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Numero do processo: 10380.013773/2008-48
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA - APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso conforme Súmula nº 1 do CARF. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Erika Gadelha Muniz OAB/CE 13838.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso conforme Súmula nº 1 do CARF. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Erika Gadelha Muniz OAB/CE –13838. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 37 73 /2 00 8- 48 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 230 a 243, com Anexos às fls. 244 a 263 e 267 a 270, apresentado contra Acórdão nº 0815.872 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE, fls. 220 a 224, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.178.3798, no montante de R$ 21.370,51 (vinte e um mil, trezentos e setenta reais e cinqüenta e um centavos). Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 115 a 118, com Anexos às fls. 119 a 164, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social correspondentes à remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, aos demitidos por ocasião das rescisões de contrato de trabalho e as remunerações pagas a segurado contribuinte individual não informados em sua totalidade na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Ainda segundo o Relatório Fiscal, às fls. 115 a 118, com Anexos às fls. 119 a 164, o Recorrente não possui o Ato declaratório de isenção de contribuições previdenciárias. Outrossim, informase que existe a sentença proferida em 28/03/2005 da 9ª Vara da Justiça Federal no Processo n° 2004.81.00.0194294 9ª Vara da Justiça Federal do Ceará, tendo sido concedida a segurança para declarar a nulidade dos créditos lançados por ação fiscal anterior de números 318442680 e 355344955 e consta que a ação judicial promovida pela Empresa não teve como objeto o reconhecimento da imunidade. Observa ainda o Relatório Fiscal, às fls. 115 a 118, com Anexos às fls. 119 a 164, que até o encerramento desta ação fiscal não houve decisão ou qualquer motivação para alteração de procedimentos. Portanto prosseguiuse normalmente aos lançamentos dos créditos detectados em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal. O Relatório Fiscal, às fls. 115 a 118, com Anexos às fls. 119 a 164, informa ainda que as GPS recolhidas do período fiscalizado no código de pagamento 2305 foram consideradas como sendo do código 2100 apenas para serem apropriadas para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas e tiveram prioridade A, isto é, foram apropriados primeiro para os valores declarados em GFIP. Os valores pagos em GPS por ocasião da Intimação de pagamento IP 098.243/2008 com valor de divergência total de R$ 11.931,67 também foram considerados no cálculo, como crédito CRED, discriminados no relatório RDA. Ademais, o Relatório Fiscal, às fls. 115 a 118, com Anexos às fls. 119 a 164, mostra que por análise comparativa das bases de incidência Os folhas de pagamento, recibos de pagamento, férias, termos de rescisão de contrato de trabalho e GFIP, foram apuradas diferenças de salário referentes a valores pagos de rescisão, diferença salarial entre folha de pagamento e GFIP e valores pagos a segurados contribuinte individual e a empregados através de recibos. Valores que não foram informados em GFIP em sua totalidade e serviram de base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013773/200848 Acórdão n.º 2403001.535 S2C4T3 Fl. 274 3 O Recorrente teve ciência do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF em 17.03.2008, às fls. 106 a 107, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0310100.2008.00165. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 19 a 26, é de 01/2004 a 11/2007. O Recorrente teve ciência da NFLD no dia 16.09.2008, conforme fls. 01. O Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 167 a 179, com Anexos às fls. 180 a 216. A decisão de 1ª instância, Acórdão nº 0815.872 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE, fls. 220 a 224, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2007 DISPENSA DE EMENTA. Acórdão dispensado de conter ementa, nos termos das disposições da Portaria SRF n° 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 230 a 243, com Anexos às fls. 244 a 263 e 267 a 270, onde alega, em apertada síntese: Em sede Preliminar: (a) Da inconstitucionalidade da Lei 8212/1991 violação a preceitos constitucionais. O direito à Imunidade das contribuições para o financiamento da seguridade social por parte da Impugnante está albergado pela Constituição Federal, sendoo incontestável tanto na doutrina quanto na jurisprudência, retirando a liberdade do legislador ordinário de criar tributos. Ressaltese que a lei referida no final do parágrafo sétimo do artigo 195 da CF/88 é a Lei Complementar do art. 146 da CF, ou seja, o Código Tributário Nacional. (b) Da imunidade prevista no art. 195, § 7 º, CRFB/1988 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Ressaltese que a lei referida no final do parágrafo sétimo do artigo 195 da CF/88 é a Lei Complementar do art. 146 da CF, ou seja, o Código Tributário Nacional: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Destacase que o Ministro Marco Aurélio, em decisão liminar proferida da ADI 2.028DF, referendada pelo Plenário do STF como se verifica através da ementa, abaixo colacionada, na nota Precedente do STF sobre a matéria, é expresso no sentido que o art. 195, §7°, da CF, ora sob comentaria, trata de verdadeira imunidade e que a lei que disciplina as exigências é a Lei Complementar. (c) Da não incidência do § 1 º, art. 55, Lei 8.212/1991 para o reconhecimento da imunidade Dispõe o §1°, do art. 55, da Lei n° 8.212/91, in verbis,que a "isenção" das contribuições previdenciárias deverão ser requeridas ao INSS que terá o prazo de 30 dias para despachar, desde que reconhecidas todos os requisitos do caput, numa pretensão de regular "as exigências da Lei" prevista na parte final do §7°, do art. 195, da CF/88, condicionando a IMUNIDADE AO ATO DECLARATÓRIO. Destacase que a ADI em trâmite no STF suspendeu a eficácia destas normas, a saber: referendou a concessão dá medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1°, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei n°. 8.212/1991, e acrescentoulhe os §§ 3 °, 4 ° e 5°, bem como dos arts. 4o, 5° e 7°, da Lei n°. 9.732/98, por reconhecer sua inconstitucionalidade. Constatase que a legislação que deve regular, a imunidade é o Código Tributário Nacional, por ter reconhecido status de Lei Complementar, e não a Lei Ordinária n°. 8.212/91. Ademais, o CTN não condicionou a Imunidade a Ato Declaratório. No Mérito: (d) o Recorrente é uma entidade beneficente de assistência social Detectase que o CENTRO CATÓLICO DE EVANGELIZAÇÃO SHALOM É UMA ENTIDADE FILANTRÓPICA SEM FINS LUCRATIVOS; POIS O MESMO É UMA ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS COM RECONHECIMENTO DE Fl. 328DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013773/200848 Acórdão n.º 2403001.535 S2C4T3 Fl. 275 5 UTILIDADE PÚBLICA E REGISTRO NO CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, ATENDENDO A TODOS OS REQUISITOS PARA GOZAR DA IMUNIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DE SEGURIDADE SOCIAL. Em face do preenchimento de todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN, tornase desnecessário e até abusiva todo e qualquer ato ou autorização administrativa para o reconhecimento do Direito à Imunidade. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo; (Redação dada pela LCP n° 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1° do artigo 9°, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9° são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. O Recorrente colacionou ainda os seguintes documentos, em Anexo ao Recurso Voluntário, às fls. 244 a 263 e 267 a 270: 1. Procuração Ad Judicia; 2. Procuração Pública que faz o Sr. Moysés Louro de Azevedo Filho à João Edson Oliveira Queiroz; 3. CNPJ; 4. Estatuto Social da Associação Centro Católico de Evangelização Shalom como sociedade civil sem fins lucrativos Registro n°. 0930/Livro A4, em 17 de Mario de 1982 no Cartório Melo Júnior (6°. Oficio); 5. Certidão de Renovação do Centro Católico de Evangelização Shalom no Conselho Nacional de Assistência Social CEAS do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Fl. 329DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 6. Certificado de Inscrição do Centro Católico de Evangelização Shalom no Conselho Municipal de Assistência Social sob o n°. 0011/98; 7. Sentença prolatada pelo Douto Magistrado da 9ª Vara Federal da Secção Ceará no processo n°. 2004.81.00.0194294 que reconhece a como "plena de satisfação das exigências do art. 55 da Lei n°. 8.212/91."; 8. Espelho processual da Apelação em sede de Mandado de Segurança 2004.81.00.0194294 (AMS 100303CE) que encontrase Concluso ao Desembargador Relator. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 272. É o Relatório. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013773/200848 Acórdão n.º 2403001.535 S2C4T3 Fl. 276 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 272. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Da renúncia às instâncias administrativas. Tratase de Recurso Voluntário, fls. 230 a 243, com Anexos às fls. 244 a 263 e 267 a 270, apresentado contra Acórdão nº 0815.872 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE, fls. 220 a 224, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.178.3798, no montante de R$ 21.370,51 (vinte e um mil, trezentos e setenta reais e cinqüenta e um centavos). Fl. 331DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 115 a 118, com Anexos às fls. 119 a 164, o lançamento referese a as contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social correspondentes à remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, aos demitidos por ocasião das rescisões de contrato de trabalho e as remunerações pagas a segurado contribuinte individual não informados em sua totalidade na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Ainda segundo o Relatório Fiscal, às fls. 115 a 118, com Anexos às fls. 119 a 164, o Recorrente não possui o Ato declaratório de isenção de contribuições previdenciárias. Outrossim, informase que existe a sentença proferida em 28/03/2005 da 9ª Vara da Justiça Federal no Processo n° 2004.81.00.0194294 9ª Vara da Justiça Federal do Ceará, tendo sido concedida a segurança para declarar a nulidade dos créditos lançados por ação fiscal anterior de números 318442680 e 355344955 e consta que a ação judicial promovida pela Empresa não teve como objeto o reconhecimento da imunidade. Observa ainda o Relatório Fiscal, às fls. 115 a 118, com Anexos às fls. 119 a 164, que até o encerramento desta ação fiscal não houve decisão ou qualquer motivação para alteração de procedimentos. Portanto prosseguiuse normalmente aos lançamentos dos créditos detectados em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal. Outrossim, em sustentação oral quando do julgamento do presente Recurso nesta Colenda Turma, a advogada da Recorrente informou que transitou em julgado o Mandado de Segurança nº 001942982.2004.4.05.8100, que tramitava na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária da Justiça Federal no Estado do Ceará, no qual se declarou a imunidade previdenciária da Recorrente. Segue a movimentação processual do referido Mandado de Segurança, com o trânsito em julgado em 14/10/2011, na qual a sentença concedeu a segurança para declarar a nulidade dos créditos discutidos e determinar a expedição de CND, por reconhecer a imunidade da impetrante, entidade beneficente de assistência social, nos termos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, conforme o site do TRF da 5a região (http://www.trf5.jus.br): APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA (AMS100303CE) AUTUADO EM 29/10/2007 ORGÃO: Terceira Turma PROC. ORIGINÁRIO Nº:200481000194294 Justiça Federal CE VARA: 9ª Vara Federal do Ceará (Privativa de Execuções Fiscais) ASSUNTO: Isenção Limitações ao Poder de Tributar Tributário APTE :FAZENDA NACIONAL APDO :ASSOCIAÇÃO CENTRO CATOLICO DE EVANGELIZACAO SHALOM Advogado/Procurador :FRANCISCO COUTINHO CHAVES(e outros) CE013767 Remetente :JUÍZO DA 9ª VARA FEDERAL DO CEARÁ (FORTALEZA) PRIVATIVA DE EXEC. FISCAIS RELATOR : DESEMBARGADOR FEDERAL MARCELO Fl. 332DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013773/200848 Acórdão n.º 2403001.535 S2C4T3 Fl. 277 9 NAVARRO RIBEIRO DANTAS · Em 14/10/2011 12:56 Remessa Externa a(o) Seção Judiciária do Ceará com Baixa Definitiva transitado em julgado. [Guia: 2011.009835] (M640) · Em 22/08/2011 14:11 Acórdão Desembargador(a) Federal Relator(a) [Publicado em 26/08/2011 00:00] [Guia: 2011.000532] (M5545) EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXPEDIÇÃO DE CND. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. DESCABIMENTO.1. Os embargos de declaração não são meios próprios ao reexame da causa, devendo limitarse ao esclarecimento de obscuridade, contradição ou omissão, in casu, inexistentes no acórdão embargado.2. Matéria do recurso foi devidamente analisada, com motivação clara e nítida. Questões enfrentadas conforme as legislação e jurisprudência pertinentes. O magistrado não está obrigado a julgar de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC).3. Deveras apreciado, com base na jurisprudência do colendo STJ e desta Corte Regional, que: a) a entidade beneficente goza de imunidade tributária, conforme a Constituição Federal (art. 195, § 7º); b) atendidos os requisitos da Lei nº 8.212/91 (art. 55), é de se declarar a inexistência de relação jurídica que a obrigue a recolher a contribuição previdenciária, cujo crédito tributário é inexigível, nos termos da Lei nº 9.429/96 (art. 4º).4. Desnecessário o exame dos arts. 55, caput, e incisos I, II, III, IV e V, e § 6º, da Lei nº 8.212/91, em relação aos arts. 97 e 195, caput, e § 7º, da CF/88, visto que a decisão impugnada basilouse em matéria pacificada no STJ e neste Tribunal.5. Possível erro do julgamento deve ser sanado através do recurso próprio, e não de aclaratórios.6. Embargos de declaração não providos.A C Ó R D Ã OVistos, etc.Decide a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negar provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto do relator, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes nos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.Recife, 18 de agosto de 2011.Desembargador Federal BRUNO LEONARDO CÂMARA CARRÁ RELATOR CONVOCADO · Em 18/08/2011 14:00 Julgamento de incidente Sessão Ordinária [Sessão: 18/08/2011 14:00] (M597) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO:A Turma, por unanimidade, negou provimento aos embargos de declaração, nos termos do voto do relator. Participaram do julgamento os Exmos. Srs. Desembargadores Federais Geraldo Apoliano e Luiz Alberto.Relator: Desembargador Federal Bruno Carrá, convocado. · Em 16/05/2011 12:10 Acórdão Desembargador(a) Federal Relator(a) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 [Publicado em 18/05/2011 00:00] [Guia: 2011.000183] (M5545) EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ISENÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXPEDIÇÃO DE CND. PRECEDENTES DO STJ E DESTA CORTE REGIONAL.1. Apelação interposta contra sentença que concedeu a segurança para declarar a nulidade dos créditos discutidos e determinar a expedição de CND, por reconhecer a imunidade da impetrante, entidade beneficente de assistência social, nos termos do art. 55 da Lei nº 8.212/91.2. A entidade beneficente goza de imunidade tributária, conforme a Constituição Federal (art. 195, § 7º).3. Assim, atendidos os requisitos da Lei nº 8.212/91 (art. 55), é de se declarar a inexistência de relação jurídica que a obrigue a recolher a contribuição previdenciária, cujo crédito tributário é inexigível, nos termos da Lei nº 9.429/96 (art. 4º). Mantença da expedição da CND.4. Precedentes do colendo STJ e desta Corte Regional.5. Apelação e remessa oficial nãoprovidas.ACÓRDÃO Decide a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negar provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do voto do relator, na forma do relatório e notas taquigráficas constantes nos autos, que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.Recife, 12 de maio de 2011.Desembargador Federal MARCELO NAVARRO RELATOR · Em 12/05/2011 14:00 Julgamento Sessão Ordinária [Sessão: 12/05/2011 14:00] (M597) A Turma, por unanimidade, negou provimento à apelação e à remessa oficial, nos termos do voto do relator. Participaram do julgamento os Exmos. Srs. Desembargadores Federais convocados Frederico Azevedo e Maximiliano Cavalcanti.Sustentação oral: advogada Érika Gadelha Muniz OAB/CE 13.838. Portanto, com a informação de que, no Mandado de Segurança nº 0019429 82.2004.4.05.8100 impetrado pela Recorrente, a sentença concedeu a segurança para declarar a nulidade dos créditos discutidos e determinar a expedição de CND, por reconhecer a imunidade da impetrante, entidade beneficente de assistência social, nos termos do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, resta evidenciado dos autos que tanto a ação judicial quanto o processo administrativo possuem o mesmo objeto centrado na questão da imunidade das contribuições sociais previdenciárias. Desta forma, exsurge a aplicação da Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Embora, nos termos da Súmula nº 1 do CARF, seja cabível apenas a apreciação, por esta Colenda Turma de Julgamento, de matéria distinta da constante do processo judicial, observase que o Recurso Voluntário ao possuir o mesmo objeto da ação judicial proposta, resulta em não restar matéria a ser apreciada no recurso Voluntário. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013773/200848 Acórdão n.º 2403001.535 S2C4T3 Fl. 278 11 Diante do exposto, não há que se conhecer do Recurso Voluntário em função da renúncia às instâncias administrativas, com fundamento na Súmula nº 1 do CARF. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário nos termos da Súmula nº 1 do CARF. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 335DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16561.000048/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO.
Tendo sido recompostos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL declaradas pelo contribuinte, em razão do cancelamento de infrações lançadas, devem ser também analisados os eventuais reflexos decorrentes deste fato com relação às glosas de compensações lançadas pela fiscalização nos períodos futuros.
AUTO DE INFRAÇÃO. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. VALOR DECLARADO. IMPOSTO DEVIDO.
Demonstrado que, do valor tributável apurado pelo fisco, parte foi declarada pela recorrente, referida parcela deve ser subtraída do valor lançado. Não se deve confundir a matéria tributável com o valor do imposto devido, com base nela apurado.
