Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 12585.720030/2012-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas.
A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.
INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3402-005.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para (c.1) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto; (c.2) manter as glosas relacionadas aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que afastavam o fundamento do despacho decisório para confirmação da validade do crédito.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetem-se ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitam-se ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetam-se, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não-cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 12585.720030/2012-33
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5885678
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.333
nome_arquivo_s : Decisao_12585720030201233.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 12585720030201233_5885678.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7372899
ano_sessao_s : 2018
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para (c.1) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto; (c.2) manter as glosas relacionadas aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que afastavam o fundamento do despacho decisório para confirmação da validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585685557248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 44; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.641 1 1.640 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.720030/201233 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.333 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria PIS/PASEP Recorrente TAM LINHAS AÉREAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 00 30 /2 01 2- 33 Fl. 1641DF CARF MF 2 restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da seguinte forma: (a) por unanimidade de votos para (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondente aos gastos com equipamentos terrestres, ponto no qual os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes acompanharam a relatora pelas conclusões; (a.3) reverter as glosas de créditos de Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.642 3 insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" ; (b) por maioria de votos para (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", ¿serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra. (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo". Vencidos os Conselheiros Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto; (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. Em primeira votação, reconhecido que os uniformes dos aeronautas se enquadram no conceito de insumo. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra. Em segunda votação, por entender que abrange tanto o transporte aéreo de cargas como o transporte aéreo internacional de passageiros. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes e Waldir Navarro Bezerra que restringiam somente ao transporte aéreo de cargas. Designada a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz; (c) pelo voto de qualidade, para (c.1) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento ao Recurso neste ponto. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz irá apresentar declaração de voto neste ponto; (c.2) manter as glosas relacionadas aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que afastavam o fundamento do despacho decisório para confirmação da validade do crédito. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Fl. 1643DF CARF MF 4 Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, mas manteve o indeferimento do PER e a não homologação das compensações vinculadas. Versa o processo sobre Pedido de Ressarcimento (PER) de nº 21936.68156.130212.1.1.080467 ao qual foi vinculada a Declaração de Compensação (Dcomp) n° 24978.36162.160212.1.3.083040. O ressarcimento solicitado é de créditos de PIS/Pasep não cumulativo, apurados do 3º trimestre de 2010 em relação a suas operações de transporte aéreo internacional, no montante de R$ 4.956.141,10. No procedimento fiscal, em relação ao mesmo período de apuração, foram examinados os Pedidos de Restituição de pagamentos indevido ou a maior nos processos de n°s 12585.720250/201267, 12585.720251/201210 e 12585.720252/201256. O pedido de ressarcimento foi indeferido e a compensação não foi homologada pela autoridade administrativa sob os seguintes fundamentos: A empresa possui receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros, e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos do PIS/Cofins, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas cuja obtenção teve o envolvimento do consumo dos insumos sobre os quais são apurados os créditos, razão pela qual as receitas financeiras e as receitas provenientes da venda de bens do ativo permanente não devem ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada a apropriação dos créditos. A receita à qual se encontram vinculados os créditos tratados no pedido é a receita do transporte aéreo internacional de cargas, incluída no inciso V do artigo 46 da IN nº 247/2002. As glosas foram as seguintes: • 9.1 Tarifas Aeroportuárias • 9.2 Combustível de Aviação Utilizado no Transporte Internacional • 9.3 Gastos com o Atendimento ao Passageiro • 9.4 Aquisição de Bens Patrimoniais • 9.5 Gastos com Importação • 9.6 Gastos com a Estadia de Tripulantes • 9.7 Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção • 9.8 Gastos não Diretamente Aplicados na Atividade de Transporte Aéreo • 9.9 Créditos Apurados sobre Pagamentos. Efetuados a Pessoas Físicas • 9.10 Outros Gastos não Classificáveis como Insumo • 9.11 Importação de Bens com Alíquota Zero • 9.12 Créditos Apurados sobre Transferências de Materiais. A interessada apresentou manifestação de inconformidade aduzindo, em síntese: 1. A divergência no cálculo dos valores relativos à “Receita Bruta Total” apurada pela fiscalização e calculada pela contribuinte são as seguintes: possibilidade ou não de a “Receita Financeira” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”; e a possibilidade ou não de a “Receita de Transporte Internacional de Passageiros” compor a “Receita Bruta Não Cumulativa” e a “Receita Bruta Total”. Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.643 5 2. A fiscalização desgarrouse dos ditames legais ao fixar critérios próprios para a identificação das receitas que devem compor a referida fórmula para cálculo do percentual aplicável aos custos, despesas e demais gastos comuns, base para a apropriação de créditos do PIS/Cofins. As receitas financeiras são inquestionavelmente pertencentes ao rol de receitas não cumulativas auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Cofins, de forma que foi correto o procedimento da recorrente de incluílas no cálculo das receitas brutas não cumulativas a que se refere o mencionado inciso II do §8° do art. 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, do mesmo modo que foi correta a sua inclusão no cálculo das receitas brutas totais a que também se refere o aludido dispositivo. 4. As receitas originárias do transporte nacional de passageiros estão incluídas no regime cumulativo do PIS/Cofins, mas, jamais, o internacional. 5. Os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99, mas devem atender aos requisitos de imprescindibilidade à própria obtenção do produto ou serviço prestado e, ainda, devem possuir um estrito relacionamento com os processos de fabricação, produção ou prestação de serviços do contribuinte. Contesta a recorrente em caráter específico todas as glosas. A Delegacia de Julgamento acatou parcialmente as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: Somente podem ser considerados insumos os bens ou os serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, isto é, quando aplicados ou consumidos diretamente na etapa produtiva da empresa requerente do crédito. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional a ser utilizado na apuração de créditos das contribuições, referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da não cumulatividade e da cumulatividade. Assim, as receitas financeiras, por não integrarem ou estarem excluídas da base de cálculo de incidência e recolhimento das contribuições, não integram também os respectivos montantes da receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e nem o da receita bruta total. Interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras. O valor adicional de crédito deferido pela DRJ em face da reversão de algumas glosas não foi suficiente para deduzir toda a contribuição devida do período de apuração. A consequência do deferimento desse crédito adicional ocorrerá no respectivo processo de restituição de pagamento indevido, que terá o crédito deferido pela fiscalização aumentado exatamente no valor reconhecido. A contribuinte foi formalmente cientificada em 23/09/2016, mas já havia apresentado o recurso voluntário em 30/06/2016, mediante o qual repisou os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescentou outros, sob os seguintes tópicos: I Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas Financeiras pertencem às receitas brutas não cumulativas II Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas de Transporte Internacional de Passageiros Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas Fl. 1645DF CARF MF 6 III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e Cofins 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte 3. Da glosa relacionada aos gastos ao atendimento ao passageiro 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais 5. Da glosa relacionada aos gastos com importação 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos 8. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo 9. Da glosa relacionada aos gastos com pagamentos efetuados a pessoas físicas 10. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo 11. Da glosa relacionada aos gastos com importação de bens com alíquota zero 12. Da glosa relacionada aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.644 7 § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) Fl. 1647DF CARF MF 8 Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). 1 Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional 1 STJ REsp: 853086 RS 2006/01380157, Relator: Ministra DENISE ARRUDA, Data de Julgamento: 25/11/2008, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: <! DTPB: 20090212<br> > DJe 12/02/2009. Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.645 9 O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, §8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. II Receitas de Transporte Internacional de Passageiros A matéria controvertida neste tópico envolve a interpretação do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; 2 [Lei nº 10.833/2003] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Fl. 1649DF CARF MF 10 V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei] (...) Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que: "O contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve, no entanto, observar o disposto nos incisos XVI do art. 10° e V do art. 15º da Lei N° 10.833/2003, que manteve regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham elas sido obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional". O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 Cosit, de 11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma: No caso ora debatido, interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. Deveras, se o legislador não estabeleceu expressamente, nem implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte aéreo citadas, não cabe ao intérprete fazêlo. Se o legislador almejasse estabelecer essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”. Por outro lado, o segundo requisito estabelecido na primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas contempladas pela norma: segundo o texto legal, tais receitas devem ser auferidas por “empresas regulares de linhas aéreas domésticas”. É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras, uma vez que, pela legislação atual, apenas essas podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico. Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque imperioso concluir que, conquanto se refira a “empresas regulares”, o dispositivo legal em comento quis alcançar as empresas que operam linhas aéreas regulares. Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.646 11 Afinal, é ilógica a interpretação de que a qualidade “regular” atribuída ao vocábulo “empresa” tenha objetivado restringir a permanência na cumulatividade das contribuições em estudo às receitas auferidas pela empresa que esteja em situação regular. Apesar da atecnia, o legislador pretendeu apenas estabelecer paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindose em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o transporte aéreo regular, e às “empresas de táxi aéreo”, para versar sobre o transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxiaéreo constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”). Diante do exposto, concluise que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, nacional (doméstico) ou internacional, efetuado por empresa que opera linhas aéreas domésticas e regulares. Por tal razão, a pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas regulares de transporte coletivo não pode apurar créditos previstos na legislação da apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins em relação a custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de transporte aéreo internacional de passageiros. [negritei] Como se vê, a estratégia hermenêutica utilizada pela DRJ foi a seguinte: separou a primeira parte do inciso em dois requisitos, quais sejam, “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” e “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” e conectou as duas com o vocábulo "auferidas", no lugar do vocábulo original "efetuado" do dispositivo legal. Daí, interpretou os dois requisitos de forma independente para juntálos, ao final, com o vocábulo "auferidas". Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram a interpretação no sentido desejado previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiu se da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. [negritei] Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. (...)". Ora, não se pode separar a primeira parte do inciso em dois requisitos independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no pelo vocábulo "efetuado", que concorda em gênero e número com o substantivo "serviço", certamente com a função de restringilo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma: Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003] (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, (...); Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito" (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”) consta na redação do dispositivo para Fl. 1651DF CARF MF 12 restringir o alcance do termo "serviço de transporte coletivo de passageiros" constante no "primeiro requisito". Seria até um contrassenso entender, no fim das contas, que “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, trata se de mais elemento que corrobora o quanto os dois "requisitos" separados pela DRJ são interdependentes. Segundo o entendimento da fiscalização e da DRJ, a recorrente teria sido alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares, sejam elas domésticas ou internacionais, o que se contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a modalidade de transporte aéreo regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas). Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano3: 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engando, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) 3 MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p. 88/227. Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.647 13 (...) 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) Pelo que se depreende da leitura da Lei nº 10.833/2003, como regra geral, todas as pessoas jurídicas estão sujeitas a não cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, excepcionandose dessa regra aquelas pessoas expressamente referidas nos incisos I a VI do seu art. 10, as quais permanecem sob o anterior regime cumulativo. De outra parte, cuida também o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 de excepcionar algumas receitas da incidência não cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo. Esse entendimento veio depois ser confirmado na referida Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos: (...) 12. A primeira forma de exceção à apuração não cumulativa exclui desse regime determinadas pessoas jurídicas. Assim, em função do objeto social ou de aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido), certas pessoas jurídicas permanecem sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade. 13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica do fato gerador das contribuições em questão. Assim, receitas específicas foram excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeterse ao regime de apuração préexistente à instituição da não cumulatividade. 14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção, está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete ao regime de apuração cumulativa por auferir alguma das denominadas receitas cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a única receita por ela percebida. (...) Dessa forma, tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses gerais de exclusão do regime, temse, inicialmente, que ela, como pessoa jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo, como dito, de algumas de suas receitas, por disposição legal expressa, serem eventualmente excluídas da incidência não cumulativa. No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 dizem respeito às "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", mas somente quando esse serviço seja "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Como já delineado acima, esta última expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo "as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas". Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram excluídas "as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso Fl. 1653DF CARF MF 14 XVI sob análise, pretendeuse excluir do regime não cumulativo todos os serviços de transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional. Importante consignar, por fim, que a exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção comporta interpretação restritiva, de forma que, ainda que fosse possível a interpretação sugerida pela DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto. A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano: RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 RS (2006/01380157) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTA RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO. ENFERMEIROS MILITARES. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. (...) 