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Numero do processo: 11516.002299/2007-28
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA.
O ganho de capital na alienação de imóveis está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, sendo sua apuração realizada, pelo contribuinte, na ocorrência da alienação (fato gerador instantâneo) e o recolhimento do imposto no mês subsequente.
Inexistindo o recolhimento até a data do vencimento, o prazo para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria.
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO.
Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que apresentaram declaração em separado e que não foram relacionadas como dependentes da declaração de ajuste anual do contribuinte.
PERCENTUAL DE REDUÇÃO SOBRE O GANHO DE CAPITAL APURADO
Mantem-se a exigência quando o contribuinte, em fase recursal, não instrui os autos com elementos suficientes para ilidirem o feito.
JUROS DE MORA. SELIC.
De acordo com a Súmula CARF nº4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2802-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 26/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausentes Justificadamente: German Alejandro San Martin Fernandez e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O ganho de capital na alienação de imóveis está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, sendo sua apuração realizada, pelo contribuinte, na ocorrência da alienação (fato gerador instantâneo) e o recolhimento do imposto no mês subsequente. Inexistindo o recolhimento até a data do vencimento, o prazo para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que apresentaram declaração em separado e que não foram relacionadas como dependentes da declaração de ajuste anual do contribuinte. PERCENTUAL DE REDUÇÃO SOBRE O GANHO DE CAPITAL APURADO Mantem-se a exigência quando o contribuinte, em fase recursal, não instrui os autos com elementos suficientes para ilidirem o feito. JUROS DE MORA. SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Negado.
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GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O ganho de capital na alienação de imóveis está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, sendo sua apuração realizada, pelo contribuinte, na ocorrência da alienação (fato gerador instantâneo) e o recolhimento do imposto no mês subsequente. Inexistindo o recolhimento até a data do vencimento, o prazo para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que apresentaram declaração em separado e que não foram relacionadas como dependentes da declaração de ajuste anual do contribuinte. PERCENTUAL DE REDUÇÃO SOBRE O GANHO DE CAPITAL APURADO Mantemse a exigência quando o contribuinte, em fase recursal, não instrui os autos com elementos suficientes para ilidirem o feito. JUROS DE MORA. SELIC. De acordo com a Súmula CARF nº4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 22 99 /2 00 7- 28 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 26/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Dayse Fernandes Leite, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Ricardo Anderle. Ausentes Justificadamente: German Alejandro San Martin Fernandez e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na Primeira instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC), que considerou improcedente, a impugnação apresentada, contra omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de bens e direitos e glosa de dedução indevida com despesas médicas. A Sexta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (SC), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n. 0722.223, de 19 de novembro de 2010, que se encontra às fls. 275/282, sob os fundamentos de que: a) não há que se falar em decadência, já que o prazo para a Fazenda realizar o lançamento em questão iniciase em 01 de janeiro de 2003, com término em 31 de dezembro de 2007, posterior, portanto, à ciência do Auto de Infração que ocorreu em 05 de julho de 2007; b) não há como modificar o lançamento para considerar o percentual de redução de 100% como pretendido pelo impugnante, por ausência de qualquer outra prova material que ateste que o terreno foi adquirido anteriormente a 1969; c) o autuado não marcou o campo apropriado para declaração em conjunto, não informou o CPF de seu cônjuge, tampouco a declarou como dependente; d) a esposa do impugnante apresentou declaração de ajuste anual simplificada, para o anocalendário de 2002, razão pela qual não é possível o acatamento da dedução de despesas médicas, cujo beneficiário foi a sua esposa, como dedutível da sua base de cálculo, pois com relação a despesas médicas, a Lei n. 9.250/95, no seu art. 8°, inciso II, alínea a e § 2°, inciso II, indica de forma clara que a dedução deve se restringir aos pagamento efetuados pelo contribuinte relativos a seu próprio tratamento e de seus dependentes. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 11/02/2011, consoante o AR de fl. 78. À vista da decisão, foi protocolizado recurso voluntário dirigido a este colegiado, fls. 286/302, no qual o recorrente, com vistas a obter a reforma do julgado, alega Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002299/200728 Acórdão n.º 2802002.593 S2TE02 Fl. 597 3 que: a) deve ser declarada a decadência do crédito tributário em questão; b) apesar de existir escritura pública de compra e venda datada em 20/07/1972, a posse do imóvel foi adquirida em 1957, motivo pelo qual deve ser aplicado o fator de redução de 100%; c) é necessário a realização de diligência para determinar a oitiva do Sr. Antônio Marçal, antigo possuidor e alienante do terreno, que declarou às fls. 97 que a posse do imóvel foi adquirida em momento anterior à lavratura da escritura pública de 1972, bem como do Sr. Menésio da Lula, o qual foi contratado para fazer a limpeza do terreno à época; d) a mera falta de indicação no campo de dependente na declaração do exercício de 2003 não possui o condão afastar a despesa de serviço médico prestado a sua esposa; e) a declaração da sua esposa não traz rendimento algum, já que ela faz prova de que não possuía rendimentos próprios e que a despesa médica foi suportada pelo Contribuinte; f) o Superior Tribunal de Justiça decidiu pela ilegalidade da Taxa SELIC utilizada para corrigir débitos tributários. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido.ser conhecido. A primeira questão trazida pelo recorrente referese ao fato de o acórdão recorrido ter rejeitado preliminar decadência . Entende o recorrente que com base nas informações trazidas no demonstrativo do ganho de capital de fl. 08, a Receita Federal teve o interstício de 01/07/2002 a 30/06/2007, para rever de ofício todos os elementos do lançamento do Contribuinte, nos termos do artigo 150, §4°, do CTN. Como a ciência do lançamento fiscal ocorreu em 05/07/2007 (AR de fl. 238), o crédito tributário ora debatido está extinto com base no artigo 156, inciso V, do CTN, devendo ser cancelado Embora não se referindo especificamente a ganho de capital na alienação de imóveis, o Superior Tribunal de Justiça – STJ decidiu, no Recurso Especial nº 973.733, julgado sob o rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo), que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação: a) existindo pagamento do tributo por parte do contribuinte até a data do vencimento, o prazo para que o Fisco efetue lançamento de ofício, por entender insuficiente o recolhimento efetuado, é de cinco anos contados da data do fato gerador (CTN, artigo 150, § 4). b) inexistindo pagamento até a data do vencimento, aplicase a regra geral (CTN, artigo 173, I), ou seja, o prazo é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Eis a ementa do referido julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) 2. .É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002299/200728 Acórdão n.º 2802002.593 S2TE02 Fl. 598 5 Brasileiro", 10ª ed.,Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). ( ...) 7 Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Neste processo, não há que se falar em ocorrência de pagamento antecipado, pois a tributação do ganho de capital se dá em separado, não integrando o ajuste anual, sendo que os pagamentos que podem ser computados no ajuste não se aproveitam para trazer a regra de decadência para o art. 150, §4º, do CTN. Assim, para os ganhos de capital omitidos, aplicase a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, como o fato gerador do ganho de capital apurado nos presentes autos ocorreu em 20/06/2002, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/2003, sendo possível o lançamento até 31/12/2007. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 05/07/2007 (fl. 238), o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência, devendo ser rejeitada a preliminar de decadência suscitada pelo Recorrente Diligência/Perícia O contribuinte requer a realização de perícia/diligência, bem assim se insurge contra a decisão de primeira instância que a considerou prescindível. Porém, conforme se verificará na exposição mais adiante do mérito, assim como também ficou bastante claro em todo o contexto da decisão de primeira instância, os elementos indispensáveis à solução do litígio encontramse nos autos. Como se sabe, vigora no processo administrativo fiscal federal o princípio do livre convencimento motivado, cabendo ao julgador o deferimento das provas que entender necessárias ao regular deslinde da controvérsia. Neste sentido, aliás, é expressa a disposição contida no art. 29 do Decreto n.º 70.235/72, in verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Assim, no que tange a elaboração de prova testemunhal, entendo que os documentos acostados aos autos são suficientes ao deslinde da matéria em questão. Ademais, o deferimento de diligência e perícia é uma decisão do âmbito de discricionariedade do julgador, cabendo a ele fazêla ou não a depender da formação de sua convicção (diligência) ou mesmo que se lhe exigirá conhecimentos técnicos específicos que somente um perito especializado poderia ter (perícia), o que não é o caso dos autos em que se requer apenas análise de documentos, perfeitamente dentro da alçada de competência do Auditor Fiscal. Portanto, indefiro o pedido de perícia/diligência. No tocante ao mérito, o litígio cingese: 1) ao percentual de redução aplicável sobre o ganho de capital apurado; 2).. Glosa de despesas médicas, que o próprio Recorrente reconhece que foram realizadas em benefício de sua esposa; 3). ilegalidade da Taxa SELIC utilizada para corrigir débitos tributários. 1) Percentual de redução aplicável sobre o ganho de capital apurado; O recorrente insiste na alegação de que adquiriu o terreno em 1957 e que, portanto, teria direito ao percentual de redução de 100% sobre o ganho de capital. Tanto a autoridade lançadora quanto a autoridade julgadora de primeira instância consideram o percentual de 85%, por entenderem que o imóvel alienado foi adquirido em 1972. Essa alegação não procede porque como bem fundamentado no acórdão de primeira instância o documento público constante nos autos – escritura pública – tem presunção de veracidade, desta forma meras alegações desacompanhadas de um suporte probatório não são capazes de desconstituir essa presunção. Assim, não há nos autos qualquer documento que permita modificar o resultado do acórdão vergastado 2) Glosa de despesas médicas, que o próprio Recorrente reconhece que foram realizadas em benefício de sua esposa. Observo, inicialmente, que o próprio recorrente reconhece as despesas realizadas em benefício de sua esposa MARIALVA TEREZINHA DOS SANTOS SADA. Ademais, consta no Auto de Infração e na Decisão recorrida que “a cônjuge MARIALVA TEREZINHA DOS SANTOS SADA. apresentou declaração em separado no respectivo ano calendário. Ou seja, para efeito do imposto de renda, a cônjuge não é dependente do contribuinte.” O contribuinte em questão não informou dependentes na DIRPF do exercício em questão”. Assim, a teor do que dispõe o inciso II do § 2º do art. 8º da Lei nº. 9.250/1995 (a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes), não poderia o Recorrente ter deduzido despesas médicas relativas a tratamento de saúde de sua esposa. 3)Ilegalidade da Taxa SELIC A exigência dos juros calculados com base na Selic está estampada na Súmula CARF nº4: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.002299/200728 Acórdão n.º 2802002.593 S2TE02 Fl. 599 7 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não merece reparo o acórdão recorrido Ante o exposto voto por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10183.720465/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP.
Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel.
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS.
Faz-se necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I - destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular.
VALOR DA TERRA NUA - VTN.
Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras - SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
(Assinado digitalmente)
ALICE GRECCHI - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Atílio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - APP. Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS. Faz-se necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I - destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II - comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA - VTN. Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras - SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA - DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciá-los. Recurso Negado
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Não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXIGÊNCIA DE AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. É exigência legal, que a Área de Reserva Legal esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. EXIGÊNCIAS ESPECÍFICAS. Fazse necessário que a Área de Interesse Ecológico seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. VALOR DA TERRA NUA VTN. Prevalece o valor apurado pelo Fisco, através do Sistema de Preços de Terras SIPT, pois não foi contraditado através de laudo técnico, contemporâneo à época do fato gerador. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 04 65 /2 00 7- 18 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. (Assinado digitalmente) ALICE GRECCHI Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Raimundo Tosta Santos, Alice Grecchi, Nubia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Atílio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de processo de Notificação de Lançamento (fl. 1/4), que exige a diferença de Imposto Territorial Rural – ITR, Exercício 2005, no valor de R$ 1.064.771,11, incluído juros de mora e multa de ofício, do imóvel rural inscrito na Receita Federal, sob o nº 3.206.8026, localizado no município de Barra do Garças, MT. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela Recorrente, tendo sido constatado pelo Fisco, a falta de recolhimento do ITR, que decorreu de glosa da área declarada como de preservação permanente e de reserva legal, por ausência de comprovação do cumprimento dos requisitos legais. Constou na descrição dos fatos e enquadramento legal (fl. 02), que houve alteração do valor da terra nua, em adequação aos valores constantes do SIPT, e em conseqüência, houve o aumento da base de cálculo da alíquota e do valor devido do tributo. A Recorrente foi cientificada da Notificação de Lançamento do ITR em 19/12/2007 (fl. 10). Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 18/01/2008 (fls. 12/22) e juntou documentos (fls. 23/42). Em síntese, alegou que o imóvel possui 4.494 ha de preservação permanente e 1.464 ha de reserva legal, que são isentas de ITR. Aduziu que ha 3.030 ha de áreas de “pastoreio temporário”, que devem ser consideradas de interesse ecológico e que também devem ser excluídas da tributação. Segundo a Recorrente, toda área da propriedade é isenta de imposto. Sustentou que no caso de remanescer algum saldo de imposto a ser pago, deve ser recalculado, utilizandose a alíquota de 2.9%, constante da tabela III, anexa a Lei nº 8.847/94. Insurgiuse contra a incidência da SELIC, que afirma ser inconstitucional. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720465/200718 Acórdão n.º 2102002.687 S2C1T2 Fl. 156 3 A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte proferiu a seguinte decisão: [...]Em sede de preliminar, a impugnante invoca aspectos relativos à inconstitucionalidade de normas que fundamentam a autuação. Convém esclarecer que não cabe esta apreciação na esfera administrativa, pois, compete a esta Delegacia, como membro integrante do Poder Executivo, julgar, administrativamente, os processos de exigência de créditos tributários relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. A atividade de lançamento é plenamente vinculada (parágrafo único do artigo 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional — CTN). [...] Logo, em obediência ao principio da legalidade objetiva, estampado na Constituição Federal, durante todo o curso do processo fiscal, onde o lançamento está em discussão, os atos praticados pela administração obedecerão aos estritos ditames da lei, com o fito de assegurarlhe a adequada aplicação, sendolhe defeso apreciar argüições de aspectos da constitucionalidade do lançamento.[...] A questão suscitada no presente processo é meramente de direito, estando o lançamento devidamente amparado por Leis que disciplinam a matéria. Os fundamentos legais da autuação serão oportunamente enunciados, razão pela qual devem ser também afastadas as preliminares de ilegalidade constantes da impugnação. Por estes motivos, devem ser rejeitadas as preliminares arguidas. No mérito, o lançamento foi correta e legalmente efetuado, utilizandose os dados informados na DITR do respectivo Exercício. Com a entrada em vigor da Lei n.° 9.393, de 1996, o ITR passou a ser tributo lançado por homologação, no qual cabe ao sujeito passivo apurar o imposto e proceder ao seu pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme disposto no artigo 150 da Lei n.° 5.172, de 25 de outubro 1966, o Código Tributário Nacional — CTN. O lançamento de ofício no caso de informações inexatas encontra amparo no art. 14, da Lei n° 9.393/1.996, abaixo transcrito, o qual também prevê a exigência da multa cabível no procedimento de ofício: [...] A multa aplicável, no caso, é a de 75%, conforme art. 44, I, da Lei n° 9.430/96, e os juros de mora em percentual equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com o art. 61, § 30, da Lei n° 9.430/96. Relativamente aos juros, o § 1° do artigo 161 do Código Tributário Nacional diz que os juros são calculados à taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. A exegese que se extrai do citado dispositivo é a de que o quantum previsto no CTN somente é aplicável de forma supletiva, na ausência de lei que discipline a matéria, o que não constitui a hipótese. O artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe que, a partir de 01/01/1997, sobre os débitos para com a Fazenda Nacional, incidem juros de mora equivalentes à taxa SELIC, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Portanto, a taxa SELIC é índice de juros de mora, por determinação legal. É de se esclarecer que essa taxa não é "fixada" pelo Poder Executivo, mas sim determinada pelo mercado de títulos federais registrados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC. É calculada pelo Banco Central do Brasil, é informada ao Poder Executivo, que apenas a divulga por meio de um ato declaratório da Secretaria da Receita Federal. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Assim, a exigência de juros de mora com base na taxa SELIC significa apenas uma adequação desses juros aos valores de mercado, uma vez que, no sentido de se desindexar a economia, foi abolida a cobrança de correção monetária. [...] Para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado. O contribuinte estava ciente da necessidade da entrega do ADA, haja vista que se trata de orientação constante dos manuais de instruções de preenchimento das DITR. Apenas para melhor ilustrar o entendimento da Secretaria da Receita Federal em relação ao assunto, vejase, a título de exemplo, as Perguntas n° 64, 65, 66, 67, 72 e 78 da publicação "Perguntas e Respostas do ITRI2002": [...] Verificase, assim, que os atos normativos, ao estabelecerem a necessidade de reconhecimento pelo Poder Público, por meio de ADA e averbação, fixaram condição para fins da não incidência tributária sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, não podendo a autoridade lançadora dispensar os requisitos previstos na legislação tributária. Com relação à área de reserva legal, conforme acima mencionado, deveria ser apresentada a Certidão atualizada da Matricula do Imóvel, na qual deveria constar a prévia averbação. Efetivamente, a legislação que rege a matéria exige que seja tal reserva averbada, à margem da matricula de registro de imóveis, conforme se depreende do art. 16, § 2° da Lei 4.771 de 15 de setembro de 1965, in verbis:[...] Para o cumprimento dessa obrigação, deve ser obedecida a disposição contida no art. 144 do CTN, segundo o qual o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação no caso do ITR, de acordo com o art. 1º caput, da Lei n° 9.393/96, o dia 1° de janeiro de cada ano. Assim, a área de reserva legal somente pode ser excluída da tributação se cumprida a exigência de sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício. No caso do exercício 2005, a obrigação teria que ter sido cumprida até 1° de janeiro de 2005 o que não ocorreu em relação à área declarada, conforme análise da documentação acostada. De fato, não é necessária prévia comprovação das áreas isentas. Com isso, quis o legislador deixar expresso que, no ato da entrega da DITR, o contribuinte não deveria, a contrário do que acontecia anteriormente, anexar nenhum documento comprobatório do que foi declarado. Esta orientação não se destina apenas às áreas isentas, mas abrange tudo o que foi declarado pelo contribuinte. Tanto é verdade que a comprovação não deve ser apresentada com a DITR, que o legislador estipulou o prazo de seis meses, contados da data final prevista para a entrega da declaração, para que o contribuinte protocolizasse, junto ao IBAMA, o Ato Declaratório Ambiental.[...] Nos presentes Autos, não foram juntados ADA e averbação tempestivos para o Exercício do lançamento. Por estas razões, não há como acatar as áreas de preservação permanente e de reserva legal pretendidas pela impugnante. Há de ser frisado, ainda, que a utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, encontra amparo no dispositivo supracitado (Lei n° 9.393/96, art. 14). O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor apurado fica sujeito à revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. É certo que o valor apurado pela fiscalização pode ser questionado, mediante Laudo Técnico de Avaliação, revestido de rigor científico suficiente a firmar a convicção da autoridade, devendo estar presentes os requisitos mínimos exigidos pela norma NBR 14653 3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720465/200718 Acórdão n.º 2102002.687 S2C1T2 Fl. 157 5 Nestes Autos, não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação que atendesse as condições elencadas pela norma da ABNT, não havendo o que ser revisto no valor atribuído ao imóvel no lançamento. Há de ser respeitado o disposto no item 9.2.15, alínea "b", da NBR 14653 3, que dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, "no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados ". Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador do ITR (1° de janeiro de 2005). É o caso de se reconhecer a incidência do item 9.1.2 da NBR 146533, que estipula que o laudo que não atende os requisitos mínimos deve ser considerado parecer técnico. Não há como, em sede de julgamento, acatarse levantamento precário, inapto a alterar o valor atribuído no lançamento. Com relação à alíquota aplicada, não há nada que ser questionado no lançamento, haja vista que, conforme a área total do imóvel e considerada a sua utilização, foi aplicada corretamente a alíquota estipulada pela Lei n° 9.393/96. Conforme a própria impugnante reconhece, no início de sua peça, a Lei n° 8.847/94 foi revogada. Não há que ser invocada, portanto, a Tabela de alíquotas aplicável anteriormente à edição da Lei n° 9.393/96. Assim, concluise que o lançamento, com os devidos acréscimos, está correto e encontrase devidamente amparado pela legislação que rege a matéria. [...] A interessada foi cientificada do Acórdão nº 0418.034, da 1ª Turma da DRJ/CGE em 11/12/2009 (fl. 75). Sobreveio Recurso Voluntário em 12/01/2010 (fls. 76/87) que, em síntese, reprisou as alegações da impugnação. No mérito, sustentou que foi preenchido todos os requisitos necessários à correta informação do valor devido de ITR, e no que diz respeito à exclusão do valor das áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como de interesse ecológico, na forma contida no art. 10, §1º, II, a e b, da Lei 9.393. Afirmou ainda, que a Lei supra não contém nenhum dispositivo que exija a apresentação do ADA para exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal e da base de cálculo do ITR. Referiu que o art. 17O, da Lei 6.938/81, prevê o recolhimento de uma taxa ao IBAMA nos casos de apresentação do ADA, no entanto, não condiciona a entrega de tal documento à definição de uma determinada área como de preservação permanente ou de reserva legal, para fins de redução da área tributável pelo ITR. Sustentou a Recorrente que o descumprimento de uma obrigação acessória em relação a eventual existência de obrigação principal de pagamento do imposto, não pode tornála devedora do tributo em litígio, porque a obrigação tributária principal não existe. Aduziu que não foi oportunizado a Recorrente, quando da instauração do processo administrativo, a comprovação de seu enquadramento nas situações legais, bem como alegou que poderia ter sido realizada perícia em instância administrativa. Acrescentou que embora tivesse conhecimento da impossibilidade da área ser utilizada para outro fim, que não o pastoreio restrito e temporário, a área deve ser considerada como de interesse ecológico, com fundamento no art. 10, §1º, II, a e b, da Lei 9.393. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Por fim, referiu que o valor da terra nua atribuído pelo Fisco deve ser desconsiderado, pois segundo a Recorrente, toda área é isenta, em razão de reserva legal, preservação permanente e interesse ecológico. Requereu o provimento do Recurso e o cancelamento do lançamento fiscal, subsidiariamente, em caso de não ser a área considerada isenta na sua integralidade, requereu que a área tributável seja recomposta, a fim de excluir as áreas de preservação, correspondente à 4.494 ha, de sua respectiva base de cálculo. Em caso de não acolhimento dos pedidos acima, requereu que o Recurso seja convertido em diligência para verificar a efetiva destinação e caracterização do imóvel. Juntou documentos (fls. 88/153). É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia dos requisitos para a exclusão das Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico, da base de cálculo do ITR. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720465/200718 Acórdão n.º 2102002.687 S2C1T2 Fl. 158 7 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11727, de 2008). O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. No caso em questão, existem algumas discussões: a) exigência de ADA; e b) não incidência de ITR sobre determinadas áreas (Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico), que passo a analisálas. A partir da alteração promovida pela Lei nº 10.165/00, a entrega da ADA tem sido exigida como requisito à redução de imposto a pagar. Para que se compreenda adequadamente a alteração normativa e seu reflexo sistemático dentro do ordenamento, é preciso que se observe que o ADA é um ato unilateral elaborado pelo contribuinte, que não tem o condão de constituir juridicamente as situações nele descritas. Em outros termos, a mera inserção de área de preservação permanente no respectivo campo possui evidente eficácia declaratória da sua existência, que poderá ser confrontada com a descrição contida em laudo técnico – documento elaborado por terceiro que corroborará a situação inserida no ADA. No entanto, em que pese esta relatora entenda que o ADA não é exigência necessária para a constituição das Áreas de Preservação Permanente, verificase que o laudo técnico acostado pela Recorrente (fls. 34/42 – 38/46), é datado de 26/04/1998, e faz menção apenas à Área de “Reserva Permanente de 1.464 ha” (fl. 42), e ainda, conforme Notificação de Lançamento das fls. 01/04, a Recorrente declarou para o exercício 2005, Área de Preservação Permanente de 5.958 ha (fl. 03). Portanto, não existindo ADA e nem laudo técnico hábil à comprovar a verdadeira Área de Preservação Permanente, contemporâneo aos fatos, não há como ser acolhida a pretensão da Recorrente. Quanto à Área Reserva Legal, é exigência legal, que esteja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no Cartório de registro competente, a fim de dar publicidade à área aproveitável do imóvel. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 A averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal, documento que cria um registro público da sua existência e faz surgir uma obrigação real de preservação. Vislumbrase que, distintamente da Área de Preservação Permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da Reserva Legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. A simples observância dos percentuais mínimos estabelecidos na lei e comprovados no laudo técnico não garante o benefício fiscal, pois somente com a averbação delimitase a Área de Reserva Legal sobre a qual passa a ser vedada qualquer alteração na “sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área” (art. 16, §8o, do Código Florestal). Cabe lembrar ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente. Outrossim, em julgamento recente (EREsp 1027051 – 26/08/2013), a 1ª Seção do STJ, pacificou o entendimento das turmas de direito público, no sentido que a isenção do Imposto Territorial Rural – ITR, vale tão somente para as Áreas de Reserva Legal registradas na matrícula do imóvel, sob o fundamento que a União e os Municípios possam fiscalizar os contribuintes que declaram ter áreas de reserva legal dentro da propriedade para aproveitamento do benefício fiscal. No que tange à Área de Interesse Ecológico, fazse necessário que seja declarada mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, que sejam: I – destinadas à proteção dos ecossistemas, que ampliem as restrições de uso previstas para as áreas de preservação permanente e de reserva legal; e II – comprovadamente imprestáveis para a atividade rural. Para efeito de exclusão do ITR, apenas será aceita como área de interesse ecológico a área declarada em caráter específico para determinada área da propriedade particular. Não sendo aceita a área declarada em caráter geral. Portanto, se o imóvel rural estiver dentro de área declarada em caráter geral como de interesse ecológico, é necessário também o reconhecimento específico de órgão competente federal ou estadual para a área da propriedade particular. (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º , II, “b” e “c”; RITR/2002, art. 15; IN SRF nº 256, de 2002, art. 14). Assim, a par dar considerações acima expostas, verificamse exigências específicas para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Interesse Ecológico, as quais não foram devidamente cumpridas pela contribuinte, portanto, devem ser afastadas àquelas da isenção da tributação do Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR. Para se apurar a correta mensuração da área tributável, deveria o Recorrente ter acostado laudo técnico atual, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720465/200718 Acórdão n.º 2102002.687 S2C1T2 Fl. 159 9 Constatase pelo laudo acostado às fls. 34/42, que em 26/04/1998, o Valor da Terra Nua fora avaliado em R$ 430.998,60, este mesmo valor, conforme consta da Notificação de Lançamento de fls. 01/04, também fora declarado para a DITR do exercício 2005 (fl. 03), portanto tal valor encontrase defasado, não podendo persistir sem um laudo atualizado, que confirmasse que o Valor da Terra Nua não sofreu nenhuma valoração. Assim, prevalece o valor atribuído pelo Fisco, apurado com base no valor do Sistema de Preços de Terras – SIPT. Quanto ao pedido de diligências e perícias, estes podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. Os documentos necessários para fazer prova em favor do contribuinte não são supridos mediante a realização de diligências/perícias, mormente quando o próprio contribuinte dispõe de meios próprios para providenciálos. No presente caso, entendo que não cabe perícia e/ou diligência, tendo em vista que foi oportunizado à Recorrente corroborar as suas alegações com provas hábeis a demonstrar a verdade material, as quais poderiam ter sido acostadas quando da intimação do Termo de Procedimento Fiscal, ou ainda, por ocasião da Impugnação e interposição do presente Recuso Voluntário Assim, diante do entendimento desta relatora sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 22/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10580.725930/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância quando essa atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235/1972.
NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar arguida pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc.
EDITADO EM: 11/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância quando essa atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235/1972. NULIDADE. LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade da exigência. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 30 /2 00 9- 96 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial e, por essa razão, estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar arguida pelo recorrente. No mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE (Relator) e RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA, que deram provimento integral, e PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinho Teixeira, OAB 23.911/BA. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc. EDITADO EM: 11/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe (Relator), Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 138.886,00, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725930/200996 Acórdão n.º 2201001.768 S2C2T1 Fl. 3 3 Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento Fl. 239DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios. l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; Fl. 240DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725930/200996 Acórdão n.º 2201001.768 S2C2T1 Fl. 4 5 q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 27/05/2010 (AR de efl. 221), Maria Luisa Moreira da Silva interpôs, em 04/06/2010, o Recurso Voluntário de efls. 133/220, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O Recurso Voluntário foi julgado em 14/08/2012, porém o Conselheiro Relator renunciou ao mandato sem formalizar o respectivo acórdão, razão pela qual foi necessária a designação de Redator ad hoc, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009 (Despacho de efl. 236). É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah – Redator ad hoc O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Preliminares Nulidade Decisão Recorrida Fl. 241DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 No que concerne à alegação de nulidade da decisão recorrida, verifico, pois, que não assiste razão à defesa. Analisando detidamente o Acórdão da Delegacia de Julgamento, constatase que, ao contrário do afirmado, a decisão singular apreciou, ainda que de forma sucinta, a matéria em litígio. No que toca à alegada legitimidade ativa, a decisão recorrida concluiu que é da competência exclusiva da União exigir o imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física (IRPF). Sobre a suposta quebra na capacidade contributiva, entendeu o julgador a quo que a tributação independe da denominação do rendimento, e que as indenizações não gozam de isenção indistintamente. Ressaltese que o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas na peça recursal, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235/1972). Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Afastase, portanto, a preliminar. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede a alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste determina expressamente a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos recebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É nesse sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Dessarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. Quebra do Princípio Constitucional da Capacidade Contributiva e Outros Fl. 242DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725930/200996 Acórdão n.º 2201001.768 S2C2T1 Fl. 5 7 No que tange à alegação de quebra do princípio constitucional da capacidade contributiva e outros, cumpre destacar que os referidos princípios dirigemse ao legislador, que deve observálos quando da elaboração das leis tributárias. Os Órgãos da Administração não podem deixar de aplicar as leis aprovadas pelo Congresso Nacional e sancionadas pelo Presidente da República, ao qual estão vinculados pelo poder hierárquico. Essa tarefa é reservada pela Constituição Federal ao poder Judiciário. Transcrevese, outrossim, a Súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Corroborando, o Jurista Hugo de Brito Machado na obra “O Devido Processo Legal Administrativo e Tributário e o Mandado de Segurança”, publicado no volume Processo Administrativo Fiscal, coordenado por Valdir de Oliveira Rocha – Ed. Dialética – 1995, esclarece: Se um órgão do Contencioso Administrativo Fiscal pudesse examinar a argüição de inconstitucionalidade de uma lei tributária, disso poderia resultar a prevalência de decisões divergentes sobre um mesmo dispositivo de uma lei, sem qualquer possibilidade de uniformização. Acolhida a argüição de inconstitucionalidade, a Fazenda não pode ir ao judiciário contra a decisão de um órgão que integra a própria administração. O contribuinte por seu turno, não terá interesse processual, nem fato para fazêlo. A decisão tornarseá assim definitiva, ainda que o mesmo dispositivo tenha sido ou venha a ser considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que é, em nosso ordenamento jurídico, o responsável maior pelo deslinde de todas as questões de constitucionalidade, vale dizer, o 'guardião da Constituição'. Assim, diferentemente do que alega a defesa, a autoridade fiscal não deseja receber tributo superior ao efetivamente devido, mas, simplesmente, aplicar a lei. Em suma, todos os dispositivos fiscais foram aplicados em estrita obediência às atividades específicas da administração tributária. Rejeitase, pois, a suscitada preliminar. Nulidade o Lançamento – Constituição Inadequada da Exigência Em relação à arguição de nulidade na constituição do lançamento, conforme se infere dos autos, efls. 02/11, como se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, os cálculos foram efetuados levando em consideração as tabelas e alíquotas das épocas própria a que se referem os rendimentos, conforme determinou o Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Ademais, não é o caso de se aplicar a alíquota considerando apenas o valor das diferenças recebidas, pois o contribuinte já estava sujeito à alíquota máxima e o lançamento se refere a imposto devido no ajuste anual. Portanto, comprovada a regularidade do procedimento fiscal, fundamentalmente porque atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como Fl. 243DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. Mérito No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, nesse sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Nesse caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário (inciso II do art. 111 do CTN). Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à imposição da multa de ofício, penso que deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a verba como rendimentos isentos e não tributáveis e, ao apresentar sua Declaração de Ajuste, o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725930/200996 Acórdão n.º 2201001.768 S2C2T1 Fl. 6 9 Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, esse erro não foi provocado pelo contribuinte. Desse modo, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar a sistemática prevista no art. 62A do Anexo II do RICARF (art. 543C do Código de Processo Civil – CPC), pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual a decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Com efeito, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em despedida ou rescisão do contrato de trabalho, bem como incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do Imposto de Renda. Nessas condições penso que não merece acolhida a pretensão da defesa. Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Redator ad hoc (Despacho de efl. 236) Fl. 245DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.725930/200996 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.768. Brasília/DF, 14 de agosto de 2012 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 246DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.725930/200996 Acórdão n.º 2201001.768 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 20/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 15563.000905/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE E VERACIDADE.