Numero da decisão: 1102-000.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, em parte, e dar-lhe provimento parcial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para retificar o acórdão 1102-00.032, de 27.08.2009, para fins de cancelar as infrações de glosa de compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL, no ano-calendário de 2003, e para reduzir o valor tributável do ano de 2001, para efeito de IRPJ, para o montante de R$ 32.235.258,57, bem como para, de ofício, corrigir erros materiais; a decisão passa a ser a seguinte: (1) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. (2) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário nos seguintes termos: (2.a) por unanimidade de votos, cancelar as exigências relativas à CSLL, ao PIS e à COFINS e, quanto ao IRPJ, manter apenas a matéria tributável no montante de R$ 32.235.258,57, no ano-calendário de 2001, referente ao item 03 do auto de infração; (2.b) quanto ao item juros de mora sobre a multa de oficio, por maioria de votos, manter os juros no percentual de 1%. No que se refere ao item juros sobre a multa de oficio, emergiram três soluções distintas: (i) afastar os juros; mantê-los à taxa Selic e mantê-los a 1%. Em primeira votação, pelo voto de qualidade, a decisão foi no sentido de manter os juros sobre multa, vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello, Natanael Vieira dos Santos, e João Carlos de Lima Júnior, que a afastavam. Em segunda votação, por maioria de votos, decidiu-se fixar em 1% o percentual dos juros sobre a multa, vencidos os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes, que aplicam a Selic. Designada para redigir o voto quanto aos juros sobre a multa a Conselheira Sandra Faroni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
Albertina Silva Santos de Lima - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Embargante LABEL PARTICIPAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. Tendo sido recompostos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL declaradas pelo contribuinte, em razão do cancelamento de infrações lançadas, devem ser também analisados os eventuais reflexos decorrentes deste fato com relação às glosas de compensações lançadas pela fiscalização nos períodos futuros. AUTO DE INFRAÇÃO. MATÉRIA TRIBUTÁVEL. VALOR DECLARADO. IMPOSTO DEVIDO. Demonstrado que, do valor tributável apurado pelo fisco, parte foi declarada pela recorrente, referida parcela deve ser subtraída do valor lançado. Não se deve confundir a matéria tributável com o valor do imposto devido, com base nela apurado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, em parte, e darlhe provimento parcial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para retificar o acórdão 110200.032, de 27.08.2009, para fins de cancelar as infrações de glosa de compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL, no anocalendário de 2003, e para reduzir o valor tributável do ano de 2001, para efeito de IRPJ, para o montante de R$ 32.235.258,57, bem como para, de ofício, corrigir erros materiais; a decisão passa a ser a seguinte: “(1) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. (2) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário nos seguintes termos: (2.a) por unanimidade de votos, cancelar as exigências relativas à CSLL, ao PIS e à COFINS e, quanto ao IRPJ, manter apenas a matéria tributável no montante de R$ 32.235.258,57, no anocalendário de 2001, referente ao item 03 do auto de infração; (2.b) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 48 /2 00 6- 04 Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16561.000048/200604 Acórdão n.º 1102000.811 S1C1T2 Fl. 3 2 quanto ao item juros de mora sobre a multa de oficio, por maioria de votos, manter os juros no percentual de 1%. No que se refere ao item juros sobre a multa de oficio, emergiram três soluções distintas: (i) afastar os juros; mantêlos à taxa Selic e mantêlos a 1%. Em primeira votação, pelo voto de qualidade, a decisão foi no sentido de manter os juros sobre multa, vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello, Natanael Vieira dos Santos, e João Carlos de Lima Júnior, que a afastavam. Em segunda votação, por maioria de votos, decidiuse fixar em 1% o percentual dos juros sobre a multa, vencidos os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes, que aplicam a Selic. Designada para redigir o voto quanto aos juros sobre a multa a Conselheira Sandra Faroni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado”. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de embargos interpostos pela contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão nº 110200.032, de 27 de agosto de 2009, que restou assim ementado e decidido: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003. Ementa: VARIAÇÃO CAMBIAL A variação cambial de investimentos no exterior não constitui nem despesa dedutível nem receita tributável. DATA DA CONVERSÃO A data da conversão da taxa de câmbio é a da data da demonstração financeira na qual o lucro foi apurado. (...) ACORDAM os membros da 1a câmara / 2a turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO: (1) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. (2) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário nos seguintes termos: (2.a) por unanimidade de votos, cancelar as exigências relativas à CSLL, ao PIS e à COFINS e, quanto ao IRPJ, manter apenas a glosa dos prejuízos fiscais compensados indevidamente, e a matéria tributável no Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16561.000048/200604 Acórdão n.º 1102000.811 S1C1T2 Fl. 4 3 montante de R$ 6.060.695,315, referente ao item 03 do auto de infração; (2.b) quanto ao item “juros de mora sobre a multa de oficio”, por maioria de votos, manter a multa no percentual de 1%. No que se refere ao item “juros sobre a multa de oficio”, emergiram três soluções distintas: (i) afastar os juros; mantêlos à taxa Selic e mantêlos a 1%. Em primeira votação, pelo voto de qualidade, a decisão foi no sentido de manter os juros sobre multa, vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello, Natanael Vieira dos Santos, e João Carlos de Lima Júnior, que a afastavam. Em segunda votação, por maioria de votos, decidiuse fixar em 1% o percentual da multa, vencidos os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes, que aplicam a Selic. Designada para redigir o voto quanto aos juros sobre a multa a Conselheira Sandra Faroni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Aponta a requerente os seguintes motivos para a interposição dos presentes embargos: 1. Contradição entre a decisão e seus fundamentos, no tocante aos lucros relativos aos anoscalendário 1996 e 1997, posto que a decisão contestada, ao mesmo tempo que reconhece que a data do fato gerador seria a data do balanço no qual os lucros foram gerados, não reconhece a decadência do lançamento relativo a esses lucros, operado somente em 2006. 2. Contradição ocorrida também no acórdão embargado, ao manter integralmente a glosa de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, não obstante tenha a decisão reduzido substancialmente o montante devido a título de IRPJ e CSLL, ou seja, a citada glosa também deveria ter sido reduzida proporcionalmente à parcela do auto de infração cancelada. 3. Omissão quanto à não apreciação da alegação feita e comprovada às fls. 28 e 29 do recurso voluntário, de que os lucros gerados no ano de 1998 foram devidamente oferecidos à tributação em 2001, não sendo devido qualquer valor a título de IRPJ e CSLL com relação a esse período. O relator do acórdão embargado restou vencido tão somente na questão dos juros incidentes sobre a multa de ofício, questão esta que não é objeto dos presentes embargos, de sorte que é seu o voto condutor com relação a todas as matérias aqui arguidas. Tendo em vista que o referido relator não mais integra o colegiado, foram os presentes embargos a mim redistribuídos para relato, nos termos do art. 49, § 7º, do Anexo II, da Portaria MF nº 256, de 22.06.2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF (RICARF), e, por despacho, foram eles admitidos, a fim de serem apreciados pela Turma. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Os embargos preenchem os pressupostos de admissibilidade e deles conheço. Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16561.000048/200604 Acórdão n.º 1102000.811 S1C1T2 Fl. 5 4 Com relação ao primeiro ponto, sem qualquer procedência a alegação suscitada. Em nenhum momento defendeu o i. relator do voto condutor do acórdão embargado, nesta parte, que a data do fato gerador, no tocante aos lucros no exterior relativos aos anos calendário 1996 e 1997, seria a data do balanço no qual esses lucros foram gerados. Pelo contrário, expressamente afirmou que a data do fato gerador, relativamente a esses lucros, é a data de sua disponibilização, que, no presente caso, correspondeu ao dia 20.12.2001. Transcrevo a seguir excerto bastante elucidativo, neste sentido: “Usando seu poder regulamentar foi editada a IN SRF 38/96, que estabeleceu um beneficio para os contribuintes, que foi o diferimento do lucro. Assim, ao estabelecer que a data da disponibilização era o marco para a tributação (fato gerador), os contribuintes puderam diferir seus tributos. Além disso, a referida IN SRF estabeleceu quando se daria a tal disponibilização, que para o caso seria quando ocorrer à transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível. Assim, não teria ocorrido a decadência em relação aos anos de 1996 e 1997, uma vez que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é a data em que ocorreu a disponibilização dos lucros 20/12/2001 (fato gerador) e não o momento da sua geração.” Nestes termos, absolutamente coerente a conclusão do relator pela não decadência do direito do fisco ao lançamento, posto que efetuado em 04/12/2006 e, portanto, antes do decurso do prazo quinquenal previsto no CTN. Com relação ao intem 2 (glosa de prejuízos), por outro lado, assiste razão à embargante. De fato, o relator do acórdão embargado, às fls. 10 deste, fez a análise da glosa dos prejuízos compensados indevidamente levando em consideração tão somente o fato de que fora mantido o lançamento do valor tributável, para fins de IRPJ, de R$ 32.588.801,49 em 2001, o que seria suficiente para zerar integralmente o saldo de prejuízos fiscais da recorrente de períodos anteriores, de R$ 8.208.584,14, e por isto, manteve o relator a glosa da compensação de prejuízos feita pela fiscalização em 2003. Contudo, olvidouse o relator de considerar, por exemplo, que, para fins de CSLL, o valor tributável de R$ 32.588.801,49 fora cancelado pelo seu mesmo voto, seguido à unanimidade pelo colegiado à época, de modo que, pelo menos com relação à CSLL, já haveria aí motivo suficiente para desconstituir a glosa da compensação de base de cálculo negativa efetuada pela recorrente em 2003, que foi de somente R$ 3.444.501,93. Entretanto, o relator expressamente referiu que a glosa deveria ser mantida, mesmo para a CSLL, conforme o seguinte trecho do voto: “Com a manutenção do valor tributável de 31/12/2001, no valor de R$ 32.588.801,49 temos: (...) Assim, a infração da glosa de prejuízos compensados indevidamente deve ser mantida, tanto para o IRPJ, quanto para a CSLL, pois, a contribuinte usara em sua DIPJ (fl.269) R$ 3.444.501,93 de prejuízos anteriores. Este prejuízo reduziu o valor do Lucro Real, que foi usado para o cálculo do IRPJ e da CSLL.” Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16561.000048/200604 Acórdão n.º 1102000.811 S1C1T2 Fl. 6 5 Olvidouse também o relator de considerar que, com relação ao ano de 2002, o acórdão embargado promoveu também o cancelamento integral da infração lançada, no valor de R$ 28.531.484,00, e que isto traz reflexos tanto para a CSLL quanto para o IRPJ. Ora, tendo cancelado tal infração, desfazse o resultado positivo apurado pela fiscalização naquele ano, restabelecendose integralmente o valor do prejuízo declarado pela recorrente em 2002, de R$ 14.261.462,68. Assim, também não subsiste motivo para manter a glosa da compensação de prejuízos fiscais efetuada pelo fisco, de R$ 3.444.501,93 em 2003, ante a existência de prejuízo em montante suficiente para possibilitar tal compensação. Portanto, deve ser integralmente cancelada a infração de glosa de compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e de bases de cálculo negativas (CSLL) em 2003, precisamente em razão do quanto decidido no próprio acórdão embargado. Com relação ao item 3, entendo que também assiste parcial razão à recorrente. Uma breve síntese dos fatos: Em 20.12.2001 houve a disponibilização de dividendos apurados em 1996, 1997, e 1998, conforme abaixo se resume (valores em Escudos): Lucros de 1996 (integral) 1.398.889.517,00 Lucros de 1997 (integral) 1.680.944.050,00 Lucros de 1998 (parte) 50.166.433,00 Total dividendos disponibilizados 3.130.000.000,00 Às fls. 28 e 29 do recurso voluntário, a recorrente observa que os lucros acima referidos, relativos a 1998, foram oferecidos à tributação pela Recorrente, conforme doc. n° 8 da Impugnação, mas que, contudo, tal fato não foi levado em consideração pelas Autoridades Julgadoras (os lucros de 1996 e 1997 não foram oferecidos pela recorrente, porque, no seu entendimento, a tributação na disponibilização somente teria sido instituída pela Lei no 9.532/97, com efeitos a partir de 1998). Às fls. 399 e 404 dos autos, os documentos anexos à impugnação demonstram que o valor de Esc$ 50.166.433,00, no entender da recorrente, corresponderiam a R$ 353.542,92. Às fls. 242 encontrase cópia da DIPJ/2002 da recorrente, onde, na linha 05 – Lucros Disponibilizados do Exterior, da ficha 09A – Demonstração do Lucro Real, consta a declaração da adição do valor de R$ 353.542,92 ao lucro líquido. Resta comprovada, assim, se não a omissão do relator, pelo menos o seu completo equívoco quanto a este fato, quando se examina a seguinte afirmativa feita, no único trecho do acórdão em que aborda esta questão, verbis: Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16561.000048/200604 Acórdão n.º 1102000.811 S1C1T2 Fl. 7 6 “Quanto aos lucros de 1998, eles se referem aos dividendos disponibilizados em 20/12/2001, na DIPJ 2002 ficha 9 A f1.11, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, nada foi declarado.” O relator menciona a linha referente aos rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (linha 06 da ficha 09A), a qual de fato aparece com valor zero na citada DIPJ. Contudo, o valor em questão é referente a lucros disponibilizados do exterior, que são declarados em linha diversa, no caso, a linha 05 da mesma ficha. Portanto, o valor tributável lançado pela fiscalização, de R$ 32.588.801,49, deve ser reduzido para R$ 32.235.258,57 (redução de R$ 353.542,92). Por fim, e embora não suscitado pela embargante, tendo em vista o disposto no artigo 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, no tocante às inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, há ainda alguns reparos a fazer com relação à parte dispositiva do acórdão embargado, especificamente nos trechos abaixo sublinhados: ACORDAM os membros da 1a câmara / 2a turma ordinária do primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO: (1) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. (2) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário nos seguintes termos: (2.a) por unanimidade de votos, cancelar as exigências relativas à CSLL, ao PIS e à COFINS e, quanto ao IRPJ, manter apenas a glosa dos prejuízos fiscais compensados indevidamente, e a matéria tributável no montante de R$ 6.060.695,315, referente ao item 03 do auto de infração; (2.b) quanto ao item “juros de mora sobre a multa de oficio”, por maioria de votos, manter a multa no percentual de 1%. No que se refere ao item “juros sobre a multa de oficio”, emergiram três soluções distintas: (i) afastar os juros; mantêlos à taxa Selic e mantêlos a 1%. Em primeira votação, pelo voto de qualidade, a decisão foi no sentido de manter os juros sobre multa, vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello, Natanael Vieira dos Santos, e João Carlos de Lima Júnior, que a afastavam. Em segunda votação, por maioria de votos, decidiuse fixar em 1% o percentual da multa, vencidos os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes, que aplicam a Selic. Designada para redigir o voto quanto aos juros sobre a multa a Conselheira Sandra Faroni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Com relação aos juros sobre a multa, o erro está em afirmar que teria sido mantida a multa no percentual de 1%, quando na verdade são os juros sobre a multa que foram mantidos neste percentual. Com relação ao trecho “e a matéria tributável no montante de R$ 6.060.695,315, referente ao item 03 do auto de infração”, muito embora não tenha o relator do acórdão embargado efetuado qualquer demonstração de onde sacou tal valor em reais (inclusive com três casas decimais), vez que o efetivo valor tributável da infração mantida conforme seu próprio voto, foi de R$ 32.588.801,49, é possível verificar que o valor citado na parte dispositiva do acórdão corresponderia de fato ao valor do imposto devido, e não à matéria tributável mantida, conforme ali constou. Confirase abaixo a demonstração: Resultado de 2001 declarado (antes da comp. prejuízos) 41.436,10 Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16561.000048/200604 Acórdão n.º 1102000.811 S1C1T2 Fl. 8 7 Infrações lançadas 32.588.801,49 Resultado ajustado 32.547.365,37 Limite de 30% para compensação de prejuízos 9.764.209,61 Saldo de prejuízos de períodos anteriores 8.208.584,14 Prejuízos compensados 8.208.584,14 Resultado ajustado após compensação de prejuízos 24.338.781,23 Imposto de renda devido a 15% 3.650.817,19 Adicional devido sobre excedente a R$ 240.000,00 2.409.878,12 Total IRPJ devido 6.060.695,31 Tendo em vista que o valor mencionado na parte dispositiva da sentença, e acima demonstrado, de qualquer sorte também já não mais sequer corresponderia ao valor do IRPJ devido, em virtude do quanto exposto no presente voto, entendo que, para o fim de conferir maior clareza ao quanto decidido, a parte dispositiva daquela decisão deva ser retificada para o seguinte teor (em destaque, abaixo, as partes cuja redação devem ser alteradas, já contemplando todos os erros materiais encontrados, bem como os ajustes decorrentes do provimento parcial aos presentes embargos): ACORDAM os membros da 1a câmara / 2a turma ordinária da Primeira Seção de Julgamento: (1) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio. (2) DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário nos seguintes termos: (2.a) por unanimidade de votos, cancelar as exigências relativas à CSLL, ao PIS e à COFINS e, quanto ao IRPJ, manter apenas a matéria tributável no montante de R$ 32.235.258,57, no ano calendário de 2001, referente ao item 03 do auto de infração; (2.b) quanto ao item “juros de mora sobre a multa de oficio”, por maioria de votos, manter os juros no percentual de 1%. No que se refere ao item “juros sobre a multa de oficio”, emergiram três soluções distintas: (i) afastar os juros; mantêlos à taxa Selic e mantêlos a 1%. Em primeira votação, pelo voto de qualidade, a decisão foi no sentido de manter os juros sobre multa, vencidos os Conselheiros José Carlos Passuello, Natanael Vieira dos Santos, e João Carlos de Lima Júnior, que a afastavam. Em segunda votação, por maioria de votos, decidiuse fixar em 1% o percentual dos juros sobre a multa, vencidos os Conselheiros Mario Sérgio Fernandes Barroso e José Sérgio Gomes, que aplicam a Selic. Designada para redigir o voto quanto aos juros sobre a multa a Conselheira Sandra Faroni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Pelas razões discorridas, voto pelo acolhimento dos embargos declaratórios, e pelo seu parcial provimento, concedendolhe efeitos infringentes, para o fim de cancelar as infrações de glosa de compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL, no ano calendário de 2003, e para reduzir o valor tributável do ano de 2001, para efeito de IRPJ, para o montante de R$ 32.235.258,57, bem como para retificar a parte dispositiva do Acórdão 110200.032, conforme acima proposto. É como voto. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16561.000048/200604 Acórdão n.º 1102000.811 S1C1T2 Fl. 9 8 Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/ 10/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000123/2006-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM IDENTIFICADA - EXCLUSÃO, DA BASE DE CÁLCULO, DAS RECEITAS OMITIDAS DA ATIVIDADE RURAL
Uma vez que as receitas omitidas da Atividade Rural foram excluídas da base de cálculo dos depósitos bancários pela própria Fiscalização, ainda durante a ação fiscal, e não por força da decisão de Segunda Instância, dita exclusão não pode ser objeto de Recurso Especial.
Recurso especial conhecido em parte e negado.
