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Numero do processo: 11020.007717/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar a veracidade dos créditos, cumprindo com a legislação específica. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.419
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negou-se provimento ao recurso do contribuinte. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Marques Cleto Duarte - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar a veracidade dos créditos, cumprindo com a legislação específica. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, negouse provimento ao recurso do contribuinte. Ausente justificadamente o Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida, Angela Sartori. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 77 17 /2 00 8- 26 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo interessado contra o Despacho Decisório (fls. 375) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, que indeferiu pedido de ressarcimento de créditos de IPI. A solicitação objeto da Manifestação de Inconformidade alude ao ressarcimento do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363 de 1996, relativo ao valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes na aquisição de insumos empregados na industrialização de produtos exportados, referente ao período acima, no valor de R$ 784.279,37, por meio do PER/DCOMP 15486.80129.310805.1.1.011039. Em decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu acórdão julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. A ementa consignou o seguinte: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/12/2004, 01/01/2005 a 31/03/2005, 01/04/2005 a 30/06/2005 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO DOS CUSTOS DOS INSUMOS EMPREGADOS NOS PRODUTOS EXPORTADOS. I Para fruição do incentivo fiscal representado pelo crédito presumido de IPI, não basta a simples fabricação e exportação de produtos nacionais, devendo o beneficiário fornecer à autoridade administrativa todos os elementos comprobatórios do seu direito, consoante previsto na legislação. II A avaliação das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e dos combustíveis utilizados no processo industrial durante o mês será efetuada pelo método PEPS, caso se trate de empresa que não mantém sistema de contabilidade de custos integrados à contabilidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Visando reverter a decisão da instância a quo, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 427/431), no qual aduz que a falta de escrituração mensal dos estoques não impede, nem inviabiliza a apuração precisa do crédito presumido de IPI. Menciona que embora os períodos de apuração sejam mensais, com a possibilidade de formular pedidos de ressarcimento trimestrais, a legislação que rege o crédito presumido de IPI exige que o cálculo seja efetuado considerando as receitas decorrentes de vendas para o mercado interno e externo acumuladas no ano. Aponta que a decisão de primeira instância contrariou as normas específicas de apuração de crédito presumido do IPI, notadamente o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 315, de 03 de abril de 2003. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11020.007717/200826 Acórdão n.º 3401002.419 S3C4T1 Fl. 220 3 Conclui que é possível quantificar o crédito relativo aos períodos de apuração e que, em razão disso, a decisão recorrida merece ser reformada. Sem contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do Recurso Voluntário. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual conheço do recurso. DOS CRÉDITOS DE IPI Como é cediço, a Lei nº 9.363/1996 instituiu em nosso ordenamento jurídico o benefício fiscal de crédito presumido do IPI incidente sobre as aquisições no mercado interno de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) empregados na fabricação de produtos a serem exportados, como forma de ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, apurado mensalmente pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora. Atualmente, cabe enfatizar, que esse direito só poderá ser aproveitado pela pessoa jurídica, em relação às receitas sujeitas à incidência cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins. Portanto, não fará jus ao crédito presumido do IPI relativamente ao ressarcimento das contribuições, as receitas sujeitas à não cumulatividade. O direito ao crédito presumido aplicase, inclusive, ao produto industrializado sujeito a alíquota zero e às vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Referido benefício foi incorporado aos artigos 241 a 250 do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 7.212/2010, sendo que, as normas para o cálculo, utilização e apresentação das informações relativas ao crédito presumido abedecem as disposições da Portaria MF nº 93/2004 e das Instruções Normativas SRF nºs 419/2004 e 420/2004. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor e exportador, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito (Sistemática ordinária). Neste diapasão, fará jus ao crédito presumido a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais, como forma de ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação. Esse direito aplicase, Fl. 221DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 inclusive, a produto industrializado sujeito a alíquota zero e nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Observese, porém, que a partir de 01/02/2004, por força do artigo 14 da Lei 10.833/2003, o direito a utilização do crédito presumido não mais se aplicará às receitas, da pessoa jurídica, submetidas à apuração do PIS/Pasep e da Cofins sob o regime não cumulativo de apuração. Lembramos que, na hipótese de a pessoa jurídica auferir, concomitantemente, receitas sujeitas à incidência não cumulativa e cumulativa das contribuições, inclusive no regime de incidência monofásica, ela fará jus apenas ao crédito presumido do IPI relacionado às receitas sujeitas à cumulatividade. Esse entendimento é firmado, inclusive, pela Receita Federal do Brasil (RFB), conforme podemos verificar no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2004, abaixo transcrito: Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 31 de março de 2004 Dispõe sobre a aplicação do crédito presumido do IPI às pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da Cofins. (...) Artigo único. A pessoa jurídica, em relação às receitas sujeitas à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) na forma, respectivamente, dos arts. 2º e 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e dos arts. 2º e 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, não faz jus ao crédito presumido do IPI de que tratam as Leis nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e nº 10.276, de 10 de setembro de 2001. Parágrafo único. Na hipótese de a pessoa jurídica auferir, concomitantemente, receitas sujeitas à incidência nãocumulativa e cumulativa, inclusive no regime de incidência monofásica, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, fará jus ao crédito presumido do IPI apenas em relação às receitas sujeitas à cumulatividade dessas contribuições. O crédito presumido relativo a MP, PI ou ME, utilizados na industrialização de produtos exportados, adquiridos de fornecedores com atividades rurais, conforme definido no artigo 2º da Lei nº 8.023/1990, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. A sistemática ordinária de cálculo, utilização e apresentação das informações relacionadas ao crédito presumido do IPI, como forma de ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, de que trata a Lei nº 9.363/1996, está disciplinada na Instrução Normativa SRF nº 419/2004, com redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 441/2004. O crédito presumido deve ser apurado pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora, ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação. Assim, para fins de apuração do crédito presumido, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora deverá: Fl. 222DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 11020.007717/200826 Acórdão n.º 3401002.419 S3C4T1 Fl. 221 5 (i) apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, dos custos de aquisição, no mercado interno, de MP, PI e ME, utilizados no processo produtivo, sobre os quais incidiram as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS; (ii) apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; (iii) aplicar a relação percentual referida no item (ii), sobre o valor apurado de conformidade com o item (i); (iv) multiplicar o valor apurado de conformidade com o item (iii) por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento sobre), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; (v) diminuir, do valor apurado, de acordo com o item (iv), o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao anocalendário: v.i. utilizados para dedução do valor do IPI devido; v.ii. ressarcidos; v.iii. com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal do Brasil (RFB). O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o item (v) acima. Assim, observase que a recorrente não cumpriu com as exigências necessárias para a comprovação do crédito que pretendia ver ressarcido, se furtando a oferecer à autoridade administrativa a documentação necessária que possibilitasse a comprovação de seu direito. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Marques Cleto Duarte – Relator Fl. 223DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 6 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 1/07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 18186.002218/2010-13
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA.
Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL.IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior.
MULTA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTIPLICAÇÃO PELO NÚMERO DE MESES DE ATRASO. CUMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A multiplicação de percentual do débito pelo número de meses de atraso é a forma definida pela lei para gradação da penalidade, não implicando cumulação de penas.
DCTF. MULTA. REDUÇÃO. NÃO CABIMENTO.
A redução da multa por atraso na entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, só é aplicável quando a declaração é transmitida dentro do prazo fixado na intimação fiscal. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.
JUROS DE MORA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA
É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1802-002.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). DENÚNCIA ESPONTÂNEA - MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No- 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL.IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTIPLICAÇÃO PELO NÚMERO DE MESES DE ATRASO. CUMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A multiplicação de percentual do débito pelo número de meses de atraso é a forma definida pela lei para gradação da penalidade, não implicando cumulação de penas. DCTF. MULTA. REDUÇÃO. NÃO CABIMENTO. A redução da multa por atraso na entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, só é aplicável quando a declaração é transmitida dentro do prazo fixado na intimação fiscal. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. JUROS DE MORA - MULTA DE OFÍCIO ISOLADA É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
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A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de 2% dois por cento) sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00.(Inteligência do artigo 7º da Lei nº 10.426/2002). DENÚNCIA ESPONTÂNEA MATÉRIA SUMULADA. Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL.IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTIPLICAÇÃO PELO NÚMERO DE MESES DE ATRASO. CUMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A multiplicação de percentual do débito pelo número de meses de atraso é a forma definida pela lei para gradação da penalidade, não implicando cumulação de penas. DCTF. MULTA. REDUÇÃO. NÃO CABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 22 18 /2 01 0- 13 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 A redução da multa por atraso na entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, só é aplicável quando a declaração é transmitida dentro do prazo fixado na intimação fiscal. Somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.80) que a seguir transcrevo: Tratase de impugnação apresentada contra multa no valor de R$ 106.089,79, aplicada por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF. A impugnante alegou que, em 06/10/2006, recebera intimação para comprovar a entrega das DCTFs dos períodos compreendidos entre janeiro a julho de 2006 ou, sendo o caso, justificar a falta de entrega. Disse que as declarações efetivamente não haviam sido transmitidas. A dificuldade de obter a certificação digital impedira a impugnante de cumprir a obrigação, razão pela qual requereu prorrogação do prazo para o envio das DCTFs. Tão logo regularizada a situação, foram transmitidas as declarações, consignando débitos que, naquele momento, já haviam sido pagos. Aduziu que a legislação em vigor não permitia a entrega de DCTF em papel ou em outro meio. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002218/201013 Acórdão n.º 1802002.186 S1TE02 Fl. 3 3 Sustentou que não houve inércia de sua parte no cumprimento da obrigação acessória, diante da impossibilidade material de fazê lo. A mora, por outro lado, não se caracterizara pois a transmissão das DCTFs se fez dentro do prazo suplementar de trinta dias. Ressaltou que, mesmo não existindo previsão legal para dispensa da multa, a autoridade administrativa poderia fazêlo, com fundamento no art. 108, inciso IV, do Código Tributário Nacional. A impugnante alegou a impossibilidade de aplicar diversas multas para punir a mesma infração. Nesse sentido, seria inadmissível a multiplicação do percentual da multa pelo número de meses de atraso, o que implica cumulação de multas, como se para cada mês de atraso houvesse uma infração autônoma. No caso em tela, embora tenha havido atraso na entrega da DCTF, o débito foi recolhido dentro do prazo legal. Dessa forma, a aplicação da multa se revela desproporcional, violando o princípio da razoabilidade. Por essas razões, conclui a impugnante, se faz necessário o cancelamento da multa ou a sua redução a 25%, já que a apresentação da DCTF se deu dentro do prazo determinado pela Fiscalização. Essa providência, entretanto, implicaria novo lançamento, que foge à competência da DRJ, a quem é defeso constituir crédito tributário. Portanto, o auto de infração deve ser integralmente anulado, já que lavrado sem observância dos dispositivos legais. Não se pode cogitar de retificação do lançamento pelo órgão julgador. Por fim, atacou a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa e da aplicação da taxa Selic. Firmado nessas razões, pugnou pela improcedência integral do auto de infração. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Campo Grande/MS) julgou improcedente a impugnação, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0429.559, de 04 de setembro de 2012. A decisão recorrida possui a seguinte ementa : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CUMPRIMENTO FORA DO PRAZO. MULTA. CABIMENTO. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, quando feita a destempo, enseja a aplicação de multa por atraso no cumprimento da obrigação acessória. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 DCTF. ENTREGA EM ATRASO. FALTA DE CERTIFICADO DIGITAL.IMPOSSIBILIDADE MATERIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A falta de certificação digital não pode ser considerada como impossibilidade material para afastar a mora no cumprimento da obrigação acessória, relativamente à entrega de DCTF, quando tal exigência já era conhecida pelo contribuinte desde o exercício anterior. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. MULTIPLICAÇÃO PELO NÚMERO DE MESES DE ATRASO. CUMULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A multiplicação de percentual do débito pelo número de meses de atraso é a forma definida pela lei para gradação da penalidade, não implicando cumulação de penas. DCTF. MULTA. REDUÇÃO. NÃO CABIMENTO. A redução da multa por atraso na entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, só é aplicável quando a declaração é transmitida dentro do prazo fixado na intimação fiscal. EQUIDADE. APLICAÇÃO. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. COMPETÊNCIA. No processo administrativo tributário, a aplicação da equidade não compete ao órgão julgador de primeira instância. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão julgador conhecer da impugnação para apreciar a matéria preventivamente. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. É cabível a utilização da taxa Selic para cálculo dos juros de mora, dada a existência de previsão legal nesse sentido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuada foi cientificada da mencionada decisão em 19/06/2013, conforme despacho que informa a ciência eletrônica por decurso de prazo, e, protocolizou recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/07/2013. A Recorrente, em sede recursal, no essencial, traz os mesmos argumentos expendidos na impugnação, nos seguintes tópicos: 11.1 Da Inexistência de Atraso Impossibilidade Material de Entrega da DCTF e Ausência de Inércia pelo Recorrente Fl. 150DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002218/201013 Acórdão n.º 1802002.186 S1TE02 Fl. 4 5 11.2 Da Impossibilidade de Cumulação de Diversas Multas por uma Única Suposta Infração Cometida Ofensa aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade 11.3 Entrega da DCTF no Prazo Determinado pela Fiscalização Necessidade de Cancelamento/Redução da Multa Imposta II.4 Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa Finalmente, requer seja provido o Recurso Voluntário a fim de que seja reformada a decisão da DRJ, cancelando integralmente o auto de infração ora combatido. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O litígio cingese ao lançamento referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), relativa ao mês de janeiro de 2006, de que trata o Auto de Infração, fl.36, no qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 106.089,89 ( 2% x 9 x 539,387,74 = R$106.089.79) Consta do mencionado Auto de Infração que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 07/05/2006 e somente fora entregue à Receita Federal em 23/11/2006. A Recorrente argúi no tópico “Da Inexistência de Atraso Impossibilidade Material de Entrega da DCTF e Ausência de Inércia pelo Recorrente” que, não obteve êxito em enviar a DCTF no prazo inicial de 20 (vinte) dias fixado pelo Termo de Intimação Fiscal, requerendo prazo suplementar de 30 (trinta) dias para sua apresentação, justificando tal pedido nas dificuldades que vinha enfrentando para obtenção de sua Assinatura Eletrônica Digital, elemento exigido pela Administração para que o contribuinte pudesse cumprir suas obrigações acessórias com o Fisco. Ressalta que não existia como não existe atualmente previsão legal para entrega da DCTF via papel, conforme se observa pelo artigo 7o da IN RFB n° 583/2005, que disciplinava a DCTF à época dos fatos. Diz que, dada a impossibilidade de utilização de outro meio para entrega da DCTF referente ao mês de janeiro de 2006, que não o envio por meio eletrônico, a Recorrente, desde o primeiro momento em que tomou ciência da fiscalização realizada, procurou demonstrar aos D. Auditores Fiscais que estava impossibilitado de cumprir com tal obrigação acessória, diante dos mencionados problemas na emissão de sua Assinatura Eletrônica Digital, havendo redobrado seus esforços para obter a referida Assinatura, no que obteve êxito dentro do prazo de 30 (trinta) solicitado à Fiscalização, transmitindo sua DCTF em 23/11/2006. Dos fatos narrados pela Recorrente depreendese que a situação de dificuldade em apresentar a DCTF como determinado pela legislação vigente decorreu da Fl. 151DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 inércia do sujeito passivo, visto que as providências para a emissão de sua Assinatura Digital deveriam ter ocorrido em tempo hábil para a entrega tempestiva da DCTF em comento, pois, como bem observou a defesa, a IN RFB n° 583/2005, já disciplinava a matéria nos seguintes termos: “Para apresentação da DCTF Mensal, será obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido.” A mencionada Instrução Normativa foi editada em dezembro de 2005, ou seja, antes de a Recorrente ter de transmitir a DCTF tal como determinava a referida norma complementar, para a entrega tempestiva em 07/03/2006. Tal declaração relativa ao mês de janeiro de 2006 somente fora entregue pela autuada em 23/11/2006, quando usou os meios prescritos na legislação tributária ( Instrução Normativa RFB N° 583, de 2005) e efetuou a transmissão pela Internet usando certificado digital válido, pois, de acordo com o § 4º do artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, “considerar seá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal”. Assim, não havendo a Receita Federal concorrido para a situação manifestada pela Recorrente e, diante da expressa disposição legal não há como se reconhecer o resguardo de direitos aventado pela defesa, no sentido de afastar a multa aplicada, haja vista que a responsabilidade pela entrega da DCTF com atraso, é totalmente atribuída à pessoa jurídica que lhe deu causa considerada por sua inércia. Sobre a intenção na prática da irregularidade fiscal, vale lembrar que o artigo 136 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66, CTN) assim dispõe: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O que significa dizer que, em face da sua natureza objetiva, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da vontade do agente ou do responsável. Como se vê, a intenção do agente é desconsiderada para imputarlhe a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Por essa disposição do CTN, a intenção do agente não releva a infração por ele praticada, tampouco aplicação da equidade ou interpretação mais benigna. Por oportuno, convém registrar que a jurisprudência citada pela Recorrente em sua defesa serve apenas como forma de ilustrar e reforçar sua argumentação, não vinculando a administração àquela interpretação, isto porque não têm eficácia normativa. Da mesma forma, se utilizadas neste voto, as citações e transcrições jurisprudenciais, terão como objetivo ilustrar e reforçar o posicionamento desta relatora. Como cediço, a multa aplicada pelo atraso na entrega da DCTF, baseiase na legislação que rege a matéria, discriminada no Auto de Infração, de 23/03/2010, fl.36, em especial a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, que assim dispõe: (...) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002218/201013 Acórdão n.º 1802002.186 S1TE02 Fl. 5 7 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 IR$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; IIR$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4ºConsiderarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5ºNa hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6o No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A entrega da DCTF, fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa de (2%) dois por cento ao mêscalendário ou fração incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, respeitado o percentual máximo de 20%. Consta do mencionado Auto de Infração que a DCTF, tinha como prazo final para a entrega o dia 07/03/2006 e somente fora entregue à Receita Federal em 23/11/2006, portanto, cabível a multa por atraso na entrega, relativa a 07 meses/fração, correspondente ao valor de R$ R$106.089.79 ( 2% x 9meses x 539,387,74 montante dos tributos e contribuições informados na declaração). No tocante à redução da penalidade, somente ocorrerá nas situações previstas no parágrafo segundo do artigo 7º acima transcrito, a saber: ... § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A Recorrente alega no tópico Entrega da DCTF no Prazo Determinado pela Fiscalização Necessidade de Cancelamento/Redução da Multa Imposta – que, foi intimado a comprovar a entrega da DCTF em tela ou justificar sua falta, o que foi devidamente realizado, que se verifica pela leitura da carta à Fiscalização, protocolada em 25/10/2006 na qual solicitou prazo suplementar de 30 (trinta) dias para entrega da DCTF em tela, em virtude das dificuldades em obter sua Assinatura Digital Eletrônica, o que cumpriu dentro do prazo solicitado, informando aos D. Fiscais em carta protocolada em 30/11/2006. E que, desse modo a multa deve ser reduzida em 25%. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002218/201013 Acórdão n.º 1802002.186 S1TE02 Fl. 6 9 Como se vê, a Recorrente pretende a redução da multa para 75% ( inciso II, § 2º , acima transcrito). No presente caso o contribuinte somente se desincumbiu do seu mister com a entrega da DCTF, transmitida em 23/11/2006, após o transcurso do prazo fixado na intimação. E, não há prova de que o prazo concedido na intimação tenha sido prorrogado pela autoridade fiscal. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Vale ressaltar que o artigo 97, inciso VI, da Lei nº5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN) prescreve que, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Estando o crédito tributário legitimamente constituído, somente havendo legislação autorizando a dispensa deste, poderseia afastar ou reduzir a obrigação imposta. Assim, inaplicável a redução pleiteada pela Recorrente, pois, não albergada pela norma legal acima transcrita. Observase ainda, que no Auto de Infração (fl.36) consta a redução de 50% da multa, no caso de a empresa autuada efetuar o pagamento da multa até 17/05/2010. O artigo da Lei nº 8.218, de 29/08/91, e alterações posteriores assim prescreve: (...) Art. 6o Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução da multa de lançamento de ofício nos seguintes percentuais:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) I – 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) III – 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em Fl. 155DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 que o sujeito passivo foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o No caso de provimento a recurso de ofício interposto por autoridade julgadora de primeira instância, aplicase a redução prevista no inciso III do caput deste artigo, para o caso de pagamento ou compensação, e no inciso IV do caput deste artigo, para o caso de parcelamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o A rescisão do parcelamento, motivada pelo descumprimento das normas que o regulam, implicará restabelecimento do montante da multa proporcionalmente ao valor da receita não satisfeita e que exceder o valor obtido com a garantia apresentada. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o O disposto no caput aplicase também às penalidades aplicadas isoladamente. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Depreendese do dispositivo legal acima que, somente é prevista a redução da multa, quando o sujeito passivo após a decisão de primeira instância, efetua o pagamento da multa ou requer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. Não há previsão legal para redução da multa, no caso em que o contribuinte apresentou recurso voluntário. Da Impossibilidade de Cumulação de Diversas Multas por uma Única Suposta Infração Cometida Ofensa aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade A Recorrente alega que, o valor total do Auto de Infração foi obtido pela multiplicação de referida alíquota pelo número de meses em questão, cujo produto foi posteriormente multiplicado pelo valor do débito declarado na respectiva DCTF. Diz que, não se pode cominar uma multa para cada mês de atraso na entrega da Declaração, o que representaria impor diversas sanções a uma única infração. Não se trata de cumulação de diversas multas por única infração e, sim da quantificação da penalidade prevista em lei. A DCTF entregue com atraso, constante do Auto de Infração (fl.36), trata de obrigação acessória relativa a período de apuração mensal distinto janeiro do ano calendário de 2006 com fato gerador e base de cálculo em que repercute a obrigação acessória. A cada DCTF entregue com atraso deve ser aplicada a multa correspondente de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF entregue com atraso, respeitados os limites máximo e mínimo, em observância ao artigo 7º, da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, acima transcrito. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002218/201013 Acórdão n.º 1802002.186 S1TE02 Fl. 7 11 Ainda que se fosse o caso de várias DCTF entregues com atraso, as apresentações de DCTF em atraso seriam fatos independentes, não constituindo infração continuada, uma vez que cada DCTF que deixa de ser enviada, ou que é enviada após o prazo estabelecido, representa uma infração a ser punida através do lançamento da multa isolada correspondente. A recorrente argúi que, a multa ofende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Cumpre ressaltar que a multa lançada de ofício pelo descumprimento da obrigação tributária, conforme previsto no artigo 7º da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive na Súmula nº 2 deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A Recorrente alega ,ainda, que a entrega de declaração consiste em obrigação acessória e que seu descumprimento fora do prazo não gera qualquer prejuízo ao Fisco. Aduz que a obrigação principal foi devidamente cumprida, com o pagamento, dentro do prazo legal, assim configuraria a falta de prejuízo ao erário pela entrega a destempo da DCTF . Tal alegação não pode prosperar, pois, o atraso na entrega da DCTF revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento (não pagamento de tributo), a teor do artigo 113 do Código Tributário Nacional. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. O artigo 7° da Lei n° 10.426, de 2002, não deixa margem a qualquer discricionariedade, pois, prescreve que o sujeito passivo que deixar de apresentar ou apresentar em atraso a DCTF se sujeitará a multa de valor igual a dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do tributo informado na DCTF, “ainda que integralmente pago”. Vale esclarecer que, conforme explicitado acima, a penalidade em comento tem espeque em norma legal específica, no caso, a mencionada Lei nº 10.426 de 2002 a qual NÃO sofreu qualquer modificação por força da Lei nº 12.872/2013 que alterou o artigo 57 da Medida Provisória nº 2.158/2001 que trata de outros deveres instrumentais não contidos na Lei nº 10.426 de 2002. Finalmente sob o tópico: Da Ilegalidade da Incidência de Juros sobre a Multa, a Recorrente alega que, na esfera federal, não ocorrido o pagamento, o crédito tributário fica sujeito aos juros de mora, equivalentes à Taxa Selíc, consoante determinação do § 3o do art. 61, que remete ao § 3o do art. 5o, ambos da Lei n.° 9.430/96. Em síntese, argúi que não há como se pretender a incidência de juros sobre multas, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso Fl. 157DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi. Assim, os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. Eis o teor do dispositivo legal mencionado pela Recorrente, verbis: Lei nº 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) De início, é preciso distinguir a penalidade decorrente de tributos e contribuições não pagos ou pagos com atraso daquela outra penalidade por descumprimento de obrigação acessória. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. A obrigação tributária acessória de que trata o artigo 113, § 2º da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional – CTN) não importa em pagamento de tributo. É o caso da multa por atraso na entrega da DCTF que, pelo fato da inobservância da obrigação acessória no prazo previsto em lei, convertese em obrigação principal quanto ao pagamento da penalidade pecuniária, ou seja, da multa. Partilho do entendimento expresso no Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 02 de abril de 1998, segundo o qual, considerando o disposto no artigo 161 do CTN, é possível concluir que mencionada norma legal autoriza a exigência de juros de mora sobre a Fl. 158DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002218/201013 Acórdão n.º 1802002.186 S1TE02 Fl. 8 13 multa em caráter geral, nada impedindo que a lei específica disponha de forma diferente, determinando que os juros de mora devam incidir apenas sobre os tributos e as contribuições. Entendo que a incidência dos juros, no presente caso, multa por descumprimento de obrigação acessória, obrigação de fazer, prevista em lei, não se dá por força do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, aplicável aos créditos tributários decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que deixaram de ser pagos nos prazos previstos na legislação específica. A aplicação dos juros de mora se dá com fundamento no artigo 161 do CTN que não deixa margem a serem afastados, seja qual for o motivo determinante da falta, vejamos, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito A Recorrente alega que não existe previsão legal para a atualização da multa de ofício com base na taxa Selic. Enfatiza que a incidência dos juros moratórios se dá apenas com relação ao principal, e não à multa, um vez que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, quando se refere a "débito", restringese apenas ao valor dos tributos e contribuições. Cita doutrina e decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. No caso dos autos, a multa foi aplicada em razão da infração praticada, analisada acima. Portanto, com a aplicação da multa pela infração, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora) Efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal. Conforme visto acima, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (penalidade aplicada (não paga)). A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível concluir que, com apoio no artigo 43, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, lançada isoladamente, verbis: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese do auto de infração que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora sobre a multa lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. A exigência decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 2 e 4 deste E. Conselho Administrativo, verbis: Súmula CARF nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 18186.002218/201013 Acórdão n.º 1802002.186 S1TE02 Fl. 9 15 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/ 06/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13652.000017/2006-38
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO POR MEIO DE ACORDO TRABALHISTA. EXIGÊNCIA DE PROVA DE RECOLHIMENTO. NÃO CABIMENTO.
Admite-se a compensação do Imposto de Renda cuja retenção pela fonte pagadora foi comprovada pelo contribuinte. A lei não exige a prova do recolhimento. No caso dos autos, a prova da retenção deu-se como as peças da reclamatória trabalhista e certidão da respectiva Vara Trabalhista, a falta de recolhimento pela fonte pagadora não é razão para glosar a compensação do IRRF.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO POR MEIO DE ACORDO TRABALHISTA. EXIGÊNCIA DE PROVA DE RECOLHIMENTO. NÃO CABIMENTO. Admite-se a compensação do Imposto de Renda cuja retenção pela fonte pagadora foi comprovada pelo contribuinte. A lei não exige a prova do recolhimento. No caso dos autos, a prova da retenção deu-se como as peças da reclamatória trabalhista e certidão da respectiva Vara Trabalhista, a falta de recolhimento pela fonte pagadora não é razão para glosar a compensação do IRRF. Recurso provido.
