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Numero do processo: 16327.000260/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O cerceamento de direito de defesa ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual encontram-se as informações que norteiam o lançamento a ser contestado, ou se a descrição dos fatos é insuficiente ou deficiente, de tal forma, a impedi-lo de apresentar impugnação. Situações estas que não se encontram nos presentes autos. Erros na determinação das bases de cálculos, devidamente comprovados, podem ser corrigidos e não implicam em nulidade do lançamento.
GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AQUISIÇÃO DE CARTEIRA DE CLIENTES. Inadmissível a amortização de ágio gerado a partir de planejamento fiscal irregular que transformou a aquisição de uma carteira de clientes em uma empresa formalmente constituída para esse fim.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual.
RECURSO DE OFICIO. VALOR DA EXIGÊNCIA. LANÇAMENTO A MAIOR. Constatado nos autos que o valor relativo à CSLL e da multa isolada por falta de pagamento da estimativa de IRPJ, foram lançados em valor maior que o efetivamente devido, deve ser exonerada em parte a exigência.
JUROS DE MORA. Correta a exigência juros de mora à taxa Selic sobre o principal (Sumula 4 do CARF). Por sua vez, sobre a multa de oficio, os juros devem ser de 1% ao mês, limitado à taxa Selic.
Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à dedutibilidade do ágio. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício isolada, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto; e limitar a cobrança de juros sobre a multa de ofício ao percentual de 1% ao mês. Vencidos em votações sucessivas, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício,os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, que votou pela manutenção integral do lançamento; Carlos Pelá, que votou pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou pela cobrança de juros sobre a multa de ofício com base na SELIC, quando essa taxa mensal for inferior a 1%. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Apresenta declaração de voto o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O cerceamento de direito de defesa ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual encontramse as informações que norteiam o lançamento a ser contestado, ou se a descrição dos fatos é insuficiente ou deficiente, de tal forma, a impedilo de apresentar impugnação. Situações estas que não se encontram nos presentes autos. Erros na determinação das bases de cálculos, devidamente comprovados, podem ser corrigidos e não implicam em nulidade do lançamento. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. AQUISIÇÃO DE CARTEIRA DE CLIENTES. Inadmissível a amortização de ágio gerado a partir de planejamento fiscal irregular que transformou a aquisição de uma carteira de clientes em uma empresa formalmente constituída para esse fim. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. RECURSO DE OFICIO. VALOR DA EXIGÊNCIA. LANÇAMENTO A MAIOR. Constatado nos autos que o valor relativo à CSLL e da multa isolada por falta de pagamento da estimativa de IRPJ, foram lançados em valor maior que o efetivamente devido, deve ser exonerada em parte a exigência. JUROS DE MORA. Correta a exigência juros de mora à taxa Selic sobre o principal (Sumula 4 do CARF). Por sua vez, sobre a multa de oficio, os juros devem ser de 1% ao mês, limitado à taxa Selic. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 60 /2 01 0- 12 Fl. 3458DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à dedutibilidade do ágio. Vencidos os Conselheiros Carlos Pelá, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para cancelar a multa de ofício isolada, vencido o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto; e limitar a cobrança de juros sobre a multa de ofício ao percentual de 1% ao mês. Vencidos em votações sucessivas, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício,os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, que votou pela manutenção integral do lançamento; Carlos Pelá, que votou pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício; e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que votou pela cobrança de juros sobre a multa de ofício com base na SELIC, quando essa taxa mensal for inferior a 1%. Tudo nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Apresenta declaração de voto o conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório HDI SEGUROS S.A. recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a 8a. Turma da DRJ São Paulo I recorreu de ofício haja vista que a exoneração superou o limite de alçada de R$ 1.000.000,00 ( Portaria MF nº 3/2008). Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, em 14/05/2010, foram lavrados contra a empresa contribuinte acima identificada, os Autos de Infração a seguir discriminados, para formalização e cobrança do crédito tributário neles estipulados, no valor total de R$ 32.506.482,14, incluindo as multas de ofício, os juros de mora e multa isolada. a) Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Lucro Real (fls. 357 a368) Fl. 3459DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 3 Total do Crédito Tributário: R$ 23.832.369,00, sendo: R$ 9.634.430,45 a título de imposto; R$ 1.771.980,49, a título de juros de mora calculados até 26/02/2010; R$ 7.225.822,82, a título de multa proporcional (passível de redução); e R$ 5.200.135,24, a título de multa exigida isoladamente (passível de redução); Fatos Geradores: 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008; Multa Isolada: AC 2007 e 2008; Enquadramento legal: (001) GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE: arts. 247, 259, inciso III, 251, parágrafo único, 509 e 510 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto nº 3.000, de 26/03/1999; (002) ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL: arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 273, 274, 384, 385 e 386 RIR/99; (003) MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMATIVA: arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/2007; arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007; b) Contribuição Social (CSLL) (fls. 369/376) Total do Crédito Tributário: R$ 8.674.113,14, sendo: R$ 4.539.119,93, a título de contribuição; R$ 730.653,27, a título de juros de mora calculados até 26/02/2010; R$ 3.404.339,94, a título de multa proporcional (passível de redução); Fatos Geradores: 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008; Enquadramento legal: art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988; art. 28 da Lei nº 9.430/1996; art. 273 do RIR/99; e art. 37 da Lei nº 10.637/2002. 1.1. A ciência da autuação ocorreu em 17/03/2010, conforme consignado às fls. 364 e 374. 2. Conforme exposto no Termo de Verificação às fls. 379/394, em relação ao objetivo do procedimento informa o autuante que foram levadas a efeito junto ao sujeito passivo HDI SEGUROS S/A., doravante HDI, verificações relativas a deduções de despesas de amortização de ágio na apuração do Lucro Real nos anos calendário de 2006, 2007, 2008 e 2009 com a conseqüente redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, ágio este contabilizado pela HDI por ocasião da incorporação do contribuinte HSBC Seguros de Automóveis e Bens S/A., doravante HSBC, CNPJ 07.470.355/000153, ocorrida em 01 de Abril de 2006. Também registra que o início do procedimento fiscal se deu em 22/09/2009. 2.1. Faz então um breve histórico da combinação de negócios entre a HDI e HSBC, expondo que: A HDI é empresa seguradora com atuação no Brasil desde 18 de Abril de 1978 fls. 21 detentora de cerca de 2% do mercado de seguros de sua então área de atuação seguros de saúde e de 0,8% do mercado segurador em geral, conforme informações constantes do Ato de Concentração n° 0801.006267/200504 de lavra do Conselho Administrativo de Defesa Econômica CADE, fls. 22 a 41; Em 2005 a HDI optou pela expansão de atividades no mercado segurador nacional, devidamente noticiada pela imprensa e na página da internet do seu controlador grupo TALANX fls. 42 e 43 expansão esta implementada por duas estratégias, Fl. 3460DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 4 ambas ligadas a HSBC: (1) aquisição de carteira de seguros nos ramos de automóveis e demais modalidades ligadas ao chamado "ramo elementar", aquisição esta contratada em 14 de Julho de 2005 Contrato de Compra e Venda de Ações com Cláusula de Condição Suspensiva e Cláusula de Condição Resolutiva, fls 44 a 70 aquisição esta efetivada em 30 de Novembro de 2005 e representada pela compra de 100% da companhia HSBC Seguros de Automóveis e Bens S/A., companhia esta criada para efetivar transferência da carteira de seguros então operada por HSBC Seguros Brasil S.A.; (2) acordo operacional entre os grupos HDI e HSBC datado de 30 de Novembro de 2005 fls. 71 a 113 tendo por objeto a exploração do canal bancário representado pela rede de agências e pontos de venda do grupo HSBC no território nacional, para a comercialização dos produtos e serviços da HDI, acordo este firmado com prazo de duração de 08 (oito) anos, prorrogáveis por mais 5 (cinco) anos; fazse necessário tecer o histórico de composição societária do grupo empresarial do qual a fiscalizada faz parte e a reorganização societária efetuada no período de Julho de 2005 a Abril de 2006, posto que tal estudo revela que as despesas com amortização de ágio incorridas pela fiscalizada durante o período compreendido desde o anocalendário 2006 até 2008 são decorrentes de eventos societários ocorridos nos anoscalendário 2005 e 2006, eventos estes que demonstraram ter por finalidade criar uma situação que possibilitasse à fiscalizada aproveitar os benefícios fiscais previstos nos artigos 385 e 386 do RIR 1999 citados adiante; A distribuição no tempo dos vários procedimentos adotados pelo grupo estrangeiro proprietário da empresa fiscalizada revela um planejamento fiscal minucioso efetuado com a finalidade única de dar credibilidade a práticas que individualmente poderiam não contrapor, aparentemente, o ordenamento jurídico, mas que, se analisadas em conjunto, demonstram a tentativa da fiscalizada em se inserir indevidamente em um contexto societário ao qual são conferidos os beneficios fiscais pleiteados; O caso em foco é composto de operações estruturadas em seqüência, vale dizer, de uma seqüência de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negociaI encadeado com o subseqüente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Citando, ainda, ensinamento do Prof. Marco Aurélio Greco: "••• , ao invés de analisar cada fotografia (etapa) é importante analisar o filme (conjunto delas). Mais do que um evento (etapa) é importante interpretar a estória (conjunto)"; é preciso indagar também, nas operações em seqüência, qual a situação existente antes da deflagração da seqüência de etapas e qual a situação final resultante da última das etapas. Desse modo, só assim será assegurado um exame abrangente de uma operação complexa, subdividida em múltiplas etapas que são meros segmentos de uma operação maior, de modo a verificar, na realidade, qual a operação que se está pretendendo opor ao Fisco (a complexa ou cada parte da operação); No caso concreto, vale ressaltar que não houve qualquer mudança na titularidade do negócio de seguros em análise. A situação de controle societário do negócio da carteira de seguros do ramo de automóveis e elementares reinante antes do início da operação de incorporação permaneceu inalterada após o seu término; com base em planilha resumo e documentação societária fls. 114 a 172, decompõese, a seguir os procedimentos societários adotados pelas partes envolvidas: Fl. 3461DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 5 1. A HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A. CNPJ 07.470.355/000193 foi criada em 19 de janeiro de 2005 sob a denominação de HSBC Seguros Gerais (Brasil) S.A. pelos contribuintes HSBC Seguros Brasil S.A. CNPJ 76.538.446/0001 36 e HSBC Capitalização Brasil S.A. CNPJ 33.602.053/000194, detentores de 100% de suas ações ordinárias capital social inicial de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) fls. 122 sendo que consta 01 de Julho de 2005 como data de abertura no cadastro de CNPJ, já com a nova denominação fls. 124. 2. A HSBC Seguros de Automóveis e Bens recebeu da HSBC Seguros Brasil, por força de cessão onerosa da carteira então existente de seguros de automóveis e demais ramos chamados "elementares" então de titularidade da HSBC Seguros Brasil, já com o objetivo da transação de alienação supracitada, conforme noticias de imprensa fls. 42 e 43 e preâmbulo do Contrato de Compra e Venda de Ações entre os grupos HSBC (vendedores) e HDI (compradores), de 14 de Julho de 2005 fls. 44 a 70, em especial fls. 47 a 50. 3. Este mesmo Contrato de 14 de Julho de 2005, lavrado com cláusulas de condição suspensiva e resolutiva, estabeleceu a transferência da totalidade do controle acionário da HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A. para a HDI Seguros S/A. CNPJ 29.980.158/000157 e outro acionista pessoa fisica pelo valor de R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais), transferência esta a ser efetivada em 30 de Novembro de 2005. 4. Em 10 de Agosto de 2005 a HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A. promoveu o aumento de seu capital social para R$ 85.000.000,00 (oitenta e cinco milhões de reais), conforme AGE fls. 134 e 135. 5. Em 30 de Novembro de 2005, em decorrência de Termo Definitivo de Fechamento Compra e Venda de Ações de Emissão da HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A. fls.141 a 148 ações estas então de propriedade dos acionistas indicados no item 1 deste tópico, ocorreu a concretização da transferência do seu controle acionário em favor da HDI Seguros S.A. e outras deliberações, tais como a alteração da denominação social da HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A para HDI Seguros de Automóveis e Bens S.A., alteração de endereço, consolidação de estatutos sociais e eleição de nova Diretoria fls. 149 a 156. 6. Em 01 de Abril de 2006, em Assembléias Gerais Extraordinárias de ambas Sociedades, atas às fls. 159 a 164 foi efetivada a incorporação da antiga HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A., já sob a nova denominação de HDI SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S/A., CNPJ 07.470.355/000193, pela agora fiscalizada HDI SEGUROS S/A., CNPJ 29.980.158/000157. Instruem estas atas Protocolo e Justificação de Incorporação datado de 20 de Março de 2006 fls. 165 a 169 e Laudo de Avaliação de lavra de KPMG Auditores Independentes datado de 23 de Março de 2006 fls. 170 a 172. Todas as etapas acima descritas foram objeto de acompanhamento e aprovação dos órgãos reguladores do mercado de seguros e da livre concorrência, a Superintendência de Seguros Privados SUSEP fls. 173 a 182 e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica CADE; Em paralelo e como condição para a efetivação do negocio, as partes vendedora e compradora firmaram, em 30 de Novembro de 2005, por um prazo total de 13 (treze) anos, Contrato de Exploração do canal bancário para a venda de seguros de ramos elementares fls. 71 a 113; Fl. 3462DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 6 Todo o processo descrito acima contou com a contratação pelo grupo HDI da assessoria profissional da companhia KPMG Corporate Finance Brasil, que destacou haver assessorado de forma exclusiva a HDI Intemational Holding na aquisição da HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A., vide proposta para prestação de serviços de avaliação econômica financeira datada de 21 de Dezembro de 2005 fls. 183 a 199 em especial fls. 196; Cabe observar que inicialmente a operação se deu entre dois grupos econômicos estrangeiros independentes, a HDI INTERNATIONAL HOLDING AKTIENGESELLSCHAFT, empresa do Grupo Talanx (outrora denominado Grupo HDI) com sede na Alemanha, detentora de 99,99% do capital social da adquirente HDI Seguros S/A, CNPJ 29.980.158/000157 e a HSBC LATIN AMERICA HOLDINGS (UK) LIMITED, com sede no Reino Unido, detentora de 99,99% do capital votante de HSBC Bank Brasil S/A Banco Múltiplo CNPJ 01.701.201/0001 89, por sua vez detentor de 99,94% do capital votante da alienante HSBC Seguros Brasil S/A., CNPJ 76.538.446/000136, detentora de 99,99% da alienada HSBC Seguro Automóveis e Bens S/A., CNPJ 07.470.355/000193; Em uma bem orquestrada seqüência de eventos verificados entre Janeiro e Novembro de 2005 se deu a criação de uma empresa, transferência de ativos de sua controladora a seu favor e a transferência de controle societário a outro grupo econômico, efetivada em 30 de Novembro de 2005; a partir de 30 de Novembro de 2005, tendo em vista o controle integral do capital votante da HDI Seguros de Automóveis e Bens S/A. exercido pela HDI Seguros S/A., as duas Companhias passaram à condição de vinculadas. Tal condição foi reconhecida pela própria fiscalizada, conforme Petição de 17 de Abril de 2006 fls. 182 solicitando aprovação à SUSEP da incorporação efetivada, onde menciona: "se tratar de uma reorganização entre empresas do mesmo grupo econômico e não ocorrer alteração do controle acionário direto ou indireto das empresas envolvidas na reorganização."; A conclusão da operação representada pela incorporação verificada em 01 de Abril de 2006 se deu entre duas companhias vinculadas. 2.2. Quanto ao valor da transação, forma de pagamento e liquidação da aquisição do controle acionário, o auditor fiscal autuante expõe: o valor da transação estabelecido no Contrato de Compra e Venda de Ações, de 14 de Julho de 2005 foi de R$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de reais), pagos em duas parcelas: R$ 100.000.000,00, pagos a título de adiantamento, no ato de assinatura do Contrato cláusula 1.2, fls. 48 e 49; e R$ 200.000.000,00, a serem pagos no Fechamento e sujeitos a correção pelo IGPM a partir de 10 de outubro de 2005, fechamento este ocorrido em 30 de novembro de 2005; No ato de Fechamento em 30 de Novembro de 2005, o valor do saldo efetivamente pago foi de R$ 202.004.800,00 (duzentos e dois milhões quatro mil e oitocentos reais), item 3.1 do referido Termo fls. 142 e comprovantes às fls. 257 a 259. Para fazer face a estes compromissos a HDI Seguros S.A. promoveu três sucessivos aumentos de seus capital social, passando dos então R$ 67.720.291,80 em 12 de Julho de 2005 para R$ 372.576.441,80 em 27 de Janeiro de 2006. Estes aumentos foram devidamente integralizados mediante aporte de recursos externos sob a forma de investimentos diretos fls. 202 a 256; Fl. 3463DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 7 Tendo em vista cláusulas contratuais em relação a apuração do patrimônio líquido em 28 de Fevereiro de 2006, data base do Laudo de Avaliação acima mencionado, o valor final da transação foi de R$ 303.291.260,75, sendo R$ 88.291.260,75 referentes ao Patrimônio Líquido da HDI Seguros de Automóveis e Bens S/A. e R$ 215.000.000,00 referentes a ágio apurado na aquisição da participação societária planilha às fls. 260; em 30 de Novembro de 2005, data da concretização da aquisição, a HDI fiscalizada registrou ágio no valor de R$ 215.000.000,00 (duzentos e quinze milhões de reais) e iniciou sua amortização no ano calendário de 2006, reduzindo a apuração do Lucro Real e conseqüentemente diminuindo a base de cálculo do IRPJ e CSLL devidos vide planilhas, razões e documentos às fls. 261 a 291; Regularmente intimado Termo de Intimação Fiscal nº 2, fls. 08 a esclarecer a fundamentação legal para a apuração deste ágio e seu tratamento tributário, indicou fls. 13 os "artigos 385 e 386 2º, inciso I" supostamente do R1R/99 (os quais transcreveu assinalando o inciso II do § 2º, do artigo 385, conforme doc. de fls. 13); Apesar de ter informado no texto de sua resposta a Intimação ser o inciso "I" do § 2° do artigo 385 a base para a apuração de ágio valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade pelo destaque no seu texto se infere que pretendia indicar o inciso "II" rentabilidade com base em previsão dos resultados de exercícios futuros, também indicada como base legal para a amortização do ágio, artigo 386 inciso III. 2.3. Quanto ao direito aplicado, relativamente ao critério de avaliação do investimento e apuração do ágio (infração nº 1), o autuante pondera que o cerne da questão é a verificação do momento em que a legislação determina que seja apurado qualquer tipo de ágio e dos prérequisitos para a sua classificação em qualquer uma das três possibilidades relacionadas no artigo 385 do RIR, bem como dos pré requisitos necessários para usufruir do benefício fiscal de amortização em caso de incorporação indicado no inciso III do artigo 386. Ressalta, então, que o critério legal de avaliação do investimento da HDI na HSBC a ser considerado é o "VALOR DE PATRIMONIO LÍQUIDO", previsto no artigo 284 do RIR/99, o qual transcreve. 2.3.1. Uma vez estabelecido que a avaliação do investimento deve ser feita pelo valor do patrimônio líquido, verifica, o autuante, que o momento de apuração de qualquer ágio é "por ocasião de aquisição da participação", indagando, ainda: quando foi esta ocasião em confronto com o procedimento adotado pela HDI? Afirma, assim que esta ocasião se deu em 30 de Novembro de 2005, quando da efetivação da transferência do controle acionário da HSBC para a HDI, conforme já apresentado no histórico item 2 do Termo. Efetivamente a HDI registrou nesta data, no diário geral, o valor patrimonial de R$ 85 milhões e o ágio de R$ 215 milhões separadamente fls. 292 a 294. 2.3.2. Com o objetivo de se saber o critério de avaliação de investimento que determinou, em 14/07/2005, o valor de R$ 300 milhões como valor da transação e o fundamento econômico do ágio pago, a autoridade fiscal registra que foi o contribuinte intimado (item 2 da Intimação nº 01 fls. 02) a apresentar a demonstração prevista no § 3º do artigo 385 do RIR/99. Em resposta, a contribuinte apresentou o documento de fls. 295 a 333, da lavra da empresa KPMG Corporate Finance Ltda., datado em 04/04/2006, após, portanto, à data de aquisição de que trata o artigo 385 do RIR/99 (no caso, 30/11/2005), após ainda à data da incorporação (1º/04/2006). Expõe, ainda, o aututante que o demonstrativo previsto no §3° do artigo 385 do RIR/99 é prérequisito indispensável para a contabilização Fl. 3464DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 8 do fundamento econômico do ágio o que leva a concluir que, por inexistência deste documento em 30 de Novembro de 2005 e conseqüentemente, por exclusão, uma vez que é prérequisito indispensável para classificação nos incisos I ou II do § 2° do artigo 385, o investimento foi avaliado pelo inciso III do §2° deste mesmo artigo, qual seja, "fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas". 2.3.3. Reportandose ao item "1" do documento elaborado pela KPMG, o autuante registra que o documento encomendado pela HDI conforme proposta da KPMG de 21 de Dezembro de 2005 f1s.182 a 199 e concluído em 04 de Abril de 2006, ou seja, 8 (oito) meses após o momento da contratação da aquisição da participação societária verificado em 14 de Julho de 2005 e até mesmo após a operação de incorporação efetivada em 01 de Abril de 2006 não tinha como objetivo a determinação do valor da HSBC para embasar a negociação com a HDI e muito menos determinar valor e fundamentação legal de ágio: sua principal finalidade foi a indicação de qual montante do ágio já anteriormente pago que poderia ser dedutível nos períodos de apuração subseqüentes, aliado a uma avaliação de conformidade do valor deste ágio com uma avaliação de eventuais resultados de rentabilidade futura. 2.3.4. Pondera, ainda, o autuante que, em uma transação desta natureza, o documento de avaliação econômicofinanceira deveria ser o primeiro a ser elaborado e servir de subsídio e fundamentação econômica ao Contrato de Compra e Venda de Ações de 14 de Julho de 2005 e não como efetivamente ocorreu, ao ser elaborado após consumados os fatos, com pretenso efeito de convalidar atos já praticados sem fundamentação legal. Reportandose ao artigo 14 da Instrução CVM nº 247/96, verificou no livro Diário da HDI que no próprio registro contábil efetuado em 30 de Novembro de 2005 linha 49 não há qualquer indicação na conta 141112000 Ágio de fundamentação econômica do ágio, apenas consta no campo "Histórico" a expressão "Aquis. Emp. HSBC Auto e Ben" vide fls. 293. 2.3.5. Ressalta o autuante que toda a engenharia societária montada pela HDI em combinação com a HSBC visou exclusivamente a criar artificialmente um beneficio fiscal que se mostrou indevido, uma vez que, para concretizar seus objetivos de expansão no mercado nacional, bastaria à HDI formalizar o acordo operacional de exploracão do canal bancário representado por mais de 2.000 (dois mil) pontos de venda no território nacional e toda a clientela do grupo HSBC como efetivamente fez. 2.3.6. Também entende ser relevante notar que se considera desnecessária a aquisição da HSBC pela HDI sob o ponto de vista de atuação no mercado nacional de seguros, uma vez que a HDI já estava operando neste mercado desde 1978 como empresa própria, já possuindo as devidas autorizações legais dos órgãos reguladores, estabelecimentos, clientela, sistemas operacionais e conhecimento do negócio, uma vez que faz parte de renomado grupo segurador internacional. 2.3.7. Pondera que a HDI poderia ainda, para fins de incrementar imediatamente sua participação no mercado nacional de seguros, adquirir diretamente da HSBC Seguros Brasil S.A a carteira de seguros transferida à HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A., companhia esta com efêmera vida operacional de alguns meses, comprovandose ter sido criada exclusivamente para servir de veículo para esta operação. 2.3.8. Registrou também o autuante que o fundamento econômico verificado representou nada mais do que uma mera aquisicão da carteira de seguros já contratados e, em cumprimento das disposições contratuais de Compra e Venda, transferidos entre as companhias HSBC em 31 de Outubro de 2005, sem qualquer Fl. 3465DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 9 conexão com rentabilidade futura, conforme mencionado nas publicadas Demonstrações Financeiras da HDI Seguros de Automóveis e Bens S.A., antiga HSBC Seguros de Automóveis e Bens (Brasil) S.A., relativas ao período de 19 de Janeiro de 2005, data de autorização de funcionamento, a 31 de Dezembro de 2005, em especial das notas explicativas nº 1 e 11. fls. 334: "A referida transferência das carteiras foi efetuada com base nos respectivos valores contábeis dos ativos e passivos transferidos no montante de R$ 332.930 mil. Portanto, esta transferência não gerou nenhum resultado contábil e, além disso, não houve diferença entre o valor financeiro da operação e o saldo da provisão de prêmios não ganhos das apólices recebidas". 2.3.9. Conclui assim o autuante que no momento previsto para a escrituração do ágio e indicação de seu fundamento econômico artigo 385 do RIR/99 qual seja, a data da aquisição do controle acionário, iniciada em 14 de Julho de 2005 e efetivada em 30 de Novembro de 2005, a HDI não possuía qualquer demonstração exigida pela legislação de regência da matéria que lhe permitisse classificar o fundamento econômico do ágio pago com base em rentabilidade futura ou ainda com base em valor de mercado, conseqüentemente definimos o fundamento econômico deste ágio como sendo por "Outras razões econômicas", conforme previsto no inciso III do § 2° do artigo 385 do RIR/99, pelo que se desenquadra o procedimento adotado pela HDI com a conseqüente lavratura da presente autuação. Na apuração do lucro líquido e lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL dos anoscalendário de 2006 a 2008, aponta infrações aos artigos 247, 248, 249, inciso II, 251, 273, 274, 384, 385 e 386 do RIR/99, art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988; art. 28 da Lei nº 9.430/1996; art. 273 do RIR/99; e art. 37 da Lei nº 10.637/2002. 2.4. Às fls. 390, o autuante registra a apuração da base de cálculo (com base em informações fornecidas pela contribuinte e confirmadas em sua contabilidade) e do lançamento do IRPJ e da CSLL, bem como da revisão dos valores relativos às compensações de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa. 2.5. Em relação aos anoscalendário de 2007 e 2008, a autoridade fiscal procedeu à apuração das Estimativas mensais de IRPJ e de CSLL com base em Balanço ou Balancete de Suspensão/Redução, para fins de apuração da multa de ofício de que trata o artigo 44, II, "b" da lei nº 9.430/1996, com a alteração feita pela Lei nº 11.488/2007 (Infração nº 2). Tendo apontado pelos seus cálculo multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ mensal devido por estimativa no valor de R$ 3.602.136,60 (12xR$ 143.287,69 + 12xR$ 156.890,36) e multa isolada por falta de recolhimento de CSLL mensal devida por estimativa no valor de R$ 5.200.135,24 (12xR$ 194.871,26 + 4xR$ 213.370,89 + 8xR$ 251.024,57). 2.6 No tópico "7DO LANÇAMENTO" a autoridade fiscal registra que os procedimentos relativos ao anocalendário 2009 encontramse em andamento e que, em decorrência do lançamento em apreço, fica a contribuinte intimada a alterar, no que couber, seus registros contábeis, Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) e Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo da CSLL dos anoscalendário 2006 a 2008 bem como a, nos períodos de apuração posteriores, deixar de utilizar o referido ágio tanto na escrituração contábil (uma vez que na sistemática definida na lei das S.A com as últimas alterações deixa de existir a amortização contábil), quanto na apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL por lhe faltar fundamento legal. 3. Irresignada com o lançamento, a contribuinte, por intermédio de suas advogadas e procuradoras (procuração à fl. 462), apresentou, em 16/04/2010, a impugnação de fls. 404 a 461, acompanhada dos documentos de fls. 462 a 2192. Fl. 3466DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 10 3.1. Ao discorrer sobre as autuações realizadas, a impugnante alega não ter havido uma troca adequada de informações entre ela e a fiscalização, uma vez que foi intimada a apresentar, por escrito, alguns documentos solicitados. Registra não ter tido oportunidade de prestar esclarecimentos verbais, que poderiam "demonstrar o equívoco da compreensão do r. auditor fiscal quanto ao seu caso". Acusa o procedimento de não ter observado o princípio da verdade material. Alega que os autos de infração "glosaram impropriamente a amortização fiscal do ágio com base em uma tentativa de desconsiderar os atos da compra da sociedade e de sua incorporação pela Impugnante, alegando que para fins fiscais houve no lugar de tais atos uma mera aquisição da carteira de seguros "nos ramos de automóveis e demais modalidades ligadas ao ramo elementar"". Também argumenta que a autuação não pode prosperar porquanto a impugnante jamais deixou de observar estritamente a legislação pertinente à dedução de amortização de ágio e, ainda, que "todas as operações societárias questionadas na autuação dão sim amparo aos procedimentos adotados pela Impugnante, sendo dotadas de indiscutível substância econômica e tendo sido efetuadas em consonância com as práticas usuais de uma negociação, como será detalhadamente explicado e comprovado a seguir". 3.2. Quanto às "RAZÕES DE FATO E DE DIREITO", em tópico denominado "II.A. Descritivo dos eventos negociais, societários e regulamentares, os quais são objeto de pretensa descaracterização pela fiscalização", a impugnante à fl. 409, lista os eventos negociais e indica a referência das respectiva documentação que anexa à peça de defesa. Com base nos quadros de fls. 409 e 410 registra ter começado, no mínimo em abril de 2004, a cogitar sobre a possibilidade de adquirir o negócio de seguros e danos, muito antes, portanto, da assinatura efetiva , em 14/07/2005, do Contrato de Compra e Venda de Ações (Doc. de fls. 771/778), por meio do qual adquiriu 100% do controle acionário da "HSBC Seguros de Automóveis e Bens (Brasil) S.A.". 3.2.1. Registra que ela e a Vendedora acordaram que a referida sociedade HSBC Seguros de Automóveis e Bens (Brasil) S.A. seria, até a data de fechamento definitivo da compra e venda (30/11/2005), a detentora do "negócio de seguros de danos" que era então explorado pela Vendedora, sendo certo que tal sociedade recipiente desse negócio disporia de todos os bens e direitos, além de empregados e sistemas essenciais de tecnologia da informação à condução desse negócio de seguros de danos, e ainda assumiria as obrigações e responsabilidades respectivas (incluindo aqui ações judiciais cíveis e trabalhistas). Tais elementos componentes do negócio foram refletidos em um balanço próforma datado de 30/06/2005 (Doc. 07 B fls. 613/665) e em listagens (Docs. 07 F a K fls. 679/754) que foram partes integrantes do contrato de 14/07/2005. 3.2.2. Ressalta que a constituição/utilização de uma sociedade para segregar um negócio a ser alienado para um terceiro é prática usual no mercado, não por razões meramente fiscais como alegado na autuação, mas por questões: (i) operacionais (o que inclui aspectos muito relevantes para a transferência de segurados banco de dados com apólices vigentes, contas a receber, contas a pagar de comissões para corretores, sinistros a liquidar e para funcionamento de sistemas de informação de dados de maneira geral); (ii) de direito econômico (e.g., risco de não aprovação do CADE, sendo prudente manter o negócio segregado); e (iii) processuais judiciais (i.e. a transferência definitiva de responsabilidade em ações judiciais não aconteceria via um simples contrato de "assunção de obrigações", mas acontece via sucessão de reorganização societária, e. além disso, é um aspecto muito relevante para uma atividade securitária). Lembra também que no caso da atividade da impugnante há Fl. 3467DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 11 também que se considerar o risco de não aprovação e outras exigências por parte do órgão regulador SUSEP. 3.2.3. Explica, ainda, que é prática frequente em tais negociações, o vendedor se comprometer, neste contrato de "compromisso" de venda, a prestar certos serviços de suporte (administrativo, financeiro, etc.) para a sociedade objeto da venda, temporariamente, até que esta consiga atingir sua total independência administrativa e operacional (os chamados "serviços de transição"), como previsto nas cláusulas 3.41 e 3.5 do "Contrato" (de 14/07/2005). 3.2.4. Salienta que os recursos pertinentes à tecnologia da informação foram motivo de grande preocupação para garantir a normalidade e segurança do negócio, risco que por si só já justificaria o porque de a Impugnante não poder comprar simplesmente a carteira. Informa ter contratado a empresa "Accenture" para efetuar a análise e verificação dos sistemas a fim de integrálos, sendo que a análise e testes para a integração dos sistemas teria de acontecer indiscutivelmente antes da incorporação da sociedade (objeto da compra e venda) pela impugnante, como de fato teria ocorrido. Reportase aos documentos de fls. 1136 a 1240. 3.3. No tópico "II.B Alguns Elementos que Demonstram a Substância da Transação", a interessada argumenta que a operação questionada jamais poderia ter sido classificada como mera aquisição de carteira, porquanto houve transferência de empregados oriundos do "HSBC" (Vendedora) para a sociedade objeto da venda e desta para a Impugnante (reportase à clausula 4.1 do contrato à fl. 58; e aos documentos de fls 1241/1255; 1257/1297; 1298/1325 e 1326/1475). 3.3.1. Também alega a sucessão em ações cíveis (da Vendedora HSBC pela sociedade alienada e desta pela impugnante), explicando que, conforme cláusula 3.6 e seguintes do "Contrato" de 14/07/05, a partir da "data de fechamento da operação", a sociedade alienada passou a ser a única e exclusiva responsável pela administração de todas a ações cíveis de e contra a sociedade e relacionadas às reclamações de indenizações devidas em virtude de sinistros notificados a ela e relacionadas a apólices de seguro conexas ao seu negócio, independentemente de estarem ou não originalmente como partes nos processos antes ou após a "data de fechamento" com exceção de algumas poucas ações que, conforme convencionado entre as partes, continuariam a ser de responsabilidade da HSBC (Vendedora). Faz referência aos documentos de fls. 1476/1505 e 1506/1515. 3.3.2. Expõe que tendo em vista a necessidade e aprovação pela Superintendência de Seguros privados (SUSEP) e pelo Conselho Administrativo de Direito Econômico (CADE), era mais fácil manter um novo "negócio" adquirido de uma forma segregada até a aprovação definitiva por parte desses órgãos. Menciona as cláusulas 1.4.d, 2.1.d, 3.3, 3.3.1., 4.1.a e k, 6,1 do Contrato de Compra e Venda, de 14/07/2005. Apresenta os documentos relativos às manifestações do CADE e SUSEP às fls. 759, 761, 770, 789/803806/868 e 869. 3.3.3. Registra também a importância da garantia da transferência de contratos relevantes, referidos inclusive em anexo ao contrato (fl. 679). Junta ainda à impugnação alguns contratos listados no referido anexo (fls. 1516/16051606/1726) e outros, não listados, referentes à (i) contrato de locação de imóvel de um dos pontos adquiridos e que continua vigente (17271733) e (ii) contrato de locação de frota de veículos para uso de peritos/avaliadores de seguros/sinistros que se encontram em Curitiba, que era o maior ponto/estabelecimento adquirido da vendedora HSBC (fls. 1734/1770). Fl. 3468DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 12 3.3.4. A interessada também anexa à sua defesa alguns artigos e entrevistas com o fito de confirmar que aconteceu efetivamente a compra de um negócio complexo, que implicava na assunção de vínculos trabalhistas, questões judiciais e operacionais, bem como questões regulamentares (docs de fls. 2096/2191). 3.3.5. A impugnante também anexa à sua defesa cópia de Demonstrações financeiras que em seus descritivos reafirmam os eventos comentados (docs. de fls. 1771 a1774; 1776/1792; 1793/1800 e 1801/1802. 3.3.6. A vista da documentação e dos argumentos apresentados, a interessada pretende demonstrar que a compra que efetuou tratava de um negócio complexo, repleto de detalhes jurídicos, operacionais e regulatórios, que não poderia ser efetuado através de uma simples compra de "carteira" como sugerido nos Autos de Infração. 3.4. Sob o tópico "Da legalidade e da substância econômica das operações realizadas pela Impugnante impossibilidade de descaracterização pela autoridade fiscal", a contribuinte expõe que, mesmo sem ousar dispor no sentido da realização de ato simulado, a fiscalização buscou descaracterizar os eventos negociais, societários e regulamentares relativos à "HSBC Seguros de Automóveis e Bens (Brasil) S/A", uma vez que concluiu pela realização de uma "engenharia societária" com o único objeto de economizar tributos. Argumenta que esta descaracterização de atos porque teriam sido realizados com o fim exclusivo de economia tributária não encontra fundamentação legal. Apenas as operações fraudulentas e que representem uma simulação podem ser descaracterizadas pelas autoridades fiscais. Somente na hipótese de o Fisco enquadrar as atividades da contribuinte em uma das hipóteses do artigo 167 do código civil é que teria sido possível descaracterizar a operação em apreço. No entanto, não foi isso que ocorreu. 3.4.1. Registra que, no caso, não foi/não é possível levantar hipótese de simulação uma vez que na operação aqui tratada (i) não houve qualquer inclusão irregular de datas nos documentos; (ii) também não ocorreram deliberações nos atos societários que não correspondessem à realidade; e (iii) os fatos praticados pela Impugnante, analisados isoladamente ou em conjunto, não conferem ou transmitem direito a pessoa diversa daquela à qual aparentam transmitir. Essas três situações são as únicas hipóteses na legislação brasileira em que se configura a simulação do ato jurídico. Frisa que, em momento algum, apontaram a existência de qualquer espécie de fraude ou simulação nas operações realizadas pela Impugnante. 3.4.2. Acusa a autoridade fiscal de valerse de mera presunção, pois o máximo que se levantou, incorretamente, na autuação foi que a Impugnante teria engenhado um "planejamento fiscal minucioso efetuado com a finalidade única de dar credibilidade a práticas que individualmente poderiam não contrapor, aparentemente, o ordenamento jurídico, mas que, se analisadas em conjunto, demonstram a tentativa da fiscalizada em se inserir indevidamente em um contexto societário ao qual são conferidos os benefícios fiscais pleiteados". 3.4.3. Defende que todos os atos praticados pela Impugnante no que se refere à operação descrita acima guardam total consonância com a legislação civil e societária, e, mais do que isso, seus impactos tributários foram todos integralmente por ela observados. 3.4.4. Assevera que os agente fiscais decidiram que, ao invés de agir de uma certa forma A, a Impugnante deveria na verdade ter realizado a operação B. Protesta no sentido de que as autoridades fiscais não podem pretender se substituir aos sócios de Fl. 3469DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 13 uma determinada empresa e avaliar quais as decisões que deveriam ter sido por eles tomada ou, ainda, qual a forma a ser adotada nas operações que forem por eles realizadas. 3.4.5. Pondera a impugnante que o fato de duas operações distintas resultarem, ao final, em uma conseqüência fática similar não autoriza, absolutamente, em respeito aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, a que se atribua a ambas o mesmo tratamento fiscal, como se pretendeu fazer na autuação. 3.4.6. Conclui que o "erro" (da fiscalização) decorre de equivocada tentativa de interpretação econômica, dos atos praticados pela Impugnante que não obstante a sua óbvia licitude, parecem ter sido analisados apenas sob a ótica da economia tributária que poderia ter sido gerada. Indo além, neste caso, parece à Impugnante que não se está apenas tentando (i) desconstituir um ato praticado com o fim exclusivo de economizar tributos, mas, mais que isso, se está tentando (ii) desconstituir um ato que, apesar de sua plena substância econômica, acabou por naturalmente gerar um benefício fiscal. 3.5. Sob o tópico "II.C.1. Do desrespeito aos princípios da legalidade e tipicidade fechada", a contribuinte repisa que os atos praticados não tiveram o condão exclusivo de gerar economia tributário, mas que, a operação sob análise teve, desde sempre, nítida substância econômica. Acusa que o fato gerador não foi indicado ou delimitado pelo lançamento e que a fiscalização teria se utilizado da chamada interpretação econômica, repudiada pelo ordenamento jurídico brasileiro, para efetuar o lançamento. Transcreve trechos de votos proferidos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (antigo Conselho de Contribuintes) para demonstrar que a interpretação econômica não prevalece em nosso Direito, que também repudia a desconsideração da forma jurídica de atos licitamente praticados e, principalmente, que a "aliança", entre interpretação econômica e desconsideração de atos lícitos pretendida no presente caso pelo Fisco federal não somente não encontra amparo legal, como fere o ordenamento jurídico pátrio. 3.5.1. Alega a impugnante que, ainda que tivesse tãosomente pretendido evitar a incidência tributária sobre as suas atividades, mesmo assim permaneceria nulo o presente Auto de Infração, pois a chamada elisão fiscal é perfeitamente lícita. O contribuinte tem liberdade agindo na esfera da licitude para gerir suas atividades econômicas de forma a reduzir a carga tributária sobre eles incidente e pode escolher dentre os vários caminhos desde que lícitos que se põem à sua frente para concretizar os seus negócios. 3.5.2. Argumenta ainda que, muito embora inexistam as tais normas antielisivas e mesmo sem ter direito e dever funcional de avaliar a forma de gestão dos negócios da Impugnante, a fiscalização houve por bem interpretar economicamente os atos societários ocorridos de 2004 a 2006 e decidiu que deveriam ter sido realizados pela Impugnante não os atos efetivamente praticados no decorrer daquele ano, e sim outros, que supostamente produziriam efeitos similares, mas que seriam tributáveis. Ao agir dessa forma nitidamente arbitrária, a fiscalização contrariou todos os princípios jurídicos que sustentam o ordenamento jurídico vigente no país, princípios que existem não para beneficiar os interesses individuais de cada um, mas enquanto garantia social necessária à existência do próprio Estado. 