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Numero do processo: 13855.720872/2012-21
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2013
TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. DÉBITO SUSPENSO PARA INCLUSÃO EM PARCELAMENTO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE PARCELAMENTO MANUAL ANTERIOR QUANDO DA OPÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ÓBICE À OPÇÃO.
Comprovado que o débito na fase suspenso para inclusão em parcelamento especial já havia sido parcelado manualmente quando da opção pelo Simples Nacional, inexiste óbice a essa opção.
Numero da decisão: 1803-002.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2013 TERMO DE INDEFERIMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. DÉBITO SUSPENSO PARA INCLUSÃO EM PARCELAMENTO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE PARCELAMENTO MANUAL ANTERIOR QUANDO DA OPÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ÓBICE À OPÇÃO. Comprovado que o débito na fase suspenso para inclusão em parcelamento especial já havia sido parcelado manualmente quando da opção pelo Simples Nacional, inexiste óbice a essa opção.
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DÉBITO SUSPENSO PARA INCLUSÃO EM PARCELAMENTO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE PARCELAMENTO MANUAL ANTERIOR QUANDO DA OPÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ÓBICE À OPÇÃO. Comprovado que o débito na fase “suspenso para inclusão em parcelamento especial” já havia sido parcelado manualmente quando da opção pelo Simples Nacional, inexiste óbice a essa opção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 08 72 /2 01 2- 21 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.720872/201221 Acórdão n.º 1803002.583 S1TE03 Fl. 41 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Cristiane Silva Costa, Ricardo Diefenthaeler e Arthur José André Neto. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.720872/201221 Acórdão n.º 1803002.583 S1TE03 Fl. 42 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 22): Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, relativo ao ano de 2012 (fl. 11), lavrado em virtude de o contribuinte possuir débitos de natureza previdenciária (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inc. V). Cientificado do Termo de Indeferimento, registrado eletronicamente em 13/02/2012, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/02/2012 (fls. 03), requerendo a sua inclusão no Simples Nacional, já que parcelara o(s) débito(s). 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 21): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. INCLUSÃO NA SISTEMÁTICA. O contribuinte possui o ônus de comprovar a regularização de débitos fiscais no prazo legal. A falta de demonstração impede o ingresso do contribuinte no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 3. Cientificada da referida decisão em 25/11/2013 (fls. 27), a tempo, em 29/11/2013, apresenta a interessada Recurso de fls. 29, instruído com os documentos de fls. 30 a 34, nele argumentando, em síntese, que o DEBCAD nº 394454820, a qual se refere que foi parcelado apenas em 21/01/2013 intempestivamente, já havia sido parcelado anteriormente em 02/2011, através de um parcelamento manual em dívida ativa, feito pela Receita Federal de Franca, onde é a jurisdição da empresa, mas o mesmo não foi introduzido no sistema da Receita. Em mesa para julgamento. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.720872/201221 Acórdão n.º 1803002.583 S1TE03 Fl. 43 4 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. A decisão recorrida considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada sob o seguinte fundamento (fls. 24): Alega o contribuinte que o(s) débito(s) que lhe obstava(m) o ingresso no Simples Nacional foram parcelados dentro do prazo de regularização, de modo que se revelaria insubsistente o ato de indeferimento (art. 7º, § 1ºA, I, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007; art. 6º, § 2º, I, da Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011). Os DEBCADs 394454855, 394454898 e 400502275 foram parcelados tempestivamente em 30/01/2012, conforme processo digital 13855.720404/201256. Todavia, os documentos de fls. 08/10 e os autos de parcelamento nº 13855.720062/201355 não referenciam o DEBCAD 394454820. Ademais, o documento de fl. 20 demonstra que o DEBCAD 394454820 só foi parcelado em 21/01/2013 e, portanto, intempestivamente. O contribuinte possui o encargo de provar que regularizou suas pendências dentro do prazo legal, indicando de forma expressa o pleito de parcelamento em que consta cada débito motivador do indeferimento da opção pelo Simples Nacional. Na espécie, como o administrado não o fez, devese manter o indeferimento da referida opção. Pelo exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade. 5. Em seu Recurso, afirma a Recorrente que (fls. 29): 6. Procede a irresignação da Recorrente. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13855.720872/201221 Acórdão n.º 1803002.583 S1TE03 Fl. 44 5 7. Conforme se verifica dos documentos já anteriormente juntados aos autos (fls. 13 e 16), o referido débito 394454820 se encontrava, em 21/03/2012, na fase “suspenso p/ inclusão em parcel. especial” e “suspenso para inclusão em parcelamento e”. 8. Com os esclarecimentos prestados pela Recorrente e mais a juntada da Guia de Recolhimento da primeira prestação do parcelamento (código de pagamento: 4103), com vencimento em 09/02/2011 (DEBCAD 39454820), fica esclarecido o porquê de a inclusão em parcelamento ter, aparentemente, ocorrido apenas em 21/01/2013, conforme tela de fls. 22, na qual, equivocadamente, se fundamentou a decisão recorrida. 9. Dessa forma, comprovado que o débito na fase “suspenso para inclusão em parcelamento especial” já havia sido parcelado manualmente quando da opção pelo Simples Nacional, inexiste óbice a essa opção. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para reconhecer o direito da Recorrente de usufruir o benefício do Simples Nacional a partir de 01/01/2012, ressalvada a eventual existência de outros impedimentos. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/03/2 015 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005107/2004-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 23/11/2001
DESISTÊNCIA TOTAL DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO.
Não há que se conhecer do recurso voluntário diante de manifesta falta de interesse em recorrer demonstrada pela contribuinte, em razão da apresentação de pedido de desistência total do recurso interposto.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3202-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Adriano Souza, OAB/DF nº. 31.622.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 23/11/2001 DESISTÊNCIA TOTAL DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. Não há que se conhecer do recurso voluntário diante de manifesta falta de interesse em recorrer demonstrada pela contribuinte, em razão da apresentação de pedido de desistência total do recurso interposto. Recurso Voluntário não conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Adriano Souza, OAB/DF nº. 31.622. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
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CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. Recorrente UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA (antiga IGL INDUSTRIAL LTDA) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 23/11/2001 DESISTÊNCIA TOTAL DO RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. Não há que se conhecer do recurso voluntário diante de manifesta falta de interesse em recorrer demonstrada pela contribuinte, em razão da apresentação de pedido de desistência total do recurso interposto. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Ausente, temporariamente, a Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Adriano Souza, OAB/DF nº. 31.622. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Autos de Infração, lavrados em 22/09/2004, em desfavor da importadora IGL INDUSTRIAL LTDA (atual UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 51 07 /2 00 4- 66 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 LIMPEZA LTDA), para exigência de crédito tributário referente à multa por classificação incorreta da mercadoria e à diferença que deixou de ser recolhida relativa ao IPIvinculado, bem como acréscimos legais (multa de ofício e juros de mora), no valor total de R$ 30.603,28 (efls. 03/11). Referida empresa, por meio da Declaração de Importação nº 01/11814981 (efls. 19/21), registrada em 05/12/2001, submeteu a despacho aduaneiro o produto denominado ABIL EM 90, constando da referida DI a seguinte descrição: ABIL EM 90 copolímero de cetildimeticone polyol. Função: agente condicionador de pele e surfactante agente emulsificante. A contribuinte classificou a mercadoria no código NCM 3402.13.00 Agentes orgânicos de superfície, não iônicos, com as respectivas alíquotas de 16,5% para o II e 5% para o IPI. Em ato de conferência física, foi retirada amostra da mercadoria e encaminhada ao Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (LABANA), que expediu o Laudo nº. 3284.01, de 28/12/01. Referido Laudo (efls. 23/24) identificou o produto como sendo um Polidimetilsiloxano Modificado com Poli (OxiEtileno)Glicol, um outro óleo de silicone em forma primária, e afirmou taxativamente não se tratar de um agente orgânico de superfície de caráter nãoiônico. Diante das informações trazidas pelo Laudo Técnico, a autoridade fiscal procedeu à reclassificação da mercadoria, enquadrandoa no código NCM 3910.00.19 Outros óleos de silicone em forma primária, com alíquotas de 16,5% para o II e 15% para o IPI, lavrando os respectivos Autos de Infração para constituição dos créditos tributários já mencionados acima. A contribuinte apresentou impugnação (efls. 73/77), na qual alegou que a classificação por ela utilizada era a correta, vez que o produto importado tratavase de uma conversão de alipoliéter e alfa olefina com polisiloxano funcional, o que levava a um copolímero de polidimetilsiloxano enxertado com grupos álcali e poliéter, não se tratando, portanto, de um óleo de silicone. A DRJ/São Paulo II julgou procedente o lançamento (efls. 116/118). Entendeu aquele órgão julgador que seria incabível a classificação da mercadoria no código pretendido pela contribuinte, em razão de o produto não se tratar de um agente orgânico de superfície, não iônico. Assim, concluiu que, por aplicação da Regra Geral nº 1 para Interpretação do Sistema Harmonizado, o produto de nome comercial ABIL EM 90 encontraria correta classificação tarifária no código NCM 3910.00.19. Irresignada, a UNILEVER BRASIL HIGIENE PESSOAL E LIMPEZA LTDA apresentou recurso voluntário a este Colegiado (efls. 127/132), aduzindo, em síntese: que importou o produto denominado "ABIL em 90 Copolimero de Cetildimeticone Polyl", de fabricação da empresa alemã ROHDE & L1ESENFELD GMBH & CO., classificandoo no código tarifário NCM 3402.13.00, de acordo com informações técnicas da própria fornecedora; que o produto importado não pode ser tido como um “óleo de silicone em forma primária”, mas sim com uma conversão de alipoliéter e alfa olefina com polisiloxano funcional; que os produtos passíveis de enquadramento na posição 3402, adotada pela recorrente, jamais podem ser enquadrados na posição 3910, pretendida pelo fisco; e Fl. 296DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11128.005107/200466 Acórdão n.º 3202001.600 S3C2T2 Fl. 287 3 que o Laudo do LABANA é totalmente silente quanto à existência ou não das características dos produtos da posição 3402, cujas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, ao tratar dos agentes orgânicos de superfície, mencionam que tais agentes são suscetíveis a formar uma camada de absorção numa interface e, nesse estado, apresentam um conjunto de propriedades físicoquímicas, particularmente uma atividade de superfície; e que o produto importado é um composto químico de estrutura conhecida, cuja fórmula pode ser identificada por análise química exata. Ao final, requereu a reforma da decisão recorrida, com o respectivo cancelamento da multa de 1% por erro de classificação fiscal e da diferença do IPI, bem como dos acréscimos legais. Em sessão realizada em 28/07/2010, por meio da Resolução nº. 3202 000.014, esta Turma julgadora decidiu converter o julgamento em diligência, para que, por meio de novo Laudo Técnico, fossem respondidos os quesitos ali apresentados (efls. 186/191). Elaborado o Parecer Técnico nº. 005/14, pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer (efls. 226/267)e tendo a contribuinte manifestadose sobre o resultado da diligência (efls. 277/278), retornam os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Em face da desistência total do recurso voluntário interposto, apresentada pela contribuinte, temse que não mais há qualquer lide a ser dirimida, razão pela qual NÃO CONHEÇO do recurso voluntário interposto, devendo os autos retornar à unidade de origem. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 297DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 13005.001065/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
EMBARGOS. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO DEMONSTRADAS. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos se não existente a omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual devia ter-se pronunciado a turma.
Numero da decisão: 1302-001.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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OMISSÃO E CONTRADIÇÃO NÃO DEMONSTRADAS. REJEIÇÃO. Rejeitamse os embargos se não existente a omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão de ponto sobre o qual devia terse pronunciado a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Márcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 10 65 /2 00 9- 11 Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar embargos de declaração opostos por ALLIANCE ONE BRASIL EXP DE TABACOS LTDA em face do acórdão nº 1302000.991, proferido por esta turma na sessão de 03/10/2012, no qual este colegiado decidiu, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte. Vencidos os conselheiros Paulo Cortez, Marcio Frizzo e Diniz Raposo. Ciência em 04/01/2013. Protocolização dos embargos em 11/01/2013. Alega a embargante existência de omissão e contradição. Segundo alega a embargante: a) na página 31 da impugnação a embargante menciona o incorreto enquadramento da acusação, contrariamente ao que afirma o acórdão embargado, onde se lê, verbis, “cumpre mencionar que o desconhecimento das dd. Autoridades fiscais sobre os efeitos fiscais do ágio na aquisição de ativos e da constituição de provisão retificadora desses ágio fica claro na própria acusação fiscal, na medida em que as dd. Autoridades fiscais atacam a exclusão do LALUR decorrente da reversão da provisão retificadora, que sequer tem efeitos fiscais.”. Assim, deve ficar afastada a preclusão temporal; b) ultrapassada esta preliminar, a decisão recorrida, ao rejeitála, incorre novamente em contradição com a justificativa da decisão. Isto porque o enquadramento da infração não foi de dedução indevida, mas de exclusão indevida na apuração do lucro real. Este enquadramento não tem pertinência com a acusação fiscal, pois a embargante não realizou qualquer exclusão na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL relativo à amortização do ágio. A embargante sustenta que o enquadramento da infração fiscal não tem relação com a acusação fiscal. Assim, há contradição entre os fundamentos (acusação de despesas indevidas de amortização do ágio e enquadramento de exclusão indevida na apuração do lucro real) e a conclusão da decisão (rejeição do pedido de nulidade do lançamento fiscal); c) A despeito de concluir pela existência de fraude e simulação, não foi demonstrado na decisão recorrida a ocorrência dessas infrações. Na decisão embargada se lê que o lançamento fiscal foi mantido sob justificativas de falta de propósito negocial, complexidade desnecessária das operações, efeitos nulos da operação e curto lapso temporal entre as operações, justificativas que não são aptas a comprovar a existência de fraude e simulação. Alega que houve propósito negocial para as operações, a estrutura adotada era legítima, e as operações causaram efeitos reais nas operações. A desconsideração dos efeitos fiscais representa, tendo em vista que a estruturação foi aprovada pelo CADE, uma usurpação da competência legal do CADE. Pede, ao final, acolhimento dos embargos para o fim de sanarem as falhas do acórdão e, por conseqüência, que se dê provimento ao recurso voluntário da embargante. É o relatório. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13005.001065/200911 Acórdão n.º 1302001.494 S1C3T2 Fl. 1.751 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Os embargos são tempestivos, e em face da alegação de omissão e contradição, deles conheço. Relativamente à contradição entre a decisão do acórdão embargado e ao alegado préquestionamento da questão relativa à preliminar de nulidade por erro no enquadramento legal, vale dizer que a passagem mencionada como descritiva do mencionado préquestionamento se encontra (fls.1188) sob o título “A provisão retificadora do ágio – Resultado econômicofinanceiro nulo”. É com base na contabilização da provisão retificadora do ágio que a então impugnante tentava demonstrar erro na alegação feita pela fiscalização de que o negócio não teria qualquer efeito econômico ou financeiro para as empresas envolvidas no certame. Ocorre que esta acusação foi feita pelo fato de que no entender da fiscalização teria havido uma aquisição de R$507.000.000 (quinhentos e sete milhões de reais) sem que nenhum pagamento tivesse ocorrido, em especial quando a Intabex Netherlands B.V. alienou sua participação na Alliance One Exportadora de Tabacos Ltda para a Meridional de Tabacos Ltda pelo valor de mercado acima, desdobrado em R$268.324.917,57 (valor de PL registrado na contabilidade) e R$238.675.082,43 (a título de ágio na aquisição), consoante fls.1644. E em seguida, conforme apontou a fiscalização, o passivo de R$507.000.000 foi debitado, creditandose em contrapartida o capital social no mesmo valor, com histórico que mencionava aumento de capital social. A acusação relativa a resultado econômicofinanceiro nulo é expressa pela fiscalização nos seguintes termos, verbis (fl.1646): 16. Repare que nos lançamentos citados não há menção de conta Caixa ou Bancos, pois é isso mesmo, essas transações foram meros registros contábeis e alterações contratuais, sem movimentação financeira de um único centavo. A seguir, e após discorrer sobre os lançamentos contábeis envolvendo o lançamento do ágio e da provisão retificadora do ágio, a fiscalização segue para suas conclusões, afirmando, verbis (fls.1647/48): EFEITOS ECONÔMICOS DA OPERAÇÃO SIMULADA 21. Diante dos elementos apresentados até o momento, sobretudo pelas manifestações trazidas pela fiscalizada, percebese que não houve qualquer motivação econômica plausível que amparasse a operação de compra e venda da totalidade das cotas de capital da Alliance One Exportadora de Tabacos Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Ltda, negócio este que teria sido realizado entre Intabex Netherlands B. V. e Meridional de Tabacos Ltda. Isto posto, resta ainda averiguar se a dita operação negocial gerou algum efeito econômicofinanceiro para as partes envolvidas ou para empresa como entidade, antes e após a incorporação. 1 °) Inocorrência de Movimentação Financeira: Conforme demonstrado anteriormente, a operação de compra e venda, registrada com total de R$ 507.000.000,00, não gerou qualquer movimentação financeira, ficando simplesmente adstrita aos registros contábeis e às alterações dos contratos sociais. 2o) Efeitos Contábeis Nulos: No tocante a esta operação societária de compra e venda de cotas, os lançamentos contábeis registrados na empresa Meridional de Tabacos Ltda foram aqueles citados nos itens 13 a 15 acima, pinçados os principais para cá, com o intuito de facilitar a visualização: São essas acusações que vieram a ser rebatidas na impugnação, pela ora embargante, nos seguintes termos: cumpre mencionar que o desconhecimento das dd. Autoridades fiscais sobre os efeitos fiscais do ágio na aquisição de ativos e da constituição de provisão retificadora desses ágio fica claro na própria acusação fiscal, na medida em que as dd. Autoridades fiscais atacam a exclusão do LALUR decorrente da reversão da provisão retificadora, que sequer tem efeitos fiscais. Ou seja, o argumento se destinava a demonstrar que a acusação estava equivocada ao criticar um resultado econômicofinanceiro nulo e se baseava no fato de que a provisão retificadora não tem efeitos fiscais, sendo mera formalidade societária. Vale dizer que esta alegação, nestes termos, não foi acolhida no acórdão embargado, que, no seu corpo destaca, verbis: Inegável, também, a falta de substrato econômico para o surgimento do ágio. Afinal, com a incorporação da MERIDIONAL pela ALLIANCE BRASIL, o investimento que deu origem ao ágio não refletiu nenhum gasto efetuado pela MERIDIONAL (adquirente do investimento) e/ou nenhum ganho auferido pela INTABEX (alienante). Não houve circulação de nenhuma espécie de riqueza que justificasse a sua existência. Não é falso afirmar, assim, que nunca houve ágio decorrente de investimento, tendo ele sido criado de forma artificial. Desta forma, não pode haver dedutibilidade na sua amortização. Todavia, no recurso voluntário, a questão da provisão retificadora é novamente levantada, agora sob preliminar de nulidade, em que se passou a pedir a nulidade do auto de infração por erro de enquadramento. Vejamos o texto no recurso voluntário (fls.1026/27): Como demonstrado em sede de impugnação, a não compreensão das dd.autoridades fiscais sobre esse – digase, absolutamente correto – procedimento contábil adotado pela Meridional e posteriormente pela Recorrente gerou dois efeitos bastante relevantes para o desfecho do presente processo administrativo. O primeiro foi a equivocada conclusão de que a operação de compra e venda das quotas da Recorrente pela Meridional teria Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13005.001065/200911 Acórdão n.º 1302001.494 S1C3T2 Fl. 1.752 5 tido resultado econômicofinanceiro nulo, o que, como será demonstrado novamente a seguir, não é verdade. O segundo, e mais relevante na análise desta preliminar de nulidade do auto de infração, foi o incorreto enquadramento da suposta infração cometida pela Recorrente como “exclusão indevida do lucro real”. Ou seja – a despeito de a exclusão do lucro real estar diretamente relacionada à reversão da referida provisão, como será demonstrado detalhadamente a seguir, e não especificamente à amortização do ágio questionado pelas dd. Autoridades fiscais, as dd.autoridades fiscais entenderam que a infração supostamente cometida pela Recorrente seria a de ter excluído valores a título de ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esse equívoco foi repetido na decisão de primeira instância, o que se verifica na leitura da própria ementa da decisão, que consigna a manutenção do lançamento fiscal com a “glosa das exclusões indevidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”. Assim, diante da permanência desse equivocado enquadramento da suposta infração fiscal cometida pela Recorrente, mesmo após a decisão de primeira instância, a Recorrente não pode deixar de apontar esse vício que certamente implica a própria nulidade do lançamento fiscal. Vejase que o argumento é desta feita levantado não para o anterior efeito de contrastar a acusação de que as operações teriam gerado resultado econômicofinanceiro nulo, mas para atacar a própria higidez do auto de infração, que seria, então, nulo, por erro no enquadramento. Assim, acolhendo o argumento da PFN de que tal questão estaria preclusa, por não ter sido oportunamente manifestada na impugnação, o acórdão embargado rejeitou a preliminar de nulidade nos seguintes termos: A recorrente argúi preliminarmente que há erro no enquadramento, pois as autoridades legais, embora desejassem questionar a amortização do ágio acabaram por questionar a provisão retificadora do ágio, consubstanciada em exclusão indevida no LALUR desta. A Procuradoria da Fazenda Nacional, em contrarrazzões, aduz que o argumento não foi ventilado na impugnação, não devendo, portanto, ser conhecido pelo colegiado. De fato, na manifestação de fls. 701/743 (impugnação do contribuinte) nenhuma alusão ao referido argumento é encontrada, sendo indicativo seguro de que a matéria de fato somente vem a ser postulada em grau recursal. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, a matéria não expressamente contestada na impugnação é considerada não impugnada, não podendo dela conhecer o colegiado de segunda instância. No caso vertente, a matéria de que se trata é Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 eminentemente de direito, não cabendo sequer cogitar das hipóteses excepcionadas no art. 16, vez que restritas à prova documental não oportunamente apresentada por motivo de força maior, relativa a fato ou direito superveniente ou destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Desta forma, sou pelo não conhecimento de tais alegações motivado pela sua preclusão temporal. Caso o colegiado, todavia, decida em sentido contrário, passo à análise dos argumentos expendidos pela recorrente. Cabe ressaltar que embora o voto prosseguisse na análise dos argumentos, a turma, por unanimidade de votos, decidiu rejeitar a preliminar de nulidade, acolhendo o fato de que o pedido de nulidade baseado na provisão retificadora somente foi apresentado no recurso voluntário. Deste modo, não há contradição ou sequer omissão quanto a esta matéria no acórdão embargado, que analisou os argumentos da recorrente, tendo, contudo, decidido em sentido contrário a seu desejo. Vêse, novamente, agora em sede de embargos, que a questão é reiterada, pretendendose que o argumento seja agora visto sob o enfoque da contradição. Não me parece seja o que se dá no presente caso, não havendo qualquer contradição entre as premissas adotadas e a conclusão a que chegou o acórdão, no tocante à rejeição da preliminar. A embargante alega nova contradição, existente ao se rejeitar a preliminar de nulidade, porquanto, as conclusões a que chega o acórdão embargado destoam da fundamentação legal a que chegou a fiscalização. Em outras palavras, haveria contradição entre os fundamentos (acusação de despesas indevidas de amortização do ágio e enquadramento de exclusão indevida na apuração do lucro real) e a conclusão da decisão (rejeição do pedido de nulidade do lançamento fiscal). A questão é recorrente e se refere ao mesmo tópico anterior, sob outra ótica, porém. Aqui a embargante, atacando a decisão tomada no acórdão recorrido em rejeitar a preliminar de nulidade, vê contradição entre esta decisão e o fato de que a acusação de despesas indevidas de amortização do ágio e o enquadramento de exclusão indevida na apuração do lucro real destoam entre si. Seria, então, uma contradição, porque a decisão adotada não guardaria harmonia entre suas premissas, já que a peça fiscal conteria uma contradição em si que não fora aceita pelo acórdão. A questão não é hábil contudo a propiciar retificação no aresto embargado. Isto porque o colegiado, ao decidir pela rejeição da preliminar, sequer passou a analisar tal questão que não é, assim, controversa. Assim, não sendo controversa, não há litígio a ensejar contradição. Vejase que o votocondutor tratava da matéria, mas somente se ultrapassada a preliminar de nulidade, o que não ocorreu. Vejamos: Desta forma, sou pelo não conhecimento de tais alegações motivado pela sua preclusão temporal. Caso o colegiado, todavia, decida em sentido contrário, passo à análise dos argumentos expendidos pela recorrente. Consoante afirma a recorrente, a despesa com ágio é dedutível do lucro líquido do exercício. Todavia, entende que a Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13005.001065/200911 Acórdão n.º 1302001.494 S1C3T2 Fl. 1.753 7 fiscalização quis glosar exclusão indevida do lucro real. Neste sentido passa a discorrer que a fiscalização não quis tributar a despesa com ágio deduzida mas a provisão retificadora constituída para neutralizar a amortização do ágio no resultado do período, a qual se constitui em receita a ser excluída para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Ora tal afirmação desvirtua totalmente de tudo aquilo que a fiscalização afirma em seu Relatório da Ação Fiscal e no auto de infração. Em nenhum momento a fiscalização demonstra querer tributar a exclusão de tal provisão e, aliás, o que foi muito bem compreendido pela recorrente em sua defesa, posto que logrou se defender de todas as acusações feitas, demonstrando que havia compreendido o teor das acusações. A simples exposição dos fatos destes autos é suficiente para demonstrar que a a preliminar destoa dos itens em pauta. Toda a acusação fiscal investe contra a dedução da amortização do ágio. A idéia de que a fiscalização questiona a provisão criada para neutralizar o ágio é retórica da recorrente, não se sustentando nos fatos processuais. Pelo contrário, no Relatório de Ação Fiscal a fiscalização expressamente declina os dispositivos que tratam da amortização do ágio (art.385, 386, RIR/99). Os lançamentos fiscais envolvidos com a amortização do ágio são expressamente descritos também naquele documento. Por fim, toda a trama desenvolvida no Relatório encadeia os fatos no sentido de demonstrar uma simulação na criação do ágio. Assim, não vejo qualquer contradição no acórdão embargado a ensejar reparo. Não pode haver contradição se a matéria sequer foi conhecida pelo colegiado. Tratase, a meu ver, de tentativa de se reapreciar a matéria, agora por meio dos embargos. O terceiro ponto levantado nos embargos é a suposta contradição e omissão que existiria pelo fato de a despeito de concluir pela existência de fraude e simulação, não ter sido demonstrado na decisão recorrida a ocorrência dessas infrações, que manteve o lançamento fiscal sob justificativas de falta de propósito negocial, complexidade desnecessária das operações, efeitos nulos da operação e curto lapso temporal entre as operações. A assertiva, todavia, não merece guarida, porquanto o acórdão recorrido concluiu pela presença de simulação, atacando os pontos em que a viu, em especial na geração de ágio interno, e baseouse em jurisprudência do Carf acerca da manutenção da multa qualificada na presença de simulação. E para isto utilizouse a recorrente, em conluio com demais empresas do grupo, de uma série de atos societários que embora tiveram fim equivalente ao que seria obtido por meio de incorporação direta, permitiram a criação do ágio que a recorrente desejou amortizar. E tal criação artificial nada mais é do que uma simulação, vez que a vontade declarada dos atos praticados diverge da vontade real desejada pela recorrente. Com efeito, procurouse fazer parecer real um investimento inexistente com o fim específico de gerar uma vantagem fiscal indevida. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Tendo em vista que a reestruturação societária planejada com antecipação e executada com grande cuidado, como macro operação que foi, conteve em seu bojo as ações destinadas a simular a criação de um ágio inexistente, interno ao grupo, é evidente que tais ações foram praticadas dolosamente, não se podendo argüir inocência quanto à finalidade pretendida – reduzir o montante de impostos, mediante a declaração fraudulenta de vontade em negócios jurídicos societários efetuados dentro do grupo econômico. [...] No mesmo sentido segue forte jurisprudência do Carf. Vejamos: Acórdão nº 10196066 do Processo 10735003228200533 [...] No mesmo sentido Acórdão nº 10195168 do Processo 10768015727200162 [...] No mesmo sentido Acórdão nº 10323441 do Processo 10980009452200618 Assim, não há como alegarse que a matéria não foi tratada ou foi tratada de forma contraditória. Quanto á desconsideração dos efeitos fiscais, tal matéria encontrase albergada na competência da autoridade administrativa, ex vi dos art. 118, 149, do CTN, art. 72 da Lei nº 4.502/64 e art.44 da Lei nº 9.430/96, não havendo qualquer invasão nas prerrogativas do CADE, porquanto a matéria não foi apreciada sob o ângulo da violação à ordem econômica, mas tão somente quanto a seus aspectos tributários, concernentes à competência deste órgão colegiado, nos termos do RICARF. Desta forma, voto para conhecer dos embargos e rejeitálos. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13736.000945/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1995