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COMPENSAÇÃO DE IRRF. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO POR MEIO DE ACORDO TRABALHISTA. EXIGÊNCIA DE PROVA DE RECOLHIMENTO. NÃO CABIMENTO. Admitese a compensação do Imposto de Renda cuja retenção pela fonte pagadora foi comprovada pelo contribuinte. A lei não exige a prova do recolhimento. No caso dos autos, a prova da retenção deuse como as peças da reclamatória trabalhista e certidão da respectiva Vara Trabalhista, a falta de recolhimento pela fonte pagadora não é razão para glosar a compensação do IRRF. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 29/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 2. 00 00 17 /2 00 6- 38 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2001, anocalendário 2000, fundamentado na glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no valor de R$26.257,05 por falta de comprovante emitido pela fonte pagadora. Na impugnação alegouse que o valor dos rendimentos tributados corresponde a 8 parcelas de acordo trabalhista e que o IRRF glosado referese às respectivas retenções, de forma que o comprovante da retenção é o próprio acordo juntado às fls. 15/18. A impugnação foi deferida em parte para restabelecer a compensação do IRRF até o valor comprovado por cinco DARF relativos a parcelas do acordo supramencionado, uma vez que o valor dos documentos de arrecadação corresponde ao quanto de retenção é devido em relação a cada parcela, todas no valor de R$13.384,00, demonstrando que o valor recolhido pela fonte pagadora, no valor de R$16.417,25, é relativo à retenção de IRRF sobre os rendimentos declarados de R$107.096,00. A ciência do acórdão ocorreu em 13/08/2010 e recurso voluntário foi interposto no dia 02/09/2010 no qual, em síntese, defendese que o direito a compensar a totalidade do IRRF declarado não depende do recolhimento da fonte pagadora, fato que não é de responsabilidade do contribuinte, e sim da comprovação da retenção o que foi feito com a apresentação do acordo homologado em juízo. O processo foi distribuído a este Relator durante a sessão de abril de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio referese à comprovação do valor de IRRF declarado pelo contribuinte, que relacionase aos rendimentos declarados , correspondentes a 8 parcelas de acordo firmado em reclamatória trabalhista. O valor de rendimentos tributáveis recebidos de Clínica de Repouso Mococa (R$107.086,00) correspondem às 8 parcelas do acordo trabalhista (fls. 13/18) e o IRRF glosado referese ao valor que o contribuinte declarou relacionado ao mesmo rendimento tributável. O acórdão recorrido não admitiu o IRRF total, limitouse a restabelecer o valor correspondente à soma dos DARF de recolhimento efetuados pela fonte pagadora. O critério da decisão acertou em um ponto e errou em outro. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13652.000017/200638 Acórdão n.º 2802002.982 S2TE02 Fl. 96 3 Acertou quando se baseou no acordo trabalhista para calcular quanto era a retenção de IRRF sobre as parcelas e concluiu que o IRRF recolhido correspondia a esse acordo. Equivocouse quando limitou o efeito da referida conclusão à comprovação de recolhimento pela fonte pagadora, pois o direito à compensação do IRRF depende da comprovação da retenção e não do recolhimento. Adotamse as seguintes premissas: a) é correto manter o entendimento da DRJ em relação ao quanto é o valor do IRRF sobre cada parcela do acordo; b) a certidão de fls. 18, que noticia a presunção da quitação do acordo, é prova do recebimento do quanto acordado; e c) o fato de o Fisco ter aceitado o acordo como prova de recebimento dos rendimentos, torna razoável aceitar o acordo acompanhado da certidão da Vara Trabalhista também como prova da retenção. A lei não exige a prova do recolhimento pela fonte pagadora. Em suma: devese admitir a íntegra do IRRF declarado como vinculado aos rendimentos tributáveis declarados relativos ao referido acordo. O recorrente requer a restituição do imposto a restituir declarado, pleito cujo atendimento é decorrência do implemento desta decisão. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 97DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.002457/2005-08
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
NORMAS GERAIS. MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA.
Nos casos de lançamento de ofício será aplicada a multa, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
No presente caso, o evidente intuito de fraude restou comprovado pela ação do sujeito passivo, motivo de provimento do recurso neste ponto.
INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAÇÃO DE ATIVIDADE PERSONALÍSSIMA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE IMPUTAÇÃO DO TRIBUTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA AOS VALORES LANÇADOS.
No caso de desconsideração de pessoa jurídica interposta para a realização de serviços personalíssimos, os tributos já recolhidos pela pessoa jurídica deverão ser imputados aos tributos devidos pela pessoa física, exigidos no auto de infração.
Recurso Especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.764
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a multa qualificada, permitindo a compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica com os tributos devidos pela pessoa física. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negavam provimento e Marcelo Oliveira (Relator) que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
(Assinado digitalmente
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator Designado
EDITADO EM: 29/11/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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MULTA. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. COMPROVAÇÃO. EXISTÊNCIA. Nos casos de lançamento de ofício será aplicada a multa, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. No presente caso, o evidente intuito de fraude restou comprovado pela ação do sujeito passivo, motivo de provimento do recurso neste ponto. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAÇÃO DE ATIVIDADE PERSONALÍSSIMA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE IMPUTAÇÃO DO TRIBUTO RECOLHIDO PELA PESSOA JURÍDICA AOS VALORES LANÇADOS. No caso de desconsideração de pessoa jurídica interposta para a realização de serviços personalíssimos, os tributos já recolhidos pela pessoa jurídica deverão ser imputados aos tributos devidos pela pessoa física, exigidos no auto de infração. Recurso Especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 57 /2 00 5- 08 Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para restabelecer a multa qualificada, permitindo a compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica com os tributos devidos pela pessoa física. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negavam provimento e Marcelo Oliveira (Relator) que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator (Assinado digitalmente Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator Designado EDITADO EM: 29/11/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0705, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 00677, que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2000, 2001 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões. CESSÃO DO DIREITO AO USO DA IMAGEM CONTRATO DE TRABALHO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA – Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002457/200508 Acórdão n.º 9202002.764 CSRFT2 Fl. 3 3 IMPOSSIBILIDADE DE SEREM PROCEDIDAS POR OUTRA PESSOA, JURÍDICA OU FÍSICA PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS JOGADOR DE FUTEBOL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA – São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vinculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, o jogador de futebol, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terá seus rendimentos tributados na pessoa física incluídos ai os rendimentos originados no direito de arena/cessão do direito ao uso da imagem, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. IRPF – RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DA PESSOA FÍSICA COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA Devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob os códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio. IRPF DEDUÇÕES PENSÃO ALIMENTÍCIA Acatase como dedução na Declaração de Ajuste Anual a pensão alimentícia cuja obrigação foi homologada por anterior sentença judicial, sendo os seus pagamentos devidamente confirmados pela beneficiária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de oficio qualificada, no percentual de 150%, é aplicável nos casos em que fique caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502, de 1964. A simples realização de contrato entre a empresa da qual o contribuinte era sócio e terceiro para a prestação de serviços de natureza pessoal pelo sócio, ainda que com o propósito de se beneficiar de tributação mais favorecida, não caracteriza o evidente intuito de fraude. INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula 1° CC no. 2). Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS MORATÓRIOS A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n°. 4). Preliminares rejeitadas Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para admitir a compensação dos tributos pagos na Pessoa Jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física e desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros João Carlos Cassuli (Suplente Convocado) e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Fará Declaração de Voto o Conselheiro Pedro Anan Júnior. Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre: a) Aproveitamento de tributos recolhidos em pessoa jurídica (PJ) por pessoa física (PF); e b) Qualificação da multa devido a fraude quanto à constituição de PJ e prática reiterada. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que: 1. Quanto à possibilidade de compensação dos tributos pagos na pessoa jurídica com o valor devido pela pessoa física não há no acórdão recorrido qualquer fundamentação jurídica para essa decisão, que apenas citou o voto de outro Conselheiro no sentido de que o ser humano não está livre de errar e todo erro deve ser reparado na forma menos injusta tanto para o Fisco quanto para o Contribuinte; 2. Já no que se refere à multa qualificada temos que esta deve ser mantida, uma vez que, ao contrário do estabelecido pelo acórdão recorrido, restou sim configurado o intuito sonegatório por parte do contribuinte; 3. A multa também deve ser mantida devido a prática reiterada da infração (por dois exercícios seguidos) com o intuito de retardar ou não efetuar o pagamento dos tributos devidos, o que em conjunto, comprova, de forma cabal, o evidente intuito de fraude; Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002457/200508 Acórdão n.º 9202002.764 CSRFT2 Fl. 4 5 4. O acórdão 10421.954, paradigma, decidiu que, para hipótese idêntica à perpetrada nos autos já que se trata exatamente da mesma conduta e da mesma Pessoa Jurídica nos mesmos anoscalendário inclusive, não haveria possibilidade de compensação dos tributos pagos pela Pessoa Jurídica com os devidos pela Pessoa Física; 5. Com relação à multa também se aponta como paradigma o mesmo julgado, uma vez que este também entendeu que a conduta perpetrada pelo jogador de futebol no sentido de propositalmente criar uma pessoa jurídica para receber valores que deveriam integrar diretamente o patrimônio da pessoa física, para evitar a incidência do IRPF, configura motivo para a qualificação da multa; 6. Ainda com relação a multa de oficio qualificada o acórdão paradigma 10196446 concluiu que a conduta praticada pelo contribuinte no sentido de, de forma contumaz (dois anos consecutivos), ter dolosamente declarado como isentos rendimentos auferidos de forma dissimulada com o intuito claro de não pagar tributos caracteriza sim evidente intuito de fraude, ensejando a aplicação da multa de oficio qualificada; 7. Uma vez evidenciada a divergência jurisprudencial apontada tanto quanto à compensação deferida quanto à multa qualificada passase as razões pelas quais merece ser adotado o entendimento exarado nos paradigmas; 8. Não deve prevalecer o entendimento sobre a possibilidade de compensação proporcional dos tributos recolhidos na Pessoa Jurídica oriundo de valores cujo fato gerador foi transferido para a pessoa física, conforme termos utilizados pelo próprio voto; 9. Conforme consta dos autos, não há que se confundir a pessoa jurídica com a pessoa física, uma vez que se tratam de pessoas dotadas de personalidades distintas com patrimônio e responsabilidades apartadas que não podem se confundir, a não ser nos casos em que a legislação assim permitir; 10. A desconsideração da personalidade jurídica levantada pelo contribuinte nos autos não tem aplicação no presente caso, uma vez que aqui o que se verificou foi uma verdadeira simulação com a finalidade de não pagamento dos tributos pela pessoa física; Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 11. O fato da pessoa física ser sócia da pessoa jurídica utilizada para a fraude é mais uma acusação em desfavor daquele e não um motivo a ensejar a possibilidade de compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica pela pessoa física, pois estas não se confundem; 12. Esta é uma decorrência lógica também do denominado Principio da Entidade, conceito criado pela contabilidade, onde o patrimônio da entidade não se confunde com o de seus sócios ou acionistas; 13. Destacase que a Administração Pública está adstrita ao principio da legalidade, somente podendo aplicar aos casos sob sua avaliação o que a lei expressamente permita; 14. Assim sendo insta salientar ainda que o procedimento de permitir a compensação de tributos pagos pela Pessoa Jurídica que deveriam em verdade ser tributados na pessoa física não encontra campo em nosso ordenamento jurídico tributário, uma vez que não há previsão legal para tanto; 15. Ressaltese, pois muito importante, que os valores tributados em discussão foram aqueles efetivamente recebidos sob a rubrica de lucros distribuídos e não de receita da empresa, conforme consta do TVF; 16. Quanto à qualificação da multa, no presente caso, conforme descrito pela autoridade fiscal, fls. 0319, o dolo está explicito devendo ser mantida a multa qualificada; 17. Ademais, restou caracterizada a omissão deliberada e dolosa acerca da natureza dos rendimentos auferidos relativos aos anoscalendário de 2000 e 2001, ensejando a redução de impostos e contribuições de forma reiterada; 18. Quando o contribuinte induz ou mantém em erro os Auditores da Secretaria da Receita Federal, omitindo receitas de forma consciente, há evidente intuito de fraude; 19. Dessa forma, diante da reiterada e sistemática insubordinação aos ditames da lei; 20. Em face do exposto, a recorrente requer o conhecimento e o provimento de seu recurso. O sujeito passivo calculou o quanto devido, em seu entender, caso a decisão transitada fosse a já proferida, e incluiu o débito no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002457/200508 Acórdão n.º 9202002.764 CSRFT2 Fl. 5 7 Com a formalização da decisão e os cálculos efetuados pela Delegacia de origem do lançamento, o sujeito passivo solicitou a inclusão do restante devido, parcela menor, no mesmo parcelamento, fls. 0802. Portanto, o sujeito passivo renunciou expressamente a parte mantida pela decisão da turma a quo. Por despacho, fls. 0807, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0817, argumentando, em síntese, que: 1. Devese abater os tributos recolhidos pela PJ, no presente lançamento sobre a PF, pois, caso contrário, ocorreria enriquecimento ilícito da Administração Pública Federal, devido a bis in idem; 2. Desta forma, deverá ser mantida a decisão expressa no acórdão recorrido, na parte em que autorizou a compensação dos valores recolhidos a titulo de impostos e contribuições pelas empresas Gol Consultoria Esportiva Ltda. e MK Djian Ltda. sobre a mesma base de cálculo fixada no lançamento fiscal objeto dos autos, de sorte a se evitar o bis in idem e o conseqüente enriquecimento ilícito do Estado Administração; 3. A qualificação da multa não pode prosperar, como decidido, pois não ficou comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo; 4. O percentual imposto pela qualificação da multa é inconstitucional; 5. Por fim, solicita a manutenção da decisão expressa no acórdão recorrido. Após a interposição das contra razões, o sujeito passivo protocolou petição referente a renúncia quanto à apresentação de recurso especial, na parte que lhe foi desfavorável. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e com jurisprudências divergentes e não reformadas conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Como já ressaltado previamente, o recurso em questão trata de dois pontos: A Aproveitamento de tributos recolhidos em pessoa jurídica (PJ) por pessoa física (PF); e B Qualificação da multa devido à fraude quanto à constituição de PJ e prática reiterada de conduta. Quanto ao aproveitamento de tributos recolhidos na pessoa jurídica verifico que a razão assiste à Procuradoria. Cabe esclarecer que o valor tributado foi recebido, indevidamente, como lucros distribuídos, ou seja, sem pagamento de tributo, não havendo razão em aproveitar, compensar na tributação parcela que não sofreu incidência tributária. Por outro lado, mas de grande relevância, não há como PF solicitar aproveitamento de tributos recolhidos por PJ. Só quem pode solicitar esses valores é a PJ, por seus sócios, comprovando, de forma devida, o pagamento indevido. Portanto, não há como descontar os valores já pagos pela PJ a título de Imposto de Renda, pois, eventual recolhimento de Imposto de Renda foi feito em nome da PJ e não da PF. Quanto à qualificação da multa, a recorrente alega, em síntese, que a multa deve ser restaurada, pois restou clara a intenção dolosa do sujeito passivo, posição contrária à constante do acórdão recorrido. A qualificação da multa está expressa na legislação. Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002457/200508 Acórdão n.º 9202002.764 CSRFT2 Fl. 6 9 Lei 4.502/1964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Cabe destacar os motivos do Fisco para a qualificação, fls. 0319: “A ação dolosa do sujeito passivo está evidenciada no consentimento em receber parte da remuneração devida, em função do exercício da sua atividade de Atleta Profissional de Futebol, como lucro presumido, causando prejuízo a Fazenda Nacional. ... O dolo está configurado na participação do contribuinte no subterfúgio para modificar a denominação da remuneração recebida das fontes pagadoras, com o concurso da sociedade Gol Consultoria Esportiva Ltda e da MK Djian Ltda” Ao analisarmos os motivos da qualificação da multa, acima, encontramos razão para sua restauração. Chegamos a essa conclusão por, em nosso entender, estar claro (evidente) que o sujeito passivo buscou (intuito), por sua ação, impedir, totalmente, o conhecimento por parte do fisco de sua condição pessoal (PF), suscetível de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente, com a remuneração sendo paga por distribuição de lucros, isenta de tributação. Assim, concluo que há razão, também, nesse ponto, no argumento da recorrente. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 CONCLUSÃO: Por todo exposto, voto em dar provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.002457/200508 Acórdão n.º 9202002.764 CSRFT2 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Designado Em que pesem a clareza e objetividade do voto do relator, peço vênia para dele discordar em parte. Registrese que essa discordância se limita apenas à possibilidade de compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica, em decorrência de atividade considerada personalíssima, com os tributos devidos pela pessoa física, por essa mesma atividade. No caso, restou comprovada a interposição de uma pessoa jurídica, para a realização de uma atividade personalíssima. Em decorrência, foi desconsiderada a validade do ato jurídico, e buscados os efeitos do que efetivamente ocorreu: atividade a ser tributada na pessoa física. Entendo que, tendo sido desconsiderada a validade de um ato simulado, devem ser também desconsiderados todos seus efeitos e buscados os efeitos do ato dissimulado. Ora, a imputação dos valores pagos pela pessoa jurídica, referentes à atividade que – de acordo com a própria fiscalização – não teria sido por ela exercida, é uma mera conseqüência lógica e necessária ao lançamento. De outra forma, penso que não realizar a imputação dos valores pagos pela pessoa jurídica aos valores devidos pela pessoa física, decorrentes da mesma atividade, seria uma incoerência interna, desconsiderandose somente uma parte do ocorrido. Assim, acompanhando o voto do relator no tocante à qualificação da multa, divirjo na parte relativa à compensação dos tributos. Por todo exposto, voto em dar provimento em parte ao recurso da PGFN, para manter a qualificação da multa, porém permitir a compensação dos tributos pagos pela pessoa jurídica (na proporção dos lucros formalmente destinados ao contribuinte, em relação ao total de lucros destinados aos proprietários), com os tributos objeto do lançamento, exigidos da pessoa física. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/07/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10660.000019/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
DEPÓSITO BANCÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INOCORRÊNCIA.