Numero da decisão: 9202-002.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
EDITADO EM: 23/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM IDENTIFICADA - EXCLUSÃO, DA BASE DE CÁLCULO, DAS RECEITAS OMITIDAS DA ATIVIDADE RURAL Uma vez que as receitas omitidas da Atividade Rural foram excluídas da base de cálculo dos depósitos bancários pela própria Fiscalização, ainda durante a ação fiscal, e não por força da decisão de Segunda Instância, dita exclusão não pode ser objeto de Recurso Especial. Recurso especial conhecido em parte e negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.943 1 1.942 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15940.000123/200600 Recurso nº 159.619 Especial do Procurador Acórdão nº 9202002.453 – 2ª Turma Sessão de 08 de novembro de 2012 Matéria Atividade Rural e Depósitos Bancários sem Origem Identificada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOÃO CARLOS FACHOLI ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, relativamente à matéria sobre a qual não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM IDENTIFICADA EXCLUSÃO, DA BASE DE CÁLCULO, DAS RECEITAS OMITIDAS DA ATIVIDADE RURAL Uma vez que as receitas omitidas da Atividade Rural foram excluídas da base de cálculo dos depósitos bancários pela própria Fiscalização, ainda durante a ação fiscal, e não por força da decisão de Segunda Instância, dita exclusão não pode ser objeto de Recurso Especial. Recurso especial conhecido em parte e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 01 23 /2 00 6- 00 Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 23/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior Relatório Primeiramente, cabe esclarecer que se trata de processo envolvendo receitas de propriedades rurais e créditos em contas bancárias utilizadas em conjunto por quatro irmãos, cada qual detendo 25% de participação. Assim, relativamente ao exercício de 2002, embora tenha sido lavrado um auto de infração para cada contribuinte, os demonstrativos elaborados durante a ação fiscal exibem valores totalizados. . Tratase de autuação tendo em vista as seguintes infrações: omissão de rendimentos da Atividade Rural; omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não identificada; e omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, relativos a juros de créditos via cobrança bancária. Foi aplicada multa qualificada apenas sobre a omissão de rendimentos da Atividade Rural, sob a seguinte justificativa (fls. 1.645): “20. O contribuinte ao não informar, nos respectivos meses, no anexo da atividade rural, a quase totalidade da vultosa receita bruta auferida proveniente de imóveis explorados como parceiro e arrendatário (declarou somente a receita oriunda da Fazenda Álamo, fl. 1632), o fez com a intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, no caso, rendimento tributável relacionado com a exploração da atividade rural, restando configurado a conduta descrita como sonegação fiscal, conforme definido no artigo 71, inciso I da Lei n° 4.502/64, justificandose, por conseguinte, a aplicação da multa prevista no artigo 44, inciso II da Lei n° 9.430/96. A mesma prática, como restará provado, também ocorreu nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004 (fiscalização em curso).”(grifo no original) O lançamento foi considerado procedente pela DRJ. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, julgado em 04/03/2009, exarandose o Acórdão 340200.018, assim ementado: Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15940.000123/200600 Acórdão n.º 9202002.453 CSRFT2 Fl. 1.944 3 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2002 DECADÊNCIA – Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro, ausente a comprovação de dolo, fraude ou simulação. ATIVIDADE RURAL – TRIBUTAÇÃO 20% Somente deve ser tributado 20% da receita apurada na atividade rural. DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ATIVIDADE RURAL – A interpretação harmônica da Lei nº 9.430, de 1996 com a Lei nº 8.023, de 1990 que regula a atividade rural, induz ao entendimento de que os rendimentos totais da atividade rural se prestam como origem para justificar os depósitos bancários, independentemente de coincidência de data e valores. MULTA QUALIFICADA – A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1º CC, nº 14). Preliminar rejeitada Recurso provido parcialmente.” A decisão foi assim resumida: “ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso. Vencidos (as) os (as) Conselheiros (as) Heloísa Guarita Souza, Antonio Lopo Martinez e Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, que apenas desqualificavam a multa de ofício.” Conforme a conclusão do voto vencedor, foi desqualificada a penalidade (decisão unânime) e excluído da exigência o item 2 do Auto de Infração – omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada (decisão por maioria de votos): “Ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso, NÃO ACOLHENDO a preliminar argüida e no mérito, DAR provimento PARCIAL para reduzir a multa qualificada de 150% para 75% e excluir da tributação os valores decorrentes de depósito bancário de origem não comprovada, item 002 do auto de infração.” Cientificada do acórdão em 30/04/2010 (fls. 1.821), a Fazenda Nacional interpôs, em 05/05/2010 (fls. 1.821), o Recurso Especial de fls. 1.824 a 1.839, com fundamento no art. 7º, incisos I e II, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, c/c art. 4º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Como paradigma para a desqualificação da multa (decisão unânime) foi indicado o Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Acórdão 10196.757. Quanto à exclusão do item 2 do Auto de Infração (depósitos bancários), decidida por maioria de votos, embora a Fazenda Nacional mencione o Recurso por Contrariedade à Lei, indica como paradigma o Acórdão 10617.223. Em 28/06/2010, por meio do Despacho de Admissibilidade nº 220200.120 (fls. 1.847 a 1.851), foi dado seguimento ao Recurso Especial, para rediscussão da desqualificação da multa de ofício e da decadência, que não fora objeto do recurso, até porque não foi matéria objeto de provimento pelo acórdão recorrido. Em seu Recurso Especial, a Fazenda Nacional pede, em síntese: a manutenção da qualificação da penalidade, uma vez que a conduta repetida sistematicamente demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, além do que as vultosas diferenças entre os valores declarados ao Fisco e os contidos na escrituração caracterizam atividade ilícita e conduta dolosa; que não seja aceita a tese do acórdão recorrido, no sentido da aceitação, como origem dos depósitos bancários, de toda a receita bruta da Atividade Rural, que fora omitida e apurada pela fiscalização, independentemente de comprovação. Às fls. 1.864, a Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente/SP informa que os débitos mantidos pelo acórdão recorrido foram incluídos no parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009 e transferidos para o processo nº 15936.000012/201111. Cientificado do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em 07/06/2011 (fls. 1.865), o contribuinte ofereceu, em 21/06/2011, tempestivamente, as Contra Razões de fls. 1.866 a 1.883, contendo os seguintes argumentos, em síntese: o Recurso Especial da Fazenda Nacional não pode ser conhecido, uma vez que no acórdão recorrido não foi afastada a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, mas apenas evitouse a bitributação de valores, como depósitos bancários de origem não identificada e como receita omitida da Atividade Rural, tendo em vista a aplicação de critério contraditório pela Fiscalização; quanto à desqualificação da multa, o Acórdão 10196.757 não caracteriza divergência jurisprudencial, uma vez que não há similitude fática relativamente ao acórdão recorrido; ademais, foi aplicada a Súmula 14 do CARF, o que inviabiliza a admissibilidade do recurso; no início da peça recursal, a Fazenda Nacional alegou contrariedade à lei, porém ao final fixouse na divergência, o que inviabiliza a primeira alegação, já que o pedido tem de ser certo e determinado; no mérito, conforme consta do acórdão recorrido, o critério utilizado pela Fiscalização foi prejudicial ao contribuinte, uma vez que utilizou a documentação representativa da Atividade Rural, apresentada pelo contribuinte, não para comprovação da origem dos depósitos bancários, mas sim para nova exigência, qual seja, omissão de rendimentos da Atividade Rural; quanto à qualificação da penalidade, o contribuinte reitera a inexistência de fraude ou dolo. Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15940.000123/200600 Acórdão n.º 9202002.453 CSRFT2 Fl. 1.945 5 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, é tempestivo, restando perquirir acerca do atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade. A conclusão do Despacho de Admissibilidade nº 220200.120, de 28/06/2010 (fls. 1.847 a 1.851), é no sentido de admitir à rediscussão as matérias “qualificação da multa” e “decadência”, que não integrou o apelo. Por outro lado, na conclusão do despacho não foi mencionada a matéria “exclusão do item 2 do Auto de Infração (depósitos bancários de origem não identificada)”, que foi objeto do recurso. Não obstante, no corpo do despacho, há a expressa menção ao seguimento relativo à matéria não unânime. Confirase às fls. 1.848: “Com efeito, a argumentação contida no Recurso Especial conduz à conclusão de que os diplomas legais retro poderiam, em tese, ter sido contrariado, o que demanda o reexame da questão por parte da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” Assim, entendo que, embora tenha havido erro de fato, devido a lapso manifesto, na conclusão do Despacho de Admissibilidade, o inteiro teor do documento permite concluir que a matéria foi encaminhada à rediscussão pela Instância Superior. No Despacho de Admissibilidade, a matéria não unânime (depósitos bancários) também parece ter sido suscitada sob o ângulo da divergência jurisprudencial – Acórdão 10617.223 – entendendose restar demonstrado o alegado dissídio. Entretanto, as conclusões diversas entre acórdão recorrido e paradigma resultam da diversidade fática verificada entre eles, e não de divergência interpretativa. Isso porque, enquanto no caso do acórdão recorrido o contribuinte apresentou toda a documentação que lhe foi solicitada, o que resultou na comprovação de cerca de R$ 12.000.000,00, em receitas da Atividade Rural, no caso do paradigma o contribuinte apenas argumentou que os depósitos bancários tinham origem na Atividade Rural, porém sem nada provar. A seguir trecho do paradigma que especifica a situação: “Aqui, entretanto, não há qualquer prova da atividade rural, não tendo sido juntada uma única nota fiscal de produtor rural, havendo, repisese, apenas uma declaração vinculando 03 depósitos de origem não comprovada à atividade rural, o que é completamente insuficiente para acatar a presente pretensão recursal, pois não se comprovou que o contribuinte milita, iniludivelmente, na atividade rural e que suas receitas dessa atividade rivalizam com sua movimentação financeira.” Assim, no que tange à exclusão do item 2 do Auto de Infração (depósitos bancários), conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, na modalidade do Inciso I, do art. 7º , do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Quanto à matéria cuja decisão foi unânime – desqualificação da penalidade – a Fazenda Nacional indicou como paradigma o Acórdão nº 10196.757, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício. 2003 a 2005 DECADÊNCIA O direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Se caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, o prazo decadencial deve ser contado em conformidade com o art. 173, I, do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS Caracterizam omissão de receitas os valores depositados em conta corrente mantidas à margem da contabilidade. MULTA QUALIFICADA A multa de oficio qualificada deve ser mantida se comprovada a fraude realizada pelo Contribuinte, constatados a divergência entre a verdade real e a verdade declarada pelo Contribuinte, e seus motivos simulatórios. (destaque meu) Recurso Voluntário Negado.” Antes de proceder à análise do paradigma, importa salientar que, nessa parte, tratase de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando existe identidade fática entre as situações apreciadas no acórdão recorrido e no paradigma indicado. Assim, tornase imprescindível a análise das situações fáticas contidas em tais julgados, a ver se haveria identidade entre elas. No caso do paradigma – Acórdão nº 10196.757 – tratase de lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, em que a qualificação da multa teve como fundamento a manutenção de movimentação bancária à margem da contabilidade da empresa, promovendose inclusive a sua dissolução irregular. Nesse sentido, confirase trecho do relatório do paradigma: “Aplicou a multa qualificada de 150% sob o fundamento de que a contribuinte manteve movimentação bancária de R$ 20.052.558,71 à margem da contabilidade, no período fiscalizado. O fisco entendeu que houve a dissolução irregular da fiscalizada, em razão da omissão de receitas da fiscalizada no período de atividade, omissão provocada de forma dolosa.” O acórdão recorrido, por sua vez, se refere a Imposto de Renda Pessoa Física, cujos contribuintes não estão obrigados a manter escrituração contábil, nos moldes exigidos das Pessoas Jurídicas. Assim, não há como intentarse uma analogia entre os acórdãos recorrido e paradigma, com a finalidade de estabelecerse dissídio jurisprudencial, já que a principal razão de manutenção da qualificadora, no acórdão paradigma – falta de registro das contas bancárias na contabilidade da empresa, com dissolução irregular – sequer é uma exigência para a Pessoa Física. Em síntese, não existe identidade entre as formalidades Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15940.000123/200600 Acórdão n.º 9202002.453 CSRFT2 Fl. 1.946 7 exigidas das Pessoas Físicas e das Jurídicas. Ademais, a multa qualificada, no caso do acórdão recorrido, não foi aplicada aos depósitos em contas bancárias, mas sim à omissão de rendimentos da Atividade Rural. Destarte, não se encontra presente a identidade fática necessária à demonstração da divergência interpretativa, razão pela qual o Acórdão nº 10196.757 não pode servir como paradigma, no presente caso. Assim, em síntese, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à exclusão do item 2 do Auto de Infração (depósitos bancários), na modalidade do Inciso I, do art. 7º ,do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No mérito, verificase que o provimento do recurso, no que diz respeito aos depósitos bancários, teve como fundamento suposta bitributação, perpetrada por critério que teria sido prejudicial ao autuado, constando do voto condutor do aresto que a Fiscalização utilizou a documentação apresentada pelo contribuinte não para justificar a origem dos depósitos, mas sim para promover nova autuação, desta vez como omissão de receitas da Atividade Rural. A análise dos autos, principalmente dos demonstrativos elaborados pela Fiscalização, permite concluir que, ao contrário do que consta do acórdão recorrido, praticamente toda a receita da Atividade Rural omitida, levantada com base na documentação apresentada pelo contribuinte, foi subtraída da base de cálculo inicial dos depósitos bancários. O quadro abaixo dá a exata noção do trabalho fiscal: Créditos Bancários Total Receita Omitida da Atividade Rural Receita Omitida da Atividade Rural Utilizada como Origem Receita Omitida da Fazenda Álamo Depósitos Bancários Base de Cálculo Remanescente Receita Declarada Fazenda Alamo MESES DE 2001 (fls. 1.260 a 1.519) (fls. 1.645) (fls. 1.260 a 1.519) (fls. 941 em diante) (fls. 1.648/1649) (DIRPF fls. 1.632) JANEIRO 916.025,27 865.560,89 865.560,89 21.690,88 36.261,99 FEVEREIRO 1.094.353,46 1.044.319,62 1.035.603,42 47.232,68 118.237,58 MARÇO 831.366,50 548.298,84 548.298,84 276.561,32 54,00 ABRIL 680.382,14 357.640,43 357.640,43 310.751,20 0 MAIO 768.811,32 618.467,57 611.147,00 38.518,52 132.744,34 JUNHO 1.642.335,62 277.652,69 274.129,98 119.135,60 0 JULHO 604.290,92 216.568,07 216.568,07 154.963,64 90.959,25 AGOSTO 1.309.854,53 1.072.854,37 1.067.084,98 25.000,00 370.601,08 14.728,75 SETEMBRO 928.218,85 1.342.658,18 1.342.658,18 9.168,00 Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 OUTUBRO 2.197.212,20 2.436.721,03 2.433.470,14 11.440,00 44.475,49 NOVEMBRO 2.065.502,74 1.882.870,28 1.882.870,28 7.600,00 1.306,25 DEZEMBRO 3.244.297,28 1.343.091,51 1.343.091,51 3.800,00 795,50 TOTAL 16.282.650,83 12.006.703,48 11.978.123,72 47.840,00 1.339.454,92 448.731,05 (1.794.925,20) OBS. Os valores acima são relativos ao total das propriedades rurais e das contas bancárias, utilizadas em conjunto pelos quatro irmãos autuados, sendo que a cada um corresponde o percentual de 25%. Conforme o quadro acima, cujos dados foram extraídos dos demonstrativos que deram suporte ao Auto de Infração, a Fiscalização partiu de um universo de R$16.282.650,83 de créditos bancários e do total de R$ 12.006.703,48 de receitas da Atividade Rural omitidas, do qual R$ 11.978.123,72 foram alocadas como origem dos depósitos bancários. Ao final desta alocação, promovidas outras deduções, restou o valor de R$ 1.339.454,92 como base de cálculo dos depósitos bancários. Assim, toda a argumentação desenvolvida no voto condutor do acórdão recorrido, no sentido de que a Fiscalização deveria utilizar as receitas da Atividade Rural omitidas como origem para os depósitos bancários, já tinha sido levada a cabo na própria autuação, e é desse procedimento que recorre a Fazenda Nacional. Destarte, atender ao Recurso Especial da Fazenda Nacional – não considerar as receitas da Atividade Rural omitidas como origem dos depósitos bancários – equivaleria à desconstrução do próprio Auto de Infração, o que de forma alguma pode ser admitido. Releva notar que, a pretexto de corrigir uma bitributação que nunca existiu, o acórdão recorrido excluiu da exigência os depósitos bancários cuja origem, por força dessa decisão, teria sido comprovada pelas Receitas da Atividade Rural omitidas. Entretanto, como ficou demonstrado, a Fiscalização já havia adotado essa providência, de sorte que a diferença entre o total das receitas da Atividade Rural omitidas e o total que foi considerado como origem é de apenas R$ 28.579,76, enquanto que a base de cálculo remanescente dos depósitos bancários era de R$ 1.339.454,92. A Fazenda Nacional, por sua vez, não adentrou nesta particularidade, limitandose a argumentar que o acórdão recorrido não poderia ter utilizado a Receita da Atividade Rural omitida como origem para os depósitos, providência esta que, como se viu, já havia sido levada a cabo no Auto de Infração. Ainda que se pudesse adentrar a uma problemática que não foi suscitada pela recorrente – o que se admite apenas para argumentar – entendo que foi correta a conclusão do acórdão recorrido, não pela utilização das receitas omitidas como origem dos depósitos, mas pela utilização, em primeiro lugar, das receitas declaradas no Anexo da Atividade Rural, relativas à Fazenda Álamo, no total de R$ 1.794.925,20, que cobre perfeitamente os R$ 1.339.454,32 correspondentes à base de cálculo dos depósitos bancários remanescente. Ressaltese que a própria Fiscalização, ao justificar a qualificação da penalidade, deixou claro que o contribuinte somente havia declarado a receita bruta relativa à Fazenda Álamo. Por outro lado, conforme o demonstrativo acima, somente consta como receita omitida, relativamente ao citado imóvel, o valor de R$ 47.840,00, sendo que o valor constante Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15940.000123/200600 Acórdão n.º 9202002.453 CSRFT2 Fl. 1.947 9 do Anexo da Atividade Rural, repitase, é de R$ 1.794.925,20 (R$ 448.731,05 por condômino – fls. 1.632). Assim, se a própria Fiscalização admite que as receitas omitidas transitaram pelo sistema bancário – e por isso foram subtraídas da base de cálculo dos depósitos bancários – com muito mais razão é admissível que as receitas declaradas também tenham, de alguma forma, transitado pelas contas bancárias dos autuados. Isso porque não haveria sentido em fazer circular na rede bancária o que foi omitido, e não o que foi declarado. Diante do exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, NEGOLHE provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10725.000453/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2003
Para efeito da aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Ato Declaratório nº Ato Declaratório nº 4 de 20/12/2011, da Procuradora-Geral da Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-001.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Ato Declaratório nº Ato Declaratório nº 4 de 20/12/2011, da ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à Multa de Mora paga a menor, código 6337, no valor de R$ 181.087,62, e juros de mora pagos a menor, código 6623, no valor de*R$ 22.725,55, valor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 04 53 /2 00 7- 07 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10725.000453/200707 Acórdão n.º 3102001.512 S3C1T2 Fl. 152 2 referente ao pagamento em atraso da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, pertinente aos períodos de apuração 01/2003 a 05/2003 (fls. 20/42), em decorrência de auditoria interna efetuada pela DRF Campos dos Goitacazes/RJO. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado às fls. 21. Após tomar ciência da autuação em 24/04/2007 (fls. 118), a empresa autuada, apresentou a impugnação anexada às fls. 01/10, protocolada em 22/05/2007, sendo firmada a tempestividade pela autoridade administrativa às fl. 119, alegando em síntese: 1. Conforme consta do precário relato fiscal, no presente Auto de Infração, o lançamento de oficio da multa punitiva acrescida de juros, se deu em face de supostas impuntualidades no pagamento da COFINS; 2. Ocorre, no entanto, que, como será demonstrado na seqüência, a presente autuação fiscal é parcialmente insubsistente na medida que impõe ao contribuinte uma penalidade de 20% (vinte por cento) sobre o principal devido e recolhido, sem que originariamente seja devida a referida multa por força do que dispõe o art. 138 do CTN; 3. O pagamento foi efetuado espontaneamente e antes de qualquer procedimento fiscal e até mesmo antes de serem declarados em DCTF, não se pode admitir, em hipótese alguma, a exigência da presente multa e, por conseqüência, o presente lançamento de ofício diante do que dispõe o art. 138 do CTN; 4. Com efeito, e em especial a correlação entre as datas dos pagamentos efetuados e as datas em que os débitos foram declarados por meio de DCTF, resta claro que incide, no caso concreto, o art. 138, do CTN; 5. Para a melhor interpretação do presente dispositivo, fazse necessária a fixação da natureza jurídica da multa aplicada por intempestividade no recolhimento da exação, ou seja, se a mesma é punitiva ou ressarcitória; 6. O Ministro Cordeiro Guerra, julgando o RE n° 79.625, acentua que as sanções fiscais são sempre punitivas, desde que garantidos a correção monetária e os juros moratórios; 7. Pelo entendimento da Suprema Corte, não resta a mínima dúvida quanto à natureza sancionatória da multa moratória, ou seja, temos que, em nosso sistema, não há mais, após a criação da correção monetária, diferença entre multa indenizatória e multa punitiva, toda e qualquer multa é sancionatória. Portanto, a multa moratória não se distingue da punitiva e não tem caráter indenizatório, pois se impõe para apenar o contribuinte; Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10725.000453/200707 Acórdão n.º 3102001.512 S3C1T2 Fl. 153 3 8. Ora, se o art.. 138 do CTN prescreve que responsabilidade é excluída nas hipóteses em que o contribuinte, antecipandose a qualquer ação fiscal, confessa espontaneamente e paga o débito, então não há porque, nestas mesmas hipóteses, ser exigida a multa: onde não há responsabilidade, não pode haver punição, ou seja, aplicação de multa; 9. Das lições dos Mestres do Direito Tributário e dos julgados de nosso STF, concluise que o art. 161 do CTN fixa a regra geral em relação à inadimplência, enquanto o art. 138 define a exceção à esta regra, prevendo um benefício que alcança as situações nas quais o contribuinte denuncia espontaneamente o débito tributário pendente, previamente a qualquer procedimento fiscal, e efetua sua quitação; 10. Portanto, a denúncia espontânea, diante do que dispõe ao art. 138 do CTN, se acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, afasta a responsabilidade por quaisquer infrações tributárias, não podendo ser aplicada multa, tendo em vista que toda e, qualquer multa aplicada possui natureza sancionatória; 11. Como consta do próprio relato fiscal e dos anexos ao auto de infração, os valores exigidos foram pagos antes de qualquer procedimento fiscal e, como apontado anteriormente, antes mesmo dos débitos serem declarados em DCTF; 12. Como vem decidindo o STJ, reconhecendo expressamente a eficácia constitutiva da DCTF, quando o pagamento é feito antes do débito ser declarado, não que se falar em imposição de multa. Portanto, no caso concreto, incide a regra contida no art. 138 do CTN, não sendo devida a multa dita "moratória" pela Impugnante e, por conseqüência, sendo insubsistente o presente lançamento de ofício; 13. Isto posto, diante da farta jurisprudência trazida nesta peça de defesa, e do fato da Impugnante ter efetuado o pagamento antes de qualquer procedimento fiscal de cobrança e de ter pago os débitos antes da declaração dos mesmos em DCTF, resta plenamente aplicável, na hipótese, o art. 138 do CTN a ensejar a inexigibilidade de qualquer espécie de multa no pagamento efetuada pela Impugnante; 14. Diante do exposto, a Impugnante requer seja recebida a presente Impugnação, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, II, do CTN, e que seja dado provimento à mesma, para fins de se decidir pela improcedencia do lançamento ora impugnado. Junto com a petição impugnatória, o contribuinte carreou aos autos Instrumento particular da Décima Quarta Alteração Contratual de Sociedade Empresarial Ltda, DARF'S e cópia das DCTF's. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10725.000453/200707 Acórdão n.º 3102001.512 S3C1T2 Fl. 154 4 Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2003 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA Cabível multa de mora sobre valores pagos em atraso, visto que a denúncia espontânea, prevista no art. 138 do CTN, aplicase apenas às multas de lançamento de ofício, de caráter punitivo, não afetando aquelas derivadas do adimplemento da obrigação tributária fora do prazo legal. SENTENÇA JUDICIAL Não sendo parte nos litígios objetos de ações judiciais, o sujeito passivo não pode usufruir dos efeitos de sentenças prolatadas, que só possuem efeitos inter partes e não erga omnes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. É o Relatório Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Dele tomo conhecimento, portanto. A matéria em litígio, como se viu, cingese à incidência ou não de multa de mora sobre créditos tributários recolhidos espontaneamente, mas a destempo. Sobre o tema, foi editado recentemente o Ato Declaratório nº 4 de 20/12/20111 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro 1 DOU de 22 /12 /2011, p. 00036 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10725.000453/200707 Acórdão n.º 3102001.512 S3C1T2 Fl. 155 5 de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional" . Com base em tal manifestação, resta definida, a meu ver, a inaplicabilidade do art. 61, caput e §§ da Lei nº 9.430, de 19962 às hipóteses em que o recolhimento é promovido espontaneamente. 2 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10725.000453/200707 Acórdão n.º 3102001.512 S3C1T2 Fl. 156 6 Noutro giro, ainda que se considerase tal dispositivo aplicável, restaria configurada a hipótese prevista no parágrafo único, II, “a”, do art. 62 do Regimento Interno do CARF3. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro 3 Artigo 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/09/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13890.000043/2002-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000
Substituição Tributária. Gás Liquefeito de Petróleo - GLP. Ressarcimento - Impossibilidade.
