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Numero do processo: 13888.003004/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
Aplica-se ao caso, conforme art. 62 do RICARF, o entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O prazo de 05(cinco) anos para o Fisco constituir o crédito tributário conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO.
É devida a contribuição a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais contidas em folha de pagamento.
FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 142 DO CTN. COMPROVAÇÃO.
Havendo comprovação de que lançamento de ofício foi devidamente motivado, nos termos dos fundamentos e fatos, comprovados nos autos, não há que se falar em violação ao art. 142 do CTN. Ainda mais quando o sujeito passivo, devidamente cientificado, logrou apresentar suas razões de defesa dentro do prazo legal regulamentar.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação retroativa das multa de que tratam os do disposto nos arts. 35 e 35-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991.
Lançamento Procedente
Numero da decisão: 2401-005.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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APLICAÇÃO. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Aplicase ao caso, conforme art. 62 do RICARF, o entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O prazo de 05(cinco) anos para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA A TERCEIROS. BASE DE CÁLCULO. É devida a contribuição a terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE) incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais contidas em folha de pagamento. FUNDAMENTOS DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ART. 142 DO CTN. COMPROVAÇÃO. Havendo comprovação de que lançamento de ofício foi devidamente motivado, nos termos dos fundamentos e fatos, comprovados nos autos, não há que se falar em violação ao art. 142 do CTN. Ainda mais quando o sujeito passivo, devidamente cientificado, logrou apresentar suas razões de defesa dentro do prazo legal regulamentar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 30 04 /2 00 8- 19 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.003004/200819 Acórdão n.º 2401005.352 S2C4T1 Fl. 0 2 MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. A Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, estabelece os procedimentos sobre a aplicação retroativa das multa de que tratam os do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13888.003004/200819 Acórdão n.º 2401005.352 S2C4T1 Fl. 0 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13888.003004/200819 Acórdão n.º 2401005.352 S2C4T1 Fl. 0 4 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1425.493 (fls. 38/42) da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO. PREVISÃO EM LEI ORDINÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, consoante súmula vinculante n° 8 do STF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. PRAZO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existindo antecipação do pagamento, ainda que parcial, a decadência operase com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, mediante aplicação do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente Às fls. 2 e seguintes, consta o Auto de Infração (DEBCAD n° 37.181.1724) lavrado para constituição do crédito tributário no valor de R$ 27.747,13 (vinte e sete mil setecentos e quarenta e sete reais e treze centavos), referente às contribuições devidas pela empresa a Seguridade Social e destinadas a outras Entidades no total de 5,8%, sendo para Salário Educação (2,5%), lNCRA (0,2%), SENAC (1,0%), SESC (1,5%) e SEBRAE (0,6%). Os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas pela empresa autuada a segurados empregados e contribuintes individuais, no período descontínuo de 04/2005 a 13/2006, conforme informado em folha de pagamento. As bases de calculo foram obtidas por meio dos arquivos em meio digital entregues pela autuada, contendo todos os registros de Folha de Pagamento do período. Do relatório da decisão de piso, extraemse, em resumo, os principais argumentos de sua peça impugnatória: Foram lavrados autos de infração repetitivos. A grande quantidade de dispositivos legais citados para as multas e os juros dificulta totalmente o exame da sua aplicação, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN. A empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e qualquer outro lançamento neste período está abrangido pela decadência, conforme artigo 174 do CTN. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13888.003004/200819 Acórdão n.º 2401005.352 S2C4T1 Fl. 0 5 A empresa não tem débitos das contribuições lançadas, deixando à disposição guias, folhas de pagamento e contabilidade. Requer a procedência da impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/08/2010 (fls. 55), apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2010 (fls. 58). Do qual transcrevo o seu inteiro teor: Weiser Veículos S/A. já qualificada no processo acima, vem com o devido respeito, por seu procurador abaixo, apresentar recurso voluntário, contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pelos seguintes motivos de fato e de direito: 1. Na realidade, foram lavrados 19 (dezenove) autos de infração, tendo por base os mesmos fatos geradores. Alguns, com infração regulamentar simplesmente, e apenas dois com cobrança de contribuição social ao INSS. Os valores foram extraídos de lançamentos que não estavam os pagamentos, sujeitos a essa contribuição social. 2. Salienta ainda, que a empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estão abrangidos pela decadência, a teor do artigo 174 de C.T.N. porque os autos são de 2008. 3. A frondosa legislação transcrita nos autos dificulta sobremaneira a impugnação, como reconhecido pela autoridade julgadora. 4. Reitera, que não houve falta de pagamento de qualquer contribuição, pois os arquivos, documentos e livros estiveram à disposição do fiscal autuante, muitos documentos nem foram verificados, tal o volume apresentado. 5. Quanto à multa aplicada e a retroatividade benigna reconhecida no julgamento, deve ser retificado o auto de infração e não como foi decidido, prolongando “essa providência para a ocasião do pagamento. Reitera todos os temas da Impugnação, comprovada por documentos. Enfim, são autos destituídos de fundamento, aleatórios e por essa razão requer a sua insubstituência, como medida de inteira Justiça. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13888.003004/200819 Acórdão n.º 2401005.352 S2C4T1 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Preliminar de decadência Alega a recorrente que já fora fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estariam abrangidos pela decadência. Pois bem. Quanto ao prazo de constituição do crédito tributário (prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça – STJ consagrou o entendimento de que a regra do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do inciso I do art. 173, nos demais casos. Veja a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13888.003004/200819 Acórdão n.º 2401005.352 S2C4T1 Fl. 0 7 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Observase que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Sobre o caráter vinculante da decisão do STJ, a Portaria Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), traz as seguintes disposições: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13888.003004/200819 Acórdão n.º 2401005.352 S2C4T1 Fl. 0 8 § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Veja, nesse processo estão abrangidas as competências (fatos geradores) de 04 a 11/2005, 13/2005, 04/2006 e 13/2006, de acordo com o Discriminativo Analítico de Débito (fls. 5/6). Portanto, bem diferente do período (anos 2003 e 2004) a que fez referência o sujeito passivo. Como o sujeito passivo tomou ciência do lançamento em 31/07/2008, independente de aplicação da regra do § 4º do art. 150 ou inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em decadência do período fiscalizado. Esclarece ainda que o art. 174 do CTN dispõe sobre o prazo de prescrição do crédito tributário, ou seja, tratase do prazo de cobrança que se inicia somente após a constituição definitiva do crédito tributário, após a fase litigiosa. Diante do exposto, rejeito a preliminar de decadência do lançamento. Sem razão a recorrente. Mérito Ao contrário do que afirma a recorrente, o auto de infração foi lavrado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para sua feitura, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, dele constando a descrição precisa dos fatos, detalhados no Discriminativo Analítico de Débito, Discriminativo Sintético de Débito, Relatório de Lançamento, Relatório Legais do Débito e Termo de Encerramento da Fiscalização (fls. 2/23). Além disso, o sujeito passivo demonstra com clareza o teor da infração que lhe foi imputada, pelo que logrou apresentar suas razões de impugnação dentro do prazo legal e com especial profundidade, a demonstrar o perfeito entendimento às matérias que compunham o lançamento. Portanto, deve ser rejeitada a alegação de que houve ofensa ao art. 142 do CTN. Também, deve ser rechaçado o argumento que os autos estão destituídos de fundamento, aleatórios. Como se observa, nos termos descrito no Relatório Fiscal do AI (fls. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13888.003004/200819 Acórdão n.º 2401005.352 S2C4T1 Fl. 0 9 21/23), as bases de calculo foram obtidas mediante arquivos em meio digital entregues pela autuada, contendo todos os registros de Folha de Pagamento do período de 01/2003 a 08/2007 no formato do MANAD Manual Normativo de Arquivos Digitais. Relata a auditoria fiscal que as informações foram validadas por meio de testes, por amostragem, realizados por confronto com as folhas de pagamento em meio papel para as amostras 05/2003, 08/2004, 12 e 13/2006 e 08/2007, de onde foram extraídas as bases de calculo salariais demonstradas no Relatório de Lançamentos, lançadas em sua totalidade por competência e vinculadas aos seguintes códigos: DFP DEB FOPAG PATRONAL DECL que referese as contribuições lançadas em folha de pagamento e declaradas em GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social antes do início da ação fiscal. DFN DEB PATRONAL FOPAG N DECL que referese as contribuições lançadas em folha de pagamento e não declaradas em GFIPGuia de Recolhimento do FGTS e informações a Previdência Social. Os valores apurados por meio de registros em Folha de Pagamento do período configuram fatos geradores das contribuições devidas pela empresa a Terceiros, no caso o Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, nos termos das disposições legais citadas as fls. 12/13. Como bem pontuado na decisão de piso, a alegação de que foram lavrados autos repetitivos não procede, considerando que cada um deles tem por objeto o lançamento de contribuições ou a aplicação de penalidade distintas, ou seja, não foi lavrado nenhum Auto de Infração em repetição a outro. Em relação à aplicação da multa mais benéfica, retroatividade das alterações da Lei nº 11.941/09 que foi reconhecida no r. acórdão recorrido, necessário esclarecer que o órgão responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deve efetuar o cálculo da multa, nos termos em que está disposto no art. 476 da Instrução Normativa nº 971/09, conforme: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13888.003004/200819 Acórdão n.º 2401005.352 S2C4T1 Fl. 0 10 pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) [...] Também, são essas as disposições da Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que estabelece os procedimentos sobre a aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, nos seguintes termos: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). [...] § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Conclusão Pelo exposto acima, voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de decadência, e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13877.720110/2017-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Assim a dedução é possível até o limite dos alimentos definidos pelo juízo de família.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, a critério da autoridade lançadora.
Numero da decisão: 2002-000.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento, para restabelecer integralmente a dedução com despesas médicas e parcialmente a de pensão judicial (R$2.538,64).
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÕES LEGAIS. PENSÃO JUDICIAL. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente SOLANGE BARROS CARBONARE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2016 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Assim a dedução é possível até o limite dos alimentos definidos pelo juízo de família. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São consideradas dedutíveis na apuração do imposto as despesas médicas desde que comprovadamente despendidas pelo contribuinte com ele e seus dependentes. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, a critério da autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 7. 72 01 10 /2 01 7- 81 Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 460 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento, para restabelecer integralmente a dedução com despesas médicas e parcialmente a de pensão judicial (R$2.538,64). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 461 3 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2016, ano calendário 2015, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas e pensão alimentícia judicial. O contribuinte apresentou sua impugnação (fls.2/77). A instância recorrida (DRJ/FOR) resumiu os termos do lançamento e da impugnação: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Foi glosado o valor de R$ 30.600,00, deduzido indevidamente a título de pensão alimentícia. A autoridade fiscal relatou que: “Apresentou documentos em resposta à intimação. Não apresentou comprovantes de pagamento para a Sra. Sonia : DOCs, transferências bancárias ou cheques. Acordo homologado (ref. Sr. Hilton) efetuado em 1984 indicava pensão de 50% dos rendimentos líquidos para esposa e os 2 filhos, mas na DIRPF consta rendimento do Sr.Hilton de valor aproximadamente equivalente ao valor de pensão alimentícia informado. Acordo efetuado a (sic) 30 anos : filhos já adultos”. Dedução Indevida de Despesas Médicas Foi glosado o valor de R$ 2.200,00, deduzido pela contribuinte a título de Despesas Médicas, conforme adiante discriminado: ... O Auditor Fiscal fundamentou a glosa nos seguintes termos: “Apresentou documentos em resposta à intimação. Não foram apresentados comprovantes do efetivo pagamento de determinados valores : cheques, DOCs, transferências bancárias (ou extratos indicando saques em dinheiro nas datas e valores dos recibos). Não apresentou cópia de cheques. 1) Não apresentou comprovantes dos valores de 850,00, 225,00, 225,00, 225,00, 225,00, 225,00 e 225,00 indicados na DIRPF” Impugnação ... Pensão Alimentícia A impugnante disse que o valor glosado referese a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia conforme normas do Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 462 4 Direito de Família, em decorrência de acordo judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual. Acrescentou: ... Quando foi feito o acordo da separação consensual em 1984 os valores pagos como pensão alimentícia à Sra. Sonia Maria Assimo Coelho de Souza eram substancialmente mais altos que os atuais provenientes dos valores da aposentadoria do Sr. Hilton Campello Coelho de Souza. Quando foi requerida a aposentadoria, houve uma redução abrupta no valor dos proventos. Então, já que os filhos haviam se tornado adultos, de comum acordo foi combinado mantermos o acordo vigente, garantindo o sustento da Sra. Sonia, por se tratar de pessoa com problemas de saúde e que só dispõe desta renda para seu sustento. Este acordo está sendo cumprido, através de transferências bancárias, aportes em espécie ou bens materiais adquiridos. São anexados recibos e comprovantes de transferências enviadas a Sra. Sonia Maria Assimo Coelho de Souza (CPF 103.865.10857). Documentos anexados: ... Despesas Médicas A impugnante afirma que apresenta documentos para as despesas médicas glosadas, comprovando o efetivo pagamento. Adicionou o seguinte: Débora Juliana Yaginuma: ... Valor total R$ 850,00 (recibo MED201501) Dentista endodontia. O tratamento foi pago em duas parcelas, sendo a primeira de R$ 570,00 paga com o cheque Santander número 892415 (MED201502) compensado em 11/06/2015 (extrato MED201503 e verso) e a segunda de R$ 280,00 paga com o cheque Santander número 892416 (MED201504) compensado em 15 de julho de 2015 (extrato MED201505 e verso), conforme recibo, cheques e extratos bancários anexados. Renata Priscila Paizani A impugnante alega que os valores de R$ 225,00 declarados correspondem a um pagamento para a dentista, no total de R$ 1.350,00, dividido em 6 parcelas. O recibo foi emitido no final dos pagamentos, os quais foram efetuados por meio de cheques do Santander, tudo conforme recibo, cheques e extratos bancários anexados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 218/226), para restabelecer parcialmente a dedução com pensão alimentícia judicial (R$2.639,38), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 463 5 Anocalendário: 2015 DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente pode ser deduzido da base de cálculo do imposto, a título de pensão alimentícia, o valor decorrente das normas do Direito de Família, pago nos moldes de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública de separação ou divórcio consensual. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS MÉDICAS. Somente podem ser restabelecidas as deduções a título de despesas médicas, quando de se enquadram na previsão legal e forem comprovadas por documentação apresentada pelo contribuinte com a impugnação. Além dos recibos, podem ser exigidos elementos probatórios adicionais objetivando a comprovação do efetivo pagamento. Cientificada dessa decisão em 5/9/2017 (fl.233), a contribuinte formalizou, em 2/10/2017 (fl.235), Recurso Voluntário (fls. 235/453), no qual, em relação ao presente processo, apresenta as seguintes alegações (item 4 de seu recurso): Pensão Alimentícia Questionamento dos valores pagos após a maioridade dos filhos Aponta que a decisão de primeira instância acatou a dedução de um sexto dos rendimentos líquidos da aposentadoria de Hilton Campello Coelho de Souza. Ressalta que nos outros processos julgados a glosa foi mantida integralmente. Explica que por ocasião do divórcio do seu dependente e companheiro Hilton Campello Coelho de Souza, ele ficou obrigado ao pagamento de pensão para o excônjuge e seus filhos menores. Quando ele se aposentou, diz que teve seu rendimento reduzido em torno de 75%. Devido à queda nos rendimentos mensais, mantevese o mesmo desconto somente para o excônjuge, uma vez que não ocorreu até a presente data a exoneração da pensão judicial, nem autorização judicial para redução de valor. Acrescenta que a pensionista vem declarando esses valores à Receita Federal do Brasil e pagando os tributos devidos, sendo essa sua única fonte de renda. Transferências Bancárias para o excônjuge Indica a juntada de comprovantes de transferências bancárias, declarações emitidas pela instituição bancária acerca da titularidade da conta, extratos da contacorrente, quando disponíveis, recibo de pagamento da pensão e comprovante de rendimento. Observa que, no quadro elaborado na decisão de piso, foram apresentados valores de rendimentos incorretos a partir do mês de junho. Explica que em 10 de junho de Fl. 463DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 464 6 2015 completou 65 anos e uma parcela dos seus rendimentos passou a ser isenta de tributação. Essa parcela foi desconsiderada nos cálculos efetuados. Despesas Médicas Despesa com Débora Juliana Yaginuma A decisão recorrida aponta que o extrato bancário referente a essa despesa não apresentaria o ano correspondente e que não teriam sido apresentados os cheques correspondentes. Para dirimir a dúvida, indica a juntada do recibo, do cheque utilizado para pagamento, bem como extrato bancário contendo sua compensação. Despesa com Renata Paizani A decisão recorrida aponta que o extrato bancário referente a essa despesa não apresentaria o ano correspondente e que não teriam sido apresentados os cheques correspondentes. Para dirimir a dúvida, indica a juntada do recibo, do cheque utilizado para pagamento, bem como extrato bancário digitais contendo sua compensação. Esclarece que os cheques foram todos emitidos em julho de 2015, pré datados, para apresentação mês a mês pela profissional. Diz que as folhas estavam destacadas do talão e, por isso, os cheques foram preenchidos e apresentados fora de ordem em relação à numeração anotada nos canhotos. Ressalta que todos foram compensados de julho a dezembro de 2015 e os recibos emitidos após a compensação. Ao final, requer o afastamento da cobrança, diante dos elementos trazidos. Em caso de indeferimento, requer a devolução dos prazos para pagamentos, descontos e isenção de multa. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.454). É o relatório. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 465 7 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Pensão Judicial As deduções legais em Declaração de Ajuste se lastreiam no art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, no tocante à dedução de pensão alimentícia assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: ... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; ... § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, Fl. 465DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 466 8 poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. (destaques acrescidos) Acrescentese que o art 73 do RIR exige que o interessado faça comprovação das deduções pleiteadas em Declaração de Ajuste. Do regramento acima exposto, é possível extrair três condicionantes para a dedução de pensão alimentícia em Declaração de Ajuste, quais sejam: 1) o dever de pensionar decorre de decisão judicial; 2) o fundamento para pagamento da pensão deriva das normas do Direito de Família; e 3) deve haver prova do efetivo pagamento. Sobre o assunto, relevante reproduzir a Súmula nº 98 do CARF, de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (destaques acrescidos) A DRJ/FOR decidiu: Segundo o acordo homologado pelo Poder Judiciário em 02/05/1984 (fls.21/27), Hilton Campello Coelho de Souza separouse consensualmente de Sonia Maria Assimo Coelho de Souza, tendo sido estabelecida pensão para ela e seus dois filhos, menores na época: Rafael Coelho de Souza, nascido em 21/04/1973, e André Coelho de Souza, nascido em 07/03/1977. Os termos da pensão são os seguintes: O cônjuge varão fornecera à cônjuge varoa e aos dois filhos, pensão alimentícia correspondente a 50% (cinquenta por cento) dos seus rendimentos líquidos, excetuandose eventuais gratificações e/ou abonos de férias, valor que será descontado mensalmente em folha de pagamento da empresa Unibanco Sistemas S/A, Rua João Moreira Sales, 130, Rodovia Raposo Tavares, Km 16,5, a débito do cônjuge varão, valor esse que será depositado em conta corrente no Banco Brasileiro de Descontos S/A, em nome da cônjuge varoa, a ser aberta para essa finalidade. Outrossim, dado o estado de saúde dos filhos, obrigase o cônjuge varão a contribuir alem da verba alimentícia, com o Fl. 466DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 467 9 pagamento de 50% (cinquenta por cento) de despesas médicas despendidas efetivamente com o tratamento dos mesmos. A impugnante apresentou seus comprovantes de rendimentos, emitidos pela fonte pagadora sem qualquer desconto a título de pensão alimentícia. Foram também apresentados os seguintes documentos: declaração de Sonia Maria Assimo Coelho de Souza, dizendo que recebeu de Hilton Campello Coelho de Souza, a título de pensão alimentícia, no ano de 2015, R$ 30.600,00. Recibo assinado por Sonia Maria Assimo Coelho de Souza, dizendo que recebeu o total de R$ 15.850,00 em moeda corrente ao longo de várias datas do ano de 2015, como complemento da pensão alimentícia. Transferências bancárias mensais para a conta de Sonia Maria Assimo Coelho de Souza: ... Na Lei nº 9.250/1955, art. 4º, II, resta claro que somente podem ser deduzidos da base de cálculo do Imposto sobre a Renda as importâncias pagas em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública de divórcio/separação consensual. Qualquer valor pago em discordância com essa determinação legal é liberalidade, não podendo ser utilizado para o fim da dedução citada. Como se verá adiante, não há comprovação de que os valores porventura recebidos por Sonia Maria Assimo Coelho de Souza têm como fundamento o acordo homologado judicialmente apresentado. No caso, o acordo homologado judicialmente determina o desconto de 50% dos rendimentos líquidos de Hilton Campello Coelho de Souza a título de pensão da exesposa e dos filhos menores. O Auditor Fiscal menciona que os dois filhos já são adultos e a própria impugnante confessa que não há mais pagamento de pensão para eles. Uma vez que não há discriminação no acordo do valor relativo a cada um dos alimentados, pressupõese que o montante devido a cada um é um terço da pensão estabelecida. Ademais, como bem mencionou a autoridade lançadora, não se concebe uma pensão judicial que representa praticamente o total dos rendimentos do alimentante. O Código Civil, aprovado pela Lei nº 10.406/2002, art. 1.694, §1º, ressalva que, para fixação dos alimentos, deve ser levado em consideração não só a necessidade de quem recebe, mas também os recursos da pessoa obrigada a pagálos. No caso, os únicos rendimentos de Hilton Campello Coelho de Souza declarados têm valor bruto de R$ 16.044,53 (aposentadoria paga pelo INSS), enquanto que foi alegado que a pensão paga corresponde a R$ 30.600,00. É, portanto, impossível que todo esse valor tenha sido pago por Fl. 467DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 468 10 ele. Além disso, não há, nos autos, nenhuma decisão judicial que corrobore esse pagamento. Os rendimentos e descontos que constam na Declaração de Ajuste Anual para Hilton Campello Coelho de Souza são os mesmos informados na Declaração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte pela fonte pagadora Fundo do Regime Geral de Previdência Social. Segue o cálculo da pensão, conforme acordo homologado pelo Poder Judiciário: Há prova do efetivo pagamento de R$ 9.650,00 correspondente às transferências bancárias com a identificação do titular da conta de origem dos recursos (Hilton Campello Coelho de Souza). Entretanto, os valores pagos acima de R$ 2.639,38 pelo contribuinte não se subsumem à determinação legal contida no art. 4º, II, da Lei nº 9.250/1955, pois não decorrem do acordo homologado judicialmente, sendo liberalidade. Assim, deve ser mantida a glosa de R$ 27.960,62 e restabelecido como dedução somente R$ 2.639,38. (destaques acrescidos) Verificase que o acordo apresentado pelo senhor Hilton Campello Coelho de Souza, dependente da contribuinte, data de 1984 e previa o pagamento de pensão a dois filhos e ao excônjuge, a ser descontada em folha de pagamento da empresa Unibanco. No anocalendário 2015, ora em análise, os filhos já contavam com 42 e 38 anos e o senhor Hilton declara rendimentos recebidos do INSS, os quais não sofreram desconto de pensão judicial (fl.28). Na impugnação, o sujeito passivo afirma que "...já que os filhos haviam se tornado adultos, de comum acordo foi combinado mantermos o acordo vigente, garantindo o sustento da sra. Sonia, por se tratar de pessoa com problemas de saúde e que só dispõe desta renda para seu sustento. Este acordo está sendo cumprido, através de transferências bancárias, aportes em espécie ou bens materiais adquiridos" (fl.4). Fl. 468DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 469 11 Em seu recurso, afirma que "devido à queda nos rendimentos mensais, mantevese o mesmo desconto (50% dos rendimentos líquidos, menos gratificações) somente para a excônjuge...". Assim, cabe concluir que os valores pagos para a senhora Sonia acima do determinado pela sentença judicial foram efetuados por liberalidade do senhor Hilton. Como informa a contribuinte, tratase de acerto entre as partes, mas sem amparo em decisão judicial. Repisese que somente a parcela da pensão alimentícia decorrente do cumprimento de decisão judicial pode ser deduzida, excluindose somas pagas por liberalidade. Quanto ao efetivo pagamento, o recibo emitido pela beneficiária (fl.416) não é hábil a fazer a prova exigida, como consignado na decisão de piso. Tratase declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015). Agora, em seu recurso, a fim de comprovar os pagamentos efetuados no ano calendário 2015, junta documentos de fls. 389 a 415, hábeis a atestar a transferência do montante de R$14.750,00. O comprovante de rendimentos do anocalendário 2015 encontrase à fl. 417 e demonstra que o senhor Hilton auferiu rendimento líquido de R$31.068,11. Tratase do único rendimento declarado pelo senhor Hilton (DIRPF às fls. 78/89). Neste ponto, merece reparo a decisão de piso. Ao efetuar os cálculos, conforme quadro reproduzido acima, a autoridade julgadora desconsiderou a parcela isenta dos proventos de aposentadoria, no valor de R$15.231,84. Sobre o assunto, cabe reproduzir a orientação contida no Manual de Perguntas e Respostas IRPF Exercício 2016, no item 348, editado pela Receita Federal do Brasil: 348 — A pensão alimentícia descontada de rendimentos isentos de aposentadoria é dedutível na Declaração de Ajuste Anual? Sim. A pensão alimentícia paga em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou por escritura pública, em face das normas do Direito de Família, a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil – descontada de rendimentos isentos, pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual. Logo, é de se considerar como rendimento líquido auferido pelo senhor Hilton o montante de R$31.068,11. A decisão judicial estipulou pensão alimentícia de 50% dos rendimentos a ser paga a três beneficiários. Assim, para cada beneficiário, destinariase, nesse caso, a parcela de R$5.178,02. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 470 12 Repisese que valores pagos acima dessa parcela para um dos beneficiários tratase de liberalidade do senhor Hilton e que não podem ser acatados, por força das disposições legais atinentes à matéria. Assim, como a decisão de piso já acatara a dedução de R$2.639,38, cabe restabelecer a dedução de R$2.538,64, mantendose a glosa da diferença. Despesas Médicas Sobre dedução de despesas médicas, a Lei nº 9.250/95 prevê em seu artigo 8o: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... § 2º O disposto na alínea a do inciso II: .... III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Vale mencionar que a lei pode determinar a quem caiba a incumbência de provar determinado fato. É o que ocorre no caso das deduções. O art. 11, § 3°, do DecretoLei no 5.844, de 1943, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová las ou justificálas, deslocando para este o ônus probatório. No caso, o litígio recai sobre as seguintes despesas: Debora Juliana Yaginuma R$850,00 Renata Priscila Paizani R$1.125,00 Sobre essas despesas, a DRJ/FOR consignou: Fl. 470DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 471 13 Para comprovar o efetivo pagamento de R$ 850,00 a Débora Juliana Yaginuma, a contribuinte apresentou o recibo nesse valor emitido em 17/06/2015 e os extratos bancários de junho e julho nos quais consta: compensação do cheque 892415 em 11/06, no valor de R$ 570,00; compensação do cheque 892416 em julho (não dá para ver a data), no valor de R$ 280,00. Não constam as cópias dos cheques e nos extratos bancários não há o ano a que se referem, de forma que não resta comprovado o efetivo pagamento, devendo ser mantida a glosa de R$ 850,00. Com relação aos pagamentos efetuados a Renata Priscila Paizani, foram apresentados recibos no valor de R$ 225,00 cada, emitidos em 24/07/2015, 24/08/2015, 24/09/2015, 24/10/2015, 24/11/2015 e 24/12/2015. Para corroborar o efetivo pagamento foram apresentados extratos bancários dos meses agosto, setembro, novembro e dezembro, todos sem identificação do ano a que se referem. Somente no extrato de outubro se vê o ano de 2015. Além disso, apenas constam 5 cheques compensados nesses extratos e os canhotos com cópias anexadas não coincidem com as informações contidas nesses documentos. Por exemplo, no canhoto do cheque nº 892420 consta a data de 10/10 (fls. 159), mas esse cheque foi compensado em agosto (fls. 161). Assim, considero não comprovado o efetivo pagamento dos valores relativos a Renata Priscila Paizani, devendo ser mantida a glosa no valor de R$ 1.350,00. Para sanar as falhas apontadas pela decisão de primeira instância, em relação a essas duas despesas, a contribuinte apresenta recibos, cópias dos cheques emitidos e extratos bancários consignando as respectivas compensações (para Debora Yaginuma fls. 418/426 e para Renata Paizani fls. 427/453). Diante desses documentos, que se revelam hábeis a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas em comento, cabe cancelar suas glosas. Multa de Ofício Ao final, a contribuinte pleiteia desconto na multa aplicada ou isenção, caso seu recurso não seja provido. A exigência da multa de ofício está prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, inexistindo previsão legal para concessão de isenção ou de desconto por ocasião do julgamento na segunda instância administrativa. Ressaltese as disposições do artigo 6º da Lei nº 8.218, de 1991, mas que não se aplicam na fase em que se encontra a presente lide. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 13877.720110/201781 Acórdão n.º 2002000.046 S2C0T2 Fl. 472 14 Dessa feita, o pleito da contribuinte não encontra amparo legal, sendo de ser indeferido. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para restabelecer integralmente a dedução com despesas médicas e parcialmente a de pensão judicial (R$2.538,64). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 472DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.000949/2005-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2003
PIS. DECRETOS-LEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais Decretos-Lei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores.
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante.
DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. OUTUBRO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/2003-78, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de outubro/2003.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. OUTUBRO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/200378, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de outubro/2003. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 09 49 /2 00 5- 25 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10855.000949/200525 Acórdão n.º 3301004.265 S3C3T1 Fl. 329 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase, na origem, de declaração de compensação de créditos de PIS dos meses de outubro de 1990 a abril de 1994, com vistas a compensar créditos de PIS, relativo ao período de apuração de outubro de 2003, previamente reconhecidos e apurados nos termos da Ação Ordinária n° 95.09044393, cujo acórdão transitou em julgado na data de 06/04/2000. Do relatório da decisão recorrida, efls. 289s, consta: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 89 a 97) contra o Despacho Decisório de fl. 85, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, SP. Segundo consta no despacho supra, inexiste crédito a compensar conforme despacho extraído do processo 10855.00880/200378 de fl. 84. Desta forma, diante do não reconhecimento do direito creditório, a Declaração de Compensação (DCOMP) apresentada pela contribuinte não foi homologada. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em comento, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: Correção monetária dos indébitos apurados, adotando como índice a Taxa Selic e aplicação da semestralidade na base de cálculo no cálculo do PIS. Dando prosseguimento ao processo, este foi encaminhado para a DRJ em Ribeirão Preto para julgamento. A 4ª Turma da DRJ/POR, no acórdão n° 1414.755, negou provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS é o faturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO A COMPENSAR. Ante a inexistência de crédito a compensar, não se homologa a declaração de compensação apresentada. Em seu recurso voluntário, a empresa reiterou os fundamentos de sua impugnação, requerendo a aplicação da semestralidade e da atualização pela taxa SELIC. Ao final, defendeu o acolhimento do pleito com a consequente homologação da DCOMP. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.000949/200525 Acórdão n.º 3301004.265 S3C3T1 Fl. 330 3 Tratase o presente, de processo vinculado ao processo n° 10855.000880/200378, ao qual, inclusive, está apenso. Nos autos do processo n° 10855.000880/200378, a 3ª Turma Especial do CARF, por meio da Resolução n° 3803000.116, converteu o julgamento em diligência, para determinar: o retorno do processo à delegacia fiscal de origem, para que se proceda a apuração do crédito em questão, observandose a semestralidade da base de cálculo do PIS do período de outubro de 1990 a abril de 1994 e, ainda, a correção monetária do crédito, até a data da compensação do PIS da competência abril de 2003 objeto da presente demanda, com base na variação da taxa Selic, nos exatos termos da decisão judicial proferida pelo TRF 3ª Região. A diligência foi cumprida, nos termos da informação fiscal que lá consta, e fls. 1253 e s. Sobre o resultado, a empresa manifestouse, nas efls. 1296 e s. Ressaltase que a diligência investigou e certificou também se o direito creditório cobre os débitos de PIS de outubro/2003, que é objeto deste presente processo, bem como de outros processos também apensados ao de n° 10855.000880/200378. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. É pacífico o entendimento de que a base de cálculo do PIS, sob o regime da Lei Complementar nº 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, e, sendo inconstitucionais os Decretoslei nº 2445 e 2449/88, conforme a Resolução do Senado nº 49/95, deve prevalecer a Lei Complementar, nos termos em que imposta até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98. A matéria é inclusive tema da Súmula CARF nº 15 (vinculante): “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Por conseguinte, exsurgiu o direito de o contribuinte compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS de acordo com os atos inconstitucionais, naquilo que superou o previsto na Lei Complementar n° 7/70, direito que fora reconhecido na Ação Judicial Ordinária n° 95.09044393, de titularidade da Recorrente. Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.000949/200525 Acórdão n.º 3301004.265 S3C3T1 Fl. 331 4 Dessa forma, andou bem a Resolução n° 3803000.116, do processo n° 10855.000880/200378, ao determinar de ofício a aplicação da semestralidade. Como resultado da diligência, a Delegacia competente verificou que quase a totalidade dos valores em litígio no processo n° 10855.000880/200378, no presente e ainda nos outros processos em apenso ao primeiro, foram objeto de compensação. Relata a autoridade fiscal que do confronto dos débitos apurados com os recolhimentos havidos no mesmo período, obtémse, como resultado, conforme relatório “Demonstrativo de Saldo de Pagamentos”, o montante de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) que corresponde ao efetivo direito creditório do contribuinte antes de realizadas as compensações por ele declaradas em DCTF e em Declarações de Compensação (a partir de 2003). Transcrevo parte do teor da informação fiscal, efls. 1253s do processo n° 10855.000880/200378: III – Das Compensações – Até o Limite do Crédito Apurado e Reconhecido As compensações foram realizadas até o limite do crédito apurado e reconhecido, por ordem direta dos períodos de apuração dos débitos de PIS informados/declarados pelo contribuinte, do mais antigo para o mais recente. No demonstrativo “Quadro Resumo – Demonstrativo de Utilização de Crédito do PIS para Compensação com o próprio PIS” juntado às fls. 1189, é possível se verificar a consumação do crédito apurado após a amortização de cada um dos débitos de PIS, até a sua completa exaustão. Nos demonstrativos, listagens e demonstrativos citados adiante, as compensações serão tratadas pormenorizadamente. Para fins de operacionalização e controle nos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, as compensações informadas e declaradas pelo contribuinte foram divididas em dois períodos distintos, a saber: • período de apuração de 07/1996 a 10/2000 – compensações informadas em DCTF; • período de apuração de 02/2003 a 01/2004 – compensações declaradas em DCOMP. Para o primeiro conjunto – PA 07/1996 a 10/2000 – o crédito reconhecido foi suficiente para a amortização de todas as contribuições de PIS, conforme demonstrado nos seguintes relatórios: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes, fls. 1190/1191; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, fls. 1192/1193; • Demonstrativo Analítico de Compensação, fls. 1194/1230. Já para o segundo conjunto – PA 02/2003 a 01/2004 – o crédito apurado foi suficiente para a compensação total das contribuições do PIS relativas aos períodos de apuração de fevereiro/2003 até novembro/2003 e parcial do período de apuração dezembro/2003, conforme relatórios anexos: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes II, fls. 1231; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes II, fls. 1232; • Demonstrativo Analítico de Compensação II, fls. 1233/1240. Dessa forma, conforme “Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes” de fls. 1232, remanesceram os débitos de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.000949/200525 Acórdão n.º 3301004.265 S3C3T1 Fl. 332 5 R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, valores estes sujeitos à cobrança final e inscrição em dívida ativa. Sobre o resultado da diligência, a Recorrente reclamou apenas que a diferença a pagar existente em 12/2003 e 01/2004 se devia por erro na conversão entre as moedas, de cruzeiro real para real, concordando com os demais termos da informação fiscal: Ocorre que, de acordo com os cálculos da ora Requerente (planilha juntada aos autos do processo, o direito creditório antes de realizadas as compensações corresponde ao valor de R$ 307.182,97 (trezentos e sete mil, cento e oitenta e dois reais e noventa e sete centavos), e não de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) como apontado pela autoridade administrativa. Aparentemente, a autoridade administrativa considerou todos os pagamentos realizados pela ora Recorrente, mas, ao converter os valores de Cruzeiros (CR$) para Reais (R$), na planilha denominada “Demonstrativos de Saldos e Pagamentos”, não mencionou a fórmula utilizada para tanto, o que impede a Requerente de contraditar os cálculos da Receita Federal e que implica em nítido cerceamento do direito de defesa. Com efeito, nos termos da informação fiscal, partindose do valor apurado pela Receita Federal antes das compensações (R$ 300.809,62), ao final, remanescerão os débitos de PIS de dezembro/2003, no valor de R$ 7.098,88 e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, pois o crédito não seria suficiente para liquidar integralmente as compensações declaradas. Por outro lado, partindose do valor apurado pelo contribuinte (R$ 307.182,97), verificarseá que, realizadas as compensações, não remanescerá débito algum. Tal alegação foi afastada no acórdão n° 3301004.085, com os seguintes fundamentos do voto condutor: Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10855.000949/200525 Acórdão n.º 3301004.265 S3C3T1 Fl. 333 6 Não há o que se deferir quanto ao pleito de esclarecimento do método de cálculo utilizado na conversão de valores de cruzeiros para reais, com o apontamento dos índices aplicados. Isso porque as conversões são realizadas automaticamente pelo sistema da Receita Federal, o SICALQ, que está, inclusive, disponível para download no site www.receita.fazenda.gov.br. De todo modo, o sistema atende ao comando da Medida Provisória n° 542/1994 e reedições e da Lei n° 9069/1995. As regras de conversão do cruzeiro real para real estão postas no art. 12 e seguintes da Lei n° 9069/1995. Logo, a argumentação da Recorrente não desqualificou o trabalho da auditoria fiscal. Diante disso, considerando as premissas apontadas pela Recorrente, a partir das quais a diligência foi efetuada (itens i a iv citados acima), bem como o resultado avalizado pela interessada, entendo que é imperioso reconhecer o indébito devidamente comprovado. Restou a ementa daquele acórdão, assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2003 PIS. DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. Reconhecimento parcial do indébito alegado pelo contribuinte, conforme o demonstrado no procedimento de diligência fiscal. Crédito parcialmente extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. Recurso voluntário parcialmente provido. Então, a conclusão do acórdão n° 3301004.085, do PA n° 10855.000880/200378, foi de reconhecer que se operou a extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN, até o limite reconhecido pela autoridade fiscal, no procedimento de diligência fiscal, dando provimento parcial ao recurso voluntário. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10855.000949/200525 Acórdão n.º 3301004.265 S3C3T1 Fl. 334 7 Isso porque, como apontou a autoridade diligenciante, restou saldo a pagar de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17. Resta, por conseguinte, neste processo, aplicar o resultado do processo n° 10855.000880/200378. Logo, deve ser reconhecido que o crédito apurado foi suficiente para compensar integralmente os débitos de PIS do período de outubro/2003, que é o objeto do presente processo. Portanto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.901374/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente AUTO POSTO IRMAOS BATISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 13 74 /2 01 2- 83 Fl. 988DF CARF MF Processo nº 13227.901374/201283 Acórdão n.º 3302005.177 S3C3T2 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela DRF JiParaná, que deferiu parcialmente o direito ao crédito de COFINS não cumulativa/mercado interno e, em conseqüência, homologando parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito concedido. Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que se dedica ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins, que é optante pelo regime de apuração pelo Lucro Real e, portanto, sujeitase à apuração das contribuições para o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Diz que realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis tributados à alíquota zero e que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos, mas, sim, de créditos sobre insumos e serviços necessários na atividade que exerce, uma vez que sendo seu produto final tributado à alíquota zero, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitem o aproveitamento dos créditos sobre esses dispêndios.(grifei). Quanto aos fretes pagos, esclarece que adquire combustíveis e lubrificantes para revenda, mas como a empresa vendedora não entrega os produtos, precisa contratar serviços de fretes de outras pessoas jurídicas para que o produto chegue até seus estabelecimentos e possa realizar a venda, e enfatiza, por isso, que o frete é um serviço/insumo necessário para a realização de sua atividade comercial. Ressalta que o art 3º da Lei nº 10.833, Fl. 989DF CARF MF Processo nº 13227.901374/201283 Acórdão n.º 3302005.177 S3C3T2 Fl. 4 3 de 2003, não relaciona os insumos/serviços e tampouco considera que apenas indústrias podem realizar créditos, e que a Receita Federal ao editar a IN 404/2004, conceituando o termo insumo, foi além do seu dever de normatizar. Faz uma diferenciação entre a não cumulatividade do PIS e da Cofins e da não cumulatividade do IPI ou do ICMS, citando decisões do CARF, do Tribunal Regional Federal e Soluções de Consulta da Receita Federal. A Recorrente contesta ainda a exclusão dos créditos que foram glosados, pleiteando o seu reconhecimento e a homologação das compensações declaradas, a suspensão da exigibilidade dos débitos e também o direito à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Tendo em vista as argumentações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e dada a inexistência de documentos comprobatórios nos autos, foi emitido Termo de Diligência pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, solicitando cópias de recibos de aluguéis efetuados no período, comprovação de seu registro contábil e respectivos contratos de locação; bem como relação dos produtos vendidos com detalhamento e sua classificação NCM. Cumprida a solicitação efetuada, os autos retornaram para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06 054.544. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade com relação a Fretes sobre Compras e Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, cabendo destacar quanto ao pedido, em síntese: · Seja acolhido o presente Recurso Voluntário; · Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; · Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, pois foram por ela suportados e atendem a condição de insumo conforme determina a legislação de regência da matéria; · Que seja afastado em definitivo o entendimento de que os fretes sobre compras teriam a mesma natureza tributária do produtos transportado, eis que tal alegação não tem respaldo legal e fere o sistema de nãocumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03; · Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores a título de aluguéis de máquinas e equipamentos pagos para pessoas jurídicas, conforme comprovam os boletos bancários pagos Fl. 990DF CARF MF Processo nº 13227.901374/201283 Acórdão n.º 3302005.177 S3C3T2 Fl. 5 4 à Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga sob a denominação de “Programa Rodo Rede”, integrantes deste processo, eis que os pagamentos são legítimos e correspondem aos aluguéis de bombas para estabelecimentos de combustíveis com bandeira Ipiranga; · Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; · Determinar que todos os valores de créditos constantes do pedido de ressarcimento sejam atualizados mediante a incidência da SELIC, a partir do período de apuração do crédito em face das disposições das disposições do Decreto nº 2.138/97 e parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250/95.(grifei). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.163, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900124/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.163): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Cabe esclarecer que o Despacho Decisório ao homologar parcialmente a compensação declarada, cientifica e intima o interessado a efetuar o pagamento dos débitos não abrangidos pela homologação, facultando ao interessado nos termos da legislação de regência a apresentação da manifestação de inconformidade. Optando assim o interessado pela apresentação da manifestação de inconformidade, ato processual que inaugura a lide administrativa no caso em tela, está abrigado pela suspensão da Fl. 991DF CARF MF Processo nº 13227.901374/201283 Acórdão n.º 3302005.177 S3C3T2 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito tributário, nos termos do 1inciso III do art. 151 do CTN. MÉRITO Observase que a recorrente em extenso arrazoado, discorre sobre o seu suposto direito aos créditos alegados, na ótica de sua interpretação, arguindo ainda que a decisão de piso se mostra confusa e contraditória, notadamente quanto à fundamentação referente à glosa de fretes sobre compras, ressaltando que o julgador em sua interpretação não destaca os dispositivos legais que amparam sua interpretação. Verificase não assistir razão à recorrente, haja vista que a fundamentação da decisão de piso em cada matéria abordada, cita expressamente os dispositivos das Leis nºs 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, que regem a matéria dos autos e respaldam a exegese conferida a cada tópico analisado. Para a análise a seguir é importante destacar que a empresa tem por objeto mercantil o comércio varejista de combustíveis e a prestação de serviços afins. Da glosa dos créditos relativos a Fretes sobre Compras Quanto aos pagamentos de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, que segundo a recorrente consiste em um serviço necessário para a realização de sua atividade comercial, considerando que a questão fática está bem dirimida, prendendose o litígio na interpretação da legislação quanto à possibilidade ou não de creditamento de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, utilizome da fundamentação escorreita e primorosa sobre o assunto, conferida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, através do acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, na qual estão plasmados os fundamentos à luz da legislação de regência sobre a matéria, conforme excertos do voto a seguir transcritos: Da glosa dos créditos relativos a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 992DF CARF MF Processo nº 13227.901374/201283 Acórdão n.º 3302005.177 S3C3T2 Fl. 7 6 No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/ 1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.(grifei). Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das Fl. 993DF CARF MF Processo nº 13227.901374/201283 Acórdão n.º 3302005.177 S3C3T2 Fl. 8 7 citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe.(grifei). (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); (grifei). b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os fundamentos acima expendidos, cuja hermenêutica da legislação expressamente citada e sistematicamente organizada permitem inferir que não há amparo legal para o aproveitamento de crédito sobre fretes utilizados pela contribuinte, na compra de combustíveis para revenda, como bem destacou a decisão de piso, em trecho a seguir ressaltado: (...) o frete está relacionado à aquisição de combustíveis, e esta operação, compra de combustíveis, está submetida ao regime monofásico que não gera direito a crédito. Por isso esses gastos de fretes, ainda que componham o custo de aquisição de combustíveis, não podem ser admitidos para efeito de aproveitamento de crédito. Ou seja, não havendo possibilidade de aproveitamento de crédito com a própria aquisição de Fl. 994DF CARF MF Processo nº 13227.901374/201283 Acórdão n.º 3302005.177 S3C3T2 Fl. 9 8 combustíveis assim também não o haverá para o gasto com seu transporte.(grifei). Assim, mantémse a glosa acima destacada, por falta de amparo legal para seu creditamento. Das glosas com Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Com relação à glosa em apreço, dispõem as leis de regência, Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;(grifei) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Destaca o relatório fiscal: Foram analisados os comprovantes de pagamento de aluguéis, mês a mês, e solicitamos a cópia autenticada do contrato de aluguel para aferirmos se a utilização dos equipamentos se daria nas atividades da empresa. Foram apresentados apenas os contratos de locação feitos com a Transportadora Giomila LTDA e com a Transportadora Batista LTDA. O contrato de locação com a Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga não foi localizado pelo contribuinte.(grifei). Referida glosa foi objeto de procedimento de diligência, nos seguintes termos (...) que seja intimada a interessada a apresentar, relativamente aos 3º e 4º trim/2004 e aos 1º ao 4º trim/2005: 1) cópias dos recibos de aluguéis efetuados no período à Transportadora Batista Ltda. e à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, bem como o seu respectivo registro nos livros contábeis, além dos contratos de locação (...);(grifei) Fl. 995DF CARF MF Processo nº 13227.901374/201283 Acórdão n.º 3302005.177 S3C3T2 Fl. 10 9 O resultado está consignado nos excertos da decisão de piso como a seguir demonstrado: Em atendimento à diligência efetuada, a interessada juntou comprovantes de pagamentos efetuados no período à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, assim como cópia do seu livro Diário onde consigna o respectivo registro. Entretanto, os recibos trazidos aos autos em nada esclarecem a que se referem cada um dos pagamentos, estando em alguns deles mencionado simplesmente referirse a ‘Programa Rodo Rede’. Por óbvio que não restou demonstrado que esses pagamentos são relativos a aluguéis de equipamentos (bombas de gasolina e tanques) utilizados nas atividades da empresa, como pondera a interessada, que possa ser aproveitado para o cálculo do crédito a ser deduzido da contribuição devida.(grifei) Verificase que o direito ao crédito da espécie em análise, requer conforme o preceito legal destacado, duas condições: aluguéis (...), pagos... e utilizados pessoa jurídica, nas atividades da empresa. Com efeito, tratandose de direito creditório, cabe ao interessado a comprovação de seu direito arguido. No caso em apreciação, a interessada além de não apresentar o contrato de locação já referido, os recibos apresentados, conforme arquivos não pagináveis acostados aos autos não demonstram a efetividade dos pagamentos quanto à locação arguída, mesmo após a diligência deferida pela instância a quo, visto que não há nestes documentos a identificação da operação que visam respaldar. Ante o exposto, mantémse a glosa por falta de comprovação pela interessada. Do direito à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC Quanto à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC, tratase de expressa vedação legal, conforme dispõe o 2art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, logo tornase impossível o atendimento ao pleito da recorrente. Destaquese que o direito à compensação, pugnado na peça recursal prendese ao cumprimentos dos requisitos impostos pela legislação. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante frisar que no presente processo o litígio abarca o direito a créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, que encontram correspondência com os pleiteados pela Recorrente no caso do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 2 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 13227.901374/201283 Acórdão n.º 3302005.177 S3C3T2 Fl. 11 10 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 997DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.001173/2005-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO SOBRE QUESTÃO RELEVANTE E DE CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO DO VÍCIO E APRIMORAMENTO DA DECISÃO.