Resultando a autuação de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, o lançamento deve observar o disposto nos § § 5º e 6º da Lei nº 9.430/96. Não cabe sujeição passiva solidária de pessoa, ainda que beneficiária efetiva dos rendimentos, que não tenha sido intimada, durante a fiscalização, para justificar a origem dos depósitos.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não cabe a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento de direito de defesa.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Como não houve pagamento, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme determina o art. 173, I, do CTN (Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543-C do CPC c/c art. 62-A do RICARF).
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não cabe a arguição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA. SÚMULA CARF Nº 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DA ATIVIDADE RURAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não havendo comprovação de que os depósitos bancários imputados a contribuinte são oriundos da atividade rural, deve-se manter a tributação com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996.
MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária A comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964.
Numero da decisão: 2201-002.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de ilegitimidade passiva relativamente ao Sr. José do Carmo Machado, vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Relator). Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), que além disso reduziu a base de cálculo para 20%. Designada para redigir o voto vencedor quanto à preliminar acolhida a Conselheira Nathalia Mesquita Ceia. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Nelson Fraga da Silva, OAB/MG 57.233.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
Assinado Digitalmente
Nathalia Mesquita Ceia Redatora designada.
EDITADO EM: 10/04/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INOCORRÊNCIA. Resultando a autuação de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, o lançamento deve observar o disposto nos § § 5º e 6º da Lei nº 9.430/96. Não cabe sujeição passiva solidária de pessoa, ainda que beneficiária efetiva dos rendimentos, que não tenha sido intimada, durante a fiscalização, para justificar a origem dos depósitos. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não cabe a arguição de nulidade do lançamento por cerceamento de direito de defesa. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Como não houve pagamento, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme determina o art. 173, I, do CTN (Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62A do RICARF). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 00 00 19 /2 01 0- 16 Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 2 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrado que não houve qualquer violação ao disposto nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não cabe a arguição de nulidade do lançamento, ou do procedimento fiscal que lhe deu origem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. LANÇAMENTO NO TITULAR DA CONTA. SÚMULA CARF Nº 32. “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros”. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DA ATIVIDADE RURAL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não havendo comprovação de que os depósitos bancários imputados a contribuinte são oriundos da atividade rural, devese manter a tributação com base no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25. “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária A comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, acolher a preliminar de ilegitimidade passiva relativamente ao Sr. José do Carmo Machado, vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah (Relator). Por unanimidade de votos, rejeitar as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), que além disso reduziu a base de cálculo para 20%. Designada para redigir o voto vencedor quanto à preliminar acolhida a Conselheira Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10660.000019/201016 Acórdão n.º 2201002.351 S2C2T1 Fl. 3 3 Nathalia Mesquita Ceia. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Nelson Fraga da Silva, OAB/MG 57.233. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. Assinado Digitalmente Nathalia Mesquita Ceia – Redatora designada. EDITADO EM: 10/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Presente aos julgamentos o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2005 a 2007, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 01/11, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 5.117.777,77, calculado até 30/12/2009. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Sobre o crédito tributário constituído a autoridade fiscal aplicou a multa qualificada de 150%. De acordo com a autoridade recorrida: O lançamento em foco é extensível ao Sr. José do Carmo Machado, CPF 271.477.11653, responsabilizado solidária e pessoalmente, quando se fez menção aos artigos 124, I, § único, art. 134, III, e 135, I, do CTN... Pela não apresentação das Declarações de Ajuste Anual, referentes aos exercícios 2005 a 2007, foram lançadas as multas por falta de entrega dessas declarações através do Auto de Infração constante do Processo nº 10600.000020/201041. Além disso, em face dos ilícitos apontados pela autoridade lançadora, houve a representação fiscal para fins penais e o arrolamento de bens, conforme Processos nº 10660.000021/201095 e nº 10660.000022/201030, respectivamente. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 4 Ao efetuar o lançamento, referente aos anoscalendário de 2004 a 2006, em 19/01/2010, o Fisco partiu da informação obtida nos dados da CPMF, que fora extinta em 31/12/2007. Por consequência, o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 não estava mais em vigor, nem sequer na data do Termo de Início de Ação Fiscal (“10/03/2008”)... Alega que “...o lançamento reportase a data da ocorrência do fato gerador e rege pela lei vigente... Entretanto, tratandose de regra processual, a lei a ser aplicada é a vigente na data do lançamento...” Conclui, então que “...o fisco utilizou de procedimentos que foram extintos em 31/12/2007, para efetuar lançamento em 19/01/2010, sendo que este procedimento não tem previsão legal e por consequência, há nulidade insanável do lançamento.” (grifos originais); O agente fiscal, sem autorização judicial, quebrou o sigilo bancário da impugnante, sendo nulo o presente lançamento. “O sigilo bancário e a inviolabilidade de comunicações são modalidades de garantias da inviolabilidade da vida privada das pessoas, estabelecidas no art. 5º, X, da CF...”. Para amparo de sua argumentação, transcreve parte de voto de Ministro do STJ, além de ementa de decisão do TRF; Ao utilizar o extrato bancário para efetuar o lançamento, o Fisco não se ateve aos mandamentos do art. 43 do CTN, devendo ser aplicada a súmula 182 do extinto TFR, sendo nulo o lançamento. Neste, ponto, traz trechos de decisões administrativas e decisão judicial que se basearam na referida súmula e destaca que esta continua vigorando. Assim, não ocorrendo o fato gerador do imposto de renda previsto no art. 43 do CTN, o lançamento é improcedente; Recorda que, no caso em comento, o lançamento do imposto de renda é por homologação. Assim, afirma que o anocalendário de 2004 já estava abrangido pela decadência, haja vista que a ciência da autuação ocorrera apenas em 19/01/2010. Para ratificar seu entendimento, transcreve ementa de decisão do CSRF; Argumenta que as razões constantes do relatório fiscal: “não apresentação das declarações de 2004 a 2006”, “movimentação de volume significativo de recursos em conta” e a suposta “omissão de receita”, “não autorizam o agravamento da multa para 150%”. Além disso, não houve resistência por parte dos impugnantes no que tange à prestação de esclarecimentos e apresentação de documentos. Reproduz a Súmula nº 14 do 1º Conselho de Contribuinte, bem como outras ementas de decisões administrativas sobre o assunto; (...) O art. 124, I, do CTN é tipificado pelo “interesse jurídico”, “situação que constitua o fato gerador da obrigação” e o agente fiscal autuou o Sr. José do Carmo Machado pelo “interesse econômico”; não se aplica o art. 134, III, do CTN, pois o Sr. José não foi acusado de ser administrador de bens de terceiros, ademais tal enquadramento é aplicável a administrador de pessoa jurídica, o que não é o caso; o art. 135, I, do CTN não se Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10660.000019/201016 Acórdão n.º 2201002.351 S2C2T1 Fl. 4 5 aplica, pois faz referência ao art. 134 do mesmo código, que diz respeito a administradores de pessoas jurídicas; Conforme provas dos autos, encontramos 213 pessoas com “interesse econômico”, que receberam recursos das contas da impugnante. Se prevalecer a tese do agente fiscal, todas as pessoas relacionadas nas fls. 620 a 797, que efetivamente auferiram “interesse econômico”, deverão ser consideradas, da mesma forma que o Sr. José, como solidários; Reproduz ementas de decisões administrativas acerca da caracterização da responsabilidade solidária; Considerando que diversas pessoas auferiram “interesse econômico” e estando o lançamento amparado pelo art. 42 da Lei 9.430/96, deveriam ter sido acionados os comandos dos parágrafos 5º e 6º do citado artigo; o que não ocorreu, sendo, portanto, o lançamento improcedente; Após transcrever diversos trechos do Termo de Verificação Fiscal e pelas provas existentes nos autos (contratos de financiamentos rurais/custeio agrícola, contratos de seguro rural, contratos de parceria rural, notas fiscais, compras de mudas de morango e circularização de contribuintes) aduz que “é incontroverso que a suposta omissão de receita é de atividade rural.” (destaques originais). Contudo, o fisco não observou os mandamentos dos arts. 4º e 5º da Lei 8.023/90, não efetuou as deduções previstas nos arts. 7º e 13 e nem aplicou as alíquotas de 10% e 25% previstas nos incisos I e II do art. 10 do mesmo diploma legal; (...) Ressalta, ainda, que “para vendas efetuadas dentro do Estado de Minas Gerais – não há necessidade de emissão de nota fiscal – o trânsito de ‘fruta fresca nacional’ – morango – é livre, nos termos dos itens 12 e 12.2 do anexo I do Regulamento do ICMS do Estado de Minas Gerais.”; “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais leciona que a tributação é pela atividade, no caso em lide, atividade rural, e inexistindo documentos – notas fiscais – há de se observar o limite de 20% da Base de Cálculo prevista na lei 8.023/90” (grifos originais). Neste ponto, reproduz ementas administrativas que entende corroborar seu entendimento; (...) Por outro lado, ao utilizar os dados obtidos nos extratos bancários para tributar o imposto de renda, não foram observados “...os mandamentos dos incisos I (exclusões de transferências /cheques devolvidos e outros) e II (dedução do valor de R$ 80.000,00 por anocalendário) previstas no § 3º do art. 42 da Lei 9240/96 – redação dada pela Lei 9.481/97” (grifos originais); Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 6 (...) Solicita, também, a realização de prova pericial, indicando o perito assistente e os quesitos; (...) A 4ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: NULIDADE. MOTIVOS. Tendo o Auto de Infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, assegurado pela Constituição Federal, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. SIGILO BANCÁRIO. PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A legislação em vigor autoriza o Fisco a solicitar diretamente às instituições financeiras informações referentes à movimentação bancária de seus clientes mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, desde que haja procedimento de fiscalização em curso e esta seja precedida de intimação ao sujeito passivo, sendo desnecessária a autorização judicial prévia. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Uma vez existente comando expresso, em lei, autorizando o exame de informações bancárias, este deve ser acatado e utilizado pelo Fisco, pois não cabe aos agentes públicos questionarem a constitucionalidade da lei vigente mediante juízos subjetivos, dado o Princípio da Legalidade que vincula a atividade administrativa. Ademais, falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. SÚMULA 182 DO TFR. FATOS GERADORES OCORRIDOS SOB A ÉGIDE DE LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE. A Súmula 182 do TFR, tendo sido editada antes do ano de 1988 e por reportarse à legislação então vigente, não é parâmetro para Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10660.000019/201016 Acórdão n.º 2201002.351 S2C2T1 Fl. 5 7 decisões proferidas relativas a lançamentos fundamentados na Lei nº 9.430, de 1996. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. COMPROVAÇÃO DA RECEITA DA ATIVIDADE. Tendo em vista a não apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovem que a omissão de receita foi proveniente da atividade rural, não há como efetuar a tributação com base nas regras próprias desta atividade. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos tributáveis evidencia a intenção de reduzir o montante do imposto devido, o que dá ensejo à aplicação da multa qualificada. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Reconhecido o dolo pela prática reiterada de infração, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância somente determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É solidária a responsabilidade pelo pagamento do crédito tributário quando ficar demonstrado o interesse comum na situação que constitui fato gerador da respectiva obrigação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 15/07/2010 (fl. 1391), Maria Aparecida Pereira Machado apresenta Recurso Voluntário em 16/08/2010 (fls. 1392 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 8 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos nos anos calendário de 2004 a 2006. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar as diversas preliminares aventadas pela recorrente. Quanto à solicitação de exclusão de José do Carmo Machado da sujeição passiva solidária, penso, da mesma forma que a autoridade recorrida, que o pedido não tem passagem. Em verdade, as inúmeras provas dos autos são suficientes para referendálo como responsável solidário pelo crédito tributário, na forma do inciso I do art. 124 do CTN. Transcrevese parte do Termo de Verificação Fiscal (fl. 59): 5. Do envolvimento de José do Carmo Machado na conta corrente em nome de Maria Aparecida Pereira Machado Através do Termo de Depoimento, fls. 526, a contribuinte Maria Aparecida Pereira Machado diz que a movimentação financeira dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, era decorrente da plantação e da venda de morangos, que somente assinava os cheques, e que o controle dos recebimentos e pagamentos, ou seja, toda a movimentação da conta bancária era efetuada pelo Sr. José do Carmo Machado (seu exesposo). De fato Maria Aparecida Pereira Machado era casada com José do Carmo Machado, conforme documentação juntada às fls. 1310 a 1313. Nos dados cadastrais da conta corrente n° 0339028, HSBC Bank Brasil SA, Agência 0570, de Estiva/MG, consta que José do Carmo Machado era cônjuge de Maria Aparecida Pereira Machado e avalista desta movimentação bancária, fls. 875 a 883. Nos documentos bancários apresentados por meio da Requisição Sobre Movimentação Financeira — RMF, como cópia de cheques e documentos de créditos, mostram que José do Carmo Machado depositou e recebeu diversos valores da referida conta corrente, fls. 869 a 1033. Em resposta, vários contribuintes que foram circularizados afirmaram que os depósitos e/ou recebimentos da conta corrente em nome Maria Aparecida Pereira Machado decorreram de negócios realizados por conta e ordem de José do Carmo Machado, fls. 1024 a 1309. Portanto, não há nenhuma dúvida que José do Carmo Machado, CPF 271.477.11653, tenha concorrido e participado ativamente Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10660.000019/201016 Acórdão n.º 2201002.351 S2C2T1 Fl. 6 9 da conta corrente n° 0339028, HSBC Bank Brasil SA, Agência 0570, de Estiva/MG, em nome de Maria Aparecida Pereira Machado. De fato, compulsandose a declaração de Peterfrut Agrícola S/A, fl. 1226, percebese que os depósitos efetuados pela empresa, eram por conta e ordem de José do Carmo Machado. Vejase: Em atenção à solicitação contida no Mandado de Procedimento Fiscal Diligência acima referenciado, apresento as seguintes informações e documentos: 1) Tabela com valores creditados na conta da Sra. Maria Aparecida Pereira Machado, CPF n°. 693.694.02691, por conta e ordem do Sr. José do Carmo Machado — CPF n°. 271.477.11653: (...) 