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Numero do processo: 10820.902165/2012-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.587
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 65 /2 01 2- 60 Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10820.902165/201260 Acórdão n.º 3401003.587 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/10/2007 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10820.902165/201260 Acórdão n.º 3401003.587 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10820.902165/201260 Acórdão n.º 3401003.587 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 10820.902165/201260 Acórdão n.º 3401003.587 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.005582/2001-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração. O despacho decisório proferido no último dia do prazo afasta a ocorrência da homologação expressa.
Numero da decisão: 1201-001.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator.
.Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Relator. .Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.005582/200176 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.628 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de abril de 2017 Matéria IRPJ Recorrente CEPA PAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996, o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração. O despacho decisório proferido no último dia do prazo afasta a ocorrência da homologação expressa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator. .Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 55 82 /2 00 1- 76 Fl. 1745DF CARF MF 2 Relatório O presente processo originouse do Pedido de Restituição de fl. 01, recepcionado em 15/05/2001, ao qual foram vinculados Pedidos de Compensação, convertidos em Declarações de Compensação, nos termos do § 4 0 do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996. Em Despacho Decisório de fls. 347 a 349, cientificado à contribuinte em 05/09/2003, a Autoridade local não tomou conhecimento do Pedido de Restituição relativamente aos períodos atingidos pela decadência, indeferiu os demais períodos e, conseqüentemente, não homologou as compensações declaradas. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi analisada e julgada improcedente, em 28/08/2008, pela 2a Turma desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão n° 1618.276 (fls. 705 a 719). Ocorre que, em 11/11/2003, após a prolação do Despacho Decisório de fls. 347 a 349, e antes do Acórdão acima mencionado, a contribuinte havia enviado o PER/DCOMP n° 39662.33799.111103.1.3.020063 (fls. 721 a 734), vinculado ao presente processo. Assim, a Autoridade Administrativa local proferiu o despacho decisório complementar (fl. 735), não homologando as compensações. Cientificada em 11/11/2008 (fl. 736), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 10/12/2008 (fls. 742 a 753), aduzindo, em síntese, que todos os débitos que foram objeto das compensações efetivadas através da DCOMP n° 39662.33799.111103.1.3.02 0063 estariam extintos, pelo decurso do prazo de 5 (cinco) anos para sua homologação tácita, a teor do previsto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e inciso II do art. 156 do Código Tributário Nacional Decisão de 1° instância Em decisão de 04/03/09, a 3°Turma da DRJ/SPOI indeferiu a Manifestação de Inconformidade da Contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ NÃO COMPROVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES VINCULADAS. Não comprovado o saldo negativo de IRPJ e indeferido o pedido de restituição, não se homologam as compensações declaradas em DCOMP eletrônica vinculada ao mesmo crédito, enviada após a prolação do Despacho Decisório pela Autoridade Administrativa. Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 13807.005582/200176 Acórdão n.º 1201001.628 S1C2T1 Fl. 3 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INOCORRÉNCIA. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração. 0 despacho decisório proferido no último dia do prazo previne a homologação tácita. Recurso Voluntário Inconformado, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário por meio do qual ratificou seus argumentos já trazidos em sede de Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Mérito Não merece qualquer reparo o v. acórdão recorrido. O ora recorrente não questiona nos autos deste processo o teor da não homologação das compensações e tampouco faz qualquer menção ao seu suposto direito creditório (alvo de indeferimento das restituições em momento pretérito). Ataca tão somente questão de ordem formal, referente ao prazo legal atribuído à homologação das compensações veiculadas por meio do PER/DCOMP n° 39662.33799.111103.1.3.020063. Inclusive em sede de recurso voluntário, suas alegações acerca da consumação de uma suposta homologação tácita e, por conseqüência, do decurso do prazo atribuído ao Fisco para a homologação expressa ou nãohomologação, são sucintas, de fundamentação rasa e completamente superficial. Transcrevo a única passagem que trata do tema no recurso, ipsis litteris: Fl. 1747DF CARF MF 4 “(...) De outro lado, é fato que as compensações feitas pela Recte. já estavam homologadas tacitamente, pois a intimação da decisão que as indeferiu foi efetivada após o prazo de que o Fisco dispunha para tanto.(...)” Presumese que o recorrente apenas reage a um ponto que não carece de qualquer elucidação. A verdade está escancarada de forma absoluta, por isso o contribuinte, de forma prudente, não se lança a enfrentar tal ponto de forma pormenorizada. Ora, de acordo com os ditames do art. 74 da Lei 9.430/1996, com redação dada pelo Lei 10.637/2002, o termo a quo do prazo para homologação expressa da declaração de compensação é exatamente o momento de sua entrega. No caso concreto, esta se deu em 11 de novembro de 2003. Já o termo ad quem se dá na data em que se consumam pontualmente 5 (cinco) anos da data da entrega. Isso ocorreu em 11 de Novembro de 2008, portanto. A Autoridade Administrativa proferiu despacho decisório não homologando as compensações, cuja a cientificação por parte do ora recorrente se deu em 11 de novembro de 2008. Exatamente no último dia do prazo para que a homologação se manifestasse em sua modalidade expressa. Portanto a tempestividade deste ato resta comprovada, o que invalida qualquer possibilidade de concretização da homologação tácita. Mantémse, assim, intacta a decisão que houve por bem não reconhecer a validade das declarações de compensação alvos desta lide. Superado este ponto de forma inequívoca e irretorquível, passase a análise da questão que mereceu maior atenção e destaque do recorrente em seu recurso voluntário: a aplicação da taxa SELIC sobre o crédito tributário, incluindo o valor principal e a multa de ofício. Quanto a este ponto, o presente julgador alterou seu entendimento recentemente, em função da jurisprudência dominante que se desenha neste Conselho. A fundamentação resumese à aplicação do art. 113 c/c art. 139, ambos do CTN, os quais expressamente determinam que o crédito tributário decorre de uma obrigação principal (art. 139) e que esta última, por sua vez, tem por objeto o pagamento do tributo ou penalidade (art. 113, §1º). Os juros moratórios são calculados sobre o crédito tributário, portanto, sua incidência abrange tanto os tributos quanto as multas aplicadas. Neste sentido têm se consolidado entendimento dominante na CSRF deste Conselho: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Relator: Valmir Sandri) Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 13807.005582/200176 Acórdão n.º 1201001.628 S1C2T1 Fl. 4 5 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011, Relatora: Karem Jureidini Dias) Inclusive o STJ já possui posicionamento neste sentido: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Por fim, a definição quanto a incidência de juros moratórios devidos à taxa SELIC se encontra respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, reputo acertada a incidência da Taxa SELIC sobre o crédito tributário, abrangendo este último, não só o valor principal como também a multa de ofício aplicada. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO, para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1749DF CARF MF 6 Fl. 1750DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720238/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Presidente), JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE. Relatório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .7 20 23 8/ 20 14 -4 1 Fl. 849DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 850 2 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 809 em face de decisão da DRJ/PE de fls. 786 que manteve o lançamento em sua integralidade, por insuficiência de recolhimento das constribuições de PIS e COFINS sob o regime não cumulativo e glosa de créditos. Por ser costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório constante das decisões de primeira instância, segue para apreciação: "Tratase de Impugnação contra os dois Autos de Infração às fls. 595/604, relativos ao PIS e Cofins não cumulativos, nos valores totais de R$ 2.146.185,18 e R$ 9.885.458,98, respectivamente, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. A infração devese a créditos descontados indevidamente pelo sujeito passivo na apuração das duas Contribuições, estando detalhada no Relatório Fiscal de 580/590, que informa o seguinte: Nos Dacon de janeiro a dezembro de 2010, a fiscalizada apurou créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins exclusivamente com relação a “Bens Utilizados como Insumos”, conforme informado, respectivamente, na linha 02 das fichas 06A e 16A desses demonstrativos: (...) Em resposta ao Termo de Início do Procedimento Fiscal, lavrado em 17/10/2013, ela informou que, em 2010, prestou serviços de limpeza, conservação, dedetização, manutenção, jardinagem, capinação, adubação, conservação de áreas verdes e manutenção na área da construção civil. (...) a fiscalizada foi intimada a discriminar (por meio de planilha eletrônica) as operações que integraram os valores informados nas aludidas/fichas dos Dacon. Em resposta ao item "a" do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 31/10/2013, ela apresentou, em vez de a planilha solicitada, relatórios mensais denominados “Registro de Entradas”, listando, em tese, todas as entradas do seu estabelecimento nos meses de janeiro a dezembro de 2010. As operações listadas nesses relatórios totalizaram em cada mês valores muito inferiores aos das aquisições de insumos informadas nos respectivos Dacon, conforme exposto no quadro a seguir: (...) Além disso,todas as operações listadas nesses relatórios foram classificadas com Códigos Fiscais de Operações e Prestações (CFOP) que não correspondem, necessariamente, a aquisições de bens utilizados como insumos, como se observa no quadro a seguir, onde foram dispostos os valores totais dessas operações por CFOP: (...) Diante das inconsistências quantitativas e qualitativas constatadas nos referidos Registros de Entradas, relatadas acima, considerouse não Fl. 850DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 851 3 atendido o Termo de Intimação Fiscal lavrado em 31/10/2013, relativamente ao seu item “a”. Assim sendo, a fiscalizada foi reintimada a apresentar planilha discriminando as aquisições informadas na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010. Em resposta ao Termo de Reintimação Fiscal lavrado em 05/02/2014, ela apresentou, em vez de a planilha solicitada, cópia de relatórios mensais, denominados “Folha Analítica”, relativos à sua “Folha de Pagamento, INSS Patronal e FGTS Créditos Utilizados no PIS e Cofins de 2010”, do período de março de 2009 a dezembro de 2010, conforme informado na folha de rosto, desses documentos. Tais Folhas Analíticas apresentaram dados dispersos e sem correspondência com os valores das aquisições de insumos informados na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a. dezembro de 2010. Ademais, se referiram a encargos e despesas com mãodeobra de pessoas físicas, que não dão direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins porque, no caso dos encargos, inexiste previsão legal e, no caso da mãodeobra de pessoas físicas, existe vedação expressa no inciso I do § 2o do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003. Desse modo, assim como os Registros de Entradas fornecidos anteriormente, as Folhas Analíticas apresentadas não foram consideradas hábeis a identificar as operações, que compuseram os valores das aquisições de bens utilizados como insumos informados na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010. .Nesse contexto, a fiscalizada foi cientificada do não atendimento às duas intimações anteriores, por meio do Termo de Constatação Fiscal lavrado em 31/03/2014, e foi novamente reintimada a discriminar as operações que integraram os valores informados na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010 Em resposta (...), informou que: “já apresentou o livro de entrada e todos os demais documentos necessários para comprovar a origem dos valores informados nos demonstrativos de Apuração de contribuições Sociais (Dacon) relativos ao ano calendário 2010” (sem grifos no original); e “o próprio Termo de Constatação Fiscal apurou a origem de parte dos valores em comento, sendo certo, por conseguinte, que este d. Serviço de Fiscalização possui todos os elementos necessários, juntamente com as demais declarações transmitidas ao Fisco; para apurar a origem, mês a mês, dos valores informados nos DACONs relativos ao ano calendário ora fiscalizado” (sem grifos no original). (...) Ocorre que, ao contrário do exposto na aludida resposta, os documentos apresentados ("Registro de Entradas" e "Folha Analítica") não foram considerados hábeis a identificar (e muito menos a comprovar) a origem das aquisições de bens utilizados como insumos informadas na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010, uma que, conforme já exposto: Fl. 851DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 852 4 a) os Registros de Entradas discriminaram operações em valores muito inferiores aos informados nos Dacon; apresentaram classificações fiscais que não denotaram, em tese, aquisições de insumos; e aquisições que não dão direito a crédito (compras de pessoa física); e b) as Folhas Analíticas relacionam dados dispersos, sem correspondência com os valores informados nos Dacon e de operações que não dão direito a crédito das contribuições (encargos e mãode obra de pessoas físicas). (...) Diante desse posicionamento da fiscalizada, no sentido de não fornecer as informações mais detalhadas solicitadas, acerca das operações informadas na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon de janeiro a dezembro de 2010, a análise da legitimidade dos créditos por ela apurados foi efetuada com base nos citados Registros de Entradas. Os dados das Folhas Analíticas não foram considerados pelas razões já expostas no presente relatório. Assim, a verificação da regularidade dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em tela foi efetuada, essencialmente, com base nas operações escrituradas nos Registros de Entradas, como se exporá a seguir 3 DOS CRÉDITOS INDEVIDOS 3.1) Das Aquisições de lnsumos não Comprovadas: (...) 3.2) Dos Créditos sobre Aquisições de lnsumos de Pessoa Física De acordo com os Registros de Entradas apresentados, a fiscalizada efetuou as seguintes compras de insumos junto à pessoa física de Joel Domingos da Silva, CPF... (...) A inclusão desses valores nas aquisições de “Bens Utilizados como lnsumos”, na linha 02 das fichas 06A e 16A dos Dacon, para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, foi considerada indevida tendo em vista o disposto no §§ 2º e 3º do art. 3º da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003. (...) 3.3) Dos Créditos sobre Compra de Bens para o Ativo Imobilizado (...) Considerando que o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre bens incorporados ao ativo imobilizado deve ser calculado sobre o valor dos encargos de depreciação dos referidos bens incorridos no mês (art. 3o, § 1°, inciso III, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente) e não sobre os valores de suas aquisições, os créditos sobre essas operações foram considerados indevidos. (...) Fl. 852DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 853 5 3.4) Dos Créditos sobre Remessa de Equipamentos (...) R$ 93.000,00 correspondente à nota fiscal nº 6.367, da empresa RTLEA Locação de Equipamentos e Andaimes Ltda... (...) Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal lavrado em 25/08/2014, ela apresentou uma cópia da mencionada nota fiscal, por meio da qual verificouse que o referido valor correspondeu ao total dos valores de equipamentos que recebeu daquela empresa naquele mês para locação. Por não existir previsão legal para o aproveitamento de créditos sobre o valor de equipamentos remetidos para locação, os créditos (...) apurados sobre o valor da mencionada nota fiscal foram considerados indevidos... (...) 3.5) Dos Créditos sobre Despesas com Cafés, Refeições e Lanches (...) 4 CONSOLIDAÇÃO DÁS IRREGULARIDADES. As irregularidades descritas no presente relatório foram consolidadas mês a mês, no Anexo II ao presente relatório, a fim de apurar os valores totais dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontados indevidamente das contribuições apuradas, nos respectivos Dacon. Expurgando dos valores das contribuições apuradas em cada mês os créditos aproveitados de forma indevida, foram apurados débitos, desses tributos, que ensejaram o respectivo lançamento de ofício. Na Impugnação de fls. 613/646, tempestiva, a contribuinte afirma que "todos os valores glosados pelo d. agente fiscal configuramse insumos intrínsecos à atividade desenvolvida pela impugnante e, por tal razão, foram corretamente descontados como créditos na apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo, nos termos das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03", alegando o seguinte, em resumo: (...) exerce "a atividade de prestação de diversos serviços, sendo certo, por conseguinte, que os gastos com a folha de salários, remessa de equipamentos locados, cafés, refeições, lanches, dentre outros, são inerentes e imprescindíveis à consecução de seu objeto social"; o Auditor Fiscal não atentou para a atividade desenvolvida pela Impugnante e, por tal razão acabou, indevidamente, glosando os créditos oriundos dos insumos consumidos diretamente na prestação de seus serviços; o procedimento adotado pela impugnante está em perfeita consonância com o entendimento do CARF; a impugnante é empresa prestadora de serviços, que se dedica às atividades de limpeza, conservação, dedetização, entre diversas outras, conforme se infere por meio da cláusula 3ª do seu contrato social; Fl. 853DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 854 6 além da mão de obra, "todos os materiais e equipamentos utilizados por essa mão de obra na prestação dos serviços também são insumos, pois, sem eles, seria inviável a execução do objeto social da impugnante e o consequente auferimento de receita"; conforme o art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que transcreve, "a legislação autoriza de forma expressa o desconto de todo e qualquer insumo utilizado na prestação de serviço" (negrito no original), citando em seguida doutrina e julgados do CARF a amparar o que defende; conforme disciplinam os arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, "não há dúvidas que todos os valores em referência glosados pelo d. agente fiscal se tratam de custos inerentes à prestação dos serviços da impugnante, especialmente os inerentes à força humana utilizada na realização de seus serviços" (cita ementa de outro julgado do CARF, segundo a qual os gastos gerais da pessoa jurídica são insumos para fins do PIS e Cofins); com base no inciso X do art. 3, das Leis n° 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, "os gastos relativos ao auxílio alimentação, que, evidentemente, englobam as despesas com cafés, refeições e lanches, podem ser utilizados como créditos na apuração das contribuições em referência, sendo notório que o d. agente fiscal não poderia ter efetuado a glosa de tais dispêndios"; o rol de despesas previstas nos incisos do referido art. 3º "é meramente exemplificativo, tanto é que, repitase, o inciso II autoriza o creditamento de todos os insumos aplicados/consumidos na execução da atividade do contribuinte, o que deixa claro que a possibilidade da utilização de determinado crédito depende da análise minuciosa do serviço desenvolvido por cada empresa", mencionando em seguida julgado do TRF da 4ª Região (Apelação Cível n° 0000007 25.2010.404.7200/SC ); ao contrário do mencionado no item 3.1 do Relatório Fiscal, "NÃO há que se falar na ausência de comprovação do crédito nele descrito, mas sim na discordância do d. agente fiscal acerca dos créditos utilizados pela impugnante relativos à mão de obra utilizada na prestação de serviço", tanto assim que o próprio autuante conseguiu apurar, mediante análise dos documentos apresentados pela impugnante, que grande parte do crédito glosado diz respeito aos gastos com a mão de obra, apresentando como comprovação dos créditos "o resumo da folha e o registro de apuração das contribuições em referência (doc. 08), por intermédio dos quais se comprova que o crédito em tela tem origem nos valores despendidos com a mão de obra"; o art. 3º, § 2º, I, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (que veda o crédito sobre o valor de mãodeobra paga a pessoa física) vai de encontro à sistemática constitucional da não cumulatividade das duas Contribuições, contrariando, ainda, o art. 3º, II, dessas duas Leis; o art. 195, § 2º, da Constituição Federal, "instituiu a não cumulatividade plena para o PIS e para a COFINS, sendo que a única Fl. 854DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 855 7 margem de liberalidade dada pelo Texto Constitucional ao legislador ordinário se refere à escolha dos setores da atividade econômica para as quais as referidas contribuições serão não cumulativas, o que já ocorreu, conforme dispõe o art. 8° da Lei n° 10.637/02 e o art. 10 da Lei n° 10.833/03". Delimitados estes setores, "a não cumulatividade não pode sofrer qualquer outra restrição, especialmente pelo legislador ordinário, sendo certo que o art. 3º, § 2º, I, das Leis 10.637/02 e 10.833/03 não podem ser aplicados ao presente caso", menciona doutrina na linha do que defende; não há nenhum dano ao erário no fato de ter sido utilizado o valor de aquisição de bem para imobilizado como crédito, pois isso significa que a impugnante não irá tomar mais crédito sobre tal despesa; a empresa tem direito a crédito com equipamentos locados para a prestação dos serviços (referese à Nota Fiscal emitida pela empresa RTLEA Locação de Equipamentos e Andaimes Ltda), à vista do art. 3º, IV, das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003; apesar da defesa dos créditos em questão, conforme exposto acima, de todo modo os Autos de Infração são improcedentes porque a Impugnante se sujeita à sistemática cumulativa do PIS e Cofins. Argúi que com a adoção do regime não cumulativo "ocorreu uma nítida infração ao princípio da isonomia em razão do fato de que algumas empresas prestadoras de serviço foram (sic) excluídas da sistemática não cumulativa e outras, tal como a ora impugnante, foram indevidamente mantidas, sendo certo que o d. agente fiscal deveria apurálas no regime cumulativo." por isonomia com as empresas de segurança e vigilância de que trata Lei nº 7.102, de 1983, também faz jus ao regime cumulativo; a prestação de serviços de vigilância e segurança é uma prestação de serviço como qualquer outra, apesar de possuir lei específica para regulamentar o uso de armas de fogo e exigir autorização da Polícia Federal, e nela há utilização intensiva de mão de obra, circulação de bem imaterial e ativo imobilizado insignificante, "ficando evidente a ausência de qualquer discrímen nesta conduta absolutamente casuística do legislador, não podendo prevalecer tamanha ilegalidade e inconstitucionalidade"; um "outro exemplo desse absoluto casuísmo (que se revela sem precedentes em nossa história legislativa tributária) é que as categorias excluídas da sistemática nãocumulativa de apuração do PIS e da COFINS estavam inicialmente discriminadas em oito incisos do art. 8º da Lei 10.637/02, sendo ao menos 3, de empresas de prestação de serviços", mas depois diversas categorias de serviços foram excluídas por puro "casuísmo" (referencia alterações no rol das atividades sujeitas ao regime cumulativo, citando as Leis nºs 10.865, 10.925, 11.051, as três de 2004, e 11.196, de 2005, bem como julgado do TRF da 5ª Região tratando da submissão de prestadora de serviços no regime não cumulativo e do aumento da tributação do PIS e Cofins decorrente); direito à manutenção da redução da multa de ofício aplicada em cinquenta por cento, apesar da presente Impugnação, porque o Fl. 855DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 856 8 contrário constitui ofensa ao art. 5º, LIV e LV, da Constituição Federal, não sendo lícito que a contribuinte seja punida por ter exercido o seu direito de defesa. Ao final, protestando pela produção de provas por todos os meios em direito admitidos, requer a improcedência total dos dois lançamentos, "afastandose todas as glosas dos créditos realizadas pelo d. agente fiscal, tendo em vista que se referem exclusivamente a insumos diretamente relacionados e consumidos na prestação dos serviços exercidos pela impugnante, possuindo respaldo no art. 3º, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03", ou por "erro na apuração em razão da necessidade de sujeição da impugnante ao regime cumulativo ou, ao menos, seja mantido o desconto do valor da multa em caso de pagamento ou parcelamento após o término do presente processo administrativo". É o relatório." A DRJ/PE em sua decisão de primeira instância, manteve os lançamentos, nos termos da ementa reproduzida abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os serviços de limpeza, conservação, dedetização, manutenção, jardinagem, capinação, adubação, conservação de áreas verdes e manutenção na área da construção civil são tributados pelo regime não cumulativo do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Aquisições de insumos não comprovadas ensejam a glosa e o consequente lançamento da Contribuição, quando apurado saldo devedor ao final do período de apuração. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Excetuadas hipóteses específicas de crédito presumido, no regime não cumulatividade do PIS e Cofins aquisições de bens e serviços de pessoas físicas não dão direito ao crédito. BENS PARA O ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITO APURADO COM BASE NA DEPRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO COM BASE NO VALOR TOTAL DO BEM ADQUIRIDO. Os créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins sobre bens incorporados ao ativo imobilizado são calculados com base nos encargos de depreciação, não se admitindo em seu lugar o valor total bem adquirido. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 857 9 LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTO. CRÉDITO APURADO COM BASE NO VALOR DO ALUGUEL PAGO NO MÊS. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO COM BASE NO VALOR TOTAL DO BEM LOCADO. Os créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins sobre bens locados são calculados com base no valor mensal do aluguel, não se admitindo em seu lugar o valor total bem locado. DESPESAS COM CAFÉS, REFEIÇÕES E LANCHES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO CRÉDITO. O art. 3º, X, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevê créditos de PIS e Cofins em relação ao valerefeição ou vale alimentação, mas não se aplica às despesas com cafés, refeições e lanches. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO PARA PAGAMENTO OU PARCELAMENTO EFETUADO NO PRAZO DE 30 DIAS. HIPÓTESES QUE NÃO SE APLICAM HAVENDO IMPUGNAÇÃO. O art. 6º, incisos I e II, da Lei nº 8.218, de 1991, ao estabelecerem a redução da multa de ofício em 50% (cinquenta por cento) ou em 40% (quarenta por cento) se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias ou se for parcelado o débito tributário, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento, não se aplica na situação em que há impugnação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os serviços de limpeza, conservação, dedetização, manutenção, jardinagem, capinação, adubação, conservação de áreas verdes e manutenção na área da construção civil são tributados pelo regime não cumulativo do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Aquisições de insumos não comprovadas ensejam a glosa e o consequente lançamento da Contribuição, quando apurado saldo devedor ao final do período de apuração. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS. CRÉDITO BÁSICO. IMPOSSIBILIDADE. Excetuadas hipóteses específicas de crédito presumido na não cumulatividade do PIS e Cofins, aquisições de bens e serviços de pessoas físicas não dão direito ao crédito. BENS PARA O ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITO APURADO COM BASE NA DEPRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO COM BASE NO VALOR TOTAL DO BEM ADQUIRIDO. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 858 10 Os créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins sobre bens incorporados ao ativo imobilizado é calculado com base nos encargos de depreciação, não se admitindo em seu lugar o valor total bem adquirido. LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTO. CRÉDITO APURADO COM BASE NO VALOR DO ALUGUEL PAGO NO MÊS. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO COM BASE NO VALOR TOTAL DO BEM LOCADO. Os créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins sobre bens locados é calculado com base no valor mensal do aluguel, não se admitindo em seu lugar o valor total bem locado. DESPESAS COM CAFÉS, REFEIÇÕES E LANCHES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO CRÉDITO. O art. 3º, X, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, prevêem créditos de PIS e Cofins em relação ao valerefeição ou vale alimentação, mas não se aplica às despesas com cafés, refeições e lanches. MULTA DE OFÍCIO. REDUÇÃO DE 50% PARA PAGAMENTO EFETUADO NO PRAZO DE 30 DIAS. HIPÓTESE QUE NÃO SE APLICA HAVENDO IMPUGNAÇÃO. O art. 6º, I, da Lei nº 8.218, de 1991, ao estabelecer a redução da multa de ofício em 50% (cinquenta por cento) se e for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento, não se aplica na situação em que há impugnação. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. Argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade constituem matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário, não sendo utilizadas como fundamento em decisões deste Colegiado. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." Os autos foram distribuídos e pautados conforme Regimento Interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 859 11 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando a tempestividade do Recurso Voluntário, este deve ser conhecido. A lide trata do direito ao crédito na apuração das contribuições de PIS e COFINS sob o regime não cumulativo, matéria recorrente nesta seção de julgamento. De forma majoritária este Conselho segue a posição intermediária entre aquela restritiva, que tem como referência a IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04, normalmente adotada pela Receita Federal e aquela totalmente flexível, normalmente adotada pelos contribuintes, posição que aceitaria na base de cálculo dos créditos das contribuições todas as despesas e aquisições realizadas, porque estariam incluídas no conceito de insumo. Dicotomia que retrata a presente lide administrativa. Portanto, é condição sem a qual não haverá solução de qualidade à lide, nos parâmetros atuais de jurisprudência deste Conselho no julgamento da matéria, definir quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase do processo produtivo eles estão vinculados. Neste caso em concreto há, por parte do contribuinte, importante indício de que os materiais de limpeza são aquisições essenciais ao processo produtivo ou de prestação de serviços de limpeza, conforme objeto social do contribuinte (vide fls. 527). Destacase esta parte da lide uma vez que, sobre as aquisições de materiais de limpeza constantes nas notas fiscais de fls. 538 e seguintes, foi realizada a glosa pela fiscalização. Diante do exposto, votase para que o julgamento seja convertido em diligência para que: o contribuinte seja intimado para juntar laudo atestando a relação dos produtos, que pretendeu auferir crédito, com as suas atividades, com seu processo produtivo e de prestação de serviços e discriminar as respectivas utilizações, em especial dos materiais de limpeza adquiridos conforme notas fiscais de fls. 538 e seguintes. Ao contribuinte deve ser disponibilizado o prazo de 30 dias após ciência da intimação, prorrogado por mais um único período. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 859DF CARF MF Processo nº 13864.720238/201441 Resolução nº 3201000.900 S3C2T1 Fl. 860 12 Fl. 860DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.723736/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE.
Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS.
Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica.
RENDIMENTOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL.
Tributam-se os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos, apurados pelo Fisco, com base nos documentos apresentados e não escriturados no Livro Caixa.
DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE.
A multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, é aplicável no presente lançamento de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte, a fim de reduzir indevidamente os tributos devidos.
Numero da decisão: 2402-005.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL. Tributam-se os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos, apurados pelo Fisco, com base nos documentos apresentados e não escriturados no Livro Caixa. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, é aplicável no presente lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte, a fim de reduzir indevidamente os tributos devidos.
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Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Invocando uma presunção legal de omissão de rendimentos, fica a autoridade lançadora dispensada de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo ao contribuinte o ônus da prova. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Face aos elementos constantes dos autos, é de se manter a majoração dos rendimentos tributáveis incluídos no lançamento, correspondente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica. RENDIMENTOS PROVENIENTES DA ATIVIDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 37 36 /2 01 3- 61 Fl. 5472DF CARF MF 2 Tributamse os rendimentos provenientes da atividade rural omitidos na declaração de rendimentos, apurados pelo Fisco, com base nos documentos apresentados e não escriturados no Livro Caixa. DESPESAS DE CUSTEIO E INVESTIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. As despesas que se autoriza excluir das receitas para apuração do resultado tributável, além de necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, devem estar devidamente comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE. A multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, que consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, é aplicável no presente lançamento de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte, a fim de reduzir indevidamente os tributos devidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci e Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 5473DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.473 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 5433 a 5468) interposto contra decisão proferida no Acórdão 1658.581 18ª Turma da DRJ/SPO (Fls. 5404 a 5427) onde, por unanimidade de votos, julgou a Impugnação (fls. 5336 a 5367) improcedente, mantendose a integralidade do crédito tributário relativo a apuração de IRPF, Juros e Multa, no montante de R$ 4.926.379,57 incidente sobre rendimentos omitidos. Em suma, a Auditora Fiscal constatou haver movimentação financeira 10 vezes superior ao valor declarado pelo Recorrente nas DIRPF dos anos calendários 2008 e 2009. Em decorrência de tal constatação o Recorrente foi regularmente intimado por diversas vezes à apresentar documentos bancários referentes e justificar discrepâncias tendo tido ampla participação na apuração dos possíveis fatos geradores. O Recorrente, ainda na fase fiscalizatória, apresentou justificativas das operações conforme Fls 3385 a 3393. Considerando tais justificativas e as análises documentais, a Auditora Fiscal entendeu por presente os elementos necessários a realização dos lançamentos: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS 0002 OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Os fundamentos de tais lançamentos pode ser verificados no relatório fiscal de Fls 5307 a 5328. Inconformado, o Recorrente apresentou impugnação com os seguintes tópicos: Em preliminar requer: Reconhecimento de nulidade do Auto de Infração, tendo em vista que o mesmo foi decorrência de presunção não tendo o fisco comprovado que tais operações seriam rendimentos omitidos; No mérito alegou: Inocorrência de omissão ou composição indevida da base de calculo do IRPF, sendo indevidas a desconsideração de provas juntadas, a transferência do ônus da prova e a presunção adotada pelo fisco. Alega a impossibilidade de revisão de lançamento tributário com base em indícios, por afrontar o Art. 149 do CTN. Fl. 5474DF CARF MF 4 Disserta quanto ao caráter confiscatório da Multa aplicada, que não estaria em consonância com a moderna jurisprudência do STJ. Em conclusão, pede o reconhecimento da nulidade, o afastamento dos lançamentos realizados e multas aplicadas, e, alternativamente, a redução das multas ao percentual de 25% com base em entendimento jurisprudencial quanto aos limites confiscatório. O acórdão, por unanimidade não acolheu as razões impugnatórias por entender não estarem comprovadas a natureza das operações e não oponíveis os fundamentos doutrinários e jurisprudenciais apresentados pelo contribuinte, decidindo por manter a integralidade do crédito tributário e respectivas sanções. Seguindo na lide, em seu recurso, apenas reitera os argumentos utilizados na Impugnação. Em complementação a narrativas de fatos e fundamentos registrados neste relatório até o momento, transcreveremos parte do relatório da decisão recorrida: "Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5291/5306, que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 4.926.379,57, sendo que R$ 2.263.067,76 a título de imposto, R$ 883.161,11 a título de juros de mora, calculados até 11/2013, e R$ 1.780.150,70 a título de multa proporcional. A presente Ação Fiscal teve início com o termo do Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.06.002012000755, decorrente de procedimento fiscal referente às DAA Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda em nome do contribuinte, relativos aos exercícios 2009 e 2010, anoscalendário 2008 e 2009. Comparando as Declarações de Ajuste Anual apresentadas com as informações oriundas do banco de dados da Receita Federal do Brasil, constatouse que, nos anoscalendário sob ação fiscal, a movimentação financeira do contribuinte foi, aproximadamente, dez vezes maior do que os rendimentos por ele declarados. Foi emitido Termo de Início de Procedimento Fiscal, em 10/02/2012, no qual o contribuinte foi intimado a apresentar extratos bancários mensais das movimentações bancárias mantidas junto a todos os bancos nos quais possuísse conta como titular ou cotitular (Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados Carlos Barbosa, do Banco do Brasil S/A, da Caixa Econômica Federal, do Banco Real S/A, do Bradesco S/A e do Banco Santander S/A), do período de 01/01/2008 a 31/12/2009. Solicitouse também os informes de rendimentos anuais fornecidos pelas instituições financeiras e informação sobre a existência de outros titulares nas contas bancárias de sua titularidade. Posteriormente, foram emitidos Termos Fiscais nos quais o contribuinte foi intimado a complementar documentação e comprovar, individualmente, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias de sua titularidade, mantidas junto ao Banco do Brasil S/A Fl. 5475DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.474 5 – agência 04863, conta corrente 13.5674; Banco Bradesco S/A – agência 1775 conta 39.9132; Banco Real S/A – agência 0095 conta corrente 6.7359897, conforme planilhas anexas ao Termo de Intimação Fiscal nº 004 (fls. 635/654), elaboradas com base nos extratos bancários fornecidos pelo contribuinte em cumprimento de Intimação Fiscal. Após intimações realizadas diretamente a algumas instituições financeiras, autorizadas pelo próprio contribuinte, e análise de todos os argumentos, esclarecimentos e elementos de prova apresentados e colhidos durante o procedimento fiscal, foi lavrado o presente auto de infração, com as seguintes infrações e os seguintes valores, conforme constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração de fls. 5291/5306: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/05/2008 34.053,64 75,00 30/06/2008 29.000,00 75,00 31/07/2008 15.742,30 75,00 31/08/2008 14.000,00 75,00 30/09/2008 21.000,00 75,00 31/10/2008 23.984,00 75,00 30/11/2008 6.000,00 75,00 31/01/2009 11.000,00 75,00 31/03/2009 29.436,00 75,00 30/04/2009 16.900,00 75,00 31/05/2009 34.248,64 75,00 30/06/2009 7.000,00 75,00 31/07/2009 28.200,00 75,00 31/08/2009 37.500,00 75,00 30/09/2009 35.696,00 75,00 31/10/2009 66.782,02 75,00 30/11/2009 87.019,25 75,00 Fl. 5476DF CARF MF 6 31/12/2009 51.250,00 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 37, 38, 45 e 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/1999; Art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482, de 31 de maio de 2007, com redação dada pela Lei nº 11.945/2009 para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009. b) Omissão de Resultado Tributável da Atividade Rural Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/12/2008 246.754,14 150,00 31/12/2009 154.942,18 150,00 Enquadramento Legal: Arts. 57 a 62, 71 e 83 do RIR/1999; Arts. 1º a 8º e 13 a 22 da Lei nº 8.023/1990; Arts. 9, 17 e 18 da Lei nº 9.250/1995; Art. 59 da Lei nº 9.430/1996; Art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482, de 31/05/2007, com redação dada pela Lei nº 11.945/2009 para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009. c) Omissão de Rendimentos Caracterizados por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Fato Gerador Valor Apurado Multa (%) 31/01/2008 215.358,04 75,00 28/02/2008 356.940,86 75,00 31/03/2008 334.412,09 75,00 30/04/2008 313.823,07 75,00 31/05/2008 344.239,63 75,00 30/06/2008 580.615,36 75,00 31/07/2008 409.211,33 75,00 31/08/2008 539.133,88 75,00 30/09/2008 427.237,46 75,00 31/10/2008 635.187,15 75,00 30/11/2008 394.376,42 75,00 31/12/2008 618.064,20 75,00 31/01/2009 477.676,80 75,00 Fl. 5477DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.475 7 28/02/2009 473.749,98 75,00 31/03/2009 399.706,87 75,00 30/04/2009 283.597,50 75,00 31/05/2009 5.000,00 75,00 30/06/2009 9.136,75 75,00 31/07/2009 77.557,35 75,00 31/08/2009 53.069,00 75,00 30/09/2009 140.811,64 75,00 31/10/2009 13.298,00 75,00 30/11/2009 80.978,65 75,00 31/12/2009 95.647,10 75,00 Enquadramento Legal: Arts. 37, 38, 83 e 849 do RIR/1999 e art. 58 da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172/66 e art. 42 da Lei nº 9.430/96; Art. 1º, inciso II e parágrafo único da Lei nº 11.482, de 31/05/2007, com redação dada pela Lei nº 11.945/2009 para os fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 a 31/12/2009. Quanto às multas aplicadas, para os depósitos bancários de origem não comprovada e a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica representados pelas transferências bancárias da empresa Monte Castelo Participações Empresariais Ltda. foi aplicada a multa de ofício de 75% com base no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Para a omissão de resultado tributável da atividade rural foi qualificada a multa de ofício, aplicandose o percentual de 150%, conforme determina o §1º do art. 44, acima citado, tendo em vista, em tese, prática de sonegação, prevista no art. 71 da Lei nº 4.502/1964. Foi elaborada, ainda, representação fiscal para fins penais (processo nº 11020.723742/201318), por dever de ofício e cumprindo o que determina o art. 1º da Portaria RFB nº 665, de 24/04/2008. Todos os procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 5307/5328. Fl. 5478DF CARF MF 8 Cientificado do lançamento em foco em 12/11/2013, conforme fl. 5.332, o interessado apresentou impugnação de fls. 5336/5367, em 09/12/2013, aduzindo, em síntese, o que se segue: 1) RAZÕES PRELIMINARES Da Nulidade: O Fisco presumiu que todos os valores provenientes do desconto de títulos pela Monte Castelo representaram omissão de rendimento recebido pelo Impugnante de pessoa jurídica. Entretanto, o Fisco deveria apontar, de forma discriminada, quais os rendimentos foram dirigidos ao Impugnante, e determinar quais os seus valores, a fim de apurar a real base de cálculo, pois a tributação deve ocorrer de forma objetiva, não sendo crível presumir que toda e qualquer movimentação bancária do Impugnante referese a rendimentos recebidos da Monte Castelo. É esse o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF. 2) O mesmo foi feito em relação à apuração do resultado tributável da atividade rural. O ônus da prova cabe integralmente ao Fisco e sob tais condições o auto de infração padece de vício de origem, pelo que o mesmo não pode subsistir, com sua nulidade sendo reconhecida a partir do julgamento da impugnação. 3) Aplicandose o artigo 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, o artigo 145, III, do Código Civil de 1916, o artigo 166, IV do Código Civil de 2002 e a Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal, devese determinar a anulação e o arquivamento do auto de infração, eis que restou demonstrada a ilegalidade e inconstitucionalidade do mesmo. A manutenção da pretensão fiscal afronta ainda o Princípio da Legalidade Tributária, previsto no artigo 150, I, da Constituição Federal de 1988 e confirmado pelo artigo 9º, I, do Código Tributário Nacional. 