A legislação que disciplinava o recolhimento da Contribuição para o PIS incidente sob a comercialização de Gás liquefeito de petróleo GLP sob o regime de substituição tributária é omissa com relação aos parâmetros que viabilizariam o ressarcimento relativo à não concretização do fato gerdor presumido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar negou-se provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000 Substituição Tributária. Gás Liquefeito de Petróleo - GLP. Ressarcimento - Impossibilidade. A legislação que disciplinava o recolhimento da Contribuição para o PIS incidente sob a comercialização de Gás liquefeito de petróleo GLP sob o regime de substituição tributária é omissa com relação aos parâmetros que viabilizariam o ressarcimento relativo à não concretização do fato gerdor presumido. Recurso Voluntário Negado.
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Gás Liquefeito de Petróleo GLP. Ressarcimento Impossibilidade. A legislação que disciplinava o recolhimento da Contribuição para o PIS incidente sob a comercialização de Gás liquefeito de petróleo GLP sob o regime de substituição tributária é omissa com relação aos parâmetros que viabilizariam o ressarcimento relativo à não concretização do fato gerdor presumido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar negouse provimento ao recurso voluntário. A Conselheira Nanci Gama votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 00 43 /2 00 2- 20 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13890.000043/200220 Acórdão n.º 3102001.539 S3C1T2 Fl. 312 2 Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) que teriam sido retidos a maior por refinaria de petróleo em substituição tributária, no valor de R$ 71.055,43. Instruem o processo o pedido de restituição de fl. 1, referente ao período de julho de 1999 a junho de 2000, as planilhas de apuração de créditos de PIS de fls. 13/15 e cópias de notas fiscais de fls. 16/167. A DRF de Ribeirão Preto, SP(SP), por meio do despacho decisório de fls. 175/182, indeferiu a solicitação da contribuinte, resumidamente, porquanto, apesar de a substituição tributária relativa às operações com GLP ter vigido entre 28/09/1999 e 30/06/2000, não há autorização normativa para o ressarcimento pleiteado, pois a Instrução Normativa SRF nº 6, de 1999, tratou apenas do ressarcimento relativo às operações com gasolina automotiva e óleo diesel. Também considerou a autoridade a quo que não consta nas notas fiscais apresentadas o valor destacado do tributo retido, conforme exigência da IN SRF nº 6, de 1999, art. 1º, § 6º. Alegou também que se o valor do tributo foi contabilizado como custo, este foi repassado ao consumidor, assim sua recuperação feriria o art. 166 do Código Tributário Nacional (CTN). Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 188/199, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição da contribuição ao PIS, alegando, em resumo, o seguinte: a) seu pedido está embasado na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 4º, parágrafo único, e na IN SRF nº 06, de 29 de janeiro de 1999, art. 2º, parágrafo único, e arts. 5º e 6º, §§ 2º ao 4º; b) a substituição tributária em relação ao GLP teve início em 09/06/1999, e não em 28/09/1999 como alegou a DRF; c) a nãocitação do GLP na IN SRF nº 06, de 29 de janeiro de 1999, se deu pelo fato de que, quando do início da substituição tributária, em relação ao GLP, prevista na MP nº 1.8586, de 29 de julho de 1999, posteriormente alterada pela MP nº 1.99118, de 09 de junho de 2000, que alterou o art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, aquela instrução já havia sido editada; d) o indeferimento de seu pedido teria ofendido a Constituição Federal de 1988, por contrariar o CTN, art. 128, bem como o art. 150 da própria Constituição e a Lei nº 9.718, de 1998, que instituiu o regime de substituição tributária para as operações com combustíveis e derivados de petróleo; e) segundo seu entendimento, a Lei nº 9.990, de 21 de julho de 2000, que alterou o art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, ao informar Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13890.000043/200220 Acórdão n.º 3102001.539 S3C1T2 Fl. 313 3 as alíquotas praticadas nessas operações com derivados de petróleo, teria autorizado as distribuidoras a deixar de destacar nas notas fiscais a base de cálculo do tributo e do valor a ser ressarcido; e f) não se aplica ao caso o disposto no art. 166 do CTN, pois a Contribuição para o PIS é sabidamente tributo de natureza direta, conforme pacífica jurisprudência. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pelo indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000 GLP. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESSARCIMENTO. Não há previsão legal para ressarcimento da contribuição incidente sobre a aquisição de gás liquefeito de petróleo no regime de substituição tributária. RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Essencialmente, acrescenta suas alegações acerca da liquidez do montante a ser restituído, sustentando que: a) a instrução normativa IN SRF nº 06, de 1999 forneceria os parâmetros de cálculo; b) a ausência de destaque do valor da contrbuição na nota fiscal de venda não seria motivo suficiente para a rejeição do pedido, pois o Fisco teria os meios para apurar qual teria sido o montante recolhido. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Como é possível extrair da leitura do relatório que antecede o presente voto, cabe a este Colegiado decidir se há respaldo normativo para o pleito de ressarcimento formulado pelo sujeito passivo, especialmente no que se refere ao cálculo do montante. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13890.000043/200220 Acórdão n.º 3102001.539 S3C1T2 Fl. 314 4 Como é cediço, a substituição tributária “para frente” foi inserida no Ordenamento Jurídico pelo § 7º do art. 150 da Constituição Federal de 1988, acrecido pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993. Diz o dispostitivo (original não destacado): § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Resta claro que o ditame constitucional, a meu ver direcionado ao legislador, determina que a legislação que instituir o regime de substituição deve assegurar a imediata e preferencial restituição dos valores recolhidos, sempre que demonstrado que um dos elos da cadeia comercial não se concretizou. Por outro lado, o art. 128 do Código Tributário Nacional pouco acrescenta: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Já no plano das lei ordinárias, especificamente no que se refere aos derivados de petróleo, diz o art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998: Art. 4ºo As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e recolher, na condição de contribuintes substituídos, as contribuições a que se refere o art. 2°, devidas , pelos distribuidores e comerciantes. varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição, será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. De se registrar que após excluir e posteriormente reincluir as vendas de GLP no regime de substituição tributária, o legislador alterou o artigo 4º acima transcrito. A partir dessa nova redação o produto litigioso passou a se sujeitar à incidência monofásica1. Publicado em março de 2000, o dispositivo novel produziu efeitos a partir de julho de 2000, face à anterioridade nonagesimal. Como é possível perceber, em qualquer das suas versões, o dispositivo legal não estabeleceu critérios para restituição dos valores eventualmente devidos em razão da não realização de uma das operações inerentes à cadeia. Aliás, não previu sequer qual seria o número de operações previstas nem o peso de cada uma das operações na estimativa da base de 1 Art. 4º. As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Servidor Público – PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I – três inteiros e vinte e cinco centésimos por cento e quinze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolina automotiva e de gás liquefeito de petróleo – GLP. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13890.000043/200220 Acórdão n.º 3102001.539 S3C1T2 Fl. 315 5 cálculo. Lembrar que o ponto de partida para tal fixação foi o preço da refinaria e não o estimado na venda para consumidor final. Assim, não vejo como presumir, por exemplo, que a não concretização de um dos elos da cadeia geraria uma restituição da fração proporcional ao número de elos suprimidos. Ou seja, se estivessem previstas quatro etapas e uma delas não se concretizasse, o montante restituído corresponderia a 25% do recolhido. Indiscutivelmente, nenhuma dessas premissas foi estabelecida. Repitase, o ato legal não previu quantas comercializações formariam a cadeia comercial nem muito menos o percentual estimado para cada uma dessas etapas. Não vejo, ademais, como presumir que a Instrução Normativa nº 06 de 1999 possa ser aplicada às operações com GLP, pois seu universo de aplicação é expressamente delimitado no próprio texto. Confirase (original não destacado): Art. 2º. As refinarias de petróleo ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, a COFINS e a contribuição para o PIS/PASEP, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas, relativamente às vendas de gasolina automotiva e de óleo diesel. Mais relevante do que a delimitação contida no art. 2º, penso, é o tratamento diferenciado estabelecido no parágrafo 2º do art. 6º da mesma IN, que trata dos parâmetros para apuração do montante a ser ressarcido. Confirase: §2ºA base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pelaIN SRF nº24/99, de 25/02/1999) § 3°O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. De fato, a legislação estabelece percentuais diferentes, de acordo com o produto tributado. Assim, a sua aplicação ao presente litígio demandaria equiparar, sem qualquer termo de comparação, o comércio de GLP com o de gasolina ou óleo diesel. Na prática, com a devida vênia, tal medida equivaleria a legislar, ação que não se insere na competência deste Colegiado. Consequentemente, diferentemente do alegado, não se trata de indeferir o pedido em razão de restrição consignada em ato normativo inferior, mas da impossibilidade de se recorrer a esse mesmo ato para acolher o pedido do sujeito passivo. De se acrescentar que eventuais previsões normativas acerca da distribuição de derivados de petróleo, a cargo da Agência Nacional de Petróleo ou outro órgão que a tenha antecedido não têm o condão de suprir lacunas da legislação tributária. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13890.000043/200220 Acórdão n.º 3102001.539 S3C1T2 Fl. 316 6 O que se verifica, portanto, é que, inobstante a determinação constitucional, quando da instituição do regime de substituição tributária nas operações envolvendo gás liquefeito de petróleo, o legislador inferior não fixou critérios para a restituição dos montantes que alegadamente deixaram de ser recolhidos, e este colegiado, repitase, não possui competência para fazêlo. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 28 de junho de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 316DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 8/10/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10845.720177/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo o ITR tributo sujeito ao lançamento por homologação, existindo pagamento antecipado, decai em cinco anos o direito para constituição do crédito tributário, contados do fato gerador (dia 1º de janeiro do ano-calendário). Regra do art. 150, §4º, do CTN. Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2202-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. Sendo o ITR tributo sujeito ao lançamento por homologação, existindo pagamento antecipado, decai em cinco anos o direito para constituição do crédito tributário, contados do fato gerador (dia 1º de janeiro do ano calendário). Regra do art. 150, §4º, do CTN. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 01 77 /2 00 8- 11 Fl. 360DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Relatório Procedimento de Fiscalização Em 16/10/2007 o recorrente foi intimado pela Fiscalização, interessada na conferência das informações prestadas nas DITRs dos anos de 2003, 2004 e 2005. Em relação ao ano de 2004, período objeto deste processo administrativo fiscal, foram requisitados os seguintes documentos: a) Cópia do Ato Declaratório Ambiental – ADA requerido junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA; b) Laudo técnico emitido por profissional habilitado, caso existisse área de preservação permanente de que trata o art. 2º da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA, identificando o imóvel rural através de memorial descritivo de acordo com o artigo 9º do Decreto 4.449 de 30 de outubro de 2002; c) Certidão de órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele estivesse inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3º da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ato do poder público que assim o declarou. d) Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Após requerer prazo adicional, a maioria dos documentos solicitados foi apresentada pelo proprietário. Notificação de Lançamento Em 15/12/08, a fiscalização lavrou notificação de lançamento em face do proprietário do imóvel rural, o qual recebeu a notificação em 05/01/09. A notificação de lançamento constituiu crédito tributário no montante de R$ 5.542.552,54, incluídos juros e multa de 75%. Seguem a Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal: Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal Fl. 361DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10845.720177/200811 Acórdão n.º 2202001.834 S2C2T2 Fl. 361 3 ART 10 PAR 1 E INC II E AL "A" L 93 93/96 Art. 14 da Lei n° 9.393, de 19/12/1996 Art. 170, § I o , da Lei n° 6.938, de 31/08/1981 Arts. 2° e 3 o da Lei n° 4.771, de 15/09/1965 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR 1 E INC I E ART 14 L 9393/96 Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002 Complemento da Descrição dos Fatos: A Declaração de ITR do sujeito passivo incidiu em Malha Fiscal, nos parâmetros Áreas Não Tributáveis e Cálculo do Valor da Terra Nua VTN . Regularmente intimado e transcorrido o prazo fixado, o interessado apresentou documentação visando comprovar os valores informados em sua declaração, objeto de análise pela Malha Fiscal do ITR. Em relação às Áreas' não Tributáveis o sujeito passivo informou na Declaração de Informação e Apuração do ITR DIAT 2004, no quadro Distribuição da Área do Imóvel, 19.790,3 ha como Área de Preservação Permanente, visando a exclusão dessa área da incidência do ITR. 0 sujeito passivo apresentou o Ato Declaratório Ambiental ADA tempestivo indicando 19.802,4 ha como Área Total do Imóvel e 19.790,3 ha como Área de Preservação Permanente. A legislação do ITR prevê que para se beneficiar da isenção do imposto sobre as áreas ambientais, fazse necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA, no prazo e condições fixados em ato normativo. 0 artigo 9°, § 3°, inciso I da Instrução Normativa SRF n° 256/2002 dispõe que as áreas não tributáveis do imóvel rural deverão ser obrigatoriamente Fl. 362DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 informadas em ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), no prazo de até seis meses, contado a partir da data final fixada para a entrega da DITR. 0 ADA está previsto na Política Nacional de Meio Ambiente Lei n° 6.938, de 31/08/1981, artigo 170, § I o , com a redação dada pelo artigo Io da Lei n° 10.165, de 27/12/2000. 0 artigo 1° da Lei n° 10.165, de 2000, que alterou a Lei n° 6.938, de 198.1, diz in verbis: Art. I o . Os arts. 17B, 17C, 17D, 17F, 17G, 17H, 171 e 170 da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) (...) § 1° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) Em relação à apresentação da Certidão do órgão público competente que comprovasse a existência da Área de Preservação Permanente, nos termos do artigo 3° da Lei Federal n" 4.771/1965 (Código Florestal), o sujeito passivo entregou uma Informação Técnica (SMA/CPLEA/DPAE n° 002/08) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo, emitida pela Coordenadoria de Planejamento Ambiental Estratégico e Educação Ambiental, responsável pelas informações a respeito das Unidades de Conservação de Uso Sustentável. Desta Informação Técnica cabe ressaltar o seguinte: que o imóvel encontrase totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar, criada pelo Decreto Estadual n° 22.717 de 21/09/1984; que a maior parte do imóvel encontrase na Zona de Vida Silvestre (conforme anexo III do referido Decreto). Após a promulgação da Lei Federal n° 9.985 de 18 de julho de 2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação SNUC) a APA Serra do Mar deveria dispor de um Plano de Manejo, conforme determina o artigo 27 do SNUC. Até a presente data da Informação Técnica o Plano de Manejo não foi elaborado, não havendo portanto normas específicas para o uso do solo na área. No ofício de encaminhamento (SMA/CPLEA n° 05/08) a conclusão é que o imóvel encontrase inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar e, em sua maior parte, em sua Zona de Vida Silvestre. Esclarece ainda que a Fl. 363DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10845.720177/200811 Acórdão n.º 2202001.834 S2C2T2 Fl. 362 5 informação versa sobre a inserção do imóvel na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar. De acordo com a legislação tributária vigente, o sujeito passivo tem direito apenas às exclusões de áreas não tributáveis previstas no Código Florestal (Lei Federal n° 4.771/65) e na Lei Federal n° 9.985/2000 (Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza SNUC), consubstanciadas na Lei Federal n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996 (artigo 10, § Io , inciso II Lei do ITR) e através da sua regulamentação no Decreto Federal n° 4.3 82, de 19 de setembro de 2002 (artigos 11 ao 15 Regulamentação do ITR). Essas áreas são: As Áreas de Preservação Permanente (artigos 2 o e 3° do Código Florestal); As Áreas de Reserva Legal (artigo 16 do Código Florestal); As Áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural (artigo 21 do SNUC); As Áreas de Interesse Ecológico (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393/1996); As Áreas de Servidão Florestal ou Ambiental (artigo 44A do Código Florestal e artigo 9A da Lei Federal n° 6.938/1981); As Áreas Cobertas por Florestas Nativas (artigo 10 da Lei Federal n° 9.393/1996). No ofício enviado pelo sujeito passivo, em resposta ao Termo de Intimação n° 08106/00001/2007, informa que os Laudos emitidos pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente atestam que o imóvel está totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental APA Serra do Mar e em Zona de Vida Silvestre sendo portanto equiparados ao artigo 3 o do Código Florestal em Área de Preservação Permanente. Em primeiro lugar, conforme já informado anteriormente, as APA não estão previstas como Áreas sujeitas à exclusão da Área Total do Imóvel, para fins de apuração do ITR. Desta forma não há o direito a isenção do ITR da Área declarada como APA conforme descrita no artigo 15 do SNUC. Em relação à informação de que o imóvel encontrase em sua maior parte em Zona de Vida Silvestre (descrita no anexo III do Decreto Estadual n° 22.717 de 21/09/1984) a Resolução Conama n°10/1988 em seu artigo 4 o dispõe que toda APA deverá ter Zona de Vida Silvestre nas quais será proibido ou regulado o uso dos sistemas naturais. Dispõe ainda que nas Zonas de Preservação de Vida Silvestre serão proibidas as atividades que importem na alteração antrópica da biota. A Lei Federal n° 9.985 de 18 de julho de 2000 (Sistema Nacional de Unidades de Fl. 364DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 Conservação da Natureza SNUC) consolidou como um tipo de Unidade de Conservação de Proteção Integral, o Refúgio de Vida Silvestre, que pode ser constituído por áreas particulares. Entretanto, o artigo 27 da mesma Lei, dispõe que as Unidades de Conservação devem ter um Plano de Manejo no prazo de cinco anos a partir da data de sua criação. O artigo 29 da mesma Lei também dispõe que as Unidades de Conservação do Grupo de Proteção Integral, deverão dispor de um Conselho Consultivo com representantes de órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e pelos proprietários de terra localizadas em Refúgio de Vida Silvestre. Conforme ressaltado na Informação Técnica (SMA/CPLEA/DPAE n° 002/08) da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Governo do Estado de São Paulo tanto a APA como a Zona de Vida Silvestre não dispõe de Plano de Manejo, não havendo portanto normas específicas para o uso do solo nessa área. Portanto para que a área de 19.790,3 ha pudesse ser excluída da base de cálculo do ITR ele deveria ser equiparada a uma Área de Preservação Permanente de acordo com o disposto no artigo 3° do Código Florestal. Conforme exposto, as Áreas de Proteção Ambiental não se equiparam, e para que a Zona de Vida Silvestre estivesse de acordo com o disposto na Lei do SNUC e equiparada a Refúgio de Vida Silvestre, deveria dispor de um Plano de Manejo e um Conselho Consultivo para estabelecer as normas específicas para o uso do solo e a preservação integral dos recursos naturais daquela área. Convém ressaltar que no estágio administrativo em que essas Unidades de Conservação (APA e Zona de Vida Silvestre) estão, não existem garantias de que o uso dos sistemas naturais serão proibidos sem alteração antrópica da biota, equiparandose assim à uma Área de Preservação Permanente (artigo 3o – Código Florestal) . Essas áreas encontramse ainda em um estágio de uso moderado e autosustentado da biota, não se caracterizando portanto como de Preservação Permanente. Quanto ao Valor da Terra Nua declarado pelo sujeito passivo foi entregue um Laudo Técnico de Avaliação com 14 amostras de imóveis para comparação com o imóvel avaliando. Os 14 imóveis amostrados têm os seguintes atributos (valores médios de toda a amostra): Área Total 260,42 ha Valor Total do Imóvel (VTI) R$ 361.400,00 VTI com fator de elasticidade da venda R$ 325.280,00 Benfeitorias R$ 276.000,00 Percentagem Benfeitorias/VTI 75,1% Percentagem Benfeitorias/ VTI com fator de elasticidade da venda 83,4% VTN Fl. 365DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10845.720177/200811 Acórdão n.º 2202001.834 S2C2T2 Fl. 363 7 190,25 ha Esses dados foram contestados pela análise na Malha Fiscal ITR pelas seguintes razões: Os imóveis amostrados tem uma Área Total sensivelmente menor que o imóvel avaliando, contrariando a Norma ABNT 14.653, a qual dispõe que as amostras devem ter semelhança com o imóvel objeto da avaliação, no que diz respeito à sua localização, à destinação e à capacidade de uso da terra; O percentual médio da razão, valor das benfeitorias em relação ao Valor Total dos Imóveis, é de 75,1%. Os VTN de cada imóvel da amostra foram calculados com o VTI com fator de elasticidade da venda, o que elevou o percentual médio dessa razão para 83,4%, fato que reduz sobremaneira o VTN dos imóveis avaliados. O Setor de Avaliação de Imóveis para a desapropriação da Superintendência do INCRA no Estado de São Paulo estimou que o percentual da relação valores de benfeitorias/VTI situase em média ao redor de 35%. Desta forma o Valor da Terra Nua declarado pelo sujeito passivo este foi contestado à vista do artigo 14 da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, transcrito a seguir: Art. 14 No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1° As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II da lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Considerando o disposto no artigo 14 da Lei n° 9.393/96, o Sistema de Preços de Terras SIPT foi instituído pela Portaria SRF n°. 