Na hipótese de existência de vícios de omissão relativos a uma questão relevante e imprescindível ao julgamento da demanda e de contradição, cabem embargos de declaração para correção do vício e aprimoramento da decisão.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTA. LEGISLAÇÃO GERAL E ESPECIAL. ARTIGO 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.158-35/2001. ARTIGO 1º DA LEI N° 11.945/2009.
Enquanto o artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 prevê uma penalidade devida pelo atraso na apresentação de declaração: (i) calculada por valor fixo, multiplicado pelo número de declarações em atraso e pelos meses em atraso e graduada em razão da opção de regime de tributação da pessoa jurídica (lucro presumido e Simples, de um lado, e demais pessoas jurídicas, de outro); o artigo 1º da Lei n° 11.945/2009 prevê a penalidade devida na ocorrência da mesma situação fática, porém, mais específica, atraso na apresentação da DIF-Papel Imune: (ii) calculada por valor fixo multiplicado pela número de declarações em atraso, pouco importando o número de meses em atraso, e graduada por critério, a meu ver, diverso, qual seja, porte do contribuinte (micro e pequena empresa, de um lado, e demais pessoas jurídicas, de outro).
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 3401-004.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e dar provimento aos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para sanar os vícios apontados, (i) retificando o valor indicado na decisão embargada como multa aplicada pela autoridade fiscal no lançamento e, (ii) no que diz respeito à redução da multa promovida pela decisão embargada, tendo em vista a constatação de que não há informação e/ou documentação de suporte para enquadrar o contribuinte como micro ou pequena empresa, aplicar a retroatividade benigna em matéria de penalidade do artigo 106, do CTN, em razão do advento da Lei n° 11.945/2009, devendo a unidade preparadora liquidar o julgado, pela verificação do faturamento auferido pelo contribuinte nos anos de 2002, 2003 e 2004: se inferior aos limites estabelecidos na legislação de regência à época, a liquidação deve se realizar com aplicação de multa de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por declaração; e, se superior aos limites de faturamento anual indicados em tal legislação, a liquidação deve se realizar pela aplicação de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por declaração. Vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que propunha a conversão em diligência.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: Augusto Fiel Jorge d' Oliveira
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO SOBRE QUESTÃO RELEVANTE E DE CONTRADIÇÃO. CORREÇÃO DO VÍCIO E APRIMORAMENTO DA DECISÃO. Na hipótese de existência de vícios de omissão relativos a uma questão relevante e imprescindível ao julgamento da demanda e de contradição, cabem embargos de declaração para correção do vício e aprimoramento da decisão. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTA. LEGISLAÇÃO GERAL E ESPECIAL. ARTIGO 57 DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835/2001. ARTIGO 1º DA LEI N° 11.945/2009. Enquanto o artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 prevê uma penalidade devida pelo atraso na apresentação de declaração: (i) calculada por valor fixo, multiplicado pelo número de declarações em atraso e pelos meses em atraso e graduada em razão da opção de regime de tributação da pessoa jurídica (lucro presumido e Simples, de um lado, e demais pessoas jurídicas, de outro); o artigo 1º da Lei n° 11.945/2009 prevê a penalidade devida na ocorrência da mesma situação fática, porém, mais específica, atraso na apresentação da DIFPapel Imune: (ii) calculada por valor fixo multiplicado pela número de declarações em atraso, pouco importando o número de meses em atraso, e graduada por critério, a meu ver, diverso, qual seja, porte do contribuinte (micro e pequena empresa, de um lado, e demais pessoas jurídicas, de outro). RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 11 73 /2 00 5- 38 Fl. 127DF CARF MF 2 lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer e dar provimento aos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para sanar os vícios apontados, (i) retificando o valor indicado na decisão embargada como multa aplicada pela autoridade fiscal no lançamento e, (ii) no que diz respeito à redução da multa promovida pela decisão embargada, tendo em vista a constatação de que não há informação e/ou documentação de suporte para enquadrar o contribuinte como micro ou pequena empresa, aplicar a retroatividade benigna em matéria de penalidade do artigo 106, do CTN, em razão do advento da Lei n° 11.945/2009, devendo a unidade preparadora liquidar o julgado, pela verificação do faturamento auferido pelo contribuinte nos anos de 2002, 2003 e 2004: se inferior aos limites estabelecidos na legislação de regência à época, a liquidação deve se realizar com aplicação de multa de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por declaração; e, se superior aos limites de faturamento anual indicados em tal legislação, a liquidação deve se realizar pela aplicação de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por declaração. Vencido o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que propunha a conversão em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento tem origem no Auto de Infração de fls. 0412, lavrado em 15/02/2005 para cobrança de crédito tributário no valor de R$665.000,00 (seiscentos e sessenta e cinco mil reais), por falta de entrega da Declaração de Informações a respeito de Papel Imune (“DIFPapel Imune”), conforme descrição dos fatos e enquadramento legal a seguir: “O contribuinte deixou de apresentar, no prazo legal, as DIFPapel Imune referentes ao terceiro e quarto trimestres do ano de 2002, aos quatro trimestres do ano de 2003 e aos primeiro e segundo trimestres do ano de 2004 a que está obrigada na condição de adquirente de papel com imunidade destinado A impressão de livros,jornais e periódicos. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10580.001173/200538 Acórdão n.º 3401004.361 S3C4T1 Fl. 128 3 Tal obrigatoriedade é estabelecida pelos artigos lº e 10 da Instrução Normativa SRF 71/2001, baixada com base na autorização concedida pelo art. 16 da Lei 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Só veio a fazêlo entre 18/01/05 e 01/02/05, após intimação especifica da Fiscalização em 30/12/04 e recebida na empresa em 31/12/04. O atraso na entrega acarreta, consoante art. 12 da IN SRF 71/2001, a imposição da multa estabelecida no art. 57 da Medida Provisória 2.158 34/2001, a qual é de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês de atraso para cada declaração não entregue. No presente Auto de Infração é feita a exigência da multa total relativa às 8 (oito) declarações não entregues, cujo cálculo encontrase detalhado no Demonstrativo da Multa Lançada por atraso na entrega da DIFPapel Imune, em anexo. O valor total atingiu R$ 665.000,00”. (grifos nossos) Após ter sido cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada totalmente improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Salvador – BA (“DRJ”) na sessão de julgamento do dia 14/08/2007, por acórdão que possui a ementa a seguir: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003,2004 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CONSTITUCIONALLDADE. EFICÁCIA DE ATOS LEGAIS. ATIVIDADE VINCULADA INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à. inconstitucionalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. A autoridade administrativa, devido à sua vinculação à norma legal, e ao entendimento que a ela dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade ou eficácia. MULTA REGULAMENTAR. FALTA DE ENTREGA DA DECLARAÇÃO ESPECIAL DE INFORMAÇÕES RELATIVAS AO CONTROLE DE PAPEL IMUNE — DIF PAPEL IMUNE. Fl. 129DF CARF MF 4 Constatada a falta ou atraso na apresentação da DIFPapel Imune pela pessoa jurídica obrigada, é devida a exigência de multa regulamentar por descumprimento da obrigação acessória”. Contra essa decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, provido em parte por esta Turma, na sessão de julgamento do dia 19/10/2009, por acórdão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002, 2003, 2004 A multa pela falta da entrega da DIF Papel imune incide uma única vez, sendo a autuação de R$ 2.500,00 por DIF não entregue”. (grifos nossos) Naquela oportunidade, a Turma entendeu aplicável a retroatividade benigna de penalidade prevista no artigo 106, inciso II, alínea c, do CTN, em razão da superveniente edição de lei especial regendo a matéria, a Lei nº 11.945/2009, para substituir a multa aplicada, de “R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês de atraso para cada declaração não entregue” para “R$ 2.500,00 por DIF não entregue”, considerando que a situação do contribuinte se amoldava a hipótese de “micro e pequenas empresas” prevista no artigo 1º, parágrafo 4º, da Lei nº 11.945/2009. Segundo o Voto do ilustre Conselheiro Relator Fernando Marques Cleto Duarte: “Com base nas disposições acima, a autoridade fiscal entendeu ser cabível a aplicação da penalidade de R$ 1.500,00 por mês de atraso. (...) Mas, independentemente de tal afronta, cuja análise não cabe a este colegiado, é de se observar a superveniência de Lei mais benéfica A. contribuinte, qual seja, a Lei n° 11.945/2009. A citada lei traz novas disposições acerca da DIFPapel Imune. Dispõe seu art. 10 (grifamos): (...) Ou seja, a nova norma dispõe que a penalidade para a falta em que incorreu a contribuinte é de R$ 5.000,00 para cada DIF não entregue (ou R$ 2.500,00, no caso de micro e pequenas empresas). Em virtude do princípio da retroatividade benigna da legislação tributária, insculpido no art. 106 do CTN, entendo que a nova norma deve ser aplicada ao presente caso. (...) Em face de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao presente recurso, no sentido de reduzir a multa aplicada para R$ 2.500,00 por DIF não entregue, por ser esta a melhor interpretação da legislação vigente”. Diante dessa decisão, a Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 115 e seguintes, nos quais alega a existência dos vícios de omissão e contradição, pelos motivos a seguir: “Ocorre que, compulsando os autos, não se vislumbra a comprovação de que o autuado se trata de micro ou pequena empresa, o que renderia ensejo à aplicação da multa no patamar de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) em detrimento do valor de R$5.000,00 (cinco mil reais) aplicável para as demais empresas. Não havendo qualquer informação nesse sentido, o caso é Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10580.001173/200538 Acórdão n.º 3401004.361 S3C4T1 Fl. 129 5 de aplicar a regra, qual seja, a multa no patamar de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Ademais, ao contrário do afirmado pelo il. Relator em seu voto, o fiscal autuante não aplicou a multa no patamar de R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), consoante previa a legislação anterior quando se tratasse de autuação de empresa optante pelo SIMPLES, mas sim no patamar de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário. É o que se observa no demonstrativo de fls. 07/09”. Pelo despacho de fls. 123, de 09/07/2015, os Embargos de Declaração opostos foram admitidos, por terem sido verificados os pressupostos para conhecimento: “a peça foi apresentada tempestivamente, por pessoa habilitada regimentalmente e aponta de forma clara e objetiva a ocorrência do defeito propiciador da interposição do recurso manejado”. Após, os autos foram distribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira A Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão embargado no dia 26/02/2010, conforme fls. 113 dos autos, apresentando Embargos de Declaração na mesma data, conforme carimbo de movimentação do processo que consta às fls. 120. Além disso, foram objetivamente apontados os vícios de omissão e contradição. Por esses motivos, o recurso merece conhecimento, nos termos do artigo 65, parágrafos 1º e 3º, do Anexo II, do RICARF. Como relatado, o lançamento da penalidade aponta como fundamento legal os artigos 16 da Lei nº 9.779/1999 e o 57 da Medida Provisória nº 2.15834/2001, ato legal reeditado (Medida Provisória nº 2.15835/2001), porém, com a manutenção da redação dada ao artigo 57. À época do lançamento, a redação vigente para esses dispositivos era a seguinte: Lei nº 9.779/1999: “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável”. Medida Provisória nº 2.15835/2001: Fl. 131DF CARF MF 6 “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento”. (grifos nossos) Dessa maneira, a Fiscalização impôs a penalidade no montante de R$5.000,00 (cinco mil reais), calculada por mês de atraso para cada declaração não entregue. Após 2005, ano em que foi realizado o lançamento que ora se discute, a redação do artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 sofreu alterações com a edição da Lei nº 12.766/2012 e da Lei nº 12.873/2013, passando, atualmente, a dispor da seguinte forma acerca da penalidade em questão: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013)” (grifos nossos) Como se verifica, a hipótese de incidência da penalidade (apresentação extemporânea de declaração) e sua forma de cálculo (valor fixo de penalidade multiplicado por mêscalendário de atraso) permaneceram hígidas. Porém, houve uma redução substancial na penalidade aplicável à hipótese de apresentação extemporânea de documentos relacionados ao cumprimento obrigações acessórias perante a Receita Federal e, além disso, uma distinção na gradação da penalidade, a depender do sujeito passivo da obrigação, se (i) pessoa física, (ii) Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10580.001173/200538 Acórdão n.º 3401004.361 S3C4T1 Fl. 130 7 pessoa jurídica optante pelo lucro presumido ou Simples Nacional ou (iii) demais pessoas jurídicas. De qualquer maneira, as alterações promovidas na Medida Provisória nº 2.15835/2001 acabaram se tornando dispensáveis, para fins de aplicação do artigo 106 do CTN em relação ao caso concreto, pois, desde a edição de lei especial tratando da matéria penalidade aplicável na apresentação a destempo de DIFPapel Imune, o artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 passou a ser inaplicável para reger a matéria, em razão de sua natureza de lei geral. Essas normas de natureza especial estão veiculadas na Lei n° 11.945/2009, que disciplina a matéria, casos de entrega a destempo da DIFPapel Imune, nos seguintes termos: “Art. 1º Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: (Produção de efeitos). (...) § 3º Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4º O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade”. Ou seja, ao invés de uma penalidade genérica multiplicada pelo número de meses em atraso, passou a ser devida a uma penalidade fixa, independentemente do número de meses em que o contribuinte estivesse em mora, que incide simplesmente “se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Com isso, a norma que se extrai da legislação especial difere da que decorre da legislação geral. Assim, enquanto o artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 prevê uma penalidade devida pelo atraso na apresentação de declaração: (i) calculada por valor fixo, Fl. 133DF CARF MF 8 multiplicado pelo número de declarações em atraso e pelos meses em atraso e graduada em razão da opção de regime de tributação da pessoa jurídica (lucro presumido e Simples, de um lado, e demais pessoas jurídicas, de outro); o artigo 1º da Lei n° 11.945/2009 prevê a penalidade devida na ocorrência da mesma situação fática, porém, mais específica, atraso na apresentação da DIFPapel Imune: (ii) calculada por valor fixo multiplicado pela número de declarações em atraso, pouco importando o número de meses em atraso, e graduada por critério, a meu ver, diverso, qual seja, porte do contribuinte (micro e pequena empresa, de um lado, e demais pessoas jurídicas, de outro). Nesse contexto normativo, andou bem a decisão embargada ao aplicar a retroatividade benigna com fundamento na norma que decorre da Lei n° 11.945/2009, em linha, inclusive, com recentes julgados da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, cujas ementas de julgados transcrevese a seguir: "Assunto: Obrigações Acessórias. Anocalendário: 2003, 2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada “DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal no art. 16 da Lei nº 9.779/99 e no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, regulamentados pelos arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF PAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158 35/ 2001". (Número do Processo: 19515.000927/200591; Data da Sessão: 10/04/2017; Relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS; Acórdão nº 9303 004.954) (grifos nossos) ***** "Assunto: Obrigações Acessórias. Data do fato gerador: 31/10/2002, 31/10/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/07/2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA DA “DIFPAPEL IMUNE. PREVISÃO LEGAL. É cabível a aplicação da multa por ausência da entrega da chamada DIF Papel Imune, pois esta encontra fundamento legal nos seguintes comandos normativos: art. 16 da Lei nº 9.779/99; art. 57 da MP nº. 2.15835/2001; arts. 1º, 11 e 12 da IN SRF n° 71/2001. VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIFPAPEL IMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIF Papel Imune”deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158 35/2001. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10580.001173/200538 Acórdão n.º 3401004.361 S3C4T1 Fl. 131 9 processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato". (Número do Processo 11080.001057/200601; Data da Sessão: 21/06/2017; Relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA; Acórdão nº 9303 005.273) (grifos nossos) Com relação aos vícios apontados, é de reconhecer o equívoco da decisão embargada ao mencionar que o Auto de Infração foi lavrado para a cominação de penalidade no montante de R$1.500,00 (mil e quinhentos reais), quando o correto, como exposto pela Fazenda Nacional em seu recurso e também no relatório deste Voto, seria relatar e mencionar a imposição da penalidade de R$5.000,00 (cinco mil reais), por declaração e por mês de atraso. Portanto, quanto a esse primeiro vício de contradição, os Embargos de Declaração merecem conhecimento e provimento para sua correção. Quanto ao pedido da Fazenda Nacional de aumentar a penalidade única e fixa estabelecida pela decisão embargada, de R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por declaração para R$ R$5.000,00 (cinco mil reais) por declaração, em razão de não existir nos autos comprovação de que o autuado é uma micro ou pequena empresa, assiste razão em parte à Fazenda Nacional. Está com razão a Fazenda Nacional quando afirma a inexistência de qualquer prova demonstrando que o contribuinte se qualifica como micro ou pequena empresa. De fato, ao se examinar os autos, não é possível o levantamento de documentos e/ou informações que pudessem dar suporte a essa qualificação. Dessa maneira, não poderia a decisão embargada, sem amparo na prova dos autos, ter qualificado o contribuinte como micro ou pequena empresa e, assim, ter reduzido a multa no patamar previsto pela Lei para as empresas que se encontram nessa situação. Por outro lado, essa ausência de prova quanto à qualificação do contribuinte não leva à aplicação da penalidade em patamar superior, destinada aos demais casos, como quer a Fazenda Nacional, pois há que se atentar que a documentação acostada pela Fazenda Nacional às fls. 119 dos autos também não se presta a afastar essa qualificação do contribuinte, pois lá há a informação apenas de que o mesmo não é optante do Simples Nacional, o que se prestaria ao enquadramento em uma ou outra penalidade, para fins do disposto no artigo 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, mas não à hipótese versada na Lei n° 11.945/2009, que é o caso dos autos. Assim, nos autos do processo em julgamento, não há informação que demonstre que o contribuinte se qualifica como uma micro ou pequena empresa nem que essa qualificação possa ser, de plano, afastada. Para a verificação da qualificação da contribuinte como micro ou pequena empresa, devam ser observados os critérios objetivos previstos na Lei. À época dos fatos geradores, o artigo 2º, incisos I e II, da Lei nº 9.317/1996, enquadrava como microempresa "a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais)" e como empresa de pequeno porte, "a pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) e igual ou inferior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais)". Fl. 135DF CARF MF 10 Portanto, a partir do reconhecimento de que a decisão embargada incorreu em vício de omissão e contradição, ao deixar de levar em consideração a ausência de suporte probatório para qualificação do contribuinte, o que acarretou a redução desde logo da penalidade para a baliza inferior prevista na Lei, destinada às micro e pequenas empresas, a decisão embargada deve ser corrigida para que, partindo dos critérios jurídicos aqui fixados a unidade preparatória realize a liquidação do julgado, providência que entendo ser cabível no caso concreto, em preterição a uma eventual conversão do julgamento em diligência, em homenagem ao princípio da celeridade, eficiência e economicidade (artigo 37, da Carta da República), inclusive, como vem adotando também pela 3ª Turma da CSRF em casos similares (como, por exemplo, no Acórdão nº 9303004.954, acima citado, em que a Turma, por unanimidade votou "no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso da Fazenda Nacional, reconhecendo a retroatividade benigna do inciso II do art. 1º da Lei 11.945/2009, resultando na manutenção das multas para cada uma das DIFs PAPEL IMUNE não apresentadas no prazo legal, calculadas conforme o referido dispositivo legal, cabendo à unidade preparadora verificar os valores e a condição da empresa (Microempresa/EPP/outros) para efeito de liquidação deste julgado") (grifos nossos). Conclusão Ante o exposto, com fundamento no artigo 65, caput, do Anexo II, da Portaria nº 343/2015, do Ministério da Fazenda, proponho ao Colegiado conhecer e dar provimento aos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, para sanar os vícios apontados, (i) retificando o valor indicado na decisão embargada como multa aplicada pela autoridade fiscal no lançamento e, (ii) no que diz respeito à redução da multa promovida pela decisão embargada, tendo em vista a constatação de que não há informação e/ou documentação de suporte para enquadrar o contribuinte como micro ou pequena empresa, aplicar a retroatividade benigna em matéria de penalidade do artigo 106, do CTN, em razão do advento da Lei n° 11.945/2009, devendo a unidade preparadora liquidar o julgado, pela verificação do faturamento auferido pelo contribuinte nos anos de 2002, 2003 e 2004: se inferior aos limites estabelecidos na legislação de regência à época, a liquidação deve se realizar com aplicação de multa de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por declaração; e, se superior aos limites de faturamento anual indicados em tal legislação, a liquidação deve se realizar pela aplicação de multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por declaração. É como voto. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 136DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.902122/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 21 22 /2 01 1- 18 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10950.902122/201118 Acórdão n.º 3302005.077 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.049. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.902122/201118 Acórdão n.º 3302005.077 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10950.902122/201118 Acórdão n.º 3302005.077 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10950.902122/201118 Acórdão n.º 3302005.077 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 130DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.911591/2011-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
COFINS. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO.
É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comprová-lo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis.
Numero da decisão: 3001-000.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DE ERRO. FASE LITIGIOSA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedido de compensação, ao adentrar a fase litigiosa do processo, é dever do contribuinte demonstrar, pormenorizadamente, a origem do crédito pleiteado. Ao se constatar a ocorrência de erro material, deve ser disponibilizado todo o raciocínio matemático que gerou o tributo pago equivocadamente; e, também, o percurso percorrido até atingir o montante apontado pela apuração tida por correta. Assim, restará possível a reconstrução dos fatos contábeis necessários à evidenciação do pagamento indevido. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL, IDÔNEA E APTA À VERIFICAÇÃO DO ERRO E DA CORRETA APURAÇÃO DO TRIBUTO. É requisito à compensação, a liquidez e certeza do crédito almejado pela contribuinte. Instaurada a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, o contribuinte, quando em procedimento de ressarcimento, afirma ter ocorrido erro material, assume para si, o ônus de comproválo. A documentação hábil e idônea, são os documentos relativos às suas operações, tais como contratos relativos à sua atividade social, comprovantes de prestação do serviço, comprovantes de recebimento pelo serviço prestado e os devidos registros contábeis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Cássio Schappo que deu lhe provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 15 91 /2 01 1- 91 Fl. 150DF CARF MF 2 parcial para retorno dos autos à DRF de origem para análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório 952454085 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n 27023.92397.070409.1.7.046353, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o limite do Crédito analisado corresponde ao valor do crédito original na data de transmissão do PaR/DCOMP no total de R$ 18.406,42. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante do exposto, foi considerada não homologada a compensação e, como consequencia, posto em cobrança o crédito tributário cujo principal perfaz R$ 11.692,03, acrescido de multa no valor de R$ 2.338,40e os correspondentes juros de R$ 4.067,65. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, alega que recolheu COFINS de forma equivocada. Erro na apuração da COFINS A apuração, a título de COFINS, em 11/2005, foi da importância de R$ 54.688,13, quando, na verdade, deveria ter recolhido o valor de R$ 19.557,80, resultando no crédito a compensar, de débitos com créditos, referente a pagamento a maior no valor de R$ 35.130,33, recolhido em DARF datado de 15/12/2005. O motivo do equívoco, se refere a inclusão na apuração, do valor da revenda de mercadorias com incidência monofásica de PÌS e COFINS, não tendo sido aprovado o crédito sobre fretes, amortizações e depreciações, DCTF e DACON A fim de providenciar a correção de sua conduta, retificou a DACON e DCTF, além de anexar planilhas extraídas de instrumentos contábeis, relatórios do sistema gerencial utilizados para recompor a apuração das contribuições. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 11020.911591/201191 Acórdão n.º 3001000.200 S3C0T1 Fl. 151 3 Pugna pela aplicação da Verdade material. DRJ/JFA A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 0950.461 1 ª Turma ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/01/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de PER/DCOMP nº 27023.92397.070409.1.7.046353, com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, relativo ao DARF no valor de R$ R$26.612,47, recolhido em 13/01/2006. Após análise dos elementos constitutivos do crédito pleiteado, foi emitido Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada, por inexistência de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para compensação, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que em síntese e entre outros aspectos, reafirma a pretensão expressa no PER/DCOMP ora analisado, e, ainda, que o crédito informado é suficiente para a compensação do(s) débito(s) declarado(s) No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, a compensação realizada mediante entrega da DCOMP, possuir crédito informado existente já na data da transmissão dessa Declaração. No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF quando da entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Meios e Momento de Apresentação da Prova Caberia ao interessado a prova de que cometeu erro de preenchimento na respectiva DCTF. Em situações tais como a analisada, o crédito pretendido poderia ser comprovado por meio da escrituração contábil e fiscal, e dos documentos que a respaldem. Fl. 152DF CARF MF 4 Outrossim, de acordo com o § 11 do art. 74 da Lei n.º 9.430/96, aplicase ao presente processo o rito estabelecido no Decreto nº 70.235/72. Esse Decreto, com força de Lei, determina em seu art. 16 que a impugnação (manifestação de inconformidade) contenha as razões e provas que o interessado possua. Para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo. E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos. Mesmo nos casos de apresentação de DCTF retificadora, se esta se der após a entrega do PER/DCOMP, há que se ter apresentação dos documentos a que já se referiu. Por oportuno, transcrevo, também, o seguinte excerto do voto condutor do Acórdão nº 380302.491 anteriormente citado: Observase que por entender suficiente à comprovação de seu direito, a contribuinte acostou aos autos apenas, copias de DARF, de DCTF e de DACON (originais e retificadores). Tais documentos, todavia, não evidenciam, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Inexistindo provas técnicas, contábeis e jurídicas de que as operações não se realizaram ao arrepio da lei, há que ser acatado o ato administrativo realizado” Recurso Voluntário Em sua peça recursal a Recorrente limitouse a repisar os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade anteriormente apresentada. Erro no Recolhimento Em síntese, alega que recolheu, erroneamente, COFINS 12/2005, no valor de R$ 26.612,47, quando, na verdade, deveria ter recolhido o valor de R$ 8.206,05, resultando no crédito de compensação de débitos com créditos de cofins referente a pagamento a maior no valor de R$ 18.406,42, recolhido em DARF. Houve retificação da DACON e DCTF; além da tentativa de comprovação através de planilhas, instrumentos contábeis e relatórios do sistema gerencial para recompor a apuração das contribuições. Incidência Monofásica O equívoco deuse pela inclusão do valor da revenda de mercadorias com incidência monofásica de PÌS e COFINS, nas receitas da Recorrente. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O litígio contido neste processo administrativo fiscal gira em torno da falta, por parte da Recorrente, da efetiva demonstração de seu erro. Pretende a Recorrente, através Fl. 153DF CARF MF Processo nº 11020.911591/201191 Acórdão n.