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Numero do processo: 13227.900672/2009-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Presidente-substituto
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 06 72 /2 00 9- 51 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900672/200951 Acórdão n.º 1803001.675 S1TE03 Fl. 73 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente momentaneamente a Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Presidentesubstituto (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Roberto Armond Ferreira da Silva e Maria Elisa Bruzzi Boechat. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900672/200951 Acórdão n.º 1803001.675 S1TE03 Fl. 74 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 30verso): Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 27.04.2006, mediante o qual foi pedida restituição no valor original de R$ 254,30 e efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada. A Delegacia de origem, mediante despacho decisório eletrônico (fl. 05), asseverou que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 08/05/2009 (fl. 06) a interessada apresentou, tempestivamente, em 22/05/2009, manifestação de inconformidade (fls. 07/08) na qual, em síntese que: a) “Após revisão em nossos arquivos, constamos(sic) que nos exercício (sic) de 2003 e 2004, a empresa teve apuração de IRPJ e da CSLL Anual, tendo pago por estimativa mensal, desta forma o recolhimento mensal foi superior ao apurado anual, daí a existência do crédito suficiente para pagar os demais débitos os quais foram compensados nos anos calendários subseqüentes, através de PER/DCOMP. Entretanto, antes mesmo da emissão deste despacho decisório, revisando nossos arquivos e, em análise mais apurada, constatamos que nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, foram informados os valores pagos mensalmente por estimativa, sendo assim no dia 01 de Abril de 2009 procedemos a retificação das referidas DCTF’s (...)” ; b) “Diante de todas as análises, entendemos que a retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributários – DCTF, irá sanar todas as divergências entre créditos e débitos, ou seja, mediante o procedimento de declaração retificadora, os débitos serão extintos.” Ao final, requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a conseqüente homologação da compensação declarada. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 30): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900672/200951 Acórdão n.º 1803001.675 S1TE03 Fl. 75 4 3. Cientificada da referida decisão em 23/03/2011 (fls. 34), a tempo, em 19/04/2011, apresenta a interessada Recurso de fls. 39 a 43 (numeração digital – ND), instruído com os documentos de fls. 44 a 69 (ND), nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos e informando estar encaminhando cópias de registros contábeis da conta de ativo do tributo a recuperar, de balanço transcrito no livro Diário e de Darf utilizado como referência de crédito na compensação, documentos, estes, necessários à demonstração do crédito pleiteado. 4. É o que importa relatar. Em mesa para julgamento. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900672/200951 Acórdão n.º 1803001.675 S1TE03 Fl. 76 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Pedido de compensação 5. De início, convém observar que a decisão recorrida corretamente concluiu no seguinte sentido (fls. 31 e verso – destaques e notas do original): Por outro lado, tomandose em conta que o crédito apontado pelo sujeito passivo em sua declaração de compensação refere se a recolhimento de estimativas mensais, impõese assinalar que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19961, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Notese que, ao final do anocalendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19962. 1 "Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior." 2 “Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior.” Fl. 76DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13227.900672/200951 Acórdão n.º 1803001.675 S1TE03 Fl. 77 6 Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). 6. Por outro lado, conforme se observa da Planilha 1, constante do Recurso Voluntário (fls. 41 e 42 – ND), em que se comparam os valores de estimativas pagos no decorrer do anocalendário de 2004 e o valor total apurado (devido) no mesmo anocalendário, está a Recorrente, na realidade, pleiteando “crédito resultante da apuração final do exercício”. 7. Por conseguinte, aquele pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório na correspondente Per/DComp, compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 77DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 24/05/2 013 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006618/2007-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/1999
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante
n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de
24/07/91. Tratando-se
de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que
é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do
Código Tributário Nacional - CTN.
Assim, comprovado nos autos o
pagamento parcial, aplica-se
o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se
o
disposto no artigo 173, I.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO
ART. 41 DA LEI N º 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE
BENIGNA.
RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no
art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por
meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º
11941/2009.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva
ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada
(sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o
infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o
caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como
descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2302-001.724
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado. Foi reconhecida a retroatividade benigna da Medida Provisória n º 449 de 2008,
excluindo a responsabilidade do dirigente de órgão público.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/1999 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a retroatividade benigna da Medida Provisória n º 449 de 2008, excluindo a responsabilidade do dirigente de órgão público.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212. EFEITOS RETROATIVIDADE BENIGNA. RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei n.º 11941/2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a MP deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Foi reconhecida a retroatividade benigna da Medida Provisória n º 449 de 2008, excluindo a responsabilidade do dirigente de órgão público. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora EDITADO EM: 14/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu, Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.006618/200792 Acórdão n.º 2302001.724 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 27/10/2005, em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em virtude do descumprimento da obrigação acessória descrita no artigo 17 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, combinado com o artigo 18, inciso I, parágrafo 1º, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048, de 06 de maio de 1999. A autuação foi lavrada na pessoa do dirigente –Presidente da Câmara de Vereadores do Município de Presidente Figueiredo, a teor do disposto pelo artigo 41, da Lei n.º 8.212/91. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência, manifestação fiscal de fls. 67, diz que o contribuinte não corrigiu a falta e mantém a autuação. DecisãoNotificação de fls.68/71, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, onde argúi que o crédito está extinto pela decadência e alternativamente solicita a relevação da multa É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares O auto de infração compreende as competências de 01/1999 a 04/1999 e a lavratura se deu em 25/10/2005. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.006618/200792 Acórdão n.º 2302001.724 S2C3T2 Fl. 3 5 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo ser observada a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando há o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 No caso presente, por se tratar de auto de infração, onde não há hipótese de recolhimento antecipado, aplicase o artigo 173, I do CTN, acarretando o provimento do recurso: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Ainda, faço menção à retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória n º 449 de 2008. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Conforme previsto no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, no caso presente, aplicase o art. 106, inciso II, alíneas “a” e “b” do CTN. A Medida Provisória n º 449, ao revogar o art. 41 da Lei n º 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum benefício para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10283.006618/200792 Acórdão n.º 2302001.724 S2C3T2 Fl. 4 7 Em relação ao dirigente do órgão público, a Medida Provisória deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Caso a fiscalização fosse autuar a Diretora na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazêlo em função da MP n º 449. Assim, em relação ao dirigente a MP é, sem dúvida, mais benéfica; se antes da MP a autuação era em nome do dirigente, após a referida MP não cabe tal autuação. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000163/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - INDENIZAÇÕES TRABALHISTA - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS - DESENQUADRAMENTO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA - ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - ASPECTO TEMPORAL - CERCEAMENTO DE DEFESA.
Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadrava-se nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção.
A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento do requisitos legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência.
A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal.
ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 - ENTIDADE ISENTA - ASPECTO TEMPORAL - VÍCIO FORMAL.
A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 2401-002.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade por vício formal. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que não anulava o lançamento e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declarava a nulidade por vício material.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES - INDENIZAÇÕES TRABALHISTA - NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS - DESENQUADRAMENTO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE ISENTA - ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - ASPECTO TEMPORAL - CERCEAMENTO DE DEFESA. Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadrava-se nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção. A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento do requisitos legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal. ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO - DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 - ENTIDADE ISENTA - ASPECTO TEMPORAL - VÍCIO FORMAL. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento. Processo Anulado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade por vício formal. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que não anulava o lançamento e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declarava a nulidade por vício material. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Os aspectos procedimentais a serem observados durante a lavratura do auto de infração são os descritos na norma em vigor no momento de constituição do crédito. A MP 446/2008, autoriza a constituição de crédito em relação a entidade filantrópica que à época da ocorrência dos fatos geradores enquadravase nessa condição sem a necessidade de emissão de Informação fiscal para cancelar a referida isenção. A legislação a ser observada para determinar se a entidade cumpria os requisitos para o pleno direito ao gozo da isenção em relação a contribuições previdenciárias é a da época da ocorrência dos fatos geradores, não sendo aplicável, quanto ao cumprimento do requisitos legislação posterior. Os requisitos da MP 446, previstos no art. 28, valeriam em relação aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. A ausência de fundamentação com base no art. 55 da lei 8212/91, implica nulidade do lançamento, por erro na fundamentação legal. ERRO NA INDICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 ENTIDADE ISENTA ASPECTO TEMPORAL VÍCIO FORMAL. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n º 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal. Entre os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 63 /2 00 8- 80 Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 elementos obrigatórios no auto de infração consta a fundamentação do lançamento (art. 10, inciso IV do Decreto n º 70.235). A fundamentação legal indevida implica nulidade do lançamento. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, declarar a nulidade por vício formal. Vencido o conselheiro Elias Sampaio Freire, que não anulava o lançamento e o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que declarava a nulidade por vício material. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1893DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob o n. 37.205.9147, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, incidente sobre os valores lançados sob o titulo da Conta Isrs: 411.01.07 e 421.01.07 "Indenizações Trabalhistas", nos exercícios de 2003 e 2004, Conta N° 410.10.10008 — "Acordo Judicial Trabalhista — Docente" e Conta N° 420.10.10008 — "Acordos Judiciais Trabalhistas —Administrativos", aos segurados empregados que lhe prestaram serviços no período de 01/2003 a 12/2005. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 87 a 101, o Contribuinte, no inicio dos trabalhos de Fiscalização, foi intimado em 13/05/2008, com a emissão do Termo de Inicio da Ação Fiscal — TIAF, a apresentar a documentação que ensejou, os lançamentos contábeis efetuados na contas acima mencionadas tais como: processos trabalhistas, inicial, sentença/acordo, GPS Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFlP's.DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE BENEFICENTE. Antecedendo A emissão do segundo Termo de Intimado Fiscal fiscal com referência ao tema especifico, que ocorreu em 23/09/2008, no sentido de não retardar ainda mais a análise de toda documentação a ser compulsada, logo após fazer os primeiros exames na contabilidade do Contribuinte, entreguei, por duas vezes, planilha no formato Excel contendo dos os lançamentos a serem analisados, ao Dr. Gustavo Valente Bittencourt, pessoa até então, segundo o próprio, designada a atender As solicitações desse Auditor Fiscal no que concerne aos trabalhos da fiscalização em curso. Com a finalidade de serem prestadas as informações necessárias e indispensáveis à conclusão dos • procedimentos fiscais e tendo em vista que nenhum documento fora apresentado com relação ao solicitado, emiti os Termos de Intimação de Isrs: 03, de 09/10/2008; 04, de 11/11/2008; 05, de 27/11/2008 e 06, de 09/12/2008; sem, no entanto, obter qualquer êxito quanto ao atendimento das intimações. Tendo em vista a tentativa do Contribuinte, face a sua omissão, em não permitir a Fiscalização de chegar aos valores das bases de cálculos das contribuições devidas pela Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., ao FPAS — Fundo de Previdência e Assistência Social e ao Financiamento dos Benefícios Concedidos em Rua() do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa Decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho, em razão, como mais adiante ilustrado, de não preencher os requisitos legais de entidade beneficente de fins filantrópicos. Para chegar ao valor da contribuição devida utilizouse a prerrogativa legal de proceder a constituição do crédito fiscal pelo método da aferição indireta, com fulcro do disposto pela Lei n° 8.212/91, Artigo 33, §§ , com nova redação dada pela Medida Provisória N° 449, de 03 de dezembro de 2008, in verbis: Quanto ao enquadramento na condição de entidade beneficente, descreveu a autoridade fiscal, diversos fundamentos para o lançamento realizado. Senão vejamos: Fl. 1894DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 A Sociedade de Ensino_ Superior Estacio de Sá Ltda., enquanto entidade dita beneficente, não satisfaz os requisitos ao Decreto n° 2.536/98;por não realizar os objetivos tragados pela Lei Orgânica da Assistência Social ,n° 8.742/93, em seu artigo 2°, incisos de I a V e parágrafo único, bem como na Constituição Federal em seu artigo 203, incisos de I a V. Tratase de empresa comercial, prestadora de serviço na área da educação superior, onerosa, que não comprova realizar atendimento de caráter social, dirigido à comunidade, especialmente a pessoas carentes. A Autuada travestida de uma roupagem ilusória, nua de conteúdo e fora da realidade fiscal, no que concerne às suas pretensões de enquadrarse como entidade beneficente de caráter filantrópico, não comprova a aplicação de pelo menos 20% da receita bruta proveniente da venda de serviços e de bens não integrante do ativo imobilizado, em gratuidade; pois nos percentuais apresentados para satisfazer a sua pretensa condição de entidade filantrópica, estão contabilizados valores de bolsas de estudos parciais, concedidos a titulo de descontos, em verdadeira concorrência de mercado, e que juntamente com os valores das bolsas de estudo, prestadas compulsoriamente em razão de Convenção Coletiva de Trabalho, aos seus funcionários e dependentes desses, não satisfaz o percentual mínimo exigido por lei, tudo conforme mais adiante demonstrado. Ainda, quanto ao seu não enquadramento como entidade beneficente de fins filantrópicos, importante enfatizar que a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., sob o manto da filantropia e usufruindo das benesses da imunidade tributária fiscal, buscou o acúmulo de capital constituindo patrimônio de sociedades com fins lucrativos, notadamente valorizando seu Ativo Permanente Imobilizado, com a aquisição de diversos imóveis, conforme amplamente demonstrado no capitulo "DO PATRIMÔNIO DA SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, notadamente no item "Relação de Imóveis de Propriedade da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda.", deste relatório, e que ao término de suas atividades como entidade beneficente, vertendo esse patrimônio, veio a compor a pessoa jurídica Estácio Participações S/A, empresa de capital aberto com ações na Bolsa de Valores, atrelado estando com a criação dessa nova pessoa jurídica, não atendendo, dessa forma, aos pressupostos dos Incisos IX e X, do Artigo 3°, do Decreto n° 2.536/98, a seguir transcritos, contrariando também o artigo 26 do seu estatuto, tudo a vista dos elementos trazidos a colação neste Relatório Fiscal Inicial, peça inaugural do procedimento fiscal na lavratura do presente Auto de Infração: "Art. 32 Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente: IX destinar, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, o eventual patrimônio remanescente a entidades congêneres registradas no CNAS ou a entidade pública; X não constituir patrimônio de indivíduo ou de sociedade sem caráter beneficente de assistência social. (grifei) Fl. 1895DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 4 5 "Estatuto da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá. Artigo 26— No caso da Assembleia Geral decidir pela extinção ou dissolução, o patrimônio da Sociedade será destinado a uma entidade congênere de idênticas finalidades. (grifei) 6) A Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos. Fazse mister citar a criação da pessoa jurídica denominada Estácio de Sá Participações S/A, já mencionada, constituída na mesma época, ou seja, em 31/03/2007, cujo estatuto está arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.3.00282050. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Para evidenciar a coresponsabilidade das pessoas: física e jurídica, arroladas ao procedimento fiscal, demonstrado está, por via de seus atos constitutivos, que a composição dos quadros societários das citadas pessoas jurídicas, ou seja, da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá • Ltda. e da Estácio de Sá Participações S/A, são empresas que integram o grupo econômico e de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal: (8.1) CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACO DE SA LTDA. Do Capital Social — Cláusula IV. "0 capital social é de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), dividido em 5.000 (cinco mil) quotas no valor nominal de R$ 1,00 (um real) cada uma, totalmente integralizada em moeda corrente nacional, estando ditas quotas distribuídas entre os sócios: JOAO UCH6A CAVALCANTI NETTO, 4.850 (quatro mil, oitocentos e cinqüenta) quotas no valor de R$ 4.850,00 (quarto mil, oitocentos e cinqüenta reais); MARCEL CLEÓFAS UCH6A CAVALCANTI, 50 (cinqüenta) quotas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais), ANDRÉ CLE6FAS UCH6A CAVALCANTI, 50 (cinqüenta) quotas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais) e MONIQUE UCHÕA CAVALCANTI DE VASCONCELOS, 50%(cinqüenta) quotas no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais). (8.2) DO ESTATUTO SOCIAL DA ESTACIO DE SA PARTICIPAÇÕES S/A — Deliberações: "0 presidente da mesa deu inicio aos trabalhos e, seguindo a ordem do dia, os presentes deliberam, por unanimidade: I) Constituir a Estácio Participações S/A., fixando o capital social da companhia em R$ 1.000,00 (um mil reais), dividido em 1000 (um mil) ações ordinárias, todas nominativas, escriturais Fl. 1896DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 em valor nominal, as quais foram integralmente subscritas e integralizadas em moeda nacional. Após o preenchimento do Boletim de Subscrição, verificouse que (A) João Uch6a Cavalcanti Netto, acima qualificado, subscreveu 997 (novecentos e noventa e sete) ações ordinárias, por um preço total de R$ 997,00 (novecentos e noventa e sete reais), e integralizou 100% (cem por cento) desse total; (B) Marcel Cleófas Uchôa Cavalcanti, acima qualificado, subscreveu 01 (uma) ação ordinária, por 'um preço de R$ 1,00 (um real), e integralizou 100% (cem por cento) desse total; (C) André Cleófas Uch6a Cavalcanti, acima qualificado, subscreveu 01 (uma) ação ordinária, por um prego de R$ 1,00 (um real), e integralizou 100% (cem por cento) desse total; e (D) Monique Uchôa Cavalcanti de Vasconcelos, acima qualificada, subscreveu 01 (uma) ação ordinária, por um preço de R$ 1,00 (um real), e integralizou 100% (cem por cento) desse total. II) Aprovar, sem qualquer ressalva, o Estatuto da Companhia, 9) Como restou provado o quadro societário das duas pessoas jurídicas, quando de sua criação, é composto pelos mesmos sócios e na mesma proporcionalidade de participação no capital social em ambas as empresas. 10) Quanto A abrangência da conceituação de solidariedade, à luz da boa doutrina e da jurisprudência pátria, é relevante ainda esclarecer, que os conceitos contidos no inciso IX do Art. 30 da Lei n° 8.212/91 e artigo 124 do CTN Lei n°5.172/66, abaixo transcritos, visa dar segurança jurídica para o cumprimento de seu mister nos casos de distorções da realidade econômica, tendo o Estado adotado mecanismos para coibir as hipóteses de simulação ou dissimulação dos negócios econômicos e/ou jurídicos, entre os quais, destacamos o instituto da solidariedade no grupo econômico, "in verbis". • Lei N° 8.212/91. "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas A Seguridade Social obedecem às normas, observado o disposto em regulamento: IX — as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre, si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;" Lei n° 5.172, de 25/10/66. "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I — as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; — as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem." QUANTO A GRATUIDADE Fl. 1897DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 5 7 Preliminarmente, quanto ao tema não gratuidade, necessário fazse observar os demonstrativos reproduzidos nos subitens: 11.1 a 11.3, elaborados a partir da análise dos Relatórios Anual de • Bolsistas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., que em confronto com os valores apurados na Ação Fiscal, fica cabalmente comprovado que os indices, erradamente apresentados pela Autuada, quanto As suas pretensões de enquadrarse como entidade beneficente de caráter filantrópico, são irreais e desprovidos de qualquer embasamento legal pertinente ao tema em questão. Importante ressaltar que em virtude do não atendimento em tempo hábil, apesar das solicitações verbais e do Termo de Intimgdo Fiscal especifico emitido, em fornecer os Relatórios Anuais de Bolsistas, inviabilizou inserir nos demonstrativos abaixo os valores correspondentes As bolsas de estudos, integrais e parciais, fornecidas aos dependentes dos funcionários o due, seguramente, seria mais um fator desfavorável à Autuada. Elaborou a autoridade fiscal planilhas, demonstrando para os respectivos anos, quais os percentuais de gratuidade que realmente se enquadram dentro dos ditames legais, constatando, que a empresa emprega percentual de gratuidade abaixo do estabelecido em lei, conforme descrito no próprio relatório e a seguir transcrito: No que concerne As bolsas de estudos concedidas aos seus funcionários a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. o faz compulsoriamente em atenção ao estabelecido pelas convenções coletivas de trabalho firmadas com os respectivos sindicatos das categorias profissionais, ou seja: • Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro e Região e Sindicato das Mantenedoras de Instituições de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro em sua cláusula CI.26 — Gratuidade de Ensino: "Nos cursos de graduação continuará a ser assegurado aos professores gratuidade de ensino, total o parcial, para ele próprio e seus dependentes. A partir de 01/01/2000, sem prejuízo para os beneficiários que já gozavam da gratuidade total ou parcial, na forma da Convenção Coletiva de 1/4/1998, serão observadas as seguintes regras:" • Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Rio de Janeiro e Sindicato dos Auxiliares de Administração Escolar do Estado do Rio de Janeiro em sua cláusula 6a: "Manutenção ao direito de gratuidade de matricula e ensino ao empregado, a partir do fimi do período de experiência, ou um dependente para cada dois anos de serviços efetivos ao empregador, durante a manutenção do contrato de trabalho e na hipótese de ocorrer demissão sell preservado o direito até o final do semestre." 