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Numero do processo: 10725.720938/2012-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal.
Numero da decisão: 2001-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO PERICIAL. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo pericial, devidamente justificado. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. A glosa por recusa de aceitação dos comprovantes apresentados pelo contribuinte deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a inocorrência da situação na data apontada no documento. O laudo médico apresentado pela Recorrente supre a exigência legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 72 09 38 /2 01 2- 70 Fl. 106DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por omissão à tributação de rendimentos considerados isentos pelo Recorrente em razão da alegada moléstia grave no período. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 3.588,46, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2010. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta a falta de comprovação suficiente para justificar a não aceitação da isenção, nos moldes que entende devam ser atendidos os requisitos legais, com a apresentação de elementos de forte comprovação da ocorrência da moléstia alegada no espaço temporal da utilização do benefício fiscal da isenção. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que os comprovantes não se enquadram nas exigências da legislação em vigor à época da ocorrência, como a seguir dispõe: Contra o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, exercício 2011, anocalendário 2010. Foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 3.588,46, acrescido de multa de ofício e juros de mora. (...) Da análise dos documentos apresentados e demais questões de fato alegadas, foi elaborado Despacho Decisório de fls. 45 a 47, com as seguintes conclusões: A isenção deve ser concedida se comprovados, concomitantemente: a) ser portador de moléstia grave prevista em lei; b) que os rendimentos auferidos pelo seu portador sejam decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma; c) que a enfermidade contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão, esteja devidamente comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10725.720938/201270 Acórdão n.º 2001000.302 S2C0T1 Fl. 107 3 A moléstia, citada na impugnação e no laudo apresentado, fls. 09, encontrase na lista de doenças do artigo 6º, inciso XIV da Lei n7.713/88,com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541/92. O Laudo apresentado tem validade de 05 (cinco) anos, portanto, somente cabe isenção até setembro de 2009. No caso de moléstias passíveis descontrole, a isenção restringese ao prazo de validade fixado no laudo pericial. Logo, considerando a validade do laudo, não ficou comprovado o direito a isenção para o anocalendário 2010. Face ao exposto, os documentos apresentados não são documentos hábeis a comprovar o alegado junto à Receita Federal do Brasil. (...) Pois bem, da leitura do dispositivo legal retrotranscrito, inferese que para fazer jus à isenção pleiteada é necessário o preenchimento cumulativo dos requisitos legais a seguir enumerados: 1. Que os rendimentos percebidos por portador da moléstia grave prevista em lei sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma; 2. Que a moléstia grave, listada na legislação em vigor, contraída antes ou após a aposentadoria ou reforma, seja comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Para comprovar que os rendimentos auferidos são decorrentes de aposentadoria, reforma ou pensão, foi consultado o processo nº 10725.000007/201171, onde consta um laudo informando que Regina Coeli Sardinha Silva é aposentada pelo INSS, através da NB nº 42/1304989000, com data de início de benefício em 01/03/2004, uma cópia do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, datado de 29/07/1999, demonstrando a publicação de aposentadoria de 26/07/1999, e cópias de comprovantes de pagamento demonstrando a inatividade da contribuinte em relação a 2 (dois) cargos do Estado do Rio de Janeiro. A moléstia, citada na impugnação e no laudo apresentado (fl. 09), encontrase na lista de doenças do artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713/88, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541/92. O laudo apresentado tem validade de 05 (cinco) anos, portanto, somente cabe isenção até setembro de 2009. No caso de moléstias passíveis de controle, a isenção restringese ao prazo de validade fixado no laudo pericial. Logo, considerando a validade do laudo, não ficou comprovado o direito a isenção para o anocalendário 2010. Fl. 108DF CARF MF 4 Face ao exposto, os documentos apresentados não são documentos hábeis a comprovar o alegado junto à Receita Federal do Brasil. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, para ratificar os termos da revisão de ofício promovida pela DRF de origem, a qual apurou imposto a pagar de R$ 3.588,46, a ser acrescido de multa de ofício e juros de mora, de acordo com a legislação regente. Assim, ao final, conclui a decisão de piso pela improcedência da impugnação para manter o crédito tributário exigido em razão do não reconhecimento ao direito à isenção pleiteada referente período. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10725.720938/201270 Acórdão n.º 2001000.302 S2C0T1 Fl. 108 5 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de reconhecimento ou não ao direito a isenção do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para portadores de moléstia grave prevista em lei, devendo para isso preencher os requisitos básicos, cumulativamente, no mesmo período, de recebimento de rendimentos de aposentaria, reforma, reserva remunerada ou pensão com a existência da enfermidade que permite a isenção do imposto. O de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. (grifei) Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, Fl. 110DF CARF MF 6 no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9.250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, fulcro do objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, a situação fática e legal de enquadramento do Recorrente. A Contribuinte efetuou sua declaração do Imposto de Renda considerando os rendimentos de aposentadoria no item específico que isenta do tributo com base no inciso XIV, art. 6º, da Lei nº 7.713/88 e inciso XXXIII, do art. 39, do Decreto nº 3.000/99, e por essa providência usufruir do benefício fiscal da isenção em razão da existência de sua moléstia considerada grave. A lide aponta de maneira fulcral para a questão da prova e data da constatação da moléstia e da data de início da efetiva causalidade do pressuposto básico e definidor do direito ao benefício da isenção com base nos dispositivos legais antes citados. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10725.720938/201270 Acórdão n.º 2001000.302 S2C0T1 Fl. 109 7 A Recorrente é portadora de moléstia grave desde 14/09/2004, conforme laudo médico pericial oficial emitido pelo Instituto de Previdência Social que estipulava um prazo de 05 (cinco) anos de validade. Este é o ponto específico que se estrutura a argumentação do Fisco para manter o Lançamento lavrado. Ocorre que a Recorrente não ficou curada no período de validade do Laudo Médico Oficial, como supunham os profissionais da saúde, tendo a paciente apresentado quadro de recidiva em períodos seguintes como fica demonstrado na documentação comprobatória juntada ao processo. É farta a documentação que comprova a existência da moléstia grave da Contribuinte que usufruiu no período anterior a este processo da isenção do imposto, como demonstrado nos Acórdãos juntados ao autos, com decisão favorável à Recorrente. O vencimento do prazo estipulado no laudo anterior (14/09/2009), foi precedido por outro laudo, este do Hospital Escola Álvaro Alvim – Fundação Benedito Pereira Nunes – Oncocentro, datado de 20/03/2009 (fl. 60, 61, 85 e 86). Em sequência (fl. 62 e 87), consta Laudo Médico Pericial, Oficial, do Instituto Nacional de Previdência e Seguro Social, realizado em 27/04/2009, confirmando o laudo antes citado e fazendo referência se tratar de continuidade da mesma enfermidade que acomete a Recorrente desde o ano de 2004. Laudo oficial, portanto, confirmando a continuidade da moléstia grave préexistente. Outros relatórios médicos que atestam a continuidade da doença foram juntados ao processo que apontam a recidiva da doença e o aparecimento de metástases em outras partes do corpo da paciente, obrigandoa a se submeter a tratamentos próprios deste quadro como a quimioterapia, por exemplo. Foram juntados a processo (fl. 57, 58, 59, 91), datados, respectivamente de 26/04/2016, 25/04/2016, 03/04/2012 e 29/10/2013, e suas repetições que se seguem nas fls. 88 a 93. Todos abordam a questão da moléstia em estágio avançado e relatam a gravidade do quadro da doença. Marcante são as manifestações do Dr. Carlos Gil Ferreira ás fls. 94 e 95 que relatam o quadro de gravidade da doença que não abandonou o corpo da paciente, ainda em janeiro de 2017, com a recomendação de “agendamento para protocolo de manutenção de cateter de longa permanência”, documento que acompanha seu relatório médico nos termos que segue: Fl. 112DF CARF MF 8 Assim, em razão do laudo oficial ter sido firmado considerando que os efeitos definidores da moléstia grave permanecem até a presente data, sem trégua ao longo de anos de tratamento, corroborado firmemente por relatórios médicos e exames juntados ao presente processo, mesmo que particulares, que reportam o estágio permanente da enfermidade desde o ano de 2004 e a condição de aposentada da Recorrente, constatase o direito ao beneficio fiscal pleiteado do aproveitamento da isenção do Imposto sobre a Renda, ao amparo dos termos da legislação pertinente. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para reconhecer a isenção tributária sobre os proventos de aposentadoria como constante na declaração do Imposto sobre a Renda. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.901212/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO.
É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS
O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante).
COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.
Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindo-se salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004).
Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Concede-se o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem.
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO.
A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação, e conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação.
CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004.
Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.569
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que também dava provimento para as despesas de despacho aduaneiro. Os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram pelas conclusões.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindo-se salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêm-se os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo. SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Concede-se o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO. A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação, e conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004. Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. É de 5 (cinco) anos o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, contado da data da entrega da declaração de compensação. NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; (ii) emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; e (iii) essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). COMBUSTÍVEIS. GLP E ÓLEO DIESEL Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 12 12 /2 01 0- 95 Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 3 2 DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concedese o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. UTILIZAÇÃO EM ETAPAS DO PROCESSO PRODUTIVO. ÁGUA E ENERGIA ELÉTRICA. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos e utilizados em etapas pertinentes e essenciais à fabricação de produtos destinados à venda, incluindose salas de controle e monitoramento do processo produtivo, conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação (IN SRF nº 457/2004). Mantêmse os créditos com encargos de depreciação dos bens imobilizados utilizados em unidades de abastecimento e tratamento de água e de energia elétrica na atividade mineradora por serem essenciais e pertinentes ao processo produtivo. SERVIÇOS DE INSTALAÇÕES. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Concedese o direito ao crédito às despesas com instalações de máquinas e equipamentos do processo produtivo desde que o dispêndio não deva ser capitalizado ao valor do bem. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO. AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. DEPRECIAÇÃO. A aquisição de máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo de bens destinados à venda, não permite a tomada do crédito das Contribuições, o que somente é permitido quanto aos encargos de depreciação, e conforme disciplinado pela Secretaria da Receita Federal em sua legislação. CREDITAMENTO. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. ART. 31, LEI Nº 10.865/2004. Vedado o creditamento relativo a encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 30 de abril de 2004. Disposição expressa do art. 31 da Lei nº 10.865/2004. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 4 3 também dava provimento para as despesas de despacho aduaneiro. Os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram pelas conclusões. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente das Declarações de Compensação – Dcomp nºs 10961.42045.220206.1.3.094109, 24680.03105.090306.1.3.09 5185, 33016.64418.270306.1.3.090540, 36733.43020.270306.1.3.093904, 15904.74168.100406.1.3.09 0260, 41393.32986.250406.1.3.099907, 10327.54048.100506.1.3.094699, baixadas para tratamento manual, recebendo o número 10650.720164/201117, objetivando a compensação dos débitos nelas declarados, no montante de R$5.479.733,41, com crédito da Cofins – regime não cumulativo, relativo ao 1º trimestre de 2006. As Declarações de compensação 41393.32986.250406.1.3.09 9907; 10327.54048.100506.1.3.094699 e 15904.74168.100406.1.3.090260, referentes aos meses de março/2006 e abril/2006, foram precedidas do Pedido de Ressarcimento n° 35387.35620.100406.1.1.090261, que também foi baixado para tratamento manual, recebendo o n° 10650.901212/201095. Os processos 10650.901212/201095 e 10650.720164/201117, foram analisados em conjunto, por constituírem objeto de crédito tributário do PIS não cumulativo do 1º trimestre/2006. Da verificação da legitimidade do crédito solicitado resultaram o Relatório Fiscal (fls. 8 a 69) e o Relatório Fiscal Final, referente ao 1º trimestre (fls. 99 a 110), do qual se extrai as seguintes glosas: bens utilizados como insumos (gás liquefeito do petróleo GLP e óleo diesel, produtos adquiridos sujeitos à alíquota zero); duplicidade de aproveitamento de crédito, no momento da aquisição e nos encargos de depreciação; Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 5 4 encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado: (i) sobre máquinas e equipamentos nos centros de custos AGU – Abastecimento e Tratamento de Água e ENE – Subestação de Energia Elétrica por não afetarem a produção diretamente; (ii) móveis e equipamentos não utilizados na fabricação dos produtos vendidos; (iii) equipamentos formados por aquisições de peças e serviços antes de 30/04/2004; ajuste negativo do crédito (aumento da base de cálculo da contribuição, adicionando valores relativos à cessão de créditos de ICMS). A DRFUberaba/MG emitiu Despacho Decisório, no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, até onde as contas se encontrarem, fls. 111 a 120, nos seguintes termos: Conforme os fundamentos acima e com base na Lei n2 10.833, de 29 de dezembro de 2003, DECIDO: 1) RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO no valor de R$5.209.080,45(cinco milhões, duzentos e nove mil, oitenta reais e quarenta e cinco centavos); sendo R$1.948.846,65(hum milhão, novecentos e quarenta e oito mil, oitocentos e quarenta e seis reais e sessenta e cinco centavos) no mês de janeiro/2006; R$1.339.200,52(hum milhão, trezentos e trinta e nove mil, duzentos reais e cinquenta e dois centavos) para o mês de fevereiro/2006 e R$1.921.033,28(hum milhão, novecentos e vinte e um mil, trinta e três reais e vinte e oito centavos) para o mês de março/2006. 2) HOMOLOGAR PARCIALMENTE as compensações realizadas, respeitada as vinculações dos respectivos períodos de apuração até onde as contas se encontrarem; 3) EXIGIR os débitos indevidamente nelas compensados, com base no § 6° do art 74 da Lei n° 9.430 de 1996 e § 4° do art 34 da IN RFB n° 900 de 2008. Fica a empresa ciente que deverá executar em seus livros fiscais e contábeis, a adequação de seus registros e de suas informações prestadas à Receita Federal do Brasil, através dos sistemas informatizados disponíveis, em decorrência dos valores apurados em diligência fiscal e da parte do crédito pleiteado que foi objeto de glosa.[...] A empresa apresenta manifestação de inconformidade (fls. 129 a 164), na qual após as alegações deduzidas, requer: Por todo o exposto, seja com base nas preliminares, seja com fundamento nas razões de mérito, concluise que deve o r. despacho decisório ser modificado "in totum", para o fim de (i) cancelar as glosas realizadas na apuração dos créditos da COFINS; (ii) determinar a exclusão dos montantes recebidos em contrapartida à cessão dos créditos do ICMS, da base de cálculo daquela exação; (iii) homologar integralmente as compensações realizadas pela requerente, nos autos dos processos n. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 6 5 10650.901212/201095 e 10650.720164/201117; e (iv) cancelaras respectivas Cartas Cobrança. Protesta a requerente provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia e a juntada de documentos. Em atendimento ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora por intermédio da 1ª Turma, no Acórdão nº 0937.519, sessão de 28/10/2011, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Não atendidos os requisitos legais de admissibilidade, indefere se pedido de juntada de novas provas e, uma vez que os elementos contidos nos autos são suficientes para o deslinde da questão, é prescindível a realização de perícia ou diligência. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. SERVIÇOS. CRÉDITO SOBRE INSUMOS. Somente os serviços aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda são considerados insumos e dão direito ao crédito. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITO SOBRE DEPRECIAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre encargos de depreciação, somente em relação às máquinas e aos equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 7 6 CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DA COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a contribuição. No voto, os julgadores de 1ª instancia delimitaram o litígio conforme as matérias expressamente contestadas pela contribuinte, como se vê: Cumpre ressaltar que relativamente ao 1º trimestre de 2006, a fiscalização excluiu da apuração dos créditos valores correspondentes a: bens utilizados como insumos (GLP e óleo diesel), despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica e encargos de depreciação de determinados itens do ativo imobilizado. Desse modo, fica prejudicado o exame das argumentações, contidas na peça impugnatória, relativamente aos itens: “2.2.4. Conservação Patrimonial, Segurança, Meio Ambiente”, “2.2.5. Pesquisas, Melhorias, Experiências”, “2.2.6. Bens Não Consumidos Nem Aplicados no Processo Produtivo”, “2.2.7 Gastos ativados inseridos nos serviços utilizados como insumos”, “2.2.8 Conservação patrimonial e melhoria de processos”, correspondentes aos itens 1.2, 1.3, 1.4, 2.1 e 2.2 do Relatório Fiscal, já que não houve glosa sob referidas rubricas. A seguir, após dissertar acerca do conceito de insumos no entendimento daqueles julgadores, mormente consubstanciado nas INs 247/2002 e 404/2004, estabeleceu as rubricas que a contribuinte incorreu em gastos para os quais a Fiscalização glosou os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins, a saber: I Decadência II Aumento da base de cálculo da Cofins em procedimento de análise de direito creditório III Inclusão dos ingresso decorrente de cessão de crédito do ICMS na base de cálculo para apuração do crédito de Cofins. IV Glosa de créditos quanto a encargos com aquisição de/para: a) GLP e óleo diesel: b) Alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; c) Depreciação de bens do ativo imobilizado, nos seguintes centro de custo: (i) AGU (Abastecimento e Tratamento de Água), “ENE” (Subestação de energia elétrica); (ii) Móveis e equipamentos alocados em centro de custos produtivos; e (iii) Bem do ativo imobilizado adquirido antes de 30/04/2004, relacionados nos quadros demonstrativos do item 6.1 do relatório fiscal (fls. 33 a 35). Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 8 7 Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário (fls. 335/380), no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação, explicitando sua atividade extrativa/industrial e a utilização de cada um dos bens ou serviços em seu processo, cujos gastos tiveram créditos das contribuições glosados. Submetido à julgamento em Colegiado desta 3ª Seção, na sessão de 26/06/2013, após conhecer do recurso voluntário decidiuse convertêlo em diligência para elaboração de laudo que demonstrasse a vinculação dos bens e serviços ao processo produtivo, por entende a Turma tratarse de informação essencial para a análise de qualquer pleito de reconhecimento de PIS e de Cofins não cumulativos. Os termos da diligência determinada na resolução nº 3202000.104 (fls. 436/445): Para o deslinde da questão entendo necessária a diligência para se determinar se os insumos objeto de glosa pela fiscalização relacionamse ou não ao processo produtivo da Recorrente. Diante disso, converto o julgamento em diligência para que unidade preparadora jurisdicionante do domicílio fiscal da Recorrente providencie o que segue: 1) Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo processo produtivo, apontando a utilização dos insumos ora glosados na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; e 2) Após a juntada do laudo, promova diligência fiscal in loco, para verificar as conclusões do laudo pericial, elaborando Relatório conclusivo e sucintoacerca da utilização ou não dos insumos ora glosados no processo produtivo da Recorrente. Após a realização da diligência, é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. A contribuinte elaborou Laudo (fls. 453/523) por meio de seu corpo técnico no qual descreve seu processo produtivo que se materializa no desenvolvimento de atividade de lavra, extração e produção de minérios utilizados na fabricação de produtos da indústria metalúrgica e siderúrgica. O insumo, minério de pirocloro, no qual é encontrado sob a forma do composto óxido de nióbio (Nb2O5), utilizado na produção de nióbio, e de outros produtos derivados, é explorado pela CBMM de seu próprio depósito minerário, e de outro, em forma de concessão, de propriedade da CODEMIG, que juntas otimizam a exploração do minério por intermédio da COMIPA que os vende, exclusivamente, à CBMM. A COMIPA é pois a responsável pela operação de lavra e transporte do minério até as instalações da CBMM. As máquinas e equipamentos necessários à extração são de propriedade da CBMM que os aluga à COMIPA, por disposição contratual. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 9 8 O minério adquirido pela CBMM é submetido a sucessivos processos de separação dos demais minerais até a obtenção do produto final o nióbio. Esse processo de separação consiste em etapas de concentração, sinterização, desfosforação, metalurgia, britagem e embalagem. Em termos de controle contábil, cada uma das etapas do processo de produção do nióbio constituise um centro de custo. Finda a caracterização de seu processo produtivo, a CBMM passa a discorrer sobre as despesas incorridas com as várias rubricas apropriadas na tomada de créditos das Contribuições para Pis/Cofins nãocumulativas. A Unidade de Origem produziu o relatório de diligência em que, objetivamente, analisou as glosas efetuadas na autuação fiscal comparando as despesas incorridas nas rubricas mencionadas relacionandoas ao processo produtivo descrito. Segue a síntese da manifestação da autoridade fiscal quanto aos itens glosados, que permanecem em litígios. GLP/Óleo diesel O GLP foi utilizado pelos fornos, equipamentos da produção. Contudo, a glosa ocorreu por outra razão: insumos adquiridos sem o pagamento da contribuição, conforme Relatório Fiscal. Despesas de Alugueis de Máquinas e Equipamentos Não se trata de alugueis, locação, mas de serviços prestados com máquinas e equipamentos nas obras, conforme afirmam os Laudos nas folhas 18. Tratase de despesas apropriadas na conta do ativo imobilizado: 13210001 Obras, portanto, ativadas, cujo crédito foi apurado em duplicidade. Há fotografias dos equipamentos no Anexo VIII, do Laudo. Depreciação de bens do Ativo Imobilizado Os bens do centro de custo AGU Abastecimento de Água não foram usados na produção, mas no bombeamento, tratamento, e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais. Os bens do centro de custo ENE Energia Elétrica distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades, suprem de energia elétrica toda a empresa essas são suas funções. Eles não atuam na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Os bens que constam da tabela do item 9, exceto o de número 17, não se desgastaram ou danificaram na fabricação dos produtos. São necessários para viabilizar as atividades de qualquer empresa. Não foram adquiridos para fabricar os produtos da Contribuinte. Contudo, o Detector de radiação G606/650 é um separador magnético escória/produto, que se desgasta ou danificase no Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 10 9 processo produtivo e, portanto, o crédito sobre ele deve ser admitido. Quanto aos serviços, que constam da referida tabela do item 9, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admite crédito sobre suas cotas de depreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Conforme se verifica nos autos, a lide está vinculada à (i) decadência para a homologação da declaração de compensação; (ii) à possibilidade de alteração da base de cálculo de Cofins de ofício; (iii) inclusão na base de cálculo da Cofins dos valores relativos à cessão de crédito de ICMS e (iv) às glosas realizadas na apuração dos créditos da contribuição relacionadas às despesas com bens e serviços utilizados pela recorrente nas atividades de lavra, extração e produção de nióbio. Decadência Suscita a recorrente que o prazo para o fisco homologar declaração de compensação é de cinco anos a contar da data do fato gerador, pois entende que a regra do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 não afasta a contagem do prazo determinada no art. 150, § 4º do CTN. Reforça tal tese o entendimento de que os ajustes de créditos decorrente da inclusão na receita total da cessão onerosa de ICMS, por se tratar de um procedimento fiscal já não restava permitido em razão de ultrapassado cinco anos do fato gerador. Dessa forma, estaria configurada a decadência do direito de proceder os ajustes da base de cálculo da Cofins relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 2006. A tese da contribuinte não pode prosperar. A compensação, é uma modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no artigo 170 do CTN, aprovado pela Lei n° 5172/66, o qual remete a lei ordinária a disciplina da matéria. O CTN assim dispõe sobre a compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Desta forma, a compensação é um dos meios de extinção do crédito tributário e se concretiza pelo encontro de contas entre a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Deste modo, o art. 74 da Lei n° 9.430/96 (e alterações) disciplina o regime de compensação no âmbito federal. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 11 10 Art, 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. Por seu turno, o § 5° deste dispositivo legal estabelece o prazo para a homologação da compensação: O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ('grifouse,) Destarte, o prazo de cinco anos contase da data da entrega das declarações de compensação. No caso presente, constatase que as declarações de compensação foram entregues a partir de 22/06/2006. Em razão do parágrafo 5º, acima transcrito, a autoridade administrativa teria o prazo até 22/06/2011 para proceder a homologação ou não das compensações declaradas. Como a interessada teve ciência do Despacho Decisório, que homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido, em 03/03/2006, operouse a homologação somente para as compensações entregues antes desta data. Contudo, a única Dcomp nessa situação encontrase homologada em razão do crédito reconhecido. Para as demais não há que se falar em homologação tácita. Como visto, na compensação a autoridade tem por obrigação legal, no prazo acima referido, verificar se os créditos são líquidos e certos, ou seja, a exatidão dos créditos da Cofins apurados e declarados pelo sujeito passivo. Diferentemente do alegado pela recorrente, o art. 150, §4° do CTN trata do prazo que a Fazenda Nacional tem para verificar a exatidão do pagamento efetuado. Esse prazo não se aplica à análise dos créditos que podem ser descontados da Cofins sob o regime da não cumulatividade. Assim, não se configurou a decadência para a autoridade administrativa proceder à análise das declarações de compensação transmitidas após 03/03/2006. Aumento da base de cálculo da Cofins em procedimento de análise de direito creditório Argui a recorrente que a fiscalização não poderia proceder o aumento da base de cálculo da Cofins devida em apuração de créditos da Contribuição. Entende que eventuais ajustes na base de cálculo para exigência de tributo ou cálculo do rateio dos créditos somente poderiam ser feitos por meio de lançamento de oficio e que a interpretação da decisão recorrida ao mencionar o art. 9º, § 4º do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Medida Provisória n° 44/08, é equivocada. O enfrentamento da matéria é despiciendo, pois o aumento suscitado decorreu da inclusão como receita de valores provenientes da cessão de crédito de ICMS, que será analisada em tópico próprio, e goza de decisão definitiva em sede de repercussão geral, com a reprodução obrigatória da decisão do STJ nos julgamentos deste CARF. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 12 11 Desta forma, se não configura receita não há que se falar em aumento da base de cálculo por meio de lançamento de oficio. Cessão onerosa de crédito de ICMS Este mesmo contribuinte teve julgamento desta matéria em Turma do CARF em que se atestou o acúmulo de créditos de ICMS decorrentes de sua condição de exportador, conforme excerto do voto no acórdão nº 3301003.209, prolatado em 21/02/2017, cuja decisão foi o afastamento da exigência por unanimidade: (...) Percebese, quando da leitura da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, de 30 de junho de 2008, que dispõe sobre a reforma integral do estatuto social da Companhia, que tem por objeto social (fls. 417): (i) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de minérios, produtos químicos, fertilizantes e produtos metalúrgicos, e a exploração e o aproveitamento de jazidas minerais no território nacional; (ii) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; e; (iii) a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista; e (iv) o desenvolvimento de outras atividades correlatas, de interesse da Companhia. (grifouse). Neste sentido, como o Contribuinte desenvolve a atividade de exportação de minérios e requer a retirada da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS (...) A inclusão como receita de PIS e de Cofins da cessão onerosa de crédito de ICMS, acumulados em razão de exportação para o exterior, foi definitivamente afastada pelo STJ no julgamento do RE nº 606.107/RS, na sistemática de repercussão geral prevista no art. 543B do antigo CPC, não sendo mais passível de discussão no CARF, que deverá reproduzir no julgamento, frente ao comando do § 2º do art. 62 da Portaria nº 343/2015 RICARF, redação dada pela Portaria MF nº 152/2016. Eis a reprodução do julgado no STF, de relatoria da Ministra Rosa Weber, na sessão do Pleno de 22/05/2013: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 13 12 quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X , “a”, da CF) . Em ambos os casos, trata+se de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 14 13 função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. E o comando do § 2º do art. 62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim sendo, de acordo com a legislação e a jurisprudência aplicável ao tema, voto devese afastar da base de cálculo da contribuição o ingresso oriundo da cessão de créditos do ICMS. Glosa de créditos O recurso voluntário apresentado nestes autos, em relação às matérias abordadas na autuação, assemelhase em relação aos demais processos de glosa de créditos de bens e serviços que a fiscalização entendeu não relacionaremse com o processo produtivo da CBMM. Assim, antes de se proceder à análise individualizada de cada item, mister assentar os fundamentos para a utilização do conceito de insumos que irão conduzir este voto. Conceito de insumos para créditos de PIS e Cofins Este Conselho, incluindo esta Turma, entende que o conceito de insumo é mais elástico que o adotado pela fiscalização e julgadores da DRJ nas suas Instruções Normativas n°s. 247/2002 e 404/2004, mas não alcança a amplitude de dedutibilidade utilizado pela legislação do Imposto de Renda, como requer a recorrente. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 15 14 Isto posto, há de se fixar os contornos jurídicos para delimitar os dispêndios (gastos) que são considerados insumos com direito ao crédito das contribuições sociais, quer no processo produtivo ou na prestação de serviço. Neste ponto acolho o conceito estabelecido pelo Ministro do STJ Mauro Campbell Marques no voto condutor do REsp nº 1.246.317MG, que fora sintetizado pelo Conselheiro relator ALEXANDRE KERN, no acórdão nº 3402002.663, sessão de 24/02/2015, o qual adoto neste voto e transcrevo: Inclinome pelo conceito de insumo deduzido no voto condutor do REsp nº 1.246.317 MG (2011/00668193). Nele, o Ministro Mauro Campbell Marques interpreta que, da dicção do inc. II do art. 3º tanto da Lei nº 10.637, de 2002, quanto da Lei nº 10.833, de 2003, extraise que nem todos os bens ou serviços, utilizados na produção ou fabricação de bens geram o direito ao creditamento pretendido. É necessário que essa utilização se dê na qualidade de "insumo" ("utilizados como insumo"). Isto significa que a qualidade de "insumo" é algo a mais que a mera utilização na produção ou fabricação, o que também afasta a utilização dos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" inerentes ao IR. Não basta, portanto, que o bem ou serviço seja necessário ao processo produtivo, é preciso algo a mais, algo mais específico e íntimo ao processo produtivo. As leis, exemplificativamente, mencionam que se inserem no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento: a) serviços utilizados na prestação de serviços; b) serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c) bens utilizados na prestação de serviços; d) bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e) combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f) combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. O Min. Campbell Marques extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento e conclui: a) o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; b) a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e c) não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 16 15 Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Particularmente, entendo ainda mais apropriada a especificidade do conceito deduzido pelo Min. Mauro Campbell Marques, plasmado no REsp 1.246.317MG, segundo o qual (sublinhado no original): Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003 são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo. Firmado nos fundamentos assentados, quanto ao alcance do conceito de insumo, segundo o regime da nãocumulatividade do PIS Pasep e da COFINS, entendo que a acepção correta é aquela em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de: 1. pertinência ao processo produtivo ou prestação de serviço; 2. emprego direto ou indireto no processo produtivo ou prestação de serviço; 3. essencialidade em que a subtração importa a impossibilidade da produção ou prestação de serviço ou implique substancial perda de qualidade (do produto ou serviço resultante). Assim, há de se verificar se o recorrente comprova a utilização dos insumos no contexto da atividade fabricação, produção ou prestação de serviço de forma a demonstrar que o gasto incorrido guarda relação de pertinência com o processo produtivo/prestação de serviço, mediante seu emprego, ainda que indireto, de forma que sua subtração implique ao menos redução da qualidade. Neste ponto, essencial que se conheça quais são os produtos finais elaborados com os insumos, ou o principal desses minério de pirocloro/óxido de nióbio , adquiridos da Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 17 16 CEMIPA. A resposta se encontra às páginas 09/10 do Laudo (fls. 447/448): (i) ferronióbio, de alta pureza; (ii) óxido de nióbio (Nb2O5) de alta pureza; (iii) óxido de nióbio grau ótico; (iv) liga níquelnióbio (NiNb); e (v) nióbio metálico. Passo à análise da possibilidade de apropriação de créditos das contribuições nas despesas com bens e serviços discriminados no Laudo Técnico. GLP e óleo diesel As despesas com óleo diesel e GLP foram glosadas pela aquisição dos referidos bens estar submetida à alíquota zero para o PIS e para a Cofins (art. 41, I da MP nº 2.15835/01), conforme vedação do art. 3º, § 2º, II das Leis nºs. 10.837/02 e 10.833/03. A recorrente, por sua vez, entende que o dispositivo não alcança os combustíveis com tributação na sistemática monofásica. Vejamos os dispositivos legais: Medida Provisória nº 2.15835/01 Art. 42. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; E o que dispõe a Lei nº 10.833, de 2003 e, em igual inciso, a Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3° o valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; grifo nosso. [...] § 2° Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição." Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 18 17 [...] A leitura dos dispositivos acima revela que o legislador, ao permitir a apuração de créditos, inclusive de combustíveis e lubrificantes, expressamente excluiu o aproveitamento de créditos sobre valores de aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Conquanto este relator mantinha o entendimento de que os gastos com GLP e óleo diesel por pessoa jurídica consumidora não lhe conferia o direito ao crédito, uma vez que a aquisição fora tributada de forma concentrada, esta Turma tem decidido de forma contrária, com supedâneo no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, alinhada com recentes decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo dos Acórdãos nºs. 9303005.908 e 9303 005.623. Assim, tratandose de aquisições de GLP e óleo diesel, combustíveis utilizados no processo produtivo da recorrente, assistelhe razão, sendo possível sua pretensão em manter o crédito sobre tais rubricas. Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos No relatório fiscal justificase a glosa com alugueis de máquinas e equipamentos com o fundamento de que as despesas foram escrituradas em conta de ativo, no momento da aquisição, e também na depreciação. Menciona as Fichas 06A e 16A, Linha 06, do Dacon, como comprovação. A fiscalização não comprovou que os bens alugados foram imobilizados de forma que tenha havido duplicidade de aproveitamento de crédito. Inexistem elementos nos autos que permitam inferir tal assertiva; ao contrário, na tabela apresentada no relatório fiscal há a indicação do equipamento, número de nota fiscal, data, fornecedor e valor correspondente da locação, o que não se confunde com aquisições. Nos Laudos constam informações do bem alugado e o local de sua utilização/aplicação nas atividades da empresa. O aproveitamento de crédito de PIS e Cofins com aluguel de bem está previsto no art. 3º, inciso IV da Lei nº 10.637/02, reproduzido na Lei nº 10.833/03: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Conquanto tenha proferido voto no sentido de que a apropriação do crédito não alcança os veículos, esta Turma tem se manifestado que a determinação legal não restringiu a utilização dos créditos somente as máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. A premissa legal é que os veículos, além de máquinas e equipamentos, sejam utilizados nas atividades da empresa. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 19 18 No presente caso, a descrição da função ou aplicação dos veículos e equipamentos revela claramente estarem relacionados às atividades produtivas, ou seja, a utilização é na movimentação e transporte de insumos, máquinas, equipamentos e prestação de serviços essenciais ao processo produtivo. Portanto, para esta matéria assiste razão aos argumentos da Recorrente, devendo ser afastada as glosas referentes as despesas com alugueis de máquinas, equipamentos e veículos utilizados nas atividades da pessoa jurídica e pagos a pessoa jurídica. Encargos de depreciação de máquinas e equipamento do centro de custo AGU (Abastecimento e Tratamento de Água) A fiscalização entendeu que os bens deste centro de custo relacionados nos Anexo IV não foram usados na produção, mas no bombeamento, tratamento, e reaproveitamento da água que circula nas plantas industriais, do que decorre a impossibilidade de se apropriar dos créditos com encargos de depreciação. Por sua vez, a contribuinte demonstrou no laudo a existência de vinculação direta da utilidade (água) a etapas do processo de produção de óxidos de nióbio, metalurgia, concentração, calcinação, bem como em, outra oportunidade, na barragem de contenção de rejeitos direitos da produção. Desta forma, faço me valer da idêntica conclusão a que chegou a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara desta mesma Seção do CARF ao analisar esta matéria da mesma contribuinte no acórdão nº 3301003.209, de 21/02/2017, que por unanimidade reverte a glosa dos bens empregados no centro de custo AGU reproduzida: Entendese, com isso, que o Contribuinte não teria condições de processar os minérios para transformálos em produto final sem a utilização da água, fazendo com que esta seja indispensável no sistema produtivo realizado pelo Contribuinte. Tendo isto claro, respeitando o critério da essencialidade, visto que a água é elemento fundamental no processo produtivo do nióbio, e sem a água nas diversas fases do processo produtivo não é possível processar os minérios objeto da atividade do Contribuinte, voto no sentido de considerar que a depreciação das máquinas e os equipamentos utilizados no tratamento e abastecimento de água permitem o creditamento na contribuição ao PIS nãocumulativo, visto que são utilizados na produção de bens destinados à venda. Assim, com fundamento no art. 3º, VI c/c § 1º, III, e observado os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, todos da Lei nº 10.637/02, reproduzidos na Lei nº 10.833/03, e também o que se encontra disciplinado na IN SRF nº 457/2004, relativamente aos limites dos encargos de depreciação, devem ser estornados as glosas de créditos com encargos de depreciação dos itens imobilizados que constam do Anexo IV, identificados como relacionados ao centro de custo CC AGU. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 20 19 Encargos de depreciação de máquinas e equipamento do centro de custo ENE (Subestação de Energia Elétrica) Consta do relatório de diligência que os bens do centro de custo ENE Subestação de Energia Elétrica distribuem, convertem, adaptam a energia às necessidades das unidades, suprem de energia elétrica toda a empresa , sendo assim, entende a fiscalização que não atuam na produção e, em consequência, os seus desgastes não decorrem da fabricação dos produtos. Uma vez mais, peço vênia para adotar as conclusões e minhas razões de decidir o voto alhures mencionado no acórdão nº 3301003.209, que se identifica ao do presente processo: Como está claro nos autos a atividade de produção de nióbio pelo Contribuinte requer, além do sistema de abastecimento e tratamento de água, a existência de uma subestação de energia elétrica, visto que a energia elétrica recebida da concessionária CEMIG precisa, necessariamente, receber um processo de adequação da tensão para que possa ser aplicada aos equipamentos industriais. Observase ademais que no laudo elaborado pela requerente (fls. 657 a 711) se demonstra que 99% da energia consumida é destinada ao processo produtivo do Contribuinte e que menos de 1% destinase as atividades administrativas da indústria. Em conclusão, a água e a energia elétrica são indispensáveis as atividades de processamento do minério pelo Contribuinte, e, assim sendo, os equipamentos e as máquinas utilizados no tratamento desses insumos com o fito de tornar possível a sua utilização, pela adequação técnica que a atividade requer, devem ser considerados como itens utilizados no processo produtivo de acordo com o previsto na Lei n° 10.637/02, que assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado,adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Logo, respeitando o princípio da essencialidade, é cabível o creditamento dos valores relativos a depreciação do Centro de Custo ENE – Subestação Energia Elétrica, visto que está sendo diretamente utilizado, no sentido de necessário e essencial, ao sistema produtivo em discussão, portanto, voto em prover o Recurso Voluntário neste tema. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 21 20 Assim, com fundamento no art. 3º, VI c/c § 1º, III, e observado os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do mesmo artigo, todos da Lei nº 10.637/02, reproduzidos na Lei nº 10.833/03, e também o que se encontra disciplinado na IN SRF nº 457/2004, relativamente aos limites dos encargos de depreciação, devem ser estornados as glosas de créditos com encargos de depreciação dos itens imobilizados que constam do Anexo IV, identificados como relacionados ao centro de custo ENE (Subestação de energia Elétrica). Móveis e equipamentos alocados em centro de custos produtivos Aduz a fiscalização que se trata de bens que não se relacionam ao processo produtivo e estão descritos no subitem 6.2 do Relatório Fiscal e Anexo V do Laudo, conforme indicação da utilização na tabela elaborada: Entende o Fisco, quanto aos serviços relacionados, não foram aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos destinados à venda. Assim, não se admitiu o crédito sobre suas cotas de depreciação. Exceção feita às glosas pela fiscalização, o item 17, "detector de radiação G606/650" separador magnético escória/produto que se desgasta ou danificase no processo produtivo e, portanto, o crédito fora admitido. A contribuinte postula a reversão das glosas asseverando que desempenham funções nos processos e nas operações das etapas produtivas. Aparelhos de ar condicionado e monitores de LCD, exclusivamente utilizado em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção, tanques para armazenagem de água ou outra substância e motoserras, utilizados em etapa produtiva são Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 22 21 essenciais ao processo produtivo devendose estornar as glosas. Inclui serviço de instalação de ar condicionado em veículo. Quanto aos demais bens da tabela, sua utilização não tem relação de essencialidade às etapas de industrialização do produto destinado a venda, portanto, não autoriza o creditamento, eis que secundários ao processo industrial. É o caso de rádios comunicadores, móveis, utensílios e arcondicionado de salas de operadores. Glosa de encargos de depreciação de itens do ativo imobilizado adquiridos antes de 30 de abril de 2004 A decisão recorrida manteve a glosa de créditos efetuadas pela fiscalização sobre quotas de depreciação sobre bens adquiridos antes de 30/04/2004, conforme determina o art. 31 da lei nº 10.865/04, que assim dispõe: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1º Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio. De forma diversa entende o Contribuinte, que alega em seu Recurso Voluntário, que não se pode aplicar tal dispositivo por haver assim ofensa ao seu direito adquirido referente ao desconto dos créditos da Cofins calculados sobre os encargos de depreciação do ativo imobilizado acima mencionado. Suscita que não pode a norma do art. 31 da Lei n. 10865/04 ser aplicada retroativamente para alcançar os créditos relativos aos bens do ativo imobilizado, que tenham sido adquiridos antes de 30.4.2004, conforme reconhecido pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4a Região, no julgamento do Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na AMS n. 2005.70.00.0005940/ PR, em 26.6.2008. Apesar dos argumentos do Contribuinte não há como negar a clareza da norma em questão quando define que é vedado o desconto de créditos relativos a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até a data de 30 de abril de 2004. Logo, não se trata de uma ofensa ao direito adquirido do Contribuinte, mas sim a simples e necessária aplicação da legislação pertinente a matéria discutida. Com isso, haja visto a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao pedido do Contribuinte referente a este ponto. Desse modo, não há como afastar a glosa relativa ao aproveitamento de crédito sobre encargos de depreciação referentes às aquisições de bens e serviços do ativo imobilizado, anteriores a 30/04/2004. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10650.901212/201095 Acórdão n.º 3201003.569 S3C2T1 Fl. 23 22 Conclusão Diante de todo o exposto, voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para (i) afastar da base de cálculo da contribuição o ingresso oriundo da cessão de créditos do ICMS; (ii) conceder o crédito das contribuições para o PIS/Cofins, revertendose as glosas efetuadas, atendidas os demais requisitos dos §§ 2º e 3º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003: 1. GLP e óleo diesel utilizados como combustíveis; 2. Despesas com aluguéis de máquinas, equipamentos e veículos utilizados em atividades da empresas relativas às etapas do processo produtivo, relacionados no Anexo VIII do Laudo; 3. Encargos de depreciação de: a. itens imobilizados que constam do Anexo IV identificados como relacionados aos centos de custos AGU e ENE; b. aparelhos de ar condicionado e monitores de LCD, exclusivamente utilizados em sala de equipamentos de controle e monitoramento da produção da etapa produtiva (Anexo V); c. tanques de líquidos e motoserras, utilizados no processo produtivo (Anexo V). 4. Serviço de instalação de ar condicionado em veículo utilizado em etapa do processo produtivo. É como voto. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 649DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10831.003859/00-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 09/08/1996
PRELIMINAR. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.
O ato de revisão aduaneira não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento").
CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. LAUDO TÉCNICO. AMOSTRA. PRESCINDIBILIDADE. PERFEITA E COMPLETA IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA NOS AUTOS.
Uma vez que os documentos coligidos aos autos permitem a perfeita e completa identificação da mercadoria importada, prescindível a análise de amostras que visa a elaboração de laudo técnico para os mesmos fins.
Correta a reclassificação realizada pelo Fisco, pois realizada conforme as prescrições dos textos das Regras Gerais "1" e "2. a)" para Interpretação do Sistema Harmonizado.
DESCRIÇÃO FÍSICA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE EX TARIFÁRIO. MÁQUINA DE MOLDAR POR INJEÇÃO, DE FECHAMENTO HORIZONTAL, PARA PRÉ-FORMAS DE GARRAFAS DE TEREFTALATO DE POLIETILENO, COM FORÇA DE FECHAMENTO DO MOLDE IGUAL OU SUPERIOR A 300 TONELADAS E DOIS OU MAIS CILINDROS
Correto o benefício tarifário por tratar-se de máquina de moldar por injeção, de fechamento horizontal, para pré-formas de garrafas de tereftalato de polietileno, com força de fechamento do molde igual ou superior a 300 toneladas e dois ou mais cilindro, integrada por (i) Manipulador de partes automático - Robô; (ii) Unidade desumidificadora de ar com enclausuramento; (iii) Unidade desumidificadora de resina (PET) e (iv) Unidade de Transporte e alimentação de resina (PET). Correta portanto a descrição feita pela Recorrente, o que possibilita o benefício do ex tarifário.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.506
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que davam provimento para afastar a reclassificação fiscal das Pré-formas. Designado para o voto vencedor quanto a reclassificação fiscal o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Acompanhou o julgamento a patrona Dra. Renata Frizu, OAB/DF 23.602.
Winderley Morais Pereira - Presidente
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227 TFR. ART. 146CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O ato de revisão aduaneira não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. LAUDO TÉCNICO. AMOSTRA. PRESCINDIBILIDADE. PERFEITA E COMPLETA IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA NOS AUTOS. Uma vez que os documentos coligidos aos autos permitem a perfeita e completa identificação da mercadoria importada, prescindível a análise de amostras que visa a elaboração de laudo técnico para os mesmos fins. Correta a reclassificação realizada pelo Fisco, pois realizada conforme as prescrições dos textos das Regras Gerais "1" e "2. a)" para Interpretação do Sistema Harmonizado. DESCRIÇÃO FÍSICA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE EX TARIFÁRIO. MÁQUINA DE MOLDAR POR INJEÇÃO, DE FECHAMENTO HORIZONTAL, PARA PRÉFORMAS DE GARRAFAS DE TEREFTALATO DE POLIETILENO, COM FORÇA DE FECHAMENTO DO MOLDE IGUAL OU SUPERIOR A 300 TONELADAS E DOIS OU MAIS CILINDROS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 1. 00 38 59 /0 0- 33 Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 3 2 Correto o benefício tarifário por tratarse de máquina de moldar por injeção, de fechamento horizontal, para préformas de garrafas de tereftalato de polietileno, com força de fechamento do molde igual ou superior a 300 toneladas e dois ou mais cilindro, integrada por (i) Manipulador de partes automático Robô; (ii) Unidade desumidificadora de ar com enclausuramento; (iii) Unidade desumidificadora de resina (PET) e (iv) Unidade de Transporte e alimentação de resina (PET). Correta portanto a descrição feita pela Recorrente, o que possibilita o benefício do ex tarifário. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos dar parcial provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que davam provimento para afastar a reclassificação fiscal das Préformas. Designado para o voto vencedor quanto a reclassificação fiscal o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Acompanhou o julgamento a patrona Dra. Renata Frizu, OAB/DF 23.602. Winderley Morais Pereira Presidente Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Paulo Roberto Duarte Moreira Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 07/06/2000, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora, multa proporcional e multa administrativa, no valor de R$ 2.081.280,13, em face dos fatos a seguir descritos. • A empresa acima qualificada foi submetida à fiscalização, tendo por âmbito importações com os benefícios do "EX TARIFÁRIO" no período compreendido entre julho/1.996 até janeiro/1.998; • Nas Declarações de Importação No. 97/09455478 de 15/10/1997, No. 97/10598333 de 14/11/1997, No. 96/216841 de 04/11/1996, 96/219515 de 30/12/1996 e 96/312403 de 09/08/1996 o importador usou indevidamente no despacho Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 4 3 aduaneiro de importação o "EX TARIFÁRIO" destinado a máquinas de moldar por injeção de fechamento horizontal para préforma de garrafas PET, com classificação fiscal na posição NCM 8477.10.29 "EX 002"; • Com base no laudo de assistência técnica 10831/FOPIM/003/2000, apurouse a descrição errônea de uma série de componentes do sistema de moldar e das linhas de produção de préformas, como sendo componentes da injetora, quando na realidade a máquina de moldar por injeção é que se constitui em um componente do sistema de moldar préformas e, em conseqüência, de sua linha de produção. Portanto, o benefício estaria revogado; • O "EX TARIFÁRIO" específico para o manipulador (robô) , só foi criado pela Portaria MF No. 339/97 de 18/12/1997; • Por conseqüência, em virtude do licenciamento para importação ter ocorrido também de modo irregular, a autuada acabou por incorrer em infração por importação desamparada de licença de importação, capitulada no artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro Decreto 91.030/85; • Para efeito de autuação, foram criadas novas adições para as Declarações de Importação relacionadas, sendo as mercadorias individualizadas em função de suas classificações fiscais específicas, de acordo com a Regra No. 1 das Regras Gerais do Sistema Harmonizado; • O valor aduaneiro da mercadoria foi determinado de acordo com a documentação apresentada pelo importador, não sendo efetuada qualquer valoração; • A autuada também incorreu na infração prevista no artigo 44, I da Lei 9.430/96, sobre o Imposto de Importação não recolhido; • Nova classificação fiscal definida pela fiscalização: No. 97/09455478 Benefício pleiteado "EX 002" da posição NCM 8477.10.29 Nova classificação fiscal NCM 8419.39.00 NCM 8428.90.90 NCM 8477.80.00 NCM 8479.89.99 No. 97/10598333 Benefício pleiteado "EX 002" da posição NCM 8477.10.29 Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 5 4 Nova classificação fiscal NCM 8419.39.00 NCM 8479.89.99 No. 96/216841 Benefício pleiteado "EX 001" da posição NCM 8477.10.29 Nova classificação fiscal NCM 8419.39.00 NCM 8428.90.90 NCM 8479.89.99 No. 96/219515 Benefício pleiteado "EX 002" da posição NCM 8477.10.29 Nova classificação fiscal NCM 8419.39.00 NCM 8479.89.99 No. 96/312403 Benefício pleiteado "EX 001" da posição NCM 8477.10.29 Nova classificação fiscal NCM 8419.39.00 NCM 8477.90.00 NCM 8479.89.99 Com base nas Declarações de Importação paradigma e tabelas de preço do mercado atacadista nacional, invocando o 2° e o 3° métodos de valoração aduaneira, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo do contribuinte o recolhimento do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos de juros de mora, multa proporcional e multa administrativa, no valor de R$ 2.081.280,13. Cientificado do auto de infração, pessoalmente,, em 09/06/2000 (fls. 1frente), o contribuinte, protocolizou impugnação, por intermédio de seu advogado (procuração fls. 792) protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 6 5 70.235/72, em 07/07/2000, de fls. 763 à 792, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • Realizou ao longo dos anos de 1.996 e 1.997 diversas importações de mercadorias que nos respectivos despachos aduaneiros tiveram classificação fiscal na posição NCM 3907.60.00 com incidência das alíquotas de 14% para o Imposto de Importação. A fiscalização reclama a incidência de 18%; • A fiscalização também reclama o gravame tributário decorrente da nova classificação fiscal das mercadorias das Declarações de Importação No. 97/09455478 de 15/10/1997, No. 97/10598333 de 14/11/1997, No. 96/216841 de 04/11/1996, 96/219515 de 30/12/1996 e 96/312403 de 09/08/1996; • Preliminarmente, suscita a impropriedade jurídica da revisão aduaneira, desautorizada pelas cortes judiciárias, citando para tanto o voto do STF, tendo por relator o Ministro Francisco Rezek; • Votos no STJ e no TRF já esposaram esse mesmo entendimento; • O Conselho de Contribuintes já decidiu reiteradas vezes que na impossibilidade de produção de provas (ausência de amostra), prevalece a posição adotada pelo importador; • O laudo de assistência técnica apresentado pela impugnante é taxativo em suas afirmações; • Em todas as Declarações de Importação analisadas, a descrição do equipamento é sempre a mesma; • O que está em discussão é saber se os componentes relacionados são partes integrantes da máquina ou equipamentos complementares, a ponto de serem entendidos como acessórios e autônomos; • Define que a máquina em exame é uma de moldar por injeção de fechamento horizontal para préforma de garrafas PET, .que tem por única função produzir préformas de garrafas PET; • Quando um máquina é constituída por componentes distintos ou separados, deve prevalecer a função que desempenha; • Todos os componentes descritos estão contidos tecnicamente no conceito de máquina; • Não se concebe uma moldar por injeção de fechamento horizontal para préforma de garrafas PET