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Numero do processo: 10880.957478/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.127
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 57 47 8/ 20 10 -8 9 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.957478/201089 Resolução nº 3402002.127 S3C4T2 Fl. 3 2 Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a insuficiência de direito creditório disponível para fins da compensação pleiteada pelo contribuinte. DCOMP. DARF ALOCADO A DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. SALDO DISPONÍVEL INSUFICIENTE PARA A COMPENSAÇÃO DECLARADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi parcialmente utilizado para quitar débito confessado em declaração (DCTF) ativa na data da emissão do Despacho Decisório, a compensação ficará limitada ao saldo disponível do pagamento. Em sendo o montante disponível insuficiente para extinção integral dos débitos declarados em PER/DCOMP, sobrevem a homologação parcial da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, pelo qual pede, em síntese, pela homologação do crédito, convalidando a compensação efetuada e o reconhecimento do direito creditório. Para tanto, a defesa sustenta os seguintes argumentos: i) Não possuía um sistema contábil capaz de apurar com precisão a base de cálculo do PIS e da COFINS tendo em vista a dificuldade em calcular os créditos passíveis de serem apropriados referentes a armazenagem, energia elétrica, depreciação, dentre outros; ii) Efetuou o pagamento maior que o devido. Portanto, tem crédito; iii) É patente a duplicidade de débitos, bem como o equívoco da “não homologação da compensação”, com o surgimento de outro débito referente ao mesmo tributo e ao mesmo mês de referência. iv) Alternativamente, pede pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização possa efetivamente verificar sobre a ocorrência de fato gerador do tributo em referência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.119, de 18 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.692270/200975. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.957478/201089 Resolução nº 3402002.127 S3C4T2 Fl. 4 3 Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.119): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência 2.1. Conforme relatado, a Contribuinte apresentou Declaração de Compensação para o fim de quitar os débitos declarados de PIS/COFINS com créditos decorrentes de recolhimento indevido por meio do DARF. 2.2. O pedido foi analisado através do Despacho Decisório, pelo qual foi considerada a utilização do crédito informado pela Contribuinte para compensação com outro débito, restando saldo devedor consolidado para pagamento, acrescido de multa e juros. 2.3. A DRJ de origem negou o pedido da Recorrente pelas seguintes razões: 4.3. No caso concreto, o contribuinte declarou débitos de PIS/COFINS e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão; 4.4. O ato combatido aponta como causa da homologação parcial o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, parte do saldo disponível fora utilizada para a extinção do débito declarado em DCTF, tudo conforme apontado no próprio Despacho Decisório; 4.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que parte do crédito declarado no presente PER/DCOMP já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débitos distintos anteriormente declarado pelo contribuinte em DCTF. Por conseguinte, estes valores não poderiam suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justifica a não homologação do montante que já estava vinculado a tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório; (...) 6.3. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova documental da ocorrência de erro nos cálculos sumarizados no Despacho Decisório contestado, não prosperam suas alegações genéricas de que os débitos estariam extintos pela compensação. (sem destaque no texto original) Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10880.957478/201089 Resolução nº 3402002.127 S3C4T2 Fl. 5 4 2.4. Em síntese, a controvérsia deste processo reside na afirmação da Contribuinte de que os Ilustres Julgadores de primeira instância se equivocaram ao concluir que parte do crédito declarado no PERDCOMP já havia sido aproveitado para liquidar débitos distintos anteriormente declarados em DCTF e PEDCOMP. 2.5. Afirma tratarse de duplicidade, uma vez que não seria possível possuir dois débitos para o mesmo período de apuração e do mesmo tributo, devendo ser considerada a compensação objeto do PER/DCOMP em análise e cancelado o saldo devedor apontado. 2.6. Para justificar os argumentos de defesa foram apresentados os seguintes esclarecimentos em Recurso Voluntário: Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.957478/201089 Resolução nº 3402002.127 S3C4T2 Fl. 6 5 2.7. Ao que pese a Contribuinte não ter apresentado a prova necessária por ocasião da impugnação, destaco que anexou ao Recurso Voluntário, documentos que torna possível a averiguação do direito invocado, a exemplo do DARF recolhido. 2.8. Considerando os fatos apresentados e, em homenagem à necessária apuração da verdade material para que sejam sanadas as dúvidas acerca das questões aventadas, justificase a proposta de conversão do julgamento em diligência, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analise os documentos anexados com o Recurso Voluntário (e fls. 2943), esclarecendo sobre a eventual existência da duplicidade de débitos na compensação objeto do Despacho Decisório nº 849793979 (efls. 7), como apontado pela defesa; b) Elabore Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; c) Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. 2.9 Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de Resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.957478/201089 Resolução nº 3402002.127 S3C4T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora de Origem proceda às seguintes providências: a) Analise os documentos anexados com o Recurso Voluntário, esclarecendo sobre a eventual existência da duplicidade de débitos na compensação objeto do Despacho Decisório, como apontado pela defesa; b) Elabore Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; c) Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000650/2002-44
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1999
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. LUCRO ARBITRADO. CRITÉRIO DE ADIÇÃO.
O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração dos tributos pelo lucro real. LUCRO REAL.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
DESPESA INCORRIDA. COMPROVAÇÃO. COFINS.ISENÇÃO.SOCIEDADE CIVIL. A sociedade civil que optar por um dos regimes de tributação de que trata o art. 2º da Lei nº 8.541/92 (lucro real ou presumido) abdicando do regime de tributação previsto no art. 1º do Decreto-Lei nº 2.397/87, será enquadrada como contribuinte do imposto de renda das pessoas jurídicas e, conforme definição dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70/91, é sujeito passivo da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
JUROS DE MORA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalente à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais.
DOUTRINA JURISPRUDÊNCIA
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES
Os lançamentos de PIS de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias a relação de casualidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanham aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.710
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1999 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. LUCRO ARBITRADO. CRITÉRIO DE ADIÇÃO. O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração dos tributos pelo lucro real. LUCRO REAL.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. DESPESA INCORRIDA. COMPROVAÇÃO. COFINS.ISENÇÃO.SOCIEDADE CIVIL. A sociedade civil que optar por um dos regimes de tributação de que trata o art. 2º da Lei nº 8.541/92 (lucro real ou presumido) abdicando do regime de tributação previsto no art. 1º do Decreto-Lei nº 2.397/87, será enquadrada como contribuinte do imposto de renda das pessoas jurídicas e, conforme definição dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70/91, é sujeito passivo da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). JUROS DE MORA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalente à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. DOUTRINA JURISPRUDÊNCIA Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES Os lançamentos de PIS de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias a relação de casualidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanham aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-19T14:03:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-07-19T14:03:14Z; Last-Modified: 2019-07-19T14:03:14Z; dcterms:modified: 2019-07-19T14:03:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:16bd35e2-9c48-42d5-8134-a647d964cea3; Last-Save-Date: 2019-07-19T14:03:14Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-19T14:03:14Z; meta:save-date: 2019-07-19T14:03:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-19T14:03:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-07-19T14:03:14Z; created: 2019-07-19T14:03:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; Creation-Date: 2019-07-19T14:03:14Z; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-07-19T14:03:14Z | Conteúdo => S1TE01 Fl. 362 1 361 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.000650/200244 Recurso nº 156.916 Voluntário Acórdão nº 1801001.710 – 1ª Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria LUCRO REAL Recorrente FRANCO E BARBOSA CONSTRUTORES S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. LUCRO ARBITRADO. CRITÉRIO DE ADIÇÃO. O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração dos tributos pelo lucro real. LUCRO REAL.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. DESPESA INCORRIDA. COMPROVAÇÃO. COFINS.ISENÇÃO.SOCIEDADE CIVIL. A sociedade civil que optar por um dos regimes de tributação de que trata o art. 2º da Lei nº 8.541/92 (lucro real ou presumido) abdicando do regime de tributação previsto no art. 1º do DecretoLei nº 2.397/87, será enquadrada como contribuinte do imposto de renda das pessoas jurídicas e, conforme definição dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70/91, é sujeito passivo da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). JUROS DE MORA. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 50 /2 00 2- 44 Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 363 2 Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 8992, com a exigência do crédito tributário no valor de R$329.163,65, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao segundo trimestre do anocalendário de 1998 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, em conformidade com o Termo de Verificação, fls. 8588. O lançamento se fundamenta na omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de valores referentes à prestação de serviços efetivados pela Recorrente e apurada conforme relatado nos Termo de Verificação, fls. 8588. A Recorrente não ofereceu à tributação os valores atinentes à receita de prestação de serviços efetuados na pessoa jurídica Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 364 3 Companhia Energética do Rio Grande do Norte, CNPJ 08.324.196/000181, endereço Rua Mermoz nº150, Natal/RN. Constatouse que a Recorrente acusa o recebimento de parcelas de honorários de êxito referentes à reclamação trabalhista n°1435, movida por Hugo Freire Pinto e outros, perante a 2° Junta de Conciliação e Julgamento.de Natal/RN, através de recibos assinados pelo sócio quotista Luiz Edmundo Cardoso Barbosa, datados de 13.04.1998, 13.05.1998 e 13.06.1998, os quais não foram contabilizados. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: Lei nº 8.846, de 21 de janeiro de 1994, art. 195, art. 197, art. 115, art. 226 e art. 227 do Regulamento do Imposto de Renda, previsto no Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994 (RIR, de 1994), bem como art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 9396 a exigência do crédito tributário no valor de R$113.234,74 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 19 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996. III – O Auto de Infração às fls. 98100 com a exigência do crédito tributário no valor de R$28.500,13 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. IV O Auto de Infração às fls. 101104 com a exigência do crédito tributário no valor de R$9.262,40 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, itens I e II, alínea “b” da seção 1 do capítulo 1 do título 5 do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF nº 142, de 15 de julho de 1982, § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, bem como inciso I do art. 2º, art. 3º, inciso I do art. 8º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. Cientificada dos Autos de Infração em 18.04.2002, fls. 89, 93, 97 e 101, a Recorrente apresentou as impugnações em 17.05.2002, Cofins, fls.134146, IRPJ, fls. 152165, CSLL, fls. 219233 e PIS, fls. 238251, com as alegações abaixo resumidamente transcritos. IRPJ e CSLL Preliminarmente, cumpre assinalar que a douta fiscal autuante, no cálculo do crédito tributário, deixou de computar o valor retido e recolhido pela Companhia Energética do Rio Grande do Norte, CNPJ nº 08.334.196/000181, a título de imposto de renda na fonte, parcela essa que deve ser considerada, indiscutivelmente, Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 365 4 no cômputo do valor do imposto devido, por se constituir em legitima antecipação do tributo. [...] Quanto ao mérito propriamente dito, também laborou em equívoco a fiscalização, pois que não considerou que a parcela tributável, na hipótese de omissão de receitas, corresponde apenas a 32% (trinta e dois por cento) da parcela da receita omitida, nos termos da legislação de regência do tributo e consoante mansa e pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. [...] Com efeito, a parcela de lucro suplementar arbitrada não poderia, em concordância com os dispositivos regulamentares, exceder a 32% da receita omitida, quando o contribuinte possui escrita devidamente organizada e escriturada de acordo com a legislação comercial, caso específico dos autos. [...] A iterativa e mansa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como se verá adiante, está toda calcada na própria legislação do imposto de renda, inclusive o próprio Regulamento do Imposto de Renda [...]. A origem da fixação da parcela imponível, na hipótese de ocorrência de omissão de receitas, é oriunda do Decreto Lei nº 1.648, de 18/12/1978, DL esse que aditou as normas emanadas do especial DecretoLei nº. 1.598, de 26/12/77, que adaptou as inovações introduzidas pela Lei nº. 6.404, de 15/12/76, a nova Lei das Sociedades por Ações, no âmbito fiscal e estendeu os seus efeitos a todas as pessoas jurídicas. [...] Assim é que o DL 1.648/78, em seu art. 8°, determinou que "a autoridade tributária fixará o lucro arbitrado em porcentagem da receita bruta, quando conhecida" [...] e ainda que “verificada a ocorrência de omissão de receita será considerado lucro líquido o valor correspondente a cinqüenta por cento dos valores omitidos”. A Lei nº 9.249, de 26/12/95, [...] reduziu ainda mais o limite máximo de arbitramento da parcela considerada lucro, para as atividades de prestação de serviços. PIS Toda a questão cingese à impossibilidade de se promover as alterações que foram efetivadas pela legislação ordinária na Contribuição ao PIS, eis que a mesma foi recepcionada pela Constituição através de uma técnica que não permite sua alteração. Com efeito, a Lei Complementar n° 7/70, ao instituir o Programa de Integração Social PIS, criou um fundo para seu custeio, que previa a participação da empresas de duas formas, variantes de acordo com sua natureza: se mercantil, contribuíam para o fundo com uma contribuição incidente sobre seu faturamento, através da aplicação sobre esta base de cálculo de uma alíquota de 0,75%; no caso das empresas exclusivamente prestadoras de serviços, instituições financeiras e seguradoras, a contribuição incidia sobre o imposto de renda devido, sobre o qual aplicavase a alíquota de 5% (cinco por cento) para se obter o quantum do tributo eventualmente devido.[...] Não obstante possuírem a mesma finalidade, forçosa é a distinção entre as duas espécies de apuração do PIS devido em duas contribuições diferentes, eis que seus fatos geradores são distintos, assim como o é também sua base de cálculo, razão pela qual, inobstante compartilharem o mesmo nomen juris, eram duas as Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 366 5 contribuições para o PIS, cada qual devida em função da preponderância da atividade exercida pelo contribuinte. [...] Com o advento da Constituição de 1988, sepultouse a discussão acerca da natureza tributária desta ou daquela contribuição, sendo que, no caso específico da contribuição para o PIS, esta foi recepcionada expressamente pelo texto constitucional, que em seu art. 239 acolheu a contribuição com natureza tributária, destinandoa a financiar o segurodesemprego e um determinado abono salarial previsto no texto constitucional. [...] Deste modo, o próprio texto constitucional elevou a contribuição ao PIS à categoria de contribuição social de natureza tributária, tal qual encontrada pelo legislador constituinte em 5 de outubro de 1988, constitucionalizando as duas contribuições previstas na Lei Complementar 7/70 [...] Ora, por dedução óbvia, se as contribuições ao PIS foram, de acordo com o entendimento acima explicitado, constitucionalizadas no art. 239 da Constituição da República Federativa do Brasil, a conclusão forçosa é a de que o legislador infraconstitucional, mormente o legislador ordinário, não poderia alterar os elementos essenciais da hipótese de incidência [...]. Fato que comprova a assertiva ora sustentada, de que constitucionalizadas as contribuições ao PIS, somente poderiam as mesmas ser alteradas, nos seus elementos estruturais, por meio de emenda constitucional, é a edição da Emenda Constitucional de revisão n° 01/94, na qual o legislador constituinte revisor (derivado) modificou, para efeitos de atendimento às necessidades do Fundo Social de Emergência, a contribuição ao PIS das Instituições Financeiras, definindo, no próprio corpo da Constituição, novas base de cálculo e ali quota: (...) setenta e cinco centésimos por cento sobre a receita bruta operacional, como definida na legislação do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza'', da nova contribuição. [...] Quando a União Federal pretendeu, através de seu poder legislativo infraconstitucional, alterar a base de cálculo da Contribuição ao PIS acima prevista, incorreu no mesmo vício que ora é apontado pela Processada — a impossibilidade de alterarse os elementos quantificativos de tributos (alíquota e base de cálculo) constitucionalizados por meio de norma infraconstitucional [...]. Destarte, o presente auto de infração, lavrado contra uma empresa prestadora de serviço, deve ser anulado, pois se utilizou de legislação inaplicável ao presente caso, pois, consoante todo o entendimento doutrinário e jurisprudencial demonstrado, somente a própria Constituição, por opção do legislador constituinte, é que pode dispor sobre os elementos estruturais das contribuições ao PIS, tais corno contribuintes, fato gerador, base de cálculo e alíquota. Cofins Conforme se depreende do exame da legislação aplicável ao caso, o que é pacificamente tranqüilo na Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça Ultima instância em se tratando da uniformidade da interpretação da legislação federal, a Processada não é contribuinte da COFINS, em razão de uma isenção concedida por lei complementar que se encontra válida, vigente e eficaz, tornando absolutamente improcedente a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração vergastado [DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987]. [...] Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 367 6 Isto significa afirmar que a Lei Complementar que instituiu a COFINS previu a isenção, relativamente à esta contribuição, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada, estejam registradas no registro civil das pessoas jurídicas e que sejam constituídas exclusivamente de pessoas jurídicas domiciliadas no País. [...] Por ora, entende a Processada ser suficiente a demonstração, através da juntada da cópia de seu contrato social, que preenche os requisitos para o gozo da isenção contida no art. 6, II da Lei Complementar n° 70/91 que, de acordo com o melhor e mais abalizado entendimento, consubstanciado na Jurisprudência pacifica do Superior Tribunal de Justiça, encontrase vigente, válida e eficaz, razão pela qual pugna pelo cancelamento da exigência fiscal ora inquinada. [...] A condição específica da Processada, de sociedade civil composta por pessoas domiciliadas no país, passou ao largo da fiscalização que culminou no auto de infração [...], mas é certo que a Processada não é contribuinte da COFINS, seja pelo entendimento de que a norma isentiva continua válida e eficaz, ou pelo fato de que as receitas auferidas pela mesma não se caracterizam como faturamento, por não exercer atividade empresarial. Argumentos Congruentes Apresenta argumentos contra a incidência dos juros de mora equivalentes à taxa Selic. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclusão Suscita que os Autos de Infração devem ser anulados e cancelados. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 8.516, de 29.09.2005, fls. 263276: “Lançamento Procedente em Parte” para deduzir do IRPJ o valor de R$8.617,39, referente ao IRRF, fls. 24, 37 e 39, originário de honorários advocatícios. Restou ementado Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS Comprovada a omissão de receitas através da falta de escrituração nos livros contábeis, de recibos referentes a honorários advocatícios, cabível é tributação da mesma com fundamento no artigo 24 da Lei n° 9.249/95. JUROS DE MORA – SELIC A exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC está em consonância com o Código Tributário Nacional CTN. Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 368 7 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1998 Ementa: DECORRÊNCIA. Sendo decorrente das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, deverá ser aplicada idêntica solução, em face da sua estreita relação de causa e efeito. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1998 Ementa: ISENÇÃO. COFINS. SOCIEDADES CIVIS. As sociedades civis que optaram por um dos regimes de tributação de que trata o art. 2° da Lei n° 8.541, de 1992, lucro real ou presumido , abdicando do regime de tributação previsto no art. 1° do Decretolei n° 2.397, de 1987, foram enquadradas como contribuintes do imposto de renda das pessoas jurídicas, estando sujeita ao pagamento da COFINS, conforme o art. 1° da LC n° 70, de 1991. DECORRÊNCIA. Sendo decorrente das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, deverá ser aplicada idêntica solução, em face da sua estreita relação de causa e efeito. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998 Ementa: ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe as autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. DECORRÊNCIA. Sendo decorrente das mesmas infrações tributárias que motivaram a autuação relativa ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, deverá ser aplicada idêntica solução, em face da sua estreita relação de causa e efeito. Notificada em 11.11.2005, fl. 280, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.12.2005, fls. 283299, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Suscita que DO ARBITRAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL PARA FINS DE IRPJ — LIMITAÇÃO DA BASE IMPON1VEL 2.2. No caso vertente dos autos, a autoridade fiscal laborou em equívoco, pois que não considerou que a parcela tributável, na hipótese de omissão de receitas, corresponde apenas a 32% (trinta e dois por cento) da parcela da receita omitida, nos Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 369 8 termos da legislação de regência do tributo (art. 519, §1º, III, 'a', RIR/99) e consoante mansa e pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 2.3. Com efeito, a parcela de lucro suplementar arbitrada não poderia, em concordância com os dispositivos regulamentares, exceder a 32% da receita considerada omitida, quando o contribuinte possui escrita devidamente organizada e escriturada de acordo com a legislação comercial, caso específico dos autos. 2.4. A iterativa e mansa jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como se verá adiante, está toda calcada na própria legislação do imposto de renda, inclusive o próprio Regulamento do Imposto de Renda, senão vejamos: 2.5. A origem da fixação da parcela imponível, na hipótese de ocorrência de omissão de receitas, é oriunda do DecretoLei nº 1.648, de 18/12/1978, DecretoLei esse que aditou as normas emanadas do especial DecretoLei nº.1.598, de 26/12/77, que adaptou as inovações introduzidas pela Lei nº 6.404, de 15/12/76, a nova Lei das Sociedades por Ações, no âmbito fiscal e estendeu os seus efeitos a todas as pessoas jurídicas. 2.6. Assim é que o DecretoLei nº 1.648/78, em seu art. 8°, determinou que "a autoridade tributária fixará o lucro arbitrado em porcentagem da receita bruta, quando conhecida". (grifamos) 2.7. O seu §1°, por seu turno, estabeleceu que "O Ministro da Fazenda fixará a porcentagem a que se refere este artigo, a qual não será inferior a quinze por cento e levará em conta a natureza da atividade econômica do contribuinte". 2.8. E, finalmente, em seu §6°, limitou a porcentagem de lucro líquido, na época, em se verificando omissão de receitas, em 50% (cinqüenta por cento), in verbis: “Verificada a ocorrência de omissão de receita será considerado lucro líquido o valor correspondente a cinqüenta por cento dos valores omitidos." 2.9. A Lei nº 9.249, de 26/12/95, 17 (dezessete) anos após, reduziu ainda mais o limite máximo de arbitramento da parcela considerada lucro líquido, na hipótese de omissão de receitas, para 32% em seu art. 15, §1°, III, para as atividades de prestação de serviços. 210. Esses dispositivos legais foram fielmente refletidos, pelo RIR/80, em seu art. 400, e, no RIR/94, Decreto nº 1.041, de 01/01/94, em seu artigo 546, que regula o caso sub censura. 2.11. É de se notar que, até os dias de hoje, o referido diploma legal se encontra, no RIR/99, transcrito em seu art. 537, que faz referência ao art. 519, §1°, III, 'a' (limitação de 32% da receita bruta) c/c art. 532 (adicional de 20%). 2.12. Na realidade, até por uma questão de justiça fiscal, o arbitramento do lucro, quando fixado em 32% da receita bruta conhecida, qualquer que seja o regime de tributação, seja lucro real ou lucro arbitrado, não pode ser diferente, sob pena de ofensa ao principio da isonomia fiscal. 