447, de 28/03/02, com dados publicados pelas Secretarias Estaduais de Agricultura ou entidades correlatas. Para o imóvel objeto desta Notificação de Lançamento, localizado no município de Miracatu, o valor constante do SIPT, para o exercício de2004, está descrito na consulta a este sistema juntada aos autos. Com base nesses dados, foi então utilizado o Valor da Terra Nua VTN para o exercício 2004, em R$ 599,17 /ha, perfazendo um total deR$ 11.865.004,01 (onze milhões, oitocentos e sessenta e cinco mil, quatro reais e um centavo) conforme demonstrado abaixo: Área Total do Imóvel declarada 19.802,4 ha Fl. 366DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 VTN/ha = R$ 599,17 VTN do Imóvel = VTN/ha x Área do Imóvel VTN do Imóvel = 599,17x 19.802,4 = R$ 11.865.004,01 Desta forma, considerando o não atendimento às exigências contidas no Termo de Intimação Fiscal n° 08106/00001/2007, a seguir descriminadas: a não comprovação de que o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente, nos termos do artigo 3 o da Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal); a apresentação do Laudo de avaliação do imóvel, não conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com fundamentação e grau de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos identificados que comprovassem o Valor de Terra Nua VTN informado na Declaração do ITR DITR, lavrouse o presente lançamento de ofício, exercício 2004, alterouse o valor da terra nua declarado pelo sujeito passivo glosouse a área de 19.790,3 há relativa à Área de Preservação Permanente, em cumprimento ao art. 14 da Lei n° 9.393, de 19/12/1996. Impugnação Discordando da Notificação de Lançamento, o proprietário do imóvel apresentou, tempestivamente, impugnação (fl. 176). Os argumentos alinhados foram os seguintes: a) Ocorreu a decadência do direito do fisco de lançar de ofício o tributo, vez que o ITR é tributo com lançamento por homologação, cuja decadência é regida pelo art. 150, §4º do CTN, uma vez que foi constatado recolhimento parcial do imposto. Sendo assim, a Fazenda teria 5 anos contados do fato gerador para constituir o crédito tributário. Como o fato gerador do imposto é o 1º dia do anocalendário, o lançamento relativo ao ano de 2004 poderia ter sido efetuado até o dia 1º de janeiro de 2009. Não obstante, o contribuinte foi notificado do lançamento em 5 de janeiro de 2009, após o transcurso do prazo decadencial; b) O auto está eivado de vício insanável: ausência de assinatura do autuante; c) Há cerceamento de defesa, pois não fica claro no auto de infração qual a mecânica de arbitramento utilizada, sendo apenas informado o valor do hectare no SIPT (R$ 599,17), o que impossibilita o exercício do contraditório; d) Desconsiderar uma APA como APP é mero formalismo nominalista que impõe nova penalidade ao proprietário do imóvel, que além de não poder gozar da área, ainda a vê tributada pelo mesmo Estado que impediu sua utilização; e) O fato de a APA da Serra do Mar não dispor de um Plano de Manejo ou Conselho Consultivo não impediria a sua caracterização como uma área de preservação permanente; f) Os valores utilizados para o arbitramento destoam da realidade. Primeiro, pelo fato de terem sido utilizados valores do SIPT de apenas um dos municípios pelos quais a Fl. 367DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10845.720177/200811 Acórdão n.º 2202001.834 S2C2T2 Fl. 364 9 propriedade se estende. Segundo, por não haverem sido observadas as especificidades da propriedade, que foram levadas em conta no laudo apresentado pelo interessado; g) São inexigíveis juros sobre a multa de ofício; Acórdão de Impugnação A impugnação foi julgada pela 1ª Turma da DRJ/CGE em 11/02/2011. Os membros da Turma acordaram, por unanimidade, pela extinção do crédito tributário pelo reconhecimento da decadência, de acordo com o art. 150, §4º do CTN. Tendo extinto crédito superior a R$ 1.000.000,00, a decisão foi objeto de Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO 10 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo Foi determinado pela 1ª Turma da DRJ/CGE o Recurso de Ofício. O Acórdão de Impugnação desconstituiu o crédito tributário com base na decadência, sendo este o ponto de análise do presente voto. O aspecto temporal da hipótese normativa tributária do Imposto Territorial Rural coincide com o início de cada anocalendário. Desse modo, a extinção do direito à constituição do crédito tributário – existindo pagamento antecipado –, nessa espécie tributária, ocorre com o transcurso do lapso temporal de cinco anos contados do fato gerador (1º de janeiro), vez que se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação. Esse é o entendimento assentado no âmbito dessa Corte Administrativa, consoante demonstram a decisão abaixo transcrita: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 2ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária Acórdão nº 220200685 do Processo 10218000608200212 Data: 18/08/2010 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR EXERCÍCIO: 1998 EMENTA: ITR LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Decadência,sendo a apuração e o pagamento do itr efetuados pelo contribuinte, nos termos do artigo 10, da lei n° 9.393, de 1996, e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 01 de janeiro (art. 150, § 4° do CTN).argüição de decadência acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pelo relator, para declarar extinto o direito da fazenda nacional constituir o crédito tributário lançado. (Grifei). No caso em tela, o fato jurídicotributário ocorreu em 1º/01/04, marco a partir do qual, após cinco anos, operarseia a decadência do direito da Fazenda de lançar de ofício, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, vez que houve pagamento parcial antecipado pelo contribuinte. A autoridade possuía prazo de cinco anos para efetuar o lançamento a partir do fato gerador, logo, poderia têlo feito até 1º/01/09. Não obstante, o proprietário foi notificado do lançamento somente em 05/01/09. Deste modo, não restam dúvidas de que já havia precluído o direito da Fazenda Nacional para constituir o crédito tributário. Sendo assim, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 369DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10845.720177/200811 Acórdão n.º 2202001.834 S2C2T2 Fl. 365 11 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10467.720360/2011-69
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
MULTA QUALIFICADA - A prática de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador mediante a falta de apresentação de DIPJ/2007, a falta de apresentação de livros e documentos fiscais aliada à constatação de atividade durante o período fiscalizado e à ausência da pessoa jurídica no domicilio tributário, constituem fatos que evidenciam o intuito de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, pelo que se impõe a multa de 150% sobre a totalidade do tributo lançado de ofício.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS - MATÉRIA SUMULADA - Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN.
LANÇAMENTOS REFLEXOS - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1802-001.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 MULTA QUALIFICADA - A prática de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador mediante a falta de apresentação de DIPJ/2007, a falta de apresentação de livros e documentos fiscais aliada à constatação de atividade durante o período fiscalizado e à ausência da pessoa jurídica no domicilio tributário, constituem fatos que evidenciam o intuito de impedir ou retardar o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, pelo que se impõe a multa de 150% sobre a totalidade do tributo lançado de ofício. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS - MATÉRIA SUMULADA - Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
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INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS TRIBUTÁRIAS MATÉRIA SUMULADA Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS CSLL, PIS e COFINS. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 03 60 /2 01 1- 69 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José De Oliveira Ferraz Corrêa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório CIPAM COMPANHIA PARAIBANA DE MATÉRIAS PRIMAS LTDA, já qualificada nos autos, recorre a este colegiado da decisão de primeira instância que julgou procedente os lançamentos dos tributos relativos aos anos calendário de 2006, consubstanciados nos seguintes autos de infração, acompanhados de seus Demonstrativos e Termo de Verificação Fiscal Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 10.769,38, acrescido de multa de ofício 150% e juros de mora, fl.926; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$ 4.846,22 , acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora, fl.937; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$ 13.461,71, acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora, fl.942; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep, no valor de R$ 2.916,69, acrescido de multa de ofício de 150% e juros de mora, fl.932; Por bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (fls.1.010/1.018) que a seguir transcrevo: Os referidos autos de infração são decorrentes do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou a infração RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) – REVENDA DE MERCADORIAS. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos respectivos autos de infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 949/973), a autoridade autuante descreve detalhadamente todas as informações concernentes ao procedimento fiscal e relata as apurações efetuadas nesta auditoria que passamos a resumir abaixo: DA AÇÃO FISCAL O relato ora apresentado concentrarseá naquelas constatações que revelaram a ocorrência fática das hipóteses de incidência dos tributos lançados no presente encerramento parcial, bem como as circunstâncias caracterizadoras do envolvimento e do interesse comum das pessoas físicas MANUEL BATISTA DE MELO, CPF 685.010.48887 e ADRIANO FERRAZ GOMES, Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.720360/201169 Acórdão n.º 1802001.401 S1TE02 Fl. 3 3 CPF 775.835.90434, incluídas no pólo passivo da relação jurídico tributária ora estabelecida, na condição de sujeitos passivos solidários, por força do art. 124, I, da Lei nº 5.172/1966. A CIPAM COMPANHIA PARAIBANA DE MATÉRIAS PRIMAS LTDA foi constituída em 22/03/2005, constando registradas na JUCEP duas alterações contratuais para modificação do quadro societário, sendo o atual composto pelos Srs.FRANCISCO DE ASSIS FÉLIX DE LIMA, CPF 031.950.47438, e OTACÍLIO NEVES, CPF 107.410.48892, sendo deste último a responsabilidade pela administração da sociedade. Para o ano calendário 2006, o sujeito passivo encontrase omisso em relação às declarações obrigatórias, bem como não efetuou qualquer pagamento relativo aos tributos devidos, conforme consulta aos sistemas informatizados da RFB (fls. 923/925). Entrementes, constam informações nas bases de dados da RFB que indicam que o sujeito passivo auferiu receitas de vendas de mercadorias na ordem de R$ 5.842.964,42, conforme informações prestadas por alguns de seus clientes em suas DIPJ. Também constam informações, de acordo com a base de cálculo da CPMF, de que a contribuinte movimentou o montante de R$ 2.071.694,70. Adicionalmente, com base nas informações fornecidas pela Secretaria de Estado da Receita do Estado da Paraíba, o sujeito passivo informou a realização de vendas que totalizaram, em 2006, o valor de R$ 917.059,00. Outrossim, em procedimento fiscal realizado pela DRF/Passo Fundo/RS junto à empresa Fuga Couros S/A, CNPJ 91.302.349/001296 (FUGA COUROS), foram identificadas notas fiscais emitidas pela CIPAM. Constatação esta que motivou a informação fiscal constante às fl. 209/214. DO PROCEDIMENTO FISCAL Afim de cientificar o sujeito passivo do início do procedimento fiscal em tela, foi constatado, conforme termo à fl. 5, que ele não estava estabelecido no domicílio fiscal informado no seu cadastro CNPJ. Por meio de circularização, foi verificado que o sujeito passivo, representado pela Sra. JOSEFA ADELÔNIA PEDONE DE SOUSA, CPF 133.155.66860, a qual posteriormente viria integrar o seu quadro societário, firmou contrato de locação referente ao imóvel de que trata o seu domicílio fiscal. Nessa transação, um dos fiadores foi o Sr. MANUEL BATISTA DE MELO, CPF 685.010.48887 (MANUEL BATISTA), então sócio do sujeito passivo (fls. 13 a 18). Ato contínuo, os clientes do sujeito passivo, que informaram à RFB a realização de operações de aquisição de mercadorias junto a ele, foram intimados a apresentar as notas fiscais pertinentes a tais operações, a saber: (i) Campelo Indústria e Comércio Ltda, CNPJ 14.644.957/000147 (fls. 61 e 62); (ii) Vitapelli S/A, CNPJ 03.582.844/000186 (fls. 180 e 181); (iii) Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Curtume Incopol Ltda, CNPJ 89.743.314/000198 (fls. 497 e 498); e (iv) Curtume Posada Ltda, CNPJ 89.183.529/000100 (fls. 549 e 550). Além destes, também foi intimada a empresa Fuga Couros S/A, CNPJ 91.302.349/001296, em razão da constatação realizada pela DRF/Passo Fundo/RS, cujo respectivo Termo de Intimação e ciência constam às fls. 215 e 216. Essas pessoas jurídicas apresentaram as cópias das notas fiscais solicitadas, o que veio a evidenciar a realização de vendas de mercadorias pelo sujeito passivo. Em 09/06/2010, foi emitida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) nº 04.3.01.002010000471 (fls. 7 a 9), com base na qual foram requisitados documentos bancários relativos aos dados cadastrais e às operações realizadas pelo sujeito passivo junto ao Banco Bradesco S/A (Bradesco). Em 15/09/2010, após intimado, o Sr. GLAUTHER ADRIANO AZEVEDO DA SILVA, CPF 822.164.10497, compareceu à DRF/JPA, ocasião em que foram tomadas a termo as suas declarações acerca do seu relacionamento com o sujeito passivo (fls.630/631). Em 21/09/2010, o Sr. GLAUTHER foi intimado a identificar e comprovar a natureza dos lançamentos bancários à conta nº 9.7063, agência nº 09067, Bradesco (fls. 618/626). Em 21/09/2010, foi solicitado à Secretaria de Estado da Receita do Estado da Paraíba as cópias das GIM, apresentadas pelo sujeito passivo no ano calendário de 2006, e o detalhamento das notas fiscais de entradas e saídas (fls. 37/52). Em seguida a autoridade fiscal intimou e realizou diligências em diversos beneficiários de pagamentos realizados pela CIPAM, identificados com base nos extratos bancários, os quais encontramse relacionados no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 952/953. Da análise da documentação bancária enviada pelo Bradesco, às fls. 604 à 617, relativamente aos dados cadastrais, foi possível verificar que: a) existem 03 contas bancárias de titularidade do sujeito passivo: 1) conta corrente nº 9.7063, agência 09067 (Santa Cruz – RN); 2) conta corrente nº 9.3866, agência 2.1598 (Sapé – PB); e 3) conta corrente nº 13.6271, agência 2.3019 (Praia de Tambaú, João Pessoa – PB); b) a conta corrente nº 9.7063 foi aberta em 29 de maio de 2006. Os representantes são UNIAS MANGUEIRA e JOSEFA ADELÔNIA. Consta procuração em favor do Sr. GLAUTHER ADRIANO (fl. 627),lhe conferindo amplos poderes para movimentar essa contacorrente. DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA CURTUME POSADA Conforme mencionado, vários clientes do sujeito passivo foram intimados a apresentar as notas fiscais de vendas de mercadorias emitidas por ele, bem como a informar as características das quitações dessas operações comerciais e as pessoas que o teriam representado em tais ocasiões. Entrementes, apenas as operações realizadas com o cliente CURTUME POSADA representaram fatos geradores do IRPJ e reflexos que resultaram no crédito tributário objeto do presente Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.720360/201169 Acórdão n.º 1802001.401 S1TE02 Fl. 4 5 encerramento parcial. Por esta razão, as informações ora apresentadas se referirão exclusivamente a esse cliente. A CURTUME POSADA informou, em sua DIPJ pertinente ao ano calendário de 2006, compras de mercadorias junto ao sujeito passivo que totalizaram R$ 448.724,42. Após intimação, a CURTUME POSADA apresentou as cópias das notas fiscais (fls. 65 a 72) relacionadas na Tabela 1(fls. 955). Posteriormente, em 04 de outubro de 2010, a CURTUME POSADA foi intimada a informar as características da quitação de cada uma das compras de que tratam as notas fiscais acima relacionadas, bem como a informar quais as pessoas que representaram o sujeito passivo em tais transações comerciais (fls. 73 a 76). Em resposta datada em 08 de novembro de 2010, à fl. 77, a CURTUME POSADA apresentou as cópias dos comprovantes de pagamento, constante às fls. 78 a 102, relativos àquelas compras. Outrossim, nessa ocasião informou que a pessoa que representara o sujeito passivo naquelas operações fora o Sr. ADRIANO FERRAZ. Em razão dessa informação, o Sr. ADRIANO FERRAZ foi intimado, por meio do Termo de Constatação e Intimação lavrado em 30 de dezembro de 2010, a prestar esclarecimentos sobre essa situação (fls. 103 a 105). O Sr. ADRIANO FERRAZ, em resposta datada em 04 de fevereiro de 2011 (fl.106), informou que, de fato, vendera o couro para a CURTUME POSADA, couro que fora comprado do Sr. MANUEL BATISTA. Informou também que este, na ocasião dessa compra, falara que a sua empresa, a CIPAM, detinha um incentivo fiscal, razão pela qual, para aquelas vendas, foram emitidas as notas fiscais da CIPAM e informou ainda que o recebimento de tais vendas se deu por meio da sua empresa a Profana Confecções Ltda e em seu próprio nome. Outrossim, o Sr. ADRIANO FERRAZ informou que o pagamento da mercadoria adquirida do Sr. MANUEL BATISTA ocorreu por meio de dinheiro em espécie e depósito bancário realizado na conta corrente nº 109371, agência 23019, Bradesco. Com base nas notas fiscais obtidas junto à CURTUME POSADA, foram apuradas as receitas brutas mensais auferidas pelo sujeito passivo no ano calendário 2006, conforme evidenciado a Tabela 2, abaixo: Tabela 2 – Receitas Auferidas AC 2006 – Apuração Parcial (em R$) Meses Total Mensal Julho 25.535,90 Agosto 367.444,59 Setembro 55.743,93 Total 448.724,42 Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 DA APURAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E REFLEXOS(PARCIAL) O sujeito passivo não foi localizado em seu domicílio fiscal e por esta razão foi declarada inapta a sua inscrição no CNPJ. Também por esta razão, a ciência do início do presente procedimento fiscal se deu via edital, ocasião em que o sujeito passivo foi intimado a apresentar os livros da sua escrituração comercial e fiscal. Intimação esta que não foi atendida. Foram empreendidas diligências com intuito de localizar as pessoas responsáveis pelo sujeito passivo. Os atuais sócios foram localizados, entretanto, informaram desconhecer a suas participações no quadro societário do sujeito passivo. Já os sócios anteriores não foram localizados. O que se verifica desse quadro, é a impossibilidade de apuração do lucro real, ou presumido, com base nos livros da escrituração comercial ou fiscal, uma vez que, apesar de devidamente intimado para apresentálas, o sujeito passivo não o fez, configurando, assim, a hipótese de arbitramento do lucro de que trata art. 47, III, da Lei nº 8.981/1995. Assim sendo, em razão da inexistência da confissão de dívida dos créditos tributários decorrentes das receitas evidenciadas na Tabela 2, bem como de o sujeito passivo não ter apresentado a sua escrituração contábil e fiscal, constatouse a omissão daquelas receitas, sujeitandoas ao tratamento tributário e respectivo lançamento de ofício do Imposto de Renda, de que tratam os artigos 532, 537 e 841, VI, do RIR/99 e artigo 24, da Lei nº 9.429/1995. Outrossim, em razão das infrações verificadas, foram efetuados os lançamentos de ofício da CSLL, do PIS e da COFINS, em observância ao disposto nos art. 24, § 2 , da Lei nº 9.249/1995, art. 28, da Lei nº 9.430/1996 e art. 91, do Decreto nº 4.524/2002, uma vez que aquelas receitas omitidas também deveriam ter sido computadas na determinação das bases de cálculo dessas contribuições. Consta a Tabela 3 Consolidação da Apuração do Imposto de Renda e Contribuições Devidos (em R$), às fls. 957/958. A autoridade fiscal, em seguida, no item 7 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 949/973), tratou da caracterização da evasão fiscal, realizando descrição pormenorizada de seus fundamentos. Desse modo, tendo em vista a verificação da ocorrência de fraude, sonegação e conluio, é imperativa a imposição da multa qualificada de 150% sobre o quantum do tributo apurado, nos termos do art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Outrossim, em razão das condutas e fatos apurados no curso do presente procedimento fiscal, em tese, se ajustarem às infrações previstas no art. 1º, incisos I e II, e no art. 2º, inciso I, da Lei nº 8.137/1990, foi formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais nos termos da Portaria RFB nº 665, de 24 de abril de 2008. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.720360/201169 Acórdão n.º 1802001.401 S1TE02 Fl. 5 7 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA – MANUEL BATISTA DE MELO, CPF 685.010.48887 (fls. 975/979) O Sr. MANUEL BATISTA, ao lado do Sr. JOSÉ FELINTO FURTADO, CPF 302.645.70430 (JOSÉ FELINTO), integrou o quadro social primitivo do sujeito passivo. Todavia, foi possível verificar que, apesar de não mais figurar no quadro societário do sujeito passivo desde 06 de abril de 2006, o Sr. MANUEL BATISTA era quem efetivamente desenvolvia, direta ou indiretamente, as atividades comerciais realizadas em nome sujeito passivo. Conforme detalhado no TVF, cópia anexa, os aspectos subjetivos dos sócios que ingressaram a partir da primeira alteração social se revelaram inconsistentes no que tange à capacidade econômica destes para desenvolver uma atividade comercial do porte da verificada para o sujeito passivo. Foram eles: UNIAS MAGUEIRA e JOSEFA ADELÔNIA que não foram localizados nos domicílios fiscais informados à Receita Federal; FRANCISCO DE ASSIS e OTACÍLIO NEVES que são trabalhadores rurais e residem em moradias muito simples, com baixa escolaridade. Os atos praticados por estes, basicamente, se resumiram a outorgas de poderes a terceiros, principalmente em nome do Sr. MANUEL BATISTA, para representálos ou representar o sujeito passivo perante clientes e órgãos públicos. Em 29 de maio de 2006, foi aberta a conta corrente Bradesco nº 9.7063, agência 09067 (Santa Cruz – RN) em nome do sujeito passivo. Já neste ato, o Sr.GLAUTHER ADRIANO foi constituído procurador do sujeito passivo com amplos poderes para movimentar a citada conta corrente. Conforme declarado pelo Sr. GLAUTHER ADRIANO AZEVEDO SILVA, CPF 822.164.10497, a citada conta corrente fora aberta pelo Sr. MANUEL BATISTA com a finalidade de que este efetuasse os pagamentos das vendas de couro que ele intermediava. Declarou ainda que o Sr. MANUEL BATISTA lhe fornecera talões de cheques para realizar as retiradas de recursos da conta corrente em questão. Posteriormente, mais duas contas correntes foram abertas, as de nº 13.6271 e nº 9.3866, para as quais o Sr. MANUEL BATISTA figura na condição de representante do sujeito passivo. Em tais contas, conforme a documentação bancária fornecida pelo Bradesco, o Sr. MANUEL BATISTA era quem efetivamente realizava a movimentação financeira relativa à emissão de cheques e saques em dinheiro. De acordo com as informações e documentação obtidas junto a clientes do sujeito passivo, o Sr. MANUEL BATISTA representou o sujeito passivo quando da realização das operações comerciais. Outrossim, em alguns casos, ele teria efetuado cessões dos créditos decorrentes daquelas operações em favor de terceiros. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Entre essa informações, merece destaque a fornecida pela Curtume Posada Ltda, CNPJ 89.183.529/000100. Essa pessoa jurídica apresentou as cópias dos comprovantes dos pagamentos relativos às compras realizadas junto ao sujeito passivo e informou que a pessoa que o representara o em tais operações fora o Sr. ADRIANO FERRAZ. Em sua resposta, o Sr. ADRIANO FERRAZ, por seu turno, informou que, de fato, vendera o couro para a Curtume Posada Ltda, couro que fora comprado do Sr.MANUEL BATISTA. Informou também que este, na ocasião dessa compra, lhe falara que o sujeito passivo detinha um incentivo fiscal, razão pela qual, para aquelas vendas, foram emitidas as notas fiscais deste. Além disso, o Sr. ADRIANO FERRAZ informou que o pagamento da mercadoria adquirida do Sr. MANUEL BATISTA ocorreu por meio de dinheiro em espécie e depósito bancário realizado na conta corrente nº 109371, agência 23019, Bradesco. Verificouse a realização de diversas operações comerciais realizadas em nome do sujeito passivo, mas que, na verdade, foram realizadas por terceiros. De um lado o Sr.MANUEL BATISTA comercializou o couro sem a emissão de qualquer documento fiscal e, dispondo de uma sociedade composta por interpostas pessoas que, inclusive, gozava de um incentivo fiscal para fins do ICMS, ofereceu o manto da personalidade jurídica dessa sociedade para ocultar a real participação do Sr. ADRIANO FERRAZ nas operações de venda de couro para a Curtume Posada Ltda. De acordo com o art. 124, I, da Lei nº 5.172/1966, devem ser solidariamente obrigadas em relação ao adimplemento da obrigação tributária principal,aquelas pessoas que “tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador” dessa obrigação. Dessa forma, à luz das circunstâncias verificadas, cujo detalhamento é apresentado no TVF em anexo, fica demonstrada a efetiva participação do contribuinte MANUEL BATISTA DE MELO nas operações comerciais realizadas em nome do sujeito passivo, indicando, portanto, o seu interesse comum em tais operações, de maneira que se torna imperativa a sua inclusão, na condição de sujeito passivo solidário, no pólo passivo da relação jurídico tributária estabelecida em decorrência do crédito tributário constituído por meio do lançamento parcial consubstanciado nos autos de infração. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA – ADRIANO FERRAZ GOMES, CPF 775.835.90434 (fls. 981/983) O AuditorFiscal obteve, no curso do procedimento fiscal, elementos que caracterizam a participação e o interesse comum do Sr. ADRIANO FERRAZ GOMES, CPF 775.835.90434, nas operações realizadas em nome da empresa CIPAM COMPANHIA PARAIBANA DE MATERIAS PRIMAS LTDA, CNPJ 07.302.101/000166, no ano calendário 2006, das quais resultaram os créditos tributários objeto dos lançamentos parciais consubstanciados nos autos de infração de que trata o presente processo administrativo fiscal. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.720360/201169 Acórdão n.º 1802001.401 S1TE02 Fl. 6 9 Os elementos obtidos no curso do procedimento fiscal apontaram a realização de ações desenvolvidas com o fito de evadir tributos utilizando a personalidade jurídica do sujeito passivo para a sua efetivação, a qual fora disponibilizada pelo Sr. MANUEL BATISTA DE MELO, CPF 685.010.48887 (MANUEL BATISTA). A consecução dessas ações redundou em várias ramificações que envolveram grupos distintos de pessoas que compartilhavam interesses comuns claramente delimitados, dentre elas figurou o Sr. ADRIANO FERRAZ, conforme evidenciado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), cuja cópia encontrase anexa, e sintetizado adiante. A pessoa jurídica Curtume Posada Ltda, CNPJ 89.183.529/000100, em sua DIPJ pertinente ao ano calendário de 2006, informou compras de mercadorias junto ao sujeito passivo que totalizaram R$ 448.724,42. Intimada, ela apresentou as respectivas notas fiscais e os comprovantes de pagamentos vinculados a esses documentos, bem como informou que a pessoa que representara o sujeito passivo naquelas operações fora o Sr. ADRIANO FERRAZ. Intimado a prestar esclarecimentos sobre essa informação, o Sr.ADRIANO FERRAZ, em sua resposta, reconheceu que, de fato, vendera o couro para a Curtume Posada Ltda, couro este comprado do Sr. MANUEL BATISTA. Informou ainda que, na ocasião dessa compra, o Sr. MANUEL BATISTA lhe informara que a sua empresa, a CIPAM, detinha um incentivo fiscal, razão pela qual, para aquelas vendas para a Curtume Posada Ltda, foram emitidas as notas fiscais da CIPAM. Outrossim, o Sr. ADRIANO FERRAZ informou que o pagamento da mercadoria adquirida do Sr. MANUEL BATISTA ocorreu por meio de dinheiro em espécie e depósito bancário realizado na conta corrente nº 109371, agência 23019, Bradesco. A resposta fornecida pelo Sr. ADRIANO FERRAZ vai ao encontro da situação caracterizada pelo conjunto probatório coligido ao longo do procedimento fiscal,sintetizando a percepção de utilização da personalidade jurídica do sujeito passivo para ocultar a participação de terceiros na realização de operações comerciais. De um lado o Sr. MANUEL BATISTA comercializou o couro sem a emissão de qualquer documento fiscal e, dispondo de uma sociedade composta por interpostas pessoas que, inclusive, gozava de um incentivo fiscal para fins do ICMS, ofereceu o manto da personalidade jurídica dessa sociedade para ocultar a real participação do Sr. ADRIANO FERRAZ nas operações de venda de couro para a Curtume Posada Ltda. De acordo com o art. 124, I, da Lei nº 5.172/1966, devem ser solidariamente obrigadas em relação ao adimplemento da obrigação tributária principal, aquelas pessoas que “tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador” dessa obrigação. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Dessa forma, à luz das circunstâncias verificadas, cujo detalhamento é apresentado no TVF, cópia anexa, fica demonstrada a efetiva participação do contribuinte ADRIANO FERRAZ GOMES nas operações comerciais realizadas em nome do sujeito passivo, indicando, portanto, o seu interesse comum em tais operações, de maneira que se torna imperativa a sua inclusão, na condição de sujeito passivo solidário, no pólo passivo da relação jurídicotributária estabelecida em decorrência dos créditos tributários constituídos por meio dos lançamentos parciais consubstanciados nos autos de infração. DA IMPUGNAÇÃO AOS AUTOS DE INFRAÇÃO De início, observase que a empresa CIPAM COMPANHIA PARAIBANA DE MATERIAS PRIMAS LTDA e MANUEL BATISTA DE MELO não apresentaram impugnação. Após ter ciência dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária, ADRIANO FERRAZ GOMES, CPF 775.835.90434, apresentou impugnação aos mesmos (fls. 987/1000), apresentando, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito: inicialmente, é indispensável distinguir o interesse comum no resultado da operação com o interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador. O Impugnante em momento algum participou dos lucros auferidos pelo sujeito passivo primitivo, sem margem para dúvidas, a operação foi realizada exclusivamente entre os sujeitos tributários naturais (comprador e vendedor). Ora, se o impugnante não participou dos lucros da CIPAM, dessa forma, não há como lhe impor a sujeição passiva do Imposto de Renda e da Contribuição Social, uma vez que a situação do fato gerado é exclusiva da CIPAM; frente ao exposto, considerando que o interesse comum das pessoas não é relevado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador e, principalmente, considerando que é indispensável a participação comum do agente solidário nos resultados, não há como prosperar a presente autuação, motivo pelo qual, o Impugnante, requer, desde já, que seja julgado nulo por vício processual insanável o auto/notificação objeto do presente recurso, sendo a multa dele decorrente cancelada, bem como os seus respectivos registros; invoca o Impugnante o Princípio Constitucional da Vedação do Confisco que descortina a impossibilidade do fisco exigir ou cobrar tributo ou os seus acessórios deforma tão onerosa que chegue a ponto de aniquilar o evento econômico praticado pelo contribuinte, verba gratia, imaginese a hipótese do contribuinte ter que recolher um tributo no montante quase equivalente ao valor que lhe deu causa. Com efeito, o mesmo raciocínio se aplica às multas. Como se facilmente se constata no Demonstrativo dos valores que compõem o Débito ora sob exame, vêse que o valor da multa aplicada perfaz o percentual de 150,00% do valor do crédito principal, caracterizando nitidamente o seu caráter confiscatório, o que não pode ser concebido de forma alguma, Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.720360/201169 Acórdão n.º 1802001.401 S1TE02 Fl. 7 11 conforme vasta jurisprudência consolidada pelo Supremo Tribunal Federal STF. O Impugnante transcreveu vários acórdãos de decisões judiciais. O Impugnante requereu: a) o acolhimento das preliminares suscitadas, para, em apreciando os vícios nelas apontados ter como nulo o processo fiscal em seu todo, via de conseqüência, decretar a nulidade dos autos de infração ora impugnados; b) o acolhimento das razões fáticas e meritórias para julgar TOTALMENTE IMPROCEDENTES os Autos de Infração ora vergastados; c) ALTERNATIVAMENTE, se esse não for o entendimento de V. Exas, que seja procedida a perícia contábil requerida na resistência inicial a fim de se expurgar o excesso da multa qualificada dos autos em tela. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendo os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, mediante o Acórdão nº 1135.626, de 30/11/201, da 4ª Turma da DRJ/Recife/PE (fls.1.009/1.022), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2006 OMISSÃO DE RECEITAS. A diferença apurada em procedimento fiscal entre o total de receitas auferidas pela pessoa jurídica e o valor contabilizado caracteriza omissão de receitas. ARBITRAMENTO DO RESULTADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. BASE DE CÁLCULO. A não apresentação da escrituração contábil acarreta o arbitramento do resultado tributável, com base nos créditos registrados nos extratos bancários. Não foram comprovadas as origens e razão dos créditos bancários. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Correta a sujeição passiva solidária imputada às pessoas físicas que tenham interesse comum nas atividades da empresa e conseqüentemente na situação que gerou a obrigação tributária. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 A pessoa jurídica, apesar de não haver apresentado impugnação, foi cientificada da mencionada decisão mediante o Edital afixado em 27/12/2011 e desafixado em 11/01/2012 e, o Sr. Adriano Ferraz Gomes foi cientificado da mencionada decisão (comunicação com intimação) em 02/01/2012, conforme Aviso de Recebimento – AR, sendo que somente este último postou recurso voluntário, em 25/01/2012, no qual, apresenta os mesmos argumentos expendidos na impugnação, acima relatados, portanto, desnecessário repetilos. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora Conforme relatado, a pessoa jurídica autuada CIPAM COMPANHIA PARAIBANA DE MATERIAS PRIMAS LTDA, e o coobrigado Sr. MANUEL BATISTA não apresentaram impugnação nem recurso aos Autos de Infração. Portanto, apenas o coobrigado Sr. ADRIANO FERRAZ GOMES, CPF nº 775.835.90434, apresentou defesa em primeira instância e em sede recursal, insurgindose contra o Termo de Sujeição Passiva Solidária, em que foi incluído no pólo passivo da relação jurídico tributária consubstanciada nos autos de infração, e contra o lançamento no que diz respeito à multa qualificada. O Recurso Voluntário apresentado é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Quanto à multa de 150%, o Recorrente nada alega para contradizer os fatos geradores e as circunstâncias da autuação narrados pela auditoria fiscal. Consta da consulta aos sistemas informatizados da RFB (fls. 923/925) que a pessoa jurídica para o ano calendário 2006, encontrase omissa em relação às declarações obrigatórias, bem como não efetuou qualquer pagamento relativo aos tributos devidos. A fim de cientificar do início do procedimento fiscal em tela foi constatado conforme termo à fl.5 que a pessoa jurídica não estava estabelecida no domicílio tributário informado no seu cadastro CNPJ. Pelos fatos demonstrados no Termo de Verificação Fiscal acima relatados, é de se concordar com o autor do feito fiscal e com a decisão de primeira instância, ao qualificar a conduta dolosa da recorrente, vejamos: O sujeito passivo não foi localizado em seu domicílio fiscal e por esta razão foi declarada inapta a sua inscrição no CNPJ. Também por esta razão, a ciência do início do presente procedimento fiscal se deu via edital, ocasião em que o sujeito passivo foi intimado a apresentar os livros da sua escrituração comercial e fiscal. Intimação esta que não foi atendida. Foram empreendidas diligências com intuito de localizar as pessoas responsáveis pelo sujeito passivo. Os atuais sócios foram localizados, entretanto, informaram desconhecer a suas participações no quadro societário do sujeito passivo. Já os sócios anteriores não foram localizados. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.720360/201169 Acórdão n.º 1802001.401 S1TE02 Fl. 8 13 O que se verifica desse quadro, é a impossibilidade de apuração do lucro real, ou presumido, com base nos livros da escrituração comercial ou fiscal, uma vez que, apesar de devidamente intimado para apresentálas, o sujeito passivo não o fez, configurando, assim, a hipótese de arbitramento do lucro de que trata art. 47, III, da Lei nº 8.981/1995. Assim sendo, em razão da inexistência da confissão de dívida dos créditos tributários decorrentes das receitas evidenciadas na Tabela 2, bem como de o sujeito passivo não ter apresentado a sua escrituração contábil e fiscal, constatouse a omissão daquelas receitas, sujeitandoas ao tratamento tributário e respectivo lançamento de ofício do Imposto de Renda, de que tratam os artigos 532, 537 e 841, VI, do RIR/99 e artigo 24, da Lei nº 9.429/1995. Outrossim, em razão das infrações verificadas, foram efetuados os lançamentos de ofício da CSLL, do PIS e da COFINS, em observância ao disposto nos art. 24, § 2 , da Lei nº 9.249/1995, art. 28, da Lei nº 9.430/1996 e art. 91, do Decreto nº 4.524/2002, uma vez que aquelas receitas omitidas também deveriam ter sido computadas na determinação das bases de cálculo dessas contribuições. Consta a Tabela 3 Consolidação da Apuração do Imposto de Renda e Contribuições Devidos (em R$), às fls. 957/958. A autoridade fiscal, em seguida, no item 7 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 949/973), tratou da caracterização da evasão fiscal, realizando descrição pormenorizada de seus fundamentos. Desse modo, tendo em vista a verificação da ocorrência de fraude, sonegação e conluio, é imperativa a imposição da multa qualificada de 150% sobre o quantum do tributo apurado, nos termos do art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Do material probatório carreado aos autos, concluise que a prática de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador mediante a falta de apresentação de DIPJ/2007, a falta de apresentação de livros e documentos fiscais aliada à constatação de atividade durante o período fiscalizado e à ausência da pessoa jurídica no domicilio tributário, constituem fatos que evidenciam o intuito de fraude e implica qualificação da multa de ofício. Os fatos acima foram suficientes para qualificar a conduta dolosa da pessoa jurídica, pois demonstram o intuito de impedir ou no mínimo de retardar o conhecimento do fato gerador por parte da administração tributária, e, que para conduta assim descrita deve ser aplicada a multa qualificada, no percentual de 150%, nos moldes do § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 ....................................................................................................... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) No que tange ao aspecto confiscatório da multa alegado pelo recorrente, a exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo a esse órgão do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 desse E.Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Quanto à responsabilidade tributária, o Recorrente alega que não participou dos lucros auferidos pelo sujeito passivo e que, a operação foi realizada exclusivamente entre os sujeitos tributários naturais (comprador e vendedor). Desse modo, se não participou dos lucros da CIPAM, não há como lhe impor a sujeição passiva do Imposto de Renda e da Contribuição Social, uma vez que a situação do fato gerador é exclusiva da CIPAM. Diz o Recorrente que, se tratando de autuação com base no arbitramento do Imposto de Renda IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, é evidente que o interesse comum a ser avaliado no presente caso é a aquisição de disponibilidade econômica, isto é, a obtenção de lucro por parte das pessoas cujo suposto interesse comum é imputado e, respectivamente, a obtenção de receita tributável pelas supramencionadas contribuições. O Código Tributário Nacional, define “contribuinte”, como o sujeito passivo que tem relação direta com o fato da norma hipotética tributária, e, denomina de “responsável” todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser “contribuinte”, compondo essas espécies o gênero de “sujeito passivo” – arts. 121 e 128 do CTN. O conceito, de “responsabilidade tributária” não se confunde com o de “sujeição passiva tributária”, haja vista que esta surge com a ocorrência do fato jurídico tributário, enquanto que a responsabilidade somente vem ao mundo jurídico quando a pretensão tributária tornase exigível, salvo no caso da responsabilidade por substituição que se equipara à sujeição passiva tributária, por previsão legal. Conforme explicitado acima, há distinção entre o conceito de “responsabilidade tributária” que não se confunde com o de “sujeição passiva tributária”. A responsabilidade do administrador infrator inserese em relação jurídica de garantia, portanto, independe de acréscimo do patrimônio do responsável tributário que, acaso verificado, restaria configurada outra relação jurídica com a ocorrência do fato jurídico tributário. Todavia a alegação do recorrente de que não participou da lucratividade da CIPAM é incoerente com a realidade dos fatos sintetizada na decisão recorrida, fl.1.020, não contestada pelo Recorrente, onde resta demonstrado que o Recorrente representou a pessoa jurídica e sob seu manto realizou negócio com fins lucrativos, vejamos: No presente caso em discussão, Sr. ADRIANO FERRAZ GOMES, CPF 775.835.90434, tinha interesse comum nos Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10467.720360/201169 Acórdão n.º 1802001.401 S1TE02 Fl. 9 15 negócios da empresa, conforme se depreende dos seguintes fatos relatados pela autoridade fiscal: A pessoa jurídica Curtume Posada Ltda, CNPJ 89.183.529/000100, em sua DIPJ pertinente ao ano calendário de 2006, informou compras de mercadorias junto ao sujeito passivo que totalizaram R$ 448.724,42. Intimada, ela apresentou as respectivas notas fiscais e os comprovantes de pagamentos vinculados a esses documentos, bem como informou que a pessoa que representara o sujeito passivo naquelas operações fora o Sr. ADRIANO FERRAZ. o Sr. ADRIANO FERRAZ confirmou que vendera o couro para a Curtume Posada Ltda, e que, para aquelas vendas, foram emitidas as notas fiscais da CIPAM, conforme orientação do Sr. MANUEL BATISTA; o Sr. MANUEL BATISTA, dispondo de uma sociedade composta por interpostas pessoas que, inclusive, gozava de um incentivo fiscal para fins do ICMS, ofereceu o manto da personalidade jurídica dessa sociedade para ocultar a real participação do Sr.ADRIANO FERRAZ nas operações de venda de couro para a Curtume Posada Ltda; a resposta fornecida pelo Sr. ADRIANO FERRAZ vai ao encontro da situação caracterizada pelo conjunto probatório coligido ao longo do procedimento fiscal, sintetizando a percepção de utilização da personalidade jurídica do sujeito passivo para ocultar a participação de terceiros na realização de operações comerciais. A consecução dessas ações redundou em várias ramificações que envolveram grupos distintos de pessoas que compartilhavam interesses comuns claramente delimitados. Um desses grupos é aquele formado pelos Srs. MANUEL BATISTA e ADRIANO FERRAZ. Não existe nenhuma dúvida de que esta situação é totalmente fora da normalidade, tanto em termos legais como em relação às praticas empresariais. Ressaltese que a CIPAM, mediante notas fiscais foram por ela emitidas, promoveu operações comerciais com a CURTUME POSADA, no ano calendário de 2006, no montante de R$ 448.724,42. e teve por representante o Sr. ADRIANO FERRAZ. Conseqüentemente, encontrase caracterizado o interesse do Sr. ADRIANO FERRAZ nas operações comerciais promovidas pelo sujeito passivo. ... É próprio da atividade negocial a busca do resultado econômico através da realização de operações que caracterizam fatos geradores. O Sr. ADRIANO FERRAZ não consta oficialmente como sócio da empresa autuada, mas, efetivamente, pelas provas, informações e depoimentos obtidos pela fiscalização, era o representante e responsável pelas operações comerciais da pessoa jurídica autuada com o CURTUME POSADA. ... Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 Desse modo, é insustentável a defesa do recorrente de que não tinha interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, ou seja, de que não tinha interesse econômico na situação: omissão de receitas, sem o conseqüente pagamento de tributo. Com efeito, evidenciado o vinculo de fato de pessoa física estranha ao quadro societário e a empresa autuada, regular é a atribuição de responsabilidade solidária, por interesse comum nas situações que se constituíram em fatos geradores das obrigações infringidas, como estabelece o inciso I do artigo 124 do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – CSLL, PIS e Cofins. Decorrendo as exigências da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 10/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000593/2010-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
Constitui infração ao artigo 31, caput, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, combinado com o artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, deixar, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra, de reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços para recolhimento ao INSS.
DILIGÊNCIA
