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Numero do processo: 11020.003507/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA.
Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada.
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA ORDEM JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO STF.
O STF no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu que: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DE EMPRESAS DO SIMPLES. SIMULAÇÃO.
A autoridade fiscal constatando situação capaz de concluir que haveria uma simulação para evitar a tributação devida, tem o poder-dever de exclusão do SIMPLES, bem como os da verificação de elementos que configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários empresas interpostas.
Assim, verifica da as circunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados.
MULTA QUALIFICADA. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO
A autoridade fiscal ao apontar a simulação ou fraude deve indicar com elementos concretos a que acusação se funda. Em ocorrendo os indícios apontados, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a afastar as denúncias da fiscalização.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02.
Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2301-005.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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IMPROCEDÊNCIA. ERRO NA BASE DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. PRELIMINAR AFASTADA. Os casos de nulidade no PAF são elencados arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972. Constatado erro na base de cálculo, mas sem alteração do critério jurídico adotado para a atuação, não há se falar em nulidade. Assim, a matéria deve ser analisada como mérito, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA ORDEM JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA. DECISÃO STF. O STF no julgamento do Recurso Extraordinário 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu que: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DE EMPRESAS DO SIMPLES. SIMULAÇÃO. A autoridade fiscal constatando situação capaz de concluir que haveria uma simulação para evitar a tributação devida, tem o poderdever de exclusão do SIMPLES, bem como os da verificação de elementos que configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários empresas interpostas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 35 07 /2 01 0- 83 Fl. 1348DF CARF MF 2 Assim, verifica da as circunstâncias definidas em lei como necessárias e suficientes a sua ocorrência, deve o fiscal proceder ao lançamento correspondente ao fato gerador identificado, cumprindo com o exigido em lei no que tange aos lançamentos efetuados. MULTA QUALIFICADA. ÔNUS DA PROVA PELO INTERESSADO A autoridade fiscal ao apontar a simulação ou fraude deve indicar com elementos concretos a que acusação se funda. Em ocorrendo os indícios apontados, se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a afastar as denúncias da fiscalização. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF 02. Este Tribunal administrativo não é competente para tratar sobre inconstitucionalidade de Lei tributária, nos termos da Súmula CARF 02. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das alegações de inconstitucionalidade de lei, para, na parte conhecida, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Antônio Sávio Nastureles. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela MÓVEIS E ARTESANATO MADREARTES LTDA E OUTROS., contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Porto AlegreRS (6ª Turma da DRJ/POA), que julgou a impugnação improcedente. Conforme relatório fiscal, (fls. 127 e seguintes do eprocesso,) o Auto de Infração, registrado sob o DEBACD 37.269.7720 referese ao lançamento nas competências 01/2005 a 13/2009 das contribuições da empresa correspondentes à quota patronal de 20% e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados. O relatório do Acórdão recorrido (fls. 1.287, e seguintes do eprocesso), descreve o seguinte: Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 3 3 "A autoridade lançadora relata pormenorizadamente no Relatório do Auto de Infração, às fls. 127 a 182 dos autos digitais, as razões que a levaram a concluir que as empresas optantes pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (até 06/2007) e pelo Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (a partir de 07/2007) Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, All War Móveis Ltda – CNPJ 05.360.328/000132, Móveis Shellon Ltda – CNPJ 09.097.785/000137, Móveis Stancieli Ltda – CNPJ 00.872.014/000103 e Móveis San Remy Ltda – CNPJ 03.995.384/000118 constituíam na realidade uma única empresa, que foi fracionada com o objetivo de reduzir sua carga tributária. Relata que evidenciou um planejamento para reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, com a alocação e divisão dos empregados em várias empresas, cada uma optante pelo regime simplificado de tributação, caso em que a alíquota previdenciária fica extremamente reduzida e ocasiona uma redução significativa no recolhimento das contribuições. Em apertada síntese do relato fiscal, extraise que a fiscalização identificou que as empresas Madreartes e Stancieli estão estabelecidas no mesmo local, separadas apenas por um estacionamento interno; que a Móveis Stancieli foi criada em 07/05/1995, mesmo ano da instituição do Simples, e que o endereço de sua filial é no mesmo local do antigo endereço da Madreartes; que o objetivo da criação da Móveis Stancieli foi a divisão do faturamento e do registro dos empregados; que as correspondências enviadas para a Madreartes são endereçadas para o mesmo endereço da Stancieli; que os documentos fiscais de fornecedores são emitidos com os dados da Madreartes, mas as mercadorias são entregues na Stancieli; que a All War, ao ser tributada pelo lucro presumido, transferiu em 31/12/2007 todo o seu estoque de matéria prima e de produtos em elaboração, bem como o imobilizado, para a Móveis Shellon, criada em 10/08/2007 no mesmo endereço da All War, com os mesmos funcionários e optante pelo Simples; que o objeto social das empresas é o mesmo; que todas possuem os mesmos números de telefone, o mesmo endereço eletrônico, o mesmo contador, os mesmos administradores, sócios em comum, atividades idênticas e cada uma com faturamento próximo ao limite de exclusão do Simples; que os gastos de todas as pseudoempresas são pagos pelas mesmas contas bancárias; que os veículos utilizados são os mesmos para todas; que a carteira de clientes é a mesma, e a codificação e especificação dos produtos faturados são os mesmos, conforme se comprova pelas notas fiscais de vendas; que é comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma empresa com o endereço de outra; que as empresas utilizam os mesmos trabalhadores, forjando a demissão em uma e a contratação na outra seis meses após, mas que os cartõesponto comprovam que jamais ficaram desempregados; que existe transferência de empregados da filial da Stancieli para a Shellon e para a Madreartes sem quebra de continuidade, já que são desligados em uma e admitidos na Fl. 1350DF CARF MF 4 outra no mesmo dia, com o mesmo salário e com a mesma função; que os veículos constantes do ativo imobilizado das empresas são utilizados diariamente por todas elas; que a administração, venda e demais setores indiretos são comuns, no mesmo endereço (Móveis Stancieli), enquanto que nos demais estabelecimentos existe somente parte da produção; que os elementos das reclamatórias trabalhistas corroboram o fato de que há somente uma empresa; que os advogados contratados para a defesa nestes processos são os mesmos; que o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) de 2003 traz como endereço da Móveis San Remy o endereço da AllWar e da Shellon, enquanto que o da Móveis Stancieli traz como endereço o da Madreartes; que os empréstimos contraídos pela Móveis Stancieli junto à San Remy e à Madreartes não sofreram qualquer pagamento ou atualização monetária no período de 2005 a 2009. Com relação à contabilidade, a fiscalização identificou a existência de “caixa 2” na empresa Móveis Stancieli; que em todas as empresas a contabilidade não possui conta cliente, apesar de têlos em centenas; que todo o pagamento de duplicata é contabilizado na conta caixa, não havendo passagem por qualquer conta bancária; que a Móveis Stancieli contabiliza somente extensos prejuízos contábeis, tendo seu passivo a descoberto sistematicamente, indicando a ausência de realidade dos números; que há omissão de movimentação bancária de conta do Banco Santander na contabilidade da Móveis Stancieli; e que as empresas efetuam transferências bancárias entre elas, mas não as registram contabilmente, ou contabilizam simplesmente como “entrada” ou “saída de caixa”. Tendo em vista a constatação de que as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda não passavam de meros setores de produção da primeira empresa constituída, a Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, os empregados registrados naquelas empresas foram todos considerados, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos no período de 01/2005 a 13/2009, como empregados da empresa Madreartes. As bases de cálculo foram obtidas por meio do resumo das folhas de pagamento destas empresas e das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIPs por elas elaboradas e transmitidas. O Levantamento “15 – Salários Por Fora Patronal” abrange as competências 01/2005 a 11/2005 e, de acordo com a autoridade lançadora, foi originado por várias correspondências da Justiça do Trabalho e do Ministério Público Federal, dando conta de pagamento de salários sem a realização dos registros previstos na legislação, o que foi confirmado no procedimento de fiscalização. Foi aplicada a multa de ofício de 75% no período de 01/2005 a 11/2008, por se revelar a menos severa ao contribuinte, nos termos do artigo 106, II, “c” do CTN. A partir da competência 12/2008, o lançamento foi efetuado com aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do artigo 35A da Lei nº Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 4 5 8.212/1991, combinado com o artigo 44, I e § 1º da Lei nº 9.430/1996. O sujeito passivo foi excluído do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 175, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/01/2005, e do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 176, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007 (fls. 1.106 e 1.107 dos autos digitais). Conforme os Termos de Sujeição Passiva Solidária de fls. 1.108 a 1.111, foi atribuída responsabilidade solidária pelo crédito tributário às empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda nos termos do artigo 124 do CTN. O montante do crédito, consolidado em 25/11/2010, corresponde a R$ 3.544.478,22 (três milhões, quinhentos e quarenta e quatro mil, quatrocentos e setenta e oito reais e vinte e dois centavos). Cientificadas pessoalmente da autuação em 29/11/2010, as empresas Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, Móveis Shellon Ltda e AllWar Móveis Ltda apresentaram impugnação conjunta em 29/12/2010 por meio do instrumento de fls. 1.115 a 1.144". Após seus argumentos em sede de impugnação terem sidos rejeitados, a recorrente apresenta Recurso Voluntário nas fls. 3.422, e seguintes do eprocesso, produzindo as mesmas alegações de primeira instância, as quais reproduzo também do relatório da DRJ de origem, por serem exatamente iguais em seu recurso de segunda instância: Em preliminar a) Legitimidade para impugnar. Entendem que na qualidade de sujeitos passivos solidários, as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, Móveis Shellon Ltda e AllWar Móveis Ltda estão legitimadas para impugnar os Autos de Infração, uma vez que foram arroladas como coresponsáveis pelos lançamentos efetuados. b) Exclusão do Simples e do Simples Nacional. Sustentam que deve ser determinado o sobrestamento do presente feito até o julgamento definitivo das contestações da empresa Móveis e Artesanato Madreartes Ltda à sua exclusão do Simples e do Simples Nacional, ou, alternativamente, que os julgamentos sejam realizados de forma simultânea, sob pena de ocorrerem decisões contraditórias e de se caracterizar cerceamento ao direito do exercício da ampla defesa das impugnantes. c) Decadência. Afirmam que, de acordo com o § 4º do artigo 150 do CTN, os fatos geradores anteriores a 29/11/2005 estão fulminados pela Fl. 1352DF CARF MF 6 decadência e não podem mais ser exigidos. Alegam que não há nos autos elementos legítimos e suficientes para configurar a ocorrência de fraude ou simulação. d) Nulidades. d1) Cerceamento de defesa. Insurgemse contra o prazo de trintadias para apresentarem suas impugnações, argumentando que é injusto, cerceia seu direito à defesa e caracteriza violação ao princípio da isonomia processual, já que a fiscalização pode prorrogar indefinidamente seu prazo de apuração. Sustentam que somente tiveram acesso aos autos originais do processo em 16/12/2010, data em que aportaram na Agência da RFB em Canela, unidade apontada como preparadora do processo e local para onde deveriam se dirigir para poder acessálo, conforme informação retirada do site da própria RFB. Afirmam que a cópia do processo recebido pela Madreartes estava incompleto, e que os documentos faltantes foram obtidos em 16/12/2010, conforme solicitação de cópias protocolada na Agência da RFB em Canela e anexadas ao feito. d2) Irregularidade na obtenção de provas. Sustentam que a fiscalização agiu de forma abusiva ao produzir “Termos de Constatação” sem a presença das fiscalizadas, induzindo e coagindo seus funcionários a firmar termos dos quais não tiveram acesso. Rechaçam as conclusões baseadas nestas declarações, que não condizem com a verdade dos fatos e foi construída à revelia da fiscalizada. Requerem, caso se entenda que tais documentos possuem valor, a oitiva das pessoas supostamente entrevistadas, entre outras conhecedoras dos fatos, para que apresentem sua versão, conforme rol de testemunhas que apresentam. d3) Obtenção ilegal de dados sigilosos. Alegam que a fiscalização extrapolou os limites de sua competência ao obrigar as fiscalizadas a entregarlhes documentos relativos à sua movimentação bancária, eis que sujeitos ao sigilo de dados garantidos pela Constituição Federal e confirmado pelo pleno do Supremo Tribunal Federal, e que foram acessados dados bancários de terceiros que sequer estão envolvidos na fiscalização. Argumentam que em obediência à Lei Maior do país, bem como em respeito às decisões da Corte Suprema, devem ser anulados os Autos de Infração lavrados com base em informações obtidas de forma ilícita pela fiscalização. d4) Afronta ao princípio da legalidade. Afirmam que ao agir de forma abusiva e sem observância à legalidade exigida em seus atos, o agente fiscalizador desrespeitou o princípio da estrita legalidade inerente às atividades da Administração Pública. No mérito Exclusão do Simples e do Simples Nacional. Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 5 7 Discorrem sobre os motivos pelos quais entendem que descabe a exclusão da Madreartes do Simples e do Simples Nacional, não devendo ser mantida diante da realidade fática apresentada, seja quanto ao faturamento compatível, falta de identidade de sócios e legal constituição de sua personalidade jurídica. Entendem que não se mostra criteriosa a imputação de toda a responsabilidade sobre os Autos de Infração à impugnante Madreartes por ter sido ela a pessoa jurídica constituída há mais tempo. Sustentam que a desconsideração da personalidade jurídica das demais impugnantes com fundamento no artigo 116, parágrafo único do CTN, não pode prosperar, pois além do dispositivo legal não ser autoaplicável, eis que ainda não foi regulamentado por lei ordinária, também é alvo de Ação Direta de Inconstitucionalidade que tramita perante o STF – ADIn nº 24469/600DF. Requerem que sejam desconstituídos os Atos que determinaram a exclusão da Madreartes do sistema Simples, devendo ser mantida a sua tributação por este sistema, uma vez que apresenta os requisitos exigidos para tanto, e que sejam consideradas as personalidades das demais pessoas jurídicas desconsideradas neste processo, incumbindo a cada uma delas individualmente a receita por elas auferida, bem como a tributação porventura incidente e a responsabilidade por seus empregados. Base de cálculo dos alegados pagamentos “por fora”. Afirmam que a fiscalização chegou à conclusão de que as empresas Móveis Stancieli Ltda e Móveis San Remy Ltda realizaram pagamentos de salário “por fora” em 2005 com base em documentos bancários sigilosos das empresas, aos quais obteve acesso de forma ilegal, uma vez que obrigou as fiscalizadas a lhe entregar tais documentos por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, sem observar que havia prévia necessidade de obter ordem judicial para acessar estes documentos. Por este motivo, requerem que seja desconstituída a base de cálculo apresentada na planilha de fls. 482, devendo ser excluída dos Autos de Infração a tributação incidente sobre esta base. Multas qualificadas. Alegam que a multa no lançamento de ofício somente poderá ser agravada quando configurado o evidente intuito de fraude, com a clara comprovação da vontade livre do contribuinte de cometer o ilícito, ou seja, o dolo, o que não foi demonstrado pela fiscalização no Relatório Fiscal. Sustentam que se para a constituição dos créditos tributários a fiscalização tomou por base as próprias declarações das impugnantes – folhas de pagamento, GFIPs e guias do FGTS – não se mostra adequado nem equânime agravar sua tributação, sob a perspectiva de ter havido fraude. d) Da inviabilidade das penalidades aplicadas. Fl. 1354DF CARF MF 8 d1) Do Auto de Infração Debcad nº 37.269.7755. A Madreartes alega que não registrou os empregados pois estes estavam regularmente registrados nas outras empresas. Afirmam que foi aplicada a multa genérica do artigo 92 por infração inexistente ao artigo 32, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, pois a Madreartes não deixou de elaborar sua folha de pagamento na forma exigível, assim como as demais empresas. Entendem que não pode a fiscalização entender, com base em mera ficção, que o quadro funcional individual de cada empresa desconsiderada seja de responsabilidade apenas da Madreartes e com isso imputarlhe conduta que não praticou. Requerem a nulidade deste Auto de Infração. d2) Do Auto de Infração Debcad nº 37.269.7747. Afirmam que os alegados vícios na escrituração contábil, caso existissem, já são objeto do processo nº 11020.003510/20105, no qual as impugnantes tiveram o seu lucro arbitrado para efeitos de apuração do IRPJ e tributos decorrentes, justamente com fundamento na deficiência da contabilidade. Com base nisso, as multas arbitradas naquele processo em que se discutem outros tributos foram fixadas pelo Auditor Fiscal responsável em seu patamar máximo, agravadas para o equivalente a 150%. Entendem que a fiscalização pretende punir as contribuintes duas vezes com base na mesma circunstância, o que caracteriza o “bis in idem” da exigência, que não pode persistir, nem mesmo sob a alegação de que se trata de tributos diferentes. Alegam que, ainda que a fiscalização não tenha ficado satisfeita com suas explicações sobre a linha telefônica, não pode concluir que houve negativa de apresentar o documento solicitado, e que o dispositivo apontado como infringido referese exclusivamente a documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei, o que não é o caso do contrato de locação de telefone. Sustentam que tinham em seu benefício o direito constitucional de não se autoincriminar, ou não auxiliar na produção de prova contra si elaborada, prevista nos artigos 5º, LXIII da Constituição Federal, e 186 do Código do Processo Penal, ou seja, o exercício regular de direito como causa da exclusão da ilicitude. Persistindo a exigência, entendem que não podem sofrer o agravamento do artigo 292, II do RPS, já que não há comprovação de conduta dolosa das impugnantes para o cometimento de fraude, simulação ou conluio. d3) Do Auto de Infração Debcad nº 37.311.5512. Afirmam que os empregados que prestam serviços a cada uma das impugnantes foram devidamente registrados, em cada um dos estabelecimentos em que prestam efetivamente seus serviços, mediante o competente contrato de trabalho. Persistindo a exigência, entendem que não podem sofrer o agravamento da multa original em três vezes, já que não há comprovação da existência das condutas do artigo 292, II do RPS". Diante dos fatos narrados, é o relatório. Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do quesito formal da tempestividade e é de competência desse colegiado. Portanto, dele o conheço. I DAS PRELIMINARES DE NULIDADE 1. CERCEAMENTO DE DEFESA As causas de nulidades no processo administrativo fiscal se limitam as que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Grifei. Nesse quesito, as recorrentes alegam cerceamento de defesa em razão do prazo que não tiveram prazo hábil para realizar sua manifestação. Ocorre que os prazos são iguais para todos os contribuintes e não guarda relação subjetiva. Em havendo diversos responsáveis a serem intimadas, o prazo conta sempre do dia posterior daquele que restou intimada a pessoa jurídica ou física interessada, nos termos do PAF. Nesse sentido, não restou comprovado nos autos que as empresas tiveram prazos menores para realizar sua defesa. Assim, caso tivessem tido algum prazo a menor, era dever das recorrentes apresentarem suas provas, como por exemplo alguma declaração da Receita Federal de que só teve acesso ao processo administrativo fiscal com tempo menor do qeu o previsto em lei. Ainda, restou comprovado também que da capa do Auto de Infração que a contribuinte, na pessoa do seu representante, Sr. Lairton Wolff, declarou que recebeu segunda via do Auto de Infração e demais documentos relacionados. Fl. 1356DF CARF MF 10 Ressaltase que, está pacificado em nossos Tribunais o princípio de nullité sans grief, ou seja: não há nulidade sem prejuízo. No presente caso, verificase que a recorrente teve ciência de todo os fatos que estavam sendo apontados, pois respondeu a todo questionamento da fiscalização, bem como indicou elementos solicitados para as conclusões do lançamento. Portanto, afasto a alegação de cerceamento de defesa. 