2.13. E é exatamente calcado nesse princípio que, muito recentemente, apreciando exatamente situação idêntica à dos presentes autos, embora com base em fatos anteriores à Lei n° 9.249/95, que reduziu o limite de arbitramento de 50% para 32%, o Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 383.344PR, em sessão de 19/02/2002, prolatou o seguinte Acórdão, em decisão assim ementada: Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 370 9 [...] “2. Havendo omissão de receita, conforme a norma constante no dispositivo acima mencionado, vigente e eficaz, o lucro suplementar a ser arbitrado, para efeito de cálculo do imposto de renda devido, correspondera a 50% (cinqüenta por cento) da receita omitida. 3. Os conceitos de receita e renda são diversos. O imposto de renda não deve incidir sobre a integralidade da receita auferida, mas apenas à renda efetiva obtida a partir dela. 4. Diante da impossibilidade de calcular o lucro proveniente da receita omitida, aplicase a norma legal que estabelece o percentual de 50% da mesma, com base de cálculo do tributo em questão. 5. Atrita com o sistema de uniforme justiça fiscal a pretensão do Fisco Federal de arbitrar como lucro liquido o total das receitas omitidas quando o contribuinte tem escrita organizada e só com 50% do mesmo valor na hipótese de inexistirem registros contábeis ou estes serem desclassificados por se apresentarem inidôneos. 6.A adoção de um só critério para as duas situações imprime uma plena segurança jurídica para o contribuinte, aplicandose a presunção legal de que, em ambas as hipóteses, é razoável que o lucro corresponda a 50% da receita omitida.” [...] 2.14. Notese que, no Processo supra, o limite de arbitramento estava fixado com base no RIR/80, à razão de 50%, quando no caso vertente, o arbitramento foi reduzido para 32% (RIR/94), por força da Lei nº 9.249/95 art 15 §1° III "a" 2.15. Não custa repisar o entendimento do STJ, que é uníssono, sem qualquer discrepância, de que "atenta com o sistema de uniforme justiça fiscal a pretensão do Fisco Federal de arbitrar como lucro líquido o total das receitas omitidas quando o contribuinte tem escrita organizada e só com 50% do mesmo valor na hipótese de inexistirem registros contábeis ou estes serem desclassificados por se apresentarem inidôneos. 2.16. É indiscutível, pois, sob a ótica da justiça fiscal, adotarse 2 (dois) pesos e 2 (duas) medidas, beneficiandose o contribuinte que não possui escrita regular, inidônea, e sujeitandoo ao arbitramento de 50% ou 32%, como lucro líquido, de receita omitida e, por outro lado, considera toda a receita como lucro líquido para o contribuinte que possui escrita regular. 2.17. A lógica é elementar e, como tal, prevalece por inteiro esse conceito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, como pode se ver pelas ementas a seguir transcritas: [...] “Tributário. Imposto de Renda. Omissão de Receita. Art. 400, § 6ªº, RIR/80. I. Assentouse entendimento que, em caso de omissão de receita, nos termos do art. 900, § 6°, do RIR/80, o lucro líquido, para efeito de imposto de renda, será considerado como 50% da receita omitida.” [...] Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 371 10 “TRIBUTÁRIO, IMPOSTO DE RENDA. PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RECEITA. RIR/80 ART. 400, PARÁGRAFO 6°, PRECEDENTES. Consoante entendimento assente nas duas Turmas da Egrégia 1ª Seção do STJ, ratificando tese esposada pelo extinto TFR e na conformidade da lei, havendo omissão de receita, para efeito de imposto de renda, será considerado lucro lquido o correspondente a 50% dos valores omitidos.” [...] “TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA OMISSÃO DE RECEITA LUCRO LÍQUIDO. Havendo omissão de receita, tomase como lucro líquido suplementar para efeito de imposto de renda, valor correspondente a 50% da receita omitida.” [...] “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA OMISSÃO DE RECEITA RIR/80 ART. 400, PARÁGRAFO 6°. PRECEDENTES. 1. Ratificando tese do extinto TFR e na conformidade duas Turmas da lª Seção do STJ assentaram o entendimento sobre o tema discutido no recurso. 2. Havendo omissão de receita, para efeito de imposto de renda, será considerado lucro liquido o correspondente a 50% dos valores omitidos.” [...] 2.18. É de se ver que, neste sentido, last but not least, continua decidindo aquele Excelso Tribunal, que, em decisão recente, exarada em 10/08/2004, corrobora o entendimento anteriormente exposto, verbis: [...] “IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RECEITA. BASE DE CÁLCULO. INTERPRETAÇÃO DOS ARES. 8°, § 6°, DO DECRETO LEI Nº 1.648/78, E 400, § 6°, DO RIR/80. PRECEDENTES. 1. Existindo omissão de receita, conforme o art. 8°, § 6°, do Decreto Lei n° 1.648/78, o lucro liquido a ser arbitrado, para efeito de cálculo do imposto de renda devido, corresponderá a 50% (cinqüenta por cento) dos valores omitidos. 2. Os conceitos de receita e renda são diversos. O imposto de renda não deve incidir sobre a integralidade da receita auferida, mas apenas à renda efetiva obtida a partir dela. 3. Atrita com o sistema de uniforme justiça fiscal a pretensão do Fisco Federal de arbitrar como lucro liquido o total das receitas omitidas quando o contribuinte tem escrita organizada, e só com 50% do mesmo valor na hipótese de inexistirem registros contábeis ou estes serem desclassificados por se apresentarem iniduncos. Em ambas as hipóteses, é razoável que o lucro corresponda a 50% da receita omitida.” [...] DO ERRO NA UTILIZAÇÃO DO ART. 24 DA LEI 9.249/95 — NECESSIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO — Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 372 11 IMPRESCINDIBILIDADE DA UTILIZAÇÃO DOS PERCENTUAIS ESTABELECIDOS NO ART. 16 DA LEI 9.249/95 — INFRINGÊNCIA AO ART. 532 DO REGULAMENTO DE IMPOSTO DE RENDA APROVADO PELO DECRETO 3.000/99 2.19. Ilustres Julgadores, ainda que possa ser sobrepujada toda a argumentação acima discorrida acerca da consideração da redução do percentual a ser admitido como lucro líquido não há como deixar de reconhecer que o presente lançamento esbarra em um óbice insanável, que é o de imputar Imposto de Renda sobre receita total da pessoa jurídica, o que atenta contra as regras de regência. 2.20. Assim, o que se deduz é que todo ingresso ou receita detectado na RECORRENTE foi considerado como lucro e, portanto, formador da base de cálculo de IRPJ e CSLL. 2.21. Em sendo assim, conhecida a receita considerada omitida pela fiscalização, deveria a mesma, de acordo com o art. 532 do Regulamento de Imposto de Renda, ter arbitrado o lucro da RECORRENTE, no que concerne à receita omitida, pena, repitase, de dar tratamento antiisonômico aos contribuintes sujeitos ao lucro real daqueles sujeitos ao lucro arbitrado. 2.22. Entretanto, não foi o que fez a Autoridade Fiscal, que simplesmente considerou toda a receita auferida pela RECORRENTE como base de cálculo para a incidência da exação, incidindo assim em evidente excesso. 2 23 Desta forma, o lançamento está absolutamente equivocado, tendo sido lavrado em desacordo com a legislação de regência apenas com a finalidade de impor à RECORRENTE um ônus mais gravoso, para pura satisfação dos intentos arbitrários da fiscalização. 2.24. Ora, não se quer ensinar como se deveria fazer este lançamento, mas é certo que a Autoridade Fiscal deveria ter arbitrado o lucro de acordo com as regras existentes no Regulamento de Imposto de Renda, atribuindo à receita operacional conhecida os percentuais nele aludidos, para então chegar ao lucro arbitrado e sobre este calcular o IRPJ e a CSLL, conforme determinação clara do art. 532 do referido Regulamento. 2.25. Portanto, ainda que se admita que toda a receita financeira considerada omitida pela fiscalização não foi tributada pela RECORRENTE, o lançamento, em seu aspecto material, deve ser cancelado, pois apesar de a legislação impor o arbitramento do lucro, assim não procedeu a Autoridade Autuante, razão pela qual requer se digne este Órgão Judicante de julgar improcedente o lançamento, por estar em desacordo com a legislação de regência. 2.26. Este vício também contamina de morte o lançamento a título de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL e o lançamento a título de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, pois os pagamentos sobre os quais incidiriam estes tributos restariam reduzidos, por serem tributos decorrentes da autuação do IRPJ, caso as normas de arbitramento tivessem sido observadas. DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL —COFINS — ISENÇÃO INDEPENDENTE DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO 2.27. O ilustre julgador singular assim dispôs em sua decisão: Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 373 12 "Ementa: ISENÇÃO. COF1NS. SOCIEDADES CIVIS. As sociedades civis que optaram por um dos regimes de tributação de que trata o art. 2° da Lei n° 8.541, de 1992, lucro real ou presumido , abdicando do regime de tributação previsto no art. 1° do Decretolei n° 2.397 de 1987, foram enquadradas como contribuintes do imposto de renda das pessoas jurídicas, estando sujeita ao pagamento da COFINS; conforme o art. Lº da LC n° 70, de 1991." 2.28. Ilustres Conselheiros: Conforme se depreende do exame da legislação aplicável ao caso, o que é pacificamente tranqüilo na Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça — última instância em se tratando da uniformidade da interpretação da legislação federal, a RECORRENTE não é contribuinte da COF1NS, em razão de uma isenção concedida por lei complementar que se encontra válida, vigente e eficaz, tornando absolutamente improcedente a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração vergastado. 2.29. Com efeito, a Lei Complementar n° 70 de 1991, que institui a COFINS, em seu art. 6°, II , determina que são isentas da contribuição as sociedades civis de que trata o art. 1° do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987. 2.30. E quais são as sociedades civis de que trata este normativo? O Decreto Lei n° 2.397/87 assim dispôs: “Art. 1° A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o Imposto de Renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada períodobase, pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País.” 2.31. Isto significa afirmar que a Lei Complementar que instituiu a COFINS previu a isenção, relativamente a esta contribuição, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada, estejam registradas no registro civil das pessoas jurídicas e que sejam constituídas exclusivamente de pessoas físicas domiciliadas no país. 2.32. Ressaltese que a RECORRENTE adequase tal qual uma luva nas hipóteses acima referidas, a saber: (i) é uma sociedade constituída para a prestação de serviços de assessoria de natureza tributária a pessoas físicas e jurídicas, civis ou comerciais (doc. 02), que adequase ao exercício da profissão regulamentada de advogado; (ii) está registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas sob o n° de ordem 380.216 do Protocolo do Livro "A" n° 37, desde 1° de outubro de 1990, tendo a última alteração contratual sido registrada sob o protocolo n° 20030116 1351329, em 28/01/2003, e; (iii) constituise de pessoas físicas domiciliadas no pais (idem ib idem). 2.33. Forçosa é a conclusão, pois, de que a RECORRENTE agiu dentro da lei ao não recolher a COFINS, por força de isenção que lhe foi por Lei Complementar, justamente a Lei Complementar que criou a própria COFINS. 2.34. Neste sentido, é de se ressaltar que a presente hipótese, de isenção não se confunda com a não incidência, cuja diferenciação, no magistério de Hugo de Brito Machado, se dá pelo fato da primeira ser "a parcela que retira da hipótese de incidência da regra de tributação, enquanto que a segunda é excluída da tributação pela própria definição legal da hipótese de incidência" (Machado, Hugo de Brito, Curso de Direito Tributário, Rio de Janeiro, 2001. Malheiros, 1ª edição, pág. 186). Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 374 13 2.35. Serve tal raciocínio para ilustrar o fato de que circunscreve ao legislador o poder de, através do diploma normativo competente, revogar tal isenção, sendo certo que é unânime na Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que somente lei complementar pode revogar tal isenção, não cabendo invocar a norma contida no art. 56 da Lei nº 9.430/96 para se elidir a isenção outorgada por diploma normativo de hierarquia indiscutivelmente superior. 2.36. Confirase a ementa dos acórdãos proferidos, à unanimidade, pelas Primeira e Segunda Turmas do Colendo Superior Tribunal de Justiça, que profere a última palavra no que concerne à interpretação da legislação federal, tendo como imperativo dado pela Constituição, em seu art. 105, III: [...] “TRIBUTÁRIO — COFINS — ISENÇÃO — SOCIEDADE LIVRE: LC N. 70/91 —REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO PELA LEI N. 9.430, DE 27/12/98. 1. Estabelecida isenção da COFINS em lei complementar, não é lícita a supressão fiscal por lei ordinária.” [...] “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL CONTRA DECISÃO QUE DEU PROVIMENTO A RECURSO ESPECIAL. COFINS. ISENÇÃO. SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇO. PRECEDENTES. 1. Agravo Regimental interposto contra decisão que, com base no art. 557, §10, do CPC, deu provimento ao recurso especial ofertado pelo recorrido. 2. A Lei Complementar No. 70/91, de 30/12/1991, em seu art. 6°, II, isentou, expressamente, da contribuição da COFINS, as sociedades civis de que trata o art. r, do DecretoLei No. 2.397, de 22/12/1987, sem exigir qualquer outra condição senão as decorrentes da natureza jurídica das mencionadas entidades. 3. Em conseqüência da mensagem concessiva de isenção contida no art. 6º, II, da LC No. 70791, fixase o entendimento de que a interpretação do referido comando posto em Lei Complementar, conseqüentemente, com potencialidade hierárquica em patamar superior à legislação ordinária, revela que será abrangida pela isenção da COFINS as sociedades civis que, cumulativamente, apresentem os seguintes requisitos: seja sociedade constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no Brasil; tenha por objetivo a prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; e, esteja registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. 4. Outra condição não foi considerada pela Lei Complementar, no seu art. 6º, II, para o gozo da isenção, especialmente o tipo de regime tributário adotado para fins de incidência ou não de Imposto de Renda. 5. Posto tal panorama, não há suporte jurídico para se acolher a tese da Fazenda Nacional de que há, também, ao lado dos requisitos acima elencados, um Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 375 14 último, o do tipo de regime tributário adotado pela sociedade. A Lei Complementar não faz tal exigência, pelo que não cabe ao intérprete criála. 6. É irrelevante o fato de a RECORRENTE ter optado pela tributação dos seus resultados com base no lucro presumido, conforme lhe permito art. 71, da Lei nº 8.383/91 e os arts. I° e 2°, da Lei nº. 8.541/92. Essa opção terá reflexos para fins de pagamento do Imposto de Renda. Não afeta, porém, a isenção concedida pelo art. 6º, II, da Lei Complementar No. 70/91, haja vista que esta, repitase, não colocou como pressuposto para o gozo da isenção o tipo de regime tributário seguido pela sociedade civil. 7. A revogação da isenção pela Lei nº 9.430/96 fere frontalmente, o princípio da hierarquia das leis, visto que tal revogação só poderia ter sido veiculada por outra lei complementar. 8. Inexistência no acórdão recorrido de fundamentação unicamente na esfera constitucional. O ilustre Relatar a quo apreciou, também, no âmbito legal (LC nº. 70/91, arts. I° e 6º, II), sendo, portanto, suficiente à apreciação do recurso especial.” [...] 2.37. Ora, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, cujas Primeira e Segunda Turmas são as únicas competentes 2 para tratar da matéria, eis que são estas que compõem a Primeira Seção daquela Colenda Corte, de acordo com o art. 2°3 do Regimento Interno daquele Tribunal, podese dizer pacificado no sentido de que a norma contida no art. 6° da Lei Complementar no 70/91 encontrase vigente, válida e eficaz. 2.38. Não é demais salientar que a vasta demonstração do entendimento acima disposto já foi objeto da Súmula 276 do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, dispondo que "AS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS SÃO ISENTAS DA COFINS, IRRELEVANTE O REGIME TRIBUTÁRIO ADOTADO". [...] 2.39. Ademais, o ilustre Julgador considerou em seu voto que "as sociedades que optaram por um dos regimes de tributação de que trata do art. 2° da Lei n° 8.591, de 1992, lucro real ou presumido, e foram enquadradas como contribuintes do imposto de renda das pessoas jurídicas, estando sujeita ao pagamento da COFINS...", o que, data venia, diverge totalmente do entendimento já esposado por este E. Conselho de Contribuintes. 2.40. Este Órgão Colegiado, em suas Primeira, Segunda e Terceira Câmaras, vem decidindo, à unanimidade, em entendimento uníssono, que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais regulamentadas, adequadas ao inciso II do art. 6° da LC n° 70/91, estão isentas da COFINS POUCO IMPORTANDO O REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESCOLHIDO, conforme se depreende das ementas a seguir transcritas: [...] “Ementa COFINS ISENÇÃO RESTITUIÇÃO. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais beneficiamse da isenção do recolhimento da COFINS pouco importando o regime de tributação do imposto de renda a que se submetem.” Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 376 15 [...] “Ementa :COF1NS ISENÇÃO SOCIEDADES CIVIS PRESTADORAS DE SERVIÇOS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO As sociedades civis de profissão regulamentada estavam isentas da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, durante a vigência do inciso Ido art. 60 da LC n° 70, de 30.12.91, independentemente do regime de tributação que tenha optado para fins do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. Existe o direito de reStitiii00 dos valores recolhidos indevidamente.” [...] “Ementa :COFINS ISENÇÃO RESTITUIÇÃO As sociedades civis de prestação de serviços profissionais beneficiamse da isenção do recolhimento da COFINS pouco importando o regime de tributação do Imposto de Renda a que se submetem.” [...] 2.41. Desta forma, entende a RECORRENTE ser suficiente a demonstração, através da juntada da cópia de seu contrato social, que preenche os requisitos para a utilização da isenção contida no art. 6°, II da Lei Complementar n° 70/91 que, de acordo com o melhor e mais abalizado entendimento, consubstanciado seja na Jurisprudência pacifica do Superior Tribunal de Justiça ou do Conselho de Contribuintes, encontrase vigente, válida e eficaz, razão pela qual pugna pelo cancelamento da exigência fiscal ora inquinada. 2.42. A condição especifica da RECORRENTE, de sociedade civil composta por pessoas domiciliadas no pais, passou ao largo da fiscalização que culminou no Auto de Infração sub censura, mas é certo que a RECORRENTE não é contribuinte da COFINS, seja pelo entendimento de que a norma isentiva continua válida e eficaz, ou pelo fato de que pouco importa o regime de tributação do imposto de renda a que se submete. 243. Desta forma, ainda que o lançamento pudesse ter sido efetuado» imputandose à RECORRENTE os créditos tributários ora impugnados, é de ser ver que o lançamento está eivado de vícios insanáveis, na medida em que a Autoridade Fiscal deixou de efetuar o arbitramento a que está obrigado em face das disposições do Regulamento de Imposto de Renda, e da iterativa e uníssona jurisprudência do STJ, pois dá tratamento antiisonômico aos contribuintes sujeitos ao lucro arbitrado daqueles sujeitos ao lucro real. 2.44. Em não o fazendo, a Autoridade Fiscal onerou em muito o tributo que eventualmente seria devido, pois considerou todo ingresso como lucro da RECORRENTE, ignorando um principio básico de que inexiste receita sem custo, razão pela qual o RIR reconhece a necessidade de arbitramento de lucro exatamente em hipóteses como a presente. Conclui Por todo exposto, confia e espera a RECORRENTE, lastreada na proficiência dos membros desta Egrégia Corte Administrativa, no acolhimento das razões apresentadas na presente peça recursal, determinandose o cancelamento do Auto de Infração sub censura, pela inobservância da legislação aplicável à espécie, para a autuação do IRPJ, que prevê o arbitramento do lucro pela autoridade fiscal em percentual da receita tida como omitida, devendo, para todos os fins, serem Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 377 16 consideradas também canceladas as autuações reflexas relativas a CSLL e PIS, conforme fundamentação da decisão recorrida, bem como cancelada a exigência a titulo de COFINS, por ser a RECORRENTE isenta do recolhimento da referida Contribuição, por ser medida de insofismável JUSTIÇA. Termos em que, P. Deferimento. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Luiz Edmundo Cardoso Barbosa, OAB/RJ nº 20.280, oportunidade em que acrescenta que tem direito à dedução das despesas incorridas correspondentes à receita auferida apurada de ofício. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente não discorda expressamente do fato apurado nos presente autos, ou seja, que incorreu em omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de valores referentes à prestação de serviços efetivados pela Recorrente e apurada conforme relatado nos Termo de Verificação, fls. 8588. Ela não ofereceu à tributação os valores atinentes à receita de prestação de serviços efetuados na pessoa jurídica Companhia Energética do Rio Grande do Norte, CNPJ 08.324.196/000181, endereço Rua Mermoz nº150, Natal/RN no valor total tributável de R$574.492,48. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo deve ser Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 378 17 motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que o ato de instauração do procedimento fiscal não poderia ter sido levado a efeito. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.2. Os Autos de Infração foram lavrados com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente defende a tese de que o lançamento deveria ser efetivado pelo regime de tributação com base no lucro arbitrado e que “existindo omissão de receita, conforme o art. 8°, § 6°, do DecretoLei n° 1.648/78, o lucro liquido a ser arbitrado, para efeito de cálculo do imposto de renda devido, corresponderá a 50% (cinqüenta por cento) dos valores omitidos”, em conformidade com a jurisprudência do STJ. Em relação ao regime de tributação com base no lucro arbitrado, vale esclarecer que a autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Nesse sentido, a existência de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela não escrituração de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais no livro Diário, tornaa imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 379 18 A regra geral é de que verificada a ocorrência de omissão de receita, será considerado lucro líquido o valor correspondente a 50% (cinqüenta por cento) dos valores omitidos, de acordo com o § 6º do art. 8º DecretoLei n° 1.648, de 18 de dezembro de 1978. A legislação específica é no sentido de que em que a receita bruta é conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o pelos art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 acrescido de 20% (vinte por cento), em conformidade com o art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e que produziu efeitos financeiros a partir de 01.01.19973. No presente caso verificase apenas um conflito aparente de normas, e não uma verdadeira antinomia legal, uma vez que é solucionado pelo critério da especialidade, onde lei especial prevalece sobre lei geral, ou seja, a lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. Ainda há o critério cronológico levando o raciocínio ao tempo em que a norma entra em vigência, mas presumindo que ambas estejam em idêntica hierarquia, ou seja, a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior (Lei de Introdução ao Direito Brasileiro prevista no DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942). Nesse sentido, em sendo específica e posterior ao DecretoLei n° 1.648, de 18 de dezembro de 1978, no caso em que a receita bruta é conhecida lucro arbitrado é determinado pelo art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a partir de 01.01.1997. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. No presente caso restou comprovada que o lançamento se fundamenta na omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de valores referentes à prestação de serviços efetivados pela Recorrente e apurada conforme relatado nos Termo de Verificação, fls. 8588. A Recorrente não ofereceu à tributação os valores atinentes à receita de prestação de serviços efetuados na pessoa jurídica Companhia Energética do Rio Grande do Norte, CNPJ 08.324.196/000181, endereço Rua Mermoz nº150, Natal/RN no valor tributável de R$574.492,48. Consta na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do anocalendário de 1998 na Ficha 07 Demonstração do Resultado como receita da prestação de serviço o valor de R$87.506,24 do segundo trimestre, fls. 1229. Esse valor foi regularmente escriturado no Livro Razão, fls. 5759. No Termo de Verificação está registrado, fls. 8588: 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59, e ainda art. 8º do DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978. Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 380 19 9) A fiscalização constatou ainda falta de contabilização de valores referentes à prestação de serviços feito pela empresa ,e apurada conforme relatado nos Termos de Constatação lavrados na empresa, em 03.10.2001 quando foram apresentados à fiscalização os LIVROS COMERCIAIS (L. RAZÃO E L. DIARIO n° 11). Naquela data foram entregues à fiscalização cópias do Razão 1111 00 00 Contas a Receber onde a empresa relaciona as contrapartidas dos valores registrados em RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Na conta de Receita Operacional foram totalizados os valores que a empresa registrou no anocalendário 1998 MÊS VALOR [...] 04/98 41.251,48 05/98 29.152,63 06/98 24.465,84 [...] Tendo em vista que a empresa não ofereceu à tributação os valores referentes à Receita de Prestação de Serviços efetuados na empresa COMPANHIA ENERGÉTICA DO RIO GRANDE DO NORTE, CNPJ 08.324.196/000181, endereço R.MERMOZ,150 Natal RGN. 10.1.) Constatamos através do TERMO lavrado em 14.11.2001 que a empresa deveria esclarecer se houve a prestação de serviços para a empresa acima citada, pois a fiscalização não havia localizado tais registros na contabilidade. 