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiõesdentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, salientese que, em se tratando de regra de exceção, tornase inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente " (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227). (...) A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora): (...) Nesse contexto, cabe mencionar a lição de Carlos Maximiliano acerca do "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis: "Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. Estribase a regra numa razão geral, a exceção, numa particular; aquela baseiase mais na justiça, esta, na utilidade social, local, ou particular. As duas proposições devem abranger coisas da mesma natureza; a que mais abarca, há de constituir a regra; a outra, a exceção. (...) O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis ('interpretamse as exceções estritissimamente') no art. 6.º da antiga Introdução, assim concebido: 'A lei que abre exceção a regras gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'. O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.648 15 ou anômalo, isto é, os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito; limitava lhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário. (...) Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I, título I, cânon 19, este preceito translúcido: 'Leges quoe poenam statuunt, aut liberum jurium exercitium coarctant, aut exceptionem a lege continent, strictae subsunt interpretationi' ('As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou contêm exceção a lei, submetemse a interpretação estrita'). (...) A fonte mediata do art. 6.° da antiga Lei de Introdução, do repositório brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'. As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras. O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições derrogatórias do Direito comum; as que confinam a sua operação a determinada pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a todos, porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. Referese o preceito àquelas que, executadas na íntegra, só atingem a poucos, ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifouse) Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as "receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo", sendo cabível a apropriação de créditos do PIS/Pasep e da Cofins que por ventura enquadremse no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044. III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins Filiome ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de 4 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 1655DF CARF MF 16 eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/995. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso, entendeu a fiscalização e não discordou a DRJ, que a empresa possuiria receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros (doméstico e internacional), e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar de forma 5 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.649 17 não cumulativa, como pretendido pela recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das contribuições de PIS/Cofins dáse na seguinte forma: regime cumulativo transporte aéreo doméstico de passageiros regime não cumulativo transporte aéreo internacional de passageiros; transporte aéreo de cargas nacional e internacional e demais atividades. Dentro desses parâmetros, passase a analisar a glosas especificamente contestadas no recurso voluntário. 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias Quanto a glosa sobre as tarifas aeroportuárias, decidiu a DRJ que se enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os serviços prestados pela Infraero e cobrados por tarifas que são devidas pelas companhias aéreas, eis que fazem parte do processo produtivo da TAM Linhas Aéreas, afinal, sem a realização de tais serviços não seria possível fazer o transporte aéreo de cargas e passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa somente em relação ao transporte internacional de cargas. Considerando o conceito de insumo adotado neste Voto, a essencialidade/imprescindibilidade dos referidos serviços na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros pela recorrente, é cabível o creditamento correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros. 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte A autoridade administrativa glosou o crédito de combustível consumido no transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ: 9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do combustível consumido no transporte aéreo internacional deuse a partir de 26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 – que deu nova redação ao artigo 3° da Lei N° 10.560, de 13/11/2002 – DOU 14.11.2002: Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002): Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez, nas vendas realizadas pelo produtor ou importador, às alíquotas de 5% (cinco por cento) e 23,2% (vinte e três inteiros e dois décimos por cento), respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004) Art. 3° A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a receita auferida pelo produtor ou importador na venda de querosene de aviação à Fl. 1657DF CARF MF 18 pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional. (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003 § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer proibição que diga respeito à vedação da apropriação de créditos relacionados a operações sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa. Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída por lei ordinária, diferentemente do que ocorre com o IPI e ICMS, cuja não cumulatividade tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah6: Muito embora o ICMS e o IPI e o PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças muito relevantes entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do ICMS e IPI é obrigatória e tem suas principais diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não cumulativos, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras de deduções e estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum. No caso da recorrente, não há a incidência das contribuições na "venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela qual incabível o correspondente creditamento, conforme determinação expressa do §§2°s, incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. 3. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro Os créditos pleiteados sob a rubrica gastos com atendimento ao passageiro foram glosados pela fiscalização sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito, por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo 10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de passageiros, tais como gastos com o serviço de bordo, atendimento em área de embarque (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente pela DRJ, que rebateu os argumentos da manifestante item a item dessa rubrica, abaixo discutidos. a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos 6 NASRALLAH, Amal. Diferenças entre a nãocumulatividade do ICMS e IPI e a do PIS e da Cofins. <http://www.migalhas.com.br> Acesso em 03/06/2018. Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.650 19 Segundo a recorrente tratamse de gastos incorridos para disponibilizar uma estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que se destinam, razão pela qual não há dúvida acerca que são pertinentes e essenciais para o serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, geram direito a crédito das contribuições de PIS/Cofins no que concerne ao montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto. b) Serviços auxiliares aeroportuários Alegou a então manifestante que os "serviços auxiliares aeroportuários” seriam aqueles regulamentados pelo art. 1° da Resolução n° 116, de 20009, da ANAC, constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos: A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisandose os itens das notas fiscais glosados pela fiscalização (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao passageiro”) constatase que os valores desconsiderados na conta “Serviços Auxiliares Aeroportuários” dizem respeito unicamente à “movimentação de passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito. A recorrente não apresentou a comprovação em sentido contrário à constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de passageiros, apenas repisando que tais serviços seriam aqueles referidos na Resolução nº 116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas. Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. c) Serviços de handling Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos ou por empresas externas, sendo que, quando tal atividade é realizada pelas próprias companhias aéreas, denominase "autohandling”. Entendeu a DRJ que é uma despesa que pode estar vinculada tanto à movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que tais gastos gerariam direito ao crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas. Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros. d) Serviços de Comissaria Conforme informado pela recorrente, tratase de serviço de preparo e ou aquisição, transporte por veículo apropriado e colocação no espaço designado na cabine da aeronave de alimentos e bebidas para consumo dos aeronautas, mecânicos e passageiros embarcados. A DRJ manteve tais glosas sob o fundamento de que tais despesas são vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros. De outra parte, alega a Fl. 1659DF CARF MF 20 recorrente que tais serviços, além de atenderem os critérios de custo referido no art. 290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente, e, sendo reconhecido o direito da recorrente de incluir as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haverá de se reconhecer também que os serviços de comissaria enquadramse no conceito de insumo para a legislação do PIS e da Cofins. Assim, deve ser revertida a parcela da glosa de serviços de comissaria no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. e) Gastos com equipamentos terrestres Sobre tais gastos assim decidiu a DRJ: Em relação aos “gastos com equipamentos terrestres”, diz que são gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. Explica que dispõe de rampas de apoio em solo, mas que, em situações de necessidade, pode também solicitálas de empresas especializadas para complementar sua capacidade operacional (doc. 03) e, neste caso, enquadramse como insumo ou geram direito a crédito com base nos incisos IV dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (aluguel). A primeira dificuldade, neste ponto, é identificar o denominado “doc. 03”, pois embora a interessada tenha anexado alguns contratos ao recurso, não os relacionou ao nome pelo qual se refere na manifestação de inconformidade. Há, entretanto, às fls. 1.405/1.436, contrato firmado entre a TAM e a Servcarter Internacional Ltda. Tal contrato diz respeito ao fornecimento de refeições para serviços de bordo e são empregados exclusivamente no transporte de passageiros, como se depreende da leitura do Anexo I, nas cláusulas relativas aos procedimentos de overcatering. Por tal razão, entendese que estes serviços não geram direito aos créditos da não cumulatividade. Nesta conta (gastos com equipamentos terrestres), conforme informações disponíveis no “Anexo 9.3” também foram glosadas despesas com as seguintes fornecedoras: MARTE COMÉRCIO DE METAIS LTDA, METROPOLITAN HOTEL LTDA, EDM SOARES HOTELARIA ME e GTA TRANSPORTES LTDA. Não há nos autos, porém, nenhum contrato com tais empresas, razão pela qual tais dispêndios não podem gerar créditos da não cumulatividade. Alega a recorrente que os gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na efetivação da concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. No entanto, a recorrente nada mencionou acerca da ausência de contratos para comprovar o alegado direito creditório quanto ao aluguel de equipamentos terrestres, razão pela qual a decisão recorrida deve ser mantida nesta parte. f) Serviços de transportes de pessoas e cargas Alegou a então manifestante que se trataria de despesas relativas à movimentação de pessoas e cargas para embarque e desembarque; no entanto, apurou a DRJ que as despesas glosadas seriam relativas à contratação de serviços de vans de passageiros, razão pela qual entendeu que não haveria direito ao crédito. No que concerne à ausência de comprovação de vinculação dos gastos ao transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.651 21 direito ao crédito com relação ao transporte internacional de passageiros. Assim, revertese a glosa de "serviços de transporte de pessoas e cargas" no montante desses gastos relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Gastos com voos interrompidos Em relação a “gastos com voos cancelados, atrasados ou interrompidos”, esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a responsabilidade da companhia aérea em relação à assistência devida aos seus passageiros quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados, de forma que tais gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC. Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens anteriores, revertese a glosa de gastos com voos interrompidos no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. h) Demais glosas Alega a recorrente que o "acórdão recorrido traz ainda um item específico no qual analisa os serviços de aeroporto, despesas com veículos, aluguel e condomínios e luz e força, entendendo não gerarem direito ao crédito por serem despesas vinculadas exclusivamente a gastos com passageiros". Entende que pela "simples análise das glosas é possível verificar que se relacionam com ambos os tipos de transporte, seja de cargas ou de passageiros, motivo pelo qual, ainda que parcialmente, seguindo o raciocínio desenvolvido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deveria ter sido reconhecido o direito creditório da Recorrente". No entanto, à mingua de um esclarecimento maior da recorrente acerca de tais itens não se pode verificar o seu enquadramento no conceito de insumo adotado neste Voto, devendo a decisão recorrida ser mantida. Dessa forma, em resumo deste tópico, da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro devem ser revertidas, no montante relativo ao transporte internacional de passageiros, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste Voto, as seguintes parcelas: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos". 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria pronunciou a DRJ nos seguintes termos: No caso do 3º trimestre de 2010, os bens glosados dizem respeito às seguintes contas: “Despesas com manutenção predial”, “Serviços com manutenção predial”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de infraestrutura”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. No que tange às despesas com “manutenção predial”, temse que não são passíveis de crédito na sistemática da não cumulatividade do PIS/Cofins, porque não são Fl. 1661DF CARF MF 22 despesas vinculadas ao transporte internacional de cargas. São apenas despesas operacionais da interessada que não podem ser considerados insumos na sistemática da não cumulatividade do PIS/Cofins. Relativamente às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebe se que se tratam, em verdade, de peças e partes e serviços de manutenção de equipamentos. A contribuinte, por sua vez, possui como atividade a prestação de serviços de manutenção de aeronaves, o que impõe considerar que os bens relacionados nas contas acima descritas são insumos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. Por isso, os bens e serviços discriminados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2o do art. 3o das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. A recorrente manifesta concordância quanto à glosa relativa a seguintes contas: gastos com equipamentos terrestres, materiais de infraestrutura, materiais de manutenção em equipamentos e serviços de manutenção em equipamentos. Quanto às demais contas “Despesas com manutenção predial” e “Serviços com manutenção predial”, a recorrente não demonstrou que fossem aplicadas nos serviços por ela prestados ou que se tratassem de "edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa". De forma que não cabe reforma na decisão recorrida neste tópico. 5. Da glosa relacionada aos gastos com importação Trata este tópico das glosas relativas aos gastos com despachantes aduaneiros na importação de bens e o correspondente transporte até o estabelecimento da recorrente. Segundo a recorrente seriam os bens importados máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, os quais não estariam disponíveis no mercado nacional. A DRJ manteve a glosa dos gastos com despachante aduaneiro, com esteio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2012 e na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012, Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.652 23 abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na importação de mercadorias: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 DOU de 27.6.2012 “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012, declara: Artigo único. Os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por falta de amparo legal. Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15 (...) 19. Portanto, considerandose que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostrase absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observase que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. 22. Exatamente por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e seu homólogo na Lei nº 10.833, de 2003, limitam o direito de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”, e “aos Fl. 1663DF CARF MF 24 custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. 23. Verificase, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada referese às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: 25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada estão incluídos na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, pois, caso não estejam, não há que se falar em apuração de crédito para ulterior abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito só existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito na importação não pode ser maior do que a Contribuição para o PIS/Pasep Importação e a CofinsImportação pagas pelo contribuinte. ...... 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação e da Cofins–Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. 