Os atos administrativos possuem presunção de legitimidade e veracidade, os quais são tidos e havidos como verdadeiros até prova em contrário, a cargo do contribuinte.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS E DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE.
Por expressa disposição legal, está autorizado o arbitramento do lucro do contribuinte que não apresenta à autoridade tributária, apesar de regularmente intimado, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal obrigatórios.
Numero da decisão: 1202-001.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE E VERACIDADE. Os atos administrativos possuem presunção de legitimidade e veracidade, os quais são tidos e havidos como verdadeiros até prova em contrário, a cargo do contribuinte. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NÃO APRESENTAÇÃO DOS LIVROS OBRIGATÓRIOS E DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE. Por expressa disposição legal, está autorizado o arbitramento do lucro do contribuinte que não apresenta à autoridade tributária, apesar de regularmente intimado, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal obrigatórios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando José Gonçalves Bueno. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 09 05 /2 00 8- 47 Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000905/200847 Acórdão n.º 1202001.107 S1C2T2 Fl. 1.787 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o processo de lançamentos fiscais formalizados em Autos de Infração do IRPJ e reflexo na CSLL, relativamente ao anoscalendário de 2005 e 2006, em razão do arbitramento do lucro da pessoa jurídica, face a não entrega, após regularmente intimado por diversas vezes, dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal obrigatórios, tudo conforme descrito no Termo de Verificação FiscalTVF, de fls. 80 à 83. Aos tributos exigidos, foi aplicada multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora, com base na taxa Selic. Nos anoscalendário de 2005 e 2006, o contribuinte apurou seu lucro com base na sistemática do lucro real trimestral, fls. 04 e 42. O contribuinte impugnou as exigências apresentando as alegações que foram assim resumidas no relatório do Acórdão nº 1240.178 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 144 a 146, o qual adoto e passo a transcrever: “7. Em 28/01/2009, o interessado, por meio da peça de fls. 118/123, impugnou as exigências, alegando, em síntese: 7.1 que, embora tenha respondido que não havia localizado a documentação exigida pela fiscalização e, devido a este fato, que ainda não tinha condições de proceder recomposição de sua escrita, logo após a entrega dessa carta, toda documentação referente aos anoscalendário de 2005 e 2006 foi localizada em depósito desativado; 7.2 que entrou em contato com o auditor e entregou os livros diário e razão, bem como caixas contendo as notas fiscais e documentos contábeis referentes ao último mês de cada ano, comunicado ainda que o restante da documentação estava na sede da empresa à disposição da fiscalização e que não havia trazido tudo devido ao imenso volume; 7.3 que após a entrega dos livros e de parte da documentação, o auditor informou que examinaria o que foi apresentado e logo entraria em contato comunicando especificamente o que necessitaria para dar continuidade à fiscalização, com objetivo de apurar a veracidade do lucro real declarado pela impugnante; 7.4 que, contudo, poucos dias antes de encerrar o ano solicitou que o representante da empresa comparecesse à Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu, em 31/12/2008, onde, estarrecido, tomou conhecimento do presente auto de infração; 7.5 que o fiscal teria argumentado que já teria dado todas as oportunidades para a apresentação dos livros e documentos e que agora não havia mais tempo para a execução trabalho, pois o prazo para encerrar a ação fiscal estava esgotado; Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000905/200847 Acórdão n.º 1202001.107 S1C2T2 Fl. 1.788 3 7.6 que, não tendo mais o que fazer, a impugnante tomou ciência da presente autuação, ocasião em que lhes foram entregues os livros e documentos anteriormente apresentados e, lamentavelmente, completamente ignorados pelo auditor; 7.7 que Termo de Encerramento de Ação Fiscal expressamente relata que foram devolvidos, na data da ciência do auto de infração, todos os livros e documentos utilizados na fiscalização; logo, o arbitramento jamais poderia se dar sob a argumentação de que a impugnante não apresentou os livros e documentos, uma vez que livros e documentos foram a ela devolvidos; 7.8 que, na realidade, o Fisco por desinteresse ou pura comodidade preferiu ignorar tais documentos e promover a atuação com base no lucro arbitrado; 7.9 que é função do Fisco buscar a verdade, a justiça e não promover a atuação a qualquer preço de modo mais cômodo; • 7.10 que, caso tivesse havido o exame dos livros em seu poder, o fiscal não teria feito o lançamento; 7.11 que para comprovar o alegado, a impugnante faz juntada dos livros Diário (Doc. 04) e Razão (Doc. 05), de modo a deixar clara a sua real intenção, ou seja, comprovar integralmente a veracidade do lucro real declarado. 8. Ao final da sua peça, a impugnante pugna pelo cancelamento integral do lançamento.” Na seqüência, foi emitido o Acórdão nº 1240.178 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 144 a 146, julgando improcedente a impugnação, com o seguinte ementário: IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVA. As alegações sem prova devem ser rejeitadas. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. IRPJ. CSLL A não apresentação dos livros e documentos exigidos pela fiscalização autoriza o arbitramento do lucro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado com a decisão proferida pela DRJ, o contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, mediante arrazoado, de fls. 1753 à 1764, repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória. Em que pese não ter prova escrita, reforça os argumentos de que teria entregue os livros e documentos fiscais solicitados pela fiscalização, fato inclusive que teria sido atestado no Termo de Encerramento de Fiscalização, fls. 115: “Devolvemos nesta data todos os livros e documentos utilizados na presente fiscalização, no estado em que foram Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000905/200847 Acórdão n.º 1202001.107 S1C2T2 Fl. 1.789 4 recebidos”. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomase conhecimento. O lançamento fiscal do IRPJ e da CSLL foi efetuado por arbitramento do lucro, uma vez que o contribuinte não teria apresentados os livros contábeis/fiscais e documentos obrigatórios, apesar de regularmente intimado. Já a defesa alega que teria entregue os livros e documentos, mesmo que tardiamente, requerendo o cancelamento das autuações. Por oportuno, necessário deixar registrado que não há no processo evidência de que tenha havido, mesmo no curso da fiscalização, eventual ato praticado com abuso de poder ou qualquer procedimento adotado que fosse ilegal ou que pudesse causar eventual constrangimento à empresa interessada ou a terceiro. Verificase que o agente fiscal agiu nos estritos limites impostos pela legislação, tendo feito várias intimações à interessada durante a fiscalização, oferecendolhe, assim, oportunidades diversas para ela apresentar esclarecimentos, documentos comprobatórios e os livros obrigatórios. Dos elementos constantes dos autos, verificase que por diversas vezes o contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar os livros contábeis e documentos fiscais a que estava obrigado. O Termo de Início de Procedimento Fiscal, com ciência em 03/06/2008, é bastante claro nesse sentido, fls. 02/03. Nele consta a intimação de diversos livros e documentos, dentre eles, os livros Diário, Razão e Lalur. Na seqüência, seguiramse três reintimações para apresentação dos livros Diário e Razão e documentação comprobatória da escrituração, fls. 75, 77, 78. O contribuinte apresentou pedido de prorrogação do prazo de atendimento de 30 dias, em 18/09/2008, fls. 76, e, em 08/12/2008, menciona que não conseguiu localizar a documentação solicitada, pois possivelmente teria sido extraviada, fls. 79. Vejase a resposta dada pelo contribuinte, fls. 79: “Em atendimento ao Termo em referência, viemos informar que de imediato não temos como atender as solicitações da fiscalização, tendo em vista que apesar dos nossos esforços ainda não conseguimos localizar a documentação exigida. Informamos ainda de pronto não termos como recompor a escrita fiscal, pois a documentação de base, como notas fiscais, recibos e duplicatas, foram possivelmente extraviadas. Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000905/200847 Acórdão n.º 1202001.107 S1C2T2 Fl. 1.790 5 Sem mais no momento, colocamonos a vossa disposição para quaisquer outros esclarecimentos que se façam necessários.” Os atos administrativos, como é o caso do Termo de Verificação Fiscal e o próprio lançamento fiscal, possuem presunção de legitimidade e veracidade, os quais são tidos e havidos como verdadeiros até prova em contrário, a cargo do contribuinte. Apesar de alegado pela defesa em seu recurso que teria entregue os livros e documentos solicitados pela fiscalização, fls. 1762/1763, inexiste nos autos a comprovação da entrega dos livros Diário, Razão e documentação de suporte comprobatória dos registros, apesar de regularmente intimado e reintimado. O fato da fiscalização ter mencionado em seu Termo de Verificação Fiscal que efetuou o exame de notas fiscais, bem como dos livros Registro de Apuração do IPI e Registro de Entrada de Mercadorias, justifica a menção no Termo de Encerramento Fiscal da “devolução dos livros e documentos utilizados na fiscalização”, não significando que entre eles estaria os livros Diário, Razão e Lalur, como quer fazer entender a recorrente. A ciência do Termo de Início de Fiscalização ocorreu 03/06/2008 (fls. 02/03) e a ciência dos Autos de Infração em 31/12/2008. Portanto, transcorreram mais de 180 dias entre a data da primeira intimação para a apresentação dos documentos e dos livros fiscais e a data da ciência das autuações, tempo mais do que suficiente para que a fiscalizada providenciasse na entrega dos livros e documentos a que o contribuinte estava obrigado a manter, nos termos dos arts. 251 e 264 do RIR/99: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). (destaquei) Não tendo ocorrido a entrega dos respectivos documentos e livros obrigatórios, não restou outra alternativa ao agente fiscal senão o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base nos elementos que dispunha, no caso, as informações de receita constantes da declaração DIPJ, nos termos dos arts. 530, 532 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000905/200847 Acórdão n.º 1202001.107 S1C2T2 Fl. 1.791 6 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou ∙b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; (...) Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). (grifei) Assim, o lucro foi arbitrado porque o contribuinte deixou de apresentar os livros obrigatórios, Diário, Razão e Lalur, e os respectivos documentos de suporte dos registros contábeis. A jurisprudência do CARF é pacífica nesse sentido, como se pode verificar na ementa do Acórdão nº 140100510, sessão de 31/03/2011: ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A APURAÇÃO DO LUCRO TRIBUTÁVEL. O arbitramento do lucro não é uma penalidade ou sanção tributária. É uma modalidade de lançamento necessária à apuração do lucro tributável, obrigatória quando o contribuinte deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro caixa, de acordo com o disposto no art. 530, inciso III, e parágrafo único do art. 527 do RIR Em vista das razões acima expostas, encontrase correto o lançamento fiscal devendo ser mantido o arbitramento do lucro da pessoa jurídica. Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 15563.000905/200847 Acórdão n.º 1202001.107 S1C2T2 Fl. 1.792 7 Subsistindo o lançamento principal, deve ser mantido o lançamento que lhe seja decorrente da CSLL, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Em face do exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 21/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/02/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10774.000039/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2011
Ementa:
LANÇAMENTO. NULIDADE. DEVIDO PROCESSO LEGAL. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS E PARCELAMENTO. INEXISTÊNCIA DE PROVA.
Improcedente a alegação de nulidade do lançamento, sob alegação de houve ofensa ao devido processo legal, por fato não provado pela recorrente.
SUBFATURAMENTO. PREÇO ÚNICO PARA MERCADORIAS DIFERENTES, ADQUIRIDAS DE FORNECEDORES DIVERSOS, POR VÁRIOS ANOS.
Demonstrado a ocorrência de subfaturamento na importação, impõe-se o arbitramento do valor nos termos do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001.
SUBFATURAMENTO. VALOR ARBITRADO. ART. 88, I, da MP nº 2.158-35/2001.
Correto o arbitramento do preço da mercadoria, com base nos preços indicados pela própria contribuinte em operações posteriores, os quais não foram infirmados pela autuada.
DECADÊNCIA. FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4, DO CTN. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN.
O art. 150, § 4º, do CTN afasta a aplicação de sua regra especial de contagem do prazo decadencial, no caso de fraude. Aplicabilidade, por conseguinte, da regra geral do art. 173, I, do CTN. Lançamentos da obrigação tributária principal, juros e multa de ofício, dentro do prazo decadencial.
DECADÊNCIA. MULTA DE CONTROLE ADUANEIRO. REGRA DO ART. 139 DO DL nº 37/1966.
No caso de penalidades de controle aduaneiro, a regra da decadência aplicável é a do art. 139 do DL nº 37/1966, com prazo de cinco anos, contados da data da infração.
DECADÊNCIA. ART. 107, IV, B, DO DL Nº 37/1966, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.833/2003. ART. 139 do DL Nº 37/1966.
A não entrega de documentação é que configura o fato gerador da infração, a qual ocorreu há menos de cinco anos, inexistindo, portanto, decadência.
DECADÊNCIA. MULTAS DE CONTROLE ADUANEIRO. ART. 70, II, B, DA LEI Nº 10.833/2003. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 139 do DL nº 37/1966.
Em relação às multas de controle aduaneiro, previstas no art. 70, II, b, da Lei nº 10.833/2003, a infração ocorre na data do registro das DIs sem a necessária documentação probante.
Impõe-se, assim, o reconhecimento da decadência da cominação das multas, dispostas no art. 70, II, b, da Lei nº 10.833/2003, vinculadas a infrações ocorridas há mais de cincos da data da ciência da autuação, nos termos do art. 139 do DL nº 37/1966.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. ART. 44, § 1º, DA LEI 9.430/1996.
A multa de ofício acompanha o lançamento de ofício, devendo ser duplicada no caso de fraude.
MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES DO IMPORTADOR DE INSTRUIR A DI. ART. 70, II, B, DA LEI 10.833/2003.
O descumprimento de obrigações do importador, que resultem em arbitramento do valor aduaneiro, faz incidir as multas cumulativas de controle aduaneiro do art. 70, II, b, da Lei 10.833/2003, sem prejuízo de outras penalidades aplicáveis.
MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. ART. 107, IV, B, DO DL Nº 37/1966.
Não apresentada a documentação solicitada pela fiscalização à autuada, por esta última não mais possuí-la, cabe a cominação da multa fixa de cinco mil reais, prevista no art. 107, IV, b, do DL nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, sob pena de se permitir sua aplicação, indefinidamente, mês a mês.
MULTA. CONFISCO. EXCESSO. PROPORCIONALIDADE.
Não se conhece das teses da recorrente que implicam no afastamento da legislação tributária, por conta dos seus efeitos confiscatórios, excessivos ou desproporcionais, diante da incompetência do CARF para avaliar a constitucionalidade das normas jurídicas, conforme sedimentado na Súmula CARF nº 2.
Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração e dado parcial provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 3202-000.976
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e; no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Em relação à multa prevista no art. 107, IV, "b" do Decreto-lei nº. 37/66, votaram pelas conclusões os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2011 Ementa: LANÇAMENTO. NULIDADE. DEVIDO PROCESSO LEGAL. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS E PARCELAMENTO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. Improcedente a alegação de nulidade do lançamento, sob alegação de houve ofensa ao devido processo legal, por fato não provado pela recorrente. SUBFATURAMENTO. PREÇO ÚNICO PARA MERCADORIAS DIFERENTES, ADQUIRIDAS DE FORNECEDORES DIVERSOS, POR VÁRIOS ANOS. Demonstrado a ocorrência de subfaturamento na importação, impõe-se o arbitramento do valor nos termos do art. 88 da MP nº 2.158-35/2001. SUBFATURAMENTO. VALOR ARBITRADO. ART. 88, I, da MP nº 2.158-35/2001. Correto o arbitramento do preço da mercadoria, com base nos preços indicados pela própria contribuinte em operações posteriores, os quais não foram infirmados pela autuada. DECADÊNCIA. FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4, DO CTN. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 150, § 4º, do CTN afasta a aplicação de sua regra especial de contagem do prazo decadencial, no caso de fraude. Aplicabilidade, por conseguinte, da regra geral do art. 173, I, do CTN. Lançamentos da obrigação tributária principal, juros e multa de ofício, dentro do prazo decadencial. DECADÊNCIA. MULTA DE CONTROLE ADUANEIRO. REGRA DO ART. 139 DO DL nº 37/1966. No caso de penalidades de controle aduaneiro, a regra da decadência aplicável é a do art. 139 do DL nº 37/1966, com prazo de cinco anos, contados da data da infração. DECADÊNCIA. ART. 107, IV, B, DO DL Nº 37/1966, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.833/2003. ART. 139 do DL Nº 37/1966. A não entrega de documentação é que configura o fato gerador da infração, a qual ocorreu há menos de cinco anos, inexistindo, portanto, decadência. DECADÊNCIA. MULTAS DE CONTROLE ADUANEIRO. ART. 70, II, B, DA LEI Nº 10.833/2003. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 139 do DL nº 37/1966. Em relação às multas de controle aduaneiro, previstas no art. 70, II, b, da Lei nº 10.833/2003, a infração ocorre na data do registro das DIs sem a necessária documentação probante. Impõe-se, assim, o reconhecimento da decadência da cominação das multas, dispostas no art. 70, II, b, da Lei nº 10.833/2003, vinculadas a infrações ocorridas há mais de cincos da data da ciência da autuação, nos termos do art. 139 do DL nº 37/1966. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. ART. 44, § 1º, DA LEI 9.430/1996. A multa de ofício acompanha o lançamento de ofício, devendo ser duplicada no caso de fraude. MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES DO IMPORTADOR DE INSTRUIR A DI. ART. 70, II, B, DA LEI 10.833/2003. O descumprimento de obrigações do importador, que resultem em arbitramento do valor aduaneiro, faz incidir as multas cumulativas de controle aduaneiro do art. 70, II, b, da Lei 10.833/2003, sem prejuízo de outras penalidades aplicáveis. MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. ART. 107, IV, B, DO DL Nº 37/1966. Não apresentada a documentação solicitada pela fiscalização à autuada, por esta última não mais possuí-la, cabe a cominação da multa fixa de cinco mil reais, prevista no art. 107, IV, b, do DL nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, sob pena de se permitir sua aplicação, indefinidamente, mês a mês. MULTA. CONFISCO. EXCESSO. PROPORCIONALIDADE. Não se conhece das teses da recorrente que implicam no afastamento da legislação tributária, por conta dos seus efeitos confiscatórios, excessivos ou desproporcionais, diante da incompetência do CARF para avaliar a constitucionalidade das normas jurídicas, conforme sedimentado na Súmula CARF nº 2. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração e dado parcial provimento ao recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e; no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Em relação à multa prevista no art. 107, IV, "b" do Decreto-lei nº. 37/66, votaram pelas conclusões os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2011 Ementa: LANÇAMENTO. NULIDADE. DEVIDO PROCESSO LEGAL. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS E PARCELAMENTO. INEXISTÊNCIA DE PROVA. Improcedente a alegação de nulidade do lançamento, sob alegação de houve ofensa ao devido processo legal, por fato não provado pela recorrente. SUBFATURAMENTO. PREÇO ÚNICO PARA MERCADORIAS DIFERENTES, ADQUIRIDAS DE FORNECEDORES DIVERSOS, POR VÁRIOS ANOS. Demonstrado a ocorrência de subfaturamento na importação, impõese o arbitramento do valor nos termos do art. 88 da MP nº 2.15835/2001. SUBFATURAMENTO. VALOR ARBITRADO. ART. 88, I, da MP nº 2.15835/2001. Correto o arbitramento do preço da mercadoria, com base nos preços indicados pela própria contribuinte em operações posteriores, os quais não foram infirmados pela autuada. DECADÊNCIA. FRAUDE. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4, DO CTN. APLICAÇÃO DA REGRA GERAL DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 150, § 4º, do CTN afasta a aplicação de sua regra especial de contagem do prazo decadencial, no caso de fraude. Aplicabilidade, por conseguinte, da regra geral do art. 173, I, do CTN. Lançamentos da obrigação tributária principal, juros e multa de ofício, dentro do prazo decadencial. DECADÊNCIA. MULTA DE CONTROLE ADUANEIRO. REGRA DO ART. 139 DO DL nº 37/1966. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 77 4. 00 00 39 /2 01 1- 91 Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 No caso de penalidades de controle aduaneiro, a regra da decadência aplicável é a do art. 139 do DL nº 37/1966, com prazo de cinco anos, contados da data da infração. DECADÊNCIA. ART. 107, IV, “B”, DO DL Nº 37/1966, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.833/2003. ART. 139 do DL Nº 37/1966. A não entrega de documentação é que configura o fato gerador da infração, a qual ocorreu há menos de cinco anos, inexistindo, portanto, decadência. DECADÊNCIA. MULTAS DE CONTROLE ADUANEIRO. ART. 70, II, “B”, DA LEI Nº 10.833/2003. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 139 do DL nº 37/1966. Em relação às multas de controle aduaneiro, previstas no art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003, a infração ocorre na data do registro das DIs sem a necessária documentação probante. Impõese, assim, o reconhecimento da decadência da cominação das multas, dispostas no art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003, vinculadas a infrações ocorridas há mais de cincos da data da ciência da autuação, nos termos do art. 139 do DL nº 37/1966. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. ART. 44, § 1º, DA LEI 9.430/1996. A multa de ofício acompanha o lançamento de ofício, devendo ser duplicada no caso de fraude. MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES DO IMPORTADOR DE INSTRUIR A DI. ART. 70, II, B, DA LEI 10.833/2003. O descumprimento de obrigações do importador, que resultem em arbitramento do valor aduaneiro, faz incidir as multas cumulativas de controle aduaneiro do art. 70, II, b, da Lei 10.833/2003, sem prejuízo de outras penalidades aplicáveis. MULTA. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO. ART. 107, IV, “B”, DO DL Nº 37/1966. Não apresentada a documentação solicitada pela fiscalização à autuada, por esta última não mais possuíla, cabe a cominação da multa fixa de cinco mil reais, prevista no art. 107, IV, “b”, do DL nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, sob pena de se permitir sua aplicação, indefinidamente, mês a mês. MULTA. CONFISCO. EXCESSO. PROPORCIONALIDADE. Não se conhece das teses da recorrente que implicam no afastamento da legislação tributária, por conta dos seus efeitos confiscatórios, excessivos ou desproporcionais, diante da incompetência do CARF para avaliar a constitucionalidade das normas jurídicas, conforme sedimentado na Súmula CARF nº 2. Recurso voluntário conhecido em parte. Na parte conhecida, rejeitada a preliminar de nulidade do auto de infração e dado parcial provimento ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10774.000039/201191 Acórdão n.º 3202000.976 S3C2T2 Fl. 3.108 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e; no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Em relação à multa prevista no art. 107, IV, "b" do Decretolei nº. 37/66, votaram pelas conclusões os Conselheiros Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Irene Souza da Trindade Torres Oliveira. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Charles Mayer de Castro Souza, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração para a constituição de tributos (II, IPI, PIS/COFINSImportação), decorrentes da reclassificação fiscal de mercadorias importadas e do arbitramento do valor desses produtos, em face da caracterização de fraude de subfaturamento. Também foram lançados os juros de mora e cominadas diversas penalidades pela autoridade fiscal. Efetivamente, foram aplicadas: (i) multa de oficio agravada no percentual de 150%, por existência de fraude, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/199; (ii) duas multas, no percentual de 5% do valor aduaneiro e no percentual de 100% sobre a diferença entre o valor declarado e o montante arbitrado, de que tratam o art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003, em razão do descumprimento da obrigação do importador ora recorrente de manter os documentos comprobatórios da operação; (iii) multa por classificação incorreta de mercadoria, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 c/c o art. 69 da Lei nº 10.833/2003; (iv) multa por não atendimento da fiscalização, regida pelo art. 107, IV, “b”, do DL nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Cientificada do lançamento (fl. 1767), a interessada apresentou impugnação, em 17/02/2012 (fls. 1773 e ss), a qual a DRJ julgou parcialmente procedente (fl. 2.981 e ss). O acórdão recorrido rejeitou, por ausência de provas, a alegação da recorrente de que o auto de infração seria nulo, porque, supostamente, teria lançado tributos que, à época, já seriam objeto de declaração retificadora e de parcelamento. Igualmente, o acórdão recorrido rejeitou a preliminar de mérito, suscitada pela empresa, de que a exigibilidade do crédito tributário teria sido alcançada pela decadência, porque não se aplicava a regra de contagem do art. 150, §4º, mas, sim, a regra do art. 173, I, do CTN, diante da ocorrência de fraude, conforme entendimento firmado pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 35/2003. Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 Firmada essa premissa, considerando que a empresa foi intimada do auto de infração, em 19/01/2012 e a penalidade por ausência de apresentação das faturas originais, relativas às DI registradas antes de janeiro de 2007, somente poderia ser aplicada a partir de 03/05/2011, a DRJ concluiu que inexistiu a decadência alegada. Com relação às demais exigências fiscais, como diferença de tributos em razão de fraude de subfaturamento, acrescida de multa de ofício qualificada, juros de mora e multa de 100% entre o valor declarado e o arbitrado; bem como as multas por classificação fiscal incorreta e de 5% sobre o valor aduaneiro, em razão da não apresentação de documentos obrigatórios, o acórdão recorrido verificou que todas elas foram lançadas, relativamente a operações registradas a partir de 15 de janeiro de 2007, o que afastava a também a ocorrência da decadência. Quanto ao subfaturamento, a DRJ ratificou o entendimento da fiscalização, segundo a qual houve prática reiterada, pela empresa, ao longo de mais quatro anos, no sentido de declarar o preço fixo e fictício de US$ 1,30/kg em oitenta e seis importações de diversos produtos, oriundos de vários países, valendose, para tanto, da apresentação de faturas com preços falsos às autoridades aduaneiras, o que levou a autoridade fiscal a fazer o arbitramento, na forma do art. 88 I, da MP 2.158/2001. No que diz respeito à reclassificação fiscal, o acórdão recorrido igualmente ratificou o procedimento da fiscalização, a qual constatou a utilização do mesmo código de classificação fiscal (NCM 3920.43.90) para diferentes mercadorias. Nesse contexto, a DRJ ratificou a revisão aduaneira, que abrangeu a revisão da classificação de cada tipo de mercadoria importada pela recorrente, a saber: a) filme de poliéster com espessura até 40 micrômetros foi classificado no NCM 3920.62.19; b) filme de poliéster com espessura superior a 40 micrômetros foi classificado na NCM 3920.62.91; c) chapas de filme de poliéster tipo DMD ou NMN foram classificadas na NCM 3921.90.19; d) press paper foi enquadrado na NCM 4804.3, 4804.4 ou 4805, por ausência de mais detalhes do produto; e e) papel impregnado medida isolex na NCM 4811.59.29. Ainda de acordo com o aresto recorrido, todas as multas aplicadas se subsumem às condutas da empresa, verificadas pela fiscalização, sendo, por esse motivo, no seu entender, escorreita sua cominação. Porém, para a DRJ, o auto de infração se equivocou no método de apuração da penalidade, relativamente a não apresentação das faturas originais, prevista no art. 70 da Lei nº 10.833/2003. Na perspectiva do acórdão, o lançamento da citada multa era parcialmente improcedente, pois deveria ser apurada com os seguintes critérios: Sendo inequívoco que a impugnante deixou de apresentar à fiscalização as faturas originais requisitadas, é legítima também a aplicação dessa multa, face ao seu caráter cumulativo com as multas previstas pelo inciso II do art. 70 da Lei nº 10.833/2003, conforme expressa previsão do § 6º desse normativo. Todavia, discordamos do método de cálculo utilizado pela autoridade fiscal para aplicar essa multa, consoante as razões que passamos a expor. [...] Entendemos, assim, que o descumprimento da obrigação de apresentar à fiscalização e/ou manter em boa guarda e ordem os Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10774.000039/201191 Acórdão n.º 3202000.976 S3C2T2 Fl. 3.109 5 documentos somente se caracteriza quando vencido definitivamente o prazo dado pela fiscalização para sua apresentação e/ou quando se constata o descumprimento de mantêlos em boa guarda e ordem. No presente caso, a impugnante foi intimada, em 11/04/11 (fls. 1.270/1.273) para apresentar as faturas originais, sendolhe concedido prazo de vinte dias, o qual venceu em 02/05/2011. Em sua resposta de 04/05/2011 (fls. 1.277/1.278), informou sobre o extravio e, por corolário lógico, da impossibilidade de apresentálas. Diante desse contexto, concluímos que o fato gerador da multa ocorreu em 03/05/2011, uma vez que a partir dessa data a impugnante tornouse inadimplente, em face do decurso do prazo concedido para apresentação das faturas originais. Quanto ao método utilizado na contagem do número de meses para a aplicação da pena (vide demonstrativo de fls. 1.529/1.531), observamos que a autoridade fiscal relacionou as faturas que deixaram de ser apresentadas às respectivas DI. E, considerando as datas de registro de cada uma delas, computou a quantidade de meses em que foram registradas DI para as quais não houve a apresentação dos documentos obrigatórios, chegando ao número de quarenta e um meses e ao valor lançado de R$ 205.000,00. Observese que foram relacionadas DI registradas no período de 10/01/2006 a 13/04/2010. Referida interpretação não nos parece consentânea com a legislação, uma vez dela não constar que a multa seja aplicada no mês calendário em que a guarda dos documentos tornouse obrigatória; mas sim por mês calendário, a quem não apresentar à fiscalização os documentos, ou não mantiver os correspondentes arquivos em boa guarda e ordem. Sendo assim, depreendese da redação da norma que a multa por mêscalendário somente é passível de ser aplicada a partir da ocorrência da infração, materializada nas condutas de não apresentar os documentos obrigatórios e/ou não manter os respectivos arquivos em boa guarda e ordem, até enquanto perdurar a inadimplência, respeitado o decurso do prazo decadencial relativo às transações a que se referem. Na hipótese dos autos, portanto, como a infração ocorreu em 03/05/2011, a contagem deve ser feita a partir dessa data em diante, até porque antes dela a infração em tela não se havia caracterizado e, por óbvio, não há que se falar em punição. Logo, ocorrida a infração em 03/05/2011, devese utilizar essa data como termo de início para aplicação da pena e, como término, a data da lavratura do auto de infração, o qual constituiu o respectivo crédito tributário. Esse procedimento, por óbvio não afasta a possibilidade de lançamento complementar da multa relativamente aos meses subsequentes, respeitado o decurso do prazo decadencial. Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 No caso, considerando que o auto de infração foi lavrado em janeiro de 2012, a multa deve ser aplicada por nove meses, perfazendo o valor de R$ 45.000,00. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, (fls. 3.022 e ss.), reiterando suas razões articuladas na impugnação, com o objetivo de ver decretada a nulidade ou a improcedência do auto de infração. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Considerando que o recurso voluntário aborda diversos temas, passo a analisar topicamente cada um deles. Violação ao devido processo legal A recorrente defende que o auto de infração é nulo, porque violou o devido processo legal, quando os lançou tributos que já são objeto de declaração retificadora e de parcelamento. Apreciando esse ponto, o acórdão recorrido assentou o seguinte: Finalmente, embora impugnante alegue que o auto de infração viola o devido processo legal por exigir o pagamento de tributos que já são objeto de declarações retificadoras e parcelamento, não encontramos nos autos quaisquer provas a referendar o alegado. Mesmo tendo a DRJ asseverado que a recorrente nada provou quanto ao tema, a empresa, em seu recurso, reitera seus argumentos, sem, contudo, indicar qualquer prova que dê guarida a sua pretensão. Por isso, ausentes motivos de fato que infirmem o aresto recorrido, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. Subfaturamento Quanto ao subfaturamento, a DRJ ratificou o entendimento da fiscalização, segundo a qual houve prática reiterada, pela empresa, ao longo de mais quatro anos, no sentido de declarar o preço fixo e fictício de US$ 1,30/kg em oitenta e seis importações de diversos produtos, oriundos de vários países, valendose, para tanto, da apresentação de faturas com preços falsos às autoridades aduaneiras, o que levou a autoridade fiscal a fazer o arbitramento, na forma do art. 88 I, da MP 2.158/2001. In verbis: Art.88.No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10774.000039/201191 Acórdão n.