sem robô ou manipulador de partes automático; • Sem o robô, não há como efetuar o ciclo produtivo; Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 7 6 • A unidade desumidifícadora de ar se justifica pela necessidade de manter uma atmosfera controlada na área de produção para que não ocorra condensação de vapor de agua sobre a superfície do molde e do robô; • A unidade desumidifícadora de ar com o respectivo enclausuramento perfazem um conjunto, de modo que a área não receba qualquer tipo de condições atmosféricas adversas, fazendo parte do equipamento; • O desumidificador de resina tem por função retirar da resina toda a umidade antes de entrar na extrusora, a fim de evitar defeitos no ciclo de produção, fazendo também parte do equipamento; • Os conjuntos macho/cavidade são peças sobressalente para o molde, nas quantidades permitidas na Lei; • As unidades mencionadas formam uma unidade funcional e não uma linha de produção; • Os componentes assinalados não tem função própria diversas da produção de préformas de garrafas PET; • Sugere a produção de perícia; • Se correta a descrição e a classificação fiscal, incabível a multa por ausência de Licença de Importação; • É ilegal a aplicação da TAXA SELIC, por desrespeito ao princípio da legalidade; Pugna a improcedência do Auto de Infração." A decisão recorrida apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 09/08/1996 "EX TARIFÁRIO" destinado a máquinas de moldar por injeção de garrafas PET. Benefício pleiteado "EX 001" e "EX 002" da posição NCM 8477.10.29. Importador não faz jus ao "EX TARIFÁRIO". São identificados equipamentos não pertencentes à máquina injetora com características próprias e específicas. Incidência da multa por ausência de Licença de Importação e da Taxa Selic. Lançamento Procedente" Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 8 7 O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, e contém os argumentos e os fundamentos apresentados em sua impugnação, tendo colacionado com a peça recursal jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido convertido o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 320100057, de 17 de junho de 2009. Mencionada Resolução determinou a adoção das seguintes providências: "Neste diapasão, ante as divergências apresentadas pelas partes litigantes, apoiadas em Laudos Técnicos conflitantes, proponho que se converta o julgamento deste processo em diligência, para que seja oficiado o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), para emissão de Laudo solucionador da controvérsia. Para tanto, deverá o INT emitir Parecer detalhado identificando a mercadoria importada, em comento, respondendo, conclusivamente, aos seguintes quesitos: 1) Considerando que nas Declarações de Importação No. 97/09455478 de 15/10/1997, No. 97/10598333 de 14/11/1997, No. 96/216841 de 04/11/1996, 96/219515 de 30/12/1996 e 96/312403 de 09/08/1996, a descrição do equipamento importado é sempre coincidente. Esclarecer: Se os componentes descritos nas referidas DI's como: Manipulador de partes automático Robô; Unidade desumidificadora de ar com enclausuramento; Unidade desumidificadora de resina (PET); Unidade de Transporte e alimentação de resina (PET) e Unidade de granulação de resina (PET) são partes integrantes da "MÁQUINA DE MOLDAR POR INJEÇÃO, DE FECHAMENTO HORIZONTAL, PARA PRÉFORMAS DE GARRAFAS DE TEREFTALATO DE POLIETILENO, COM FORÇA DE FECHAMENTO DO MOLDE IGUAL OU SUPERIOR A 300 TONELADAS E DOIS OU MAIS CILINDROS" ou se são equipamentos dispensáveis para o perfeito funcionamento da referida máquina? 2) Considerando tratarse de máquina de moldar por injeção de fechamento horizontal para préformas de garrafas de Tereftalato de Polietileno, máquina que tem como função única e definida a produção de préformas de garrafas PET. Responder: Quais são os componentes necessários e imprescindíveis para que referida máquina desempenhe determinada função? 3) Informar sobre a função específica de cada um dos componentes descritos nas DI's acima citadas, inclusive a função de cada um deles isoladamente e com relação à máquina injetora; 4) Outras informações de natureza técnica que julgar relevantes, a fim de permitir a perfeita identificação das mercadorias declaradas. Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 9 8 Desta feita, VOTO no sentido de CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, com o respectivo retorno dos autos a repartição fiscal de origem, para que seja realizado laudo técnico nos temos acima expostos pelo Instituto Nacional de Tecnologia, instituto este que tem credibilidade atestada nos termos do artigo 30 do Decreto n° 70.235/72." Em cumprimento à diligência, o Instituto Nacional de Tecnologia elaborou o Relatório Técnico 000.135/16, na forma de parecer, subscrito pelos engenheiros mecânicos João Carlos da Silva e Valéria Said de Barros Pimentel, cujas conclusões serão abordadas no voto. Foi anexada, ainda, tradução juramentada firmada pelo Gerente de Contas GlobaisChave da empresa Husky Injection Molding Systems, fornecedora da máquina de moldar por fechamento horizontal para préformas de tereftalato de polietileno (PET) e itens auxiliares, descritos nas Declarações de Importação n°'s 96/26841; 96/10598333; 96/312403; 97/09455478 e 97/09455478. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Da preliminar Em relação a preliminar aventada em impugnação e reiterada em recurso, quanto à inviabilidade jurídica de, em ato de revisão, ocorrer a mudança de critérios de classificação de bens importados, entendo que não assiste razão à recorrente. A matéria tem sido decidida de modo reiterado pelo CARF nos seguintes termos: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 30/06/2010 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF Nº 2. APLICAÇÃO. Em conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 10 9 "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento")." (Processo 11080.731133/201247; Acórdão 3401004.020; Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco; sessão de 24/10/2017) "Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/08/2008 a 21/08/2012 UNIDADES EVAPORADORAS E UNIDADES CONDENSADORES DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO MULTISPLIT. A unidades evaporadoras e as unidades condensadoras de sistemas de ar condicionado do tipo multisplit, apresentadas separadamente, são classificadas no código 8415.90.00 até a vigência da Resolução Camex nº 69, de 20/09/2011. A partir de então, classificamse, respecitvamente, nos códigos 8415.90.10 (evaporadoras) e 8415.90.20 (condensadoras), ou no Ex tarifário correspondente, conforme a capacidade frigorífica.Equipamentos com capacidade superior a 30.000 frigorias/hora classificamse na posição 8415.90.90. (...) ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INTELIGÊNCIA DO ART. 146 DO CTN NA REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira é procedimento expressamente previsto na legislação pertinente e não vulnera o art. 146 do CTN." (Processo 10283.720654/201319; Acórdão 3201003.065; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 26/07/2017) "Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 08/03/2003 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CICLOPENTANO 70. Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 11 10 Mistura de hidrocarbonetos constituída por ciclopentano e isopentano, sem constituição química definida, classificase no código NCM 2710.19.99, como outros óleos de petróleo. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA A correção de ofício da classificação fiscal fornecida pelo sujeito passivo, levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira, realizada nos contornos do art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966, segundo a redação que lhe foi fornecida pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, não representa retificação do lançamento em razão de erro de direito ou de mudança de critério jurídico, não afrontando, consequentemente o art. 146 do Código Tributário Nacional. Tratandose de correção de informação prestada pelo sujeito passivo, tal procedimento encontra pleno respaldo no art. 149, IV do mesmo Código Tributário Nacional.Ademais, não se pode falar em mudança de critério jurídico se a identificação e a classificação fiscal da mercadoria foram referendadas pelo Fisco, que só entregou a mercadoria mediante a retirada de amostra e assinatura de termo de responsabilidade." (Processo 11128.007389/200606; Acórdão 3201002.826; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 27/04/2017) Diante do exposto, inacolho a preliminar arguida. Do mérito (i) Classificação incorreta de "préformas PET" Entendo que em tal tópico, assiste razão à recorrente. Conforme alegado durante o transcurso processual, não há como cobrarse a diferença do imposto de importação, pretendida no item 001 do auto de infração, por inexistência de amostra, ou sequer laudo técnico. É equivocada a decisão recorrida quando afirma: "A ausência de amostras para análise não tem qualquer ascendência sobre o mérito, mesmo porque a questão a ser decida, a cognição a ser empreendida, é de natureza eminentemente interpretativa." A questão não é de índole interpretativa, mas envolve a análise da mercadoria importada para sua correta identificação e enquadramento de forma correta na classificação tarifária. O próprio auto de infração que cobra a diferença do Imposto de Importação II indica que a autuada/recorrente classificou indevidamente as préformas de tereftalato de polietileno PET no código TEC 3907.6000, quando no entendimento da fiscalização tais mercadorias deveriam ter sido classificadas no código TEC 3923.3000. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 12 11 A ausência de análise por parte da fiscalização de amostras da mercadoria importada, implica inclusive em ofensa ao amplo direito de defesa e contraditório, inclusive pelo fato de implicar que a recorrente fizesse prova negativa do seu direito. É de se salientar que em laudo requerido pela recorrente, a inexistência da amostra é apontada expressamente. Assim, e considerando que a autuação não apreciou nenhuma amostra das préformas PET, não há prova quanto às características técnicas de tal mercadoria, posto que a análise de amostras por parte da fiscalização, caracteriza ausência de prova para subsidiar a alteração da classificação fiscal da mercadoria descrita pela recorrente na declaração de importação objeto do litígio. Diante do exposto, dou provimento ao recurso neste tópico para cancelar a exigência fiscal. (ii) Classificação incorreta da "máquina de moldar por injeção, de fechamento horizontal, para préformas de garrafas de tereftalato de polietileno, com força de fechamento do molde igual ou superior a 300 toneladas e dois ou mais cilindros" O Relatório Técnico produzido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT foi conclusivo em relação aos questionamentos constantes na Resolução nº 320100057, de 17 de junho de 2009. Assim, sua reprodução e integração ao voto é medida que se impõe. Os questionamentos contidos na Resolução foram respondidos, cujos principais excertos das respostas são a seguir transcritos, juntamente com a respectiva indagação. 1) Considerando que nas Declarações de Importação No. 97/09455478 de 15/10/1997, No. 97/10598333 de 14/11/1997, No. 96/216841 de 04/11/1996, 96/219515 de 30/12/1996 e 96/312403 de 09/08/1996, a descrição do equipamento importado é sempre coincidente. Esclarecer: Se os componentes descritos nas referidas DI's como: Manipulador de partes automático Robô; Unidade desumidificadora de ar com enclausuramento; Unidade desumidificadora de resina (PET); Unidade de Transporte e alimentação de resina (PET) e Unidade de granulação de resina (PET) são partes integrantes da "MÁQUINA DE MOLDAR POR INJEÇÃO, DE FECHAMENTO HORIZONTAL, PARA PRÉFORMAS DE GARRAFAS DE TEREFTALATO DE POLIETILENO, COM FORÇA DE FECHAMENTO DO MOLDE IGUAL OU SUPERIOR A 300 TONELADAS E DOIS OU MAIS CILINDROS" ou se são equipamentos dispensáveis para o perfeito funcionamento da referida máquina? Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 13 12 (...) Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 14 13 (...) Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 15 14 Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 16 15 (...) Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 17 16 (...) Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 18 17 (...) Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 19 18 (...) 2) Considerando tratarse de máquina de moldar por injeção de fechamento horizontal para préformas de garrafas de Tereftalato de Polietileno, máquina que tem como função única e definida a produção de préformas de garrafas PET. Responder: Quais são os componentes necessários e imprescindíveis para que referida máquina desempenhe determinada função? Fl. 1367DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 20 19 3) Informar sobre a função específica de cada um dos componentes descritos nas DI's acima citadas, inclusive a função de cada um deles isoladamente e com relação à máquina injetora; 4) Outras informações de natureza técnica que julgar relevantes, a fim de permitir a perfeita identificação das mercadorias declaradas. A recorrente formulou quesitos, os quais foram devidamente respondidos. As indagações e os principais excertos das respostas estão a seguir reproduzidos: 1) Descrever o processo produtivo da "máquina de moldar por injeção, de fechamento horizontal, para préformas de garrafas de tereftalato de polietileno, com força de fechamento do molde igual ou superior a 300 toneladas e dois ou mais cilindros" e a função desempenhada pelo (i) manipulador de partes automático robô, (ii) unidade desumidificadora de ar com enclausuramento, (iii) unidade desumidificadora de resina (PET), (iv) unidade de transporte e alimentação de resina PET, e (v) unidade de granulação de resina, no contexto do funcionamento dessa máquina. Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 21 20 2) Os componentes (i) manipulador de partes automático robô, (ii) unidade desumidificadora de ar com enclausuramento, (iii) unidade desumidificadora de resina (PET), (iv) unidade de transporte e alimentação de resina PET, e (v) unidade de granulação de resina são fundamentais para obtenção do produto acabado? 3) Os componentes (i) manipulador de partes automático robô, (ii) unidade desumidificadora de ar com enclausuramento, (iii) unidade desumidificadora de resina (PET), (iv) unidade de transporte e alimentação de resina são fundamentais para garantir a integridade da "máquina de moldar por injeção, de fechamento horizontal, para préformas de garrafas de tereftalato de polietileno, com força de fechamento do molde igual ou superior a 300 toneladas e dois ou mais cilindros" durante o processo de fabricação do produto acabado? Existe algum risco para a referida máquina se a operação for realizada sem qualquer um destes componentes? Há riscos de um produto não íntegro danificar a máquina principal ou até mesmo algum componente? Fl. 1369DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 22 21 4) Após análise do processo produtivo no qual é utilizada a "máquina de moldar por injeção, de fechamento horizontal, para préformas de garrafas de tereftalato de polietileno, com força de fechamento do molde igual ou superior a 300 toneladas e dois ou mais colindros", queira o Sr. perito informar se os componentes (i) manipulador de partes automático robô, (ii) unidade desumidificadora de ar com enclausuramento, (iii) unidade desumidificadora de resina (PET), (iv) unidade de transporte e alimentação de resina PET, e (v) unidade de granulação de resina são indispensáveis ao efetivo funcionamento da referida máquina e se a configuração destes componentes é necessária e eficaz para sua operação de forma a obter produtos acabados." Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 23 22 A Portaria 153/96, vigente à época do desembaraço aduaneiro das Declarações de Importação, determinava como "EX 001" e "EX 002" da posição NCM 8477.10.29 o seguinte texto: "Máquina de moldar por injeção de fechamento horizontal para préforma de garrafas de tereftalato de polietileno, com força de fechamento do molde igual ou superior a 300 toneladas e dois ou mais cilindros." Pelo laudo técnico elaborado não restam dúvidas de que os componentes descritos nas referidas DI's como: (i) Manipulador de partes automático Robô; (ii) Unidade desumidificadora de ar com enclausuramento; (iii) Unidade desumidificadora de resina (PET) e (iv) Unidade de Transporte e alimentação de resina (PET) são partes integrantes e commpõem a "MÁQUINA DE MOLDAR POR INJEÇÃO, DE FECHAMENTO HORIZONTAL, PARA PRÉFORMAS DE GARRAFAS DE TEREFTALATO DE POLIETILENO, COM FORÇA DE FECHAMENTO DO MOLDE IGUAL OU SUPERIOR A 300 TONELADAS E DOIS OU MAIS CILINDROS", excetuandose de tal categorização a denominada Unidade de granulação de resina (PET), sendo, portanto indispensáveis para o perfeito funcionamento da referida máquina. Assim, é possível concluir que a "MÁQUINA DE MOLDAR POR INJEÇÃO, DE FECHAMENTO HORIZONTAL, PARA PRÉFORMAS DE GARRAFAS DE TEREFTALATO DE POLIETILENO, COM FORÇA DE FECHAMENTO DO MOLDE IGUAL OU SUPERIOR A 300 TONELADAS E DOIS OU MAIS CILINDROS", sob o ponto de vista técnico é integrada pelos componentes antes referidos e se constitui em equipamento único. É uma máquina que tem a função única e definida de só produzir préformas de garrafas PET. Nestes termos, o laudo do INT deve ser adotado imperiosamente, nos termos do que preconiza o art. 30 do Decreto 70235/1972 "Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres." O CARF entende que as combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificamse de acordo com a função principal que caracterize o conjunto, tal qual reconhecido em laudo técnico. Neste sentido colaciono os seguintes precedentes: "Assunto: Imposto sobre a Importação II Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 24 23 Data do fato gerador: 19/08/1997, 17/09/1997, 29/10/1997, 17/12/1997, 12/01/1998 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EXTRUSORA DE TUBOS PVC. TEC 8477.20.10 As combinações de máquinas de espécies diferentes, destinadas a funcionar em conjunto e constituindo um corpo único, bem como as máquinas concebidas para executar duas ou mais funções diferentes, alternativas ou complementares, classificam se de acordo com a função principal que caracterize o conjunto, tal qual reconhecido em laudo técnico da linha para extrusão de tubos PVC, cujos puxadores e bacias de resfriamento desempenham funções complementares à extrusão (função principal), devendo ser classificados, na posição TEC 8477.20.10, conforme Nota 3 da Seção XVI, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. TRANSPORTADOR PARA ALIMENTAÇÃO AUTOMÁTICA COM CARREGADOR E DESCARREGADOR. TEC 8428.20.90 Quando uma máquina ou combinação de máquinas seja constituída de elementos distintos (mesmo separados ou ligados entre si por condutos, dispositivos de transmissão, cabos elétricos ou outros dispositivos), de forma a desempenhar conjuntamente uma função bem determinada, compreendida em uma das posições do Capítulo 84 ou do Capítulo 85, o conjunto classificase na posição correspondente à função que desempenha, tal qual reconhecido em laudo técnico do transportador para alimentação automática, cujos carregador e descarregador desempenham a função determinada de transportador para alimentação automática”, classificandose, portanto, na posição TEC 8428.20.90 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MÁQUINA DE RECICLAGEM DE MATERIAIS TERMOPLÁSTICOS. TEC 8477.59.90 Correta a classificação adotada pela Recorrente na posição 8477.59.90, já que a máquina importada reaproveita o material para reintroduzilo à linha de produção, atendendo às características da reciclagem. CLASSIFICAÇÃO FISCAL MÁQUINAS DE EMBALAGEM DE TUBOS OU BARRAS DE METAL.8428.40.20 A classificação adotada pela Recorrente é perfeitamente aplicável, pois, nada impede que embale tanto tubos de PVC quanto tubos de metal, conforme demonstrado pelos ensaios do INT, sendo mais adequada a classificação adotada pela Recorrente. DESCRIÇÃO FÍSICA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO DE EX TARIFÁRIA. MISTURADORES. Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 25 24 Correto o benefício tarifário pretendido por tratarse de aparelho misturador que aglomera o material, inicialmente em pó, transformandoo numa mistura homogênea com grânulos. Correta portanto a descrição feita pela Recorrente, o que possibilita o benefício da ex tarifária pretendida. Recurso Provido" (Processo 10831.006690/9995; Acórdão 3101001.431; Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo; sessão de 23/07/2013) "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/02/2007 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). SISTEMA A LASER PARA INSPEÇÃO DE GEOMETRIA DE PNEUS, DENOMINADO “TGIS” . ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. O Sistema a Laser para Inspeção de Geometria de Pneus, denominado “TGIS”, utilizado para leitura da geometria de pneus, ainda que integrado a máquina balanceadora dinâmica de pneus desmontados, classificase no código NCM 9013.20.00. EXTARIFÁRIO. DESCRIÇÃO CORRESPONDENTE À MERCADORIA IMPORTADA. UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA REDUZIDA. CABIMENTO. A máquina importada e identificada em Laudo de Assistência de Técnica como sendo uma “balanceadora dinâmica para pneus desmontados para controle da uniformidade de pneumáticos, contendo estação de lubrificação, estação de controle, estação de marcação, painéis de acionamento e controle, esteiras de entrada e saída, estrutura metálica e interligação eletro mecânica”, corresponde à descrição do ExTarifário 004 do código NCM 9031.10.00, fazendo jus, portanto, ao benefício da redução da alíquota previsto no referido ExTarifário. (...)" (Processo 10314.003607/200746; Acórdão 3802000.899; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento; sessão de 21/03/2012) "Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 29/10/2002, 02/12/2002 GUINDASTES AUTOPROPULSORES. EX TARIFÁRIOS. Classificamse na posição NCM 84.26 os guindastes autopropulsores sobre pneus, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação, mesmo que o conjunto seja capaz de circular por estrada por seus próprios meios. Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 26 25 Para os equipamentos corretamente classificados na código NCM 8426.41.00, demonstrado que suas características e capacidade máxima de carga atendem ao disposto no texto do “EX 004”, correta sua inclusão no tratamento excepcional tarifário.Recurso Especial do Procurador Negado." (Processo 10314.003993/200776; Acórdão 9303005.263; Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas; sessão de 21/06/2017) Diante do exposto, pelo fato de a matéria em debate ser eminentemente técnica é de se considerar como válidas e aptas as respostas e esclarecimentos prestados pelo INT que elucidaram a matéria no sentido de se dar parcial provimento ao recurso neste tópico, considerando, portanto, como correta a classificação fiscal adotada pela recorrente para a denominada "MÁQUINA DE MOLDAR POR INJEÇÃO, DE FECHAMENTO HORIZONTAL, PARA PRÉFORMAS DE GARRAFAS DE TEREFTALATO DE POLIETILENO, COM FORÇA DE FECHAMENTO DO MOLDE IGUAL OU SUPERIOR A 300 TONELADAS E DOIS OU MAIS CILINDROS, constituída por (i) Manipulador de partes automático Robô; (ii) Unidade desumidificadora de ar com enclausuramento; (iii) Unidade desumidificadora de resina (PET) e (iv) Unidade de Transporte e alimentação de resina (PET), na TEC 8477.10.29. Conclusão Diante do exposto, dou parcial provimento Recurso Voluntário interposto pela recorrente, mantendose a exigência fiscal somente em relação a "unidade de granulação de resina (PET)". Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Redator designado. Inaugurei a divergência ao bem fundamento voto do Relator quanto ao cancelamento da exigência no tocante à reclassificação das "preformas de tereftalato de polietileno" em decorrência de inexistência de laudo técnico específico da amostra do produto importado. Assim, coubeme a designação para redigir este voto vencedor. A questão que se afigura é decidir quanto à imprescindibilidade (ou não) da retirada de amostra do lote de mercadoria importada submetendoa à exame laboratorial e elaboração de laudo técnico para sua perfeita e completa identificação, para fins de classificação fiscal. A fiscalização, durante a revisão aduaneira, intimou e obteve os documentos que instruíram as importações de "preformas de tereftalato de polietileno", dentre eles: declarações de importação (DI), conhecimentos de carga (BL), Guias de Importações (GIA), Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 27 26 além de notas fiscais de entrada, informações do nome comercial, nome técnico, especificações e fabricantes da mercadoria. Diante da análise documental constatou a fiscalização que a mercadoria importada tratavase, em verdade, e mormente em decorrência da descrição consignada nos documentos, de objeto em forma de embalagem plástica de cor verde ou "clara", para acondicionar bebida carbonatada, pesando 36 ou 52 gramas e comercializado em unidades (milheiro), ou seja, em peças (não em unidade de peso). De se ressaltar que (i) nota fiscal de entrada emitida pela recorrente descreve as mercadorias como"preformas em pet verdes, 36 g pco para bebidas carbonatadas" (fl. 604) e comercializada em milheiro; (ii) em várias DIs o fornecedor é a empresa estrangeira Plastipak Packaging, fabricante de preforma, que igualmente descreve como Preformas em Pet, claras ou verdes e comercializa em milheiro; e (iii) em Guias de Importação emitidas pelo Banco do Brasil, a mercadoria está descrita como "preforma verde para embalagens plásticas 52 gr" e classificada no código 3923.30.00 (fls. 468 e 490) Dessa forma, é de se assentar que a fiscalização aduaneira teve conhecimento da plena identificação da mercadoria importada o que implicou, no caso dos autos, a prescindibilidade da retirada de amostra para exame quanto à característica constitutiva da mercadoria. No tocante a classificação pretendida pela recorrente no código tarifário 3907.60.00, não lhe assiste razão. Isto porque a mercadoria importada deveria apresentarse em "forma primária", que conforme a nota "6" do Capítulo 391, é aquela em que a substância se apresenta em forma líquida, pasta, bloco irregular, pedaço, grumo, pós, grânulo, floco e massa, o que não é o caso de uma preforma, identificada pelo exportador e importador como uma embalagem para acondicionar bebida, de 36 ou 52 gramas e comercializada em unidades. Eis o texto da posição pretendida e a exigência de apresentação em forma primária, que a fasta qualquer dos códigos da posição 39.07: De outra banda, o texto do código 39.23.30.00 inclui os artigos de embalagem, de plástico, em forma de garrafa, frasco e semelhantes: 1 Notas do Capítulo 39: 6. Na acepção das posições 39.01 a 39.14, a expressão “formas primárias” aplicase unicamente às seguintes formas: a) Líquidos e pastas, incluindo as dispersões (emulsões e suspensões) e as soluções; b) Blocos irregulares, pedaços, grumos, pós (incluindo os pós para moldagem), grânulos, flocos e massas não coerentes semelhantes. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10831.003859/0033 Acórdão n.º 3201003.506 S3C2T1 Fl. 28 27 Conclusão Uma vez que os documentos coligidos aos autos permitem a completa identificação da mercadoria importada, prescindível a análise de amostras que visa a elaboração de laudo técnico para os mesmos fins. Destarte, correta a reclassificação realizada pelo Fisco e sua manutenção pela decisão recorrida, pois se subsume às regras "1" e "2. a)" das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado. Assim, na matéria reclassificação fiscal da mercadoria identificada como " preformas de tereftalato de polietileno", negolhe provimento. Acompanho o relator em seu voto em relação às demais matérias. Fl. 1376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13748.002028/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
PARCELAMENTO ESPECIAL. PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA
Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não-homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1302-002.756
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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PAGAMENTOS. SALDO DEVEDOR. AMORTIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA Tendo sido comprovado que os pagamentos realizados no âmbito de parcelamento especial foram integralmente utilizados para a amortização parcial do saldo devedor consolidado no referido parcelamento, não há direito creditório a ser reconhecido em favor do sujeito passivo, implicando a não homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de recurso interposto em relação ao acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, posto que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 20 28 /2 00 8- 55 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13748.002028/200855 Acórdão n.º 1302002.756 S1C3T2 Fl. 3 2 alegado pagamento indevido foi utilizado para amortização do saldo devedor do parcelamento PAES. O presente processo cuida de Declaração de Compensação apresentada em formulário de papel, por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior. O crédito em questão é relativo a pagamento realizado em 30/11/2004, sob o código de receita 7122 (Parcelamento Lei nº 10.684/03 Demais pessoas jurídicas). O Despacho Decisório, com base em Parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu/RJ, não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o pagamento invocado estaria integralmente apropriado ao parcelamento realizado pelo sujeito passivo, sob o amparo da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 (PAES), conforme demonstrativos constantes do processo. Cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, limitandose a argumentar que, no ato de ciência da nãohomologação, não lhe foram fornecidas cópias dos documentos que comprovariam a alocação do pagamento invocado aos débitos parcelados no PAES, de modo que estaria impossibilitado o exercício da ampla defesa e do contraditório. Foram, então, facultadas ao sujeito passivo vistas e cópias do presente processo e aberto o prazo para aditamento da manifestação de inconformidade. O sujeito passivo apresentou aditamento, sustentando que os documentos indicados no Parecer que propôs a nãohomologação das compensações não indicariam os débitos a que teriam sido alocados o pagamento pleiteado. Segundo alegou, tal indicação seria necessária para a confirmação de que o crédito não teria sido alocado a débitos excluídos do parcelamento, por ocasião de pedidos de revisão apresentados, quando da consolidação. A decisão de primeira instância, por unanimidade, não homologou a compensação, uma vez que o pagamento alegado pelo sujeito passivo teria sido integralmente utilizado para a amortização dos débitos incluídos no PAES. Frisou aquela decisão que a "alocação das cotas do parcelamento PAES é feita no débito total consolidado e não em cada tributo devido, como entende o interessado". Regularmente cientificado do Acórdão, o sujeito passivo apresentou Recurso, no qual reitera a necessidade de ter acesso ao contacorrente discriminado do parcelamento especial, sob a mesma fundamentação de que seria preciso verificar se não houve a alocação de pagamentos a débitos já excluídos do parcelamento, e de verificar as migrações ocorridas entre os parcelamentos especiais. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13748.002028/200855 Acórdão n.º 1302002.756 S1C3T2 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento realizado em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Nos presentes autos, o crédito utilizado nas compensações tem origem no pagamento realizado em 30/11/2004, também no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30/05/2003. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.745), adequandoa ao caso concreto: I DO CONHECIMENTO DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado, por via postal, em 31 de maio de 2010, tendo apresentado seu Recurso em 16 de junho de 2010, dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao caso por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por procurador, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso VII, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. II DO MÉRITO Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação referente a pagamento efetuado, em 30/12/2003, no âmbito do Parcelamento Especial instituído pela Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003. Não há qualquer demonstrativo que esclareça a razão de a Recorrente entender que o citado pagamento é indevido ou maior que o devido, de forma a ensejar a restituição/compensação. As únicas alegações da Recorrente são no sentido de que não constaria do processo um contacorrente detalhado que mostrasse a que débitos os pagamentos realizados no âmbito do referido parcelamento estariam alocados. Como bem registrado no Parecer que embasou a não homologação da compensação e na decisão de primeira instância, consta do processo o demonstrativo de todos os Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13748.002028/200855 Acórdão n.º 1302002.756 S1C3T2 Fl. 5 4 pagamentos que foram alocados ao parcelamento formalizado pelo sujeito passivo, em um total de R$ 371.449,99, dentre os quais se inclui aquele que embasa a Declaração de Compensação de que trata o presente processo. A par disso, consta do processo extrato da conta do parcelamento em questão, por meio do qual se constata que os débitos incluídos no parcelamento perfizeram um total de R$ 1.969.178,74 (após o ajuste do valor original, que era de R$ 6.342.752,70). Fica patente, portanto, a inexistência de qualquer direito creditório e o acerto da decisão a quo. Como bem pontuado no Acórdão da DRJ, a discussão invocada pela Recorrente, que diz respeito ao detalhamento dos débitos incluídos e amortizados no PAES, deve ser tratada no âmbito do processo de acompanhamento do citado parcelamento. Tal discussão, contudo, não valida, de qualquer modo, o crédito que fundamentou a compensação declarada, já que inegável que os pagamentos efetuados no âmbito do PAES foram utilizados para a amortização parcial dos débitos nele consolidados. III CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. Por cautela, antes da cobrança do valor indevidamente compensado, deveser verificar se a cobrança do mesmo débito não está sendo/foi realizada em outro processo administrativo, como apontado na decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação por ele declarada no presente processo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.002365/2002-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF).
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-006.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1715; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 482 1 481 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10850.002365/200291 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.513 – 3ª Turma Sessão de 15 de março de 2018 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente USINA MOEMA AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. ADMISSÃO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 23 65 /2 00 2- 91 Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10850.002365/200291 Acórdão n.º 9303006.513 CSRFT3 Fl. 483 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 345 a 377), interposto pelo contribuinte, contra Acórdão 340100.977, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 263 a 271), sob a seguinte ementa, no que interessa à discussão: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. PESSOAS FÍSICAS. EXCLUSÃO. Matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas, que não são contribuintes de PIS Faturamento e COFINS, não dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei n° 9.363/96 como ressarcimento dessas duas Contribuições, devendo seus valores ser excluídos da base de cálculo do incentivo. PRODUTOS NÃO CLASSIFICADOS COMO INSUMOS PELO PN CST Nº 65/79. ADUBOS, DEFENSIVOS E FERTILIZANTES. EXCLUSÃO NO CÁLCULO DO INCENTIVO. Incluemse entre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. Produtos outros, não classificados como insumos segundo o Parecer Normativo CST n° 65/79, como adubos, defensivos e fertilizantes agrícolas, não podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário para os fins do cálculo do crédito presumido estabelecido pela Lei n° 9.363/96, devendo os valores correspondentes ser excluídos no cálculo do benefício. GLOSA PARCIAL DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE TODOS OS DÉBITOS OFERECIDOS EM COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. Incidem juros e multa de mora sobre a parcela de débitos cuja compensação não foi homologada, em face de indeferimento parcial de pedido de ressarcimento. Recurso negado. Na sua peça recursal, o contribuinte contesta: Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10850.002365/200291 Acórdão n.º 9303006.513 CSRFT3 Fl. 484 3 1) A não inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de aquisições de canadeacúcar de pessoas físicas (e cooperativas). Traz dois paradigmas da CSRF (Acórdãos nos 0202.890 e 0201.165) que efetivamente admitem as aquisições de pessoas físicas e cooperativas. 2) A não inclusão de insumos que não foram considerados como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem; Invoca dois paradigmas do Segundo Conselho de Contribuintes (nºs 201 80.740 e 20180.742) em tudo idênticos (a mesma Primeira Câmara, o mesmo contribuinte, julgados na mesma data e com a mesma ementa). Transcrevo trecho da ementa do primeiro (fls. 421): IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. CONCEITO DE MATÉRIAPRIMA. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. Somente podem ser considerados como matériasprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. 3) Em caráter secundário, a exigibilidade das multas e dos juros de mora. Em relação a este assunto, não colaciona qualquer paradigma. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial (fls. 455 a 457), “exclusivamente quanto à admissão de aquisições de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96”, o que foi ratificado em Reexame de Admissibilidade (fls. 458 e 459). No que tange ao insumos admissíveis no Cômputo da base de cálculo, o Presidente de Câmara que fez o Exame de Admissibilidade inclusive desceu ao detalhe de fazer o cotejo em relação a um dos insumos que o recorrente alega deva ser considerado: “produtos químicos utilizados ... no laboratório industrial” com o que dizem os acórdãos paradigmas no Voto (vencido em parte, mas não nesta): “... a r. decisão recorrida achase sólida e exaustivamente fundamentada, devendo ser mantida ... na parte em que mantém a glosa dos créditos referentes às notas fiscais de entrada relativas a ... produtos para análises químicas ... por não se enquadrarem nos conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, não ensejam direito de crédito do IPI nos termos do inciso I do art. 66 do RIPI, Decreto nº 83.263/79, e do Parecer Normativo CST nº 65/79.”. A PGFN não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10850.002365/200291 Acórdão n.º 9303006.513 CSRFT3 Fl. 485 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator No Relatório, ficou exaustivamente demonstrado que somente há que se falar em divergência em relação às aquisições de pessoas físicas. No que se refere às aquisições de não contribuintes PIS/Cofins, como as pessoas físicas, o tema não é mais passível do discussão no CARF, pois há decisão do STJ admitindo estes créditos, em acórdão submetido ao regime do art 543C do Antigo CPC (Recursos Repetitivos), no RESp nº 993.164/MG, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, publicado em 17/12/2010. Transcrevo excerto da Ementa do referido Acórdão, no que interessa à discussão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda que: 1) Existe inclusive Súmula do STJ a respeito, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10850.002365/200291 Acórdão n.º 9303006.513 CSRFT3 Fl. 486 5 as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. 2) Antes disso, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011, da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGRESP 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE RESP 995285/PE, RESP 1008021/CE, RESP 921397/CE, RESP 840056/CE, RESP 767617/CE, todas do STJ. 3) Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – RESP 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10850.002365/200291 Acórdão n.º 9303006.513 CSRFT3 Fl. 487 6 Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 487DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.905275/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO - AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO.