4) RAZÕES DE MÉRITO: A autoridade fiscal não produziu prova capaz de desqualificar a documentação apresentada pelo Impugnante durante o longo procedimento fiscal. O Impugnante só não comprovou documentalmente a origem das receitas quando tal prova lhe era impossível e, nesses casos, o Fisco não diligenciou no sentido de obter tais provas. 5) Atendendo a fiscalização, apresentou um grande volume de documentos, que demonstram que inocorreu a omissão alegada, inclusive com a comprovação, via notas fiscais, da origem devidamente comprovada. As operações junto a empresas de fomento, que nada de ilegal possuem, foram devidamente comprovadas por documentos fornecidos, inclusive pelas próprias empresas, de modo que tais receitas têm origens devidamente comprovadas. 6) O Fisco desconsiderou documentos apresentados como comprobatórios de despesas da atividade rural – tais como, por exemplo, os extratos fornecidos pela CEF que comprovam o Fl. 5479DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.476 9 pagamento do FGTS dos empregados e as constas de serviços de comunicação, que são despesas necessárias à atividade, pois correspondem ao serviço de rastreamento de caminhões que transportam os produtos rurais. 7) Faltou, no proceder do Fisco, a comprovação não só dos próprios indícios, mas também do nexo de casualidade entre os indícios e os fatos por ele presumidos, que teriam dado origem ao suposto débito tributário. Todo trabalho fiscal está baseado em presunção simples. 8) Trazendo a previsão legal de hipótese de incidência do Imposto Sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza apresentada no art. 43 do CTN, para o caso dos autos, fica evidente a ausência de qualquer fundamento em caracterizar como omissão de receitas por parte do impugnante. 9) É necessário considerar o quanto dispõe a teoria da Carga Dinâmica da Prova (ou Distribuição Dinâmica dos Ônus Probatórios), esmiuçada por Antônio Janyr Dall’Agnol Junior, na qual caberia ao Fisco buscar os documentos necessários, a fim de verificar as informações prestadas pelo Impugnante, pois tem em mãos melhores condições e ferramentas para a realização da prova. 10) Meras alegações, ou mesmo a vontade pessoal da autoridade tributária não servem para desconstituir a prova documental apresentada pelo Impugnante, lançando alegado crédito sem qualquer lastro, baseado somente em presunções simples que não substituem as provas. 11) O impugnante não apresentou meras alegações, apresentou documentos que comprovaram tais alegações, mas que foram, injustificadamente, ignoradas pelo Fisco, em prol de uma tributação sem fundamento fático e legal. 12) Deve ser afastada a pretensão fiscal de descaracterizar os documentos apresentados pelo Impugnante como capazes de comprovar a origem das receitas e das despesas de custeio. 13) Foi a ocorrência, no entendimento do Fisco, de simulação e fraude com intuito de sonegação (inciso VII do art. 149 do CTN) que levaram o Fisco a revisar de ofício o lançamento do IRPF do Impugnante. Não há em todo o processo administrativo qualquer prova de que o Impugnante tenha agido de forma espúria, simulando fatos com intuito de fraudar. 14) Do caráter confiscatório da multa aplicada conforme o moderno entendimento que se desenha no Supremo Tribunal Federal e a interpretação mais benéfica ao contribuinte: O impugnante não cometeu qualquer ato afrontoso à legislação tributária e não está sujeito a qualquer sanção. Entretanto, além de Fl. 5480DF CARF MF 10 impor ao impugnante tributação indevida, ainda o fez impondo concomitantemente, multas de 75% e 150%. 15) Se houvesse ilícito a punir, haveria de ser respeitado, pelo menos, um mínimo de proporcionalidade entre o montante do fato e da multa. Verificase a aplicação de multa em percentual elevadíssimo e desproporcional, sabendo que há previsão no ordenamento jurídico de multa no patamar de 20%. O art. 112 do CTN apresenta de forma expressa o princípio do in dúbio contra fiscum, ou, em outras palavras, determina a utilização de uma interpretação mais favorável ao contribuinte em caso de dúvida no julgamento. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal recentemente decidiu que a sanção no percentual de 25% já tem característica de confisco." É o relatório. Fl. 5481DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.477 11 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade Cientificando da decisão da DRJ em 27/06/14 (Fl 5431), o Recorrente interpôs tempestivamente seu Recurso Voluntário em 24/07/14 (Fl. 5433), estando presentes as demais condições de admissibilidade entendemos que o recurso merece ser conhecido. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE O Recorrente alega nulidade do lançamento alegando que o mesmo é decorrência de presunção, não tendo o fisco comprovado que tais operações seriam rendimentos omitidos. A nulidade, no âmbito do processo administrativo fiscal está regida pelo Art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Medida Provisória nº 367, de 1993)" Como é possível perceber, a nulidade alegada não encontra acolhimento claro na legislação de referência, não sendo tal alegação um caso de nulificação do auto de modo preliminar. De tal feita, votamos pelo não acolhimento da preliminar. Fl. 5482DF CARF MF 12 3. MÉRITO 3.1. QUANTO A ALEGAÇÃO DE INOCORRÊNCIA DE OMISSÃO OU COMPOSIÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO E DE IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE LANÇAMENTO COM BASE EM INDÍCIOS, POR AFRONTAR O ART. 149 DO CTN. O recorrente resiste a perfectibilização dos seguintes lançamentos: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS 0002 OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Ocorre que a metodologia de apuração adotada é aquela de trata o Art. 42 da Lei 9.430/96. Nesse sentido, o Recorrente alega ter comprovado com documentação hábil e idônea as operações tomadas como base para os lançamentos combatidos, sendo indevida a desconsideração de provas juntadas, a transferência do ônus da prova e a presunção adotada pelo fisco. Do ponto de vista da legalidade do regime de apuração em questão nos posicionamos pela legalidade do mesmo. No que tange a prova de omissão de rendimentos tributáveis a Lei 9.430/96 Art. 421, atribuí ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação hábil, idônea e 1 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 5483DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.478 13 de forma individualizada, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento registrada em seu nome e mantida em instituição financeira. Após o contribuinte ser intimado à comprovar à origem das operações, a conseqüência normativa da não demonstração de tal origem é a presunção juris tantum de que tais recursos representam receitas ou rendimentos omitidos pelo mesmo, devendo ser oferecidos à tributação. Conforme dispositivo citado, tal comprovação deve ser realizada por meio de documentos hábeis e idôneos, de modo detalhado e individualizado, permitindo a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. A caracterização de disponibilidade de renda, nestes casos, reside na conjunção da verificação de existência de depósitos em conta corrente ou de investimento2, notificação ao contribuinte para prestar esclarecimentos, contendo individualização dos depósitos a serem comprovados e ausência de comprovação com documentação hábil e idônea. Uma vez presente tais elementos, será estabelecida a presunção de renda, ficando o fisco dispensado de comprovar o consumo da renda, conforme Súmula CARF nº 26: "Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada." Quanto a legalidade do procedimento previsto no Art. 42 da Lei nº 9.430/96 o STJ tem se manifestado quanto a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242) e se posicionado no sentido da licitude do citado dispositivo: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). 2 O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 61. Fl. 5484DF CARF MF 14 [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015)" Quanto ao argumento de que tal expediente fere o disposto no Art. 149 do Código Tributário Nacional, entendemos que este dispositivos justifica o procedimento adotado pela autoridade fiscal e não o contrário. Senão, vejamos o que dispõe o citado normativo: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; (...) Como se percebe o dispositivo prevê uma série situações jurídicas aptas a permitir a realização ou revisão de lançamento mesmo quando o contribuinte já tenha prestado declaração. No caso em análise, a revisão é pressuposto do lançamento, pois, tratase lançamento por homologação e, conforme Art. 150 do mesmo normativo oposto pelo Recorrente, sujeito a revisão de oficio. "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa." Portanto, não há que se falar em qualquer afronta a lei capaz de macular o lançamento combatido. Em sede de recurso o Recorrente não tratou de indicações de fato e detalhamentos individualizados das operações, entretanto, alegou ter comprovado a origem das operações. Fl. 5485DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.479 15 Desta feita, afastados os argumentos meramente jurídicos, cabe a analisar a questão do ponto de vista fático verificando se os documentos acostados aos autos seriam hábeis e idôneos para comprovar as operações em questão. Analisaremos os documentos em função das respectivas autuações a que deram causa. 3.2. 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Para efetuar parte dos lançamentos, a autoridade fiscal, considerou as transferências bancárias efetuadas da conta corrente 38.9102, junto ao Banco Bradesco S.A, em nome da empresa Monte Castelo Participações Empresariais Ltda e diversos descontos de cheques da citada empresa. Conforme planilhas de fls. 5058/5060, foram efetuadas em beneficio do contribuinte, nas contascorrentes nº 13.5674, agência 04863, do Banco do Brasil, conta 39.9132, agência 1775, do Banco Bradesco S/A, e conta corrente 6.7359897, agência 0095, Banco Real S/A. O Recorrente alega que tais movimentações referemse a descontos de cheques que tomava “emprestado” da empresa Monte Castelo Participações Ltda – CNPJ 08.626.843/000100, da qual era sócio na época, o mesmo ocorrendo com cheques da nora (Marinei) e um sócio antigo (Ari Bueno). Revisamos os documentos relativos as essas operações e apuramos que os Livros Diário e Razão (fls 3586 a 4009) da empresa Monte Castelo Participações Empresariais Ltda, e confirmamos que, nos exercícios 2008 e 2009, não constam registros dos citados empréstimos. Também não constam registros de tais empréstimos em seu LivroCaixa de Produtor Rural (3401 a 33.585). Não foram juntados contratos de empréstimos, suas declarações de imposto de renda Pessoa Física não registram tais dividas, tão pouco foram apresentados outros documentos hábeis e idôneos capazes de firmar a veracidade das alegações do Recorrente quanto a natureza de empréstimo atribuída a tais operações. Quanto as transferências bancárias, o Recorrente alegou (fls 2245, item 6º) que: “Existiam transferências entre a conta da pessoa jurídica Monte Castelo Participações e a conta do SR. Vasco. Estas eram efetuadas após o depósito de cheques do Sr. Vasco na conta da empresa, unicamente com o intuito de gerar caixa” e mais uma vez a contabilidade não da suporte a alegação. Quanto a alegação de que a empresa citada, da qual era administrador, realizava operações de descontos de títulos e no mesmo dia ou dia seguinte os transferia para a conta do Recorrente, não identificamos registros contábeis de tal ressarcimento ou mesmo de créditos lançados contra o Recorrente, o que seriam um indicativo de que haveria a intenção de ressarcimento dos créditos. Portanto, também não é possível considerar tais alegações válidas. Diante de tais elementos, não são os documentos acostados, hábeis e idôneos ao suporte das alegações do Recorrente, razão pela qual votamos no sentido de manter a Fl. 5486DF CARF MF 16 integralidade do lançamento decorrente de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. 3.3. 0002 OMISSÃO DE RESULTADO TRIBUTÁVEL DA ATIVIDADE RURAL No que se refere às operações decorrentes de Atividade Rural tidas por omitidas, revisamos toda a documentação referente e, de fato, não foi possível identificar em suas declarações de livrocaixa as notas fiscais de fls 5194 a 5199, o que altera a composição de sua renda decorrente da atividade rural. Quanto as operações glosadas, de fato existem operações que não seriam típicas da Atividade Rural. Citamos, apenas como exemplo, a Nota Fiscal de Fls 5094 referente a bens de uso doméstico como colher de arroz e saladeira. Revisitado os documentos que deram base a este lançamento, verificamos serem procedentes a indicação de existência de lançamentos duplicados, a maior, notas diversas do declarado e despesas não dedutíveis como juros de descontos de cheques, IOF e valores de consórcios não contemplados. Apenas para exemplificar tomemos as parcelas de consórcio e lances registrados como despesas dedutíveis no livrocaixa. Verificase que, apesar de existir na folha nº 4427 nota fiscal de veículo compatível com o descrito na ficha de consórcio juntada nas folhas 4424 a 4426, a data da respectiva nota está ilegível e não existe comprovação de que o mesmo tenha utilização na atividade rural, portanto, não sendo possível considerar tais documentos como hábeis e idôneos a comprovação da operação glosada. O registro de tal operação como despesa somente poderia acontecer nos termos do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/1999, art. 62, §§ 5º e 6º, ou seja, somente após o recebimento do bem e desde que o uso do veiculo seja dedicado a atividade rural. Enquanto não contemplado, os pagamentos devem ser registrados na ficha de Bens da Atividade Rural, não servindo a composição de resultados. Diante do exposto, votamos por rejeitar os argumentos autorais e manter a integralidade do lançamento neste ponto. 003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O Recorrente foi intimado a comprovar a origem de créditos/depósitos efetuados em suas contascorrentes ou de investimento nos anoscalendário de 2008 e 2009, sendo o único titular de tais contas. O mesmo alegou que tais operações tem origem na venda produtos rurais, tendo o agente fiscal realizados diligências e comprovado parte das alegações, restando ainda outras operações sem comprovação, conforme folhas 5037 a 5056. Entretanto, apesar das alegações de que as operações descritas na tabela existente na folha 5057 estarem comprovadas por notas fiscais, não foi possível traçar um paralelo entre tais notas e os depósitos, não havendo identidade datas e valores, razão pela qual não será possível acolher tais alegações. 004 CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Fl. 5487DF CARF MF Processo nº 11020.723736/201361 Acórdão n.º 2402005.797 S2C4T2 Fl. 5.480 17 O recorrente, por fim, disserta quanto ao caráter confiscatório da Multa aplicada, alegando que não estaria em consonância com a moderna jurisprudência do STJ, entendendo que o percentual adequado seria de 25% com base em entendimento jurisprudencial quanto aos limites confiscatório. A invocação de princípios como a proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao confisco conduzem a questão a uma análise de natureza constitucional, portanto, fora dos limites de competência deste colegiado conforme Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, à exceção do disposto em seu § 6º, vedou expressamente aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se enquadrando o caso em exame em nas hipóteses excepcionadas, aplicase a Súmula CARF nº 2: "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ante ao exposto, votamos no sentido de não acolher este argumento Conclusão Ante o exposto, VOTO por rejeitar as preliminares e no Mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 5488DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720202/2015-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.018
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência para que a unidade local vincule este processo ao de nº 19311.720203/2015-25, de modo que ambos sejam encaminhados à Primeira Seção, competente para o julgamento dos mesmos nos termos § 4º do artigo 6º do RICARF.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Relatório
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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(Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente em exercício. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Autos de Infração para cobrança de valores devidos a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), bem como juros de mora e multa de ofício. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do relatório do acórdão recorrido in verbis: (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .7 20 20 2/ 20 15 -8 1 Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 334 2 2. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante do Auto de Infração em foco, a autoridade fiscal descreveu a infração praticada segundo abaixo: 2.1 O Termo de Verificação Fiscal (fls. 11971226) detalhou e contexto da ação fiscal em análise: Do lançamento do IPI 2.1.1. O procedimento fiscal foi instaurado para apurar a regularidade fiscal relativa ao IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IPI, nos anoscalendários 2011 e 2012. 2.1.2. De acordo com o contrato social, a pessoa jurídica autuada tem como objeto a fabricação de equipamentos industriais e industrialização par a terceiros. O quadro societário é formado pelos Srs. José Ailton Macedo Dias e Paulo Ricardo Torres, os quais detêm, respectivamente, 99% e 1% das cotas. 2.1.3. No que atine ao IPI, foi constatado que a escrituração contábil apresentava valores compatíveis com os valores escriturados nos Livros Fiscais de Registro de Saídas e Livro de Apuração do IPI, apresentados pelo sujeito passivo. A partir de tais informações foi elaborado para o período autuado demonstrativo detalhando as vendas de produtos e de serviços e o total mensal. 2.1.4. Confrontando os dados do Livro de Apuração do IPI, referente aos anos calendários 2011 e 2012, com as informações prestadas na DCTF (Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais), a Fiscalização constatou que apesar de escriturar e apurar o IPI, o sujeito passivo deixou de declarar e recolher o referido tributo, situação que deu motivo ao lançamento de ofício. (...) Da responsabilidade solidária 2.1.5. A autoridade autuante vinculou, como responsáveis solidários pelo crédito tributário, o sócio e representante legal Sr. José Ailton Macedo Dias e as pessoas jurídicas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda), nos termos do artigo 124, inciso I combinado com o artigo 135, inciso III da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), pelas seguintes justificativas: (i) A REMEC teria deixado de declarar e recolher tributos, nos anos calendários 20112012, de forma contínua e reiterada, como por exemplo, em relação ao IPI, para o qual não houve declaração ou recolhimento para nenhum período de apuração. (ii) Intimado a apresentar extratos bancários, entre outros documentos, o sujeito passivo (REMEC) apresentou, inicialmente, apenas extratos referentes à movimentação bancária mantida no Banco Itaú S/A, sendo Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 335 3 que os valores movimentados em tal conta corrente estariam compatíveis com o faturamento da empresa. (iii) Após diversas outras intimações para apresentar os extratos bancários das demais contas correntes, o sujeito passivo apresentou extratos referentes à contacorrente mantida junto ao Banco Bradesco S/A, a qual não estava registrada na sua contabilidade. (iv) Diligências Fiscais realizadas junto aos Cartórios de Registro de Documentos em Jundiaí SP confirmaram a existência de procurações outorgando poderes para que terceiros pudessem movimentar contas bancárias da REMEC, conforme trechos transcritos a seguir: “Procuração lavrada em 14/01/2010 no Cartório do 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Várzea Paulista SP, registrada sob o protocolo n° 00013005, Livro 0402, Folha 030, constando como OUTORGANTE o Sujeito Passivo, representado pelo sócioproprietário Sr. José Ailton Macedo Dias CPF 675.064.29853 e como OUTORGADOS as pessoas jurídicas Máximum Fomento Mercantil Ltda CNPJ 07.045.654/000180 e Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda CNPJ 07.721.591/000135, nos seguintes termos: ... a quem confere os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para o fim especial de, em conjunto ou isoladamente, representála perante o Banco Bradesco S/A, [...]. Procuração lavrada em 22/12/2010 no Cartório do 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Títulos de Várzea Paulista SP, registrada sob o protocolo n° 00013748, Livro 0412, Folha 018), constando como OUTORGANTE o Sujeito Passivo, representado pelo sócioproprietário Sr. José Ailton Macedo Dias CPF 675.064.298 53, nomeando e constituindo como Procuradores: Grupo A: Maximum Fomento Mercantil Ltda CNPJ 07.045.654/000180; Agamenone Callegari Júnior CPF 127.546.35840; Hélio Nilson Pornoi CPF 667.498.91853; Marcos Roberto Giacomelli CPF 085.504.72832 e Marco Aurélio Zago CPF 047.247.49873. Grupo B: Aparecido Antônio de Lima CPF 774.477.78834; Zilda de Souza Gaspar CPF 061.402.34832. Pelo presente instrumento a OUTORGANTE nomeia e constitui os OUTORGADOS, como seus bastantes procuradores, com poderes para, sempre em conjunto de 02 (dois), sendo obrigatoriamente um procurador do Grupo A, juntamente com um procurador do Grupo B, epresentála perante todas as instituições financeiras,[...].” (destaques incluídos)." (v) Instada a esclarecer a falta de escrituração contábil da conta corrente mantida no Bradesco, a comprovar a origem dos valores movimentados e o vínculo existente com a Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e a Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda), a REMEC informou que: (a) Firmou, inicialmente, acordo para realização de serviços de factoring (desconto de título de sua emissão) com a pessoa jurídica SILVERADO, a qual, posteriormente, passou a fazer parte da sua gestão financeira. (b) Não tinha acesso à conta corrente mantida no Banco Bradesco S/A, que não tinha conhecimento a que se referia tal movimentação e que desconhecia onde eram aplicados os volumosos recursos movimentados. (c) O objetivo inicial da conta corrente no Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 336 4 Banco Bradesco S/A era para que a empresa de factoring utilizasse esta conta para receber o pagamento dos títulos descontados pela REMEC. (vi) A análise dos extratos bancários constata que os históricos dos lançamentos de créditos e débitos efetivamente não são usuais para uma empresa industrial e comercial, que é o caso da REMEC. Aparentemente são lançamentos referentes a fundos de investimento. Além disso, também seriam atípicos os valores individuais dos lançamentos, haja vista que as escriturações contábil e fiscal da REMEC demonstram que as operações comerciais individuais desta empresa são em montante muito inferiores que os representados pelos mencionados lançamentos. (vii) Com base nestas informações, a autoridade fiscal concluiu que: (a) Os recursos movimentados no Banco Bradesco S/A pertenceriam, efetivamente, às empresas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda). A REMEC figuraria como interposta pessoa. (b) Existe uma confusão patrimonial, na qual duas empresas, Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) mantiveram volumosos recursos em conta corrente bancária de uma terceira empresa, no caso a REMEC. (c) As empresas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) tinham interesse comum nas operações e funcionamento da empresa Remec Equipamentos Industriais, pois, caso contrário não movimentariam volumosos recursos em sua conta corrente bancária. 