º 3202000.976 S3C2T2 Fl. 3.110 7 importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: Ipreço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; IIpreço no mercado internacional, apurado: a)em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b)de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c)mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único.Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Na ótica da autoridade fiscal, a empresa não apresentou justificativa plausível, no curso da fiscalização, para indicar preço idêntico para mercadorias diferentes (rolos de películas de poliéster, rolos de press paper, rolos de papel impregnado de plástico, rolos de filmes DMD, rolos de filme NMN), adquiridas de múltiplos fornecedores. Tampouco, houve explicação verossímil do porquê os preços começaram a variar – como seria e é natural – somente a partir da DI nº 10/08520677, registrada em 24/05/2010 (cf. Termo de Constatação às fls. 1.510 e ss.). Acrescentese, ainda, que a fiscalização constatou que em quatro transações (objeto das DI 09/12134997, 10/08709010, 10/10234163 e 10/10449631) foram apresentadas cópias de duas faturas comerciais para a mesma operação, com preços diferentes (vide Anexo A, fls. 1.535/1.548). Da mesma forma, naquelas que contêm o valor de US$ 1,30 o layout difere das outras nas quais os valores dos produtos são mais elevados. Com base nesse conjunto probatório foi constatado o subfaturamento, passando a autoridade fiscal a averiguar o valor real da transação. A fiscalização utilizou o preço menor e mais antigo das DIs da própria recorrente, alusivas a importação dos mesmos produtos ou mercadorias similares, utilizadas, posteriormente, à DI nº 10/08520677 a partir da qual os produtos passaram a oscilar de valor, com o objetivo de fixar o preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar, exigido pelo art. 88 I, da MP 2.158/2001 (fls.1.519 e ss.). Em seu recurso voluntário, a empresa defende que as conclusões da autoridade fiscal seriam tendenciosas e sem base probatória, pois os preços declarados foram Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 os efetivamente praticados, conforme comprovaria declaração de um de seus fornecedores, contratos de câmbio do Itaú S.A., comprovante de importação da SRF, extrato de declaração de importação da SRF e as próprias DIs. Ainda de acordo com a recorrente, os preços mais baixos em relação ao mercado teriam ocorrido em função da baixa qualidade dos produtos e o fato destes não terem garantia, sendo, ainda, algumas mercadorias oriundas da China, onde teria havido uma suposta enchente que teria provocado a queda de preços. Os indigitados argumentos, todavia, foram reprovados pelo acórdão recorrido, de forma precisa e contundente. Considerando que o recurso voluntário apenas reitera as razões já lançadas em sua impugnação nesse tópico, incorporo as razões de decidir do aresto recorrido, abaixo transcritas: As alegações da impugnante no sentido de que os documentos apresentados contratos de câmbio do Banco Itaú, faturas comerciais, comprovantes de importação da SRF, extratos das DI comprovam que o preço praticado foi de US$ 1,30, obviamente não se sustentam. Isto porque referidos documentos foram todos elaborados com base nas informações constantes das faturas comerciais, cuja falsidade está demonstrada nos autos. A impugnante menciona ainda, por diversas vezes, documento consubstanciado em declaração do fornecedor, objetivando comprovar que foi estabelecida uma parceria onde os produtos de qualidade inferior seriam fornecidos a um preço fixo no período de 2006 a 2010. Compulsando os autos, verificamos tratarse do expediente de fl. 1.903, onde consta o timbre do exportador chinês TJPFTZ L.X. INTERNATIONAL TRADING CO.,LTD, cujo signatário não se encontra identificado. Nesse documento, há uma declaração em língua inglesa, assim traduzida para o português na peça impugnatória: “no período que corresponde a 2006/2010, a empresa MRV do BRASIL LTDA comprou produtos de qualidade inferior, porque eles precisavam de baixo custo para enfrentar o mercado brasileiro, como resultado estabeleceram parceria onde os produtos seriam fornecidos com um valor fixo de US$ 1,30 neste período, por fim diz que a impugnante pagou regularmente sem atrasos”. Referido expediente, porém, não se encontra acompanhado de qualquer elemento de prova a atestar sua fidedignidade, posto que sequer o respectivo signatário encontrase identificado. Ademais, referese apenas a um dos fornecedores da impugnante, inexistindo nos autos quaisquer outras declarações ou documentos a atestar a realidade do preço declarado nas demais operações. [...] Considerando que a impugnante alega haver importado diferentes produtos de diferentes fornecedores em diferentes países, ao longo de mais de quatro anos, sempre pelo mesmo preço, é evidente a contradição de que padecem seus argumentos. Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10774.000039/201191 Acórdão n.º 3202000.976 S3C2T2 Fl. 3.111 9 Assim, nego provimento ao recurso voluntário para manter o acórdão recorrido, por seus próprios fundamentos, reconhecendo a existência de fraude na indicação dos preços da mercadoria importada, de modo a julgar válido o arbitramento realizado nos moldes do art. 88, I, da MP 2.158/2001. Decadência Aprecio, agora, a alegação de decadência do crédito tributário e antecipo, de logo, que, diante da ocorrência de fraude, não se aplica a regra de contagem do art. 150, §4º, do CTN, conforme preceitua essa mesma norma: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não aplicável a regra especial de contagem do prazo decadencial, prevista no art. 150, §4º, deve prevalecer, quanto à obrigação principal, os juros e a multa de ofício, a regra geral do art. 173, I, do CTN, contandose o lustro decadencial a partir do ano seguinte ao que lançamento poderia ter sido realizado. No entanto, especificamente no caso das penalidades aduaneiras, prevalece a regra dos arts. 138 e 139 do DL nº 37/1966, contando o prazo de cinco anos, contados a partir da data da infração: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. In casu, a empresa tomou ciência do auto de infração, em 19/01/2012. Significa dizer, que, em tese, os lançamentos relativos a obrigação principal e seus consectários, geradas no ano de 2006, foram alcançados pela decadência em 1º/01/2012 (art. 173, I, do CTN) e, no caso das penalidades aduaneiras, as infrações ocorridas antes 19/01/2007 foram extintas pela ocorrência da decadência (art. 139 do DL nº 37/1966). Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 10 Como assentou o acórdão recorrido, os lançamentos alusivos ao período anteriores a 15/01/2007 só dizem respeito às multas de controle aduaneiro. Ipso facto, não há que se falar em decadência dos lançamentos alusivos à obrigação principal (subfaturamento e reclassificação fiscal), multa de ofício e juros. Resta examinar, pois, a alegada decadência da aplicação das penalidades aduaneiras, contada na forma do art. 139 do DL nº 37/1966. No que diz respeito à penalidade, disciplinada no art. 107, IV, “b”, do DL nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, a DRJ entendeu que inexistiu decadência, porquanto o fato gerador das multas em questão somente teria ocorrido quando a empresa deixou de apresentar tempestivamente as faturas originais à fiscalização, em 03/05/2011, o que, na sua ótica, constituiria o marco inicial de contagem do prazo de decadência. Eis suas palavras: Entendemos, assim, que o descumprimento da obrigação de apresentar à fiscalização e/ou manter em boa guarda e ordem os documentos somente se caracteriza quando vencido definitivamente o prazo dado pela fiscalização para sua apresentação e/ou quando se constata o descumprimento de mantêlos em boa guarda e ordem. No presente caso, a impugnante foi intimada, em 11/04/11 (fls. 1.270/1.273) para apresentar as faturas originais, sendolhe concedido prazo de vinte dias, o qual venceu em 02/05/2011. Em sua resposta de 04/05/2011 (fls. 1.277/1.278), informou sobre o extravio e, por corolário lógico, da impossibilidade de apresentálas. Diante desse contexto, concluímos que o fato gerador da multa ocorreu em 03/05/2011, uma vez que a partir dessa data a impugnante tornouse inadimplente, em face do decurso do prazo concedido para apresentação das faturas originais. Concordo com o acórdão recorrido nessa parte, razão pela qual não reconheço a decadência em relação à penalidade do art. 107, IV, “b”, do DL nº 37/1966. Todavia, em relação às multas de controle aduaneiro, previstas no art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003, entendo que a infração ocorre na data do registro da DIs sem a necessária documentação probante. In verbis: Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará:(Vide) I se relativo aos documentos comprobatórios da transação comercial ou os respectivos registros contábeis: a) a apuração do valor aduaneiro com base em método substitutivo ao valor de transação, caso exista dúvida quanto ao valor aduaneiro declarado; e b) o nãoreconhecimento de tratamento mais benéfico de natureza tarifária, tributária ou aduaneira eventualmente concedido, com efeito retroativos à data do fato gerador, caso não sejam apresentadas provas do Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10774.000039/201191 Acórdão n.º 3202000.976 S3C2T2 Fl. 3.112 11 regular cumprimento das condições previstas na legislação específica para obtêlo; II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: a) o arbitramento do preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo, conforme os critérios definidos no art. 88 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, se existir dúvida quanto ao preço efetivamente praticado; e b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. § 1oOs documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal venha a exigir em ato normativo. § 2oNas hipóteses de incêndio, furto, roubo, extravio ou qualquer outro sinistro que provoque a perda ou deterioração dos documentos a que se refere o § 1o, deverá ser feita comunicação, por escrito, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas do sinistro, à unidade de fiscalização aduaneira da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o domicílio matriz do sujeito passivo. § 3oAs multas previstas no inciso II do caput não se aplicam no caso de regular comunicação da ocorrência de um dos eventos previstos no § 2o. § 4oSomente produzirá efeito a comunicação realizada dentro do prazo referido no § 2oe instruída com os documentos que comprovem o registro da ocorrência junto à autoridade competente para apurar o fato. § 5oNo caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, a guarda dos documentos referidos no caput será atribuída à pessoa responsável pela guarda dos demais documentos fiscais, nos termos da legislação específica. § 6oA aplicação do disposto neste artigo não prejudica a aplicação das multas previstas no art. 107 do DecretoLei no37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 desta Lei, nem a aplicação de outras penalidades cabíveis. Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 12 Efetivamente, há decadência dos lançamentos das multas de controle aduaneiro, dispostas no art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003, vinculadas a DIs registradas até 18/01/2007, na forma dos arts. 138 e 139 do DL nº 37/1966. Desse forma, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para decretar a decadência, tão somente, das cominações das multas de controle aduaneiro, dispostas no art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003, vinculadas a infrações ocorridas há mais de cincos, nos termos dos arts. 138 e 139 do DL nº 37/1966. Multa por lançamento de ofício Como visto, a ocorrência de fraude pelo subfaturamento dos produtos importados redundou na aplicação da multa de ofício agravada, nos termos do art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A sanção acima destacada acompanha todos os casos de lançamento de ofício e é dobrada quando haja fraude devidamente comprovada, como ocorre no presente caso, merecendo ser negado o recurso voluntário quando pede sua exclusão. Multas em razão do descumprimento de obrigações aduaneiras Especificamente em razão do descumprimento da obrigação do importador ora recorrente de manter os documentos comprobatórios, foi cominada as duas multas, no percentual de 5% do valor aduaneiro e no percentual de 100% sobre a diferença entre o valor declarado e o montante arbitrado, de que tratam o art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003: Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará:(Vide) I se relativo aos documentos comprobatórios da transação comercial ou os respectivos registros contábeis: a) a apuração do valor aduaneiro com base em método substitutivo ao valor de transação, caso exista dúvida quanto ao valor aduaneiro declarado; e Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10774.000039/201191 Acórdão n.º 3202000.976 S3C2T2 Fl. 3.113 13 b) o nãoreconhecimento de tratamento mais benéfico de natureza tarifária, tributária ou aduaneira eventualmente concedido, com efeito retroativos à data do fato gerador, caso não sejam apresentadas provas do regular cumprimento das condições previstas na legislação específica para obtêlo; II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: a) o arbitramento do preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo, conforme os critérios definidos no art. 88 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, se existir dúvida quanto ao preço efetivamente praticado; e b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. § 1oOs documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal venha a exigir em ato normativo. § 2oNas hipóteses de incêndio, furto, roubo, extravio ou qualquer outro sinistro que provoque a perda ou deterioração dos documentos a que se refere o § 1o, deverá ser feita comunicação, por escrito, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas do sinistro, à unidade de fiscalização aduaneira da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o domicílio matriz do sujeito passivo. § 3oAs multas previstas no inciso II do caput não se aplicam no caso de regular comunicação da ocorrência de um dos eventos previstos no § 2o. § 4oSomente produzirá efeito a comunicação realizada dentro do prazo referido no § 2oe instruída com os documentos que comprovem o registro da ocorrência junto à autoridade competente para apurar o fato. § 5oNo caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, a guarda dos documentos referidos no caput será atribuída à pessoa responsável pela guarda dos demais documentos fiscais, nos termos da legislação específica. § 6oA aplicação do disposto neste artigo não prejudica a aplicação das multas previstas no art. 107 do DecretoLei no37, Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 14 de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 desta Lei, nem a aplicação de outras penalidades cabíveis. O § 6º do artigo acima transcrito estabelece que as duas multas não impedem a aplicação da multa do art. 107 do Decretolei nº 37/1966 nem qualquer outras penalidades cabíveis, sendo, desse modo, cabíveis sua cominação cumulativa, nos casos de arbitramento. Logo, merece ser negado o recurso voluntário. Multa por reclassificação fiscal Além do subfaturamento, a fiscalização constatou que foi utilizado o mesmo código de classificação fiscal (NCM 3920.43.90) para diferentes mercadorias coincidentemente até a DI nº 10/08520677, registrada em 24/05/2010, a partir de quando a empresa passou a utilizar mais de um código NCM. Nesse contexto, o procedimento de revisão aduaneira abrangeu, por igual, a revisão da classificação das mercadorias: a) filme de poliéster com espessura até 40 micrômetros foi classificado no NCM 3920.62.19; b) filme de poliéster com espessura superior a 40 micrômetros foi classificado na NCM 3920.62.91; c) chapas de filme de poliéster tipo DMD ou NMN foram classificadas na NCM 3921.90.19; d) press paper foi enquadrado na NCM 4804.3, 4804.4 ou 4805, por ausência de mais detalhes do produto; e e) papel impregnado medida isolex na NCM 4811.59.29. Em seu recurso, a empresa concorda com as classificações realizadas pela autoridade fiscal, se limitando a dizer que não caberia multa por classificação incorreta, na medida em que a própria autoridade fiscal teria verificado que o erro foi culposo, não intencional. Entretanto, diferentemente do defendido pela recorrente, a ausência de dolo no erro de classificação não configura causa de anistia da multa, nos termos do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 c/c o art. 69 da Lei nº 10.833/2003: Art.84.Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1oO valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2oA aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. **** Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10774.000039/201191 Acórdão n.º 3202000.976 S3C2T2 Fl. 3.114 15 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. Ademais, mantido o arbitramento, como ora se julga, por óbvio essa deve ser a base de cálculo para a incidência da multa. Por conseguinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a penalidade prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Multa por não apresentação das faturas originais A multa por não atendimento da fiscalização encontrase prevista no art. 107, IV, “b”, do DL nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Ipisis litteris: Art. 107.Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) [...] b) por mêscalendário, a quem não apresentar à fiscalização os documentos relativos à operação que realizar ou em que intervier, bem como outros documentos exigidos pela Secretaria da Receita Federal, ou não mantiver os correspondentes arquivos em boa guarda e ordem; Segundo a empresa, a indigitada penalidade não deveria ser aplicada, porque teria havido extravio da documentação, conforme comprovaria a folha do caderno de Classificados do jornal Cruzeiro do Sul de 18/04/2011 a qual contém na página B8 um anúncio de comunicado informando que foram extraviadas os originais das DIs, faturas comerciais e contratos de câmbio correspondentes exatamente às DIs relacionadas na intimação. A despeito disso, entendo que é improcedente a argumentação da empresa, pois, além de tal publicação nada provar acerca do alegado extravio, o referido procedimento não a exime da penalidade. Em caso de extravio ou sinistro, a recorrente teria que realizar as formalidades exigidas no art. 70, § 2º, da Lei nº 10.833/2003. Leiase: Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: [...] § 2oNas hipóteses de incêndio, furto, roubo, extravio ou qualquer outro sinistro que provoque a perda ou deterioração dos documentos a que se refere o § 1o, deverá ser feita comunicação, por escrito, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas do sinistro, à Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 16 unidade de fiscalização aduaneira da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o domicílio matriz do sujeito passivo. Por igual, não procede a tese da recorrente, de que a documentação não seria necessária ao objeto da fiscalização, tendo em vista que foi, justamente, a inverossimilhança dos dados apresentados que provocaram a intimação para que fosse apresentadas as faturas originais. Irreprochável, portanto, a aplicação da multa por não atendimento da fiscalização encontrase prevista no art. 107, IV, “b”, do DL nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Comprovada a infração, o acórdão passou a examinar a metodologia de cálculo da multa aplicada contra a empresa, à luz de sua interpretação do art. 107 acima transcrito. O auto de infração apurou a multa de cinco mil reais, contada a partir do mês de registro de cada DI a que se referia a fatura original não apresentada, tendo a DRJ, por maioria, refeito o cálculo para incidir a multa a partir do mês do não atendimento do termo de intimação em diante. Eis suas palavras: Quanto ao método utilizado na contagem do número de meses para a aplicação da pena (vide demonstrativo de fls. 1.529/1.531), observamos que a autoridade fiscal relacionou as faturas que deixaram de ser apresentadas às respectivas DI. E, considerando as datas de registro de cada uma delas, computou a quantidade de meses em que foram registradas DI para as quais não houve a apresentação dos documentos obrigatórios, chegando ao número de quarenta e um meses e ao valor lançado de R$ 205.000,00. Observese que foram relacionadas DI registradas no período de 10/01/2006 a 13/04/2010. Referida interpretação não nos parece consentânea com a legislação, uma vez dela não constar que a multa seja aplicada no mês calendário em que a guarda dos documentos tornouse obrigatória; mas sim por mês calendário, a quem não apresentar à fiscalização os documentos, ou não mantiver os correspondentes arquivos em boa guarda e ordem. Sendo assim, depreendese da redação da norma que a multa por mêscalendário somente é passível de ser aplicada a partir da ocorrência da infração, materializada nas condutas de não apresentar os documentos obrigatórios e/ou não manter os respectivos arquivos em boa guarda e ordem, até enquanto perdurar a inadimplência, respeitado o decurso do prazo decadencial relativo às transações a que se referem. Na hipótese dos autos, portanto, como a infração ocorreu em 03/05/2011, a contagem deve ser feita a partir dessa data em diante, até porque antes dela a infração em tela não se havia caracterizado e, por óbvio, não há que se falar em punição. Logo, ocorrida a infração em 03/05/2011, devese utilizar essa data como termo de início para aplicação da pena e, como término, a data da lavratura do auto de infração, o qual constituiu o respectivo crédito tributário. Esse procedimento, por óbvio não afasta a possibilidade de lançamento complementar da multa relativamente aos meses subsequentes, respeitado o decurso do prazo decadencial. Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10774.000039/201191 Acórdão n.º 3202000.976 S3C2T2 Fl. 3.115 17 No caso, considerando que o auto de infração foi lavrado em janeiro de 2012, a multa deve ser aplicada por nove meses, perfazendo o valor de R$ 45.000,00. Entretanto, discordo de ambas as metodologias de cálculo, tanto a do auto de infração quanto a do acórdão recorrido. A meu ver, quando a contribuinte não guardou a documentação, como exigido pela legislação tributária, e, por conseqüência, deixou de atender a intimação fiscal, aplicase a multa única de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), sob pena de, nessas circunstâncias, a penalidade se multiplicar indefinidamente ao longo do tempo. A interpretação da lei não pode conduzira ao absurdo. Desse modo, acostandome ao entendimento exarado no voto vencido do Sr. PAULO BAZ AGRA, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir a multa para o valor fixo de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), com fundamento no art. 107, IV, “b”, do DL nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Por fim, não conheço das teses da recorrente que implicam no afastamento da legislação tributária, por conta dos seus efeitos confiscatórios, excessivos ou desproporcionais, diante da incompetência do CARF para avaliar a constitucionalidade das normas jurídicas, conforme sedimentado na Súmula CARF nº 2. Ante o exposto, conheço em parte o recurso voluntário. Na parte conhecida, REJEITO a preliminar de nulidade do auto de infração e voto para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para: a) decretar a decadência dos lançamentos das multas, dispostas no art. 70, II, “b”, da Lei nº 10.833/2003, vinculadas às DIs registradas até 18/01/2007, nos termos dos arts. 138 e 139 do DL nº 37/1966; b) reduzir a multa, disposta no art. 107, IV, “b”, do DL nº 37/1966, para o valor fixo de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 23034.042423/2006-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1993 a 31/12/2003
CERCEAMENTO DE DEFESA. IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA NÃO ANALISADA.
Tendo ficado provado nos autos que a impugnação foi tempestivamente protocolizada, nos moldes do ADN COSIT 19/1997 e §5º do art. 56 do Decreto 7.574/2011, deve a decisão de primeira instância que a não conheceu ser anulada para evitar o cerceamento de defesa.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2301-003.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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IMPUGNAÇÃO TEMPESTIVA NÃO ANALISADA. Tendo ficado provado nos autos que a impugnação foi tempestivamente protocolizada, nos moldes do ADN COSIT 19/1997 e §5º do art. 56 do Decreto 7.574/2011, deve a decisão de primeira instância que a não conheceu ser anulada para evitar o cerceamento de defesa. Decisão de Primeira Instância Anulada. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 04 24 23 /2 00 6- 17 Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que não conheceu a impugnação apresentada pela (o) interessada (o). O órgão julgador a quo, em sessão de 18 de abril de 2011, apontou que a impugnação foi apresentada em 08/01/2007, ao passo que o prazo final para a apresentação desta seria 05/01/2007, tendo em conta que a empresa teria quinze dias para apresentar a defesa, segundo a legislação vigente. Por conta disso, deixou de conhecer a impugnação. A interessada foi cientificada do decisório em 21/06/2011, fls. 117. O recurso voluntário, apresentado em 21/07/2011, fls. 1224/1226, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Apontou que o protocolo da impugnação foi apresentado em 05/01/2007, fls. 1227, ou seja, dentro do prazo legal. Argumentou que o ADN 19/97 da COSIT determina que seja considerada a data de postagem como a data de protocolização de recursos. É o relatório. Fl. 1235DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 23034.042423/200617 Acórdão n.º 2301003.600 S2C3T1 Fl. 1.234 3 Voto Vencido Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. A decisão de primeira instância apontou que o prazo final para apresentação da impugnação era 05/01/2007, mas a respectiva peça teria sido apresentada em 08/01/2007. No entanto, a recorrente provou com o documento de fls. 1227 que postou a indigitada peça no dia 05/01/2007 e requereu a aplicação do ADN 19/97 da COSIT. Tem razão a recorrente. O ADN 19/97 e o §5º do art. 56 do Decreto 7.574/2011 amparam seu pleito, bem como, com mais força, o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal (CF) que lhe assegura o direito à ampla defesa. Os dispositivos citados autorizam a aplicação do conteúdo do ADN 19/97 ao caso, ainda que à época tal diploma infralegal não fosse estritamente aplicável ao caso. O princípio da moralidade, insculpido no art. 37 da CF, conduz a administração pública a ter todo o interesse em ver discutida a certeza e a liquidez do crédito tributário com respeito aos direitos do contribuinte. Ademais, o Decreto 7.74/2011 não inova no ordenamento , mas apenas declara, esclarece o que já era conteúdo cogente. Nesse sentido temos jurisprudência desse Colegiado: 10166.901861/200833 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Data do fato gerador: 06/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE ENCAMINHADA POR VIA POSTAL. COMPROVAÇÃO DO RECEBIMENTO. PROVA INDIRETA. A comprovação de postagem tempestiva de correspondência à Receita Federal e existência de memorando atestando sua existência juntamente com outras do mesmo contribuinte é prova indireta de seu regular encaminhamento à Receita Federal e justifica o conhecimento da peça ainda que a cópia somente seja autuada na fase recursal. PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. TEMPESTIVIDADE. VIA POSTAL. A tempestividade da petição enviada por via postal aferese pela data de postagem constante do Comprovante de postagem emitidos pelos Correios. Acórdão de primeira instância anulado. Fl. 1236DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 15504.100261/201013 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.TEMPESTIVIDADE. REMESSA DA IMPUGNAÇÃO/RECURSO PELOS CORREIOS. Para os efeitos da tempestividade, considerase como data da entrega a da postagem da petição, constante do Aviso de Recebimento (AR) ou na sua falta, será considerada como data da entrega a data constante do carimbo aposto pelos Correios no envelope, quando da postagem da correspondência. (Ato Declaratório Normativo COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO COSIT nº 19 de 26.5.1997 D.O.U.: 27.5.1997). (...) Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário de modo a anular a decisão de primeira instância para permitir que outra decisão do órgão julgador a quo seja emitida com análise do mérito. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1237DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 23034.042423/200617 Acórdão n.º 2301003.600 S2C3T1 Fl. 1.235 5 Voto Vencedor Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério Redator Designado : Fl. 1238DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/08/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000061/2004-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Exercício: 2000
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, por ambas recaírem sobre a receita omitida.
Numero da decisão: 9101-001.680
Decisão: Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2000 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, por ambas recaírem sobre a receita omitida.
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CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. É incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigida pela constatação de omissão de receitas, por ambas recaírem sobre a receita omitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada) e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente substituto), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Karem Jureidini Dias, Viviane Vidal Wagner (Suplente Convocada), Valmir Sandri, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 467/475) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 7°, inciso II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, Anexo II, de 25 de junho de 2007. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 180300.255 por meio do qual os membros da 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho que, por maioria de votos, deram provimento ao recurso do contribuinte. O acórdão recorrido foi assim ementado: “Ementa: MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO — PAGAMENTO POR ESTIMATIVA — CONCOMITÂNCIA — Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece o quantum do tributo efetivamente devido apurado no ajuste. A exigência concomitante da multa isolada e da multa de oficio configura dupla incidência de penalidade sobre uma mesma infração.” A Fazenda Nacional, em suas razões recursais, afirmou que o acórdão diverge da jurisprudência de outra Câmara deste Conselho que determina a manutenção da multa isolada aplicada em concomitância com a multa de oficio, ainda que encerrado o ano calendário e efetuado o ajuste anual. Nesse passo trouxe como paradigma o acórdão 10194858, assim ementado: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO — AC. 1998. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE — descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade de dispositivos legais, matéria sob a qual tem competência exclusiva o Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS CONCOMITÂNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL — A impetração de Ação Judicial para discussão da mesma matéria tributada no Auto de Infração, importa em renúncia ao litígio administrativo, impedindo o conhecimento do mérito do recurso, resultando em constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO — CABIMENTO SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO — EMBARGOS DE Fl. 380DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000061/200437 Acórdão n.º 9101001.680 CSRFT1 Fl. 375 3 DECLARAÇÃO INFRINGENTES APÓS LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO — PROCESSO JUDICIAL EM CURSO — É cabível a manutenção de multa de oficio lançada na ausência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Apesar dos efeitos infringentes da decisão nos Embargos de Declaração publicados depois da ciência do lançamento, na data deste não havia suspensão da exigibilidade do credito tributário. A pendência de decisão judicial é questão prejudicial à exclusão da multa de oficio, por isso, esta deve ser mantida ate a decisão judicial do mérito, que se for favorável à tese da autuada resultará em sua extinção. LANÇAMENTO DE OFÍCIO VALOR DECLARADO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA — INEXISTÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA — DECLARAÇÃO INEXATA CABIMENTO — Cabível o lançamento de oficio de parcela equivocadamente informada na DIPJ como estando com sua exigibilidade suspensa, por caracterizar a "declaração inexata" constante da parte final do inciso I do artigo 44 da lei n° 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de oficio, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por consequência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido". Transcreveu, ainda, o seguinte trecho do acórdão: "Alegar que os recolhimentos por estimativa perdem sua eficácia após a devida apuração do imposto pelo lucro real não tem qualquer implicação com a imposição da multa de oficio, posto que aquela, como vimos, é penalidade a ser aplicada pela falta de recolhimento mensal da contribuição por estimativa, fato este que se consumou naqueles momentos. Observese que não houve o lançamento do valor do imposto que deveria ter sido pago mensalmente. Quanto à alegada aplicação em Fl. 381DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 4 duplicidade de multa de oficio sobre a mesma base de cálculo ser vedado pelo ordenamento jurídico, não há que ser acatado, tendo em vista que são duas penalidades por duas infrações a legislação tributária: a uma, a falta de recolhimento mensal da CSLL com base em estimativa (artigo 44, parágrafo único, inciso IV); a duas, a falta de recolhimento da CSLL apurada no ajuste do período de apuração (artigo 44, I)." A Recorrente argumentou que não há impedimento para aplicação, diante de duas infrações tributárias, de duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo. Afirmou que as multas de oficio e isolada não decorrem da mesma infração e, por isso, não configuram nenhum bis in idem, como entendido pela Câmara a quo. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 312 e afirmou, preliminarmente, que (i) inexiste divergência jurisprudencial, pois a tese do acórdão paradigma foi superada pelo CARF que pacificou entendimento no mesmo sentido do acórdão recorrido; no mérito, argumentou que (ii) no caso dos autos, em se aplicando a multa isolada sobre o montante das antecipações da CSLL não recolhidas e concomitantemente aplicandose a multa de oficio sobre o valor apurado no ajuste do ano calendário, do qual não foi deduzida a CSLL que deixou de ser recolhida antecipadamente, estarseá penalizando duplamente a falta de recolhimento da mesma CSLL. Por fim, pugnou pelo não conhecimento do Recurso Especial e, se o for, seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Em relação ao afastamento da multa isolada aplicada pela falta de recolhimento da CSLL sobre a base de cálculo estimada, objeto do presente Recurso Especial, o acórdão recorrido não comporta reforma. No caso em análise, entendo ser incabível a multa isolada, pois esta foi aplicada concomitantemente à multa de ofício, sobre a mesma receita omitida, o que caracterizou dupla penalização da recorrente. Portanto, é incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício, pois ambas incidem sobre a receita omitida, apurada em procedimento fiscal. Neste mesmo sentido é a jurisprudência pacífica desta 1ª Turma da CSRF, conforme se verifica das ementas a seguir transcritas, as quais fundamentam o presente voto: “FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. A multa isolada por Fl. 382DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 19515.000061/200437 Acórdão n.º 9101001.680 CSRFT1 Fl. 376 5 falta de recolhimento de CSLL sobre base de cálculo mensal estimada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de lançamento de oficio prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96, sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal.” (Processo 14041.000389/200453. Acórdão 910100.713 – 1ª Turma CSRF) “CSLL MULTA ISOLADA Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. CSLL – MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA – Incabível a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício.” (Processo 10680.004021/200569. Acórdão 910100.744 – 1ª Turma CSRF) “MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Conforme precedentes da CSRF são incabíveis a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo quando ambas as penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurada em procedimento fiscal.” (Processo 10680.720360/200677. Acórdão 9101001.043 — 1ª Turma CSRF) “MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000 FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas as penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal.” (Processo 10930.003123/200144. Acórdão 910100.112 — 1ª Turma CSRF) Fl. 383DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 6 “RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, Visto que ambas as penalidades tiveram como base os valores apurados em procedimento fiscal para lançamento de IRPJ e CSLL.” (Processo 10855.002105/200357. Acórdão 910100.196 — 1ª Turma CSRF) Portanto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para negarlhe provimento. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 384DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 16327.000620/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2004
IRRF. TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA.