A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitamente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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anomes_sessao_s : 201804
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO - AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitamente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2016; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.905275/200942 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401002.378 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2018 Matéria LUCRO PRESUMIDO. Recorrente E.J IMAGEM SERVICOS DE RADIOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 TEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA POSTAL. AUSÊNCIA DE JUNTADA DO AVISO DE RECEBIMENTO AR. ÔNUS DA FISCALIZAÇÃO. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor (o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), de modo que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada. Não tendo sido juntado aos autos o AR assinado, mas apenas informação unilateral extraída do site dos Correios acerca da data da entrega, não há prova de que a intimação tenha sido recebida pelo contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 52 75 /2 00 9- 42 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10875.905275/200942 Acórdão n.º 1401002.378 S1C4T1 Fl. 3 2 A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitamente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar crédito próprio com crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10875.905275/200942 Acórdão n.º 1401002.378 S1C4T1 Fl. 4 3 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado da decisão de primeira instância, em 13 de janeiro de 2014, apresentou recurso voluntário em 13 de fevereiro de 2014, alegando, em síntese: preliminarmente: incompetência da DRJ em Recife para julgar a manifestação de inconformidade no mérito, sustenta que efetuou pagamento do IRPJ a maior que o devido, visto que utilizou percentual de presunção do lucro de 32%, enquanto faz jus ao percentual reduzido de 8%, consoante Solução de Consulta nº 63, SRRF/8ª Região Fiscal, de 23 de março de 2004, a qual anexa, e que retificou a DIPJ em questão, razão pela qual não existe motivo por parte da RFB para não homologar a compensação em questão. Defende que a ausência de retificação da DCTF não pode impedir o reconhecimento de seu direito. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.372, de 12.04.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.905274/200906, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.372): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, constatase que tal apelo é aparentemente intempestivo. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão. O artigo 5o deste mesmo diploma esclarece que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Sobre a data da ciência da decisão, o artigo 23 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a intimação pode ser feita via postal ou por meio eletrônico. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10875.905275/200942 Acórdão n.º 1401002.378 S1C4T1 Fl. 5 4 No caso, a ciência foi postal e, como se observa às fl. 88, o rastreamento do objeto pelos Correios indica que o contribuinte foi intimado em 13/01/2014, uma segundafeira. Assim, o prazo para interposição do recurso iniciouse dia 14/01/2014, findando em 12/02/2014, uma quartafeira. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado dia 13/02/2014, quintafeira, como comprovam a solicitação de juntada de fl. 104, assim como o carimbo oficial da repartição da RFB, na primeira folha das suas razões (fl. 90). Nas razões recursais, não há tópico, nem qualquer comentário ou alegação sobre a sua tempestividade. Com base nas informações acima, a constatação necessária seria de que o prazo recursal foi extrapolado em 1 dia. Ocorre que, não obstante tenha sido juntado aos autos o status de rastreamento dos Correios, não há comprovação de que tal documento foi efetivamente recebido, por ausência de juntada do respectivo Aviso de Recebimento AR. Uma vez que não foi anexado aos autos o AR correspondente, mas apenas informação unilateral, extraída do site dos Correios, de que a entrega teria ocorrido em 13/01/2014, considero não haver nos autos prova de que a intimação tenha sido recebida no endereço cadastral da Recorrente em tal data. A lei processual exige a prova do recebimento, vale dizer, a assinatura do recebedor que não necessariamente precisa ser o representante legal do contribuinte, sendo perfeitamente válida a intimação mesmo que o AR tenha sido firmado por membro de sua família ou pelo porteiro do prédio onde mora ou onde funciona o seu estabelecimento. É o que estabelece o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) O simples histórico da entrega do AR extraído do sítio eletrônico dos Correios até pode ser tomado como início de prova, especialmente quando nenhuma das partes questiona a data ali consignada. Mas este não é o documento oficial dotado de fé pública que atesta a entrega. Até porque, em um caso extremo em que o contribuinte alegue não ter sido intimado, exigir deste prova em contrário que infirme o conteúdo dessa declaração unilateral dos Correios significaria demandar a apresentação de prova negativa do fato da intimação, algo absolutamente impossível de ser realizado. Em outra ocasião já votei por converter o julgamento em diligência, a fim de que (i) a unidade de origem anexe aos autos Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10875.905275/200942 Acórdão n.º 1401002.378 S1C4T1 Fl. 6 5 cópia do AR assinado correspondente à intimação da Recorrente acerca do acórdão 1144.008, proferido pela 4ª Turma da DRJ/RecifePE (Código de Rastreamento JG106969555BR); e (ii) se por qualquer motivo não houver possibilidade de tal documento ser juntado pela unidade de origem, diligenciar aos Correios para obter 2a via do AR assinado, ou documento equivalente, que comprove a data da entrega da correspondência à Recorrente, sendo que, não sendo possível obter a 2a via do AR ou documento equivalente, solicitar aos Correios que este informe a data da entrega da correspondência objeto do AR Código de Rastreamento JG106969555BR, conforme seus registros internos, fornecendo a documentação pertinente. Em tal diligência considerei também que deveria ser intimada a contribuinte para provar, se entender necessário, a ocorrência de justa causa que a tenha impedido de recorrer no prazo legal, nos termos do § 1º do art. 223 do Código de Processo Civil: Art. 223. Decorrido o prazo, extinguese o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa. § 1o Considerase justa causa o evento alheio à vontade da parte e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário. § 2o Verificada a justa causa, o juiz permitirá à parte a prática do ato no prazo que lhe assinar. Não obstante, a experiência demonstra que em casos como tais a diligência resta infrutífera porque nem a unidade de origem nem os Correios guardam por tanto tempo tas registros. Neste sentido, considerando que é ônus da fiscalização provar se e quando a intimação foi realizada, havendo dúvida quanto à data da intimação e tendo esta sido supostamente ultrapassada em apenas 1 dia, considero que o recurso deve ser tido por tempestivo. Concluo que o recurso voluntário preenche os requisitos para a sua admissibilidade e portanto dele tomo conhecimento. Passo ao mérito. A DRJ não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que, como não houve retificação da DCTF por ocasião da ciência da Solução de Consulta, cabia ao interessado o ônus de provar seu direito. Considerou que a Solução de Consulta cuida da matéria em tese, de forma que não haveria nos autos comprovação de que a interessada efetivamente faz jus ao percentual de presunção reduzido de 8%. A razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10875.905275/200942 Acórdão n.º 1401002.378 S1C4T1 Fl. 7 6 No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... III trinta e dois por cento, para as atividades de: Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10875.905275/200942 Acórdão n.º 1401002.378 S1C4T1 Fl. 8 7 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5o do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/documentos portaria502/listadedispensadecontestarerecorrerart2ovviie a7a73oa8odaportariapgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10875.905275/200942 Acórdão n.º 1401002.378 S1C4T1 Fl. 9 8 REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Dispositivo Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10875.905275/200942 Acórdão n.º 1401002.378 S1C4T1 Fl. 10 9 Ante o exposto, oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que o crédito pleiteado nas compensações seja analisado sob a premissa de que os percentuais de presunção aplicáveis à contribuinte são de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL conforme decidido no Tema 217 Repetitivo do STJ. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 115DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.004186/2009-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para fins de que sejam juntadas todas as decisões relativas ao processo no qual foi emitido o Ato Declaratório Executivo nº 137/09, mencionado pelo acórdão da DRJ/FOR e pertinente ao responsável solidário Fundação Lima, devendo ser exarado parecer conclusivo pela unidade de origem quanto à situação dessa entidade no que concerne ao gozo da imunidade tributária, facultando-se, na sequência, oportunidade para que dita fundação se manifeste sobre a situação.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para fins de que sejam juntadas todas as decisões relativas ao processo no qual foi emitido o Ato Declaratório Executivo nº 137/09, mencionado pelo acórdão da DRJ/FOR e pertinente ao responsável solidário Fundação Lima, devendo ser exarado parecer conclusivo pela unidade de origem quanto à situação dessa entidade no que concerne ao gozo da imunidade tributária, facultandose, na sequência, oportunidade para que dita fundação se manifeste sobre a situação. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 04 18 6/ 20 09 -4 9 Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10380.004186/200949 Resolução nº 2402000.648 S2C4T2 Fl. 1.499 2 Relatório Tratase de retorno de diligência referente a recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, o qual julgou procedente em parte Auto de Infração de DEBCAD nº 37.193.9844, atinente aos anos calendário 2004 a 2007, e relativo às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais não informadas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), consoante art. 22, inciso III (parte da empresa sobre as remunerações dos contribuintes individuais) da Lei 8.212/91. Passo a reproduzir a bem realizada síntese da lide efetuada pela Resolução nº 2402000.314, a qual propôs a precitada diligência: Segundo o Relatório Fiscal (fls. 90/101), os fatos geradores que serviram de base para o lançamento do crédito tributário foram arbitrados com base nos lançamentos contábeis extraídos da contabilidade da empresa (Livro Diário e Livro Razão), aferidos como salário de contribuição de segurados contribuintes individuais em face da recusa por parte da empresa em apresentar os documentos que serviram de base para a contabilização, exaustivamente solicitados pela auditoria fiscal no curso da ação fiscal. Os valores pagos considerados para o lançamento do débito não foram declarados pela empresa nas Guias do Fundo de Garantia e Informações à Previdência GFIP. A auditoria fiscal relaciona as contas contábeis cuja documentação de suporte aos lançamentos contábeis foi solicitada e não apresentada pela empresa. Foi caracterizado grupo econômico de fato entre o Hospital Antônio Prudente e as seguintes empresas que foram consideradas solidariamente responsáveis pelo crédito lançado: · HAPV1DA PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA CNPJ 05.197.443/000138. · HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA CNPJ 63.554.067/000198. · HAPVIDA ADMINISTRADORA DE PLANO DE SAÚDE CNPJ 04.761.304/000122. · FUNDAÇÃO ANA LIMA CNPJ 07.411.705/000140. Informa a auditoria fiscal que o grupo em questão é reconhecido como GRUPO HAPVIDA. A auditoria fiscal apresenta as razões pelas quais considerou a existência do grupo econômico de fato. O Hospital Antônio Prudente apresentou defesa (fls. 363/368), onde alega que o lançamento não poderia prosperar em face de a maior parte dos valores constantes das Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10380.004186/200949 Resolução nº 2402000.648 S2C4T2 Fl. 1.500 3 planilhas elaboradas pela auditoria fiscal corresponderiam a valores pagos a pessoas jurídicas, conforme documentação juntada aos autos. Argumenta a inexistência de grupo econômico de fato e que a simples existência de sócios comuns não configura a existência de um grupo econômico. Afirma que, embora haja sócios comuns, não existe empresa controladora, sendo a participação societária as mais diversas possíveis, conforme se vê dos contratos sociais e aditivos ora acostados. Ademais, cada empresa desenvolve sua atividade de forma totalmente autônoma, embora haja prestação de serviços de uma para outra, quando possível, mas sem qualquer critério de exclusividade. Pela Resolução nº 1.972 (fls. 540) a 5ª Turma da DRJ/Fortaleza entendeu por converter o julgamento em diligência sob o argumento de que não teria havido ciência aos responsáveis solidários, visto que a eles não foi destinada qualquer comunicação, mas somente ao seu sócioadministrador e, ainda assim, como representante da impugnante. Foram encaminhados aos responsáveis solidários o Termo de Sujeição Passiva n° 01, bem como cópia do auto e de documento. As solidárias apresentaram defesas, Hapvida Administradora de Planos de Saúde (fls. 563/571), Hapvida Assistência Médica Ltda (fls. 722/730), Fundação Ana Lima (fls. 886/898) e Hapvida Participações e Investimentos Ltda (fls. 1047/1055) onde alegam a inexistência de grupo econômico, a ocorrência de decadência e reforçam as alegações de mérito já apresentadas pelo Hospital Antônio Prudente. A solidária Fundação Ana Lima ainda informa que seria uma entidade beneficente de assistência social e, logo, teria direito à imunidade das contribuições destinadas à Seguridade Social. Pelo Acórdão nº 0820.206 (fls. 1204/1211), a 5ª Turma da DRJ/Fortaleza considerou o lançamento procedente em parte para retirar parte dos valores lançados para os quais a autuada demonstrou não se tratar de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Somente o Hospital Antônio Prudente foi intimado da decisão de primeira instância e apresentou recurso. Em 22/1/2013, foi o julgamento convertido em diligência por esta Turma para que os demais responsáveis solidários fossem intimados do acórdão de primeira instância, sendo que consequentemente os correspondentes recursos voluntários foram interpostos pela Hapvida Administradora de Planos de Saúde (fls.1407/1425), Hapvida Assistência Médica Ltda (fls. 1378/1393), Fundação Ana Lima (fls. 1463/1481) e Hapvida Participações e Investimentos Ltda (fls. 1437/1452). É o relatório. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10380.004186/200949 Resolução nº 2402000.648 S2C4T2 Fl. 1.501 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator Considerando os termos dos recursos voluntários apresentados, em especial o formulado pelo responsável solidário Fundação Ana Lima, persiste questão prejudicial que demanda maiores esclarecimentos, a serem obtidos via encaminhamento de nova diligência. Essa entidade, reiterando os termos vertidos quando da impugnação (fls. 900/912), alegou nesta instância (fls. 1463/1481) ser entidade beneficente de assistência social, conseqüentemente imune quanto ao recolhimento de contribuição social patronal. Nesse sentido colacionou ao processo seu estatuto (fls. 917/923), o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) e sua respectiva renovação alcançando o período ora examinado (fls. 1061/1061). Não obstante, trouxe a DRJ/FOR notícia acerca do assunto assim articulada (fls. 1239/1240): Convém informar que a Fundação Ana Lima foi objeto de outra ação fiscal, tendo sido emitido Ato Declaratório Executivo n° 137 em 28 de outubro de 2009 suspendendo sua imunidade, com efeitos desde 171/2004, posteriormente à lavratura do presente crédito (31/3/2009). Contudo, a solidariedade passiva somente foi atribuída em 18/11/2010, mediante ciência do Termo de Sujeição Passiva, assim posteriormente à suspensão da imunidade da Fundação Ana Lima. Vale destacar que a impugnação apresentada pela Fundação Ana Lima ao Ato Declaratório Executivo n° 137 não tem efeito suspensivo, consoante § 8o do mesmo art. 32 da Lei 9.430/96: Art. 32 (...) §8° A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Destarte, ficou comprovada cabalmente a existência de grupo econômico entre a impugnante e as empresas HAPVIDA PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS LTDA, HAPVIDA ASSISTÊNCIA MÉDICA LTDA, HAPVIDA ADMINISTRADORA DE PLANO DE SAÚDE e a FUNDAÇÃO ANA LIMA, tendo como decorrência a procedência da solidariedade. Muito embora tais considerações, o fato é que, compulsando os autos, não constam os elementos de prova referidos, a saber, o mencionado Ato Declaratório Executivo Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10380.004186/200949 Resolução nº 2402000.648 S2C4T2 Fl. 1.502 5 que teria suspendido sua imunidade, bem como as posteriores decisões administrativas acerca da controvérsia. Importa frisar que, tendo em vista os recentes julgados do STF sobre o tema RE nº 566.622, e ADIs nos 2.028, 2.036, 2.228 e 2.621 o CARF vem sobrestando a tramitação dos autos que envolvam litígios que dizem respeito ao atendimento das condições estipuladas em lei ordinária para fins de gozo da imunidade constitucional. Notese que no RE nº 566.622 foi fixada a seguinte tese, para fim de repercussão geral: "Os requisitos para o gozo de imunidade hão de estar previstos em lei complementar". Nessa esteira, para que se possa apreender a questão prévia relativa à possibilidade de a Fundação Ana Lima poder responder pelo crédito tributário exigido, é imprescindível saber se possui ela ainda a imunidade reconhecida, e, caso contrário, se esta lhe foi obstada pelo não cumprimento dos requisitos constantes no art. 55 da Lei nº 8.212/91 ou mesmo os contidos na Lei nº 12.101/09, ou por razão diversa, para daí, deliberarse quanto à realizar ou não o sobrestamento dos autos. Proponho então, a conversão do julgamento em diligência, para fins de que sejam juntadas todas as decisões relativas ao processo no qual foi emitido o Ato Declaratório Executivo nº 137/09, mencionado pelo acórdão da DRJ/FOR e pertinente ao responsável solidário Fundação Lima, devendo ser exarado parecer conclusivo pela unidade de origem quanto à situação dessa entidade no que concerne ao gozo da imunidade tributária, facultando se, na sequência, oportunidade para que dita fundação se manifeste sobre a situação. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1502DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722457/2012-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Somente estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Somente estão isentos de tributação os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia grave elencada em lei, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 24 57 /2 01 2- 00 Fl. 81DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.51/52) contra decisão de primeira instância (fls.40/43), que negou provimento a impugnação do sujeito passivo por falta de subsunção do caso concreto à norma legal em abstrato. Foi lavrado o auto de infração, por Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social de CNPJ 29.979.036/000140. Inconformado com o auto de infração, em razões preliminares o contribuinte alega que a Lei nº 11.052 de 29 de dezembro de 2004, no art. 1º que regulamenta a nova redação ao inciso XIV do art. 6ºda Lei 7.713 de 22 de dezembro de 1988, sendo que em seu preâmbulo há consistência para a isenção do pagamento do imposto. No mérito, aponta que os proventos de aposentadoria são isentos da cobrança de Imposto de Renda, nos termos do artigo suso citado. Em recurso voluntário, o contribuinte junta documentação médica (fls. 53/61), alegando ser portador de Osteíte Deformante (fl.51). É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator A preliminar lançada em sede de Recurso Voluntário em verdade não se trata de questão processual antecedente ao mérito, mas apenas de esclarecimento a respeito da legislação pertinente, e com o mérito será analisada. Sem razão o contribuinte. Diz o artigo 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ...XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão de medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (g.n). Com a interpretação gramatical do texto legal é possível afirmar que a lei não estende o benefício da isenção a todo e qualquer provento de aposentadoria, mas apenas e tão somente em duas hipóteses, quais sejam: a) quando a aposentadoria ou reforma foi motivada por acidente em serviço; b) quando os beneficiários dos proventos de aposentadoria ou reforma forem portadores da patologias descritas no texto legal. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10830.722457/201200 Acórdão n.º 2002000.090 S2C0T2 Fl. 3 3 A doença da qual o contribuinte alega ser portador, qual seja, Osteíte Deformante (fl.51) não está no rol taxativo que a lei tributária garante a isenção, sendo certo que o Laudo Médico (fl.68) que acompanha o recurso, além de não ser emitido por serviço médico oficial, não relata que referida patologia seja de origem profissional ou decorrente de acidente em serviço. Assim sendo, a doença apontada pelo contribuinte para ter o benefício da isenção não encontra respaldo na legislação pertinente, por absoluta falta de subsunção do fato à norma. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento, mantendo a r. decisão de origem, a qual adoto como razões de decidir. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13891.000063/2010-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO.
A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTO OBJETO DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO. A comercialização de mercadoria objeto de contrabando ou descaminho constitui motivo para exclusão de ofício da empresa do Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 16327.720393/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006
OMISSÃO DE RECEITAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
Se há evidências de que as receitas omitidas no período fiscalizado poderiam ter sido reconhecidas em período posterior, este fato deve ser investigado para determinar se a infração cometida foi de falta de recolhimento ou de mera postergação.
ENCARGOS FINANCEIROS DE DIREITOS CREDITÓRIOS.
A falta de registro das receitas correspondentes a encargos financeiros de direitos creditórios podem representar mera postergação de recolhimento, necessitando que fiscalização aprofunde a investigação.
GLOSA DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS.
A glosa de perdas classificadas como indedutíveis no período fiscalizado demanda confronto individualizado dos créditos baixados com aqueles passíveis de dedução, e identificação do período no qual a perda foi escriturada, com vistas a apurar os efeitos de possível inobservância do regime de competência.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam-se à CSLL reflexa, no que cabíveis.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS NÃO CUMULATIVO. COFINS NÃO-CUMULATIVA. RECEITAS FINANCEIRAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO.
Estando reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa, reputa-se correta a decisão que exonerou a parcela correspondente da exigência lançada, julgando-se improcedente o recurso de ofício.