13) A Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., como é notório, enquanto se denominava "entidade beneficente de caráter filantrópico", adotou uma política — agressiva de Fl. 1898DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 mercado concedendo expressiva redução em suas mensalidades a servidores de diversos órgãos públicos e empregados de empresas estatais; conferia também redução de 50% (cinqüenta por cento) nas mensalidades daqueles alunos que ao ingressarem na faculdade, já possuíssem curso superior, ou seja, que estavam concluindo seu segundo ou mais curso de nível superior. 14) Quanto As bolsas concedidas por força de Convenção Coletiva de Trabalho, é evidente, que não podem figurar como gratuidade por não estarem contemplando o público alvo da assistência social, cujo objetivo é atender aos grupos mais fragilizados da população como a crianças, adolescentes, velhos e deficientes. Ainda, com relação à concessão de bolsas parciais a lógica é a mesma, não se pode considerar pessoas que almejam uma graduação em nível superior e muito menos uma segunda graduação em cursos universitários, por mais meritório que seja, como carentes até porque, cairíamos no ridículo de considerar todos aqueles contemplados com alguma forma de bolsa de estudo como carentes. 15) Necessário se faz atentarmos para o fato de que o comando legal considera como aplicação em gratuidade os serviços, prestações ou benefícios de assistência sociais beneficentes concedidos "a quem dela necessitar" (artigo. 203, CF/88) para o atendimento de suas "necessidades básicas" (artigo. 1 0, Lei 8.742/93); bem como não se enquadram nesse conceito os serviços, prestações ou benefícios conferidos a todos indistintamente, os que não se destinam a suprir uma necessidade básica do cidadão e os que têm por finalidade qualificar funcionários ou concederlhes benefícios trabalhistas em razão de Convenções Coletivas de Trabalho. Cobra relevo, que os percentuais estabelecidos para o fim de se verificar o cumprimento da exigência estabelecida nos artigos 2°, inciso IV, do Decreto n° 752, de 1993, e 3°, inciso VI, do Decreto n° 2.536, de 1998, não podem ser conjugados, não sendo lícito compor os limites do percentual de 20% de aplicação em gratuidade com parcelas de descontos e reduções das mais diversas formas sob o rótulo de "gratuidade" estando, tais parcelas longe de se amoldarem ao conceito de aplicação em gratuidade para fins beneficentes, conforme— e disciplinam os pressupostos reguladores. Isto posto, restou provado que Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá não comprovou a aplicação do percentual de 20% (vinte por cento) da receita bruta proveniente da venda de serviços e de bens não integrantes do ativo imobilizado. • 17) Por fim, quanto ao tema não gratuidade, se uma instituição se reveste de tal qualidade, mas na verdade busca a acumulação de riquezas em beneficio de um ou de alguns, cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, através do devido processo legal, in Casu, onde é assegurado o direito constitucional da ampla defesa, rever o enquadramento da imunidade/isenção, analisando como no caso presente, se os requisitos constantes da Lei estão sendo ou não observados. Fl. 1899DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 6 9 DESTAQUE PARA OS IMÓVEIS ALIENADOS APÓS A TRANSFORMAÇÃO DA ENTIDADE EM EMPRESA COM FINS LUCRATIVOS. 21) Conforme já assinalado nos itens: III, V e XIII, a alienação por parte da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., dos imóveis remanescentes do seu patrimônio, a seguir elencados, mais uma vez demonstrase de forma cabal ao não atendimento ao dispositivo legal atinente matéria, consoante arrazoado exarado no item 5 (cinco) deste Relatório Fiscal. Por derradeiro, antecipando A demonstração do crédito fiscal constituído, cabe relatar que a contabilidade do Contribuinte, nas contas n: 411.03.10 e 421.03.10 — Aluguéis e Condomínios revelam expressivo valor pago a João Uchiia Cavalcanti Netto, presidente da entidade, que uma vez comprovado a origem de tais pagamentos na forma lançada, em nada altera o procedimento fiscal em curso. Ocorre que, depois de reiteradas solicitações verbais, culminando com a emissão do Termo de Intimgdo Fiscal, solicitando a exibição dos elementos que deram origem a tais lançamentos contábeis, nenhum documento foi apresentado para tal comprovação, dando origem ao lançamento do crédito fiscal a titulo de prólabore, lançado A cota do Auto de Infração de N° 37.205.9236 e n° 37.205.9244, com fulcro no disposto no artigo 33, §§ 2° e 3°, da Lei 8.212/91, e que uma vez não sendo apresentada nenhuma prova em contrário, estará mais uma vez, além das provas já trazidas à colação nos itens e subitens anteriores, descaracteriza a condição de entidade filantrópica da ora Autuada por transgressão, dessa vez, ao disposto pelo artigo 3°, inciso VIII, do Decreto n° 2.536/98. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Para evidenciar a coresponsabilidade das pessoas: física e jurídica, arroladas ao procedimento fiscal, demonstrado está, por via de seus atos constitutivos, que a composição dos quadros societários das citadas pessoas jurídicas, ou seja, da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá • Ltda. e da Estácio de Sá Participações S/A, são empresas que integram o grupo econômico e de pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 23/12/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 23/12/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 133 a 210. O processo foi baixado em diligência, fl. 1139 a 1141 (Volume 06), considerando as alegações do recorrente, em especial destacou a autoridade julgadora: “por força do principio do contraditório e da ampla defesa (art.5°, LV da CF/88), proponho, com fundamento no artigo 11 da Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, o retomo dos autos à DEFIS — Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro a fim de que a autoridade lançadora elabore relatório fiscal complementar indicando, com base Fl. 1900DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 na situação fática colhida durante a ação fiscal, quais os requisitos, dentre os elencados nos incisos I a XII do art. 28 da Medida Provisória n° 446, ensejaram o lançamento direto das contribuições patronais, utilizando a regra do art. 31 da mesma MP.” 6. De acordo com o disposto no § 7° do art. 195 da Constituição Federal, "são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam As exigências estabelecidas em lei". 7. As exigências is quais o dispositivo constitucional acima citado faz referência eram as previstas no art. 55 da Lei n° 8.212/91. 8. Conforme destaca o contribuinte em sua peça impugnatória, o § 8 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, traz a regra de elaboração prévia de informação fiscal para os casos de descumprimento do art. 55 da citada Lei, com vistas ao cancelamento da isenção, para que se apure créditos contemplando a cota patronal prevista no art. 22 da mesma lei. 9. Contudo, esta sistemática formada pelos ditames da lei 8.212/91 conjugada com o Regulamento, foi revogada pela Medida Provisória n° 446, de 7 de novembro de 2008. A recente Medida Provisória dispôs sobre os novos requisitos para a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regulando também a nova sistemática de isenção de contribuições para a Seguridade Social. 10. Em 10/02/2009, a Camara dos Deputados rejeitou a MP n° 446/08. Com a rejeição do ato, o art. 55 da Lei n° 8.212/91 teve sua eficácia restabelecida. Um decreto legislativo deveria regular as relações jurídicas decorrentes da MP rejeitada, conforme prevê a Constituição Federal, art. 62, § 3°. Não editado o decreto legislativo até sessenta dias após a rejeição da medida provisória, as relações jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados durante sua vigência conservarseão por ela regidas, ainda de acordo com a Carta Magna, art. 62, § 11. 11. Da ordem cronológica descrita acima, podemos situar o auto de infração em tela no período de vigência da Medida Provisória n° 446 e, por conseguinte, admitirseá a validade do lançamento realizado sem o p évio procedimento descrito no § 8 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, por força do então vigente art. 31 da Medida Provisória n° 446. 12. Ocorre que, mesmo que se possa depreender do lançamento a utilização da regra processual descrita no art. 31 da referida MP, tal dispositivo não foi invocado no relatório fiscal. Ademais, a análise &flea contemplada pelo Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 7 11 autuante em seu relatório visa claramente a desconsideração da autuada como entidade beneficente de fins filantrópicos com base nos requisitos da Lei 8.742/93, em seu artigo 2° incisos I a IV e do Decreto 2.536/98. 13. Desta forma, por força do principio do contraditório e da ampla defesa (art.5°, LV da CF/88), proponho, com fundamento no artigo 11 da Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, o retomo dos autos à DEFIS — Delegacia de Fiscalização da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro a fim de que a autoridade lançadora elabore relatório fiscal complementar indicando, com base na situação fitica colhida durante a ação fiscal, quais os requisitos, dentre os elencados nos incisos I a XII do art. 28 da Medida Provisória n° 446, ensejaram o lançamento direto das contribuições patronais, utilizando a regra do art. 31 da mesma MP. 14. Importa ainda ressaltar que deve ser promovida a intimação do interessado do inteiro teor do relatório, das provas ou fatos que, em decorrência da diligência ora determinada venham a ser trazidos aos autos, conforme previsto no art. 23 e parágrafos do Decreto 70.235/72, concedendolhe, expressamente, reabertura de prazo para defesa, salientando que o procedimento de envio da Informação Fiscal ao contribuinte suprirá a falta de fundamentação legal do lançamento que porventura tenha sido embasado na referida medida provisória. 15. A comprovação de recebimento no endereço da empresa ou de qualquer de seus sócios, ou, frustrados esses meios, através de edital, deverá ser acostada aos autos do presente processo administrativo, antes de sua devolução a esta Delegacia de Julgamento. A autoridade fiscal elaborou informação fiscal, reforçando que as situações descritas no relatório fiscal são suficientes para fundamentar o lançamento fiscal, fls. 1143 a 1147. Preliminarmente, cabe ressaltar que a Empresa SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, conforme fiz constar do Relatório Fiscal Inicial, item a seguir reproduzido, é pessoa jurídica com fins lucrativos desde a data de 09/02/2007. Portanto, descabida é qualquer alusão à fatídica Medida Provisória n° 446, de 7 de novembro de 2008, rejeitada em 10 de fevereiro de 2009, que durante a sua curta vigência dispôs sobre a certificação das entidades beneficentes de assistência social, regulando os procedimentos de isenção de contribuições para a seguridade social. Tema não acolhe as pretensões da Autuada por ser a mesma A época de vigência da medida provisória uma empresa de responsabilidade limita com fins lucrativos. Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 12 "10) A Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fms lucrativos." 2) 0 relatado acima, que por si s6, sepulta qualquer questionamento quanto A matéria trata na citada medida provisória, visto que A época da autuação a SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, empresa com fins lucrativos desde 09/02/2007, já estava fora do alcance da tutela do mencionado dispositivo legal, em seu curtíssimo período de existência jurídica. 3) Além do mais, o Relatório Fiscal Inicial, peça inaugural do procedimento da autuação fiscal, é rico em detalhes quanto ao não enquadramento da citada empresa como entidade de fins filantrópico nos moldes da legislação vigente A época do fato, fartamente fundamentado no teor do mencionado relatório. 4) Porém, em que pese A inaplicabilidade da Medida Provisória n° 446, por tudo que dos autos fiz constar, notadamente no item 10 (dez) do Relatório Fiscal Inicial, como forma de prestigiar a Respeitável Resolução atendendo sua solicitação, transcreverei a seguir os requisitos, dentre os elencados nos incisos I a XII do artigo 28 da citada medida provisória, não observada pela Autuada na infrutífera tentativa de obter As benesses filantrópicas. I seja constituída como pessoa jurídica nos termos do caput do art. 1 0; Resposta => Item 10 (dez) do Relatório Fiscal Inicial. "10) A Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA —Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos." II não percebam, seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou titulo, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuidas pelos respectivos atos constitutivos; Resposta => Não foi constatada nenhuma remuneração direta paga h diretoria. No entanto cabe a ressalva do item 24 (vinte e quatro) do relatório fiscal na lavratura dos Autos de Infração 37.205.9236 e 37.205.9244, arrolando contribuição a titulo de prólabore: "24) Por derradeiro, antecipando a demonstração do crédito fiscal constituído, cabe relatar que a contabilidade do Contribuinte, nas contas n's: 411.03.10 e 421.03.10 – Aluguéis e Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 8 13 Condomínios revelam expressivo valor pago a João Uchija Cavalcanti Netto, presidente da entidade, que uma vez comprovado a origem de tais pagamentos na forma lançada, em nada altera o procedimento fiscal em curso. Ocorre que, depois de reiteradas solicitações verbais, culminando com a emissão do Termo de Intimação Fiscal, solicitando a exibição dos elementos que deram origem a tais lançamentos contábeis, nenhum documento foi apresentado para tal comprovação, dando origem ao lançamento • do crédito fiscal a titulo de prólabore, lançado à cota do Auto de Infração de N° 37.205.9236 e n° 37.205.924 4, com fulcro no disposto no artigo 33, §§ 2° e 30, da Lei 8.212/91, e que uma vez sendo apresentada nenhuma prova em contrário, estará mais uma vez, além das provas já trazidas h colação nos itens e subitens anteriores, descaracteriza a condição de entidade filantrópica da ora Autuada por transgressão, dessa vez, ao disposto pelo artigo 3 0, inciso VIII, do Decreto n° 2.536/98." III aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; Resposta => Item 15 e subitens do Relatório Fiscal Inicial. "15) Preliminarmente, quanto ao tema não gratuidade, necessário fazse observar os demonstrativos reproduzidos nos subitens: 15.1 a 15.3, elaborados a partir da análise dos Relatórios Anual de Bolsistas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda., que em confronto com os valores apurados na Ação Fiscal, fica cabalmente comprovado que os indices, erradamente apresentados pela Autuada, quanto às suas pretensões de enquadrarse como entidade beneficente de caráter filantrópico, são irreais e desprovidos de qualquer embasamento legal pertinente ao tema em questão. Importante ressaltar que em virtude do não atendimento em tempo hábil, apesar das solicitações verbais e do Termo de Intimação Fiscal especifico emitido, em fornecer os Relatórios Anuais de Bolsistas, inviabilizou inserir nos demonstrativos abaixo os valores correspondentes Is bolsas de estudos, integrais e parciais, fornecidas aos aos dependentes dos funcionários o que, seguramente, seria mais um fator desfavorável h Autuada." (...) IV preveja, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades sem fins lucrativos congêneres ou a entidades públicas; Resposta => Item 9 (nove) do Relatório Fiscal Inicial. "9) Ainda, quanto ao seu não enquadramento como entidade beneficente de fins filantrópicos, importante enfatizar que a Sociedade de Ensino Superior Esticio de Sá Ltda., sob o manto da filantropia e usufruindo as benesses da imunidade tributária Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 14 fiscal, buscou o acúmulo de capital constituindo patrimônio de sociedades com fins lucrativos, notadamente valorizando seu Ativo Permanente Imobilizado, com a aquisição de diversos imóveis, conforme amplamente demonstrado no capitulo "DO PATRIMÔNIO DA SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA, notadamente no item "Relação de Imóveis de Propriedade da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda.", deste relatório, e que ao término de suas atividades como entidade beneficente, vertendo esse patrimônio, veio a compor a pessoa jurídica Estácio Participações S/A, empresa de capital aberto com ações na Bolsa de Valores, atrelado estando com a criação dessa nova pessoa jurídica, não atendendo, dessa forma, aos pressupostos dos Incisos IX e X, do Artigo 3°, do Decreto n° 2.536/98, a seguir transcritos, contrariando também o artigo 26 do seu estatuto, tudo a vista dos elementos trazidos a coin do neste Relatório Fiscal Inicial, peça inaugural do procedimento fiscal na lavratura do presente Auto de Infração: "Art. 32 Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente: IX destinar, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, o eventual patrimônio remanescente a entidades congêneres registradas no CNAS ou a entidade pública; X não constituir patrimônio de indivíduo ou de sociedade sem caráter beneficente de assistência social. (grifei) "Estatuto da Sociedade de Ensino Superior Estficio de Sá. Artigo 26 — No caso da Assembléia Geral decidir pela extinção ou dissolução, o patrimônio da Sociedade será destinado a uma entidade congênere de idênticas finalidades." (grifei) V não seja constituída com patrimônio individual ou de sociedade sem caráter beneficente; Resposta => Item 10 (dez) do Relatório Fiscal Inicial. "10) A Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. funcionou até a data de 09/02/2007 sob o manto das benesses filantrópicas, sendo que, conforme contrato social arquivado na JUCERJA —Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, na mencionada data, transformouse em entidade com fins lucrativos, ou seja, em empresa privada com fins lucrativos." VIII não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; Resposta => Conforme já relatado a Sociedade de Ensino Superior Estácio de Sá Ltda. a partir de 09/02/2007, conforme contrato social arquivado na JUCERJA — Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro sob o N° 33.2.07838990, transformou se em pessoa jurídica limitada, ou seja, em empresa privada com Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 9 15 fins lucrativos." logo, a distribuição de resultados é inerente a sua natureza jurídica. X conserve em boa ordem, pelo prazo de dez anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como os atos ou operações realizados que venham a modificar sua situação patrimonial; Resposta => Os anos calendários fiscalizados foram: 2003, 2004 e 2005 sendo lavrado o Auto de Infração DEBCAD N° 37.205.9287 por infração ao disposto pelo Inciso III, Artigo 32, da Lei N° 8.212/91; ou seja, não prestou a esta Fiscalização todos os esclarecimentos e as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, uma vez que, embora devidamente intimada. XI cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; e Resposta => No curso da ação fiscal foi lavrado os Autos de Infrações: DEBCAD N° 37.205.9287 e DEBCAD N° 37.205.9295 por descumprimento de obrigações acessórias. XIII zele pelo cumprimento de outros requisitos, estabelecidos em lei, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. Resposta => Os itens: 8 (oito), 9 (nove), 10 (dez), 15 (quinze) e 20 (vinte), dentre outros, inseridos no Relatório Fiscal Inicial demonstram o não cumprimento dos requisitos atinentes as entidades beneficentes de caráter filantrópico. 5) Por derradeiro, no que concerne ao subitem 5.4 (cinco ponto quatro) e item 8 (oito) da presente Resolução, mesmo que se admitindo a aberração jurídica de considerar a Empresa SOCIEDADE DE ENSINO SUPERIOR ESTACIO DE SA LTDA., pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, e por tudo que consta dos Autos, uma entidade beneficente de caráter filantrópico, mister se faz atentar para o teor do Acórdão do EResp N° 572.603, do Superior Tribunal de Justiça, Relator Ministro Carlos Meira, publicado no DJ de 05/09/2005. E ainda, principalmente, quando se tem noticias da Ação Popular N° 2007.71.07.0066400 (RS), cujo objeto é a Anulação da Isenção/Imunidade de Contribuições da Seguridade Social, retroativo ao ano de 1995, da qual a ora Autuada integra seu pólo passivo. • 6) A Consideração Superior com solicitação do retorno dos autos â 13 TURMA DA DRJ/RJ1, com trânsito pela EQCDP/DERAT/RJO. Devidamente cientificado dos termos da diligência, manifestouse o recorrente, fls. 1152 a 1256, alegando persistir a nulidade de fundamentação, posto não ter sido indicado o art. 31 da MP 446, destacando que a jurisprudência é pacífica no sentido que a falta Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 16 da indicação de dispositivo legal acarreta nulidade, pois implica cerceamento do direito de defesa. Foi exarada a Decisão de Primeira Instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 1632 a 1662, excluindo do polo passivo o devedor solidário e declarando a decadência parcial do crédito em relação ao período de 01/2003 a 11/2003, pela aplicação da regra do art. 150, § 4 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 MEDIDA PROVISÓRIA 446/2008. PROCEDIMENTO DE CANCELAMENTO DE IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRÉREQUISITOS. Aplicase a MP 446/2008 aos lançamentos efetuados sob a sua vigência, no caso de regra que institua um novo procedimento de fiscalização, in casu, previsto no artigo 31 da referida norma. Descumpridos os requisitos previstos em lei para a manutenção do beneficio, a autoridade fiscal está autorizada a lançar o crédito tributário devido. TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo decadencial das contribuições previdencidrias passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE Não é o foro administrativo o apropriado para as discussões relativas inconstitucionalidade ou ilegalidade dos dispositivos legais utilizados nos lançamentos de crédito tributário. Usurpação de função. Art. 109 da Constituição Federal. INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS ONUS DA PROVA do contribuinte sob ação fiscal ou em sede de defesa o ônus de comprovar, através de documentação idônea, a natureza indenizatória de verbas rescisórias lançadas em sua escrita contábil. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1754 a 1868, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: 1. Nulidade por não observância do devido processo legal; Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 10 17 2. Os Certificados de Entidade Beneficente de Assistência Social referentes ao período autuado continuam em pleno vigor, e a impugnante não foi desqualificada como entidade isenta; 3. A fim de demonstrar a continuidade da isenção originalmente concedida, ressalta que a suspensão da aplicabilidade do inciso III do art. 55 da Lei 8.212/91 prevaleceu até a revogação daquele dispositivo pela Medida Provisória 446/2008. 4. As condições para deferimento do CEBAS, que por sua vez é prérequisito para a isenção das contribuições patronais, estão listados no Decreto 2.536/98, competindo ao CNAS, de acordo com aquele diploma legal, julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social; 5. Por essa razão, a Fiscalização da Receita Federal poderia, no máximo, representar ao CNAS o alegado descumprimento daquelas condições, não estando legitimada para proceder à presente autuação; 6. Os processos administrativos n° 44000.00807/200531 e 71010.001807/200330, instaurados com a interposição de recurso ao Ministro da Previdência Social pela Secretaria da Receita Previdenciária, não haviam sido julgados na data da autuação, tendo sido extintos pelo art. 38 da MP 446, de 07/11/2008. 