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Numero do processo: 11080.002151/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26).
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados.
JUROS MORATÓRIOS - SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 2202-002.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo arguida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior, que ficou vencido. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa isolada. Vencida a Conselheira MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA.
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente e Relator
Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Anan Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DA RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26). MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa de ofício por infração à legislação tributária tem previsão em disposição expressa de lei, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 21 51 /2 00 9- 12 Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 devendo ser observada pela autoridade administrativa e pelos órgãos julgadores administrativos, por estarem a ela vinculados. JUROS MORATÓRIOS SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo arguida pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior, que ficou vencido. Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir a exigência da multa isolada. Vencida a Conselheira MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente e Relator Participaram da sessão: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Maria Lúcia Moniz de Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Jimir Doniak Junior (suplente convocado) e Pedro Anan Junior. Ausente justificadamente o Conselheiro Fábio Brun Goldschimidt. Relatório FLÁVIO DA SILVA TELMO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJPORTO ALEGRE/RS (fls. 1149) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 03/27, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$ 1.501.832,91, acrescido de multa de ofício, de multa isolada e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 3.187.563,29. As infrações que ensejaram o lançamento foram: 1) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Segudo o relatório fiscal, tratase de rendimentos recebidos nos anos de 2005 e 2006, tratase de valores depositados em suas contatendo como origens as empresas Auto Peças Meridional, Zanadrea Zanadrea Ltda e Confiança Cia de Seguros; 2) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Segundo o relatório fiscal, tratase de rendimentos recebidos nos anos de 2004 e 2006 mediantes depósitos feitos em suas contas correntes pelas pessoas físicas Suzana Lorenzeti Martins, Jorge Luiz Borges Pereira, e Venina de Bem Queiroz e Elton da Siqueira; Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.002151/200912 Acórdão n.º 2202002.334 S2C2T2 Fl. 3 3 3) Omissão de rendimentos caractrerizada por depósitos bancários sem comprovação de origem, nos anos de 2004, 2005 e 2006; 4) Falta de recolhimento do imposto a título de carnêleão nos Anos de 2005 e 2006, tendo sido exigida a multa isolada de 50%. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que não houve a ocorrência do fato gerador a que alude o art. 43 do Código Tributário Nacional, pois inocorreu aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda; que o fato gerador do imposto de renda, a teor do referido artigo 43 do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde à aquisição efetiva de disponibilidadeeconômica, ou jurídica; que meros depósitos bancários não são, necessariamente, acréscimo patrimonial auferido pelo impugnante; que não se pode presumir fato gerador em matéria tributária; que para que depósitos bancários transformemse em renda tributável, é necessário e imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida mediante aplicação na aquisição de bens móveis ou imóveis, o que não é o caso; que deve restar cabalmente comprovado o nexo de causalidade entre o depósito e o fato que represente a alegada omissão de rendimentos; que não basta a simples presunção de que os depósitos havidos constituem renda tributável; que é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; que não é verdade que o impugnante tenha deixado de comprovar a origem dos recursos depositados, mediante documentação hábil e idônea; que, pelo contrário, o impugnante assegurou ao senhor Auditor, por escrito, que os recursos depositados nas contas bancárias tem sua origem absolutamente lícita nos rendimentos do seu próprio trabalho, tudo constante das declarações de renda apresentadas ao longo de toda uma vida de trabalho, economias de mais de trinta e cinco anos de trabalho; que nos últimos dez anos, por exemplo, as declarações revelam o recebimento de prólabore que, somados, alcança quantia superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais); que, além do mais, pelo que se conclui do art. 110 do Código Tributário Nacional, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/96 não pode alterar o conceito de renda ou de proventos para neles incluir depósitos bancários, pois isso implicaria em violação ao que dispõe o referido art. 110 do CTN; que o Código Tributário Nacional não permite que lei tributária amplie o conceito de renda; que é inconcebível que nos dias de hoje a Receita Federal ainda permaneça autuando pessoas com base na simples movimentação financeira das contas, apesar da clareza do enunciado através da Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos; que esta orientação jurídica contida na Súmula 182 do extinto TFR, preceitua que é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários; que esse enunciado é de todo atual como se pode constatar através do acórdão emanado do TRF da 1ª Região, relatado pelo eminente Juiz convocado doutor Wilson Alves de Souza, na apelação cível número 93.01.119773/PA, 3ª Turma Suplementar, DJ de 11 de novembro de 2004; que, portanto, como se pode ver, os depósitos bancários, por si só, não representam valores que necessariamente signifiquem tributos, nem mesmo sinais exteriores de riqueza, nem sequer presunção de negócios e operações tributadas, pois que inexistente nexo de causalidade entre depósito bancário e algum fato que represente efetiva omissão de rendimentos; que, no caso específico do impugnante, os valores movimentados em contas bancárias têm origem no recebimento de prólabore ao longo de toda uma vida de trabalho, já tendo sido salvo de tributação, portanto; que a simples presunção, sem lastro em prova cabal de existência de auferimento de renda tributável, por si só, não significa a ocorrência do fato gerador do imposto devido; que as declarações anuais de renda, apresentadas pelo impugnante, ao Fisco Federal, ao longo de toda Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 a sua vida laboral (mais de trinta anos), comprovam a titularidade tributada de renda capaz de justificar a movimentação financeira detectada; que, de qualquer modo, mesmo que assim não fosse, a simples presunção de omissão de renda tributável, com base apenas nos depósitos bancários de origem supostamente não comprovada, não poderia levar à conclusão da existência de fato gerador do imposto de renda; que para tanto, outros meios, decorrentes da atividade fiscalizatória, que corroborassem com a presunção, deveriam ser utilizados pelo Fisco, mesmo porque, no caso sob julgamento, tratase de contribuinte que durante toda sua vida declarou corretamente e completamente os seus ganhos; que, portanto, inquestionavelmente, resta concluir pela inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n° 9.430/96, pois que evidente a violação aos mais comezinhos princípios do direito, como sendo o princípio da legalidade, princípio da segurança jurídica e o princípio da razoabilidade; que em se tratando de matéria tributária, a lei deve especificar a hipótese de incidência do tributo, tipificandoo com todos os seus elementos para não gerar dúvida quanto à formação da obrigação tributária, trazendo prejuízos para o contribuinte ou para o próprio Estado; que quando o Estado se utiliza das presunções legais, instrumento jurídico que se encontra no campo das provas, na teoria geral do direito, para lhe obrigar ao pagamento de tributos, prescindindo de elementos outros, necessários ao nascimento da relação jurídica obrigacional de índole tributária, está em franca contradição com o direito; que é sabido que não se pode criar obrigações de pagar tributos por meio de presunções, daí a evidente inconstitucionalidade do art. 42 da Lei n° 9.430/96; que a exigência do imposto de renda, como qualquer outro tributo, não prescinde das noções de hipótese de incidência e fato gerador, sendo aquela a previsão abstrata em norma da situação tributante, e este a ocorrência no mundo dos fatos, com todos os seus elementos, daquela situação normativa; que, nesse sentido, só há que se falar em obrigação tributária do imposto de renda se na realidade dos fatos ocorreu o descrito na norma constante do art. 43 do Código Tributário Nacional; que, caso contrário, não há a respectiva obrigação; que, de qualquer sorte, por cautela e com base no princípio da eventualidade, cumpre, ainda fazer ver que equivocouse o autuante ao deixar de considerar que nos extratos de conta corrente constam cheques devolvidos e não compensados, os quais, por óbvio, não podem ser considerados como sendo "valores creditados em conta corrente", tal qual definido pelo indigitado art. 42 da lei n° 9.430/96; que, assim é, por exemplo, em relação ao ano calendário de 2004, em que o somatório dos depósitos, deduzindose os cheques não compensados, alcança o valor de R$ 1.882.675,00 e não a importância lançada pelo sr Auditor no auto de infração, a quantia de R$ 2.090.116,00; que no anocalendário de 2005 o somatório dos depósitos, deduzindose os cheques não compensados, alcança o valor de R$ 1.452.374,00 e não a importância lançada pelo sr. Auditor no auto de infração, de R$ 1.544.068,00; que no anocalendário de 2006 o somatório dos depósitos, deduzindose os cheques não compensados, alcança o valor de R$ 1.784.183,00 e não a importância lançada, de R$ 1.859.091,95; que a média mensal da movimentação verificada, no ano de 2004, foi de pouco mais de R$ 150.000,00, ou seja, algo absolutamente compatível com os recursos acumulados pelo impugnante ao longo de toda a sua vida de suadas economias; que essas mesmas cifras se repetiram, por aproximação, nos exercícios de 2005 e 2006, em especial a mesma média mensal, demonstrando claramente que se tratou sempre da mesma e única disponibilidade financeira, que entrou e saiu da conta corrente, em diversas e variadas datas, sem que tivesse havido incremento financeiro ou patrimonial que implicasse na apuração de imposto a pagar, pois que, como dito à exaustão, tais rendimentos foram tributados na ocasião em que recebidos ao longo de mais de trinta anos de trabalho honesto; que no que diz respeito a exigência de juros de mora e multas escorchantes e confiscatórias, cabe ainda aduzir que sob o título de multa proporcional, acresceu o percentual de 75%, equivalente à quantia de R$ 1.126.374,68, mais uma referida multa isolada de R$ 4.452,87; que a toda evidência se está frente a expressa violação do inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, que proíbe a utilização de tributo com efeito de confisco; que a vedação a imposição de multas confiscatórias ocorre porque não é admissível subverter a natureza jurídica da sanção tributária, transformandose o acessório, a Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.002151/200912 Acórdão n.º 2202002.334 S2C2T2 Fl. 4 5 multa fiscal, em valor tão relevante monetariamente quanto o principal do imposto exigido; que não se trata apenas de inconstitucionalidade flagrante da norma que sustenta a exigência desarrazoada por parte do Fisco, sobretudo, em razão da própria diretriz da capacidade contributiva a obstar a imposição de penas que exorbitem da capacidade econômica; que a Lei n° 9.430/96, ao viabilizar as tais multas, com efeito nitidamente confiscatório, dada a percentagem escorchante, nega vigência não apenas ao inciso IV do art. 150 da CF, mas também aos primeiros cinco artigos da Carta Magna; que em que pese o inciso IV do art. 150 da CF fazer referência a tributo, proibindo sua cobrança com efeito confiscatório, a jurisprudência e a doutrina entendem perfeitamente aplicável às multas a mesma limitação; que, portanto, finalizando esta impugnação, com base em todo o exposto, requer: a) seja desconstituído o auto de infração objeto desta impugnação, pois que movimentação financeira em conta corrente não configura fato gerador do imposto de renda, a teor do art. 43 do CTN; b) se outro for o entendimento dessa autoridade julgadora, então que, ao menos e alternativamente, seja reduzido o percentual da multa proporcional para 20%, e afastada a cobrança de juros moratórios, pois que inconcebível e ilegal a cumulação com a Taxa SELIC. A DRJPORTO ALEGRE/RS julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJPORTO ALEGRE/RS rejeitou a arguição de nulidade do lançamento. Observou que a autuação não incorreu em nenhum das hipóteses de nulidade referidas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Sobre as alegadas inconstitucionalidades, a DRJ registra que os órgãos julgadores administrativos não são competentes para apreciarem esse tipo de alegação, mencionando, inclusive a súmula CARF nº 2. Quanto ao mérito, após expor sobre a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, que tem previsão legal expressa no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e de rejeitar a alegação de inocorrência do fato gerador, a DRJ concluiu que, como o Contribuinte não comprovou as origens dos depósitos, diferentemente do que afirma a defesa, resta configurada a omissão de rendimentos, por presunção legal. Sobre a alegação de que a fiscalização não considerou os cheques devolvidos, a DRJ demonstra que, diferentemente do alegado, a fiscalização excluiu essas devoluções de cheques conforme demonstrado na própria autuação. Relativamente à súmula 182 do extinto TFR, referida pela defesa, a DRJ registra que esta não se aplica ao caso, pois é anterior à edição do artigo 42 da Lei nº 90.430, de 1996, que instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Quanto à multa de ofício, a DRJ ressalta que se trata de exigência para a qual há expressa previsão legal e que a alegação de confisco equivale à arguição de inconstitucionalidade que não é passível de conhecimento pelos órgãos julgadores administrativos, como já referido anteriormente. Finalmente, sobre os juros calculados com base na taxa Selic, do mesmo modo, a DRJ ressalta a existência de previsão legal para sua aplicação. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 08/09/2011 (fls. 1170) e, em 30/09/2011, interpôs o recurso voluntário de fls. 1171/1202, que Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação e, por fim, formula pedido nos seguintes termos: Assim, ante o exposto, finalizando esta presente insurgência recursal, REQUER o seguinte: a) seja provido esse recurso voluntário para o fim de desconstituir o auto de infração objeto deste recurso, pois que movimentação financeira em conta corrente não configura fato gerador do imposto de renda, a teor do art. 43 do CTN, sobretudo porque o recorrente sustentou perante a autoridade Fazendária que a COMPROVAÇÃO da origem dos valores movimentados na conta corrente bancária tem lastro nas próprias declarações de renda, apresentadas anualmente, as quais, ao longo de três décadas, registraram toda a evolução financeira e patrimonial do recorrente; fundamentalmente, é preciso ficar claro, em nenhum momento a autoridade fazendária apresentou qualquer indício probatório de que o recorrente fosse o titular de patrimônio não declarado e que tivesse sido supostamente adquirido com recursos financeiros não tributados; b) se outro for o entendimento dessa elevada autoridade julgadora, então que, ao menos e alternativamente, seja afastada a multa imposta ou, no mínimo, reduzido o percentual da multa proporcional para 20%, e afastada a cobrança de juros moratórios, pois que inconcebível e ilegal a cumulação com a Taxa SELIC; c) ainda, alternativamente, além da exclusão ou redução da multa, considerando que os somatórios dos depósitos apresentados pela autoridade fazendária estão incorretos, seja o recurso ao menos nesse tópico acolhido; além disso, devem ser excluídos os lançamentos de valores iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), conforme preconiza o inciso II do parágrafo terceiro do art. 42 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, pois, no caso de pessoa física, não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, os depósitos bancários sem origem comprovada de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00. d) requer, por fim, seja anexado a este recurso o processo administrativo em questão, em especial as provas documentais apresentadas com a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.002151/200912 Acórdão n.º 2202002.334 S2C2T2 Fl. 5 7 Fundamentação Examino, inicialmente, a proposta de sobrestamento do julgamento do processo feita pelo Conselheiro Jimir Doniak Junior. Registro desde logo que, neste caso, o próprio Contribuinte apresentou os extratos bancários, atendendo intimação. Portanto, não houve quebra do sigilo bancário mediante requisição de informações, pela Receita Federal, às instituições bancárias. Além disso, embora quanto a este ponto não seja acompanhado pelos demais membros deste Colegiado, que, ainda que tivesse havido a requisição de informações sobre a movimentação financeira do Contribuinte, não seria o caso de sobrestamento. Como é sabido, o sobrestamento do julgamento de recursos no âmbito do CARF se dá por imposição e nos termos do seu Regimento Interno, cujo artigo 62A reza o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {2} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {2} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. {2} Cumpre às turmas julgadoras do CARF, portanto, verificarem, em cada caso, as situações em que o julgamento deva ser sobrestado, seja por provocação da parte, seja por iniciativa que qualquer dos Conselheiros da Turma. Pois bem, o artigo 62A, acima reproduzido, é claro ao referirse ao sobrestamento do recursos, “sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.” Ora, a Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo CivilCPC cuida dos processos com repercussão geral, e define três situações distintas, veiculadas nos artigos 543A, 543B e 543C, a saber: Art. 543A. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá do recurso extraordinário, quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o O recorrente deverá demonstrar, em preliminar do recurso, para apreciação exclusiva do Supremo Tribunal Federal, a Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 existência da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar decisão contrária a súmula ou jurisprudência dominante do Tribunal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Se a Turma decidir pela existência da repercussão geral por, no mínimo, 4 (quatro) votos, ficará dispensada a remessa do recurso ao Plenário. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o Negada a existência da repercussão geral, a decisão valerá para todos os recursos sobre matéria idêntica, que serão indeferidos liminarmente, salvo revisão da tese, tudo nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 6o O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 7o A Súmula da decisão sobre a repercussão geral constará de ata, que será publicada no Diário Oficial e valerá como acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.002151/200912 Acórdão n.º 2202002.334 S2C2T2 Fl. 6 9 será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). § 8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 10 § 9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672, de 2008). Como se vê, o artigo 543A cuida de situação envolvendo recursos extraordinários que chegam ao Supremo Tribunal Federal, e que somente serão conhecidos pela Corte quando a questão constitucional nele versada for reconhecida como de repercussão geral, definida pela existência de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa. O § 2º do mesmo artigo determina que o recorrente deve demonstrar, em preliminar do recurso, a existência da repercussão geral. Já o artigo 543B cuida de situação em que os tribunais de origem selecionam um ou mais recursos representativos da controvérsia e os encaminha ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando o julgamento dos demais recursos até o pronunciamento definitivo da Corte, cabendo ao Supremo Tribunal Federal – STF, nestes casos, negar ou confirmar a existência da repercussão geral. Negada a existência da repercussão geral, os recursos que ficaram sobrestrados nos tribunais consideramse automaticamente não admitidos;. acatada a repercussão geral, estes permanecem sobrestados até julgamento do mérito pelo STF. Um terceira situação está disciplinada no artigo 543C, e assemelhase à situação definida no artigo 543B, porém envolvendo recursos especiais. Cuidase, portanto, vale repisar, de três situações distintas: as duas primeiras envolvendo recursos extraordinários, a última, recurso especial. E mais, em relação às situações tratadas nos artigos 543A e 543B há uma clara distinção, especialmente, quanto ao sobrestamento dos recursos pelos tribunais de origem. No caso tratado no artigo 543A, o reconhecimento da repercussão geral é examinada como condição para a admissibilidade do recurso, pelo STF, não implicando no sobrestamento, pelos tribunais de origem, dos recursos que versem sobre matéria idêntica, o que é evidente, pois, se assim não fosse, o artigo 543A seria inócuo, pois não subiriam recursos relativamente a tais matérias, para terem sua admissibilidade, quanto à repercussão geral, examinada pelo STF. Diferentemente, no caso do 543B, o reconhecimento da repercussão geral pelo STF implica, necessariamente, no sobrestamento dos recursos nos tribunais de origem até decisão pelo STF. O próprio STF expediu orientações com vistas à padronização de procedimentos no âmbito do Supremo Tribunal Federal e dos demais órgãos do Poder Judiciário, em que deixa clara essa distinção. Vejamos: RECURSOS EXTRAORDINÁRIOS I) Verificase se o RE trata de matéria isolada ou de matéria repetitiva (processos múltiplos). a) Quanto às matérias isoladas, realizase diretamente o juízo de admissibilidade, exigindose, além dos demais requisitos, a presença de preliminar de repercussão geral, sob pena de inadmissibilidade. b) Quanto aos recursos extraordinários múltiplos: b.1) Selecionamse em torno de três recursos extraordinários representativos da controvérsia, com preliminar de repercussão geral e que preencham os demais requisitos para sua Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.002151/200912 Acórdão n.º 2202002.334 S2C2T2 Fl. 7 11 admissibilidade, os quais deverão ser remetidos ao STF, mantendose sobrestados todos os demais, inclusive os que forem interpostos a partir de então (§ 1º do art. 543B do CPC). Não há necessidade de prévio juízo de admissibilidade dos recursos que permanecerão sobrestados. b.2) Os recursos extraordinários múltiplos que forem remetidos ao Supremo Tribunal Federal em desacordo com o art. § 1º do art. 543B do CPC, ou seja, em número além do necessário para que o Tribunal tenha conhecimento da controvérsia, serão devolvidos aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais, nos termos da Portaria 138/2009 da Presidência do STF. b.3) Se a seleção ainda não foi feita para um assunto específico, mas já houve pronunciamento do STF quanto à repercussão geral do assunto em outro recurso, é desnecessária a remessa de recursos representativos da mesma controvérsia, podendo ocorrer o imediato sobrestamento de todos os recursos extraordinários e agravos sobre o tema. A identificação dessa hipótese se dá pela consulta às matérias com repercussão geral reconhecida, no portal do Supremo Tribunal Federal. II) Proferida a decisão sobre repercussão geral, surgem duas possibilidades: a) Se o STF decidir pela inexistência de repercussão geral, consideramse não admitidos os recursos extraordinários e eventuais agravos interpostos de acórdãos publicados após 3 de 1maio de 2007 (§ 2º do art. 543B do CPC); b) Se o STF decidir pela existência de repercussão geral, aguardase a decisão do Plenário sobre o assunto, sobrestando se recursos extraordinários anteriores ou posteriores ao marco temporal estabelecido: b.1) Se o acórdão de origem estiver em conformidade com a decisão que vier a ser proferida, consideramse prejudicados os recursos extraordinários, anteriores e posteriores (§3º do art. 543B do CPC); b.2) Se o acórdão de origem contrariar a decisão do STF, encaminhase o recurso extraordinário, anterior ou posterior, para retratação (§3º do art. 543B do CPC). Notese que o STF distingue as “matérias isoladas” dos “recursos extraordinários múltiplos”, tratados, respectivamente, nos artigos 543A e 543B do CPC, e define procedimentos específicos para cada situação. Pois bem, a questão central para o deslinde da controvérsia ora examinada, no que diz respeito ao CARF, é que o RICARF definiu explicitamente que o sobrestamento do julgamento dos recursos deveriam ocorrer nos casos em que a repercussão geral foi 1 http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeral&pagina=processamento Multiplo Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 12 reconhecida pelo STF na sistemática estabelecida no artigo 543B do CPC, e, no caso sob exame, o RE nº 601.314/SP, tido como leading case, foi admitido como se repercussão geral pela “relevância jurídica da questão constitucional”, nos termos do artigo 543A do CPC c/c o artigo 323, § 1º do RISTF. Eis a conclusão do voto do Relator, Ministro Ricardo Levandovski: Isto posto, manifestome pela existência da repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do artigo 543A, § 1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, § 1º do RISTF. Ora, reconhecida como de repercussão geral, ainda que na sistemática do art. 543A do CPC é natural que o julgamento de recursos extraordinários versando matéria idêntica sejam sobrestado no âmbito do próprio STF, até o julgamento do RE 601.314, mas esta decisão não implica no sobrestamento, nos tribunais de origem, dos processos versando matéria idêntica. E, com mais razão ainda, não se justifica o sobrestamento dos processos no âmbito do CARF. Diferentemente, quando a repercussão geral é reconhecida com amparo no artigo 543B, § 1º do CPC, o STF determina o sobrestamento dos recursos nos tribunais de origem, até decisão do mérito. É o que ocorreu, por exemplo, no RE 614.232, que trata de rendimentos recebidos acumuladamente. Vejamos: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIUO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados, se por regime de caixa ou de competência, vinha sendo considerado por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição dói recurso extraordinário com fundamento no artigo 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. #. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da uniformidade e da isonomia geográfica. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do artigo 543B, § 1º do CPC. Aqui, o STF determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários versando sobre a mesma matéria, o que não ocorreu, coerentemente, no caso do RE 601.316. Rejeito, portanto, a preliminar. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.002151/200912 Acórdão n.º 2202002.334 S2C2T2 Fl. 8 13 Passo, então, ao exame do recurso propriamente. Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem e também com base na apuração direta de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas, tendo sido lançado também multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão. O Contribuinte, todavia, impugna a exigência apenas quanto à omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários. Inicialmente, o Contribuinte argúi a inconstitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e a violação a princípios constitucionais. Sobre este ponto, a jurisprudência deste Conselho já definiu que o CARF não é competente para se pronunciar sobre este tipo de alegação, conforme súmula CARF nº 2, que tem o seguinte enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Deixo de me pronunciar, portanto, sobre estas alegações. Quanto à alegada nulidade do procedimento e do lançamento dele decorrente, referida em diversas passagens da peça recursal, não vislumbro o vício apontado. O procedimento fiscal observou rigorosamente os preceitos disciplinados no Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, a autuação foi feita por servidor competente e foi garantido ao autuado o exercício ao direito de defesa. Portanto, não vislumbro no procedimento fiscal e no lançamento dele decorrente nenhum vício que pudesse comprometer a higidez da autuação. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, cuidase, na espécie, de lançamento com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 14 §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.”. Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Ledos, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (júris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.002151/200912 Acórdão n.º 2202002.334 S2C2T2 Fl. 9 15 Pois bem, o lançamento que ora se examina baseouse em presunção juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Sobre a súmula nº 182 do antigo TFR, invocada pelo Contribuinte, conforme ressaltado pela decisão de primeira instância, a mesma não se aplica ao caso, pois sua edição é muito anterior à vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. A súmula, portanto, reportase a um período em que inexistia a presunção legal, não se aplicando, portanto, a essa nova realidade. Não procede, portanto, da mesma forma, a alegação de que para ser viável o lançamento o Fisco teria que demonstrar a efetiva acumulação de riqueza ou consumo9 da renda. Este ponto, ali´s, foi objeto de súmula deste Conselho. Tratase da Súmula CARF nº 26, que tem o seguinte enunciado. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Sobre o pedido para que fossem excluídos os depósitos de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00, o § 3º, inciso II do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, acima reproduzido, é claro quando define que a exclusão dos depósitos de pequeno valor só deve se dar quando o seu total, no ano, não ultrapassa R$ 80.000,00 e, no caso, como se pode ver da planilha anexa ao Termo de Intimação, às fls. 642/767, os depósitos de valores individuais inferiores a R$ 12.000,00 ultrapassam, em muito, a cada ano, o limite acima referido. Assim, como o Contribuinte não apontou, de forma individualizada, as origens dos depósitos bancários, se limitando a referirse genericamente a recursos acumulados ao longo de anos de trabalho, não logrou comprovar as origens dos depósitos, como exigido pela lei e, neste caso, paira incólume a presunção de omissão de rendimentos. Quanto à multa de ofício e a alegação de confisco, é importante ressaltar, de início, que a multa aplicada tem previsão legal expressa no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a saber: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Portanto, a alegação de que a penalidade tem natureza confiscatória e viola o princípio equivale a alegação de inconstitucionalidade e, como se viu, reforge à competência deste Conselho para apreciar este tipo de alegação. De qualquer forma, ainda que assim não fosse, a alegação de que a penalidade tem natureza confiscatória baseiase em mero juízo Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 16 subjetivo do próprio Contribuinte sobre a repercussão econômica da penalidade, o que não deve prevalecer. Ainda quanto ao mérito, embora a matéria não tenha sido argüida diretamente pela defesa, cumpre examinar a possibilidade, no caso concreto, da aplicação da multa isolada em concomitância com a multa de ofício. A possibilidade da exigência simultânea da multa isolada com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base, já foi rejeitada por este Conselho. Como exemplo vejase a seguinte decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Acórdão CSRF/0104.987, de 15/06/2004) É como penso. Entendo que a questão se resolve na natureza da multa isolada. E, para tanto, é conveniente examinarmos o que dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, que previu a hipótese de sua incidência (na redação anterior à mudança introduzida pela medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007), a saber: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. I –de 75% (setenta e cinco por cento), nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II – 150% (cento e cinqüenta por cento), nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º. As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou a contribuição quando não houverem sido anteriormente pagos; (...) III – isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº. 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixarmos de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.002151/200912 Acórdão n.º 2202002.334 S2C2T2 Fl. 10 17 (...). É dizer, o § 1º do art. 44, acima transcrito, não institui uma penalidade nova, mas apenas a forma de sua incidência, juntamente com o tributo, na hipótese do inciso I, e isoladamente, nas hipóteses dos demais incisos. O dispositivo que institui a penalidade é o caput do artigo e seus incisos. É aí que a lei especifica o fato típico, enseja dor da penalidade: a falta de pagamento ou recolhimento etc. Pelo simples fato de não ter havido o pagamento do imposto devido a título de carnêleão não há previsão de incidência de outra penalidade senão a dos incisos I e II do caput art. 44, conforme o caso. Sendo assim, não se pode conferir ao art. 43 e aos incisos do parágrafo 1º, inovações da Lei nº. 9.430, interpretação que implique em incidência de gravame inexistente antes da vigência dos referidos dispositivos. É o que ocorre quando se aplica a penalidade duplamente, sobre a mesma base, na exigência da multa isolada, pelo não pagamento da antecipação, e na exigência do imposto quando do ajuste anual. Ora, a incidência da multa isolada, como no caso específico tratado neste processo, por falta de recolhimento do carnêleão, não tem outro objetivo senão o de evitar a formalização de exigência de imposto devido como antecipação do ajuste anual e que, logo em seguida, seria compensado quando do lançamento do imposto apurado no ajuste. Com a multa isolada, essa dificuldade foi superada, exigindose apenas a multa pelo não pagamento da antecipação, deixandose para formalizar a exigência do tributo apenas na apuração do imposto devido no ajuste anual. Nesse segundo momento, contudo, a base de cálculo da multa isolada não deveria compor a base de cálculo da multa de ofício exigida conjuntamente com o imposto. Em nenhum momento os contribuintes deviam o imposto duas vezes, antecipadamente e quando do ajuste anual. É que, ao pagar o primeiro, necessariamente teria direito a compensar o que pagou quando do ajuste anual. Assim, não há falar em dupla hipótese de incidência das multas, pelo não pagamento da antecipação e pelo não pagamento do imposto devido quando do ajuste anual. No presente caso, a DRJ entendeu aplicável a multa isolada, porém, no percentual de 50% em face do princípio da retroatividade benigna, ante a existência de legislação que, segundo seu entendimento, prevê penalidade menos severa. Ora, é certo que a Lei nº 11.488, de 2007, que, entre outros pontos, alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, instituiu a hipótese de incidência da multa isolada no caso de falta de pagamento do carnêleão. Porém, este dispositivo aplicase apenas aos fatos geradores ocorridos após sua vigência. É que, como ressaltado acima, se antes não havia a possibilidade de incidência simultânea da penalidade pelo não recolhimento do carnêleão, em concomitância com a multa de ofício sobre os rendimentos omitidos apurados no ajuste anual, sobre a mesma base, a nova legislação, que introduziu esta possibilidade, não é mais benéfica ao contribuinte e, portanto, não poderia ser aplicada em relação aos fatos pretéritos. Concluo, pois, pela exclusão da multa isolada. Finalmente, sobre os juros calculados com base na taxa Selic, da mesma forma, tratase de exigência baseada em disposição legal expressa e neste caso em particular a posição do Conselho já está consolidada em súmula, a saber: Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 18 Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/ 08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10540.001723/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ATIVIDADE RURAL. EXAME DA PROVA DOS AUTOS. ATUAÇÃO COMO INTERMEDIÁRIO DE TRANSAÇÕES MERCANTIS. NÃO CONFIGURA A O FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA O TRÂNSITO POR CONTA BANCÁRIA DE VALORES DE TERCEIROS.
