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Numero do processo: 11065.904976/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-003.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação, que não seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 49 76 /2 01 0- 03 Fl. 142DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 123 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 103 que manteve o despacho decisório de fls. 2, que reconheceu parcialmente os créditos básicos e presumidos de IPI. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "A contribuinte interessada protocolou declarações de compensação –DCOMPs – por meio das quais pretendeu a extinção de débito próprio, tendo por lastro creditório parcela do crédito ressarcível atinente ao 1º trimestre calendário de 2004, conforme indicado na DCOMP nº 18074.16270.261005.1.3.01 3000 (fls. 94/961). A análise de legitimidade e materialidade do lastro creditório das compensações declaradas encontrase consolidada nos demonstrativos de fls. 81/82 e 93, bem como no termo de verificação fiscal, intitulado "auto de infração", de fls. 83/88, os quais compõem e integram o despacho decisório nº 863951171 (fl. 02, repetido à fl. 80), que reconheceu em parte o lastro creditório e, consequentemente, homologou parcialmente as compensações declaradas, conforme abaixo. "Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$321.664,78 Valor do crédito reconhecido: R$1.705,13 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11065.904976/201003 Acórdão n.º 3201003.774 S3C2T1 Fl. 143 3 HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 8074.16270.261005.1.3.013000 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 6757.88203.310809.1.7.019560". Cientificada do despacho decisório pela via postal em 14/06/2010 (fls. 97/98), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído (fls. 45/46 e 91/92), protocolou em 14/07/2010 sua manifestação de inconformidade de fls. 03/44, alegando que: "Normas legais tidas como infringidas 2. Como enquadramento legal, para não homologar referidos pedidos de compensação, a Administração elencou os seguintes fundamentos: Lei nº 9.779/99 art. 11 (...) Lei nº 9.430/96 art. 74 (...) Lei nº 9.363/96 (...) Lei nº 10.276/01 (...) Das presunções 3. Os fundamentos legais do auto de infração anteriormente reproduzidos, não mantêm correlação lógica com a matéria objeto do lançamento tributário. 3.1 Da lavratura do Auto de Infração, merecem ser transcritos os seguintes pontos: '(...) 3.2 Fornecedores com indícios de irregularidades. Durante a análise foi detectado que uma série de fornecedor possuía indícios de irregularidades, conforme relacionados na tabela a seguir. Estes fornecedores possuem movimentação financeira nula ou de no máximo 70% do valor das compras, no período analisado'. (destaques da Peticionária) 3.2 No auto de infração, encontrase rol de fornecedores, cujos nomes não serão reproduzidos por absoluta desnecessidade, por se referirem ao evento que ocasionou a glosa. 3.3 Quanto à idoneidade dos fornecedores, por conseqüência das notasfiscais objeto da glosa, há que ser examinada decisão prolatada pelo Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444 (...): (...) Fl. 144DF CARF MF 4 4. Desta forma, o primeiro ponto atacado se refere aos indícios e presunção sem motivação, em decorrência da baixa movimentação financeira dos fornecedores, o que não se revela instrumento adequado e capaz de glosar os créditos utilizados. 5. No que se refere a exigência do crédito tributário, se revela ônus do fisco provar o fato constitutivo do seu direito, conforme determina o art. 9 ° do Decreto n. 70.235/72 (...): (...) 6. Nessa linha de argumentação, há que ser examinada manifestação de Marcos Vinicius Neder (...): (...) 7. Portanto, a presunção da qual se utilizou a Administração para embasar o lançamento não tem o condão de mantêlo hígido, por não ter provado o alegado quanto a ausência ou baixa movimentação financeira dos fornecedores, bem como no pertinente à inidoneidade dos mesmos. (...) 8. Igualmente, na fundamentação para glosar a compensação, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo se manifestou no seguinte sentido quanto a não homologação da compensação proposta, estando a mesma assim redigida: '(...) O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado'. 9. A manifestação, anteriormente reproduzida, confirma ter havido o exame do lançamento, na modalidade por homologação, onde a autoridade administrativa, de forma expressa, realizou a homologação parcial da extinção do crédito tributário. Mesmo que parcialmente, ocorreu a homologação. Esse ponto revelase sobremaneira importante pelo simples fato dos reflexos que trará quanto a (in)exigibilidade do crédito tributário. 10. Tendo havido homologação parcial, isto é, extinção parcial do crédito tributário passase a examinar sua exigibilidade quanto ao montante não homologado sob o aspecto da decadência. Da decadência 11. O crédito tributário objeto do auto de infração ora hostilizado corresponde ao primeiro trimestre de 2002 até o primeiro trimestre de 2004, restando referido crédito tributário inexigível, por ter sido atingido pela decadência. 11.1 Igualmente, quanto à materialização do instituto da decadência, o próprio órgão julgador representante da Administração Tributária, tem decidido na mesma linha de entendimento defendida na presente Manifestação de Inconformidade, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada na decisão do processo n. 11610.003223/0011 (...) Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11065.904976/201003 Acórdão n.º 3201003.774 S3C2T1 Fl. 144 5 (...) 12. Tanto é verdadeiro que o crédito tributário foi atingido pela decadência que a Administração, mediante sua fundamentação no auto de infração, se preocupa em buscar o afastamento do instituto, como pode ser comprovado, a fls. 4 dos autos, utilizando a seguinte argumentação: O prazo para que a Administração verifique a legitimidade do crédito utilizado não é de 5 (cinco) anos contados a partir da emissão da nota fiscal, pois se assim fosse, o contribuinte poderia, por exemplo, utilizar o crédito no último dia antes da decadência e a Receita Federal não teria como verificar a legitimidade deste crédito. O prazo legal é de 5 (cinco) contados a partir da utilização do direito creditório que no presente caso encerrarseia apenas no final de 2010, 5 anos após a transmissão do PER/DECOMP , conforme estipula § 5º do art. 74 da Lei n ° 9.430/1996 (todos grifos são nossos) (...) 13. A partir do julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, ficou assentado ser o prazo de cinco anos para constituir, mediante a previsão em lei complementar, quanto para cobrar o crédito tributário, como pode ser comprovado pelo exame da ementa lançada no referido julgado (...) Das antinomias 14. Não cabe à lei ordinária legislar sobre matéria reservada à lei complementar, como ficou demonstrado ao ser reproduzida a ementa da decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário n. 559.943, por afrontarem as normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. 14.1 As leis ordinárias utilizadas como fundamento pela Requerida, que tratam sobre prazo para constituição do crédito tributário, se revelam em perfeita antinomia, por desbordar de sua área de competência, uma vez que o instituto da decadência em direito tributário é reservado à lei complementar. (...) 16. Portanto, demonstradas as antinomias, não poderá ser mantido o crédito tributário, por estar totalmente desamparado quanto ao veículo legislativo adequado, isto é, lei complementar, mesmo porque pelo critério da hierarquia das leis, tal instituto não poderá ser aplicado. 17. Ainda, no que se refere a preclusão da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário, importante trazer para apreciação manifestação doutrinária sobre o tema (...). (...) Fl. 146DF CARF MF 6 18. Igualmente, há que ser examinado o montante da pretensão objeto do auto de infração, uma vez que os mesmos não guardam correlação entre si, exigindose portanto a realização de perícia contábil para elucidar o referido montante. (...) 19. Diante do exposto, requer: a) seja recebida, conhecida e provida a presente manifestação de inconformidade, para assegurar à Requerente o aproveitamento dos créditos glosados, determinando a baixa e arquivamento do Auto de Infração; b) seja apreciado, explicitamente sob o ângulo do pré questionamento a compensação do crédito tributário previsto no art. 156, II; bem como, de sua extinção, inserta no art. 173, ambos da Lei n. 5.172/66." É o relatório." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DENEGAÇÃO FISCAL DO LASTRO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DA RECLAMANTE. Havendo denegação fundamentada pelo Fisco ao lastro creditório de compensações declaradas em DCOMP, incumbe à interessada transmitente da DCOMP o ônus de demonstrar, na reclamação por ela interposta, por meio de prova material cabal, que aquele lastro creditório revestiase de certeza e liquidez. Em não o fazendo, impossível afastar a denegação fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de constitucionalidade e legalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não à constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11065.904976/201003 Acórdão n.º 3201003.774 S3C2T1 Fl. 145 7 De outro lado, o prazo para homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da transmissão da declaração de compensação a que se refere. Assim, somente depois de transcorridos cinco anos da transmissão da DCOMP, a compensação está homologada tacitamente por decurso de prazo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando os elementos constantes dos autos são suficientes para o deslinde do litígio. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Sobre o pedido de homologação tácita, verificase que esta não ocorreu, considerando que não se passaram mais de cinco anos do pedido administrativo até a data do Despacho Decisório de fls 2 (07/06/10), que configuram a devida manifestação da União sobre os tributos em controvérsia. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito básico de IPI e crédito presumido de IPI e teve parte de seu pedido administrativo homologado. Em defesa da reversão da não homologação parcial, o contribuinte apresentou seus recursos e apresentou suas argumentações, contudo, os documentos comprobatórios dos créditos básicos e crédito presumido de IPI, da parte glosada, deveriam ter sido juntados no autos, mas não foram. Nem mesmo as memórias de cálculo ou NFs. Fl. 148DF CARF MF 8 Além disso, a fiscalização apontou que os fornecedores não possuíam movimentação financeira à época das operações, o que leva a crer que as operações não ocorreram. Neste ponto não houve comprovação do contrário, por parte do contribuinte. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.721451/2015-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 23/12/2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE.
A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade.
Numero da decisão: 3001-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a concomitância e determinar que o Colegiado a quo aprecie os argumentos trazidos na Impugnação, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 23/12/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe substituto processual não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondose portanto o exame da sua manifestação de vontade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a concomitância e determinar que o Colegiado a quo aprecie os argumentos trazidos na Impugnação, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 14 51 /2 01 5- 15 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 246 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 16070.627 da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo1/SP DRJ/SP1, que, em sessão de julgamento realizada no dia 14.12.2015, não conheceu da impugnação, por considerar que ocorreu a concomitância entre os processos administrativo e judicial. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 102 a 105), que segue transcrito: Relatório Trata o presente sobre exigência de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, formalizado em 12/03/2014, a título de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar; relata a fiscalização que a agência MAESRK BRASIL (BRASMAR) Ltda., inscrita no CNPJ sob nº 30.259.220/000286 deixou de prestar informação sobre carga transportada, quanto à alteração de NCM, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, como determina a IN RFB nº 800/2007, em seu art. 22, II, “d”, caracterizando a infração prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/66. Regularmente intimada, em 19/03/2015 (fls. 36/37), a autuada apresentou impugnação de fls. 40/74, em 13/04/2015 (fl. 39), alegando, inicialmente, (1) a tutela antecipada deferida ao Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) nos autos do agravo de instrumento nº 000576326.2014.4.01.000, processo de origem 006591474.2013.4.3400, da 22ª Vara/SJDF, determinando que a Administração se abstenha de aplicar a seus filiados a penalidade de que se trata e que é empresa filiada ao Centronave; impugnando a autuação alega (2) ser parte ilegítima porque é agência de navegação e não é transportador, citando a Instrução Normativa 800/2007; (3) indaga qual é o artigo de lei ou mesmo de instrução normativa que prevê a aplicação de multa ao agente de navegação por fatos imputáveis ao transportador e cita jurisprudência; (4) argumenta vício formal no auto de infração que não descreve de forma clara e completa o fato que ensejou a aplicação da multa, contrariando o art. 10 do Decreto 70.235/72; no mérito, alega (5) não caracterização da infração porque a requerente não deixou de prestar informações, vez que a retificação solicitada equivale à carta de correção, mencionando o § 5º do art. 27B da IN SRF nº 1473/14; (6) não houve prejuízo eo(sic) Erário e (7) requer os efeitos da denúncia espontânea por ter solicitado a retificação anteriormente à autuação; pede anulação da infração e alternativamente seja jultada(sic) insubsistente, cancelando a multa exigida. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 247 3 É o relatório. Da ementa da decisão de primeira instância A 23ª Turma da DRJ/SP1, ao não conhecer da impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 23/12/2014 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Exigência de multa regulamentar. Tutela antecipada concedida em Ação Ordinária, promovida por entidade representativa à qual está filiada a interessada, afastando a aplicação da penalidade. Renúncia às instâncias administrativa. Não se conhece da da(sic) impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às e fls. 112 a 146, recurso voluntário para repisar os argumentos de defesa da impugnação, quais sejam: (i) preliminar de ilegitimidade passiva; (ii) preliminar de nulidade do auto de infração, por vício formal; (iii) vício formal na decisão, devido a não desistência da discussão em âmbito administrativo; (iv) violação aos princípios da ampla defesa e contraditório; (v) da não caracterização da infração imposta e (vi) denúncia espontânea. Diante do exposto, requer "seja o presente recurso recebido para fins de que lhe seja dado provimento para que o despacho decisório ora guerreado seja anulado em face da preliminar aventada e das razões de mérito expostas". Da nova petição Não se resignando ainda com a decisão recorrida, o requerente, em 10.11.2016, registra a solicitação de juntada ao presente processo, dentre outros documentos, da petição de efls. 200 a 205, é o que depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 245). Apresenta esta nova petição para requer a aplicação da orientação interpretativa constante na Solução de Consulta Interna da CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT 2 de 04.02.2016, que definiu que as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes, nas operações de comércio exterior, não configuram prestação de informação fora do prazo, para afastar a penalidade aplicada, pois a teor do disposto no artigo 9º da IN RFB 1.396 de 16.09.2013, referida consulta tem efeito vinculante perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 248DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 248 4 É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 01.02.2016, por meio do "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" (efl. 109), foi intimado do Acórdão de Impugnação (efls. 102 a 105), em conformidade com o disposto na alínea 'b' do inciso III do § 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 1972. Irresignado com a decisão assentada no referido acórdão, em 22.02.2016, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efls. 178/179), registra a juntada dos documentos de efls. 111 a 177, aí incluído o recurso voluntário apresentado. Cotejando as datas acima mencionadas, constatase que o recurso voluntário foi interposto no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Da decisão recorrida Voto Em face do relatado na ação fiscal e tendo em conta a tutela antecipada, a exemplo de outras várias autuações de igual teor efetuadas contra a mesma autuada, está evidenciada a ocorrência de concomitância entre o processos administrativo e judicial. Com efeito, examinandose a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário, pela entidade representativa à qual está filiada a impugnante verificase que o pleito visa afastar penalidades com base em atos normativos, além do exercício do direito à denuncia espontânea, especialmente relativamente ao preceito do art. 45 da IN SRF nº 800/2007, com argumento de que estabelece obrigações de impossível cumprimento no prazo (fls. 92/94) a impugnação, além de refutar a caracterização da infração relativa às obrigações de que trata o citado ato normativo, alternativamente, requer a aplicação da denúncia espontânea, nos termos da nova redação do § 2º do art. 102, do Decretolei nº 37/66. No nosso ordenamento jurídico, em virtude de comando constitucional, prevalece o princípio da unidade de jurisdição, segundo o qual não se exclui da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito; ou seja, o Poder Judiciário Fl. 249DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 249 5 detém o monopólio da atividade jurisdicional art. 5º, inciso XXXV, da CF/1988). Em decorrência, o processo administrativo fica sujeito a restrições, no sentido de que as decisões na esfera administrativa não tem caráter de definitividade, de modo que, em última instância, seu cumprimento depende de provimento judicial. Dessa forma, tendo sido formulado pedido em ação judicial, contraditando a exigência fiscal, não há de se dar seguimento à impugnação, porque a opção do sujeito passivo, nessa situação, significa renúncia ao seu direito à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa.; assim é porque não teria sentido discutirse a mesma matéria, concomitantemente, em duas instâncias, uma vez que, sempre prevalecerá a decisão da instância judicial. Para efeito de uniformizar procedimento em situações que tais, a SRF, através de Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03, de 14/02/1996, baixou a seguinte orientação: “Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. O Coordenar Geral(sic) do Sistema de Tributação, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96, Declara, em caráter normativo, às Superintendência Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;” No mesmo sentido, a Súmula nº 1/99 do Conselho de Recursos Fiscais: “Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Pelo exposto, votase por não se conhecer da impugnação, com manutenção do crédito tributário lançado. Da ação judicial Fl. 250DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 250 6 Compulsando os autos, emerge, sem espaço para dúvida, que tanto o contribuinte autuado quanto a autoridade aduaneira autuante concordam que o objeto do presente auto de infração e os decorrentes argumentos de defesa administrativa encontramse também veiculados nos "autos do agravo de instrumento nº 000576326.2014.4.01.000, processo de origem 006591474.2013.4.3400, da 22ª Vara/SJDF", promovida pela Centronave, entidade representativa à qual está filiado o impugnante. Logo, quanto à coincidência de objeto de ambos processos (judicial e administrativo) não há litígio, tanto que foi justamente esta constatação que conduziu o colegiado a quo a decidir pelo não conhecimento da impugnação, ao fundamento de a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, implica na renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, em atenção inclusive ao enunciado da Súmula CARF 1. Somente para ilustrar, colaciono a tela a seguir reproduzida, extraída do sítio do TRF1, cujo endereço eletrônico junto à rede mundial de computadores é o seguinte: https://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=00659147420134013400& secao=DF&pg=1&enviar=Pesquisar. PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL Processo Nº 006591474.2013.4.01.3400 22ª VARA FEDERAL Nº de registro eCVD 00336.2016.00223400.1.00274/00032 PROCESSO Nº : 006591474.2013.4.01.3400 AÇÃO ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA AUTOR: CENTRO NACIONAL DE NAVEGACAO TRANSATLANTICA CNNT (CENTRONAVE) RÉ: UNIAO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) Da inexistência da litispendência A controvérsia posta no presente recurso voluntário cingese em aferir a ocorrência, ou não, de concomitância entre a matéria aqui discutida e aquela submetida à apreciação do Poder Judiciário nos autos da Ação Ordinária 006591474.2013.401.3400, ajuizada pela Centronave, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de penalidades aos agentes de carga e afins associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão de ser parte ilegítima porque a responsabilidade de prestar informações cabe ao transportador, da não caracterização da infração prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/66, porque respectiva correção se deu por solicitação do destinatário da carga, sendo a carta de correção procedimento regular no meio marítimo, bem como os efeitos da denúncia espontânea, pois o registro de dados no Siscomex, mesmo fora de prazo, ocorreu antes da lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 138 do CTN. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 251 7 Portanto, o que cabe aqui verificar é se há concomitância entre as esferas administrativa e judicial que justifique a renúncia à esfera administrativa. Conforme exposto alhures, pela análise dos autos, concluise que os pedidos são o mesmo tanto na demanda judicial, quanto nos pleitos administrativos (impugnação e recurso voluntário), razão pela qual a decisão a quo não conheceu da impugnação no tocante à matéria objeto da referida ação judicial. Como assentado, a autora da ação ordinária Centronave é a entidade a qual o recorrente é associado. Assim, resta evidente que não é o autuado, mas sim a Centronave a qual está vinculado. É irrefutável que as decisões que decorram do referido processo judicial irradiem seus efeitos aos associados da autora. Outrossim, o fato da existência do referido processo judicial não pode servir de óbice o ora recorrente que, por iniciativa própria, decida discutir a referida matéria em sede administrativa. Isto porque nos termos do artigo 301 do CPC vigente à época dos fatos tidos por infracionários, ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir, ou seja, quando se ajuíza uma nova ação que repita outra anteriormente ajuizada, com total identidade entre partes, conteúdo e pedido formulado. Vejamos o conceito de litispendência trazido no referido preceito processual legal: Código de Processo Civil CPC Lei 5.869 de 11.01.1973 (...) Art. 301. Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) I inexistência ou nulidade da citação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) II incompetência absoluta; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) III inépcia da petição inicial; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IV perempção; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) V litispendência; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) VI coisa julgada; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) VII conexão; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 252 8 VIII incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IX compromisso arbitral; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IX convenção de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 9.307, de 23.9.1996) X carência de ação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) XI falta de caução ou de outra prestação, que a lei exige como preliminar. (Incluído pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 3º Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 4º Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) (grifos não pertencem ao original) Por seu turno, o Código de Defesa do Consumidor CDC tutelou os direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos, estabelecendo novas regras para as demandas que envolvem interesses da coletividade. Desse modo, o CDC é considerado como a disciplina comum das ações coletivas no Brasil, também chamado pela doutrina de “Código Brasileiro dos Processos Coletivos”. Senão vejamos: (...) Art. 103 Nas ações coletivas de que trata este Código, a sentença fará coisa julgada: I erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento, valendo se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do artigo 81; II ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do artigo 81; Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 253 9 III erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do artigo 81. § 1º Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. § 2º Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual. Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. (...) (grifos não pertencem ao original) Conforme observase nos casos de ações coletivas que buscam a defesa de direitos individuais homogêneos, a coisa julgada formada apenas produzirá efeitos na esfera individual se o resultado da ação for favorável ou na hipótese de haver intervenção do indivíduo no processo como litisconsorte. Desse modo, os efeitos dessas ações coletivas apenas afetariam seu plano individual na hipótese de o resultado da ação lhe ser favorável, jamais quando julgado improcedente o pedido. Por conseguinte, no caso de improcedência do pedido, os interessados que não intervieram no processo como litisconsortes, estão aptos a pleitear os seus direitos a titulo individual, exercendo individualmente a plenitude de seu direito de defesa, já que a renúncia, Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15771.721451/201515 Acórdão n.º 3001000.390 S3C0T1 Fl. 254 10 prevista no artigo 38 da Lei 6.830 de 22.09.1980, não é passível de ser presumida, na medida que os interessados ainda não ingressaram com sua própria ação. Assim, neste contexto, assiste razão o recorrente em buscar decisão favorável já na esfera administrativa, vez que a decisão judicial na Ação Ordinária 0065914 74.2013.401.3400, por ser coletiva, não conflitará com uma eventual procedência de seu pleito administrativo, vez que se for improcedente o pleito judicial coletivo permanece hígido seu direito individual. Demais disso, não calha obstar a esfera administrativa por conta da existência de demanda judicial em que o recorrente não tenha tido a oportunidade de influenciar no resultado, o que configuraria flagrante ofensa às garantias constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal. Nestes termos, comungo do entendimento segundo o qual existindo a manifestação expressa do autuado em apresentar suas peças de defesa administrativa impugnação e recurso voluntário, resta evidente, no presente caso, sua intenção de discutir diretamente a demanda no âmbito do processo administrativo fiscal, defendendo o seu direito individual, razão pela qual não vejo como adotarse o entendimento da renúncia à esfera administrativa, pois renúncia de direitos deve ser exercida de forma direta, não sendo admissível a renúncia à discussão, in casu, de débito tributário imposto por meio de autuação fiscal, na esfera administrativa senão por força do ajuizamento de ação judicial pelo próprio renunciante, vez que o ajuizamento de ação coletiva por parte de substituto processual não tem o condão de produzir tal efeito. Em suma, a renúncia não se verifica quando, ainda que coincidentes pedidos e causa de pedir, não tenha sido a medida judicial proposta pelo mesmo contribuinte vinculado ao processo administrativo, pois ausente o requisito de identidade de partes, conforme cumulativamente exigido no § 2º do artigo 301 do CPC, antes referido. Da conclusão Com tudo o que foi exposto, entendo não haver renúncia à esfera administrativa, razão pela qual voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a concomitância com o processo judicial e determinar retorno dos presentes autos à DRJ/SP1, para a devida apreciação da impugnação ofertada pelo autuado, ora recorrente. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.729961/2013-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. ANÁLISE SOBRE CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. ANÁLISE SOBRE CONTEXTOS FÁTICOS DIFERENTES. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Hipótese em que o acórdão recorrido se fundamenta em situação jurídica não existente quando do julgamento do acórdão paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 99 61 /2 01 3- 04 Fl. 163DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 57/62), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente ao exercício 2010, anocalendário 2009, para exigência dos seguintes créditos tributários: IRPF Suplementar (sujeito à multa de ofício) – R$ 798,26; multa de ofício (passível de redução) – R$ 598,69; juros de mora (calculados até 30/08/2013) – R$ 248,09; e IRPF (Sujeito à multa de mora) – R$ 15.496,97; multa de mora (não passível de redução) – R$ 3.099,39; juros de mora (calculados até 30/08/2013) R$ 4.816,45; totalizando um crédito tributário apurado no valor de R$ 25.057,85 (vinte e cinco mil, cinquenta e sete reais, oitenta e cinco centavos). Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes na Notificação de Lançamento, foram apuradas omissão de rendimentos recebidos do Banco Santander, no valor de R$ 3.069,09 (com IRRF sobre omissão de R$ 204,26), e compensação indevida de IRRF, no valor de R$ 15.701,23. Em função dessas alterações, foi apurado imposto suplementar sujeito à multa de ofício de R$ 798,26, e imposto sujeito à multa de mora de R$ 15.496,97. O autuado apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 14/04/2016, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2202003.348 (fls. 127/130), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcela Brasil de Araújo Nogueira (Suplente convocada), que deram provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11080.729961/201304 Acórdão n.º 9202006.855 CSRFT2 Fl. 3 3 O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 06/07/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 13/07/2016, o Recurso Especial (fls. 132/137). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 19/08/2016 ( fls. 146/148). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido a fim de que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Afirma que não é justificável a derrubada integral do auto de infração, e que devese recalcular o valor do imposto, tomandose como base o decidido recentemente em sede de recurso repetitivo, uma vez que aplicandose essa metodologia, poderá haver ainda imposto a ser recolhido, não havendo justificativa para sua dispensa, até porque a atividade de Fiscalização é vinculada (art. 142 do CTN). Acrescenta que o contribuinte se defende dos fatos, tendo entendido perfeitamente a acusação que lhe foi dirigida pela Fiscalização. E finaliza: “Como o Judiciário entendeu apenas que a metodologia do cálculo da Fiscalização estava equivocado, não há pertinência em querer derrubar todo o auto de infração, sendo apenas necessária a indispensável adequação do caso “sub judice” à jurisprudência sedimentada nos tribunais superiores”. Cientificado do Acórdão nº 2202003.348, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 28/09/2016, o contribuinte apresentou contrarrazões, tempestivamente, nos seguintes termos: · O lançamento foi efetuado com base em uma interpretação jurídica declarada inconstitucional pelo STF (inválido), e, dessa forma restou reconhecido o vício material existente na cártula. · Caso seja provido o recurso, conforme já destacado no recurso voluntário, o recolhimento do imposto foi devidamente efetuado pela fonte pagadora, conforme documentos já anexados aos autos naquela oportunidade. É o relatório. Fl. 165DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 146. Contudo, embora não tenha havido qualquer questionamento acerca do conhecimento, considerando outras discussões sobre a questão acerca de processos sobre a mesma matéria, entendo necessário que este Colegiado faça uma reanálise quanto ao cumprimento dos requisitos essenciais ao conhecimento do recurso. Do Conhecimento Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido, entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, em consonância com a interpretação adotada pelos Tribunais Superiores acerca do tema, o qual firmaram entendimento de que, no caso de recebimento acumulado no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, bem como, o preenchimento dos pressupostos de conhecimento do recurso especial referese a fundamentação trazida pelo relator no acórdão recorrido, fls. 162 e seguintes, senão vejamos: O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: [...] O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11080.729961/201304 Acórdão n.º 9202006.855 CSRFT2 Fl. 4 5 de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: [...] Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Conforme exposto no relatório, por meio do Recurso Especial a Fazenda Nacional devolve a este Colegiado, para que seja reformada a decisão, no que tange o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Para tanto apresenta como paradigma o acórdão 2201002.588, de 05/11/2014, proferido nos autos do processo nº 11020.002246/200606 e assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. São tributáveis os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença judicial, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aquelas decorrentes de reclamação trabalhista nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do IR, nos termos do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC (STJ). MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. INEXISTÊNCIA DE QUALIFICAÇÃO OU AGRAVAMENTO. ALÍQUOTA DE SETENTA E CINCO Fl. 167DF CARF MF 6 POR CENTO A declaração inexata dos rendimentos tributáveis enseja a aplicação da multa de 75% sobre a totalidade dos tributos lançados de ofício, em consonância com o disposto no artigo 44, inciso I , da Lei nº 9.430/96 . Para fundamentar sua conclusão, assim encaminhou o relator do acórdão paradigma: A auditoria constatou que no exercício 2005, anocalendário 2004, a contribuinte declarou o montante de R$ 2.624.203,21 como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, oriundo de ação judicial contra o INSS. Intimada a justificar a inclusão desses rendimentos, a recorrente informou que o valor foi equivocadamente incluído na Declaração de Ajuste no campo "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva", quando se tratava de "Rendimentos Isentos e NãoTributáveis". E, que o montante em questão referese a "diferenças de pensão" recebidas do INSS, decorrentes do falecimento de Yari Francisco de Souza Lucena, do período compreendido entre agosto de 1987 e setembro de 2002. No recurso, a contribuinte argui que o Direito Tributário admite na aplicação da lei o recurso à equidade e, sendo os proventos, mesmos revistos, não tributáveis no mês em que seriam implementados, também não devem sêlo quando acumulados pelo pagamento a menor pela entidade pública. Ocorrendo o equívoco da Administração, o resultado judicial da ação não pode servir de base à incidência, sob pena de sancionarse o contribuinte por ato do Fisco, violando os princípios da Legalidade e da Isonomia. Dessa forma, o cálculo deveria efetuado em observância das tabelas e alíquotas vigentes à época, após a s deduções permitidas. À situação, deve aplicarse, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC, do STJ, decidindo que a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculada de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, como se observa a seguir: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp. 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Assim, devese utilizar nos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido recebidos. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11080.729961/201304 Acórdão n.º 9202006.855 CSRFT2 Fl. 5 7 Quanto à alegação de que deveriam ter sido excluídas as parcelas isentas e demais deduções, é de se ressaltar que sim, todas as deduções a que tem direito a contribuinte devem ser excluídas da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que devidamente comprovadas e que não tenham sido já pleiteadas nas declarações de ajuste dos anos calendário correspondentes. Após o confronto das duas decisões, devese recordar que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), aprovado pela Portaria 343/2015, o qual define que caberá Recurso Especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Assim tratase de recurso com cognição restrita, não podendo a CSRF ser entendida como uma terceira instância, ela é instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. Senão vejamos os dispositivos que abarcam a questão: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Assim, para caracterização de divergência interpretativa exigese como requisito formal que os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas sejam suficientemente semelhantes para permitir o 'teste de aderência', ou seja, deve ser possível avaliar que o entendimento fixado pelo Colegiado paradigmático seja perfeitamente aplicável ao caso sob análise, assegurando assim o provimento do recurso interposto. O acórdão recorrido teve por base a aplicação da decisão do STF nº 614.405/RS, transitada em julgado em 09/12/2014, já o acórdão paradigma analisou a questão com base no REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC, do STJ. Embora a tese enfrentada nos acórdãos envolva a forma de cálculo do IRPF sobre rendimentos recebidos acumuladamente, discutindose pela aplicação do regime de caixa ou de competência e divergindo sobre a possibilidade de se manter o lançamento com o mero recálculo dos valores, entendo que a fundamentação das decisões são diversas. No caso, tornase relevante indicar que o fato de o acórdão recorrido ter aplicado para solução da lide o art. 62A do RICARF em razão da decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406, julgado sob a sistemática da Repercussão Geral, cujo acórdão transitou em julgado em 09.12.2014. O acórdão indicado como paradigma foi proferido em contexto diverso, mais precisamente em 05/11/2014. Na ocasião ainda não tínhamos a decisão vinculante do STF sobre o tema, razão pela qual aquele Colegiado não fez qualquer consideração sobre sua aplicação ao caso. O Colegiado paradigmático, embora tenha entendido pela possibilidade de refazimento do lançamento do IRPF sob o regime de competência o fez exclusivamente com base no entendimento externado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.118.429. Assim, considerando que o Colegiado paradigmático não analisou a matéria sob o mesmo prisma da turma a quo pela completa impossibilidade de se debruçar sobre Fl. 169DF CARF MF 8 decisão ainda não existente no mundo jurídico, e que o Recurso Especial de Divergência somente se caracteriza quando, perante situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, obviamente que em face de incidências tributárias da mesma espécie, não vejo como conhecer do Recurso o caso ora analisado. Conclusão Face o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900655/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 06 55 /2 00 9- 13 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13227.900655/200913 Acórdão n.º 1401002.534 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 0125.451 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de IRPJ não reconhecido. A Recorrente transmitiu declaração de compensação em 06/04/2006, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 5993, do período de apuração de 08/2005. A unidade de origem, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que após analisadas as informações prestadas pela Recorrente foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que: a) A empresa efetuou pagamento de IRPJ Código de Receita: 5993, relativo ao período de apuração de 08/2005; b) Por ocasião do levantamento do balancete de suspensão e/ou redução nesse mês, após os ajustes apresentou lucro fiscal inferior ao já apurado em períodos anteriores, ou seja, não teria nada a recolher mesmo assim recolheu.; c) Oportunamente, aproveitou o crédito do pagamento indevido para compensar, via PER/DCOMP e de forma legal, débitos próprios. Diante dos fatos apresentados, requereu a anulação do Despacho Decisório, por questão de justiça e direito. Apreciados tais argumentos, o despacho decisório restou mantido, sob o entendimento de que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado defendendo estar suficiente comprovado seu direito creditório. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13227.900655/200913 Acórdão n.º 1401002.534 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.523, de 17/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, referente ao período de apuração de fevereiro/2006, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, do período de apuração de 08/2005, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.523): O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o ano calendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Ocorre que, conforme apontado pela recorrente em sede de voluntário, embora a compensação tenha se dado de forma equivocada, uma vez que ao entregar a DCTF, a recorrente ao invés de simplesmente comparar o valor devido com o valor recolhido a título de estimativa e assim declarar somente o valor Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.900655/200913 Acórdão n.º 1401002.534 S1C4T1 Fl. 5 4 devido, caso apurasse valor a maior do que o recolhido por estimativa, declarou o valor apurado como devido e apresentou PERD/DCOMP para compensálo. Considerando que as informações acima transcritas restam localizadas na DIPJ e LALUR, que apontam a base de cálculo da contribuição e os DARFs (fls.) devidamente pagos que originaram o crédito em discussão. Tratase, portanto, de erro de fato no preenchimento do PER aqui analisado, que não pode, sob hipótese alguma, refletir na glosa de estimativas já liquidadas, computadas na apuração do saldo negativo do IRPJ do período. Desta forma, tendo a Recorrente comprovado de maneira incontroversa que as estimativas mensais de outubro de 2006 foram liquidadas através da quitação antecipada autorizada pela Lei nº 13.043/2014 (Doc. 7 do RV), não pode ser mantida a redução do saldo negativo de 2004. Ademais, consolidando este entendimento, temos: SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das estimativas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 69DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.006589/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho.
Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.
Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade.
ARBITRAMENTO.
A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Numero da decisão: 2202-004.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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INEXISTÊNCIA. O julgador não está obrigado a rebater todos os argumentos trazidos no recurso, nem a esmiuçar exaustivamente seu raciocínio, bastando apenas decidir fundamentadamente, entendimento já pacificado neste Conselho. Não é nulo o acórdão recorrido em que foram apreciados de forma suficiente os argumentos da impugnação e as provas carreadas aos autos, sem vício de motivação ou omissão quanto à matéria suscitada pelo contribuinte. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Estando os autos instruídos com os elementos suficientes para o deslinde da controvérsia, há de ser indeferida a diligência ou perícia, por demonstrada a sua prescindibilidade. ARBITRAMENTO. A fiscalização está autorizada legalmente a lançar de ofício, arbitrando as importâncias que reputarem devidas, com base em elementos idôneos de que dispuser, quando a contabilidade da empresa não registrar o movimento real de remuneração de segurados a seu serviço, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 65 89 /2 00 9- 89 Fl. 428DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1138.265, proferido pela 7a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife PE (DRJ/REC), que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/REC: Cuidase de crédito tributário, no montante de R$1.233.834,25 (um milhão, duzentos e trinta e três mil, oitocentos e trinta e quatro reais e vinte e cinco centavos), constituído por meio do AI 37.054.2967, sob o protocolo n.°16707.006589/200989 no Ministério da Fazenda, envolvendo, exclusivamente, contribuições sociais de segurados empregados, relativas às competências 01/2005 a 12/2006. Mencionadas contribuições sociais são incidentes sobre: I remunerações de referidos segurados, relativas a obras de construção civil de responsabilidade da empresa supracitada. Assinala o Fisco divergências verificadas entre os salários registrados na contabilidade em confronto com aqueles declarados em GFIP (cf. quadro do item 1 do relatório fiscal, fls. 80/94). Acresce, ainda, que desconsiderou a contabilidade, porque a mesma não registrava quer a totalidade dos segurados declarados (cf. quadros às fls. 99/100 do relatório fiscal), quer as Notas Fiscais especificadas no quadro de fl. 101 do mesmo relatório, motivo pelo qual aferiu as citadas remunerações com base no art. 33, § 6o, da Lei n.° 8.212/91 c/c art. 600 da IN SRP n.° 03/2005 (Levantamento NF); Fl. 429DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 430 3 II gastos com fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados, sem comprovação de adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, e remunerações de pessoal da administração (levantamento CON) Cientificada do lançamento em 18/12/2009, conforme aviso de recebimento postal à fl. 219, a empresa manejou impugnação (fls. 227/280), em 18/01/2010, ocasião em que argúi, em síntese: A Improcedência do arbitramento, porque: I As notas fiscais apontadas pela fiscalização foram devidamente contabilizadas e a omissão contábil das folhas de pagamento referemse apenas ao ano de 2005, não havendo cabimento para o arbitramento do ano de 2006; II houve cerceamento de defesa, dado que, no arbitramento, não foram explicitados os percentuais utilizados para cada obra, nem identificados os documentos fiscais utilizados para a sua feitura, requerendo, assim, elaboração de demonstrativos por obra; III somente foram deduzidos créditos nos meses em que houve lançamento fiscal; IV extensão do arbitramento a outras obras, nas quais não foram apontadas quaisquer irregularidades; V no tocante à acusação de que não contabilizou as notas fiscais, salienta que a receita deve ser contabilizada quando o serviço for prestado, independente da emissão da nota fiscal. Também, destaca que, quando emitidas as citadas notas, devese levar em consideração os períodos de prestação dos serviços nelas indicado. B Improcedência das diferenças de GFIP X Contabilidade acusa inexistirem as diferenças consignadas no processo, requerendo a retificação do lançamento. Passa a tecer considerações por CEI/obra: I CEI 50.004.00328/71 OBRA PR030; CEI 50.016.95806/75 OBRA PB006; CEI 50.023.40802/70 OBRA RN243; CEI 50.020.77490/74 OBRA RJ035; CEI 50.023.58653/78 OBRA RN244; CEI 50.019.58931/76 OBRA RJ033; CEI 50.016.917/76 OBRA AM 100 as diferenças apontadas advêm de verbas não sujeitas à contribuição previdenciária, pagas em rescisões de contrato de trabalho, como saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional. II CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033 as diferenças, segundo planilha de fls. 279/280, advêm de verbas rescisórias não tributáveis e de valores pagos à pessoa jurídica (SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda); III CEI 50.020.37627/79 diz que os lançamentos assinalados pelo fisco para referida matrícula são da OBRA RJ034 e não da Fl. 430DF CARF MF 4 OBRA SC011 e que as diferenças decorrem de verbas rescisórias não sujeitas à tributação. C Acréscimos legais indevidos não vê qualquer irregularidade na forma de contabilização das GPS código 2631 (retenções de contribuições sociais por serviços tomados de outras pessoas jurídicas). D Correta contabilização das Notas Fiscais diz que as NF 22939; 18892 e 94, apontadas no item 5 do relatório fiscal como não contabilizadas e motivadoras do arbitramento no exercício de 2006, foram registradas à fl. 237 do livro diário respectivo. Acresce que a NF 18892 corresponde, na verdade, ao valor de R$ 609,23, sendo relativa a serviços de corte e dobra de ferro, não sujeitos à retenção. E Recolhimento dos valores retidos, constantes das NF apontadas no item 7 do relatório fiscal, requerendo sua exclusão do processo em pauta. F Cobrança indevida de contribuições previdenciárias sobre faturas UNIMED, dado que não se trata de cooperativa de trabalho. G Falta de apropriação de créditos referentes ao estabelecimento /000187 a fiscalização listou GPS pagas, com valores incorretamente apurados. Assinala, no item 108 de sua impugnação, as diferenças que o fisco deixou de computar. Acusa, ainda, divergências entre valores constantes do relatório de documentos apresentados RDA e da apropriação efetuada nos meses que especifica no item 111 de sua impugnação, requerendo a corresponde retificação. H Levantamento "CON Salários Administrativos", para o estabelecimento /000187, sem detalhamento de origem das bases de cálculo, cerceando o exercício do direito de defesa. I Não dedução das contribuições sociais: 1.1 retidas pelos tomadores elencados às fls. 254/265. Acresce, também, não terem sido deduzidas as retenções sobre serviços de subempreiteiros. 