2) A natureza das operações realizadas com o Sr. José do Carmo Machado foi de Parceria Agrícola. (grifei) Ressaltese que não é o caso de aplicar o §5º e §6º do art. 42 da Lei 9.430/1996, como entende a defesa, pois o caso dos autos tratase de imputação de responsabilidade solidária à pessoa tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e não de conta conjunta. Mantémse, pois, a sujeição passiva solidária. No que tange à decadência do crédito tributário, relativamente ao ano calendário de 2004, cumpre registrar que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário, conforme pacificado pela Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Como não houve antecipação do imposto de renda da pessoa física, em razão da ausência de imposto de renda retido na fonte, corroborada pela falta de apresentação de DIRPF, fl. 55, a contagem do prazo iniciase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN (Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62A do RICARF): Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Assim, o fato gerador do IRPF referente ao anocalendário de 2004 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o primeiro dia para a contagem do prazo de Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 10 decadência iniciase em 01 de janeiro de 2006 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2010. Desse modo, como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 19/01/2010 (fl. 03), não operou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2004. No que diz respeito à quebra de sigilo bancário, deve ser esclarecido que a Lei Complementar nº 105/2001 permite o afastamento do sigilo bancário por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Em verdade, verificase que a recorrente foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto, apresentou parcialmente, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Portanto, não identifico no lançamento qualquer vício na quebra do sigilo bancário da recorrente. Quanto à preliminar de cerceamento de direito de defesa, penso que não assiste razão à recorrente. Da análise dos autos, não identifiquei qualquer vício que lhe cerceasse o direito de defesa. O auto de infração em apreço se revestiu de todas as formalidades legais previstas, bem como não houve qualquer violação aos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal (PAF), assim como ao disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. Em outra passagem, reitera a contribuinte o pedido de perícia, alegando que a ela é o único meio propício para averiguar a exata base de cálculo para tributação do imposto de renda de pessoa física. Da análise dos argumentos da recorrente, fica evidente que todos eles se referem à produção de provas que caberia ao contribuinte apresentar. Com efeito, a perícia não se destina a preencher as lacunas da defesa quanto à produção de provas de sua competência, mas a esclarecer aspectos obscuros do processo, no caso de tais esclarecimentos ser considerados indispensáveis à formação da convicção do julgador. Pelo que se vê, o descontentamento da recorrente tem a ver com o conjunto probatório carreado aos autos que, na visão da fiscalização, não foi suficiente para comprovar determinada situação. Se os fatos estão provados ou não, ou se efetivamente se ajustam ao modelo hipotético instituído pelo legislador, aí se verifica uma questão de mérito, o que ultrapassaria a preliminar suscitada. Compulsandose o auto de Infração, verificase que o procedimento fiscal pautouse nos elementos trazidos aos autos pela fiscalização, bem como naqueles acostados pela contribuinte por ocasião da apresentação de seus argumentos. Portanto, é de se rechaçar a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. No mérito, cumpre novamente trazer novamente a lume a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10660.000019/201016 Acórdão n.º 2201002.351 S2C2T1 Fl. 7 11 De acordo com o dispositivo supra, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao Fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. O dispositivo legal citado tem como fundamento lógico o fato de não ser comum o depósito de numerário, de forma gratuita e indiscriminada, em conta bancária de terceiros. Como corolário dessa afirmativa temse que, até prova em contrário, o que se deposita na conta de determinado titular a ele pertence. O raciocínio foi exposto com clareza por Antônio da Silva Cabral1: O fato de alguém depositar em banco uma quantia superior à declarada é indício de que provavelmente depositou um valor relativo a rendimentos não oferecidos à tributação. Se o depositante não logra explicar que esse dinheiro é de outrem, ou tem origem em valores não sujeitos à tributação, este indício levará à presunção de omissão de rendimentos à tributação. Quanto à argumentação de que os depósitos bancários não conduziriam a presunção de disponibilidade econômica, vale registrar que o fato gerador do Imposto de Renda, conforme art. 43 do Código Tributário Nacional2, alberga tanto as disponibilidades econômicas quanto as disponibilidades jurídicas de renda ou proventos de qualquer natureza. Passando às questões pontuais de mérito, alega a suplicante que os valores movimentados em suas contas bancárias são provenientes da atividade rural, mais precisamente plantação de morangos, conforme faz prova os inúmeros documentos carreados aos autos. São eles: Contratos de financiamentos rurais/custeio agrícola (fs. 1058 a 1061; 1062 a 1065; 1066 a 1069; 1070 a 1073; 1074 a 1077; 1078 a 1081; 1082 a 1085); b) Contratos de seguro rural (fs. 1086 a 1088); c) Contratos de financiamento rural (fs. 1089 a 1093; 1094 a 1098 e 1099 a 1103); d) Contratos de parceria rural (fs. 1104 a 1105; fs, 1106 a 1107; 1108 a 1109; 1110 a 1111; 1112 a 1113; 1114 a 11.15; 1116 a 1117; 1118 a 1119; 1120 a 1121; 1122 a 1123; 1124 a 1125; 1126 a 1127; 1128 a 1129;; 1130 a 1131; 1132 a 1133; 1134 a 1135; 1136 a 1137; 1138 a 1139 1140 a 1141; 1142 a 1143; 1144' 1145; 1146 a 1147; 1148 a 1149; 1150 a 1151; 1152 a 1153; 1154 a 1155; 1156 a 1157; 1158 a 1159; 1160 a 1161; 1 Processo Administrativo Fiscal. Editora Saraiva, 1993, pág. 311. 2 CTN – Lei n° 5.172, de 1966 – Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 12 1162 a 1163; 1164 a 116 a 1168; 1179 a 1171; 1172 a 1173; 1174 a 1175; 1176 a 1177; 1178 a 1179; 1180 a 1181; 1226 a 1229; e) Notas fiscais (fs. 124 a 1262); f) compra de mudas de morango (fs. 1279); Pois bem, cotejando os documentos juntados pela recorrente, com os créditos de origem não comprovada, fls. 12/34, não é possível identificar a origem de qualquer depósito e/ou crédito. Exemplificando: O valor de R$ 120.000,00, relativo ao Contrato de Financiamento Rural/Cédula Rural Hipotecária, fls. 1058/1061, não consta da planilha de créditos de origem não comprovada. O valor de R$ 96.000,00, referente Contrato de Financiamento Rural/Cédula Rural Hipotecária, fls. 1062/1065, também não consta da referida planilha. Pelo que se vê, a recorrente não logrou comprovar a origem dos créditos havidos em seu movimento bancário. O inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe, para efeito de determinação da receita omitida, que os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando argumentar que se refere à atividade rural. A indicação da fonte do recurso, sem outro elemento de prova, é absolutamente insuficiente para comprovar a origem dos diversos créditos havidos em suas contas bancárias. Vejase o que consignou a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal (fl. 58/59): 4. Dos Contribuintes Circularizados Intimamos Ronaldo Aparecido Machado (filho da contribuinte Maria Aparecida Machado com José do Carmo Machado), CPF 042.289.65601, Aguilar José Peterle, CPF 817.010.39753, Íris Peterli, CPF 195.457.89700, Peterfrut Agrícola SA, CPF 07.844.7881000161, Altair de Jesus Pereira, CPF 786.218.796 20, José Carlos Vieira, CPF 310.695.09604, Via Mondo Automóveis e Peças Ltda, CNPJ 00.836.9421000104, Herbert Knabe & Cia Ltda, CNPJ 02.947.8011000194, Edmilson Andrade, CPF 882.391.28653, e Sebastião Carlos de Andrade, CPF 770.002.42604, todos aparecem no documento encaminhado pelo HSBC Bank Brasil SA, fls. 885, como depositante ou beneficiário de algum valor da conta corrente n° 0339028, HSBC Bank Brasil SA, Agência 0570, de Estiva/MG, de Maria Aparecida Pereira Machado. Em resposta estas pessoas apresentaram os documentos que estão juntados às fls. 1182 a 1309. Ronaldo Aparecido Machado respondeu nossa intimação fiscal dizendo que apenas fiscalizava a chegada dos morangos, recebia e depositava na conta de Maria Aparecida Machado para ser repassado aos produtores, fls. 1194. Não apresentou nenhum documento fiscal para tal afirmação. Os demais contribuintes afirmaram que receberam ou depositaram algum valor para a conta corrente de Maria Aparecida Pereira Machado em decorrência de negócios realizados por conta e ordem de José do Carmo Machado. Com relação aos depósitos feitos por essas pessoas, nenhuma Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10660.000019/201016 Acórdão n.º 2201002.351 S2C2T1 Fl. 8 13 apresentou qualquer documento fiscal hábil e idôneo que justificasse as transações realizadas. José Carlos Vieira para justificar os depósitos efetuados na conta corrente de Maria Aparecida Pereira Machado apresentou algumas notas de produtor rural de José do Carmo Machado, fls. 1246 a 1262, mas os valores constantes dessas notas não têm nenhuma relação de coincidência com os valores depositados. Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, correto o lançamento como omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. No que tange à multa qualificada, cumpre reproduzir, de antemão, o Termo de Verificação Fiscal, fl. 29: A movimentação de volume significativo de recursos em conta corrente é motivo suficiente para se considerar que houve sonegação fiscal. E a conduta da contribuinte nesta ação fiscal demonstra, em tese, a manifesta intenção dolosa em impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fiscal de valores a serem oferecidos à tributação. Os crimes de sonegação, fraude e conluio estão definidos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64; Tendo então restado caracterizado, em tese, o evidente intuito de fraude, a aplicação da multa qualificada prevista no §1º do art. 44 da Lei 9.430/96 e inciso II do art. 957 do RIR/99, baseou se na conduta dolosa da contribuinte de reiteradamente não apresentar as declarações de ajuste anual, quando na realidade havia valor a ser informado, não pagamento de tributos, não apresentação de documentos quando devidos, e de outras informações relatadas neste Termo de Verificação Fiscal e, conseqüentemente, a intenção de lesar os cofres públicos. Do exposto, o que se vê dos argumentos despendidos pela autoridade lançadora nada mais é do que o próprio pressuposto da autuação, ou seja, simples omissão de rendimentos ou declaração inexata, sem qualquer prova de conduta dolosa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. Para a qualificação da penalidade deveria a fiscalização trazer provas que materializassem o dolo do sujeito passivo. Não bastam apenas divergências e/ou omissão entre os valores declarados e os apurados para alicerçarem o evidente intuito de fraude. E nesse sentido a Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Incomprovada a fraude ensejadora da multa isolada, esta não pode subsistir. Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 14 Por fim, a Súmula 182 do antigo Tribunal Federal de Recursos, bem como as inúmeras jurisprudências colacionadas em sua peça recursal, são absolutamente inaplicáveis, visto que a matéria foi inteiramente superada pela entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheira Nathália Mesquita Ceia, Redatora designada. Em que pese o bem elaborado voto do nobre relator, divirjo de seu entendimento quanto à exclusão do Sr. José do Carmo Machado da sujeição passiva solidária. A defesa pleiteia a exclusão do Sr. José do Carmo Machado do pólo passivo por entender que o mesmo não é solidário com a autuada. Pondera que o art. 124, I, do CTN é tipificado pelo “interesse jurídico”, “situação que constitua o fato gerador da obrigação” e o agente fiscal autuou o Sr. José do Carmo Machado pelo “interesse econômico”. Complementa ainda que conforme provas dos autos, contatouse que 213 pessoas com “interesse econômico”, receberam recursos das contas da autuada. Se prevalecer a tese do agente fiscal, todas as pessoas relacionadas nas fls. 620 a 797, que efetivamente auferiram “interesse econômico”, deverão ser consideradas, da mesma forma que o Sr. José do Carmo Machado, ou seja, como solidários. Conclui a defesa que, considerando que diversas pessoas auferiram “interesse econômico” e estando o lançamento amparado pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, deveriam ter sido acionados os comandos dos parágrafos 5º e 6º do citado artigo. Como tal fato não ocorreu resta o lançamento improcedente no tocante ao Sr. José do Carmo Machado. Pois bem. De acordo com os autos, diversas pessoas que foram intimadas para fornecer explicações acerca dos depósitos na conta da autuada alegaram que tais depósitos tinham como beneficiário o Sr. José do Carmo Machado. Neste mesmo sentido, a declaração de Peterfrut Agrícola S/A, fl. 1226, demonstra que os depósitos efetuados pela empresa, eram por conta e ordem de Sr. José do Carmo Machado. Confirase: Em atenção à solicitação contida no Mandado de Procedimento Fiscal Diligência acima referenciado, apresento as seguintes informações e documentos: 1) Tabela com valores creditados na conta da Sra. Maria Aparecida Pereira Machado, CPF n°. 693.694.02691, por conta e ordem do Sr. José do Carmo Machado — CPF n°. 271.477.11653: (...) 2) A natureza das operações realizadas com o Sr. José do Carmo Machado foi de Parceria Agrícola. Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA Processo nº 10660.000019/201016 Acórdão n.º 2201002.351 S2C2T1 Fl. 9 15 Com base no acima exposto, resta claro que o Sr. José do Carmo Machado, por mais que não fosse cotitular da conta bancária da autuada, era beneficiário dos depósitos ali efetuados. Logo, tendo em vista que autuação ocorreu em razão de omissão de rendimentos de depósito bancário, com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, entendo que os § § 5º e 6º do referido dispositivo legal deveriam ter sido observados pela fiscalização. Confirase: § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Do disposto nos dispositivos acima e nos autos, constatase que o Sr. José do Carmo Machado é beneficiário efetivo de diversos depósitos efetuados na conta da autuada, se valendo a autuada nesse tocante como “interposta pessoa”. Portanto, acredito que a parcela do lançamento referente aos depósitos do Sr. José do Carmo Machado deveria ter lhe sido imputada diretamente e não por meio de sujeição passiva solidária. Assim, como não houve intimação específica para o Sr. José do Carmo Machado justificar os referidos depósitos bancários que lhe foram atribuídos e também como não houve uma imputação determinada de quais depósitos bancários ocorreram em seu benefício, entendo que o mesmo não pode ser considerado como sujeito passivo solidário da obrigação tributária. Cabe pontuar que, compulsandose os autos (fls. 1034 a 1053 e 1182 a 1183), verificase que o Sr. José do Carmo Machado foi intimado, assim como outras diversas pessoas também o foram (fls. 1185 a 1186), para esclarecer a natureza das operações realizadas com a autuada, bem como apresentar cópia da documentação comprobatória dos negócios conduzidos com a autuada. Às fls. 1042, o Sr. José do Carmo Machado esclareceu se tratar de venda de morangos de diversos produtores de Pouso Alegre, valores esses que eram repassados aos produtores. Porém, o Sr. José do Carmo Machado não recebeu intimação específica, na qualidade de “fiscalizado”, para justificar os depósitos bancários da conta da autuada que diversos produtores, quando circularizados, alegaram terem sido efetuados em benefício do Sr. José do Carmo Machado. Desta feita, pelo exposto, entendo que o Sr. José do Carmo Machado deve ser excluído da sujeição passiva solidária. Assinado Digitalmente Nathalia Mesquita Ceia – Redatora designada Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA 16 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10660.000019/201016 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201002.351. Brasília/DF, 19 de março de 2014 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinad o digitalmente em 15/05/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.011154/2009-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Competências: 01/2004 a 12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois deste prazo, por ser intempestivo.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.309
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Competências: 01/2004 a 12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois deste prazo, por ser intempestivo. Recurso Voluntário não Conhecido.