Imputados ao contribuinte omissão de rendimentos e depósitos bancários de origem não compravada, é de se admitir prova que aponta ter o contribuinte funcionado como intermediário de transações mercantis, havendo transitado pro sua conta valores de terceiros, os quais não constituem o fato gerador do imposto de renda, devendo ser excluídos, na medida em que provados, do montante da autação relativa a depósitos bancários de origem não comprovada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2802-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$588.120,00 (quinhentos e oitenta e oito mil e cento e vinte reais), nos termos do voto do relator. O Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente) apresentou declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), Jaci De Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez e Dayse Fernandes Leite.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ATIVIDADE RURAL. EXAME DA PROVA DOS AUTOS. ATUAÇÃO COMO INTERMEDIÁRIO DE TRANSAÇÕES MERCANTIS. NÃO CONFIGURA A O FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA O TRÂNSITO POR CONTA BANCÁRIA DE VALORES DE TERCEIROS. Imputados ao contribuinte omissão de rendimentos e depósitos bancários de origem não compravada, é de se admitir prova que aponta ter o contribuinte funcionado como intermediário de transações mercantis, havendo transitado pro sua conta valores de terceiros, os quais não constituem o fato gerador do imposto de renda, devendo ser excluídos, na medida em que provados, do montante da autação relativa a depósitos bancários de origem não comprovada. Recurso parcialmente provido.
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RENDIMENTOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA E OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ATIVIDADE RURAL. EXAME DA PROVA DOS AUTOS. ATUAÇÃO COMO INTERMEDIÁRIO DE TRANSAÇÕES MERCANTIS. NÃO CONFIGURA A O FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA O TRÂNSITO POR CONTA BANCÁRIA DE VALORES DE TERCEIROS. Imputados ao contribuinte omissão de rendimentos e depósitos bancários de origem não compravada, é de se admitir prova que aponta ter o contribuinte funcionado como intermediário de transações mercantis, havendo transitado pro sua conta valores de terceiros, os quais não constituem o fato gerador do imposto de renda, devendo ser excluídos, na medida em que provados, do montante da autação relativa a depósitos bancários de origem não comprovada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$588.120,00 (quinhentos e oitenta e oito mil e cento e vinte reais), nos termos do voto do relator. O Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente) apresentou declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 17 23 /2 00 9- 19 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos Andre Ribas De Mello (Relator), Jaci De Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez e Dayse Fernandes Leite. Relatório Contra o contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 1 e ss., que exige crédito tributário referente ao anocalendário de 2005, exercício 2006, em razão das seguintes supostas infrações: omissão de rendimentos de atividade rural e depósitos bancário de origem não comprovada. Cientificado da autuação, apresentou a impugnação de fls. 328 e ss., trazendo, em síntese, as seguintes alegações: que é pequeno produtor rural, homem simples, residindo na área rural e trabalhando como corretor informal de café, intermediando negócios entre pequenos produtores e comerciantes/industriais; que a maior parte dos valores deram entrada em sua conta através de TED, dificultando a comprovação da origem, pois não havia emissão de notas fiscais, salvo em raros casos; que recebia valores em suas contas porque os produtores não possuíam conta bancária; que sua lavoura própria de café é modesta, não podendo ser fonte dos rendimentos que se lhe imputam; que ganhava apenas R$ 1,00 por cada saca de café vendida;que apresentou diversos documentos que, contudo, não foram analisados pelo auditor; que não tem patrimônio que pudesse corresponder aos valores transitados por suas contas; que apresenta planilha no intuito de demonstrar que a maior parte dos valores transitados por suas contas eram imediatamente repassados aos produtores, tecendo considerações ainda sobre a legislação tributária e sobre o caráter excessivo e ilegal da multa de ofício, no patamar em que foi fixada, Em julgamento a 3a Turma da DRJ/SDR, em sessão de 04/12/2012, manteve o lançamento, aos fundamentos de que constatada a existência de depósitos de origem não comprovada nas contas correntes do contribuinte, cabelhe provar sua origem; que o contribuinte alega serem os valores provenientes da intermediação de venda de café, mas os elementos trazidos pelo mesmo aos autos não permitem comprovar a origem dos depósitos ou que sejam provenientes de transações relativas à produção de terceiros; que as notas fiscais em seu nome são prova robusta de que a produção vendida é sua própria; que a afirmação de que não possui patrimônio que corresponda aos rendimentos que lhe são imputados, tratase de argumento ineficaz, pois assim como rendimentos, o patrimônio também pode ser omitido; que não cabe no presente administrativo o questionamento das normas legais que orientam a fixação da multa de ofício. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10540.001723/200919 Acórdão n.º 2802002.358 S2TE02 Fl. 425 3 Intimado (fl.586), apresentou recurso voluntário a fl.589, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso é tempestivo e deve ser conhecido naquilo que constitui seu objeto, qual seja a omissão de rendimentos de atividade rural e depósitos bancários de origem não comprovada. O contribuinte trouxe aos autos espontaneamente provas de sua movimentação bancária, em atendimento a intimação do Fisco, levando o Fisco a subseqüente exigência de produção de prova da origem de depósitos bancários. Apesar de o contribuinte alegar ser intermediário de transações de compra e venda de café, traz aos autos notas fiscais de venda de café e declarações de supostos vendedores que supostamente lhe haveriam entregue a produção para venda, acompanhadas de recibos firmados pelos mesmos. Tenho que as declarações e os recibos de fls.79 e seguintes, comprovam ter o contribuinte atuado como intermediário em transações de venda de café, repassados aos vendedores nos seguintes meses e valores, em vários dos recibos constante a observação de já haver sido descontada a comissão correspondente: Janeiro de 2005 R$ 39.000,00 Fevereiro de 2005 R$ 20.500,00 Maio de 2005 R$ 38.000,00 Junho de 2005 R$ 146.500,00 Julho de 2005 R$ 43.800,00 Agosto de 2005 R$ 161.085,00 Novembro de 2005 R$ 120.000,00 Dezembro de 2005 R$ 19.235,00 TOTAL R$ 588.120,00 Fl. 426DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 A conjugação dos recibos em questão com as declarações que acompanham cada um deles permite considerar supridas eventuais omissões dos referidos recibos, como CPF do recebedor e endereços dos mesmos, ainda que singelos os endereços rurais indicados. Não sendo possível afiançar que os valores em questão correspondem às transações de venda de café comprovadas nos autos por notas fiscais em que figura como vendedor o contribuinte, é de se deduzilas do valor total referente às transações bancárias de origem não comprovada, de vez que mero trânsito de valores pela conta corrente do contribuinte, que não constituam rendimentos, não configuram o fato gerador do imposto de renda. Fazse a dedução pelos totais apurados no ano, de vez que não há necessidade de haver correlação estrita de datas entre o pagamento pelos compradores e o repasse dos valores correspondentes aos vendedores, pelo contribuinte, sendo compatível com o perfil de sua conta bancária, com entradas e saídas constantes de valores elevados, com as justificativas apresentadas pelo contribuinte. Isto posto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$588.120,00 (quinhentos e oitenta e oito mil e cento e vinte reais), mantendose quanto ao mais o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Declaração de Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso Não obstante o bom trabalho de auditoria fiscal e a minuciosa demonstração das razões da autoridade fiscal para não admitir os recibos como prova da origem dos recursos (Anexo E do auto de infração), a busca da verdade material exige ponderação entre o formalismo que exige a comprovação individualizada com coincidência de datas e valores com a verossimilhança das alegações do recorrente, quando é notória a existência de grande informalidade nas operações de intermediação envolvendo pequenos produtores rurais. Os depósitos mais expressivos foram efetuados por pessoas jurídicas, e até onde se pode presumir com base na denominação empresarial, são pessoas jurídicas ligadas ao ramo cafeeiro e/ou de alimentação. Os recibos, ainda que com fragilidades no aspecto formal, demonstram que o recorrente praticava a intermediação na venda de café. O recorrente alega que os produtores não possuíam conta corrente, alegação que não foi objeto de objeção pela fiscalização nem pela DRJ, e se admitido como verdadeiro tornaria inexigível a prova de que tais valores foram transferidos por meio de cheque aos produtores, o que fragiliza o Anexo E como argumento para rechaçar os recibos. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10540.001723/200919 Acórdão n.º 2802002.358 S2TE02 Fl. 426 5 O recorrente arrendou área de 2 hectares com direito à percepção de 80% da produção (fls. 77). Na sua DIRPF não constava qualquer propriedade rural, nem houve qualquer apontamento em sentido contrário por parte da fiscalização. Considerando a média de produtividade do café em 2005, na Bahia, divulgado no sítio na internet (por ex.: http://planetaorganico.com.br/site/index.php/relatorion5/), em valores inferiores a 21 sacas por hectares, e o total de sacas de café indicados nas notas fiscais de venda, podese com segurança admitir que as transações de café feitas pelo contribuinte em sua maioria eram a título de intermediação, o que empresta força aos recibos dos produtores rurais que atestam a intermediação. Nesse contexto, é legítimo compreender que a presunção legal de omissão de rendimentos não se aplicaria inteiramente ao caso concreto, de sorte que é adequado o entendimento trazido pelo relator no sentido de excluir do total dos rendimentos presumidamente omitidos em decorrência dos depósitos bancários o valor referente ao total dos recibos de intermediação de venda de sacas de café. Acompanho o relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10580.723447/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÃO PATRONAL EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
São devidas as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa.
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais.
ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação.
BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO.
A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO.
São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa de obrigação principal nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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São devidas as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar. MULTA DE MORA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 34 47 /2 00 9- 77 Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para recálculo da multa de obrigação principal nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 2402003.647 S2C4T2 Fl. 1.936 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 13/07/2009 para constituição de crédito sobre a prestação de serviço na condição de contribuinte individual e caracterização de segurado empregado. Foram lançadas as contribuições patronais. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÃO PATRONAL EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. São devidas as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais que prestam serviços à empresa. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal diz respeito a impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, não abarcando contribuições sociais. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Para ter direito à isenção das contribuições sociais a empresa deve cumprir todos os requisitos previstos na legislação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.º 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. São segurados obrigatórios na qualidade de empregados as pessoas físicas que prestam serviço de natureza urbana a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração. A relação de emprego é emergente dos fatos e não da mera titulação ou procedimento das partes em face da relação jurídica que pretende caracterizar. ... A Fiscalização constatou, através da análise dos documentos apresentados, que um grande número de pessoas físicas prestaram serviços ao contribuinte, em diversos projetos, durante o Exercício 2005, excluídas da folha de pagamento e da GFIP da Fundação. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Tratase de serviços prestados por professores, em cursos de especialização e extensão, contadores, engenheiros, eletricistas, vigias, dentre outros profissionais, com remunerações lançadas em contas de Passivo ou de despesa administrativa, denominadas Prestação de Serviço Pessoa Física e Horas aula/coordenação, por projeto. Ficou constatado que o contribuinte inclui em folha e declara em GFIP apenas os empregados, assim reconhecidos. Sobre a maior parte das remunerações pagas houve o desconto da contribuição do segurado, com lançamentos na conta INSS A RECOLHER, individualizada por projeto. Não foram verificados lançamentos referentes à contribuição patronal incidente sobre as remunerações dos prestadores de serviços. Considerando que estes prestadores constituem a maior parte do pessoal envolvido na execução das atividades da Fundação, a Fiscalização solicitou informações quanto à natureza dos serviços prestados e esclarecimentos sobre a omissão dos segurados e remunerações em GFIP, conforme TIF n° 02, de 25/05/09. Não foram apresentados os contratos, mas a instituição emitiu nota explicativa apenas em relação a professores da UFBA participantes dos projetos, anexa ao Relatório. Os lançamentos contábeis permitiram identificar dois tipos de verbas pagas a estes professores (13 listados): uma a título de Bolsa de extensão/pesquisa, e outra a título de remuneração por serviços prestados. Desta forma, com base nos recibos de pagamento e nos lançamentos nas contas de Prestação de Serviço Pessoa Física e Horas aula/coordenação, a Fiscalização concluiu pelo caráter remuneratório por contraprestação de serviço e apurou as contribuições devidas. Nos levantamentos CIN (contribuintes individuais com desconto antes MP 449/08), Z2 (contribuintes individuais com desconto pós MP 449/08), CIS (contribuintes individuais sem desconto antes MP 449/08), e Z3 (contribuintes individuais sem desconto pós MP 449/08) foram lançadas as remunerações dos prestadores de serviços quando não foi possível identificar todos os pressupostos que permitissem a caracterização de vínculo empregatício, enquadrandoos na definição do artigo 12, V, alínea "g" da Lei 8.212, de 1991. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Afirma que o Fisco, sem qualquer respaldo fático e jurídico, entendeu ter ocorrido relação de emprego no que toca a alguns prestadores de serviço, apesar de não se revestir das características necessárias para que se pudesse considerar vínculo empregatício. No mesmo sentido, é o caso do GILRAT, ou seja, referese às remunerações de segurados empregados, caracterizados desta forma pela fiscalização, apesar de se tratar de prestador de serviço, ou seja, contribuinte individual. Pontua que existem flagrantes situações que violam os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 2402003.647 S2C4T2 Fl. 1.937 5 processo legal, notadamente em seu viés substancial, vez que o AI não consigna os motivos fáticos e jurídicos integrais que fundamentam a conclusão, sendo certo, inclusive, que sequer explica como chegou ao valor cobrado. Ora, o Fisco previdenciário sequer informa qual foi o percentual de aplicação do GILRAT, impossibilitando o exercício da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal substancial. Registra a Impugnante que a multa/penalidade em virtude da não inclusão em folha de pagamento e GFIP dos prestadores de serviço já está sendo processada por meio de outro Auto de Infração — tais como o AI 37.220.2225 e AI 37.220.2128—, razão pela qual não deve servir de base para a questão discutida no presente Auto de Infração, sob pena de bis in idem. Salienta ainda que o Fisco entendeu não ter ocorrido o desconto da contribuição previdenciária do segurado prestador de serviço leiase, professores —, tendo em vista ter concluído pelo caráter remuneratório de tais bolsas de extensão/pesquisa e da remuneração pelos serviços prestados. É que o próprio arcabouço normativo aplicável ao caso em tela afasta a incidência de contribuição previdenciária sobre bolsa de estudos (bolsa de extensão/pesquisa), tendo em vista que não integra o salário de contribuição, conforme preconiza o art. 214, § 9°, XIX, do Decreto n° 3.048, de 1999. Pontua que, no intuito de otimizar o cumprimento de seu objeto social, a Impugnante, além de ter empregados, possui serviços prestados por terceiros contratados, sem vínculo empregatício, tratandose estes de contribuintes individuais, sendo certo que sem quaisquer das características da relação de emprego e sem nenhuma condenação neste sentido pela Justiça do Trabalho. Além disso, não se pode deixar de mencionar, também, que os empregados da Fundação Peticionária não desenvolvem atividades com grau de risco, pelo menos não com grau médio ou grave. Afirma que as contribuições previdenciárias patronais oriundas da contratação dos prestadores de serviços não declarados em GFIP e os sem desconto/retenção da contribuição previdenciária, apesar de ser discutíveis tais situações e demonstrado o contrário, foram devidamente recolhidas na forma prevista na legislação, o que poderá ser comprovado com perícia específica. Com fulcro no art. 150, VI, alínea “c” da Constituição Federal, afirma a Impugnante que é proibida a cobrança de impostos federais, estaduais e municipais, das organizações sem lucrativos, definidas como entidades de assistência social ou de educação, que preencham os requisitos da Lei. Já o art. 195, § 7º da CF, preconiza que são isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Conclui que as entidades sem fins lucrativos que dispõe de atividades sociais, Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 como é o caso da Impugnante, são imunes à contribuição patronal da previdência pública. Afirma que as exigências legais que devem ser observadas são aquelas estabelecidas em lei complementar, tendo em vista disposição constitucional expressa, sendo certo que qualquer outra exigência existente em lei ordinária (ou qualquer outro texto normativo, exceto a própria Constituição) não pode ser considerada em razão da flagrante inconstitucionalidade. Sendo mais específico, as exigências legais que devem ser observadas são aquelas constantes no Código Tributário Nacional (art. 14). Pontua ainda que as imunidades tributárias para serem reconhecidas não necessitam de outros atos por parte do Estado, bastando a comprovação do preenchimento dos requisitos mencionados no art. 14 do Código Tributário Nacional. Qualquer outra exigência, revestese de flagrante inconstitucionalidade. Argumenta que não poderia a Impugnante está sendo submetida a tais cobranças no presente Auto de Infração e nos demais lavrados pela nobre Auditora Fiscal, eis que fora excluída do cumprimento de tal mister através do benefício da imunidade tributária concedido diretamente da Constituição Federal, complementada pelo Código Tributário Nacional (lei complementar), porquanto, é entidade sem fins lucrativos atuante no ramo da educação, gozando, assim, das duas imunidades, referentes à contribuição social, e aos impostos sobre seu patrimônio, renda e serviços. Afirma que a referida imunidade tributária passou a integrar o patrimônio jurídico da organização Impugnante, constituindo em um Direito subjetivo da mesma, até porque lhe foi gerada a confiança de que estava dispensada do recolhimento dos tributos, não deve lhe ser imputado agora o inadimplemento da obrigação tributária que não lhe poderia ser cobrado. Aduz que, quanto ao aspecto subjetivo, ou seja, o sujeito passivo da contribuição, remetese ao quanto esposado anteriormente, ou seja, a questão da imunidade tributária da Impugnante. A organização Impugnante não é sujeito passivo da contribuição social, tendo em vista, justamente, a imunidade tributária concedida diretamente da constituição, complementada pelo Código Tributário Nacional. Quanto ao aspecto material, temse que o fato gerador da contribuição social referente ao GILRAT é pagar ou creditar remuneração a segurados empregados ou trabalhadores avulsos (não incluídos os contribuintes individuais). Ora, as relações jurídicas apontadas pelo Fisco são todas de contribuintes individuais, sendo certo, como visto, que não perfaz a condição material de incidência da referida contribuição social patronal. Registra a Impugnante que o único dos requisitos caracterizadores de vínculo empregatício presente no caso em tela era a remuneração. Este requisito, considerado isoladamente ou até mesmo em conjunto com a periodicidade , não tem o condão de descaracterizar o contrato de prestação de serviços para caracterizálo como empregatício. Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 2402003.647 S2C4T2 Fl. 1.938 7 Afirma que é inviável, em âmbito fora da Justiça do Trabalho, o reconhecimento de vínculo empregatício, sendo certo que a conduta da nobre Auditora Previdenciária, em que pese a previsão no Decreto nº 3.048/99, não possui nenhuma legitimidade/competência. Menciona a Impugnante que existe limite máximo para incidência da contribuição previdenciária, inclusive em relação ao contribuinte individual. Com efeito, os valores dos contribuintes individuais que não foram tributados/retidos decorreram do fato de respeitar o limite máximo, haja vista que este já tinha sido atingido, afastandose a incidência da cobrança previdenciária. Segundo o fisco previdenciário, há divergência entre o total das remunerações declaradas em GFIP e as folhas de pagamento da empresa, razão pela qual lançou as diferenças da base de cálculo e o desconto do segurado no levantamento. Com efeito, o simples fato de existir diferenças entre o total das remunerações declaradas em GFIP e as folhas de pagamento da empresa significa dizer que nem tudo que está na folha de pagamento é remuneração tributável pela previdência, constituindo a mesma de verbas ressarcitórias e afins, verbas estas que não integram o salário de contribuição. O Fisco informa que o levantamento feito no caso em tela se deu por amostragem, apesar de ter aplicado penalidade integral. Registrese, inclusive, que não há previsão legal para a punição em decorrência de simples amostragem, recaindo em flagrante nulidade. Assim, por mera amostragem e por simples divagação intelectual, a nobre Auditora Fiscal entendeu ter ocorrido existência de vínculo de emprego, descaracterizando a relação jurídica travada entre a organização civil Peticionária e os prestadores de serviços, além de não ter analisado toda a documentação contábil da mesma. Nesse sentido, até para resguardar os Direitos da Peticionária e evitar nulidade no procedimento administrativo fiscal, impõese a realização de perícia in loco para averiguar o tipo de relação existente entre a Peticionária e os prestadores de serviços, bem como perícia contábil para analisar a sua contabilidade, notadamente no que diz respeito ao Livro Diário (especialmente o n° 07) e Razão, recibos de pagamento, GPS, GFIP, recibos de pagamentos a autônomos, folha de pagamentos e resumo, livro de registros de empregados e suas funções, cadastros de prestadores de serviços, arquivos digitais da contabilidade c comprovantes de recolhimentos (empregado, patronal e terceiros prestadores de serviços). Em síntese: a) Prejuízo à defesa por omissão de informações no lançamento; Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 b) alguns dos prestadores de serviços são professores universitários colaboradores com os projetos da fundação e os valores percebidos são bolsas; portanto, sem a incidência da contribuição previdenciária; c) não há incidência de GILRAT sobre os pagamentos aos contribuintes individuais; d) goza de imunidade de contribuições previdenciárias e outros tributos; e e) é improcedente a caracterização de vínculo de emprego. É o Relatório. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 2402003.647 S2C4T2 Fl. 1.939 9 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. As informações alegadas como omitidas do lançamento em prejuízo à defesa estão nos anexos do relatório fiscal, como advertido pela decisão recorrida, e todas as demais podem ser verificadas nos próprios documentos que compõem a escrituração do recorrente através das indicações também no relatório fiscal e seus anexos. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 2402003.647 S2C4T2 Fl. 1.940 11 Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito Ao contrário do que afirma a recorrente, a fiscalização não realizou o lançamento sobre os pagamentos comprovadamente a título de bolsa pela colaboração em projetos de pesquisa. Conforme os documentos a partir das fls. 59, ficou comprovado que, de fato, as funções exercidas não são de ensino, pesquisa e extensão como preconiza a Lei nº 8.958/94, são funções de natureza administrativa ou operacional: Art. 4º As instituições federais contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º desta lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das instituições federais contratantes nas atividades previstas no art. 1º desta lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, concederem bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão. Ainda assim, a fiscalização não caracterizou todos os prestadores de serviços como empregados, mas tão somente aqueles em que possível a comprovação dos pressupostos da relação empregatícia. Os demais foram considerados contribuintes individuais. Também, conforme o Discriminativo Analítico do Débito – DAD, a contribuição ao GILRAT somente foi lançada para os que, comprovadamente, são segurados empregados. Quanto à imunidade, independentemente da discussão sobre a necessidade requerimento para seu gozo, o recorrente não atende aos requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, vigentes à época. Até o momento, por exemplo, não juntou aos autos o Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Multa Insurgese a recorrente quanto a multa aplicada. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 2402003.647 S2C4T2 Fl. 1.941 13 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Fl. 1947DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão1: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: 1 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 1948DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 2402003.647 S2C4T2 Fl. 1.942 15 ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados Fl. 1949DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 Fl. 1950DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 2402003.647 S2C4T2 Fl. 1.943 17 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.723447/200977 Acórdão n.º 2402003.647 S2C4T2 Fl. 1.944 19 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Prova pericial Quanto à produção de prova pericial, em razão da clareza do lançamento é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Inconstitucionalidade Quanto as demais alegações, a regra no artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por tudo, voto pelo provimento parcial para que seja aplicada a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75% previsto no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.003557/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício. 2004
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO
AS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA
FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações
financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL - ÔNUS DA PROVA - O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos deve ser apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis
com a renda declarada disponível (tributada, não tributável ou tributada exclusivamente na fonte).
SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA
PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A evidência
da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de
Ajuste Anual, de rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização.
Preliminar rejeitada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.174
Decisão: ACORDAM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para
desqualificar a multa de oficio reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: Nelson Mallmann
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício. 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO AS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL - ÔNUS DA PROVA - O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos deve ser apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributável ou tributada exclusivamente na fonte). SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.
