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Numero do processo: 13816.000329/2008-93
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Especial, quando não demonstrada a existência de dissídio interpretativo.
Numero da decisão: 9101-003.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial, quando não demonstrada a existência de dissídio interpretativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial, quando não demonstrada a existência de dissídio interpretativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN em face do acórdão nº 140200.489 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 6. 00 03 29 /2 00 8- 93 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13816.000329/200893 Acórdão n.º 9101003.386 CSRFT1 Fl. 109 2 “Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA. IMPEDIMENTOS. Verificado nos autos que o contribuinte não exerce atividade impeditiva, ainda que não foi possível a alteração e seu contrato social em tempo hábil, deferese o pleito para permanência no Simples. Recurso Voluntário Provido.” De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, a autoridade fiscal vetou o ingresso da recorrida no Simples Nacional, em 2007, por constar no contrato social o exercício de atividade vedada (transporte intermunicipal ou interestadual de passageiros). Todavia, comprovouse que a recorrida alterou o contrato social e que não exerceu o transporte intermunicipal de passageiros e, sim, o municipal, continuando no regime do Simples nos anos calendário subsequentes. Ciência do acórdão recorrido no dia 11/07/2011, à fl. 66. Recurso Especial interposto no dia 13/07/2011. Nessa oportunidade, apresenta os acórdãos nº 20212341 e 30134340 com vistas à demonstração da existência de decisões divergentes daquela que se proferiu nos presentes autos. Com efeito, nos acórdãos ofertados como paradigmas, assentouse o entendimento segundo o qual a previsão no objeto social de qualquer das atividades vedadas pela Lei nº 9.317/1996 é suficiente para excluir a pessoa jurídica do Simples, ainda que não as exerça efetivamente. Entretanto, em sede de juízo de admissibilidade, recusouse o acórdão nº 301 34340 para fins de comprovação de divergência interpretativa, uma vez que, reafirmando a exclusão do Simples, diante da inclusão de atividade vedada no objeto social, admitia, por parte da defesa, prova no sentido de que a pessoa jurídica não a exercera, exatamente a tese esposada no acórdão recorrido. No mérito, assinala que o artigo 17, inciso VI, da Lei Complementar nº 123/2006 estabelece a vedação ao Simples Nacional, se a pessoa jurídica se dedicar ao serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros. Nesse norte, defende que a previsão no contrato social de atividade econômica de serviço rodoviário de passageiros é o bastante para obstar a opção pelo Simples. Ao sustentar que é incontroversa a previsão no contrato social de atividade econômica vedada ao Simples, manifesta que os demonstrativos de débitos da Prefeitura Municipal de Diadema não garantem que a recorrida não presta ou não prestou serviços de transporte intermunicipal. Por derradeiro, requer que o Recurso Especial seja conhecido e, ao final, provido. Ciência da recorrida no dia 18/07/2013, à efl. 105. Contrarrazões apresentadas no dia 01/08/2013. Nessa oportunidade, destaca que jamais realizou transporte intermunicipal e interestadual e que efetuou alteração contratual para se ajustar ao Simples Nacional. Salienta, ainda, que o princípio da verdade material constrange a Administração a buscar aquilo que é realmente verdade, sem se restringir às alegações e às provas das partes. Ademais, aduz que sua insolvência não interessa ao Fisco, como também não lhe conviria o desemprego de funcionários. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13816.000329/200893 Acórdão n.º 9101003.386 CSRFT1 Fl. 110 3 Ao término, requer que o recurso fazendário seja julgado improcedente. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O Recurso Especial da PGFN é tempestivo. Como já foi dito no relatório, o acórdão nº 30134340 foi recusado para fins de prova da existência de dissídio interpretativo, porquanto, embora reafirmando a exclusão do Simples, diante da inclusão de atividade vedada no objeto social, admitia, por parte da defesa, prova no sentido de que a pessoa jurídica não a exercera, exatamente a tese esposada no acórdão recorrido. Portanto, restou apenas o acórdão ofertado como paradigma nº 20212341, admitido, em caráter liminar, pelo Presidente da 4º Câmara, com vistas à demonstração de divergência. No entanto, tal acórdão reflete a interpretação do CARF em relação ao inciso XIII da Lei nº 9.317/1996, ao passo que o acórdão recorrido trata da aplicação da Lei Complementar nº 123/2006. Reparese, em primeiro lugar, para o devido cotejo, o seguinte trecho do relatório da decisão ora guerreada: “Tratase de insurgência contra Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, EXPEDIDO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFB (fls. 16/17), à razão da consignação do código da CNAE designativo de atividade econômica vedada no âmbito do referido sistema de tributação (49221/01: Transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, intermunicipal, exceto em região metropolitana), segundo art. 17, inciso VI, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] VI – que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros;” Agora, a ementa do acórdão nº 20212341: “SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PERMITIDA I A caracterização da atividade econômica da pessoa jurídica, primordialmente, dáse pela verificação do registro de seu objeto social. II A previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Recurso que se nega provimento.” (grifei) É de se notar que os Termos de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, às fls. 16/17, que deram origem a este processo, estão fundamentados no artigo 17, inciso VI, da Lei Complementar nº 123/2006, referindose cada qual ao dia 05/07/2007 como a Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13816.000329/200893 Acórdão n.º 9101003.386 CSRFT1 Fl. 111 4 data da solicitação de inclusão no regime do Simples Nacional, sendo que a Lei nº 9.317/1996 foi revogada no dia 01/07/2007, consoante o disposto no artigo 89 da Lei Complementar nº 123/2006. Também impende ter em vista que o acórdão recorrido considerou a alteração contratual como fundamento apto a superar a tese da prevalência da atividade econômica originalmente incluída no objeto social. Porém, o Recurso Especial fazendário passou ao largo do tema relativo à mudança do objeto social após o indeferimento da opção pela autoridade fiscal. Por conseguinte, não se demonstrou a existência de dissídio interpretativo quanto ao assunto em referência. Em face do exposto, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11052.000066/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Tributa-se o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bem caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição.
In casu, somente poderão ser inseridos no custo do bem os gastos com benfeitorias quando comprovados por documentação hábil e idônea vinculadas ao imóvel, cabendo ao contribuinte tal prova.
Numero da decisão: 2401-005.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IRPF. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Tributa-se o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bem caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. In casu, somente poderão ser inseridos no custo do bem os gastos com benfeitorias quando comprovados por documentação hábil e idônea vinculadas ao imóvel, cabendo ao contribuinte tal prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier.
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GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Tributase o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bem caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. In casu, somente poderão ser inseridos no custo do bem os gastos com benfeitorias quando comprovados por documentação hábil e idônea vinculadas ao imóvel, cabendo ao contribuinte tal prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 00 00 66 /2 01 0- 91 Fl. 132DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Virgilio Cansino Gil e Rayd Santana Ferreira. Ausente os Conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Miriam Denise Xavier. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 11052.000066/201091 Acórdão n.º 2401005.212 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório LILIAN DE LIMA CASAES E SILVA, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0369.417/2015, às fls. 90/104, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão ganhos de capital na alienação de bens e direitos, em relação ao ano calendário 2006, conforme peça inaugural do feito, às fls. 49/52, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 10/06/2010 (Folha de Rosto efl. 50), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHOS DE CAPITAL. Diferença :de . recolhimento do imposto incidente sobre os ganhos de capital, referente a alienação do: bem imóvel situado na Rua Visconde de Itaúna, 326. Esta fiscalização considerou como data de aquisição a data de 03.12.1990, conseqüentemente, foi apurado um Ganho de Capital Resultado 4 no valor de R$ 1.214.814,95, conforme apuração de fls 36. Na apuração efetuada pela contribuinte no Resultado 4, a mesma encontrou um valor de R$ 60.740;75, (fl. 7) portanto, foi lançado como base de cálculo da diferença apurada a quantia de R$1.154.074,20, ou seja, R$ 1.214.814,95 menos R$ 60.740,75, uma vez que a contribuinte recolheu o valor R$ 9.111,11 referente a 15% do valor da base de cálculo de R$ 66.740,75. Portanto, o valor da diferença do imposto importará em R$ 173.111,13 (R$ 182.222,24 menos 9.111,11), conforme Demonstrativo da Apuração de Ganhos de :Capital anexa. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 111/114, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, afirma ter gasto muito dinheiro na reforma do seu imóvel, benfeitorias, no entanto a construtora contratada não existe mais e os recibos de pagamentos foram destruídos devido um vazamento de água. Alega que para fazer provar as obras realizadas, anexa em sede recursal, as licenças das reformas, as metragens licenciadas pelo Estado e as Guias de IPTU de antes e depois das obras. Explicita diversas obras que foram feitas no imóvel, tais como: troca de todo o piso por mármore, construção de uma piscina, saunas, salão de jogos, quartos para os empregados e garagem para 5 carros, além de diversas outras obras listadas no recurso. Fl. 134DF CARF MF 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar o cancelamento do Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11052.000066/201091 Acórdão n.º 2401005.212 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. GANHO DE CAPITAL A contribuinte afirma ter gasto muito dinheiro na reforma do seu imóvel, benfeitorias, no entanto a construtora contratada não existe mais e os recibos de pagamentos foram destruídos devido um vazamento de água. Alega que para fazer provar as obras realizadas, anexa em sede recursal, as licenças das reformas, as metragens licenciadas pelo Estado e as Guias de IPTU de antes e depois das obras. Explicita diversas obras que foram feitas no imóvel, tais como: troca de todo o piso por mármore, construção de uma piscina, saunas, salão de jogos, quartos para os empregados e garagem para 5 carros, além de diversas outras obras listadas no recurso. No que diz respeito à tributação do ganho de capital na alienação de bens e direitos, inicialmente cabe transcrever o disposto no art. 3º, §2º, Lei n° 7.713/88, e no art. 21 da Lei nº 8.981/de 1995: Lei nº 7.713/88 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) (...) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. Lei nº 8.981/de 1995 Art. 21. O ganho de capital percebido por pessoa física em decorrência da alienação de bens e direitos de qualquer natureza sujeitase à incidência do Imposto de Renda, à alíquota de quinze por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da percepção dos ganhos. § 2º Os ganhos a que se refere este artigo serão apurados e tributados em separado e não integrarão a base de cálculo do Imposto de Renda na declaração de ajuste anual, e o imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração.” Fl. 136DF CARF MF 6 Como se depreende da legislação supracitada, o ganho obtido em decorrência da alienação de bens, seja qual for sua natureza, é considerado ganho de capital, devendo integrar o rendimento bruto. A Instrução Normativa SRF n° 84/2001 (art. 2°) define o ganho de capital como a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. Dispõe, ainda, que tal custo deve ser o valor, em reais, pelo qual se adquiriram os bens e direitos. No caso em tela, a contribuinte apurou R$ 9.111,11 de IRPF sobre ganho de capital, conforme demonstrativo anexado às fls. 8, no qual constam os seguintes dados: Data de Aquisição: 03/12/1970 Data de Alienação: 01/02/2006 Valor de Alienação: R$ 3.334.500,00 Custo de Aquisição: R$ 833.341,60 Ganho de Capital Resultado 1: R$ 2.501.185,40 Ganho de Capital Resultado 2: R$ 125.059,27 Ganho de Capital Resultado 3 R$ 61.379,09 Ganho de Capital Resultado 4: R$ 60.740,75 A autoridade fiscal, de posse dos documentos apresentados pela contribuinte, apurou IRPF de R$ 182.222,24 sobre ganho de capital. No demonstrativo da apuração (fls. 44/45), constam os seguintes dados: Data de Aquisição: 03/12/1990 Data de Alienação: 01/02/2006 Valor de Alienação: R$ 3.334.500,00 Custo de Aquisição: R$ 833.341,60 Ganho de Capital Resultado 1: R$ 2.501.185,40 Ganho de Capital Resultado 2: R$ 2.501.185,40 Ganho de Capital Resultado 3 R$ 1.227.58180 Ganho de Capital Resultado 4: R$ 1.214.814,95 Constatase que a única divergência entre a apuração do ganho de capital efetuada pela contribuinte e a apuração efetuada pela autoridade fiscal é a data de aquisição do imóvel. Todos os outros dados são coincidentes entre as duas apurações, inclusive o valor do custo de aquisição. Notese que o valor do Ganho de Capital Resultado 1 é o mesmo nas duas apurações (R$ 2.501.185,40), pois referido valor é a simples diferença entre valor de alienação e custo de aquisição. Somente os resultados posteriores são diferentes, pois decorrem da aplicação de redutores, os quais estão diretamente ligados à data de aquisição do imóvel. Portanto, resta afastada a alegação da contribuinte de que a autoridade fiscal arbitrou o valor de R$ 833.314,60, visto que referido valor é o que consta na apuração da própria contribuinte e que também consta como valor do imóvel na sua declaração de bens. (fls.05). Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11052.000066/201091 Acórdão n.º 2401005.212 S2C4T1 Fl. 5 7 Nesse ponto, correto o procedimento da autoridade fiscal, pois realizado conforme determina a legislação acerca da alienação de bens e direitos adquiridos até 31/12/1991: Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 Art.125. Considerase custo de aquisição dos bens ou direitos, adquiridos até 31 de dezembro de 1991, o valor de mercado, nessa data, de cada bem ou direito individualmente avaliado, constante da declaração de bens relativa ao exercício de 1992 (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96 e §§ 5º e 9º). Art. 128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). (...) §7º Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; II os dispêndios com a demolição de prédio existente no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; III as despesas de corretagem referentes à aquisição do imóvel vendido, desde que suportado o ônus pelo contribuinte; IV os dispêndios pagos pelo proprietário do imóvel com a realização de obras públicas, tais como colocação de meiofio, sarjetas, pavimentação de vias, instalação de rede de esgoto e de eletricidade que tenham beneficiado o imóvel; V o valor do imposto de transmissão pago pelo alienante; VI o valor da contribuição de melhoria. §8º Podem integrar o custo de aquisição dos demais bens ou direitos os dispêndios realizados com conservação, reparos, comissão ou corretagem, quando não transferido o ônus ao adquirente, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens. §9º Para os bens ou direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido até essa data, observada a legislação aplicável no período, não se lhe aplicando qualquer correção após essa data (Lei nº 9.249, de 1995, arts. 17 e 30). (...) Art. 131. Não será atribuída qualquer atualização monetária ao custo dos bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995 Instrução Normativa SRF n.º 84/2001 Fl. 138DF CARF MF 8 Art. 5º Considerase custo dos bens ou direitos o valor de aquisição expresso em reais. (...) Art. 6º O custo de aquisição dos bens e direitos adquiridos ou as parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, avaliados pelo valor de mercado para essa data e informados na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 1992, anocalendário de 1991, de acordo com o art. 96 da Lei nº 8.383, de 1991, é esse valor, atualizado até 1º de janeiro de 1996. (...) Art. 7º No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre 1º de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. (...) Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. Portanto, correto o custo de aquisição utilizado pela autoridade fiscal, pois não só é aquele informado pela contribuinte na apuração de ganho de capital, como também é o valor que consta nas Declarações de Ajuste Anual dos anos anteriores (ano calendário 2005 e ano calendário 2004). Também não prospera a alegação da contribuinte de que a autoridade fiscal tenha desconsiderado o custo de aquisição de R$ 3.195.428,71, já que referido valor não havia sido informado anteriormente em documento algum, seja na própria apuração do ganho de capital feita pela contribuinte, seja durante o procedimento fiscal. O custo de aquisição de R$ 3.195.428,71 informado na impugnação e no recurso, decorreria, segundo a impugnante, de reformas e ampliações realizadas no imóvel. Para que tais valores sejam comprovados, a contribuinte, em sede recursal, junta documentação com o intuito de comprovar o alegado. Entretanto, para que eventuais valores sejam acrescidos ao custo de aquisição, eles devem ser devidamente comprovados mediante documentação hábil e idônea, conforme versa a legislação. A contribuinte anexou junto ao recurso, as licenças das reformas, as metragens licenciadas pelo Estado e as Guias de IPTU de antes e depois das obras, documentos que, no entender deste Colegiado, não comprovam a realização das alegadas reformas no imóvel e, especialmente, o valor despendido nas benfeitorias para majoração do custo de aquisição. Para fins de elucidação, a documentação acostada aos autos serve apenas como indícios das alegações, mas não são suficientes para comprovar o alegado. Caberia a contribuinte trazer contrato de prestação de serviços, notas fiscais do material utilizado e entre outros diversos documentos que seriam capazes de comprovar a realização das benfeitorias. Portanto, nos termos da legislação transcrita, não há elementos suficientes para alterar o custo de aquisição considerado pela autoridade fiscal, e, digase novamente, utilizado também pela contribuinte na apuração de ganho de capital apresentada espontaneamente. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11052.000066/201091 Acórdão n.º 2401005.212 S2C4T1 Fl. 6 9 Nesta relação jurídicotributária, caso concreto, o ônus da prova incumbe a quem alega o direito. Assim, à autoridade fiscal compete investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do fato tributário. Ao sujeito passivo, por sua vez, cabe apresentar prova em contrário, por meio dos elementos que demonstrem a efetividade do direito alegado, bem como hábeis para afastar a imputação da irregularidade apontada. O ônus de provar o valor das benfeitorias realizadas no imóvel é do alienante. No plano tributário, as benfeitorias têm por efeito reduzir a base de cálculo do tributo. Daí a razão pela qual a comprovação documental de sua realização é condição indispensável para seu acolhimento. Conforme visto, a divergência no valor de imposto a pagar sobre o ganho de capital apurado decorre da data de aquisição considerada pela autoridade fiscal (03/12/1990) e da data de aquisição do imóvel considerada pela contribuinte (03/12/1970). A esse respeito, a Escritura de Promessa de Compra e Venda de fls. 31/36 comprova que a contribuinte adquiriu o imóvel em de 03/12/1990. Em sua impugnação, fls. 62, a própria contribuinte reconhece que o imóvel foi adquirido em 03/12/1990, não havendo litígio a esse respeito. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930353/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
COFINS. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO PARCIALMENTE. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Será reconhecido parcialmente o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado foi ratificado parcialmente pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para dar-lhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO PARCIALMENTE. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Será reconhecido parcialmente o direito creditório utilizado em compensação declarada pelo contribuinte, quando o valor solicitado foi ratificado parcialmente pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para darlhe parcial provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 03 53 /2 00 9- 56 Fl. 281DF CARF MF 2 A empresa GUAÍBA QUÍMICA INDUSTRIA E COMERCIO LIDA. (Recorrente), transmitiu Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 10558.19153.300408.1.3.040047, em 30/04/2008, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de COFINS PA 09/2005, no montante de R$ 10.677,02 (de um valor apurado de recolhimento a maior total de R$ 16.732,69). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre (DRF/POA) emitiu Despacho Decisório eletrônico que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débito declarado pela empresa em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro nos valores informados nas declarações fiscais e informa que apresentou DCTF retificadora em 31/10/2009, na qual constaria o valor correto da Cofins apurada. Desta forma, conclui que estaria demonstrada a origem do crédito fiscal do período em questão. Anexa cópias das declarações fiscais (DCTF original e retificadora, DACON e Per/Decomp) além do Comprovante de Arrecadação referente ao recolhimento original que alega ter sido a maior e gerado, assim, o crédito fiscal em questão. Ao final, requer o cancelamento do Despacho Decisório combatido, pois entende que teria atendido todas as formalidade legais previstas. A DRF de origem atesta a tempestividade da Manifestação protocolada e encaminha para apreciação da DRJ”. A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada ã comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Devidamente cientificada e inconformada, a Recorrente se socorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 179/183, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.930353/200956 Acórdão n.