7. De qualquer modo, o CEBAS concedido à impugnante em novembro de 2000, com validade para o triênio 2001/2003, nem mesmo poderia ser cancelado, ainda que instaurado procedimento próprio para essa finalidade, eis que vencido em novembro de 2005 o prazo decadencial estabelecido no art. 54 da Lei 9.784/99. Cita aresto da Primeira Seção do E. STJ em abono de sua tese; 8. Ainda que cancelados os CEBAS, farseia necessário formalizar a desqualificação da isenção, mediante a instauração de procedimento especifico, nos moldes previstos no § 8 do art. 206, do Regulamento da Previdência Social, a partir da emissão de informação fiscal. Somente após a apresentação de defesa ou decorrido o prazo para sua interposição, poderia a Receita Federal do Brasil, emitir, se fosse o caso, um Ato Cancelatório, e posteriormente, vir a lançar os valores considerados devidos; 9. Tal levantamento só poderia se reportar a fatos geradores com data posterior ao cancelamento da isenção, eis que, conforme excertos doutrinários e jurisprudenciais que aduna, os efeitos da revogação de ato administrativo se operam apenas para o futuro, restando intangíveis os praticados durante a sua vigência; 10. A MP 446/2008 pretendeu preservar as entidades As quais já se havia reconhecido o direito à isenção ou que haviam pleiteado esse reconhecimento, conforme se infere dos termos dos arts. 37 e 38 do referido diploma legal; 11. A fiscalização teria utilizado apenas juizo de valor para proceder ao cancelamento, sem embasamento objetivo. A autuação ocorreu antes do decurso de prazo para apresentação de documentos pela impugnante, assim, por estes motivos seria nulo o lançamento; 12. Argui a decadência de parte do período lançado suscitando a aplicação do artigo 150, § 4 do CTN para a contagem do prazo decadencial; Fl. 1908DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 18 13. Quanto A questão da gratuidade, a Fiscalização lançou mão de mera convicção subjetiva, para equiparar simplesmente todas as bolsas parciais concedidas a seus alunos a descontos comerciais; 14. A Autoridade Fazendária desconsiderou, para fins de aferição do percentual da receita bruta aplicado em gratuidade, as bolsas de estudo parciais e as concedidas a empregados e seus familiares; 15. As bolsas de estudo parciais são expressamente admitidas pela legislação previdenciária, mais precisamente o art. 3°, VI da Resolução CNAS n° 177, de 10/08/2000, entendimento corroborado no art. 10 da Lei 11.096, de 2005, que institui o Programa Universidade para Todos —PROUNI. Transcreve os dispositivos citados; 16. A concessão de bolsas parciais pela impugnante sempre observou um critério de exame prévio da situação financeira do beneficiário. Relata os procedimentos adotados pela empresa no particular; 17. A partir da adesão da impugnante ao PROUNI, em dezembro de 2004, a comprovação da gratuidade desvinculouse do Decreto 2.536/98, passando a ser regida pela Lei 11.096/2005. Esta, repetindo o estatuído na MP 213,de 10/09/2004, determinou a concessão, pelos Conselheiros do CNAS, dos certificados As entidades que não houvessem cumprido nos dois triênios anteriores o requisito relativo A aplicação de gratuidade e, como conseqiiência lógica, a manutenção dos certificados já concedidos, mesmo constatandose a não observância do requisito em questão pelas eventuais interessadas; 18. Não existe óbice legal A aquisição de imóveis por parte das entidades beneficentes, bem como A. sua alienação. No caso em tela, os imóveis adquiridos o foram para a consecução dos objetivos institucionais, e as vendas posteriores observaram critérios operacionais; 19. A legislação prevê a destinação especifica do patrimônio das entidades imunes apenas nos casos de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento das atividades, hipótese distinta da ocorrida, eis que, ao transformarse a entidade em sociedade empresária, não ocorreu dissolução ou liquidação, conforme a regra insculpida no art. 1.113 do Código Civil. A Lei do Prouni, em seu art. 13, acolheu esse conceito; 20. Destaca, ainda, que o patrimônio da impugnante não foi vertido p a a sociedade empresária denominada Estácio Participações S/A. Esta, na realidade, foi criada por seus sócios após a transformação da entidade, integralizando parte do seu capital com quotas da Sociedade de Ensino Superior Estácio de Si Ltda, com o cuidado de registrar os supenivits acumulados até a data da transformação, em conta de reserva de capital não distribuivel aos sócios; 21. Quanto à presunção de que os valores pagos ao sócio da impugnante Sr. João Uchoa Cavalcanti Netto corresponderiam a remuneração paga ao mesmo, junta contratos de locação e respectivos aluguéis, demonstrando que a impugnante é locatária dos imóveis de sua propriedade; afirma ainda que os pagamentos de condomínio são de responsabilidade da impugnante, conforme estipulado nos referidos contratos, que anexa. 22. Ainda em relação a qualidade de entidade beneficente com direito isenção no período da autuação, traça uma linha do tempo, afirmando que tinha direito adquirido desde a concessão original, em 1970, assegurado pela Lei 3.577/59; Fl. 1909DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 11 19 23. Prossegue destacando que foi registrada como entidade de fins filantrópicos junto ao CNAS em novembro de 1974, obtendo, em abril de 1975, o Certificado Provisório de Entidade de Fins Filantrópicos, sucessivamente renovado, até ser transformado no CEBAS, que também continuou a ser regularmente renovado, conforme documentos que acosta; 24. Quando da publicação do .DecretoLei 1572/77, que revogou a Lei 3.577/59, sendo, como visto, portadora do Certificado Provisório de Entidade de Fins Filantrópicos, e tendo requerido o reconhecimento de entidade de utilidade pública federal, deferido em 1981, enquadrouse na hipótese do § 2° do art. 10 do referido Decretolei, permanecendo no gozo do beneficio previsto na lei revogada; 25. Aduna arestos em abono da tese do direito adquirido, expressando, outrossim, sua convicção de que a hipótese é de imunidade e não de isenção; 26. Argumenta que as indenizações trabalhistas não se destinam a rtribuir o trabalho e nem revestemse do requisito habitualidade, não há como considerar o pagamento das indenizações fato gerador de contribuição, impondose a decretação da improcedência do lançamento. 27. Investe contra o arrolamento de bens efetuado pela fiscalização, que inquina de inconstitucional, e contra a corresponsabilidade dos sócios, que considera descabida eis que a Fiscalização não comprovou a hipótese da aplicação do artigo 30, IX da Lei 8.212/91 à Esticio Participações; alega ainda ser tal dispositivo inconstitucional. 28. Afirma faltar a fundamentação legal da qualificação dos corresponsáveis, ofendendo a lei 9.784/99 e requer a nulidade em função da ausência de fundamentação. Afirma que a responsabilidade dos sócios por débitos de pessoas jurídicas foi revogada com o artigo 13 da Lei 8.620/93, sendo que as hipóteses de responsabilização de pessoas fisicas atribuida pelo CTN é extremamente restrita. 29. Por fim, requer a nulidade do auto de infração por ofensa ao devido processo legal e à ampla defesa, ou, alternativamente, que sejam excluídas as pessoas fisicas e jurídicas indicadas como corresponsáveis tributários, dando provimento à impugnação; em relação ao mérito, e cancelando o lançamento. 30. Defende a nulidade e improcedência da autuação por ausência de fundamentação legal, uma vez que, apesar das determinações expressas contidas na Resolução, a autoridade lançadora em momento algum indicou o art. 31 da MP n°446/08. 31. Ressalta a importância do disposto no art. 31 da MP n° 446/08 para as pretensões da Fiscalização, pois é esse o artigo que trata, justamente, das conseqüências advindas pelo não cumprimento dos requisitos constantes no art. 28 da referida Medida Provisória. 32. Exclama que a diligência proposta representa uma alteração da fundamentação legal do auto, revelando, assim, um novo lançamento, realizado pela 13° Turma, autoridade incompetente para constituir crédito tributário. 33. Entende que a MP n° 446/08 não poderia ser aplicada ao lançamento sob pena de ofender os artigos 106,144 e 146 do Código Tributário. Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 20 34. Registra que o § 1 0 do art. 144 do CTN não é aplicável ao presente caso, pois ele se refere apenas ao procedimento e às prerrogativas instrumentais e não à ocorrência ou não do fato gerador em si, como no caso em tela, quando se trata de requisitos necessários para usufruir isenção, ou seja, fenômeno intrinsecamente relacionado com o aspecto substancial desta última. Cita conceituada doutrina. 35. Alega ter cumprido todos os requisitos do artigo 28 da MP 446/2008, em que pese discordar da aplicação da referida MP ao seu caso. 36. Afirma que cumpriu o inciso I do citado dispositivo pois não há nenhum óbice a que a entidade de assistência social exerça atividade educacional; 37. Cumpriu o inciso II pois alega que a autoridade lançadora não constatou nenhuma remuneração direta paga à diretoria, tendo apenas presumido o pagamento de remuneração ao sócio João Uchoa Cavalcanti Nett° pela suposta falta de apresentação de documentos. A juntada de documentos relativos aos contratos de aluguel é o suficiente para infirmar a presunção da Fiscalização, acrescentando, em relação aos pagamentos efetuados a titulo de pro labore, que os acórdãos proferidos pela DRJ/RJ1 em 27/05/2009 decidiram que não se enquadrava como salário de contribuição a verba paga como aluguel; 38. Afirma que o requisito de aplicar integralmente suas rendas e recursos na manutenção de atividade institucionais (inciso III do artigo 28 da MP) também foi plenamente cumprido; 39. Defende que o inciso IV do mesmo artigo também foi cumprido. Admite que adquiriu muitos imóveis ao longo de seus anos de atividade, mas todos foram usados na consecução de seus objetivos, não existindo na legislação nada que vede a aquisição destes bens pelas entidades assistenciais, em especial porque os imóveis foram usados como campi ou unidades administrativas da autuada; A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 12 21 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 1889. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA O LANÇAMENTO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alegando nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo fundamentação para que se desconsiderasse a condição de isenta da entidade no período objeto do lançamento. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente, quanto a norma procedimental adotada pela autoridade fiscal. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 113, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação Fiscal, fl. 114 a 122, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento, bem como reiterando o pedido de alguns documentos. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. 107, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Da mesma forma, quando da baixa do processo em diligência pelo órgão julgador, providenciou a autoridade fiscal a devida cientificação do recorrente dos termos da informação fiscal Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 22 Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, entendo que razão não assiste ao recorrente. Quanto à necessidade de justificativa para realização de auditoria e consequente desenquadramento da condição de isenta, destacase que ao autoridade fiscal possui competência para verificar o fiel cumprimento da legislação previdenciária. Ademais, o próprio conceito de auditoria descrito na IN 03/2005 esclarece seu objetivo. Art. 570. A AuditoriaFiscal Previdenciária AFP ou Fiscalização é o procedimento fiscal externo que objetiva orientar, verificar e controlar o cumprimento das obrigações previdenciárias por parte do sujeito passivo, podendo resultar em lançamento de crédito previdenciário, em Termo de Arrolamento de Bens e Direitos, em lavratura de Auto de Infração ou em apreensão de documentos de qualquer espécie, inclusive aqueles armazenados em meio digital ou em qualquer outro tipo de mídia, materiais, livros ou assemelhados. DA FALTA DA INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL DO PROCEDIMENTO. Alegou recorrente que a ausência do art. 31 da MP 446/2008, acarreta a nulidade do procedimento, o que venho a discordar. O próprio recorrente ao apreciar os termos do relatório fiscal complementar, indicou que o fundamento para o lançamento era o art. 31, sendo que o auditor apenas fez menção ao art. 28 da referida MP. Ora, como alegar nulidade por cerceamento de defesa, se o próprio contribuinte sabe o dispositivo legal que autoriza o procedimento fiscal. Observamos que em seu relatório, bem como na informação fiscal, trouxe o auditor fiscal de forma detalhada todos os fatos que entendeu pertinentes a lavratura do auto de infração, descrevendo que a empresa não mais se enquadrava na condição de isenta e explorando os aspectos inerentes ao descumprimento dos requisitos que a qualificariam na condição de entidade beneficente em gozo de isenção de contribuições previdenciárias. Entendo que ao descrever os fatos e fundamentos que entendeu relevantes para constituição do crédito, bem como ao destacar em sua informação, os fundamentos da MP 446 não haveria a necessidade de informar o dispositivo legal, desde que se deixe claro o embasamento legal que fundamenta o lançamento, o que entendo restou demonstrado. Assim, afasto a nulidade pela ausência da indicação do dispositivo legal. Quanto ao mérito de o fundamento encontrarse equivocado será apreciado mais a frente. QUANTO A INCOMPETÊNCIA DO LANÇADOR Da mesma forma, não acato o argumento de que a realização de diligência seria inviável para correção na fundamentação jurídica do lançamento, nem tampouco acato o argumento que o lançamento tenha sido realizado e fundamentado pela DRJ. Conforme traz o próprio recorrente em sua manifestação, após a lavratura do auto de infração, o julgador retornou o processo a autoridade autuante, no intuito que a mesma o adequasse ao dispositivo legal aplicável, porém na própria informação, repetiu a autoridade lançadora os mesmos argumentos descritos no relatório fiscal, apenas correlacionandoos com os requisitos do art. 28 da referida MP 446. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 13 23 Em que pese o argumento do recorrente de que a autoridade fiscal não entende aplicável, ao caso concreto os termos da MP 446/2008, pelas palavras descritas na própria informação fiscal, fato é que o auditor, mesmo que a contragosto, adequou o lançamento aos requisitos da MP 446, suprindo, a falta que poderia ensejar todo a nulidade do mesmo. A DRJ compete realmente julgar o lançamento, mas entendo, encontrarse dentro de sua competência a requisição de diligências no intuito de aperfeiçoar o lançamento, possibilitando ao contribuinte um lançamento que lhe permita exercer o amplo direito de defesa. Nesse ponto, também não entendo qualquer afronta ao princípio da legalidade, posto, conforme apreciado acima, ter sido cumprido o rito necessário ao lançamento e julgamento do feito. O fato de ter descrito o auditor, que o mesmo entendia desnecessária a menção aos termos da MP, posto que já seria suficiente a condição de entidade com fins lucrativos também não vicia o procedimento. Tampouco o vícia, o fato de ter cumprindo a orientação da DRJ, a qual, conforme descrito acima, compete julgar o lançamento e caso necessário buscar sua adequação, possibilitando tornálo perfeito e permitindo a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa. Dessa forma, rejeito também a preliminar de que o lançamento teria sido realizado por pessoa incompetente. O julgador não emendou ou mesmo inovou nos fundamentos jurídicos, mas, submeteu a autoridade fiscal questionamentos quanto a descaracterização da condição de isenta por ele realizada. Dessa forma, quem procedeu ao lançamento e realizou a diligência com a emissão da informação fiscal, foi a autoridade fiscal designada no instrumento próprio, qual seja o MPF, não havendo nulidade a ser declarada também quanto a esse ponto. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, ou descumprimento dos requisitos para o gozo de isenção, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito ou auto de infração de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. QUANTO AOS EFEITOS DA MP 446/08 AO PRESENTE LANÇAMENTO Quanto a este ponto, trouxe o recorrente os seguintes argumentos: “ Ocorre que o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento se reporta à data de ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada,(...). No caso em exame, o lançamento é relativo a fatos geradores ocorridos no período de 01/2003 a 12/2005, ou seja, anteriores à edição da MP n° 446, de 07.11.2008, e, Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 24 por conseguinte, não poderiam ter sido por ela regidos, sob pena de ofensa ao art. 144 do CTN. Correto encontrase o argumento do recorrente, de que a legislação a ser aplicada é a da ocorrência do fato gerador, contudo, esse fato serve para verificar, se à época do ocorrência dos referidos fatos, os mesmos eram ou não fato gerador de contribuição previdenciária. Já quanto a norma procedimental para realização do lançamento, entendo que deva ser aplicada a em vigor no momento da lavratura do AI ou NFLD, conforme o caso, sendo correto o entendimento que a referida MP 446 respalda o lançamento durante a sua vigência. Conforme bem citado pela autoridade julgadora e pela autoridade fiscal, o procedimento deuse sob a égide da MP 446/2008, que assim descrevia o procedimento a ser adotado. Da Concessão e do Cancelamento Art. 30. O direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da sua certificação pela autoridade competente, desde que atendidas as disposições da Seção I deste Capítulo. Art. 31. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o nãoatendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o O lançamento terá como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Contudo, dois fatos devem ser apreciados com maior detalhamento. Uma coisa é a norma processual (procedimental) a ser adotado quando da lavratura, que autoriza o lançamento sem a emissão da Informação Fiscal descrevendo os fatos para perda do direito a isenção. Quanto a este ponto, entendo que realmente, sob o manto na referida MP 446, desnecessário a emissão da informação fiscal para cancelamento da isenção, ou mesmo ter sido primeiramente cassado o certificado da entidade. Já quanto ao cumprimento dos requisitos para considerar se a entidade matinha ou não a qualidade de filantrópica, entendo que deva ser observada a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, no caso o art. 55 da lei 8212/91. Ao apreciarmos os termos do relatório fiscal, da solicitação em diligência e da informação fiscal emitida verificamos que não há convergência de fundamentos para o lançamento, o que ensejou uma forçação de barra por parte do órgão julgador, senão vejamos: Em seu relatório traz o auditor como fundamentação para o lançamento: “não satisfaz os requisitos ao Decreto n° 2.536/98;por não realizar os objetivos traçados pela Lei Orgânica da Assistência Social ,n° 8.742/93, em seu artigo 2°, incisos de I a V e parágrafo único, bem como na Constituição Federal em seu artigo 203, incisos de I a V. Tratase de empresa comercial, prestadora de serviço na área da educação superior, onerosa, que não Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 14 25 comprova realizar atendimento de caráter social, dirigido à comunidade, especialmente a pessoas carentes.” Ou seja, ao apreciarmos os termos do relatório, podemos constatar, que o auditor entende que perdeu a entidade em 2007 a condição de isenta, pois sua condição de empresa com fins lucrativos, descrevendo a legislação a lei orgânica da previdência, o decreto 2536 e a própria constituição, como normas a serem observadas para condição de filantrópica no período da ocorrência dos fatos geradores. Já o julgador, ao baixar o processo em diligência, justifica a reapreciação do feito pelo auditor com fundamento nos requisitos do art. 28 da própria MP 446/08. O auditor por sua vez, destaca nos 3 primeiros parágrafos da informação fiscal, que entende que os argumentos para manutenção do lançamento não devem ser embasados na MP 446, mas para fazer cumprir a diligência requerida, pontualmente, em relação aos argumentos trazidos em seu relatório. Já quanto a decisão de primeira instância, o julgador faz valer seu entendimento de que a MP 446 é a norma adequada a fundamentar o lançamento, sendo que os fatos descritos pelo auditor são suficientes para manutenção da autuação. Oras, confesso, que enquanto auditora, tive dificuldades para entender qual norma, ao fim, serviu para dar sustentáculo ao lançamento. Acredito ter sido essa confusão, que gerou dúvidas ao recorrente, o que justificaria a série de nulidades apontadas pelo mesmo, seja quanto a inovação jurídica do lançamento, incompetência da autoridade autuante, ou mesmo que o relatório fiscal complementar na verdade fez novo lançamento. Apreciei pontualmente cada uma das nulidades, de forma a deixar claro, em que ponto entendo estar o lançamento comprometido. Conforme visto, no meu entender houve uma confusão entre o auditor autuante e o julgador, donde cada um apresentou uma versão para o lançamento, contudo, entendo que isso implicou nulidade do mesmo, pela ausência de definição clara e precisa da legislação que abarca a questão. Fato é que a entidade era detentora dos Certificado de entidade Filantrópica durante o período da ocorrência dos fatos geradores. A legislação que regia a matéria era o art. 55 da lei 8212/91. Em seu recurso, bem argumentou o recorrente: Como exaustivamente demonstrado pela lmpugnante na Seção Ill, Capitulo 3, retro, a MP n° 446/08 não é aplicável ao presente caso, como quer fazer entender a 13a Turma da DRJ/RJ1, pois a mesma não vigia à época da ocorrência dos fatos geradores. No período de ocorrência dos fatos geradores (período de 01/2003 a 12/2005), os requisitos que asseguravam á lmpugnante a fruição da isenção da contribuição previdenciária patronal estavam previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Nunca 6 demais ressaltar que a própria autoridade lançadora, quando instada a elaborar um "relatório fiscal complementar" pela Resolução n° 126, foi categórica ao afirmar que a MP n° Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 26 446/08 não era aplicável a esta autuação, porque, à época da vigência da mesma. a lmpugnante já era empresa de responsabilidade limitada com fins lucrativos, como se pode notar do seguinte excerto: Assim, entendo que os requisitos legais a serem cumpridos para o gozo da isenção eram os descritos no art. 55, servindo a MP 446 apenas para fundamentar a lavratura do AI ou NFLD sem a necessidade de informação fiscal. Todavia, a demonstração dos requisitos descumpridos, que desenquadrariam a condição de isenta deveriam aterse ao cumprimento dos requisitos ali elencados e não aos requisitos descritos em MP, que vigora a partir da sua vigência. Vejamos os requisitos legais: Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 12898.000163/200880 Acórdão n.º 2401002.976 S2C4T1 Fl. 15 27 § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Isto posto, entendo que existe conflito entre os fundamentos trazidos pelo auditor em seu relatório, na informação fiscal e na decisão de primeira instância, tornando obscuro o lançamento e principalmente neste ponto causando prejuízo ao recorrente. Tal fato, enseja a nulidade do lançamento, pela ausência de clara fundamentação jurídica do lançamento, ou mesmo pela indicação incorreta do fundamento do lançamento, quando entendeu a autoridade julgadora e fiscal, que os requisitos do art. 28 da MP 446 é que embasariam o desenquadramento da condição de isenta. Destaco, por fim, que embora alguns dos fatos descritos pelo auditor, possuam identidade com os requisitos do citado art. 55 da lei 8212/91, fato é que a autoridade fiscal e julgadora utilizaram fundamentos diversos para o desenquadramento, razão pela qual nulo o procedimento realizado. Ao contrário do apreciado nos tópicos anteriores, não se trata de mera não indicação do dispositivo legal (art. 55 da lei 8212), mas fundamenta a autoridade fiscal, o lançamento em legislação diversa (seja no relatório fiscal, seja no relatório fiscal complementar. Destaco, também, que não afasta essa falta, ter a autoridade julgadora feito menção no acordão de primeira instância, quanto as requisitos do art. 55. QUANTO AO VÍCIO COMETIDO É pertinente também destacar, que entendo que a nulidade que alcança os levantamentos acima descritos é formal, visto não ter o auditor formalizado devidamente o lançamento em relação a fundamentação legal que consubstanciou o lançamento. Nesse sentido, podese identificar que a nulidade é aplicável por não ter o auditor fiscal aplicado a norma jurídica pertinente aos requisitos a serem observados em relação à época da ocorrência do fato gerador. Dessa forma, entendo que a falta da descrição precisa da norma aplicável provoca a anulação do AI de obrigação principal e acessórias correlatos por vício formal, por se tratar do não preenchimento de todas as formalidades necessárias a validação do ato administrativo, conforme destaco abaixo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes à publicidade do ato. Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18ª edição, Ed. Atlas, página 200. Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 28 Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, página 202, in verbis: “Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato.” Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação. A motivação é a exposição de motivos, ou seja, é a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato realmente existiram. A motivação diz respeito às formalidades do ato. O motivo, por seu turno, antecede a prática do ato, correspondendo aos fatos, às circunstâncias, que levam a Administração a praticar o ato. São os pressupostos de fato e de direito da prática do ato. Na lição de Maria Sylvia di Pietro, pressuposto de direito é o dispositivo legal em que se baseia o ato; pressuposto de fato, corresponde ao conjunto de circunstâncias, de acontecimentos, de situações que levam a Administração a praticar o ato. A ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não há obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. Logo, se há falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212.. Assim, a indicação indevida da fundamentação legal enseja a nulidade da autuação por vício formal. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO, para ANULAR O LANÇAMENTO POR VÍCIO FORMAL, face a incorreta fundamentação legal do lançamento nos termos descritos no voto. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901854/2008-35
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
Numero da decisão: 3403-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação.