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I -.......,-,._ MINISTÉRIO DA FAZENDA•Kty.: 64./Z . CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .. erçA n SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10580.003557/2007-57 Recurso n° 163.733 Voluntário Acórdão n° 2202-00.174 — 2' Câmara / 2* Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2009 Matéria IRPF Recorrente EVÓRCIO AGUIAR BOTELHO FILHO Recorrida 3a TURMA/DRJ-SALVADOR/BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício. 2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO AS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n. ° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL - GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DECLARADA - LEVANTAMENTO PATRIMONIAL - FLUXO FINANCEIRO - BASE DE CÁLCULO - APURAÇÃO MENSAL - ÔNUS DA PROVA - O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos deve ser apurado, mensalmente, considerando-se todos os ingressos e dispêndios realizados, no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributável ou tributada exclusivamente na fonte). SANÇÃO TRIBUTÁRIA - MULTA QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, --/----------- 1 Processo e 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 2 da Lei ri° 9.430, de 1996, já que ausente conduta material bastante para sua caracterização. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da 2' Turma Ordinária da 2' Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 4 70;11 1( tida . P eside , -/ Relator 28 AGO 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN (Presidente da Turma), MARIA LÚCIA MONIZ DE ARAGÃO CALOMINO ASTORGA, HELOÍSA GUARITA SOUZA, ANTONIO LOPO MARTINEZ, PEDRO ANAN JÚNIOR e GUSTAVO LIAN HADDAD (Vice Presidente da Turma). 2 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.°2202-00.174 Fl. 3 Relatório EVORCIO AGUIAR BOTELHO FILHO, contribuinte inscrito no CPFTMF sob o n.° 786.211.865-00, com domicilio fiscal na cidade de Salvador, Estado da Bahia, na Rua Cannem Miranda, n° 52 — apto 402, Bairro Pituba, jurisdicionado a DRFB em Salvador - BA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 215/217, prolatada pela Terceira Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador - BA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 220/227. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 10/05/07, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 004/009), com ciência através de AR em 15/05/2007 (fls. 165), exigindo-se o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 172.490,84 (Padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de imposto de renda pessoa física, acrescido da multa de lançamento de oficio qualificada de 150% e dos juros de mora de, no mínimo, 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo ao exercício de 2004, correspondente ao ano-calendário de 2003. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de Imposto de Renda, onde a autoridade lançadora entendeu haver omissão de rendimentos, onde se verificou excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados / comprovados, no ano-calendário de 2003. Infração capitulada nos artigos 1° ao 3° e parágrafos, da Lei n° 7.713, de 1988; artigos 1° e 2°, da Lei n° 8.134, de 1990; artigo 6° e parágrafos, da Lei n°8.021, de 1990 e artigo 9° e parágrafos, da Lei n°8.846, de 1994. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do próprio Auto de Infração, entre outros, os seguintes aspectos: - que o contribuinte realizou gastos com cartões de crédito no ano-calendário de 2003 nos valores de R$ 37.435,02 (Cartão VISA-UNIBANCO n° 4011.6702.3377.2010), R$ 420,65 (Cartão VISA-UNIBANCO n° 4011.6702.3377.2036) e R$ 22.348,16 (Cartão CREDICARD n° 0036.2138.7283.2768), R$ 45.383,89 (Cartão American Express n° 3764.415511.23005), R$ 107.440,89 (Cartõ Americam Express n° 3764.497715.03005) e R$ 20.525,61 (Cartão American Express n° 3766.277864.52002), totalizando os gastos em R$ 233.554,22; - que o rendimento declarado através da Declaração de Ajuste Anual Simplificada foi de R$ 15.436,20; - que em atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização, o contribuinte apresentou uma declaração escrita onde informa que: (a) Não mais possui os comprovantes de pagamento das despesas com cartão de crédito do ano de 2003, visto que somente os guarda por 01 (um) ano; (b) Quanto à origem dos recursos são aqueles declarados na Declaração de Ajuste Anual do IRPF e informa ainda que as despesas foram feitas por solicitação de amigos e também para "ganhar milhas" e que era reembolsado pelas despesas pagas com os cartões de crédito de sua titularidade; 3 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.174 Fl. 4 - que como as justificativas apresentadas pelo contribuinte não foram comprovadas por documentação hábil e idônea, lavramos o presente Auto de infração com a tributação da diferença apurada entre o valor dos gatos (R$ 233.554,22) e o rendimento declarado (R$ 15.436,20), sendo tributado o valor de R$ 218.118,02. Em sua peça impugnatória de fls. 167/174, instruída pelos documentos de fls. 178/214, apresentada, tempestivamente, em 11/06/07, o contribuinte, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: - que os autos versam sobre auto infracional contendo lançamento tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, sob a alegação de omissão de rendimentos originários de valores pretensamente movimentados por cartão de crédito em nome do impugnante, sob o amparo do artigo 42, da Lei n°9.430, de 1996; - que o presente auto infracional não pode sustentar-se, em razão de que eventuais valores movimentados pelo impugnante por cartão de crédito não equivale à receita tributável, o que eiva de inconstitucionalidade e ilegalidade o presente feito administrativo; - que os aludidos valores corresponderam a despesas efetuadas pelo impugnante, quando teve que manter-se no exterior, custeando suas despesas básicas, como alimentação, vestuário, saúde e locomoção; - que ao contrário do quanto versado no r. entendimento objurgado e mesmo a despeito do caput do artigo 42, da Lei n°9.430, de 1996, não houve omissão de rendimentos por parte do impugnante, para fins de tributação pelo IRPF; - que, isso porque, a movimentação bancária, assim como valores pagos por cartão de crédito, não corporificam fato gerador do imposto sobre a renda, já que movimentação de valores é estoque e não fluxo, e não sendo fluxo não tipifica renda. Juridicamente, só o fluxo tem a conotação de acréscimo patrimonial; - que, ademais, há plena comprovação da origem dos valores movimentados durante a fase instrutória, atestando que os valores movimentados por cartão de crédito correspondem a despesas contraídas pelo impugnante, o que não representa renda tributável, nos termos dos artigos 43, 44 e 45, do Código Tributário Nacional, na dicção constitucional, urna vez que não houve acréscimo patrimonial; - que, ademais, houve indevida e inconstitucional quebra de sigilo bancário do impugnante, o que deve ser reparado, por violação ao direito fundamental do sigilo conforme artigo 5°, da Constituição Federal. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo contribuinte a Terceira Turma da Delegacia da Receita federal do Brasil de Julgamento em Salvador - BA conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: - que a Lei Complementar n° 105/2001 permite que a Receita Federal tenha acesso às informações bancárias, independentemente de autorização judicial; 4 Processo n0 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.174 Fl. 5 - que o lançamento não se baseou no artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996, que trata dos depósitos bancários de origem não comprovada, como afirma o impugnante, mas sim especificamente no artigo 6° da Lei n° 8.021, de 1990; - que não foi apresentada pelo interessado qualquer prova das suas alegações de que os gastos foram realizados com recursos disponíveis. Não tem, portanto, qualquer eficácia a argumentação tautológica do impugnante de que os gastos seriam apenas gastos e mais nada, pois não atingem a premissa básica do lançamento (e da própria Lei), qual seja: os gastos não justificados pelos rendimentos declarados. Não é tampouco relevante determinar se as despesas foram realizadas no Brasil ou no exterior, pois o contribuinte se submete à tributação no País. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário: 2003 GASTOS INCOMPATÍVEIS. CARTÕES DE CRÉDITO. Os gastos que superam os recursos declarados revelam rendimentos tributáveis omitidos. Lançamento Procedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 08/10/07, conforme Termo constante às fls. 218/219 e 232, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (07/11/07), o recurso voluntário de fls. 220/227, instruído pelos documentos de fls. 229/231 no qual demonstra irresignação contra a decisão acima, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n." 2202-00.174 Fl. 6 Voto Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. No presente litígio está em discussão, como se pode verificar no Auto de Infração, especificamente na descrição dos fatos e enquadramento legal, omissão de rendimentos caracterizado por acréscimo patrimonial a descoberto. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi, preliminarmente, a nulidade do auto de infração, amparado na tese da ilegalidade da quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa sem autorização judicial e, no mérito, tece várias considerações sobre a impossibilidade de se tributar os valores lançados, já que entende que o lançamento estaria amparado no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, ou seja, que o lançamento fosse oriundo de depósitos bancários cuja origem não foi justificada. Quanto ao entendimento que o suplicante tem de que o lançamento não pode prosperar em razão de que as provas fiscais teriam sido obtidas por autoridades fazendárias através de procedimentos inteiramente ilícitos, sob o entendimento de que o fato ocorrido foi uma solicitação indevida dos gastos com cartões de crédito, ou seja, houve a quebra do sigilo bancário de forma irregular e obtenção de provas por meios ilícitos, não tem razão o suplicante pelos motivos abaixo alinhavados. Por tudo que dos autos consta, não houve qualquer irregularidade na obtenção dos gastos com cartão de crédito que deram origem ao lançamento em discussão. De se ver. Não há dúvidas, que toda a controvérsia de fato resume-se na discussão do sigilo de informações no Mercado Financeiro e de Capitais, ou seja, sigilo bancário. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5° e 6° do artigo 38, da Lei n°4.595, de 1964 e no artigo 8° da Lei n°8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Apesar de existir intermináveis discussões quanto à natureza do sigilo bancário, entendo que tal garantia, insere-se na esfera do direito à privacidade, traduzido no artigo 50, inciso X, da Constituição Federal. 6 Processo n°10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 A. 7 Por outro lado, entendo que o direito à privacidade não é ilimitado, tendo em vista o princípio da convivência de liberdades. Assim, não se pode, sob o manto da privacidade, pretender acobertar indistintamente qualquer irregularidade que seja objeto de apuração pelo fisco, ou seja, os direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal não se prestam a servir de manto protetor a comportamentos abusivos, e nem tampouco devem prevalecer diante de fatos que possam constituir crimes. Sejam eles crimes tributários ou não. Não tenho dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preserva-se a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocá-la para abster-se de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. Da mesma forma, a quebra do sigilo bancário não afronta aos incisos X e XII do art. 5° da Constituição Federal de 1988. O Supremo Tribunal Federal já decidiu que: Ementa: Inquérito. Agravo regimental. Sigilo bancário. Quebra. Afronta ao artigo 5°, Xe XII, da CF: Inexistência. (.). 1— A quebra do sigilo bancário não afronta o artigo 5°, X e XII. da Constituição Federal (Precedentes: PET. 577). (Ac. Do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no AGRINQ- 897/DF, reL Min. Francisco Rezek, j. em 23.11.94). Ora, é cediço que o sigilo bancário não tem caráter incontestável nem absoluto, pois deve sempre estar submetido, como direito individual que é, aos interesses da sociedade em geral e, por conseguinte, ao interesse maior da preservação dos comandos estabelecidos pela lei. Diz a Lei n°4.595, de 1964: Art. 38 — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. ,f 1° As informações e esclarecimentos ordenados pelo Poder Judiciário, prestado pelo Banco Central da República do Brasil ou pelas instituições financeiras, e a exibição de livros e documentos em juízo, se revestirão sempre do mesmo caráter sigiloso, só podendo a eles ter acesso às partes legitimas na causa, que deles não poderão servir-se para fins estranhos à mesma. ° O Banco Central da República do Brasil e as instituições financeiras públicas prestarão informações ao Poder Legislativo, podendo, havendo relevantes motivos, solicitar sejam mantidas em reserva ou sigilo. 7 Processo rr 10580.00355712007-57 S2-C2T2 Acórdão ri.• 2202-00.174 Ft 8 § 3° As Comissões Parlamentares de Inquérito, no exercício da competência constitucional e legal de ampla investigação obterão as informações que necessitarem das instituições financeiras, inclusive através do Banco Central da República do § 4° Os pedidos de informações a que se referem os §§ 2°e 3°, deste artigo, deverão ser aprovados pelo Plenário da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, quando se tratar de Comissão Parlamentar de Inquérito, pela maioria absoluta de seus membros. § 5 0 Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6° O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. Nos termos da lei, acima mencionada, o sigilo bancário será quebrado sempre que houver processo instaurado e a autoridade fiscalizadora considerar necessário, pois é sabido que os estabelecimentos vinculados ao sistema bancário não poderá eximir-se de fornecer à fiscalização, em cada caso especificado pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, cópias das contas correntes de seus depositantes ou de outras pessoas que tenham relações com tais estabelecimentos, nem de prestar informações ou quaisquer esclarecimentos solicitados, se a autoridade fiscal assim o julgar necessário, tendo em vista a instrução de processo para qual essas informações são requeridas. É evidente, que a possibilidade da quebra do sigilo bancário é de natureza excepcional, e o artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964, arrola as oportunidades em que terceiros tem acesso ao conhecimento de dados e informações de operações realizadas no mercado financeiro pelos seus investidores/clientes. Os parágrafos, do artigo anteriormente citado, estabelecem, de forma clara, quais são as autoridades que tem acesso a estas informações, ou seja, Poder Judiciário (§ 1 0); Poder Legislativo (§ 2°); Comissões Parlamentares de Inquérito (§ 3°) e os agentes fiscais do Ministério da Fazenda e dos Estados (§§ 5° e 6°). O texto acima estabelece com clareza a obrigatoriedade que os bancos tinham de permitir aos agentes fiscais o exame dos registros de contas de depósitos. Para isto, bastaria demonstrar a existência de processo fiscal e declarar que tal documentação era indispensável à investigação em curso. Desta forma, entendo que fica demonstrado que, já em 1964, os bancos estavam obrigados a fornecer à fiscalização documentação a respeito de transações com seus clientes. Não há como discordar que a expressão "processo instaurado" se refere ao "processo administrativo fiscal", já que em caso contrário não haveria a necessidade de existirem os parágrafos 50 e 6° do referido diploma legal. Processo n°10580.003557/2007-57 52-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 9 Assim, fica evidenciado que para a Administração Tributária Federal ter acesso a informações relativo às atividades e operações no mercado financeiro e de capitais realizadas pelos contribuintes pessoas fisicas e/ou jurídicas, estaria condicionada a observância de certos requisitos, quais sejam: ter processo administrativo fiscal instaurado; que as informações a serem solicitadas fossem indispensáveis e que estas informações não poderiam ser reveladas a terceiros. Já, por outro lado, em 1966, a Lei n.° 5.172 (Código Tributário Nacional) promoveu alterações no dispositivo acima transcrito, eliminando a exigência de prévia existência de processo. No art. 197 o Código Tributário Nacional dispõe: Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Após a edição do Código Tributário Nacional, o Decreto n.° 1.718, de 1979 reforçou a obrigatoriedade que têm as Instituições Financeiras de prestar informações às autoridades fiscais. No art. 2° daquele ato legal foi estabelecido: Continuam obrigados a auxiliar a fiscalização dos tributos sob administração do Ministério da Fazenda, ou quando solicitados a prestar informações, os estabelecimentos bancários, inclusive as Caixas Econômicas, os Tabeliães e Oficiais de registro, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, as Juntas Comerciais ou as repartições e autoridades que as substituírem, as Bolsas de Valores e as empresas corretoras, as Caixas de Assistência, as Associações e Organizações Sindicais, as Companhias de Seguros, e demais entidades ou empresas que possam, por qualquer forma, esclarecer situações para a mesma fiscalizaçã o. Já no comando da Lei n.° 8.021, de 1990, esta obrigatoriedade é mais abrangente incluindo Bolsa de Valores e Assemelhadas, além das Instituições Financeiras, cuja redação diz o seguinte: Art. 7 0 - A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8° - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n.°4.595, de 31 de dezembro de 1964. 9 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 10 Parágrafo único - As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § I° do art. 7°. Evidente está, diante das normas legais acima transcritas, que as instituições financeiras não podem invocar o dever de sigilo bancário quando da efetivação, por parte da Fazenda Pública, de pedido de informações acerca de um terceiro, existindo processo administrativo fiscal que permita tal solicitação. Não há que se falar, portanto, em quebra do sigilo bancário, uma vez que a autoridade fazendária encontra-se legalmente obrigada a manter os dados recebidos sob sigilo, conforme impõe o parágrafo 6° do artigo 38 da Lei n° 4.595, de 1964. Os dispositivos legais acima citados, não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, dão respaldo ao procedimento da fiscalização. Por esta razão, rejeita-se o argumento de que os documentos foram obtidos de forma ilícita. O sigilo bancário, face à farta legislação existente, não pode ser argüido com a finalidade de negar informações ao fisco. A Lei n.° 8.021, de 1990 revoga, para fins fiscais, a obrigatoriedade das instituições financeiras a conservar sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados, estabelecido no art. 38 da Lei n.° 4.595, de 1964. Este último dispositivo legal já estabelecia em seus parágrafos 5° e 6° que: 5° - Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. 6° - O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. Resta claro, portanto, a possibilidade da administração fazendária solicitar aos estabelecimentos bancários às informações que esses detenham em relação aos contribuintes para os quais exista procedimento fiscal em andamento, sem que seja necessário demonstrar os motivos que conduziram a tal requisição. Agora sob o comando da Lei Complementar n.° 105, de 10 de janeiro de 2001, esta condição é indiscutível, cuja redação diz o seguinte: • Art. I ° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (.) § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: 10 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. II 1 — a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II — o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III — o fornecimento das informações de que trata o sç 2° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV — a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V — a revela 00 de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° e 9° desta Lei Complementar. C.) Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em • curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Art. Revoga-se o art. 38 da Lei n°' 4.595, de 31 de dezembro de 1964. A edição desse dispositivo de lei complementar se fez indispensável, em virtude de divergência interpretativa que havia sido estabelecida acerca do tema, especialmente em face de decisão de uma das Turmas do Superior Tribunal de Justiça, no qual ficou assentado que o termo "processo", empregado no artigo 38, § 5°, da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964, se referia a processo judicial e não processo administrativo, que a expressão autoridade competente se referia à autoridade judiciária, não a autoridade administrativo-fiscal. Cuidou, assim, o preceptivo legal em questão — que revogou expressamente, em seu artigo 13, o artigo 38 da Lei n°4.595, de 1964 -, de chancelar uma exceção à regra do sigilo bancário já prevista na lei anterior, agora com toda a clareza, sem deixar margem à I I Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 12 interpretação equivocada ou distorcida, ao declarar expressamente que o processo mencionado é o administrativo; que a autoridade competente, para fins da lei, é a administrativa. Ora, se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Nesse sentido, leia-se a opinião de Bernardo Ribeiro de Moraes, contido no Compêndio de Direito Tributário, Ed. Forense, la. Edição, 1984, pág. 746: O sigilo dessas informações, inclusive o sigilo bancário, não é absoluto. Ninguém pode se eximir de prestar informações, no interesse público, para o esclarecimento dos fatos essenciais e indispensáveis à aplicação da lei tributária. O sigilo, em verdade, não é estabelecido para ocultar fatos, mas sim, para revestir a revelação deles de um caráter de excepcionalidade. Assim, compete à autoridade administrativa, ao fazer a intimação escrita, conforme determina o Código Tributário Nacional, estar diante de processos administrativos já instaurados, onde as respectivas informações sejam indispensáveis. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam do assunto, os Auditores-Fiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar, que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. • Da mesma forma, discordo daqueles que defendem a ilegalidade da aplicação retroativa da Lei Complementar n° 105, de 2001, sob o argumento que em face ao princípio constitucional que veda a aplicação retroativa da lei, a mesma (LC n° 105, de 2001), não poderia ter sido tomada pelas autoridades fiscais para respaldar a obtenção e o exame da movimentação bancário anterior ao ano-calendário de 2001. 12 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 13 Ora, é sabido que a matéria relativa à aplicação da lei no tempo pelo lançamento, é regulada no art. 144 e parágrafos da Lei n°5.172, de 1966— CTN, que diz: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1° Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste Ultimo caso, para efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Nesta hipótese, a tese é de que a Lei Complementar n° 105, de 2001, não poderia retroagir, já que não tem natureza procedimental e sim dispõe de conteúdo material, cuja aplicação retroativa é vedada pelo disposto nos artigos 105, 106 e 144, "caput", do CTN. Ora, é sabido que as leis de procedimento, como o é a Lei Complementar n° 105, de 2001, são aplicáveis ao processo no estado em que se encontra, já que a mesma não é lei tributária, ou seja, não é uma lei cuja natureza jurídica seja estabelecer qualquer matéria tributável. Indiscutivelmente é sabido que o "caput" do art. 144 do CTN se refere à regra de direito material, ou seja, regula o ato administrativo do lançamento em seu conteúdo substancial, enquanto que os seus parágrafos contêm solução aplicável ao procedimento fiscal, processo ou aspecto formal do lançamento. É evidente que o § 1° do art. 144 do CTN, regula matéria diferente de seu "caput", nota-se que consagra a regra da aplicação imediata da legislação vigente ao tempo do lançamento, quando tenha instituído novos critérios de apuração ou de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Nesse diapasão, o tributarista Jose Souto Maior Borges, em sua obra "Lançamento Tributário" - 2' edição, Malheiros Editores Ltda. — ao tratar do direito intertemporal e lançamento, assim preleciona: Lançamento está, aí, no art. 144, caput, no sentido de ato do lançamento. O vocábulo é, no Código Tributário Nacional, plurissignificativo. Ora é referido ao ato, ora ao procedimento que o antecede. Diversamente, já no seu § 1 0 0 art. 144 reporta- se ao procedimento administrativo de lançamento. A este se aplica, ao contrário, a legislação que posteriormente à data do fato jurídico tributário tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas ou outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. O art. 144, § 1°, disciplina o procedimento administrativo do lançamento, em contraposição ao caput desse dispositivo, que se aplica ao ato de lançamento. Duas realidades normativas 13 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.174 n.14 diversas e submetidas, por isso mesmo, a disciplina jurídica nitidamente diferenciada no Código Tributário Nacional. Ao ato de lançamento aplica-se, em qualquer hipótese, a legislação contemporânea do fatojurídico tributário. Ao procedimento de lançamento, todavia, aplica-se legislação que, se confrontada temporalmente com o fato jurídico tributário, venha posteriormente e estabelecer as alterações estipuladas no ,f 1° do art. 144. Se não sobrevier ao fato jurídico — enquanto in fieri o procedimento de lançamento — legislação nova, aplicar-se-lhe-á também a legislação coetânea à data do fato jurídico tributário. Da mesma forma, existem julgados no âmbito do Poder Judiciário que respaldam o entendimento anteriormente citado, conforme se pode constatar nas decisões abaixo transcritas: Sentença proferida pelo Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n° 2001.04.01.045127-8/SC, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPASSE DE DADOS RELATIVOS A CPMF PARA FINS DE FISCALIZAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. SIGILO BANCÁRIO. O acesso da autoridade fiscal a dados relativos à movimentação financeira dos contribuintes, no bojo de procedimento fiscal regularmente instaurado, não afronta, a priori, os direitos e garantias individuais de inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas e de inviolabilidade do sigilo de dados, assegurados no art. 5°, incisos X e XII da CF/88, conforme entendimento sedimentado no tribunal. No plano infraconstitucional, a legislação prevê o repasse de informações relativas a operações bancárias pela instituição financeira à autoridade fazendária, bem como a possibilidade de utilização dessas informações para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a imposto e contribuições e para lançamento do crédito tributário porventura existente (Lei 8.021/90, Lei 9.311/96, Lei 10.174/2001, Lei Complementar 105/2001). As disposições da Lei n° 10.174/2001 relativas à utilização das informações da CPMF para fins de instauração de procedimento fiscal relacionado a outros tributos não se restringem a fatos geradores ocorridos posteriormente à edição da lei, pois, nos termos do art. 144. I°, do C77V, aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Sentença proferida pela l' Turma do Tribunal Regional Federal da Quarta Região, nos autos de Agravo de Instrumento n" 2002.04.01.003040-O/PR, da qual se faz necessário à transcrição da ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LCP n° 105/01. procedimento de fiscalização. / %7 14 Processo n°10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.174 Fl. 15 Quebra de sigilo. Inocorrência. I. a Lei 10.174/01, que deu nova redação ao § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, permitindo o cruzamento de informações relativas a CPMF para a constituição de crédito tributário pertinente a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, disciplina o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessa informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos, (C77V art. 144, § 19. Trata-se de aplicação imediata da norma, não se podendo falar em retroatividade. 2. O art. 6° da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/01, autoriza a autoridade fiscal a requisitar informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, desde que já instaurado o procedimento de fiscalização e o exame dos documentos sejam indispensáveis à instrução, preservando o caráter sigiloso da informação. 3. O acesso à informação junto a instituições financeiras, para fins de apuração de ilícito fiscal, não configura ofensa ao princípio da inviolabilidade do sigilo bancário, desde que cumpridas as formalidades exigidas pela Lei Complementar n° 105/01 e pelo Decreto n° 3.724/01. A questão em debate já foi objeto de exame pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o qual tende por firmar jurisprudência de que a regra do artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001 é de natureza procedimental (CTN, art. 144, I), de sorte que nada impede a autoridade fiscal dela se servir para obter informações bancárias pretéritas de contribuintes sob fiscalização. A título de exemplo, veja-se o teor do acórdão da Primeira Turma do aludido tribunal, proferido em 02/12/03 no julgamento do Recurso Especial n°506.232 — PR (Diário da Justiça de 16/02/04 — p. 00211): EMENTA - TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTER TEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUITOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1° DO CTN. 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiem a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regulamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei n° 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da 15 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.174 Fl. 16 Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3° do art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art 6° dispõe: "Art. 6 As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente." 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, tem aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7. A exegese do art. 144, § I° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6° da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8. Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial provido. Em síntese é de se concluir, que as leis que regulam os aspectos formais do lançamento têm aplicação imediata, ou seja, passam a regular a atividade de lançamento na data em que o ato é exercido, ainda que a lei tenha vigência posterior à ocorrência da obrigação. Essa compreensão é perfeitamente válida para as leis que tenham instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, visando à ampliação de poderes de investigação das autoridades fiscais. 