3.5.3. Entende que a autuação deve ser cancelada, por ter desrespeitado conceitos basilares de nosso Direito Tributário. Os princípios da estrita legalidade, tipicidade fechada e reserva absoluta da lei, expressos nos artigos 5° e 150 e seguintes da Constituição Federal, e 97 e seguintes do Código Tributário Nacional, o que fazem Fl. 3470DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 14 se não jogar por terra tal pretensão fiscal do r. Auto, ao garantir aos contribuintes: (i) instituição ou aumento (e, evidentemente, cobrança) de tributos somente mediante lei em sentido formal, neste caso inexistente; (ii) hipóteses de incidências tributárias necessárias e completamente detalhadas na lei, fora do que não poderá haver tributação; (iii) a não admissão da analogia para fins de imposição tributária. 3.5.4. Lembra que o artigo 108, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN proíbe expressamente o emprego de analogia na cobrança de tributos, justamente em respeito aos princípios da legalidade, da tipicidade cerrada e da segurança jurídica. Também invoca o princípio da vinculabilidade da tributação expresso na própria definição de tributo dada pelo art. 3º do CTN. 3.5.5. Conclui restar demonstrado que os atos praticados pela Impugnante não poderiam ter sido desconsiderados pela fiscalização por presunção baseada em evidente interpretação econômica, para que esta lhe imponha injusta exigência de IRPJ e CSLL. 3.6. No tópico "II.C.2. Do fundamento econômico dos atos praticados pela impugnante: das equivocadas conclusões da fiscalização e da legitimidade do registro e da amortização do ágio decorrente da aquisição de participação societária" a impugnante discorre sobre a avaliação econômica que embasou o ágio que pagou na aquisição da HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A.. Lembra que ela efetuou um pagamento no total de R$ 303.291.260,75, sendo que o patrimônio líquido da sociedade adquirida era de R$ 88.291.260,75 naquela época, em decorrência apurou um ágio na aquisição deste investimento no montante de R$ 215.000.000,00. Nesse sentido argumenta que: referido ágio foi pago pela impugnante com base na expectativa de rentabilidade futura, nos termos do art. 385, §2°, II, do RIR/99, o que também foi entendido pelo r. agente fiscal; Nos termos do art. 386 do RIR/99, III, a investidora (Impugnante) pode amortizar referido ágio, a partir do momento em que incorporar a empresa investida que gerou tal ágio, desde que respeitado o prazo mínimo de 5 anos; a impugnante atendeu ao requisito legal previsto no art. 398, § 3º, do RIR/99, quanto à demonstração a embasar a motivação econômica do ágio, pois efetuou vários estudos de avaliação econômica para a formação do preço a ser pago (docs. de fls. 924/1058), quando analisou qual seria o preço com a "Losango Financeira" (e sem ela), quando verificou que sua rentabilidade seria muito maior com a "Losango Financeira" do que sem ela. Informa ter considerado dois cenários: conservador e otimista e que suas planilhas apresentam o resultado dessas avaliações tanto em Euro (para a análise de seu controlador que se encontra no exterior), como em Reais (para embasar os efeitos contábeis). essa instituição "Losango Financeira" já aparecia de uma forma destacada logo no primeiro material do quadro resumo mencionado no item 8 desta Impugnação (Doc. 17 fls. 894/923), em abril de 2004, logo quando surgiu a oportunidade de se cogitar em adquirir o "negócio de seguros de danos". Isso porque a "Losango Financeira" é um bom canal para venda do produto da Impugnante (seguros), e por isso fez parte do objeto da transação de compra e venda; os valores que embasaram a formação do preço superam o preço efetivamente pago, conforme se pode extrair das avaliações mencionadas (Docs. 18 a 18D fls. 924/1058); Fl. 3471DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 15 O ponto de equívoco do r. agente fiscal ao formular os Autos de Infração, ora combatidos, foi ter analisado apenas a opinião final emitida pela KPMG, em 04 de abril de 2006, mês da incorporação do investimento adquirido pela Impugnante, e, então, presumir que inexistiam estudos/avaliações anteriores. Com base nessa premissa errônea, glosou a amortização fiscal do ágio. Para deixar claro a validade das avaliações feitas anteriormente à aquisição do investimento, a Impugnante solicitou que a KPMG confirmasse a validade dos e mails e arquivos trocados entre a Impugnante e a KPMG, que contêm tais estudos/avaliações. E, de fato, a KPMG fez tal validação através da emissão de uma carta, para fins desta defesa, confirmando a veracidade dos estudos e das datas em que foram feitos (Doc. 18, e arquivos anexos 18A a 180); a lei pede uma "demonstração" estudo não um laudo de uma auditoria independente, para um momento anterior ao da compra do investimento. E isso ela tem! Note que mesmo o laudo formal posteriormente emitido pela KPMG faz referência "a premissas utilizadas para a formação do preço" (obviamente essas premissas têm que ser anteriores a compra); não apenas o fundamento econômico que embasou o ágio foi feito no momento adequado (antes da compra, para ajudar a formar o preço), como também de uma forma muito correta. Isso pode ser constatado pela confrontação entre o estudo da avaliação econômica efetuado no primeiro semestre de 2005 com o lucro efetivamente apurado pela Impugnante nos anos subseqüentes ao da compra. Alternativamente, podese simplesmente verificar como foi significativo o crescimento da lucratividade da Impugnante após a transação de compra aqui tratada, já que o resultado dos anos seguintes basicamente dobrou. Nesse sentido, a Impugnante anexa um Demonstração de Resultado dos anos de 2002 a 2009 (Doc. 34 fls. 2192). é indiscutível que a Impugnante tem direito de se beneficiar da amortização do ágio do investimento que adquiriu do grupo HSBC, de forma que os Autos de Infração devem ser cancelados. 3.7. No tópico "II.D. Da inaplicabilidade da multa isolada", a impugnante defende a impossibilidade de cumular multa de ofício e multa isolada, argüindo a duplicidade de cobrança de multa sobre o mesmo tributo. Argumenta ser é inconcebível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ no curso do período de apuração e de multa de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado em 31 de dezembro, por haver nesse caso clara duplicidade de penalidade perante a mesma infração. Uma vez caracterizada a infração fiscal após o encerramento do período de apuração, é cabível apenas a aplicação de multa de ofício prevista no artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96, devendo ser afastada por completo a multa isolada pela falta insuficiência de estimativa mensal. Apresenta ementas de acórdãos do CARF (antigo Conselho de Contribuinte), da CSRF e do TRF da 4a Região, no sentido de ilustrar a sua tese. 3.7.1. Registra ainda a falta de previsão legal para a cumulação de multas. Nesse sentido argumenta que a lei não autorizou a cumulação de penas para um mesmo fato tributário, estabelecendo apenas duas formas diversas de cobrar a multa de ofício, uma juntamente com o tributo devido (IRPJ apurado ao final do ano calendário) e outra de forma isolada, quando não houver tributo a recolher no final do anocalendário, mas o contribuinte tiver deixado de recolher a estimativa devida a título de antecipação. Essa é a interpretação mais correta a ser dada ao artigo 44 da Lei 9.430/96; caso contrário estarseia diante de confisco e latente violação ao Fl. 3472DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 16 princípio da proporcionalidade. Defende que a própria denominação da multa prevista no artigo 44, inciso 11 da Lei 9.430/96 MULTA ISOLADA já pressupõe e demonstra que a sua aplicação é cabível apenas quando inexistir tributo a recolher na apuração de ajuste anual. Caso contrário. não se trataria de multa aplicada isoladamente. 3.7.2. Argumenta ainda que a dupla cobrança em questão configura claro confisco, o que é, por óbvio, legalmente vedado; que tal dupla cobrança também fere o princípio da proporcionalidade, na medida em que as duas multas aplicadas resultam em um valor superior ao próprio tributo e que a multa aqui tratada configura uma situação abusiva e confiscatória, em flagrante desrespeito ao artigo 5°, inciso XXII, e ao artigo 150, IV, ambos da Constituição Federal de 1988, na medida em que acaba por expropriar o contribuinte de parcela de seu próprio patrimônio. Frisa que a vedação à tributação confiscatória se aplica às penalidades na medida em que a multa de ofício assume o caráter de crédito tributário. 3.7. No tópico "II.E. Da incorreção dos cálculos realizados pela fiscalização", a impugnante acusa a fiscalização de ter procedido com descuido na condução dos trabalhos, tendo acabado por elaborar autos de infração, fazendo com que a Impugnante gastasse considerável tempo para compreender cada uma das conclusões manifestadas no Termo de Verificação Fiscal e nos próprios Autos. Informa que, no Termo de Encerramento do Auto de Infração, a fiscalização indica que, no tocante ao IRPJ (sem contar a multa isolada), foram lançados R$ 18.646.981,27, enquanto que, na capa do Auto de Infração IRPJ e em suas páginas seguintes, foi indicado o valor de R$ 18.632.233,76 a título de IRPJ (também principal, multa de ofício e juros de mora). Alega que, ao receber uma autuação inconsistente, o contribuinte tem cerceado o seu direito de defesa, quer porque passa tempo considerável apenas buscando entender a autuação, sendo prejudicado em seu prazo de 30 dias para defesa, quer porque elabora sua Impugnação partindo apenas de premissas que nem sempre estarão corretas, num exercício de adivinhação realmente. 3.7.1. Quanto ao auto de infração de IRPJ lançado em razão da glosa de despesa de amortização de ágio e da recomposição de prejuízos fiscais, alega o cometimento de erro de cálculo na apuração dos valores lançados. Reportandose à Planilha à fl. 453, a contribuinte aponta valores lançados a maior de R$ 5.340,40 e R$ 38.466,83, quanto aos anoscalendário de 2006 e 2007, respectivamente. Apresenta ainda as planilhas de nºs 2 e 3 às fls. 454, que teriam servido de suporte à planilha 1 de fl. 453. Também alega erro de cálculo do valor da multa isolada lançada por falta de recolhimento do IRPJ estimativa, posto que o valor de R$ 5.203.135,24 lançado não corresponde ao valor demonstrado no Termo de Verificação Fiscal na planilha à fl. 392. Registra que o máximo que se pode chegar a título de multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ Estimativa é de R$ 3.602.136,60. 3.7.2. Quanto ao auto de infração de CSLL, assim como apontado quanto ao lançamento do IRPJ, a interessada, reportandose às planilhas 1 e 2, à fl. 457, alega que foi lançado a maior o valor de R$ 1.839,03, quanto à CSLL relativa ao ano calendário de 2007. No tocante ao anocalendário de 2008, observa que um novo erro foi cometido pela fiscalização. Ao calcular a CSLL devida após os ajustes decorrentes da suposta infração, deixouse de aplicar, nos termos do artigo 17 da Lei nº 11.727/08, a nova alíquota aplicável às pessoas jurídicas ("de seguros privados, das de capitalização e das referidas nos incisos I a VII, IX e X do§ 1° do art. 1° da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001"), de 15%, a partir de maio do anocalendário, em detrimento da alíquota de 9% aplicável apenas de janeiro a abril Fl. 3473DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 17 de 2008. Apresenta, assim, a planilha 3 à fl. 458, concluindo que o valor de CSLL lançado a maior foi de R$ 465.964,41. 3.8. No tópico "II.F Esclarecimento Adicional", a interessada registra que: com relação a todos os itens da Impugnação para os quais não pôde ser juntada a integralidade dos documentos probatórios das argumentações da Impugnante, esta vem esclarecer que, principalmente por razões de ordem física dado o imenso volume dos documentos que suportam suas informações deve ser aplicada a estes itens a chamada comprovação por amostragem, uma vez que ficou evidenciada, já pelos documentos aqui apresentados, a correção dos procedimentos/das informações da Impugnante; o critério adotado pela fiscalização não pode prevalecer também pelo fato de que caberia à própria fiscalização ter realizado as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário antes de realizar qualquer lançamento de ofício não deixando a cargo do contribuinte a obrigação de juntar um grande volume de documentos necessários à comprovação da efetividade de suas operações, a qual sempre esteve acessível à fiscalização, que simplesmente preferiu formalizar Auto de Infração sem "adentrar" com o devido cuidado nos documentos da Impugnante, reportandose a ementa do Acórdão 10705497, de 28/01/04, proferido pela 7a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. A decisão recorrida está assim ementada: LANÇAMENTO. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. O cerceamento de direito de defesa ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual encontramse as informações que norteiam o lançamento a ser contestado, ou se a descrição dos fatos é insuficiente ou deficiente, de tal forma, a impedilo de apresentar impugnação. Situações estas que não se encontram nos presentes autos. ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. SOCIEDADE CRIADA PARA POSTERIOR EXTINÇÃO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Carece de propósito negocial a criação de sociedade para posterior extinção, restando maculado o ágio havido na aquisição da participação societária ocorrida antes da sua incorporação. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ESCRITURAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO FUNDAMENTO DO ÁGIO. Nas aquisições de participação em sociedades, a autorização legal para amortizar o valor do ágio fundamentado na rentabilidade de exercícios futuros, impõe que o registro de tal ágio seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da sua escrituração. PRODUÇÃO DE EFEITOS LEGAIS. DOCUMENTOS REDIGIDOS EM IDIOMA ESTRANGEIRO. Para produzirem efeitos legais no País e valerem em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, os documentos em língua estrangeira deverão ser legalizados pelo Serviço Consular no país de emissão, traduzidos para o português por tradutor juramentado e registrados no Registro de Títulos e Documentos. Fl. 3474DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 18 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. E MULTA PROPORCIONAL. APLICAÇÃO. A materialidade da multa calculada sobre a totalidade ou diferença de contribuição nos casos de falta de pagamento/declaração inexata, não se confunde com aquela calculada sobre a base estimada ao longo do anocalendário e que deixou de ser paga. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. VALOR DA EXIGÊNCIA. LANÇAMENTO A MAIOR. Constatado nos autos que o valor relativo à multa isolada por falta de pagamento da estimativa de IRPJ foi lançado em valor maior que o efetivamente devido, deve ser exonerada em parte a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ espraia seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. CSLL. PRINCIPAL. LANÇAMENTO A MAIOR. Constatado erro de cálculo relativamente ao valor do principal lançado, devese proceder à exoneração da parte que foi indevidamente exigida. Impugnação procedente em parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 2248 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido quanto as infrações autuadas, repisando as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, conforme sintetizado no quadro abaixo transcrito: (d) Recurso Protocolizado em 01/12/2010 • Ponto Crucial da Defesa do Acórdão "Demonstrações" (estudos) da rentabilidade futura anterior a Compra • Validade/validação das "Demonstrações" Acórdão não reconheceu as 3 "demonstrações" juntadas à Impugnação por serem em inglês. => Com base no principio da Verdade Material (e precedentes do CARF), anexa ao Recurso tais "demonstrações" devidamente traduzidas por tradutora juramentada. No documento traduzido há o reconhecimento de firma da tradutora. Tal documento foi ainda registrado no Registro de Títulos e Documentos. Além disso, como o documento foi produzido por brasileiros de empresa brasileira no Brasil, não ha qualquer exigência de (e também como) fazer "consularização". • Adicionalmente, por prudência: Ainda ref. As "Demonstrações" de Rentabilidade Futura • Foi anexada "Declaração Formal da KPMG", datada de 16/11/2010, sobre seus trabalhos de elaboração das referidas "demonstrações" de rentabilidade efetuadas antes da Compra da empresa. Alem disso, declara que o Laudo de Avaliação emitido posteriormente .à Compra essencialmente reproduziu (confirmou) as avaliações de rentabilidade de tais "demonstrações". • Breves esclarecimentos sobre a metodologia do Fluxo de Caixa Descontado (FCD) para fins de avaliação da rentabilidade futura de uma empresa (apesar de não ter sido Fl. 3475DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 19 questionado ou fundamento nem dos Autos de Infração e nem da decisão da DRJ/SP01). + Protesto por juntada de Parecer (em elaboração) do i. Prof. Eliseu Martins, do FIPECAFI, sobre a utilização freqüente do FCD para avaliar a rentabilidade futura. Neste momento, apenas anexou a carta do escopo desse Parecer com a rubrica do Prof. Eliseu Martins. E ref. à Legitimidade da Transação e Reorganização Posterior • Apesar de prejudicada analise deste tema por não ser o fundamento da Autuação, a Recorrente (i) reproduziu e complementou os elementos faticos expostos na Impugnação, demonstrando a autonomia administrativa e operacional da Recorrente e da empresa adquirida. Ressalta que a Compra era condicionada à aprovação de SUSEP e de CADE. • Faz referência as considerações da Impugnação sobre não prevalência de interpretação econômica. • Demonstra a impropriedade da inclusão na Ementa do Acórdão sobre a suposta falta de propósito negocial da sociedade adquirida em razão de seu curto prazo de 'vida', seja: (i) pelo próprio Acórdão reconhecer que a análise do tema esta prejudicada por não ser fundamento dos Autos; ou (ii) pela não consideração de circunstancias próprias da atividade e, principalmente por questão da SUSEP e CADE, que mais do que justifica a "curta" duração da empresa adquirida (inclusive, como demonstra exemplo constante de trecho da obra indicada no Acórdão, mas 'infelizmente' tal trecho exemplificativo não fez parte da transcrição no Acórdão). • Argumento Complementar para o cancelamento da CSLL Inexiste regra expressa que condicione a amortização do ágio. • Argumento Complementar para cancelamento de Multa Isolada Reforça argumento da Impugnação sobre a não legalidade de duas multas sobre o IRPJ. • Argumento Complementar para não cabimento de juros SELIC sobre Multas. • Argumento complementar sobre incorreção dos cálculos:IRPJ (2006/2007); CSLL (2008). É o relatório. Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 20 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recursos, de oficio e voluntário, preenchem os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, deles conheço. Em litígio a glosa da amortização do ágio da empresa HDI Seguros S.A. que teria sido formado na aquisição da HSBC Seguros de Automóveis e Bens (Brasil) S.A. A contribuinte também questiona a multa de oficio isolada por falta de recolhimento de estimativas lançada em concomitância com a multa de oficio proporcional. O recurso de ofício decorreu do reconhecimento de equívocos da fiscalização ao apurar a CSLL (alíquota aplicada) e a multa de oficio isolada do IRPJ (montante lançado). Inicio apreciando o recurso de oficio. Vejamos a transcrição dos fundamentos do voto condutor da decisão recorrida nessa parte: (...) DO ALEGADO ERRO DE CÁLCULO DA CSLL LANÇADA (VALOR DO PRINCIPAL) 11.Conforme relatado, a contribuinte reportandose às planilhas às fls. 457, alega que o valor do principal do auto de infração relativo à CSLL relativa ao ano calendário de 2007 foi lançado a maior em R$ 1.839,03. 11.1. Consultando o SAPLI (Sistema de Acompanhamento de Prejuízo, Lucro Inflacionário e Base de Cálculo Negativa da CSLL), extratos às fls. 2195 e 2196, verificase que o saldo negativo da base de cálculo da CSLL em 31/12/2006 é de R$ 8.590.941,16, e não de R$ 8.611.374,95, como apontado pela contribuinte em seu demonstrativo. O Sistema SAPLI, como o próprio nome já diz, é um sistema de acompanhamento de saldos de prejuízos fiscais e de base de cálculo da CSLL. Os dados nele introduzidos são colhidos nas declarações DIRPJ/DIPJ apresentadas pelo contribuinte e, eventualmente alterados de ofício em virtude de procedimento de fiscalização do qual o contribuinte sempre tem conhecimento. Em assim sendo, o saldo do prejuízo fiscal informado no SAPLI será tomado como correto, uma vez que a contribuinte apenas aponta outro valor (R$ 8.611.374,95), diferente ainda do valor indicado em sua DIPJ que foi de R$ 8.746.299,34 (fl. 2018). 11.2. Deste modo, uma vez que o valor da base de cálculo da infração apurada foi de R$ 13.755.618,48 (= 12 x R$ 1.146.301,54 fls. 375 e393) é certo que o valor da CSLL devida relativamente a essa infração será de R$ 1.251.987,89 (= 9% x R$ 13.755.618,48), posto toda a base de cálculo negativa de períodos anteriores já havia sido utilizada antes mesmo da apuração da infração relativa à glosa da amortização de ágio. Abaixo, o Demonstrativo, nos moldes daquele apresentado pela contribuinte à fl. 457, a comprovar a correção do valor lançado pela autoridade fiscal: Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 21 Cálculo da contribuição Apurada decorrente da infração apurada 12. Ainda em relação ao valor do principal da CSLL lançada, mas em relação ao anocalendário de 2008, a impugnante alega erro de cálculo na autuação, porque não teria sido observada a alteração de alíquota estabelecida pelo artigo 17 da Lei nº 11.727/2008. 12.1. O artigo 17, da Lei nº 11.727/2008, invocado pela impugnante, assim prescreve: Art. 17. O art. 3o da Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 3o A alíquota da contribuição é de: I 15% (quinze por cento), no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, das de capitalização e das referidas nos incisos I a VII, IX e X do § 1o do art. 1o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001; e II 9% (nove por cento), no caso das demais pessoas jurídicas." (NR) 12.2. E o artigo 41 da mesma lei, estabelece que a determinação contida no artigo 17 passou a vigorar a partir de 1º/05/2008, uma vez que a Medida Provisória nº 413, foi publicada no DOU de 03/01/2008, em edição extra. Art. 41. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação: I (...); II aos arts. 3o, 13 e 17, a partir do primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da publicação da Medida Provisória no 413, de 3 de janeiro de 2008; III (...) 12.3. A Instrução Normativa RFB nº 810, de 21/01/2008, tendo em vista o disposto no artigo 17 da MP nº 413/2008, assim dispõe sobre a alíquota da CSLL aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º/05/2008: Art. 1º A alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, instituída pela Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2008 será de: I quinze por cento, no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, as de capitalização e as referidas nos incisos I a XII do § 1º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001; e II nove por cento, no caso das demais pessoas jurídicas. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas de que trata o inciso I do art. 1º, tributadas pelo lucro real, que estiverem efetuando o pagamento da CSLL por estimativa, com base no art. 30 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deverão apurar a CSLL devida mensalmente a partir de 1º maio até 31 de dezembro de 2008 mediante a utilização da alíquota de 15% (quinze por cento). Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 22 Parágrafo único. Relativamente aos balanços ou balancetes encerrados a partir de 1º de maio até 31 de dezembro de 2008, serão adotados os seguintes procedimentos: I verificar a relação percentual entre o total das receitas brutas dos meses de maio até o último mês abrangido pelo período de apuração e o total das receitas brutas computadas no balanço desse período; II aplicar o percentual encontrado no inciso I sobre a base de cálculo da contribuição apurada no balanço ou balancete do período, ajustada na forma da legislação; III sobre o valor apurado na forma do inciso II, aplicar o diferencial de 6% (seis por cento); IV adicionar o valor encontrado na forma do inciso III à contribuição social apurada pela aplicação da alíquota de 9% (nove por cento) sobre a base de cálculo ajustada do período abrangido pelo balanço ou balancete, determinando assim o valor da CSLL. Art. 4º As pessoas jurídicas de que trata o inciso I do art. 1º optantes pelo regime de estimativa, que apurarem resultados mensais a partir de maio de 2008 mediante balanços ou balancetes de suspensão ou redução, poderão calcular a CSLL devida, referente ao mêscalendário de cada balanço ou balancete, à alíquota de 15% (quinze por cento), aplicada sobre a diferença entre a base de cálculo ajustada relativa a esse balanço e a do balanço do mêscalendário imediatamente anterior. Parágrafo único. Se a base ajustada resultar inferior à apurada a partir do último balanço ou balancete levantado, observado o parágrafo único do art. 3º, ou os recolhimentos efetuados até essa data forem iguais ou superiores ao valor devido com base no balanço de suspensão ou redução levantado no mêscalendário, a CSLL referente a esse mêscalendário não será devida ou poderá ser reduzida, conforme o caso. 12.4. Observase que na autuação (fl. 371), foi aplicada a alíquota de 15% sobre o total do valor tributável de R$ 17.838.076,33, composto das seguintes parcelas: (1) R$ 15.061.474,33 (fl. 375), decorrente da glosa das amortizações mensais de ágio de R$ 1.255.122,86; e (2) R$ 2.776.602,00 (fl. 376). 12.5. A contribuinte é optante pelo regime de estimativa, tendo apurado resultados mensais com base em "Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução" (fls. 2048, 2062/2065). 12.6. Também as Instruções de Preenchimento da DIPJ/2009 AC 2008, constante do correspondente Programa Gerador (extraído do endereço eletrônico da RFB na "internet" www.receita.fazenda.gov.br), assim orienta: (...) 12.7. Conforme a legislação acima transcrita, em relação às infrações apuradas (redução indevida do lucro líquido em decorrência da glosa das amortizações de ágio e à compensação indevida/inexistente da base de cálculo negativa) deverse aplicar alíquota de 9% sobre o resultado da base de cálculo Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 23 apurada de janeiro a abril/2008 e de 15% sobre a base de cálculo apurada de maio a dezembro de 2008. 12.8. Em sua declaração DIPJ/2009, a contribuinte assim procedeu (Linha 62 da Ficha 17 fl. 2066) para apurar a CSLL anual devida: Base de Cálculo R$ 26.310.465,90 => R$ 6.406.358,41 x 9% = R$ 576.572,26 ] > CSLL anual = R$ 3.562.188,38 => R$ 19.904.107,49 x 15% = R$ 2.985.616,12 ] 12.9. Considerandose as infrações apuradas, os valores da base de cálculo e da CSLL anual devida ficam assim recompostos: Base de Cálculo R$ 44.148.542,22 (= R$ 26.310.465,90 + 12 x R$ 1.255.122,86 + R$ 2.776.602,00) => {R$ 6.406.358,41 + (4 x R$ 1.255.122,86)} x 9% => R$ 11.426.849,85 x 9% = R$ 1.028.416,49 ] > CSLL anual = R$ 5.936.670,35 =>R$ 32.721.692,37 x 15% = R$ 4.908.253,86 ] => {R$ 19.904.107,49 + (8 x R$ 1.255.122,86) + 2.776.602,00} x 15% 12.10. A partir dos valores acima apurados concluise que o principal da CSLL decorrente das infrações apuradas quanto ao anocalendário de 2008 deve ser de R$ 2.374.481,97 (R$ 5.936.670,35 R$ 3.562.188,38). 12.9. Portanto, tem relativa razão a reclamação da impugnante quanto ao valor lançado do principal de CSLL, concernente ao anocalendário de 2008, devendo ser exonerado o valor de R$ 301.229,47 (=R$ 2.675.711,44 R$ 2.374.481,97). (...) DO ERRO DO VALOR DA MULTA ISOLADA (50%) LANÇADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ ESTIMATIVA 10. Tem razão a impugnante ao contestar o valor de R$ 5.203.135,24, lançado a título de multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ devido por estimativa. De fato, o demonstrativo elaborado pelo próprio auditor fiscal autuante, à fl. 392, aponta que o valor da multa isolada calculada sobre a Estimativa de IRPJ que deixou de ser recolhida é de R$ 3.602.136,60 (= 12 x R$ 143.287,69 + 12 x 156.890,36 = R$ 1.719.452,28 + 1.882.684,32). 10.1. Deste modo, deve ser exonerada a parcela de R$ 1.597.998,64 lançada a título de multa isolada sobre o IRPJ Estimativa que deixou de ser recolhido (código 6378). Pela análise dos fundamentos acima transcritos, verificase que a exoneração ocorreu mesmo em face da equivocada aplicação da alíquota de 15% na apuração da CSLL de janeiro a abril/2008, quando o correto seria 9%, conforme determinado pela própria RFB, bem como no erro de transcrição no auto de infração dos valores da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ por estimativa. A contribuinte apontou tais equívocos e a DRJ corretamente acatou, devendo ser negado provimento ao recurso de oficio. Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 24 Passo ao recurso de Voluntário A recorrente repisa as alegações de nulidade e cerceamento do direito de defesa. Entendo que essas questões foram devidamente superadas na decisão recorrida, cujos fundamentos abaixo transcritos não merecem reparos e devem ser aqui acolhidos como razões de decidir (verbis): (...) 5. No tópico “II. E”, às fls. 450/451, a impugnante acusa a fiscalização de ter procedido com descuido na condução dos trabalhos e que, ao receber uma autuação inconsistente, teve cerceado o seu direito de defesa, porquanto (1) passou tempo considerável buscando entender a autuação, sendo prejudicada em seu prazo de 30 dias para apresentar a defesa, e porque (2) elaborou a impugnação com base em premissas. Pede assim o cancelamento da autuação em observância às regras que regem o processo administrativo fiscal. 5.1. Quanto ao “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA”, há de se ponderar que tal cerceamento ocorre quando o sujeito passivo teve prejudicado seu acesso ao processo fiscal, no qual encontramse as informações que norteiam o(s) lançamento(s) a ser(em) contestad(s), ou se a descrição dos fatos é insuficiente ou deficiente, de tal forma, a impedilo de apresentar impugnação. Definitivamente este não é o caso. Nos termos do processo administrativo fiscal (Decreto nº 70.235, de 06/03/1997), as alegações apresentadas na peça de defesa estão ora sendo apreciadas e demonstram que a impugnante tem pleno conhecimento das infrações que lhe estão sendo imputadas assim como dos fatos que as norteiam. Também a documentação apresentada juntamente com a peça impugnatória será adiante objeto de apreciação. 5.2. Registrese que o fato de a contribuinte contestar o valor do tributo/contribuição apurado pelo agente fiscal não dá causa à nulidade, ao cancelamento, da autuação, mormente se a impugnante apresenta os cálculos que entende serem corretos. Caberá ao julgador administrativo apreciar a contestação apresentada em face da legislação de regência da matéria. 5.3. Frisese, não ocorre in casu a nulidade imposta pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, posto que os autos de infração foram lavrados por servidor competente (Auditor Fiscal) no cumprimento de seu dever e, ainda, os dispositivos legais e os fatos que amparam os lançamentos foram devidamente informados e deles pôde a interessada defenderse. (...) Rejeito as preliminares, até porque os erros de cálculo já foram corrigidos na decisão de 1a. instância. Glosa da amortização do ágio A Recorrente defende, em apertada síntese, que todas as parcelas questionadas configuram ágio, têm fundamento em rentabilidade futura e são dedutíveis. A matéria é recorrente neste Colegiado e meu posicionamento já conhecido: a amortização do ágio sem propósito negocial não tem amparo na legislação tributária e, principalmente, Fl. 3481DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 25 fere os princípios básicos da incidência do IRPJ e CSLL haja vista que se trata de uma despesa artificial que desequilibra a apuração desses tributos, reduzindo indevidamente suas bases de cálculo. Nunca é demais registrar que a amortização do ágio tem amparo nos artigos 7o. e 8o. da Lei 9.532, de 1997, que dispõem: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei 9.718, de 27/11/98) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. Fl. 3482DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 26 § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” (destaques incluídos) As divergências surgidas nos debates com o conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli, no que tange a esta matéria, foram incisivas. A meu ver, os fundamentos dos citados conselheiros não encontram guarida no art. 20 do Decretolei 1.598/77, que estabelece: Art.20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. § 4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio líquido aplicamse às sociedades que, de acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada.” A Norma Legal é clara: apenas o ágio regularmente contabilizado e comprovado com fundamento no “valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros” pode ser amortizado (Lei 9.532, art 7o, inciso III). Por sua vez, o ágio contabilizado com fundamento nas alíneas “a” e “c” do parágrafo 2º do art. 20 não é passível de amortização. Fl. 3483DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 27 Esclareçase que a existência do ágio pago pelo contribuinte não é aqui discutido. Ele de fato existe. O que aqui se debate é se esse ágio é de fato dedutível ou não nos termos dos artigos 385 e 386 do rir/99. Passo então a verificar o propósito negocial das operações que, segundo a acusação fiscal, seria apenas para criar artificialmente o ágio dedutível. Transcrevo parte do Termo de verificação fiscal, fls. 378 a 394, para identificar, aquele que seria o aspecto relevante da irregularidade apontada pela Fiscalização que implicou na glosa da amortização do ágio: (...) Cabe ressaltar aqui que toda a engenharia societária montada pela HDI em combinação com a HSBC visou exclusivamente a criar artificialmente um beneficio fiscal que se mostrou indevido, uma vez que, para concretizar seus objetivos de expansão no mercado nacional, bastaria à HDI formalizar o acordo operacional de exploração do canal bancário representado por mais de 2.000 (dois mil) pontos de venda no território nacional e toda a clientela do grupo HSBC como efetivamente fez. Outro aspecto relevante é que se considera desnecessária a aquisição da HSBC pela HDI sob o ponto de vista de atuação no mercado nacional de seguros, uma vez que a HDI já estava operando neste mercado desde 1978 como empresa própria, já possuindo as devidas autorizações legais dos órgãos reguladores, estabelecimentos, clientela, sistemas operacionais e conhecimento do negócio, uma vez que faz parte de renomado grupo segurador internacional. Poderia a HDI ainda, para fins de incrementar imediatamente sua participação no mercado nacional de seguros, adquirir diretamente da HSBC Seguros Brasil S.A a carteira de seguros transferida à HSBC Seguros de Automóveis e Bens S.A., companhia esta com efêmera vida operacional de alguns meses, comprovandose ter sido criada exclusivamente para servir de veiculo para esta operação. O fundamento econômico verificado representou nada mais do que uma mera aquisição da carteira de seguros contratados e, em cumprimento das disposições contratuais de Compra e Venda, transferidos entre as companhias HSBC em 31 de Outubro de 2005, sem qualquer conexão com rentabilidade futura, conforme mencionado nas publicadas Demonstrações Financeiras da HDI Seguros de Automóveis e Bens S.A., antiga HSBC Seguros de Automóveis e Bens (Brasil) S.A., relativas ao período de 19 de Janeiro de 2005, data de autorização de funcionamento, a 31 de Dezembro de 2005, em especial das notas explicativas n° 1 e 11. — fls. 334: "A referida transferência das carteiras foi efetuada com base nos respectivos valores contábeis dos ativos e passivos transferidos no montante de R$ 332.930 mil. Portanto, esta transferência não gerou nenhum resultado contábil e, além disso, não houve diferença entre o valor financeiro da operação e o saldo da provisão de prêmios não ganhos das apólices recebidas." Comprovase assim que no momento previsto para a escrituração do ágio e indicação de seu fundamento econômico artigo 385 do RIR/99 — qual seja, a data da aquisição do controle acionário, iniciada em 14 de Julho de 2005 e efetivada em 30 de Novembro de 2005, a HDI não possuía qualquer demonstração exigida pela legislação de regência da matéria que lhe permitisse classificar o fundamento econômico do ágio pago com base em rentabilidade futura ou ainda com base em Fl. 3484DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 28 valor de mercado, conseqüentemente definimos o fundamento econômico deste ágio como sendo por "Outras razões econômicas", conforme previsto no inciso III do 4 2° do artigo 385 do RIR199, pelo que se desenquadra o procedimento adotado pela HDI com a conseqüente lavratura da presente autuação. (...) Grifei. Segundo as alegações do Recorrente, o ágio que ele suportou cumpre os requisitos legais que autorizam a dedutibilidade de sua amortização na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos dos artigos 385 e 386 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Para tanto, aduz que tal ágio fora apurado com base na rentabilidade futura da participação societária que adquiriu, assim como esse fundamento econômico fora demonstrado por documento elaborado antes do efetivo pagamento da parcela. Assim não entendo. os elementos constantes do presente processo são conclusivos quanto ao fato de que as empresas buscaram meios para artificialmente transformar parte do valor pago na operação em ágio dedutível. É preciso analisar todo o contexto dos fatos e não os aspectos isolados é que se percebe o objetivo verdadeiro das pessoas que participaram dos negócios jurídicos, qual seja: tentar dar aparência de dedutível a um ágio que não poderia ser. Vejamos os detalhes das operações realizadas pelo contribuinte, pela HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. e pela HSBC CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S.A., a fim de demonstrar a impossibilidade da dedução pretendia pelo contribuinte. a) Breve histórico das operações societárias que deram origem ao ágio aqui discutido. Em 19/01/2005 as empresas HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. e HSB C CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S.A. constituem uma nova empresa para o Grupo HSBC, a HSBC SEGUROS GERAIS (BRASIL) S.A., com um capital social inicial de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões de reais) (fl. 122). Em 13/05/2005, por meio da 1a Assembléia Geral Extraordinária, a denominação social da HSBC SEGUROS GERAIS (BRASIL) S.A. é alterada para HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. (fls. 125/126). Nesse ponto, vale a pena ressaltar que, apesar da constituição da mencionada empresa ter ocorrido em 19/01/2005, consta nos autos que a sua efetiva abertura somente ocorreu em 01/07/2005 (fl. 124). Com efeito, percebese no "Sumário da Ata da 2a Assembléia Geral Extraordinária" da HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. (fls. 132/133) que em junho de 2005 ainda restava pendência com a Superintendência de Seguros Privados SUPEP. Ou seja, somente em julho, depois de cumpridos todos os requisitos e exigências, é que a HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. passou a existir juridicamente. Continuando o histórico, em 14/07/2005 é firmado o contrato de compra e venda das ações da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. (fls. 47/70). Nesse acordo, restou acertado que a HDI SEGUROS S.A. pagaria o montante de R$ Fl. 3485DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 29 300.000.000,00 (trezentos milhões de rais) a HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. e a HSBC CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S.A., em contrapartida à aquisição da participação societária integral da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.. Conforme consta do preâmbulo do citado contrato (fl. 48 3° "considerando"), as empresas vendedoras se comprometiam a, até a data do "fechamento" da compra e venda, transferir a HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. todo o negócio de seguros de danos por elas explorados, em especial por força da cessão onerosa da "carteira de clientes". Em outras palavras, por meio desse trecho do acordo, constatase o objeto do negócio firmado entre o Grupo HDI e o Grupo HSBC nada mais era do que a "carteira de clientes" relativa aos seguros de danos do Grupo HSBC, bem como o uso de seu suporte operacional (2000 agencias em todo o pais) pelo prazo de 10 anos para comercialização desses seguros . Todavia, como meio de concretizar esse acordo, esse BEM INTANGÍVEL fora "transformado" em uma pessoa jurídica. Nesse ponto, vale a pena registrar que houve um aumento do capital social da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. de R$ 15.000.000,00 (quinze milhões reais) para R$ 85.000.000,00 (oitenta e cinco milhões reais) (fls. 134/135). Esse dado é interessante apenas para definir o valor do “ágio” pago na operação pelo contribuinte autuado a HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. e a HSBC CAPITALIZAÇÃO (BRASIL) S.A. Ato contínuo, em 30/11/2005 há a finalização do contrato de compra e venda das ações da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A., data esta em que foi realizada a transferência das ações dessa empresa para o contribuinte autuado. Além disso, nesse mesmo dia, é alterada a denominação social da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para HDI SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S.A. (fls. 141/156). Ou seja, em 30/11/2005 a "carteira de clientes" relativa aos seguros de danos que até então pertencia ao Grupo HSBC fora formalmente transferida ao Grupo HDI, tanto que o nome da pessoa jurídica que "representava" essa "carteira" fora alterado do nome de um Grupo para o outro. Finalmente, em 01/04/2006 há a incorporação da HDI SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S.A. pela HDI SEGUROS S.A. conforme se verifica na atas das assembléias gerais das duas empresas (fls. 157/168). Nessa data, por fim, a "carteira de clientes" do HSBC é incorporada ao patrimônio de sua adquirente, sendo retirado do negócio a ROUPAGEM da personalidade jurídica que o seu vendedor lhe havia dado. Com a referida incorporação, a HDI SEGUROS S.A. extingue a participação societária que havia adquirido anteriormente com ágio, e passa a deduzir a amortização dessa parcela nos anoscalendário de 2006 a 2008 com base nos artigos 385 e 386 do RIR/99. b) Do investimento realmente adquirido pelo contribuinte. O fundamento econômico do ágio pago não fora a rentabilidade futura da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A., mas sim outra razão econômica que envolvia somente a "carteira de clientes". Fl. 3486DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 30 Como já "pincelado" anteriormente, cumpre esclarecer que a intenção da HDI SEGUROS S.A. sempre foi obter a determinada "carteira de clientes" que pertencia ao Grupo HSBC. No entanto, a HDI SEGUROS S.A., juntamente com o Grupo HSBC, resolveu por bem organizar uma sucessão de atos societários no intuito de aproveitar de forma fiscal o ágio que seria inevitavelmente pago. Nesse diapasão, decidiu DESCARACTERIZAR a compra direta da "carteira de clientes" do Grupo HSBC ao conferir ao negócio realizado a aparência da situação descrita no art. 385 e 386 do RIR/99 (aquisição de participação societária seguida da sua extinção). Cumpre então reconhecer que tudo foi feito para que formalmente se tivesse uma aquisição de participação societária com ágio e, posteriormente, a incorporação da controlada pela controladora. Tal incorporação ocasionaria a extinção do investimento adquirido e o correspondente surgimento do direito à amortização do ágio pago. A compra direta da "carteira de clientes" não proporcionaria a amortização do ágio pago. Para que isso fosse possível, nos termos da legislação aplicável, ERA NECESSÁRIO DAR A ESSE INVESTIMENTO A ROUPAGEM DE UMA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA QUE SERIA POSTERIORMENTE EXTINTA. Portanto, o que se vê é que o conjunto dos atos praticados pelo contribuinte autuado em conluio com o Grupo HSBC apenas serviu para tentar justificar a utilização de um benefício fiscal que o contribuinte não teria direito se realizasse diretamente a operação pretendida. Pois bem, o primeiro passo para demonstrar o verdadeiro propósito do contribuinte na aquisição da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E ENS (BRASIL) S.A. é analisar alguns aspectos do "acordo