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COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 18 54 /2 00 8- 35 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 34 a 391, transmitida em 13/07/2004, na qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (DARF no valor total de R$ 10.355,74, pago em 15/07/2002) a título da COFINS (valor original do crédito a ser utilizado de R$ 2.826,78) com débito de R$ 3.880,60, relativo à mesma contribuição (período de apuração junho/2004). No Despacho Decisório eletrônico de fl. 43 (emitido em 18/07/2008, com ciência em 29/07/2008, conforme AR de fl. 46), acusase que o pagamento (DARF de R$ 10.355,74) foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fls. 2 a 4), alega a empresa que: (a) “apurou e recolheu o crédito tributário de COFINS (2172), no valor de R$ 10.355,74”, conforme DARF (fl. 28) e DCTF (fls. 26 e 27) que anexa; (b) ao constatar que o valor correto era R$ 7.528,96 e não R$ 10.355,74, em virtude de ajuste nos aluguéis (conforme detalhamento nas planilhas de fls. 29 e 30), passou a ser detentora de um crédito de R$ 2.826,78, que, corrigido na forma da lei (juros à Taxa SELIC), chega a R$ 3.880,60, montante suficiente para a compensação pleiteada com débito da mesma contribuição em junho de 2004. Em 14/03/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 48 a 51), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver comprovação do direito creditório. O julgador afirma que apesar de as planilhas apresentadas pelo contribuinte apontarem para os valores que pretende compensar, “não é razoável que o julgamento se estabeleça em demonstrativos produzidos sem qualquer documento que os fundamente”. Cientificada da decisão de piso em 21/05/2012 (AR à fl. 55), a empresa apresenta recurso voluntário em 20/06/2012 (fls. 58 a 61), no qual reitera a argumentação exposta na manifestação de inconformidade, e agrega que “juntou os documentos que entendeu suficientes para a comprovação do seu direito creditório”, cabendo “à autoridade julgadora no caso de qualquer dúvida acerca dos documentos e em face do princípio da verdade material dos fatos realizar a diligência cabível a fim de verificar a exatidão das informações prestadas nos documentos apresentados”. Solicita, ao final, o provimento do recurso, e, alternativamente, a realização de diligência. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10875.901854/200835 Acórdão n.º 3403002.339 S3C4T3 Fl. 69 3 O contencioso em sede de recurso voluntário restringese à comprovação (ou sua falta) da existência e da liquidez do crédito utilizado na compensação pleiteada. A recorrente alega que o crédito se origina de ajustes efetuados em aluguéis, conforme detalhamento efetuado nas planilhas de fls. 29 e 30. Compulsando os autos, vêse que na planilha de fl. 29 são abatidos R$ 94.226,09 nos meses de junho a agosto de 2002, em linha na qual se lê a seguinte mensagem: “Ajuste alugueis contabilizado em Dezembro/2002 vide razão anexo” (sic). Na fl. 30 juntase cópia de tela do “Relatório de partidas individuais contas do Razão” (sic). Na conta 314080 (Receitas de Aluguéis e Arrendamentos) informase o lançamento em 30/12/2002 de aluguéis referentes a julho, agosto e setembro de 2002. Somandose os lançamentos a cada mês, chega se aos R$ 94.226,09. O julgador de primeira instância não ignora tais elementos, mas aponta que são apresentados à margem de qualquer documentação comprobatória. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância ultrapassa a questão da ausência de retificação da DCTF, e, sintonizado com a verdade material, parte para a verificação da existência e da liquidez do crédito. Entretanto, defrontase com a ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegando à situação descrita acima como “b”. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, nega o direito à compensação. É de se endossar que a comprovação da certeza e da liquidez do crédito constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. É o que reza o caput do art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) E no presente processo, a carência probatória do crédito não é dirimida no curso do contencioso. A documentação juntada na manifestação de inconformidade não se presta a revestir de um mínimo de liquidez e certeza o direito creditório. Incabível ainda a realização de diligência (por não se estar evidenciada a situação descrita acima como “c”). Da mesma forma que a diligência, em uma autuação fiscal, não se presta a suprir ônus probatório do Fisco, não se presta, em um pedido de compensação, a suprir ônus probatório do contribuinte/postulante. Assim, em face da ausência de comprovação da certeza e da liquidez do crédito informado na DCOMP, não há como prosperar o pleito de compensação da recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de primeira instância. Rosaldo Trevisan Fl. 72DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10875.901854/200835 Acórdão n.º 3403002.339 S3C4T3 Fl. 70 5 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 11030.722197/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. COLOCAÇÃO DE TRABALHADORES À DISPOSIÇÃO DO CONTRATANTE. NECESSIDADE PERMANENTE, CARACTERIZAÇÃO.
A colocação de trabalhadores à disposição do contratante, em suas dependências ou na de terceiros por ele designados, para execução de atividades que se constituam em necessidade permanente do tomador, é suficiente para caracterizar a ocorrência de cessão de mão-de-obra, independentemente do fato dos obreiros terem estado subordinados ao contratante.
ENTIDADES ISENTAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA EM CARÁTER HABITUAL. TRABALHADORES CEDIDOS EM NÚMERO SIGNIFICATIVO. DESVIO DE FINALIDADE. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO.
Caracteriza desvio de finalidade da entidade beneficiada com isenção das contribuições sociais a prestação de serviço mediante cessão de mão-de-obra, mormente quando o quantitativo de trabalhadores envolvidos na cessão de mão-de-obra representa percentual significativo dos total de empregados da entidade isenta.
ENTIDADES ISENTAS. REGISTROS CONTÁBEIS. DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS EMANADAS DO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO.
A efetivação dos registros contábeis das entidades isentas deve seguir as normas do Conselho Federal de Contabilidade, sob pena de suspensão do benefício fiscal.
AQUISIÇÃO DE HOSPITAL. PREÇO FIXADO EM ACORDO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO PATRIMÔNIO E RENDA DA FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA.
Não tendo o fisco demonstrado a existência de conluio entre as partes para transferência de patrimônio e rendas da Fundação Araucária para terceiros, mediante contrato de compra do Hospital São Paulo, não deve ser aceito o argumento de irregularidades nesse negócio jurídico, cuja quitação, inclusive, foi objeto de acordo judicial.
AUMENTOS SALARIAIS. VALORES COMPATÍVEIS COM OS CARGOS. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE PATRIMÔNIO. INOCORRÊNCIA.
A mera menção a aumentos salariais para cargos de direção da entidade, cujo padrão salarial se mostra razoável para a responsabilidade assumida pelos diretores, não pode ser tomada como distribuição disfarçada de patrimônio.
DESVIO DE FINALIDADE. IRREGULARIDADES CONTÁBEIS. MANUTENÇÃO PARCIAL DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Tendo-se detectado ocorrência de desvio de finalidade da entidade isente, bem como falhas na sua escrita contábil, não há como se acolher o pedido para manutenção parcial da isenção.
CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL.
A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA
O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. COLOCAÇÃO DE TRABALHADORES À DISPOSIÇÃO DO CONTRATANTE. NECESSIDADE PERMANENTE, CARACTERIZAÇÃO. A colocação de trabalhadores à disposição do contratante, em suas dependências ou na de terceiros por ele designados, para execução de atividades que se constituam em necessidade permanente do tomador, é suficiente para caracterizar a ocorrência de cessão de mão-de-obra, independentemente do fato dos obreiros terem estado subordinados ao contratante. ENTIDADES ISENTAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA EM CARÁTER HABITUAL. TRABALHADORES CEDIDOS EM NÚMERO SIGNIFICATIVO. DESVIO DE FINALIDADE. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. Caracteriza desvio de finalidade da entidade beneficiada com isenção das contribuições sociais a prestação de serviço mediante cessão de mão-de-obra, mormente quando o quantitativo de trabalhadores envolvidos na cessão de mão-de-obra representa percentual significativo dos total de empregados da entidade isenta. ENTIDADES ISENTAS. REGISTROS CONTÁBEIS. DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS EMANADAS DO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. A efetivação dos registros contábeis das entidades isentas deve seguir as normas do Conselho Federal de Contabilidade, sob pena de suspensão do benefício fiscal. AQUISIÇÃO DE HOSPITAL. PREÇO FIXADO EM ACORDO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO PATRIMÔNIO E RENDA DA FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA. Não tendo o fisco demonstrado a existência de conluio entre as partes para transferência de patrimônio e rendas da Fundação Araucária para terceiros, mediante contrato de compra do Hospital São Paulo, não deve ser aceito o argumento de irregularidades nesse negócio jurídico, cuja quitação, inclusive, foi objeto de acordo judicial. AUMENTOS SALARIAIS. VALORES COMPATÍVEIS COM OS CARGOS. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE PATRIMÔNIO. INOCORRÊNCIA. A mera menção a aumentos salariais para cargos de direção da entidade, cujo padrão salarial se mostra razoável para a responsabilidade assumida pelos diretores, não pode ser tomada como distribuição disfarçada de patrimônio. DESVIO DE FINALIDADE. IRREGULARIDADES CONTÁBEIS. MANUTENÇÃO PARCIAL DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tendo-se detectado ocorrência de desvio de finalidade da entidade isente, bem como falhas na sua escrita contábil, não há como se acolher o pedido para manutenção parcial da isenção. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2167; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 19.722 1 19.721 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.722197/201242 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.082 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ISENÇÃO Recorrente FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CESSÃO DE MÃODEOBRA. COLOCAÇÃO DE TRABALHADORES À DISPOSIÇÃO DO CONTRATANTE. NECESSIDADE PERMANENTE, CARACTERIZAÇÃO. A colocação de trabalhadores à disposição do contratante, em suas dependências ou na de terceiros por ele designados, para execução de atividades que se constituam em necessidade permanente do tomador, é suficiente para caracterizar a ocorrência de cessão de mãodeobra, independentemente do fato dos obreiros terem estado subordinados ao contratante. ENTIDADES ISENTAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA EM CARÁTER HABITUAL. TRABALHADORES CEDIDOS EM NÚMERO SIGNIFICATIVO. DESVIO DE FINALIDADE. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. Caracteriza desvio de finalidade da entidade beneficiada com isenção das contribuições sociais a prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, mormente quando o quantitativo de trabalhadores envolvidos na cessão de mãodeobra representa percentual significativo dos total de empregados da entidade isenta. ENTIDADES ISENTAS. REGISTROS CONTÁBEIS. DESCONFORMIDADE COM AS NORMAS EMANADAS DO CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. A efetivação dos registros contábeis das entidades isentas deve seguir as normas do Conselho Federal de Contabilidade, sob pena de suspensão do benefício fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 21 97 /2 01 2- 42 Fl. 19722DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 AQUISIÇÃO DE HOSPITAL. PREÇO FIXADO EM ACORDO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO PATRIMÔNIO E RENDA DA FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA. Não tendo o fisco demonstrado a existência de conluio entre as partes para transferência de patrimônio e rendas da Fundação Araucária para terceiros, mediante contrato de compra do Hospital São Paulo, não deve ser aceito o argumento de irregularidades nesse negócio jurídico, cuja quitação, inclusive, foi objeto de acordo judicial. AUMENTOS SALARIAIS. VALORES COMPATÍVEIS COM OS CARGOS. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE PATRIMÔNIO. INOCORRÊNCIA. A mera menção a aumentos salariais para cargos de direção da entidade, cujo padrão salarial se mostra razoável para a responsabilidade assumida pelos diretores, não pode ser tomada como distribuição disfarçada de patrimônio. DESVIO DE FINALIDADE. IRREGULARIDADES CONTÁBEIS. MANUTENÇÃO PARCIAL DA ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tendose detectado ocorrência de desvio de finalidade da entidade isente, bem como falhas na sua escrita contábil, não há como se acolher o pedido para manutenção parcial da isenção. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.º 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA DO CARF. AUSÊNCIA O CARF carece de competência para se pronunciar sobre processo de Representação Fiscal Para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator Fl. 19723DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.723 3 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 19724DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 10 42.424 de lavra da 7.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Auto de Infração: a) AI n. 51.010.9853: exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e o adicional para aposentadoria especial; b) AI n. 51.010.9861: contribuições destinadas a outras entidades ou fundos. Os fatos geradores constantes do lançamento foram as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviços à autuada no período da apuração. O relatório fiscal afirma que a entidade na declaração prestada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP enquadrouse como entidade isenta, todavia, não cumpria os requisitos legais necessários ao gozo da isenção. Afirmou o fisco que a Fundação incorreu em desvio de finalidade ao prestar serviços mediante cessão de mãodeobra a diversos municípios com o objetivo de beneficiá los, além de que a receita obtida não foi aplicada em nos objetivos da entidade. Sustentase que houve a distribuição do patrimônio da entidade em favor de terceiros, conforme se observa das seguintes situações: a) a entidade adquiriu o Hospital São Paulo a preço acima do valor de mercado e pagando juros exorbitantes; b) havia a prática de pagar remunerações a alguns trabalhadores e a clínicas, como forma disfarçada de distribuir patrimônio; c) a Fundação efetuava a cessão de espaços a clinicas a título gratuito por valor irrisório; d) houve a realização de despesas desnecessárias que não integram a atividade de assistência social; Afirmase ainda que não houve a apropriada escrituração das receitas e despesas da Fundação. Apresentada a impugnação, o órgão de primeira instância declarou improcedente a impugnação, mantendo os créditos lançados na integralidade. Em 11/03/2013, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 19.390/401, no qual, após breve síntese dos fatos, sustenta que: Fl. 19725DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.724 5 a) mesmo com o advento da Lei n. 12.101/2009, é necessário processo específico de suspensão da imunidade para que o fisco possa exigir as contribuições patronais das entidades beneficentes de assistência social, conforme previsto no art. 32 da Lei n. 9.430/1996; b) a expansão das atividades da recorrente, mediante a aquisição de nova unidade hospitalar e execução de contratos e convênios para prestação de serviço a diversos Municípios não representa, em absoluto, desvio de seus objetivos sociais; c) quanto à questão da ocorrência de cessão de mãodeobra nos contratos firmados pela recorrente com Municípios, a decisão recorrida baseouse para chegar em suas conclusões em parecer da lavra do Ministério da Previdência, todavia, esse tipo de ato normativo não se presta a afastar a imunidade das entidades que cumprem os requisitos legais necessários à isenção; d) o fisco não pode acusar a entidade de efetuar os seus registros contábeis de forma inadequada, posto que a sua contabilidade serviu de fonte para o desenvolvimento de todo o trabalho da auditoria; e) nenhum dirigente da entidade foi indicado como destinatário de qualquer benefício, vantagem, pagamento, etc. Assim, não se pode falar em ofensa ao inciso I do art. 14 do CTN; f) por outro lado, o CTN trata da imunidade quanto aos impostos, não podendo ser invocado para justificar lançamento de contribuições sociais. A imunidade em relação a estas somente pode ser regulada por lei complementar; g) os pagamentos a servidores, autônomos e pessoas jurídicas, tidos pelo fisco como irregulares, na verdade serviram para manter os propósitos institucionais da recorrente, em razão do expressivo incremento de suas atividades durante o período auditado; h) acerca da aquisição do Hospital São Paulo, não pode o fisco vislumbrar irregularidade, onde o próprio Judiciário se manifestou favoravelmente ao acordo envolvendo o negócio; i) não foi demonstrada a ocorrência de dolo ou fraude, portanto, não pode prosperar a representação criminal efetuada contra a recorrente; j) as contribuições relativas às competências de 2007 foram alcançadas pela decadência. O recurso foi aditado em 20/03/2013, fls. 19.405/441. Desta feita, o sujeito passivo alegou que: a) devem ser conhecidas as questões tratadas no aditamento, posto que este foi protocolizado dentro do prazo recursal, além de que traz pormenores que auxiliarão na busca da verdade material; b) a recorrente jamais embasou suas atividades em cessão de mãodeobra, mas em contratos de prestação de serviços imprescindíveis à manutenção de suas atividades institucionais, em razão da baixa remuneração repassada pelo SUS; Fl. 19726DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 c) em razão de sucessivos déficits, em 2006 passou a operar com outro hospital e iniciou a prestação de serviços a diversos municípios em atividades compatíveis com sua finalidade; d) para fazer frente às novas atividades, teve que admitir funcionários, melhorar a remuneração do seu quadro de pessoal e contratar serviços de empresas, como é o caso da atividade assessoria. Esse proceder, ao contrário do que afirmou o fisco, não representa nenhuma ilegalidade que pudesse suspender a sua imunidade; e) demonstra que os seus registro contábeis foram efetuados conforme as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade, não havendo motivos para se supor que houve ocultação de despesas e receitas, que pudessem ocasionar a perda de sua imunidade; f) nos contratos firmados pela recorrente inexiste cessão de mãodeobra, mas prestação de serviços com mãodeobra própria, cabendo destacar que os seus empregados não ficavam sob a direção dos municípios contratantes; g) é incorreto afirmar que havia subordinação e pessoalidade entre os empregados da Fundação Hospitalar e os tomadores de serviço; h) a prestação de serviços para os municípios pode ser considerada atividade meio para consecução dos fins sociais da recorrente; i) a Fundação é fiscalizada pelo Ministério Público e nunca houve nenhuma notificação quanto à irregularidade dos contratos firmados com os municípios, até porque essa é uma prática comum no Estado do Rio Grande do Sul; k) os serviços médicos foram contratados pela recorrente em sua grande maioria mediante relação de emprego, somente quando não foi possível conseguir o profissional é que se contratou empresas, não havendo o que se falar em conluio para fraudar a Fazenda Pública; l) a disponibilidade do contador da Fundação para fazer a escrita das poucas empresas médicas e a cessão de espaço para os médicos, não representa irregularidade, mas uma estratégia para manter o profissional trabalhando dentro do hospital da recorrente; m) os municípios contratantes tinham ciência de que a Fundação subcontratava serviços com algumas pessoas jurídicas; n) o art. 72 da Lei n. 8.666/1993 permite que se contrate empresas médicas para execução de determinados serviços; o) não se nota ofensa ao CTN, a Lei n. 8.212/1991 ou a Lei n. 12.101/2009, posto que não houve distribuição do seu patrimônio e todo o superávit foi lançado no balanço da Fundação e utilizado na manutenção das atividades de suas unidades, especialmente as deficitárias; p) não há comprovação de que houve superfaturamento na compra do Hospital São Paulo, além de que o fisco não demonstrou que valores referentes a esse negócio tenham sido repassados a membros da Fundação; q) não há um só valor de pagamentos a membros da fundação que possa ser considerado exorbitante, sendo que o maior de todos, o do Superintendente no valor de R$ 8.000,00, é compatível com a função; Fl. 19727DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.725 7 r) o Diretor Técnico do Hospital também recebe pelos serviços prestados como médico; s) os valores repassados aos empregados que não constam em folha de pagamento referemse à ajuda de custo, despesas de viagem e indenização por mudança do local de trabalho; t) não há como afirmar que os valores pagos pelos serviços médicos prestados por empresas representa distribuição de patrimônio, o mesmo se pode dizer a utilização do espaço do hospital para os médicos fazerem atendimentos; u) não é incomum que os pagamentos efetuados a empresas unipessoais sejam feitos diretamente na conta dos titulares; v) apresenta treze notas explicativas para demonstrar que o fisco incorreu em erro ao taxar determinadas despesas como desnecessárias, ressaltando que não há ilegalidade no fato da entidade pagar despesas com confraternização de seu corpo funcional; w) assevera que os gastos com clube de futebol tinham como objetivo apoiar projeto de inserção social de crianças pelo esporte, ação que está dentro de sua finalidade estatutária; x) a suspeita sobre o contrato firmado com a empresa Vitaprevi Prestadora de Serviços é infundada, posto que efetivamente os serviços de administração de pessoal, cobrança e assessoria contábil; y) se ainda assim algum contrato for considerado ilegal, as contribuições devem ser exigidas somente para os empregados vinculados ao negócio tido como irregular. Ao final, requereu o provimento do recurso, como consequente cancelamento da lavratura. É o relatório. Fl. 19728DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Desnecessidade de emissão de ato cancelatório de isenção Durante a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, a entidade beneficente para fazer jus à isenção das contribuições sociais deveria, salvo os casos de direito adquirido, requerer o benefício à Administração Tributária, que, constando o cumprimento das exigências legais, emitia o correspondente ato declaratório. Quando, entretanto, fosse verificado o descumprimento dos requisitos legais necessários à isenção, o fisco deveria emitir informação fiscal para cancelamento do benefício, contra a qual o sujeito passivo poderia se insurgir, mediante processo específico. Findo esse contencioso é que as contribuições decorrentes da perda da isenção poderiam ser exigidas. Era assim que dispunha o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008: Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (Revogado pelo Decreto nº 7.237, de 2010). (...) §8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: Ise a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; IIa pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; IIIapresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e Fl. 19729DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.726 9 IVcancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de quinze dias, contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. (...) Com o advento da Lei n. 12.101, de 27/11/2009 (DOU 30/11/2009), houve profundas alterações quanto ao procedimento para aquisição do direito à isenção. As entidades postulantes, a partir desse marco normativo, não necessitariam mais requerer o reconhecimento da isenção, mas apenas obter a certificação junto ao Ministério da sua área de atuação (Saúde, Educação e/ou Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e cumprir os requisitos estabelecidos no art. 29 da Lei sob referência, verbis: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III apresente certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e certificado de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; VI conserve em boa ordem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem e a aplicação de seus recursos e os relativos a atos ou operações realizados que impliquem modificação da situação patrimonial; VII cumpra as obrigações acessórias estabelecidas na legislação tributária; VIII apresente as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade quando a Fl. 19730DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pela Lei Complementar no 123, de 14 de dezembro de 2006. Não havendo mais necessidade de requerimento à Administração Tributária para emissão de ato declarando o direito, deixou de existir razão para a lavratura de informação fiscal de cancelamento de isenção. Essa questão de ordem prática foi resolvida pelo art. 32 da Lei n. 12.101/2009 (ver também art. 42 do Decreto n. 7.237/2010), o qual determina que constatado o descumprimento dos requisitos legais para isenção, deve o fisco de imediato lançar as contribuições devidas relativas ao período em que verificou as irregularidades. Eis a dicção da citada norma: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Percebese, assim, que o lançamento guerreado prescindiria de processo prévio de suspensão da isenção, não devendo prevalecer a tese do sujeito passivo de que a lavratura do AI estaria condicionada à anterior discussão acerca da condição de isenta da entidade. É de ressaltar que se tratando de norma procedimental a sua aplicabilidade é imediata, como se percebe do § 2. acima transcrito, que determina, para as situações de suspensão do direito à isenção, a obediência ao processo administrativo vigente, o qual é regulado pelo Decreto n. 70.235/1972. Isso porque o § 1. do art. 144 do CTN determina que as normas que versam sobre procedimento sejam aplicadas imediatamente, mesmo em relação a fatos geradores anteriores a sua edição. A regra do art. 32 da Lei 9.430/1996, suscitada no recurso, não é aplicável a isenção das contribuições, posto que esse dispositivo regula a suspensão da imunidade tributária relativa aos tributos federais de que trata a alínea “c” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal, ou seja, os impostos sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos. Legislação aplicável para aferição do direito à isenção Para nós, a regulação da norma constitucional que trata da imunidade das contribuições sociais pode ser regulada por lei ordinária, assim, entendemos que a aferição dos requisitos necessários ao gozo do favor fiscal deve ser aferida pelos seguintes dispositivos (normas de direito material): Fl. 19731DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.727 11 a) Lei n.