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Numero do processo: 16327.721255/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
FRAUDES COM CARTÕES DE CRÉDITO. PERDAS EM DIREITOS DE CRÉDITO.
As diversas hipóteses de fraudes com cartões de crédito provocam, no patrimônio da empresa, perdas em direitos de crédito e, não, em bens de natureza móvel. Trata-se do direito de receber os créditos escriturados contra os clientes que foram lesados pelos terceiros que realizaram as condutas penais.
Numero da decisão: 1401-002.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acatar os embargos apresentados pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para que seja cancelada a parte do acórdão relativa à manutenção da incidência de juros sobre a multa de ofício, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010 FRAUDES COM CARTÕES DE CRÉDITO. PERDAS EM DIREITOS DE CRÉDITO. As diversas hipóteses de fraudes com cartões de crédito provocam, no patrimônio da empresa, perdas em direitos de crédito e, não, em bens de natureza móvel. Trata-se do direito de receber os créditos escriturados contra os clientes que foram lesados pelos terceiros que realizaram as condutas penais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acatar os embargos apresentados pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para que seja cancelada a parte do acórdão relativa à manutenção da incidência de juros sobre a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
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CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 FRAUDES COM CARTÕES DE CRÉDITO. PERDAS EM DIREITOS DE CRÉDITO. As diversas hipóteses de fraudes com cartões de crédito provocam, no patrimônio da empresa, perdas em direitos de crédito e, não, em bens de natureza móvel. Tratase do direito de receber os créditos escriturados contra os clientes que foram lesados pelos terceiros que realizaram as condutas penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acatar os embargos apresentados pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para que seja cancelada a parte do acórdão relativa à manutenção da incidência de juros sobre a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 55 /2 01 4- 71 Fl. 941DF CARF MF 2 Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório do despacho de admissibilidade dos embargos que bem situa a presente análise O Embargante alega contradição, em face do Acórdão nº 1401001.719, de 14 de setembro de 2016, proferido por esta Primeira Turma Ordinária desta Quarta Câmara, sob o seguinte fundamento: resta contraditório o entendimento quanto à parcialidade no provimento do Recurso Voluntário apresentado para julgamento, o qual deveria ser integralmente provido para cancelar toda a cobrança mantida pela DRJ no auto de infração discutido. Da análise dos autos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. A decisão embargada assim se manifestou a respeito (destaques do original): Tratase de recurso voluntário interposto por FINANCEIRA ITAÚ CBD S.A. CRÉDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo que concluiu pela procedência parcial da impugnação apresentada. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Deinf/SP, referentes ao IRPJ e à CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2009 e 2010, totalizaram o valor de R$ 11.894.776,56. A autuação foi motivada pela glosa de despesas relativas a perdas por fraudes, nos valores de R$ 9.604.961,67 (2009) e R$ 20.276.494,76 (2010), e pela glosa de despesas não comprovadas, no valor de R$ 6.461.320,19 (2010). Em seu relatório, a decisão recorrida assim resumiu os argumentos deduzidos na impugnação: [...]. Dos pagamentos efetuados A impugnante informa que efetuou pagamento de CSLL do anocalendário de 2010 relativamente à parcela das despesas com fraudes para as quais não localizou documentação comprobatória (doc. 06, fls. 616). Além disso, informa que também pagou a CSLL relativa às despesas não comprovadas (doc. 07, fls. 617). (...) Juros sobre multa de ofício Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16327.721255/201471 Acórdão n.º 1401002.175 S1C4T1 Fl. 942 3 Ad argumentandum, caso não seja cancelada a autuação, alega que não podem ser exigidos juros de mora sobre a multa de ofício. [...]. Cumpre esclarecer que a instância a quo verificou que a empresa não contestou a glosa de despesas não comprovadas em 2010, no total de R$ 6.461.320,19, bem como não contestou parte da glosa de despesas com fraudes relativas a 2010. Desse modo, o litígio, no ano de 2010, ficou circunscrito à glosa de despesas com fraudes, no valor de R$ 14.595.872,70. [...]. Como relatado, inexiste questionamento quanto à matéria considerada não impugnada pela DRJ. Por outro lado, a parte acolhida por aquela instância julgadora resultou em exoneração de crédito tributário inferior ao limite de alçada para a interposição de recurso de ofício. Assim, cumpre enfrentar as alegações que se insurgem contra a glosa de despesas com fraudes (na parte ainda subsistente) e a incidência de juros sobre multa de ofício. [...]. Nada obstante, esse não foi o caminho trilhado pela fiscalização. Como relatado, esta enquadrou as variadas hipóteses de fraude com cartões de crédito no espectro do artigo 364 do RIR/99 e, neste sentido, fundamentou o seu feito, única e exclusivamente, no fato de não terem sido apresentados comprovantes de instauração de inquéritos ou queixas perante a autoridade policial. Por isso, não posso concordar com a glosa efetuada. Considerando que a alegação de não incidência de juros sobre multa de ofício subsiste para a parte da autuação relativa à matéria considerada não impugnada pela DRJ, passo a enfrentar essa questão. [...]. Assim, concluo que está correta a incidência da taxa SELIC sobre a multa de ofício. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a glosa de despesas com fraudes. Alerto, entretanto, que deve ser mantida a parte da autuação relativa à matéria considerada não impugnada pela DRJ, com a imposição dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Como visto, entendeu a decisão embargada que deve ser mantida a parte da autuação relativa à matéria considerada não impugnada pela DRJ, com a imposição dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. Sucede, porém que essa parte da autuação relativa à matéria considerada não impugnada pela DRJ foi devidamente paga pelo Embargante, dentro do prazo para impugnação, como, aliás, constou do próprio relatório da decisão embargada (grifei): Em seu relatório, a decisão recorrida assim resumiu os argumentos deduzidos na impugnação: [...]. Dos pagamentos efetuados A impugnante informa que efetuou pagamento de CSLL do anocalendário de 2010 relativamente à parcela das despesas com fraudes para as quais não localizou documentação comprobatória (doc. 06, fls. 616). Além disso, informa que também pagou a CSLL relativa às despesas não comprovadas (doc. 07, fls. 617). É essa a conclusão a que chegou a decisão de primeira instância (efls. 647): Fl. 943DF CARF MF 4 Portanto, tendo sido integralmente afastada a glosa de despesas com fraudes, pela decisão embargada, não poderia, ao mesmo tempo, ter sido dado provimento parcial ao recurso voluntário, descabendo, ainda, a análise da não incidência de juros sobre multa de ofício [...] para a parte da autuação relativa à matéria considerada não impugnada pela DRJ, em face do respectivo pagamento tempestivamente efetuado. Neste sentido foram acolhidos os embargos para análise da contradição do acórdão do Recurso Voluntário. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator A contradição seria baseada no fato de a decisão ter exonerado os créditos tributários oriundos de fraude, que foram considerados improcedentes e, ao mesmo tempo, ter mantido a incidência de juros sobre a multa de ofício Na verdade, examinando a decisão recorrida o que entendemos ter ocorrido é que o colegiado, ao adotar a decisão, entendeu em relação à análise dos juros sobre a multa de ofício que estes deveriam ser mantidos em razão de ter havido parte da autuação que não foi impugnada pela empresa e da qual esta efetuou o recolhimento. Possivelmente a decisão na parte em que manteve a incidência de juros sobre a multa entendeu que deveria ficar claro que, sobre o crédito tributário não impugnado os juros sobre a multa eram cabíveis e deveriam ser cobrados. Ocorre, no entanto, que não tendo sido estabelecido o contraditório em relação à matéria não impugnada, a decisão sobre incidência ou não de juros sobre a multa não provocaria qualquer repercussão sobre os referidos créditos tributários não impugnados. Desta forma, constatase que o acórdão recorrido desnecessariamente se pronunciou acerca da manutenção dos juros sobre a multa, haja vista que, considerando improcedente o lançamento na parte recorrida, decorreria o integral cancelamento da multa e juros a ele relativos. Assim, sendo e constatandose não uma contradição, mas um excesso de zelo do acórdão recorrido quando manteve expressamente a incidência de juros sobre a multa quando cancelou integralmente a autuação recorrida, devem ser acatados os embargos apresentados pelo contribuinte, com efeitos infringentes, para que seja cancelada a parte do acórdão relativa à manutenção da incidência de juros sobre a multa de ofício a fim de que conste o seguinte decisum: Acordam os membros do colegiado DAR provimento ao recurso para afastar a glosa de despesas com fraudes. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16327.721255/201471 Acórdão n.º 1401002.175 S1C4T1 Fl. 943 5 E que conste apenas o seguinte na ementa na decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 FRAUDES COM CARTÕES DE CRÉDITO. PERDAS EM DIREITOS DE CRÉDITO. As diversas hipóteses de fraudes com cartões de crédito provocam, no patrimônio da empresa, perdas em direitos de crédito e, não, em bens de natureza móvel. Tratase do direito de receber os créditos escriturados contra os clientes que foram lesados pelos terceiros que realizaram as condutas penais. É como voto. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 945DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000270/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 Omissão de Receita. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada A Lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Retifica-se a exigência na proporção dos valores comprovados. Recurso de Ofício desprovido.
Numero da decisão: 1402-000.856
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Pelá
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 Omissão de Receita. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada A Lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Retifica-se a exigência na proporção dos valores comprovados. Recurso de Ofício desprovido.
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Depósitos Bancários de Origem não Comprovada A Lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Retificase a exigência na proporção dos valores comprovados. Recurso de Ofício desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva dos Santos Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 3266DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000270/201029 Acórdão n.º 140200.856 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Auto de Infração relativo a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, lançados com multa de ofício (75%) e juros de mora, lavrado em razão de suposta omissão de receitas no anocalendário 2005. A omissão de receitas foi apurada pela fiscalização a partir da existência de depósitos bancários cuja origem não fora comprovada pela contribuinte, conforme Termo de Constatação de Irregularidades às fls. 620/625. A contribuinte apresentou impugnação às fls.663/683, acompanhada dos documentos de fls. 684/2744, alegando, em resumo, (i) a decadência do crédito tributário, relativo ao 1° trimestre de 2005, com fundamento no art. 150, § 4°, do CTN; (ii) que a fiscalização já dispunha de todos os documentos legais para a conclusão dos seus trabalhos (livros Diário e Razão e os extratos bancários), sendo incabível e sem respaldo legal o pedido de serem preenchidas planilhas em papel e por meio magnético; (iii) que os documentos apresentados à fiscalização constituem provas materiais da existência de origem de praticamente todos os lançamentos, não havendo razão para consideração de receitas omitidas; (iv) que meros depósitos não são suficientes para comprovar e fundamentar a omissão de receita. Além disso, o agente fiscal não construiu o arcabouço de provas que legitimasse a manutenção da presunção de omissão de receita; (v) que é inconstitucional a multa aplicada, em razão da sua desproporcionalidade e ofensa à capacidade contributiva. Colaciona doutrina e jurisprudência sobre o tema. Ao final, requer a análise dos documentos que anexa e, caso necessário, a conversão do julgamento em diligência a fim de se proceder perícia para constatar que os depósitos bancários nas contas correntes foram devidamente contabilizadas nos documentos fiscais obrigatórios. Em 31/08/2010, a 2ª Turma da DRJ/CPS proferiu o acórdão n° 0530.207 que restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Provas. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4 0, do Decreto n° 70.235, de 1972, o que não se logrou atender no presente caso. Diligências e perícias. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, Fl. 3267DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000270/201029 Acórdão n.º 140200.856 S1C4T2 Fl. 3 3 bem como quando não preenchidos os requisitos legais previstos para sua formulação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 Decadência. Lançamento por Homologação. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 150, § 4°, do CTN, quando ausentes dolo, fraude ou simulação. A falta do pagamento antecipado, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Omissão de Receita. Depósitos Bancários de Origem não Comprovada A Lei n.° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Retificase a exigência na proporção dos valores comprovados. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Multa de Lançamento de Oficio. A multa de lançamento de oficio decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Tributação Reflexa. CSLL. PIS. COFINS Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei n° 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem. Decadência. Contribuições. Fl. 3268DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000270/201029 Acórdão n.º 140200.856 S1C4T2 Fl. 4 4 Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do lapso decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional, nos mesmos moldes do imposto de renda pessoa jurídica. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Diante do acórdão n° 0530.207 que julgou o lançamento procedente em parte, a autoridade de primeira instância (Presidente da 1ª Turma da DRJ/CPS) recorre de ofício a este Conselho. A contribuinte foi cientificada do acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/CPS, via edital, em 21/10/2010, uma vez que os avisos de recebimentos (AR) enviados a contribuinte foram recusados. Não houve apresentação de Recurso Voluntário pela contribuinte. Assim, os débitos julgados procedentes no acórdão a quo foram encaminhados para prosseguimento da cobrança em autos apartados (processo nº. 16091.000028/201176). É, no essencial, o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator De plano, cumpre destacar que, regularmente intimada, a contribuinte não apresentou recurso voluntário, o que, por si só, caracteriza a concordância do sujeito passivo em relação aos débitos julgados procedentes no acórdão a quo, ensejando a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal. Portanto, correto o procedimento adotado que providenciou a formação de autos apartados para imediata cobrança dos mesmos. Passo a analisar as matérias recorridas e, para melhor delimitar seu alcance, transcrevo os trechos do acórdão recorrido que se referem aos lançamentos considerados improcedentes (fl.2.783 e stgs): No que concerne aos créditos/depósitos denominados "Depósitos Unificados" (Nossa Caixa), verificase que somente aqueles identificados nos extratos acrescidos do signo (*) correspondem, de fato, a cheques bloqueados aguardando a correspondente compensação, os quais devem ser expurgados da presente exigência, por não contribuírem para a formação do saldo da respectiva conta bancária. Prosseguindo, notase que, realmente, a fiscalização considerou depósitos cuja origem mostrase identificada pelo próprio Fl. 3269DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000270/201029 Acórdão n.º 140200.856 S1C4T2 Fl. 5 5 histórico da movimentação bancária, tais como empréstimos ("Financiamento"; "Lib. De Contrato de Empréstimo", "Liberação Garantida") e transferências entre contas de mesma titularidade ("TEDD 109 mesma titular"), os quais, da mesma forma, devem ser expurgados do lançamento. Com relação aos créditos/depósitos efetuados via TED na conta mantida junto a Nossa Caixa, intitulados "Rec. TED", observa se que parte tem origem em recursos transferidos de conta bancária de mesma titularidade da contribuinte, consoante fazem prova os próprios "Avisos de Crédito Eletrônico", acostados aos autos, razão pela qual a parcela com origem em conta de mesma titularidade também merece ser expurgada da exigência. (...) Já os créditos/depósitos identificados pelos históricos de movimentação bancária "Devolução/Cheque Comp", "Dev. CHQ. Elet."; "Devolução TED D"; "Devolução TED E" e "Dev. Emis.TED N TRIB", somente são aceitos como estornos quando verificada a existência de lançamento a débito nas correspondentes contas correntes, coincidente em valor. Do contrário, admitese como errôneo o histórico de movimentação bancária. Compulsandose os extratos bancários acostados aos autos foi possível confirmar que os créditos/depósitos questionados sob tais rubricas são, de fato, estornos, como alega a contribuinte, razão pela qual devem ser excluídos da exigência. (...) Prosseguindo, cumpre afastar da exigência os créditos/depósitos na Nossa Caixa, Agência 08460, c/c 040005001, relativos ao mês setembro de 2005, eis que considerado na autuação extrato bancário relativo a outra pessoa jurídica e outra conta bancária, como acusa o documento de fls. 315. Relacionase, no Anexo ao final deste voto, os valores mantidos e os afastados da exigência, em razão dos motivos acima justificados. Da leitura do trecho transcrito é possível perceber que a denominação dos créditos/depósitos expurgados permitem, por si só, verificar a origem de tais receitas, confirmando que se tratam de movimentação entre contas de titularidade da contribuinte. Logo, correta a decisão recorrida ao afirmar que devem ser expurgados os créditos/depósitos em conta corrente cujo histórico de movimentação bancária permita identificar, perfeitamente, que a transferência se deu entre contas de mesma titularidade. Ademais, está comprovado nos autos, pelo documento de fls. 315, que os créditos/depósitos no Banco Nossa Caixa, Agência 08460, c/c nº.04.0005001, relativos ao Fl. 3270DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16095.000270/201029 Acórdão n.º 140200.856 S1C4T2 Fl. 6 6 mês setembro de 2005, referemse a outra conta bancária, de outra pessoa jurídica, a saber, Itaúba Empreendimentos Imobiliários Ltda., c/c nº. 04.0007471. Posto isso, nego provimento ao recurso de ofício, haja vista a improcedência dos lançamentos em questão. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 3271DF CARF MF Impresso em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000777/2005-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
CONHECIMENTO. PARADIGMA CONTRÁRIO À SÚMULA CARF N. 83.
Não se entende possível o conhecimento do recurso especial quando o acórdão paradigma vai de encontro à súmula CARF, no caso, que dispõe não incidir CSLL sobre valores decorrentes de atos cooperados.
Numero da decisão: 9101-003.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 14120.000354/2007-87, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
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ATOS COOPERADOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DE LOCAÇÃO DE VEÍCULOS AUTOMOTORES DE S.C. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 CONHECIMENTO. PARADIGMA CONTRÁRIO À SÚMULA CARF N. 83. Não se entende possível o conhecimento do recurso especial quando o acórdão paradigma vai de encontro à súmula CARF, no caso, que dispõe não incidir CSLL sobre valores decorrentes de atos cooperados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 14120.000354/200787, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 07 77 /2 00 5- 19 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10925.000777/200519 Acórdão n.º 9101003.514 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, ora julgado sob a sistemática repetitiva, cuja divergência apresentada gira em torno da definição da incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no que tange à "sobra líquida" decorrente de atos cooperados, afastada pelo acórdão recorrido por entender que não possuía natureza de lucro, contrariamente aos acórdãos paradigmas indicados. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade, passandose, assim, a ser analisado. É o relatório Voto Conselheiro Adriana Gomes Rêgo Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.512, de 03.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 14120.000354/200787. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.512): CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10925.000777/200519 Acórdão n.º 9101003.514 CSRFT1 Fl. 4 3 Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, verificase que o objeto do recurso fazedário diz respeito à incidência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no que tange aos atos cooperados., posicionamento este, porém, contrário à atual Súmula CARF n. 83, que assim dispõe em sua redação: "Súmula CARF 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004". Diante da regra regimental que impede o conhecimento do recurso cujo paradigma, na data do exame de admissibilidade, seja contrário à súmula do Tribunal, não se entende possível, desse modo, o seu conhecimento, como inclusive decidiu esta turma na recente sessão de 06 de fevereiro de 2018, da qual resultou o acórdão n. 9101003.408. Nesse sentido, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso especial da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721149/2013-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA. ATO CONCESSIVO. APOSENTADORIA.
O ato concessivo da aposentadoria e o laudo pericial oficial requisitados pela fiscalização devem ser apresentados pelo contribuinte para fins de reconhecimento da isenção de imposto de renda. Súmula CARF nº 63.
Numero da decisão: 2002-000.059
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que: 1. Seja extinto o crédito tributário relativo à omissão de rendimentos de R$ 33.053,17 informado pela fonte pagadora Inss 2. Seja mantido o crédito tributário referente à omissão de rendimentos de R$ 61.983,06 informado pela fonte pagadora Fundação Municipal do Meio Ambiente. Quanto ao crédito tributário atinente à omissão de rendimentos de R$ 3.247,58 informado pela fonte pagadora Santa Catarina Tribunal de Justiça, não houve recurso, motivo pelo qual, esta parte do crédito tributário não sofre alteração.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA. ATO CONCESSIVO. APOSENTADORIA. O ato concessivo da aposentadoria e o laudo pericial oficial requisitados pela fiscalização devem ser apresentados pelo contribuinte para fins de reconhecimento da isenção de imposto de renda. Súmula CARF nº 63.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA. ATO CONCESSIVO. APOSENTADORIA. O ato concessivo da aposentadoria e o laudo pericial oficial requisitados pela fiscalização devem ser apresentados pelo contribuinte para fins de reconhecimento da isenção de imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que: 1. Seja extinto o crédito tributário relativo à omissão de rendimentos de R$ 33.053,17 informado pela fonte pagadora Inss 2. Seja mantido o crédito tributário referente à omissão de rendimentos de R$ 61.983,06 informado pela fonte pagadora Fundação Municipal do Meio Ambiente. Quanto ao crédito tributário atinente à omissão de rendimentos de R$ 3.247,58 informado pela fonte pagadora Santa Catarina Tribunal de Justiça, não houve recurso, motivo pelo qual, esta parte do crédito tributário não sofre alteração. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni, Virgilio Cansino Gil e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 11 49 /2 01 3- 13 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13971.721149/201313 Acórdão n.º 2002000.059 S2C0T2 Fl. 48 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física nos seguintes valores (fl. 8): Rubrica Valor em reais Imposto 5.878,41 Multa de ofício 4.408,80 Juros de mora 416,77 Total à época 10.703,98 A fiscalização identificou as seguintes omissões de rendimentos (fl. 9): Fonte pagadora CNPJ Rendimento Omitido (R$) INSS 29.979.036/000140 33.053,17 Fundação Municipal do Meio Ambiente 81.154.783/000160 61.983,06 Santa Catarina Tribunal de Justiça 83.845.701/000159 3.247,58 No mais, a fiscalização relata que a contribuinte não apresentou o ato concessivo da aposentadoria e o laudo pericial oficial, especificando doença e a data em que esta se manifestou (fl. 9). Tempestividade da impugnação O prazo para impugnar é de 30 dias1. Considerando que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 16/04/2013 (fl. 13) e protocolou sua peça no dia 26/04/2013 (fl. 2), verificase que a impugnação é tempestiva. Impugnação Em sua impugnação a contribuinte alega, em síntese, que (fl. 2 e ss): Os rendimentos pagos pelo INSS são isentos por tratarse de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave, conforme laudo pericial; Os rendimentos pagos pela Fundação também são isentos por tratarse de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão de portador de moléstia grave; Concorda com a infração em relação aos rendimentos do Tribunal; Segue em anexo laudo pericial oficial e identidade da signatária; Não é parte ou substituído processual em ação judicial que discuta a matéria tratada na notificação de lançamento, e; Pede prioridade na análise da impugnação em virtude do Estatuto do Idoso2. 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 2 Art. 71 da Lei 10.741/2003. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13971.721149/201313 Acórdão n.º 2002000.059 S2C0T2 Fl. 49 3 Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguinte documentos: Documento de identidade da contribuinte (fl. 4); Laudo pericial (fl. 15). Decisão de 1ª instância A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) julgou a impugnação improcedente, porque a contribuinte não apresentou o ato concessivo da reforma, pensão ou aposentadoria. Tempestividade do recurso voluntário O prazo para recorrer é de 30 dias3. Considerando que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 30/01/2017 (fl. 25) e protocolou sua peça no dia 01/03/2017 (fl. 28), verificase que o recurso voluntário é tempestivo. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário a contribuinte alega, em síntese, que (fl. 28): Sua aposentadoria foi feita por advogado e não recebeu o ato concessivo em sua casa. Por desconhecimento não juntou esse documento ao processo, mas hoje sabe que se trata da carta de concessão; Não enviou esse documento pois não o possui e está enviando documento que tirou junto ao INSS; Pede que reconsiderem, conheçam o presente recurso e cancelem o débito fiscal. Documentos recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguinte documentos: Documento de identidade da contribuinte (fl. 29); Cópia do acórdão de impugnação (fl. 31 e ss); Intimação de ciência do acórdão de impugnação (fl. 35); Carta de concessão / memória de cálculo do benefício (fl. 37 e ss); Print de tela carta de concessão / memória de cálculo do benefício (fl. 42); 3 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13971.721149/201313 Acórdão n.º 2002000.059 S2C0T2 Fl. 50 4 Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 28) e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito A fiscalização relata que foram identificadas omissões de rendimentos recebidos de 3 fontes pagadores (Inss, Fundação Municipal do Meio Ambiente e Santa Catarina Tribunal de Justiça) e que a contribuinte não apresentou o ato concessivo da aposentadoria e o laudo pericial oficial, especificando a doença e a data em que se manifestou. O laudo foi apresentado junto com a impugnação. Observase que é um laudo emitido pelo Inss, portanto oficial. No mais, o referido laudo especifica a doença, neoplasia maligna do colon (CID C18) e informa que a data em que a doença se manifestou foi 28/07/2010. A reavaliação foi marcada para 31/12/2014. Considerando que o lançamento referese ao anocalendário 2011 verificase que o laudo apresentado cobre o período tributado. Contudo, a DRJ julgou a impugnação improcedente porque faltou ainda a contribuinte apresentar o ato concessivo da aposentadoria, pensão ou reforma. Em sede de recurso voluntário a contribuinte disse que desconhecia o documento de ato concessivo da aposentadoria, que não o possuía e que por isso não o juntou ao processo antes. Que agora sabe que se trata da carta de concessão, que tirou o documento junto ao Inss e que agora o apresenta. Diante disso, pede a análise do processo, conhecimento do recurso e cancelamento do débito. O art. 16, § 4º, do Decreto 70.235/72 prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Contudo, considerando que tratase de pessoa idosa que atua no processo sem a assistência de advogado, entendo que, em respeito ao princípio da razoabilidade, neste caso, a verdade material deve prevalecer e o formalismo deve ser mitigado para que a carta de concessão apresentada seja considerada na análise da questão. De acordo com a súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. De acordo com a fiscalização e a DRJ, os motivos que levaram ao lançamento foram a falta do laudo pericial e do ato concessivo da aposentadoria. Em sede de recurso voluntário, a recorrente apresenta carta de concessão de aposentadoria por idade do Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13971.721149/201313 Acórdão n.º 2002000.059 S2C0T2 Fl. 51 5 Inss com início de vigência em 28/09/2009, cobrindo assim o período objeto dos autos que é 2011 que se junta ao laudo pericial oficial apresentado anteriormente em sede de impugnação. Considerando que, para a fonte pagadora Inss, a contribuinte apresentou os documentos exigidos pela fiscalização, entendo que, quanto a esta fonte, foram regularizadas as pendências que deram causa ao lançamento, extinguindose o crédito tributário nessa parte. Quanto a omissão de rendimentos relativa à fonte pagadora Fundação Municipal do Meio Ambiente não houve comprovação de que o rendimentos são provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, diante disso, mantémse o crédito tributário nessa parte. Quanto a omissão de rendimentos referente à fonte pagadora Santa Catarina Tribunal de Justiça, a contribuinte concordou expressamente com o lançamento, não instaurandose assim a fase litigiosa para esta parcela, motivo pelo qual o crédito tributário está mantido também nesta parte. Assim temos: Fonte pagadora Omissão (R$) INSS 33.053,17 Recurso voluntário procedente Crédito tributário extinto Fundação Municipal Meio Ambiente 61.983,06 Recurso voluntário improcedente Crédito tributário mantido Santa Catarina Tribunal de Justiça 3.247,58 Não houve recurso Crédito tributário mantido Dispositivo Ante o exposto, voto por CONHECER o recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que: 1. Seja extinto o crédito tributário relativo à omissão de rendimentos de R$ 33.053,17 informado pela fonte pagadora Inss, e; 2. Seja mantido o crédito tributário referente à omissão de rendimentos de R$ 61.983,06 informado pela fonte pagadora Fundação Municipal do Meio Ambiente. Quanto ao crédito tributário atinente à omissão de rendimentos de R$ 3.247,58 informado pela fonte pagadora Santa Catarina Tribunal de Justiça, não houve recurso, motivo pelo qual, esta parte do crédito tributário não sofre alteração. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 51DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.000759/2003-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende realizar a contagem da homologação tácita pelos prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Uma vez afastada a homologação tácita, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido.