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APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois deste prazo, por ser intempestivo. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 11 54 /2 00 9- 08 Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.011154/200908 Acórdão n.º 2401003.309 S2C4T1 Fl. 1.191 3 Relatório Da autuação Tratase de Auto de Infração nº 37.193.9909, relativo ao lançamento de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte a cargo dos segurados contribuintes individuais (não retida), referente às competências de 01/2004 a 12/2007. Segundo o relatório fiscal (fls. 179/188), os fatos geradores que serviram de base para o lançamento do crédito previdenciário foram os pagamentos efetuados às pessoas físicas sem vínculo empregatício por serviços prestados à empresa, considerados salários de contribuição. Os pagamentos foram extraídos da contabilidade da empresa (Livro Diário e Livro Razão) e comprovados com a apresentação de documentos (recibos/comprovantes de pagamentos). Os valores pagos considerados para o presente lançamento não foram declarados pela empresa nas Guias do Fundo de Garantia e Informações à PrevidênciaGFIP porque a Autuada fazia jus à isenção prevista no art. 55 da Lei 8.212/91. Da análise dos documentos apresentados na ação fiscal por determinação dada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 0310100200801157, a auditoria constatou as seguintes situações: · A Fundação Ana Lima efetuou diversos pagamentos a contribuintes individuais no período fiscalizado de 01/2004 a 12/2004 e tais pagamentos não foram informados pela empresa em GFIP. · A Fundação não incluiu em suas folhas de pagamento mensais os contribuintes individuais e suas respectivas remunerações. · Os valores pagos a contribuintes individuais estão registrados em diversas contas contábeis, inclusive em contas destinadas a lançamentos de pessoas jurídicas, tais como “Limpeza”, “Consertos”, “Material Cirúrgico Hospitalar”, entre outras. · A Fundação Ana Lima, na condição de responsável tributária, não efetuou a retenção das contribuições devidas pelos contribuintes individuais, bem como não realizou o respectivo recolhimento, como era de sua obrigação. O levantamento “AUS PAGTO. AUTONOMOS PARTE SEGURADO” reportase às contribuições sociais incidentes sobre os pagamentos efetuados a prestadores de serviços pessoas físicas sem vínculo empregatício, por serviços prestados à empresa, extraídos da contabilidade da Fundação Ana Lima e considerados salários de contribuição. O levantamento “FRS FRETE PESSOA FÍSICA PARTE SEGURADO” traz as contribuições sociais incidentes sobre os pagamentos efetuados a pessoas físicas sem vínculo empregatício, por serviços de transporte autônomo (frete) prestado a empresa, extraídos da contabilidade (Livro Diário e Livro Razão) e considerados salários de Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 contribuição. Os totais pagos aos fretistas foram submetidos a uma redução de base de cálculo para 20% do valor, sob o qual incidiram as contribuições do contribuinte individual (11%). Da Impugnação Intimada da autuação fiscal em 08/09/2009, a Recorrente apresentou impugnação em 08/10/2009, aduzindo: · Em relação aos médicos credenciados ao SUS: 1. Que o valor bruto a ser pago aos Médicos Credenciados evidenciam o desconto do IRRF e o valor líquido a pagar, onde, em hipótese alguma, manda descontar o INSS. 2. Que a Fundação Ana Lima é apenas uma repassadora dos valores pagos pelo SUS aos médicos credenciados, e que não caberia a Fundação efetuar a retenção das contribuições sociais e ainda o recolhimento destas. · Em relação aos segurados contribuintes individuais: 1. Que conforme determinação prevista na Instrução Normativa MPS/SRP nº 3 de 14/07/2005 e alterações posteriores, os contribuintes com mais de uma fonte pagadora no mês, devem apresentar seus comprovantes de contribuição ao INSS efetuados através de outras fontes pagadoras, mensalmente, a fim de não terem a contribuição retida, ou de terem retido apenas o valor complementar para o teto máximo estabelecido pelo INSS. · Em relação ao período decadencial das contribuições sociais: 1. Que o lançamento efetuado pelos Auditores que ensejou o presente auto abrange o período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007, tendo o contribuinte sido cientificado em 08.09.2009. Sendo assim, os lançamentos referentes aos meses de janeiro a agosto de 2004 estariam decaídos. · Da situação concreta da Fundação em relação aos recursos de financiamento dos serviços de assistência social: 1. Que tem uma extensa relação de serviços sociais prestados, tendo como objetivo principal a assistência social. Todavia, há necessidade de recursos financeiros para financiar essas atividades, fazendo através de atendimento pelo Hospital Distrital Santa clara, onde destinou mais de 70% da sua capacidade instalada para pacientes encaminhados pelo SUS municipal e regional, bem como realiza também atendimento de conveniados para geração de recursos necessários a prosseguir com a sua finalidade essencial. Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.011154/200908 Acórdão n.º 2401003.309 S2C4T1 Fl. 1.192 5 Do acórdão da DRJ: Instada a se manifestar acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) entendeu por bem julgar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido (AI/DEBCAD 37.193.9909), no valor de R$ 272.434,46 exonerando os lançamentos em R$ 1.892,19. Vejamos, então, o teor da ementa do julgado proferida pela DRJ: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO PAGA AOS EMPREGADOS. IMUNIDADE. NÃO ABRANGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES A CARGO DOS SEGURADOS. São devidas as contribuições para a Seguridade Social sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais. A entidade, imune ou não, está obrigada a reter as contribuições dos segurados e recolhêlas aos cofres previdenciários. Impugnação procedente em parte. Crédito Tributário Mantido em parte. Do Recurso Irresignada com a decisão acima, da qual foi cientificada em 18/08/2011 (fl. 1114), a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 1115/1158 no dia 21/09/2011. No recurso apresentado, reiterou os termos da impugnação aduzindo, em síntese: (i) a preliminar de incompetência da Receita Federal do Brasil (RFB) para promover o cancelamento de imunidade da Fundação Ana Lima; (ii) a preliminar de nulidade, por ausência de fundamentação apta, do despacho decisório que embasou o ato declaratório executivo ora vergastado e (iii) no mérito, aduziu a imunidade como limitação à competência impositiva e da necessidade de sua regulamentação por lei complementar, bem como refutou os argumentos suscitados na Informação Fiscal. É o relatório. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com o transcurso do prazo para interposição de Recurso Voluntário. Como se sabe, o contribuinte dispõe do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão desfavorável proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para apresentar Recurso Voluntário dirigido a este Conselho. No presente caso, verificase que o Recorrente foi cientificado do acórdão nº 0821.238 – prolatado pela 5ª Turma da DRJ/FOR, via postal, no dia 18/08/2011 (quintafeira), conforme cópia do AR juntado às fls. 1114. Deste modo, o Recorrente deveria ter interposto o seu Recurso Voluntário até o dia 19/09/2011 (segundafeira). No entanto, realizou este protocolo apenas em 21/09/2011 (quartafeira), depois de decorrido, portanto, o prazo preclusivo disposto no art. Art. 33 do Decreto 70.235/72. A data do protocolo do Recurso pode ser comprovada pelo carimbo aposto na peça recursal (fl. 1115), que atesta a data de 21/09/2011. Conclusão Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
score : 1.0
Numero do processo: 13707.001531/2006-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin , Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre,
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin , Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, José Valdemir da Silva e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente, o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1a Turma as DRJ/RJ2. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Tratase de impugnação apresentada pelo interessado contra lançamento de ofício formalizado que alterou o resultado da Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício 2003, ano calendário 2002, de imposto a restituir de R$ 2.749,78 para imposto a pagar de R$ 3.620,52. O valor lançado referese ao imposto de renda RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 07 .0 01 53 1/ 20 06 -1 6 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13707.001531/200616 Resolução nº 2801000.260 S2TE01 Fl. 131 2 suplementar de R$ 3.620,52 acrescido de multa de ofício de 75%, no valor de R$ 2.715,39, e de juros de mora. Conforme consulta ao sistema IRPF/Cons às fls. 91/92, o lançamento decorreu de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual de n° 07/34068307, em que foi constatada dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. Segundo relatado, a Fiscalização, considerando informação prestada pela fonte pagadora e documentos apresentados, alterou o imposto de renda retido na fonte relativo à Universidade Federal do Rio de Janeiro para R$ 7.383,06. Em 05/06/2006, a interessada apresentou a impugnação às fls. 01/06 aduzindo as seguintes razões de defesa: Recebeu, em 23/05/2006, o aviso de cobrança à fl.07, relativo ao imposto suplementar do exercício 2003; Comparecendo, em 29/05/2006 ao CAC para obter esclarecimentos a respeito da cobrança, obteve a informação de que o imposto suplementar apurado pelo Fisco decorreu de divergência encontrada entre os valores dos rendimentos pagos e IRRF declarados e aqueles constantes da base de dados da Receita Federal, relativos à fonte pagadora Universidade Federal do Rio de Janeiro. Reconhece como correto o imposto de renda retido na fonte assumido no lançamento, uma vez que, por equívoco, informou o valor da parcela isenta dos pensionistas com mais de 65 anos. Quanto aos rendimentos tributáveis, o montante declarado equivale ao valor informado no comprovante de rendimentos adicionado pela parcela isenta dos proventos,uma vez que tal dedução já foi utilizada em relação a outra fonte pagadora. Há que se considerar, no entanto, a declaração retificadora entregue em 16/07/2004 em que foi alterado o valor dos rendimentos tributáveis pagos pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, de R$ 149.744,01, indicado na DIRPF original, para R$ 119.734,26, conforme Comprovante de Rendimentos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte à fl. 10. Retificada a DIRPF/2003, foi apresentada Declaração de Compensação e Pedido de Restituição em 01/10/2004 (fls. 32/36), em que solicitou a restituição do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual original, uma vez que, já havia realizado os pagamentos e a declaração retificadora indicou a existência de imposto a restituir. Assim sendo, mesmo que o lançamento seja mantido, o que admite somente para argumentar, o valor deve ser compensado com a restituição pleiteada, no montante de R$ 5.823,52. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls.(98/100), que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13707.001531/200616 Resolução nº 2801000.260 S2TE01 Fl. 132 3 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada . PROCEDIMENTO DE REVISÃO DE DECLARAÇÕES. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL OBJETO DE ANÁLISE. Correto o lançamento quando se verifica que o procedimento de ofício baseouse em declaração retificadora espontaneamente entregue pelo contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Cientificado da decisão de 1a instância em 11.04.2011 (fls.103),a contribuinte interpôs o recurso em 27.04.2011, (fls.104/106).em sua defesa alega, em síntese que: No que se refere à matéria objeto do acórdão recorrido, O Espólio reconhece que cometeu equívoco no preenchimento da declaração de ajuste anual do exercício 2003 no que diz respeito aos rendimentos tributáveis, e respectivo imposto retido na fonte, decorrente de pensão paga pela UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, razão pela qual não contesta a retificação dos dados relativos a essa fonte pagadora. Não concorda, no entanto, que a referida retificação importe na apuração de imposto suplementar a pagar no valor de R$ 3.620,52, porque para o mesmo exercício de 2003 a contribuinte apresentou, na data de 16.07.2004, anterior ao lançamento do imposto suplementar, declaração retificadora, que foi objeto do recibo n. 14.70.93.50.4425, já anexada no presente processo, que retificou o valor dos rendimentos tributáveis pagos por outra fonte de rendimento tributável recebido e declarado na mesma declaração de ajuste anual. Qual seja, os rendimentos tributáveis pagos no mesmo ano base pelo MINISTÉRIO PUBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, CNPJ n. 28.305.936/000140, que teve reduzido o valor de R$ 149.744,01 indicado na declaração original, para R$ 119.734,26, indicado na declaração retificado, importando na redução de R$ 30.009,75 ( trinta mil, nove reais e setenta e cinco centavos ), dos rendimentos tributáveis, em valores da época Portanto, mesmo que sejam retificados os valores dos rendimentos pagos e retidos na fonte relativos à fonte pagadora UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO, a apuração do imposto a pagar deve levar em consideração a redução do valor dos rendimentos tributáveis pagos pela outra fonte, o MINISTÉRIO PUBLICO DE ESTADO DO RIO DE JANEIRO, conforme indicado na declaração retificadora apresentada e já acostada ao presente processo. É o Relatório Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 13707.001531/200616 Resolução nº 2801000.260 S2TE01 Fl. 133 4 O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido: O controvérsia versa sobre omissão de rendimentos tributáveis da fonte recebido da pagadora “ Ministério Publico do Estado do Rio de Janeiro no valor de R$ 149.744,01 informado no Declaração Anual de Ajuste e, em seguida retificado para R$ 119.734,26 através da DIPF/2003 Retificadora, em 16.07.2004, a contribuinte em seu recurso reconhece os equívocos como também o imposto de renda retido na fonte da fonte pagadora Universidade Federal do Rio de Janeiro ( fls. 26) o valor do imposto é de R$ 7.383,06, na DIPF/2003 retificadora consta R$ 13.754,00. Compulsando os autos, verificase que não foi juntado o auto de infração ou a Notificação de Lançamentos que ensejou a cobrança de imposto de renda suplementar sobre omissão de rendimentos. Ante o exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela CONVERSÃO do julgamento em diligencia à unidade de origem para que se junte aos autos o auto de infração ou Notificação de Lançamentos bem como a ciência a contribuinte. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 22/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 23034.000614/95-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1985 a 31/10/1994
AÇÃO JUDICIAL
