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Numero do processo: 13896.904052/2015-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009
MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES.
O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
Numero da decisão: 3201-004.975
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação.
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MULTA DE MORA. PAGAMENTOS DE MESMO TRIBUTO E PERÍODO DE APURAÇÃO. Recorrente MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INTERNET LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2009 a 31/12/2009 MULTA DE MORA. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS DIFERENTES. O aproveitamento de pagamento de mesmo tributo ou contribuição e mesmo período de apuração não enseja a cobrança de multa de mora, e não se revela como procedimento de compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 40 52 /2 01 5- 56 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13896.904052/201556 Acórdão n.º 3201004.975 S3C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Barueri, que deferiu parcialmente o pedido de restituição – PER apresentado pelo contribuinte. Cientificado do referido despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que apura o PIS e a Cofins pelo regime misto, ou seja, possui parcela de suas receitas sujeitas ao regime cumulativo (maior parte) e parcela sujeita ao regime nãocumulativo. Diz ter, equivocadamente, pago parte do que seria enquadrável no regime cumulativo como se fosse do nãocumulativo. Ao constatar tal equívoco, formulou seu pedido de restituição do saldo existente desse crédito, tendo em vista que já havia transmitido compensação utilizando parte desse mesmo crédito. Apesar de ter transmitido a DCOMP após a data de vencimento da contribuição que estava sendo quitada, esclarece que deixou de incluir na discriminação dos débitos compensados qualquer valor a título de multa de mora (Processo de Consulta nº 166/2007). Acredita que a razão do indeferimento de parte do crédito pleiteado por meio do presente PER reside no fato de que o Despacho Decisório, que homologou parcialmente o PER/DCOMP, impôs a obrigação do recolhimento da multa moratória de 20 % quando da análise da compensação, o que resultou num valor menor a lhe ser restituído, ao passo que o seu entendimento foi de que "não poderia se incluir qualquer valor a título de multa moratória na composição do seu débito". A DRJ/Porto Alegre/RS, por intermédio do Acórdão 10060.566, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório em tela. O litígio restringiuse à aplicação dos acréscimos legais pelo fato de a compensação ter sido efetuada em data posterior à do vencimento do débito. Os julgadores a quo entenderam acertada a incidência da multa moratória, a despeito de se tratar de erro no tocante à apuração da contribuição pelo regime da nãocumulatividade, quando o correto seria pela cumulatividade. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório. Em síntese, aduz: A necessidade de se observar e atender ao disposto na Solução de Consulta nº 166/07; A ilegalidade na alteração do PER/DCOMP de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico; A aplicação do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), que impossibilita a imposição de multa. Roga ao final: (i) Seja declarada a inexigibilidade da multa moratória cobrada sobre o montante dos débitos compensado, com o consequente deferimento integral da restituição pleiteada; Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13896.904052/201556 Acórdão n.º 3201004.975 S3C2T1 Fl. 4 3 (ii) Subsidiariamente, seja reconhecida a ilegalidade da imputação da multa de ofício pela fiscalização e a necessidade da lavratura de auto de infração específico para sua exigência e/ou o reconhecimento do benefício da denúncia espontânea. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.953, de 26/02/2019, proferido no julgamento do processo 13896.900136/201782, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.953): (...)1 "O aproveitamento de pagamentos de mesmo tributo e mesmo período, em casos de mudança de regime de tributação, prescinde de Declaração de Compensação. Somente seria necessária Declaração de Compensação em casos de compensação do mesmo tributo em períodos diferentes, ou tributos diferentes. Embora a recorrente tenha utilizado a formalidade equivocada, Declaração de Compensação, materialmente tratase de aproveitamento de mesmo tributo, e mesmo período, do que se aplica a ratio decidendi da Súmula Carf 76: Súmula CARF nº 76 Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, os recolhimentos em regimes tributários diferentes devem ser aproveitados, sem necessidade de Declaração de Compensação. Bastaria, no caso, uma retificação de Darf (Redarf), corrigindo o código de arrecadação. A retificação do código de arrecadação seria permitida, sem ofensa ao art. 11, V, da IN 672/20062, posto que a mudança de regime não ofendeu a legislação, isto é, não houve acusação fiscal de que o regime de tributação pretendido fosse indevido. 1 Não se transcreveu o voto vencido, do relator do processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. Entretanto, sua íntegra consta do acórdão do paradigma (3201004.953). 2 Art. 11. Serão indeferidos os pedidos de retificação que versem sobre: (...) V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando contrariar o disposto na legislação específica; Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13896.904052/201556 Acórdão n.º 3201004.975 S3C2T1 Fl. 5 4 Desse modo, não é aplicável, para cálculo de mora, a data de transmissão da Declaração de Compensação, pois não é o caso de compensação. Tendo sido o pagamento tempestivo, ainda que com regime de tributação equivocado, não cabe a multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004997/2002-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002
COMUTADOR DE PACOTE DE DADOS. SWITCH.
Dispositivo denominado hub-switch ou, simplesmente, switch, com a função de tratamento eletrônico dos dados que chegam ao distribuidor da conexão, monitorando e selecionando o destinatário de cada pacote (frame), classifica-se na NCM 8471.80.19. RG 1 e RGC 1.
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002
MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. ADN COSIT Nº 10/1997. ART. 84 DA MP 2.158-35/01. REVOGAÇÃO.
A multa de ofício sobre a diferença de imposto a pagar nos casos de classificação fiscal incorreta pode ser excluída com base e nos termos do ADN Cosit nº 10/1997 apenas até o advento da Medida Provisória nº 2.158-35/01.
Numero da decisão: 9303-007.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 COMUTADOR DE PACOTE DE DADOS. SWITCH. Dispositivo denominado hub-switch ou, simplesmente, switch, com a função de tratamento eletrônico dos dados que chegam ao distribuidor da conexão, monitorando e selecionando o destinatário de cada pacote (frame), classifica-se na NCM 8471.80.19. RG 1 e RGC 1. Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. ADN COSIT Nº 10/1997. ART. 84 DA MP 2.158-35/01. REVOGAÇÃO. A multa de ofício sobre a diferença de imposto a pagar nos casos de classificação fiscal incorreta pode ser excluída com base e nos termos do ADN Cosit nº 10/1997 apenas até o advento da Medida Provisória nº 2.158-35/01.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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SWITCH. Dispositivo denominado hubswitch ou, simplesmente, switch, com a função de tratamento eletrônico dos dados que chegam ao distribuidor da conexão, monitorando e selecionando o destinatário de cada pacote (frame), classifica se na NCM 8471.80.19. RG 1 e RGC 1. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. ADN COSIT Nº 10/1997. ART. 84 DA MP 2.15835/01. REVOGAÇÃO. A multa de ofício sobre a diferença de imposto a pagar nos casos de classificação fiscal incorreta pode ser excluída com base e nos termos do ADN Cosit nº 10/1997 apenas até o advento da Medida Provisória nº 2.158 35/01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 49 97 /2 00 2- 67 Fl. 5658DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, em face do acórdão nº 3302003.083, de 24 de fevereiro de 2016, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PRODUTO DENOMINADO SWITCH. CÓDIGO NCM. O produto denominado switch classificase no código 8471.80.19 da NCM, em conformidade com o disposto na Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RGI1), combinado com o estabelecido na Regra Geral Complementar nº 1 (RGC1). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 MULTA DE OFÍCIO. PERÍODO DE VIGÊNCIA DO ADN COSIT 10/1997. PRODUTO CORRETAMENTE DESCRITO NA DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DOLO OU MÁ FÉ. EXCLUSÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. No período de vigência do Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit10/1997, que vai até 10/9/2002, não constituía infração punível com a multa de ofício 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, a classificação tarifária errônea, desde que o produto estivesse corretamente descrito, Fl. 5659DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 4 3 com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constatasse intuito doloso ou má fé por parte do declarante. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE DA INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do o § 2º do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a incorreta classificação fiscal do produto na Declaração de Importação (DI) tratase de conduta que se subsome perfeitamente à hipótese da infração por declaração inexata, descrita no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, e que independe de o produto encontrarse corretamente descrito ou da inexistência de dolo ou máfé do importador, por se revestir de responsabilidade por infração de natureza objetiva, nos termos do art. 136 do CTN. JUROS MORATÓRIOS. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. COBRANÇA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Após o vencimento, os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) devem ser acrescidos dos juros moratórios, calculados com base na variação da Taxa Selic (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 08/12/1998 a 02/09/2002 REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. 1. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, por meio do ato de desembaraço aduaneiro é realizada a liberação da mercadoria, põe termo a fase de conferência aduaneira e dar início a fase de revisão aduaneira, expressamente autorizada em lei. 2. Enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, na eventual apuração de irregularidade quanto ao pagamento de tributos, à aplicação de benefício fiscal e à exatidão de informações prestadas pelo importador na DI, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de crédito tributário apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. ATO DE DESEMBARAÇO ADUANEIRO. NATUREZA JURÍDICA. HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA DE LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 5660DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 5 4 O ato de desembaraço aduaneiro põe termo a fase de conferencia aduaneiro do despacho de importação e tem o efeito de autorizar a liberação ou desembaraço da mercadoria, portanto, não tem a natureza ato de homologação expressa do lançamento por homologação nem de lançamento ofício, por não atender os requisitos dos arts. 142 e 150 do CTN. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada da decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs Recurso Especial (fl. 5.504 a 5.511), suscitando divergência quanto à exclusão da multa de oficio de 75%, recurso esse a que o Presidente da Câmara deu seguimento, dada a demonstração da divergência de interpretação da legislação tributária (fls. 5.571 a 5.572). Devidamente intimada, em 02/08/2016 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à fl.5.578), do acórdão nº 3302003.083 e do Recurso Especial interposto pela PGFN, a Contribuinte apresentou Contrarrazões (fls. 5.607 a 5.614) e interpôs Recurso Especial em 15/08/2016 (Termos de Solicitação de Juntada às fls. 5.606 e 5.620), aponta divergência jurisprudencial referente a classificação fiscal adotada pela Fiscalização (8471.80.19) para o produto denominado "Switch Hub". Em Contrarrazões, contrapôsse ao entendimento da Fazenda Nacional quanto à exclusão da multa de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos até 10/09/2002. Os recursos receberam juízo positivo de admissibilidade. A Fazenda Nacional, apresentou Contrarrazões, aduz que a mercadoria importada é um “switch” e não simplesmente um “hub”, com o qual não se confunde. Correta, portanto, a classificação no código NCM 8471.80.19 – outras unidades de controle ou de adaptação e unidades de conversão de sinais, conforme pretendido pela Fiscalização, requer a negativa de provimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator Os recursos foram apresentados com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, deles tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de Autos de Infração lavrados para cobrança da diferença do imposto de importação, do imposto sobre produtos industrializados, multas de ofício e juros moratórios, tendo em vista desclassificação fiscal da mercadoria importada. Fl. 5661DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 6 5 Ao apreciar o Recurso Voluntário, a 2ª Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, decidiu dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para excluir a multa de ofício em relação aos fatos geradores ocorridos até 10/09/2002, considerando o termo final do período de vigência do Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 10/1997, e mantendose acusação fiscal referente a Classificação Fiscal dos " Switches Hubs" Passo ao julgamento simultâneo dos Recursos. Na espécie, a Contribuinte aduz que mesmo assumindo a Classificação Fiscal específica 84.71.80.14 ("Hubs") não mais apropriada para o "Switch Hub", entende que a classificação que deve ser utilizada para a referida mercadoria é aquela da posição 8473, mas jamais a classificação adotada pela Autoridade Fiscal 8471.80.19. Cabe destacar que se encontra jurisprudência desta E. Câmara Superior, o que retrato utilizando como razões de decidir o acórdão paradigma nº 9303002.921 – 3ª Turma, sessão de 10 de abril de 2014, o qual, o Colegiado entendeu que os Switchs exercem função própria, distinta do processamento de dados. Eles interligam máquinas para processamento de dados em redes locais, são equipamentos de comutação entre as portas Ethernet. Fato suficiente, por força das notas 5.B e 5.E, ambas do Capitulo 84 da TEC, para caracterizálos como partes ou acessórios exclusiva ou principalmente destinados às máquinas e aparelhos das posições 84.69 a 84.72. Na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) são classificados na posição 84.73. Seção XVI, nota 5; Capitulo 84, nota 5.B c/c nota 5.E; RGI 1. Vejamos: Inicialmente, cabe ressaltar que a discussão dos autos diz respeito à corretaclassificação fiscal de mercadorias importadas pela contribuinte, que adotou o CódigoNCM/SH 8471.80.14, por entender se tratar de hubs, enquanto o fisco identificou a mercadoria como switch e adotou o Código NCM/SH 8471.80.19. O cerne da discussão, portanto, com base na prova dos autos, especialmente na prova pericial produzida, é classificar a mercadoria ali identificada. Nesse sentido, mister destacar o seguinte excerto do voto proferido peloIlustre Conselheiro Tarásio Campelo Borges, que abrange tudo o que se foi discutido sobre a matéria veiculada no recurso especial, e cujos fundamentos acolho e adoto como razão de decidir, verbis: Nada obstante, considero o laudo técnico de folhas 298 a 301 (volume II), subscrito pelos peritos de ambas as partes, suficiente para solucionar a controvertida identificação das mercadorias importadas. Nesse laudo, nas três últimas linhas do quadro de folha 300, essas mercadorias são identificadas como switchs. Passo, doravante, A. classificação dos switchs. Para tanto, lançarei mão de notas tanto da Seção XVI quanto do Capitulo 84 da Tarifa Externa Comum (TEC). A primeira delas é a nota 5 da Seção XVI, que assinala o abrangente conceito de máquinas nas notas da Seção XVI, verbis: 5. Para a aplicação destas Notas, a denominação máquinas compreende quaisquer máquinas, aparelhos, dispositivos, Fl. 5662DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 7 6 instrumentos e materiais diversos citados nas posições dos Capítulos 84 ou 85. Por conseguinte, essas mercadorias são máquinas do Capitulo 84, classificáveis na posição 71 ou na posição 73: nesta, se reconhecíveis como partes ou acessórios exclusiva ou principalmente destinados 'as máquinas e aparelhos das posições 84.69 a 84.72; naquela, se enquadradas no conceito de "unidades" das máquinas automáticas para processamento de dados. As "unidades" das máquinas automáticas para processamento de dados estão definidas na nota 5.B c/c nota 5.E, ambas do Capitulo 84 da TEC: 5. B) As máquinas automáticas para processamento de dados podem apresentarse sob a forma de sistemas compreendendo um número variável de unidades distintas. Ressalvadas as disposições da alínea E) abaixo, considerase como fazendo parte do sistema completo qualquer unidade que preencha simultaneamente as seguintes condições: a) ser do tipo exclusiva ou principalmente utilizado ern um sistema automático de processamento de dados; b) ser conectável 6. unidade central de processamento, seja diretamente, seja por intermédio de uma ou de várias outras unidades; e c) ser capaz de receber ou fornecer dados em forma códigos ou sinais utilizável pelo sistema. 5. E) As máquinas que exerçam uma função própria que não seja o processamento de dados, incorporando uma máquina automática para processamento de dados ou trabalhando em ligação com ela, classificamse na posição correspondente à sua função ou, caso não exista, em uma posição residual. As mercadorias cuja classificação é discutida são switchs. Do laudo subscrito pelos peritos de ambas as partes, também colho informações técnicas para avaliar se as mercadorias importadas são partes, acessórios ou "unidades" das máquinas automáticas para processamento de dados. Dizem os técnicos: A principal característica do "Switch" que o diferencia do "Hub" é a possibilidade de comutar (chavear) as mensagens (quadros) recebidas através de uma porta diretamente a outra porta onde está conectado o destino da mensagem. O switch utilizase de uma tabela interna de mapeamento de portas que é preenchida de forma dinâmica a cada mensagem recebida, associando a porta ao endereço do remetente da mensagem. 0 "Hub" não tem esta tabela interna e não toma conhecimento de endereços, simplesmente retransmite a todas as portas quaisquer mensagens recebidas. Os endereços em rede ethernet estão na camada 2 (nível de enlace), portanto apenas os Switches trabalham na camada 2. Fl. 5663DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 8 7 Os Switches são mais complexos que os Hubs, mas desempenham funções semelhantes. Para a maioria das aplicações, os Switches fardo a interconexão da rede com vantagens de maior banda disponivel e redução das colisões. Logo, switchs exercem função própria, distinta do processamento de dados:eles interligam máquinas para processamento de dados em redes locais, são equipamentos de comutação entre portas Ethernet. Esse fato é suficiente, por força da RGI 1 e das notas 5.B e 5.E, ambas do Capitulo 84 da TEC, para caracterizar essas mercadorias como partes ou acessórios exclusiva ou principalmente destinados ás máquinas e aparelhos das posições 84.69 a 84.72. Incorreta, portanto, a classificação na posição 84.71, utilizada pelo contribuinte e pretendida pela Fazenda Nacional (a divergência entre sujeitos ativo e passivo estava restrita ao subitem do código NCM)". No tocante às multas de ofício, previstas no art. 44, I, do Lei 9.430/1996, em relação ao II, e no art. 8º da Lei 4.502/1964, com a redação do art. 45 da Lei 9.430/1996, referente ao IPI, antes de 27/8/2001, (Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit 10/1997), que no seu item 1, eximia da referida multa nos casos de apuração de diferença de tributos decorrentes de “classificação tarifária errônea, esta matéria restou prejudicada, tendo em vista a classificação fiscal correta adotada pela Contribuinte. Dispositivo. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional e dou provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 5664DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 9 8 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Com o devido respeito ao entendimento expresso no voto do ilustre relator do processo, apresento a seguir minhas razões de divergência. Recurso Especial do Contribuinte De fato, este relator já teve oportunidade de se pronunciar sobre a classificação fiscal do produto em exame. Isso ocorreu por ocasião da decisão proferida por meio do Acórdão nº 9303006141, de 13/12/2017, cuja conclusão vai de encontro à pretensão do recurso especial interposto pelo contribuinte e em oposição às conclusões do voto do nobre relator. De forma que nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9784/99, adoto e transcrevo aquele voto como fundamento de decidir no presente processo: (...) Passo ao exame do mérito propriamente dito. A mercadoria objeto da lide funciona como elemento central de redes na topologia1 estrela. A ilustração abaixo, demonstra diferentes topologias de rede. O Switch atua como unidade central na interconexão de diversos componentes, tais como microcomputadores, estações de trabalho e outros elementos de distribuição. No caso concreto, o debate está centrado na possibilidade de que o switch seja identificado e classificado como um hub. 1 Topologia de rede é o canal de conexão do meio de rede aos computadores e outros componentes de uma rede. Há várias formas de interligação entre cada um dos nós (computadores) da rede. Fl. 5665DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 10 9 Ao longo da lide, a autuada esforçouse em demonstrar que o dispositivo conhecido como hub tem características merceológicas em tudo semelhantes às do switch. Como elemento central de uma rede de computadores, o hub teria a função de otimizar a troca informações, recebendo e enviando pacotes (frames) de dados à todas unidades de rede. Com sua mecânica própria de funcionamento, eliminou a ameaça até então existente de que uma falha pontual em um desses elementos de rede colapsasse a rede como um todo. Com o passar do tempo, sempre segundo afirma a autuada, a função do dispositivo foi refinada, e o hub desenvolveu a capacidade de identificar o destinatário do pacote de informação, encaminhando os dados exclusivamente a esse destinatário predeterminado. Esse avanço tecnológico ganhou o apelido de "hubswitch" ou, simplesmente, "switch". Baseado nessas premissas, defendeu que o produto deveria ser classificado no código 8471.80.14, por tratarse de uma espécie do gênero hub. Contudo, a literatura técnica dá conta de diferenças mais substanciais entre as funções desempenhadas dentro de uma rede de computadores por um hub e as que são próprias de um switch. É o que se passa a demonstrar. Como dito antes, a função precípuo de um hub é evitar a incomutabilidade de toda a rede quando o barramento2 é rompido. Se os computadores estão interligados por um hub, ao invés de um barramento (até então) tradicional, qualquer problema na conexão de um computador ao hub ficará restrito a esse computador, não afetando a rede como um todo. O switch, por seu turno, desempenha funções de rede significativamente mais complexas. Para compreendêlas melhor, será interessante que, primeiro, se fale da função desempenhada pelo dispositivo de rede conhecido como bridge. Bridge é um dispositivo utilizado para isolar, seletivamente, o tráfego de duas redes locais. Desejandose dividir uma rede local com muitas estações interligadas a um mesmo barramento (para, por exemplo, aliviar o tráfego de um dos barramentos), conectase uma bridge às partes da rede, permitindo a passagem, de um lado para o outro, somente de pacotes de dados endereçados aos computadores que se encontram do lado predeterminado. Desta forma, os dois segmentos da rede atuam como redes independentes. O switch é um dispositivo semelhante à bridge, mas, para além da função que é própria deste último, permite que não apenas dois, mas vários segmentos de rede se comuniquem ao mesmo tempo, dois a dois. O switch "pega" o pacote de dados, lê o endereço de destino e o envia à porta do segmento de rede na qual o endereço está alocado. O switch faz o tratamento eletrônico das informações contidas nos pacotes de dados que chegam ao distribuidor de conexões de rede. Numa configuração tipo estrela, todos os elementos de rede ficam ligados ao distribuidor de conexões através de um cabo de conexão. Quando um elemento da rede envia um pacote de dados para outro elemento, obrigatoriamente o pacote passará pelo distribuidor. Esse distribuidor, ao receber o pacote, é avisado sobre o seu destino. Em conseqüência, os dados são enviados exatamente ao seu destinatário, sem trafegar por outros elementos da rede. O hub, diferentemente, transmite a informação para todos os receptores ao mesmo tempo, num sistema de transmissão conhecido pela expressão broadcast3. 2 Linha de comunicação (condutor elétrico ou fibra optica) entre os dispositivos de um sistema de computação (CPU; Memória Principal; HD e outros periféricos), ou entre vários sistemas de computação. 