2. DA QUEBRA DO SIGILO FISCAL SEM ORDEM JUDICIAL Quanto a essa matéria, sem reparos a decisão da DRJ de origem. Após amplo debate sobre o tema perante os Tribunais administrativo e judicial brasileiro, o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. A Suprema Corte lançou o entendimento no RE n.º 601.314/SP 1, decidido sob o rito da repercussão geral, de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados. Assim, não assiste razão o recorrente. 3. DAS DEMAIS PROVAS ALEGADAS COMO IRREGULARES Alega a recorrente que a fiscalização obteve dados e informações de seus funcionários de forma ilegal, deixando de apontar qual seria a forma ilegal. Porém, o PAF– processo administrativo fiscal se inicia pelo ato da fiscalização realizada pela autoridade administrativa, contemplada pelo artigo 196 do CTN, conforme transcrição abaixo: “Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas”. Por meio desse dispositivo é que a autoridade fazendária realiza a devida fiscalização. Com isso, a autoridade administrativa tem o direito e o dever de realizar diligências que entender devido para verificar o levantamento de todas as informações necessárias, desde que permitidas em lei, para a respectiva busca da verdade material sobre os fatos em relação a obrigação tributária a ser cumprida, podendo examinar mercadorias, livros, 1 No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 7 11 arquivos, documentos, movimentações financeiras, papéis e feitos comerciais ou fiscais dos contribuintes. Ainda, como bem ressaltado pela DRJ de origem, "essas atividades são desenvolvidas pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, os quais, nos termos do artigo 6º, inciso I da Lei n.º 10.593/2002, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 11.457/2007, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo, possuem, dentre outras atribuições, as de executar procedimentos de fiscalização e de constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições". Verificase dos autos que os procedimentos administrativos foram devidamente realizados sem mácula ou nulidade, dentro do processo administrativo (rito processual). Assim, não há falar em nulidade. II. DO MÉRITO DA EXCLUSÃO DO SIMPLES Conforme consta do relatório fiscal, as empresas envolvidas no auto de infração, foram excluídas do simples: "o sujeito passivo foi excluído do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 175, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/01/2005, e do Simples Nacional por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 176, de 18/11/2010, com efeitos a partir de 01/07/2007 (fls. 1.106 e 1.107 dos autos digitais)".] As razões segundo o REFISC foram: A autoridade lançadora relata pormenorizadamente no Relatório do Auto de Infração, às fls. 127 a 182 dos autos digitais, as razões que a levaram a concluir que as empresas optantes pelo Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (até 06/2007) e pelo Simples Nacional Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (a partir de 07/2007) Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, AllWar Móveis Ltda – CNPJ 05.360.328/000132, Móveis Shellon Ltda – CNPJ 09.097.785/000137, Móveis Stancieli Ltda – CNPJ 00.872.014/000103 e Móveis San Remy Ltda – CNPJ 03.995.384/000118 constituíam na realidade uma única empresa, que foi fracionada com o objetivo de reduzir sua carga tributária. Relata que evidenciou um planejamento para reduzir o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, com a alocação e divisão dos empregados em várias empresas, cada uma optante pelo regime simplificado de tributação, caso em que a alíquota previdenciária fica extremamente reduzida e ocasiona uma redução significativa no recolhimento das contribuições. Fl. 1358DF CARF MF 12 Em apertada síntese do relato fiscal, extraise que a fiscalização identificou que as empresas Madreartes e Stancieli estão estabelecidas no mesmo local, separadas apenas por um estacionamento interno; que a Móveis Stancieli foi criada em 07/05/1995, mesmo ano da instituição do Simples, e que o endereço de sua filial é no mesmo local do antigo endereço da Madreartes; que o objetivo da criação da Móveis Stancieli foi a divisão do faturamento e do registro dos empregados; que as correspondências enviadas para a Madreartes são endereçadas para o mesmo endereço da Stancieli; que os documentos fiscais de fornecedores são emitidos com os dados da Madreartes, mas as mercadorias são entregues na Stancieli; que a All War, ao ser tributada pelo lucro presumido, transferiu em 31/12/2007 todo o seu estoque de matéria prima e de produtos em elaboração, bem como o imobilizado, para a Móveis Shellon, criada em 10/08/2007 no mesmo endereço da All War, com os mesmos funcionários e optante pelo Simples; que o objeto social das empresas é o mesmo; que todas possuem os mesmos números de telefone, o mesmo endereço eletrônico, o mesmo contador, os mesmos administradores, sócios em comum, atividades idênticas e cada uma com faturamento próximo ao limite de exclusão do Simples; que os gastos de todas as pseudo empresas são pagos pelas mesmas contas bancárias; que os veículos utilizados são os mesmos para todas; que a carteira de clientes é a mesma, e a codificação e especificação dos produtos faturados são os mesmos, conforme se comprova pelas notas fiscais de vendas; que é comum a emissão pelos fornecedores de documentos destinados a uma empresa com o endereço de outra; que as empresas utilizam os mesmos trabalhadores, forjando a demissão em uma e a contratação na outra seis meses após, mas que os cartõesponto comprovam que jamais ficaram desempregados; que existe transferência de empregados da filial da Stancieli para a Shellon e para a Madreartes sem quebra de continuidade, já que são desligados em uma e admitidos na outra no mesmo dia, com o mesmo salário e com a mesma função; que os veículos constantes do ativo imobilizado das empresas são utilizados diariamente por todas elas; que a administração, venda e demais setores indiretos são comuns, no mesmo endereço (Móveis Stancieli), enquanto que nos demais estabelecimentos existe somente parte da produção; que os elementos das reclamatórias trabalhistas corroboram o fato de que há somente uma empresa; que os advogados contratados para a defesa nestes processos são os mesmos; que o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) de 2003 traz como endereço da Móveis San Remy o endereço da AllWar e da Shellon, enquanto que o da Móveis Stancieli traz como endereço o da Madreartes; que os empréstimos contraídos pela Móveis Stancieli junto à San Remy e à Madreartes não sofreram qualquer pagamento ou atualização monetária no período de 2005 a 2009. Com relação à contabilidade, a fiscalização identificou a existência de “caixa 2” na empresa Móveis Stancieli; que em todas as empresas a contabilidade não possui conta cliente, apesar de têlos em centenas; que todo o pagamento de duplicata é contabilizado na conta caixa, não havendo passagem por qualquer conta bancária; que a Móveis Stancieli contabiliza somente extensos prejuízos contábeis, tendo seu passivo a descoberto sistematicamente, indicando a ausência Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 8 13 de realidade dos números; que há omissão de movimentação bancária de conta do Banco Santander na contabilidade da Móveis Stancieli; e que as empresas efetuam transferências bancárias entre elas, mas não as registram contabilmente, ou contabilizam simplesmente como “entrada” ou “saída de caixa”. Tendo em vista a constatação de que as empresas Móveis Stancieli Ltda, Móveis San Remy Ltda, AllWar Móveis Ltda e Móveis Shellon Ltda não passavam de meros setores de produção da primeira empresa constituída, a Móveis e Artesanato Madreartes Ltda, os empregados registrados naquelas empresas foram todos considerados, para fins de lançamento das contribuições previdenciárias e das destinadas a outras entidades e fundos no período de 01/2005 a 13/2009, como empregados da empresa Madreartes. Conforme se observa acima, foram diversas as situações que levaram a concluir que haveria uma simulação capaz de levar a autoridade fiscal para a exclusão do SIMPLES, bem como os elementos (destacados ou não acima) configurariam uma organização de estrutura de uma empresa única, mas com vários. Nesse aspecto, as recorrentes trazem aos autos alguns argumentos contrários, mas deixaram de rebater praticamente quase todos os elementos trazidos pela fiscalização. As recorrentes alegam, por exemplo que, como os sócios entraram em conflito litigioso onde tiveram embate judicial com ação de dissolução de sociedade seria causa suficiente para afastar uma a caracterização de se tratar de uma espécie de conluiou. Entretanto, somente esse elemento não tem o condão de afastar a constatação da engenharia tributária montada para evitar o recolhimento devido das contribuições previdenciárias. No que diz respeito ao faturamento das empresas, alegado pelas recorrentes, boa parte deles não foram considerado para a exclusão do simples pela faixa limite imposta pela Lei Complementar 123/2006. Isso porque a simulação seria a causa mais relevante para a o procedimento fiscal entender a descaracterização regular dos atos jurídicos praticados entre as empresas envolvidos no evento danoso ao erário. Ainda, sobre os vícios de inconstitucionalidade apresentados pelas recorrentes quanto ao dispositivo do art. 116 do CTN, não pode ser apreciado por este colegiado, uma vez que a súmula CARF 02 não permite apreciar matéria inconstitucional. Por fim, em processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido, temos o art. 373, inciso I, do CPC: Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 1360DF CARF MF 14 I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, as recorrentes não obraram afastar as alegações da fiscalização. DA BASE DE CÁLCULO Sobre o preceito da primazia da realidade, o fisco analisou todas as movimentações e valores incidentes nas operações que culminam no fato gerador das contribuições previdenciárias. A questão dos documentos ditos como adquiridos de forma ilícita pela recorrente, são na verdade decorrentes da própria competência de fiscalizar do agente público da administração da estrutura Fazendária. Nesse sentido, cito a Súmula do STF n.º 439, in verbis: "Súmula 439. Estão sujeitos à fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limitado o exame aos pontos objeto da investigação". Ademais, os documentos que o fisco teve acesso foram exatamente aqueles fornecidos pela autuada. Assim, sem reparos o auto de infração quanto à base de cálculo identificado. DA MULTA QUALIFICADA Foi aplicada a multa qualificada de 150% aplicada nas competências 12/2008 a 13/2009 está definida na legislação tributária, com base no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, em razão da caracterização dos elementos descritos nos artigos Os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. No presente processo foram vastas as provas para qualificar a multa nos termos da autuação fiscal, provas essas que deveriam ter sido afastadas pelas recorrentes. Registrase que não há multa agravada ao presente caso. DA MULTA MAIS BENÉFICA O CARF consolidou entendimento nas novas súmulas editadas pelo Tribunal. A Súmula 119 consta o seguinte: No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 11020.003507/201083 Acórdão n.º 2301005.622 S2C3T1 Fl. 9 15 Por outro lado,a multa benéfica já foi proporcionada ao caso, tendo em vista o período de autuação ser posterior a aplicação da retroatividade benigna ao tema. DA DECADÊNCIA Cumpre destacar que, como visto acima, as questões preliminares não guardam relação com a matéria de decadência. Portanto, ela é considerada matéria de mérito. Assim passo a analisar. A recorrente alega que recebeu ciência do auto de infração em 29.10.2010. Diz que as contribuições que foram lançadas anteriores a 29.10.2005 estariam decaídas em razão da aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Ocorre que, O Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial n.º 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos, de aplicação obrigatória a este Tribunal. Nesse sentido, o prazo decadencial para o Fisco lançar o crédito tributário é de cinco anos, contados: i) a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento e não houver dolo, fraude ou simulação (art. 150, §4º, CTN); ou ii) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento (art. 173, I, CTN). Conforme se constatou dos autos, houve simulação praticada. Logo, afasta a incidência do disposto citado no art. 150, §4º,do CTN. Ademais a Súmula CARF n.º 72, assim prescreve: "Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN". Assim, sem razão a recorrente. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer parcialmente do recurso voluntário, para não apreciar matérias tidas como inconstitucionais, não acolher a preliminar e no mérito negar provimento, realizando a manutenção da decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 1362DF CARF MF 16 Fl. 1363DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.900206/2008-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO.
É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o valor e a origem a que se refere o direito creditório quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1202-000.790
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1685; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 91 1 90 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.900206/200857 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 1202000790 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO CSLL Recorrente SENDI ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU O PEDIDO. DESCABIMENTO. É inadmissível a retificação de PER/DCOMP para alterar o valor e a origem a que se refere o direito creditório quando solicitada pela interessada posteriormente à ciência da decisão administrativa que não reconheceu o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 92 2 Relatório Tratase do exame do PER/DCOMP eletrônico transmitido em 30/04/2004, de número 00628.45190.300404.1.3.040710, visando utilizar crédito da CSLL decorrente de “pagamento indevido ou a maior” com data de arrecadação informada de 30/04/2003, no valor original de R$ 14.566,97, para compensação com débito próprio da CSLL, no valor original de R$ 860,46 e atualizado pela taxa Selic, até 30/04/2004, no valor de R$ 1.019,13, fls. 01 a 05. Em 24/04/2008, a DRF/Bauru emitiu o Despacho Decisório Eletrônico, de fls. 06, não homologando a compensação pleiteada, sob o fundamento de que o valor do pagamento da CSLL informado no PER/DCOMP já teria sido integralmente utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, de acordo com os seguintes termos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 860,46 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Cientificada do Despacho em 05/05/2008, fls. 10, a empresa interessada apresentou, em 04/06/2008, manifestação de inconformidade, de fls. 11 a 18, na qual apresenta as alegações a seguir resumidas no relatório do Acórdão nº 1424.187 da DRJ/Ribeirão Preto,de fls. 55 a 61, o qual adoto e passo a transcrever: "(...) a) que compensou CSLL devida por estimativa, do mês de março de 2004, com saldo negativo de CSLL decorrente do anocalendário de 2003; b) juntamente com a PER/Dcomp sob exame apresentou outras PER/Dcomp tendo como origem de crédito saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2003; c) que a presente PER/Dcomp não foi homologada sob argumento de inexistência de crédito, vez que o mesmo já se encontrava vinculado à quitação de débito da requerente; d) no anocalendário de 2003, consoante demonstrado em sua DIPJ, foi gerado um saldo negativo de CSLL. no montante de R$ 67.587,56, passível de compensação com tributos federais a partir do anocalendário subseqüente; e) que é legal a atualização do saldo negativo de CSLL pela taxa Selic; f) que ao preencher a PER/Dcomp ocorreu em equívoco, pois informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, ao invés de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003; g) ressalta que o crédito existe e pode ser identificado na DIPJ/2004, anobase 2003; h) que em decorrência do preenchimento equivocado efetuou compensação a maior no valor de R$ 36.843,49, que será recolhido, acrescido de multa e juros na forma da lei; i) que as demais PER/Dcomps vinculadas ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2003 devem ser apensadas em um único processo administrativo. Ao final, requer que seja concedido total provimento à presente manifestação de inconformidade a fim de se anular o despacho decisório que não homologou a PER/Dcomp de n° 00628.45190.300404.1.3.040710, extinguindose o saldo devedor objeto da compensação.” Após a análise da manifestação de inconformidade, foi emitido o Acórdão nº nº 1424.187 da DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 55 a 61, com o seguinte ementário: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 93 3 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo reclama efetividade no pagamento das antecipações calculadas por estimativa, comprovação contábil do valor devido na apuração anual e que referido saldo negativo não tenha sido utilizado para compensar a contribuição social sobre o lucro líquido devida nos períodos posteriores àqueles abrangidos no pedido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sualiquidez e certeza pela autoridade administrativa. Solicitação Indeferida Os principais fundamentos utilizados no voto condutor do Acórdão recorrido, são a seguir transcritos: “(...) Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de março de 2003, no valor de R$ 14.566,97, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de março de 2003, no valor de R$ 14.566,97. (...) Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurada no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social sobre o lucro líquido devida. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, traz como prova desse crédito cópia da declaração de rendimentos de fls. 36/48, retificada em 03/06/2008, informando a existência de saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 67.587,56, bem como "RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATE Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 94 4 31/12/04" (fl. 50), informando saldo de CSLL a recuperar no montante de R$ 102.019,26. Dos documentos apresentados pela contribuinte, cabem as seguintes observações: a) na DIPJ original, apresentada em 30/06/2004, não há informação de saldo negativo de CSLL, ou seja, a contribuição a pagar informada foi R$ 0,00 (zero); b) em 03/06/2008, a contribuinte apresentou DIPJretificadora, informando saldo negativo de CSLL no valor de R$ 67.587,56; d) o formulário denominado "RAZÃO ANALÍTICO EM REAL DE 01/01/03 ATE 31/12/04", de fls. 49/50, não apresenta Termo de Abertura, nem Termo de Encerramento. (...) Quanto à DIPJretificadora, externando saldo negativo de CSLL, cabe observar que a DIPJ tãosomente indicia que a contribuinte teria efetuado pagamento a maior que o devido. Todavia, resumese à esfera do indício, vez que a declaração desacompanhada da escrita, não produz o efeito desejado. (...) No que diz respeito ao pedido final da contribuinte de apensamento dos processos n° 10825.900725/200815, 10825.900759/200818, 10825.900710/2008 57, 10825.900705/200844, 10825.900695/200847, 10825.900232/200885, 10825.900178/200878, 10825.900248/200898, 10825.900177/200823, 10825.900732/200817, 10825.900263/200836 e do presente processo, por se tratar de PER/Dcomps vinculados ao mesmo indébito, impende observar que em nada prejudicou a análise do direito creditório pleiteado, tendo inclusive referidos processos sido julgados nessa mesma Sessão de Julgamento. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN).” Irresignado com a decisão, o contribuinte apresentou seu recurso voluntário, de fls. 66 a 74, repetindo praticamente os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Reforça o argumento de que efetivamente é detentor do crédito relativo ao saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2003, no valor de R$ R$ 67.587,56, conforme consta em sua DIPJ. Aduz, ainda, fls. 72: “Destarte, a Requerente ao preencher a Per/Dcomp ocorreuse em equívoco, quando ao completar a ficha de origem do crédito, informou crédito de pagamento indevido ou a maior de CSLL, vinculando o Darf recolhido a título de estimativa de CSLL devido em abril 2003, com vencimento em 30/05/2003, ao invés de informar saldo negativo total de CSLL do anocalendário 2003” (...) Por outro lado, importante é ressaltar novamente, que o crédito para satisfazer a compensação existe, e pode ser identificado na DIPJ do exercício 2004, anobase 2003, tendo ocorrido, apenas, um mero engano no preenchimento da Per/Dcomp.” Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 95 5 Em síntese, menciona que encontrase suficientemente provado nos autos a existência do direito creditório, requerendo, ao final, o seu regular reconhecimento, a homologação das compensações pleiteadas, retificando de ofício o PER/DCOMP transmitido. Requer também sejam apensados os outros processos vinculados ao mesmo direito creditório. Junta com o recurso, cópias de parte dos seus livros Diário e Razão. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A questão principal a ser discutida diz respeito à possibilidade de retificação da DIPJ e do PER/DCOMP após a ciência do Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP e, por conseqüência, não homologou as compensações pleiteadas. Alega a interessada que incorreu em erro de preenchimento do PER/DCOMP. Ao invés de informar que o crédito seria originário do saldo negativo da CSLL apurado na DIPJ do anocalendário 2003, indicou que o crédito seria de “pagamento indevido ou a maior” da estimativa da CSLL, relativo ao mês de março de 2003. Menciona, ainda, que o crédito efetivamente existe, porém, por força de erro material, o direito creditório não foi reconhecido. Creio não assistir razão à recorrente. Primeiramente, resta consignar que, nos termos do voto condutor do acórdão recorrido, fls. 60, resta incontroverso nos autos a inexistência de saldo negativo da CSLL na DIPJ original, entregue em 30/06/2004 e relativo ao ano calendário de 2003. Somente com a entrega da DIPJ retificadora, transmitida em 03/06/2008, foi que surgiu um saldo negativo da contribuição no valor de R$ 67. 587,56, fls. 36 e 48. Além da inexistência de saldo negativo na declaração original, verificase que a origem do crédito informado pela interessada em seu PER/DCOMP, seria proveniente do “pagamento indevido ou a maior” da estimativa da CSLL de março/2003, fls. 03 e 05. Já em sua manifestação de inconformidade (e no recurso voluntário) diz a defesa que a empresa teria incorrido em erro no preenchimento do PER/DCOMP e que o crédito se originaria do saldo negativo da CSLL informado na DIPJ (retificadora). Já o Despacho Decisório fundamentou sua decisão exatamente nesse fato, ou seja, não ter constatado a apuração de crédito no valor informado pela interessada. Isso se deve, primeiramente, porque o contribuinte informou no PER/DCOMP um crédito relativo a estimativa da CSLL de março/2033 que já havia sido utilizado, admitindo, expressamente, que preencheu o PER/DCOMP de forma errônea. Em segundo lugar, porque a interessada, não apurou saldo negativo da CSLL na DIPJ originalmente entregue. Somente com a entrega de Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 96 6 DIPJ retificadora, transmitida após a ciência do Despacho Decisório, é que a interessada teria apurado um pretenso crédito. Dessa forma, de acordo com as constatações acima expostas, forçoso concluir que o Despacho Decisório encontrase correto, uma vez que o crédito, da forma como informado originalmente na DIPJ e no PER/DCOMP, não existia, e a compensação, no âmbito tributário, somente pode ocorrer com crédito líquido e certo (art. 170 do CTN). O alegado equívoco no preenchimento da origem do pretenso direito creditório não encontra amparo, na doutrina e na jurisprudência, para que se proceda na sua correção, seja ela de ofício, ou a requerimento de sujeito passivo, após o exame do direito creditório pela autoridade fiscal competente. A indicação da origem a que se refere o crédito é informação substancial, porque manifesta a própria vontade do declarante, a qual tem suprema importância para o exame do seu direito. No caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Como já mencionado, não resta dúvida de que no momento da transmissão, e da análise da DIPJ e do PER/DCOMP em tela, o valor do crédito da CSLL relativo a “pagamento indevido ou a maior”, efetivamente não existia, de modo que está correta a decisão proferida no Despacho Decisório da fl.06. No caso da transmissão do PER/DCOMP, em que se pretende ver reconhecido um crédito contra a Fazenda, ao mesmo tempo que se pleiteia a extinção de um ou mais débitos, a retificação pretendida somente pode ocorrer antes de qualquer procedimento de ofício. Isso ocorre, antes de tudo, em decorrência da forma como o rito processual se desenvolve. Uma vez efetuado o pedido de restituição, com a informação da origem do crédito e, comprovado que esse crédito não existe, não se poderia agora, após o exame da autoridade administrativa, querer modificar o pedido original, já que as informações contidas na DIPJ e no PER/DCOMP foram corretamente analisadas pel a autoridade fiscal ao emitir o Despacho Decisório. Em outras palavras, não se pode querer alterar uma situação fática que existiu no momento da transmissão do PER/DCOMP após o exame dessa situação pela autoridade competente, que foi efetuado de forma correta com os fatos que se apresentavam no momento desse exame. Cabe aqui mencionar parte do Acórdão nº 10323.167 do extinto Conselho de Contribuintes, proferido pelo ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, sessão de 09/08/2007, sobre a possibilidade de alteração do pedido de compensação após a ciência do Despacho Decisório: “Não pode ser considerado erro material, (reiterese: susceptível de retificação), o fato de a Recorrente ter pleiteado a compensação de débito com crédito de um determinado período (ao invés de outro desejado) quando ela anexa à declaração vários documentos relativos ao período indesejado Em verdade, sob a alcunha de "retificação de erro material" pretende a Recorrente formular novo pedido de compensação (do mesmo débito, mas com outro crédito) aproveitandose da data do pleito originário para afastar a incidência dos encargos de mora. (...) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 97 7 Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador.” A alteração da origem do crédito e do valor desse crédito originalmente preenchidos no PER/DCOMP significa trazer um outro crédito, de período distinto daquele originalmente oposto, cuja retificação também não pode ser feita de ofício, sob pena de se alterar a própria essência do crédito, cuja origem só pode ser informada pelo contribuinte. Esclareçase que não se trata aqui de negar um direito do contribuinte em solicitar o crédito que julga ter como seu. Entretanto, esse pedido deverá ser formulado e enviado à Receita Federal do Brasil em novo PER/DCOMP (caso não prescrito), que terá um período distinto e será novamente processado e examinado pela autoridade competente em processo diverso do aqui discutido. Essa também é a orientação da Receita Federal do Brasil, no uso da atribuição que lhe foi outorgada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e alterações, ao disciplinar a apreciação dos processos de restituição/compensação por meio da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, vigente à época da emissão do Despacho Decisório, informando nos seus artigos 56 e seguintes que a retificação do PER/DCOMP só poderá ocorrer antes de decisão administrativa e na hipótese de inexatidão material no preenchimento do documento sustentador do pedido. "Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 Retificação de Pedido de Restituição, de Pedido de Ressarcimento e de Declaração de Compensação Art. 56. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação gerados a partir do Programa PER/DCOMP, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de documento retificador gerado a partir do referido Programa. Parágrafo único. A retificação do Pedido de Restituição, do Pedido de Ressarcimento e da Declaração de Compensação apresentados em formulário (papel), nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à SRF de formulário retificador, o qual será juntado ao processo administrativo de restituição, de ressarcimento ou de compensação para posterior exame pela autoridade competente da SRF. Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59." (grifei) Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10825.900206/200857 Acórdão n.º 1202000790 S1C2T2 Fl. 98 8 Registrese que essa matéria encontravase pacificada no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, de acordo com os Acórdãos números 10809.604, sessão de 17/04/2008 e nº 10517.130, sessão de 13/08/2008, cuja ementa abaixo se transcreve, dentre outros: DCOMP RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO QUE NEGOU HOMOLOGAÇÃO À COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO – É inadmissível a retificação de DCOMP para alterar o exercício de apuração do saldo negativo de IRPJ informado, quando a declaração retificadora é apresentada posteriormente à ciência da decisão administrativa que negou homologação à compensação originalmente declarada. É de se concluir, portanto, que está correto o Despacho Decisório Eletrônico, que não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações pleiteadas, pautado nos termos do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996 e normas complementares, porquanto, incabível a retificação de ofício do PER/DCOMP e vedado ao contribuinte incluir neste processo outro crédito da CSLL (DIPJ retificadora), surgido após decisão administrativa que analisou o PER/DCOMP formulado. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 98DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/06/ 2012 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000126/2005-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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DEDUÇÃO. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidas as despesas médicas, de hospitalização, e com plano de saúde referentes a tratamento do contribuinte, de seus dependentes e de seus alimentandos realizadas em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, desde que preenchidos os requisitos previstos na legislação de regência. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 01 26 /2 00 5- 79 Fl. 41DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Auto de Infração (efls. 06/13) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2001, onde se apurou Dedução Indevida de Despesas Médicas e Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. O contribuinte ingressou com impugnação contestando apenas a glosa das despesas médicas com Djalma Mário Vieira e indicando a juntada dos documentos comprobatórios correspondentes (efls. 02). O lançamento foi julgado procedente pela 5ª Turma da DRJ/FNS (efls. 23/28). Cientificado da decisão de piso em 19/07/2008 (efls. 31), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 08/08/2008 (efls. 32/35) com os argumentos a seguir sintetizados: Expõe que toda a questão está enfocada tão somente no fato de que os comprovantes de pagamento das despesas não indicam o endereço do profissional. Defende que todos os outros dados contidos nos recibos, tais como nome, CPF, CRO e telefone, levam, mediante simples consulta, ao endereço do profissional. Indica a juntada de cópia de página de lista telefônica com o endereço de Djalma Vieira. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. O litígio a ser analisado recai somente sobre a dedução de despesas médicas de R$ 5.500,00 referente ao profissional Djalma Mário Vieira. O assunto encontrase disciplinado pelo art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Equivocase o recorrente ao entender que toda a questão está enfocada tão somente na ausência de endereço nos recibos apresentados na impugnação. Extraise do Auto de Infração (efls. 12) que a autoridade lançadora glosou o valor declarado para Djalma Mário Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10920.000126/200579 Acórdão n.º 2002000.500 S2C0T2 Fl. 42 3 Vieira por falta de comprovação de seu efetivo pagamento, conforme solicitado em Intimação Fiscal, não sendo suficiente a apresentação dos recibos de efls. 03/05 para tal finalidade. Cumpre ressaltar que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do RIR/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Assim, havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que o recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abre mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. O pagamento em dinheiro serve muito bem para quitar um débito, mas para comproválo, ainda mais junto a terceiros, pode se tornar tarefa árdua. Importa salientar, por fim, que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte quem deve apresentar as devidas comprovações quando solicitado. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 43DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.905087/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
Numero da decisão: 3401-005.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros [Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 50 87 /2 01 3- 66 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 208 2 Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Dcomp) nº 30811.62540.080313.1.3.043404 visando compensar os débitos ali declarados, informando como crédito o valor de R$ 42.519,15, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS de entidades financeiras e equiparadas (cód. 4574) do período de apuração abril de 2012, arrecadado em 18/05/2012. O Darf em questão foi recolhido no valor total de R$ 198.150,62. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRF/RJO), através do Despacho Decisório da fl. 14, não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, por ausência de crédito. É informado que o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior teve seu valor integralmente aproveitado na amortização do crédito tributário a que se refere, confessado pela empresa na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). A empresa foi cientificada em 17/06/2013 (fls. 32 e 33). Em 17/07/2013, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 17 a 31). Alega que o crédito em questão foi descrito na DCTF de abril de 2012, retificada em 17/07/2013. Anexa mapa demonstrativo do crédito. Requer a revisão para homologação das compensações. A DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação e encaminha para apreciação de DRJ. É o relatório. 2. Em 06/06/2015, a 02ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1055.300, situado às fls. 38 a 41, de relatoria do AuditorFiscal Marcelo Enk de Aguiar, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2012 a 30/04/2012 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 208DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 209 3 Direito Creditório Não Reconhecido 3. Em 05/08/2015, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 48, a contribuinte interpôs recurso voluntário, situado às fls. 50 a 60, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Transcrevo abaixo, por irreprochável, o pedagógico voto da decisão recorrida: Nos sistemas internos da RFB, é possível verificar que o valor do débito confessado em DCTF, afora eventuais outras extinções, correspondia ao valor pago. Em 17/07/2013, foi entregue retificadora para alterar o valor devido de PIS de abril de 2012 para R$ 155.631,47. Também, constatase que o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) foi alterado, com apresentação de retificadora em 23/07/2013. Desse modo, não havia nenhuma informação anterior ao despacho decisório que justificasse ao indébito. Tampouco foi apresentado qualquer registro anterior, contábil ou fiscal, na manifestação. A Dcomp foi criada a partir da Lei 10.637/2002, que alterou o art. 74 da Lei 9.430/96. A empresa poderia ter se beneficiado da Dcomp entregue caso tivesse ficado inerte a administração tributária, do mesmo modo que poderia ter se beneficiado da declaração dos débitos em questão via DCTF, evitando qualquer procedimento fiscalizatório sobre os mesmos. A Dcomp não é um pedido, nem produz efeitos similares ao de um pedido administrativo de restituição ou de ressarcimento. Pelo contrário, a apresentação desta declaração é um ato jurídico unilateral que o sujeito passivo pratica por sua conta e risco e que, desde logo, extingue o débito tributário que está sendo compensado. A manifestação da empresa se resume a alegação de erro. Nenhum documento contábil ou fiscal foi apresentado. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 210 4 Ademais, a apuração detalhada da contribuição era registrada, na época, pelos contribuintes para a Receita Federal no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon). Embora não tenha sido alegado, tampouco este demonstrativo foi alterado espontaneamente, no que respeita ao despacho decisório. A manifestação de inconformidade era a oportunidade para a empresa fornecer a devida comprovação do direito creditório e/ou do erro em que se fundou a DCTF transmitida. O art. 170 do CTN fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações devem ser comprovadas documentalmente, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (aplicável tanto a impugnações quanto a manifestações de inconformidade, por força dos §§ 9° a 11 do art. 74 da Lei 9.430/96 – redação atual), cabendo à interessada apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa. (...) Para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, necessário que o interessado demonstrasse que suas alegações encontramse fundamentadas em sua escrituração. No presente processo, nenhuma comprovação da apuração da base de cálculo foi ofertada, seja por meio do Livro Diário ou do Razão. Não se pode acolher a argumentação de que a confirmação da existência do pagamento do tributo, em dissonância com a DCTF, seja suficiente para comprovação do indébito, nem tampouco que a retificadora posterior, reduzindo o valor de modo a justificar o indébito, seja comprovação suficiente. Para a situação em comento, esta DRJ tem admitido a demonstração do erro em que se fundou a declaração original, acompanhada de sua comprovação taxativa, o que poderia justificar uma reforma do despacho ou uma diligência com realização de auditoria fiscal na interessada. Não é possível reconhecer o direito se o contribuinte não traz dados fidedignos aptos a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do art. 333, do Código de Processo Civil (...). Isso posto, VOTO para que seja julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. 6. Como se sabe, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, Fl. 210DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 211 5 pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, sempre por unanimidade de votos, como no Acórdão CARF nº 3401004.923, proferido em sessão de 21/05/2018, acórdão paradigma de lote de recursos repetitivos de minha relatoria: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 7. E, neste sentido, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução, tem reiteradamente este colegiado decidido que "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito", trecho que se extrai do Acórdão CARF nº 3401003.204, proferido em sessão de 23/08/2016, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Transcrevo, ainda, as razões do Acórdão CARF nº 3401004.146, de idêntica relatoria: "Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 212 6 maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação (...). Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente" (seleção e grifos nossos). 8. Assim, não se trata de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte da contribuinte recorrente, o que, em pedidos de compensação ou de restituição, milita em seu desfavor. 9. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 212DF CARF MF Processo nº 12448.905087/201366 Acórdão n.º 3401005.400 S3C4T1 Fl. 213 7 Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903141/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 31 41 /2 00 9- 36 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento da contribuição (PIS/Cofins), informado como origem do crédito, já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito creditório, bem como a homologação da compensação, alegando que auferira receitas não sujeitas à incidência da contribuição (PIS/Cofins), dada a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei n° 9.718/1998, que fixou um novo conceito de faturamento, ampliando aleatoriamente a base de cálculo das contribuições para alcançar "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". De acordo com o então Manifestante, referido dispositivo violou flagrantemente os arts. 146 e 154 da Constituição Federal, além do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), alterando o alcance a definição de institutos, conceitos e formas do direito privado, segundo o qual faturamento é uma espécie de receita, qualificada como ingresso patrimonial decorrente de operações mercantis de venda de mercadorias e serviços e nada mais. Concluiu que o Supremo Tribunal Federal (STF), por seu Pleno, reconhecera a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ao julgar os REs 346.084/PR, 357.9501/RS e 390.840/MG, por entender que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. Dessa forma, pleiteou o reconhecimento da legalidade da compensação declarada, com a exclusão da base de cálculo de todas as receitas agrupadas sob a rubrica "outras receitas". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1430.400, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da repartição de origem. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.379, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 13888.903098/200917, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.379): O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1430.375 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2002 CONSTITUCIONATIDAI)E. DECISÃO DO SUPREMO—TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. PIS. BASE DE CALCULO. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo do PIS passou a ser a totalidade das receitas auferidas pela empresa subtraida de algumas exclusões previstas em lei. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Aduz o Contribuinte em seu recurso que efetuou pagamento a maior da contribuição ao PIS e compensou com os valores devidos à contribuição. A Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 5 4 Administração Fiscal não homologou o pedido de compensação por entender que não há crédito a favor do Contribuinte, visto que o pagamento informado pelo Contribuinte como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando, assim, crédito disponível para compensação com os débitos relacionados no PER/DCOMP, sendo que o DARF foi alocado para o débito declarado em DCTF apresentado pelo Contribuinte. Assim esclarece os fatos o Contribuinte em seu recurso (fls. 80 e seguintes): A Fiscalização incluiu na base de cálculo da PIS o valor de "outras receitas", o que levou a empresa recorrente a recolher valor de contribuição superior ao realmente devido. Segundo apurouse, a recorrente recolheu a importância de R$ 217,35 indevidamente, a titulo de PIS. Este valor tem como correspondente base de cálculo o importe de R$ 33.438,73 qual não deveria integrar a base de calculo de referida contribuição, haja vista que corresponde a "outras receitas" apuradas naquele período. Sendo credora dessa importância, que atualizada gerou um crédito de R$ 330,40, a recorrente utilizouse desse valor para compensálo com o PIS devido no mês de novembro de 2005, conforme procedimento “PER/DCOMP” anexado aos autos do processo administrativo. A Secretaria da Receita Federal não homologou a compensação, conforme despacho decisório proferido em 25 de Margo de 2009. 0 Fisco não aceitou a existência de crédito da recorrente, consolidando o valor do débito, correspondente aos valores considerados indevidamente compensados. (...) A cobrança, no entanto, não pode prosperar, devendo ser cancelada, uma vez que a importância relativa a "outras receitas" não pode ser incluída na base de cálculo para apuração dos tributos PIS e COFINS, devendo, assim, exonerar a recorrente do pagamento dos débitos do período em referência. Percebese que a questão central é que o Fisco entendeu que “outras receitas” integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, enquanto que o Contribuinte discorda visto a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/1998 e assim se pronuncia às fls. 84 e seguintes: (...) A base de cálculo ao PIS não abrange as "outras receitas", assim consideradas aquelas que não sejam provenientes da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. A contribuição relativa ao PIS incide sobre o faturamento da empresa e teve sua cobrança instituída pela Lei Complementar n° 70/71, encontrando suporte no artigo 195, da Constituição Federal de 1988. O faturamento constituise elemento primordial na construção da base de cálculo da COFINS e do PIS, a qual foi definida pela Carta Magna, não podendo, obviamente, ser alterada por simples lei ordinária. (...) A Lei n° 9.718/98, no entanto, ampliou aleatoriamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, passando a considerar faturamento a "totalidade das Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 6 5 receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", conforme se depreende do seu artigo 3°, parágrafo primeiro. Tal dispositivo legal, ao ampliar o conceito de faturamento, violou o principio da supremacia da Constituição Federal. (...) Considerando que o Supremo Tribunal Federal já considerou inconstitucional o artigo 3°, parágrafo 1°, da Lei no 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, há que se reconhecer a legalidade da compensação pretendida pela recorrente, uma vez que devem ser excluídas da base de cálculo todas as receitas que estão sob o conceito de "outras receitas". Com esses argumentos o Contribuinte requer a anulação do Despacho Decisório proferido em 4 de agosto de 2010 que não homologou o pedido de compensação. Na decisão ora recorrida assim se pronunciou o relator (fls. 73): (...) Realmente, no dia 9 de novembro de 2005, o STF, em sessão plenária em quatro recursos individuais, julgou inconstitucional o § 10 do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, que definiu como base de incidência das contribuições ao PIS e A Cofins a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. 0 STF entendeu que referida norma, quando de sua edição, era incompatível com o texto constitucional então vigente, que previa a incidência das contribuições sociais apenas sobre o faturamento das pessoas jurídicas e não sobre a totalidade das suas receitas. Contudo, como tais decisões do STF não foram proferidas em Ação Direta de Inconstitucionalidade — ADIN, beneficiam, apenas e tão somente, as partes envolvidas nos recursos mencionados. (...) Neste aspecto entendo não assistir razão a administração fiscal, visto que em face a inconstitucionalidade do art. 3o § 1º, da Lei 9.718/98, deve se excluir da base de cálculo da contribuição as “outras receitas”. Ocorre que o Contribuinte não demonstrou na Manifestação de Inconformidade, bem como, no Recurso Voluntário, o que integra a rubrica “outras receitas”, pois cabe a quem alega o direito creditório demonstrar a sua liquidez e certeza. Cito trecho da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls 74 e seguintes): Sob outro prisma, compete acentuar que após a ciência do despacho decisório transferese ao contribuinte o ônus probante objetivando sustentar suas alegações, incluindo eventuais retificações de valores informados em DCTF. Diante disto, é importante ressaltar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 7 6 A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do PIS, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação fiscal demonstrando as receitas constituídas de valores classificados como "outras receitas" que, em sua tese apresentada na manifestação de inconformidade, não estariam sujeitas à incidência de PIS e Cofins. Consoante noção cediça, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º )". Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação, ainda mais quando tal débito estava declarado em DCTF. Esse, por sinal, tem sido o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como atesta de forma ilustrativa a ementa do seguinte acórdão: "DCTF — ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO — AUSÊNCIA DE PROVA Os dados informados em DCTF reputamse verdadeiros, até prova em contrário. Inadmissível a simples alegação de erro no seu preenchimento, desacompanhada de comprovação cabal do lapso." (Acórdão 10420.645, de 18/5/2005) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essas razões, ausência de comprovação do direito ao crédito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.903141/200936 Acórdão n.º 3301005.399 S3C3T1 Fl. 8 7 Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins, importando registrar, também, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726777/2016-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2015
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.726777/201670 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.456 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente GERARDO EUSTAQUIO DA FONSECA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2015 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 67 77 /2 01 6- 70 Fl. 143DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2015, anocalendário de 2014, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.000,00. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Juiz de Fora de f. 115/119. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 125/126. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15504.726777/201670 Acórdão n.º 2001000.456 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. O recorrente afirma que efetuou o pagamento das despesas em dinheiro. Analisando a documentação (extratos bancários), verificase que não se mostra suficiente para amparar as alegações do contribuinte. Tanto a fiscalização quanto a decisão de primeira instância evidenciaram que não há correspondência entre os saques efetuados e os recibos que supostamente amparariam o total das despesas pretendidas. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 145DF CARF MF 4 José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15504.726777/201670 Acórdão n.º 2001000.456 S2C0T1 Fl. 4 5 diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.722745/2016-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, comprovadamente decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2001-000.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 10283.900785/2006-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem para: 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5-A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem para: 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5-A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante
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Recorrente MAGAMA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à repartição de origem para: 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante RELATÓRIO Adoto o relatório da decisão recorrida que bem espelha e historia a demanda em discussão (fls. 320/22), verbis. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 00 78 5/ 20 06 -4 1 Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 3 2 Tratase de declaração de compensação transmitida em 30/07/2003 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2172, do período de apuração de 31/03/2003, com arrecadação em 15/04/2003, no valor originário de R$ 1.259,93. A Delegacia de origem, em análise datada de 16.06.2008 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 26.08.2008, manifestação de • inconformidade na qual alega (fls. 10/19): a) No ano de 2003, notadamente no mês de março, toda a sua produção foi vendida a parceiros que também gozavam dos incentivos da Sufram. Assim, nos termos do art. 50 A da Lei n° 10.637/2002, acrescentado pela Lei n° 10.684/2003, fazia jus à isenção do PIS e da Cofins sobre a receita decorrente da comercialização de seus produtos. Oportuno referir que, apesar de a publicação da Lei n° 10.684/2003 ter ocorrido em 31.05.2003, o mencionado artigo passou a produzir efeito desde 1°.02.2003. Assim, num primeiro momento encontravase obrigada a pagar a Cofins. Contudo, por força da legislação superveniente, tal tributo deixou de ser exigível. b) Por equivoco, a DCTF do 10 trimestre/2003 foi informada erroneamente, com informação a maior da base de cálculo da Cofins, considerandose que a receita decorrente da comercialização de produtos intermediários produzidos na ZFM, para estabelecimentos ali radicados, também era tributável. Caso a RFB tivesse confrontado os dados da PER/Comp e da DCTF com os dados informados na DIPJ, ficaria fácil perceber o equivoco das informações da DCTF. c) A contribuinte entregou, na forma da legislação tributária, a DCTF do 1° trimestre de 2003, em 10/06/2003, quando já estava vencido o débito do IRPJ ora cobrado (15/04/2003). Portanto, forçoso concluir, até porque assim o diz o STJ, que a ação de execução fiscal deveria ter sido proposta até 10/06/2008, para que a cobrança do débito tributário não fosse extinto pela prescrição. 0 direito positivo e a jurisprudência do STJ determinam que, entregue a DCTF e vencido o tributo declarado, a Fazenda Pública já tem condições de inscrever o crédito tributário diretamente em divida ativa, não se fazendo necessária qualquer outra providência. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 4 3 d) A despeito da isenção em favor da contribuinte, esta equivocouse ao informar em DCTF que a referida receita integrava a base de cálculo do tributo. Isso significa que a "confissão de divida" não se aplica no caso concreto, tendo em vista que a divida sequer existia. Aliás, cabe ressaltar que o Conselho de Contribuintes entende que o equivoco no preenchimento da DCTF não prevalece ante a verdade dos fatos. Cabe advertir, ainda, que a confissão de divida decorrente da apresentação da DCTF nada mais é do que uma presunção furls tantum, sendo que os documentos carreados aos autos comprovam todos os fatos constitutivos do direito da contribuinte, o que afasta a presunção relativa da confissão de divida. Assim, caso reste alguma dúvida, a determinação da realização de diligência se torna obrigatória, sob pena de cerceamento de defesa. Requereu, ao fim, que: a) seja determinada diligência para a averiguação da isenção da Cofins sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela Suframa, permitindo se constatar o equivoco o preenchimento da DCTF; b) seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, para declarar prescrito o débito tributário, determinandose a baixa do seu registro; c) subsidiariamente, seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, para que seja homologada totalmente o PER/DComp referente ao processo. Regularmente cientificada em 02.06.2009 (fls. 330), a empresa ingressou com Recurso Voluntário em 22.06.2009 (332/362), reiterando suas razões impugnatórias para ao final requerer, quanto segue. 1. Em razão do inequívoco cerceamento de defesa, seja anulada a r. decisão recorrida, determin andose a realização de diligência para (i) averiguar a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; e, (ii) conseqüentemente, determinar a base de cálculo da COFINS, o que permitirá constatar o equivoco no preenchimento da DCTF e a correção da informação constante da DIPJ; e 2. SUBSIDIARIAMENTE, seja reformada a r. decisão recorrida, para que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, para declarar prescrito o débito tributário, determinandose a baixa do seu registro no sistema; ou, ALTERNATIVAMENTE, seja reformada a r. decisão recorrida, para que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade apresentada pela recorrente, homologandose, consequentemente, a compensação, por ter sido válida a utilização do crédito informado na PER/DECOMP. É o relatório VOTO Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 5 4 Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Julgo tempestivo o recurso voluntário a este colegiado, posto que o AR intimando da decisão recorrida está datado de 02/06/2009 e petição Recurso Voluntário foi protocolizada no dia 22/06/2009, motivo pelo qual tomo conhecimento do apelo do contribuinte. Primeiramente, cumpre analisar a questão da prescrição. A requerente trouxe aos autos julgado do STJ (REsp 673.585/PR, Rel. Ministra Eliana Calmon, 1ª Seção, julgado em 26/04/2006, DJ 05/06/2006, p. 238), em que se acolheu a conhecida tese dos cinco mais cinco, no qual se defende a tese de que, in verbis: Em se tratando de tributo lançado por homologação, tendo o contribuinte declarado o débito através de Declaração de Contribuições de Tributos Federais (DCTF) e não pago no vencimento, considerase desde logo constituído o crédito tributário, tornandose dispensável a instrauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. Nessa hipóteses, se o débito declarado somente pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, nesse momento é que começa a fluir o prazo prescricional. (...) Considerando que, quando da entrega da DCTF em 10/06/2003 o débito do IRPJ já estava vencido (15/04/2003), imperativo reconhecer que, nos termos do art. 174 do CTN, em 10/06/2008, já ocorrera a prescrição do débito tributário, segundo o entendimento já consagrado pela Corte Superior. No acórdão recorrido em que se negou provimento a pretensão do recorrente, argumentase que a jurisprudência do STJ não tem o condão de obrigatoriedade, posto que a Receita Federal não estaria vinculada a tais pronunciamentos. Se, por um lado, a RFB não está vinculada ao entendimento dos Ttribunais Superiores, por outro, a jurisprudência desses Tribunais é de fundamental importância para a análise de situações específicas já julgadas, e a sua não observância pode acarretar maior insegurança jurídica e decisões desproporcionais em outros temas, em detrimento do interesse das partes e da própria Justiça Tributária. Se negada essa questão preliminar de prescrição (suscitada desde antes da decisão recorrida, fato reiterado no Recurso Voluntário), estarseá cerceando o constitucional direito de defesa da parte, haja vista que vem o contribuinterecorrente, desde a instância recorrida, insistindo em que seja realizada diligência para (I) averiguar a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFN e incentivados pela SUFRAMA, a fim de determinar a base de cálculo da COFINS e, conseguinte, comprovar o equívoco no preenchimento da DCTF e a correção da informação constante na DIPJ. A autoridade recorrida, porém, negou a restituição e a Diligência suscitada, ao fundamento de que a nova DCTF retificadora não fora apresentada atemporada e adequadamente. Contudo, em sede de recurso voluntário, a requerente anexou a foto da tela no Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 6 5 sistema da RFB que impossibilitou a retificação, quando da apresentação da manifestação de inconformidade (fls. 380). Ademais, salientase que o erro material na DCTF resulta, sobretudo, do fato de que a isenção conferida pela Lei 10.684/03, promulgada apenas em maio de 2003, gerou mudanças naturais nas declarações dos contribuintes. Ora, não se pode penalizar um contribuinte por preencher a declaração a maior, que até um mês antes era devida, quando, a posterior, recebe um isenção com base no art. 25 c/c o art. 29 da Lei 10.684/03, trazida no art. 5ºA da lei 10.637/02, in verbis: “Ficam isentas da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS as receitas decorrentes da comercialização de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, produzidos na Zona Franca de Manaus para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais ali instalados e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA." Além disso, identificase que, no acórdão da DRFBelém (fls. 318328), elenca se duas condições para a desconstituição do débito: a comprovação inequívoca do pagamento a maior e a apresentação de DCTF retificadora, alegando faltar essa à requerente para fazer jus ao seu direito, ou seja, já foi reconhecido o pagamento a maior que resultou no indébito fiscal. Contudo, haja vista a impossibilidade comprovada de retificar a declaração (fl.380), a negação da diligência perseguida vai de encontro aos direitos da ampla defesa, do contraditório e, principalmente da verdade material. Registrese mais que, na decisão no Processo Administrativo Fiscal de número 10768.000402/200266, esse Conselho já decidiu que “O erro na indicação (..) na DCTF não prevalece ante a verdade dos fatos”. Ou seja, erro material escusável não pode prejudicar direito das partes. Ademais, ainda que a RFB não esteja vinculada aos julgados administrativos, como o próprio acórdão recorrido ressaltou, nos casos de decisões dos Tribunais Superiores, existe disciplina própria insculpida no § 2º do art. 62 do RICARF, verbis. “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Isto posto, preliminarmente, tomo conhecimento do Recurso e VOTO pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA à unidade de origem, para analisar e responder aos seguintes quesitos, verbis. 1) avaliar a questão relacionada a tentativa de envio da DCTF retificadora, de modo que fique demonstrada a impossibilidade de envio por parte da recorrente; 2) oportunizar a Recorrente a apresentar os documentos que comprovem o crédito pretendido relacionado com a isenção estabelecida pelo art. 25 da Lei 10.684/03 (art. 5 A da Lei 10.637/02) relativos a isenção da COFINS sobre a receita decorrente da venda de Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10283.900785/200641 Resolução nº 3001000.142 S3C0T1 Fl. 7 6 produtos intermediários produzidos na ZFM a estabelecimentos industriais sediados na ZFM e incentivados pela SUFRAMA; 3) elaborar planilha detalhando mensalmente os valores relacionados com a referida receita decorrente da venda de produtos intermediários efetivamente produzidos na ZFM a estabelecimentos nela sediados, caso existam, produzindo relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas; 4) ao final, que se dê ciência do relatório a recorrente, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, manifestarse; e, 5) Retornando, em seguida, os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento do julgamento, com as observações que entender pertinentes. Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 389DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.721159/2013-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. EXISTÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
As diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por conseqüência, da divergência jurisprudencial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. CORRETA ATRIBUIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA PELA AUTORIDADE FISCAL.
É cabível a exigência do imposto e consectários incidentes nos rendimentos tributáveis recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos ser reconhecidos e tributados em face do seu real beneficiário.
Numero da decisão: 9202-007.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. EXISTÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. As diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por conseqüência, da divergência jurisprudencial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. CORRETA ATRIBUIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA PELA AUTORIDADE FISCAL. É cabível a exigência do imposto e consectários incidentes nos rendimentos tributáveis recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos ser reconhecidos e tributados em face do seu real beneficiário.