Indefere-se requisição de diligência quando julgar prescindível ao julgamento.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
OPTANTE PELO SIMPLES. SUJEIÇÃO
A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Numero da decisão: 2403-001.637
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recursos, para determinar a exclusão do lançamento das empresas optantes pelo SIMPLES e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração ao artigo 31, caput, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, combinado com o artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, deixar, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão-de-obra, de reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços para recolhimento ao INSS. DILIGÊNCIA Indefere-se requisição de diligência quando julgar prescindível ao julgamento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. OPTANTE PELO SIMPLES. SUJEIÇÃO A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recursos, para determinar a exclusão do lançamento das empresas optantes pelo SIMPLES e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000593/201072 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.637 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PLANUSI EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui infração ao artigo 31, caput, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.711/98, combinado com o artigo 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, deixar, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mão deobra, de reter 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços para recolhimento ao INSS. DILIGÊNCIA Indeferese requisição de diligência quando julgar prescindível ao julgamento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. OPTANTE PELO SIMPLES. SUJEIÇÃO A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 05 93 /2 01 0- 72 Fl. 749DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recursos, para determinar a exclusão do lançamento das empresas optantes pelo SIMPLES e determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Leoncio Nobre de Medeiros e Marcelo Magalhaes Peixoto. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000593/201072 Acórdão n.º 2403001.637 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1435.049 da 7ª Turma, que julgou procedente em parte a impugnação. Foram excluídos do lançamento, integralmente, o levantamento BT e parcialmente, o levantamento PH (exclusivamente as competências 5 e 6/2006), conforme acórdão recorrido. À luz do exposto e das provas apresentadas, formase a convicção de que a obrigação da impugnante (como responsável) foi cumprida em relação à prestadora BORTOLOT, devendo ser excluído o levantamento BT e retificado este AI. ... Em relação a essa empresa (levantamento PH), cotejandose as GPS juntadas (competências 05 e 06/2006) com as respectivas notas fiscais de serviços tomadas pela fiscalização para o lançamento, notase não terem sido tais guias aproveitadas como CRED (crédito) no RDA. Seus valores de recolhimento, código 2631, estão em conformidade com os respectivos destaques em nota fiscal, a titulo de retenção de 11% para o INSS, e também com os valores apurados pela fiscalização. 0 que implica identidade perfeita entre os valores lançados como devidos pela autuada e os efetivamente recolhidos, em época própria (vide telas do contacorrente nos sistemas informatizados da RFB ora juntados), ensejando a exclusão dessas competências, por improcedência. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração (obrigações principais — AIOP) debcad n.° 37.268.1204, que constitui o credito tributário de contribuições sociais devidas à seguridade social, relativas à. retenção de 11% (não recolhidas) do valor bruto das notas fiscais, incidente sobre os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra e/ou empreitada, no montante de R$ 310.436,15 (trezentos e dez mil e quatrocentos e trinta e seis reais e quinze centavos), consolidado em 08/11/2010 e referente às competências 01/2006 a 06/2007. Consoante o Relatório Fiscal (fls. 250/259), o presente lançamento é composto pelos seguintes levantamentos, todos classificados como dispensados de ser declarados nas Guias de Fl. 751DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) da empresa tomadora: AC — prestadora ALCIDES DONIZETE BINHARDI, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de 01/2006 a 06/2007. BD — prestadora BALDINI EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãode obra, de 05/2006 a 04/2007. BR — prestadora BRAENCO ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO LTDA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mão de obra, de 04/2007. A autuada não apresentou o contrato de prestação de serviço. BT — prestadora BORTOLOT SISTEMAS ELETR LTDA EPP, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de 02/2006 e 06/2006. CL — prestadora CLEBER ANANIAS DA SILVA LTDA ME, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de 03/2007 a 06/2007. CT — prestadora CONSTRULIZ CONSTR IND COM E SERV LTDA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãode obra, de 01/2006 a 05/2006. A autuada não apresentou o contrato de prestação de serviço. EF — prestadora EFETIVA PRESTADORA SERVIÇOS SC LTDA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de 03/2006. GT — prestadora GASOTEC COMERCIO E MONTAGEM LTDA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de 06/2007. A autuada não apresentou o contrato de prestação de serviço. JT — prestadora JATOBRAS PINTURAS IND SERTAOZINHO LTDA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãode obra, de 01/2006 a 06/2007. A autuada não apresentou o contrato de prestação de serviço. MN — prestadora MANOEL MESSIAS P DOS SANTOS EPP, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de 01/2007 a 03/2007. A autuada não apresentou o contrato de prestação de serviço. NA — prestadora NALI ALI SAIDAH ENGENHARIA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de 04/2006. A autuada não apresentou o contrato de prestação de serviço. Fl. 752DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000593/201072 Acórdão n.º 2403001.637 S2C4T3 Fl. 4 5 PH — prestadora PHERCON CONSTRUTORA E ADM BENS LTDA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãode obra, de 03/2006 a 06/2006. RM — prestadora REMIL COM VAREJO MAQ EQUIP METALU LTDA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de 01/2006 a 06/2007. ST — prestadora STARMIL MONTAG EMBAL PARA TRANSP LTDA, com contribuições e basesdecálculo relativas a serviços prestados mediante cessão de mãode obra, de 08/2006 a 05/2007. A autuada não apresentou o contrato de prestação de serviço. Consta nos autos a informação de que foram devidamente apropriadas como "crédito CRED" as Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) código 2631, relativas ao instituto da retenção de 11% (art. 31 da Lei n.° 8.212/91). Serviram de base para apuração e lançamento das contribuições as notas fiscais/faturas de prestação de serviços, registros contábeis e contratos, dentre outros, cujas cópias, por amostragem, são juntadas pela fiscalização. As basesdecálculo apuradas e valores das contribuições estão demonstrados no relatório Discriminativo do Débito (DD) e Relatório de Lançamentos (RL), anexos ao AI. Os percentuais de juros e das multas aplicados sobre o presente crédito e a legislação correspondente estão discriminados no DD e no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD). Também constam os fundamentos legais das contribuições exigidas. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Não houve a retenção dos 11%, todavia houve o recolhimento pelas prestadoras do serviço, conforme comprovam as CND. · A fiscalização tratou a retenção como se fosse tributo próprio e não uma antecipação de pagamento. · Serviço de locação de guindaste não se sujeita à retenção. · Empresas optantes pelo SIMPLES estão dispensadas da retenção. · Requer diligência. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 · SELIC. É o relatório. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000593/201072 Acórdão n.º 2403001.637 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA O lançamento tem por base o instituto da substituição tributária inserido na Lei 8.212/91 pela Lei 9711/98, que dando nova redação ao artigo 31 daquela Lei, estabeleceu que a empresa tomadora de serviços executados mediante sessão de mão de obra passou a ser responsável, por substituição tributária, pela retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da respectiva nota fiscal ou fatura, bem como pelo recolhimento, no prazo legal, da importância retida. Lei 8.212/91 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §2oNa impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Fl. 755DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4oEnquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços:(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Ilimpeza, conservação e zeladoria;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIvigilância e segurança;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIIempreitada de mãodeobra;(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IVcontratação de trabalho temporário na forma daLei no6.019, de 3 de janeiro de 1974.(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §5oO cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante.(Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Esse tratamento de responsável pela substituição tributária é que foi dado pela fiscalização, em obediência à lei e é sobre essa obrigação tributária que centrarei a análise deste processo. CND Quanto à alegação de que a obrigação principal já foi cumprida pelas prestadoras de serviço, com base em CND, entendo que a apresentação de CND das empresas prestadoras de serviço não exime a tomadora de suas obrigações tributárias. GUINDASTE Outra alegação trazida ao processo é que serviço de locação de guindaste não se sujeita à retenção. O acórdão recorrido identificou que a "locação de guindastes" está associada às prestadoras AC ALCIDES DONIZETE BINHARDI e RM REMIL COM VAREJO MAQ EQUIP (montagem) e ao levantamento NA NALI ALI SAIDAH ENGENHARIA (contrução civil) . Fl. 756DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000593/201072 Acórdão n.º 2403001.637 S2C4T3 Fl. 6 9 Segundo o Relatório Fiscal, para os Levantamentos AC e RM, a prestação de serviço foi executada mediante cessão de mãodeobra na área de montagem, com fornecimento de mãodeobra e de máquinas, guindastes e equipamentos (sem definição de quais e quantos são), ocorrendo nas dependências da contratante e nas de terceiros, mantendo um encarregado da contratada durante a prestação, conforme descrito em contrato de prestação de serviço apresentado, enquadrandose na normalização contida no inciso XV do art. 146 da Instrução Normativa/SRP n° 03, de 14.07.2005 — DOU. 15/07/2005. Para os serviços de locação de guindaste, a base de cálculo foi de 50% 3.1 Levantamento AC 3.1.1 0 valor originário do débito apurado corresponde a este levantamento, referese ao montante das contribuições sociais devidas, mediante a aplicação da aliquota de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviço — NFS, no caso 1, ou sobre 50% dos valores brutos das NFS, no caso 2, emitido pela empresa contratada Alcides Donizete Binhardi, não recolhido pela empresa FISCALIZADA (contratante dos serviços) à seguridade social até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão destas NFS, em nome da contratada, relativo aos meses de 01 a 06/2006 e de 04 e 06/2007, abatida ás contribuições sociais recolhidas mediante Guia da Previdência Social GPS. 3.1.2 No Relatório de Lançamentos — RL consta o valor lançado (valor bruto de cada NFS), o percentual de 100% (caso 1 acima) ou 50% (caso 2 acima), resultando o valor apropriado, e no campo "observação" consta os números da NFS e das contas contábeis descritos no livro razão, bem como consta o total do valor apropriado por competência. No Discriminativo do Débito — DD consta base de cálculo por competência que corresponde ao total do valor apropriado por competência citado no RL. 3.1.3 A prestação de serviço foi executada mediante cessão de mãodeobra na área de montagem, com fornecimento de mão deobra e de máquinas, guindastes e equipamentos (sem definição de quais e quantos são), ocorrendo nas dependências da contratante, mantendo um encarregado da contratada durante a prestação, conforme descrito em contrato de prestação de serviço apresentado, enquadrandose na normalização contida no inciso XV do art. 146 da Instrução Normativa/SRP n° 03, de 14.07.2005 — DOU. 15/07/2005. A obtenção da base de cálculo através de 100% do valor bruto da NFS (caso 1 acima) espelhase na descrição dos serviços contidos nestas NFS, que define equipamentos manuais, na qual estão excluídos da apuração desta base de cálculo, aplicandose o art. 140 da IN acima citada. A obtenção da base de cálculo através de 50% do valor bruto da NFS (caso 2 acima) espelhase na descrição dos serviços contidos nestas NFS, que define em meu entendimento como equipamento não manual, aplicandose o inciso I do art. 150 da IN acima citada (fls. 39 a 72). Fl. 757DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 3.13 Levantamento RM 3.13.1 0 valor originário do débito apurado corresponde a este levantamento, referese ao montante das contribuições sociais devidas, mediante a aplicação da alíquota de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviço — NFS, no caso 1, ou sobre 50% dos valores brutos das NFS, no caso 2, emitido pela empresa contratada Remil — Comercio Varejista de Máquinas e Equipamentos Metalúrgicos Ltda, não recolhido pela empresa FISCALIZADA (contratante dos serviços) seguridade social até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão destas NFS, em nome da contratada, relativo aos meses de 01 a 05 e 07 a 12/2006, e de 01 e 06/2007, abatida às contribuições sociais recolhidas mediante Guia da Previdência Social GPS. 3.13.2 No Relatório de Lançamentos — RL consta o valor lançado (valor bruto de cada NFS), o percentual de 100% (caso 1 acima) ou 50% (caso 2 acima), resultando o valor apropriado, e no campo "observação" consta os números da NFS e das contas contábeis descritos no livro razão, bem como consta o total do valor apropriado por competência. No Discriminativo do Débito — DD consta base de cálculo por competência que corresponde ao total do valor apropriado por competência citado no RL. 3.13.3 A prestação de serviço foi executada mediante cessão de mãodeobra na área de montagem, com fornecimento de mão deobra e de máquinas, guindastes e equipamentos (sem definição de quais e quantos são), ocorrendo nas dependências de terceiros (Agucareira Virgolino de Oliveira S/A; Usina Alta Mogiana S/A Açúcar e Alcool; Companhia Energética São José) indicado pela contratante, mantendo um encarregado da contratada durante a prestação de serviço, conforme descrito em contrato de prestação de serviço apresentado, enquadrandose na normalização contida no inciso XV do art. 146 da Instrução Normativa/SRP n° 03, de 14.07.2005 — DOU. 15/07/2005. A obtenção da base de cálculo através de 100% do valor bruto da NFS (caso 1 acima) espelhase na descrição dos serviços contidos nestas NFS, que define fornecimento de mãodeobra, aplicandose o art. 140 da IN acima citada. A obtenção da base de cálculo através de 50% do valor bruto da NFS (caso 2 acima) espelhase na descrição dos serviços contidos nestas NFS, que define em meu entendimento como equipamento não manual, mas inerente à execução do serviço, aplicandose o inciso II do § 1° do art. 150 da IN acima citada (fls. 144 a 199 e 202 a 230). IN SRP nº3/2005 Art. 146. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra, observado o disposto no art. 176, os serviços de: Fl. 758DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000593/201072 Acórdão n.º 2403001.637 S2C4T3 Fl. 7 11 XV montagem, que envolvam a reunião sistemática, conforme disposição predeterminada em processo industrial ou artesanal, das peças de um dispositivo, de um mecanismo ou de qualquer objeto, de modo que possa funcionar ou atingir o fim a que se destina; ... Apuração da Base de Cálculo da Retenção Art. 149. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, fornecidos pela contratada, discriminados no contrato e na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, desde que comprovados § 1º O valor do material fornecido ao contratante ou o de locação de equipamento de terceiros, utilizado na execução do serviço, não poderá ser superior ao valor de aquisição ou de locação para fins de apuração da base de cálculo da retenção. § 2º Para os fins do § 1º, a contratada manterá em seu poder, para apresentar à fiscalização da SRP, os documentos fiscais de aquisição do material ou o contrato de locação de equipamentos, conforme o caso, relativos ao material ou equipamentos cujos valores foram discriminados na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. § 3º Considerase discriminação no contrato os valores nele consignados, relativos ao material ou equipamentos, ou os previstos em planilha à parte, desde que esta seja parte integrante do contrato mediante cláusula nele expressa. Art. 150. Os valores de materiais ou de equipamentos, próprios ou de terceiros, exceto os equipamentos manuais, cujo fornecimento esteja previsto em contrato, sem a respectiva discriminação de valores, desde que discriminados na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, não integram a base de cálculo da retenção, devendo o valor desta corresponder no mínimo a: I cinqüenta por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços; Reforçando a cessão de mão de obra, o acórdão impugnado referese aos contratos juntados ao processo. Isto porque os contratos apresentados e juntados pela fiscalização denotam a utilização de cessão de mãodeobra, com previsão de fornecimento de máquinas e equipamentos, para a realização dos serviços contratados (montagem). Não se trata, como aduz a impugnante, de mera e isolada locação de guindaste, mesmo porque, via de regra, tais equipamentos Fl. 759DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 — dada sua complexidade de operação — vem necessariamente acompanhados de equipe de operadores e de manutenção. Estão, pois, sujeitos à retenção legal. Para o levantamento NA, o serviço prestado foi para execução de base de concreto armado para instalação de equipamentos e pela falta de apresentação de contrato a base de cálculo foi de 100% do valor da nota fiscal. Concordo com a base de c´slculo a 100% da Nota Fiscal pela não apresentação do contrato, porém, para mim, não ficou clara a utilização de guindaste por parte desse prestador de serviço. 3.11 Levantamento NA 3.11.1 0 valor originário do débito apurado corresponde a este levantamento, referese ao montante das contribuições sociais devidas, mediante a aplicação da aliquota de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal de serviço NFS, emitido pela empresa contratada Naji Ali Saidah Engenharia, não recolhido pela empresa FISCALIZADA (contratante dos serviços) à seguridade social até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão destas NFS, em nome da contratada, relativo ao mês de 04/2006, abatida a contribuição social recolhida mediante Guia da Previdência Social GPS. 3.11.2 No Relatório de Lançamentos — RL consta o valor lançado (valor bruto da NFS), o percentual de 100%, resultando o valor apropriado, e no campo "observação" consta os números da NFS e das contas contábeis descritos no livro razão, bem como consta o total do valor apropriado por competência. No Discriminativo do Débito — DD consta base de calculo por competência que corresponde ao total do valor apropriado por competência citado no RL. 3.11.3 A prestação de serviço foi executada mediante empreitada na área de construção civil, não apresentando contrato de prestação de serviço, enquadrando se na normalização contida no inciso III do artigo 145 da Instrução Normativa/SRP n° 03, de 14.07.2005 — DOU. 15/07/2005. A obtenção da base de cálculo através de 100% do valor bruto da NFS espelhase na descrição do serviço contido nestas NFS, que define serviço para execução de bases de concretos armados na NFS n°054, emitida em 16/04/2006, e aluguel de equipamentos para execução de bases de concretos armados na NFS n°053, emitida em 26/04/2006, mas sem apresentação de contrato e os equipamentos não_ser inerentes ao seryiço (exceto manuais), aplicandose, então, por ser um único serviço, o art. 140 da IN acima citada (fls. 128 e 129). IN SRP nº3/2005 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000593/201072 Acórdão n.º 2403001.637 S2C4T3 Fl. 8 13 Art. 140. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, inclusive em regime de trabalho temporário, a partir da competência fevereiro de 1999, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher à Previdência Social a importância retida, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada, observado o disposto no art. 93 e no art. 172 Parágrafo único. Os valores pagos a título de adiantamento deverão integrar a base de cálculo da retenção por ocasião do faturamento dos serviços prestados. Art. 145. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, observado o disposto no art. 176, os serviços de: (Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) III construção civil, que envolvam a construção, a demolição, a reforma ou o acréscimo de edificações ou de qualquer benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo ou obras complementares que se integrem a esse conjunto, tais como a reparação de jardins ou passeios, a colocação de grades ou de instrumentos de recreação, de urbanização ou de sinalização de rodovias ou de vias públicas; SIMPLES A recorrente alega que empresas optantes pelo SIMPLES estão dispensadas da retenção. Não encontrei na legislação previsão para excluir da regra do artigo 31 da Lei 8.212/91 as empresas optantes pelo SIMPLES. O que encontrei foi, na IN SRP nº3/2005, manifestação expressa que “A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido”. Art. 142. A empresa optante pelo SIMPLES, que prestar serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, está sujeita à retenção sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica no período de 1º de janeiro de 2000 a 31 de agosto de 2002. Entendo correto o tratamento dado pela fiscalização. SELIC – SÚMULA Quanto à aplicação da taxa SELIC nos juros moratórios, verificase que essa é uma questão sobre a qual o CARF possui decisões reiteradas e, por essa razão foi editada Súmula, cuja observância é obrigatória para estes conselheiros. Abaixo apresento a Súmula número 3. “Súmula nº 3 do CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. DILIGÊNCIA Entendo poder prescindir de diligência para o julgamento deste processo. Multa de mora A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 762DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15956.000593/201072 Acórdão n.º 2403001.637 S2C4T3 Fl. 9 15 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 763DF CARF MF Impresso em 30/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 19311.000569/2009-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/08/2009
AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL
Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% SEM QUE ESTA SEJA A MULTA MAIS FAVORÁVEL.