PIS/PASEP - PRAZO DE DECADÊNCIA
A PARA REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO EM DATA POSTERIOR A 09.06.2005. ART. 62-A DO RICARF - RE 566.621
Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, introduzido pelo art. 3º. da LC 118 se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Nas hipóteses em que o protocolo do pedido foi apresentado em data posterior à vigência da mencionada norma complementar, como no caso, o prazo decadencial deve ser de cinco anos contados da data da extinção do crédito, assim entendida como o pagamento supostamente indevido.
Numero da decisão: 3301-002.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relator.
EDITADO EM: 09/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Antonio Mario de Abreu Pinto, Jose Adao Vitorino de Morais, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO APRESENTADO EM DATA POSTERIOR A 09.06.2005. ART. 62A DO RICARF RE 566.621 Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal, a aplicação novo prazo de decadência para a repetição do indébito tributário, introduzido pelo art. 3º. da LC 118 se aplica apenas aos casos em que o pedido de restituição ou compensação foi apresentado após 09.06.2005. Nas hipóteses em que o protocolo do pedido foi apresentado em data posterior à vigência da mencionada norma complementar, como no caso, o prazo decadencial deve ser de cinco anos contados da data da extinção do crédito, assim entendida como o pagamento supostamente indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relator. EDITADO EM: 09/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 09 45 /2 00 7- 53 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Antonio Mario de Abreu Pinto, Jose Adao Vitorino de Morais, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora). Relatório Tratase, na origem, de pedido de restituição (fl. 03) apresentado em 14 de setembro de 2007, relativo a valores pagos indevidamente ao título Programa de Integração SocialPIS no ano de 1995, no valor de R$ 2.000.000,00. O mencionado crédito tem por origem o recolhimento indevido do PIS, na forma do art. 15 da Medida Provisória nº 1.212, de 28.11.95 e do art. 18 da Lei nº 9.715, de 25.11.98 declarado inconstitucional pelo Plenário do Eg. STF por ocasião do RE 2328963, inconstitucionalidade essa reconhecida e instrumentalizada no Parecer PGFN/CRJ 1681/99. A DRF em Niterói proferiu decisão (fls. 38/42) indeferindo o pedido de restituição e deixando de homologar a compensação de créditos. Concluiu a DRF que o direito da contribuinte, ora recorrente, de pleitear a restituição de valores recolhidos indevidamente extinguiuse no prazo de 5 anos contados a partir da data de protocolização do pedido, conforme inciso I, art. 165 e inciso I, art. 168 do Código Tributário Nacional, e deste modo período de contribuição indevida teria decaído em razão do prazo decadencial. Intimada, a empresa apresenta manifestação de inconformidade às fls. 47/56. Na mencionada peça, a contribuinte pugnou pela reforma do despacho decisório por entender que a Autoridade Administrativa negou vigência à Resolução 49/95 do Senado Federal. Expôs a contribuinte, ora recorrente, que para efeito de contagem do prazo prescricional/decadencial, o dies a quo para o caso concreto se efetivou pela atribuição de efeitos concretos à declaração de inconstitucionalidade do recolhimento do PIS na forma do art. 15 da MP n. 1212 e do art. 18 da Lei n. 9.715/98, o que só ocorreu com a publicação da aludida Resolução. Assim, considerandose o prazo de cinco anos para o pedido de restituição e, ainda, contandose o prazo decadencial da publicação da aludida Resolução, temse que o pleito da contribuinte estaria tempestivo. A DRJ do Rio de Janeiro (fls. 61/67) rejeitou as alegações do contribuinte em sua manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do direito pleiteado ao fundamento de que o crédito pleiteado estaria decaído. Segundo o entendimento dos julgadores a quo, o direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação encerrase em 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito. No caso concreto, como o pedido de restituição foi apresentado em 14/09/2007 e os recolhimentos indevidos se deram em 1995, encontrase ultrapassado o prazo de 5 anos do recolhimento indevido, donde extinto o direito à restituição. Intimado do referido acórdão em 03 de novembro de 2009 (fl. 70), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 30 de novembro de 2009 (fls. 72/74). É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13736.000945/200753 Acórdão n.º 3301002.323 S3C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Como já referido, a controvérsia dos presentes autos gira em torno do direito do contribuinte, ora recorrente, aos créditos oriundos do recolhimento a maior de PIS. O mencionado recolhimento indevido se deu em 1995. O pedido de devolução dos montantes recolhidos a maior ocorreu em 14/09/2007 (fl.03). Sem razão a contribuinte. O pedido está decaído. É que o STF, no julgamento do RE nº 566.621/RS, julgado no qual havia sido aplicada a repercussão geral da matéria em exame, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/05 e firmou o posicionamento, por maioria dos votos, de que, somente para os processos ajuizados após a entrada em vigor da LC nº 118/2005, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para compensação ou repetição do indébito tributário, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de 05 (cinco) anos contados do pagamento indevido. Segue a ementa, in verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às Fl. 83DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (Grifo nosso) Neste sentido, há de se observar o artigo 62ª do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática revista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos Recursos no âmbito do CARF. No caso em tela, o pedido de restituição de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) foi protocolizado em 14/09/2007, correspondendo a pagamentos efetuados em 1995. Ou seja, o pedido administrativo ocorreu após o início de vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, assim, o prazo previsto na mencionada lei complementar, conforme o posicionamento do STF. Portanto o direito de pleitear a restituição dos pagamentos alegadamente indevidos já havia sido atingido pela decadência no momento do pedido administrativo. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13736.000945/200753 Acórdão n.º 3301002.323 S3C3T1 Fl. 4 5 Face ao exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário para declarar a decadência do direito do contribuinte pleitear a restituição de valores de PIS em referência. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário. Fábia Regina Freitas Relatora Fl. 85DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 13106.000849/2010-27
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Exercício: 2012
SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. DÉBITOS.
Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa.
Não tendo sido regularizada a totalidade dos débitos no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ADE, deve ser mantido o efeito da exclusão do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1803-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para considerar como termo final dos efeitos da exclusão do Simples Nacional o ano-calendário de 2011, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Exercício: 2012 SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÃO. DÉBITOS. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Não tendo sido regularizada a totalidade dos débitos no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ADE, deve ser mantido o efeito da exclusão do Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para considerar como termo final dos efeitos da exclusão do Simples Nacional o ano-calendário de 2011, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva.
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VEDAÇÃO. DÉBITOS. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Não tendo sido regularizada a totalidade dos débitos no prazo de 30 (trinta) dias da ciência do ADE, deve ser mantido o efeito da exclusão do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário para considerar como termo final dos efeitos da exclusão do Simples Nacional o anocalendário de 2011, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Roberto Armond Ferreira da Silva, Ricardo Diefenthaeler, Fernando Ferreira Castellani e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 10 6. 00 08 49 /2 01 0- 27 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13106.000849/201027 Acórdão n.º 1803002.628 S1TE03 Fl. 128 2 A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BAU/SP nº 440.229, de 01.09.2010, fl. 46, com efeitos a partir de 01.01.2011, com base nos fundamentos de fato e de direito indicados: Art. 1º Fica excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) a pessoa jurídica, a seguir identificada, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar no 123, de 2006, e na alínea "d" do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007: Nome Empresarial: BR ELEUTÉRIO DA CUNHA ME Número de Inscrição no CNPJ: 03.020.239/000111 Art. 2º Os efeitos da exclusão darseão a partir do dia 1º de janeiro de 2011, conforme disposto no inciso IV do art. 31 da Lei Complementar nº 123, de 2006. [...] Art. 4º Tornarseá sem efeito a exclusão, caso a totalidade dos débitos da pessoa jurídica seja regularizada no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência deste ADE, ressalvada a possibilidade de emissão de novo ADE devido a outras pendências porventura identificadas. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 01 e 68, com os argumentos a seguir discriminados: DOS DÉBITOS APRESENTADOS, ALGUNS ESTAVAM RECOLHIDOS E O S DEMAIS FORAM PAGOS. DENTRO DO PRAZO ESTABELECIDO NO ARTIGO 3º MENCIONADA ADE NO ÍTEM 4. I OS FATOS Foi notificado através do ADE acima de que seria excluído do Simples Nacional, caso não recolhesse a totalidade dos débitos alistados no citado ato, conforme descritos no próprio documento, o que foi prontamente feito pelo contribuinte. Agora, no mês em curso recebeu uma ligação do funcionário da DRF em Bauru, alertando que foram apurados novos débitos, os quais, caso não fossem quitados, iriam motivar o desenquadramento do regime tributário em que a empresa se encontra enquadrada. Assim, mais uma vez, dirigiuse a Receita Federal, para explicar seu desconhecimento sobre esses débitos e que os mesmos não apareciam no site da Receita, o que impossibilitava o seu pagamento. Após isso, no mesmo dia, os débitos apareceram e então os recolhimentos foram efetuados. II O DIREITO II. 1 PRELIMINAR Como não houve má fé, nem negligência no atendimento do ADE, mas se ficaram valores a serem recolhidos isto ocorreu por falha no sistema da Receita Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13106.000849/201027 Acórdão n.º 1803002.628 S1TE03 Fl. 129 3 Federal, assim como, ao aparecer no sistema, de imediato imprimiu os DAS e efetuou o recolhimento. II. 2 MÉRITO (inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Como, até onde sabe o contribuinte, não existe nenhum outro débito que impeça sua permanência no regime do Simples Nacional, sendo que as últimas pendências apontadas encontramse recolhidas, conforme documentos em anexos. III A CONCLUSÃO (modelo de conclusão) À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da sua exclusão, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, permanecendo no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 01 27.465, de 15.10.2013, fls. 109112: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. EXCLUSÃO. Se os débitos motivadores da exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional não foram regularizados dentro do prazo legal, devese manter a exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Notificada em 29.11.2013 (sextafeira), fl. 119, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02.01.2014, fls. 123124, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: I Os Fatos De acordo com o conteúdo do processo acima referenciado, a empresa continua inconformada com o Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil, no qual consta a manutenção da exclusão do Simples Nacional a partir de 01/01/2011. II O Direito II.1 PRELIMINAR A empresa passou por muitas dificuldades financeiras desde que seu estabelecimento sofreu um incêndio alguns anos atrás, o que a levou a atrasar o recolhimento de alguns tributos,' mas em momento algum se negou a recolher as importâncias devidas, inclusive tendo parcelado tais débitos por ocasião de seu enquadramento no Simples Nacional a partir de 01/07/2007. A partir de então sempre tem efetuado os recolhimentos tributários devidos, mas tomou conhecimento Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13106.000849/201027 Acórdão n.º 1803002.628 S1TE03 Fl. 130 4 de diferenças de recolhimentos conforme já relatado anteriormente, porém imediatamente efetuou os pagamentos necessários. Ao tomar conhecimento da existência de débitos que poderiam motivar a sua exclusão, prontamente tomou as medidas necessárias para a regularização e quitação dos mesmos. II. 2 MÉRITO Sentese tremendamente injustiçada com a possível exclusão, pois, ao que saiba, não existe nenhum débito remanescente, em aberto, desde então, não havendo motivo para desenquadramento. Mesmo que se persistisse o Acórdão constante na Intimação n° 827/2013/DRF/BAURU/SACAT, datada de 26/11/2013, seria muito injusto o seu desenquadramento por tantos exercícios seguidos, especialmente levando em conta que todos os débitos foram regularizados no prazo legal e não possui nenhuma pendência desde então. Notese que tal situação encontrase em discussão desde a publicação do ADE DRF/BAU nº 440229,de 01/09/2010 e tal demora em todo esse julgamento penaliza a empresa com desenquadramento por 3 (três) exercícios, quando na pior hipótese deveria ser de 1 (um) único exercício, visto quê se tal manutenção da exclusão ocorresse em 2011, a empresa poderia ter se reenquadrado a partir de 01/01/2012, por não possuir nenhum impedimento para tal. IIIA CONCLUSÃO À vista de todo o exposto, demonstrada a incoerência na decisão, especialmente levandose conta que se trata de contribuinte idôneo e pagador de seus débitos tributários, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelando: decisão tomada em prejuízo do contribuinte. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido pertinente ao cumprimento das obrigações tributárias, principal e acessória, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina no inciso X do art. 170 e no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13106.000849/201027 Acórdão n.º 1803002.628 S1TE03 Fl. 131 5 Com o escopo de implementar esses princípios constitucionais foi editada a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional. O Simples Nacional está regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante ato administrativo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de ofício. Os seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Excepcionalmente é permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão 1. Ainda atinente a matéria, o Supremo Tribunal Federal (STF), julgou o recurso extraordinário com repercussão geral (leading case RE 627543), tema nº 363, com trânsito em julgado ocorreu em 14.11.2014, cuja decisão definitiva de mérito ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009): Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida. Microempresa e empresa de pequeno porte. Tratamento diferenciado. Simples Nacional. Adesão. Débitos fiscais pendentes. Lei Complementar nº 123/06. Constitucionalidade. Recurso não provido. 1. O Simples Nacional surgiu da premente necessidade de se fazer com que o sistema tributário nacional concretizasse as diretrizes constitucionais do favorecimento às microempresas e às empresas de pequeno porte. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, em consonância com as diretrizes traçadas pelos arts. 146, III, d, e parágrafo único; 170, IX; e 179 da Constituição Federal, visa à simplificação e à redução das obrigações dessas empresas, conferindo a elas um tratamento jurídico diferenciado, o qual guarda, ainda, perfeita consonância com os princípios da capacidade contributiva e da isonomia. 2. Ausência de afronta ao princípio da isonomia tributária. O regime foi criado para diferenciar, em iguais condições, os empreendedores com menor capacidade contributiva e menor 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007,e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13106.000849/201027 Acórdão n.º 1803002.628 S1TE03 Fl. 132 6 poder econômico, sendo desarrazoado que, nesse universo de contribuintes, se favoreçam aqueles em débito com os fiscos pertinentes, os quais participariam do mercado com uma vantagem competitiva em relação àqueles que cumprem pontualmente com suas obrigações. 3. A condicionante do inciso V do art. 17 da LC 123/06 não se caracteriza, a priori, como fator de desequilíbrio concorrencial, pois se constitui em exigência imposta a todas as pequenas e as microempresas (MPE), bem como a todos os microempreendedores individuais (MEI), devendo ser contextualizada, por representar também, forma indireta de se reprovar a infração das leis fiscais e de se garantir a neutralidade, com enfoque na livre concorrência. 4. A presente hipótese não se confunde com aquelas fixadas nas Súmulas 70, 323 e 547 do STF, porquanto a espécie não se caracteriza como meio ilícito de coação a pagamento de tributo, nem como restrição desproporcional e desarrazoada ao exercício da atividade econômica. Não se trata, na espécie, de forma de cobrança indireta de tributo, mas de requisito para fins de fruição a regime tributário diferenciado e facultativo. 2 Sobre os débitos não pagos, consta na informação fiscal proferida pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária Saort/DRF Bauru/SP, fl. 76: Tratase de processo de manifestação contra DE pela exclusão do Simples Nacional, conforme folhas 01/03. Foram juntadas as seguintes pesquisas: 1. Pesquisa de apoio para emissão d e certidão (folhas 19/22), 2. DASN , anocalendário 2008 (folhas 23/30), 3. DASN , anocalendário 2007 (folhas 31/35), 4. Telas d o sistema SIVEX (folhas 36/39) e Consulta SUCOP (folha 40). [...] Apesar da manifestação ser tempestiva, o contribuinte não reclama erro de direito, não sendo, portanto, o caso de envio para a DRJ, conforme orientação da Nota Técnica nro 01 de 25/03/09. Na data de 18/01/2011, o contribuinte atendeu nossa solicitação verbal, via telefone, e apresentou planilha + cópia de DAS com os pagamentos efetuados para o período tratado neste processo. Verificouse que estes estão corretamente alocados, sendo insuficientes para alguns PA's, conforme tabela de folha 41, confirmando débitos apurados nas folhas 19/22. Dessa forma, PROPONHO o envio deste processo para a SAORT analisado pleito do contribuinte, conforme sua atribuição constante n o inciso VI do art. 1 da Portaria n ° 80, de 25/06/2007. 2 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=3922675&numero Processo=627543&classeProcesso=RE&numeroTema=363>. Acesso em: 10 mar.2015. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13106.000849/201027 Acórdão n.º 1803002.628 S1TE03 Fl. 133 7 O processo está instruído com os pagamentos, que foram considerados de ofício e com a análise desses dados, fls. 2849. Está registrado na informação fiscal proferida pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária Saort/DRF Bauru/SP, fl. 107: Tratase de contestação à exclusão do regime do Simples Nacional (fls. 01) , recepcionada nesta DRF em 18/10/10, tempestiva em relação à ciência do ADE em 20/09/10 (fls.40), no qual o interessado pleiteia sua manutenção naquela sistemática alegando pagamento de seus débitos do Simples Nacional dos períodos 7 a 12/2007 e 2, 3 e 5 a 10/2008, dentro do prazo previsto no ADE. Em 31/01/11, apresentou o interessado nova manifestação (fls. 68), na qual reafirma o pagamento da totalidade dos referidos débitos, bem como de outros débitos detectados posteriormente; alega que estes últimos ocorreram por falha dos sistemas da Receita Federal e que teria imediatamente liquidado os débitos remanescentes. Considerando que não foi alegado, nem constatado, dos documentos destes autos, ocorrência de erro de fato que ensejasse revisão de ofício, encaminhese o processo à DRJ/Ribeirão Preto para seguimento. No Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BEL/PA nº 0127.465, de 15.10.2013, as circunstâncias fáticas que motivaram a exclusão foram analisadas nos seguintes termos, fls. 109112: Os débitos motivadores da exclusão da contribuinte são relativos ao período de 07/2007 a 12/2007 e 02/2008, 03/2008, 05/2008 a 07/2008, 09/2008 e 10/2008, apurados no regime unificado (Simples Nacional), conforme descrito nº ADE nº 440.229, às fls. 46, que o contribuinte alega já ter pago, a fim de tornar sem efeito a exclusão. Na consulta emitida em 13/01/2011, às fls. 26/29, verificase saldos devedores em cobrança relativos aos períodos de apuração 08/2007 (R$638,85), 09/2007 (R$764,64), 11/2007 (R$216,19), 06/2008 (R$673,07), 07/2008 (R$199,26), 09/2008 (R$52,26), 10/2008 (R$109,93) Verificase que os saldos devedores dos períodos de 08/2007, 09/2007, 11/2007 e 06/2008 decorreram de recolhimento a menor do valor principal, que conforme declarado pelo próprio contribuinte em sua DASN e descrito no ADE, às fls. 46, era no valor principal de R$1.835,58, R$2.166,49, R$2.328,66 e R$1.723,87, mas foram recolhidos em 13/10/2010 e 14/10/2010, no valor principal de R$1.196,73, R$1.401,85, R$2.112,47 e R$1.050,01 (fls. 07, 08, 10/11 e 18/19), respectivamente. Quanto aos saldos em aberto de R$199,26 (07/2008), R$52,26 (09/2008) e R$109,93 (10/2008), o contribuinte alega não ter tido conhecimento à época, entretanto, verificase que também decorreram de recolhimentos a menor efetuados em 14/10/2008, do valor principal devido em 07/2008 (R$353,70), 09/2008 (R$604,25) e 10/2008 (R$419,00), como se verifica no confronto do DAS e débitos declarados na DASN, às fls. 20/22 e 34/35. A DRF/Bauru elaborou um demonstrativo onde confrontou os valores declarados e os recolhidos, indicando os saldos devedores em cobrança após o prazo de regularização dos débitos geradores do ADE. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13106.000849/201027 Acórdão n.º 1803002.628 S1TE03 Fl. 134 8 Pelo exposto, não procede a alegação do contribuinte de que não efetuou o pagamento das diferenças por não ter sido comunicado à época, já que se trata de encargos de juros e multa de mora e existe previsão legal para sua incidência sobre débitos com a Fazenda Nacional não recolhidos no prazo estabelecido (art. 161 do CTN e art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96). Assim, ante a falta de regularização da pendências geradoras da exclusão nos meses 08/2007, 09/2007, 11/2007, 06/2008, 07/2008, 09/2008, 10/2008, dentro do prazo estabelecido pelo art. 3º do ADE (as diferenças foram pagas somente em 31/01/2011, conforme DAS, às fls. 79/92), voto por julgar improcedente a manifestação da contribuinte, devendo ser mantida a exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2011. Nesse sentido a Recorrente não comprova a regularização dos débitos no prazo legal de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Assim, não lhe cabe razão, uma vez que a falta de regularização da pendências geradoras da exclusão nos meses 08/2007, 09/2007, 11/2007, 06/2008, 07/2008, 09/2008, 10/2008, dentro do prazo legal. Por seu turno, a Recorrente apresenta as cópias dos DARF referentes aos pagamentos, fls. 7992, que extinguem os débitos em análise em 31.01.2011. Nesse sentido, a Recorrente não comprova a regularização dos débitos no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão que ocorreu em 29.09.2010, fl. 47. Entretanto os efeitos da exclusão devem limitarse ao anocalendário de 2011, pois restou comprovado nos autos que a causa da exclusão deixou de existir no anocalendário de 2011, conforme as cópias dos DARF referentes aos pagamentos, fls. 7992, que extinguem os débitos em análise em 31.01.2011. Assim, cabe razão a Recorrente em parte. A alegação de boafé pelo cumprimento das obrigações tributárias, não tem qualquer influência no presente procedimento de ofício, uma vez que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato", nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para considerar como termo final dos efeitos da exclusão do Simples Nacional o ano calendário de 2011. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13106.000849/201027 Acórdão n.º 1803002.628 S1TE03 Fl. 135 9 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 06/04/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001928/2009-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PIS E COFINS. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE DE AJUSTE.