10.2.) Tendo em :vista que a empresa não apresentou qualquer justificativa para a ausência da contabilização, a fiscalização tributará tal fato como Omissão de Receitas. O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração dos tributos pelo lucro real. No caso em que a receita bruta é conhecida, a partir de 01.01.1997, devese aplicar as determinações constantes no art. 27 da Lei nº 9.430, de 1996, de acordo com os critérios de solução da antinomia aparente de normas. Por essa razão, se fosse o caso dos autos de apuração dos tributos pelo lucro arbitrado, e que não o é, não poderia ser utilizado o DecretoLei n° 1.648, de 1978. Além disso, somente devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ em matéria infraconstitucional na sistemática do recurso especial repetitivo previsto no art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,Código de Processo Civil, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, previsto na Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A Recorrente trouxe em sua defesa tãosomente recursos especiais julgados pelo STJ que não se conformam ao rito previsto no art. 543C do CPC e por essa razão não há lei que lhes atribua eficácia normativa e efeito vinculante à Administração Pública federal (art. 96 do Código Tributário Nacional). Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 381 20 Ainda, a proporcionalidade entre o valor da receita bruta oferecida à tributação e o valor da receita bruta omitida verificada pelas autoridades fiscais não pode ser adotado como critério de admissão do lucro arbitrado, cujo pressuposto é o fato de que a escrituração a que estiver obrigado o sujeito passivo revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Vale lembrar que os agentes fiscais cumpriram corretamente as atribuições no exercício da função pública, pois estão vinculados ao princípio da legalidade e somente podem fazer o que está expressamente previsto em lei (art. 37 da Constituição Federal). Diferentemente do entendimento da Recorrente, restou comprovado nos autos que a ela possui assentamentos capazes de demonstrar o preenchimento dos requisitos para utilização do regime de tributação com base no lucro real, tais como Livro Razão e Livro Diário, fls. 5487 e 300313, regularmente escriturados, os quais foram apresentados às autoridades fiscais, de acordo com o Termo de Diligência Fiscal, fl. 11, Termos de Constatação, fls. 4048, Termos de Intimação, fls. 49 e 50, que ela foi validamente notificada. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente discorda do lançamento referente à omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de valores referentes à prestação de serviços apurada com base no lucro real trimestral. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O lucro real, trimestral ou anual, é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 382 21 respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. Além disso Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional no período de apuração correspondente4. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Conforme já exaustivamente já esclarecido, o lançamento se fundamenta na omissão de receita caracterizada pela falta de contabilização de valores referentes à prestação de serviços feito pela Recorrente e apurada conforme relatado nos Termos de Verificação lavrado nas dependências da Recorrente durante a ação fiscal. A Recorrente não ofereceu à tributação os valores atinentes à receita de prestação de serviços efetuados na pessoa jurídica Companhia Energética do Rio Grande do Norte, CNPJ 08.324.196/000181, endereço Rua Mermoz nº150, Natal/RN. A Recorrente é optante pela tributação com base no lucro real trimestral no anocalendário de 1998, em conformidade com a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, fls. fl. 1259. Assim como as autoridades fiscais não verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real, preservaram incólume o sistema de tributação a que estava submetida no período de apuração correspondente. Reiterese que distintamente do que ela defende, restou comprovado nos autos que a ela possui assentamentos capazes de demonstrar o preenchimento dos requisitos para utilização do regime de tributação com base no lucro real, tais como Livro Razão e Livro Diário, fls. 5487 e 300313, regularmente escriturados, os quais foram apresentados às autoridades fiscais, de acordo com o Termo de Diligência Fiscal, fl. 11, Termos de Constatação, fls. 4048, Termos de Intimação, fls. 49 e 50, que ela foi validamente notificada. A alegação assinalada pela defendente,desta forma, não tem fundamento. Tendo em vista o princípio da eventualidade, a Recorrente suscita que tem direito à dedução das despesas incorridas correspondentes à receita auferida apurada de ofício. Os registros contábeis devem ser realizados com observância dos princípios de contabilidade, devem conter a data do registro contábil, ou seja, a data em que o fato contábil ocorreu, a conta devedora, a conta credora, o histórico que represente a essência econômica da transação ou o código de histórico padronizado, neste caso baseado em tabela 4 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 383 22 auxiliar inclusa em livro próprio, o valor do registro contábil e a informação que permita identificar, de forma unívoca, todos os registros que integram um mesmo lançamento contábil. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, as despesas devem ser apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem. Estas despesas, para serem dedutíveis, devem ser incorridas, necessárias, usuais ou normais para a realização das transações ou operações inerentes à atividade da pessoa jurídica e à manutenção da respectiva fonte produtora. São consideradas incorridas aquelas de competência do período de apuração relativos aos bens empregados nas operações exigidas pela atividade da pessoa jurídica, em relação aos quais já tenha nascido a obrigação correspondente, ainda que o respectivo pagamento venha a ocorrer em período subseqüente. Via de regra são comprovados mediante a apresentação da nota fiscal correspondente. Pode conter obrigações documentadas por duplicata, que é o título de crédito emitido com base em obrigação proveniente de compra ou venda mercantil que tem a característica de ser causal, uma vez que sua emissão está vinculada à relação jurídica que lhe dá origem5. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Mais uma vez, restou comprovado nos autos que a ela possui assentamentos capazes de demonstrar o preenchimento dos requisitos para utilização do regime de tributação com base no lucro real, tais como Livro Razão e Livro Diário, fls. 5487 e 300313 regularmente escriturados, os quais foram apresentados às autoridades fiscais, de acordo com o Termo de Diligência Fiscal, fl. 11, Termos de Constatação, fls. 4048, Termos de Intimação, fls. 49 e 50, que ela foi validamente notificada. Temse que a legislação de regência prevê que o sujeito passivo pode deduzir as despesas incorridas correspondentes à receita auferida apurada. Nessa oportunidade a Recorrente, embora não tenha sido intimada pelaa autoridades fiscais autuantes especificamente a comprovar o valor das despesas incorridas correspondentes à receita auferida apurada de ofício, ela poderia invocar as quantias respectivas em seu favor, e não o fez. Ainda a Recorrente teve outras oportunidades de comprovar as despesas apropriadas simultaneamente às receitas que as geraram, ou seja, depois que foi instaurado o litígio no procedimento com a apresentação regular da impugnação (art. 14 e art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Nessa oportunidade ela deveria apresentar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Ainda, mais uma vez nessa fase recursal ela reitera seus argumentos e também não 5 Fundamentação legal: §§ do art. 45 e §§ do art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, §§ do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, Lei nº 5.474, de 18 de Julho de 1968 Parecer Normativo CST nº 58, 01 de setembro de 1977 e Resolução CFC nº 1.330, de 18 de março de 2011. Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 384 23 junta em sua defesa os documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais com a finalidade de identificar pormenorizadamente e comprovar sua alegação de que tem direito à dedução das despesas incorridas correspondente à receita auferida apurada de ofício. Não houve indicação de forma clara, precisa e congruente dos aspectos qualitativos e quantitativos das supostas despesas incorridas correspondentes à receita auferida apurada de ofício. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente afirma que está isenta da Cofins. Sobre a questão, a exigência está fundamentada no art. 1º e art. 2º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991 e no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Nesse sentido, sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. A Cofins será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza, inclusive quando se tratar de omissão de receitas. Temse que nesses estritos termos legais a Cofins foi apurada, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). Por seu turno, o Parecer Normativo Cosit nº 3, de 25 de março de 1994, determina: 2. De acordo com o inc. II do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, estão isentas da contribuição as sociedades civis de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 21 de dezembro de 1987. 2.1 O referido dispositivo legal deve ser interpretado literalmente, tendo em vista o que dispõe o art. 111. , inc. II, do CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966). 3. O art. 1º do DecretoLei nº 2.397/87 assim determina: "Art. 1º A partir do exercício financeiro de 1989, não incidirá o imposto de renda das pessoas jurídicas sobre o lucro apurado, no encerramento de cada períodobase. pelas sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 385 24 Civil das Pessoas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País. 4. Do exame do dispositivo legal em tela, observase que somente está abrangida pela não incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas a sociedade civil que obedeça, cumulativamente, aos requisitos a seguir discriminados e que por conseqüência, estão isentas da contribuição social sobre o faturamento: a) seja sociedade constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no Brasil; b) tenha por objetivo a prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; e c) esteja registrada no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. 5. Nesse sentido, o subitem 3.2 da Exposição de Motivos nº 104, de 23/12/87, que ensejou a edição do DecretoLei nº 2.397/87, assim esclareceu: Os rendimentos das sociedades civis são de natureza eminentemente pessoal pertencentes e indissociáveis dos sócios, o lucro apurado será integralmente submetido à tributação nas pessoas físicas dos sócios, de acordo com a participação societária de cada um, independentemente de ocorrer distribuição efetiva ou não. Não haverá tributação na pessoa jurídica. 6. Com efeito, considerando o regime de tributação pelo imposto de renda diferenciado das demais sociedades, aplicável às sociedades civis enquadradas no DecretoLei nº 2.397/87, ou seja, aquelas cujo lucro é tributado integralmente nas pessoas físicas dos sócios, podese afirmar que a Lei Complementar nº 70/91 isentou as sociedades civis da contribuição social por não se caracterizarem como pessoa jurídica para fins da legislação tributária. 7. A reforçar tal entendimento, a disposição contida no art. 1º da Lei Complementar nº 70/91 define como contribuintes as pessoas jurídicas e as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda. 8. É importante ressaltar, também, o disposto no último parágrafo da Exposição de Motivos Conjunta nº 152/MEFP/MTPS, de 06/12/91, que ensejou a edição da Lei Complementar nº 70/91: Entendendose que o custeio da seguridade é ônus de toda a sociedade, o projeto exclui do seu campo de incidência exclusivamente aqueles contribuintes que por força da determinação constitucional ou operacional estão impossibilitados de serem alcançados pela sua incidência. 9. Contudo, o art. 71. da Lei nº 8.383, de 30/12/91, e os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.541, de 1º/12/92, ao introduzirem alterações na Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 386 25 legislação tributária, admitiram, para as sociedades civis de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397/87, a opção pela tributação de seus resultados com base no lucro real ou presumido. 10. Ao disciplinar a tributação pelo lucro presumido (art. 40. da Lei nº 8.383/91), a Instrução Normativa RF nº 21, de 26 de fevereiro de 1992, no parágrafo único do art. 33. , enfatiza que a opção pela tributação com base no lucro presumido exclui a aplicação do regime de tributação próprio às sociedades civis, instituído pelo DecretoLei nº 2.397/87, portanto, perdem a condição de tributação exclusiva nas pessoas físicas dos sócios e passam a ser tributadas, também, na pessoa jurídica. 11. Ressaltese que a Constituição Federal é taxativa ao estabelecer as limitações do poder de tributar no inc. II do art. 150 , determinando que é vedado: II Instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão da ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos. 12. Por conseguinte, a sociedade civil que optar por um dos regimes de tributação de que trata o art. 2º da Lei nº 8.541/92 (lucro real ou presumido) abdicando do regime de tributação previsto no art. 1º do DecretoLei nº 2.397/87, será enquadrada como contribuinte do imposto de renda das pessoas jurídicas e, conforme definição dada pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70/91, é sujeito passivo da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A Recorrente é optante pela tributação com base no lucro real trimestral no anocalendário de 1998, em conformidade com a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. fl. 1259. Nesse sentido, mesmo que seja uma sociedade civil, é considerada para todos os efeitos legais, sujeito passivo da Cofins. Ademais, o art. 1º e o art. 2º do DecretoLei nº 2.397 de 21 de dezembro de 1987, estão expressamente revogados pelo inciso XIV do art. 88 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que produziu efeitos financeiros a partir de 01.01.1997. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente apresenta argumentos em relação à exigência do PIS ao argumento de que é inconstitucional. Sobre a matéria, temse que a exigência está embasada na alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, no parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, nos itens I e II, alínea “b” da seção 1 do capítulo 1 do título 5 do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF nº 142, de 15 de julho de 1982, no § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, bem como no inciso I do art. 2º, art. 3º, inciso I do art. 8º e no art. 9º da Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995, convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 387 26 Nesse sentido, o PIS é destinado a promover a integração do empregado na vida e no desenvolvimento da pessoa jurídica, nos termos da legislação do IRPJ e executado mediante Fundo de Participação constituído pela parcela com recursos da pessoa jurídica calculado sobre o faturamento mediante a aplicação da alíquota de zero vírgula sessenta e cinco por cento, inclusive quando se tratar de omissão de receitas. Temse que nesses estritos termos legais o PIS foi apurado, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). Além disso, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, de acordo com a Súmula CARF nº 2, que é de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, não se confirma. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês6. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20097 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso9. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. 6 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. 7 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 8 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 9 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Processo nº 18471.000650/200244 Acórdão n.º 1801001.710 S1TE01 Fl. 388 27 Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo11. Os lançamentos de PIS, de Cofins e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 10 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 11 Fundamentação Legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.
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Numero do processo: 10805.001004/2006-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO POSTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA.
O pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada posteriormente a 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1401-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do votos do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada). Ausente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO POSTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. O pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada posteriormente a 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do votos do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada). Ausente a Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 10 04 /2 00 6- 05 Fl. 435DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.527 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001004/2006-05 Trata o presente processo de pedido de restituição efetuado em 08/06/2006, no valor atualizado de R$69.842,03, referente a pagamentos a titulo de IRPJ, do ano- calendário de 1998 , no qual a contribuinte apresentou declaração de rendimentos na forma do Lucro Presumido e aplicou o percentual de 32% sobre a receita bruta para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda. 2 Entende a interessada que, nos termos do art. 15, § 1°, inciso III, letra "a", da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os serviços profissionais por ela prestados são equiparados a serviços hospitalares. Em razão disso, pleiteia a aplicação do percentual de 8% para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda na forma do Lucro Presumido, e a restituição do que pagou a maior pela aliquota de 32%. 3 A DRF em Santo André/SP, em decisão de fls. 110/111, datada de 19/06/2006, indeferiu o pedido de restituição do imposto, por entender estarem decaídos os supostos indébitos tributários. 4 Inconformada com a decisão de indeferimento do pedido de restituição, da qual tomou ciência por via postal em 03/07/2006, AR de fl. 112-verso, a contribuinte, por meio de seu bastante procurador, legalmente habilitado, postou, em 25/07/2006, a manifestação de inconformidade de fls. 114/136, acompanhada dos documentos de fls. 137/151, na qual oferece as seguintes razões de fato e de direito: 4.1 — após detalhar os fundamentos da decisão proferida pela DRF/Santo André, a contribuinte especifica sua área de atuação, destacando a importância de definir a abrangência do conceito de serviços hospitalares; 4.2 — afirma que o conceito de serviço hospitalar deve ser tragado com base na natureza do serviço desenvolvido pelo estabelecimento e não na figura do prestador de serviço, citando e transcrevendo ementa, de lavra da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça; 4.3 — invocando o artigo 109, do CTN, diz que o Direito Tributário não possui "fertilidade", para alterar ou gerar novos conteúdos e definições, quando os casos já sejam disciplinados em outras áreas jurídicas; e) que faz jus ao direito a compensação. 4.4 - a legislação tributária nunca especificou exatamente a abrangência do conceito de serviço hospitalar, até a edição da IN/SRF n° 306, de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo n° 18, de 23 de outubro de 2003, por meio das quais se adotou o conceito fixado pela legislação médico-sanitária, embora parcialmente; 4.5 - aduz que "Tratando-se de um Declaratório interpretativo', não poderia ter sido criado nenhum requisito novo no conceito até então tragado pela legislação sanitária. Todavia, isso não foi respeitado no inciso I do artigo 2°, da norma complementar em comento, em razão de sua natureza 'constitutiva' (e não exclusivamente declaratória) e 'inovadora' (não se limitando, verdadeiramente, a interpretar as legislações médicas-sanitárias estudadas, inserindo requisito inédito)."; 4.6 - traz a definição do verbo equiparar, para dizer que é ilegal o requisito trazido pelo inciso I, do artigo 2°, do Ato Declaratório Interpretativo n° 18, de 2003, ao definir que os serviços prestados exclusivamente pelos sócios do estabelecimento assistencial a saúde não se enquadram como serviço hospitalar; Fl. 436DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.527 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001004/2006-05 4.7 - faz menção à Lei n° 9.249, de 1995, artigo 15, inciso III, alínea "a" e 1N/SRF n° 306, de 2003, que definiram o conceito de serviços hospitalares, alterado posteriormente pela IN/SRF no 480, de 15 de dezembro de 2004, sem que houvesse qualquer disposição a respeito na Medida Provisória n° 232, de 30 de dezembro de 2004; 4.8 - citando doutrinadores e transcrevendo o artigo 110 do CTN, afirma que a IN/SRF no 480, de 2004, legislou de forma ilegal, em seu artigo 27, quando determinou o conceito de hospital e equiparados; 4.9 - passa, em seguida, a tratar do prazo decadencial de lançar, transcrevendo o artigo 3°, da Lei Complementar n° 118, de 2005, bem como o artigo 142, do CTN, dizendo que o lançamento é privativo da autoridade fiscal, razão pela qual, nos lançamentos por homologação, apenas quando esta ocorre é que o lançamento se completa; 4.10 - a extinção do crédito tributário só acontece, portanto, no ato da homologação expressa da atividade feita pela contribuinte, ou da homologação tácita, no prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores; 4.11 - o prazo decadencial passa a ser contado, pois, da extinção do crédito tributário, que ocorre com a homologação, tácita ou expressa, conforme artigos 165, 168, 150 e 156, do CTN, do que se conclui pela ilegalidade do artigo 3 0, da Lei Complementar n° 118, de 2005; 4.12 - esclarece que o STJ, apreciando o dispositivo em debate, concluiu pela irretroatividade do novo entendimento imposto pelo Poder Legislativo, por se tratar de regra nova e, assim, somente poder se aplicar aos casos ocorridos posteriormente à vigência da Lei Complementar no 118, de 2005; 4.13 - transcreve os artigos 165, do CTN, 66, da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 74, da Lei n° 9.430, de 1996, para reafirmar o seu direito à compensação de valores indevidamente pagos; 4.14 - assevera que os seus créditos, líquidos e certos, devem sofrer a correção pela utilização da Taxa Selic, em atenção ao principio da isonomia tributária, além daquele relativo a não-cumulatividade e moralidade pública, que proíbe o enriquecimento ilícito do Estado; 4.15 — requer, ao final, seja dado provimento integral ao presente recurso, para modificar por completo a decisão proferida, deferindo o pedido de restituição e concedendo a contribuinte o direito de proceder a compensação de todo o período pleiteado, nos termos do artigo 156, do CTN, inciso II, comprovado que o prazo prescricional "sub examine" é de dez anos. Quando da decisão da DRJ, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ART. 168 DO CTN. Nos termos do art. 168 do CTN, o direito de pleitear a restituição de tributo, relativo a pagamento indevido ou maior que o devido, se exaure com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Fl. 437DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.527 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001004/2006-05 IRPJ. LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. CONFIGURAÇÃO. O percentual de 8% para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ na forma do Lucro Presumido somente se aplica nos casos de prestação de serviços médicos, quando cumpridos os requisitos estipulados no art. 27 da IN SRF no 480, de 2004, com a redação alterada pela IN SRF n° 791, de 2007. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou recurso voluntário basicamente repetindo as razões de sua peça anterior. É o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento: Pois bem, a matéria posta nos autos esbarra na questão de decadência, e para tanto, esta deve ser a primeira a ser analisada. O pedido de restituição foi feito em razão de pagamentos à maior em 1998. A formalização do pedido somente ocorreu em 18/05/2006, ou seja, passados mais de 05 anos do recolhimento. A questão já foi tormentosa e foram proferidos inúmeros julgados mas hoje temos uma certeza, os pleitos realizados antes de 06/2005, seguem o prazo decenal, e os pleitos posteriores a essa data, seguem o prazo quinquenal. Tendo sido realizado o pedido fora do prazo quinquena, não há crédito a ser requerido, pois assim como a Fazenda esbarra numa limitação temporal para exercer seus direitos de constituição e cobrança do crédito tributário, o “sujeito passivo” também está adstrito à observância de um prazo para reaver aquilo que pagou indevidamente ao Fisco, a título de tributos. Assim, não a qualquer direito a ser restituído à recorrente, tendo em vista que os créditos peliteados estão decaídos. Neste sentido, nego provimento ao Recurso Voluntário, mantendo incólume a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 438DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-003.527 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001004/2006-05 Fl. 439DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.002205/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO / COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. DESCABIMENTO.
O decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, em Acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), é que a atualização monetária não incide sobre créditos de IPI, a não ser que haja oposição estatal ilegítima, em ato que impeça a sua utilização, o que os descaracteriza como escriturais, exsurgindo aí a necessidade de atualizá-los, sob pena de enriquecimento ilegal do Fisco. Tendo o direito creditório sido reconhecido pela Unidade de Origem, não há que se cogitar em reversão de decisão pelas instâncias administrativas de julgamento, não cabendo, assim, por falta de previsão legal, a aplicação da Taxa SELIC. Ainda, quando o crédito (escriturado) foi utilizado em Pedidos/Declarações de Compensação, nem há que se falar em prazo para apreciação pela autoridade competente, pois o crédito (tributário) simplesmente é extinto.
O saldo devedor remanescente do procedimento de encontro de contas entre créditos e débitos não se sujeita à homologação tácita da compensação, pois não decorre de atividade fiscal de apuração de diferenças de valores declarados, que se sujeitaria à decadência.
PIA/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVOS. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. SÚMULA CARF nº 125.
O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para ressarcimento de PIS e COFINS.