1.2 referentes ao 13° salário nas obras que especifica (itens 144 e 149 de sua defesa); J Lançamentos indevidos nos estabelecimentos: CEI 50.019.58931/76 OBRARJ 033, na competência 10/2006, com base em NF no valor de R$ 95.485,28. Diz que não existe referida NF, requerendo, assim, o cancelamento dos tributos lançados; CEI 50.019.64708/77 OBRA PR033, na competência 12/2005, porque concernentes a outra obra (PR032). L Indevida exigência de contribuições sobre alimentação fornecida in natura. Contesta não apenas a incidência, como a forma de apuração da base de cálculo. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 431 5 M Glosa de compensação diz que os erros nos recolhimentos foram produzidos pelos tomadores de serviços e não pela empresa, não podendo, assim, ser responsabilizada. N Lançamentos relativos aos estabelecimentos 70.001.25497/70 e 70.001.25522/75, integrantes do DD Discriminativo do Débito, sem qualquer referência aos documentos sobre os quais se efetivaram, nem os percentuais adotados, cerceando seu direito de defesa. Por fim, requer diligência, juntando documentos às fls. 321/334, como elementos probatórios. O feito foi convertido em diligência (fls. 296/299), ocasião em que o fisco voltou a se pronunciar (fls. 301/316), especificando, dentre outros pontos: I) a elaboração de quadro demonstrativo da forma de aferição indireta da remuneração dos segurados empregados por NFS (fl. 302/311); II) em relação às Notas Fiscais, apontadas como não contabilizadas, atesta que a NF 022939, emitida em 27/01/2006, foi lançada contabilmente somente em 02/2006, com inobservância ao princípio da competência; a NF 18.892 foi informada erroneamente no relatório fiscal (na verdade, tratase da NF 18.982); reconhece que a NF 094 foi contabilizada; III)detalhamento do levantamento CON, esclarecendo tratarse de contribuições sociais incidentes sobre salários pagos aos empregados da administração, bem como valores pagos a título de salário alimentação, ambos especificados no quadro de fl. 314. Cientificada da diligência, consoante fl. 317/8, em 17/04/2011, a empresa não aditou sua impugnação inicial. A impugnação da recorrente foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/REC, que deduziu do levantamento CON, os seguintes valores: Comp. Contribuição Social a Deduzir (R$) 09/2005 181,41 10/2005 199,64 11/2005 285,30 12/2005 228,40 01/2006 242,15 02/2006 105,69 03/2006 236,89 05/2006 358,78 06/2006 242,91 07/2006 243,17 08/2006 232,75 09/2006 244,77 10/2006 384,80 Fl. 432DF CARF MF 6 11/2006 257,04 12/2006 150,19 Referida decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTABILIDADE. DESCONSIDERAÇÃO. ARBITRAMENTO. Encontra amparo legal o arbitramento das contribuições sociais, feito pela fiscalização, quando constata que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a serviço da empresa. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE STJ E PARECER PGFN. A jurisprudência pacífica das cortes superiores do país e o entendimento esposada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, acerca da não incidência de contribuições sociais sobre despesas relativas a fornecimento de alimentação in natura aos segurados empregados, determinam a revisão do lançamento entabulado, relativamente à citada exação, com retificação do crédito para exclusão de mencionada rubrica. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte foi cientificada do Acórdão da DRJ/REC em 14/02/2014. Inconformada com a decisão, postou Recurso Voluntário em 12/03/2014 (fls. 370), repisando os argumentos da impugnação, e ainda nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consideração inicial As referências ao longo deste voto às folhas do processo nº 16707.006588/200934, do qual este é apenso, são feitas em função do presente processo ser decorrente daquele, cujos lançamentos foram originados dos mesmos elementos de prova, e as cópias dos documentos acostados à impugnação não terem sido anexadas a este. Das preliminares Fl. 433DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 432 7 Da nulidade do acórdão recorrido. Inocorrência Ao longo de todo o recurso voluntário a recorrente alega que teve seu direito de defesa cerceado porque a autoridade julgadora deixou de analisar documentos juntados à impugnação, e por não haver pronunciamento sobre os quesitos apresentados em impugnação. Sem razão a recorrente, que não especifica qual ou quais documentos o julgador deixou de analisar. Extraio do acórdão recorrido os seguintes trechos (efls. 347): A eventual divergência entre as datas da prestação de serviço e da emissão das respectivas notas fiscais, para fins de sua contabilização, tampouco restou demonstrada pela impugnante nos autos. Não prospera, também, a argüição de cerceamento de defesa, em relação ao citado arbitramento, dado que o Fisco o explicitou, por meio da planilha de fls. 302/311, da qual teve pleno conhecimento, consoante fl. 317/8, especificando os percentuais utilizados para cada obra e as NF utilizadas. No tocante às deduções feitas, a empresa não demonstrou possuir créditos,além daqueles considerados pelo Fisco, que pudessem ser abatidos das competências lançadas. Quanto ao argumento de extensão do arbitramento a obras sem irregularidades, não restou demonstrado no feito, resultando, assim, desprovido de sustentação. Da transcrição acima, ao contrário do que afirma a recorrente, considero que o julgador a quo apreciou os documentos acostados à impugnação. Sem entrar no mérito se tal apreciação está correta ou não, o fato é que ela entendeu que eles não foram suficientes para sustentar as alegações da defesa. Além disso, consta nos autos que o processo foi baixado em diligência para que fossem sanadas dúvidas em relação a todos os argumentos da recorrente referenciados por documentos acostados à impugnação (efls. 296/299). É certo que do resultado da diligência, o julgador forma seu livre convencimento, baseado em elementos acostados aos autos, fatos narrados pela fiscalização e argumentos trazidos na defesa, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a faculdade de solicitar diligências para formação de sua convicção, podendo a seu critério valorar as provas trazidas aos autos: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, não cabe ao julgador fazer batimentos de dados constantes em todos os documentos acostados à impugnação, principalmente quando deixaram de ser apresentados ao longo do procedimento fiscal, e cuja apreciação poderia demandar análises ou recálculos mais específicos que, naquele momento, a autoridade autuante estaria mais apta a fazêlos. Fl. 434DF CARF MF 8 Quanto ao argumento de que a autoridade julgadora não se pronunciou sobre os quesitos apresentados em impugnação, entendo que o deferimento da diligência e respectivo resultado continuem prova suficiente de que os questionamentos postos pela recorrente foram considerados. Frisese que no deferimento da diligência, a autoridade julgadora fez vários questionamentos que julgou necessários, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, não vislumbro qualquer cerceamento de defesa à recorrente, visto que as suas alegações foram apreciadas pelo julgador a quo, ao longo de todo o acórdão recorrido. Da diligência. Perícia A recorrente solicita a realização de diligência, apresentando quesitos. Entretanto, não vejo necessidade para o deferimento. O Termo de Verificação Fiscal, a Informação Fiscal resultante da diligência, e seus anexos detalham de forma clara os critérios utilizados pelo autuante, a forma de apuração da base de cálculo, e os valores e diferenças apuradas, o que deu à recorrente todas as condições para contestar o lançamento. Entretanto, mesmo após a realização de diligência determinada pelo julgador a quo, a recorrente nada complementou em sua impugnação, cujas alegações foram repetidas no Recurso Voluntário. Por isso, desnecessária a diligência nesta fase, uma vez que o Auto de Infração apresenta os elementos para formação da convicção do julgador. Ressaltese que o fato de a recorrente ter denominado seus questionamentos para a diligência como quesitos não o caracteriza como solicitação de perícia, visto que esta demanda requisitos necessários ao pedido, nos temos do inciso IV e § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Grifei). Portanto, indefiro o pedido de diligência por entendêlo prescindível à solução do litígio. Do mérito Arbitramento A recorrente alega que as irregularidades apontadas pela fiscalização para o ano de 2006 não eram suficientes para o arbitramento, pois o Auditor Fiscal reconheceu que a Nota Fiscal nº 94, emitida pela J. Balbino Reps Coml Ltda foi contabilizada, e depois afirmou Fl. 435DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 433 9 o que número correto da nota fiscal da Manchester Serv. Constr. Ltda era 18982, e não 18892. Ressaltou que mesmo na impugnação comprovou que a nota fiscal 18892 foi contabilizada (item 98 da impugnação). Além disso, a recorrente assevera que a omissão quanto à contabilização das folhas de pagamento se deu apenas no ano de 2005, estando a de 2006 em perfeita ordem. Como se vê, a controvérsia está na motivação do arbitramento efetuado pela fiscalização, relativo ao ano de 2006, visto que a recorrente reconheceu a falta de contabilização das folhas de pagamento relativas a 2005. Então, vamos analisar por partes os motivos que levaram a fiscalização a proceder ao arbitramento. Em relação à falta de contabilização das notas fiscais, o Auditor Fiscal respondeu o seguinte, no resultado da diligência solicitada pelo órgão julgador a quo (efls. 301/316): Letra G. Argumentação do contribuinte: "houve a contabilização das NF 22939 (folha 237 do Diário, no valor de R$ 661,86), 18892 (folha 237 do Diário, no valor de RS 609,23) e 094 (folha 478 do Diário, no valor de RS 14.734.00) e, em relação à NF 18982, citada como sendo de R$ 14.734,00, é, na verdade, NF de prestação de serviço de corte e dobra de ferro, no valor de R$ 609,23, não sujeita a retenção Esclarecimentos da auditoria: A nota fiscal 022939, da empresa CONCREMAT ENGENHARIA E TECNOLOGIA SA, CNPJ 33.146.648/000120, data de emissão em 27/01/2006, folha 198 do processo, somente foi contabilizada em 02/2006, deixando de observar o princípio contábil da competência, conforme se pode observar na pg 237 do diário geral 59. Já a nota fiscal de Manchester Serviços de Construção Ltda, CNPJ 02.687.270/000148, emitida em 30/01/2006, foi equivocadamente informada no relatório fiscal como sendo a de no. 18.892, quando na realidade o número correto é 18.982, mas entendemos que a citação equivocada do número da nota no relatório fiscal não modifica o fato constatado, até por que (sic) a cópia da nota foi anexada aos autos, fl. 200. Cabe retificação o registro contábil de J. Balbino Reps Coml. Ltda, visto que o contribuinte demonstrou sua contabilização. Analisando os documentos constantes nos autos, entendo que o número da nota fiscal emitida pela Manchester Serv. Constr. Ltda., a qual a auditoria faz referência no Relatório Fiscal só poderia ser a 18982, porque é a única nota no valor de R$ 5.071,78, que espelha o documento constante às efls. 175, confirmando que o Auditor Fiscal cometeu apenas um erro de numeração em seu relato fiscal. Dito isso, verifico que a nota fiscal nº 18982, sobre cuja falta de contabilização se insurgiu a fiscalização, aparece contabilizada no Livro Diário no dia 28/02/2006, no valor de R$ 609,23 (efls. 2410 do processo nº 16707.006588/200934), apesar de a referida nota ter sido emitida em 30/01/2006, no valor de R$ 5.071,78 (efls. 175). Portanto, entendo que a contabilização da referida nota fiscal não espelhou o que nela constava. Fl. 436DF CARF MF 10 Da mesma forma, a nota nº 022939, foi emitida pela Concremat Eng. Tecnologia S/A em 27/01/2006 (efls. 173), mas está contabilizada no Diário Geral na data de 28/02/2006 (efls. 2410 do processo nº 16707.006588/200934). Acrescento que, o lançamento por arbitramento não decorreu apenas da falta de contabilização das citadas notas fiscais, mas pelos seguintes fatos, conforme relato fiscal: a) Deixar o sujeito passivo de apropriar a folha de pagamento dentro do mês em que ocorrer a prestação de serviços, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher. Este descumprimento ocorreu quando houve a falta da contabilização das folhas de pagamento dentro do período a que se referiram, como foi demonstrado nas planilhas apresentadas no item 2.1 b) Deixar o tomador de provisionar notas fiscais de serviços dentro do mês em que os serviços foram prestados, bem como de apropriar a contribuição previdenciária a recolher; (Grifei) Além disso, o Auditor Fiscal informa ter constado divergência entre os salários contabilizados nos Livros Diários de 2005 e 2006 e os declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, apresentando planilha (item 2.1) com as respectivas divergências (efls. 80/94). Considerando esses fatos, apesar de a recorrente dizer que não haveria motivos para arbitrar o ano de 2006, entendo de forma diversa. Pela planilha constante no Relatório Fiscal (item 2.1) é possível ver que as divergências entre a escrituração contábil dos salários e o declarado em GFIP persistiram no exercício de 2006. E, mesmo intimada a justificar as divergências, a recorrente não apresentou elementos suficientes para isso. Diante da inércia, a auditoria seguiu o que determina a legislação, efetuando o arbitramento. A recorrente ainda afirmou que tais diferenças se referiam a verbas rescisórias não sujeitas à tributação. Contudo, isso não restou comprovado pelos documentos acostados à impugnação, conforme se verá mais adiante, não merecendo reparos a afirmação da auditoria fiscal de que os custos com remuneração não estavam corretamente contabilizados. Lembro à recorrente que, a auditoria fiscal enumerou por obra e competência, os salários não contabilizados nas competências de 2005 (fls. 99/100) e as divergências entre os salários contabilizados e os declarados em GFIP, neste caso, incluídas as competências de 2006 (efls. 80/94). Portanto, não há fundamento na afirmação da defendente de que as irregularidades contábeis se restringiram apenas aos fatos geradores de 2005. A recorrente alega ainda que, a falta de contabilização de uma única nota fiscal não seria motivo para o arbitramento. Ocorre que, conforme visto acima, também houve falta/divergências de escrituração contábil dos salários dos segurados. Considero que esses fatos em conjunto são suficientes para o arbitramento, nos termos da legislação previdenciária aplicada ao caso: Lei nº 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo Fl. 437DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 434 11 único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifei). RPS/1999 Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira.(Grifei) Além disso, o argumento da recorrente de que os dados das GFIP's seriam suficientes para apurar o movimento real dos salários, não se sustenta. Os salários declarados em GFIP divergiam dos contabilizados, e a recorrente não apresentou documentos suficientes que demonstrassem quais deles estavam corretos, sendo necessário que a apuração da verdade se efetuasse por outros meios, dispostos em lei e atos normativos. Também não vejo razão ao argumento de que o arbitramento se daria apenas nos casos de vícios insanáveis, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda. Ocorre que, o arbitramento relativo às contribuições previdenciárias tem legislação específica, conforme transcrição acima, a qual foi aplicada corretamente pela fiscalização. Ademais, a legislação não quantifica os registros errados para que a contabilidade seja desconsiderada, mas assevera "a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados". E, entendo que a fiscalização conseguiu demonstrar que isso efetivamente ocorreu. Aliás, analisando a forma de contabilização dos salários, as folhas de pagamento e as rescisões acostadas à impugnação (efls. 375/2935 do processo nº 16707.006588/200934), e comparando os valores constantes nesses elementos, percebese que a maioria deles não corresponde com o registro contábil. Como exemplo, podemos citar os abaixo: Compe tência CEI Dados extraídos do Relatório Fiscal Dados extraídos dos documentos acostados à impugnação Fl. 438DF CARF MF 12 Contabilidade GFIP Folhas de Pagamento/Planilhas FP Rescisões Contab Salário Contab Total Contab Gfip Refisc 13 gfip Refisc Total Gfip Sal FP Salário Fam FP Base Inss FP Total Rescisões jun/06 5001691776/73 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 2.900,00 13.351,70 jan/06 5001695806/75 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 2.017,02 abr/06 5001695806/75 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 4.250,73 jun/06 5001695806/75 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 13.244,12 out/06 5001695806/75 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 2.391,94 jan/06 5001958931/76 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 61.169,73 224,85 3.878,71 fev/06 5001958931/76 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 50.440,42 239,84 607,93 mar/06 5001958931/76 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 29.772,51 104,93 1.988,59 abr/06 5001958931/76 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 24.610,62 110,18 11.714,12 mai/06 5001958931/76 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 22.777,35 mar/06 5001964708/77 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 48.939,16 36.928,94 20.951,51 jun/06 5001964708/77 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 30.930,72 26.955,21 3.425,82 jul/06 5001964708/77 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 27.005,84 25.497,58 5.534,02 ago/06 5001964708/77 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 26.339,76 22.755,60 7.132,79 set/06 5001964708/77 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 28.825,49 21.076,57 11.788,56 out/06 5001964708/77 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 19.239,95 15.971,81 5.583,40 nov/06 5001964708/77 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 33.898,05 18.718,42 29.609,80 dez/06 5001964708/77 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 7.731,75 4.654,72 4.634,26 jan/06 5002037627/79 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 11.530,88 59,96 2.582,38 mar/06 5002037627/79 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 27.322,96 0,00 15.563,26 abr/06 5002037627/79 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 54.604,22 0,00 12.083,13 mai/06 5002037627/79 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 54.068,69 648,28 9.770,17 jun/06 5002037627/79 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 5.514,88 0,00 14.445,49 jan/06 5002077490/74 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 8.960,81 0,00 276,46 fev/06 5002077490/74 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 44.210,21 648,42 86,53 mar/06 5002077490/74 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 30.293,49 581,17 1.993,87 abr/06 5002077490/74 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 53.182,46 884,38 2.647,41 mai/06 5002077490/74 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 73.680,58 236,10 5.986,94 jun/06 5002077490/74 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 138.200,47 1.737,28 12.773,64 jul/06 5002077490/74 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 66.314,43 774,20 6.130,78 ago/06 5002077490/74 59.133,22 51.675,69110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 51.675,68 141,66 59.390,28 nov/06 5002077490/74 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 8.402,60 0,00 64.334,68 dez/06 5002077490/74 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 10.994,43 282,38 16.301,20 set/06 5002340802/70 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 2.510,80 223,40 235,20 out/06 5002340802/70 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 5.441,26 134,04 1.008,54 nov/06 5002340802/70 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 3.261,00 111,70 1.293,06 set/06 5002358653/78 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 6.052,10 513,82 807,27 out/06 5002358653/78 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 10.605,29 759,56 425,70 nov/06 5002358653/78 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 11.591,23 714,88 2.451,64 A recorrente insurgese quanto à afirmação do julgador a quo de que ela não teria comprovado a alegada regularidade contábil das obras, a fim de que não fosse estendida a estas o arbitramento. Arrazoa que os livros Diário e Razão foram juntados aos autos para que o Fisco procedesse às verificações necessárias. Ocorre que a auditoria informou ter verificado a contabilidade da fiscalizada, e, como vimos, apontou várias divergências. Então, se efetuou a apuração das obras por arbitramento, é porque considerou que a contabilidade não evidenciava a verdade real. Assim, caberia à recorrente, apontar por obra quais eventos provariam que elas estavam perfeitamente contabilizadas. Entretanto, a recorrente não se incumbiu de tal intento, pois analisando os documentos juntados à impugnação, constatase a existência de divergências, que apenas corroboram o afirmado pela fiscalização. A recorrente assevera que o julgador a quo não se manifestou sobre a diligência requerida e os quesitos a serem respondidos pelo Fisco. Pelo contrário, a autoridade Fl. 439DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 435 13 julgadora deferiu o pedido de diligência, conforme despacho 913 (efls. 296/299), direcionando os questionamentos para a auditoria fiscal, que em ampla Informação Fiscal (efls. 301/316) respondeu a todos os pontos alegados. A recorrente afirma que apesar de ter sido cientificada do relatório de diligência e não ter se manifestado, teve cerceado seu direito de defesa, porque os livros Diário e Razão não lhe foram disponibilizados. Ora, tal alegação não tem qualquer sustentação, visto que esses livros são elaborados pela própria empresa, e não há qualquer prova nos autos de que a fiscalização os tenha apreendido e não os tenha devolvido. Além disso, cópia deles foram acostadas à impugnação (efls. 3302/5600 do processo nº 16707.006588/200934), possuindo a recorrente a faculdade de vista e de pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Assim, se não dispunha deles para confrontar o resultado da diligência deveria ter solicitado cópia do processo da mesma forma que fez antes da apresentação da impugnação, em 29/12/2009 (efls. 221). Por todo o exposto, entendo que o lançamento por arbitramento teve motivação, não havendo razão para reforma do acórdão recorrido, nessa parte. Da improcedência do lançamento relativo às diferenças entre GFIP e contabilização dos salários. A recorrente afirma que não existiram as diferenças apontadas pela fiscalização, entre o salário escriturado na contabilidade e o declarado em GFIP, porque existem verbas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Cita, por obra, documentos anexos à impugnação que comprovariam o alegado. Entendo de forma contrária. A análise desses documentos, cujos dados foram apresentados na tabela da seção anterior, confirma a divergência apontada pela fiscalização, pois os valores constantes nas folhas de pagamento apresentam base de cálculo de INSS diferente do valor declarado em GFIP; o valor total de vencimentos constante nas planilhas de salários é diferente do valor de salários contabilizado; as rescisões não estão escrituradas por obra; em algumas obras a recorrente contabiliza apenas as rescisões, noutras contabilizada o somatório dos salários com as rescisões, sem discriminação das verbas sobre as quais incide contribuição previdenciária. A recorrente afirma que as diferenças entre o salário contabilizado e as GFIP's encontradas pela fiscalização nas obras 50.016.95806/75, 50.019.64708/77, 50.023.40802/70, 50.02077490/74, 50.023.58653/78, 50.019.58931/76, 50.020.37627/79, 50.019.58931/76, 50.016.91776/73 se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Entretanto, não aponta, por competência, quais seriam essas verbas, pois pelas rescisões apresentadas existem diversas rubricas: Verbas constantes nas rescisões apresentadas Int Hora Extra DSR Int Ad Not 13 sal Aviso Previo Indenizado Ad not prop Saldo Salário 1/3 férias 13º Salário DSF Int Hora Extra 13 Salário Hora Extra 13 Salário Inden. Hora Extra 50% Fl. 440DF CARF MF 14 Férias vencidas Hora Extra 70% Férias proporc. Hora Extra 100% Int Hora Extra férias venc Passagem Int Hora Extra férias ind t serv 14a cc Int Ad Not Férias prop ind t serv 15a cc Int Ad Not Férias venc art. 479 CLT Analisando essas rubricas, a tabela abaixo apresenta as que poderiam guardar relação com as verbas rescisórias que a empresa menciona às fls. 238 e seguintes, sobre as quais afirma que não incidiria contribuição previdenciária (saláriofamília, férias indenizadas e respectivo 1/3 constitucional): Verbas constantes nas rescisões apresentadas Aviso Previo Indenizado Int Ad Not Férias prop Férias vencidas Int Ad Not Férias venc Férias proporc. 