operacional" firmado entre a HSBC BANK BRASIL S.A., a HSBC SEGUROS (BRASILA) S.A., a HSBC CORRETORA DE SEGUROS BRASIL S.A., a HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. e a HDI SEGUROS S.A. (fls. 71/101). Isso porque, notadamente, o referido acordo foi pactuado entre as partes para viabilizar os resultados pretendidos com o "Contrato de Compra e Venda de Ações" da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.. Sendo assim, chamase a atenção para o seguinte trecho do referido acordo: 2.1. Objeto. O presente Acordo tem por objeto estabelecer os termos e condições que regularão o relacionamento de Preferred Provider entre, de um lado, o HSBC, a HSBC Corretora e a Rede HSBC, e, de outro lado, a Companhia e a Parceira [HDI SEGUROS S.A.], relativamente ao desenvolvimento, divulgação, distribuição e comercialização dos Produtos e Serviços a serem oferecidos pela Companhia [HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.] à Base de Clientes do HSBC, mediante a utilização da Rede HSBC e mediante a realização de marketing direto e qualquer outro meio de divulgação, distribuição e comercialização permitido em lei, com o intuito de que a Companhia [HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.] seja reconhecida perante os clientes da Base de Clientes do HSBC como a sucessora da HSBC Seguros na Fl. 3487DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 31 produção e comercialização de Produtos e Serviços. O HSBC envidará seus melhores esforços para, nos 60 dias seguintes à data deste Acordo, e desde que a Companhia e a Parceira assim desejem, comunicar adequadamente à Rede HSBC aqueles termos e condições deste Acordo cujo conhecimento pela Rede HSCB seja relevante para o bom e fiel cumprimente deste Acordo. Para os fins do disposto nesta Cláusula, a Companhia e a Parceira deverão, se assim solicitadas a fazêlo pelo HSBC, participar juntamente com o HSBC de reuniões de trabalho junto à Rede HSBC. (negritos não constam no original) 2.2.Direito de Preferência. O relacionamento de Preferred Provider será materializado por meio do regime de direito de preferência, por meio do qual o HSBC e a HSBC Corretora têm a obrigação de oferecer e fazer com que a Rede HSBC ofereça, por meio de todos os seus integrantes, em primeiro lugar, os Produtos e Serviços da Companhia [HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.] para a Base de Clientes do HSBC, encaminhando a ela, Companhia, toda e qualquer Proposta. O HSBC comprometese a envidar seus melhores esforços para que, na medida do possível, a Companhia realize um percentual de até 100%, e um percentual indicativo mínimo de 85%, dos negócios envolvendo os Produtos e Serviços realizados com a Base de Clientes do HSBC através da Rede HSBC. (...) (grifo nosso) Constatase, portanto, do citado trecho, que o contrato de compra e venda firmado entre o Grupo HSBC e o Grupo HDI tinha como elemento fundamental a chamada "base de clientes do HSBC". A preocupação com esse negócio sempre foi fazer com que a "carteira de clientes" do Grupo HSBC fosse transferida ao contribuinte aqui autuado. Repitase: as partes envolvidas na operação ora analisada firmaram um pacto negocial cuja finalidade era proporcionar a HDI SEGUROS S.A. a captação dos clientes que compunham a "base de clientes do HSBC". Além desses dados que constam no objeto do "acordo operacional", também é possível identificar mais indícios de que o ponto crucial do negócio firmado era apenas a alienação da carteira de clientes do HSBC. Esse aspecto é facilmente percebido em outros trechos do referido acordo, tais como a cláusula 3.5, na qual se verifica a estipulação de diversas obrigações assumidas pelo Grupo HSBC no sentido de disponibilizar a sua "base de clientes" ao contribuinte. Nesse esteio, a partir dessas informações, não é nada exagerado concluir que: o "acordo operacional" foi firmado para viabilizar os efeitos pretendidos com a compra da "participação societária da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A." pela HDI SEGUROS S.A.; se o ponto fundamental do aludido "acordo operacional" era possibilitar a transferência da "carteira de clientes" do HSBC a HDI SEGUROS S.A., fica evidente que a compra da "participação societária da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A." tinha como único objetivo a alienação da "carteira de clientes". Considerando esse contexto, poderseia perguntar: se o objetivo era apenas comprar a "carteira de clientes", qual razão então levou a HDI SEGUROS S.A. a adquirir primeiro a participação societária da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS Fl. 3488DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 32 (BRASIL) S.A. e depois incorporála? Por que a HDI SEGUROS S.A. não adquiriu diretamente a referida "carteira de clientes"? Ora, o motivo é muito simples, para tentar utilizar o benefício previsto no art. 385 e 386 do RIR/99, qual seja: deduzir da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a despesa com a amortização do ágio decorrente do investimento que seria extinto (participação societária da HSBS SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.. Caso o contribuinte tivesse realizado diretamente o negócio que realmente pretendia (aquisição da "carteira de clientes" do HSBC), não poderia obter o mencionado benefício fiscal. Se ele tivesse adquirido diretamente a "carteira de clientes" do HSBC: a um, tal investimento não se traduziria em uma participação societária; a dois, tal investimento não seria passível de ser extinto em virtude de incorporação, fusão ou cisão ("caput" do art. 386). Contudo, como a HDI SEGUROS S.A., juntamente com o Grupo HSBC, "orquestrou" que essa aquisição ocorresse por meio de uma participação societária, o ágio então pago passou a se revestir, aparentemente, dos requisitos previstos nos artigos 385 e 386 do RIR/99. Dessa maneira, temse que todo o conjunto de atos e operações societárias realizado tinha como finalidade exclusiva tornar a despesa com a amortização do ágio uma despesa dedutível o que não ocorreria se o contribuinte tivesse adquirido diretamente a "carteira de clientes" do HSBC. A "engenharia societária" adotada visou unicamente a transformar um ágio indedutível em dedutível. Assim, como premissa para concluir que o ágio registrado pelo contribuinte não é dedutível nos termos do art. 385 e 386 do RIR/99, é preciso destacar os elementos que atestam a falta de propósito negocial da criação da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. Nesse esteio, é importante analisar os fatos e circunstâncias que envolveram a "alienação da participação societária" da referida pessoa jurídica. Primeiramente, o contribuinte autuado tenta justificar o conjunto de operações societárias realizadas na complexidade do negócio jurídico. Assim, segundo o Recorrente, foi necessário que o Grupo HSBC constituísse uma outra pessoa jurídica e direcionasse a esta apenas a parte de sua carteira de seguros que pretendia alienar. Nesse sentido, o Recorrente argumenta que era preciso aguardar a aprovação da SUSEP, pois havia riscos de o negócio não ser autorizado. Por essa razão, ele afirma que a compra direta poderia trazer prejuízos no caso de eventual desfazimento da operação, o que tornaria inevitável a aquisição da "carteira de clientes" do Grupo HSBC por meio da participação societária da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. Entretanto, para aceitar essa justificativa temse que perguntar: o alegado risco de o negócio ser desfeito pelas Autoridades Públicas tornava indispensável a aquisição da "carteira de clientes" do Grupo HSBC por meio de uma participação societária? Pelo que se verifica dos autos, a transferência efetiva do controle acionário da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para o Recorrente ocorreu em 30/11/2005 data em que a HDI SEGUROS S.A. finalizou o pagamento do valor acordado entre as partes. Nesse ponto, vale a pena lembrar que foi nessa data também que houve a Fl. 3489DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 33 mudança da denominação social HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para HDI . SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S.A. Portanto, podese afirmar que a operação estava concluída em 30/11/2005, sendo que, a partir daquela data, a HDI SEGUROS S.A. assumiu integralmente as atividades de seguro que antes eram da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. e, o mais relevante, passou a ter a sua disposição a "base de clientes" do Grupo HSBC. importante registrar que a aprovação pela SUSEP da transferência do controle acionário da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para a HDI SEGUROS S.A. somente ocorreu em 15 de março de 2006 (fl. 177). Implica dizer que no momento da aprovação da SUSEP o contribuinte já era o proprietário da "carteira de clientes" e atuava normalmente, inclusive operando com o nome de HDI SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS S.A. Dessa maneira, fica evidente que, em relação à concordância da SUSEP, o negócio realizado entre o contribuinte e a HSBC SEGUROS (BRASIL) S.A. teria o mesmo efeito prático se tivesse ocorrido a venda direta da "carteira de clientes". Por seu turno, a transferência de empregados, a sucessão em ações cíveis e a garantia da transferência de contratos relevantes em nada contribuem para demonstrar a necessidade de haver a compra e venda da "carteira de clientes" do Grupo HSBC por meio da HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A.. Nesse ponto, a "nova" pergunta que se faz é se era realmente indispensável a criação daquela empresa. Novamente, fica difícil sustentar a necessidade do conjunto de operações efetivadas pelo grupo HSBC e pelo Recorrente, ainda que se admita que os três elementos apontados no parágrafo anterior eram realmente imprescindíveis para a continuidade da prestação dos serviços de seguros. Com efeito, se o contribuinte adquirisse diretamente a "carteira de clientes", nada impediria a transferência dos empregados bastaria a previsão no contrato de compra e venda. Por outro lado, a sucessão em ações cíveis relacionadas aos contratos de seguro firmados com os clientes da antiga seguradora seria uma decorrência natural da transmissão da "carteira de clientes". Vale dizer, o normal nesse tipo de operação é que a empresa sucessora dos contratos de seguro assuma também as questões judiciais inerentes a esse tipo de atividade. Portanto, se o Recorrente optasse por realizar a compra direta da "carteira de clientes" do Grupo HSBC, a atribuição de responder às ações cíveis fatalmente recairia sobre a HDI SEGUROS S.A.. Por fim, no que diz respeito aos contratos chamados de "relevantes" pelo contribuinte, podese desenvolver o mesmo raciocínio acima, qual seja: os referidos contratos poderiam ter sido repassados a HDI SEGUROS c A. independente do modo de aquisição da "carteira de clientes". Desse modo, não haveria a necessidade de se constituir uma nova pessoa jurídica no caso, a HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. para garantir que os tais "contratos relevantes" fossem disponibilizados ao contribuinte autuado. Fl. 3490DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 34 Todos esses pontos discutidos acima servem para demonstrar que os argumentos trazidos pelo Recorrente não conseguem, em nenhum momento, justificar a engenharia societária adotada. Significa dizer que o fim pretendido pelo contribuinte que era adquirir a "carteira de clientes" do Grupo HSBC seria atingido perfeitamente mesmo sem o conjunto de negócios jurídicos praticados. Nessa perspectiva, fica então a pergunta principal: qual o motivo, então, da criação de uma pessoa jurídica HSBC SEGUROS DE AUTOMÓVEIS E BENS (BRASIL) S.A. seguida da aquisição integral de sua participação societária pelo contribuinte e finalizando com a incorporação realizada pela HDI SEGUROS S.A.? Nesse contexto é que se verifica o verdadeiro objetivo do contribuinte, qual seja: tornar o ágio pago na aquisição da "carteira de clientes" em um ágio decorrente da aquisição de uma participação societária, transformando a despesa com a amortização do ágio em uma despesa dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o que não ocorreria se o contribuinte tivesse adquirido diretamente a "carteira de clientes". Enfim. O ágio pago pelo contribuinte é decorrente da aquisição da "carteira de clientes" do Grupo HSBC, não de um investimento traduzido em uma empresa que de fato existia de verdade. Devese ter em mente que, se a operação fosse direta, a despesa correspondente ao ágio não poderia ser considerada dedutível no momento da sua amortização contábil, tendo em vista que não existe nenhuma norma legal que autorize a dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL nessa situação. Como já destacado em momento anterior, se a HDI SEGUROS S.A. tivesse adquirido diretamente a "carteira de clientes" do Grupo HSBC, esse investimento não seria uma participação societária, não sendo, portanto, passível de ser extinto por meio da futura incorporação. Em verdade, materialmente, não ocorreu nenhuma aquisição de participação societária e, conseqüentemente, não há que se falar em rentabilidade futura de empresa coligada ou controlada, ou extinção do investimento em razão de uma incorporação. No máximo, haveria a rentabilidade da "carteira de clientes", que não se enquadra na hipótese prevista no supramencionado dispositivo do RIR/99. Considerando esses aspectos, forçoso concluir que o ágio somente poderia apresentar como fundamento econômico o disposto no inciso III do § 2° do art. 385 do RIR/99: "fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas". Desse modo, temse que o ágio não é dedutível, segundo determinação expressa do inciso II do art. 386 do RIR/99. Diante disso, resta evidente que o ágio gerado na operação não poderia ser deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em observância ao que determina o inciso II do art. 386 do RIR/99, tal qual fundamentado na acusação fiscal acima transcrita. Outrossim, em razão da extensa e diversa argumentação trazida no recurso voluntário, esclareço que a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Fl. 3491DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 35 Sobre esse tema faço referência a recentes decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, STJ, nos REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006; e REsp 876271/SP, julgado em 13/02/2007, cujas ementas são enfáticas: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ARTIGO 535 DO CPC. (...). 1. Não há violação do artigo 535 do CPC quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados.”(REsp 874793/CE, relator Ministro Castro Meira). “TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, DO CPC NÃOOCORRÊNCIA (...) 1. A questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É cediço, no STJ, que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.” (REsp 876271/SP, relator Ministro Humberto Martins). (Grifei). No voto condutor de outro julgado, “AgRg no Ag 353263/MG agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2000/01348655”, de 21/02/2006, asseverou o insigne Ministro Peçanha Martins: “A jurisprudência dominante neste Tribunal Superior proclama a não ocorrência de violação ao art. 535, incisos I e II, do Código de Processo Civil, se o acórdão recorrido, ainda que sucinto, tiver bem delineado as questões a ele submetidas, não se encontrando o magistrado obrigado a responder a todas as alegações das partes, quando já tiver encontrado motivos suficientes para fundar a decisão, nem se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Não há que se falar em ofensa ao dispositivo legal se a questão controvertida foi resolvida pelo acórdão de forma fundamentada. (RESP 174.390/SP e EDCL no RESP 202.056/SP).” A recorrente não pode esperar, tampouco exigir, que sejam abordados nos votos condutores dos acórdãos, cada uma das alegações articuladas nas defesas, e sim que as questões e matérias em litígio sejam devidamente apreciadas, cumprindose a determinação do art. 31 do Decreto 70.235 de 1972, com redação dada pela Lei 8.748 de 1993. Mantenho, pois, a glosa. Glosa da Amortização do Ágio na apuração da CSLL Sou de opinião que a partir da vigência da Lei 9.430/1996 aplicamse ‘a CSLL as mesmas vedações e limitações para dedução de custo e despesas do IRPJ, salvo disposição contraria expressa em Lei. Vejamos o texto dos art. 1o. e 28 da citada norma legal: Fl. 3492DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 36 Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Portanto, correta a incidência da CSLL sobre a glosa da amortização do ágio. Multa de oficio Isolada por falta de recolhimento de estimativas. O recorrente contesta ainda a multa de oficio isolada, por falta de recolhimento de estimativas, que está sendo exigida em concomitância com a multa de oficio de 75% sobre o mesmo tributo. Sobre a matéria já possuo entendimento sedimentado, que já manifestei em diversas decisão no CARF, a exemplo do acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa transcrevo. MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;”(...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grifei) Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Fl. 3493DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 37 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Portanto, devese cancelar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, exigida em concomitância com a multa proporcional de 75%. Juros de mora sobre a multa de oficio A recorrente questiona a cobrança de juros de mora `a taxa Selic sobre a multa de oficio. Afirma que inexiste base legal para essa exigência e apresenta vários julgados deste Conselho que ampara sua tese. Fl. 3494DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 38 A aplicação de taxa de juros lastreadas em indicadores do mercado financeiro iniciouse com a Lei nº Lei nº 8.981/95, cujo art. 84 dispõe: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...) A Seguir, a Lei nº 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa SELIC: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea "a.2" da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. (...) Por seu turno, a Lei nº 9.430/1996, ao remodelar a multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu em parágrafo que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento. O cerne da questão está na interpretação que se deve dar à expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições”. De fato o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito. Portanto, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos. A multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata. Entendendo que a SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 3495DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 39 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio, restam devidos os juros de 1% ao mês a que alude o Código Tributário Nacional, esse sim, aplicável à multa de oficio proporcional não pago no vencimento. Nesse sentido o acórdão 140200.213, cuja ementa transcrevo. MULTA DE OFÍCIO JUROS DE MORA. Sobre a multa de oficio, lançada juntamente com o tributo ou contribuição não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. (acórdão 140200.213). Frisese que no auto de infração deixou de constar o enquadramento legal da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Isso porque não há demonstrativo desta cobrança haja vista que o vencimento da multa somente ocorreria 30 dias após a ciência do auto. Porém, a meu ver, isso não macula o lançamento muito menos a cobrança, pois, tal incidência decorre da aplicação da Lei e não se constitui propriamente em irregularidade ou infração, embora seja legitima a contestação do contribuinte sob o entendimento que a cobrança seria indevida. Todavia, considerando que a Receita Federal tem cobrado a taxa Selic sobre a multa de ofício e neste julgamento o Colegiado decidiu que determinar a cobrança de juros acima do montante acumulado da Selic acarretaria em agravamento da exigência, a Unidade de Origem deve aplicar os juros de mora de 1% ao mês sobre a multa de ofício, desde de que sua aplicação no período do vencimento até o pagamento não ultrapasse a aplicação da taxa de juros Selic. Conclusão Diante do exposto voto no sentido de: 1) rejeitar as preliminares, 2) negar provimento ao recurso de oficio e 3) dar provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para excluir a multa de oficio isolada em concomitância com a multa de oficio proporcional e determinar a incidência de juros sobre a multa de oficio à taxa de 1% ao mês, limitada à taxa Selic acumulada no período. É este o voto condutor do presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 3496DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 40 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva A presente declaração tem por finalidade registrar a posição deste conselheiro apenas em relação ao recurso voluntário, já que em relação ao recurso de ofício não há divergência quanto à decisão de negar provimento ao mesmo. O que se discute neste processo é a natureza da transação jurídica realizada entre os grupos HSBC e HDI. Sabidamente, o HSBC se constitui de grupo financeiro com atuação em vários segmentos, dentre os quais o ramo de seguros, incluindo, dentre outros, seguro de vida, automóveis e cartões. Do que se extrai dos autos, o HSBC decidiu separar a atuação do ramo de seguros constituindo a empresa HSBC Seguros de Automóveis e Bens S/A, empresa esta que passou a operar com mais de 500 (quinhentos) funcionários, pontos de atendimentos, recursos materiais e logísticos. Constituída a nova empresa para atuação no segmento de seguros de automóveis, o HSBC decidiu vendêla e o Grupo HDI comproua, levando consigo os recursos humanos (mais de 500 funcionários), logísticos e materiais. Em face da atuação no mercado e da natureza do segmento envolvido, as operações precisaram ser aprovadas tanto pelo CADE quanto pela SUSEP. O laudo de avaliação encontrase datado da época em que a SUSEP autorizou a transação, mas se reporta à situação patrimonial da empresa na data em que o negócio foi entabulado. Tendo em vista que o ilustre relator, em sessão, de forma precisa e sintética, resumiu a posição de seu voto, formalizo a presente declaração sem acesso ao voto do ilustre relator, mas das minhas anotações tenho registrado que ficou assentado a inexistência de qualquer imprecisão quanto ao laudo. Igualmente, não há questionamento quanto ao fato de que o preço pago a maior deuse em face de expectativa de resultado futuro. Quem adquire empresa, para continuar operando, e paga por ela preço superior ao registrado em sua contabilidade, o faz na expectativa de obter lucros futuros que justifiquem o investimento. Não se discute no presente processo a efetividade da transação e do preço pago no negócio realizado entre o Grupo HSBC e o Grupo HDI. Contudo, a divergência está no fato de que a autoridade fiscal presumiu que a empresa HSBC Seguros de Automóveis e Bens S/A fora constituída com o propósito de gerar o ágio para amortização futura. Sustenta a autoridade fiscal que poderia ter sido vendida apenas a cartela de clientes sem a necessidade de constituir a nova empresa. Equivocase a autoridade fiscal e os que seguem seu posicionamento. Venda de carteira não inclui transferência dos recursos humanos, no caso mais de 500 (quinhentos) Fl. 3497DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 16327.000260/201012 Acórdão n.º 1402001.029 S1C4T2 Fl. 0 41 funcionários. Se os mais de 500 (quinhentos) funcionários, bem como os recursos logísticos e materiais eram necessários à continuidade do negócio, não subsiste a tese de que era possível vender apenas a carteira de clientes. Durante os debates, na sessão, questionouse quanto à possibilidade de transferência somente da carteira de clientes. Registrei posição destacando pela impossibilidade, visto que a adquirente, para continuar com o negócio, necessitava dos recursos humanos, logísticos e materiais, os quais incorporou. Tanto necessitava que levou consigo todo o quadro de funcionários. Quem vende carteira não “vende” nem transfere quadro de funcionários e demais recursos materiais e logísticos. Contudo, só para fins de registro, ainda que alguém possa afirmar que poderia ser transferido somente a carteira, há que se registrar que não foi o que ocorreu no caso concreto. Assim, não é possível fazer interpretações subjetivas, abstratas, com a pretensão de infirmar negócio efetivamente ocorrido no mundo dos fatos. Quando se analisa as transações entre empresas de grupos diferentes há que se verificar a origem do negócio. Isto é, quanto o adquirente desembolsou para adquirir o empreendimento. Se desembolsou mais do que os valores registrados no patrimônio líquido esta diferença constituise no ágio a ser amortizado, conforme previsto no art. 7º, III, da Lei nº 9.532, de 1997, a seguir transcrito: Art. 7º. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea b do § 2º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (NR) (Redação dada ao inciso pela Lei nº 9.718, de 27.11.1998, DOU 28.11.1998) O caso dos autos não é diferente das situações versadas nos processos nº 16561.000222/200872; 19515.002198/200515; 11080.011379/200651, em que empresas de grupos diferentes incorporaram outras por preço superior ao registrado no patrimônio líquido gerando o direito de amortizar o ágio, conforme previsto na norma acima transcrita, repetida no art. 386 do Regulamento do Imposto de Renda. Tanto aqui, como nos casos antes referidos, conforme destacado no processo nº 11561.000222/200872, há que se olhar o negócio como um todo, como se fosse constituído de várias cenas de um mesmo filme ou, conforme destaquei naquela ocasião, como se fosse vários lances de um mesmo jogo. Nos casos em que se avalia a geração de ágio é preciso aterse ao início do negócio para que possamos investigar qual o preço efetivamente pago. ISTO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar lançamento, restando prejudicado o recurso de ofício. (Assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 3498DF CARF MF Impresso em 15/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/ 12/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10650.721247/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
SÚMULA CARF Nº 45. ITR. USINAS HIDRELÉTRICAS.
O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ILEGITIMIDADE PASSIVA. CONCESSÃO DE USO DE IMÓVEL DO DOMÍNIO PÚBLICO DA UNIÃO PARA EXPLORAÇÃO DO POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA.
Incabível equiparar de forma indiscriminada, no conceito de posse: o ocupante de bem público, sempre em caráter precário; o mero detentor, como o locatário; e o possuidor com animus domini. Dos três, somente o último é contribuinte do ITR incidente sobre o imóvel de que tem a posse, na qualidade de substituto do proprietário ou do titular do domínio útil.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 2202-002.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o seu representante legal Dr. Modesto Justino de Oliveira Neto, inscrito na OAB/MG sob o nº 115.931.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ITR. USINAS HIDRELÉTRICAS. O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR). ILEGITIMIDADE PASSIVA. CONCESSÃO DE USO DE IMÓVEL DO DOMÍNIO PÚBLICO DA UNIÃO PARA EXPLORAÇÃO DO POTENCIAL DE ENERGIA HIDRÁULICA. Incabível equiparar de forma indiscriminada, no conceito de posse: o ocupante de bem público, sempre em caráter precário; o mero detentor, como o locatário; e o possuidor com animus domini. Dos três, somente o último é contribuinte do ITR incidente sobre o imóvel de que tem a posse, na qualidade de substituto do proprietário ou do titular do domínio útil. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o seu representante legal Dr. Modesto Justino de Oliveira Neto, inscrito na OAB/MG sob o nº 115.931. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 72 12 47 /2 01 1- 23 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10650.721247/201123 Acórdão n.º 2202002.089 S2C2T2 Fl. 476 3 Relatório 1 Notificação de Lançamento A recorrente recebeu, em 19/09/11, notificação de lançamento referente ao ITR da Usina de Nova Ponte. O valor total do crédito tributário constituído foi de R$ 64.664.437,62, incluídos imposto, multa de ofício de 75% e juros de mora. A descrição dos fatos e enquadramento legal foi a que segue: Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o campo valor da terra nua por ha (VTN/ha) foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra (SIPT), instituído através da Portaria SRF nº 447, de 28/03/02, e o valor Total da terra nua foi calculado multiplicandose esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB, instituído através da Portaria SRF nº 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de Agricultura ou entidades correlatas, sendo que esses valores são informados para cada município/UF, de localização do imóvel rural, e exercício (AC da DITR); assim foram obtidos os dados para os respectivos campos:município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal: Art. 10, § 1º, inciso I e art. 14 da Lei nº 9.393/96. Complemento da Descrição dos Fatos: Regularmente intimado, inicialmente o contribuinte solicitou prorrogação de prazo para apresentação dos documentos em 30 dias, no que foi atendido com dilação válida até 25/08/2011. Até a presente data não atendeu a intimação e não tendo mais havido qualquer manifestação por parte do contribuinte bem como não é de conhecimento do fisco possível ação administrativa ou judicial que impeça autuação em relação a Fl. 477DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 este imóvel rural para os anos calendário de 2007 e 2008, conforme intimação de Malha ITR, sou por autuar o mesmo. Notese que em sua declaração original de ITR/2008, os valores para terra nua estão avaliados em R$ 436.865,37 e para o campo de benfeitorias estão esses valores em R$ 871.667.214,53. Como não apresentou justificativa de valor condizente para a terra nua visto que os valores tributados em sua declaração estão bem abaixo dos dados econômicos constantes no SIPT Sistema de Preços de Terras da Secretaria Estadual de Agricultura/MG para o município de Nova Ponte/MG que está avaliado em R$ 3.500,00 a R$ 7.500,00 por hectare para os ano de 2007 e 2008. Com base nessas informações, foi arbitrado o valor da terra nua pelo menor valor dentre eles, ou seja, R$ 3.500,00/ha que multiplicado pela área de 45.046,9 hectares, perfaz um total tributável de R$ 157.664.150,00 para o anocalendário de 2008. O VTN/ha utilizado foi de R$ 3.500,00, correspondente à aptidão agrícola CAMPOS, a de valor mais baixo da localidade (fl. 338 do processo digital). As dimensões e o grau de aproveitamento do imóvel considerados foram os declarados pela recorrente no Documento de Informação e Apuração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DIAT. Consta na descrição dos fatos acima reproduzida a prévia intimação para comprovação do valor da terra nua, mas tais documentos não estão presentes no processo. 2 Impugnação A recorrente apresentou impugnação (fls. 866 do processo digital), tempestiva, na qual defende a inexigibilidade do crédito tributário, fundada nos seguintes argumentos: a) a área da usina hidrelétrica é de propriedade da União, vez que o art. 20, III, da CF estabelece que tanto os lagos, como os rios que banhem mais de um Estado e seus terrenos marginais são bens da União. Estas áreas são concedidas em regime de exploração para as concessionárias que empreendem serviço público sob a forma de empresas de Direito Privado. Desse modo, não existe relação de propriedade, posse ou domínio útil, pois as áreas se destinam, por força contratual do acordo de concessão, exclusivamente à prestação de serviço público, a saber, geração de energia. Sendo bem público, há ainda impossibilidade de aferir o preço de mercado, devido à inalienabilidade do bem, impedindo a construção da regramatriz de incidência tributária, pela falta da base de cálculo no critério quantitativo; b) as áreas do entorno são da mesma espécie das de preservação permanente, vez que em ambas há a exclusão da base de cálculo pelo esvaziamento dos direitos proprietários causado por restrição legal do uso; c) há falta de direitos proprietários e impossibilidade de verificar o grau de aproveitabilidade da área em atividade rural, pois concessionário não Fl. 478DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10650.721247/201123 Acórdão n.º 2202002.089 S2C2T2 Fl. 477 5 pode explorar atividade agrícola nas áreas afetadas à geração de energia elétrica, acabando por fulminar o critério quantitativo da regramatriz de incidência tributária, em específico a alíquota, pois sua definição está atrelada ao grau de utilização da propriedade; d) as áreas afetadas com as usinas hidrelétricas se encaixam no conceito de áreas imprestáveis para exploração rural, devendo ser excluídas da base de cálculo do tributo; e) a detenção da propriedade é precária, sendo devolvida à União ao fim do contrato, ou por encampação, caducidade, rescisão contratual, anulação, falência ou extinção da empresa concessionária, o que contraria o direito de propriedade que, nos ditames do Código Civil de 2002, presumese pleno e exclusivo. Tal plenitude inexiste, pois o concessionário não pode dispor da coisa nem têla para si com pretensão de definitividade; f) os imóveis rurais utilizados pelas concessionárias de prestação de energia elétrica são bens públicos de uso especial, sendo imprescritíveis, inalienáveis e impenhoráveis, outro fato que vem a desqualificar a relação de propriedade, posse ou domínio útil da concesssionária com o imóvel em questão, vez que essa só detém a execução do serviço de geração de energia elétrica; g) a exigência de ADA, embora não mencionada no auto de infração, é mera formalidade perfunctória, necessária tão somente à confirmação da hipótese de atipicidade tributária, matéria incontroversa no feito; h) há confusão entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, pois a União é a credora do crédito tributária e a proprietária do terreno; i) a multa aplicada é desproporcional e confiscatória; j) há súmula do CARF, de nº 45, que reconhece a não incidência do ITR sobre as áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas elétricas; Junto à impugnação, a recorrente anexou os seguintes documentos: a) jurisprudência favorável à recorrente (fls. 102254 do processo digital); b) contrato de concessão (fls. 256287 do processo digital); c) parecer do Prof. Dr. Paulo de Barros Carvalho entitulado “Inexigibilidade do Tributo ITR sobre terras alagadas que servem à prestação do serviço público de geração/transmissão de energia elétrica” (fls 290329 do processo digital); d) reprodução cartográfica da Usina hidrelétrica de Nova Ponte (fl. 331 do processo digital) Fl. 479DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 3 Acórdão de Impugnação A 1ª Turma da DRJ/CGE acordou considerar improcedente a impugnação (fls. 339361), esgrimindo os seguintes argumentos: a) o sujeito passivo do ITR é o possuidor a qualquer título, independentemente da autorização ou não do poder público; b) ao falar em propriedade rural, a CF e o CTN tratam rural como a localização do imóvel (fora de área urbana), não exatamente de sua destinação. Desse modo, imóveis desapropriados para a exploração de serviços públicos são sujeitos a ITR; c) não existe imunidade, pois o serviço está sendo prestado por pessoas jurídicas de direito privado, cuja extensão da imunidade é vedada pelo art. 173, §2º da CF de 1988; d) os reservatórios de água não podem se enquadrar no conceito de rio ou potenciais de energia elétrica, motivo pelo qual não pertencem à União, mas, sim, às empresas exploradoras do reservatório para fins de geração de energia elétrica; e) a isenção para áreas alagadas para constituição de reservatório de usinas hidrelétricas foi introduzida pela Lei nº 11.727/08, só podendo ser aplicada a fatos geradores posteriores. Ademais, a isenção anterior foi revogada com o advento da Constituição Federal, devido ao §1º do art. 41 da ADCT; f) as áreas não utilizadas em atividades rurais são consideradas como áreas ociosas para fins de ITR, não importando que estejam sendo empregadas para o represamento de água para exploração de seu potencial energético. Somente podem ser excluídas estas áreas se caírem em alguma das hipóteses do art. 10, §1º, I, da Lei 9.393/96; g) os posicionamentos doutrinários expostos, embora respeitáveis, não podem se sobrepor à interpretação uniformizada da Receita Federal, consubstanciada no Parecer Normativo COSIT nº 15/00; h) foi correto o arbitramento, vez que a Fiscalização encontrou sinais de subavaliação do valor de mercado da terra, e pela falta de apresentação de laudo técnico de avaliação pela recorrente que justifique o VTN/ha de R$ 9,70 constante na DIAT. Ademais, o fato de o imóvel não estar afetado ao mercado não significa que não seja passível de avaliação para fim de incidência do ITR. O imóvel pode, inclusive, ser leiloado à outra concessionária; i) a multa de 75% e a correção monetária indexada pela taxa SELIC no caso de lançamento de ofício estão fixados em legislação infraconstitucional, e devem ser aplicadas até que seja declarada sua inconstitucionalidade; j) a perícia pleiteada é desnecessária, vez que os dados que se quer apurar eram passíveis de comprovação através de laudo técnico de avaliação, que poderia ter sido produzido pela impugnante; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10650.721247/201123 Acórdão n.º 2202002.089 S2C2T2 Fl. 478 7 4 Recurso Voluntário Notificado do resultado do acórdão de impugnação em 02/04/12, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 368405 do processo digital) em 30/04/12, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O deslinde do feito passa pela análise da incidência do ITR sobre as áreas alagadas. Segundo o recurso, a obrigação não pode ser validamente exigida, pois (i) a recorrente, na condição de concessionária de potencial hidráulico, não é sujeito passivo do ITR (não é proprietária, detentora da posse ou domínio útil, nem tem gerência sobre o uso da terra); (ii) as áreas alagadas, para fins de instalação e operação de usinas hidrelétricas, estão fora do campo de incidência do ITR. A matéria encontrase sumulada nesse Egrégio Conselho, como revela o enunciado sumular abaixo transcrito: Súmula CARF nº 45: O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural não incide sobre áreas alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidroelétricas. Para embasar o posicionamento, peço licença para reproduzir trecho de um dos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da aludida Súmula (AC 30335.844). Nele, o eminente Conselheiro Tarásio Campelo Borges amparou seu voto na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello e no posicionamento do STF acerca da natureza da posse necessária para que haja sujeição passiva do contribuinte ao imposto: Tratam os autos, conforme relatado, de lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) sobre imóvel de concessionária de serviço público de energia elétrica afetado "ao uso especial de serviço público privativo da União (produção, geração e distribuição de energia elétrica)". A propósito das concessões, transcrevo lições de Celso Antônio Bandeira de Melo: II. Cumpre, outrossim, não confundir concessão de serviço público e concessão de uso de bem público, com o fito de explorálo. Só se tem concessão de serviço público — e o próprio nome do instituto já o diz — quando o objetivo do ato for o de ensejar uma exploração de atividade a ser prestada universalmente ao público em geral. Pode ocorrer que, para tanto, o concessionário ancilarmente necessite usar de um bem público (como, por exemplo, quando instala canalizações ou postes no subsolo e nas vias públicas, respectivamente), mas o objeto da concessão é o serviço a ser prestado. Diversamente, a concessão de uso pressupõe um bem público cuja utilização ou exploração não se preordena a satisfazer necessidades ou conveniências do público em geral, mas as do próprio interessado ou de alguns singulares indivíduos. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10650.721247/201123 Acórdão n.º 2202002.089 S2C2T2 Fl. 479 9 O objeto da relação não é, pois, a prestação do serviço à universalidade do público, mas, pelo contrário, ensejar um uso do próprio bem ou da exploração que este comporte (como sucede com os potenciais de energia hidroelétrica) para que o próprio concessionário se sacie com o produto extraído em seu proveito ou para que o comercialize limitadamente com alguns interessados. A Lei 9.074, de 7.7.95, no art. 50, II e III, expressamente contempla ditas hipóteses, tanto sob a forma de concessão de uso de potenciais hidráulicos para produção de energia elétrica para consumo próprio como para o que denominou produção "independente", sem, todavia, nesta última hipótese, explicitar que, in casu, tratase, também, de uma concessão de uso. No caso concreto, a aquisição do imóvel rural objeto do lançamento se deu mediante condições fixadas pelo poder público que o tomam inalienável e indisponível pela ora recorrente, porquanto, efetivamente, ele é do domínio público da União e precária é a posse da ora recorrente, subordinada à vigência do contrato de concessão de uso de bem público. [...] Tracei esse paralelo entre conceitos inerentes ao ITR e ao IPTU porque farei uso de parte dos fundamentos de um acórdão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que limitou à posse animus domini a substituição do direito de propriedade pela posse na ocorrência do fato gerador do IPTU. A exigência do tributo municipal sobre os imóveis integrantes do acervo patrimonial do Porto de Santos era uma das matérias litigiosas nos autos do processo judicial. [...] No presente caso, é incontroverso que os imóveis tributados são do domínio público da União, encontrandose ocupados pela recorrente em caráter precário, na qualidade de delegatária dos serviços de exploração do porto e tão somente enquanto durar a delegação. O acórdão, ao invocar a norma do art. 32 do CTN, além de incidir do mau vezo de buscar na lei a interpretação da Constituição, não atentou para a circunstância de que o art. 32 do CTN não pode ser interpretado como tendo englobado, no conceito de posse, de forma indiscriminada, o ocupante de bem público, sempre em caráter precário; o mero detentor, como o locatário; e, finalmente, o possuidor com animus domini; esse, sim, responsável pelo tributo incidente sobre o imóvel privado de que tem a posse, na qualidade de substituto do proprietário, figura de ordinário desconhecida ou, no mínimo, alheia ao destino do bem tributado. É certo que no litígio examinado pelo Pretório Excelso a interpretação do conceito de posse limitase ao comando Fl. 483DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO 10 legislativo do artigo 32 do CTN. No entanto, pareceme irracional apartar essa exegese do conceito de posse para os fins do disposto nos artigos 31 e 34 do mesmo diploma legal, que definem o contribuinte do ITR e do IPTU, respectivamente. Portanto, a ora recorrente é ocupante de bem público e como sói acontecer dotada de posse precária, insuscetível de substituir o titular do domínio do imóvel rural na qualidade de contribuinte do tributo. Igualmente não pode figurar a ora recorrente no pólo passivo da relação tributária na qualidade de responsável, porque inexistente requisito imposto pelo inciso II do artigo 121 do Código Tributário Nacional, vale dizer, nosso ordenamento jurídico é carente de disposição expressa de lei nesse sentido. (Terceiro Conselho de Contribuintes. Terceira Câmara. Processo nº 10675.720040/200777. Acórdão nº 30335.844. Rel. Tarásio Campelo Borges. Julg. em 10/12/08) Os lagos, rios e correntes de água em territórios da União, ou que banhem mais de um Estado, bem como os terrenos marginais são bens da União (CF/88, art. 20, II), assim como os potenciais de energia hidráulica (CF/88, art. 20, VIII). Quando constatado que determinado rio possui potencial energético, ele pode ter seu uso cedido a concessionária, que deterá a posse precária das estruturas que construir sobre os rios e em suas margens — posição da recorrente. Por serem bens da União, são imprescritíveis (CF/88, art. 191, Parágrafo Único), circunstância que, de plano, revela a ausência de pretensão aquisitiva da concessionária (recorrente), condição necessária à incidência válida do tributo. Enfim, a recorrente não é proprietária, detentora da posse (com animus domini) ou do domímio útil do imóvel submerso. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 484DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.005058/2009-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL.