O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito. Por força do artigo 62-A do RICARF, aplica-se ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-002.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, Dr. Ricardo Krakowiak, OAB SP nº 138192.
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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TRIBUTO RECOLHIDO A DESTEMPO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA INDEVIDA. O instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, exclui a responsabilidade pela infração e impede a exigência de multa de mora, quando o tributo devido for pago, com os respectivos juros de mora, antes do início do procedimento fiscal e em momento anterior à entrega de DCTF, de GIA, de GFIP, entre outros, tal qual se verifica neste feito. Por força do artigo 62A do RICARF, aplicase ao caso a decisão proferida pelo Egrégio STJ, sob o rito do recurso repetitivo, nos autos do REsp n° 1.149.022/SP. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, Dr. Ricardo Krakowiak, OAB SP nº 138192. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atílio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 20 /2 00 7- 81 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1630.401 (fl. 201), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação ao Auto de Infração de fls. 29/79. Em decorrência de revisão sumária da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, correspondente ao 1º, 2°, 3º e 4º trimestre do ano calendário de 2004, a autuada foi notificada a recolher o crédito tributário no valor de R$ 1.090.215,53, sendo R$ 1.090.071,82 a título de multa paga a menor c R$ 143,71 a título de juros pagos a menor ou não pagos (fls. 29 e 30). Conforme demonstrativos de fls. 31 a 76, foram localizados pagamentos efetuados após o vencimento legal da obrigação, com falta ou insuficiência dos acréscimos moratórios. Em sua defesa, a interessada alegou que: que a parcela exigida a título de juros de mora não procede, visto que, conforme cópia dos DARF(s) que anexa o valor devido foi pago; que o valor exigido é completamente indevido pelo fato de a impugnante ter recolhido corretamente o tributo, por meio da denúncia espontânea nos exatos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau excluiu do lançamento a exigência dos juros de mora, pagos regularmente pela autuada, mas alocados de forma indevida pelo processamento da Receita Federal do Brasil como multa de mora (fls. 71, 72, 188 e 191), resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DCTF. REVISÃO INTERNA. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Não há que se falar em denúncia espontânea, para os fins de aplicação dos efeitos previstos no artigo 138 do CTN, nos casos de simples pagamento em atraso de débitos confessados em DCTF. JUROS. Diante da comprovação de que o pagamento dos juros dc mora foi efetivado, não há que subsistir o lançamento fundado na inexistência do recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 16327.000620/200781 Acórdão n.º 2102002.693 S2C1T2 Fl. 297 3 Em seu apelo ao CARF (fls. 211/224) a recorrente aduz que, antes do início de qualquer ação fiscal, o tributo devido foi primeiramente recolhido fora de seu vencimento legal, com acréscimo de juros moratórios e, somente após, foi declarado em DCTF, sendo totalmente descabida a exigência de multa moratória por ser típico caso de denúncia espontânea, nos termos da Súmula nº 360 do STJ. SUMULA N° 360 — O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." (DJ 08/09/2008) Contrario sensu, argumenta que, se o contribuinte não houver declarado o tributo que está sendo recolhido mediante denúncia espontânea, como ocorre no caso, estará configurado aquele instituto, conforme também pacificado pela E. 1ª Seção do C. Superior Tribunal de Justiça, em acórdão unânime proferido nos autos de Recurso Especial Representativo de Controvérsia, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil (RESP 1.149.022SP, DJ: 24/06/2010, relator Ministro Luiz Fux). Elaborou quadro demonstrativo no qual informa a data dos recolhimentos e a data da declaração das respectivas DCTF’s, para evidenciar que os valores apontados no lançamento foram recolhidos no decorrer do ano de 2004 – após o vencimento, com os acréscimos dos juros de mora – antes do início de qualquer ação fiscal e antes da apresentação da respectiva DCTF, original ou retificadora, caracterizando uma verdadeira confissão de dívida, nos moldes do artigo 138 do CTN. O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 2101 000.114, de 12/03/2013 (fls. 237/240). Cientificado do Relatório de Diligência de fls. 286/287, a recorrente manifesta a sua plena concordância com as conclusões fiscais apresentadas. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A exigência da multa de mora em litígio originouse da realização de auditoria interna nas DCTF’s do anocalendário de 2004. Constatouse o pagamento de IRRF em atraso, com juros de mora, mas sem o acréscimo da multa moratória. Tanto a jurisprudência administrativa como a judicial é pacífica no sentido de que o recolhimento efetuado a destempo, mas antes do início do procedimento de fiscalização ou da declaração do débito em DCTF, tem o benefício da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN. De fato, nos termos da decisão do STJ nos autos do REsp nº 1.149.022/SP (relator Ministro Luiz Fux, DJE de 24/06/2010), processado como recurso repetitivo e, Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 portanto, de observância obrigatória pelo CARF, por força do artigo 62A do seu Regimento Interno, a denúncia espontânea resta caracterizada como verdadeira confissão de dívida, com a conseqüente exclusão da multa moratória, quando há o recolhimento do tributo devido em momento anterior ou concomitante à declaração da dívida. A esse respeito, o voto condutor da decisão a quo se manifestou nos seguintes termos: No tocante à alegação de que os recolhimentos foram integralmente praticados de maneira espontânea, o que afastaria a incidência das penalidades, cumpre destacar que se tratam de valores declarados e pagos em atraso e, portanto, de mero adimplemento intempestivo das obrigações. E, nesse caso, não se aplicam os efeitos da espontaneidade referidos no art. 138, que se dirige apenas à confissão espontânea de infrações à legislação tributária desconhecidas do Fisco. Por outro lado, em sede de recurso voluntário a defesa elaborou o demonstrativo à fl. 220 (224 do PDF) onde postula que os recolhimentos foram efetuados após o vencimento, mas antes da apresentação da DCTF original ou retificadora, razão pela qual aplicarseia ao caso a norma do artigo 138 do CTN. Objetivando esclarecer matéria de fato, o julgamento foi convertido em diligência, para que a repartição fiscal de origem confirmasse se os recolhimentos precederam as DCTF original ou retificadora, ou se eles se referem a débitos já declarados. A Informação Fiscal às fls. 286/287 é conclusiva quanto ao procedimento espontâneo do contribuinte. Confirase: Com base nas informações constantes nos extratos do Auto de Infração, complementadas com os dados das DCTF do 1º ao 4º trimestre de 2004 e dos pagamentos localizados no sistema SINAL08, construímos a PLANILHA da folha 285. Nesta PLANILHA informamos inicialmente os dados do Auto de Infração (quatro primeiras colunas – MULTA/AUTO DE INFRAÇÃO); nas colunas 5 a 9 (DÉBITO DECLARADO EM DCTF) temos os dados do débito original confessado e que resultou no lançamento; na última coluna informamos a(s) DATA(s) DO(s) PAGAMENTO(s) associado(s) ao débito declarado em DCTF. Pelas informações das DCTF (fls. 253277), dos pagamentos (fls. 278284) e da PLANILHA (fl. 285), constatamos os seguintes fatos: 1. TODOS os débitos de IRRF código 5286 que resultaram no lançamento de ofício deste processo foram declarados desde as DCTF ORIGINAIS do contribuinte (e permaneceram declarados sem modificação nas retificadoras que as sucederam até a data da lavratura do AI); 2. As DCTF originais do contribuinte para o anobase de 2004 são: 1º trimestre (1000.000.2004.1750089525, enviada em 14/05/04), 2º trimestre (1000.000.2004.1710179696, enviada em 13/08/04), 3º trimestre (1000.000.2004.1750297108, enviada em 12/11/04) e 4º trimestre (1000.000.2005.1780383120, enviada em 14/02/05); 3. TODOS os pagamentos associados aos débitos envolvidos com o Auto de Infração são ANTERIORES ao envio da DCTF ORIGINAL. (grifos acrescidos) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 16327.000620/200781 Acórdão n.º 2102002.693 S2C1T2 Fl. 298 5 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo tosta Santos Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10530.720098/2007-65
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). NECESSIDADE DO ADA.
A exclusão de área declarada como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental - ADA, no Ibama no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). NECESSIDADE DA AVERBAÇÃO PARA RECONHECIMENTO DA DEDUÇÃO.
A possibilidade de dedução da área de reserva legal se concretiza a partir do momento de sua averbação à margem da matrícula no cartório de registro de imóveis.
VALOR DA TERRA NUA (VTN).
Desconsidera-se o lançamento na parte que utilizou valor de mercado do imóvel não correspondente à época da ocorrência do fato gerador.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja desconsiderado o lançamento exclusivamente em relação à alteração do valor da terra nua declarado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Melo e Jimir Donik Junior.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). NECESSIDADE DO ADA. A exclusão de área declarada como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental - ADA, no Ibama no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). NECESSIDADE DA AVERBAÇÃO PARA RECONHECIMENTO DA DEDUÇÃO. A possibilidade de dedução da área de reserva legal se concretiza a partir do momento de sua averbação à margem da matrícula no cartório de registro de imóveis. VALOR DA TERRA NUA (VTN). Desconsidera-se o lançamento na parte que utilizou valor de mercado do imóvel não correspondente à época da ocorrência do fato gerador. Recurso voluntário provido em parte.
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NECESSIDADE DO ADA. A exclusão de área declarada como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA, no Ibama no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). NECESSIDADE DA AVERBAÇÃO PARA RECONHECIMENTO DA DEDUÇÃO. A possibilidade de dedução da área de reserva legal se concretiza a partir do momento de sua averbação à margem da matrícula no cartório de registro de imóveis. VALOR DA TERRA NUA (VTN). Desconsiderase o lançamento na parte que utilizou valor de mercado do imóvel não correspondente à época da ocorrência do fato gerador. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para que seja desconsiderado o lançamento exclusivamente em relação à alteração do valor da terra nua declarado pelo contribuinte, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 98 /2 00 7- 65 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Melo e Jimir Donik Junior. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração, fls. 01 a 03, mediante o qual é exigido do contribuinte o pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2003, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Barra do Gentio", localizado no município de Formosa do Rio Preto BA, cadastrado na SRF sob o n° 1.778.5880. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal e Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, fl. 02 e verso, a fiscalização apurou as seguintes infrações: a) declaração a maior da área total do imóvel; b) declaração indevida de 1.180,0 ha de área de preservação permanente; c) declaração indevida de 595,0 ha de área de interesse ecológico e de servidão florestal; d) subavaliação do Valor da Terra Nua VTN. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação de fls. 24 a 65, alegando, em síntese, que: que segundo a Lei n° 9.393, de 1996, para a dedução de uma área de preservação permanente basta que se enquadre na definição prevista da Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal); a exclusão da área de preservação permanente é imperativo legal e não está sujeita a nenhuma condição, conforme se verifica pelo art. 10, § 1 ° inciso II, alínea "a" da Lei n° 9.393, de 1996; o § 7° desse artigo afasta expressamente a obrigatoriedade de o contribuinte apresentar qualquer documento ou prova de existência da área de preservação permanente. Com a presunção legalmente determinada pela legislação, cabe ao Fisco o ônus da prova da falsidade da declaração apresentada pelo contribuinte; a não averbação dessas áreas junto à instituição competente não desfaz a obrigação de preservar. Tampouco cria, eventualmente ou não, a obrigação de tributála; a intempestividade do ADA não gera maiores conseqüências por ser documento de caráter acessório; a IN SRF n° 256, de 2002, extrapolou os limites do Código Florestal e da Lei n° 9.393, de 1996, criando obrigação nova e descumprindo o disposto nos arts. 99 e 100 da Lei n°5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), que determina que uma norma infra legal deve restringirse ao conteúdo e ao alcance da lei a que se refira; Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720098/200765 Acórdão n.º 2802002.651 S2TE02 Fl. 141 3 há de se considerar que o contribuinte apresentara o laudo técnico do imóvel, nos moldes em que determinado legalmente; transcreve ementas de decisões administrativas; foi adotado pela fiscalização o valor da terra nua equivocadamente informado em laudo simples de avaliação do imóvel, cujo valor nele constante não reflete a realidade dos negócios praticados na região. Exaustiva pesquisa no mercado imobiliário regional que subsidiou o laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural Retificador, elaborado com base na NBR 14.653, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) confirma valor de terra nua bastante inferior; houve erro no laudo apresentado anteriormente, no que diz respeito ao valor fundiário do imóvel; requer realização de perícia. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE), fls. 67 a 80, decidiu pela improcedência da impugnação, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORLAI. RURAL ITR Exercício: 2005 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo do Ato Declaratório Ambiental ADA, no Ibama no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. VALOR DA TERRA NUA. O Valor da Terra Nua VTN é o preço de mercado da terra nua apurado em 1°de janeiro do ano a que se referir a DITR MATÉRIA NÃO CONTESTADA. ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO Reputase não impugnada a matéria quando verificada a ausência de nexo entre a defesa apresentada e o fato gerador do lançamento apontado na peça fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Cientificado (AR não integra os autos), o contribuinte ingressou recurso voluntário em 28/01/2010, fls. 81 a 94, reiterando as alegações apresentadas na impugnação aduzindo, em resumo, que: a exigência não observa os princípios da razoabilidade, da capacidade contributiva do Contribuinte e da não confiscatoriedade; somente em julho de 2007 é que foi possível se efetuar o levantamento topográfico do imóvel para confirmação das áreas até então apenas declaradas, porque não especificadas nos respectivos documentos de aquisição da propriedade. Esse procedimento se antecipou inclusive a qualquer chamamento do Contribuinte e fora realizado exatamente para que se quantificasse com Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 precisão as áreas em que permitida a exclusão da base tributável do ITR, em função da sua característica no imóvel; diferentemente de outras espécies de áreas de preservação ecológica que condicionam expressamente a fruição do benefício fiscal ao atendimento de requisitos específicos, as áreas de preservação permanente e de reserva legal, cuja ® preservação e imposta pela lei, não carecem de ADA para fazer jus ao benefício fiscal (exclusão da Área Tributável e da Área Aproveitável); o próprio "Perguntas e Respostas" do site do Ibama (pergunta 11) recomenda que para exercícios em que não apresentado o ADA, deverá o Contribuinte munirse de mapas georreferenciados da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis, para apresentação à Receita Federal, em caso de notificação. E toda essa documentação já fora apresentada; a autoridade julgadora reportase ainda às alterações na Lei n° 6.938, de 1981, para a exigência do ADA, mas essa Lei dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, não expressa na lei tributária. autoridade julgadora invoca ainda o art. 111 do CTN para destacar a obrigatória interpretação literal dos dispositivos legais que concedem benefícios fiscais. E é exatamente essa interpretação literal que faz ver que o art. 10, § 1º, inciso II, alínea "a" e o § 7º, da Lei n° 9.393, de 1996, apenas exigem que as áreas de preservação permanente e de reserva legal sejam as previstas na Lei n° 4.771, de 1965, com as alterações posteriores; reiteradas decisões desse egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais têm afastado a exigência de prévia apresentação do requerimento ao Ibama para emissão do ADA, como condicionante da exclusão da tributação de tais áreas; outras decisões em que mantido o mesmo entendimento também têm sido prolatadas por essa egrégia Corte nos processos administrativos fiscais relacionados ao mesmo tributo, inclusive no que se refere à intempestividade da averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, como fato não impeditivo ao aproveitamento da isenção; os Tribunais Regionais Federais (TRF) vêm se manifestando no mesmo sentido, conforme transcrição de posicionamentos recentes emanados e que igualmente confirmam pacífica jurisprudência para essa tese, confirmados pelo STJ; há que se considerar que ao se reportar a essa lei ambiental a Lei n° 9.393, de 1996, a autoridade julgadora estaria condicionando, ainda que de forma implícita a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência, vai de encontro literalidade da interpretação, por ela invocada no julgamento; a averbação de área de reserva legal não decorre da averbação no registro de imóveis,tampouco da vontade do proprietário, mas de texto expresso de lei. Com a averbação gravase a propriedade como meio de garantir a perpetuação da área de reserva legalmente determinada, com efeitos cíveis em caso de desmembramento ou de transmissão a qualquer título; se a Lei n° 9.393, de 1996, estabelece que a área tributável é a área total do imóvel menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que determina a exclusão é sua existência real. Nada mais; a ausência da averbação dos limites da área de reserva legal não desfaz a obrigação de preservar. Tampouco cria a obrigação de tributála; as áreas de preservação permanente e reserva legal refletem a existência inconteste, e já reconhecida pela autoridade julgadora, de áreas de preservação e Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720098/200765 Acórdão n.