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Numero do processo: 10882.905114/2012-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/09/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 51 14 /2 01 2- 65 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905114/201265 Acórdão n.º 3801003.708 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905114/201265 Acórdão n.º 3801003.708 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905114/201265 Acórdão n.º 3801003.708 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905114/201265 Acórdão n.º 3801003.708 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905114/201265 Acórdão n.º 3801003.708 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.905114/201265 Acórdão n.º 3801003.708 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12448.909387/2011-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS PARA RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO.
Para que se reconheça o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ devem ser confirmados: 1) a retenção do imposto de renda na fonte; 2) o oferecimento das respectivas receitas à tributação; e 3) a extinção das estimativas usadas na constituição do crédito.
COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE RECONHECIDO.
Homologa-se a compensação até o limite do direito creditório reconhecido.
Recurso Voluntário Procedente em Parte
Numero da decisão: 1402-001.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 4.794.060,27 (5.063.892,12 (de IRRF) + 2.960.317,84 + 371.564,04 (de estimativas) - 3.601.713,73 (de IRPJ devido), correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2003; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS PARA RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Para que se reconheça o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ devem ser confirmados: 1) a retenção do imposto de renda na fonte; 2) o oferecimento das respectivas receitas à tributação; e 3) a extinção das estimativas usadas na constituição do crédito. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE RECONHECIDO. Homologa-se a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. Recurso Voluntário Procedente em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 4.794.060,27 (5.063.892,12 (de IRRF) + 2.960.317,84 + 371.564,04 (de estimativas) - 3.601.713,73 (de IRPJ devido), correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2003; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. REQUISITOS PARA RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Para que se reconheça o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ devem ser confirmados: 1) a retenção do imposto de renda na fonte; 2) o oferecimento das respectivas receitas à tributação; e 3) a extinção das estimativas usadas na constituição do crédito. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE RECONHECIDO. Homologase a compensação até o limite do direito creditório reconhecido. Recurso Voluntário Procedente em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 4.794.060,27 (5.063.892,12 (de IRRF) + 2.960.317,84 + 371.564,04 (de estimativas) 3.601.713,73 (de IRPJ devido), correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2003; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 93 87 /2 01 1- 52 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 1402001.727 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Trata o presente processo da não homologação dos PER/DCOMP’s 29343.53641.270906.1.7.022706 (fls. 2/6), 03820.01197.280906.1.7.021232 (fls. 219/222), 00269.15620.280906.1.7.020908 (fls. 215/218), 41562.43031.280906.1.7.027710 (fls. 237/240), 03926.05936.280906.1.7.026480 (fls. 223/232), 21581.67224.220307.1.3.025040 (fls. 233/236), transmitidos entre 27/09/2006 e 22/03/2007, nos quais a Contribuinte pretendeu aproveitar um crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2003, no valor original de R$ 5.063.892,12. O Despacho Decisório da fl. 7 não homologou as compensações declaradas, haja vista ter apurado saldo disponível igual a R$ 0,00. Consoante análise do crédito (fls. 173/174), do valor total de IRRF informado na DIPJ/2004, de R$ 5.063.892,12, apenas o montante de R$ 1.233.326,73 foi confirmado, restando não comprovada a retenção de IRRF no valor de R$ 3.830.565,39. Diante disso, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 8/14), aduzindo, em síntese, o que segue: a) Na DIPJ 2004 (fl. 48) apurou saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 5.063.892,12. Tal resultado foi composto do IRRF em 2003, “em virtude de rendimentos auferidos em operações de mútuo de recursos financeiros ou outros” (fl. 9, § s/n); b) Os PER/DCOMP foram apresentados para compensar débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL de períodos de apuração diversos, dos anoscalendário de 2003 e 2004; c) Pelo que se infere da análise do crédito que subsidia o Despacho Decisório (fls. 173/174), a DRF teria confirmado apenas o valor de R$ 1.233.326,73, entendendo como “não confirmada” a retenção feita pela Vale S/A, no montante de R$ 3.830.565,39 [= 5.063.892,12 1.233.326,73]. Essa retenção encontrase, todavia, confirmada pela DIRF de fls. 105/111; d) O fato de o PER/DCOMP ter indicado o código de receita 3249 (fl. 4) para a retenção feita pela Vale S/A em vez do código 3426 (DIRF, fl. 108) não infirma o direito creditório da Suplicante, pois, no processo administrativo fiscal, vigora o princípio da verdade material, consoante legislação, doutrina e jurisprudência sobre o tema; e) Não é lícito deixar de homologar as compensações em tela sem analisar todas as informações e documentos essenciais para apurar a materialidade do crédito tributário utilizado, à exemplo da escrituração comercial e fiscal da Suplicante e a efetiva retenção do IRRF. Analisando tais argumentos, os membros da 9ª Turma da DRJ/RJ1 deram parcial provimento à manifestação de inconformidade para (i) reconhecer que a Contribuinte Fl. 344DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 1402001.727 S1C4T2 Fl. 4 3 tem um direito creditório no valor de R$ 1.833.742,43, relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003; e (ii) homologar as compensações declaradas nos PER/DCOMP’s 29343.53641.270906.1.7.022706, 03820.01197.280906.1.7.021232, 00269.15620.280906.1.7.020908, 41562.43031.280906.1.7.027710, 03926.05936.280906.1.7.026480, 21581.67224.220307.1.3.025040, até o limite do direito creditório reconhecido. Inconformada com a decisão, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 310/318) afirmando, em suma, que: Análise do Grupo 1 a) Independentemente da natureza do provimento a ser alcançado pelas partes litigantes na Execução Fiscal nº. 050330174.2010.4.025101 – êxito do Contribuinte ou da Fazenda Pública, que ensejará a quitação dos débitos – o desfecho será o mesmo: a viabilidade da compensação cujo indeferimento ora se discute. b) Mesmo porque, conforme reconhecido pela própria decisão recorrida, a Contribuinte garantiu o juízo da Execução Fiscal. Logo, caso a Contribuinte não logre êxito na discussão judicial travada, bastará a simples conversão da garantia prestada em pagamento. c) Sustentar que os contribuintes devem aguardar todo o período necessário à análise da RFB de determinado PER/DCOMP transmitido para a quitação de determinada estimativa, para somente depois considerála na composição do saldo negativo a ser utilizado, inviabilizaria os procedimentos de compensação das estimativas, bem como a própria utilização do saldo negativo em si. d) Superado esse entendimento, requer, no mínimo, seja determinada a suspensão do feito até ulterior julgamento da Execução Fiscal nº. 050330174.2010.4.025101, quando, ao final, poderá ser confirmada a quitação das estimativas; Análise do Grupo 2 e) Conforme PER/DCOMP 31124.37450.140704.1.3.028666, 31761.56469.210604.1.7.023882 e 4268304787.140904.1.3.023047, retificados (fl. 275) pelos PER/DCOMP’s de n° 00269.15620.280906.1.7.020908 (fls. 215/218), 29343.53641.270906.1.7.022706 (fls. 2/6) e 03926.05936.280906.1.7.026480 (fls. 223/232), a Contribuinte pretendeu compensar as antecipações de estimativas de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, novembro e dezembro de 2003, com saldo negativo de IRPJ do próprio anocalendário 2003. Contudo, tais pedidos foram transmitidos em 2004, quando já havia sido confirmado que o saldo negativo apurado em 2003 seria suficiente para compensar os débitos objeto dos PER/DCOMP’s ora em discussão (Principal no valor de R$ 4.948.867,95), bem como as próprias antecipações em aberto no curso do anocalendário 2003 e que acabariam compondo esse mesmo saldo negativo (R$ 74.786,01). f) Não atentou a decisão recorrida que, os débitos de estimativas atrelados a estas PER/DCOMP’s reunidas no Grupo 2, em que se alegou a impossibilidade de homologação, tratam, a bem verdade, das mesmas antecipações por estimativa referentes ao anocalendário de 2003, cuja compensação se pretende pelo PER/DCOMP cuja homologação parcial foi reconhecida pela própria decisão recorrida; Fl. 345DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 1402001.727 S1C4T2 Fl. 5 4 g) exigir que tais antecipações sejam quitadas de outra forma, que não pelos PER/DCOMP’s em debate, não muda o fato de que, ao final, o saldo negativo terá o mesmo valor e, considerando o cancelamento das PER/DCOMP’s, haverá saldo negativo a ser restituído pela Contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. Consoante DIPJ/2004 (fl. 48), a Recorrente apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 3.601.713,73. Considerando o IRRF informado de R$ 5.063.892,12 e as estimativas pagas no valor de R$ 3.601.713,73, ao final do anocalendário de 2003, a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ no valor total de R$ 5.063.892,12. Nos PER/DCOMP’s objeto do presente processo, a Recorrente pleiteia a compensação do citado crédito de saldo negativo de IRPJ 2003, no valor original de R$ 5.063.892,12. O despacho decisório (fl. 7 e fl. 173/174) não homologou o crédito pleiteado, uma vez que não conseguiu confirmar o IRRF de R$ 3.830.565,3, informado sob o código de receita 3249, confirmando apenas o IRRF de R$ 1.233.326,73, informado sob o código de receita 3426. Nesse passo, a Recorrente aduziu, em sua manifestação de inconformidade, que o IRRF de R$ 3.830.565,3 foi erroneamente informado sob o código de receita 3249, quando deveria ter sido informado sob o código de receita 3426 e, por essa razão, não teria sido possível confirmar tal retenção. Analisando o caso, a decisão recorrida afirma, inicialmente, que a Recorrente informou no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito apenas as parcelas de IRRF, no valor total de R$ 5.063.892,12, embora devesse informar também os R$ 3.601.713,73 que declarou ter pagado a título de estimativa, em sua DIPJ/2004 (fl. 48). No entanto, tanto esse erro, quanto o erro de preenchimento que diz respeito ao código de arrecadação do IRRF, não impedem o reconhecimento do crédito, desde que seja confirmado: (i) a retenção na fonte de R$ 5.063.892,12; (ii) o oferecimento à tributação das respectivas receitas; e (iii) a extinção de estimativas no valor total de R$ 3.601.713,73. Passando a tais análises, a decisão recorrida informa que, a retenção de fonte no valor de R$ 3.830.565,39, fonte pagadora CNPJ 33.592.510/000154, informada com o código de receita 3249, foi localizada na DIRF de fl. 175, com código de arrecadação 3426. Assim, restou confirmado o erro de preenchimento e a retenção de fonte no valor total de R$ 5.063.892,12, conforme informado na DIPJ/2004. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 1402001.727 S1C4T2 Fl. 6 5 Em seguida, a decisão recorrida afirma que também restou confirmado o oferecimento à tributação dos rendimentos que originaram as citadas retenções de fonte. No entanto, o IRPJ mensal pago por estimativa, no valor de R$ 3.601.713,73, cujo pagamento teria ocorrido por meio de compensação, não foi confirmado. Para análise das compensações realizadas pela Recorrente para quitação do IRPJ mensal pago por estimativa, a decisão recorrida reúne os PER/DCOMP’s transmitidos em três grupos: Análise do Grupo 1 Consigna a decisão recorrida, que o processo 10768.002054/200342 abrange uma família de seis PER/DCOMP, cujas compensações não foram homologadas, na esfera administrativa, por inexistência de crédito (fls. 184 e 276). Relativamente a estimativas de IRPJ, consta do processo em tela, além dos débitos confessados naqueles PER/DCOMP’s (fls. 185/212), um débito de R$ 845.870,78, para janeiro de 2003 (fl. 272), conforme tabela acima. Ainda conforme a decisão recorrida, todos os débitos da tabela acima, objeto do processo 10768.002054/200342, foram inscritos em dívida ativa sob o n°. 70.2.09.00363889 (fls. 272/273), cuja certidão instrui o processo judicial de Execução Fiscal n°. 050330174.2010.4.02.5101 da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (fl. 274). Registra, também, que o crédito tributário correspondente está com a exigibilidade suspensa tendo em vista que a Recorrente garantiu o juízo. Nada obstante, a decisão recorrida afirma que a parcela do crédito pleiteado correspondente a este grupo, no total de R$ 2.960.317,84, não deve ser reconhecida por dois motivos: (1) Os débitos que teriam dado origem à parcela encontramse na fase de cobrança executiva, pois a decisão administrativa de não homologar a compensação é definitiva; e (2) a Recorrente adota conduta contraditória, pois, administrativamente, pleiteia o reconhecimento do crédito como se tivesse extinguido os débitos de estimativa, enquanto, na esfera judicial, litiga para não pagar os mesmos débitos. Ora, não merece qualquer amparo a decisão recorrida. Segundo orientação da administração tributária, as estimativas compensadas em DCOMP podem ser deduzidas integralmente como antecipação do imposto devido no ajuste final, vez que a não homologação das compensações implica cobrança dos débitos (administrativa ou judicial), por constituir a DCOMP confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais. Mês Principal na DCOMP Retificadora PER/DCOMP Original jan/03 845.870,78 10768.002054/200342 fev/03 169.126,54 20497.35122.220704.1.3.022906 mar/03 206.816,60 26537.36225.220704.1.7.023057 abr/03 501.047,16 20497.35122.220704.1.3.022906 mai/03 707.773,87 20497.35122.220704.1.3.022906 dez/03 208.936,02 20497.35122.220704.1.3.022906 dez/03 320.746,87 36018.768211.30704.1.7.023245 2.960.317,84 07271.00217.280906.1.7.023084 07271.00217.280906.1.7.023084 07271.00217.280906.1.7.023084 18198.52595.030507.1.7.022076 PER/DCOMP Retificadora Nihil 07271.00217.280906.1.7.023084 08639.76168.280906.1.7.020707 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 1402001.727 S1C4T2 Fl. 7 6 Nesse contexto, aqui, nos termos do que aduziu a Recorrente, seja pela procedência do pleito da Recorrente na esfera judicial, seja pela improcedência do pleito, que ensejará a quitação dos débitos ou a imediata conversão do valor dos depósitos judiciais em renda para a Fazenda Nacional, os débitos de IRPJ estimativa serão satisfeitos. Portanto, deve ser considerado legítimo o IRPJ mensal pago por estimativa, no valor de R$ 2.960.317,84, “quitado” pelas compensações do Grupo 1, em discussão na esfera judicial. Análise do Grupo 2 Nesse ponto, ressalta a decisão recorrida que a Recorrente, quando retificou os PER/DCOMP 31124.37450.140704.1.3.028666, 31761.56469.210604.1.7.023882 e 4268304787.140904.1.3.023047 (fl. 275, 215/218, 2/6 e 223/232), substituiu o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, para o do anocalendário 2003, ou seja, as estimativas de 2003 seriam extintas por compensação com o saldo negativo apurado neste mesmo ano. Diante disso, não considerou tais compensações, haja vista que não se pode usar um crédito antes de sua apuração, e, no caso sob análise, a apuração depende da extinção das estimativas. Afirmou que, as estimativas de 2003 deveriam ter sido pagas ou compensadas, para que pudessem ser consideradas na apuração do saldo negativo, que representaria um crédito compensável com outros débitos. Portanto, a parcela do crédito pleiteado correspondente a este grupo, no valor total de R$ 74.786,01, não foi reconhecida. Correto o entendimento da decisão recorrida. O contribuinte pode requerer a restituição do saldo negativo de IRPJ ou utilizar tal crédito na compensação tributária quando a soma das deduções previstas no art. 2º, § 4º, da Lei nº 9.43/1996, for maior que o valor devido do imposto. O valor das estimativas parceladas só pode ser utilizado para tal dedução até o montante das parcelas efetivamente pagas do parcelamento, e na proporção em que forem pagas. Apenas os valores originais das estimativas podem ser deduzidos do valor devido de IRPJ, não cabendo a utilização para este fim de multa e juros incidentes sobre as estimativas parceladas. Mês Principal na DCOMP Retificadora PER/DCOMP Original nov/03 16.056,12 31124.37450.140704.1.3.028666 dez/03 10.399,04 31761.56469.210604.1.7.023882 jan/03 10.552,69 42683.04787.140904.1.3.023047 fev/03 11.070,89 42683.04787.140904.1.3.023047 mar/03 4.514,96 42683.04787.140904.1.3.023047 abr/03 3.492,60 42683.04787.140904.1.3.023047 mai/03 2.655,04 42683.04787.140904.1.3.023047 nov/03 13.658,50 42683.04787.140904.1.3.023047 dez/03 2.386,17 42683.04787.140904.1.3.023047 74.786,01 03926.05936.280906.1.7.026480 03926.05936.280906.1.7.026480 03926.05936.280906.1.7.026480 03926.05936.280906.1.7.026480 03926.05936.280906.1.7.026480 03926.05936.280906.1.7.026480 PER/DCOMP Retificadora 00269.15620.280906.1.7.020908 29343.53641.270906.1.7.022706 03926.05936.280906.1.7.026480 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 1402001.727 S1C4T2 Fl. 8 7 Nessa linha de raciocínio, considerando que, apenas as estimativas quitadas podem ser deduzidas integralmente como antecipação do IRPJ devido no ajuste final, a forma de aproveitar as estimativas parceladas para tal dedução seria quitálas antes do transcurso deste prazo, o que não aconteceu no presente caso. É certo que as declarações de compensação retificadoras foram transmitidas em 2006, quando supostamente já se conhecia o montante do saldo negativo do anocalendário 2003. Contudo, partindo da premissa de que apenas o IRRF e as estimativas efetivamente pagas, conforme o caso, vão compor o saldo negativo do período, nos termos do Ato Declaratório SRF nº 3/00, a administração tributária permite a incidência de juros sobre os créditos de saldo negativo a partir do mês subseqüente ao término do período de apuração do imposto. Dessa forma, caso fosse atendido o pleito da Recorrente, o saldo negativo composto de parcelas não efetivamente pagas estaria sendo atualizado pela Taxa Selic até a data da compensação, quando ocorreria seu efetivo pagamento. Vêse, com esse exemplo, o absurdo a que chegaríamos com tal conduta. Portanto, não merece qualquer amparo os apelos da Recorrente, não podendo, em qualquer hipótese, serem aceitas compensações de IRPJ mensal pago por estimativa com saldo negativo de IRPJ do mesmo anocalendário. Análise do Grupo 3 A PER/DCOMP do Grupo 3 já havia sido tida em conta pela decisão recorrida, tendo em vista sua homologação tácita. Assim, também deve ser mantida a confirmação do valor de R$ 371.564,04 pago a título de IRPJ mensal pago por estimativa. Conclusão Pelo exposto, forçoso concluir que a Recorrente possui um direito creditório de R$ 4.794.060,27 (= 5.063.892,12 (de IRRF) + 2.960.317,84 + 371.564,04 (de estimativas) 3.601.713,73 (de IRPJ devido)), correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2003. Considerando, como já afirmado na Análise do Grupo 2, que os PER/DCOMP’s 00269.15620.280906.1.7.020908 (fls. 215/218), 29343.53641.270906.1.7.02 2706 (fls. 2/6) e 03926.05936.280906.1.7.026480 (fls. 223/232), não podem ser homologados Mês Principal na DCOMP Retificadora PER/DCOMP Original mar/03 371.564,04 41026.73553.291003.1.3.038373 PER/DCOMP Retificadora Nihil Fl. 349DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA Processo nº 12448.909387/201152 Acórdão n.º 1402001.727 S1C4T2 Fl. 9 8 por utilizarem crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 para quitar débitos de IRPJ mensal pago por estimativa do próprio anocalendário de 2003, apenas os PER/DCOMP’s 03820.01197.280906.1.7.021232 (fls. 219/222), 41562.43031.280906.1.7.027710 (fls. 237/240) e 21581.67224.220307.1.3.025040 (fls. 233/236) deverão ser homologados, até o limite do direito creditório reconhecido. Posto isso, encaminho meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 350DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10510.721600/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
Ementa:
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2, DO CARF.
Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2201-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 26/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 2, DO CARF. Nos exatos termos da Súmula nº 2, do CARF, falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 16 00 /2 01 1- 70 Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 26/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH. Presente ao julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. JULES MICHELET PEREIRA QUEIROZ E SILVA. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2003, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 114/124, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 304.301,72, calculado até 31/10/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: que é nulo o procedimento fiscal por quebra do sigilo bancário sem ordem judicial; que atendera parcialmente ao termo de início de fiscalização porque respaldado na Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, que expressamente veda a identificação da origem ou natureza dos gastos efetuados; que o acesso aos seus dados bancários viola o disposto no art. 6º da mesma lei, por inexistência de prévio procedimento fiscal iniciado; que a exposição dos seus dados a terceiros que viessem a acessar a autoridade fiscal também viola o parágrafo único do mesmo artigo; que a inexistência nos autos das solicitações formuladas às instituições financeiras igualmente descumpre o art. 8º do mesmo diploma legal; que não é reconhecida legítima pelo poder judiciário a previsão do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; que a constituição do crédito tributário viola também o art. 11, § 3º da Lei nº 9.311, de 1996, para o qual denomina prova emprestada o termo de início de fiscalização lavrado; que sua atividade profissional é a prestação de serviços na rede imobiliária; que a movimentação financeira de suas contas Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10510.721600/201170 Acórdão n.º 2201002.594 S2C2T1 Fl. 3 3 bancárias diz respeito a recebimento de aluguéis de seus imóveis, a gastos com o pagamento de aluguéis aos proprietários de imóveis que administra, a aquisição de imóveis oferecidos pelos proprietários, ou ainda a transações financeiras com terceiros; que os valores recebidos a título de aluguel eram normalmente transferidos para a conta da pessoa jurídica de que era responsável; que não agira de máfé em não os haver declarado, pois os movimentava nas contascorrentes das pessoas físicas e os repassava à pessoa jurídica sempre que necessário; que os depósitos bancários não poderiam servir de base para o lançamento do imposto de renda, especialmente quando não há prova de variação patrimonial a descoberto ou de sinais exteriores de riqueza; e que não configura crime a falta de pagamento de um tributo, decorrente de simples omissão, se não carregada de dolo. Cita doutrina e jurisprudência, e requer a improcedência da ação fiscal (fls.337 a 355). A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS. Para excluir a presunção legal de rendimentos omitidos, a origem dos depósitos bancários deve ser comprovada com documentos hábeis e idôneos, que permitam a identificação individualizada dos créditos e dos alegados negócios a eles relativos. Impugnação Improcedente Intimado da decisão de primeira instância em 12/09/2011 (fl. 369), Geraldo Soares Dias apresenta recurso voluntário em 29/09/2011 (fl. 376), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. O processo em apreço foi julgado em 15 de outubro de 2013 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2202000.553, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 2009. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar suscitada pelo recorrente. Alega o suplicante que o lançamento é nulo, pois não houve autorização judicial para quebra de seu sigilo bancário. No que diz respeito à quebra de sigilo bancário, deve ser esclarecido que a Lei Complementar nº 105/2001 permite o afastamento do sigilo bancário por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Na verdade, verificase que o recorrente foi intimado a fornecer seus extratos bancários, no entanto, apresentou parcialmente, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Em relação ao uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário, assim como a retroatividade da legislação aplicada à espécie, este Órgão já se posicionou. Tratase da Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (grifei) Dessarte, correto o afastamento do sigilo bancário perpetrado pela autoridade fiscal. No mérito, cumpre trazer a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O dispositivo legal citado tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10510.721600/201170 Acórdão n.º 2201002.594 S2C2T1 Fl. 4 5 deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam à presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional2, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Cabe ainda esclarecer que o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/1990, que previa o arbitramento dos rendimentos com base na renda presumida, foi expressamente revogado pelo art. 88, inciso XVIII, da Lei nº 9.430/1996. Isso, aliás, ratifica a intenção do legislador em dar novo tratamento à matéria, eis que, na lei nova, deixou de existir a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita e de se comprovar a ocorrência de sinais exteriores de riqueza. Por fim, em diversos momentos de sua peça recursal o contribuinte alega ofensas a princípios constitucionais garantidores de direitos individuais, como o direito a igualdade, isonomia, razoabilidade, proporcionalidade e a vedação de confisco. Frisese que os referidos princípios dirigemse ao legislador, que deve observálos quando da elaboração das leis tributárias. Os Órgãos da administração não podem deixar de aplicar as leis aprovadas pelo Congresso Nacional e sancionadas pelo Presidente da República, ao qual estão vinculados pelo poder hierárquico. Essa tarefa é reservada pela Constituição Federal ao poder Judiciário. Portanto, é vedado à administração declarar inconstitucionalidade de norma legal, conforme dispõe a Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Ante a todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 13971.720063/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
COFINS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. APLICAÇÃO CASO A CASO.