1/3 férias Int HE férias venc Salário Família Int HE férias art. 479 CLT Pois bem, mesmo excluindo as verbas rescisórias consideradas pela empresa (verbas constantes nas rescisões apresentadas) e pela legislação previdenciária como não sujeitas à incidência de contribuição previdenciária1, continuam existindo divergências entre o valor de salário contabilizado e o valor declarado em GFIP, conforme planilha abaixo, que apresenta uma amostragem da análise dos documentos acostados à impugnação2: CompetênciaCEI (A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa (B) Verbas Rescisórias sobre a quais não incide CP versão SRF (C) Rescisões contabilizadas (D) Salário contabilizado (E) Total Salário Contabilizado (C+D) (F) Gfip Refisc (G) 13 Gfip Refisc (H) Total GFIP (F+G) (I) Diferença Contabilidade GFIP (EH) jun/06 5001691776/73 10.421,06 12.514,34 9.821,24 2.900,00 12.721,24 3.509,44 1.523,32 5.032,76 7.688,48 jan/06 5001695806/75 1.576,42 1.638,99 2.017,02 5.575,83 7.592,85 5.990,10 26,33 6.016,43 1.576,42 abr/06 5001695806/75 1.503,21 2.239,83 4.250,73 6.926,72 11.177,45 8.937,62 8.937,62 2.239,83 jun/06 5001695806/75 8.954,23 11.915,05 12.972,21 2.645,41 15.617,62 3.904,12 2.960,82 6.864,94 8.752,68 out/06 5001695806/75 1.621,65 2.067,59 2.391,94 2.391,94 324,35 445,94 770,29 1.621,65 jan/06 5001958931/76 1.569,53 1.721,74 3.046,87 61.170,73 64.217,60 63.327,70 152,21 63.479,91 737,69 fev/06 5001958931/76 373,11 491,40 391,53 53.366,42 53.757,95 53.482,95 118,29 53.601,24 156,71 mar/06 5001958931/76 785,90 1.200,75 1.728,92 29.772,51 31.501,43 30.560,37 414,85 30.975,22 526,21 abr/06 5001958931/76 6.215,22 7.856,49 13.718,73 24.610,62 38.329,35 28.392,26 1.903,49 30.295,75 8.033,60 mai/06 5001958931/76 11.383,42 15.512,46 21.359,76 21.359,76 5.473,94 5.473,94 15.885,82 mar/06 5001964708/77 7.096,84 7.747,28 48.909,18 48.909,18 34.309,35 2.619,59 36.928,94 11.980,24 jun/06 5001964708/77 1.849,79 2.298,01 30.813,72 30.813,72 25.312,44 1.642,77 26.955,21 3.858,51 jul/06 5001964708/77 2.527,45 3.472,87 43.196,14 43.196,14 24.727,45 770,13 25.497,58 17.698,56 ago/06 5001964708/77 3.511,34 4.781,49 26.304,73 26.304,73 20.583,17 2.172,44 22.755,61 3.549,12 set/06 5001964708/77 5.784,21 8.402,83 28.758,33 28.758,33 20.583,17 2.172,44 22.755,61 6.002,72 out/06 5001964708/77 2.895,56 4.430,80 19.221,68 19.221,68 14.339,97 1.631,84 15.971,81 3.249,87 nov/06 5001964708/77 13.222,62 21.074,96 33.898,05 33.898,05 10.173,77 8.544,65 18.718,42 15.179,63 dez/06 5001964708/77 3.099,12 4.291,08 7.731,75 7.731,75 3.491,45 1.163,27 4.654,72 3.077,03 jan/06 5002037627/79 1.488,18 1.619,48 2.582,38 11.530,88 14.113,26 12.423,77 131,30 12.555,07 1.558,19 mar/06 5002037627/79 7.296,74 9.369,32 15.507,26 14.440,28 29.947,54 18.754,33 2.072,58 20.826,91 9.120,63 abr/06 5002037627/79 6.955,19 8.548,70 12.083,13 27.499,07 39.582,20 29.683,50 1.593,51 31.277,01 8.305,19 1 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/tributaria/pagamentoseparcelamentos/emissaoepagamentode darfdasgpsedae/calculodecontribuicoesprevidenciariaseemissaodegps/tabeladeincidenciade contribuicao 2 Como algumas rescisões estavam ilegíveis, foram desconsideradas como amostra, as competências a que elas se referiam. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 436 15 mai/06 5002037627/79 4.570,43 6.435,69 9.760,17 54.126,57 63.886,74 54.599,61 1.865,26 56.464,87 7.421,87 jun/06 5002037627/79 9.159,35 11.676,58 6.047,25 5.514,88 11.562,13 7.712,52 2.517,22 10.229,74 1.332,39 jan/06 5002077490/74 106,32 106,32 276,46 16.703,81 16.980,27 17.155,08 17.155,08 174,81 fev/06 5002077490/74 0,00 0,00 85,53 36.186,08 36.271,61 35.991,44 35.991,44 280,17 mar/06 5002077490/74 1.050,47 1.247,42 1.993,87 57.501,90 59.495,77 57.948,31 196,95 58.145,26 1.350,51 abr/06 5002077490/74 1.238,57 1.565,35 2.647,41 53.182,40 55.829,81 54.560,51 456,61 55.017,12 812,69 mai/06 5002077490/74 1.868,54 3.021,39 7.382,03 36.840,29 44.222,32 38.545,84 1.152,85 39.698,69 4.523,63 jun/06 5002077490/74 7.031,34 9.590,59 21.171,90 69.100,24 90.272,14 71.358,22 4.017,59 75.375,81 14.896,33 jul/06 5002077490/74 3.119,86 4.535,82 6.124,48 66.314,44 72.438,92 67.559,40 1.415,96 68.975,36 3.463,56 ago/06 5002077490/74 23.057,51 36.026,26 59.133,22 51.675,69 110.808,91 66.866,71 12.968,75 79.835,46 30.973,45 nov/06 5002077490/74 20.565,89 34.713,54 64.240,24 8.402,60 72.642,84 28.143,74 14.147,65 42.291,39 30.351,45 dez/06 5002077490/74 8.760,26 13.132,83 16.301,20 2.200,00 18.501,20 4.228,37 4.372,57 8.600,94 9.900,26 set/06 5002340802/70 79,73 139,53 235,20 3.680,46 3.915,66 3.776,13 59,80 3.835,93 79,73 out/06 5002340802/70 404,77 733,51 1.008,54 5.441,26 6.449,80 5.716,29 328,74 6.045,03 404,77 nov/06 5002340802/70 378,66 647,58 1.293,06 3.261,00 4.554,06 3.906,48 268,92 4.175,40 378,66 set/06 5002358653/78 663,84 783,36 661,39 6.052,10 6.713,49 6.248,46 119,52 6.367,98 345,51 out/06 5002358653/78 156,76 246,40 425,70 10.605,29 11.030,99 10.784,53 89,64 10.874,17 156,82 nov/06 5002358653/78 568,72 939,26 1.955,09 11.591,23 13.546,32 12.812,39 314,54 13.126,93 419,39 Ora, se a empresa afirma que as divergências apontadas pela fiscalização se referem a verbas rescisórias sobre as quais não incide contribuição previdenciária, é certo que as colunas "(A) Verbas Rescisórias sobre a quais não incidiria CP versão empresa" e "(I) Diferença Contabilidade GFIP (EH)" deveriam ser iguais. Entretanto, isso não ocorre, o que corrobora que as diferenças realmente existiram. Dessa forma, considerando que o Auditor Fiscal efetuou o lançamento por arbitramento, diante das inconsistências entre a contabilidade e os documentos apresentados, caberia à recorrente o ônus da prova, nos termos do § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Entretanto, conforme demonstrado nas planilhas acima, a recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes que pudessem contradizer o lançamento. Primeiro, porque os documentos acostados à impugnação apenas ratificam o afirmado pela fiscalização: a necessidade de arbitramento em decorrência de divergência nos registros contábeis. Segundo, os documentos apresentados não foram suficientes para demonstrar a real base de cálculo, considerando que a maioria das folhas de pagamento apresentadas estão em desacordo com as formalidades exigidas pela legislação previdenciária: não há discriminação das verbas sobre as quais incide ou não contribuição previdenciária; a maioria delas se trata de planilhas com valores de salário, algumas contém assinatura dos segurados, outras não; o somatório das verbas constantes nos termos de rescisão contratual divergem dos valores contabilizados. Além disso, não foram anexados documentos de todas as obras objeto do lançamento, pois os documentos constantes nos autos referemse às seguintes: Documentos apresentados relativos diferença FPxGFIP Matrícula CEI OBRA Localização nos autos, efls do processo nº 16707.006588/200934 50.016.95806/75 PB 006 416/534 (doc 2) 50.016.93906/71 SE 001 não vieram rescisões 50.016.91776/73 AM 100 2007/2418 (doc 9) 50.019.64708/77 PR 033 764/1111 (doc 3) 50.019.58931/76 RJ 033 1688/1861 (doc 7) 50.020.37627/79 RJ 034 1865/2003 (doc 8) 50.020.77490/74 RJ 035 1213/1544 (doc. 5) 50.023.40802/70 RN 243 1113/1210 (doc 4) 50.023.58653/78 RN 244 TRE 1548/1685 (doc. 6) 50.004.00328/71 PR 030 375/413 (doc. 1) Fl. 442DF CARF MF 16 Assim, a recorrente não apresentou qualquer outro documento relativo às demais obras, não se incumbindo do ônus de provar que os fatos narrados pela fiscalização eram inverídicos. A recorrente assevera que teve seu direito de defesa cerceado, porque os documentos anexos à impugnação não foram analisados, pois o julgador deveria têlos confrontado com os dados do Diário e Razão que estavam em poder do Fisco. Diz ainda que, a fundamentação do acórdão, quanto à alegação de que as diferenças apontadas pelo Fisco decorreriam das rescisões, foi genérica e omissa. Não vejo razão à recorrente. O julgador a quo, diante dos questionamentos da recorrente, baixou o processo em diligência, de cujo resultado concluiu que a defesa não conseguiu comprovar todas as alegações. Para as que houve comprovação, foram efetuadas as respectivas exclusões. Ademais, quando a recorrente afirma que as diferenças apontadas pela fiscalização decorrem de verbas de rescisão, e tais valores não batem com os termos de rescisão apresentados, não vejo em que ponto a DRJ/Recife tenha destoado do que verificou nos autos, pois vislumbro das mesmas inconsistências, conforme demonstrado nas planilhas anteriormente apresentadas. Neste ponto, há que ser lembrado que a fiscalização efetuou o lançamento por aferição indireta. Em função disso, cabe a este colegiado analisar se houve motivação para tal, e se a recorrente se incumbiu do ônus da prova em contrário. Situações essas que não vislumbro em seu arrazoado. Por isso, considero correta a decisão pela aferição indireta. Com relação à MATRICULA CEI nº 50.004.00328/71 OBRA PR030, de acordo com o Discriminativo de Débito DD (efls. 4/16) não houve débitos neste auto de infração, não prosperando qualquer alegação em relação a ela. Com relação à MATRICULA 50019647008/77 OBRA PR033, cabe observar que para fins de determinar as divergências entre o salário escriturado e o declarado em GFIP, não se levou em consideração os valores relativos aos serviços prestados por pessoas jurídicas, tais como os abaixo (que não são passíveis de declaração em GIFP); mas, mesmo os excluindo do batimento, as diferenças permaneceram, conforme verificado anteriormente: MES/ ANO VR. CONTÁBIL. VALOR GFIP DIFER. ORIGEM 12/05 9.247,74 0 9.247,74 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 03/06 20.825,67 0 20.825,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 04/06 16.589,00 0 16.589,00 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 05/06 5.908,54 0 5.908,54 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 06/06 9.613,67 0 9.613,67 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 07/06 20.412,13 0 20.412,13 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 08/06 23.141,04 0 20.141,04 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 09/06 28.650,17 0 28.650,17 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" 10/06 18.804,56 0 18.804,56 Serviços prestados: NFs." SE Assessoria de Recursos Humanos Ltda" Quanto à MATRICULA CEI 50.020.37627/79 OBRA RJ034, a incorreção da planilha apontada pela recorrente não decorreu de erro da fiscalização, que apenas apresentou os dados da forma que constavam na contabilidade (efls. 3023/3024 do processo nº 16707.006588/200934): Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 437 17 Além disso, em relação a essa obra, o Auditor Fiscal já tinha se pronunciado em diligência (efls. 312): Portanto, diante do exposto, não vejo motivo para reforma do acórdão recorrido, nem vislumbro qualquer cerceamento de defesa, pois a recorrente dispunha de todos os elementos para construir seu contraditório, mas se manteve inerte em trazer quaisquer outros argumentos ou elementos, quer após as diligências efetuadas, quer em sede de recurso voluntário. Improcedência do lançamento. Acréscimos legais indevidos. A recorrente alega que agiu corretamente quanto à contabilização das retenções, não havendo razão para lançamento de acréscimos legais, visto que só pode haver retenção quando há pagamento. Fl. 444DF CARF MF 18 Não cabe pronunciamento sobre essa alegação, pois não foram lançados valores de acréscimos legais no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Improcedência do lançamento. Correta contabilização das notas fiscais A recorrente arrazoa que as notas fiscais foram contabilizadas. Em relação a isso, o julgador a quo já havia se pronunciado depois da diligência fiscal, em que o Auditor Fiscal confirmou a escrituração da nota fiscal nº 94, informando o número correto da nota fiscal 18982, e a contabilização indevida da nota 022939, por ter sido escriturada em data posterior à emissão, permanecendo a falta, conforme se verifica no trecho abaixo: Do exposto, concluise que procede, em parte, a impugnação na matéria, dado que a citada NF n.ºs 94 foi adequadamente contabilizada, ao contrário do referido no relatório fiscal original. De ressaltarse, porém, que a falha persiste em relação à mencionada NF 18.982 e que, também, a empresa é compelida a observar o princípio contábil da competência, segundo o qual o reconhecimento de despesas e receitas deve ser feito quando de sua ocorrência (no caso, pela emissão da NF), independentemente de saída ou entrada de numerários, fato inobservado pela impugnante em relação à NF 022939 supracitada. A alegação da recorrente já foi analisada em tópico anterior, onde entendi que a falta permaneceu em relação às notas fiscais emitidas pela Manchester e Concremat, pois a recorrente deixou de observar os princípios contábeis ressaltados pela auditoria. Cobrança indevida relativa ao item 7 do Termo de Verificação Fiscal (retenção e recolhimento de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços) Não cabe pronunciamento sobre essa alegação, pois não foram lançados valores de por falta de retenção e recolhimento de 11% sobre cessão de mão de obra, no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Improcedência cobrança INSS sobre faturas Unimed A recorrente alega ser indevida a cobrança de 15% sobre as faturas emitidas pela Unimed, porque esta não é cooperativa trabalho. Não cabe pronunciamento sobre essa alegação, pois não foram lançados valores relativos a essa rubrica, no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Falta de apropriação de créditos no "RADA" no estabelecimento matriz A Recorrente apresenta uma planilha com possíveis valores que foram recolhidos por GPS, mas não apropriados no lançamento do estabelecimento matriz (CNPJ: 08.323.347/000187). Sem razão a defesa. Primeiramente, observo que a planilha apresentada na defesa (efls. 5821/5822 do processo nº 16707.006588/200934) contém o somatório, por competência, das GPS com códigos de recolhimento 2100, 2640, 2631 e 2909, incluindo juros e multa, sendo que as únicas GPS que deveriam ser consideradas pela fiscalização para Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 438 19 apropriação, como o foram, são as de código 2100, pois as demais se referem a recolhimentos específicos: 2909 (reclamatória trabalhista, que não foi objeto de lançamento); 2631 e 2640 (retenção sobre cessão de mãodeobra). Em relação a estas, devese observar que o contribuinte têm a faculdade de compensálas por meio de declaração em GFIP, ou solicitar restituição, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, c/c caput e parágrafos do art. 219 do Decreto nº 3.048/99, artigos 192 a 196 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14/07/2005, fato que foi considerado pela fiscalização, conforme veremos em tópico específico. Segundo, analisando as GPS apresentadas às efls. 2429/2929 do processo nº 16707.006588/200934, verifico que elas já constam no RDA, à exceção da relativa às competências 01/2005, 11/2005, 13/2006, conforme planilha abaixo: Comp Código Dt Pgto INSS Terceiros Total líquido multa/ juros Total efls. do processo nº 16707.006588/200934 jan/05 2100 4.445,86 903,81 5.349,67 2429 jan/05 2100 14/05/2008 29,41 19,51 29,41 RDA jan/05 Total 5.379,08 fev/05 2100 3.593,45 742,35 4.335,80 2459 fev/05 2100 14/05/2008 29,40 19,05 29,40 RDA fev/05 Total 4.365,20 mar/05 2100 3.271,51 667,41 3.938,92 2473 mar/05 2100 14/05/2008 167,82 106,39 167,82 RDA mar/05 Total 4.106,74 abr/05 2100 5.082,51 1.064,39 6.146,90 2488 abr/05 2100 14/05/2008 296,14 183,3 296,14 RDA abr/05 Total 6.443,04 mai/05 2100 9.288,94 2.009,01 11.297,95 2507 mai/05 Total 11.297,95 jun/05 2100 10.852,87 2.419,85 13.272,72 2539 jun/05 2100 14/05/2008 877,88 516,19 877,88 RDA jun/05 Total 14.150,60 jul/05 2100 13.557,53 3.061,15 16.618,68 2570 jul/05 2100 14/02/2006 7949,06 1525,42 7.949,06 RDA jul/05 Total 24.567,74 ago/05 2100 14.342,91 3.150,60 17.493,51 2614 ago/05 2100 14/02/2006 8073,76 1428,24 8.073,76 RDA ago/05 Total 25.567,27 set/05 2100 4.089,04 771,96 4.861,00 2656 set/05 Total 4.861,00 out/05 2100 4.161,93 785,75 4.947,68 2667 out/05 Total 4.947,68 nov/05 2100 4.042,73 760,36 4.803,09 2681 nov/05 Total 4.803,09 13/2005 2100 3.570,49 665,93 4.236,42 2680 13/2005 Total 4.236,42 jan/06 2100 4.368,15 819,55 5.187,70 2698 jan/06 Total 5.187,70 fev/06 2100 4.012,08 754,56 4.766,64 2715 Fl. 446DF CARF MF 20 fev/06 2100 30/10/2008 68,11 35,69 68,11 RDA fev/06 Total 4.834,75 mar/06 2100 4.113,41 777,76 4.891,17 2733 mar/06 2100 30/10/2008 68,11 34,96 68,11 RDA mar/06 Total 4.959,28 abr/06 2100 5.486,70 889,12 6.375,82 2746 abr/06 2100 30/10/2008 76,36 38,22 76,36 RDA abr/06 Total 6.452,18 mai/06 2100 5.614,38 864,76 6.479,14 2762 mai/06 2100 30/10/2008 76,35 37,31 76,35 RDA mai/06 Total 6.555,49 jun/06 2100 5.749,61 872,75 6.622,36 2776 jun/06 2100 30/10/2008 76,34 36,41 76,34 RDA jun/06 Total 6.698,70 jul/06 2100 5.716,66 882,13 6.598,79 2792 jul/06 Total 6.598,79 ago/06 2100 7.254,47 1.024,32 8.278,79 2806 ago/06 Total 8.278,79 set/06 2100 30,00 1.458,29 1.488,29 2826 set/06 Total 1.488,29 out/06 2100 30,00 1.405,38 1.435,38 2849 out/06 Total 1.435,38 nov/06 2100 30,00 1.497,89 1.527,89 2868 nov/06 Total 1.527,89 dez/06 2100 30,00 1.332,63 1.362,63 2901 dez/06 Total 1.362,63 13/2006 2100 30,00 1.169,14 1.199,14 2929 13/2006 Total 1.199,14 Observo que o lançamento fiscal foi efetuado apenas em relação aos valores não declarados em GFIP, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91, por isso, apesar de as GPS das competências 01/2005, 11/2005, 13/2006 não estarem listadas no RDA, elas se referem a recolhimentos de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP (efls. 2429/2430, 2681/2682, 2929/2934 do processo nº 16707.006588/200934), e só a eles poderiam ter sido apropriadas, portanto, mesmo que viessem a compor o RDA não refletiriam no valor do débito apurado nessas competências. A apropriação de GPS que aparece no RADA (relativo ao levantamento "DAG SAL DECLARADOS EM GFIP") é um batimento entre o valor declarado em GFIP e o recolhido em GPS, como forma de verificar se existem sobras de recolhimento que pudessem ser aproveitadas a levantamentos de remunerações não declaradas, o que não ocorreria no caso dessas três competências, conforme efls. 2429/2430, 2681/2682, 2929/2934 do processo nº 16707.006588/200934. Com relação à MATRÍCULA CEI 50.020.77490/74, ao contrário do que afirma a recorrente, não se verifica discrepância entre o extrato de contribuições (efls. 2950 do processo nº 16707.006588/200934) e os valores constantes no RDA (efls. 40). Por seu turno, as retenções declaradas em GFIP também constam no RDA (efls. 19), que aparecem apropriadas aos valores declarados em GFIP (efls. 61/64). Por tudo isso, a planilha apresentada pela recorrente às efls. 397/398 discrepa da realidade dos documentos mencionados na impugnação e constantes nos autos do processo nº 16707.006588/200934. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 439 21 Ausência de detalhamento das origens das bases de cálculo do item "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS" A recorrente alega que a fiscalização não discriminou as divergências relativas ao estabelecimento 08.323.347/000187, a que se refere o levantamento "CON SALÁRIOS ADMINISTRATIVOS", para as competências 01/2005, 09/2005, 10/2005, 11/2005, 12/2005, 01/2006, 02/2006, 03/2006. Afirma que a autoridade recorrente entendeu que tal discriminação foi feita pela auditoria em diligência, da qual a recorrente foi cientificada, mas não se pronunciou. Alega que não teria como se pronunciar porque os livros Diário e Razão estavam de posse da fiscalização, o que impossibilitou seu direito à ampla defesa. Não assiste razão à recorrente. Por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 03, recebido em 23/03/2009 (efls. 112), a auditoria solicita que a recorrente justifique as "divergências entre as GFIP e os lançamentos contábeis indicados nas planilhas anexas", e logo às efls. 115 consta o Anexo "Justificar as diferenças verificadas entre os valores contabilizados e os informados na GFIP Salários Administrativos", em que estão relacionados, por competência, os valores de salários administrativos e o valor declarado em GFIP. Novamente às efls. 314, o Auditor Fiscal discrimina esses valores, acrescentando parte relativa à alimentação. A alegação da empresa de que não se pronunciou sobre o resultado da diligência porque os livros Diário e Razão estavam com a fiscalização, não tem fundamento, visto que a ela é facultado pedir cópia de todo o processo, nos termos dos §§ 2º e 3º do art. 146 do Decreto nº 7.574/2001. Além disso, esses livros são elaborados pela empresa com base em seus próprios documentos, o que torna sem propósito dizer que não poderia recorrer porque não dispunha deles, sem considerar que, conforme consta às efls. 3302/5591 do processo nº 16707.006588/200934, tais livros são resultado de escrita digital, sendo razoável que a empresa tenha esses dados em sistema, seja na própria empresa ou em escritório responsável por sua contabilidade, e possivelmente acessível a ela. Portanto, sem sentido essa alegação. Da falta de apropriação de INSS retido pelas fontes pagadoras A recorrente arrazoa que os valores retidos sobre as notas fiscais de prestação de serviços, referente às obras abaixo listadas não foram apropriados no lançamento fiscal: 50.020.77490/74 RJ 035 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.020.37627/79 RJ 034 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.019.58931/76 RJ 033 CONCESSIONARIA DA RODOVIA PRESIDENTE DUTRA S/A 50.023.58653/78 RN 244 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DO RN TRE 50.016.95806/75 PB 006 SUPLAN SUPERINTENDÊNCIAS DE OBRAS DO PLANO DE DESENVOLVIMENTO DO ESTADO PARAÍBA 50.023.40802/70 RN 243 CIA DE AGUAS E ESGOTOS DO RIO GRANDE DO NORTE CAERN Para análise desse argumento, oportuno transcrever os dispositivos legais e normativos que tratam da retenção sobre notas fiscais, faturas e recibos por serviços prestados mediante cessão de mãodeobra: Lei nº 8.212/91 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho Fl. 448DF CARF MF 22 temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009).(Produção de efeitos). §1oO valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §2oNa impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição.(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (Grifei) Decreto nº 3.048/99 Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) [...] §4ºO valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §5ºO contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. §6ºA empresa contratante do serviço deverá manter em boa guarda, em ordem cronológica e por contratada, as correspondentes notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços, Guias da Previdência Social e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com comprovante de entrega. §7ºNa contratação de serviços em que a contratada se obriga a fornecer material ou dispor de equipamentos, fica facultada ao contratado a discriminação, na nota fiscal, fatura ou recibo, do valor correspondente ao material ou equipamentos, que será Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 440 23 excluído da retenção, desde que contratualmente previsto e devidamente comprovado. §8ºCabe ao Instituto Nacional do Seguro Social normatizar a forma de apuração e o limite mínimo do valor do serviço contido no total da nota fiscal, fatura ou recibo, quando, na hipótese do parágrafo anterior, não houver previsão contratual dos valores correspondentes a material ou a equipamentos. §9ºNa impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina, ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3ºdo art. 247.(Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) §10. Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. §11. As importâncias retidas não podem ser compensadas com contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social para outras entidades. IN SRP nº 3, de 14/07/2005 Art. 192. Compensação é o procedimento facultativo pelo qual o sujeito passivo se ressarce de valores pagos indevidamente, deduzindoos das contribuições devidas à Previdência Social. Art. 193. Caso haja pagamento de valores indevidos à Previdência Social, de atualização monetária, de multa ou de juros de mora, é facultado ao sujeito passivo optar pela compensação ou pela formalização do pedido de restituição na forma da Seção II deste Capítulo, observadas, quanto à compensação, as seguintes condições: I a compensação deverá ser realizada com contribuições sociais arrecadadas pela SRP para a Previdência Social, excluídas as destinadas para outras entidades ou fundos; II o sujeito passivo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil, em relação às contribuições objeto de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD e débito decorrente de Auto de Infração AI, cuja exigibilidade não esteja suspensa, de Lançamento de Débito Confessado LDC, de Lançamento de Débito Confessado em GFIP LDCG, de Débito Confessado em GFIP DCG; III o sujeito passivo deverá estar em dia com as parcelas relativas ao acordo de parcelamento de contribuições objeto dos Fl. 450DF CARF MF 24 lançamentos de que trata o inciso II, considerados todos os seus estabelecimentos e obras de construção civil; IV somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição, conforme disposto nos arts. 218 e 219; V a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos indevidamente. § 1º O crédito decorrente de pagamento ou de recolhimento indevido poderá ser utilizado entre os estabelecimentos da empresa, exceto obras de construção civil, para compensação com contribuições sociais previdenciárias devidas, desde que a compensação seja declarada em GFIP. § 2º Caso haja recolhimento indevido, comprovado mediante documento de arrecadação identificado com a matrícula CEI de obra de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica, relativo à obra sem atividade, ou seja, para a qual tenha sido entregue GFIP sem movimento ou que tenha sido encerrada, a compensação poderá ser realizada em documento de arrecadação identificado com o CNPJ do estabelecimento responsável pelo faturamento da obra. § 3º A empresa, o equiparado na forma do § 4º do art. 3º, e o empregador doméstico, poderão efetuar a compensação de valor descontado indevidamente de sujeito passivo e efetivamente recolhido, desde que seja precedida do ressarcimento ao sujeito passivo. § 4º É vedada a compensação em documento de arrecadação previdenciária de valor recolhido indevidamente para outro órgão da Administração Pública, ainda que se refira a contribuições devidas à Previdência Social, mesmo aquelas decorrentes da opção pelo SIMPLES. Art. 194. A compensação, observada a prescrição estabelecida no art. 218, não deverá ser superior a trinta por cento do valor das contribuições devidas à Previdência Social, em cada competência, independentemente da data do recolhimento, e de acordo com as seguintes disposições: [...] § 1º O saldo remanescente em favor do sujeito passivo poderá ser compensado nas competências subseqüentes, devendo ser obedecidas as mesmas condições estabelecidas neste artigo e no art. 193. § 2º O valor total a ser compensado deverá ser informado na GFIP, na competência de sua efetivação, conforme previsto no Manual da GFIP. Art. 195. No documento de arrecadação relativo ao pagamento das contribuições incidentes sobre o décimoterceiro salário poderão ser compensadas importâncias que a empresa tenha Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 441 25 recolhido indevidamente, observado o limite de trinta por cento do total do valor devido à Previdência Social nesta competência. (Grifei). Sobre esse questionamento, a auditoria fiscal já havia se pronunciado no resultado de diligência (efls. 314): Esclarecimentos da auditoria: Os créditos relacionados no RAD correspondem aos códigos de recolhimento; 2100 Código da GPS Empresas em geral CNPJ 2208 Código da GPS Empresas em geral CEI Créditos créditos por retenção na prestação de serviços Deixamos de considerar todos os créditos campo compensação da GFIP, porque ao fazer o batimento entre os valores informados na GFIP e os valores retidos nas notas fiscais emitidas pela Construtora A Gaspar S A foi detectada diferença entre os mesmos. Intimada através dos Termos de Intimação no. 10 (fl 42), 11(fl. 44) , 12 (fl. 58) processo 16707.006588/200934 a apresentar os elementos ali indicados e necessários à comprovação da origem da compensação, não houve a apresentação, o que impossibilitou a consideração do crédito pretendido, fato citado no relatório fiscal fl. 122 processo 16707.006588/200934 Conforme se observa do trecho acima, o Auditor Fiscal incluiu como créditos apenas os valores de retenção que foram declarados em GFIP, desconsiderando os valores destacados na nota fiscal por divergirem dos informados em GFIP. Nesse sentido, analisando a planilha às efls. 97, as notas fiscais mencionadas na impugnação e constantes nos autos do processo nº 16707.006588/200934, e os valores de créditos no RDA, confirmei a existência de divergências, por Matrícula CEI. Matrícula CEI nº 50.020.77490/74 As GPS de retenção apresentadas pela recorrente (efls. 3069/3099 do processo nº 16707.006588/200934) foram recolhidas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação às competências 02/2006, 06/2006 e 10/2006, apesar de não aparecerem no RDA, por terem sido declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. Em relação a 11/2006 a recorrente declarou R$ 12.904,22 de retenção, mas só conseguiu comprovar R$ 9.919,95; como o valor foi apropriado a maior, só restaria glosar a diferença. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA dez/05 50.020.774.9074 2.777,28 2.777,28 6.204,11 2.777,28 jan/06 50.020.774.9074 4.922,67 4.922,67 5.428,53 4.922,67 Fl. 452DF CARF MF 26 fev/06 50.020.774.9074 10.711,52 10.711,52 12.456,30 mar/06 50.020.774.9074 16.062,00 16.062,00 16.062,0016.062,00 abr/06 50.020.774.9074 15.499,10 15.499,10 15.499,1015.499,10 mai/06 50.020.774.9074 12.011,15 12.011,15 12.035,5712.011,15 jun/06 50.020.774.9074 22.459,38 22.459,38 35.820,48 jul/06 50.020.774.9074 20.468,50 20.468,50 11.529,7911.529,79 ago/06 50.020.774.9074 24.128,68 24.128,68 17.143,7017.143,70 set/06 50.020.774.9074 15.903,23 15.903,23 31.798,8215.903,23 out/06 50.020.774.9074 17.397,41 17.397,41 26.258,45 nov/06 50.020.774.9074 12.904,22 12.904,22 9.919,95 dez/06 50.020.774.9074 2.671,51 2.671,51 13/2006 50.020.774.9074 1.060,72 1.060,72 Matrícula CEI nº 50.020.37627/79 Com relação à obra 50.020.37627/79 RJ 034, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3061/3088) foram pagas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação à competência 11/2005, apesar de não aparecerem no RDA, por terem sido declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA nov/05 50.020.376.2779 1.987,69 1.987,69 2.054,47 dez/05 50.020.376.2779 9.480,95 9.480,95 11.281,80 9.480,95 jan/06 50.020.376.2779 3.643,47 3.643,47 3.643,47 3.643,47 fev/06 50.020.376.2779 2.673,63 2.673,63 2.673,63 2.673,63 mar/06 50.020.376.2779 6.368,39 6.368,39 7.299,25 6.368,39 abr/06 50.020.376.2779 9.832,78 9.832,78 13.034,23 9.832,78 mai/06 50.020.376.2779 16.917,79 16.917,79 25.768,0816.917,79 jun/06 50.020.376.2779 3.105,27 3.105,27 3.105,27 jul/06 50.020.376.2779 4.791,20 0,00 Matrícula CEI nº 50.019.58931/76 Com relação à obra 50.019.58931/76 RJ 033, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3057/3084) foram pagas no CNPJ matriz, e englobam valores de retenção das obras RJ 033 e RJ 034. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Entretanto, em relação à competência 11/2005, apesar de não aparecer no RDA, por ter sido declarada em GFIP já foi apropriada nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA set/05 50.019.589.3176 960,7 960,7 6.226,44 960,7 out/05 50.019.589.3176 6.474,94 6.474,94 11.512,08 6.474,94 nov/05 50.019.589.3176 10.483,47 10.483,47 10.942,77 dez/05 50.019.589.3176 15.288,95 15.288,95 16.895,9315.288,95 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 442 27 jan/06 50.019.589.3176 19.309,13 19.309,13 19.538,5419.309,13 fev/06 50.019.589.3176 15.432,08 15.432,08 15.432,0815.432,08 mar/06 50.019.589.3176 9.501,34 9.501,34 9.808,93 9.501,34 abr/06 50.019.589.3176 9.274,56 9.274,56 9.907,23 9.274,56 mai/06 50.019.589.3176 1.572,47 1.572,47 1.572,47 1.572,47 Com relação à alegação da recorrente quanto à inexistência da nota fiscal emitida em 10/2006, o Auditor Fiscal já havia respondido no resultado da diligência fiscal: Argumentação do contribuinte. 'em relação ao CEI 50.01958931/76. na competência 10/2006. teria havido lançamento com base de calculo no valor de RS 95.485,28, contudo, não existiria nota fiscal emitida nesta competência relativa a esta obra. Esclarecimentos da auditoria: Para a competência 10/2006 houve a prestação de serviços para a Concessionária da Rodovia Presidente Dutra com a emissão da nota fiscal número 001786 no valor de R$ 530.473,75 . Realmente, não há como acolher a alegação da recorrente, considerando que a nota fiscal nº 1786, no valor de 530.473,75, foi emitida em 19/10/2006 (efls. 2948 do processo nº 16707.006588/200934). Matrícula CEI nº 50.023.58653/78 Com relação à obra 50.023.58653/78 RN 244, as GPS apresentadas pela recorrente (efls. 3109/3111 do processo nº 16707.006588/200934) foram pagas no CNPJ Matriz. As retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Observase que as retenções declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA ago/06 50.023.586.5378 58,41 58,41 4.259,26 58,41 set/06 50.023.586.5378 1.232,03 1.232,03 8.640,52 1.232,03 out/06 50.023.586.5378 2.543,32 2.543,32 19.664,57 2.543,32 nov/06 50.023.586.5378 3.278,44 3.278,44 19.931,09 3.278,44 dez/06 50.023.586.5378 4.798,80 4.798,80 10.397,81 4.798,80 13/2006 50.023.586.5378 1.580,95 1.580,95 1.580,95 Com relação ao valor de R$ 370,51, referente ao 13º Salário da obra 50.023.58653/78, a auditoria também já havia se pronunciado no resultado da diligência: Argumentação do contribuinte: "em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, não teriam sido computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário Fl. 454DF CARF MF 28 Esclarecimentos da auditoria: Para o CEI 5002358653/78 houve a dedução do décimoterceiro salário conforme demonstrativo. [...] RN 244 N FISCAL COMP VRDANF % MÃO DE OBRA REMUNERAÇÃO DEDUZIDA DIFERENÇA CEI DA OBRA 200607 0,00 746,93 500235865378 001761 200603 110.629,98 20 22.126.00 3.472,82 17.906,25 500235865378 001784 200610 510.768,04 20 102.153.61 9.153,83 92.999,78 500235865378 001773 200609 224.429,21 20 44.885.84 5.199,12 39.686.72 500235865378 001790 200611 517.690,70 20 103.538,14 10.979,33 92.558,81 500235865378 001795 200612 270.073,10 20 54.014,62 17.405,10 500235865378 200613 3.868,19 32.741,33 Analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para a competência 13/2006 (efls. 14/15), razão pela qual não aparece a apropriação para a respectiva competência da GPS citada pela recorrente. Matrícula CEI nº 50.016.95806/75 A recorrente não informou em GFIP as retenções sofridas nas notas fiscais de prestação de serviços, o que impediu a compensação pelo valor total. Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA abr/05 50.016.958.0675 2.808,88 mai/05 50.016.958.0675 6.487,80 mar/06 50.016.958.0675 36.550,44 abr/06 50.016.958.0675 3.223,80 out/06 50.016.958.0675 13.387,23 ago/06 50.023.408.0270 11.930,13 Com relação ao valor de R$ 370,51, referente ao 13º Salário da obra 50.016.95806/75, a auditoria também já havia se pronunciado no resultado da diligência: Argumentação do contribuinte: "em relação aos CEI 50.02358653/78, 50.01695806/75, não teriam sido computados os recolhimentos referentes ao décimo terceiro salário Esclarecimentos da auditoria: [...] Para o CEI 5001695806/75, não houve emissão de nota fiscal em dezembro/2010. Analisando os documentos citados na impugnação e acostados aos autos do processo nº 16707.006588/200934, não consta esse valor no extrato da obra (efls. 3118 do processo nº 16707.006588/200934), por isso, não aparece a apropriação para a respectiva competência da GPS citada pela recorrente Além disso, analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para a competência 13/2006 (efls. 9/10). Fl. 455DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 443 29 Matrícula CEI nº 50.023.40802/70 Com relação à obra 50.023.40802/70 RN 243, as retenções que foram informadas em GFIP foram consideradas pela Auditoria. Observase que as retenções declaradas em GFIP já foram apropriadas nesse documento, não cabendo apropriação ao presente lançamento por este se referir apenas a remunerações não declaradas. A falta de declaração em GFIP do total da retenção sobre as notas fiscais, impediu a compensação pelo valor total: Retenção Competência Tomador Valor informado em GFIP Valor compensado/abatido em GFIP Retenção NF (acostada à impugnação) Crédito no RDA ago/06 50.023.408.0270 11.930,13 set/06 50.023.408.0270 899,95 899,95 9.767,1 899,95 out/06 50.023.408.0270 1.688,72 1.688,72 9.767,10 1.688,72 nov/06 50.023.408.0270 1.138,05 1.138,05 21.697,23 1.138,05 dez/06 50.023.408.0270 1.308,46 1.308,46 1.308,46 13/2006 50.023.408.0270 371,31 371,31 371,31 Quanto às GPS no código 2208, nos valores de R$ 820,61; R$ 380,61; R$ 283,29 e R$ 39,37, que a recorrente diz não terem sido consideradas pelo Auditor Fiscal, analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para as competências desses valores (efls. 14), razão pela qual não aparecem as respectivas apropriações citadas pela recorrente: CEI cod comp Dt pagto inss terceiros total efls. do processo nº 16707.006588/200934 50.023.40802/70 2208 jul/06 02/08/2006 676,59 144,02 820,61 3156 50.023.40802/70 2208 out/06 03/11/2006 30,00 350,61 380,61 3161 50.023.40802/70 2208 dez/06 01/01/2007 30,00 253,29 283,29 3164 50.023.40802/70 220813/2006 20/12/2006 33,11 6,26 39,37 3165 Diante de todo o exposto, considero correta a atuação da auditoria, pois os valores retidos sobre notas fiscais de prestação de serviço podem ser compensados com as contribuições previdenciárias devidas no mês de emissão da nota fiscal, desde que declarados em GFIP, conforme legislação e atos normativos acima transcritos. Ademais, a compensação tem procedimento próprio, e a fase do contencioso não é sede adequada para que ela seja efetuada. Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.016.93906/71 Obra SE001 Em relação à obra CEI 50.016.93906/71 OBRA SE001, a recorrente alega que a fiscalização deixou de efetuar a apropriação das GPS do período de 01/2005 a 07/2005, entretanto, as GPS no código 2208 acostadas aos autos pela recorrente (efls. 3220/3226 do processo nº 16707.006588/200934) já constam no RDA (efls. 33). Há que se observar que as GPS apresentadas cód 2208 são apropriadas aos valores declarados em GFIP, conforme esclarecido em tópico anterior. Da falta de apropriação de INSS referente ao estabelecimento 50.019.64708/77 Obra PR033 Fl. 456DF CARF MF 30 Em relação à obra CEI 50.019.64708/77 Obra PR033, a recorrente alega que a fiscalização deixou de efetuar a apropriação das GPS do período de 01/2005 a 07/2005, entretanto, as GPS no código 2208 constantes no extrato (efls. 765 do processo nº 16707.006588/200934) já constam no RDA (efls. 37). Além disso, analisando o relatório de lançamento (efls. 70/78), verifico que não houve apuração para as competências desses valores (efls. 12), razão pela qual não aparecem as respectivas apropriações citadas pela recorrente. Quanto à alegação da empresa de que a auditoria incluiu os seguintes valores na MATRÍCULA CEI 50.019.64708/77, na competência 12/2005: R$ 87.831,17; R$ 187.506,70; R$ 116.096,94; R$ 123.512,15; R$ 129.495,20, o Auditor Fiscal já havia se pronunciado no resultado da diligência (efls. 316) da seguinte forma: Argumentação do contribuinte: "teriam sido incluídos, indevidamente, na competência 12/2005, relativamente ao CEI 50.01964708/77 (obra PR — 033), as quantias de R$ 87.831.17; R$ 187.506,70, R$ 116.096,94; R$ 123 512,15. e R$ 129 495,20, os quais se referem a obra PR — 032" Esclarecimentos da auditoria: Durante a auditoria o contribuinte informou que as obras PR 033 e PR 032 são um só contrato, sendo utilizadas dois códigos para efeito de controle de custos. Caso a informação prestada durante a auditoria não seja procedente, deverá o sujeito passivo, informar qual é a matrícula da obra denominada PR 033 e a matrícula da obra PR 032. Assim, considerando que a recorrente apenas alegou, sem informar a que matrícula CEI correspondem os lançamentos, sobre os quais se insurge, não há como acatar seu arrazoado. Acrescento que, os valores retidos pela recorrente sobre as notas fiscais de serviços prestados por subempreiteiros devem ser discriminados na nota fiscal para fins de dedução do valor da retenção sofrida, e desde que efetivamente recolhidos os valores retidos. Nas notas fiscais acostadas à impugnação não há qualquer informação sobre a dedução desses valores. Porém, uma vez que o Auditor Fiscal lançou como crédito o valor retido informado em GFIP pela recorrente, sem essa dedução, não cabe atribuir o valor retido nas subempreiteiras como crédito da recorrente. Da glosa da compensação de créditos de INSS Não cabe pronunciamento em relação a esse tópico, pois não foram lançados valores de glosa de compensação no Auto de Infração relativo à contribuição de segurados. Do lançamento relativo aos estabelecimentos 70001.25497/70 e 70001.25522/75 A recorrente informa estar impossibilitada de apresentar defesa em relação aos lançamentos dessas obras, por não terem sido evidenciados os dados mínimos para conhecimento claro das bases de cálculo. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 16707.006589/200989 Acórdão n.º 2202004.556 S2C2T2 Fl. 444 31 Não assiste razão à recorrente. Conforme visto, por meio de diligência o Auditor Fiscal respondeu a vários questionamentos feitos pela recorrente em sua peça impugnatória, em que consta às efls. 302/304 relação das notas fiscais utilizadas, sendo que às efls. 310/311 está discriminado o cálculo que deu origem ao lançamento das obras Matrícula CEI nº 70001.25497/70 e 70001.25522/75, com respectivos percentuais considerados para o lançamento, conforme abaixo: [...] Os dados constantes na planilha acima estão exatamente consistentes com os valores lançados pela fiscalização, apresentados no relatório DD Discriminativo do Débito (e fls. 15/16). Além disso, a relação de notas fiscais utilizadas pela fiscalização já constavam como anexo do Relatório Fiscal (efls. 70/78), em que o Auditor Fiscal apresentou a metodologia do cálculo efetuado para o lançamento (efls. 102): DA AFERIÇÃO DA REMUNERAÇÃO DA MÃO DE OBRA 1. Considerando que a contabilidade apresentada pelo sujeito passivo deixou de atender aos princípios contábeis , o valor da mãodeobra foi apurada pelo método do arbitramento, com base no artigo 33, parágrafo 6o. da Lei no. 8.212., de 24/07/1991. 2. Da análise da documentação apresentada pela empresa (Contratos, Notas Fiscais e Medições de Serviços) observase à previsão contratual de fornecimento de material e equipamentos, contudo não existe, nem nos contratos e tampouco nas notas fiscais e medições, discriminação clara dos valores desses itens. 3. Sendo assim, o valor da remuneração da mão de obra utilizada foi calculada, com base na aplicação dos critérios Fl. 458DF CARF MF 32 estabelecidos nos Art 600 e seguintes da IN nº SRP 03/2005, conforme abaixo: • Aplicação do percentual de 50% sobre o valor bruto da Nota Fiscal para fins de aferição do valor dos serviços embutidos na prestação do serviço; Na prestação dos serviços de construção civil abaixo relacionados, havendo ou não previsão contratual de utilização de equipamento próprio ou de terceiros, o valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços não poderá ser inferior ao percentual, respectivamente estabelecido para cada um desses serviços, aplicado sobre o valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. I pavimentação asfáltica: quatro por cento; II terraplenagem, aterro sanitário e dragagem: seis por cento; III obras de arte (pontes ou viadutos): dezoito por cento; IV drenagem: vinte por cento; V demais serviços realizados com a utilização de equipamentos, exceto manuais, desde que inerentes à prestação dos serviços: quatorze por cento. 4. As bases de cálculo, (valores da remuneração da mão de obra aferidas conforme itens acima), as contribuições apuradas, alíquotas e deduções utilizadas e recolhimentos aproveitados, encontramse devidamente discriminados nos relatórios "Discriminativo do Débito DD", integrantes da presente notificação. Portanto, a recorrente tinha todos os elementos necessários para sua plena defesa, não havendo razão para elaboração de novo demonstrativo, porque o que consta nos autos espelha de onde se originaram os valores efetivamente lançados. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 459DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.004054/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabelece que o art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autorizando o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito.
O arbitramento da receita poderá ser efetuado com base em depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, quando o contribuite não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações.
A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples de e nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
A falta de comunicação, quando obrigatória da exclusão da pessoa jurídica do Simples, sujeita a pessoa jurídica a multa de 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade cem o Simples no riles que anteceder o inicio dos efeitos da exclusão.
Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade das normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui.
Numero da decisão: 1402-003.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES- PIS - COFINS - CSLL - IRPJ - INSS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabelece que o art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autorizando o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. O arbitramento da receita poderá ser efetuado com base em depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, quando o contribuite não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ - Simples de e nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. A falta de comunicação, quando obrigatória da exclusão da pessoa jurídica do Simples, sujeita a pessoa jurídica a multa de 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade cem o Simples no riles que anteceder o inicio dos efeitos da exclusão. Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade das normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone.