2.1.6. Ao constatar que o crédito tributário consolidado de responsabilidade do sujeito passivo ultrapassou 30% do patrimônio declarado e é superior a R$ 2.000.000,00, a autoridade fiscal procedeu ao Arrolamento de Bens e Direitos no patrimônio do sujeito passivo e dos responsáveis solidários. 3. Do lançamento, a autuada tomou ciência em 20/10/2015, data em que também foram cientificados o sócio José Ailton Macedo Dias e as pessoas jurídicas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda). Da impugnação da REMEC e do sócio José Ailton Macedo Dias 4. A pessoa jurídica REMEC apresentou a sua impugnação em 18/11/2015, conjuntamente com o sócio Sr. José Ailton Macedo Dias (instrumentos de mandado às fls. 13261353), alegando em apertada síntese: Da alegação de ilegitimidade do sócio José Ailton Macedo Dias 4.1. Em sede preliminar, suscitou ilegitimidade de figurar como responsável solidário da exigência tributária, visto que não teria dado causa à infração. Asseverou que a responsabilidade prevista no art. Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 337 5 135, inc. III, do CTN, impõe comprovação da prática de atos infracionais, recaindo no Fisco o ônus da prova, o que não restou atendido no caso em apreço. 4.2. Sustentou que o lançamento se baseou no suposto não recolhimento de IPI e quanto a tal situação, a Súmula 430 do STJ é cristalina em dispor que: "O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente." 4.3. Indagou qual teria sido a prática de excesso de poder tomada pelo sócio proprietário e não explicitada pelo Fisco? 4.4. Alegou ter agido de boafé, vez que outorgou poderes a terceiros para movimentarem sua conta corrente visando, unicamente, ao pagamento dos títulos descontados, e não para movimentar vultosas somas de dinheiro, movimentações estas referentes a lançamentos de fundos de investimentos, o que teria colocado ambos impugnantes (REMEC e JOSÉ AILTON) à mercê das diretrizes e desmandos das empresas SILVERADO e ITAIPU, fato que adveio dos Instrumentos de Confissão de Dívida que mantinham a REMEC sob o poder da gestão financeira das mencionadas pessoas jurídicas, as quais devem ser responsabilizadas pela satisfação do débito fiscal exigido. Do arrolamento de bens 4.6. Requereu o cancelamento do arrolamento de bens, pois o mesmo se ampara na Lei nº 9.532, de 1997, que é inconstitucional, tanto do ponto de vista formal, quanto do material, vez que tal procedimento fere as garantias fundamentais do devido processo legal, da ampla defesa e do direito de propriedade. Da interposição da REMEC 4.7. Disse que, em 2009, ao firmar acordo comercial de factoring com as empresas SILVERADO e ITAIPU, para possibilitar a manutenção de seu capital de giro, teria havido a exigência da abertura da contacorrente no Banco Bradesco, para o desconto de seus títulos. Contudo, neste mesmo ano, observando a dificuldade financeira enfrentada pela REMEC, as citadas pessoas jurídicas obrigaram o sócio José Ailton firmar Instrumento Particular de Confissão de Dívida e Constituição de Penhor Industrial e Veicular para a liberação dos valores relativos ao desconto de títulos. Posteriormente, já em 2010, as empresas SILVERADO e ITAIPU teriam condicionado a liberação de recursos proveniente das operações de factoring à outorga de plenos poderes para a movimentação da conta do Banco Bradesco. 4.8. Asseverou que, com a manutenção do quadro de prejuízos e dívidas, paulatinamente as pessoas jurídicas SILVERADO e ITAIPU passaram a praticar atos de gestão na REMEC, situação que teria tomado proporções gigantescas, até o ponto do sócio proprietário José Ailton ser proibido de praticar diversos atos de gestão, sem autorização daquelas empresas, tais como: compra de insumos e matériaprima, pagamento dos salários dos empregados, exercer a gerência e administração financeira de suas entradas e respectivas destinações de valores, efetuar o pagamento de encargos sociais e fiscais. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 338 6 4.9. Sustentou que as empresas SILVERADO e ITAIPU devem ser responsabilizadas das exigências tributárias, uma vez que agiram de máfé execrando princípios fundamentais do direito, utilizandose de poderes mandatários públicos, para praticarem toda sorte de procedimentos financeiros e administrativos contra a empresa REMEC. 4.10. Justificou que nesses casos de fraude, em que a pessoa jurídica funciona apenas como escudo de proteção para ocultar o verdadeiro realizador do fato imponível, a solução é direcionar o lançamento contra o administrador oculto que também é sujeito passivo. Nestes termos, requereu o arrolamento de bens em nome dos administradores das empresas SILVERADO e ITAIPU. 4.11. Disse que é imprescindível, também, que ocorra o exaurimento da via administrativa contra as empresas beneficiárias da fraude, devendo estas serem mantidas no procedimento administrativo fiscal sob pena de se alegar, posteriormente, que jamais integraram a relação jurídico tributária, não figurando como devedor de qualquer tributo. Daí porque imprescindível a sua manutenção na autuação. Da exigência do IPI 4.12. Acerca da exigência do IPI lançada, alegou equívoco na definição dos sujeitos passivos, visto que dentro do fato gerador compreendido entre 30/01/2011 a 31/12/2012, as empresas SILVERADO e ITAIPU eram as mandatárias legais das movimentações bancárias realizadas na agência 3.3952, contacorrente 17.1786, do Banco Bradesco, onde aplicavam, sem a autorização expressa da REMEC volumosos recursos em Fundos de Investimento. 4.13. Justificou que, por agirem com excesso de poderes, tais empresas arredaram a administração e o gerenciamento da REMEC, tendo apresentado farta documentação probatória (confissões de Dividas, cópia do Inquérito Policial, emails que demonstram as reportadas ingerências). Da defesa da Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) 5. As pessoas jurídicas Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda) apresentaram, conjuntamente, impugnação em 19/11/2015 (instrumentos de mandado às fls. 15981624), alegando em apertada síntese: 5.1. Argüiu a nulidade do procedimento fiscal, haja vista que o Fisco não teria intimado previamente as defendentes para prestar esclarecimentos, em observância aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. 5.2. Justificou que nunca tiveram nenhum interesse na REMEC; nunca administraram nenhum bem ou interesse da REMEC; nunca praticaram um ato sequer (um mínimo ato que fosse) de ingerência na REMEC. Carece de sustentação atribuir às peticionárias a responsabilidade por dívidas tributárias da REMEC, pois a outorga de Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 339 7 uma única procuração, visando a movimentação de uma única conta bancária, não é e não pode ser suficiente para tanto. 5.3. Disse que a impugnante ITAIPU realizou operações de fomento mercantil, contudo, desde 2010, limitase à cobrança de créditos, seja decorrentes de operações de fomento antigas, seja de créditos não liquidados e comprados para cobrança. A impugnante SILVERADO é prestadora de serviço de consultoria a fundos de investimento. 5.4. Asseverou que a empresa ITAIPU, assim como o fundo assessorado pela impugnante SILVERADO, compraram créditos vendidos pela REMEC, exercendo assim seu objeto social. Descobriram, depois, que ambas haviam sido enganadas porque a REMEC teria inventado “pedidos de compra” que nunca foram feitos para, então, “criar” créditos que nunca existiram para depois vendê los a ambas impugnantes. 5.5. Aduziu que, para viabilizar o recebimento dos créditos, foi estipulado como condição negocial, que as impugnantes pudessem movimentar conta bancária em nome da REMEC, procedimento comum no mercado, denominado “Trava Bancária”. 5.6. Argumentou que a movimentação identificada na conta corrente em valor superior ao contabilizado pela REMEC devese ao fato de que a não liquidação dos créditos por terceiros devedores (na maioria das vezes porque os créditos não existiam, eram inventados fraudulentamente pela REMEC) fazia com que a própria REMEC os substituíssem mediante venda de novos créditos. 5.7. Além disso, informou que o dinheiro por vezes era retirado da conta ao final do expediente bancário e depois devolvido. E isso era feito por duas razões: (i) receio de que o dinheiro fosse bloqueado em razão de dívida da REMEC (dinheiro que obviamente não era de propriedade dela) e (ii) receio de que o próprio representante legal da REMEC comparecesse ao Banco Bradesco e revogasse as procurações para movimentar a conta e efetuasse saque de um dinheiro que não era (nem nunca foi) seu. 5.8. Mencionou que, num determinado momento, parou de comprar créditos novos e exigiu que a dívida da REMEC fosse consolidada. A REMEC, então, assinou confissões de dívida, reconhecendo tudo aquilo que devia, as quais estão sendo executados judicialmente. 5.9. Argumentou que não há o menor fundamento na aplicação do artigo 135, inc. III, do CTN, tendo em vista que ambas impugnantes não são administradoras, não são sócias, não são diretoras, gerentes ou representantes da REMEC. 5.10. Negou a prática de atos de gestão na REMEC, além de afirmar ser insustentável a conclusão de confusão patrimonial e a interposição fraudulenta, pois não há a menor ligação com a REMEC (senão de procuração específica para a única e exclusiva finalidade de movimentação de conta, e de crédito, já explicadas). 5.11. Sustentou que a autoridade fiscal considerou que as impugnantes seriam sócias de fato da REMEC, por um dia terem recebido uma Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 340 8 procuração para movimentação de uma conta bancária originalmente pertencente a esta empresa e que, por este único e exclusivo motivo, seriam responsáveis solidárias pelas obrigações desta empresa. 5.12. Comentou que a lei pode atribuir a terceiro que não praticou o fato gerador a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação do contribuinte, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. II, do CTN. Entretanto, o terceiro responsável deve guardar algum tipo de vínculo com o mesmo fato, ou seja, deve ter um interesse comum. Neste sentido, indaga qual vínculo as impugnantes possuem com a industrialização dos produtos da REMEC? 5.13. Apontou que na linha de raciocínio adotada pela autoridade fiscal, o interesse das peticionárias nos débitos tributários da REMEC pareceria residir na existência de sociedade de fato entre estas duas empresas. Afirmou, porém, que tal sociedade jamais poderia se configurar pelo simples fato da outorga da procuração pela REMEC às impugnantes. 5.15. Destacou que a aplicação do inc. III do art. 135 do CTN, também utilizado pela autoridade fiscal para a inclusão das impugnantes no pólo passivo da autuação, é condicionada aos seguintes pressupostos: (i) o agente da infração ser diretor, gerente ou representante de pessoas; e (ii) o inadimplemento da obrigação tributária decorrer de ato praticado com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. E, no caso, defendeu que nunca foram diretoras, gerentes ou representantes da REMEC, além de ja mais terem praticado atos com excesso de poderes, pois a procuração nunca deu poderes para o exercício de qualquer outra atividade em nome da REMEC, limitandose a lhe autorizar a movimentar a referida conta no Banco Bradesco. 5.16. No que atine à acusação de confusão patrimonial justifica que a movimentação de uma única conta bancária da REMEC se dá porque adquiriram créditos desta empresa. Alega que não participaram, nem tiveram acesso a qualquer outra informação sobre a vida administrativa, financeira ou gerencial desta empresa. 5.17. Relativamente à interposição fraudulenta, disse que embora não exista um conceito unívoco acerca deste instituto na legislação brasileira, este definese sempre, em cada caso concreto, em virtude da comprovação acerca da existência de operação destinada a simular determinada operação ou situação com a finalidade dissimular a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Afirmou, entretanto, que em nenhum momento se falou de dissimulação do fato gerador, ou mesmo de simulação de determinada situação com a finalidade de redução da carga tributária e, isto, nem mesmo no decorrer do trabalho fiscal que culminou na autuação. (grifei) A DRJ de Porto Alegre julgou a impugnação apresentada pelo Contribuinte em 26/04/2016, concluindo pela parcial improcedência da autuação fiscal, como se depreende da ementa abaixo colacionada: Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 341 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DO REPRESENTANTE. CABIMENTO. A não declaração e falta de pagamento do tributo, de forma reiterada e contínua, caracteriza infração à lei, impondo a responsabilidade do administrador da pessoa jurídica, na forma do inciso III do art. 135 do Código Tributário Nacional. FALTA DE INTERESSE COMUM. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. DESCABIMENTO. A solidariedade prevista no inc. I do art. 124 do CTN pressupõe que todos os devedores tenham um interesse jurídico focado na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Deve ser afastada a solidariedade tributária quando os fatos atribuídos a pessoa imputada não tem capacidade de gerar a exigência dotributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 Ementa: ARROLAMENTO DE BENS. QUESTIONAMENTO. INCOMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são incompetentes para analisar questionamentos a respeito de arrolamento de bens. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÕES PRÉVIAS. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. A ausência de intimações na fase preparatória do lançamento não invalida a ação fiscal, pois somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o Fisco e o contribuinte, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife (PE),, em síntese: (a) em relação aos impugnantes REMEC e do sócio José Ailton Macedo Dias: (a.1) não tomar conhecimento das alegações relacionadas com o arrolamento de bens. (a.2) manter a responsabilidade solidária do sócio José Ailton Macedo Dias, em razão de infração à lei, pela prática reiterada e contínua de não declaração e falta de pagamento de tributo (inc. III do art. 135 do CTN). (a.3) considerar não impugnado o mérito da exigência. (b) em relação aos impugnantes Silverado Serviços de Informações Cadastrais Ltda e Maximum Fomento Mercantil Ltda (atual Itaipu Cobranças e Participações Ltda): Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 342 10 (b.1) não acatar a preliminar de cerceamento do direito de defesa (b.2) julgar procedente o afastamento da responsabilidade solidária Cientificados do resultado do julgamento em 17/06/2016 (conforme AR de fls 2005), na data de 14/07/2016 foi interposto recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”) conjuntamente pela empresa Recorrente (REMEC) e pelo sócio José Ailton Macedo Dias. As razões expostas na peça dirigida a este Conselho são essencialmente as mesmas daquelas apresentadas na impugnação, com relação (i) inconstitucionalidade do arrolamento de bens; (ii) a ilegitimidade passiva ad causam do sócio José Ailton Macedo Dias; (iii) da responsabilidade solidária das empresas Itaipu e Silverado pelo crédito tributário. Porém, não consta mais da defesa das Recorrentes a contestação do mérito da exigência fiscal (IPI). Ademais, com relação ao item (ii) mencionado no parágrafo precedente, os Recorrentes chamam a atenção para a declaração de voto apresentada pelo julgador Emanuel Carlos Dantas de Assis no Acórdão recorrido, a qual deixou consignado que: "se o inadimplemento e a omissão, na DCTF, de determinado tributo à administração tributária constituíssem motivos suficientes para responsabilizar o sócio gerente, praticamente todos os autos de infração contra a pessoa jurídica também haveriam de responsabilizar a pessoa física. E como é cediço, assim não acontece, pois o comum é se atribuir a responsabilidade aos administradores apenas quando a infração é dolosa. Pelo exposto, voto por cancelar o lançamento também em relação à pessoa física José Ailton Macedo Dias, acompanhando o voto do Relator nas demais questões." Os Recorrentes também alegam trazer documentos aos autos. Afirmam que tais documentos constituiriam prova nova a respeito da atuação gerencial (financeira, fiscal e administrativa) que as empresas Taipu e Silverado efetivaram na REMEC, a qual acarretou na falta de recolhimento de tributo imputada pelo presente auto de infração. Tratarseia de notícia de jornal sobre as atividades fraudulentas de tais empresas, bem como depoimentos prestados junto ao Inquérito Policial n. 93/2015 instaurado na Delegacia de Polícia da Comarca de Várzea Paulista. Contudo, não foi possível localizar tais documentos nos presentes autos. É o relatório. Resolução Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos, assim dele tomo conhecimento. Compulsando as informações trazidas aos autos especialmente o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls 1197 a 1226 , constato que a Autoridade Administrativa, levantando que haveria por parte da REMEC a falta de recolhimento de tributos federais, em 26 de novembro de 2013 lavrou dois autos de infração contra a Empresa, dando origem aos processos administrativos n. 19311.720203/201525 e 19311.720202/201581. No primeiro, promoveu a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, enquanto no segundo, ora em julgamento, lançou o IPI entendido como devido. Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 343 11 Tratase de processos reflexos, com base no que dispõe o artigo 6º, §1º, inciso III do Registro que o Regimento Interno do CARF (“RICARF”). Com efeito, o mandado de procedimento fiscal (08124.00.2014.004910) foi o mesmo, bem como os elementos de prova levantados pela fiscalização a respeito da omissão de receitas, falta de declarações à Receita Federal, bem como a ausência da respectiva tributação. Na realidade, o próprio Termo de Verificação Fiscal é um só, que foi aproveitado em ambos os autos de infração. Inclusive, para a cobrança de todos os tributos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI) está imputada a conduta dolosa por parte do sócio José Ailton Macedo Dias) e das duas pessoas jurídicas relacionadas à REMEC (Itaipu e Silverado), culminando na sua responsabilização solidária pelo crédito tributário. Tal responsabilização, registro, é o que resta em julgamento no CARF, uma vez que a REMEC não apresentou defesa a respeito do mérito (cobrança de IPI). No que tange à competência para julgamento de processos reflexos, o RICARF sofreu reforma com o advento da Portaria n. 343, de 09 de junho de 2015, de modo que passou à 3ª Seção do Conselho a competência para julgamento dos processos que versam sobre o IPI, mesmo se reflexos de processos principais de competência da 1ª Seção, quando o lançamento tributário não constasse do mesmo processo fiscal que o lançamento do tributo principal (artigo 2º, inciso IV). 1 Contudo, a Portaria n. 152, de 3 de maio de 2016, novamente alterou o RICARF, trazendo a seguinte redação ao artigo 2º: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: .................................................................................................. IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; Pela leitura do texto do artigo 2º, inciso IV em vigor, constatase que o nosso Regimento Interno novamente prevê a competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF para a solução do caso da Recorrente, uma vez que se trata de processo sobre IPI, reflexo ao IRPJ. Tal norma tem por escopo evitar decisões conflitantes a respeito dos mesmos fatos ou pedidos, tratados em processos administrativos fiscais distintos. Por essa razão, é de suma importância a sua observância, sob pena de ferir um dos maiores objetivos deste Tribunal, uma vez que o Novo Código de Processo Civil (NCPC), cuja aplicação subsidiária ao Processo Administrativo Fiscal agora é expressa (artigo 15),2 determina em seu artigo 926 que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente.” Ainda, ressalto que a distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão de matéria (competência 1 Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; 2 Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 19311.720202/201581 Resolução nº 3402001.018 S3C4T2 Fl. 344 12 absoluta), com vistas ao atendimento do interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo ser conhecida de ofício eventual incompetência, como salientam os Professores Cândido Rangel Dinamarco, Ada Pellegrini Grinover e Antonio Carlos de Araújo Cintra: 3 Nos casos de competência determinada segundo o interesse público (competência de jurisdição, hierárquica, de juízo, interna), em princípio o sistema jurídicoprocessual não tolera modificações nos critérios estabelecidos, e muito menos em virtude da vontade das partes. Tratase aí de competência absoluta, isto é, competência que não pode jamais ser modificada. Iniciado o processo perante o juiz incompetente, este pronunciará a incompetência ainda que nada aleguem as partes (CPC, art 113; CPP art. 109), enviando os autos ao juiz competente (...) Por fim, cumpre registrar que a distribuição de competências efetuada pelo RICARF, via ato administrativo infralegal, deve ser observada da mesma forma que as normas cogentes de qualquer outra superior hierarquia legal (Constituição, leis em sentido estrito, etc), como adverte Cássio Scarpinella Bueno4 ao comentar o artigo 44 do NCPC. 5 Tendo em vista que o Processo Principal ainda não se encontra no CARF, é o caso de aplicação do §4º do artigo 6º do RICARF: § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III d o § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. Desse modo, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora efetue a vinculação deste autos ao Processo Principal de n. 19311.720203/201525, para julgamento de ambos pela 1ª Seção do CARF, nos termos do artigo 6º, §4º do RICARF. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 3 Teoria Geral do Processo. São Paulo: Malheiros, 2007, 23ª ed, p. 257. 4 Novo Código de Processo Civil Anotado. São Paulo: Saraiva, 2016, 2ª ed, p. 88. 5 Art. 44. Obedecidos os limites estabelecidos pela Constituição Federal, a competência é determinada pelas normas previstas neste Código ou em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber, pelas constituições dos Estados. Fl. 2046DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.723934/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. DISPOSITIVO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda.