º 3402004.914 S3C4T2 Fl. 282 3 1. O valor informado na DCTF originária e posteriormente retificada deuse por erro na base de cálculo dos créditos de COFINS sobre as aquisições no mercado interno de bens destinados a revenda, a qual (base de cálculo) foi ajustada posteriormente em sua contabilidade, ensejando no aumento do seu crédito e, conseqüentemente, a diminuição do recolhimento do tributo pago anteriormente; 2. Que tão logo notificada da não homologação das compensações, a Recorrente procedeu à imediata retificação da referida DCTF. Tal procedimento é autorizado pela IN RFB nº 974/2009, cujo art. 9º prevê a possibilidade de retificação até o momento em que os débitos tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em divida ativa, o que é o caso presente; 3. Que a retificação do valor da COFINS apurada na competência de outubro de 2006, decorreu exclusivamente do ajuste da base de cálculo dos créditos de COFINS apurados pela Recorrente neste período. Especificamente, os lançamentos contábeis (doc. 01), o registro de apuração do ICMS (doc. 02), bem como o demonstrativo auxiliar de apuração do tributo (doc. 03) que seguem em anexo, demonstram a correta base de cálculo e o crédito apurado, e 4. que identificando uma diferença de R$ 16.732,69, procedeu a compensação de tal crédito. Para tanto, apresentou PER/DCOMP recebida e processada sob os nºs 32545.21856.180408.1.3.048070 e 10558.19153.300408.1.3.040047. Ao final REQUER: (i) o provimento deste Recurso Voluntário para o efeito de que, reformando se a decisão atacada, seja homologada a declaração de compensação nº nºs 32545.21856.180408.1.3.048070 e 10558.19153.300408.1.3.040047. (ii) reitera, ao final, o pedido de que o presente processo seja baixado em diligência no caso em que subsistam dúvidas em relação aos créditos apurados pela Recorrente, tudo em homenagem ao principio da verdade material que rege o processo administrativo tributário, evitandose, igualmente, o ajuizamento de uma discussão judicial. Os autos foram encaminhados a este CARF para julgamento e verificouse que o recurso apresentado é tempestivo. Da conversão do Julgamento em Diligência Durante análise dos argumentos em seu Recurso Voluntário, no entender do Relator, visando comprovar os fatos alegados pela Recorrente, primando pela busca da verdade material, contrapondo um dos fundamentos utilizados pelo órgão julgador de primeira instância para não homologar a compensação, qual seja, “[...] a empresa não indica a origem do erro na apuração ou mesmo junta qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado[...]”, e considerando que a Recorrente junta ao processo cópias dos seguintes documentos: (a) Razão Contábil; (b) Registro de Apuração do ICMS e (c) Demonstrativo Auxiliar de Apuração do Tributo (fls. 198/224). Desse modo, levandose em consideração os documentos apresentados pela Recorrente, o Relator propôs e foi acompanhado pelo Colegiado, que o julgamento deveria ser Fl. 283DF CARF MF 4 convertido em diligência, conforme Resolução nº 3101000.300, de 25/01/2012, a fim de que os autos retornassem à repartição de origem (DRF/Porto Alegre/RS), para que a autoridade fiscal competente procedesse as seguintes providências e informações (fls. 226/229): 1. apurar, à luz dos documentos acostados aos autos e da escrita contábil e fiscal, o valor devido a título de contribuição para a COFINS Não Cumulativa, referente ao período de apuração 09/2005; 2. cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; e 3. retornar o processo a este CARF para julgamento. Dando cumprimento ao contido na Resolução do CARF, a DRF em Porto Alegre (RS), realizou a referida diligência, culminando com a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 272/274. A Recorrente, após regularmente intimada da conclusão da diligência, não se manifestou, conforme Despacho de fl. 279. Posto isso, os autos retornaram ao CARF e distribuído a este Relator desta 2ª Turma Ordinária/4ª Câmara, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e, portanto, dele tomase conhecimento. 2. Objeto da lide Conforme se depreende dos autos (fls. 2/3 e 182), a interessada apresentou o PER/DCOMP 10558.19153.300408.1.3.040047, em 30/04/2008, por meio do qual informa um pagamento indevido ou a maior de COFINS não cumulativa, referente ao período de apuração 09/2005, recolhido em 13/10/2005, no valor original total de R$ 16.732,69 (sendo compensado nas DCOMP nºs 32545.21856.180408.1.3.048070, no valor de R$ 6.055,67 e na DCOMP nº 10558.19153.300408.1.3.040047, no valor de R$ 10.677,02, esta ultima objeto deste processo). A DRF em Porto Alegre não homologou a compensação pretendida, sob o fundamento de que não restou crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Quanto ao crédito alegado Como relatado, em seu recurso voluntário, contrapondo um dos fundamentos utilizados pela DRJ para não homologar a compensação, qual seja, “[...] a empresa não indica a origem do erro na apuração ou mesmo junta qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado [...]”, no entanto a Recorrente juntou ao processo cópias do Razão Contábil, Registro de Apuração do ICMS e Demonstrativo Auxiliar de Apuração do Tributo. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.930353/200956 Acórdão n.º 3402004.914 S3C4T2 Fl. 283 5 Cabe destacar primeiramente, que a Recorrente aduz em seu recurso à fl. 182: "(...) 2. No que diz com a COFINS da competência de abril (sic) de 2006, a Autora informou na DCTF originária o pagamento de COFINS no montante de R$ 45.721,35. Verificou, entretanto, contabilmente, que o tributo era devido no valor de R$ 28.988,66, ou seja, registrou um pagamento a maior de R$ 16.732,69. 3. A retificação do valor da COFINS apurada na competência de abril de 2006, decorreu exclusivamente do ajuste da base de cálculo dos créditos de COFINS apurados pela Recorrente neste período. 4. Identificando, assim, uma diferença de R$ 16.732,69, procedeu a compensação de tal crédito. Para tanto, apresentou PER/DCOMP recebida e processada sob o n°. 32545.21856.180408.1.3.048070 e 10558.19153.300408.1.3.040047. (Grifei) Desse modo, levandose em consideração as alegações em seu recurso e os documentos apresentados pela recorrente, o julgamento foi convertido em diligência, conforme a Resolução nº 3101000.300, de 25/01/2012, a fim de que os autos retornassem à repartição de origem, para que a autoridade fiscal competente procedesse as seguintes informações (fl. 226/229): "1. apurar, à luz dos documentos acostados aos autos e da escrita contábil e fiscal, o valor devido a título de contribuição para a COFINS Não Cumulativa, referente ao período de apuração 09/2005; e 2. cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar". 3.1 Do resultado da Diligência realizada Pois bem. Em 15/03/2017, quando do retorno da Diligência solicitada, a DRF em Porto Alegre (RS), relata em sua Informação Fiscal que (principais partes) fls. 272/274: "(...) 5. Analisandose a documentação entregue pelo contribuinte restou não comprovado o crédito oriundo de despesas de arrendamento mercantil cuja base de cálculo é de R$ 5.957,71. 6. Instado a manifestarse sobre isso o contribuinte o contribuinte alegou que não possui os contratos de leasing sobre os quais foram tomados créditos, alega inclusive que tentou buscar junto a instituição financeira uma segunda via de tais contratos o que não foi possível pois a mesma encerrou suas atividades. Neste caso restou não comprovado o crédito solicitado pelo contribuinte. 7. O contribuinte também não conseguiu informar se na época haviam produtos tributados com alíquota zero ou suspensão da contribuição para a Cofins informando apenas que hoje tem algumas situações que se enquadram nesse cenário. Diante disso não há como considerar as receitas informadas como tributadas à alíquota zero ou com suspensão da contribuição por absoluta falta de comprovação a respeito da natureza das mesmas. CONCLUSÃO Fl. 285DF CARF MF 6 10. Em resposta ao quesito 1 da Resolução do CARF, informamos que o valor da contribuição apurado através do procedimento de diligência é de R$ 29.642,21". Assim, a liquidez do direito há de ser provada pela demonstração do valor recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e do efetivo valor devido. Também é assente na doutrina que direito liquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. De fato, no Despacho Decisório de fl. 4, consta um Valor Original Utilizado e recolhido de R$ 45.721,35. Por outro lado, restou confirmado por meio do resultado da Diligência Fiscal realizada pelo Fisco, que o valor da Contribuição para a COFINS apurado através do procedimento de diligência para o mês 09/2005 é de R$ 29.642,21. Portanto, a Recorrente logrou êxito em provar parcialmente suas alegações firmadas em seu recurso (uma vez que informa a Recorrente um valor apurado seria de R$ 28.988,66, conforme Manifestação de fl. 2 e 182). Ressaltase que a Recorrente, foi cientificada da referida Informação Fiscal e não apresentou sua Manifestação nos autos, como se depreende do Despacho às fl. 279. 4 Dispositivo Isto posto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para DAR LHE PARCIAL provimento, nos estritos termos da INFORMAÇÃO FISCAL de Diligência de fls. 272/274. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.688806/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.225
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente de análise de PER/DCOMP não homologada pela unidade local da RFB face a inexistência do direito creditório pleiteado. O Despacho Decisório consignou que os pagamentos informados como suposta origem do PER/DCOMP encontravamse integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde defende a existência de seu direito creditório, alegando que o mesmo pode ser confirmado em vista de suas declarações retificadoras (DIPJ e DCTF). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 88 80 6/ 20 09 -5 8 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.688806/200958 Resolução nº 3402001.225 S3C4T2 Fl. 163 2 A decisão da DRJ julgou improcedente a aludida manifestação, o que motivou a recorrente a interpor, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que repisou as alegações desenvolvidas em manifestação de inconformidade, bem como apresentou novos documentos fiscais no sentido de comprovar a existência do crédito vindicado. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.213, de 30 de janeiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.688794/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.213: 4. Em suma, a presente discussão gravita em torno de um único ponto: existir ou não prova suficiente do crédito do contribuinte. 5. Segundo o despacho decisório que denegou a compensação almejada, os créditos apontados pelo contribuinte já teriam sido consumidos para a quitação de outros débitos apontados em DCTF. 6. Por sua vez, em sede de manifestação de inconformidade, o contribuinte aventou que o comprovante de pagamento de fl. 21, aliado com a DIPJ e a DCTF (ambas retificadoras) acostadas, respectivamente, as fls. 22/56 e 57/123, atestariam a validade material do aludido crédito. 7. Não obstante, o acórdão recorrido pautou o indeferimento da compensação vindicada nos seguintes termos: (...). 8.2. O sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, já fora da órbita do tratamento eletrônico, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do crédito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal, como documental. A apresentação de DCTF retificadora, por suposto erro de preenchimento na anterior, não é suficiente, neste momento do rito processual, para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.688806/200958 Resolução nº 3402001.225 S3C4T2 Fl. 164 3 lhe dão sustentação. Transcrevese, a seguir, o art. 170 do CTN, onde está estipulado que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos: (...). 8. Ao interpor seu recurso e em resposta ao fundamento da DRJ, o contribuinte trouxe aos autos cópias dos seus livros razão (fls. 152/157) e diário (fls. 158/161) que, prima facie, comprovariam a existência do crédito aqui debatido. 9. Diante deste cenário fáticojurídico e, ainda, levando em consideração o princípio da verdade material1 que conforma o processo administrativo tributário, é salutar que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. 10. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora tome as seguintes providências: (i) analise os documentos fiscais acostados aos autos pelo contribuinte para averiguar se de fato o crédito aqui vindicado apresenta ou não validade material; e, ainda 1 Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.688806/200958 Resolução nº 3402001.225 S3C4T2 Fl. 165 4 (ii) caso tais documentos sejam insuficientes para o cumprimento do mister acima indicado, a fiscalização deverá intimar o contribuinte para que apresente outros documentos fiscais necessários para esse fim. Ao final, uma vez ofertada as respostas aos questionamentos acima, o recorrente deverá ser intimado para, facultativamente, manifestarse em 30 (trinta) dias a seu respeito, nos termos do que prevê o art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluídas estas providências, retornemse os autos para julgamento. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.732528/2012-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2015, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Numero da decisão: 9303-006.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