São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Francisco Marconi de Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES DE ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. São isentos os rendimentos recebidos a título de aposentadoria ou pensão por portador de moléstia grave especificado no inciso XIV do artigo 6 da Lei nº. 7.713, de 1988, quando há reconhecimento da doença por laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Núbia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 50 58 /2 00 9- 92 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório O contribuinte Hélio Carneiro Alvarega, já qualificado neste processo, pleiteou a restituição do imposto de renda retido na fonte sobre o 13º Salário dos anos 2004 a 2008 (fl. 1), conforme descreve na petição: 2004 – R$ 3.052,62; 2005 – R$ 3.384,53; 2006 – R$ 3.419,90; 2007 – R$ 4.233,57 (Rest R$ 1.118,77); e 2008 – R$ 4.681,45. O requerente juntou, entre outros, os seguintes documentos para comprovar o pedido de restituição protocolado em 18 de março de 2009: a) aposentadoria, a pedido, datada de 25 de agosto de 1994 (fl. 2); b) laudo médico emitido por C. S. Menino Jesus, emitido em março de 2009, informado que o requerente é portador de neoplasia maligna desde 2003, sendo a doença passível de controle, com laudo válido até janeiro de 2014 (fl. 3); c) laudo pericial do Sistema Único de Saúde da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, que informa estar o requerente sob cuidados médicos desde 2003 (fl. 4); e d) relatórios médicos da Clínica Dermatológica Glaysson Tassara, informando o tratamento de carcioma de pele, com tratamento clínico em 2003/2004 e cirúrgico em 2009 (fl. 6/10). A auditorafiscal, considerando a falta de especificidade e de conclusividade, submeteu o laudo de folha 3 ao Núcleo de Saúde e Perícia da Divisão de Recursos Humanos da Gerência Regional do Ministério da Fazenda em Minas Gerais (NUSAP/DRH/GRA/MG), que emitiu o Parecer nº 15909, informando que o “requerente preenche os critérios para enquadramento no benefício pleiteado, temporariamente, a partir de janeiro a dezembro/2009”. O contribuinte, por meio do procurador legalmente habilitado, reapresenta os documentos relacionados nos itens “b” (fl. 48), “c” (fl. 49) e “d” (fl. 50/54). Posteriormente, apresenta outros documentos e pede que sejam encaminhados à apreciação da Junta Médica do Ministério da Fazenda. Os documentos são: a) cópia de exame anatomopatológico, constatando lesão circular couro cabeludo, datado de 17 de setembro de 2003, realizado pelo Laboratório Hugo Silviano Brandão, considerado, segundo o requerente, como marco inicial do direito pelo serviço médico oficial, Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, e pelo seu médico particular, Dr. Glaysson Tassara Tavares (fl.68); b) cópia dos laudos das biópsias realizadas pelo Centro Especializado em Anatomia Patológica, na região peitoral direita, em 18 de abril de 2007, na face anterior da perna esquerda, em 9 de maio de 2007, no tórax, em 22 de maio de 2007, e no couro cabeludo, em 13 de maio de 2008 (fl. 69/72); e c) cópia de relatório assinado pela Drª. Maria Elizabete Caetano Zama, datado de 19 de janeiro de 2009 (fl. 76). Fl. 158DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 15504.005058/200992 Acórdão n.º 2102002.269 S2C1T2 Fl. 146 3 Com base nos documentos apresentados, o NUSAP/DRH/GRA/MG emitiu o Parecer nº 45909, informando que: “após avaliação documental de interesse para o exame médico pericial, concluiu que o interessado não preenche os critérios para enquadramento no benefício pleiteado”. Diante da divergência entre os Pareceres nº 15909 e 45909, a chefia do Seort retornou os autos ao NUSAP/DRH/GRA/MG, que, por meio do Parecer nº 00110 (fl. 83), concluiu pela ratificação do Parecer Médico nº 45909. Assim, com base no Parecer Médico do NUSAP/DRH/GRA/MG, a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (MG) indeferiu o pedido de restituição. Inconformado, o contribuinte se manifestou no prazo legal, por intermédio de sua procuradora, alegando que é aposentado desde 24 de agosto de 1994 e, segundo laudo médico fornecido pelo Centro de Saúde Menino Jesus, unidade de saúde integrada ao distrito sanitário centrosul por Lei Municipal n° 8.425, de 2002, é portador de moléstia grave desde 2003 e faz jus à isenção até janeiro de 2014. Argumenta, ainda, que: a) inexiste obrigação de vinculação entre a fonte pagadora dos rendimentos e a instituição pública emitente do laudo pericial; b) não foi cientificado, antes do recebimento do DespachoDecisório, da negativa da Junta Médica expressa no Parecer Médico Pericial n° 459/2009, como seria seu direito; que o segundo e o terceiro Pareceres de fls. 81 e 83 emitidos pela Junta Médica sofrem dos vícios do primeiro, uma vez que foi descartado o documento concessivo do seu direito, o qual seria suficiente para comprovação, consoante a lei; e c) foram ignorados os pareceres da Drª. Maria Elizabete Caetano Zama e do Dr. Glaysson Tassara Tavares, médicos responsáveis pelo tratamento do contribuinte desde 2003, bem como as provas materiais apresentadas em forma de exames laboratoriais, nos quais constam sucessivas neoplasias malignas que acometeram o contribuinte; Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação, com o deferimento do pedido de isenção e o reconhecimento do direito creditório, respeitandose o prazo prescricional, consoante o laudo médico emitido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, e que seja expurgado do processo pareceres médicos periciais n° 159/2009, 459/2009 e 01/2010, por padecerem de vício/erro material que restringe o benefício concedido pelo legislador positivo e, ato contínuo, sejam processadas as declarações retificadoras. A Quinta Turma de julgamento da DRJ/BHE considerou a manifestação de inconformidade improcedente, tendo em vista que o direito a isenção dos rendimentos, reconhecido pelo laudo médico expedido pelo Gerente de Saúde e Assistência da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, somente teria vigência a partir de 9 de janeiro de 2009, e que os demais laudos não teriam sido emitidos por órgão médico oficial. Cientificado da decisão por aviso de recebimento, em 15 de outubro de 2010 (fl. 110), o contribuinte postou recurso voluntário em 12 de novembro do mesmo ano. Entretanto, Fl. 159DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 seu processo fora arquivado. Posteriormente, em petição datada de 21 de janeiro de 2011, requereu que seu recurso voluntário fosse processado, sendo os autos desarquivados e encaminhados a este Conselho. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega que: a) anexou aos autos toda documentação comprobatória de seu direito, ou seja: o ato de aposentadoria expedido pela Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, dois laudos médicos expedidos pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (MG), relatórios e laudos detalhados sobre a cirurgia realizada em 19 de janeiro de 2009; b) manifestou sua inconformidade com a decisão proferida pela Junta Médica do Ministério da Fazenda, anexando cópias de exames anatomopatológicos (biópsias) realizados nos anos de 2003, 2007 e 2008 para comprovar o seu direito; c) durante a tramitação do processo na DRJ, anexou laudo médico fornecido pela GerênciaGeral de Saúde e Assistência da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, informando ser o contribuinte portador de doença elencada desde 17 de setembro de 2003, mas constando uma ressalva no segundo parágrafo do mesmo, de que a vigência seria a partir de 09 de janeiro de 2009, por tempo indeterminado. E que tentou, ato contínuo, dar entrada no documento retificado na DRJ, mas não obteve êxito, recebendo Acórdão n° 0228.256 indeferindo seu pleito; d) o segundo laudo médico, retificado, fornecido pela Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, sua fonte pagadora, informa que é portador definitivamente de patologia grave desde 17 de setembro de 2003; e) a patologia citada em seu laudo está entre as descritas nas Leis nº 7.713, de 1998, 8.541, de 1992; e f) segundo o processo de consulta nº 19, de 2009, não existe qualquer referência à obrigatoriedade de vinculação entre a fonte pagadora dos rendimentos e a instituição publica que emite o laudo pericial. Por fim, o requerente cita os seguintes documentos anexados aos autos: laudo médico expedido pela Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, informando ser o contribuinte definitivamente portador da doença elencada desde 17/09/2003; relatório médico expedido pela médica assistente, Drª Maria Elizabete Caetano Zama, CRM 9229; relatório médico expedido pelo médico assistente, Dr. Glaysso Tassara Tavares, CRM 24605; exame anatomopatológico expedido pelo Laboratório Hugo Silviano Brandão, datado de 17 de setembro de 2003; laudo médico expedido pelo Centro Especializado em Anatomia Patológica (CEAP), datado de 18 de abril de 2007; laudo médico expedido pelo Centro Especializado em Anatomia Patológica (CEAP, datado de 11 de maio de 2007; laudo médico expedido pelo Centro Especializado em Anatomia Patológica (CEAP), datado de 22 de maio de 2007; laudo médico expedido pelo Centro Especializado em Anatomia Patológica (CEAP), datado de 13 de dezembro de 2008; cópia de ato de aposentadoria, publicado no Jornal "Minas Gerais" – Diário do Legislativo; além da procuração e documentos para comprovação de identidade. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 15504.005058/200992 Acórdão n.º 2102002.269 S2C1T2 Fl. 147 5 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira – Relator O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Conforme o inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, são isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria, reforma e pensão percebidos pelos portadores das moléstias, dentre elas a neoplasia maligna. Dispondo sobre tal concessão, o art. 30 da Lei nº 9.250 de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcrito, estabeleceu que, a partir de 1º de janeiro de 1996, para reconhecimento de novas isenções, a doença deve ser comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1.996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Dos dispositivos citados, extraíse que os rendimentos devem decorrer de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte deve ser portador de moléstia grave relacionada na Lei nº 7.713, de 1988, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A questão foi assim sumulada neste Colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Esse é também o entendimento do STJ, como expresso no RE nº 1.286.094 – CE: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE PROVENTOS PERCEBIDOS POR PORTADORES DE MOLÉSTIA GRAVE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA DOENÇA MEDIANTE LAUDO PERICIAL EMITIDO POR SERVIÇO MÉDICO OFICIAL. [...] 3. Recurso especial provido, em parte, tãosomente para determinar a produção da prova pericial. RECURSO ESPECIAL Nº 1.286.094 CE (2011/02415660). MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 6 O contribuinte apresentou laudos e exames, que foram submetidos à avaliação do Núcleo de Saúde e Perícia da Divisão de Recursos Humanos da Gerência Regional do Ministério da Fazenda em Minas Gerais. O setor, após avaliação documental, emitiu parecer informando que “o interessado não preenche os critérios para enquadramento no benefício pleiteado”. Posteriormente o recorrente apresentou um laudo médico expedido pelo GerenteGeral de Saúde e Assistência da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, informando que vigência seria somente a partir de 9 de janeiro de 2009 e, sendo tal prazo posterior aos exercícios em análise, teve seu pedido negado em primeira instância. Entretanto, na fase recursal informa que o laudo médico expedido pelo Gerente Geral de Saúde e Assistência da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais fora retificado. De fato, fora anexado aos autos outro laudo emitido na mesma data, 26 de julho de 2010, excluindo a vigência. De qualquer forma, o laudo apresentado inicialmente, emitido pela C. S. Menino Jesus, e o parecer médico emitido pela unidade do Sistema Único de Saúde da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, já indicavam que a doença fora acometida desde 2003. Por isso, entendo que o recorrente faz jus a isenção prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Isto posto, voto em dar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Fl. 162DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 36580.000870/2004-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Jan 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2003
PREVIDENCIÁRIO. EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Quando a empresa for devidamente excluída do SIMPLES com efeitos retroativos, deve cumprir com as obrigações tributárias em relação ao passado. Logo, caso haja contribuição previdenciária remanescente, não há que se falar em restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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EMPRESA EXCLUÍDA DO SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Quando a empresa for devidamente excluída do SIMPLES com efeitos retroativos, deve cumprir com as obrigações tributárias em relação ao passado. Logo, caso haja contribuição previdenciária remanescente, não há que se falar em restituição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Maria Anselma Coscrato dos Santos Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 58 0. 00 08 70 /2 00 4- 84 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Sirvome do Relatório do então Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza constante nas fls. 107/111 da numeração digital, o qual converteu o julgamento em diligência, porém com a inclusão de uma informação quanto à decisão de primeira instância, in verbis: “Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.276 a 300 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (fls. 270 a 273) que julgou improcedente o Requerimento de Restituição da Retenção, referente ao período de 09/2002 a 04/2003. Segundo a requerente, o pedido justificase em razão de ter havido retenções superiores às devidas sobre as Notas Fiscais de Prestação de Serviços em relação ao valor devido sobre a folha de pagamento. Às fls.117, há despacho da Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT da DRF de Maringá/PR determinando o encaminhamento dos autos à Seção de Fiscalização, a qual encaminhou a análise do caso ao auditor fiscal competente que informou ser impossível prestar quaisquer esclarecimentos, tendo em vista que o período constante no requerimento diverge do que consta no procedimento fiscal. Às fls.141, consta inteiro teor do acórdão n 0611.688 referente ao processo n 10950.003275/200451 cujo objeto de discussão é saber se a exclusão da empresa do SIMPLES é devida ou não. Referido processo (10950.003275/200451) discute a exclusão da empresa do SIMPLES, através do Ato Declaratório Executivo n 45 de 28/10/2004 produzindo os efeitos desta decisão a partir de 01/10/2002. Desta decisão de exclusão, foi apresentada manifestação de inconformidade junto à DRJ de Curitiba, a qual foi indeferida através do Acórdão 0611.688, de 27/07/2006. Do pedido formulado pela recorrente referente à restituição dos valores (processo n 36580.000870/200484) retidos a maior no período 09/2002 a 04/2003, houve análise por parte do SAORT de Maringá/PR que, através do Despacho Decisório de 12/02/2009, acostado às fls. 159 a 163, indeferiu o pedido. Em sequência, às fls. 164, o Comunicado SAORT nº 108/2009 informou que existe crédito remanescente no valor originário de R$ 3.162,63 (três mil, cento e sessenta e dois reais e sessenta e três centavos), e débitos previdenciários nos valores originários de R$ 12.254,27 (doze mil, duzentos e cinquenta e quatro reais e vinte e sete centavos), conforme despacho decisório, e débitos parcelados com a Fazenda Nacional. Não obstante a informação acima, na fl. 198/204 da numeração de papel, está presente Despacho Decisório, datado de 12 de fevereiro de 2009, o qual decide pelo reconhecimento do crédito pleiteado da competência de setembro de 2002, e o indeferimento para as demais competências – 10/2002, 12/2002 a 04/2003. Informa também que existem débitos a serem quitados no valor de R$ 24.882,69 – parte patronal e R$ 12.254,27 – outras entidades. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36580.000870/200484 Acórdão n.º 2403001.735 S2C4T3 Fl. 3 3 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A empresa, por sua vez, apresentou manifestação ao procedimento de abatimento de ofício realizado no pedido de restituição, tendo em vista que os débitos apurados não prosperam, pois não foi considerado o fato da manifestante ser beneficiária do regime do SIMPLES, motivo pelo qual postula a devolução integral do montante reivindicado. Foi apresentado recurso administrativo às fls.183 a 189 contra a decisão da SAORT n 108/2009, no qual foram reiterados os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo ainda o deferimento integral de sua restituição. Assim, alegou: Que prestou serviços à COPEL e esta reteve 11% do valor total de cada nota fiscal de prestação de serviço e que esse montante deve ser compensado mensalmente, devendo ser restituído ao contribuinte o valor excedente; Arrazoou que os valores retidos foram superiores aos devidos e foi apurado em seu favor um crédito a ser restituído, porém teve seu pedido indeferido sob o fundamento de ter sido excluída do SIMPLES. Disse também que a desclassificação da recorrente do regime do Simples foi indevida, pois a atividade da recorrente é o ‘Comércio Varejista de Material Elétrico’, como consta na sexta alteração do contrato social; Acerca da atividade fiscalizatória, informou que foi submetido à fiscalização que lavrou os Autos de Infração 37.194.8711, 37.194.8657 e 37.194.8690, os quais foram impugnados, porém, não infringiu nenhum dispositivo legal e nem agiu de máfé no seu pedido de adesão ao SIMPLES; Salientou que os incentivos do SIMPLES têm como objetivo a redução da carga tributária, o que gera uma maior competitividade no mercado, dando oportunidade às micro e pequenas empresas que são as maiores geradoras de emprego no país. Por fim, informou que a grande celeuma está atrelada especificamente à questão da recorrente ser ou não ser beneficiária do regime SIMPLES e que a empresa acumula as atividades de comércio varejista de materiais elétricos e de instalação elétrica, devendose considerar a atividade mercantil que permite a opção pelo SIMPLES, por ser mais benéfica ao contribuinte, segundo art.112 do Código Tributário Nacional. DA DECISÃO DA DRJ Instada a manifestarse acerca da manifestação do contribuinte, a 5 turma da DRJ de Curitiba proferiu decisão (acórdão de nº 0624.511) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 327DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Período de apuração: 01/09/2002 a 30/04/2003 SIMPLES.ATIVIDADE IMPEDITIVA. CONTRIBUIÇÃO. A empresa que exerce atividade impeditiva de participar do Simples deve recolher as contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre os valores pagos a todos os segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. RESTITUIÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INDEFERIMENTO. Não estando demonstrada a existência dos fatos constitutivos do pedido de restituição, compete à autoridade administrativa julgadora de primeira instância indeferir a solicitação formulada na manifestação de inconformidade do requerente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada com a decisão supra, a recorrente apresentou recurso voluntário às fls. 276 a 300, onde, em síntese, reiterou os argumentos de defesa apresentados anteriormente, alegando: Quanto ao mérito: Que a atividade predominante da Recorrente é a exploração do ramo de compra e venda de materiais elétricos no varejo e a prestação de serviços de eletricidade de alta e baixa tensão, que não foram excluídas do Regime Simples, nos termos do artigo 9°, da Lei 9.317/96; Que a Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, denominada de o novo Estatuto das Micro e Pequenas Empresas, redefiniu o Regime Tributário Simples, ampliando os seus benefícios a um maior número de empresas, e não inclui no rol de exclusões do artigo 17, os ramos de atividades exploradas pela Recorrente, em especial a de comércio varejista; Que o propósito do SIMPLES NACIONAL é o de simplificar e reduzir a carga tributária das empresas, para melhorar as suas condições de competitividade, em especial as micro e pequenas empresas em face das grandes concorrentes; Que cumula as atividades de comércio varejista de materiais elétricos e de instalação elétrica, que há de se considerar a atividade mercantil a qual permite a opção pelo SIMPLES e o seu deferimento; Que a administração pública, inclusive a Receita Federal, pode revisar seus atos, caso seja necessário, para corrigir ou remeter ao órgão/setor competente para que assim o proceda; Fl. 328DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36580.000870/200484 Acórdão n.º 2403001.735 S2C4T3 Fl. 4 5 Que as decisões ilegais acerca do assunto, que contrariem a Constituição Federal, em seu artigo 170, caput, e incisos IV, VIII e IX, artigo 9°, da Lei 9.317/96, vigente à época, e o artigo 17, da Lei Complementar n° 123/2006, em vigência, são nulas de pleno direito; Que as decisões que excluíram a Recorrente do Simples são nulas de pleno direito, pois contrariam as normas constitucionais e infraconstituicionais apontadas, eis que não está a mesma excluída dos benefícios conferidos por tal regime tributário, como amplamente demonstrado acima. Por fim, pede que seja conhecido e provido o recurso voluntário para reformar a r. decisão recorrida, deferindo integralmente a restituição do crédito a que faz jus, ante os excessivos recolhimentos realizados, dandolhe o tratamento que lhe é de direito, de empresa beneficiária do Regime Simples, declarando incidentalmente tal situação e, assim, anulando o ato administrativo que a excluiu do Regime SIMPLES e, de consequência, retroagindo os efeitos de tal maneira como se nunca tivesse sido revogado em desfavor da Recorrente.” DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA PELO CARF Em 29/09/2011 esta Turma converteu o julgamento em diligência para, in verbis: “Contudo, para que não haja um julgamento precipitado e entendendo que seja imprescindível saber a situação da recorrente perante o regime simplificado de tributação, solicito a realização de diligência que tenha como objetivo verificar a atual posição do processo 10950.003275/200451 (informação em anexo), inclusive se o mesmo já foi apreciado pelo CARF em sede de Recurso Voluntário.” DO ATENDIMENTO DA DILIGÊNCIA Em 14/12/2011, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAOR, assim concluiu a diligência, in verbis: “A interessada tomou ciência do comunicado em 10/08/2006 e durante o prazo de 30 dias não recorreu da decisão. Face o disposto nos artigos 15 e 21 do Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 foi lavrado Termo de Revelia e processo encontrase arquivado.” É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 275 e 276 da numeração de papel, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A Recorrente sofreu retenções de 11% no valor dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91 vigente à época, in verbis: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998) Por, supostamente, estar enquadra no SIMPLES, entendeu que houve valor excedente nas retenções sofridas nas Notas Fiscais de prestação de serviços. Motivo pelo qual pleiteou a restituição da contribuição retida. Ocorre que, por meio do Ato Declaratório Executivo n. 45, de 28 de outubro de 2004 (fl. 140 da numeração de papel), a Recorrente foi excluída do SIMPLES, com efeitos retroativos a partir de 01/10/2002, pelas razões abaixo, in verbis: “Situação excludente (evento 306): Descrição Atividade vedada: CNAEFISCAL 4541101 Instalação e manutenção elétrica em edificações, inclusive antenas. Data da ocorrência: 02/09/2002 Fundamentação legal: Lei n° 9.317, de 05/12/1996: art. 9°, XIII; art. 12; art. 13; art. 14, inciso I; art. 15, inciso II. Medida Provisória n° 2.15834, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003 c/c IN/SRF n° 391/2004: art. 20, inciso XII; art. 21; art. 23, inciso I; art. 24, inciso II.” (sem destaques no original) Assim dispõe o art. 9º, XIII da Lei n. 9.317/96, vigente à época, in verbis: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) Fl. 330DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 36580.000870/200484 Acórdão n.º 2403001.735 S2C4T3 Fl. 5 7 XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; Por desenvolver atividade assemelhada ao de engenharia, foi excluída do SIMPLES. Conforme consta na cláusula segunda da 6ª Alteração de Contrato Social constante na fl. 180, a Recorrente tem o seguinte objeto, in verbis: “A sociedade tem por objeto mercantil o ramo de COMÉRCIO VAREJISTA DE MATERIAIS ELÉTRICOS e PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ELETRICIDADE DE ALTA E BAIXA TENSÃO.” (sem destaque no original) Sustenta a Recorrente que a sua exclusão do SIMPLES foi indevida, tendo em vista que a sua atividade principal é de “comércio varejista de materiais elétricos”. Como a exclusão do SIMPLES estava sendo discutida nos autos do Proc. n. 10950.003275/200451, este processo foi baixado em diligência por este colegiado, para que a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT informasse seu andamento. Conforme fl. 322, da numeração digital, a SAOR informou que a Recorrente não apresentou Recurso em face do Acórdão que julgou correta a sua exclusão do SIMPLES. Logo, o processo se encontra arquivado. Nesse diapasão, coaduno com o entendimento de que a exclusão da Recorrente do SIMPLES foi correta, pois “a prestação de serviços de eletricidade de alta e baixa tensão” é executada por profissionais de atividade legalmente regulamentada. Entendimento esse corroborado pelo CARF em 03/08/2010, no julgamento do Proc. n. 10183.004428/200416, que originou no Acórdão n. 180200.594, cuja ementa e resultado seguem abaixo, in verbis: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE REDES ELÉTRICAS E LINHAS DE TRANSMISSÃO DE BAIXA E ALTA TENSÃO. LEITURA E ENTREGA DE FATURAS DE ENERGIA ELÉTRICA. A empresa que presta serviços de instalação de redes elétricas, linhas de transmissão, eletrificação rural, iluminação pública, leitura e entrega de fatura de energia elétrica, não pode optar Fl. 331DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 pelo Simples, por exercer atividades que requerem profissionais de atividade legalmente regulamentada. LEGISLAÇÃO DO SIMPLES. EXCLUSÃO RETROATIVA DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE, O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 02). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Sendo, portanto, correta a exclusão da Recorrente do SIMPLES, deve a mesma cumprir com as suas obrigações tributárias em relação ao período abrangido pela exclusão, nos termos do art. 16 da Lei n. 9.317/96, vigente à época, in verbis: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Conforme destacado na fl. 204 da numeração de papel do Despacho Decisório havia débito remanescente de contribuição previdenciária da Recorrente, in verbis: “Decido comunicar ao contribuinte, o indeferimento para as demais competências 10/2002, 12/2002 a 04/2003, informando o de que existem débitos a serem quitados no valor de R$ 24.882,69 (Vinte e quatro mil, oitocentos e oitenta e dois reais e sessenta e nove centavos) parte patronal e R$ 12.254,27 (Doze mil, duzentos e cinqüenta e quatro reais e vinte e sete centavos) outras entidades, conforme planilha demonstrativa (coluna J e L), parte integrante deste relatório.” A Recorrente, por sua vez, não comprovou o pagamento das contribuições previdenciárias que lhe foram apontadas pela Receita Federal. Por esse motivo, não há que se falar em restituição, devendo o recurso ser julgado improcedente. CONCLUSÃO Do exposto, nego provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 332DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10469.900243/2009-42
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.140
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NELSO KICHEL- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 00 24 3/ 20 09 -4 2 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.900243/200942 Resolução nº 1802000.140 S1TE02 Fl. 463 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.142/150 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Recife (fls. 133/138) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteao, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 29/04/2005, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 01188.99602.290405.1.3.049913 (fls. 126/131), informando compensação tributária: a) débito informado: CSLL no valor de R$ 22.660,73, código de receita 6012, período de apuração 1º Trimestre/2005, data de vencimento 29/04/2005; b) crédito utilizado integral (valor original na data da transmissão): R$ 20.098,21; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/03/2004, código de receita 3373, vencimento 30/04/2004, data de arrecadação 30/06/2004, valor do recolhimento R$ 20.098,21 (3ª parcela do total de 3 parcelas), conforme Comprovante de Arrecadação (fl.169). Em 18/02/2009, houve emissão do Despacho Decisório pela DRF/Natal (fls.03 e 111), denegando o direito creditório pleiteado. O valor do citado recolhimento, muito tempo antes da transmissão da DCOMP, já havia sido consumido ou utilizado, integralmente, para quitação de débitos da contribuinte, confessados em DCTF. Crédito pleiteado indisponível, inexistente. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do citado despacho decisório (fls. 03 e 111), in verbis: (...) 3— FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 20.098,21. A partir das características do DARE discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizedos um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando credito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do credito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.. (...) Fl. 463DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.900243/200942 Resolução nº 1802000.140 S1TE02 Fl. 464 3 Ciente dessa decisão, a contribuinte em 24/03/2009 apresentou Manifestação de Inconformidade, e respectivas razões, na DRJ/Recife (fl.02), aduzindo o seguinte, in verbis: (...) Sal Empreendimentos Ltda, inscrita no CNPJ 04.201.876/000157, localizado nesta capital a Rua Francisco Gurgel, 1160, Ponta Negra, CEP 59090050 vem mui respeitosamente apresentar a impugnação do Despacho Decisório com a respectiva numeração 821049876, de acordo com os seguintes fatos: Durante o anocalendário de 2004 a empresa citada acima conseguiu entrar com redução de 75% do IRPJ através do projeto de ampliação e modernização dada pela ADENE. Como o processo de incentivo saiu apenas no fim do exercício referido, porém concedendo esta redução desde o início do período de 2004. Assim, como a empresa pagou seu IRPJ total nos trimestres iniciais teríamos créditos de impostos a serem compensados sendo realizada a referida PER/DCOMP, porém, não foi retificada a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, e a mesma não retratou com fidelidade a DIPJ 2005 gerando assim débitos com a Receita Federal do Brasil. Para corrigir a situação foram feitas retificações na DCTF a fim de demonstrarmos o direito ao qual temos de compensar os valores que foram retidos anteriormente no decorrer do exercício, com isso esperamos eliminar as cobranças dos débitos indevidos com a Receita Federal do Brasil. Seguem em anexo as cópias das seguintes documentações: DCTF, DIPJ, e do Despachos Decisório. (...) A DRJ/Recife, conforme Acórdão de fls. 133/138, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela falta de comprovação de certeza e liquidez, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PER/DCOMP. PEDIDO DE ALTERAÇÃO DE DCTF E/OU DIPJ APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. O pedido de retificação de DCTF, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. MOTIVO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADO EM DOCUMENTAÇÃO Fl. 464DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.900243/200942 Resolução nº 1802000.140 S1TE02 Fl. 465 4 Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique o pedido de alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente não homologação das compensações pleiteadas. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Inconformada com esse decisum do qual tomou ciência em 13/01/2012 – sexta feira (fls. 139/140), a contribuinte apresentou apresentou Recurso Voluntário em 13/02/2012 (fls. 142/150), juntando ainda os documentos (fls. 151/458), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que, pelo Laudo Constitutivo de n°. 0036/2005, expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste – ADENE em 31/03/2005, passou a fazer jus à redução do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, por atender às exigências do art.13 da Lei 4.239/63, com nova redação dada pelo art. 3° da Lei n° 9.532/97 e alterações posteriores, conforme Medida Provisória n° 2.199 14/2001 e Decreto nº 4.213/2002; Juntou cópia desse Laudo Constitutivo que informa prazo de início do benefício fiscal anocalendário 2004 e término do prazo o anocalendário 2013 (fls. 173/176); que, de posse do referido Laudo, deu entrada no pedido do benefício fiscal na RFB, porém o incentivo fiscal foi reconhecido apenas em 24/06/2005, através do Ato Declaratório Executivo n° 46, nos autos do Processo Administrativo n° 16707.001890/2005 72. Juntou cópia desse ADE da RFB que reconheceu o direito da pessoa jurídica SAL EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ n° 04.201.876/000157, à redução do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e adicionais não restituíveis, calculados sobre o lucro de exploração da atividade de "Exploração de Serviços de Hotelaria", no percentual de 75%, a ser usufruído pela unidade produtora localizada na Rua Francisco Gurgel, n° 1160 Ponta Negra Natal RN, com vigência a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2013 (fls. 178/188); que, conforme verificase dos documentos acostados, apesar da aprovação ter ocorrido apenas em 2005, os efeitos do benefício fiscal foram retroativos ao início do ano calendário de 2004; que, para retratar a nova realidade e usufruir do beneficio concedido (redução de 75% do imposto e adicionais não restituíveis com base no lucro da exploração), a recorrente transmitiu o PERD/COMP n° 01188.99602.290405.1.3.049913 (fls. 126/131), em 29/04/2005, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.900243/200942 Resolução nº 1802000.140 S1TE02 Fl. 466 5 para compensação de tributos, utilizando crédito do IRPJ, no valor original de R$ 20.098,21, do período de apuração de 31/03/2004 (1º trimestre/2004), vencimento 30/04/2004, decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF de mesmo valor, recolhido em 30/06/2004, com os débitos relacionados (fl. 169); que a DCOMP, embora não homologada, retrata com fidelidade os valores apresentados na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (fls. 20/108); que, entretanto, a DCTF retificadora foi transmitida em 13/03/2009 (fls. 04/19), após ciência do Despacho Decisório que denegou o direito creditório; que não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação da DCTF, tampouco há impedimento legal para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição; que é inadmissível concluir que o preenchimento incorreto do PER/DCOMP ou da DCTF retire, por si só, o direito de crédito da contribuinte; que não há dúvida que as DCTF originais foram transmitidas, nos prazos previstos em lei e antes de conferido o beneficio de redução do imposto de renda da recorrente. Assim, não haveria como elas espelharem essa nova realidade fática e jurídica e os valores dos impostos a pagar a partir do referido beneficio; que a compensação pretendida merece ser apreciada à luz de seus argumentos e elementos de prova carreadas aos autos; que, nesse sentido, ainda juntou cópias de seus livros do anocalendário 2004 (Razão Analítico, Lalur, Diário) deixando, por economia processual, de apresentar cópia das notas fiscais do período, por estarem devidamente retratadas e lançadas (fls. 189/458). que, se ainda assim não for suficiente para a formação da convicção do julgador quanto ao mérito em relação ao direito creditório pleiteado, sejam então baixados os autos para diligência fiscal "in loco" para apuração da veracidade dos valores ora apresentados em seus livros em confrontação com as notas fiscais originais. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.900243/200942 Resolução nº 1802000.140 S1TE02 Fl. 467 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, tratase de compensação tributária cujo direito creditório, utilizado para extinção de débito informado/confessado na DCOMP, não foi reconhecido pelas decisões, até então, proferidas nos presentes autos, pela falta de comprovação da liquidez e certeza nos termos do art. 170 do CTN, implicando, por conseguinte, a não homologação da referida compensação. A recorrente alega que o direito creditório pleiteado no valor original de R$ 20.098,21 teria origem no pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 31/03/2004, código de receita 3373, vencimento 30/04/2004, data de arrecadação 30/06/2004, valor do recolhimento R$ 20.098,21, conforme Comprovante de Arrecadação (fl.169). Compulsando os autos, constatase que : a) a recorrente, no anocalendário 2004, estava submetida ao regime do lucro real trimestral, consoante DIPJ 2005, transmitida pela internet/recepção em 21/06/2005 (fls. 20/108); b) há divergência de dados concernentes ao imposto do 1º Trimestre/2004, entre a DIPJ e a DCTF (original ou primitiva). Nesse sentido, o Despacho Decisório da DRF/Natal, de 18/02/2009, denegou o crédito demandado, pois o recolhimento identificado acima está, integralmente, alocado ao débito do imposto confessado na DCTF, quanto ao período de apuração do 1º Trimestre/2004 (fl. 03); c) na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (recepcionada em 21/06/2005), consta da Ficha 12 A – Cálculo do Imposto sobre o Lucro Real – PJ em Geral que no 1º Trimestre/2004 a recorrente apurou Imposto de Renda a Pagar no valor de R$ 14.744,85 (fl. 47). Entretanto, na DCTF/1º Trimestre/2004, a recorrente teria confessado débito do imposto no valor de R$ 58.979,41 e efetuou a quitação em 3 (três) parcelas: 1ª (primeira) parcela, no valor de R$ 19.659,81 foi recolhida em 30/04/2004 – cópia do Comprovante de Arrecadação (fl. 167); 2ª (segunda) parcela, no valor de R$ 19.659,81, foi paga em 31/05/2004 – Comprovante de Arrecadação (fl. 168); 3ª (terceira) parcela, no valor de R$ 19.659,80, mais acréscimos legais de R$ 438,41, foi recolhida em 30/06/2004, no montante de R$ 20.098,21 – Comprovante de Arrecadação (fl. 169). O pleito do direito creditório, nos presentes autos, referese a essa 3ª (terceira) parcela que teria sido paga indevidamente; Fl. 467DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.900243/200942 Resolução nº 1802000.140 S1TE02 Fl. 468 7 d) não consta dos autos cópia da DCTF original (primitiva); e) após ciência do despacho decisório da DRF/Natal de 18/02/2009, a recorrente transmitiu pela internet, em 13/03/2009 a DCTF retificadora (fls.04/19), no sentido de ajustar, fazer coincidir o valor do imposto confessado na DCTF retificadora com o imposto informado na DIPJ 2005, anocalendário 2004; f) a decisão da DRJ/Recife, ora recorrida, não acatou a DCTF retificadora apresentada após ciência do despacho decisório da DRF/Natal, sob o fundamento de que a contribuinte não comprovara nos autos, com livros e documentos de sua escrituração contábil/fiscal, as modificações ou alterações efetuadas. Nesse sentido, transcrevo a fundamentação constante do voto condutor da decisão recorrida (fl. 137), in verbis: (...) Os valores informados em DIPJ possuem mero caráter informativo, enquanto que os valores a pagar informados em DCTF vão ser encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, constituindo verdadeira confissão de dívida. Se a contribuinte verificou a ocorrência de erro na apuração do IRPJ informado em DCTF, deveria ter providenciado a entrega da correspondente DCTF retificadora, antes de ter transmitido o PER/DCOMP em 29/04/2005. Por outro lado, o pedido de retificação da DCTF, para reduzir ou eliminar débitos declarados, feito após a decisão da Autoridade Fiscal que examinou a existência do crédito, não pode, simplesmente, ser acolhido, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação aos dados constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são constituídos pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Alias, a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa, contratos de prestação de serviços e todas as notas fiscais emitidas para que pudesse comprovar o que alega a respeito do recolhimento indevido. Por oportuno, mesmo que a solicitação de retificação da declaração tivesse sido apresentada antes do recebimento do Despacho Decisório, teria de ser acompanhada da prova. Com relação ao presente processo, constatase que a Impugnante não apresentou os Livros Fiscais e Contábeis com os respectivos Fl. 468DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.900243/200942 Resolução nº 1802000.140 S1TE02 Fl. 469 8 documentos comprobatórios que viessem a demonstrar o erro dos valores informados em DCTF e que justificassem a sua retificação. Não restou, portanto, comprovado o erro de fato alegado pela contribuinte. Pelo exposto, não tendo ficado comprovado no processo a existência de crédito por parte da impugnante e considerando que a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), como em qualquer outra compensação dessa natureza, só poderá ser homologada se os créditos da contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, estejam revestidos dos atributos de liquidez e certeza, concluise pela improcedência da manifestação de inconformidade e manutenção do Despacho Decisório da DRF/Recife/PE, de fls. 03. (sic) (...) Nesta instância recursal, a recorrente busca a reforma da decisão a quo, juntando aos autos, tãosomente agora, os elementos de prova que comprovariam o seu pretenso direito creditório, argumentado: que confessou na DCTF (original ou primitiva) o valor do IRPJ do 1º Trimestre/2004 sem redução de 75%, efetuando, inclusive, os recolhimentos; que, entretanto, na DIPJ 2005 apurou/informou o IRPJ, desse mesmo período de apuração (1º Trimestre/2004), com valor inferior, pois já aplicara a redução de 75% do imposto (cálculo do imposto com base no Lucro da Exploração); que essa discrepância no valor do imposto do 1º Trimestre/2004, um valor confessado na DCTF e outro valor – totalmente diverso apurado na DIPJ, decorreu pela alteração, mudança de enquadramento/tratamento fiscal da contribuinte, ocorrida entre a data de apresentação da DCTF/1º Trimestre/2004 e data de apresentação da DIPJ 2005; que, em relação ao benefício fiscal, o Laudo Constitutivo de nº 0036/2005, foi expedido pela Agência de Desenvolvimento do Nordeste – ADENE somente em 31/03/2005; que passou a fazer jus à redução do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, por atender às exigências do art.13 da Lei 4.239/63, com nova redação dada pelo art. 3° da Lei n° 9.532/97 e alterações posteriores, conforme Medida Provisória n° 2.19914/2001 e Decreto nº 4.213/2002; Juntou cópia desse Laudo Constitutivo que informa prazo de início do benefício fiscal o anocalendário 2004 e término do prazo o anocalendário 2013 (fls. 173/176); que, de posse do referido Laudo, deu entrada no pedido do benefício fiscal na RFB, porém o incentivo fiscal foi reconhecido apenas em 24/06/2005, através do Ato Declaratório Executivo n° 46, nos autos do Processo Administrativo n° 16707.001890/2005 72. Juntou cópia desse ADE da RFB que reconheceu o direito da pessoa jurídica SAL EMPREENDIMENTOS LTDA.,CNPJ n° 04.201.876/000157, à redução do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e adicionais não restituíveis, calculados sobre o lucro de exploração da atividade de"Exploração de Serviços de Hotelaria", no percentual de 75%, a ser usufruído pela unidade produtora localizada na Rua Francisco Gurgel, n° 1160 Ponta Negra Natal RN, com vigência a partir de 1o de janeiro de 2004 até 31 de dezembro de 2013 (fls. 178/188); Fl. 469DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.900243/200942 Resolução nº 1802000.140 S1TE02 Fl. 470 9 que, apesar da aprovação do benefício fiscal de apuração do imposto com base no lucro da exploração (redução de 75%) ter ocorrido apenas em 2005, seus efeitos foram retroativos ao início do anocalendário de 2004; que, em face dessa nova realidade e para usufruir do beneficio concedido (redução de 75% do imposto e adicionais não restituíveis com base no lucro da exploração), a recorrente transmitiu o PERD/COMP n° 01188.99602.290405.1.3.049913 (fls. 126/131), em 29/04/2005, para compensação de tributos, utilizando crédito do IRPJ no valor original de R$ 20.098,21 do período de apuração de 31/03/2004 (1º trimestre/2004), vencimento 30/04/2004, decorrente de pagamento a maior de que trata o Comprovante de Recolhimento de mesmo valor de 30/06/2004 (f. 169), com os débitos relacionados na DCOMP. que a DCOMP, embora não homologada, retrata com fidelidade os valores apresentados na DIPJ 2005, anocalendário 2004 (fls. 20/108); que as DCTF originais foram transmitidas, nos prazos previstos em lei e antes de conferido o beneficio de redução do imposto de renda da recorrente. Assim, não haveria como elas espelharem essa nova realidade fática e jurídica e os valores do imposto a pagar a partir do referido beneficio; que, entretanto, a DCTF retificadora foi transmitida em 13/03/2009 (fls. 04/19), após ciência do Despacho Decisório que denegou o direito creditório; que, não obstante, não existe norma procedimental condicionando a apresentação do PER/DCOMP à prévia retificação da DCTF, tampouco há impedimento legal para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição; que é inadmissível concluir que o preenchimento incorreto do PER/DCOMP ou da DCTF retire, por si só, o direito de crédito da contribuinte. Embora juntados aos autos os elementos de prova que, em tese, comprovam o exercício de atividade incentivada desde 01/01/2004 (redução de 75% do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e adicionais não restituíveis, calculados sobre o Lucro da Exploração da atividade de "Exploração de Serviços de Hotelaria"), persiste dúvida fundada quanto ao pretenso direito creditório pleiteado. O art. 170 do CTN e o art. 74 da Lei nº 9.430/86, autorizam a compensação tributária de débitos tributários com créditos, de mesma natureza, líquidos e certos. No caso, de plano, constato que os elementos de prova constantes dos autos (juntados tãosomente nesta fase recursal) são insuficientes para formação da convicção do julgador, quanto à qualificação do direito creditório pleiteado, em termos de certeza e liquidez. A situação é agravada, ainda, pois nas fases anteriores do processo a questão de fato, matéria probatória, em relação ao quantum do direito creditório pleiteado não foi entrentada, pois a contribuinte, simplesmente, não se desencumbiuse do ônus probatório, quanto ao fato constitutivo do seu direito creditório alegado. Por isso, como base no princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência, devendo os autos do processo retornar à unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Natal, para: Fl. 470DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10469.900243/200942 Resolução nº 1802000.140 S1TE02 Fl. 471 10 a) intimar a contribuinte a apresentar à fiscalização a escrituração contábil/fical do anocalendário 2004, para efeito de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório demandado nos autos; b) verificar, com base na escrituração contábil/fiscal e documentos de suporte dos fatos registrados, se o Lucro Real e Lucro da Exploração do 1º Trimestre do anocalendário 2004 foram apurados, ou não, corretamente pela recorrente e respectivo imposto a pagar desse trimestre; c) apurar, com base na escrituração comercial/fiscal, se existe pagamento indevido ou a maior do IRPJ relativo ao 1º Trimestre/2004, mormente quanto ao pagamento de que trata o Comprovante de Arrecadação (fl. 169); d) no caso de existência de pagamento indevido a maior de imposto relativo ao 1º Trimestre/2004, proceder à retificação da DCTF original (ou processar, nessa parte, a DCTF retificadora apresentada pela recorrente – fls. 04/19), pois os valores pagos ainda estão alocados, vinculados ao valor do débito confessado na DCTF primitiva e, portanto, indisponíveis para utilização para compensação tributária; e) verificar se o crédito (direito creditório) utlizado na DCOMP objeto dos autos está disponível, se preenche os requisitos de certeza e liquidez para compensação com débito informado/confessado pela recorrente; f) juntar aos autos cópia da DCTF original (primitiva) da contribuinte atinente ao período de apuração do 1º Trimestre/2004; f) elaborar, ao final dos trabalhos, relatório pormenorizado, circuntanciado e conclusivo da diligência fiscal quanto à existência ou não do crédito pleiteado, respectivo valor, e se está disponível para compensação com o débito informado na DCOMP. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, conforme proposto. (doumento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 471DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10680.903022/2006-79
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
MATÉRIA ESTRANHA À COMPOSIÇÃO DA LIDE. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário que veicula matéria que não compõe a lide, e que configure falta de interesse de agir não atende a pressupostos de admissibilidade a impedir o seu conhecimento.