º 3001000.200 S3C0T1 Fl. 152 5 de seu Recurso Voluntário, ver reconhecida, e, por conseguinte, restar declarada por este Conselho, a ocorrência de erro, uma vez que teria recolhido o valor Erro no preenchimento Origem do Crédito Pleiteado A alegação da Recorrente referese a ocorrência de erro material na apuração do tributo em tela, tendo ocorrido pagamento a maior, motivo pelo qual manejou a referenciada DCOMP, a fim de ressarcir o que considerou indevido, vez que apontou, a seu entender, a existência de crédito próprio suficiente para fomentar a compensação. Nestes autos, a Recorrente aponta ter retificado DACON e DCTF, e, a fim de esclarecer a origem dos créditos, tabulouos em planilha acessória. A fim de demonstrar seu crédito, é dever da Recorrente apontar sua origem, de forma robusta, em documentação contábil suficiente, tanto para aferição do crédito, como de sua real ocorrência. Seguese ao julgado: Acórdão: 3202001.185 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Data do fato gerador: 20/04/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DCTF RETIFICADORA. NECESSIDADE DA PROVA PELO CONTRIBUINTE. Nos termos dos §1º do art. 147 do CTN, para a validade da DCTF retificadora, nos casos em que a retificação importa na redução de tributo, é imprescindível a prova do erro que ensejou a necessidade da retificação. Tratandose de pedido de ressarcimento/restituição cumulado com pedido de compensação, o ônus de comprovar o direito creditório que alega é do contribuinte. Dos meios para a Comprovação do erro material O tema presente se faz crucial para o desdobramento da questão. O cerne da discussão transita entre a exigência da autoridade fazendária na qual os erros devem ser provados com meios robustos e claros, com a definição e evidência dos fatos geradores ocorridos, e a devida construção lógico temporal entre a ocorrência do erro e a ocorrência do fato em si. Por outro lado, notase por parte do contribuinte, a pretensão em fazer valer seu suposto direito ao crédito, no presente caso, com o argumento de que errou, o reflexo nas declarações eletrônicas retificadoras obrigações acessórias que servem para constituir o crédito tributário. No entanto, não indicou, nenhum indício da materialização do erro e o percurso percorrido para atingir o novo montante, considerado correto. Os meios de prova, aptos a comprovar a legitimidade do crédito, seriam, no entender deste julgador, a demonstração, com os documentos contábeis que permitam, em sede Fl. 154DF CARF MF 6 de contencioso administrativo, a efetiva leitura de como ocorreu apuração do tributo no valor apontado pela Recorrente. Existe, no documento ANEXO CÁLCULO CORRETO PARA O PA 11/2005, menção a receitas totais com venda de mercadorias R$ 2.991.266,91, mas nenhuma das notas fiscais, mesmo que por amostragem, foram anexadas a este processo, a fim de comprovar que o débito anteriormente constituído via DCTF original, merece ser infirmado. Este Conselho imputa à Recorrente, o ônus de comprovar este erro. Isto porque, a fim de aproveitar seu direito creditório, quando posto em litígio administrativo, deve assumir, plenamente, a tarefa de provar a existência do crédito. E, assumir o ônus de provar a existência do crédito, significa dizer, provar a existência da efetiva operação. Neste sentido, contratos comprovantes das operações que deram lastro aos lançamento contábeis, os seus devidos reflexos nos livros contábeis e fiscais, acompanhados, isto sim, de memoriais de cálculo, servirão à apreciação do julgador, e convencerse, justamente, do real acontecido. Mais substância ainda, seria trazer aos autos, os comprovantes da real ocorrência das operações negociais, como comprovantes de pagamentos e da efetiva prestação de serviço. Neste sentido, são as manifestações deste Conselho: Acórdão: 3302002.709 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PR OVA. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invo cado, o que, no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. A mera alegação de inexistência de débito, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou os recolhimentos efetuados por meio de documentos hábeis e idôneos, bem como de que se trata o débito inexistente. Há que se esclarecer que o Recorrente está obrigado a comprovar o erro de fato cometido ao preencher sua DCTF Complementar referente ao 1ºTrimestre de 1997, bem como que nenhum valor a título de COFINS é devido no referido período, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer anulação de débito. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito Fl. 155DF CARF MF Processo nº 11020.911591/201191 Acórdão n.º 3001000.200 S3C0T1 Fl. 153 7 Acórdão nº 3302.004.108 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o início de procedimento fiscal não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta para a i nexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus d e prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. Acórdão n° 3801000.681 — la Turma Especial ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado. "Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limitese a alegar erros, fazendose necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Da Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 156DF CARF MF 8 Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.923154/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do Fato Gerador: 20/09/2007
CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE.
No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento.
AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa.
COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA
Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.854
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DCOMP TRANSMITIDA APÓS VENCIMENTO DO DÉBITO. Recorrente ESPN DO BRASIL EVENTOS ESPORTIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do Fato Gerador: 20/09/2007 CIÊNCIA A ADVOGADO REPRESENTANTE DO CONTRIBUINTE. No processo administrativo fiscal não pode o advogado receber intimação, notificação e outras mensagens que por expressa disposição legal cabe ao contribuinte seu cumprimento ou conhecimento. AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL OU MATERIAL. NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a valoração em Per/Dcom, despacho decisório ou acórdão recorrido que atendem os requisitos formais, apresentam clara descrição dos fatos, correta capitulação legal e razões de decidir, especialmente, se ao sujeito passivo foi oportunizado adequadamente o contraditório e o direito de defesa. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MORA Na forma da legislação de regência, no procedimento de compensação tanto os créditos quanto os débitos sofrem a correspondente incidência de acréscimos legais por ocasião do encontro de contas (valoração), resultando sempre em desequilíbrio quando presente a mora. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araujo, Lenisa R. Prado e José Renato P. de Deus votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Dèrouléde Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 31 54 /2 01 2- 17 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.923154/201217 Acórdão n.º 3302004.854 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. Ausente, justificadamente, a Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Relatório A recorrente acima qualificada apresentou Declaração de Compensação pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior. Por meio de Despacho Decisório emitido pela DERATSP, a compensação declarada não foi homologada na sua totalidade, tendo em vista que o valor do pagamento tido como origem do crédito pretendido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP. Na Manifestação de Inconformidade apresentada, a contribuinte salienta que sempre cumpriu com suas obrigações tributárias, recolhendoas nos seus devidos prazos ou por força maior, com os devidos encargos legais, por isso discorda do débito cobrado no Despacho Decisório. Diz ser detentora de crédito decorrente de pagamento supostamente indevido ou a maior, que foi utilizado para compensar débito no mesmo valor, cuja data de vencimento é a mesma do recolhimento. Lembra que não se apropriou de juros pela taxa Selic sobre os valores declarados em Per/Dcomp e não imputou multa e juros sobre os débitos compensados porque são do mesmo período de apuração. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06045.318. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que, na compensação declarada pelo sujeito passivo, os débitos sofrem a incidência de acréscimos legais até a data da entrega da Declaração de Compensação, na forma da legislação de regência. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese que: · existe nulidade do despacho decisório e do acórdão recorrido por ausência de motivação, dada a generalidade da fundamentação sem aferir o real motivo do indeferimento ou o equívoco cometido pela recorrente, com consequente cerceamento do direito de defesa; · o despacho que não homologa o pedido de compensação deve conter, tal qual o auto de infração, a descrição do fato, disposição legal infringida e multa aplicável; · não houve prejuízo para o Erário, pois apenas houve erro na rubrica no DARF, e não atraso no recolhimento; · a cobrança de multa de mora sem atraso no recolhimento constitui enriquecimento sem causa Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.923154/201217 Acórdão n.º 3302004.854 S3C3T2 Fl. 4 3 · não há que se falar em juros de mora uma vez que, no caso, o período de apuração é o mesmo para o crédito e o débito. · subsidiariamente solicita diligência para reexame dos documentos; · reitera a necessidade de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em análise , finalmente · solicita que a advogada da causa seja intimada e informada de todas as publicações sob pena de arguição de nulidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.825, de 25 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.923119/201290, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.825): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Do pedido do subscritor do recurso (advogada) para recebimento de futuras publicações/intimações no endereço por ela indicado. No Processo Administrativo Fiscal PAF o artigo 10 do Decreto nº 7.574 estabelece as formas de intimação sempre direcionadas ao próprio contribuinte. Por sua vez o artigo 26 e seguintes da Lei nº 9.784, de 1999 Processo Administrativo Federal também não prevê que o advogado possa ser comunicado dos atos de interesse do administrado que em última instância é quem sofrerá seus efeitos. Atentese, ainda, que a intimação em sede de PAF é de competência da RFB não havendo pronunciamento normativo do CARF amparando a pretensão, assim sendo, indefiro o pedido. Do alegado cerceamento ao direito de defesa Sem razão a Recorrente. O Despacho Decisório de fl, 17, assim como a Decisão recorrida estão perfeitamente fundamentados, com enquadramento legal, descrição dos fatos e cálculo da valoração (detalhamento da compensação, valores devedores e Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.923154/201217 Acórdão n.º 3302004.854 S3C3T2 Fl. 5 4 emissão de DARF, fl. 11), portanto não há que se falar em nulidade de atos ou cerceamento ao direito de defesa. Mérito Cuida o presente processo de erro cometido pela Recorrente no preenchimento de código em DARF pago, cujo valor a Recorrente deseja aproveitar para pagamento do débito correspondente ao código/tributo correto sem, entretanto, sofrer os acréscimos legais da multa de mora. A recorrente não alega qualquer tipo de erro nos débitos nem há notícia de que os mesmos não tenham sido informados nas correspondentes declarações entregues antes do PerDcomp, assim sendo, os fatos mostramse incontroversos e dispensam diligência. Não se vislumbra incorreção no procedimento da RFB na análise do PerDcomp que culminou com cobrança de débitos indevidamente compensados em virtude do contribuinte não ter considerado a multa de mora no pagamento/compensação dos débitos. Pois bem, um tributo só é considerado efetivamente pago, total ou parcialmente, quando o sistema de dados da Fazenda Nacional compara o código informado no DARF com o correspondente código do débito informado em declaração específica e faz a vinculação entre ambos. Caso contrário o valor recolhido equivocadamente permanece "em aberto" como crédito e não como pagamento, podendo por isso ser restituído acrescido dos juros compensatórios. Por outro lado o débito formalmente declarado, que não corresponde ao código informado equivocadamente no DARF, continua sem quitação e a sofrer os acréscimos de juros e multa de mora. Optando ou não a contribuinte pela compensação, sempre haverá cobrança de mora se o débito não foi formalmente liquidado na data do vencimento, independente de quando tenha sido realizado o pagamento indevido. A sistemática de análise de PerDcomp não altera essas duas situações distintas e independentes (pagamento indevido e pagamento em atraso), pois ela apenas faz o encontro de contas na data da entrega do PerdComp, momento da valoração do crédito para restituição e automática conversão em pagamento do débito em aberto, total ou parcialmente, mediante compensação. Repitase que este encontro de contas sempre será desfavorável ao contribuinte tendo em vista que o código do débito1, 1 Lei 9.430, de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.923154/201217 Acórdão n.º 3302004.854 S3C3T2 Fl. 6 5 correspondente ao código correto que deveria constar no DARF, não foi encontrado pelo sistema e assim o débito em aberto sofre acréscimos da multa de mora diária mais juros de mora mensais até a data a entrega do Perdcomp, enquanto que (ii) o crédito2 a ser restituído e compensando sofre somente os juros compensatórios mensais, calculados também até a data da entrega do PerDcomp. Em resumo, se no momento da valoração, ou seja na data da transmissão da PerDcomp, o débito que se buscou compensar já estava sujeito a acréscimos moratórios, e o crédito com seus acréscimos não foram suficientes para quitálos, então a compensação é homologada parcialmente e o saldo residual do débito considerado indevidamente compensado, exigindose, em consequência, seu pagamento com os acréscimos legais3. A mesma sistemática se repete em sucessivos PerDcomp quando existe saldo residual de crédito na compensação homologada a ser aproveitado em outro(s) PerdComp. A situação parece injusta mormente porque o pagamento indevido ou a maior decorre em regra de um erro do contribuinte que não pretendia ficar em mora, porém não é o caso de se aplicar o art. 108 do CTN, pois verificase que não foi a RFB que deu causa ao erro. Ademais, mesmo sem levar em consideração os transtornos e custos que os erros causam à administração, há de se observar ainda que o julgador administrativo está vinculado à lei, ainda na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 2 Art. 72. O crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros Selic para títulos federais, acumulados mensalmente, e de juros de 1% (um por cento) no mês em que: II houver a entrega da Declaração de Compensação ...; § 1º No cálculo dos juros de que trata o caput, observarseá, como termo inicial da incidência: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) III na hipótese de pagamento indevido ou a maior: c) o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997; 3 Lei nº 9.430 /1996 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito... § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) IN 900/2009 Art. 38. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.923154/201217 Acórdão n.º 3302004.854 S3C3T2 Fl. 7 6 que esta reflita apenas aspectos sobre cumprimento dos prazos e forma de apuração dos valores, e assim não pode deixar de reconhecer a aplicação destas formalidades legais utilizadas para cálculo da restituição de pagamentos indevidos e para cobrança de débitos vencidos, independente deste tipo de erro cometido pela contribuinte que o deixou em mora. Não se vislumbra ilegalidade no procedimento da Receita Federal e tampouco enriquecimento ilícito da União, pois decorrente da lei. Conclusão Diante de tudo que foi exposto, rejeito a preliminar arguida, e no mérito nego provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o(s) débito(s) que se procuravam compensar já se encontravam vencidos na data em que foi transmitida a DCOMP inicial. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13002.000851/2010-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. EMPRESA COM PENDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO AUTOMÁTICA NO SIMPLES NACIONAL.
Nos termos do §4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006, se a empresa estiver impedida de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar, não será considerada inscrita no Simples Nacional em 1º de julho de 2007.
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, fica impedida de opção de ingresso.
SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Excepcionalmente, para o ano-calendário de 2007, a opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. A solicitação intempestiva é motivo de indeferimento da opção.