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COFINS. BASE DE CÁLCULO. Recorrente METROPOLITANA DE VEÍCULOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2015, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 28 /2 01 2- 67 Fl. 867DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3402003.254, de 27/10/2016, proferido pela 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 PIS E COFINS. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. NATUREZA JURÍDICA DE REDUÇÃO DE CUSTO. INCIDÊNCIA. As "bonificações recebidas da fábrica", a título de "parte da composição do valor de compra dos veículos", mesmo que os valores recebidos sejam vinculados a um veículo específico (chassi), consistem em receita passível de incidência das Contribuições (PIS e COFINS), pois não estão alcançadas pela alíquota zero nas demais fases do ciclo produtivo comercial. A contribuição será devida sobre qualquer receita, independentemente da forma por meio da qual se deu a sua contabilização ou do seu enquadramento no conceito de restritivo de faturamento defendido por boa parte da doutrina (receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços). CRÉDITO. INSUMOS. PIS COFINS. ÔNUS DA PROVA. DEFESA. FATOS IMPEDITIVOS, MODIFICATIVOS OU EXTINTIVOS. Com relação às glosas de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, cabe à defesa a prova dos fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da pretensão fazendária, sem a qual fica impedido o julgador de apreciar a o enquadramento dos insumos como "custos de produção" para fins de garantia ao crédito das Contribuições. Recurso Voluntário Negado Irresignada, a Recorrente apresentou recurso especial, por meio do qual se insurgiu contra à manutenção da incidência do PIS e da Cofins sobre as "bonificações recebidas da fábrica", a título de "parte da composição do valor de compra dos veículos", por entender que não estariam alcançadas pela alíquota zero nas demais fases do ciclo produtivo comercial. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3402002.092, 340300.393 e 340300.395. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 860/863 (o primeiro acórdão não foi aceito como paradigma). Intimada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso (fl. 865). É o Relatório. Fl. 868DF CARF MF Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 9303006.373 CSRFT3 Fl. 868 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. Como se passa a demonstrar, as situações fáticas tratadas nos casos confrontados não se assemelham. Eis o caso examinado no acórdão recorrido, conforme registrado no voto vencedor: Verificase que o litígio se concentra na determinação da natureza jurídicotributária dos recebimentos pela Recorrente, que alega terem sidos classificados como "bonificações recebidas da fábrica, utilizados como redutores de custo do veículo", descrito no item 2.2, do Relatório de Ação Fiscal (fls. 524/529). No curso do procedimento, a fiscalização solicitou à Recorrente (Termo de Intimação Fiscal nº 9, fls. 143/145), que fosse informado a natureza ou origem dos valores recebidos a título de "Comissões e Bonificações", consignado nas seguintes contas: 3.2.1.01.004 Bonificações Fab Localização, 3.2.1.01.005 Bonificações Fab Adicional, 3.1.9.01.06 Comissão Bonificações Fab e 3.1.9.01.09 Comissão Fadireto, informando qual era a base de cálculo e a que tipo de venda esses valores estavam relacionados, anexando contratos com as fábrica/montadoras. A Recorrente alega que se refere à política de comercialização praticada para o ano de 2012 e que correspondem a bonificações recebidas pela fábrica de veículos, sendo parte da composição do valor de compra dos veículos, de modo que tem natureza de redutores do preço de venda para fins de comercialização. Outrossim, alerta para o fato de que todos os valores recebidos são vinculados a um específico veículo (chassi). Pode ainda ser verificado na decisão DRJ, que ao analisar a documentação acostada aos autos concluise que "(...) como se vê, a bonificação, desde que vinculada a uma operação de venda e registrada na respectiva nota fiscal, corresponde a um desconto incondicional, fornecido pelo vendedor ao comprador. No entanto, não é essa a situação trazida à colação nesse processo. Os valores são entregues posteriormente, sem registro na nota fiscal de venda. Consequentemente, não se trata de bonificação, tampouco de desconto concedido incondicionalmente.” Pois bem. Como pontuado pela Relatora, tais valores foram lançados na contabilidade da Recorrente como despesas, da seguinte forma: crédito de uma conta de despesas “custo com Fl. 869DF CARF MF 4 venda” e débito de contas representativas de direito junto à sua fornecedora, fábrica de automóveis (Mercedes Bens). Por sua vez a fiscalização entendeu que tais valores se enquadram como “incentivos financeiros para incremento de vendas”, representando recursos usados em substituição à moeda corrente para pagamento de obrigações junto ao fornecedor, o que caracteriza RECEITAS, devendo ser normalmente tributados pela sistemática da não cumulatividade, pelo PIS e pela COFINS e foram objeto de tributação. (g.n.) No paradigmas admitidos, a situação é, contudo, diversa, como facilmente se percebe do voto condutor desses acórdãos, ambos com a mesma redação e de relatoria do mesmo conselheiro. Confirase: A bonificação consiste em uma política de relacionamento comercial pela qual o fornecedor entrega ao adquirente uma quantidade de itens do produto vendido maior do que a quantidade contratada, sem acréscimo do preço total. Tal se dá como forma de estimular a fidelização entre as partes, de reconhecer a relevância da compra realizada pelo adquirente, enfim, de cultivar e fomentar a relação com um parceiro comercial qualquer. Tratase, a meu ver, de fenômeno de idêntica natureza jurídica a do desconto obtido. Neste, o fornecedor mantém a quantidade vendida, mas reduz o preço total (portado, ajustase o fator "preço"). Nas bonificações, o fornecedor mantém o preço, mas aumenta a quantidade vendida (portanto, ajustase o fator "quantidade"). Numa e noutra hipóteses, a ocorrência relevante é a mesma: a redução do valor unitário do produto adquirido no âmbito de um mesmo negócio jurídico. (...) Assim, ao adquirir, por exemplo, 1000 itens de um produto pelo preço total de R$ 1,000,00, o comerciante apropriará créditos de PIS e COFINS calculados sobre o valor de R$ 1.000,00, que é o total dos itens adquiridos. Agora, se, nessa negociação, o fornecedor resolve bonificar o comerciante, remetendolhe 1010 itens pelos mesmos R$ 1,000,00, os créditos continuarão sendo apropriados pelo comerciante sobre a base de R$ 1.000,00, as mercadorias bonificadas, portanto, não ensejam valor maior de créditos no regime nãocumulativo, o que demonstra que não há, aí, riqueza adicional a ser percutida. Por tudo isso, entendo que as mercadorias recebidas como bonificações não integram a base de cálculo de PIS e de COFINS. Portanto, a nosso juízo, os acórdãos paradigmas não traduzem efetiva interpretação divergente daquela adotada no recorrido, pois as situações fáticas que envolvem os litígios neles examinados não se assemelham, o que impede o conhecimento do recurso especial de divergência (art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2015). Enquanto no caso apreciado Fl. 870DF CARF MF Processo nº 11080.732528/201267 Acórdão n.º 9303006.373 CSRFT3 Fl. 869 5 no recorrido, as tais bonificações não foram recebidas em mercadoria e não constaram das notas fiscais, nos casos julgados nos paradigmas assim ocorreu. Ante o exposto, não conheço do recurso especial interposto pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 871DF CARF MF 6 Fl. 872DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.100204/2005-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório DRF/POA 96/2006. O DDE acima mencionado, foi julgado com a seguinte ementa: Assunto: Compensação de Tributos Pagamento Indevido Ementa: DECADÊNCIA Art. 168 DO CTN O direito de pleitear a restituição/compensação, sujeitase a um prazo decadencial de cinco RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .1 00 20 4/ 20 05 -3 6 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11080.100204/200536 Resolução nº 3001000.029 S3C0T1 Fl. 249 2 anos, com termo inicial expressamente fixado pelo art. 168, inciso l, do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA A autoridade competente da SRF considerará não fommlado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto no art. 31, da IN/SRF 460/2004, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. Compensação não homologada Transcrevese, a seguir, trechos do mencionado DDE, que demonstram o cerne deste processo: Informa compensação com crédito de pagamento indevidolmaior no montante de R$ 2.315,80, relativo à multa de mora incidentes nos recolhimentos dos tributos em atraso no período de 1995 a 2001 e 2004, sob o argumento de que o crédito oriundo do pagamento indevido de multa exigida afronta os temos do art. 138 do CTN A compensação de débitos próprios está prevista na Instrução Normativa n° 460, de 18 de outubro de 2004, que disciplina a compensação efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação a SRF da Declaração de Compensação, gerada a partir do programa PER/DCOMP, Portanto, vêse que o direito à restituição/compensação esta disciplinado nos supratranscritos dispositivos legais, sendo que este último artigo estabelece o prazo decadencial de 5 (cinco) anos a contar da extinção do crédito tributário para que o contribuinte exerça o seu direito de pleitear a repetição do indébito. Expirado esse prazo, extinguese, de pronto, o direito à compensação. Tendo a requerente protocolado a declaração de compensação em 27.01.2005, e os pagamentos efetuados nos anoscalendário de 1995 a 2000, a compensação seria descabida uma vez que a contagem do prazo para que ocorra a prescrição na hipótese de pagamento a maior/indevido, começa a contar a partir do pagamento. 6. O débito referente às DCOMP consideradas não declaradas se refere à COFINS de 09/2002, e está devidamente informado em DCTF, em consonância com a DIPJ. Manifestação de Inconformidade Foi arguido, pela recorrente, que foram apresentado diversos pedidos de compensação de créditos oriundos do pagamento indevido de multa Tais créditos teriam sido usados para compensação de débitos de PIS e COFINS. Compensações Não Homologadas Tendo a decisão considerado não declaradas as compensações, foi proposta esta manifestação de inconformidade Compensações Não Declaradas Já o trecho da decisão que considerou “não declaradas", utilizouse de recurso hierárquico. Utilização do formulário impresso A Recorrente apresentou (em formulário de papel) pedido de compensação de créditos decorrentes do recolhimento indevido de multa. A Instrução Normativa SRF 460/04 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 11080.100204/200536 Resolução nº 3001000.029 S3C0T1 Fl. 250 3 exige que a compensação seja formulada no programa “Per/Dcomp", todavia o parágrafo primeiro, expressamente faculta o uso do formulário em papel, quando houver impossibilidade do uso do meio eletrônico. Prazo de 10 anos Segundo consta na defesa, o programa da receita federal para as compensações admite apenas o uso de créditos gerados nos cinco anos anteriores ao ajuizamento do pedido, por este motivo a Recorrente apresentou o pedido em formulário de papel. Entendendo que existem dois prazos sucessivos de cinco anos para pleitear a restituição de tributos sujeitos à homologação do lançamento, assim concluiu: pacífico que o pedido de restituição e/ou compensação pode ser exercido no prazo de dez anos, pelo menos antes do advento da Lei Complementar 118/05, e que o programa aceita apenas metade desse prazo é legítimo o procedimento do contribuinte de fazer uso do parágrafo primeiro, do artigo 26 da Instrução Normativa 460/04 e apresentar o pedido em formulário de papel. Inexigibilidade da multa O crédito utilizado pela Recorrente para extinguir os débitos indicados no pedido de compensação decorre dos termos do artigo 138 Código Tributário Nacional, segundo o qual a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração. DRJ/POA. A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1024.444 2a Turma ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2001 Ementa: SOLICITAÇÃO DE RESTITUIÇÃO _ DECADÊNCIA Nos termos ao art.168 do Código Tributário Nacional e da IN SRF n° 96, de 26/11/1999, o prazo para solicitar restituição é de 5 (cinco) anos da extinção da exigência do tributo pelo pagamento, sendo corroborado pelo art.3° da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005. Manifestação de lnconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: O presente processo de restituição/compensação, conforme parecer e Despacho Decisório de fls. 114 a 117, resultou em Dcomps não homologadas e Dcomps consideradas não declaradas. Após intimado, o interessado apresentou Recurso Hierárquico para as Dcomps consideradas não declaradas e Manifestação de Inconformidade para as declarações não homologadas. Foram abertos processos de representação para controle/cobrança dos débitos cujas Dcomps foram consideradas não declaradas e remessa à Superintendência para análise do respectivo recurso hierárquico. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11080.100204/200536 Resolução nº 3001000.029 S3C0T1 Fl. 251 4 Aqui trataremos apenas do exame da Manifestação de Inconformidade contra a parte da decisão contida no Despacho Decisório que não homologou as compensações, pois considerou que o direito a pleitear os respectivos créditos já estava atingido pela decadência. A recorrente pleiteia a aplicação de um prazo prescricional total de dez anos (cinco anos do fato gerador mais cinco anos da homologação tácita) para o seu direito à compensação de créditos oriundos do pagamento indevido de multa, fundamenta sua opinião transcrevendo jurisprudência do STJ. Ressalta que o Despacho Decisório não teria oposto “qualquer resistência” ao crédito apontado pela Recorrente, o que permitiria concluir que teria sido aceita a sua legitimidade. Afirma que o crédito utilizado na extinção dos débitos indicados no pedido de compensação decorre dos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, segundo o qual a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido, além dos juros e correção monetária. Neste sentido, conclui pela inexigibilidade da multa, voltando a citar e transcrever doutrina e' jurisprudência do STJ. Ao final requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade, nos efeitos suspensivo e devolutivo, na forma do artigo 74 da lei 9.430/96 e 151 do Código Tributário Nacional, para que seja reformado o Despacho Decisório em questão e homologadas suas compensações efetuadas. O cerne do litígio a ser analisado no presente processo recai sobre o decurso do prazo decadencial ou prescricional, como entendem vários estudiosos . Entendo correta a decisão efetivada pela DRF jurisdicionante Desta forma, nos termos do art. 168, I, do CTN, o direito de pleitear restituição/compensação de créditos contra o Fisco extinguese após o transcurso do prazo de 5 anos, contados a partir da data de efetivação do suposto indébito, posição adotada no Parecer PGFN/CAT 678, de 28 de maio de 1999, que revogou o entendimento esposado no Parecer Cosit 58/1998. O referido ato emanado do órgão responsável pela representação judicial da Fazenda Nacional foi corroborado pelo Parecer PGFN/CAT/ 1538/99, de 28 de setembro de 1999, versando sobre o prazo para pleitear compensação/restituição de indébitos perante à Fazenda, cujo trecho conclusivo, atinente à presente lide, abaixo transcrevo; Concluise que os atos infralegais acima, em consonância com a própria legislação tributária, estabeleceram que o prazo decadencial para a interessada exercer o direito à repetição do indébito iniciouse na data em que foram feitos os pagamentos supostamente a maior, estando extinto, a contar daí, 5 anos após, o seu direito de reaver valores porventura indevidamente recolhidos, não reconhecendo exceções. Deve, também, ser afastado o argumento de que o Despacho Decisório não teria oposto “qualquer resistência” ao crédito apontado, pois a decisão é bastante clara ao determinar que o direito a pleitear os referidos créditos já estava atingido pela decadência. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 11080.100204/200536 Resolução nº 3001000.029 S3C0T1 Fl. 252 5 Porquanto negado preliminarmente o'pedido com o fundamento jurídico da prescrição, fica prejudicada a análise dos demais aspectos fáticos do litígio, restando, portanto, descabidas as alegações sobre a eventual ocorrência de denúncia espontânea na origem dos créditos pleiteados pelo interessado. Neste ponto, cabe também observar que o instituto da denúncia espontânea exclui, tãosomente, a responsabilidade por infrações, o que significa que afasta as penalidades que seriam aplicáveis ao contribuinte infrator, mas que se|¡ denunciou espontaneamente. Contudo, pela análise dos DARF's anexados ao presente processo, junto aos respectivos pedidos de restituição, fica evidente que a multa que deu origem aos créditos ,pleiteados é de natureza moratória, desta forma não assiste razão à alegada hipótese de denúncia espontânea. A multa de mora não tem a natureza jurídica da sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabendo, por isso, a alegação da ocorrência de denúncia espontânea conforme defende o interessado. Recurso Voluntário A recorrente realizou breve relato dos autos, destacando o fundamento da decisão, a qual demonstra sua iresignação. Prescrição Segundo a defesa, não haveria que se cogitar a hipótese de prescrição no presente caso, pois para construir a interpretação que fulminou o pedido da Requerente, sustenta que a decisão apegouse a uma leitura apressada do artigo 168 do Código Tributário Nacional e a indevida aplicação retroativa da Lei Complementar 118/05. Segundo sua tese, feito o autolançamento, a autoridade administrativa tem o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para verificar a regularidade do procedimento adotado pelo contribuinte, prazo em que deverá homologar ou efetuar outro, de oficio, em substituição àquele. Transcorrido o prazo legal sem manifestação da autoridade administrativa, ocorre a homologação tácita e a extinção do crédito tributário. Extinto o crédito tributário e só então começa a fluir o prazo prescricional de cinco anos para o contribuinte requerer a restituição de tributos. É o relatório. VOTO Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário no qual a recorrente pretende legitimar seu direito à compensação de créditos cuja origem teria se dado em pagamento indevido ou a maior a título de multa de mora. A decisão recorrida considerou decaído o direito da recorrente, motivo pelo qual, não se resignou e guerreia mencionada decisão através desta defesa. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11080.100204/200536 Resolução nº 3001000.029 S3C0T1 Fl. 253 6 Decadência Compulsando os autos verifico que a DComp submetida à apreciação foi apresentada na SEORT;DRF;POA em data de 27 de janeiro de 2004, ofertando crédito originado de pagamento de multa de mora, considerado indevido pelo fato de estar acobertado pela mando do artigo 138 do CTN. Tais pedidos encontramse no lapso temporal definido pela súmula CARF n.º 91, transcrita a seguir: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Por este motivo, acolho o pedido no sentido de considerar apto ao pedido de compensação, os pedidos contidos na Dcomp em análise. Origem do Crédito: pagamento indevido por recolhimento de multa de mora ante a ausência de procedimento fiscalizatório Os documentos acostados, em especial as DARFs, demonstram que houve pagamento dos tributos nos prazos de competência, mas com acréscimo de multa. Vejase que na Ficha 2. Demonstrativo do Pagamento Indevido, o pagamento ocorre no mês seguinte ao da apuração, não se vislumbrando, a necessidade de recolhimento de multa, tratandose, a meu ver, de mero recolhimento a maior. Débito compensado sem recolhimento de multa de mora Já o débito compensado, no caso em análise, tratandose de COFINS, da competência de setembro de 2002, há que confrontálo com a data do pedido de Compensação, ocorrido em 27 de janeiro de 2004 , conforme imagem do carimbo aposto em efls. 02. Neste caso, falta à análise, a DCTF correspondente, para sacar as dúvidas quanto à aplicação do conteúdo prescrito no Resp nº 1.149.022/SP: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11080.100204/200536 Resolução nº 3001000.029 S3C0T1 Fl. 254 7 multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) De acordo com o precedente judicial,seguiuse a orientação aos julgados deste CARF, conforme se segue: Acórdão nº 3302004.451 Ano calendário: 2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11080.100204/200536 Resolução nº 3001000.029 S3C0T1 Fl. 255 8 conhecimento da infração, ou antes, do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Realizado o pagamento antes do ato fiscalizatório a multa de mora deve ser excluída (Resp nº 1.149.022/SP). Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Neste cenário, evidenciase que a exigência de multa de mora quando de recolhimento em atraso consiste na regra geral a ser observada, em obediência aos dispositivos legais citados, sem prejuízo de outros que também a prevêem. Por outro lado, há causa excludente de penalidade prevista no artigo 138, do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Compulsando os autos, verificase que no preenchimento da PER/DCOMP em análise, entregue em 17.11.2004 (fls. 0204), a Recorrente informou débitos de PIS, código de receita 6912 (PISNão Cumulativo), relativos ao mês de março de 2003, sem considerar as multas de mora. Consultando a DCTF entregue pela Recorrente em 15.05.2003 (fls.8182), constatase que o débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003, não havia sido declarado quando foi objeto de pedido de compensação por meio da Dcomp. Adicionalmente, não há notícia de nenhum procedimento fiscal com relação ao débito de PIS, código de receita 6912, relativo ao mês de março de 2003 informado na Declaração de Compensação, o qual, conforme já mencionado, também não havia sido previamente confessado por meio de DCTF. Assim, considerando que a Recorrente efetuou o pagamento do débito não declarado antes de qualquer procedimento fiscalizatório e, com base no entendimento proferido pelo Ministro Luiz Fux no RESP anteriormente citado, reconheço o benefício da denúncia espontânea, descabendo a exigência de multa de mora em relação ao débito sob análise. Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp, e, para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF, e; Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11080.100204/200536 Resolução nº 3001000.029 S3C0T1 Fl. 256 9 não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este requisito, a meu ver, satisifeito. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720941/2015-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 09 41 /2 01 5- 36 Fl. 93DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: Exercício: 2014 IRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL E/OU POR ESCRITURA PÚBLICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. A base de cálculo do IRPF devido no anocalendário será a diferença entre as somas: a) de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; e b) das deduções relativas às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil. No presente caso, deve se considerar os pagamentos efetuados pelo contribuinte com limite anual, conforme valor que consta da determinação judicial, pois o valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes, conforme possibilita a legislação, motivo da procedência parcial da impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do acórdão de impugnação destacamos as seguintes passagens: Na análise da documentação apresentada, em confronto com o que determina a legislação, há como conferir razão parcial ao contribuinte. Primeiramente, cabe destacar que cópias de envelopes de depósitos não são capazes de comprovar a efetiva transferência de recursos, motivo de, desde já, não serem levados em conta para a pleiteada dedução. Feito esse esclarecimento, chegamos a conclusão pela procedência parcial da impugnação por verificar que o valor determinado na sentença que homologa o acordo para pagamento da pensão especifica o pagamento de três salários mínimos por mês ao alimentando. Em 2013, ano calendário, o valor do salário mínimo era de R$ 678,00, conforme Decreto 7.872/2012. Assim, se o valor a ser pago era de três salários mínimos o valor a pagar ao alimentando deveria ser de R$ 2.034,00, mensais, R$ 24.408,00, anualmente. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10725.720941/201536 Acórdão n.º 2001000.155 S2C0T1 Fl. 3 3 Comprovadamente, segundo os documentos, comprovantes de depósitos, foi transferido para a conta da genitora do alimentando o valor global de R$ 12.500,00. Certo que o valor não é o exato, mensal, determinado pela legislação, mas, como demonstrado acima, a legislação possibilita a utilização de valor em meses subsequentes: Decreto 3.000/1999: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). ... § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. Portanto, deve ser considerada a procedência parcial da impugnação, pois foi comprovada a transferência de R$ 12.500,00 a título de pensão, para a genitora, valor esse que está contido no limite anual, determinado pela decisão judicial, R$ 24.408,00. ] A Notificação de Lançamento fundamentou a recusa à dedução da pensão alimentícia judicial da seguinte maneira: Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, onde se alega que os pagamentos foram realizados, e que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Fl. 95DF CARF MF 4 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10725.720941/201536 Acórdão n.º 2001000.155 S2C0T1 Fl. 4 5 Fl. 97DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, declaração daquele que recebeu a pensão judicial é suficiente, em nosso entendimento, para a comprovação do pagamento. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10725.720941/201536 Acórdão n.º 2001000.155 S2C0T1 Fl. 5 7 “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: Fl. 99DF CARF MF 8 “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, examinando as provas apresentadas, entendemos que a pensão alimentícia judicial encontrase comprovada. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003523/2003-63
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
ENSINO DE DANÇA. LEI Nº 9.317/1996. OPÇÃO NÃO VEDADA.
Não há norma legal que condicione o ensino de dança à prévia habilitação profissional. Portanto, o instrutor de dança não é equiparado a professor, para fins de incidência da vedação à opção pelo Simples afigurada no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996.
Numero da decisão: 9101-003.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 ENSINO DE DANÇA. LEI Nº 9.317/1996. OPÇÃO NÃO VEDADA. Não há norma legal que condicione o ensino de dança à prévia habilitação profissional. Portanto, o instrutor de dança não é equiparado a professor, para fins de incidência da vedação à opção pelo Simples afigurada no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996.
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LEI Nº 9.317/1996. OPÇÃO NÃO VEDADA. Não há norma legal que condicione o ensino de dança à prévia habilitação profissional. Portanto, o instrutor de dança não é equiparado a professor, para fins de incidência da vedação à opção pelo Simples afigurada no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 35 23 /2 00 3- 63 Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13706.003523/200363 Acórdão n.º 9101003.385 CSRFT1 Fl. 243 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN, em face do acórdão nº 180200703, da Segunda Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF, assim ementado: "SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. Exercício: 2003 SIMPLES ACADEMIA DE DANÇAS. Atividade exercida pela recorrente, pequena sociedade empresária de "Academia de Dança", não envolvendo profissionais de nível superior ou que dependam de profissões regulamentadas, não é impeditiva de opção pelo SIMPLES, nos termos do disposto na Lei 9.317, de 05/12/1996." De acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, o objetivo do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996 foi o de excluir da sistemática do Simples as atividades que requeiram conhecimento especializado, conclusão que se pode extrair da referência à "habilitação profissional legalmente exigida". Nesse contexto, devese entender que a expressão "professor" diz respeito àquele que transmite conhecimento técnico especializado, o que não atinge o instrutor de dança, que domina a técnica, ainda que de forma empírica, sem formação acadêmica específica. Ciência do acórdão recorrido no dia 20/01/2011, à fl. 199. Recurso Especial interposto no dia 20/01/2011. Nessa oportunidade, apresenta o acórdão nº 20212394 com vistas à demonstração da existência de decisão divergente daquela que se proferiu nos presentes autos. Com efeito, no acórdão ofertado como paradigma, a Turma julgadora negou provimento a recurso voluntário interposto por pessoa jurídica prestadora do serviço de ensino de dança e música, irresignada com a decisão de primeira instância, que não lhe autorizou a permanência no regime do Simples da Lei nº 9.617/1996. A recorrente também traz à colação, para fins de comprovação de dissídio interpretativo, o acórdão nº 30132424, no qual assentouse que a atividade de ensino de natação, dança, tênis e ginástica em geral, explorada pelo contribuinte, pressupõe a existência de profissional com habilitação legalmente exigida, o que obsta sua opção pelo Simples, conforme inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.617/1996. Sustenta a recorrente que o contrato social da recorrida informa que o objeto social desta consiste no “ensino artístico, curso de arte teatral, cursos de dança, bailados e coreografia, ensino de instrumentos musicas e academia de ginástica e lutas.” Portanto, está claro que exerce a atividade de professor ou assemelhado. Daí, destaca que é necessário atentar para o fato de que a incidência do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996 se satisfaz com o exercício da atividade de professor, seja por profissional regulamentado ou não, para o ensino de uma ciência, de uma técnica ou mesmo de uma arte. A recorrente ainda salienta que a recorrida deveria provar que não exerce a atividade vedada constante de seu objeto social para se valer dos benefícios do Simples, o que não ocorreu. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13706.003523/200363 Acórdão n.º 9101003.385 CSRFT1 Fl. 244 3 Ao final, requer seja conhecido o Recurso Especial e, no mérito, provido, reformandose o acórdão recorrido, com o consequente restabelecimento da decisão de primeira instância. Ciência à recorrida no dia 09/05/2012 (efl. 234). Contrarrazões apresentadas no dia 23/05/2012. Nessa oportunidade, manifesta que exerce a atividade de uma academia de dança, que é “muito mais arte do que aprendizagem”. Como tal, não é necessário formação profissional em nível superior. Nessas circunstâncias, assinala que o Ato Declaratório Derat/RJO nº 450.732 desconsiderou sua realidade, como restou demonstrado em suas peças de defesa. Ao término, a recorrida reitera os argumentos já articulados na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário para, alfim, postular a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição do presente Recurso Especial, foram atendidos os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Consta no Ato Declaratório Executivo Derat/RJO nº 450.732, 7 de agosto de 2003, que a recorrida foi excluída do Simples, a partir de 01/01/1999, em razão da exploração da atividade de academia de dança (código de atividade econômica: 92398/03). Tal ato menciona que a irregularidade data de 22/12/1998. No julgamento da manifestação de inconformidade, mantevese o indeferimento prolatado na apreciação da solicitação de revisão da exclusão do Simples. O voto condutor do acórdão DRJ pronunciou, na ocasião, que o ensino de dança é próprio de professor. Diante disso, a opção pelo Simples era vedada à recorrida. Com a interposição do recurso voluntário, a Turma recorrida entendeu que a atividade exercida pela recorrida não está sujeita à exigência de prévia formação profissional condicionante da habilitação para seu exercício. Nessa esteira, considerouse que o conceito de professor, para a aplicação do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, é restrito, porquanto só compreende o profissional que transmite conhecimento técnico especializado. No Recurso Especial, a PGFN defende que a vedação da Lei nº 9.317/1996 alcança as atividades de professor para o ensino de uma ciência, técnica ou arte, ainda que não exercida por profissional legalmente habilitado. Também advoga que a mera previsão da atividade no objeto social já satisfaz os requisitos determinantes da vedação à opção pelo Simples. Desde logo, consignese que a recorrida confessa que se dedica ao ensino da dança. Todavia, não se deve conferir interpretação extensiva à expressão “professor’ para alcançar qualquer profissional, no âmbito da vedação do inciso XIII da Lei nº 9.317/1996, Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13706.003523/200363 Acórdão n.º 9101003.385 CSRFT1 Fl. 245 4 ainda que não submetido à exigência de formação técnica ou acadêmica condicionante da habilitação ao exercício da atividade. Reparese no texto da norma em lume: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [..] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida.” Observase do texto do preceito legal acima invocado que, a partir do profissional médico, os demais, na sequência, são aqueles relacionados à atividade cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida. Para espancar de vez as dúvidas, esclareçase que a Lei nº 9.317/1996 é anterior à decisão proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 511.961, na sessão de 17/06/2009, quando, por maioria e nos termos do voto do Relator, Ministro Gilmar Mendes, declarouse a não recepção do inciso V do artigo 4º do Decretolei nº 972/1962. O dispositivo citado, inquinado de inconstitucionalidade, estabelece a exigência de diploma de curso superior de jornalismo para o exercício da profissão de jornalista. Também cabe elucidar que o profissional fisicultor, incluído no indigitado texto legal, é frequentemente designado como preparador físico1, o que não pode ser confundido com o adepto do fisiculturismo. Como é cediço, o preparador físico deve ter formação superior em educação física, consoante a Lei nº 9.696/1998. No caso concreto, não há norma legal que condicione o ensino de dança à prévia habilitação profissional. Portanto, o instrutor de dança não é equiparado a professor, para fins de incidência da vedação à opção pelo Simples afigurada no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. CONCLUSÃO: conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. 1 Zilio, Alduino. Treinamento Físico: Terminologia. 2ª ed. Canoas: Ed . Ulbra, 2005, p. 153. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13706.003523/200363 Acórdão n.º 9101003.385 CSRFT1 Fl. 246 5 Fl. 246DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.003156/2004-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES
Ano calendário:2004
SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE NÃO VEDADA. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE COMPRESSORES Não se enquadram nas atividades privativas de engenheiros ou de outras profissões cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, a
atividade de manutenção e reparo de compressores remanufaturados para refrigeração de transportes e ar condicionado de ônibus, exercida pela interessada.