16 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 17 É de se concluir, que na situação analisada, com a entrada em vigor da Lei Complementar n° 105, de 2001, foi facultado à autoridade fiscalizadora obter diretamente das instituições, sem necessidade de ordem judicial, extratos de contas bancárias e outros documentos de contribuintes submetidos à fiscalização, inclusive de períodos pretéritos à edição da aludida lei. Como também, nesta linha de pensamento argumentativo, não há que falar em ato jurídico perfeito, coisa julgada e direito adquirido, para contestar a aplicação da Lei Complementar n° 105, de 2001, uma vez que esses institutos não alcançam normas de caráter adjetivo, externas aos aspectos concernentes do fato gerador, e que visam à melhoria dos processos de fiscalização e apuração, como é o caso dos dispositivos legais combatidos. Quanto ao acréscimo patrimonial a descoberto é de se dizer que da análise dos autos do processo se verifica que a autoridade lançadora constatou, através do levantamento de entradas e saídas de recursos — fluxo financeiro ("fluxo de caixa"), que o contribuinte apresentou, durante o ano-calendário de 2003, saldo negativo, representando desta forma presunção de omissão de rendimentos, já que consumia/aplicava mais do que possuía de recursos com origem justificada, através de rendimentos tributados, não tributáveis, isentos, tributados exclusivamente na fonte, ou que provinham de empréstimos, doações etc. Não há dúvidas nos autos, que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal", ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Sobre este "acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo" cabe tecer algumas considerações. Sem dúvida, sempre que se apura de forma inequívoca um acréscimo patrimonial a descoberto, na acepção do termo, é lícito à presunção de que tal acréscimo foi construído com recursos não indicados na declaração de rendimentos do contribuinte. A situação patrimonial do contribuinte é medida em dois momentos distintos. No início do período considerado e no seu final, pela apropriação dos valores constantes de sua declaração de bens. O eventual acréscimo na situação patrimonial constatado na posição do final do período em comparação da mesma situação no seu início é considerado como acréscimo patrimonial. Para haver equilíbrio fiscal deve corresponder, tal acréscimo (que leva em consideração os bens, direitos e obrigações do contribuinte) deve estar respaldado em receitas auferidas (tributadas, não tributadas ou tributadas exclusivamente na fonte). No caso em questão, a tributação não decorreu do comparativo entre as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período, ou seja, na acepção do termo "acréscimo patrimonial". Portanto, não pode ser tratada como simples acréscimo patrimonial. Desta forma, não há que se falar de acréscimo patrimonial a descoberto apurado na declaração anual de ajuste. Vistos esses fatos, cabe mencionar a definição do fato gerador da obrigação tributária principal que é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (art. 114 do CIN). 17 Processo n°10580.00355712007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 18 — Esta situação é definida no art. 43 do CTN, como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, que no caso em pauta é a omissão de rendimentos. Ocorrendo o fato gerador, compete à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível (CTN, art. 142). Ainda, segundo o parágrafo único, deste artigo, a atividade administrativa do lançamento é vinculada, ou seja, constitui procedimento vinculado à norma legal. Os princípios da legalidade estrita e da tipicidade são fundamentais para delinear que a exigência tributária se dê exclusivamente de acordo com a lei e os preceitos constitucionais. Assim, o imposto de renda somente pode ser exigido se efetivamente ocorrer o fato gerador, ou, o lançamento será constituído quando se constatar que concretamente houve a disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Desta forma, podemos concluir que o lançamento somente poderá ser constituído a partir de fatos comprovadamente existentes, ou quando os esclarecimentos prestados forem impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. Ora, se o fisco faz prova, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos - fluxo financeiro, que a recorrente efetuou gastos além da disponibilidade de recursos declarados, é evidente que houve omissão de rendimentos e esta omissão deverá ser apurada no mês em que ocorreu o fato. Diz a norma legal que rege o assunto: Lei n.° 7.713, de 1988: Artigo I° - Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de I° de janeiro de 1989, por pessoas fisicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modcações introduzidas por esta LeL Artigo 2° - O Imposto de Renda das pessoas fisicas será devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Artigo 3° - O Imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvando o disposto nos artigos 9° a 14 desta Lei. g 1'. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais correspondentes aos rendimentos declarados. Lei n.°8.134, de 1990: 18 Processo n0 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 19 Art. 1°- A partir do exercício-financeiro de 1991, os rendimentos e ganhos de capital percebidos por pessoas fisicas residentes ou domiciliadas no Brasil serão tributados pelo Imposto de Renda • na forma da legislação vigente, com as modcações introduzidas por esta Lei. Art. 2°- O Imposto de Renda das pessoas fisicas será devido à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11. Art. 4° - Em relação aos rendimentos percebidos a partir de 1° de janeiro de 1991, o imposto de que trata o artigo 8° da Lei n.° 7.713, de 1988: I - será calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês. Lei n.° 8.021, de 1990: Art. 6° - O lançamento de oficio, além dos casos já especcados em lei, far-se-á arbitrando os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° - Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. Como se depreende da legislação, anteriormente citada, o imposto de renda das pessoas fisicas será apurado mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, já que com a edição da Lei n.° 8.134, de 1990, que introduziu a declaração anual de ajuste para efeito de apuração do imposto devido pelas pessoas físicas, tanto o imposto devido como o saldo do imposto a pagar ou a restituir, passaram a ser determinados anualmente, donde se conclui que o recolhimento mensal passou a ser considerado como antecipação do devido e não como pagamento definitivo. Nesta altura deve ser esclarecido, que os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa fisica, apurado no ajuste anual. Aliás, a despeito da inovação introduzida pelo artigo 2° da Lei n° 7.713, de 1988, pelo qual estipulou-se que "o imposto de renda das pessoas físicas será devido, 19 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 20 mensalmente, a medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem recebidos", há que se ressaltar a relevância dos arts. 24 e 29 deste mesmo diploma legal e dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.383, de 1991 mantiveram o regime de tributação anual (fato gerador complexivo) para as pessoas fisicas. É de se observar, que para as infrações relativas à omissão de rendimentos, tem-se que, embora as quantias sejam recebidas mensalmente, o valor apurado será acrescido aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Portanto, no presente caso, não há que se falar de fato gerador mensal, haja vista que somente no dia 31/12 de cada ano se completa o fato gerador complexivo objeto da autuação em questão. Em relação ao cômputo mensal do fato gerador, é de se observar que a Lei n° 7.713, de 1988, instituiu, com relação ao imposto de renda das pessoas fisicas, a tributação mensal à medida que os rendimentos forem auferidos. Contudo, embora devido mensalmente, quando o sujeito passivo deve apurar e recolher o imposto de renda, o seu fato gerador continuou sendo anual. Durante o decorrer do ano-calendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte ou por meio de pagamentos espontâneos e obrigatórios, o imposto que será apurado em definitivo quando da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, nos termos, especialmente, dos artigos 9° e 11 da Lei n° 8.134, de 1990. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda estará concluído. Por ser do tipo complexivo, segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do exercício social. Só então o contribuinte pode realizar os devidos ajustes de sua situação de sujeito passivo, considerando os rendimentos auferidos, as despesas realizadas, as deduções legais por dependentes e outras, as antecipações feitas e, assim, realizar a Declaração de Imposto de Renda a ser submetida à homologação do Fisco. • Ora, a base de cálculo da declaração de rendimentos abrange todos os rendimentos tributáveis recebidos durante o ano-calendário. Desta forma, o fato gerador do imposto apurado relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Nesse contexto, deve-se atentar com relação ao caso em concreto que, embora a autoridade lançadora tenha discriminado o mês do fato gerador, o que se considerou para efeito de tributação foi o total de rendimentos percebidos pela interessada no ano- calendário em questão sujeitos à tributação anual, conforme legislação vigente. É certo que a Lei n.° 7.713, de 1988, determinou a obrigatoriedade da apuração mensal do imposto sobre a renda das pessoas fisicas, não importando a origem dos rendimentos nem a natureza jurídica da fonte pagadora, se pessoa jurídica ou fisica. Como o imposto era apurado mensalmente, as pessoas fisicas tinham o dever de cumprir sua obrigação com base nessa apuração, o que vale dizer, seu fato gerador era mensal, regra que teve vigência plena, somente, no ano de 1989. Entretanto, a partir do ano de 1990, não é possível exigir do contribuinte o pagamento mensal do imposto de renda, ainda que a fonte pagadora não tenha cumprido o dever legal de efetuar a retenção do imposto por antecipação do da declaração. Sem dúvidas que o imposto de renda na fonte e o imposto de renda recolhido na forma de "carne-leão", apesar da denominação de imposto devido mensalmente, representam simples antecipações do imposto efetivamente apurado na declaração de ajuste anual. 20 Processo n° 10580.003557/2007-57 52-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 A. 21 Desse modo, o imposto devido, a partir do período-base de 1990, passou a ser determinado mediante a aplicação da tabela progressiva sobre a base de cálculo apurada com a inclusão de todos os rendimentos de que trata o art. 10 da Lei n.° 8.134, de 1990, e o saldo a pagar ou a restituir, mediante a dedução do imposto retido na fonte ou pago pelo contribuinte pessoa fisica, mensalmente, quando auferisse rendimentos de outras pessoas fisicas. Relevante observar, que a obrigatoriedade do recolhimento mensal nasceu com o advento da Lei n.° 7.713, de 1988, que introduziu na legislação do imposto de renda das pessoas fisicas o sistema de bases correntes. Assim, entendo que os rendimentos omitidos apurados, mensalmente, pela fiscalização, a partir de 01/01/90, estão sujeita à tabela progressiva anual (N SRF n.° 46/97). É evidente que o arbitramento da renda presumida cabe quando existe o sinal exterior de riqueza caracterizado pelos gastos excedentes da renda disponível, e deve ser quantificada em finição destes. Não comungo com a corrente que entende que os saldos positivos (disponibilidades) apurados em um ano possam ser utilizados no ano seguinte, pura e simplesmente, já que é pensamento pacífico nesta Câmara que o Imposto de Renda das pessoas fisicas, a partir de 01/01/90, será apurado, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo-se, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurados através de planilhamento financeiro onde são considerados os ingressos e dispêndios realizados pelo contribuinte. Entretanto, por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens, incluindo dívidas e ônus reais e pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo ano-calendário. Assim, somente poderá ser aproveitado, no ano subseqüente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto de renda - declaração de bens, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea. No presente caso, a tributação levada a efeito baseou-se em levantamentos mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a principio, constata-se que houve a disponibilidade econômica de renda maior do que a declarada pelo suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação. Por outro lado, é entendimento pacífico, nesta Câmara, que quando a fiscalização promove o fluxo financeiro ("fluxo de caixa") do contribuinte, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos (entradas) e todos os dispêndios (saídas), ou seja, devem ser considerados todos os rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, não tributados, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte) declarados ou não, bem como todos os dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de: despesas bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, cartões de crédito, juros pagos, pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), etc., apurados mensalmente. 21 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 A. 22 Assim, não há controvérsia que o lançamento foi realizado dentro dos parâmetros legais. Não há dúvidas nos autos, que o suplicante foi tributado diante da constatação de omissão de rendimentos, pelo fato do fisco ter verificado, através do levantamento mensal de origens e aplicações de recursos, que o mesmo apresentava "um acréscimo patrimonial a descoberto", "saldo negativo mensal", ou seja, aplicava e/ou consumia mais do que possuía de recursos com origem justificada. Não tenho dúvidas, que a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal. No âmbito da teoria geral da prova, nenhuma dúvida há de que o ônus probante, em principio, cabe a quem alega determinado fato. Mas algumas aferições complementares, por vezes, devem ser feitas, a fim de que se tenha, em cada caso concreto, a correta atribuição do ônus da prova. Em não raros casos tal atribuição do ônus da prova resulta na exigência de produção de prova negativa, consistente na comprovação de que algo não ocorreu, coisa que, à evidência, não é admitida tanto pelo direito quanto pelo bom senso. Afinal, como comprovar o não recebimento de um rendimento? Como evidenciar que um contrato não foi firmado? Enfim, como demonstrar que algo não ocorreu? Não se pode esquecer que o Direito Tributário é dos ramos jurídicos mais afeitos a concretude, à materialidade dos fatos, e menos à sua exteriorização formal (exemplo disso é que mesmos os rendimentos oriundos de atividades ilícitas são tributáveis). Nesse sentido, é de suma importância ressaltar o conceito de provas no âmbito do processo administrativo tributário. Com efeito, entende-se como prova todos os meios de demonstrar a existência (ou inexistência) de um fato jurídico ou, ainda, de fornecer ao julgador o conhecimento da verdade dos fatos. Não há, no processo administrativo tributário, disposições especificas quanto aos meios de prova admitidos, sendo, portanto, razoável como emprego subsidiário o Código de Processo Civil, que dispõe: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou defesa Da mera leitura deste dispositivo legal, depreende-se que no curso de um processo, judicial ou administrativo, todas as provas legais devem ser consideradas pelo julgador como elemento de formação de seu convencimento, visando à solução legal e justa da divergência entre as partes. Assim, tendo em vista a mais renomada doutrina, assim como, a iterativa jurisprudência, administrativa e judicial, a respeito da questão vê-se que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. 22 Processo n°10580.00355712007-57 S2-C2T2 Acórdão e.° 2202-00.174 Fl. 23 Assim, se de um lado, o contribuinte tem o dever de declarar, cabe a este, não à administração, a prova do declarado. De outro lado, se o declarado não existe, cabe a glosa pelo fisco. O mesmo vale quanto à formação das demais provas, as mesmas devem ser claras, não permitindo dúvidas na formação de juízo do julgador. Como se sabe, no caso, em discussão, os valores apurados nos demonstrativos pela fiscalização caracterizam presunção legal, do tipo condicional ou relativa (júris tantum) que, embora estabelecida em lei, não tem caráter de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário não a vier desfazer ou mostrar sua falsidade. Observe-se, que as presunções júris tantum, embora admitam prova em contrário, dispensam do ônus da prova aquele a favor de quem se estabeleceu, cabendo ao sujeito passivo, no caso, a produção de provas em contrário, no sentido de ilidi-las. O Código Tributário Nacional prevê na distribuição do ônus da prova nos lançamentos de oficio que sempre recairá sobre o Fisco o ônus da comprovação dos fatos constitutivos do direito de efetuar o lançamento (artigo 149, inciso IV). È ao Fisco que cabe a comprovação da falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Deste modo, havendo esta comprovação, ou seja, em face das provas produzidas e das planilhas que atestam o acréscimo patrimonial, a autoridade fiscal não só tem o poder de efetuar de oficio o lançamento, como também o dever. Ora, tanto o processo quanto a decisão administrativa, no particular, ambos devem primar pela objetividade factual impedidos, liminarmente, que estão, de trilhar a irracionalidade. Assim, pretender-se, como pretendido pela recorrente, desconhecer de provas documentais, é olvidar a realidade, mediante agressão à objetividade material que fundamentou o lançamento. Caberia, sim, ao suplicante, em nome da verdade material, contestar os valores lançados, apresentando as suas contra razões, porém, calcadas em provas concretas, e não, simplesmente, apresentar simples argumentos de que o lançamento fora realizado sobre depósitos bancários para pretender derrubar a presunção legal apresentada pelo fisco, já que o dever da guarda dos contratos e documentário fiscal, juntamente com a informação dos valores pagos é do próprio suplicante, não há como transferir para a autoridade lançadora tal ônus. O Auto de Infração noticia às fls. 05/06, de forma clara, que o lançamento decorre de acréscimo patrimonial a descoberto, em virtude do suplicante ter realizado gastos (despesas) sem ter lastro em rendimentos já tributados, isentos e/ou não tributáveis, em doações, empréstimos, etc. Ou seja, não apresentou nenhuma justificativa razoável, devidamente comprovada através de documentação hábil e idônea, qual a origem dos recursos gastos através dos cartões de crédito. Nestas situações se faz necessário que o contribuinte justifique "de onde veio o dinheiro gasto". Tinha economias em estabelecimentos bancários? Auferiu algum rendimento isento ou não tributável? Solicitou algum empréstimo? Recebeu alguma doação? Ora se gastou de algum lugar veio. E é isto que a autoridade fiscal quer saber. No caso do suplicante que auferiu, no ano-calendário questionado, somente R$ 15.436,20, não auferiu rendimentos isentos e não-tributáveis, não auferiu rendimentos sujeitos à tributação exclusiva ou definitiva, não tinha nenhum bem ou direito declarado e não tinha nenhum valor depositado em estabelecimento bancário declarado, como poderia gastar R$ 233.554,22? Se não apresentou nenhuma justificativa de onde veio os recursos utilizados, correto está a tributação por acréscimo patrimonial a descoberto. 23 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 24 O auto de infração noticia, ainda, a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada de 150%, sob argumento de que o contribuinte deixou de informar rendimentos em sua Declaração de Ajuste Anual, identificando, assim, tais fatos, como previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n°4.502, de 1964. Assim, verifica-se que a autoridade lançadora entendeu ser perfeitamente normal aplicar a multa de lançamento de oficio qualificada na constatação de omissão de rendimentos apurado através do "Fluxo de Caixa". Ou seja, a fiscalização amparou o lançamento sob o argumento de que nesses casos é possível inferir que o contribuinte deixou deliberadamente de informar rendimentos auferidos fazendo declarações falsas e ter deixado de apresentar provas materiais, formando a convicção de que a multa de oficio qualificada é aplicável já que está comprovado nos autos a intenção dolosa e fraudulenta na conduta adotada pelo contribuinte, com o propósito especifico de impedir ou retardar o conhecimento das infrações, ocultando rendimentos auferidos e não declarados. Ora, com a devida vênia, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização ou a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de valores representativos de rendimentos tributáveis ocasionando o retardamento do imposto a pagar, independentemente, da habitualidade e do montante utilizado, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°9.430, de 1996, pelas razões abaixo expostas. Da análise, dos autos do processo, é cristalino a conclusão de que a multa qualificada foi aplicada em decorrência de que a autoridade fiscal entendeu que estaria caracterizado o evidente intuito de fraude, já que o contribuinte teria se utilizado de meios escusos para deixar de declarar rendimentos tributáveis auferidos. Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que o contribuinte prestou informações ao fisco, em sua Declaração de Ajuste Anual e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda. Ora, com a devida vênia, o máximo que poderia ter acontecido é a autoridade lançadora desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova) e constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos, o que a meu ver caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de oficio normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização, sem se levar em conta que o presente lançamento foi efetuado por presunção de omissão de rendimentos (apuração de acréscimo patrimonial a descoberto através da elaboração do "Fluxo de Caixa"). Verifica-se, que os elementos de prova que serviram para subsidiar o procedimento fiscal em curso, foram obtidos pela fiscalização diretamente dos estabelecimentos bancários e que o contribuinte, por sua vez, não logrou, a princípio, êxito em fornecer contra provas demonstrando que o acréscimo patrimonial a descoberto tinha respaldo (origem) em rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis, em doações, em empréstimos etc. Ou seja, o suplicante não conseguiu provar que os recursos utilizados (gastos) tinham origem justificada, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, teria que considerar como omissão de rendimentos, já que o suplicante utilizou os recursos envolvidos em proveito próprio. 24 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 25 Ora, a multa de lançamento de oficio qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do então Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sem dúvida, que se trata de questão delicada, pois para que a multa de lançamento de oficio se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Deve-se ter sempre, em mente, o principio de direito de que a "fraude não se presume", devem existir, sempre, dentro do processo, provas sobre o evidente intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reporta-se aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultá-la. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual, a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial ou a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Da mesma forma, a prestação de informações ao fisco, em resposta à intimação emitida divergente de dados levantados pela fiscalização não evidencia o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°9.430, de 1996. Além do mais, o que pesa realmente no presente caso é que o lançamento foi realizado tendo em vista presunção legal de omissão de rendimentos, o que, até prova em contrário, permite ao fisco a cobrança do imposto de renda sobre o acréscimo patrimonial a descoberto, porém por si só, é insuficiente para amparar a aplicação de multa qualificada. No mesmo sentido, estaria a prestação de informações contrárias das que a fiscalização teria levantado, com o objetivo de reduzir a base de cálculo tributável (matéria de prova), motivo que poderia no máximo ser um indicativo de que sobre tais valores (acréscimo patrimonial a descoberto) deveria ser constituído o lançamento e cobrado o crédito tributário respectivo, mas jamais será indicativo de evidente intuito de fraude. Nos casos de lançamentos tributários tendo por base a presunção legal de omissão de rendimentos, vislumbra-se um lamentável equívoco por parte da autoridade lançadora. Nestes lançamentos, acumula-se a premissa que a simples falta de inclusão destes rendimentos omitidos na Declaração de Ajuste Anual, em razão da expressividade, estariam a evidenciar o evidente intuito de sonegar ou fraudar imposto de renda. Quando a autoridade lançadora age deste modo, aplica, no meu modo de entender, incorretamente a multa de oficio qualificada, pois, tais infrações não possuem o essencial, qual seja, o evidente intuito de 25 Processo e 10580.003557/2007-57 52-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 26 fraudar. A prova, neste aspecto, deve ser material; evidente como diz a lei. Matéria de prova apresentada pelo contribuinte, a declaração inexata ou a movimentação de recursos financeiros, jamais seriam motivo para qualificar a multa de oficio. Com efeito, a qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma infração fiscal de presunção de omissão de rendimentos, caracterizado pelo acréscimo patrimonial a descoberto, apurado através de um fluxo financeiro (entradas e saídas de recursos), aonde a autoridade fiscal tem livre acesso às saídas e entradas de recursos, através da análise das Declarações de Ajuste Anual e dos dados bancários (extratos, gastos de cartões de crédito, etc.) às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de rendimentos, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidlinea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro ("laranja"), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. O fato de alguém, pessoa jurídica, não registrar as vendas, no total das notas fiscais na escrituração, pode ser considerado, de plano, com evidente intuito de fraudar ou sonegar o imposto de renda? Obviamente que não. O fato de uma pessoa fisica receber um rendimento e simplesmente não declará-lo é considerado com evidente intuito de fraudar ou sonegar? Claro que não. Ora, se nestas circunstâncias, ou seja, a simples não declaração não se pode considerar como evidente intuito de sonegar ou fraudar é evidente que no caso em discussão é semelhante, já que a princípio, a autoridade lançadora tem o dever legal de cobrar o imposto sobre a omissão de rendimentos, já que o contribuinte esta pagando imposto a menor, ou seja, deixou de declarar rendimentos auferidos e não trouxe provas para ilidir a acusação ou as provas apresentadas não convencem a autoridade lançadora. Este fato não tem o condão de descaracterizar o fato ocorrido, qual seja, a de simples omissão de rendimentos por presunção legal. Por que não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada tratar-se de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, a imposição de multa qualificada? Por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, desorganização, etc. Se a premissa do fisco fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas 1 rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; a falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, a simples glosa de despesas 26 Processo n°10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 27 por falta de comprovação ou a falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de oficio normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Já ficou decidido por este Primeiro Conselho de Contribuintes que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos, conforme se constata nos julgados abaixo: Acórdão n.° 104-18.698, de 17 de abril de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Justifica-se a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso H, da Lei n° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n°9.430, de 1996, pois o contribuinte, foi devidamente intimado a declinar se possuía conta bancária no exterior, em diversas ocasiões, faltou com a verdade, demonstrando intuito doloso no sentido de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento por parte da autoridade fazendá ria da ocorrência do fato gerador decorrente da percepção dos valores recebidos e que transitaram nesta conta bancária não declarada. Acórdão n.° 104-18.640, de 19 de março de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75% prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito defraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.". 4.502, de 1964. A falta de inclusão, como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, caracteriza falta simples de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°1.041, de 1994. Acórdão n.°. 104-19.055, de 05 de novembro de 2002: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justijicada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% 27 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 28 seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito defraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.°. 4.502, de 1964. A falta de esclarecimentos, bem como o vulto dos valores omitido pelo contribuinte, apurados através de fluxo financeiro, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito defraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994. Acórdão n.". 102-45-584, de 09 de julho de 2002: MULTA AGRAVADA — INFRAÇÃO QUALJFICADA — APLICABILIDADE — A constatação nos autos de que o sujeito passivo da obrigação tributária utilizou-se de documentação inideinea a fim de promover pagamentos a beneficiários não identificados, e considerando que estes pagamentos não transitaram pelas contas de resultado econômico da empresa, vez que, seus valores foram levados e registrados em contrapartida com contas do Ativo Permanente, não caracteriza o tipo penal previsto nos arts. 71 a 73 da lei n°4.503/64, sendo inaplicável à espécie a multa qualificada de que trata o artigo 44, inciso 11, da Lei n°9.430 de 27 de dezembro de 1996 Acórdão n.". 101-93.919, de 22 de agosto de 2002: MULTA AGRAVADA — CUSTOS FICTÍCIOS — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — Restando comprovado que a pessoa jurídica utilizou-se de meios inidôneos para majorar seus custos, do que resultou indevida redução do lucro sujeito à tributação, aplicável é a penalidade exasperada por caracterizado o evidente intuito defraude. Acórdão n.". 104-19.454, de 13 de agosto de 2003: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 7594 prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exige-se que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito defraude, nos casos definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.°. 4.502, de 1964. A dedução indevida de despesa médica/instrução, rendimento recebido de pessoa jurídica não declarados, bem como a falta de inclusão na Declaração de • Ajuste Anual, como rendimentos, os valores que transitaram a crédito (depósitos) em conta corrente pertencente ao contribuinte, cuja origem não comprove caracteriza, a principio, falta simples de redução indevida de imposto de renda e omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, já que a fiscalização não demonstrou, nos autos, que a ação do contribuinte teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, 28 Processo ri' 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.174 Fl. 29 total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, utilizando-se de recursos que caracterizam evidente intuito defraude. Acórdão n.