Não se aplica, para apuração do insumo de PIS não cumulativo previsto no inciso II, artigo 3º, Lei nº 10.637/02, o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico de imposto de renda que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; for INDISPENSÁVEL para a formação do produto/serviço final e for RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. SERVIÇOS DE FUMIGAÇÃO. DESPESAS INCORRIDAS APÓS O PROCESSO PRODUTIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Os serviços de capatazia e os serviços de fumigação são despesas operacionais incorridas quando da exportação dos produtos fabricados pela recorrente, não se tratando de despesas de armazenagem, nem se amoldando ao conceito de insumo, respectivamente. A inexistência de previsão legal contida no artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003 para as referidas despesas impedem o correspondente creditamento de Cofins.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. ÉPOCA.
Os legítimos créditos de Cofins de um determinado mês pode ser utilizado em meses subseqüentes, inclusive quando apurado extemporaneamente, sem necessidade, neste caso, de alterar o valor a recolher apurado à época do lançamento feito pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto em relação ao direito de crédito sobre as despesas de capatazia e fumigação e a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó em relação ao crédito extemporâneo. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor.
.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Fabíola Cassiano Keramidas
Relatora
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Redator designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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CONCEITO DE INSUMOS. APLICAÇÃO CASO A CASO. Não se aplica, para apuração do insumo de PIS não cumulativo previsto no inciso II, artigo 3º, Lei nº 10.637/02, o critério estabelecido para insumos do sistema não cumulativo de IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado. Por outro giro, também não se aplica o conceito específico de imposto de renda que define custo e despesas necessárias. O conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS é próprio, sendo que deve ser considerado insumo aquele que for UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; for INDISPENSÁVEL para a formação do produto/serviço final e for RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Em virtude destas especificidades, os insumos devem ser analisados caso a caso. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. SERVIÇOS DE FUMIGAÇÃO. DESPESAS INCORRIDAS APÓS O PROCESSO PRODUTIVO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Os serviços de capatazia e os serviços de fumigação são despesas operacionais incorridas quando da exportação dos produtos fabricados pela recorrente, não se tratando de despesas de armazenagem, nem se amoldando ao conceito de insumo, respectivamente. A inexistência de previsão legal contida no artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003 para as referidas despesas impedem o correspondente creditamento de Cofins. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 63 /2 00 8- 14 Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.793 2 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. ÉPOCA. Os legítimos créditos de Cofins de um determinado mês pode ser utilizado em meses subseqüentes, inclusive quando apurado extemporaneamente, sem necessidade, neste caso, de alterar o valor a recolher apurado à época do lançamento feito pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto em relação ao direito de crédito sobre as despesas de capatazia e fumigação e a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó em relação ao crédito extemporâneo. Designado o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para redigir o voto vencedor. . (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas Relatora (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativo, relativo ao segundo trimestre de 2006. Por retratar a realidade dos fatos, peço vênia a meus pares para transcrever o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, a saber: Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.794 3 “Trata o presente processo de "Pedido de Ressarcimento ou Restituição —Declaração de Compensação", relativo ao segundo trimestre de 2006, pelo qual a contribuinte acima identificada declara créditos de Cofins NãoCumulativa Exportação no valor total de R$ 199.721,78. Deste valor, foi utilizada a parcela de R$ 5.964,55 como desconto, tendo a contribuinte requerido o ressarcimento do saldo de R$ 193.757,23. Em vista do pedido, foi efetuada diligência junto à empresa em 16/06/2008, onde esta foi intimada a apresentar uma série de documentos visando subsidiar a análise do pedido, os quais se encontram anexados ao processo. A partir da análise feita nos documentos da empresa, foi emitido o Parecer SAORT DRF/Blumenau no 176/08 e o respectivo despacho decisório, o qual deferiu parcialmente a solicitação. Foram glosados por não serem passíveis de ressarcimento os valores relativos a: aquisições não reconhecidas como matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem ou insumos, conforme análise das notas fiscais de fls. 64/114 (CFOP 1.556 e 2.556), onde se verificou a inclusão de diversos itens não enquadráveis para fins de desconto de créditos, tais como partes e peças de manutenção, inclusive lubrificantes, utilizadas em veículos automotores não inseridos no processo produtivo, equipamentos elétricos e outros diversos materiais também não empregados no processo produtivo tais como papel higiênico, papel A4, luminárias, lâmpadas e acessórios, tecido para confecção de uniforme, tubulação para esgoto, equipamentos sinalizadores para atendimentos de normas de segurança do trabalho, sacos de lixo e equipamentos de proteção individual (planilha à fl. 1.246 e verso). despesas descritas como armazenagem e frete na operação de venda, conforme relacionadas pela contribuinte com a inclusão de "outras despesas", através das notas fiscais de fls. 64/114, não lançadas no LRE, que, em síntese, se referem a serviços portuários relacionados a contêineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento, despesas estas glosadas por não serem relacionadas à armazenagem ou frete, não tendo amparo legal que possibilite o desconto dos créditos; despesas de depreciação de gerador arrendado que foi indevidamente incluído na base de calculo; ajustes positivos de créditos, conforme valor de R$ 74.214,66, escriturado na linha 04/26 do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon como "Ajuste Positivo de Crédito", o qual o contribuinte informou trataremse de créditos não aproveitados no período de junho de 2005 a janeiro de 2006. O motivo para a desconsideração destes créditos foi que o campo "Ajustes Positivos de Créditos" é destinado ao registro de créditos não contemplados nas outras linhas da Dacon, Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.795 4 referentes ao mesmo período de apuração, devendo a interessada retificar os respectivos Dacon quanto aos períodos em que deixou de incluir notas fiscais com direito ao crédito para então apurar novo crédito a ser utilizado nas compensações ou ressarcimentos a que fizer jus. Consta que houve o reconhecimento parcial do direito tributário no valor de R$ 114.434,04, a titulo de mercado externo, observandose as condições estabelecidas pela IN SRF n°. 600/05. A contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade (fls.1.266/1.277)) contra o despacho decisório supracitado, onde pede a reforma da decisão, alegando os motivos que abaixo se expõe, sucintamente, conforme os tópicos abordados pela insurgente: 1) Exclusões de aquisições não reconhecidas como matéria prima, produtos intermediários, matérias de embalagens e insumos: Quanto às glosas de insumos escriturados com CFOP 1.556 e 2.556 (compra de material de uso e consumo), reconhece que foram aproveitados créditos indevidos sobre diversos itens, mas alega ter verificado que foram realizadas glosas sobre custos e bens de pequeno valor e de manutenção de máquinas e equipamentos que são utilizados na produção e que estão em conformidade com as soluções de consulta apresentadas no despacho decisório. Neste item de sua defesa, relaciona os fornecedores (4), as respectivas notas fiscais de aquisições, os materiais e/ou equipamentos a que se refere e passa a descrever a sua utilização. Remete às referidas notas de aquisição que diz se encontrarem no Anexo I (fls. 1.278/1.292), e requer que sejam reconhecidos os seus valores que juntos totalizam R$ 5.320,08 na memória de cálculo apresentada no Anexo I do Despacho Decisório. 2) Exclusões de despesas de serviços de fumigação em conteiner, capatazia e armazenagem: Insurgese quanto a glosa de despesas com armazenagem, alegando a restrição contida no despacho decisório com serviços portuários relacionados a conteineres, tais como unitização, desunitização, posicionamento, fumigação, remoção, movimentação e agenciamento. Neste item, desdobrase em seus argumentos a esclarecer o que se tratam os serviços de fumigação e as despesas de capatazia. Dos serviços de fumigação, alega, em síntese, que é o tratamento químico que se da a madeira para evitar a proliferação de pragas ou a formação de bolor ou mofo; e que tal processo é necessário, visto os produtos serem em madeira, com paletizagem em madeira de eucalipto. Alega, ainda, que a equivocada informação deste processo como despesas de Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.796 5 armazenagem se deu pelo fato de que este serviço é terceirizado, realizado pela Empresa Austrasul, diretamente nos produtos já dentro dos contêineres. Remete as notas fiscais do Anexo II. Reitera serem serviços/insumos aplicados diretamente nos produtos. Quanto as despesas de capatazia, alega que as despesas de transporte de contêiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de contêiner, remoção para mudança de navio, não consideradas no despacho decisório, são despesas necessárias para o efetivo embarque das mercadorias; que são suportadas pelo requerente; que são uma continuidade do frete nas unidades industriais da requerente até o seu destino final; e que são pagas a empresas domiciliadas no país, cujas atividades são de serviços de transporte rodoviário, armazéns gerais e depósitos de mercadoria para terceiros. Remete as notas fiscais no Anexo III. 3) Das exclusões de ajuste positivo de créditos: Sob este item, remete à Lei no. 10.833/2003, art. 3o e a diversas soluções de consulta que tratam de créditos extemporâneos da Cofins, estipulando o prazo de cinco anos a partir da aquisição de bens e serviços para a realização do aproveitamento de créditos. Destaca que não infringiu qualquer norma legal nem postergou a arrecadação de tributos, mas sim o uso de um direito seu. Por fim, que, em relação ao Dacon, é óbvio que a linha "Ajustes Positivos de Créditos" se presta a informar créditos não contemplados nas linhas anteriores, o que é o caso dos créditos extemporâneos, que não possuem linha própria na Dacon. 4) Do calculo final: Apresenta uma planilha com as exclusões indevidas, pelas quais requer o reconhecimento na apuração do cálculo da Cofins. 5) Da aplicabilidade da correção monetária: Neste tópico, requer a aplicação dos indices de correção monetária sobre os créditos requeridos administrativamente, com base na Taxa Selic, compreendendo o período entre o pedido inicial e o efetivo ressarcimento e/ou compensação. Por fim, requer o deferimento do pedido, bem como a atualização dos créditos pela taxa Selic ou outro índice a ser determinado, entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data das compensações promovidas pela requerente, ás compensações de oficio e a data do ressarcimento em espécie.” Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.797 6 Após analisar as razões trazidas pelo contribuinte, a 4a Turma da Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, proferiu o acórdão no 0720.119, o qual restou da seguinte forma ementado, a saber: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. RESSARCIMENTO. SALDO DE CRÉDITOS APURADOS NO TRIMESTRE EM QUE FORAM GERADOS. A pessoa jurídica que, ao final de cada trimestre, não consiga utilizar créditos de Cofins no regime da nãocumulatividade por meio do desconto do valor da contribuição a recolher ou da compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, poderá ser ressarcido em dinheiro, desde que os referidos créditos se encontrem especificados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon do trimestre em que foram gerados e o pedido se refira ao respectivo trimestre. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.798 7 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, repisando as razões trazidas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativo no valor total de R$ 199.721,78, sendo que o Despacho Decisório deferiu parcialmente o pleito do contribuinte para o fim de reconhecer o direito ao crédito no valor de R$ 114.434,04. Apenas alguns itens foram discutidos pela Recorrente, tornandose controversa a glosa referente aos demais. Permanece a discussão acerca (i) de alguns produtos utilizados a título de insumo, listados pela Recorrente e que teria sido utilizado no processo produtivo; (ii) custo com fumigação; (iii) custos com capatazia; (iv) crédito extemporâneo; assim como a atualização dos créditos pela Taxa Selic. (I) CRÉDITO BÁSICO – INSUMO PARA O PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO Inicialmente vale traçar algumas considerações acerca do sistema não cumulativo do PIS e COFINS. Conforme constatado dos autos, o v. acórdão recorrido entendeu por manter a glosa dos créditos em virtude de serem “insumos indiretos” e/ou de não ter sido comprovada a utilização do insumo no processo produtivo, a saber: Trecho do v. acórdão recorrido – efls.2724. “A legislação pertinente ao Cofins enumera quais os insumos que podem gerar créditos na nova sistemática: quanto aos insumos diretos, a previsão está expressa no art. 30 da Lei n° 10.833, de 2003, e são considerados, com algumas exceções, "os bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes"; quanto aos insumos indiretos, são restritos àqueles previstos nos demais incisos, dentre os quais, ressalto a energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica (inciso III). (...) Não há dúvidas que o conceito econômico de insumo é bem mais abrangente do que o ali considerado, sendo que, para os Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.799 8 contribuintes em geral, pode ser estendido a todos os ônus que uma pessoa jurídica tem para a consecução de sua atividadefim. Todavia, para a Administração Tributária, o conceito jurídico de insumo criou uma delimitação estrita, ou seja, são aqueles insumos utilizados "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" vinculando a caracterização do insumo sua aplicação direta no processo produtivo. Da mesma forma, a legislação é restritiva no que concerne aos insumos indiretos, enumerando uma relação exaustiva daqueles que podem ser utilizados para descontar créditos. Ou seja, estáse aqui diante de um conceito jurídico de insumo que, apesar de não necessariamente coincidir com o conceito econômico, está formalizado em atos legais que compõem a legislação tributária e têm efeito vinculante para os agentes públicos que compõem a Administração Tributária Federal.” Inicialmente cumpre esclarecer que discordo da conceituação trazida pelo v. acórdão recorrido, de impossibilidade de crédito para insumos indiretos. Neste aspecto, são necessárias algumas considerações. A problemática aqui refletida inferese no fato de a legislação referirse aos insumos de forma genérica, o que permite aos operadores do direito realizar a própria interpretação do conceito e alcance do termo “insumo”. E é exatamente o que se discute nos presentes autos, o conceito de insumo para a atividade da Recorrente. Determina a lei: “Lei nº 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.800 9 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; (Cofins) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo e no § 1o do art. 52 desta Lei, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) §1o Observado o disposto no §15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, efeitos a partir de nov/2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.801 10 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. (...)” – destaquei. A discussão acerca da conceituação do termo “insumos” têm tomado tempo e espaço da doutrina e da jurisprudência administrativa. Naturalmente, os intérpretes buscam definições já conhecidas. A Receita Federal defende, para o PIS e para a COFINS, o emprego do conceito de insumos utilizado pela legislação de IPI e ICMS. Já alguns julgadores deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF emprestam o conceito de “custo” e de “despesa” aplicados pela legislação do imposto de renda (RIR artigos 290/299). Particularmente, entendo que o sistema não cumulativo de PIS e COFINS não se identifica com os sistemas do IPI, do ICMS ou do IRPJ. O tributo é diverso, a sistemática é diversa, e não há necessidade de se aplicar um conceito préexistente simplesmente porque ele já existe. A meu sentir, é preciso que o intérprete do direito utilize as normas de hermenêutica, juntamente com as demais regras do ordenamento jurídico, e forme um conceito próprio de insumo que seja aplicável a esta nova sistemática. Em vista desta disparidade de entendimentos, pareceme prudente realizar uma prévia análise acerca das diferenças entre as formas de apuração não cumulativa dos tributos. No que se refere à equiparação dos sistemas não cumulativos do IPI/ICMS e do PIS/COFINS, tenho defendido a total diferença entre os regimes1, o que causa reflexos indiscutíveis e indissociáveis à apuração dos créditos tributários. 1 ARTIGO PUBLICADO in “Planejamento Fiscal – Aspectos Teóricos e Práticos”, Volume II, Quartier Latin, artigo entitulado “O Conceito de Insumos e a NãoCumulatividade do PIS e COFINS”, fls. 197/208 Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.802 11 É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e para a COFINS, a não cumulatividade alcançava, apenas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, conforme já esclarecido, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições préestabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Foi exatamente o que ocorreu no caso em apreço, por entender que os insumos não tiveram contato direto com o produto, os agentes administrativos glosaram os créditos ora objeto do presente recurso voluntário. Todavia, este procedimento quase que automático, ao invés de solucionar a questão, acabou por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo, tendo sido expedidas as Medidas Provisórias nº 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº 10.833/03 – COFINS. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da Carta Magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ......................................................................................................... § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. É exatamente este o critério que entendo que deve ser observado para nortear a interpretação da regra do crédito na sistemática em apreço. As contribuições ao PIS/COFINS, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação da receita2 das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem 2 "Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência não cumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV – (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 2802DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.803 12 ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis, os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/COFINS. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido cito Marco Aurélio Greco3: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum a IPI e a PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo doutrinador supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação, a respeito da geração dos créditos que visam evitar a cumulatividade, para ambos os regimes. Não há meios, portanto de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS, que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importandose com o valor despendido a título de V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)." 3 MARCO AURELIO GRECCO in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004 Fl. 2803DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.804 13 tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos, em todo processo de produção. Importa sim, para viabilizar o crédito na sistemática aplicada ao PIS e à COFINS, que o insumo tenha sido tributado, mas é irrelevante a forma através da qual se deu esta tributação ou o quanto representou esta incidência tributária. O contribuinte terá direito ao crédito se o insumo tiver sido tributado pelo regime cumulativo, pelo regime não cumulativo ou mesmo pela sistemática do SIMPLES, até porque o montante recolhido a título de PIS e COFINS não consiste em fator decisivo à obtenção do crédito tributário4. Tanto é assim que, independentemente do critério de tributação ao qual foi submetido o insumo, o contribuinte terá direito a um crédito correspondente à grandeza de 9,25% (PIS + COFINS) de todo o valor que foi despendido para a sua aquisição. Assim, claro está que não é o valor gasto a título de tributo que interessa para a apuração do crédito sobre o insumo, ao contrário do que ocorre na apuração de créditos nos regimes aplicados ao IPI/ICMS. Tenho para mim que o legislador infraconstitucional, ao definir os ditames para evitar a cumulação das contribuições, criou critério híbrido e único, mesclando conceitos já existentes, com outros inevitavelmente inovadores, pois formados de significação específica para a sistemática de não cumulatividade das contribuições ao PIS e à COFINS. Tal procedimento pretendeu alcançar os aspectos particulares das contribuições sociais, bem como neutralizar efetivamente a cumulação destes tributos, que possuem regra matriz de incidência totalmente diversa dos demais tributos não cumulativos. Realmente, dos termos legais não se depreende a limitação invocada pelo acórdão recorrido, não sendo lícito ao agente administrativo, sem fundamentação legal, deliberar em sentido de reduzir o crédito do contribuinte. Não se aplicam, portanto, os critérios da não cumulatividade do IPI/ICMS, uma vez que não importa, no caso das contribuições em análise, se o insumo consumido obteve ou não algum contato com o produto final comercializado. Da mesma forma, na apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, não interessa em que momento do processo de produção o insumo foi utilizado, para determinar se ele dá ou não direito ao correspondente crédito. Melhor sorte não alcança a equiparação do conceito da não cumulatividade com as noções de custo e despesa necessária para o Imposto de Renda, estabelecidos pelos artigos 2905 e 2996 do RIR/99. 4 Lei nº 10.833/03, art. 3º, 5 Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.805 14 Realmente, correta a doutrina ao perceber que o conceito de receita está mais próximo do conceito de lucro, do que da definição de valor agregado ao produto, aplicável ao ICMS e IPI. Todavia, não se trata de identidade de materialidade, receita não é lucro e este fato não pode ser ignorado. Ao analisar o disposto na legislação verificase que as despesas contabilizadas como “operacionais” são mais amplas do que o conceito de insumos em análise. O critério de classificação da despesa operacional é que ela seja necessária, usual ou normal para as atividades da empresa. Todavia, este não é o critério utilizado para o conceito de insumos. Vários itens, que são classificados como despesas necessárias (por exemplo, despesas realizadas com vendas, pessoal, administração, propaganda, publicidade, etc...) ao meu sentir, não serão, obrigatoriamente, considerados como insumos geradores de crédito na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos. Da mesma forma, o conceito de custo de produção também é diferente do conceito de insumos utilizado pela legislação das contribuições, basta constatar que as Leis nº 10.833/03 e 10.637/02 negam, expressamente, a equiparação do valor gasto com a folha de salários com o conceito de insumo para o PIS e para a COFINS. Por outro giro, a legislação específica define que a base do crédito, para o PIS e para a COFINS, será formada pelas despesas e custos de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (...)”. A redação do dispositivo legal é clara, e define como critério os bens e serviços UTILIZADOS na PRESTAÇÃO de serviços; na PRODUÇÃO e na FABRICAÇÃO de bens e produtos. Neste sentido, “somente os bens e serviços que forem utilizados direta ou indiretamente na fabricação de bens ou na prestação de serviços darão direito ao crédito. Essa ressalva é muito importante, na medida em que a lei exige que os bens e serviços sejam Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). 6 Despesas Necessárias Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.806 15 efetivamente utilizados pela empresa para tais finalidades, e não simplesmente adquiridos e consumidos em suas operações.” 7 A questão é que e aqui, entendo se formar um critério específico para o conceito de insumos no PIS e COFINS não cumulativos para a produção/fabricação de determinada mercadoria final (ou serviço), o insumo tem que ser UTILIZADO e, mais ainda, tem que ser INDISPENSÁVEL para o resultado final pretendido. De acordo com este raciocínio o insumo, para gerar crédito, deve estar diretamente vinculado ao objeto social da empresa e, em meu entender, é este o componente diferenciador que deve ser considerado pelos intérpretes do direito. Com base na legislação pertinente ao assunto, concluo que para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Mencionada conclusão foi realizada à luz da materialidade das contribuições sociais em análise, sendo que o critério material da regra matriz de incidência tributária do PIS e da COFINS é aferir receita8, e a receita de uma empresa está diretamente ligada à atividade que esta empresa exerce. Logo, para conceituar insumo, primordial verificar o que foi utilizado para se alcançar aquela determinada receita, naquele específico mês. Finalizada esta análise preliminar de conceitos, é preciso avaliar se os insumos pleiteados pela Recorrente são desta forma considerados pela legislação do PIS e da COFINS. O primeiro empecilho apontado pelo v. acórdão resta portanto, a meu ver, afastado, qual seja, a obrigatoriedade de utilização direta do insumo. A glosa, portanto, apenas seria possível se comprovado que os insumos não foram utilizados na produção. Nos termos da Recorrente, seriam devidos os insumos referentes às seguintes Notas Fiscais, pelas razões determinadas no recurso apresentada: • Aquisições do Fornecedor "Matelétrica" ref. NF's 80886, 81159, 81245, 81832, 82323, 82339 Estas aquisições de referem a materiais elétricos utilizados para manutenção de máquinas e das instalações elétricas; 7 Pedro Anan Jr, in "PIS e COFINS à luz da Jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", em artigo entitulado "A Questão do Crédito de PIS e COFINS no Regime da Não Cumulatividade e a Jurisprudência do CARF", fls. 486, MP Editora destaquei 8 No sentido de busca da "formação da receita" cito o doutrinador Marco Aurélio Grecco (in “Não Cumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thomsom, 2004), a saber: “Por isso, o critério utilizado para o fim de identificar quais verbas serão consideradas na nãocumulatividade do PIS/COFINS apóiase na inerência do dispêndio em relação ao fator de produção ao qual se relaciona. O pressuposto de fato é a receita, portanto, é importante saber o que participa da sua formação – que a lei escolheu estar relacionado com o processo de prestação de serviço ou fabricação e produção. Portanto, é relevante determinar quais dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores de capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução.” Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.807 16 • Aquisições do Fornecedor "Schrader" ref. NF's 105751, 106224, 107859, 107637 Estas aquisições se referem a lubrificantes e filtros utilizados por máquinas e equipamentos na produção e geradores a diesel, os quais conforme o uso e desgaste necessitam de substituição, no caso dos filtros, e complementos no caso dos lubrificantes; • Aquisição do Fornecedor "Coremma Ltda" ref. NF 604392 e 606018 Estas aquisições se referem a material utilizado na manutenção nos motores dos geradores a diesel; • Aquisições do Fornecedor "Centraco" ref. NF's 1938 e 2001 Estas aquisições se referem a correias utilizadas em esteiras para movimentação de produtos dentro do parque fabril e de correias utilizadas em motores e eixos de máquinas e equipamentos industriais.” A glosa destes insumos foi mantida pelo seguinte entendimento da decisão recorrida: “(...) Em relação as notas da empresa Metalétrica (5678910), observase que se tratam de vários materiais de reposição ou de instalação e manutenção das instalações elétricas. Assim, de plano, há que descartar a hipótese destes materiais estarem enquadrados como insumos diretos na produção da contribuinte. Além disso, na condição de insumos indiretos, não estão incluídos entre as despesas e custos passíveis de gerarem descontos de créditos de Cofins, a teor do art. 3°. da Lei n° 10.833, de 2003 e dispositivos supervenientes. Notese o grifo no dispositivo da IN n°. 404, art. 8°., inciso II, letra "a", acima descrito, que as despesas dedutiveis se referem à energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, não em peças de reposição das respectivas instalações. Por outro lado, muito embora a contribuinte tenha alegado, genericamente, que se tratavam de aquisições para manutenção de máquinas, além das instalações elétricas, não traz aos autos qualquer outro elemento que configure esta situação. Não cabe, portanto, discorrer sobre a possibilidade destes insumos tidos copio "indiretos" se caracterizarem, por outro lado, como insumos diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda. (...) As demais notas apresentadas nos autos se referem a materiais mecânicos, de manutenção, peças, equipamentos, lubrificantes, filtros, correias, esteiras. Pelo que das notas consta, não há como deduzir que estes materiais foram utilizados como insumos diretos na produção. Ao contrário, a análise da maioria deles leva à conclusão para a direção do que foi relatado no despacho decisório, como, por exemplo: os Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.808 17 lubrificantes automotivos (341112 1314) e correias automotivas (1) são insumos utilizados em veículos automotores e não no processo produtivo da empresa, a qual utiliza máquinas de serragem, plainas, estufas, empilhadeiras, coladeiras, perfiladeiras, furadeiras e lixadeiras.” Como dito, o fato de terem sido utilizados indiretamente na produção não é impeditivo para o aproveitamento do crédito, mas a sua efetiva aplicação na produção, é e justamente isso que não foi comprovado pela Recorrente. Realmente, houve apenas a alegação da Recorrente da utilização dos insumos na produção, sem qualquer outra forma de comprovação. Em virtude deste fato, para a concessão do crédito é preciso analisar o insumo e decidir se a característica do produto é suficiente para entender que está vinculado à produção. Utilizo para tal análise o quadro explicativo trazido pela decisão recorrida, verbis: NOME Fls./NF DATA SERVIÇO/PRODUTOS VALOR 1 Centraco Com. de Borrachas Ltda 1279/1938 03/04/2006 Correia automotiva 40,68 2 Centraco Corn. de Borrachas Ltda 1281/2001 12/04/2006 Correia V 3VX 510 80,00 3 Coremma Ltda. 1287/604392 30/05/2006 Filtro Lub Volvo Caterpill 64,00 4 Coremma Ltda. 1290/606018 05/06/2006 Filtro Lub Volvo Caterpillcom Scania 84,00 5 Matelétrica Com.Rep.Ltda 1280/ 080886 07/04/2006 Materiais elétricos diversos 222,95 6 Matelétrica Com.Rep.Ltda 1282/081159 17/04/2006 Lamp. Flitor,Lumindrias, Reator 51,50 7 Matelétrica Com.Rep.Ltda 1283/ 081245 19/04/2006 Materiais elétricos diversos 641,62 8 Matelétrica Com.Rep.Ltda 1285/ 081832 10/05/2006 Lâmpada Halógena 500W OSRAM 9,20 9 Matelétrica Com.Replicla 1288/082323 01/06/2006 Materiais elétricos diversos 855,30 10 Matelétrica Com.Rep.Ltda 1289/ 082339 02/06/2006 Abraçadeira, Sirene rotat.,placa lum. 758,60 11 Schrader Com.Rep.Ltda. 1284/105751 03/05/2006 Mobil Delvac Filtros BL 901,00 12 Schrader Com.Rep.Ltda. 1286/106224 12/05/2006 Mobil DelvacMobil Super 768,23 13 Schrader Com.Rep.Ltda. 1291/107589 08/06/2006 Mobil Super Filtros BL 742,00 14 Schrader Com.Rep.Ltda. 1292/107637 09/06/2006 Filtros BL W 101,00 5.320,08 Em virtude da atividade da Recorrente, produção de móveis de madeira, pareceme que estão vinculados à produção os itens 3/4/11/12/13/14. (II) CRÉDITO SOBRE O CUSTO COM FUMIGAÇÃO A Recorrente pleiteia, ainda, o crédito sobre o custo com Fumigação, que entende ser insumo. Diz a contribuinte: “Fazse então necessário inicialmente esclarecer o que é fumigação. Fumigação é o tratamento químico que se dá a madeira, a fim de evitar a proliferação de pragas como brocas e cupins, e para evitar a formação de bolor ou mofo nos produtos. Tal processo é necessário, pois os produtos fabricados pela Requerente são em madeira, principalmente de pinus, com paletizagem em madeira de eucalipto. Tal processo também é uma exigência imposta pelos importadores europeus e norte americanos. Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.809 18 A correta classificação contábil e fiscal destes serviços é a prestação de serviços aplicados na produção, o que não retira, entretanto, o direito da Requerente de obter o ressarcimento. A equivocada informação destes como despesas de armazenagem se efetuou pelo fato de que este serviço é terceirizado e por questões de logística é realizado pela Empresa Austrasul diretamente nos produtos já dentro dos conteineres (Ver Amostragem de Notas Fiscais no Anexo II). Com base nestes fatos, podese ver que as suas exclusões não devem ser realizadas do computo da base de créditos da COFINS, por se tratar de serviços/insumos aplicados diretamente nos produtos.” Entendo estar com razão a Recorrente, em virtude da atividade por ela desenvolvida a FUMIGAÇÃO está relacionada a seu objeto social, é indispensável para a formação do produto e, por isso mesmo, utilizado diretamente na produção. (III) DOS SERVIÇOS DE CAPATAZIA Outro item pleiteado pela Recorrente, referese ao que denomina “custos de armazenagem”, a saber: Trecho do Recurso do Contribuinte “No despacho decisório o Julgador de Blumenau qualifica as despesas de transporte de conteiner, tais como unitização/desunitização e respectivo uso de pátio, movimentação e posicionamento de container, remoção para mudança de navio, como não integrantes das despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Inclusive glosas sobre notas de serviço que destacam na descrição a armazenagem. Outrossim, este entendimento não deve prosperar: Todas estas despesas são despesas que ocorrem devido estadia dos conteineres entre o dia em que estes chegam ao porto e o dia de embarque no navio. São na venda movimentação da armazenagem temporária dos conteineres em local seguro e apropriado. Já as despesas com remoção e movimentação dos contêineres são necessárias para o efetivo embarque no navio, pois é o efetivo transporte da Requerente até o seu destino final. Em suma todas estas despesas são suportadas pela Requerente e são uma continuidade do frete das unidades industriais da Requerente até o seu destino final, sendo que sem estes não haveria a realização da entrega dos produtos aos adquirentes. A que se considerar que todas estas despesas são pagas a empresas domiciliadas no Pais, cujas atividades econômicas são de serviços de transporte rodoviário, armazéns gerais e Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.810 19 depósitos de mercadorias para terceiros (Ver amostragem de notas fiscais no Anexo Ill). Portanto, as referidas despesas compõem a soma das despesas com fretes e armazéns e conseqüentemente passiveis de creditamento da COFINS.” Neste tópico o que se discute é a aplicação restritiva do inciso IX da Lei nº 10.833/03, que assim determina: Lei nº 10.833/03 “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor.” É o conceito de “armazenagem” que importa. Analisemos o conceito de armazenagem em si. Pareceme evidente que quando o legislador se refere a armazenagem não está entendendo apenas como passível de crédito o armazém. Isto porque se fosse este o caso, a disposição expressa seria despicienda, uma vez que consta item para o aproveitamento de aluguel de bens imóveis9. Claro está portanto, por conclusão lógica, que o dispositivo legal que se refere a despesas com “armazém” a meu sentir ue o simples imóvel onde se armazena os produtos. Acrescido a este fato, é preciso considerar que para que seja possível a armazenagem de produtos é preciso que eles sejam descarregados e guardados no armazém. A meu ver é indissociável, do conceito de custo com armazenagem os gastos acessórios incorridos, necessários para o armazenamento. Neste sentido – de extensão do conceito de armazenagem já votei anteriormente, acompanhando o ilustre relator Alexandre Gomes, que o analisar o processo nº 11686.000405/200868 proferiu com extrema clareza este mesmo posicionamento, a saber: “Já no tocante as despesas de monitoramento e taxas de risco, a Recorrente assim as conceituou: Imperioso neste momento, tratar do serviço de monitoramento que ocorre no armazém localizado dentro do porto. Ao chegar na área portuária, a mercadoria é depositada nas câmaras frigoríficas localizadas no interior dos armazéns. Antes de proceder o transporte da mercadoria para dentro do navio, o produto é transferido para containeres refrigerados. (...) 9 Lei 10.833/03 Lei 10.637/02 "Artigo 3º:............. IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa." Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.811 20 Quanto à taxa de risco, tratase de serviço que se encontra também vinculado à armazenagem, pois, o pagamento efetuado pela Recorrente se refere a um "seguro" que é exigido para o caso extremo de perda ou roubo da mercadoria ou ainda o seu perecimento enquanto esta estiver armazenada dentro do armazém. Como se depreende da leitura dos conceitos acima transcritos, as glosas de despesas analisadas e expressamente impugnadas dizem respeito a despesas incorridas na fase de armazenamento e transporte para a exportação das mercadorias produzidas pela Recorrente. O art. 3 das Lei 10.637/02 e 10.833/03 expressamente permitiu o creditamento das despesas relacionadas ao armazenamento de mercadorias e do frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Em relação ao ônus não há lide, uma vez que induvidoso que este recaiu sobre a Recorrente. A celeuma instaura exige que se é decida sobre qual a amplitude que se pode conferir a determinação que autoriza o creditamento das despesas de armazenagens de mercadorias nas operações de venda. Temse de defendido exaustivamente que somente seria possível o creditamento de despesas relacionadas ao processo produtivo. E os argumentos são os mais diversos. Contudo, a própria legislação tratou de conferir algumas exceções como no caso do armazenamento de mercadorias para a venda, que inquestionavelmente não esta relacionado diretamente a produção da mercadoria. Diante deste impasse, deve o interprete procurar identificar na norma sob análise qual a seu melhor enquadramento, e no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária. Diante deste contexto me parece correto afirmar que todas as despesas relacionadas a armazenagem dos produtos destinados a venda podem gerar direito a crédito, motivo pelo qual reconheço tal possibilidade em relação aos serviços de capatazia, movimentação de carga e descarga e os serviços de monitoramente das mercadorias.. Já em relação as despesas de taxa de risco, que segundo a Recorrente se enquadra na categoria de seguro, entendo que não há direito ao crédito posto que sua essencialidade, no ponto de vista deste relator, bem como sua relação com a armazenagem dos produtos é bastante relativa.” destaquei In casu, afora o custo com transporte, entendo ser possível o crédito pleiteado pela Recorrente a título de capatazia. Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.812 21 (III) DO CRÉDITO EXTEMPORÂNEO Em relação ao crédito extemporâneo, verificase dos autos que a glosa se deu em razão da fiscalização ter desconsiderado a forma como a contribuinte realizou o aproveitamento do crédito extemporâneo. Inicialmente cumpre esclarecer que a linha utilizada pela contribuinte para o creditamento do crédito extemporâneo, qual seja, “ajustes positivos de créditos” é linha genérica de registro. O acórdão recorrido negou provimento ao pedido da Recorrente em razão desta não ter realizado a retificação das DACONs do período do crédito, o que por si só inviabilizaria o benefício. O que se discute aqui, é o procedimento. A meu sentir, está claro que o procedimento sugerido é relevante para que a fiscalização possa fazer o controle dos créditos, mas não é impeditivo para o aproveitamento do crédito pelo contribuinte. Principalmente à época em que os procedimentos da sistemática não cumulativa de PIS e COFINS ainda estava iniciante. Já tive a oportunidade de exarar este entendimento quando do julgamento do processo nº 15374.724332/200959, em que citei o voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Walber José da Silva, nos autos do processo administrativo nº 15374.724315/200911, o qual debruçouse com maestria sobre este tema, concluindo pela impossibilidade de se impedir que os contribuintes utilizem o crédito extemporâneo, em razão de inexistir procedimento formal adotado pela Receita Federal. Isto é, uma vez que a administração pública não expediu normas para exigir determinado procedimento de aproveitamento de crédito extemporâneo, não pode glosar crédito com base no não cumprimento de um ou outro procedimento. É quase um crime impossível. Nestes termos, adoto, como razões de decidir, os termos da decisão proferida naqueles autos pelo Conselheiro que reproduzo a seguir: “A primeira questão posta em julgamento (o tempo e a forma de apurar e aproveitar crédito extemporâneo de Cofins) é por demais polêmica, à mingua de uma regulamentação das disposições contidas nas Leis nº 10.833/03 e 10.865/04 sobre o tema. O aproveitamento do crédito da Cofins nas importações de insumos e mercadorias para revenda foi autorizado pelo art. 15 da Lei nº 10.865/2004, abaixo reproduzido. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.813 22 II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...] § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. [...]. Sobre este mesmo tema, assim dispõe a Lei nº 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Como se pode constatar facilmente, as Leis nº 10.833/03 e 10.865/04 determinam que “O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes.” Não diz estas leis como será realizado o aproveitamento do crédito nos meses subseqüentes. Só autoriza o seu aproveitamento. A primeira indagação relevante sobre o tema é: qual a condição necessária e suficiente para o aproveitamento de um crédito em meses subseqüentes? A condição é o crédito existir e estar informado no DACON do mês de aquisição? É o crédito existir e estar informado no DACON do mês da efetiva utilização? É o crédito existir e a despesa estar regularmente escriturada nos livros contábeis e fiscais do contribuinte? Não há resposta consensual para estas indagações. Um outro dispositivo legal que também carece de regulamentação é o § 1º, e seu inciso I, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, abaixo reproduzido. Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.814 23 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] §1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; Como se vê, o § 1º, e seu inciso I, acima transcrito, a meu sentir, trata da forma de apuração do crédito e não do seu aproveitamento (tempo e forma). Sendo a atividade administrativa tributária plenamente vinculada, exigese uma aplicação exata na norma tributária. Quando a norma tributária é imprecisa ou ambígua dá azo a interpretações diversas, dificultando a sua aplicação, tanto por parte do Fisco como por parte dos contribuintes. A primeira dificuldade diz respeito à expressão “adquirido no mês”, a que se refere o inciso I, do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03. Nas operações mercantis (interna ou externa), a operação de compra e venda de mercadorias se prova com a nota fiscal (mercado interno) e com a fatura/invoice (mercado externo). A data da emissão desses documentos é a data da realização do negócio. Esta, no entanto, não é a única data aceita pelo Fisco Federal para o adquirente da mercadoria apurar e utilizar o crédito do PIS e da Cofins. Aliás, esta não é a data usualmente utilizada para este fim. No caso de aquisição de mercadoria no mercado interno, o Fisco Federal aceita que o crédito seja apurado e aproveitado na data em que a mercadoria entra no estabelecimento do contribuinte adquirente (esta, obviamente, não é a data da aquisição). Ou seja, o crédito é determinado no mês em que a mercadoria entra no estabelecimento do contribuinte e não no mês de sua aquisição. A segunda dificuldade diz respeito ao aproveitamento de créditos em meses subseqüentes, especificamente quando o crédito não foi apurado no mês de aquisição do insumo ou da mercadoria para revenda (crédito extemporâneo). Pela decisão recorrida, que segue o Despacho Decisório da Demac/RJ, o crédito da Cofins só pode ser registrado e aproveitado no mês de aquisição do insumo/mercadoria. Mais precisamente, o crédito deve, obrigatoriamente, ser registrado no DACON do mês de aquisição da mercadoria/insumo, não podendo sêlo em meses subseqüentes, sob pena do DACON se tornar imprestável ao controle do referido crédito. Supondo que esta seja a interpretação correta dos dispositivos legais que tratam do tema, duas questões, conseqüentes dessa Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.815 24 interpretação, precisam ser esclarecidas no caso de o contribuinte reconhecer o crédito em mês posterior ao da aquisição: (i) está obrigado a retificar o DACON do mês de aquisição? e (ii) está obrigado a utilizar o crédito apurado no próprio mês de aquisição ou poderá fazêlos em meses posterior, a exemplo do mês em que reconheceu e apurou o crédito? A resposta à primeira questão me parece ser SIM! Pelo entendimento da RFB (Demac/RJ e DRJ/RJ), constatado apuração a menor de crédito em um determinado “mês de aquisição”, deve o contribuinte retificar o DACON daquele mês para incluir o crédito que deixou de ser apurado e declarado. A resposta à segunda questão me parece ser NÃO! Isto porque as Leis nº 10.833/03 e 10.865/04 (arts. 3º e 15, respectivamente), estabelecem que os contribuintes “poderão” descontar créditos. Não está o contribuinte obrigado nem a descontar o creditar e, muito menos, a fazêlo no próprio mês de aquisição da mercadoria/insumo. Conseqüentemente, o “crédito não aproveitado em determinado mês”, que pode ser aproveitado nos meses subseqüentes, não é, necessariamente, o saldo apurado pelo confronto entre débitos e créditos. Basta que não tenha sido aproveitado no mês de aquisição. Só isto e nada mais. Conseqüentemente, havendo créditos não aproveitados em um determinado mês, e apurado em meses subseqüentes, não está o contribuinte obrigado, após retificar o DACON, a pedir a restituição do que pagou a maior como a única forma de aproveitar o seu legítimo crédito, como em substância entende a RFB. Pode, como se viu, aproveitar esse crédito em períodos subseqüentes. No caso dos autos, o cerne da lide versa sobre a inclusão e o aproveitamento, no DACON de outubro/2004, de créditos relativos à aquisições de mercadorias/insumos realizadas nos meses de maio a setembro de 2004, declarados todos no DACON de outubro 2004, quando o correto, no entendimento da RFB, seria os créditos serem declarados em seu respectivo mês de aquisição do insumo/mercadoria, ou seja, nos DACON de maio a outubro de 2004. Estes DACON deveriam ter sido retificados antes de a Recorrente apresentar o seu PER/DCOMP. Por questão de segurança (para o Fisco e para o Contribuinte) e de controle administrativo dos débitos e créditos da Cofins não cumulativa, entendo perfeitamente racional e eficiente o procedimento adotado pela RFB de considerar que os créditos extemporâneos devem ser declarados no DACON do próprio mês de aquisição. Até aí, sem problemas. Como acima já disse, o que não acho possível é impor ao contribuinte que ele altere o saldo a pagar (que normalmente já foi pago, como é o caso dos autos), em razão da escrituração de crédito extemporâneo, e peça a restituição do que pagou a maior por ter deixado de escriturar crédito (embora, financeiramente, seja mais vantajoso para o contribuinte, que Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.816 25 vai receber o crédito corrigido pela Selic). Se o contribuinte não está obrigado a utilizar o crédito no mês da aquisição, e tem permissão legal para usar em meses subseqüentes, não vejo como impedir que o faça. No presente caso, a Recorrente não retificou os DACON de maio a outubro de 2004. Só retificou o DACON de outubro de 2004 para incluir os créditos não aproveitados dos meses de maio a outubro de 2004. E o Fisco, aparentemente, não permite a retificação do DACON após a apresentação do PER/DCOMP ou, pelo menos, após o Despacho Decisório. Em casos semelhantes, relacionados à necessidade de retificação da DCTF antes da apresentação de PER/DCOMP, entendo que não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Também entendo que a DCTF (original ou retificadora) não serve para conferir, ou não, liquidez e certeza ao crédito pleiteado em PER/DCOMP. O mesmo raciocínio aplicase ao DACON, que também não constitui o direito de repetição de indébito. Por esta linha de raciocínio, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DACON retificadora, não exclui o direito da Recorrente à repetição do indébito. O indébito pode existir e, existindo, tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN e na forma prescrita na IN RFB nº 600/2005. Não resta nenhuma dúvida que nos processos envolvendo restituição o ônus da prova do direito é do contribuinte, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito e à compensação, se for o caso. Pela sistemática atual, ao fazer o pedido de restituição não está o contribuinte obrigado a apresentar nenhuma prova da existência do crédito pleiteado, inclusive mediante a apresentação ou retificação de DACON. Como acima se disse, não pode a falta de apresentação de DACON retificadora (ou a sua indevida apresentação com valores de créditos de períodos anteriores, embora legítimos), por si só, ser motivo de indeferimento de pedido de restituição de Cofins pago a maior ou indevidamente. A bem do princípio da verdade material, não há nenhum impedimento legal para o contribuinte retificar o DACON, ou produzir provas, no curso da apuração do seu suposto direito creditório. Tanto o é que ao transmitir o PER/DCOMP o contribuinte não está obrigado a apresentar as provas do direito alegado. Ele o fará quando a Autoridade da RFB o intimar para tal. Ademais, se o DACON for prova da existência do crédito pleiteado, ele é prova indiciária, necessitando de verificações complementares para constatarse a existência concreta do Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.817 26 crédito pleiteado. Se essas verificações complementares não foram realizadas pela autoridade fazendária, ou se outras provas não forem oferecidas pelo sujeito passivo, não há como falarse em existência ou inexistência de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afastado, portanto, um dos motivos alegado pela Demac/RJ para deferir parcialmente o pedido da recorrente (inclusão, no DACON de outubro de 2004, de créditos de meses anteriores), deve a referida delegacia, diante das provas deste processo e outras que julgar conveniente, apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, aproveitando os créditos não utilizados pela Recorrente nos meses de maio a setembro/04, podendo condicionar sua decisão à prévia retificação dos DACON desses meses ou retificálos de ofício.” – destaquei. Em conclusão, reconheço o direito ao aproveitamento do crédito da forma como realizado, ainda que formalmente, para a regularização dos registros de controle da Receita Federal, seja providenciada a retificação das DACONs da época em que o crédito foi gerado. (IV) SELIC SOBRE O CRÉDITO O contribuinte requer, ainda, a incidência de SELIC sobre os créditos do sistema não cumulativo. Ocorre que, no referente aos créditos não cumulativos de PIS e COFINS, a legislação é expressa acerca da impossibilidade de correção monetária do valor a ser ressarcido. Diz o artigo 13 da Lei no 10.833/03, a saber: “Art. 13. 