Numero da decisão: 1001-000.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA COM PENDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO AUTOMÁTICA NO SIMPLES NACIONAL. Nos termos do §4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006, se a empresa estiver impedida de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar, não será considerada inscrita no Simples Nacional em 1º de julho de 2007. SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, fica impedida de opção de ingresso. SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Excepcionalmente, para o ano-calendário de 2007, a opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. A solicitação intempestiva é motivo de indeferimento da opção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1647; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 295 1 294 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13002.000851/201064 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.398 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de março de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL INDEFERIMENTO DA OPÇÃO Recorrente SELF SERVICE REGISTRO DE VEICULOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. EMPRESA COM PENDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO AUTOMÁTICA NO SIMPLES NACIONAL. Nos termos do §4º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006, se a empresa estiver impedida de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar, não será considerada inscrita no Simples Nacional em 1º de julho de 2007. SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir atividade vedada na sistemática do Simples Nacional, fica impedida de opção de ingresso. SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007. A solicitação intempestiva é motivo de indeferimento da opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 2. 00 08 51 /2 01 0- 64 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 13002.000851/201064 Acórdão n.º 1001000.398 S1C0T1 Fl. 296 2 (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Porto Alegre (RS), mediante o Acórdão nº 1042.943, de 20/03/2013 (efls. 282/285), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: (grifos não constam do original) Tratase de empresa que fez o pedido de inclusão retroativa a 01/07/2007, no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, em 22/12/2010. Alega a empresa que exerce unicamente a atividade de despachante de trânsito e que efetuou as alterações contratuais excluindo todas as demais atividades de seu contrato social. O pedido do interessado foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo – DRF/NHO, através do Despacho DRF NHO/SEORT/Simples Nacional, datado de 19/10/2012 ( fls. 270/271 ), tendo em vista que a empresa presta serviços de despachante, atividade considerada vedada para ingresso no Simples Nacional, de acordo com o artigo 17, XI da Lei Complementar nº 123/2006. O contribuinte foi cientificado do indeferimento de seu pleito, via postal (fls. 274), em 09/11/2012 e apresenta sua manifestação de inconformidade em 06/12/2012, conforme consta às fls. 276, alegando, em síntese, que tem como única atividade a “prestação de serviços referente a encaminhamento de documentos e registro de veículos automotores em geral”, que se identifica perfeitamente como “serviços de apoio administrativo e outros prestados principalmente às empresas”, conforme cópia de notas fiscais acostadas aos autos, o que não se confunde com a atividade de despachante aduaneiro. Ao final requer seja deferido seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional desde 01/07/2007. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13002.000851/201064 Acórdão n.º 1001000.398 S1C0T1 Fl. 297 3 SIMPLES NACIONAL OPÇÃO INDEFERIMENTO ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. Consoante o artigo 17, inciso XI, da Lei Complementar nº 123, de 2006, não pode ingressar/permanecer no Simples Nacional o Contribuinte que tenha por finalidade a prestação de serviços de despachante. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 09/04/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 286, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 08/05/2013 (efls. 288/292), conforme carimbo aposto à efl. 288 (apesar de não estar nítida, a data foi confirmada pelo despacho à efl. 293). É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional tendo em vista a solicitação de opção para o anocalendário 2007 ter sido feita após o prazo legal, pois em virtude de possuir atividade econômica vedada em seu objetivo social, a empresa foi impedida de ter a sua inscrição migrada automaticamente do Simples Federal. A base legal da vedação para a inscrição automática no Simples Nacional é o §4º do art. 16 da Lei Complementar nº. 123/2006, cujo texto foi incluído pela LC nº. 127/2007, verbis: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 4º Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar. (grifo nosso) Fl. 297DF CARF MF Processo nº 13002.000851/201064 Acórdão n.º 1001000.398 S1C0T1 Fl. 298 4 Em relação à atividade econômica vedada, a fundamentação legal do indeferimento foi o inciso XI, do art. 17, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (Revogado pela Lei Complementar nº 147, de 7 de agosto de 2014) (efeitos: de 01/07/2007 a 31/12/2014) Nesse particular, mediante os art. 7° e 17, ambos da Resolução CGSN n° 004/2007, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma e prazo de ingresso no regime especial: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1° A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3° deste artigo e observado o disposto no § 3° do artigo 21. (...) § 2º No momento da opção, o contribuinte deverá prestar declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações previstas no art. 12, independentemente da verificação efetuada conforme disposto no art. 9º. (...) Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pelo(a) Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, que tem como única atividade a “prestação de serviços referente a encaminhamento de documentos e registro de veículos automotores em geral”, que se identifica perfeitamente como “serviços de apoio administrativo e outros prestados principalmente às empresas” e cita as notas fiscais anexadas. Anexa, ainda, alteração do Contrato Social, com data de 07/04/2010, onde se constata como objetivos sociais "a prestação de serviços referente a encaminhamento de documentos e registro de veículos automotores em geral". Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13002.000851/201064 Acórdão n.º 1001000.398 S1C0T1 Fl. 299 5 Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, completandoo ao final: (grifos não constam no original) Conforme consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, “CNPJ/Consulta”, a atividade econômica da empresa era, até 29/01/2009, “ CNAE 8299799 –Outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente”. Este CNAE consta do Anexo II da Resolução CGSN nº 06/2007 que, como dito anteriormente, abrange concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional. Não se encontra nos autos a declaração de que exerce tão somente atividades permitidas ao Simples Nacional. Observese que resoluções posteriores, que revisaram a Resolução CGSN nº 6, de 2007, mantiveram o referido código entre os impeditivos. Das notas fiscais acostadas aos autos pelo contribuinte, algumas são bem claras ao discriminar a atividade de despachante, como serviço prestado ( por exemplo, fls. 11, 22, 46, 47). Quem exerce esta atividade, como vimos, está impedida de optar pelo Simples Nacional. Na Alteração e Consolidação Contratual, de fls. 05/07, registrada na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul em 29/01/2009, Cláusula Segunda, consta que o objeto social da empresa passa a ser apenas a prestação de serviços referente a encaminhamento de documentos e registro de veículos automotores em geral – CNAE 8219999. Este código CNAE não se enquadra nos Anexos I e II da Resolução CGSN nº 06/2007. Considerando que até 28/01/2009 a atividade constante do Contrato Social da empresa enquadravase no Anexo II da Resolução CGSN nº 06/2007 (códigos previstos na CNAE que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional), devemos observar o seguinte: 1 os efeitos da alteração contratual passaram a vigorar a partir de 29/01/2009, quando do registro na Junta Comercial; 2 como constava do Contrato Social da empresa uma atividade (CNAE) que era concomitantemente impeditiva e permitida à opção pelo Simples Nacional, seria permitido o ingresso no Sistema simplificado de tributação se ele declarasse, no momento das opção, que exercia apenas atividade permitida; 3 as notas fiscais anexadas ao processo confirmam que o sujeito passivo exercia a atividade de despachante, atividade esta vedada á opção pelo Simples Nacional. À vista do exposto, e pela análise dos documentos que compõe o processo, concluise que as atividades constantes do contrato social da empresa em 01/07/2007 impediam a sua adesão ao Simples Nacional. Outrossim, em complemento à fundamentação do voto, por tão bem exprimir o constatado nos autos, transcrevo excerto do Despacho de Indeferimento do pedido de inclusão proferido pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT da DRF de Novo Hamburgo/RS, à efl. 270: 3. Quanto ao contrato social da empresa, a mesma cita em sua petição inicial que em 26.12.2008 procedeu alteração Fl. 299DF CARF MF Processo nº 13002.000851/201064 Acórdão n.º 1001000.398 S1C0T1 Fl. 300 6 excluindo várias atividades que constavam no objeto social mas que não eram efetivamente exercidas. Pela análise da cópia da "Alteração e Consolidação Contratual" juntada às fls. 0305, verificase que, de fato, o objeto social é a "prestação de serviços referente a encaminhamento de documento e registro de veículos automotores em geral", ou seja, despachante de trânsito. Tal atividade é vedada ao Simples Nacional conforme veremos a seguir. (grifos no original) 4. A comprovação de qual atividade era realmente exercida pela empresa se deu através da análise das cópias das notas fiscais de serviço de n° 2476 a 2781 (CNPJ n° 02.530.221/0001 05) e de n° 444 e 669 (CNPJ n° 02.530.221/000369) anexadas às fls.6 à 258 do processo. Verificase que todas as notas referemse a serviços prestados de despachante de veículos com recebimento de honorários na maioria das vezes. (...) 6. Baseado nas informações expostas acima, nos documentos anexados ao processo e na legislação vigente à época, concluise que: I a empresa presta serviços de despachante, atividade considerada vedada para ingresso no Simples Nacional; II o CNAE registrado no cadastro CNPJ da empresa (8219 9/99) não reflete a real atividade exercida. O CNAE correto, conforme a Comissão Nacional de Classificação, deveria ser o 82997/99 por compreender as atividades de despachante, conforme fls.264265v;(...) Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.005776/2007-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
O Recurso Especial é remédio processual apto a rever decisões proferidas em Segunda Instância, objetivando a harmonização da jurisprudência. Não se conhece de Recurso Especial que, além de pretender anular decisão de Primeira Instância, não demonstra a alegada divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9202-006.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. O Recurso Especial é remédio processual apto a rever decisões proferidas em Segunda Instância, objetivando a harmonização da jurisprudência. Não se conhece de Recurso Especial que, além de pretender anular decisão de Primeira Instância, não demonstra a alegada divergência jurisprudencial.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 331 1 330 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10909.005776/200721 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202006.625 – 2ª Turma Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PAF NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Recorrente PROCAVE INVESTIMENTOS E INCORPORAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. O Recurso Especial é remédio processual apto a rever decisões proferidas em Segunda Instância, objetivando a harmonização da jurisprudência. Não se conhece de Recurso Especial que, além de pretender anular decisão de Primeira Instância, não demonstra a alegada divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 57 76 /2 00 7- 21 Fl. 333DF CARF MF 2 O presente processo trata do Debcad 37.060.3303, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo dos segurados e da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos trabalhadores da obra de construção civil – Edifício Victoria Residence e Edifício Maria Regina Vanzo, conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 21 a 25. Em sessão plenária de 11/07/2012, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, exarandose o Acórdão nº 230201.932 (efls. 183 a 226), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. LIVRE CONVENCIMENTO. O julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. CONTRIBUIÇÃO PARA SAT. FIXAÇÃO DO GRAU DE RISCO E DO CONCEITO DE ATIVIDADE PREPONDERANTE POR DECRETO. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STF. A definição, por Regulamento Presidencial, dos conceitos de atividade preponderante e do grau de periculosidade das atividades desenvolvidas pelas empresas não extrapola os limites Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10909.005776/200721 Acórdão n.º 9202006.625 CSRFT2 Fl. 332 3 insertos na legislação previdenciária, porquanto tenha detalhado tão somente o seu conteúdo, sem, todavia, lhe alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência, inexistindo, portanto, qualquer ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 97 do CTN. SALÁRIO EDUCAÇÃO. LEI nº 9.424/96. CONSTITUCIONALIDADE. É constitucional a cobrança da contribuição do salário educação, seja sob a carta de 1969, seja sob a constituição federal de 1988, assim como no regime da lei nº 9.424/96. Súmula 732 do STF. CONTRIBUIÇÃO PARA O SESI E SENAI. EXIGIBILIDADE. Os artigos 2º do DecretoLei nº 6.246/42, 4° do Decretolei n° 4.048/1942 e 3° do Decretolei n° 9.403/1946 deixam claro que todas as empresas cuja atividade econômica se enquadre como abrangida pela Confederação Nacional da Indústria, de acordo com o quadro a que se refere o artigo 577 da Consolidação das Leis do Trabalho, como é o caso das empresas de construção civil, são sujeitos passivos das contribuições sociais destinadas ao SESI e ao SENAI. SEBRAE. EXIGIBILIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. A contribuição social destinada ao SEBRAE tem natureza jurídica de contribuição de intervenção no domínio econômico, prescindindo de lei complementar para a sua criação, revelandose constitucional, portanto, a sua instituição pelo §3º do art. 8º da Lei 8.029/90, com a redação dada pelas Leis 8.154/90 e 10.668/2003, podendo ser exigidas de todas as empresas contribuintes do sistema SESI, SENAI, SESC, SENAC, e não somente das microempresas e das empresas de pequeno porte. É devido o pagamento efetuado com base no adicional de 0,3% sobre cada uma das contribuições sociais devidas ao SESC/SENAC e ao SESI/SENAI, perfazendo, no caso das empresa de construção civil FPAS 507 a alíquota global de 0.6%. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AO INCRA. LEGALIDADE Dada a sua natureza de contribuição especial de intervenção no domínio econômico, a contribuição social destinada ao INCRA não foi extinta pela Lei 8.212/91, podendo ser exigida também do empregador urbano, como ocorre desde a sua origem, quando instituída pela Lei 2.613/55. A contribuição destinada ao INCRA tem caráter de universalidade e sua incidência não está condicionada ao exercício da atividade rural. Recurso Voluntário Negado" Fl. 335DF CARF MF 4 A decisão foi assim registrada: "ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado." Cientificada do acórdão em 23/08/2013 (AR Aviso de Recebimento de e fls. 229), a Contribuinte interpôs, em 06/09/2013 (carimbo aposto às efls. 231), o Recurso Especial de efls. 231 a 302, com fundamento nos arts. 67 a 71, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, visando rediscutir as seguintes matérias: a) nulidade do acórdão proferido pela DRJ; b) o arbitramento cabe apenas quando o fisco comprova que a contabilidade do contribuinte apresenta efetivas irregularidades; e c) em caso de dúvida, o lançamento deve ser cancelado, nos termos do art. 112 do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas quanto à primeira matéria nulidade do acórdão proferido pela DRJ conforme despacho de 03/12/2015 (e fls. 306 a 314), o que foi mantido pelo Despacho de Reexame de efls. 315 a 317. Em seu apelo, quanto à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte alega: conforme exposto no Recurso Voluntário, a ora Recorrente apresentou Impugnação, sustentando, entre outras questões: (a) o caráter excepcional da aferição indireta; (b) a falta de comprovação da ocorrência de fatos geradores das supostas irregularidades contábeis apontadas; (c) o desprezo pelo Fisco do princípio da verdade material; e (d) a insignificância dos valores apontados como irregulares, comparados ao volume de negócios mantidos pela empresa, para desconsiderar a sua contabilidade; no entanto, a Impugnação foi julgada improcedente, sem que tais fundamentos tenham sido analisados; assim, o Acórdão proferido pela DRJ contém fundamentação inadequada, apresentando omissões que acarretam graves prejuízos à Recorrente; por isso, é incompatível com os arts. 5 o , LIV e LV, e 37 da CF, com os arts. 31 e 59, II, do Decreto n° 70.235, de 1972, com o art. 65 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009) e com os princípios do devido processo legal formal, da ampla defesa, do contraditório, da necessária motivação das decisões administrativas e da publicidade dos atos da Administração Pública; aliás, os referidos preceitos legais exigem, não apenas que a decisão administrativa tenha fundamentação, mas que esta permita à parte compreender os fundamentos do julgamento realizado e o real alcance deste (o que pressupõe a inexistência de omissões); a falta de apreciação completa e regular de fundamentos nucleares expendidos, enfim, importa inegável nulidade do Acórdão proferido pela DRJ , não restando efetivamente atendidas as normas acima citadas; Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10909.005776/200721 Acórdão n.