°. 104-19.534, de 10 de setembro de 2003: DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO QUALIFICADA — LANÇAMENTO POR DECORRÊNCIA — SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - No lançamento por decorrência, cabe aos sócios da autuada demonstrar que os custos e/ou despesas foram efetivamente suportadas pela sociedade civil, mediante prova de recebimento dos bens a que as referidas notas fiscais aludem. À utilização de documentos ideologicamente falsos -" notas fiscais frias "-, para comprovar custos elou despesas, constitui evidente intuito de fraude e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme previsto no art. 728, inc. HL do RIR/80, aprovado pelo Decreto n.° 85.450, de 1980. Acórdão n.°.104-19.386, de 11 de junho de 2003: MOVIMENTAÇÃO DE CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIROS E/OU EM NOME FICTÍCIOS — COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE DE EMPRESA DESATIVADA - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA — EVIDENTE 1N7'UITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n."9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito defraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 1964. A movimentação de contas bancárias em nome de terceiros e/ou em nome fictício, devidamente, comprovado pela autoridade lançadora, circunstância agravada pelo fato de não terem sido declarados na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos tributáveis, os valores que transitaram a crédito nestas contas corrente cuja origem não comprove, somado ao fato de não terem sido declaradas na Declaração de Bens e Direitos, bem como compensação na Declaração de Ajuste Anual de imposto de renda na fonte como retido fosse por empresa desativada e com inscrição bloqueada no fisco estadual, caracterizam evidente intuito de fraude nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994 e autoriza a aplicação da multa qualificada. Acórdão n.°. 106-12.858, de 23 de agosto de 2002: MULTA DE OFÍCIO — DECLARAÇÃO INEXATA — A ausência de comprovação da veracidade dos dados consignados nas declarações de rendimentos entregues, espontaneamente ou depois de iniciado o procedimento de oficio, implica em considerá-las inexatas e, nos termos da legislação tributária vigente, autoriza a aplicação da multa de setenta e cinco por 29 PrOCCS50 n' 10580.0035$7/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.174 Fl. 30 cento nos casos de falta de declaração ou declaração inexata, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Acórdão n.°. 101-93.251, de 08 de novembro de 2000: MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. AGRAVAMEN7'0. Comprovado o evidente intuito defraude, a penalidade aplicável é aquela prevista no artigo 44, II, da Lei n°9.430, de 1996. É um principio geral de direito, universalmente conhecido, de que as multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais, devem estar lisamente comprovadas. Trata- se de aplicar uma sanção e, neste caso, o direito faz com cautela, para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Como também é pacifico, que a circunstância do contribuinte quando omitir em documento, público ou particular, declaração que nele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de prejudicar a verdade sobre o fato juridicamente relevante, constitui hipótese de falsidade ideológica. Para um melhor deslinde da questão, impõe-se invocar o conceito de fraude fiscal, que se encontra na lei. Em primeiro lugar, recorde-se o que determina o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 1999, nestes termos: Art. 957 — Serão aplicadas as seguintes multas sobre a totalidade ou diferença do imposto devido, nos casos de lançamento de oficio (Lei n.° 8.218/91, art. 4°) II — de trezentos por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." A Lei n.° 4.502, de 1964, estabelece o seguinte: Art. 71 — Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I — da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstâncias materiais; II — das condiçães pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal, na sua natureza ou circunstância materiais. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou difkrir o seu pagamento. 30 Processo n° 10580.003557/2007-57 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 31 Art. 73 — Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Como se vê, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios se esconde à ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas e por decorrência da natureza característica desses tipos, o legislador tributário entendeu presente o "intuito de fraude". Em outras palavras, a fraude é um artificio malicioso que a pessoa emprega com a intenção de burlar, enganar outra pessoa ou lesar os cofres públicos, na obtenção de benefícios ou vantagens que não lhe são devidos. A falsidade ideológica consiste na omissão, em documento público ou particular, de declaração que dele deveria constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita, com o fim de criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Juridicamente, entende-se por má-fé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O dolo implica conteúdo criminoso, ou seja, a intenção criminosa de fazer o mal, de prejudicar, de obter o fim por meios escusos. Para caracterizar dolo, o ato deve conter quatro requisitos essenciais: (a) o ânimo de prejudicar ou fraudar; (b) que a manobra ou artificio tenha sido a causa da feitura do ato ou do consentimento da parte prejudicada (c) uma relação de causa e efeito entre o artificio empregado e o beneficio por ele conseguido; e (d) a participação intencional de uma das partes no dolo. Como se vê, exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos / receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos / receitas de fato. No caso de realização da hipótese de fraude, o legislador tributário entendeu presente, ipso facto, o "intuito de fraude". E nem poderia ser diferente, já que por mais abrangente que seja a descrição da hipótese de incidência das figuras tipicamente penais, o elemento de culpabilidade, dolo, sendo-lhes inerente, desautoriza a consideração automática do intuito de fraudar. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente. 31 Processo n° 10580.003557/2007-57 • S2-C2T2 Acórdão o.° 2202-00.174 Fl. 32 O ordenamento jurídico positivo dotou o direito tributário das regras necessárias à avaliação dos fatos envolvidos, peculiaridades, circunstâncias essenciais, autoria e graduação das penas, imprescindindo o intérprete, julgador e aplicador da lei, do concurso e/ou dependência do que ficar ou tiver que ser decidido em outra esfera. Do que veio até então exposto necessário se faz ressaltar, como aspecto distintivo fundamental, em primeiro plano o conceito de evidente, como qualificativo do "intuito de fraudar", para justificar a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada. Até porque, faltando qualquer deles, não se realiza na prática, a hipótese de incidência de que se trata. Segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, tem-se que: EVIDENTE. <Do lat. Evidente> Adj. — Que não oferece dúvida; que se compreende prontamente, dispensando demonstração; claro, manifesto, patente. EWDENCIAR — V.t.d I. Tornar evidente; mostrar com clareza; Conseguiu com poucas palavras evidenciar o seu ponto de vista. P. 2. Aparecer com evidência; mostrar-se, patentear-se. De Plácido e Silva, no seu Vocabulário Jurídico, trazendo esse conceito mais para o âmbito do direito, esclarece: EVIDENTE. Do latim evidens, claro, patente, é vocábulo que designa, na terminologia jurídica, tudo que está demonstrado, que está provado, ou o que é convincente, pelo que se entende digno de crédito ou merecedor de fé. Exige-se, portanto, que haja o propósito deliberado de modificar a característica do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc., conforme se observa na jurisprudência abaixo: Acórdão n.°. 104-19.621, de 04 de novembro de 2003: COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTOS ATRAVÉS DA EMISSÃO DE RECIBOS RELATIVO A OBRIGAÇÕES JÁ CUMPRIDAS EM ANOS ANTERIORES - MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA — CARACTERIZAÇÃO DE EVIDENTE 32 Processo n° 10580.00355712007-57 S2-C2T2 Acórdão n.• 2202-00.174 Fl. 33 INTUITO DE FRAUDE - JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — Cabível a exigência da multa qualificada prevista no artigo 4°, inciso II, da Lei n.° 8.218, de 1991, reduzida na forma prevista no art. 44, II, da Lei n.° 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito defraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito defraude, nos termos do artigo 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática reiterada de omitir na escrituração contábil o real destinatário e/ou causa dos pagamentos efetuados, como forma de ocultar a ocorrência do fato gerador e subtrair-se à obrigação de comprovar o recolhimento do imposto de renda na fonte na efetivação dos pagamentos realizados. Sendo que para justificar tais pagamentos o contribuinte apresentou recibos relativos à operação de compra de imóveis, cuja obrigação já fora cumprida em anos anteriores pelos verdadeiros obrigados. Acórdão n.°. 103-12.178, de 17 de março de 1993: CONTA BANCÁRIA FICTÍCIA — Apurado que os valores ingressados na empresa sem a devida contabilização foram depositados em conta bancária fictícia aberta em nome de pessoa fisica não encontrada e com movimentação pelas representantes da pessoa jurídica, está caracterizada a omissão de receita, incidindo sobre o imposto apurado a multa majorada de 150% de que trata o art. 728, III, do RIR/80. Acórdão n.°. 101-92.613, de 16 de fevereiro de 2000: DOCUMENTOS EMITIDOS POR EMPRESAS INDUSTENTES OU BAIXADAS — Os valores apropriados como custos ou despesas, calcados em documentos fiscais emitidos por empresas inexistentes, baixadas, sem prova efetiva de seu pagamento, do ingresso das mercadorias no estabelecimento da adquirente ou seu emprego em obras, estão sujeitos à glosa, sendo legítima a aplicação da penalidade agravada quando restar provado o evidente intuito defraude. Acórdão n.°. 104-14.960, de 17 de junho de 1998: DOCUMENTOS FISCAIS A TITULO GRACIOSO — Cabe à autuada demonstrar que os custos/despesas foram efetivamente suportados, mediante prova de recebimento dos bens eiou serviços a que as referidas notas fiscais aludem. A utilização de documentos fornecidos a título gracioso, ideologicamente falsos, eis que os serviços não foram prestados, para comprovar custos/despesas, constitui fraude e justifica a aplicação de multa qualificada de 15()%, prevista no artigo 728, HL do RIR/80. Acórdão n.°. 103-07.115, de 1985: NOTAS CALÇADAS — FALSIDADE MATERIAL OU IDEOLÓGICA — A nota fiscal calçada é um dos mais gritantes 33 Processo e 10580.003557/2007-57 82-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.174 Fl. 34 casos de falsidade documental, denunciando, por si só, o objetivo de eliminar ou reduzir o montante do imposto devido. Aplicável a multa prevista neste dispositivo. Acórdão n.". 104-17.256, de 12 de julho de 2000: MULTA AGRAVADA — CONTA FRIA — O uso da chamada "conta fria", com o propósito de ocultar operações tributáveis, caracteriza o conceito de evidente intuito de fraude e justifica a penalidade exacerbada. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, entendo que, no caso dos autos, não se percebe, por parte do contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal. A informação de que o suplicante não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários, bem como efetividade dos recursos lançados em sua Declaração de Ajuste Anual, bem como deixou de lançar rendimentos em valores expressivos e de forma continuada, para mim caracteriza motivo de lançamento de multa simples sem qualificação. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples glosa de despesas ou a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhou-se em induzir a autoridade administrativa em erro quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Desta forma, só posso concluir pela inaplicabilidade da multa de lançamento de oficio qualificada, devendo a mesma ser reduzida, onde for o caso, para aplicação de multa de oficio normal de 75%. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de REJEITAR a preliminar argüida pelo Recorrente ; no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio reduzindo-a ao percentual de 75%. Sala das Sessões - DF, em 29 de julho de 2009 NE O r . 14,'7 34 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10580.003557/2007-57 Recurso: 163.733 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.174. Brasília, 28 AGO 211' NE "Stie ma Ordinária t.9. President da Se ur S da / 2* Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: /— Procurador(a) da Fazenda Nacional Page 1 _0017300.PDF Page 1 _0017400.PDF Page 1 _0017500.PDF Page 1 _0017600.PDF Page 1 _0017700.PDF Page 1 _0017800.PDF Page 1 _0018000.PDF Page 1 _0018100.PDF Page 1 _0018200.PDF Page 1 _0018300.PDF Page 1 _0018400.PDF Page 1 _0018500.PDF Page 1 _0018600.PDF Page 1 _0018800.PDF Page 1 _0018900.PDF Page 1 _0019100.PDF Page 1 _0019200.PDF Page 1 _0019300.PDF Page 1 _0019500.PDF Page 1 _0019600.PDF Page 1 _0019700.PDF Page 1 _0019800.PDF Page 1 _0019900.PDF Page 1 _0020000.PDF Page 1 _0020200.PDF Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1 _0021000.PDF Page 1 _0021100.PDF Page 1 _0021200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10380.011493/2005-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1202-000.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Carlos Mozart Barreto Vianna.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Relatório
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Geraldo Valentim Neto e Carlos Mozart Barreto Vianna. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Gilberto Baptista, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de segunda instância, que considerou procedente em parte lançamento tributário levado a efeito pela autoridade administrativa pertencente à Delegacia da Receita Federal do Brasil localizada em Fortaleza – CE. O mencionado auto de infração formalizou exigência relativa ao IRPJ incidente sobre supostas diferenças entre valores escriturados e não pagos durante os 2º e 3º trimestre de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 11 49 3/ 20 05 -5 2 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10380.011493/200552 Resolução nº 1202000.199 S1C2T2 Fl. 8 2 2001; os quatro trimestres do ano calendário de 2002; 2º e 4º trimestre do ano de 2004; e 2º trimestre do ano de 2005. Cientificada acerca dos termos do referido lançamento, a Recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, que “1. não foram consideradas as compensações do IRPJ devido a partir do 2º trimestre de 2001, inclusive até o 1º trimestre de 2002 (R$ 2.001.219,20), com créditos da Cofins relativa ao período de março de 1996 até agostos de 2000 – MS 94.00042060; processo 10380.010146/200189; processo 10380.001643/200277; AGTR 36.251CE (2001.05.00227189) decisão Des. Federal Nereu Santos. – 2. Também não foram consideradas, para efeito de exclusão da base de cálculo do imposto, os valores contabilizados a título de recuperação de despesas (vale transporte e programa de alimentação), apesar de termos fornecido cópias dos documentos (balancete de receita e razão contábil – cópias em poder do AF) – valor R$ 21.951,71, art. 53 da Lei 9.430/96”.1 A autoridade julgadora de primeira instância, considerando as alegações e documentos trazidos pela impugnação, converteu o julgamento em diligência, “para que a autoridade lançadora verifique a procedência das argüições trazidas aos autos pela defesa, elaborando relatório circunstanciado, o qual deverá cientificado ao contribuinte para que este em querendo apresente razões adicionais de defesa no prazo de 30 (trinta) dias”.2 Assim, o solicitado relatório circunstanciado trouxe as seguintes conclusões:3 “Referido auto de infração foi lavrado com base em valores apurados na escrituração do contribuinte e nos dados obtidos junto aos sistemas eletrônicos deste Fisco; Os valores originais de IRPJ lançados de ofício correspondem às diferenças entre os débitos apurados na fiscalização e os declarados em DCTF e/ou recolhidos; Na ação fiscal, acatamos os esclarecimentos que foram confirmados mediante os comprovantes de fls. 128 a 152, apresentados pela empresa em resposta ao Termo de Intimação de fls. 102 a 127, através do qual intimamos o contribuinte a comprovar as diferenças então verificadas; Em sua impugnação de fls. 156 e anexos, alega o contribuinte que não foram consideradas as compensações de IRPJ nos 2º, 3º e 4º trimestre/2001 e 1º trimestre/2002, e 1º trimestre/2002, nos valores de R$ 440.921,22, R$ 526.474,05, R$ 607.310,50 e R$ 426.513,43, respectivamente, solicitadas nos Processos Administrativos nºs 10380.010146/200189 e 10380.001643/200277. A alegação não procede. Na apuração de dos valores lançados de ofício não computamos os débitos de IRPJ que não estavam declarados, mesmo se tratando de pedidos de compensação, tendo em vista as disposições contidas na IN/SRF 126, de 30.10.98, e o fato de que os pedidos de compensação foram formalizados em 31.07.2001 e 05.02.2002, ou seja, antes da vigência da MP 135, de 31.10.2003, que, em seu art. 17, parágrafo 6º, dispõe que as declarações de compensação só passaram a constituir confissão de dívida a partir de outubro/2003. Computamos, entretanto, na apuração de IRPJ lançado, a dedução de R$ 607.310,50, relativo ao 4º trimestre/2001, cujo valor foi declarado em DCTF; Alega também o impugnante, às fls. 156, que não foram considerados, para efeito de exclusão da base de cálculo, os valores contabilizados a título de recuperação de 1 Fls. 156 2 Fls. 317 3 Fls. 336/338 Fl. 536DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10380.011493/200552 Resolução nº 1202000.199 S1C2T2 Fl. 9 3 despesas (vale transporte e programa de alimentação). A alegação procede. Deixamos de excluir tais valores da base de calculo do IRPJ, uma vez que os mesmos estão contabilizados como “receitas financeira”, e o contribuinte não nos informou em sua carta de fls. 128/1209 que se tratavam de despesas de vale transporte e programas de alimentação do trabalhador. Constatado o lapso, os valores supramencionados das receitas tributáveis, conforme Anexo 1 ao presente relatório; Demonstra o impugnante, às fls. 201, que não foi considerado o débito de IRPJ no valor de R$ 176.907,81, relativo ao 1º trimestre/2002, parcelado através do Processo nº 10380.012927/200299. A alegação procede. Conforme verificamos junto ao DRF/FOR/Secat (documentação juntada aos presentes autos). Apesar de não ter sido declarado em DCTF, o valor deve ser deduzido do IRPJ lançado, onde deduzimos referido valor, conforme anexo 3 ao presente relatório; Demonstra também o impugnante, ás fls. 202, que não foi considerado débito de IRPJ no valor de R$ 106.628,35, relativo ao 2º trimestre/2002, parcelado através do Processo nº 10380.012927/200299. A alegação não procede. Referido valor está no total do débito declarado em DCTF e, por isso, foi deduzido do IRPJ lançado de ofício; Alega ainda o impugnante às fls. 305 que os débitos de IRPJ no valor de R$ 92.916,73, relativo ao 1º trimestre/2002, e no valor de R$ 106.628,35 relativo ao 2º trimestre/2002, parcelados através do PAES, não foram deduzidos do IRPJ lançado. A alegação não procede. Esses valores correspondem aos saldos remanescentes dos débitos do parcelamento, objeto do Processo 10380.0129727/200299, que foi rescindido, conforme documentos anexados a estes autos; Demonstra finalmente o impugnante às fls. 202 que o valor de R$ 8.193,45 referentes a juros e correção monetária deve ser excluído da base de calculo do IRPJ lançado no 3º trimestre/2004. A alegação não procede. Não houve lançamento no período de apuração.” A Recorrente, a despeito das conclusões acima, requereu que fosse declarado totalmente improcedente o lançamento de ofício, alegando, em apertada síntese, (i)indevida inclusão de valores a título de recuperação de impostos na base de cálculo do IRPJ, uma vez que a autoridade administrativa incluiu na base de calculo do tributo valores classificados como recuperação de imposto, os quais, todavia, eram objeto do processo administrativo nº 10380.001643/200270 que foi indeferido, e, portanto, não houve recuperação de tributo conforme sustentado no lançamento; (ii) da inclusão no parcelamento especial PAES, em relação aos valores referentes ao 4º trimestre/2001, bem como 1º e 2º trimestre/2002, trazendo aos autos o demonstrativo de consolidação de débitos para comprovar o alegado 4. Além disso, alegou a Recorrente, à título de argumentação, (iv) em que pese a afirmação da autoridade administrativa no sentido de que o parcelamento formalizado pelo processo administrativo 10380.0129727/200299 tenha sido rescindido, o crédito tributário referente a este processo era objeto do parcelamento especial que a Recorrente havia aderido, conforme comprovado pela documentação de fls. 402/408 bem como que os (v) valores indicados no item 7 do relatório circunstanciado foram incluídos em duplicidade no aludido PAES, e por isso o valor a ser considerado para fins de dedução da base de cálculo compreende o dobro da quantia mencionada no aludido relatório circunstanciado. 4 Fls .. 402/408 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10380.011493/200552 Resolução nº 1202000.199 S1C2T2 Fl. 10 4 Por fim, alega que a (vi) cobrança relativa ao IRPJ correspondente ao 2º trimestre/2001 foi objeto de compensação devidamente homologada nos autos do processo administrativo nº 10380.010146/200189 e, (vii) quanto ao primeiro trimestre de 2001 foi recolhido o DARF de fls. 433, que por um equívoco foi informado na DCTF de fls. 434, como sendo referente a COFINS. A autoridade julgadora de primeira instância, por sua vez, considerou o lançamento procedente em parte, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2004, 2005 A pessoa jurídica que obtenha o reconhecimento, em seu favor, de créditos contra a União, mediante ; sentença judicial transitada em julgado, deve escriturálos conforme o regime de competência. Esses créditos constituem hipótese de incidência dos tributos federais sobre a receita ou o lucro no momento do trânsito em julgado da sentença judicial. Valores indevidamente incluídos no Parcelamento Especial PAES devem ter seu estorno autorizado pela autoridade administrativa competente que deferiu o parcelamento. As Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não têm competência para autorizar compensações solicitadas em sede de impugnação. Com relação a matéria a competência dessas Turmas se restringe a apreciar a manifestação e inconformidade interposta contra declarações de compensações não homologadas. Lançamento Procedente em Parte Neste sentido, com relação aos valores contabilizados como recuperação de imposto a decisão recorrida sustenta que não há qualquer reparo a ser feito, porquanto não houve comprovação de que os créditos contabilizados nos meses de julho/2001, outubro/2001, dezembro/2001, janeiro/2002 e abril/2002, referiamse a créditos de COFINS não homologados pela Receita Federal, uma vez que, da análise das fls. 414/419 e 450/458 constatase a autorização pelo Fisco dos referidos créditos. Ademais, quanto ao crédito oriundo de sentença judicial, a autoridade julgadora de primeira instância alega que a Recorrente, por ser optante pelo regime de competência, deveria ter escriturado tal crédito quando do trânsito em julgado da sentença judicial, ou seja, em março de 2001. Por fim, a autoridade julgadora a quo acolhe parcialmente as alegações relativa a inclusão de parte do crédito exigido no PAES, realizando os ajustes demonstrados nas fls. 468/470. No entanto, em relação a alegação de que o valor relativo ao 2º trimestre/2002 foi incluído em duplicidade, a decisão recorrida assevera que “esta Turma de Julgamento não Fl. 538DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10380.011493/200552 Resolução nº 1202000.199 S1C2T2 Fl. 11 5 tem competência para decidir sobre a restituição de referido valor ou da compensação mesmo com os débitos lançados nos presentes autos. Referidas inconsistências devem ser solucionadas junto à autoridade administrativa da DRF/Fortaleza, órgão administrativo que jurisdiciona o domicilio tributário do contribuinte”.5 Com relação ao DARF de fls. 433, recolhido de maneira indevida, a autoridade a quo aduz que “essa inconsistência deverá ser solucionada perante à DRF/Fortaleza, haja vista a absoluta incompetência dessa Turma de Julgamento na solução desta pendência, em especial por ser matéria estranha ao presente litígio”. Por fim, quanto a compensação autorizada pelo processo administrativo 10380.010146/200189, que a Recorrente requer seja aplicada ao 2º trimestre de 2001, a decisão recorrida sustenta que não há mais qualquer crédito remanescente a ser compensado. Inconformada com a decisão a quo a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, no qual alega, em síntese, que o débito correspondente ao 3º trimestre/2001 deveria ter sido compensado nos autos do processo administrativo 10380.01046/200189, nos termos da IN/600/05, por ser mais antigo que o 4º trimestre/2001; período que foi compensado de ofício pela autoridade administrativa, e que já havia sido objeto do processo 10380.001643/200277, e, posteriormente, objeto de parcelamento especial. Além disso, quanto a base de cálculo do mencionado período (4º trimestre/2001), a Recorrente reitera a alegação de que foram incluídos valores classificados como impostos recuperados, os quais na realidade referiamse a pedidos de compensação que não foram homologados pela Receita Federal, e, portanto, não poderiam ser tributados, ressaltando, por outro lado, que inexiste qualquer débito em relação ao referido trimestre uma vez que foi incluído no PAES valor superior ao que estava sendo cobrado. Ainda, quanto ao fato da decisão recorrida não acolher a alegação de que foram incluídos indevidamente valores correspondentes a impostos recuperados, oriundo pedidos de compensação não homologados, a Recorrente assevera que (i) foi claramente demonstrado o indeferimento de seus pedidos de compensação; e (ii) que o crédito pretendido referese a ação judicial nº 2001.81.00.0091870, ainda pendente de julgamento, e não ao processo administrativo 10380.0016431/200277. No tocante a exigência relativa ao 2º trimestre/2005 a Recorrente alega que, inexplicavelmente, houve uma majoração no valor lançado, sem qualquer motivação, afigurandose, assim, evidente nulidade da mencionada majoração. Além disso, reitera a alegação quanto ao primeiro trimestre de 2001, de que foi recolhido o DARF de fls. 433 como IRPJ, e que por um equívoco foi informado na DCTF de fls. 434, como sendo referente a COFINS. Por fim, requer seja convertido em diligência o julgamento com o fito de revisar os valores lançados à luz dos argumentos dispensados nos autos. É o relatório. VOTO 5 Fls. 469 Fl. 539DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10380.011493/200552 Resolução nº 1202000.199 S1C2T2 Fl. 12 6 Conselheiro ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO, relator. O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomase conhecimento. A decisão recorrida cancelou parte do tributo exigido tendo em vista a existência de pedidos de compensação formalizados antes do início do procedimento fiscal que culminou no lançamento de fls. 03/12. Além disso, a Recorrente pleiteia que seja realizada a extinção do imposto exigido em relação ao 1º trimestre/2001, que foi pago mediante o DARF de fls. 433. Todavia devido a erro formal este pagamento foi informado pela DCTF como sendo referente a Contribuição Social. Tal argumentação foi ventilada em sede de impugnação, e a autoridade a quo alegou ser incompetente para realizar a verificação de tais informações, alegando que tal situação deverá ser constatada pela autoridade de origem. Além disso, existe a informação de que fora incluído em duplicidade no parcelamento especial, o valor correspondente ao imposto devido no 2º trimestre/2002, sendo que a autoridade de origem novamente alega que tal inconsistência deverá ser solucionada pela autoridade de origem. Tais situações, por si só, demandam a necessidade de apuração pela autoridade de origem, que possui competência para a realização de constatações desta natureza. No entanto o caso concreto também possui outras peculiaridades que também merecem ser apreciadas pela Delegacia da Receita Federal de Origem. Com efeito, a diligência fiscal é cabível em situações que podem acarretar no cerceamento do direito de defesa do contribuinte, mormente por que existe a possibilidade de que parte do crédito tributário exigido já tenha sido pago por meio da DARF de fls. 433. Assim, invocando os princípios do formalismo moderado e da busca da verdade material, entendese necessária a aceitação, a fim de exame diligencial sob o aspecto formal e sobre o aspecto substancial, para que sejam realizadas as verificações abaixo listadas. Assim, cabe diligência para que a autoridade de origem verifique as seguintes providências: Apurar se realmente houve o erro formal quando da apresentação de DCTF correspondente ao 1º trimestre/2001, bem como se a DARF de fls. 433, recolhida em 30/04/2001, referese ao pagamento do IRPJ devido no mencionado período; Apurar se o valor correspondente ao imposto devido no 2º trimestre/2002 foi realmente incluído em duplicidade no Parcelamento Especial, conforme alegado pela Recorrente; Se ocorreu a alegada afronta a IN 600, uma vez que a autoridade de origem deixou de utilizar o crédito para liquidar período mais antigo (3º trimestre/2001) para liquidar outro, mais recente (4º trimestre/2001), que, por sua vez, já havia sido incluído no PAES; Fl. 540DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10380.011493/200552 Resolução nº 1202000.199 S1C2T2 Fl. 13 7 Apurar se a base de cálculo da exigência fiscal contém receitas decorrentes de impostos que foram objeto de pedidos de compensação indeferidos; proceder eventual ajuste de base de calculo, mediante a utilização de possível crédito remanescente após as constatações acima; por fim, se ocorreu majoração, no demonstrativo de fls. 470, do tributo supostamente devido, sem qualquer motivação ou fundamentação que a justifique. Assim, considero imprescindível que a autoridade administrativa se manifeste sobre as questões acima listadas, tendo em vista que tais verificações podem acarretar na alteração do crédito tributário em questão, bem como pelo fato de que a não realização da referida diligência poderá cercear o direito de defesa da Recorrente. Após o que, abrase vista à Recorrente para manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 541DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 02 /08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
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Numero do processo: 11020.000766/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 17/03/2010
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 OMISSÃO EM GFIP
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 17/03/2010
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS,
APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CONTRIBUINTES
INDIVIDUAISAÇÕES TRABALHISTAS.