O CTN impede a aplicação retroativa de multa mais gravosa para o contribuinte. A multa de 75% para infrações relativas às contribuições previdenciárias só pode ser aplicada a fatos geradores anteriores à edição da MP 449 se restar concluído que representa a penalização mais benéfica, mediante a apresentação de análise comparativa de multas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/08/2009 AFERIÇÃO INDIRETA. CONSTRUÇÃO CIVIL Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% SEM QUE ESTA SEJA A MULTA MAIS FAVORÁVEL. O CTN impede a aplicação retroativa de multa mais gravosa para o contribuinte. A multa de 75% para infrações relativas às contribuições previdenciárias só pode ser aplicada a fatos geradores anteriores à edição da MP 449 se restar concluído que representa a penalização mais benéfica, mediante a apresentação de análise comparativa de multas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CONSTRUÇÃO CIVIL Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% SEM QUE ESTA SEJA A MULTA MAIS FAVORÁVEL. O CTN impede a aplicação retroativa de multa mais gravosa para o contribuinte. A multa de 75% para infrações relativas às contribuições previdenciárias só pode ser aplicada a fatos geradores anteriores à edição da MP 449 se restar concluído que representa a penalização mais benéfica, mediante a apresentação de análise comparativa de multas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamento a multa de ofício, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento integral ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 00 05 69 /2 00 9- 36 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19311.000569/200936 Acórdão n.º 2301003.012 S2C3T1 Fl. 160 3 Relatório Tratase de lançamento nº 37.250.5651 , lavrado em 04/12/2009, que constituiu crédito tributário relativo de contribuições destinadas a terceiros, tendo sido o débito lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta para regularização da obra referente à construção civil sob responsabilidade da pessoa física acima mencionada, conforme Art. 33, § 4o da Lei N° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009.no período de 09/2004 a 08/2009, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 23.640,66, fls. 01. A autoridade fiscal relatou que: 2 Foi emitido o Aviso de Regularização de Obras ARO de n°360.617, em 12/08/2009, com base na Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil DISO, assinada pelo contribuinte nessa mesma data, para uma obra nova, em alvenaria, relativa a um imóvel comercial. Visto não se aplicar escrituração contábil formalizada à pessoa física responsável pela execução de obra de construção civil, a mesma tem as contribuições sociais calculadas por aferição indireta, nos termos previstos do Artigo 33 e § 4o, da Lei n° 8.212/1991, com as redações dadas pela Lei n° 11.491. de 27/05/2009, demonstradas no referido ARO emitido. 3.1 No cálculo do montante das contribuições devidas é considerado como competência de ocorrência do fato gerador o mês da emissão do ARO. 3.2 Os critérios utilizados para a Aferição Indireta no Aviso de Regularização de Obra ARO são os descritos nos Artigos 25, 413, 426, 429 a 455 e 482, da Instrução Normativa SRP n° 3, de 14/07/2005, emitida pela Secretaria da Receita Previdenciária, convalidada pelo Artigo 48, da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, com a redação e alterações posteriores, contidas nas Instruções Normativas emitidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ratificados nos artigos 23 Subseção I, 322, 335, 338 a 363, respectivamente, da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009 , publicada no Diário Oficial da União em 17/11/2009. 4 Constatada a inexistência de recolhimento ou solicitação de parcelamento das contribuições sociais decorrentes da obra de construção civil referida e confirmada a existência do fato gerador das contribuições sociais, o ARO foi encaminhado à Fiscalização para a constituição do crédito. 5 Em atendimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n° 0812400.2009.011327, em razão do não recolhimento pelo Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 contribuinte do montante apurado por aferição indireta, conforme verificado no Sistema ContaCorrente (CCOR), e de não constar parcelamento no Sistema de Cobrança (SICOB), emitimos o Termo de Início de Procedimento Fiscal, recebido pelo Contribuinte em 30/11/2009, solicitando a documentação referente à obra, cópia dos seus documentos pessoais e comprovante de endereço. 6 Não foram apresentados pelo proprietário durante a ação fiscal documentos que alterassem as informações da DISO e o respectivo cálculo emitido pelo ARO. (...) 12 A obra objeto deste Auto de Infração foi enquadrada conforme o determinado na Instrução Normativa MPS/SRF n° 03, de 14/07/2005, com as alterações da Instrução Normativa MPS/SRF n° 24 de 29/04/2007, ratificado pela Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009 , publicada no Diário Oficial da União em 17/11/2009: • Área total do Projeto: 1.729,56 m2 • Tipo da Obra: Obra Nova comercial salas e lojas • Padrão: Normal • Enquadramento: CSL • Valor CUB: R$849,97 (SP1) Competência 08/2009 • Início da Obra: 24/09/2004 • Meses de Decadência: 0 • A regularizar: 1.729,56m2 (1.521,97m2 para cálculo) • Remuneração Mão de Obra não Decadente: R$229.826,79 (ARO 360.617) Após tomar ciência postal da autuação em 10/12/2009, fls.14, a recorrente apresentou impugnação, fls. 21/37, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 79/85, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 30/06/2011, fls. 84. O recurso voluntário, apresentado em 29/07/2011, fls. 85/102, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Entende que o arbitramento foi aplicado sem obediência aos ditames legais. Tal medida extrema estaria, no presente caso, em ofensa ao art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Haveria meios para ser feita a aferição direta, o que desautoriza o arbitramento. A utilização do CUB é ilegal, pois feita sem autorização da lei. Haveria ofensa à estrita legalidade e a tipicidade tributária. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19311.000569/200936 Acórdão n.º 2301003.012 S2C3T1 Fl. 161 5 É o relatório. Voto Conselheiro Mauro José Silva: Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento em parte, conforme veremos a seguir. A recorrente insurgese contra a aferição indireta e a utilização do índice do Custo Unitário Básico da Construção Civil (CUB). Para enfrentar tais argumentos, passamos a tecer algumas considerações jurídicas gerais para ao fim tratar do caso concreto. Aferição indireta. Construção civil. A aferição indireta é autorizada pela lei nos casos nos quais a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração dos prestadores de serviço alocados na obra, do faturamento ou do lucro, conforme previsto no art. 33, §6º da Lei 8.2122/91. Não há necessidade de as três alternativas serem demonstradas. Basta que reste configurada uma das hipóteses para que se tenha configurada uma situação que autoriza a aferição indireta. Além disso, para o caso de construção civil, o §4º do art. 33 permite o cálculo da mão de obra empregada na obra por meio de levantamento proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário naquelas situações para as quais não existe prova regular e formalizada pelo sujeito passivo dos pagamentos. Quanto à metodologia da aferição indireta, esta foi realizada em consonância com a IN 3/2005, com a utilização do CUB, conforme previsto nos arts. 435 e seguintes da referida norma e outros citados no Relatório Fiscal de fls. 16. Como se trata de norma procedimental relativa à fiscalização, não há óbice de sua aplicação no momento do lançamento com relação a fatos geradores pretéritos, até mesmo devido ao fato de tal norma repetir o conteúdo da IN 100/2003. O Superior Tribunal de Justiça já analisou a utilização do arbitramento por metro quadrado sem encontrar óbice para tanto, vejamos: RESP 200101613290 PREVIDENCIÁRIO E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IRREGULARIDADE DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. ART. 33, § 4º, DA LEI 8.212/91. REEXAME DE MATÉRIA PROBATÓRIA. ÓBICE DA SÚM. 07/STJ. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO – CUB. UTILIZAÇÃO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 197, DO CTN. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA CDA. SUBSTITUIÇÃO DO FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. ARTS. 202 E 203, DO CTN. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 13/STJ E ART. 255, DO RISTJ. PRECEDENTES. 1. Comprovada a irregularidade na escrituração contábil da pessoa jurídica, sujeito passivo da obrigação tributária, pode a Fazenda Pública, nos termos expressos do art. 33, § 4º, da Lei 8.212/91, valerse da aferição indireta dos valores devidos, conforme evidenciado na hipótese. 2. A verificação de eventual equívoco na fiscalização dos documentos contábeis da empresa recorrente, o que, em tese, afastaria a utilização do lançamento por arbitramento, é mister que encontra óbice intransponível na Súmula 07/STJ. 3. A Lei 4.591, de 16/12/64, determinou que a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, estabelecesse, dentre outros, critérios e normas para o cálculo de custos unitários de construção, o que foi materializado por intermédio da NB 140, atual NBR 12.721/92, que define os padrões para a apuração do Custo Unitário Básico da Construção Civil – CUB. Esta unidade de medida é calculada mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil – SINDUSCON, não havendo neste ato ingerência do agente previdenciário fiscalizador e tampouco estabelecimento de base de cálculo diversa da legalmente prevista. 4. Improcede a alegada ofensa ao art. 97 (inc. I e IV) do CTN, porquanto a Autarquia Previdenciária, ao utilizar o Custo Unitário Básico CUB, não instituiu base de cálculo por intermédio de Ordem de Serviço, mas tãosomente aplicou um método para apurála, procedimento que se evidencia inteiramente em sintonia com o § 4º, art. 33, da Lei 8.212/91. 5. Na esteira dos precedentes da Corte, a mera substituição do fator de atualização monetária – na hipótese, a TRD pelo INPC , não induz à nulidade da Certidão de Dívida Ativa – CDA, considerando que foi verificado no título todos os elementos exigidos pela Lei 6.830/80, havendo o devedor exercido regularmente o direito à ampla defesa. Ausente, dessarte, qualquer ofensa aos artigos 202 e 203, do CTN (REsp 331.343/MG, DJ 18.03.2002 e REsp 167.592/MG, DJ 17/08/1998, Relator Min. José Delgado) 6. A demonstração do dissenso pretoriano exige a similitude das situações fáticas julgadas, sendo indispensável a realização do cotejo analítico entre as teses em confronto, não se prestando ao mister paradigmas originados no mesmo tribunal recorrido, requisitos que na espécie não foram atendidos. Presente, portanto, o óbice contido na Súmula 13/STJ e artigo 255 do RISTJ. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, na parte conhecida, nego provimento. No caso em análise, o recorrente alega que os índices utilizados para a aferição indireta da remuneração dispendida com a construção não levam em conta algumas particularidades de sua obra, porém não traz provas do que alega, tornando oportuna a lembrança do brocardo jurídico allegatio et non probatio, quasi non allegatio , ou seja, alegar sem provar equivale a não alegar. Por outro lado, estando presente o requisito do art. 33, §4º da Lei 8.212/91 está legitimada a aferição indireta, já que o recorrente não apresentou prova regular e formalizada dos pagamentos referentes à mão de obra. Não vemos qualquer ofensa ao art. 142 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19311.000569/200936 Acórdão n.º 2301003.012 S2C3T1 Fl. 162 7 do CTN, já que o lançamento, além de utilizar o referido permissivo legal, está apoiado no art. 148 do CTN, in verbis: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Portanto, ao contrário do que alega o recorrente, não há qualquer ilegalidade no lançamento. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19311.000569/200936 Acórdão n.º 2301003.012 S2C3T1 Fl. 163 9 demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19311.000569/200936 Acórdão n.º 2301003.012 S2C3T1 Fl. 164 11 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que: · A penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. Feitas as considerações jurídicas gerais sobre o regime de multas, passamos ao caso. In casu, observamos que a própria fiscalização admitiu o início da obra em 24/09/2004, fls. 17, o que impede seja a multa de ofício de 75% aplicada diretamente a todo o período, sob pena de aplicação retroativa de penalidade em prejuízo do contribuinte. Como a fiscalização não fez a análise da multa mais favorável, não citou as penalidades vigentes na data dos respectivos fatos geradores e não considerou a distribuição da mão de obra desde o inicio da construção não há como cogitarmos agora da aplicação de outra penalidade ou da manutenção da multa aplicada para os fatos geradores posteriores a 11/2008, pois estes não foram quantificados. Assim, deve a multa de ofício ser excluída. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19311.000569/200936 Acórdão n.º 2301003.012 S2C3T1 Fl. 165 13 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a afastar a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10865.901130/2009-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 28/02/1996
PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A.
O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação.
Recurso voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-001.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 21/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/1996 PRAZO. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543-B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62-A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62-A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543-B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotando-se como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 21/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn.
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PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. ENTENDIMENTO DO STF. RE 556.621/RS. CPC, ART. 543B. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA PELO CARF. REGIMENTO INTERNO, ART. 62A. O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno , deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil. Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Recurso voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 11 30 /2 00 9- 91 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 21/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 39): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/1996 COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Recorrente, nas razões recursais de fls. 4960, após discorrer sobre a inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2.445/1988 e 2.449/1988, dos efeitos do Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional nº 437/1998 e da Resolução do Senado Federal nº 49/1995, sustenta que teria direito de repetir o indébito da contribuição ao PIS decorrente da aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Aduz que, em se tratando de tributo lançado por homologação, o prazo para o exercício de tal direito seria de 10 anos, uma vez que o termo inicial prazo quinquenal do art. 150, § 1º, do CTN, teria início apenas após o decurso do prazo de cinco anos para a homologação tácita do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 22/09/2011 (fls. 48) e o protocolo do recurso, em 20/10/2011 (fls. 49). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10865.901130/200991 Acórdão n.º 3802001.211 S3TE02 Fl. 68 3 O exame do prazo de prescrição para a repetição do indébito tributário, em face do disposto no art. 62A do Regimento Interno1, deve ser pautado pelo entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário no RE 566.621/RS, julgado no regime do art. 543B do Código de Processo Civil: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 69DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (STF. Tribunal Pleno. RE nº566.621/RS. Rel. Min. ELLEN GRACIE. DJe11/10/2011. g.n.). Portanto, para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, deve ser aplicado o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, adotandose como termo inicial do prazo de cinco anos para repetição do indébito a data do pagamento antecipado (CTN, art. 150, §1º). Para as ações anteriores, por sua vez, o termo inicial será a data da homologação. Assim, nos casos de homologação tácita pelo decurso de cinco anos, o interessado tem um prazo final de dez anos contados do evento imponível (CTN, arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I). No caso em exame, é evidente a ocorrência da prescrição, uma vez que o pagamento ocorreu em 29/03/1996 e o PER/Dcomp foi transmitido em 18/12/2006, ou seja, quando já estava prescrito o direito, mesmo aplicandose o prazo anterior de dez anos. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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