Numero da decisão: 3803-003.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Relator
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 MATÉRIA ESTRANHA À COMPOSIÇÃO DA LIDE. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário que veicula matéria que não compõe a lide, e que configure falta de interesse de agir não atende a pressupostos de admissibilidade a impedir o seu conhecimento.
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PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário que veicula matéria que não compõe a lide, e que configure falta de interesse de agir não atende a pressupostos de admissibilidade a impedir o seu conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Relator Participaram, ainda, da sessão de julgamento os Conselheiros Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 30 22 /2 00 6- 79 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI, previsto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999, transmitido por meio do PER n° 42105.24331.090603.1.1.019910, relativo ao 3º trimestre do anocalendário de 2000, no valor de R$ 4.367,94. Este crédito foi utilizado na compensação de débitos vencidos, sem a incidência de multa e de juros, por meio da DComp n° 00690.91369.071106.1.7.011610, retificadora da DComp n° 15581.52164.100603.1.3.012277. Mediante o Despacho Decisório eletrônico, de fl. 02, o saldo credor requerido foi indeferido integralmente, em face da constatação de sua utilização na escrita fiscal, em períodos subseqüentes ao trimestre em referência. Em manifestação de inconformidade, fl. 01, a Interessada alegou equívoco na escrituração, no Livro de Apuração do IPI, tendo efetuado inadvertida e inadequadamente estorno dos créditos confundindo este procedimento com a compensação de diversos débitos de outros tributos, fazendoo nas datas dos vencimentos dos tributos compensados. Em julgamento da lide, a DRJ/Juiz de Fora reconheceu o erro material em que incorrera a Contribuinte, considerou procedente a manifestação de inconformidade e consignou que as compensações fossem homologadas1 na proporção do saldo credor deferido de R$ 4.367,94. Destacou a necessidade da incidência de multa e juros de mora sobre os débitos compensados, uma vez que a compensação fora declarada com débitos vencidos. Cientificada da decisão, em 09 de fevereiro de 2012, a Interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 75 a 77, em 08 de março de 2012, em que reclama pela aplicação do instituto da denúncia espontânea na compensação dos débitos. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, porém não atende a todos os requisitos para sua admissibilidade, como se verá. Três equívocos marcam os procedimentos do Contribuinte já superados no julgamento de primeira instância. O do estorno na escrita fiscal dos saldos credores de IPI nos valores e nas datas de vencimentos de débitos de outros tributos que compensou, efetuandoo sem a transmissão simultânea das declarações de compensação. O segundo está demarcado no fato de ter transmitido a DComp n° 15581.52164.100603.1.3.012277, em 09 de junho de 2003, posteriormente retificada pela DComp n° 00690.91369.071106.1.7.011610, somente após realizada a última compensação, dos débitos de IRPJ e CSLL de dezembro de 2002, vencidos em 31 de janeiro de 2003. O terceiro, de ter transmitido uma única DComp, em que utiliza o somatório de todos os saldos na citada DComp em que compensou o elenco de débitos que indica. ao invés de transmitir uma DComp para cada saldo credor trimestral de IPI. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.903022/200679 Acórdão n.º 3803003.628 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 3 Na análise do crédito feita pelo sistema eletrônico, para fins de emissão do despacho decisório atinente ao PeR n° 42105.24331.090603.1.1.019910, objeto deste processo, são identificados por meio do Demonstrativo de Créditos e Débitos, à fl. 63, os créditos decendiais correspondentes ao 2º trimestre do anocalendário de 2000, e à fl. 64 pode se visualizar o saldo credor ressarcível de R$ 4.367,94, no Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível. Ainda à fl. 64 vêse no Demonstrativo de Apuração após o Período do Ressarcimento os créditos de períodos decendiais posteriores a junho de 2000, sendo acrescidos ao saldo acima. À mesma folha, o demonstrativo abate os débitos que o Contribuinte compensou mediante o inadequado estorno, nos períodos de seus vencimentos, reproduzindo o procedimento do Contribuinte, e, ao final, o Demonstrativo do Crédito Reconhecido Para Cada Perdcomp dando conta do saldo acima, fl. 65. Como o Contribuinte utilizou a quase totalidade dos saldos credores no dito estorno, obviamente o teor do despacho decisório haveria de indeferir o pedido de ressarcimento, pois, em face do estorno, não havia saldo em seu LRAIPI para reconhecimento do direito creditório. Identificado o erro material, a d. Relatora a quo efetuou dois comandos no dispositivo do seu voto: i) de reconhecimento do direito creditório; e ii) da homologação dos débitos declarados na DComp referida, com inclusão de multa e juros de mora. Eis os termos do acórdão, que refletiu integralmente o dispositivo do voto: Acordam os membros da 3ª a Turma de Julgamento, por unanimidade de DEFERIR A SOLICITAÇÃO CONTIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Consequentemente, reconhecese em favor do contribuinte saldo credor de R$4.270,55, relativamente ao 2º o trimestre do ano calendário de 2000. Dessa macieira devem ser homologadas, na proporção do saldo credor deferido, as compensações declaradas no PER/DCOMP n° 00690.91369.071106.1.7.01 1610, levandose em conta que na efetivação das compensações haverá de incidir multa e juros de mora, uma vez que estas foram declaradas com tributos vencidos.[grifos aqui]. Outro equívoco se vê, agora cometido pelo Colegiado a quo, ao se manifestar sobre matéria que não é objeto deste processo, a homologação das compensações declaradas. A DComp introduzida no processo, na defesa do Contribuinte, tendo em vista a elucidação e justificação do seu procedimento de estorno no LRAIPI dos mesmos débitos nelas compensados posteriormente não estava compondo a lide. Não havia (e não há) acerca dela manifestação da Autoridade Administrativa, mediante despacho decisório. O equívoco deu azo ao a que: a) a DRF/Belo Horizonte encaminhasse ao Contribuinte mediante o Termo de Ciência e Notificação, datado de 03 de fevereiro de 2012, juntamente com o acórdão da DRJ/Juiz de Fora, o extrato do processo de débitos, nº 10680.722.529/200895, por meio do qual as compensações foram trabalhadas na Delegacia e homologadas parcialmente, porem Fl. 155DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 apenas no âmbito interno dos sistemas de controle, sem a causal emissão do despacho decisório e respectiva ciência, fl. 73. Tal processo de débitos está vinculado ao processo nº 10680.903.020/200680, fl. 71, este o primeiro processo de crédito da seqüência de pedidos de ressarcimento; b) o Contribuinte apresentasse defesa tão só contra a homologação parcial das compensações, com o argumento de denúncia espontânea, em face da incidência da multa e dos juros de mora determinados pela decisão de piso. Fêlo assim não por outra razão, senão porque neste processo de ressarcimento o seu êxito fora integral. Equivocouse a DRF/Belo Horizonte, em meu entender, que não podia dar ciência ao Contribuinte de resultado de procedimento operacional de compensação. A ciência deveria ter sido de ato administrativo, qual seja, o despacho decisório, e, neste caso, não neste, mas no bojo do processo de controle dos débitos, acompanhado o ato cientificado, aí sim, dos documentos operacionais da compensação como seus elementos integrantes, tendo em vista possibilitar o contraditório e a ampla defesa do Interessado. É consabido que a lide constituise com a apresentação da impugnação ou com a manifestação de inconformidade. Com essa sorte, o recurso da Recorrente não pode encontrar guarida nesta instância, pois que a controvérsia que inaugurou este processo foi tão só a dialética existência/inexistência do direito creditório, procedência/não procedência do Pedido de Ressarcimento, pelo que, em consequência, a matéria da denúncia espontânea trazida no recurso voluntário extrapola os limites objetivos da presente lide. A justificação do pedido de ressarcimento feita pelo Contribuinte em sua manifestação de inconformidade, em face do despacho decisório de seu indeferimento, encontrou plena ressonância no Colegiado a quo. Disso, resultou que, da matéria tratada nestes autos, nada mais havia a Contribuinte a reivindicar. Assim, faleceu o processo pela solução satisfativa do pleito e consequente extinção do seu objeto, pelo que carece a defesa do interesse de agir no recurso voluntário manejado. Enfim: Incorreto o conteúdo da ciência das compensações, por meio apenas dos documentos internos de procedimento e controle, com DARFs correspondentes às parcelas dos débitos não homologadas, em vista da inexistência de ato administrativo de apreciação das compensações declaradas. Inadequado o âmbito no qual a ciência se deu, neste processo, no qual o Contribuinte não poderia inaugurar uma nova lide por meio de recurso voluntário, configurando este obstáculo cerceamento do seu direito de defesa. A ciência deveria terse dado no processo nº 10680.722.529/200895, que vinculou o cadastramento dos débitos no sistema de controle da RFB, como o atesta o quadro Informações do Processo, do Extrato do Processo, fl. 71, decerto procedimento necessário uma vez que a DComp original não era confissão de dívida, processo esse em que estão os elementos de controle das compensações. Conforme dito, a ciência deuse em 09 de fevereiro de 2012. À guisa de registro, meramente, anotese, que a ciência foi feita após o prazo de cinco anos a contar da transmissão da DComp retificadora, 07 de novembro de 2006, a teor do art. 29, § 2º, da IN SRF Fl. 156DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10680.903022/200679 Acórdão n.º 3803003.628 S3TE03 Fl. !Configuração não válida de caractere 5 nº 600, de 28 de dezembro de 20051, de cujo decurso, ope legis, processouse a homologação tácita da DComp. Em vista do exposto, por não compor a lide neste processo a matéria trazida pela Recorrente apenas no recurso voluntário, e por inexistência do interesse de agir, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 24 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 1 Art. 29. A autoridade da SRF que não homologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 1º Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à PGFN, para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no art. 48. § 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº:10680.903022/200679 Interessada:PRÍNCIPE VERDE CALÇADOS LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.628, de 24 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720168/2006-11
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
RECURSO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DO ITR DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL, PRESERVAÇÃO PERMANENTE E BENFEITORIAS, COMPROVADAS POR ADA, AVERBAÇÕES CARTORÁRIAS E LAUDO TÉCNICO. CORREÇÃO.
A decisão da Turma de Julgamento, à luz do Laudo, das averbações nas matrículas do imóvel e do ADA, deferiu a exclusão das áreas comprovadas de Preservação Permanente - APP, de Reserva Legal - RL e de benfeitorias. Procedimento correto e que não merece reparos.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE DECORRENTE DE PRETENSA INADEQUAÇÃO DA BASE LEGAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Apreciando a notificação de lançamento tombada nos autos, vê-se que a autoridade fiscal registrou os artigos da Lei nº 9.393/96, bem como o art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, que exige a apresentação do ADA, como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR, inclusive, se for o caso, com a comprovação documental da existência de tais áreas. Assim, descrita adequadamente a base legal da autuação, não há qualquer nulidade que tenha cerceado o direito de defesa do contribuinte.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEFERIMENTO NO LIMITE DA ÁREA REGISTRADA NO LAUDO TÉCNICO TRAZIDO PELO RECORRENTE.
Não se pode deferir a APP declarada pelo contribuinte, quando não se apreende qual a efetiva área que constou no ADA, bem como o próprio Laudo Técnico trazido pelo recorrente específica uma área menor. Nessa situação, deve-se priviligiar a área que constou no Laudo.
ÁREA DE RESERVA LEGAL GLOSADA PELA AUSÊNCIA DE ADA. ÓBICE SUPERADO. TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ QUE DEFERIU A RESERVA LEGAL NO LIMITE DA ÁREA AVERBADA. INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A Turma de Julgamento da DRJ somente deferiu uma área de reserva legal minorada em relação à declarada, fiando-se na exigência da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóveis. Ocorre que tal exigência não constou da notificação de lançamento, que glosou a reserva legal pela ausência do ADA e da comprovação da área, ou seja, a Turma da DRJ não poderia ter suscitado o óbice da averbação, pois tal acusação não constou do lançamento. Dessa forma, pelo confronto dos ADAs e do Laudo Técnico, vê-se claramente que a reserva legal está suportada por ADAs, sendo que o Laudo identificou o real tamanho da RL, em linha com área declarada. Acatar apenas a área deferida pela Turma de Julgamento da DRJ seria incluir um fundamento no lançamento (averbação cartorária), que não constou originalmente, tratando-se de uma inviável inovação.
VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. VALORES DO SIPT PODEM SER CONTRADITADAS POR LAUDO TÉCNICO.
Apesar de o VTN poder ser arbitrado com base no SIPT, outros elementos de prova, como informações do Incra ou Prefeituras, escrituras de venda do imóvel em exercício futuro, laudos técnicos, são meios hábeis a contraditar os valores de arbirtamento do SIPT. No caso destes autos, demonstrou-se que o arbitramento com base no SIPT restou vulnerado, pois houve uma multiplicação por quatro do valor do imóvel entre dois exercícios próximos (2003 e 2005), objetos de autuação na mesma oportunidade. Nessa hipótese, dever-se-ia privilegiar o laudo que foi secundado por informação do Incra e da Prefeitura. Entretanto, como o valor do laudo técnico é inferior ao valor declarado, deve-se manter este último, pois informado espontaneamente pelo contribuinte, sem as contingências do procedimento fiscal, inclusive em declaração apresentada dentro do exercício 2005, próximo do fato gerador.
Recurso provido em parte. Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 2102-002.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. E, no tocante ao voluntário, por unanimidade, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer uma área de reserva legal de 32.905,0 hectares e um VTN de R$ 5.873.292,00. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho que mantinham a área de reserva legal nos limites definidos na decisão da Turma de Julgamento da DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Alberto Daudt de Oliveira, patrono do recorrente.
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 12/12/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 RECURSO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DO ITR DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL, PRESERVAÇÃO PERMANENTE E BENFEITORIAS, COMPROVADAS POR ADA, AVERBAÇÕES CARTORÁRIAS E LAUDO TÉCNICO. CORREÇÃO. A decisão da Turma de Julgamento, à luz do Laudo, das averbações nas matrículas do imóvel e do ADA, deferiu a exclusão das áreas comprovadas de Preservação Permanente - APP, de Reserva Legal - RL e de benfeitorias. Procedimento correto e que não merece reparos. RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE DECORRENTE DE PRETENSA INADEQUAÇÃO DA BASE LEGAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Apreciando a notificação de lançamento tombada nos autos, vê-se que a autoridade fiscal registrou os artigos da Lei nº 9.393/96, bem como o art. 17-O, § 1º, da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, que exige a apresentação do ADA, como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR, inclusive, se for o caso, com a comprovação documental da existência de tais áreas. Assim, descrita adequadamente a base legal da autuação, não há qualquer nulidade que tenha cerceado o direito de defesa do contribuinte. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEFERIMENTO NO LIMITE DA ÁREA REGISTRADA NO LAUDO TÉCNICO TRAZIDO PELO RECORRENTE. Não se pode deferir a APP declarada pelo contribuinte, quando não se apreende qual a efetiva área que constou no ADA, bem como o próprio Laudo Técnico trazido pelo recorrente específica uma área menor. Nessa situação, deve-se priviligiar a área que constou no Laudo. ÁREA DE RESERVA LEGAL GLOSADA PELA AUSÊNCIA DE ADA. ÓBICE SUPERADO. TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ QUE DEFERIU A RESERVA LEGAL NO LIMITE DA ÁREA AVERBADA. INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A Turma de Julgamento da DRJ somente deferiu uma área de reserva legal minorada em relação à declarada, fiando-se na exigência da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóveis. Ocorre que tal exigência não constou da notificação de lançamento, que glosou a reserva legal pela ausência do ADA e da comprovação da área, ou seja, a Turma da DRJ não poderia ter suscitado o óbice da averbação, pois tal acusação não constou do lançamento. Dessa forma, pelo confronto dos ADAs e do Laudo Técnico, vê-se claramente que a reserva legal está suportada por ADAs, sendo que o Laudo identificou o real tamanho da RL, em linha com área declarada. Acatar apenas a área deferida pela Turma de Julgamento da DRJ seria incluir um fundamento no lançamento (averbação cartorária), que não constou originalmente, tratando-se de uma inviável inovação. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. VALORES DO SIPT PODEM SER CONTRADITADAS POR LAUDO TÉCNICO. Apesar de o VTN poder ser arbitrado com base no SIPT, outros elementos de prova, como informações do Incra ou Prefeituras, escrituras de venda do imóvel em exercício futuro, laudos técnicos, são meios hábeis a contraditar os valores de arbirtamento do SIPT. No caso destes autos, demonstrou-se que o arbitramento com base no SIPT restou vulnerado, pois houve uma multiplicação por quatro do valor do imóvel entre dois exercícios próximos (2003 e 2005), objetos de autuação na mesma oportunidade. Nessa hipótese, dever-se-ia privilegiar o laudo que foi secundado por informação do Incra e da Prefeitura. Entretanto, como o valor do laudo técnico é inferior ao valor declarado, deve-se manter este último, pois informado espontaneamente pelo contribuinte, sem as contingências do procedimento fiscal, inclusive em declaração apresentada dentro do exercício 2005, próximo do fato gerador. Recurso provido em parte. Recurso de ofício negado.
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EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DO ITR DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL, PRESERVAÇÃO PERMANENTE E BENFEITORIAS, COMPROVADAS POR ADA, AVERBAÇÕES CARTORÁRIAS E LAUDO TÉCNICO. CORREÇÃO. A decisão da Turma de Julgamento, à luz do Laudo, das averbações nas matrículas do imóvel e do ADA, deferiu a exclusão das áreas comprovadas de Preservação Permanente APP, de Reserva Legal RL e de benfeitorias. Procedimento correto e que não merece reparos. RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE DECORRENTE DE PRETENSA INADEQUAÇÃO DA BASE LEGAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Apreciando a notificação de lançamento tombada nos autos, vêse que a autoridade fiscal registrou os artigos da Lei nº 9.393/96, bem como o art. 17 O, § 1º, da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, que exige a apresentação do ADA, como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR, inclusive, se for o caso, com a comprovação documental da existência de tais áreas. Assim, descrita adequadamente a base legal da autuação, não há qualquer nulidade que tenha cerceado o direito de defesa do contribuinte. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DEFERIMENTO NO LIMITE DA ÁREA REGISTRADA NO LAUDO TÉCNICO TRAZIDO PELO RECORRENTE. Não se pode deferir a APP declarada pelo contribuinte, quando não se apreende qual a efetiva área que constou no ADA, bem como o próprio Laudo Técnico trazido pelo recorrente específica uma área menor. Nessa situação, devese priviligiar a área que constou no Laudo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 68 /2 00 6- 11 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 ÁREA DE RESERVA LEGAL GLOSADA PELA AUSÊNCIA DE ADA. ÓBICE SUPERADO. TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ QUE DEFERIU A RESERVA LEGAL NO LIMITE DA ÁREA AVERBADA. INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A Turma de Julgamento da DRJ somente deferiu uma área de reserva legal minorada em relação à declarada, fiandose na exigência da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóveis. Ocorre que tal exigência não constou da notificação de lançamento, que glosou a reserva legal pela ausência do ADA e da comprovação da área, ou seja, a Turma da DRJ não poderia ter suscitado o óbice da averbação, pois tal acusação não constou do lançamento. Dessa forma, pelo confronto dos ADAs e do Laudo Técnico, vê se claramente que a reserva legal está suportada por ADAs, sendo que o Laudo identificou o real tamanho da RL, em linha com área declarada. Acatar apenas a área deferida pela Turma de Julgamento da DRJ seria incluir um fundamento no lançamento (averbação cartorária), que não constou originalmente, tratandose de uma inviável inovação. VTN. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. VALORES DO SIPT PODEM SER CONTRADITADAS POR LAUDO TÉCNICO. Apesar de o VTN poder ser arbitrado com base no SIPT, outros elementos de prova, como informações do Incra ou Prefeituras, escrituras de venda do imóvel em exercício futuro, laudos técnicos, são meios hábeis a contraditar os valores de arbirtamento do SIPT. No caso destes autos, demonstrouse que o arbitramento com base no SIPT restou vulnerado, pois houve uma multiplicação por quatro do valor do imóvel entre dois exercícios próximos (2003 e 2005), objetos de autuação na mesma oportunidade. Nessa hipótese, deverseia privilegiar o laudo que foi secundado por informação do Incra e da Prefeitura. Entretanto, como o valor do laudo técnico é inferior ao valor declarado, devese manter este último, pois informado espontaneamente pelo contribuinte, sem as contingências do procedimento fiscal, inclusive em declaração apresentada dentro do exercício 2005, próximo do fato gerador. Recurso provido em parte. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício. E, no tocante ao voluntário, por unanimidade, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, por maioria, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer uma área de reserva legal de 32.905,0 hectares e um VTN de R$ 5.873.292,00. Vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho que mantinham a área de reserva legal nos limites definidos na decisão da Turma de Julgamento da DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Alberto Daudt de Oliveira, patrono do recorrente. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 2102002.379 S2C1T2 Fl. 3 3 EDITADO EM: 12/12/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte ADELMAR PINHEIRO SILVA, CPF/MF nº 022.540.34553, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 20/09/2006, notificação de lançamento referente à revisão da DITRexercício 2005, do imóvel FAZENDA SANTA CRUZ E AGROPLAN, Código NIRF 1.543.8570. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 7.581.023,45 MULTA DE OFÍCIO R$ 5.685.767,58 Após a revisão da DITR do imóvel auditado (área total de 41.132,0 hectares), a autoridade fiscal efetuou as seguintes alterações: Declarado Alterado pela fiscalização Área de preservação permanente 1.927,0 hectares 0 Área de reserva legal 32.905,0 hectares 0 Área ocupada com benfeitorias 300 hectares 0 Valor do VTN R$ 5.873.292,00 R$ 37.925.349,28 Pela ausência de comprovante da solicitação tempestiva da emissão do ADA ao IBAMA e do laudo técnico respectivo, houve a glosa das áreas de preservação permanente e reserva legal. A área com benfeitoria foi glosada em decorrência da ausência de sua comprovação. Já no tocante à majoração do VTN, com base no SIPT, decorreu da ausência de apresentação de laudo de avaliação do imóvel (fls. 02 e 03). Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 1ª Turma da DRJ/CGE, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0413.099, de 23 de novembro de 2007 (fls. 300 e seguintes). Fl. 493DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 No mérito, no tocante à APP, RL e VTN, a decisão acima assim foi fundamentada (fls. 309 e 310): (...) 38. Analisando a descrição dos fatos constante da Notificação de lançamento de fls. 01/04, observase que o motivo da autuação foi pela falta do comprovante de solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental — ADA, protocolizado junto ao lbama, em seis meses, contado do término do prazo para a entrega da DITR. 39. Em fase de impugnação, o interessado apresentou As fls. 175/193, cópias das matriculas que compõem a área do imóvel, onde se constata que a área de utilização limitada/reserva legal se encontrava averbada anteriormente ã ocorrência do fato gerador do ITR de 2005. Pela análise, concluise que a soma das averbações de reserva legal totaliza 30.268,5 ha. 40. Por outro lado, para justificar ainda a isenção referente às áreas de preservação permanente e reserva legal, o impugnante apresentou, às fls. 170 e 171, Ato Declaratório Ambiental — ADA. Sendo um para o ano de 1997, onde foi indicado apenas a área de preservação permanente e outro para 2006, no qual foram indicadas as áreas isentas que ele julgou ser correta. 41. Analisando o conjunto das provas apresentadas nos autos, concluise que é admissivel que ao preencher a sua declaração o contribuinte venha a equivocarse e fornecer dados que não condiz com a realidade de seu imóvel, situação para a qual é permitida a retificação dos dados considerados no lançamento, a fim de se corrigir a base de cálculo do imposto. O lançamento notificado ao sujeito passivo pode ser alterado em decorrência da apresentação da impugnação, conforme disposto no art. 145, I, do CTN, se existir justificativa suficiente para tanto. 42. Assim, com base nos documentos apensados no processo, é possível afastar a tributação das áreas de preservação permanente no total de 1.593,3 ha e da área de reserva legal de 30.268,5 ha, para o exercício de 2005. 43. 0 procedimento utilizado pela fiscalização para apuração do Valor da Terra Nua, VTN, com base nos valores constantes em sistema da Secretaria da Receita Federal, é com fulcro no art. 14 da Lei n.° 9.393/1996. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito A revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. O VTN por hectare utilizado para o cálculo do imposto foi extraído do SIPT, como determina a legislação. 44. O VTN considerado no lançamento pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de Fl. 494DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 2102002.379 S2C1T2 Fl. 4 5 cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia —CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, através da explicitação dos métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram A convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. A titulo de referencia, para justificar as avaliações, poderão ser apresentados anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado aqueles valores e que levem A convicção do valor da terra nua na data do fato gerador. 45. No tocante ao VTN, o Laudo apresentado, às fls. 261/290 apurou o valor de mercado deflacionado em 01/01/2005 em R$ 5.921.554,24 que não se mostra eficaz para modificar o valor constante do lançamento. Entre algumas irregularidades se verifica que o índice de deflação utilizado foi o IPCA, que é considerado inadequado para valoração de imóvel rural. Faltou comprovação dos elementos amostrais, tipo oferta. Os imóveis rurais pesquisados estão localizados em outro município. 46. Para ser aceito, o laudo deve ser elaborado eficazmente com atenção As normas técnicas, com pesquisas idôneas, informando suas origens, tais como negociações efetivadas e registradas oficialmente, com demonstração de que o imóvel contém peculiaridades que divergem As consideradas pela Receita. (...) Considerando que a exoneração do crédito tributário pela decisão acima excedeu R$ 1.000.000,00, a autoridade recorreu de ofício para este CARF. O contribuinte foi intimado da decisão acima em 12/02/2008 (fl. 320). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 12/03/2008 (fl. 323). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. a autuação encontrase eivada de nulidade, pois “da leitura dos diplomas legais apontados pela Fiscalização, verificase que os artigos 10 e 14 da Lei nº 9393/96, bem como o art. 170, §1º da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei no. 10.165/2000 e, ainda as Instruções Normativas nº 60/2001 e 256/2002, utilizados para justificar o lançamento são inaplicáveis e/ou inadequados para convalidar o pretendido na autuação. Isto porque, tais dispositivos são relativos a áreas isentas de tributação, ou referentes à obrigatoriedade do ADA para redução do valor a pagar a titulo de ITR (documento este apresentado pelo Impugnante e desconsiderado pela fiscalização), sendo certo que, no que tange à IN 60/2001, a mesma encontrase revogada!” (fl. 325 – transcrição do recurso voluntário). Ademais, apesar de o recorrente ter combatido as acusações que lhe foram imputadas, os dispositivos legais apontados Fl. 495DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 na notificação de lançamento como supostamente infringidos não dão guarida à autuação fiscal; II. comprovou documentalmente a existência da área de reserva legal, que deve ser considerada, não havendo qualquer norma que obrigue o contribuinte a protocolizar em determinado prazo o ADA no Ibama; III. devem ser restabelecidas as áreas de reserva legal e preservação permanente como declaradas, pois comprovadas por laudos técnicos e por ADA, sendo que sequer seria exigível tal ato após da vigência do art. 10, § 7º, da Lei nº 9.393/96; IV. houve o arbitramento do VTN a partir do SIPT, o qual não permite que o contribuinte consulte os dados de tal sistema, sendo que, no caso destes autos, sequer foram disponibilizados os indicadores que permitiram tal arbitramento, cerceando claramente o direito de defesa do contribuinte, pois os critérios são totalmente desconhecidos. Para combater tal arbitramento, o contribuinte acostou aos autos laudo técnico avaliatório da área auditada, que não foi considerado pela autoridade julgadora a quo, sob argumento de que se utilizou do IPCA como deflator, que não seria próprio para imóveis rurais, porém não se indicou qual deflator poderia ter sido utilizado; V. “Por outro lado, igualmente não há qualquer norma, stricto sensu, que preveja ser o IPCA índice inadequado para valoração de imóvel rural. Tanto é assim que a r. decisão de primeira instância, ao justificar a manutenção do VTN arbitrado por meio do lançamento ora em fase recursal, alega a inadequação do índice sem, entretanto, fundamentar legalmente seu argumento ou, sequer, dizer qual seria então o índice adequado para o caso dos autos, pelo que tal entendimento também afronta o principio da Legalidade. Por fim, mas não menos importante, absurdamente, data venia, a d. decisão de primeira instância manteve o lançamento no que tange ao VTN arbitrado, apenas reiterando as razões do fisco, sem, contudo, mais uma vez, ao menos disponibilizar ao Recorrente cópia do SIPT, em manifesto cerceamento ao direito de defesa do contribuinte” (fl. 326 – transcrição do recurso voluntário); VI. “Outrossim, o preço do hectare praticado na região é absolutamente incompatível com aquele apurado de oficio, conforme se verifica no sitio eletrônico do INCRA, que informa o valor do hectare no município é de R$ 96,00 (noventa e seis reais) em setembro de 2003, e da Certidão de Avaliação no. 21/2005, expedida pelo Município de Querência, certificando o valor de R$ 80,00 (oitenta reais) por hectare para o exercício de 2001, na região onde se localiza o imóvel rural em questão, ambos anexados aos autos quando da apresentação da impugnação e, ao que parece, completamente ignorados pelas autoridades julgadoras a quo, uma vez que estas alegaram que a documentação acostada pelo Recorrente "não se mostra eficaz para modificar o valor constante do langamento", bem como que, no Laudo Técnico apresentado, "os imóveis rurais pesquisados estão localizados em outro municipio”. Ora. Exa., não tendo ocorrido na região, nem tampouco na economia nacional, nenhum fato relevante Fl. 496DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 2102002.379 S2C1T2 Fl. 5 7 que justifique o aumento de mais de R$ 860,00 (oitocentos e sessenta reais) por hectare, entre os anos de 2001 e 2005, ou seja, mais de dez vezes o valor do hectare em 2001, resta clara a disparidade entre o valor efetivo do hectare e aquele pretendido pela fiscalização fazenclária. Outrossim, resta flagrante a falta de critérios e a manifesta ilegalidade cometida pela fiscalização fazenclária, haja vista que a autuação referente ao exercício de 2003 — embora encontrese, da mesma forma que a presente, com valores arbitrados referentes ao imóvel rural completamente equivocados e distantes da realidade da região — considera como valor de mercado R$ 10.751.842,08 (dez milhões, setecentos e cinqüenta e um mil, oitocentos e quarenta e dois reais e oito centavos). Ou seja, de 2003 para 2005 a fiscalização, sem qualquer justificativa plausível para tanto, com base em uma tabela "secreta", triplicou, arbitrária e teratologicamente, o valor do imóvel rural autuado, em manifesta afronta aos princípios da razoabilidade e moralidade, aos quais a Administração Pública deve cumprimento. E não existe, repitase, nenhum acontecimento relevante, seja na economia nacional, seja na região, que justifique um aumento de tal monta!!!” (fl. 329 – transcrição do recurso voluntário). Pede o recorrente, ao final, que seja cancelado o lançamento ou, alternativamente, que seja anulada a decisão de primeira instância e iniciado o processo de arbitramento com o devido processo legal. Em sessão plenária de 22 de maio de 2009, a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção converteu o julgamento em diligência, pela Resolução nº 3102 00.048 (fls. 344 e seguintes), para que se esclarecesse os critérios legais de arbitramento pelo SIPT. Nesta Resolução observase que houve erro material, pois a Conselheira relatora faz citação a imóvel (Fazenda dos Bois), localização (municipio de Januária) e valores (VTN arbitrado de R$ 2.668.082,82) diversos daqueles que constam nestes autos. A autoridade da unidade preparadora observeu os erros materiais acima e devolveu os autos para prosseguimento de julgamento, sem nada esclarecer. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Antes de apreciar o recurso voluntário, passase a julgar o recurso de ofício. A decisão da Turma de Julgamento da DRJ/CGE, à luz do Laudo, das averbações nas matrículas do imóvel e do ADA, deferiu a exclusão de uma área de 1.593,3 hectares, a título de Área de Preservação Permanente APP, de 30.268,5 hectares, a título de Reserva Legal RL, e de 300 hectares, como ocupada com benfeitorias, o que reduziu o ITR suplementar para R$ 243.073,17 (fl. 313). Fl. 497DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Não me parece que a decisão ora recorrida mereça qualquer reparo, o que implicará no improvimento do recurso de ofício. Explicase. Inicialmente, vêse que as glosas das áreas perpetradas pela fiscalização, no tocante à APP e RL, decorreu apenas da ausência da apresentação do ADA e de laudo técnico. Ocorre que os ADAs (de 1997 e 2006) acostados aos autos (fls. 170 e 171) suprem adequadamente a exigência formal do ADA, isso apesar de neles constarem áreas maiores do que as destes autos, pois inegavelmente se trata do imóvel auditado (código NIRF nº 1.543.8570). Ademais, observese, a Turma da DRJ deferiu a reserva legal nos limites da área averbada, quando sequer tal exigência foi imputada na acusação da autoridade autuante (fl. 3). Na mesma conformidade acima, o Laudo Técnico de fls. 261 e seguintes ratifica a existência de uma área de preservação permanente de 1.593,3 hectares e uma área de reserva legal de 32.865,3 hectares, o que justifica a exclusão de tais áreas da incidência do ITR (a área de reserva legal excluída, de 30.268,5 hectares, é menor do que a que constou no Laudo Técnico e também declarada na DITRexercício 2005 , pois a autoridade julgadora a quo fixouse também na questão da averbação cartorária da RL). Por último, no tocante à glosa da área de benfeitorias de 300 hectares, absolutamente plausível a existência de uma área com tal magnitude (ocupada por estradas, currais, casas etc.), quando se considera que o imóvel auditado tem mais de 40 mil hectares de área total. Devese anotar que, no bojo da presente autuação, também foram auditados os exercícios 2003 e 2004 do mesmo imóvel, com glosas similares, com julgamento de primeira instância objeto de recurso de ofício, com improvimento, como se vê pelos Acórdãos nºs 220101.330 (exercício 2004), de 26 de outubro de 2011, e 2102000.751 (exercício 2003), de 29 de julho de 2010, este último desta Turma de Julgamento, na relatoria da Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Com as considerações acima, entendo que se deve NEGAR provimento ao recurso de ofício. Agora se passa para o julgamento do recurso voluntário. Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 12/02/2008 (fl. 320), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 12/03/2008 (fl. 323), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 13/03/2008, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Inicialmente, alega o contribuinte uma preliminar de nulidade decorrente de inadequação da base legal do lançamento, que não daria substrato à autuação. Analisando a notificação de lançamento (fls. 2 e 3), vêse que a autoridade fiscal registrou os artigos da Lei nº 9.393/96, bem como o art. 17O, § 1º, da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, que exige a apresentação do ADA, como condição para exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal da incidência do ITR, inclusive, se for o caso, com a comprovação documental da existência de tais áreas. Assim, descrita adequadamente a base legal da autuação, não há qualquer nulidade que tenha cerceado o direito de defesa do contribuinte, o que me faz rejeitar a presente preliminar. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 2102002.379 S2C1T2 Fl. 6 9 Já no tocante ao restabelecimento integral das áreas de reserva legal e preservação permanente, pois comprovadas por ADAs e laudos técnicos, entendo que assiste razão em parte ao fiscalizado. Primeiramente, em termos da área de preservação permanente, declarada como de 1.927,0 hectares, tendo sido deferida a exclusão de 1.593,3 hectares pela DRJ, entendo que não assiste razão ao contribuinte. Explicase. Ora, se o ADA2006 aponta uma área de 2.578,6 hectares como APP, deve se anotar que tal ADA referese a uma área total majorada (57.084,2 hectares), que sobeja a área total imóvel declarada (41.132,0 hectares), não se podendo, a partir deste ADA isolado, asseverar qual a APP da área declarada menor. Conclusão semelhante se chega a partir do ADAexercício 1997 (fl. 171), para o qual o contribuinte englobou a APP e a RL. Por outro lado, o próprio Laudo Técnico do contribuinte, para a área declarada, aponta uma APP de 1.593,3 hectares (fl. 266), ou seja, não se tem como deferir uma área maior de APP que aquela apontada no próprio Laudo Técnico trazido pelo então impugnante. Já no tocante à área de reserva legal, de 32.905,0 hectares, para a qual a Turma de Julgamento da DRJ reconheceu como de 30.268,5 hectares, o ADAexercício 2006 igualmente informa uma área maior, de 45.626,8 hectares, para um imóvel também majorado, de 57.084,2 hectares. A Turma da DRJ deferiu uma área de reserva legal minorada em relação à declarada, fiandose na exigência da averbação da reserva legal no cartório de registro de imóveis. Ocorre que tal exigência não constou da notificação de lançamento, que glosou a reserva legal pela ausência do ADA e da comprovação da área, ou seja, a Turma da DRJ não poderia ter suscitado o óbice da averbação, pois tal acusação não constou do lançamento. Aqui entendo que se deve deferir integralmente a área de reserva legal de 32.905,0 hectares, pois do confronto dos ADAs e do Laudo Técnico (fls. 170, 171 e 266), vêse claramente que a reserva legal está suportada por ADAs, sendo que o Laudo identificou o real tamanho da RL, considerando a área menor do imóvel (e declarada). Acatar apenas a área deferida pela Turma de Julgamento da DRJ seria incluir um fundamento no lançamento (averbação cartorária), que não constou originalmente, tratandose de uma inviável inovação. Superado o ponto acima, passase a debater o arbitramento VTN. Inicialmente, não há qualquer nulidade na utilização do SIPT, como base para arbitramento do VTN, pelo fato de o contribuinte não ter acesso as bases de dados de tal sistema. Para tanto, aqui colaciono as razões deduzidas pela ilustre Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, no já citado Acórdão nº 210200.751, que rejeitou tal nulidade, referente à autuação do exercício 2003, do mesmo imóvel ora em discussão: (...) Alega o Recorrente que seria nulo o arbitramento efetuado, uma vez que ele não teve acesso aos critérios utilizados pela fiscalização para chegar ao VTN tomado por base no lançamento. Sustenta que deveria ter sido instaurado um processo fiscal de arbitramento, por meio do qual lhe fosse franqueada a chance de defesa contra os critérios utilizados pela fiscalização para tanto. Neste ponto, porém, não lhe assiste razão. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Isto porque o arbitramento, no caso em tela, decorreu da falta de comprovação do valor declarado em sua DITR a título de VTN para o imóvel de sua propriedade. Em casos como este, existe previsão legal específica para que o arbitramento ocorra – tratase do art. 14 da Lei nº 9.393/96, que assim determina: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. (grifamos) Tal sistema (SIPT), por seu turno, foi instituído pela Portaria SRF nº 447/2002, que assim dispôs: Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002 DOU de 3.4.2002 Aprova o Sistema de Preços de Terras O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de Fl. 500DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 2102002.379 S2C1T2 Fl. 7 11 acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data. EVERARDO MACIEL Foi assim que se deu a apuração do valor do VTN para fins de lançamento do ITR no caso que aqui se examina. Nos termos da legislação supra citada, vêse que a autoridade fiscal agiu corretamente, pois na falta de outro parâmetro para aferir o valor do imóvel da Recorrente – e entendendo que não mereciam fé os valores por ele declarados em DITR, utilizouse do referido SIPT. Este sistema (SIPT) foi criado justamente para balizar o arbitramento a ser efetuado em casos como o que ora se analisa. Desde que obedecidos os critérios mencionados na lei e na IN acima transcritas, abrese – com a Impugnação ao lançamento – a chance para o contribuinte se defender. Este é o início do processo que o Recorrente chama de “processo de arbitramento”, por meio do qual serão rebatidos os critérios utilizados pela autoridade fiscal, de forma a comprovar (se for o caso) que o arbitramento estava equivocado, e que o valor declarado em DITR seria merecedor de fé. Por isso, não há que se falar em nulidade do lançamento ou em violação ao princípio da legalidade, ou da publicidade, ou mesmo da ampla defesa. Indo mais além, o recorrente aponta que sequer foi indicado o efetivo valor utilizado para arbitrar o VTN, não havendo nos autos os dados do SIPT. Efetivamente, aqui teríamos um problema, pois, se se pode utilizar o SIPT para arbitrar o valor da terra nua, obrigatoriamente tem que ser anexado aos autos qual a fonte de informação do SIPT, se veio das Secretarias de Agricultura, municipais ou estaduais, ou da média das DITRs. Compulsando os autos, vêse, na fl. 135, que se encontra a tela do SIPT, no qual se vê um valor de R$ 922,04 por hectare, utilizado no arbitramento, para o município de Querência (MT), vindo da média das DITRs, não se podendo aceitar a tese do recorrente de que não houve a demonstração do valor do SIPT utilizado no arbitramento. Se se considera como hígida a possibilidade de utilização do SIPT como meio hábil a proceder o arbitramento do VTN, devese reconhecer, por outro lado, que o arbitramento levado a efeito pela fiscalização, para o exercício 2005, está fora de proporção, de razoabilidade. Explicase. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 Enquanto o arbitramento para o exercício aqui em discussão (2005) atingiu R$ 37.925.349,28, para o exercício 2003 (Acórdão nº 210200.751) alcançou R$ 9.879.495,08, ou seja, não se pode compreender como o valor do imóvel tenha aumentando 04 vezes, em um intervalo de 02 anos. Indo mais além, o Laudo Técnico trazido na impugnação apontou um valor de R$ 3.540.554,93, não havendo qualquer obstáculo quanto à utilização do IPCA, como deflator inflacionário, não se podendo simplesmente aceitar a alegação da Turma de Julgamento da DRJ de que o IPCA seria um índice inadequado para a valoração de imóvel rural, pois tal índice inflacionário é o indicador básico de inflação utilizado no Brasil, inclusive sendo o índice utilizado no regime de metas de inflação do Banco Central do Brasil. Eventualmente, poderseia considerar os outros óbices apontados pela Turma da DRJ (falta de comprovação dos elementos amostrais, imóveis rurais pesquisados localizados em outro município), porém parece despropositado, desarrazoado, que o Laudo aponte um VTN de R$ 3.540.554,93 e o pelo SIPT tenhase um de R$ 37.925.349,28. Para o exercício 2003, esta Turma de Julgamento, no Acórdão nº 2102 00.751 (no ponto, por maioria, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho), assim resolveu a controvérsia: (...) O Recorrente, por outro lado, buscando refutar o arbitramento levado a efeito pela autoridade fiscal, traz em sua defesa uma certidão expedida pela Prefeitura Municipal de Querência, da qual consta que o preço do hectare na região era de aproximadamente R$ 80,00 no ano de 2001 – valor este que não coincide com aquele declarado pelo Recorrente, mas que também é bastante inferior àquele apurado por meio do SIPT (vale ressaltar ainda que o lançamento ora em exame diz respeito ao exercício 2003). Buscando ainda comprovar suas alegações, o Recorrente traz aos autos uma planilha de preços expedida pelo INCRA, da qual consta que para o município de Querência, em 2003, vigia o VTN entre R$ 96,00 (mínimo), R$ 420,00 (médio) e R$ 600,00 (máximo). Trouxe também um laudo (fls. 65/75 mais anexos), do qual consta que o valor do VTN para o ano de 2003 seria de R$ 2.951.139,56 – que representaria R$ 71,75 por hectare. Referido laudo não foi acatado pela decisão recorrida para comprovar o valor do VTN em 2003, em razão do critério utilizado para chegar a este valor. Isto porque o laudo concluiu qual seria o valor do VTN em 2003 deflacionando o valor do mesmo em 2005 (quando foi elaborado o laudo), utilizandose para tanto do IPCA. Como se vê da documentação acostada aos autos, parece claro que o VTN declarado pelo Recorrente (R$ 30,64) está, de fato, abaixo do valor praticado na região, no exercício em tela. Por outro lado, o valor a que alude o SIPT (R$ 240,19) também é muito superior àquele que aparentemente é praticado na região. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 2102002.379 S2C1T2 Fl. 8 13 Assim, há que se encontrar um valor intermediário para o referido VTN, através de um critério objetivo que atenda às exigências legais. Para tanto, vale ressaltar que o art. 14, §1º da Lei nº 9.393/96 – que traz a previsão de arbitramento do VTN – estabelece que o sistema a ser criado (SIPT) deverá levar em consideração “levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios”. Sendo assim, é de se concluir que o parâmetro trazido aos autos que melhor atenderia à norma seria a certidão expedida pela Prefeitura de Querência, a qual demonstra que no ano de 2001 o VTN por hectare era de aproximadamente R$ 80,00 naquele município. Como este valor se refere a um exercício diverso daquele que ora se analisa e considerando que não discrepa muito daquele encontrado no laudo (R$ 71,75) e também daquele constante da planilha elaborada pelo INCRA (cujo mínimo era de R$ 96,00) – deve ser utilizado no caso em exame o valor constante da planilha do INCRA, já que este se refere ao mesmo exercício deste lançamento (2003), e é igualmente merecedor de fé. Diante de tal situação, deverá ser alterado o lançamento para que seja considerado como VTN o valor de R$ 3.948.672,00 (considerando R$ 96,00 por hectare num total de 41.132 ha.). (...) Devese resgistrar que se encontra tombado nestes autos a certidão expedida pela Prefeitura Municipal de Querência e a planilha do Incra (fls. 165 a 167), citadas acima. Com o cenário acima, tem que se reconhecer que o arbitramento a partir do SIPT restou profundamente vulnerado, pela multiplicação do valor por quase 4 entre os exercícios 2003 e 2005, bem como pelas informações da Prefeitura Municipal de Querência e do Incra, estas em valores muito menores que o SIPT. Assim, como outrora essa Turma já fez, no Acórdão nº 210200.751, devese palmilhar outro caminho, na busca do arbitramento do VTN. Não parece razoável acatar o valor do Laudo Técnico (R$ 3.540.554,93, equivalente a R$ 86,07 por hectare), pois inferior ao declarado (R$ 5.873.292,00, equivalente a R$ 142,89 por hectare), sendo certo que este último foi informado espontaneamente pelo contribuinte, sem as contingências do procedimento fiscal, inclusive em declaração apresentada dentro do exercício 2005, próximo do fato gerador, devendo, assim, ser privilegiado. Nessa mesma toada, não se deve utilizar a informação do município de Querência (R$ 80,00 por hectare), pois referente ao exercício 2001, já bastante longe do exercício fiscalizado (2005). Parece razoável manter o próprio valor declarado pelo contribuinte R$ 5.873.292,00, para o exercício 2005, pois dentro da margem de variação do arbitramento do Incra para o exercício 2003, com VTN entre R$ 96,00 (mínimo), R$ 420,00 (médio) e R$ 600,00 (máximo) (fl. 166), em exercício mais próximo, estando até com razoável proporcionalidade com o valor do Laudo Técnico. O que não se pode é utilizar o arbitramento do SIPT, no importe de R$ 922,04 por hectare, em valor completamente discrepante. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 Por relevante, devese anotar que, no já citado Acórdão nº 220101.330, referente ao lançamento do exercício 2004, mantevese o VTN declarado, quer porque não se aceitou o arbitramento do SIPT apenas com base nas médias das DITRs, sendo necessárias as informações das Secretarias estaduais ou municipais de agricultura1, quer pela discrepância entre o valor informado pelo Município de Querência (2001) e o apreciado (2004), como se vê pelo trecho abaixo: No presente caso, a Recorrente trouxe aos autos os elementos que contradizem as informações do SIPT. Às fls 37 dos autos traz certidão de avaliação onde consta como valor médio da terra por ha de R$ 80,00 em 2001. Não é crível que em 4 anos o valor do hectare tenha se valorizado em mais de 1000%. Assim entendo que não foram atendidos os requisitos previstos em lei para a realização do arbitramento, razão pela qual deve ser desconsiderado o VTN arbitrado e restabelecido o VTN declarado pela Recorrente. Com as considerações acima, entendo que se deve manter intocado o VTN informado pelo contribuinte em sua declaração, no montante de R$ 5.873.292,00. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício. E, no tocante ao voluntário, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer uma área de reserva legal de 32.905,0 hectares e um VTN de R$ 5.873.292,00. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos 1 Ressaltese, entretanto, que o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Assim, o valor arbitrado deve ser obtido com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel (trecho do voto proferido pela Ilustre Conselheira Maria Lucia Moniz de Aragao Calomino Astorga, no acórdão 220200.722, citado no Acórdão 220101.330). Fl. 504DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10768.720168/200611 Acórdão n.º 2102002.379 S2C1T2 Fl. 9 15 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 02/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.726772/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MULTA QUALIFICADA. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE.