Numero da decisão: 9101-003.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas concluso~es a conselheira Cristiane Silva Costa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Arau´jo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Po^ssas Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luis Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Po^ssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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PRAZO LEGAL PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 confere o prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" para a Receita Federal verificar a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. O entendimento que pretende realizar a contagem da homologação tácita pelos prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. A verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Uma vez afastada a homologação tácita, os autos devem retornar à Turma Ordinária para apreciação das matérias cujo exame ficou prejudicado na fase anterior, em razão do que lá foi decidido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 07 59 /2 00 3- 16 Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.765 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luis Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 1101000.995 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 1a Câmara, desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”), em que é interessado Cummins Brasil Ltda. (doravante “contribuinte” ou “recorrida”). O acórdão apresenta a seguinte síntese dos fatos relevantes ao caso: “Em 23/03/2007, por meio de Despacho Decisório DRF/SEORT/GUA no 132/2007 (proc. fls. 27 a 29), a Receita Federal não homologou o pedido de compensação apresentado em 27/02/2003 pelo contribuinte (proc. fls. 02 e 03). O motivo da não homologação foi a falta de documentaçaõ comprobatória do crédito reclamado quando da apresentação da Declaração de Compensação, nos termos da Instrução Normativa no 460/2004. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 14/05/2007 (proc. fls. 39 a 46). De início o interessado afirmou possuir saldo negativo de IRPJ em 31/12/2000 no montante de R$ 623.177,54, e da apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 162.712,15, e R$ 85.969,89, em 31/12/2000 e 31/12/2001, respectivamente. Relatou ainda que protocolizou em 27/02/2003 Declaração de Compensação para efetivar a compensaçaõ de tais créditos com débitos vincendos de IRPJ e CSLL relativos a janeiro de 2003. Ressaltou o contribuinte que anexou à Declaração de Compensaca̧õ cópia de parte da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com o propósito de comprovar seu direito ao crédito objeto da Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.766 3 Declaracã̧o de Compensação, sempre nos termos da Instrucã̧o Normativa no 210/02.” O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada (efls. 1558 e seg.): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000 e 2001 DECADÊNCIA. DIPJ. COMPENSAÇÃO. Não cabe ao Fisco questionar os valores declarados em DIPJ após o decurso do prazo decadencial de 5 anos. Créditos e débitos declarados tornamse perfeitos. A PFN interpôs recurso especial (efls. 1572 e seg.). Destacamse os seguintes trechos do recurso interposto: “Nos presentes autos, o contribuinte pleiteou a compensaca̧õ de saldo negativo de 2000 e 2001. Tratase de crédito cuja análise demanda a conferência de diversos fatores, como o efetivo pagamento das estimativas, dentre outros, para o efeito de se aferir a certeza e liquidez exigidas na compensação. No mister de aferica̧õ da existência de um pagamento indevido, deve o Fisco, necessariamente, analisar todos os elementos de quantificaca̧õ do tributo, de modo a poder confrontar o valor recolhido pela contribuinte com aquele efetivamente devido. (...) Data maxima vênia, a Fazenda Nacional entende que, no prazo de que dispõe para homologar, o Fisco tem ampla liberdade para aferir o correto valor do indébito, ainda que não possa, diante da constatação de recolhimentos a menor, constituir crédito tributário se ultrapassado o prazo de lançamento.” O despacho de admissibilidade deu integral seguimento ao recurso especial interposto (efls. 1587 e seg.), com destaque aos seguintes fundamentos, in verbis: “Por meio do simples confronto de ementas constatase que a Fazenda Nacional logrou êxito em demonstrar a diferença de julgamentos entre as decisões cotejadas. Enquanto no acórdão recorrido foi aplicado o prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN, no paradigma foi decidido que o procedimento de análise de compensacã̧o declarada pelo contribuinte não se caracteriza como aqueles tendentes à constituição do crédito tributário, não se sujeitando ao prazo decadencial previsto no art. 150 ou art. 173, I, ambos do CTN”. O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 1596 e seg.), pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. O recorrido não se opôs ao conhecimento do recurso especial. Subsidiariamente, na hipótese de reforma do acórdão recorrido, o contribuinte protestou, em suas contrarrazões, pelo retorno dos autos à Turma Ordinária, para a análise de matérias que restaram prejudicadas em face do reconhecimento da decadência. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.767 4 Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para a interposição do recurso especial de divergência interposto quanto ao tema da decadência, razão pela qual não merece reparo, adotandose neste voto os seus fundamentos. Quanto ao mérito, vale destacar os fundamentos adotados pela Turma a quo: “Já quanto ao saldo de IRRF não reconhecido e, portanto, não utilizado na compensação. A Recorrente alegou que passados 5 anos da entrega da DIPJ, não cabe mais ao Fisco manifestarse contrário aos valores declarados. Razão assiste a Postulante. Como é sabido, o IRPJ se submete à modalidade de lançamento por homologação. O contribuinte realiza o cálculo do imposto e efetua o pagamento do quantum devido, independentemente de notificação, sob condição resolutória de posterior homologação pelo Fisco. Ocorre que o despacho decisório foi proferido após o lapso de 5 anos da entrega da DIPJ pela contribuinte. Portanto, verificouse a homologação tácita dos valores ali declarados de sorte que não cabe à Receita Federal analisálos.” A questão envolve o tema da decadência. Na clara lição de Paulo de Barros Carvalho, “a decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu nãoexercício durante certo lapso de tempo”. O valor prestigiado pelas normas de decadência é a segurança jurídica. Realizado um determinado ato pelo contribuinte, o Direito positivo prescreve um lapso temporal para a atuação da administração fiscal. Transcorrido in albis o prazo decadencial previsto em lei complementar (Constituição, art. 146; Sumula Vinculante STF n. 8), tornase definitivo o status decorrente daquele ato praticado pelo contribuinte. É pressuposto da norma de decadência a existência de marcos iniciais e finais claramente definidos pelo legislador competente. Em face da escolha pela segurança jurídica, a consequência jurídica da inércia da administração fiscal até o instante definido como termo final é a extinção da competência da administração para questionar os respectivos fatos jurídicotributários. Os saldos negativos apurados pelo contribuinte quanto ao ano de 2000 e 2001 dariam ensejo à contagem do prazo decadencial, respectivamente, em 31/12/2000 e 31/12/2001, com termo final, respectivamente, em 31/12/2005 e 31/12/2006. Assim, em 23/03/2007, quando foi proferido despacho que indeferiu os referidos pedidos, os saldos em questão já haviam sido alcançados pela definitividade. Os pedidos de compensação/restituição apresentados pelo contribuinte não interferiram na fruição do direito da administração fiscal para fiscalizar e glosar, por meio de competente lançamento de ofício, os referidos saldos negativos (CTN, art. 142 e 150). Não se trata de causa de suspensão ou interrupção da contagem do prazo decadencial. Se a revisão do saldo negativo não poderia mais ser realizada por via do formal procedimento de lançamento tributário, em razão de indubutável decadência, da mesma forma não pode essa revisão ser realizada mediante simples glosa em procedimento de compensação fiscal. Por todo o exposto, voto para CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.768 5 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.769 6 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto ao entendimento de que o Fisco não poderia mais indeferir o pedido de compensação formulado pela contribuinte, por motivo de decadência (homologação tácita da compensação). Para que se compreenda devidamente todas as questões do presente processo, as já solucionadas e as que ainda estarão pendentes de solução depois deste voto, penso que é importante reproduzir por completo o relatório constante do acórdão recorrido: Em 23/03/2007, por meio de Despacho Decisório DRF/SEORT/GUA nº 132/2007 (proc. fls. 27 a 29), a Receita Federal não homologou o pedido de compensação apresentado em 27/02/2003 pelo contribuinte (proc. fls. 02 e 03). O motivo da não homologação foi a falta de documentação comprobatória do crédito reclamado quando da apresentação da Declaração de Compensação, nos termos da Instrução Normativa nº 460/2004. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 14/05/2007 (proc. fls. 39 a 46). De início o interessado afirmou possuir saldo negativo de IRPJ em 31/12/2000 no montante de R$ 623.177,54, e da apuração de saldo negativo de CSLL no valor de R$ 162.712,15, e R$ 85.969,89, em 31/12/2000 e 31/12/2001, respectivamente. Relatou ainda que protocolizou em 27/02/2003 Declaração de Compensação para efetivar a compensação de tais créditos com débitos vincendos de IRPJ e CSLL relativos a janeiro de 2003. Ressaltou o contribuinte que anexou à Declaração de Compensação cópia de parte da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com o propósito de comprovar seu direito ao crédito objeto da Declaração de Compensação, sempre nos termos da Instrução Normativa nº 210/02. No mérito, o contribuinte asseverou que não consta na decisão que julgou a compensação qualquer fundamentação dos motivos que levaram à não homologação. Ademais, o fundamento legal foi o art. 76, § 5º da Instrução Normativa 460/04, disciplina normativa que não estava em vigor à época da apresentação da Declaração de Compensação, pois a Declaração de Compensação foi apresentada em 27/02/2003 e a IN nº 460/04 entrou em vigor em 29/10/2004. Subsidiariamente, o interessado alegou que ainda que se admitisse a aplicação da legislação mencionada, o art. em questão é “genérico e não traz nenhuma menção à documentação específica que poderia dar ensejo à alegação de que a Defendente não teria instruído a declaração de compensação com a documentação necessária à demonstração do crédito pleiteado”. Ademais, o contribuinte asseverou que a apresentação de DIPJ é documento instituído pela própria Secretaria da Receita Federal para a prestação de informações relativas ao IRPJ e à CSLL, não podendo ser ignorado para efeito do crédito em análise, sob pena de caracterizar ausência de motivação da decisão Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.770 7 indeferitória, culminando no cerceamento do direito de defesa da Defendente, que sequer foi intimada a prestar eventuais esclarecimentos. No que concerne à legitimidade do crédito, o Impugnante assinalou que de acordo com o inciso II do § 1º do art. 6º combinado com o art. 74 da Lei nº 9.430/96, os saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no final de cada ano calendário podem ser objeto de restituição ou de compensação com outros tributos federais a partir dos anoscalendário subsequentes. Para comprovar a origem dos valores lançados na sua DIPJ e, consequentemente, dos créditos em questão, o contribuinte acostou aos autos documentação detalhada (DIPJ e cópias da comprovação do recolhimento do IRPJ e da CSLL, por estimativa para cada um dos meses). O Postulante ainda esclareceu que ao saldo negativo mencionado foi acrescido de juros pela variação da Taxa SELIC até a data da sua utilização via compensação, conforme determina o Ato Declaratório SRF nº 3/00. Em 12/07/2007, a 2ª Turma da DRJ em Campinas converteu o julgamento em diligência (proc. fls. 272 a 279). Segundo relatado pelo Colegiado, de fato, na data da apresentação do pedido de compensação vigorava a IN nº 210/02 e esta estabelecia que a compensação seria efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à Receita Federal da “Declaração de Compensação”, sem fazer qualquer menção à apresentação de documentação comprobatória do direito creditório. Ademais, o órgão julgador ainda mencionou que caso a autoridade fiscal julgasse insuficiente os documentos apresentados deveria ter intimado o sujeito passivo para apresentar a documentação que julgasse pertinente, bem como que fossem apresentados os esclarecimentos que julgasse pertinente. No que concerne aos documentos acostados, a DRJ procedeu aos seguintes apontamentos: 1) Referente ao saldo credor de IRPJ da DIPJ/2001, no anocalendário de 2000, verificase que a empresa declarou R$ 152.615,95 a título de Programa de Alimentação do Trabalhador. Ocorre que a pessoa jurídica que tiver programa aprovado pelo Ministério do Trabalho, respeitado o limite estabelecido na legislação, poderá deduzir do imposto de renda o valor equivalente a 15% do total das despesas de custeio efetuadas no período de apuração. Determinou diligência a fim de se verificar a regularidade desde crédito. 2) Concernente ao IRRF, o contribuinte deduziu o montante de R$ 665.899,52 na apuração de ajuste anual. Entretanto, conforme Demonstrativo de IRRF apresentado às fls. 232/235, a empresa informou retenções que totalizam R$ 351.103,24. Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal (fls. 236 a 240), confirmamse nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, os valores de retenção de IR declarados na Ficha 43, entretanto, para o IRRF compor o saldo negativo de IRPJ de determinado período deve estar provado, além da efetiva retenção pela fonte pagadora, que os rendimentos sobre os quais incidiram o referido imposto integram o Lucro Real apurado pela empresa. Destarte, o Colegiado determinou que neste aspecto também seja apurado em diligência se os rendimentos sobre os quais incidiram o IRRF foram devidamente ofertados à tributação e para que o contribuinte esclareça a diferença entre o IRRF declarado na DIPJ e o constante das DIRF. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.771 8 3) Já referente ao Imposto de Renda Mensal pago por estimativa no montante de R$ 6.248.581,95, em consulta aos sistemas de controle da Receita Federal (DIPJ, DCTF e SINAL 08) apurouse diferenças nos meses de setembro, outubro e novembro do anocalendário de 2000. Desta forma, este período também deverá ser objeto de diligência. 4) Referente ao saldo credor de CSLL analisando a DIPJ/2001, ano calendário 2000, verificouse que a CSLL mensal paga por estimativa no valor de R$ 1.596.333,54, em consulta aos sistemas de controle da Receita Federal (DIPJ, DCTF e SINAL 08) apurouse diferenças nos meses de setembro, outubro e novembro do anocalendário de 2000. Este período também será objeto de diligência. 5) No anocalendário de 2001, a CSLL Mensal paga por Estimativa foi no valor de R$ 335.759,47, ocorre que foram verificadas diferenças nos meses de fevereiro, março e novembro, os quais deverão ser objeto de diligência. Em 18/11/2008, o contribuinte apresentou os esclarecimentos requeridos pelo auditor fiscal (proc. fls. 290 a 308). 1) Dedução do PAT – Anocalendário 2000: De conformidade com o disposto no art. 11º da Lei nº 6321/76, 5º da Lei nº 9.532/97, art. 581 do RIR/99, bem como pela IN nº 267/2002, a Requerente deduziu de seu IRPJ a pagar no ano calendário de 2000 um total de R$ 152.615,95 referentes à suas despesas com o PAT nos anos de 1998, 1999 e 2000, conforme formulário remetidos ao Ministério do Trabalho. O quantum deduzido foi calculado pela aplicação da alíquota de 15% sobre as despesas incorridas, observandose o limite de R$ 1,99 por refeição. O contribuinte acostou notas fiscais, planilhas demonstrando os lançamentos contábeis e razões analíticos das contas contábeis de despesas. Os valores apurados foram: R$62.303,22 no anocalendário de 1998, R$ 61.512,19 no anocalendário de 1999 e R$ 58.730,77 no anocalendário de 2000. Os valores referentes a 1998 e 1999 foram integralmente deduzidos em 31/12/2000. O valor despendido em 2000 foi parcialmente aproveitado para dedução em 31/12/2001 no montante de R$ 28.858,47 . 2) Imposto de Renda Retido na Fonte: parte do IRRF contabilizado no ano calendário de 1999, não foi aproveitado nesse ano fiscal e, portanto, foi compensado no anocalendário de 2000. Os informes de rendimentos que comprovam a retenção do IRRF pela fonte pagadora, foram anexados aos autos. O contribuinte ressaltou, que por equívoco, a ficha 43 da DIPJ/2001 não reflete os dados apresentados nestes esclarecimentos. No entanto, tais rendimentos foram efetivamente oferecidos à tributação. 3, 4 e 5) Compensações com saldo credor decorrente de pedidos de ressarcimento de IPI: todas as compensações referentes a estes itens foram efetivadas com base em crédito decorrente de Pedidos de Ressarcimento de IPI referentes à diferentes trimestres de apuração, protocolizados sob os nº 10875.003860/0051, 10875.003861/0014, 10875.003986/0090, 10875.003987/0052 e 10875.003995/200114. Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.772 9 Tal crédito, não obstante inicialmente inadmitido pela D. DRF/GUA, já foi reconhecido pelo E. Segundo Conselho de Contribuintes e pela D. DRJ/POR, tendo sido dado total provimento aos Recursos Voluntários da Requerente referentes aos Pedidos de Ressarcimento nº 10875.003860/0051, 10875.003861/0014, 10875.003707/0024, 10875.003986/0090 e 10875.003995/200114, sendo que a maioria dos referidos processos já foram, inclusive, encaminhados ao arquivo. As compensações efetivadas pelo contribuinte foram amparadas em crédito suficiente, já reconhecido pelo E. Conselho de Contribuintes e pela D. DRJ/POR. No que concerne à apuração mensal e pagamentos por estimativa, o fiscalizado admitiu que existem alguns equívocos no preenchimento nas DIPJs de 2001 e 2002, que, de qualquer modo, não interferiram na correta apuração e recolhimento das estimativas mensais. Foram acostadas aos autos planilhas visando facilitar os esclarecimentos. Após a análise de todos os documentos juntados pelo contribuinte o auditor fiscal prestou seus esclarecimentos (proc. fls. a 1179): 1) Programa de Alimentação do Trabalhador: entendeu que a empresa poderá aproveitar os créditos nos termos do art. 582 do RIR/99. 2) IRRF: O contribuinte pretende compensar R$ 205.674,99, do ano calendário de 1999 e R$ 416.407,36, do anocalendário de 2000, perfazendo um total de R$ 622.082,35. No entanto, deixou de informar e comprovar quantum do ano calendário de 1999 foi compensado de IRRF e deixou também de comprovar em sua escrituração o valor de R$2.439,50, não encontrado em DIRFs, o que prejudicou o pleito, que neste procedimento é de se acatar o valor de R$ 413.967,86 e não R$ 416.407,36. 3, 4 e 5) Compensações: IRPJ – após levarse em consideração as compensações verificadas, o contribuinte teve uma redução em seu saldo devedor no mês de dezembro, passando inicialmente de R$ 1.535.209,39, para credor, ou seja, R$ 653.107,78 que compensado com seu débito de novembro no valor de R$ 251.931,67 resultou saldo credor de R$ 401.176,00, ficando consequentemente alterada ficha 12 A, da DIPJ, às fls. 1076, prevalecendo o quadro ora descrito. Compensações CSLL/ anocalendário de 2000: constatouse procedentes. Compensações CSLL/ anocalendário de 2001: constatouse procedentes O contribuinte apresentou Manifestação, em 11/02/2009, proc. fls. 1181 a 1187. O interessado afirmou que apesar da fiscalização não ter acatado o aproveitamento do IRRF contabilizado no anocalendário de 1999, sob a justificativa de que não teria havido a comprovação do quantum de IRFF contabilizado no anocalendário de 1999 fora compensado no anocalendário de 2000. No entanto, ressaltou o fiscalizado que tal comprovação encontrase nos autos. Segundo relatou, os valores de IRRF a recuperar foram lançados à débito nas contas do ativo IRRF a recuperar durante o anocalendário de 1999 e lançados à crédito nessas mesmas contas em 2001, quando do fechamento da DIPJ/2001, Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.773 10 relativa ao anocalendário de 2000, o que demonstra que o aproveitamento do crédito de IRRF do ano de 1999, ocorreu no anocalendário de 2000. No que diz respeito às compensações de CSLL, anocalendário de 2001, o Requerente afirmou que o recolhimento a maior da estimativa relativa ao mês de novembro de 2001, as estimativas foram recolhidas em sua integralidade. Além disso, como o contribuinte apurou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário de 2001, não há que se falar em exigências das diferenças a título de antecipação mensal, e respectivas penalidades, após encerrado o exercício. Em 15/04/2009, a 2ª Turma da DRJ em Campinas exarou Acórdão homologando as compensações dos débitos constantes da DCOMP até o limite do direito creditório ora reconhecido (proc. fls. 1318 a 1328). A Turma ratificou o apurado em diligência no tocante ao PAT. Referente ao IRRF, o auditor fiscal afirmou que o montante seria de R$ 413.967,86 e não de R$665.899,52 como entende o contribuinte. O Colegiado ainda acrescentou que, em pesquisa no sistema DIRF, detectouse nos montantes de rendimentos de IRRF uma alteração. A empresa informou retenções de imposto que totalizaram R$351.103,24, a DIRF confirma um total de R$ 423.511,90. O órgão julgador a quo entendeu por desmembrar os rendimentos e o IRRF informados na DIRF por natureza de receita para fins de confronto com linhas da Ficha de Demonstração de Resultado da DIPJ/2001. IRRF sobre serviços: A DRJ relatou que as planilhas apresentadas pelo contribuinte não englobam todos os rendimentos de prestação de serviços constantes da DIRF (R$ 536.195,85), restringindose às receitas de serviços nos valores de R$ 360.000,00 e de R$ 38.460,00, totalizando R$ 398.460,00, enquanto a ficha 06ª da DIPJ/2001 – Demonstrativo de Resultado, fls. 1.263, indica na linha 08 – Receita de Prestação de Serviços no montante de R$ 439.436,17. Desta forma, entendeu a Turma que não comprovado nos autos o oferecimento à tributação da diferença de receita de serviços de R$ 96.759,68 (R$ 536.195,85 menos R$ 439.436,17), cumpre à autoridade administrativa, em resguardo ao erário público, admitir como dedutível na DIPJ/2001 apenas o IRRF correspondente ao percentual das receitas de serviços tributadas (de R$39.436,17), que corresponde ao valor de R$ 6.656,16. IRRF retido a título de juros sobre Capital Próprio: Segundo o órgão julgador a quo, o IRRF do código 5706 – juros sobre o capital próprio (R$ 64.165,02) não será considerado como antecipação no ajuste de 31/12/2000, em razão de não ter o contribuinte declarado na ficha 06 A – Demonstração de Resultado, qualquer valor na linha 23 – Receitas de Juros sobre o capital próprio. O Colegiado ainda complementou que “tendo em conta o registro de despesas de juros sobre o capital próprio na linha 35 (R$ 4.916.304,00), inferese que a empresa poderia ter compensado os valores por ela devidos de IRRF, retidos sobre os juros pagos sobre o capital próprio, com aqueles dela retidos quando do recebimento dos juros sobre o capital próprio, dos quais é beneficiária, vez que tal procedimento é admitido dentro do períodobase pela legislação pertinente”. Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.774 11 Desta forma, o órgão julgador de 1ª instância concluiu que as importâncias retidas na fonte para dedução na apuração de ajuste de 31/12/2000 seriam de R$ 8.121,79 (prestação de serviços) e R$ 351.195,25 (aplicações financeiras), que totaliza o IRRF de R$ 359.317,04, desde que comprovado o oferecimento à tributação do montante de receitas correspondente de prestação de serviços de R$ 536.195,85 e aplicações financeiras de R$ 1.947.679,23. Em conclusão, a DRJ entendeu que, referente às receitas de serviços, como não comprovado nos autos o oferecimento à tributação da diferença de receita de serviços de R$ 96.759,68 (R$ 536.195,85 menos R$ 439.436,17), cumpre à autoridade administrativa admitir apenas como dedutível na DIPJ/2001 o IRRF correspondente ao percentual das receitas de serviços tributadas (R$ 439.436,17), que corresponde ao valor de R$ 6.656,16. Já quanto às receitas de aplicações financeiras, a Turma verificou que a DIRF informa a soma de R$ 1.947.679,23, enquanto na ficha 06 A – Demonstrativo do Resultado linha 24, consta o valor de R$ 1.724.886,63, sendo que as demais linhas de receitas registram totais que superam a diferença de R$ 222.791,60. A DRJ concluiu como dedutível do IRPJ apurado em 31/12/2000 o IRRF de R$ 357.851,41, soma das retenções confirmadas sobre receitas de serviços (R$ 6.656,16) e aplicações financeiras (R$ 351.195,25) oferecidas à tributação. IRRF do ano de 1999: O contribuinte alegou que adicionou o montante de R$ 205.674,99 do IRRF do anocalendário de 1999 ao IRRF do anocalendário de 2000, de forma que o valor total foi de R$ 622.082,35. O Impugnante afirmou ainda ter agido desta forma em consonância com a IN SRF nº 21/97. O Colegiado entendeu de forma diversa. Segundo esclareceu, o IRRF constitui antecipação do IRPJ a ser apurado no ajuste pela pessoa jurídica ao final do próprio período da retenção, deduzindo o imposto a pagar no período quando oferecidas à tributação as receitas correspondentes. Assim, apenas ao final do período, na apuração de ajuste, é constituído eventual indébito junto à Fazenda Pública, decorrente de antecipações superiores ao imposto devido no período, vindo a formar o saldo negativo. Destarte, concluiu que não há que se falar em indébito decorrente de IRRF do anocalendário de 1999 utilizado no anocalendário de 2000. Portanto, incabível a restituição ou a utilização, como direito creditório, tanto do IRRF como de estimativas recolhidas por antecipação do IRPJ devido no período, as quais necessariamente integrarão a apuração de ajuste, de forma que apenas o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL porventura apurado ao final do período, é passível de restituição ou utilização em compensações, conforme os arts. 2º e 6º da Lei nº 9.430/96. Em resumo, o órgão julgador esclareceu que somente é passível de restituição ou compensação o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL apurado no final de cada anocalendário, não sendo possível a utilização do IRRF, pois este produz efeito de indébito somente no período de apuração, quando a empresa apurar o prejuízo fiscal, o lucro real e débitos de IRPJ e/ou CSLL, Esclareceu o Colegiado que “ainda que no anocalendário de 2000 a legislação admitisse o contribuinte realizar a compensação de estimativas de IRPJ com saldo negativo apurado no ano calendário de 1999, sem formalização de pedido junto à administração tributária, bastando sua efetivação na escrituração e informação nas DCTF entregues no Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.775 12 período, não consta dos autos qualquer indicação de compensação de estimativa de IRPJ apurado em 2000 com o mencionado saldo negativo de IRPJ de 31/12/1999, não consta dos autos qualquer procedimento nesse sentido. Assim, impróprio o pretendido acréscimo do IRRF do ano 1999, ou mesmo do saldo negativo de IRPJ apurado naquele período, ainda que eventualmente a utilização, ao valor do IRRF ou do saldo negativo relativos ao anocalendário de 2000, sob pena de se burlar o instituto da decadência, vez que cada indébito tem seu próprio prazo para utilização”. No que tange às informações prestadas sobre a compensação de estimativas de IRPJ restaram válidas as referentes aos meses de setembro a novembro do ano calendário de 2000. No entanto, a DRJ asseverou que em consulta ao sistema DCTF, a contribuinte informou compensação referente ao crédito de IRPJ de 2000 com estimativas de IRPJ apuradas no ano de 2002 (março e abril). Concernente aos saldos negativos de CSLL apurados nos anoscalendário de 2000 e 2001, apenas se o mesmo ocorrido com o crédito de 2000, e as demais serão consideradas válidas. Em 09/06/2009, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (proc. fls. 1344 a 1372). A Recorrente dividiu seu recurso em duas partes: o saldo negativo reconhecido como válido e o desconsiderado. Referente ao primeiro, a postulante esclareceu que a despeito da afirmação do Fisco de que o saldo negativo de IRPJ e CSLL, do anocalendário de 2000, existente e válido, teria sido objeto de compensação com estimativas dos mesmos tributos no período de março e abril de 2002, a própria Administração Fazendária não reconheceu esta compensação e inclusive deu origem ao proc. nº 16095.000093/200785 para cobrança destes valores. Destarte, requereu a utilização de tal saldo negativo na compensação do presente processo. No tocante ao saldo negativo desconsiderado, a contribuinte, preliminarmente, alegou a decadência do direito do Fisco questionar os valores de saldo negativo de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2000. Asseverou a Recorrente que no momento em que foi proferido o despacho decisório pela SEORT (03/04/2007), já tinha transcorrido mais de 5 anos da data da entrega das DIPJs (28/06/2001). Destarte, verificouse sua homologação tácita pelo fenômeno da decadência, quer seja com fundamento no art. 150, §4º ou art. 173, I, ambos do CTN. Subsidiariamente, aduziu suas razões sobre o saldo negativo desconsiderado dividindoo em três grupos: i) IRRF do ano de 1999, ii) IRRF de juros sobre capital próprio, iii) IRRF sobre serviços. Entendeu o Colegiado que não seria possível se reconhecer os valores de IRRF do ano de 1999, pois este procedimento estaria em desconformidade com os art. 2º e 6º da Lei nº 9.430/96. No entanto, a Postulante asseverou que referidos artigos possibilitam ao contribuinte a utilização dos valores de IRRF que sejam computados na apuração Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.776 13 de ajuste do ano de sua retenção para integrar possível saldo negativo, mas não o obriga a tanto. A interessada ressaltou que não se pode obstar o contribuinte de reaver um valor pago a maior, sob pena de ofensa ao Princípio do Enriquecimento ilícito e ao da moralidade que norteia toda a atividade administrativa. Ademais, completou a Recorrente que o art. 14 da Instrução Normativa nº 21/97, vigente na época em questão, dispunha que prescindia de qualquer requerimento. Outro argumento utilizado para que se aceite os valores mencionados neste item diz respeito à Supremacia da Verdade Material sobre a verdade formal, pois tais créditos efetivamente existem o que é comprovado pela documentação juntada aos autos. No que tange aos valores de IRRF de juros de capital próprio, a DRJ não os considerou sob o argumento de que os mesmos não foram declarados na ficha correta. A contribuinte alegou que houve um equívoco por parte da fonte pagadora ao classificar rendimentos sobre mútuo como juros sobre capital próprio. Desta forma, não pode tal erro de forma alguma obstar o direito ao aproveitamento. Além disso, visando afastar quaisquer questionamentos sobre este crédito, a Recorrente acostou aos autos planilha contendo as contas do Razão que demonstram o oferecimento à tributação de referidos montante. Por fim, o IRRF sobre serviços também não foi reconhecido pelo órgão julgador a quo sob o argumento de que não há comprovação do seu oferecimento à tributação, mesmo tendo a DRJ reconhecido a totalidades dos valores de IRRF sobre prestação de serviços. Outro questionamento levantado pela contribuinte em sede de Recurso Voluntário foi a ausência de atualização dos créditos de saldo negativo de IRPJ e CSLL. Afirmou a Recorrente que a atualização se deu apenas sobre os valores de saldo negativo de IRPJ e CSLL até o período de abril de 2002. A Postulante mencionou que o art. 6º, combinado com o art. 28 da Lei nº 9.430/96, dispõe que o contribuinte tem direito de corrigir pela taxa Selic os valores de saldo negativo de IRPJ e CSLL até fevereiro de 2003. Concluiu a Recorrente que, caso o saldo integral não seja deferido, ao menos deverá ser considerado no cálculo do saldo negativo de IRPJ e CSLL, objeto da presente compensação, os valores dos juros Selic. É o Relatório. Vêse que após a diligência realizada por determinação da Delegacia de Julgamento (primeira instância administrativa), surgiram várias questões específicas em torno do direito creditório reivindicado pela contribuinte em seu pedido de compensação. Uma parte do direito creditório foi reconhecida e aproveitada na primeira instância administrativa, e a compensação foi homologada até o montante desse crédito (vol. VII, efls. 167). Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.777 14 Mas a maior parte do crédito não foi reconhecida/aproveitada, e a contribuinte suscitou vários questionamentos em sede de recurso voluntário, tratando tanto do saldo negativo reconhecido mas não aproveitado, quanto do saldo negativo não reconhecido. Quanto ao saldo negativo reconhecido (mas não aproveitado porque teria sido utilizado em outras compensações), o acórdão recorrido entendeu que "não restam óbices para que o mencionado saldo negativo, já julgado existente e válido pelo próprio Fisco, seja utilizado na presente compensação." Quanto ao saldo negativo não reconhecido (pelas razões acima transcritas), o acórdão recorrido não examinou todas as questões suscitadas, porque entendeu: "que o despacho decisório foi proferido após o lapso de 5 anos da entrega da DIPJ pela contribuinte. Portanto, verificouse a homologação tácita dos valores ali declarados de sorte que não cabe à Receita Federal analisálos". O acórdão recorrido também decidiu que "os saldos negativos objeto de compensação devem ser atualizados pela taxa Selic conforme determina a legislação tributária". Em sede recurso especial, a PGFN suscitou divergência jurisprudencial especificamente em relação ao reconhecimento da homologação tácita, sustentando, em síntese, que o procedimento de análise de compensação declarada pela contribuinte não se caracteriza como aqueles tendentes à constituição do crédito tributário, não se sujeitando ao prazo decadencial previsto no art. 150 ou art. 173, I, ambos do CTN. A Contribuinte apresentou contrarrazões, onde afirma que, muito embora a Administração Tributária tenha o dever de verificar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado pela Recorrida em sua DCOMP, esta não dispõe de prazo ilimitado para retroceder no tempo e revisar a apuração do crédito pleiteado pela contribuinte. Realmente, a Administração Tributária não dispõe de prazo ilimitado para retroceder no tempo e revisar a apuração do crédito pleiteado pela contribuinte. Ao contrário, há um prazo legal para que isso seja feito, e esse prazo está previsto especificamente no art. 74, §5º, da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.778 15 §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. É esse prazo de "5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" que é dado à Receita Federal para que ela verifique a certeza e a liquidez do direito creditório utilizado pelo contribuinte para quitar débitos próprios, mediante compensação. De acordo com o voto do relator do recurso especial sob exame, "os saldos negativos apurados pelo contribuinte quanto ao ano de 2000 e 2001 dariam ensejo à contagem do prazo decadencial, respectivamente, em 31/12/2000 e 31/12/2001, com termo final, respectivamente, em 31/12/2005 e 31/12/2006. Assim, em 23/03/2007, quando foi proferido despacho que indeferiu os referidos pedidos, os saldos em questão já haviam sido alcançados pela definitividade." Penso que o entendimento que pretende realizar a contagem da homologação tácita pelos prazos previstos no art. 150, §4º, ou no art. 173, ambos do CTN, torna absolutamente inútil a regra estabelecida no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, fazendo letra morta do referido prazo legal. O pedido de compensação foi apresentado em 27/02/2003, e o despacho decisório da DRF/GUA negando a compensação foi cientificado à contribuinte em 12/04/2007 (vol. 1, efls. 35), antes portanto que findasse o prazo para que a Receita Federal examinasse a compensação pleiteada pela contribuinte. No caso sob exame, não houve lançamento de tributo. O que ocorreu foi a verificação da certeza e liquidez do direito creditório reivindicado pela contribuinte, e a negativa da compensação por ela pretendida, na proporção do direito creditório não reconhecido (a DRF negou o direito creditório em sua totalidade, e a DRJ reconheceu posteriormente uma parte desse direito creditório). A verificação da certeza e liquidez do direito creditório, e a negativa da compensação em razão do não reconhecimento desse direito são plenamente possíveis dentro do referido prazo legal. Em sede de contrarrazões, a contribuinte também defende a ocorrência da homologação tácita a partir de uma outra linha de argumentação, que toma a data da entrega da DCOMP como termo inicial para a contagem do prazo legal, mas que utiliza como referência para verificação do limite temporal a data da decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ), e não a data do despacho decisório da DRF, em razão de problemas que aponta nesse despacho. O exame desses argumentos, contudo, extrapolaria o contexto do recurso especial apresentado pela PGFN, e também o contexto da divergência ora submetida a este colegiado. Para tanto, a contribuinte deveria ter apresentado seu próprio recurso especial, com a devida comprovação de divergência jurisprudencial que abarcasse esse tipo de questão, o que não ocorreu. No final das contrarrazões a contribuinte requer, caso seja dado provimento ao recurso especial da PGFN, o retorno dos autos à 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF, para que sejam analisados os demais fundamentos de fato e de direito postos no recurso voluntário, os quais, segundo ela, seriam suficientes para Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 10875.000759/200316 Acórdão n.º 9101003.298 CSRFT1 Fl. 1.779 16 demonstrar a liquidez e validade do saldo negativo postulado e não reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Realmente, conforme evidencia o relatório acima transcrito neste voto, a contribuinte suscitou várias outras questões no recurso voluntário cujo exame ficou prejudicado em razão do que foi decidido naquela fase processual. Desse modo, voto no sentido de DAR provimento ao recurso especial da PGFN, para afastar a homologação tácita da compensação, determinando que os autos sejam devolvidos à Turma Ordinária para o exame das matérias suscitadas no recurso voluntário e não apreciadas naquela fase processual em razão do que lá foi decidido. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1690DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.907299/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.103
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas sem saldo reconhecido para compensação dos débitos indicados no Per/Dcomp. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou, em síntese, que a DCTF e o Dacon coincidiam nos centavos nos valores do crédito, crédito esse quitado por meio de DARFs, e requereu a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, sobretudo a documental inclusa, a documental superveniente e a pericial, e que fosse julgada procedente a sua defesa, com a nulidade da incidência e a anulação do lançamento, com fundamento no art. 145, I, do CTN. A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 07 29 9/ 20 12 -1 2 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10983.907299/201212 Resolução nº 3201001.103 S3C2T1 Fl. 72 2 Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou a existência do crédito postulado, alegando o seguinte: 1. é agente gerador de energia participante do Sistema Interligado Nacional SIN, que funciona com mecanismo de rateio de custos de geração de energia com fins à segurança ao sistema; 2. a Conta de Consumo de Combustíveis CCC e a Conta de Desenvolvimento Energético CDE são fundos geridos pela Eletrobrás que viabiliza economicamente a geração de energia com base em matrizes elétricas, por intermédio da utilização de combustíveis fósseis; 3. os valores recebidos são utilizados nas aquisições de combustíveis fósseis carvão mineral e consumidos na geração de energia termoelétrica; 4. os agentes geradores procedem ao registro contábil para controle dos custos adquiridos com recursos da CCC e CDE; 5. os combustíveis fósseis não integram seus ativos e não se constituem custos em decorrência da aquisição de terceiros pela Eletrobrás; 6. Os custos dos combustíveis são cobrados dos consumidores finais da energia, através das distribuidoras e permissionárias; 7. a sistemática de contabilização dos custos com combustíveis como receita se alterou exsurgindo um crédito da recorrente com o Fisco em razão dos valores oferecidos à tributação pelo PIS e Cofins não se constituírem receitas, mas sim simples ingressos; 8. Procedeu à retificação de suas DCTFs para excluir dos débitos as parcelas da CCC e CDE e transmitiu DCOMPs visando a compensação; 9. as compensações foram indeferidas, vez que o Fisco entende erroneamente tratarse de receitas passíveis de tributação; 10. o despacho decisório acusou falta de documentação comprobatória; 11. o procedimento deveria ser precedido de retificação de ofício das declarações DCTF e DACON. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.095, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10983.908751/201255, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10983.907299/201212 Resolução nº 3201001.103 S3C2T1 Fl. 73 3 Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.095): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta resolução. Por conter matéria preventa desta Seção de Julgamento e estarem presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Contudo, é preciso esclarecer que esta lide administrativa fiscal não está em condições de julgamento, uma vez que existe situação que impossibilita a sua imediata solução. Como já mencionado no voto do Conselheiro Relator, durante a sessão de julgamento foi debatida a necessidade de conversão do processo em diligência, diante da existência de DCTF retificadora, apresentada e não apreciada. Conforme debatido, o Despacho Decisório reconheceu a retificadora, mas não homologou o pedido do contribuinte fundamentada na seguinte premissa: "retificação não esclarecida". Cumpre ressaltar que, a retificadora, quando anterior ao procedimento de ofício, substitui integralmente a DCTF original, sem necessidade de esclarecimento, conforme pode ser verificado na IN 1.599/2015, Art. 9.º (mesmo teor desde IN´s de 2002): "Art. 9ºA alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2ºA retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I redução dos débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alteração dos débitos de impostos e contribuições em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado de início de procedimento fiscal. § 3ºA retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10983.907299/201212 Resolução nº 3201001.103 S3C2T1 Fl. 74 4 poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4ºNa hipótese prevista no inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento à intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma prevista no art. 7º. § 5ºO direito do sujeito passivo de pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º(primeiro) dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração. § 6ºA pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador." Tais disposições normatizam, para a DCTF, o princípio da espontaneidade, conforme garantia prevista no Art. 138 do CTN. Assim, para que houvesse acusação de falta de esclarecimento da DCTF retificadora (que no caso, foi espontânea e tem a mesma natureza da original), deveria existir, nos autos, uma intimação anterior do Fisco, solicitando o esclarecimento e motivo da retificação. Assim, contribuiria para a solução desta lide fiscal que a fiscalização apresentasse essa intimação ou alguma tentativa, do Fisco, de esclarecer a retificação, ou seja, uma possível falha de instrução do processo. Esta Turma de julgamento não identificou a presença de tal intimação ao contribuinte, assim como a ausência de despacho decisório próprio ao caso, que considerasse esta situação exposta, que considerasse o caso concreto do contribuinte. Constatada esta irregularidade que poderia afrontar o devido processo legal, decidiuse por converter o julgamento em diligência e, para esta tarefa, fui designado para apresentar o voto vencedor. Diante desta breve exposição, em busca da verdade material e, com fundamento na legislação que concerne ao processo administrativo fiscal e ao Direito Tributário, votase para que o julgamento seja convertido em diligência, para que: a autoridade de origem verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse o esclarecimento e motivo da retificação; a autoridade de origem verifique se há ou não Despacho Decisório que considerou a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos; cumprida a diligência, o contribuinte deve ser intimado para se manifestar, em 30 dias da intimação, a respeito do relatório apresentado pela autoridade fiscal. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10983.907299/201212 Resolução nº 3201001.103 S3C2T1 Fl. 75 5 Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. Esclareçase que, nos presentes autos, ocorreu a mesma situação fática identificada na resolução do processo paradigma quanto à ausência de comprovação da existência de intimação tendente a esclarecer a retificação espontânea da DCTF. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora verifique e comprove se houve ou não intimação anterior que solicitasse esclarecimentos e o motivo da retificação da DCTF, bem como verifique se há ou não Despacho Decisório que tenha considerado a DCTF retificadora e, se houver, identificar e juntar nos autos. Cumprida a diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões do trabalho fiscal. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005278/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período.
PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal.
Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada.
O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.
RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER
O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços.
Numero da decisão: 2401-005.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. PRELIMINAR DE NULIDADE. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruído com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. PRLIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 52 78 /2 00 7- 45 Fl. 4178DF CARF MF 2 sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NFLD RETENÇÃO DE 11% EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL OBRIGAÇÃO DE EFETIVAR A RETENÇÃO Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente não só no relatório de lançamentos, no DAD, bem como no relatório fiscal. Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: “A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98.” RETENÇÃO DE 11% NATUREZA TRIBUTÁRIA RECOLHIMENTOS NAS PRESTADORAS APRESENTAÇÃO DE CND NÃO ELIDE A OBRIGAÇÃO DE RETER O fato das empresas prestadoras possuírem recolhimentos ou mesmo CND não desobriga a empresa tomadora de efetuar a retenção, conforme descrito acima, nem tão pouco refuta o presente lançamento, ou seja, o desconto sempre se resume feito regularmente e é obrigação da tomadora de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 4179DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 4180DF CARF MF 4 Relatório MAIA E BORBA S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0330.654/2009, às efls. 3.624/3.654, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, referente à retenção de 11% sobre o valor bruto dos serviços realizados mediante cessão de mãodeobra contida em notas fiscais de serviços prestado a recorrente, em relação ao período de 01/2000 a 09/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 122/126 e demais documentos que instruem o processo. Conforme relatado pela autoridade lançadora, a empresa atua no ramo de construção civil e também explora concomitantemente outras atividades empresariais, tais como: concessão para exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers. Na atividade de construção civil a empresa executou muitas obras por administração, por empreitada total, parcial por incorporação e pequeno porte. No transcurso da ação fiscal, a notificada foi intimada a apresentar os documentos necessários à realização do procedimento administrativo, entre eles, as notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços. No entanto, entre outras omissões, deixou de apresentar a maioria das notas fiscais requisitadas, razão pela qual lhe foi aplicado o auto de infração Debcad n° 37.055.3381. A autoridade fiscal também informou que a empresa, mesmo apresentando parcialmente as notas fiscais das prestadoras de serviços, forneceu uma relação dos lançamentos nas contas contábeis "SUBEMPREITADAS" e "SERVIÇOS DE TERCEIROS", que, segundo a empresa, tratavase da escrituração dos mesmos documentos. Comparando o total dos registros presentes na relação entregue à fiscalização e as poucas notas fiscais apresentadas, contatouse o não recolhimento e/ou recolhimento parcial das contribuições previdenciárias devidas pelo contratante a titulo de retenção dos 11% destacado nas notas fiscais de prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, conforme alteração promovida pela Lei n°9.711, de 1998. Conforme descrito no relatório, os procedimentos contábeis adotados pela empresa, bem como a não entrega dos documentos requisitados pela autoridade fiscal, prejudicaram o andamento da ação fiscal. Além disso, a notificada não fez prova do recolhimento das referidas contribuições diferenças. Por tais razões, conforme consta do relatório, e com base no § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, a presente notificação foi lavrada pela autoridade fiscal com arbitramento da base de cálculo das contribuições devidas, tendo sido utilizado como critério de aferição a mesma relação que foi entregue pela empresa, deduzindo os valores das notas fiscais apresentadas parcialmente, conforme planilha as fls. 127/396. O lançamento consolidado em 22/06/2007 importa em R$ 6.471.515,4'7 (Seis milhões, quatrocentos e setenta e um mil, quinhentos e quinze reais e quarenta e sete centavos), incluindo multa e juros de mora. O débito abrange o período de 01/2000 a 09/2004. A notificada apresentou impugnação, fls. 400/411, anexando inúmeros documentos fls. 430/1480, requerendo, em síntese, a declaração de invalidade do lançamento tributário ou sua retificação, tendo em vista os erros de avaliação na desconsideração da Fl. 4181DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 4 5 contabilidade, descumprimento do principio da ampla defesa, ausência de relatório com descrição clara e precisa dos fatos ou a retificação da notificação A vista de erro material de cálculo pela não dedução dos valores relativos A mão de obra terceirizada. Em 29/10/2007, os autos do processo foram baixados em diligência, fls. 1483/1484, com o objetivo de a autoridade lançadora manifestarse, de forma conclusiva, acerca das alegações proferidas pela empresa, especificamente em relação aos serviços contabilizados na conta Serviços de Terceiros, bem como se existe algum recolhimento que deixou de ser aproveitado no lançamento e demais questões que julgasse atinente. Em 16/01/2008, As fls. 1486/1493, em resposta à diligencia determinada, a autoridade lançadora informou o seguinte: a) O longo prazo de duração da ação fiscal de 25 de outubro de 2006 a 28 de junho de 2007 (oito meses) se deve, entre outros, aos seguintes motivos: i. O porte da empresa A atividade de construção civil (principal atividade da empresa até então) teve durante o período objeto da ação fiscal, mais de 50 (cinqüenta) obras de construção civil de grande porte; ii. As atividades empresarias desenvolvidas pela empresa foram diversificadas Construtora, incorporadora, prestadora de serviços (inclusive administração de obras), exploração de terminais rodoviários e gerenciamento e administração de shoppings centers; iii. O grande período fiscalizado De janeiro de 2000 a setembro de 2006 (quase 7 anos); iv. A complexidade da documentação Em função dos motivos acima, fica evidente a quantidade e diversidade de documentos envolvidos no processo de fiscalização (contratos, notas fiscais, folhas de pagamento, guias de recolhimento, GFIP, escrituração contábil e outros); v. As dificuldades impostas pela empresa Durante todo o período que envolveu a ação fiscal, foram desenvolvidos esforços para que a empresa apresentasse na integralidade a documentação necessária ao completo e normal processo de auditoria fiscal. vi. Tendo em vista a morosa e deficiente apresentação dos documentos solicitados, foram necessárias as lavraturas de diversos autosdeinfração, especialmente, os que registraram o descumprimento de obrigações acessórias, previstas em Lei, que tratam da falta de apresentação de documentos tais como, folhas de pagamento e notas fiscais de prestadores de serviços (AI Debcad no 37.0,55.3381), bem como dos arquivos digitais (AI Debcad 37.055.3390). b) No que diz respeito ao débito em questão, a empresa conhecia e participou ativamente do processo de levantamento, apuração e constituição do crédito previdenciário. Durante o tempo em que a empresa esteve sob ação fiscal, os empregados do setor contábil, do setor de pessoal e da área administrativa, bem como a procuradora e setor jurídico da empresa, eram permanentemente informados dos procedimentos de auditoria fiscal. Sempre que solicitados, foram prestadas as informações relativas aos procedimentos fiscais em andamento. Fl. 4182DF CARF MF 6 c) Quando a empresa demorava na apresentação de determinado documento solicitado, chamávamos o responsável vinculado àquela área administrativa e explicávamos a necessidade de tal solicitação e quais as implicações em não apresentálo à fiscalização. Por muitas vezes solicitamos a presença do contador para informálo das dificuldades que a demora ou falta de apresentação de determinados documentos estava provocando. Em determinado momento, tinhase a impressão de que era proposital o procedimento adotado pela empresa, como por exemplo, a não apresentação de parte das notas fiscais de prestação de serviços, de folhas de pagamento, GFIP, livros fiscais e outros. d) Em relação ao relatório fiscal, seu volume deriva da grande quantidade de documentos envolvidos, bem como do período abrangido, e no que se refere à forma de apresentação, esta é padronizada pelo sistema informatizado adotado pela Receita Federal do Brasil. e) Além de todos os relatórios gerados pelo sistema informatizado da Receita Federal, consta o relatório fiscal emitido pelos auditores componentes da junta fiscal. Nele, buscase de forma objetiva, esclarecer os fatos que levaram a constituição do crédito previdenciário. O referido relatório traz as informações necessárias ao entendimento do objeto do débito. f) Tendo em vista as diversas irregularidades cometidas pela empresa, não restou à junta fiscal sendo o procedimento da desconsideração da contabilidade e a apuração das contribuições previdenciárias, tomandose por base de cálculo a remuneração paga à mão deobra empregada proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, conforme consta do relatório fiscal integrante à presente NFLD (fls. 122/396); g) Para demonstração dos valores apurados, faz parte do relatório fiscal citado acima, a planilha "CESSÃO DE MÃODEOBRA NFS NÃO APRESENTADAS", que relaciona mensalmente os valores dos serviços, por prestador, informados pela empresa notificada, bem como os documentos fiscais (notas fiscais) apresentados, que foram deduzidos para efeito de determinação da base de cálculo (fls. 127 a 396); h) É necessário reforçar a informação já contida no relatório fiscal, que na planilha demonstrativa dos valores apurados, constam em algumas competências, lançamentos a titulo de INSS Instituto Nacional do Seguro Social e ISS Imposto Sobre Serviços que tiveram seus valores considerados para efeito de apuração do débito, tendo em vista tratarse de registros das notas fiscais efetuados pelo valor liquido e complementados pelos encargos incidentes. Portanto, a soma do valor liquido lançado acrescido dos encargos tributários, compõe o valor bruto da nota fiscal base de incidência da retenção previdenciária prevista pela Lei 9.711/98. i) A empresa, em sua defesa, apresenta uma pequena parte dos documentos relacionados" com o débito em questão. Analisando um a um, fica evidente a necessidade de apresentação da documentação por parte da empresa A fiscalização, para uma análise criteriosa e justa, pois algumas notas fiscais revelam tratarse de serviços realmente isentos da retenção, algumas que a incidência é parcial, conforme define a legislação previdenciária, enquanto que outras, ratificam (comprovam) que a incidência é clara e inequívoca. j) Assim, a análise individual do pequeno número de documentos apresentados pela defesa, permitiram identificar e adotar os seguintes procedimentos: i. As notas fiscais de serviços que não se enquadram no conceito de cessão de mão de obra e cuja incidência esteja claramente isenta da retenção, conforme define Fl. 4183DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 5 7 a legislação previdenciária, foram excluídas do levantamento. Estão identificadas na planilha "CESSA0 DE MÃO DE OBRA NFS NÃO APRESENTADAS RETIFICAÇÃO", na coluna observação como a expressão: "Apresentado excluído". ii. As notas fiscais de serviços, que embora sujeitas A retenção, possuam base de calculo cujo valor resulte em retenção inferior a R$ 29,00 (valor mínimo previsto para recolhimento da Guia da Previdência Social GPS), tiveram seus valores também excluídos do levantamento. Estão identificados na planilha "CESSÃO DE MÃO DE OBRA NFS NÃO APRESENTADAS RETIFICAÇÃO", na coluna observação com a expressão: "Apresentado ret/excluido". k) As notas fiscais cujas prestações de serviços possuam base de cálculo reduzida em função da utilização concomitante de máquinas ou equipamentos (terraplenagem, drenagem e outros) ou que a execução tenha sido realizadas com fornecimento de materiais, estes quando destacados na nota fiscal, tiveram seus valores retificados, conforme define a legislação previdenciária. Estão identificados na planilha "CESSÃO DE MÃODEOBRA NFS NÃO APRESENTADAS RETIFICAÇÃO", na coluna observação com a expressão: "Apresentado retificado". l) As notas fiscais cujas prestações de serviços estejam incluídas entre as atividades previstas pela legislação previdenciária como sujeitas A retenção (entre os documentos apresentados, muitos deles se enquadram nesta situação), tiveram seus valore mantidos integralmente. Estão identificados na planilha "CESSÃO DE MÃO DE OBRA NFS NÃO APRESENTADAS RETIFICAÇÃO", na coluna observação com a expressão:"Apresentado mantido". Cabe ressaltar que boa parte das notas fiscais apresentadas pela defesa demonstram inequivocamente que o serviço está sujeito A retenção, possuindo inclusive, o destaque no corpo do documento, em conformidade com o que define a legislação previdenciária. m) Todos os valores apurados pela fiscalização, relativamente a este debito, que não tiveram documentos apresentados pela defesa, tiveram seus valores mantidos integralmente. Estão identificados na planilha "CESSÃO DE MÃO DE OBRA NFS NA° APRESENTADAS RETIFICAÇÃO", na coluna observação com a expressão: "Não apresentado". n) É importante frisar que relativamente a algumas competências não foram apresentados quaisquer documentos (notas fiscais) pela defesa, de tal forma que o débito inicialmente constituído, para aquelas competências, fica integralmente mantido. Concluindo a diligência, foi elaborada planilha "CESSÃO DE MÃO DE OBRA NFS NÃO APRESENTADAS RETIFICAÇÃO", fls. 1492, com o entedimento que o lançamento deve ser retificado, alterando o valor originário do débito de R$ 3.569.829,95 (Três milhões, quinhentos e sessenta e nove mil, oitocentos e vinte e nove reais e noventa e cinco centavos) retificado para R$ 3.422.280,24 (Três milhões, quatrocentos e vinte e dois mil, duzentos e oitenta reais e vinte e quatro centavos), tendo sido elaborada planilha informando quais valores foram excluídos da notificação, fls. 1495/1749. Em obediência ao principio da ampla defesa, foi reaberto o prazo para que a notificada exercesse seu direito ao contraditório, conforme correspondência enviada à empresa à fl. 1756. Fl. 4184DF CARF MF 8 Entretanto, às fls. 1757/1761, antes de receber o resultado da conclusão da diligência, a empresa aditou sua impugnação, defendendo seu direito de apresentar novos documentos, com base no principio da verdade material, bem como aduzindo que a enorme quantidade de notificações e provas lhe exigiram maior tempo para promover sua defesa. Às fls. 3097/3107, em 12/08/2008, a autoridade, antes de o órgão julgador solicitar, tendo em vista os inúmeros aditamentos, bem como novos documentos, manifestase, ratificando o procedimento adotado durante a ação fiscal e informa que analisou todos os documentos até então juntados ao processo, razão pela qual propõe nova retificação, conforme consta à fl. 3107, sugerindo que o lançamento seja retificado de R$ 3.569.829,95 para R$ 2.906.436,76. Além disso, elaborou planilha indicando as competências a serem retificadas, fls. 3108/3161, destacando as razões que levaram a promover a alteração, ou não, com exclusão do lançamento. Além disso, as fls. 3100/3101, em relação aos documentos apresentados, informa os critérios para exclusão do lançamento: a) Notas fiscais de serviços que não se enquadram no conceito de cessão de mão de obra e cuja incidência esteja claramente isenta da retenção, foram excluídas; b) Notas fiscais de serviços que tiveram a comprovação do recolhimento da retenção, apresentadas na defesa, conforme define a legislação previdenciária, foram excluídas: c) Notas fiscais de serviços que, embora sujeitas à retenção, possuíssem base de cálculo cujo valor resulte em retenção inferior a R$ 29,00, foram excluídas; d) Notas fiscais cujas prestações de serviços possuíssem base de cálculo reduzida em função da utilização concomitante de máquinas ou equipamentos (terraplenagem, drenagem e outros) ou que a execução tenha sido realizada com fornecimento de materiais (quando destacados), tiveram seus valores retificados, foram excluídas; e) Notas fiscais cujas prestações de serviços estejam incluidas entre as atividades previstas pela legislação previdenciária como sujeitas à retenção sem a comprovação do recolhimento da retenção (valores foram mantidos). Nesse aspecto, a autoridade fiscal manifestou que a maioria dos documentos apresentados encontravamse nessa hipótese, possuindo, inclusive o destaque para retenção, contudo a empresa não promoveu o recolhimento devido; f) Os demais valores lançados, mas que não tiveram documentos apresentados para análise, foram mantidos. Concluindo, a autoridade fiscal ainda manifesta que diversos documentos foram apresentados em duplicidade, conforme planilha às fls. 3102/3104. Em 18/11/2008, fls. 3361/3366, o Sr. Fiscal propõe nova retificação. Em observância ao principio da ampla defesa, foi reaberto o prazo para que a notificada exercesse seu direito ao contraditório. Às fls. 3347/3352, a notificada ratifica a tese de improcedência do lançamento, tendo em vista a duplicidade de cobrança em relação As notificações das 34 obras, arbitradas com base no CUB, pugnando, ainda, pela aplicação do § 2° do art. 474 da Instrução Normativa n° 3, de 2005. O processo, em seguida, foi encaminhado ao órgão julgador para prosseguimento do feito. Fl. 4185DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 6 9 Por sua vez, a 6ª Turma da DRJ em Brasília/DF entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, exonerando parte do crédito tributário, por entender restar decaída às competências anteriores a 05/2002 e os valores indicados pela autoridade fiscal às fls. 3.363/3.365, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 0330.654, às efls. já mencionadas, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2006 Ementa: NFLD n° 37.096.6562 RETENÇÃO DE 11%. CESSÃO DE MÂO DE OBRA. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra é obrigada a reter 11% sobre o valor bruto dos serviços contidos na nota fiscal e prestados pela contratada. AFERIÇÃO INDIRETA. A falta ou a deficiência da contabilidade, bem como a omissão de informações requeridas pela fiscalização, autorizam a apuração da base de cálculo do lançamento por aferição indireta. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. NULIDADE O exercício do contraditório e da ampla defesa foi assegurado mediante intimação válida, ao sujeito passivo, do lançamento devidamente instruido com relatório fiscal contendo descrição clara e precisa dos fatos geradores, dos fundamentos legais, das contribuições devidas e do período. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura do ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de provas necessários. à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Afastada a hipótese de necessidade de realização de perícia quando os autos elementos de prova presentes nos autos, permitem a formação de convicção do órgão julgador. DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI N° 8.212/91. SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Fl. 4186DF CARF MF 10 Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante no 8, publicada no DOU em 20/06/2008. Lançamento Procedente em Parte Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Regularmente intimada e inconformada com a Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 3.668/3.683, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da decadência da competência junho/2002, uma vez que o fisco só completou o lançamento em 12/07/2007, com a intimação da recorrente (Ofício n° 95/2007/SEFIS/DRF/GOI). Ainda preliminarmente, insurgese quanto ao excesso de exação, pois o método adotado pelo fisco, de aplicar a retenção sobre a diferença valores das notas fiscais apresentadas em contas do razão e as apresentadas fisicamente, fere os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade, pugnando pela decretação da nulidade do lançamento. Destaca que a avaliação do custo da construção civil para fins da apuração da remuneração dos segurados despendida em uma obra, por aferição indireta, com base na area construída e no padrão da obra, observa o Custo Global da Obra CGO (art. 442, da IN 03/05), e a Remuneração da Mão de Obra Total RMT despendida na obra (art. 443, da IN 03/05). Além disso, os artigos 448 e 474 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, determinam a dedução de eventuais valores contidos em notificações, bem como a mãode obra de terceiros, e os prestadores contratados. Prossegue afirmando que os atos normativos (OS, IN) desde que não sejam ilegais ou manifestamente ilegais, devem ser obedecidos pelos agentes do fisco, pois asseguram tratamento uniforme aos contribuintes. Contudo, o inciso HI do art. 447 Instrução Normativa no 3, é ilegal, razão pela qual, inferese, não deve ser aplicado. Acrescenta que diversos atos normativos que normatizaram a matéria no espaço de tempo abrangido pelo lançamento fiscal deixaram de ser citados pelos fiscais (Ordens de Serviço INSS/DAF no 165, de 11/07/97; Instrução Normativa n° 18, de 11 de Maio de 2000; Instrução Normativa n° 69, de 10 de Maio de 2002; Instrução Normativa n° 100, de 18 de Maio de 2003; Instrução Normativa n° 3, de 14 de Junho de 2005. Manifesta que a aferição indireta não é carta branca para o fisco descumprir normas do próprio fisco. Dessa forma o método de aferição utilizado pelos fiscais (aplicação de 11% não sobre o valor da nota fiscal, mas sobre a diferença entre o arquivo apresentado e as notas fiscais fornecidas item 11 do relatório fiscal), além de cercear a defesa, impede não só que as normas do fisco previdencidrio sejam aplicadas, mas também que o valor apurado seja o mais próximo possível da realidade (principio da verdade material). Pondera que nas notas fiscais deveriam ter sido observados os percentuais aplicáveis sobre o valor da nota nas diversas situações de fornecimento de material ou equipamento, serviços de limpeza, pavimentação asfáltica, terraplenagem etc., nos quais a própria norma do fisco (IN 3) prevê a aplicação do percentual sobre valores inferiores ao valor Fl. 4187DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 7 11 bruto foram ignorados, além do fato de que Notas fiscais não sujeitas A retenção: serviço em estrutura metálica, serviço prestado por empresa optante pelo SIMPLES etc, fazem parte da apuração. Aduz que não foram deduzidas, na apuração do crédito tributário, a mão de obra de terceiros contida nas notas fiscais com retenção acompanhadas de guias de recolhimento. Não se pode exigir, sob pretexto algum, que a recorrente pague a contribuição sobre mão de obra cuja contribuição já foi retida e recolhida por ela como contratante, conforme determina o art. 31, da Lei n° 8.212/91, o que se comprovou, pela exibição das notas fiscais e GPS aos agentes do fisco, e cujos valores eles não relacionaram no anexo II e também não consideraram para efeito de dedução no valor da contribuição indevidamente lançada, e se comprova agora anexando os referidos documentos, conforme planilha também anexa. Não deduzir o valor das contribuições incidentes sobre a mão de obra contida nas notas fiscais relacionadas na planilha, cujas contribuições já foram recolhidas, conforme notas fiscais e guias de recolhimento anexas, significa cobrar duas vezes o mesmo tributo (bis in idem). Afirma que, mesmo quando se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justifiquem o crédito lançado, com observância de garantir o devido processo legal. Acrescenta que o fato de o fisco desconsiderar a contabilidade sem razões relevantes e lavrar 44 NFLD pelos mais diversos motivos (guardados em segredo absoluto), não desobriga as autoridades lançadoras de cumprirem as instruções normativas, pois estas, antes e acima de tudo são expedidas para que eles, agentes do fisco cumpram. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência e nulidade do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 4188DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, 07 de março de 2018. Nesse diapasão, não conheço do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. Fl. 4189DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 8 13 PRELIMINARES DAS INCONSTITUCIONALIDADES Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o fisco tão somente utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. NULIDADE DO LANÇAMENTO O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social referentes à retenção de onze por cento, como substituta tributária, incidentes sobre o valor de mão de obra incluído nas notas fiscais emitidas pelas empresas prestadoras de serviços contratadas pela notificada e não recolhidas nos respectivos vencimentos, previstas no art. 31 da Lei n°8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n°9.711, de 1998. Conforme descrito no relatório, os procedimentos contábeis adotados pela empresa, bem como a não entrega dos documentos requisitados pela autoridade fiscal, prejudicaram o andamento da ação fiscal. Além disso, a notificada não fez prova do recolhimento das referidas contribuições diferenças. Por tais razões, conforme consta do relatório, e com base no § 3° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, a presente notificação foi lavrada pela autoridade fiscal com arbitramento da base de cálculo das contribuições devidas, tendo sido utilizado como critério de aferição a mesma relação que foi entregue pela empresa, deduzindo os valores das notas fiscais apresentadas parcialmente, conforme planilha as fls. 127/396. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às Fl. 4190DF CARF MF 14 contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRF, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: a) Instruções para o Contribuinte — IPC fornece ao sujeito passivo orientações, dentre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; b) Discriminativo Analítico do Débito — DAD discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as aliquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriortriente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes; c) Discriminativo Sintético do Débito — DSD discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; d) Relatório de Lançamentos — RL relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; e) Fundamentos Legais do Débito — FLD informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente A época de ocorrência dos fatos geradores; Fl. 4191DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 9 15 f) Relatório Fiscal — REFISC se destina A narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal. Registrese, ainda, que foram elaboradas diversas planilhas descritivas dos levantamentos, bem como aproveitados os eventuais recolhimentos que puderam ter sido vinculados aos fatos abrangidos pela notificação, inclusive os documentos apresentados após o prazo legal limite, que é a impugnação, tendo sido entregues todas as informações ao contribuinte. • Além disso, o relatório fiscal é claro e exaustivo, informando todas as circunstâncias que levaram a autoridade lançadora a promover o arbitramento. Desde as falhas na contabilidade até a omissão para entrega das informações necessárias ao bom andamento do procedimento fiscal, todos os eventos foram relatados com imparcialidade e sobriedade sem, em nenhum momento, insinuar qualquer juizo de valor em relação às razões determinantes para as faltas cometidas pela empresa notificada. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA Fl. 4192DF CARF MF 16 A recorrente alega que a decisão de primeira instância deixou de apreciar a alegação de que o entendimento da junta fiscal contraria o entendimento de todos os outros fiscais que fiscalizaram a recorrente, portanto devese decretar a sua nulidade. Não obstante o entendimento da Recorrente, não há como aderir a tal porque a AuditoriaFiscal não está vinculada a posicionamento de outra AuditoriaFiscal que tenha realizado procedimento de fiscalização anterior no contribuinte. Ademais, o art. 6o , I, a da na Lei 10.593/2002 dispõe acerca das atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dentre as quais constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo:(Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) Além do mais, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes, mormente quando já encontrou motivos suficientes e relevantes para fundamentar a decisão. Portanto, afasto a preliminar. MÉRITO RETENÇÃO 11% Em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada de mão de obra é clara a legislação vigente à época, acerca da responsabilidade do contratante em reter 11% do valor da nota fiscal, recolhendo o fruto da retenção no CNPJ da empresa contratada. O instituto da retenção de 11% está previsto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.711/1998, nestas palavras: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98 Fl. 4193DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 10 17 Pelas informações trazidas no relatório fiscal, bem como pelo que restou demonstrado na informação fiscal, não foram efetuados os devidos destaques na notas, nem tão pouco cumpriu a recorrente a obrigação de reter e recolher as contribuições previdenciárias correspondentes. Desse modo, a recorrente deveria ter retido o valor de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura, observados os limites de deduções e recolher a importância até o dia dois do mês subseqüente à emissão da respectiva nota fiscal/fatura. De acordo com o previsto no art. 33, § 5º da Lei n° 8.212/1991, o desconto sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa, sendo a responsabilidade direta de quem tinha o dever de realizálo. Art. 33 (...). §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. No caso da retenção de 11% não há que se falar em solidariedade, tampouco em benefício de ordem, pois o comando legal impôs a responsabilidade à tomadora de serviços, assim como o fez em relação ao desconto dos segurados empregados. Essa é uma presunção legal absoluta que milita em favor da fiscalização previdenciária. Ao contrário dos argumentos trazidos pelo recorrente, entendo que no caso de retenção há duas obrigações: a primeira, acessória, que é o desconto dos 11%; a segunda é a principal, que é o recolhimento das contribuições retidas. Uma vez que as contribuições previdenciárias são tributos, o objeto da retenção dos 11% também possui natureza tributária, haja vista ser uma antecipação das contribuições, possuindo natureza de substituição tributária. Com o intuito de regulamentar a lei, as autoridades tributárias, no exercício de suas competências, elaboraram e publicaram a Instrução Normativa SRP n° 03, de 2005, estabelecendo procedimentos relacionados à atividade de construção civil, especificamente os casos de regularização de obra cuja base de cálculo tenha sido arbitrada por meio de aferição indireta, arts. 430 a 471. A acuidade e precisão no tocante à normatização dos procedimentos relacionados às obras de construção civil, devese ao fato de que, historicamente, este setor sempre apresentou inúmeras dificuldades no que tange à fiscalização, seja pela quantidade de trabalhadores seja pelo volume de informações. Nesse sentido, nos casos em que determinada obra submetase ao regime de aferição indireta, o cálculo da remuneração da mão de obra e, por conseqüência das contribuições devidas, ocorre a partir do enquadramento da obra, de acordo com os procedimentos descritos nos artigos 436 e 441 da Instrução Normativa SRP n° 3, de 2005, (número de pavimentos, tipo de edificação, etc.) Em seguida, a remuneração é calculada de acordo com a aplicação de percentuais específicos conforme a metragem da obra para, então, aplicarse o custo unitário básico da construção civil vigente na competência em que o recolhimento deva ser efetuado, ou no caso presente, constituído o lançamento, conforme arts. 443 e 446 da Instrução Normativa. Fl. 4194DF CARF MF 18 Ato continuo, são apropriados os eventuais recolhimentos relacionados A mão de obra própria contratada pela empresa, isto 6, seus empregados, valores estes que serão convertidos em área regularizada, conforme arts. 445 e 446. Também é possível que a empresa tenha contratado empreiteiros e subempreiteiras para prestarem serviços específicos durante a construção. Nesses casos, isto 6, nas situações em que há mão de obra terceirizada e, portanto, o contratante, é responsável tributária pelo recolhimento da retenção no CNPJ da empresa prestadora, a Instrução Normativa estabelece critérios específicos para que ocorra o aproveitamento desses recolhimentos. Especificamente, em relação As notificações cujo lançamento se deu por aferição indireta com base na area construída, 34 obras, e, reflexamente, na presente notificação, os incisos II e III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, no período de 02/1999 a 09/2002, determinam que a remuneração relativa A mão de obra terceirizada (empreiteiras, subempreiteiras e cooperativas), inclusive o décimo terceiro salário, somente será convertida em área regularizada, ou seja, deduzida do arbitramento, caso os recolhimentos possam ser inequivocamente vinculados A obra em evidência. II a partir de fevereiro de 1999 até setembro de 2002: a) a remuneração declarada em GFIP referente a obra, identificada com a matricula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", com comprovante de entrega, emitida por empreiteira contratada diretamente pelo responsável pela obra, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira; b) a remuneração declarada em GFIP referente it obra, identificada com a matricula CEI no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", emitida pela subempreiteira contratada, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos pelo contratante com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira; c) o valor retido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços emitidos pela empreiteira ou subempreiteira contratada, quando não tenha sido apresentada a GFIP da contratada, conforme previsto nas a líneas "a" e "b" deste inciso, observado o disposto no §2° e no art. 239; III a partir de outubro de 2002, somente serão convertidas em área regularizada as remunerações declaradas em GFIP referente ti obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, desde que comprovado o recolhimento dos valores retidos correspondentes. Conforme pode ser observado na legislação aplicável, no período de 02/1999 a 09/2002, os critérios para que os valores eventualmente recolhidos a titulo de retenção pudessem ser aproveitados e deduzidos no arbitramento da obra são: remuneração paga pelo prestador declarada em GFIP, devendo ser identificada com a matricula CEI respectiva, no campo "CNPJ/CEI do tomador/obra", bem como apresentado o comprovante de entrega, recolhimento dos valores retidos com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de Fl. 4195DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 11 19 serviços emitidos pela empreiteira, devem ser comprovados. De igual modo, em relação As subempreiteiras, exigese o mesmo procedimento No período a partir de outubro de 2002, a conversão em área regularizada, conforme exigia o inciso III do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, somente ocorreria nos casos em que as remunerações declaradas em GFIP referente A obra, com comprovante de entrega, emitidas pelo empreiteiro ou pelo subempreiteiro, mediante comprovação o recolhimento dos valores retidos correspondentes. Por essa razão, o artigo 425 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, estabelece como obrigação da empresa contratante que esta mantenha em arquivo, por empresa contratada, em ordem cronológica, pelo prazo decadencial, as notas fiscais, as faturas ou os recibos de prestação de serviços e as correspondentes GFIP's. De igual modo, o parágrafo único do mesmo artigo, autoriza que o tomador dos serviços exija as cópias das GFIP's das empresas contratadas, com informações especificas para a obra, identificando todos os segurados que executaram serviços e suas respectivas remunerações. Durante a ação fiscal e, principalmente, no decorrer do julgamento dos processos, especialmente nas várias vezes em que os mesmos foram baixados em diligencias, a empresa apresentou grande quantidade de documentos, que por sua vez, foram analisados individualmente pelas autoridades fiscalizadoras. Dessa forma, em relação à presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.096.6562, cuja cobrança referese aos 11% que a notificada, na qualidade de contratante, deveria ter retido e recolhido, e que teve a base de calculo aferida indiretamente a partir da relação fornecida pela própria empresa, todas as notas fiscais, e quaisquer documentos apresentados com a impugnação e nos diversos aditamentos, que puderam ser vinculados a quaisquer das obras analisadas durante o procedimento fiscal, foram deduzidas deste lançamento, conforme informação prestada pela autoridade fiscal. Contudo, os documentos que não atenderam aos requisitos das normas previdencidrias, isto 6, especificamente a ausência de GFIP's e recolhimentos, não foram considerados para efeito de retificação do lançamento. Nesse sentido, a alegação de que a junta fiscal resiste em retificar o presente crédito tributário quanto às remunerações cobradas nas notificações das obras é improcedente, tendo em vista que os eventuais recolhimentos e créditos em favor do sujeito passivo, foram devidamente aproveitados, inexistindo qualquer razão no tocante à assertiva de que ha tributação em duplicidade, isto é, sobre os mesmos fatos geradores. Portanto, nego provimento quanto aos aspectos encimados. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Explicita que, mesmo quando. se trata de arbitramento, o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. Ausentes esses pressupostos, o direito de defesa está comprometido. Registrese que não há dúvidas de que a legislação previdenciária, no caso sob análise, dadas as condições fáticas ocorridas durante o procedimento fiscal, autoriza a Fl. 4196DF CARF MF 20 fiscalização a promover o arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme previsão, inclusive do artigo 148 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Assim, a conseqüência jurídica disso, portanto, nos termos dos parágrafos 3°, 4° e 6° do art. 33, é a imediata e consequente inversão do ônus da prova. Tal circunstância determina que a simples manifestação de contrariedade do impugnante não tem o condão de afastar o ato administrativo dotado de presunção de legitimidade, legalidade e veracidade. Em que pese a contribuinte ter apresentado inúmeras cópias de guias de recolhimento e notas fiscais, observase, conforme manifestado pela autoridade lançadora, fls. 1167/1170, muitos documentos foram repetidos e outros em nada se relacionam com a notificação sob análise. No tocante ao eventual aproveitamento dos valores lançados na presente notificação em relação As demais notificações relacionadas às obras, lançadas por arbitramento com base na área construída, impende observar que tal aproveitamento, à luz do que determina os incisos do art. 447 da Instrução Normativa n° 3, de 2005, somente podem ser efetuados a partir da vinculação inequívoca da nota fiscal à obra reivindicada. Além disso, necessário se faz a apresentação das GFIP's preparadas separadamente por cada prestador, sendo certo que tais procedimentos são essenciais para acolhimento da tese da defendente, tendo em vista a inversão do ônus da prova, justificada pelo descumprimento das obrigações acessórias já informadas anteriormente. No tocante à conta "Serviços de Terceiros", para a qual a notificada alega que foram contabilizadas as notas fiscais excluídas do regime de retenção e que, por essa razão, deveriam ser excluídas do lançamento, importante destacar que a mera alegação de tal fato não é suficiente para exclusão destes valores da notificação, tendo em vista a inversão do ônus da prova comentada há pouco. É dizer, para que tais valores pudessem ser excluídos, a empresa deveria apresentar todas as notas fiscais relacionadas presentes na relação que serviu como critério de aferição do arbitramento para que a fiscalização pudesse verificar se, de fato, estariam, ou não, excluídas do regime da retenção. Ainda sobre a matéria, cumpre registrar que as notas fiscais apresentadas pela defendente na impugnação e rios diversos aditamentos, todas foram analisadas. Consta às fls. 1488/1489 (1° Informação Fiscal) e 3099/3100 (2° Informação Fiscal) que dentre os documentos analisados, todos que não se submetiam ao regime de retenção foram excluídos da notificação, demonstrando, mais uma vez que, caso a empresa, desde o inicio da ação fiscal, tivesse apresentado todos os documentos e colaborado, muito esforço teria sido poupado tanto para a Administração Pública quanto para a própria notificada. Pelo exposto, não acolho o pleito da recorrente. Fl. 4197DF CARF MF Processo nº 10120.005278/200745 Acórdão n.º 2401005.339 S2C4T1 Fl. 12 21 BIS IN IDEM, BITRIBUTAÇÃO, IMPARCIALIDADE E NOTAS FISCAIS Insurgese, sob a complacência da DRJ/BSB, a corrigir o erro de lançar duas vezes a contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD utilizando como artifício para enganar métodos diferentes de aferição indireta. Tal argumentação da recorrente se circunscreve a valoração de prova fática, posto devese verificar se houve ou não o lançamento duplicado de contribuição de terceiros com base em notas fiscais de prestação de serviços em obras cuja contribuição total foi lançada em NFLD das próprias obras e também lançadas em outras três NFLD. Ante o exposto, quanto a alegação de que houve bi tributação e bis in idem, expressões utilizadas pela defendente durante as manifestações nos autos do processo, importante destacar que em matéria tributária as diferenças entre esses termos são nítidas. Roque Antonio Carrazza descreve de modo simples que "...em matéria tributária, dáse o bis in idem quando o mesmo fato jurídico é tributado duas ou mais vezes, pela mesma pessoa política. Já, bitributação é o fenômeno pelo qual o mesmo fato jurídico vem a ser tributado por duas ou mais pessoas políticas". No caso sob análise, não ocorreu o bis in idem, pois todas as notas fiscais que estavam inequivocamente vinculadas à obra objeto do presente lançamento, conforme determina a Instrução Normativa SRP n" 03, de 2005, foram consideradas para efeito de redução do lançamento, con forme atestado pela autoridade fiscal e verificado por este órgão julgador. Dessa forma, não se verifica a bitributação nem tão pouco qualquer ausência de prejuízo em desfavor da recorrente no sentido de não ter sido efetuado algum credito eventual de alguma retenção. Em verdade, todas as notas fiscais e respectivas guias de recolhimento da previdência social que puderam ser vinculadas a cada uma das obras para aproveitadas pela autoridade lançadora. Observase que não houve afronta ao princípio da imparcialidade, bem como não houve bis in idem, uma vez que fora observado os requisitos legais. Assim, não prospera a argumentação da contribuinte. DECADÊNCIA COMPETÊNCIAS ATÉ JUNHO/2002 Aduz está decadente as competência até junho de 2002. Nesse aspecto não assiste razão ao recorrente, pois, o fato de ter sido reaberto o prazo pela substituição dos documentos, não implica em nova notificação, sendo certo que a data inicial a ser considerada para efeito da contagem do período decadencial é a da primeira notificação regular ao sujeito passivo, uma vez que o lançamento foi ali perfectibilizado Nesse sentido, a .simples substituição dos relatórios não determina a irregularidade do lançamento. Assim, a notificação feita no dia 22/06/2007 foi o último ato do procedimento de constituição formal do crédito tributário, tomandoo oponível a contribuinte, Fl. 4198DF CARF MF 22 razão pela qual as competências abrangidas pela decadência referemse ao prazo indicado pela DRJ, ou seja, os meses decadentes e excluídos da notificação referemse ao período abrangido pelas competências 01/2000 a 05/2002, devendo ser mantidas a competência 06/2002, haja vista a substituição dos relatórios ter tido apenas o efeito de dilatar o prazo da impugnação, subsistindo a validade da notificação efetuada no dia 22/06/2007. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE a) NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO; b) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar as preliminares, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 4199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.900997/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 09 97 /2 00 9- 33 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10120.900997/200933 Acórdão n.º 3401004.038 S3C4T1 Fl. 3 2 de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10120.900997/200933 Acórdão n.º 3401004.038 S3C4T1 Fl. 4 3 Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720864/2015-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2011 a 31/10/2012
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade.