No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. (Súmula CARF nº 125)
Numero da decisão: 3201-005.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO / COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. DESCABIMENTO. O decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, em Acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), é que a atualização monetária não incide sobre créditos de IPI, a não ser que haja oposição estatal ilegítima, em ato que impeça a sua utilização, o que os descaracteriza como escriturais, exsurgindo aí a necessidade de atualizá-los, sob pena de enriquecimento ilegal do Fisco. Tendo o direito creditório sido reconhecido pela Unidade de Origem, não há que se cogitar em reversão de decisão pelas instâncias administrativas de julgamento, não cabendo, assim, por falta de previsão legal, a aplicação da Taxa SELIC. Ainda, quando o crédito (escriturado) foi utilizado em Pedidos/Declarações de Compensação, nem há que se falar em prazo para apreciação pela autoridade competente, pois o crédito (tributário) simplesmente é extinto. O saldo devedor remanescente do procedimento de encontro de contas entre créditos e débitos não se sujeita à homologação tácita da compensação, pois não decorre de atividade fiscal de apuração de diferenças de valores declarados, que se sujeitaria à decadência. PIA/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVOS. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. SÚMULA CARF nº 125. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para ressarcimento de PIS e COFINS. No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. (Súmula CARF nº 125)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-07T16:52:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-06-07T16:52:49Z; Last-Modified: 2019-06-07T16:52:49Z; dcterms:modified: 2019-06-07T16:52:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-07T16:52:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-07T16:52:49Z; meta:save-date: 2019-06-07T16:52:49Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-07T16:52:49Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-06-07T16:52:49Z; created: 2019-06-07T16:52:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-06-07T16:52:49Z; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-07T16:52:49Z | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 156 1 155 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.002205/200948 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.425 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2019 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO_COMPENSAÇÃO Recorrente FABIO PERINI INDUSTRIA E COMERCIO DE MAQUINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO / COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. AUSÊNCIA DE OPOSIÇÃO ESTATAL ILEGÍTIMA. DESCABIMENTO. O decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, em Acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), é que a atualização monetária não incide sobre créditos de IPI, a não ser que haja oposição estatal ilegítima, em ato que impeça a sua utilização, o que os descaracteriza como escriturais, exsurgindo aí a necessidade de atualizálos, sob pena de enriquecimento ilegal do Fisco. Tendo o direito creditório sido reconhecido pela Unidade de Origem, não há que se cogitar em reversão de decisão pelas instâncias administrativas de julgamento, não cabendo, assim, por falta de previsão legal, a aplicação da Taxa SELIC. Ainda, quando o crédito (escriturado) foi utilizado em Pedidos/Declarações de Compensação, nem há que se falar em prazo para apreciação pela autoridade competente, pois o crédito (tributário) simplesmente é extinto. O saldo devedor remanescente do procedimento de encontro de contas entre créditos e débitos não se sujeita à homologação tácita da compensação, pois não decorre de atividade fiscal de apuração de diferenças de valores declarados, que se sujeitaria à decadência. PIA/PASEP. COFINS. NÃOCUMULATIVOS. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. SÚMULA CARF nº 125. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para ressarcimento de PIS e COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 22 05 /2 00 9- 48 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10920.002205/200948 Acórdão n.º 3201005.425 S3C2T1 Fl. 157 2 No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. (Súmula CARF nº 125) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Paulo Roberto Duarte Moreira Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O contribuinte apresentou diversos pedidos de ressarcimentos relativos ao crédito presumido de IPI e ao saldo credor de PIS e Cofins, que foram deferidos parcial ou totalmente pela Unidade da Receita Federal de sua jurisdição. Fez novo pedido à Receita Federal para que lhe fosse concedida restituição dos valores referentes à atualização monetária dos ressarcimentos ou compensações. Afirmou que no lapso temporal entre a formalização do pedido e as efetivas compensações ou pagamentos em contacorrente os valores permaneceram injustamente sem qualquer atualização. Aduziu que o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, sem que haja diferenças substanciais, e a taxa Selic destinase a corrigir valores nos casos de restituição, ressarcimento e compensação tributária. Manifestou entendimento de que os créditos reconhecidos devam ser atualizados monetariamente pela Taxa Selic, sob pena de enriquecimento ilícito por parte do Fisco. Ainda sustentou que seu crédito era líquido e certo consubstanciado no ressarcimento realizado sem a devida atualização monetária. Invocou precedentes administrativos para demonstrar a procedência do pedido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10920.002205/200948 Acórdão n.º 3201005.425 S3C2T1 Fl. 158 3 Ao final, pugnou pelo direito de ver restituído os valores relativos à atualização monetária, através da Taxa Selic, de todos os processos de ressarcimento dos últimos cinco anos deferidos pelo Receita Federal, nas situações em que a data do pedido é diferente da data da compensação ou o efetivo ressarcimento, bem como a atualização deste crédito até a sua efetiva fruição. Foi prolatado despacho decisório nos seguintes termos: RESSARCIMENTO. CRÉDITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Sobre créditos decorrentes de ressarcimento de IPI, da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não incide atualização monetária de qualquer espécie em decorrência de sua natureza contábil e da ausência de previsão legal. Na manifestação de inconformidade repisou seus argumentos para ver reformado o despacho decisório e ter seu pleito deferido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 1444.226, sessão de 28/08/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório, assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2007 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido De início, a DRJ delimitou o litígio a pedido de restituição de valores ressarcidos, não de pagamento indevido. A improcedência do pedido deveuse à inexistência de previsão legal para a correção, ou mesmo acréscimos de juros, na correção do ressarcimentos de créditos de IPI, de PIS e de Cofins. Apontou a decisão recorrida que desde a edição da Lei nº 8.383/1991 não se tem dispositivos legais que conferem atualização monetária ou juros compensatórios em ressarcimento de tributos. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário no qual solicita a reforma da decisão recorrida para que lhe seja deferido o pedido de atualização, pela taxa Selic, dos valores relativos ao ressarcimento de Crédito Presumido de IPI e do Saldo Credor de PIS e Cofins. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10920.002205/200948 Acórdão n.º 3201005.425 S3C2T1 Fl. 159 4 Acrescenta precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais e o Superior Tribunal de Justiça (REsp 1.105.576/RS e Súmula 411). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A matéria posta em litígio cingese à possibilidade de restituição dos valores relativos à atualização monetária, pela taxa Selic, dos ressarcimentos de crédito presumido de IPI e saldos credores de PIS e Cofins já concedidos à recorrente em PERCOMPs. Portanto, não se discute qualquer materialidade do direito creditório em relação aos indigitados tributos. A alegação do contribuinte é de que no lapso temporal entre a data do pedido de ressarcimento concedido e a do efetivo recebimento ou compensação faz jus à atualização monetária. Com razão a decisão recorrida; a contribuinte faz interpretação equivocada dos precedentes administrativos e judiciais. A súmula nº 411 do STJ, tem como enunciado: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco." Observase que há um condicionante fixado pelo Tribunal à atualização monetária para o creditamento do IPI, a saber: uma oposição ilegítima do Fisco. A Câmara Superior deste CARF já firmou seu entendimento quanto à oposição ilegítima do Fisco que enseja a incidência da atualização monetária. No Acórdão nº 9303006.885 (de 12/06/2018), restou consignado pelo seu Relator, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que " (...) a oposição estatal ilegítima somente se dá quando uma decisão denegatória da Unidade de Origem é revertida nas instâncias administrativas de julgamento (...)". Na hipótese dos autos sequer houve uma oposição do Fisco, mormente de natureza ilegítima, pois, como admitiu a própria contribuinte, seus pedidos de ressarcimento foram parcial ou integralmente reconhecidos e efetivados. Cumpre observar que o Pedido de Ressarcimento em litígio não é do direito creditório material, mas tãosomente do valor que seria devido em decorrência da aplicação da taxa Selic sobre valores já deferidos em pedidos anteriores. Quanto ao fundamento para estender a atualização monetária, legalmente prevista nos caso de restituição, à hipótese de pedido de ressarcimento, valhome da mesma decisão da CSRF para refutar os argumentos da recorrente: Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10920.002205/200948 Acórdão n.º 3201005.425 S3C2T1 Fl. 160 5 "Por derradeiro, afasto aqui o argumento, que alguns defendem, de que o ressarcimento seria “espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei." Ainda, para espancar qualquer dúvida em relação ao posicionamento do STJ, inclusive com decisões na sistemática dos recursos repetitivos e de observância obrigatória no julgamento dos recursos administrativos, a teor do § 2º do art. 62 do RICARF reproduzo o REsp nº 1.035.847/RS, de 03/08/2009: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10920.002205/200948 Acórdão n.º 3201005.425 S3C2T1 Fl. 161 6 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp nº 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 03/08/2009) No tocante à atualização monetária dos saldos de PIS e Cofins, a CSRF decidiu negar a correção monetária para o PIS e Cofins, tal como o Acórdão nº 9303005.300 (25/07/2017): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Este Colegiado já enfrentou mesma matéria tendo decidido por unanimidade de votos, impossibilidade de atualização monetária no ressarcimento das Contribuições para o PIS e Cofins por expressa disposição de legal no art. 13 da Lei nº 10.833/031. Tratase do Acórdão nº 3201003.216, de 26/10/2017, cuja ementa reproduzo e adoto como razão de decidir: NÃO CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei nº 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para ressarcimento de PIS e COFINS. Por fim, impende ressaltar a edição da Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Conclusão Ante ao exposto, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira 1 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 161DF CARF MF
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Numero do processo: 13051.720170/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.045
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator), Corintho Oliveira Machado e Jorge Lima Abud, que lhe negavam provimento.
(documento assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado)
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosemburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento (PER) de créditos de Cofins Não-Cumulativa – Exportação, de que trata o art. 6º, § 2º da Lei nº 10.833, de 2004, pleiteado pela empresa em epígrafe por meio do PER (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso). Não há informação de compensações declaradas com referência no crédito. A DRF de origem indeferiu o pedido, emitindo Despacho Decisório no qual foi consignado que se trata de pedido em duplicidade. No referido despacho, aponta-se o número de outro PER/DCOMP referente ao mesmo crédito. Como fundamento para a decisão é indicada a seguinte base legal: parágrafo 7º do art. 21 e Parágrafo 2º do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Devidamente cientificada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, onde, preliminarmente, pugna pela nulidade do Despacho Decisório, que estaria eivado de vício formal insanável. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 51 .7 20 17 0/ 20 11 -1 1 Fl. 264DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.045 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720170/2011-11 Aponta que dito Despacho Decisório não veio acompanhado da devida fundamentação motivacional, mas apenas apontaria as supostas infrações cometidas pela Manifestante. Faltariam a exposição dos elementos de convicção, dos elementos fáticos e do motivo da inexistência de crédito. Concluiu que teria ocorrido cerceamento de defesa e colaciona doutrina, que entende corroborar seu raciocínio. Nesse trilhar, aponta ainda nulidade do procedimento por erro na capitulação legal. Faz um arrazoado sobre a validade do ato processual administrativo tributário, defendendo que o Despacho Decisório, para ser válido e eficaz, deve conter os requisitos fundamentais: agente capaz, forma prescrita ou não defesa em lei e objeto lícito. Aponta equívoco referente à tipificação do "enquadramento legal", ao indicar o parágrafo 7o do Art. 21 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, o qual trata sobre créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, que não guardaria relação com a suposta exigência descumprida. Aduz que, pelo erro cometido pela autoridade tributária (omissão da legislação que substanciaria a suposta irregularidade cometida no PER com a indicação de dispositivos imprecisos), haveria carência de elementos capazes e suficientes para precisar a real motivação da suposta duplicidade do pedido de ressarcimento em questão, dificultando o exercício de seu direito de defesa, importando em vício que acarreta a nulidade do Despacho Decisório. Argumenta que a capitulação legal é elemento essencial para a validade do Despacho Decisório, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. Traz julgados do Egrégio Conselho de Contribuintes que coadunam com suas alegações. No mérito, destaca, inicialmente, a correção do Pedido de Ressarcimento complementar de créditos. Argumenta que, apesar de serem referentes ao mesmo período, tratar-se-ia de pedidos diferentes. Acrescenta que no procedimento administrativo inexiste a figura da coisa julgada. Por fim, observa que enquanto não transcorrido o prazo prescricional para requerer créditos decorrentes da atividade da empresa, não estaria ela ofuscada pela decisão administrativa do pedido anterior. Relata que a apuração dos créditos no pedido original foi feita com a utilização do método "Base na Proporção da Receita Bruta Auferida", com base nos artigos 3º, § 7º e § 8º das Leis n.° 10.833/03 e 10.637/02, conforme se depreende do DACON. No entanto, narra que efetuou um trabalho de revisão fiscal com recálculo dos créditos de Cofins Não-Cumulativa – Mercado Interno no período, referente ao rateio proporcional da receita bruta auferida pela Manifestante, alterando os percentuais dos créditos passíveis de ressarcimento, mas que não foram alvos do outro pedido. Alega que havia inserido "receitas" das vendas, oriundas da comercialização de bens e mercadorias referente a atos cooperados, no primeiro pedido de ressarcimento de Cofins Não-Cumulativa. Então, ao recalcular a totalidade das receitas, desconsiderando as vendas referentes aos atos cooperados, conforme previsto em lei, chegou-se a um novo percentual de receitas para o mercado interno e exportação. Demonstra o recálculo por meio de um exemplo prático. Argumenta que, constatado o erro no percentual outrora empregado, verificou-se, por conseguinte, que a empresa havia requerido valor a menor, razão pela qual, dentro do prazo prescricional, fez pedido referente apenas à parcela que ficou de fora do outro pedido, por ser a Fl. 265DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.045 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720170/2011-11 única forma de haver ressarcido os valores decorrentes de tais créditos apurados após o trabalho de revisão fiscal, já que entende que as operações com cooperados não configuram receitas. Traz acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) e decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Assevera que a IN RFB 900/08, em seu art. 77, não permite que o contribuinte efetue a retificação do pedido de ressarcimento após a decisão administrativa. Então, como possui valores passíveis de ressarcimento que foram levantados no recálculo, apresentou novo pedido, já que não havia outra forma de pleitear a diferença. Por fim, destaca que referido pedido "complementar" não se trata de aumento de crédito, mas de realocação do rateio proporcional dos créditos passíveis de ressarcimento e que acarretaram no pedido "complementar". Da correção monetária ao pedido de ressarcimento Defende que a demora no reconhecimento do crédito implica que se proceda à devida correção pela Selic desde a data do protocolo do pedido a fim de reparar a mora e o poder aquisitivo do crédito. Pugna pela devida correção dos créditos pela taxa SELIC, desde a data dos seus protocolos, em conformidade com o art. 39, § 4.° da Lei n° 9.250/95 e com a Súmula n° 411 do STJ. Do Pedido Requer, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório face às irregularidades apontadas e, no caso de não acolhimento do pedido anterior, no mérito, a reforma do Despacho Decisório uma vez que o PER analisado trata-se de pedido complementar de crédito, o qual deve ser acrescido da devida correção monetária pela taxa Selic, desde a data do protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento/compensação. Por seu turno, a DRJ julgou a impugnação improcedente. Irresignado, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, repisando os argumentos apresentados anteriormente na manifestação de inconformidade. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302-001.041, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 13051.720140/2011-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 266DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.045 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720170/2011-11 Ressalte-se que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302-001.041). Com as vênias de praxe, dissinto do entendimento do eminente Relator no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Entende o relator que o PER 40274.87969.270409.1.1.09-4700 objeto dos autos deve ser caracterizado como um pedido de retificação do pedido original nº 31498.58811.160508.1.5.09-2039, que trata do mesmo trimestre do tributo, sendo que a norma que regulamenta o pedido de ressarcimento só permite sua retificação antes de qualquer decisão administrativa, nos termos do art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, vigente na época dos fatos. Entende, ainda, que como já havia decisão administrativa sobre o pedido de ressarcimento original, quando do protocolo do pedido de retificação, que a retificação do PER original por força do impeditivo normativo não deve surtir efeitos. Entretanto, respeitosamente não concordo com as assertivas explicitadas pela i. relator, na medida em que inexiste no ordenamento jurídico pátrio qualquer restrição ao direito contribuinte de efetuar novo pedido de ressarcimento que tenha por objeto o mesmo trimestre de tributo já pedido anteriormente, desde que não haja similitude de créditos e que seja respeito o prazo prescricional para o exercício do direito de ressarcimento. Ora, entendo ser totalmente aceitável que ao contribuinte seja concedido o direito de rever seus lançamentos e, ultrapassado o prazo de retificar o pedido original previsto na IN 900/2008, realize novo de pedido de ressarcimento. No caso dos autos, a Recorrente afirmou tratar-se de pedidos de ressarcimento diferentes, decorrente de recálculo dos créditos de PIS/COFINS não cumulativo que modificou o percentual de rateio do mercado interno não-tributado e mercado de exportação. Ou seja, o primeiro pedido foi realizado em valor ao menor do que aquele efetivamente devido, fato este que motivou a apresentação de pedido complementar. Ao que parece estamos diante de dois pedidos distintos, o original e o complementar, que tem em comum o fato de se referirem ao mesmo trimestre do tributo. E, em se tratando de pedidos distintos, o limite para o exercício do direito ao pedido complementar é o prazo prescricional para o exercício do direito ao ressarcimento e, não do prazo de retificação previsto na IN 900/2008. Contudo, não obstante a Recorrente tenha carreado documentos para comprovar suas alegações, faz necessário que a fiscalização apure se há similitude dos créditos apresentados nos PER nº s 40274.87969.270409.1.1.09-4700 e 31498.58811.160508.1.5.09-2039, intimando, para tanto, à Recorrente para apresentar documentos que entender necessário à conclusão da diligência. O fundamento para o indeferimento foi por duplicidade de pedido, aparentemente, calcado na identidade do trimestre, do tributo e do tipo de crédito "Cofins Não- Cumulativa" - Mercado Interno. A base legal foram os artigos 21, §7º e 28, §2º da IN RFB nº 900/2008, a saber: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. [...]§ 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: Fl. 267DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3302-001.045 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720170/2011-11 I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, após efetuadas as deduções na escrituração fiscal. Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. [...]§ 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I - referir-se a um único trimestre-calendário; e II - ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação De início, entendo que o requisito de que cada pedido corresponda a um trimestre não implica a consequência contrária, ou seja, que cada trimestre corresponda a um único pedido. Esta possibilidade, inclusive está expressa no artigo 22 da referida instrução normativa, ao permitir a existência de pedido de ressarcimento residual relativo a créditos objeto de pedidos anteriores. Art. 22. O saldo credor passível de ressarcimento relativo a períodos encerrados até 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedido de ressarcimento ou Declaração de Compensação apresentados à RFB até 31 de março de 2007, bem como os relativos a trimestres encerrados após 31 de dezembro de 2006, remanescente de utilizações em pedidos de ressarcimento ou Declaração de Compensação formalizados mediante a apresentação de petição/ declaração em meio papel entregues à RFB a partir de 1º de abril de 2007, somente poderá ser ressarcido ou utilizado para compensação após apresentação de pedido de ressarcimento do valor residual. Assim, admito não haver incompatibilidade inerente entre a possibilidade de apresentar um pedido de ressarcimento relativo a um mesmo período e da mesma natureza já pedidos. Porém, é necessário entender que a instituição de sistemas eletrônicos e travas operacionais são plausíveis, de modo a possibilitar análises céleres e identificação de possíveis situações caracterizadoras de pedidos de ressarcimentos indevidos. Inclusive a regra de impossibilidade de retificação de PER após o despacho decisório é plausível, pois não faria sentido retroagir processualmente para inovar um pedido para o qual já houvesse decisão administrativa, com litígio eventual já delimitado. Todavia, ao interpretar que a instrução normativa, concluindo pela impossibilidade de PER complementar, estar-se-ia implementando um novo prazo prescricional, qual seja, a emissão de despacho decisório. Sabe-se que tal prescrição está contida no Decreto 20.910/32, cujo artigo 1º dispõe: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Contudo, ao admitir que cada trimestre seja realizado por apenas um pedido, sem possibilidade de complementação, acaba por resultar em estabelecimento de novo prazo prescricional para que o contribuinte exerça o direito ao ressarcimento de créditos. Assim, ainda que o contribuinte dispusesse de anos para pedir o ressarcimento, após a emissão do despacho decisório, qualquer valor ainda não pedido, seja por qualquer motivo, tornar-se-ia prescrito, já que impossível qualquer retificação ou apresentação de PER complementar. Como ficaria o direito do contribuinte se eventuais créditos somente fossem reconhecidos em ato normativo emitido pela própria RFB posterior a pedidos já decididos, mas antes de escoado o prazo do Decreto nº 20.910/32, tal qual o Parecer Normativo Cosit nº 5/2018, que estabeleceu novo conceito de insumos para efeito da não-cumulatividade das contribuições? Fl. 268DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3302-001.045 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13051.720170/2011-11 Entendo que a IN não pretendeu a alteração deste prazo. Conforme já exposto, a retificação de PER é vedada após a emissão de despacho decisório e nesta vedação residem motivos de ordem processual e mesmo de eficiência da análise eletrônica de PER/DCOMPS. Todavia, o contribuinte não apresentou uma retificadora, mas um novo PER do mesmo período, tributo e tipo de crédito, que o sistema presumiu como duplicidade dos pedidos. Porém, tal presunção de indeferimento não se verifica, pois o pedido, em princípio, não está em duplicidade, em vista das alegações e documentos apresentados. A presunção de duplicidade ocorreu em função apenas do período, tributo e da natureza do crédito, mas não dos valores pleiteados, o revela um critério da Administração para o tratamento eletrônico, mas que pode não corresponder à verdade material dos pedidos, nem pode servir para a configuração de novo prazo prescricional. Assim, voto no sentido de afastar a presunção de duplicidade reconhecida eletronicamente, para que tal duplicidade seja aferida pela análise dos valores efetivamente pleiteados pela unidade de origem. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que órgão de origem avalie a duplicidade de pedidos de ressarcimento e compensação reconhecida eletronicamente, mediante análise dos valores efetivamente pleiteados na unidade de origem. Após sanadas essas dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 269DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.007067/2008-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. ENGORDA DE FRANGOS.
A simples engorda de frangos, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não dá ensejo ao crédito presumido previsto no caput do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, já que não constitui os bens referidos no inciso II do caput do art. 31 das Leis n° 10.637/2002 e nº 10.833/2003.
ISENÇÃO. VENDA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS EXPRESSOS EM LEI. OBRIGATORIEDADE.
As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
Para fins de reconhecimento do direito à isenção pelo vendedor, é irrelevante a comprovação da efetiva exportação. A comprovação da exportação dentro do prazo legal se presta unicamente a garantir à empresa comercial exportadora que os tributos suspensos ou isentos não serão dela exigidos.