33. Assim, considerandose as hipóteses de creditamento previstas no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma legal, não há autorização para apuração de crédito em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. Isto porque, conforme o § 1º do art. 15, o direito ao crédito aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação, pagamento que não ocorre em relação a tais gastos, visto que eles não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições. Conclusão 34. Diante do exposto, solucionase a presente divergência afirmandose que: a) os gastos com desembaraço aduaneiro devem ser considerados como integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada; b) em se tratando de operação de importação de mercadoria, utilizada como insumo ou destinada à revenda, devese analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins de verificação do direito ao desconto de crédito para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; c) os gastos com desembaraço aduaneiro decorrentes de importação de mercadoria não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004; d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontar créditos em relação a gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, utilizada como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.653 25 De outra parte, os argumentos apresentados no recurso voluntário não convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados como custos dos produtos importados, o que, a seu ver, já justificaria a permissão para apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito creditório é a sua previsão legal, o que inexiste para tais gastos, mormente quando esses valores sequer integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins na importação. Também não se poderia dizer que os gastos com despachantes aduaneiros seriam "imprescindíveis para a importação dos mencionados bens pela ora Recorrente", vez que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias também podem ser efetuadas por outras pessoas, inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos termos do art. 5º, §1º do Decretolei nº 2.472/887, atualmente consolidado no art. 809 do Regulamento Aduaneiro/2009. A decisão recorrida deve ser mantida em relação aos gastos com despachantes aduaneiros pelos seus próprios fundamentos. Quanto ao frete nacional dos bens importados, melhor sorte não assiste à recorrente. Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, no que concerne aos bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo da contribuinte, estão previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/20048, sendo que, em seu §3º, está definida a base de cálculo do crédito como "o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição". 7 Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada apor qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excedentes da responsabilidade do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela própria ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado, ou por despachante aduaneiro. (...) 8 Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (...) § 3º O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. Fl. 1665DF CARF MF 26 Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro. Nos termos do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos à carga, descarga e manuseio da mercadoria importada até o ponto de desembaraço no território aduaneiro, bem como o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Dessa forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar o creditamento das despesas com frete e armazenagem incorridas após o desembaraço aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos. De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não poderia socorrer a recorrente relativamente a despesas em operações referentes à entrada do insumo, eis que se refere a despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com o ônus suportado pelo vendedor. Analisemos agora a eventual aplicação do art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) [negritei] Como se sabe, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou da Lei nº 10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como insumo na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros ou cargas. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia o frete dos bens importados (máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não. Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.654 27 Em que pese o CARF não adotar a interpretação restritiva das Instruções Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não abriga o creditamento de serviços utilizados em etapas anteriores, que não possam ser consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios insumos, que já foram importados na condição de insumos, de forma que também não se poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos. O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso. Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas com frete em relação ao "bem utilizado como insumo", embora haja construção jurisprudencial no CARF9 no sentido de admitir o desconto de créditos, no que concerne ao frete relativos aos insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I). Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I desse dispositivo ("§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete 9 Acórdão nº 3402002.662– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Em se tratando de serviço de transporte, as leis de regência permitem o creditamento tomado sobre o frete pago quando o serviço de transporte seja utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinado à venda, com base no inc. II do art. 3°, e no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, cfe. inc. IX. A construção jurisprudencial admite também a tomada de créditos sobre despesas com fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao de aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, isso em razão de o valor do serviço integrar o valor de aquisição de tal bem, passando então a compor a base de cálculo do crédito decorrente da aquisição de bem para revenda ou para utilização como insumo. Há ainda uma quarta hipótese, defendida na jurisprudência deste Colegiado, decorrente do conceito de insumo que se adota, no caso de fretes pagos a pessoa jurídica para transporte de insumos ou produtos inacabados entre estabelecimentos, dentro do contexto do processo produtivo da pessoa jurídica. O transporte de produto acabado isso é, depois de concluído o processo produtivo – não se enquadra em qualquer dessas hipóteses permissivas. Se do ponto de vista logístico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda, juridicamente, não. Esse entendimento está plasmado, por exemplo, no voto condutor do Acórdão nº 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25 de abril de 2012: “Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3°, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3°. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido.” Fl. 1667DF CARF MF 28 nacional vinculados ao creditamento desses bens (apropriado ao custo de aquisição do bem utilizado como insumo). Mais importante é que, como visto, no caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos com frete. Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio aplicável aos gastos com despachantes aduaneiros. Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade de votos daquele Colegiado, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo: Acórdão nº 3302003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Relator: José Fernandes do Nascimento ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. (...) 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes Com relação aos gastos com estadia de tripulantes alega a recorrente que: "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se pressupõe que os tripulantes percorram longas distâncias para efetivarem a prestação do serviço a que se propõem. E, não raro, por conta da imperiosa necessidade de respeitar a duração da jornada de trabalho do aeronauta, para que este tenha condições de desempenhar seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela companhia". No entanto, os serviços relativos à hospedagem de tripulantes não são utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte pela recorrente em si, sendo usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho que exercem. Tratamse de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os gastos com passagem e hospedagem de empregados e funcionários, não são considerados Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.655 29 “insumos” na prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de desconto de crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS nãocumulativo". 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos Neste tópico assim decidiu a DRJ: No caso do 3º trimestre de 2010, os bens glosados (“Planilha 9.7 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”) dizem respeito às seguintes contas: “Gastos com Equipamentos Terrestres” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 DA GLOSA RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”, tendo o crédito glosado sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entendese serem corretas as glosas realizadas. Como constou no item 4. deste Voto, a recorrente manifestou concordância quanto às contas especificamente glosadas nesta rubrica (“Gastos com Equipamentos Terrestres” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”). 8. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo Tratase de glosas relativas aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Entendeu a autoridade administrativa que: "Tais serviços, por mais necessários às atividades desenvolvidas pela contratante, não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo". Os gastos com comunicação de rádio entre a companhia aérea e a torre de comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias". Quanto aos serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas, bem como para contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na prestação dos serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros, concedendo o respectivo crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado que o transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros. Fl. 1669DF CARF MF 30 Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a quo, só poderia gerar créditos de depreciação. Como a recorrente não apresentou qualquer argumento que afastasse tal constatação, a glosa deve ser mantida nessa parte. No entanto, quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar vinculados tanto ao transporte de passageiros como de carga, devendo a parcela da glosa de tais serviços aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser revertida. No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os serviços relativos à segurança dos passageiros e das cargas enquadramse no conceito de insumo adotado neste voto, eis que são essenciais e imprescindíveis ao transporte de passageiros e de cargas, devendo a parcela da glosa relativa à "segurança patrimonial" ser revertida relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. A glosa dos créditos relacionados ao fornecimento de energia às aeronaves (GPU: equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas aquisições, foi mantida pela DRJ nos seguintes termos: "Ocorre, todavia, que a empresa não conseguiu demonstrar dois aspectos essenciais para ter direito ao crédito em discussão. Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.473/1.477, foi assinado em 04/11/2013 e o prazo de vigência, conforme cláusula 2.1 só se iniciou a partir da assinatura do contrato. Portanto, como o crédito é do 3º trimestre de 2010, tal contrato não tem o condão de gerar o crédito pretendido". Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto a não vigência do contrato no período analisado, não restou comprovado o direito creditório relativo à locação do equipamento GPU, não cabendo reforma na decisão recorrida nesta parte. Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido de que "não há previsão legal expressa que autorize o creditamento com tal gasto. Por outro lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como “bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços” ou “serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço”. De outra parte, alega a recorrente que "as despesas com treinamento de tripulantes são indispensáveis para a aludida execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente, razão pela qual as glosas devem ser revertidas por este E. CARF". No entanto, as despesas com treinamento de empregados embora sejam essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida nesta parte. Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.656 31 Quanto aos demais itens deste tópico, em que pesem os argumentos da recorrente, deve ser mantida a decisão recorrida, nos seguintes termos: "é facilmente observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito". No que diz respeito a "rede de dados e voz", conforme já decidido por este CARF no Acórdão nº 3401002.857, de 27 de janeiro de 2015, em relação a uma transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM TELEFONEVOZ E TELEFONEDADOS. VINCULAÇÃO A ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. NÃO ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS. As despesas com telefonevoz e telefonedados, por sua natureza, não se vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a sua execução. Ademais, sua utilização está principalmente vinculada à realização das atividades administrativas da empresa, o que permitiria enquadrálas como necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº 3000/99, tais despesas não preenchem os requisitos para caracterização como insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas. Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo, somente as seguintes parcelas: a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e b) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. 9. Da glosa relacionada aos gastos com pagamentos efetuados a pessoas físicas A recorrente manifesta concordância com esta glosa. 10. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos Bens de uso e consumo No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ: Observase com as glosas levadas a cabo pela fiscalização (Anexo 9.10 – Outros gastos não classificáveis como insumos) que a interessada pretendeu se creditar de todos os gastos que possui. No referido anexo, percebese a glosa de, entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de Fl. 1671DF CARF MF 32 massa, estopa, bobinas, etc. Todavia, não é todo e qualquer custo que gera o crédito da não cumulatividade do PIS/Cofins. Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização. Tais bens são de uso e consumo, não havendo previsão legal para este tipo de creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso, “os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”. Especificamente, a interessada se insurge contra as glosas de despesas com vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de 08/01/2009, incluiu nos artigos 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso X, prevendo tal direito a crédito, in verbis: X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Observase, portanto, que as despesas constantes do inciso acima transcrito não proporcionam o crédito indiscriminadamente a qualquer pessoa jurídica. Tais despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como este não é o caso da manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas. Por fim, a manifestante reclama especificamente sobre as glosas de gastos com materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a segurança das partes e peças que serão destinadas ou à manutenção ou à própria aplicação nas aeronaves. Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto social. Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços. Alega a recorrente que as "despesas com vestuários e acessórios profissionais" seriam custeadas pelo empregador, conforme determinação legal, não havendo como dissociar esse gasto ao conceito de insumo. Não obstante o conceito mais amplo de insumo no âmbito deste CARF, entendo que tais despesas não se enquadram no conceito de insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratandose de despesas operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por conceder o creditamento somente às atividades de "prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Com relação aos "Materiais de Acondicionamento e Embalagens", embora afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que natureza seriam tais materiais e embalagens ou se seriam não ativáveis, devendo a decisão recorrida ser mantida também nesta parte. 11. Da glosa relacionada aos gastos com importação de bens com alíquota zero A recorrente manifestou concordância com esta glosa. 12. Da glosa relacionada aos produtos recebidos em transferência de outro estabelecimento Sobre esta questão assim decidiu a DRJ: "Indubitavelmente, não gera direito a crédito a simples transferência de materiais entre unidades da contribuinte. Não há previsão Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.657 33 legal nenhuma neste sentido. Se possível fosse, bastaria a contribuinte transitar com mercadorias entre seus estabelecimentos e, assim, jamais pagaria PIS/Cofins. Por outro lado, a relação trazida pela manifestante (doc. 06 – fls. 1.478/1.480) não tem o condão de provar que os créditos não foram aproveitados no estabelecimento adquirente, como afirma em seu recurso. Aliás, tal documento traz apenas uma relação de documentos fiscais que não tem o condão de provar o que se alega". De outra parte, alega a recorrente que "as aquisições de produtos devem ser documentadas por nota fiscal remetida ao estabelecimento destinatário, o que não significa, porém, que necessariamente será o usuário deste bem", de forma que "os créditos das contribuições em questão sempre estarão vinculados às notas fiscais de aquisição, e não ao fato do trânsito de um estabelecimento para o outro, posto que os créditos são apurados em face da pessoa jurídica e não de seus estabelecimentos". É certo que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002, o que deve ser comprovado com os documentos fiscais emitidos pelos fornecedores correspondentes às aquisições dos bens ou à prestação dos serviços, independentemente de eventuais transferências posteriores entre os estabelecimentos da pessoa jurídica. No entanto, como dito pela DRJ, "a relação trazida pela manifestante (doc. 06 – fls. 1.478/1.480) não tem o condão de provar que os créditos não foram aproveitados no estabelecimento adquirente", sendo que a recorrente nada acrescentou no recurso voluntário acerca desse óbice oposto pela DRJ, nem tampouco sobre a natureza de tais bens e serviços para se verificar o eventual enquadramento no conceito de insumo adotado neste voto, razões pelas quais a decisão recorrida há de ser mantida neste tópico. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos", no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança Fl. 1673DF CARF MF 34 patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.658 35 Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange à glosa de despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora mas sim a sua aplicação sobre uma específica glosa , vale repisar a evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.10 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando 10 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. Fl. 1675DF CARF MF 36 em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros. Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários. O custeio dessas vestimentas para os aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984 (com a redação mantida pela Lei n. 13.475/2017, a qual dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in verbis: Art. 46 O aeronauta receberá gratuitamente da empresa, quando não forem de uso comum, as peças de uniforme e os equipamentos exigidos para o exercício de sua atividade profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.659 37 de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais. Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o fornecimento de uniformes decorre de imposição de lei específica do setor econômico da empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes de supermercado, conferindo direito ao crédito das Contribuições, haja vista que para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista brasileira prevê a obrigatoriedade do fornecimento de equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os seus funcionários (Acórdão n. 3301004.483). Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas, relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1677DF CARF MF 38 Declaração de Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz Igualmente devo expressar minha discordância com a Ilustre Relatora no que tange ao direito creditório referente aos gastos com insumos importados, mais precisamente o frete nacional de insumos importados e os serviços aduaneiros. Como já noticiado, a Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros, sendo que, para o desenvolvimento destas atividades, tornase imprescindível o uso de máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, que não estão disponíveis no mercado nacional. Por essa razão, necessita importálas do exterior, assim como transportálas para seus estabelecimentos e armazenálas com terceiros. Desta forma, os referidos gastos com frete nacional dos produtos e despachantes aduaneiros são imprescindíveis para a consecução do objeto social da Recorrente, o que os qualifica como insumos para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS, de acordo com a legislação que rege o tema, como passo a expor. Tratemos primeiramente do frete nacional de produtos importados. A garantia do direito dos créditos das Contribuições é imperiosa no presente caso, pois os motivos elencados pela Fiscalização e corroborados pela DRJ não se coadunam com a natureza do frete sob análise e, por conseguinte, com a legislação que garante seu aproveitamento. Com efeito, o frete em apreço tratase de frete nacional, e não internacional (custo de transporte da mercadoria importada até o porto ou o aeroporto alfandegado de descarga ou o ponto de fronteira alfandegado, conforme o artigo 77 do Regulamento Aduaneiro Decreto nº 6.759, de 5 de fevereiro de 2009). É por esta razão que os argumentos de que "inexiste norma garantidora do direito a tal crédito", e de que "a legislação disciplinadora da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as importações referese ao valor aduaneiro, dentro do qual não estaria incluído o frete", não se aplicam ao presente caso. Explico. Inicialmente, é preciso recordar a diferenciação da incidência/direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre importações ("PISimportação e COFINS importação", ou PIS/COFINSimportação), com a incidência/direito ao crédito das Contribuições ao PIS e da COFINS ("PIS e COFINS") incidentes sobre operações no ocorridas no mercado interno. O PISimportação e a COFINSimportação são exações tributárias disciplinadas pela Lei n. 10.685/04, que em seu artigo 1º, traz a materialidade que é atingida pelas Contribuições: a importação de bens e serviços. Assim, o PIS/COFINSimportação incide uma única vez, no momento da importação de bens e serviços. Tratandose de incidência tributária sobre as importações (paralelamente à desoneração na exportação pelos países estrangeiros), o PISimportação e a COFINS Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.660 39 importação dão efetividade ao princípio do destino, que rege a tributação do comércio internacional, como decorrência da necessidade de harmonização das legislações entre Estados, como ensina Ricardo Lobo Torres.11 Desse modo, as mercadorias e serviços trazidos do exterior serão sujeitos à incidência dos tributos nacionais sobre o consumo (como o IPI, o ICMS e o ISS), tendo então o mesmo tratamento tributário das mercadorias e serviços produzidos no mercado nacional, com isso respeitando o princípio da não discriminação. Dessarte, o PIS–importação e a COFINS–importação incidem tão somente nas operações nas quais os fornecedores estão domiciliados fora do país, e é a essa situação que a Lei n. 10.685/04 abarcou. Consequentemente, a Lei n. 10.865/04 não trata das operações praticadas em território brasileiro, as quais, como é consabido, são regradas pelas Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003. Todavia, para as pessoas jurídicas que apuram as Contribuições pela sistemática da nãocumulatividade, a importação pode ser a primeira das etapas comerciais, industriais ou de prestação de serviços que ocorrerão em território nacional, a qual eventualmente poderá ser juntar a outros bens ou serviços adquiridos no mercado interno para a consecução das atividades empresarias. Justamente nesse sentido, a Lei n. 10.865/2004, em seu artigo 15, estabeleceu que um dos créditos que podem ser apurados na não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS (cf. as Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003) corresponde aos valores pagos anteriormente a título de PIS/COFINSimportação. Vejamos Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) 11 Assim, a tributação é outorgada para o país onde os bens são consumidos. (O princípio da não cumulatividade e o IVA no direito comparado. In O princípio da nãocumulatividade, coord. Ives Gandra da Silva Martins, p. 161). Fl. 1679DF CARF MF 40 § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 1oA. O valor da CofinsImportação pago em decorrência do adicional de alíquota de que trata o § 21 do art. 8o não gera direito ao desconto do crédito de que trata o caput.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 2o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. § 3o O crédito de que trata o caput será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no art. 8o sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7o, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição A dicção do caput do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004 é clara: concedeserá o direito ao crédito, relativamente às IMPORTAÇÕES, sobre as contribuições efetivamente pagas (§1º), apurado de acordo com as demais normas que regem o PISimportação e a COFINSimportação, dentre elas a utilização do valor aduaneiro sobre da importação de bens (artigo 7º, inciso I). Como é possível perceber desde já, aqui se discute unicamente a incidência e o crédito nas importações. Esse é o marco final da disciplina da Lei n. 10.865/2004, que em nada pode ou deve prejudicar a incidência das Contribuições que ocorrem em momento subsequente (mercado nacional) e o respectivo direito ao crédito. Afinal, não há e nem poderia haver na Lei n. 10.865/2004 vedação à tomada de outros créditos decorrentes de dispêndios posteriores à importação, pois tais momentos não são objeto de sua normatização. Assim é que a discussão sobre o valor aduaneiro e falta de amparo legal, como já adiantado, em nada tangencia o presente caso, no qual o frete é nacional, uma vez que prestado depois do desembaraço aduaneiro. Tratase de serviço contratado pela Recorrente para que possa efetivar suas atividades empresariais. Com relação a tais fretes, é necessário observar o quanto disposto pelas Lei n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, pois estas sim cuidam da incidência e, por conseguinte, do direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS em casos como o presente. São inúmeras as manifestações da Receita Federal sobre o assunto, sempre tendo como pressuposto justamente a diferenciação acima exposta, como se depreende, a título exemplificativo, dos trechos das seguintes Soluções de Consulta: Solução de Consulta nº 113 SRRF09/Disit, datada de 11 de junho de 2012: É que os créditos a que a Leis nº 10.637, de 2002, e a Lei nº 10.833, de 2003, aludem são somente os relativos a aquisições no mercado interno, diferentemente dos créditos relativos à importação de bens e de serviços, que estão no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Solução de Consulta nº 75 SRRF08/Disit Data 27 de março de 2013: 12 Devese ressaltar a notável diferença existente entre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as operações no mercado interno e a Contribuição para o PIS/Pasep–Importação e a Cofins–Importação incidentes sobre Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.661 41 as importações de bens e serviços. Tratamse de tributos distintos, que possuem hipótese de incidência, base de cálculo e contribuintes diferentes. 13 De um lado, temse a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita (mercado interno), cuja autorização para sua criação fundase no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal (CF). O regime de apuração não cumulativa das mencionadas contribuições foi instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep, e pela Lei nº 10.833, de 2003, no que se refere à Cofins. Com efeito, a Receita Federal parte do mesmo pressuposto do adotado no presente voto: há primeiro uma operação de importação de bens, sujeito à incidência do PIS importação e da COFINSimportação, dado direito ao crédito nos moldes do artigo 15 da Lei n. 10.865/2004; posteriormente outras operações passam a existir em âmbito nacional, sobre as quais vai incidir a Contribuição ao PIS e a COFINS nãocumulativas, e os créditos estão disciplinados pelos artigos 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ocorre que, em razão do restrito juízo administrativo sobre o conceito de insumo no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS no sentido daquele adotado na legislação do IPI (somente dariam direito ao crédito MP, PI e ME incorporados ao produto), o entendimento que hoje prevalece nas Soluções de Consulta é pela não autorização do direito ao crédito. Por todas, destaco a recente Solução de Consulta nº 121 Cosit, de 8 de fevereiro de 2017, na qual a questão do frete é análoga a que ora se discute: 13. No caso em tela, questionase a possibilidade de desconto de créditos em relação a gastos compreendidos entre o despacho aduaneiro e a revenda do produto, mais especificamente os serviços aduaneiros, o frete relativo ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica e as despesas com depósito (armazenagem), contratados com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 14. Em relação à despesa com serviços aduaneiros, verificase que não estão incluídas no rol de hipóteses de creditamento constantes do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Em que pese os serviços aduaneiros referiremse à aquisição de mercadorias importadas, também não encontramos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, que enumera os créditos decorrentes da importação, hipótese passível de abarcar os referidos serviços. 15. Com relação ao frete concernente ao transporte do produto importado do ponto de entrada no país até o estabelecimento da pessoa jurídica, verificase que, dentre as hipóteses de crédito enumeradas pelo art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, apenas é possível perquirirse acerca da previsão de crédito em relação a frete na operação de venda (inciso IX). No que toca aos gastos com frete na aquisição dos produtos, têmse sedimentado o entendimento de que tal Fl. 1681DF CARF MF 42 dispêndio pode ser incorporado ao valor do item adquirido e, caso este se destine à revenda (art. 3º, I, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003) e seja adquirido de pessoa jurídica domiciliada no Brasil (Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, § 3º, I, e Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, § 3º, I), o crédito pode ser apurado pelo valor total (custo de aquisição do item + frete). Como não é o caso, já que a mercadoria importada não é adquirida de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, essa aquisição não dá direito a crédito com base no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e no inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Dessa forma, a possibilidade de apuração de crédito, nesse caso, deve ser analisada com base no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, que trata, como mencionado, de produtos importados. A conclusão inarredável é que a Fiscalização somente analisa o direito ao crédito do frete nacional de produto importado à luz do artigo 3º, incisos I e IX das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003, e não com relação ao artigo 3º, inciso II das mesmas leis, o qual, como se sabe, traz a possibilidade de tomada de crédito das Contribuições sobre bens ou serviços contratados no âmbito de seus processos produtivos. Porém, o assunto dos gastos com fretes e seu consequente direito ao creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS encontrase inserido na questão maior do conceito de insumo para fins do direito ao crédito dessas Contribuições Sociais, o qual teve grande atenção desse Conselho, culminando em jurisprudência já consolidada sobre o tema. Adotandose a linha de entendimento exposta no voto vencedor acima colacionado,12 como vem ocorrendo nas decisões proferidas por este Colegiado, a consequência lógica incontornável é pela necessidade de garantia do direito ao crédito da Recorrente, porque o seu direito sobre o frete nacional de produtos importados é sustentado pelo artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003. Ademais, é preciso salientar, entendimento diverso significaria tratar a não cumulatividade da Contribuição ao PIS e a COFINS como se fosse técnica de tributos vinculados ao produto. Não é demais repetir, a Contribuição ao PIS e a COFINS incidem sobre a receita, e daí advém o entendimento do CARF que os custos de produção, por serem indispensáveis para as atividades empresariais, devem dar direito ao crédito. É essa a tranquila jurisprudência deste Conselho, conforme se verifica das ementas abaixo colacionadas: Número do processo: 10950.003052/200656 Acórdão nº 3403001.938 Data de Publicação: 03/05/2013 Contribuinte: PLANT BEM FERTILIZANTES S.A. Relator(a): ROSALDO TREVISAN Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 12 Este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 12585.720030/201233 Acórdão n.º 3402005.333 S3C4T2 Fl. 1.662 43 Ementa: ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Impressos, materiais de escritório, uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. “[...] CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. [...] (Processo 13971.005202/200959, Acórdão 3403003.163, j. 20/08/2014, Relator Alexandre Kern) Outrossim, não permitir direito ao crédito do frete nacional (ou qualquer outro custo posterior à nacionalização) do insumo importado significaria o absurdo de que, com relação aquele insumo, nenhum outro gasto incorrerá a empresa em seu processo produtivo, ao fim do qual há a geração de receita, que sofrerá a tributação das Contribuições sociais em questão. Concluise assim que, efetivamente, ao tratamos do trânsito de matérias primas da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte (frete nacional), o dispêndio com frete é custo da atividade da Recorrente, e deve ser entendido como insumo, nos termos do artigo 3º, inciso II das Lei n. 10.673 e 10.833, sendo capaz, portanto, de dar direito ao crédito, seja da Contribuição ao PIS, seja da COFINS. Nesse sentido, lembro que no tange à contratação do frete, como destaco alhures, está cumprido o requisito do artigo 3º, §3º inciso I das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, já que o crédito tomado pela Recorrente advém de serviços contratados de pessoas jurídicas domiciliadas no País. Fl. 1683DF CARF MF 44 Assim, entendo que deve ser concedido o direito ao crédito referente a fretes para o transporte de insumos da zona portuária até o estabelecimento do contribuinte. O mesmo raciocínio, exaustivamente tratado acima, se aplica aos gastos com serviços aduaneiros (despachantes). Nesse ponto, cumpre realçar que os gastos relacionados com despachantes aduaneiros referemse à contratação de pessoas jurídicas conforme contratos anexos à defesa. Esse Colegiado, no julgamento do Processo n. 11080.725358/201183, já entendeu pelo direito ao crédito sobre esse jaez de serviços aduaneiros. No mesmo sentido manifestouse a 1ª Turma da 2ª Câmara dessa Seção de Julgamento no 10976.000158/200871, do qual destaco o seguinte trecho do voto condutor da decisão: “Especificamente sobre os gastos incorridos com despachantes aduaneiros, durante a ação fiscal, a Recorrente apresentou documentos sobre a importação de jogos de cinta de prensagem brilhante para máquina de produção de cartões de plástico laminado marca Melzer (fls. 142/146). No arrazoado sobre o seu processo produtivo, a Recorrente esclareceu à fiscalização que adquire materiais no mercado externo para a confecção de cartões de pvc com tarja magnética, bem como de formulários e cheques. Ora, considerando que a atividade fim da Recorrente não está diretamente relacionada a comércio exterior, é natural que haja a contratação de terceiros para acompanhar esse tipo de operação, sendo desnecessária a contratação de empregados para tanto. Considerando ainda que o despachante aduaneiro contratado é pessoa jurídica, nomeadamente a Internacional Comissaria de Despachos Aduaneiros Ltda. (fls.97, 99, 101, 103, 105 e 107), não se aplica a restrição legal ao crédito decorrente da contratação de pessoas físicas. Com base em todas essas circunstâncias, entendo que a decisão recorrida merece ser reformada no tocante à glosa de créditos de COFINS oriundos de gastos com serviços de despachante aduaneiro.” (Processo nº 10976.000158/200871 – Acórdão nº 3201000.958 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária –julgado em 24/04/2012 – g.n.) Com esses fundamentos, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para reverter as glosas de créditos relativas a frete nacional de insumos importados e gastos com despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1684DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.000408/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2005, 2006
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Auto de infração lavrado com o fito de prevenir a decadência do crédito tributário não pode ser acompanhado dos acréscimos sancionatórios (multa de ofício e juros de mora), exatamente como prescreve o art. 63 da lei n. 9.430/96.
CIDE-ROYALTIES. LANÇAMENTO DE VALORES REMETIDOS AO EXTERIOR COM BASE EM CONTRATOS DISTINTOS DAQUELES QUE SUSTENTARAM TAIS REMESSAS. ERRO DE FATO RECONHECIDO.
A autuação fiscal exigiu CIDE royalties sobre valores remetidos ao exterior com base em contratos que não deram sustentação jurídica a tais pagamentos, mas que, em verdade, amparam outras remessas para o exterior. Erro de fato configurado, o que implica a exoneração de tais exigências descompassadas dos contratos fiscalizados.
CIDE-ROYALTIES (REMESSA). LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA.
Somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE-royalties ou CIDE-remessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia.
A transferência de tecnologia implica necessariamente a transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte. Do contrário, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da exação.
No presente caso existe contrato que prevê a cessão de código-fonte a implicar a incidência da contribuição, bem como contrato que não prevê tal transferência de tecnologia, o que afasta tal exigência tributária.