PLR. PLANOS PRÓPRIOS. PARTICIPAÇÃO SINDICAL.
A simples referência genérica em instrumento coletivo de negociação ao acolhimento de planos próprios não supre a exigência legal de participação da entidade sindical, ou representante por ela indicado em comissão, na fixação de regras claras e objetivas, e critérios de avaliação, destinadas aos trabalhadores.
ALTERAÇÃO NO CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTO. ART. 146 CTN.
Para que se considere ocorrida alteração no critério jurídico de lançamento, é necessário seja constatado haver entendimento consolidado do Fisco que tenha gerado justa expectativa do contribuinte, o qual passou a pautar-se em conformidade com aquele, sendo contudo surpreendido por mudança inesperada nesses critérios.
PLANO DE CONCESSÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR.
Sobre a retribuição pela prestação de serviços ao contribuinte, efetuadas na forma de gratificação utilidade, representada pelas ações concedidas, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, sendo a data do fato gerador o momento de exercício do direito sobre as ações outorgadas.
JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ.
A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
Numero da decisão: 2402-006.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão recorrida relativa aos planos de concessão de ações, por unanimidade de votos, afastar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para, por maioria de votos, excluir do lançamento, para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos efetuados a título de PLR vinculados às Convenções Coletivas e excluir do levantamento Stock Options as exigências relacionadas aos funcionários André Rizzo e Fernando Luiz Martins Pais Júnior. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal que deram provimento em maior extensão e os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Fernanda Melo Leal que acolheram a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão recorrida em relação aos planos de concessão de ações. Votaram pelas conclusões, em relação aos planos de concessão de ações, os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregorio Rechmann Junior e, em relação à PLR, o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2011 a 31/10/2012 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. PLR. PLANOS PRÓPRIOS. PARTICIPAÇÃO SINDICAL. A simples referência genérica em instrumento coletivo de negociação ao acolhimento de planos próprios não supre a exigência legal de participação da entidade sindical, ou representante por ela indicado em comissão, na fixação de regras claras e objetivas, e critérios de avaliação, destinadas aos trabalhadores. ALTERAÇÃO NO CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTO. ART. 146 CTN. Para que se considere ocorrida alteração no critério jurídico de lançamento, é necessário seja constatado haver entendimento consolidado do Fisco que tenha gerado justa expectativa do contribuinte, o qual passou a pautar-se em conformidade com aquele, sendo contudo surpreendido por mudança inesperada nesses critérios. PLANO DE CONCESSÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. Sobre a retribuição pela prestação de serviços ao contribuinte, efetuadas na forma de gratificação utilidade, representada pelas ações concedidas, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, sendo a data do fato gerador o momento de exercício do direito sobre as ações outorgadas. JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão recorrida relativa aos planos de concessão de ações, por unanimidade de votos, afastar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para, por maioria de votos, excluir do lançamento, para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos efetuados a título de PLR vinculados às Convenções Coletivas e excluir do levantamento Stock Options as exigências relacionadas aos funcionários André Rizzo e Fernando Luiz Martins Pais Júnior. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal que deram provimento em maior extensão e os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Fernanda Melo Leal que acolheram a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão recorrida em relação aos planos de concessão de ações. Votaram pelas conclusões, em relação aos planos de concessão de ações, os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregorio Rechmann Junior e, em relação à PLR, o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Gregorio Rechmann Junior.
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PLANO DE CONCESSÃO DE AÇÕES Recorrente BANCO BARCLAYS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2011 a 31/10/2012 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. PLR. PLANOS PRÓPRIOS. PARTICIPAÇÃO SINDICAL. A simples referência genérica em instrumento coletivo de negociação ao acolhimento de planos próprios não supre a exigência legal de participação da entidade sindical, ou representante por ela indicado em comissão, na fixação de regras claras e objetivas, e critérios de avaliação, destinadas aos trabalhadores. ALTERAÇÃO NO CRITÉRIO JURÍDICO. LANÇAMENTO. ART. 146 CTN. Para que se considere ocorrida alteração no critério jurídico de lançamento, é necessário seja constatado haver entendimento consolidado do Fisco que tenha gerado justa expectativa do contribuinte, o qual passou a pautarse em conformidade com aquele, sendo contudo surpreendido por mudança inesperada nesses critérios. PLANO DE CONCESSÃO DE AÇÕES. RETRIBUIÇÃO PELA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FATO GERADOR. Sobre a retribuição pela prestação de serviços ao contribuinte, efetuadas na forma de gratificação utilidade, representada pelas ações concedidas, incidem as contribuições previdenciárias previstas na legislação de regência, sendo a data do fato gerador o momento de exercício do direito sobre as ações outorgadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 64 /2 01 5- 93 Fl. 2625DF CARF MF 2 JUROS DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CTN E LEGISLAÇÃO FEDERAL. PRECEDENTES STJ. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício encontra fulcro legal em diversos dispositivos do CTN e da legislação tributária federal, sendo acolhida também nas decisões do STJ a respeito do tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão recorrida relativa aos planos de concessão de ações, por unanimidade de votos, afastar as demais preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário para, por maioria de votos, excluir do lançamento, para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos efetuados a título de PLR vinculados às Convenções Coletivas e excluir do levantamento Stock Options as exigências relacionadas aos funcionários André Rizzo e Fernando Luiz Martins Pais Júnior. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho e Fernanda Melo Leal que deram provimento em maior extensão e os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregorio Rechmann Junior e Fernanda Melo Leal que acolheram a preliminar de nulidade do lançamento e da decisão recorrida em relação aos planos de concessão de ações. Votaram pelas conclusões, em relação aos planos de concessão de ações, os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Gregorio Rechmann Junior e, em relação à PLR, o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 2626DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.626 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que julgou procedente autos de infração referente às contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR e opções de compra de ações "stock options", em desacordo com a legislação previdenciária. Em razão do procedimento fiscal, foram lavrados os DEBCAD 51.060.8353 (parte da empresa e RAT) e DEBCAD nº 51.060.8361 (FNDE educação e INCRA). Passase a transcrever, no essencial, o resumo efetuado pela instância de piso relativamente às principais conclusões do Relatório Fiscal. I) Participação nos Lucros ou Resultados – PLR: Consistente no fato de que a empresa fiscalizada realizou pagamentos a título de PLR, em desacordo com a Lei n.º 10.101, de 2000, sem, todavia, declarar tais pagamentos nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e sem considerá los nos cálculos das contribuições devidas à Seguridade Social nas competências fevereiro, março e outubro de 2011 e fevereiro a outubro de 2012. Plano Próprio de PLR a) O banco não apresentou o processo de escolha dos membros da comissão da empresa, suas atas de eleição ou suas procurações, não restando, assim, comprovada a validade da representação dessa comissão; b) O representante do sindicato não esteve presente à reunião da comissão que aprovou a PLR, além do que não consta das atas de reunião da comissão as regras para cumprimento de metas e os instrumentos de aferição do cumprimento do acordo; c) Não restou comprovado que os instrumentos de negociação entre empresa e empregados foram devidamente registrados e arquivados na competente entidade sindical; d) Logo, não restou comprovada a efetiva negociação entre o banco e seus empregados, com a participação do sindicato, que desse respaldo ao plano aprovado em 1999 por prazo indeterminado. Não se cumpriu, assim, as determinações do art. 2º da Lei n° 10.101, de 2000, eis que não foi constatada uma verdadeira negociação entre as partes; e) O acordo não trata de como e quando serão definidos os objetivos, de como e quando a avaliação individual será realizada, nem apresenta seu modelo. São Fl. 2627DF CARF MF 4 apenas citados um sistema de avaliação e seus formulários internos, os quais não integram o acordo firmado, não sendo, dessa forma, possível ao empregado conhecer antecipadamente as metas a serem atingidas, assim como o processo e os critérios com os quais será avaliado; f) O acordo para o pagamento da participação compensa e substitui, eventuais programas existentes anteriormente, que tenham a mesma causa de concessão, inclusive bônus, e/ou produtividade, porém, bônus e gratificações possuem natureza salarial e devem integrar a base de cálculo das contribuições, pelo que, se a PLR paga pela contribuinte tem a mesma causa de concessão dos bônus e gratificações, devem, então, igualmente integrar essa base de cálculo; g) Não existe no acordo de PLR a fixação das regras claras e objetivas, isto é, dos objetivos a serem atingidos pelos empregados para a percepção do benefício, nem a fixação dos mecanismos de aferição do cumprimento destes. A única referência que se faz a tais objetivos, ainda que sem a comprovação da data de conhecimento destes pelos empregados, encontrase nas Avaliações de Desempenho, feitas posteriormente ao acordo, e ainda assim adstritos a um desempenho ordinário por parte dos trabalhadores, ou seja, sem que haja a recompensa dos colaboradores pela superação e performance aplicada na busca dos resultados organizacionais; h) O banco remunerou seus empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a lei específica, visto que o acordo utilizado não prevê as metas a serem atingidas pelos beneficiários e as avaliações de desempenho não contêm a especificação de qualquer fim extraordinário a exigir o esforço adicional dos trabalhadores. Ademais, nem o acordo, nem tampouco as avaliações de desempenho, fixam os critérios de aferição para se verificar o quanto já se houve por cumprido do acordado ou para se calcular o quantum a ser recebido por cada empregado; i) Em muitos casos, as metas ou objetivos apontados a posteriori por intermédio das Avaliações de Desempenho, não se referem ao mundo dos objetos, sendo nitidamente abstratos, contrariando a exposição anterior sobre as exigências legais nesse aspecto. Foram utilizados critérios manifestamente subjetivos, além de carecerem de clareza na sua determinação. Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) a) Somente uma das formas especificadas deve ser escolhida em comum acordo. Ou se realiza uma Participação nos Lucros através de Convenção Coletiva ou por intermédio de um Plano Próprio, e mesmo a Lei n° 10.101/00 prevê a existência de dois instrumentos e a compensação entre eles. Isto é, não é permitido o pagamento de verba a título de PLR com base em vários acordos. b) A PLR não substitui ou complementa a remuneração devida ao empregado, e a porcentagem da PLR em relação ao salário chega a ser mais de 300% em alguns casos, o que evidencia que a PLR foi usada para substituir de forma parcial, ou quase que integralmente, os salários. II) OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES (STOCK OPTIONS): Consistente no fato de que a empresa fiscalizada realizou pagamentos indiretos de remuneração por meio da outorga a seus empregados do direito de opções de compra de ações do BARCLAYS PLC BANK, controlador da contribuinte fiscalizada, em troca dos serviços prestados à fiscalizada, como parte de um pacote de remuneração e de uma política de manutenção dos beneficiários. Fl. 2628DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.627 5 No ponto, esclarece a autoridade autuante que pouco importa o que o beneficiário fará com as ações por ele adquiridas dentro desse plano, visto que, no momento do exercício da opção de compra de ações, há o ingresso em seu patrimônio de um bem, resultando num benefício remuneratório indireto. Segundo o Fisco, tal bem sai do patrimônio da empresa, a qual arcou com o custo de oportunidade da concessão com deságio e que possui relação direta com os serviços prestados e a manutenção da relação de trabalho. Em outras palavras, a aquisição desse bem deuse pelo trabalho prestado ou posto à disposição da empresa pelos beneficiários. De acordo com a autoridade autuante, a ocorrência do fato gerador denominado de stock options e, bem assim, todos os reflexos tributários decorrentes, dáse na data em que o beneficiário exerce sua opção de compra das ações, sendo que as denominadas stock options são um benefício oferecido pelo empregador para recompensar o profissional que se compromete a permanecer na companhia por determinado período de tempo, ou seja, a contrapartida é a prestação de serviços, pois existe a previsão de não recebimento das ações em caso de término do contrato de trabalho antes de decorrido o prazo estabelecido nos Planos de Concessão de Opções de Compra de Ações. Esclarece ainda a autoridade autuante que tal verba é negociada expressamente entre a empresa e o empregado, sendo paga durante e em virtude do contrato de trabalho, e é condicionada ao cumprimento de um tempo mínimo de permanência na companhia, possuindo, assim, natureza de gratificação ajustada. Dado este quadro, assevera a fiscalização que o único requisito previsto pela legislação previdenciária para que uma parcela integre o saláriodecontribuição é sua natureza de contraprestação pela prestação de serviços e as stock options revestemse de caráter remuneratório, possuindo, portanto, natureza salarial. Ainda segundo o Relatório Fiscal, a solidariedade ativa das entidades componentes do grupo, em face do mesmo contrato de trabalho, impõe que se atribua ao BARCLAYS BANK PLC, controlador da fiscalizada, a condição de empregador dos beneficiários dos Planos de Concessão de Opções de Compra de Ações ora tratados, dentro da idéia de empregador único, pelo que, independentemente do fato de os empregados terem celebrado diretamente seus contratos de trabalho com a fiscalizada (BANCO BARCLAYS S.A.), a empresa estrangeira, BARCLAYS BANK PLC, ao conceder ações a estes beneficiários, estaria atuando como empregador e não como um terceiro estranho àquela relação jurídica. De acordo com o Fisco, a concessão de opções a empregados pelo BARCLAYS BANK PLC, na forma fixada pelos planos de stock options, somente encontra justificativa e respaldo dentro dessa idéia de empregador único, pois o benefício apenas é devido no curso do contrato de trabalho, seja com o empregador direto seja com qualquer empresa do mesmo grupo econômico, terminando o direito à aquisição de ações ao final do contrato de trabalho por qualquer razão. Neste passo, relata a autoridade autuante que as ações são oferecidas como uma parcela variável da remuneração com a finalidade de atrair e reter nos quadros da empresa trabalhadores altamente qualificados e exercendo cargos de alto escalão ou com possibilidade de os exercer, sendo que os próprios planos em tela reconhecem explicitamente tais objetivos ao definirem que essa prática destinase a premiar e reter participantes ao compartilhar o crescimento e o sucesso obtidos no longo prazo pelo GRUPO BARCLAYS como um todo durante um período de cinco Fl. 2629DF CARF MF 6 anos, enquanto o beneficiário for funcionário no GRUPO, pois o seu principal objetivo é alinhar seus interesses com os dos acionistas do GRUPO BARCLAYS. Ainda segundo a fiscalização, a natureza remuneratória do instituto, no caso em questão, resta novamente clara quando um dos planos de stock options estabelece expressamente que seu objetivo é a criação de uma oportunidade para que os funcionários elegíveis recebam remuneração pelo serviço de longo prazo futuro, sendo que, não se trata de uma negociação ordinária mercantil, mas a outorga a empregados do direito de comprar ações a um preço simbólico, isto é, bem abaixo do preço de mercado ou de forma gratuita, e este deságio configura vantagem econômica dada ao trabalhador em virtude dos serviços prestados por um tempo determinado. Aduz o Fisco que o próprio sujeito passivo reconhece, em suas demonstrações financeiras, o caráter remuneratório que norteia a concessão de opções de compra de ações a seus empregados, além do que o Pronunciamento Técnico CPC 10 (R1), de observância obrigatória para as instituições financeiras, em diversos momentos caracteriza o pagamento sob a forma de ações como sendo uma parcela da remuneração, um acordo para pagamento de gratificação ou bônus, sendo mensurada em função dos serviços prestados pelos beneficiários. Na seqüência, a autoridade autuante resume os seguintes elementos que corroboram o caráter remuneratório, e não mercantil, das opções de compra de ações outorgadas pelo banco em relevo: (i) Os efeitos gerados pelos planos de concessão de opções de compra de ações para trabalhadores (stock options) são considerados Despesa de Pessoal (Operacional); (ii) A outorga de Opções de Compra de Ações é uma forma de remuneração a longo prazo ou diferida, funcionando como um mecanismo de premiação pelo reconhecimento do desempenho dos empregados, bem como de atração e retenção de colaboradores considerados como talentos ou estratégicos; (iii) Em retribuição aos planos de stock options, o contribuinte recebe o serviço dos beneficiários como contraprestação pelas opções de compra de ações outorgadas; (iv) O valor justo das opções outorgadas, relativas a serviços a serem prestados, é reconhecido como despesa durante o período no qual o direito é adquirido, o qual, em geral, representa o período no qual o serviço é prestado; (v) Não ocorre pagamento de prêmio pelo beneficiário na aquisição das opções de compra de ações, nem ocorre pagamento de qualquer valor pelo empregado quando da aquisição das ações com o exercício das opções; (vi) As opções outorgadas são pessoais e intransferíveis, não podendo o beneficiário, em hipótese alguma, ceder, transferir ou de qualquer modo alienar a quaisquer terceiros as opções, nem os direitos e obrigações a elas inerentes; (vii) As opções de compra de ações outorgadas possuem prazos de carência mínimos definidos pelos planos; (viii) A concessão do benefício implícito nos planos é sempre condicionada à permanência dos beneficiários no quadro funcional da companhia, e; (ix) Se o beneficiário deixar de ser um empregado do Grupo devido a pedido de demissão, dispensa por justa causa ou conduta dolosa grave, dentre outros, suas opções prescreverão. Finalmente, destaca a autoridade autuante que a base de cálculo das contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores relativos à remuneração de empregados na forma de concessão de opções de compra de ações consiste no valor de mercado das ações adquiridas pelos beneficiários, uma vez que nenhum valor foi pago por estes quando do exercício das opções. Muito embora impugnada (efls. 517/642), a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (efls. 2326/2374), dando ensejo à interposição de recurso voluntário em 17/6/2016 (efls. 2381/2518), no qual foi aduzido, em síntese, que: Fl. 2630DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.628 7 no que se refere ao lançamento vinculado a plano de opções de ações a decisão recorrida seria nula, assim como a autuação, por atentarem ao princípio da verdade material e art. 142 do CTN, visto que daquela realidade não se tratam os fatos, mas sim de plano de concessão de ações; no conjunto acusatório há utilização de expressões com conceitos indeterminados, implicando na ausência de fundamentação da decisão e, daí, sua nulidade; no atinente especificamente ao plano próprio firmado em 1999, possui ele regras claras e objetivas, com expressa menção de metas e objetivos estabelecidos semestralmente, prevendo a apuração de resultados de acordo com o percentual de retorno sobre o patrimônio líquido e a possibilidade de pagamento variável de acordo com avaliação do desempenho individual, conforme formulários colacionados; as informações e documentos relacionados ao plano estão disponíveis aos empregados, podendo estar as suas regras em documento apartado do acordo, havendo o CARF, debruçandose sobre este mesmo plano em ocasião anterior (Acórdão nº 2401003.142) concluído haver regras claras e objetivas; é insubsistente a exigência de que a PLR decorra de esforços extraordinários do trabalhador; é válida a representação dos indicados pelo recorrente à comissão, bem como o estabelecimento de plano próprio por prazo indeterminado; houve efetiva convocação do sindicato na formulação do plano e envio do instrumentos decorrentes da negociação para arquivamento na entidade sindical, o que foi reconhecido pela recorrida, sendo, aliás, inaplicáveis para sanar tal omissão o art. 616 da CLT, bem como o art. 4º da Lei nº 10.101/00; não houve irregularidade nas comissões que negociaram e validaram plano próprio; quanto aos supostos problemas gerais comuns ao plano próprio e às convenções coletivas, notese que é possível coexistirem dois planos de participação dos resultados, tratandose de faculdade e não dever da empresa compensaremse os pagamentos efetuados nos termos desses planos; o CARF já analisou o mesmo plano próprio e considerouo válido, devendo assim prevalecer o princípio da estabilização da lide, certeza do direito e segurança jurídica; houve modificação do critério jurídico do lançamento para fatos geradores anteriores, em violação ao art.146 do CTN, pois diante de fatos idênticos, lavrouse autuações completamente distintas; já no que tange aos planos de concessão de ações, principia afirmando que eles decorrem do trabalho, mas não configuram retribuição por serviço prestado como exige a CF e a Lei nº 8.212/91, não havendo demonstração no lançamento da necessária retributividade e habitualidade; Fl. 2631DF CARF MF 8 são dois os planos questionados: (i) “Plano de Valorização de Ações do Grupo Barclays” (Barclays Group Share Value Plan – “SVP”), instituído pelo Conselho de Remuneração em 12/03/2010 (vide Doc. 13 da Impugnação) pela Holding da matriz do Recorrente, Barclays PLC (“Barclays PLC” ou “Matriz”), sediada na Inglaterra, com alterações de 14/03/2011 e 27/04/2011 (vide Doc.14 da Impugnação); e (ii) “Plano de Concessão de Ações a Executivos” (Barclays PLC Rules of the Executive Share Award Scheme – “ESAS”), instituído em 24/03/1994 (vide Doc. 15 da Impugnação), e alterado em 28/04/2009 (vide Doc. 16 da Impugnação), com posterior aditivo também de 28/04/2009. os beneficiários são premiados com o objetivo de os incentivar a construir seu futuro junto à matriz, alinhando e mantendo ativos seus interesses com o dos acionistas, não havendo qualquer condição de desempenho para liberação das ações; Estruturalmente, a concessão das ações passa por uma estrutura triangular, em que se encontram (i) na Inglaterra, a holding da matriz como instituidora das políticas e normas de incentivo; (ii) no Brasil, os beneficiários das ações concedidas; e (iii) nas Ilhas Jersey, o Trust (fiduciário), como operador intermediário dos negócios jurídicos das concessões de ações; no SVP, “Funcionário Elegível” significa qualquer pessoa que seja um funcionário ou exfuncionário de qualquer membro do Grupo (incluindo um diretor executivo da Sociedade) e que seja considerado elegível para participar pelo Concedente, e no ESAS4 “Funcionário Elegível” significa qualquer pessoa que seja um Beneficiário, conforme definido no Instrumento de Trust; a definição dos beneficiários eleitos é realizada pela matriz e pelo Trust, mediante recomendação das subsidiárias, e, em segunda etapa é informado aos beneficiários sobre o prêmio recebido, que no SVP significa um prêmio condicional, uma alocação provisória ou qualquer forma de prêmio que possa ser referente a ações ou a instrumento de capital, e no ESAS prêmio significa uma alocação provisória de ações e ações bonificadas, não tendo assim ligação conceitual com salário; em terceira etapa, o beneficiário é comunicado pelo Trust ou matriz do prêmio, via carta de concessão, sem interferência da recorrente, sendo que aquele, em quarta etapa do processo, deverá manifestar o seu aceite em realizar o exercício de seu direito, destacandose que o termo opção utilizado em algumas cartas tratase de mera formalização para fins de registro documental da decisão do beneficiário; há carência para aperfeiçoamento do direito sendo de 3 anos no ESAS, e no SVP as ações são liberadas em 1/3 a cada ano após a outorga de ações, restando nesse ínterim as ações alocadas no trust, após o que os beneficiários podem exercer o direito de vender suas ações, mantêlas no trust ou convertêlas em ADRs; a ausência de contraprestatividade é revelada pelos casos de 'stock buyout award' (contratação de funcionários que tinham planos do gênero em outras companhias) e de funcionários de outras empresas do grupo que também foram beneficiários das ações com prêmio quando prestavam serviço àquelas; não existe exercício de opções no caso em tela, por se tratar de concessão de ações, sendo o benefício instantâneo no momento em que o beneficiário obtém as ações, após a aperfeiçoada a condição suspensiva do vesting, se assim desejar, sendo esta a data do fato gerador e não a data do posterior exercício, o que implica em erro também na apuração da base de cálculo, dada a aferição indireta; Fl. 2632DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.629 9 há erro na sujeição passiva, pois o simples fato do outorgante compor o mesmo grupo econômico do recorrente não é suficiente para ensejar responsabilidade solidária; insurgese, ao final, quanto à cobrança de juros sobre o valor da multa de ofício. É o relatório. Fl. 2633DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da participação nos lucros ou resultados Como preambular, o contribuinte aponta conjunto acusatório inverídico, injustificado e inovador trazido pela DRJ/FNS, à efl. 35: Ora, satisfeito o seu conceito jurídico, a PLR deve ser um recurso extra que é pago ao empregado em virtude da obtenção de um ganho de produtividade que empregador e empregado, previamente, se comprometeram a alcançar. Não há almoço grátis. O pagamento de vantagem ao empregado a título de PLR sem que o empregador, todavia, tenha obtido esse ganho, ou sem que o empregado tenha previamente se comprometido a alcançálo e o empregador também tenha previamente se obrigado a repartilo, são apenas algumas das múltiplas faces da mesma conduta que, reprovada pela ordem legal, colima, sob a falsa capa de estar promovendo a PLR, condicionar a reposição do valor real do salário, ou parte dele, ao não cumprimento dos encargos sociais correspondentes. E não é raro que o empregado, refém de suas necessidades mais imediatas (alimentação, aluguel, remédios, material escolar para os filhos, etc.), concorde em participar desse engodo, sobretudo se, para tanto, sequer lhe é exigido o cumprimento de metas de desempenho. É, na prática, o velho conhecido “salário por fora” agora renovado pela pretensão de gozar de imunidade e, neste contexto, soa até irônico que às vezes se sustente a validade dessa prática tão corrosiva para a ordem social com digressões argumentativas escoradas na equidade ou na proteção ao direito de o empregado receber a verba que lhe foi paga. Não é, afinal, disso que se trata, mas sim do direito de crédito que nasce para a Seguridade Social e, bem assim, outras entidades e fundos, com o pagamento ou crédito em favor do empregado de quaisquer rendimentos do trabalho que não têm o condão de se desvincularem do conceito de remuneração quando não se enquadram na moldura legal que, em atendimento à atual Carta Política, encontrase definida na forma da Lei n.