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CONHECIMENTO. EXISTÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. As diferenças acidentais que não interferem no deslinde da controvérsia não são aptas a afastar a identificação da similitude fática e, por conseqüência, da divergência jurisprudencial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. CORRETA ATRIBUIÇÃO DA SUJEIÇÃO PASSIVA PELA AUTORIDADE FISCAL. É cabível a exigência do imposto e consectários incidentes nos rendimentos tributáveis recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos ser reconhecidos e tributados em face do seu real beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 11 59 /2 01 3- 80 Fl. 3049DF CARF MF 2 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2201003.698 proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 08 de julho de 2017, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 2.736: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 142 DO CTN. EXIGÊNCIAS. Os requisitos do procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerados constam do artigo 142 do CTN. A correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributário é ônus da Autoridade Lançadora. A existência de erro na determinação do sujeito obrigado ao cumprimento da obrigação tributária, seja na qualidade de contribuinte, seja na de responsável, macula com vício insanável o lançamento tributário, ensejando sua nulidade absoluta. Foram opostos embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, mas, conforme o Despacho de fls. 2.778, foram inadmitidos. No que se refere ao Recurso Especial referido anteriormente, fls. 2.788 a 2.815, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 2.818 a 2.827, para rediscutir a decisão recorrida no tocante ao critério jurídico para a caracterização de interposta pessoa envolvendo a interpretação do art. 142 do CTN e 167 do Código Civil. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) a turma recorrida entendeu que a simples comprovação de que o “laranja”, Sr. Paulo Roberto da Rosa, existia na condição de pessoa natural, titular de direitos e obrigações, já seria suficiente para afastar a sujeição passiva do Sr. Joselito Golin, apontado pela autoridade fiscal como real beneficiário das operações; b) o Colegiado, entretanto, sequer chegou a realizar abordagem material quanto à interposição de pessoa. Registrese que em nenhum momento analisase se o Sr. Paulo Roberto da Rosa interpôsse artificialmente entre o Fisco e o Sr. Joselito Golin, com o objetivo de reduzir Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 3 3 indevidamente o montante a pagar a título de IRPF, acusação essa fartamente descrita pela autoridade fiscal; c) diante de flagrante abuso de direito no uso interposta pessoa para fugir à tributação, a autoridade administrativa ou judiciária, em defesa do interesse público, deve aprofundar as investigações a fim de alcançar as verdadeiras pessoas, físicas ou jurídicas, que por trás dela se escondem, desacobertando, destarte, a simulação ou a fraude; d) comprovado, como foi pela fiscalização, que houve a utilização de interposta pessoa para acobertar as operações de alienação de imóveis com ganho de capital, cujo beneficiário real foi o Sr. Joselito Golin, revelase correta a autuação fiscal, que identificou corretamente o sujeito passivo do lançamento. Intimado, o Contribuinte apresentarou Contrarrazões, fls. 2.865 e seguintes, nas quais sustenta que: a) o primeiro ponto de atenção é que tanto o acórdão recorrido, nº 2201003.698, como o acórdão paradigma, nº 2201002.286, foram proferidos pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento; b) o acórdão nº 2201002.286 apontado pela Recorrente não pode ser aproveitado como paradigma, uma vez que a lei é clara ao vedar a apresentação de acórdão paradigma proferido pela mesma turma do acórdão recorrido; c) consoante será demonstrado, todos os acórdãos relacionados apresentam fatos, provas e fundamentações jurídicas distintas, de modo que se torna tarefa impossível estabelecer qualquer relação entre eles; d) ausência de divergência jurisprudencial e similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas; e) não se trata de interpretação divergente da legislação, até porque a legislação de ambos os casos é diversa, mas sim de análise e interpretação dos fatos e das provas apresentadas; f) no caso dos autos, a divergência apontada pela Recorrente foi claramente em relação à valoração das provas, sendo que o deslinde da controvérsia passa por nova análise destas, o que, por óbvio, é incabível; g) em nenhum momento foi feito o cotejo analítico da divergência entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, colacionando os pontos divergentes entre eles; h) todas as conclusões levantadas pela Fazenda Nacional são no sentido de questionar a efetiva e real existência do Sr. Rosa. São listados pelo menos 17 fatos ou indícios nesse sentido. Nada obstante, a existência do Sr. Rosa é questão fática e jurídica, Fl. 3051DF CARF MF 4 razão pela qual, com a dispersão da dúvida, a discussão perdeu o objeto; i) mesmo que o Recurso Especial tenha reconhecida a sua admissibilidade, o único argumento apresentado é a tentativa de inovação na defesa do reconhecimento da interposição de pessoa, o que sequer foi alegado pela Fiscalização e jamais comprovado, razão pela qual merece ser totalmente rejeitado no mérito; j) restou inexistente a responsabilidade solidária da ICGL 2; k) não há comprovação de interesse econômico da ICGL 2 no não recolhimento do IRPF por parte do Sr. Rosa ou do Sr. Golin; l) deve ser totalmente excluída a responsabilidade da Recorrida, pois inexiste no caso qualquer interesse jurídico que justifique a sua autuação, ou devolvida a matéria relacionada à solidariedade, bem como a questão da apuração correta dos tributos devidos para que estas matérias possam ser devidamente analisadas, evitandose, com isso supressão de instância. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento Aduz o Recorrido o não conhecimento do recurso especial, essencialmente, pelos seguintes fundamentos: o acórdão nº 2201002.286 apontado pela Recorrente não pode ser aproveitado como paradigma, uma vez que a lei é clara ao vedar a apresentação de acórdão paradigma proferido pela mesma turma do acórdão recorrido; todos os acórdãos relacionados apresentam fatos, provas e fundamentações jurídicas distintas, de modo que se torna tarefa impossível estabelecer qualquer relação entre eles; não se trata de interpretação divergente da legislação, até porque a legislação de ambos os casos é diversa, mas sim de análise e interpretação dos fatos e das provas apresentadas; em nenhum momento foi feito o cotejo analítico da divergência entre os acórdãos paradigmas e o acórdão recorrido, colacionando os pontos divergentes entre eles. Acerca do argumento sobre o fato de um dos paradigmas ser proferido pela mesma Turma que proferiu o acórdão recorrido, destacase que a previsão contida o RICARF; no sentido de que os colegiados formados após a publicação da Portaria MF n.º Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 4 5 343/2015 serão considerados distintos daqueles préexistentes; está em consonância com o Decreto 70.235/1972, não havendo que se falar em ilegalidade do Regimento interno. Ressaltase que o RICARF, estabelecido por meio de Portaria do Ministério da Fazenda, contém regras acerca da execução de leis, decretos e regulamentos, em consonância com o art. 87, parágrafo único, da Constituição Federal. Nesse contexto, extraise que as regras constantes do Regimento, quanto à interposição de recursos, tratam do processo administrativo fiscal, em caráter abstrato, consubstanciandose, materialmente, em lei. Além disso, a composição do Colegiado que proferiu o acórdão paradigma é totalmente distinta da composição do colegiado que proferiu o paradigma, motivo pelo qual não assiste razão ao recorrido. Acerca da similitude fática e da divergência jurisprudencial, cabe esclarecer que, embora existam diferenças acidentais entre os contextos fáticos dos acórdãos paradigmas e do recorrido, é possível identificar a similitude quanto a existência de interposta pessoa para realização dos negócios jurídicos e a divergência na atribuição do sujeito passivo da obrigação tributária. No acórdão recorrido, não obstante a caracterização de interposta pessoa, considerando a premissa de que restou comprovada para a autoridade policial a existência com vida do praticante dos negócios; tendo em vista que a autoridade fiscal apresentou indícios da sua inexistência; entendeuse pela ausência de correta identificação do sujeito passivo, conforme se extrai dos trechos abaixo: Patente a conclusão da autoridade competente para verificação da existência da pessoa natural: Paulo Roberto da Rosa é pessoa física viva e titular de direitos e obrigações. Houve erro da identificação do sujeito passivo pelas Autoridades Lançadoras. Os negócios jurídicos ensejadores de obrigações tributárias constantes do Auto de Infração que aqui se discute foram praticados pelo Sr Paulo Roberto da Rosa como reconhecido pelo próprio Fisco e o lançamento tributário foi realizado em nome de Joselito Golin e dos demais devedores solidários mencionados. Inegável a existência de vício no lançamento. Vício de índole material. Ao reverso, o que se observa é que todo o lançamento tributário parte da premissa de que aquele que praticou o fato gerador não existe como pessoa natural. Consta do prelúdio do Termo de Verificação Fiscal tal afirmação. (...). Instada, por imperativo processual, a comprovar a sujeição passiva, a Recorrente soube se desvencilhar do ônus, comprovando para a autoridade competente, no caso a Fl. 3053DF CARF MF 6 autoridade policial, a existência com vida daquele que praticou os negócios jurídicos ensejadores do ganho de capital. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, não identificou o sujeito passivo da obrigação tributária. (...) No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco quem efetivamente praticou os fatos geradores da obrigação tributária. Errou ao eleger o Contribuinte. Como visto é dever do Fisco apontar o real sujeito passivo. Já no âmbito dos paradigmas, transcrevese trecho do voto condutor do Acórdão paradigma nº 10617.100, que demonstra que a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes não se limitou a uma abordagem formal para decidir sobre a correta identificação do sujeito passivo, empreendendo também uma análise material, que abrange o exame da capacidade econômica da pessoa apontada como “laranja” e do real beneficiário das operações. Verbis: De outra banda, no tocante à infração do ganho de capital, a motivação da qualificação não se resumiu à prática reiterada da infração. No relatório fiscal, há uma longa descrição de fatos que comprovam que o contribuinte utilizou interpostas pessoas, no caso o Sr. Ivanilson Soares da Silva e a Sra. Maria Aparecida Castro, para escapar da tributação do imposto de renda da pessoa física. (...). O breve relato acima, que consta mais detalhado no relatório deste voto, demonstra cabalmente que o Sr. Ivanilson Soares da Silva jamais se assenhoreou de qualquer valor pago pela Terracap. O Sr. Ivanilson, como asseverado pela fiscalização e pelo vendedor do imóvel antes descrito, era empregado do recorrente. Ademais, a declaração do Sr. Ivanilson, secundada pelo recorrente, de que recebeu os valores da Terracap tem graves indícios de inidoneidade ideológica. Claramente se percebe que o recorrente buscou utilizar a figura de seu motorista como interposta pessoa, quer para ocultar o ganho de capital auferido, quer para ocultar o real proprietário do imóvel referido. O acórdão paradigma n.º 2201002.286 deixa ainda mais clara a desconsideração da interposta pessoa na sujeição passiva tributária, devendo os rendimentos serem reconhecidos e tributáveis em nome do real beneficiário, como se observa da ementa abaixo colacionada: Processo nº 10803.720034/201193 Recurso nº 999 Voluntário Acórdão nº 2201002.286 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente CID GUARDIA FILHO Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 5 7 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. INTERPOSTA PESSOA. São tributáveis os rendimentos recebidos por intermédio de interposta pessoa. Para tanto, resta desconsiderada a participação da pessoa interposta na operação, devendo os rendimentos serem reconhecidos e tributáveis no real beneficiário. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Resta caracterizada fraude quando contribuinte se vale de interposta pessoa para omitir rendimentos passíveis de tributação, sendo devida a multa qualificada. (...). Assim, como bem pondera a Procuradoria da Fazenda Nacional, o Colegiado a quo, diante do relato fiscal de interposição de pessoa, limitouse a uma abordagem formal para decidir acerca da correta identificação do sujeito passivo. Concluiu, em síntese, que a simples demonstração de que a pessoa interposta existe, na condição de titular de direitos e obrigações, já é suficiente para afastar a sujeição passiva da pessoa indicada como real beneficiária das operações. Registrese, por oportuno, a Procuradoria opôs embargos de declaração para prequestionar a questão da necessidade de se proceder a uma abordagem material, apontando omissão quanto ao exame do fundamento central do lançamento, a saber, a utilização de interposta pessoa – seja fictícia ou real – com o fim de reduzir indevidamente o montante de IRPF a pagar. Não obstante, os embargos de declaração foram liminarmente rejeitados, sem manifestação de mérito da turma sobre o tema. Em sentido diametralmente oposto, manifestaramse a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e a Primeira Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF (na composição anterior à mudança do RICARF). Com efeito, os Colegiados prolatores dos acórdãos paradigmas não se limitaram a uma abordagem formal para decidir acerca da correta identificação do sujeito passivo, procedendo a uma análise material, inclusive com o exame da capacidade econômica da pessoa indicada como “laranja”, bem como do real beneficiário das operações. Assim, temse que em todos os acórdãos analisados examinouse hipótese em que a autoridade fiscal indicou existir interposta pessoa, que visava proteger o patrimônio do real beneficiário das operações realizadas com o objetivo de reduzir indevidamente o IRPF devido. Contudo, diante de tal quadro, os acórdãos recorrido e paradigma utilizaram critérios jurídicos diferentes para aferir a correta identificação do sujeito passivo, aplicandose de forma distinta o art. 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 3055DF CARF MF 8 No que se refere ao argumento sobre a necessidade de cotejo analítico entre os acórdãos recorrido e paradigma, cabe esclarecer que a demonstração da divergência não requer necessariamente a elaboração de quadro comparativo, tampouco de cotejo analítico, desde que fiquem claros no recurso os pontos que estão sendo suscitados. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. 2. Da sujeição passiva Apesar da minha participação no julgamento a quo, oportunidade na qual acompanhei o Relator, ao dar provimento ao recurso voluntário, compulsandose os autos, em uma análise aprofundada da temática juntamente com o seu arcabouço probatório, bem como considerando a descrição minuciosa contida no relato fiscal, entendo que merece reforma a decisão vergastada. Tendo em vista a clareza e a objetividade constante da Declaração de Voto proferida pela Conselheira Dione Jesabel Wasilewski, no Acórdão recorrido, utilizome dos seus fundamentos abaixo transcritos como razões de decidir. Sujeito passivo da obrigação principal como contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador do tributo (art. 121, parágrafo único, I, do CTN). Na hipótese tratada nesse processo, o fato gerador do tributo está relacionado com o ganho de capital obtido na compra e venda de imóveis rurais de grande extensão. Essas operações foram realizadas segundo engenharia que foi muito bem descrita no relatório e envolvia o repasse de vultosas somas de uma empresa interessada na compra de imóvel a uma pessoa física que usaria esses recursos e suas habilidades para comprar o bem visado e depois, como dação em pagamento pelo suposto empréstimo, transferiria o bem para o real adquirente. De acordo com a motivação apresentada pela empresa ICGL: "Para alcançar esse objetivo, necessitava dos conhecimentos do Sr. Paulo Roberto da Rosa para escolha dos imóveis, e de sua experiência na negociação de seus preços. Ele, juntamente com o seu procurador, o Sr. Joselito Golin, conheciam as condições de mercado da região e seus participantes. (fl. 64) Essa motivação evidencia que a contratação era feita tendo em vista conhecimentos e experiência daquele que realizaria as operações de compra e venda, características que atribuem um caráter personalíssimo ao negócio. Ocorre que, a despeito de as operações terem sido concretizadas em nome de Paulo Roberto da Rosa, não há um único documento assinado por ele no âmbito de todos os negócios que foram realizados, seja contrato de empréstimo (fls 86/134), instrumento particular de compromisso de compra e venda de imóvel rural (fls. 893/955), ou na emissão de notas promissórias (fl 101/106), estando ele representado pelo Sr. Joselito Golin também nos instrumentos de dação em pagamento (fls 135/175, 1157/1180 e 1234/1249). Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 6 9 Segundo a impugnação apresentada por este último, no item "III OS FATOS, TAL COMO SE DERAM" (fls 2356 e ss), no ano de 2006, teria sido procurado por um homem que lhe era desconhecido, seu meioirmão, a quem procurou ajudar adiantandolhe "uma pequena quantia para que se estabelecesse e efetuasse as primeiras despesas. Garantiu um empréstimo de grande porte, mas exigiu do irmão que outorgasse procuração a ele próprio e a seu advogado, cabendolhe, ainda a última palavra em relação aos negócios." Dessa história resulta que o Sr. Paulo Roberto da Rosa, de quase indigente no ano de 2006, a ponto de necessitar do auxílio de um irmão que até então não conhecia, converteuse em um proprietário de terras valiosas nos anos seguintes, a ponto de receber empréstimos na casa dos R$ 40.000.000,00 (quarenta milhões de reais) em 2008. Ocorre que a procuração a que faz referência o Sr. Joselito Golin foi outorgada a ele em 18/10/2002 (fl 1306), muito antes, portanto, da data em que alega ter tido o primeiro contato com o meioirmão. E essa procuração, outorgada em Brasília, indica como residência de ambos a cidade de Curitiba. Não é possível crer que alguém que tem sua situação financeira tão drasticamente alterada em um curto período de tempo e que tem seu nome envolvido em operações milionárias baseadas em suas habilidades pessoais não fosse participar pessoalmente de um único negócio. Além disso, as declarações de imposto sobre a renda da pessoa física entregues em nome do Sr. Paulo Roberto da Rosa indicam na relação de bens e direitos imóveis adquiridos em seu nome no ano de 1996, o que, mais uma vez, contraria as afirmações da impugnação. Esses fatos, aliado a tudo o que foi relatado pela fiscalização, em especial pelo documento de fl 602, pelo qual o Sr. Golin se declara responsável, devedor solidário, garantidor e principal pagador dos empréstimos feitos em favor de Paulo Roberto da Rosa, evidencia a falta de verossimilhança nas alegações apresentadas pelo Sr. Joselito Golin e a correção das conclusões da fiscalização de que quem realizou as operações que deram ensejo à apuração de ganho sujeito à tributação pelo IRPF, real sujeito passivo da obrigação tributária, é este Senhor (Joselito Golin). A conclusão de que o Sr. Paulo Roberto da Rosa não existia de fato é uma decorrência lógica de tudo o que foi apurado no procedimento de fiscalização, mas é uma conclusão periférica, uma dentre muitas que são apresentadas pela Autoridade Fiscal como fundamento para identificar o Sr. Joselito Golin como o verdadeiro contribuinte nas operações investigadas. Como exemplo, remeto à leitura dos itens 11, 12, 13 do Termo de Verificação, além de todo o capítulo seguinte deste documento, onde a fiscalização empreende esforço no sentido de provar o vínculo dos fatos geradores com esse senhor. Esses elementos de convicção apresentados pela fiscalização foram muito bem resumidos pela decisão de piso no seguinte excerto (fl 2428): Quanto à alegação de que não cometeu transgressão alguma e que tudo resultou da intenção de reparar uma injustiça cometida Fl. 3057DF CARF MF 10 ao seu meioirmão “ Paulo Roberto da Rosa” que a fiscalização após árduo trabalho de investigação concluiu tratarse de pessoa fictícia, conforme evidências e razões detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal às fls. 1.471/1.543, como por exemplo, (...); procuração outorgada por Paulo Roberto da Rosa, no anocalendário