Numero da decisão: 3402-005.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para manter apenas as exigências fiscais relativas ao "contrato de distribuição e venda EAB-EDB" (tradução juramentada às fls. 312/320).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2005, 2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Auto de infração lavrado com o fito de prevenir a decadência do crédito tributário não pode ser acompanhado dos acréscimos sancionatórios (multa de ofício e juros de mora), exatamente como prescreve o art. 63 da lei n. 9.430/96. CIDE-ROYALTIES. LANÇAMENTO DE VALORES REMETIDOS AO EXTERIOR COM BASE EM CONTRATOS DISTINTOS DAQUELES QUE SUSTENTARAM TAIS REMESSAS. ERRO DE FATO RECONHECIDO. A autuação fiscal exigiu CIDE royalties sobre valores remetidos ao exterior com base em contratos que não deram sustentação jurídica a tais pagamentos, mas que, em verdade, amparam outras remessas para o exterior. Erro de fato configurado, o que implica a exoneração de tais exigências descompassadas dos contratos fiscalizados. CIDE-ROYALTIES (REMESSA). LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA. Somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE-royalties ou CIDE-remessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. A transferência de tecnologia implica necessariamente a transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte. Do contrário, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da exação. No presente caso existe contrato que prevê a cessão de código-fonte a implicar a incidência da contribuição, bem como contrato que não prevê tal transferência de tecnologia, o que afasta tal exigência tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16643.000408/2010-36
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891767
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.396
nome_arquivo_s : Decisao_16643000408201036.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DIEGO DINIZ RIBEIRO
nome_arquivo_pdf_s : 16643000408201036_5891767.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para manter apenas as exigências fiscais relativas ao "contrato de distribuição e venda EAB-EDB" (tradução juramentada às fls. 312/320). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
id : 7390918
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585704431616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2.144 1 2.143 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.000408/201036 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402005.396 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria CIDE Recorrentes ERICSSON TELECOMUNICAÇÕES S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2005, 2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Auto de infração lavrado com o fito de prevenir a decadência do crédito tributário não pode ser acompanhado dos acréscimos sancionatórios (multa de ofício e juros de mora), exatamente como prescreve o art. 63 da lei n. 9.430/96. CIDEROYALTIES. LANÇAMENTO DE VALORES REMETIDOS AO EXTERIOR COM BASE EM CONTRATOS DISTINTOS DAQUELES QUE SUSTENTARAM TAIS REMESSAS. ERRO DE FATO RECONHECIDO. A autuação fiscal exigiu CIDE royalties sobre valores remetidos ao exterior com base em contratos que não deram sustentação jurídica a tais pagamentos, mas que, em verdade, amparam outras remessas para o exterior. Erro de fato configurado, o que implica a exoneração de tais exigências descompassadas dos contratos fiscalizados. CIDEROYALTIES (REMESSA). LICENÇA DE USO E DISTRIBUIÇÃO. PROGRAMA DE COMPUTADOR (SOFTWARE). AUSÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA (CÓDIGO FONTE). NÃO INCIDÊNCIA. Somente ocorrerá a incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDEroyalties ou CIDEremessas) sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador (software) quando tal negócio envolver a transferência de tecnologia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 04 08 /2 01 0- 36 Fl. 2144DF CARF MF 2 A transferência de tecnologia implica necessariamente a transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. No caso dos softwares, são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte. Do contrário, não há que se falar em transferência de tecnologia e, portanto, na incidência da exação. No presente caso existe contrato que prevê a cessão de códigofonte a implicar a incidência da contribuição, bem como contrato que não prevê tal transferência de tecnologia, o que afasta tal exigência tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para manter apenas as exigências fiscais relativas ao "contrato de distribuição e venda EABEDB" (tradução juramentada às fls. 312/320). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório 1. Por bem retratar o caso, uso como meu parte do relatório desenvolvido na resolução n. 3402000.504 (fls. 1.784/1.789), o que passo a fazer nos seguintes termos: Versa o processo de Auto de Infração de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, sobre a remessa de valores ao exterior, no valor total de R$ 18.974.595,71 (dezoito milhões, novecentos e setenta e quatro mil, quinhentos e noventa e cinco reais e setenta e um centavos), nele incluindose principal, multa e juros, decorrente da ação fiscal MPFF 08171.00113.2009, desenvolvida em relação à pessoa jurídica Ericsson Serviços de Telecomunicações Ltda, CNPJ nº 03.619.317/000107, incorporada pela empresa autuada, circunscrita aos períodos de apuração de 31/07/2005 a 31/05/2006 e de 31/07/2006 a 30/11/2006, em que se verificou que dos valores que serviram de base para a retenção do Imposto de Renda na Fonte – IRRF declarados em DCTF daquela empresa, houve falta/insuficiência de recolhimento da CIDE – Remessa Exterior. A decisão recorrida julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, unicamente para Fl. 2145DF CARF MF Processo nº 16643.000408/201036 Acórdão n.º 3402005.396 S3C4T2 Fl. 2.145 3 fins de cancelar a multa de ofício aplicada, sob o fundamento de ser a mesma incabível quando se tratar de lançamento para prevenir a decadência na pendência de medida liminar de suspensão da exigibilidade do crédito tributário de que era titular o contribuinte. Diante do resultado do julgamento que exonerou a multa de ofício aplicada em valor superior à alçada estipulada na Portaria do Ministério da Fazenda n. 3, de 2008, publicada no Diário Oficial da União, em 07/01/2008, bem como do disposto no inciso II do art. 25 do Decreto n°. 70.235, de 1972, com redação conferida pela Lei n° 11.941, de 2009, houve recurso de ofício por parte da DRJ/SP1. Cientificado do Acórdão supracitado em 21/05/2012, conforme AR de fls. 1609 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1610/1637) em 20/06/2012, sustentando: A nulidade do Auto de Infração que teria sido absolutamente deficiente em identificar os valores tributáveis e expor os fundamentos da exigência; Que não poderia haver a exigência da CIDE sobre remessas ao exterior realizadas ao abrigo de contrato que sequer teria sido celebrado pela empresa autuada Ericsson Serviços de Telecomunicações Ltda.; Que o Contrato de licença de uso de software para comercialização celebrada com a empresa Ericsson AB somente se aplica a uma pequena parcela do total de remessas realizadas pela Ericsson Serviços a título de licença de software, de modo que o referido contrato se aplicaria apenas às remessas feitas pela Ericsson AB a título de licença de software para comercialização, realizadas nos meses de abril de 2005 e de março a dezembro de 2006, ou seja, que com relação a todas as outras remessas de licença para uso próprio e de licença para comercialização cujo destinatário não fosse a Ericsson AB, não haveria fundamento no Auto de Infração capaz de ensejar a exigência da CIDE. A decadência dos supostos os créditos tributários de CIDE relativos aos períodos de julho a novembro de 2005. Omissão da Fiscalização em provar que existia a transferência de tecnologia nos contratos de licenciamento de software, o que acarretaria a nulidade do lançamento fiscal – ausência de prova. De mesmo modo, aduz que a simples obtenção do código fonte não caracteriza transferência de tecnologia de programas de computador, requisito necessário para a incidência da CIDE nos termos do §1ºA do art. 2º da Lei nº 10.168/00. Ao final, requereu a reforma parcial da decisão recorrida com base nos pontos acima delineados, para fim de cancelar Fl. 2146DF CARF MF 4 integralmente as exigências fiscais e o arquivamento do processo administrativo. Houve ainda apresentação de Contrarrazões pela União Federal, afirmando serem acertados cada um dos fundamentos que sustentaram a decisão recorrida e se opondo aos argumentos alinhados no Recurso Voluntário manejado pela Recorrente, pugnando, ao final, pela manutenção da decisão recorrida. (...). 2. Distribuído para este Tribunal o recurso voluntário de fls. 1.610/1.637, a então turma julgadora resolveu convertêlo em diligência (resolução n. 3402000.504 fls. 1.784/1.789), com o seguinte escopo: (...) Assim sendo, voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência para que a Repartição de Origem tome as seguintes providências: Esclareça se são unicamente os dois contratos citados (Contrato nº 098 0211715 Uen fl. 285/304 dos autos; e do Contrato Geral de Software fls. 999 a 1007 dos autos), que sustentam todas as remessas realizadas; Em caso positivo, proceder a indicação/vinculação, na planilha de levantamento das bases de cálculo objeto do lançamento, de cada remessa ao seu respectivo contrato; Em caso de haver remessas que tenham sido objeto de lançamento da CIDE, que não estejam amparadas em um desses dois contratos, identificar sobre qual contrato amparamse cada uma dessas outras remessas, e se a mesma compôs o lançamento, igualmente procedendo a indicação/vinculação, na planilha de levantamento das bases de cálculo objeto do lançamento, de cada remessa ao seu respectivo contrato; Com relação ao Contrato nº 098 0211715 Uen (fl. 285/304 dos autos), firmado em 11.11.205, esclarecer se nessa parte da autuação a remessa foi realizada pela sucedida Ericsson Serviços de Telecomunicações Ltda., ou pela própria Recorrente; Sendo pela própria Recorrente, informar, há outras remessas objeto do lançamento sob análise, igualmente procedendo a indicação/vinculação, na planilha de levantamento das bases de cálculo objeto do lançamento, de cada remessa ao seu respectivo contrato. Ao final, elaborar Relatório de Diligência, manifestandose de forma conclusiva sobre os resultados alcançados, concedendo, ao final, vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, sobre o Relatório, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. (...). Fl. 2147DF CARF MF Processo nº 16643.000408/201036 Acórdão n.º 3402005.396 S3C4T2 Fl. 2.146 5 3. Em resposta a tal diligência, a unidade preparadora elaborou o relatório de diligência fiscal de fls. 2.123/2.128, a respeito do qual a recorrente manifestouse por intermédio da petição de fls. 2.131/2.136. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. O mesmo ocorre em relação ao recurso de ofício, já que o valor exonerado supera o importe de alçada, o que torna seu conhecimento imperioso. I. Do recurso de ofício (i) Da indevida exigência de multa de ofício e juros de mora em lançamento efetuado para prevenir a decadência 6. Conforme se observa dos autos, o contribuinte impetrou o mandado de segurança autuado sob o n. 2002.61.00.0031171, com trâmite pela 11a Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo/SP (fls. 81/121), no qual vindicou o que segue: Fl. 2148DF CARF MF 6 7. Tratouse, portanto, de um mandamus preventivo e de caráter genérico, o qual tinha por escopo ver reconhecido incidenter tantum a inconstitucionalidade da lei n. 10.168/00 e, com isso, ver declarada a inexistência de relação jurídico tributária entre a recorrente e a União para fins de exigência de CIDEroyalties para todos os contratos Fl. 2149DF CARF MF Processo nº 16643.000408/201036 Acórdão n.º 3402005.396 S3C4T2 Fl. 2.147 7 celebrados pelo contribuinte e que implicassem pagamentos a não residentes a título de royalties. 8. Quando do início da fiscalização que redundou na lavratura da exigência fiscal aqui tratada, o contribuinte já estava amparado por sentença (fls. 68/80) que determinava, dentre outras medidas, a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes da incidência de CIDEroyalties. Nesse sentido, o presente auto de infração foi lavrado com o fito de prevenir a decadência do crédito tributário, motivo pelo qual tal exigência não poderia ter sido acompanhada dos acréscimos sancionatórios (multa de ofício e juros de mora), exatamente como prescreve o art. 63 da lei n. 9.430/96 1. Logo, assiste razão à decisão a quo que exonerou tais exigências nos seguintes termos: (...). (...). 10. Nesse sentido, o recurso de ofício dever conhecido e improvido. II. Do recurso voluntário (i) Preliminarmente (i.a) Da suposta nulidade do lançamento 11. Preliminarmente, o recorrente alega a nulidade do lançamento por suposta ausência de motivação. Segundo o contribuinte, a fiscalização teria celebrado a presente autuação promovendo um confronto entre os valores recolhidos a título de IRRF e CIDE nas operações que implicaram transferências de valores para o exterior, bem como amparado em dois contratos de transferência de tecnologia, quais sejam, o "contrato de distribuição e venda 1 "Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício." Fl. 2150DF CARF MF 8 EABEDB", firmado entre a Ericsson AB da Suécia e a Ericsson Telecomuinicações S/A, bem como o "contrato geral de software", celebrado entre a mesmas partes já citadas. 12. Acontece que, ainda segundo a alegação do contribuinte, no período fiscalizado (anos de 2005 e 2006), outros valores foram remetidos para o exterior a título de royalties, envolvendo outros contratos e outras partes no exterior (v.g., Airwide Solutions Uk Ltd., Ericsson Software Licensing and Services, Altellia, Ericsson Netqual Inc., Infoflex Connect, Ericsson Enterprise e Ericsson Telecommunicatie BV). Assim, a fiscalização não teria promovido o devido vínculo entre os valores remetidos ao exterior a título de royalties e suas respectivas avenças, furtandose, por conseguinte, de demonstrar se para tais negócios jurídicos de fato houve ou não transferência de tecnologia e de que forma. Tal fato, por conseguinte, implicaria a nulidade da autuação. 13. Ressaltese, inclusive, que foram tais alegações que suscitaram na diligência promovida por este Tribunal e retratadas na já citada resolução n. 3402000.504 (fls. 1.784/1.789). 14. Da análise holística do presente processo administrativo, inclusive do relatório fiscal produzido pela unidade preparadora e das considerações externadas pelo contribuinte a respeito, concluo que, havendo razão para o contribuinte, o caso não seria de nulidade da autuação, já que de fato parte das remessas fiscalizadas estariam amparadas nos contratos abordados pela fiscalização. Em verdade, sendo procedente a alegação do contribuinte, seria hipótese de erro na apuração dos fatos fiscalizados, questão essa que será detidamente tratada nos tópicos subsequentes do presente voto. 15. Nesse sentido, afasto a preliminar de nulidade desenvolvida pelo recorrente. (ii) Mérito (ii.a) Da decadência de parte do crédito tributário 16. Em preliminar de mérito, o contribuinte suscita a decadência de parte do crédito tributário aqui discutido, mais precisamente dos valores referentes ao período anterior a 23 de dezembro de 2005, haja vista que a notificação do presente lançamento só ocorreu em 23 de dezembro de 2010. 