In casu, deve-se fazer constar no dispositivo do Acórdão o resultado debatido, questionado e votado na oportunidade da Sessão.
Numero da decisão: 2401-004.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios, e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a redação do dispositivo analítico do acórdão.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. DISPOSITIVO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. In casu, deve-se fazer constar no dispositivo do Acórdão o resultado debatido, questionado e votado na oportunidade da Sessão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios, e acolhê-los, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a redação do dispositivo analítico do acórdão. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES NO ACÓRDÃO. DISPOSITIVO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovadas as omissões no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração para suprir o vício apontado, retificando a decisão levada a efeito por ocasião do primeiro julgamento em relação ao mérito da demanda. In casu, devese fazer constar no dispositivo do Acórdão o resultado debatido, questionado e votado na oportunidade da Sessão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 39 34 /2 01 3- 15 Fl. 51176DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, conhecer dos embargos declaratórios, e acolhêlos, sem efeitos infringentes, para, sanando a omissão apontada, alterar a redação do dispositivo analítico do acórdão. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 51177DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório BRASIL TELECOM CALL CENTER S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lançado Crédito Previdenciário correspondentes à parte da empresa, dos segurados e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, além da aplicação de multa por descumprimento de obrigações acessórias, em relação ao período de 01/2009 a 31/12/2009. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 16/08/2016, achou por bem conhecer do Recurso de Ofício e NEGARLHE PROVIMENTO, e, conhecer o Recurso da contribuinte e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401004.471, com sua ementa abaixo transcrita: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA. RECURSO REPETITIVO STJ. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. Em face da natureza eminentemente não remuneratória do verba denominada Aviso Prévio Indenizado, na forma reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do Recurso Especial nº 1.230.957/RS, julgado sob a indumentária do artigo 543C, do CPC, o qual é de observância obrigatória por este Colegiado nos termos do artigo 62, § 2º, do RICARF, não há se falar em incidência de contribuições previdenciárias sobre aludida rubrica, impondo seja rechaçada a tributação imputada. SALÁRIO INDIRETO. BÔNUS ANUAL, AUXÍLIO EXCEPCIONAL E REEMBOLSO EDUCACIONAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Na hipótese dos autos, assim não o tendo feito, relativamente as verbas intituladas Bônus Anual, Auxílio Excepcional e Reembolso Educacional, é de se manter a exigência fiscal na forma lançada. Fl. 51178DF CARF MF 4 NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta. RELATÓRIO FISCAL DA NOTIFICAÇÃO. OMISSÕES. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. O Relatório Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar, de forma clara e precisa, todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito previdenciário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da ampla defesa e contraditório. Omissões ou incorreções no Relatório Fiscal, relativamente aos critérios e/ou motivos de apuração do crédito tributário levados a efeito por ocasião do lançamento fiscal por arbitramento, que impossibilitem o exercício pleno do direito de defesa e contraditório do contribuinte, enseja a improcedência da autuação. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Fl. 51179DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 4 5 Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. CORESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS DA EMPRESA E DEMAIS PESSOAS JURÍDICAS. A indicação dos sócios da empresa e/ou outras pessoas jurídicas no anexo da notificação/autuação fiscal denominado CORESP ou Relatório de Vínculos não representa nenhuma irregularidade e/ou ilegalidade, eis que referida co responsabilização em relação ao crédito previdenciário constituído, encontra respaldo nos dispositivos legais que regulam a matéria. Mais a mais, nos termos da Súmula CARF n° 88, referidos anexos têm natureza meramente informativa, não comportando discussão na esfera administrativa, mormente por não atribuir, por si só, sujeição passiva. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício integra o crédito tributário, logo está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do mês subseqüente ao do vencimento. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte." O dispositivo do acórdão encimado, recebeu a seguinte redação: "Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, exceto quanto ao questionamento sobre a incidência de juros sobre a multa, que restou vencida a conselheira Maria Cleci Coti Martins. Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de nulidade quanto ao levantamento "FP Folha de Pagamento não Declarada em GFIP", vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. Quanto ao mérito do recurso voluntário: (i) por maioria de votos, dar provimento para excluir o levantamento relativo ao aviso prévio indenizado, vencida a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini; (ii) pelo voto de qualidade, negar provimento quanto aos juros de mora sobre a multa, vencidos o relator e os conselheiros Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato e Luciana Matos Pereira Barbosa; e (iii) por unanimidade de votos, negar provimento quanto às demais questões. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini." Fl. 51180DF CARF MF 6 No momento da formalização da minuta, depareime, quando da realização dessa incumbência, com a verificação da existência de omissão no dispositivo acerca de ponto sobre o qual a Turma se pronunciou, a saber, o resultado do Recurso de Ofício. Diante do exposto, proponho os presentes embargos, a fim de que o processo administrativo seja novamente pautado para saneamento da omissão por parte deste Colegiado, por ter o dispositivo do Acórdão nº 2402005.473 omitido ponto sobre o qual a Turma manifestou seu entendimento, conforme despacho, às efls 51.172/51.175, com o devido "de acordo" da Presidente desta Turma. É o relatório. Fl. 51181DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Os embargos de declaração foram opostos por iniciativa deste membro do Colegiado, com fulcro no art. 65, § 1°, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs os presentes Embargos, constatase que, de fato, deixou de constar no dispositivo do Acórdão e da Ata de Julgamento, qual teria sido o resultado quanto ao Recurso de Ofício. Para uma melhor explicitação, transcrevo a Ementa, o resultado analítico, a parte do relatório e o voto que trataram do Recurso de Ofício, senão vejamos: A Ementa assim dispôs: "[...] NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. APURAÇÃO CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS POR ARBITRAMENTO. NECESSIDADE MOTIVAÇÃO NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA E DEMONSTRAÇÃO IMPOSSIBILIDADE AFERIÇÃO DIRETA NOS DOCUMENTOS OFERTADOS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 33, §§ 3° e 4o, da Lei n° 8.212/91, a constituição do crédito tributário por arbitramento somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência da impossibilidade da aferição direta da base de cálculo de tais tributos, em face da sonegação de documentos e/ou esclarecimentos solicitados ao contribuinte ou sua apresentação deficiente. A simples constatação de pequenos equívocos na escrituração contábil ou mesmo mínimas divergências nos valores informados em GFIP e folhas de pagamento, não tem o condão de suportar o lançamento por arbitramento, mormente quando a documentação ofertada pela autuada no decorrer do procedimento fiscal ou nos documentos de arrecadação seriam suficientemente capazes de determinar as remunerações dos segurados, fatos geradores das contribuições ora indevidamente lançadas por aferição indireta.[...] O Resultado analítico elenca: "[...] Recurso de Ofício Negado Fl. 51182DF CARF MF 8 Recurso Voluntário Provido em Parte." Já o relatório é claro quanto a existência: "[...] Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal [...]". E por último, o voto enfrentou: "RECURSO DE OFÍCIO Presente o pressuposto de admissibilidade, em razão do crédito desonerado se encontrar sob o manto do limite de alçada, conheço do recurso de ofício e passo a análise da matéria posta nos autos. Após apresentação da impugnação da autuada, o lançamento fora julgado procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 04034.373/ 2013, às efls.1.551/1.589, da 4a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. [...] Em vista do exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido, nesse ponto, em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas.[...]" De fato, consta do voto deste Relator o posicionamento quanto ao Recurso de Ofício. Tal aspecto da decisão, destaquese, foi objeto de debate, questionamentos e julgamento pelo Colegiado, não havendo sido, adicionado ao dispositivo lançado em Ata. Conforme se depreende dos trechos transcritos acima, resta claro que o Recurso de Ofício constava do voto deste Relator, sendo devidamente debatido, questionado e julgado por esta Colenda Turma. Para enterrar de vez qualquer dúvida acerca do julgamento do recurso em epígrafe, na mesma sessão em qual foi proferido o Decisão Guerreada, também foi proferido o Acórdão n° 10166.723933/201362, da mesma Contribuinte, mesmo período, mesmo fato gerador, e, naquela oportunidade constou no dispositivo e na ata o resultado do Recurso de Ofício, da seguinte forma: " Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar Fl. 51183DF CARF MF Processo nº 10166.723934/201315 Acórdão n.º 2401004.807 S2C4T1 Fl. 6 9 provimento, vencidas as conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini.[...]" O dispositivo encimado, deve constar na demanda em questão, por terem sidas analisadas em conjunto, e, tendo sido proferido o mesmo resultado. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, para corrigir e acrescentar a parte dispositiva do acórdão, a seguinte transcrição: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso de ofício e, no mérito, por maioria, negar provimento, vencidas as conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 51184DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000583/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório o indeferimento de apresentação extemporânea de documentos, bem assim de realização de perícia ou de diligência em conformidade com o estabelecido nos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria.
A comprovação da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade fiscalizadora é encargo do sujeito passivo, não se constituindo em cerceamento de defesa a negativa da autoridade autuante em substituir o contribuinte em tal incumbência.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL.
Constatada a antecipação de pagamento, ainda que parcial, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será definido de acordo com art. 150, § 4°, do CTN, e sua contagem se iniciará com a ocorrência do fato imponível. Decadência reconhecida em relação aos fatos geradores ocorrido no ano-calendário 2002.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE
Os valores recebidos de pessoa jurídica a título de honorários advocatícios constituem-se em base de incidência do IRPF. § 4° do artigo 3° da Lei n.° 7.713/1988.
A denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do imposto.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29.
No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contas-corrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos co-titulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento".
ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61.
Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física".
Numero da decisão: 2402-005.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; não conhecer de razões aditivas apresentas após o recurso; reconhecer a decadência para os valores relativos ao ano-calendário de 2002 e, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento parcial no sentido afastar do lançamento a apuração relativa aos depósitos bancários. Vencidos Mário Pereira de Pinho Filho (Relator) e Túlio Teotônio de Melo Pereira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira De Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório o indeferimento de apresentação extemporânea de documentos, bem assim de realização de perícia ou de diligência em conformidade com o estabelecido nos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria. A comprovação da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade fiscalizadora é encargo do sujeito passivo, não se constituindo em cerceamento de defesa a negativa da autoridade autuante em substituir o contribuinte em tal incumbência. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Constatada a antecipação de pagamento, ainda que parcial, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será definido de acordo com art. 150, § 4°, do CTN, e sua contagem se iniciará com a ocorrência do fato imponível. Decadência reconhecida em relação aos fatos geradores ocorrido no ano-calendário 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE Os valores recebidos de pessoa jurídica a título de honorários advocatícios constituem-se em base de incidência do IRPF. § 4° do artigo 3° da Lei n.° 7.713/1988. A denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do imposto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contas-corrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos co-titulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO-CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física".
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2026; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18088.000583/200887 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.828 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente LUIZ FERNANDO FREITAS FAUVEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito à ampla defesa e ao contraditório o indeferimento de apresentação extemporânea de documentos, bem assim de realização de perícia ou de diligência em conformidade com o estabelecido nos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria. A comprovação da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade fiscalizadora é encargo do sujeito passivo, não se constituindo em cerceamento de defesa a negativa da autoridade autuante em substituir o contribuinte em tal incumbência. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. Constatada a antecipação de pagamento, ainda que parcial, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial será definido de acordo com art. 150, § 4°, do CTN, e sua contagem se iniciará com a ocorrência do fato imponível. Decadência reconhecida em relação aos fatos geradores ocorrido no anocalendário 2002. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO. LANÇAMENTO PROCEDENTE Os valores recebidos de pessoa jurídica a título de honorários advocatícios constituemse em base de incidência do IRPF. § 4° do artigo 3° da Lei n.° 7.713/1988. A denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do imposto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR. NULIDADE. SÚMULA CARF Nº 29. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 83 /2 00 8- 87 Fl. 1098DF CARF MF 2 No caso de lançamento de omissão de rendimentos apurada com base em depósitos de origem não comprovada, cumpre excluir do montante de créditos os que estão vinculados a contascorrente conjuntas, quando não intimados todos os respectivos cotitulares, tendo em vista o disposto no enunciado da Súmula CARF nº 29: "Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento". ART. 42, § 3º, II DA LEI Nº 9.430/96. DESCONSIDERAÇÃO DOS DEPÓSITOS INFERIORES A R$ 12.000,00, OBSERVADO O LIMITE DE R$ 80.000,00 REFERENTE AO TOTAL DE CRÉDITOS EM DADO ANO CALENDÁRIO. SÚMULA CARF Nº 61. Consoante regra o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, não devem ser considerados, para fins de determinação dos rendimentos omitidos por pessoa física, os créditos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Entendimento consolidado na Súmula CARF nº 61: "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; não conhecer de razões aditivas apresentas após o recurso; reconhecer a decadência para os valores relativos ao ano calendário de 2002 e, no mérito, por maioria de votos, darlhe provimento parcial no sentido afastar do lançamento a apuração relativa aos depósitos bancários. Vencidos Mário Pereira de Pinho Filho (Relator) e Túlio Teotônio de Melo Pereira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira De Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1100DF CARF MF 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II – DRJ/SPII (fls. 859/887), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, relativo ao anoscalendário 2002, 2003, 2004, 2005 / exercícios 2003, 2004, 2005 e 2006, o qual resultou na exigência de crédito tributário no valor de R$ 85.832,61, sendo R$ 41.514,54 de imposto; R$ 31.135,90 de multa proporcional e R$ 13.182,17 de juros de mora calculados até 31/10/2008. Consta do Auto de Infração (fls. 263/307) que o procedimento fiscal teve como escopo a apuração de omissão de rendimentos i) do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; ii) decorrentes de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pelo contribuinte por meio de documentos hábeis e idôneos. Impugnação Por bem retratar as alegações trazidas pelo contribuinte na peça impugnatória, reproduzemse os trechos correspondente do Acórdão nº 1731.919, da 8ª Turma da DRJ/SPOII: Da Impugnação Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 165/195, cujo teor, em suma foi o seguinte: • Não obstante o dever de averiguar todos os meios de prova, o agente público negouse a proceder à análise dos documentos localizados no escritório profissional do lmpugnante, o que impediu o contribuinte de plenamente exercer sua defesa, através da juntada de provas de suas alegações, o que gera a nulidade do auto de infração; • O impugnante patrocinou os interesses de diversos empregados da antiga Companhia Brasileira de Tratores – CBT, que constituíram uma cooperativa com a finalidade de facilitar o recebimento de seus créditos. Assim, na condição de credor de alguns ex funcionários da CBT, passou à condição de cooperado, como forma de receber seu crédito, portanto, os valores por ele recebidos, advindo das quotas da cooperativa, possuem esta natureza e não a de honorários advocatícios, como asseverado pela autoridade autuante; • Operou se a decadência do direito do Fisco de proceder ao lançamento em relação aos valores recebidos em 2002 correspondentes à dação de pagamento aos serviços advocatícios prestados a alguns empregados da CBT, devendo ser excluída a multa de R$ 897,08; • No ano de 2005 foi autuado pela omissão de receita no importe de R$ 163.806,07. Conforme comprovam os documentos anexados na impugnação, 89% desse valor não constitui renda Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 4 5 do impugnante, o que demonstra excessos no arbitramento da autoridade fiscalizadora; • Houve a transferência de, ao menos, R$ 24.385,00, devendo tal valor ser excluído da tributação. Também houve entradas destinadas a pagamentos de acordos judiciais, que foram repassados a clientes, no valor aproximado de R$ 29.541,88, sem que tenham se constituído em renda ao impugnante; • Do total das entradas nas contas do impugnante, aproximadamente R$ 8.584,38 foram depositados por clientes para o pagamento de custas e despesas processuais destes; • Em 21/06/2005, houve um DOC no valor de R$ 920,12, que foi computado em duplicidade pelo banco, sendo que, ao invés de auferir R$ 1.840,22, auferiu apenas R$ 920,12; • Em 01/12/2005, houve a devolução de um cheque no importe de R$ 3.000,00, que fora depositado na conta n° 010020134, na agência 0708, do banco 151, que não chegou a constituir renda ao impugnante, devendo ser desconsiderado para fins de tributação; • O somatório dos valores acima, que constituem ingressos na conta do impugnante não chegaram a constituir renda auferida por este, resulta no valor de, no mínimo, R$ 66.431,38, que deve ser desconsiderado para fins de tributação; • Ademais, deve ser excluído da tributação o valor declarado pelo impugnante na Declaração de Imposto de Renda do exercício de 2005, no valor de R$ 44.680,00, devendo ser excluído da tributação, apesar da autoridade fiscalizante não tê lo feito; • Das entradas nas contas do impugnante, cerca de R$ 28.524,50 referemse a gastos que teve com o escritório de advocacia, que deverão ser excluídos da tributação, a teor do art. 75, III, do Regulamento do Imposto de Renda; • Com a dedução de todos os valores acima apontados temse que devem ser excluídos da tributação cerca de R$ 145.616,38, resultando sem comprovação o valor de R$ 18.189,69, que não geraram renda ao impugnante. Tal montante não pode ser considerado para fins de omissão de receita, uma vez que a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, § 3º, com a redação dada pela Lei n° 9.481/97, determina que não serão considerados para fins de receita omitida os créditos bancários, individualmente considerados, no importe igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório total não ultrapasse R$ 80.000,00 no exercício em análise. Nesse sentido transcreve decisões do Conselho de Contribuintes; • Em razão do principio da verdade material, requer a consideração dos recibos ora apresentados para a comprovação dos valores despendidos com a atividade profissional do impugnante, apesar de não possuir Livro Caixa. • Requer a juntada de novos documentos, oitiva ,de testemunhas, bem como produção de prova pericial e a concessão do prazo de Fl. 1102DF CARF MF 6 30 dias para a juntada de laudo definitivo, com valores exatos, no qual as alegações restarão amplamente demonstradas. As fls. 408/410, o impugnante requer ajuntada do laudo e da planilha, anexados As fls. 411/426, para efeito de exclusão da tributação e penalidade que lhe foram impostas. Acórdão da DRJ A DRJ/SPII, por seu turno, julgou a impugnação improcedente em razão dos entendimentos expostos a seguir: Preliminares a) nulidades: · todos os elementos essenciais do procedimento fiscal constam do auto, dos quais foi regularmente cientificado o contribuinte de modo a lhe permitir conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado; · não é dever da autoridade autuante produzir provas documentais de responsabilidade do contribuinte relativamente à omissão de rendimentos evidenciada por depósitos em conta bancária sem comprovação de origem, pois tratase de presunção legal em favor do fisco, que transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante comprovação da origem de todos os recursos depositados, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa; b) omissão de rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas: · ficou comprovado por meio de diligência realizada na pessoa jurídica Cooperativa dos ExFuncionários da CBT, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos (CNPJ: 01.396.542/000198) que os rendimentos pagos a Luiz Fernando Freitas Fauvel e outros são oriundos de honorários advocatícios e/ou peritagem, e em assim sendo, tributáveis; · acordo entre particulares que altere a sujeição passiva do imposto de renda e proventos de qualquer natureza não tem qualquer aplicação perante a Fazenda Pública; c) decadência: · sujeitamse às normas aplicáveis ao pagamento por homologação os créditos tributários já satisfeitos, ainda que parcialmente, por via do pagamento; · não havendo pagamento a ser homologado pela autoridade, o prazo decadencial passa a ser regido pelas disposições do art. 173 do Código Tributário Nacional; · pela regra do art. 173, I, do CTN, aplicável por se tratar de lançamento de oficio, o prazo decadencial somente começou a fluir a Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 5 7 partir de 01/01/2004, extinguidose o direito de a Fazenda Pública realizar o lançamento em 31/12/2008, não tendo se operado a decadência em relação ao tributo apurado; Mérito d) depósitos bancários: · o impugnante foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos bancários relacionados no Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 003/118/2008 (fls. 96/106) 1, no entanto, deixou de fazêlo. Agora, juntou à impugnação comprovantes de repasses de acordos, que diz, foram depositados em sua conta corrente e valores destinados a pagamento de custas judiciais que não constam do extrato bancário; · os repasses efetuados pelo contribuinte em favor de outrem e as guias de pagamento de custas judiciais em nada modificam o lançamento, pois não está em pauta esta questão; · a base sobre a qual se funda o presente lançamento é a existência de recursos em favor do autuado cuja origem não foi comprovada; · no tocante ao laudo contábil de fls. 4112, verificase que este aponta como transferências de valores entre C/C do próprio autuado, a importância de R$ 24.385,00, valor este inferior de R$ 24.935,00, apurado e desconsiderado para fins de tributação pelo Auditor Fiscal, conforme Tabela 02, constante do acima referido Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 003/118/2008. Portanto, nada resta a providenciar quanto às transferências interbancárias das contas de titularidade do contribuinte; · com referência aos depósitos justificados na planilha anexa ao laudo contábil (fls. 412/421) 3, como sendo Acordos Processos Judiciais e custas processuais, o contribuinte não anexou aos autos quaisquer documentos que comprovassem essas afirmações, portanto não há como considerálas; · não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente; · é incumbência do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas 1 Fls. 196 a 212 do Processo Digital. 