Possível o ajuste da base de cálculo para a manutenção dos tributos cujos fatos geradores foram lançados.
AGRAVAMENTO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. COINCIDÊNCIA DOS MOTIVOS PARA O ARBITRAMENTO.
Deve ser afastado o agravamento da multa quando a sua motivação coincidir com os fatos ensejadores do arbitramento.
Numero da decisão: 1102-000.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência da COFINS no valor de R$ 59.281,72 e de PIS no montante de R$ 12.844,37, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Redator ad hoc designado.
Participaram do julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barretto (relatora original), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PIS E COFINS. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE DE AJUSTE. Possível o ajuste da base de cálculo para a manutenção dos tributos cujos fatos geradores foram lançados. AGRAVAMENTO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. COINCIDÊNCIA DOS MOTIVOS PARA O ARBITRAMENTO. Deve ser afastado o agravamento da multa quando a sua motivação coincidir com os fatos ensejadores do arbitramento.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BINGO DA PRAIA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PIS E COFINS. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE DE AJUSTE. Possível o ajuste da base de cálculo para a manutenção dos tributos cujos fatos geradores foram lançados. AGRAVAMENTO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. COINCIDÊNCIA DOS MOTIVOS PARA O ARBITRAMENTO. Deve ser afastado o agravamento da multa quando a sua motivação coincidir com os fatos ensejadores do arbitramento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a exigência da COFINS no valor de R$ 59.281,72 e de PIS no montante de R$ 12.844,37, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Redator ad hoc designado. Participaram do julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barretto (relatora original), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, e Francisco Alexandre dos Santos Linhares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 19 28 /2 00 9- 80 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/ 04/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 12898.001928/200980 Acórdão n.º 1102000.834 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício decorrente de acórdão que julgou parcialmente procedente a Impugnação do contribuinte para afastar o agravamento da penalidade imposta e cancelar as exigências de PIS e de COFINS, por força de erro na apuração da base de cálculo. Consideraram os julgadores a quo que não seria possível agravar a penalidade, com base nas mesmas razões que ensejaram o lançamento por arbitramento, qual seja, o não atendimento satisfatório às intimações fiscais, assim como não poderia subsistir lançamento de contribuições sujeitas à apuração mensal efetuados de forma trimestral. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Conheço do recurso de ofício em razão do preenchimento dos pressupostos legais. A decisão recorrida exonerou o contribuinte do recolhimento do PIS e da COFINS por terem sido apuradas de forma trimestral, quando o art. 2º, da Lei nº 9.718/98 determina expressamente que a apuração é mensal. Dúvidas inexistem quanto à necessidade de apuração mensal das referidas contribuições, contudo, no caso em tela, o erro da autoridade fiscal prejudicou apenas a cobrança referente aos fatos geradores que não foram mencionados no auto de infração. Os fatos geradores que foram alvo de lançamento, mas em valores equivocados, porquanto incluídas receitas de outros meses, devem ser ajustados e não integralmente cancelados. Na fl. 13, do Relatório Fiscal que faz parte integrante dos Autos de Infração lavrados (fls. 307/329), a autoridade fiscal individualizou a receita cuja origem não fora identificada de forma mensal, tornando claro o valor do faturamento nos meses lançados (março, junho, setembro e dezembro). Verificase, portanto, que deve ser mantido o lançamento de PIS e de COFINS referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de março, junho, setembro e dezembro, utilizandose como base de cálculo os seguintes valores: Março à R$ 368.876,39 Junho à R$ 586.494,50 Fl. 378DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/ 04/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 12898.001928/200980 Acórdão n.º 1102000.834 S1C1T2 Fl. 4 3 Setembro à R$ 546.857,53 Dezembro à R$ 473.828,97 O valor principal subsistente da COFINS passa a ser de R$ 59.281,72 e o de PIS R$ 12.844,37. No que tange ao agravamento da multa, não merece reparos a decisão a quo, haja vista que os fatos motivadores utilizados pela autoridade fiscal coincidem com aqueles utilizados para justificar o arbitramento do IRPJ, além de não ser possível o agravamento com amparo na mera ausência de apresentação de livros e documentos. Consoante Relatório Fiscal de fls. 307/329, o contribuinte forneceu os extratos bancários utilizados para o lançamento com base na presunção legal de omissão de receitas e informou a inexistência de livros fiscais para apresentação. A jurisprudência desta Casa temse manifestado inúmeras vezes quanto à impossibilidade de agravamento da multa, com base nos mesmos fundamentos utilizados para o arbitramento do tributo. Em face do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso de Ofício para restabelecer a cobrança da COFINS no valor de R$ 59.281,72 e de PIS no montante de R$ 12.844,37. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Redator ad hoc designado Fl. 379DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/ 04/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
score : 1.0
Numero do processo: 10120.721404/2009-74
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
Ementa:
VALOR DA TERRA NUA (VTN) - REVISÃO PELO FISCO.
A apresentação de elementos outros que não o laudo técnico elaborado nos termos da NBR 1465.3-3 ABNT, são capazes de afastar o arbitramento pela RFB do VTN, para o imóvel em questão quando demonstrada a impossibilidade material de se proceder ao laudo técnico exigido pelo citado normativo, mormente ao se considerar que o arbitramento majorou em cerca de cinco vezes o valor atribuído ao imóvel para fins de ITBI.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - GLOSA
Quanto às áreas de preservação permanente é indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas.
ITR - GLOSA DA DEDUÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA RESPECTIVA JUNTO À MATRICULA DO IMÓVEL
Para a dedução das áreas de reserva legal no cálculo do ITR necessária é a área declarada pelo contribuinte estar regularmente delimitada e averbada junto à matrícula do imóvel.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.988
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa do VTN, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento parcial em maior extensão, pois também excluía a glosa da área de preservação permanente.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 22/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez e Jaci de Assis Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Juliana Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 Ementa: VALOR DA TERRA NUA (VTN) - REVISÃO PELO FISCO. A apresentação de elementos outros que não o laudo técnico elaborado nos termos da NBR 1465.3-3 ABNT, são capazes de afastar o arbitramento pela RFB do VTN, para o imóvel em questão quando demonstrada a impossibilidade material de se proceder ao laudo técnico exigido pelo citado normativo, mormente ao se considerar que o arbitramento majorou em cerca de cinco vezes o valor atribuído ao imóvel para fins de ITBI. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - GLOSA Quanto às áreas de preservação permanente é indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas. ITR - GLOSA DA DEDUÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA RESPECTIVA JUNTO À MATRICULA DO IMÓVEL Para a dedução das áreas de reserva legal no cálculo do ITR necessária é a área declarada pelo contribuinte estar regularmente delimitada e averbada junto à matrícula do imóvel. Recurso provido em parte.
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A apresentação de elementos outros que não o laudo técnico elaborado nos termos da NBR 1465.33 ABNT, são capazes de afastar o arbitramento pela RFB do VTN, para o imóvel em questão quando demonstrada a impossibilidade material de se proceder ao laudo técnico exigido pelo citado normativo, mormente ao se considerar que o arbitramento majorou em cerca de cinco vezes o valor atribuído ao imóvel para fins de ITBI. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE GLOSA Quanto às áreas de preservação permanente é indispensável a apresentação do ADA para tornar regular a dedução das mesmas. ITR GLOSA DA DEDUÇÃO DE ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA RESPECTIVA JUNTO À MATRICULA DO IMÓVEL Para a dedução das áreas de reserva legal no cálculo do ITR necessária é a área declarada pelo contribuinte estar regularmente delimitada e averbada junto à matrícula do imóvel. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 14 04 /2 00 9- 74 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a glosa do VTN, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández que dava provimento parcial em maior extensão, pois também excluía a glosa da área de preservação permanente. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 22/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas de Mello (Relator), Ronnie Soares Anderson, German Alejandro San Martin Fernandez e Jaci de Assis Junior. Ausente justificadamente a Conselheira Juliana Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi emitida Notificação de Lançamento, fls.01 e ss., do imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício 2008, tendo como objeto o imóvel denominado “Projeto Sonho”, localizado no Município de Chapadão do Céu – GO, em razão das seguintes supostas infrações: glosa integral das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal e rejeição do VTN declarado, que entendeuse subavaliado, tudo por falta de comprovação, apesar de regularmente intimado o contribuinte para apresentar os comprovantes respectivos. Cientificado do lançamento, o interessado protocolou sua impugnação (fls. 80 e ss.), acompanhada de documentos (fls. 95101), alegando o seguinte: transcreve dados de sua DITR2006 (cópia de fis. 13/19), entregue nos estritos termos da legislação pertinente, e discorda do procedimento fiscal que glosou as áreas.de preservação permanente e de reserva legal, comprovadas por laudo técnico, além de arbitraro VTN, à revelia do interessado, no teor da intimação inicial, ferindo o direito ao contraditórioe à ampla defesa; a isenção das áreas ambientais existentes independe de apresentação de ADA e de averbação da área de reserva legal; conforme parecer técnico de vistoria e avaliação anexado, a área de preservação permanente é de 397,68 ha, estando nela incluída a área originariamente declarada como de reserva legal (109,7 ha), restando apenas 60,98 ha de área tributável; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10120.721404/200974 Acórdão n.º 2802002.988 S2TE02 Fl. 156 3 a tabela de valores aplicáveis ao ITBI do município de Chapadão do Céu GO, anexada, serve como parâmetro e/ou paradigma para cálculo do VTN para o ITR/2006; o lançamento fiscal, ao não observar o princípio da razoabilidade e da capacidade contributiva do impugnante, mais se assemelha a confisco tributário, vedado pela Constituiçãu da República; transcreve parcialmente a legislação de regência, ementas do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, do TRF/1a RF e do STJ, além de ensinamentos de tributarista, para referendar seus argumentos; ao final, o contribuinte requer seja julgada procedente sua impugnação, para cancelar integralmente o lançamento questionado, protestando por provar o alegado por todos os meios em Direito admitidos, inclusive perícia e juntada de documentos, caso as autoridades julgadoras entendam ser necessário. Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/BSB, em sessão realizada no dia 24/02/2010, a fls.107, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos fundamentos de que: o processo administrativo e o ato de lançamento efetivaramse em pleno respeito à legislação de regência, não se verificando nenhuma das hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n.70.235/72 ou qualquer outra razão para inquinarse de viciados os mesmos; que, quanto a alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas em vigor, foge à competência da DRJ seu exame; que é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental para dedução de área de preservação permanente ou de reserva legal, tempestivamente protocolado, sendo que o contribuinte não comprovou, embora intimado, a protocolização de tal documento, sequer para exercícios posteriores; que no caso da área de reserva legal há ainda exigência de averbamento há margem do registro do imóvel, não atendida pelo contribuinte; que a apresentação de laudo na tentativa de comprovar a existência das áreas em questão não elide o desatendimento das exigências legais e formais supra, ainda que se comprovasse a existência das áreas em questão; que, quanto ao valor da terra nua, VTN, o mesmo foi arbitrado nos termos do SIPT da RFB, pois em fase de fiscalização não houve por parte do contribuinte a comprovação do valor declarado; que em sua impugnação , o contribuinte anexou apenas uma tabela municipal de valores mínimos para cobrança de ITBI (fis. 103), já desconsiderada pela autoridade fiscal (fls.03 ), que poderia servir somente como uma das fontes de pesquisa de preços de terras no citado município, não atendendo aos requisitos essenciais da NBR146533, para a pretendida revisão do VTN arbitrado, com base no SIPT; que deveria o contribuinte apresentar um laudo de avaliação que demonstrasse, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel , a preços de 1° de Fl. 166DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 janeiro de 2006, bem como a existência de características particulares desfavoráveis , que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal com base no SIPT; que é indispensável para este fim a apresentação de laudo, com fundamentação e grau de precisão II, segundo os requisitos estabelecidos na norma NBR 14.6533 _da ABNT, com a apuração de dados de mercado (ofertas/negociações/opiniões), referentes a pelo menos 05 (cinco) imóveis rurais, com o seu posterior tratamento estatístico (regressão linear ou fatores de homogeneização ), de forma a apurar o valor de mercado da terra nua do imóvel, a preços de 01/01/2006, em intervalo de confiança mínimo e máximo de 80%, o qual não foi apresentado pelo contribuinte. Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl.122, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 123 e ss., atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso é tempestivo, razão pela qual conheço do mesmo no que tange à impugnação do lançamento com base no VTN arbitrado pela RFB e na desconsideração das áreas de reserva legal e de preservação permanente apontadas pela contribuinte. Quanto as ementas de decisões colacionadas pelo Recorrente com o intuito de embasar seu entendimento, registrese que a autoridade administrativa julgadora não se encontra obrigada a se submeter a decisões, desprovidas de efeito erga omnes, envolvendo terceiros estranhos à controvérsia, podendo firmar seu livre convencimento na apreciação da matéria, em consonância com a legislação de regência a que se encontra vinculada. VTN Valor da Terra Nua O art, 14, caput e §1º., da Lei nº.9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza a Receita Federal, no caso de falta de entrega de declaração ou de subavaliação, fixar o valor da terra nua com base em sistema por ela instituído, utilizando informações sobre preços de terras que deverão considerar os levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, observados os critérios estabelecidos no art. 12, 1º, inciso II, da Lei nº. 8.629, de 25 de fevereiro de 1993. Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, pela Portaria SRF nº. 447, de 28 de março de 2002, alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR (art. 3º da Portaria SRF nº 447, de 2002). Fl. 167DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10120.721404/200974 Acórdão n.º 2802002.988 S2TE02 Fl. 157 5 É sabido que as vistorias, perícias, avaliações e arbitramentos relativos a imóveis rurais são atividades de competência dos engenheiros agrônomos e florestais, que devem ser objeto de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART para sua plena validade (Arts. 7° e 13 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, c/c o disposto na Resolução na 345, de 27 de junho de 1990, e na Resolução n a 218, de 29 de junho de 1973, ambas do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — CONFEA). De acordo com a Resolução CONFEA na 345, de 1990, que dispõe sobre as atividades de Engenharia de Avaliações e Perícias de Engenharia, a avaliação "é a atividade que envolve a determinação técnica do valor qualitativo ou monetário de um bem, de um direito ou de um empreendimento" e o laudo "é a peça na qual o perito, profissional habitado, relata o que observou e dó as suas conclusões ou avalia o valor de coisas ou direitos, fundamentadamente ''(art. 1a, alíneas "c" e "e"). Na elaboração dos Laudos 'Técnicos, os profissionais devem observar ., ainda, os requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, que regem a matéria (no caso da avaliação dos imóveis rurais, em especial a NBR 146533).. Outrossim, o Laudo de Avaliação de imóvel rural para fins de determinação do VTN a ser utilizado no cálculo do ITR deve ter como objetivo o preço de mercado da terra na data do fato gerador (art. 8 a, §2 a, da Lei na 9.393, de 1996), apurado de acordo os critérios de localização do imóvel, capacidade potencial da temi e dimensão do imóvel (art. 14, §l a, da Lei na 9..393, de 1996), Conjugandose as exigências da legislação tributária com as prescrições da NBR 1465.33, os Laudos 'Técnicos de Avaliação para fins de determinação do VTN tem como requisitos principais: (a) a identificação e caracterização do imóvel avaliando, em que se descreve os aspectos relevantes na formação do valor; (b) a pesquisa realizada, com a identificação das fontes e descrição dos imóveis da amostra coletada (no mínimo ,5 elementos); (c) a escolha e justificativa do método de avaliação utilizado; e (d) a memória de cálculo do tratamento dos dados. Ora, a base de todo o processo de avaliação é a amostra, pois é a partir dela que se irá estimar o valor de mercado, O avaliador deve sempre utilizar dados de mercado de imóveis com características, tanto quanto possível, semelhantes às do imóvel avaliando (item 7,4,1 da NBR 146533), sendo que cada elemento amostrai deve guardar "semelhança com o imóvel objeto de avaliação, no que diz respeito à sua localização, à destinação e à capacidade de uso das terias" (item 7.7 2„2 d da NBR 146533) para fins de garantir a qualidade da amostra. A NBR 1465.33 prevê o método comparativo direto de dados de mercado (item 8.1), em que pode se aplicar inferência estatística com modelos de regressão linear (Anexo A) ou tratamento de por fatores (Anexo B). As duas metodologias estão baseadas em comparações do imóvel avaliado com outros imóveis. Ora, o documento trazido pelo contribuinte a fls.60 contém expressa declaração de que não foi elaborado nos termos da NBR 1465.33 ABNT mas, por outro lado, Fl. 168DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 a ART de fls. 65, bem como os fundamento do parecer técnico de fls. 69, indicam que há impossibilidade material de se proceder ao laudo técnico multicitado. Portanto, entendo que deve prevalecer o valor declarado pelo contribuinte, sendo certo que o VTN apurado deverá ser calculado de acordo com as demais glosas mantidas neste voto. Áreas de preservação permanente A apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA se tornou obrigatória, a partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR, por força da Lei n° 10.165, de 28/12/2000. Referida lei acrescentou à Lei 6938/81 o artigo 170, que dispõe, verbis: "Art. 17O Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria § 1ºA A. Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. ( ) “ Assim sendo, para que o sujeito passivo possa se beneficiar da isenção do ITR relativa às áreas de preservação permanente, a partir do exercício de 2001, deve apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA (ou, pelo menos, comprovar a protocolização do requerimento do mesmo no órgão competente na data legalmente estabelecida) Nos termos do art. 10, § 4º' da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997 e, para o exercício em questão, encontra se prevista na IN/SRF nº 256/2002, no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei 6.938/1981, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei 10.165/2000, acima transcrito, o contribuinte teria o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lbama. No caso presente, a não apresentação do ADA relativo ao exercício em tela, devidamente protocolado no prazo legal, fato admitido pelo contribuinte, é por si só razão suficiente para afastar a pretensão de ver restabelecida a dedução da área de preservação permanente de que trata os autos. Áreas de reserva legal O Recorrente insurgese contra a necessidade de averbação da área de reserva legal aludida pelo art. 16, § 6° da Lei 4.771/65. A necessidade de averbação, matéria outrora controversa na Jurisprudência, foi pacificada pelo julgamento, no STJ pelo ERESP 1.027.051/SC (Dje de 21/10/13), cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL. ITR. ISENÇÃO. ART. 10, § 1º, II, a, DA LEI 9.393/96. AVERBAÇÃO DA ÁREA DA RESERVA LEGAL NO Fl. 169DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10120.721404/200974 Acórdão n.º 2802002.988 S2TE02 Fl. 158 7 REGISTRO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. ART. 16, § 8º, DA LEI 4.771/65. 1. Discutese nestes embargos de divergência se a isenção do Imposto Territorial Rural (ITR) concernente à Reserva Legal, prevista no art. 10, § 1º, II, a, da Lei 9.393/96, está, ou não, condicionada à prévia averbação de tal espaço no registro do imóvel. O acórdão embargado, da Segunda Turma e relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, entendeu pela imprescindibilidade da averbação. 2. Nos termos da Lei de Registros Públicos, é obrigatória a averbação “da reserva legal” (Lei 6.015/73, art. 167, inciso II, n° 22). 3. A isenção do ITR, na hipótese, apresenta inequívoca e louvável finalidade de estímulo à proteção do meio ambiente, tanto no sentido de premiar os proprietários que contam com Reserva Legal devidamente identificada e conservada, como de incentivar a regularização por parte daqueles que estão em situação irregular. 4. Diversamente do que ocorre com as Áreas de Preservação Permanente, cuja localização se dá mediante referências topográficas e a olho nu (margens de rios, terrenos com inclinação acima de quarenta e cinco graus ou com altitude superior a 1.800 metros), a fixação do perímetro da Reserva Legal carece de prévia delimitação pelo proprietário, pois, em tese, pode ser situada em qualquer ponto do imóvel. O ato de especificação fazse tanto à margem da inscrição da matrícula do imóvel, como administrativamente, nos termos da sistemática instituída pelo novo Código Florestal (Lei 12.651/2012, art. 18). 5. Inexistindo o registro, que tem por escopo a identificação do perímetro da Reserva Legal, não se pode cogitar de regularidade da área protegida e, por conseguinte, de direito à isenção tributária correspondente. Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no Resp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. 6. Embargos de divergência não providos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam osMinistros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça prosseguindo no julgamento, por maioria, vencidos os Srs. Ministros Ari Pargendler e Arnaldo Esteves Lima, conhecer dos embargos, mas lhes negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sérgio Kukina, Eliana Calmon, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques votaram com o Sr. Ministro Relator. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 Portanto, inexistindo tal averbação, é de se manter a glosa de tal dedução. Isto posto, dou parcial provimento ao recurso para tão somente excluir a glosa do VTN apurado pelo contribuinte, mantendose o lançamento em seus demais aspectos, notadamente as glosas das deduções das áreas de preservação permanente e de reserva legal. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 22/ 01/2015 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 23/01/2015 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10980.722547/2012-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. DOLO. FRAUDE.