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. É cabível a inclusão retroativa
no Simples já que o contribuinte comprovou que não exerce atividade vedada.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-000.671
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carlos Pelá
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SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE COMPRESSORES Não se enquadram nas atividades privativas de engenheiros ou de outras profissões cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, a atividade de manutenção e reparo de compressores remanufaturados para refrigeração de transportes e ar condicionado de ônibus, exercida pela interessada. INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. É cabível a inclusão retroativa no Simples já que o contribuinte comprovou que não exerce atividade vedada. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10930.003156/200437 Acórdão n.º 140200.671 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 2ª Turma da DRJ/CTA que manteve a exclusão do contribuinte do Simples (ADE DRF/LON n° 528.091, de 2 de agosto de 2004 fl. 21), com efeitos a desde de 25/06/2002 (data da abertura da empresa), por incorrer em vedação prevista no art. 9º, XIII, da Lei n° 9.317/1996; ou seja, por haver realizado atividade econômica vedada (29119/02 — reparação e manutenção de compressores). A exclusão do Simples foi fundamentada nos arts. 9º, XIII, 12, 14, I, e 15, II, da Lei n° 9.317/1996, art. 73 da Medida Provisória n° 2.15834/2001, e arts. 20, XII, 21, 23, I, e 24, II e parágrafo único, da Instrução Normativa SRF n° 355/2003. O contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese, que não exerce e nunca exerceu a atividade de reparação e manutenção de compressores, pois tem como objeto social a fabricação e comércio de peças para compressores. Assim, em 13/09/2004 (após a ciência, em 27/08/2004, do ADE DRF/LON n° 528.091), o contribuinte providenciou a alteração da atividade nos cadastros da Receita Federal, com data retroativa à abertura da empresa, retirando do objeto social a reparação e manutenção de compressores, conforme Terceira Alteração Contratual (fls. 02/04) e FCPJ. O acórdão recorrido mantém a exclusão do contribuinte do Simples, sob o argumento de que a interessada declarou valores de prestação de serviços em suas declarações simplificadas dos exercícios 2004 a 2007 (fls. 35/46). Posto isso, na falta de justificativa plausível para esclarecer a origem dessa receita bruta com prestação de serviços, ainda que a participação na receita bruta total seja atualmente pouco significativa, concluiuse que deriva da atividade de reparação e manutenção de compressores constante do contrato social, atividade esta excluída do objeto social por ocasião da Terceira Alteração Contratual (fls. 02/04) efetuada em 13/09/2004 (após a ciência, em 27/08/2004, do ADE DRF/LON n° 528.091). Atentese ao fato de que mesmo após essa alteração contratual, a interessada continuou auferindo receita com prestação de serviços. Além disso, afirma que o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 04, de 22 de fevereiro de 2000, esclareceu que "não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia". Dessa forma, uma vez comprovado que o contribuinte realmente exerceu a atividade de reparação e manutenção de compressores nos anoscalendário de 2003/2006; ou seja, prestou serviços de manutenção de equipamento industrial, ainda que tais valores sejam irrelevantes se comparados à receita bruta total, restou caracterizada a hipótese de prestação de serviço profissional de engenharia, que, por sua vez, justifica a exclusão do contribuinte do Simples. Inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, afirmando que: Fl. 155DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10930.003156/200437 Acórdão n.º 140200.671 S1C4T2 Fl. 3 3 1) A recorrente é uma sociedade empresária, que fabrica e vende compressores para serem instalados em veículos de transporte (ar condicionado para ônibus e câmaras refrigeradas para caminhões), bem como as respectivas peças para estes compressores, conforme se pode ver pelo seu "Catálogo de Produtos" (fl. 80/92). 2) A prestação de serviços de reparação e manutenção de compressores era realizada de forma excepcional, pois sua atividade principal, que representa mais de 95% da sua receita, é a de fabricação e comercialização de compressores e peças. Anexa planilha elaborada pelo contador da empresa indicando o faturamento fiscal de vendas e serviços referente ao período de Janeiro de 2004 a Julho de 2007 (fl. 130/131). 3) Os serviços eventualmente prestados de reparação e manutenção de compressores vendidos foi realizada por técnicos, e não por engenheiros, não sendo necessária essa formação para tanto, limitandose a troca de peças em garantia. 4) Carece de legitimidade a exclusão de pessoa jurídica do Simples quando exclusivamente motivada pelo exercício da prestação de serviços de reparação, manutenção e montagens e essa é apenas uma das atividades da sociedade empresária, conforme jurisprudência desse Conselho (Processo nº. 10840.002052/200414). 5) Devem ser incluídas no Simples as empresas que exerciam atividades impeditivas, quando a lei nova (Lei nº. 10.964/2004, art. 4º, inc. II e § 2º, com redação conferida pela Lei nº. 11.051/2004), contemporânea ao tempo do julgamento do litígio, tenha deixado de definilas como atos infracionais. Cita jurisprudência nesse sentido (Processo n° 13019.000022/200373). 6) O ato declaratório que excluiu a Recorrente do Simples foi emitido em 02/08/2004, estando fundamentado no inc. XIII do art. 9° da Lei n° 9.317/96, razão pela qual foi cancelado pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) SRF n° 8, de 18 de Janeiro de 2005. 7) O inc. II do art. 15 da Lei n° 9.317/96 aplicase à recorrente, já que ela foi excluída do Simples em função do disposto no inc. XIII do art. 90 da Lei n° 9.317/96, conforme art. 10 do Ato Declaratório impugnado. Assim, de acordo com este dispositivo legal, a exclusão do Simples surtirá efeitos a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, o que significa dizer que os efeitos da exclusão não poderão ser retroativos à data da mesma. 8) A exclusão do sistema Simples somente surte efeitos a partir do ano calendário subseqüente, não havendo previsão legal para considerála com efeitos retroativos. Isso porque os efeitos da exclusão, a partir de 01/01/2002, estão fundamentados no art. 24 da Instrução Normativa SRF n° 355/2003, que extrapolou os limites impostos Lei n°. 9.317/96. Cita jurisprudência deste Conselho (Processo n° 13836.000080/200292) e do Judiciário corroborando a tese (TRF/lª Região, AMS 38000124751, Processo n° 199938000124751/MG, 7ª Turma, Relator Des. Fed. Tourinho Neto, DJU de 03/08/2004). 9) Não é razoável excluir retroativamente a empresa do Simples, já que a Recorrente ficou durante todo este período (mais de 2 anos) recolhendo os seus tributos pelo Simples, sem que a Receita Federal tivesse constatado qualquer irregularidade. Alega que, o poder público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade. Para comprovar que exerce atividade industrial/comercial, a Recorrente anexa notas fiscais de venda por ela emitidas nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2008, nas quais se verifica a venda de vários compressores e peças para seus clientes (fl. 93/129). É o Relatório. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10930.003156/200437 Acórdão n.º 140200.671 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator O recurso atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A Recorrente afirma que tem posição consolidada no mercado como fornecedor de Peças e Compressores Remanufaturados para Refrigeração de Transportes e Ar Condicionado de Ônibus. Assim, em 2004 iniciou a fabricação de seu compressor Modelo TK3, o qual equipa os aparelhos de baús frigoríficos de clientes em várias regiões do País. Pelo "Catálogo de Produtos" do sujeito passivo (fl. 80/92), é possível verificar a afirmação: "Fundada em 1998 com o objetivo de fabricar peças de Reposição e Remanufatura de Compressores, a TKJ Compressores LTDA investe em tecnologia de ponta, máquinas de última geração, controle de qualidade e desenvolvimento de novos produtos para alcançar o mais alto nível de excelência na produção, comercialização e atendimento de seus clientes" (grifo nosso). Destarte, a Recorrente reconhece em sua peça recursal que pratica serviços de reparação e manutenção de compressores. Contudo, tais serviços seriam realizados de forma excepcional, tratandose, apenas, da troca de peças em garantia que apresentam defeitos. Por fim, somese a isso que a contribuinte comprova com as notas fiscais apresentadas a comercialização de compressores e, com a planilha apresentada pelo contador da empresa, que a receita obtida com a prestação de serviços é praticamente irrelevante se comparada à receita total. Aliás, digase que esse fato restou, inclusive, consignado pelo acórdão recorrido. Pois bem. A Lei nº. 9.317/96, definiu as regras para fruição do regime tributário do Simples, estabelecendo, contudo, em seu art. 9º , exceções que vedam a opção pelo regime jurídico diferenciado pelas pessoas jurídicas ali especificadas. Em seu art. 9º a citada Lei aponta a hipótese de exclusão que justificaria a exclusão do contribuinte, a saber: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou Fl. 157DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10930.003156/200437 Acórdão n.