2 Fl. 825 do Processo Digital. 3 Fls. 826 a 853 do Processo Digital. Fl. 1104DF CARF MF 8 verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte; · também não restou comprovada a alegação de que em 21/06/2005, houve um DOC no valor de R$ 920,12, que foi computado em duplicidade pelo banco; · sobre o pleito de desconsideração do cheque no importe de R$ 3.000,00, que fora depositado na conta n° 010020134, na agência 0708, do banco 151, que não chegou a constituir renda ao impugnante, observese que tal valor sequer integrou este levantamento, conforme se verifica à fl. 1584; · no que tange ao pedido de exclusão da tributação do valor de R$ 44.680,00, da mesma forma, não foram trazidos aos autos documentos que comprovassem que tal valor está contido no valor tributável de R$ 163.806,07, apurado pela fiscalização; · não tendo o impugnante trazido aos autos quaisquer elementos que pudessem infirmar o valor acima referido de R$ 163.806,07, permanece incólume o presente lançamento e prejudicado o argumento apresentado quanto ao limite do valor dos depósitos estabelecido na Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, § 3°, com a redação dada pela Lei no 9.481/97; e) inclusão de despesas: · a pretensão manifesta não merece acolhida, uma vez que se constituiria numa retificação de sua declaração em momento posterior ao de formalização do lançamento, o que contraria os termos do art. 147, § 1º, do CTN; f) pedido de produção de provas, realização de perícias e diligências: · em referência ao pleito de produção de provas, ressaltese que não há amparo legal que dê apoio a esta pretensão, uma vez que o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser produzidas por ocasião da impugnação, precluindo o direito de apresentação após transcorrido o prazo para tal; · apesar de ser facultado ao contribuinte o direito de pleitear a realização de diligencias ou perícias, em conformidade com o art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/1972, compete à autoridade julgadora decidir sobre a sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n° 70.235/1972); · a realização de diligência e/ou perícia destinase, principalmente, a esclarecer ponto controvertido ou questão técnica levantada no processo fiscal, esclarecimento este que necessita ser dado por 4 Fls. 314 e 315 do Processo Digital. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 6 9 especialista, detentor de reconhecido saber, habilidade e experiência, sendo imprescindível que o pedido de perícia seja motivado e acompanhado de evidências referentes aos aspectos cuja apreciação se requer no exame pericial; · o impugnante não anexou aos autos nenhum elemento novo que justificasse a emissão de parecer técnico, deixando de atender ao inciso IV do art. 16 do PAF. Ademais, a prova do fato no presente caso, claramente, não depende de conhecimento especifico de técnico especialista para ser produzida; · é inadmissível que a perícia possa ser utilizada para suprir a ausência de provas que a parte poderia ter juntado à impugnação; · os esclarecimentos adicionais e/ou elementos de prova a favor do impugnante, no caso em análise, poderiam ter sido por ele produzidos com a juntada de documentos que sustentassem seus argumentos. Recurso Voluntário Em seu recurso voluntário (fls. 899/969) o sujeito passivo repisa as questões trazidas na impugnação e acrescenta , em síntese, o que segue: Preliminares a) nulidade por cerceamento do direito de defesa em razão de a autoridade julgadora a quo ter indeferido pedido de juntada de novos documentos e de realização de perícia; b) é totalmente possível a juntada de documentos após a impugnação, uma vez que o processo administrativo fiscal visa a busca pela verdade material, que autoriza a juntada de documentos a qualquer tempo. Cita doutrina a esse respeito; c) a Lei 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito Federal, determina, em seu art. 39, III, ser direito do administrado “formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente”. Cita excerto de decisão do antigo Conselho de Contribuintes que diz amparar sua tese; d) ao rejeitar a produção de tal meio probante, a autoridade julgadora asseverou não haver questões técnicas que envolvessem a produção de referidas provas; e) tal entendimento acaba também por afrontar os princípios do contraditório e da ampla defesa, uma vez que isso o teria impedido de comprovar suas alegações; f) o art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972 permite a produção de prova pericial, sendo que tal artigo deve ser interpretado luz do principio da ampla defesa, ou seja, a prova pericial deve ser deferida sempre que se consistir em elemento para comprovar alegações do litigante, uma vez que o principio constitucional garante à parte a defesa ampla, por todos os meios, não limitada pela livre discricionariedade da Administração; Fl. 1106DF CARF MF 10 g) a autoridade fiscalizadora negouse a averiguar documentos localizados no escritório profissional do recorrente, que seriam fundamentais para a verificação da ocorrência ou não do fato gerador tributário; h) a decisão recorrida equivocouse a analisar o fato de a fiscalização ter negadose a examinar os documentos do contribuinte; i) a presunção de omissão de renda em favor do Fisco não gera qualquer ilogicidade com a obrigatoriedade da Administração em averiguar provas indicadas pelo contribuinte como elisivas da presunção em razão do principio da verdade real, mas somente permitelhe exigir o tributo decorrente de omissão de renda presumida, caso o contribuinte não demonstre a origem dos rendimentos; j) para demonstrar que não houve a omissão de rendas, o contribuinte poderá juntar os documentos que entender pertinentes, além de indicar aqueles que esclareçam ao fisco se houve ou não a hipótese de incidência. Tais documentos devem ser considerados pela Administração, à luz do princípio da verdade material. Faz outras considerações acerca do principio da verdade material e reproduz excertos doutrinários e trechos decisões administrativas a esse respeito; k) faz referência à Lei nº 9.784/1999 no que trata da produção de provas; l) informa que no processo administrativo vigora, ao lado do principio da verdade real, e como corolário deste, e do principio da legalidade, o principio do informalismo, que impõe ao órgão processante o desapego ao formalismo exacerbado. Cita doutrina; m) anota que o Principio da ampla defesa implica no direito de produzir as provas necessárias à demonstração das alegações da parte junto à autoridade julgadora, como forma de valoração dos argumentos de defesa, sob pena de flagrante cerceamento do direito de se defender; n) a alegação da decisão recorrida, no sentido de haver ilogicidade jurídica na realização de diligência no escritório profissional do recorrente, ante a presunção que milita em favor do fisco, não se sustenta, uma vez que, ao mesmo tempo em que há tal presunção, é dever da Administração, ante os princípios da verdade material e da ampla defesa, averiguar todos os meios de prova indicados pelo contribuinte, como forma de se chegar à certeza a respeito da ocorrência ou não da hipótese de incidência; o) a autoridade fiscalizadora, quando do indeferimento da diligência requerida, no sentido de comparecer ao escritório profissional do recorrente, deveria têlo intimado para conceder prazo para a apresentação dos documentos; p) requer, com base em tais alegações, a reforma da decisão recorrida, para decretar a nulidade do auto de infração, por cerceamento defesa; Mérito r) natureza dos valores recebidos da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT: defende que a decisão recorrida mostrase equivocada; repisa todos os argumentos suscitados na impugnação; s) decadência: frisar que em momento algum alegou que o prazo decadencial deveria ser contado tendo por base o art. 150, § 4° do CTN e que sempre alegou que tal lapso temporal deveria seguir o disposto no art. 173, I do Código, Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 7 11 ou seja, “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”; defende que a decisão recorrida mostrase equivocada ao firmar que “o fato gerador se aperfeiçoa no momento em que se completa o período de apuração em 31 de dezembro de cada ano. Logo, a Fazenda Pública só poderia constituir eventual credito tributário decorrente da infração apurada na declaração de ajuste anual do anocalendário. de 2002 durante o ano de 2003 e, ainda assim, após o prazo estabelecido para a entrega da declaração”, o que levaria o prazo decadencial a fluir apenas a partir de 01.01.2004; repisa ipsis literis os argumentos suscitados na impugnação; acrescenta que a declaração de rendimentos referente ao ano de 2002 foi prestada em 2003, sendo que, no mesmo ano, foi apresentada a declaração de IRPJ da Cooperativa dos Exfuncionarios da CBT, o que permitiria ao Fisco apurar eventuais erros em sua declaração; as questões burocráticas, como o prazo estabelecido para a entrega da declaração, não podem ser opostas aos particulares, uma vez que estes não podem ser penalizados por questões internas da Administração, inerentes ao seu funcionamento; da data de entrega da declaração, a Receita teve prazo de sete meses para analisar qualquer equivoco ou irregularidade no seu preenchimento, se não o fez no prazo decadencial, operouse, por razões de segurança e estabilidade das relações jurídicas, a decadência, não sendo licito à Fazenda dilatar tal prazo por questões burocráticas; operouse a decadência em relação ao crédito oriundo da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT apurado em 2002; t) com relação aos lançamentos decorrentes de depósitos bancários que devem ser excluídos da tributação, requer aplicação do art. 4º da Lei 9.481/1997, e apresenta e alega que: apesar de não possuir Livro Caixa, possui todos os comprovantes de despesas, que devem ser considerados para tal fim, uma vez que comprovam as despesas efetuadas em nome da sociedade; os recibos apresentados na impugnação demonstram cabalmente a origem da grande maioria das entradas em suas contas, o que faz cair por terra o limitado e repetitivo argumento da decisão recorrida, no sentido de que não há provas das origens dos valores; não pode ser considerado o argumento da decisão atacada, no sentido de que as despesas feitas pelo recorrente em sua atividade profissional devem ser deduzidas da tributação, a teor do art. 75, III, do RIR, pois tal procedimento implicaria em retificação de declaração após o lançamento. Não se trataria assim de retificação da declaração, mas sim de esclarecimento a respeito de valores que sequer integraram a declaração de renda do exercício de 2005, ora em questão; o art. 147, § 1º do CTN aplicase às hipóteses nas quais houve a declaração de determinado valor e esta é retificada, mas, no presente caso, os valores gastos para o custeio de atividade profissional não foram objeto de declaração, tendose incluído apenas na impugnação, o que Fl. 1108DF CARF MF 12 demonstra não se tratar de retificação, mas sim de esclarecimentos, que devem ser levados em conta para efeitos de determinação do eventual tributo a ser recolhido; u) requer a anulação da decisão recorrida por cerceamento de defesa e, subsidiariamente, pleiteia sua reforma com base nas alegações apresentadas. Defesa Aditiva Em 20/05/2013 foi protocolado pelo contribuinte novo documento de defesa com razões aditivas ao recurso voluntário (fls. 981/989). Conversão do Julgamento em Diligência Por meio da Resolução nº 2101000.195 (fls. 992/995) o julgamento foi convertido em diligência para que a Fiscalização juntasse aos autos cópia dos livros Diário e Razão citados no auto de infração, bem como apresentasse os documentos de constituição da referida cooperativa e todas as atas de assembléias em que o contribuinte figurou como cooperado. Resultado da Diligência Concluída a diligência, o órgão preparador emitiu o Relatório Fiscal de Diligência (1.031/1.035) no qual: faz um relato acerca da CBT. Companhia Brasileira de Tratores, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos, abordando o fato de referida empresa, após passar por crise financeira na década de 1980, ter deixado de adimplir direitos trabalhistas de seus milhares de funcionários; tratou de aspectos relativos a inúmeros advogados que patrocinaram ações trabalhistas em favor dos exfuncionários da empresa e ao fato de que, por não receberem os valores decorrentes de suas ações trabalhistas, também não tiveram como honrar seu compromissos com os advogados; faz referência à instituição da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT, MPL Motores e MPL Empreendimentos cujo objetivo foi disputar o patrimônio do GRUPO MPL com os bancos credores da empresa; Segundo o Relatório Fiscal de Diligência, Estatuto Social (da cooperativa) admitiu como cooperado não só os exfuncionários das empresas do GRUPO MPL, mas também todos os advogados que patrocinaram as ações trabalhistas (art. 6º do Estatuto Social)em favor dos empregados.Por conta dessa previsão estatutária, tanto os exfuncionários quanto os advogados subscreveram cotas na formação do capital social da Cooperativa, proporcionalmente aos créditos que cada um julgava possuir É obvio que os exfuncionários possuíam créditos trabalhistas junto às reclamadas (Empresas do Grupo MPL), enquanto os advogados possuíam créditos de honorários advocatícios junto aos exfuncionários (seus clientes). Todavia, no momento em que as cotas do capital foram subscritas, todos (exfuncionários e advogados) passaram a ser credores da Cooperativa e, consequentemente, cooperados. [...] Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 8 13 [...] à medida em que a Cooperativa efetuava os pagamentos de créditos trabalhistas aos exfuncionários, pagava simultaneamente os honorários dos advogados que patrocinaram as causas trabalhistas, proporcionalmente a quantidade de cotas que cada um subscreveu. Com relação aos documentos solicitados pelo órgão julgador, resta consignado no Relatório Fiscal de Diligência: Em resposta protocolizada em 11/06/2014,posteriormente complementada em 26/06/2015, a Cooperativa apresentou as declarações (fls. 1002/1005) e os documentos (fls. 1019/1030) reproduzidos abaixo: Ø Balancete relativo ao anocalendário de 2002; Ø Livros Diários dos anoscalendário de 2003 e 2004; Ø Livro Razão de 1998; Ø Ficha de Subscrição do Capital Social; Ø Declaração afirmando que o ato que tornou o advogado Luiz Fernando Freitas Fauvel cooperado é a subscrição de seus honorário transformados em cotas, resultando da subtração do percentual do cálculo trabalhista homologado, acordado no processo de cada cliente. A aceitação do advogado como cooperado foi para solucionar a questão de pagamentos de honorários, ou seja, nesse formato, o advogado teria seus honorários garantidos e sendo pagos no mesmo período de rateio aos demais cooperados; Ø Declaração informando que não existe contrato de dação em pagamento que comprova a transferência das quotas da Cooperativa para o Advogado, pois o Advogado do ex funcionário subscreveu seus honorários como cotas da Cooperativa, lançadas e assinada no Termo de Subscrição. Os valores das fichas de subscrição de todos os Cooperados são lançados em planilhas por ocasião de rateios para se apurar o recebimento e creditado na conta bancária de cada cooperado. Os rateios posteriores são realizados da mesma forma com os saldos apurados anteriormente;(Grifos do original). Segundo o órgão preparador, as declarações e a escrituração contábil de 1988 da Cooperativa comprovariam que os valores recebidos pelo recorrente tratamse de honorários advocatícios. Faz referência a processos semelhantes em que o órgão julgador de segunda instância exarou decisões favoráveis à Fazenda Nacional. Manifestação do Contribuinte a Respeito do Relatório de Diligência Fiscal Em vista do Relatório de Diligência, o contribuinte apresentou manifestação (fls. 1045/1055) na qual expõe que Ainda que outros Autos de Infração, versando sobre a matéria tributária, tenham sido julgados procedentes pelo CARF, como Fl. 1110DF CARF MF 14 mencionado acima pela autoridade fiscal, o fato é que as decisões prolatadas naqueles processos fiscais não encerram a discussão sobre a natureza dos pagamentos feitos pela Cooperativa ao contribuinte. [...] [...] o contribuinte passou a condição de cooperado, mediante a subscrição de 70.904,98 cotas do capital social da Cooperativa, de acordo com o Termo de Subscrição (fls. 1019/1020); A conclusão da autoridade fiscal foi a de que os valores recebidos pelo contribuinte em 2002, 2003 e 2004, são honorários advocatícios por ter patrocinado as ações trabalhistas de cinco exfuncionários, nos processos judiciais 1435/94, 1436/94, 1437/94 e 1438/94. [...] Ocorre que os pagamentos feitos pela Cooperativa ao Contribuinte não devem ser enquadrados como honorários advocatícios, posto que a partir da subscrição do capital social, deixou de existir a figura do contribuinte como patrono das causas, passando a ser considerado tão somente integrante do quadro social da Cooperativa como cooperado. Assim, não há que se falar mais em honorários advocatícios, mas em cotas do capital social da Cooperativa porque todo o capital aportado pelo associado é um instrumento patrimonial e como tal deve ser contabilizado como patrimônio líquido. O mesmo ocorre com as verbas trabalhistas deferidas em sentenças judiciais transitadas em julgado e subscritas como quotas na Cooperativa. Mutatis mutandis, pelo raciocínio da fiscalização, também caberia averiguação do Fisco sobre os valores creditados aos exfuncionários da CBT, pois haveria de se indagar a natureza dos valores que compõem cada pagamento efetuado a esses cooperados, a fim de definir a incidência da respectiva tributação, bem como das contribuições que então sobre elas incidiriam. Mas isso não ocorre porque, no momento em que transformado em quotas da Cooperativa, a natureza trabalhista do crédito se divorcia da relação original e transmudase para cotas do capital social da Cooperativa, passando a ter o tratamento legal correspondente. [...] Assim, a matéria tributária não pode ser discutida à margem da Lei n9 5.764, de 16/12/1971, que define a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas e dá outras providências. O recorrente transcreve disposições da Lei nº 5.764/1971 e destaca aspectos relacionados à apuração dos resultados de cooperativas. Aduz que o Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), dar o tratamento de não incidência para os casos em que a cooperativa exerce suas atividades segundo a legislação específica. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 9 15 Com base no disposto no RIR/1999, infere que as cotasparte que lhe foram pagas com as sobras apuradas pela Cooperativa não estão sujeitas à tributação e, por essa razão, não teria havido retenção em relação aos valores recebidos nos anos de 2002, 2003 e 2004. Por se tratar de recebimento de devolução de capital social subscrito pelo Contribuinte, a situação seria de isenção do imposto de renda, de acordo com o disposto no art. 182 do RIR/1999. Além de outras considerações sobre tributação de cooperados, inclusive aqueles vinculados a cooperativas de trabalho, alega o sujeito passivo que: Conclusivamente, podese dizer que, com a subscrição do capital social da Cooperativa, o Contribuinte celebrou uma espécie de "contrato jurídico", abandonando sua natureza jurídica anterior (advogado), passando a fazer parte desta sociedade cooperativa como cooperado (tão somente), com direito a devolução das cotas integralizadas. Os valores recebidos da Cooperativa a título de restituição de parte do capital social subscrito não estão sujeitos à tributação do imposto de renda, como demonstrado acima. Portanto, não se trata de omissão de rendimentos, referentes a honorários advocatícios, devendo o lançamento de ofício do IRPF, anoscalendário 2002, 2003 e 2004, ser julgado improcedente. Faz considerações a respeito de decadência, alegando que, em razão de antecipação de pagamento e, em face do disposto no art. 150, § 4º do CTN, estariam decadentes os valores relacionados ao ano calendário 2002. Reproduz súmula nº 29 do CARF que trata de depósitos bancários em conta conjunta, informa que em 2005 possuía três contas conjuntas com seu cônjuge e que o lançamento foi efetuado sem a oitiva deste para informar a origem dos recursos depositados nessas contas, padecendo o lançamento de vício, pelo que deve ser declarado improcedente. Destaca que, em relação a uma das contas, a autoridade lançadora considerou a integralidade (100%) dos valores depositados, enquanto que em face das outras duas contas, considerou 50% dos valores tidos como sem origem conhecida, a despeito de não ter intimado a segunda titular de tais contas. Requer o acolhimento de sua manifestação sobre as conclusões da Diligência requerida pela Resolução nº 2101000.195 l5, assim como, com relação às matérias de ordem pública e de natureza da verdade material, para ao final, julgar improcedente o lançamento do IRPF, anoscalendário 2002, 2003, 2004, nos termos da legislação tributária enfatizada nas razões de defesa. É o relatório. Fl. 1112DF CARF MF 16 Voto Vencido Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. PRELIMINARES Cerceamento do Direito de Defesa Aduz o recorrente que teve seu direito a ampla defesa e ao contraditório atingido em razão da negativa contida na decisão recorrida quanto a produção de provas, após transcorrido o prazo para impugnação, e a realização de perícia e de diligência. No mesmo sentido, a ampla defesa também teria restado prejudicada pelo fato de a fiscalização ter se negado a averiguar documentos localizados no escritório do sujeito passivo, os quais seriam fundamentais para a verificação da ocorrência ou não do fato gerador tributário. Primeiramente, impende reproduzir o art. 69 da Lei 9.784/1999: Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. O Processo Administrativo Fiscal – PAF, em âmbito federal, é regido pelo Decreto nº 70.235/1999, norma recepcionada com força de lei pela ordem constitucional vigente. Assim, considerandose que questões relacionadas a apresentação de defesa, prazos processuais, produção de provas e realização de perícias ou diligências estão exaustivamente tratadas na norma processual específica, é o regramento contido nessa norma que deve ser observado no se refere a tais aspectos, não lhes sendo aplicável as disposições contidas na Lei nº 9.784/1999. Convém esclarecer que, a teor do art. 15 do Decreto nº 70.235/1972: “A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência”. Já o inciso III e o § 4º do art. 16 e o art. 17 do referido Decreto, estabelecem que as razões de fato e de direito e os pontos de discordância devem ser mencionados na impugnação, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. Do mesmo modo, as provas que o contribuinte possuir devem ser apresentadas conjuntamente com a peça impugnatória. Passada essa fase, somente serão Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 10 17 admitidas novas provas caso fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refiramse a fato ou a direito superveniente ou destinem se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, o que não é o caso. De se ressalvar, de início, que o princípio do informalismo ou do formalismo moderado, que orienta o Processo Administrativo, tem como finalidade a facilitação do acesso do cidadão à Administração, mas isso não significa que tal princípio autorize o administrado a agir a revelia da lei ou obrigue a Administração a flexibilizar as exigências legalmente estabelecidas. Com relação aos pedidos de perícia ou diligência, o inciso IV e o § 1º do supracitado art. 16 estabelecem como requisitos, os quais devem ser expostos ainda na impugnação: i) a apresentação dos motivos que os justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados; e i) no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado pelo impugnante. Reputamse não formulados, nos termos da norma legal, os pedidos que deixarem de atender aos citados requisitos. Além disso, a autoridade julgadora de primeira instância indeferirá os pedidos apresentados, quando considerálos prescindíveis ou impraticáveis, de conformidade com art. 18 