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFINS CSLL IRPJ INSS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabelece que o art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autorizando o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. O arbitramento da receita poderá ser efetuado com base em depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, quando o contribuite não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples de e nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. A falta de comunicação, quando obrigatória da exclusão da pessoa jurídica do Simples, sujeita a pessoa jurídica a multa de 10% (dez por cento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade cem o Simples no riles que anteceder o inicio dos efeitos da exclusão. Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de ofício são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade das normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 40 54 /2 00 7- 91 Fl. 909DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 910 2 A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Demetrius Nichele Macei, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias, Edgar Bragança Bazhuni e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 910DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 911 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter as exigências perpetradas no Auto de Infração (anocalendário 2004). O Auto de Infração trata de omissão de receita, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, constatada por meio de extratos bancários, onde constam depósitos sem origem comprovada. O AI arbitrou o imposto a pagar por meio da receita bruta da Recorrente que era optante do Simples Nacional Federal. A receita bruta foi encontrada por meio do produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Após a constatação da omissão da receita, a Recorrente foi excluída do Simples Nacional e aplicado multa de 10% sobre o imposto devido. No mais, para evitar repetições, utilizo o relatório do v. acórdão recorrido: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada ao interessa só acima identificado, optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, por meio dos autos de infração só Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ/Simples, de fls. 304/311, no valor de $ 21.264,04; da Contribuição para o PIS/Pasep — PIS/Simples, de fls. 320/327, no valor de $ 21.264,04; da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL/Simples, de fls. 312/3I9, o valor de R$ 38.317,06; da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins/Simples, de fls. 328/335, no valor de R$ 79.033,48; da Contribuição para a Segurida e Social — INSS/Simples, de fls. 336/343, no valor de R$ 135.534,90 e do Auto de Infração Simples, de fls. 344/346, no valor de RS 4.918,87. Sobre esses valores foram ainda acrescidos a multa de oficio e os juros de mora calculados até 29/02/2008. Segundo o Relatório do Trabalho Fiscal, de fls. 281/289, o contribui te apresentou extratos bancários das contas mantidas junto a instituições financeiras ( Banco Bradesco, Banco do Brasil e Banco Banrisul ), com depósitos que não constam dos livros contábeis apresentados, num montante de R$ 1.732.413,49 em 2004 ( fls. 283 ), eliminadas as transferências entre contas do fiscalizado, operações de empréstimo/financiamento; depósitos estornados e cheques devolvidos. A fiscalização selecionou três clientes e intimouos a identificar e descrever a operação relacionada ao depósito efetuado na conta do autuado. Dois prontamente informaram tratarse de compras de mercadorias e um complementou que várias remessas do contribuinte foram feitas sem nota fiscal. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 912 4 Havendo contas bancárias à margem da escrituração, foi o contribuinte intimado a comprovar, mediante documentos hábeis e idôneos, depósitos feitos em suas contas bancárias. Em uma das respostas, sem comprovar nada, afirma tratarse de depósito efetuados pelos clientes e, em outro momento, reitera não ter nada para comentar sobre as diferenças encontradas em seu faturamento. Não logrando êxito na comprovação da origem dos depósitos realizas os nas contas mantidas pelo contribuinte no anocalendário de 2004, foi lançado no Auto e Infração os tributos e contribuições devidos sobre o total dos créditos bancários realizados às contas mantidas pelo fiscalizado junto às instituições bancárias, nos meses de janeiro a dezembro/2004, excluídos os depósitos com origem comprovada, os cheques depositado e devolvidos, os quais, pela não comprovação da origem, configuram presunção de omissão receita com fundamento no art. 287 do RIR/1999 ( Decreto n° 3.000/1999). Informa a fiscalização, que será feita representação à autoridade competente para proceder à exclusão do contribuinte do Simples, com efeitos a partir do anocalendário de 2005 e, não tendo sido atendido o art. 202 do RIR/1999 aprovado pelo Decreto 3.000/1999, que trata da falta de comunicação da exclusão obrigatória por ter ultralpassado o limite da receita bruta em 2004, será aplicada a multa de 10% do total dos impostos e contribuições devidos no mês de dezembro/2004: Art.202.A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES, nos prazos determinados no §3 do art. 194, sujeita a pessoa jurídica a multa correspondente a dez por cento do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o SIMPLES no mês que antecede inicio dos efeitos da exclusão, não inferior a cem reais, insuscetível de redução (Lei n° 9.317, de 1996, art. 21). A fundamentação legal de cada lançamento pode ser observada no próprio dos autos de infração. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 03/03/2008, conforme Termo me Encerramento de fls. 347 e em 02/04/2008, o interessado apresentou a impugnação de fls. 374/385, na qual alega, em síntese: 1 A empresa dedicase principalmente ao comércio de produtos eletrônicos; 2 A autoridade fiscal deixou de investigar se os valores encontrados em suas contas bancárias, superiores ao declarado, decorriam efetivamente de sua atividade comercial e/ou receita; 3 0 valor dos depósitos dos dois clientes que foram intimado a informar a origem destes representam menos de R$ 40.000,00, enquanto que o total supostamente omitido em 2004 seria de R$ 1.618.475,77; 4 Faltou análise de provas e documentos para solidificar a autuação, afrontando o art. 9° do Decreto n° 70.235/1972 e o art. 142 do CTN ao consolida o crédito através da verificação de indícios probatórios; 5 A mera discrepância da movimentação bancária com a receita não é prova incontestável para presumir a omissão; Fl. 912DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 913 5 6 A autoridade fiscal está a inverter o 'onus da prova, transferindo ao contribuinte atividade que, nos termos do art. 142 do CTN, lhe pertence; 7 Os ditames constitucionais ( legalidade, ampla defesa, devidoo processo legal e tipicidade da tributação ) e os previstos na legislação complementar — CTN não podem ser afrontados pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, cuja hierarquia e competência é inferior; 8 A inaplicabilidade da Taxa Selic como juros de Mora: os juros mora servem para indenizar o Estado pela mora. No caso da Selic, esta apresentase como uma verdadeira multa imposta ao contribuinte, pela forma como é apurada; e 9 Do cerceamento de defesa e da multa: a Constituição Federal assegura aos litigantes o contraditório e a mais ampla defesa, porém àquele que exerceu direito constitucional da ampla defesa administrativa perde o direito de ver a multa reduzi para 50% no caso de pagamento nos 30 dias da notificação, ou 40% se optar pe parcelamento. Ao final, requer seja julgado totalmente improcedente o lançamento, a medida em que, como se demonstrou, foi calcado em elementos incertos e imprecisos. Caso reste algum valor a ser tributado, seja reduzida a multa, bem como excluídos os valores concernentes aos juros ( taxa SELIC ). Em seguida a DRJ de São Paulo, proferiu v. acórdão mantendo integralmente o Auto de Infração, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUE PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARBITRAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. LANÇAMENTOS DECORRENTES SIMPLES PIS COFIN CSLL IRPJ INSS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A Lei n° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autorizou o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem OS valores depositados em sua conta de depósito. 0 arbitramento da receita poderá ser efetuado com base em depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. 0 decidido quanto ao lançamento do IRPJ Simples deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 914 6 A falta de comunicação, quando obrigatória, da exclusão da pessoa jurídica do Simples, sujeita a pessoa jurídica a multa de 10% (dez porcento) do total dos impostos e contribuições devidos de conformidade com o Simples no mês que anteceder o inicio dos efeitos da exclusão. Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de oficio são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a institui. Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora com base na taxa SELIC. Aplicase a redução de multa de oficio lançada, somente nos prazos e condições estabelecidos pela legislação tributária vigente art. 6° da Lei 8.218/91. Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da impugnação. Ato contínuo, os autos retornaram para o E. CARF/MF e foram distribuídos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 914DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 915 7 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivo pelo qual devem ser admitidos. Em relação a quebra de sigilo bancário sem autorização do judiciário e a argüição de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001, o Pretório Excelso, decidiu da seguinte forma, conforme pode se verificar da ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do Fl. 915DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 916 8 princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601314, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe 198 DIVULG 15092016 PUBLIC 16092016) No mesmo sentido: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20 112009 EMENT VOL0238307 PP01422 ) Desta forma, entendo que tal alegação relativa a quebra de sigilo bancário deve ser afastada. De resto, a acusação está bem instruída com os documentos necessários para demonstrar a infração a legislação tributária de omissão de receita nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96 (287 do RIR/99), sendo que neste caso a Recorrente é quem tem o ônus de provar que tal diferença não se refere a receita tributável, inexistindo cerceamento ao direito de defesa. Em relação as alegações de inconstitucionalidade, insta esclarecer que nos termos da Súmula 2 deste E. Tribunal não tem competência para analisar ou afastar aplicação de lei por entendêla inconstitucional. Fl. 916DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 917 9 O contribuinte é optante pelo Simples que é um sistema que se constitui em uma forma simplificada e unificada de recolhimentos de tributos, por meio da aplicação e percentuais favorecidos e progressivos, incidentes sobre uma única base de cálculo, a receita bruta, assim entendendo o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos. Ressalvadas essas exclusões, é vedado, para fins da determinação da receita bruta apurada mensalmente procederse a qualquer outra exclusão, em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo e isenção, aplicáveis as demais pessoas jurídicas não optantes pe o Simples (Lei no 9.317 de 1996, art. 2°, § 2° e IN SRF n° 250/2002, art. 40, §1°, e art. 1'). Portanto, a base de cálculo para optantes pelo Simples é a totalidade das receitas auferidas pela empresa, não admitindo a exclusão dos valores relativos a gastos efetivados. Assinalese que aos contribuintes cabe demonstrar com documentos idôneos e hábeis o registro e a origem do depósitos. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, a que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta é a autuação. Quanto aos clientes selecionados para serem intimados a identificar e descrever as operações realizadas junto ao contribuinte que estamos a analisar, a fiscalização informa, em seu relatório de fls. 283, que em 2004 não são os principais depositantes, mas considerando os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 eles efetuaram o maior volume de depósitos na conta do fiscalizado. Concluindo, o objeto da tributação não foi o depósito bancário, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários foram utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Em relação a alegação da Taxa Selic aplicada aos juros de mora e o pedido de redução da multa utilizo os argumentos do v. acórdão recorrido como fundamento do meu voto. Da Taxa Selic como Juros de Mora: Em relação aos juros lançados com base na taxa SELIC pautou se a atividade fiscal pela aplicação da legislação pertinente e agiu de forma legitima. 0 fundamento legal da sua aplicação é Lei n° 8.981/1995, art. 84, I e Lei 9.065/1995, art. 13. 0 legislador, ao modificar a forma de cálculo do percentual da taxa Fl. 917DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 918 10 juros mensais a ser cobrada dos contribuintes com obrigações tributárias em atraso, elevando os para patamares mais aproximados daqueles que o Executivo remunera seus títulos da divida pública — os chamados juros de mora calculados à base da variação da taxa SELIC, nada fez do que uma tentativa de equalizar esta situação absurda e injusta para com o erário, em que o sujeito passivo é beneficiado pelo não cumprimento de suas obrigações. É o próprio parágrafo 10 do art. 161 do CTN, abaixo transcrito, que permite, por autorização legal, exigência de juros de mora em valor superior a 1% ao mês: "Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculado, taxa de 1% (um por cento) ao mês." Por determinação do art. 13 da Lei n.° 9.065/1995, os juros, acumulados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic, para títulos federais, acumulada mensalmente, passaram a ser aplicáveis, a partir de 1° de abril (I e 1995, aos tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, n. o pagos nos prazos previstos na legislação tributária, inclusive no caso de parcelamento ( e débitos, bem assim As contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação especificidade. Até então, eram exigíveis juros de mora equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Divida Mobiliária Federal Interna (art. 84, I da Lei n° 8.981/1995 A partir de 1° de janeiro de 1996, as restituições e compensações e valores correspondentes a impostos, taxas, contribuições federais e receitas patrimoniais passaram a ser acrescidas de juros equivalentes à taxa Selic acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior (art. 39, § 4°, da Lei ° 9.250/1995). Sobre esta contestação do contribuinte de que a Taxa Selic, pelo percentual, pela forma como é apurada e pela inexistência de inflação apresentase como uma verdadeira multa ao contribuinte, cabe esclarecer que a atividade administrativa é plenamente vinculada. Com efeito, o julgador administrativo deve limitar seu pronunciamento à legalidade dos atos administrativos trazidos à sua apreciação. A nossa tarefa esgotase em declarar se o ato administrativo questionado encontra — ou não — fundamento de validade na legislação se regência. Por essa razão, encontramonos vinculados A letra da Fl. 918DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 919 11 lei e não nos é licito desviar o foco da análise do ato administrativo para a legislação que lhe confere supedâneo. Em face das razões expendidas, deixamos de analisar a suposta inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic como juros de mora, intentada pelo interessado, tendo em vista que a legislação indigitada no Auto de Infração sob análise, está vigente e eficaz, ao tempo de sua aplicação. Da Redução da multa Quanto à solicitação para que seja reduzida a multa de oficio, impende esclarecer que o art. 6° da Lei n° 8.218/91 prevê as seguintes reduções no percentual da multa lançada, caso o sujeito passivo efetue o pagamento ou requeira o parcelamento no prazo para impugnação ou do recurso voluntário: Art. 62. Ao sujeito passivo que, notificado, efetuar o pagamento, a co pensag ou o parcelamento dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a titulo de substituição e das contribuições devidas terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, será concedido redução multa de lançamento de oficio nos seguintes percentuais: (Redação dada pela n°11.941, de 27 de maio de 2009) I 50% (cinquenta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo P7 no tifiyi do lançamento; (Incluído pela Lei n°11.941, de 27 de maio de 2009) II 40% (quarenta por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento o prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado o lançamento: (Incluído pela Lei n°11.941, de 27 de maio de 2009) III 30% (trinta por cento), se for efetuado o pagamento ou a compensação o prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que o sujeito passivo foi notifica , o da decisão administrativa de primeira instancia; e(Incluido pela Lei n° JJ9i 1, de 27 de maio de 2009) IV 20% (vinte por cento), se o sujeito passivo requerer o parcelamento no pra o de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância. (Incluído pela Lei n° 11.941, de 27 de mdo de 2009) sç 1' No caso de provimento a recurso de oficio interposto por autorida julgadora de primeira instância, aplicase a redução prevista no inciso III caput deste artigo, para o caso de pagamento ou compensação, e no inciso IV do caput deste artigo, para o caso de parcelamento.(Renumerado com nova redação dada pela Lei n°11.941, de 27 de maio de 2009). Fl. 919DF CARF MF Processo nº 11065.004054/200791 Acórdão n.º 1402003.001 S1C4T2 Fl. 920 12 Como é sabido, todas as leis vêm ao mundo jurídico gozando da presunção de constitucionalidade e não foi facultado ao servidor a tarefa de decidir, ele próprio, acerca eventuais vícios dos textos legais e, por força de seu convencimento, deixar de aplicá los. Mantido o lançamento relativo ao IRPJ, igual tratamento deve ser ,dado as s lançamentos de PIS, Cofins, CSLL e INSS, decorrentes da omissão de receita, ante a íntima relação de causa e efeito, tendo em vista ainda que contra eles nada foi alegado em especifico. Pelo exposto e por tudo que consta processo nos autos conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 920DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.001139/2003-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NOTAS FISCAIS E LIVROS DE ENTRADA QUE ATESTAM A INTERNAÇÃO DOS INSUMOS NO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. REGISTROS CONTÁBEIS QUE PROVAM O PAGAMENTO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS POR MEIO DE CHEQUES DE TERCEIROS.
O pedido formulado pelo contribuinte foi devidamente instruído com (i) as Notas Fiscais de entrada dos bens adquiridos e (ii) seu devido registro no pertinente livro contábil, o que atestam a aquisição e a internação dos insumos no estabelecimento industrial.
Ademais, da análise dos registros contábeis do contribuinte percebe-se que o recorrente recebia pela venda de seus produtos por meio cheques pré-datados, os quais eram registrados na conta contábil "bancos" e não eram depositados na conta bancária do recorrente, já que pré-datados. Na data indicada negocialmente para fins de compensação do cheque recebido pelo recorrente, este último baixava tal registro da sua conta contábil "banco" e, ato contínuo, registrava o valor indicado na cártula na conta contábil "caixa", repassando o cheque para terceiro, i.e., seu fornecedor de insumos, o que é suficiente para atestar o pagamento dos insumos adquiridos pelo contribuinte e que originaram o pleito em questão.
Numero da decisão: 3402-005.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo (Relator) e Waldir Navarro Bezerra. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NOTAS FISCAIS E LIVROS DE ENTRADA QUE ATESTAM A INTERNAÇÃO DOS INSUMOS NO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. REGISTROS CONTÁBEIS QUE PROVAM O PAGAMENTO DAS MERCADORIAS ADQUIRIDAS POR MEIO DE CHEQUES DE TERCEIROS. O pedido formulado pelo contribuinte foi devidamente instruído com (i) as Notas Fiscais de entrada dos bens adquiridos e (ii) seu devido registro no pertinente livro contábil, o que atestam a aquisição e a internação dos insumos no estabelecimento industrial. Ademais, da análise dos registros contábeis do contribuinte percebese que o recorrente recebia pela venda de seus produtos por meio cheques prédatados, os quais eram registrados na conta contábil "bancos" e não eram depositados na conta bancária do recorrente, já que prédatados. Na data indicada negocialmente para fins de compensação do cheque recebido pelo recorrente, este último baixava tal registro da sua conta contábil "banco" e, ato contínuo, registrava o valor indicado na cártula na conta contábil "caixa", repassando o cheque para terceiro, i.e., seu fornecedor de insumos, o que é suficiente para atestar o pagamento dos insumos adquiridos pelo contribuinte e que originaram o pleito em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo (Relator) e Waldir Navarro Bezerra. Designado o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 11 39 /2 00 3- 96 Fl. 631DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: A contribuinte apresentou a declaração de compensação de débitos (fl. 01) no valor de R$ 112.982,00, com o pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 10.276/2001, apurado no 1º trimestre de 2003, no montante de R$ 335.591,70 (fl.02). Posteriormente, protocolou retificação da referida declaração de compensação (fl. 09), informando como origem dos créditos o pedido de ressarcimento de fl. 10, no qual consta os montantes de R$ 331.223,23 de crédito presumido, e R$ 14.370,90 de crédito básico, dos quais devem ser descontados os débitos escriturados no trimestre no valor de R$ 1.244,62. A autoridade da Delegacia da Receita Federal em Blumenau prolatou o Despacho Decisório de fls. 402/411, no qual defere parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 192.266,04, e homologa as declarações de compensação de fls. 09, 17 e 22 até este limite. Foram reconhecidos os valores de R$ 14.280,44 de crédito básico (R$ 13.035,82 quando descontados os débitos escriturados) e R$ 179.230,22 de crédito presumido, em virtude de retificações efetuadas nos cálculos, que, em resumo, passo a relatar: 1. A análise do direito creditório pleiteado atendeu a ordem judicial exarada nos autos de mandado de segurança nº 2005.72.05.0019680, da Vara Federal Criminal de Blumenau, conforme cópia acostada às fls. 30/35, a qual, em face de interposição de embargos de declaração por parte da Fazenda Pública, teve alterado o seu dispositivo mandamental, conforme sentença proferida em 07/07/2005; 2. Exclusão de R$ 90,46 dos créditos básicos, relativos à nota fiscal nº 2.632 da empresa MASTERPLAST, por se tratar de imposto lançado indevidamente na nota; 3. No cálculo do crédito presumido, exclusão dos insumos adquiridos da empresa ACQUAPLANT QUÍMICA DO BRASIL LTDA (CNPJ nº 81.372.070/000172), visto que tais insumos não Fl. 632DF CARF MF Processo nº 13971.001139/200396 Acórdão n.º 3402005.465 S3C4T2 Fl. 632 3 podem ser considerados matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem para fins de créditos de IPI, à luz do que dispôs o Parecer Normativo nº 65/79; 4. Inclusão do ICMS nos custos das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem excluído indevidamente dos estoques mensais de referidos insumos; 5. Exclusão de valores correspondentes a aquisições de insumos, bem como de operações de prestações de serviços de industrialização por encomenda, cujos pagamentos não foram comprovados pela contribuinte; Cientificada em 14/10/2005, a postulante apresentou, em 14/11/2005, manifestação de inconformidade de fls. 418/426, alegando, em resumo, o seguinte: 1. Esclarece, inicialmente, o mandado de segurança, autuado sob nº 2005.72.05.0019680, no qual requeria a fixação do prazo de 30 dias para que a autoridade tributária analisasse o pedido de ressarcimento em questão. O Juiz Federal competente concedeu o prazo de 30 dias para que a Administração Tributária solicitasse todos os documentos necessários à instrução, 90 dias para instrução e 30 dias para julgamento. No presente caso, a contribuinte entregou os documentos em 13/07/2005, logo, teria a autoridade fiscal até 11/11/2005 para realizar o julgamento e intimar a requerente do resultado. Em 14/10/2005, a manifestante foi intimada da decisão, portanto, embora a autoridade fiscal tenha indicado que o prazo era exíguo, teria mais 28 dias para realizar a devida análise do pleito, não podendo recorrer à expressão interesse público para negar o crédito presumido de IPI. 2. Rebelase contra a exclusão das aquisições de insumos cujos pagamentos não foram comprovados, uma vez que não foi lançada dúvida sobre a idoneidade e licitude dos documentos. 3. Sustenta que a imposição fiscal carece de fundamento legal, na medida em que não cabe ao Fisco intervir na relação privada entre a requerente e o fornecedor. Em segundo lugar, a interessada alega que os valores foram pagos com “cheque pré datados” e mediante lançamentos contábeis em sua conta “Caixa”. Finaliza este tópico, argumentando que se a requerente não tivesse providenciado os pagamentos mencionados, os credores já teriam providenciado o protesto dos títulos ou as devidas cobranças judiciais. 4. Alega erro na planilha de cálculo elaborada pela fiscalização (fls. 396/399), pois faltou adicionar, no mês de janeiro, no campo “acréscimo no mês do valor excluído no ano anterior”, o valor de R$ 3.113,20 referente à energia elétrica excluída do ano anterior; Por fim, requer a reforma da Decisão, nos termos do recálculo realizado na manifestação de inconformidade, com o reconhecimento dos créditos básicos no valor de R$ 13.035,82 e Fl. 633DF CARF MF 4 do crédito presumido de R$ 330.185,65, em um total de R$ 343.221,47. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. NOTAS FISCAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. GLOSA. Somente por meio da apresentação da comprovação cumulativa da entrada de bens no recinto industrial e do efetivo pagamento pelas aquisições, pode o terceiro interessado elidir a ineficácia jurídicotributária da documentação reputada como inidônea. QUESTÃO DE FATO. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É imprescindível que as alegações contraditórias a questão de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Solicitação Deferida em Parte. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No presente recurso, a Empresa, em suma, insurgiuse apenas quanto a glosa de aquisição de insumos que supostamente a empresa não teria apresentado documentação comprobatória do pagamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro PEDRO SOUSA BISPO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A única matéria abordada no Recurso Voluntário diz respeito a glosa de compras de insumos não comprovadas durante a análise do direito creditório da Recorrente realizada pela Autoridade Tributária. Segundo a Fiscalização, a empresa não apresentou documentação hábil e idônea capaz de comprovar a efetividade de algumas operações de compras de insumos que compuseram o pedido de Ressarcimento do IPI. A empresa, por sua vez, argumenta que não há base legal para a Receita Federal exigir a comprovação de pagamentos das suas compras ou a internação da mercadoria Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13971.001139/200396 Acórdão n.º 3402005.465 S3C4T2 Fl. 633 5 em seu estoque. A fim de comprovar o seu direito juntou aos autos a documentação que julga suficiente para comprovar as aquisições de insumos, tais como cópias das notas fiscais, lançamentos contábeis e declarações assinadas pelos seus fornecedores. É entendimento pacificado neste Colegiado que cabe à Recorrente o ônus de provar o direito creditório alegado perante a Administração Tributária, conforme consignado no Código de Processo Civil (Lei nº5.869/73), vigente à época, e adotado de forma subsidiária na esfera administrativa tributária: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; A obrigação de provar o seu direito decorre do fato de que a iniciativa para o pedido de ressarcimento ser do contribuinte, cabendo a fiscalização a verificação da certeza e liquidez de tal pedido, por meio da realização de diligências, se entender necessárias, e análise da documentação comprobatória apresentada. O art. 65 da revogada IN RFB nº 900/2008 esclarecia: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Nesse sentido, a Empresa foi devidamente intimada pela fiscalização a comprovar os pagamentos de suas compras objeto do pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI. Em resposta, a empresa apresentou cópias das notas fiscais e os lançamentos contábeis correspondentes. Posteriormente, no contencioso administrativo juntou aos autos declarações dos seus fornecedores nas quais afirmam que as vendas realizadas à recorrente foram quitadas nas datas de vencimentos. Concluiu, assim, a Recorrente que a documentação apresentada seria suficiente para comprovar o integral direito ao crédito presumido de IPI. A fiscalização realizou a análise da documentação apresentada quanto a certeza e liquidez do direito creditório do contribuinte e concluiu que o contribuinte não logrou êxito na comprovação do pagamento das compras de insumos, o que motivou a sua glosa. Em sua defesa, a Recorrente afirma inexistir previsão legal que a obriga a provar a realização do pagamento das suas aquisições de insumos. Entendo que a obrigação de provar o pagamento das suas aquisições, que ensejaram o pedido de ressarcimento, decorre da necessidade de comprovar a efetividade da ocorrência das operações, conforme preceitua o art. 65 da IN RFB nº 900/2008. Além disso, conforme já demonstrado anteriormente, cabe a recorrente trazer aos autos toda a documentação comprobatória do seu direito, além de ter a obrigação de atender as intimações da Receita Federal a contento a fim de esclarecer todas as questões postas pela fiscalização durante o procedimento de verificação do direito creditório pleiteado. Restando inconteste a obrigação da Recorrente de comprovar a efetividade das suas operações, cabe analisar a Fl. 635DF CARF MF 6 documentação juntada aos autos pela recorrente na fase inquisitorial e no contencioso a fim de conferir se são suficientes para comprovar o seu direito. Na impugnação apresentada em primeira instância, a empresa explicou que realiza na grande maioria das operações de compra de insumos e de serviços de industrialização por encomenda, a antecipação parcial de valores e/ou o pagamento com cheques prédatados. Também demonstrou quais foram os lançamentos contábeis adotados para registrar as operações, in verbis: Dos Valores Antecipados a) Quando da antecipação de valores a fornecedores e prestadores de serviços, a Requerente adotava como procedimento o lançamento a crédito na conta “bancos” e a débito na conta “Caixa”; b) Quando do recebimento das mercadorias, a requerente registrava num primeiro lançamento a débito a conta de “Estoques” e a crédito a conta de “Fornecedores”, num segundo lançamento registrava a débito a conta de “Fornecedores” e a crédito a conta “Caixa” realizando, portanto, a baixa dos adiantamentos; c) Quando do recebimento das notas fiscais de prestação de serviços de industrialização por encomenda a Requerente registrava a débito a conta de resultado “prestação de serviços de industrilização” e a crédito a conta de “caixa”, baixando, portanto, os adiantamentos. Dos valores pagos com cheques prédatados: a) Quando do registro da nota fiscal de entrada de mercadorias ou de prestação de serviços a requerente registrava a débito a conta de “Estoques” ou de “Prestação de Serviços de Industrialização”, conforme o caso, e a crédito registrava a conta de “caixa”; b) Os cheques prédatados de pagamento destas notas eram lançados contabilmente somente nas datas da compensação bancária, tendo como lançamentos a débito a conta “Caixa” e crédito a conta “Bancos”. (negritos nossos) Depreendese do trecho transcrito que em qualquer das modalidades adotadas pela Recorrente para a quitação das suas compras de insumos e prestação de serviços de industrialização os valores utilizados nas operações têm como origem as contas bancárias da empresa. Assim, entendo que a apresentação dos extratos bancários, demonstrando os lançamentos correspondentes à contabilidade, seria elemento lastreador fundamental para demonstrar a efetividade das operações por meio da comprovação dos pagamentos. Não houve qualquer excesso da fiscalização ao entender que essa documentação seria fundamental para reconhecer a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A empresa, por sua vez, mesmo indicando que a origem dos recursos para pagamento foi das suas contas bancárias, negase a apresentar qualquer documentação nesse sentido e insiste em sua defesa no entendimento de que apenas as notas fiscais com carimbo de recebimento e respectivos lançamentos contábeis seriam suficientes para comprovar a realização das operações. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 13971.001139/200396 Acórdão n.º 3402005.465 S3C4T2 Fl. 634 7 Não resta dúvida que a escrituração faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados, mas desde que esta seja mantida com observância das disposições legais e lastreada em documentos hábeis. No entanto, o que se percebe no caso ora analisado é que a empresa não apresentou a documentação necessária para comprovar a efetividade de suas operações de compra de insumos e prestação de serviços que lastrearam os lançamentos contábeis e que, por isso, foram objeto de glosa. Dessa forma, uma vez que os pagamentos das aquisições de insumos da empresa e prestação de serviços tiveram como origem a conta bancária da empresa, por meio da realização de adiantamentos ou pagamentos com cheques prédatados, os documentos hábeis que facilmente possibilitariam a comprovação de tais pagamentos seriam, além dos documentos fiscais e lançamentos contábeis, os extratos bancários da empresa, comprovantes de depósitos, cheques, DOC, TED, ordem de pagamento ou boleto de cobrança bancária. Nenhum desses documentos lastreadores das operações realizadas foram apresentados pela empresa. Conseqüentemente, entendo que a empresa não logrou êxito em provar suficientemente o seu direito creditório relativo as aquisições glosadas, uma vez que não trouxe aos autos os documentos necessários à comprovação da efetividade das operações de aquisições de insumos e prestação de serviços, conforme anteriormente consignado. Por fim, cabe frisar que a Autoridade Julgadora a quo indicou que outro elemento aditivo para comprovação das aquisições seria a comprovação da internação das matériasprimas no estabelecimento industrial por meio da escrituração do livro de Registro de Produção e do Estoque, ou sistema equivalente. O Contribuinte, por sua vez, discordou de tal entendimento afirmando que a escrituração do Livro de Registro de Entrada seria suficiente para comprovar a internação dos insumos adquiridos. Tal discussão suscitada entendo que se torna irrelevante no presente caso, primeiro porque não houve no Despacho Decisório a abordagem sobre a comprovação da internação das mercadorias na glosa das aquisições dos insumos, fundandose o Despacho basicamente na falta de comprovação de pagamento. Segundo porque a comprovação de internação das mercadorias, por si só, sem a comprovação dos pagamentos, é insuficiente como elemento comprobatório da efetividade das aquisições de insumos e prestações de serviços adquiridas. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Voto Vencedor 1. Com a devida vênia, ousei divergir do fundamentado voto do i. Relator, o que fiz pautado nos fundamentos abaixo desenvolvidos. 2. Conforme bem destacado pelo Relator do caso em seu relatório, o que se tem aqui é pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (lei n. 10.276/2001), convertido em compensação de débitos. 3. Segundo a decisão recorrida, a contribuinte não teria feito prova do crédito vindicado, uma vez que: Fl. 637DF CARF MF 8 (...) somente têm o condão de comprovar a realização de operações mercantis de compra e venda, principalmente pelos valores em questão, pagamentos efetuados mediante a intermediação de instituição bancária e com registro na contabilidade. Nesse sentido, são os seguintes os meios existentes no sistema de pagamentos brasileiro: dinheiro (mediante comprovante de depósito), cheque, DOC, transferência eletrônica disponível (TED), ordem de pagamento e boleto de cobrança bancária. (...). 4. Com a devida vênia, tal entendimento é equivocado. Conforme se observa dos autos, o pedido formulado pelo contribuinte foi devidamente instruído com (i) as Notas Fiscais de entrada dos bens adquiridos e (ii) seu devido registro no pertinente livro contábil. 5. Detalhando melhor a operação perpetrada pelo contribuinte, este afirmou que efetuava os pagamentos dos seus fornecedores por meio de cheques. Para ser mais preciso, tais pagamentos eram efetuados mediante a apresentação de cheques de terceiros, endossados pela recorrente. 6. Da análise dos registros contábeis do contribuinte e que estão acostados aos autos é possível perceber que o recorrente recebia pela venda de seus produtos por meio cheques prédatados, os quais ele registrava na conta contábil "bancos". Tais cheques, por sua vez, não eram depositados na conta bancária do recorrente, já que eram ressaltese pré datados. Não obstante, na data indicada negocialmente para fins de compensação do cheque recebido pelo recorrente, este último baixava tal registro da conta contábil "banco" e, ato contínuo, registrava o valor indicado na cártula na conta contábil "caixa", repassando o cheque para terceiro, i.e., seu fornecedor de insumos. Percebese, pois, que os cheques recebidos pelo contribuinte a título de pagamento não eram depositados na conta do recorrente, mas eram indicados em seus registros apenas de forma contábil. 7. Tal sistemática, entretanto, não desnatura a ocorrência do efetivo pagamento dos fornecedores do recorrente quanto à inquisição dos insumos que dão origem ao crédito presumido vindicado. 8. Assim, tais registros contábeis, somados às Notas Fiscais e aos registros contábeis nos livros de entrada do contribuinte, atestam a aquisição de insumos aptos a gerar o crédito presumido pleiteado pelo contribuinte, já que suficientes para comprovar a aquisição e internação dos insumos no estabelecimento do recorrente. Dispositivo 9. Ex positis, ouso divergir do i. Relator para dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13971.001139/200396 Acórdão n.º 3402005.465 S3C4T2 Fl. 635 9 Fl. 639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000047/2011-70
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ANUAL SUPERIOR AO LIMITE DA LEGISLAÇÃO.