de 2002, com prazo indeterminado, conferindo ao Sr. Joselito Golin amplos, gerais e ilimitados poderes, inclusive, para abrir, movimentar e encerrar contas bancárias, outorgando ao interessado e a seu advogado a última palavra em relação aos negócios, (fl. 1.306 e §§ 42 e 43, fl. 1495); assunção de responsabilidade solidária por empréstimos contraídos em nome de Paulo Roberto da Rosa junto à empresa I.C.G.L 2, sem benefício de ordem (fl. 602/603); comparecimento do Sr Joselito Golin como “PARTE” num contrato em que apenas “Paulo Roberto da Rosa” havia sido inicialmente contratado (§ 32, letra “d” fls. 1.491/1.493); realização de vultosos “empréstimos de Paulo Roberto Rosa” a Gerson Luiz de Oliveira (participante do quadro societário de várias empresas do Grupo Golin) que, por sua vez, fez transferências milionárias a empresas e pessoas ligadas a Joselito Golin, conforme DIRPF (fls. 1.404 e 1.498/1.499, § 51); ser o interessado empresário conhecido no ramo do agronegócio e comércio de imóveis rurais, enquanto “Paulo Roberto Rosa” é pessoa desconhecida até mesmo em seu domicílio tributário e na empresa em que figurava como DIRETORPRESIDENTE (fls. 1.140/1.156 e §§ 58 a 65 – fls. 1.502/1506); as tentativas de inserir o nome Paulo ao de Joselito Golin, em 1998, no cadastro do CPF (§§ 35 e 36 – fl. 1494); várias fazendas adquiridas em nome de “Paulo Roberto da Rosa” pertenciam a pessoas ligadas a Joselito Golin, como por exemplo, as Fazendas Duas Meninas, Piauí I, II, III, IV e V, Olho D’Água e Brejo da Onça II que tinham como proprietário o Sr. Ronaldo Lisboa de Freitas (fls. 1.251/1.256, 1.258/1.304, 1478 e 1498/1499, §§ 11 e 51) (...) Sendo o litigante pessoa conhecida e atuante no ramo do agronegócio e comércio de imóveis rurais; que todas as intermediações foram sempre realizadas pelo Sr. Joselito, inclusive, para a concessão dos vultosos empréstimos, que na condição de procurador assumiu a responsabilidade solidária por esses empréstimos, sem benefício de ordem e, ainda; que cabia a si e ao seu advogado a última palavra em relação aos negócios, há que se concluir que o suposto “Paulo Roberto da Rosa”, ainda, que tivesse sido comprovada a sua real existência, não se tratava de pessoa imprescindível à intermediação dos negócios, o que confirma tratarse, na realidade, de pessoa fictícia criada com o intuito único e exclusivo de transferir a este os encargos tributários decorrentes dessas operações, beneficiando as partes envolvidas nessas e em operações subsequentes. Portanto, volto a repetir: a afirmação da inexistência física do cidadão Paulo Roberto da Rosa não foi o único fundamento para a atribuição da sujeição passiva ao Sr. Joselito Golin, de forma que a eventual comprovação da incorreção dessa conclusão não implicaria falta de fundamentação para o auto de infração tal como realizado. Ademais disso, gostaria de lembrar a independência das esferas civil e penal, disciplinada pelos seguintes dispositivos legais: Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 7 11 Código Civil: Art. 935. A responsabilidade civil é independente da criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas questões se acharem decididas no juízo criminal. Código de Processo Penal: Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal , a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato . (grifos nossos) Art. 67. Não impedirão igualmente a propositura da ação civil : I o despacho de arquivamento do inquérito ou das peças de informação; II a decisão que julgar extinta a punibilidade; (...) Na hipótese em questão, os documentos juntados a fls 2783/2790 revelam que a autoridade policial solicitou ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo autorização para o arquivamento do inquérito policial instaurado, e o fez sob a ressalva de que não estaria adentrando "no mérito de eventuais discussões nos âmbitos tributário e cível aqui não analisados senão na profundidade que interessava a apuração criminal" (fl 2787). O inquérito policial consiste em procedimento inquisitório e preparatório, que tem por objetivo a colheita de elementos sobre a autoria e a materialidade da conduta criminosa. Segundo a lição de Renato Brasileiro de Lima: Diferenciase o inquérito policial da instrução processual por esse motivo: enquanto a investigação criminal tem por objetivo a obtenção de dados informativos para que o órgão acusatório examine a viabilidade da propositura da ação penal, a instrução em Juízo tem como escopo colher provas para demonstrar a legitimidade da pretensão punitiva ou do direito de defesa. (Curso de Processo Penal Niterói; RJ, Impetus, 2013, p. 73) Assim, durante o inquérito seriam colhidos apenas elementos de informação, o que se diferencia das provas que são produzidas no curso do processo judicial, com as garantias do contraditório e da ampla defesa. O arquivamento do inquérito policial não necessariamente produz coisa julgada material, limitandose à coisa julgada formal quando, por exemplo, decorre da ausência de justa causa. E foi isso o que ocorreu no presente caso, já que, no documento de fl 2751, o Ministério Público de São Paulo, ao opinar pelo arquivamento, assim se manifesta: Observase assim que o presente procedimento administrativo deve ser arquivado, pois o conjunto probatório mostrase precário quanto a caracterização dos delitos em questão. (...) Fl. 3059DF CARF MF 12 Assim apesar dos esforços da polícia, o cenário probatório e precário quanto à caracterização dos delitos em exames e não vislumbro novas diligências cabíveis, razão pela qual requeiro o arquivamento dos autos, sem prejuízo, contudo, do disposto no artigo 18 do Código de Processo Penal. (sublinhei) A decisão judicial que determinou o arquivamento também teve o cuidado de ressalvar o artigo 18 do CPP, conforme revela a leitura do documento de fl 2753. O artigo 18 do Código de Processo Penal, por sua vez, determina, in verbis: Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. Isso quer dizer que não foi instaurado o processo para apuração do ilícito e que não há decisão com trânsito em julgado material, o que impediria a rediscussão da questão. Portanto, essas manifestações se restringem a valorar a aptidão dos elementos de convicção existentes para a instauração do processo penal. Não atestam cabalmente a inexistência do crime ou a sua autoria e não vinculam a autoridade administrativa. Ademais disso, a meu ver, ainda que houvesse uma decisão com trânsito em julgado afirmando a existência física do Sr. Paulo Roberto da Rosa, e a sua condição de titular de direitos e obrigações, isso não seria suficiente para fazer dele o sujeito passivo da relação jurídico tributária. Do ponto de vista do fato gerador tributário, o Sr. Paulo Roberto é sim um sujeito fictício, pois embora seu nome e documentação tenha sido utilizada para a realização das operações, ele não participou delas como demonstra a robusta documentação juntada aos autos. A Sr. Joselito Golin, além de ter realizado efetivamente as operações, também teve acesso aos proveitos delas, conforme demonstra o trecho que novamente transcrevo da decisão da DRJ: "realização de vultosos “empréstimos de Paulo Roberto Rosa” a Gerson Luiz de Oliveira (participante do quadro societário de várias empresas do Grupo Golin) que, por sua vez, fez transferências milionárias a empresas e pessoas ligadas a Joselito Golin, conforme DIRPF (fls. 1.404 e 1.498/1.499, § 51);" Esses empréstimos totalizavam em 31/12/2008 R$ 47.140.000,00 (quarenta e sete milhões e cento e quarenta mil reais) e R$ 6.140.000,00 (seis milhões e cento e quarenta mil reais) em 31/12/2009. Em função disso, dos bens e direitos declarados pelo Sr. da Rosa em 31/12/2009 no valor total de R$ 9.167.528,32, o somatório de R$ 8.477.571,85 consistiam em empréstimos para Gerson Luiz de Oliveira e Vale Verde Transportes e Turismo, esta também uma empresa da família Golin (TVF fl 1493). Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 10880.721159/201380 Acórdão n.º 9202007.323 CSRFT2 Fl. 8 13 Com isso, ao fim e ao cabo, os recurso e, muito provavelmente também o ganho, apenas passaram pelo Sr. da Rosa, sendo efetivamente transferidos aos domínios do Sr. Golin. Ressaltase que a discussão sobre a real existência do Sr. Paulo Roberto da Rosa não possui a relevância a qual foi atribuída pela decisão recorrida, pois independente da existência física da interposta pessoa, a atividade da fiscalização demonstrou, por meio do minucioso relatório fiscal e pelas provas juntadas ao autos, que o beneficiário real das operações de alienação de imóveis com ganho de capital foi o Recorrido, de modo que se vislumbra correta a autuação fiscal na identificação do sujeito passivo do lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, com retorno dos autos para a análise das demais questões suscitadas no recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz. Fl. 3061DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722253/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
SUJEITO PASSIVO. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. GANHOS DE CAPITAL.
O sujeito passivo da obrigação tributária, na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, é a pessoa que auferiu o ganho de capital.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL.
Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição.
A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considera-se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, observado o disposto no art. 14 do mesmo ato legal, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação.
Evidenciada a subavaliação do valor do VTN declarado no DIAT do ano de alienação, por notoriamente diferente do de mercado, cabível se torna o seu arbitramento, mediante aplicação do VTN apurado em Laudo de Avaliação, para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997.
Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REAJUSTE DE PARCELAS.
Os valores recebidos a título de reajuste, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de seu recebimento.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA.
Evidenciado que o contribuinte buscou deliberadamente, por uma série de atos articulados e coerentes entre si, ocultar ou dificultar o conhecimento do Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário
Numero da decisão: 2202-004.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), José Ricardo Moreira e Júnia Roberta Gouveia Moreira, que deram provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a para o patamar de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 SUJEITO PASSIVO. ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. GANHOS DE CAPITAL. O sujeito passivo da obrigação tributária, na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, é a pessoa que auferiu o ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considera-se custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, observado o disposto no art. 14 do mesmo ato legal, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Evidenciada a subavaliação do valor do VTN declarado no DIAT do ano de alienação, por notoriamente diferente do de mercado, cabível se torna o seu arbitramento, mediante aplicação do VTN apurado em Laudo de Avaliação, para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997. Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REAJUSTE DE PARCELAS. Os valores recebidos a título de reajuste, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de seu recebimento. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA. Evidenciado que o contribuinte buscou deliberadamente, por uma série de atos articulados e coerentes entre si, ocultar ou dificultar o conhecimento do Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário
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ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. GANHOS DE CAPITAL. O sujeito passivo da obrigação tributária, na alienação, a qualquer título, de bens ou direitos, é a pessoa que auferiu o ganho de capital. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. IMÓVEL RURAL. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, observado o disposto no art. 14 do mesmo ato legal, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Evidenciada a subavaliação do valor do VTN declarado no DIAT do ano de alienação, por notoriamente diferente do de mercado, cabível se torna o seu arbitramento, mediante aplicação do VTN apurado em Laudo de Avaliação, para fins de apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997. Na alienação a prazo, o ganho de capital deve ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REAJUSTE DE PARCELAS. Os valores recebidos a título de reajuste, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 22 53 /2 01 2- 61 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 431 2 obrigatório (carnêleão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário de seu recebimento. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. OCORRÊNCIA. Evidenciado que o contribuinte buscou deliberadamente, por uma série de atos articulados e coerentes entre si, ocultar ou dificultar o conhecimento do Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, deve ser mantida a qualificação da multa de ofício. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto (relator), José Ricardo Moreira e Júnia Roberta Gouveia Moreira, que deram provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o patamar de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.722253/201261, em face do acórdão nº 1644.183, julgado pela 18ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1), em sessão realizada em 26 de fevereiro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: " O contribuinte em epígrafe insurgese contra o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 252/258 e Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 432 3 Demonstrativo de Apuração de fls. 259/269, referente ao imposto de renda pessoa física, exercícios 2008 a 2010, anoscalendário 2007, 2008 e 2009, que lhe exige crédito tributário no montante de R$2.521.248,08 sendo R$891.931,34 de imposto (código 2904), R$1.337.896,96 de multa proporcional e R$291.419,78 de juros de mora (calculados até 30/03/2012). Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) (fls. 254/258), o procedimento teve origem na apuração das seguintes infrações fiscais: 001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 433 4 Enquadramento Legal: Arts. 1º, 2º, 3º e §§, 16, 18 a 22, da Lei nº 7.713/1988; Arts. 1º e 2º, da Lei nº 8.134/1990; Arts. 7º, 21 e 22, da Lei nº 8.981/1995; Arts. 17, 23 e §§, da Lei nº 9.249/1995; arts. 22 a 24 da Lei nº 9.250/1995; Arts. 16, 17 e §§, da Lei nº 9.532/1997; Arts. 123 a 125, 128, 129, 131, 132, 138 e 142 do RIR/1999; Demais dispositivos normativos citados no Termo de Verificação Fiscal. 002 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS Omissão de rendimentos referentes a reajuste de parcelas, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 434 5 Enquadramento Legal: Art. 19, § 3º, da IN SRF 84/2001; Arts. 1º a 3º da Lei nº 8.134/1990; Arts. 1º a 3º e §§, 19 e parágrafo único, da Lei nº 7.713/1988; Arts. 37, 38, 43, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83, 123, § 6º, do RIR/1999; Art. 1º da Lei nº 11.482/2007. MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 15/06/2007. 150% Art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/1996 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15.06.2007. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 270/296, parte integrante do Auto de Infração. Cientificado do lançamento em foco, pessoalmente, em 19/04/2012 (fl. 253), o interessado apresentou, em 21/05/2012, por intermédio de seu procurador (fl. 320), a impugnação de fls. 308/318, instruída com os documentos de fls. 319/357, aduzindo o seguinte. ERRO NA ELEIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Há expressa menção na escritura de alienação do imóvel de que os denominados OUTORGANTES VENDEDORES são: Higino de Vasconcellos, Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo de Vasconcellos. Nem poderia ser diferente, pois o impugnante adquiriu via doação somente a nua propriedade do imóvel, uma vez que seus pais reservaram para si o usufruto vitalício do imóvel. Assim, constatado que a alienação foi efetuada por mais de um vendedor, a apuração de ganho de capital não pode recair somente sobre o impugnante, devendo ser apurada também em relação à cessão do usufruto ultimada pelos usufrutuários O Parecer Normativo nº 4 da Cosit de 1995 assevera que ocorrendo cessão de direitos, por alienação, do usufruto, o alienante deverá proceder a apuração do ganho de capital. Tanto se mostra inapropriado o trabalho fiscal, que para identificação do custo de aquisição foi realizado um rateio do valor adotado na declaração de ITR para a área efetivamente doada ao Impugnante. Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 435 6 Se o impugnante não detinha toda área alienada como atesta a fiscalização é certo que não se pode imputar a ele todo o valor de alienação. Há erro na determinação do sujeito passivo. Com essas razões resta demonstrada a precariedade do trabalho fiscal que deve ser rechaçado por elencar equivocadamente os sujeitos passivos da obrigação tributária em grave ofensa ao art. 142 do CTN, assim como art. 10, inciso I ,do Decreto nº 70.235/1972. EQUIVOCADA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL A apuração do ganho de capital ora combatido não se sustenta frente às normas que regem a tributação da alienação de imóvel rural. Desde a edição da Lei nº 9.393/1996, a apuração do ganho de capital na alienação de imóveis rurais deve, necessariamente, seguir a sistemática prevista no art. 19 da mencionada lei. A despeito da fiscalização ter se valido dos critérios apontados na citada legislação, a adoção foi parcial, haja vista que a Fiscalização desqualificou o valor da terra nua constante na declaração do ITR de 2007 por consideralo subavaliado e valeuse do laudo de avaliação do valor da terra nua apresentado pelo impugnante, no valor de R$8.668.000,00. Se o VTN da data de alienação estava subavaliado, sendo necessário laudo para apurar o seu real valor, da mesma forma era dever da fiscalização aferir se o VTN constante da declaração de 2004 estava com sua avaliação correta. Embora o impugnante houvesse protestado pela necessidade de produção de laudo de avaliação para o ano de 2004, a fiscalização adotando critério distinto tomou como custo de aquisição o VTN declarado na DITR/2004, proporcionalizando o valor em razão da área doada, determinando o custo no valor de R$137.866,54. Ora, na data de aquisição o valor declarado é consistente e na venda tem de ser desqualificado por laudo técnico? Se a intenção é apurar o efeito VTN desconsiderando as informações constantes da declaração de ITR essa apuração tem de ser uniforme, tanto para a data de aquisição quanto para a data de alienação. Nesse sentido, o impugnante apresenta laudo elaborado pelo mesmo perito para determinar VTN na data de alienação para demonstrar qual o efeito VTN em 2004, ano de aquisição. Mantendo o mesmo critério utilizado para aferir o valor de VTN em 2007, no ano de 2004 a propriedade alienada tinha como VTN o valor de mercado de R$7.335.995,47, valor muito superior ao VTN declarado. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 436 7 Se a fiscalização pretende desconsiderar todas as informações constantes das DITRs, substituindoas por laudos de avaliação, tal desconsideração deve ser uniforme sob pena de se infringir a metodologia prevista no art. 19 da Lei nº 9.393/1996. Assim, o laudo demonstra o equívoco na apuração do ganho de capital perpetrado pela fiscalização que macula todo o Auto de Infração. DA EQUIVOCADA METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL Não há fundamento legal para a proporcionalização do VTN constante do laudo, calculado segundo o fluxo de caixa realizado na operação de venda pela fiscalização. A legislação do ganho de capital para apuração do imposto de renda sobre alienação do imóvel rural é norma especial que se sobrepõe às normas gerais previstas para apuração do ganho de capital. Como o Fisco tem o dever de agir nos estritos limites da lei não pode inovar na metodologia de apuração do ganho de capital sem estar lastreado em lei que sustente tal metodologia. Por essa razão deve ser cancelado o auto de infração. DOS VALORES RECEBIDOS A TÍTULO DE REAJUSTE Baseado nas informações prestadas pelo impugnante sobre a composição das parcelas recebidas pela alienação, concluiu a fiscalização equivocadamente que junto com as parcelas recebidas pela alienação do imóvel havia a remuneração com juros e correção monetária. Há dois equívocos neste ponto. i) a tributação do ganho de capital de imóvel rural é regida por norma específica na qual não há vinculação do ganho com o valor do negócio pactuado bastando para tanto o confronto de VTN de aquisição e alienação e; ii) todos os valores recebidos compõem o preço pactuado pela alienação do imóvel rural. Vejase o aditivo (fl. 32) que prevê um percentual fixo de 0,5% ao mês incidente sobre cada parcela. Se o preço é prédeterminado, não há como se falar em juros e correção monetária, que em regra adotam índice variado de mercado, para em razão do decurso de tempo corrigir o valor e/ou remunerar a mora. Diante do patente equívoco na apuração de juros ou correção monetária, sendo que todas as parcelas compõem o preço de venda, o Auto de Infração revelase imprestável, devendo ser integralmente cancelado. DA INDEVIDA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 437 8 É indevida a qualificação da multa de ofício aplicada sobre todas as supostas omissões apuradas pela fiscalização. Tanto as acusações de “falsidades” cometidas no preenchimento da declaração de imposto de renda que poderia ser enquadrado no conceito de fraude ou sonegação, quanto o fato de a fraude ter sido cometida intencional e reiteradamente, não se sustentam. Destaquese que não há meio de se preencher corretamente a apuração do ganho de capital na alienação de imóvel rural. Não há formulário ou anexo no qual seja possível informar o VTN da data de aquisição assim como VTN na data de alienação. Pela ausência de formulário específico é que o impugnante acabou equivocandose no preenchimento do anexo do ganho. Se não há como cumprir corretamente a obrigação acessória, não há como se falar em fraude pela suposta “falsidade” nas informações prestadas. Nesse ponto é de se questionar, como então deveriam ser prestadas tais informações se o sistema da Receita e a declaração de IRPF não permite a apuração do ganho de capital de imóvel rural. Tratase de caso de inexigibilidade de conduta adversa sendo a conduta pretendida pelo Fisco – preencher corretamente a declaração – impossível. Nesses casos, há extinção de qualquer pretensão punitiva. É sabido que o pressuposto nos crimes contra a Fazenda Pública é a intenção inequívoca do agente em retardar o conhecimento da obrigação tributária pelo Fisco, o que no caso dos autos não ocorreu. A alienação do imóvel foi prontamente comunicada na DIRPF e se as informações não foram prestadas de forma exata é porque isto não é possível. Visto que as condutas praticadas pelo impugnante não se enquadram nas hipóteses de agravamento da penalidade, a multa qualificada deve ser prontamente rechaçada. SELIC NÃO INCIDE SOBRE MULTA DE OFÍCIO Protesta pela impossibilidade de incidência da Selic sobre a multa de ofício, pela impropriedade dessa imposição, assim como ausência de fundamento legal. A taxa Selic tem o objetivo de remunerar, diante do atraso, receita sempre esperada pela Fazenda Pública, daí a sua vocação para incidir unicamente sobre o tributo e não sobre a multa que nunca é esperada. Por essa mesma razão, a Selic nunca incide sobre a multa de mora, e nunca poderá incidir sobre a multa de ofício, o que não tem sido observado pela administração tributária. PEDIDO FINAL Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 438 9 Pelo exposto, requer seja decretada a improcedência da equivocada exigência fiscal, pelos motivos de fato e de direito registrados na presente impugnação. A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendose, assim, o crédito tributário lançado. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 408/423, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Sujeito Passivo Sustentou o contribuinte que: 1) consta na escritura de alienação do imóvel que os OUTORGANTES VENDEDORES são Higino de Vasconcellos, Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo de Vasconcellos; 2) o impugnante adquiriu via doação somente a nua propriedade do imóvel, tendo seus pais reservado para si o usufruto vitalício do imóvel; 3)constatado que a alienação foi efetuada por mais de um vendedor, a apuração de ganho de capital não pode recair somente sobre o impugnante, devendo ser apurada também em relação à cessão do usufruto ultimada pelos usufrutuários; 4) o Parecer Normativo nº 4 da Cosit de1995 assevera que ocorrendo cessão de direitos, por alienação, do usufruto, o alienante deverá proceder a apuração do ganho de capital; 5) tanto o trabalho fiscal se mostra inapropriado, que para identificação do custo de aquisição foi realizado um rateio do valor adotado na declaração de ITR para a área efetivamente doada ao Impugnante; 6) se o impugnante não detinha toda área alienada como atesta a fiscalização, é certo que não se pode imputar a ele todo o valor de alienação; 7) há erro na determinação do sujeito passivo; 8) com essas razões resta demonstrada a precariedade do trabalho fiscal que deve ser rechaçado por elencar equivocadamente os sujeitos passivos da obrigação tributária em grave ofensa ao art. 142 doCTN, assim como art. 10, inciso I ,do Decreto nº 70.235/1972. A Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (Certidão de fls. 99/102 e 135/139) dá conta que os Outorgantes Vendedores, da nua propriedade: HIGINODE VASCONCELLOS/CPF 371.515.33853e do usufruto vitalício: ARMANDO DEVASCONCELLOS/CPF 029.081.90834e sua esposa LOURDES MATIAZZOVASCONCELLOS/CPF 171.936.86860,venderam a Outorgada Compradora, INPARPROJETO86 SPE LTDA/CNPJ 09.113.847/000157,representada por seu administrador, Sr.César Augusto Ribarolli Parizotto/CPF 115.253.78813,o imóvel constituído pela “Gleba Remanescente da Fazenda São João da Boa Vista”, situada no município, comarca e Registro de Imóveis de Sumaré, deste Estado, matriculado sob nº 99.045, com área de 44,8342 ha, pelo preço certo e ajustado de R$11.208.546,00, da seguinte forma: (i) R$3.000.000,00, pagos anteriormente nos termos e condições estipulados no “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 439 10 Outras Avencas”, de05/10/2007 (fls. 140/153); (ii) R$8.208.546,00, pagos em 15 parcelas iguais, mensais e consecutivas de R$547.236,40, corrigidas monetariamente pela variação positiva do INCC (Índice Nacional da Construção Civil). Alienação esta registrada sob R.599.045,em 08/04/2008, na matrícula99.045, Livro nº 2, do Registro de Imóveis de Sumaré/SP (fls. 21/22). Aludida Certidão (fls. 99/102 e 135/139) refere, ainda, que a nua propriedade foi havida por Higino de Vasconcellos pelo valor de R$239.000,00, a título de doação feita por seus pais Armando de Vasconcelos e Lourdes Matiazzo Vasconcelos, os quais reservaram para si o usufruto vitalício, atribuindo o valor de R$119.500,00. Doação esta levada a registro sob R.299.045,em 20/10/2004 (fl. 21), em face da escritura de doação com reserva de usufruto lavrada aos 05 de outubro de 2004, livro317, fls. 48/50 do Oficial de Registro de Imóveis, Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica e Anexo de Notas da Comarca de SumaréSP,em que os proprietários Armando de Vasconcelos e sua mulher Lourdes Matiazzo Vasconcelos transmitiram a título de doação a HIGINO DE VASCONCELLOS o imóvel objeto desta matrícula, avaliado por R$239.000,00. Em R399.045, de 20/10/2004 (fl. 21), consta que pela escritura de doação com reserva de usufruto referida no R.2 supra, Armando de Vasconcelos e sua mulher Lourdes Matiazzo Vasconcelos reservaram para si, enquanto viverem, usufruto vitalício do imóvel objeto desta matrícula, avaliado por R$119.500,00. Não obstante o imóvel em referência estar reservado com usufruto vitalício a Armando de Vasconcelos e sua mulher Lourdes Matiazzo Vasconcelos (R.399.045,de20/10/2004, à fl. 21), percebe seque o “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls.140/153), foi firmado entre HIGINO DE VASCONCELOS/CPF nº 371.515.33853,naqualidade de compromitente vendedor, sem a participação dos aludidos usufrutuários vitalícios e INPAR PROJETO 86 SPE LTDA, na qualidade de compromitente compradora. Examinando o “Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008 (fls. 154/160), celebrado entre HIGINO DEVASCONCELOS, na qualidade de credor, e INPAR PROJETO 86 SPE LTDA, na qualidade de devedora, nele consta que (fl. 156):“Os usufrutuários Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo Vasconcellos, segundo declaração prestada pelo CREDOR, apenas compareceram na ESCRITURA a fim de regularizar o cancelamento do usufruto, não estando recebendo parte do preço de aquisição pactuado no COMPROMISSO e ratificado na ESCRITURA, razão pela qual a pedido do CREDOR é dispensada a anuência destes no presente Instrumento;” Ou seja, está expresso no “Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008 (fls. 154/160), que os usufrutuários vitalícios do imóvel objeto da matrícula nº 99.045 do Registro de Imóveis de Sumaré/SP, o Sr. Armando de Vasconcellos e a Srª Lourdes Matiazzo Vasconcellos compareceram na Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (fls. 99/102 e 135/139), tão somente para regularizar o cancelamento do usufruto, não recebendo parte do preço pactuado no “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 440 11 Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 140/153), ratificado na Escritura Pública deVenda e Compra de 19/10/2007 (fls. 99/102 e 135/139). Os extratos da conta corrente nº 07302691/Agência 0716/Banco Real ABN AMRO, de titularidade de Higino de Vasconcellos, às fls. 161/176, demonstram que tanto o sinal de R$3.000.000,00 (fl. 161), quanto as 11 parcelas mensais de R$547.236,40 (fls.161/170), bem como as quatro últimas parcelas de R$547.236,40 que foram renegociadas, somadas e divididas em outras 12 parcelas, com valor do principal de R$182.412,13 (1/3 do valor anterior) (fls. 171/176), acrescidas dos reajustes aplicados (juros, correção, multa), foram integralmente creditados na referida conta de titularidade do interessado (resposta do contribuinte protocolada em 27/02/2010 de fls. 72/74; Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 de fls. 99/102 e 135/139; Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de05/10/2007, de fls. 140/153; Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008, de fls. 154/160; extratos bancários de fls. 161/176;Termo de Verificação Fiscal de fls. 270/296). O Termo de Compromisso datado de 11/01/2008 (fls. 179/181), firmado entre Roberto Barbosa/CPF 707.054.02800, que intermediou a venda do imóvel de propriedade de Higino de Vasconcellos à empresa Inpar Projeto 86 SPE Ltda, e Engea Empreendimentos Ltda/CNPJ 05.081.560/000131, que auxiliou o Sr. Roberto Barbosa na viabilização de tal negócio, bem assim os comprovantes de transferência eletrônica dos valores de comissão pagos por Higino de Vasconcellos a Engea Empreendimentos Ltda (fls. 182/186), assim também os Recibos assinados por Engea Empreendimentos Ltda (fls. 124/130 e 187/193) e Roberto Barbosa (fls. 49/59, 113/123 e 194/204), deixam patente que o contribuinte Higino de Vasconcellos pagou toda a comissão devida aos corretores (Sr. Roberto Barbosa e Engea Empreendimentos Ltda). Notase, ainda, que o próprio interessado declarou, no curso da ação fiscal, em atendimento às intimações fiscais recebidas, haver recebido todo o valor da operação, conforme podese inferir das transcrições abaixo das respostas protocoladas em 25/04/2011 (fls. 07/08), 02/09/2011 (fls. 47/48) e 27/02/2012 fls. 72/74). “Ref: IntimaçãoMPF: 08.1.04.002011003708 (fls. 07/08) HIGINO DE VASCONCELLOS, brasileiro, (...), vem apresentar sua RESPOSTA ao termo de fiscalização do MPF mencionado acima, referente ao anocalendário 2007, nos seguintes termos: (...) b. A rigor, o valor da alienação foi de R$11.208.546,00 brutos, sendo R$10.255.819,59 ao Intimado, pelo desconto das comissões de corretagem. (grifei) (...)” “Ref: IntimaçãoMPF: 08.1.04.002011003708 (fls. 47/48) HIGINO DE VASCONCELLOS, já qualificado, pelo procurador constituído que subscreve, vem apresentar RESPOSTA Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 441 12 COMPLEMENTAR ao termo de fiscalização do MPF mencionado acima, nos seguintes termos: 1. Valores recebidos: 1.1 Em virtude de alterações nas datas e nos valores previstos no compromisso particular que constou na respectiva escritura pública (já apresentada), este contribuinte acabou por ter os seguintes recebimentos, oriundos do referido negócio: (...) “Ref: IntimaçãoMPF: 08.1.04.002011003708 (fls. 72/74) HIGINO DE VASCONCELLOS, (...), vem apresentar o laudo solicitado e planilha com as datas e valores recebidos pelo contribuinte na venda do imóvel de matrícula 99.045. (grifei) Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 442 13 Destaquese, ainda, que o valor de alienação da Gleba Remanescente da Fazenda São João da Boa Vista informado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital, da Declaração de Ajuste Anual Simplificada referente ao exercício 2008/anocalendário2007 do interessado (fl. 211), foi de R$10.255.819,59, resultante dosR$11.208.546,00 brutos descontada a comissão de corretagem de R$952.726,41 (fl. 208).Vêse, assim, que o próprio contribuinte declarou haver recebido a totalidade do valor de alienação do citado imóvel rural (fl. 211), descontada a comissão de corretagem integralmente paga por ele (fls. 49/59, 113/123, 124/130, 182/186, 187/193,194/204 e 208).Resta claro, pois, que o único beneficiário da alienação da gleba remanescente da Fazenda São João da Boa Vista, situada na Estrada do Barreiro Km 3 em Sumaré/SP, feita a Inpar Projeto 86 SPE Ltda/CNPJ 09.113.847/000157, foi o Sr. Higino de Vasconcellos, nu proprietário do imóvel rural em comento. É fato incontestável, que os usufrutuários vitalícios, os Srs. Armando de Vasconcellos/CPF 029.081.90834 e Lourdes Matiazzo Vasconcellos/CPF 171.936.86860 compareceram na Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (fls. 99/102 e 135/139) tão somente objetivando o cancelamento do usufruto, não haver indícios nos autos que estes tenham recebido parte do preço pactuado no “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 140/153). Tanto que consta averbado na matrícula 99.045 do Cartório de Registro de Sumaré/SP, em Av.699.045 – Sumaré, 08 de abril de 2008 (fl. 22), que: “... em virtude da escritura pública de compra e venda registrada sob nº 5, fica cancelado o usufruto vitalício constante no R.3, bem como as cláusulas de incomunicabilidade e impenhorabilidade constante na Av.4 desta matrícula.” O sujeito passivo da obrigação tributária, no caso de alienação de bens e direitos, é aquele que auferiu o ganho de capital, conforme legislação que segue abaixo transcrita. Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário NacionalCTN): Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: (grifei) I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; (grifei) II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 443 14 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. (grifei) Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. (grifei) Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; (grifei) (...) Lei nº 7.713/1988: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (grifei) Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (grifei) § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 444 15 considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. (grifei) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (...) Lei nº 9.249/1995: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: I – (...) II tratandose de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. Lei nº 9.393/1996: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. (...) Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 445 16 de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Art. 19. A partir do dia 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital, nos termos da legislação do imposto de renda, considerase custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação. Parágrafo único. Na apuração de ganho de capital correspondente a imóvel rural adquirido anteriormente à data a que se refere este artigo, será considerado custo de aquisição o valor constante da escritura pública, observado o disposto no art. 17 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. O ganho de capital é determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §º 2º; e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17). No caso de alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997, a apuração de ganho de capital é realizada, considerandose como custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, na forma do art. 8º, observado o disposto no art. 14, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, consoante art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996. Portanto, restando documentalmente comprovado que o interessado, nuproprietário do imóvel objeto da matrícula 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP, compreendendo uma área de 44,8342 ha, foi quem percebeu a totalidade do valor de alienação pactuado no “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 140/153), Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (fls. 99/102 e 135/139) e “Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008 (fls. 154/160), é ele o sujeito passivo da obrigação tributária surgida com a ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, na forma de ganho de capital auferido na operação de alienação do referido bem. Em suma, o que se vê do feito é que inocorreu o alegado erro na identificação do sujeito passivo, não assistindo razão ao contribuinte. Apuração do ganho de capital. Da metodologia utilizada. Tratandose de alienação de imóvel rural, com área de 44,8342 ha, adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997, já que a nua propriedade foi havida por Higino de Vasconcellos pelo valor de R$239.000,00, a título de doação feita por seus pais Armando de Vasconcelos e Lourdes Matiazzo Vasconcelos, consoante escritura pública de doação com reserva de usufruto lavrada em 05/10/2004 (R.299.045 à fl. 21), a apuração de ganho de capital é realizada, considerandose como custo de aquisição o Valor da Terra Nua – VTN declarado Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 446 17 no Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT do ano de aquisição, nos termos do art. 19 e 8º da Lei nº 9.393, de 1996. A IN SRF nº 84, de 2001, que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas, estabeleceu em seus artigos 2º, 8º, 9º, 10 e 11, que: IN SRF nº 84/2001: Ganho de Capital Art. 2º Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de alienação de bens ou direitos e o respectivo custo de aquisição. (grifei) Custo de Aquisição Definição Art. 8º O custo dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas a partir de 1º de janeiro de 1996 não está sujeito a atualização. (grifei) Imóvel rural Art. 9º Na apuração do ganho de capital de imóvel rural é considerado custo de aquisição o valor relativo à terra nua. (grifei) § 1º Considerase valor da terra nua (VTN) o valor do imóvel rural, nele incluído o da respectiva mata nativa, não computados os custos das benfeitorias (construções, instalações e melhoramentos), das culturas permanentes e temporárias, das árvores e florestas plantadas e das pastagens cultivadas ou melhoradas. § 2º Os custos a que se refere o § 1º, quando não tiverem sido deduzidos como despesa de custeio, na apuração do resultado da atividade rural, podem ser computados para efeito de apuração de ganho de capital. Art. 10 . Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8º e 14 da Lei nº 9.393, de 1996. (grifei) § 1º No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 447 18 II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e de alienação de mesmo valor. § 2º Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante nos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3º O disposto no § 2º aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac). Desmembramento Art. 11. Quando o imóvel for desmembrado do todo, o custo de aquisição deve ser apurado na proporção que a área alienada representar em relação à área total do imóvel. (grifei) Em 28/09/2004, foi apresentado o DIAT da Fazenda São João da Boa Vista, nº imóvel Receita Federal 0.268.7216, compreendendo uma área total de 162,6 ha, com área tributável de 162,6 ha, em nome do contribuinte Armando de Vasconcellos/CPF 029.081.908 34, com Valor de Terra Nua declarado de R$500.000,00 (fl. 60). Proporcionalizando o VTN declarado de R$500.000,00 para a área de 44,8342 ha, que foi desmembrada da área de 162,6 ha e doada a Higino de Vasconcellos em 05/10/2004, por seus genitores Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo Vasconcelos, chegase o VTN declarado de R$137.866,54 (artigos 10 e 11 da IN SRF nº 84, de 2001), que é o custo de aquisição utilizado no cálculo do ganho de capital pela Fiscalização (Termo de Verificação Fiscal de fl. 275). Contudo, o que se observa no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital da DIRPF/2008 (fl. 211), referente à alienação do imóvel rural em comento, é que o interessado informou no campo “custo de aquisição” o valor de R$358.500,00, que é o valor total do imóvel declarado no DIAT/2007 (fls. 222), em total desacordo com o disposto nos artigos 10 e 11 da citada IN SRF nº 84, de 2001. O correto era o contribuinte ter declarado no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (fl. 211), como custo de aquisição do imóvel objeto da matrícula 99.045 o valor de R$137.866,54, calculado na proporção da área de 44,8342 ha recebida em doação em 05/10/2004 (R.299.045 à fl. 21), tendo por base o VTN declarado de R$500.000,00, para uma área de 162,6 ha, no DIAT/2004 apresentado pelo alienante/doador (fl. 60), nos termos do disposto nos artigos 10 e 11 da IN SRF nº 84, de 2001. Essa irregularidade verificada no Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital (fl. 211) acarretou uma redução indevida da base de cálculo do imposto de R$220.633,46. Dispõem o art. 8º e §§ da Lei nº 9.393, de 1996, que: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 448 19 correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. (grifei) § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado.(grifouse) (...) A legislação acima transcrita é claríssima no sentido de que o Valor da Terra NuaVTN a ser declarado no DIAT pelo contribuinte do ITR deverá refletir o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, sendo considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. Assim, o custo de aquisição do imóvel de matrícula 99.045, havida por doação pelo interessado, em 05/10/2004, deverá ser o VTN informado pelo alienante/doador, Sr. Armando de Vasconcellos, no DIAT/2004 da Fazenda São João da Boa Vista com área total declarada de 162,6 ha (fl. 60), calculado na proporção da área recebida em doação de 44,8342 ha. Disso resulta que o custo de aquisição a ser atribuído ao imóvel de matrícula 99.045, para efeito de apuração do ganho de capital obtido na alienação do referido bem, que ocorreu em 19/10/2007, é R$137.866,54. Este é o valor do VTN do imóvel em referência em 1º de janeiro de 2004. Este VTN de R$137.544,86 avaliado em 1º de janeiro de 2004, apurado com base em DIAT/2004 da Fazenda São João da Boa Vista entregue por Armando de Vasconcellos (fl. 60), mostrase condizente com o valor de R$239.000,00 avaliado na escritura pública de doação com reserva de usufruto lavrada em 05/10/2004, em que os proprietários Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo Vasconcellos transmitiram a propriedade do imóvel a título de doação a Higino de Vasconcellos (R.299.045 à fl. 21). A propósito, não há nenhum motivo plausível para acatar o VTN de R$7.335.995,47 informado para a data de 1º de janeiro de 2004, no Laudo de Avaliação de 17/05/2012 apresentado na impugnação (fls. 322/341), haja vista, principalmente, que seu valor, em termos de ordem de grandeza, é inconsistente com o valor avaliado no documento público de doação lavrado em 05/10/2004, que tem fé pública. Frisese, de acordo com o R.299.045 da matrícula nº 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP (fl. 21), a propriedade do aludido imóvel foi transmitida a Higino de Vasconcellos por seus genitores, a título de doação, avaliada na época, pelo valor de R$239.000,00, consoante escritura pública de doação com reserva de usufruto datada de 05/10/2004. Como dito acima, valor este que é consistente com o VTN calculado pela Fiscalização para 1º de janeiro de 2004, de R$137.544,86, com base no DIAT/2004 (fl. 60). Não se vislumbra, na situação acima, nenhuma divergência notória que denote a necessidade de produção de laudo de avaliação do VTN do imóvel em referencia em 1º de janeiro de 2004, ou de adoção do VTN apontado em laudo de fls. 322/341, como Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 449 20 pretende o impugnante, contrariamente do que aconteceu com o VTN do imóvel informado no DIAT/2007 (fl. 222). Conforme já noticiado, o interessado alienou o imóvel constituído pela gleba remanescente da Fazenda São João da Boa Vista, com 44,4382 ha, a Inpar Projeto 86 SPE Ltda/CNPJ 09.113.847/000157, pelo preço certo e ajustado de R$11.208.546,00, consoante “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 140/153) e Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (Certidão de fls. 99/102 e 135/139). Este preço de R$11.208.546,00, pelo qual o imóvel rural em referência foi alienado pelo interessado, é notoriamente diferente do valor declarado no DIAT/2007 pelo contribuinte (fl. 222), que foi de R$358.500,00 (valor total do imóvel) e R$150.000,00 (valor do VTN). O valor de alienação de imóvel rural, para fins de apuração do ganho de capital, dever ser, a princípio, o valor do VTN declarado, na forma do art. 8º da Lei nº 9.393, de 1996, consoante art. 19 do mesmo diploma legal. Contudo, como bem anotou a Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fls. 275/276), deve ser observado o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, consoante remissão expressa contida no citado art. 19 do mesmo ato legal. Procedimento fiscal, digase, que tem amparo, também, no art. 20 da Lei nº 7.713, de 1988: Art. 20. A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor ou preço, sempre que não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado, o valor ou preço informado pelo contribuinte, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Daí a razão por que o contribuinte foi intimado a apresentar o laudo de avaliação da “gleba destacada da Fazenda São João da Boa Vista recebida em doação de Armando de Vasconcellos e Lourdes Matiazzo de Vasconcellos”, conforme estabelecido na NBR14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas–ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado, que comprove o VTN na data de 1º de janeiro de 2007, a preço de mercado (Termo de Intimação Fiscal, de 07/11/2011, à fls. 63, ciência por via postal em 10/11/2011, à fl. 64). O Laudo de Avaliação apresentado pelo interessado (fls. 75/112), emitido por profissional habilitado e de acordo com as normas da ABNT, concluiu que o justo valor de mercado do imóvel denominado Gleba Remanescente da Fazenda São João da Boa Vista, objeto da matrícula nº 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP, com área de 44,8342 ha, para a data de 1º de janeiro de 2007, equivale a VTN de R$8.668.000,00 (fl. 78). Resultado este que evidencia a subavaliação do valor do VTN declarado no DIAT/2007 pelo interessado (fl. 222), motivando a sua impugnação pelo Fisco, dando ensejo à utilização do valor de R$8.668.000,00 apresentado no Laudo de Avaliação (fls. 75/112) como referência para o cálculo do ganho de capital em exame. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 450 21 No que tange à metodologia de apuração do ganho de capital utilizada pela Fiscalização, questionada pelo impugnante, verificase que o ganho de capital foi apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas, mediante a proporcionalização do VTN de R$8.668.000,00 apurado no Laudo de Avaliação (fl. 78), de acordo com o fluxo de caixa realizado na operação de alienação (Termo de Verificação Fiscal de fls. 277/281). Conforme ressaltou a Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (fl. 280), esse ajuste se fez necessário, uma vez que o imposto de renda é devido à medida em que as parcelas são recebidas (regime de caixa). Diversamente do que aduz o impugnante, ainda que se trate de alienação de imóvel rural adquirido a partir de 1º de janeiro de 1997, cabe observar na apuração do ganho de capital a legislação acima reproduzida, quando o pagamento da venda de imóvel for parcelado. Do contrário, estaria inobservando a citada norma legal. O art. 19 da Lei nº 9.393, de 1996, apenas preceitua que, para fins de apuração do ganho de capital de imóvel rural adquirido a partir de 1º/01/1997, considerasse custo de aquisição e valor da venda do imóvel rural o VTN declarado, respectivamente, nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, observado o disposto no art. 14 do mesmo ato legal. Esta disposição do artigo 19, contudo, não têm o condão de afastar a observância das normas legais estatuídas nos arts. 2º e 21 da Lei nº 7.713, de 1988, na alienação de imóveis rurais adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1997, para fins de apuração de ganho de capital. Verificase que feito esse ajuste, a Fiscalização procedeu, então, à dedução do valor da corretagem paga a Roberto Barbosa (recibos às fls. 49/59, 113/123, 194/204) e à Engea Empreendimentos Ltda (termo de compromisso de fls. 179/180, recibos de fls. 124/130 e 187/193 e comprovantes de pagamento de fls. 182/186), nos termos do art. 123, § 5º, do Decreto nº 3.000, de 1999, bem assim do imposto anteriormente pago pelo contribuinte por conta dessa operação, obtendo, então, o ganho de capital (art. 138 do Decreto nº 3.000, de 1999) e o imposto de renda (art. 142 do Decreto nº 3.000, de 1999). Cálculos estes que constam do Anexo I (fl. 300), parte integrante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 270/296). Cabe lembrar que na apuração do ganho de capital total, no valor de R$6.513.561,67 utilizado no cálculo do percentual de diferimento de 83,37%, foram observadas as reduções previstas no art. 40, § 1º, incisos I e II, da Lei nº 11.196, de 2005 (fls. 281, 297 e 300). Concretamente falando, o que se vê, é que o contribuinte obteve um ganho de capital de R$6.513.561,67 na alienação do imóvel de matrícula 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP, sendo devido o imposto de R$977.034,25, que descontado o imposto pago de R$266.736,95, restou ainda uma diferença de imposto de R$710.297,29, consoante Anexo I (fl. 300), que é devido, pelo que procedente o correspondente lançamento tributário (Auto de Infração de fls. 252/258). Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 451 22 Dos valores recebidos a título de reajuste de parcelas Os valores recebidos a título de reajuste, qualquer que seja a designação dada (juros, correção monetária, reajuste de parcelas, etc), não compõem o valor de alienação, e devem ser tributados em separado do ganho de capital, à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), conforme o caso, e na Declaração de Ajuste Anual correspondente ao anocalendário e seu recebimento, nos termos da legislação abaixo reproduzida. Decreto nº 3.000/1999: Art.123. Considerase valor de alienação (Lei nº 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): (...) §6º Os juros recebidos não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados na forma dos arts. 106 e 620, conforme o caso. IN SRF nº 84/2001: Art. 19 . Considerase valor de alienação: (...) § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (CarnêLeão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. (grifouse) Assim, os reajustes das parcelas recebidos pelo interessado, em cumprimento às condições estipuladas nos itens 2.1.2. e 2.3 do “Instrumento Particular de Compromisso de Venda e Compra de Bem Imóvel Com Condições Resolutivas e Outras Avenças”, de 05/10/2007 (fls. 144/145), bem assim nos itens 3.2 e 3.4 da Escritura Pública de Venda e Compra datada de 19/10/2007 (fls. 137/138) e nos itens 1.1, “a” e “b”, e 1.3 do “Instrumento Particular de Primeiro Aditamento à Escritura Pública de Venda e Compra”, de 16/12/2008 (fls. 156/158), são tributáveis na forma da lei, estando sujeitos à tributação na Declaração de Ajuste Anual correspondente. Correto, portanto, o tratamento tributário dispensado pela Fiscalização aos reajustes das parcelas recebidos pelo interessado, na forma apurada às fls. 277/278 e 282/283, não havendo reparos a fazer. Multa qualificada Fl. 451DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 452 23 A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício com multa qualificada (150%), por ter entendido que o contribuinte fiscalizado agido com a intenção de suprimir ou reduzir, deliberadamente, o tributo, caracterizando a conduta ilegal com evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Todavia, entendo que não merece prosperar a tese de que ocorreu sonegação, fraude ou simulação, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, compreendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de sonegação por parte do contribuinte. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou seja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do recolhimento do tributo, no entanto, não entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Por sua vez, assim dispõe os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 supra referidos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 453 24 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Consoante demonstrado, nos casos de lançamento de ofício, a regra é a aplicação da multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º, do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte da legislação, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição do tributo a ser pago. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Dessa forma, entendo por necessário desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Juros de mora sobre a multa de ofício Discorda a recorrente da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, os quais pede, caso não seja cancelado o crédito tributário, sejam excluídos. Ocorre, contudo, que o Pleno do CARF, em sessão realizada em setembro de 2018, decidiu pela aprovação da seguinte proposta de súmula: 1ª Proposta de nova súmula Juros sobre multa – “Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício”. Por tais razões, curvome ao disposto na nova Súmula embora ainda esteja pendente de publicação no D.O.U na presente data mantendo assim a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Conclusão. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 454 25 Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para 75%. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Ainda que acompanhe o relator quanto aos demais aspectos do enfrentamento da controvérsia, divirjo de seu encaminhamento no que diz respeito à multa qualificada. No caso, a fiscalização circunstanciou detalhadamente diversos elementos de prova que, tomados em seu conjunto, revelam que a "convicção" do contribuinte não era de agir conforme sua interpretação da legislação tributária. Ao contrário, as provas coligidas nos autos atestam que ele, deliberada e dolosamente, buscou ocultar o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, do ganho de capital que acabou sendo objeto do lançamento. Cabe transcrever em sua essência, neste átimo, a seguinte passagem da decisão de piso, a qual, aludindo às constatações da auditoria, demonstra com perspicácia a pertinência da qualificação: Destaquese que qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, visando reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Relativamente à omissão de ganhos de capital obtidos, em face da alienação de bens e direitos, consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 284/295), que o contribuinte prestou diversas informações falsas na Declaração de Ajuste Anual Simplificada DAA/ 2008 (fls. 205/213): a) no campo “data de aquisição do imóvel”, informou 11/09/1979 (quando o correto seria declarar 05.10.2004, data em que adquiriu a propriedade por meio de doação), o que fez com que se beneficiasse de maiores percentuais de redução da base de cálculo previstos nas Leis 7.713/1988 e 11.196/2005; b) no campo “custo de aquisição”, informou R$358.500,00 (valor total do imóvel declarado no DIAT/2007, sendo que o correto seria declarar o valor do DIAT/2004 (fl. 60), proporcionalizado de acordo com a quantidade de halqueres recebida, qual seja, R$137.866,54. Esta informação fez com que reduzisse a base de cálculo do IRPF em aproximadamente R$221 mil; c) valeuse indevidamente da isenção do art. 39 da Lei nº 11.196/2005, declarando, ao preencher o programa, que se tratava de venda de imóvel residencial e que aplicou R$2.119.345,00 na compra de outro imóvel residencial. Salienta a Fiscalização no referido Termo de Verificação Fiscal que (fls. 287/288): Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 455 26 “Com efeito, o programa “Ganhos de Capital”, ao ser preenchido, questiona, após detalhar a sobredita isenção (fls. 227), ipsis litteris: Tratase de alienação de imóvel residencial e no prazo de cento e oitenta dias, contados da data de celebração do contrato, o produto da venda foi ou será aplicado na aquisição de imóvel residencial, nos termos do artigo 39 da Lei 11.196, de 2005? Referido questionamento é acompanhado das opções “Sim, integralmente”, “Sim, parcialmente” e “Não”, tendo o contribuinte optado pela opção “Sim, parcialmente” e informado o aludido montante de R$2.119.345,00, fazendo com que não fosse oferecido à tributação. Essas falsidades cometidas na DAA/2008 fizeram com que o IRPF apurado sobre este ganho de capital (lucro imobiliário) fosse significativamente diminuído para apenas R$266.736,95 (aproximadamente 27% do valor principal devido). Além disso, o contribuinte omitiu na DAA/2008 (fls. 205/213), DAA/2009 (fls. 228/241) e DAA/2010 (fls. 242/250), os juros recebidos, o que provocou a redução expressiva da base de cálculo em R$696.631,72 (soma dos juros referentes aos anos calendário 2008 e 2009) e do IRPF em R$181.634,30.” Como bem assinalou a Fiscalização (fl. 288), os fatos acima apontados permitem concluir que a conduta praticada pelo contribuinte enquadrase no conceito de fraude e de sonegação, haja vista que a prática descrita resultou na falta de recolhimento de tributos mediante omissão de informações, falsidade ideológica e cometimento de fraudes, circunstância na qual se impõe a aplicação da multa de 150%.Aa A inserção de elementos inexatos na DIRPF/2008 (fl. 211), como a que diz respeito à data de aquisição do imóvel em referência (o certo era ter informado a data de 05/10/2004, quando recebeu o imóvel em doação, e não 11/09/1979, quando o imóvel foi havido por Armando de Vasconcelos e Lourdes Matiazzo Vasconcelos), fez o interessado beneficiarse indevidamente do percentual de redução previsto no art. 18 da Lei nº 7.713, de 1988, acarretando a redução indevida da base de cálculo. (...) O contribuinte, também, beneficiouse indevidamente da isenção referida no art. 39 da Lei nº 11.196, de 2005, ao informar na ficha de “Demonstrativo da Apuração do Ganhos de Capital” que se tratava de alienação de imóvel residencial (quando na verdade é imóvel rural), com aplicação parcial do produto da venda na aquisição de imóveis residenciais localizados no País, como se viu acima. (...) Vêse, portanto, que restou veementemente evidenciado o intuito do contribuinte de fugir à tributação por omissão de ganhos de capital obtidos na alienação do imóvel objeto da matrícula 99.045 do Cartório de Registro de Imóveis de Sumaré/SP, verificada no valor total de R$4.272.262,97 (R$6.513.561,67 – R$2.241.298,70 = R$4.272.262,97), bem assim por omissão de rendimentos recebidos a título de reajuste de parcelas, apurada no valor de R$R$232.235,31 para o anocalendário 2008 e R$464.396,41 para o anocalendário 2009 (fl. 282/284), Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10830.722253/201261 Acórdão n.º 2202004.754 S2C2T2 Fl. 456 27 mediante conduta dolosa e intencional do contribuinte, que procedeu à inserção de elementos inexatos na DIRPF/2008, quando do preenchimento da ficha “Demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital”, e reduziu o valor do imposto incidente sobre tal fato signo presuntivo de riqueza. Ou deixou de oferecer à tributação na declaração de ajuste anual, por dois exercícios consecutivos, os reajustes das parcelas recebidas em pagamento pela alienação do aludido bem, omitindo em documento fiscal informação de tal monta com a finalidade de reduzir ou suprimir o pagamento do imposto incidente sobre o dito recebimento. Motivo por que se impõe a aplicação da multa de ofício qualificada de 150% prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Com efeito, a inserção de uma série de informações falsas em suas declarações, ainda que realizada "às claras", denotam o desiderato do contribuinte de omitir do Fisco o conhecimento do fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital do imóvel em tela. Esse intento se evidencia quando verificamse uma série de operações e declarações articuladas e coerentes entre si, afastando, por inexpressiva, a probabilidade de erro, e reforçando sim, o convencimento acerca da existência de uma conduta dolosa consciente e determinada, visando burlar as normas tributárias. Tanto mais tal objetivo se escancara, quando os sucessivos "equívocos", realizados "às claras", vão sempre no sentido de diminuir, ao arrepio da legislação, o aspecto quantitativo do imposto, nunca no de aumentar a carga tributária incidente sobre o negócio jurídico. Inescapável, por conseguinte, a conclusão pela manutenção da multa qualificada. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson c c Fl. 456DF CARF MF
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