do lei processual tributária. À luz do exposto, vêse que a autoridade julgadora de primeira instância, ao indeferir os requerimentos do contribuinte relativamente a produção de provas, realização de perícia ou diligência, agiu em estrita observância ao regramento estabelecido na norma disciplinadora do PAF, não se verificando na decisão vergastada qualquer evidência de cerceamento do direito à ampla defesa ou ao contraditório, ao revés do que sugere o recorrente. Sobre os documentos que o recorrente informa ter disponibilizado em seu escritório e que a fiscalização teria se negado a examinar, consta do documento intitulado “Esclarecimentos e Solicitações” (fls. 216/218) apresentado por ele à autoridade autuante: 3) Tendo em vista que no prazo concedido é impossível levantar documentos que demonstrem o ora alegado, solicito seja diligenciado em meus arquivos, ainda que por amostragem, a constatação dos valores destinados a diversos pagamentos ligados a processos judiciais, motivo pelo qual estou franqueando todo meu arquivo a esta fiscalização para comprovação "in loco" do alegado. Em relação a essa solicitação, restou consignado no Auto de Infração, mais especificamente na fl. 279: A verificação "in loco" dos documentos se mostrou inviável devido ao fato de a legislação dispor que compete ao contribuinte a comprovação da origem dos recursos, e não à fiscalização. Apenas o contribuinte seria capaz de identificar, com base em suas atividades, movimentação financeira e em seus controles, a origem de cada deposito. Assiste razão à fiscalização. Fl. 1114DF CARF MF 18 O art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que será analisado mais detidamente quando do exame das questões de mérito, é claro quanto à incumbência do contribuinte em fazer prova da origem dos depósitos tidos por não identificados pela autoridade lançadora. Não é minimamente razoável querer transferir tal encargo para a fiscalização sob o argumento de não ter tido tempo hábil levantar tais documentos. Ademais, diferentemente do que se afirma no recurso voluntário, não foram disponibilizados documentos no escritório do sujeito passivo para a análise da autoridade autuante, o que se requereu foi que a fiscalização procedesse a uma diligência nos arquivos do reclamante para localizar documentos aptos a identificar a origem de valores movimentados em suas contas bancárias, o que é completamente descabido. De mais a mais, se esses documentos eram tão determinantes para comprovar a origem dos depósitos e infirmar o lançamento do crédito tributário, porque não foram exibidos na impugnação? Em razão disso, afasto a preliminar de cerceamento de direito de defesa, pois não se verificaram quaisquer das circunstâncias alegadas pelo contribuinte quanto ao malferimento de princípios constitucionais como o da ampla defesa ou do contraditório. Defesa Aditiva e Manifestações Acerca de Matéria Estranha ao Objeto de Diligência No mesmo sentido, não cabe a análise de razões aditivas trazidas aos autos após decorrido o prazo para apresentação de recurso voluntário ou manifestações decorrentes de relatório de diligência, quanto a matérias alheias a seu escopo, a menos quando se trate de questão de ordem pública, com relação a qual o exame pela autoridade julgadora independe de manifestação do contribuinte. MÉRITO Decadência Não obstante tenha admitido no recurso voluntário que o prazo decadencial deveria obedecer aos ditames do art. 173, I do CTN, quando da manifestação apresentada por ocasião da realização de diligência requerida por este Conselho, segundo o contribuinte: [...]ao Fisco decaiu do direito de lançar os valores relativos ao anocalendário de 2002, face ao prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) Lei n9 5.172, de 25/10/1966, uma vez que houve antecipação do imposto de renda, de acordo com sua Declaração de Ajuste Anual 2003 Apesar de ter suscitado esse assunto (decadência com base no art. 150, § 4º do CTN) somente nas contrarrazões apresentadas em face de Relatório Fiscal de Diligência que não abordava a presente matéria, ou seja, após o prazo previsto para apresentação do recurso voluntário, por se tratar de questão de ordem pública, tornase imperioso proceder a análise do tema, o que seria feito independentemente de manifestação da parte recorrente. Observese que consta da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2003 (fls. 54/57), linha 16, imposto devido no valor de R$ 461,41. Na linha 17, temse imposto retido na fonte de R$ 17,34 e na linha 25, saldo de imposto a pagar de R$ 444,07: Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 11 19 No Demonstrativo de Apuração do anobase 2002 (fl. 299), há referência a imposto pago de R$ 461,41: Fl. 1116DF CARF MF 20 Os documentos acima colacionados evidenciam que assiste razão ao recorrente quando esse afirma ter adiantado parte do pagamento do imposto relativo ao ano calendário 2002. Assim, há que se reconhecer que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o dispositivo a ser considerado para o exame dessa matéria é o art. 150, § 4º do CTN. Para os casos analisados no feito fiscal, o fato gerador do IRPF ocorreu em 31/12 do anocalendário. Assim, em relação a 2002, o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2007. Entretanto, o contribuinte somente foi notificado do Auto de Infração em 17/11/2008, por conseguinte, os fatos geradores relativos ao referido anocalendário foram alcançados pela decadência, devendo ser excluídos do lançamento. Natureza dos Valores Recebidos da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT Com relação a esse assunto, temse que a decisão de primeira instância considerou os valores recebidos da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT, M.P.L. Motores e Mário Pereira Lopes Empreendimentos pelo contribuinte como honorários advocatícios e, desse modo, tributáveis. O recorrente, por sua vez, pugna para que esses pagamentos sejam considerados quotas apuradas como sobras da Cooperativa e, portanto, isentos do IRPF. Conforme se extrai do Relatório Fiscal de Diligência, a CBT e MPL Empreendimentos, entrou em crise financeira no final dos anos 1980 e veio ficar inadimplente com seus funcionários tanto na questão salarial como social a partir de 1989, dispensandoos paulatinamente até encerrar completamente suas atividades em 1994. Com isso, a exemplo do recorrente, inúmeros advogados vieram a patrocinar causas trabalhistas contra essa empresa. Encerrados os processos, a CBT e MPL Empreendimentos não conseguiu pagar os valores determinados pela Justiça em razão do caos financeiro em que estava mergulhada. Por não terem recebido os valores decorrentes das ações judiciais, os exfuncionários não honraram os compromissos assumidos com os advogados. Nesse contexto, foi criada a Cooperativa dos ExFuncionários da CBT e MPL Empreendimentos, com o objetivo exclusivo de administrar os bens recebidos em decorrência de crédito trabalhista que os exfuncionários possuíam com o GRUPO MPL. Nessa Cooperativa, além dos exfuncionários, foram admitidos também os advogados que patrocinaram as ações trabalhistas desses. Em vista do Estatuto da Entidade, exfuncionários e advogados subscreveram cotas na formação do capital social da entidade, proporcionalmente aos créditos que cada um julgavam possuir. Assim, o recorrente tornouse credor da Cooperativa, na condição de advogado de exfuncionários, fazendo jus ao recebimento de valor equivalente ao de seus honorários. Na medida em que a Cooperativa recebia os valores decorrentes das ações trabalhistas e efetuava os pagamentos dos créditos correspondentes aos exfuncionários, pagava simultaneamente os honorários aos advogados que patrocinaram as causas, proporcionalmente a quantidade de cotas subscritas. O trecho do Relatório Fiscal de Diligência denominado “A Origem dos Honorários Advocatícios”, é elucidativo quanto à situação acima descrita, especificamente em relação ao sujeito passivo: Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 12 21 A ORIGEM DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS O TERMO DE SUBSCRIÇÃO (fls. 1019/1020) comprova que Luiz Fernando Freitas Fauvel, na condição de advogado trabalhista, subscreveu 70.904,98 cotas do capital social da Cooperativa, no dia 10/02/1996, dando origem ao direito de recebimento de honorários advocatícios no valor de R$ 70.904,98. Esses honorários advocatícios são provenientes de ações trabalhistas patrocinadas em favor dos exfuncionários, conforme demonstrado no quadro abaixo: ExFuncionário (reclamante) Processo Judicial Crédito Trabalhista Honorários Advocatícios % honorários Angelo Carnelosi 1437/94 72.419,81 14.483,96 20% Antonio Carlos Zeferino Souza 1436/94 97.865,70 19.573,14 20% Antonio Carlos Zeferino Souza 1435/94 27.028,47 5.405,69 20% Claudionor Roberto Vansim 1437/94 79.817,39 15.963,48 20% Jurandir Rodrigues dos Santos 1438/94 77.393,53 15.478,71 20% Total 354.524,90 70.904,98 É muito importante observar que os honorários advocatícios a que teria direito o Recorrente representam exatamente 20% (vinte por cento) do valor das causas trabalhistas patrocinadas em favor de cada exfuncionário, conforme, aliás, devidamente contabilizado no Diário/Razão de 1998 (fls. 1021/1025). Notase que a conta 2401010001 – 1748 é muito clara ao registrar os valores acima como honorários advocatícios (fls. 1025). Nos anos de 2002, 2003 e 2004, com a alienação dos primeiros imóveis pela Cooperativa, o Recorrente começou a receber seus honorários, proporcionalmente às cotas que subscreveu, conforme discriminado no quadro abaixo, cujos valores foram extraídos do Balancete e dos Diários (fls.1026/1030). ANOCALENDÁRIO HONORÁRIO RECEBIDO FONTE 2002 R$ 5.980,55 Balancete 2002 R$ 3.355,85 Diário 2003 R$ 440,91 Diário 2003 R$ 2.802,31 Diário 2004 R$ 3.350,39 Diário Importa destacar que os reclamantes (exfuncionários) não receberam os seus créditos trabalhistas integralmente, nem os advogados receberam os honorários em sua totalidade. Todos os valores recebidos pela Cooperativa foram rateados entre os cooperados (exfuncionários e advogados) proporcionalmente ao capital subscrito. Esclarece a fiscalização, por meio do Relatório Fiscal de Diligência, que não houve retenção de imposto sobre os valores recebidos pelo sujeito passivo. Tais valores também não foram declarados ou oferecidos a tributação nas declarações de rendimentos respectivas. Fl. 1118DF CARF MF 22 Cumpre salientar, desde já, que a denominação dada aos valores percebidos pelo contribuinte não tem o condão de elidir a incidência do IRPF, nesse sentido, dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. [...] Assim, embora o contribuinte assegure que os valores por ele recebidos tratamse de cotas do capital social da Cooperativa dos ExFuncionários da CBT e MPL, o fato é que tais valores decorreram de serviços prestados por ele na condição de advogado, ou seja, referidos valores têm natureza de honorários advocatícios e, como tal, devem ser tributados. Apercebase que ao subscrever o capital equivalente a seus honorários, o contribuinte não providenciou sua integralização, o que foi diferido para a ocasião da entrada de valores resultantes da alienação de bens havidos pela entidade. Entretanto, quando da venda de imóveis pela Cooperativa ou do repasse dos valores correspondentes aos honorários ao sujeito passivo nada foi oferecido à tributação. Teria razão o recorrente se houvesse, quando da alienação de referidos bens, e antes da “integralização” de suas quotas, recolhido os valores correspondentes ao imposto de renda sobre os honorários, mas isso não ocorreu. Dessa forma, não há que se falar em ato cooperativo ou que a discussão acerca da matéria tenha que se dar à luz da Lei nº 5.764/1971, tampouco que as parcelas recebidas pelo recorrente estejam isentas de tributação com base no art. 182 do Regulamento do Imposto de Renda. Sobre o argumento de que os valores recebidos da Cooperativa pelos ex funcionários da CBT tiveram tratamento distinto ao que fora dispensado às verbas recebidas pelo recorrente, cabe esclarecer que, por não se tratar de questão atinente ao presente processo, não há como se emitir juízo a esse respeito. Vale lembrar, consoante esclareceu a fiscalização no Relatório Fiscal de Diligência, que a matéria tratada neste tópico já fora objeto de outras decisões no âmbito deste Conselho e que os lançamentos vêm sendo mantidos em vista de os pagamentos efetuados pela Cooperativa dos ExFuncionários da CBT e MPL a advogados terem também sido considerados honorários advocatícios. Tal constatação pode ser conferida a partir do exame, dentre outros, do Acórdão 210100292, de 23/09/2009 (processo 13857.000532/200611), Acórdão 220100.608, de 21/01/2011 (processo 13857.000079/200724) e Acórdão 2102 002.371, de 02/04/2013 (processo 13857.000573/200616). Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 13 23 Pelas razões acima elencadas entendo que, nessa parte, deve ser mantido o lançamento, consoante consignado na decisão a quo. Depósitos Bancários De outra parte, em sede de normas gerais, o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), estabelece como fato gerador do imposto de renda a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos) ou de proventos de qualquer natureza (acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda). Vejamos: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No mesmo sentido, o § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, dispõe: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. [...] De se observar que, além dos valores compreendidos no conceito de renda, o imposto alcança ainda os acréscimos patrimoniais não correspondentes a rendimentos declarados, ou seja, é perfeitamente válida a incidência do tributo sobre rendimentos não declarados procedentes de depósitos bancários. No caso sob análise, têmse que a Fiscalização constatou a ocorrência de acréscimos patrimoniais em virtude de depósitos bancários de origem não comprovada. Com relação essa modalidade de depósitos, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prescreve: Depósitos Bancários Art. 42. Caracterizam se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 1120DF CARF MF 24 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter se ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratando se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Quanto ao inciso I do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1997, os valores ali definidos foram atualizados pela Medida Provisória n° 1.563, de 1997, convertida na Lei nº 9.481, de 1997, para, respectivamente, R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00. Notese que o citado art. 42 da Lei nº 9.430/1996 estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Referida presunção impõe o lançamento do imposto correspondente quando o titular de conta bancária não comprove, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos que lhe tenham sido creditados. Na hipótese referida no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, o ônus probatório decorrente da presunção legal de omissão de rendimentos revertese em desfavor do contribuinte, o qual necessita comprovar a origem jurídica dos valores transitados por sua conta bancária para se elidir da tributação. Trata se, pois, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo sua produção. Esclarece a fiscalização (Auto de Infração – fl. 271) que das três contas bancárias onde foi constatada a existência de depósitos sem origem identificada, duas delas são Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 14 25 em conjunto com o cônjuge do autuado. Tal informação mostrase relevante, pois, a depender forma com que a ação fiscal foi conduzida, esse fato pode atrair a aplicação da Súmula CARF nº 29. Referida Súmula estabelece: Súmula CARF nº 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Por certo, para se saber o verdadeiro alcance da citada Súmula, faz necessário analisar as decisões que deram suporte a sua edição. Nesse sentido, impõese reproduzir excertos de algumas dessas decisões: Acórdão n° 10617.009, de 6 de agosto de 2008 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. Nos termos do artigo 42, caput e seu § 6°, da Lei n° 9.430/96, é necessária a intimação do titular (se a conta for individual) ou dos titulares das contas de depósito ou de investimento (se a conta for conjunta) para que comprovem a origem dos depósitos bancários identificados. Feito isso e na hipótese de as declarações de rendimentos terem sido apresentadas em separado, é que o valor dos rendimentos omitidos será dividido pelo número de cotitulares da conta bancária. A ausência de intimação de um dos cotitulares da conta conjunta toma insubsistente o lançamento com relação aos depósitos bancários sem origem comprovada identificados junto a ela. (Grifos Nossos) Acórdão n° 10248.460, de 26 de abril de 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6°, do artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. (Grifos Nossos) Acórdão n° 10248.163, de 26 de janeiro de 2007 CONTA CONJUNTA Em se tratando de conta conjunta, é necessário intimar todos os cotitulares da conta para que informem sobre a origem dos recursos. A divisão do total de Fl. 1122DF CARF MF 26 rendimentos ou receitas pela quantidade de cotitulares somente é cabível, quando, intimados os titulares da conta não se obtenha êxito quanto à prova da titularidade dos recursos. Não pode a fiscalização, sem a intimação do cotitular da conta, cuja declaração de rendimentos tenha sido apresentada em separado, presumir que a metade das receitas pertence a um dos correntistas e o saldo remanescente ao outro contribuinte. (inteligência art. 42, § 6°, da Lei n°9.430, de 1996). (Grifos Nossos) De se notar que as decisões reproduzidas, e todas as outras que fundamentaram a edição da Súmula CARF nº 29, têm como supedâneo o § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e, por conseguinte, referemse a situações envolvendo contas conjuntas em que os cotitulares apresentam declaração de rendimento em separado. Diferentemente disso, no caso em questão o cônjuge do recorrente figura em suas Declarações de Ajuste Anual – DAA na condição de dependente (fls. 54/79), ou seja, como não houve a apresentação de DAA em separado, inaplicável ao caso referida Súmula. Com o intuito de infirmar o lançamento relativo aos depósitos bancários, alega o recorrente que 89% dos R$ 163.806,07 desse valor não se constitui em renda por ele auferida. Sobre essa questão, convém asseverar que o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua gênese comprovada de forma individual, com a apresentação de documentos que demonstrem a sua origem e a indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando a esse indicar uma fonte genérica para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. A esse respeito, reputo acertada a análise contida na decisão de primeira instância que concluiu que os documentos apresentados pelo sujeito passivo (fls. 400/855) não se mostraram hábeis a comprovar a origem dos recursos que transitaram por suas contas bancárias. No caso dos R$ 24.385,00 que, segundo o recorrente, seriam valores correspondentes a transferências de conta de mesma titularidade, percebese que a “Tabela 02 – Valores Desconsiderados”, constante do Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fl. 194), demonstra que referida quantia foi desconsiderada pela fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração. Aliás, os valores desconsiderados pela fiscalização (R$ 24.935,00) são, inclusive, superiores aos apontados no laudo e nas planilhas de fls. 825, referidos na peça recursal. Com relação aos demais valores cuja origem o sujeito passivo insiste ter comprovado, entendo não haver o que acrescentar ao exame empreendido na decisão vergastada, segundo a qual: Com referência aos depósitos justificados na planilha anexa ao laudo contábil (fls. 412/421), como sendo Acordos Processos Judiciais e custas processuais, o contribuinte não anexou aos autos quaisquer documentos que comprovassem essas afirmações, portanto não há como considerálas. [...] Também não restou comprovada a alegação de que em 21/06/2005, houve um DOC no valor de R$ 920,12, que foi computado em duplicidade pelo banco. Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 15 27 Quanto ao pleito de desconsideração do cheque no importe de R$ 3.000,00, que fora depositado na conta n° 010020134, na agência 0708, do banco 151, que não chegou a constituir renda ao lmpugnante, observese que tal valor sequer integrou este levantamento, conforme se verifica às fls.158. No que tange ao pedido de exclusão da tributação o valor de R$ 44.680,00, da mesma forma, não foram trazidos aos autos documentos que comprovassem que tal valor está contido no valor tributável de R$ 163.806,07, apurado pela fiscalização. Frisese que, não tendo sido comprovada a origem de quaisquer dos valores creditados nas contas bancárias do recorrente, não há que se falar na aplicação do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 ao caso como forma de afastar o lançamento, visto que a soma dos valores abrangidos na autuação equivalem a 163.806,09 e os créditos bancários inferiores a R$ 12.000,00, somam quantia que ultrapassa os R$ 80.000,00 previstos no dispositivo suscitado (vide Termo de Constatação e Intimação Fiscal – Fls. 192/212). Por fim, a respeito da dedução das despesas com o escritório, que o recorrente requer sejam deduzidas do lançamento, além representar retificação indevida da declaração, o que contraria o § 1º do art. 147 do CTN, não há como vincular tais despesas ao custeio das atividades que levaram o contribuinte a auferir os rendimentos omitidos da tributação. Por todas essas razões, entendo que não se devam acolher os argumentos apresentados na peça recursal acerca dessa matéria. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário de modo a excluir do lançamento os valores relativos ao anocalendário 2002, por terem esses sido alcançados pela decadência. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 1124DF CARF MF 28 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Em que pese as bem colocadas razões do D. Relator, tenho entendimento diverso no que toca à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Na realidade, considero ser aplicável à espécie a Súmula CARF nº 29, dantes transcrita. Recordando, temse que duas das três contas bancárias cujo exame deu azo à infração as contas mantidas nos bancos Nossa Caixa e Real são incontestavelmente contas de titularidade conjunta com o cônjuge do recorrente, que consta como sua dependente nas DIRPFs dos anoscalendário examinados (fls. 54 e ss). Observese, também, que não se trata aqui de declaração conjunta, ou melhor, declaração de rendimentos conjunta, pois a dependente não ofereceu quaisquer rendimentos à tributação nessas DIRPFs. Então, deve ser reconhecido que o simples fato do cônjuge do contribuinte constar como dependente na sua DIRPF não consubstancia suporte suficiente para o entendimento segundo o qual, em decorrência, estaria o autuado a par de todas as das movimentações bancárias que foram realizadas nas contas bancárias de titularidade conjunta dessas pessoas físicas, de modo a poder comprovar sua origem nos termos demandados pela fiscalização. Decerto a dependente poderia nelas ter efetuado saques, depósitos, transferências, etc., sem que necessariamente o autuado soubesse dessas movimentações. Nessa toada, era necessário que todos os titulares das contas em apreço fossem intimados a justificar a origem dos depósitos, para a correta apreensão da materialidade do fato gerador do imposto de renda pessoa física na situação, forte no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o que não ocorreu no caso. Por conseguinte, impõese a aplicação da Súmula CARF nº 29, em observância do disposto no art. 72 do Anexo II do RICARF. Mais: com a exclusão desses depósitos, temse que os créditos remanescentes objeto de justificação, atinentes à conta nº 704253 do Banco do Brasil S/A., são todos inferiores a R$ 12.000,00 e não atingem a cifra total de R$ 80.000,00, como evidencia o demonstrativo de fl. 309, integrante do lançamento fiscal. Tal fato atrai a incidência da Súmula CARF nº 61, aprovada pela Segunda Turma da CSRF em sessão de 29/11/2010: Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 18088.000583/200887 Acórdão n.º 2402005.828 S2C4T2 Fl. 16 29 R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. De rigor, portanto, aplicar as referidas Súmulas ao caso concreto, cancelando se a infração em comento. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; não conhecer de razões aditivas apresentas após o recurso; reconhecer a decadência para os valores relativos ao anocalendário de 2002 e, no mérito, darlhe provimento parcial no sentido afastar do lançamento a apuração relativa aos depósitos bancários. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1126DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.015001/2001-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997
AUTO DE INFRAÇÃO - PROCESSO JUDICIAL - COMPROVAÇÃO
Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o sujeito passivo demonstra a existência desta ação, bem como que figura no polo ativo, deve-se reconhecer a improcedência do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento.