3 Transmissão de ondas moduladas de radiofrequência simultaneamente para todos os receptores de rádio. Fl. 5666DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 11 10 A televisão aberta e o rádio bem exemplificam a difusão de sinal pelo sistema broadcast. Uma ou mais antenas de transmissão enviam o sinal por meio de ondas eletromagnéticas e qualquer aparelho que possa captálo, poderá sintonizálo. Em informática, broadcast é o sistema de transmissão empregado pelos hubs. Em redes de computadores, um endereço de broadcast é um endereço IP, que permite que a informação seja enviada para todas as máquinas da rede/subrede. O hub faz o controle do tráfego de dados de uma ou de várias redes simultaneamente. Quando um equipamento envia informações para o hub e o mesmo está ocupado transmitindo outras informações, o pacote de dados retorna à máquina requisitante com um pedido de espera. Tratase de uma mecânica notadamente mais simples do que a do switch. O hub apenas recebe dados vindos de um computador e os transmite às outras máquinas, obstando a comunicação quando a primeira tarefa ainda não foi concluída. O switch faz o tratamento eletrônico dos dados, identifica o destino informado e envia o pacote à unidade de rede especificada. A Solução de Consulta COANA nº 03/2001, efolhas 126, traz considerações técnicas conclusivas sobre o assunto. Visando estabelecer e reforçar uma diferenciação mais acentuada entre hub e switch, fazse necessária uma breve explanação sobre o modus operandi da transmissão de dados numa rede. Com o intuito de permitir a integração dos diversos componentes de uma rede de transmissão de dados, a International Standards Organization (ISO) estabeleceu o modelo Open Systems Interconnection (OSI). Esse modelo, além de separar as diversas etapas de transmissão, define como cada uma dessas fases do processo, rotuladas de nível do modelo ISO/OSI, devem atuar na transferência de dados, isto é: Nível 1: Físico; Nível 2: Enlace; Nível 3: Rede; Nível 4: Transporte; Nível 5: Sessão; Nível 6: Apresentação; Nível 7: Aplicação. Desses níveis, os que mostram relevância para a análise em curso são os de números 1 e 2. O nível 1 ou nível físico engloba as conexões mecânicas e elétricas formadas pelos modens, linhas físicas, conectores, cabos e interfaces de hardware de comunicação dos equipamentos, ou seja, todos os dispositivos que "enxergam" a informação apenas como uma seqüência de bits, Fl. 5667DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 12 11 sem identificar o seu significado, sendo por isso chamados de dispositivos passivos. O hub se inclui no nível 1, pois tem por função conectar estações de múltiplos usuários através de conexões elétricas estabelecidas dentro dele, simulando um barramento, como já explicado. Em outras palavras, o hub distribui a conexão de cada uma de suas portas para as restantes, configurandose, como disposto na NCM, como um "distribuidor de conexões para redes". Por outro lado, no nível 2, ou nível de enlace, encontrase a conexão de dois pontos de uma rede, onde é feita a formatação de mensagens e o endereçamento dos pontos em comunicação, ou seja, os bits do nível físico são agora tratados como blocos de caracteres (pacotes), com endereçamento de origem e destino. Dessa forma, os dispositivos que trabalham nesse nível são capazes de "enxergar" os bits transmitidos como uma seqüência lógica, ao contrário dos dispositivos do nível físico, como o hub, que simplesmente repetem as informações recebidas. Um dos típicos equipamentos que trabalham no nível de enlace é o switch, visto que faz, a partir do endereçamento contido na mensagem enviada, a comutação dos pacotes de informações utilizando se de uma tabela dinâmica de endereços em sua memória, a qual atua como matriz de comutação. Segue daí que de forma alguma poderseia, como quer a Interessada, reduzir um switch a um simples "distribuidor de conexões para redes", haja vista que essa função é própria do nível físico, e não do nível de enlace onde trabalha o citado dispositivo. Com relação à afirmação da Interessada de que o "Superstack II Switch 1100" seria, ao mesmo tempo, um hub e um switch e, em vista disso, deveria ser classificado como hub, esclareçase que qualquer switch pode executar a função de um hub, bastando para tanto que a mensagem a ser transmitida seja endereçada pelo usuário a todos os demais usuários ou a pelo menos um dos usuários ligados a cada uma das portas do switch. Mesmo nesse caso, o switch atuaria da seguinte maneira: a) identificação do pacote de dados; b) verificação do endereçamento; c) disponibilização da informação na porta relativa ao destinatário da mensagem, isto é, nesse caso particular, todas as portas. Assim sendo, é incorreto dizer que a mercadoria sob análise é, ao mesmo tempo, um hub e um switch, pois a sua atuação é a mesma, quer a Fl. 5668DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 13 12 mensagem seja enviada para todas as suas portas, quer destinada a apenas uma delas. Acrescentese a isto que, em tese, mesmo se tratando de um equipamento com funções de hub e switch, esta é muito mais complexa do que aquela, o que, a partir da Nota 3 da Seção XVI do Sistema Harmonizado, impediria a classificação do equipamento em tela no código 8471.80.14. Portanto, segundo definição dada pela International Standards Organization (ISO), o swicht enquadrase como dispositivo de nível 2 no sistema de integração das etapas de transmissão de uma rede, pois é capaz de "enxergar" os bits transmitidos como uma seqüência lógica, ao contrário dos dispositivos do nível físico, como o hub, que simplesmente repetem as informações recebidas. (...) Tal como dispõem as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares, a classificação fiscal de mercadorias é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições, pelas sucessivas Regras Gerais de Interpretação4. Com base nisso, e uma vez que a mercadoria objeto dos autos não possa ser identificada como um hub, correto seu enquadramento tarifário na NCM 8471.80.195. (...) Recurso especial da Fazenda Nacional Em relação à exoneração da multa de ofício com base no que dispunha o ADN Cosit nº 10/1997, adoto como razão de decidir, pela síntese e pela clareza como a questão é enfrentada, o acórdão nº 9303007348, de 16 de agosto de 2018, da relatoria do i. Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que a seguir transcrevo. O ADN Cosit nº 10/1997tinha a seguinte redação: ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO No. 10 DE 16 /01 /1997 4 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: 1. (RGC1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, "mutatis mutandis", para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendose que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. 5 Embora a defesa não tenha lançado mão desse argumento, não será demais esclarecer que a Regra Geral nº 4 não é aplicável ao caso concreto. Ela destinase à classificação de mercadorias que não possam ser classificadas mesmo depois de observadas as etapas precedentes (Regras 1, 2 "a", "b" e 3 "a", "b" e "c"). Seria o caso, por exemplo, de duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado. Não havendo como escolher nenhuma das posições, aplicase a Regra 4. No caso, uma vez que o bem não possa ser identificado como um "hub", não há como enquadrálo como tal, ainda que para alguns haja semelhanças entre eles. Fl. 5669DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 14 13 COORDENAÇÃOGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT PUBLICADO NA PAG. 1081 EM 20 /01 /1997 “Dispõe sobre a aplicação das penalidades de que trata o art. 4º da Lei nº 8.128/91 e o art. 44 da Lei nº 9.430/96, no curso do despacho aduaneiro." O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no art. 112 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e art. 107, inciso I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração punível com as multas previstas no art. 4º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho aduaneiro, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a classificação tarifária errônea ou a indicação indevida de destaque (ex), desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 2.Nos casos acima, os tributos devidos em razão de falta ou insuficiência de pagamento, exigidos no curso do despacho ou em ato de revisão aduaneira, serão acrescidos dos encargos legais, nos termos da legislação em vigor, a partir da data do registro da Declaração de Importação, relativamente ao Imposto de Importação, e do desembaraço aduaneiro, relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação. 3. Ficam revogados os Atos Declaratórios (Normativos) COSIT nºs. 38, de 24 de junho de 1994, e 36, de 5 de outubro de 1995. Por sua vez, a tese do paradigma de que desde 27/08/2001 já não mais se poderia afastar a multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/1996 é forte no § 2º do referido art. 84 da MP nº 2.158/2001, que dispõe: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Fl. 5670DF CARF MF Processo nº 10314.004997/200267 Acórdão n.º 9303007.979 CSRFT3 Fl. 15 14 I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1o O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Assim, como afirmado no acórdão paradigma ao tratar da abordagem dos casos de classificação incorreta em face do artigo acima transcrito: (...) Nos termos do referido dispositivo, quando esses erros acarretarem a falta ou a insuficiência de pagamento dos tributos devidos, além da multa específica, cabe a aplicação da multa de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96 sobre o valor dos tributos exigidos. Conseqüentemente, em relação ao ato administrativo citado, após a edição da MP n° 2.15835/01, subsistiu apenas a orientação de que não constitui infração punível com a multa de que trata o art. 44 da Lei n° 9.430/96 a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque "Ex", não mais havendo previsão para a não aplicabilidade da multa de oficio no caso de classificação tarifária incorreta, quando o produto esteja adequadamente descrito. Por evidente, a partir (sic) vigência superveniente dessa legislação tributária tacitamente se afastaria a aplicação do ADN Cosit nº 10/1997. Com base nas fundamentos declinados, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte e por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 5671DF CARF MF
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Numero do processo: 13406.000111/98-19
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/1990 a 29/02/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Comprovada a omissão, na decisão anterior, de ponto sobre o qual deveria o Colegiado pronunciar-se, acolhem-se os embargos de declaração e retifica-se o Acórdão n2 202-16.435, de 06/07/2005, para incluir a apreciação da matéria omitida, substituindo-se a ementa pela que segue:
"NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À VIA
ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto apenas em relação à matéria idêntica àquela discutida no processo.
BASE DE CÁLCULO. LC Nº 7/70. SEMESTRALIDADE.
A base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor da MP nº1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador.
CORREÇÃO MONETÁRIA.
A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar nº 8, de 27/06/97, devendo incidir a taxa Selic a partir
de 01/01/96, nos termos do art. 39, ,§ 42, da Lei nº 9.250/95.
Recurso provido em pane."
Embargos de declaração acolhidos.
Numero da decisão: 2101-000.220
Decisão: ACORDAM os Membros da 1ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos para retificar o voto vencedor no acórdão n° 202-16.435, de 06 de julho de 2005, dando-lhe efeitos infringentes para suprir a omissão apontada, substituindo in totum o voto vencedor que o compunha. No mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração do PIS devido no período de 01 de janeiro de 1990 a 29 de fevereiro de 1996, pelo critério da semestralidade, com observância da súmula n° 11 do Segundo Conselho de Contribuintes.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ANTONIO ZOMER
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COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial implica renúncia às instâncias administrativas ou desistência do recurso interposto apenas em relação à matéria idêntica àquela discutida no processo. BASE DE CÁLCULO. LC R' 7/70. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor da MP n2 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n2 8, de 27/06/97, devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, ,§ 42, da Lei n2 9.250/95. Recurso provido em pane." Embargos de declaração acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. o Processo n° 13406.000111/98-19 52-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.220 Fl. 552 ... ACORDAM os Membros da P CÂMARA / 1* TURMA ORDINÁRIA da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos para retificar o voto vencedor no acórdão n° 202-16.435, de 06 de julho de 2005, dando-lhe efeitos infringentes para suprir a omissão apontada, substituindo in totum o voto vencedor que o compunha. No mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a apuração do PIS devido no período de 01 de janeiro de 1990 a 29 de fevereiro de 1996, pelo critério da semestralidade, com observância da súmula n° 11 do Segundo Conselho de Contribuintes. --.r- d, e •. O MARCOS CÂNDIDO , asighris r ----- 1 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martínez López. Relatório Trata-se de Embargos de Declaração interpostos, tempestivamente, pela DRJ em Recife/PE, em face da decisão proferida pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão n° 202-16.435, de 06/07/2005, no qual se anulou o processo a partir da decisão da DRJ, para que as exigências da contribuição para o PIS e da Cofins fossem apartadas e houvesse novo julgamento de primeira instância em processos distintos. Informa a embargante que a decisão não pode ser cumprida porque a única matéria em julgamento nestes autos refere-se à glosa de compensação de créditos de PIS, decorrentes do pagamento efetuado com base nos Decretos-Leis n's 2.445 e 2.449, de 1988, declarados inconstitucionais pelo STF. c Em decorrência do indeferimento da restituição, não foram homologadas as compensações, sendo determinada a cobrança dos débitos confessados e constituindo-se a exigência daqueles não declarados em DCIT. Houve, portanto, lançamento de oficio do PIS e da Cofins, porém os autos de infração foram objeto de processos distintos, de ifs 10480.012902/2001-86 e 10480.012903/2001-21. 4 2 Processo n° 13406.000111/98-19 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.220 Fl. 553 Naqueles autos, a contribuinte, irresignada com os lançamentos, apresentou impugnação e depois das decisões da DRJ, impetrou os competentes recursos voluntários, distribuídos para a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Nos dois casos, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem, para que seja juntada aos autos a cópia da decisão definitiva proferida no presente processo e no de n°10480001877/95-32. O segundo processo citado, de n° 10480001877/95-32, encontra-se anexado ao presente, de n° 13406.000111/98-19, de modo que o julgamento dos autos de infração do PIS e da Cofins dependem, unicamente, da decisão a ser proferida nestes autos É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO ZOMER, Relator Os presentes embargos enquadram-se no art. 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, editado pela Port. MF n° 147, de 25/06/2007, posto que, ao se pronunciar sobre matéria fora da lide, em detrimento daquela objeto do recurso voluntário, o Colegiado deixou de apreciar ponto sobre o qual deveria, obrigatoriamente, pronunciar-se. Com efeito, conforme se ressaltou no relatório, as premissas que levaram à anulação do processo a partir da decisão de primeira instância (autos de infração de PIS e Cofins) não dizem respeito a estes autos, o que tomou a decisão proferida totalmente inexeqüível. Em vista disto, os embargos devem ser acolhidos, para o fim de se sanear a decisão anterior, incluindo-se a apreciação do ponto omitido e excluindo-se a matéria extra lide, substituindo-se in toturn o voto vencedor anterior por este que ora se pronuncia. O que deve ser apreciado aqui é se a recorrente tem direito à restituição/compensação do PIS pago a maior com base nos Decretos-Leis ti% 2.445 e 2.449, de 1988, em relação ao que era devido com fundamento na Lei Complementar n° 7, de 1970. O pedido foi formulado com fundamento em decisão judicial, proferida em Ação Cautelar Inominada, que determinou a suspensão da exigibilidade dos débitos de PIS e -Cofins compensados pela empresa com os referidos créditos. No despacho decisório de fl. 431, o pedido foi indeferido e as compensações não homologadas, porque a fiscalização concluiu que a empresa não possuía qualquer direito à restituição/compensação, tendo havido, inclusive, recolhimentos insuficientes nos dois últimos meses do período pleiteado. Na manifestação de inconformidade, a contribuinte diz que o despacho decisório é nulo pois que não requereu a restituição ou compensação mas apenas comunicou a sua realização, com apoio na decisão judicial que a autorizou. Caso o despacho não fosse anulado, requereu a revisão dos cálculos, nos termos do provimento judicial. • j" 3 Processo n°13406.000111198-19 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.220 Fl. 554 A DIU em Recife/PE não conheceu da manifestação de inconformidade por opção pela via judicial. No recurso voluntário, a empresa reedita os mesmos argumentos de defesa, acrescentando a sua insurgência contra o não conhecimento da manifestação de inconformidade, defendendo o direito de apuração do PIS devido com base na LC n° 7/70 sem a incidência das Leis n°s 7.691/88, 7.799/89, 8.019/90, 8.219/90, 8.218/91 e 8.981/95, conforme decisões do STJ e do Conselho de Contribuintes. Consta dos autos, também, que a recorrente impetrou mandado de segurança em 19/03/1990, visando a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis IN 2.445 e 2.449, de 1988, obtendo sucesso neste empreendimento, conforme decisão do STF transitada em julgado em 17/02/1994. Acrescenta a empresa, na petição de fls. 47/48 dos autos, que houve pagamento a maior no período de fev/90 a set/93, em montante equivalente a 447.216,34 UFIR, que passou a compensar a partir de nov/93 até jun/94, conforme demonstrativo constante à fl. 48. O valor de 447.216,34 Ufir foi determinado pela empresa na planilha de fl. 57. Depois disto, a empresa ingressou, como litisconsorte, com a Ação Cautelar Inominada n°98.17728-O, na qual, conforme Certidão de fl. 122, expedida em 17/07/2001, pela Secretaria da 78 Vara da Justiça Federal de Primeira Instância, da Seção Judiciária do Ceará, o seu crédito de PIS foi indicado como sendo de 2.213.872,30 Ufir. Ao decidir esta ação, o juiz registrou que ela não se prestava para a determinação do montante do crédito a compensar, o que deveria ser feito no processo principal. A empresa, no entanto, optou por compensar os créditos administrativamente e a quantificação dos créditos coube, então, à autoridade fiscal. É este procedimento que ora se discute. O direito de compensação dos créditos de PIS com débitos de Cofins e do próprio PIS foi discutido e deferido judicialmente. Nesta parte houve opção pela via judicial, não merecendo qualquer reparo a decisão recorrida. O que se pode discutir, na via administrativa, é a forma de apuração dos créditos, já que esta questão não foi levada à discussão judicial. E neste pormenor, este Colegiado tem decidido, reiteradamente, que na apuração do PIS devido com base na Lei Complementar n° 7/70 deve ser aplicado o critério da semestralidade da base de cálculo, conforme disposto na Súmula n2 11 do Segundo Conselho de Contribuintes, verbis: "A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 62 da Lei Complementar n2 7, de 1970, é o .1-aturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária." A falta de aplicação da base de cálculo do sexto mês anterior, sem atualização monetária, levou à fiscalização a concluir pela inexistência de pagamento a maior, ao qual a empresa teria direito de compensação. Nas decisões judiciais que beneficiaram a recorrente também não consta a forma de atualização monetária dos indébitos. Assim, deve a fiscalização, após a determinação 4 Processo n° 13406.000111/98-19 S2-C ITI Acórdão n.° 2101-00120 Fl. 555 dos valores pagos a maior com base nos decretos-leis inconstitucionais, em relação ao que era devido com base na LC no 7/70, segundo o critério da semestralidade, conforme a Súmula n° 11, supratranscrita, relativamente ao período de 01/01/1990 a 29/02/1996, atualizá-los até o momento de realização de cada compensação, conforme coeficientes constantes da Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n2 8, de 27/06/97, devendo aplicar a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4 2, da Lei n2 9.250/95. Na determinação dos créditos a compensar nos presentes autos deve-se descontar os valores já compensados pela empresa nos anos de 1993 e 1994, conforme informado pela mesma no documento de fls. 47/48, após verificada a sua efetividade. Os créditos remanescentes devem ser utilizados para quitação dos débitos de PIS e Cofins compensados pela recorrente até o seu esgotamento, observando-se as implicações deste procedimento nas cartas expedidas para cobrança dos valores confessados em DCTF, bem como nos autos de infração objeto dos Processos IN 10480.012902/2001-86 e 10480.012903/2001-21. Ante o exposto, acolhem-se os embargos de declaração e retifica-se o Acórdão n2 202-16.435, de 06/07/2005, dando-lhes efeitos infringentes, para incluir a apreciação da matéria omitida, restando substituído integralmente o voto vencedor anterior. No mérito, dá-se provimento parcial ao recurso, para determinar que o PIS devido pela empresa no período de 01/01/1990 a 29/02/1996 seja calculado segundo as disposições da Súmula n° 11, do Segundo Conselho de Contribuintes. Sal: das S - sões, em 05 de junho de 2009. ONI o ' 1 MER Page 1 _0062300.PDF Page 1 _0062400.PDF Page 1 _0062500.PDF Page 1 _0062600.PDF Page 1
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Numero do processo: 13963.000297/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-007.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
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REQUISITOS. NÃO PREENCHIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício, previstos na Portaria MF nº 63/2017, não se conhece do recurso de ofício. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. SEGUNDA INSTÂNCIA. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não atingimento do limite de alçada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luís Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 02 97 /2 00 7- 51 Fl. 15523DF CARF MF Processo nº 13963.000297/200751 Acórdão n.º 2402007.014 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/2010 41, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava, à época da prolação da Decisão de Primeira Instância Administrativa, o valor limite de alçada estipulado na legislação então vigente. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento nesta Corte, tão somente, o Recurso de Oficio ora em debate. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019, proferido no âmbito do processo n° 14098.000149/201041, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo ilustre Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de fevereiro de 2019: Acórdão nº 2402006.983 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso de Ofício interposto pela DRJ tem amparo no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e Fl. 15524DF CARF MF Processo nº 13963.000297/200751 Acórdão n.º 2402007.014 S2C4T2 Fl. 4 3 decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) [...](grifei) Insta salientar que a autoridade julgadora de primeira instância observou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício fixado na legislação vigente na ocasião do julgamento da Impugnação Administrativa em face do vertente lançamento. Ocorre que, em conformidade com o Enunciado nº 103 de Súmula CARF, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância: Súmula CARF nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Destarte, impõese aplicar, no caso em apreço, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite para interposição de recurso de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00, bem assim quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário, nos termos do seu art. 1°, §§ 1° e 2°, verbis: Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. [...](grifei) Na espécie, resta comprovado nos autos que a decisão de piso exonerou o sujeito passivo de crédito tributário em montante inferior ao piso estabelecido na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, do que decorre o não conhecimento do Recurso de Ofício em apreço. Ante o exposto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. Fl. 15525DF CARF MF Processo nº 13963.000297/200751 Acórdão n.º 2402007.014 S2C4T2 Fl. 5 4 (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Oficio, em razão de o crédito tributário exonerado ser inferior ao limite de alçada estabelecido no art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF nº 103. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 15526DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.902229/2008-98
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. Da declaração de intempestividade da Manifestação de Inconformidade pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, que fica limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração..