Não obstante uma série de atos empreendidos aparentemente no sentido de promover reorganização societária, restou evidente que tiveram a intenção deliberada de moldar o suporte fático previsto na norma tributária que autoriza a amortização do ágio. Foi demonstrado que as declarações de vontade formalizadas nas atas elaboradas, nas alterações estatutárias, na constituição ou no aproveitamento das pessoas jurídicas do grupo, nos laudos elaborados, dentre outros, tiveram por objetivo enganar o Fisco. Os negócios jurídicos mostraram-se desprovidos de causa quando os fatos foram apreciados como um todo, tornando-se inevitável concluir que foi criada sociedade vazia, sem substância, sem finalidade. Mostrou-se plenamente caracterizada a simulação, no sentido de criar condições artificiais para o aproveitamento do ágio, em conduta dolosa, deliberada e consciente, caracterizando-se ocorrência da fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e a qualificação da multa de ofício prevista no inciso II, Art. 44, da Lei nº. 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007.
UTILIZAÇÃO DAS NORMAS E INTERPRETAÇÕES EMITIDAS COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS-CVM. SOCIEDADE FECHADA. IMPOSSIBILIDADE.
A Comissão de Valores Mobiliários-CVM criada pela Lei nº 6.385/1976 (Lei do Mercado de Capitais) tem poder fiscalizador e regulamentador tão somente para as ações e reações as sociedades que negociarem suas ações em mercado de bolsa ou no mercado de balcão, no âmbito da distribuição pública de valores mobiliários, ou seja, as chamadas companhias abertas, não tendo validade para as sociedades fechadas.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO SOCIETÁRIA. PREMISSAS.
As premissas básicas para amortização de ágio, com fundamento na legislação em vigor (art. 7º., inciso III, e 8º. da Lei nº. 9.532/1997), são: a) Propósito negocial; b) Fundamento econômico para a realização das operações que geraram o ágio; c) Pagamento; e, d) Comprovação do fundamento do ágio. E, complementando, a efetiva comprovação da rentabilidade da nova operação. Não se comprovando essas quatro premissas não há espaço para a dedutibilidade do ágio.
Numero da decisão: 1103-000.857
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, por maioria, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta (Relator) e Hugo Correia Sotero, que votaram pelo provimento parcial para reduzir a multa de ofício ao seu percentual ordinário de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata apresentará declaração de voto.
Aloysio José Percínio da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura
Redator Designado
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. DOLO. FRAUDE. Não obstante uma série de atos empreendidos aparentemente no sentido de promover reorganização societária, restou evidente que tiveram a intenção deliberada de moldar o suporte fático previsto na norma tributária que autoriza a amortização do ágio. Foi demonstrado que as declarações de vontade formalizadas nas atas elaboradas, nas alterações estatutárias, na constituição ou no aproveitamento das pessoas jurídicas do grupo, nos laudos elaborados, dentre outros, tiveram por objetivo enganar o Fisco. Os negócios jurídicos mostraram-se desprovidos de causa quando os fatos foram apreciados como um todo, tornando-se inevitável concluir que foi criada sociedade vazia, sem substância, sem finalidade. Mostrou-se plenamente caracterizada a simulação, no sentido de criar condições artificiais para o aproveitamento do ágio, em conduta dolosa, deliberada e consciente, caracterizando-se ocorrência da fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e a qualificação da multa de ofício prevista no inciso II, Art. 44, da Lei nº. 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. UTILIZAÇÃO DAS NORMAS E INTERPRETAÇÕES EMITIDAS COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS-CVM. SOCIEDADE FECHADA. IMPOSSIBILIDADE. A Comissão de Valores Mobiliários-CVM criada pela Lei nº 6.385/1976 (Lei do Mercado de Capitais) tem poder fiscalizador e regulamentador tão somente para as ações e reações as sociedades que negociarem suas ações em mercado de bolsa ou no mercado de balcão, no âmbito da distribuição pública de valores mobiliários, ou seja, as chamadas companhias abertas, não tendo validade para as sociedades fechadas. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO SOCIETÁRIA. PREMISSAS. As premissas básicas para amortização de ágio, com fundamento na legislação em vigor (art. 7º., inciso III, e 8º. da Lei nº. 9.532/1997), são: a) Propósito negocial; b) Fundamento econômico para a realização das operações que geraram o ágio; c) Pagamento; e, d) Comprovação do fundamento do ágio. E, complementando, a efetiva comprovação da rentabilidade da nova operação. Não se comprovando essas quatro premissas não há espaço para a dedutibilidade do ágio.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 35; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2749; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 2.036 1 2.035 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.722547/201279 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.857 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2013 Matéria IRPJ Recorrente HIGI SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. DOLO. FRAUDE. Não obstante uma série de atos empreendidos aparentemente no sentido de promover reorganização societária, restou evidente que tiveram a intenção deliberada de moldar o suporte fático previsto na norma tributária que autoriza a amortização do ágio. Foi demonstrado que as declarações de vontade formalizadas nas atas elaboradas, nas alterações estatutárias, na constituição ou no aproveitamento das pessoas jurídicas do grupo, nos laudos elaborados, dentre outros, tiveram por objetivo enganar o Fisco. Os negócios jurídicos mostraramse desprovidos de causa quando os fatos foram apreciados como um todo, tornandose inevitável concluir que foi criada “sociedade” vazia, sem substância, sem finalidade. Mostrouse plenamente caracterizada a simulação, no sentido de criar condições artificiais para o aproveitamento do ágio, em conduta dolosa, deliberada e consciente, caracterizandose ocorrência da fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, e a qualificação da multa de ofício prevista no inciso II, Art. 44, da Lei nº. 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. UTILIZAÇÃO DAS NORMAS E INTERPRETAÇÕES EMITIDAS COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOSCVM. SOCIEDADE FECHADA. IMPOSSIBILIDADE. A Comissão de Valores MobiliáriosCVM criada pela Lei nº 6.385/1976 (“Lei do Mercado de Capitais”) tem poder fiscalizador e regulamentador tão somente para as ações e reações as sociedades que negociarem suas ações em mercado de bolsa ou no mercado de balcão, no âmbito da distribuição pública de valores mobiliários, ou seja, as chamadas companhias abertas, não tendo validade para as sociedades fechadas. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO SOCIETÁRIA. PREMISSAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 25 47 /2 01 2- 79 Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.037 2 As premissas básicas para amortização de ágio, com fundamento na legislação em vigor (art. 7º., inciso III, e 8º. da Lei nº. 9.532/1997), são: a) Propósito negocial; b) Fundamento econômico para a realização das operações que geraram o ágio; c) Pagamento; e, d) Comprovação do fundamento do ágio. E, complementando, a efetiva comprovação da rentabilidade da nova operação. Não se comprovando essas quatro premissas não há espaço para a dedutibilidade do ágio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância e, no mérito, por maioria, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Sérgio Luiz Bezerra Presta (Relator) e Hugo Correia Sotero, que votaram pelo provimento parcial para reduzir a multa de ofício ao seu percentual ordinário de 75%. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro André Mendes de Moura. O Conselheiro Marcos Shigueo Takata apresentará declaração de voto. Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.038 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa até aquela fase: “Cuida o presente processo de auto de infração de IRPJ e reflexo de CSLL, dos anos calendário de 2008 e 2009, lavrados em face de: Exclusões/Compensações Não Autorizadas na Apuração do Lucro Real – Exclusões Indevidas, mais propriamente dedução indevida de amortização de ágio na aquisição de investimentos. O Enquadramento Legal constou como: art. 3º da Lei 9.249/95; e artºs 247 e 250 do RIR/99. A composição do Crédito Tributário levantado, consoante se depreende de fls. 1808 é: 2. Os Juros de Mora estão calculados até 04/2012. ÁGIO INTERNO 3. A presente situação envolve as pessoas jurídicas abaixo relacionadas, todas pertencentes a IONE MARI DA VEIGA e SIDCLEY DA VEIGA: a) HSLC PARTICIPAÇÕES S/A b) HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A (FISCALIZADA) c) HIGI SERV HOLDING S/A 4. A HSLC PARTICIPAÇÕES S/A (CNPJ 09.085.125/000136) foi constituída em 09/05/2007, com capital social de R$ 1.000,00, dividido em 1.000 ações de R$ 1,00 cada, pertencendo 900 ações para IONE MARI DA VEIGA e 100 ações para SIDCLEY DA VEIGA (fls. 9961003). 5. A empresa fiscalizada (HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A) era uma sociedade empresária limitada, tendo como sócios IONE MARI DA VEIGA e SIDCLEY DA VEIGA, sendo que em 05/10/2007 foi aprovada a transformação para sociedade anônima, e o capital social de R$ 1.900.000,00 permaneceu e ficou dividido em 1.900.000 ações no valor nominal de R$ 1,00 cada, passandose a razão social para HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A (CNPJ 78.570.397/000144). Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.039 4 As mesmas pessoas permaneceram como acionistas e IONE MARI DA VEIGA subscreveu e integralizou 1.898.100 ações, no valor de R$ 1.898.100,00; e SIDCLEY DA VEIGA subscreveu e integralizou 1.900 ações, no valor de R$ 1.900,00 (fls. 470481). 6. Em 25/04/2008 IONE MARI DA VEIGA e SIDCLEY DA VEIGA constituíram uma “holding”, denominada HIGI SERV HOLDING S/A (CNPJ 09.606.206/000134), com capital social de R$ 5.000,00, dividido em 5.000 ações de R$ 1,00 cada, sendo 4.500 de IONE e 500 de SIDCLEY, conforme documento de fls. 600610. 7. Datado de 01/05/2008, foi expedido o Laudo de Avaliação de fls. 553/559, e com base na metodologia de rentabilidade futura da companhia HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A, a empresa América Auditores Independentes S/S concluiu que o acervo líquido da avaliada resultava em um montante de R$ 32.490.000,00, que dividido por 1.900.000 ações, cada uma tinha valor unitário de R$ 17,10. 8. Na data de 01/07/2008, IONE MARI DA VEIGA e SIDCLEY DA VEIGA transferiram todas as suas ações na HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A para a HIGI SERV HOLDING S/A, recebendo desta, em substituição, na mesma proporção, novas ações em mesma quantidade e espécie. Desta forma, todas as 1.900.000 ações, com valor unitário de R$ 1,00 cada, de emissão da HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A, foram substituídas por 1.900.000 ações de emissão da HIGI SERV HOLDING S/A, tornandose aquela subsidiaria integral desta (fls. 576). 9. Nesta mesma data de 01/07/2008, a HIGI SERV HOLDING S/A promoveu lançamentos contábeis Debitando a conta “1311001112 – HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A”, e Creditando contas representativas dos sócios: “2411001372 IONE MARI DA VEIGA”, por R$ 1.898.595,00, e “2411001377 – SIDCLEY DA VEIGA”, por R$ 1.405,00, totalizando R$ 1.900.000,00. 10. Igualmente, em 01/07/2008, foi efetuado um lançamento no valor de R$ 30.590.000,00 a título de RESERVA PARA AUMENTO DE CAPITAL, correspondendo à diferença entre as ações cedidas pelos acionistas e o valor avaliado da subsidiária a preço de mercado de R$ 32.490.000,00, novamente Debitandose a conta 1311001112 – HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A. 11. Portanto, a esse tempo, 01/07/2008, a conta “1311001112 – HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A”, constante do Ativo Permanente, Investimentos, da HIGI SERV HOLDING S/A, apresentava um saldo Devedor de R$ 32.490.000,00. 12. Na data de 01/10/2008, IONE MARI DA VEIGA e SIDCLEY DA VEIGA, na condição de acionistas da HIGI SERV HOLDING S/A, resolveram aumentar o capital social da empresa HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, da qual também eram acionistas, de R$ 1.000,00 para R$ 32.491.000,00, mediante a emissão de 32.490.000 novas ações, com o valor nominal de R$ 1,00 cada, passando a HIGI Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.040 5 SERV HOLDING S/A também a fazer parte do quadro societário da HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, nas proporções do quadro abaixo. A subscrição e integralização realizouse com a transferência de 1.900.000 ações que a HIGI SERV HOLDING detinha na HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A, todas com valor nominal de R$ 1,00 cada, mas avaliadas ao preço de mercado de 17,20 por ação, totalizando assim o montante de R$ 32.490.000,00 (fls. 984986). 13. Em razão dessa ocorrência, a contabilidade da HSLC SERV HOLDING S/A, registrou: 14. E a escrituração da HSLC PARTICIPAÇÕES S/A recebeu o seguinte lançamento: 15. Datada de 03/11/2008 (fls. 563566), foi aprovada a cisão parcial do patrimônio da empresa HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A, reduzindoo em R$ 913.960,00, que foi vertido para HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, passando de R$ 1.900.000,00 para R$ 986.040,00. O Patrimônio cindido e transferido foi composto pelos investimentos que a HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A (cindida) possuía nas empresas abaixo: 16. Decorrente dessa cisão, a cindenda HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, que recebeu a parte cindida, promoveu os seguintes lançamentos em sua contabilidade: 17. E, a partir daí, a Fiscalização enfatiza que a constituição do Ágio teve início (fls. 1782), conforme os lançamentos contábeis de fls. 1047, a saber: Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.041 6 18. Em 01/12/2008, foi aprovada a cisão total da empresa HSLC PARTICIPAÇÕES S/A (fls. 587/593), com sua extinção e versão total do patrimônio cindido para as companhias HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A e HIGI SERV HOLDING S/A, nas seguintes proporções: 19. A contabilização dessa operação na cindenda HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A (empresa fiscalizada), assim se verificou (fls. 571): 20. Após a transferência do ÁGIO para a empresa fiscalizada HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A, esta passou a amortizalo em sua contabilidade, promovendo Débitos e Créditos conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1791/1793. Segundo o referido relato, baseado nos autos do processo, dos quais inclusive indicamse respectivas folhas, as despesas de ágio na contabilidade eram anuladas com a contabilização de “receitas de ágio” em mesmo valor (videm item 9.2 TVF, fls 1793), todavia, no LALUR – Livro de Apuração do Lucro Real, referidos valores eram EXCLUÍDOS da base tributável, consoante de depreende de fls. 1158/1159 (para 2008) e fls. 1161/1165 (para 2009). Isso se refletiu também nos dados informados em DIPJ (fls. 78 e 81, ref. 2008; e fls. 215, 217, 219, 221, 225, 227, 229 e 231 ref. 2009). 21. Diante do quadro de referência em tela, a Fiscalização assentou que a constituição da empresa HSLC PARTICIPAÇÕES S/A não teve como objeto cuidar ou participar do resultado do grupo, mas se deu com dois acionistas, que por sua vez também eram os únicos acionistas das demais empresas envolvidas na Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.042 7 operação, exclusivamente para contabilizar um ágio em seus apontamentos contábeis pela valorização das ações do sujeito passivo e retornar na forma de cisão parcial. O ágio, realizado no mesmo grupo empresarial, não teria fundamento econômico, já que a HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A, tendo sido avaliada e lhe reconhecido uma maisvalia, por Laudo de empresa especializada, foi transformada em subsidiária integral da HIGI SERV HOLDING S/A, que, logo após, transferiu a totalidade do valor avaliado para sua controlada HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, mantendo no seu PL o valor como Reserva Para Aumento de Capital. Novamente, em curto espaço de tempo, resgatou as ações da HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, retornando para a companhia avaliada a parcela correspondente ao registro do ágio. (fls. 1798) 22. A Fiscalização enfatiza que a prática aplicada pelo sujeito passivo vem no sentido contrário ao pronunciamento da CVM no Processo Administrativo CVM 2007/3480. 23. Isto posto, procedeuse à glosa das exclusões de ágio, ajustandose o Lucro Real de 2008 e 2009 conforme quadros demonstrativos de fls. 1799/1800, e cobrouse Crédito Tributário decorrente de tais ajustes. 24. Outrossim, aplicouse multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso I e § 1º da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, com esclarecimentos da Fiscalização que no tocante à penalidade, diante da cristalina presença do elemento subjetivo do dolo, não restando dúvidas quanto à intenção do contribuinte em reduzir a base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro, manobras que tiveram a finalidade de mascarar o resultado, causando prejuízo aos cofres públicos mediante a falta e/ou redução do pagamento dos tributos devidos, aplicouse à todas infrações apontadas, nos termos da legislação de regência, a qualificação da multa de ofício de 150%. 25. A ciência do lançamento se deu por via postal, em 02/05/2012 (fls. 1851), e na data de 31/05/2012 (fls. 1854) o sujeito passivo ingressou com a Impugnação de fls. 1854/1875. 26. A Impugnante: a) Alega que as assertivas da Autoridade Lançadora são decorrentes de sua interpretação subjetiva, um ponto de vista pessoal, sobre os atos praticados, que não deve prevalecer, pois as práticas desempenhadas por ela estão amparadas pela legislação societária e tributária (que cita ás fls. 1858), pelas diretrizes e normas contábeis, e inclusive no pronunciamento CVM citado pelo próprio auto de infração. Frisa, também, que o entendimento esposado pela Fiscalização é específico da visão da Ciência Contábil, é um ponto de vista econômico contábil, que difere da ótica da Legislação Societária, a qual deve prevalecer neste caso. b) Estatui que a tentativa de justificar a impropriedade do ágio decorrente de operações internas, embasada unicamente no pronunciamento da CVM a respeito se revela impróprio: primeiro porque as interpretações que a CVM faz sobre a legislação societária se aplicam às companhias de capital aberto, o que não é o caso do Impugnante; segundo porque se trata apenas de uma interpretação de uma norma legal que não poderia impedir ou alterar a apuração do ágio, na forma como ocorreu no presente caso; e, terceiro, porque há uma distinção legal entre os Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.043 8 tratamentos a serem considerados para fins societários (Lei 11.638/2007) e para fins tributários (art. 20 do DL 1.598/77 e artºs 7º e 8º da Lei 9.532/97), em plena vigência, que não pode ser abandonada e muito menos ser objeto de interpretação amparada em meros argumentos econômicos sob ótica fiscal. c) Argumenta que o ágio decorre da aquisição de investimento relevante em sociedade coligada ou controlada, uma vez que na presente situação a aquisição se deu a título de subscrição de capital no processo de “Incorporação de Ações”, onde a totalidade das ações da HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A foi transferida pra a empresa HIGI SERV HOLDING S/A, surgindo a necessidade de desdobramento do valor da aquisição em: (a) valor de investimento propriamente dito e (b) Ágio ou Deságio, conforme seja maior ou menor respectivamente, sendo o valor da avaliação comparado com o valor do patrimônio líquido (PL) da Empresa Investida. O embasamento legal para a Incorporação de Ações e para a avaliação do preço a mercado, com base no valor de rentabilidade futura, é encontrado na combinação dos arts. 8º, 170 § 1º, 224, 225, 252 e 253 da Lei 6.404/76, com o art. 20, § 2º, inc. b, e 23 do DL 1.598/77 (subsidiariamente, os enunciados contidos nos arts. 9, 13 e 14 da Inst. CVM 247/96). d) Diz que embora não tenha ocorrido transação financeira propriamente dita (pagamento em espécie) houve sim uma forma de aquisição admitida em lei, sendo possível identificar, sem qualquer sombra de dúvida as figuras do “adquirente” (HIGI SERV HOLDING S/A) e dos “alienantes” (acionistas que tiveram suas ações substituídas),bem como a natureza da operação (aquisição por subscrição de capital), e o valor da transação (valor de mercado atribuído às ações, determinado com base na rentabilidade futura). e) Enfatiza que o Laudo de Avaliação, de fls. 553/559, fundamentou economicamente as operações, suprindo o requisito exigido pelo artigo 20 do DecretoLei 1.598/77, tendo sido emitido com observância nas normas contábeis e societárias, e não foi objeto de qualquer apontamento, por parte da Fiscalização. Além do mais, a pretensão fiscal de desconsiderar atos jurídicos perfeitos somente caberia se houvesse previsão legal expressa, em complemento à norma geral antielisiva, prevista no par. único do art. 116 do CTN. f) Afirma que procedeu a uma operação de reestruturação societária, em que se pretende atingir diversos objetivos, tais como o fortalecimento das estruturas societárias, a melhoria do perfil empresaria e o aumento de transparência que facilitem a formação de joint ventures, bem como a redução de custos administrativos e operacionais, além do aproveitamento de sinergias financeiras, o que é explicitamente convalidado pelos dispositivos legais que regem a operação. Assim, não há como considerar, sob qualquer ponto de vista, a existência de “cristalina presença do elemento subjetivo do dolo” mencionado pela Fiscalização, por imaginadas “manobras que tiveram a finalidade de mascarar o resultado, causando prejuízo aos cofres públicos mediante a falta e/ou redução do pagamento dos tributos devidos” (pág 33 do TVF), sendo que eventual juízo acerca da presença de fraude, simulação e dolo, que não se presumem, cabe ao poder judiciário, através do devido processo legal, e jamais à autoridade administrativa, que é parte Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.044 9 diretamente interessada na relação fiscal, razão pela qual pede a rejeição da multa qualificada de 150%; g) Ao final, requer o reconhecimento da total inconsistência dos autos de infração, determinandose o cancelamento da exigência”. A 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR, em sessão de 05/09/2012, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o acórdão n° 0637.932 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendose integralmente o Crédito Tributário”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO DAS AÇÕES DA INTERESSADA POR EMPRESA DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. REPASSE DAS AÇÕES, COM ÁGIO, PARA AUMENTO DE CAPITAL DE OUTRA EMPRESA, TAMBÉM DO MESMO GRUPO. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. O reconhecimento de ágio interno fundamentado em expectativa de rentabilidade futura não encontra respaldo na contabilidade, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, em operação de incorporação das ações da interessada por empresa que também pertencente a seus sócios, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. INCORPORAÇÃO REVERSA. INDEDUTIBILIDADE DO ÁGIO INTERNO. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA, DO EFETIVO PAGAMENTO E DA INDISPENSÁVEL INDEPENDÊNCIA ENTRE AS PARTES ENVOLVIDAS. Na operação de incorporação reversa, na qual a controlada incorpora a sua controladora, o ágio interno anteriormente registrado na contabilidade desta, com base em expectativa de rentabilidade futura, decorrente de anterior incorporação das ações da controlada por empresa veículo, sua controladora, é indedutível para fins fiscais porquanto constituído sem qualquer substância econômica, efetivo pagamento pela aquisição das participações societárias e indispensável independência entre as partes envolvidas. AUTO DE INFRAÇÃO. UTILIZAÇÃO DO ART. 116, PAR ÚNICO, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. NORMA DE EFICÁCIA CONTIDA, CARENTE DE REGULAMENTAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE APLICAÇÃO DA NORMA. Estando as situações de simulação ou dissimulação, realizadas com fraude, regidas pelo artigo 149, VII, do CTN, e não pelo artigo 116, par. único, não pode prosperar a pretensão de ver nulificado o procedimento fiscal, com base na suposta aplicação desse ultimo dispositivo, quando isso não ocorreu. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa para criar condições artificiais que possibilitassem a amortização indevida de ágio gerado internamente, mediante utilização de empresa Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.045 10 veículo, em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificada da decisão de primeira instância em 21/09/2012 (AR fls. 1925), a HIGI SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0637.932, recorre em 16/10/2012 (fls 1927 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa e acrescenta novos argumentos em decorrência da decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.046 11 Voto Vencido Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de adentrar ao mérito, fazse mister observar uma alegação da Recorrente constante das fls. 1956 e seguintes dos autos, que é na verdade uma preliminar de nulidade, tendo em vista que alega um suposto vicio formal na decisão de 1ª instância administrativa, sob o argumento que a 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR quando proferiu o acórdão n° 0637.932 teria “inovado em sua decisão”. Observando todos os argumentos construídos pela Recorrente vejo que estão baseados em premissa falsa, tendo em vista que a 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR não inovou nada; até porque as operações societárias realizadas pela Recorrente visarem à reestruturação societária de suas empresas, a realização de uma sequência de operações societárias com o único objetivo de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a serem recolhidos pela empresa final exorbitou esse propósito negocial. Por certo, um ágio que não existe materialmente não pode ter a despesa com a sua amortização deduzida na apuração do IRPJ e da CSLL de acordo com os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. Desta forma quando a 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR utilizou nos itens 38 e segs (fls. 1903 e segs dos autos) o termo “empresa veículo”, apenas adjetivou a ação da Recorrente que, segundo os argumentos da DRJ, teve única finalidade de servir de transportador para a transferência do ágio. Assim, rejeito a preliminar de nulidade tendo em vista que a DRJ somente nominou a sociedade Higi Servi Holding S/A de “empresa veículo” e não houve fundamento na autuação pela utilização de empresa veículo. Passando ao mérito, esclareço a necessidade de tratarmos dois temas bem relevantes: O primeiro trata da possibilidade de utilização das normas e interpretações emitidas pela Comissão de Valores MobiliáriosCVM ao presente caso. E a segunda, trata da simulação e da multa qualificada aplicada pela fiscalização e mantida pela 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR. Em relação à possibilidade de utilização das normas e interpretações emitidas Comissão de Valores MobiliáriosCVM quero esclarecer que desde a sua criação, em 1976, a CVM tinha atribuições estritas e claramente definidas no artigo 8º da Lei nº 6.385/1976 (chamada de “Lei do Mercado de Capitais”) que concedeu a esta autarquia federal o poder de fiscalizar as ações e reações das companhias abertas. A Lei nº 6.385/1976 também concedeu à Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.047 12 CVM o poder de regulamentar as matérias previstas naquele diploma legal e também nos temas constantes da Lei nº 6.404/1976 (chamada de “Lei das Sociedades por Ações”). Com a edição das Leis nºs 9.457/1997, 10.303/2001 e 10.411/02 poder regulamentador e fiscalizador da CVM foi ampliado; entretanto, apesar do grande leque de competência da CVM, engrosso o cordão daqueles que defendem que as atividades da CVM restringemse tão somente às sociedades que negociarem suas ações em mercado de bolsa ou no mercado de balcão, no âmbito da distribuição pública de valores mobiliários, ou seja, as chamadas companhias abertas. Em outras palavras, a competência da CVM, por falta de amparo legal, não pode alcançar as chamadas companhias fechadas, que embora também sejam reguladas pela Lei nº 6.404/1976, não negociam as suas ações no Mercado de Capitais. Desta forma, não vejo como se utilizar das normas e das interpretações emitidas Comissão de Valores MobiliáriosCVM como fundamento de legalidade para classificar como válidas ou inválidas as atitudes tomadas pela Recorrente, por seus administradores e acionistas, desta forma afasto toda e qualquer imposição lastreada nas normas da CVM contidas no contida no Acórdão nº 0637.932 ora recorrido. Passando agora ao mérito da autuação, esclareço que a Recorrente utilizou o seu poder de gestão para criar uma nova realidade societária durante quase 24 (vinte e quatro) meses, exatamente 687 (seiscentos e oitenta e sete) dias, baseadas nas normas legais existentes e vigentes à época dos fatos, fazse necessário entrar na questão da dedutibilidade do ágio gerado unicamente com a reorganização societária realizada pela Recorrente. Para isso gostaria de trazer a tona algumas posições da fiscalização constantes do termo de verificação fiscal, fls. 1769 e seguintes dos autos: Em seguida afirma o fiscal: Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.048 13 Diante do que foi visto acima e da forma da reorganização societária realizada pela Recorrente, fica claro que houveram operações estruturadas em sequência, legitimas, mas que sob a minha ótica não garantem a legitimidade material do conjunto de operações, ou seja, não tem o condão de garantir a Recorrente a possibilidade de usufruir da dedutibilidade do ágio interno decorrente da lucratividade futura (goodwill). Porém, devo ressaltar que as circunstancias das operações praticadas por empresas do mesmo grupo econômico não descaracterizam por si só o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal, que desde seja observada corretamente os limites e condições legais o ágio pode ser aproveitado. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. Essa minha posição decorre das prerrogativas que entendo serem essenciais para que o ágio interno decorrente da lucratividade futura (goodwill) tenha validade no quesito dedutibilidade, até porque não é qualquer sobre preço pago na aquisição de um investimento Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.049 14 que se traduz como ágio; da mesma forma, nem todo ágio pago gera o direito à sua amortização. No presente caso, o pagamento aconteceu sob a forma de participação societária; e não poderia ser diferente tendo em vista a coincidência dos acionistas. E quais são essas prerrogativas? Para responder tomo por base algumas decisões anteriores deste Tribunal Administrativo que as aplico ao caso concreto dos autos e elenco quatro prerrogativas e um complemento, senão vejamos: a) Propósito negocial; b) Fundamento econômico para a realização das operações que geraram o ágio; c) Pagamento; e, d) Comprovação do fundamento do ágio. E, complementando as demais, como plus, a efetiva comprovação da rentabilidade da nova operação. Ø Propósito negocial; Como propósito negocial entendo, sendo conciso, ser necessário está comprovada a razão das operações e se havia uma busca por melhorar a produtividade, ou tão somente criar uma redução tributaria através do ágio. Na verdade caberia a Recorrente comprovar a aplicabilidade das operações realizadas na reorganização societária durante quase 24 (vinte e quatro) meses, exatamente 687 (seiscentos e oitenta e sete) dias, a chamada Teoria do Propósito Negocial, que está configurada em três pilares: (a) Motivo; (b) Finalidade e (c) Congruência do Negócio Jurídico. As operações da reorganização societária na qual participou a Requerente podem ser constatadas a partir da análise das seguintes respostas elaboradas por Gilberto Luiz do Amaral e Letícia Mary Fernandes do Amaral as quais transcrevo: “A) EXISTEM RAZÕES DE CARÁTER ECONÔMICO, COMERCIAL, SOCIETÁRIO OU FINANCEIRO QUE JUSTIFIQUEM A OPERAÇÃO? Quando há outras razões, além daquela de reduzir a tributação, o fisco não poderá desconsiderar a operação. Portanto, a estruturação do planejamento tributário deve estar fundamentada em pelo menos um dos motivos a seguir: aumento de receita ou diminuição de custos/despesas; ganho de eficiência mercadológica ou entrada/saída de mercados; reestruturação societária motivada por entrada ou saída de sócios ou sucessão hereditária; acesso a linhas de crédito financeiro ou modificações no perfil de dívidas; absorção de patrimônio tangível ou intangível. B) ELAS ESTÃO CONSUBSTANCIADAS EM LAUDOS, PARECERES, RELATÓRIOS OU ESTUDOS? Há um prazo razoável entre a operação efetivada de planejamento tributário a sua fiscalização. Simplesmente tentar justificar através de argumentos teóricos não basta para afastar a presunção de erro/fraude/simulação. Tornase indispensável a formalização dos argumentos em laudos, pareceres, relatórios ou estudos, realizados por profissionais gabaritados e de experiência reconhecida. C) FINANCEIRAMENTE, O PROPÓSITO NEGOCIAL É RELEVANTE EM RELAÇÃO AO MONTANTE ECONOMIZADO DE TRIBUTOS? Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.050 15 Deve haver relevância financeira do propósito negocial em relação ao montante economizado com a estruturação do planejamento tributário. Esta mensuração deve ficar evidente nos laudos, pareceres, relatórios ou estudos. D) HÁ UM TRANSCURSO DE TEMPO RAZOÁVEL ENTRE A DATA DAS OPERAÇÕES PRECEDENTES (PROPÓSITO NEGOCIAL) E A DATA DA ECONOMIA DE TRIBUTOS? A estruturação do planejamento tributário deve levar em conta um prazo razoável de transcurso entre a data das operações precedentes e a data da economia tributária. Grande parte dos planejamentos declarados atentatórios ou simulados teve como uma das principais justificativas para a sua desconsideração o pequeno tempo transcorrido entre as operações (ex: operação “casa e separa”). Portanto, indispensável que este tempo esteja em consonância com as operações normais de mercado” (in “A operacionalização do planejamento tributário e o propósito negocial” http://www.amaraladvogados.com.br/artigoMostra2.php?id=15). No presente caso, mesmo admitindose os pressupostos da doutrina do propósito negocial para a validade do ágio decorrente da reorganização societária (o que não é o caso dos autos), ainda assim faltam serem comprovados nos autos a presença inquestionável: do motivo, da finalidade e da congruência dos atos para que o ágio seja considerado dedutível. Essa foi à posição unanime da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção quando do julgamento em 21/10/2011 do Processo nº 16561.000222/200872, consubstanciado através do Acórdão nº 140200.802 [Recorrente: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A.]. E, essa comprovação caberia à Recorrente, que não o fez. Diante desta ausência, aqui fica uma pergunta: Qual a razão das operações realizadas? Qual o ganho de produtividade nos negócios do grupo ao qual a Recorrente faz parte? Não tenho como responder. Ainda sobre o assunto, na sessão de 05 de dezembro de 2007, a 3ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes, quando do julgamento do processo nº. 18471.001782/200536, consubstanciado através do Acórdão nº. 10323.29 da lavra do ilustre Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva, presidente desta 3ª Turma Ordinária, a quem rendo minhas homenagens e peço vênia para transcrever parte da decisão, “verbis”: “INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.051 16 casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora”. Ø Fundamento econômico para a realização das operações; Complementando a questão do propósito negocial das ações tomadas pelos controladores da Recorrente passo ao fundamento econômico para a realização das operações da reorganização societária que supostamente levaram a constituição do ágio; e, volto a repetir o que disse acima que as operações praticadas por empresas do mesmo grupo econômico não descaracterizam por si só o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal, que desde seja observada corretamente os limites e condições legais, o ágio pode ser aproveitado. Para garantir a dedutibilidade do ágio, principalmente entre empresas de um mesmo grupo econômico (de fato ou de direito) fazse necessário trazer a tona as razões para que tais operações tenham ocorrido da forma que ocorreram. Na verdade o fundamento econômico do ágio é a rentabilidade futura; para que com essa rentabilidade cheguese ao ponto de equilíbrio entre o patrimônio líquido e o pagamento quando da aquisição, recompondo assim o patrimônio do investidor. Ø Pagamento; Em relação ao pagamento no presente caso, vale mencionar que o ágio surge quando da aquisição do controle ou participação em uma dada entidade por valor distinto do seu valor patrimonial, o que foi, justamente, o que ocorreu, pois a conferência de bens é modalidade de alienação, envolvendo pessoas jurídicas distintas, conforme laudo constante dos autos. Quanto ao fato de ter uma sociedade adquirido participação societária de outra, isso é matéria que não se pode questionar, veja o por que: A “aquisição” – termo que é utilizado pela legislação ao tratar do tema – de participação societária abrange todas as formas pelas quais um bem passa a integrar o patrimônio de outrem, seja por compra de ações ou quotas, por permuta, ou mesmo pela conferência em virtude da integralização de capital social. Portanto, verificase no caso a efetiva ocorrência de “aquisição” da participação societária pela via da conferência de quotas foi devidamente registrada na Junta Comercial do Estado do Paraná e nas contabilidades das empresas. Por isso, entendo que este ponto está comprovado a desnecessidade de “Pagamento” em dinheiro. Ainda em relação à regularidade do ágio registrado, e considerando as indagações da fiscalização, evidenciase o fato de que nem a lei fiscal, nem a lei societária, tampouco as normas contábeis em vigor à época exigiam que houvesse alguma espécie de desembolso em pecúnia pelo ágio registrado. Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.052 17 Aliás, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 exigem somente a “aquisição” de investimento e, ao tratar do registro do ágio, não tratam de “ágio pago”, muito menos “em dinheiro”. Não se trata, pois, de requisito que possa ser tido como condicionante à legitimidade e à amortização do ágio. Por isso, entendo que a eventual necessidade de pagamento pelo ágio não significa, em absoluto, que se está a cogitar de pagamento em dinheiro. Este último simplifica a percepção do ganho. De todo modo, há de se indagar o seguinte: Na situação concreta, houve alguma modalidade de “pagamento” por esse ágio? Compulsando os autos digo que sim, mas não em dinheiro, e sim em quotas ou ações: A contrapartida desse ágio foi a entrega à uma empresa das ações de outra empresa pelo valor de mercado segundo laudo juntado aos autos. Tratase, portanto, de “dação em pagamento” em troca de ações, respaldadas no direito civil brasileiro. Nesse sentido, confiramse as lições do Professor Alberto Xavier: “A conferência de bens para a subscrição de capital é um ato de alienação cuja especificidade radica no fato de a contraprestação correlativa à entrega pelo sócio dos bens conferidos para integralização do capital estar na entrega pela sociedade, não de dinheiro ou bens de pagamento (como sucede na compra e venda), nem de bens de primeiro grau (como sucede na permuta), mas de bens de segundo grau, que são as ações ou quotas representativas do status do sócio do subsrcritor.” (In “Incorporação de Ações: Natureza Jurídica e Regime Tributário in Sociedade Anônima – 30 anos da Lei 6.404/76”, Quartier Latin, 2007) Vale lembrar, por outro lado, que “pagamento”, para o Código Civil, tem a natureza de “contrapartida” ou “retribuição” de um dos contraentes para o outro, e pode ser efetuada em dinheiro, bens, direitos, créditos ou até mesmo serviços, conforme o caso. Além disso, merece destaque que nem mesmo o art. 299 do RIR/99 – invocado pela fiscalização, indevidamente, segundo melhor entendimento, exige pagamento em dinheiro, para fins de dedutibilidade fiscal da amortização do ágio. Ø Comprovação do fundamento do ágio; Apesar de constar nos autos laudos que demonstram a forma de calculo da avaliação comprovam a forma de avaliação para comprovar a provável lucratividade futura a Recorrente não apresentou outros documentos que comprovem o fundamento do suposto ágio aproveitado, tais como contratos, marca, clientes e etc. Ou seja, a Recorrente não apresentou, durante o curso do processo, o fundamento econômico que justificou o montante de ágio gerado durante a reorganização societária. E, essa comprovação caberia à Recorrente, que não o fez. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.053 18 Ø Comprovação da rentabilidade futura; Como tinha dito acima, a comprovação da rentabilidade futura não é um requisito legal de validade para que o ágio gerado seja considerado dedutível, mas é um bom indicio que as operações tinham: a) Propósito negocial; b) Fundamento econômico para a realização das operações que geraram o ágio e c) Comprovação do fundamento do ágio. Mas, a Recorrente não demonstra nada disso, apenas argumenta da legalidade as operações realizadas. Diante desses fatos e da ausência de comprovação de três das quatro prerrogativas (propósito negocial; fundamento econômico para a realização das operações societárias e comprovação do fundamento do ágio), não há como validar a dedutibilidade do ágio apurado pela Recorrente e utilizado conforme determinou a fiscalização. Ultrapassada a possibilidade da dedutibilidade do ágio apurado pela Recorrente, passo agora à questão da simulação, da multa qualificada aplicada pela fiscalização e mantida pela 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR, antes de adentrar aos meus argumentos, gostaria de fazer uma “linha do tempo”, utilizando os elementos trazidos tanto pela fiscalização quanto pela Recorrente, constantes dos autos, senão vejamos: 05/10/2007 – A Recorrente é transformada em Sociedade por Ações fechada; 22/10/2007 – A ata transformando da Recorrente em Sociedade por Ações fechada é arquivada na Junta Comercial do Estado do Paraná; 01/07/2008 – 253 (duzentos e cinquenta e três) dias depois do registro na Junta Comercial do Estado do Paraná foi realizada a 2ª AGE da Recorrente, contendo um protocolo de justificação e incorporação de ações para conversão da Recorrente em subsidiária integral da Higi Servi Holding S/A e utilizando o método do fluxo de caixa descontado afirmando que o valor da Recorrente seria de R$ 32.490.000,00; 03/11/2008 – 378 (trezentos e setenta e oito) dias após o registro na Junta Comercial do Estado do Paraná foi realizada a 3ª AGE da Recorrente, foi realizada uma nova AGE, com protocolo e justificação de cisão parcial, seguida de versão do patrimônio cindindo a sociedade já existente (HSLC Participações S/A); 01/12/2008 – 406 (quatrocentos e seis) dias depois do registro na Junta Comercial do Estado do Paraná e 28 (vinte e oito) dias depois da ultima AGE (3ª) foi realizada a 4ª AGE da Recorrente, contendo um protocolo e justificação de cisão total da sociedade HSLC Participações S/A, seguida de versão do patrimônio cindindo para as sociedades Higi Servi Limpeza e Conservação S/A e Higi Servi Holding S/A; Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.054 19 Observando tudo que foi feito, resumese que a situação societária do grupo empresarial a que pertence a Recorrente era assim (ilustração da impugnação fls 1859): E, depois de quase um ano e meio, ficou assim (ilustração da impugnação fls 1860): Diante do que vimos acima e pelo lapso temporal entre o primeiro ato societário (05/10/2007) e o último (01/12/2008) não posso concordar com a tese da simulação e, por conseguinte com a imposição da multa qualificada aplicada pela fiscalização e mantida pela 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR. Tal posição decorre da certeza de que para a aplicação (e manutenção) da Multa Qualificada deve esta configurada, de uma maneira cristalina, a prática reiterada de ações durante todo o ano calendário (ou mais de um), que tenham como objetivo mascarar a obrigação tributária principal, quando a escrituração do sujeito passivo demonstra que este conhecia o real valor a recolher, constitui ação dolosa que implica qualificação da multa de ofício. Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.055 20 Isso porque, a qualificação da multa depende da existência e demonstração da conduta prevista em lei por parte do sujeito passivo, conforme determina o art. 44 da Lei nº. 9.430/1996, a seguir transcrito: “Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Pela leitura do dispositivo acima, fica claro que há necessidade de existência e cabal demonstração do evidente intuito de fraude. Essa é a posição dos arts. 71 a 73 da Lei nº. 4.502/1964, “verbis”: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72”. Assim, cabe a fiscalização, quando da lavratura do auto de infração apresentar todos os elementos que ensejaram a qualificação da multa e, demonstrar claramente a reiteração da conduta da Recorrente. Caso isso não aconteça, entendo que não pode ser imputada ao sujeito passivo da obrigação tributária a demonstração que nas suas ações ou omissões contemplavam o intuito de fraude, nos termos e parâmetros da Lei nº. 9.430/1996; isso porque, a elaboração de um planejamento tributário visando pagar menos tributo ou o inadimplemento das obrigações tributárias, não são condutas ensejadoras da aplicação da multa qualificada. Essa minha afirmação decorre de que houve uma elisão fiscal e não uma evasão fiscal, conforme podemos ver abaixo: Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.056 21 Para distinguir a elisão da evasão, em trabalho publicado em 1977, Ricardo Mariz de Oliveira (in “Fundamentos do Imposto de Renda”, Ed. Revista dos Tribunais, p. 303) ressaltou que a elisão deve decorrer de atos ou omissões que não contrariem a lei, e de atos ou omissões efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Essa lição foi repetida nas “Questões Relevantes, Atualidades e Planejamento com Imposto Sobre a Renda”, encontradas nos Anais do 13° Simpósio IOB de Direito Tributário, IOB, 2004, que transcrevo abaixo: “A elisão fiscal lícita, buscada pelo planejamento tributário, diferenciase da evasão fiscal ilícita por três e apenas três elementos: (I) decorrer de atos ou omissões da pessoa (que não é contribuinte) anteriores à ocorrência do fato gerador da obrigação que ela quer elidir, (2) decorrer de atos ou omissões confirmes à lei, e (3) decorrer de atos ou omissões reais e não simulados” (grifos nossos). No mesmo trabalho, comentou Ricardo Mariz de Oliveira, “verbis”: “(...)A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida (...) se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, que a jurisprudência administrativa vem aplicando com bastante sabedoria, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores entre eles; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a prática de certos atos entre partes ligadas, por exemplo, ao final do períodobase de apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, com a transferência incabível e inexplicável de lucro de uma pessoa jurídica lucrativa para outra deficitária; a existência ou inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal; a exagerada arrumação dos fatos”. Ressaltese que a fiscalização poderia ter desconsiderado todos os efeitos da reorganização societária, excluído o ágio e penalizar a Recorrente com a glosa das deduções e pelo inadimplemento do tributo devido, imputar uma multa de 75% (setenta e cinco pro cento) sobre o valor dos tributos devidos. Porém, para que seja justificada a duplicação dessa Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.057 22 penalidade, com a aplicação de uma multa de 150% (cento e cinquenta por cento), deve estar provado nos autos, de forma inequívoca, a absoluta, cabal e evidente certeza, do intuito de fraude e que tais requisitos constem de forma clara na autuação. Veja que não pode a fiscalização, para a qualificação da multa de 150% (cento e cinquenta por cento), deixar de comprovar as duas características que entendo serem pressupostos validadores no decorrer das ações do sujeito passivo: (i) O pressuposto evidente Quando a fiscalização comprova a qualidade daquilo que não admite dúvida; e, (ii) O pressuposto intuito – Quando o propósito na realização de um ato visa esconder ou minimizar o fato gerador da obrigação tributária. Ou seja, pela leitura do relato da fiscalização deve ficar comprovada, de forma cabal, com absoluta certeza e sem sobra de dúvidas, que o propósito da Recorrente era, ao praticar todos os atos societários, de impedir o conhecimento da autoridade publica de fatos geradores com o único objetivo de reduzir ou fazer desaparecer o tributo devido. Não vejo que esse seja o caso dos presentes autos. Esse é o entendimento Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, quando do julgamento do Processo nº. 10247.000157/200438, consubstanciado através do Acórdão nº. 10617.015, que peço vênia para reproduzir: “(...)Primeiro, devese discutir a pertinência da qualificação da multa de oficio. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência o art. 44 da Lei n° 9.430/96, em sua redação original. Nessa época, aplicavase a multa qualificada nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Assim, mister verificar se a conduta estampada nos autos pode se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei n° 4.502/1964. A autuação tomou por base uma presunção de omissão de rendimentos. O recorrente não fez qualquer prova da origem dos depósitos bancários. Por fim, nos autos, não se descobriu a origem dos depósitos bancários. (...) Poderia, entretanto, a conduta dos autos se subsumir à sonegação, que é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda ou das condições pessoais do contribuinte. No caso de sonegação, mister explicitar claramente o fato gerador do imposto sonegado, com as condutas dolosas que impediram ou retardaram o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. A partir de uma presunção legal de ocorrência de um fato gerador do Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.058 23 imposto, não podemos afiançar que o contribuinte agiu com dolo, no intuito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, notadamente porque a conta bancária era movimentada pelo recorrente, sem nenhuma interposição de pessoa, ou fraude a esconder o real beneficiário dos depósitos. Toda a movimentação bancária foi feita às claras. Por óbvio, considerando as gravíssimos consequências da qualificação da multa, que ultrapassam a questão pecuniária, adentrando no terreno do direito penal tributário, não pode o evidente intuito de fraude ser presumido. (...) Para qualificar a multa, mister comprovar com elementos hábeis e idôneos o evidente intuito de fraude. Mera presunção da omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não justifica a qualificação da multa de oficio. Devese ressaltar que a decisão acima está em consonância com a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, balizada pela Súmula 1°CC n° 14: ‘A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo’. Como exemplo da jurisprudência do Conselho na matéria, colacionase a ementa do Acórdão n° 10422619, unânime para desqualificar a multa de oficio, sessão de 13/09/2007, relator o conselheiro Nelson Malmann, verbis: (...) PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA – As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. SANÇÃO TRIBUTÁRIA MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito defraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei no. 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido”. Desta forma, entendo que a conduta da Recorrente não aponta para o intuito consciente e deliberado de turvar a realidade dos fatos para reduzir a base tributável, e sim utilizou o seu poder de gestão para criar uma nova realidade societária durante quase 24 (vinte e quatro) meses, exatamente 687 (seiscentos e oitenta e sete) dias, baseadas nas normas legais existentes e vigentes à época dos fatos. Nessas condições, entendo que a multa qualificada deve Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.059 24 ser reduzida ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento) por não configurar a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a seguir transcrito: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Meu entendimento encontra amplo respaldo na jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme pode ser visto abaixo: “Ementa: MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A qualificação da multa de ofício depende da demonstração do evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. No caso, o evidente intuito de fraude não foi demonstrado e a multa não deve ser qualificada. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 11543.005082/200319 Acórdão nº 920202.185 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2012) “MULTA QUALIFICADA Aplicase a multa em percentual de 150% nos casos em que tipificada a situação prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Fica evidenciada a intenção dolosa de tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, quando o contribuinte não contabiliza toda sua vultosa movimentação bancária, que abriga receitas de aplicações financeiras e ganhos em operações de cessão de crédito omitidos” (CSRF Processo nº 13884.003382/200590 Acórdão nº 9101001.393 – 1ª Turma Sessão de 17 de julho de 2012). “Ementa: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA. CONDUTA. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO. O agravamento da multa de ofício somente se justifica quando o sujeito passivo busca, com dolo, dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Somase a esse fato a relevante constatação de que a ausência de informação não prejudicou a atuação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado” (CSRF Processo nº 13808.001188/200230 Acórdão nº 9202002.229 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2012). “Ementa: SIMULAÇÃO CONJUNTO PROBATÓRIO Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.060 25 objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto” (Acórdão nº 10421.497, de 23/06/2006. Primeiro Conselho de Contribuintes). “Ementa: PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. Não se qualifica como planejamento tributário lícito a economia obtida por meio de atos e operações que não foram efetivas, não apenas artificial e formalmente revelados em documentação e/ou na escrituração” (Acórdão 10617.419, de 05/11/2008. Primeiro Conselho de Contribuintes). Diante de tudo que vimos acima e para que seja agravada a multa deve ser observado um dos princípios balizadores que lastreiam o processo administrativo fiscal: O Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. O Principio da Legalidade determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe. Já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. Assim, para que seja imputada a Recorrente a multa qualificada e também a multa agravada fazse necessário que o auto de infração comprove, com uma clareza meridiana a conduta eivada de dolo, com o objetivo de dificultar a busca da verdade material sobre a ocorrência do fato gerador e sua respectiva base de cálculo. Não tendo comprovada que a Recorrente, deliberadamente agiu a margem da legislação visando omitir ou reduzir a base tributável de forma reiterada não se pode manter a inclusão da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento). Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e também para prover parcialmente o percurso, para que a decisão da 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR de glosa do ágio apurado seja mantida, com as respectivas adequações na Parte “b” do Lalur; porém com incidência da multa de 75% (setenta e cinco por cento) por não configurar a hipótese do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 2060DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.061 26 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir unicamente quanto à apreciação das alegações do contribuinte referente á qualificação da multa de ofício. A princípio, cumpre registrar que a autuação fiscal referese aos anos calendário de 2008 e 2009, quando já se encontrava em vigor a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, dada pela Lei nº 11.488, de 2007: (Lei nº 9.430, de 1996) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Lei nº 4.502, de 1964) Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 2061DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.062 27 Na autuação, restou demonstrada uma série de operações que culminaram na geração de um ágio que passou a ser amortizado pela recorrente em sua contabilidade. Contudo, ao se apreciar as circunstâncias em que ocorreu a reorganização societária empreendida pela recorrente, tornase inevitável constatar que as operações tiveram, como único objetivo, a fabricação de um “ágio consigo mesmo”, em ações no qual não há como se dissociar a presença do elemento doloso. Em brevíssima síntese, os eventos descritos em ordem cronológica mostram se esclarecedores: 1) 09/05/2007 – foi criada a HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, com capital social de R$1.000,00; 2) 05/10/2007 – a recorrente HIGI SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A foi convertida em sociedade anônima fechada, com capital social de R$1.900.000,00; 3) 25/04/2008 – foi criada a “holding” HIGI SERV HOLDING S/A, com capital social de R$5.000,00; 4) 05/01/2008 – laudo de avaliação com base em metodologia de rentabilidade futura, cujas principais premissas para as projeções foram definidas pelos responsáveis e gestores da áreas de finanças, contabilidade e orçamento da empresa avaliou acervo líquido da recorrente em R$32.490.000,00; 5) 01/07/2008 – todas as ações da recorrente foram transferidas para a HIGI SERV HOLDING S/A; 6) 01/10/2008 – foi promovido o aumento de capital da HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, de R$1.000,00 para R$32.491.000,00, mediante transferência das ações que a HIGI SERVIÇOS HOLDING S/A detinha na recorrente; 7) 03/11/2008 – cisão parcial da recorrente, sendo a parte vertida para a HSLC PARTICIPAÇÕES; 8) 01/12/2008 – cisão total da HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, com versão total do patrimônio para a recorrente e a HIGI SERV HOLDING S/A; 9) o ágio transferido para a recorrente decorrente da reorganização societária passou a ser amortizado, amparandose no artigo 386, inciso III, do § 2º, do RIR/99. Mostrase relevante transcrever a análise apresentada pela DRJ/Curitiba: 21. Diante do quadro de referência em tela, a Fiscalização assentou que a constituição da empresa HSLC PARTICIPAÇÕES S/A não teve como objeto cuidar ou participar do resultado do grupo, mas se deu com dois acionistas, que por sua vez também eram os únicos acionistas das demais empresas envolvidas na operação, exclusivamente para contabilizar um ágio em seus apontamentos contábeis pela valorização das ações do sujeito passivo e retornar na forma de cisão parcial. O ágio, Fl. 2062DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.063 28 realizado no mesmo grupo empresarial, não teria fundamento econômico, já que a HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A, tendo sido avaliada e lhe reconhecido uma mais valia, por Laudo de empresa especializada, foi transformada em subsidiária integral da HIGI SERV HOLDING S/A, que, logo após, transferiu a totalidade do valor avaliado para sua controlada HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, mantendo no seu PL o valor como Reserva Para Aumento de Capital. Novamente, em curto espaço de tempo, resgatou as ações da HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, retornando para a companhia avaliada a parcela correspondente ao registro do ágio. (fls. 1798) (...) 65. Na verdade, o ponto fulcral e nevrálgico de toda situação é essa, ou seja, o tipo do ágio aqui em discussão não passa de um sofisma, criado a custa de refinada imaginação, devese reconhecer, e mais um intenso jogo formal de aparências, que envolve elaboração de atas, alterações estatutárias, constituição ou aproveitamento de pessoas jurídicas, laudos, contabilidade e outros elementos que foram necessários ao suporte da estrutura imaginada. A própria CVM não reconhece tal tipo de ágio, gerado e gestado interna corporis, porque não é leiga, não é atécnica, e não é alienada quanto às realidades do mundo. 66. Ora, diante da inexistência fáctica do ágio, não há que se falar terem sido respeitadas as condições de sua dedutibilidade previstas no artigo 386, inciso III, do § 2º, porque simplesmente não se pode deduzir aquilo que de fato não existe. Entretanto, na medida que tal ágio foi “materializado” na contabilidade da interessada, como se existente fosse, afetando os resultados contábeis dos períodos de apuração envolvidos, por certo devem, no mínimo, serem considerados desnecessários. (...) 68. Não existindo riqueza ou fluxo de riqueza algum, de que teriam se beneficiado os acionistas pessoa física das sociedades envolvidas, não há que se falar em tributar ganhos de capital inexistentes. 69. Dessa forma, é indedutível para fins fiscais as despesas de ágio em questão, em face da ausência de substância econômica para sua constituição, sendo, em verdade, vazio e de mera aparência; e da indispensável independência entre as partes, razão pela qual voto por manter integralmente a exigência correspondente, acrescendo que, na ótica adotada por este julgador, caberia até mesmo ter sido feita a qualificação da multa de ofício. (...) 85. Consta do Laudo de Avaliação, que embasou o ágio reconhecido pela empresa veículo quando da incorporação das ações, que foi utilizada a metodologia de fluxo de caixa futuro, tendo as principais premissas para as projeções sido definidas Fl. 2063DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.064 29 pelos responsáveis e gestores das áreas de finanças, contabilidade e orçamento da empresa, pois do contrário o trabalho ficaria prejudicada em função do conhecimento do negócio, principalmente quanto à situação financeira, volume de faturamento, capacidade máxima instalada, margens, etc. 86. Assim, as ações da HIGI SERV LIMPEZA E CONSERVAÇÃO S/A foram valoradas com base em premissas definidas pelos responsáveis e gestores da interessada e que resultaram numa mais valia não validada pelo mercado numa negociação de compra e venda entre partes independentes ou não relacionadas. A recorrente empreendeu uma série de operações visando, exclusivamente, a geração do ágio. Analisandose o “filme” como um todo, consoante preciosa lição de Marco Aurélio Greco, verificase a ocorrência de uma série de atos deliberadamente desprovidos de substância, amparados apenas com um véu formal que, se retirado, revela a verdadeira intenção da recorrente. A criação de empresa (HSLC PARTICIPAÇÕES S/A) notadamente com a finalidade ser de uma transmissora do ágio, o laudo de avaliação elaborado com parcialidade, e as sucessivas operações de reorganização societária, tudo entre partes dependentes, com sociedades integralmente controlada, direta ou indiretamente, por IONE MARI DA VEIGA e SIDCLEY DA VEIGA, não por coincidência, culminaram na subsunção ao art. 386, inciso III, do § 2º, do RIR/99. Foram atos conscientes e com a intenção deliberada em moldar o suporte fático previsto na norma tributária que autoriza a amortização do ágio. Resta evidente que as declarações de vontade formalizadas nas atas elaboradas, nas alterações estatutárias, na constituição ou no aproveitamento das pessoas jurídicas do grupo, nos laudos elaborados, dentre outros, tiveram por objetivo enganar o Fisco. Os negócios jurídicos mostramse desprovidos de causa quando se apreciam os fatos como um todo, tornandose inevitável concluir que a “sociedade” criada pela recorrente, qual seja, a HSLC PARTICIPAÇÕES S/A, mostrouse vazia, sem substância, sem finalidade. Inevitável constatar que restou demonstrada a presença de dois elementos inerentes ao dolo: o cognitivo, que é o conhecimento do fato constitutivo da ação típica, e o volitivo, consistente na vontade de realizar a conduta. Entendo, portanto, que no caso concreto a simulação mostrase evidente, no sentido de criar condições artificiais para o aproveitamento do ágio, em prática dolosa, deliberada e consciente, razão pela qual restou caracterizada a ocorrência da fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964, ensejando a qualificação de multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Diante de todo o exposto, voto do sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 2064DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.065 30 Declaração de Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata Presto minhas homenagens ao ilustre relator, e ao nobre Conselheiro redator do voto vencedor relativo à qualificação da multa. Há ágios internos e “ágios internos”. Minha declaração de voto se presta à necessária distinção entre os ágios internos, assim os formados dentro de um grupo societário: não se podem colocar os ágios internos todos numa “vala comum”. Com isso quero dizer que há ágios internos reais ou efetivos ou com causa, e ágios internos “fabricados” ou artificiais ou sem causa. Tributariamente, o ágio interno, formado dentro de um grupo econômico, para ser efetivo ou com causa, deve ter um significado ou efetividade econômica. Vejamos o que sucedeu no caso vertente. A recorrente (Higi Serv Limpeza e Conservação Ltda.) tinha capital de R$ 1.900.000,00, tendo como sócios Ione Mari da Veiga e Sidcley da Veiga. Em 9/5/07 foi criada a HSLC Participações S.A., com capital de R$ 1.000,00, tendo como acionistas os mesmos sócios da recorrente – Ione Mari da Veiga (com 90% do capital) e Sidcley da Veiga (com 10% do capital). Em 5/10/07, a recorrente foi transformada em S.A., i.e., Higi Serv Limpeza e Conservação Ltda. passou a ser Higi Serv Limpeza e Conservação S.A., permanecendo com o mesmo capital social de R$ 1.900.000,00, e os acionistas Ione Mari da Veiga (com 99,9%) e Sidcley da Veiga (0,01%). Em 25/4/08 foi criada a Higi Serv Holding S.A., pelas mesmas pessoas naturais, com capital de R$ 5.000,00 (90% para Ione Mari da Veiga, e 10% para Sidcley da Veiga). No mesmo dia (25/4/08), a Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. foi avaliada a mercado (sic., a valor econômico) por R$ 32.490.000,00, valor esse obtido com a elaboração de laudo pela América Auditores Independentes