Numero da decisão: 3002-000.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Designada para redigir o voto vencedor, apenas em relação à proposta de diligência, a conselheira Larissa Nunes Girard.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Redatora Designada
(documento assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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INSUMO. ENGORDA DE FRANGOS. A simples engorda de frangos, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não dá ensejo ao crédito presumido previsto no caput do art. 8º da Lei n° 10.925/2004, já que não constitui os bens referidos no inciso II do caput do art. 31 das Leis n° 10.637/2002 e nº 10.833/2003. ISENÇÃO. VENDA COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS EXPRESSOS EM LEI. OBRIGATORIEDADE. As vendas para as empresas comerciais exportadoras somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Para fins de reconhecimento do direito à isenção pelo vendedor, é irrelevante a comprovação da efetiva exportação. A comprovação da exportação dentro do prazo legal se presta unicamente a garantir à empresa comercial exportadora que os tributos suspensos ou isentos não serão dela exigidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Designada para redigir o voto vencedor, apenas em relação à proposta de diligência, a conselheira Larissa Nunes Girard. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Redatora Designada (documento assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 70 67 /2 00 8- 43 Fl. 8308DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 7753/7757 dos autos: Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos do PIS, apurados no regime de incidência não-cumulativa — Mercado Interno, correspondente ao 2° trimestre de 2006, formalizado por meio do Per/Dcomp n.° 30979.34981.270808.1.1.10-0401 (fls. 01/03), pelo qual requer o montante de R$ 48.242,15. A DRF/Cascavel-PR, por meio do Despacho Decisório n° 044/2009 (fls. 3815/3822), tomou a seguinte decisão: "a) reconhecer parcialmente o direito creditório no valor de R$ 30.404,05 (trinta mil, quatrocentos e quatro reais, e cinco centavos), conforme item 7 desta decisão, relativo ao saldo credor da PIS Não-Cumulativo, Mercado Interno, oriundo de vendas não tributadas no mercado interno referente a produtos com aliquota 'zero', conforme disposto no art. 17 da Lei n.° 11.033/04 c/c art. 16 da Lei n.° 11.116/05, apurado no 2° trimestre de 2006, sem atualização monetária, conforme disposto no art. 72, 5S 5°, inciso I, da IN SRF n°900/2008". Na análise realizada pela autoridade administrativa, consta que foram feitas glosas dos créditos decorrentes de irregularidades no aproveitamento de créditos regulados pela Lei n° 10.637/2002 e do crédito presumido da agroindústria disciplinado pela Lei n.° 10.925/2004, conforme explicitado no item 2.1 do despacho decisório (fls. 3816/3819); já, no item 3 do despacho decisório (fl. 3819/3820), o fisco explica o método de rateio proporcional das receitas (mercado interno e externo) que adotou em seus trabalhos, inclusive destacando a alteração no percentual de exportação e mercado interno tributado, em função da falta de comprovação de venda com fim especifico de exportação, que detalha no item 4 da mesma decisão; por sua vez, em face das alterações comentadas, o fisco explicita no item 5 sobre o aproveitamento do crédito presumido da agroindustria, e no item 6 fala sobre os valores deferidos de créditos do PIS (planilha de fl. 3821). Cientificada em 31/03/2009 (fl. 3822), a interessada, por intermédio de seu procurador (mandato de fls. 3847/3848), ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 3833/3846, em 14/04/2009, a seguir resumida. Inicialmente fala sobre as glosas que entende efetuadas pela DRF/Cascavel, as quais são assim resumidas: "1) RECEBIMENTO DE FRANGO VIVO DE COOPERADO PESSOA FÍSICA: Considerando que a operação de engorda do frango não se trata de bem, mas serviço, conclui-se que não,pode ser aproveitado como crédito da agroindústria nos termos da Lei 10.925/04, pois de acordo com o artigo 8° abaixo transcrito, somente pode ser calculado o crédito sobre o valor de bens e não de serviços, utilizados como insumos, constantes do inciso II do caput do artigo 3° das Leis 10.637/02 e 10.833/03. (Item 2.1.2.1 do despacho decisório n.° 044/09). 2) ALTERACÃO DA BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO PRESUMIDO EM FUNC.ÁO DA APLICACÃO DA ALIQUOTA: Considerando que foi constatada a aplicação da alíquota de 0,9900% para os insumos vegetais adquiridos, quando deveria ser utilizada a alíquota de 0,5775%, conforme Planilha de Crédito da Agroindustria de fls. 548-711, efetuou-se a exclusão de R$ 5.766.296,77, R$ 9.067.324,57 e R$ 7.407.973,59 da linha 25 do DA CON, e a inclusão dos mesmos valores para a linha 26, para aplicação da aliquota de 0,5775%. (Item 2.1.2.2 do despacho decisório n.° 044/09). 3) DA EXCLUSÃO DA RECEITA DE EXPORTACÃO INDIRETA: Verificou-se que não houve a comprovação de venda com fim especifico de exportação, nos termos do disposto no 6S. 1° do artigo 45, do Decreto n.° 4.524/02, pois, em pesquisa no Sistema Siscomex, à fl. 1340, constatou-se que a Empresa Armazenadora- Cattalini Granéis Fl. 8309DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 Líquidos Ltda, CNPJ 77.628.329/0001-26, que consta na Nota Fiscal de remessa com fim especifico de Exportação, não se enquadra como recinto alfandegado o que descaracteriza a aquisição C0171 fim especifico de Exportação. (item 4 do despacho decisório n.° 04-1/09)." Quanto à primeira glosa (RECEBIMENTO DE FRANGO vivo DE COOPERADO PESSOA FÍSICA), afirma que por se dedicar, entre outras atividades, ã exploração industrial de aves, mantém com os produtores rurais contratos de parceria (modelo ãs fls. 3574/3578); comenta que depois de concluído o processo de engorda das aves, estas retornam a seus estabelecimentos em duas quotas-parte individualizadas: uma correspondendo ao produtor parceiro que a vende à cooperativa, e a outra, que já é da cooperativa, não constitui compra de produção de produtor parceiro. Diz que tal sistemática não é nem invenção e nem liberalidade sua, por meio dos contratos firmados com os produtores rurais, e nem se apresenta como exemplo que adota, mas que deriva do estabelecido no art. 96, V da Lei n.° 4.504, de 1964 (Estatuto da Terra), agregando que, assim, essa atividade nada teria a ver corn a simples prestação de serviços, posto que o pagamento ao produtor parceiro é feito na forma do precitado dispositivo legal, o qual determinaria, obrigatoriamente, o estabelecimento em contrato de quota limite de participação do mesmo nos frutos da parceria; reafirma que nesse sistema (parceria rural) é proibido efetuar o pagamento ao produtor parceiro em espécie, sob pena de se transformar a parceria em simples locação de serviços, na forma do parágrafo único do precitado art. 96 da Lei n.° 4.505, de 1964; considera imperioso lembrar ao fisco que a operação de compra (do produtor parceiro), que teria sido desconsiderada, extrapola a operação de parceria rural, posto que, na verdade, seria uma operação seguinte de compra e venda de produto por ele recebido em forma de repasse de sua quota parte. Diz que para corroborar a licitude da operação de compra, objeto do sistema de parceria rural, e os dispositivos antes mencionados é mister que assim ocorra, gerando o direito do crédito presumido ao "Parceiro Proprietário/Industrializador" na forma do art. 8° da Lei 10.925/2004, pois o "Produtor Parceiro" contribui na produção dos animais para o abate com os custos de energia elétrica, instalações, gás, maravalhas, combustíveis, além de outros produtos necessários à terminação dos lotes de animais para o abate, arcando também com os riscos na produção; quanto ao tema (parceria rural e prestação de serviços pelo parceiro produtor rural) transcreve ementa do Resp n.° 587703/SC, após o que emite a seguinte conclusão: "Por essa razão não pode a Auditora Fiscal, simplesmente desconhecer as notas fiscais de aquisições emitidas pela recorrente no Sistema de Parceria Rural para documentar as operações de compras e entradas físicas das aves para abate, com a finalidade de Glosar direito liquido e certo do Contribuinte o qual reteve e recolheu por responsabilidade as contribuições devidas e incidentes na operação. A compra de fato ocorreu com base nos documentos fiscais os pagamentos foram efetuados ao Produtor Rural, não houve prestação de serviços, portanto o crédito apropriado pela recorrente é legitimo e assim deve ser restabelecido". Já, quanto à próxima glosa (ALTERAÇÃO DA BASE DE CALCULO DO CREDITO PRESUMIDO EM FUNÇÃO DA APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA), argumenta que, nos termos do art. 8° da Lei n.° 10.925, de 2004, aplicou o equivalente a 60% de crédito presumido sobre as operações de aquisição de insumos de produção, originados diretamente de produtores rurais pessoas físicas, posto que é produtora industrial de produtos de origem animal classificados no capitulo NCM 02 (carnes e derivados) destinados ao consumo humano, sendo que entender de forma diversa seria desrespeitar a citada norma legal, razão pela qual discorda da interpretação do fisco de aplicar a aliquota de 35% à situação descrita. Após transcrever o mencionado art. 8° da Lei n.° 10.925, de 2004, afirma, com base no caput desse dispositivo, que o crédito presumido deve ser calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3° das Leis n.° 10.637, de 2002 e n.° 10.833, de 2003, adquiridos de pessoas físicas ou recebidos de cooperado pessoa física, ou seja, insumos de produção ou fabricação de bens destinados a venda; fala que o direito ao crédito presumido, determinado pelo art. 8° da Lei n.° 10.925/2004 é exclusivo para as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal na forma dos Fl. 8310DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 códigos da NCM citados, e para isso é necessário a aquisição de insumos de produção, os quais são adquiridos na condição de in natura, sem terem passado por qualquer processo de industrialização, sendo que admitir o entendimento do fisco seria concordar que estaria adquirindo o produto final, já industrializado, o que não seria passível de crédito presumido e sim crédito ordinário. Argumenta que se o direito ao crédito presumido é da pessoa jurídica que produz mercadorias de origem animal ou vegetal, tal como previsto no capuz' do artigo 8° da Lei 10.925/2004, e para isso é necessário a aquisição de produtos in natura, sendo somente estas aquisições que permitem a apropriação desta modalidade de crédito é fácil entender que quando o legislador estabeleceu o crédito presumido de 60% para os produtos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e nas misturas ou preparações de gorduras ou óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 ele estava unicamente se referindo a quem produzisse tais produtos, que seria o seu caso, agregando que nem poderia ser diferente pois os produtos citados não são matérias primas in natura e sim produtos acabados ou seja industrializados, cujo crédito na aquisição é na modalidade de crédito ordinário e não presumido. Diz que tal entendimento teria sido confirmado pela RFB nos termos da Solução de Consulta n° 102, de 11/09/2006, cuja ementa transcreve; formula, ao final desse tópico, a seguinte conclusão: "Portanto, considerando que a ora recorrente é produtora dos produtos de origem animal constantes no artigo 8° da Lei 10.925/04 e adquire produtos in natura diretamente de produtores pessoas físicas e demais cooperativas de produção agropecuária e cerealistas, fica claro e evidente o seu direito ao crédito presumido de 60% (sessenta por cento), ou seja, 4,56% COF1NS e 0,990% PIS, com aplicação direta sobre as aquisições na forma calculada, pela ora impugnante." Por sua vez, sobre a glosa seguinte (DA EXCLUSÃO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO INDIRETA), com base no art. 155, § 2°, X, "a", da CF/1988, afirma que não se pode tributar operações de venda com fim especifico de exportação, albergadas por notas fiscais que teriam sido emitidas na forma da lei, e que foram seguidas da efetiva comprovação de saída dos produtos para o mercado externo; informa, também, que às referidas notas fiscais estariam atrelados memorandos de exportação, RE, Bill of lading, BL, CE e nota fiscal de exportação. Entende que comprovada a exportação de "óleo de soja bruto degomado", conforme destacado nas notas fiscais de saída objeto do "Pedido de Restituição das Contribuições para o PIS e a COFINS acumulados", seria inegável a aplicação do beneficio fiscal da imunidade tributária, e o direito de manutenção e restituição das referidas contribuições, o que veda a possibilidade de qualquer alegação por parte do fisco de que não houve a comprovação da exportação, pelo fato de que a formação de lotes para futura exportação ocorreu em armazém geral da empresa Cattalini Granéis Líquidos Ltda., e não em recinto alfandegário, nos termos do disposto no art. 45, § 10 do Decreto n.° 4.524, de 2002, acrescentando que tal regra estaria em contradição com o precitado dispositivo da CF/1988, bem como com os arts. 5°, III das Leis n.° 10.637, de 2002, e n.° 10.833, de 2003; quanto a essas duas leis, diz que tratam como pressuposto básico para a não incidência do PIS e da Cofins as "vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação", bastando, assim, que as mercadorias se destinem ao exterior, condição que seria suficiente para se utilizar do benefício fiscal. Prosseguindo, sustenta que dentro da hierarquia normativa o Decreto n° 4.524/2002 objetivava regulamentar o PIS e a COFINS instituídos pelas, respectivamente, LC n.° 07/1970 e LC o.° 7011991, sendo, portanto, anterior ás regras trazidas pelas Leis n.° 10.637/2002 e n.° 10.833/2003, que tratam do PIS e da COF1NS não cumulativos, não podendo assim ser base de referência, ou mesmo mandamento legal que possa interferir, criando vedações não trazidas em Lei, pelas quais não existe nenhuma relação jurídica legal. Argumenta que mesmo que se admita que, submetida ao regime não cumulativo, estivesse sobre as regras regulamentares deste Decreto n.° 4.524/2002, ainda assim não poderia persistir o entendimento aplicado pelo fisco, pelo Principio da Hierarquia das Fl. 8311DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 Normas, uma vez que nem a Constituição Federal em seu art. 155, X, "a", e nem as Leis Ordinárias n.° 10.637/2002 e n.° 10.833/2003, em seus respectivos artigos 5°, determinam que a comprovação das exportações somente seja válida quando efetuados diretamente, ou então quando ocorrer as remessas a recintos alfandegários. A regra básica trazida é de que as "mercadorias efetivamente se destinem ao exterior do Pais, por faturamento direto ou via Comercial Exportadora", sendo esta a comprovação devida pelo vendedor. Sustenta que remeteu as mercadorias para a empresa Imcopa Importação Exportação e Indústria de Óleos Ltda - CNPJ sob n.° 78.571.411/0001-24 - e que foram entregues por conta e ordem na empresa armazenadora Cattalini Granéis Líquidos Ltda CNPJ n.° 77.628.329/0001-26 -, sendo que a exportação foi realizada pela referida empresa Imcopa Importação Exportação e Indústria de Óleos Ltda, conforme comprovantes anexos ao Processo de Homologação dos Créditos, tendo as mesmas sido embarcadas ao exterior nos prazos legais, sem qualquer prejuízo para a Unido. Comentando ser do interesse da nação brasileira o incremento das exportações, pelo que não se poderia opor maiores entraves ás atividades da interessada, diz: "cabe ao fisco analisar adequadamente a razoabilidade de suas imputações, visando fazer valer o fim em detrimento do meio, sob pena de inverter valores, criando óbices para o gozo de benefícios fiscais que encerram relevantes interesses coletivos"; ao final dos comentários sobre esse item, considera que "diante da situação imunizante a que está adstrita a circunstância de fato objeto do presente caso", é necessário reconhecer-se a improcedência da exclusão da base de cálculo do crédito do PIS das operações de exportações, assim como a sua consequente inclusão na base tributável da referida contribuição, como operação no mercado interno. Por fim, enfatizando que sua manifestação de inconformidade se reporta às glosas de créditos contidas nos itens 2.1.2.1, 2.1.2.2 e 4 do despacho decisório de fls. 3815/3822, pede que se julguem improcedentes tais glosas, com o consequente deferimento do crédito por elas representado, para os fins de compensação ou ressarcimento. Além da procuração de fls. 7746/7748, contribuinte não juntou outros documentos com sua manifestação de inconformidade. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada (fls. 7752/7767): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. ENGORDA DE FRANGOS. A simples engorda de frangos, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não dá ensejo ao crédito presumido previsto no caput do art. 81 da Lei n° 10.925, de 2004, posto que não se constitui nos bens referidos no inciso II do caput do art. 31 das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS VEGETAIS. ALÍQUOTA PARA CÁLCULO DE CRÉDITO. O cálculo do crédito presumido do PIS, quando da aquisição de insumos vegetais de pessoa física ou de recebimento de cooperado pessoa física, é feito com a utilização da alíquota de 0,5775%. LEGISLAÇÃO SOBRE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO. A legislação tributária que dispõe sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. Fl. 8312DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 As vendas para as empresas exportadoras registradas na Secex somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 23/07/2010 (vide fl. 7772 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 20/08/2010, Recurso Voluntário (fls. 7774/7792). Em seu recurso, o contribuinte repisou os argumentos da sua manifestação de inconformidade, alegando o que adiante se resume. Sustentou que a parceria agrícola para engorda de frangos gera direito a crédito presumido, pois não se trataria de prestação de serviço, mas de atividade desenvolvida com produtores rurais em regime de cooperação, onde se reuniriam esforços para transformação de pintos em aves para abate, e cujo resultado seria a distribuição de percentuais dos frangos que, então, constituiria objeto de operações de compra e venda. Este procedimento decorreria de contratos de parceria rural firmados com base no artigo 96, V, da Lei nº 4.504/64 e estaria formalizado contabilmente. Afirmou ter colacionado as notas fiscais de compra. Nesse sentido, o resultado da integração avícola deveria ser interpretado como bem e não como serviço. Prosseguindo na argumentação, afirmou que, na condição de industrializadora de produtos de origem animal, adquiriria insumos com incidência de PIS e COFINS, o que, conforme o inciso II, do artigo 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 e artigo 8º, caput, § 3º, I, da Lei 10.925/04, resultaria no direito a crédito presumido de 60%. Argumentou que a Administração estaria equivocada no ponto em que entendeu que a aplicação das alíquotas de 35% e 60% (artigo 8º, caput, § 3º, I e II, da Lei 10.925/04) dependeria da natureza do bem adquirido e, com base nisso, glosou os insumos adquiridos de origem vegetal. O recorrente defendeu que, ao contrário, a aplicação de tais alíquotas dependeria da natureza da indústria que adquire os bens, razão pela qual estaria enquadrada na hipótese. Argumentou, ainda, que teria direito à imunidade do PIS e da COFINS sobre receitas decorrentes de exportação, conforme artigo 149, § 2º, I, da CRFB/88, e que, apesar do fundamento da decisão recorrida de que o recorrente teria deixado de enviar os produtos a armazéns alfandegados, haveria provas nos autos de que o produto foi depositado pela compradora exportadora em locais de “zona primária”, não tendo, tais produtos, tido destinação diversa do mercado externo. Argumentou que nenhuma irregularidade formal foi cometida, tendo sido emitidas as correspondentes notas fiscais. Pediu, ao fim, a reforma integral da decisão recorrida, para fins de reconhecer-se a compensação/ressarcimento dos créditos pretendidos. Juntou, com o recurso, os anexos I e II, de fls. 7798/8302. À fl. 8303, consta requerimento de desistência parcial do recurso, no qual o contribuinte informou que o pedido se refere apenas à matéria relativa ao ressarcimento dos créditos presumidos decorrentes de atividade agroindustrial para abatedouros de aves e suínos Fl. 8313DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 proporcionais às exportações, apurados na forma do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, permanecendo as demais em discussão. À fl. 8304, consta despacho de encaminhamento onde estão indicados os processos em que foram apresentados o referido requerimento de desistência parcial do recurso. Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o não reconhecimento de parte do crédito pleiteado pelo Recorrente no presente caso deu-se em função de três fundamentos: (i) recebimento de frango vivo de cooperado pessoa física, visto que a operação de engorda de frango não se trata de bem, mas de serviço, razão pela qual não poderia ser aproveitado como crédito da agroindústria nos termos da Lei nº 10.925/04; (ii) alteração da base de cálculo do crédito presumido em função da aplicação da alíquota (redução da alíquota aplicada de 0,99% para a alíquota de 0,5775% (crédito presumido calculado na forma do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004); (iii) exclusão da receita de exportação indireta, face à ausência de comprovação de venda com fim específico de exportação, nos termos do disposto no parágrafo 1º do artigo 45 do Decreto nº 4.524/02. Em princípio, o Recorrente apresentou recurso em que discutia todos os três fundamentos de glosa. Posteriormente, contudo, apresentou desistência no que tange ao segundo argumento. Permanece em discussão, portanto, apenas o primeiro e terceiro fundamentos, os quais serão devidamente analisados em sucessivo. 1. Recebimento de frango vivo de cooperado pessoa física Quanto a este tema, a fiscalização entendeu por glosar o crédito pleiteado com base no seguinte fundamento: 1) RECEBIMENTO DE FRANGO VIVO DE COOPERADO PESSOA FÍSICA: Considerando que a operação de engorda do frango não se trata de bem, mas serviço, conclui-se que não, pode ser aproveitado como crédito da agroindústria nos termos da Lei 10.925104, pois de acordo com o artigo 8° abaixo transcrito, somente pode ser calculado o crédito sobre o valor de bens e não de .serviços, utilizados como insumos, constantes do inciso 11 do caput do artigo 3° das Leis 10.637102 e 10.833103. (Item 2.1.2.1 do despacho decisório n.