Numero da decisão: 3003-000.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. Da declaração de intempestividade da Manifestação de Inconformidade pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, que fica limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração..
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MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. Da declaração de intempestividade da Manifestação de Inconformidade pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, que fica limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP nº 06023.90033.190304.1.3.041257, cujo crédito seria decorrente de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 22 29 /2 00 8- 98 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10680.902229/200898 Acórdão n.º 3003000.181 S3C0T3 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior de COFINS, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$ 34.195,87, representado por Darf recolhido em 15/07/2003. Após processada foi exarado o Despacho Decisório (efls. 04), emitido em 18/07/2008, no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alegou, em síntese, que o débito compensado já havia sido quitado por pagamento em DARF. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não conheceu a manifestação de inconformidade por intempestividade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. INCOMPATIBILIDADE ENTRE PRELIMINAR E MÉRITO. Não se toma conhecimento das questões de mérito trazidas na manifestação de inconformidade julgada intempestiva. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual prequestiona a intempestividade do recurso apresentado em 1ª Instância, alegando que tomou conhecimento do Auto de Infração (sic) em 05 de maio de 2008 e que teria feito o envio postal da defesa administrativa em 04 de junho de 2008, portanto tempestivamente, mas que a unidade da Receita Federal não teria juntado aos autos o AR e demais documentos, induzindo o julgador a erro, pleiteando que seja declarada a tempestividade da contestação e consequente julgamento e provimento do mérito. É o Relatório. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10680.902229/200898 Acórdão n.º 3003000.181 S3C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. Preliminarmente, verificase que a Manifestação de Inconformidade apresentada não foi conhecida pela autoridade julgadora de 1ª Instancia face a intempestividade da mesma. O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo sujeito passivo na hipótese de não homologação de pedido de compensação: a Manifestação de Inconformidade. Esta defesa deve ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo dispositivo legal: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei) No caso, a ciência ao contribuinte do Despacho Decisório que não homologou as compensações efetuadas no presente processo se deu em 05/05/2008 (segunda feira), conforme Aviso de Recebimento – AR acostado aos autos em fl. 30 deste processo digital, o que significa dizer que o prazo final para apresentação da Manifestação de Inconformidade ocorreu no dia 04/06/2008 (quartafeira). Em 05/06/2008 foi protocolado o recurso de fls. 01/02, ou seja, após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias da ciência do Despacho Decisório. Caracterizada, portanto, a intempestividade do recurso apresentado. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10680.902229/200898 Acórdão n.º 3003000.181 S3C0T3 Fl. 5 4 A recorrente alega que enviou o recurso por via postal tempestivamente, mas que a unidade da Receita Federal não teria juntado aos autos o AR e demais documentos. O Ato Declaratório Normativo COSIT Nº 19, de 26 de maio de 1997 assim dispõe: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 09 de dezembro de 1993, no Decreto de 15 de abril de 1991 e na Portaria nº 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário para a Desburocratização. declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, quando o contribuinte efetivar a remessa da impugnação através dos Correios: a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente; b) o órgão destinatário da impugnação anexará cópia do referido aviso de recebimento ao competente processo. c) na impossibilidade de se obter cópia do aviso de recebimento, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência, cuidando o órgão destinatário de anexar este último ao processo nesse caso. Ou seja, caso a remessa do recurso tivesse sido feita pelos Correios, para os efeitos da tempestividade, considerase como data da entrega a da postagem da petição, devidamente comprovada (AR). No entanto, a recorrente não juntou aos autos nenhum documento comprovando essa hipótese, mormente o aviso de recebimento da referida postagem, não se desincumbindo do ônus de provar a tempestividade do recurso. No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei, sem que ocorra a apresentação da Impugnação, o que se aplica no caso da manifestação de inconformidade, não se instaura o litígio, tal como estipulado no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, ficando assim prejudicada a análise das questões de mérito, não merecendo reforma o Acórdão recorrido. Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906893/2012-54
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2009 a 30/09/2009 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 93 /2 01 2- 54 Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.161 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 38/43), cujo crédito teria origem em recolhimento da PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 19), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade e a instruiu com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original. Em seqüência, analisando os argumentos apresentados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2009 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.162 3 Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 46/56), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, alegando cerceamento do direito de defesa, tanto do Despacho Decisório, como do Acórdão recorrido, e, no mérito repisa argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Anexa aos autos novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Esta Turma Julgadora já teve, recentemente, oportunidade de se debruçar exatamente sobre matéria, situação fática e probatória semelhantes as constantes nos presentes autos em outros processos da mesma contribuinte. Como exemplo desse fato, citese o processo administrativo nº 13888.906857/201291, no qual foi proferido o Acórdão nº 3002 000.523 da relatoria da Ilustre Conselheira Larissa Nunes Girard. Assim, por entender que o Acórdão citado espelha perfeitamente o meu entendimento sobre a matéria posta em análise no processo atual, reproduzo excerto daquele voto condutor e adoto como razões de decidir os fundamentos ali lançados: Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.163 4 "Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.164 5 conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.165 6 declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento préestabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. (...) Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: "No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.166 7 razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito." (...) Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.167 8 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.168 9 informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por conseqüência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.169 10 Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303 006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303 006.241, pela pertinência no presente caso: "Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte." Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 13888.906893/201254 Acórdão n.º 3002000.616 S3C0T2 Fl. 1.170 11 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.906184/2009-57
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O problema apontado pelos paradigmas não foi a retificação extemporânea de declarações, a comprovação do direito creditório em momento inadequado, em uma fase mais adiantada do processo, ou algo semelhante a isso. O que os paradigmas não admitiram foi a inovação do pleito original, ou seja, a mudança do crédito inicialmente pleiteado. No caso do acórdão recorrido, entretanto, não houve qualquer inovação em relação ao crédito inicialmente pleiteado. A contribuinte reivindicou direito creditório por pagamento indevido ou a maior de CSLL no 3º trimestre de 2003, e foi esse exatamente o indébito reconhecido, mediante análise da documentação apresentada (Diário, Lalur e Balancetes). Não há paralelo entre as decisões para que se possa caracterizar divergência jurisprudencial a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos distintos justificam perfeitamente as diferentes decisões.
Numero da decisão: 9101-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. O problema apontado pelos paradigmas não foi a retificação extemporânea de declarações, a comprovação do direito creditório em momento inadequado, em uma fase mais adiantada do processo, ou algo semelhante a isso. O que os paradigmas não admitiram foi a inovação do pleito original, ou seja, a mudança do crédito inicialmente pleiteado. No caso do acórdão recorrido, entretanto, não houve qualquer inovação em relação ao crédito inicialmente pleiteado. A contribuinte reivindicou direito creditório por pagamento indevido ou a maior de CSLL no 3º trimestre de 2003, e foi esse exatamente o indébito reconhecido, mediante análise da documentação apresentada (Diário, Lalur e Balancetes). Não há paralelo entre as decisões para que se possa caracterizar divergência jurisprudencial a ser sanada mediante processamento de recurso especial. Os contextos distintos justificam perfeitamente as diferentes decisões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 61 84 /2 00 9- 57 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Lívia De Carli Germano, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre declaração de compensação apresentada pela contribuinte acima identificada. A PGFN insurgese contra o Acórdão nº 130201.015, de 08/11/2012, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte, para fins de reconhecer direito creditório decorrente de pagamento a maior, e homologar a declaração de compensação onde esse indébito foi utilizado. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 4 3 Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos a seguir: SÍNTESE DOS FATOS trata o presente processo da Declaração de Compensação nº 31373.95884.171103.1.3.044143, apresentada pelo contribuinte em epígrafe por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, pela qual pretende o reconhecimento do direito creditório representado por pagamento indevido ou a maior, decorrente de pagamento de CSLL (código de receita 6012) relativo ao período de apuração de setembro de 2003, para utilização na quitação de débito tributário relativo ao PIS, período de apuração de outubro de 2003, no valor de R$ 996,80; no despacho decisório eletrônico, a autoridade tributária não homologou a compensação declarada, sob a fundamentação de inexistência do crédito informado, haja vista que o pagamento referente ao DARF discriminado na DCOMP havia sido integralmente utilizado para a quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração; cientificado do despacho denegatório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ em Brasília julgou a manifestação improcedente. Intimado, o contribuinte aviou recurso voluntário; insurgese a Fazenda Nacional em face do acórdão nº 130201.015, proferido pela Segunda Turma da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF que, por unanimidade votos, decidiu dar provimento ao recurso voluntário; demonstrarseá ao longo deste arrazoado que a necessidade de reforma do julgado ora recorrido é premente; DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL anotese que, em atenção à norma regimental, serão apresentados, quanto a cada matéria objeto de insurgência, até duas ementas para a caracterização do dissídio. As razões abaixo elencadas servirão, a um só tempo, para alicerçar a admissibilidade recursal e para fundamentar as razões para modificação do julgado ora recorrido; com a devida vênia, notase que o r. acórdão recorrido não empreendeu a melhor análise da legislação pertinente, tendo, no ponto, contrariado também a jurisprudência desse Eg. Conselho Administrativo e dos extintos Conselhos de Contribuintes. Doravante se passará a demonstrar que a r. decisão merece ser reformada por esta Col. CSRF; quanto ao objeto de insurgência do presente recurso, importante fixar as seguintes premissas extraídas do acórdão recorrido: [...]; o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário, homologando a compensação pretendida até o limite do direito creditório; em contraponto, em caso em tudo semelhante ao ventilado neste feito, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes adotou tese jurídica diversa do acórdão Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 5 4 recorrido. A fim de demonstrar a divergência ora argüida passase a transcrever a ementa do aresto paradigma: Acórdão 10517.143 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Exercício: 2002, 2003. Ementa: LIMITES DA LIDE INOVAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO NÃO EXPRESSO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Não cabe a análise de eventual direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado por empresa incorporada pela recorrente, se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação. A alegação, trazida por ocasião da manifestação de inconformidade, constitui inovação na lide. Assim, correta a decisão recorrida, que dela não conheceu. RETIFICAÇÃO DE DIPJ APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO DA ANÁLISE NO MESMO PROCESSO Os eventuais direitos creditórios, oriundos de retificação de DIPJ efetuada após a decisão administrativa em processo de compensação, não mais podem ser apreciados no mesmo processo, por se tratar de inovação em relação à matéria originalmente discutida”. extraise do voto condutor da decisão paradigma: [...]; cotejando o acórdão recorrido juntamente com o acórdão trazido à divergência, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em todos os casos, o crédito declarado em DCOMP apenas foi demonstrado em data posterior à ciência da decisão que não homologou as compensações. Dito de outra maneira, segundo as informações da DCTF no momento da apresentação da DCOMP, o referido direito creditório invocado não era líquido e certo (não existia), somente sendo objeto de demonstração em momento ulterior à apresentação da DCOMP; entretanto, em que pese tenham enfrentado situações semelhantes, os acórdãos cotejados chegam a conclusões inteiramente distintas. Isso porque, enquanto o acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de análise do mérito do pleito de compensação mesmo diante de pedido de retificação efetuado após proferida decisão administrativa, por entender possível a apresentação de prova documental em momento posterior, o acórdão paradigma entendeu por essa impossibilidade, deixando expresso que “Não cabe a análise de eventual direito creditório (...) se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação”; noutros termos, não admitiu a demonstração extemporânea do crédito; para a demonstração da divergência jurisprudencial, partese do referencial de que os paradigmas ora apresentados entendem pela impossibilidade de demonstração extemporânea do crédito. Consoante se demonstrou, ficou assente a tese de que “O erro alegado, se comprovado, é perfeitamente passível de retificação, mas os direitos creditórios daí oriundos não mais podem ser apreciados no presente processo”; logo, inquestionável a caracterização da divergência jurisprudencial; Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 6 5 neste mesmo sentido, a 2ª Turma da 2ª Câmara da Primeira Seção de julgamento do CARF no acórdão nº 120200.532 entendeu que após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação não cabe alteração da DCTF apresentada. Eis a ementa integral do acórdão: Acórdão 1202000.532 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário:2003. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, torna se inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.” a fim de evidenciar o dissídio, cumpre voltar a atenção para a seguinte passagem da decisão paradigma: [...]; tratando de caso semelhante ao presente, no qual, uma vez apresentada a DCOMP, o interessado pretendeu demonstrar o direito creditório em momento extemporâneo, sob a alegação de erro material. Contudo, os órgãos julgadores, em que pese a semelhança das situações fáticas confrontadas, encamparam teses jurídicas diversas; enquanto o acórdão recorrido entendeu ser possível a comprovação do direito creditório em momento posterior, o paradigma encampou posicionamento diverso no sentido dessa impossibilidade, tendo em vista que a retificação da DCTF em momento posterior à ciência do DespachoDecisório não mais poderia produzir efeitos. O voto condutor do paradigma fundamentou essa conclusão no fato de que “a DCTF retificadora não produz efeito quando a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme dispõe o art. § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007”; nessas condições, demonstrada a divergência jurisprudencial diante dos acórdãos paradigmas acima transcritos, nos termos do art. 67 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, afiguramse presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Especial; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 7 6 a compensação instrumentada por PER/DCOMP de fato não poderia ter sido homologada por restar ausente requisito essencial à sua validade, qual seja, equivalência entre as informações prestadas em DCTF e na DCOMP apresentada; o contribuinte alega que a informação prestada em DCTF não corresponde à verdade, fazendo a retificação da DCTF após o despacho decisório; primeiramente, imperioso reconhecer que para fazer jus à compensação o contribuinte deve observar todos os ditames legais, sob pena de, a bem do princípio da legalidade e da indisponibilidade do interesse público, não ser possível o almejado encontro de contas; o artigo 170 do Código Tributário Nacional estabeleceu as diretrizes acerca do instituto da compensação: [...]; é óbvio que no caso presente verificase que o requisito indispensável de correlação entre o disposto na DCTF e na DCOMP para fins de verificação da existência de crédito não foi cumprido, pois o contribuinte não retificou a tempo a DCTF que continha o suposto erro de fato no preenchimento; temse claro que é por meio da DCTF que o sujeito passivo declara ao fisco a contribuição devida apurada, e assim sendo, somente pode ser considerado incorreto ou indevido o valor recolhido via DARF, conforme lá declarado, quando o sujeito passivo retifica em tempo hábil a declaração; é de se destacar que, quando do processamento da declaração de compensação, é feito um confronto entre as informações contidas na Dcomp com aquelas prestadas em DCTF, sendo que, no caso, não havia indicativo de pagamento indevido ou a maior; além disso, cumpre ressaltar que o interessado, juntamente com a manifestação de inconformidade apresentada, não juntou provas capazes de corroborar a existência do alegado direito creditório; não se trata de mero erro formal, mas sim de descumprimento de condições para a validade da compensação como exige a legislação, e, neste ponto, como exige a lei, todos os procedimentos devem ser respeitados; ressaltese que o principal argumento aqui tratado não é a comprovação ou não do erro formal pelo contribuinte, mas sim o cumprimento de todos os requisitos para homologação da compensação pretendida e ora objeto de análise nos autos; no caso em foco, em que o crédito aproveitado em declaração de compensação teria suposta origem em pagamento maior que o apurado e devido, a comprovação da certeza e liquidez do direito atase intimamente à necessária comprovação do erro presente em declaração prestada à Administração Tributária. Vale destacar que essa exigência está expressa no artigo 147 do Código Tributário Nacional: [...]; notese que, embora tratando de lançamento, o parágrafo que condiciona a admissão da retificadora à comprovação do erro presente em declaração anterior também se aplica aos casos em que a redução de tributo a pagar em DCTF tem como efeito a Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 8 7 desvinculação de pagamento à dívida anteriormente confessada, como veio a ser a pretensão da contribuinte; o chamado ônus da prova é do contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na fase em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nessa fase de contestação do despacho resultante; ressaltese que o contribuinte detentor de crédito tem sim direito à compensação, mas a contrapartida é adotar corretamente o procedimento previsto na legislação tributária. Aliás, é com base no princípio da verdade material que deve ser exigida a comprovação do atendimento a todas as formalidades legais para validade da compensação efetuada; outrossim, se for homologada a compensação na forma que consta dos autos, com evidente irregularidade, estarseá ferindo o princípio da isonomia, pois de todos os demais contribuintes é exigida obediência ao procedimento constante da legislação. Não existe qualquer justificativa que autorize abrir exceção para o interessado; logo, revelase inviável a compensação pretendida pelo contribuinte; diante de todos os motivos acima expostos, impõese a reforma do acórdão recorrido, restabelecendose a decisão de primeira instância de forma indeferir o pleito do interessado. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 290/2013, exarado em 25/10/2013, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que uma vez proferido o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação não pode ser aceita a retificação das declarações que dão suporte ao crédito pleiteado. De outra parte, o acórdão recorrido diverge dessa conclusão ao entender, que comprovado o erro no preenchimento da DCTF deve ser admitida a sua retificação, mesmo após proferido o despacho decisório pela autoridade administrativa, para fins de reconhecer o direito creditório pleiteado. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 9 8 Ante ao exposto, e tendo em vista que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino no sentido de que se DÊ SEGUIMENTO ao presente recurso. Em 25/02/2014, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 130201.015, do recurso especial da PGFN, e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e ela não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para se conhecer do recurso especial. É importante compreender bem o contexto dos presentes autos. Para tanto, transcrevo o voto condutor do acórdão recorrido: Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque, dele tomo conhecimento. A compensação é forma de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, inciso II, da Lei 5.172/66 (CTN), e que, para a fruição de tal direito, fazse necessário que o crédito reclamado pelo sujeito passivo seja dotado de certeza e liquidez, consoante preceito definido no caput do art. 170 do CTN. Com o advento do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterada pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituiuse a matriz legal que estabelece as condições e garantias concernentes à compensação de créditos do sujeito passivo com débitos tributários relativos a tributos sob a administração da SRF do Brasil (RFB), norteiam as formalidades e prazos de homologação da compensação declarada. Assim cabe à autoridade administrativa verificar se os alegados créditos atendem às premissas firmadas na legislação e o contribuinte comprovar a existência de direito creditório em seu favor. No caso concreto, o requerente informou como origem do crédito da DCOMP pretenso pagamento a maior efetuado por meio de DARF, no valor de R$ 10.564,43, visto que o valor devido no período seria R$ 7.395,10. A utilização do crédito, no valor de R$ 3.158,24, foi pleiteada em quatro DCOMP, a saber: 1 40415.47333.171103.1.3.048022 (R$ 1.923,33); 2 31373.95884.171103.1.3.044143 (R$ 996,80); 3 41433.74643.300104.1.3.048670 (R$ 188,91); e, 4 36698.26243.140404.1.3.042776 (R$ 49,20). Ocorre que o Contribuinte foi cientificado da inexistência do alegado crédito por meio do primeiro despacho denegatório emitido, relativo à DCOMP 31373.95884.171103.1.3.044143, e só então apresentou DCTF Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 11 10 retificadora (após, portanto, a ciência da referida decisão administrativa), em que reduziu o débito declarado anteriormente, razão porque a DRJ indeferiu o pleito. Entendeu a DRJ que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva de crédito tributário, e a IN SRF nº 255/2002, vigente para os fatos geradores ocorridos em 2003, estipulava no §2º, II do art. 9º que “não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições, em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal, e a retificação da DCTF, por si só, não se mostra suficiente para comprovar as alegações do requerente". Eventual retificação dos valores antes informados em DCTF, procedida pelo interessado devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte, no caso dos autos se encontram acostados aos presentes autos, todas as cópias da escrita contábil e fiscal do interessado hábeis para demonstrar a ocorrência do pagamento indevido e necessário para a formação da convicção do julgador quanto à ocorrência do erro invocado no preenchimento da DCTF primitiva. Em obediência ao princípio da verdade material, uma vez que o Contribuinte trouxe a DCTF retificadora (fls.15/25), o DARF, o Balancete, o Diário, o Lalur e Balancete Analítico, ou seja, todos os elementos de prova que comprovam a existência do direito creditório decorrente do pagamento a maior, é de se admitir a retificação dos valores confessados em DCTF, mesmo que depois do despacho decisório. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Conforme mencionado acima, a contribuinte apresentou vários PER/DCOMP utilizando partes de um mesmo direito creditório (pagamento a maior de CSLL referente ao 3º trimestre de 2003). O PER/DCOMP nº 40415.47333.171103.1.3.048022 gerou o Processo nº 10120.900033/200812, que traz exatamente a mesma controvérsia e um recurso especial idêntico ao destes autos, que também está sendo apreciado nesta mesma sessão de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Para melhor compreender todo o contexto em que se deu o reconhecimento do direito creditório na segunda instância administrativa, reproduzo abaixo trechos do voto que orientou o acórdão de recurso voluntário naquele outro processo (Acórdão nº 1801001.177), também favorável à contribuinte: Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que afirmou ter ocorrido equívoco no ato de preenchimento da DCTF, pois o valor devido a título de CSLL, do período de apuração de 30/09/2003, era de R$ 7.395,10 (sete mil, trezentos e noventa Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 12 11 e cinco reais e dez centavos), de sorte que teria pago a maior o montante de R$ 3.169,33 (três mil, cento e noventa e seis reais, trinta e três centavos). Em sua manifestação de inconformidade às fls. 10, a ora Recorrente limitouse a reafirmar que teria um crédito de R$ 3.169,33, pois o valor declarado na DCTF do 3º trimestre de 2003, de R$ 10.564, 43, não refletiria o quantum de tributo efetivamente a ser pago, acostando aos autos a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório. Todavia, em sede de recurso voluntário, a Recorrente trouxe documentos contábeis para comprovar o seu direito creditório, a saber: Às fls. 5051 acostou cópia da Parte A e B do LALUR, em que se encontra consignado o valor de R$ 35.214,75 de prejuízo acumulado do 3º trimestre de 2003, e o valor de CSLL do período de R$ 7.395,10; Às fls. 54, o balancete analítico referente a setembro de 2003, consigna o valor de R$ 7.395,10 relativo à provisão de CSLL do período; Às fls. 58, a página 97 do Diário, relativo a outubro de 2003 informa o saldo de R$ 3.169,33 de CSLL a recuperar, relativo ao pagamento indevido do 3º trimestre. Ademais, foram juntadas cópias do Diário até abril de 2004, demonstrando a forma como a Recorrente utilizou o crédito de R$ 3.158,24: R$ 1.917,52 para quitação de COFINS do período de apuração de outubro de 2003, R$ 996,80 para quitação de PIS do período de apuração de outubro de 2003, R$ 188,91, para quitação de COFINS de dezembro de 2003 e R$ 49,20, para pagamento de PIS. Nesse sentido, se o contribuinte comete equívocos no preenchimento de suas declarações, apenas a documentação contábil completa, que reflita de maneira inconteste o seu direito creditório, demonstrando que o imposto foi pago a maior, além da demonstração de que o crédito utilizado na DCOMP não foi reaproveitado no ajuste ou nas estimativas do ano calendário subseqüente, seriam hábeis a fazer com que o Princípio da Verdade Material laborasse a seu favor. [...] No caso dos autos, a Recorrente, logrou demonstrar o seu direito creditório, ainda que em momento avançado do processo administrativo fiscal, de maneira que, demonstrado de maneira inequívoca o seu direito creditório, é de ser dado provimento ao recurso voluntário. Está bem claro que o acórdão recorrido tratou de situação em que a contribuinte, na dinâmica própria que os processos de restituição/compensação (iniciados pelos próprios contribuintes) apresentam em relação à produção de prova, conseguiu produzir a prova demandada pelo Fisco, relativamente ao direito creditório por ela reivindicado na declaração de compensação. Mas não é esse o caso dos paradigmas trazidos pela PGFN. O problema apontado pelos paradigmas não foi a retificação extemporânea de declarações, a comprovação do direito creditório em momento inadequado, em uma fase mais adiantada do processo, ou algo semelhante a isso. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 13 12 O que os paradigmas não admitiram foi a inovação do pleito original, ou seja, a mudança do crédito inicialmente pleiteado. As próprias ementas das decisões evidenciam essa situação: Acórdão nº 10517.143 Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Exercício: 2002, 2003. Ementa: LIMITES DA LIDE INOVAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO NÃO EXPRESSO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Não cabe a análise de eventual direito creditório correspondente a saldo negativo de IRPJ apurado por empresa incorporada pela recorrente, se esse pleito não restou expresso e demonstrado desde o início, quando da apresentação da declaração de compensação. A alegação, trazida por ocasião da manifestação de inconformidade, constitui inovação na lide. Assim, correta a decisão recorrida, que dela não conheceu. RETIFICAÇÃO DE DIPJ APÓS DECISÃO ADMINISTRATIVA EM PROCESSO DE COMPENSAÇÃO DESCABIMENTO DA ANÁLISE NO MESMO PROCESSO Os eventuais direitos creditórios, oriundos de retificação de DIPJ efetuada após a decisão administrativa em processo de compensação, não mais podem ser apreciados no mesmo processo, por se tratar de inovação em relação à matéria originalmente discutida”. Acórdão nº 1202000.532 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário:2003. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, torna se inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.” (grifos acrescidos) Em resumo, o primeiro paradigma analisou saldos negativos de IRPJ nos anoscalendário 2001 e 2002. Quanto a 2001, além da total falta de comprovação do direito creditório em litígio, o paradigma apontou o problema de que a contribuinte, no curso do processo, tentou justificar o crédito pleiteado com saldo negativo apurado por empresa incorporada, e isso não fazia parte do pleito inicial. E quanto a 2002, o paradigma não aceitou que o saldo negativo desse período fosse inflado com saldo negativo de 1999, que também não fazia parte do pleito original. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10120.906184/200957 Acórdão n.º 9101004.082 CSRFT1 Fl. 14 13 O segundo paradigma, por sua vez, não admitiu que o direito creditório fosse alterado no curso do processo, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo do período. Não bastasse isso, o segundo paradigma ainda manifestou expressamente o entendimento de que a redução do débito confessado em DCTF somente pode ser admitida com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada, e é exatamente esse o contexto do acórdão recorrido. Ou seja, o recorrido admitiu a redução do débito confessado em DCTF porque entendeu que a contribuinte apresentou elementos para tanto (conforme a transcrição acima), de modo que, quanto à possibilidade de retificação da referida declaração, essas decisões são totalmente convergentes, guardadas as diferenças dos aspectos fáticos examinados por cada uma delas. Uma coisa é a retificação de declarações que guardam relação com a formação do direito creditório reivindicado (DIPJ, DCTF, etc.), visando a sua comprovação. Outra coisa bem distinta é a tentativa indireta de retificação do próprio PER/DCOMP que vem sendo analisado no curso do processo, no intuito de alterar o direito creditório pleiteado (mudança de período, de tributo, do próprio sujeito passivo que gerou o crédito, etc.). No caso do acórdão recorrido, não houve qualquer inovação em relação ao crédito inicialmente pleiteado. A contribuinte reivindicou direito creditório por pagamento indevido ou a maior de CSLL no 3º trimestre de 2003, e foi esse exatamente o indébito reconhecido, mediante análise da documentação apresentada (Diário, Lalur e Balancetes). Não há paralelo entre as decisões para que se possa caracterizar a alegada divergência jurisprudencial. Os contextos distintos justificam perfeitamente as diferentes decisões. A falta de comprovação de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.902329/2011-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Nos termos do § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se falar em homologação tácita.
Numero da decisão: 3002-000.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se falar em homologação tácita.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente EMBALAGEM CARTON PACK LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Nos termos do § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Tendo o despacho decisório sido proferido dentro deste prazo, não há que se falar em homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 23 29 /2 01 1- 30 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11065.902329/201130 Acórdão n.º 3002000.635 S3C0T2 Fl. 365,5 2 Por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 341 dos autos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente homologou as compensações declaradas, em razão de glosas de créditos efetuadas pela fiscalização. Tempestivamente apresentou sua manifestação de inconformidade alegando basicamente que teria ocorrido a homologação, por decurso de prazo, da apuração mensal do IPI, conforme legislação e jurisprudência citadas, rezumindo suas razões como se segue: O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, documentos de constituição e representação da empresa, de identificação do procurador e documentos contábeis (fls. 313/336). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase como não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. O prazo para não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11065.902329/201130 Acórdão n.º 3002000.635 S3C0T2 Fl. 366 3 Em pedidos de ressarcimento de IPI, cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não a constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 340/344) consignou não terem sido contestadas as glosas de créditos não ressarcíveis, tornando a matéria definitiva em âmbito administrativo. Consignou, também, o não acolhimento da arguição de decadência do direito do fisco de revisar as compensações, o que teria, supostamente, levado à homologação da compensação, sob o fundamento de que a PERDCOMP foi retificada em 25/05/2006 e a ciência do Despacho decisório se deu em 11/05/11. O órgão julgador esclareceu que não corre, no caso, prazo decadencial para o Fisco. Explicou que, como o credor nesta situação é o contribuinte, contra ele corre o prazo decadencial de pleitear ressarcimento. Assim, uma vez apresentado o pleito, iniciase o prazo prescricional para o Fisco homologar o procedimento. Entendeu não ter se operado nem a decadência para o contribuinte, nem a prescrição para o Fisco, julgando improcedente, assim, a peça defensiva. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 31/10/2014 (vide Termo de ciência à fl. 349 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 03/11/2014, Recurso Voluntário (fls. 351/361). Em seu recurso, o contribuinte alegou que, caso se adote a data da retificação da PERDCOMP para contagem do prazo decadencial, isto só pode se dar em relação à parte alterada na declaração. Arguiu a violação à ampla defesa e ao contraditório, afirmando não ter acesso à declaração inicialmente enviada, e pugnando, por isso, pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora junte aos autos a primeira declaração enviada. No mérito, o contribuinte insistiu no argumento de ter ocorrido decadência do crédito tributário, alegando que o IPI enquadrase na hipótese de lançamento por homologação, prevista no artigo 150 do CTN. Reiterou, assim, os termos da sua impugnação relativas ao tema. Pediu, ao fim, conversão do julgamento em diligência para que seja juntada, pela autoridade preparadora, a declaração enviada inicialmente, bem como pediu o reconhecimento dos alegados créditos e a homologação das compensações. Não juntou novos documentos em seu recurso. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11065.902329/201130 Acórdão n.º 3002000.635 S3C0T2 Fl. 366,5 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima relatado, o contribuinte arguiu preliminarmente que teria havido violação à ampla defesa e ao contraditório, visto que não teve acesso à declaração inicialmente enviada. Sendo assim, requereu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntada aos autos, pela autoridade preparadora, a referida declaração. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Ora, considerando que a declaração inicial fora transmitida pelo próprio contribuinte, não restam dúvidas que este possui acesso à declaração e pleno conhecimento quanto ao seu conteúdo, apresentandose no mínimo desarrazoado o pleito de que este documento seja anexado aos autos pela autoridade preparadora. Sendo assim, não há que se falar em violação à ampla defesa e ao contraditório do contribuinte no presente caso. Não bastasse a inexistência da violação arguida, verificase que a diligência requerida se apresenta completamente desnecessária à solução da presente contenda, pelo que deverá ser indeferida. Ultrapassada essa questão preliminar, passo à análise do único argumento constante do Recurso Voluntário remanescente de discussão. Como se viu acima, as glosas de créditos não ressarcíveis não sofreu contestação por parte do contribuinte, o que tornou a matéria definitiva em âmbito administrativo. Permaneceu em julgamento, portanto, tão somente o argumento atinente à homologação tácita da compensação apresentada. Em que pese a alegação da Recorrente de que teria se configurado a decadência no caso vertente, concordo com os esclarecimentos feitos pela DRJ na decisão recorrida em que faz uma correta distinção entre as hipóteses relacionadas à decadência e as hipóteses relacionadas à homologação tácita. A seguir, transcrevo passagem da decisão recorrida nesse sentido: Quanto à alegada decadência do direito do Fisco de revisar o crédito pleiteado, a requerente parece confundir a apreciação de direito creditório vinculado a compensação de débitos com o lançamento de tributo pela Administração Tributária. Para esclarecer a aparente confusão, há que se compreender a decadência aplicada no âmbito tributário. O instituto da decadência tem por objetivo último garantir a estabilidade jurídica, impedindo que direitos permaneçam latentes ad eternum no plano do deverser e possam se materializar a qualquer momento, invocados pelos seus titulares, produzindo efeitos para os sujeitos do pólo passivo desses direitos e até terceiros envolvidos em relações jurídicas subseqüentes. Assim, a decadência sempre opera no sentido de extinguir direitos do sujeito do pólo ativo de uma relação obrigacional com o decurso de um prazo prédeterminado. Ou seja, a decadência sempre atua contra o credor. No caso da relação obrigacional tributária usual, a Administração Tributária é o pólo ativo, o credor, e, portanto, a decadência atua contra ela, impedindoa de constituir o crédito tributário pelo lançamento, após decorrido o prazo decadencial estipulado no art. 150, inciso IV, e no art. 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional CTN. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11065.902329/201130 Acórdão n.º 3002000.635 S3C0T2 Fl. 367 5 Ocorre que, no caso do ressarcimento do saldo credor de IPI e de sua utilização para compensação de tributos federais, a situação é inversa. A primeira relação obrigacional que surge a partir do saldo credor apurado ao final do trimestre calendário é tal que a contribuinte é o pólo ativo e o Fisco o pólo passivo. Para essa situação também existe um prazo decadencial estabelecido, porém é o prazo de cinco anos do art. 1o do Decreto no 20.910, de 06/01/1932, consoante o Parecer Normativo CST n° 515, de 10 de agosto de 1971. E esse prazo decadencial corre contra o titular do direito, ou seja, contra a contribuinte, que deve materializar seu direito dentro desse prazo por meio da formalização do correspondente pedido de ressarcimento, sob pena de perda do direito. No presente caso, os pedidos foram feitos dentro do prazo, portanto não ocorreu a decadência do direito ao ressarcimento, o que não interfere na necessária análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Superada a decadência do direito creditório da contribuinte pela formulação do pedido de ressarcimento e com a superveniente declaração de compensação que pretende a utilização desse crédito, no todo ou em parte, para quitação de tributos federais, o prazo estabelecido pelo sistema normativo para garantir a estabilidade jurídica é o prazo de homologação tácita da compensação declarada, e está disposto no § 5º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduzido pelo art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Esse prazo, por seu turno, corre contra a Administração Tributária, tem natureza prescricional e referese ao direito de cobrar a eventual diferença a maior entre o tributo compensado e o crédito reconhecido em favor da contribuinte. Também esse prazo não decorreu in albis na situação em tela, conforme já analisado. No caso dos presentes autos, portanto, em que se analisa pedido de compensação, é certo que a situação a ser apreciada diz respeito à ocorrência ou não da homologação tácita, ou seja, ao prazo que a Receita Federal teria para apreciar o pedido de compensação apresentado, sob pena deste ser considerado tacitamente homologado. E, como esclarecido acima, este prazo encontra previsão no § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...). § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Nesse contexto, o prazo que a Receita Federal dispõe para analisar o pedido de compensação apresentado é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da compensação. E, consoante também corretamente analisou a DRJ in casu, não houve a sua configuração. Isso porque, extraise dos autos que a PERDCOMP em referência fora retificada em 25/05/2006. Logo, tendo o contribuinte tomado ciência do despacho decisório em 11/05/2011, não há que se falar em homologação tácita. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11065.902329/201130 Acórdão n.º 3002000.635 S3C0T2 Fl. 367,5 6 Por outro lado, tampouco subsiste o argumento do Recorrente de que, em casos de retificação da DCOMP, apenas o montante retificado não seria atacado pela homologação tácita. Ora, uma vez retificadas as informações anteriormente enviadas, não restam dúvidas que o prazo de apreciação por parte da Receita Federal para fins de homologação tácita tem novo termo inicial, pois é a partir daquele momento que ela passa a ter conhecimento das novas informações prestadas pelo contribuinte, para que possa validálas ou não. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000823/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2004
DENÚNICA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.