S/C, com fundamento da mais valia na rentabilidade futura projetada. Em 1/7/08, a Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. (recorrente) foi transferida para a Higi Serv Holding S.A., por incorporação de ações daquela por essa. Tal transferência não se deu pelo valor econômico da Higi Serv Limpeza e Conservação S.A., mas pelo custo de aquisição (R$ 1.900.000,00) das pessoas naturais. No mesmo dia (1/7/08) a Higi Serv Holding S.A. reavaliou a Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. (recorrente) por seu valor econômico de R$ 32.490.000,00. Para Fl. 2065DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.066 31 tanto, lançou a contrapartida do aumento do investimento na recorrente a crédito da conta do PL de Reserva para Aumento de Capital (em R$ 30.590.000,00). Em 1/10/08, as ações da Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. (recorrente) foram transferidas para a HSLC Participações S.A., obviamente, por R$ 32.490.000,00. Higi Serv Holding S.A. passou a ser, portanto, a controladora da HSLC Participações S.A. Em 3/11/08, a Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. (subsidiária integral da HSLC Participações S.A.) sofreu cisão parcial, com versão do acervo para sua controladora, a HSLC Participações S.A. O acervo vertido na cisão foram os investimentos da cindida na Higi Serv Cargo Serv Aux Transp Aéreo, na Higi Serv Serviços Temporários e na Serra Verde Express. O valor total desses investimentos vertidos na cisão foi de R$ 913.960,00. Curiosamente, só com essa cisão o investimento na Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. sofreu o desdobramento de seu valor em equivalência patrimonial e ágio. O valor do ágio foi de R$ 22.311.701,96, sendo o restante de R$ 9.264.338,04 [= (R$ 32.490.000,00 – R$ 913.960,00) R$ 22.311.701,96] o valor patrimonial da Higi Serv Limpeza e Conservação S.A., após a cisão desta. Fica claro, pois, que o valor do ágio teve fundamento nas atividades exercidas diretamente pela Higi Serv Limpeza e Conservação S.A., não se fundando, mesmo parcialmente, nos investimentos que ela possuía – e que foram vertidos para sua controladora, a HSLC Participações S.A. Derradeiramente, em 1/12/08, houve a cisão total da HSLC Participações S.A., com versão do acervo para a Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. (recorrente) e para a Higi Serv Holding S.A. Evidentemente, o investimento na Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. foi vertido para essa. O que foi vertido para a Higi Serv Holding S.A. foram os investimentos na Higi Serv Cargo Serv Aux Transp Aéreo, na Higi Serv Serviços Temporários e na Serra Verde Express (que a HSLC Participações, ora extinta, tinha recebido da recorrente, na cisão parcial dessa). Com a versão para a Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. (recorrente) do investimento nela mesma, a recorrente registrou o valor do ágio em seu ativo diferido (R$ 22.311.701,96), pois o fundamento do ágio era a rentabilidade futura expectada da recorrente, passando, a partir de então, ser amortizado contábil e fiscalmente. Depois disso tudo, como ficou o quadro societário? A Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. (recorrente) voltou a ser subsidiária integral da Higi Serv Holding S.A., que tem como acionistas as pessoas naturais Ione Mari da Veiga e Sidcley da Veiga, as mesmas que possuíam integralmente a Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. no início do quadro descrito e que sempre possuíram integralmente a recorrente, mesmo que de forma indireta. E os investimentos que a Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. (recorrente) possuía no início (na Higi Serv Cargo Serv Aux Transp Aéreo, na Higi Serv Serviços Temporários e na Serra Verde Express), tal como o investimento na recorrente, ficaram na Higi Serv Holding S.A. – referidos investimentos tinham sido transferidos da recorrente, por cisão parcial desta, para a HSLC Participações S.A. (isso, após a transferência do investimento na recorrente, da Higi Serv Holding S.A. para a HSLC Participações S.A.). Relembrese que a Fl. 2066DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.067 32 Higi Serv Holding S.A. tem e sempre teve como únicos acionistas as pessoas naturais Ione Mari da Veiga e Sidcley da Veiga. Ora, no cenário exposto, efetiva e substancialmente, nada mudou em relação à Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. (recorrente). Aqui se está diante de ágio interno “criado” ou artificial ou sem causa. Inexistem efetividade nem significado econômicos na geração do ágio interno na Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. Aqui se pode falar com razão que esse ágio interno é o chamado ágio “de si mesmo” ou ágio “consigo mesmo”. Vejase que, antes mesmo de se desdobrar o investimento “reavaliado” na Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. em equivalência patrimonial e ágio, i.e., com a “reavaliação” do investimento, mas antes de se aplicar o MEP, toda a contrapartida do valor que superava o do custo de aquisição (pelo qual foi transferido para a Higi Serv Holding S.A., para, no mesmo dia, ocorrer a “reavaliação”) foi registrada no PL na conta de Reserva para Aumento de Capital (em R$ 30.590.000,00) da Higi Serv Holding S.A. Quer dizer, nem foi segregado o valor do ágio no momento de sua geração, para que só a contrapartida dele fosse registrada na referida conta do PL. De toda forma, por que se registrou a contrapartida (que inclui uma parte do valor patrimonial – MEP) nessa conta de Reserva para Aumento de Capital? Porque a esse tempo nem mais existia a conta do PL de Reservas de Reavaliação, que foi extinta com a Lei 11.838/07, ao alterar a Lei de S.A. Relembrese que o art. 438 do RIR/99 (art. 35, § 3°, do Decretolei 1.598/77) previa que a reavaliação de investimento avaliado por MEP era imediatamente tributável, ainda que a contrapartida fosse registrada em Reservas de Reavaliação. Se a maisvalia gerada na Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. tivesse sido tributada na Higi Serv Holding S.A. como ganho de capital, a situação seria diferente. Aí o ágio na Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. passaria a ter causa tributariamente. A efetividade e significado econômico seriam conferidos pela própria tributação da maisvalia (ágio). Não haveria como se recusar legitimidade tributária a esse ágio, em tal hipótese. Não é o que sucedeu. Aliás, pela classificação contábil e pela forma como ela se deu, conforme já descrito, nem era de se esperar procedimento tributário diverso do praticado pela Higi Serv Holding S.A. – tampouco pela HSLC Participações S.A. Mais. Notese que ao tempo da geração do ágio interno sem causa nem mais vigia o art. 36 da Lei 10.637/02. O procedimento adotado foi levado a efeito inclusive ao arrepio do direito contábil anterior à adaptação às normas internacionais de contabilidade (i.e., anterior à Lei 11.638/07 e Pronunciamentos Técnicos CPC 15, 36 e Interpretação Técnica ICPC 9). Por outro lado, o fato de certas operações societárias (as relevantes, no caso vertente) teremse dado num curto período de tempo não é razão para se infirmar o ágio interno gerado e a dedução desse valor do ágio (no ativo diferido). No caso, a criação da Higi Serv Fl. 2067DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.068 33 Holding S.A.; a transferência para essa do investimento na Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. e a geração do ágio nesse mesmo dia; e a transferência da Higi Serv Limpeza e Conservação para a HSLC Participações S.A. (e consequente cisão total dessa com o “retorno” da Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. para a Higi Serv Holding S.A.). Isso não interfere, a meu ver, na natureza e higidez do ágio, tampouco da amortização e dedução desse valor. O problema é o ágio não ter causa ou não ser efetivo ou real economicamente. Igualmente, a existência de empresa “veículo” no contexto da geração do ágio, de per se, não interfere na natureza e higidez do ágio, e da amortização e dedução desse valor. A questão, o puntum saliens, como disse, é o ágio ser real, legítimo, com causa. Aqui há uma particularidade que é importante para se extremála de outras hipóteses. No caso em dissídio, o ágio interno sem causa ou artificial foi “fabricado” na e com uso da primeira empresa “veículo” (Higi Serv Holding S.A.). Aqui, sim, a empresa “veículo” se põe como malsinada no contexto do ágio, pois foi usada para “criação” do ágio sem causa ou sem efetividade econômica. Vejase que a segunda empresa “veículo” (HSLC Participações S.A.) não é gerador de problema. A Higi Serv Limpeza e Conservação S.A. poderia ter sido, por ex., transferida para uma de suas controladas (Higi Serv Cargo Serv Aux Transp Aéreo, Higi Serv Serviços Temporários e Serra Verde Express), ao invés de se têla transferido para a HSLC Participações S.A. O gerador de problema, condenável no contexto do ágio interno, foi a primeira empresa “veículo”, na qual foi “fabricado” o ágio interno sem causa ou sem significado econômico. Em contraposição ao que ocorreu no caso vertente, há ágios internos reais, efetivos ou com causa. Imaginese um negócio de aquisição entre duas controladas, ambas com o mesmo controlador. É a aquisição horizontal. Ou seja, uma controlada adquire participação em outra controlada, irmã ou “prima” (as duas têm o mesmo controlador). O investimento adquirido é de tal monta que ele deve ser avaliado pelo MEP. Tal aquisição é feita pela controlada, de minoritários da outra controlada. Nessa operação pode ser gerado ágio. Há justificativa ou efetividade econômica nesse ágio. É um exemplo de ágio interno real ou com causa, nomeadamente sob a esfera tributária. Suponhase que haja aumento de capital de uma sociedade e um dos sócios ou acionistas não o subscreva, sendo integralmente subscrito pelo outro sócio ou acionista (por ex., o controlador). Como a empresa em que se organiza a sociedade vale mais que seu valor contábil, o sócio ou acionista que subscrever o aumento de capital daquela irá apurar ágio no aumento de sua participação societária, para que não haja diluição injustificada do outro sócio ou acionista. Outro exemplo de ágio interno real ou com causa, sob o aspecto jurídico tributário. Cogitese de uma pessoa jurídica que resolva incorporar as ações de uma controlada. Esta possui minoritários. Também aqui, se a investida vale mais que seu valor contábil, a relação de substituição de ações pode se dar com base no valor econômico e/ou de Fl. 2068DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.069 34 mercado da investida (e da investidora), e a incorporação de ações pode vir a ser feita pelo valor de econômico (um critério de avaliação) da investida. Haverá um ágio no investimento, pago pela incorporadora de ações, através da emissão de ações entregues aos novos acionistas da incorporadora de ações (antigos acionistas da que teve as ações incorporadas) – leiase, aos minoritários, diretos ou indiretos. Tudo isso, inclusive contabilmente, pelo menos, antes da convergência às normas internacionais de contabilidade. É inegável que esse ágio interno tem causa, é efetivo ou real, sob o aspecto jurídicotributário E o pagamento se dá com outra “moeda” que não dinheiro. Eis, portanto, outro exemplo de ágio interno real ou com causa. Há significado econômico nesse ágio. Mais um exemplo. Uma investida pode se encontrar com passivo a descoberto (PL negativo). Não obstante, sua controladora acredita na capacidade de recuperação e de rentabilidade da empresa. Para tanto, a controladora injeta dinheiro na empresa, por aumento de capital, revertendo o passivo a descoberto da investida (PL positivo), para a capacitar à sua recuperação e à geração de rentabilidade. O novo valor de investimento da controladora é o custo de aquisição no aumento de capital (valor em dinheiro aportado): a diferença entre o valor patrimonial da investida segundo o percentual de participação da controladora (equivalência patrimonial) e o custo de aquisição é ágio. Há efetividade econômica nesse ágio. Há pagamento em dinheiro pelo aumento de capital feito: sua contrapartida é aumento do investimento com ágio. O ágio interno é real ou efetivo, sob o aspecto jurídicotributário. Vêse a radical diferença entre o ágio interno efetivo, real, ou com causa, dentro de um grupo societário conforme os exemplos acima, e o ágio interno “fabricado” ou sem causa, como se extrai da análise dos fatos controversos em dissídio. Nesse sentido, cito um caso de ágio interno, cuja legitimidade de registro foi reconhecida pelo colegiado da CVM, em julgamento de recurso contra entendimento deduzido em Memo da área técnica da CVM. Cuidase do Processo Administrativo CVM nº RJ 2010/16665, tendo como recorrente a Mahle Metal Leve S.A.. Esta adquiriu 100% do investimento na Mahle Participações Ltda. com ágio, a qual, por sua vez, havia incorporado sua subsidiária integral, Mahle Componentes de Motores do Brasil Ltda. Tanto a Mahle Metal Leve S.A. como a Mahle Participações Ltda. são controladas da Mahle Industriebeteiligungen GmbH (Gessellshaft mit beschränkter Haftung). Antes de a Mahle Metal Leve S.A. adquirir 100% do capital da Mahle Participações Ltda., esta era subsidiária integral da controladora alemã (a Mahle Industriebeteiligungen GmbH). Transcrevo excertos da declaração de voto nesse julgamento feita pelo Diretor da CVM Alexsandro Broedel Lopes: A Mahle Metal Leve, por sua vez, não pode reduzir seu patrimônio líquido. Ela está trocando ativos e passivos que já possuía por um ativo novo, que não era dela. Ativo novo esse que tem um valor econômico igual ao valor desses ativos entregues e passivos assumidos. Logo, é uma transação que não pode aumentar nem reduzir seu patrimônio líquido. (...) Fl. 2069DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Processo nº 10980.722547/201279 Acórdão n.º 1103000.857 S1C1T3 Fl. 2.070 35 Aceitar o que foi sugerido no citado MEMO implicaria produzir uma redução patrimonial artificial no balanço da Mahle Metal Lefe (sic.). Para ela, tanto em seu balanço individual quanto em seu balanço consolidado, o ágio faz parte do seu ativo. Adotado tal procedimento teríamos a situação absurda de uma redução patrimonial ocasionada pela aquisição de uma companhia por outra. Isto não faz sentido. (grifos nossos) Ainda, no referido julgamento pelo colegiado da CVM, é observado que tal ágio deveria ser eliminado somente nas demonstrações de Mahle Industriebeteiligungen GmbH, controladora da recorrente (Mahle Metal Leve S.A., que deve reconhecer o ágio), pois na Mahle GmbH alemã se consolidam as demonstrações financeiras do grupo. Isso faz todo o sentido. Com efeito, na controladora da recorrente não há por que constar o valor do ágio, assim como o ganho obtido na venda da outra controlada da Mahle GmbH por esta, pois aí se tem a transação entre partes relacionadas, cujo resultado deve ser eliminado. Tal como os resultados da venda que uma parte relacionada faça à outra, que não devem ser reconhecidos na consolidação, nem na aplicação da equivalência patrimonial pela controladora, enquanto não transacionados com terceiros. Esse julgamento do colegiado da CVM, reconhecendo que, naquela hipótese, deve ser registrado o ágio interno e as demais considerações, colocase em linha com tudo o que deduzi, sobre o necessário discernimento que se deve fazer entre ágio interno com causa, efetivo ou real, e o ágio interno como discutido no caso vertente, ágio interno sem causa, “criado” ou artificial. Por fim, diante de todas essas considerações, não consigo ou ao menos acho temerário estabelecer um “catálogo” de requisitos a priori, para se dizer que o ágio é real, efetivo ou com causa tributariamente, ou não. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. (assinado digitalmente) Marcos Takata Fl. 2070DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 25/03/201 5 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 15/03/ 2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.020729/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1).
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.955
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, tendo em vista a opção pela via judicial.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Não Conhecido.
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CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, tendo em vista a opção pela via judicial. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 02 07 29 /2 01 0- 89 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 convocada), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Foi emitida contra a contribuinte MARIA CÉLIA XAVIER FURTADO notificação de lançamento de fls. 25 a 29, relativa ao exercício 2007 (anocalendário de 2006), em virtude de infração de omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, no valor de R$ 91.860,24, o que resultou em um imposto suplementar de R$ 522,00. O valor total do crédito tributário lançado foi de R$ 1.094,68, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 31/08/2010. A contribuinte foi cientificada do lançamento e apresentou uma Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, a qual foi indeferida. Em seguida, ela efetuou a impugnação, com as seguintes alegações, em resumo: –é funcionária aposentada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e que, em decorrência de um diagnóstico de neoplasia maligna, foi submetida a uma cirurgia de gastrectomia total; à época, conforme Parecer 098/99 DG, o extinto Tribunal de Alçada de Minas Gerais concedeulhe isenção do imposto de renda por período de 05 (cinco) anos. Findo este prazo, pleiteou, administrativamente, a continuidade da isenção e teve seu pedido indeferido equivocadamente; recorreu ao Poder Judiciário, ingressando com a Ação Ordinária n° 0024.05.8754300, em face do Estado de Minas Gerais, com trâmite na 2 a Vara de Feitos Tributários do Estado; seu pedido foi julgado procedente, sendolhe concedida a isenção do imposto de renda e o reconhecimento do direito à restituição de todas as parcelas descontadas indevidamente e que essa decisão transitou em julgado conforme certidão anexa. dispõe de laudo médico e vasta documentação que atesta seu diagnóstico, enquandrandoo nas hipóteses de isenção do IRPF, conforme dispositivo legal; é desnecessária a renovação ou a revalidação de laudo médico oficial para a obtenção ou continuidade da isenção do IR sobre proventos de aposentadoria de portadora de doença grave. Colaciona ementa de julgado do Tribunal Mineiro que entende corroborar sua tese e junta cópia da sentença judicial que concedeulhe a isenção do IR. Ao final, requer o cumprimento da decisão judicial, mediante reconhecimento da isenção e restituição dos valores indevidamente recolhidos, conforme memória de cálculo apresentada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15504.020729/201089 Acórdão n.º 2202002.955 S2C2T2 Fl. 102 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor dos rendimentos omitidos. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL. A pessoa física portadora de moléstia grave deverá apresentar à fonte pagadora, para fins de gozo da isenção do imposto de renda sobre os valores por ela recebidos a título de complementação de aposentadoria, laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios que contenha informação de que a moléstia é ou não passível de controle e, caso a moléstia seja passível de controle, o prazo de validade do laudo pericial. Dispositivos Legais: Lei n° 7.713, de 1988, art. 6º , inciso XIV; Lei n° 9.250, de 1995, art. 30; Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), art. 39, inciso XXXIII, §§ 4º , 5º e 6º; Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001, art. 5º , inciso XII, §§ 1º , 4º e 5º. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 28/03/2012 (fl. 53), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 03/04/2012 (fls. 55 a 58), no qual afirma que entrou com pedido na 2ª Vara da Fazenda Pública para que seja acatado o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais TJMG, transitado em julgado, que lhe dá o direito à continuidade da isenção em virtude de doença, a partir de 2004. Anexa cópia da petição de execução de sentença. Às fls 90 a 98 dos autos, constam documentos que atestam que o contribuinte impetrou mandado de segurança contra ato atribuído ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte/MG, no qual postula o reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda, nos termos do acórdão proferido pelo TJMG. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Relator. Constam dos autos documentos que comprovam o ajuizamento de duas ações pelo contribuinte, requerendo que seja reconhecida a isenção do imposto de renda sobre os valores recebidos a título de aposentadoria, a partir de 2004, em virtude de ser portadora de moléstia grave. Por esta razão, cabe apontar uma questão prejudicial. A primeira ação, já transitada em julgado, foi ajuizada na Justiça Comum do Estado de Minas Gerais. A segunda é um mandado de segurança impetrado junto à 8ª Vara Federal de Minas Gerais, na qual se postula o reconhecimento da isenção do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria, conforme decisão do TJMG transitada em julgado. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Tendo a discussão deste processo sido submetida à apreciação do Poder Judiciário, entendo que esta instância administrativa está impedida de examinála. É o caso de se aplicar a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O contribuinte não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e administrativo. Em havendo coincidência de objetos nos dois processos, é de se afastar a competência dos órgãos administrativos para se pronunciarem sobre a questão. A propositura de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois da autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou seja, desistência de eventual recurso interposto. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, tendo em vista a opção pela via judicial. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000126/2003-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1997
PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO NÃO MATERIALIZADO. DATA DO FATO GERADOR. NÃO OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA PÚBLICA LANÇAR.
A Contribuição para o PIS/PASEP, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa-se à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento.