º 10.101, de 2000. (grifo do original) Afirma o recorrente que não são apenas infelizes as expressões que destaca nesse trecho "almoço grátis", "engodo" e "salários por fora" mas tratamse mesmo de novos e imprecisos conceitos introduzidos sem qualquer justificativa, concluindo pela ausência de fundamentação da decisão. Deveras surpreendente tal interpretação, segundo a qual a utilização de palavras ou expressões que se entende questionáveis ou indefinidas em um dado parágrafo do acórdão recorrido tornaria mais de sete laudas de fundamentação sobre o PLR 'ausentes'. O arrazoado contido no indigitado excerto sequer assoma como prejudicial à compreensão das demais razões decisórias, as quais examinam a autuação por diversos outros ângulos, até mesmo por terem sido esses suscitados em impugnação. Não vêse, por conseguinte, inovação ou mesmo imprecisão apta a macular o conjunto das aduções vertidas no acórdão guerreado, como defende o recorrente. Fl. 2634DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.630 11 No pertinente à questão de fundo, reza o art. 2º da Lei nº 10.101/00 (edição vigente à época): Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Diante desses preceitos, resta hialino que há dois tipos de procedimentos alternativos, igualmente válidos, para a negociação do PLR, quais sejam, comissão escolhida pelas partes ou convenção/acordo coletivo, havendo em ambos, necessariamente, a participação da entidade sindical, ainda que por indicação de representante. O exame da situação revela que o empregador entende ter suprido o mencionado requisito legal com o envio ao sindicato de um convite para que este participasse da comissão que estabeleceu o plano próprio e, bem assim, com o posterior envio do instrumento decorrente da negociação para ser arquivado na entidade sindical (não havendo prova nos autos, anotese, do efetivo arquivamento do documento). Cabe observar, de pronto, que a ausência de manifestação do sindicato acerca do convite e de eventual posterior arquivamento nada revela acerca do entendimento da entidade sobre a questão, ou seja, não indica assentimento quanto aos termos do acordo, tampouco se traduz em recusa. Na verdade, o que se tem de concreto é a simples inexistência de participação de representante indicado pelo sindicato na comissão paritária, devendo ser, a partir de tal fato, examinadas as consequências decorrentes. Nessa senda, há que ser frisado que a lei em comento não tratou a participação do representante indicado pelo sindicato como sendo uma mera possibilidade não alude à 'podendo ser integrada, também' mas ao contrário, expressamente asseverou 'integrada, também', revelando o caráter imperativo do comando normativo. Fl. 2635DF CARF MF 12 Ou seja, ela atribui a tal participação a qualidade de requisito formal de validade na formação da comissão para que esta seja apta a negociar as condições do PLR, visando o legislador resguardar os interesses dos trabalhadores no curso das negociações. Oportuno transcrever as palavras da Conselheira Relatora do Acórdão nº 2401003.142 (j. 13/08/2013), Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira acerca do tema, analisando, aliás, o mesmo plano ora em evidência: A participação do sindicato tem por escopo proteger a categoria profissional, frente a superioridade econômica do empregador, dessa forma, não age como mero telespectador, mas intervindo de forma a evitar que o “poder de coerção” do empregador acabe por intimidar empregados afirmar acordos que os prejudicariam mesmo que indiretamente, já que o PLR não refletiria nas demais verbas trabalhistas devidas aos empregados (FGTS, Férias, 13 salário etc.). No plano ideológico há entidades sindicais que não apóiam o sistema de remuneração de participação nos lucros e resultados, razão pela qual são resistentes a participar (o que se vislumbra apenas em caráter ilustrativo) Para esta corrente, seria uma forma de rebaixamento de salários e de ganhos reais e de precarização de condições de trabalho. Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros sem a devida legitimação, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário.Não há que se falar que o arquivamento do instrumento resultante no sindicato, tenha ratificado a concordância do sindicato. São duas obrigações expressamente previstas na lei, que em momento algum o legislador descreveu que o arquivamento supriria a ausência do sindicato na negociação. A lei é bem clara; e a intenção do legislador, não fosse “amarrar” a forma com que as empresas irão distribuir lucros desvinculados do salário, qual seria o objetivo de tanto detalhamento na própria lei de PLR. Entendo que neste caso, o texto constitucional seria suficiente, o que conforme vimos acima, não demonstra o posicionamento doutrinário a respeito do tema. Ainda com relação a ausência do sindicato, argumentou o recorrente caso não realizasse o acordo na data estipulada inviabilizaria a realização de acordo para o ano seguinte. Ora, os argumentos colacionados, assim como enfrentado pelo julgador, levanos a simples conclusão que não se buscou negociar a distribuição de lucros, mas simplesmente convocar uma reunião para a sua aceitação e assinatura. O próprio conceito da lei 10.101, deixa claro que o objetivo é a negociação entre empresa e seus empregados, não simplesmente chancelar uma proposta pronta, e nesse campo que se faz fundamental o papel do representante sindical capaz de esclarecer, aos empregados os efeitos da assinatura, e pela experiência negociar os limites de seu pagamento. Pois bem, se o caput do art. 2º da Lei nº 10.101/00 atribui às partes a prerrogativa de escolher o procedimento a estabelecer o PLR, e o inciso I desse artigo regra, como requisito necessário para a validade da comissão, ser ela integrada por representante indicado pelo sindicato, surge impasse frente à inércia, intencional ou não, do sindicato quanto à participação na comissão. Para superála, vem sendo apontados dois caminhos. Uma seria a aplicação do art. 616 da CLT, porém, conforme bem apontado pelo recorrente, tratase de dispositivo voltado especificamente à solução de impasse em negociações coletivas convenção ou acordo coletivo de trabalho, que exigem assembléia sindical não se vislumbrando respaldo jurídico para sua aplicação analógica às comissões, que se tratam mais propriamente de modalidade de negociação individual plúrima. Fl. 2636DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.631 13 A utilização dos meios previstos no art. 4º da Lei nº 10.101/00 mediação ou arbitragem tampouco é pertinente, pois tal dispositivo se refere a impasse em negociações, digase, que estejam em andamento e que enfrentam dificuldades, não à própria formação da comissão que levará a cabo a negociação. Diante desse quadro de lacuna legal, entendese que a superação do impasse requer o ajuizamento de ação apropriada perante o poder judicante, postulandose, caso necessária, tutela de urgência, para fins de superação liminar do necessário requisito de validade. Desse modo, estariam os acordos firmados pela comissão integrada somente pelas partes devidamente resguardados de eventuais questionamentos, em particular do Fisco. De todo modo, o que se tem no caso em tela é que o autuado, perante a falta de manifestação do sindicato, levou adiante os trâmites atinentes ao PLR perante comissão paritária formada sem representante da entidade sindical, do que decorre que o plano próprio resultante não atende aos termos da Lei nº 10.101/00, como bem concluiu a autoridade lançadora. Na mesma esteira, as sucessivas comissões que eventualmente tenham revisado o plano, carecendo do referido representante, não lograram lhe convalidar. Por conseguinte, não estando o procedimento escolhido pelo recorrente para implementação de seu PLR contemplado com a imprescindível participação do representante indicado pela entidade sindical, os pagamentos de PLR lastreados em programas próprios sujeitamse ao recolhimentos das contribuições previdenciárias, tal como consta do lançamento. Tal conclusão prejudica, de certo modo, a análise das outras controvérsias concernentes aos planos próprios, mas não é demasiado fazer apontamentos acerca dessas questões. Decerto a ausência de representante indicado pelo sindicato não seria hábil, por si só, a macular as comissões paritárias formadas sem o intento de revisão do acordo, não havendo previsão legal para tanto, ainda que tais comissões tenham a função de aferir dúvidas e divergência quanto ao cumprimento do estabelecido. Também a regularidade da renovação dos membros da comissão, representantes das partes, é atestada pelos instrumentos de convocação juntados aos autos pelo recorrente (doc. 11 da impugnação). Noutro giro, temse que o § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00, consoante mais acima transcrito, dispõe que deverão constar regras acerca do "período de vigência e prazos para revisão do acordo". Não se constata vedação legal à previsão, no acordo, de que o plano próprio "vigorará por prazo indeterminado". A palavra 'período' é sinônima do vocábulo 'prazo', não de 'prazo determinado', como parece inferir a decisão guerreada. Por outro lado, não há como associar "prazos para revisão do acordo" com a mera previsão pactuada de que o acordo "poderá ser revisto a qualquer momento, por provocação de qualquer das partes, durante a sua vigência". É evidente que não foi estabelecido qualquer prazo para revisão, podendo essa nunca acontecer, bastando as partes quedarem inertes. Também sob esse enfoque, assim, verificase que o plano próprio não atendeu às disposições legais. Fl. 2637DF CARF MF 14 Quanto à existência de "regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas" no PLR, convém anotar, de início, que tal norma encerra, de certo modo curioso, certo subjetivismo, pois o que pode ser claro e objetivo para determinado aplicador do direito pode não o ser para outro intérprete. Na espécie, a autoridade fiscal expende diversas laudas (efls. 384/405) procurando demonstrar não restarem atendidos os termos da norma em comento § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00. E o recorrente, outras tantas no intento de evidenciar justamente o contrário (efls. 2406/2421). Não obstante o entendimento da fiscalização, há que se ressaltar estarem claramente discriminadas no item 05 do acordo PLR formas de apuração da PLR a ser distribuída, sendo que a mesma se encontra vinculada ao percentual de retorno sobre o patrimônio liquido no inicio do exercício fiscal, este obtido após o pagamento de impostos, previsão de despesas com a própria PLR e correção monetária do patrimônio líquido. Também resta expressamente disposta a associação entre os percentuais de retorno obtidos pela empresa e o montante de PLR atribuível a cada participante: 5. DIREITOS SUBSTANTIVOS O critério a ser utilizado para pagamento da Participação nos Lucros c/ou Resultados é o percentual de retorno sobre o patrimônio liquido no inicio do exercício fiscal. Esse percentual é calculado após serem deduzidos: 1) todos os tributos; 2) o total previsto com as despesas do próprio Plano de Participação nos Lucros e/ou Resultados; 3) a correção monetária do patrimônio líquido ocorrida no exercicio, utilizandose o índice do IGPM e calculada da seguinte forma: A sobre o valor do patrimônio liquido do encerramento do exercício anterior, aplicase a variação acumulada, de janeiro a dezembro, do ano em questão, do referido indice; B havendo aumento de capital, que represente o ingresso efetivo de novos recursos ao patrimônio liquido, será somado ao item anterior o resultado da aplicação prorata do índice em questão, ao valor de ingresso de novos recursos. Os valores aqui estabelecidos, representam um mínimo, sendo, facultado, possível e legal o pagamento superior a título de P.L.R., as hipóteses em que o desempenho individual, medido através de avaliação do desempenho, ultrapasse ou negociado. Fl. 2638DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.632 15 (...) Satisfatoriamente atendidas, portanto, as exigências normativas nesse aspecto. As regras adjetivas, por seu turno, estão dispostas na Cláusula 15 do plano: 15. REGRAS ADJETIVAS E MECANISMOS DE AFERIÇÃO DAS INFORMAÇÕES PERTINENTES AO CUMPRIMENTO DO PRESENTE ACORDO É facultado a qualquer empregado verbalmente ou por escrito, recorrer à COMISSÃO, na hipótese de dúvidas ou divergências quanto ao cumprimento do Acordo. Se o recurso for por escrito, será sorteado, como Relator, um dos membros da COMISSÃO para posterior exposição, análise, discussão e decisão conjuntamente com todos os demais. Se um dos membros da COMISSÃO estiver diretamente envolvido com o questionamento do empregado, não poderá participar da análise e votação. É facultado à COMISSÃO ouvir o depoimento de todos os envolvidos. São válidos, ainda, como mecanismos de aferição de informações, todas as provas admitidas em Direito, inclusive balanços publicados e formulários internos de avaliações. Defende o recorrente que nos formulários internos de avaliações estão minuciosamente expostas as regras objetivas para o merecimento da PLR e o controle de atingimento para cada um dos beneficiados, conforme Docs. 05 e 06 da impugnação comprovam. Da análise de tais instrumentos, verificase que efetivamente há regras claras e objetivas quanto às atividades a serem desempenhadas pelos funcionários para se beneficiarem do PLR e estipulação de metas a serem atingidas, como revela a leitura dos documentos referidos, às efls. 912/1031, que também descrevem os critérios para atribuição de notas de desempenho e avaliação. Importa registrar que não é adequado confundir metas claras com metas passíveis de mensuração matemática, pois dependendo do setor de atuação do empregado poderão inclusive preponderar objetivos de cunho mais subjetivo, sem que tal feito implique em ausência de regras claras. Para ilustrar, observese que para determinado funcionário (efls. 925 e ss) foram estipuladas metas de caráter eminentemente objetivo, tais como "Buscar eliminar postagens manuais (todos os produtos)", e outras com elevado grau de subjetividade no que concerne à sua execução e consequente avaliação "apóia e incentiva todos os membros de sua equipe para que invistam em seu desenvolvimento pessoal". Apenas o conhecimento mais profundo das operações de cada setor da empresa poderia descaracterizar tais regras como aptas a constar em PLR. Não há falar, daí, em ausência de regras claras e objetivas, tampouco em exigirse esforço extraordinário do trabalhador, o que não consta do diploma legal de regência. Fl. 2639DF CARF MF 16 Sem embargo, tais constatações não afastam a realidade de que no instrumento negocial plano próprio de 1999 não há sequer sinal de que as partes tenham efetivamente discutido, ainda que de maneira superficial, critérios, objetivos e demais regras relativas às atividades a serem realizadas pelos potenciais beneficiários do PLR. Há mera remissão genérica, a título exemplificativo de mecanismo de aferição de metas, aos formulários internos de avaliação, sem qualquer consideração mais detalhada sobre tais instrumentos. Inexistem, nesse compasso, quaisquer registros de reuniões entre representantes dos trabalhadores e dos empregadores visando à discussão, ainda que em linhas amplas, dos critérios e objetivos que norteariam a elaboração de tais formulários. À toda vista, os elementos dos autos corroboram o entendimento do Fisco de que os critérios e condições concernentes ao PLR não decorreram de efetiva negociação levada a efeito no bojo da comissão paritária, mas sim de mero assentimento formal prévio aos critérios e condições a serem estabelecidos (ou mesmo já estabelecidos) unilateralmente pelo empregador, por meio de seus gerentes e diretores. Ou seja, não se consubstanciam eles em instrumentos verdadeiramente decorrentes da negociação, como demanda o caput do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/00, haja vista a evidência de falta de participação dos empregados na formulação de suas disposições, o que é agravado, na situação, pelo fato de que a delegação de ditos critérios e condições a instrumentos outros que não o acordo foi negociada em comissão na qual restou ausente, consoante já analisado, representante indicado pelo sindicato. Destaquese que nada impede que a instituição financeira pague prêmios e outros benefícios a seus empregados, mas a distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados requer o estrito atendimento aos requisitos dispostos na Lei nº 10.101/00, que abriga a positivação legal dos preceitos do inciso XI do art. 7º da CF. Sem isso, os pagamentos eventualmente realizados não estão contemplados com os preceitos isentivos previstos naquele diploma legal. Vide, a respeito do assunto, recente decisão da CSRF, no Acórdão 9202 005.707 (j. 29/08/2017), cuja ementa se transcreve: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS PARA FIXAÇÃO DO DIREITO À PERCEPÇÃO. Os instrumentos decorrentes da negociação deverão conter regras claras e objetivos quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros ou resultados. Para caracterização de regras claras, é necessária a existência de mecanismos de aferição do resultado do esforço inteiramente presentes no acordo já em sua celebração, para que possam ser conhecidos e escrutinados pelos envolvidos na negociação. Acertado, então, o posicionamento do Fisco, no sentido de que acordo firmado por comissão paritária sem representante indicado pela entidade sindical, e que remete a instrumentos outros o estabelecimento dos critérios e condições para seu regramento, não se configura em PLR nos termos da legislação de regência. Por outra via, a fiscalização alega, sob o título de problemas gerais que afligiriam tanto o plano próprio quanto os planos das convenções coletivas, haver impossibilidade de coexistência de dois planos de PLR. Fl. 2640DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.633 17 Dissinto, contudo, desse entendimento, o qual tem como pressuposto que tal feito seria incompatível com os termos do caput do art. 2º da Lei nº 10.101/00, mais acima transcrito. Tal disposição, em que pese a compreensível divergência de entendimentos sobre sua exegese, não parece veicular restrição ao número dos tipos de negociações a serem firmadas com vistas a pactuar o PLR, mas sim destinarse a estabelecer quais são esses tipos alternativos, sem entrar no juízo de serem necessariamente, reciprocamente excludentes, ou não. Vejase que é perfeitamente possível que certo plano, negociado em comissão, preveja o pagamento no primeiro semestre do anocalendário, enquanto em outro, plano acertado via acordo coletivo, prescrevase pagamento anual ao final desse mesmo ano. Tal situação, por si só, não parece ser o bastante para desconsiderar a efetividade de qualquer das duas avenças, respeitadas as demais condições previstas na legislação. Ademais, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.101/00 admite a compensação entre planos próprios de PLRs e os decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho, o que indica, sem maiores lucubrações argumentativas, que a lei contempla, a princípio, a possibilidade de convivência de dois tipos de planos de PLR. O mesmo parágrafo é bem claro ao regrar os pagamentos efetuados em decorrência de planos de PLR próprios poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes ao PLR, evidenciando o verbo 'poder' aí utilizado tratarse de faculdade e não de dever do empregador, como bem sublinhado pelo contribuinte. Ainda como problema geral dos planos, sustenta a fiscalização que a existência de diferenças nos pagamentos efetuados a título de participação nos lucros e resultados entre diferentes empregados, com oscilações entre 8% e 339%, revelaria descumprimento da Lei nº 10.101/00, com caráter de substituição salarial. Entendese que o Fisco tem a prerrogativa de aplicar e dar a devida eficácia às disposições legais, no caso o caput do art. 3º da Lei nº 10.101/00, segundo o qual participação não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. E, diversamente do que argui o recorrente, temse que, na medida em os pagamentos de PLR alcançam significativos múltiplos do salário base dos funcionários analisados, tornase difícil discordar das considerações da fiscalização no sentido de que, quando a suposta participação nos lucros ou resultados sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário base contratado com a companhia, resta evidenciada a existência de substituição de remuneração. O critério jurídico cogitado, desproporção entre o valor pago a título de PLR e o salário base, é suficientemente hábil e adequado a denotar que cifras que excedam em tal dimensão o salário possuem caráter remuneratório, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, que permeiam o ordenamento jurídico. Isso, a despeito de não haver vedação legal a pagamentos diferenciados a beneficiários distintos das participações. Entretanto, apenas os valores que se revelem efetivamente excessivos devem ser associados à remuneração, não todas as quantias pagas a título de PLR, o que se revelaria, Fl. 2641DF CARF MF 18 de sua parte, medida a ferir similarmente os festejados princípios da razoabilidade e proporcionalidade. E não havendo a autoridade discriminado quais foram os beneficiários dos pagamentos tidos por excessivos, detalhando suas considerações e critérios para tal delimitação, não se vislumbra, por essa senda, amparo para a autuação nesse ponto, levando à conclusão de que os pagamentos de PLR baseados na convenções coletivas estão em concordância com a legislação, posto que não foram apontados motivos adicionais além daqueles já afastados para respaldar o lançamento no particular. Aproximandose do remate das alegações acerca do PLR, o recurso ressalta que o CARF "já analisou este exato Plano Próprio do Recorrente, que foi objeto, no passado de outra autuação fiscal", referindo ao dantes mencionado Acórdão nº 2401003.142, sublinhando ter àquela ocasião o Colegiado reconhecido a validade desse acordo. Nesse diapasão, afirma que o CARF tem o poderdever de fazer prevalecer o princípio de estabilização da lide, valorizando outrossim os princípios da certeza do direito e da segurança jurídica. Ora, com o devido respeito a essas ponderações, de modo algum destituídas de razoabilidade, o fato é que, ainda que o ordenamento jurídico brasileiro, sistema de 'civil law', venha se aproximando em alguns pontos dos sistemas baseados na força dos precedentes ('common law'), a força vinculante desses precedentes está restrita, até o momento, a casos específicos. No âmbito do CARF, esses casos estão devidamente discriminados no art. 62 do Anexo II de seu Regimento Interno, os quais não contemplam, ainda que indiretamente, a situação versada nos presentes autos. À míngua de respaldo normativo, não se constatam motivos suficientes para que esse julgamento tome por base ou pressuposto as conclusões daquele outro citado, valendo mencionar, aliás, tratarse de decisão não unânime, havendo a Relatora encaminhado seu voto em sentido bastante diverso do que acabou prevalecer. Por fim, aduz o recorrente que "é possível constatar que, para uma mesma realidade fática, foram aplicados diferentes critérios jurídicos para fundamentar a lavratura dos autos de infração: (i) na primeira autuação (objeto do processo administrativo nº 14485.002997/200726), o Plano CCT foi reputado regular e o Plano Próprio foi autuado tão somente pela ausência de regras claras e objetivas; enquanto (ii) no lançamento em apreço alegase que tanto o Plano CCT quanto o Plano Próprio não estaria de acordo com a Lei nº 10.101/00, além de terem sido introduzidos novos critérios jurídicos para fundamentar o presente caso", colacionando tabela discriminando tais novos critérios. Na sequência, diz que "diante de fatos idênticos, lavrouse autuações completamente distintas", havendo "alteração do critério jurídico no presente lançamento", trazendo então citações doutrinárias e jurisprudenciais com o fito de amparar a compreensão de que teria sido então violado o preceito no art. 146 do CTN. Tal dispositivo tem a seguinte redação: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um Fl. 2642DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.634 19 mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Como já alertava Luciano Amaro, "a interpretação desse artigo não é fácil". Aparentemente, o contribuinte professa o entendimento de que tal norma não só impediria que a autoridade fiscal ou a instância julgadora alterasse o critério jurídico adotado em um dado lançamento, como estaria, em relação a autuações relativas a fatos geradores posteriores versando sobre o mesmo contexto fático, impedida de o fazer, salvo se houvesse pronunciamento expresso do Fisco modificando os critérios anteriores. De plano, há que se frisar que a jurisprudência do CARF, ao contrário do alegado pelo recorrente, não ampara suas razões. São citados quatro acórdãos que, pretensamente, lhes serviriam de suporte, mas na realidade tratam de situações que pouco se assemelham à ora enfrentada. A saber, o Acórdão nº 1402001572 trata de revisão de lançamento; o de nº 1301001420 trata de lançamento complementar, relativo aos mesmos fatos geradores; o de nº 3401002537, de possibilidade de mudança de critério jurídico relativamente aos mesmos fatos geradores; e o de nº 320200.023, trata de mudança de interpretação do Fisco relativamente a ato administrativo (Nota Complementar). Diversamente, decisão recente do CARF, ao analisar caso aí sim, realmente similar ao presente, julgou não haver mudança de critério jurídico, vide trecho de ementa do Acórdão nº 2301004.747 (j. 12/07/2016): NULIDADE. ART. 146, CTN. INOCORRÊNCIA. Para caracterizar alteração de critério jurídico, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional, necessário se faria que a Administração Tributária tivesse um posicionamento consolidado no sentido de que pagamentos de PLR nos moldes realizados pela recorrente não se enquadrariam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias e, relativamente a lançamentos posteriores a tal interpretação, a Administração Tributária passasse a considerar que houve fato gerador dos tributos. Descabe, nesse ponto, a alegação de nulidade por inobservância ao art. 146, pois não houve alteração de critério jurídico anteriormente adotado pela Administração Tributária. Com efeito, há necessidade de se constatar: primeiro, um entendimento consolidado no âmbito do Fisco para casos assemelhados seja ele refletido em lançamentos anteriores ou atos administrativos outros que tenha gerado uma justa expectativa de continuidade por parte do contribuinte; segundo, que este tenha passado a pautar suas atividades em conformidade com tal entendimento; e terceiro, posterior surpresa face à autuação que altera esse posicionamento sem manifestação anterior, em violação à segurança jurídica, à proteção da legítima confiança e ao dever de coerência na atuação administrativa. E, no tocante aos fatos examinados, não se está diante de contexto do gênero, como detalhado ao longo desta fundamentação. Fl. 2643DF CARF MF 20 Na verdade, o que o CARF vem tradicionalmente reconhecendo em sua jurisprudência, é a que a mudança de critério jurídico por parte da autoridade julgadora se traduziria em inovação no lançamento, consoante pesquisa jurisprudencial no site da corte permite facilmente constatar. Bem esclarecido esse ponto, não se pode ignorar existirem manifestações doutrinárias que vão ao encontro das aduções do recorrente, porém não se verifica, s.m.j., situações de fato efetivamente similares que tenham sido analisadas pelo judiciário, o qual, inclusive, editou a Súmula TFR nº 227, a qual parece circunscrever o alcance do art. 146 do CTN à revisão de lançamento: Súmula TFR nº 227: "A mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento." Vale ressaltar que no caso sob análise decorreu significativo lapso de tempo entre as fiscalizações em comento, uma realizada, aparentemente, em 2007, e voltada a fatos geradores compreendidos entre 2002 e 2007, outra realizada em 2015 e atinente a fatos geradores dos anos 2010 a 2012, o que justifica compreensivelmente que determinados aspectos do PLR próprio terem sido objeto do devido exame em 2015, ainda que não o tenham sido anteriormente. Ademais, a prosperar a exegese recursal do art. 146 do CTN, uma vez a administração havendo tido, por exemplo, uma percepção equivocada da realidade em um determinado ano face a uma situação específica relativa a um dado contribuinte estaria indefinidamente tolhida em seu poderdever firmado no art. 142 do mesmo Código de constituir o crédito diante da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária relativa a fatos assemelhados, enquanto não sobreviesse manifestação posterior da administração em sentido diverso, a despeito do princípio da legalidade. À toda vista, não há como se partilhar de tal perspectiva, que parece pretender conferir ao contribuinte direito adquirido a um determinado regime jurídico, ainda que a autoridade lançadora, analisando fatos geradores ulteriores no exercício de suas atribuições legais, constatasse a incompatibilidade desse regime com o ordenamento jus tributário. Em consonância com tal apreensão da matéria, merece transcrição excerto de artigo de Kyoshi Harada publicado na internet1: A norma objeto de exame demonstra, também, ao contrário do sustentado por alguns estudiosos que, tanto as atividades administrativas, quanto as atividades jurisdicionais podem implicar mudanças de critérios interpretativos à luz de novos estudos, até mesmo para corrigir os procedimentos ou entendimentos errôneos do passado, na aplicação da lei. Na prática, a norma do art. 146 do CTN está a afirmar que a fiscalização de determinado contribuinte sob a égide de um critério interpretativo então vigente não possibilita ao fisco fiscalizar o mesmo período já fiscalizado a pretexto de que houve alteração no critério jurídico de interpretação que torna possível a lavratura do auto de infração. Frente a esse panorama, não procede a argumentação recursal referida. 