º 8.212/1991, art. 55 – vigência até 09/2008; b) MP n. 446/2008 – vigência de 10/11/2008 a 11/02/2009; c) Lei n.º 8.212/1991, art. 55 – vigência de 12/02/2009 a 29/11/2009; e d) Lei n. 12.101/2009 – vigência a partir de 30/11/2009. Não custa ressaltar que o fisco justificou a utilização de fundamentação constante no CTN por cautela, de modo a evitar que a prevalência do entendimentos de que a regulação da imunidade das contribuições sociais somente poderia se dar por lei complementar, viesse a colocar em cheque o enorme trabalho de investigação desenvolvido na ação fiscal que deu origem as lavraturas questionadas. Cessão de mãodeobra Nos termos do item 3.2.4.2 do relatório fiscal, fl. 119, o fato da entidade prestar serviço mediante cessão de mãodeobra de forma habitual para diversos municípios é indicativo de que houve desvio de finalidade dos recursos da Fundação, por infringência aos incisos I e II do art. 14 do CTN e incisos III e V do art. 55 da Lei 8.212/91 – III e VIII do art. 28 da MP 446/08 e II e V do art. 29 da Lei 12.101/09. Para comprovar a ocorrência de cessão de mãodeobra, o fisco apresentou detalhes sobre os contratos firmados, no período de 2004/2011, entre a Fundação e seus tomadores, todos municípios do Estado do Rio Grande do Sul, conforme a seguir: a) Município de Barracão: atendimento no Programa de Saúde da Família – PSF e outros programas municipais na área da saúde, mediante equipe multidisciplinar formada por odontólogo, fisioterapeuta, psicólogos, fonoaudiólogo, vigilante sanitário e agentes de saúde; b) Município de Cacique Doble: serviços nas áreas de saúde e assistência social, com a disponibilização de odontólogo, enfermeiros, auxiliares em enfermagem, assistente social, agentes de saúde; c) Município de Charrua: atendimento em programas de saúde municipal, mediante equipe multiprofissional, formada por: médicos clínico geral; odontólogos; médico ginecologista, psicólogo, enfermeiros e técnicos em enfermagem; d) Município de Lagoa Vermelha: prestação de serviços médicos; e) Município de Machadinho: prestação de serviços em saúde, visando o atendimento dos programas PSF e outros, através de equipe multiprofissional, formada por: médicos, odontólogos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, auxiliares de enfermagem, veterinário, agentes comunitários de saúde, atendentes de gabinete odontológico, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, biólogo, farmacêutico, auxiliares de vigilância sanitária, assistente social, pedagogo, auxiliares administrativos e serviços gerais; f) Município de Paim Filho: prestação de serviços na execução do Programa de Saúde da Família, com a disponibilização de médico, fisioterapeuta, assistente social, fonoaudiólogo, farmacêutico, odontólogo e agentes comunitários de saúde; Fl. 19732DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 g) Município de São José do Ouro: execução de serviços na área da saúde com disponibilização de consultas médicas e exames; h) Município de Tupanci do Sul: disponibilização de profissionais nas áreas de assistência social, fisioterapia, enfermagem, nutrição e digitação; i) Município de Santo Expedito do Sul: disponibilização de médico, enfermeiro, psicólogo, fisioterapeuta, psicopedagogo, odontólogo, assistente social e agentes comunitários de saúde; j) Município de André da Rocha: prestação de serviços por médico clínico geral; k) Município de Monte Alegre dos Campos: prestação de serviços por médico, visando ao atendimento do programa Estratégia de Saúde na Família ESF; l) Município de São José da Urtiga: prestação dos serviços de assistente social, psicóloga, nutricionista e professor de educação física; m) Município de Encruzilhada do Sul: prestação de serviços visando atender de forma complementar as necessidades existentes na secretaria municipal de saúde de acordo com o projeto básico; n) Município de Bom Jesus: prestação de serviços privados de assistência à saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), de forma complementar, mediante agentes comunitários de saúde, agente da dengue, técnico em higiene dental, atendente de saúde, enfermeiro, nutricionista, odontólogo, psicólogo, técnico em enfermagem, terapeuta, vigilante noturno e higienizadoras, além de serviços de profissionais médicos e farmacêuticos; o) Município de São Leopoldo: serviços de assessoria para estabelecimento de relações institucionais e empresariais com cidade chinesa e para atuação no Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal; p) Município de Garibaldi: prestação de serviço na área médica; q) Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Taquari – Consisa VRT: prestação de serviços junto ao SAMU, com equipe de 5 médicos, 5 enfermeiros, 5 condutores, 25 técnicos de enfermagem e 25 condutores de unidade básica; s) Município de Fazenda Vila Nova: prestação de serviços no programa ESF, mediante médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, odontólogo e atendente de consultório odontológico; t) Município de Poço das Antas: complemento ao atendimento de saúde do município relacionado aos usuários do Sistema Único de Saúde, com a contratação de médico auditor; u) Município de Teutônia: complemento ao atendimento de saúde do município com cobertura de toda rede básica exclusivamente aos usuários do Sistema Único de Saúde; v) Município de Campestre da Serra: complemento ao atendimento de saúde do município com cobertura de toda rede básica exclusivamente aos usuários do Sistema Único de Saúde; Fl. 19733DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.728 13 w) Município de Bento Gonçalves: estes são os maiores contratos em termos de cessão de mãodeobra e de valores envolvidos. Eram distribuídos nas áreas de saúde, assistência social e educação. Ressaltese que há situações em que a recorrente não cedia diretamente os trabalhadores, mas subcontratava empresas de trabalhos médicos, sendo que em um caso foi contratada uma cooperativa de trabalho. Os autos revelam que, na maioria das contratações, os contratantes utilizavamse de empregados formalmente vinculados por relação de emprego à Fundação. Esses trabalhadores atuavam na prestação de serviços que normalmente deveriam ser executados por servidores municipais. A caracterização da cessão de mãodeobra é clara, posto que a autuada colocava trabalhadores em locais definidos pelas contratantes para atuar em atividades que consistiam em necessidade permanente destas. O conceito de cessão de mãodeobra, estampado no § 3. do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, abarca perfeitamente as situações encontradas pelo fisco. Eis o dispositivo: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). (...) §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (...) Da lista de profissionais cedidos, que vai de médicos até digitadores, percebe se que a Fundação Araucária era contratada para suprir necessidades de pessoal dos tomadores, em áreas típicas da administração municipal, como é o caso da saúde, assistência social e educação. A caracterização da cessão de mãodeobra, ao contrário do que afirma a recorrente, independe do fato dos trabalhadores serem diretamente dirigidos pelo tomador de serviços, mas decorre da utilização dessa força de trabalho para realizar, na sede da contratante ou em local por ela designado, atividades que constituem em necessidade contínua da contratante. Fl. 19734DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Não tem plausibilidade a afirmação da recorrente de que os serviços de atendimento em hospitais não são contínuos, posto que cada paciente atendido representa uma tarefa independente e eventual. Essa tese, data vênia, é absurda. O atendimento médico deve estar à disposição da população de maneira ininterrupta, independentemente de haver ou não pessoas dele necessitando, portanto, jamais há de se cogitar que essa atividade possa ser entendida como eventual. O que importa é que os trabalhadores estavam à disposição do contratante durante o período estabelecido no ajuste firmado com a Fundação. Tendose concluído que a recorrente firmou contratos para a prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra, o próximo passo é aferir se esse tipo de atividade representa desvio de finalidade que possa levar a suspensão da isenção tributária. Desvio de finalidade Citaremos os dispositivos que o fisco entendeu terem sido violados em razão do suposto desvio de finalidade dos objetivos estatutários da recorrente. A Lei n.º 8.212/1991 previa em seu art. 55: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) (...) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). (Vide ADIN nº 2.0285) (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Quanto à MP n. 446/2008, são invocados: Art.28.A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) IIIaplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; (...) Fl. 19735DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.729 15 VIII não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; (...) Da Lei n. 12.101/2009, foram invocados os seguintes dispositivos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) II aplique suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; (...) V não distribua resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto; (...) Para fundamentar o seu entendimento quanto à ocorrência de desvio de finalidade em razão da prestação de serviço por cessão de mãodeobra, a autoridade lançadora foi se valer do Parecer/CJ/MPS n. 3.272/2004, segundo o qual as entidades em gozo da isenção somente podem autuar nesse tipo de prestação de serviço de forma incidental e, desde que a representatividade dos trabalhadores envolvidos na execução contratual seja diminuta em relação à totalidade dos empregados da entidade. Vale a pena transcrever a ementa do citado Parecer: ASSUNTO: Isenção previdenciária de entidades que fazem cessão de mãodeobra. EMENTA: Previdenciário e Assistencial. Isenção das contribuições para a Seguridade Social. Art. 55 da Lei Nº 8.212/91. Cessão de mãodeobra. 1. Somente poderão realizar cessão de mãodeobra, sem perder a isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber: caráter acidental da cessão onerosa de mãodeobra em face das atividades desenvolvidas pela entidade beneficente; e mínima representatividade quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente. 2. As entidades que fazem cessão de mãodeobra sem atentar para um destes dois critérios, na forma descrita no corpo do presente parecer, violam a exigência do inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91 e não fazem jus à correspondente isenção. Cabe destacar que esse Parecer, aprovado pelo Ministro da Previdência Social e publicado no DOU de 21/07/2004 vincula, além dos órgãos do próprio Ministério, os órgãos autônomos e entidades vinculadas, no caso o INSS. Fl. 19736DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Registrese que esse ato com força normativa continua aplicável à fiscalização das contribuições previdenciárias, em razão do inciso III do art. 48 da Lei n. 11.457/2007, que determina que permanecem em vigor os atos normativos emanados pelo MPS, relativos à administração das contribuições sociais, enquanto não modificados pela RFB. O teor do relato do fisco não deixa dúvidas de que a prestação de serviços da recorrente para os municípios não era eventual, tendo se verificado no período de 2004 a 2011 a celebração de contratos e renovações, tornando a atividade de cessão de mãodeobra a principal fonte de receitas da entidade. Observase ainda que para fazer frente a essa demanda de serviços provocada pela terceirização de atividades dos municípios gaúchos, a Fundação teve que contratar trabalhadores, conforme se observa dos demonstrativos apresentados pelo fisco. Fica claro que a cessão de mãodeobra não se deu mediante a utilização de força de trabalho ociosa da entidade, mas mediante o ingresso de novos trabalhadores, especificamente para atuar nas execuções dos contratos com as municipalidades. Essa prática não é exclusiva da entidade autuada. O próprio Parecer n. 3.272/2004 acusa a existência de movimento de governos municipais e estaduais no sentido de contratar mãodeobra mediante entidades beneficentes de assistência social isentas de contribuição para a Seguridade Social. Transcrevamos excerto que trata do tema: “3. O consulente afirma que alguns governos municipais e estaduais estão contratando mãodeobra por intermédio de entidades beneficentes de assistência social isentas de contribuição para a seguridade social, o que configura nova modalidade de elisão fiscal. Segundo ele, nestes contratos os entes públicos repassam às entidades isentas o total da folha de pagamentos mais encargos (sem o valor da cota patronal do INSS) mais uma taxa de administração de 10%. Cita, nesse sentido, o contrato celebrado entre a Prefeitura de Maringá e a Santa Casa de Misericórdia de Maringá.” Verificase que os contratos de cessão de mãodeobra têm como principal objetivo favorecer os municípios contratantes, que acabam sendo os beneficiários da isenção concedida à entidade contratada. Isso é um claro desvirtuamento da finalidade da benesse concedida pelo § 7. do art. 195 da Carta Magna. A razão dessa desoneração constitucional é favorecer as entidades que atendem a pessoas carentes, para que possam auxiliar o Estado na missão de minorar os efeitos da desigualdade social vigente em nosso País. Podese dizer que o Estado abre mão das contribuições para favorecer determinadas pessoas que atuam em colaboração com o poder público no atendimento aos mais necessitados. Esse favorecimento, todavia, quando utilizado para propiciar a redução da carga tributária de terceiros, transformase em inadmissível burla da vontade do legislador constitucional, caracterizando desvio de finalidade daqueles que detêm a imunidade para desenvolver atividades voltadas às pessoas menos aquinhoadas. Vejase que, conforme o entendimento do mencionado Parecer, não se está fechando as portas para todas as situações. Ali se admite a prestação de serviços por cessão de mãodeobra para os casos em que esta atividade ocorre de forma pontual e a quantidade de trabalhadores cedidos aos tomadores é ínfima em relação ao quantitativo de empregados da entidade cedente. Fl. 19737DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.730 17 Mas esse não é o caso da Fundação Araucária. Ali, a partir de 2004, iniciou se um processo de captação de recursos via prestação de serviços aos municípios, em que estes obtendo trabalhadores para as suas atividades essenciais (saúde, educação e assistência social) mediante contratação da Fundação na condição de cedente de mãodeobra, passaram a se beneficiar da condição de isenta da prestadora, provocando desfalque nos já combalidos cofres da Seguridade Social. O argumento de que as receitas decorrentes da cessão de mãodeobra seriam imprescindíveis à sobrevivência das atividades fins da recorrente é falaciosa. O Estado, que já contribui mediante renúncia fiscal direcionada às entidades beneficentes para a manutenção de suas atividades, não pode ser chamado mais uma vez a arcar com as contribuições dos terceiros que venham a contratar mãodeobra intermediada pelas pessoas imunes. A se chancelar esse proceder, estarseia decretando o fim do segmento de prestação de serviço, posto que as empresas certamente iriam preferir a contratação com as entidades isentas, que forneceriam os seus serviços a menor custo, em razão do benefício fiscal. Isso levaria a um flagrante desrespeito ao princípio constitucional da livre concorrência e, no caso dos municípios, atropelo ao princípio do concurso público, posto que os empregados cedidos desempenham atividades típicas de servidores municipais. Observese que tanto a MP n. 446/2008, quanto a Lei n. 12.101/2009, ao tratar dos requisitos para isenção utilizam a sentença “apliquem suas rendas, seus recursos e eventual superávit no território nacional, na manutenção dos seus objetivos institucionais”. Quando se fala em superávit o termo vem antecedido do qualificador “eventual”, o que nos leva ao entendimento de que a atividade normal das entidades não comporta negócios voltados ao lucro, isso podendo ocorrer apenas de forma acidental. Essa conclusão coincide com aquela esposada no Parecer n. 3.27/2004. Entendemos, assim, que a habitual prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra é motivo que leva a suspensão da isenção da recorrente, em razão do desvio de sua finalidade institucional. Escrituração contábil O fisco acusa a entidade de ter deixado de preparar a sua escrita contábil em conformidade com o que determina a legislação aplicável. Cita a seguinte base legal: MP n. 446/2008, são invocados: Art.28.A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) VIImantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com os princípios contábeis Fl. 19738DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 geralmente aceitos e as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; (...) Da Lei n. 12.101/2009, foram invocados os seguintes dispositivos: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) IV mantenha escrituração contábil regular que registre as receitas e despesas, bem como a aplicação em gratuidade de forma segregada, em consonância com as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade; (...) Alega a autoridade lançadora que a entidade, nos exercícios de 2008 a 2011, tentava ocultar suas receitas e despesas decorrentes da cessão de mãodeobra , mediante o artifício de lançar os valores recebidos dos municípios diretamente em contas do Passivo, registrando nas contas de resultado apenas a taxa de administração destinada a remuneração pelos serviços prestados. Asseverase que, procedendo dessa forma, a Fundação desobedeceu as normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade, merecendo ter sua isenção suspensa. Eis as palavras utilizadas no relatório fiscal: “Somente com uma auditoria apurada, analisando balancetes e livros diário e razão, é possível chegar a receita real da Fundação. Apenas analisando os demonstrativos contábeis publicados pela Fundação chegaríamos a uma visão diminuta da real obtenção de receitas por parte da Fundação e em consequência de suas despesas.” A recorrente afirma que até 2007 efetuava a escrituração dos valores decorrentes de prestação de serviço aos municípios em contas de receitas e despesas, as quais transitavam pelo resultado do exercício. A partir do exercício de 2008, passou a escriturar as receitas e despesas com a cessão de mãodeobra em contas do ativo e do passivo, lançando nas contas de resultado apenas a taxa de administração. Afirma que no exercício de 2007 seguiu os ditames da Resolução CFC n. 1.026, de 15/04/2005. Assevera que essa Resolução foi revogada pela Resolução CFC n. 1.143/2008, que passou a dar outra interpretação a forma de registro dos valores subvencionados. A partir desse exercício passou a registrar os valores conforme diretriz da Norma Brasileira de Contabilidade NBC T – 10.19, aplicável às entidades sem fins lucrativos, conforme determina o item 10.19.2.6 de que “As receitas de doações, subvenções e contribuições, recebidas para aplicação específica, mediante constituição ou não de fundos, devem ser registradas em contas próprias, segregadas das demais contas da entidade”. Assevera a recorrente que o seu setor contábil interpretou que deveria contabilizar os convênios debitando o Ativo pelo depósito dos valores, creditando o Passivo pelo compromisso com terceiros e a taxa administrativa era creditada na Receita. Fl. 19739DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.731 19 Para a Fundação, ocorreu apenas divergência da forma como deveriam ser escriturados os valores decorrentes da prestação de serviço, mas, nunca houve omissão de registros, mesmo porque o fisco pode efetuar a sua auditoria com base nos livros e demonstrativos contábeis. Vamos aos fatos. Percebese do gráfico apresentado peço fisco à fl. 118, a gritante diferença entre a receita real recebida pela Fundação e a receita escriturada na demonstração do resultado do exercício. É de se notar que alegação da recorrente para justificar o procedimento equivocado que adotou é por demais frágil. É que o item 10.19.2.6 da NBC T 10.19 referese ao registro de receitas, subvenções e contribuições recebidas para aplicação específica, as quais, é óbvio, deveriam ser alocadas em constas próprias, para não se confundirem com as demais contas da entidade. Todavia, a norma a ser aplicada nas receitas advindas de prestação de serviços é o item 10.19.2.4 e 10.19.2.5, as quais merecem transcrição: 10.19.2.4 As receitas de doações, subvenções e contribuições para custeio ou investimento devem ser registradas mediante documento hábil. 