A existência de ação judicial proposta pela recorrente com objeto idêntico ao do lançamento em questão implica o não conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-004.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 06 14 /9 5- 80 Fl. 504DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas ao FNDE, incidentes sobre a remuneração dos segurados a seu serviço. As contribuições foram lançadas pelo próprio FNDE, que lavrou a NRD nº 081/95 (fls. 05), em 21/03/1995, informando que o débito foi levantado pela fiscalização do INSS, conforme cópia de Relatório anexa. A recorrente apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, decadência de parte do débito e improcedência da autuação, uma vez que as contribuições exigidas recaem sobre verbas reconhecidamente controvertidas e sobre as quais não existe norma regulamentar a exigir sua tributação. Informa que tais verbas, originárias do relatório fiscal elaborado nos autos da NFLD 31.833.5603 possuem natureza meramente indenizatória ou de reembolso, e não salarial como pretendeu o Sr. Fiscal, sendo, portanto, isenta de contribuição previdenciária. Junta cópia do Relatório Fiscal da NFLD 31.833.5603 e a defesa administrativa apresentada nos autos que discute a referida notificação. Por meio do Ofício de 18/04/95 (fls. 89), a recorrente foi informada do indeferimento da defesa, com base no parecer 22/94, da Procuradoria Geral do FNDE, e junta, às fls. 90, cópia do referido Parecer, que trata de controvérsias quanto à cobrança do salário educação, da legalidade da fiscalização e do recolhimento do salárioeducação efetuada pelo INSS, e sobre as hipóteses de incidência sobre o salário de contribuição para efeito de cobrança da contribuição ao SalárioEducação. Contra a decisão de indeferimento, a recorrente apresentou recurso ao Conselho Deliberativo do INSS (fls. 106), repetindo as alegações trazidas na defesa, ressaltando que o valor notificado como salário educação é oriundo da NFLD 31.833.5603, que está sendo questionada, administrativamente, junto ao INSS. O processo foi remetido à Procuradoria Geral do FNDE que, por meio da Informação nº 228/95 (fls. 120), sugeriu o sobrestamento do feito até a apreciação da defesa intentada junto ao INSS, bem como fossem solicitadas informações junto ao INSS. Em atendimento ao solicitado, o INSS informou (fls. 128), que alguns fatos geradores não foram impugnados, procedendose, por conseqüência, o desmembramento daquelas contribuições incidentes sobre estes fatos geradores. Esclarece, ainda que o CRPS, por meio do acórdão 3.889/96, deu provimento parcial ao recurso, determinando a exclusão dos valores relativos ao auxíliocreche e ao reembolso com despesas com deficientes, e elabora planilha demonstrativa da contribuição devidas e sobre as quais não há mais nenhuma pendência administrativa. Por meio da Informação nº 554/2002 (fls. 154), a Procuradoria –Federal no FNDE sugeriu a desconsideração do indeferimento da defesa pelo Diretor Financeiro do FNDE, por evidente exorbitância de sua competência administrativa, e analisou os argumentos expostos na defesa apresentada pelo Banco, concluindo que não ocorrera a decadência e que a Fl. 505DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 23034.000614/9580 Acórdão n.º 2301004.043 S2C3T1 Fl. 500 3 análise da NFLD 31.833.5603 já se encontra esgotada na via administrativa, razão pela qual toda argumentação do Banco acerca da fiscalização do INSS, emissão da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e incidência tributária encontrase sem fundamento. Considerando que a retificação, muito embora estivesse presente nos valores constantes da Informação 554/2002, não foi explicitamente homologada pelo texto da decisão da Sra SecretariaExecutiva, às fls. 160, e tampouco constou menção do fato no Ofício n° 227/2003GEARC, de 16/01/2003, e nem no Ofício n° 1.392/2003/GEARC/DIROF de 13/05/2003 que o reiterou, foi emitida a Informação nº 2643/2003. (fls. 188), por meio da qual a CoordenaçãoGeral de Arrecadação, de Cobrança e do SME sugeriu o encaminhamento do processo à Presidência do FNDE, propondo deferimento parcial da defesa, com homologação da retificação no débito. Acatando as razões expostas pela GEARC, o Presidente do FNDE deferiu parcialmente a defesa do contribuinte, homologando a retificação do débito (fls. 189) Cientificada da nova decisão em 21/03/95, a recorrente apresentou recurso, protocolado em 24/10/2003, alegando, em síntese, Preliminarmente, insiste na decadência da parte do débito relativo aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre janeiro de 1985 e fevereiro de 1990. No mérito, requer, inicialmente, que sejam desconstituídos definitivamente os valores relativos ao auxíliocreche e ao reembolso de despesas com deficientes, já que os mesmos foram reconhecidos como não integrantes do salário de contribuição pelo CRPS, por meio do Acórdão 3.889/96. Reitera que o entendimento externado pela fiscalização encontrase equivocado, uma vez que a mesma pretende tributar, como se integrassem o salário de contribuição, verbas de caráter iminentemente indenizatório. Ressalta que as verbas indenizatórias, além de não encontraremse vinculadas ao salário e nem se destinarem à contraprestação de serviços executado pelos empregados, são eventuais visam, apenas, o reembolso de despesas ou a reparação de algum dano sofrido, não devendo ser consideradas como de natureza salarial. Discorre sobre cada verba de forma individualizada, tentando demonstrar seu caráter indenizatório. Com relação à licença prêmio em pecúnia, assevera que o empregado a recebe em pecúnia por não a ter usufruído, possuindo nítido caráter indenizatório, e que a Lei 9.711/98, alterou a redação do art. 28, da Lei 8.212/91, excluindo as importâncias recebidas a título de licençaprêmio indenizada. No que tange aos valores relativos à ajuda de custo alimentação, cumpre esclarecer que os mesmos não integram o saláriodecontribuição uma vez que, estando previstos em cláusula de acordo coletivo de trabalho, foram instituídos de acordo com os limites estipulados pela Lei n° 6.321/76, e aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Relativamente aos valores relativos à reembolso de despesas com babá, observar que a própria denominação da referida verba esclarece que se trata de reembolsos de gastos efetuados pelos funcionários da Recorrente, devidamente comprovados, de acordo com o previsto na Portaria do Ministério do Trabalho n° 3.296/1986, em substituição à exigência contida no § 1° do artigo 389 da CLT. Informa que possuem natureza transitória, vez que limitado à idade da criança, e decorrem de acordo coletivo de trabalho, onde se dispõe, expressamente, que referidos valores possuem natureza salarial. Esclarece que os valores pagos a título de "Quilômetro Rodado" .são reembolsos, pagos aos empregados da Recorrente, pelo fato dos mesmos utilizarem veículo próprio para viagens e visitas e em casos de treinamentos, e possuem natureza de diárias ou ajuda de custo, e não integra o salário de contribuição por força do disposto na letra “h”, do § 9o, do art. 28, da lei 8.212/91. Ressalta que os valores gastos com quilometragem são imprescindíveis para a execução do trabalho, e não pela execução do mesmo. Quanto à Ajuda de Custo Aluguel, assevera que tratase de ressarcimento de despesas efetuadas pelo empregado em razão de transferência de seu local de trabalho, não se configurando, em hipótese alguma, contraprestação de serviços. Sustenta que é excepcional, sem qualquer vinculação com o salário, sendo estabelecida por tempo limitado, não podendo retroagir e nem ser prorrogada, e está prevista no rol de isenção do § 9, do art. 28, “g”, da Lei 8.212/91. Afirma que a Ajuda Supervisor de Contas possui caráter indenizatório, pois referese a mera ajuda de custo para gastos com apresentação pessoal exigida pela função, ou seja, tratase de valor fornecido de modo a suprir uma necessidade essencial à execução do serviço, possuindo, desta forma, natureza indenizatória, sendo uma verba paga para a realização do trabalho, e não pelo trabalho. Em relação às verbas relativas à PLR, esclarece que os valores relativos ao Prêmio Produtividade Banespa não podem ser incluídos no saláriodecontribuição, tendo em vista que referidos valores afiguramse como mero prêmio de incentivo à captação de clientes/recursos ou venda de produtos financeiros. Ressalta que referidos valores têm como finalidade cobrir as despesas com festa de confraternização, de acordo com o porte da agência, bem como o financiamento de brindes a serem dados aos respectivos funcionários, tais como pequenas barras de ouro, RDB's de valores diversos, créditos em caderneta de poupança, além de troféus às agências vencedoras, sendo totalmente desarrazoada a inclusão dos referidos valores para a formação do saláriodecontribuição, tendo em vista que referidos prêmios sequer são pagos em dinheiro para os funcionários da Recorrente. Assegura que as denominadas Gratificações Semestrais, pagas pela Recorrente aos, seus funcionários, afiguramse como mera participação dos empregados nos lucros da empresa, nos termos do artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal. Defende que, diferentemente do pretendido pela Fiscalização, não há que se falar em necessidade de lei ordinária para a regulamentação do referido dispositivo constitucional, tendo em vista que a mesma não poderia, jamais, descaracterizar a natureza não salarial dos referidos valores, sob pena de contrariedade com o texto magno.. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 23034.000614/9580 Acórdão n.º 2301004.043 S2C3T1 Fl. 501 5 Relativamente aos valores exigidos a título de contribuição previdenciária incidente sobre o décimoterceiro salário nos casos de rescisões contratuais por aposentadoria, verificase equivocada a pretensão da Fiscalização, em virtude de tais valores serem eventuais para a Recorrente e os mesmos terem caráter indenizatório, e não remuneratório. Assevera que os valores pagos aos funcionários se referem a gratificação por ocasião da demissão, tendo cada um dos empregados demitidos recebido uma única vez o referido valor, não podendo, portanto, atribuir caráter habitual a um numerário entregue de uma só vez e em uma única ocasião. Finaliza requerendo o conhecimento do presente Recurso, para que seja reformada in totum a decisão ora recorrida, decretandose a decadência do direito de lançar o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1985 e fevereiro de 1990, ou, ao menos, entre janeiro de 1985 e dezembro de 1989, e a desconstituição do crédito tributário relativo ao AuxílioCreche e ao Reembolso de Despesas com Deficientes, bem como às demais exigências referentes ao não recolhimento do Salário Educação sobre verbas de caráter indenizatório e relativas à participação nos lucros, anulandose a Notificação para Recolhimento de Débito ora combatida. O processo foi então encaminhado para Procuradoria do FNDE que, por meio do Parecer 272/2004 (fls 256), concluiu que não ocorrera a decadência, e que a análise da NFLD 31.833.5603 já se encontra esgotada na via administrativa, razão pela qual toda argumentação do Banco acerca da fiscalização do INSS, emissão da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e incidência tributária encontrase sem fundamento. Finaliza opinando pelo não conhecimento do recurso ante a flagrante intempestividade. Cientificada o Parecer da Procuradoria, a recorrente se manifestou (fls. 275), alegando equívoco cometido pela Procuradora, quanto à alegação de intempestividade, haja vista haver a recorrente efetuado o protocolo do recurso por meio dos Correios, via carta com AR, postada em 21/10/2003, o que demonstra sua tempestividade. Por meio do Despacho de fls. 290, o processo foi distribuído à Conselheira do Conselho Deliberativo do FNDE, para a inclusão em pauta de julgamento que, por meio do Despacho de fls 291, o encaminhou novamente à Procuradoria Jurídica para pronunciamento com o fim de subsidiar o posicionamento a ser adotado no presente recurso. A recorrente entrou com ação judicial de anulatória dos débitos, e obteve sentença suspendo a exigibilidade do crédito tributário objeto do presente processo administrativo, razão pela qual o processo foi mantido em arquivo provisório, até nova manifestação. Por meio do Despacho de fls.326, os autos foram transferidos à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em observância ao disposto no art. 4o, da Lei nº 11.457/2007. O processo foi então encaminhado à CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança – CODAC/Divisão de Cobrança de Contribuições Previdenciárias – DICOP, que o acolheu em virtude das disposições contidas nos artigos 3° e 4° da Lei n° 11.457/2007, e o encaminhou à DIVISÃO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO DO CRÉDITO Fl. 508DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 TRIBUTÁRIO, para análise de decadência de acordo com a Súmula Vinculante nº 8 e das ações judiciais mencionadas as fls. 310 a 314. Aquela Divisão propôs, então a extinção por decadência das competências 01/1985 a 11/1989 e o posterior encaminhamento a este Conselho para apreciação do recurso interposto. Foi emitido, em 09/05/2013, o DADR, com a exclusão dos valores lançados nas competências alcançadas pela decadência. É o relatório. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 23034.000614/9580 Acórdão n.º 2301004.043 S2C3T1 Fl. 502 7 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Da análise dos autos, constatase que o débito discutido por meio do presente processo foi lançado em 21/03/1995 pelo FNDE, por meio da NRD nº 081/95, e teve origem em ação fiscal do INSS, que apurou contribuição devida relativa ao salárioeducação no período de 01/85 a 10/94, incidente sobre verbas consideradas como remuneratórias pela fiscalização da autarquia previdenciária, que emitiu a competente Informação Fiscal. Contudo, verificase, dos autos, que a recorrente ingressou com ação judicial ordinária contra o INSS cujo objeto é idêntico ao da presente notificação. É oportuno observar que, a rigor, a existência de ação judicial não impede a tramitação da exigência fiscal no contencioso administrativo. A renúncia a esse contencioso somente ocorrerá quando a ação judicial tiver por objeto "idêntico pedido" sobre o qual verse o processo administrativo (art. 126, § 3º, da Lei n.º 8.213/91). No caso, o sujeito passivo ajuizou ação anulatória de débito para o desfazimento desse lançamento. Tal fato importa a desistência do recurso, conforme disposto no § 2o, do art. 78, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009. Cumpre frisar que o recurso cujo objeto está sendo concomitantemente discutido na esfera judicial por propositura da recorrente não é passível de apreciação por este Conselho, em razão do sistema de contencioso administrativo adotado no Brasil, no qual as decisões judiciais sobrepõemse às decisões administrativas. Desse modo, se uma matéria foi submetida à apreciação judicial, não cabe mais a sua análise na esfera administrativa. Assim, ao ingressar com ação judicial discutindo matéria idêntica à tratada no presente processo, a recorrente renunciou ao direito de recorrer na esfera administrativa, conforme art. 126, § 3º, da Lei 8.213/91, motivo pelo qual não conheço do recurso interposto. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos conta Voto do sentido de NÃO CONHECER do recurso; Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 510DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Fl. 511DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 02 /06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10183.003834/2005-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de erro material, omissão, contradição ou obscuridade na decisão, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS.