1 Disponível em "www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6998", acesso realizado em 14/7/2017. Fl. 2644DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.635 21 À guisa de conclusão deste tópico, temse que devem ser excluídos do lançamento, para cada empregado, os pagamentos vinculados às convenções coletivas de trabalho, efetuados a título de PLR. Dos planos de concessão de ações Inicialmente, cabe afastar a alegação do recorrente no sentido de que a autuação, bem como a decisão de piso seriam nulas, por atentarem ao princípio da verdade material e ao art. 142 do CTN, já que não se trataria na realidade de plano de opção de ações, como deduzido pela fiscalização, mas sim de plano de concessão de ações. Calha assinalar, de pronto, que em várias passagens do relatório fiscal nas quais são descritos os fatos em tela é denotado expressamente o reconhecimento de se estar diante de plano de concessão de ações, e de ter sido efetuada outorga de ações, e não de opções; ilustrativamente, podese colher os parágrafos 6.106, 6.107, 6.110, 6.111, 6.151 (fls. 456 e ss desse documento), dentre outros. Não resta claro, assim, que a autoridade lançadora tenha tido uma apreensão equivocada da realidade, como aduzido no recurso, valendo mencionar que, na verdade, os dois tipos de plano são congêneres, como será visto logo adiante nesta fundamentação. Além disso, como bem ressaltado pela decisão vergastada, os próprios documentos juntados pelo recorrente evidenciam que ele mesmo faz uso, com frequência, dos termos "concessão de opções", "exercício de opção", linguajar afeito aos dos planos de "stock options", ainda que lhes atribua, no contexto, significado diferente. Isso sem falar no vocábulo "prêmio", também reiteradamente constante dos planos do recorrente, e que apresenta conteúdo bem específico e distinto no que se refere aos "stock options plans". Notese que eventual abordagem diferenciada a ser dada aos planos de concessão de ações vis a vis os de opções, e o acerto do procedimento fiscal no tocante a esse aspecto, são matéria de mérito, não preliminar de nulidade. Não se vislumbra assim, quaisquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento ou da decisão de piso consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer dano ao direito de defesa do contribuinte verificado no curso do procedimento fiscal e no julgamento de primeira instância, sendo que o referido recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. Enfrentada tal preliminar, necessário esclarecer que tanto os planos de concessões de ações, como os de outorgas de opções de ações, são subespécies do gênero transações com pagamento baseado em ações. Surgiram no estrangeiro, como parte do pacote de benefícios e vantagens oferecidas a administradores e empregados, visando a sua retenção nos quadros da empresa, em especial nas de pequeno e médio porte, que, descapitalizadas, necessitavam de atrair trabalhadores qualificados para a consecução de seus objetivos; com o tempo, se espraiaram sendo utilizadas por diferentes tipos de empresas. À evidência, a concessão de um direito de aquisição de uma participação no capital de uma empresa com potencial de crescimento, com a consequente perspectiva de valorização dessa participação ação revelase bastante atrativa, representando a outorga Fl. 2645DF CARF MF 22 desse direito uma efetiva vantagem econômica para o beneficiário, frente ao terceiro que não possui vínculos com a companhia. Por sua vez as empresas, mesmo tendo em vista a possível diluição do valor de suas ações com o efetivo exercício daquele direito, com a outorga de opções ou mesmo de ações fazem convergir os objetivos dos investidores com o de empregados e administradores. A Comissão de Valores Mobiliários, ao tratar da matéria na qualidade de regulador dos mercados mobiliários, por meio da Deliberação CVM nº 562/2008 destacou, ao aprovar o Pronunciamento Técnico CPC 10, o seu entendimento acerca do caráter remuneratório desses planos: Deliberação CVM nº 562, de 17 de dezembro de 2008 A PRESIDENTE DA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS – CVM torna público que o Colegiado, (...) DELIBEROU: I – aprovar e tornar obrigatório, para as companhias abertas, o Pronunciamento Técnico CPC 10, anexo à presente Deliberação, que trata de Pagamento Baseado em Ações, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC; (...) 12. Em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos (...) Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais (...) (grifei) O disposto no item 12 do mencionado Pronunciamento Técnico CPC 10 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, segue na mesma linha: 12. Em geral, ações, opções de ações ou outros instrumentos patrimoniais são concedidos aos empregados como parte da remuneração destes, adicionalmente ao salário e outros benefícios concedidos. Normalmente não é possível mensurar de forma direta cada componente específico do pacote de remuneração dos empregados, bem como não é possível mensurar o valor justo do pacote como umtodo. Portanto, é necessário mensurar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados. Além disso, ações e opções de ações são concedidas como parte de um acordo de pagamento de bônus ao invés de o serem como parte da remuneração básica dos empregados, ou seja, tratase de incentivo para permanecerem empregados na entidade ou de recompensa por seus esforços na melhoria do desempenho da entidade. Ao beneficiar empregados com a concessão de ações ou opções de ações adicionalmente a outras formas de remuneração, a entidade visa a obter benefícios adicionais. Em função da dificuldade de mensuração direta do valor justo dos serviços recebidos, a entidade deve mensurálos deforma indireta, ou seja, deve tomar o valor justo dos instrumentos patrimoniais outorgados como o valor justo dos serviços recebidos. (grifei) O entendimento da legislação contábil e societária acerca da natureza remuneratória dos planos do gênero é sumarizado pela doutrina de Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins, à fl. 539 do Manual de Contabilidade Societária FIPECAFI (São Paulo, Editora Atlas, 2010): Fl. 2646DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.636 23 Algumas empresas optam por remunerar seus empregados (executivos, administradores ou outros colaboradores) por meio de pacotes que incluem ações e opções de ações. A idéia subjacente à remuneração com base em ações é fazer com que os funcionários sejam incentivados a atingir determinadas metas e, assim, se tornem, também, donos da entidade ou tenham a oportunidade de ganhar pela diferença entre o valor de mercado das ações que subscrevem e o valor da subscrição. Esse tipo de remuneração visa incentivar os empregados ao comprometimento com a maximização do valor da empresa, alinhando seus interesses com aos dos acionistas. Isso é necessário, pois de acordo com a Teoria da Agência, os empregados (agentes) e os acionistas (principais) possuem objetivos que, por muitas vezes, podem ser conflitantes. Nesse cenário, os planos de ações e de opções de ações constituem uma característica comum da remuneração de diretores, executivos e outros empregados. (grifei) Nessa linha, concluise que os planos de concessão de ações, bem como os de opções de ações disponibilizados por empresas aos seus empregados e colaboradores, possuem, de uma maneira geral, ínsito caráter remuneratório e não de "operação mercantil", tratandose na verdade de retribuição disponibilizada, interna corporis, em razão de vínculo de prestação de serviços contratualmente estabelecido. Impende assim, e a par das considerações acima expostas, passar ao caso concreto para verificar as características particulares do plano de concessão de ações em foco, com vistas a averiguar as alegações do autuado no sentido de que não possuiria tal plano caráter remuneratório, ao contrário do que sói prevalecer. Primeiramente, deve ser rejeitada a alegação de que o fato de o outorgante compor o mesmo grupo econômico do recorrente não é suficiente para ensejar responsabilidade solidária, pois os planos em tela foram elaborados e instituídos pela matriz, a qual, junto com o trust, envia inclusive as cartas de concessão das ações. Necessário ressaltar que os beneficiários das outorgas objeto de autuação são funcionários do recorrente, e por ele devidamente recomendados para tal benesse, consoante atesta a leitura atenta dos planos (efls. 1123 e ss), e registrado pela autoridade lançadora (efl. 469): Dessa forma, de acordo com o Plano de Concessão de Opções de Compra de Ações do Grupo Barclays (Plano de Concessão de Ações a Executivos) e suas Notas de Orientação Cartilhas, todos acima mencionados, pouco depois da revisão anual salarial e de bonificação, o Banco Barclays S.A. empregador, faz uma recomendação a propósito dos empregados elegíveis para o Comitê do Programa de Ações do Barclays PLC Group/Comitê de Remuneração do Barclays Capital, sendo os funcionários elegíveis devidamente informados. Ainda, em CartaProtocolo datada de 14/11/2014, citada pela fiscalização, o contribuinte assevera: Reconhecemos esse evento como transação com pagamento baseado em ações liquidadas em instrumentos patrimoniais, não havendo qualquer acordo contratual intragrupo de repagamento dessas ações. Dessa forma, contabilizamos em apropriações mensais do plano de incentivo de ações como despesa de pessoal em contrapartida ao aumento de Reservas de Capital no Patrimônio Líquido Fl. 2647DF CARF MF 24 Nada mais natural, pois se tratando de despesas de remuneração da filial brasileira, cabe a essa escriturar/contabilizar as transações que beneficiam seus funcionários e afetam seu patrimônio, a despeito de a estratégia remuneratória ter sido delineada no exterior. Quanto à orientação em Solução de Consulta nº 5 da Disit da SRRF da 8ª RF, anotese de que, além de em nada vincular este Colegiado, tem ela caráter regional e específico ao caso concreto ali referido, e trata de imposto de renda, matéria diversa da enfrentada. Portanto, não se verifica o aventado erro de sujeição passiva. Quanto ao caráter retributivo dos planos, deve ser lembrado que nos termos do alínea 'a' do inciso I do art. 195 da CF, as contribuições patronais destinadas a financiar a seguridade social incidirão sobre os rendimentos pagos a qualquer título ao prestador de serviço, sendo que o § 11 do art. 201 dessa Carta giza que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito dessas contribuições. Sob esses mandamentos, os arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212/91 estabeleceram a incidência da contribuição patronal sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, inclusive os ganhos habituais em forma de utilidades. Vale lembrar que a redação vigente à época dos fatos do art. 457 da CLT explicita, ainda, que as gratificações ajustadas estão incluídas no conceito juslaboral de remuneração. De sua parte, planos de outorga de opções ou de concessão de ações, tais como o ora examinado, são transações envolvendo o pagamento dos serviços prestados baseadas em outorga de instrumento financeiro patrimonial, aqui ações, que posteriormente são disponibilizadas ao beneficiário em condições vantajosas. A companhia que assim remunera seus funcionários estabelece determinadas condições de aquisição dos direitos de posse (vesting conditions), que usualmente estão associadas à permanência do empregado na empresa durante um determinado prazo prestando serviço (carência), o que evidencia o caráter remuneratório desses pagamentos. Na espécie, tanto o plano ESAS quanto o SVP contemplam os seus beneficiários com verdadeira gratificação utilidade, com os valores mobiliários (ações) ingressando no seu patrimônio após o direito de exercício neles previsto ser realizado, sem estar atrelada a exigência de desempenho, o que as aproximaria mais do conceito de prêmio utilidade. A retributividade exsurge clara, pois para fazerem os participantes jus às ações em condições privilegiadas deveriam manter o vínculo de prestação de serviços com a empresa concedente daqueles títulos, durante um certo período, o que é consubstanciado nas cláusulas fidelizatórias atinentes ao vesting period. Aliás, a natureza remuneratória e retributiva dos planos em comento é atestada sucessivamente em documentos de lavra do recorrente, como este exemplo colhido pela fiscalização (efl. 472), no qual o Conselho de Remuneração do Barclays Bank PLC, em 12/03/2010, ao adotar o Plano de Valorização de Ações do Grupo Barclays, manifestouse no moldes seguintes: NORMAS DO PLANO DE VALORIZAÇÃO DE AÇÕES DO GRUPO BARCLAYS OBJETIVO: O PLANO FOI ADOTADO PARA PERMITIR AOS FIDUCIÁRIOS PROPORCIONAR UMA ESTRUTURA FLEXÍVEL DE CONCESSÃO DE PRÊMIOS EM AÇÕES AOS FUNCIONÁRIOS DO Fl. 2648DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.637 25 GRUPO BARCLAYS, EXCETO CONSELHEIROS DA SOCIEDADE, A FIM DE CRIAR UMA OPORTUNIDADE PARA QUE OS FUNCIONÁRIOS ELEGÍVEIS RECEBAM REMUNERAÇÃO PELO SERVIÇO DE LONGO PRAZO FUTURO. (grifei) Por seu turno, o recorrente busca realçar caracteres que denotariam não terem os planos tal feição contraprestativa. Importa destacar que eventuais previsões lançadas nos planos acerca de que poderiam ser elegíveis como beneficiários exfuncionários do banco são situações de exceção, e que apontariam, caso configuradas concretamente, apenas a necessidade de expurgo dos correspondentes valores da autuação, não prejudicando a apreensão do contexto fático como um todo. De qualquer maneira, não é discriminado sequer um exfuncionário que tenha sido contemplado pelo plano e com relação ao qual tivesse havido lançamento das contribuições em comento; no mais, nas cartas de concessão (doc. 19 da impugnação) colacionadas há referências para todos os contemplados, de número de funcionário, evidenciando a atualidade, à ocasião, desse vínculo com o recorrente. No tocante aos dois funcionários com relação aos quais é afirmado haverem sido contratados de concorrentes, e aos quais teriam sido concedidas ações visto que teriam direito, no seu empregador anterior, a direito similar, os documentos juntados (efls. 2182 e ss) não permitem alcançarse as ilações vertidas no recurso. Não há provas de que tivessem deixado de receber ações de seu antigo empregador, consoante afirmado pelo recorrente; ademais, a natureza retributiva e remuneratória do benefício via plano não seria afastada, pois tratarseia, em todo caso, de adiantamento ou antecipação a remunerar tais empregados pelo tempo de serviço a ser prestado ao banco, de acordo com respectivas avenças laborais, guardando a situação, na prática, certa similaridade com os denominados hiring bonus. Prosseguindo, o autuado refere, ainda, que há funcionários da própria matriz ou de outras subsidiárias do Grupo Barclays, mas que foram alocados na subsidiária brasileira após já terem sido a eles outorgadas as ações como prêmio, o que retiraria o caráter de retributividade com relação à filial brasileira. Há que se concordar parcialmente com tais razões, pois, ainda que, à semelhança dos possíveis casos de exfuncionários, não serem por si sós aptas a descaracterizar os planos como retributivos, o vínculo estabelecido deveria ser, decerto, relativo ao trabalho prestado ao recorrente. Ou seja, a contraprestatividade constatada e passível de ensejar o lançamento, ao menos nos termos em que se verificou e foi fundamentada, é, ou deveria ser, referente ao serviço prestado à filial brasileira do grupo, não a outra no exterior. E, compulsando os autos e examinando os casos (doc. 22, efls. 2243 e ss), o que não parece ter sido realizado nesse particular pela DRJ tampouco a fiscalização realizou tal discrímen é possível constatar provas, tais como cartas de concessão, documentos funcionais, etc., de que tais empregados foram contemplados com planos de concessão de ações relativos a períodos em que ainda prestavam serviços no estrangeiro, ou seja, devidos face ao liame laboral lá presente anteriormente. Fl. 2649DF CARF MF 26 Mesmo que os elementos trazidos não sejam conclusivos, há indícios suficientemente fortes a respaldar a versão dos fatos tal como vertida pelo recorrente, sendo recomendável, assim, que sejam excluídos do crédito tributário as contribuições associadas aos planos de concessão de ações que beneficiaram os empregados André Rizzo e Fernando Luiz Martins Pais Júnior ver demonstrativo de efls. 323 e ss. Quanto à questão da habitualidade, cuidese de frisar que Arnaldo Sussekind já alertava que ela constitui "...regra jurídica tacitamente criada em decorrência da reiteração de certa conduta genérica no cenário interno da empresa2". É, então, previsibilidade qualificada por essa reiteração, que gera justa expectativa nos potenciais beneficiários da recorrência na concessão de ações ou opção de ações, no caso analisado. Então, é no mínimo inapropriado dizer que ocorreu oferta isolada de plano único de concessão de ações; ou ainda, que não há expectativa por parte dos beneficiários de serem outorgados por nenhum período de tempo. Pelo contrário, conforme o próprio recorrente assevera, desde 1994 e ao menos até o período examinado têm estado vigentes planos de concessão de ações (ESAS e SVP) da matriz para os empregados do Grupo Barclays e suas subsidiárias. Destarte, os trabalhadores que ingressam e passam a prestar serviços ao banco confiam em que tal ganho se renovará e lhes será ofertado habitualmente, ainda que sem periodicidade pré definida, em verdadeira cláusula contratual a título de remuneração flexível, com garantia de adimplemento desde que cumpridas as condições firmadas nos planos. Sem razão o contribuinte, portanto, nesse ponto. Já no atinente à data do fato gerador e questões correlatas, cumpre lembrar, em apertada síntese e em linhas amplas, o contorno dos planos em apreço (ESAS e SVP), alertando que as denominações constantes dos documentos podem diferir um pouco da que será utilizada na sequência, sem comprometerse, contudo, o entendimento do mecanismo geral dos planos ver planos às efls. 1123/1354, formulários explicativos aos funcionários às efls. 1357 e ss, e cartas de concessão, efls. 1418 e ss. Pois bem, aos beneficiários recomendados à outorga pelo recorrente (elegíveis) era reservado certo número de ações do grupo Barclays (prêmio/opção), que o trust (fundo fiduciário para funcionários) adquiria no mercado. A concessão da outorga era informada ao funcionário elegível, sendo informada a forma do prêmio intransferível, o número de ações e a data da concessão, bem como detalhes sobre o exercício dos direitos correspondentes. Vencido o prazo de carência (vesting), o beneficiário podia exercer o seu direito às ações, que lhe eram ofertadas a custo zero, até uma determinada data ('data de exercício de direitos'). Em decorrência desse exercício as ações podiam ser transferidas para o empregado ou então vendidas pelo fiduciário, sendo depois entregue ao primeiro o produto da alienação. 2 SUSSEKIND, A. In; MARANHÃO, D.;VIANNA, S; LIMA, T: Instituições do Direito do Trabalho. 21ª ed. revista e atualizada. São Paulo:LTr, 2003, v.1, p. 373. Fl. 2650DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.638 27 Notese que, conforme consta nos planos, informado expressamente nas notas de orientação correspondentes (efls. 1356 e ss) e reiterado nas cartas de concessão, era necessário que o beneficiário entrasse em contato com o fiduciário para exercer sua opção termo que nos planos de concessão de ações, conforme bem pontuado pelo recorrente à efl. 2488, não se confunde com eventual direito adquirido existente nos casos de outorga de opções. Consequentemente, é exemplificado nos documentos que, caso "você decida exercer sua opção em novembro de 2011", o procedimento é que deve "você entrar em contato com o Fiduciário para exercer sua opção" (efl. 1375). Essa etapa era essencial para que as ações outorgadas ingressassem na esfera patrimonial dos contemplados, e não meramente formal como alude o recorrente, havendo inclusive prazo para tanto, sendo alertado nas precitadas notas, relativas ao plano ESAS, que "a opção, se não exercida, caduca", estando a partir daí a exclusivo critério do fiduciário a liberação das ações. Inclusive é ressaltado nas cartas de concessão (efls. 1418 e ss) que: nos casos dos planos SVP, "se você não exercer seu prêmio até o final do prazo de três meses estipulado acima, ele prescreverá e você perderá a oportunidade de adquirir as ações relativas à parcela vencida"; para os planos ESAS, a opção prescreverá a partir do quinto aniversário da data do prêmio, ficando ao arbítrio do fiduciário liberar ou não as ações. Vêse, portanto, que a situação é bastante distinta dos planos de stock options. Nesses, são outorgadas opções, que são calculadas a valor justo antes do vesting para fins contábeis, mas ao final da carência já entram no patrimônio do beneficiário, ainda que possa sua conversão no ativo mobiliário ações, ou seja, o procedimento de exercício, estar sujeito a trâmites adicionais para que se revista da necessária eficácia, acarretando dificuldades de difícil superação para fins de dimensionamento da vantagem então auferida. No presente caso, porém, a outorga efetuado pelos planos é de ações, sendo que ao final da carência estas não entram na esfera jurídica do empregado como ocorre com as opções outorgadas, mas sim necessariamente demandam que sejam efetivamente exercidas pelo interessado, mediante manifestação expressa junto ao fiduciário, sem o que o direito adquirido quando da carência prescreve sem o recebimento do ativo outorgado. Não por acaso, apenas após o exercício o participante passará a ter direito aos dividendos pagos ao fiduciário sobre essas ações, a votar com relação a elas, e terá a sua titularidade legal (efls. 1274/1275) o que, sem maiores devaneios, demonstra de modo inconteste não ser o exercício mera formalidade, mas sim etapa imprescindível para o procedimento de outorga. Diante desse panorama, revelase correto ter a fiscalização tomado como data do fato gerador a data do exercício do direito outorgado, momento no qual as ações concedidas passam efetiva e definitivamente a constituir vantagem econômica mensurável ao prestador de serviços beneficiário da utilidade, incorporandose ao seu patrimônio sem empecilhos. Nesse contexto, havendo sido as ações concedidas aos agraciados a custo zero, também não há reparos a fazer quanto à mensuração da base de cálculo, que foi aferida e calculada multiplicandose a quantidade de ações exercidas pelo valor de mercado da ação na Fl. 2651DF CARF MF 28 data do exercício, de modo claro e preciso, sem haver falar em aferição indireta, ventilada pelo autuado. Em suma, deve ser dado no tópico em questão parcial provimento ao recurso, para fins de excluir do lançamento as contribuições associadas aos empregados André Rizzo e Fernando Luiz Martins Pais Júnior, nos termos deste voto. Dos juros sobre a multa de ofício O caput do art. 161 do CTN assim dispõe: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Na sistemática do CTN, a obrigação tributária principal é de ínsita natureza pecuniária, sendo composta por tributo e multa, nos termos do seu art. 113 e §§. Os arts. 139 e 142 do Código deixam claro que o crédito tributário tem a mesma natureza da obrigação principal, podendo ser assim, composto tanto por tributo quanto por multa. Destarte, o art. 161 supra, quando trata do crédito tributário, está tratando da obrigação principal revestida de exigibilidade, a qual, não paga no vencimento, está sujeita a juros de mora. Portanto, a incidência dos juros em apreço sobre as multas que porventura componham o crédito tributário é preceito estabelecido no CTN. O legislador ordinário respeitou os parâmetros da lei complementar, ao regrar no art. 61 da Lei nº 9.430/96, que os débitos decorrentes de tributos e contribuições sofrem incidência de juros de mora. A saber, o termo"decorrente" significa consequente, ou seja, além do tributo propriamente dito, os débitos que lhe dele são resultantes, ainda que não necessariamente, tais como as multas de ofício proporcionais, as quais também deverão ser acrescidas dos juros. Em consonância com esse entendimento, vale lembrar que o § 8º do art. 84 da Lei nº 8.981/95, reza que os juros de mora se aplicam aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, categoria na qual se incluem, logicamente, as multas de ofício, sejam proporcionais ou lançadas isoladamente. A jurisprudência do STJ consolidouse nesse sentido, conforme se depreende da leitura da ementa do acórdão do AgRg no REspnº 1.335.688/PR (1ª Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe de 10/12/2012) : PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (grifei) Fl. 2652DF CARF MF Processo nº 16327.720864/201593 Acórdão n.º 2402006.050 S2C4T2 Fl. 2.639 29 Do REsp nº 1.129.990/PR (2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 14/9/2009) convém colacionar o seguinte trecho do Voto condutor, aclarando a questão: De maneira simplificada, os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, advém a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento. Em suma, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso, para que, afastando as nulidades suscitadas, sejam excluídos dos lançamentos, para cada empregado, a exigência baseada nos pagamentos efetuados a título de PLR, vinculados às Convenções Coletivas, bem como, do levantamento Stock Options, as exigências relacionadas aos funcionários André Rizzo e Fernando Luiz Martins Pais Júnior. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 2653DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.001833/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO.