A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. A falta de inclusão de algum bem ou direito na Declaração de Ajuste Anual (Declaração de Bens e Direitos), por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização.
DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. AFASTAMENTO DA NÃO INCIDÊNCIA PELA AUTORIDADE FISCAL. LANÇAMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há base no sistema jurídico brasileiro para a autoridade fiscal afastar a não incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão legal para autoridade fiscal utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTANCIA DOS ATOS.
O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizá-la. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto.
OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. DELIBERAÇÃO POR CONTA DAS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS NA OPERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR DE GANHO DE CAPITAL NA PESSOA FÍSICA DOS SÓCIOS.
A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404, de 1976, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação.
OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. DATA DO FATO GERADOR CONSIDERADO PELA AUTORIDADE FISCAL LANÇADORA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO.
A Lei nº 7.713, de 1988, em seu art. 2º, determina que o Imposto de Renda da Pessoa Física é devido pelo regime de caixa, à medida que o ganho de capital for percebido. Se não houve nenhum pagamento, na data do fato gerador considerado pela autoridade fiscal lançadora, este não pode ser considerado como percebido pelo Contribuinte, em respeito ao Princípio da Entidade, pois não ingressou em sua disponibilidade jurídica ou econômica, não implicando em fato gerador do Imposto de Renda. A tributação desses rendimentos, quando for o caso, depende da efetiva entrega dos valores ao Contribuinte.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, desqualificando a multa de ofício, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que provia o recurso parcialmente para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, acompanhando o voto do Relator pelas conclusões, bem como excluía a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício e Antonio Lopo Martinez, que provia o recurso parcialmente, tão somente, para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, desqualificando a multa de ofício, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que provia o recurso parcialmente para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, acompanhando o voto do Relator pelas conclusões, bem como excluía a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício e Antonio Lopo Martinez, que provia o recurso parcialmente, tão somente, para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
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JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO. NECESSIDADE DA CARACTERIZAÇÃO DO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. A falta de inclusão de algum bem ou direito na Declaração de Ajuste Anual (Declaração de Bens e Direitos), por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. AFASTAMENTO DA NÃO INCIDÊNCIA PELA AUTORIDADE FISCAL. LANÇAMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há base no sistema jurídico brasileiro para a autoridade fiscal afastar a não incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão legal para autoridade fiscal utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTANCIA DOS ATOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 67 72 /2 01 1- 88 Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 2 O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. DELIBERAÇÃO POR CONTA DAS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS NA OPERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR DE GANHO DE CAPITAL NA PESSOA FÍSICA DOS SÓCIOS. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404, de 1976, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. LANÇAMENTO NA PESSOA FÍSICA DO SÓCIO. DATA DO FATO GERADOR CONSIDERADO PELA AUTORIDADE FISCAL LANÇADORA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. A Lei nº 7.713, de 1988, em seu art. 2º, determina que o Imposto de Renda da Pessoa Física é devido pelo regime de caixa, à medida que o ganho de capital for percebido. Se não houve nenhum pagamento, na data do fato gerador considerado pela autoridade fiscal lançadora, este não pode ser considerado como percebido pelo Contribuinte, em respeito ao Princípio da Entidade, pois não ingressou em sua disponibilidade jurídica ou econômica, não implicando em fato gerador do Imposto de Renda. A tributação desses rendimentos, quando for o caso, depende da efetiva entrega dos valores ao Contribuinte. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, desqualificando a multa de ofício, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, que provia o recurso parcialmente para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, acompanhando o voto do Relator pelas conclusões, bem como excluía a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício e Antonio Lopo Martinez, que provia o recurso parcialmente, tão somente, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 3 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 4 Relatório NEWTON CARDOSO, contribuinte inscrito no CPF/MF 068.152.786 20, com domicílio fiscal na cidade Belo Horizonte MG, Estado Minas Gerais, à Av. Professor Mario Werneck, nº 2501, Bairro Buritis, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 970/1001, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1009/1047. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte MG, em 01/12/2011, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 844/846), com ciência através de AR, em 01/12/2011 (fl. 845), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 106.930.955,69 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos de multa de oficio qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda, relativo ao exercício de 2008, correspondente ao anocalendário de 2007. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2008, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos. Omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa. Omissão de ganho de capital obtido na alienação de participação societária, conforme detalhadamente descrito no Termo de Verificação Fiscal. Infração capitulada no art. 1° ao 3° e §§, 16 e 19, todos da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° e 2°, da Lei n° 8.134, de 1990; art. 7°, 21 e 22 da Lei n° 8.981, de 1995; art. 17, 23 e §§ da Lei n° 9.249/95; Art. 37, 38 e §§ único, 117, 123, 130, 131, 132, 138 e 142 do RIR/99. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal, (fls. 10/66), entre outros, os seguintes aspectos: que, a REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. CNPJ 07.844.124/000100, cuja razão social anterior era REFLA PARTICIPAÇÕES LTDA., era sociedade empresária constituída em 02/01/2006, nos termos do "Instrumento Particular de Constituição da Sociedade Limitada", arquivado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) com Número de Inscrição no Registro de Empresas (NIRE) 35220417830, em 17/01/2006; que os sócios fundadores da REFLA foram LEGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 05.724.292/000129, e Carlos Roberto Mendonça de Almeida Filho, CPF n° 063.338.12846. O capital social inicial era de R$1.000,00 (mil reais), subscrito e integralizado em moeda corrente nacional, dividido em l.000 (mil) quotas de valor nominal de R$l,00 (um real), assim distribuído entre os sócios quotistas: SÓCIO QUOTAS VALOR LEGUNA 999 R$ 999,00 Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 4 5 PARTICIPAÇÕES LTDA. Carlos Roberto Mendonça de Almeida Filho 1 R$ 1,00 TOTAL 1000 RS 1.000,00 que o objeto da sociedade era o de participação em outras sociedades, na qualidade de sócia, acionista ou quotista, atuando como "Holding"; que conforme cláusulas 1.1 e 1.2, os sócios Leguna Participações e Carlos Roberto Mendonça de Almeida Filho retiramse da sociedade. O primeiro transferiu as suas 999 quotas para Newton Cardoso e o segundo transferiu sua única quota para Newton Cardoso Junior; que, “conforme Instrumento Particular de 1ª Alteração Contratual da Sociedade Limitada", datado de 16/01/2007, os sócios LEGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA. e Carlos Roberto de Mendonça de Almeida Filho retiraramse da sociedade. O primeiro transferiu as suas 999 quotas para Newton Cardoso e o segundo transferiu sua única quota para Newton Cardoso Júnior.O sócio Newton Cardoso aumentou o capital social da sociedade, mediante a criação de 45.000.000 (quarenta e cinco milhões) de novas quotas, com valor nominal de R$1,00 (um real) cada uma, cuja integralização se fez mediante "... conferência das 4.965.440.097 (quatro bilhões, novecentas e sessenta e cinco milhões, quatrocentas e quarenta mil e noventa e sete) ações representativas do capital social da companhia denominada PART1MAG S/A (...), alterando assim o capital da sociedade, dos atuais R$1.000,00 (mil reais) para R$45.001.000,00 (quarenta e cinco milhões e um mil reais)”; que o capital social da REFLA passou a ser de R$ 45.001.000,00 (quarenta e cinco milhões e um mil reais), totalmente subscrito e integralizado, dividido em 45.001.000 (quarenta e cinco milhões e uma mil) quotas de valor nominal de R$1,00 (um real), assim distribuídas: SÓCIO QUOTAS VALOR Newton Cardoso Newton Cardoso Júnior Total 45.000.999 1 45.001.000 R$ 45.000.999,00 R$ 1,00 R$ 45.001.000,00 que, nos termos das cláusulas 3.1, 3.2 e 3,3, respectivamente: a) o tipo societário foi transformado, passando a REFLA de sociedade empresária de forma limitada para sociedade por ações; b) os sócios aprovaram a redação do Estatuto Social, que foi anexado e constituiu parte integrante da alteração contratual em comento; c) a sociedade passou a denominarse REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A; que, em Assembléia Geral Extraordinária (AGE), realizada em 20/07/2007, Newton Cardoso e Newton Cardoso Júnior, únicos sócios da REFLA deliberaram e aprovaram todos os termos do "Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações", firmado pelo Diretor Presidente da BRATIL e da REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 6 contendo a proposta de incorporação da totalidade das ações da companhia REFLA pela BRATIL, transformandoa em subsidiária integral. Conforme consta da Ata, as ações da REFLA foram "(...) incorporadas a valor de mercado, conforme apuração realizada através do Laudo de Avaliação (...)"; que, em Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 31/07/2007, os sócios da REFLA deliberaram e aprovaram: . “(...) integralmente, os termos do Laudo de Avaliação apresentado, elaborado pela empresa especializada AVALLE Commerce Avaliações Econômicas, (...), ficando desde já aceitos os seus valores para fins e efeitos de incorporação". O laudo de avaliação foi elaborado pela Avalle, com data de 31/07/2007; . (...) para todos os efeitos de direito, a incorporação desta Companhia pela BRATIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, nos termos do Protocolo e Justificação de Incorporação firmado (...)";. (...) a extinção da REFLA, "(...) sendo sucedida pela BRATIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A em todos os ativos e passivos e em todos os direitos e obrigações, na forma da legislação pertinente"; que, portanto, a REFLA: a) inicialmente, teve todas as suas ações incorporadas pela BRATIL; b) posteriormente, foi incorporada pela BRATIL, extinguindose; Representação da composição patrimonial da REFLA: 31/12/06 16/01/07 31/07/07 Ativo Caixa Investimentos Participações na PARTIMAG S/A R$ 1.000,00 R$ 1.000,00 R$ 45.000.000,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Patrimônio Líquido Capital Social R$ 1.000,00 R$ 45.001.000,00 R$ 0,00 que a BRATIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A., CNPJ 08.999.166/000175, foi constituída em 16/07/2007, consoante AGE registrada e arquivada na JUCESP, juntamente com o Estatuto Social, sob o nº 35300345215, em 30/07/2007; que os acionistas subscritores do capital social, conforme Boletim de Subscrição anexo à ata da AGE de constituição, foram: LEGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA. e REFLA PARTICIPAÇÕES LTDA. O capital social subscrito, nos termos do art. 5º do Estatuto Social, era de R$ 500,00 (quinhentos reais), dividido em 500 (quinhentas) ações ordinárias, no valor de R$1,00. Do total subscrito, R$ 50,00 (cinqüenta reais) foram integralizados, em moeda corrente nacional, em 16/07/2007. O restante deveria ser integralizado até 31/12/2007. O objeto da sociedade é o de participação em outras sociedades, como sócia, acionista ou cotista, atuando como "Holding"; que, na AGE realizada em 20/07/2007, às 9h, foi deliberada e aprovada a eleição e posse de Newton Cardoso e Newton Cardoso Júnior como, respectivamente, Diretor Presidente e Diretor sem designação específica. A ata dessa AGE foi registrada na JUCESP, em 06/09/2007, sob o n°337.414/075; que, em 20/07/2007, às 10h, realizouse outra AGE, registrada na JUCESP em 18/09/2007, sob o n° 342.956/073, cuja ordem do dia era: Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 5 7 a) deliberar sobre a proposta e a aprovação dos termos constantes no "Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações", o qual segue na forma de Anexo 1 da presente ata, (...), que deliberou pela incorporação da totalidade das Ações da empresa denominada REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A; b) deliberar e aprovar, neste ato, o Laudo de Avaliação das ações, da REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (Anexo II), elaborado pela empresa AVALLE Commerce Avaliações Econômicas Ltda. (...); c) deliberar sobre o aumento do capital social da Companhia, no montante de R$ 287.995.525,22 (duzentos e oitenta e sete milhões, novecentos e noventa e cinco mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e dois centavos), em virtude da incorporação da totalidade das ações da REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A . que, foram integralmente aprovados o Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações e o Laudo de Avaliação, "(...) que avaliou a valor de mercado as ações ora incorporadas (...). Foi aprovado, ainda, aumento do capital da Companhia, no montante de R$ 287.995.525,00 (duzentos e oitenta e sete milhões, novecentos e noventa e cinco mil, quinhentos e vinte e cinco reais), sendo que (...) o saldo remanescente de R$ 0,22 (vinte e dois centavos será utilizado para futura deliberação dos acionistas (...)."; que, em virtude da incorporação de todas as ações da REFLA, o capital social da BRATIL passou a ser de R$ 287.996.025,00 (duzentos e oitenta e sete milhões, novecentos e noventa e seis mil e vinte e cinco reais), totalmente subscrito e integralizado, divido em 287.996.025 (duzentos e oitenta e sete milhões, novecentos e noventa e seis mil e vinte e cinco) ações ordinárias nominativas, de valor nominal de R$1,00 (um real), assim distribuídas: SÓCIO QUOTAS VALOR Newton Cardoso 287.996.023 R$287.996.023,00 Newton Cardoso Júnior 2 R$ 2,00 Total 287.996.02 R$ 287.996.025,00 que, em 25/07/2007, às llh, os sócios da BRATIL realizaram uma Assembléia Geral Extraordinária e deliberaram “sobre a nomeação de empresa especializada de avaliações contábeis, tendo em vista a intenção dos acionistas na incorporação da companhia denominada REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A (...)"; que, outra AGE foi realizada, em 31/07/2007. A ordem do dia era: a) aprovar os termos do Laudo de Avaliação do patrimônio da REFLA elaborado pela empresa AVALLE; b) deliberar pela incorporação total do patrimônio líquido da companhia REFLA: c) deliberar acerca dos termos constantes no "Protocolo e Justificação de Incorporação", contendo proposta de incorporação da REFLA; Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 8 que, foram integralmente aprovados o Protocolo e Justificação de Incorporação, o Laudo de Avaliação e a incorporação da companhia REFLA pela BRATIL. Em virtude da incorporação, extinguiuse a REFLA, sucedendoa a BRATIL em todos os seus direitos e obrigações, ativos e passivos. que, em 20/07/2007, conforme Ata de Assembléia Geral Extraordinária (AGE), registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, a BRATIL incorporou a totalidade das ações da REFLA; que, nos termos da AGE acima, a BRATIL incorporou, em 20/07/2007, a totalidade das ações da REFLA. Estamos diante, pois do instituto denominado “Incorporação de Ações”, que se encontra disciplinado pelo artigo 252 da Lei nº 6.404, de 1976 – Lei das Sociedades Anônimas; que por tratarse a incorporação de ações de uma operação de transferência de titularidade de ações da incorporada, realizada entre incorporadora e sócios da incorporada, singularizada pela forma de pagamento, que se dá mediante entrega de ações da incorporadora e não de dinheiro; que, assim, os acionistas da REFLA transferiram a totalidade das ações que possuíam na companhia para a BRATIL, tornandose a primeira uma subsidiária integral da segunda; que a BRATIL, portanto, adquiriu as ações de emissão de outra sociedade (a REFLA, no caso), pertencentes ao contribuinte e ao seu filho, pagando a aquisição com a emissão de títulos de capital social. Para os alienantes, o preço de venda de suas ações se materializa pela quantidade de ações recebidas da incorporadora multiplicada pelo valor unitário de emissão. Este é o preço da operação, que se liquida pelo pagamento na forma de instrumentos patrimoniais; que as ações da REFLA foram incorporadas pela BRATIL por valor de mercado, conforme Laudo de Avaliação elaborado pela empresa Avalle Commerce Avaliações Econômicas Ltda.; que complementando, verificamos que o ativo principal que deflagrou a operação em exame foi uma participação societária constituída por 4.965.440.097 ações da PARTIMAG. A PARTIMAG era empresa controladora da MAGNESITA, da qual possuía 11.296.717.042,32 ações ordinárias. Sintetizamos, a seguir, a sequência de operações envolvendo essas ações: (1) – em 15/01/2007, o contribuinte as adquiriu da DORLON SECURITIES LTDA., a título de compra, pelo valor de R$ 45.000.000,00; (2) – em 16/01/2007, o contribuinte as alienou para a REFLA, a título de integralização de capital, pelo valor de R$ 45.000.000,00; (3) – em 20/07/2007, a totalidade das ações da REFLA foram incorporadas, por valor de mercado, pela BRATIL. As ações da REFLA foram avaliadas em R$ 287.995.525,22. Essa avaliação tomou por base o valor das ações da PARTIMAG. A incorporação das ações da REFLA pela BRATIL não importou na transferência direta das ações da PARTIMAG, as quais permaneceram como propriedade da REFLA; (4) – em 31/07/2007, a BRATL incorporou a REFLA. Em virtude da incorporação extinguiuse a REFLA, sucedendo a BRATIL em todos os seus direitos e obrigações, ativos e passivos. Assim, as ações da PARTIMAQ deixaram de pertencer à REFLA e passaram a ser propriedade da BRATIL; que a incorporação da totalidade das ações da REFLA pela BRATIL por valor de mercado gerou um ágio de R$ 242.994.525,00, ou seja, para adquirir de Nilton Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 6 9 Cardoso e Nilton Cardoso Júnior as 45.001.000 ações da REFLA, cujo valor patrimonial era R$ 45.001.000,00, a BRATIL emitiu ações no valor de R$ 287.995.525,00, aumentando o capital social para R$ 287.996.025,00; que de acordo com o que consta da contabilidade, a BRATIL, em 12/08/2007, alienou as ações da PARTIMAG por R$ 254.600.000,00, operação que resultou num prejuízo de R$ 33.395.525,22; que foi aplicada a multa majorada de 150%, tendo em vista a omissão do contribuinte em informar a aquisição das ações da BRATIL em sua declaração e de os atos praticados demonstrarem nítida intenção de ocultar a ocorrência do fato gerador do IRPF. A linha do tempo abaixo mostra o exíguo prazo em que esses atos, que tinham por objeto, direta ou indiretamente, a participação societária na empresa PARTIMAG, foram articulados e levados a cabo; que fica evidente que a seqüência de atos perpetrados pelo contribuinte teve como objetivo ocultar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador. Acresçamse a isso, as inconsistências e omissões da contabilidade da BRATIL, companhia da qual o contribuinte é o controlador; que, ademais, não se trata, no caso em foco, de valores de pouca significância, cuja atitude omissiva em declarálos ao fisco federal pudesse ser atribuída à sua condição de pessoa física, dispensada de maiores controles de suas atividades profissionais e financeiras; que pelo contrário: tratase de omissão de rendimentos tributáveis no montante de R$242.994.525,00 e de IRPF devido no valor de R$36.449.178,75. Esses valores foram apurados pela fiscalização e ficaram totalmente à margem da tributação. Em sua peça impugnatória de fls. 741/781, apresentada, tempestivamente, em 29/12/2011, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que, ainda como conseqüência dessa divergência de entendimento, a autoridade fiscal concluiu que o Impugnante, unicamente por deixar de declarar e recolher o IRPF supostamente devido, agiu de maneira dolosa., motivo pelo qual deveria ser penalizado pela aplicação de uma multa em percentual ainda maior acusação com a qual igualmente não se pode concordar; que, de fato, o Impugnante realmente detinha ações da PARTIMAG. E isso jamais foi negado. Essas 4.965.440.097 (quatro bilhões, novecentas e sessenta e cinco milhões, quatrocentas e quarenta mil e noventa e sete) ações, conforme restou comprovado durante o processo de investigação, foram adquiridas da DORLON a título de compra, em 15/01/2007, pelo valor de R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões de reais); que, assim, que, para a pessoa física, o custo de aquisição dessa ações foi mantido em R$ 45.000.000,00. E essa premissa, I. Julgadores, deve ficar suficientemente clara, pois será novamente utilizada adiante, de modo a demonstrar que, para o Impugnante, em nenhum momento houve acréscimo patrimonial representativo de renda, muito menos a realização de qualquer tipo de ganho de capital; Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 10 que a fiscalização, por seu turno, não questionou as operações envolvendo a REFLA, tendo em vista que, assim como todos os demais atos que a sucederam, foram praticados nos exatos termos da lei; que, infelizmente, nem mesmo a retidão com que esses atos foram praticados foi suficiente para afastar a alegada presunção de que, desde o inicio, as operações objeto de fiscalização representariam meros atos preparatórios de uma “ardilosa” tentativa de sonegação que estaria por vir; que, houve a incorporação das ações da REFLA pela BRATIL e não a incorporação da empresa REFLA pela BRATIL, que são operações completamente distintas; que, observase, pois, que essa operação (incorporação de ações) tem por objeto transformar uma determinada sociedade empresária em subsidiaria integral de outra sociedade. Nada além disso; que, enquanto na incorporação de empresas a incorporada deixa de existir e é sucedida universalmente pela incorporadora, na incorporação de ações a sociedade cujas ações são incorporadas continua a existir e passa à condição de subsidiária da incorporadora. As diferenças não são apenas conceituais, mas também bastante substanciais; que, antes da incorporação de ações, no entanto, as ações da REFLA tiveram que ser avaliadas, conforme exige a lei societária (art. 252, § 1°, da Lei n° 6.404/76), tarefa para qual foi contratada a AVALLE, empresa especializada em avaliações contábeis; que a partir do trabalho realizado pela AVALLE, o qual foi detalhadamente examinado pela fiscalização, e, repitase, em decorrência de exigência legal, as ações da REFLA foram avaliadas a valor de mercado em R$ 287.995.525,22 (duzentos e oitenta e sete milhões, novecentos e noventa e cinco mil, quinhentos e vinte cinco reais e vinte dois centavos); que, como parte do patrimônio da REFLA era composto por ações representativas do capital social da PARTIMAG, o método para avaliação consistiu no cálculo do valor da participação da PARTIMAG na MAGNESITA, empresa com ações negociadas em bolsa de valores. A partir da cotação do valor unitário das ações da MAGNESITA seguindo os critérios estipulados pela CVM, apurouse o valor da participação da PARTIMAG em seu patrimônio e, pelos mesmo critérios, obtevese o valor de mercado das ações da REFLA; que a incorporação de ações tanto para a BRATIL, que recebeu as ações da REFLA e emitiu novas ações em contrapartida, como para a pessoa física, que participou passivamente da operação e apenas recebeu ações da BRATIL em troca das suas ações originais da REFLA, sem que o custo de aquisição de seu investimento originário tenha sido alterado; que, em 20/07/2007, foi aprovado a incorporação das ações da REFLA bem como o respectivo aumento de capital, integralizado com as ações da REFLA, e emissão de novas ações aos exacionistas daquela, conforme exige a lei; que, contudo, destaquese que, para o Impugnante, pessoa física detentora das ações, o custo de aquisição de seu investimento novamente não foi alterado; que a mera avaliação das ações da REFLA, por exigência da legislação societária, e sua incorporação a valor de mercado pela BRATIL, também por imposição legal, Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 7 11 não teria o condão de ensejar acréscimo patrimonial para a pessoa física. Não houve, portanto, qualquer espécie de ganho para a pessoa física; que, voltando à BRATIL, importa registrar que, superada essa fase, posteriormente seus acionistas manifestaram interesse em incorporar o total do patrimônio líquido da REFLA. Com a aprovação da medida, não mais a REFLA teria participação na PARTIMG (e, indiretamente, parte das ações da MAGNESITA), mas sim a própria BRATIL; que, ocorre que, se em tese, as empresas praticaram algum equívoco na contabilização das operações, o que se admite apenas a título de argumentação, os eventuais reflexos deveriam ser imputados ás próprias empresas, mediante procedimento fiscalizatório especifico contra as pessoas jurídicas, e não contra o Impugnante. O mesmo vale para as questões concernentes ao aproveitamento de eventual ágio produzido nessas operações. Ainda que existente, o ágio não diz respeito ao Impugnante, pessoa física, e sim às pessoas jurídicas; que, apesar da redundância, o que se pretende deixar claro é que, na hipótese de as pessoas jurídicas terem cometido equívocos no registro contábil desse eventos, o que se admite apenas de forma hipotética, os eventuais reflexos devem ser exigidos das próprias empresas, e não do Impugnante, sob pena de nulidade do lançamento pelo erro na identificação do sujeito passivo; que, portanto, o aumento do capital da REFLA foi realizado mediante a conferência das ações que o Impugnante detinha na PARTIMAG pelo mesmo valor de sua aquisição, ou seja, pelo mesmo valor de custo adotado pelo Impugnante; que, devido à exigência da legislação societária no sentido de que a incorporação de ações deve ser procedida de avaliação, a fiscalização enxergou, mesmo onde não existia, um suposto acréscimo patrimonial realizado em favor do Impugnante; que, no entanto, com o perdão da redundância, essa valoração não afetou o patrimônio do Impugnante, pessoa física. O Impugnante participou passivamente do resultado da incorporação de ações entre a REFLA e a BRATIL. Apenas recebeu da BRATIL ações equivalentes à sua participação na REFLA. E isso ocorreu, convém reiterar, por exigência da legislação societária; que, desta forma, na troca de ações da REFLA por ações emitidas pela BRATIL, em decorrência da incorporação de ações, sem a transferência de qualquer recursos, e ainda, sem que o custo de aquisição das ações fosse alterados para a Impugnante, é certo que não houve disponibilidade econômica (assim entendida como a percepção efetiva de rendimentos), pois apenas ocorreu uma troca de bens; que o conceito de regime de caixa, aplicável às pessoas físicas, aliado à ausência de capacidade contributiva do Impugnante, também afastam qualquer hipótese de tributação da incorporação de ações pelo imposto de renda; que, mesmo que a operação representasse algum tipo de ganho, o que se admite apenas a título de argumentação, não houve efetiva disponibilidade de caixa para o Impugnante, o que desautoriza a cobrança do imposto de renda; Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 12 que assim, é que a tributação das pessoas físicas, muito embora a regra comporte exceções, será feita de acordo com o regime de caixa, incidindo o imposto apenas e somente se por ocasião efetiva percepção do rendimento; que as partes não arquitetaram um planejamento fiscal ilícito visando ocultar ganho de capital na alienação de ações. O que ocorreu, em verdade, foi uma efetiva reestruturação societária, com evidentes propósitos negociais, resultante do interesse de simplificar a estrutura societária de empresas nos quais o Impugnante e seu filho, NEWTON JR., detinham participação; que, portanto, por elisão fiscal entendese o conjunto de operações desenvolvidas pelo contribuinte com o objetivo de reduzir sua carga fiscal, sem que haja ocultação ou simulação de algum evento. Alem disso, o resultado obtido não pode ocasionar vantagem ilícita ou indevida, mas tãosomente a redução da carga tributaria; que, com relação à dissimulação dos eventos que compõem a obrigação tributaria, temse que esta também poderia realizarse meio de conduta omissiva ou comissiva. Nesta segunda situação, o contribuinte omite algum elemento indispensável à apuração do evento tributário, ou ainda, pratica atos visando mascarar ou disfarçar a natureza de algum desse elementos; que, não caso especifico das operações praticadas entre as empresas mencionadas no auto de infração, não houve ocultação de fatos jurídicos, abuso de forma, simulação ou qualquer outra espécie de conduta fraudulenta, mas apenas obediência ao que determinam a legislação societária e fiscal devidamente formalizadas e informadas à autoridades por meio dos documentos e declarações pertinentes; que, por fim, é importante frisar que todo o trabalho fiscal esta pautado em meras presunções da pratica de atos fraudulentos. Esse fato é extremamente significante porque a qualificação da multa impõe a comprovação de evidente intuito de fraude, dolo ou simulação, e não a sua simples presunção; que, no entanto, muito embora não haja lançamento qualquer menção nesse sentido é cediço que as autoridades fiscais, por ocasião da cobrança de créditos constituídos impugnados/recorridos, atualizam o montante destes aplicando a taxa SELIC, não somente sobre o principal exigido, mas também, sobre eventual multa imposta, neste último caso, a partir da data do lançamento; que, assim, na remota hipótese se ser mantida a multa, é certo que sobre ela não devem ser aplicados juros SELIC, haja vista a inexistência de qualquer previsão legal nesse sentido. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte MG concluíram pela improcedência da impugnação, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente, quanto aos requisitos específicos do auto de infração, destaquese que houve o regular lançamento às fls. 2 a 9, procedimento administrativo por meio do qual o servidor competente qualificou o sujeito passivo, descreveu os fatos, apontou as disposições legais infringidas e a penalidade aplicável, e determinou a exigência com a respectiva intimação para cumprila ou impugnála no prazo legal, haja vista que o ilícito fiscal Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 8 13 há de ser apenado onde quer que se detecte a sua ocorrência (art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores); que, na espécie, verificase constar nos autos todos os elementos para a formulação da livre convicção desta julgadora, em consonância com o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, sendo prescindível qualquer diligência; que, embora as operações realizadas envolvendo o contribuinte e as empresas PARTIMAG, REFLA E BRATIL relacionadas à matéria que fundamentou o lançamento tenham sido minuciosamente descritas tanto no Termo de Verificação Fiscal que integra o auto de infração quanto na impugnação apresentada pelo contribuinte, fazse breve histórico dos fatos: Data Evento 02/01/2006 Constituição da REFLA PARTICIPAÇÕES LTDA. pelos sócios LEGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 05.724.292/000129, e Carlos Roberto Mendonça de Almeida Filho, CPF n° 063.338.12846, com capital social de 1.000 quotas de valor nominal de R$1,00, sendo 999 quotas pertencentes àquele e 1 quota a este. 15/01/2007 Newton Cardoso adquire 4.965.440.097 ações da PARTIMAG, por R$45.000.000,00 da DORLON SECURITIES LTDA. (DORLON), CNPJ 07.652.999/000100. 16/01/2007 Alteração societária da REFLA, com retirada dos sócios fundadores e transferência de 999 quotas para Newton Cardoso e 1 quota para Newton Cardoso Júnior. Aumento de capital da sociedade por Newton Cardoso, mediante a criação de 45.000.000 novas quotas de R$1,00, com integralização por meio de 4.965.440.097 ações da PARTIMAG S/A. O tipo societário foi alterado de limitada para sociedade por ações e a empresa passou a denominarse REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. O capital social ficou distribuído da seguinte forma: Newton Cardoso com 45.000.999 ações de R$1,00 e Newton Cardoso Júnior com 1 ação de R$1,00. 16/07/2007 Constituição da BRATIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ 08.999.166/000175, com capital social de R$500,00, dividido em 500 ações de R$1,00 sendo os acionistas subscritores LEGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA. e REFLA PARTICIPAÇÕES LTDA. Foi integralizado nesta data R$50,00. 20/07/2007 Aprovação em Assembléia Geral Extraordinária pelos acionistas da REFLA, Newton Cardoso e Newton Cardoso Júnior, dos termos do "Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações", contendo proposta de incorporação de todas as ações da REFLA pela BRATIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, passando aquela a ser subsidiária integral, pelo valor de mercado apurado em laudo de avaliação. 20/07/2007 Aprovação em AGE da BRATIL às 9 horas da eleição e posse de Newton Cardoso e Newton Cardoso Júnior como, respectivamente, Diretor Presidente e Diretor sem designação específica. Aprovação em Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 14 AGE da BRATIL às 10 horas dos termos constantes do "Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações" da REFLA, do aumento do capital da companhia no montante de R$287.995.525,00, em virtude da incorporação da totalidade das ações da REFLA. Assim, o capital social da BRATIL passou a ser de R$287.996.025,00, totalmente integralizado, pertencendo 287.996.023 ações ordinárias de R$1,00 a Newton Cardoso e 2 ações no valor de R$1,00 a Newton Cardoso Júnior. que, não obstante seja discutível a existência de propósito negocial na reestruturação societária implementada, tal fato não é determinante para o deslinde da matéria tributária controversa; que, nos presentes autos, não estão em discussão os negócios jurídicos praticados pelas pessoas jurídicas, nem mesmo a amortização de ágio. Por conseguinte, desnecessária a descrição neste voto dos fatos verificados após 20/07/2007; que a lide se refere à incidência de imposto de renda sobre ganho de capital pela pessoa física na transferência de suas ações da empresa REFLA para a BRATIL, em decorrência da incorporação de ações; que, para os efeitos da incidência do tributo, estabelece a lei que se considera alienação a operação que configura transmissão ou promessa de transmissão, a qualquer título, de bens ou direitos. O § 3º do art. 3º da Lei 7.713, de 1988, de forma exemplificativa, enumera alguns casos em que se opera a alienação, sem esgotálos. Vale salientar que a alienação é gênero, do qual a transferência das ações nos termos do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é espécie. Na incorporação de ações, há a transmissão da totalidade das ações incorporadas à companhia incorporadora pelos acionistas que recebem em pagamento novas ações da incorporadora; que, previamente à incorporação de ações, a assembléiageral da companhia incorporadora aprovando a operação, nomeia peritos para a avaliação das ações a serem incorporadas e autoriza o aumento do capital a ser realizado com essas ações. Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, é efetivada a incorporação das ações e os titulares das ações incorporadas recebem da incorporadora novas ações por ela emitidas. Embora não haja fluxo financeiro na operação, ocorre a transmissão de ativos e o valor da operação é quantificado em moeda corrente; que, portanto, observese que a empresa AVALLE Commerce Avaliações Econômicas Ltda. avaliou as ações da REFLA pelo seu valor de mercado, apurando R$ 287.995.525,22. A operação de incorporação de ações implicou um aumento do capital social da BRATIL equivalente a R$ 287.995.525,00, mediante a emissão de 287.995.525 novas ações no valor nominal de R$1,00; que, em decorrência da incorporação das ações da REFLA pela BRATIL, o contribuinte deixou de possuir 45.000.999 ações da REFLA, no valor de R$ 45.000.999,00, e passou a possuir 287.995.524 novas ações da BRATIL, no montante de R$ 287.995.524,00. Por conseguinte, este representa o preço efetivo da operação, enquadrandose na regra estabelecida no art. 19 transcrito; que, na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em dinheiro. Assim, havendo diferença positiva Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 9 15 entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro; que, embora na incorporação de ações efetivada nos termos do art. 252 da Lei das S.A. a relação jurídica se estabeleça, inicialmente, entre duas pessoas jurídicas, a subscrição do aumento de capital da incorporadora é autorizada pela diretoria da empresa cujas ações serão incorporadas por conta de seus acionistas e esses recebem diretamente da incorporadora novas ações. Esta etapa do ato complexivo que é a incorporação de ações guarda semelhança com a integralização de capital em bens ou direitos, nela participando as pessoas físicas, acionistas da incorporada. Assim, podese entender que os acionistas entregam as ações a serem incorporadas sob a forma de conferência de bens ou direitos para subscrição de capital e recebem ações da sociedade que teve o seu capital aumentado; que, assim, na incorporação de ações, a lei não faculta aos acionistas da incorporada a transmissão das ações pelo valor constante da declaração de bens. Como já explicitado, o valor da transmissão corresponde à quantidade de ações recebidas multiplicada pelo seu valor unitário de emissão, em consonância com o aumento de capital da incorporadora. Portanto, em uma mesma operação de incorporação de ações, alguns acionistas podem ter perda e outros ganho de capital, dependendo do custo de aquisição das ações de cada um; que, conforme consta dos autos, a transferência das ações se deu por valor de mercado, superior ao custo de aquisição. Não há como acolher a argumentação de que não houve acréscimo no patrimônio do impugnante por ocasião da incorporação das ações da REFLA pela BRATIL. Se o contribuinte possuía ações da REFLA pelo custo declarado de R$ 45.000.999,00, obviamente que ao transferilas para a BRATIL mediante o recebimento de ações de emissão desta equivalente a R$ 287.995.524,00 houve elevação de seu patrimônio que se sujeita à apuração de ganho de capital. Observese que, para a empresa incorporadora, o custo de aquisição das ações incorporadas corresponde ao valor das ações emitidas em decorrência do aumento de capital para entrega aos acionistas da incorporada, o qual é considerado em caso de alienação futura; que a incorporação de ações resultou num acréscimo do patrimônio do contribuinte por ganho de capital no valor de R$ 242.994.525,00 (R$ 287.995.524,00 R$ 45.000.999,00), resultando em imposto sobre ganho de capital de R$ 36.449.178,75. Os argumentos trazidos aos autos não infirmam o lançamento, que deve ser mantido; que o art. 71, inciso I, definiu que sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. A Lei nº 4.729, de 14 de julho de 1965, em seu art. 1º, inciso I, explicitou melhor esse conceito ao dispor que constitui crime de sonegação fiscal prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito público interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei; que, não obstante seja discutível a existência de propósito negocial na reestruturação societária implementada, tal fato não foi determinante para a aplicação da multa qualificada no lançamento contra o contribuinte, pessoa física. Não estão em discussão os negócios jurídicos praticados pelas pessoas jurídicas. Para a qualificação da multa foi observada a conduta do interessado; Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 16 que o contribuinte não informou na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008, anocalendário 2007, as operações envolvendo as ações da PARTIMAG, REFLA e BRATIL ocorridas no ano de 2007, fls. 689 a 696. Somente na declaração do exercício 2009, fls. 697 a 707, o interessado discrimina ações da BRATIL, das quais 499 teriam sido integralizadas em espécie e as demais adquiridas no ano de 2008, em discordância com os fatos ocorridos e comprovados nos autos; que, no caso, a fiscalização entendeu que ao deixar de declarar bens e direitos adquiridos e alienados no ano de 2007 (operações envolvendo ações da PARTIMAG, REFLA e BRATIL), o contribuinte agiu com dolo, tentando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Não poderia ser outro o entendimento em face da comprovação de que não se tratou de simples equívoco na interpretação da legislação, mas de conduta dolosa, com descumprimento da legislação que prevê a obrigatoriedade de relacionar os bens e direitos adquiridos e alienados do anocalendário (art. 25 da Lei n° 9.250, de 1995, base legal do art. 798 do RIR/99), tanto que nem a situação defendida na impugnação, qual seja, manutenção do custo de aquisição das ações, constou de sua declaração de ajuste anual; que, no tocante à alegação de que não incidem juros de mora sobre a multa de ofício e que, por conseguinte, a incidência da taxa SELIC sobre a referida multa deva ser afastada, ressaltese que, consoante demonstrativo de multa e juros de mora integrante do auto de infração, fl. 7, o percentual determinante dos juros de mora até 31/10/2011 foi aplicado tão somente sobre o imposto apurado, não havendo o que se alterar no lançamento. Não obstante, cumpre tecer considerações acerca da matéria; que, destarte, o CTN admite a incidência de juros de mora sobre as multas lançadas de ofício. A expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” apenas reforça a idéia de que juros e multa não são excludentes entre si. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos. A alienação é gênero, do qual a transferência das ações, nos termos do art. 252 da Lei nº 6.404, de 1976, é espécie. INCORPORAÇÃO DE AÇÃO. Na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. É cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 10 17 enquadrase na hipótese tipificada no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. Os juros incidentes sobre a multa de ofício não são objeto do lançamento. De todo modo, temse que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista nos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996, e, nos termos da legislação em vigor, os juros serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 13/04/2012, conforme Termo constante à fl. 23, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (06/06/2012), o recurso voluntário de fls. 1009/1047, instruído pelos documentos de fls. 1050/1086, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que a autuação fiscal, por sua vez, decorre justamente de uma divergência de raciocínio jurídico, tendo em vista que, para a fiscalização, a “incorporação de ações” implicaria modalidade de alienação de bens e direitos sujeita à apuração de ganho de capital, ao passo que o Recorrente entende que, no contexto em que inserida e, mais ainda, na forma em que praticada, a operação não representou, para a pessoa física, nenhuma espécie de acréscimo patrimonial que a obrigasse ao recolhimento do tributo ora em exame; que, ainda que a transferência das ações ao Recorrente, no anocalendário de 2007, tenha sido acordada originalmente pelo preço de R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões de reais), fato é que o efetivo pagamento ocorreu apenas no ano calendário de 2008, de tal forma que o valor do preço efetivamente pago ajustado para R$ 61.683.041,25 (sessenta e um milhões seiscentos e oitenta e três mil e quarenta e um reais e vinte e cinco centavos); que, uma vez demonstrado que o Recorrente efetivamente pagou à DORLON a titulo de preço pelas ações da PARTIMAG o total de R$ 61.683.041,25 (sessenta e um milhões seiscentos e oitenta e três mil e quarenta e um reais e vinte e cinco centavos), esse foi o seu efetivo custo de aquisição efetivo, e não os R$ 45.000.000,00 (quarenta e cinco milhões de reais) considerados pela fiscalização; que, assim, caso houvesse ganho de capital tributável para o Recorrente, o que se admite por amor ao argumento, a base de cálculo do imposto de renda supostamente devido pelo Recorrente estaria eivada de vício material, posto ter considerado como custo de aquisição do Recorrente valor diverso daquele efetivamente pago, declarado e indicado nos contratos de cambio celebrados quando da compra da participação societária. Logo, tal equivoco deve ser reconhecido por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; que, são dos R$ 61.683.041,25, correspondentes ao preço efetivamente pago em 2008 e indicado nos Contratos de Cambio celebrados (acompanhados dos comprovantes de IRRF) que representam o custo de aquisição do ativo em questão (ações da PARTIMAG), Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 18 utilizado para aumentar o capital social da REFLA, sociedade na qual o Recorrente detinha participação; que o art. 142 do Código Tributário Nacional, a correta aferição da base de calculo do tributo lançado é um dos requisitos do ato administrativo de lançamento. O atendimento a esse requisito é que atribui ao lançamento tributário os seus requisitos de exigibilidade e certeza; que, assim, caso esse Ilmo. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entenda que de fato o ora Recorrente deveria ter apurado ganho de capital em razão da operação de incorporação das ações da empresa REFLA pela BRATIL, o que se admite apenas em homenagem ao principio da eventualidade, certo é que o lançamento de IRPF realizado em de desfavor do ora Recorrente deve ser anulado em razão do erro material havido na formação da base de cálculo da exação que lhe é exigida; que, de fato, o Recorrente realmente detinha ações da PARTIMAC. E isso jamais foi negado. Essas 4.965.440.097 (quatro bilhões, novecentos e sessenta e cinco milhões, quatrocentas e quarenta mil e noventa e sete) ações, conforme restou comprovado durante o processo de investigação, foram adquiridas da DORLON a título de compra; que, vale notar que, acerca da operação de aquisição de ações de emissão da PARTIMAG, a fiscalização não fez qualquer questionamento. Também, convenhamos, nem poderia fazêlo, tendo em vista que tanto a operação de compra, como a respectiva transferência das ações foram perfeitamente regulares, nos termos da lei, e sujeitas ao devido recolhimento do IRRF sobre o ganho apurado pelo vendedor nãoresidente; que o Recorrente utilizou as ações da PARTIMAG, regularmente adquiridas da DORLON, para aumento o capital de outra sociedade empresaria, a REFLA (à época, Refla Participações Ltda.). Na ocasião, os sócios anteriores da REFLA retiraramse da sociedade e transferiram suas quotas para o ora Recorrente e seu filho, NEWTON JR; que, no entanto, em 20/07/2007, os sócios da REFLA deliberaram e aprovaram a proposta de incorporação da totalidade das ações da companhia pela BRATIL; que, houve foi a incorporação das ações da REFLA pela BRATIL, e não a incorporação da empresa REFLA pela BRATIL. Com a incorporação apenas de sua ações, a REFLA continuou a existir, tornandose subsidiaria integral da BRATIL ao contrario do que ocorreria com a incorporação societária propriamente dita, que acarretaria sua imediata extinção; que, conforme mencionado o capital social da REFLA foi aumentado a partir da conferencia de ações que o Recorrente detinha da empresa PARTIMAG, pelo mesmo valor pelo qual foram originalmente adquiridas; que, posteriormente, por possuírem objetos semelhantes e a mesma administração, as ações da REFLA foram incorporadas pela BRATIL, transformandoa em sua subsidiária integral, fato que aperfeiçoaria não apenas o seu comando, mas poderia otimizar seus resultados; que, no entanto, como parte do patrimônio da REFLA era composta por ações representativas do capital social da PARTIMAG, o método para avaliação consistiu no cálculo do valor da participação da PARTIMAG na MAGNESITA. A partir da cotação do valor unitário das ações da MAGNESITA seguindo os critérios estipulados pela CVM, apurou Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 11 19 se o valor da participação da PARTIMAG em seu patrimônio e, pelos mesmos critérios, obtevese o valor de mercado das ações da REFLA; que, em contrapartida, a BRATIL teve seu capital aumentado e emitiu ações em favor do ora Recorrente, na qualidade de exacionista da sociedade cujas ações foram incorporadas, na forma prescrita pelos §§ 1° e 3° do artigo 252, da Lei n° 6.404/76. Tudo simples e claro, nos exatos limites legais, sem qualquer intuito fraudulento ou evasivo, até porque é a lei que exige a adoção dos procedimentos realizados; que, na pessoa física, mesmo após a incorporação das ações da REFLA pela BRATIL, bem como da emissão de novas ações da BRATIL a situação patrimonial, em termos de valores, mantevese inalterada; que a mera avaliação das ações da REFLA, por exigência da legislação societária, e sua incorporação a valor de mercado pela BRATIL, também por imposição legal, não teriam o condão de ensejar acréscimo patrimonial para a pessoa física. Não houve, portanto, qualquer espécie de ganho para a pessoa física; que, observase, assim, que a DRJ equiparou a incorporação de ações a uma espécie de alienação sujeita ao ganho de capital, sustentado que a referida operação correspondeu, na verdade, a uma conferência de ações à BRATIL a valor superior ao que constava da declaração de bens do Recorrente, e que essa operação, cuja contrapartida foi um suposto “pagamento”, deveria ser tratada como uma efetiva alienação com apuração de ganho de capital tributável; que, apesar de o aumento de capital ser, repitase, evento societário secundário, necessário à realização da incorporação de ações (exigência do próprio §§ 1° do artigo 254, da Lei n° 6.404/76), estes dois têm naturezas jurídicas distintas; que o custo de aquisição da participação societária originaria, portanto, não é alterado; ele permanece o mesmo, sendo apenas alterado o ativo detido, substituindose ações da REFLA por ações da BRATIL; que, foi justamente o que aconteceu com o Recorrente na operação de incorporação de ações da REFLA pela BRATIL: a troca de ações detidas em uma sociedade (REFLA) por ações emitidas em contrapartida pela sociedade incorporadora (BRATIL); que o aumento da capital da REFLA foi realizado mediante a conferencia das ações que o Recorrente detinha na PARTIMAG pelo valor de sua aquisição originalmente acordado no anocalendário de 2007, ou seja, pelo mesmo valor de custo do Recorrente; que, por exigência da legislação societária, e sem qualquer modificação no custo de aquisição de seu investimento, em troca de suas ações na REFLA, incorporadas pela BRATIL, o Recorrente recebeu ações da sociedade incorporadora; que, de fato, na troca de ações da REFLA por ações emitidas pela BRATIL, em decorrência da incorporação de ações, sem a transferência de quaisquer recursos, e ainda, sem que o custo de aquisição das ações fosse alterado para o Recorrente, é certo que não houve disponibilidade econômica (assim entendida como a percepção efetiva de rendimentos e ganhos), pois apenas ocorreu uma troca de bens; Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 20 que, nunca houve efetivo recebimento ou fluxo de recursos no momento da incorporação de ações e, para o Recorrente, não houve disponibilidade efetiva de recursos nem mesmo em momento posterior; que, não há que se falar na exigência do IRPF atribuído ao Recorrente; que, caso Vossa Senhorias entendam pela manutenção da multa de oficio imposta ao Recorrente, o que se admite apenas por amor ao argumento, não há como sustentar a aplicação da multa agravada de 150% que lhe foi imposta; que, ora a legislação tributaria determina que, para que a multa possa ser validamente majorada, são necessárias provas concretas de que houve evidente intuito de fraude, dolo ou simulação. No caso em apreço, no entanto, não há provas, tampouco indícios, de ações ou omissões cometidas mediante fraude, dolo ou simulação; que, todos os atos praticados foram regularmente materializados por meio de elaboração de documentos societários, laudos de avaliação, assembléias gerais de deliberação e respectivos registros na Juntas Comerciais; que o único lapso cometido pelo Recorrente foi não ter informado em sua declaração anual de ajuste referente ao ano calendário de 2007 a titularidade das ações da BRATIL. Entretanto, conforme já apontado, tal equivoco foi sanado já no exercício seguinte, quando o Recorrente incluiu tais informações na ficha de Bens de Direitos da sua declaração anual de ajuste, conforme afirma a decisão recorrida; que, por fim, ainda na absurda hipótese de ser mantido o Auto de Infração, o que novamente se admite apenas por amor à argumentação, é imprescindível que seja, em face do principio do contraditório e da ampla defesa, desde já afastado o posicionamento do Fisco referente à incidência de juros de mora, calculados à taxa SELIC, sobre a multa constituída; que, de fato, muito embora não haja no lançamento qualquer menção nesse sentido, é cediço que as autoridades fiscais, por ocasião da cobrança de créditos constituídos impugnados/recorridos, atualizam o montante destes aplicando a taxa SELIC não somente sobre o principal exigido, mas, também, sobre eventual multa imposta neste último caso, a partir da data do lançamento; que, tal fato, se averiguado em face do quanto disposto pelo artigo. 43, da Lei n° 9.430/96, que trata de autos e infração sem tributos, deixa sem sombra de duvidas que as multas de oficio, constituídas juntamente com a obrigação principal, não estão sujeitas à taxa SELIC. É o relatório. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 12 21 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos do processo se verifica que a ação fiscal em discussão teve início em razão da revisão da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício de 2008, correspondente ao anocalendário de 2007, onde a autoridade fiscal revisora entendeu haver omissão de ganho de capital obtido na alienação de participação societária (ações não negociadas em bolsa), no valor de R$ 242.994.525,00, no ano calendário de 2007 (fato gerador em 20/07/2007). Notadamente em razão da ocorrência de incorporações de ações entre empresas nas quais o recorrente detinha participação societária. Em razão disso foilhe exigido o pagamento do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital, além da multa qualificada de 150%. Segundo a autoridade fiscal lançadora, o ganho de capital teria ocorrido de um conjunto de operações societárias praticadas, no anocalendário de 2007, por empresas nas quais o recorrente detinha participação societária, em especial por ocasião da incorporação de ações. Para tanto, a autoridade fiscal lançadora equiparou a incorporação de ações a uma das modalidades de alienação de bens ou direitos sujeitas à apuração de ganho de capital. A decisão recorrida manteve o lançamento sob o argumento básico de que na incorporação de ações, há alienação pelos acionistas da incorporada de seus ativos, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em moeda corrente. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, esta deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta razões de mérito sobre a irregularidade apontada pela autoridade fiscal lançadora, sob o argumento que a avaliação das ações da REFLA não representou nada além da aplicação do valor de mercado das referidas ações. Justifica, que as ações da REFLA eram primordialmente representativas da participação por esta detida na MAGNESITA. Razão pela qual o valor de mercado teria sido volátil por sua própria natureza, não significando, que o valor do custo de aquisição dessas ações tenha aumentado por ocasião de sua mera avaliação, nem mesmo por conta da incorporação daquelas ações pela BRATIL. Da mesma forma, a título de argumentação, não concorda com a aplicação da multa qualificada de 150%, já que entende que em momento algum “arquitetou” um planejamento fiscal ilícito visando ocultar ganho de capital na alienação de ações. Alega, que ocorreu, na verdade, foi uma efetiva reestruturação societária, com evidentes propósitos negociais jamais rebatidos pelas autoridades fiscais, Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 22 resultante do interesse de simplificar a estrutura societária de empresas nas quais detinha participação. Em situações como dos autos é de suma importância se analisar, inicialmente, a possibilidade da qualificação da multa de lançamento de ofício, já que esta análise tem por objetivo verificar a essência do lançamento, ou seja, a de verificar se a qualificação da multa de ofício esta atrelada as operações realizadas das quais decorrem o lançamento propriamente dito de ganhos de capital ou se a qualificação se deu por outro motivo qualquer. Neste processo, em especial, se faz necessário ressaltar, que independentemente do teor da peça impugnatória e da peça recursal incumbe a este colegiado, verificar o controle interno da legalidade do lançamento, bem como, observar a jurisprudência dominante na Câmara, para que as decisões tomadas sejam as mais justas possíveis, dando o direito de igualdade para todos os contribuintes. Não tenho dúvidas, que quando se trata de questões preliminares, tais como: nulidade do lançamento, decadência, erro na identificação do sujeito passivo, intempestividade da petição, erro na base de cálculo, aplicação de multa, etc., são passíveis de serem levantadas e apreciadas pela autoridade julgadora independentemente de argumentação das partes litigantes. Faz se necessário esclarecer, que o julgador independe de provocação da parte para examinar a regularidade processual e questões de ordem pública aí compreendido o princípio da estrita legalidade que deve nortear a constituição do crédito tributário. Assim sendo, neste processo, se faz necessário à evocação da justiça fiscal, no que se refere à multa qualificada aplicada, decorrente do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada deste Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Não tenho dúvidas, que o raciocínio utilizado pela autoridade fiscal lançadora pode ser contestada, desde que seja feita de forma clara, demonstrando o equívoco cometido pela fiscalização. Ou seja, qualquer fato e/ou qualquer presunção utilizada pela fiscalização pode ser contestada, quando um juízo razoável de determinado fato não leva à existência do fato que se pretende provar. Da análise das peças processuais, não há dúvidas que o caso em discussão aborda a questão de evasão fiscal e simulação. Diante desse fato, se faz necessário em primeiro lugar uma abordagem nos tópicos ligados ao assunto (evasão fiscal e simulação), já que se trata de um assunto polêmico e, por vezes, controvertido. A palavra evasão, na sua origem, quer dizer fuga de um lugar fechado, podendo se entender como fuga às modalidades de restrição de liberdade que o ordenamento adote. Assim, evasão fiscal é um fenômeno de massa que atinge todos os campos, tanto sociológico, psicológico, financeiro, administrativo como penal; está em toda parte, cabendo ao Estado utilizar todos os meios possíveis para combatêla. Definise, desse modo, evasão fiscal lato sensu como toda e qualquer ação ou omissão tendente a elidir, reduzir ou retardar o cumprimento de obrigação tributária. Contudo, atualmente, o termo evasão, de acordo com Antônio Roberto Sampaio Dória sugere de imediato a fuga ardilosa, dissimulada, sinuosa, furtiva, ilícita em suma, a um dever ou obrigação. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 13 23 Já em sentido estrito, evasão é a ação consciente do contribuinte que tem como objetivo, através de meios ilícitos, eliminar, reduzir ou retardar o pagamento de tributo efetivamente devido. A evasão, ainda, pode ser denominada de duas formas, evasão legal ou lícita, que seria sinônimo da elisão fiscal ou economia tributária, e evasão ilegal ou ilícita, que corresponderia a fraude em sentido amplo. Desse modo, definese evasão ilícita aquela proveniente de uma ação consciente e voluntária do agente que, por meios ilícitos, fraudulentos ou simulatórios, procura eliminar ou reduzir o pagamento do tributo. Já a evasão lícita é conceituada como conduta preventiva do contribuinte, utilizandose de meios lícitos, ao menos em sua aparência formal, para afastar ou retardar a ocorrência do fato gerador do tributo. Assim, na prática da evasão ilícita o contribuinte age dolosamente, com o intuito de fugir ao imposto devido; enquanto, na evasão lícita ele busca um determinado resultado econômico, contudo, para obter uma redução do valor da obrigação fiscal ou mesmo para eliminála, utiliza instrumentos legais, ou não proibidos, para chegar a um resultado idêntico, dentro de diversas possibilidades jurídicas. Entretanto, tais denominações não são precisas, gerando uma grande confusão taxonômica. Antônio Roberto Sampaio Dória, diz existir contradição, em relação ao sentido e a terminologia, quando se adicionam qualitativos contraditórios, legal e ilegal, simultaneamente à mesma unidade conceitual, a evasão. Uma categoria jurídica pode ser e não ser legal. Um ato lícito não se nivela a uma infração, causando a confusão taxonômica que insinua tal nivelamento, ou seja, uma fraude não pode ser fraudulenta e não fraudulenta ao mesmo tempo. Acrescentar ao termo evasão os adjetivos ilegal e legal seria num caso, pleonástico, e, no outro, incompatível. Numa acepção estrita, Heleno Tôrres entende ser evasão fiscal um fenômeno decorrente da conduta voluntária e dolosa, omissiva ou comissiva, dos sujeitos passivos de eximiremse ao cumprimento, total ou parcial, das obrigações tributárias de cunho patrimonial. O autor prefere entender a evasão fiscal como modo de evitar a entrega da prestação do tributo, não concordando com acepções que limitam a configuração da evasão fiscal à fraude e ao contrabando, ou que a ampliam acolhendo em seu conceitos até mesmo os descumprimentos por ignorância da lei e os atos involuntários. Um exemplo que pode ser citado de conduta evasiva é a realização de operações com preços subfaturados, abaixo do preço comum de mercado, e superfaturados, acima do preço de mercado, que resultam em evasão de divisas, e conseqüentemente em redução ilícita de tributos. O Primeiro Conselho de Contribuintes possui julgado a respeito desse tipo de evasão: “IRPJ. TRANSFERÊNCIA DE RECEITAS. EVASÃO FISCAL. Há evasão ilegal de tributos quando se criam oito sociedades de uma só vez, com os mesmos sócios que, sob a aparência de servirem à revenda dos produtos da recorrente, têm, na realidade, o objetivo admitido de evadir tributo, ao abrigo de regime de tributação mitigada (lucro presumido). Primeiro Conselho de Contribuintes. Terceira Câmara. Acórdão n.° 103 07.260. Recurso n.° 89.806. Recorrente: Grendene S.A. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 24 Recorrida: DRF em Caxias do Sul (RS). Relator: Urgel Pereira Lopes. Brasília, 25 de fevereiro de 1986. Não tenho dúvidas, que uma vez comprovada a ocorrência de dolo, conluio ou simulação, o legislador tributário entende presente o intuito de fraude, ou seja, presente um artifício malicioso que a pessoa emprega com a intenção de enganar outra pessoa ou lesar os cofres públicos, na obtenção de benefícios ou vantagens que não lhe são devidos. O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artifício tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artifício empregado e o benefício por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo. Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou de se evitar seu pagamento para que se caracterize a sonegação, a fraude fiscal. No caso de realização da hipótese de sonegação, o legislador tributário entende presente o intuito de fraude. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente. O ordenamento jurídico positivo dotou o direito tributário das regras necessárias à avaliação dos fatos envolvidos, peculiaridades, circunstâncias essenciais, autoria e graduação das penas, imprescindindo o julgador e aplicador da lei, do concurso e/ou dependência do que ficar ou tiver que ser decidido em outra esfera. Conjuntamente à distinção pelos meios, há de se considerar outra característica diferenciadora entre as condutas: a cronologia do ato. Constatase uma diferença temporal entre a elisão e a evasão. Sendo assim, fazse necessário uma avaliação cronológica do ato ou negócio jurídico; há de se averiguar quando foi praticado no intuito de evitar, reduzir ou retardar o pagamento do imposto, ou seja, devese verificar se foram realizados antes ou depois da ocorrência do respectivo fato imponível. Se o ato ou negócio jurídico foi praticado antes, podese estar diante de uma elisão fiscal, porém se praticado posteriormente estará constatada uma evasão fiscal. A diferenciação baseada na cronologia busca consagrar a licitude da elisão com base na falta de corporificação do fato gerador da obrigação tributária, já que esta, de acordo com o art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional (CTN), surge, somente, com a ocorrência daquele. Portanto, concluise que a elisão consiste em não entrar na relação fiscal e evasão é da relação sair após já ter estado. O contribuinte, então, para fugir ao alcance da norma e do tributo decorrente, pode escolher entre dois caminhos: ou desviase do campo da tributação, ou, já sujeito a sua incidência, utilizase de meios ilícitos para impedir, reduzir ou retardar o recolhimento do imposto devido, pela descaracterização do fato gerador ou pela redução da base de cálculo. No entanto, os limites da legalidade, desses instrumentos utilizados nos planejamentos tributários, são fundamentadamente contestados sob o argumento que o ato Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 14 25 imponível que deixa de ocorrer por manobras do contribuinte, deve ser tributado, pois a inteligência e a criatividade do planejamento tributário não podem ser ilimitadas, devem sofrer restrições. Etimologicamente, a palavra simulação significa fingir, negar a verdade, designar algo como um conceito contrário à representação mental de um determinado objeto, uma dissociação entre o real e o aparente. A simulação é considerada um instituto de Direito Civil e compreende, dessa forma, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. Para Clóvis Beviláqua, numa visão tradicional, ocorre simulação quando o ato existe apenas aparentemente, sob a forma em que o agente faz entrar nas relações da vida; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Definise, portanto, negócio simulado como aquele que não traduz a realidade, porque não existe realmente e é diverso daquele que aparenta ser, verificandose, sempre, a intenção de que o ato produza efeito diverso do indicado na sua feitura. Heleno Tôrres discorre a cerca da simulação considerando três visões doutrinárias baseadas na doutrina italiana: a declarativista, que conceitua a simulação como uma divergência entre a vontade do conteúdo e a vontade da declaração, tomando a declaração como elemento de identificação formal do negócio e o elemento subjetivo constituído pela vontade do conteúdo; a causalista, na qual a simulação é a divergência entre a intenção prática e a causa típica do negócio jurídico, estando, nesta acepção, o elemento de identificação formal do negócio fundado na causa do respectivo negócio e o elemento subjetivo determinado pela intenção prática; e a voluntarista, para qual a simulação decorre de uma vontade declarada pelas partes, deliberadamente desconforme com a intenção dos sujeitos. Destarte, o autor conclui que a grande dificuldade se concentra mais na definição de negócio jurídico, ou seja, uma tomada de posição prévia sobre o tipo de orientação a respeito da teoria dos negócios jurídicos em geral, do que propriamente na demarcação correta do conceito de simulação. A simulação lato sensu, pode ser dividida em simulação absoluta e relativa, residindo a diferença entre elas no querer, ou não, a realização do ato que aparece, ou de outro ato qualquer. Na simulação absoluta o ato é inexistente, não entra no mundo jurídico, pois nenhum ato jurídico se teve a intenção de praticar, nem o aparente, nem qualquer outro. Já na simulação relativa existe um ato que aparece, porém não condiz com a real intenção do agente quanto ao seu conteúdo, no todo ou em parte, que se realiza com o intuito de dissimular outro ato cujas conseqüências jurídicas são as efetivamente desejadas. Desse modo, podese observar que existem dois tipos de ato na simulação relativa, o ato simulado, aquele que aparece; e o ato dissimulado aquele que realmente se pretende, mas que não está aparente. Assim, quando lícita a conduta e oponível ao Fisco estáse diante do que se denomina elisão ou elisão fiscal. Quando ilícita a conduta fica caracterizada a evasão fiscal, resultante de fenômenos de diferentes tonalidades (erro de interpretação ou qualificação, Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 26 simulação, fraude à lei, sonegação, fraude penal, etc.), embora aquele que costuma gerar maiores divergências na experiência prática seja o da simulação. A distinção entre a elisão protegida pelo ordenamento e a evasão por ele repelida é tema extremante tormentoso, que tem ocupado lugar de destaque nos debates doutrinários e no julgamento de inúmeros casos por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Muitas vezes a partir das mesmas premissas teóricas e de circunstâncias fáticas muito assemelhadas temse alcançado resultados completamente díspares — ou se considera legítima a atuação do contribuinte por caracterizar elisão fiscal, mantendose o tratamento fiscal menos oneroso, ou se considera sua conduta como ilícita, desconsiderandose seus efeitos e lançandose a diferença de imposto com a multa qualificada por evidente intuito de fraude, para alguns de inexorável aplicação sempre que caracterizada a simulação, gerando insegurança na atuação dos contribuintes e da administração fiscal. Tal discrepância se explica, em parte, pelo fato de que a qualificação dos atos como simulados (e portanto ilícitos) se faz a partir das circunstâncias de cada caso em concreto, não sendo possível, nessa matéria, considerações apriorísticas sobre outro tipo de negócio jurídico ou estrutura sem que sejam levadas em conta, na situação concreta, a efetiva realização do ato, suas causas e motivações. O que é preocupante, entretanto, é que por conta de um debate por demais centrado em dicotomias de base constitucional (por exemplo se nosso ordenamento admite uma norma "antielisão" ou se tal norma seria ofensiva ao princípio da estrita legalidade), não tem havido progresso significativo no sentido da sistematização dos requisitos substanciais (e não meramente formais) necessários à caracterização da elisão e da evasão (notadamente da simulação) no caso concreto. Nesse sentido, é mister que este Conselho, como órgão de julgamento dotado de quadros técnicos e de alguma forma orientador da conduta da administração e dos contribuintes, se esforce no sentido de procurar estabelecer parâmetros para a apreciação das questões relativas à elisão fiscal de modo a reduzir a níveis toleráveis o grau de subjetivismo que por certo sempre existirá no enfrentamento do tema. A experiência estrangeira no trato da elisão fiscal revela que o estabelecimento de referidos parâmetros, ao mesmo tempo em que não "engessa" a qualificação dos fatos na medida em que não define a priori se determinado tipo de negócio é legítimo ou não para fins fiscais, confere certa racionalização no exame dos casos futuros pelo órgão julgador, mesmo que seja para rever ou aprofundar determinado parâmetro anteriormente fixado pelo mesmo órgão. Foi assim que, por exemplo, a experiência das cortes inglesas cunhou a doutrina do "step transaction", ou literalmente transações estruturadas em seqüência. Tal doutrina, construída inicialmente no final da década de setenta, já foi revista pelas cortes da Inglaterra em outras ocasiões, quando se tratou de flexibilizar ou enrijecer os parâmetros anteriormente fixados conforme o viés axiológico prevalente em determinado momento histórico, sem que sua estrutura conceitual básica fosse alterada. Feitas essas considerações, entendo que a atividade exercida pelo contribuinte no sentido de buscar o menor ônus tributário possível em sua vida e seus negócios é legítima e conduz à elisão fiscal quando preenchidos os seguintes requisitos: a) Anterioridade ao fato gerador. Os atos sejam praticados antes da materialização da hipótese de incidência prevista hipoteticamente em lei; Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 15 27 b) Licitude dos atos praticados. Os atos praticados sejam lícitos e possíveis e não vedados pelo ordenamento; e, c) Não caracterização de simulação. Os atos praticados sejam reais e não sejam simulados. Como assevera com o tradicional brilhantismo Ricardo Mariz de Oliveira (in "Reflexos do Novo Código Civil no Direito Tributário", Quartier Latin, p. 200), o terceiro requisito (não caracterização de simulação) é propositalmente redundante, já que está contido no segundo (licitude dos atos). De fato, a caracterização de simulação implica a ilicitude dos atos praticados, o que resulta no não preenchimento do segundo requisito. A ênfase à simulação, segregandoa em requisito apartado, decorre da circunstância de que experiência indica que na grande maioria dos casos é a sua verificação que conduz à evasão fiscal e à descaracterização dos efeitos fiscais mais vantajosos visados pelo contribuinte. Voltando à simulação, que é um dos objetos de discussão nos presentes autos, é em sua caracterização que surgem as maiores divergências, embora muitas vezes elas não restem bem explicadas conceitualmente. Nunca foi tradição de nosso ordenamento a instituição de uma regulação tributária de simulação, permanecendo esta no âmbito do direito privado, embora com possibilidade de utilização na esfera fiscal. O art. 102 do Código Civil de 1916 (reproduzido sem alterações no art. 167, parágrafo 1° do Código Civil de 2002), vigente à época dos fatos examinados nos presentes autos, assim estabelecia: Art. 102. Haverá simulação nos atos jurídicos em geral: I — quando aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas das a quem se confere, ou transmitem; II — quando contiverem declaração, confissão, condição, ou cláusula não verdadeira; III — quando os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. Todas as hipóteses no dispositivo conduzem a uma divergência entre a vontade real, efetiva, e a vontade declarada por quem pratica o ato. Nesse sentido, as hipóteses dos incisos I (declaração não verdadeira quanto à pessoa a quem se transmite o direito) e III (declaração não verdadeira quanto ao tempo da prática do ato) não deixam de estar contidas naquela mais genérica contida no inciso II, que sintetiza a formulação da simulação como o vicio que inquina os atos que não sejam reais por conter declaração ou confissão, condição, ou cláusula não verdadeira. Tal declaração falsa pode ter por objetivo fingir uma realidade inexistente (simulação absoluta) ou fingir que não existe uma realidade efetivamente existente (simulação relativa ou dissimulação). Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 28 E é precisamente neste ponto que residem as grandes divergências práticas de qualificação dos atos na esfera fiscal, muitas vezes envoltas em falsas dicotomias como aquela que trata da prevalência da forma sobre a substância ou viceversa. Em matéria fiscal parece haver três aspectos envolvidos na adequada caracterização dos atos simulados pela fiscalização e desconstituição de seus efeitos. O aspecto relativo à substância dos atos praticados é o que envolve maior carga de subjetivismo, já que tem relação direta com a aferição da existência de uma declaração não verdadeira ou de uma divergência entre a vontade real e a declarada. Como não há forma de adentrar à psique de quem praticou os atos para aferir com exatidão a existência de tal divergência, mister se faz examinar a exteriorização dos atos para verificar se houve coerência entre as formas de direito privado adotadas e aquilo que efetivamente se praticou e se as partes assumiram todas as conseqüências e ônus, de toda sorte (jurídico, fiscais, operacionais, negociais, etc.) da forma jurídica adotada. Não se cuida, com isso, de tributar o ato segundo o resultado econômico por ele perpetrado, no moldes da teoria da interpretação econômica incompatível com o princípio da legalidade, eis que o contribuinte tem o direito de, dentre duas ou mais alternativas juridicamente viáveis para atingir determinado objetivo econômico ou de outra natureza, adotar aquela que seja menos onerosa do ponto de vista fiscal. Entretanto, ao escolher uma alternativa, ainda que motivado pelo objetivo de redução da carga tributária, deve o contribuinte assumir todas as conseqüências e ônus dela decorrentes e deve haver coerência jurídica, no âmbito do direito privado, entre a forma adotada e sua implementação prática, mesmo que referida forma não esteja sendo adotada para o seu fim típico ou tradicional, caracterizando o negócio jurídico indireto, plenamente viável em nosso ordenamento. Marco Aurélio Greco aponta com bastante propriedade as preocupações que surgem quando o contribuinte tenta neutralizar os efeitos indesejáveis da forma fiscalmente menos onerosa por ele escolhida ("Planejamento Tributário". Dialética, 2004. p. 358): Outro conjunto de hipóteses que merece atenção é aquele da inclusão – em negócios jurídicos típicos — de cláusulas neutralizadoras de seus efeitos indesejáveis. Vale dizer, as partes, por via indireta, não assume plenamente as conseqüências que decorrem de seus negócios típicos; formatam o negócio para atender exclusiva ou preponderantemente ao seu interesse de sofrer menos tributação. Ora, apenas as operações do contribuinte que mascarem determinada transação econômica e jurídica, ocultando, por formas artificiosas, a realidade, configuram operações simuladas. Para que haja simulação é necessário, portanto: (i) conluio entre as partes; (ii) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado; e (iii) intenção de lograr o Fisco. Tais características, porém, não se apresentam na situação em discussão. A celebração de negócio jurídico válido, cuja escolha decorre da autonomia da vontade e livre iniciativa do particular, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária, acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas ou assegurando benefícios fiscais, é perfeitamente licita e não susceptível de Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 16 29 desconsideração pela autoridade administrativa. Isso porque a realidade jurídica é constituída pelo próprio direito: este prevê a forma e a linguagem a ser adotada para que se tenha determinado fato ou não. Dessa maneira, havendo preferência por certa forma, é inaceitável que esta seja ignorada pela simples razão de seu resultado econômico vir a ser semelhante ao de outra forma, diferenciadamente tributada. Dito isso, é de se analisar a qualificação da multa de ofício. Observase que os autos noticiam a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada de 150%, sob os seguintes argumentos (fls. 10/66): A – O contribuinte não informou na Declaração de Ajuste Anual do exercício 2008, anocalendário 2007, as operações envolvendo as ações da PARTIMAG, REFLA e BRATIL ocorridas no ano de 2007, fls. 689 a 696. Somente na declaração do exercício 2009, fls. 697 a 707, o interessado discrimina ações da BRATIL, das quais 499 teriam sido integralizadas em espécie e as demais adquiridas no ano de 2008, em discordância com os fatos ocorridos e comprovados nos autos; B – Pela falta de preenchimento do Demonstrativo de Ganhos de Capital, o qual deveria ter sido parte integrante da DIRPF do exercício de 2008, anocalendário de 2007. Afinal, como foi visto, o contribuinte alienou, em julho de 2007, 45.000.999 ações da REFLA, com valor nominal de R$ 1,00 cada, perfazendo um montante de R$ 45.000.999,00, para a BRATIL, pelo preço de R$ 287.995.524,00, que, como forma de pagamento, entregoulhe 287.995.524 ações de sua emissão, com o valor nominal de R$ 1,00 cada. Em síntese, a incorporação de ações resultou num ganho de capital tributável no valor de R$ 242.994.525,00; C – pela não inclusão, na DIRPF 08/07, no quadro “RENDIMENTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA/DEFINITIVA”, no campo “Ganho de Capital na alienação de bens e/ou direitos”, do ganho de capital obtido na alienação da participação societária em comento, no valor de R$ 242.994.525,00; Como visto, resta claro nos autos de que a autoridade fiscal lançadora entendeu que ao deixar de declarar bens e direitos adquiridos e alienados no ano de 2007 (operações envolvendo ações da PARTIMAG, REFLA e BRATIL), o contribuinte agiu com dolo, tentando impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Desta maneira resta claro, que a qualificação da multa de ofício não tem origem em operações simuladas, planejamento tributário, evasão fiscal e etc. e sim pela falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, das ações que deram origem ao lançamento tributário. Não há dúvidas, que a falta de inclusão destas ações, na Declaração de Ajuste Anual, levou a fiscalização a aplicar a multa qualificada de 150%, ao fundamento de que, com essa atitude, o contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou de suas circunstâncias materiais, situação fática que, a princípio, se subsume perfeitamente ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, resta nítido pela análise dos autos de que a autoridade fiscal lançadora resolveu qualificar a multa de ofício diante do fato de entender que ficou caracterizada a conduta dolosa do contribuinte de se eximir do imposto devido, quer pela ocultação da Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 30 Declaração de Ajuste Anual das operações realizadas, quer pelas vultosas quantias envolvidas e não declaradas de forma tempestiva. Desta conduta concluise, que a autoridade fiscal lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de ofício qualificada nas hipóteses de constatação de falta de inclusão de um bem ou direito na Declaração de Ajuste Anual. Ou seja, a fiscalização amparou o lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de incluir esse bem na sua Declaração de Ajuste Anual, formando a convicção de que a multa de ofício qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito específico de impedir o nascimento da obrigação tributária. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão de algum bem e/ou direito na Declaração de Ajuste Anual, independentemente do montante em questão, caracteriza, quando for o caso, falta simples de omissão de rendimentos e/ou omissão de ganhos de capital, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal lançadora entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que o contribuinte teria se utilizado de meios escusos para não declarar, naquele exercício, as operações de ações realizadas. Ou seja, entendeu a autoridade fiscal lançadora que o contribuinte deixou, de forma deliberada, de prestar informações ao fisco, em sua Declaração de Ajuste Anual, com intuito claro de reduzir o seu imposto de renda. Ora, o máximo que poderia ter acontecido, nesta situação, é o fato da autoridade fiscal lançadora desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova) e constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de ganho de capital auferido, o que a meu ver caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização. Verificase, que os elementos de prova que serviram para subsidiar o procedimento fiscal em curso, foram obtidos pela autoridade fiscal através das informações fornecidas pelo próprio contribuinte e, que por sua vez, não logrou, a princípio, naquele momento, êxito em fornecer contra provas demonstrando a efetividade da ocorrência alegada de que as operações realizadas não caracterizam fato gerador de imposto de renda. Ou seja, o suplicante não conseguiu provar, naquele momento, que as operações realizadas não caracterizam fato gerador do imposto de renda, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, teve que desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálas operações isentas do imposto de renda e tributálas através do lançamento realizado. Ora, a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como da Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 17 31 Sem dúvida, que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas materiais sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Com a devida vênia, dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na DIPJ ou Declaração de Ajuste Anual, a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato, a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de bens ou direitos, não evidencia, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430, de 1996. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de ofício qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja o evidente intuito de fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pelo contribuinte, dedução indevida de despesas ou declaração inexata (falta de inclusão de algum bem ou direito na Declaração de Ajuste Anual), jamais serão motivos para qualificar a multa de ofício. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de bens ou direitos, detectável pela fiscalização através da confrontação e análise das declarações de imposto de renda, às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual de algum item necessário, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração ou pessoa física não registrar rendimentos recebidos, pode ser Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 32 considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, o ato de não registrar as vendas realizadas ou os rendimentos recebidos não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar, é evidente que no caso em discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre a suposta operação de ganho de capital, já que o contribuinte, em tese, estaria pagando imposto a menor, ou seja, supostamente realizou operações de ganho de capital e não trouxe provas, na fase fiscalizatória, que fossem suficientes para ilidir a acusação ou as provas apresentadas não convenceram a autoridade lançadora. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos ou ganhos de capital. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas por falta de comprovação ou a falta de declaração de alguma receita ou rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão nº 9202002.421 – 2ª Turma, de 07 de novembro de 2012: APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. E MONTANTE OMITIDO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos, independentemente do montante omitido, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. Acórdão nº 920202.078 – 2ª Turma, 22 de março de 2012: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. E MONTANTE OMITIDO. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente de ter reiterado a conduta em dois anos consecutivos no caso 2000 e 2001 e do montante movimentado, por si só, não Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 18 33 caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. Acórdão nº 920201.874 – 2ª Turma, de 29 de novembro de 2011: IRPF PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pelo acórdão recorrido. Apenas a presumida omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ainda que por três exercícios, sem nenhum outro elemento adicional, não caracteriza o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN . Acórdão nº 10247.066, de 12 de setembro de 2005: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo especifico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. Acórdão nº 10423.042, de 05 de março de 2008: MULTA DE OFICIO QUALIFICADA A multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, é aplicável nos casos em que fique caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A simples realização de contrato entre a empresa, da qual o contribuinte era sócio, e terceiro para a prestação de serviços de natureza pessoal, pelo sócio, ainda que com o propósito de se beneficiar de tributação mais favorecida, não caracteriza o evidente intuito de fraude. Acórdão nº 10423.725, de 05 de fevereiro de 2009: MULTA QUALIFICADA Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n°9.430, Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 34 de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. Acórdão nº 10616.920, de 29 de maio de 2008: MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO – MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude. Acórdão nº 10617.192, de 16 de dezembro de 2008: IRPF MULTA DE OFICIO QUALIFICADA Para a imposição da multa qualificada, no percentual de 150%, necessária a comprovação do evidente intuito de fraude por parte do contribuinte (Súmula 1° CC n° 14). Compete ao fisco apresentar os fundamentos concretos que revelem a presença da conduta dolosa. Sem essa fundamentação é de se aplicar a multa de oficio ordinária de 75%. Acórdão nº 10194.189, de 13 de maio de 2003: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA QUALIFICADA. A apresentação da declaração inexata, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º 10418.640, de 19 de março de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 19 35 inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º 10419.055, de 05 de novembro de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.