0 aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 32; do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 52 do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.” – destaquei. Neste termos e, uma vez que é defeso ao julgador administrativo julgar a constitucionalidade de lei, nego provimento ao pedido da Recorrente, nos termos da Sumula CARF no 2, verbis: “SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRECEDENTES: Súmulas 2 do 1º e 2º CC a acórdãos: 101 94.876, 10321568, 10514586, 10806035, 10246146, 203 09298, 20177691, 20215674, 20178180, 20400115.” Ante o exposto, conheço do presente para o fim de DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo o crédito do serviço de fumigação, capatazia (menos o transporte), dos insumos expressamente citados na decisão e do crédito extemporâneo. (assinado digitalmente) Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.818 27 FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Voto Vencedor Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à possibilidade de apuração de crédito da nãocumulatividade de PIS/Pasep e de Cofins em relação às despesas de fumigação e capatazia. Verificase da descrição dos serviços constante no recurso voluntário que se tratam de despesas realizadas quando da exportação dos produtos. Relativamente aos serviços de fumigação, a recorrente afirma que “é o tratamento químico que se da a madeira, a fim de evitar a proliferação de pragas como brocas e cupins, e para evitar a formação de bolor ou mofo nos produtos”. Extraise do site www.internationalforeigntrade.com a seguinte definição, em conformidade com a da recorrente: Fumigação é um tipo de controle de pragas através do tratamento químico realizado com compostos químicos ou formulações pesticidas (os chamados fumigantes) voláteis (no estado de vapor ou gás) em um sistema hermético, visando a desinfestação de materiais, objetos e instalações que não possam ser submetidas à outras formas de tratamento. Exemplo: fumigação de pallets de madeira com brometo de metila ou brometo de etila. Tipos de tratamento fitossanitário Fumigação em Container (FEC) Silos Herméticos (FSH) Porão de Navios (FPN) Câmara de Lôna (FCL) Tratamento Térmico Fixo e Móvel (HT) Todas as embalagens de madeira deverão ser adequadas aos requerimentos do IPPC (International Plant Protection Convention) e WPM (Wood Packing Material), isto inclui tipos e tamanhos diferentes. Embalagens devem ser entendidas como: Pallets, Caixas, Pés – Calços. Todas as embalagens deverão seguir esses requerimentos o qual devera ter o logo do IPPC, sob pena de não exportação da mercadoria. Esses procedimentos estão disponíveis através do site: www.aphis.usda.gov www.nappo.org/menu_e.shtml Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.819 28 www.ippc.int/ O Manual de Procedimentos Operacionais da Vigilância Agropecuária Internacional, aprovado pelas Instrução Normativa da Secretaria de Defesa Agropecuária nº 26, de 2001 e, posteriormente, pela Instrução Normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento nº 36, de 2006 dispõe no Capítulo III – Exportação – Área Vegetal: CAPÍTULO III EXPORTAÇÃO ÁREA VEGETAL SEÇÃO I PLANTAS, PARTES DE PLANTAS E SEUS PRODUTOS 1. CONSIDERAÇÕES GERAIS 2. DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA 3 PROCEDIMENTOS [...] c). Produtos Categorias 2 e 3 1) Da fiscalização e amostragem. [...] 2) Do Tratamento Quarentenário e Fitossanitário 2.1) Constatada a presença de pragas na partida, devese prescrever no Termo de Ocorrência, o tratamento fitossanitário; 2.2) Os tratamentos fitossanitários com fins quarentenários prescritos só poderão ser realizados por empresa ou entidade devidamente habilitada e credenciada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, conforme legislação em vigor. É obrigatória a presença do Responsável Técnico da empresa prestadora de serviço no ato da aplicação do tratamento. O acompanhamento dos serviços fica a critério da disponibilidade operacional da fiscalização federal agropecuária; 2.3) As despesas com o tratamento são de responsabilidade do interessado; 2.4) Fica a empresa prestadora do serviço obrigada a comunicar, com antecedência de 24 horas (Instrução Normativa nº 12/2003) e por escrito, por meio do Comunicado de Tratamento Fitossanitário (FORMULÁRIO XIV), a realização do tratamento. O Comunicado deverá ser apresentado em duas vias, para a segunda via ser recibada. 2.5) Na comunicação deverá constar o local, a data e a hora da realização do tratamento. Caberá à fiscalização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, comparecer ao local Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.820 29 designado para supervisionar os serviços no horário estabelecido. Na ausência do Fiscal Federal Agropecuário, fica automaticamente autorizado o início do tratamento. 2.6) No ato da fiscalização, constatado que os preparativos para realização dos tratamentos não foram providenciados, o tratamento não será autorizado e a empresa credenciada será notificada da irregularidade, na própria via recibada do Comunicado de Tratamento Fitossanitário, nos campos de avaliação e observação. Cópia desta notificação, com o ciente do responsável pela empresa, deverá fazer parte do processo, bem como ser encaminhada ao SEFAG/SFA da UF onde a empresa tem sede para as providências cabíveis; 2.7) Nos tratamentos realizados sem a presença da fiscalização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, os campos referentes a avaliação do tratamento do Comunicado de Tratamento Fitossanitário serão anulados, registrandose no campo observação: ¿O tratamento foi realizado sem a presença da fiscalização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento¿; 2.8) Em caso de fumigação a bordo de navios, o exportador, ou seu representante legal, deverá apresentar a CARTA DE AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DE TRATAMENTO FITOSSANITÁRIO (FORMULÁRIO XVI), do agente do navio, autorizando a execução do serviço a bordo; 2.9) No caso das exportações em que a fumigação for realizada a bordo de navios, a empresa credenciada responsável pelo tratamento, deverá emitir o CERTIFICADO DE EXPURGO E EXAUSTÃO DE GASES (GAS FREE CERTIFICATE) (FORMULÁRIO XV), assinado pelo comandante do navio e pelo Responsável Técnico da empresa. Tal documento é necessário para a emissão do Certificado Fitossanitário, no qual serão incluídos, nos campos referentes ao tratamento, os dados dele transcritos; [...] SEÇÃO II FISCALIZAÇÃO DE EMBALAGENS E SUPORTES DE MADEIRA 1. CONSIDERAÇÕES GERAIS As Embalagens e Suportes de Madeira, nas situações em que vierem apenas acondicionando e protegendo outros materiais, não são classificadas como mercadoria, não têm valor comercial e nem são enquadrados nas NCMs. Apenas nos casos em que a partida seja formada somente por embalagens ou suportes de madeira, constituindo assim uma transação comercial, estas serão tratadas como mercadoria, enquadradas em NCM e tendo que atender os requisitos fitossanitários do país de destino. Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.821 30 A Norma Internacional de Medida Fitossanitária NIMF nº 15, da FAO, estabelece diretrizes para a certificação fitossanitária de embalagens, suportes e material de acomodação confeccionados em madeira não processada e utilizados no comércio internacional para o acondicionamento de mercadorias de qualquer natureza. Tendo como foco principal as pragas florestais de interesse agrícola e a condição excepcional das embalagens e suportes de madeira que circulam no mercado internacional na sua veiculação e disseminação, a NIMF nº 15 apresenta recomendações e orientações quanto ao estabelecimento de medidas fitossanitárias, com vistas ao manejo do risco dessas pragas. Estão isentas das exigências de Certificação Fitossanitária ou da Certificação de Tratamento, as embalagens, suportes e material de acomodação constituídos de outros materiais que não de madeira (papelões, fibras, plásticos, etc) e os constituídos, na sua totalidade, de madeira industrializada ou processada, a exemplo de compensados, aglomerados de partículas ou de fibras orientadas, contraplacados, folhas, painéis, chapas, pranchas e outras peças de madeira que, no processo de fabricação, foram submetidas ao calor, colagem e pressão. Por solicitação do exportador, para fiscalização específica das embalagens ou suportes de madeira, ou quando a Fiscalização Federal Agropecuária for demandada a fiscalizar mercadoria que requeira de certificação oficial e a mesma esteja acondicionada em embalagens ou suportes de madeira, estas deverão ser fiscalizadas para verificação do cumprimento da regulamentação específica em vigor no país destino. 2. DOCUMENTAÇÃO EXIGIDA [...] 3. PROCEDIMENTOS a) Para os países que internalizaram a NIMF nº 15, da FAO: As exportações brasileiras deverão atender às exigências desses países, mediante a utilização de embalagens e suportes de madeira tratados por empresas credenciadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e identificadas com a marca da IPPC (International Plant Protection Convention), conforme ilustração a seguir, em que o espaço preenchido pelos caracteres XX 000 YY deverá conter, nesta seqüência: (XX) a sigla do país, de acordo com as normas ISO (BR, de Brasil, por exemplo); (000) a codificação (número do credenciamento) da empresa que realizou o tratamento e (YY) o tipo de tratamento a que a embalagem, suporte ou material de acomodação foi submetido: HT (Tratamento Térmico), KDHT (Tratamento Térmico à base de Secagem em Estufa Kiln Drying) ou MB (Fumigação com Brometo de Metila). Fl. 2821DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.822 31 Depreendese, portanto, que a fumigação de que trata estes autos é um procedimento exigido em normas de proteção fitossanitária relativas à exportação, realizado em containeres, tratandose, portanto, de despesa operacional, certamente necessária, mas incorrida após o processo produtivo, ou seja, não podem ser consideradas insumos de produção. Por outro lado, os serviços de capatazia, nos termos do artigo 57 da Lei nº 8.630, de 1993 (revogada pela Lei nº 12.815, de 2.013) compreendem: Art. 57. No prazo de cinco anos contados a partir da publicação desta lei, a prestação de serviços por trabalhadores portuários deve buscar, progressivamente, a multifuncionalidade do trabalho, visando adequálo aos modernos processos de manipulação de cargas e aumentar a sua produtividade. [...] § 3° Considerase: I Capatazia: a atividade de movimentação de mercadorias nas instalações de uso público, compreendendo o recebimento, conferência, transporte interno, abertura de volumes para a conferência aduaneira, manipulação, arrumação e entrega, bem como o carregamento e descarga de embarcações, quando efetuados por aparelhamento portuário; II Estiva: a atividade de movimentação de mercadorias nos conveses ou nos porões das embarcações principais ou auxiliares, incluindo o transbordo, arrumação, peação e despeação, bem como o carregamento e a descarga das mesmas, quando realizados com equipamentos de bordo; III Conferência de carga: a contagem de volumes, anotação de suas características, procedência ou destino, verificação do estado das mercadorias, assistência à pesagem, conferência do manifesto, e demais serviços correlatos, nas operações de carregamento e descarga de embarcações; IV Conserto de carga: o reparo e restauração das embalagens de mercadorias, nas operações de carregamento e descarga de embarcações, reembalagem, marcação, remarcação, carimbagem, etiquetagem, abertura de volumes para vistoria e posterior recomposição; V Vigilância de embarcações: a atividade de fiscalização da entrada e saída de pessoas a bordo das embarcações atracadas ou fundeadas ao largo, bem como da movimentação de mercadorias nos portalós, rampas, porões, conveses, plataformas e em outros locais da embarcação; VI Bloco: a atividade de limpeza e conservação de embarcações mercantes e de seus tanques, incluindo batimento de ferrugem, pintura, reparos de pequena monta e serviços correlatos . Fl. 2822DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.823 32 A recorrente alega que as despesas de capatazia são análogas às despesas de fretes e armazenagem. Entretanto a legislação correlata e mesmo a Lei Complementar nº 116, de 2003, distinguiram os serviços de capatazia dos serviços de armazenagem: Lei Complementar nº 116, de 2003: [...] 20 Serviços portuários, aeroportuários, ferroportuários, de terminais rodoviários, ferroviários e metroviários. 20.01 Serviços portuários, ferroportuários, utilização de porto, movimentação de passageiros, reboque de embarcações, rebocador escoteiro, atracação, desatracação, serviços de praticagem, capatazia, armazenagem de qualquer natureza, serviços acessórios, movimentação de mercadorias, serviços de apoio marítimo, de movimentação ao largo, serviços de armadores, estiva, conferência, logística e congêneres. 20.02 Serviços aeroportuários, utilização de aeroporto, movimentação de passageiros, armazenagem de qualquer natureza, capatazia, movimentação de aeronaves, serviços de apoio aeroportuários, serviços acessórios, movimentação de mercadorias, logística e congêneres. Lei nº 6.009, de 1973 (estabeleceu a diferenciação ao dispor sobre as tarifas aeroportuárias): Art. 3º As tarifas aeroportuárias a que se refere o artigo anterior, são assim denominadas e caracterizadas: [...] IV Tarifa de Armazenagem devida pelo armazenamento, guarda e controle das mercadorias nos Armazéns de Carga Aérea dos Aeroportos; incide sobre consignatário ou transportador no caso de carga aérea em trânsito. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.060, de 1983) V Tarifa de Capatazia devida pela movimentação e manuseio das mercadorias a que se refere o item anterior; incide sobre o consignatário, ou o transportador no caso de carga aérea em trânsito. (Incluído pelo Decreto Lei nº 2.060, de 1983) Constatase que se tratam de serviços distintos. Assim, os serviços de capatazia, por falta de previsão legal, não geram créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. Sobre a matéria, citase voto do Conselheiro Wálber José da Silva, proferido no processo 11686.000405/200868: “No caso sob exame, tratase de despesas portuárias incorridas pela Recorrente. Como bem disse a decisão recorrida, tais despesas não se confundem com despesas de armazenagem de mercadorias. Pelas informações prestadas pela Recorrente, não é possível sequer afirmarse que as mercadorias manipuladas (serviços de capatazia e de movimentação de cargas e descarga) ou monitoradas estavam (ou foram) armazenadas ou não em Fl. 2823DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.824 33 depósitos dentro do porto de embarque. Mesmo que estivessem armazenadas, o serviço de armazenagem é distinto dos demais serviços prestados dentro do recinto alfandegado do porto de embarque das mercadorias. Diz o Ilustre Conselheiro Relator, no que concordo, que “deve o interprete procurar identificar norma sob análise qual o seu melhor enquadramento” para concluir, no que não concordo, que “no caso sob análise a intenção do legislador ordinário era, sem sombra de dúvida, garantir a maior desoneração possível da cadeia produtiva permitindo maior incidência tributária”. Não concordo com essa conclusão por vários motivos. Primeiro, ao instituir a exceção à regra geral, criando o direito ao crédito de despesa pós produção de “armazenagem de mercadorias”, o legislador não se referiu unicamente à armazenagem de mercadorias destinadas à exportação. Segundo, além do serviço de armazenagem de mercadorias, existem vários outros serviços (e conseqüente despesas) vinculados à operação de exportação de mercadorias, que são genericamente conhecidos como serviços portuários, e são, obrigatoriamente, utilizados pelos exportadores, acarretando várias despesas para o exportador. São despesas incorridas dentro da zona primária. Quisesse o legislador conceder crédito para esses outros serviços portuários, teria feito alguma referência a eles; Terceiro, o legislador não fez nenhuma referência ao crédito de outros serviços empregados em mercadorias prontas e armazenadas. O fato das mercadorias estarem armazenadas não implica que os serviços necessários, por exemplo, à manutenção de sua integridade ou de suas qualidades intrínsecas, gerem direito a crédito. Tais serviços existem também quando as mercadorias prontas estão estocadas dentro do estabelecimento produtor e, nem por isto, gera direito a crédito. Não vejo como equiparar as despesas acima referidas à despesa de armazenagem de mercadorias, a que se refere a legislação do PIS e da Cofins.” Citamse, ainda, outros acórdãos neste mesmo sentido: Acórdão 3403003.098, proferido em 22/07/2014, pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento, cuja recorrente é a própria MÓVEIS SCHMITZ LTDA: NÃO CUMULATIVIDADE. FRETE E DESPESAS DE ARMAZENAGEM NAS OPERAÇÕES DE VENDA. EXTENSÃO. As operações de movimentação de contêiner cheio; serviço de fumigação de pallets; despesas com capatazia e reembolso de CPMF; movimentação de embarcação; transporte de contêineres vazios e sua devolução para o exportador; descarga de contêineres; vistoria de contêineres; handling de contêineres; unitização e desunitização de contêineres e uso de pátio não estão abrangidos no conceito de armazenagem e tampouco Fl. 2824DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.825 34 podem ser concebidas como etapa do frete nas operações de venda, razão pela qual os respectivos gastos não ensejam o creditamento da contribuição. Acórdão 3402002.361, proferido em 25/03/2014, pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento: PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM. SERVIÇOS PORTUÁRIOS. ABRANGÊNCIA E LIMITES. Concedem o crédito das contribuições ao PIS e à COFINS os serviços de armazenagem, sendo a esta inerentes os serviços portuários que compreendem a pesagem, o monitoramento, a ovação ou a desova, inspeção, movimentação e realocação, deslocamentos e a taxa de selagem de conteiners. Por outro lado não estão abrangidos no conceito de armazenagem e nem de frente das operações de venda, os serviços de capatazia, taxa de liberação de BL, despachantes aduaneiros nas exportações, os quais revestemse da natureza de despesas administrativas ou de vendas. Acórdão 3102001.989, proferido em 22/08/2013, pela Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento: CAPATAZIA Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade econômica, mas tão somente os que sejam empregados na produção de bens ou prestação de serviços. Consequentemente, não há espaço para que se admita a apuração de crédito toda e qualquer serviço inerente à venda, mas exclusivamente aquelas previstas pelo legislador. Inexistindo previsão para a apuração de crédito com as despesas de capatazia, não há espaço para admitilas. Acórdão 3403002.139, proferido em 25/04/2013, Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento: COFINS NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CAPATAZIA E ESTIVA. INADMISSIBILIDADE. Não se vinculando à atividade propriamente produtiva, as despesas incorridas com capatazia e estiva se assemelham mais a espécies de despesas com vendas, sem que, todavia, o artigo 3o da Lei no 10.833/03 contenha hipótese permissiva para o creditamento da COFINS, apurada segundo o regime não cumulativo Fl. 2825DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13971.720063/200814 Acórdão n.º 3302002.674 S3C3T2 Fl. 2.826 35 Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de creditamento de Cofins decorrente da aquisição de serviços de fumigação e de capatazia. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/10 /2014 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 11516.001067/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Exercício: 2002, 2004
DIF - Papel - Imune MULTA - INCIDÊNCIA LEI Nº 11.945/2009- A multa pela apresentação em atraso da DIF Papel Imune, incide uma única vez no montante de R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por trimestre inadimplido, tendo em vista que a empresa é optante do SIMPLES.
Recurso Voluntário parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido.
Numero da decisão: 3301-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora.
RODRIGO PÔSSAS - Presidente.
FÁBIA REGINA FREITAS - Relatora
EDITADO EM: 22/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Jose Paulo Puiatti, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Teresa Martinez Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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Recorrente CVT GRAFICA E EDITORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Exercício: 2002, 2004 DIF Papel Imune MULTA INCIDÊNCIA LEI Nº 11.945/2009 A multa pela apresentação em atraso da DIF Papel Imune, incide uma única vez no montante de R$2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) por trimestre inadimplido, tendo em vista que a empresa é optante do SIMPLES. Recurso Voluntário parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. RODRIGO PÔSSAS Presidente. FÁBIA REGINA FREITAS Relatora EDITADO EM: 22/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Marcio Canuto Natal, Jose Paulo Puiatti, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Teresa Martinez Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 10 67 /2 00 5- 91 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 02/26), lavrado para cobrança de Multa pela falta de entrega das Declarações Especiais de Informações Relativas ao Controle de Papel Imune (DIF — Papel Imune), nos trimestre compreendidos entre janeiro de 2002 a junho de 2004, no qual houve impugnação ao lançamento, sendo que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), julgou o lançamento procedente. A contribuinte apresenta impugnação às fls. 30/52, mediante a qual apontou: (a) ausência de previsão legal da penalidade aplicada; (b) perda da eficácia da MP 2.15834/2001; (3) questões de natureza constitucional, tais como o caráter confiscatório da multa, violação aos princípios da isonomia e da capacidade tributária, bem como a impossibilidade constitucional de medida provisória regular matéria tributária. Analisando as alegações, a DRJ houve por bem julgar integralmente procedente o Auto de Infração em acórdão (fls. 90/103), cuja ementa abaixo se transcreve, in litteris: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 DIFPAPEL IMUNE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA, INSTITUIÇÃO POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 113, § 2°, do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária. Neste conceito estão compreendidas as instruções normativas expedidas por autoridade administrativa competente (art. 96 do CTN), razão pela qual não há qualquer ilegalidade na instituição da Dif – papel imune por meio da Instrução Normativa n° 71/2001. As sanções previstas neste diploma legal encontram fundamento de validade no art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, que expressamente previu as sanções pecuniárias aplicáveis pelo descumprimento das obrigações Acessórias relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Lançamento Procedente” Em face da mencionada decisão, foi interposto Recurso Voluntário, mediante o qual a contribuinte pleiteia o seguinte: É o relatório. Voto Conselheiro Fábia Regina Freitas Fl. 221DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11516.001067/200591 Acórdão n.º 3301002.392 S3C3T1 Fl. 3 3 Ao teor do relatado, tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte, para exigência da multa prevista no art. 12 da IN SRF nº 71/2001, com supedâneo legal no art. 57 da MP nº 2.15835/2001, que alterou a redação dos arts. 368 e 505 do Decreto 4.544/2002, por ter deixado de apresentar as DIFPapel Imune, referentes aos trimestres compreendidos entre janeiro de 2002 e junho de 2004. Tendo em vista tratarse de empresa optante do Simples, a autuação levou em consideração a multa reduzida a R$ 1.500,00 por mês calendário de atraso na entrega, nos termos do parágrafo único do art. 57 da MP nº 2.15835/2001. Por ser interessante, trago à baila toda a legislação pertinente ao caso concreto: Lei nº. 9.779, de 19/01/1999 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Medida Provisória 2.15835/2001 Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II – cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. Instrução Normativa/SRF nº 71, de 24/08/2001 Art. 1° Os fabricantes, os distribuidores, os importadores, as empresas jornalísticas ou editoras e as gráficas que realizarem operações com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos estão obrigados à inscrição no registro especial instituído pelo art. 1° do Decretolei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, não podendo promover o despacho aduaneiro, a aquisição, a utilização ou a Fl. 222DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 comercialização do referido papel sem prévia satisfação dessa exigência. (...) Art. 11. A DIF Papel Imune deverá ser apresentada até o último dia útil dos meses de janeiro, abril, julho e outubro, em relação aos trimestres civis imediatamente anteriores, em meio magnético, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado pela SRF. (...) Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de julho de 2001. Instrução Normativa/SRF nº 159, de 15/05/2002 Art. 2°A apresentação da DIF Papel Imune deverá ser realizada pelo estabelecimento matriz, contendo as informações referentes a todos os estabelecimentos da pessoa jurídica que operarem com papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos. Parágrafo único. A apresentação da DIFPqpel Imune é obrigatória, independente de ter havido ou não operação com papel imune no período. (grifei) Na sua impugnação a recorrente se insurge contra a aplicação da multa, apontando uma série de ilegalidades e inconstitucionalidades. A irresignação da contribuinte não deve prosperar, seja porque impertinentes os argumentos, seja por ser inviável, por força da Súmula no. 02 desse CARF, a análise de alegações de inconstitucionalidade de normas. Por outro lado, verificase da legislação acima transcrita que o parágrafo único do art. 2º da IN SRF nº 159/2002 deixa muito claro que a obrigatoriedade de entrega da DIFPapel Imune, independia de ter havido ou não operação com papel imune. Confirmase assim que a multa aplicada encontra todo um arcabouço legal a lhe dar fundamento de validade. No entanto, a Lei nº 11.945/2009, trouxe substancial alteração na legislação pertinente ao Registro Especial referente ao controle das operações realizadas com papel imune. Dispõe o seu art. 1º: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e Fl. 223DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11516.001067/200591 Acórdão n.º 3301002.392 S3C3T1 Fl. 4 5 II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2o e no § 15 do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Veja que a nova legislação alterou a sistemática de aplicação da penalidade, tendo afastado a penalidade aplicada por mês calendário de atraso, como previa o art. 57 da MP Nº 2.15835/2001. A nova regra prevê a aplicação da multa única no caso de falta de apresentação da DIF – Papel Imune no prazo estabelecido. De se reconhecer, por seu turno, que o mencionado art. 1º da Lei nº 11.945 apenas começou a produziu efeitos a partir de 16/12/2008. No entanto, tendo em vista que o presente processo encontrase pendente de julgamento, há que se considerar a norma Fl. 224DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 1966), que, ao tratar da aplicação da legislação tributária, dispõe, verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Assim, considerando que à época dos fatos a contribuinte era optante do SIMPLES e, por aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN, tendo a nova lei cominado penalidade menos severa que a anterior, entendo que o valor da multa aplicada deve ser de R$ 2.500,00 para cada declaração trimestral não apresentada, isto é, para cada uma das declarações trimestrais que deixaram de ser entregues, reduzindoa para o valor total de R$ 250.000,00 (duzentos e cinquenta mil reais). Assim, pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o valor da multa aplicada, na forma acima posta. CONCLUSÃO Assim, diante de todo o exposto, entendo por conhecer parcialmente do recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento ao recurso da contribuinte nos seguintes termos: 1 – Reconhecer a legitimidade para a exigência da multa pelo atraso na entrega da Declaração Especial de Informações relativas ao controle do papel imune; 2 – O valor da multa deve ficar restrito, nos termos do entendimento da CSRF, ao valor de R$ 2.500 por trimestre; 3 – Não conhecer das alegações de inconstitucionalidade da presente exigência por força do disposto na Súmula CARF no. 2. Fábia Regina Freitas Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10715.003903/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES Redator designado.