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado das AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.395
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento parcial para recalcular a multa com base no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 17/03/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS AÇÕES TRABALHISTAS. A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das AIOP lavradas sobre os mesmos fatos geradores. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse Fl. 203DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Marcelo Freitas de Souza Costa, que davam provimento parcial para recalcular a multa com base no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11020.000766/201052 Acórdão n.º 2401002.395 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.269.5230 em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. No caso, mesmo tendo efetuado a contratação de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho UNIMED, a ora autuada não declarou tais fatos geradores de contribuição patronal previdenciária na GFIP documento por meio do qual, a teor do no art. 32, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991, incluído pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, e alterado pela Lei n° 11.941, de 2009, as empresas declaram, mensalmente, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos de contribuição previdenciária, para fins de cobrança pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e de concessão de benefícios por parte do Instituto Nacional do Seguro Social o que implica omissão das correspondentes contribuições por ela devidas no período de outubro e novembro de 2008. O presente será apensado ao processo relativo às contribuições previdenciárias devidas pela empresa AI DEBCAD n° 37.269.5256, vez que incidente sobre as mesmas bases de cálculo do presente lançamento e formalizado com base nos mesmos elementos de prova naquele anexadas, nos termos do art. 2o , inciso III, da Portaria RFB n° 666, de 24 de abril de 2008. A penalidade pecuniária aplicável à infração em tela apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias é aquela prevista no art. 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, na redação em vigor antes da publicação da Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, depois convertida na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009. Dessa forma no cálculo observouse a aplicação da penalidade mais benéfica. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 90 a 95. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do parcial do lançamento, conforme fls. 125 a . Vejamos ementa da referida decisão: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2008 a 30/11/2008 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 Constitui infração deixar o contribuinte de declarar à Receita Federal do Brasil na forma, prazo e condições estabelecidos, os dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, conforme previsto no art. 32, inciso IV, § 9o, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97, com redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 27/05/2009, c/c o art. 32A da Lei n° 8.212/91, acrescentado pela MP n° 449/2008. RETROATIVIDADE BENIGNA E MATÉRIA DE INFRAÇÃO. Aplicase a lei nova ao ato ou fato pretérito ainda pendente de julgamento, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Inteligência do art. 106, II, c do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 139 a 149. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega ser a multa indevida, senão vejamos: 1. Afirma que embora as GFIP das competências autuadas tenham sido apresentadas inicialmente sem as alterações previstas na IN 880/2008, ou seja, sem as informações das contribuições dicutidas judicialmente, as referidas GFIP's foram retificadas, sem que sequer fossem necessárias intimações do fisco para tanto. Nesta situação, verificase que não há a ocorrência da infração. 2. O Fisco não poderia ter autuado a Impugnante pois os artigos 3 o 5o da lei 8.212/91 encontramse revogados pela Lei 11.941/2009, não estando correta a capitulação legal. 3. As penalizações só poderiam ter ocorrido após a intimação para a correção das informações. O contribuinte corrigiu as informações o que não causou nenhum prejuízo ao Fisco. A legislação fiscal ainda mais quando benéfica, deve ser aplciada de imediato. O auto de infração é nulo por estar incorreta a tipificação e a capitulação legal da infração. 4. A quantificação e tipificação da multa aplicada também não está correta, por não atender aos limites estabelecidos no artigo 32A da Lei 8.212/91, que determina que o valor mínimo da multa é de R$ 200,00. A Impugnante não realizou nenhum ato ilícito nem mesmo no intuito de fraudar ou lesar o fisco, agindo sempre de forma correta. 5. Assim, não deve ser aplicada nenhuma agravante, estando a dosagem da multa além dos limites da lei. 6. Requer seja julgado nulo ou improcedente o auto de infração, ou, alternativamente, seja reduzida a multa aplicada para o valor mínimo do artigo 32, §3°, I da Lei 8.212/91. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11020.000766/201052 Acórdão n.º 2401002.395 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Em se tratando de retorno de diligência comandado por este conselho, despiciendo a análise dos pressupostos, tendo em vista já terem sido avaliados quando do primeiro julgamento. DO MÉRITO Toda e argumentação do recorrente está baseada na fundamentação legal da autuação baseado na aplicação da norma no tempo, bem como questiona a multa aplicada, requerendo o cancelamento Contudo, nenhum dos argumentos apontados pelo recorrente são capazes de desconstituir a autuação. O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita, inclusive observando a aplicação de norma mais benéfica para cálculo da multa aplicada. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária a partir das informações contidas no Relatório Fiscal constatase que o recorrente deixou de informar os valores das bases de cálculo das contribuições incidentes sobre os valores pagos para as cooperativas de trabalho, o que gerou uma informação incorreta na GFIP, por omitir o cálculo da contribuição devida. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da AIOP que indicou como fatos geradores as Notas Fiscais de prestação de serviços pela UNIMED, Processo 11020.000768/201041, DEBCAD n. 37.269.5256, em julgamento nessa mesma sessão. Vejamos ementa do acordão proferido. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 207DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COOPERATIVAS DE TRABALHO. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contribuição a cargo da tomadora sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho está previsto no art. 22, IV da Lei ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO COOPERATIVA DE TRABALHO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO DISCUSSÃO JUDICIAL. RENÚNCIA A INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Negado Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 208DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11020.000766/201052 Acórdão n.º 2401002.395 S2C4T1 Fl. 4 7 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista, bem como procedeu a autoridade julgadora a devida apreciação da multa aplicada, não tendo o recorrente apresentado qualquer novo argumento que pudesse alterar o julgamento então proferido. Da aplicação da legislação vigente à época do fato gerador 13. Conforme explicado pelo Auditor Fiscal autuante em seu Relatório Fiscal, o presente lançamento foi feito já no período de vigência da MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, a qual alterou a sistemática de cálculo das multas por descumprimento da obrigação acessória de correto preenchimento e declaração de fatos geradores em GFIP. Em função desta alteração, a Impugnante alega estar viciado o lançamento, eis que a aplicação de juros e multa estaria fundamentada em dispositivo revogado (artigo 35 da Lei 8.212/91) . 14. Ocorre que o Código Tributário Nacional prevê, em seu artigo 144, que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador. Ou seja: sendo o período abrangido pelo presente lançamento anterior à Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, deve ser verificada a legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores, como abaixo: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 15. Portanto, não há equívoco no presente lançamento, nem mesmo levantamento feito com base em dispositivos revogados, eis que observada a legislação de regência à época dos fatos geradores, apenas com a possibilidade de exceção albergada no art. 106, II, "c" do CTN. A multa foi cominada corretamente, obedecendo aos ditames da legislação em vigor no momento da ocorrência do fato gerador. 16. Não ilide a infração cometida a ausência de dolo, eis que a infração fiscal tem natureza meramente formal, isto é, independe do resultado efetivamente ocorrido, da vantagem obtida, da eventual falta de recolhimento de tributo ou da extensão da lesão ao Fisco. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 Também não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo subjacente à conduta, tal como estabelecido no Art. 136 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 17. Logo, a multa por descumprimento de obrigação tributária acessória não é afastada pela inexistência de dolo ou culpa do agente, ou mesmo cogita do fato de ter existido prejuízo à fiscalização ou não. Apenas o que está em análise é o fato de o contribuinte ter ou não cumprido as obrigações a ele atribuídas por lei. 52 Acórdão n.° 1236.393 DRJ/RJ1 Fls. 130 18. Não prospera também o argumento que afirma não ter sido cometida nenhuma infração, eis que a mesma teria sido corrigida após o início da ação fiscal, eis que tal condição apenas estaria amparada pelo instituto da de relevação da penalidade, no entanto, o mesmo foi extinto quando da revogação do art. 291 e parágrafos do Regulamento da Previdência Social, pelo Decreto 6.727, de 12/01/09. Isto porque o início do procedimento de fiscalização, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize, retira do sujeito passivo a espontaneidade para os fins de retificar ou sanar infrações referentes às contribuições sociais e previdenciárias objeto do procedimento fiscal a que está submetido. Tudo nos termos do art. 138 e parágrafo único do CTN e art. 7.° e § 1.° do Decreto n.° 70.235/72. Logo, tendo o Auditor Fiscal verificado que, quando do início da ação fiscal, e mesmo no momento em que as GFIP's a ele foram apresentadas, as mesmas encontavamse incorretamente preenchidas, caracterizada está a infração, exsurgindo daí o dever de se proceder a lavratura do correspondente Auto de Infração. 19. Desprovida de sentido a arguição de nulidade com base no art. 32A da Lei 8.212/91, eis que este se refere às informações em GFIP, solicitadas no Termo de Início de Procedimento Fiscal e posteriormente confrontadas com as Folhas de Pagamento, igualmente requisitadas através de Termo de Intimação Fiscal. Irregular seria o procedimento se a autuação tivesse por base a ausência de documentos não solicitados. 20. In casu, constando a ausência de informações obrigatórias em GFIP, tendo o documento sido regularmente solicitado, não há que se falar em pedido de esclarecimentos. Equivocase a Impugnante na interpretação da legislação ao afirmar que deveria ter sido intimada a corrigir a GFIP, quando a legislação não prevê esta hipótese. Ademais, as hipóteses de redução de multa consignadas no citado artigo se aplicam ao caso de entrega a destempo do documento, e não de entrega com ausência de fatos geradores. Assim, está correta a autuação fiscal. Da Correta Quantificação da Multa Aplicada Fl. 210DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11020.000766/201052 Acórdão n.º 2401002.395 S2C4T1 Fl. 5 9 21. Finalmente, não se aplica ao caso em tela a redução da multa ao estabelecido no parágrafo 3o , inciso I do artigo 32A da Lei 8.212/91, eis que o mesmo se refere a multa cominada nos autos de infração onde não há ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária, hipótese descolada da realidade fática da presente autuação. 22. Consolidando este entendimento, foi editada a Instrução Normativa RFB 971/2009, que dispõe expressamente sobre o valor a ser considerado como base de cálculo da multa cominada pela omissão de informações em GFIP no caso das entidades que se declaram isentas, verbis: Art 476. O responsável por infração ao disposto no inciso IV do art. 32 da Lei n" 8.212, de 1991, fica sujeito à multa variável, conforme a gravidade da infração, aplicada da seguinte forma, observado o disposto no art. 476A: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.027, de 20 de abril de 2010) I para GFIP não entregue relativa a fatos geradores ocorridos até 31 de outubro de 2008, bem como para GFIP entregue até 3 de dezembro de 2008, a multa é limitada a um valor mínimo e a um valor máximo previstos no art. 92 da Lei n" 8.212, de 1991, atualizados mediante Portaria Interministerial, editada pelos Ministros de Estado da Previdência Social e da Fazenda, e o seu valor será: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n° 1.027, de 20 de abril de 2010) Assim, em averiguando a procedência dos fatos geradores não informados em GFIP, por meio de outras AIOP, tendo em vista que o julgamento do AI em questão depende diretamente do resultado das AIOP, não cabendo apreciação de questões de mérito, já devidamente apreciados quando do julgamento das referidas NFLD, deve prosperar o lançamento. Assim, entendo correto o procedimento adotado pelo auditor na multa aplicada, assim como descrito no relatório fiscal, fl. 83. “Assim, observados a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e o valor das contribuições devidas e não declaradas em GFIP, como a multa, correspondente a 100% (cem por cento) das contribuições devidas e não declaradas considerado o limite mencionado no item anterior mais a multa de 24% (vinte e quatro por cento) das contribuições em atraso, conforme coluna "H" do Demonstrativo do Cálculo do Valor da Multa Aplicada, é menos gravosa que a multa do lançamento de ofício, de 75% (setenta e cinco por cento) do tributo devido, conforme coluna " I " do mesmo Demonstrativo, as penalidades aplicadas, por serem mais benéficas ao autuado, são a multa de mora objeto do Auto de Infração DEBCAD n° 37.269.5256 e a multa isolada objeto do presente Auto de Infração.” Dessa forma, apenas para esclarecer o recorrente, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Notese que a multa que entende o recorrente deve ser aplicada, só é válida quando inocorrem fatos geradores de contribuições, ou seja, são erros não relacionados a fatos geradores. Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 11020.000766/201052 Acórdão n.º 2401002.395 S2C4T1 Fl. 6 11 As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas, conforme já posicionouse o auditor fiscal. No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que foi acertado o posicionamento adotado pela autoridade fiscal, não havendo qualquer reparo a ser feito. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 213DF CARF MF Impresso em 02/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 14/06/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 10980.010003/2008-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL.
Não tendo a autoridade autuadora ou a DRJ apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas, é de se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso, demonstrando que há vícios nos comprovantes trazidos aos autos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas pelo auto de infração, no montante de R$ 14.100,00 (quatorze mil, cento e dez reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 13/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INCABÍVEL. Não tendo a autoridade autuadora ou a DRJ apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitandose a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos e outros elementos, prova do pagamento das despesas, é de se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade fiscal justificar a exigência da prova do efetivo desembolso, demonstrando que há vícios nos comprovantes trazidos aos autos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas pelo auto de infração, no montante de R$ 14.100,00 (quatorze mil, cento e dez reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 00 03 /2 00 8- 84 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 13/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Contra o contribuinte foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls.1618, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2006, exercício 2007, em razão da suposta dedução indevida de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal, conforme o caso (fl.17), aduzindo em acréscimo não haver prova de efetivo desembolso e glosa de despesas relativas a UNIMED cujos beneficiários não são declarante em conjunto nem dependentes, e omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, conforme informado na DIMOB respectiva. O Contribuinte foi cientificado. Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fls. 01 e ss., alegando a insubsistência de parte do lançamento, aos seguintes fundamentos: que impugna tão somente a glosa de deduções de despesas médicas próprias do contribuinte, no valor de R$14.100,00, posto que realizadas em conformidade com a legislação aplicável; que apresentou todos os comprovantes necessários em fase de fiscalização; que todos os recibos foram apresentados contendo todos os elementos exigidos em lei e acompanhados de declarações dos profissionais correspondentes; que diante de tais comprovantes não é lícita a exigência de outros elementos de prova, tal qual o exige nos presentes autos a RFB; na hipótese de não ser acolhida sua impugnação, pleiteia subsidiariamente a redução do valor da multa por ofensa ao art.150, IV, da CF, de vez que aplicada no percentual de 75%. Junta documentos. Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/CTA, em sessão realizada no dia 22/02/2011, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, aos seguintes fundamentos: que é matéria não impugnada a omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 41.519,65 e deduções de despesas médicas no valor de R$ 6.142,02, permanecendo em litígio apenas a glosa de despesas médicas no valor de R$ 14.100,00; que não foram apresentados pelo contribuinte documentos comprobatórios de efetivo desembolso; que os recibos isoladamente não são suficientes à comprovação das despesas, podendo a RFB, a seu critério, exigir outros elementos de prova; que quanto ao pedido de redução da multa de ofício, foge ao escopo do presente administrativo o questionamento das normas legais que dão fundamento a tal multa, que portanto deve ser mantida. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10980.010003/200884 Acórdão n.º 2802002.032 S2TE02 Fl. 180 3 Cientificado da supramencionada decisão, conforme fl. 116, o contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário a fl. 127 e ss. (numeração CARF, pois a partir dessa página não há a numeração original), atacando a decisão exarada pela DRJ, repisando os argumentos esgrimidos em sua impugnação e alegando em acréscimo que os pagamentos efetuados a profissionais de saúde não alcançaram o percentual apontado pela DRJ, sendo na verdade de pouco mais de 10% dos rendimentos tributáveis, ainda mais sendo a recorrente atleta de alta performance (triatleta); que pelos resultados que tem o contribuinte alcançado em provas de projeção em sua área de treinamento, buscou atendimento especializado, fora da cobertura de seu plano de saúde; que vários dos profissionais utilizados pelo contribuinte não são cobertos pela maioria dos planos de saúde, tal qual sessões de psicoterapia e de acupuntura; junta aos autos matérias jornalísticas sobre sua atuação atlética e extratos bancários. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello – Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, a glosa de deduções com despesas médicas. O lançamento de ofício não pode prevalecer diante dos recibos apresentados pelo contribuinte aos quais a autoridade autuante ou douta DRJ não atribuem vício algum, exceto a necessidade de comprovação de efetivo desembolso. Se considera a fiscalização que a documentação é inidônea para comprovar as despesas informadas, deveria se haver desincumbido de apontar as razões para tanto. Por esta razões, não se pode aqui adentrar a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que não fundouse o auto de infração ou a decisão da DRJ na indicação de qualquer deficiência dos mesmos. Caberia, pois, à autoridade autuante dizer exatamente o porquê de sua recusa aos comprovantes apresentados pelo ora Recorrente para justificar a dedução das despesas médicas objeto de glosa, assim como igual atribuição caberia à DRJ, quando tratase de documentos apresentados após a autuação. O artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Ora, se o contribuinte não apresentasse qualquer comprovação ou justificativa para as deduções questionadas, dúvida não haveria em manterse o lançamento, mas, tendo apresentado comprovantes, como já dito, deveria a fiscalização apontar as razões pelas quais não os acolhe, já que não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Desta forma, voto por dar provimento ao recurso, no sentido de restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas pelo auto de infração, no montante de R$ 14.100,00, nos termos dos comprovantes de fls.2536 e 88102, mantendose quanto ao mais o lançamento, por não terem sido os demais aspectos que contempla objeto do presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 182DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 10/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.006351/2008-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Previdenciárias
Período de Apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006
PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO
DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991.
A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou
posteriormente à autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão
administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme
determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da
Lei nº 8.213/1991.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento
da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a
multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei
11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista
com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº
9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais
benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35-A
da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a
multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP
449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma
natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Numero da decisão: 2301-002.526
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos
termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela
Recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação
da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b)
em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no
Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a)
Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada.
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ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI 6.830/1980 E ART. 216, 3º DA LEI Nº 8.213/1991. A propositura de ação judicial pelo contribuinte anteriormente ou posteriormente à autuação, cujo objeto seja o mesmo da discussão administrativa, acarreta na renúncia à instância administrativa, conforme determina o artigo 38, parágrafo único da Lei 6.830/1980 e o art. 216, §3º da Lei nº 8.213/1991. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em conhecer em parte do recurso, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Fl. 288DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 2 2 Recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de Auto Infração nº 37.142.4798 lavrado em face de COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL PRADENSE, do qual foi notificado em 26/09/2008, em virtude do não recolhimento das contribuições previdenciárias relativas aos produtores rurais pessoas físicas no percentual de 2% para a seguridade social e de 0,1% para o financiamento das prestações por acidentes de trabalho, incidentes sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural dos cooperados com a Sociedade Cooperativa (adquirente), a qual figura no pólo passivo da obrigação tributária na condição de responsável. O crédito tributário decorrente do lançamento realizado é no valor de R$ 859.605,19 (oitocentos e cinquenta e nove mil e seiscentos e cinco reais e dezenove centavos). Afirma o Relatório Fiscal (fls.78 e seguintes) que a Recorrente adquiriu produtos rurais de seus cooperados pessoas físicas, conforme consta da análise das notas fiscais de compra por ela emitidas e dos registros contábeis referentes a estas operações. Aduz ainda o relato do fisco que a Recorrente possui Mandado de Segurança (2007.71.07.004393/RS), já em fase de julgamento do Recurso Especial nº 571.966 (2003/01143071), nos quais se discute, judicialmente, a exigibilidade da contribuição a FUNRURAL, tendo, portanto, efetuado, em subrogação, depósitos judiciais referentes aos valores da contribuição em comento, a qual incidiu sobre os valores dos produtos rurais adquiridos dos produtores rurais pessoas físicas. Cabe destacar, ainda, que, segundo o Relatório Fiscal, a Cooperativa encontrase dispensada de declarar as bases de cálculo das contribuições relativas à comercialização da Produção Rural Pessoa Física nas Guias de Recolhimento da Previdência Social – GFIP, em razão dos processos e depósitos judiciais acima citados. Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação, insurgindose contra a exação fiscal em comento, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: Fl. 289DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 3 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DÉBITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA LANÇAMENTO FISCAL. Considerandose o prazo extintivo de natureza decadencial, a autoridade administrativa declara seu crédito em tempo hábil, de forma a salvaguardar seus interesses frente à possibilidade de serem os depósitos levantados antes do desfecho da ação (autorizada por alguns juízes, a despeito da jurisprudência dominante), sob pena de, inexistindo crédito e decorrido o prazo para constituílo, não se beneficiar a seguridade social de decisão final a seu favor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cabe destacar da decisão recorrida a afirmação de que, como o crédito constituído por lançamento de ofício encontrase em discussão judicial, em virtude dos depósitos pela Recorrente realizados, sua exigibilidade está suspensa. Não satisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário alegando em suma: a) A licitude de sua conduta, em virtude de os objetos das exações fiscais serem sujeitos a lançamento por homologação e, em virtude da realização dos depósitos judiciais correspondentes, deve ser anulado o auto de infração em face dela emitido. b) A desnecessidade do lançamento realizado e inexigibilidade de multa de mora e juros, em virtude da realização dos depósitos judicias tempestivamente realizados. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da renúncia à via administrativa Consta dos autos a impetração pela autuada de mandado de segurança destinado (2007.71.07.004393/RS) e de Recurso Especial (nº 571.966 2003/01143071), no escopo de discutir, judicialmente, a exigibilidade da contribuição destinada ao FUNRURAL. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 4 4 Verificase, assim, uma hipótese de renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa, a teor do disposto no art. 126, §3º, da Lei no 8.213/91 combinado com o art. 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20.11.98). O art. 38, parágrafo único da Lei nº 6.830/1980 traz dispositivo semelhante: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. O fundamento de tais dispositivos legais é evitar decisões conflitantes entre o órgão administrativo e o judicial. O Princípio da Tutela Jurisdicional Absoluta, previsto no artigo 5º, XXXV, da Constituição Federal, veda que sejam afastadas da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Quem se sentir ameaçado ou violado em seus direitos pode recorrer ao judiciário e este não pode eximirse da apreciação e solução da matéria. Tal entendimento, inclusive, já foi sumulado por este Conselho de Contribuintes, conforme dispõe a Súmula Nº 1 do CARF, a seguir transcrita: SÚMULA Nº 1 do CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Sobrepondose suas decisões às soluções na esfera administrativa sobre a mesma matéria, seria inócuo um julgamento por este colegiado que, após a decisão judicial, observaria o afastamento da solução proposta. Assim, se a parte apresentou a matéria na sua defesa e recurso e também ingressou com ação judicial, deve ser reconhecida a renúncia ao contencioso administrativo, que deve ficar limitada, evidentemente, à matéria que lhes forem idênticas. No caso dos autos, a autuada impetrou mandado de segurança para ver reconhecido judicialmente a improcedência do lançamento referente às contribuições relativas ao FUNRURAL. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 5 5 Diante disso, não há razão para se conhecer do presente Recurso, dado o fato de a Recorrente já ter interposto ação judicial discutindo a exigibilidade da contribuição objeto do Auto de Infração em face dela lavrado. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 6 6 Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 293DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 7 7 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores Fl. 294DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 8 8 em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades previstas na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a instituída pela sua nova redação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996) aplicandolhe a que for mais benéfica. Da Conclusão Ante o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para que seja aplicada a penalidade prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, caso seja mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012 Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 295DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 11020.006351/200878 Acórdão n.º 2301002.526 S2C3T1 Fl. 9 9 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 1/03/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 18471.000626/2006-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2003, 2004, 2005
CONCOMITÂNCIA COM ESFERA JUDICIAL. PARCIAL.
Detectada uma discussão judicial sobre matéria objeto de autuação, deve ser restabelecida a parte do lançamento respectiva, observando-se a Súmula CARF nº 1.
LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. MODIFICAÇÃO SUBSTANCIOSA. IMPOSSIBILIDADE.
A previsão legal de lançamento complementar não alcança a hipótese de alteração do próprio fato gerador em seus aspectos temporal e fático.