Somente a área de reserva legal efetivamente individualizada e averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente pode ser considerada para fins de exclusão da área tributável do imóvel.
Numero da decisão: 2201-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201-01.346, de 27/10/2011, alterar a decisão do julgado para dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 7.396,89 hectares como ARL Área de Reserva Legal. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(assinado digitalmente)
GUSTAVO LIAN HADDAD - Relator.
EDITADO EM: 31/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Guilherme Barranco de Souza, Walter Reinaldo Falcao Lima e Nathalia Mesquita Ceia.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de erro material, omissão, contradição ou obscuridade na decisão, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. Somente a área de reserva legal efetivamente individualizada e averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente pode ser considerada para fins de exclusão da área tributável do imóvel.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1954; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.683 1 1.682 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.003834/200542 Recurso nº 341.408 Embargos Acórdão nº 2201002.306 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de janeiro de 2014 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante GUAVIRA INDUSTRIAL E AGROFLORESTAL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de erro material, omissão, contradição ou obscuridade na decisão, devem ser acolhidos os embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. Somente a área de reserva legal efetivamente individualizada e averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente pode ser considerada para fins de exclusão da área tributável do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 220101.346, de 27/10/2011, alterar a decisão do julgado para “dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 7.396,89 hectares como ARL – Área de Reserva Legal”. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Eduardo Lourenço Gregório Júnior, OAB/DF 36.531. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (assinado digitalmente) GUSTAVO LIAN HADDAD Relator. EDITADO EM: 31/07/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 38 34 /2 00 5- 42 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Guilherme Barranco de Souza, Walter Reinaldo Falcao Lima e Nathalia Mesquita Ceia. Relatório A matéria em discussão neste Colegiado se refere a Embargos de Declaração opostos pela contribuinte assentados no argumento de existência (i) de erro material na soma das áreas de utilização limitada das diversas matrículas e (ii) de contradição no v. acórdão de fls. 315 e seguintes em relação ao total da área do imóvel e ao total da área de utilização limitada. A contradição, nos termos dos Embargos de Declaração apresentados pela contribuinte, decorre do fato do acórdão embargado ter considerado como área total do imóvel a área constante na matrícula após a realização de georeferenciamento e como área de utilização limitada aquela constante da matrícula antes do registro do georeferenciamento, sem se atentar ao fato de que a averbação faz referência a um percentual da área total do imóvel que foi majorada. A contribuinte consignou nos referidos embargos: “Portanto, o v. acórdão embargado deve ser reformado, sanandose a referida contradição, vez que ao reconhecer que a Fazenda Apasa tem como área total 37.015 hectares e não 31.920,60 hectares, deve reconhecer também que as áreas de utilização limitada, que nada mais são do que percentagens das áreas totais, passaram a ser de 8.914,2297 hectares. Ademais, na mesma linha de raciocínio acima, devese reconhecer também o aumento proporcional do tamanho das áreas de preservação permanente, de reserva legal, de produtos vegetais e de exploração nativa, vez que estas áreas também aumentam proporcionalmente a medida que a área total aumenta.” Este Relator entendeu possível ter havido contradição na decisão embargada, propondo que os autos fossem trazidos a julgamento (despacho de fls.). A D. Presidência desta Câmara acatou a referida proposta. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad Os presentes Embargos são tempestivos. A ciência se deu em 09/04/2013 (terçafeira – AR de fls. 342) e o protocolo em 15/04/2013 (segundafeira – fls. 345). Foram opostos objetivando o saneamento de (i) erro material quanto à soma das áreas de utilização limitada e (ii) suposta contradição no acórdão embargado. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10183.003834/200542 Acórdão n.º 2201002.306 S2C2T1 Fl. 1.684 3 De fato ocorreu erro material quando da soma das áreas de utilização limitada para fins de exclusão do lançamento entendo que assiste razão à contribuinte. Examinando o acórdão embargado e a documentação constante dos autos verifico que as áreas de utilização limitada devidamente averbadas correspondem a (i) 4.976,89ha para o imóvel objeto da matrícula nº 28.109 (fls. 49) e (ii) 2.420,00ha para o imóvel objeto da matrícula 28.407 (fls. 51) e que a soma das referidas áreas corresponde a 7.396,89ha e não a 7.378,89ha como constou no v. acórdão. Dessa forma, deve ser acolhidos os presentes embargos para corrigir o erro material verificado na r. decisão recorrida para que seja considerada como área de reserva legal o equivalente a 7.396,89ha. Por outro lado entendo que não assiste razão à contribuinte no tocante à suposta contradição existente no v. acórdão recorrido em relação ao total da área do imóvel e ao total da área de reserva legal. O recurso ora em discussão sustenta que a contradição decorre do fato de que o voto condutor do acórdão embargado considerou como área total do imóvel o valor obtido após o georeferenciamento do imóvel porém deixou de considerar que as áreas de reserva legal, preservação permanente, exploração vegetal, etc correspondem a determinado percentual da área total do imóvel. Assim, a contribuinte pretende sejam consideradas como áreas de reserva legal os percentuais de 50% e 100% das matrículas, tomando como base a área total do imóvel obtida após o georeferenciamento. No entanto, o voto condutor do referido acórdão considerou como área de reserva legal aquela medida e mensurada em hectares efetivamente averbada pela contribuinte nas matrículas nºs 28.109 e 28.407. Transcrevo, a seguir, trecho do voto condutor nesse sentido: “O Termo de Responsabilidade e Preservação da Floresta imputou à área averbada restrições típicas de reserva legal, no sentido de impedir a supressão da vegetação, como se verifica da transcrição abaixo: ‘Av.2/28.109, em 28 de outubro de 1993. Conforme Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta, datado de São José do Rio ClaroMT, 11.10.93, celebrado entre o proprietário deste imóvel Apasa Apolinário S/A Agropecuária CGC nº 03.475.100/000100, e o Resp. Regional IBAMASão José do Rio ClaroMT, Humberto Cano Vaez, em atendimento ao que determina a Lei nº 4.771 de 15.09.65 – Código Florestal, em seus Artigos 16 e 44, com as alterações introduzidas pela Lei nº 7.803 de 18.07.89, fica averbado, que a floresta ou forma de vegetação existente na área de 4.976,89315 hectares, relativos a 50% do total da propriedade que é de 9.953,7863 hectares, fica gravada como de utilização limitada não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração a não ser mediante autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. O proprietário está ciente que fica vedada a alteração da área destinada à RESERVAL LEGAL, nos casos de transmissão a qualquer título, ou desmembramento da área, compreendendose por si, seus herdeiros e sucessores.’” (original sem grifos) Fl. 436DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Verificando a transcrição acima resta claro que foi efetivamente averbada a área considerada pela contribuinte como de reserva legal e não um percentual da área total do imóvel. A área de reserva legal, nos termos do Código Florestal, corresponde a “área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas;”. Tratase de área cujo objetivo é garantir a preservação da biodiversidade, sendo que a sua averbação representa, de fato, um compromisso do proprietário do imóvel em assegurar a manutenção/preservação daquela área. Assim, não há como se concluir que o mero aumento da área do imóvel implica, necessariamente, aumento da área de reserva legal a ser preservada, como pretende a contribuinte. Destaco que na própria matrícula do imóvel, após a averbação do georeferenciamento, consta expressamente menção à existência da averbação das reservas legais, nos termos como transcrito acima. A meu ver a referência em questão confirma que embora a área total do imóvel tenha sido retificada por meio do georeferenciamento a área da reserva legal permanece a mesma, devendo o contribuinte proceder à retificação da matrícula se pretender obter a exclusão de parcela adicional da área tributável. Logo, não há o que alterar na conclusão do v. acórdão embargado ao determinar a exclusão do lançamento das áreas informadas em hectares efetivamente averbadas como reserva legal. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER os Embargos de Declaração opostos pela contribuinte para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2201 1.346, de 27/10/2011, alterar a decisão do julgado para "dar provimento parcial ao recurso para reconhecer 7.396,89 hectares como ARL Área de Reserva Legal”. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator Fl. 437DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001693/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2007
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA - DIPJ 2007.
Aplica-se a multa por atraso na entrega de DIPJ quando o contribuinte não apresenta fatos ou argumentos aptos a afastá-la.
Numero da decisão: 1201-000.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Marcos Vinicius Barros Ottoni.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Marcos Vinicius Barros Ottoni.
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Aplicase a multa por atraso na entrega de DIPJ quando o contribuinte não apresenta fatos ou argumentos aptos a afastála. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes, Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior e Marcos Vinicius Barros Ottoni. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 16 93 /2 00 7- 82 Fl. 26DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/10/2 013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11040.001693/200782 Acórdão n.º 1201000.837 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de auto de infração referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, exercício 2007, no valor de R$ 500,00. Segundo relato da autoridade lançadora, o prazo final para a entrega da Declaração ocorreu em 28 de setembro de 2007, embora esta tenha sido entregue pelo Contribuinte apenas em 28 de dezembro de 2007; portanto, com três meses de atraso, o que ensejou a cobrança de multa. Notificado do auto de infração, em 28 de dezembro de 2007, o Contribuinte, na mesma data, apresentou impugnação tempestiva, na qual alega, verbis: Eu, Marcio Ronei Milech Bosenbecker, portador do CPF 597.131.43000, titular da empresa inscrita no CNPJ 03.974.451/000118, venho por meio desta requerer a impugnação da multa pelas declarações Inativas DIPJ, devido a várias mudanças no simples nacional, deveríamos ter entrega (sic) as declarações e ao contrário foi nos informado (sic) que aguardássemos entregando incorretamente a PJ até 30/06 e após declarações de lucro presumido até a data da baixa. Houve um mal compreendimento (sic) e acarretou a multa. A decisão da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre manteve o lançamento, nos seguintes termos: Os argumentos da contribuinte estão dissociados das razões da autuação, quais sejam, o atraso na entrega da declaração a que estava obrigada. Sem qualquer fato ou argumento que justifique ou contraponha se às informações constantes do auto de infração, cumpre manter a aplicação da multa por atraso na entrega da DIPJ 2007. Procedente, portanto, o lançamento. Intimado da decisão em 03 de novembro de 2009, o Contribuinte interpôs recurso voluntário em 16 de novembro de 2009, cuja defesa constituise num único parágrafo, a seguir transcrito: A empresa Marcio Ronei Milech Bosenbecker, inscrita no CNPJ 03.974.451/000118, declara não tinha atividade, por este motivo estava obrigada a enviar a declaração anual de inatividade, e esta foi entregue dentro do prazo pois a baixa da empresa se deu em 21/08/2007, após foi feita uma retificação o que ocasionou a multa por atraso, pedese a impugnação desta multa, referente ao processo de número 11040001.693/200782. Fl. 27DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/10/2 013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11040.001693/200782 Acórdão n.º 1201000.837 S1C2T1 Fl. 4 3 Este é o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida – Relator O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Como não há matéria preliminar a ser enfrentada, passamos ao mérito. O atraso na entrega da declaração que ensejou a cobrança da multa discutida neste processo é incontroverso, visto que atestado eletronicamente quando do recebimento do documento pelo Agente Receptor SERPRO, conforme se depreende do documento de fls. 05. Como consequência, foi emitida a respectiva Notificação de Lançamento para exigência da multa prevista no artigo 7o da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/04, que estabelece: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. Fl. 28DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/10/2 013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 11040.001693/200782 Acórdão n.º 1201000.837 S1C2T1 Fl. 5 4 § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (...) § 3ºA multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Na hipótese dos autos foi aplicada a multa mínima prevista para a espécie, de R$ 500,00 (quinhentos reais), posto que o Recorrente entregou a DIPJ com base na tributação pelo lucro presumido. Tendo em vista que o Contribuinte, em seu Recurso, não apresentou qualquer fato ou documento que pudesse subsidiar suas alegações, entendo que a aplicação da multa se impõe. Diante do exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, NEGOLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 29DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/10/2 013 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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