°041109). Este entendimento restou mantido pela DRJ na decisão recorrida, conforme se extrai do resumo constante da ementa a seguir transcrita: CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO. ENGORDA DE FRANGOS. A simples engorda de frangos, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não dá ensejo ao crédito presumido previsto no caput do art. 8º da Lei n° 10.925, de 2004, posto que não se constitui nos bens referidos no inciso II do caput do art. 31 das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Fl. 8314DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 O contribuinte, por seu turno, argumentou que a parceria agrícola para engorda de frangos gera direito a crédito presumido, pois não se trataria de prestação de serviço, mas de atividade desenvolvida com produtores rurais em regime de cooperação, onde se reuniriam esforços para transformação de pintos em aves para abate, e cujo resultado seria a distribuição de percentuais dos frangos que, então, constituiria objeto de operações de compra e venda. Este procedimento decorreria de contratos de parceria rural firmados com base no artigo 96, V, da Lei nº 4.504/64 e estaria formalizado contabilmente. Afirmou ter colacionado as notas fiscais de compra. Nesse sentido, o resultado da integração avícola deveria ser interpretado como bem e não como serviço. O referido art. 96, V, assim dispõe: Art. 96. Na parceria agrícola, pecuária, agro-industrial e extrativa, observar-se-ão os seguintes princípios: I - o prazo dos contratos de parceria, desde que não convencionados pelas partes, será no mínimo de três anos, assegurado ao parceiro o direito à conclusão da colheita, pendente, observada a norma constante do inciso I, do artigo 95; II - expirado o prazo, se o proprietário não quiser explorar diretamente a terra por conta própria, o parceiro em igualdade de condições com estranhos, terá preferência para firmar novo contrato de parceria; III - as despesas com o tratamento e criação dos animais, não havendo acordo em contrário, correrão por conta do parceiro tratador e criador; IV - o proprietário assegurará ao parceiro que residir no imóvel rural, e para atender ao uso exclusivo da família deste, casa de moradia higiênica e área suficiente para horta e criação de animais de pequeno porte; V - no Regulamento desta Lei, serão complementadas, conforme o caso, as seguintes condições, que constarão, obrigatoriamente, dos contratos de parceria agrícola, pecuária, agro-industrial ou extrativa: a) quota-limite do proprietário na participação dos frutos, segundo a natureza de atividade agropecuária e facilidades oferecidas ao parceiro; b) prazos mínimos de duração e os limites de vigência segundo os vários tipos de atividade agrícola; c) bases para as renovações convencionadas; d) formas de extinção ou rescisão; e) direitos e obrigações quanto às indenizações por benfeitorias levantadas com consentimento do proprietário e aos danos substanciais causados pelo parceiro, por práticas predatórias na área de exploração ou nas benfeitorias, nos equipamentos, ferramentas e implementos agrícolas a ele cedidos; f) direito e oportunidade de dispor sobre os frutos repartidos; A análise do presente tópico, portanto, perpassa sobre a comprovação da alegação posta pela Recorrente em seu recurso. Isso porque, caso haja de fato uma quota-parte de frangos cuja titularidade é do cooperado, entendo que seria possível que este procedesse à venda dos frangos correspondentes à esta quota parte à Recorrente, garantindo-se em tal caso o direito ao creditamento pleiteado, uma vez que estes frangos ainda passariam por outras fases de beneficiamento no estabelecimento do Recorrente. Acontece que, nos presentes autos, verifico que não há tal comprovação. Ao contrário, do contrato anexado aos autos pelo Recorrente com um de seus cooperados (vide fls. 4031 e seguintes), é possível constatar que os frangos pertencem desde a sua origem ao Recorrente, visto que este fornece ao cooperado os "pintainhos" (pintos) e recebem em retorno Fl. 8315DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 os frangos após a engorda. Ademais, a forma de pagamento seria realizada em pecúnia. Nesse contexto, ao menos em princípio (não há comprovação nos autos em sentido contrário), todos os frangos que saíram do estabelecimento dos cooperados eram de propriedade, em verdade, do próprio Recorrente, tendo apenas retornado ao seu estabelecimento após o processo de engorda realizado nos estabelecimentos do cooperado. Nesse contexto, correta a interpretação da fiscalização no sentido de glosar o crédito quanto à entrada de tais frangos no estabelecimento da Recorrente. Nesse mesmo sentido foi o entendimento da DRJ, cujos fundamentos reproduzo a seguir, adotando-os como razão de decidir: Contestação ao item 2.1.2.1— crédito presumido — atividades agroindustriais A interessada contesta a glosa expressa nesse item dizendo que, entre outras atividades, dedica-se à exploração industrial de aves, pelo que teria celebrado contratos de parceria com produtores rurais com o fito de promover a engorda de frangos; afirma que depois de concluído o processo de engorda, as aves retornariam a seu estabelecimento em duas quotas-partes individualizadas, sendo que uma delas corresponderia ao produtor parceiro que a venderia à interessada, e a outra constituiria a parte da empresa, não se constituindo na compra de produção do parceiro; sustenta que tais contratos seriam regidos pelo Estatuto da Terra (Lei n° 4.504, de 1964), e, portanto, obedeceriam às suas determinações, não se constituindo' em simples prestação de serviços como entende o fisco; dessa forma haveria determinação da quota limite de participação do produtor parceiro nos frutos da parceria, sendo terminantemente proibido efetuar o pagamento ao produtor parceiro em espécie (art. 96, parágrafo único do precitado estatuto da terra); acrescenta que, no caso, há operação posterior, desvinculada da parceria rural, de compra da quota parte do produtor parceiro pela interessada, que teria sido desconsiderada pelo fisco, e que daria respaldo à utilização de crédito presumido nos termos do art. 80 da Lei n ° 10.925, de 2004. No entanto, a argumentação da interessada não pode ser levada em consideração. De plano, cabe destacar que além de sua argumentação a interessada nada mais trouxe aos autos que desse suporte às suas alegações. Por sua vez, o contrato que a interessada celebra com os produtores rurais, conforme o modelo juntado. pelo fisco às fls. 4006/4010, não corresponde à sustentação expendida na manifestação de inconformidade. Para auxiliar o julgamento, transcreve-se, a seguir, o texto desse contrato: ``CONTRATO DE PARCERIA AVlCOLA (...) CLAUSULA PRIMEIRA: COPACOL e CRIADOR por ato de manifestação bilateral de vontades pactuam a afiação de frangos através de sistema de parceria, na forma a seguir estabelecida. CLÁUSULA SEGUNDA: A COPACOL fomecerá os seguintes insumos ao CRIADOR, para que este viabilize a criação de frangos: os pintainhos necessários, os medicamentos, a ração, assistência técnica, transporte das aves da propriedade para o frigorífico. CLÁUSULA TERCEIRA: O CRIADOR promoverá o desenvolvimento dos frangos em aviários de sua propriedade, construído e equipado de forma a atender as necessidades técnicas de produção das aves, correndo as suas expensas as despesas com gás, lenha., energia elétrica, mão-de-obra, funcionários, trabalhistas, previdenciárïa e acidentarias. CLÁUSULA QUARTA: Os frangos serão criados até idade de 30 a 60 dias, contada a partir do recebimento pelo CRIADOR dos pintainhos, obedecendo entre um lote e outro, o intervalo de 4 a 20 Fl. 8316DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 dias conforme as necessidades da COPACOL. Cabe ao CRIADOR, observar fielmente as recomendações da Assistência Técnica. CLÁUSULA QUINTA: O CRIADOR, por cada lote criado, receberá pecuniariamente através da aplicação da tabela referente cio Índice de Eficiência Produtiva - IEP, que variará conforme tabela arquivada na sede da COPACOL, fazendo parte integrante do presente contrato, observando-se o seguinte: IEP = Peso Médio (x) Sobrevivência (X) 100 Idade Abate (x) Conversão Alimentar Se a conversão alimentar for maior gire a média dos últimos dias, será descontado do resultado de eficiência, caso contrário, será acrescido até o limite preestabelecido. Quanto à condenação, quando menor que a meta pré-estabelecida, será acrescido no resultado de eficiência, quando maior que a meta o produtor deixa de receber a bonificação, porém não é penalizado. Dessa transcrição, constata-se que não há, no caso, que se falar no contrato de parceria previsto no art. 96 da Lei n ° 4.504, de 1964. Veja-se que é a própria interessada quem afirma, no tento de sua peça impugnatória, que: "é terminantemente proibido efetuar o pagamento ao produtor parceiro, em espécie no sistema de parceria rural, sob pena de transformar-se a parceria em simples locação de serviços, na forma do artigo 96 da Lei n.' 4.504164, em seu inciso V (..)"; ora, da leitura da cláusula quinta do contrato antes transcrito está claramente acordado que "o criador, por cada lote criado, receberá p ecuniariamente através da aplicação da tabela referente ao índice de eficiência produtiva — IEP (..)", o que demonstra a inconsistência da argumentação, posto que os contratos que celebra com os criadores de frango não se submetem à previsão do mencionado dispositivo do Estatuto da Terra. Além disso, diferentemente do alegado, verifica-se que inexiste a discriminação de quota-parte para a interessada e para o produtor parceiro; na verdade, no referido contrato consta que a COPACOL entregará ao criador um lote de frangos para que este promova a engorda, o qual, por isso, será remunerado na forma antes mencionada; portanto, ao final do período todo o lote de frangos deverá ser devolvido à interessada (há somente a previsão de que 0,1% do total de aves do lote em formação, possa ser usado para sustento do criador - consoante cláusula sétima do contrato), não havendo a definição de quotas partes, como suscitado. Ressalte-se, além disso, que no referido contrato há dispositivo (cláusula • sexta) que diz, explicitamente, que a retenção de frangos pelo criador em índice superior ao permitido, caracterizará o furto, respondendo o mesmo penal e civilmente pelo ato praticado. Portanto, pelos elementos que constam dos autos, correta a interpretação do fisco que se trata, in casu, da contratação de produtores rurais (pessoas físicas) para promoverem o serviço de engorda de frangos, o que não se subsume na previsão legal do crédito presumido expressa no caput do art. 8 1 da Lei n ° 10.925, de 2004, com a redação pela Lei n ° 11.051, de 2004, a seguir transcrito, já que tal crédito somente pode ser calculado sobre o valor de bens e não de serviços. "Art. 8`-' As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação • humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado .sobre o valor dos bens referidos no inciso 11 do caput do art. 32 das Leis n s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. " (Grifou- se) Fl. 8317DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 Como se não bastasse, ainda que ciente da argumentação constante da decisão da DRJ, o Recorrente não trouxe em seu Recurso Voluntário documentação apta a afastar a conclusão a que chegou a instância recorrida. Após repisar os mesmos argumentos já postos em sua manifestação de inconformidade, limitou-se a alegar que "Todo este processo está devidamente formalizadas contabilmente, tendo a recorrente colacionado todas as notas fiscais de compras dos cooperados produtores rurais parceiros aptas a demonstrar a entrada físicas das aves para abate, sendo, portanto, inquestionável seu direito a crédito presumido" (fl. 4291). Da análise de tais notas fiscais colacionadas aos autos (fls. 4468 e seguintes), contudo, verifico que tais notas não logram comprovar o pretendido pelo Recorrente, visto que correspondem a notas fiscais de saída da COPACOL. E, ainda que correspondessem a notas fiscais de entrada de frangos oriundos dos cooperados, ainda assim não lograriam comprovar que não correspondem apenas ao retorno de frangos saídos para beneficiamento, não correspondendo, portanto, a uma operação de compra e venda, como relatado pelo Recorrente. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente quanto ao presente tópico. 2. Exclusão da receita de exportação indireta Já no que tange ao presente tema, assim entendeu a fiscalização: 3) DA EXCLUSÃO DA RECEITA DE EXPORTAÇÃO INDIRETA: Verificou-se que não houve a comprovação de venda com fim específico de exportação, nos termos do disposto no § 1º do artigo 45, do Decreto n.º 4.524102, pois, em pesquisa no Sistema Siscomex, à fl. 4085, constatou-se que a Empresa Armazenadora- Cattalini Granéis Líquidos Ltda, CNPJ 77.628.32910001-26, que consta na Nota Fiscal de remessa com fim específico de Exportação, não se enquadra como recinto alfandegado o que descaracteriza a aquisição com fim especifico de Exportação. (item 5 do despacho decisório n.° 041109). A íntegra do despacho decisório pode ser visualizada a seguir (fl. 4234): Da exclusão da Receita de Exportação Indireta Verificou-se que não houve a comprovação de venda com fim específico de exportação, nos termos do disposto no § 1% do art. 45, do Decreto no 4.524/02, pois, em ' pesquisa no sistema Siscomex, às fls.4085, constatou-se que a empresa armazenadora — Cattalini Granéis Líquidos Ltda, CNPJ 77.628.329/0001-26, que consta na Nota Fiscal de Remessa com Fim Específico de Exportação, não se enquadra como recinto alfandegado, o que descaracteriza a aquisição com fim específico de exportação. Procedeu-se, então, à exclusão da linha 1 do DACON - Receita de Exportação, relativa à Ficha de Cálculo da Contribuição do valor de R$ 279.740,00 (fls. 4011-4020), no mês de março/2006, com a inclusão do mesmo valor na linha 1 — Receita de Revenda de Mercadorias, conforme a Planilha de Cálculo da Contribuição Retificado (fls. 4191). Da mesma forma, a DRJ entendeu correta a interpretação realizada pela fiscalização, conforme se extrai da passagem da ementa da decisão recorrida, a seguir colacionada: LEGISLAÇÃO SOBRE ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO. A legislação tributária que dispõe sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. As vendas para as empresas exportadoras registradas na Secex somente são consideradas como tendo o fim específico de exportação quando são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Fl. 8318DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. O fundamento desta decisão consta da passagem do voto a seguir transcrito: Com respeito a essa glosa (despacho decisório, fl. 4209), a interessada fala que o fisco não pode tributar operações de venda com fim específico de exportação, uma vez que teria cumprido com os requisitos legais para usufruir do tratamento tributário favorecido; diz que suas exportações de "óleo de soja bruto degomado", conforme notas fiscais de saída, dariam ensejo à imunidade tributária, prevista no art. 155, § 2°, X, "a" da Cr11988, não podendo o fisco alegar que não houve a comprovação de exportação, pelo fato de que formou lotes para futura exportação em armazéns da empresa Cattalini Granéis Líquidos Ltda, não em recinto alfandegário, nos termos do art. 45, § 1° do Decreto n ° 4.524, de 2002; acrescenta que esse comando do decreto seria contrário à referida regra constitucional, bem como ao que dispõem os art. 5 1, I1I tanto da Lei n ° 10.637/2002, como da Lei n ° 10.833/2003; segundo essas leis o pressuposto básico para a incidência do PIS e da Cofins seria "vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação", bastando que as mercadorias se destinem ao exterior, o que teria ficado comprovado; informa, ainda, que remeteu suas mercadorias para a empresa lmcopa Importação Exportação e Indústria de Óleos Ltda, as quais foram posteriormente entregues, por conta e ordem, na precitada empresa armazenadora (Cattalini Granéis Líquidos Ltda), bem como a exportação foi efetivamente realizada pela empresa Imcompa Exportação e Indústria de óleos Ltda. Uma vez mais, não se pode aceitar a argumentação da contribuinte. Por pertinente, cabe aqui transcrever o dispositivo legal mencionado no despacho decisório, in verbis: DECRETO 4.524, de 2002, art. 45: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória n° 2.158- 35, de 2001, art. 14, Lei n'9.532, de 1997, art. 39, § 2', e Lei n° 10.560, de 2002, art. 3°, e Medida Provisória n° 75, de 2002, art. 7°): IX - de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Transcrevem-se, também, dispositivos referidos na base legal desse artigo transcrito, posto que relevantes, in verbis: MP 2.158-35, de 2001, art. 14, IX e § 10: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1 ° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: IX - de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. (...). Lei n.°9.532, de 1997, art. 39, § 2º. Art. 39. (...) Fl. 8319DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 § 2° Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. De imediato, vê-se que é incorreto dizer que a disposição contida no art. 45 do Decreto n ° 4.524, de 2002, não tem base legal, posto que nesse próprio dispositivo há indicação dos dispositivos legais que o embasam, no caso, os transcritos arts. 14 da Medida Provisória n ° 2.158-35, de 2001, e o art. 39, § 20 da Lei nº 9.532, de 1997. De qualquer forma, sendo o mencionado art. 45 do Decreto nº 4.524, de 2002, parte da legislação tributária, tal como estabelecido nos arts. 96 e 100, I, do Código Tributário Nacional, a sua observância é obrigatória por parte das autoridades administrativas, ou seja, os agentes do fisco estão plenamente vinculados a tal legislação, e sua desobediência pode causar a responsabilização funcional, conforme previsão do parágrafo único do art. 142 do CTN. Cabe ressaltar, ainda, que o fisco não pode examinar a argüição de invalidade de dispositivo da legislação que esteja em pleno vigor, atribuição que é conferida em nível constitucional exclusivamente ao Poder Judiciário. Esclareça-se, também, que a menção feita pela interessada ao art. 155 da Constituição Federal de 1988 é indevida, posto que tal dispositivo trata da competência concedida aos Estados e ao Distrito Federal para a instituição de impostos, o que não é o caso da Cofins e do PIS, que são contribuições sociais de competência da União Federal. Por seu turno, cumpre destacar, quanto aos textos legais transcritos, por se tratar de isenção fiscal, que devem ser interpretados literalmente, conforme dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional (CTN), não cabendo outro tipo de interpretação. • Consoante os dispositivos supra, bem corno a menção que também é feita no art. 51, III da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 6 0, III da Lei n° 10.833, de 2003, de não incidência do PIS e da Cofins sobre "vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação", constata-se que não são todas as receitas de vendas para empresas exportadoras registradas na Secex sobre as quais não incidem o PIS e a Cofins, mas somente em relação àquelas que tenham "fim específico de exportação". Sobre o que se considera "fim específico de exportação", tanto para empresas exportadoras registradas no Secex como para as empresas comerciais exportadoras ("tradings") verifica-se que o entendimento da administração tributária encontra-se expresso em vários atos, dos quais toma-se como exemplo o constante da Solução de Consulta SRRF/8a RF/DISIT n° 224, de 28 de julho de 2004, em cujo item 8 dos seus fundamentos legais consta o seguinte posicionamento: Dessa forma, quer sejam os produtos vendidos a empresa comercial exportadora, quer a empresa exportadora registrada na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o produtorvendedor deve remetê-los diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa adquirente, para que a operação enquadre-se na definição de fim específico de exportação, conforme o § I ° do artigo 46 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, fazendo jus, assim, à isenção da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep. Ainda sobre o "fim específico de exportação" e sobre a comprovação de que as vendas tiveram essa finalidade, cita-se a ementa da Solução de Consulta Interna (SCI) n° 4 — SRRF/10a RF/Disit, de 27 de junho de 2007, que, resume a posição daquela autoridade sobre o tema: "A referência, na legislação tributária e aduaneira, a 'empresa exportadora', ou 'empresa comercial exportadora', sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do Decreto-Lei n° 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras. "~ O conceito de "fim específico de exportação" constante do parágrafo único do art. 1' do Decreto-Lei n° 1.248, de 1972, aplica-se unicamente às empresas Fl. 8320DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 comerciais exportadoras constituídas nos termos desse Decreto-Lei; para as empresas exportadoras simplesmente registradas na Secex, o conceito de "fim específico de exportação" aplicável é o plasmado no § 2° do art. 39 da Lei n° 9.532, de 1997. A alusão feita por quaisquer atos infralegais a "fim específico de exportação" — a exemplo da Portaria MF n'93, de 2004, e da Instrução Normativa SRF n'419, de 2004 — deve ser interpretada em consonância com o conceito estabelecido no § 2° do art. 39 da Lei n° 9.532, de 1997, ou com o vazado no parágrafo único do art. 1 ° do Decreto- Lei n° 1.248, de 1972, conforme se trate, respectivamente, de aquisição efetuada por exportadoras gerais, simplesmente registradas na Secex, ou por "trading companies ", constituídas conforme exige o Decreto-Lei n° 1. 248, de 1972. "A comprovação do fim específico de exportação faz-se mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias um endereço que corresponda a um dos locais previstos na legislação de regência, não sendo hábil para essa comprovação, nem o "Memorando de Exportação, previsto no Convênio ICMS n° 113, de 1996", nem qualquer documento que possa fazer prova de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente. " (Grifou-se) Também sobre o assunto, transcreve-se entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) quanto à expressão "fim específico de exportação para o exterior', que pode ser obtido no site desse órgão na Internet (www.receita.fazenda.gov.br ): "Perguntas e respostas — site RFB: " 008. O que se entende por vendas com o "fim específico de exportação para o exterior", a que se referem os incisos VIII e IX do art. 14 da MP n° 2.158-35, de 2001, o inciso III do art. 5° da Lei n° 10.637, de 2002 e o inciso 111 do art. 6° da Lei n'10.833, de 2003? A venda com fim específico de exportação, nos termos do art. 14, VIII e IX, da MP n'2.158-35, de 2001, do inciso III do art. 5° da Lei n° 10.637, de 2002, e do inciso 111 do art. 0 da Lei n° 10.833, de 2003, é a venda de produtos ou mercadorias destinados à exportação para o exterior, exclusivamente, não comportando assim qualquer outra destinação. Para o atendimento desta finalidade consideram-se adquiridos com o fim especifico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (Grifou-se) Assim, de acordo com o entendimento da RFB, expostos acima, que se adota neste voto, para que não incida a Cofins e o PIS sobre as receitas decorrentes de vendas a empresa exportadora registrada na Secex, as mesmas devem ter o fim específico de exportação, o qual, entretanto, fica caracterizado somente quando as mercadorias são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. É irrelevante para a remetente, no caso, se as mercadorias foram ou não posteriormente exportadas, visto que em não se concretizando a exportação, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos é da empresa comercial exportadora adquirente dos produtos que deveriam ser exportados. No caso dos autos, conforme antes relatado, é a própria interessada quem afirma que as mercadorias vendidas a empresa exportadora não foram remetidas diretamente para embarque de exportação (nem se destinaram a recinto alfandegado), e, portanto, não ficaram estabelecidas as condições legais para a concessão do beneficio fiscal, entendendo-se, pois, correta a posição adotada pela autoridade a quo. Neste tópico, o Recorrente argumentou que teria direito à imunidade do PIS e da COFINS sobre receitas decorrentes de exportação, conforme artigo 149, § 2º, I, da CRFB/88, e que, apesar do fundamento da decisão recorrida de que o recorrente teria deixado de enviar os produtos a armazéns alfandegados, haveria provas nos autos de que o produto foi depositado pela compradora exportadora em locais de “zona primária”, não tendo, tais produtos, tido destinação diversa do mercado externo. Argumentou que nenhuma irregularidade formal foi cometida, Fl. 8321DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 tendo sido emitidas as correspondentes notas fiscais com CFOP de venda com fim específico de exportação, recebeu das comerciais exportadoras os "Memorandos-Exportação" que vinculam as notas fiscais de venda indireta e seus respectivos volumes às notas fiscais de exportação e respectivos volumes exportados. Ressaltou, ainda, que consta dos autos comprovação da efetiva exportação dos produtos em referência. Ao analisar o caso, entendo que assiste razão ao Recorrente em seus fundamentos. Isso porque, entendo que deve ser dada uma interpretação diversa ao disposto nos artigos 45, § 1° do Decreto n° 4.524, de 2002 e 39, § 20 da Lei nº 9.532, de 1997 da que fora realizada pela fiscalização e mantida pela DRJ na decisão recorrida. Para que não reste qualquer dúvida sobre a análise aqui realizada, transcrevo novamente o teor de ditos dispositivos legais: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória n° 2.158- 35, de 2001, art. 14, Lei n'9.532, de 1997, art. 39, § 2', e Lei n° 10.560, de 2002, art. 3°, e Medida Provisória n° 75, de 2002, art. 7°): IX - de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. *** Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I - adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II - remetidos a recintos alfandegados ou a outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação. § 1º Fica assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização dos produtos a que se refere este artigo. § 2º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. No meu entender, tais parágrafos conferem uma presunção quanto às hipóteses que serão consideradas "aquisições com o fim específico de exportação", ao dispor que esta será considerada como tal quando os produtos forem entregues diretamente pelo estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. Em tais casos, portanto, bastaria que o interessado no usufruto da isenção/suspensão comprovasse que entregou as mercadorias diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. Não sendo este o caso, não poderá o interessado se utilizar da presunção disposta na lei, cabendo ao mesmo fazer prova mais extensa, no sentido de que os produtos em questão, além de terem sido encaminhados à comercial exportadora com o fim específico de exportação, foram efetivamente exportados. Caso logre trazer tal comprovação aos autos, terá atendido ao disposto nos respectivos incisos que regem tais parágrafos (venda com o fim específico de exportação), não se fazendo necessária a observância do disposto em tais parágrafos, que não visam restringir o direito do contribuinte, mas tão somente delinear determinada presunção legal. Caso visasse restringir o usufruto do direito a tais situações, poderia o legislador ter utilizado os termos "apenas" ou "tão somente" na redação dos referidos parágrafos, para fins de limitar o entendimento sobre as hipóteses que poderiam ser consideradas como "aquisição com o fim específico de exportação". Não é esta, contudo, a redação ali posta, a qual apenas Fl. 8322DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 indica que serão considerados "adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora", sem que tivesse excluído a possibilidade de outras formas de comprovação de que a venda, de fato, se deu com o fim específico de exportação. Não é demais mencionar que este entendimento não leva à não aplicação do disposto nos referidos parágrafos, mas apenas confere aos mesmos uma interpretação consentânea não apenas com a sua redação, como também com os demais dispositivos vigentes no ordenamento jurídico pátrio. Nesse mesmo sentido, inclusive, já decidiu o CARF anteriormente, conforme se extrai da seguinte decisão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 NÃO CUMULATIVIDADE DE PIS E COFINS. ESSENCIALIDADE NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Devem ser revertidas as glosas de créditos das contribuições uma vez comprovadas a essencialidade dos gastos ao processo produtivo da pessoa jurídica. DESPESAS COM MANUTENÇÃO PERIÓDICAS DE MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. Possibilidade de crédito de COFINS para as despesas de partes e peças utilizadas na manutenção periódica dos equipamentos utilizados no setor produtivo, desde que esta manutenção não necessite ser ativada. ALUGUEL. Possibilidade de crédito das despesa de aluguel e custos com armazém geral relacionados com receitas de exportação. SERVIÇOS TOMADOS. CRÉDITO. Há possibilidade de créditos de COFINS sobre os serviços prestados por pessoas jurídicas uma vez demonstrada a essencialidade de tais serviços para seu processo produtivo, sem os quais, nem poderiam ser iniciados. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO MESMO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Apesar de não ser um frete incorrido na venda do produto acabado, mas sim na operação de venda em si, pois restou comprovada a necessidade de remessa dos produtos já vendidos para suas filiais antes da remessa para os adquirentes localizados no exterior. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO ACABADO. REMESSA PARA FILIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Configura receitas de exportação da remetente a remessa de produtos acabados para comercial exportadora com o fim específico de exportação. Comprovada a efetiva exportação, não há como exigir as contribuições de PIS e COFINS nos termos do art. 6º, III da Lei nº 10.833/2003, por não representarem receitas no mercado interno. (Acórdão 3301-005.168 publicado em 26/09/2018). (Grifos apostos) Logo, a solução da presente contenda deverá passar, necessariamente, pela análise probatória quanto à comprovação da efetiva exportação dos produtos em questão. Acontece que esta análise não chegou a ser realizada nem pela fiscalização nem pela DRJ, visto que ambas Fl. 8323DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 adotaram como premissa que o Recorrente deveria comprovar que entregou tais produtos para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. É certo, contudo, que não poderia o Recorrente trazer aos autos tal comprovação, visto que reconheceu expressamente que os produtos foram remetidos à comercial exportadora. Apesar disso, ressaltou que as notas fiscais foram emitidas com CFOP de venda com fim específico de exportação, e que recebeu das comerciais exportadoras os "Memorandos- Exportação" que vinculam as notas fiscais de venda indireta e seus respectivos volumes às notas fiscais de exportação e respectivos volumes exportados. Informa que consta dos autos, sem exceção, todas as notas fiscais com fim específico de exportação que foram mencionadas nos relatórios fiscais, memorandos de exportação, registros de exportação (RE), Bill of Ladings, BLs, CEs e notas fiscais de exportação, as quais lograriam comprovar que os produtos em tela foram efetivamente exportados. Sendo assim, entendo que a presente contenda deva ser baixada em diligência para que esta análise seja devidamente realizada pela unidade de origem. Não é demais ressaltar, inclusive, que a decisão do CARF acima colacionada foi proferida justamente após diligência realizada naqueles autos, em que foram analisadas todas as notas fiscais glosadas pela fiscalização, tendo a referida diligência trazido elementos suficientes à conclusão de que houve a efetiva exportação dos produtos em questão. Ocorre que, em sessão de julgamento realizada em 16/05/2019, findei vencida quanto à proposta de diligência acima exposta. Sendo assim, uma vez ultrapassada tal proposta, tornou-se imperativo pronunciar-me acerca do mérito da presente contenda, tendo me pronunciado no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente. Isso porque, em que pese ter o Recorrente trazido aos autos elementos que, em princípio, poderiam levar à comprovação da exportação dos produtos em questão, no meu entender, tais elementos ainda não são suficientes ao pleno convencimento de que as mercadorias foram efetivamente exportadas. E foi justamente por esta razão que votei no sentido de converter o presente feito em diligência. Sendo assim, diante do entendimento da maioria dos julgadores que compõem esta Turma Julgadora no sentido de que deverá ser rejeitada a proposta de diligência apresentada, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. 3. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, determinando que os autos sejam encaminhados à unidade de origem para que esta analise a documentação acostada pelo Recorrente aos autos, para fins de confirmar se é possível concluir que os produtos em questão, após remessa à comercial exportadora, foi efetivamente exportado. Contudo, considerando que findei vencida quanto à proposta de diligência apresentada, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente. É como voto. (documento assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 8324DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 Voto Vencedor Conselheira Larissa Nunes Girard, Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo da conselheira relatora em relação à possibilidade de adotar outro critério que não aquele previsto expressamente em lei para o reconhecimento do direito à isenção de PIS, no que diz respeito às receitas provenientes de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Por consequência, uma vez ser inequívoco o não atendimento aos requisitos legais, não há sentido na proposta de conversão do julgamento em diligência, que deve ser rejeitada. O cerne da divergência encontra-se na interpretação do § 1º do art. 45 do Decreto nº 4.524/2002, que assim dispõe: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: .......................................................................................................................................... IX - de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. § 2º As isenções previstas neste artigo não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I - a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II - a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; e III - a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. § 3º A partir de 10 de dezembro de 2002, o disposto no inciso IV do caput não se aplica à hipótese de fornecimento de querosene de aviação. § 4º O disposto nos incisos I e II do § 2º não se aplica às vendas realizadas às empresas referidas nos incisos VIII e IX do caput. (grifado) Na interpretação adotada no voto vencido, a delimitação contida no § 1º se prestaria a estabelecer uma presunção de exportação, a partir da qual a isenção seria reconhecida, podendo ser superado o não atendimento dos requisitos legais ali contidos se comprovada a efetiva exportação da mercadoria. Ou seja, o atendimento do que se concebe como a finalidade da lei superaria o não atendimentos dos requisitos dispostos em lei para o gozo do benefício. Expresso prontamente meu profundo desacordo com esta linha interpretativa. Considero que há equívoco na leitura do texto, no nível da interpretação gramatical propriamente dita, assim como considero ser possível um melhor entendimento do modelo concebido para concessão dessa isenção – não se compreendeu o papel de cada interveniente nessa cadeia logística. O texto legal acima reproduzido adota uma técnica básica de redação legislativa. No inciso IX introduz-se a expressão “com fim específico de exportação para o exterior”. E no § 1º, define-se essa expressão. Trata-se de uma forma clara, objetiva e muito frequente de introdução de um conceito nos textos legais. Fl. 8325DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 Se eu defino que um quadrado consiste em “um polígono constituído por quatro lados de igual comprimento e quatro ângulos retos”, eu restringi o que pode ser entendido como quadrado àquilo que está após o verbo “consistir”. Não se sustenta o argumento de que eu não pretendia limitar o quadrado às condições aqui impostas e, se forem encontrados outras figuras que atendam ao meu propósito, posso denominá-las quadrado, mesmo que não tenham quatro ângulos retos, por exemplo. É uma extrapolação inapropriada da interpretação finalística. Ao contrário do que se argumenta, não é necessário acrescentar os termos “apenas” ou “tão somente” à definição de “adquiridos com o fim específico de exportação” para restringir seu conteúdo. Se fôssemos partir por essa linha de argumentação, eu também poderia alegar que não foi acrescido ao fim do texto a expressão “entre outras hipóteses”, o que significa que o texto é exaustivo, restando “provada” a minha tese. Mas creio que se trata de uma linha de argumentação totalmente equivocada, não importa que lado se abrace. A adotá-la, deveríamos exigir a imediata revisão de toda a legislação tributária nacional, haja vista a habitualidade com que utiliza esta forma de redação. A título exemplificativo, trago ver alguns excertos, extraídos do Código Tributário Nacional: Art. 37. O disposto no artigo anterior não se aplica quando a pessoa jurídica adquirente tenha como atividade preponderante a venda ou locação de propriedade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à sua aquisição. § 1º Considera-se caracterizada a atividade preponderante referida neste artigo quando mais de 50% (cinqüenta por cento) da receita operacional da pessoa jurídica adquirente, nos 2 (dois) anos anteriores e nos 2 (dois) anos subseqüentes à aquisição, decorrer de transações mencionadas neste artigo. ......................................................................................................................................... Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados: I - sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II - sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. E do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 6.759/2009, extraio outros exemplos: Art.31. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. § 2º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário também devem prestar as informações sobre as operações que executem e as respectivas cargas. ............................................................................................................................................. Art.70. Considera-se estrangeira, para fins de incidência do imposto, a mercadoria nacional ou nacionalizada exportada, que retorne ao País, salvo se: I - enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado; II - devolvida por motivo de defeito técnico, para reparo ou para substituição; III - por motivo de modificações na sistemática de importação por parte do país importador; Fl. 8326DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 IV - por motivo de guerra ou de calamidade pública; ou V - por outros fatores alheios à vontade do exportador. Parágrafo único. Serão ainda considerados estrangeiros, para os fins previstos no caput, os equipamentos, as máquinas, os veículos, os aparelhos e os instrumentos, bem como as partes, as peças, os acessórios e os componentes, de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno pelas empresas nacionais de engenharia, e exportados para a execução de obras contratadas no exterior, na hipótese de retornarem ao País. Nossa legislação está repleta desse tipo de construção, que é, sim, restritiva. Quando não o é, está expresso, como no último exemplo acima, em que se introduz o “salvo se”, ou as exceções estão relacionadas nos parágrafos que integram o artigo. Não bastasse isso, tratam os autos de outorga de isenção, situação em que o CTN determina a interpretação literal da legislação tributária, nos seguintes termos: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (grifado) Dessa forma, quando o texto legal dispõe que “consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora”, tais requisitos devem estar necessariamente atendidos no momento em que se requer o reconhecimento de isenção do PIS. Prosseguindo, além do aspecto acima apontado, creio que há um outro mal entendido, no que diz respeito à compreensão do modelo concebido. Temos aqui uma operação de exportação indireta, ou seja, que passa por um terceiro para fins de sua materialização. Não se trata da empresa remetendo seus produtos diretamente para o exterior, mas de uma venda em mercado interno, situação em que incidiria PIS sobre a receita. Para o gozo deste benefício, precisamos ter, segundo a legislação, uma venda para uma empresa comercial exportadora (ECE), com emissão de nota fiscal com o CFOP apropriado, em que conste o fim específico de exportação. Em relação à logística, podemos ter o embarque direto para exportação, por conta do ECE, o que significa, por exemplo, que o produto sairá do estabelecimento produtor já no caminhão que irá transpor fronteira, ou podemos ter a remessa direta do produto para um recinto alfandegado, igualmente por conta e ordem do ECE, onde será embarcado posteriormente no veículo que fará o transporte internacional. Atendidos esses requisitos, o vendedor, e apenas ele, poderá desfrutar da isenção. Em relação à ECE, os tributos ficam suspensos, se convertendo em isenção apenas se o produto for exportado dentro do prazo de 180 dias, contados da data de emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora/vendedora. Descumprido esse prazo, a ECE deve pagar os tributos, com multa e juros de mora. A ver os dispositivos pertinentes do Decreto nº 4.524/2002: CAPÍTULO III PRODUTOS NÃO EXPORTADOS - EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA Art. 89. A empresa comercial exportadora que utilizar ou revender no mercado interno produtos adquiridos com o fim específico de exportação, ou que no prazo Fl. 8327DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 de 180 (cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa vendedora, não efetuar a exportação dos referidos produtos para o exterior, fica obrigada, cumulativamente, ao pagamento: I - das contribuições não recolhidas em decorrência do disposto no inciso III do art. 44 e nos incisos VIII e IX do art. 45, incidentes sobre o valor de aquisição dos produtos adquiridos e não exportados; e II - das contribuições incidentes sobre o seu faturamento, na hipótese de revenda no mercado interno. § 1º Os pagamentos a que se refere o caput serão efetuados com os acréscimos de juros de mora e multa, de mora ou de ofício, calculados na forma da legislação que rege a cobrança das contribuições não pagas. § 2º Na hipótese do PIS/Pasep apurado com a alíquota prevista no art. 59 [não- cumulativo]: I - não poderá ser efetuada qualquer dedução, a título de contribuição para o PIS/Pasep, decorrente da aquisição das mercadorias e serviços objeto da incidência; e II - para a contribuição devida de acordo com o inciso I do caput, a multa e os juros de que trata o § 1º serão calculados a partir da data em que a empresa vendedora deveria efetuar o pagamento das contribuições, caso a venda para a empresa comercial exportadora não houvesse sido realizada com o fim específico de exportação. § 3º Para as contribuições devidas na forma do inciso I do caput, não alcançadas pelo disposto no § 2º, a multa e os juros serão calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal correspondente à aquisição realizada pela empresa comercial exportadora. (grifado) Constata-se que a legislação estipulou tratamento diferenciado para cada interveniente no caso de uma exportação indireta, por meio de ECE. Mais do que isso, a legislação estabeleceu momentos e condições diferenciadas para a aferição dos benefícios, bem como estabeleceu consequências diferenciadas para cada parte. A meu ver, o entendimento defendido no voto vencido confunde intervenientes e condições, em uma mistura não autorizada em lei. Ao produtor/vendedor a lei concede uma situação privilegiada, que é o direito à isenção sobre uma receita de venda no mercado interno, desde que atendidas as condições estabelecidas na lei. Para esse interveniente é irrelevante a prova da efetiva exportação, pois dele a legislação não exige essa comprovação, visto que não é esse fato que lhe dá o direito ao gozo do benefício. Assim, demonstrar que posteriormente o produto foi exportado não tem qualquer efeito sobre a situação deste interveniente. Já no que tange à comercial exportadora temos outra situação, pois a isenção só se aperfeiçoa se ocorrida a exportação e desde que no prazo legal. Diferentemente do que ocorre com o produtor/vendedor, em relação à ECE deve ser exigida a prova da exportação dentro do prazo, sob pena de lançamento do crédito tributário relativo aos tributos suspensos, acrescido das penalidades moratórias. Esse é o entendimento assentado na Receita Federal, expresso na Instrução Normativa RFB nº 1.152/2011 e em Soluções de Consulta da Cosit, a exemplo da SC Cosit nº 80 e nº 92, ambas de 2017. Portanto, uma vez que consta dos autos que o produto vendido não foi armazenado em recinto alfandegado, desatendida está condição sine qua non para o reconhecimento do direito à isenção. Trata-se de uma falta que não pode ser suprida em virtude Fl. 8328DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3002-000.737 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10935.007067/2008-43 de a comercial exportadora haver, ela sim, atendido à uma condição que dela era exigida, mas jamais foi exigida do vendedor/produtor. Adotar o entendimento defendido no voto vencido significa, a meu ver, a desconsideração de regras básicas de interpretação gramatical; a desconsideração indevida de um dispositivo legal redigido de forma clara; a desconsideração do art. 111 do CTN, que determina a interpretação literal de legislação que disponha sobre outorga de isenção; e a deformação do modelo definido em lei para a concessão da isenção das contribuições em uma exportação indireta. Por todo o exposto, rejeito a proposta de diligência. É como voto. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 8329DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10569.000542/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2007
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. AUSÊNCIA DE ÓBICE.
Nada obsta que se aplique a multa de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 27/12/96, em concomitância com a multa isolada prevista no incido II, do mesmo artigo, uma vez que se referem a infrações distintas.
Numero da decisão: 2402-007.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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APLICAÇÃO CONCOMITANTE. AUSÊNCIA DE ÓBICE. Nada obsta que se aplique a multa de oficio prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 27/12/96, em concomitância com a multa isolada prevista no incido II, do mesmo artigo, uma vez que se referem a infrações distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sérgio da Silva e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 12-50.034, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro I/RJ, fls. 1.488 a 1.492: Trata-se de ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, que implicou a lavratura do Auto de Infração de fls. 1002/1010, acompanhado dos demonstrativos de fls. 992/1000; relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 274.125,10, sendo R$ 68.424,96 referentes ao imposto; R$ 17.988,92 aos juros de mora (calculados até 30/11/2010); R$ 102.637,44, à multa proporcional (150%); e R$ 85.073,78, à multa exigida isoladamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 9. 00 05 42 /2 01 0- 91 Fl. 1510DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.384 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10569.000542/2010-91 2. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 1006/1010), o procedimento apurou crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2007, decorrente das seguintes infrações: a) RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS SUJEITOS A CARNÊ- LEÃO OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS, COM APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%); b) MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ-LEÃO 3. Contra o contribuinte foi lavrada, ainda, Representação Fiscal para Fins penais, às fls. 1014/1146. 4. O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário está relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 860/990. 5. Cientificado da autuação em 22/02/2011, às fls. 1148, o interessado protocolizou impugnação parcial, em 21/03/2011, às fls. 1152/1164, requerendo a redução da multa desproporcional para o patamar de 75%, alegando que não estariam presentes os pressupostos autorizadores da qualificação da multa de ofício; e requerendo a exclusão da multa exigida isoladamente, por se tratar de "bis in idem". Ao julgar a impugnação, a 7ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, por unanimidade de votos, conclui pela sua procedência parcial, em 11/10/12, sendo cancelada "a duplicação da multa de ofício", conforme assim ementado no decisum: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Incabível a aplicação da multa qualificada de 150%, não estando devidamente configurado pela autoridade lançadora o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA Nada obsta que se aplique a multa de oficio e a multa isolada, por se referirem a diferentes infrações cometidas. Cientificado da decisão de primeira instância, em 6/2/14, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.497, o Contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fl. 1.170), interpôs o recurso voluntário de fls. 1.500 a 1.503, em 10/3/14, alegando o seguinte: 3.1 - DA INAPLICABILIDADE DA MULTA ISOLADA - 50% (ART. 44, II, DA LEI 9.430/96) A acumulação das multas constantes no art. 44, da Lei 9.430/96 gera insuperável "bis in idem". Note o nobre julgador que quando um contribuinte deixa de pagar o imposto, resultando de tal infração a lavratura do lançamento de ofício, resta óbvio que não pagou o imposto em dia. É IMPOSSÍVEL, sob o prisma da lógica formal deixar de pagar o tributo e pagá-lo tempestivamente. Ou bem se paga ou não se paga. A dupla punição é intolerável em todos os ramos do direito. A título de exemplo, lembremos de estelionato mediante apresentação de documento falso. O crime de estelionato absorve o crime de falso, já que seria impossível a prática estelionatária sem o uso do falso documento. No caso em apreço o raciocínio é singelo e trilha o mesmo caminho. Não é possível deixar de pagar o tributo (inciso I), sem que antes o mesmo esteja em atraso (inciso II), razão pela qual uma conduta "absorve" a outra. Fl. 1511DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.384 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10569.000542/2010-91 O CARF, sensível ao raciocínio acima elaborado, vem decidindo de forma tranquila pela exclusão da multa isolada quando aplicada em concomitância com multa proporcional. [...] A Receita Federal do Brasil posiciona-se de maneiro inquestionável (através do CARF) sobre a impossibilidade de cumular as penalidades, sendo temerária a manifestação da DRJ em sentido contrário. VENIRE CONTRA FACTUM PROPRIUM Merece ser expurgado o crédito constituído com fundamento da multa esculpida no inciso II, do art. 44, da Lei 9.430/96, na valor de R$ 85.073,78. (Grifos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele tomo conhecimento. Da multa isolada de 50% Conforme pôde ser visto no relatório acima, a fiscalização apurou omissão de rendimentos e lavrou multa de ofício qualificada de 150%, bem como multa isolada de 50%, por não recolhimento do Carnê-Leão. Em sua impugnação, o Contribuinte (ora Recorrente) questionou apenas a qualificação da multa de ofício e a multa isolada, alegando que a aplicação desta multa teria implicado em bis in idem. Ao julgar a impugnação, a decisão de primeira instância afastou a qualificadora da multa de ofício e manteve a multa isolada, a qual corresponde ao objeto do recurso voluntário. Pois bem, compulsando os autos, vê-se que o Recorrente reproduziu, ipsis litteris, em seu recurso, as alegações trazidas em sua impugnação. Dessa forma, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, reproduziremos as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordamos e adotamos: Da Multa Isolada 16. A respeito da alegação de que a cobrança de multa isolada e de multa de ofício configuraria concomitância e cobrança em duplicidade de penalidade sobre a mesma base imponível, a afirmação não é correta, tendo em vista que as hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades são distintas, e, inclusive, tratadas em incisos distintos do art. 44 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação da Lei nº. 11.488, de 15 de junho de 2007, que não se confundem, como deixa clara a sua transcrição acima no item “Da Duplicação da Multa”. 17. Diante dos dispositivos acima citados, depreende-se que duas são as multas de ofício: uma a ser lançada sobre o imposto mensal devido e não recolhido (multa Fl. 1512DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.384 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10569.000542/2010-91 isolada), e outra que incide sobre o imposto a ser apurado na declaração de ajuste, se for o caso. Isso porque duas são as infrações cometidas – declaração inexata e falta de pagamento do carnê-leão. 18. Dessa forma, ao contrário do que alega o Impugnante que jamais poderia ser aplicada concomitantemente a multa isolada com a multa de ofício, inexiste qualquer vedação legal à aplicação das citadas multas no mesmo auto de infração, haja vista tratarem-se de penalidades distintas com fundamentação própria. 19. Acerca dos julgados administrativos, invocados pelo Impugnante, bem como dos apresentados no presente Voto, cabe dizer que, aquelas decisões não possuem eficácia normativa, por falta de lei que lhes atribua este efeito, como exige o art. 100, inciso II, do CTN, e, além do mais, não podem ser estendidas a terceiros alheios às lides em razão das quais foram proferidas, à luz do que dispõe o art. 472 do CPC. 20. Logo, não procede o entendimento que pretende dispensar a multa isolada. Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 1513DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.932160/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/10/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 21 60 /2 01 3- 38 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.404 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932160/2013-38 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.404 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932160/2013-38 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.404 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932160/2013-38 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.404 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932160/2013-38 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 76DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.404 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932160/2013-38 Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.000807/2009-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
MULTA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE CARGA ARMAZENADA EM RECINTO ALFANDEGADO. CABIMENTO.
A não prestação de informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário, permite o lançamento da multa de oficio por descumprimento de obrigação prevista na legislação tributária aduaneira.