Numero da decisão: 1202-000.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Em relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, em acatar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal para anular a exigência do IRPJ referente ao ano-calendário 2001. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que rejeitava a preliminar de nulidade. O conselheiro Geraldo Valentim Neto acompanhou o voto pelas conclusões. Com base nessa decisão, em relação ao processo apensado, nº 10768.002416/2002-14, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar à unidade de origem que verifique a suficiência do saldo negativo de IRPJ para fins de homologação ou não da compensação pretendida, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Quanto ao recurso de ofício, pelo voto de qualidade, em face da concomitância com a esfera judicial, em dar parcial provimento para restabelecer o crédito tributário referente à variação cambial do investimento na empresa Klanil, do ano-calendário de 2002, no montante de R$ 163.290.144,73. Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente substituto
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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Recorrentes LOJAS AMERICANAS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2003, 2004, 2005 CONCOMITÂNCIA COM ESFERA JUDICIAL. PARCIAL. Detectada uma discussão judicial sobre matéria objeto de autuação, deve ser restabelecida a parte do lançamento respectiva, observandose a Súmula CARF nº 1. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. MODIFICAÇÃO SUBSTANCIOSA. IMPOSSIBILIDADE. A previsão legal de lançamento complementar não alcança a hipótese de alteração do próprio fato gerador em seus aspectos temporal e fático. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Em relação ao recurso voluntário, por maioria de votos, em acatar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal para anular a exigência do IRPJ referente ao anocalendário 2001. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que rejeitava a preliminar de nulidade. O conselheiro Geraldo Valentim Neto acompanhou o voto pelas conclusões. Com base nessa decisão, em relação ao processo apensado, nº 10768.002416/200214, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar à unidade de origem que verifique a suficiência do saldo negativo de IRPJ para fins de homologação ou não da compensação pretendida, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo. Quanto ao recurso de ofício, pelo voto de qualidade, em face da concomitância com a esfera judicial, em dar parcial provimento para restabelecer o crédito tributário referente à variação cambial do investimento na empresa Klanil, do ano calendário de 2002, no montante de R$ 163.290.144,73. Vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 26 /2 00 6- 39 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente substituto (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Orlando José Gonçalves Bueno, Viviane Vidal Wagner e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e de recurso voluntário, este apresentado pela contribuinte acima identificada em face de decisão que deu parcial provimento à impugnação, em face da autuação de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2002 a 2004, acrescidos de multa de 75% e encargos moratórios. Os fundamentos da autuação do IRPJ, consoante se extrai do TFV (fls.), podem ser assim sintetizados. Sobre o tema lucros auferidos no exterior, verificouse que o interessado interpôs mandado de segurança na 21ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro (proc. nº 2003.51010139514) objetivando o reconhecimento: a) da não incidência de IRPJ e CSLL sobre os lucros auferidos/acumulados pela controlada Klanil Services Ltd., antes de sua efetiva disponibilização, afastandose a aplicação da regra prevista no parágrafo único, do art. 74, da MP 2.15835/01, relativamente aos períodosbase até 2002, bem como sobre os lucros futuros auferidos/acumulados pela Klanil; b) da inexigibilidade do crédito tributário de IRPJ e da CSLL sobre valores relativos aos resultados de equivalência patrimonial, concernentes ao investimento na Klanil, afastandose a aplicação do art. 7º, §1º, da IN SRF 213/2002 e posteriores. A fiscalização verificou que foi denegada a segurança e revogada a liminar concedida na sentença (fls. 345/354). Diante disso, foram considerados tributáveis os seguintes valores decorrentes de lucros auferidos por empresas controladas no exterior: Cheyney Financial S.A. Anobase R$ 1998 8.760.153,00 1999 117.993.211,00 2000 31.639.500,88 2001 (1º semestre) 6.892.069,00 () lucro disponibilizado em 2000 (36.500.000,00) Valor tributado em 31/12/2002 128.784.934,08 Klanil Services Ltd. Anobase R$ 2001 (2º semestre) 17.270.435,46 2002 39.282.422,32 Valor tributado em 31/12/2002 56.552.857,78 No enquadramento legal foram referidos os art. 25, §§2º e 3º, da Lei 9.249/1995; art. 16 da Lei 9.430/1996; arts. 249, I, e 394 do RIR/1999; art. 3º da Lei 9.959/2000. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 5 4 A segunda infração apurada referese à exclusão indevida de valores relativos à equivalência patrimonial da empresa controlada Klanil, conforme a seguir: Anobase R$ 2002 194.391.601,51 2003 32.474.411,44 2004 12.468.448,54 No enquadramento legal foram referidos os art. 250, I, do RIR/1999; art. 7º, §1º, da IN SRF 213/2002. Na apuração do lucro real do anobase de 2002 foram compensados o prejuízo apurado no período (R$ 112.116.836,35) e prejuízos apurados em períodos anteriores (R$ 80.283.767,11). No lançamento de CSLL decorrente compensouse a base negativa apurada em 2002 (R$ 112.349.545,83) e de períodos anteriores (R$ 80.213.954,26). Na impugnação (fls. 391/431), a interessada alegou, em síntese: que reconhece ter elegido a esfera judicial para valerse de seu entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.1583501 e ilegalidade do art. 7, §1º, da IN SRF 213/2002, pretendendo demonstrar na impugnação apenas a improcedência do auto de infração por aplicação incorreta dos dispositivos legais; que, no períodobase de 2002, estão sendo tributados indevidamente lucros gerados pela empresa Cheyney, que não pertencia ao interessado à época da edição da MP 2.15835/01 ou da MP 2.15834/01, de 27/7/2001, a qual introduziu, pela primeira vez, o tratamento previsto no art. 74 da MP 2.15835/01 na sistemática de tributação de lucros de controladas e coligadas no exterior; que o lucro auferido por Cheyney até o primeiro semestre de 2001 também não pode ser tributado nos termos do §6º, do art 1º, da INSRF 213/2002, ou mesmo da sua antecessora, a IN SRF 38/1996, por não ser lucro auferido por Klanil através de outra pessoa jurídica na qual tivesse participação; que o auto é improcedente na parte em que tributa o lucro gerado por Cheyney até o final do primeiro semestre de 2001 (R$ 128.784.934,08), por não se poder tributar lucro de empresa no exterior que não pertence ao interessado, tampouco se pretendesse tributar esse lucro como se fosse de Klanil, pois esta não poderia ter auferido qualquer lucro em período anterior à aquisição do investimento; que, com relação ao lucro gerado por Klanil a partir do segundo semestre de 2001 até dezembro de 2002 (R$ 56.552.857,78), esclarece que já ofereceu espontaneamente à tributação no anobase de 2003, conforme informação às fls. 236/238 e demonstrado nas fichas 9A e 17, linhas 23 e 18, respectivamente, da declaração de imposto de renda de pessoas jurídicas – DIPJ (fls. 74 e 84) e no livro de apuração do lucro real – Lalur (fl. 320); que, apesar de reconhecer que esses valores deveriam ser oferecidos à tributação no anobase de 2002, se fosse válido o art. 74 da MP 2.158/2001, esclarece que no anobase de 2002 tinha perdas fiscais em montante muito superior ao lucro disponibilizado no exterior, conforme DIPJ às fls. 15 e 25; Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 6 5 que as exigências feitas na segunda infração são totalmente descabidas, pois, além de pretender tributar resultados positivos de equivalência patrimonial de investimentos em controladas e coligadas no exterior, o autuante sequer ajusta esses valores para eliminar a duplicidade de valores, como o lucro do exterior e como resultado positivo de equivalência; a tributação de resultados correspondentes à variação cambial do investimento; e a tributação de lucros gerados no Brasil; que, em 2002, um mesmo lucro gerado por Klanil é tributado três vezes: quando desconsidera o fato de o interessado já ter oferecido à tributação em 2003; quando tributa na primeira infração; e quando tributa na segunda infração; que a única forma de compatibilizar o disposto no art. 7º, §1º, da IN SRF 213/2002 com o art. 74 da MP 2.15835/01 é excluir da tributação valores correspondentes a lucro no exterior que já tenham sido oferecidos à tributação, por corresponderem a lucros da investida; que, em 2002, o valor informado como resultado positivo de equivalência referese, no que excede ao montante dos lucros tributáveis, à variação cambial dos investimentos em Klanil, a qual não é computada no lucro real e na base de cálculo da CSLL, consoante entendimento da RFB e do Conselho de Contribuintes; que a diferença entre o resultado de equivalência patrimonial e o lucro da Klanil, R$ 155.109.179,19 (=R$ 194.391.601,51 – R$ 39.282.422,32), não é tributável segundo entendimento do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro, por corresponder à variação cambial positiva do investimento; que, com relação ao anobase de 2003, é tributado o valor de R$ 32.474.411,44, correspondente aos resultados positivos de equivalência patrimonial do investimento na Klanil, sendo que, nesse ano, foi oferecido à tributação o valor de R$ 46.984.766,38, conforme fichas 9A e 17, linhas 5, da DIPJ (fls. 74 e 84), ou seja, mais do que seu ganho de equivalência patrimonial e que a diferença de R$ 14.510.354,94 resulta da desvalorização do dólar diante do real (variação cambial negativa); que não é passível de tributação o valor de R$ 12.468.448,54, autuado em 2004, por não corresponder a lucros produzidos no exterior, mas sim a resultados da controlada indireta brasileira da Klanil, a Americom, já oferecidos à tributação no Brasil; que tem investimentos diretos em Klanil (100%), sociedade com sede no exterior, que é titular de investimentos em Cheyney (100%) sediada no exterior, que tem investimentos em Americanas.com – AMEXT (80,4%), também com sede no exterior, que, finalmente detém participação acionária representativa de praticamente 100% no capital de Americom, sociedade com sede no Brasil, sendo todos esses investimentos contabilizados pelo método de equivalência patrimonial; que o art. 74 da MP nº 2.15835/01 não se presta a permitir a dupla tributação de um mesmo lucro gerado no Brasil (o da Americom), como se o lucro tivesse sido gerado no exterior pela Klanil e, assim, devesse ser tributado no interessado; que o resultado tributado pelo autuante, no ano de 2004, foi integralmente gerado no Brasil, por Americom e reconhecido contabilmente pelo método de equivalência patrimonial (80,4% de R$ 22.652 mil = R$ 18.212 mil), reduzido por prejuízos produzidos no exterior; Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 7 6 que, no anobase de 2004, Klanil, Cheyney e Amext não geraram renda no exterior; que, se a fonte produtora da renda a ser tributada não estiver no exterior, são inaplicáveis as normas de tributação dos lucros no exterior; que a lei só prevê a compensação do imposto de renda incidente no exterior, vez que, se já tiver ocorrido a tributação dos lucros no Brasil, tais lucros não devem ser submetidos à nova tributação; que, ainda que não se acolha o argumento de que o lucro da Americom não pode ser duplamente tributado, deve ser permitido compensar integralmente o IRPJ e a CSLL pagos pela Americom sobre os lucros tidos como do exterior. Em face de tais argumentos, a DRJ determinou diligência para que: com relação à empresa Cheyney, fossem juntadas as demonstrações financeiras referentes ao período findo em 30/6/2001 e que procedesse à autuação dos lucros auferidos, no montante de R$ 128.784.934,08, em 31/12/2001, por força da IN SRF n° 38, de 27/6/1996, art. 2°, §9° (comando repetido na IN SRF n°213, de 7/10/2002, art. 2°, §6°). quanto à equivalência patrimonial, que fosse demonstrada a apuração dos valores de R$ 194.391.601,51 em 2002, R$ 32.474.411,44 em 2003 e R$ 12.468.448,54 em 2004, informando o que é decorrente de participação nos resultados e o que é variação cambial e se o resultado em 2004 (R$ 15.360 mil) foi gerado no Brasil por Americanas.com S.A. Em retorno, foram juntados os documentos de fls. 489/651, lavrados os termos de fls. 652/653, 666/667 e 689, bem como os autos de infração retificadores do IRPJ (fls. 668/671) e da CSLL (fls. 672/675). A tributação dos lucros auferidos por Cheyney foi deslocada de 2002 para 2001, a teor do disposto no art. 2º, §9º, da IN SRF 38/96. Cientificado da diligência, o contribuinte aditou razões, alegando, em síntese: que o auto de infração retificador foi lavrado para modificar o lançamento efetuado em julho de 2006, adicionando ao lucro líquido do períodobase de 2001 os lucros auferidos no exterior por Cheyney, por força do art. 2º, §9º, da IN SRF 38/96; que os erros de direito não podem ser objeto de revisão de lançamento com base no disposto nos arts. 145, inciso III, e 149 do CTN; que o auto é nulo porque reenquadra a infração em dispositivo infralegal, expedido pela Secretaria da Receita Federal (a IN SRF 38/96), que considera disponibilizados os lucros auferidos no exterior, quando ocorre a alienação dos investimentos a eles relacionados, que não estava sequer vigente à época do suposto fato gerador, e que já se encontraria revogada pela Lei nº 9.532/97; que não se pode dizer que a alienação de ações no exterior consubstancie o crédito do lucro, conforme alínea “a”, do §2º, do art. 1º, da Lei nº 9.532/97, porque seu valor não foi transferido a qualquer conta do passivo de Cheyney; não houve o crédito bancário do valor do lucro (item 1, da alínea “b”, da citada lei), não ocorreu sua entrega a qualquer representante do interessado (item 2, da alínea “b”), nem a remessa do lucro a favor do interessado (item 3, da alínea “b”); Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 8 7 que a operação de alienação de ações no exterior também não se enquadra no item 4, da alínea “b”, do §2º, do art. 1º, da Lei 9.532/97, o qual trata de emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada no exterior; que a distribuição ou disponibilização de lucros pressupõe a transferência de recursos de uma parte para outra, enquanto a alienação de participação societária é operação alheia à pessoa jurídica emitente dessa participação, que sequer se reflete no seu patrimônio, não podendo ser equiparada à disponibilização de lucros; que a Lei 9.532/97 poderia ter previsto que a alienação do investimento no exterior seria fato gerador da tributação de lucros, mas não o fez; que, ainda que a autuação do IRPJ fosse procedente, deveriam ser subtraídos da base de cálculo da CSLL os lucros gerados no exterior no período em que não havia qualquer norma determinando sua adição; que o Ato Declaratório SRF nº 75, de 17/8/99, reconheceu que antes da edição da MP 1.858/99, não havia qualquer norma determinando a incidência de CSLL sobre lucros auferidos no exterior, e que o referido diploma só poderia produzir efeitos a partir de 1/10/99, em função da anterioridade nonagesimal; Posteriormente, foram aditadas novas razões, em face da não homologação, no processo nº 10768.002416/200214, das compensações efetuadas com base no saldo negativo de IRPJ integrado pelo pagamento de imposto de renda na fonte – IRF, a título de antecipação, sobre rendimentos de aplicações financeiras, no valor de R$ 12.051.903,46, informado na DIPJ relativa ao anocalendário de 2001. Pediu que, caso mantida a não homologação naqueles processos, que o saldo negativo de IRPJ seja utilizado para reduzir o valor exigido no auto de infração. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – I julgou parcialmente procedentes os lançamentos efetuados para considerar devidos o IRPJ, no valor de R$ 18.252.585,24, acrescido da multa de 75% e dos encargos moratórios, e reduzir a base de cálculo negativa da CSLL declarada no anocalendário de 2001 em R$ 6.892.069,00, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001, 2002 AUTO DE INFRAÇÃO. CORREÇÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. O art. 145, inciso I, do CTN, combinado com o art. 18, §3º, do Decreto nº 70.235/1972 permite a correção do lançamento, com a lavratura de auto de infração complementar. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR. ALIENAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO. DISPONIBILIZAÇÃO DO LUCRO. Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 9 8 Os lucros auferidos por empresa controlada sediada no exterior são considerados disponíveis para a empresa controladora, no momento da alienação da respectiva participação societária. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA DO EXERCÍCIO. CONTABILIZAÇÃO DA RECEITA. POSTERGAÇÃO NO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A inobservância do regime de competência para contabilização da receita só dá causa para lançamento se ocorrer postergação no pagamento do imposto. RESULTADO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NO EXTERIOR. EXCLUSÃO DO LUCRO JÁ TRIBUTADO E DA VARIAÇÃO CAMBIAL SOBRE O INVESTIMENTO. Na apuração do resultado da equivalência patrimonial relativo a investimento sobre empresa sediada no exterior, deve ser excluído o lucro já tributado na forma do art. 25 da Lei nº 9.249/1995 e do art. 1º da Lei nº 9.532/1997, sob pena haver duplicidade de tributação. Também deve ser excluído do resultado da equivalência patrimonial a variação cambial do investimento, por falta de previsão legal da incidência tributária. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 TRIBUTAÇÃO EM BASES UNIVERSAIS. INÍCIO DA VIGÊNCIA. A partir de 1º de outubro de 1999 teve início a tributação em bases universais, nos termos do art. 19 da MP nº 1.8586, publicada no DOU de 30/6/1999. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendese ao lançamento reflexo os efeitos da decisão prolatada no lançamento matriz. A decisão, em suma: (i) julgou o lançamento improcedente em relação aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004; (ii) julgou o lançamento de IRPJ inteiramente procedente em relação ao anocalendário de 2001 e o de CSLL procedente em parte com relação ao mesmo período; e (iii) indeferiu o pedido de aproveitamento do saldo negativo. Em razão do montante exonerado, a turma julgadora recorreu de ofício ao CARF. Regularmente cientificada da decisão em 22/06/2007 (cfe. AR, fl.918), o contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário ao CARF, em 20/07/2007 (fls.), em que contesta a decisão recorrida pelos argumentos a seguir sintetizados. Aponta a impossibilidade de revisão do lançamento por erro de direito, não podendo ser alegado o art. 145, I, do CTN nem o art. 18, §3º, do Decretolei nº 70.235/72. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 10 9 Sustenta a improcedência do auto mantido pela decisão recorrida, que tributa, no anobase de 2001, o valor de R$128.784.934,08, já que o Termo de constatação e Verificação ("TCV") não traz quaisquer esclarecimentos adicionais quanto ao auto, limitando se a indicar os valores passíveis de tributação, que, segundo reconhece, correspondem a lucros gerados por CHEYNEY no período compreendido entre 1998 e o primeiro semestre de 2001, sendo que os dispositivos citados no enquadramento legal do auto em nada acrescentam à descrição dele constante. Repisa o argumento de que o auto se baseia em norma infralegal inovadora (IN 38/96), que não estava sequer vigente à época do suposto fato gerador, e que já se encontraria revogada pela Lei nº 9.532/97. Alega que inexiste, na sistemática da Lei nº 9.532/97, norma que atribua à alienação das ações de controladas com sede no exterior efeitos idênticos aos da disponibilização de seus lucros. A alienação de ações no exterior não consusbstancia o crédito do lucro, conforme alínea "a" do parágrafo 2º, porque seu valor não foi transferido a qualquer conta do passivo exigível de CHEYNEY. Também não houve o crédito do valor do lucro em conta bancária em favor de CHEYNEY, conforme item 1 da alínea “d”; não ocorreu sua entrega a qualquer representante da recorrente, nos termos do item 2; e nem a remessa, a favor da recorrente, do valor do lucro, de acordo com o item 3. Referida operação tampouco se enquadra no disposto no item 4 da alínea "b" do parágrafo 2º do art. 1º da Lei nº 9.532/97. Pede o apensamento dos processos nº 10768.002416/200214 e 10768.007966/200220, para redução do lançamento pelo IRRF antecipado, o que, segundo ela. prescinde de processo próprio, na hipótese eventual de manutenção do lançamento. Em 25.06.2008, a 3ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes decidiu interromper o julgamento do Recurso Voluntário para que fossem apensados ao presente processo os autos do processo de compensação n° 10768.002416/200214, permitindo que fossem eles julgados conjuntamente. Em petição de 29.07.2008 (fls.981 e seguintes), a recorrente esclarece que, além das compensações objeto do processo n° 10768.002416/200214, foi utilizada outra parte do IRRF dos anocalendário de 2001 e 2002 para quitar, por compensação, outros tributos administrados pela SRFB, nos processos nºs 10768.004158/200391 e 15374.001251/200634. Questiona a não homologação das compensações sob o fundamento de que os autos de infração teriam retirado a certeza e liquidez do crédito, apesar de o valor do IRRF utilizado nas referidas compensações não ter sido empregado para reduzir o montante exigido a titulo de IRPJ nos referidos autos. Despacho do presidente da Terceira Câmara do Conselho de Contribuinte (fls.10201021) determina a distribuição dos processos n° 10768.004158/200391 e n° 15374.001251/200634, além dos de n° 10768.002416/200214 e n° 10768.007966/200220, ao relator original, para serem apreciados conjuntamente com este. A PGFN se manifesta nos autos (fls.1022 e seguintes), consignando, em suma, o seguinte. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 11 10 Aduz que no mandado de segurança impetrado pelo contribuinte, em segunda instância, foi reconhecida a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, bem como a legalidade do art.7°, §1º, da Instrução Normativa SRF n° 213/2002, porém o efeito da concomitância entre o processo administrativo e o judicial não foi devidamente avaliado pela DRJ/RJOI. A decisão recorrida teria desconsiderado que a propositura da ação mandamental implicou a renúncia ao exame da matéria na esfera administrativa, o que abrange parte substancial do crédito tributário em discussão. Transcreve o pedido judicial para demonstrar que a impetrante pretende afastar a aplicação do artigo 74 e parágrafo único da MP no 2.15835/2001 (itens i e ii), bem como evitar a tributação dos "valores relativos aos resultados de equivalência patrimonial concernentes ao investimento detido na Klanil", afastandose a incidência do art. 7°, § 1º, da IN nº 213, de 2002 para os anoscalendário de 2002 e seguintes. Destaca que, nos parágrafos 69, 72 e 73 da petição inicial, a impetrante esclarece quais são os "valores relativos aos resultados de equivalência patrimonial" que pretende excluir da tributação, incluindo a variação cambial do valor do investimento. Como a discussão sobre a tributação da variação cambial do investimento na Klanil integra o objeto da ação mandamental, fica obstado o exame da matéria no processo administrativo fiscal, devendo ser reformada a decisão de 1ª instância nesse ponto, em observância à Súmula CARF nº 1, com o restabelecimento do crédito tributário referente à variação cambial do investimento na Klanil, do anocalendário de 2002, no montante de R$ 163.290.144,73. A este processo encontrase apensado o de nº 10768.002416/200214, que tem seu objeto assim resumido: Em 14.02.2002, 15.04.2002 e 15.05.2002, a RECORRENTE apresentou á Secretaria da Receita Federal (SRF) pedidos de restituição no montante total de R$ 11.861.348,55, relativos ao saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do anocalendário de 2001, apurado após a compensação do IRPJ devido com o Imposto de Renda na Fonte (IRF) incidente, a titulo de antecipação, sobre rendimentos de aplicações financeiras auferidos naquele mesmo ano. Em seguida, apresentou pedidos de compensação com débitos administrados pela RFB. Encontramse apensos ao feito os processos n° 10768.05492/200281, 10768.007968/200219, 10768.007967200274 e 10768.007966/200220, contendo pedidos de compensação relativo ao crédito do presente processo com diversos débitos de PIS e COFINS, no total de R$ 11.873.769,25. A DRJ não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, concordando com o despacho decisório, já que “em razão de ter sido lavrado auto de infração contra a RECORRENTE em 18.12.2006, para dela exigir IRPJ relativo ao anocalendário de 2001 (processo administrativo n° 18471.000626/200639), o crédito correspondente ao saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ daquele anocalendário não seria liquido e certo”, e considerando que a dedução do IRRF deve ser feita na apuração do IRPJ a pagar, nos autos do processo de n° 18471.000626/200639, que trata sobre o lançamento de oficio de imposto de renda. Foi editada a seguinte ementa: Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 12 11 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2001 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do direito liquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. Cientificada dessa decisão em 18/06/2007 (fl.266), o contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, em 16/07/2007 (fls.270291), em que sustenta que os pedidos de restituição e compensação atenderam a todos os requisitos legais exigidos para a sua homologação, pois não havia, na época em que protocolados, qualquer débito em aberto, que demandasse compensação de oficio com o crédito relativo ao saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ de 2001. Após a renúncia do relator original ao mandato de conselheiro, foram os autos redistribuídos através de sorteio, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). É o relatório. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 13 12 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício referese a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em relação aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004. Considerandose o montante exonerado, é de se conhecer. A parte da autuação derrubada corresponde à segunda infração, referente à exclusão indevida de valores relativos à equivalência patrimonial da empresa controlada Klanil, nos montantes de R$ 194.391.601,51, R$ 32.474.411,44 e R$ 12.468.448,54, referentes, respectivamente, aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, com fundamento no art. 250, I, do RIR/99 e no art. 7º, §1º, da IN SRF 213/2002. A autoridade fiscal verificou que o mandado de segurança nº 2003. 51010139514, que pretendia confirmar a inexigibilidade do crédito tributário de IRPJ e da CSLL sobre valores relativos aos resultados de equivalência patrimonial, concernentes ao investimento na Klanil, afastandose a aplicação do art.7º, §1º, da IN SRF 213/2002 e posteriores, fora desfavorável ao contribuinte. A DRJ determinou diligência para que, “quanto à equivalência patrimonial, fosse demonstrada a apuração dos valores de R$ 194.391.601,51 em 2002, R$ 32.474.411,44 em 2003 e R$ 12.468.448,54 em 2004, informando o que é decorrente de participação nos resultados e o que é variação cambial e se o resultado em 2004 (R$ 15.360 mil) foi gerado no Brasil por Americanas.com S.A.” Ao aplicar o §1º, do art. 7º, da IN SRF 213/2002, a DRJ considerou que o §1º busca acréscimos patrimoniais não tributados no transcorrer do anocalendário, pois, caso contrário, o lucro seria submetido a uma dupla tributação. Considerou que os lucros auferidos em 2001 e 2002, totalizando R$ 56.552.857,78, foram oferecidos à tributação do IRPJ e da CSLL em 31/12/2003, sendo improcedentes os lançamentos sobre esse valor. Quanto aos demais anos, vale a pena transcrever o trecho da decisão: 37 [...] Portanto, se no anocalendário de 2003 o interessado ofereceu à tributação R$ 39.282.422,32 correspondente a sua participação no lucro auferido por Klanil em 2002 (fls. 239, 258 e 320) e os cálculos da equivalência patrimonial indicam uma participação nos lucros de R$ 31.101.496,78 (fl. 491), o montante tributado espontaneamente pelo interessado foi maior que o lançado no auto de infração. A questão é a tributação no ano posterior ao fato gerador. Como já mencionado no §33 acima, não é caso de postergação, visto a apuração de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL. Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 14 13 38Para a participação no lucro da controlada no ano calendário de 2003, o interessado ofereceu à tributação R$ 46.984.766,38 (fls. 239, 259, 320 e 492), não havendo qualquer diferença. Com relação à participação no lucro da controlada no ano calendário de 2004 (R$ 18.212.026,27 – fl. 494), o interessado alega que o montante deriva da Americanas.com S.A. Comércio Eletrônico, empresa domiciliada no Brasil. A Americanas.com apurou um lucro de R$ 22.652 mil (fl. 460), cuja participação da Klanil (80,4 %) em seu capital, perfaz o valor de R$ 18.212.026,27. [...] Portanto, não procede a tributação do valor de R$ 12.468.448,54, resultante do lucro apurado por Americanas.com (R$ 18.212.026,27), deduzido de outros prejuízos apurados no exterior (R$ 2.850.639,20 – fl. 494) e de variação cambial devedora sobre investimentos no exterior (R$ 2.892.940,31 fl. 493). A partir do reexame dos elementos constantes dos autos, verificase que, em relação aos valores oferecidos à tributação previamente à autuação, não há reparos à decisão recorrida que cancelou o lançamento de IRPJ e CSLL de 2002 (parcial), 2003 e 2004. Todavia, sobre a parcela referente à variação cambial apurada no ano calendário de 2002, assim decidiu a DRJ: 41Por último restou o valor de R$ 163.290.144,73 (fl. 491), referente à variação cambial credora sobre investimento no exterior, inserido no valor de R$ 194.391.601,51 autuado em 2002. 42A primeira tentativa de tributar a variação cambial sobre investimentos no exterior ocorreu com o Projeto de Lei de Conversão nº 30, de 2003 (MP nº 135/2003). O art. 46 assim dispunha: “Art. 46. A variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial é considerada receita ou despesa financeira, devendo compor o lucro real e a base de cálculo da CSLL relativos ao balanço em 31 de dezembro de cada anocalendário.” 43O Poder Executivo vetou o dispositivo, com o seguinte argumento: “Não obstante tratarse de norma de interesse da administração tributária, a falta de disposição expressa para sua entrada em vigor certamente provocará diversas demandas judiciais, patrocinadas pelos contribuintes, para que seus efeitos alcancem o anocalendário de 2003, quando se registrou variação cambial negativa de, aproximadamente, quinze por cento, o que representaria despesa dedutível para as pessoas jurídicas com controladas ou coligadas no exterior, provocando, assim, perda Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 15 14 de arrecadação, para o ano de 2004, de significativa monta, comprometendo o equilíbrio fiscal”. 44Em 31/12/2004 foi editada a MP nº 232/2004 que determinou, no art. 9º, a tributação da variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial, tanto para o IRPJ como para a CSLL. Em 31/3/2005, foi editada a MP nº 243/2004, revogando o art. 9º daquela MP. A MP nº 232/2004 foi convertida na Lei 11.119/2005 sem o citado art. 9º. 45Se o primeiro comando legal para tributar a variação cambial dos investimentos no exterior avaliados pelo método de equivalência patrimonial surgiu na MP nº 232/2004, com vigência para o ano de 2005, notase que no anocalendário de 2002 não havia base legal para tributar a citada variação cambial. Nesse sentido, assim se pronunciou a 9ª RF da SRRF na solução de consulta nº 55/2003: “A contrapartida de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras, coligadas ou controladas que não funcionem no país, decorrente da variação cambial, não será computada na determinação do lucro real.” 46Em assim sendo, não procede o lançamento sobre a variação cambial. A PGFN sustenta que a DRJ se equivocou, pois a propositura da ação mandamental implicou a renúncia ao exame, na esfera administrativa, em relação à matéria “tributação dos valores relativos aos resultados de equivalência patrimonial concernentes ao investimento detido na Klanil", nos termos do art. 7°, § 1º, da IN nº 213/02 para os anos calendário de 2002 e seguintes. Justifica a existência de concomitância em face dos parágrafos 69, 72 e 73 da petição inicial do mandado de segurança (fls.10271050), que possuem o seguinte teor: 69. Em relação aos investimentos mantidos em sociedades controladas e coligadas sediadas no exterior, existe a mesma obrigação de aplicação do método de equivalência patrimonial. Nada obstante, neste caso, o valor do resultado da equivalência patrimonial é composto pela soma de vários fatores, entre os quais: (i) da participação da investidora no resultado (lucro ou prejuízo) do exercício da coligada ou controlada e outros aumentos e diminuições no patrimônio da sociedade controlada e coligada; e (ii) da variação cambial do valor do investimento. [...] 72. Tornase: evidente que o resultado de equivalência patrimonial não é composto exclusivamente do lucro gerado na sociedade controlada ou coligada sediada no exterior. Assim, desde logo, fica demonstrada a ilegalidade e a inconstitucionalidade do §1° do artigo 7° da IN 213/02, ao pretender incluir na base. de cálculo do IRPJ e da CSL outros valores que não se confundem com o lucro gerado no exterior. Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 16 15 73. Com efeito, todas as leis e medidas provisórias que disciplinam a aplicação do principio .da universalidade da renda sempre mencionam o termo lucro para definir a hipótese de incidência do IRPJ e da CSL. Por essa razão, não é permitido a uma Instrução Normativa alargar a base de cálculo do IRPJ e da CSL, incluindo ali outros valores não autorizados por lei, sob pena de ofensa ao principio da estrita legalidade tributária, prevista no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal. [...] IV A CONCLUSÃO E O PEDIDO [...] (iii) não ser devido o IRPJ nem tampouco a CSL sobre os valores relativos aos "resultados de equivalência patrimonial" concernentes ao investimento detido na Klanil, afastandose a aplicação do artigo 7°, § 1º, da IN 213/02 para os períodos base de 2002 e posteriores." O referido §1º do art. 7º da IN SRF nº 213, de 2002, assim dispõe: Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Diante disso, inexiste dúvida de que o contribuinte buscou guarida no Poder Judiciário para se desobrigar de tributar o resultado positivo da equivalência patrimonial, incluindo a variação cambial do investimento. A apreciação da matéria é vedada a este colegiado em razão da Súmula CARF nº 1, que dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face da concomitância com a esfera judicial, dou provimento parcial para restabelecer o crédito tributário referente à variação cambial do investimento na Klanil, do ano calendário de 2002, no montante de R$ 163.290.144,73. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 17 16 RECURSO VOLUNTÁRIO Por atender aos pressupostos legais, inclusive o temporal, o recurso voluntário é conhecido. Preliminar de nulidade A recorrente insurgese contra a parte da decisão da DRJ que julgou o lançamento de IRPJ inteiramente procedente em relação ao anocalendário de 2001 e o de CSLL procedente em parte com relação ao mesmo período. Como relatado, essa parte da autuação decorreu da determinação contida na diligência da DRJ para que a autoridade fiscal procedesse à autuação dos lucros auferidos, no montante de R$ 128.784.934,08, em 31/12/2001, quando, originalmente, haviam sido autuados em 31/12/2002, com fulcro no art. 74 da MP nº 215835, de 2001. O auto de infração retificador foi lavrado para modificar o lançamento efetuado em julho de 2006, adicionando ao lucro líquido do períodobase de 2001 os lucros auferidos no exterior por Cheyney, ou seja, deslocando a tributação desses lucros de 2002 para 2001, em observância ao disposto no art. 2º, §9º, da IN SRF 38/96. Segundo a DRJ, a correção do lançamento original apoiouse no art. 145, inciso I, do CTN, combinado com o art. 18, §3º, do Decreto nº 70.235/72. Desde as razões aditadas à impugnação, a recorrente vem sustentando que os erros de direito não podem ser objeto de revisão de lançamento com base no disposto nos arts. 145 e 149 do CTN, e que o auto é nulo porque reenquadra a infração em dispositivo infralegal (a IN SRF 38/96) e não mais vigente à época do fato gerador. Vejase que o art. 145 do CTN traz as hipóteses em que a inalterabilidade do lançamento pode ser abalada, fazendo expressa menção ao art. 149, que, por sua vez, prevê as hipóteses em que o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. .................................................... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 18 17 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Por sua vez, o art. 18, §3º, do Decreto nº 70.235/72 assim dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (destacouse) Da interpretação conjunta do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 com o art. 145 do CTN inferese a possibilidade de alteração do lançamento regularmente notificado ao Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 19 18 sujeito passivo para corrigir incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, através da lavratura de auto de infração complementar, assegurado o direito de defesa. De outro lado, a questão do erro de direito suscitada pela recorrente acaba por atrair a regra do art. 146 do CTN, que prevê: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. De fato, existe o debate doutrinário e jurisprudencial sobre a possibilidade de revisão de lançamento, considerandose a natureza do erro: se de fato ou de direito. Enquanto a possibilidade de revisão em caso de erro de fato é largamente aceita, no caso de erro de direito, algumas posições são divergentes. Assim, poderia ser questionada a aplicação do art. 18 do Decreto nº 70.235/72 tendo como parâmetro a regra do art.146 do CTN. Contudo, no presente caso, não se faz necessária adentrar nessa discussão, visto que a solução decorre diretamente do ordenamento jurídico, sem maiores conjecturas. O Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, ao regulamentar, dentre outros, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, definiu quais os parâmetros de correção do lançamento por meio de auto de infração complementar, tendo em conta os mesmos artigos do CTN e do Decreto nº 70.235/72, já referidos. Naquele decreto foram delimitadas expressamente as hipóteses de lançamento complementar, conforme abaixo: Art.41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). §1º O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou II em que forem constatados fatos novos, subtraídos ao conhecimento da autoridade lançadora quando da ação fiscal e relacionados aos fatos geradores objeto da autuação, que impliquem agravamento da exigência inicial. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 20 19 §2º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. §3º Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. §4º O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput devem ser objeto do mesmo processo em que for tratado o auto de infração ou a notificação de lançamento complementados. §5º O julgamento dos litígios instaurados no âmbito do processo referido no § 4º será objeto de um único acórdão. (destacouse) Ao positivar as hipóteses de cabimento de lançamento complementar, o referido decreto apenas fez esclarecer aos operadores do direito como deve ser aplicado o §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, tendo nítido caráter interpretativo. Conquanto as hipóteses de lançamento complementar estejam previstas expressamente no §1º do art. 41 do Decreto nº 7.574, de 2011, a situação verificada nos autos não se enquadra em nenhuma delas. Pretendeuse meramente substituir um lançamento pelo outro, dentro do mesmo processo, sob fundamentos diversos. Dos elementos constantes dos autos, verificase que, no início do procedimento fiscal, a recorrente, intimada, informou que a alienação de sua participação em CHEYNEY ocorreu antes da MP nº 2.15835/01. Inicialmente, a autoridade fiscal considerou distribuídos os lucros em 31/12/2002. No julgamento de primeira instância, o julgador reconheceu a inexatidão do lançamento e determinou sua correção. Após a orientação da DRJ, o momento do fato gerador, com base nos mesmos elementos de fato, ou seja, a alienação da participação societária, foi deslocado para 31/12/2001. Assim, no caso concreto, em face da nova fundamentação legal apontada no auto de infração complementar, verificase que houve alteração do próprio fato gerador do IRPJ considerado, quer em relação à data de sua ocorrência, de 31/12/2002 para 31/12/2001, quer em relação ao seu fundamento fático, qual seja, a disponibilização de lucros, sem que tivesse havido a introdução de qualquer elemento novo. Em razão de não se enquadrar nas hipóteses legais de lançamento complementar, deve ser anulado o lançamento de IRPJ, referente ao anocalendário de 2001. PROCESSO APENSADO Nº 10768.002416/200214 Em razão do cancelamento da autuação referente ao anocalendário de 2001, fica reconstituído o saldo negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do mesmo período. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 18471.000626/200639 Acórdão n.º 1202000.959 S1C2T2 Fl. 21 20 Diante disso, compete à unidade de origem verificar a suficiência do crédito para fins de homologação ou não da compensação pretendida nos autos do processo em apenso. DISPOSITIVO Diante do exposto, dáse provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer o montante tributável de R$ 163.290.144,73, referente ao anocalendário de 2002, e provimento parcial ao recurso voluntário para anular o lançamento do IRPJ referente ao ano calendário de 2001, determinandose à unidade de origem que verifique a suficiência do saldo negativo de IRPJ para fins de homologação ou não da compensação pretendida nos autos do processo em apenso. (documento assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10235.000394/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 02/01/2006
PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA.