10.19.2.5 Os registros contábeis devem evidenciar as contas de receitas e despesas, superávit ou déficit, de forma segregada, quando identificáveis por tipo de atividade, tais como educação, saúde, assistência social, técnicocientífica e outras, bem como, comercial, industrial ou de prestação de serviços. Assim, verificase que a entidade, ao registrar as suas receitas e despesas decorrentes da prestação de serviços em contas do ativo, descumpriu as normas contábeis aplicáveis ao terceiro setor, falseando a demonstração dos seus resultados no período de 2008 a 2011. Tem razão o fisco, quando dá a essa desconformidade a consequência de suspensão da isenção da entidade. Aquisição do Hospital São Paulo Assevera o fisco que em 2006, a Fundação assinou contrato de promessa de compra e venda com o Hospital São Paulo, localizado em Lagoa Vermelha (RS), o qual teria sido adquirido por um custo supervalorizado com pagamento de juros exorbitantes. Esse argumento não deve prosperar. É que não há comprovação de que tenha havido dolo das partes na concretização desse negócio jurídico. Em nenhum momento o fisco apresentou algum laudo ou outro elemento hábil demonstrar a ocorrência de artifício para que essa compra se revestisse de prejuízo ao patrimônio da entidade. Demais disso, essa compra foi objeto de demanda judicial para revisão do contrato, a qual foi encerrada mediante acordo judicial, em que o Juiz que o homologou reconheceu que a justeza do preço firmado. Fl. 19740DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Afastase, portanto, o argumento fiscal da existência de transferência de patrimônio e rendas da Fundação a terceiros no negócio relativo à aquisição do Hospital São Paulo. Remuneração de trabalhadores e clínicas O fisco aponta a distribuição disfarçada de patrimônio e renda da recorrente, mediante o pagamento de remunerações a trabalhadores e a pessoas jurídicas, empresas médicas, em valores acima do praticado no mercado. São apontados aumentos salariais nos exercícios de 2010 e 2011, que o fisco considerou como significativos, concluindo pela existência de irregularidade. As pessoas beneficiadas assumiam os cargos de contador, superintendente, superintendente adjunto, diretor técnico. Afirmase ainda que o diretor técnico também recebeu remuneração como autônomo e além de que o salário do diretor administrativo não teve aumentos tão significativos quanto os demais, concluindo que houve distribuição disfarçada de patrimônio e rendas da Fundação para aqueles que se beneficiaram dos maiores aumentos salariais. Para o fisco, outra forma de transferência disfarçada de patrimônio foram os valores percebidos pelo empregado Lídio Bassini, a título de ajuda de custo e diárias para viagem, durante o período de 2008 a 2011. A entidade alegou que o aumento das suas atividades com a celebração de contratos com os municípios provocou necessidade de reajustes salariais, em razão de aumento da carga de trabalho e da responsabilidade dos gestores. Sustenta que o fisco não apresenta parâmetros para comparar os salários que pudessem evidenciar o pagamento de valores acima dos praticados no mercado, além de que o maior salário apontado, relativo ao superintendente da Fundação, foi de R$ 8.000,00. Este valor, afirma, não pode ser tratado como um supersalário, mostrandose compatível com o grau de comprometimento exigido pelo cargo. Afirma que o seu diretor técnico, além desse cargo, também presta serviço à Associação Hospitalar como médico, o que justifica os pagamentos que lhe foram feitos trabalhador autônomo. Assevera a recorrente que os valores pagos ao Sr. Lídio Bassani referemse a pagamentos relativos a ajuda de custo, diária e reembolso em razão de mudança do local de trabalho, não podendo ser tratadas como distribuição de patrimônio. Malgrado o esforço despendido pelo fisco para comprovar que alguns pagamentos de remuneração consistiram em fraude ao patrimônio da entidade, não conseguimos vislumbrar as irregularidades. As justificativas apresentadas pelo sujeito passivo para concessão de aumentos salariais são factíveis e, ao nosso ver, podem ser sim creditadas ao aumento de trabalho e responsabilidade decorrente do acréscimo das atividades da Fundação, em razão da crescente prestação de serviços aos municípios. Ao nosso ver, o mero reajustamento de salários, que sequer se mostraram exorbitantes não pode servir de sustentáculo para a grave acusação de distribuição disfarçada de patrimônio e renda da Fundação Araucária. Fl. 19741DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.732 21 Quanto aos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas, clinicas médicas, o fisco acusa que houve distribuição de patrimônio da entidade, baseado em três constatações: as remunerações são elevadas quando comparados a outros empregados, as clínicas se utilizaram se de salas do Hospital São José e o contador das clínicas é o mesmo da Fundação. A recorrente aduziu que não há comprovação de que houve distribuição de patrimônio, porque os serviços foram efetivamente prestados, a cessão de salas é uma estratégia para manter os profissionais trabalhando para o Hospital e não há norma que proíba que o contador da Fundação preste também serviço às clínicas. Afirma ainda que a contratação de clínicas se deu em razão de alguns médicos não demonstrarem interesse em firma vínculo de emprego. Sustenta ainda que é prática comum nesse segmento que os pagamentos sejam efetuados nas contas bancárias dos titulares das empresas, não havendo irregularidade quanto a esse fato, posto que há pessoas jurídicas que sequer possuem contas. Também não vislumbramos nos pagamentos às clínicas as irregularidades apontadas pelo fisco. Para que se pudesse afirma com precisão que houve distribuições disfarçada de patrimônio, deveria o fisco ter demonstrado que houve pagamentos sem que tenha ocorrido a prestação dos serviços. Isso não ficou claro nos autos. O fisco apenas comparou a remuneração das clínicas com a de outros segurados, no entanto, não vinculou o valor recebido à quantidade de atendimentos efetuados pelos prestadores. Para se aferir o valor do trabalho uma clínica médica é imprescindível que se verifique o quantitativo de procedimentos que foram efetuados. Isso o fisco efetivamente não apresentou. A justificativa da Fundação para ceder espaços no Hospital para atuação dos profissionais, parecenos plausível. Todos sabem as dificuldades do mercado em contratar determinados especialistas na área médica. Não é novidade para ninguém que o Governo Brasileiro está em plena campanha para incentivar a vinda de profissionais estrangeiros, em razão da dificuldade em se obter médicos em determinadas especialidades. Afastase assim a suposta distribuição indevida de patrimônio em razão da contratação de clínicas médicas. Despesas desnecessárias O fisco elencou diversas despesas que teriam sido suportadas pela Fundação, que seriam supérfluas e não relacionadas com a sua atividade. Eis o que mencionou o auditor: “A Fundação arcou com as seguintes despesas (anexo 14): valores expressivos com restaurantes; churrascaria; curso de odontologia da Caroline Vicari; jantar em pizzaria; viagem a Brasília para FM São José do Ouro; vinhos finos; diárias de valor expressivo em hotel; evento na AABB “regado” a cerveja; patrocínio de rodeio nacional; pagamentos do conselho regional de enfermagem. Todas essas despesas elevadas são completamente desnecessárias, não fazendo parte da assistência social. Fl. 19742DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 A Fundação, a partir de 2011, repassou R$ 5.000,00 mensais para o Clube Esportivo de Bento, conforme anexo 16. Tratase de equipe profissional de futebol. O contrato foi entregue pela Fundação e encontrase no anexo i do termo de intimação fiscal 05. Flagrante desvio de finalidade na aplicação dos recursos da Fundação.” A recorrente apresentou justificativas para as realização das despesas, alegando que a maior parte delas foram efetuadas em restaurantes em eventos onde participaram seus empregados, a exemplo de confraternização, comemorações de aniversário da entidade e eventos de encerramento de cursos de capacitação. Quanto ao pagamento de curso de odontologia para Carolina Vicari, a recorrente afirmou que a beneficiária é filha de médico que lhe presta serviço e que os valores em questão foram abatidos dos honorários relativos aos serviços médicos. Quanto ao patrocínio de clube de futebol, a entidade, comprovou mediante recibo que os valores foram destinados a despesas com adolescentes integrantes das divisões de base. A bem da verdade, a maioria das justificativas veio desacompanhada dos documentos que pudessem comprovar a sua veracidade. Todavia, entendemos que apenas essas despesas não seriam suficientes para suspender a imunidade da recorrente em razão de se tratarem de poucos casos e em valores insignificantes se olharmos para todo o período auditado. Os valores envolvidos são diminutos se comparados à movimentação financeira da Fundação. Decadência No presente processo não há o que se falar em decadência para competências do ano de 2007, haja vista que o período das lavraturas tem início em 01/2009. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto ao pedido para sustação da Representação Fiscal Para Fins Penais, é matéria que não cabe a esse colegiado se pronunciar, nos termos da Súmula CARF n. 28: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Da desconsideração apenas dos contratos irregulares Considerandose que os motivos que nos levaram a concluir favoravelmente à suspensão da isenção da recorrente foram o desvio de finalidade, em razão da prestação habitual de serviços mediante cessão de mãodeobra, e as irregularidades contábeis, não há como acatar o pedido do sujeito passivo para que a exigência fiscal ficasse restrita aos contratos supostamente irregulares. É que o desvio de finalidade e a irregularidade nos registros contábeis compromete o reconhecimento da isenção para a entidade como um todo, não havendo possibilidade de afastar a isenção de forma parcial. Conclusão Fl. 19743DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.722197/201242 Acórdão n.º 2401003.082 S2C4T1 Fl. 19.733 23 Mesmo tendo afastado algumas das razões apresentadas pelo fisco para suspender a isenção da recorrente, deve ser mantida a decisão da DRJ, reconhecendose que a ocorrência de desvio de finalidade representada pela prestação habitual de serviços com cessão de mãodeobra e a apresentação da escrituração contábil em desconformidade com as normas emanadas do CFC, são causas a justificar a suspensão da isenção da Fundação Araucária. Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 19744DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11080.001426/2005-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA.
A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita.
RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3802-001.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Solon Sehn.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 14 26 /2 00 5- 77 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.001426/200577 Acórdão n.º 3802001.868 S3TE02 Fl. 193 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente o Conselheiro Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Braslumber Ind. de Molduras Ltda. contra Acórdão nº 1020.345, de 17 de julho de 2009 (fls. 136 a 137), proferido pela 2ª Turma da DRJ/Porto AlegreRS, que manteve o indeferimento parcial (R$ 180.673,91) do direito creditório pleiteado relativo ao saldo credor de COFINS nãocumulativa vinculado a receitas de exportação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento/compensação, relativo ao saldo credor de COFINS não cumulativa. O interessado discorda da glosa parcial, oriunda do não oferecimento à tributação das receitas decorrentes de transferências de créditos do ICMS a terceiros e de recuperação de despesas. Alega que os créditos de ICMS, transferidos a seus fornecedores para o pagamento de matérias primas adquiridas, se tratariam de um complexo benefício fiscal, visando o incremento das exportações brasileiras, o que não seria sinônimo de faturamento da empresa. Acrescenta que o crédito de ICMS acumulado, por não lhe ser disponibilizado financeiramente, “transmudase” em um ativo de natureza financeira, não podendo ser configurado como receita. Sustenta, ainda, que a tributação dos referidos créditos como receita, ofenderia a imunidade conferida pelo artigo 149 da Constituição Federal às receitas decorrentes de exportações. Para embasar sua argumentação, cita e transcreve doutrina e jurisprudência. Quanto à inclusão das receitas decorrentes de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições, alega que tais valores não constituiriam sua receita, pois seriam valores retificadores de custo, motivo pelo qual não haveria lógica no seu oferecimento à tributação. Novamente cita doutrina e jurisprudência que lhe julga ser favorável. Ao final, requer a acolhida dos argumentos declinados em sua manifestação para que sejam homologadas na íntegra as Declarações de Compensação objeto do presente processo. A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e manteve o indeferimento parcial do direito creditório pleiteado em acórdão com a seguinte ementa: BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. As receitas decorrentes de recuperação de despesas não podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições PIS/Cofins, por falta de previsão legal. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.001426/200577 Acórdão n.º 3802001.868 S3TE02 Fl. 194 3 Da mesma forma, a cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8º e 9º da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Cientificado do referido acórdão em 14 de janeiro de 2010 (fl. 150), o interessado apresentou recurso voluntário em 12 de fevereiro de 2010 (fls. 151 a 173) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e estando o crédito em litígio (R$ 180.673,91) dentro do seu limite de alçada, e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Da base de cálculo da COFINS. Da cessão de crédito de ICMS A questão que se apresenta diz respeito à inclusão, ou não, da cessão de direitos de ICMS na base de cálculo da COFINS (apurada pelo regime nãocumulativo). A Lei nº 10.833, de 2003, traz atualmente as seguintes disposições de interesse: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.001426/200577 Acórdão n.º 3802001.868 S3TE02 Fl. 195 4 III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa, a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008). VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). Negritei. Em que pese a referência hoje expressa à exclusão da base de cálculo da parcela ínsita à transferência onerosa de créditos de ICMS originados de operação de exportação (art. 1º, §3º, VI, da Lei nº 10.833/2003), estabeleceuse uma celeuma acerca da exclusão ou não dessa parcela em relação a períodos anteriores à Medida Provisória nº 451, de 2008 – norma que incluiu o presente dispositivo, forte no argumento de que tal transferência de créditos de ICMS não se caracterizaria como receita da pessoa jurídica. A matéria já foi objeto de estudo pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais que, ao analisar o tema, proferiu a seguinte decisão: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.001426/200577 Acórdão n.º 3802001.868 S3TE02 Fl. 196 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 16/02/2005 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representativa de receita. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF, Acórdão n° 0203.783, 2ª Turma, Processo n° 13005.000684/200564 Recurso n° 202137.936, Sessão de 11 de fevereiro de 2009). Trilhando essa mesma linha, cito o acórdão 3202000.500, de 22 de maio de 2012 (3ª Seção, 2ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, relator Gilberto de Castro Moreira Junior), que, a par de referenciar a supracitada decisão da CSRF, cita também excerto do voto do Conselheiro Winderley Morais Pereira (acórdão 340300.708), que, ao meu ver, bem elucida a matéria: “A operação de transferência dos créditos ocorre normalmente com um repasse em valores ou mercadorias das empresas recebedoras dos créditos às empresas cedentes. Entendo serem os valores recebidos em razão das transferências destes créditos de ICMS, operações de alteração patrimonial, visto que, os créditos não utilizados se constituem em direitos da empresa. Ao ceder os créditos, o valor recebido substitui no patrimônio, o valor ocupado anteriormente pelos créditos a serem recuperados que foram objeto da transferência. Portanto, temos uma simples permuta de contas do ativo, não gerando receitas. Conseqüentemente, os valores recebidos nas operações de transferência não sofrem a incidência do PIS e da COFINS por sua natureza jurídica não se revestir de receita. .................................................” Tendo semelhante linha de raciocínio, vale a pena ainda destacarmos o acórdão 310101.147, de 26 de junho de 2012, Conselheiro Tarásio Campelo Borges: COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. REALIZAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. No regime da nãocumulatividade, a base de cálculo da contribuição é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A realização dos créditos do ICMS, por qualquer uma das formas permitidas na legislação do imposto, não constitui receita. Aqui é adotado como fundamento trechos da Decisão SRRF/3ªRF/Disit nº 47, de 11 de dezembro de 1998, abaixo transcritos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 5DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.001426/200577 Acórdão n.º 3802001.868 S3TE02 Fl. 197 6 Ementa: RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO DO ICMS. INCIDÉNCIA. O recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas e escrituradas pela empresa, e a recuperação de créditos do ICMS, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação específica, não constituem fato gerador para a Contribuição para o PIS/PASEP. Dispositivos Legais: Artigos 2° e 3° da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998. (...) FUNDAMENTOS LEGAIS A princípio, cumpre observar que, conforme dispõe o 3° do artigo 231 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 11/1/94 RIR/ 94, os impostos não cumulativos, recuperáveis mediante créditos na escrita fiscal, não integram o custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas na produção. Nesse sentido, sendo o ICMS nãocumulativo, os valores pagos na aquisição de matérias primas e mercadorias não integram o respectivo custo, constituem crédito compensável com o que for devido na saída subseqüente. Entretanto, ocorrendo a hipótese de não incidência na saída subseqüente com manutenção do direito ao crédito, caso das operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primários e produtos industrializados, fica inviabilizada a compensação pela sistemática usual, restando à empresa adotar as formas alternativas de recuperação do crédito disciplinadas pelo artigo 69 do Regulamento do ICMS. Mister se faz ressaltar que a recuperação de créditos do ICMS, escriturados em conta patrimonial representativa de direitos a recuperar, mediante qualquer das modalidades previstas na legislação de regência, constitui fato administrativo permutativo, uma vez que apenas modifica a composição dos bens e direitos integrados ao patrimônio, não altera a situação líquida da empresa. Da mesma forma, não altera o patrimônio líquido, o recebimento, em forma de créditos do ICMS, de direitos decorrentes de transações realizadas pela empresa, devidamente contabilizadas e computadas no resultado do exercício, por tratarse de fato administrativo permutativo. No mesmo sentido: CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS. A contribuição para o PIS não incide sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar, esta operação, de mera mutação patrimonial, que não representa obtenção de receita. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.001426/200577 Acórdão n.º 3802001.868 S3TE02 Fl. 198 7 (Processo nº 13052.000125/200327, acórdão nº 20218.714, de 12 de fevereiro de 2008 – unânime, 2º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, relator Antonio Zomer). PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação do Pis/Pasep, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. (proc. nº 11065.004719/200413, acórdão 380101.042, de 20 de março de 2012 unânime neste ponto, 3ª Seção, 1ª Turma Especial, relator José Luiz Bordignon) Colocando uma pá de cal nos debates, a matéria em epígrafe foi objeto de recente decisão do STF referente ao RE 606.107, julgado em 22 de maio de 2013 em regime de repercussão geral, consoante informe abaixo transcrito1: “Plenário: PIS e Cofins não incidem sobre transferência de créditos de ICMS de exportadores O Supremo Tribunal Federal (STF) negou provimento a um recurso da União em que se discutia a incidência de contribuições sociais sobre créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) obtidos por empresas exportadoras. No caso em discussão no Recurso Extraordinário (RE) 606107, uma empresa do setor calçadista questionava a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e do Programa de Integração Social (PIS) sobre créditos de ICMS transferidos a terceiros, oriundos de operações de exportação. No RE, que teve repercussão geral reconhecida pelo Plenário Virtual do STF, a União alegou, em síntese, que os valores obtidos por meio da transferência dos referidos créditos de ICMS a terceiros constituem receita da empresa. Esta receita não estaria abrangida pela imunidade tributária conferida às exportações, não havendo norma excluindo tais receitas da incidência do PIS/Cofins. Já segundo o argumento do contribuinte, tratase de valor que decorre de operações visando à exportação, constituindose apenas em uma das modalidades de aproveitamento dos créditos de ICMS, utilizada por aquelas empresas que não possuem operações domésticas em volume suficiente para o uso de tais créditos, sendo que as demais não são sujeitas à tributação. Relatora Segundo o voto da relatora do RE, ministra Rosa Weber, que negou provimento ao recurso, tratase no caso de empresa exportadora que não tinha como fazer o aproveitamento próprio dos créditos, possibilidade que lhe é assegurada pela Constituição Federal. “A Constituição Federal imuniza as operações de exportação e assegura o aproveitamento do imposto cobrado nas operações anteriores”, afirmou em seu voto. 1 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verJulgamentoDetalhe.asp?idConteudo=239174. Acesso em 18 de junho de 2013. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.001426/200577 Acórdão n.º 3802001.868 S3TE02 Fl. 199 8 A finalidade da regra, disse a ministra, não seria evitar a incidência cumulativa do imposto, mas incentivar as exportações, desonerando por completo as operações nacionais, e permitindo que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos. “Não desonerar o PIS e a Cofins dos créditos cedidos a terceiros, seria vilipendiar o artigo 155, parágrafo 2º, inciso X, da Constituição Federal. Se estaria obstaculizando o aproveitamento do imposto cobrado nas operações anteriores”, afirmou. A ministra também entendeu que os valores obtidos com a transferência dos créditos de ICMS a terceiros não constitui receita tributável, pois é mera recuperação do ônus econômico advindo da incidência do ICMS sobre suas operações, tratando se de uma recuperação de custo ou despesa tributária. Em seu voto, também foi refutado o argumento da União segundo o qual seria necessária a existência de norma tributária para afastar a incidência do PIS/Cofins sobre os créditos de ICMS em questão. A posição da ministra foi acompanhada pelos demais ministros da Corte, vencido o ministro Dias Toffoli, para quem a cessão dos créditos de ICMS a terceiros constitui operação interna, não havendo na Constituição Federal vedação para a incidência do PIS/Cofins.” Sublinhei. Dessa forma, forte nesses fundamentos, filiome à tese de que a cessão de créditos do ICMS não constitui receita tributável e, portanto, o seu valor não pode integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Da base de cálculo da COFINS. Da recuperação de despesas. Outra questão que se apresenta diz respeito à inclusão, ou não, da recuperação de despesas na base de cálculo da COFINS (apurada pelo regime nãocumulativo). Sobre esse assunto, trago à baila o acórdão nº 340300.912 assim ementado: COFINS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. NÃOCARACTERIZAÇÃO. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. (proc. nº 11080.011707/200708, acórdão 340300.912, de 8 de abril de 2011 unânime neste ponto, 3ª Seção, 4ª Câmara, 3ª Turma Ordinária, relator Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz) Do voto condutor desse aresto, extraio as seguintes passagens de interesse à presente questão: “Nota fundamental à caracterização de receita é a de se tratar de riqueza nova, consistente seja no acréscimo de novos direitos ao patrimônio do sujeito, seja na valorização de direitos nele já previamente existentes. Este aspecto do conceito, Fl. 8DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11080.001426/200577 Acórdão n.º 3802001.868 S3TE02 Fl. 200 9 todavia, não está presente nas situações em que a pessoa jurídica se limita a obter o reembolso de custos ou despesas previamente incorridos. Por todos, leiase em José Antonio Minatel: “(...) tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. (...) parece evidente que o valor recebido a título de reembolso equivale a um estorno de despesa anteriormente registrado, por se caracterizar em simples recomposição de valor patrimonial, não reunido qualquer dos atributos que permita aproximar o reembolso de despesa ao conceito de receita.” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 218/219) A redução do crédito pretendido em ressarcimento não deve prevalecer, portanto, no que decorra da inclusão, na base de cálculo do tributo, de valores pertinentes à recuperação de custos ou despesas.” Dessa forma, forte nesses fundamentos, entendo que os ingressos relacionados à efetiva recuperação de despesas não se qualificam como receita tributável e, portanto, não devem integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 9DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10865.002133/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2009
Ementa:
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO
A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, válido para as competências até 11/12008, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96.