EDITADO EM: 29/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola CassianoKeramidas; Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator designado. EDITADO EM: 29/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 39 03 /2 01 0- 20 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva(Presidente); Gileno Gurjão Barreto (vice presidente); Alexandre Gomes; Fabíola CassianoKeramidas; Mara Cristina Sifuentes e Maria da Conceição Arnaldo Jacó Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 0725.427 2ª Turma da DRJ/FNS, de 5 de agosto de 2011, que, por unanimidade de votos, decidiu por julgar procedente em parte a impugnação contra Auto de Infração de multas aduaneiras, mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 10.000,00. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 45.000,00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e"; do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em maio de 2007 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes As cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/000294/10", descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 10 da IN/SRF 510/2005, uma vez que o inciso II do artigo 39 da citada IN/SRF 28/1994 considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 14 a 30, acompanhada dos documentos de fls. 31 a 42, para aduzir que (i) a multa aplicada não corresponde à infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa da impugnante; (ii) conforme a Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, os dados de embarque referentes às mercadorias embarcadas em 11.05.2007 e 12.05.2007, foram tempestivamente informados no Siscomex; (iii) que por razão de natureza econômica é inviável a manutenção de pessoal especializado para, tão somente, efetuar a inserção de dados no Siscomex relativamente aos embarques de mercadorias ocorridos nas sextasfeiras, sábados e domingos ou na véspera de feriado; (iv) a penalidade aplicação contraria aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, uma vez que seu valor não leva em consideração a quantidade de registros informados fora de tempo, além de ser muito superior Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.003903/201020 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 11 3 ao valor da multa por embaraço à fiscalização, que além de considerar o valor aduaneiro da mercadoria, somente é aplicável quando constatado o dolo específico; (v) o diminuto lapso temporal verificado não trouxe qualquer prejuízo ao fisco; (vi) o artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame porque foram inseridas informações referentes às mercadorias no Siscomex, conforme determina a Receita Federal; (vii) o SiscomexExportação considera como novas as averbações retificadas por conta de divergência de informação, sendo que para fins de contagem do prazo o sistema informatizado levou em consideração somente o registro dos dados de embarque retificados, em prejuízo da transportadora aérea. Do exposto, requer a nulidade do auto de infração e, por conseguinte, a desconstituição do crédito lançado. Novamente a autuada comparece aos autos, às fls. 45 a 51, para, em apertada síntese, dar noticia de que "a Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu, em 13.12.2010, a Instrução Normativa n°1096 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no Siscomex os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque", e que "0 Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como infra cão aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados". Dessa forma, "não há dúvida quanto à aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração a inserção de dados no Siscomex realizada anteriormente ao prazo de 07 dias data de embarque". Do exposto, "requer seja declarada a nulidade absoluta do presente auto de infração, ou, alternativamente, caso assim não entenda, (..) requer sejam e xcluídos da presente cobrança as multas referentes aos embarques tempestivamente informados". Observese, por fim, que ao presente processo foi juntado, por anexação, o processo 10715.001274/201184. É o relatório.” O Acórdão 0725.427 – 2ª Turma da DRJ/FNS, de 05 de agosto de 2011, decidiu a controvérsia administrativa nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 0725.427 – 2ª Turma da DRJ/FNS, por meio da Intimação nº 121/2011, em 29/09/2011, conforme Aviso de Recebimento de efl. 79 Assim, devidamente cientificada, inconformada, recorre a contribuinte, em 28/10/2011, insistindo na mesma linha de argumentação esboçada na impugnação, acrescentando novas alegações, segundo os seguintes itens de defesa: I ‐ DOS FATOS E DA R. DECISÃO RECORRIDA; II ‐ DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA EM DEBATE E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS; III ‐ DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE PROVAS DA INFRAÇÃO IMPUTADA À RECORRENTE; IV ‐ DA AUSÊNCIA DE PROVA DA INTEMPESTIVIDADE DO REGISTRO EFETUADO PELA RECORRENTE; V‐ PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE INDISPONIBILIDADES DO S1SCOMEX; VI ‐ RECONHECIMENTO POR PARTE DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL ACERCA DAS IMPOSSIBILIDADES DE ACESSO AO SISCOMEX CARGA ‐ IN RFB N° 835/2008; VII ‐ INEXISTÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, DESONERAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES E VIOLAÇÃO À FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO; VIII ‐ VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE; IX ‐ DO PEDIDO Em razão de todo o exposto, a Recorrente requer que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o v. acórdão n° 0725.370, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.003903/201020 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 12 5 julgandose totalmente improcedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração juntado aos autos do processo administrativo n° 10715.003903/201020. Na forma regimental, o presente processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões que justificam o seu conhecimento. A lide, neste processo, restringese unicamente à multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, prevista na legislação aduaneira, em face de registros intempestivos no SISCOMEX. No entender do Fisco, a contribuinte não fez o registro dos dados de embarque dos despachos de exportação que realizou, no Sistema de Comércio Exterior — SISCOMEX, dentro do prazo legal de 2 (dois) dias, para a prática do ato, contado da data da realização do embarque, consoante o prazo fixado no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, com a redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 510/2005. Por conta disso, foi aplicada a multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei nº 10.833/2003. PRECLUSÃO DE ALEGAÇÕES EFETUADAS APENAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Como é sabido, o recurso voluntário dirigido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF deve ser interposto pelo sujeito passivo, no prazo de 30 dias, contra decisão das DRJ que não tenha acatado, parcial ou total, a impugnação ou que não tenha acolhido, total ou parcial, a manifestação de inconformidade (artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972 e artigos 1º e 7º do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). O recurso voluntário, desta forma, visa devolver ao tribunal administrativo o conhecimento de questões suscitadas e já discutidas no Processo Administrativo Fiscal. Portanto, é inadmissível a inovação em grau recursal, abordando tese não aventada por ocasião da impugnação e/ou manifestação de inconformidade, inovando na linha de defesa, na medida em que afronta o duplo grau de jurisdição e os princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Ou seja, não pode a contribuinte inovar na linha de defesa, suscitando em grau recursal questões que não foram objeto de litígio, haja vista que, in verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 É que, de acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. Da jurisprudência deste Conselho, colhese: "ITR/92 PRECLUSÃO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA 1 O contribuinte não pode inovar seu pedido na instancia ad quem. 2 Não pode a segunda instância conhecer e decidir matéria que não foi posta ao conhecimento da instância inferior. sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição e, com ele, o devido processo legal. Neste sentido, quanto ao prazo de vencimento do lançamento, rejeito e encargos moratórios, deve a autoridade julgadora monocrática sobre eles manifestarse, para então, se for o caso, retornarem os autos a este Colegiado. Recurso não conhecido" (2° Conselho, I a Câmara, RV n° 104.321, Processo n° 13847.000106/9268, Rel. Jorge Freire). "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A impugnação apresentada pelo sujeito passivo, entre outros requisitos, mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta (art. 16, Decreto n° 70.235/72), os quais serão julgados em Primeira Instancia Administrativa (arts. 27 e 28. Decreto n° 70.235/72). Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, ao Conselho de Contribuintes competente (art. 33, mesmo Diploma legal). O sujeito passivo não pode inovar em relação aos motivos de fato e de direito constantes da defesa recursal, tendo em vista os princípios da legalidade e do duplo grau de jurisdição. Argumentos não apresentados quando da impugnação são preclusos. RECURSO NEGADO." (3° Conselho, 2° Câmara, RV n° 130.573, Processo n° 10930.004537/20035Z Rel. Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, J. 11/11/2005). “RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO. É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratarse de matéria nova não submetida ao litígio. (2ª Seção AC 2201002.180 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, Processo nº 10970.720193/201166, Rel. Walter Reinaldo Falcão Lima) Conforme análise do conteúdo da impugnação da contribuinte e consoante registra o relatório da DRJ acima transcrito, a contribuinte impugnou a tempestividade unicamente quanto ao registro no SISCOMEX dos dados de embarque de mercadorias efetuadas no Vôo AF/443, embarques dos dias 11.05.2007 e 12.05.2007, com base na Solução de Consulta 215, de 16.08.2004 e, em nenhum momento de sua impugnação questionou as provas dos autos. Desta forma, verificase estar preclusa a alegação abaixo mencionada que visa descaracterizar o valor probatório da planilha extraída do SISCOMEX quanto à Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.003903/201020 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 13 7 intempestividade dos registros dos embarques, posto que tal alegação foi aduzida unicamente no recurso voluntário, não tendo sido submetida, portanto, à apreciação da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa: 1) a alegação contida no item “III DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE PROVAS DA INFRAÇÃO IMPUTADA À RECORRENTE”, na qual argúi que “tal planilha não possui valor probatório algum para fins de apuração da infração imputada à Recorrente” e que “Não tendo a fiscalização juntado os extratos de tela do Siscomex que comprovam efetivamente a infração cometida por parte da Recorrente, restam apenas alegações, carecedoras de comprovação. Assim, não havendo provas nos autos de que a Recorrente descumpriu qualquer prazo para a inserção de dados no sistema Siscomex, não há sequer a possibilidade desta se defender da aplicação da multa, restando inviabilizada a aplicação de qualquer punição à mesma pela inserção intempestiva de dados no SISCOMEX.”(grifos do original). Como se vê, é inadmissível inovar na postulação recursal para incluir novas alegações diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da impugnação do lançamento na instância a quo, salvo questões de ordem pública, se o julgador de 1ª instância administrativa não apreciou determinada matéria, posto que não foi a ela submetida, não compete ao Conselho apreciála, simplesmente porque haveria de ferir o princípio do duplo grau de jurisdição. Assim, deixase de apreciar as alegações recursais acima mencionadas. Passase à análise das alegações suscitadas na impugnação e apreciadas pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, sobre as quais ainda se insurge a contribuinte, sem, contudo, seguir integralmente a ordem posta no recurso voluntário, em face de se levar em conta o momento oportuno de apreciação de referidas alegações dentro do contexto do voto. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS No item “II DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA EM DEBATE E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS”, a recorrente destaca a evolução da legislação atinente à questão sob litígio, concluindo pela incorreção da tipificação dos fatos para suscitar a nulidade do auto de infração, alegando cerceamento do direito de defesa, cujos termos se transcreve a seguir, por ser oportuno: A recorrente tece a seguinte evolução da legislação: “0 DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, previa originariamente em seu art. 107, I, a aplicação de multa, no valor de Cr$ 200.000 (duzentos mil cruzeiros) a quem, por qualquer meio, realizasse o embaraço à ação fiscalizadora. Ultrapassados três anos da publicação do DecretoLei n° 37/66, foi editado o DecretoLei n° 751, de 1969, apenas atualizando o valor original da multa por embaraço à fiscalização, conforme transcrito abaixo: ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora’; Neste contexto, em 1994, quando vigente a redação acima transcrita do art. 107, I, do DecretoLei n° 37/66, foi editada e publicada a Instrução Normativa n° 28, de 27 de abril de 1994, que, pela primeira vez, criou uma obrigação ao transportador aéreo de informar no Siscomex os dados pertinentes às mercadorias por ele embarcadas ao exterior. Em sua redação original, a Instrução Normativa n° 28/94 determinava que o transportador deveria informar os dados de mercadoria imediatamente após o embarque ao exterior e que o descumprimento de tal obrigação constituiria embaraço à fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator à multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Assim, a penalidade, em seu conjunto, se consubstanciava da seguinte forma: "Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinente, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (...) Art. 44. 0 descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto Lei n° 37/66 com a redação do art. 5o do DecretoLei n° 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis." Após 09 anos de vigência da Instrução Normativa n° 28/94, foi publicada a Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003, que deu nova redação ao art. 107 do DecretoLei n° 37/66, incluindo novos incisos e criando novas penalidades relacionadas às infrações aduaneiras, conforme transcrito a seguir: ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado a intimação em procedimento fiscal; e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte aéreo internacional, inclusive à prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta ou ao agente de carga (...)’”. E, com base nessa evolução efetua a sua conclusão no seguinte sentido: “Notese que a redação do art. 44 da Instrução Normativa n° 28/94 não foi modificada com a edição da Medida Provisória n° Fl. 172DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.003903/201020 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 14 9 135/03, que alterou a redação do art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, ainda nos dias de hoje, o descumprimento da obrigação contida no art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94 permanece gerando a multa por embaraço à fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, IV, "c", do DecretoLei n° 37/66, por força do disposto no art. 44 da referida Instrução Normativa que se encontra em vigor. Porém, ainda que demonstrada cabalmente acima a evolução da legislação pertinente à matéria, o auto de infração que originou a presente cobrança foi lavrado descrevendo os fatos e tipificando, erroneamente, a conduta na forma a seguir reproduzida: (...); Diante de tal análise, concluise que o enquadramento do auto de infração trata de infração relacionada à falta de informação sobre carga transportada em veículo, prevista na alínea "e" daquele inciso, e não ao embaraço à fiscalização aduaneira, prevista na alínea "c". É imprescindível lembrar que o art. 44 da Instrução Normativa n° 28/94 determina expressamente que o descumprimento da obrigação prevista no art. 37 constitui embaraço à fiscalização aduaneira.”(grifos do original). Pois bem, da análise da evolução da legislação acima transcrita é de se concluir, diferentemente da conclusão da recorrente, pela correção do enquadramento legal atribuído pela fiscalização à infração apurada, qual seja, o art. 107. IV, alínea "e", do Decreto Lei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, no que se refere à seguinte infração: “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte aéreo internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga.” (grifei). Tal conclusão depreendese em função de que a nova redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03 ao art. 107. IV, do DecretoLei n° 37/66 trouxe, em sua alínea “e” tipificação específica de infração atinente ao fato descrito nos autos. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 1.096, de 13/12/2010, que alterou a IN SRF n° 28/1994, continuar fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como embaraço, demonstra desconformidade desta quanto a esta tipificação, mas isto de forma alguma significa que a redação da instrução normativa deva prevalecer sobre a redação legal. Foi exatamente neste sentido que concluiu o Acórdão nº 320200.341 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no Processo 10715.003346/200911, o qual foi colacionado pela ora recorrente, in verbis: “A Instrução Normativa SRF nº 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts.37, caput, e 44 que, verbis: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3º do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto lei no 37/66 com a redação do art. 5º do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.’ O art. 107 do Decretolei nº 37/1966, na redação do art. 5º do Decretolei nº 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto nº 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro): “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1º da IN SRF nº 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: ‘Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.’ (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: ‘Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: ‘Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado’. (...) ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, Fl. 174DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.003903/201020 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 15 11 inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; e (...)”Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44.’ No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37/1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, ‘e’, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, ‘c’.”(grifos do original). Cabe aqui ressalvar, nos mesmos termos contidos na decisão recorrida, que mesmo na hipótese de o enquadramento legal ter sido erroneamente indicado, o que não é o caso, conforme acima demonstrado, é pacifica a jurisprudência administrativa no sentido de que a existência de erro dessa natureza não tem a capacidade de inquinálo de nulidade, pois não prejudica a defesa da autuada, sendo suficiente a descrição correta do fato que motivou sua lavratura. Tanto é assim, que a contribuinte apresentou vasta impugnação demonstrando pleno entendimento da infração que lhe foi imputada, não tendo havido cerceamento do direito de defesa. Portanto, em vista do acima explicitado, não há que se falar improcedência do fundamento legal da autuação, rejeitandose, pois, a preliminar de nulidade. Assim esclarecido, ressaltase que não há que se falar em embaraço à fiscalização, sendo descabidas as alegações atinentes à questão de embaraço à fiscalização aduzidas no item “VIII INEXISTÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, DESONERAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES E VIOLAÇÃO À FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO”, haja vista que a infração devidamente aplicada nos autos foi a prevista no inciso IV, ‘e’, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966 que tem natureza objetiva, independendo, portanto, da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato praticado e uma vez consumada a infração, aplicável é a penalidade prevista em lei pelo descumprimento da obrigação acessória, em face à prestação intempestiva da informação sobre carga transportada. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 12 DAS ALEGAÇÕES QUANTO: À AUSÊNCIA DE PROVA DA INTEMPESTIVIDADE DO REGISTRO EFETUADO PELA RECORRENTE; À PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE INDISPONIBILIDADES DO SISCOMEX E AO RECONHECIMENTO POR PARTE DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL ACERCA DAS IMPOSSIBILIDADES DE ACESSO AO SISCOMEX CARGA IN RFB N° 835/2008 Referente à alegação aduzida na impugnação de que o atraso no registro das informações era decorrente de questões operacionais (i.e. falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa assim pronunciouse: “Quanto à impossibilidade de efetuar no prazo estipulado o registro de embarque por conta de falhas ocorridas no Siscomex, é dizer que referida assertiva é inócua na medida em que a autuada não demonstra a ocorrência de tal circunstância, ao contrário, procura transferir o ônus do alegado para o julgador administrativo, o que não é razoável, posto que em sede de julgamento não há como o julgador se pautar apenas em alegações desprovidas de elementos que a sustente, notadamente quando se tratar de matéria de fato. Ainda mais que as evidências conduzem para a conclusão de que a empresa autuada registrou intempestivamente os dados de embarque em apreço.” Assim é que, novamente, em fase de recurso, a contribuinte reforça seus argumentos de que o SISCOMEX não funciona de forma ininterrupta e que são constantes as falhas e erros do sistema, inclusive pelo o fato de que o SISCOMEX “registra, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a dos registros de dados efetuados pela Recorrente”, ressaltando que se faz necessário criar um mecanismo que assegure às companhias aéreas que estas somente serão multadas quando a não inclusão dos dados no sistema depender de ato exclusivamente seu. Visando comprovar o alegado, a recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, bem como junta ao presente processo administrativo alguns correios eletrônicos enviados pela Infraero às empresas aéreas, comunicando a indisponibilidade do sistema aduaneiro, neste caso, em razão de manutenção elétrica realizada no centro de dados da Regional São Paulo do SERPRO e, em item específico de seu recurso, transcreve trecho da Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008, que dispõe acerca das regras de contingência na utilização do Siscomex Carga, afirmando que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema. Também, para comprovar a alegação quanto à falha do SISCOMEX, no que se refere aos equívocos dos registros (Averbação da RFB x registro pela contribuinte) anexa parte do Auto de Infração contra ela lavrado no processo nº 10715.007805/200928, qual seja, a planilha apurada a partir do SISCOMEX, que embasou aquela autuação e a tela do sistema do Siscomex, referente aos registros efetuados quanto à mercadoria embarcada na data de 01/08/2005 e alterada em 27/07/2006, tendo sido essa última data a que embasou a multa naquele processo. Cita Soluções de Consulta. De fato, é inconteste que o Sistema de Comércio Exterior SISCOMEX é sistema que apresentou falhas no início de sua implantação e que há a possibilidade de Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.003903/201020 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 16 13 ocorrências de indisponibilidades e/ou instabilidades do sistema. Como também é inconteste que a Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008 estabelece no §2º do seu art. 7º que “Para fins de baixa dos bloqueios por informação prestada após o prazo, nos termos do inciso III do caput, sem imposição de penalidades, a autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema.” E é lógico e razoável entender que se o referido sistema eletrônico de Comércio Exterior SISCOMEX apresenta falhas, não pode a contribuinte ser prejudicada. E, exatamente por esta razão, a referida instrução normativa determina que a autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema. As diversas notícias da Anvisa, bem como as mensagens de correios eletrônicos enviados pela Infraero às empresas aéreas, as quais foram trazidas pela recorrente, demonstram que os órgãos intervenientes comunicam aos interessados as interrupções e ou instabilidades do sistema. Portanto, para afastar a referida multa cabe à contribuinte demonstrar que no período abrangido pela fiscalização houve a ocorrência dessas indisponibilidade e/ou instabilidades do SISCOMEX, de modo a comprovar as suas alegações de que o atraso nos registros decorreu dessa falhas e não de sua vontade ou por desídia. Entretanto, as notícias da Anvisa, bem como o correio eletrônico da Infraero trazidos pela recorrente referemse à períodos outros que não o abrangido pela presente autuação. De outro lado, a tela do SISCOMEX denominada “CONSULTA HISTÓRICO DESPACHO” (efl.185) trazida pela recorrente para demonstrar que aquele sistema , na verdade, registra a data de averbação do embarque da carga, a qual é efetuada pela Receita, mas não a dos registros de dados efetuados pela Recorrente , ao contrário do aduzido, demonstra que o sistema relata todo o histórico dos registros, sejam eles efetuados pelos contribuintes ou pela RFB. Naquele processo mencionado pela recorrente (10715.007805/200928), deduzse ter havido apenas equívoco do autuante e não falhas do Sistema. Assim, meras alegações, desprovidas de provas que as ampare, não tem o condão de afastar o lançamento, devendose manter, quanto a esta questão, a decisão proferida no Acórdão ora recorrido. DA VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE Os princípios (da finalidade, da proporcionalidade, da razoabilidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 14 decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. Portanto, neste item, nada há de ser alterado quanto às ponderações feitas pela i. Decisão recorrida, que se pronunciou nos seguintes termos: “Quanto às alegações de que a penalidade aplicada viola aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, é mister consignar que os julgadores das instâncias administrativas não têm competência para apreciar arguições dessa natureza. Porém, cabe acentuar que no Direito Administrativo brasileiro o principio da legalidade assume significado especial, pois ora traduzse numa expressão de direito, ora revelase elemento de garantia e segurança jurídicas, sendo que o denominado principio da autonomia da vontade não encontra acolhimento neste campo do Direito, na medida que os bens tutelados interessam a toda coletividade, cujo regramento da atuação dos agentes e órgãos públicos funciona como elemento garantidor daqueles que subsidiam e se servem da prestação dos serviços públicos. Razão pela qual o agente público não age em nome próprio, mas sim em nome do Estado, e sempre em cumprimento das finalidades legalmente estabelecidas para respectiva conduta. Nesse contexto, o principio da finalidade é aquele que imprime à autoridade administrativa o dever de praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. Nesse sentido, o agente público deve estrita obediência à lei (principio da legalidade) e tem como dever a satisfação dos interesses públicos (principio da finalidade). Por conseguinte, o agente público não pode utilizar meios ou instrumentos que fiquem aquém ou se coloquem além do que seja estritamente necessário para o fiel cumprimento da lei. Portanto, pelo fato de a matéria examinada se encontrar plenamente disciplinada por atos legais regularmente inseridos no ordenamento jurídico, as instâncias administrativas, por caráter vinculado de atuação, são incompetentes para apreciar questões que se referem à ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das respectivas normas legais, uma vez que tal competência é atribuída privativamente ao Poder Judiciário (art. 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal). A tratar do assunto, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF/MF manifestouse no sentido de que "não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF no 2, publicada no DOU em 22.12.2009, p. 71, Seção I). Quanto à alegada boafé ou ausência de prejuízo ao Erário por conta da conduta da autuada, é suficiente reprisar que em matéria tributária a responsabilidade não tem a mesma natureza da responsabilidade penal, não havendo falar em modalidade Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.003903/201020 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 17 15 culposa ou dolosa, conforme dispõe o parágrafo 2° do artigo 94 do Decretolei 37/1966 e o artigo 136 do CTN.” DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, e uma vez demonstrada a legitimidade do lançamento formalizado contra o sujeito passivo, voto para conhecer em parte do recurso voluntário, para indeferir a preliminar de nulidade e no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Voto Vencedor Conselheiro ALEXANDRE GOMES Conforme se depreende do relatório produzido pela eminente conselheira relatora, o presente processo trata de multa administrativa lavrada em função de a Recorrente ter prestado, dentro do prazo de dois dias, as informações a que está obrigada sobre os embarques internacionais efetuados junto ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Em que pese existirem diversos argumentos de defesa relacionados a improcedência da aplicação da multa regulamentar, verifico a existência de questão preliminar que pode, inclusive, ser reconhecida de oficio pelo julgador administrativo, qual seja, a ocorrência da denuncia espontânea no caso sob análise. Inicialmente, cumpre destacar o que determina o Código Tributário Nacional sobre o tema: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O Decreto nº 37/66 também tratou do assunto: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) A partir da interpretação dos dispositivos legais acima expostos, por muito tempo, a doutrina e a jurisprudência administrativa travaram verdadeira batalha a respeito do alcance do instituto da denuncia espontânea, e em especial desta em relação as multas de natureza administrativas. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES 16 Parte da doutrina e da jurisprudência aliouse ao entendimento de que o disposto no art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37/66 contemplavam especialmente as multas de natureza tributaria, não alcançando, por conseqüência, as de natureza administrativas como por exemplo, as multas regulamentares relacionadas ao direito aduaneiro. Contudo, a partir da redação estabelecida na Lei nº 12.350/2010, o § 2º do art. 102 passou ter a seguinte orientação: § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. No presente caso, como bem destacado no relatório que acompanha o presente acórdão, a multa foi aplicada tão somente por conta da declaração de embarque fora do prazo regulamentar estipulado, ou seja, pela denuncia espontânea da infração por parte da Recorrente. Muito embora os atos praticados sejam anteriores a evolução legislativa supra citada, tratando de atos pendentes de julgamento aplicável do que determina o art. 106 do CTN, nos termos do a seguir exposto: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No âmbito deste órgão colegiado, cito o seguinte julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 29/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 3301001.691 – 3a Câmara / 1a Turma Ordinária. Relator: Jose Adão Vitorino de Morais. Data Julgamento: 30/01/2013) Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar a multa regulamentar aplicada. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10715.003903/201020 Acórdão n.º 3302002.462 S3C3T2 Fl. 18 17 É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Redator Designado. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assin ado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 19515.720661/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
Ementa:
BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE. DESPESAS. As normas de apuração da base de cálculo do IRPJ não ensejam sua extensão, por reflexividade, às normas de apuração da CSLL, distintas daquelas.