Tratando-se da imposição de pena de perdimento, na hipótese prevista pelo artigo 23, § 3° do Decreto-Lei n° 1.455/1976, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do Decreto-Lei nº 37/1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração.
Numero da decisão: 3201-001.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
EDITADO EM: 23/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 02/01/2006 REGIMES ADUANEIROS. PENA DE PERDIMENTO. Aplicase a pena de perdimento a bens estrangeiros internados por pessoas jurídicas situadas em Área de Livre Comércio sem a autorização exigida, caso os produtos sejam importados com beneficio fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/01/2006 PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese prevista pelo artigo 23, § 3° do DecretoLei n° 1.455/1976, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37/1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002), cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 23 5. 00 03 94 /2 01 0- 86 Fl. 3231DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 2 CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. EDITADO EM: 23/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Pela clareza na exposição da matéria, colecionase o relatório constante do acórdão recorrido: Trata o presente de lançamento efetuado pela Fiscalização Aduaneira onde é feita a exigência de multa por conversão do perdimento equivalente ao valor aduaneiro. No entender da Fiscalização, a autuada retirou mercadorias da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana que haviam sido importadas com benefícios fiscais relativos ao Imposto de Importação e Imposto Sobre Produtos Industrializados, sem atendimento às normas legais. A autuação totalizou, no dia do lançamento, o montante de R$ 418.190,89, conforme auto de infração de fls. 0127 e teve como supedâneo os seguintes dispositivos normativos: artigo 23, § 3° do DecretoLei n° 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da lei. 10.637/2002, combinado com o artigo 81, III da lei n° 10.833/2003. Na descrição dos fatos, a Fiscalização aduz, em síntese, os seguintes argumentos para fundamentar a autuação: 1. A presente ação fiscal tem como objetivo verificar a existência de mercadorias importadas com o beneficio fiscal de suspensão de Imposto de Importação — II e Imposto Sobre Produtos Industrializados — IPI, que tenham sido retiradas irregularmente da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana; 2. Houve constatação que a empresa em epígrafe não procedeu com o trâmite para a regularização de mercadorias que saíram da ALCMS, que deveria ocorrer por meio de registro de "Declaração de Internação" no Siscomex, com efetivo pagamento dos impostos suspensos; 3. Que foram efetuadas consultas aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, sistema DW e Lincefisco e foi constatado que não existe Declaração de Internação da AlCMS registrada pela empresa no ano de 2006; 4. A partir da análise da documentação apresentada pela empresa (notas fiscais de saída) foi elaborada uma planilha com a relação de mercadorias que saíram da ALCMS sem autorização da autoridade aduaneira e sem o recolhimento dos tributos; Fl. 3232DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10235.000394/201086 Acórdão n.º 3201001.311 S3C2T1 Fl. 3.232 3 5. Ressalta que as operações de importação das mercadorias para a ALCMS, bem com a emissão de notas fiscais de saída, embora aparentemente regular, a empresa não cumpriu o disposto nos artigos 473 e 476 do Decreto 4.543 de 26/12/2002 — Regulamento Aduaneiro, dando destinação diversa as mercadorias admitidas na ALCMS, sem efetuar o registro de Declaração de internação e pagamento dos impostos suspensos. Assim, tais mercadorias encontramse em situação irregular no território nacional, nos termos do artigo 618, inciso X do RA. 6. As mercadorias em tela foram entregues a consumo por meio da venda a 220 contribuintes diferentes, sendo 176 pessoas físicas e 44 jurídicas, com endereços os mais diversos, localizados em municípios fora da área de exceção fiscal. Nestes casos, sempre que a mercadoria não seja localizada ou tenha sido consumida, tornando impraticável a apreensão para aplicação do perdimento, deve ser lavrado o auto de infração no valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do parágrafo 1° do artigo 618 do RA; 7. A quantidade, bem como o valor das mercadorias vendidas para contribuintes com domicilio fiscal fora da ALCMS revelam que houve a destinação comercial por parte dos compradores. Isso desqualifica eventuais argumentos por parte da empresa de que seriam apenas pequenas vendas a varejo para transeuntes; 8. Para manutenção do beneficio fiscal, a empresa importadora tinha obrigação de efetuar consumo ou venda internos, conforme art. 473 do RA. Ao emitir notas fiscais para fora da ALCMS, a empresa tinha plena consciência do destino das mercadorias, discriminando o endereço do comprador, e incorrendo na infração; 9. Considerando o exposto, as mercadorias estrangeiras relacionadas nas planilhas, que são objeto das notas fiscais também relacionadas e emitidas pela autuada, encontramse em situação irregular no território nacional, podendo ser objeto de apreensão para fins de aplicação da pena de perdimento, nos termos do artigo 618, inciso X, do RA. Acrescenta, ainda que, ante a impossibilidade de apreensão das mercadorias para a aplicação do perdimento, não resta outra alternativa a não ser a conversão do perdimento em multa no valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do parágrafo 1º do artigo 618 do RA. 10. Esclarece que em virtude da apreensão das 33 caixas contendo 900 bolsas de origem chinesa, objeto da nota fiscal n° 1.478, de 31/12/2006, conforme citado no item 3 do relatório fiscal, essas mercadorias classificadas na NCM 3202.29.00 foram retiradas da planilha de mercadorias internadas, considerando que foram objeto da pena de perdimento, não sendo possível conversão da pena em multa. Fl. 3233DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 4 Cientificada pessoalmente da autuação, em 12/05/2010, a empresa autuada apresentou, em 10/06/2010, impugnação, alegando, em síntese o seguinte: Em sede preliminar, deve ser decretada a decadência, ante a perda do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento, eis que a autoridade lançadora do tributo notificou a impugnante em 06/09/2007, mas somente em 12 de maio de 2010 houve a efetiva constituição do crédito tributário, ou seja, os atos de fiscalização perduraram por 3 anos, aproximadamente; Entende serem incontroversos os seguintes fatos: a) que houve o desembaraço regular da mercadoria pelo autuado; b) que houve a venda das mercadorias na Área interna na Zona Franca de Macapá e Santana; c) que alguns dos compradores não residiam dentro da Zona Franca de Macapá e Santana; Que o fundamento legal para a autuação pressupõe que houve uma presunção de não internação regular e sem pagamento dos tributos incidentes e, pelo fato de os adquirentes das mercadorias importadas pela impugnante residirem noutras localidades, houve o transporte para tal região. Assim, o lançamento deverá ser anulado porque no presente caso houve LANÇAMENTO SEM PROVA DO FATO GERADOR; Caberia à autoridade lançadora estender a fiscalização para os contribuintes — adquirentes das mercadorias — a fim de averiguar o paradeiro das mercadorias, e não realizar o ato de lançamento por presunção da saída dos produtos para fora da área de livre comércio; No seu entender, no caso em questão, tratase de caso de isenção tributária, condicionada ao preenchimento dos seguintes requisitos: a) consumir o produto; b) vender internamente o produto. A impugnante praticou a segunda conduta, ou seja, vendeu em seu estabelecimento, entregando nesse local as mercadorias. Desse modo, o destino dado às mercadorias é totalmente irrelevante ao importador, lhe é indiferente, uma vez que a norma não condiciona o beneficio fiscal a qualquer outro requisito. Que após a transação entre o importador e o consumidor tais mercadorias perderam a condição de "mercadorias estrangeiras importadas" e passaram a ser mercadorias nacionalizadas, ou seja, não mais importadas, não mais estrangeiras. Assim, a autuação deve ser anulada por inexistência do fato gerador e por ofensa ao principio da estrita legalidade, da tipicidade tributária, haja vista que o núcleo do tipo tributário é inexistente: "mercadorias estrangeiras importadas"; Que não há subsunção do fato à norma, eis que o artigo 618, inciso X prevê que haverá a pena de perdimento "se nela for feita a prova de sua importação regular" e no presente caso é incontroverso que a importação foi regular, ante a existência de inúmeras declarações de importações comprobatórias da entrada das mercadorias e, nesta linha de raciocínio, seria impossível juridicamente a conversão da pena de perdimento em multa; Fl. 3234DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10235.000394/201086 Acórdão n.º 3201001.311 S3C2T1 Fl. 3.233 5 Não se podem aplicar ao caso os artigos 453 e 623 do Regulamento Aduaneiro, uma vez que se referem especialmente à Zona Franca de Manaus, vigora o principio constitucional da estrita legalidade, assim como deve ser respeitado o artigo 97, V do CTN; Que houve maculação do artigo 146 do CTN e que a lei tributária que define infrações ou que comina penalidades, deve ser interpretada de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou as circunstâncias materiais do fato, ou natureza ou extensão dos seus efeitos, nos termos do artigo 112 do CTN; Que é incabível a aplicação da pena de perdimento porque houve uma demora de 3 anos para a constituição do crédito tributário, logo o agente lançador concorreu por culpa com o sumiço das mercadorias; Que não se pode aplicar ao presente caso o artigo 124 do CTN, que trata das normas relativas à solidariedade, pois não houve interesse comum, não havendo qualquer obrigatoriedade legal para que o autuado seja considerado solidário pelos tributos pertencentes aos adquirentes dos produtos; Requer provar o alegado por todos os meios de provas admitidas em direito; Por último, requer seja recebida a presente impugnação, para após o devido processo legal, ser julgado insubsistente o auto de infração, de tal modo a cancelar o débito fiscal. A impugnação foi julgada improcedente pela 7ª Turma da DRJ/Fortaleza em 12/07/2011, cujo acórdão apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2006 DECADÊNCIA. INTERNAÇÃO IRREGULAR. ÁREA DE LIVRE COMERCIO. REGRA APLICÁVEL. ART. 173, INCISO I, DO CTN. No regime aduaneiro atípico praticado em Áreas de Livre Comércio, em face das peculiaridades do regime, deve ser aplicada a regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN para contagem do prazo decadencial, que só começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que houve a internação irregular. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2006 PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO. INADMISSIBILIDADE. Fl. 3235DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 6 Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, a impugnação deverá conter todos os argumentos pertinentes à tese defensória, bem como as provas e fundamentos legais em que se baseia, e ainda, eventual pedido de diligência ou perícia, formulado de acordo com as exigências ali fixadas. A posterior apresentação de prova documental só é admissível nas hipóteses previstas no parágrafo 4° do referido artigo. Assim, não restando configurada nenhuma delas, é incabível o pedido genérico pela produção ulterior de prova. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 31/12/2006 PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Detectada a internação irregular de mercadorias que foram importadas com os benefícios fiscais referentes às Áreas de Livre Comércio, é aplicável a pena de perdimento nos termos do artigo 618, X do Decreto 4543/2002 e, na impossibilidade de aplicação dessa pena, convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada e internada. A contribuinte, cientificada da decisão em 17/08/2011, apresentou recurso voluntário, protocolado em 14/09/2011, no qual reitera os argumentos expostos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 418.190,89, referente à pena de perdimento de mercadorias convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. A contribuinte, após ter importado mercadorias com suspensão do pagamento do Imposto de Importação (II) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) com base na legislação referente à Área de Livre Comércio de Macapá e Santana, teria promovido sua internação de forma irregular, sem o registro da Declaração de Internação e sem o recolhimento dos tributos devidos. Tal fato ensejou na hipótese prevista na legislação tributária para a pena de perdimento das mercadorias, que foi convertida em multa devido a impossibilidade de apreensão das mercadorias. A recorrente sustenta tese de decadência como preliminar de defesa. O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu aplicável a regra do artigo 173, I, do CTN, Fl. 3236DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10235.000394/201086 Acórdão n.º 3201001.311 S3C2T1 Fl. 3.234 7 determinando que o dies a quo para a contagem do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte a que o fato tivesse ocorrido. Em que pese o entendimento adotado no acórdão recorrido, em sendo o Auto de Infração decorrente de conversão em multa de pena de perdimento, oriunda de infração à fiscalização aduaneira, deve ser aplicado o DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, diploma normativo que rege o controle aduaneiro. O DecretoLei nº 37/66, que abrange temas de caráter administrativo e tributário, entre eles a decadência em matéria aduaneira, estabelece em seus artigo 138 e 139 o prazo de 5 anos para a constituição do crédito tributário, contados, em relação à imposição de penalidades, da data da infração: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. (grifo nosso) Destacase que o referido diploma alinhase com os dispositivos constitucionais que definiram o Sistema Tributário Nacional, em especial, o artigo 146, III, “b” da Constituição Federal, devendo ser aplicado, por se tratar de norma especial que cuidou inteiramente de matéria aduaneira. O artigo 669 do Decreto nº 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro vigente à época do lançamento, reproduz o comando exposto acima, nestes termos: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). Desta forma, tendo em vista que a pena de perdimento de mercadorias convertida em multa configura pena de natureza administrativa, o prazo decadencial a ser obedecido é o de cinco anos a contar da data da infração. No caso em tela, a internação das mercadorias importadas com suspensão aconteceu no decorrer do ano de 2006, conforme notas fiscais juntadas, sendo a operação mais remota datada de 02/01/2006. Desta forma, o prazo para a formalização do crédito tributário expiraria em 2/1/2011. Logo, como a autoridade aduaneira lavrou o auto de infração e notificou a contribuinte em 12/5/2010 – antes, portanto, de ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos da data da infração – o lançamento não se encontra eivado de decadência. Fl. 3237DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 8 Ultrapassado o exame da questão prejudicial, ingressase na situação de fundo, qual seja a aplicação da penalidade. A contribuinte tem sede em MacapáAP, dentro, portanto, da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana – ALCMS, e importou mercadorias com o beneficio fiscal de suspensão de II e IPI incidente sobre as importações. Conforme previsto no artigo 473 do Decreto nº 4.543/2002, a suspensão do II e do IPI convertese em isenção caso a destinação dada aos produtos estrangeiros enquadrese nas hipóteses previstas em seus incisos, nestes termos: Art. 473. A entrada de produtos estrangeiros nas áreas de livre comércio será feita com suspensão do pagamento dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, que será convertida em isenção quando os produtos forem destinados a (Lei no 7.965, de 1989, art. 3o, Lei no 8.210, de 1991, art. 4o, Lei no8.256, de 1991, art. 4o, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, § 2o, e Lei no 8.857, de 1994, art. 4o): I consumo e venda internos; II beneficiamento, em seu território, de pescado, recursos minerais e matériasprimas de origem agrícola ou florestal; III beneficiamento de pecuária, restrito às áreas de Pacaraima, Bonfim, Macapá, Santana, Brasiléia e Cruzeiro do Sul; IV piscicultura; V agropecuária, salvo em relação à área de GuajaráMirim; VI agricultura, restrito à área de GuajaráMirim; VII instalação e operação de atividades de turismo e serviços de qualquer natureza; VIII estocagem para comercialização no mercado externo; IX estocagem para comercialização ou emprego em outros pontos do País, restrito à área de Tabatinga; X atividades de construção e reparos navais, restritas às áreas de GuajaráMirim e Tabatinga; XI industrialização de produtos em seus territórios, restritas às áreas de Tabatinga, Brasiléia e Cruzeiro do Sul; e XII internação como bagagem acompanhada, observado o mesmo tratamento previsto na legislação aplicável à Zona Franca de Manaus. (grifo nosso) Já o artigo 476 deste mesmo ato normativo estabelece que a saída destas mercadorias para outros pontos do território aduaneiro ficam sujeitas ao tratamento fiscal e administrativo dado às importações do exterior: Art. 476. As mercadorias estrangeiras importadas para as áreas de livre comércio, quando destas saírem para outros pontos do território aduaneiro, ficam sujeitas ao tratamento fiscal e administrativo dado às importações do exterior (Lei no 7.965, de Fl. 3238DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10235.000394/201086 Acórdão n.º 3201001.311 S3C2T1 Fl. 3.235 9 1989, art. 8o, Lei no 8.210, de 1991, art. 5o, Lei no 8.256, de 1991, art. 6o, Lei no 8.387, de 1991, art. 11, § 2o, e Lei no 8.857, de 1994, art. 6o). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no caput, relativamente ao pagamento dos impostos, as mercadorias transferidas para: I a Zona Franca de Manaus; II a Amazônia Ocidental, observada a pauta de que trata o art. 464; e III outras áreas de livre comércio. (grifo nosso) Neste ponto, esclarecese que, em termos conceituais, o instituto da internação decorre da entrada, em outros pontos do território aduaneiro, de mercadoria saída das Áreas de Livre Comércio. As mercadorias de origem nacional ou estrangeira, ao saírem da ALCMS para o restante do território nacional, estão, regra geral, sujeitas ao pagamento dos tributos devidos, bem como das penalidades decorrentes de eventuais irregularidades. A contribuinte afirma em seu recurso voluntário que os tributos seriam isentos, pois teria vendido internamente a mercadoria, dentro da Área de Livre Comércio. Observase, contudo, que as vendas objeto da autuação, que não foram objeto de Declaração de Internação, têm por destinatários 220 contribuintes localizados em municípios fora das áreas de exceção fiscal. Estas operações correspondem a vendas de mercadorias em quantidades elevadas, normalmente utilizadas no âmbito comercial, e não para consumo. Dos autos extraise que apenas cinco produtos, quais sejam lanternas, mochilas, ventiladores, baralhos e antenas, concentram 67% das vendas. Acrescentando outros cinco produtos – guardachuvas, artefatos de aço inox, tesouras, fitas métricas e jogos de dominó – a concentração chega a 81% das vendas. É importante salientar que, conforme representação fiscal anexadas aos autos, foram apreendidos em Belém (PA) 33 caixas contendo 900 bolsas de origem chinesa, mercadorias objeto da Nota Fiscal n° 1.478 de 31/10/2006 emitida pela contribuinte. Desta forma, claro está que as vendas a contribuintes não residentes na ALCMS ou em qualquer outra área com característica de exceção fiscal, e a consequente saída das mercadorias da ALCMS é um fato comprovado, e não uma presunção, como alegado pela contribuinte. Em sendo esta a situação sob julgamento, podese concluir que a contribuinte procedeu com a venda de mercadorias estrangeiras albergadas pela suspensão dos tributos para outros pontos do território aduaneiro sem a devida internação, bem como sem o pagamento dos tributos incidentes. No tocante à multa aplicada em decorrência deste fato, esclarecese que, conforme previsto no artigo 618, inciso X, do Decreto nº 4.543/2002, a circulação comercial de mercadoria estrangeira, sem a prova de sua importação regular, configura dano ao erário passível de pena de perdimento: Fl. 3239DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 10 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto lei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] X estrangeira, exposta à venda, depositada ou em circulação comercial no País, se não for feita prova de sua importação regular; O parágrafo 1º deste artigo estabelece ainda que, caso a mercadoria não seja localizada ou tenha sido consumida, a pena é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria: Art. 618. [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Merece realce o fato de que o presente processo trata de internação de mercadorias sem a autorização das autoridades competentes. Nesta situação, tendo em vista o disposto no artigo 476 do Decreto nº 4.543/2002, já citado, quando da saída destas mercadorias da ALCMS para outros pontos do território aduaneiro, as mesmas ficam sujeitas ao tratamento fiscal e administrativo dado às importações do exterior. Ou seja, a internação irregular de mercadorias estrangeiras sujeitase ao mesmo tratamento dado as importações irregulares, incluindose na hipótese disposta no artigo 618, inciso X, do Decreto nº 4.543/2002. Desta forma, mostrase correto o procedimento fiscal ao proceder com a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em substituição a pena de perdimento. De fato, as mercadorias vendidas pela contribuinte foram internadas sem a autorização exigida, configurando a situação exposta no artigo 618, X, do Decreto nº 4.543/2002. Observase ainda que as mercadorias foram entregues para 220 diferentes contribuintes, localizados em distintas partes do território nacional, em municípios fora das áreas de exceção, o que torna impraticável a apreensão das mercadorias para aplicação do perdimento. Tal situação ensejou a devida aplicação da conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Em relação à discussão acerca da sujeição passiva, em tendo a interessada promovido a entrada das mercadorias estrangeiras no país por meio de declaração de importação com a suspensão do II e do IPI, e tendo promovido a saída destas mercadorias para o restante do território nacional por meio da venda a empresas localizadas fora das áreas de exceção fiscal sem a devida internação destas mercadorias, resta claro que a mesma praticou a conduta passível de pena de perdimento, mostrandose correto o lançamento. Fl. 3240DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10235.000394/201086 Acórdão n.º 3201001.311 S3C2T1 Fl. 3.236 11 Verificase ainda que a contribuinte não incluiu em suas Notas Fiscais de Venda qualquer ressalva acerca dos benefícios fiscais obtidos na importação das mercadorias, ou acerca da restrição à venda e consumo na ALCMS, conforme exigido no artigo 341 do Decreto nº 4.544/2002 – RIPI, vigente à época da ocorrência dos fatos: Art. 341. Sem prejuízo de outros elementos exigidos neste Regulamento, a nota fiscal dirá, conforme ocorra, cada um dos seguintes casos: I "Isento do IPI", nos casos de isenção do tributo, seguida da declaração do dispositivo legal ou regulamentar que autoriza a concessão; [...] III "Saído com Suspensão do IPI", nos casos de suspensão do tributo, declarado, do mesmo modo, o dispositivo legal ou regulamentar concessivo; [...] Constatase, desta forma, não se tratar de hipótese de responsabilidade tributária por solidariedade, mas sim da sua caracterização como sujeito passivo, tendo em vista ter praticado a conduta que resultou no auto de infração. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 3241DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 29/07/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
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