivos. Alega ser ilegal a exigência de diversos tributos sob o mesmo fato gerador. Alega que da data dos fatos geradores do auto até a ciência da decisão da DRJ já transcorreram nove anos. Prescrição => Solicita a aplicação da prescrição intercorrente no presente caso, posto decorridos mais de cinco anos desde a lavratura da autuação. Contesta as penalidade, embora não faça um requerimento específico a respeito. É o relatório. Fl. 621DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O auto de infração em análise referese a três itens de autuação: 1 Depósitos bancários não escriturados. 2 Pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, relativos à compra de mercadorias sem a escrituração 3 Insuficiência de recolhimento do SIMPLES sobre as receitas declaradas. O contribuinte não apresentou o livro caixa, apenas o livro de registro de entradas. Os lançamentos das omissões de escrituração dos depósitos basearamse nos totais de depósitos excluídos, as compras não escrituradas e a receita declarada. Passando à análise do recurso apresentado pelo contribuinte vejamos: Destaquese que a peça recursal apresenta mais um desenvolvimento teleológico acerca das normas e fundamentos do direito tributário do que uma contestação a itens específicos da decisão atacada. Por isso, da mesma forma com que foi apresentado o recurso, iremos apresentar o voto de maneira genérica, visto não haverem pontos factuais a serem analisados em detalhe. Apesar de sua extensa alegação em relação a uma possível incorreção da autuação tendo em vista que a fiscalização não acatou a comprovação dos depósitos que seriam relativos a empréstimos recebidos e alienação de bens e direitos da empresa, não apresentou nenhum fato ou detalhe que possa ser considerado como defesa plausível de analise. O recurso Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10932.000532/200926 Acórdão n.º 1401002.551 S1C4T1 Fl. 620 7 apenas informa que estariam comprovados os fatos, sem no entanto, indicar as peças processuais de prova, assim, não há como se acatar estas razões. Quanto a este título estranhou este relator, desde o início, o fato de nem a fiscalização nem a DRJ terem realizado qualquer comentário acerca dos documentos comprobatórios destas operações alegadas pela empresa. Verificando a documentação acostada ao processo constatamos que o contribuinte não apresentou documentos comprobatórios nem sequer respondeu às intimações da fiscalização quanto à obrigação de comprovação dos depósitos. Assim, corretamente, a fiscalização utilizou a presunção legal de omissão de receitas pela existência de depósitos não escriturados e cuja origem não foi comprovada pela empresa. Neste ponto entendo não merecer ressalvas o procedimento adotado pela fiscalização. Em outro ponto, ao contrário do que alega a recorrente, a fiscalização não abateu os pagamentos realizados a título de SIMPLES porque, simplesmente, a autuação foi realizada pelo valores das omissões de compras e depósitos que superaram o valor das receitas regularmente declaradas pela empresa no SIMPLES. Assim, em verdade, os valores dos recolhimentos do SIMPLES foram utilizados no cálculo da regularidade do recolhimento sobre as receitas declaradas o que, diga se de passagem, resultou no item 3 do auto de infração pela autuação das diferenças de recolhimento das receitas efetivamente declaradas. Por isso, não há como se acolher este pleito tendo em vista que todos os recolhimentos realizados pela empresa já foram considerados na autuação.. Quanto à solicitação de que o auto de infração seja recalculado sob a sistemática do Lucro Presumido também não merece guarida a pretensão. A lavratura de auto com base no SIMPLES foi realizada porque esta foi a opção do contribuinte e, mais ainda, não haviam os requisitos necessários à exclusão no próprio período de apuração do SIMPLES para que se pudesse realizar lançamento por outra sistemática. Assim, cumprindo as normas legais relativas à espécie, há de se manter os cálculos da autuação baseada na sistemática do SIMPLES, por inexistir incorreções de método. Quanto à possíveis infrações aos princípios da capacidade contributiva, da vedação ao confisco e de juros excessivos também não merecem ser acolhidas por esta turma. Tais alegações prendemse, em fundo, à argumentação de inconstitucionalidade das normas que instituem os tributos e a aplicação de multas e juros. Ora, toda a autuação foi baseada nas normas legais postas e em estrito cumprimento ao princípio da legalidade. Desta forma, afastar estas normas implicaria em conhecer de sua pretensa inconstitucionalidade que é tarefa vedada a este CARF na forma da Súmula 02 deste Conselho. Por isso, entendo por não acolher o pleito em questão. Em relação à alegação de que não seria possível a realização de lançamento de diversos tributos com base em um único fato gerador, o contribuinte, neste ponto, parece se esquecer que foi o próprio que aderiu à sistemática simplificada de recolhimento de tributos federais instituída sob a égide do SIMPLES. Ora, é premissa do sistema que os tributos sejam calculados com alíquotas diferenciadas e recolhido sob um mesmo DARF unificado, tudo sob a égide da Lei nº 9.317/96. Fl. 623DF CARF MF 8 Desta forma, não merece acolhida a alegação do contribuinte tendo em vista que não ocorreu nenhum descumprimento na adoção das normas do SIMPLES para o cálculo dos valores devidos. Finalmente, em relação a todas as demais alegações, que no fundo prendem se à possibilidade de que esta turma declare a existência de uma possível prescrição intercorrente no curso deste processo, esta também não merece acolhida, ante a ausência de previsão legal para a declaração de prescrição intercorrente no curso de processo administrativo. Por isso, neste caso, aplicase a Súmula CARF nº 11, conforme abaixo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Por todo o exposto e considerando a análise dos pontos de discordância acima apresentados, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 624DF CARF MF
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