Numero da decisão: 1101-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. O Conselheiro Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão e a Conselheira Edeli Pereira Bessa votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral o patrono da Recorrente, Dr. Alexandre A. Borges (OAB/SP n. 120.266).
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Ementa: AGENCIAMENTO DE PROPAGANDA. RESSARCIMENTOS. Cabe ao fisco a prova da não dedutibilidade de custos/despesas, inadmitida sua glosa por simples presunção fiscal. Outrossim, no caso, os valores devolvidos por meio de notas de crédito encontram respaldo na legislação do Imposto de Renda para efeitos de dedutibilidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 Ementa: BASE DE CÁLCULO. DEDUTIBILIDADE. DESPESAS. As normas de apuração da base de cálculo do IRPJ não ensejam sua extensão, por reflexividade, às normas de apuração da CSLL, distintas daquelas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que seguem em anexo. O Conselheiro Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão e a Conselheira Edeli Pereira Bessa votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral o patrono da Recorrente, Dr. Alexandre A. Borges (OAB/SP n. 120.266). (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 61 /2 01 3- 14 Fl. 774DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 03/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior (Relator), Paulo Mateus Ciccone (Suplente), Marcos Vinícius Barros Ottoni (Suplente) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Na origem, cuidase de autos de infração por meio dos quais a Contribuinte é compelida a recolher à Fazenda Nacional a importância de R$3.502.095,05 a título de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e de R$1.269.394,22 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; exações estas acrescidas de multa de ofício de 75% e juros moratórios, totalizando, em valores históricos, o valor de R$10.168.997,91 (26/03/2013). Estas exigências referemse a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008, período em que a contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ em que apurou resultados fiscais com base no lucro real anual. Conforme Termo de Constatação Fiscal (fls. 127/129), houve a glosa de despesas consideradas indedutíveis pela fiscalização, nos seguintes termos: “No decorrer dos trabalhos fiscais, foram verificados na contabilidade apresentada pelo contribuinte lançamentos contábeis a débito da contacontábil 3502100003 DESCONTOS CONCEDIDOS, que foram objeto de solicitações de esclarecimentos através das intimações datadas de 19/01, 16/02, 25/02 e 18/03/2013. Em atenção as intimações lavradas o contribuinte esclareceu que os lançamentos contábeis à débitos da conta contábil 3502100003, foram de dois tipos: a. Por falha de inserção dos veículos de comunicação, que concederam crédito ao contribuinte que os repassou seus para os clientes; b. Por ajuste nas comissões cobradas aos clientes que foram contratadas no percentual de 17% seguindo o estabelecido pelo CENP (Conselho Executivo das Normas Padrão), sendo que a comissão estabelecida e faturada contra o cliente foi reajustada para 8%. Diante do procedimento estabelecido pelo contribuinte, esta fiscalização entendeu que os descontos concedidos aos clientes não encontramse respaldados na legislação do Imposto de Renda, para efeitos de dedutibilidade. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720661/201314 Acórdão n.º 1101001.176 S1C1T1 Fl. 774 3 Dessa forma, foram considerados como indedutíveis os valores lançados como ajuste de comissão dos percentuais de 17% para 8%, por se tratarem de convenção particular, reduzindo dessa forma os tributos devidos indevidamente. Os valores objeto de glosa achamse descritos abaixo: (...) Anexo ao presente Termo, planilha contendo as notas de crédito que foram objeto de glosa, e que passa a fazer parte integrante do AUTO DE INFRAÇÃO desta data. VALOR TRIBUTÁVEL: R$14.104.380,25 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 247, 249, inciso I, 251 e parágrafo único, e 299 do RIR/99. ” Cientificada das exigências em 28/03/2013 (fl. 260), a Contribuinte protocolou, em 29/04/2013, a impugnação de fls. 262/309, por meio da qual argumentou, em síntese, após explicar a forma de remuneração das agências de publicidade em conformidade com as NormasPadrão da Atividade Publicitária que “todos os valores escriturados pela Requerente na conta contábil n° 350210003 DESCONTOS CONCEDIDOS dizem respeito a ajustes de preços e/ou faturamento que foram cobrados pela Requerente de seus clientes Anunciantes em razão dos serviços de publicidade que foram prestados” (fl. 268). Para além disso, alega que “os lançamentos escriturados na referida conta contábil têm origem, na verdade, em três situações fáticas: (i) notas de crédito emitidas aos clientes em razão das falhas de inserção dos veículos de comunicação (mencionada na autuação); (ii) notas de crédito para ajustes de faturamentos; e (iii) ajustes das comissões cobradas pela Requerente dos seus clientes Anunciantes (mencionada na autuação) ” (fl. 268). A seguir, explica detidamente cada uma das situações, da seguinte forma: · Primeira: As notas de crédito emitidas pela Contribuinte empresa de agendamento de publicidade decorreram de “falha de inserção” na mídia e tiveram por objetivo compensar os clientes Anunciantes por campanhas publicitárias não veiculadas no espaço contratado. No ponto, afirma textualmente que “essas notas de crédito foram emitidas para que a Requerente pudesse repassar os valores pagos por suas clientes Anunciantes, os quais se tornaram indevidos em razão da ocorrência das falhas de inserção. Dado que (i) os veículos de comunicação creditaram esses valores para a Requerente e que (ii) esses valores pertenciam às Anunciantes, não há como se refutar que a Requerente tinha o dever legal e contratual de repassar esse crédito para suas clientes” (fl. 273) e, nesse sentido, aplicase o quanto disposto no Decreto lei n. 1.598/1977 acerca do conceito de lucro operacional e de vendas canceladas; · Segunda: As notas de crédito emitidas para alteração de faturamento de determinadas prestações de serviços tiveram como objetivo cancelar notas fiscais emitidas anteriormente, as quais não atendiam aos prazos de cobrança pactuados com os clientes e viabilizar a emissão de novas notas fiscais de prestação de serviço. Os valores que foram objeto dessas notas de crédito (e que não foram adicionados à Fl. 776DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 apuração do lucro líquido), foram cobrados dos respectivos clientes em datas posteriores, momento em que as receitas correlatas foram devidamente tributadas; · Terceira (parte mais expressiva do auto de infração): Os ajustes de comissão celebrados pela contribuinte são condições de negócio, uma vez que foram imprescindíveis para que os preços cobrados pela prestação de serviços de publicidade se tornassem mais competitivos, de modo a viabilizar a manutenção dos respectivos contratos. Não se tratam de meros descontos concedidos por liberalidade, mas de verdadeiros acordos comerciais formalmente celebrados com seus clientes. Afirmase no ponto, em síntese, que tanto a doutrina como a jurisprudência entendem que o critério estabelecido pelo artigo 299 do RIR/99 é objetivo e não dá margem a interpretações: para ser necessária, basta que a despesas esteja relacionada à atividade do contribuinte e à manutenção da fonte produtora, como no caso em que não ocorreram atos de liberalidade, mas sim atos essenciais à manutenção dos contratos de publicidade; · Quanto à CSLL, defendeu que, mesmo que fossem consideradas desnecessárias as despesas glosadas, não se aplica o disposto no artigo 299 do RIR/99 à exigência da CSLL, conforme pacificado pelo CARF e reconhecido pela própria RFB, conforme ementas de acórdãos de reproduzidas às fls. 304/305. O contribuinte colacionou diversos documentos para acompanhar sua impugnação, tais como: (i) cópias das Normas Padrão de Atividade Publicitária do CENP (fls. 354/374); (ii) reprodução da listagem das notas de crédito a clientes identificados, nas quais se fundamentam os lançamentos (fls. 375/488); (iii) notas de créditos por falhas de inserção de programação de veículos publicidade contratados (mídia escrita e televisionada), notas fiscais eletrônicas substitutivas (fls. 130/243; 489/605); (iv) contratos de agenciamento de publicidade e adendos de reduções de percentuais originalmente devidos contratados com clientes, mediante emissão de notas de crédito fls. (606/718). Em sessão de julgamento realizada em 20/08/2013, a d. 2ª Turma da DRJ/RJ1 julgou procedente a impugnação e exonerou integralmente o crédito tributário, nos termos do acórdão n. 1258.748 (fls. 723/729), que foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 AGENCIAMENTO DE PROPAGANDA. RESSARCIMENTOS. Cabe ao fisco a prova da não dedutibilidade de custos/despesas, inadmitida sua glosa por simples presunção fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 BASE DE CÁLCULO. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. As normas de apuração da base de cálculo do IRPJ não ensejam sua extensão, por reflexividade, às normas de apuração da CSLL, distintas daquelas. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720661/201314 Acórdão n.º 1101001.176 S1C1T1 Fl. 775 5 Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Como houve a exoneração do sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos em montante superior ao limite fixado em Portaria do Ministro da Fazenda, os autos subiram para análise deste Col. CARF com Recurso de Ofício. Às fls. 733/765, consta petição de contrarrazões da Recorrida, que, sinteticamente, repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Como visto, a irregularidade motivadora da autuação fiscal foi descrita singelamente no Termo de Constatação Fiscal nos seguintes termos: “No decorrer dos trabalhos fiscais, foram verificados na contabilidade apresentada pelo contribuinte lançamentos contábeis a débito da contacontábil 3502100003 DESCONTOS CONCEDIDOS, que foram objeto de solicitações de esclarecimentos através das intimações datadas de 19/01, 16/02, 25/02 e 18/03/2013. Em atenção as intimações lavradas, o contribuinte esclareceu que os lançamentos contábeis à débitos da conta contábil 3502100003, foram de dois tipos: Por falha de inserção dos veículos de comunicação, que concederam crédito ao contribuinte que os repassou seus para os clientes; Por ajuste nas comissões cobradas aos clientes que foram contratadas no percentual de 17% seguindo o estabelecido pelo CENP (Conselho Executivo das Normas Padrão), sendo que a comissão estabelecida e faturada contra o cliente foi reajustada para 8%. Diante do procedimento estabelecido pelo contribuinte, esta fiscalização entendeu que os descontos concedidos aos clientes não encontramse respaldados na legislação do Imposto de Renda, para efeitos de dedutibilidade. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 Dessa forma, foram considerados como indedutíveis os valores lançados como ajuste de comissão dos percentuais de 17% para 8%, por se tratarem de convenção particular, reduzindo dessa forma os tributos devidos indevidamente. ” (fl. 128) Além disso, ressaltese que a fiscalização nunca questionou (i) a natureza das despesas e a documentação que lastreou as apropriações contábeis ou (ii) que os valores impugnados estivessem relacionados à atividade da pessoa jurídica, conforme argumentação da Contribuinte no sentido de que diversos valores foram devolvidos aos seus clientes, mediante notas de crédito, reduzindo, portanto, sua receita bruta. A questão cingese, portanto, a saber se os valores devolvidos por meio de notas de crédito (i) créditos concedidos por falha de inserção, (ii) créditos por retificação de momento do faturamento (apenas 9 ocorrências), (iii) créditos concedidos por ajuste na comissão estabelecida (parcela de maior expressão dos autos de infração, compondo quase a totalidade dos valores) encontram respaldo na legislação do Imposto de Renda para efeitos de dedutibilidade. Primeiramente, é essencial ter em vista que, conforme apontou a d. DRJ em conformidade com o acórdão CARF n. 10193720 (Processo n. 10166.024165/9913) , “a regra geral de definição do lucro real baseado no lucro líquido, ou seja, contábil, é no sentido de que, em princípio, todos os dispêndios da empresa são dedutíveis”, sendo certo que “uma despesa é necessária quando inerente à atividade da empresa, ou dela decorrente, ou com ela relacionada, ou até mesmo que surja em virtude da simples existência da empresa e do papel social que desempenha” e, “em contraposição, a despesa não é necessário quando for decorrente de ato de liberalidade, não no sentido de espontaneidade, mas no sentido jurídico, de ato de favor, estranho aos objetivos sociais” (fl. 727). Nesse sentido, não é possível permitir a manutenção de autos de infração que se fundamentam apenas no fato de que a “fiscalização entendeu que os descontos concedidos aos clientes não encontramse respaldados na legislação do Imposto de Renda, para efeitos de dedutibilidade. Dessa forma, foram considerados como indedutíveis os valores lançados como ajuste de comissão dos percentuais de 17% para 8%, por se tratarem de convenção particular, reduzindo dessa forma os tributos devidos indevidamente”. A despesa em questão é necessária justamente porque é inerente à atividade da empresa Recorrida. A redução do preço do serviço é feita para que contratos comerciais sejam mantidos. Por outro lado, esses ajustes de comissão da agência de publicidade são firmados pela Contribuinte com seus clientes e formalizados por meio de contratos ou adendos a contratos já existentes ou por correspondência com manifestações expressas do acordo celebrado entre as partes. Não se cuida de descontos concedidos caso a caso, mas de acordos firmados e refletidos em instrumentos formais que norteiam a relação contratual. Ou seja, esses alegados “descontos” concedidos não são atos de mera liberalidade que, aí sim, não permitiriam a dedução dos valores , mas se cuidam de verdadeiras renegociações de preço da prestação dos serviços, que foram essenciais para a manutenção da relação comercial. Exemplificativamente, leiamos trecho do contrato firmado com a TRIP LINHAS AÉREAS S/A e seu respectivo adendo (fls. 640/647), in verbis: “CLÁUSULA SEXTA PREÇO E FORMA DE PAGAMENTO Fl. 779DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.720661/201314 Acórdão n.º 1101001.176 S1C1T1 Fl. 776 7 1. Os serviços da Agência serão remunerados na forma das NormasPadrão, como segue a) Comissão de 18,37% (dezoito virgula trinta e sete por cento) sobre os valores brutos de veiculação do cliente e 12,00% (doze por cento) sobre o valor da produção de terceiros. ” “ADENDO AO CONTRATO DE PUBLICIDADE (...) Tem justo e acertado. O que segue: Clausula Sexta item 1 letra a = será concedida uma nota de crédito a TRIP, pelo valor correspondente a diferença entre o valor destacado na nota fiscal da LB e o acordado entre as partes, menos 50% do valor dos impostos, ou seja, 7,93% (sete virgula noventa e três por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal. Esta nota de credito deverá sempre acompanhar a nota fiscal da LB.” A partir desse procedimento, entendo como possível a escrituração contábil levada a cabo pela Contribuinte, explicitada na fl. 750 dos autos (peça intitulada de “contrarrazões” ao recurso de ofício), nos seguintes termos: “78. Para refletir o faturamento tal como descrito em breves linhas acima, a Recorrida lança a débito em sua contabilidade as notas de crédito emitidas em nome de seus clientes. Dado que os valores correlatos são redutores de preço e decorrem de acordos comerciais, a Recorrida os considera dedutíveis para fins de apuração de IRPJ e CSLL e, assim, não os adiciona na apuração de seu lucro líquido. 79. Especificamente no que diz respeito ao ano calendário de 2008 e, assim, ao Auto de Infração lavrado, todas as notas de crédito emitidas por conta dos ajustes de comissão pactuados para os serviços publicitários prestados naquele ano foram lançadas na conta contábil n° 350210003 DESCONTOS CONCEDIDOS e não foram adicionados pela Recorrida ao seu lucro líquido. ” Nesse sentido, para além do fundamento externado pela d. DRJ para cancelar o auto de infração ao afirmar que “cabe ao contribuinte, no exercício de sua atividade, optar por estratégias e procedimentos legais mais convenientes à manutenção/ampliação das fontes produtoras de seus rendimentos. A prova da não dedutibilidade de uma despesa é do fisco. (...) Nesse contexto, injustificável e eivado de absoluta falência de factualidade material a proposição fiscal que fundamentou as exações” , entendo como possível a dedução dos valores existentes na conta contábil 3502100003, nos termos em que pleiteado pela contribuinte. Em relação à CSLL, por mera reflexividade, entendo que deva ser mantido o entendimento exarado por ocasião de julgamento na instância de piso, na medida em que à míngua de dispositivo legal que indique a adição de determinada despesa para fins de apuração Fl. 780DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 da base da referida contribuição , ainda que se caracterizassem como não dedutíveis as despesas ora em análise para efeitos de IRPJ, não se poderia, por mero reflexo, considerar como não dedutíveis para fins da CSLL à míngua Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício mantendo in totum o quanto decidido pela d. DRJ. É como voto. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 781DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16327.003943/2003-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
APLICAÇÃO EM INCENTIVO FISCAL - FINAM - VALOR CONSIDERADO COMO SUBSCRIÇÃO VOLUNTÁRIA - EXIGÊNCIA DO IRPJ CORRESPONDENTE - ÔNUS DA PROVA
O § T do art. 4o da Lei n° 9.532/97 prevê que na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos de investimento, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. Mas tanto a situação de irregularidade fiscal, que prejudica a totalidade da renúncia fiscal em favor da Contribuinte, quanto as inconsistências no cálculo do incentivo, que também acarretam débito de IRPJ, devem ser devidamente demonstradas pelo Fisco, sob pena de não subsistir o lançamento.