A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa.
Numero da decisão: 2201-004.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÕES EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos relativos à base de cálculo investigada ou que os elementos apresentados não refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 18 33 /2 00 9- 61 Fl. 3973DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 3959/3971) apresentado em face do Acórdão nº 0359.450, da 5ª Turma da DRJ/BSB (fls. 3937/3948), que deu parcial provimento à impugnação do sujeito passivo (fls. 86/100) ao auto de infração pelo qual se exige crédito tributário relativo à contribuição destinada ao Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas Sebrae, incidente sobre a remuneração dos empregados, aferida com base nos valores dos serviços de vigilância e de transporte de valores prestados pela fiscalizada (AIOP 37.043.9180 fls. 2/82) no período de 01/2004 a 12/2006. Segundo o relatório da fiscalização (fls. 73/82), foi aferida a remuneração dos empregados com base na receita obtida através da prestação de serviços de vigilância e de transporte de valores aplicandose o percentual de 40% (quarenta por cento) sobre o primeiro e de 20% (vinte por cento) sobre o segundo. Do valor assim apurado, teriam sido deduzidas as remunerações constantes das folhas de pagamento apresentadas pela empresa e sobre a diferença aí obtida foi aplicada a alíquota correspondente. A aferição indireta realizada teria por base legal o art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212, de 1991, e os arts. 600, I, e 603 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 2005. O fundamento fático para esse procedimento seria a não apresentação de parte dos livros e dos documentos solicitados pela fiscalização através de termos de intimação, bem como por ter deixado de prestar informações contábeis, financeiras e cadastrais de interesse da Receita Federal do Brasil, condutas que teriam justificado a imposição de penalidade por descumprimento de obrigações acessórias (AIOA nº 37.165.7568 e 37.165.7571). Em benefício da clareza, transcrevo abaixo trecho do relatório fiscal onde são detalhadas as irregularidades apuradas pela fiscalização: • Não foram apresentados os livros Razão referentes aos exercícios de 2005 e de 2006. • Nos livros Diários apresentados, verificouse a existência de lançamentos relativos a despesas com fardamento, combustíveis, manutenção de veículos, material de escritório, material utilizado no serviço, viagens, cestas básicas, sem referência a documento fiscal, conforme cópias xerográficas anexadas ao AIOP DEBCAD 37.209.9602. • A partir de 2005, o histórico das despesas acima citadas passou a referenciar o número do documento fiscal. Por se tratarem de despesas de valor elevado, principalmente no que tange a compra de fardamento, material de escritório e utilizado no serviço, e por terem sido anteriormente escrituradas sem referência à nota fiscal, concluiuse quanto à indispensabilidade do exame de alguns desses comprovantes no sentido de Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 10380.001833/200961 Acórdão n.º 2201004.164 S2C2T1 Fl. 3.974 3 determinar se tais gastos se referiam efetivamente à finalidade consignada nos títulos contábeis. • Solicitados os documentos fiscais comprobatórios das despesas escrituradas, apenas parte dos mesmos foi apresentada à fiscalização, tendo os comprovantes sido retidos e posteriormente, apreendidos. • Os documentos fiscais apresentados pela empresa continham indícios de inautenticidade, tais como selo fiscal sem talho doce e numeração de notas apostas com numerador manual. • Tais indícios determinaram a intimação dos fornecedores para apresentação das vias das notas fiscais com a mesma numeração e relativas aos mesmos períodos das apresentadas pela CORPVS. • Examinadas as Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores, verificouse que: • as notas com a mesma numeração apresentada pela CORPVS não tinham sido emitidas contra este cliente ou sequer tinham sido emitidas ainda pelo fornecedor; • tanto as datas de emissão das Notas quanta os valores das mesmas eram diferentes das contidas nas apresentadas pela CORPVS; • o layout das Notas apresentadas pelos fornecedores não era compatível com o das vias encontradas na CORPVS. • Solicitadas informações A Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará acerca das empresas para quem teriam sido emitidas as Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais AIDF, constatouse que as Autorizações constantes das Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS como sendo de seus fornecedores foram emitidas pela SEFAZ para outras empresas. • Foi solicitada ainda a Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará a identificação dos contribuintes para quem foram emitidas a Autorizações para Impressão dos Selos apostos em Notas Fiscais apresentadas pela CORPVS. Também nesse caso verificouse terem sido as Autorizações emitidas para empresas diferentes daquelas constantes das Notas apresentadas pela CORPVS. • Tais constatações determinaram a conclusão quanto à apresentação deficiente de documentos bem como quanto à tese de crime de falsificação de documento público, conforme previsto no art. 297 do DecretoLei 2.848/40 Código Penal. • No caso dos selos apostos nas Notas Fiscais, deve ser levantada a tese de crime de falsificação de papéis públicos, conforme previsto no art. 293, inciso I, do Código Penal. Fl. 3975DF CARF MF 4 Pelos fatos acima narrados, foi realizada aferição indireta tendo por base valores de venda de serviços escriturados nas contas que são identificadas no item 3.5 do relatório fiscal. O lançamento foi impugnado pelo sujeito passivo, o que deu origem ao Acórdão ora atacado, que foi precedido pela realização de duas diligências determinadas pela autoridade julgadora de 1ª instância (fls. 2936/2941 e 2960/2963) para fins de averiguação de irregularidades apontadas pela impugnante nos cálculos realizados pela fiscalização. A partir das informações obtidas na diligência determinada pela DRJ (fls. 3937/3943), foi prolatado Acórdão no qual se concedeu parcial provimento à impugnação, para correção das falhas identificadas. Essa decisão está consubstanciada em documento que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. À esfera administrativa não cabe conhecer de arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo, matéria de competência do Poder Judiciário. PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO DA CONTAGEM. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. As contribuições lançadas sujeitamse ao prazo decadencial de 05 (cinco) anos previsto no Código Tributário Nacional, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando houver a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. VERDADE MATERIAL. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização, no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. LANÇAMENTO. IRREGULARIDADE, INCORREÇÕES OU OMISSÕES. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do PAF não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 10380.001833/200961 Acórdão n.º 2201004.164 S2C2T1 Fl. 3.975 5 Tendo tomado ciência dessa decisão em 16/06/2014 (fls. 3958), o sujeito passivo apresentou tempestivamente seu recurso voluntário (fls. 3959/3971) em 23/06/2014. Em suas razões recursais, alega, em síntese, que: 1. As deficiências apontadas pela fiscalização limitamse à contabilização de notas fiscais tidas como inidôneas e a falta de apresentação dos Livros Razão de 2005 e 2006. 2. Como foi apresentada toda a documentação relacionada a apuração da contribuição previdenciária, o lançamento por aferição indireta é nulo, por vício formal, uma vez que lhe faltou fundamentação legal. 3. Há também nulidade por vício material, uma vez que restaram demonstrados vários erros na apuração da base de cálculo. 4. As competências anteriores a abril de 2014 já se encontravam atingidas pela decadência quando o lançamento foi realizado. 5. É inconstitucional e ilegal o arbitramento das contribuições ao Sebrae com base no faturamento. 6. A presunção utilizada deve ceder diante da verdade material. A recorrente apresentou documentos capazes de elidir a presunção fustigada demonstrando o montante real da remuneração paga aos seus empregados e contribuintes individuais. 7. A decisão de piso errou ao determinar que fossem deduzidos dos valores apurados por aferição indireta apenas as folhas de pagamento dos empregados diretamente ligados à prestação dos serviços, pois este procedimento não é razoável e nem proporcional. 8. Como o lançamento se reporta a fatos geradores anteriores a dezembro de 2008, entende que a multa deve se limitar à multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991. Pelas razões expostas acima, pede a reforma da decisão de primeira instância para que seja cancelado o lançamento materializado no AIOP nº 37.043.9180. Chegando a este Colegiado, o processo foi distribuído a esta Conselheira em sessão pública. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Fl. 3977DF CARF MF 6 Inicialmente, registro que, com base no art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235, de 1972, deixarei de analisar as preliminares (nulidade por vício formal) e prejudiciais de mérito (decadência), pelas razões que serão evidenciadas a seguir. O lançamento em análise foi realizado com base em aferição indireta, invocando como base os seguintes dispositivos: Lei nº 8.212, de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Instrução Normativa SRP nº 3, de 1995 Art. 600. Para fins de aferição, a remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços por empresa corresponde ao mínimo de: I quarenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; II cinqüenta por cento do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo, no caso de trabalho temporário. Parágrafo único. Nos serviços de limpeza, de transporte de cargas e de passageiros e nos de construção civil, que envolvam utilização de equipamentos, a remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior aos respectivos percentuais previstos nos arts. 602, 603 e 605. (...) Art. 603. Na operação de transporte de cargas ou de passageiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na prestação de serviços não poderá ser inferior a vinte por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, observado, quanto ao transporte de cargas, o disposto no inciso V do art. 176. Compulsandose a IN SRP nº 3, de 2005, vêse que os fatos que autorizavam a utilização desse mecanismo de apuração da base de cálculo estavam descritos no artigo que é abaixo reproduzido: Art. 597. A aferição indireta será utilizada, se: I no exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento do sujeito passivo, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 10380.001833/200961 Acórdão n.º 2201004.164 S2C2T1 Fl. 3.976 7 dos segurados a seu serviço, da receita, ou do faturamento e do lucro; II a empresa, o empregador doméstico, ou o segurado recusar se a apresentar qualquer documento, ou sonegar informação, ou apresentálos deficientemente; III faltar prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil; IV as informações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outras informações, ou outros documentos de que disponha a fiscalização, como por exemplo: a) omissão de receita ou de faturamento verificada por intermédio de subsídio à fiscalização; b) dados coletados na Justiça do Trabalho, Delegacia Regional do Trabalho, Secretaria da Receita Federal ou junto a outros órgãos, em confronto com a escrituração contábil, livro de registro de empregados ou outros elementos em poder do sujeito passivo; c) constatação da impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. § 1º Considerase deficiente o documento apresentado ou a informação prestada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele documento que contenha informação diversa da realidade ou, ainda, que omita informação verdadeira. § 2º Para o fim do inciso III do caput, considerase prova regular e formalizada a escrituração contábil em livro Diário e Razão, conforme previsto no § 13 do art. 225 do RPS e no inciso IV do art. 60 desta IN. Pela redação desse dispositivo, vêse que ele estabelece uma modalidade presumida de apuração da base de cálculo dos tributos, que deve ser adotada em circunstâncias bastante peculiares, quando a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados, ou a receita, ou o faturamento ou o lucro; quando há recusa na apresentação de documentos, sonegação de informações ou apresentação insuficiente; ou ainda quando as informações prestadas não merecerem fé. Apenas a constatação de uma das circunstâncias listadas acima autoriza o emprego do expediente excepcional, contudo, mesmo no contexto da identificação de um desses fatos, penso ser necessário haver uma relação de prejudicialidade entre as irregularidades constatadas e a matéria objeto de investigação fiscal e de autuação. Para que se revista de legitimidade, o ato que aplica medidas dessa natureza deve ser adequadamente fundamentado, o que exige que se aponte irregularidades concernentes à grandeza que está sendo auditada e argumentos que evidenciem ser inevitável a via adotada. Fl. 3979DF CARF MF 8 Com isso se quer dizer que o arbitramento que se faz através de aferição indireta não é uma prerrogativa da fiscalização a ser utilizada conforme juízos de conveniência e oportunidade, mas uma via estreita cujo acesso só é permitido em circunstâncias perfeitamente delimitadas pela legislação e comprovadas dentro do processo através da linguagem adequada, seja através da narrativa empreendida no relatório fiscal, seja através de provas. É elemento necessário dessa fundamentação, a demonstração do nexo causal entre as irregularidades verificadas e a impossibilidade de apuração do tributo pelos meios ordinários estabelecidos na legislação tributária. Nessa esteira, tratandose de tributos que têm por base a folha de pagamentos, a aferição indireta baseada no art. 597, I, da IN SRF nº 3, de 2005, por exemplo, estaria justificada pela demonstração de que a "contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço", pois é esta grandeza que se está a quantificar no procedimento de fiscalização. Ou então, seria necessário comprovar a recusa na prestação de informações ou documentos relativos à remuneração dos empregados, o que legitimaria a aferição indireta com suporte no art. 597, II. Estabelecida essa premissa, vêse que o auto de infração descreve irregularidades de duas ordens: não apresentação do livro razão 2005 e 2006 e contabilização de despesas suportadas por documentação fiscal inidônea. Quanto às notas inidôneas, a autoridade fiscal apresenta as seguintes informações: 6.1. No curso do procedimento de fiscalização junto ao contribuinte em referência, verificouse a existência de diversas despesas lançadas sem referência a documento fiscal no histórico dos lançamentos, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005. Em face de tal constatação foi solicitada a apresentação das notas fiscais que embasaram os citados lançamentos os quais diziam respeito A aquisição de fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral. 6.2. A partir do segundo semestre de 2005 e em 2006, os lançamentos verificados nas mesmas contas referenciavam os documentos fiscais, mas foram solicitados também tais comprovantes para esclarecer a natureza das despesas efetuadas. Nas contas que registravam despesas referentes a fardamento, em face dos valores elevados nelas escriturados, foram solicitados os comprovantes de despesas mesmo quando os históricos dos lançamentos referenciavam as notas fiscais. 6.3. A empresa sob fiscalização apresentou parte dos documentos fiscais solicitados, conforme Termos de Constatação e de Retenção anexados ao AIOP n° DEBCAD 37.209.960 2, tendo sido detectados indícios de que tais notas poderiam ser falsas. No sentido de determinar a autenticidade dos mesmos, solicitouse à Secretaria da Fazenda do Estado do Ceara a confirmação da emissão de autorizações para impressão tanto das referidas Notas Fiscais quanto dos selos e foram intimados os fornecedores que teriam emitido os documentos fiscais apresentados pela Corpvs. Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 10380.001833/200961 Acórdão n.º 2201004.164 S2C2T1 Fl. 3.977 9 Já em relação à ausência do livro razão, destaco o seguinte trecho do relatório: 6.5. Relativamente aos exercícios de 2005 e 2006, a empresa não apresentou os Livros Razão. Em face de tal omissão todos os valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de saláriomaternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia. 6.6. Tal foi também o procedimento para verificar as despesas constantes das contas acima referenciadas, para as quais, em muitos lançamentos, inexistia referência a documento fiscal. A partir desses excertos entendo correto afirmar que não restou evidenciado como o registro de despesas com "fardamento, combustíveis, cestas básicas, material de limpeza, material de escritório, manutenção de veículos, conservação e manutenção em geral" sem a correspondente documentação fiscal comprometeria a integridade das informações constantes das folhas de pagamento. Embora seja possível a existência de uma vinculação entre essas despesas, ela não foi demonstrada pela narrativa construída pela autoridade fiscal. Da mesma forma, a ausência do livro razão não parece justificar que se negue fé aos documentos e registros que espelham as remunerações pagas, até porque, conforme explicita a própria fiscalização "todos os valores relativos a serviços prestados a tomadores de serviços, à remuneração paga a empregados e ao sócio, valores pagos a titulo de salário maternidade e de saláriofamília, contribuições descontadas e valores recolhidos, tiveram de ser obtidos através do exame dos Livros Diário, dia a dia". Ou seja, parte dos levantamentos foram feitos com base no livro diário. Além disso, como resultado do mesmo procedimento fiscal foram realizados lançamentos com base nas folhas de pagamento da empresa, conforme pode ser verificado no processo nº 10380.001829/200901. Esses fatos revelam uma conduta contraditória da autoridade fiscal, que nega credibilidade aos documentos apresentados pela empresa ao mesmo tempo em que se vale deles. Oportuno destacar que este Conselho registra jurisprudência que evidencia a excepcionalidade das medidas adotadas no lançamento que ora se analisa, bem como a necessidade de que haja adequada fundamentação para elas. Nesse sentido, o Acórdão nº 2401 02.161, de lavra do Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, registra em sua ementa: AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. PROCEDIMENTO EXCEPCIONAL. CABIMENTO APENAS NAS SITUAÇÃO EM QUE FIQUE DEMONSTRADA A IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO TRIBUTO COM BASE NA DOCUMENTAÇÃO EXIBIDA PELO SUJEITO PASSIVO. A mera existência de irregularidades na escrita contábil do contribuinte não autoriza, por si só, a aferição indireta das contribuições, quando o Fisco não demonstra que houve sonegação de documentos ou que os elementos apresentados não Fl. 3981DF CARF MF 10 refletem a real remuneração paga aos segurados a serviço da empresa. Da fundamentação desse Acórdão, que adoto como razão de decidir, por sua vez, extraise: Aferição indireta do saláriodecontribuição O arbitramento da base de cálculo de tributos em geral é previsto no Código Tributário Nacional, art. 148, tendo cabimento quando as informações prestadas pelo sujeito passivo não mereçam fé. Também a legislação previdenciária tem fundamentação específica para aferição indireta das contribuições, é esta a previsão dos §§ 3.º e 4.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, os quais trazem a possibilidade de arbitramento das contribuições, quando haja recusa, sonegação ou apresentação deficiente de informações por parte do sujeito passivo. Nessa análise não se pode perder de vista que o procedimento de aferição indireta é um instituto jurídico de exceção, excepcional, incomum, por isso, a lei condicionou a sua aplicação à presença de anormalidade. Tal procedimento deve se pautar pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Dessa forma, o Fisco precisa apresentar relação lógica entre os fatos e as conclusões e se acautelar, para não se enveredar no excesso de exação fiscal por arbítrio e abuso de discricionariedade. Somente é admissível o citado procedimento quando o Fisco se vê diante de situação instransponível, ou seja, não tenha como se valer de outros meios para recompor o momento da ocorrência do fato gerador e obter os dados necessários ao cálculo do valor correspondente ao crédito tributário. Na situação sob enfoque, verifico que o Relatório Fiscal, por entender que a documentação do contribuinte seria deficiente, lançou mão da aferição indireta da remuneração dos empregados. De acordo com as considerações da Auditoria, o fato da empresa não ter registrado o pagamento de ART, bem como de despesas com deslocamento e hospedagem do sócio gerente do sujeito passivo, desconsiderou toda a documentação apresentada, por entendêla imprestável. Não vi no relato do Fisco qualquer menção à solicitação de documentos necessários à apuração da remuneração dos empregados, como folhas de pagamento, GFIP, RAIS, recibos, etc. O mister da fiscalização é apurar a ocorrência dos fatos geradores e calcular o tributo devido. No caso sob análise, os autos demonstram que foram prestados serviços, conforme notas fiscais apresentadas. Nesse sentido, deveria o Fisco requerer os documentos que guardassem relação com o pagamento de remunerações e, somente havendo a sonegação desses elementos, ou indícios de que os dados contidos nos mesmos não refletiriam a realidade dos valores pagos como contraprestação pelo trabalho dos segurados empregados, é que caberia a adoção do procedimento excepcional da aferição indireta. Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 10380.001833/200961 Acórdão n.º 2201004.164 S2C2T1 Fl. 3.978 11 Para mim, os fatos narrados pela Auditoria para desconsiderar toda a documentação da empresa, por não se relacionarem com a remuneração dos empregados, não justificam o arbitramento da contribuição. Assim, entendo que na espécie somente estariam presentes os requisitos que autorizam a aferição indireta da mãoobra utilizada na prestação dos serviços, se o Fisco cabalmente demonstrasse que a empresa deixou de apresentar os comprovantes de pagamento de remunerações a empregados ou que os documentos exibidos denunciassem que a remuneração neles contidos seria irreal. Vejo, então, que a Auditoria Fiscal se desviou das normas que permitem o arbitramento dos tributos lançados, posto que não demonstrou estar diante de uma situação impeditiva de apurar as remunerações com esteio na documentação do sujeito passivo. Nesse sentido, dou razão à recorrente quanto à falta de justificativa para apuração da base de cálculo por aferição indireta. Também no caso sob análise a narrativa apresentada pelo relatório fiscal não evidencia a negativa de prestação de informações/documentos relacionados à remuneração, não restando demonstrada a impossibilidade de apuração dessa grandeza com base na documentação do sujeito passivo. Muito pelo contrário, em diversas oportunidades evidencia se que foi essa documentação utilizada pela fiscalização sem dificuldades maiores que a análise diaadia do livro diário. Merece registro que o Acórdão recorrido faz menção a irregularidades que tangenciam o objeto da fiscalização tal como defendido neste voto no seguinte trecho: No presente caso, a empresa deixou de apresentar os Livros Razão dos exercícios de 2005 e 2006, bem como os contratos de prestação de serviços firmados com empresas tomadoras de serviços, tendo recebido o Auto de Infração 37.165.7563, cuja impugnação da empresa foi julgada improcedente por esta 5a turma de julgamento, por meio do Acórdão 0343.905, de 05/07/2011.(grifouse) Apesar dessa menção na decisão de piso, que trata de irregularidade no atendimento à fiscalização que poderia reforçar as suas motivações para a medida empregada, não encontro no relatório fiscal e na documentação que foi juntada a esse processo a adequada representação desse fato, ou seja, ele não foi convertido em linguagem apta a fazer prova em favor das pretensões da Fazenda Pública. Com efeito, a autoridade fiscal concentrou seus esforços em demonstrar que a empresa registrou despesas com notas de duvidosa procedência. Contudo, a comprovação de que despesas diferentes da remuneração de empregados foram registradas sem os respectivos documentos fiscais poderia justificar a aferição indireta de tributos que tenham por base o lucro, mas não é motivação idônea para a adoção desse procedimento em relação a tributos que incidem sobre a remuneração de empregados. Quando mais não se produziu um único indício ou prova de que os valores contabilizados a esse título não são merecedores de fé. Fl. 3983DF CARF MF 12 Em consequência, entendo inadequado o critério jurídico utilizado pela autoridade fiscal para fins de apuração da base de cálculo tributável, razão pela qual o lançamento realizado encontrase maculado por vício de ordem material. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado para, no mérito, darlhe integral provimento. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 3984DF CARF MF
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