º 2802002.651 S2TE02 Fl. 142 5 que assim têm sido consideradas na propriedade rural, cuja exploração tem se dado com efetivo respeito ao meio ambiente, como se pode comprova in loco e inclusive pela própria declaração de preposto do órgão público estadual competente, que consta dos autos, quando ali ratifica que a utilização do imóvel vem obedecendo as normas ambientais e respeitando as áreas de preservação na exploração do imóvel rural; a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal resta, portanto, pendente de amparo legal, resultado de ato administrativo que não se reveste das condições de legalidade a que se refere o art. 37 da CF, devendo, por isto, ser declarado nulo ou insubsistente; a autoridade julgadora reconhece que o contribuinte comprova nos autos a existência efetiva de 740 ha de área de preservação ambiental; embora mencione que a comprovação tenha sido feita em valor a menor que o declarado, é fato que o julgamento se equivoca ao não reconhecer a improcedência do lançamento em relação à glosa dessa área de preservação de 740 ha, suficientemente comprovada, como o afirma; o levantamento georreferenciado efetuado no imóvel indicou uma área de preservação permanente de 740 ha, ratificada pelo órgão ambiental estadual competente, conforme já comprovado durante a ação fiscal e no ato da impugnação; o contribuinte procedeu conforme orientação da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia para distribuir a área preservada em conformidade com o que dispõe a legislação pertinente: 246,8ha de área de preservação permanente e 493,2ha de reserva legal; farta documentação hábil constante dos autos atesta a existência de tais áreas, já reconhecidas inclusive pela autoridade julgadora no seu total (plantas do imóvel georreferenciado, memoriais descritivos global e individualizado por áreas, averbação ,da reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, aprovação da localização da área de reserva legal pelo representante regional do IBAMA; junta ainda aos autos o respectivo ADA, declarado perante o Ibama, para que não remanesça qualquer dúvida sobre as áreas de preservação existentes no imóvel; aduz que procedeu ainda à averbação da reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel; o Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, denominado Retificador, elaborado por profissional habilitado, devidamente instruído com a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e apresentado juntamente com os anexos, impõe a sua aceitação como prova documental hábil e suficiente à comprovação do valor justo da terra nua para o imóvel, por atender à norma NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT); o próprio profissional emitente do primeiro laudo, a quem a autoridade julgadora conferiu fé, ratifica o valor justo da Terra Nua (VTN) indicado no Laudo de Avaliação de Imóvel Rural — Retificador, por entendêlo completo e conforme com as exigências técnicas estabelecidas: R$ 99,72/ha, (noventa e nove reais e setenta e dois centavos) por hectare, o que resulta em um VTN de R$245.918,49 (duzentos e quarenta e cinco mil, novecentos e dezoito reais e quarenta e nove centavos) para o imóvel; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 o Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas da Comarca de Formosa do Rio Preto certifica que o preço local de comercialização do mesmo imóvel situase entre os valores de R$80,00 (oitenta reais) a R$100,00 (cem reais) por hectare, conforme documento que já compõe os autos; esse egrégio Conselho vem reconhecendo em mansa jurisprudência administrativa a possibilidade de alteração do VTN quando apresentados elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor, o que é compatível com o pleito que ora se formula; requer o cancelamento da glosa das diversas áreas de preservação ambiental em que excluída a incidência do ITR (declaradas sob diversas denominações, como já referido), comprovadas com documentação hábil e idônea e de existência já reconhecida peia autoridade julgadora, bem como adotar o Valor da Terra Nua apurado no Laudo de Avaliação de Imóvel Rural — Retificador, elaborado com base na NBR 14.653, da ABNT e ratificado pelo profissional emitente do laudo que fora acatado pela autoridade julgadora (R$99,72/ha). É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Primeiramente, cabe analisar a glosa da dedução da base de cálculo do ITR, relativamente à distribuição da área do imóvel rural declarada pelo contribuinte a título de Área de Preservação Permanente, equivalente a 1.180,0 ha e à Área de Interesse Ecológico, equivalente também a 595,0 ha. Nesse aspecto o contribuinte concordou parcialmente com a referida glosa, argumentando que houve erro cometido quando do preenchimento da declaração apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, devendo ser considerada para efeitos de dedução da base de cálculo do ITR a área de 740,0 ha, sendo 246,78 ha correspondente à área de Preservação Permanente, fls. 63, e 493,22 ha destinada à denominada área da Reserva Legal, fls. 64. A exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, para fins de apuração da área tributável do ITR, está prevista na alínea "a", do inciso II, do § 1°, art. 10, da Lei n° 9.393, de 1996: “Art. 10. (...) § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; b) (...)” Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720098/200765 Acórdão n.º 2802002.651 S2TE02 Fl. 143 7 Com o advento do art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000, que incluiu o art. 17O, § 1º na Lei nº 6.938, de 1981, abaixo transcrito, ficou instituída a obrigatoriedade da apresentação do ADA, para os exercícios a partir de 2001, para fins de utilização do benefício fiscal de redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. “Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2.000) (...) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n °10.165, de 2000), (grifo não é do original). Como os presentes autos tratam do lançamento de ITR do exercício de 2005, a exigência do ADA para fins de exclusão da base de cálculo daquele tributo, portanto, encontra respaldo legal. Agora, na fase recursal, o contribuinte apresenta cópia do ADA relativo ao exercício de 2010, fls. 145 (processo digital) transmitido ao IBAMA em 22/03/2010. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”.(grifo não é do original) Regulamentando o assunto, a Instrução Normativa SRF nº 60, de 2001 (no mesmo sentido a IN SRF nº 256, de 2002) determina o prazo para requerer o ADA junto ao IBAMA, nos seguintes termos: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 “Art. 17 Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: 1 as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do IBAMA, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei no 4.771, de 1965; II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; III se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for deferido pelo IBAMA, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido. “ Para o exercício de 2005, o prazo se expirou em 30/03/2006, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR, que foi 30/09/2005. Assim, pelo fato de o contribuinte desatender tal dispositivo regulamentar, não há como acatar o pleito de dedução da área de 246,78, ha a título de Área de Preservação Permanente. Observese, finalmente, que a falta de apresentação do ADA para fins de lançamento de ofício não deve ser levada em consideração somente em relação aos fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, o que não é o caso dos presentes autos, conforme se depreende da Súmula CARF Nº 41: “Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Quanto à a glosa relacionada à Área de Interesse Ecológico, declarada no montante de 595,0 ha, o contribuinte pretende que seja considerada a dedução da área de 493,22 ha, a título de área de reserva legal. Para que se tenha direito a essa dedução, necessário que referida área esteja averbada à margem da matrícula de registro de imóveis, conforme seguinte disposição expressa no art. 12 do Decreto n° 4.382, de 2002 (Regulamento do ITR): “Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável. (Lei n° 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166 67, de 2001) § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o 'caput' deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. (...). " (grifo não é do original). Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720098/200765 Acórdão n.º 2802002.651 S2TE02 Fl. 144 9 O recorrente apresenta cópia da matrícula do imóvel rural no competente Cartório de Registro de Imóveis, fls. 126 (processo digital), do qual se constata que a averbação da área de 493,22 hectares, gravada como de utilização limitada, ocorrera em 15/01/2010. Portanto, após a data do fato gerador que constitui o objeto do presente processo. Quanto à alteração procedida pela fiscalização do VTN declarado pela contribuinte no exercício de 2005, importante destacar que, em atendimento à intimação fiscal, fls. 06, o contribuinte apresentou Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, datado de 04/09/2007, fls. 14, emitido por engenheiro agrônomo técnico vistoriador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola SA, vinculada à Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária. De seu exame, destaquese que consta do seu “Sumário Executivo” que: “SUMÁRIO EXECUTIVO Determinação do valor de mercado para compra e venda do imóvel rural Fazenda Barra do Gentio situado no Povoado Riachão no município de Formosa do Rio Preto, totalizando uma área de 2.466 hectares na data base de 04 de setembro de 2007.” (grifo não é do original). Percebese, pois, que o lançamento fiscal, por corresponder ao exercício de 2005, peca ao se utilizar da conclusão dada pelo referido laudo no sentido de que o “valor justo de mercado para compra e venda da terra nua é de R$ 180,00 (cento e oitenta reais) por hectare”, haja vista que este foi determinado em 04/09/2007. Nesse sentido, entendo que a fiscalização deveria terse utilizado dos critérios para atribuição do VTN previstos no art. 14 e § 1° da Lei n° 9.393, de 1996: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Com bem destacou a decisão recorrida em atendimento ao dispositivo legal supracitado, e com o objetivo de fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do ITR, foi editada a Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, que aprovou o Sistema de Preços de Terra (SIPT). Nesse sentido salientou a decisão de primeiro grau que os valores fornecidos à Receita Federal tomam sempre por base as peculiaridades de cada um dos municípios pesquisados, tais como: limitação do crédito rural, custos e exigências; crise econômica e social na região; instabilidade climática nos municípios localizados na região Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 semiárida, aumentando consideravelmente os riscos das atividades agropecuárias; baixos preços dos produtos agrícolas e elevados custos dos insumos; possível acidez do solo; etc Portanto, quando o contribuinte não atende a intimação ou, atendendo, presta informações inexatas, incorretas ou fraudulentas a RFB deverá se utilizar do VTN levando em consideração informações sobre preços de terras, constantes do Sistema de Preços de Terra (SIPT), aprovado pela Portaria SRF n° 447, de 28/03/2002, publicada no Diário Oficial da União de 07/06/2002. Como não foi esse o procedimento adotado pela autoridade fiscal, desconsiderase o lançamento que utilizou o valor de mercado do imóvel apurado em data base posterior ao da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja desconsiderado o lançamento exclusivamente em relação à alteração do valor da terra nua declarado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10530.720098/200765 Acórdão n.º 2802002.651 S2TE02 Fl. 145 11 TERMO DE INTIMAÇÃO Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 24 de janeiro de 2014. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10940.903145/2009-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2002
CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98.
As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol.
CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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(NOVA DENOMINAÇÃO DE CARNELOS COMÉRCIO DE FERRAMENTAS LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/08/2002 CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. EXCLUSÕES E DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS OPERACIONAIS. ROL TAXATIVO DA LEI 9.718/98. As exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na Lei 9.718/98 e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não fazem parte desse rol. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 31 45 /2 00 9- 44 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903145/200944 Acórdão n.º 3801002.575 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que narra bem os fatos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF em Ponta Grossa/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 35689.50052.230806.1.7.040392, devido à inexistência de crédito de R$ 452,37 para efetuar a compensação pretendida de R$ 668,33, uma vez que o pagamento PIS/PASEP (código 8109) teria sido integralmente utilizado para quitação de débito próprio. Cientificada em 01/06/2009, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando, em síntese, que pela nova sistemática do PIS e da Cofins, trazida pelas Leis nºs 9.718, de 1998, e 10.637, de 2002, qualquer receita ingressada na contabilidade da pessoa jurídica incide as contribuições, independentemente da atividade por ela exercida. No entanto, quando das exclusões da base de cálculo, há distinção entre as deduções para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Pois, enquanto estas gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança das contribuições sobre uma base muito maior, já que podem apenas deduzir o custo da compra de mercadorias adquiridas para revenda, desequilibrando uma relação que não encontra nenhuma razão de ordem material, ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social, para que se estabeleça. Assim, as instituições financeiras vêm recolhendo a Cofins e o PIS com base no chamado ‘lucro bruto’, uma vez que são deduzidas todas as despesas operacionais relacionadas a sua atividade, sendo tributada tãosomente pela diferença entre o custo de sua atividade e o valor cobrado por ela. Já os demais contribuintes pagam os tributos com base em sua receita, independentemente da classificação contábil, sem que possam deduzir/compensar integralmente suas despesas operacionais. Destarte, por força do que dispõe expressamente o art. 150, inciso II, da Carta Magna, impõese a extensão deste benefício às demais empresas privadas, como é o seu caso. A DRJ em Curitiba (PR) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. CRÉDITOS NO SISTEMA DE NÃOCUMULATIVIDADE. EQUIPARAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS EM GERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903145/200944 Acórdão n.º 3801002.575 S3TE01 Fl. 4 3 O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o seu direito à compensação, referente aos indevidos pagamentos a título da contribuição, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903145/200944 Acórdão n.º 3801002.575 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada alega com fundamento no princípio constitucional da isonomia que tem o direito de deduzir da base de cálculo da contribuição, a totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência. Não assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. Para o período de apuração em discussão, aplicavamse os dispositivos da Lei da Lei 9.718/98: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei Art. 3º "O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) Como apresentado nos recursos da recorrente, as exclusões e deduções da base cálculo estão discriminadas no §2º e seguintes do art. 3º da Lei 9.718/98: § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas Fl. 66DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903145/200944 Acórdão n.º 3801002.575 S3TE01 Fl. 6 5 regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; .(Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) (Produção de efeito) § 3º Nas operações realizadas em mercados futuros, considera se receita bruta o resultado positivo dos ajustes diários ocorridos no mês. (Revogado pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considerase receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6o Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) c) deságio na colocação de títulos; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 67DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903145/200944 Acórdão n.º 3801002.575 S3TE01 Fl. 7 6 II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) § 7o As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6o restringemse aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 8o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I imobiliários, nos termos da Lei no 9.514, de 20 de novembro de 1997; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III agrícolas, conforme ato do Conselho Monetário Nacional. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 68DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903145/200944 Acórdão n.º 3801002.575 S3TE01 Fl. 8 7 (...) Grifouse Com efeito, as exclusões da base de cálculo estão todas discriminadas na lei e para as pessoas jurídicas em geral as despesas operacionais não integram esse rol, logo não podem ser excluídas da base de cálculo da contribuição. Insistase que a norma estabelece a incidência da contribuição sobre o faturamento a totalidade das receitas e não prevê estas exclusões. Quanto às argumentações referentes à ofensa ao princípio da isonomia, é importante consignar que a autoridade julgadora tem que observar o princípio da legalidade, não podendo negar aplicação à norma, de sorte que a restituição/compensação postulada carece de previsão legal. Além disso, a esfera administrativa não pode apreciar eventual inconstitucionalidade de Lei, tendo em vista que o controle de constitucionalidade de normas é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle concentrado ou difuso. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC Tenhase presente que a discriminação das exclusões e deduções da base cálculo da contribuição foi uma opção do legislador no período em referência, não sendo a seara administrativa o fórum adequado para questionálo. Ademais, falece à autoridade julgadora administrativa competência para examinar eventual ofensa ao princípio da isonomia. No que tange ao pedido, assinalese desprovido de fundamentação, de não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea, é importante assinalar, ainda, que, na legislação tributária, a multa de mora sempre esteve integrada para inibir o pagamento de tributos com atraso, conforme os seguintes dispositivos: art. 74 da Lei nº 7.799, de 1989; art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991; art. 59º da Lei nº 8.383, de 1991; art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995 e o vigente art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “Art. 61. Os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.” (Grifouse) Como visto, o legislador ordinário estabeleceu como acréscimo legal a multa de mora para o recolhimento espontâneo após o vencimento do prazo legal. Não se tem notícia de que este dispositivo tenha sido declarado inconstitucional, ainda, que de forma parcial, ou mesmo, tenha ocorrido uma declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto. A propósito, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento em sede de recurso repetitivo de controvérsia de que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido: Fl. 69DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.903145/200944 Acórdão n.º 3801002.575 S3TE01 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360∕STJ. 1. Nos termos da Súmula 360∕STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08∕08. (REsp 962379, DJe 28/10/2010) Além do mais, na situação em comento não há que se alegar o benefício da denúncia espontânea porque não há notícia do pagamento dos débitos compensados, assim, se não há pagamento a destempo não é possível aplicar o instituto da denúncia espontânea. Tenhase presente que de acordo com o § 6º do art. 74 da Lei nº 9430/1996 a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Por tais razões, nos cálculos dos débitos pagos fora do prazo de vencimento devem incidir as multas de mora, como bem assentou a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Fl. 70DF CARF MF Impresso em 18/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 17/12/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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