NORMAS PROCESSUAIS - PRAZO PARA CONTESTAR O NÃO RECONHECIMENTO DE INCENTIVO FISCAL - PEDIDO DE REVISÃO/PERC E IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO DE IRPJ
O prazo previsto no § 5o do art. 15 do Decreto-lei n° 1.376/1974 está relacionado à norma que trata da destinação dos valores das ordens de emissão cujos títulos não foram procurados pelos optantes. Esse limite temporal é para que os Contribuintes busquem os seus certificados de investimentos, e não se aplica aos casos em que o Fisco nega o direito ao incentivo. A negativa da Administração Tributária em relação ao reconhecimento do incentivo, manifestada por meio de extrato que não atende aos requisitos do Decreto n° 70.235/1972 - PAF, desautoriza a aplicação do prazo de 30 dias lá previsto para a apresentação de recursos administrativos. Deste modo, a impugnação ao lançamento, apresentada tempestivamente, merece ser apreciada em todos os seus aspectos, independentemente de o Contribuinte ter ou não apresentado o PERC no prazo estipulado pelo § 5o do art. 15 do Decreto-lei n° 1.376/1974 e prorrogado por ato da CORAT/SRF
Numero da decisão: 1802-000.331
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida 1T TURMA/DAI-SÃO PAULO/SP I ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 APLICAÇÃO EM INCENTIVO FISCAL - FINAM - VALOR CONSIDERADO COMO SUBSCRIÇÃO VOLUNTÁRIA - EXIGÊNCIA DO Rt.PJ CORRESPONDENTE - ÔNUS DA PROVA O § 7° do art. 4° da Lei n° 9.532/97 prevê que na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os findos de investimento, a diferença deverá ser paga c m acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. Mas tanto a situação de irregularidade fiscal, que prejudica a totalidade da renúncia fiscal em favor da Contribuinte, quanto as inconsistências no cálculo do incentivo, que também acarretam débito de IR!'!, devem ser devidamente demonstradas pelo Fisco, sob pena de não subsistir o lançamento. NORMAS PROCESSUAIS - PRAZO PARA CONTESTAR O NÃO RECONHECIMENTO DE INCENTIVO FISCAL - PEDIDO DE REVISÃO/PERC E IMPUGNAÇÃO AO LANÇAMENTO DE IRPJ O prazo previsto no § 5° do art. 15 do Decreto-lei n° 1.376/1974 está relacionado à norma que trata da destinação dos valores das ordens de emissão cujos títulos não foram procurados pelos optantes. Esse limite temporal é para que os Contribuintes busquem os seus certificados de investimentos, e não se aplica aos casos em que o Fisco nega o direito ao incentivo. A negativa da Administração Tributária em relação ao reconhecimento do incentivo, manifestada por meio de extrato que não atende aos requisitos do Decreto n° 70.235/1972 - PAF, desautoriza a aplicação do prazo de 30 dias lá previsto para a apresentação de recursos administrativos. Deste modo, a impugnação ao lançamento, apresentada tempestivamente, merece ser apreciada em todos os seus aspectos, independentemente de o Contribuinte ter ou não apresentado o PERC no prazo estipulado pelo § 5° do art. 15 do Decreto-lei n° 1.376/1974 e prorrogado por ato da CORAT/SRF. 1 e Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ... -- ESTER MARQUES LINS DE S IP SÃ- :0- .... .ente. iDEC-J OLIVEIRA . ;I' • • • 1' - A - Relator. EDITADO EM: O : 1 BR 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), João Francisco Bianco (Vice-Presidente), José de Oliveira Ferraz ,Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente convocado), Nelso Kichel (Suplente convocado) e Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo de Almeida. 1 1 2 Processo o° 16327.00394312003-01 81-TE01 Acórdão n.° 180240.331 Fl. 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 2 a 5), no valor de R$ 526.161,54, incluído nesse montante a multa de oficio de 75% e os juros moratórios. A autuação decorreu do não reconhecimento do direito ao incentivo fiscal — FINAM para o ano-calendário de 1998. De acordo com a fiscalização, a parte do IRPJ destinada ao fundo de investimento acabou implicando na falta de recolhimento do imposto, no mesmo montante daquela parcela. O Termo de Verificação Fiscal de fl. 7 apresenta os seguintes fundamentos: O contribuinte optou por recolher parte do IRPJ apurado no ano-base de 1998 através de DARF indicativo de fundo de investimento regional, nos termos da previsão expressa nos arts. 601 e 610 do RIR/94 (Decreto 1041/94). Ocorre que no processamento de sua DIPJ/99, foi verificada a existência de débitos com indicação de saldo devedor no COIVTACORPJ, fato que afronta a disposição do art. 60 da Lei 9069/95, impedindo a concessão do beneficio. Além disso, outras ocorrências de irregularidades detectadas pelo sistema de processamento constam da pág. 04/04 espelhado da Ficha 16. A informação constante da pág. 04/04 espelhado da Ficha 16, dá conta de que, em decorrência, a totalidade do valor recolhido em nome do fundo foi considerada como aplicação de recursos próprios, não como extinção de parcela do imposto devido. Essa circunstância acabou gerando, devido à mecânica de preenchimento da DIPJ, falta de recolhimento de uma pane do imposto apurado. Cumpre ressaltar que o contribuinte não contestou a falta de acolhimento à sua opção pela aplicação incentivada. O recurso seria cabível através de PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais, possibilidade não aproveitada pelo contribuinte, conforme demonstrado pela tela de consulta ao sistema PERC/99, anexa. Instaurada a fase contenciosa, por meio da impugnação de fls. 32 a 40, acompanhada dos documentos de fls. 41 a 332, foram apresentados os seguintes argumentos de defesa, conforme descritos na decisão de primeira instância, Acórdão n° 16-12.230, de fls. 338 a 346: Inicialmente, alega a nulidade do procedimento fiscal por estar eivado de vícios, visto que a autoridade fiscal não poderia ter ignorado a opção pelo incentivo fiscal manifestada na OLP] nem 3 o recolhimento efetuado por meio de DARF específico relativo ao FINAM, em razão de supostos débitos registrados em um sistema interno da Secretaria da Receita Federal - SRF (Contacorpj). Sustenta o impugnante que não apresenta qualquer irregularidade perante o fisco, conforme se comprova pela DIPJ «is. 145 a 191) e pelas certidões negativas ecpedidas pela própria SRF ols. 192 a 201). Acrescenta que a suposta irregularidade apontada de forma genérica no sistema Contacorpj não é suficiente para embasar a presente autuação, pois o fisco não pode se basear em meras presunções pana impor obrigações ao contribuinte quando a situação de fato ou de direito demonstre a necessidade de investigação complementar. O impugnante alega também que a autuação é arbitrária por pressupor a desqualcação do direito ao incentivo fiscal em razão da existência de créditos tributários ciyht exigibilidade encontrava-se suspensa. Acrescenta que a existência de créditos tributários com a exigibilidade suspensa em razão de decisões judiciais, prevista no art. 151 do CTN, não lhe retira o direito à concessão do beneficio. Ainda que não se consideram as razões acima aduzidas, sustenta o impusmante que a exigência deve ser cancelada em razão de ter ocorrido dupla tributação. Argumenta que recolheu o valor do IRPJ (R$198. 132,83), ainda que utilizando o código relativo ao Finam, não podendo ser efetuada nova cobrança. Sustenta que, não reconhecendo o direito à aplicação em incentivos fiscais, a União deveria efetuar internamente o redirecionamento do correspondente recurso para a quitação do imposto ao invés de exigir novamente o pagamento. Ante o exposto, requer que o auto de infração em tela seja julgado improcedente. Conforme já mencionado, a DRJ São Paulo/SP I considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 AUTO DE ATRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, é incabível cogitar a nulidade do auto de infração. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM A emissão do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais com a opção cancelada ou divergente daquela consignada na DIPJ deve ser contestada pelas pessoas jurídicas optantes no prazo legal, que, para a Ano- calendário de 1998, foi estendido até 28/06/2002. Emitido extrato com opção divergente daquela consignada na D1?), sem que o interessado tenha apresentado qualquer manifestação no prazo concedido, mantém-se a exigência do imposto pago a menor em virtude de não ter sido reconhecido o direito ao incentivo fiscal Processo n° 16327.003943/2003-01 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.331 Fl. 3 Lançamento Procedente Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 26/02/2007, a Contribuinte apresentou em 28/03/2007 o recurso voluntário de fls. 355 a 374, onde desenvolve argumentos sobre os seguintes pontos: Do cabimento da defesa administrativa: - no caso em voga, o respeito ao princípio constitucional que garante a ampla defesa no processo administrativo não foi devidamente obedecido pela C. Turma Julgadora a quo; - isso porque o v. acórdão recorrido concluiu que o Recorrente não poderia alegar em sede de impugnação as razões pelas quais discorda da análise feita pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que deixou transcorrer in albis o prazo para apresentação do PERC; - acontece que, apesar de decorrido o prazo para a apresentação do PERC, a impugnação administrativa é o ato que instaura a fase litigiosa do procedimento de constituição do crédito tributário, momento em que o Contribuinte pode e deve apresentar, sob pena de preclusão, toda a matéria de direito conveniente à sua defesa; - nesse contexto, sob nenhum pretexto a Autoridade Julgadora Administrativa pode esquivar-se de apreciar as razões de impugnação, ainda que, em momento anterior à constituição formal do crédito tributário, pudesse o Recorrente ter apresentado razões que fizessem com que o Fisco revisse a sua posição e considerasse correta a aplicação dos incentivos fiscais; - imagine-se a seguinte situação: a autoridade fiscal aponta possíveis infrações tributárias cometidas por determinado contribuinte, intimando-o a prestar esclarecimentos sobre certas operações. Este encontra dificuldades para reunir os elementos de prova solicitados pela fiscalização no prazo estabelecido, e o fiscal lavra o auto de infração. Não poderá o contribuinte impugnar o lançamento? Evidente que sim; - da mesma forma, recebido o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, poderia o Recorrente apresentar pedido de revisão. Por não tê-lo feito, foi lavrado auto de infração. Pergunta-se: não poderá o contribuinte impugnar o lançamento? A resposta, nesse caso, também é positiva; - não fosse assim, não teria constado do auto de infração a intimação para que o Recorrente recolhesse o crédito tributário aos cofres públicos ou impugnasse, no prazo legal, o lançamento. Realmente, o que mais poderia o Recorrente aduzir em sede de impugnação senão razões contrárias ao indeferimento de sua aplicação em incentivos fiscais? Nada mais; - como se não bastasse, as peculiaridades que revestem o presente caso demonstram que a forma como a Administração Tributária "facultou" ao Recortente o direito de apresentar as suas razões de ineonformismo em face do indeferimento da opção pelos incentivos não pode justificar a negativa de apreciação das razões da impugnação; - realmente a Administração Tributária editou o Ato Declaratório Executivo CORAT n° 32, de 9 de novembro de 2001, fixando a data limite para apresentação do PERC em relação às opções pelo FINAM, FINDA e FUNRES, manifestadas para o ano-calendário de 1998, até 28 de junho de 2002; - quando o Recorrente recebeu o Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 144) dando conta do indeferimento da aplicação, um mês após a edição de referido ato normativo, observou que a orientação constante do referido extrato era para o contribuinte, em caso de divergências entre o extrato e a sua opção "procurar o órgão da Secretaria da Receita Federal ao qual está jurisdicionado até 28/06/2002"; - a instrução dada pela Administração Tributária foi para que o contribuinte "procurasse", até 28/6/2002, a Secretaria da Receita Federal caso discordasse da análise. Ocorre que procurar não significa dizer: "contribuinte, dirija-se ao Fisco, obtenha a decisão que justificou o indeferimento de sua aplicação e protocole, nesse mesmo prazo, a defesa que julgar conveniente; - nota-se que o Recorrente não foi intimado de forma regular da decisão de indeferimento da aplicação, a qual nem mesmo instruiu o extrato enviado pela Secretaria da Receita Federal, que deveria mencionar expressamente que o prazo para apresentação do PERC expiraria no dia 28/06/2002; - nesse contexto, é impositiva a apreciação das razões de mérito que justificam o acolhimento da aplicação ao FINAM feita pelo Recorrente. Do preenchimento das condições impostas para o RODO do incentivo Do cálculo do IRPJ direcionado ao FINAM: - são improcedentes as ocorrências de n's 01, 04 e 05 apontadas no Extrato de Aplicações em Incentivos Fiscais como supostas causas de redução do valor do incentivo fiscal postulado pelo Recorrente; - para calcular o valor que poderia recolher a título de incentivo fiscal dirigido ao FINAM, o Recorrente deduziu do lucro real a parcela correspondente ao crédito tributário decorrente do aproveitamento de medidas judiciais, mais a parcela relativa ao investimento no P.A.T., chegando à base de cálculo de R$ 1.100.737,94, valor este que corresponde exatamente aos 18% do imposto de renda devido, conforme quadro demonstrativo constante do recurso. Dos créditos tributários com exigibilidade - o acórdão recorrido afirmou que a existência de débito de IRPJ no ano- calendário de 1998 com a exigibilidade suspensa impede a emissão automática do incentivo fiscal, haja vista a necessidade de comprovação da causa suspensiva da exigibilidade perante a Administração Tributária; - ocorre que o indeferimento do incentivo, nesse particular, afigura-se manifestamente arbitrário por simplesmente desconsiderar a vigência de provimentos judiciais plenamente vigentes, conforme reconhecido pelo próprio Fisco no extrato que instruiu a impugnação (doc. 6); - ora, se a própria Receita reconhece a existência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não há razão para que impeça o aproveitamento do beneficio por parte do Recorrente; 'ç Processo n° 16327.003943/2003-01 81-TE02 Acórdão n.° 1801-00.331 Fl. 4 - a jurisprudência deste E. Conselho não destoa desse entendimento, conforme RV n°132.713 e RV n°131.232. Dos débitos na Contacorpi: - as fonte primárias de todos os dados atinentes ao WPJ dos contribuintes são as próprias declarações da pessoa jurídica (DIPJ), não havendo qualquer motivo para que a fiscalização as tivesse simplesmente ignorado e utilizado informações de um sistema interno da Receita Federal, alimentado e atualizado sabe-se lá de que forma, para supor, sem no entanto explicitar, a existência de débitos fiscais impeditivos do aproveitamento do beneficio; - as declarações do Recorrente, aliadas aos recolhimentos efetuados, dão conta da inexistência de qualquer irregularidade para com o Fisco (doc. 3 da impugnação); - a confirmar a inexistência de qualquer saldo devedor para com o Fisco, excetuados aqueles com a exigibilidade suspensa por força de medida judicial, considere-se a existência de certidões periódicas, expedidas pela Receita, atestando a situação de absoluta regularidade por parte do ora Recorrente (doc. 04 da impugnação); - a eleição dos dados constantes do referido sistema Contacorpj, em absoluto detrimento da regularidade demonstrada na DIPJ do ora Recorrente, bem como as certidões negativas expedidas pela própria Receita, resultam na evidente inadequação dos meios de apuração empregados pela Fiscalização, ensejando, nos termos do pacificado entendimento deste E. Conselho, o pronto cancelamento da autuação em apreço, conforme RV n° 141.945 e RV n° 145.636; - ademais disso, não pode o Fisco basear-se em meras presunções para impor obrigações ao contribuinte quando a situação de fato ou de direito imponha investigação complementar, ou pelo menos explicativa, como pressuposto para a apuração de eventuais créditos tributários devidos; - as situações fática e jurídica impunham a investigação complementar para aferição concreta e precisa de eventual débito por parte do Recorrente, sendo absolutamente despropositada a autuação decorrente de suposta irregularidade apontada, de forma genérica, no tal sistema Contacorpj; - também sob esse aspecto, o E. Conselho de Contribuintes tem rechaçado as autuações baseadas em mera presunção, conforme RV n° 116.379 e RV n° 128.590; - à mingua de prova cabal acerca da existência de pendências fiscais por parte do Recorrente, a ser ao menos referenciada pelo Fisco no seu termo de fiscalização, nula restará qualquer autuação fiscal imposta ao contribuinte, conforme RV n° 113.043 e RV n° 126.838; Da duplicidade da exigência: - o auto de infração ora combatido visa exigir do Recorrente parcela do IRPJ devido no ano-base de 1998, e que já foi efetivamente recolhido através de guia DARF (doc. 02 da impugnação); - o valor do DARF, destinado ao fundo, R$ 198.132,83, corresponde exatamente ao valor do imposto objeto de autuação; - assim, a supor que o recurso pago pelo Recorrente não pudesse ter sido direcionado a esse ou àquele Fundo específico, competiria à União efetuar internamente o redirecionamento do dito recurso e não simplesmente cobrá-lo novamente do contribuinte que, de boa-fé, nos estritos termos da lei, efetuou o pagamento da exação; - nessa situação hipotética, o contribuinte poderia, quando muito, assumir o ônus inerente ao descumprimento de uma obrigação acessória, mas jamais ter que, por uma segunda vez, pagar o mesmo imposto, acrescido, ainda, de juros e multa; - não bastasse a duplicidade na cobrança, foi também exigido, ao lado do principal, juro-3 de /liora e mulia de oficio de 75% sobre o recolhimento efetuado tempestivamente pela Recorrente com o código de receita especifico para aplicação no FINAM; - se o Fisco lançou exatamente o valor que a Recorrente optou por destinar ao FINAM, R$ 198.132,83, não há dúvida de que não foi apurado saldo devedor de IRPJ, não havendo que se falar em mora e, por conseqüência, na cobrança de juros e multa de oficio; - tendo o Recorrente agido de boa-fé e em estrita observância das normas que regulamentam a matéria e dos atos administrativos praticados pelo Fisco em relação ao procedimento em voga, é impositiva a aplicação do art. 100, parágrafo único, do CTN, a fim de que sejam excluídos do lançamento, quando menos, a multa de oficio e os juros de mora. Este é o Relatório. (\i) Processo n°16327003943/2003-01 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00331 R 5 Voto Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme o relatório, a Contribuinte destinou ao FINAM uma parte do que deveria recolher a titulo de IRPJ, relativamente ao ano-calendário de 1998. Entretanto, a renúncia fiscal da União não foi reconhecida pela Receita Federal, e o IRPJ que deixou de ser recolhido foi exigido da Contribuinte, por meio de auto de infração. No recurso voluntário, a Contribuinte sustenta primeiramente o direito de ver apreciados os argumentos sobre a regularidade de sua opção pelo incentivo fiscal. Isto porque ela não apresentou o PERC para questionar os dados contidos no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais (fl. 44), e esse fato serviu como fundamento para a manutenção do lançamento na primeira instância, nos seguintes termos: Recebido o Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, que, no caso, foi emitido em 21/12/1001 (fl. 144), e divergindo o contribuinte do resultado ali externado, deveria ter procurado a unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição para verificar sua situação e apresentar Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, direcionado à autoridade administrativa, juntamente com documentos que pudessem reverter as ocorrências descritas no referido extrato, do qual constam, inclusive instruções nesse sentido nos termos seguintes: No presente caso, a empresa não apresentou o PERC, conforme se verifica na consulta de fi. 12, deixando, portanto, de se opor à análise feita pela Secretaria da Receita Federal que não reconheceu o direito ao incentivo fiscal e apontou como aplicação com recursos próprios e/ou subscrição voluntária a totalidade dos R$ 198.132,83 recolhidos por meio de DARF especifico destinado ao FIRAM Nessas circunstâncias, devido é o imposto de renda exigido por meio do presente auto de infração, pois o recolhimento alegado não foi admitido como imposto, mas como subscrição voluntária de quotas do referido fundo (art. 4°, §§ 6° e 7°, da Lei n° 9.532/97), não tendo sido tal fato contestado pelo impugnante no prazo e na forma estabelecidos pela administração tributária. Para a delimitação do prazo de apresentação do PERC, a Receita Federal adota como base legal as disposições do § 5° do art. 15 do Decreto-lei n° 1.376/1974, com a redação dada pelo art. 10 do Decreto-lei n° 1.752/1979: Art. 15 - A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada exercício, aos Fundos referidos neste Decreto-lei e à EMBRAER registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos e ações novas da EMBRAER, em favor das pessoas jurídicas optantes. (Redação dada pelo Decreto-Lei n°1.752, de 1979) § 50 Reverterão para os Fundos de Investimento os valores das ordens de emissão cujos títulos pertinentes não forem procurados pelas pessoas jurídicas optantes até o dia 30 de setembro do segundo ano subseqüente ao exercício financeiro a gue cotrestxmder a ova°. (Redação dada pelo Decreto-Lei n° 1.752, de 1979) (gritos acrescidos) Em relação ao IRPJ do ano-calendário 1998, esse prazo foi prorrogado para 28/06/2002, por meio do Ato Declaratório Executivo CORAT n° 32, de 09/11/2001: Prorroga o prazo para entrada com Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), relativo à opção de aplicação de parcela do IRPJ do ano-calendário 98 no FINOR FINAM ou FUNRES. O COORDENADOR-GERAL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA, no uso de suas atribuições, declara: Art. I° Os Pedidos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais - PERC, relativos às opções pelo FINAM, F1NOR ou FUNRES, manifestadas em relação ao imposto de renda devido no ano-calendário de 1998, na forma do art. I°, inciso 1 da Lei n° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, poderão ser apresentados até 28 de junho de 2002 à unidade da Secretaria da Receita Federal com jurisdição sobre o domicílio fiscal da pessoa jurídica. Como já mencionado o fato de a Contribuinte não ter contestado a negativa em relação ao incentivo fiscal, no prazo e na forma estabelecidos pela Administração Tributária, por meio de PERC, serviu como fundamento para a manutenção do lançamento na primeira instância. As divergências sobre o prazo para contestar o não reconhecimento de incentivo fiscal da espécie que está sendo aqui analisada já foram enfrentadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF, por meio do Acórdão CSRF/01-05.255, de 14/06/2005: O litígio cinge-se, portanto, a definição do prazo para o sujeito passivo efetuar o pedido da revisão do indeferimento da emissão dos incentivos fiscais. Do exame da norma procedimental que fundamenta o indeferimento (DL n°1.752/79, art. I°, § 5°), verifico que nela não consta prazo para interposição do PERC, apenas há, no § 5° do art 1°, referência à destinação dos valores das ordens de emissão cujos títulos não forem procurados pelos optantes. Processo n° 16327.003943/2003-01 S1-TE02 Acórdão n.° 1802-00331 Fl. 6 Assim, na ausência de dispositivo apresso tratando do prazo para interposição de pedido de revisão do indeferimento do incentivo fiscal, bem como diante a constatação de que o contribuinte nem foi comunicado do indeferimento, entendo que não ser admissivel a aplicação da analogia a restringir o direito do contribuinte de ver apreciado seu pedido ao beneficio fiscal. Afinal, a própria Lei de Introdução do Código Civil orienta que a interpretação das leis restritivas de direito deve ser feita restritamente. Essa matéria, aliás, já foi enfrentada em outras ocasiões e bem conduzida no voto emitido pelo ilustre Conselheiro Natanael Martins, por ocasião do julgamento do Recurso n°138.022 da 7° Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, cujo teor adoto e transcrevo: "IRPJ — APLICAÇÕES EM INCENTIVOS FISCAIS — ZERAMENTO DO EXTRATO — PEDIDO DE REVISÃO PRAZO — Inalstindo prazo específico para se pleitear a revisão de extrato de aplicação em incentivos fiscais zerado pela SRF e considerando que o prazo previsto no § 5" do art. 1° do Decreto- lei n°1.752/79 versa sobre regra especial, o recurso à analogia deve tomar por base regra que, pela sua generalidade, permite a adequada solução ao caso.Recurso a que se dá provimento". "A opção pela aplicação em incentivos fiscais é formalizada na declaração de rendimentos e só se transforma em investimentos, com o direito aos certificados correspondentes e também sujeitos ao prazo decadencial previsto na norma específica (art. 15 do DL 1.376/74), a partir do momento da concordância da SRF, da opção formalizada. Enquanto a homologação expressa da Receita Federal não ocorrer, os valores informados da declaração de rendimentos do contribuinte para serem aplicados em incentivos fiscais, continuam sendo receitas públicas da União. No caso presente não houve o reconhecimento do direito, por parte da SRF, pela opção em incentivos fiscais formalizada pela contribuinte. Ressalte-se, inicialmente, que a recorrente não recebeu da Secretaria da Receita Federal o Extrato e Aplicação em Incentivos Fiscais. Assim, temos que a analogia cabível é a do artigo 168 do Código Tributário Nacional, que é de cinco anos, a não aquela estabelecida em regra especial. Com efeito, com a devida vênia, discordo daquela autoridade julgadora pois, a meu ver, é incabível valer-se do uso da analogia que fez para o trato de situações radicalmente opostas. Vale dizer, fazer-se o uso de regra decadencial para exercício de direito atribuído pelo Estado ao contribuinte a casos em que o próprio direito pleiteado (destinação de parte do imposto de renda) é negado pela administração pública. cll • Destarte, considerando que o que o contribuinte aqui busca é o reconhecimento ao direito aos incentivos fiscais derivado da opção que fez em sua declaração de rendas, entendo que, pelo recurso à analogia, a regra mais consentánea para a solução do litígio é a inserta no art. 168 do C77V, que diz respeito ao prazo decadencial para restituição de tributos, dado que a concessão de aludidos incentivos, indiretamente, nada mais representa do que uma espécie de restituição". De fato, o § 5° do art. 15 do Decreto-lei n°1.376/1974, com a redação dada pelo art. 1° do Decreto-lei n° 1.752/1979, trata de situação jurídica diversa da aqui analisada. A referida norma regulamenta o prazo para que as pessoas jurídicas optantes procurem os seus certificados de investimentos, cujo incentivo já_foi reconhecido pelo Fisco, sob pena de os valores correspondentes serem revertidos para os Fundos de Investimentos, enquanto o caso presente envolve o não reconhecimento do incentivo pela Receita Federal. A distinção fica mais evidente quando se percebe que no primeiro caso não há qualquer conflito entre Contribuinte e Fisco, relativamente à negativa no reconhecimento do incentivo, e que justifique a instauração de um contencioso administrativo-fiscal. Por isso, a Câmara Superior de Recursos Fiscais entendeu que o prazo para a apresentação do PERC não deve tomar como base legal as disposições do § 5° do art. 15 do Decreto-lei n° 1.376/1974, mas sim as do art. 168 do CTN, que trata da restituição de tributos. Nesse contexto como a opção pelo incentivo ocorreu em 28/10/1999, data da entrega da DIN (fl. 146), na data de apresentação da impugnação, em 13/01/2004, ainda poderia ser apresentado o PERC, o que afastaria o óbice do prazo para que a Contribuinte se opusesse à negativa do incentivo, e, por via de consequência, ao lançamento de 1RPJ que decorreu dessa negativa. E chegamos à mesma conclusão se adotarmos como termo inicial para a contagem desse prazo a data do recolhimento, 31/03/1999, conforme DARF à fl. 130. Contudo, também não entendo correta a tese que defende a aplicação do prazo previsto no art. 168 do CIN, findada no argumento de que a concessão do aludido incentivo, indiretamente, nada mais representa do que uma espécie de restituição. O grande problema dessa interpretação é que ela parte da idéia de que o recolhimento realizado pelo Contribuinte se configura primeiramente como uma receita pública da União, e que, somente após o reconhecimento do incentivo fiscal pela Administração Tributária, esse recurso é convertido (destinado) para o Fundo de Investimento. De certo modo, essa mesma idéia está manifestada no recurso voluntário, quando, no tópico que trata da duplicidade na cobrança do imposto, a Recorrente sustenta que caberia à União efetuar internamente o redirecionamento do dito recurso, em vez de cobrá-lo novamente do Contribuinte. Todavia, não é assim que funciona a mecânica dos incentivos destinados ao FINOR, FINAM e FUNRES. É importante destacar as disposições do art. 40 da Lei n° 9.532/97: An. 40 As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão manifestar a opção pela aplicação do imposto em investimentos regionais na declaração de rendimentos ou no j9., 12 Processo n°16327.003943/2003-01 Si-TEU Acórdão n, 1802-00331 Fl. 7 curso do ano-calendário, nas datas de pagamento do imposto com base no lucro estimado, apurado mensalmente, ou no lucro real, apurado trimestralmente. § 1 0 A opção, no curso do ano-calendário, será manifestada mediante o recolhimento, por meio de documento de arrecadação (DARF) especifico, de pane do imposto sobre a renda de valor equivalente a até: § 2° No DARF a que se refere o parágrafo anterior, a pessoa jurídica deverá indicar o código de receita relativo ao fundo pelo qual houver optado. § 3° Os recursos de que trata este artigo serão considerados disponíveis para aplicação nas pessoas jurídicas destinatárias. § 4°A liberação, no caso das pessoas jurídicas a que se refere o art. 90 da Lei n°8.167, de 16 de janeiro de 1991, será feita à vista de DARF espec(fico, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. § 5°4 opção manifestada na forma deste artigo é irretratável, não podendo ser alterada. § 6° Se os valores destinados para os fundos, na forma deste artigo, acederem o total a que a pessoa jurídica tiver direito, apurado na declaração de rendimentos, a parcela excedente será considerada: a) em relação às empresas de que trata o art. 90 da Lei n° 8.167, de 16 de janeiro de 1991, como recursos próprios aplicados no respectivo projeto: b) pelas demais empresas, como subscrição voluntária para o fundo destinatário da opção manifestada no DAR!'