A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa aplicada deve obedecer ao disposto no artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008 e no artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, para as competências de 12/2008, em diante.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2009 Ementa: COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, válido para as competências até 11/12008, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO A aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e se mostra mais benéfico ao contribuinte, válido para as competências até 11/12008, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 21 33 /2 00 9- 41 Fl. 381DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa aplicada deve obedecer ao disposto no artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008 e no artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, para as competências de 12/2008, em diante. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luiz Marsico Lombardi , Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10865.002133/200941 Acórdão n.º 2302002.419 S2C3T2 Fl. 280 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde, nas competências de 01/2004 a 04/2009. O Auto de Infração foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 1709/2009. O relatório fiscal de fls. 39/50, diz que os valores não foram informados em GFIP e às fls. 42/44, do próprio relatório, constam planilhas com a notas fiscais que serviram de base para o levantamento. Após a impugnação, Acórdão de fls.251/260 , julgou o lançamento procedente em parte para retificar valores nas competências 03/2005 e 05/2005. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) a prescrição parcial dos lançamentos; b) a inconstitucionalidade da exação lançada; c) que são os associados que efetuam os pagamentos, sendo a sociedade apenas uma repassadora de valores. Requer o arquivamento do auto de infração, posto que destituído de qualquer fundamento fático, legal e jurídico. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se ver que não há período decadente no presente levantamento, que compreende as competências de 01/2004 a 04/2009, porque o Auto de Infração foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 17/09/2009. Embora a recorrente tenha argüido a prescrição, é de se ver que na apreciação deste recurso não há que se falar ainda em prescrição, que só vai ocorrer após a constituição definitiva do crédito tributário. Por ora, o instituto a ser tratado é o da decadência que não se operou no caso em tela. Apesar da edição da Súmula Vinculante n° 08, é de se ver que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação. Assim, devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observar seá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito autuado, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, onde não se verifica período decadente, pois as contribuições relativas ao ano de 2004, podiam ser lançadas durante todo o exercício de 2009, como efetivamente ocorreu: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10865.002133/200941 Acórdão n.º 2302002.419 S2C3T2 Fl. 281 5 Quanto ao mérito, a presente autuação referese exclusivamente às contribuições concernentes aos valores pagos à cooperativa de trabalho, conforme determina o artigo 22, inciso IV da Lei n.º 8212/91, na redação que lhe foi dada pela Lei.n.º 9.876/99 Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A recorrente em suas razões recursais argúi a inconstitucionalidade do dispositivo legal. Informo a recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No tocante à multa aplicada no AIOP, é de se notar que o fisco ao promover a aplicação da multa, efetuou uma comparação entre a multa de 24%, prevista no artigo 35, inciso II, acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela multa imposta pela legislação vigente quando do lançamento, multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da lei n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, que do resultado se mostrou a multa de ofício, sendo então aplicada. Contudo, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10865.002133/200941 Acórdão n.º 2302002.419 S2C3T2 Fl. 282 7 Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, até a competência 11/2008, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário, e se mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Para as competências a partir de 12/2008 inclusive, está correta a aplicação da multa de ofício, em virtude do disposto no artigo 35A da Lei n.º 8.212/91, introduzido pela MP 449 de 03/12/2008, convertida, posteriormente, na Lei 11.941, de 27/05/2009. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para que a multa aplicada obedeça ao disposto no artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até a competência 11/2008 e no artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, para as competências de 12/2008, em diante. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/05/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.015113/2008-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovada inexatidão material devida a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes no Acórdão guerreado, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2802-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.772, de 14 de agosto de 2012, sem modificar sua parte dispositiva, nos termos do voto da relatora.
(assinatura digital)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinatura digital)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 11/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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LAPSO MANIFESTO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada inexatidão material devida a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes no Acórdão guerreado, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ACOLHER os embargos de declaração para reratificar o acórdão 2802001.772, de 14 de agosto de 2012, sem modificar sua parte dispositiva, nos termos do voto da relatora. (assinatura digital) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinatura digital) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 11/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 51 13 /2 00 8- 62 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, em face do 2802.001.772, proferido em 14 de agosto de 2012, de lavra desta relatora A embargante denuncia obscuridade no acórdão embargado, alegando que o voto condutor do acórdão embargado equivocouse ao afastar a glosa com a profissional Lia Cândido Castro no valor de R$180,00, uma vez que tal montante já tinha sido afastado pela primeira autoridade Com efeito, a contribuinte tinha por objetivo comprovar o dispêndio de R$360,00 com a profissional citada, sendo R$180,00 pagos em maio de 2006 e R$180,00 em novembro de 2006. A 1ª quantia foi comprovada por meio de recibo à fl 06 dos autos, que consigna pagamento por meio de cheque nominal de nº 213421 HSBCGO. Essa despesa foi acatada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Relativamente à 2ª quantia foi acostado aos autos canhoto de cheque de nº 392180. Por fim, requer o acolhimento dos embargos para esclarecimento das dúvidas mencionadas com possível efeito modificativo do julgado. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Ressalto que o que houve foi uma inexatidão material no 2802001.772, de 14 de agosto de 2012. Ao citar o recibo de fls. 68, emitido por Lia Cândido Castro no valor de R$180, 00, datado de 31 de maio de 2006, deveria esta relatora citar o canhoto cheque 392180, datado de 12/11/2006, fls. 67. Explico Ao analisar as provas apresentadas pela recorrente entendo que o canhoto cheque 392180, fls. 67, combinado com a argumentação contida no voluntário (argumenta que pagou a profissional Lia Cândida M de Castro – CPF 09170480168, o valor de R$340,00(2 consultas médicas) e a decisão recorrida acatou somente o valor de R$180,00, comprovado através de recibo, deixando a diferença (R$180,00. comprovado através de indicação do cheque nominal nº 392180, do Banco nº.399,agência 0546, c/c 139394, vencido em 12/11/2006.), são suficientes para esta relatora formar a convicção de que devese acolher a parte não acolhida em primeira instância. Daí o porque de invocar o princípio da verdade matéria e da adequada valoração das provas. Tanto é verdade no voto do acórdão embargado , está bem claro que o litígio gira em torno do valor de R$8.180,00, parte da glosa de despesas médicas. Do valor glosado R$11.760,00, em primeira instância foi acatado o valor de R$3.400, relativa a profissional Caroline Vieira e R$180,00 relativo a Lia Cândido Castro. Diante do exposto, voto por ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO para reratificar o acórdão 2802001.772, de 14 de agosto de 2012.sem portanto, modificar sua parte dispositiva. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10120.015113/200862 Acórdão n.º 2802002.385 S2TE02 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 11/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720024/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006, 2007
LUCRO LÍQUIDO. DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. CONTRIBUINTE.
O dever de escrituração contábil deve ser acompanhado da prova documental hábil e idônea dos fatos registrados na contabilidade, competindo ao contribuinte a prova dos custos e despesas lançados na determinação do lucro líquido contábil.
DESPESA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE NÃO CONFIGURADA. IMPOSSIBILIDADE.
A não comprovação da efetividade da prestação de serviços genericamente descritos como de assessoria e de consultoria prejudica a conexão dos pagamentos supostamente realizados com a atividade explorada ou com a manutenção da respectiva fonte de receita, caracterizando a desnecessidade da operação e, consequentemente, da despesa decorrente. As despesas que se revelarem desnecessárias à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 1202-001.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Carlos Mozart Barreto Vianna.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Carlos Mozart Barreto Vianna, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Gilberto Baptista.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2006, 2007 LUCRO LÍQUIDO. DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. CONTRIBUINTE. O dever de escrituração contábil deve ser acompanhado da prova documental hábil e idônea dos fatos registrados na contabilidade, competindo ao contribuinte a prova dos custos e despesas lançados na determinação do lucro líquido contábil. DESPESA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE NÃO CONFIGURADA. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação da efetividade da prestação de serviços genericamente descritos como de assessoria e de consultoria prejudica a conexão dos pagamentos supostamente realizados com a atividade explorada ou com a manutenção da respectiva fonte de receita, caracterizando a desnecessidade da operação e, consequentemente, da despesa decorrente. As despesas que se revelarem desnecessárias à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo da CSLL.
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DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. CONTRIBUINTE. O dever de escrituração contábil deve ser acompanhado da prova documental hábil e idônea dos fatos registrados na contabilidade, competindo ao contribuinte a prova dos custos e despesas lançados na determinação do lucro líquido contábil. DESPESA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE NÃO CONFIGURADA. IMPOSSIBILIDADE. A não comprovação da efetividade da prestação de serviços genericamente descritos como de assessoria e de consultoria prejudica a conexão dos pagamentos supostamente realizados com a atividade explorada ou com a manutenção da respectiva fonte de receita, caracterizando a desnecessidade da operação e, consequentemente, da despesa decorrente. As despesas que se revelarem desnecessárias à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006, 2007 LUCRO LÍQUIDO. DESPESAS OPERACIONAIS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. CONTRIBUINTE. O dever de escrituração contábil deve ser acompanhado da prova documental hábil e idônea dos fatos registrados na contabilidade, competindo ao contribuinte a prova dos custos e despesas lançados na determinação do lucro líquido contábil. DESPESA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE NÃO CONFIGURADA. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 24 /2 01 0- 23 Fl. 1910DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720024/201023 Acórdão n.º 1202001.008 S1C2T2 Fl. 3 2 A não comprovação da efetividade da prestação de serviços genericamente descritos como de assessoria e de consultoria prejudica a conexão dos pagamentos supostamente realizados com a atividade explorada ou com a manutenção da respectiva fonte de receita, caracterizando a desnecessidade da operação e, consequentemente, da despesa decorrente. As despesas que se revelarem desnecessárias à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro líquido para fins de determinação da base de cálculo da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Carlos Mozart Barreto Vianna. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Carlos Mozart Barreto Vianna, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Gilberto Baptista. Fl. 1911DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720024/201023 Acórdão n.º 1202001.008 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de autos de infração de Imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e Contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), referentes aos anoscalendário 2005 e 2006, lavrados em face da pessoa jurídica em epígrafe, com multa de ofício de 75% (fls. 1.225/1.242). Consoante descrito no Termo de verificação fiscal (TVF) (fls. 1.207/1.224), a pessoa jurídica é banco múltiplo, que opera nas carteiras Comercial, Investimento, Crédito, Financiamento, conforme art. 3º do seu Estatuto Social consolidado (fl.9). Após terem sido identificadas elevadas deduções de despesas a título de serviços contratados, a interessada foi intimada a comprovar a efetiva prestação de tais serviços e a realização dos pagamentos, através da apresentação dos contratos firmados, notas fiscais recebidas, com a descrição detalhada dos serviços, registros contábeis nos livros Diário e Razão, com identificação dos respectivos pagamentos, cópia dos pagamentos efetuados (cheques, TED, DOC e outros) e documentos correlatos. Em resposta, após sucessivas prorrogações do prazo para atendimento à intimação, a interessada teria se limitado a apresentar alguns contratos, os lançamentos contábeis das despesas em análise e algumas notas fiscais, todas com descrições genéricas como “assessoria” e “serviços de consultoria”. Em procedimento de “circularização”, foram intimadas as empresas prestadoras de serviços a apresentar talonários das notas fiscais utilizadas no período, descrição dos serviços prestados à interessada e documentos que demonstrassem que as receitas auferidas de pagamentos realizados pela interessada eram decorrentes de serviços efetivamente prestados. As respostas e documentos apresentados pelos prestadores foram similares ao apresentados pela interessada. Diante disso, a autoridade fiscal efetuou a glosa das despesas não necessárias, considerando que os documentos apresentados não eram idôneos nem hábeis a comproválas, nem atendiam aos requisitos de dedutibilidade das bases de cálculo dos tributos devidos, já que não fora demonstrada a conexão dos pagamentos supostamente realizados com a atividade explorada, nem com a manutenção da fonte de receita. Foram citados como enquadramento legal os arts. 249, inciso I, 251, parágrafo único, 264 e §§, 276. 299 e 923, todos do RIR/99. Na impugnação, a interessada alegou, em síntese, que: (i) em razão do objeto do seu negócio, haveria um critério de controle para fomentar suas carteiras, requerendo uma logística capaz de operacionalizar os créditos, empréstimos e financiamentos concedidos aos mutuários (clientes); (ii) para isso, foram contratados prestadores de serviços especializados em prospecção e captação de clientes, procedimento que seria “usual nas atividades financeiras de fomento de crédito pessoal e consignado”, a quem incumbia prospectar clientes, intermediar as operações com os clientes que contatava e encaminhar os documentos cadastrais dos mesmos; Fl. 1912DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720024/201023 Acórdão n.º 1202001.008 S1C2T2 Fl. 5 4 (iii) seus contratados eram comissionados, em regra, à razão de 5% (cinco por cento) do valor do negócio, pagos contra nota fiscal ou recibo, acompanhados de relatórios sobre os contratos intermediados; (iv) que a autoridade fiscal, após ter acesso à documentação afeta aos serviços prestados, ainda assim considerou desnecessárias à atividade fim da interessada as despesas a eles relacionadas, desprezando indevidamente os documentos apresentados por considerálos “desprovidos de aspectos formais capazes de comprovar a efetiva prestação de serviços”; (v) que o fornecedor Família Paulista Promotora de Vendas Ltda deixou de ser diligenciado, pela eminência de decadência, conforme o TVF, mas a fiscalização considerou que esta prestadora de serviços não comprovou o efetivo recebimento pelos serviços que realizou; (vi) não cabe a recomposição do prejuízo fiscal e da base de cálculo da CSLL e deve ser realizada diligência e perícia. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. Somente são admitidas, como operacionais, as despesas com prestação de serviços, quando efetivamente comprovada a sua realização, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de notas fiscais e documentos gerados pela própria interessada, mormente quando com descrição insuficiente dos serviços supostamente prestados. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 28/05/2012 (conforme AR, fl.1875), apresentou recurso voluntário ao CARF, em 26/06/2012 (fls.1877 e ss.), em que, após repisar as razões da impugnação, sustenta, em síntese, que, ao contrário do que entendeu o julgador, as provas apresentadas na peça impugnatória comprovam a efetiva realização das despesas e a sua necessidade em relação às operações praticadas pela recorrente, devendo ser analisadas à luz do princípio da verdade material, já que mera presunção não pode se sobrepor à verdades dos fatos. É o relatório. Fl. 1913DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720024/201023 Acórdão n.º 1202001.008 S1C2T2 Fl. 6 5 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso é tempestivo e conforme a legislação, devendo ser conhecido. A decisão recorrida manteve a autuação em função de glosa de despesas, considerando que, embora os serviços supostamente contratados (“assessoria” e “consultoria”) não prescindissem da produção de relatórios gerenciais e operacionais, a interessada não apresentou durante o procedimento fiscal, nem com a impugnação, qualquer documentação de emissão de uma das contratantes capaz de configurar a efetiva realização dos serviços, tendo apresentando apenas relatórios e telas de sistemas de informática que poderiam ter sido gerados por qualquer entidade, inclusive a própria interessada. A recorrente diverge desse entendimento por considerar que os documentos apresentados não apenas demonstram seu vínculo com os fornecedores que informa, como a natureza dos serviços contratados guardam relação direta com a atividade desenvolvida pela contratante. Nos termos da legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, as despesas operacionais, para serem consideradas legítimas, devem guardar natural e íntima relação com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora, tal como dispõem os arts. 249 e 299 do RIR/99, in verbis: Art.249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): Ios custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; ..................................... Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Diante disso, para fins de dedutibilidade da despesa na apuração do resultado tributável são exigidos os requisitos de necessidade e usualidade ou normalidade, observando que são necessárias as despesas essenciais para a consecução dos objetivos sociais, ainda que Fl. 1914DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720024/201023 Acórdão n.º 1202001.008 S1C2T2 Fl. 7 6 secundários, desde que vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos; são normais as despesas ordinariamente realizadas nas atividades e operações destinadas à manutenção da fonte produtora; e são usuais aquelas realizadas de maneira frequente ou habitual em determinado tipo de atividade ou operação. Dos dispositivos referidos se extrai, em síntese, que o legislador estabeleceu que a apuração do lucro operacional decorre da apuração do resultado das atividades que constituem objeto da pessoa jurídica, sendo dedutíveis na determinação do lucro real apenas os custos e despesas efetivamente comprovados, a partir de escrituração mantida com observância das leis comerciais e fiscais. Nesse sentido, a legislação tributária impõe que o dever de escrituração contábil deve ser acompanhado da prova documental hábil dos fatos registrados na contabilidade, para fins de apuração dos tributos devidos, consoante o disposto no RIR/99: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). .............................. Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). ............................... Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (destacouse) Em consonância com as normas contábeis e fiscais, todos os custos e despesas operacionais devem estar devidamente suportados por documentos hábeis e idôneos a comprovarem a sua natureza, a identidade do beneficiário, a quantidade, o valor da operação, dentre outros aspectos relevantes da operação. Vale destacar que, mesmo em situações em que a declaração de inidoneidade formal é prevista na legislação, ressalvase a presunção de idoneidade quando existe a comprovação, por parte do adquirente dos bens ou tomador de serviços, da efetividade da operação através de duas condições cumulativas: a) a efetivação do pagamento do preço Fl. 1915DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720024/201023 Acórdão n.