O pagamento concomitante ou anterior à confissão de débito em DCTF, antes de qualquer procedimento de ofício, enseja o reconhecimento da espontaneidade e afasta a aplicação da multa de mora.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-005.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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MULTA DE MORA. O pagamento concomitante ou anterior à confissão de débito em DCTF, antes de qualquer procedimento de ofício, enseja o reconhecimento da espontaneidade e afasta a aplicação da multa de mora. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 08 23 /2 00 7- 72 Fl. 200DF CARF MF 2 Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fis. 65/83), relativo ao PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 287.831,47, relativo à multa moratória (R$ 287.717,57) e juros moratórios não pagos (R$ 113,90), correspondente aos períodos de 01/2004 a 12/2004. Em consulta à “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal PIS / 2004” (fl. 66), verificase que a autuação é resultado de procedimento de auditoria interna da DCTF, na qual foi apurada “falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais.” Os dispositivos legais infiingidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido Auto de Infração, conforme a seguir: art. 160 do CTN; arts. 43 e 61 e §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Irresignado, tendo sido cientificado em 19/03/2007 (fl. 85), o autuado apresentou, em 18/04/2007, as suas razões de discordância (fis. 01/ 1 1), assim resumidas: Inicialmente, informa que procedeu ao recolhimento da exigência relativa aos juros de mora, em razão do baixo valor envolvido, conforme comprova a guia de recolhimento anexa (fl. 49). ' Tecendo uma narrativa histórica acerca da evolução do panorama legislativo da contribuição em foco, no mérito, aduz que a exigência relativa à multa moratória não merece prosperar, porquanto ilegítima, uma vez que denunciara espontaneamente a infração, acompanhada do recolhimento do principal acrescido dos juros moratórios, fato que afasta, por si só, a incidência de qualquer tipo de multa, moratória ou punitiva, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, pelo que requer seja cancelado o presente lançamento. Para corroborar seu direito, transcreve doutrina e jurisprudência, tanto administrativa quanto do poder judiciário, firmando o entendimento de que a multa de mora seria inexigível na hipótese de denúncia espontânea. E o relatório. A 1ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG, por meio do Acórdão 0223.291, de 10/08/2009, decidiu pela improcedência da Impugnação. Transcrevo a ementa: Assumo: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Periodo de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2004 Nonnas Gerais de Direito Tributário A denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN não afasta a aplicação da multa de mora. No Recurso Voluntário, a empresa informa que pagou parte da autuação referente a juros de mora, e reitera as razões de defesa. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 13603.000823/200772 Acórdão n.º 3201005.180 S3C2T1 Fl. 3 3 Posteriormente, noticiou o julgamento do REsp 1.149.022, sob o regime dos recursos repetitivos, tratando da matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Há duas decisões do Superior Tribunal de Justiça, ambas no regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), que tratam do assunto, REsp 1.149.022/SP e REsp 886.462/RS. Transcrevo as teses firmadas e as ementas: Resp 886.462/RS, transito em julgado em 01/12/2008: Tese firmada: Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos declarados, porém pagos a destempo pelo contribuinte, ainda que o pagamento seja integral. TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1 Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Resp 1.149.022/SP, trânsito em julgado em 30/08/2010: Tese Firmada: Fl. 202DF CARF MF 4 A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13603.000823/200772 Acórdão n.º 3201005.180 S3C2T1 Fl. 4 5 espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional,tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9/6/2010, DJe 24/6/2010) – sem destaques no original Em resumo, os julgados do STJ estabelecem assim: DCTF anterior ao pagamento a destempo: cabe multa de mora; DCTF posterior ou concomitante ao pagamento a destempo: não cabe multa de mora. Em ambos os casos, claro, antes de qualquer procedimento de ofício. No caso presente, os pagamentos foram efeitos em 31/03/2006 (fls. 64 a 75). As DCTF´s foram entregues em 03/04/2006 (fl. 135), portanto, os pagamentos foram anteriores às DCTF´s, e acompanhando as decisões do STJ, não cabe, no caso, o lançamento de multa de mora. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 204DF CARF MF 6 Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.722804/2016-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Afasta-se a hipótese de nulidade por ausência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando o auto de infração é lavrado por autoridade legalmente competente e o sujeito passivo tem regular ciência do ato administrativo de constituição de ofício dos créditos tributários, que esteja fundamentado com todos os elementos de fato e de direito necessários para a configuração da infração e o exercício pleno do direito de defesa.
DEDUÇÃO DE DESPESAS. DESPESAS NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA
São dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL somente as despesas necessárias e efetivamente incorridas. Incumbe ao sujeito passivo, uma vez intimado para tanto, comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da despesa, sob pena de glosa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
CSLL. GLOSA DE DESPESA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, uma vez que a matéria afeta igualmente a base de cálculo da contribuição e é fundada nos mesmo elementos de prova.
Numero da decisão: 1401-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, que lhe dava provimento parcial. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Afasta-se a hipótese de nulidade por ausência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando o auto de infração é lavrado por autoridade legalmente competente e o sujeito passivo tem regular ciência do ato administrativo de constituição de ofício dos créditos tributários, que esteja fundamentado com todos os elementos de fato e de direito necessários para a configuração da infração e o exercício pleno do direito de defesa. DEDUÇÃO DE DESPESAS. DESPESAS NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA São dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL somente as despesas necessárias e efetivamente incorridas. Incumbe ao sujeito passivo, uma vez intimado para tanto, comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da despesa, sob pena de glosa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011 CSLL. GLOSA DE DESPESA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, uma vez que a matéria afeta igualmente a base de cálculo da contribuição e é fundada nos mesmo elementos de prova.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, que lhe dava provimento parcial. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira - Relator. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves
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AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Afastase a hipótese de nulidade por ausência de fundamentação ou cerceamento de defesa quando o auto de infração é lavrado por autoridade legalmente competente e o sujeito passivo tem regular ciência do ato administrativo de constituição de ofício dos créditos tributários, que esteja fundamentado com todos os elementos de fato e de direito necessários para a configuração da infração e o exercício pleno do direito de defesa. DEDUÇÃO DE DESPESAS. DESPESAS NECESSÁRIAS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA São dedutíveis para fins de IRPJ e CSLL somente as despesas necessárias e efetivamente incorridas. Incumbe ao sujeito passivo, uma vez intimado para tanto, comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da despesa, sob pena de glosa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 CSLL. GLOSA DE DESPESA. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, uma vez que a matéria afeta igualmente a base de cálculo da contribuição e é fundada nos mesmo elementos de prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Por maioria de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 28 04 /2 01 6- 47 Fl. 787DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 788 2 votos, negar provimento ao recurso de ofício. Vencido o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, que lhe dava provimento parcial. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relatório Inicialmente, adoto o minucioso relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte para descrever os fatos ocorridos até aquele momento processual: I – DOS ATOS ADMINISTRATIVOS 260 a 315 Os autos de infração foram lavrados para exigência do IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2011, no total de R$21.439.962,24, sob o fundamento de despesas não necessárias. O Termo de Verificação de Infração, depois de apresentar histórico dos procedimentos fiscais, destacando as intimações para o contribuinte apresentar as justificativas e comprovação, registra no tópico 4 – Da Infração: “Após analisar as informações e documentos apresentados pelo contribuinte, concluiuse o seguinte: Nos contratos firmados entre SICPA e ENIGMA, as cláusulas relativas ao objeto do contrato tratam apenas de "representação dos produtos SICPA", estabelecendo que a ENIGMA realizaria suas atividades de modo a promover com zelo, lealdade e responsabilidade o agenciamento de pedidos e vendas dos produtos da SICPA, de forma a otimizar e propagar os negócios desta. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 789 3 O contribuinte, entretanto, não apresentou nenhum documento que comprovasse a efetiva prestação de serviços e justificasse a cobrança de honorários tão elevados pela intermediação da ENIGMA nos contratos firmados com a CMB. A CMB, tratandose de uma empresa governamental, deveria contratar por meio de licitação ou cartaconvite, não se aceitando intermediação no fechamento de seus contratos. A própria SICPA participou das licitações, todavia, não houve concorrentes, haja vista serem seus produtos/serviços específicos e únicos. Ora, se a SICPA participou das licitações e se seus produtos/serviços eram específicos e únicos, inexistindo concorrentes, não seria necessária, por conseguinte, a intermediação de terceiros. De todos os documentos apresentados, tidos como elaborados pela ENIGMA, nenhum aponta a venda de produtos e serviços para a CMB, observandose apenas comentários e análises políticoeconômicas, sem qualquer vínculo com os contratos assinados, seja entre SICPA e ENIGMA ou entre SICPA e CMB. A partir de informações constantes nos sistemas informatizados da Secretária da Receita Federal do Brasil, constatouse que uma parte expressiva dos pagamentos efetuados à ENIGMA foi calculada com base no faturamento da SICPA contra a CMB. Ora, se as empresas governamentais são obrigadas a contratar mediante licitação, não se admitindo intermediações nas contratações, fica evidente que a ENIGMA não poderia obter faturamento tão elevado a título de intermediação (4 a 8% do valor total da venda líquida sem impostos de cada projeto registrado), ainda mais se considerarmos que nenhuma prova foi apresentada no que se refere à intermediação junto à CMB. É importante pontuar aqui que os pagamentos efetuados pela SCIPA à ENIGMA decorreram de despesas relativas à prestação de serviços por terceiros, cuja efetividade não foi comprovada pelo contribuinte, consideradas, por conta disso, não necessárias à sua atividade operacional, não sendo, por conseguinte, dedutíveis na apuração de seu lucro real”. A multa de ofício foi aplicada no percentual de 150% sob o entendimento de ter havido dissimulação dolosa no negócio jurídico realizado. II – DA DEFESA – fls. 323 a 350 A peça de defesa apresenta os seguintes tópicos. I – Da Tempestividade Afirma ter tomado ciência em 26/12/2016 e, portanto, o prazo se encerra em 25/01/2017. II – Nulidade do auto de infração – Ausência de justificativa, presunções equivocadas – Necessário cancelamento integral da cobrança. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 790 4 Defende a nulidade sob o argumento de completa ausência de justificativa para realizar a cobrança de valores sobre patamares vultosos. Complementa que a fiscalização não logrou êxito de compreender o aspecto fático da operação comercial realizada e sequer se preocupou em elaborar uma justificativa para embasar a sua cobrança, perdendose em afirmativas equivocadas sem a devida caracterização e descrição dos elementos fáticos que embasaram o lançamento. Aduz que o artigo 304 do Decreto nº 3.000/99 não é citado pela autoridade fiscal, demonstrando a ausência de entendimento da verdade dos fatos, em que pese a robusta documentação apresentada. Afirma que, ao tentar justificar a cobrança da multa qualificada, a autoridade fiscal simplesmente realiza extensa transcrição doutrinária e de jurisprudência, mas não demonstra qual seria a suposta simulação existente e qual o crime tributário cometido. Por fim, destaca que o simples fato de se apresentar a defesa sana qualquer prejuízo à ampla defesa. II.A – Ausência de justificação por parte do fisco para realizar a autuação Nulidade do auto de infração – Inexistência de motivação. Retomando as afirmações do tópico anterior, complementa que a presente autuação traduzse em verdadeira transcrição das informações contidas no auto de infração, referente aos anos calendários de 2009 e 2010, consubstanciado no processo administrativo nº 18470.732050/201310, demonstrando que não houve a efetiva análise da documentação e a compreensão da operação realizada. II.B – Da inexigibilidade de processo licitatório Novamente afirma que as informações que serviram de base para a lavratura do auto de infração tiveram por base premissas equivocadas e, portanto, não possui o condão de motivar a autuação. Destaca que a contratação para a prestação de serviços à CMB foi inexigível de processo licitatório conforme se depreende dos contratos que apresenta. No entanto, continua, o fisco insiste no entendimento de que contratação foi realizada via licitação ou cartaconvite. II.C – Da regularidade da comissão da representante Destaca que o fisco não analisou os contratos firmados com a Representante, por não ter sido considerados elementos e dados relevantes para formação de sua convicção e efetivamente motivar a autuação. Complementa que a afirmação da autoridade atuante de que os serviços prestados não justificariam a cobrança no percentuais de 4 a 8% das vendas Fl. 790DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 791 5 líquidas demonstra a total ausência de análise do fisco sobre a documentação apresentada. Esclarece que os pagamentos estão dentro da normalidade e que a comissão perfazia no máximo 2%, segundo a planilha que apresenta. Acentua que o percentual de comissão pode ser livremente pactuado entre as partes, não sendo necessário, sequer, a celebração de contrato por escrito. II. D – A devida apresentação de toda a documentação solicitada durante a fiscalização. Afirma que, ao contrário do que a fiscalização alega, apresentou toda a documentação comprobatória das operações objetos da autuação, inclusive de forma organizada, com o correto nome do arquivo solicitado. II. E – Flagrante ausência de motivação: Existência de presunções infundadas. Neste tópico, basicamente, são reforçados os argumentos anteriormente registrados, inclusive citando a afirmação da fiscalização de os relatórios seriam difusos. Entende a interessada que a fiscalização não apresenta as especificidades necessárias, sendo, assim, uma motivação insuficiente e não comprovada, o que dificulta a própria defesa. II. F – Erro no valor da NF nº 135 da planilha anexo ao termo de verificação fiscal. Afirma que a nota fiscal 135 está correlacionada ao valor de R$ 103.693,17, quando o valor correto seria R$ 71.527,89 e que é esta circunstância macula por completo a presente atuação. II. G – DA CONSEQUENTE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Entende que diante dos equívocos insanáveis apresentados, não pairam dúvidas de que a motivação do presente lançamento fiscal é deficiente, restando imperiosa a anulação do ato. Repete os argumentos de falta de verificação dos documentos, equívocos e presunções infundadas e conclui: “Bem por isso, é preciso ressaltar a absoluta NULIDADE dos Autos de Infração em comento, em razão de inexorável ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, previstos no art. 50, da Lei nº 9.784”. II. H – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA RESPALDAR A PRESENTE COBRANÇA. Apresenta várias considerações para asseverar mais uma vez que Fl. 791DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 792 6 “Isso porque, in casu, o Fisco atuante, ao proceder com o ato da lavratura do auto de infração não declarou as exatas razões de fato e de direito que fundamentaram a presente cobrança. Frisese que o exercício do ato administrativo, em sendo uma função estatal, exige, sob qualquer hipótese, a existência da motivação e ausência desta implica em nulidade insanável...” III – DOS FATOS Apresenta relato dos procedimentos fiscais. III.A ATUAÇÃO DA IMPUGNANTE NO MERCADO BRASILEIRO – DESENVOLVIMENTO DE NOVOS MERCADOS – PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TECNOLOGIA. Registra que atua no mercado de tintas, pigmentos, vernizes, ceras e outras matérias primas destinadas a impressão de cédulas e outros documentos em que a segurança se faz necessária. Diante da nova tendência do mercado mundial, desenvolveu produtos e projetos para ingressar no mercado de sistemas de seguranças para detecção e rastreamento de documentos, produtos e outros bens. Assim, deparouse com a necessidade de um representante comercial para identificar potenciais mercados e clientes. III.B – DO CONTRATO FIRMADO ENTRE A REPRESENTANTE E A ORA IMPUGNANTE Diante de tal conjuntura firmou contrato com o representante, empresa privada de notória experiência na prospecção e intermediação de negócios na área de segurança. No Anexo I do referido contrato encontramse listados os produtos objeto da representação e no Anexo II os projetos em relação aos quais a representante fornecerá o suporte para desenvolvimento. Destaca que os projetos abrangem ramos e destinatários distintos, não tendo a impugnante firmado contrato apenas e unicamente em razão da contratação com a Casa da Moeda do Brasil (CMB), como inadvertidamente entendeu o fiscal autuante. III.C – DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA IMPUGNANTE À CMB – INTERESSE DA FISCALIZAÇÃO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Descreve o relacionamento comercial com a CMB e RFB, afirmando que foi necessário um trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB, o que ocorreu através da intervenção da representante. IV – DO DIREITO Fl. 792DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 793 7 IV.A – DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS INCORRIDAS DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL E DO IRPJ. Apresenta a legislação que permite a dedução de tais despesas, destacando que a autoridade fiscalizadora jamais esclareceu o motivo da ausência de necessidade da atuação da representante e nem discorreu sobre a falta de relação desta com a atividade operacional da impugnante. Questiona a utilização da terminologia “relatórios difusos” usado pela fiscalização. Complementa que os relatórios não guardam relação com os serviços objeto dos contratos realizados entre ora Impugnante e CMB e, certamente, nem poderiam. Isso pois, a atuação da Representante encontrase ligado à promoção dos produtos da Impugnante e não no desenvolvimento tecnológico dos produtos. Conclui que resta comprovado que a despesa foi incorrida e que o serviço foi prestado. IV.B – DA DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE COMISSÃO Transcreve legislação que permite a dedutibilidade de despesas com a comissão de representante, asseverando que compete ao fisco demonstrar que os pagamentos realizados não possuem o efetivo comprovante hábil e idôneo, que estes não foram realizados e que a comissão não possui vínculo com o negócio que o motivou. IV.C A INAPLICABILIDADE DA MULTA QUALIFICADA Aduz que a autoridade atuante não descreve qual foi a forma ardilosa e nem explica quais os fins ocultos que a impugnante objetivava com a simulação e sequer indica qual o suposto crime tributário cometido, considerando que transcreve todos os dispositivos legais sobre o tema. IV.C.1 – DA INEXISTÊNCIA DE DOLO NAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE. Assevera que não se encontram presentes nenhum dos requisitos essenciais para que se comprove a existência do elemento dolo na documentação fiscal, contábil ou demais provas apresentadas pela impugnante no que tange ao gasto despendido com relação ao representante. IV.C.2 – DA INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO NAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE. Sustenta que também não se encontram presentes os pressupostos para a caracterização de sonegação. IV.C.3 – DA INEXISTÊNCIA DE FRAUDE NAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE. Afirma que jamais utilizou de fraude para se esquivar das determinações legais. Fl. 793DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 794 8 IV.C.4 – DA INEXISTÊNCIA DE SIMULAÇÃO NAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE. Reforça que não há na operação objeto da presente autuação, nenhum esquema de conluio ou simulação. IV.D – DA GARANTIA LEGAL E O PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Realça que a autoridade administrativa não está adstrita a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelos contribuintes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. V – DO PEDIDO Requer que seja julgado improcedente o auto de infração, cancelando o lançamento tributário. A impugnante cita/descreve decisões administrativas/judiciais e entendimentos doutrinários. No julgamento de primeira instância, a DRJ decidiu pelo acolhimento parcial da impugnação para retificar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em relação ao mês de outubro de 2011, corrigindo o valor de R$ 103.693,17 para R$ 71.527,89, e para afastar a aplicação da multa qualificada. Em função da retificação da base de cálculo de 10/2011 e do afastamento da multa qualificada, a DRJ recorreu de ofício. Inconformada, a contribuinte manejou o recurso voluntário, no qual repisou as alegações da impugnação e dirigiu algumas novas diretamente aos fundamentos da decisão de piso. Passo a expor as alegações dirigidas diretamente à fundamentação da decisão da DRJ. Inexigibilidade de processo licitatório. A recorrente alega que, ao contrário do que entendeu a DRJ, a fiscalização afirmou no Termo de Verificação Fiscal que os contratos assinados entre a SICPA e a Casa da Moeda do Brasil teria decorrido de licitações. Tal entendimento seria equivocado, pois nas contratações mencionadas, haveria inexigibilidade de processo licitatório. E justifica a atuação da representante comercial nos seguintes termos: "No entanto, para que tudo isso ocorresse, foi necessária a realização de um trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que a ora Recorrente possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB, o que ocorreu através da intervenção da Representante". Premissa equivocada. Representação comercial não configura prestação de serviços. Fl. 794DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 795 9 Neste tópico, a recorrente argumenta que a representação comercial é disciplinada pela Lei nº 4.886/1965 e não configura prestação de serviço, ou seja, quando "uma das partes (prestador) se obriga para com outra (tomador), a fornecerlhe a prestação de uma atividade, mediante a remuneração". Aduz que a DRJ adotou a premissa equivocada de que representação comercial seria prestação de serviços de terceiros para concluir pela indedutibilidade da despesa. Equívoco na interpretação da expressão "relatórios difusos". A recorrente destaca que, no TVF, uma das razões apontadas pela fiscalização para fundamentar a indedutibilidade das despesas com a Enigma foi a apresentação de "relatórios difusos". De acordo com suas alegações, a DRJ teria atribuído a essa expressão o sentido de relatórios que "não refletem os serviços objetos dos contratos, fato reconhecido pela própria impugnante". Sobre a matéria, lança os seguintes argumentos: A DRJ não observou a falta de fundamentação do auto de infração, que repetiu o Termo de Verificação Fiscal de procedimento anterior. A recorrente alega que o auto de infração repete informações do procedimento fiscal anterior, consubstanciado no processo nº 18470.732050/201310, e a DRJ não observou a realidade fática relativa ao anocalendário de 2011, em que há novos documentos, contratos, notas fiscais. Não poderia a DRJ pressupor que, em 2011, os fatos são idênticos aos dos anos anteriores. Em análise perfunctória, a DRJ considerou inócua a discussão acerca dos percentuais da comissão auferida pela Enigma. Fl. 795DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 796 10 Neste aspecto, a Recorrente alega que os percentuais chegavam, no máximo a 2% e que os pagamentos encontramse dentro da normalidade, conforme Termo Aditivo assinado em 29/09/2009. Para demonstrar a sua razão, a recorrente apresenta tabela comparando receita líquida e "valor da comissão sobre o serviço". (p. 23 do recurso voluntário) Ademais, alega a recorrente que a comissão pode ser livremente pactuada entre as partes e, no caso, estaria de acordo com o percentual empregado no mercado (2%). A DRJ entendeu que não restou demonstrada a efetividade da atividade de intermediação, apesar das evidências e provas apresentadas. A recorrente, em resposta às questões postas pela DRJ na fundamentação de sua decisão, lança os seguintes argumentos para demonstrar a efetividade da atividade de intermediação: Como dito, as demais alegações e argumentos do recurso voluntário repetem a impugnação. É o que havia a relatar. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. Fl. 796DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 797 11 Os recursos de ofício e voluntário são tempestivos e atendem os requisitos legais. Deles tomo conhecimento. Preliminares de nulidade. As preliminares de nulidade da impugnação foram repisadas no recurso voluntário. Como as alegações foram bem enfrentadas na decisão a quo, penso que, nessa matéria, a decisão da DRJ deve ser mantida por seus fundamentos: II DA PRELIMINAR DE NULIDADE Em sua peça de defesa, reiteradas vezes, no tópico II e sub tópicos II.A a H, proclama ter havido cerceamento de defesa, presunções equivocadas, falta de compreensão do aspecto fático, não análise da documentação, transcrição das informações contidas no auto de infração do processo nº 18470.732050/2013 10, quando a interessada foi autuada pelos mesmos motivos, erro de transcrição do valor de uma nota fiscal, ausência de justificativa/motivação por parte da autoridade tributária, impondo, sob sua ótica, o reconhecimento de nulidade dos atos administrativos. A tese da impugnante não merece prosperar. Primeiramente porque, como se sabe, para que se exteriorize qualquer nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal, deve ser atingido irremediavelmente o artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Comprovadamente o Auditor que presidiu o procedimento é servidor de carreira, integrante dos quadros da Receita Federal e competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. A impugnante antecipa e contesta o possível argumento de que a apresentação da defesa já demonstra a inexistência de cerceamento do seu direito de contestar o feito. No entanto, tal visão de futuro não tolhe a conclusão de que, realmente, no caso concreto, constatase que a impugnante teve ao seu dispor todos os elementos necessários para elaborar sua defesa. Pelo exame das peças acostadas aos autos, constatase que a autoridade fiscal atevese aos princípios da legalidade e da razoabilidade. Não se vislumbra qualquer indício de ter ido Fl. 797DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 798 12 além do que a lei determina. A impugnante foi regularmente intimada a apresentar os elementos, documentos e justificativas que julgasse pertinentes A conclusão fiscal amparase em determinações legais. Se a impugnante demonstrar que algum valor foi indevidamente considerado pela fiscalização, este fato não se constitui fator suficiente para nulidade e será devidamente analisado no momento oportuno. Logo, os seus argumentos não se revelam suficientes para invalidar o trabalho fiscal. Destaquese que ação fiscal, no que tange à produção de provas, é conduzida de forma unilateral pela autoridade fiscal, independentemente do contraditório e muito menos da participação direta e decisiva do fiscalizado. Obviamente, em muitos casos, a fiscalização, se entender necessário, poderá intimar o sujeito passivo a manifestarse a respeito dos fatos apurados, com a finalidade de delimitar o curso da ação fiscal. Assim é que foram emitidos vários termos de intimação, inclusive para que a impugnante apresentasse os documentos que não foram trazidos em decorrência de intimação anterior. Entretanto, não se trata de contraditório. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado à contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. As intimações, tabelas, demonstrações e explicações, constantes dos autos demonstram que a autoridade fiscal buscou diligentemente estabelecer a verdade, atuando de maneira plenamente técnica, relacionando pormenorizadamente todos os valores objetos da autuação. Não houve desconsideração da documentação apresentada, como afirma a impugnante. Simplesmente, analisando a documentação, a autoridade concluiu por insuficiente ou incapaz de demonstrar o alegado pela empresa. A ausência de indicação de artigo específico indicando a fundamentação legal que embasa o lançamento não pode ser entendida como sustentação para se admitir cerceamento ao direito de defesa se os fatos se encontram devidamente delineados nas peças fiscais. No tópico III – DOS FATOS, a impugnante demonstra o perfeito entendimento da fundamentação do lançamento efetuado, como se pode constatar pela transcrição do texto abaixo. “Segundo a Autoridade Fiscal, referido valor é devido posto que os pagamentos efetuados pela Impugnante à empresa Representante constituem despesas relativas à prestação de serviços por terceiros, cuja necessidade não foi comprovada, de modo que tais pagamentos não são passíveis de dedução na apuração do lucro real, nos termos do artigo 299 do RIR” Fl. 798DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 799 13 Sob o ângulo conceitual, não há de se discordar do entendimento da impugnante, que, inclusive, transcreve a respectiva legislação, segundo o qual custos e despesas, para fins de dedutibilidade, devem estar fincados em documentos hábeis e idôneos e se revestir dos pressupostos de usualidade, necessidade e normalidade. Portanto, resta ver, de acordo com o que consta nos autos, se as provas carreadas pela impugnante para tal comprovação atingem aquilo que a legislação exige. Há de se retomar o argumento da impugnante de que a autoridade fiscal não entendeu os pressupostos fáticos norteadores da operação de representação, baseandose tal somente em presunção equivocada, inclusive, tendo recorrido a termos lavrados em atuações anteriores. De fato, a autoridade fiscal registra esta situação, ao informar igual antecedente nos anos de 2009 e 2010. “Os referidos fatos constituem reiteração da infração já observada anteriormente, nos anoscalendário de 2009 e 2010, consistindo na não comprovação da efetividade dos serviços prestados a título de consultoria por terceiro, no caso, a ENIGMA CONSULTORIA, PARTICIPAÇÕES E REPRESENTAÇÕES LTDA(CNPJ 07.152.948/000101), conforme autuação consignada no Processo Administrativo Fiscal PAF n°18470.732.050/201310.Tal autuação, é importante que se diga, além de não ter sido objeto de qualquer impugnação, já foi devidamente quitada pelo contribuinte.” Não há qualquer indicação da fiscalização de que simplesmente os fatos ocorridos em 2011 são passíveis de tributação porque ocorreram em 2009 e 2010. A fiscalização delimita perfeitamente a situação em seu aspecto temporal e apresenta relatos de fatos acontecidos e examinados no decorrer do ano calendário de 2012. Se estes fatos são os mesmos que aconteceram anteriormente não se pode afirmar que, por consequência, a fiscalização deixou de examinar os documentos apresentados. A impugnante entende ainda que a terminologia utilizada pela fiscalização quando consigna “relatórios difusos” dificultaria a sua defesa. Afirma que: “A Fiscalização, entretanto, de forma vaga informou que se tratam de “relatórios difusos” sem ao menos caracterizar ou descrever o seu entendimento sobre a utilização destes termo”. No entanto, a assertiva da impugnante, em sequência ao parágrafo acima transcrito, revela patente contradição, pois ela mesmo reconhece que os relatórios não guardam correspondência com os serviços a serem prestados constantes dos contratos. Confirase: “Ainda assim, impende salientar que os relatórios não guardam relação com os serviços objeto dos contratos realizados entre ora Impugnante e CMB e, certamente nem poderiam. Isso pois, a atuação da Representante encontrase ligado à promoção dos Fl. 799DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 800 14 produtos da Impugnante e não no desenvolvimento tecnológico dos produtos”. Não se compreende, portanto, o questionamento da impugnante quanto à assertiva da fiscalização segundo a transcrição do parágrafo onde a fiscalização aborda tal tema. “Os serviços de consultoria prestados restringiramse a “relatórios difusos”, regularmente fornecidos pela ENIGMA, que não têm nada a ver com os serviços objetos dos contratos entre as partes, e não justificariam a cobrança de honorários tão elevados (4 a 8% das vendas líquidas ao principal cliente da SICPA, cerca de 97% do seu faturamento, a Casa da Moeda do Brasil –CMB)” Como se pode perceber, sem adentrar em considerações semânticas, o termo “difuso” quer significar que não refletem os serviços objetos dos contratos, fato reconhecido pela própria impugnante. Da mesma forma, sustentar que possível equívoco de entendimento do fisco sobre a forma de contratação da impugnante por parte da CMB seria prova de ausência de motivação, revela descuidada leitura da peça fiscal. A fiscalização não afirma que a contratação FORA realizada via licitação ou cartaconvite como assinala a impugnante, mas sim que DEVERIA, conforme o trecho a seguir transcrito, com o destaque adicionado. “A CMB tratandose de uma empresa governamental, DEVERIA contratar por meio de licitação ou cartaconvite...” Certamente, tais argumentos não podem ser aceitos como causa de nulidade. Também não são fundamentos para reconhecimento de nulidade possíveis erros de transcrição de valores ou divergências de percentuais consignados nos autos, se tais equívocos podem ser sanados sem qualquer prejuízo à impugnante, se for o caso. Enfim, constatase que a autoridade administrativa, verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributária, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, propôs a aplicação da penalidade que entendeu cabível, constituiu o crédito tributário e deu ciência à impugnante, sem qualquer ofensa aos preceitos legais. Por tudo que foi exposto, não merecem guarida os argumentos da impugnante por serem frontalmente contrários às provas trazidas aos autos e a legislação de regência. Não se materializou qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, para que se caracterizasse a nulidade. Neste ponto, diante de robusta fundamentação, voto por afastar as preliminares de nulidade. Fl. 800DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 801 15 Mérito. De pronto, impende delinear a questão fulcral para o deslinde do presente feito. Tratase de matéria probatória atinente à dedutibilidade da despesa com a representação comercial prestada pela Enigma Consultoria, Participações e Representações Ltda (doravante, Enigma) à recorrente. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora resume a fundamentação para a indedutibilidade das despesas com a representante Enigma na seguinte forma: Cabe, assim, considerar que os pagamentos efetuados pela SICPA à ENIGMA constituem despesas relativas à prestação de serviços por terceiros, cuja efetividade não foi comprovada, sendo tais pagamentos, portanto, não necessários à sua atividade operacional, não sendo, portanto, dedutíveis na apuração de seu lucro real, conforme prevê o artigo 299 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), a saber: "Art.299 São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade operacional da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei 4.506, art.47) § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei 4.506, art.47, § 1º); § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei 4.506, art.47, § 2º).” A autoridade lançadora, seguindo a dicção do artigo 299 do Regulamento do Imposto sobre a Renda vigente à época dos fatos jurídicos tributários (Decreto nº 3.000/99), afirma que as despesas não foram comprovadas e, portanto, não se enquadram como despesas necessárias para a contribuinte. Despesas não necessárias são indedutíveis para fins de IRPJ, em consonância com a determinação do artigo 249, I, do RIR/99, que faz parte do enquadramento legal utilizado pela autoridade lançadora, conforme se pode constatar nos autos de infração. Tenho para mim que, quando se fundamenta uma glosa com a alegação de "despesa desnecessária", diferentemente do que se observa em parte da doutrina e da jurisprudência, não se está necessariamente tratando de matéria distinta de "despesa não comprovada". Explico. É possível tecer considerações in abstrato acerca da usualidade, normalidade, utilidade de determinada despesa para a atividade econômica desenvolvida por determinada pessoa. Neste caso, mesmo uma despesa efetivamente paga e incorrida poderia ser indedutível por ser desnecessária à atividade de forma geral. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 802 16 Mas, quando se examina uma despesa não incorrida, ou seja, uma despesa cuja efetividade não seja comprovada, é possível dizer que in casu aquela despesa é desnecessária para a atividade daquela pessoa específica. A atividade econômica é desenvolvida sem necessidade de que ela efetivamente ocorra. É o que se pode depreender da dicção do dispositivo normativo citado acima, quando assevera que são necessárias as despesas incorridas. Não obstante essa digressão, a jurisprudência deste Conselho é firme na direção de considerar dedutíveis somente as despesas que o contribuinte comprove que foram efetivamente incorridas, com documentos hábeis e idôneos. Para ilustrar, trazemos à colação o Acórdão nº 1302003.088, cuja ementa, na parte que importa, restou consignada nos seguintes termos: DESPESAS COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÕES PARA SUA DEDUTIBILIDADE. EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. Para que uma despesa ou custo seja dedutível, além de preencherem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade, é necessário que os documentos emitidos por terceiros que lastreiam os lançamentos contábeis sejam hábeis e idôneos. A escrituração pura e simples de um fato não lhe dá o grau de certeza absoluta; é preciso, acima de tudo, que fique provada sua ocorrência, por intermédio de documentos hábeis e idôneos. Sujeitam se, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica. Eventual prestação de serviços deve ter sua efetividade amparada em documentos hábeis e idôneos. (Acórdão nº 1302003.088, de 18/09/2018, relatoria do conselheiro Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa) Da fundamentação da decisão, vale destacar o seguinte trecho, que se amolda à perfeição à matéria tratada neste feito: Para que a despesa seja dedutível na apuração do lucro real e do lucro líquido, é necessário que haja elementos convincentes da efetividade da operação, especialmente no caso da prestação de serviços. É essencial informar a natureza dos mesmos e a sua relação com as operações exigidas pelas atividades da empresa, com elementos incontestáveis de que o serviço foi realmente prestado. O contrato particular de prestação de serviço, as notas fiscais e comprovantes de pagamento apresentados pela recorrente não são suficientes, por si sós, para comprovar que os serviços foram efetivamente prestados. Ademais, mesmo intimada e reintimada, a recorrente não apresentou a descrição pormenorizada dos serviços prestados pela Ambapar, bem como provas da sua efetiva prestação. (grifei) No mesmo diapasão, a jurisprudência desta Turma respalda a glosa de despesas não comprovadas, conforme se pode constatar na seguinte ementa: Fl. 802DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 803 17 GLOSA DE DESPESAS CONSIDERADAS INEXISTENTES. EFETIVIDADE DAS DESPESAS NÃO COMPROVADA. Para que possa deduzir a despesa da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o contribuinte deve provar, primeiramente, a sua efetividade, ou seja, que a despesa realmente foi incorrida e que a contraprestação foi recebida e não o fisco quem deve provar a sua inexistência para a glosa. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados desde que comprovados por documentos hábeis, sendo esta condição inafastável. (Acórdão nº 1401002.738, de 25/07/2018, relatoria da conselheira Lívia De Carli Germano) (grifei) A partir da jurisprudência citada, podese extrair alguns elementos sólidos para a análise do caso vertente, a saber: (i) a despesa somente é dedutível se a efetividade for comprovada; (ii) a prova incumbe à contribuinte; (iii) a escrituração desacompanhada de documentos comprobatórios e a simples apresentação de notas fiscais, contratos e comprovantes de pagamento não são suficientes para a dita comprovação; e (iv) a fiscalização dever ter intimado a contribuinte de forma específica a fazer tal comprovação. Antes de se partir para a análise de cada um desses elementos, é preciso contextualizar o presente caso, a partir das provas juntadas aos autos e de outras normas, não tributárias, que dizem respeito à matéria. Segundo a descrição feita pela contribuinte, ela "empreendeu esforços e desenvolveu produtos e projetos para ingressar no mercado de sistemas de seguranças para detecção e rastreamento de documentos, produtos ou outros bens". Informa tratarse de mercado novo e bastante específico e, neste esforço, com vistas a ultrapassar tais dificuldades e almejar a atuação e desenvolvimento neste setor especializado e restrito, a Recorrente deparouse com a necessidade de suporte de um representante comercial para identificar potenciais mercados e clientes interessados em seus novos serviços, muito diferentes do seu tradicional mercado de tintas, pigmentos, vernizes e ceras. Com esta finalidade, contratou a Enigma, "empresa privada de notória experiência na prospecção e intermediação de negócios na área de segurança". É cristalino que não se trata aqui de empresas neófitas, inexperientes. O mercado no qual se inserem é bastante especializado, que depende de tecnologia e informação, e a representação comercial envolveria especialmente levar esse trabalho especializado na prospecção de novos clientes e oportunidades de negócio. Portanto, é de se esperar que haja relatórios, orçamentos, cotações, ordens de compra, trocas de emails, registros de documentos encaminhados entre as partes, comprovantes de despesas, atas de reuniões, enfim, uma diversidade de documentos que poderiam ser apresentados para comprovar que os serviços efetivamente foram realizados e, assim, a despesa efetivamente incorrida. Fl. 803DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 804 18 Para que a afirmação acima não fique apenas na conta da percepção deste conselheiro, é oportuno demonstrar que os citados elementos advêm de deveres legais e contratuais, conforme se passa a demonstrar. Primeiro, a Lei nº 4.886/1965, que regula as atividades dos representantes comerciais autônomos. O artigo 28 deste diploma legal determina que: Art. 28 O representante comercial fica obrigado a fornecer ao representado, segundo as disposições do contrato ou, sendo êste omisso, quando lhe fôr solicitado, informações detalhadas sôbre o andamento dos negócios a seu cargo, devendo dedicarse à representação, de modo a expandir os negócios do representado e promover os seus produtos. (grifei) O representante deve, então, por determinação legal, ter suas atividades registradas de forma detalhada para que possa apresentálas ao representado, mesmo que o contrato seja omisso sobre a matéria. Todavia, merece destaque que os contratos não são omissos sobre a matéria. Por exemplo, no contrato firmado em 25/10/2006 (arquivo não paginável, fls. 245), a cláusula 3ª determina: No mesmo contrato, na Cláusula 5.2: Mesmo contrato, Cláusula 8: Fl. 804DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 805 19 No Termo Aditivo de Contrato firmado em 29/09/2010, a Cláusula terceira inclui uma Cláusula 7.2 no contrato, com o seguinte teor: Além das obrigações da contratada acima mencionados, os contratos também trazem obrigações para a representada cujos registros documentais também poderiam contribuir para a prova da efetiva prestação de serviço. O citado contrato de 2006 determina uma obrigação para a representada: No aditivo firmado em 25/10/2006, a Cláusula 3 prevê: Portanto, é de se concluir que as provas, que ora se exige em decorrência da norma tributária, para fins de dedutibilidade da despesa, são inerentes à atividade de representação, por força legal e contratual. O regular cumprimento das obrigações legais e contratuais acima mencionadas deveria gerar um robusto conjunto probatório, suficiente para comprovar a efetividade da prestação dos serviços para fins de dedutibilidade da despesa para fins de apuração de IRPJ e CSLL. Ademais, não se trata de empresa que esteja engatinhando no mercado, que eventualmente ainda não tivesse suficiente organização para registrar suas atividades e arquivar documentos, pois, segundo as alegações contidas no recurso voluntário, a contribuinte contratou uma empresa com experiência e expertise num mercado bastante especializado, para realizar uma tarefa de relevante importância comercial. Não há dúvida de que, se o serviço de representação comercial houvesse sido mesmo prestado, os documentos, relatórios, comunicações mencionados existiriam e teriam sido apresentados pela recorrente. Mas, até o momento, não houve tal comprovação. Fl. 805DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 806 20 Voltandose aos elementos necessários para a verificação da dedutibilidade das despesas sob análise, mencionados anteriormente com fulcro na jurisprudência do CARF, é de se iniciar pelo requisito que fica a cargo da autoridade lançadora: intimar a contribuinte de forma específica para que apresente as provas da efetividade da prestação do serviço. No Termo de Intimação Fiscal nº 02, a autoridade lançadora intimou o contribuinte a apresentar a comprovação dos lançamentos contábeis das contas contábeis 4405006000 e 4414000080. Em atendimento à intimação, a contribuinte apresentou notas fiscais, contratos, comprovantes de pagamento e registros contábeis. Mas, como dito anteriormente, a simples apresentação de contratos, notas fiscais e comprovantes de pagamento não tem o condão de suprir a prova exigida pela norma tributária, que requer a comprovação da efetividade da despesa. Vale ressaltar que as notas fiscais juntadas aos autos trazem, na descrição dos serviços prestados, apenas a informação de que se trata de pagamento de comissão conforma determinada cláusula contratual. Não há nenhuma descrição pormenorizada dos serviços efetivamente prestados. Destarte, a fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 03, no qual intimou a contribuinte, de forma específica, a comprovar a efetividade da prestação de serviços no anocalendário de 2011, que é o período abarcado pelo presente processo: Especificamente em relação ao item A.7 do Termo de Intimação Fiscal nº 03, a contribuinte apresentou os ditos "relatórios difusos" (arquivo não paginável, fls. 216). São difusos porque tratam de assuntos gerais, não tratam do mercado específico de atuação da representada, para o qual a Enigma foi contratada. Com os exemplos abaixo, a compreensão da expressão "relatórios difusos" ficará cristalina. Por exemplo, o relatório de janeiro de 2011 trata, no item I, do discurso de posse da Presidente Dilma Rousseff; no Item II, da evolução da produção mensal da indústria de bebidas; no item III do comércio exterior e do déficit em contas correntes e, por fim, de cenários de inflação, câmbio e juros. O de fevereiro trata da ata do Comitê de Política Monetária (COPOM), de preços de alimentos no mercado mundial, a questão do salário mínimo. O de abril trata exclusivamente do relatório da Organização Mundial para a Saúde sobre o consumo de álcool no mundo. O de junho trata, dentre outros assuntos gerais, do programa Brasil sem Miséria, do governo federal. Os relatórios de novembro e dezembro de 2011 são exatamente iguais e tratam de matérias gerais de economia, como juros, PIB, spreads bancários e até do analfabetismo no Brasil. Sem desmerecer a importância de temas como o analfabetismo, a erradicação da pobreza e os males do consumo excessivo de álcool no mundo, evidentemente não são temas que digam respeito à contratação de uma empresa com experiência e expertise em Fl. 806DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 807 21 representação comercial, com vistas ao desenvolvimento das atividades comerciais num mercado especializado. Os relatórios não tratam de forma específica do "mercado de sistemas de seguranças para detecção e rastreamento de documentos, produtos ou outros bens" para o qual a Enigma teria sido contratada. E nenhum relatório aborda reuniões, clientes, produção, cotações, ordens de compra, pedidos, comunicações, perspectivas de novos negócios, contatos, que seriam, como visto anteriormente, inerentes à atividade se ela fosse efetivamente exercida. É oportuno destacar que a contribuinte não juntou, na impugnação ou no recurso voluntário, qualquer outro documento com o objetivo de suprir a falta de comprovação da efetividade da despesa, fato que foi apontado pela autoridade lançadora como fundamento da glosa. Não há outra conclusão a não ser dizer que os documentos juntados não comprovam a efetividade da prestação de serviços, que é requisito para a dedutibilidade da despesa correspondente na apuração das bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Decidida a questão central da presente lide, é de se voltar para as alegações lançadas pela defesa da recorrente, iniciandose pelas questões que dizem respeito diretamente à decisão de piso, ora combatida. Inexigibilidade de processo licitatório. A questão do processo licitatório mencionada no Termo de Verificação Fiscal, a meu sentir, tem o condão apenas de trazer um contexto para o exame da questão central, que é a efetividade da prestação de representação comercial, quando se trata de contratação com o poder público. O processo licitatório é um ícone da transparência e da moralidade às quais a Administração Pública está vinculada. Assim, mais um motivo para o trabalho de convencimento da Enigma ser documentalmente registrado, inclusive por documentos públicos. Afinal, como se deu o alegado "trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que a ora Recorrente possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB"? A questão tributária central, que fundamenta o lançamento de ofício, não é se a contratação da recorrente com o poder público decorreu de processo licitatório, mas se houve efetivamente uma prestação de serviço de representação comercial por parte da Enigma. A recorrente argumenta que houve inexigibilidade de processo licitatório. Há atas e relatórios de reuniões ou documentos e propostas, que demonstrem esse trabalho de convencimento? A recorrente não apresentou nenhum elemento de prova que demonstre, por exemplo, quem, em nome da Enigma, teria se reunido com representantes da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Casa da Moeda do Brasil para tratar dos interesses comerciais da recorrente. Não apresentou elementos que registrem se tais reuniões teriam ocorrido, quem seriam os representantes da RFB e da CMB. Fl. 807DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 808 22 Nada a comprovar a efetiva prestação do serviço de representação comercial. Os fatos apurados pela fiscalização teriam se dado no contexto de contratação entre a recorrente e o poder público. Todavia, o fato da contratação entre a recorrente e o poder público decorrer ou não de processo licitatório não afeta o fundamento do lançamento de ofício. O fundamento é a falta de comprovação da efetividade da despesa. Premissa equivocada. Representação comercial não configura prestação de serviços. Um dos primeiros argumentos lançados pela recorrrente em face da decisão da DRJ é que esta teria adotado uma "premissa equivocada" , "tendo em vista que o órgão julgador partiu do pressuposto de que o caso vertente é sobre prestação de serviço realizado por terceiro". Aduz o contribuinte que há clara distinção entre prestação de serviços e contrato de representação comercial. Um exame, mesmo que superficial, das normas jurídicas aplicáveis, da jurisprudência e até mesmo da doutrina trazida à colação pelo próprio contribuinte será suficiente para demonstrar que a alegação não pode prosperar. Inicio com a citação que o contribuinte fez das lições de Sérgio Pinto Martins: A característica fundamental do representante comercial autônomo é a sua autonomia, tanto que o art. 1º da Lei 4.886 prevê que não há vínculo de emprego entre as partes. O representante comercial autônomo não é dirigido ou fiscalizado pelo tomador de serviços, não tem obrigação de cumprir horário de trabalho, de produtividade mínima, de comparecer ao serviço, etc. O trabalhador autônomo não tem de obedecer às ordens, de ser submisso às determinações do empregador. Age com autonomia na prestação dos serviços. O representante comercial autônomo recebe apenas diretivas, orientações ou instruções de como deve desenvolver seu trabalho, não configurando imposição ou sujeição ao tomador dos serviços, mas apenas de como tem de desenvolver seu trabalho, caso queira vender os produtos do representado (grifei) Observandose as partes grifadas, vêse que o autor trata a representação comercial como uma prestação de serviço. É cristalino que o trecho selecionado pelo contribuinte faz tãosomente uma distinção entre a prestação de serviços autônomos e a relação de emprego. A submissão às determinações, à direção e à fiscalização, a cumprir horários, a obedecer ordens, citadas no texto, são típicas da relação de emprego. A relevância dessa distinção pode ser observada fartamente na Justiça do Trabalho, como se pode ver no seguinte excerto: O Regional, com base na análise do contexto fáticoprobatório, concluiu pela descaracterização da figura de representante comercial e, por outro lado, pela existência de verdadeira relação de emprego entre o reclamante e a ora recorrente. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 809 23 Consignou que a reclamada, com o fito de isentarse dos encargos trabalhistas, instituía com requisito de admissão a abertura de empresa em nome do vendedor. Registrou que a própria testemunha da reclamada, por intermédio de seu depoimento, demonstrou que havia pessoalidade e subordinação, haja vista os fatos de que o trabalho do reclamante era especializado, não podendo ser substituído por terceiro, bem como que se submetida a uma programação determinada pela central de atendimento da Xerox; que trabalhava em equipe vinculada a um supervisor (empregado da reclamada) e, que deveria atender aos clientes de certa base territorial, sob pena de a ora recorrente entender que não haveria motivo para mantêlo. Concluiu, assim, que não prevalecia a alegada autonomia de representante comercial. Assentou, também, que a não eventualidade ficou evidente e sequer foi impugnada". (Acórdão exarado pela 8ª Turma do TST no Recurso de Revista nº TSTRR1515/20031131500.0, de 04/06/2008) O texto trazido pela contribuinte não faz nenhuma distinção entre representação comercial e prestação de serviços. Ao contrário, pois notase claramente que o autor trata o representante comercial como prestador de serviços e o representado como tomador de serviços. Passandose ao exame da Lei nº 4.886/1965, que regula as atividades dos representantes comerciais autônomos, temse no artigo 42 a menção explícita à prestação de serviços, verbis: Art. 42. Observadas as disposições constantes do artigo anterior, é facultado ao representante contratar com outros representantes comerciais a execução dos serviços relacionados com a representação. Para por uma pá de cal em qualquer controvérsia na esfera do direito privado, trago à colação o excerto abaixo do voto do Ministro Paulo de Tarso Sanseverino no acórdão exarado, por unanimidade, pela 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça no RE nº 1.678.551/DF: Com efeito, a representação comercial é uma espécie de prestação de serviço, inexistindo qualquer incompatibilidade lógica entre as disposições gerais previstas no Código Civil. [...] Como já aludido, a ausência deste registro não obsta que o prestador de serviço exija a devida contraprestação, as comissões devidas pelos serviços trabalhos prestados, com base nas regras gerais previstas no Código Civil". (Acórdão de 06/11/2018). (grifei) Também na legislação tributária, a representação comercial é tratada como prestação de serviço, como se pode observa no artigo 18, § 5ºI, VII, da Lei Complementar 123/2006, verbis: § 5oI. Sem prejuízo do disposto no § 1o do art. 17 desta Lei Complementar, as seguintes atividades de prestação de serviços serão tributadas na forma do Anexo V desta Lei Complementar: Fl. 809DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 810 24 [...] VII representação comercial e demais atividades de intermediação de negócios e serviços de terceiros; (grifei) Da mesma forma, a Lei Complementar nº 116/2003, que veicula as normas nacionais relativas ao Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, registra, no item 10.09 da lista de serviços anexa, que a representação de qualquer natureza, inclusive comercial, é sujeita ao ISS. É tão evidente que a atividade de representação comercial configura uma prestação de serviços que a própria recorrente, ao elaborar a planilha de fls. 23 de seu recurso voluntário, comparou a receita líquida mensal com o "Valor NF/comissão sobre serviço". Em que pese a questão essencial neste feito cingirse à indedutibilidade de despesas não incorridas, não há, a partir dos argumentos expostos acima, como acolher o argumento da recorrente de distinção de prestação de serviço e representação comercial. Equívoco na interpretação da expressão "relatórios difusos". Este tema já foi abordado anteriormente e já se demonstrou, inclusive com exemplos extraídos dos próprios relatórios, que se trata de textos que abordam assuntos genéricos, completamente desvinculados do trabalho especializado para o qual a Enigma teria sido contratada. A DRJ não observou a falta de fundamentação do auto de infração, que repetiu o Termo de Verificação Fiscal de procedimento anterior Neste tópico, é oportuno lembrar que já se assentou neste voto que incumbe ao sujeito passivo o ônus jurídico de comprovar a efetividade da prestação de serviço, de forma que a despesa possa ser dedutível para fins de IRPJ e CSLL. A recorrente, apesar de intimada para tal pela autoridade lançadora, não apresentou elementos probatórios da efetiva ocorrência da despesa no ano de 2011. Está correta a fundamentação da decisão da DRJ, que observou que a fiscalização não se limitou a reproduzir argumentos de procedimentos e períodos anteriores. A fiscalização identificou perfeitamente as contas contábeis, os lançamentos, e requereu a comprovação da efetividade das despesas em 2011, conforme descrito alhures. Portanto, não houve falta de fundamentação ou mera repetição de fundamentos de fato ou jurídicos de períodos anteriores. A alegação da recorrente não deve prosperar. Em análise perfunctória, a DRJ considerou inócua a discussão acerca dos percentuais da comissão auferida pela Enigma A questão dos percentuais de comissão previstos nos contratos e aditamentos serve apenas para demonstrar a relevância da prestação de serviço de representação comercial Fl. 810DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 811 25 sob análise. Os percentuais variaram ao longo do tempo, nos diversos contratos e aditamentos. Contudo, é de se reafirmar que esse não é o fundamento para a glosa da despesa indedutível. A glosa da despesa está calcada na falta de comprovação de sua efetividade. Assim, tem razão a DRJ ao considerar a discussão acerca do percentual de comissão irrelevante para o deslinde do feito, no que diz respeito ao mérito. Afinal, já ficou devidamente assentado neste voto que o fundamento do lançamento de ofício é a falta de comprovação da efetiva ocorrência das despesas com a representação comercial. No que diz respeito aos valores lançados, a autoridade lançadora utilizou os montantes escriturados na contabilidade e nos documentos fiscais da recorrente. Ou seja, a fiscalização não se baseou nos percentuais contratados, mas nos valores efetivamente registrados como despesa. Erro na base de cálculo. A DRJ, nesta matéria, acolheu parcialmente a impugnação da contribuinte para corrigir a base de cálculo de 10/2011. A apuração dos demais meses de 2011 não foi contestada pela contribuinte. Neste tópico, não há o que se reparar na decisão da DRJ. A DRJ entendeu que não restou demonstrada a efetividade da atividade de intermediação, apesar das evidências e provas apresentadas. Na fundamentação da decisão de piso, a DRJ argumentou que os elementos probatórios necessários para comprovar a efetividade da prestação de serviço deveriam demonstrar quem a realizou, quando e como. À evidência, queria dizer que a contribuinte deveria comprovar com fatos específicos, nos moldes já expostos neste voto. No recurso voluntário, para as duas primeiras perguntas, a recorrente trouxe as respostas genéricas citadas anteriormente. Quando? No momento em que "deparouse com a necessidade de se adaptar a novo mercado mundial". Quem? A Enigma. No que diz respeito à terceira questão (Como?), a recorrente menciona "relatórios elaborados pela Representante com informações sobre a necessidade do mercado, promoção dos produtos, identificação de potenciais clientes, realização de reuniões, contatos, negociações". Contudo, como já se destacou anteriormente, não há nenhum relatório nos autos que especifique reuniões ocorridas, identifique potenciais clientes, contatos ou negociações. Não há um documento que demonstre como seria feita a promoção de produtos. E os relatórios que foram apresentados pela contribuinte não tratam do mercado especializado para o qual a Enigma teria sido contratada. Não há o que acolher na argumentação da contribuinte. Diante do exposto, tenho que, no mérito, a decisão de piso deve ser mantida com seus fundamentos, abaixo colacionados, que se somam aos lançados por este relator até o momento. III – DO MÉRITO Fl. 811DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 812 26 A exigência tributária tem como fundamento o entendimento da autoridade fiscal de que os pagamentos efetuados pela SCIPA à ENIGMA decorreram de despesas relativas à prestação de serviços por terceiros, cuja efetividade não foi comprovada. Para subsidiar esta conclusão, a fiscalização registra que a CMB, por ser órgão governamental, somente pode contratar mediante licitação, não podendo aceitar intermediação de terceiros em referidas operações. Complementa: “Ora, se a SICPA participou das licitações e se seus produtos/serviços eram específicos e únicos, inexistindo concorrentes, não seria necessária, por conseguinte, a intermediação de terceiros.” A impugnante, por seu turno, defende que houve a real necessidade de contratar representante para viabilizar os seus negócios. Registra que atua no mercado de tintas, pigmentos, vernizes, ceras e outras matérias primas destinadas a impressão de cédulas e outros documentos em que a segurança se faz necessária. Diante da nova tendência do mercado mundial, desenvolveu produtos e projetos para ingressar no mercado de sistemas de seguranças para detecção e rastreamento de documentos, produtos e outros bens. Assim, deparouse com a necessidade de um representante comercial para identificar potenciais mercados e clientes. Por consequência, firmou contrato com a empresa Enigma, de notória experiência na prospecção e intermediação de negócios na área de segurança, como forma de apresentar novas possibilidades de negócios e perspectivas de expansão do mercado brasileiro. Assinala ainda que a atividade realizada pela Representante é a representação comercial comissionada, segundo contrato firmado. Apresenta cópia de contrato firmado em 2005 (Doc. 04), destacando que o objeto consiste na representação dos produtos SICPA listados no Anexo de Produtos (Anexo I). O Anexo II traz a listagem dos projetos em relação aos quais a Representante fornecerá o suporte para desenvolvimento. Destaca que os projetos estão sujeitos a alterações e atualizações, dependendo dos potenciais negócios identificados pelo Representante. Assim é que no contrato firmado em 2006 foram incluídos novos projetos. Destaca ainda que se trata de serviço típico de representação, não tendo firmado contrato com a Representante apenas e unicamente em razão da contratação com a Casa da Moeda do Brasil, como inadvertidamente entendeu o fiscal autuante. Complementa que alguns projetos não obtiveram sucesso, a exemplo do projeto 2 direcionado à indústria farmacêutica. Fl. 812DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 813 27 Na seqüência, a impugnante faz considerações sobre os serviços que presta à CMB, afirmando que, diante do rol de novos projetos que foram confiados à representante, esta identificou que tais projetos poderiam ser do interesse da Receita Federal do Brasil e realizou a promoção e apresentação dos seus produtos, inclusive participando de procedimentos de implementação e realização de eventuais adaptações do sistema. Enfim, sustenta que foi necessário um trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que a impugnante possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB, o que ocorreu através da intervenção da representante. Afirma que apresentou relatórios elaborados pela representante, baseados em informações sobre a necessidade do mercado e não guardam relação com o volume de venda, já que o êxito da promoção dos produtos encontrase vinculado à tarefa de identificação de potenciais clientes. Em suma, prossegue, no exercício da representação, além dos relatórios emitidos, o ponto essencial da atividade é a realização de reuniões, contatos, negociações, de forma a promover os produtos, bem como identificar potenciais interessados. Arremata afirmando que o relatório por si só não tem o condão de potencializar o êxito na identificação e desenvolvimento dos novos negócios, para viabilizar a inserção no novo mercado. Salienta ainda que os relatórios não guardam relação com os serviços objeto dos contratos realizados com a CMB e, certamente, nem poderiam. Isso pois, a atuação da Representante encontrase ligado à promoção dos produtos e não no desenvolvimento tecnológico dos mesmos. Finaliza, asseverando que a despesa restou evidentemente comprovada, com base nas seguintes documentações: (i) as notas fiscais apresentadas constam descritivo detalhado do item do contrato firmado entre a Impugnante e a Representante, não se tratando de mera informação genérica para fins de preenchimento formal do documento fiscal; (ii) as notas fiscais demonstram com clareza o item do contrato, sobre o qual foi calculado o percentual da comissão, assim como o destinatário e os valores envolvidos, todos estes individualizados; (iii) todas as notas fiscais foram apresentadas em conjunto com o respectivo comprovante de transferência bancária dos valores para a Representante, o que evidencia o desembolso do valor pela Impugnante; (iv) os contratos apresentados demonstram a metodologia de cálculo do pagamento da comissão, de modo que a remuneração será realizada com base em percentual dos negócios exitosos, o que demonstra a correlação das comissões, com base na efetiva atuação da Representante; Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 814 28 (v) foram apresentadas diversas planilhas demonstrativas correlacionando notas fiscais com os lançamentos contábeis. Por tudo que se encontra registrado nos autos, sem dúvida o cerne da questão restringese à análise da real necessidade da prestação do serviço de representação para propiciar à impugnante a consecução do seu objetivo social, mediante efetiva e comprovada intermediação nos atos negociais correspondentes. Assim, concluo improdutivo abordar a efetividade dos pagamentos, até porque a fiscalização não contesta este fato. Ao contrário, confirma que os pagamentos foram realizados sem a contrapartida da prestação dos serviços, por desnecessária. Isto posto, passemos à análise dos pontos levantados e dos documentos acostados aos autos. A impugnante entende que os contratos firmados com a representante se constituem em elementos probatórios da efetiva prestação de serviços, contestando, como já assinalado anteriormente o termo “difuso” adotado pela fiscalização quando se referiu aos relatórios produzidos pela representante contratada. No tópico III.B quando aborda o contrato firmado, a impugnante apresenta o documento 04 que é uma cópia do referido contrato, cujo objeto é transcrito em sua peça de defesa, explicitando que se trata da representação dos produtos SICPA listados no “Anexo de Produtos”, ora denominado ANEXO I. Constatase que o referido contrato previa a intermediação da representante em possíveis negócios da