REquerimento de exclusão do Simples Nacional não realizado conforme legislação. Comprovação de recolhimento dos impostos sob o regime do Lucro Presumido. Ausência de indicação de má-fé ou fraude. Erro do contribuinte que pode ser sanado.
Numero da decisão: 1003-000.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Sérgio Abelson, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. RECEITA BRUTA ANUAL SUPERIOR AO LIMITE DA LEGISLAÇÃO. REquerimento de exclusão do Simples Nacional não realizado conforme legislação. Comprovação de recolhimento dos impostos sob o regime do Lucro Presumido. Ausência de indicação de máfé ou fraude. Erro do contribuinte que pode ser sanado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o conselheiro Sérgio Abelson, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 00 47 /2 01 1- 70 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13982.000047/201170 Acórdão n.º 1003000.087 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 12.067.048, de 21 de julho de 2014, da 15ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. A Recorrente peticionou perante a RFB (fls. 01 a 08), destacando que estava incluída no Simples Nacional desde 01/07/2007, contudo informa que desde janeiro de 2010 já não possuía mais interesse em se manter na sistemática, tanto que recolheu os tributos na forma de lucro presumido desde então. Declara que, por equívoco, não efetuou o pedido de exclusão formal do Simples. Por fim, requereu a exclusão retroativa do Simples Nacional a partir de 31/12/2007. Através de Despacho Decisório nº 104/2011, a autoridade administrativa concluiu pelo indeferimento do pleito, determinando a manutenção da Recorrente no Simples Nacional, nos termos dos arts. 7, 17, e 18 da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007. (fls. 26). Contra o Despacho Decisório a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade,. esclarecendo que o desenquadramento do Simples Nacional deve retroagir a data de 31/12/2009, mas, por equívoco, não efetuou o pedido de exclusão. Contudo, como deixou de efetuar o pedido de exclusão, essa deveria ser realizada de ofício pela SRF, haja vista a intenção do Recorrente. Por fim, requereu a exclusão retroativa do Simples Nacional a partir de 31/12/2009 (fls. 29 a 37). O acórdão de nº 12.067.048, de 21 de julho de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, mantendo o Despacho Decisório de nº 104/2011. Fundamentou que Da aplicação da legislação ao caso concreto, verificase que, para manifestar inequivocamente a opção pelo Lucro Presumido, referentemente ao anocalendário de 2010, a interessada deveria efetuar o pagamento do IRPJ devido, no valor de R$ 1.576,66, apurado em sua DIPJ/2011 (fl. 45), até o último dia útil do mês de abril/2010. Entretanto, efetuou somente pagamento parcial, no valor de R$ 123,60. Em desfavor da empresa, há que se ver ainda que não apresentou DCTF referente ao período para confessar o débito declarado na DIPJ. Além disso, a interessada modificou o seu pedido inicial, solicitando, na manifestação de inconformidade, que seja excluída do SIMPLES, a partir de 31/12/2009 e não a partir de 31/12/2007, como consta à fl 08. De qualquer maneira, a fim de se excluir do Simples Nacional, a interessada deveria ter comunicado sua intenção até o último dia útil do mês de janeiro, como dispõe o artigo 30, inciso I, § 1º, I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2.006, a seguir reproduzido: “Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13982.000047/201170 Acórdão n.º 1003000.087 S1C0T3 Fl. 4 3 I por opção; (...) § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: I na hipótese do inciso I do caput deste artigo, até o último dia útil do mês de janeiro;” Nos autos não constam, todavia, elementos que evidenciem que a interessada tenha solicitado a exclusão do SIMPLES NACIONAL, seja até 30 de janeiro de 2008, ou até 30 de janeiro de 2010. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário no qual declara que, a partir de 01/01/2010, por não ter mais interesse em se manter no Simples Nacional, optou em tributar a empresa pela forma do lucro presumido, conforme atestam os documentos colacionados aos autos. Declara que, por equívoco, não efetuou o pedido de exclusão formal do Simples. Defende que o fato de ter havido pagamentos parciais não induz ao fato de não ter feito a opção por outro regime de tributação. Requer seja realizada a exclusão de ofício, porque o mesmo possui intenção inequívoca de sair do Simples Nacional. Declara ter comunicado sua intenção à SRF antes de qualquer procedimento administrativo. Por fim, requereu a exclusão retroativa do Simples Nacional a partir de 31/12/2009. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. Insurgese a Recorrente contra acórdão que manteve a decisão do Despacho Decisório nº 104/2011, para manter a empresa no Simples Nacional no ano calendário de 2010. A Recorrente declara que, desde de janeiro de 2010, por não mais lhe interessar a sistemática em análise, iniciou o recolhimento dos tributos com base no lucro presumido. Sabese que o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, concede tratamento diferenciado e, no mais das vezes, privilegiado às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, conforme determinam dispositivos da Constituição Federal, a saber: Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13982.000047/201170 Acórdão n.º 1003000.087 S1C0T3 Fl. 5 4 no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. A apuração de tributos por meio do Simples Nacional proporciona às microempresas e as empresas de pequeno porte tratamento diferenciado, tais como redução da base de cálculo e de alíquotas e isenções e benefícios fiscais. Em relação à exclusão da empresa no referido sistema, estabelece a Lei Complementar nº 123/2006 e a Resolução CGSN n° 015, de 23 de julho de 2007, o seguinte: Lei Complementar: Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; (...) § 1oA exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: I na hipótese do inciso I do caput deste artigo, até o último dia útil do mês de janeiro; Resolução. Art. 32 A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá: I — por opção; [...]§ 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio do Portal do Simples Nacional na internet: In casu, a empresa Recorrente tinha ciência de que, durante o calendário de 2010, o Simples Nacional não a favorecia e optou por efetuar os recolhimentos com base no lucro presumido. Nesse panorama, embora a empresa Recorrente não tenha efetuado a comunicação a que estava obrigada, o fato é que os elementos carreados aos autos demonstram que ela apurou seus tributos com base na sistemática do lucro presumido. Às fls. 20 e 21, a Recorrente junta comprovação de que a forma de tributação do lucro se deu na modalidade do lucro presumido, sendo imperioso reconhecer que, de fato, a empresa buscou adequar seu recolhimento dos impostos à sua nova realidade. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13982.000047/201170 Acórdão n.º 1003000.087 S1C0T3 Fl. 6 5 Não há nos autos informações de ter a Recorrente agido de máfé ou com intuito de fraudar a lei ou a fiscalização tributária, as informações presentes, na realidade, apontam o erro grosseiro da Recorrente ao não comunicar que desejava sair do Simples Nacional. Ou seja, em que pese seu dever de comunicação ao fisco, as provas dos autos exprimem ter ela agido dentro de limites legais ao apurar os tributos de acordo com a sistemática não simplificada lucro presumido. A Lei Complementar nº 123/2006 prevê a possibilidade de exclusão de ofício, desde que a autoridade fiscal tenha identificado a falta de comunicação por parte do contribuinte, conforme abaixo: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; Entendo ser esse o caso dos autos, a Recorrente tinha o dever de comunicar seu interesse em ser excluída do Simples Nacional, através de pedido formal no Portal do Simples Nacional, contudo por equívoco, não o fez, apurou seus impostos e obrigações, no entanto, dentro do lucro presumido. O Decreto nº 3.000/1999 estabelece que a opção pela tributação com base no lucro presumido ocorre a partir da primeira ou única quota do imposto. Art.516.A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (...) §4ºA opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário O pagamento parcial do IRPJ não altera o fato de ter a mesma apurado e prestado informações à RFB com base no Lucro Presumido. Eventuais não cumprimentos de obrigações acessórias devem ser analisadas em requerimento próprio. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para que seja a Recorrente excluída do Simples Nacional a partir de 01/01/2010. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721080/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DO IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. EFEITO DECORRENTE DA DECISÃO FINAL, DEFINITIVA E IRREFORMÁVEL NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA EM PROCESSO CONEXO QUE APUROU A SEGUINTE INFRAÇÃO "EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL", QUE IMPLICOU REVERSÃO DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ EM SALDO A PAGAR.
Após a transmissão das DCOMP, as quais tratam da utilização de saldo negativo do IRPJ, a contribuinte sofreu autuação fiscal, em virtude da infração "exclusão não autorizada na apuração do lucro real", implicando reversão do saldo negativo do IRPJ em saldo a pagar do referido ano-calendário, gerando processo específico de lançamento do crédito tributário.
Naquele processo administrativo, a lide foi julgada por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa, restando confirmada a reversão do saldo negativo de IRPJ, em saldo a pagar pela manutenção integral da infração imputada, implicando, por consequência, a inexistência de saldo negativo de IRPJ do referido ano-calendário.
Assim, as DCOMP transmitidas pela contribuinte, objeto deste processo ainda em curso, que tratam da utilização do referido saldo negativo de IRPJ para quitação dos débitos confessados, não podem ser homologadas, pois o direito creditório pleiteado restou confirmado inexistente por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa no processo conexo.
Numero da decisão: 1201-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DO IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. EFEITO DECORRENTE DA DECISÃO FINAL, DEFINITIVA E IRREFORMÁVEL NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA EM PROCESSO CONEXO QUE APUROU A SEGUINTE INFRAÇÃO "EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL", QUE IMPLICOU REVERSÃO DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ EM SALDO A PAGAR. Após a transmissão das DCOMP, as quais tratam da utilização de saldo negativo do IRPJ, a contribuinte sofreu autuação fiscal, em virtude da infração "exclusão não autorizada na apuração do lucro real", implicando reversão do saldo negativo do IRPJ em saldo a pagar do referido ano-calendário, gerando processo específico de lançamento do crédito tributário. Naquele processo administrativo, a lide foi julgada por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa, restando confirmada a reversão do saldo negativo de IRPJ, em saldo a pagar pela manutenção integral da infração imputada, implicando, por consequência, a inexistência de saldo negativo de IRPJ do referido ano-calendário. Assim, as DCOMP transmitidas pela contribuinte, objeto deste processo ainda em curso, que tratam da utilização do referido saldo negativo de IRPJ para quitação dos débitos confessados, não podem ser homologadas, pois o direito creditório pleiteado restou confirmado inexistente por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa no processo conexo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2168; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 280 1 279 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.721080/201116 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.281 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de junho de 2018 Matéria Saldo negativo de IRPJ Compensação Recorrente ELETROSUL CENTRAIS ELÉTRICAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DO IRPJ. DIREITO CREDITÓRIO INEXISTENTE. EFEITO DECORRENTE DA DECISÃO FINAL, DEFINITIVA E IRREFORMÁVEL NA ÓRBITA ADMINISTRATIVA EM PROCESSO CONEXO QUE APUROU A SEGUINTE INFRAÇÃO "EXCLUSÃO NÃO AUTORIZADA NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL", QUE IMPLICOU REVERSÃO DO SALDO NEGATIVO DO IRPJ EM SALDO A PAGAR. Após a transmissão das DCOMP, as quais tratam da utilização de saldo negativo do IRPJ, a contribuinte sofreu autuação fiscal, em virtude da infração "exclusão não autorizada na apuração do lucro real", implicando reversão do saldo negativo do IRPJ em saldo a pagar do referido ano calendário, gerando processo específico de lançamento do crédito tributário. Naquele processo administrativo, a lide foi julgada por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa, restando confirmada a reversão do saldo negativo de IRPJ, em saldo a pagar pela manutenção integral da infração imputada, implicando, por consequência, a inexistência de saldo negativo de IRPJ do referido anocalendário. Assim, as DCOMP transmitidas pela contribuinte, objeto deste processo ainda em curso, que tratam da utilização do referido saldo negativo de IRPJ para quitação dos débitos confessados, não podem ser homologadas, pois o direito creditório pleiteado restou confirmado inexistente por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa no processo conexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 10 80 /2 01 1- 16 Fl. 280DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 251/254) interposto contra o Acórdão proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 240/246) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão recorrida, completandoo ao final: No presente processo, encontramse sob apreciação quatro declarações de compensação, nas quais a Contribuinte acima qualificada pretende utilizar crédito do tipo saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2006, no valor original de R$ 9.275.340,47. São as seguintes as Declarações de Compensação (DComp) sob exame: • 16153.55094.191208.1.7.024073 • 36991.26663.140307.1.3.027580 • 23158.31381.090407.1.3.021797 • 02673.40855.180407.1.3.027384 O direito creditório encontrase demonstrado na DComp nº 16153.55094.191208.1.7.024073. As compensações pretendidas não foram homologadas pela autoridade competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis SC, sob o seguinte fundamento: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Exercício 2007 AnoCalendário 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Constatada a inexistência do crédito alegado, impõese a não homologação da compensação e a cobrança dos débitos indevidamente indicados como pagos. Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11516.721080/201116 Acórdão n.º 1201002.281 S1C2T1 Fl. 281 3 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA O contribuinte apresentou Declarações de Compensação (DCOMP) utilizandose, para pagamento de débitos de sua responsabilidade, do saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), que alega ser no valor de R$ 9.275.340,47. Considerando a existência de Auto de Infração relacionado ao crédito em pauta, as DCOMP que indicavam o referido crédito foram baixadas para serem analisadas por este processo. O saldo negativo de IRPJ apurado é todo decorrente de retenções na fonte, pagamentos e compensações, e outras deduções permitidas em lei. O montante informado em DIPJ referente a tais deduções, e que compõe o saldo negativo requerido, remonta em R$ 47.669.432,19 e foi totalmente utilizado para dedução do imposto devido lançado no Auto de Infração mencionado, através do Processo nº 10983.721216/201020. Dessa forma, concluímos pela inexistência de Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2006. Na Informação Fiscal que subsidiou a decisão, em referência à DComp em que se encontra demonstrado o direito creditório, destacase o seguinte excerto: Na DCOMP, verificase que a composição do saldo negativo requerido decorre, entre outras deduções, de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), pagamentos e compensações, e remonta em R$ 47.669.432,19, como a seguir descrito: O Auto de Infração objeto do processo nº 10983.721216/201020 utilizou os valores acima listados na dedução do total lançado, resultando ainda em montante devido no valor de R$ Fl. 282DF CARF MF 4 21.065.660,54, conforme demonstrado em cópia extraída daquele processo e juntada aos autos. Foi verificado que o contribuinte impugnou o Auto de Infração, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ, julgado improcedente a impugnação. Da decisão que não homologou as compensações a Contribuinte teve ciência em 24/02/2012. Irresignada, apresentou Manifestação de Inconformidade em 27/03/2012, na qual aduziu o seguinte: 2. A impugnante requer, desde logo, pelas razões expostas, abaixo, que seja anulada a respectiva cobrança, conforme Despacho Decisório recepcionado em 24/02/2012, em face da ocorrência dos fatos que explanamos: 2.1. A impugnante apurou no ano calendário 2006, saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 9.275.340,47, devidamente declarado na DIPJ 2007, conforme demonstrado: 2.2. O saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2006, foi compensado de acordo com o abaixo demonstrado: [...] 2.3. Em dezembro/2010, esta Companhia foi cientificada do Auto de Infração n° 10.983.721.216201020, emitido por este órgão fiscalizador para fins de constituir crédito tributário de IRPJ/CSLL referente os anos calendário de 2005 a 2009, desconsiderando a exclusão das receitas financeiras não recebidas quanto ao parcelamento da Lei n° 8.727/1993 quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, consecutivamente, perfazendo a inexistência de saldo negativo, conforme segue: Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11516.721080/201116 Acórdão n.º 1201002.281 S1C2T1 Fl. 282 5 2.4. Todavia, diante do acima citado Auto de Infração, em 18/01/2011 esta Companhia protocolizou por meio da CE PRE 0011/2011, a impugnação/contestação de inconformidade, a qual julgada improcedente no âmbito dessa Receita Federal do Brasil segundo teor do seu Acórdão n° 0725.226 da 3ª Turma da DRJ/FNS, bem como, em 02/09/2011, de forma tempestiva, esta impugnante também interpôs recurso voluntário ao CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme protocolo e razões, em anexo, suspendendo os efeitos da exação fiscal. 2.5. Isto posto, em que pese à desconsideração do saldo negativo desta Eletrosul por conta do auto de infração n° 10.983.721.216201020, o qual lançou receitas, antes excludentes, à tributação do IRPJ, repercutindo consecutivamente na nãohomologação das compensações tributárias efetuadas por meio das DCOMP's acima, observase, perante os artigos 218 e 219 do Decreto n° 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda que o mesmo está intrinsecamente vinculado ao fato gerador do tributo nesta impugnante, qual seja, pela apuração do lucro real na forma do Art. 247 desse mesmo regulamento, ensejando na replicação da defesa em todos os termos já utilizados até então por esta Companhia, vinculando ao julgamento da presente contestação, necessariamente de forma acessória e subsidiária, à decisão final do CARF quanto ao recurso voluntário proposto ao auto de infração lavrado em 17/12/2010, inclusive quanto aos seus reflexos à base de cálculo do tributo, haja vista que qualquer decisão parcial favorável para esta contribuinte importará em ajustes da base de cálculo do tributo notificado pelo referido auto de infração lavrado. Fl. 284DF CARF MF 6 2.6. Ou seja, a intimação Seort n° 20120063, resultante do Despacho Decisório n° 11516.721080/201116, não encontra elementos eficazes para se constituir definitivamente o crédito tributário requerido, em todos os seus termos, até que pronunciamento advenha do CARF, pelo teor da decisão a ser proferida no recurso voluntário desta impugnante em relação ao Auto de Infração n° 10.983.721.216201020. 3. Portanto, observando que o auto de infração que deu origem à cobrança em tela ainda encontrase em julgamento pelo CARF, asseverando que o crédito tributário em questão não pode ser considerado como constituído definitivamente, se requer: 3.1. O recebimento da presente peça impugnatória em todos os seus termos e anexos, inclusive constituindo parte desta manifestação de inconformidade as cópias das impugnações relacionadas com o Auto de Infração n° 10.983.721.2162010 20; 3.2. A vinculação e dependência desta com o teor da decisão a ser proferida pelo CARF no recurso voluntário do Auto de Infração n° 10.983.721.216201020; 3.3. A suspensão e exclusão dos respectivos registros em divida ativa tributária federal; 3.4. A suspensão do crédito tributário em questão, inclusive quanto à cobrança das Perdcomp’s ora nãohomologadas (16153.55094.191208.1.7.024073, 36991.26663.140307.1.3.02 7580, 23158.31381.090407.1.3.021797 e 02673. 40855.180407.1.3.027384), conforme rege o Art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/1966). É o relatório. Diante da decisão de primeira instância, foi oposto o Recurso Voluntário (fls. 251/254), ora sob apreço, trazendo as mesmas alegações de seu primeiro apelo, fazendo alusão específica aos argumentos do Acórdão recorrido, com o fito de demonstrar sua necessidade de reforma. Não há juntada de novas provas. Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Após a transmissão das DCOMP, as quais tratam da utilização de saldo negativo do IRPJ, a contribuinte sofreu autuação fiscal, em virtude da infração "exclusão não Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11516.721080/201116 Acórdão n.º 1201002.281 S1C2T1 Fl. 283 7 autorizada na apuração do lucro real", implicando reversão do saldo negativo do IRPJ em saldo a pagar do referido anocalendário, gerando processo específico de lançamento do crédito tributário. O indeferimento do direito creditório requerido pelo contribuinte soma R$ 9.275.340,47, referente a saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado, relativo ao anocalendário de 2006, exercício 2007, haja vista que foi totalmente utilizado na dedução do montante lançado através do auto de infração objeto do processo nº 10983.721216/201020, o que não é contestado pela contribuinte. Segundo o sistema eprocesso, o crédito tributário sob controle do processo nº 10983.721216/201020 encontrase definitivamente constituído na esfera administrativa com a sua exigibilidade suspensa em função da liminar deferida pela 4ª Vara Federal de Florianópolis nos autos do processo judicial nº 502628798.2017.4.04.7200/SC nos seguintes termos: Ante o exposto, defiro, por ora, a liminar pretendida para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (CTN, 151, V) e, por consequencia, afastar a cobrança relativa à multa aplicada e exigida no Processo Administrativo nº 10983.721216/201020 (Auto de Infração), autorizar a renovação da expedição de certidão de regularidade fiscal e afastar a possibilidade de inscrição do nome da Autora no CADIN, se não existir outro óbice para tanto. Em pesquisa realizada no sítio do TRF da 4 Região, os autos do processo judicial encontrase desde 17/05/2018 com o juiz para Sentença. Assim, existindo decisão final irreformável na órbita administrativa nos autos do Processo (conexo) nº 10983.721216/201020, confirmando a inexistência de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2006 pela manutenção da infração "exclusões não autorizadas na apuração do lucro real", ou seja, restou sacramentada a reversão do saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2006 de R$ R$ 9.275.340,47 para saldo de IRPJ a pagar de R$ 21.065.660,54. Portanto, as DCOMP transmitidas pela contribuinte, objeto deste processo ainda em curso, que tratam da utilização do referido saldo negativo do IRPJ para quitação dos débitos confessados, não podem ser homologadas, pois o direito creditório pleiteado restou confirmado inexistente por decisão final, definitiva e irreformável na órbita administrativa no processo conexo. Por todo o exposto, encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 286DF CARF MF 8 Fl. 287DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900302/2006-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Indefere-se o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência.