º 1202001.008 S1C2T2 Fl. 8 7 respectivo e b) o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços, a teor do disposto no art. 82 da Lei nº 9.430/96 (fundamento legal do art. 217 do RIR/99). Cabe, assim, ao contribuinte o ônus de comprovar os lançamentos contábeis registrados, mediante documentação hábil e idônea que suporte os respectivos lançamentos e também justifique e ateste a dedutibilidade dos custos e despesas incorridos, incluindo a efetividade da prestação do serviço, nos termos da legislação de regência. Como se vê, em qualquer caso, o contribuinte tem a possibilidade de comprovar a validade do documento registrado em sua contabilidade, referente a uma aquisição de mercadoria ou serviço, desde que preencha os requisitos legais. Caso não seja comprovado, o custo ou a despesa não pode ser aceita para fins de reduzir a base de cálculo dos tributos e contribuições devidos. Aqui, não se trata de qualquer presunção, ao contrário do que entende a recorrente, mas de ônus probatório, que compete a quem pretende se beneficiar da prova – no caso, da redução da base de cálculo imponível. Nesse caso, a busca da verdade material não deve partir do julgador, mas do próprio interessado em fazer prova dos fatos ocorridos na vida real, em consonância com os deveres da vida em sociedade. Em se tratando de prestação de serviços, a comprovação da efetividade da operação é requisito absoluto de dedutibilidade, consoante jurisprudência mansa e pacífica do Primeiro Conselho de Contribuintes e do CARF, como se vê das ementas abaixo: FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO — INDEDUTIBILIDADE — Para que qualquer parcela seja dedutível na apuração do lucro real e do lucro liquido, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, mormente no caso de prestação de serviços. A descrição genérica de "prestação de serviços" é insuficiente. A indedutibilidade da parcela não está inibida pela possibilidade de que, com maiores averiguações, se poder constatar, inclusive, o evidente intuito de fraude na redução do lucro líquido, pela falsidade material ou ideológica da documentação, fato que imporia aí sim a qualificação da penalidade. (CSRF/0105.499, sessão de 20/06/2006) [...] IRPJ COMPROVAÇÃO DE DESPESA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Para que se reconheça a dedutibilidade de valores relativos à notas fiscais de serviços de intermediação por empresa de Empreendimentos e Participação, o contribuinte tem o ônus de comprovar com documento hábil e idôneo a efetiva prestação do serviço. Recurso negado. (Acórdão nº 10809087, sessão de 08/11/2006) IRPJ. CSLL Prestação de Serviços. Dedutibilidade. A prestação de serviços, descritos genericamente como "intermediação de negócios de corretagem", sem prova ou demonstração de sua efetiva execução, não justificam a sua dedutibilidade. (Acórdão nº 10322856, sessão de 25/01/2007) Fl. 1916DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720024/201023 Acórdão n.º 1202001.008 S1C2T2 Fl. 9 8 IRPJ. CSLL. PROVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. UTILIZAÇÃO DE IMÓVEL. RATEIO DE DESPESAS. A dedutibilidade de prestação de serviços rateados e do custo relativo ao uso de imóvel pressupõe a prova da efetiva realização dos serviços e da utilização do bem, não bastando a comprovação de que foram contratados, assumidos e pagos. Comprovada a utilização do imóvel locado, a dedutibilidade resta permitida. Lançamento improcedente. (Acórdão nº 130100372, sessão de 05/08/2010) No caso concreto, a desnecessidade da operação de prestação dos serviços de assessoria e, consequentemente, da despesa decorrente, resta evidenciada pelo conjunto dos fatos analisados, haja vista a não comprovação da efetividade da prestação dos serviços. Verificase que a recorrente firmou contratos de prestação de serviços, sob forma padronizada, com o objetivo de obter “assessoria comercial, mediante a promoção e a intermediação de negócios”, remuneração variável e prazo indeterminado, com as seguintes pessoas jurídicas: LTR Gerenciamento e Cobrança Ltda. Eduardo Furtado da Rocha CTS Empreendimentos e Serviços Ltda. RI Consultoria e Representação Comercial Ltda. Família Paulista Promotora de Venda Ltda. Para cada um deles, a recorrente juntou, com a impugnação, os contratos, notas fiscais de serviços e relatórios. Sobre a documentação juntada aos autos, a decisão recorrida fez constar as seguintes observações: (i) os relatórios e telas de sistemas de informática que podem ter sido gerados por qualquer entidade, inclusive a própria interessada; (ii) os contratos trazidos aos autos não qualificam as partes signatárias pelas contratadas, limitandose a fazer referência ao contrato social destas, que não foram apresentados; (iii) os supostos fornecedores não possuem relatórios, mensagens eletrônicas ou correspondências de emissão própria e dirigidas à interessada, tendo ocorrido até mesmo divergência entre documentos de uma fonte e de outra. No recurso voluntário, a recorrente insiste nas alegações da impugnação, questionando a conclusão dos julgadores de primeira instância sobre a documentação apresentada. Ocorre que, compulsandose os autos, não se localiza, qualquer documentação emitida pelas contratadas com a descrição detalhada dos serviços prestados, Fl. 1917DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720024/201023 Acórdão n.º 1202001.008 S1C2T2 Fl. 10 9 relação dos clientes e respectivos contratos supostamente intermediados, tampouco a troca de informações, ainda que informais, entre contratante e contratada, sobre a realização dos serviços, o que seria essencial para convencer o colegiado julgador sobre a efetiva prestação dos serviços. As notas fiscais apresentadas contêm apenas descrições genéricas e sucintas, tais como: “serviços de consultoria”, “serviços de consultoria comercial”, “serviços de análise de cadastro”, “serviços prestados” etc., o que reduz significativamente sua força probatória em casos como este. Além dos próprios contratos, notas fiscais e alguns comprovantes de pagamentos, apenas foram apresentados os relatórios gerados eletronicamente, denominados “RCC299 – Valores de Operações de Créditos Correspondentes”, contendo os seguintes dados: data da venda; CPF do cliente, número do contrato, valor (em R$) e comissão (em R$). Como bem observado na decisão recorrida, tal relatório não apresenta identificação do emissor e da data de sua emissão, podendo ter sido gerado por qualquer pessoa, inclusive, pela própria recorrente, o que parece ser verdade. Nesse caso, a emissão unilateral, pela própria interessada, sem a participação de terceiros, não permite que seja considerado um documento idôneo, e o desqualifica para fins probatórios. Com a pessoa jurídica Família Paulista Promotora de Venda Ltda., além daquele contrato padrão, ainda teria sido firmado um contrato de prestação de serviço de apoio à política de expansão do Banco (ora recorrente), a ser remunerado de forma fixa (30 parcelas de R$ 3.000,00 por mês), mediante a realização das seguintes atividades: a) Estudo de viabilidade econômica para implantação de lojas em Santo André e São Caetano do Sul, na região metropolitana da Grande São Paulo; b) Pesquisa de mercado de financiamentos nas referidas cidades, nas modalidades de crédito pessoal e crédito direto ao consumidor; c) Estudo logístico das instalações necessárias; d) Gestão e assessoria para montagem das lojas e contratação de pessoal; e) Acompanhamento dos serviços necessários à implementação dos objetivos, passando pela locação de espaços e consolidação das instalações físicas. Nesse caso, a demonstração da efetiva realização dos serviços contratados poderia ter sido efetuada pela apresentação de relatórios, estudos, planilhas e outros documentos relacionados ao mesmo, emitidos pela prestadora. Todavia, isso não ocorreu. A autoridade fiscal, em busca da verdade material, ainda realizou o procedimento conhecido por “circularização”, em que os fornecedores são intimados a apresentar a documentação referente aos serviços prestados. Mesmo nesse procedimento, cujo resultado, se positivo, beneficiaria a própria recorrente, tampouco se obteve sucesso, visto que os documentos apresentados não foram suficientes para demonstrar que “as receitas auferidas de pagamentos realizados pela interessada eram decorrentes de serviços efetivamente prestados”. Fl. 1918DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720024/201023 Acórdão n.º 1202001.008 S1C2T2 Fl. 11 10 Também corrobora a precariedade da documentação apresentada como prova dos serviços prestados o fato de que as notas fiscais emitidas pelos supostos prestadores eram praticamente sequenciais, o que denota que a recorrente teria sido a única cliente daqueles prestadores no período fiscalizado. Ademais, em alguns casos, como reconhece a própria recorrente, os pagamentos foram efetuados em nome da pessoa física dos respectivos sócios. Um exemplo verificase em relação ao prestador Eduardo Furtado da Rocha, que, embora tenha sido contratado como pessoa jurídica, recebeu como “representante comercial” (fl.1529). Tudo isso, analisado em conjunto, contribui para enfraquecer a força probante dos documentos apresentados pela defesa. O mesmo se aplica em relação à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, haja vista que despesas desnecessárias não são despesas operacionais, para fins de determinação do lucro líquido contábil, antes da apuração das provisões para o IRPJ e a CSLL. Sendo ônus do contribuinte comprovar a efetividade dos serviços contratados, concluise que a recorrente não se desincumbiu dele e, consequentemente, deixou de comprovar a necessidade das despesas respectivas, as quais foram deduzidas indevidamente do lucro real e da base de cálculo da CSLL. DISPOSITIVO Em razão do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1919DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11065.001087/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PETIÇÃO DESISTINDO DO RECURSO, COM EXCEÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. INTERPRETAÇÃO ATRIBUÍDA PELO ACÓRDÃO EMBARGADO.
Nos casos de aplicação de multa qualificada no percentual de 150%, este montante divide-se em duas partes, sendo um percentual de 75% decorrente do simples lançamento e outro percentual, também de 75%, devido em face da qualificadora.
O requerimento do contribuinte destacando que desiste do recurso para incluir o débito no REFIS, com exceção da multa qualificada, deve ser entendido como pretensão para inclusão do imposto devido, mais a multa de ofício exigida de forma simples, cujo percentual é de 75%.
Provido o recurso para afastar a multa qualificada e verificado que a multa de 75% foi transferida para o processo nº 10065-725.082/2012-11, não cabe a intimação do sujeito passivo para pagar a citada penalidade.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 1402-001.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão contida no acórdão embargado a fim de que dele conste a inexigibilidade da multa de ofício de 75%, por ter sido apartada dos autos e controlada no processo 11065.725082/2012-11.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Embargante DAIBY S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2004, 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PETIÇÃO DESISTINDO DO RECURSO, COM EXCEÇÃO DA MULTA QUALIFICADA. INTERPRETAÇÃO ATRIBUÍDA PELO ACÓRDÃO EMBARGADO. Nos casos de aplicação de multa qualificada no percentual de 150%, este montante dividese em duas partes, sendo um percentual de 75% decorrente do simples lançamento e outro percentual, também de 75%, devido em face da qualificadora. O requerimento do contribuinte destacando que desiste do recurso para incluir o débito no REFIS, com exceção da multa qualificada, deve ser entendido como pretensão para inclusão do imposto devido, mais a multa de ofício exigida de forma simples, cujo percentual é de 75%. Provido o recurso para afastar a multa qualificada e verificado que a multa de 75% foi transferida para o processo nº 10065725.082/201211, não cabe a intimação do sujeito passivo para pagar a citada penalidade. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para suprir a omissão contida no acórdão embargado a fim de que dele conste a inexigibilidade da multa de ofício de 75%, por ter sido apartada dos autos e controlada no processo 11065.725082/201211. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 10 87 /2 00 9- 41 Fl. 766DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 1402001.419 S1C4T2 Fl. 767 2 Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Em 20 de maio de 2009 a embargante foi autuada em face da glosa de despesas com remuneração de debêntures, circunstância que impactou na apuração do lucro nos anoscalendário de 2004 e 2005 (fl. 392/393). Conforme relatório fiscal e auto de infração que constam, respectivamente, das fls. 371/392 e 395/416, em função da irregularidade constatada indedutibilidade de despesas com remuneração de debêntures — as bases de cálculo das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL foram majoradas. Em conseqüência, ficou caracterizada insuficiência no recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, conforme quadro que consta das fls. 389/390, sendo aplicado os seguintes valores a título de multa isolada pela insuficiência do recolhimento das estimativas mensais: O lançamento deuse com exigência de multa qualificada (150%), cumulada com multa isolada. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 1402001.419 S1C4T2 Fl. 768 3 Na impugnação de fls. 416/443, a embargante impugnou a exigência do imposto devido e das multas isoladas acima especificadas. A DRJ, por meio do acórdão de fls. 450/469, julgou procedente o lançamento, sendo que esta decisão foi atacada pelo recurso voluntário de fls. 475/503, protocolizado em 20/11/2009 sustentando a inexigibilidade da CSLL, do IRPJ, da multa qualificada e da multa isolada. Em 20 de fevereiro de 2010 a recorrente protocolizou o recurso de fl. 508 informando que aderiu ao parcelamento para incluir "os créditos referentes ao imposto principal, juros e multa isolada de 50% que consta no item 9,1 do relatório fiscal." De forma expressa destacou permanecer em litígio a multa de ofício qualificada. Em 03/10/2010, isto é, antes do julgamento, a empresa protocolizou petição (fl. 530/532), destacando: a) Em 31/08/2010 lhe foi negado certidão positiva com efeitos de negativa por conta de débitos em aberto junto a este processo, sendo informada que as multas isoladas não poderiam ser incluídas no REFIS em razão do art. 5º, inc. III, da Instrução Normativa nº 1049, de 30/6/2010; b) Segundo consta no relatório fiscal, as multas isoladas teriam seus vencimentos para 24/06/2009, ao passo que as exações de IRPJ e de CSLL referemse os anos calendário de 2004 e 2005. Assim, o sistema eletrônico que consolida os débitos não aceitou a inclusão das multas isoladas de IRPJ e de CSLL no parcelamento, restando, pois, em aberto no conta corrente da empresa. c) Como o art. 1º, § 2°, da Lei n.° 11.941/09 dispõe apenas que as dívidas sejam vencidas ate 30/11/2008, logo, entendese que a Instrução Normativa n.° 1.049/10, superveniente a data da adesão ao parcelamento e a desistência parcial do presente processo administrativo, não pode restringir as multas isoladas de serem incluídas no parcelamento em questão. d) Portanto, vislumbrase ilegal a exclusão de tais débitos do parcelamento previsto pela Lei n.° 11.941/09, razão pela qual a Recorrente requer a reinclusão dos débitos referentes às multas isoladas de 50% no parcelamento. e) Caso não seja este o entendimento, imperioso que os débitos referentes às multas isoladas retornem à discussão do processo administrativo, uma vez que tais exações foram objeto de irresignação no recurso voluntário. Em 31 de março de 2011 o processo esteve em pauta junto a este Colegiado, sob a relatoria da Conselheira Albertina que decidiu: 1) por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação às exigências que foram parceladas; 2) por maioria de votos acolher o recurso para reduzir a multa de 150% para 75%. (acórdão de fls. 537/565). Examinando o acórdão de fls. 537/565, observo que a questão que diz respeito ao fato de que o sistema não aceitou a inclusão da multa isolada e o pedido da requerente para que tal questão fosse examinada não foi enfrentada no acórdão embargado. Todavia, para efeito do exame dos embargos tal questão parece ter sido equacionada em face Fl. 768DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 1402001.419 S1C4T2 Fl. 769 4 de requerimento de consolidação manual apresentado em 30/06/2011, conforme noticiado à fl. 606. À fl. 594 a embargante foi intimada para pagar os débitos apontados às fls. 595/596 (demonstrativo A multa de 75%), sendo informada que em relação aos de fls. 598 (demonstrativo B multa exonerada), devia aguardar a decisão do recurso especial. Diante da intimação acima a interessada apresentou os embargos de fls. 600/611, destacando que a multa de 75% foi incluída no parcelamento. O que permaneceu em litígio foi a qualificadora. Assim, no momento em que esta foi afastada a multa qualificada, não cabe a intimação da embargante multa já incluída no parcelamento. É o relatório. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 1402001.419 S1C4T2 Fl. 770 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, relator. Os embargos são tempestivos e, de forma precisa, apontam questão controvertida nos autos que não foi objeto de exame e decisão. Ao relatar os fatos, a ilustre relatora do acórdão embargado destacou (fls.553): a) Após a apresentação do recurso voluntário, a contribuinte aderiu ao programa de parcelamento de débitos de que trata a Lei 11.941/09, com a inclusão de parte dos débitos de que tratam o presente processo, ficando em litígio apenas a discussão da multa de oficio que corresponde a 150% do valor do 1RPJ e da CSLL (item 9.2 do relatório fiscal). b) Conforme Termo de Transferência de crédito tributário, de fls. 376/377 foi transferido para outro processo apenas o valor principal do IRPJ e da CSLL e a multa isolada. c) No item III.F, discute a impossibilidade de concomitância da multa de oficio qualificada de 150% com a multa isolada de 50% pela suposta insuficiência de recolhimento de estimativas. Após discorrer sobre essa matéria, concluiu restar demonstrada a impossibilidade de se cumular as multas, fato que ocasionaria o cancelamento da multa isolada por contarem as duas multas com a mesma base de cálculo e fato gerador do lançamento do tributo. (fl. 555) Do relatório, cujos principais pontos transcrevi, percebese que partindo da premissa de que os valores referentes ao IRPJ, a CSLL e a multa isolada tinham sido transferidos para outro processo para fins de parcelamento, não se enfrentou a questão relacionada à multa isolada, cujo sistema, nos dizeres da embargante, não havia permitido a sua inclusão, situação esta que tenho por superada em face do requerimento para consolidação manual protocolizado em 30/06/2011, cuja cópia veio aos autos com a petição de embargos. Dos fundamentos do voto da Conselheira Relatora colho o seguinte trecho, seguido da parte dispositiva: "De inicio devese delimitar o litígio, dado que a contribuinte parcelou parte dos débitos consubstanciados neste processo. A contribuinte se expressou no Anexo I do requerimento de desistência do recurso administrativo: Em relação aos créditos tributários lavrados no presente Auto de Infração, a requerente incluirá no parcelamento os créditos tributários referentes ao imposto principal, juros e multa isolada de 50% que consta no item 9.1 do relatório fiscal. Portanto, permanecerá em discussão e aguardando o julgamento da impugnação ao auto de infração a multa de oficio qualificada de 150% aplicada pela fiscalização, conforme item 9.2 do relatório fiscal. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 1402001.419 S1C4T2 Fl. 771 6 Portanto, a glosa das despesas com remuneração de debêntures não mais está em discussão. A exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas também não está em litígio. (...) Do exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso em relação as exigências que foram parceladas, e dar provimento parcial ao recurso, para ......" A multa de ofício pode ser lançada de forma simples, no percentual de 75%, ou de forma qualificada, nos casos de dolo, fraude ou simulação, situação em que passa ser de 150%. Nestas situações 75% corresponde à infração simples e os outros 75% estão relacionados ao dolo, a fraude ou a simulação. A petição que noticiou adesão ao REFIS, "exceto no que diz respeito à multa qualificada", há de ser entendida que a multa de ofício, no percentual de 75%, em relação à qual não havia controvérsia, foi objeto de inclusão no REFIS. No ponto que interessa ao deslinde dos embargos, o que o acórdão analisou foram os elementos relacionados ao dolo, fraude ou simulação, entendendo não estarem presentes e dando provimento ao recurso para afastar a qualificadora da multa. A multa de ofício, no percentual de 75%, não foi objeto de exame no acórdão embargado e assim se deu porque deve ser compreendido que ao desistir do recurso, para incluir os débitos no REFIS, com exceção da multa qualificada, o percentual de 75%, vinculado ao IRPJ e a CSLL, deve ser entendido como incluído no REFIS. A petição em que a empresa fiscalizada destaca que desiste do recurso para incluir o débito no REFIS, "com exceção da multa qualificada", deve ser compreendida como permanecendo em litígio somente os aspectos relacionados à qualificadora. Provido o recurso para afastar a qualificadora da multa, não cabe a intimação do contribuinte para pagar o valor correspondente aos outros 75% em que houve pedido para inclusão no REFIS. Ao que me parece, o ato da Administração de intimar a embargante para pagar a multa de 75%, dizendo que os outros 75%, referentes à qualificadora, deveriam aguardar o deslinde do recurso especial, referese a erro na interpretação do acórdão embargado, do pedido de desistência para inclusão no REFIS e do termo de transferência de débitos de fls. 757/759, o qual transcrevo para este voto com o intuito de deixar expressamente consignado que a multa isolada e a multa incidente sobre o IRPJ e a CSLL, no percentual de 75%, foi transferida para o processo nº 10065725.082/201211. Fl. 771DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11065.001087/200941 Acórdão n.º 1402001.419 S1C4T2 Fl. 772 7 ISSO POSTO, voto por acolher os embargos de declaração para suprir a omissão contida no acórdão embargado a fim de que dele conste a inexigibilidade da multa de ofício de 75%, por ter sido apartada dos autos e controlada no processo 11065.725082/2012 11. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/08/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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