Numero da decisão: 9303-004.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
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Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 50 01 /2 00 1- 12 Fl. 361DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3803002.296, de 24 de janeiro de 2012 (fls. 254 a 258 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o auto de infração, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. O lançamento decorrente de auditoria interna na DCTF cuja motivação da autuação tenha sido processo judicial não comprovado, ocorrendo sua comprovação, não há que ser mantido sob outra alegação. O processo em exame versa sobre lançamento eletrônico originado de auditoria interna de DCTF, realizada pela DEFIC/SPO, em que foi apurada falta de recolhimento dos débitos de PIS de janeiro a junho de 1997, conforme auto de infração de fls. 28/30. Em impugnação ao lançamento, às fls. 1/12, o Contribuinte alegou: a) que a autuação é nula de pleno direito, vez que não foi cientificada do lançamento, como se observa no campo 8 do auto de infração, que não apresenta a assinatura de seu representante legal; b) que assinalou ter havido infringência do princípio constitucional da publicidade dos atos administrativos, com consequente violação do direito ao contraditório e à ampla defesa, assegurado pelo art. 5° da CR/88; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 362 3 c) quanto ao mérito, haver compensado os débitos lançados com créditos do próprio PIS amparada pela Medida Cautelar n.° 95.00430240, cuja petição inicial anexou aos autos, fls. 35/49,concluindo daí que, estando os débitos extintos por compensação, não há que se falar em falta de recolhimento; d) o nãocabimento, no caso, da multa imposta, uma vez que não houve prestação de informações inexatas às autoridades fiscais, mas tão somente erro de fato no preenchimento da DCTF. No julgamento da lide, a DRJ/SPO I consignou ser infundada a alegação de nulidade suscitada pelo Contribuinte. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, e o colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso. Do relatório da decisão recorrida extraio: No curso dessa atividade, a citada delegacia levantou as compensações realizadas pela contribuinte, em que contrapôs seus créditos à exigência do PIS do anocalendário 1998 em outro auto de infração decorrente de auditoria de DCTF, que constituiu o processo administrativo nº 19679.005330/200306. O resultado foi consubstanciado no Parecer DRF/TSR/SACAT n°: 0498/2006, constante às fls. 74 /75, do qual se extrai o excerto abaixo: Passamos à análise propriamente dita: 1. as ações judiciais tiveram o seguinte andamento: • liminar deferida na Medida Cautelar 95.00430240 para que a impetrante compensasse os valores recolhidos a maior (com base nos Decretos Leis n° 2.445/88 e 2.449/88) a titulo de PIS, com parcelas vincendas do próprio PIS, calculado nos termos da Lei Complementar n° 7/70 e com parcelas vincendas do COFINS (fls.17 a 19); • a sentença proferida na Ação Ordinária 95.00480581 declarou ser inexigível o recolhimento do PIS com as alterações introduzidas pelos DecretosLeis n° 2445/88 e 2449/88, subsistindo nos termos da Lei Fl. 363DF CARF MF 4 Complementar n° 7/70 e reconheceu o direito à compensação do PIS próprio PIS, observada a prescrição quinquenal (fls.38 a 46); • a Apelação da União foi recebida nos efeitos suspensivo e devolutivo (fls.70); • o Acórdão negou provimento à Apelação por unanimidade e deu parcial provimento à remessa oficial para fixar a correção monetária conforme os índicesoficiais do Fisco (fls.56 a 65 9 71). Inobstante o órgão julgador externar o que fora consignado no dito parecer, ignorou a constatação da autoridade preparadora quanto à existência de liminar na medida cautelar n° 95.00430240, ação judicial que escudou o procedimento compensatório da contribuinte, informado na DCTF alvo da auditoria. O auto de infração foi motivado por “declaração inexata”, que teria sido prestada pela contribuinte em sua DCTF com a indicação da compensação dos débitos que declarou autorizada pelo processo judicial n° 95.00430240. Tal motivo está claramente marcado pela ocorrência “Proc Jud não Comprovad”, constante do Demonstrativo de Débito integrante da peça de exigência fiscal. Visto assim, ante os elementos constantes dos autos, que o motivo é falso, do que, podese afirmar de outra forma ser inexistente o motivo que respalda o lançamento. Desta maneira, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 262 a 276) em face do acordão recorrido, a divergência suscitada da Fazenda Nacional está fundada no fato de que o acórdão paradigma decidiu por não conhecer do recurso no que trata do direito aos créditos, e, consequentemente, para que se procedesse à compensação com base na ação judicial; no que conheceu, cancelou a multa de ofício aplicada. Para comprovar a divergência foi apresentado, como paradigma, o acórdão n.º 20312.427, proferido pela antiga Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, conforme cópia juntada às fls. 277 a 293. "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep ., Período de Apuração: 31/08/1997 a 31/12/1997 Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 363 5 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DESISTÊNCIA NA ESFERA ADMINISTRATIVA. O contribuinte que busca a tutela jurisdicional abdica da esfera administrativa, na parte que trata do mesmo objeto. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. PERÍODOS DE APURAÇÃO 08/1997 A 12/1997. VALOR DECLARADO EM DCTF COM COMPENSAÇÃO. SALDO A PAGAR REDUZIDO. CONFISSÃO DE DÍVIDA NÃ0 CARACTERIZADA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO. LEI Nº 11.051/2004, ART. 25. EXONERAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. No período em que a DCTF considera confissão de dívida apenas os saldos a pagar, os valores declarados como compensados devem ser lançados, sendo as multas de ofício respectivas exoneradas em virtude da aplicação retroativa do art. 25 da Lei na 11.051/2004, que alterou a redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003 de modo a determinar o lançamento da multa isolada apenas nas hipóteses de sonegação, fraude e conluio. Recurso provido em parte." Do voto condutor do acórdão apresentado como paradigma evidenciase que, naquele processo, o lançamento decorrera de o processo judicial não estar comprovado ("proc. jud. não comprovad") e ter sido apresentado quando da impugnação. No processo judicial discutiase a mesma matéria do caso ora sob análise (exigência do PIS com base nos decretos leis inconstitucionais), mas na DCTF informarase a realização de compensação com os créditos dele decorrentes. No voto vencedor afirmouse que a mera comprovação da existência do processo não bastaria se nele não restasse provada a suficiência dos créditos alegados para a compensação informada na DCTF, o que ficou constatado após a impugnação apresentada, e do que resulta a falta de recolhimento de tributo, motivo, em última análise, do lançamento, nas palavras do redator designado. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 294 a 296, sob o argumento que foi apresentada decisão em sentido diverso do acórdão Fl. 365DF CARF MF 6 recorrido, considerando que o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido, assim ficando comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 301 a 317, em que manifestou pelo não provimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional e manter o v.acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora O Recurso Especial da Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. Constatase que o fundamento para o provimento do Recurso Voluntário ora combatido diz respeito à motivação inadequada do Auto de Infração. Entendeu o julgador a quo que o Auto de Infração seria nulo porque se fundamentou na suposta inexistência de medida judicial que amparasse a compensação, conforme DCTF apresentada. Tal fato foi apreciado pela DRJ, mas inobstante o órgão julgador externar o que fora consignado no parecer da DRF/TSR/SACAT n°: 0498/2006, constante às fls. 74 /75, ignorou a constatação da autoridade preparadora quanto à existência de liminar na medida cautelar nº 95.00430240, ação judicial que escudou o procedimento compensatório da contribuinte, informado na DCTF alvo da auditoria. Desta maneira, manteve o lançamento por motivação diversa (AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO REGISTROS CONTÁBEIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITOS.). Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 364 7 Entendo, que nenhuma ressalva há que ser feita no acórdão recorrido. O auto de infração indicou como único motivo a ausência de medida judicial suspensiva da exigibilidade do crédito tributário (“proc. jud. não comprova”), que posteriormente revelouse improcedente pela constatação da existência do processo judicial. Desta maneira, incontroverso o fato de que houve erro na descrição dos fatos que ensejou o lançamento. O processo judicial informado na DCTF, ao contrário do informado no auto de infração existia e assegurava o direito à realização das compensações efetuadas. O lançamento decorre da suposta inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos quitados por compensação autorizada em sede de tutela antecipada. A descrição incorreta do fato motivador do lançamento ofendeu o art. 10ª, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, in verbis: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: III a descrição do fato; " (destaquei) Ao não descrever de forma correta o fato que ensejou a autuação, o Fisco deixou, também, de especificar corretamente a matéria tributável, de cuja essência se consubstanciaria o motivo do lançamento. A descrição correta dos fatos formam a motivação do lançamento, que significa a descrição dos motivos que ensejam o lançamento, que é responsável pela materialização da obrigação tributária, tornandose possível identificar os sujeitos da obrigação e quantificar o crédito. Com efeito, a motivação é um requisito formal do ato administrativo, que é o lançamento. Um vício de motivação não poderá ser sanado no decorrer do processo Fl. 367DF CARF MF 8 administrativo tributário, não restando outra alternativa, senão a nulidade do ato (auto de infração). A lei processual tributária (Dec. 70.235/72 e Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011) é bem clara ao trazer como requisito do lançamento a descrição dos fatos. Esta 3ª Turma da CSRF vem decidindo, por unanimidade de votos, no sentido de se considerar improcedente o lançamento eletrônico que teve por fundamentação “proc. Jud. Não comprova”, quando comprovada a existência do processo judicial, e que nele houve decisão suspendendo a exigibilidade do crédito, informada na DCTF. Transcrevo excerto do voto condutor do Acórdão nº 9303003.400, de 25 de janeiro de 2016, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que foi acompanhado por unanimidade pelos demais membros do colegiado: “A teor do relatado, o Auto de Infração foi lavrado em decorrência de revisão interna de DCTF, relativo ao PIS, em razão da não confirmação da existência do processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados, conforme se vê do "Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados Não Confirmados", da coluna "ocorrência", que consigna "proc.jud. não comprovado".. De outro lado, como bem consignouse no acórdão recorrido, houve erro na motivação do lançamento, posto que o processo judicial informado nas DCTF pela empresa, ao contrário do que informado no auto de infração, existia e, de fato, assegurava a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão. O Processo Administrativo Fiscal exige uma série de requisitos para a formalização do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, dentre os quais destacase o da correta fundamentação da acusação fiscal. Isso porque, no estado democrático de direito, a todos os administrados é assegurado, diante de uma acusação, seja administrativa ou judicial, saber os fatos que lhes foram imputados e os fundamentos que justificaram tal acusação. Isso em decorrência de princípios basilares assentados nas constituições democráticas modernas. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13807.015001/200112 Acórdão n.º 9303004.994 CSRFT3 Fl. 365 9 No nosso ordenamento jurídico, os acusados defendemse dos fatos que lhes foram imputados, inconsistentes esses, inconsistente também será a acusação. No caso dos autos, a autuação deuse sob a premissa da inexistência de processo judicial informado como justificativa para a suspensão da exigibilidade dos débitos objeto de depósito judicial do montante integral, depósitos esses autorizados em sede de sentença transitada em julgado. Ora, se essa era a acusação, proc jud não comprova, e se o sujeito passivo comprovou a existência tanto da ação quanto da suspensão da exigibilidade do crédito, não resta dúvida de que a acusação fiscal é insubsistente.” No mesmo sentido, os acórdãos 9303003.400 9303003.362, 9303003.307 e 9303003.306, proferidos por este colegiado. Por se tratar de matéria idêntica, a partir dos mesmos fundamentos acima expostos, como no caso dos autos a autuação deuse sob a premissa da inexistência de processo judicial informado, e o sujeito passivo comprovou a existência da ação judicial, não resta dúvida de que a acusação fiscal é insubsistente, por erro em sua motivação, ocasionando a nulidade do lançamento. Desta maneira, corretíssima, pois, a decisão recorrida. Assim, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 369DF CARF MF 10 Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907902/2012-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.810
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.809, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 02 /2 01 2- 85 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907902/201285 Acórdão n.º 9303004.810 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10875.907902/201285 Acórdão n.º 9303004.810 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907902/201285 Acórdão n.º 9303004.810 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905954/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1481; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 57 1 56 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.905954/200854 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.763 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria COFINS Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLASTICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 54 /2 00 8- 54 Fl. 57DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF jurisdicionante relativo à Cofins, em virtude de exame de declaração de compensação no qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando sua nulidade em sede de preliminar. Entende que teria havido ausência de fundamentação do Despacho Decisório, o qual também considera que desviou de sua finalidade, pois objetivaria apenas a interrupção do prazo decadencial para a homologação das compensações declaradas. Ao final, reitera suas alegações quanto ã nulidade do despacho decisório e pede o reconhecimento de seu direito creditório com a consequente homologação das compensações realizadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do despacho decisório, por entender que as alegações e os documentos trazidos pela Recorrente não comprovariam o pagamento a maior da Cofins. A decisão da DRJ foi assim ementada: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Cofins Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 Ementa: RESTITUIÇAOCOMPENSAÇAO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o pleito pela nulidade do despacho decisório e não apresenta nenhuma alegação contra o mérito do despacho decisório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11020.905954/200854 Acórdão n.º 3201002.763 S3C2T1 Fl. 58 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente alega a nulidade do despacho decisório por não atender as exigências de motivação e finalidade. Entendo não assistir razão ao recurso, A Recorrente foi cientificada do despacho decisório e apresentou sua manifestação de inconformidade alegando questões preliminares sem adentrar a devida comprovação do crédito pleiteado. O julgamento da primeira instância foi claro ao decidir pela manutenção do despacho diante da ausência de comprovação documental dos créditos pleiteados pela Recorrente. Cientificada da decisão da primeira instância, apresentou seu recurso voluntário trazendo em linhas gerais, as mesmas alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade e não trouxe nenhuma informações ou documentos que pudessem levantar qualquer dúvida quanto as conclusões do trabalho fiscal. Não apresentando nenhuma contestação objetiva sobre a comprovação do créditos, tampouco indicou a origem dos supostos créditos pleiteados no pedido de compensação. Novamente se resumiu a questões preliminares e quanto ao mérito, reafirma que a obrigação é da Receita Federal em buscar a verdade material e apurar os créditos alegados pela Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de informações não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar indicação clara das provas a comprovar as suas alegações. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 59DF CARF MF 4 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 60DF CARF MF
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