º 9202006.625 CSRFT2 Fl. 333 5 o Acórdão recorrido afirmou que o Acórdão da DRJ não seria nulo, porque não precisaria analisar todos os fundamentos da contribuinte; ocorre que os vários fundamentos não analisados pelo Acórdão da DRJ são extremamente relevantes, sendo autônomos e suficientes, se acatados, para resultar no cancelamento da NFLD, não se está tratando de um mero fundamento qualquer; os pontos não abordados pelo Acórdão proferido pela DRJ (acima referidos) são vitais para o deslinde do feito; não poderiam, diante disso, deixar de ser regularmente apreciados; concluise, portanto, que este Recurso Especial merece ser provido, para que seja reconhecida a nulidade do Acórdão proferido pela DRJ e como consequência, fazse necessário o retorno dos autos à DRJ, para que esta realize novo julgamento da Impugnação, desta vez analisando todos os fundamentos apresentados. Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, reconhecendose a nulidade do Acórdão proferido pela DRJ. Cientificada do Recurso Especial da Contribuinte e do despacho que lhe deu seguimento parcial em 22/03/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 325), a Fazenda Nacional ofereceu, em 23/03/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 330), as Contrarrazões de efls. 326 a 339, com os seguintes argumentos: acerca da fundamentação das decisões administrativas, vale destacar que o julgador não é obrigado a abordar todos os aspectos levantados pelas partes, mas sim fundamentar de maneira suficiente o seu posicionamento, assim, a legitimidade de uma decisão não decorre da sua abrangência de sua fundamentação, mas sim da sua suficiência; portanto, a necessidade de suficiência de fundamentação não deve ser confundida com a abrangência de todos os pontos que envolvem a controvérsia; isso porque o julgador pode muito bem demonstrar o seu posicionamento sobre determinado tema, mas sem ter que abordar todos os aspectos levantados pelas partes; nesse diapasão, acerca da necessidade de uma decisão, administrativa ou judicial, ter que abordar todos os pontos levantados pelas partes litigantes, a jurisprudência sedimentada das Cortes Judiciais e do próprio CARF ratifica o posicionamento ora exposto; logo, pelo exposto, demonstrase que a decisão recorrida é plenamente válida, pois, da sua leitura, é possível compreender todas as razões que levaram a DRJ a adotar o seu posicionamento. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado seguimento ao Recurso Especial da Contribuinte e, caso assim não se entenda, que lhe seja negado provimento. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 337DF CARF MF 6 O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Tratase de arguição de nulidade do acórdão proferido pela DRJ, por cerceamento de direito de defesa, tendo em vista que não teriam sido analisados todos os pedidos e fundamento apresentados pela Contribuinte. Para tanto, foram indicados os Acórdãos nºs CSRF/0105.134 e 10809.386, à guisa de paradigmas. De plano, esclareçase que o Recurso Especial não se presta a rever decisão de Primeira Instância mas sim objetiva a uniformização da jurisprudência emanada da Segunda Instância, constituída pelas Turmas Ordinárias e Extraordinárias do CARF. Nesse passo, sem ainda perquirir acerca da demonstração da alegada divergência jurisprudencial, a Contribuinte teria de indicar paradigma exarado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, em situação similar à do acórdão recorrido, teria anulado a decisão de Primeira Instância, o que inclusive manteria incólume a decisão de Segunda Instância, que deveria ser efetivamente a decisão recorrida, no contexto de Recurso Especial. No caso do acórdão recorrido, a alegada ausência de pronúncia, por parte da decisão de Primeira Instância, foi assim descrita pela Contribuinte em seu Recurso Voluntário (fls. 134 a 155): "A Nulidade do Acórdão 5. Impende registrar que, sob a ótica da Recorrente, o Acórdão recorrido é nulo, porque importou no cerceamento do seu direito de defesa, tendose em vista que não realizou análise de todos os pedidos e fundamentos por ela apresentados. 6. De fato, por ocasião da sua Impugnação, a Recorrente sustentou entre outras questões: (a) o caráter excepcional da aferição indireta; (b) a falta de comprovação da ocorrência de fatos geradores das supostas irregularidades contábeis apontadas; (c) o desprezo pelo Fisco do princípio da verdade material; e (d) a insignificância dos valores apontados como irregulares, comparados ao volume de negócios mantidos pela empresa para desconsiderar a sua contabilidade." De plano, constatase que a alegada omissão no acórdão da DRJ diz respeito a argumentos contrários ao arbitramento levado a cabo pela Fiscalização e mantido em Primeira Instância. Quanto a essa alegação de nulidade, o acórdão recorrido assim se pronunciou: Ementa PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. LIVRE CONVENCIMENTO. O julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10909.005776/200721 Acórdão n.º 9202006.625 CSRFT2 Fl. 334 7 Voto "De início, não se mostra verborrágico enfatizar que, consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu no caso presente. Por outro viés, a leitura das razões de fato e de direito dispostas no processo não se presta a satisfazer a tese defendida pelo contribuinte ou pela sua ótica, tampouco àquelas esposadas pelo Fisco, sendo imperioso, outrossim, que o julgador se atenha à mens lege, tão somente. Nesse sentido: O Tribunal de origem não precisaria refutar, um a um, todos os argumentos elencados pela parte ora agravante, mas apenas decidir as questões postas. Portanto, ainda que não tenha se referido expressamente a todas as teses de defesa, as matérias que foram devolvidas à apreciação da Corte a quo estão devidamente apreciadas. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Ressaltese, ainda, que cabe ao magistrado decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nessa linha de raciocínio, o disposto no art. 131 do Código de Processo Civil: "Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes; mas deverá indicar, na sentença, os motivos que lhe formaram o convencimento." (AgRg no REsp nº 1.130.754, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 13.04.2010). Ou ainda: "o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados " (REsp 684.311/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ 18.4.2006). Assim, no caso do acórdão recorrido, a DRJ não teria analisado todos os argumentos apresentados pela defesa para a matéria em questão aferição indireta porém a matéria que lhe foi posta foi examinada e decidida, considerandose a decisão suficientemente fundamentada. Fl. 339DF CARF MF 8 Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado exarado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em que, tendo sido a matéria em litígio examinada e decidida em Primeira Instância, com fundamentação considerada suficiente pela Segunda Instância, a nulidade da decisão da DRJ fosse declarada em Instância Especial, por não ter analisado todos os argumentos apresentados na peça de defesa. Quanto ao primeiro paradigma Acórdão CSRF/0105.134 tratase de julgado proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que lá aportou por força de Agravo. O Relatório bem explica o contexto do Agravo, que girou em torno de erro cometido pela decisão de Primeira Instância: "No Recurso Especial interposto pelo Recorrente dois temas foram apresentados para divergência. Primeiramente, alegouse cerceamento de defesa, já que a 2ª Câmara considerara como não impugnada matéria devidamente erigida a debate. A Câmara assim agiu porque considerou que já estava quitado o tributo referente a esta parte, de forma que a discussão apresentada não seria passível de julgamento pela incongruência dos atos. Quanto a esta parte, o Presidente da 2ª Câmara negou seguimento ao recurso, entendendo que não se cogitaria de cerceamento de defesa, de forma que o paradigma apresentado não se adequaria ao feito (despacho fls. 181/186). Não conformado, o Recorrente apresentou recurso de Agravo, esmiuçando as razões pelas quais considerava ter havido erro, já que não realizara o pagamento da parte levada a litígio, de forma que estaria caracterizado o cerceamento de defesa quanto a esta. O Conselheiro José Clóvis Alves acolheu o recurso de Agravo e deu seguimento ao Recurso Especial, esclarecendo toda a questão e, assim, demonstrando realmente ter existido hipótese de cerceamento de defesa. Confirase trecho do decisum: "A lide parece não ter sido plenamente entendida pelo relator e nem mesmo pelo ora agravante. O início de toda a confusão vem do fecho da decisão monocrática que não especificou os valores tributáveis não objeto do litígio na inicial, verbis: (...) Compete à autoridade preparadora tomar as providências relativas à cobrança da parte não impugnada do acréscimo patrimonial caracterizado pelos pagamentos efetuados a Sudameris Arrendamento Mercantil S/A, nos anoscalendário de 1993 a 1995 (v. demonstrativos às fls. 35 e 36)." Conforme se vê pelo fecho da decisão a única matéria em litígio após a decisão de primeira instância seria o ganho de capital na alienação de imóveis, sendo que da parte relativa ao acréscimo patrimonial a descoberto a parte não litigada, conforme a própria decisão, seria aquela referente aos pagamentos efetuados à Sudameris Arrendamento Mercantil nos anos calendário de 1993 a 1995, constantes dos demonstrativos de fls. 35 e 36. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10909.005776/200721 Acórdão n.º 9202006.625 CSRFT2 Fl. 335 9 Ocorre que o erro apontado pelo recorrente diz respeito à parte que não estaria em litígio, ou seja a relativa a acréscimo patrimonial a descoberto, porém ao que tudo indica houve realmente engano da autoridade monocrática ao elaborar o quadro constante da folha 91 na parte relativa ao imposto não impugnado pois não demonstrou como chegou aos valores do tributo constantes como não impugnado. Restando apenas o acréscimo patrimonial relativo aos pagamentos feito à Sudameris Arrendamento Mercantil, considerando que o contribuinte era omisso e não foram provados outros desembolsos, o valor total pago à referida instituição financeira seria a matéria tributável a ser levada à tabela anual para a cobrança do tributo. Analisando as folhas 35 e 36, verifico os seguintes valores tributáveis anuais relativos à parte mantida são os seguintes: (...) Conclusão o valor remanescente, sujeito à tabela anual está abaixo do limite de isenção de 12,00 UFIR nos termos do artigo 37 da IN S R F n° 02 de 07 de janeiro de 1993, uma vez que o ganho de capital é tributado em separado. Resta então a dúvida: Como o julgador monocrático chegou ao IRPF anual em 93 no valor de 1.046,04 UFIR? A única explicação plausível é a demonstrada pelo recorrente em seu agravo de folhas 200/201, ou seja de que, por engano, ao invés de levar o novo valor tributável à tabela anual o julgador tenha feito uma regra de três, conforme abaixo demonstra: (...) Os erros continuaram nos anos calendário de 1994 e 1995, logo embora se tratasse de matéria não litigada, passou a ser em virtude de erro de cálculo do imposto não impugnado constante do quadro de folha 91. O relator do processo guerreado julgou prejudicado o recurso do contribuinte por entender que a controvérsia foi transferida para o processo n° 10920.001734/0070, porém esse processo com grande margem de segurança deve tratar tão somente da cobrança do crédito remanescente pela diferença entre o que o contribuinte entendeu não ser matéria litigada e a definida pela autoridade monocrática que como vimos, até prova em contrário, ocorreram erros de cálculo. Diante do exposto, considerando que não houve um perfeito entendimento da lide por parte do relator do acórdão 102 44.639, concluise que realmente a matéria não foi devidamente enfrentada. Assim entendo estar caracterizada a Fl. 341DF CARF MF 10 divergência entre o acórdão guerreado e o AC CSRF/011.135, pois o relator realmente não enfrentou a matéria relativa aos alegados erros cometidos pela autoridade julgadora de primeira instância, possivelmente por culpa da própria autoridade monocrática que não elaborou o demonstrativo de apuração do imposto com base na matéria não impugnada." O voto condutor desse paradigma assim esclarece: Dois são os pontos que devem ser examinados neste julgamento, a saber: 1) cerceamento de defesa pela ausência de análise de argumentos relativos a erro de cálculo da autoridade julgadora; 2) possibilidade de arbitramento do custo de construção, quando o contribuinte não traz aos autos provas deste custo. No que pertine ao primeiro ponto, creio que a questão foi devidamente analisada pelo Conselheiro José Clóvis Alves. Os erros de cálculo apontados pelo contribuinte em Recurso Voluntário e que foram verificados a partir da decisão monocrática da autoridade julgadora de primeira instância, realmente não foram analisados pela 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que considerou que estes pontos deveriam ser objeto de questionamento no processo formado apenas para cobrança do crédito remanescente. Ora, à evidência, os erros cometidos para autoridade julgadora e devidamente arguidos em recurso devem ser analisados pela Câmara julgadora, porque a sua competência é exatamente a de examinar aquela decisão. Na ausência de análise de pontos devidamente questionados, resta caracterizada a plena evidência o cerceamento de defesa." Constatase, assim, a absoluta falta de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma: no caso do paradigma, diferentemente do que ocorreu no recorrido, não se tratou de falta de análise de argumentos de Impugnação sobre matéria examinada e decidida em Primeira Instância, com fundamentos considerados suficientes em Segunda Instância, mas sim de flagrante erro de cálculo cometido na decisão de Primeira Instância, que acabou induzindo a erro o Julgador da Turma Ordinária do CARF, daí a necessidade de declararse a nulidade desta última decisão e não da decisão de Primeira Instância. Confirase a parte dispositiva do paradigma: "ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ANULAR o acórdão recorrido e restituir os autos a Câmara "a quo" para que nova decisão seja proferida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado." (grifei) No que tange ao segundo paradigma indicado pela Contribuinte Acórdão nº 10809.386 este foi proferido pela Oitava Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, e não pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, portanto já se revela inservível à pretensão da Recorrente. Ademais, esse paradigma também não trata de situação semelhante à do recorrido, e sim de expressa recusa, por parte da DRJ, de analisar a matéria relativa ao direito da Contribuinte à compensação de créditos relacionados ao Refis, sob o argumento de que haveria rito próprio. Confirase o relatório desse segundo paradigma: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10909.005776/200721 Acórdão n.º 9202006.625 CSRFT2 Fl. 336 11 "Cientificada de decisão em 10/01/2006 (doc.fls.283) apresentou o presente Recurso (doc.fls.284/300), onde repisa os mesmos argumentos da peça exordial, alegando: em preliminar, a nulidade da decisão de primeira instância, por não ter sido apreciada a matéria quando ao seu direito à compensação de créditos de tributos e pleitos relacionado ao REFIS, sob a alegação de que "devem seguir ritos próprios, e, portanto não poderiam ser por ela analisados no processo" ( fls.286 in fine e 287). Expressando que tratase de valores indevidamente recolhidos a titulo de PISDedução e que deverão ser analisados pela própria Receita Federal e não pelo Comitê Gestor do REFIS e compensados na apuração fiscal. Assim, em face da expressa recusa da Primeira Instância em analisar a matéria relativa aos créditos do Refis, o Relator de Segunda Instância assim se pronunciou no voto: "Quanto ao mérito pelos detalhamentos quanto a cada item objeto da impugnação e ratificado na peça recursal, entendo que a primeira instância, na busca da verdade material e pelo principio basilar do contraditório e da ampla defesa e, nos termos do art. 31 do Dec. nº 70.235/72 deverá apreciar toda a matéria de fato e de direito arguida no presente PTA. Considerando que toda a matéria quanto à compensação de créditos, quer tenha sido ou não objeto de Pedido de Restituição, quer objeto de Declaração de Compensação, e de valores declarados para opção ao REFIS pela contribuinte, deverão ser apreciados, pois na apuração fiscal compuseram a base da exação fiscal, arguida e demonstrada pela contribuinte. Portanto, voto pelo cancelamento do Acórdão recorrido, e pelo retorno do presente à instância "a quo" para apreciação das matérias arguidas e não apreciadas." Como se pode constatar, a situação desse segundo paradigma também em nada se assemelha ao que ocorreu no recorrido. Nesse paradigma a DRJ recusouse expressamente a analisar a matéria relativa a créditos do Refis, sob a justificativa de que esse tipo de análise teria rito próprio. Com efeito, reiterese que, no caso do acórdão recorrido, a matéria foi apreciada e decidida, sem qualquer recusa por parte da DRJ. Diante do exposto, tendo em vista a total ausência de similitude fática entre os acórdão recorrido e paradigmas, não conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 343DF CARF MF 12 Fl. 344DF CARF MF
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