Numero da decisão: 3302-007.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 MULTA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE CARGA ARMAZENADA EM RECINTO ALFANDEGADO. CABIMENTO. A não prestação de informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário, permite o lançamento da multa de oficio por descumprimento de obrigação prevista na legislação tributária aduaneira.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE CARGA ARMAZENADA EM RECINTO ALFANDEGADO. CABIMENTO. A não prestação de informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário, permite o lançamento da multa de oficio por descumprimento de obrigação prevista na legislação tributária aduaneira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso, e na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 08 07 /2 00 9- 39 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10907.000807/200939 Acórdão n.º 3302007.264 S3C3T2 Fl. 146 2 Relatório Adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância, acórdão nº 16 78.500 22ª Turma da DRJ/SPO, com adendos para melhor esclarecimento: Trata o presente processo de auto de infração com exigência de multa por não prestação de informação de carga sob sua responsabilidade no montante de R$ 5.000,00. Fundamento Legal (fls.07): Art. 5° , 7º , 8°, 9°, 11, 12, 13, 15, 17, 18, 19, 22, 63, 104, 368, 369, 375, 443, 579, 582, 583, 593, 596 do Decreto 4.543/02. Art. 107 , inciso IV , alínea "f" do Decreto Lei n ° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Segundo relato da fiscalização, na alfândega de Paranaguá, o procedimento especial denominado de "Embarque Antecipado", previsto no artigo 52 da Instrução Normativa SRF nº 28 de 1994, é regrado pela Portaria DRF/PGA n° 295/2006. Esta portaria prevê que a autorização para o embarque de mercadorias antes do registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação no SISCOMEX darseá através do registro de pedido de embarque no sistema informatizado TRADEX. Na data de 27/04/2009, a empresa, IRMÃOS BOCCHI & CIA LTDA. (CNPJ: 77.804.847/000234), apresentou a esta Alfândega protocolo solicitando Regularização do despacho a posteriori n ° 2090342382/0, pois o pedido de embarque 09/0438058001 se encontrava no status CANCELADO PELO SISTEMA no sistema Tradex. O aludido pedido foi registrado e deferido em 08/04/2009, entretanto o Terminal de Embarque APPA ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUA E ANTONINA não informou a Ordem de Embarque como determina o parágrafo único do artigo 11 da Portaria DRF/PGA nº 295/2006. Conforme documento apresentado pelo exportador, a Ordem de Embarque foi solicitada à APPA no dia 13/04/2009, para que então fosse lançada a Ordem de Embarque no sistema Tradex. Sem esta informação no sistema as mercadorias não poderiam ser embarcadas, conforme exige o artigo 16 da Portaria DRF/PGA nº 295/2006. Porém temos que a carga amparada por esse RE foi embarcada no navio M/V MEGA DONOR, no dia 16/04/2009, conforme o BL n° 02 apresentado pelo exportador, mesmo sem que todos os requisitos do art. 16 da Portaria DRF/PGA nº 295/2006 estivessem cumpridos, pois o pedido de embarque se encontrava Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10907.000807/200939 Acórdão n.º 3302007.264 S3C3T2 Fl. 147 3 cancelado pelo sistema, pela não informação da ordem embarque no prazo de 15 dias conforme o art. 15 da Portaria DRF/PGA no 295/2006. Assim, por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário, efetuouse o lançamento da multa de oficio no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) devida pelo Terminal de Embarque, neste caso a APPA ADMINISTRAÇÃO DOS PORTOS DE PARANAGUÁ E ANTONINA. Intimada do Auto de Infração em 30/04/2009 (fl. 39), a interessada apresentou impugnação e documentos em 22/05/2009, juntados às fls. 41 e seguintes, alegando em síntese: Situações de falha no sistema TRADEX, inclusive a que gerou o presente auto de infração, em que houve problemas na alteração do status e conseqüente informação do número de Ordem de Embarque, na qual o sistema da Receita Federal não reconheceu as informações lançadas pela APPA, gerando os problemas da natureza do auto de infração ora impugnado, com a incidência de multa indevidamente aplicada; A APPA é uma autarquia e, portanto, imune à incidência da multa ora exigida; Impugnase a responsabilização da APPA pela multa aplicada, em face da imunidade prevista no artigo 150, VI, a, § 2° da Constituição Federal e em razão da ausência de imputação objetiva prevista no artigo 107, IV, do Decretolei n. 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n. 10.833/03, no sentido de que o terminal portuário seria o responsável pelo pagamento; O Auto Infração desprovido de precisão de informações da acusação impede ao autuado não somente a defesa com precisão, mas, muito antes, impede até mesmo o conhecimento preciso da razão da acusação. Gera cerceamento do direito de defesa; No presente caso, quanto à multa prevista na alínea "f' do inciso IV do art. 107 do Decretolei 37/66, a mesma deve ser afastada, pois a falta de informação pela APPA no sistema TRADEX se deu por problemas no próprio sistema da Receita. Em 05/07/2017, a 22ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/04/2009 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10907.000807/200939 Acórdão n.º 3302007.264 S3C3T2 Fl. 148 4 MULTA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE CARGA ARMAZENADA EM RECINTO ALFANDEGADO. CABIMENTO. A não prestação de informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário, permite o lançamento da multa de oficio por descumprimento de obrigação prevista na legislação tributária aduaneira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão, em 04/08/2017, consoante Termo de ciência por abertura de mensagem de fl. 115, a recorrente supra mencionada interpôs recurso voluntário, tempestivo, em 04/08/2017, consoante Termo de solicitação de juntada de documentos, no qual alegou preliminares de prescrição intercorrente; de nulidade do auto de infração, por ausência de motivo e por cerceamento do direito de defesa. Por fim, requer a reforma da decisão de primeiro grau com a improcedência do lançamento. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente invoca agora, pela primeira vez, a preliminar de prescrição intercorrente; e, novamente, traz a preliminar de nulidade do auto de infração. Passase a analisar. DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE Em sede impugnatória não foi aventada a hipótese de prescrição intercorrente, razão pela qual não se deve conhecer da matéria que está preclusa, sob pena de supressão de instância. Demais disso, cumpre dizer obiter dictum que a respeito do tema existe a Súmula CARF nº 11, vinculante conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10907.000807/200939 Acórdão n.º 3302007.264 S3C3T2 Fl. 149 5 DO AUTO DE INFRAÇÃO Em primeira instância, a então impugnante acenou com a preliminar de nulidade do auto de infração por cerceamento do direito de defesa e inadequada descrição do fato que deu azo à multa. Agora, em sede de recurso voluntário, reproduz a preliminar, todavia, diz que o cerceamento do direito de defesa advém do fato de o sistema TRADEX até então não emitir qualquer comprovante do lançamento das autorizações de embarque. E a inadequada descrição do fato que deu azo à multa, que seria a ausência de motivo, é porque a autoridade tributária não configurou adequadamente a APPA na condição de infratora, seja na condição de operadora à época dos fatos, seja na condição de depositária. Ao meu sentir, não assiste razão à recorrente, uma vez que cerceamento do direito de defesa tem a ver com a possibilidade, ou não, de a recorrente entender a acusação formulada e defenderse dessa, e não com a existência, ou não, da emissão de comprovante do lançamento das autorizações de embarque pelo sistema TRADEX. Se falhas havia no sistema, a recorrente devia ter carreado aos autos prova de que reclamou de tais falhas junto ao administrador do sistema e junto à RFB naquela oportunidade. A alegação de ausência de motivo é extremamente frágil, porquanto está bem caracterizada no auto de infração, com menção à toda legislação aplicável ao caso, e inclusive com a data precisa da infração cometida, a desobediência, por parte da recorrente, de sua obrigação de informar a ordem de embarque, como operadora do terminal portuário. Dessarte, afastase a preliminar de nulidade do auto de infração. Como o recurso voluntário tratou apenas de preliminares, não atacando propriamente o cerne do auto de infração, penso legítimo manter integralmente o crédito tributário constituído pelo lançamento objeto deste contencioso. Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso, e na parte conhecida, voto por rejeitar a preliminar arguida e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.728015/2013-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-002.930
Decisão:
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente (documento assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Trata-se de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 3/43) que exigem, em relação ao ano-calendário de 2010, IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e COFINS) apurados por arbitramento e a partir da presunção legal de omissão de receitas em face da identificação de depósitos bancários de origem não comprovada. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal (fls. 1.074/1.076): 1. a empresa foi selecionada para fiscalização por denúncia de intermediar operações bancárias. Constituída como empresa sem fins lucrativos é cadastrada em instituições financeiras para operar como correspondente bancário, buscando na praça pessoas que necessitam de empréstimos tais como: servidores públicos, aposentados e pensionistas, sem no entanto recolher ao fisco federal cualquer tributo. No ano de 2010, movimentou em suas contas bancárias a importância de aproximadamente R$ 43.000.000,00, não tendo apresentado declaração de imposto de renda ou prestado qualquer outra RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 28 01 5/ 20 13 -9 5 Fl. 4585DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1201-000.670 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.728015/2013-95 informação à Receita Federal sobre os tributos devidos e declarado somente imposto de renda retido na fonte e PIS na DCTF ; 2. o contribuinte foi cientificado do termo de início de fiscalização por meio de aviso de recebimento, em 17 de agosto de 2012. Em 10 de setembro de 2012, solicitou prorrogação do prazo de entrega dos documentos requeridos no termo de início de fiscalização por mais vinte dias, no que foi prontamente atendido. Nova prorrogação foi requerida em 16 de outubro de 2012, por mais vinte dias, também atendida; 3. em 23 de janeiro de 2013, o contribuinte foi cientificado por meio de aviso de recebimento do termo de intimação fiscal n° 1, com a finalidade de requerer novamente os documentos pedidos no termo de início de fiscalização; 4. por não nos atender nessa nova tentativa, emitimos o termo de intimação fiscal n° 2, com ciência em 3 de abril de 2013, mais uma vez solicitando apresentação dos documentos requeridos no termo de início de fiscalização; 5. em resposta a empresa nos enviou DCTFs de janeiro a dezembro de 2010, bem como DARFs do mesmo período, estatuto da empresa e ata da assembléia geral ordinária; 6. ao analisar a documentação, constatamos que tais documentos não eram suficientes para se avaliar as operações da empresa, nem sua movimentação financeira; 7. diante disto, foi solicitada a emissão de requisição de informações sobre movimentação financeira para diversos bancos que operaram com a fiscalizada durante o ano sob fiscalização; 8.de posse dos extratos bancários, analisamos a movimentação financeira da fiscalizada e diante da expressividade dos valores envolvidos, emitimos os termos de intimação fiscal n°s 3, 4, 5, 6 e 7, com ciência por aviso de recebimento e m: 24 de maio de 2013, 7 de junho de 2013, 5 de julho de 2013,17 de julho de 2013 e 25 de julho de 2013, respectivamente, pedido esclarecimentos sobre a origem dos créditos relacionados nos anexos aos termos de intimação. Como a empresa não se manifestou em nenhuma oportunidade sobre os valores depositados em suas contas correntes bancárias, e por não haver livros e outros documentos que pudessem ser analisados para se determinar a origem dos valores creditados em suas contas correntes, optamos por emitir auto de infração como base no arbitramento do lucro da empresa, de acordo com as determinações do artigo 530, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000, de 26 de março de 1999. Por outro lado, tendo em vista que a empresa nos anos-calendários de 2008, exercício de 2009, e de 2011, exercício de 2012, apresentou declarações de imposto de renda como imune, o que enseja a situação prevista no artigo 71 da Lei 4502/62, agravamos a multa de ofício para 150% e conseqüentemente fizemos representação penal do contribuinte. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 1.082/1.115). Alega, em síntese, que: (i) a autuação é totalmente incabível, inconsequente e não se justifica em face da impossibilidade de atendimento aos termos, afinal o encarregado da contabilidade estaria com grave doença, caracterizando força maior; (ii) o relato do Termo de Constatação no sentido de enquadrar a Impugnante como correspondente bancário é falso e imoral; (iii) a fiscalização, na verdade, passou um "rolo compressor" sobre todo e qualquer movimento bancário levado a crédito existente nos extratos, inclusive, conforme planilhas e documentos juntados, a título de "transferências entre contas de mesma titularidade", "resgate de aplicações financeiras", "devolução de benefícios/auxílio aos associados", "desbloqueio judiciais", dentre outras operações que jamais poderiam ter sido tomadas como omissões de receitas; Fl. 4586DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1201-000.670 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.728015/2013-95 (iv) a apuração com base exclusiva nos extratos bancários viola o princípio da verdade material e o artigo 142 do CTN; (v) de acordo com os quadros simulados, a base tributável seria bem inferior àquela apurada pela fiscalização; e (vi) a motivação para a qualificação da penalidade não tem cabimento, pois o que se verificava à época é que a sociedade, por ser uma Associação sem fins lucrativos, se encontrava regularmente constituída com a documentação necessária junto aos órgãos competentes para gozo dos benefícios correspondentes; Em Sessão de 28 de novembro de 2013, a DRJ/CTA julgou a defesa improcedente por meio de Acórdão de fls. 4.198/4.216, que restou assim ementado: ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Para a entidade de assistência social gozar de imunidade tributária, conforme estabelecido no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição, precisa colocar seus serviços à disposição da população em geral. A Caixa de Assistência do Servidor Brasileiro só promove seus benefícios aos seus associados e mediante contribuições regulares destes. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. REQUISITOS. Uma das condições para benefício da isenção tributária é manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. ARBITRAMENTO. A existência de depósitos bancários de origem não comprovada caracteriza omissão de receita, que servirá de base para o arbitramento do lucro, quando o contribuinte deixar de apresentar os livros e documentos de sua escrituração. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. INEXISTÊNCIA. O arbitramento do lucro não pode ser revisto em razão de eventual apresentação posterior de documentos que não foram trazidos pelo sujeito passivo durante a ação fiscal, por não haver previsão legal de arbitramento condicional. AUTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A prática sistemática de informar nas declarações apresentadas ao Fisco a situação jurídica de isenta ou imune, sem o cumprimento dos requisitos necessários à fruição do benefício, constitui ilicitude que implica qualificação da penalidade. Cientificado da decisão de piso em 06/12/2013 (fls. 4.221), o contribuinte, em 06/01/2014, interpôs recurso voluntário (fls. 4.223/4.304). Reitera as alegações de defesa, sustenta que a decisão da DRJ revela-se desmotivada, incoerente e nula diante da omissão quanto à apreciação da farta documentação acostada da impugnação. Ainda que a tributação tenha sido feita mediante arbitramento, aduz que seria dever da autoridade julgadora verificar as provas contra a inclusão de diversos créditos bancários na base de cálculo utilizada como parâmetro dos lançamentos. Posteriormente, em 23/03/2015, a Recorrente apresentou petição denominada de "Razões Aditivas ao Recurso Voluntário" (fls. 4.329/4.361). Fl. 4587DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1201-000.670 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.728015/2013-95 Os autos, então, foram encaminhados ao CARF, que converteu o julgamento do recurso em diligência (cf. fls. 4.373/4.381), nos seguintes termos: Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para determinar a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a delegacia de origem informe o seguinte em relação ao período autuado: i) identificação de transferências bancárias entre contas de mesma titularidade, com indicação de valores e datas; ii) identificação de movimentação bancária decorrente de: a) resgate de aplicações financeiras; b) devolução de benefícios/auxílio aos associados e c) desbloqueios judiciais, com indicação de valores e datas; iii) confirmação e demonstração de que os valores referentes aos itens "i" e "ii" acima, foram efetivamente excluídos do cálculo do arbitramento. Após, retornem os auto para julgamento. Ato contínuo, o contribuinte apresentou requerimento de desistência parcial do recurso voluntário (fls. 4.388/4.389), assim se manifestando: Vale ressaltar que a Requerente não concorda com a forma de apuração dos tributos efetuada pela fiscalização, relativo à Base de Cálculo Tributável, uma vez o Sr. Auditor Fiscal não expurgou da referida base, diversos valores que não poderiam ser configurados como Receita. Entretanto, a Requerente reconhece que parte do valor apurado pela fiscalização é devido, conforme exposto na planilha anexa, a saber, tão apenas, os tributos incidentes sobre as mensalidades dos associados. Assim, a Requerente vem desistir parcialmente do Recurso Voluntário em andamento nesse Conselho, na forma do artigo 8°, 94°, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 13, de 30 de junho de 2014, no que diz respeito apenas ao crédito tributário informado na planilha anexa, no montante total de R$ 2.264.614,66, atualizado até agosto/2014, mês da opção no supramencionado Parcelamento. Para os demais créditos tributárias, o Recurso apresentado pela Contribuinte, bem como seu Termo Aditivo, continuam válidos, seguindo o trâmite regular do processo. Em seguida houve emissão do Termo de Constatação Fiscal (fls. 4.393/4.396), do qual o contribuinte se manifestou às fls. 4.487/4.492. Após nova remessa dos autos ao CARF, o recurso voluntário foi julgado parcialmente procedente, para cancelar o crédito tributário decorrente da movimentação financeira da Recorrente que ultrapassar os valores apresentados pela DRF/Fortaleza na resposta à diligência, mais precisamente em conformidade com o quadro demonstrativo (DOC 16, fl. 4399). O contribuinte opôs Embargos de Declaração (fls. 4.539/4.554), alegando omissões no julgado, embargos estes que foram admitidos através do despacho de fls. 4.560/4.571. É o relatório. Voto Fl. 4588DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1201-000.670 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.728015/2013-95 Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Segundo o despacho que admitiu os Embargos de Declaração: A razão principal do inconformismo da contribuinte é o fato de a Fiscalização (no cumprimento da diligência) não ter examinado toda a documentação apresentada, especificamente os extratos de contas cuja movimentação financeira, embora não tenha servido de base para se determinar o faturamento da empresa na época da autuação fiscal, produziria prova de transferências entre contas de mesma titularidade. [...]Procede a critica da contribuinte no sentido de que os extratos dessas contas não poderiam ser desconsiderados, de que houve omissão em relação à análise deles: O fato das contas de investimento não terem servido como base de cálculo para determinar o faturamento do período não as impede de serem originadoras de crédito lícito pertencente ao patrimônio do Contribuinte, e assim utilizadas para demonstrar a origem dos créditos não expurgados pela diligência ratificada por esta Colenda Turma. O que a contribuinte pretende demonstrar com esses extratos é que inúmeras transações financeiras tiveram como origem conta de sua própria titularidade. E o fato de as referidas contas de investimento não terem sido utilizadas para a apuração da omissão de receita, em princípio não as inviabiliza para tal finalidade. O acórdão embargado, ao adotar integralmente o relatório da diligência fiscal, incorreu no mesmo erro de omissão na análise desses extratos, em face dos demonstrativos que constam do recurso voluntário e das próprias informações demandadas em diligência. Além disso, cabe registrar que nem o relatório da diligência fiscal, nem o acórdão embargado se manifestaram sobre a alegação (contida no recurso voluntário, e renovada nos embargos) de que houve inclusão indevida do valor de R$3.235.272,19 (29/06/2010), valor que, segundo a contribuinte, "não existe de fato nas operações bancárias da contribuinte, tratando-se de um lançamento absolutamente apócrifo, pela mera constatação visual com a prova bancária legítima". Também houve omissão em relação a esse ponto. Com efeito, da análise do Termo de Constatação lavrado como resultado da diligência, realmente chama atenção a negativa da autoridade fiscal de examinar a totalidade dos extratos. Nas palavras do auditor responsável pela diligência: 3.2 no parágrafo quarto, o contribuinte diz que está anexando aos documentos relativos à intimação de 23 de junho de 2016 todos os extratos bancários de sua titularidade. Neste aspecto, é necessário esclarecer que, por ocasião da fiscalização, a empresa não atendeu as intimações feitas no sentido de informar sua movimentação financeira, restando-nos, na ocasião, a opção de solicitar diretamente às instituições bancárias os extratos do período fiscalizado. Desta forma, na fiscalização foram utilizados somente os extratos recebidos diretamente das instituições financeiras, cujas contas auditadas estão demonstradas no processo sob o título RESUMO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA, folha 954 do processo. Portanto, para esclarecimento da lide, o questionamento levantado pelo contribuinte deve resumir-se somente aos extratos bancários usados na fiscalização, uma vez que a movimentação bancária decorrente de outras contas correntes não relacionadas no RESUMO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA não serviu de base de cálculo para determinar o faturamento da empresa na época da fiscalização, não havendo, assim, neste aspecto, registro de valores em duplicidade, como quer nos fazer crer o contribuinte; Fl. 4589DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 1201-000.670 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.728015/2013-95 3.3 consoante explicado no item anterior, os extratos bancários utilizados na fiscalização foram os entregues pelas instituições bancárias que serviram para a determinação da base de cálculo dos tributos na época, resumidos no demonstrativo RESUMO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA citado, que estão anexados ao processo nas folhas 124 a 495; 499 a 632; 669 a 779; 791 a 873; 874 a 903; 906 a 951; 955 a 973. Os demais extratos apresentados pela empresa, em atendimento ao termo de intimação de 23 de junho de 2016, que não estavam relacionados no resumo acima, não foram examinados pelos motivos já esclarecidos no item anterior. Ressalte, ainda, que deixamos de anexar os extratos enviados quando da diligência por já terem sido devidamente apensados ao processo por ocasião da fiscalização, bem como no ato da impugnação; Na prática, realmente a apresentação de extrato bancário de uma conta de origem de mesma titularidade, ainda que não objeto de RMF, constitui, desde que coincidente em valor e data, meio de prova adequado para fins de demonstrar a origem do crédito considerado receita omitida por presunção legal. Ora, se o contribuinte alega que a origem da receita considerada omitida corresponde a uma mera transferência de valores que já pertencem ao seu patrimônio, trazendo aos autos essa prova, é dever do fisco investigar a procedência ou não do argumento, ainda que a conta de origem não tenha sido arrolada durante o procedimento de fiscalização. E consultando os autos, não há dúvidas de que o contribuinte empreendeu esforços para apresentar extratos que não estavam no processo no momento da autuação, até mesmo porque os lançamentos partiram de requisições de movimentações financeiras selecionadas pela própria fiscalização. Essa seleção, porém, não impede que, em sede de contencioso, sejam anexados outras contas na tentativa de comprovar que nem todos os créditos dizem respeito à receitas omitidas, sob pena desta negativa caracterizar verdadeiro cerceamento de defesa. Com razão o contribuinte quando afirma que "no presente caso o Sr. auditor deveria tão somente ter cumprido a determinação do CARF e ter retirado os valores em duplicidade (comprovados pelo Contribuinte em extratos e planilhas), e jamais ter emitido juízo de valor sobre a forma e o meio que o Contribuinte encontrou demonstrar o erro de lançamento no Auto de Infração". A omissão de fazer o confronto de todas as provas apresentadas pela Embargante com a planilha que serviu de base para caracterizar o montante de receita considerada omitida revela, ademais, descumprimento do quanto foi determinado pela Resolução do CARF ao converter o feito em diligência. Nesse ponto, cabe ressaltar que o acórdão embargado realmente parte de uma premissa equivocada, qual seja, de que a DRF Fortaleza teria procedido com minucioso trabalho de verificação de toda a movimentação bancária do contribuinte, inclusive tendo alcançado a verdade material, premissa esta que não se sustenta diante dos fatos ora narrados e esclarecidos. Analisando mais detalhadamente o teor do resultado de diligência, e conforme já diagnosticado no despacho que admitiu os presentes Embargos de Declaração, estamos diante de verdadeira omissão, tanto por parte da autoridade diligenciante - que se negou a fazer seu trabalho tal como determinado pelo órgão de segunda instância - quanto por parte do Acórdão - que até então não se ateve a essa negativa de apreciação de provas. Fl. 4590DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 1201-000.670 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.728015/2013-95 E, diga-se, uma vez superada essa omissão, é possível que o resultado do julgamento venha a ser modificado. Feitas essas considerações, em face do princípio da ampla defesa, e até mesmo para não caracterizar supressão de instância, devem as planilhas e extratos referentes às contas bancárias que não foram objeto de RMF serem verificados e confrontados com a planilha que serviu de parâmetro ao lançamento, a fim de confirmar se realmente houve comprovação de origem, tais como resgates, transferências entre contas de sua própria titularidade, devoluções de benefícios e desbloqueios judiciais. Registra-se, aqui, que o Contribuinte planilhou, identificou e justificou todos os demais valores que entende serem indevidos (cf. fls. 4.410/4.421, 4.487/4.492, exemplos constantes na peça dos Embargos de Declaração, dentre outros), valores estes que devem, sim, ser examinados e confrontados com os extratos que indevidamente não foram objeto de apreciação quando da diligência anterior. Deve, então, a DRF, sem prejuízo de intimar o contribuinte para sanar eventuais dúvidas quanto à origem dos valores consolidados descritos no quadro-resumo de fls. 4.552, inclusive o referido montante de R$3.235.272,19 (29/06/2010), e após analisar os extratos de todas as contas (inclusive que não foram objeto de RMF), apresentar justificativas acerca da comprovação ou não da procedência desses montantes, em termo circunstanciado e do qual o contribuinte deverá ser intimado a se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. Após, retornem os auto para julgamento. Conclusão Em face do exposto, resolvo converter o julgamento em diligência. É como voto. Luis Henrique Marotti Toselli - Relator (documento assinado digitalmente) Fl. 4591DF CARF MF
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