. § 7° Na hipótese de pagamento a menor de imposto em virtude de excesso de valor destinado para os fundos, a diferença deverá ser paga com acréscimo de multa e juros, calculados de conformidade com a legislação do imposto de renda. Vê-se, pela sistemática legal, que o recurso vai diretamente para o Fundo de Investimento, em caráter irreversível, independentemente de ser ou não reconhecido o direito ao incentivo fiscal. Tanto é assim, que a lei fala em aplicação com 'recursos próprios" ou como "subscrição voluntária". E no caso de haver destinação em montante superior ao que a pessoa jurídica poderia destinar, implicando isso em pagamento a menor do JAPI, a lei prevê a exigência do tributo, com os devidos acréscimos, numa clara indicação de que a destinação ao Fundo é realmente irreversível. 3L13 3 A questão, portanto, não é indagar se o valor recolhido pelo Contribuinte representa ou não um investimento no Fundo. Investimento ele é desde o principio. A questão é saber se esse investimento tem origem em uma renúncia fiscal por parte da União, ou não. Caso seja reconhecido o incentivo fiscal, que corresponde à renúncia de parte do IRPJ, não há que se falar em pagamento a menor de imposto, porque o valor destinado ao Fundo de Investimento corresponde ao MN que deixou de ser recolhido à União. Do contrário, há débito a ser exigido, porque o valor destinado ao Fundo, e tratado como aplicação com "recursos próprios" ou como "subscrição voluntária", não guarda correspondência com a parte do IRPJ que deixou de ser recolhida, implicando no recolhimento a menor do imposto. Se o recolhimento ao Fundo configurasse primeiramente uma receita tributária da União, não haveria a necessidade da rega contida no § 7° acima, porque o tributo já estaria quitado. E nesse caso, a negativa do Fisco, que equivaleria à negativa de um pedido de restituição, bastaria para solucionar todo o problema. A União teria auferido a sua receita tributária, e a destinação ao Fundo (investimento) seria negada. Mas não é isso o que ocorre. No caso de destinação além do permitido, o investimento no Fundo, mesmo assim, está concretizado, tendo sua origem em "recursos próprios" da pessoa jurídica ou "subscrição voluntária", e o tributo é que fica em aberto. Esse é um dos motivos porque considero inadequado tratar os incentivos destinados ao FINOR, FINAM e FUNRES como pedido de restituição, tese essa que, como já mencionado, sustenta a aplicação, por analogia, do prazo do art. 168 do CTN para a apresentação do PERC. A referida analogia com pedidos de restituição funciona muito bem para os casos em que há o pleno reconhecimento do incentivo fiscal pretendido pelo Contribuinte, ou seja, para aqueles em que não se instaura um contencioso administrativo. Mas quando a Administração Tributária não reconhece o incentivo, seja total ou parcialmente, a situação vai bem além de uma negativa de pedido de restituição, como se deu no presente processo, onde o que se discute já é a exigência de IRPJ, e não a restituição de um indébito. Outro problema em relação à aplicação do prazo previsto no art. 168 do CTN é que, seja como pedido de reconhecimento de incentivo fiscal, ou como pedido de restituição, tal pedido estaria configurado com a entrega da DIPJ, e não com a apresentação do PERC, como sustenta a jurisprudência acima transcrita. Com a entrega da declaração, o contribuinte manifestava a sua opção, por sua conta e risco, conforme visto acima. E essa opção, que pode ser entendida como um pedido, era analisada e processada pela Receita Federal, conforme o disposto no art. 613 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/01/1994 (11111/94): Art. 613—A Secretaria da Receita Federal, com base nas opções exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, encaminhará, para cada ano-calendário, aos Fundos referidos no an. 604, registros de processamento eletrônico dê dados que constituirão ordem de emissão de certificados de investimentos, em favor das pessoas jurídicas optantes. (Decretos-leis ;Cs 1.376/74, art. 15, e 1.752/79, art. 1°) Processo n° 16327.003943/2003-01 Si-TE02 Acórdão n.° 1802-00.331 Fl. 8 § 50 A Secretaria da Receita Federal, com base nas opões exercidas pelos contribuintes e no controle dos recolhimentos, expedirá, em cada ano-calendário, à pessoa jurídica optante, extrato de conta corrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação nos Fundos de Investimento. (Decreto-lei n° 1.752/79, art. 3°) O "extrato" referido acima configura um ato administrativo pelo qual a Receita Federal comunica ao Contribuinte o resultado de sua opção. Nesse sentido, qualquer analogia, para fins de fixação de prazo para apresentação de pedido de revisão - PERC, deveria ser feita com as regras do Decreto n° 70.235/1972 - PAI, e não com a regra para a repetição de indébito, prevista no CTN. Realmente, não se pode admitir que o PERC, sendo um pedido de revisão, que nada mais é que um recurso contra o resultado do processamento do incentivo fiscal, seja considerado como peça inaugural de um pedido de restituição. Muito antes dele, com a entrega da DIPJ, já ocorreu a opção, ou pedido, por parte da Contribuinte. Contudo, o referido extrato, que noticia o resultado da opção pelo incentivo, na forma em que é emitido, não atende aos requisitos mínimos exigidos pelo PAF, para que se pudesse aplicar o prazo de 30 dias lá previsto. E pelos motivos já expostos anteriormente, o prazo previsto no § 5° do art. 15 do Decreto-lei n° 1.376/1974, prorrogado para 28/06/2002, por meio do Ato Declaratório Executivo CORAI n° 32, de 09/11/2001, também não pode servir para consolidar a negativa manifestada no referido extrato de fl. 144. Por essas razões, entendo que a impugnação apresentada tempestivamente merece ser apreciada em todos os seus aspectos, independentemente de o Contribuinte ter ou não apresentado o PERC no prazo do § 5° do art. 15 do Decreto-lei n° 1.376/1974, que foi prorrogado pelo ato da CORAI. Adentrando, então, no próprio mérito, constato que o não reconhecimento do incentivo fiscal, fato esse que motivou a presente autuação, está fundamentado nas seguintes ocorrências, conforme indicado no Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, à fl. 144: 01 - redução de valor por opção acima do limite legal do fundo. 04- redução de valor por recolhimento incompleto do imposto. 05 - redução de valor por erro na apuração da base de cálculo na declaração. 07 - débito de IRPJ no ano calendário 98 suspenso por liminar em medida judicial. 14- contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais (Lei 9069/95, art. 60). Primeiramente, é importante registrar que esse extrato não traz qualquer informação mais detalhada sobre as inconsistências no cálculo do incentivo, e nem sobre os 3 15 débitos de tributos e contribuições federais que levaram, com base na regra do art. 60 da Lei n° 9.069/95, ao não reconhecimento do incentivo em sua totalidade. O referido extrato indica, além das ocorrências acima, apenas que todo o montante do valor recolhido pela Contribuinte, ou seja, os RS 198.132,83, foi considerado como "Recursos Próprios dou Subscrição Voluntária", e que nenhuma parte deste recolhimento foi reconhecida como incentivo fiscal. Não bastasse isso, verifico que este mesmo extrato somente foi trazido aos autos pela Contribuinte, em sua impugnação, e não pela Fiscalização. Ou seja, até a impugnação, não havia nos autos nem mesmo a comprovação de que a Contribuinte havia tomado ciência da negativa em relação ao incentivo fiscal, para que essa negativa pudesse ser considerada como definitiva. O trabalho fiscal baseou-se nos relatórios internos da Receita Federal, que indicavam o resultado do processamento da DT]; conforme tela de consulta à fl. 10, documento esse que também não traz qualquer identificação dos débitos que motivaram o não reconhecimento do incentivo fiscal, e nem as inconsistências nos cálculos realizados pela Contribuinte em sua MN. Essa tela de consulta simplesmente traz as seguintes informações: OCORRÊNCIA REDUÇÃO VL. POR OPÇÃO ACIMA LIM. FUNDO REDUC. PL. POR RECOLHI/é. INCOMPL. IMPOSTO REDUC. IQ POR ERRO APUR DA BC NA DECL. EXIGIBILIDADE SUSPENSA PREENCHIDA EXISTEM DÉB. SALDO DEVEDOR CONTACORPJ A Contribuinte, por sua vez, apresenta consecutivos comprovantes de emissão de "Certidão Positiva com efeitos de Negativa", às fls. 193 a 201, extraídos do sítio eletrônico da Receita Federal, inclusive um deles referente ao período de 29/09/1999 a 29/03/2000 (fl. 200), que abrange a data de opção pelo incentivo, 28/10/1999, conforme o Recibo de Entrega da D1PJ (ti. 146). Deste modo, não vejo como manter o lançamento para a exigência do 1RPJ que, segundo a Fiscalização, deixou indevidamente de ser recolhido. A situação de irregularidade fiscal que poderia prejudicar a renúncia fiscal em favor da Contribuinte, acarretando valor em aberto de 1RPJ, não foi devidamente caracterizada pelo Fisco. E o lançamento não pode nem mesmo ser mantido parcialmente, porque as demais ocorrências, referentes ao cálculo do incentivo, também não foram demonstradas pela Fiscalização. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração sob exame. SE DE OLIVEIRAFERRAZ COicicrA 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 16327.003943/2003-01 Recurso : 158124 Acórdão : 1802-00.331 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1802-00.331. Brasilia - DF', em 14 de abril de 2010 José Roberto França Secretári da r Câmara da Primeira Seção CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ j Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional 1
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Numero do processo: 12571.720011/2012-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
PROVAS. UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS.
A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
A autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas, segundo o procedimento legislativo apropriado, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em sentido contrário, com efeito erga omnis, emanada do Poder Judiciário.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA.
A prestação de informações à RFB, pelas instituições financeiras, não constitui quebra de sigilo bancário, mas transferências de dados a serem mantidos sob a proteção do sigilo fiscal.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Uma vez formalizada a omissão de receita com base na presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizá-la, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação.
ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Anocalendário:
2003, 2004
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal.
Numero da decisão: 1802-002.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 PROVAS. UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas, segundo o procedimento legislativo apropriado, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em sentido contrário, com efeito erga omnis, emanada do Poder Judiciário. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A prestação de informações à RFB, pelas instituições financeiras, não constitui quebra de sigilo bancário, mas transferências de dados a serem mantidos sob a proteção do sigilo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada a omissão de receita com base na presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizá-la, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003, 2004 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplica-se a mesma decisão do principal.
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UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, constitui simples transferência à RFB e não quebra de sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos legais. As leis regularmente editadas, segundo o procedimento legislativo apropriado, gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade, até decisão em sentido contrário, com efeito erga omnis, emanada do Poder Judiciário. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP nº 105/01. PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. A prestação de informações à RFB, pelas instituições financeiras, não constitui quebra de sigilo bancário, mas transferências de dados a serem mantidos sob a proteção do sigilo fiscal. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 00 11 /2 01 2- 66 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 3 2 Uma vez formalizada a omissão de receita com base na presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação ou não decorreu da empresa; ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2003, 2004 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar e no mérito NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, mantendo o crédito tributário exigido. Por economia processual, passamos a adotar o relatório da DRJ: “Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 716725) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 726735) por meio dos quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 528.822,31, incluindo juros moratórios calculados até 30/12/2011, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo acostado às fls. 02. As ocorrências e circunstâncias relevantes se encontram minudenciadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 736 753. No essencial, temse que a ação fiscal foi deflagrada em face da constatação de significativa discrepância entre as receitas declaradas pela contribuinte em suas DIPJ e DACON com sua movimentação financeira bancária. Também é digno de menção que, intimada, a contribuinte apresentou sua escrituração, evidenciando que sua receita bruta contabilizada fora muito superior à receita bruta declarada em DIPJ e DACON conforme demonstrativos estampados às fls. 745746, e a consequente omissão de recolhimento dos tributos lançados. Em face das evidências de cometimento em tese de crime contra a ordem tributária, foi apresentada representação fiscal para fins penais. Os enquadramentos legais do lançamento se encontram discriminados nos campos próprios de cada auto de infração. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 01/02/2012, conforme Aviso de Recebimento reproduzido às fls. 754 e apresentou tempestivamente, em 02/03/2012, a impugnação de fls. 757769, veiculando as alegações a seguir sintetizadas: que o autuante não construiu o arcabouço de provas que legitimassem a manutenção da presunção de omissão de receitas; Fl. 789DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 5 4 que se equivocou ao preencher suas DIPJ alusivas aos anoscalendário 2008 e 2009, tendo informado a tributação pelo regime de competência, quando o correto seria o regime de caixa, e que desse equívoco resultou a diferença apontada no lançamento. Adiciona que os valores diferenciados entre os contidos nas declarações, DIPJ, DACON, eram inferiores em virtude de receitas não formalizadas, contidas no balanço patrimonial, como valores a recuperar, fato não levado em consideração pelo servidor fiscal; aponta nulidade do auto de infração ao argumento de que o autuante deixou de emitir o auto de infração referente ao PIS, prejudicando a apresentação da impugnação; qualifica de ilegal a multa de ofício aplicada, porquanto pretenderia exigir contribuição já atingida pela decadência. Acrescenta ser imoral a pretensão de exigir tributo de cujo direito o Fisco já decaiu, e que já se encontra homologado desde janeiro de 1998, e que mais imoral ainda é imputar multa no percentual de 75% sobre crédito tributário já extinto. Aponta que a Lei nº 9.298, de 1996, estipula que a multa não pode exceder a 2%, tendo em vista que esse percentual diz respeito aos casos de não cumprimento de obrigação. Defende que a multa deve ser reduzida para o percentual de 2%, por mais benéfico, e adiciona que o Supremo Tribunal Federal tem entendido que as multa decorrentes de infrações tributárias não podem exceder 30% do tributo devido; com respeito aos juros moratórios, reconhece devida sua incidência, mas contesta o cálculo com base na taxa SELIC, por não ter sido criada por lei. Sustenta que o CTN, com status de lei complementar, fixou os juros de mora em 1% ao mês, e que seria necessária a edição de uma lei para a cobrança de juros inferiores ou superiores a um por cento. Afirma que a Lei nº 9.065, de 1995, não atende a essa exigência, por não ter fixado expressamente qual seria o percentual de juros a ser aplicado; afirma que contra si foram lançados multa de mora e juros de mora, o que implicaria dupla penalização. Pondera que, em se tratando de multa equivalente a 20% do débito, não pode a multa moratória prevalecer. Acrescenta que a cobrança dos dois consectários não pode prosperar também porque o crédito tributário não se encontrava definitivamente constituído. A impugnante finaliza requerendo o cancelamento do débito lançado e protestando, em hipótese contrária, pela Fl. 790DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 6 5 produção de todas as provas admissíveis, inclusive documental e pericial. É o relatório.” A DRJ de Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 ERRO MATERIAL NO PREENCHIMENTO DA DIPJ. A alegação de que a verdadeira opção teria sido pelo regime de caixa e não pelo regime de competência, que constou na DIPJ somente pode ser acolhida quando devidamente respaldada pelos registros contábeis. DECADÊNCIA. É descabida a alegação de que, em janeiro de 2012, já teria ocorrido a decadência relativa a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2008. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DECORRÊNCIA. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido a respeito do lançamento matriz. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 13/07/2012, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 09/08/2012, onde alega: a) em preliminar a utilização da movimentação bancária sem autorização judicial; b) em mérito a falta de elementos para a manutenção do auto de infração, sem fazer qualquer outra alegação ou juntar elementos de prova. Este é o Relatório. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Este processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL por meio dos quais se exige da contribuinte o crédito tributário total de R$ 528.822,31, incluindo juros moratórios calculados até 30/12/2011, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo acostado às fls. 02. As ocorrências e circunstâncias relevantes se encontram minudenciadas no Termo de Verificação Fiscal, que em apartada síntese temse que a ação fiscal foi deflagrada em face da constatação de significativa discrepância entre as receitas declaradas pela contribuinte em suas DIPJ e DACON com sua movimentação financeira bancária. No Recurso Voluntário a Recorrente se limita a alegar: 1. a ilegalidade da obtenção dos dados bancários, sem a autorização da autoridade judiciária, o que não seria permitido pela legislação de regência. 2. a falta de elementos para a manutenção do auto de infração. Não apresenta nenhuma nova prova, alegação ou contestação de forma substancial dos motivos pelos quais refuta o acórdão 0637.297 da 1ª Turma da DRJ/CTA. Como se observa a Recorrente em momento algum entra no mérito dos depósitos bancários não comprovados, mas apenas e tão somente em preliminares de cerceamento do dreito de defesa e da impossibilidade de quebra do sigilo bancário por parte da Receita Federal. A Recorrente alega a ilegalidade/inconstitucionalidade do exame dos dados bancários sem autorização judicial. De acordo com o entendimento externado em sua defesa a Administração Tributária não pode requisitar diretamente à instituição financeira a movimentação bancária do contribuinte, seguindo o entendimento que somente o Poder Judiciário poderia determinar que a instituição financeira fornecesse os extratos bancários considerados quando do lançamento fiscal. Não tendo havido esse permissivo, o lançamento deveria ser invalidado em razão da ilegalidade da prova em que se fundamentou. A Lei Complementar nº 105, de 2001, reza que a Administração Pública pode solicitar informações amparadas pelo sigilo fiscal às instituições financeiras: Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) Fl. 792DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 8 7 § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 2º O dever de sigilo é extensivo ao Banco Central do Brasil, em relação às operações que realizar e às informações que obtiver no exercício de suas atribuições. (...) Art. 3º Serão prestadas pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários e pelas instituições financeiras as informações ordenadas pelo Poder Judiciário, preservado o seu caráter sigiloso mediante acesso restrito às partes, que delas não poderão servirse para fins estranhos à lide. (...) Art. 4º O Banco Central do Brasil e a Comissão de Valores Mobiliários, nas áreas de suas atribuições, e as instituições financeiras fornecerão ao Poder Legislativo Federal as informações e os documentos sigilosos que, fundamentadamente, se fizerem necessários ao exercício de suas respectivas competências constitucionais e legais. (...) Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 5º As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 793DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 9 8 Com efeito, no caso em tela, por expressa disposição contida na Lei Complementar nº 105, de 2001 art. 1º, § 3º, VI , a prestação de informações, pelas instituições financeiras às autoridades fazendárias, não constitui violação do dever de sigilo. A esse respeito: a) Acórdão Nº 10248998, de 23/04/2008 – 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL QUEBRA INDEVIDA DO SIGILO BANCÁRIO INOCORRÊNCIA A Lei Complementar nº 105, de 2001, e o Decreto nº 3.724, também de 2001, permitem à autoridade administrativa requisitar informações às instituições financeiras, nos casos em que especifica. Pressupõese que os princípios constitucionais estejam nelas contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. b) Acórdão nº 10517389, de 04/02/2009 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA – INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. A Administração Tributária pode requisitar informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras quando este, após regular intimação, deixa de apresentálas espontaneamente. A requisição de informações bancárias do contribuinte não configura quebra de sigilo, posto que as informações arrecadadas estão protegidas pelo sigilo fiscal. c) Acórdão nº 0400.456, de 13/12/2006 – Câmara Superior de Recursos Fiscais SIGILO BANCÁRIO Os agentes do Fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. No que diz respeito a suposta inconstitucionalidade na obtenção dos extratos bancários, as considerações aventadas pela impugnante somente poderiam ser direcionadas ao Poder Judiciário, que detém a competência para a apreciação da constitucionalidade do dispositivo legal que deu azo ao lançamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). À Administração Pública, falece competência para o julgamento da matéria considerada, visto que o contencioso administrativo não se presta ao questionamento da constitucionalidade das normas jurídicas inseridas no ordenamento jurídico nacional de forma válida e eficaz, uma vez que a própria Carta Magna reservou dita atribuição ao Poder Judiciário. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 10 9 Aos julgadores administrativos cumpre observar as disposições contidas nas normas formalmente inseridas no ordenamento jurídico, sendolhes vedada eventual apreciação quanto a sua validade. É o que determina o Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal PAF) artigo 26A: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim sendo, pretensas inconstitucionalidades de leis, que não tenham sido decretadas com efeito erga omnes pelo Poder Judiciário, não podem ser apreciadas na esfera administrativa, que se limita ao cumprimento das determinações legais. Essa matéria já está sumulada no próprio Conselho, de modo que me reporto a Súmula 2 a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A presunção de omissão de receitas fundamento dos autos e não contestadas pela Recorrente na sua peça de defesa também está calcada em texto legal, senão vejamos a Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, com as modificações introduzidas pela Lei 9.481, de 13 de agosto de 1997, art. 4º, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 795DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 11 10 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) O texto legal estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 12571.720011/201266 Acórdão n.º 1802002.371 S1TE02 Fl. 12 11 Com isso, basta à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na contacorrente do contribuinte para que haja a presunção de omissão de receitas tributáveis. Assim, a Lei n° 9.430, de 1996, art 42, estabelece a presunção de que ocorreu o fato gerador, sempre que o contribuinte não conseguir comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Desse modo, havendo indícios de depósitos bancários não comprovados, cabe a autoridade fazendária intimar o sujeito passivo para que demonstre sua origem, sob pena de caracterização de omissão de receitas com o lançamento dos créditos tributários Nesse sentido cito julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao proferir o acórdão nº 0105.312, de 21 de setembro de 2005: “OMISSÃO DE RECEITA – DEPÓSITO BANCÁRIO – LANÇAMENTO EM DEPÓSITO BANCÁRIO – PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO O lançamento por presunção de omissão de receitas com base em depósito bancário de origem não comprovada somente tem lugar a partir do anocalendário de 1997, por força do disposto no art. 42, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim como o questionamento anterior, essa matéria também encontrase sumulada por esse Conselho, senão vejamos: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Diante do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar sucitada e no mérito NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo as decisões anteriores. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 797DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 14041.000188/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 88 /2 00 9- 61 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000188/200961 Acórdão n.º 2402004.422 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 356DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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