Diante da não constatação de pagamento antecipado, mesmo que parcial, a contagem do prazo decadencial deverá observar a regra prescrita no artigo 173, inciso, I, do CTN, que estabelece o prazo de cinco anos para a homologação, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3802-004.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Solon Sehn, que davam provimento por reconhecer a decadência.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1997 PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO NÃO MATERIALIZADO. DATA DO FATO GERADOR. NÃO OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA PÚBLICA LANÇAR. A Contribuição para o PIS/PASEP, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipa-se à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Diante da não constatação de pagamento antecipado, mesmo que parcial, a contagem do prazo decadencial deverá observar a regra prescrita no artigo 173, inciso, I, do CTN, que estabelece o prazo de cinco anos para a homologação, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2387; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 554 1 553 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000126/200363 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802004.117 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria Auto de Infração PIS Recorrente COMPANHIA TÉCNICA DE ENGENHARIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1997 PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO NÃO MATERIALIZADO. DATA DO FATO GERADOR. NÃO OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA PÚBLICA LANÇAR. A Contribuição para o PIS/PASEP, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Diante da não constatação de pagamento antecipado, mesmo que parcial, a contagem do prazo decadencial deverá observar a regra prescrita no artigo 173, inciso, I, do CTN, que estabelece o prazo de cinco anos para a homologação, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Solon Sehn, que davam provimento por reconhecer a decadência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 01 26 /2 00 3- 63 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, , Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 8a Turma da DRJ São Paulo I SP (fls. 476/497 do arquivo digital acostado ao eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à impugnação formalizada pelo sujeito passivo, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO: 1996, 1997, 1998, 1999 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial importa a renúncia à instância administrativa relativamente à matéria que foi levada a juízo. Se o impugnante aduz outras questões além daquelas que aguardam apreciação judicial; a',.impugnação administrativa há de ser conhecida apenas com relação à matéria não discutida no âmbito judicial. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Acatando o entendimento exposto na Súmula Vinculante n°. 8, o direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que 0 crédito poderia ter sido constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração é o instrumento adequado para formalizar o .lançamento do crédito tributário resultante de ação fiscal direta. AUTO DE INFRAÇÃO. INADEQUAÇÃO DO MEIO UTILIZADO. INOCORRÊNCIA. O lançamento do crédito tributário é formalizado mediante auto de infração ou notificação de lançamento, conforme seja efetuado por AuditorFiscal ou pelo dirigente do órgão que administra o tributo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da ' falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. JUROS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O valor da taxa dos juros calculados em procedimento . de ofício é aquele previsto nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo Fl. 555DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 555 3 crédito tributário, não havendo, portanto, qualquer razão em querer dar cunho confiscatório à aludida exigência. CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhe execução. Lançamento Procedente em Parte Em conseqüência do julgamento em tela, observase que foi anulado o Acórdão nº 16. 15.311, de 30 de outubro de 2007 (fls. 445/464), motivado pela publicação da Súmula Vinculante nº 8 (STF), considerando que não havia sido dada ciência do Acórdão ao contribuinte, voltou o processo para compatibilizar a decisão com o disposto na citada Súmula, e também em razão da entrada da Recorrente ao PAES (Parcelamento Especial) de parte dos débitos, bem como foi exonerado parte dos valores lançados que foram atingidos pelo prazo decadencial. A lavratura do Auto de Infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: Tratase de impugnação (fls. 130 a 156) apresentada por COMPANHIA TÉCNICA DE ENGENHARIA ELÉTRICA, supra qualificado, contra Auto de Infração (fls.122 a 126) de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente a fatos geradores ocorridos no período de março de 1996 a janeiro de 1999. 2. No “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 112 e 113), integrante do Auto de Infração, o Auditor autuante relata que há uma Apelação em Mandado de Segurança (apelante é a União Nacional Fazenda Nacional), em função de decisão de 1° instância que concedeu a segurança pleiteada pelo ora impugnante para eximir o contribuinte de recolher o PIS com base . na Medida Provisória n° 1.212/95, subsistindo a obrigação nos termos da Lei Complementar n° 07/70. 2.1. O Auditor constituiu o crédito tributário correspondente com exigibilidade suspensa e sem aplicação da multa de oficio. 2.2. O crédito tributário lançado está assim constituído (fls. 122): PIS R$ 1.717.953,73 Juros (até 30/12/2oo2)z R$ 1.561.808,47 CRÉDITO TRIBUTÁRIO TOTAL: R$ 3.279.762,20. 2.3. A base legal indicada no›Auto de Infração (fls. 112, 113, 124 e 125)é: artigo 77, inciso III, do DecretoLei n° 5.844/43; art. 149, da Lei n° 5.172/66; art. 3°, alínea “b”, da Lei Complementar n° 07/70; art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73; titulo 5, capítulo 1, seção 1, alínea “b”, itens I e II do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/82; artigos 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9°, da Medida Provisória n° 1.212//95 e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715/98; artigos 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9°, da Lei n° 9.715/98. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 3. Tendo tomado ciência deste lançamento em 21/01/2003 (fls. 113; 122 e 126), o contribuinte, por intermédio de suas advogadas (docs. às fls.157, 158, 166 e 167) interpôs impugnação (fls. 130 a 156), protocolizada em 19/02/2003, relatando e alegando o que segue. 3.1. Após breve histórico, pugna pelo conhecimento da impugnação, l legando que na ação judicial em andamento apenas se discute a constitucionalidade as alterações perpetradas na sistemática de apuração do PIS, pela MP 1.212/95 e alega haver decorrido o prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos entre 31/03/96 e 31/12/97. 3.2. A seguir, informa que os recolhimentos efetuados a título de PIS Repique não foram levados em conta pela autoridade Fiscal, tendo sido lavrado o Auto de Infração sobre o valor total tributável. Por isso, acredita, o lançamento é improcedente, por não haver liquidez dos valores cobrados. Ressalta que, o fato de o recolhimento do PIS Repique ser feito usandose um código diferente não descaracteriza o pagamento, pois 0 tributo é 0 mesmo. 3.3. Ainda como preliminar, argüi a nulidade formal do lançamento.Mesmo reconhecendo a possibilidade de a autoridade fiscal não apurar a adequação de normas legais à Constituição e dever, face ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, efetuar o lançamento tributário, acredita que, no caso onde o tributo se sujeita ao lançamento por homologação, a autoridade fiscal deva se valer de um processo administrativo e não de um Auto de Infração. 3.4. Citando e transcrevendo os artigos 9°, 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72 , argumenta que para se justificar “a existência de uma notificação fiscal ou de um auto de infração, bem como a penalidade neles cominada, mister se faz a existência de um ato ilícito”. E prossegue: "33. No presente caso, não foi praticada nenhuma infração, de sorte que não há nenhuma razão jurídica que justifique a existência de um auto de infração ou notificação fiscal, nem tampouco a aplicação de qualquer penalidade 3.5. E enfatiza: “34. E para estraçalhar quaisquer dúvidas. tanto e' verdade que o indigitado auto de infração e' improcedente,_que a própria autoridade fiscal. ao lavrálo. não aplicou à Impugnante nenhuma penalidade! " (destaques do original) 3.6. Citando jurista e ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes, encerra assegurando não haver “qualquer dúvida quanto à manifesta ilegalidade da manutenção do presente auto de infração, tendo em vista a sua vicissitude formal, pois tal ato foi expedido para o atendimento de uma finalidade que lhe é totalmente imprópria 3.7. Alega a nulidade material do Auto de Infração combatido porque, na ordem de intimação há a afirmação de que se for afastada a suspensão da exigibilidade, contribuinte deverá recolher total ou parcialmente o crédito lançado, com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição da dívida ativa. Entende que essa frase (“com os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição da divida ativa”) fere diversas normas legais (cita 0 art. 63, § 2°, da lei n° 9.430/96 e o art. 10, inciso V, do Dec. 70.235/72). Fl. 557DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 556 5 3.8. Ainda dentro do titulo por ele denominado de “Pre1iminares”, assaca argumentos a favor da nulidade do lançamento em si, por manifesta inconstitucionalidade da Medida Provisória n° 1.212/95, defendendo a possibilidade de apreciação da constitucionalidade das leis em sede de processo administrativo. 3.9. Nessa toada, conclui seus argumentos: “59. Assim, o Estado tem o poder de autotutela sobre os atos que expede e, no momento em que verificar a inconstitucionalidade de um ato por ele expedido, estará autorizado para que, de sponte própria, promova a anulação do ato. 70. Bom frisar que o legislador constitucional, ao elaborar o artigo 5°, LV, da Carta Magna, assegurou como inviolável o direito ao contraditório e à ampla defesa e todas as i 'ferramentas " a estes inerentes. 71. Desta sorte, a Impugnante pode discutir, em sede de processo administrativo, todos os aspectos de fato e de direito respeitantes ao ato administrativo, não devendo se cingir única e exclusivamente a elementos de natureza fática ou formal. 72. Repitase, portanto, que, se o legislador constitucional assegurou o direito à ampla defesa e ao contraditório, em sede de processo administrativo e judicial significa que, em sede de processo administrativo, a Recorrente pode, também, discutir a constitucionalidade das leis. 3.10. No mérito, discute seu direito de efetuar o recolhimento do PIS com base na Lei Complementar n° 07/70, dizendo que esta foi "totalmente recepcionada no artigo 239, que expressamente constitucionalizou sua sistemática Por isso, entende que “os elementos da hipótese de incidência do PIS estabelecidos pela Lei Complementar n” 7/70 acabaram por assumir 'status' constitucional " e acredita que apenas uma Emenda Constitucional poderá alterar a forma de cobrança dessa contribuição. Portanto, em seu entender, a exigência de PIS sobre seu faturamento mensal durante 0 período definido no Auto de Infração é absolutamente inconstitucional. 3.11. Argumenta que a cobrança de juros, usando o índice SELIC é institucional e que a taxa deve ser limitada a 1%, conforme dispõe o artigo 161, § 1°, do Código Tributário Nacional. Se permanecer essa cobrança, estarseá violando os princípios constitucionais da legalidade' e da isonomia. Considera, também, confiscatório o emprego dessa taxa de juros. 3.12. Requer o conhecimento da peça impugnatória e a declaração de nulidade do Auto de Infração por ser a lei n” 9.718/98 inconstitucional. Se assim não se entender, requer a anulação do Auto por inexistir qualquer infração e o lançamento deveria ser feito por meio de procedimento administrativo Fl. 558DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 próprio, com a exigibilidade suspensa do crédito tributário, enquanto vigente qualquer uma das hipóteses previstas no artigo 151, do Código Tributário Nacional. 4. Em 29/08/2003, o impugnante apresentou requerimento (fls. 372) onde informa ter renunciado a "parte do direito sobre o qual se funda a sua defesa, tão somente 'no que tange aos períodos de 01/98 à 01/99 " por ter aderido ao Parcelamento Especial previsto na Lei n° 10.684/2003. Ainda “Esclarece a requerente que permanecerá com a discussão no tocante aos períodos de 03/97 à 12/97". Em função disso, parte do crédito tributário inicialmente aqui discutido foi transferido para o processo administrativo 13807.007317/2005 56 (fls.417a425). 4.1. Vindo a julgamento, foi prolatado o Acórdão n°. 15.311, de 30 de outubro de 2007. Tendo em vista a publicação da Súmula Vinculante n°. 8 e considerando que não havia sido dada ciência ao contribuinte do Acórdão, voltou o processo para esta Turma, para compatibilizar a decisão com o disposto na citada Súmula. É o relatório. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 27/04/2009 (fl. 513). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 27/05/2009 (fl. 514), o recurso voluntário de fls. 514/526, onde ressalta o seguinte: a) que conforme o Auto de Infração lavrado, a fiscalização apurou suposta divergências entre os valores escriturados e os valores declarados, referentes aos fatos geradores ocorridos em 31.03.96 a 31.01.99. A fim de evitar a decadência, lançou os valores que seriam devidos a título de PIS com base na Medida Provisória n° 1.212/95, sem, contudo, considerar os valores que já haviam sido recolhidos com base na Lei Complementar n° 07/70. b) isto porque, no momento da lavratura do presente auto de infração, a Recorrente possuía decisão judicial favorável, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 96.00311986, que assegurou o seu direito de recolher o PIS com base na LC n° 07/70, sem as alterações veiculadas pela MP n° 1.212/95. c) notificada, a Recorrente ofertou sua IMPUGNAÇÃO (fls. 130/156), demonstrando, em síntese, (i) a decadência com relação aos fatos geradores ocorridos entre 31.03.96 a 31.12.97, nos termos do art. 150, § 4°, do CTN; (ii) a não consideração dos valores recolhidos a título de PIS, através da modalidade REPIQUE; e (iii) a inconstitucionalidade da Medida Provisória n° 1.212/95 e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98. Posteriormente, às fls 372, a ora Recorrente renunciou a parte do direito sobre o qual se funda a defesa , tão somente no que tange aos períodos de 01/98 a 01/99, de acordo com o que lhe permitia o § 2° do art. 11 da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 1, de 25/06/2003, em razão do seu ingresso ao Parcelamento Especial (PAES), nos termos do art. 15, l, da Lei n° 10.684/2003. d) que em razão disso, permaneceram em discussão a Contribuição ao PIS dos períodos de 03/96 a 12/97. Ocorre que, a DRJ (SP I) houve por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, reconhecendo, preliminarmente, que os fatos geradores ocorridos entre 31.03.1996 a 31.11.1997, foram alcançados pela decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN, devendo ser mantido o lançamento do fato gerador ocorrido em 12/97. e) que os Julgadores da DRJ, no que tange a ocorrência da decadência para os fatos geradores ocorridos entre 31/03/96 a 31/12/96, manifestaram entendimento no sentido de Fl. 559DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 557 7 que, inexistindo pagamento antecipado, o lançamento passa a ser de ofício, tal qual previsto no art. 149, do CTN, o que desloca a norma de contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. Em razão disso, o lançamento fiscal foi julgado parcialmente procedente, restando mantida a exigência da referida contribuição no que tange ao fato gerador ocorrido em 12/1997. f) a Recorrente, no período abrangido pelo Auto de Infração, recolheu a contribuição ao PIS mediante a modalidade REPIQUE (ou seja, 5% sobre o imposto de renda devido), prevista na LC n° 07/70; Essa sistemática permaneceu até 29/11/2005, quando a contribuição para o PIS passou a incidir sobre o faturamento nos termos do art.2°, I, e 3° da Lei 9.715/98 (conversão da MP n° 1.212/95); g) que o Fisco, ao constituir o crédito tributário, exigiulhe todos os valores que seriam devidos a título de PIS, com base nas disposições contidas na MP n° 1.212/95 e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, porem, simplesmente ignorou os valores já recolhidos pela Recorrente, na modalidade Repique, prevista na LC n° 7/70. ressalta que, as duas formas legais (tanto com base na LC n° 7/70 como na MP n° 1.212/95) nada mais são que contribuição ao PIS e o o fato da Recorrente ter realizado pagamentos de PISRepique é de suma importância para o deslinde do ieito, pois afasta o falacioso argumento de inexistência de pagamento a respaldar a aplicação do art. 173, l, do CTN; h) conforme decidido pela DRJ, o valor mantido a título de PIS, no período de 12/1997, no valor de R$ 48.347,28 sofreu a dedução do valor de Ft$ 4.606,68 anteriormente recolhido na modalidade repique (comprovante de recolhimento já acostado aos autos), restando a pagar RS 43.740,60; i) alega que houve o pagamento antecipado da contribuição e que, no que tange a contagem do prazo de decadência, equivocadamente, aplicaram as regras previstas no art. 173, I, do CTN, sob a alegação de inexistência de recolhimento do PIS e conforme já mencionado, não obstante as diversas modalidades de cálculo da contribuição que já existiram, há que se considerar que tanto a LC n° 7/70 como a MP n° 1.212/95 não previram contribuições diversas. Ambas dispunham acerca do recolhimento da mesma contribuição ao PIS. j) que seja efetuada a intimação pessoal dos procuradores da Recorrente, para comparecimento na sessão de julgamento do presente recurso, bem como para que lhes seja dada a oportunidade de sustentar oralmente as razões recursais, sob pena de nulidade. Diante de todo o exposto, a Recorrente servese do presente RECURSO VOLUNTÁRIO para, requerer que seja dado integral provimento ao presente recurso para fins de reformar em parte a decisão recorrida, anuladose o lançamento fiscal em relação ao fato gerador ocorrido em dezembro de 1997, que encontrase fulminado pela decadência nos termos do art. 150, § 4° do CTN e, portanto, extinto, nos termos do art. 156, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Fl. 560DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 Da Admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Antes de adentrarmos nas razões da manutenção da decisão ora recorrida, cumpre esclarecer que a defesa cingese somente quanto ao fato gerador de PIS ocorrido em 12/97, já que o lançamento do PIS do período remanescente de 03/96 a 11/97, foi julgado improcedente em razão da decadência declarada pelo Acórdão da DRJ. Conforme consta dos autos, a Recorrente, no período abrangido pelo Auto de Infração, recolheu a contribuição ao PIS mediante a modalidade REPIQUE (ou seja, 5% sobre o imposto de renda devido), prevista na Lei Complementar n° 07/70. Como se sabe, a LC nº. 7/70, que criou o Programa de Integração Social– PIS, instituiu duas sistemáticas de cálculo e recolhimento da contribuição, o PIS Faturamento e o PIS Repique, sendo a primeira prevista na alínea “b” e a segunda instituída no § 2º, conforme abaixo reproduzido. Art. 3º O Fundo de Participação será constituído por duas parcelas: a) a primeira, mediante dedução do Imposto de Renda devido, na forma estabelecida no § 1º, deste artigo, processandose o seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do Imposto de Renda; b) a segunda, com recursos próprios da empresa, calculados com base no faturamento, como segue: 1) no exercício de 1971, 0,15%; 2) no exercício de 1972, 0,25%; 3) no exercício de 1973, 0,40%; 4) no exercício de 1974 e subseqüentes, 0,5%. (Ver Lei nº 9.715/98, art. 8º) §1º A dedução a que se refere a alínea "a" deste artigo será feita sem utilização dos incentivos fiscais previstos na legislação em vigor e calculada com base no valor do Imposto de Renda devido, nas seguintes proporções: a) no exercício de 1971, 2% b) no exercício de 1972 , 3% c) no exercício de 1973, e subseqüentes 5%. §2º As instituições financeiras, sociedades seguradoras; e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias participarão do Programa de Integração Social com uma contribuição ao Fundo de Participação de recursos próprios de valor idêntico do que for apurado na forma do parágrafo anterior (grifo nosso). Ocorre que, o Fisco, ao constituir o crédito tributário, exigiulhe todos os valores que seriam devidos a título de PIS, com base nas disposições contidas na MP n° 1.212/95 e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, porem, ignorando os valores já recolhidos pela Recorrente, na modalidade de PIS Repique, prevista na LC n° 7/70. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 558 9 Como asseverado pela Recorrente em seu recurso, “ (...) vale ressaltar que, as duas formas legais (tanto com base na LC n° 7/70 como na MP n° 1.212/95) nada mais são que contribuição ao PIS”. Ressaltese que, o fato de o recolhimento do PIS Repique ser feito usando se um código diferente, já descaracteriza o pagamento, pois o tributo não seria da mesma espécie. Notese ainda, que nenhum valor de contribuição do PIS – Faturamento, foi declarado em DCTF, conforme se verifica no documento elaborado pelo Fisco e com ciência da empresa (fl. 115). Mesmo assim, como ordenado pela DRJ, o valor mantido lançado a título de PIS, no período de 12/1997, no valor de R$ 48.347,28 sofreu a dedução do valor de R$ 4.606,68 anteriormente recolhido na modalidade de PIS Repique (comprovante de recolhimento já acostado aos autos), restando a pagar RS 43.740,60 (conforme guia do DARF constante da Intimação n° 1. 614/2009 (fls. 510/512). Neste aspecto, vejase a forma que foi abordado pela DRJ (fl. 497): (...) 14. Quanto ao alegado sobre os recolhimentos do PIS Repique que não teriam sido levados em conta pela autoridade fiscal, considerando ser um só tributo, e, portanto, com a mesma destinação constitucional e considerando, ainda, que neste caso concreto, não houve lançamento de multa de oficio, deve ser acatado o seu pleito para, na cobrança, ser feita a compensação dos valores já recolhidos a título de PIS Repique. l3.l. O lançamento deve ser mantido, pois o valor total do tributo – PIS Faturamento não está declarado ou confessado. Em que pese o reconhecimento de que houve o pagamento do PIS – Repique, no que tange a contagem do prazo de decadência, na decisão foi aplicado as regras previstas no art. 173, I, do CTN, sob a alegação de inexistência de recolhimento do PIS, conforme trecho do Acórdão recorrido abaixo reproduzido (fl. 484): “8.3. Exvi do § 4°, do art. 150, do Código Tributário Nacional CTN, o Fisco dispõe do prazo de cinco anos, se a lei não fixar prazo diferente, a contar do fato gerador, para homologar o crédito lançado e pago antecipadamente ou complementálo. Entretanto, na situação versada nos autos, não há que se falar em homologação, em face da inexistência de recolhimento do PIS. lnexistindo pagamento antecipado, o lançamento passa a ser de ofício, tal qual previsto no art. 149 do CTN, o que desloca a norma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, inciso, I, do mesmo diploma, contandose o qüinqüênio a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade poderia fazëlo” (grifouse). Portanto, restou caracterizado que o PIS – Repique recolhido, tratase de outra espécie de tributo, e como de direito, a autoridade administrativa autorizou a sua compensação, uma vez que o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Administração Tributária, passível de restituição ou de Fl. 562DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos , relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Receita Federal do Brasil. O que define um tributo é a sua BASE DE CÁLCULO + Critério Material (conduta). Se um dos dois for diferente, estará diante de outra espécie tributária, conforme precedentes do STF. No mesmo sentido, vejase o que nos ensina PAULO DE BARROS CARVALHO, para se distinguir um tributo: “Entre nós, o tipo tributário é definido pela integração lógica semântica de dois fatores: hipótese de incidência e base de cálculo. Ao binômio, o legislador constitucional outorgou a propriedade de diferençar as espécies tributárias entre si, sendo também operativo dentro das próprias subespécies. Adequadamente isolados, os dois fatores, estaremos credenciados a dizer sem hesitações, se um tributo é imposto, taxa ou contribuição, bem como anunciar a modalidade que se trata”. Quanto a definição de tributos da mesma espécie a que se refere o § 1° do art. 66, da Lei n° 8.383/1991, cabe aqui reproduzir o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 30.03.1994: ADN Ato Declaratório Normativo do COORDENADOR GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT n°15 de 30.03.1994 D. O. U.: 04. 04. 1994 Dispõe sobre a compensação de tributos e contribuições, nos casos de pagamento indevido ou a maior. (...) (...) declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal e aos demais interessados, que a compensação de tributos e contribuições federais, nos casos de pagamento indevido ou a maior, só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie (§ 1°do art. 66. da Lei n°8.383/91), isto é, que tenham o mesmo fato gerador, não podendo o contribuinte compensar créditos relativos a um imposto com débitos de outro imposto; créditos de uma contribuição com débitos de um imposto; créditos relativos a uma contribuição com débitos de outra contribuição; nem mesmo créditos de contribuição extinta, como é o caso do FINSOCIAL, com débitos de contribuição vigente – COFINS, instituída pela Lei Complementar n” 70, de 30 de dezembro de 1991.(grifamos). A Lei Complementar nº 07, de 07 de setembro de 1970, ao dispor sobre a participação das instituições financeiras, sociedades seguradoras e outras empresas que não realizam operações de vendas de mercadorias, no Programa de Integração Social (PIS), estabeleceu que as suas contribuições serão compostas de duas parcelas a serem pagas: a primeira, com recursos deduzidos do imposto de renda devido e a segunda, com recursos da própria empresa. Esta parcela, por força do disposto no § 2º do art. 3º da mesma Lei, deve ter valor idêntico ao da primeira. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 559 11 Como se vê, por óbvio, que se trata de espécie de tributos diferentes, uma vez que a apuração mensal não se aplica à sistemática do PIS – Repique (código de recolhimento: 8205) e mais, pois este era calculado como uma fração do Imposto de Renda devido, alíquota de 5% e o outro – PIS Faturamento (código de recolhimento 8109), objeto do lançamento, conforme as disposições contidas na MP n° 1.212/95 e suas reedições, convertida na Lei n° 9.715/98, tendo como base o faturamento mensal da empresa, aplicandose a alíquota de 0,65%. Como conseqüência disso, em se tratando de tributos de espécie diferentes, não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, então, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Em tais hipóteses, o dies a quo para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Essa questão, inclusive, já foi examinada pelo STJ no âmbito do REsp 973.733SC, acórdão o qual foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, portanto, de observação obrigatória pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A de seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 – dispositivo inserido pela Portaria MF no 586/2010). Com efeito, referido julgado está em sintonia com a fixação do dies a quo para a contagem do prazo decadencial nos termos acima defendidos, conforme se observa de seu teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). Fl. 564DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 12 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (Destaques do original) Como visto acima, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável que haja o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal como definida no artigo 150, ao efetivo pagamento do tributo. Essa conclusão está em sintonia com o § 1º do mesmo dispositivo, segundo o qual “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento”. Sobre essa questão Luciano Amaro ensina o seguinte: Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este – diz o Código Tributário Nacional – operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falar em “homologação do pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer. Pelo exposto, temos que o recolhimento da contribuição ao PIS – Repique, deve ser considerada com outra espécie de tributo, e como tal, não restou caracterizado Fl. 565DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 19515.000126/200363 Acórdão n.º 3802004.117 S3TE02 Fl. 560 13 pagamento antecipado da exação, razão pela qual não há que se falar em aplicação do art. 150, § 4°, do CTN, para contagem do prazo decadencial e sim do art. 173, inciso I, do CTN. Portanto, para o fato gerador ocorrido em dezembro de 1997, o prazo decadencial se esgotaria em 31/12/2003, após a data do presente lançamento, que se configurou em 21/01/2003 (fls. 123). Com isso, deve ser mantido o lançamento com referência ao fato gerador ocorrido em Dezembro de 1997. Quanto a intimação pessoal para apresentação de sustentação oral, não encontra previsão no Regimento Interno deste Conselho, devendo o contribuinte interessado e/ou seu representante legal acompanharem a publicação da pauta de julgamentos no Diário Oficial da União para, querendo, se fazerem presentes. (Arts. 55 e 58 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009). Da conclusão Por todo o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 566DF CARF MF Impresso em 09/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 15 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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