impugnante. Por certo, tal previsão não significa necessariamente a realização da intermediação, ainda que o negócio tenha sido efetivado. Em outras palavras, a simples existência de contratos prevendo a prestação de serviços não se presta para comprovar a efetividade dos mesmos. Para comprovar a efetividade da representação por parte da Enigma, a impugnante afirma que a representante identificou os projetos que poderiam ser do interesse da Receita Federal do Brasil e realizou a promoção e apresentação dos seus produtos, inclusive participando de procedimentos de implementação e realização de eventuais adaptações do sistema. Sustenta que foi necessário um trabalho prévio de convencimento de que o projeto de rastreabilidade que a impugnante possuía era compatível e atendia às necessidades da RFB, o que ocorreu através da intervenção da representante. Impende registrar que é certo e inquestionável que órgãos governamentais, para contratar serviços ou adquirir bens, devem obedecer às determinações da Lei nº 8.666/93 e alterações posteriores. A regra geral é a licitação, ressalvadas as hipóteses prevista na citada lei. Fl. 814DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 815 29 A impugnante contesta as afirmações da fiscalização a este respeito e afirma que a contratação “para a prestação de serviço à CMB foi inexigível de processo licitatório”. No entanto, saber que a referida contratação se deu mediante inexigibilidade não significa que, para isto, fora necessária a participação de um representante. Em regra, a contratação, sob qualquer modalidade, se realiza diretamente entre o fornecedor e o órgão público, sem intermediação de terceiros. Por outro lado, não vislumbro impedimento de que a prestadora de serviços ou de bens, se veja compelida a suportar despesas com seus representantes comerciais. No entanto, para deduzir tais despesas da base de cálculo de tributos, nos termos da legislação de regência, é imprescindível que seja suficientemente demonstrada a efetividade da intermediação. E esta demonstração, no presente caso, não se verifica. A impugnante restringese a simples alegações. Não indica quando, quem, como, quais os documentos gerados pela representante, enfim as circunstâncias em que os contatos de convencimento, demonstração e participação por parte da representante foram realizados. No que diz respeito ao questionamento sobre o percentual aventado pela fiscalização, entendo que tal discussão revelase inócua. A fiscalização não produziu qualquer cálculo para determinar a base tributável. Utilizou simplesmente o valor contabilmente registrado. A impugnante aduz que a fiscalização cometeu erro com relação ao valor da nota fiscal 135, quando indicou na planilha o valor de R$ 103.693,17 e o valor correto seria R$ 71.527,89, indicando o documento 08 como elemento probatório. Tratase de cópia da referida notafiscal, emitida em 06/10/2011, para pagamento de comissão à Enigma. De fato, na planilha de fls. 261 a 262 – Documentos Diversos – Outros – Anexo ao TVF, assim como nos respectivos autos de infração, encontrase consignado o valor de R$103.693,17 para compor o total da base de cálculo de R$ 20.934.437,52. Pelo exposto, resta devidamente evidenciado que a impugnante não logrou comprovar a efetividade da prestação dos serviços de representação por parte da Enigma, razão pela qual, concluise pela impossibilidade da dedução dos valores para efeito de apuração da base tributável dos tributos em comento. Por outro lado, assistelhe razão quanto ao equívoco do registro da nota fiscal 135. No mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Recurso de ofício. Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 816 30 O recurso de ofício é composto de duas matérias, a saber, a retificação da base de cálculo de 10/2011 de R$ 103.693,17 para R$ 71.527,89 e o afastamento da aplicação da multa qualificada. Em relação à retificação da base de cálculo de 10/2011, conforme já manifestado anteriormente na decisão de mérito, a decisão da DRJ apenas corrigiu um erro na apuração de ofício da autoridade lançadora. Assim, nesta parte, o recurso de ofício deve ser negado. Contudo, penso que a decisão da DRJ deve ser reformada no que tange à qualificação da multa. A qualificação da multa de ofício de 75% para 150% está prevista no artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 e depende da configuração de uma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. A qualificação da multa depende, portanto, da comprovação da ocorrência de fraude, sonegação ou conluio. Em síntese, a autoridade lançadora fundamentou a qualificação da multa na conduta fraudulenta do contribuinte nos seguintes termos: Deduzindo despesas relativas aos serviços prestados pela ENIGMA, cuja efetiva prestação não logrou comprovar,o contribuinte fez aumentar artificialmente os seus custos e despesas. Por meio dessa simulação dos fatos, engendrada, exclusivamente, com intuito de encobrir o negócio efetivamente realizado, o contribuinte esquivouse, de forma ardilosa, do pagamento de tributos. [...] Caracterizado os atos jurídicos praticados pelo contribuinte, como atos em que se objetiva impedir a ocorrência do Fato Gerador da Obrigação Tributária, ou que fosse mais brando, o não conhecimento da ocorrência do Fato Gerador, não há como se deixar de tipificar o crime tributário, ensejando, desta forma, a aplicação da majoração da multa qualificada de 150% (Cento e cinquenta por cento), como prediz o artigo 44, inciso I, e parágrafo 1º, da Leinº 9.430/1996 ( com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007). No caso sob exame, tratase de fraude, que, segundo o artigo 72 da Lei nº 4.502/1964, significa tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. De todo o exposto, no que diz respeito ao elemento objetivo do tipo, é cristalino que a contribuinte inseriu na escrituração contábil e fiscal despesas não incorridas. Fl. 816DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 817 31 Os documentos fiscais, lançamentos contábeis e contratos serviram somente para dar uma aparência de prestação de serviço de representação comercial que, de fato, não ocorreu. As despesas irregulares reduziram de forma ilícita as bases de cálculo de IRPJ e CSLL. Mas, a norma requer o exame do aspecto subjetivo. Requer que a autoridade comprove o dolo. Ora, é cediço que a comprovação do dolo, no mais das vezes, é feita a partir da observação das condutas efetivamente adotadas pelo sujeito passivo, a partir da linguagem das provas. Afinal, a autoridade do Estado não está presente no momento da ocorrência dos eventos no mundo fenomênico para atestar em primeira mão com que intenção direta ou indireta (assumindo o risco de produzir determinado efeito) o sujeito passivo realiza os atos em questão. O que restou provado nos autos é que a contribuinte praticou atos ilícitos relevantes de forma reiterada nos anos de 2009, 2010 e 2011. São dezenas de documentos, como contratos, aditamentos e notas fiscais, bem como lançamentos contábeis de despesas que não ocorreram de fato. A própria recorrente concorreu para comprovar a reiteração da conduta ao trazer para os autos o Termo de Constatação Fiscal no qual a fiscalização constatou as fraudes em 2009 e 2010 (doc. 06 da impugnação). A reiteração é tão evidente que a contribuinte alegou infrutiferamente que o Termo de Verificação Fiscal relativo ao anocalendário de 2011 simplesmente repetia a fundamentação e as conclusões do procedimento anterior. Restou incontroverso que a contribuinte não contestou os fatos apurados no procedimento relativo aos anoscalendário 2009 e 2010 e pagou os créditos tributários constituídos de ofício naquela fiscalização. Quanto ao elemento cognitivo, é de se destacar que a contribuinte tomou ciência do Termo de Constatação Fiscal relativo aos anoscalendário 2009 e 2010 em 12/2013 e o Termo de Início de Procedimento Fiscal do presente feito em 07/2015. Quando o procedimento fiscal relativo ao ano de 2011 foi iniciado, a contribuinte tinha conhecimento, havia mais de 18 meses, da irregularidade da conduta e tinha tido tempo mais do que razoável para retificar as apurações de IRPJ e de CSLL, adicionando às bases de cálculo as despesas indedutíveis. A reiteração da conduta, somada à relevância comercial dos fatos apurados e a produção de documentos e lançamentos contábeis que não se provam verdadeiros, formam um conjunto de elementos que, juntos, possibilitam a verificação do elemento volitivo do agente, configurando verdadeiro modus operandi. Mesmo em sede de processo penal a reiteração da conduta, quando se trata de crimes fiscais, é relevante elemento para a configuração do dolo, como se pode observar na seguinte ementa do Superior Tribunal de Justiça, na parte que interessa: HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO. SONEGAÇÃO FISCAL MEDIANTE FRAUDE EM CONTINUIDADE DELITIVA E FORMAÇÃO DE QUADRILHA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 818 32 DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE NA REDISTRIBUIÇÃO DO HC ORIGINÁRIO APÓS A ENTRADA DE FÉRIAS DO RELATOR, EM VISTA DE PREVISÃO REGIMENTAL EXPRESSA NESSE SENTIDO. PRISÃO PREVENTIVA. DECRETO SUFICIENTEMENTE JUSTIFICADO. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA E ECONÔMICA. REITERAÇÃO DA PRÁTICA CRIMINOSA POR LONGO PERÍODO DE TEMPO (APROXIMADAMENTE 5 ANOS). CONTINUIDADE DA SONEGAÇÃO MESMO APÓS A DESCOBERTA DA FRAUDE, POR MEIO DE OUTRO MODUS OPERANDI. MAGNITUDE DA LESÃO (R$ 49.000.000,00). PRECEDENTES DO STJ. NEGATIVA DE PARTICIPAÇÃO NO ILÍCITO. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA INCOMPATÍVEL COM O MANDAMUS. PARECER DO MPF PELA CONCESSÃO DA ORDEM. ORDEM DENEGADA, PORÉM, CASSANDOSE A LIMINAR ANTERIORMENTE CONCEDIDA. 6. Em casos de crimes fiscais, mormente os cometidos mediante fraude, a reiteração da conduta por longo período de tempo, a demonstrar o dolo intenso do agente, e a magnitude da lesão constituem fundamentos válidos, em princípio, para a prisão dos envolvidos, pois patente a ameaça à ordem pública e econômica. Precedentes do STJ.(HC 99860/RS, julgamento em 23/04/2009, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho) Também este Conselho tem considerado a reiteração da conduta como elemento de convicção a dar fundamento à qualificação da multa de ofício, como se pode ver nos seguintes casos Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2002 a 31/12/2004 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No caso dos autos, conforme se depreende da análise do termo de verificação fiscal, a Contribuinte reiteradamente declarou valores a menor do que apurado em sua contabilidade na DCTF e/ou não declarou quaisquer valores devidos a título de PIS, não tendo apresentado ao longo da fiscalização ou do processo justificativa para tais diferenças, evidenciandose o dolo na sua conduta. (Acórdão nº 9303007.461, de 20/09/2018, redatora designada conselheira Vanessa Marini Cecconello). Ementa(s) Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2005 Fl. 818DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 819 33 PIS/COFINS. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. A omissão reiterada de informações ao Fisco (recorrência) em montantes significativos quando comparados com a receita declarada (relevância) pode caracterizar o dolo ensejador da multa qualificada. Relativamente aos dois anos fiscalizados (2004/2005), a contribuinte apresentou declarações em branco à Secretaria da Receita Federal, enquanto diariamente movimentava recursos em sua conta bancária. Não há como se admitir que a infração tenha sido fruto de mero erro ou negligência contábil. A informação prestada pela contribuinte durante os trabalhos de auditoria, de que havia encerrado suas atividades no início de 2004, só reforça o dolo de sua conduta na supressão anterior dos tributos. Apesar de haver débitos a declarar/recolher, ela apresentava declarações em branco, como se não tivesse nenhuma atividade. Nessas circunstâncias provado está, para além de qualquer dúvida razoável, o evidente intuito do agente em fraudar o Erário Público, sendo portanto cabível a qualificação da multa de ofício. (Acórdão nº 9101 003.929, de 04/12/2018, relatoria do conselheiro Rafael Vidal de Araújo) grifei Deste último acórdão, vale destacar parte de sua fundamentação: Desse modo, a multa de 150% terá aplicação sempre que, em procedimento fiscal, a autoridade lançadora reunir elementos que a convençam da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Vêse que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos dessa lei, há necessidade de que esteja indicado o dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade, é pressuposto de todos os tipos penais de que trata a Lei nº 4.502/64, ou seja, a vontade de obtenção de um fim em desacordo com o ordenamento jurídico ao se praticar determinada conduta. Ou ainda, nos termos do inciso I do art. 18 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 7/12/1940), é o doloso o crime quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. Assim, a autoridade fiscal deve estar convencida e apresentar os motivos que a convenceram de que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado ao fim de suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. O dolo é a intenção da prática de um ato ilícito. Sendo um aspecto interno ao agente, não se pode comprovar o dolo diretamente (a não ser por via da confissão ou, em países em que são aceitos, por meio de testes de medição da verdade), daí que o dolo deflue do conjunto de elementos a partir dos quais seja muito aceitável ter aquela sido a intenção do agente da prática e que seja pouquíssimo aceitável de que tenha sido outra a intenção. Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 820 34 Ou ainda, sendo o dolo sempre comprovado indiretamente, a verdade é que comprovação indireta não é uma comprovação absoluta (não é possível comprovar absolutamente a intenção, que é um elemento subjetivo, interior ao agente), é sempre uma comprovação suficiente, ou seja, tratase de um convencimento de que houve comprovação. [...] Assim, podese afirmar que a autoridade lançadora, ao qualificar a autuação, esteve convencida da intenção da prática do ilícito, ou seja, esteve convencida do dolo e da ocorrência da sonegação, o que a conduziu a aplicar a multa qualificada. Da mesma forma, o dolo estará suficientemente comprovado quando o julgador tiver firmado seu convencimento de que a conduta foi dolosa. Somente após os sucessivos convencimentos do aplicador (autoridade fiscal) e dos intérpretes (julgador/conselheiro/juiz) da lei quanto à correta subsunção dos fatos específicos à norma penal é que o dolo estará definitivamente comprovado. Portanto, a discussão deslocase para a aferição do que é aceitável/razoável, para fins de convencimento da intenção de agir. E, nesta aferição, são muito importantes critérios de relevância (magnitude do que está em jogo) e de recorrência/reiteração (repetição ao longo do tempo) da conduta. Por que esses critérios? Certamente é natural que se cometam erros até certo ponto e mesmo erros de razoável magnitude e, da mesma forma, é natural que se cometam erros durante um certo lapso de tempo. Não obstante, a medida que crescem a relevância e a duração da prática no tempo; decresce, na mesma medida, a probabilidade de algo ter sido fruto de mero erro (é o que se denomina de inversamente proporcional) e aumenta a probabilidade de ter sido premeditado ou intencional. São duas faces da mesma moeda: num lado está o erro, o equívoco; no outro a intenção (de fazer algo errado ou de deixar de fazer algo certo a que se estava obrigado), a vontade de obtenção de um fim ao se praticar uma conduta. A combinação desses critérios também pode ser determinante: podese errar pouco durante muito tempo, assim como errar muito num curto espaço de tempo; agora errar muito durante muito tempo é algo que desafia o bom senso do homem comum (e porque não dizer até do homem um pouco fora do desvio padrão). grifei. Como se demonstrou com os elementos probatórios carreados aos autos pela autoridade lançadora, a conduta foi reiterada no tempo, relevante comercialmente e a contribuinte tinha plena consciência da sua irregularidade. Os elementos probatórios são suficientes para o convencimento além de qualquer dúvida razoável acerca do dolo e, portanto, do fundamento para a qualificação da multa. Neste ponto, voto por acolher parcialmente o recurso de ofício para restabelecer a aplicação da multa qualificada (150%). Fl. 820DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 821 35 Conclusão. Em face do exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade, no mérito negar provimento ao recurso voluntário e, por fim, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a qualificação da multa de ofício de 75% para 150%. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 822 36 Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Inicio parabenizando o ilustre Conselheiro Relator pelo fundamentado voto apresentado a esta turma. Entretanto, inobstante a exímia fundamentação apresentada, discordo de parte da análise, apenas no que tange à análise da qualificação da multa de ofício e, assim, fui designado para redigir esta parte do acórdão. Passo a fazêlo. Inicio a análise consultando o Termo de Verificação Fiscal no qual a fiscalização apresentou diversos argumentos no sentido de considerara que a apresentação de despesas sem a devida comprovação implicaria em simulação de atos com vistas a impedir a ocorrência do fato gerador do tributo, ou o seu não conhecimento. Parte do princípio, e assim utilizou sua argumentação, no sentido de que a prática desses atos implicaria numa tentativa de reduzir os valores a pagar do IRPJ e CSLL. Em todo o TVF a fiscalização apresenta fundamentos e precedentes do CARF a enquadrar os atos como simulados e, assim, nas hipóteses dos arts. 72 a 74 da Lei nº 4.502/64. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento com relação à qualificação da multa entendeu que mesmo que a contribuinte não tenha logrado comprovar a efetiva prestação dos serviços, esse fato não poderia implicar, no entendimento dos julgadores da DRJ, na caracterização de atos que tipificassem as normas dos arts. 72 a 74 da Lei nº 4.502/64. Em seu voto vencedor o Conselheiro Relator além de entender, de forma similar à fiscalização que a inserção de despesas na escrituração que não pode comprovar a realização, também deveria ser mantida a qualificação em função de ter agido de forma reiterada, como a própria recorrente demonstrou ao apresentar dados de outro processo onde constava o mesmo tipo de infração. Temos, assim, que em relação ao primeiro item, qual seja, o de considerar a qualificação a partir do momento em que são inseridas informações de despesas na fiscalização das quais o contribuinte não consegue comprovar a realização já seriam motivos de qualificação entendo de maneira similar à Delegacia de Julgamento. Não acho que tal procedimento, por si só, possa ser enquadrado como motivo de qualificação, haja vista que, em determinados casos a prova da realização de certos serviços é de difícil realização. Dou um exemplo caseiro e de fácil compreensão. Em minha própria residência minha esposa faz um tratamento de terapia que, normalmente, é semanal com médico especializado. Todo mês ela tem o cuidado de guardar a cópia do cheque para comprovar o pagamento das despesas. Mas, se o fisco exigisse a prova da realização dos serviços o que ela poderia juntar? No prédio do médico não há registro de entrada, os procedimentos não deixam marcas físicas. Seria muito difícil a prova. Fl. 822DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 823 37 Nesse caso, e em milhares de outros casos de contribuinte que, por exemplo, caem em malha fina, a nos atermos a esse entendimento, todos seriam penalizados com a qualificação da multa. Acho um tanto exagerado. A tipificação da conduta na norma guarda um elemento subjetivo que deve ser ponderado pelo julgador. Nesta ponderação devem ser considerados todos os atos constantes do processo e as suas repercussões. Neste caso, além de tudo, o montante da infração representa menos de 0,2% das receitas totais da empresa. Até por este fato, não nos parece razoável que objetivo principal era o de reduzir a tributação e o consequente pagamento de tributos, isso porque, como já acompanhamos em diversos casos, quem envida esforços no sentido de reduzir artificialmente a tributação não se limitaria a percentuais de "ganhos" nesta proporção. Até mesmo porque fugiria do razoável. Neste sentido apresento os seguintes precedentes deste CARF. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Correta a decisão recorrida que afasta a qualificação da penalidade, se inexiste prova da intenção de fraudar e o lançamento está fundamentado, apenas, na falta de comprovação de valores contabilizados. Acórdão nº 1101000.622, de 24/11/2011. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A não apresentação de provas por parte do contribuinte no sentido de elidir possível dedução em duplicidade de tributos, não constitui comportamento que se enquadra nas condições previstas na legislação tributária para o qualificação da multa de ofício. Acórdão nº 1401001.355, de 26/11/2014. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO DEMONSTRADO O DOLO DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO. É incabível a qualificação da multa de ofício se não restou efetivamente demonstrada a intenção dolosa do contribuinte de fraude ou simulação. Acórdão nº 1302001.364, de 09/04/2014. DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADAS. INSUFICIÊNCIA PARA A CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A mera ausência de comprovação de despesas médicas não pode levar à qualificação da multa, se o fisco não se esforçou, no auto de infração, em demonstrar o evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Acórdão nº 9202002.064, de 21/03/2012. Por isso, discordo do Conselheiro Relator neste ponto da análise. Em relação ao segundo ponto, que diz respeito ao fato da reiteração da conduta por parte do recorrente entendo que apenas de fundamentados os argumentos, no TVF não constou este aprofundamento na análise da reiteração, impedindo a realização da adequada defesa. Além disso, deve ser considerado que foi ação do recorrente a de apresentar o procedimento onde já havia sido autuado por fato similar. Ora, se a intenção era fraudar e Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16682.722804/201647 Acórdão n.º 1401003.131 S1C4T1 Fl. 824 38 impedir o conhecimento do fato gerador, demonstrando assim o dolo da atuação, passível de qualificação, jamais iria o próprio ator do ato doloso apresentar ele mesmo a prova de seu crime. Em verdade entendo que tal conduta merece ser considerada como arrependimento dos atos. Não entendo que seria necessário que o arrependimento chegasse ao ponto de retificar todas as declarações e recolher de imediato todos os tributos devidos. Isto porque, se os atos já eram reconhecidamente errados, o risco já havia sido assumido de uma maneira ou de outra e restou ao recorrente apenas aceitar as punições que lhe seriam impostas, tentando apenas reduzir o montante desta punição. Assim, também em relação a reiteração da conduta entendo que não merece revisão a decisão de piso no que exonerou a qualificação da multa de ofício. Neste sentido, voto por negar provimento ao recurso de ofício integralmente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Fl. 824DF CARF MF
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