Numero da decisão: 1002-000.292
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Indefere-se o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente - Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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A. CASTRO GREIDANUS SERVIÇOS AGRÍCOLAS ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 DCOMP. FALTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO A EXTINGUIR. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Indeferese o pedido de compensação do sujeito passivo quando constatado que ao tempo da apresentação da declaração de compensação os débitos que a compunham deixaram de ser lançados de ofício e já tinham sido atingidos pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por, maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonam Rocha de Medeiros que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Aílton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente Redator Designado. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 03 02 /2 00 6- 17 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 34) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 25/31), proferida em sessão de 05 de fevereiro de 2009, consubstanciada no Acórdão n.º 0620.900, da 2.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efl. 02) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 18/07/2008 (efl. 03), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 38410.24862.271003.1.3.046778, transmitido em 27/10/2003, e não homologou a compensação declarada, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2002 PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO . DECADÊNCIA. A apresentação depois de decorrido o prazo decadencial de Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, a qual deveria substituir a Declaração Anual Simplificada, em face da contribuinte ter sido excluída do benefício, impede a apreciação do pleito de compensação. Compensação não Homologada Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Trata o processo de pedido de PER/DCOMP N.º 38410.24862.271003.1.3.046778, protocolizado em 27/10/2003, no valor de R$ 1.622,20, atinentes ao período de apuração 30/11/2002, com valores supostamente apurados pelo Lucro Presumido, relativos ao anocalendário de 2002, em decorrência de a interessada ter sido excluída da sistemática do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2002. Instruindo o pedido consta cópia de DARFSimples (código de receita 6106) de fl. 10. A DRF em Ponta Grossa/PR, por meio do despacho decisório de fls. 02, tomou a seguinte decisão Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 1.622,20. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 38 3 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A contribuinte foi cientificada em 04/08/2008 (AR de fl. 15), e apresentou, em 21/08/2008, a manifestação de inconformidade de fl. 01, onde esclarece que ao ser excluída do Simples, efetuou levantamento do valor total dos débitos pelo lucro presumido e recolheu as diferenças devidas, compensando com os valores já recolhidos sob o código 6106, por meio de PER/DCOMP, razão pela qual entende que o pleito deve ser deferido. O Despacho Decisório informa que o crédito pleiteado, a título de restituição, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, inexiste, razão pela qual não se homologou a compensação. Temse o seguinte quadro sintético demonstrativo: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/11/2002 6106 R$ 1.916,69 30/01/2003 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 1365342611 R$ 1.916,69 DB: cód 6106 PA 01/11/2002 R$ 1.916,69 Valor Total R$ 1.916,69 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose a não homologação da compensação. A decisão recorrida não acolheu o pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, quando já presente a decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002. Eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Assim, tendo sido excluída do Simples a contribuinte tinha a obrigação de retificar a declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples. (...) Ocorre que tal providência não foi adotada e a interessada se limitou a pedir a compensação dos valores recolhidos sob a sistemática do Simples, com parcelas decorrentes de apuração de seu resultado pelo Lucro Presumido, sem proceder a entrega da declaração referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido. Conforme consta dos documentos acostados ao processo, tal iniciativa só foi adotada depois que a contribuinte tomou conhecimento da não homologação do pleito, ou seja, a declaração retificadora foi apresentada, apenas, em 13/08/2008. Cabe também ressaltar que ela não apresentou as DCTF do ano calendário de 2002, conforme tela do sistema SIEF. Assim, quando da análise dos pedidos de PER/DCOMP, a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada entregue à época própria e cujos valores já haviam sido quitados por DARF específico. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 39 4 Para estabelecer se a entrega da declaração retificadora obedeceu ao prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional, importa analisar em qual modalidade de lançamento o Simples está inserido, ou seja, se ela constitui lançamento por declaração ou por homologação. (...) No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no último dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (último dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n.º 437.546. Neste caso há que se reconhecer que a administração tributária, depois de efetuar a exclusão da interessada, deixou fluir o prazo decadencial sem adotar medidas concretas, visando o efetivo cumprimento da norma, em relação ao anocalendário de 2002, razão pela qual entendo que o pleito da interessada é inócuo. A inércia da autoridade fiscal e a intempestividade da ação do contribuinte contribuíram para que só se tomasse conhecimento da situação irregular da interessada, com relação ao anocalendário de 2002, depois de já decorrido o prazo decadencial. Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (específico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. Indeferido o pleito, a contribuinte foi cientificada em 04/08/2008. Só então, providenciou a apresentação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido, conforme tela de fl. 19, que foi recepcionada em 13/08/2008. Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 40 5 das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) quando da transmissão das PER/DCOMP a interessada deixou de apresentar a competente Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido que daria suporte a apreciação do pleito, portanto, quando da apreciação do pedido o que a autoridade fiscal constatou foi a existência de uma Declaração Anual Simplificada, cujos débitos haviam sido extintos pelos DARF que a interessada pretende utilizar para abater débitos do Lucro Presumido; ii) as PER/DCOMP apresentadas em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto terem sido transmitidas antes da vigência das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003; iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de dívida; iv) quando da recepção das PER/DCOMP não se procedeu ao lançamento dos valores nelas informados com vistas a preserválos do instituto da decadência já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação obedece ao disposto no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, qual seja, cinco anos a contar da data fato gerador; v) a apresentação intempestiva da Declaração de Ajuste Anual pelo Lucro Presumido, ocorrida depois de a contribuinte ter tomado ciência do indeferimento ao pedido de compensação é inócua pois, em se tratando de empresa que era do Simples, os fatos geradores do anocalendário de 2002 já foram atingidos pela decadência, sendo improcedente; e vi) finalmente, deve ser declarada improcedente qualquer tentativa de a autoridade fiscal vir a exigir algum valor por ventura remanescente. Conclusão do Voto Isso posto, voto por não acolher a reclamação contra o indeferimento do pedido de compensação de valores recolhidos sob a sistemática do Simples, protocolizado em 27/10/2003, sem o cumprimento das obrigações acessórias que lhe dariam respaldo, as quais foram satisfeitas apenas em 13/08/2008, em face da decadência do direito em relação aos fatos ocorridos no ano de 2002, e por manter a não homologação das compensações declaradas. No recurso voluntário, o contribuinte alega que a decisão vergastada não acatou o PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte na qual se compensavam valores anteriormente recolhidos na modalidade do Simples com valores devidos no lucro presumido. Diz que, após ter realizado os cálculos pelo lucro presumido, recolheuse os valores devidos em espécie, compensandose os valores anteriormente recolhidos na sistemática do Simples. Sustenta que o Conselho de Contribuintes em decisão unânime já reconheceu que os valores recolhidos na sistemática do Simples obrigatoriamente devem ser compensados com os tributos devidos pelo regime do lucro presumido (Acórdão n.º 10323414, Diário Oficial da União, Seção 1, de 3 de setembro de 2008, página 28). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 41 6 Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Vencido Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 20/02/2009, sextafeira, efls. 32/33, e protocolo em 11/03/2009, efl. 34), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito observo que assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 42 7 Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, a Administração Tributária não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento, em Despacho Decisório (DD), de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido ou a maior havia sido utilizado, tendo sido imputado, na quitação de efetivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), realmente devido e em montante adequado, portanto, supostamente, não havendo saldo a ser apropriado. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da suposta situação de inexistência do crédito com as características do DARF discriminado no PER/DCOMP e a demonstração da suposta utilização integral do valor recolhido, de modo que não restaria saldo residual para restituição. Ocorre que, é equivocado afirmar que houve a utilização integral do DARF em quitação de definitivo débito do contribuinte (crédito tributário do Fisco), pois o recolhimento se processou no código 6106 (Simples) para apuração de tributação no Regime Especial, no entanto o contribuinte foi excluído do Simples e, exatamente, por isso, gerou o pedido compensação, objetivando aproveitar os pagamentos no código 6106 para integralizar o que era devido a partir da apuração dos novos valores tributáveis com base no lucro presumido (vide PER/DCOMP efls. 4/10). Tanto é que a DRJ reconheceu esta problemática, reconhecendo que não houve utilização integral do DARF em efetivo e definitivo crédito tributário, porém, pasmem, ao meu ver criando novo impasse, modificou o critério jurídico da decisão do despacho decisório, que era pela inexistência de saldo do DARF, para afirmar que, na verdade, tinhase uma questão de decadência. De qualquer sorte, aplico o § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com suas alterações, para não decretar a nulidade. Ora, a não homologação do PER/DCOMP teve por critério jurídico a inexistência de saldo do DARF; a autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado, posto que nos sistemas de controle da Receita Federal o que existia de concreto era uma declaração anual simplificada do Simples entregue à época própria e cujos valores foram quitados com o DARF. Reconhece a DRJ que, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106, os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem amortizados por aqueles créditos, face a não transmissão da declaração retificadora (Declaração Anual pelo Lucro Presumido). Logo, resta evidente que a DRJ reconhece que este critério jurídico é equivocado e não subsiste, porém, em contraponto à vedação do art. 146 do CTN, a primeira instância sustenta alegada decadência do direito de restituição (outro critério jurídico para não homologar a compensação). Deveras, a DRJ informa que o sujeito passivo foi excluído do Simples e, neste diapasão, fundamenta que ele estaria obrigado a retificar a sua declaração anual, para adequarse à nova situação, conforme previsto no artigo 16 da Lei do Simples, sendo que, neste contexto, o sujeito passivo não teria tomado a providência a tempo e modo, assim Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 43 8 incidindo na decadência para os recolhimentos no código 6106 (código do Simples), de forma que não poderia haver a compensação, pois, com a entrega da declaração retificadora, referente ao anocalendário de 2002, pelo Lucro Presumido, apenas em 13/08/2008, estarseia diante da decadência para fatos geradores do anocalendário 2002. Não me parece razoável concordar com a mudança do critério jurídico, de toda sorte, é bom anotar que a DRJ vai mais além e, apesar de não ter homologado a compensação, a primeira instância consigna que os PER/DCOMP apresentados em 27/10/2003 não possuem caráter de confissão de dívida, posto que foram transmitidos antes da vigência das alterações que o caracterizaram como tal, também atesta que não se transmitiu DCTF, que também caracterizaria uma eventual confissão de dívida, e, por fim, informa que não se procedeu ao lançamento dos valores informados no PER/DCOMP com vistas a preserválos do instituto da decadência do lançamento de ofício (relativo as diferenças) já que o Simples, por se caracterizar lançamento por homologação, obedece ao disposto no § 4.º do art. 150 do CTN, concluindo que é improcedente qualquer tentativa da autoridade fiscal exigir algum valor porventura remanescente no PER/DCOMP não homologado. Portanto, a DRJ reconhece a decadência do contribuinte e reconhece, de igual modo, a decadência da Administração Tributária, mas no dispositivo, na conclusão do voto, fala só na decadência do contribuinte. De mais a mais, observo o disposto na Súmula CARF n.º 76, a qual enuncia que: "Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada." A referida súmula teve por suporte os seguintes paradigmas: Acórdãos ns.º 180301.000, de 2/8/2011, 910101.037, de 27/6/2011, 910100.949, de 29/3/2011, 1402 00.017, de 28/7/2009, 10517.110, de 26/6/2008. Além disto, tornouse vinculante conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018. Vejase. O objeto em comento é PER/DCOMP com créditos lastreados em DARF, com Código 6106 (Simples), no qual se utiliza o crédito para compensar recolhimento do lucro presumido para período de apuração originalmente do Simples, que foi recalculado por força da exclusão do regime especial. Neste diapasão, a conclusão é uma só, qual seja, não há óbice ao aproveitamento de pagamentos realizados com o código 6106 (Simples), quando for utilizado o crédito para compensar tributos apurados com as regras do lucro presumido, regime adotado justamente em razão da exclusão do Simples. Isto porque, de acordo com a Súmula CARF n.º 76, nem mesmo seria preciso a apresentação de PER/DCOMP quando esse encontro de contas abrange créditos e débitos referentes ao mesmo tributo e período, casos em que o aproveitamento do pagamento deveria ser realizado por simplória dedução, logo,neste contexto, não teríamos as decadências. Se foi a própria Administração Tributária quem excluiu o sujeito passivo do Simples, não se pode negar o reconhecimento do crédito argumentando a existência de débito no código 6106 referente a período em que já se operavam os efeitos da exclusão ou, ainda, alegar decadência do direito a restituição. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 44 9 Por fim, repitase, novamente, que a DRJ afirma que não se pode cobrar o contribuinte, sob o argumento de que decaiu o direito de constituição, não tendo o PER/DCOMP do caso concreto força de confissão de dívida, face à época em que transmitido, enfrentando, inclusive, o óbice de outro enunciado sumular, qual seja, a Súmula CARF n.º 52 ("Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício."). Entendo, pois, que devese resolver o caso em favor do contribuinte como melhor medida ao litígio tributário. Considerando o esposado, entendo pela reforma do julgamento da DRJ. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe dar provimento, reformando integralmente a decisão recorrida para homologar o PER/DCOMP. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Voto Vencedor Conselheiro Aílton Neves da Silva Redator designado. Peço vênia para discordar do voto proferido pelo Ilustre conselheiro Leonam que dava provimento à declaração de compensação, por acreditar não haver crédito tributário apto a ser compensado nos presentes autos, o que conduziria à não homologação do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, porém, com fundamento diverso do consignado no despacho decisório que não homologou a referida compensação. Explico a seguir. Primeiramente, revisitando os fatos processuais, constato, às efls. 3, que a compensação declarada não foi homologada, conforme indicado no excerto abaixo: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 45 10 O PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte apresentava as seguintes características (efls. 09/10): Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 46 11 Como se observa, o PER/DCOMP pretendeu compensar débitos do Simples Federal do período de apuração de 30/11/2002 (código 6106) com débitos de COFINS (código 2172), IRPJ (código 2089), PIS (código 8109) e CSLL (código 2372) do anocalendário de 2002 decorrentes de apuração pelo regime de Lucro Presumido. Observase, ainda, que o indeferimento do PER/DCOMP foi calcado na constatação de que o pagamento de R$ 1.916,69 já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do Simples Federal, constando, inclusive, DARF de recolhimento nos autos comprovando o fato (efls. 11). Para continuidade da análise, convém tecer alguns comentários acerca do instituto da compensação. É cediço que a compensação tributária é instituto jurídico previsto em lei e forma de extinção de crédito tributário, o qual opera pelo encontro de contas relativas a créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a fazenda pública. Logo, para que seja possível aferir a escorreição do ato administrativo que não homologou a declaração de compensação perpetrada no despacho decisório, penso ser necessário, primeiramente, reconhecer ou não a higidez de seus elementos componentes, quais sejam, o débito e o crédito dela constantes. Nessa trilha, verifico que, com relação ao crédito (pagamento indevido), o Despacho Decisório de não homologação da compensação teve como fundamento a não caracterização do recolhimento de R$ 1.916,69 como direito creditório do contribuinte, eis que o autor do Despacho Decisório entendeu que o referido recolhimento estava indisponível, em razão de ter sido alocado a débitos de tributos apurados no regime do Simples Federal do ano calendário de 2002. A relatora do Acórdão de Impugnação pronunciouse sobre essa matéria, entendendo que foi equivocada a conclusão da autoridade administrativa que considerou não disponível o recolhimento de R$ 1.916,69 para fins de compensação, conforme excerto abaixo: Por fim, salvo melhor juízo, entendo ter sido equivocada a conclusão da autoridade administrativa que indeferiu o pleito da contribuinte. A autoridade fiscal indeferiu o pleito ao argumento de que inexistia o crédito pleiteado. Ora, se a contribuinte estava excluída do Simples e, se, havia efetuado recolhimentos sob o código 6106 (especifico do Simples), os créditos existiam, o que não constava do sistema contascorrentes da Receita Federal eram os débitos a serem Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 47 12 amortizados por aqueles créditos, posto que a interessada não havia efetuado, até aquela data, a retificação da Declaração Anual pelo Lucro Presumido. De fato, assiste razão à relatora do Acórdão de Impugnação, eis que a Declaração do Simples do anocalendário de 2002 não poderia ter sido considerada no Despacho Decisório que não homologou a compensação porque deixou de ter validade jurídica, em razão da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002 (efls. 20), tanto assim que foi posteriormente cancelada (efls. 18). O fato de o recolhimento de R$ 1.916,69 ter sido alocado a um crédito tributário que deixou de existir caracterizou o pagamento indevido a partir do cancelamento da declaração do Simples do anocalendário de 2002, gerando um crédito líquido, certo e apto a compor declaração de compensação apresentada pelo contribuinte, na forma do artigo 165 do CTN1. Com base nesse breve relato, reconheço a legitimidade do crédito pleiteado no PER/DCOMP no valor de R$ 1.916,69. Quanto ao débito (crédito tributário), vejo que no PER/DCOMP apresentado constou a informação de apuração de tributos para o anocalendário de 2002 no regime do Lucro Presumido. Compulsando os autos constato que a Declaração do Simples do ano calendário de 2002, que foi cancelada em virtude da exclusão retroativa do contribuinte do Simples Federal a partir de 01/01/2002, foi substituída pela declaração no regime do Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 para aquele mesmo período DIPJ/2003 a qual encontravase na situação cadastral "liberada". Dos fatos até aqui relatados e diante de uma análise perfunctória, poderseia concluir pela higidez do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte e, conseqüentemente, por sua homologação, porquanto a DIPJ/2003 pelo lucro presumido encontravase liberada para o ano de 2002 e porque o recolhimento feito a título de Simples sob código 6106 ficou disponível para compensação a partir do cancelamento da Declaração do Simples do anocalendário de 2002. Ocorre que a aplicação do instituto da compensação exige, além do reconhecimento de créditos líquidos e certos a favor do contribuinte, a existência de crédito 1 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 48 13 tributário a liquidar. É o que diz o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Nesse sentido, constato que a DIPJ/2003 não tinha caráter constitutivo de crédito tributário à época dos fatos, e o entendimento pacificado, tanto na Administração Tributária quanto na Jurisprudência, é que somente os saldos a pagar de tributos declarados em DCTF é que poderiam ser inscritos em Dívida Ativa da União. O art. 1º da IN SRF nº 77/98 caminha nesse sentido: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 14, de 14 de fevereiro de 2000) Constato, ainda, que os débitos informados na DIPJ/2003 não foram constituídos por meio de DCTF, eis que as informações constantes do processo indicam que não houve entrega da DCTF pelo contribuinte nesse período. Vejase trecho extraído do Acórdão de Impugnação nesse sentido: Desta forma, ante o exposto, eis o que se pode concluir do presente processo: i) (...) (...) iii) a contribuinte também não apresentou as DCTF do ano de 2002, a fim de que caracterizar a confissão de divida; Considerando que a DIPJ possuía apenas caráter informativo e que não houve lançamento em DCTF do débito declarado no PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte, aplicarseia ao caso em questão o art. 23 da IN SRF nº 210/2002 (grifos nossos): Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 49 14 ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. Em resumo, chegase à conclusão de que o débito constante da PER/DCOMP no valor de R$ 1.916,69 deveria, à época dos fatos, ter sido constituído por meio de lançamento de ofício; a uma, porque referido débito não foi lançado por DCTF e, a duas, porque, inobstante constar no PER/DCOMP transmitido em 27/10/2003 a confissão do débito de R$ 1.916,69, os efeitos de confissão de dívida só foram atribuídos às declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003, conforme bem pontuado no Acórdão de Impugnação (in verbis): Quanto à possibilidade de lançamento de débitos informados em pedidos de compensação, cabe informar que somente as declarações de compensação entregues à SRF a partir de 31/10/2003 constituemse confissão de divida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Com efeito, estes efeitos jurídicos foram atribuídos às declarações de compensação apenas a partir das alterações introduzidas na redação do art. 74 da Lei 9.430/96 pela Medida Provisória 135, de 30/10/2003, convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003. Constato não haver nos autos qualquer documento indicando que os débitos informados no PER/DCOMP foram constituídos por meio de auto de infração na forma do artigo 23 da IN SRF nº 210/2002. Assim, por qualquer ângulo de análise e à luz da legislação regente da matéria e dos documentos constantes do processo, podese afirmar que o débito constante do PER/DCOMP debatido neste processo não foi constituído nem por DCTF, nem por DCOMP e nem por auto de infração, o que nos leva à corroborar a conclusão externada no Acórdão de Impugnação abaixo transcrita, segundo a qual operouse a decadência do direito de lançamento da referida obrigação tributária, em razão de tratarse de lançamento por homologação e por ter transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data de ocorrência do fato gerador do tributo (in verbis): No caso do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, a apuração do quantum devido é feita mensalmente, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador no Ultimo dia de cada mês. A tributação mensal é definitiva, não havendo espaço para ajustes. Considerando que o contribuinte efetuou pagamento antecipado, o prazo decadencial deve ser contado a partir do fato gerador (Ultimo dia de cada mês). Assim, se a Declaração de Ajustes Simplificada foi apresentada em 21/05/2003 e, em se tratando de lançamento por homologação, a declaração retificadora, pelo Lucro Presumido apresentada em 13/08/2008 é intempestiva, posto o transcurso de mais de cinco anos desde a primeira informação prestada ao fisco (21/05/2003), não podendo ser acolhida, mesmo se Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10940.900302/200617 Acórdão n.º 1002000.292 S1C0T2 Fl. 50 15 considerarmos que a contribuinte estava efetivamente excluída do Simples, por força do ADE n° 437.546. Portanto, considerando que os débitos fiscais apurados na DIPJ/2003 e informados no PER/DCOMP não foram objeto de lançamento e, portanto, não possuíam a qualificação jurídica de crédito tributário tal qual exigido pelo artigo 170 do CTN, correta foi a negativa de homologação da declaração de compensação pela autoridade administrativa, sendo, porém, equivocado o fundamento utilizado no Despacho Decisório de não homologação, porque a invalidade da compensação caracterizouse não pela ausência de crédito líquido e certo, mas por inexistência de débito compensável, evidenciada pela falta de constituição do pretenso crédito tributário decorrente dos débitos fiscais informados na DIPJ/2003. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão de piso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 66DF CARF MF
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