Numero da decisão: 1301-002.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelson Kichel e Ângelo Antunes Nunes que votaram em converter o julgamento em diligência para confirmação da postergação alegada.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 OMISSÃO DE RECEITAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Se há evidências de que as receitas omitidas no período fiscalizado poderiam ter sido reconhecidas em período posterior, este fato deve ser investigado para determinar se a infração cometida foi de falta de recolhimento ou de mera postergação. ENCARGOS FINANCEIROS DE DIREITOS CREDITÓRIOS. A falta de registro das receitas correspondentes a encargos financeiros de direitos creditórios podem representar mera postergação de recolhimento, necessitando que fiscalização aprofunde a investigação. GLOSA DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. A glosa de perdas classificadas como indedutíveis no período fiscalizado demanda confronto individualizado dos créditos baixados com aqueles passíveis de dedução, e identificação do período no qual a perda foi escriturada, com vistas a apurar os efeitos de possível inobservância do regime de competência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 93 /2 01 1- 90 Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.084 2 As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicam se à CSLL reflexa, no que cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS NÃO CUMULATIVO. COFINS NÃO CUMULATIVA. RECEITAS FINANCEIRAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. Estando reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa, reputase correta a decisão que exonerou a parcela correspondente da exigência lançada, julgandose improcedente o recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nelson Kichel e Ângelo Antunes Nunes que votaram em converter o julgamento em diligência para confirmação da postergação alegada. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário contra o acórdão nº 1640.088, proferido pela 8ª Turma da DRJ/SP1, que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, cancelando a parte da exigência relativa à incidência de PIS Não Cumulativo e COFINS NãoCumulativa sobre as receitas financeiras. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.085 3 Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de impugnação a Auto de Infração de IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ, por OMISSÃO DE RECEITAS e DESPESAS INDEDUTÍVEIS (fls. 87 a 95), e de TRIBUTOS REFLEXOS, a saber, CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL (fls. 108 a 114), PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS (fls. 96 a 101) e CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS (fls. 102 a 107), relativo a fatos geradores ocorridos em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006 e 31/12/2006, e lavrado pela DEINF/SPO, em 30/03/2011 (fls. 92, 98, 104 e 110). 2. O crédito tributário constituído é composto pelos valores a seguir discriminados: 3. Como enquadramento legal do lançamento, o autuante assinala, para o IRPJ, com relação à infração “Omissão de Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.086 4 Receitas”, o artigo 24 da Lei n° 9.249/95 e os artigos 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, e 288, do RIR/99, e, com relação à infração “Despesas Indedutíveis”, os artigos 247, 249, inciso I , 251 e parágrafo único, e 299 do RIR/99 (fl. 95). Para a CSLL consigna, com respeito à infração “Falta de Recolhimento da CSLL”, os artigos 2° e §§, da Lei n° 7.689/88, o artigo 1° da Lei n° 9.316/96, o artigo 28 da Lei n° 9.430/96 e o artigo 37 da Lei n° 10.637/02 (fl. 112), e, com respeito à infração “Omissão de Receitas”, o artigo 2° e §§, da Lei n° 7.689/88, o artigo 24 da Lei n° 9.249/95, o artigo 1º da Lei n° 9.316/96, o artigo 28 da Lei n° 9.430/96 e o artigo 37 da Lei n° 10.637/02 (fls. 113 e 114). Para o PIS, os artigos 1°, 3º e 4º da Lei n° 10.637/02 (fl. 100), e, para a COFINS, os artigos 1º, 3° e 5º da Lei n° 10.833/03 (fl. 106). Os Juros Moratórios foram exigidos com base no artigo 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, e a Multa de Ofício, com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96, no artigo 86, § 1º, da Lei n°7.450/85, no artigo 2° da Lei 7.683/88, e no artigo 10, parágrafo único, da Lei Complementar n°70/91 (fls. 91, 97, 103 e 109). 4. Nos Termos de Verificação Fiscal (fls. 72 a 86), a autoridade fiscal noticia, em resumo, que: OMISSÃO DE RECEITAS de Serviço de Transação Nacional – STN e de Encargos Financeiros i) o autuado prestaria serviços de intermediação pela emissão de Cartão de Crédito para consumidores finais adquirirem bens e serviços em estabelecimentos comerciais credenciados, mediante cobrança através de Boleto Bancário ou Fatura mensal; ii) os lançamentos no Razão Contábil relativos ao ano calendário de 2006, decorrentes de Serviços de Transação Nacional (STN) cobrados por tarifa, feitos a débito da conta “Titulares de Cartões a Receber”, do Ativo Circulante, e a crédito de conta redutora de Ativo, “Rendas a Apropriar Titulares Cartão STN”, teriam sido realizados de forma incorreta, segundo a legislação vigente, pois que a contrapartida do aumento no Ativo Circulante ocorrido quando da emissão das faturas teria que ser feita em conta de Resultado, não em conta redutora de Ativo, e, com observância do regime de competência; iii) o autuado teria procedido da mesma maneira com respeito aos Encargos Financeiros (EF) cobrados dos Titulares de Cartão de Crédito, em renegociações de dívidas, pois teria registrado a contrapartida do lançamento a débito da conta “Titulares de Cartões a Receber”, como crédito na conta redutora “Rendas a Apropriar Titulares de Cartões EF”, ao invés da conta de Resultado; iv) assim, após ter sido considerado o fluxo de receitas reconhecidas no anocalendário de 2006, conforme apresentado em planilha pelo autuado, teria ficado caracterizada “Omissão de Receitas” de R$ 3.776.383,43 (=R$ 3.003.382,93/1º Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.087 5 Trimestre + R$ 123.119,35/2ºTrimestre + R$ 14.486,32/3º Trimestre + R$ 635.394,83/4º Trimestre) relativos a “Receita de Serviço de Transação Nacional – STN” e de R$ 3.382.749,25 (=R$ 1.970.815,39/1º Trimestre + R$ 326.159,15/2º Trimestre + R$ 340.091,99/3º Trimestre + R$ 745.682,72/4º Trimestre) referentes a “Receita de Refinanciamento”, totalizando R$ 7.159.132,68, valores estes que não teriam sido oferecidos à tributação, contrariando o preconizado no artigo 177 da Lei nº 6.404/76, nos artigos 247, 248 e 275 do RIR/99, e no artigo 25 da Lei nº 8.981/95; v) do mesmo modo, teria apurado “Omissão de Receita” no ano calendário de 2006, de R$ 19.045.082,07 (= R$ 5.514.039,93/1º Trimestre + R$ 4.813.034,56/2º Trimestre + R$ 4.070.608,69/3º Trimestre + R$ 4.647.398,89/4º Trimestre), pela falta de contabilização no Lucro Líquido do Exercício, das “Receitas de Encargos Financeiros” relativas a juros e multa de mora sobre créditos vencidos até 60 dias e não pagos, consoante previsto no artigo 373 do RIR/99, apuração essa demonstrada nos arquivos “Apropriação de Juros – Carteira Vencidos até 60 dias “ contido no disco compacto (CD) anexado, preparado com base em informações fornecidas pelo autuado; teria sido utilizado o critério de apropriação “pro rata temporis”, não observado pelo autuado; GLOSA DE DESPESAS DE PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO vi) também nos trimestres de 2006, o autuado, conforme consignado na DIPJ do anocalendário de 2006, teria considerado como despesa dedutível na apuração do Lucro Real dos referidos períodos de apuração, os valores de R$ 11.243.415,85 (1º trimestre), R$ 9.950.459,60 (2º trimestre), R$ 13.037.595,37 (3º trimestre) e R$ 8.598.529,00 (4º trimestre), a título de “Perdas com Operações de Crédito”, quando, segundo as normas legais aplicáveis, especificamente os artigos 9º e 10 da Lei nº 9.430/96, créditos até R$ 5.000,00 vencidos há mais de 6 meses, e de acordo com levantamento efetuado com base nos registros magnéticos fornecidos pelo autuado, os referidos valores deveriam ser inferiores, a saber, R$ 8.816.890,60 (1º trimestre), R$ 7.891.446,72 (2º trimestre), R$ 10.087.224,87 (3º trimestre) e R$ 5.511.106,15 (4º trimestre), ensejando diferenças tributáveis de R$ 2.426.525,25 (1º trimestre), R$ 2.059.012,88 (2º trimestre), R$ 2.950.370,50 (3º trimestre) e R$ 3.087.422,85 (R$ 4º trimestre), cujos créditos tributários correspondentes foram constituídos no presente lançamento; 5. Cientificado dos lançamentos em 30/03/2011 (fls. 93, 99, 105 e 111), o autuado impugnou o Auto de Infração em 28/04/2011 (fl. 120), oferecendo, para tanto, em resumo, as seguintes razões: i) em PRELIMINAR, a Delegacia Especial das Instituições Financeiras – DEINF seria incompetente para o lançamento, visto que o autuado, à época dos fatos objeto da exigência, ano calendário de 2006, não seria instituição financeira ou pessoa Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.088 6 jurídica diferenciada, mas administradora de cartões, além do fato de que a Portaria RFB nº 2.521/2008, que disciplina o acompanhamento econômicotributário especial de pessoas jurídicas (objeto da Notificação 815499417) (fl. 552), teria entrado em vigor somente em 29/12/2008; ii) o Auto de Infração seria nulo por falta de especificação determinada, porque: a) teria sido dificultado ao autuado o exercício do direito à ampla defesa, previsto no artigo 5º, inciso LV da CF, por o lançamento fazer menção a atos e diligências não documentadas; b) o lançamento não teria apresentado os elementos subjetivos e materiais necessários à formação da obrigação tributária, nos termos do artigo 113 do CTN; c) as informações prestadas pelo autuado não teriam sido corretamente avaliadas e identificadas com respeito às hipóteses de incidência; d) inexistiria fato gerador subsumível a hipótese de incidência tributária, nos termos do artigo 114 do CTN; e) haveria ausência de fundamentação e critério para a autuação e para o valor lançado, sem discriminação clara dos fatos aí referidos, tendo a autoridade se limitado a mencionar, de modo genérico, dispositivos relativos a critério de contabilização e escrituração das sociedades anônimas, descumprindo o previsto no artigo 9º da Decreto nº 70.235/72; f) não conteria menção a atividade geradora do tributo, a descrição dos fatos, a disposição legal infringida e que determinaria a aplicação da penalidade, bem como o porquê e o valor ou percentual da multa confiscatória de 75%, não atendendo ao estipulado nos artigos 142 e 202 do CTN; iii) ainda, a autuação não seria admissível, consoante os artigos 173 e 174 do CTN, em razão da decadência, dado que fora notificado em 30/03/2011, depois de decorrido o prazo de 5 anos; iv) no MÉRITO, a Receita de Serviço de Transação Nacional – STN, decorrente da tarifa sobre transações à vista, seria constituída por valores provenientes da prestação de serviços, não se qualificando como Receita Financeira uma vez que não haveria intermediação com o mercado financeiro; v) a prática de contabilização adotada seria de reconhecimento das Receitas de Serviço de Transação Nacional STN e dos Encargos Financeiros na data do vencimento, apropriadas por ocasião da consolidação; Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.089 7 vi) o valor apontado de Omissão de Receita de STN constituiria Rendas a Apropriar, correspondente a compras realizadas e registradas, conforme demonstraria a conta 1.2.01.01.095, e que teriam sido reconhecidas como receita nos respectivos vencimentos; vii) os encargos financeiros de créditos, os juros recebidos não seriam renda, nem proventos de qualquer natureza para incidência tributária, pois que seriam valores de indenização para compor a lesão ao patrimônio do credor por atraso de pagamento, não correspondendo a ingresso de riqueza no patrimônio do credor, consoante entendimento de doutrina e de julgado do STJ, cujos excertos colaciona; viii) teria havido equívoco no lançamento de Omissão de Receita relativa a Receitas de Serviço de Transação Nacional STN, a Receitas de Refinanciamento e a Receitas de Encargos Financeiros, pois que teria apropriado corretamente as referidas receitas, conforme estaria evidenciado em demonstrativos que junta: – Razão Analítico – Rendas a Apropriar – Titulares de Cartões (fls. 555 a 571) –Anexo 8 Fluxo de Reconhecimento de Receita de STN (fls. 646 a 650) – Anexo 7 Fluxo de Reconhecimento de Receita de EF (fls. 652 a 654) – Anexo 7 Recolhimento dos Juros Vencidos até 60 dias – Anexo 09 Recolhimento dos Juros Vencidos há mais de 60 dias –Anexo 10 ix) quanto às perdas de créditos, os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificarseiam como despesas operacionais e seriam dedutíveis do lucro operacional, situação que ocorre na renegociação e/ou quando é concedido perdão ou dispensa de parte ou totalidade de juros ou parte dos créditos, conforme hipóteses previstas nos artigos 9º e 43 da Lei 9.430/96; x) embora o artigo 341 do RIR/99 disponha que os registros contábeis devem ser efetuados a débito da conta de resultado e a crédito da conta que registrou o crédito, para valor até R$ 5.000,00, por operação, sem garantia, vencido há mais de 6 meses, nada impediria que a pessoa jurídica registrasse a perda a débito da conta de resultado e a crédito da conta redutora, sem dar baixa do crédito; xi) para a verificação das perdas financeiras, a autoridade não poderia ter utilizado a carteira de títulos dos cartões de crédito porque, por esse banco de dados, não seria possível calcular o saldo; Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.090 8 xii) o lançamento teria considerado, ainda, 6 meses para as perdas da carteira, quando o correto seria considerar período maior, de 180 dias, fato que teria gerado divergência nas datas e nos valores apurados; xiii) quanto ao PIS e COFINS, as receitas auferidas com a administração dos cartões de crédito, seriam receitas financeiras, e, assim, teriam tributação à alíquota zero, conforme o Decreto nº 5.442/05; Perícia Contábil xiv) requer, por fim, produção de prova pericial contábil, para dar resposta aos quesitos que formula, para demonstrar o correto recolhimento dos tributos, a ausência de omissão de receitas e o correto lançamento dos juros. 6. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 1640.088, pela 8ª Turma da DRJ/SP1, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. DESPESAS INDEDUTÍVEIS. PRELIMINARES. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Quando as informações e documentos contidos nos autos são suficientes para a formação do juízo de convicção do julgador sobre o fato ensejador do lançamento fiscal, eventuais diligências requeridas tornamse prescindíveis. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA. INOCORRÊNCIA. Constatado estar o contribuinte incluído, por normativos legais, entre os jurisdicionados da unidade fazendária de origem do lançamento, rejeitase a alegação de nulidade por pretensa incompetência da autoridade fiscal da referida unidade para a constituição do crédito tributário. NULIDADE. OFENSA AO DIREITO À AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste ofensa ao direito de defesa quando o lançamento contém descrição detalhada dos fatos, em Termos individualizados para cada infração, com informações, demonstrativos e fundamentação legal que permitem ao contribuinte ter compreensão exata das infrações a ele imputadas. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.091 9 Na inexistência de pagamento, e conforme entendimento assente do STJ, o prazo decadencial de 5 anos para a constituição do crédito tributário deve ser contado nos termos do artigo 173 do CTN, a saber, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MÉRITO. DISTINÇÃO ENTRE RECEITAS DE SERVIÇOS E RECEITAS FINANCEIRAS PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. IRRELEVÂNCIA. A diferenciação de receitas, para fins de tributação pelo IRPJ e pela CSLL, somente é relevante quando se mostra impossível identificarse a atividade do contribuinte ou quando este possui atividades diversificadas tributadas no lucro presumido ou arbitrado. Sendo conhecida a atividade que originou as receitas e estando o contribuinte sujeito ao regime de apuração do lucro real, como verificado na presente situação, a receita omitida, independentemente de sua natureza, deve ser adicionada ao lucro líquido para apuração do lucro real. CONTABILIZAÇÃO DE RECEITAS EM CONTA REDUTORA DE ATIVO. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O regime de competência é o regime prevalente adotado pelas leis comerciais e pela legislação fiscal para a contabilização das receitas, por ser o mais apropriado para refletir a realidade do patrimônio líquido e suas alterações. Neste regime as receitas devem ser contabilizadas no período em que são auferidas, independentemente de sua realização em moeda, e no Resultado, não em conta redutora de ativo, in casu, em “Rendas a Apropriar”. ENCARGOS FINANCEIROS DE CRÉDITOS, DECORRENTES DE MORA. NATUREZA DE INDENIZAÇÃO. NÃO TRIBUTAÇÃO. DESCABIMENTO. As normas que disciplinam o tratamento tributário dos juros, ao determinarem que os juros ganhos devem ser incluídos no lucro operacional, e os juros pagos ou incorridos podem ser deduzidos como despesas operacionais, não fazem distinção quanto à natureza remuneratória ou indenizatória desses encargos. DESPESAS DE PERDAS COM OPERAÇÕES DE CRÉDITO. EXCESSO DE DEDUÇÃO. CABIMENTO DE GLOSA. Rejeitase o questionamento da glosa do excesso na dedução das perdas, quando o contribuinte não produz prova cabal, mediante informações e documentos hábeis e idôneos, demonstrando o eventual equívoco na apuração do referido excesso, in casu, que o banco de dados das operações de créditos utilizado pela autoridade fiscal não seria apropriado para a apuração das perdas financeiras. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.092 10 As normas fiscais que disciplinam a exigência com respeito ao IRPJ aplicamse à CSLL reflexa, no que cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS NÃO CUMULATIVO. COFINS NÃOCUMULATIVA. RECEITAS DE SERVIÇOS DAS ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO. SUJEIÇÃO ÀS CONTRIBUIÇÕES CONSOANTE DISCIPLINAMENTO DA IN SRF nº 247/2002. RECEITAS FINANCEIRAS SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. As administradoras de cartão de crédito estavam sujeitas ao regime de PIS nãocumulativo e ao da COFINS cumulativa consoante os termos da IN SRF nº 247/2002, sendo que, posteriormente, com a promulgação da Lei nº 10.833/2003, passaram a ser contribuintes da COFINS nãocumulativa. Estão reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após intimado (efls. 728), a empresa autuada apresenta, tempestivamente, seu Recurso Voluntário, e novos documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Em uma primeira apreciação, a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção de Julgamento, através da Resolução 1103000.169, de 04/02/2015, resolveu converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem adotasse as providências especificadas na referida Resolução, com intuito de coletar informações necessárias ao julgamento dos referidos recursos de ofício e voluntários. Em atendimento, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo decidiu por não juntar os CDs solicitados ao processo, por temer extravio de alguma informação, optando por enviar os originais ao CARF, e o fez através do dossiê papel de nº 16327.000142/201195. Em seguida, determinou o retorno do processo a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Na seqüência, através de petição endereçado a este Conselheiro, o contribuinte requereu redistribuição, por conexão, do presente processo para a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção, sendo seu requerimento indeferido, por despacho fundamentado. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.093 11 O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Dos Documentos Juntados em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo antes do julgamento em 1ª instância (efls. de 661 a 680), como também quando da apresentação do recurso voluntário (fls. 953 a 983). Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa. Aceitando estes documentos, privilegiase tanto o princípio da verdade material, como o princípio da formalidade moderada, entre outros, devendo estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, pela técnica da ponderação, pois os documentos apresentados podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.094 12 (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.095 13 Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão a respeito da prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente e colacionados após a apresentação da peça de impugnação devem ser admitidos e apreciados. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.096 14 Mérito Como relatado, tratase de auto de infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, por omissão de receitas e despesas indedutíveis, e de tributos reflexos, a saber, CSLL, PIS e COFINS, relativo a fatos geradores ocorridos em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006 e 31/12/2006, e lavrado pela DEINF/SPO, em 30/03/2011. De acordo com o Termo de Verificação fiscal (efls. 72 a 86), a autoridade fiscal noticia, em síntese, que o autuado presta serviços de intermediação na emissão de Cartão de Crédito para consumidores finais adquirirem bens e serviços em estabelecimentos comerciais credenciados, mediante cobrança de Boleto Bancário ou Fatura mensal, em cujas operações foi constatada omissão de receitas em relação ao Serviço de Transação Nacional (STN) e de Refinanciamento e de Encargos Financeiros (EF). Em relação aos lançamentos no Razão Contábil relativos ao anocalendário de 2006, decorrentes de Serviços de Transação Nacional (STN) cobrados por tarifa, feitos a débito da conta "Titulares de Cartões a Receber", do Ativo Circulante, e a crédito de conta redutora de Ativo, "Rendas a Apropriar Titulares Cartão STN", entendeu a autoridade fiscal que teriam sido realizados de forma incorreta, pois a contrapartida do aumento no Ativo Circulante ocorrido quando da emissão das faturas teria que ser feita em conta de Resultado, não em conta redutora de Ativo e, com observância do regime de competência. Igualmente teria procedido com respeito aos Encargos Financeiros (EF), cobrados dos Titulares de Cartão de Crédito, em renegociações de dívidas, pois teria registrado a contrapartida do lançamento a débito da conta "Titulares de Cartões a Receber", como crédito na conta redutora "Rendas a Apropriar Titulares de Cartões EF", ao invés da conta de Resultado. Assim, após ter sido considerado o fluxo de receitas reconhecido no ano calendário de 2006, entendeu a fiscalização que a contabilização não espelhava a verdadeira mutação patrimonial positiva ocorrida, aduzindo que o aumento do ativo revelava ganho auferido pela autuada, que deveria ter ser reconhecido em conta de resultado, e não em conta redutora do ativo circulante, caracterizandose, dessa forma, em sua ótica, infração de "Omissão Receitas", nos termos do artigo 177 da Lei nº 6.404/76, artigos 247, 248 e 275 do RIR/99, e artigo 25 da Lei nº 8.981/95. De mesmo modo, no mesmo anocalendário, apurouse omissão de "Receitas de Encargos Financeiros", relativas a juros e multa de mora sobre créditos vencidos até 60 dias e não pagos, consoante previsto no artigo 373 do RIR/99, apuração essa demonstrada nos arquivos “Apropriação de Juros – Carteira Vencidos até 60 dias “ contido no disco compacto (CD) anexado, preparado com base em informações fornecidas pelo autuado; teria sido utilizado o critério de apropriação “pro rata temporis”, não observado pelo autuado. De acordo ainda com o referido Termo, constatouse "Glosa de Despesas de Perdas com Operações de Crédito", também nos trimestres de 2006, pois, conforme consignado em sua DIPJ, teria considerado como despesa dedutível na apuração do Lucro Real dos referidos períodos de apuração, os valores de R$ 11.243.415,85 (1º trimestre), R$ 9.950.459,60 (2º trimestre), R$ 13.037.595,37 (3º trimestre) e R$ 8.598.529,00 (4º trimestre), a título de “Perdas com Operações de Crédito”, quando, segundo as normas legais aplicáveis, especificamente os artigos 9º e 10 da Lei nº 9.430/96, créditos até R$ 5.000,00 vencidos há mais de 6 meses, e de acordo com levantamento efetuado com base nos registros magnéticos Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.097 15 fornecidos pelo autuado, os referidos valores deveriam ser inferiores, a saber, R$ 8.816.890,60 (1º trimestre), R$ 7.891.446,72 (2º trimestre), R$ 10.087.224,87 (3º trimestre) e R$ 5.511.106,15 (4º trimestre), ensejando diferenças tributáveis de R$ 2.426.525,25 (1º trimestre), R$ 2.059.012,88 (2º trimestre), R$ 2.950.370,50 (3º trimestre) e R$ 3.087.422,85 (R$ 4º trimestre), cujos créditos tributários correspondentes foram constituídos no presente lançamento. Em sua defesa, alega o contribuinte regularidade de sua contabilização, já que todas as receitas apontadas como omitidas pela fiscalização se encontravam devidamente registradas em sua contabilidade e foram oferecidas regularmente à tributação, aduzindo que tal fato ficou cabalmente comprovado por todos os documentos fiscais e contábeis encartados aos autos. No que tange à omissão de receitas de "Serviço de Transação Nacional STN"e de "Encargos Financeiros, alega a recorrente que operava como administradora de cartões de sua própria emissão, não financeira, propiciando aos seus clientes o pagamento de diversas compras de maneira centralizada, consolidadas em uma única fatura de pagamento ou, alternativamente, através de boletos bancários. Assim, de acordo com sua exposição, seu negócio não se pautava na cobrança de mensalidades, anualidades ou de qualquer outro pagamento fixo periódico e obrigatório, mas pela cobrança baseada na emissão do documento de cobrança. Ou seja, os clientes da recorrente só pagavam pelo serviço, quando, de fato, o utilizavam, citando, inclusive, para sustentar seus argumentos, dispositivo previsto na Cláusula Quinta do "Termo de Responsabilidade para utilização do Cartão de Crédito SOROCRED", assinado pelas partes envolvidas na operação. Já os encargos financeiros incidiam nos casos em que o cliente titular do cartão optava pelo parcelamento de suas compras, com juros, tratandose, assim, de encargos devidos pelo financiamento e não de encargos devidos pela inadimplência do seu cliente, em que a recorrente tomava recursos junto às instituições financeiras, por conta e ordem dos titulares dos cartões, com base em cláusulamandato contida na Cláusula 10ª do já referido "Termo de Responsabilidade para Utilização do Cartão de Crédito SOROCRED", intitulada "Opção de Financiamento". Assim, sustenta que a peculiaridade da operação da recorrente teria reflexo direto na sua contabilização, que assim ocorria: MOMENTO I: aquisição de um bem ou serviços pelo titular do cartão Débito 1.2.01.01.006 Titulares de cartões a receber (conta de ativo circulante) Crédito 1.2.01.01.095 ou 096 Rendas a apropriar titulares cartão STN ou EF (conta redutora da conta de ativo circulante) MOMENTO II: data de vencimento da fatura ou boleto Débito 1.2.01.01.095 ou 096 Rendas a apropriar titulares cartão STN ou EF (conta redutora da conta ativo circulante) Crédito Receita Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.098 16 Portanto, de acordo com seu entendimento, os procedimentos contábeis acima descritos evidenciam a impropriedade da acusação fiscal omissão de receitas pois fica evidente o lançamento à conta de resultado e o oferecimento à tributação no MOMENTO II acima descrito, devidamente atestado em laudo de constatação elaborado por KPMG juntado aos autos, pontuando ainda que o equívoco fiscal foi desconsiderar a existência dos lançamentos contábeis relacionados ao MOMENTO II, haja vista que simploriamente tomou os saldos contábeis existentes, em cada um dos trimestres.. Penso que as razões da recorrente devem prosperar, pelos fundamentos a seguir declinados. De fato, a autoridade lançadora pautou seu trabalho pela inobservância do regime de competência, sem, portanto, investigar se ambas receitas a apropriar contabilizadas pelo contribuinte foram levadas a resultado em períodos posteriores, reclassificando a infração, de sorte a imputar aos pagamentos efetuados a destempo atualização monetária, quando for o caso, e multa. Assim, penso ter havido erro de qualificação jurídica da infração, pois os autos evidenciam que os elementos reunidos pela autoridade lançadora não são suficientes para a acusação formulada, vez que não há que se falar em omissão de receitas oriundas de "Serviços de Transação Nacional" e de "Encargos Financeiros". Digno de registro é que a fiscalização não desconhecia a forma de registro das operações realizadas de Receita "STN" e "EF" (efls. 4041) e, a par deste fato, procedeu a intimação do contribuinte para apresentar tabela relacionando tais receitas contabilizadas em renda a apropriar em cada trimestre do anocalendário de 2006 com o respectivo valor e mês de recolhimento dos tributos incidentes. Em resposta, o contribuinte apresentou demonstrativo, relacionando mês a mês, o fluxo do reconhecimento dessas receitas, conforme evidencia o exame dos documentos de efls. 45 a 49. Portando, a fiscalização, já naquele momento, possuía informações, transmitidas inclusive pela própria recorrente, de que não era o caso de omissão de receita, e sim, em tese, de postergação de pagamento, e por isso, poderia ter feito a classificação da infração de forma diferente, exigindose, por conseguinte, do contribuinte os acréscimos legais pertinentes. Porém, como se viu, ao invés de assim proceder, a fiscalização preferiu ir na direção de apontar a existência de omissão de receitas que, no meu sentir, o fez de forma equivocada. Acrescentese, como já consignado, que o contribuinte não se omitiu e não deu causa ao equívoco apontado, vez que respondeu e enviou as informações pertinentes quando provocado. Por fim, enfatizase que o Colegiado da 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em processo envolvendo mesmo contribuinte, porém referente ao último trimestre de 2005, também se manifestou sobre os fatos aqui examinados, e chegou a mesma conclusão. Por relevante, transcrevo parte da ementa daquele julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) OMISSÃO DE RECEITAS. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Se há evidências de que as receitas omitidas Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.099 17 no período fiscalizado poderiam ter sido reconhecidas em período posterior, este fato deve ser investigado para determinar se a infração cometida foi de falta de recolhimento ou de mera postergação. ENCARGOS FINANCEIROS DE DIREITOS CREDITÓRIOS. Além da possibilidade de a falta de registro das receitas correspondentes a encargos financeiros de direitos creditórios representar mera postergação de recolhimento, esta irregularidade não afeta o lucro tributável se praticada depois do prazo em que a lei permite a exclusão destes resultados. GLOSA DE PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. A glosa de perdas classificadas como indedutíveis no período fiscalizado demanda confronto individualizado dos créditos baixados com aqueles passíveis de dedução, e identificação do período no qual a perda foi escriturada, com vistas a apurar os efeitos de possível inobservância do regime de competência. (Acórdão nº 1101001.225; Recorrentes: SOROCRED CREDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO S/A e FAZENDA NACIONAL; Sessão de 02 de dezembro de 2014.) No voto vencedor deste julgado, a I. Conselheira Edeli Pereira Bessa destacou sua abordagem da seguinte forma: Importa considerar, porém, que se a conta nº 1.201.01.006 – Titulares de Cartões a Receber é reduzida pelas outras duas contas mencionadas, ela necessariamente estaria integrada pelo total dos créditos a receber (em outras palavras, o total do direito foi debitado naquela conta, e o crédito foi partilhado entre conta de resultado e as contas redutoras, revelando a omissão originalmente vislumbrada pela autoridade lançadora). Neste contexto, o recebimento dos valores ensejará débito em disponibilidades e crédito na conta nº 1.201.01.006 – Titulares de Cartões a Receber, para liquidação do direito. Por sua vez, as contas redutoras de ativo, para serem liquidadas, deverão receber lançamentos a débito em contrapartida a uma conta credora, que na argumentação razoável do sujeito passivo, seria uma conta de receita. Estas evidências e a condução do trabalho fiscal, bem como da decisão de 1ª instância apontam no sentido que a infração cometida pelo sujeito passivo seria a inobservância do regime de competência, e em tais condições do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 prescreve que: (...) Todavia, a autoridade lançadora interpretou equivocadamente este dispositivo legal, e apenas investigou a eventual existência de declaração ou recolhimento de débito em atraso, pertinente ao 4o trimestre/2005. Necessário seria, nos termos do que acima transcrito, verificar se as receitas a apropriar contabilizadas no 4o trimestre/2005 foram levadas a resultado em períodos de apuração subseqüentes, com eventual recolhimento de tributo Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.100 18 naqueles períodos, os quais poderiam ser reclassificados como pagamentos pertinentes ao período autuado, e a eles imputados para exigência apenas da diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa. Por esta razão, a preliminar deduzida pela recorrente acerca da nulidade do lançamento por erro de qualificação jurídica da infração, em verdade, confundese com o mérito da exigência, e evidencia que os elementos reunidos pela autoridade lançadora não eram suficientes para a acusação formulada. Desnecessário, portanto, avaliar a qualidade da prova trazida em defesa, devendo ser declarada a improcedência das exigências remanescentes após o julgamento de 1ª instância, as quais já não contemplavam, também, a Contribuição ao PIS e a COFINS lançadas sobre as receitas omitidas de natureza financeira (R$ 2.267.289,73, reduzida para R$ 1.393.796,29), em razão do disposto no art. 1o do Decreto nº 5.164/2004. Diante do exposto, considerando que o I. Relator já expôs as razões para negar provimento ao recurso de ofício nesta parte, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, relativamente à infração de omissão de receitas de taxa referente ao Serviço de Transação Nacional e de encargos financeiros. Assim, reconhecese a insubsistência dessas infrações. A infração seguinte diz respeito à omissão de receitas correspondentes a encargos financeiros vencidos até 60 dias e vencidos há mais de 60 dias. Aduz a recorrente que não se trata da hipótese de omissão de receita, vez que a receita correspondente foi integralmente contabilizada quando do pagamento da fatura em atraso pelo cliente titular do cartão de crédito, e acrescenta que, ante a possibilidade de exclusão destas parcelas do lucro tributável, somente se poderia questionar este procedimento sob o ponto de vista contábil. Acolho no tópico as razões do contribuinte em seu recurso, pois, à semelhança do item anterior, não se trata mesmo da hipótese de omissão de receita, não podendo aqui serem requalificados os fatos, para alterar a acusação fiscal. Na seqüência, insurgese a recorrente quanto à glosa de despesas de perdas com operações de crédito, e foi levada a efeito pela fiscalização sob a alegação de que o saldo das despesas oriundas das perdas com crédito de liquidação duvidosa, consideradas dedutíveis pela recorrente, conforme informado em sua DIPJ do período, não podia ser admitida, já que diferente do saldo apresentado em arquivo magnético. Portanto, a discussão gira em torno das informações desse arquivo eletrônico, denominado "Carteira de Titulares", apresentado durante a fiscalização e que foi adotado pelo Sr. Fiscal para demonstrar que os créditos aptos a serem baixados como perda seriam diferentes daqueles utilizados pela recorrente. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (efls. 7273), a autoridade lançadora observa que todos os créditos detidos pela contribuinte são inferiores a R$ 5.000,00, de modo que sua dedução como perda é possível a partir do momento em que se encontram vencidos há mais de seis meses. Todavia, na análise de arquivo magnético fornecido pelo sujeito passivo, apurouse que a totalização dos créditos vencidos há mais de seis meses em Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.101 19 cada mês dos quatro trimestres do anocalendário de 2006, resultaria em uma dedução trimestral inferior àquela computada pela contribuinte em sua DIPJ. A autoridade julgadora de 1ª instância consignou que: 41. Quanto à glosa de Despesas de Perdas com Operações de Crédito, verificase que o lançamento foi motivado pelo excesso de dedução levado a efeito pelo autuado nos quatro trimestres de 2006, conforme consta na DIPJ do ano, excesso este apurado com base no disposto nos artigos 9º e 10 da Lei nº 9.430/96, e de acordo com o levantamento que a autoridade realizou nos registros magnéticos fornecidos pelo autuado. 42. O autuado, por seu turno, insurgese contra o fato alegando que o banco de dados fornecido não poderia ser utilizado para esse fim, tendo a autoridade considerado apenas a carteira de titulares de cartões para efetuar a verificação das perdas financeiras, cruzando dados incompatíveis pelo período de apuração. Aduz, também, que o lançamento teria considerado 6 meses para as perdas da carteira, quando o correto seria considerar o período maior, de 180 dias. embora o artigo 341 do RIR/99 disponha que os registros contábeis devem ser efetuados a débito da conta de resultado e a crédito da conta que registrou o crédito, para valor até R$ 5.000,00, por operação, sem garantia, vencido há mais de 6 meses. 43. A contestação, porém, peca por ser genérica, sem precisar valores, períodos e critérios utilizados pela autoridade que caracterizariam o rocedimento (sic) incorreto que teria levado à apuração do excesso de dedução glosado. Inexistem elementos suficientes para se identificar erro no procedimento de verificação adotado pela autoridade, tendo em conta que os resultados apurados foram obtidos pelo exame dos registros magnéticos produzidos e apresentados pelo próprio autuado. Desta forma, o lançamento relativo à glosa de Despesas de Perdas com Operações de Crédito deve ser mantido. A recorrente pontua que o arquivo utilizado pela Fiscalização não se presta à verificação do total dos contratos inadimplidos que já teriam cumprido os requisitos da Lei nº 9.430/96, pois acabou por cruzar dados incompatíveis em função do período de apuração, e afirma ter apresentado elementos suficientes em impugnação, os quais evidenciariam a nulidade do auto de infração. Reportase à mídia juntada à sua defesa anterior, contendo a relação completa dos contratos enquadrados na regra fiscal e que mencionava expressamente os valores envolvidos, e observa que contabiliza as perdas de acordo com as disposições tributárias. Evidenciase que a apuração fiscal não confronta individualmente os créditos deduzidos como perda com aqueles passíveis de dedução em razão do arquivo magnético fornecido pela recorrente, nem submete sua apuração previamente ao sujeito passivo, para esta conferência. Em conseqüência, a glosa é promovida por valores totais mensais, sem distinguir perdas que poderiam ter sido, apenas, antecipadas, sujeitandose ao disposto no artigo 273 do RIR/99, antes referido. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.102 20 Em conseqüência, resta evidente o equívoco do procedimento fiscal, restando reconhecer infundada a autuação também neste ponto. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente as exigências formuladas. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar que a Portaria MF nº 63, de 2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Confirase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, somandose os valores exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício. Quanto ao exame de mérito deste recurso, verificase que a DRJ exonerou parte da exigência de PIS e COFINS, por entender que tais exigências se refere a período de Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005, que reduziu à alíquota zero do PIS e COFINS sobre receitas financeiras obtidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade. Em face do entendimento adotado quando da análise do recurso voluntário, acolhendo integralmente os argumentos das recorrentes, para afastar as exigências reclamadas, o presente recurso restaria prejudicado. Porém, prosseguindo na análise do recurso, no período fiscalizado, as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa, de fato, estavam reduzidas a zero, reputandose correta a decisão que exonerou a parcela correspondente da exigência lançada. Dessa forma, negase provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Assim, diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário e cancelar integralmente a exigência formulada, e NEGAR provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 16327.720393/201190 Acórdão n.º 1301002.935 S1C3T1 Fl. 1.103 21 Fl. 1103DF CARF MF
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