17. A respeito desta questão, a decisão recorrida aduz que o prazo decadencial para a presente exigência seria de 10 (dez) anos, nos termos do art. 45 da lei n. 8.212/91 e, indo além, afirma que o teor da súmula vinculante no 8 do STF só operaria efeitos a partir da data da publicação do referido enunciado sumular. Em suma, a DRJ pretende modular os efeitos da decisão pretoriana consolidada pela aludida súmula, sem que isso, todavia, tenha sido feito pelo STF2 órgão competente para tanto no julgado que originou tal enunciado 2 A modulação quanto à inconstitucionalidade reconhecida pelo Pretório Excelso limitouse à restrituição de valores, conforme se depreende do resultado do julgamento firmado no caso afetado por repercussão geral (RE n. 560.626/RS) e que redundou na súmula vinculante n. 08, 'in verbis": "O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente) conheceu do recurso extraordinário e a ele negou provimento, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, e do parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977. Em seguida, o Tribunal adiou a deliberação quanto aos efeitos da modulação, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio. Falou pela recorrente o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, neste julgamento, os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau e, na modulação, a Senhora Ministra Ellen Gracie e o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 11.06.2008. Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplicase tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, Fl. 2151DF CARF MF Processo nº 16643.000408/201036 Acórdão n.º 3402005.396 S3C4T2 Fl. 2.148 9 sumular, o que, por si só, é motivo suficiente para afastar este "inovador" entendimento da decisão de piso. 18. Superada, portanto, a motivação da decisão recorrida neste particular, convém destacar que é fato incontroverso nos autos que a presente exigência foi lavrada para prevenir decadência, uma vez que, à ´época dos fatos, a recorrente possuía decisão judicial em seu favor determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Logo, para o período aqui fiscalizado, não houve pagamento do tributo exigido, o que afasta a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN e implica a incidência do disposto no art. 173, inciso I do referido Codex, exatamente como se observa da ratio decidendi do precedente vinculante do STJ retratado no REsp n. 973.733, cuja ementa segue abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente). Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 12.06.2008." Fl. 2152DF CARF MF 10 sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos nosso). 19. Como é sabido, referido precedente do STJ deve ser seguido por este Tribunal Administrativo, nos termos do que estabelece o art. 927 do CPC, bem como o disposto no art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. Assim, levando em consideração que não houve pagamento parcial do tributo em análise no período em cobro, a contagem do prazo decadencial no presente caso deve se dar nos termos do art. 173, inciso I do CTN. 20. Logo, levando em consideração que o período cobrado compreende fatos geradores ocorridos no ano de 2005, deveria o presente lançamento ter sido realizado até 1o de janeiro de 2011. No presente caso, por sua vez, a notificação do recorrente acerca do presente lançamento ocorreu em 23/12/2010, ou seja, ainda dentro do prazo decadencial, motivo pelo qual essa preliminar de mérito deve ser rejeitada. (ii.b) Do resultado da diligência para o julgamento do presente caso 21. Antes de seguir adiante no presente voto mister se faz destacar que, embora o presente lançamento tenha sido efetuado para prevenir a decadência do crédito tributário em razão de ação judicial correlata, não há que se falar em concomitância de instâncias, uma vez que no âmbito judicial o contribuinte discute, de forma incidental, a inconstitucionalidade da presente exação fiscal, enquanto que no presente processo administrativo a lide se circunscreve à questões fáticas não abordadas na esfera judicial, o que afasta, por conseguinte, a pretensa concomitância de instâncias. Fl. 2153DF CARF MF Processo nº 16643.000408/201036 Acórdão n.º 3402005.396 S3C4T2 Fl. 2.149 11 22. Superada a questão alhures e com o fito de sustentar as conclusões que serão alcançadas neste tópico do voto, convém repisar o teor da resolução n. 3402000.504, que bem esclarece seu escopo para, ato contínuo, analisar o resultado da diligência perpetrada nos autos. Nesse sentido, segue o trecho da resolução pertinente ao julgamento da presente questão: (...). Emerge claro dos autos que o lançamento parte do pressuposto de que nas remessas objeto da autuação, houve transferência de tecnologia, o que é negado pela Recorrente. Assim, o foco da controvérsia passa por se identificar se as remessas efetivadas pela Recorrente ao exterior, visavam remunerar pelos direitos de uso, de comercialização ou distribuição de programas de computador, sem que tais contratos efetivamente contemplassem transferência de tecnologia, e, como tal, estariam fora do campo de incidência da CIDE. Para sustentar a conclusão de que as remessas efetivadas pela Recorrente contemplam a “transferência de tecnologia”, a Autoridade Fiscal requisitou todos os contratos que supostamente ampararam as remessas feitas pela Recorrente, que lhes apresentou praticamente todos, fazendo algumas ressalvas, e o fez, inclusive, todos com tradução juramentada. De posse de todos esses contratos, a Autoridade Autuante, por ocasião do Termo de Verificação Fiscal TVF, ilustrou seu entendimento citando cláusulas do Contrato nº 098 0211715 Uen (fl. 285/304 dos autos), e do Contrato Geral de Software (fls. 999 a 1007 dos autos), pelo qual haveria previsão para que fosse acessado o Código Fonte dos programas e ainda, que viessem a ser realizadas adaptações e melhorias, tanto para o uso próprio, quanto para viabilizar o uso pelos sublicenciados que viessem a adquirir tais programas, reflexo dos direitos de comercialização e distribuição de “software". Em que pese estar efetivamente fundamentada na análise contratual feita pela Autoridade Autuante, bem como, por estar claro que foram verificadas todas as remessas ao exterior realizadas pela Recorrente no período autuado, considerando a quantidade significativa de contratos juntados aos autos, emergiu se são apenas esses dois contratos citados que sustentam todas as remessas realizadas, prescindindo seja efetivada essa vinculação de contrato por cada remessa a este vinculada; e, em caso de haver remessas que tenham sido objeto de lançamento da CIDE, que não estejam amparadas em um desses dois contratos, devese identificar sobre qual contrato se amparam cada uma dessas outras remessas, e se a mesma compôs o lançamento. (...). Assim sendo, voto no sentido de que o julgamento seja convertido em diligência para que a Repartição de Origem tome as seguintes providências: Fl. 2154DF CARF MF 12 Esclareça se são unicamente os dois contratos citados (Contrato nº 098 0211715 Uen fl. 285/304 dos autos; e do Contrato Geral de Software fls. 999 a 1007 dos autos), que sustentam todas as remessas realizadas; Em caso positivo, proceder a indicação/vinculação, na planilha de levantamento das bases de cálculo objeto do lançamento, de cada remessa ao seu respectivo contrato; Em caso de haver remessas que tenham sido objeto de lançamento da CIDE, que não estejam amparadas em um desses dois contratos, identificar sobre qual contrato amparamse cada uma dessas outras remessas, e se a mesma compôs o lançamento, igualmente procedendo a indicação/vinculação, na planilha de levantamento das bases de cálculo objeto do lançamento, de cada remessa ao seu respectivo contrato; (...) (grifos nosso). 23. Pois bem. Em resposta a tal resolução assim manifestouse a unidade preparadora (fls. 2.123/2.128): 24. Neste diapasão, as planilhas acostadas pelo contribuinte (arquivos não pagináveis termo de juntada de fls. 2.122) e que foram chanceladas pela fiscalização por intermédio do relatório de diligência fiscal, nos termos do excerto alhures transcrito, demonstram, claramente, que parte considerável dos valores remetidos para o exterior a títulos de royalties para o período fiscalizado não estavam amparados pelos contratos fiscalizados3, mas tinha supedâneo em outras avenças jurídicas que não foram analisadas pela fiscalização no momento da autuação. 25. Nesse sentido, resta claro que a fiscalização incorre em erro de fato, que nada mais é do que um problema intranormativo, decorrente de um equívoco na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral e abstrata. Isso porque, no presente caso, a fiscalização tratou todas as remessas efetuadas no período fiscalizado como se estivessem amparadas em apenas dois contratos, o que a diligência perpetrada comprovou estar equivocado. 3 Os contratos fiscalizados foram os seguintes: (i) "contrato de distribuição e venda EABEDB", firmado entre a Ericsson AB da Suécia e a Ericsson Telecomuinicações S/A; bem como (ii) o "contrato geral de software", celebrado entre a mesmas partes já citadas. Fl. 2155DF CARF MF Processo nº 16643.000408/201036 Acórdão n.º 3402005.396 S3C4T2 Fl. 2.150 13 26. Logo, em razão de tal erro, encaminho meu voto para exonerar todas as exigências destacadas nas planilhas acostadas aos autos e que não se refiram ao "contrato de distribuição e venda EABEDB", firmado entre a Ericsson AB da Suécia e a Ericsson Telecomunicações S/A, bem como ao "contrato geral de software", celebrado entre a mesmas partes já citadas. (ii.c) Da exigência dos valores remetidos com base no "contrato de distribuição e venda EAB EDB" e no "contrato geral de software" 27. Em relação ao presente tópico, é incontroverso que a recorrente remeteu valores para o exterior a títulos de royalties, o que fez amparado nos contratos destacados no presente tópico do voto. Assim, compete agora analisar tais contratos e verificar se lá existem disposições que impliquem a transferência de tecnologia da empresa no exterior para a recorrente. 28. Nesse sentido, convém destacar algumas cláusulas previstas no "contrato geral de software" (tradução juramentada as fls. 1.034/1.038) firmado entre a recorrente e a empresa Ericsson AB. 29. O primeiro ponto que merece destaque neste contrato é que já nas definições dos termos que serão empregados no documento (item 1 do contrato) há a descrição do que seria material fonte, o que se dá nos seguintes termos: (...). "Materiais Fonte" significa todas as informações relevantes e descrições, estruturas de arquivo, especificações funcionais e todos os outros materiais e documentos necessários para permitir que um programador razoavelmente qualificado combine o Software Licenciado ou incorpore eles em qualquer outro software de computador, sem referência a nenhuma outra pessoa ou documento e em formato de leitura visual ou legível por máquina. (...). 30. Em princípio, portanto, quer parecer que o contrato prevê a transferência de código fonte do software licenciado para o recorrente. Tal conclusão, todavia, seria precipitada sem antes verificar outras cláusulas contratuais que possam esclarecer a presente questão. 31. A primeira cláusula que merece destaque é aquela que estabelece quais são os direitos da licença (cláusula 2) e que assim prevê: (...). 2. DIREITOS DE LICENÇA. 2.1. Sujeito aos termos c condições deste .GSWA (especialmente, mas sem implicar em limitação, a Cláusula 4 abaixo), a EAR concede à EBS uma licença não transferível e não exclusiva: Fl. 2156DF CARF MF 14 (a) para usar o Software Licenciado e os Materiais de Software, para que este seja oferecido à venda e/ou usado por seus clientes; (b) conceder sublicenças não exclusivas e não transferíveis a Usuários Finais, com relação ao Software Licenciado e Materiais de Software; (c) instalar c/ou incorporar o Software Licenciado, ou extratos deste, em . qualquer outro software. que o Usuário Final tenha comprado ou adquirido uma licença da EBS; e (d) fazer adaptações e desenvolver o Software Licenciado para que seja usado pelo Usuário Final. 2.2. A EAR reterá a titularidade e todos os direitos sobre todos e quaisquer direitos de propriedade intelectual, incluindo, sem implicar em limitação, patente, marca registrada, direito autoral e segredos comerciais, no Software Licenciado e Materiais de Software, e em quaisquer adaptações e/ou desenvolvimentos deste em conformidade com a Cláusula 2.1. (e) acima. 2.3. O deste, exceto mediante a aprovação por escrito da EAB. (...). (grifos nosso). 32. Da análise dos itens "c" e "d" da cláusula 2.1 é possível verificar que a licença prevê a possibilidade da recorrente, na qualidade de licenciado, promover a customização do software cedido para fins de atender algumas demandas específicas dos seus clientes (sublicenciados/usuário final). Assim, a questão que remanesce é a seguinte: para realizar tal customização o licenciado precisa ter transferido para si a tecnologia veiculada no software cedido? Para responder tal indagação mister se faz fazer uma incursão pelas normas que regulam o direito de propriedade e também por uma determinada manifestação do INPI. 33. Pois bem. A lei n. 9.279/96 regula os direitos e obrigações referentes à propriedade intelectual e, em seu artigo 211, assim prescreve: Art. 211. O INPI fará o registro dos contratos que impliquem transferência de tecnologia, contratos de franquia e similares para produzirem efeitos em relação a terceiros. Parágrafo único. A decisão relativa aos pedidos de registro de contratos de que trata este artigo será proferida no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data do pedido de registro. (g.n.). 34. De forma clara a regra prevê que o INPI tem competência para registrar contratos que redundem em transferência de tecnologia. Por sua vez, em resposta a questionamentos quanto aos tipos de contrato que o INPI registra, referido instituto assim se manifesta em seu sítio eletrônico: Quais são os serviços que não são caracterizados como transferência de tecnologia? Por não caracterizarem transferência de tecnologia, nos termos do Art. 211 da Lei nº 9.279/96 alguns serviços técnicos especializados são dispensados de averbação pelo INPI. Segue lista não exaustiva desses serviços: Fl. 2157DF CARF MF Processo nº 16643.000408/201036 Acórdão n.º 3402005.396 S3C4T2 Fl. 2.151 15 Agenciamento de compras, incluindo serviços de logística (suporte ao embarque, tarefas administrativas relacionadas à liberação alfandegária, etc.); Serviços realizados no exterior sem a presença de técnicos da empresa brasileira, que não gerem quaisquer documentos e/ou relatórios, como por exemplo, beneficiamento de produtos; Homologação e certificação de qualidade de produtos; Consultoria na área financeira; Consultoria na área comercial; Consultoria na área jurídica; Consultoria visando participação em licitação; Serviços de marketing; Consultoria remota, sem a geração de documentos; Serviços de suporte, manutenção, instalação, implementação, integração, implantação, customização, adaptação, certificação, migração, configuração, parametrização, tradução, ou localização de programa de computador (software); Serviços de treinamento para usuário final ou outro treinamento de programa de computador (software); Licença de uso de programa de computador (software); Distribuição de programa de computador (software); Aquisição de cópia única de programa de computador (software). (g.n.). 