º 10245584, de 09 de julho de 2002: MULTA AGRAVADA – INFRAÇÃO QUALIFICADA – APLICABILIDADE – A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizouse de documentação inidônea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n° 4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996 Acórdão n.º 10612.858, de 23 de agosto de 2002: MULTA DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA – A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de ofício, implica em considerálas inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. É um princípio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacífico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 36 fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõese invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recordese o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 1999, nestes termos: Art. 957 – Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de ofício (Lei n.º 8.218/91, art. 4º) (...) II – de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” A Lei n.º 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 20 37 apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d). Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 38 num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios se esconde à ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o “intuito de fraude”. Como se vê, exigese, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos / receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. Inaplicável também quando se tratar de dedução indevida de despesas ou falta de inclusão, na Declaração de Ajuste anual – Declaração de Bens e Direitos, de algum bem e/ou direito. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o “intuito de fraude”. E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendolhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão n.º 10419.386, de 11 de junho de 2003: MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS – COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA – Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.º 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.º 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 21 39 origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.º 10419.534, de 10 de setembro de 2003: DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA – SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos ” notas fiscais frias “, para comprovar custos e/ou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. III, do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.º 85.450, de 1980. Acórdão n.º 10193.919, de 22 de agosto de 2002: MULTA AGRAVADA – CUSTOS FICTÍCIOS – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizouse de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º 10418.698, de 17 de abril de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA Justificase a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada. Acórdão CSRF/0104.917, 13 de abril de 2004: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO No caso de lançamento de ofício será aplicada multa calculada sobre o crédito tributário apurado, no percentual de 150%, quando caracterizado o evidente intuito de fraude por parte do autuado, Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 40 em face dos levantamentos realizados pela autoridade autuante e fatos revelados nos autos do processo. Acórdão n.º 10312.178, de 17 de março de 1993: CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA – Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa física não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º 10192.613, de 16 de fevereiro de 2000: DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INEXISTENTES OU BAIXADAS – Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito de fraude. Acórdão n.º 10414.960, de 17 de junho de 1998: DOCUMENTOS FISCAIS A TÍTULO GRACIOSO – Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens e/ou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 150%, prevista no artigo 728, III, do RIR/80. Acórdão n.º 10307.115, de 1985: NOTAS CALÇADAS – FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA – A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo. Acórdão n.º 10417.256, de 12 de julho de 2000: MULTA AGRAVADA – CONTA FRIA – O uso da chamada ”conta fria”, com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 22 41 Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe, por parte do contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que o suplicante deixou de incluir na Declaração de Ajuste Anual a movimentação de ações, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de ofício qualificada, devendo a mesma ser reduzida para aplicação de multa de ofício normal de 75%. Ou seja, o colegiado, ao analisar o mérito, deve partir do princípio que a multa a ser aplicada é a multa de ofício normal de 75%. Quanto ao mérito, propriamente dito, o recorrente alega, em síntese, que: a) a operação lícita e devidamente registrada de substituição no patrimônio do sócio/acionista, representada pela permuta das ações na incorporação de ações ocorre sem sua participação; b) o custo de aquisição da participação societária originária não é alterado em razão da incorporação de ações; ele permanece o mesmo, devendo apenas ser ajustado na declaração de ajuste anual a mudança do ativo detido; c) para fins de imposto de renda, a pessoa física está sujeita ao regime de caixa; na incorporação de ações, como o recorrente não recebe numerário em contrapartida, não há que se falar em incidência do imposto; d) o recorrente nunca recebeu recursos em decorrência da operação de incorporação de ações, a qual não pode ser equiparada a uma forma de alienação a qualquer título, razão pela qual as disposições contidas nos artigos 3º, § 3ª, da Lei nº 7.713, de 1988, não são aplicáveis à espécie; e) não há acréscimo patrimonial efetivo e definitivo decorrente da incorporação de ações, tampouco aumento do custo de aquisição declarado pela pessoa física (forma ou substância); f) não há “realização” do ganho, que é apenas” potencial”; g) por todos esses argumentos, inexiste fundamento legal que autorize a exigência de IRPF do ora recorrente por (suposto) ganho de capital decorrente da incorporação de ações. A autoridade lançadora considerou válida toda a operação ocorrida, inclusive a amortização do ágio, mas entendeu que a diferença encontrada entre o custo das ações e o valor pelo qual elas foram incorporadas ao capital social da BRATIL representa ganho de capital tributável na pessoa física de Newton Cardoso, fato gerador este que teria acontecido em 20/07/2007. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 42 Estão citados como enquadramentos legais da infração, dentre tantos outros, o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713, de 1988 e o artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249, de 1995, segundo os quais: Art. 3°. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. [...] § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a titulo de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1°. Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20. II, do DecretoLei n°2.065. de 26 de outubro de 1983. § 2°. Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Segundo a fiscalização e de acordo com o entendimento das autoridades julgadoras de primeira instância, a transferência das ações da REFLA para a BRATIL, pelo valor de mercado de R$ 287.995.524,00, está sujeita à apuração do ganho de capital, com fundamento nos dispositivos acima transcritos, acrescidos de outros. A defesa, por outro lado, sustentou que não houve transferência das participações a terceiros, tendo ocorrido apenas uma troca de posições, ou seja, o contribuinte que era acionista da REFLA passou a ser da BRATIL, por idêntico valor, pois não houve circulação de numerário, sendo que os ganhos de capital das pessoas físicas somente são tributáveis pelo regime de caixa. A incorporação de ações, da forma como ocorreu no caso em apreço, está sujeita à apuração de ganho de capital para fins de incidência do imposto sobre a renda? Eis a questão que precisa ser respondida neste julgamento. Dizse que ocorre a Incorporação de Ações quando uma pessoa jurídica (ou mesmo pessoas físicas) subscreve capital social de outra pessoa jurídica (existente ou em processo de criação) com o compromisso, firmemente declarado, de integralizar o valor subscrito mediante conferência de participações societárias (não necessariamente ações) emitidas por terceiros, mas de sua titularidade à data da subscrição do aumento capital social ou mesmo de sua constituição. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 23 43 A disciplina legal da incorporação de ações foi introduzida em nosso ordenamento jurídico a partir da edição da Lei nº 6.404, de 1976, que assim prescreve, em seu artigo 252: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § I°. A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 2°. A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. § 3°. Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Não há dúvidas de que a essência da incorporação de ações é a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral de outra, mediante a transferência compulsória de todas as ações de sua emissão, em aumento de capital, à companhia incorporadora. Essa, por sua vez, passa a ser a única e integral titular das ações da companhia incorporada. Em relação aos acionistas, em substituição às ações transferidas compulsoriamente à incorporadora, os acionistas da sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas recebem ações da incorporadora, operandose a união dos acionistas de ambas as companhia na companhia incorporadora, com a manutenção da personalidade jurídica e do patrimônio da sociedade convertida em subsidiária integral. A subsidiária integral é a sociedade anônima cujas ações são integralmente detidas por outra sociedade anônima brasileira. A obra Sociedade Anônima —30 Anos da Lei 6.404, de 1976, coordenada por Rodrigo Monteiro de Castro e por Leandro Santos de Aragão, Editora Quartier Latin, 2007, p. 119143, contém artigo de autoria de Alberto Xavier, chamado Incorporação de Ações: Natureza Jurídica e Regime Tributário, do qual trago à colação as seguintes passagens: Na verdade, incorporação de ações e incorporação de sociedades são fenômenos radicalmente distintos. As Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 44 características essenciais da incorporação de sociedades consistem na transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, ocorrendo uma sucessão a título universal (art. 227, "caput"), bem como na extinção da sociedade incorporada, sem liquidação, a qual ocorre precisamente em decorrência da transmissão do seu patrimônio a título universal (art. 227, § 3º)) [...] Na figura da incorporação de ações não ocorre nenhum dos traços essenciais da incorporação de sociedades. Não ocorre a transmissão de um patrimônio líquido global, como universalidade, mediante sucessão a título universal, mas simplesmente uma operação que tem por objeto, não a totalidade de um patrimônio, mas tão somente a totalidade das ações do capital de uma companhia préexistente. Não ocorre também a extinção da sociedade cujas ações são objeto da "incorporação" a que se refere o art. 252, precisamente porque a operação tem o objetivo oposto de manter a respectiva personalidade jurídica, pressuposto lógico necessário da conversão da sociedade préexistente em subsidiária integral da "companhia incorporadora" das ações. [...] Pode, pois, concluirse não existir qualquer relação de identidade nem sequer de analogia entre a figura da incorporação de ações, regulada no art. 252, e afigura da incorporação de sociedades, regulada no art. 227. Também são totalmente distintas a figura da incorporação de ações e a figura da subscrição de capital em bens, regulada nos artigos 7º a 10. [...] A figura da subscrição de capital em bens reveste, pois, a natureza jurídica de um contrato entre o acionista e a sociedade, pelo qual o acionista transfere a titularidade de um bem ou direito préexistente no seu patrimônio para o patrimônio da sociedade, a qual, afetando esse bem ao seu próprio capital social, emite ações que são atribuídas ao acionista em contrapartida dos bens ou direitos conferidos. [...] A conferência de bens para a subscrição de capital é um ato de alienação cuja especificidade radica no fato de a contraprestação correlativa à entrega pelo sócio dos bens conferidos para integralização do capital estar na entrega pela sociedade, não de dinheiro ou bens de pagamento (como sucede na compra e venda), nem de bens de primeiro grau (como sucede na permuta), mas de bens de segundo grau, que são as ações ou quotas representativas do status de sócio do subscritor. Fácil se torna, pois, demonstrar que afigura da incorporação de ações regulada no art. 252 é radicalmente distinta da figura de subscrição de aumento de capital em bens. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 24 45 Tenhase presente que o objetivo essencial da figura da "incorporação de ações" consiste na "incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira para convertêla em subsidiária integral" (art. 251 "caput"). Ora, se a incorporação de ações se fizesse pelo mecanismo da subscrição de capital em bens, isto é, pelo mecanismo de subscrição entre os sócios e a sociedade, o objetivo de constituição de subsidiária integral exigiria, necessariamente, a unanimidade dos sócios da sociedade cujas ações deverão ser incorporadas, de tal modo que bastaria a discordância de um para que a operação se tornasse inviável. Precisamente porque a lei pretendeu viabilizar a formação superveniente de subsidiária integral, prescindindo a regra da unanimidade, ela foi forçada a abandonar a construção jurídica da figura da incorporação de ações baseada numa pluralidade de contratos de subscrição em bens, para optar pela configuração jurídica da operação como um contrato não já entre sócio e sociedade, mas entre duas sociedades, a companhia cujas ações houverem de ser incorporadas e a companhia incorporadora. Este contrato resulta da convergência da vontade das duas companhias, expressa nas deliberações das respectivas assembléias gerais, a que se referem os §§ 1° e 2° do art. 252. A configuração da operação de incorporação de ações como um contrato entre duas sociedades, e não como um contrato entre sócio e sociedade (como é a conferência de bens), resulta da necessidade de permitir que ela seja aprovada pela maioria e não pela unanimidade dos sócios, sendo que a maioria na sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas é uma maioria qualificada, exigindo o voto da metade, no mínimo, das ações com direito a voto (art. 252, § 2°). Se bem se reparar, em parte alguma o art. 252 atribui relevância à manifestação de vontade do sócio na sua qualidade de subscritor, como sucederia se tratasse de subscrição de capital em bens, atuando apenas o sócio nas vestes de membro de um órgão da companhia — a assembléia geral — na qual pode exprimir o seu direito de voto. O objeto do contrato de incorporação de ações é precisamente a totalidade das ações do capital social de uma companhia que será objeto de ato de subscrição a ser praticado pela própria companhia cujas ações houverem de ser incorporadas e de ato de aumento de capital na companhia incorporadora das ações. É precisamente da fusão destes atos unilaterais praticados ao nível corporativo de cada uma das sociedades que resulta o contrato de incorporação de ações. [...] Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 46 Um dos efeitos típicos do contrato de incorporação de ações consiste precisamente na substituição no patrimônio dos sócios das ações previamente existentes, representativas do capital da sociedade da qual originariamente participavam, por ações da sociedade incorporadora emitidas em conseqüência da incorporação das mesmas ações. Tratase de fenômeno meramente substitutivo, que não decorre de uma transmissão, seja ope voluntaris, seja ope legis. O único fenômeno de transmissão em sentido técnico que existe não tem como transmitente o titular das ações a serem incorporadas, pois não existe manifestação de vontade deste, na sua qualidade de proprietário das ações, mas sim a sociedade incorporadora das ações, uma vez que, nos termos do § 3° do art. 252, "aprovado o laudo de avaliação pela Assembléia Geral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhe couberem." O titular das ações a serem objeto de incorporação nada faz, nada transmite, nada permuta: limitase “passivamente" a receber da sociedade incorporadora ações substitutivas das originariamente detidas e que ocupam, no seu patrimônio, lugar equivalente ao das ações substituídas por um fenômeno de sub rogação real. Das considerações precedentes acerca da natureza jurídica da incorporação de ações resulta claramente que se trata de um instituto de direito societário dotado de características próprias e que impedem a sua identificação, seja com a figura da incorporação de sociedades, seja com afigura de subscrição de aumento de capital em bens. [...] No que concerne às pessoas físicas, tratase de saber se, caso o aumento de capital da companhia incorporadora de ações se tenha baseado em laudo de avaliação que fixe o valor das ações a preço de mercado, superior ao valor pelo qual tais ações constam da declaração de bens dos sócios, será a diferença a maior tributável como ganho de capital, nos termos do art. 23 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Em face das considerações pendentes, relativas à natureza jurídica da figura de incorporação de ações e à nítida distinção relativamente à figura de subscrição de aumento de capital em bens, fácil se torna concluir que o art. 23 acima citado é exclusivamente aplicável a esta última figura, como aliás resulta do seu próprio caput, que se refere a uma transferência "a título de integralização de capital". Ora, como atrás já largamente se demonstrou, enquanto na subscrição de bens para aumento de capital a operação é realizada entre o sócio e a sociedade, na figura da incorporação de ações a operação é realizada entre suas sociedades, a sociedade incorporadora das ações e a sociedade cujas ações deverão ser incorporadas, sendo que o aumento de capital será subscrito por esta última. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 25 47 Conseqüentemente, na figura da incorporação de ações o acionista não transfere bens ou direitos de qualquer natureza, limitandose, de modo estático e passivo (como numa "quase desapropriação'), a ter no seu patrimônio substituídas as ações que previamente detinha pelas novas ações emitidas pela companhia incorporadora, ocorrendo um fenômeno de sub rogação real. Não sendo aplicável à hipótese de incorporação de ações o art. 23 da Lei n° 9.249/95, os sócios pessoas físicas poderão manter o mesmo valor das ações da companhia incorporada, constante das declarações anteriores, limitandose a informar que esse mesmo valor se refere às ações da companhia incorporadora que as substituíram. A tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá em caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora, sendo então tal ganho computado pela diferença entre o preço de alienação e o custo originário constante da declaração de bens. (o grifo não consta do original) Tenhase finalmente presente que esta é a solução que melhor se adequa ao art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN), pois só neste momento ocorrerá realização efetiva de um ganho, até então meramente potencial, pois precisamente neste momento é que ocorrerá a aquisição de disponibilidade econômica e jurídica de renda. Como visto, a incorporação de ações tem como principais efeitos (i) o aumento de capital da incorporadora, realizado com as ações a serem incorporadas; (ii) a substituição das ações de emissão da sociedade cujas ações serão incorporadas por ações de emissão da incorporadora; (iii) a subrogação legal dos acionistas da sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas, nas ações da incorporadora; (iv) a conversão da sociedade cujas ações serão incorporadas em subsidiária integral da incorporadora; e (v) a unificação das bases acionárias de ambas as sociedades na incorporadora. Ora, na incorporação de ações não há a alienação de ações ou mesmo uma incorporação ficta, mas sim a subrogação legal dos acionistas da sociedade cujas ações houveram de ser incorporadas, nas ações da incorporadora. É de se ressaltar, que o protocolo da operação não constitui um instrumento de alienação de ações, mas apenas o meio jurídico pelo qual são estabelecidos os termos da incorporação de ações ajustados entre as companhias. Da mesma forma é de se ressaltar, que a natureza jurídica da incorporação de ações reside nos efeitos do protocolo da operação sobre os acionistas das sociedades envolvidas, em especial da sociedade a ser convertida em subsidiária integral. Isto porque, não obstante o fato do instrumento de protocolo ser celebrado entre as companhias – vale dizer, sem a participação necessária de seus acionistas – o mesmo produz efeitos não somente sobre as partes do negócio jurídico, mas também sobre seus acionistas, que deverão transferir compulsoriamente suas ações à sociedade incorporadora, uma vez aprovada a incorporação de ações pela maioria dos acionistas das companhias envolvidas. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 48 Assim, podese afirmar que o negócio jurídico de incorporação de ações possui uma eficácia externa, atingindo a terceiros estranhos ao protocolo, desde que a operação seja aprovada pela maioria das assembléias gerais das sociedades envolvidas. Da análise dos fatos que envolveram a operação de incorporação das ações é inquestionável, que os fatos ocorreram na forma e na ordem cronológica abaixo descritas: a) em 02/01/2006, constituição da REFLA PARTICIPAÇÕES LTDA. pelos sócios LEGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n° 05.724.292/000129, e Carlos Roberto Mendonça de Almeida Filho, CPF n° 063.338.12846, com capital social de 1.000 quotas de valor nominal de R$1,00, sendo 999 quotas pertencentes àquele e 1 quota a este; b) em 15/01/2007, Newton Cardoso adquire 4.965.440.097 ações da PARTIMAG, por R$ 45.000.000,00 da DORLON SECURITIES LTDA. (DORLON), CNPJ 07.652.999/000100; c) em 16/01/2007, alteração societária da REFLA, com retirada dos sócios fundadores e transferência de 999 quotas para Newton Cardoso e 1 quota para Newton Cardoso Júnior. Aumento de capital da sociedade por Newton Cardoso, mediante a criação de 45.000.000 novas quotas de R$1,00, com integralização por meio de 4.965.440.097 ações da PARTIMAG S/A. O tipo societário foi alterado de limitada para sociedade por ações e a empresa passou a denominarse REFLA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A. O capital social ficou distribuído da seguinte forma: Newton Cardoso com 45.000.999 ações de R$1,00 e Newton Cardoso Júnior com 1 ação de R$1,00; d) em 16/07/2007, constituição da BRATIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ 08.999.166/000175, com capital social de R$500,00, dividido em 500 ações de R$1,00 sendo os acionistas subscritores LEGUNA PARTICIPAÇÕES LTDA. e REFLA PARTICIPAÇÕES LTDA. Foi integralizado nesta data R$50,00; e) em 20/07/2007, aprovação em Assembléia Geral Extraordinária pelos acionistas da REFLA, Newton Cardoso e Newton Cardoso Júnior, dos termos do "Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações", contendo proposta de incorporação de todas as ações da REFLA pela BRATIL EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, passando aquela a ser subsidiária integral, pelo valor de mercado apurado em laudo de avaliação; f) em 20/07/2007, aprovação em AGE da BRATIL às 9 horas da eleição e posse de Newton Cardoso e Newton Cardoso Júnior como, respectivamente, Diretor Presidente e Diretor sem designação específica. Aprovação em AGE da BRATIL às 10 horas dos termos constantes do "Protocolo e Justificativa de Incorporação de Ações" da REFLA, do aumento do capital da companhia no montante de R$287.995.525,00, em virtude da incorporação da totalidade das ações da REFLA. Assim, o capital social da BRATIL passou a ser de R$287.996.025,00, totalmente integralizado, pertencendo 287.996.023 ações ordinárias de R$1,00 a Newton Cardoso e 2 ações no valor de R$1,00 a Newton Cardoso Júnior; g – em 31/07/2007, a BRATIL incorporou a REFLA. As ações da PARTIMAG deixaram de pertencer à REFLA e passaram a ser propriedade da BRATIL, com custo de aquisição de R$ 287.994.525,00; h) – em 12/08/2007, a BRATIL alienou as ações da PARTIMAG por R$ 254.600.000,00, operação que resultou num prejuízo de R$ 33.395.525,22. Quanto a apuração do ganho de capital a Lei nº 7.713, de 1988, assim se manifesta: Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 26 49 Art. 3°. O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° a 14 desta Lei. [...] § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins Como já dito a incorporação de ações tratase de operação societária típica, regulada pelo artigo 252 da Lei n° 6.404, de 1976, em que a diretoria de uma sociedade por ações subscreve um aumento de capital em outra companhia, com as ações da própria sociedade por ações, por conta de seus acionistas. Como resultado, a companhia que teve seu capital aumentado emite novas ações em favor dos acionistas da sociedade cujas ações foram incorporadas e passa a ser a única acionista dessa sociedade. Importante lembrar, todavia, que não há extinção da sociedade, como na incorporação de sociedades, bem como que apesar de se assemelhar com certas figuras, como subscrição de capital em bens, permuta e dação em pagamento, com elas não se confunde. Como efeito, as ações incorporadas são substituídas no patrimônio dos acionistas por novas ações a serem emitidas pela companhia incorporadora, operando uma sub rogação real derivada de lei. Com base em Pontes de Miranda, temse que na subrogação real operase a substituição de um bem por outro, sendo que o bem adveniente não apenas toma o lugar do bem substituído, mas também reveste a mesma natureza e se submete ao mesmo regime jurídico do bem substituído. Ademais, alienação é ato de disposição; de transferência de domínio. A alienação importa na renúncia de um direito e é, portanto, voluntária. Tendo em vista que na subrogação real derivada de lei há a substituição de uma coisa por outra em razão de expressa previsão legal, não há que se confundir alienação com subrogação real. De acordo com o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio, versão 5.11a, Alienar significa "Transferir para outrem o domínio de; tornar alheio; alhear;". Como tido, anteriormente, incorporação de ações" não se confunde com incorporação de sociedades nem tampouco com subscrição de capital em bens e, portanto, inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento. Na incorporação de empresas, ocorre a transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, com a extinção daquela. Já pela figura da incorporação de ações, transmitese a totalidade das ações (e não do patrimônio), sendo que a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem, obviamente, ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 50 É de se ressaltar, que quem subscreve o aumento de capital é a diretoria da sociedade cujas ações serão incorporadas por conta dos acionistas, porém não em nome deles. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, deverão, apenas, promover a alteração acima referida em suas declarações de ajuste anual. Por sua vez, a subscrição de capital em bens é ato de alienação praticado entre o sócio e a empresa, por intermédio do qual um bem que fazia parte do patrimônio do acionista passa a fazer parte do patrimônio da pessoa jurídica. Em contrapartida, ele recebe ações da do capital da empresa. O artigo 23 da Lei n° 9.249, de 1995 trata de operações de transferência de bens e direitos a titulo de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Ora, na incorporação de ações, só se realiza ganho de capital quando o proprietário vende as ações. Isso porque quando a operação é fechada, só papel entra na sociedade, não há embolso de capital. No caso dos autos o contribuinte não efetuou a venda das ações da BRATIL. Até poderia se argumentar, que a venda ocorreu, em 12/08/2007, quando a BRATIL alienou as ações da PARTIMAG por R$ 254.600.000,00 (com ganho de capital na pessoa jurídica), entretanto, jamais em 20/07/2007 (com ganho de capital na pessoa física do sócio), conforme entendimento da autoridade fiscal lançadora. Não tenho dúvidas, que a tributação sobre eventual ganho de capital apenas ocorrerá em caso de alienação futura das ações da companhia incorporadora (BRATIL), sendo então tal ganho computado pela diferença entre o preço de alienação e o custo originário destas ações. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713, de 1988. Não se pode olvidar que de acordo com o artigo 5°, inciso II, com o artigo 37 e com o artigo 150, inciso I, todos da Constituição Federal, ao que se soma o artigo 97, incisos I e III, e § 1°, do Código Tributário Nacional — CTN, somente a lei pode instituir ou majorar tributos, bem como definir o fato gerador da obrigação tributária. É exclusividade de lei determinar a hipótese de incidência tributária e seus elementos quantitativos — base de cálculo e alíquota. Apenas a lei pode fixar as situações que, ocorridas no mundo fático, geram a obrigação de pagar tributo. Nesse sentido, cumpre destacar as seguintes lições de Roque Antonio Carrazza: Portanto, o princípio da legalidade, no Direito Tributário, não exige, apenas, que a atuação do Fisco rime com uma lei material (simples preeminência de lei). Mais do que isto, determina que cada ato concreto do Fisco, que importe exigência de um tributo, seja rigorosamente autorizado por uma lei. É o que se Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10680.726772/201188 Acórdão n.º 2202002.187 S2C2T2 Fl. 27 51 convencionou chamar reserva absoluta de lei formal (Alberto Xavier) ou de estrita legalidade (Geraldo Ataliba). Também a conduta da Fazenda Pública, ao cobrar um tributo (atividade tipicamente administrativa), deve vir disciplinada numa lei ordinária, que minudencie os casos e o modo como deve ser aplicada. Como se viu, todos os elementos essenciais do tributo devem ser erigidos abstratamente pela lei, para que se considerem cumpridas as exigências do principio da legalidade. Convém lembrar que são 'elementos essenciais' do tributo os que, de algum modo, influem no an e no quantum da obrigação tributária. (Curso de Direito Constitucional Tributário, 12. ed., Malheiros: 1999, p. 178179). Também justifica o provimento do recurso voluntário o § único, do artigo 38, do RIR/1999, que assim determina: Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Como visto, a legislação de regência sobre o assunto determina que o Imposto de Renda da Pessoa Física é devido pelo regime de caixa, à medida que o ganho de capital for percebido. Se não houve nenhum pagamento, na data do fato gerador considerado pela autoridade fiscal lançadora, este não pode ser considerado como percebido pelo Contribuinte, em respeito ao Princípio da Entidade, pois não ingressou em sua disponibilidade jurídica ou econômica, não implicando em fato gerador do Imposto de Renda. A tributação desses rendimentos, quando for o caso, depende da efetiva entrega dos valores ao Contribuinte. Tal regra estabelece o regime de caixa para as pessoas físicas e, inquestionavelmente, o sujeito passivo não recebeu nenhum numerário com a incorporação das ações da REFLA ao capital social da BRATIL. Restou claro que, por exigência legal, na incorporação de ações o acionista recebe as novas ações independentemente de sua atuação; o investidor permanece inerte no processo, recebendo apenas novas ações da sociedade incorporadora, tal como determina a legislação societária. O custo de aquisição da participação originária, portanto, não é alterado; ele permanece o mesmo, sendo apenas alterado o ativo detido substituindose ações da REFLA por ações da BRATIL. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 52 A autoridade não pode fugir da legalidade tributária, tangenciar ou flexibilizar a legalidade tributária. Impõese à autoridade identificar o fato gerador efetivo, real, substancial, descrito em lei, estabelecido em lei, consignado em lei, que será utilizado para fundamentar ou embasar a constituição do crédito. Por fim é de se dizer, que mesmo que a incorporação de ações pudesse ser comparada a uma modalidade de alienação sujeita à apuração do ganho de capital, não houve recebimento de valores pelo Recorrente, o que, sob a sistemática do regime de caixa, igualmente afasta a possibilidade de tributação pelo imposto de renda. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de desqualificar a multa de ofício e dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10865.001064/2001-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que manteve o lançamento relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente ao período de apuração de 01.12.1993 a 30.09.2000. Os créditos utilizados pela recorrente em compensação dos débitos são provenientes de pagamento indevido ou a maior para o Programa de Integração Social – PIS cuja base de cálculo foi introduzida pela sistemática prevista pelos Decretoslei números 2.445 e 2449, ambos de 1988 que modificaram a regra instituída pela Lei Complementar número 7/70, que até o advento dos mencionados diplomas legais a base de cálculo era o faturamento do sexto mês anterior a ocorrência do fato gerador. O crédito que se busca a compensar decorre de decisão judicial conforme extraí da descrição do auto de infração: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 01 06 4/ 20 01 -0 9 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10865.001064/200109 Resolução nº 3403000.413 S3C4T3 Fl. 6 2 “Durante o procedimento das verificações obrigatórias, foi constatado que a empresa impetrou o Mandado de Segurança Preventivo n° 98.11031665, junto à 2ª a Vara da Justiça Federal de Piracicaba SP, objetivando compensar o crédito referente ao pagamento do PIS, com base nos DecretosLei n° 2.445 e 2.449/88, com débitos vencidos e vincendos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Em atendimento aos Termos de Intimação (fls.l8/20), foram apresentadas as informações solicitadas, bem como o referido Mandado, acompanhado da liminar e sentenças, que autorizaram a compensação pleiteada com parcelas vincendas do PIS, Confins, Contribuição Social Sobre o Lucro e Imposto de Renda, na forma das Leis Complementares n° 07/70 e 17/73 e legislação ulterior, excluídos somente os efeitos dos DecretosLei menciona dos fls. 21/36). Posteriormente, foram apresentados os Embargos de Declaração (fls. 37/55). Apesar das decisões terem sido favoráveis ao contribuinte", foram elaborados os Demonstrativos da Base de Cálculo do PIS e da Compensação, sendo verificados saldos devedores em diversos meses, em virtude de compensações indevidas (fls. 56/76). O crédito tributário está sendo lavrado com suspensão da multa, tendo em vista que, até a presente data, não foi prolatada a.sentença em relação aos Embargos”. Sustentase no voto da decisão recorrida que o lançamento teve origem na constatação, pela autoridade fiscalizadora, de compensação indevida efetuada pela contribuinte, em decorrência da inexistência do crédito utilizado. Por meio da Resolução nº 20400.346 de 24 de janeiro de 2007 o julgamento foi convertido em diligência e os autos baixados a origem para que fossem apurados em observância à sistemática da semestralidade e se o pagamento efetuado nos molde dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449 foram suficientes para compensar os débitos nos períodos lançados, considerando a base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês anterior, conforme a interpretação e aplicação do artigo 6º, parágrafo único, da LC 7/70. Autos retornaram ao CARF com o levantamento fiscal de fls. 187/210 e a Informação Fiscal de fls. 212/213 noticiando que os créditos eram insuficientes a compensar os débitos apontados no auto de infração. Insatisfeito com a sistemática adotada pelo agente encarregado da diligência, vez que, o auto de infração contemplava período de apuração em seu cálculo em desconformidade com o entendimento da Turma, cuja compreensão do assunto davase com arrimo no § 4º do art. 150 do CTN teria sido alcançado pela decadência em razão de que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o art. 45 da Lei de nº 9.212/91. Restou decidido por meio da Resolução número 20400506 de 21 de dezembro de 2007, novamente converter em diligência para que fosse excluído o débito relativo ao período de apuração decaído. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10865.001064/200109 Resolução nº 3403000.413 S3C4T3 Fl. 7 3 Elaborados novos cálculos e a informação fiscal de fls. 223 dando conta de que os créditos utilizados em compensações foram insuficientes as extinções dos débitos apontados no auto de infração, restaram os débitos de fls. 223/224. Instado a se manifestar quanto aos cálculos apresentados pela fiscalização, a Recorrente contraria os dados relativos apresentação do fisco às fls. 230/236, afirmando que os cálculos deixaram de respeitar a sentença que determinou aplicação dos mesmos índices adotados pela União Federal para atualizar os créditos tributários, nos termos: “julgado pelo Tribunal Regional Federal, a saber, correção monetária pelos índices oficiais adotados pela União Federal, e aplicação do conceito da semestralidade para apuração dos créditos da Manifestante, encontramos o valor de R$ 167.278,78 (cento e sessenta e sete mil, duzentos e setenta e oito reais e setenta e oito centavos) devidamente atualizados para o mês de agosto de 1998. A atualização para o mês de agosto de 1998 se dá por conta do inicio das compensações que a Manifestante realizou em sua escrita fiscal. A partir deste momento, o saldo remanescente de cada valor compensado, foi devidamente corrigido pela taxa Selic, nos mesmos moldes do quanto utilizado pela União Federal na correção dos débitos fiscais”. A sentença no Mandado de Segurança restou assim decidido: “Os créditos deverão ser corrigidos desde a data do recolhimento até a data em que se efetivar a compensação, por força da aplicação analógica da Súmula 46 do extinto TFR, conforme a variação da UFIR a partir de 1.992 e, antes disso, pelos mesmos parâmetros que serviram à atualização dos créditos tributários (variação da BTN e BTNf); aplicandose, com relação ao período de fevereiro de 1.991 até dezembro de 1.991, os critérios estipulados pelo artigo 2o, § 1, letra "a", da Lei n° 8.383/91 para o cálculo da UFIR de janeiro de 1.992, isto é, de fevereiro a novembro de 1.991 a variação do INPC (índice Nacional de Preços ao Consumidor) e em dezembro de 1.991 o IPCA (índice de Preços ao Consumidor Ampliado), apurados pelo IBGE, já que a T.R. não é fator de correção monetária. A partir de 01.01.96, incidirá, também, juros em taxa equivalente à SELIC, nos termos do si ligo 39, § 4 o, da Lei n° 9.250/95”. O resultado da diligência aponta débito remanescente, em quanto o demonstrativo elaborado pela Interessada baliza crédito suficiente à extinção dos débitos, divergência essa decorrente de índices financeiros aplicados. Há também irresignação ao fato da fiscalização não demonstrar qual foi o índice de atualização dos indébitos. É o relatório. Voto Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10865.001064/200109 Resolução nº 3403000.413 S3C4T3 Fl. 8 4 A matéria trazida no recurso interposto consiste na apuração do indébito em razão de pagamentos indevidos ou a maior da contribuição para o Programa de Integração Social, portanto, é fática a questão posta em debate. Como é de sabença geral os referidos decretos foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, o Senado Federal fez promulgar a Resolução n° 49/95, suspendendo, assim, a eficácia dos referidos Decretoslei. De modo que, o PIS seria devido, única e exclusivamente, na forma da Lei Complementar 7/70. Com razão a recorrente quando afirma o seu direito de rever o que pagou a maior, ressalvando a possibilidade, da aplicação da norma contida na LC 7/70, que define a base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês, o que configura a sistemática da semestralidade. Essa matéria encontra pacificada no CARF por meio da Súmula 15. “Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária”. A diligência determinada por força da Resolução de número 20400506 de 21 de dezembro de 2007 informa que os créditos não são suficientes para extinguir os débitos apontados no auto de infração. Ao examinar os demonstrativos, fls. 184/212, elaborados pela D. fiscalização em atendimento a primeira diligência realizada por força da resolução, em que pese o relatório que acompanha as planilhas descrever com minudência o modo pelo qual inseriu os dados ao cálculo, não possibilita ao Julgador constatar a olho nu a certeza do cumprimento da determinação. Para melhor apreciação, a planilha deve dispor (montada) na mesma ordem que consta no relatório fiscal, isso é, primeiro o faturamento (dezembro de 1992) em seguida o período de apuração (junho de 1993), depois o vencimento da obrigação e a data do efetivo recolhimento, destacar o índice de atualização. Em síntese idêntica a planilha elaborada pelo contribuinte de fls. 237/240. A data do efetivo recolhimento que se revela de suma importância para contar o início da atualização do indébito, pois é a partir dele que se permite comparar em moeda corrente o quanto efetivamente recolhido e o quanto é devido aplicando à sistemática da semestralidade a alíquota de 0,75% (setenta e cinco décimos por cento). Em resumo o que se está a buscar é diferença financeira por meio da atualização monetária causada pela mudança introduzida pelos decretos, que o contribuinte julga ser maior do que o débito a ser apurado com aplicação do percentual superior aquele utilizado na apuração do débito, isto é, 0,65% (sessenta e cinco décimos por cento) e o a ser aplicado de 0,75%, em razão do cenário da economia que convivia com índices inflacionários absurdos. Portanto, diante da planilha trazida com a manifestação do Contribuinte em relação aos cálculos da fiscalização, a meu sentir, impõe pela terceira vez transformar esse julgamento em diligência no sentido de que se faça a demonstração da existência ou inexistência do indébito, introduzindo os dados à planilha do modo aqui mencionado. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10865.001064/200109 Resolução nº 3403000.413 S3C4T3 Fl. 9 5 Apuração do indébito deve ocorrer mês a mês, assim como, a compensação do débito apurado com aplicação da alíquota de 0,75%. Restando saldo do indébito, deve ser atualizado e transferido para o mês seguinte. Observase, ainda, que seja demonstrado o saldo, caso exista, do indébito em 28 de fevereiro de 1996, de modo a permitir a compensação dos débitos apurados a partir de março de 1996 pela sistemática introduzida pela Medida Provisória nº 1.212/95, cujo saldo será atualizado mês a mês por meio dos índices determinados pela sentença judicial, qual seja os mesmos utilizados pela União Federal nos créditos tributários. A fiscalização deve ao final fazer o cotejo entre o resultado da sua planilha e aquela elaborada pelo contribuinte, fl.s. 237/240. Concluído a diligência, abrese vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta) dias, querendo, manifestar em relação ao resultado apresentado. Dito isso, concluo o voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para apurar os indébitos e compensações do modo acima mencionado. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 19515.005324/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005324/200917 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.322 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de novembro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente BLUE TREE HOTELS & RESORTS DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 32 4/ 20 09 -1 7 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 19515.005324/200917 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.322 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório e Voto: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 37.239.7280, lavrado em 27/11/2009, que constituiu crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte de empregados, no período de 01/2004 a 12/2004, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 4.402,44, fls. 03. No Relatório Fiscal é mencionado que vários documentos necessários para a compreensão da autuação estão em um CD que pode ser consultado, porém nessa fase do julgamento não temos acesso a tais documentos. Logo, votamos pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade preparadora anexe aos autos digitais todos os documentos citados pela no Relatório Fiscal, especialmente aqueles constantes de CD que acompanha o AI 37.239.7310, justificando os motivos de não terem sido juntados. Após cumprida a diligência, a recorrente deve ser intimada a apresentar aditamento de seu recurso no prazo de dez dias previsto no art. 44 da Lei 9.784/99. Concluídas tais providências, retornem os autos para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MAURO JOSE SILVA
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