º 140200.671 S1C4T2 Fl. 5 5 assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;(...). Sendo assim, como constava do contrato social da contribuinte que um de seus objetos sociais era a "reparação e manutenção de compressores", e mesmo que posteriormente essa identificação tenha sido excluída do Contrato Social, por perceber receitas oriundas de tal prestação de serviços, considerados serviços de engenharia, o acórdão recorrido manteve a exclusão do contribuinte. Nesse contexto, tenho dito que esse dispositivo é problemático, visto que algumas das hipóteses ali mencionadas trazem expressões muito abrangentes, e que, por isso, geram dúvidas no momento de sua aplicação aos casos concretos. Sendo assim, tenho entendido que quando inciso XIII veda a prestação dos serviços profissionais que enumera, bem assim como de "qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida", há de se entender que a pessoa jurídica não pode prestar serviços cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Nesse passo, a execução dos serviços de instalação, manutenção e reparo de compressores não exige profissional legalmente habilitado (engenheiro). O Estatuto dos Engenheiros, Arquitetos e EngenheirosAgrônomo (Lei nº 5.194/66) não exige o registro no CREA para a execução de tais serviços. Pelo contrário, da atenta leitura desse diploma legal, percebese que os serviços técnicos a que se refere a Lei dos Engenheiros são aqueles ligados à edificações (obras), vejamos: Art. 7º As atividades e atribuições profissionais do engenheiro, do arquiteto e do engenheiroagrônomo consistem em: a) desempenho de cargos, funções e comissões em entidades estatais, paraestatais, autárquicas, de economia mista e privada; b) planejamento ou projeto, em geral, de regiões, zonas, cidades, obras, estruturas, transportes, explorações de recursos naturais e desenvolvimento da produção industrial e agropecuária; c) estudos, projetos, análises, avaliações, vistorias, perícias, pareceres e divulgação técnica; d) ensino, pesquisas, experimentação e ensaios; e) fiscalização de obras e serviços técnicos; f) direção de obras e serviços técnicos; g) execução de obras e serviços técnicos; h) produção técnica especializada, industrial ou agropecuária. Parágrafo único. Os engenheiros, arquitetos e engenheiros agrônomos poderão exercer qualquer outra atividade que, por sua natureza, se inclua no âmbito de suas profissões. Fl. 158DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10930.003156/200437 Acórdão n.º 140200.671 S1C4T2 Fl. 6 6 Tampouco os dispositivos da Resolução nº 218/73, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia exigem profissional habilitado para o exercício de manutenção e reparo. Até mesmo porque, seu alcance está restrito aos termos da lei acima, em função da qual foi editada. Importante ressaltar, aqui, que o STJ já decidiu por vezes, em casos envolvendo o exercício de atividades vedadas ao Simples, que deve ser evitada a analogia in malam partem, num sistema tributário que, quando nada, admite em prol do contribuinte, a interpretação mais benéfica (art. 106, I, CTN). Como se não bastasse o tanto até aqui exposto, é fato que, tendo em vista o disposto no art. 4º da Lei nº. 10.964/2004, com a redação dada pela Lei nº. 11.051/2004, o Secretário da Receita Federal expediu o ADE SRF nº. 8, de 18 de janeiro de 2005, cancelando os ADE's de 2004 que especifica. Vejamos: Artigo único. Ficam cancelados os Atos Declaratórios Executivos, emitidos pelas unidades descentralizadas da Secretaria da Receita Federal em 2004, para a exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples) em decorrência, exclusivamente, do disposto no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, das pessoas jurídicas que exerçam as seguintes atividades: I serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; II serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores; III serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; IV serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; V serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. As atividades enumeradas foram excluídas da vedação, quando percebeuse que o exercícios de serviços gerais de manutenção, reparação e instalação não exigem profissional legalmente habilitado, podendo ser exercidos tanto por profissionais com nível superior e nível médio, quanto por aqueles com cursos profissionalizantes, e até mesmo por profissionais que aprendem com a vivência prática do trabalho. Vejamos que a mencionada Resolução nº 218/73, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia traz indicações nesse sentido que, se não permitem concluir dessa forma, corroboram o entendimento. Confirase: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Fl. 159DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10930.003156/200437 Acórdão n.º 140200.671 S1C4T2 Fl. 7 7 Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. (...) Art. 23 Compete ao TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR ou TECNÓLOGO: I o desempenho das atividades 09 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II as relacionadas nos números 06 a 08 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Art. 24 Compete ao TÉCNICO DE GRAU MÉDIO: Fl. 160DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10930.003156/200437 Acórdão n.º 140200.671 S1C4T2 Fl. 8 8 I o desempenho das atividades 14 a 18 do artigo 1º desta Resolução, circunscritas ao âmbito das respectivas modalidades profissionais; II as relacionadas nos números 07 a 12 do artigo 1º desta Resolução, desde que enquadradas no desempenho das atividades referidas no item I deste artigo. Oportuno trazer à colação as palavras do acórdão180200.498 desta 1ª Seção: No contexto da Lei 5.194/1966, o exercício da profissão de engenheiro configurase corno atividade intelectual, de natureza científica. A "execução de serviço técnico" típico de engenheiro deve ser compreendida a partir desse referencial, porque "serviços técnicos", em uma acepção ampla, podem ser prestados tanto por profissionais com nível superior ou com nível médio, quanto por aqueles com cursos prolissionalizantes de curta duração, não regulamentados, e até mesmo por profissionais que aprenderam com a vivência prática do trabalho. As expressões "manutenção" e "reparação" também abarcam urna enorme variedade de práticas que podem ou não ser qualificadas como típicas de engenheiro. Assim, merece razão o contribuinte quando alega que o ADE que o exclui do Simples, foi cancelado pelo ADE nº 8/2005, já que as atividades que motivaram sua exclusão reparo e manutenção de compressores remanufaturados para refrigeração de transportes e ar condicionado de ônibus enquadramse como "manutenção e reparo de acessórios para veículos automotores". Com efeito, reformo o acórdão recorrido para reconhecer que o contribuinte não pode ser excluído do Simples pela prestação de serviços de manutenção e reparo de compressores. Deixo de analisar o argumento do Recorrente relativo à falta de previsão legal que justifique a exclusão retroativa do Simples, uma vez que não são necessários para solução do litígio. Posto isso, voto pelo provimento do recurso voluntário para reformar a decisão de primeira instância, já que não restou comprovado que o contribuinte tenha praticado atividade que vedasse a sua inclusão ou permanência no Simples. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 161DF CARF MF Emitido em 04/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10983.903737/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
Compensação.Valor pago a maior. Estimativa mensal.
Súmula CARF n. 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1402-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 Compensação.Valor pago a maior. Estimativa mensal. Súmula CARF n. 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Júlio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Souza, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 37 37 /2 00 9- 60 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.903737/200960 Acórdão n.º 1402002.842 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A no qual inicialmente demonstra o direito a repetição de indébito nos casos em que há pagamento a maior, o que se extrai do art. 165 do CTN. Feitas essas considerações, alega que a interpretação conjunta dos arts. 51 e 74, ambos da Lei n. 9.430/96 autoriza a compensação dos pagamentos a maior dos recolhimentos realizados a título de estimativa mensal, independente da redação a ser eleita pelo Juízo para fundamentar o deferimento da compensação (redação originária do art. 74 da Lei n. 9.430/96 ou sua alteração com a Lei n. 10.637/02). Sustenta que o crédito adiantado através de estimativa mensal, corresponderia, exatamente, ao saldo negativo do tributo no final do ano calendário, para tanto anexou ao presente os documentos que demonstram a origem do crédito, através dos balancetes de suspensão e redução, e o saldo negativo que adviria na DIPJ do período caso não utilizados de tais créditos. Afirma que não se admitir a utilização desses valores seria ir de encontro ao espírito da normatização da matéria, que acarretaria em afronta aos princípios da capacidade contributiva, do nãoconfisco e do direito de propriedade. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de CSLL. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.839, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.902987/200982. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.839): 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. DO MÉRITO: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.903737/200960 Acórdão n.º 1402002.842 S1C4T2 Fl. 4 3 Como se depreende da leitura do relatório a controvérsia cinge se na possibilidade ou não de se compensar via DCOMP os valores pagos a maior a título de estimativa mensal. Ocorre que, diferentemente do quanto decidido pela d. DRJ, este CARF tem entendimento sumulado quanto a possibilidade de compensação de valores recolhidos a título de estimativa mensal. Consultese o quanto disposto na Súmula Carf n. 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mesma conclusão chegou a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais ao julgar os autos do Processo Administrativo n. 10865.720290/200851, sintetizado no acórdão n. 9101003.030, de relatoria do Conselheiro RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. BASE DE CÁLCULO. ESTIMATIVA MENSAL. BALANCETE DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. RIR/99, ARTS. 223 E 230. A base de cálculo da estimativa mensal é o percentual da receita bruta definido pelo artigo 223, do RIR/99. O contribuinte pode suspender ou reduzir a base de cálculo da estimativa, nos termos do artigo 230, do RIR/99, mas não majorála. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES. ERRO. CTN, ART. 147, RIR/99, ART. 832. A legislação federal legitima a retificação de declarações na hipótese de erro, como se observa nos artigos 147, do CTN e 832 do RIR/99, sem que exista qualquer impedimento à retificação quanto ao valor das estimativas mensais de IRPJ. Pelo exposto, entendo que merece reforma a decisão proferida pela e. DRJ ao que voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à restituição do valor devido a título de estimativa recolhido a maior e determinar o retorno dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anterior, com análise do mérito do pedido. É como voto. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.903737/200960 Acórdão n.º 1402002.842 S1C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 75DF CARF MF
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