35. Assim, segundo resposta do INPI, órgão nacionalmente responsável por registrar contratos que impliquem transferência de tecnologia, a simples customização de um software não é suficiente para caracterizar cessão de tecnologia. 36. Não obstante, a cláusula "2.3" do contrato em análise só reforça essa ideia, ao prescrever que o software licenciado não poderá ser descompilado, nem poderá se subordinar à engenharia reversa. A descompilação e a engenharia reversa nada mais são do que métodos de acessar o código fonte de um software, de modo a permitir acesso aos princípios tecnológicos e ao funcionamento de um software. Daí, inclusive, a preocupação da licenciante em assim estabelecer na cláusula 3.2 do contrato em referência: 3.2. A EBS está autorizada a alterar e modificar e/ou customizar o Software Licenciado da forma necessária ou aconselhável para adaptar o Software Licenciado às necessidades do local ou Usuário Final: A implementação de qualquer referida alteração, modificação e/ou customização será realizada de acordo com as instruções da EAB (se houver) e será realizada de forma a não violar este GSWA. Fl. 2158DF CARF MF 16 37. Segundo referida cláusula, qualquer alteração do software por parte da recorrente depende de instruções (supervisão) da licenciante, bem como não pode violar as demais cláusulas deste contrato, dentre as quais a "2.3" que impede a realização de descompilação e engenharia reversa, tudo com o objetivo de preservar o código fonte do software licenciado. 38. Nesse sentido, não há que se falar em transferência de tecnologia no presente contrato, conclusão essa que, todavia, não vale para o "contrato de distribuição e venda EABEDB" (tradução juramentada as fls. 312/320). Nesta avença há previsão de transferência de tecnologia, o que se identifica nas seguintes cláusulas contratuais 6.2. Distribuidor. O Distribuidor se comprometerá em: a) concordar que nenhum direito de propriedade, em qualquer forma, ao Software Licenciado e Materiais de Apoio sejam neste ato transferidos ao Distribuidor; b) fornecer o Software Licenciado ao Usuário Final, somente para uso em Produto adquirido do Distribuidor; c) fornecer o Software Licenciado ao Usuário Final, somente em conjunção com o compromisso que cada Usuário Final acordou, por escrito, na Cláusula 6.3 ante o Distribuidor; d) não distribuir qualquer Software Licenciado ou Materiais de Apoio ou divulgar qualquer informação confidencial a qualquer terceiros, salvo de outra forma com relação ao aprovisionamento acima estabelecido; e) incluir em todo o Software Licenciado ou Materiais de Apoio e modificações do mesmo e extratos, qualquer propriedade, direito autoral, segredo comercial e aviso de alerta possivelmente existentes no original; f) não descompilar ou usar engenharia reversa no Software Licenciado, exceto se houver necessidade de obter interoperabilidade com outros programas de informática criados de forma independente ou software a ser entregue ao Usuário Final; g) manter registros de cada Software Sublicenciado (incluindo modificações deste e extratos) e fornecer ao Fornecedor tais registros , no prazo de 30 dias a partir do final de cada trimestre. (...). 8.3. Direitos e Deveres no Término. No término do presente Contrato, o Distribuidor devolverá ou transferirá ao Fornecedor todo Bem Intangível, KnowHow, Benfeitorias e todas e quaisquer informações confidenciais divulgadas a ele pelo Fornecedor, ou geradas pelo Distribuidor durante sua posse, e todos esses itens, e todas as Benfeitorias e KnowHow devem ser, posteriormente, propriedade exclusiva do Fornecedor. Fl. 2159DF CARF MF Processo nº 16643.000408/201036 Acórdão n.º 3402005.396 S3C4T2 Fl. 2.152 17 O Distribuidor não terá direito de usar, usufruir ou possuir qualquer desses itens do Bem Intangível . (...). (g.n.). 39. Percebese, pois, que neste contrato há a transferência de "knowhow", inclusive mediante o emprego de descompilação e engenharia reversa, se necessário, o que pressupõe acesso ao código fonte do software licenciado. 40. Feitos esses esclarecimentos fáticos acerca dos dois contratos fiscalizados, mister se faz destacar que esta turma julgadora, em sede de recursos repetitivos, já julgou essa questão (acórdão n. 3402003.711 Relatora Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz), o que fez nos seguintes termos: (...). ...é necessário, em primeiro lugar, ter em mente que a transferência de tecnologia implica necessariamente na transferência de conhecimento, da técnica envolvida no produto. Especificamente para o caso dos programas de computador (softwares) são considerados como contratos de transferência de tecnologia aqueles que disponibilizam o código fonte, ainda que parcialmente. O código fonte, numa síntese, é entendido como as instruções do programa de computador, as quais servem para operar o hardware. Em outros termos, o código fonte pode ser entendido como o “segredo” do software para operar a máquina e conferir utilidades ao usuário. Nesse sentido, o artigo 11 da Lei n. 9.609/1998, que dispõe sobre a proteção da propriedade intelectual de programas de computador, sua comercialização no País, e dá outras providências, determina que: (...) (g.n.). 41. Assim, também com base nos fundamentos compilados no acórdão sobredito e amparado pelo disposto no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, encaminho meu voto para apenas manter a exigência fiscal decorrente das remessas amparadas no "contrato de distribuição e venda EABEDB" (tradução juramentada as fls. 312/320). Dispositivo 42. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e, em relação ao recurso voluntário, dar parcial provimento para exonerar todas as exigências aqui discutidas, salvo aquelas amparadas no "contrato de distribuição e venda EABEDB" (tradução juramentada as fls. 312/320). 43. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 2160DF CARF MF 18 Fl. 2161DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011387/2008-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DIVERSAS DE TRANSPORTE COM FROTA PRÓPRIA. ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS DIVERSOS. IMPOSSIBILIDADE.
No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados ao transporte de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende desses dispêndios.
É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques.
SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos da legislação tributária que trata da designação e da classificação fiscal de mercadorias, veículos são bens identificados e classificados em capítulo próprio, separadamente das máquinas.
Somente as despesas com o aluguel de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa, dão direito à apropriação de créditos para o contribuinte.
Numero da decisão: 9303-006.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pelo conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, vencidos, também, os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire e Érika Costa Camargos Autran, que concordaram com a diligência. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento, e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial em menor extensão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DIVERSAS DE TRANSPORTE COM FROTA PRÓPRIA. ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS DIVERSOS. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados ao transporte de produtos diversos (matéria-prima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende desses dispêndios. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadram-se em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou que tratam-se de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da legislação tributária que trata da designação e da classificação fiscal de mercadorias, veículos são bens identificados e classificados em capítulo próprio, separadamente das máquinas. Somente as despesas com o aluguel de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa, dão direito à apropriação de créditos para o contribuinte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.011387/2008-69
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891790
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.864
nome_arquivo_s : Decisao_11080011387200869.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 11080011387200869_5891790.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pelo conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, vencidos, também, os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire e Érika Costa Camargos Autran, que concordaram com a diligência. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento, e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7390941
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585710723072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.011387/200869 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.864 – 3ª Turma Sessão de 12 de junho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIGORÍFICO MERCOSUL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005 SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DIVERSAS DE TRANSPORTE COM FROTA PRÓPRIA. ENCARGOS COM DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS DIVERSOS. IMPOSSIBILIDADE. No sistema de apuração não cumulativo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, não será admitida a apropriação de créditos vinculados a gastos genéricos associados ao transporte de produtos diversos (matériaprima, produto em elaboração e produto acabado), sob a alegação de que a continuidade das atividades da empresa depende desses dispêndios. É do contribuinte o ônus de provar que os gastos enquadramse em uma duas hipóteses contempladas pelo inciso IX do art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.637/02, identificadas no texto legal como armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, ou que tratamse de gastos com o transporte do insumo empregado no processo produtivo da empresa e foram contabilizados como custo de aquisição de estoques. SISTEMA DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos da legislação tributária que trata da designação e da classificação fiscal de mercadorias, veículos são bens identificados e classificados em capítulo próprio, separadamente das máquinas. Somente as despesas com o aluguel de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica e utilizados nas atividades da empresa, dão direito à apropriação de créditos para o contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 13 87 /2 00 8- 69 Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência suscitada pelo conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, vencidos, também, os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire e Érika Costa Camargos Autran, que concordaram com a diligência. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram do recurso e, no mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento, e o conselheiro Demes Brito, que lhe deu provimento parcial em menor extensão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra decisão tomada no Acórdão nº 3301001.635, de 23 de outubro de 2012 (efolhas 1.099 e segs), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005 RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. Em conformidade com o art. 214, do Código de Processo Civil, “para a validade do processo, é indispensável a citação inicial do réu”. Inexistindo a citação, não há processo, inviabilizando se a atuação da função jurisdicional e, consequentemente, Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 4 3 negando a autoridade de coisa julgada à decisão eventualmente proferida, não havendo que se falar em renúncia à instância administrativa vez que houve desistência do processo judicial antes da citação e anterior à decisão de primeira instância. NULIDADE. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. “Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta”.(art. 59, § 3º do Decreto 70.235/72 (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS O cálculo do crédito presumido de PIS/PASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser adotada a alíquota de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei nº 10.637/2002 (1,65%x 60%=0,99%). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. SUBVENÇÃO. As receitas de subvenções integram a base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa. EXPORTAÇÕES. COMERCIAL EXPORTADORA. ISENÇÃO As receitas decorrentes de vendas de mercadorias efetuadas para empresa comercial exportadora cujos embarques não Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 5 4 foram comprovados e/ ou cujas remessas não foram enviadas para recintos alfandegados, por conta e ordem daquela, não têm direito à isenção da contribuição para o PIS. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo para fins da legislação do PIS/Pasep e da Cofins, na sistemática da nãocumulatividade, destinado à apuração de créditos a serem descontados das aludidas contribuições, não estando sujeito às mesmas regras do IPI, que restringe o conceito de “insumo” à MP, PI e ME, devendo abranger as despesas necessárias ao processo produtivo, no caso, “as despesas relativas a transporte realizado com frota própria, encargos de depreciação de veículos pesados e bens de informática; e, locação de veículos de transporte”, em razão de estarem vinculadas ao processo produtivo da contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2005 CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTAS O cálculo do crédito presumido de PIS/PASEP das agroindústrias deve ser calculado em razão dos produtos produzidos e das mercadorias vendidas e não dos insumos adquiridos, no caso dos frigoríficos a alíquota deve ser adotada a alíquota de 60% daquela prevista no art. 2º da Lei nº 10.833/2003 (7,6% x 60%= 4,56%). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo da Cofins com incidência não cumulativa é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. SUBVENÇÃO. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 6 5 As receitas de subvenções integram a base de cálculo da Cofins com incidência não cumulativa. EXPORTAÇÕES. COMERCIAL EXPORTADORA. ISENÇÃO As receitas decorrentes de vendas de mercadorias efetuadas para empresa comercial exportadora cujos embarques não foram comprovados e/ ou cujas remessas não foram enviadas para recintos alfandegados, por conta e ordem daquela, não têm direito à isenção da Cofins. PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. O conceito de insumo para fins da legislação do PIS/Pasep e da Cofins, na sistemática da nãocumulatividade, destinado à apuração de créditos a serem descontados das aludidas contribuições, não estando sujeito às mesmas regras do IPI, que restringe o conceito de “insumo” à MP, PI e ME, devendo abranger as despesas necessárias ao processo produtivo, no caso, “as despesas relativas a transporte realizado com frota própria, encargos de depreciação de veículos pesados e bens de informática; e, locação de veículos de transporte”, em razão de estarem vinculadas ao processo produtivo da contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 1.131 e segs) diz respeito (i) à aplicação da alíquota de 60% sobre as aquisições de pessoas físicas para o cálculo do valor do crédito presumido das agroindústricas (o recorrido tomou por base o produto fabricado); e (ii) conceito de insumos na nãocumulatividade do PIS/Cofins abrangendo o reconhecimento de créditos relativos (a) às despesas de transporte realizado com frota própria, (b) às despesas de encargos de depreciação de veículos pesados e bens de informática e (c) às despesas com locação de veículos de transporte. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 1.161 e segs. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 7 6 Contrarrazões do sujeito passivo às efolhas 1.177 e segs. Requer que não seja conhecido o recurso especial e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. Conhecimento do Recurso Especial A contrarrazoante entende que, por diversas razões, o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não pode ser conhecido. Primeiro, por que não teriam sido observados os requisitos formais exigidos pela legislação, uma vez que o recurso não foi instruído com cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigma, ou com cópia da publicação correspondente, ou da publicação de até duas ementas, e nem mesmo com a reprodução das ementas no corpo do recurso. Analisemos então por matéria admitida, as alegações da contraarrazoante. Matéria 1) Alíquota adotada para cálculo do crédito presumido da agroindústria Em relação a esta matéria, o recurso especial aponta o Acórdão nº 3302 00.788 como paradigma da divergência. A contribuinte alega que não consta o inteiro teor do acórdão nos autos, bem como desconhece como a recorrente obteveo, pois certamente não teria sido no sítio do CARF, pois lá este acórdão não é encontrado. Com razão a contraarrazoante. O acórdão nº 330200.788, indicado como paradigma da divergência, pela Fazenda Nacional, não se encontra disponível no sítio do CARF e nem consta sua cópia integral no presente processo. Desta forma a recorrente de fato descumpriu o disposto no art. 67, §§ 7º, 8º e 9º do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 8 7 interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{ Sem dúvidas, que a falta de conhecimento do acórdão paradigma, traz prejuízos ao contribuinte, o qual não poderá contrapor seus argumentos com a amplitude necessária. Sendo assim, em face da ausência comprovada de um requisito formal à admissibilidade do recurso, voto pelo seu não conhecimento em relação a esta matéria. Matéria 2) Conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Para esta matéria, a Fazenda Nacional, apresentou 2 acórdãos paradigmas, de números 20312.448 e 20400.795. De plano afastase o acórdão nº 20400795 como paradigma da divergência, uma vez que o assunto nele versado é sobre crédito presumido de IPI, cuja legislação é muito diferente da relativa ao regime da nãocumulatividade do PIS e Cofins de que tratam o presente processo. Porém, o acórdão nº 20312.448, cujo inteiro teor encontrase no sítio do CARF, comprova a divergência. Enquanto que no acórdão recorrido adotouse um conceito mais alargado para o aproveitamento dos créditos da nãocumulatividade, o paradigma adotou o conceito restritivo nos termos tratados nas IN SRF nº 247/2002 e 358/2003. Ora, a ausência de indicação da fonte não faz presumir que as ementas sejam de outra origem. Ainda mais, ao esforçarse veementemente em demonstrar que algumas Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 9 8 ementas não poderiam ter sido extraídas do sítio do CARF, a contrarrazoante se esquece que o Regimento Interno deste Conselho também admite que elas sejam extraídas do Diário Oficial da União. Adiante, requer o não conhecimento do recurso especial porque o acórdão paradigma nº 20312448 veicularia tese já superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Mais uma vez, sem razão a contrarrazoante. Não há consenso nem tese definitiva acerca do conceito de insumos no sistema de apuração não cumulativa para as Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. O assunto permanece em permanente debate e todas as concepções ainda são reconhecidas como válidas e têm auxiliado na construção da opinião individual de cada conselheiro deste Colegiado a respeito da elasticidade do conceito aplicável. Portanto conheço do recurso especial da Fazenda Nacional em relação a esta matéria. Mérito Como já tive a oportunidade de expressar em outras ocasiões, entendo que a legislação que estabeleceu a sistemática de apuração não cumulativa das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins trouxe uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de apropriação de créditos, pelo reconhecimento de que as demais mercadorias também se enquadram no conceito de insumo. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitaria a lei ter sido elaborada com tanto detalhamento, bastava um único artigo ou inciso. Isto posto, temse que, no caso concreto, a matéria objeto da lide conhecida envolve: 1 reconhecimento do direito de crédito em relação: às despesas de transporte realizado com frota própria às despesas de encargos de depreciação de veículos pesados e bens de informática e Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 10 9 as despesas com locação de veículos de transporte. Passo à análise de cada um dos itens. 1 Reconhecimento do direito à apropriação de crédito O voto vencedor da decisão recorrida reverteu as glosas com (i) as despesas com transporte realizado com frota própria; (ii) despesas de encargos de depreciação de veículos pesados e bens de informática e (iii) despesas com locação de veículos de transporte, pelas razões expostas nos excertos que seguem. Igualmente merece ser reformada a decisão recorrida quanto às glosas relativas às (b.1) as despesas de transporte realizado com frota própria; (b.2) encargos de depreciação de veículos pesados e bens de informática; e (b.3) locação de veículos de transporte, porquanto gastos essenciais e indispensáveis às atividades da Recorrente, não encontrando guarida a exigência para limitar os insumos à legislação do IPI. (grifos acrescidos) O conceito de insumo capaz de gerar direito creditório, no âmbito da legislação do PIS e Cofins (nãocumulativos), deve ser entendido todos aqueles que são necessários ao processo produtivo, conforme entende, inclusive, a jurisprudência dominante deste Conselho, merecendo ser citado o Acórdão nº 330100.954, de relatoria do ilustre Conselheiro Maurício Taveira e Silva, julgado por este colegiado na sessão de 02 de junho de 2011, cuja ementa é a seguir parcialmente transcrita: (grifos acrescidos) (...) Com a devida vênia, cada um dos parágrafos acima traduz uma linha entendimento que, se não são diametralmente opostas, pelo menos retratam duas correntes jurisprudenciais bem identificadas e que não se coadunam. Uma delas defende o chamado critério da "essencialidade", a outra o da pertinência efetiva aplicação no processo produtivo. Como bem sabem meus pares, me filio à segunda linha de entendimento. Assim, o que importa saber é se as despesas de transporte realizado com frota própria; as Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 11 10 despesas de encargos de depreciação de veículos pesados e bens de informática e as despesas com locação de veículos de transporte são gastos passíveis de serem considerados como aplicados no processo produtivo (ainda que por sua inclusão do custo do insumo) ou se estão relacionados em alguma das demais hipóteses contempladas nos art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Neste processo, ainda que trate de exigência fiscal veiculada em auto de infração, a matéria que permanece em litígio, como acima se viu, diz respeito à apropriação de créditos por parte do contribuinte. Em tais circunstâncias, o dever de provar recai mais pesadamente sobre o administrado do que sobre a administração. Em decorrência disso, a comprovação do efetivo emprego das glosas revertidas pela decisão recorrida no processo produtivo da empresa ou de seu enquadramento nas demais hipóteses previstas em lei deve ser buscada nas manifestações e provas que o próprio contribuinte carreou aos autos. Em sede de contrarrazões, a questão específica do conceito de insumos é tratada no item "5", efolhas 1.202, sob o título CONCEITO DE INSUMO PARA EFEITOS DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. A leitura do inteiro teor das considerações manejadas pela contrarrazoante deixa claro que, nessa fase recursal, a empresa não dispensou qualquer esforço para a comprovação de que ora se fala. Em lugar disso, ocupouse em desqualificar a tese defendida pela Fazenda Nacional na fundamentação do recurso especial interposto. Nada obstante, compulsando as demais peças de instrução do processo, constatase que, na impugnação ao lançamento, a autuada esforçouse em evidenciar a vinculação dos gastos glosados pelo Fisco ao processo fabril da empresa. O excerto que segue, extraído do Relatório Fiscal, e reproduzido na impugnação, como introdução ao contraditório que lhe segue, permite compreender a motivação da glosa1. Observese. Ainda que a interessada utilizese de tais veículos para fazer a entrega dos produtos à clientes dos produtos por ela industrializados (Veículos pesados — comercial), ou mesmo 1 Esses comentários, no Relatório Fiscal, estão relacionados aos créditos vinculados aos encargos de depreciação. Na parte em que trata especificamente das despesas com veículos próprios, a fundamentação é menos esclarecedora. Inobstante, como se constata na decisão recorrida, os gastos classificados pelo Fisco como tendo sido realizados com veículos próprios incluem o transporte dos insumos que foram considerados aplicados no processo produtivo, tal como os de aqui se trata. Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 12 11 utilizese dos veículos para o transporte de gado vivo da propriedade do produtor rural até a planta industrial (Veículos pesados — Produção) estes fatos não tem o condão de transformar os veículos pesados em bens utilizados na produção, uma vez que os mesmos em nada contribuem para a transformação da matéria prima em produto acabado, tão pouco tem provocam qualquer tipo de transformação na matéria prima, servindo apenas e tão somente para o transporte de animais vivos até a planta frigorífica e os outros veículos para entregas do produto acabado ao cliente final A seguir, ainda na peça impugnatória, a explica que Os veículos que transportam o gado ou produto acabado enquadramse perfeitamente no conceito de bem utilizado na produção de bens destinados a venda, previsto no art. 3º, VI da Lei n° 10.833/03. Se a Impugnante não investisse em transporte e conservação sua produção ficaria totalmente inviabilizada. Com base nessas considerações e em todas as demais manifestações contidas nos autos em contestação ao auto de infração, é fácil concluir que os gastos de que se trata envolvem o transporte de dois tipos de mercadorias: (i) o boi vivo (matériaprima para fabricação do produto) e (ii) a carne/carcaça/couro (produto acabado). De tudo o que já se discutiu sobre esse tema no âmbito deste Colegiado, ficou consolidado o entendimento de que os gastos com o transporte até o local da produção devem ser incorporados ao custo dessa matériaprima, agregandoos ao valor do próprio insumo e, por conseguinte, gerando direito ao crédito. O mesmo, contudo, não pode ser dito em relação ao transporte do produto acabado. Esse, sem margem de dúvidas, não integra o custo do insumo, não faz parte do processo produtivo e tampouco está contemplado em quaisquer das outras hipóteses legais. De fato, na etapa posterior ao processo de produção, o único dispêndio para o qual o legislador previu direito de crédito foi para o frete na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor. Não há interpretação da legislação que autorize a apropriação de créditos, por analogia, com gastos genéricos com o transporte do produto acabado. Significa dizer que apenas os gastos com veículos próprios empregados no transporte da matériaprima e Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 13 12 contabilizados de forma segregada pelo contribuinte, integrando o custo da matériaprima em estoque, geram direito ao crédito. Não há, contudo, qualquer evidência de que o contribuinte tenha feito tal segregação em sua contabilidade. E, de fato, é muito improvável que esses gastos tenham sido apropriados separadamente em relação aos veículos utilizados para o transporte do boi vivo e do produto acabado. Muito pelo contrário. Em lugar disso, como acima se viu, são todos utilizado conjunta e indistintamente nas duas finalidades. A mesma premissa pode ser aplicada aos encargos com a depreciação de veículos pesados; contudo, neste caso, a apropriação ao custo da mercadoria empregada no processo produtivo revelase ainda muito menos provável. Creio que observar a diferença que existe entre os dispêndios de que ora se trata e o frete pago a terceiros pela mercadoria adquirida ilustra bem a diferença na repercussão contábil que uns e outros provocam. A apropriação do valor pago pelo frete ao custo de estoque dos insumos empregados no processo produtivo é um procedimento simples e imediato. Já os encargos de depreciação exigiriam medidas específicas e incomuns. Seria necessário que a empresa distribuísse o ônus calculado no período entre os diversos insumos adquiridos naquele mesmo período e que os veículos fossem utilizados única e exclusivamente para esse fim. Contudo, não há qualquer evidência nos autos que isso tenha acontecido. Pelo contrário. Além de, como se viu, os veículos estarem sendo empregados no transporte de diversas mercadorias, indistintamente, consta no Relatório de Ação Fiscal, efolha 28, que a depreciação foi lançada acumuladamente, em um único mês do ano. Observese. Em relação aos bens do tipo máquinas e equipamentos utilizados na produção foi lançado no mês de dezembro a depreciação de todo o ano de forma acumulada, o que é vedado pela legislação, uma vez que os encargos de depreciação devem ser calculados e lançados mensalmente, o art. 30 §1° inciso III da Lei 10.637 acima transcrito não deixa margem de dúvidas de que devem ser lançados os encargos de depreciação incorridos no mês sendo portanto vedada a utilização em um único mês de valores incorridos em meses anteriores. Passo aos bens de informática. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 14 13 A Fiscalização justifica a glosa das despesas com encargos de depreciação de bens de informática nos seguintes termos. 53. A interessada também calculou créditos sobre encargos de depreciação de bens de informática, algo também vedado pela legislação por não se enquadrar no conceito de máquinas e equipamentos utilizados na produção constante do diploma legal supracitado: A empresa se defende, afirmando que Os equipamentos de informática participam do processo de produção na medida em que é a partir destes que a Impugnante controla as etapas de produção, com a classificação dos produtos desde a sua origem (rastreabilidade) até a entrega ao cliente, o que deve manter à disposição destes como condição do fornecimento. Salientase que são constantes os investimentos tecnológicos que a Impugnante faz para atender as demandas de exportação são constantes. Não fosse assim, ou seja, se a Impugnante não investisse em equipamentos de informática para esse fim, o rígido controle de qualidade não existiria, o que automaticamente a excluiria do seleto grupo de empresas exportadoras de carne. O processamento, a disponibilidade e a segurança de tais dados é absolutamente imprescindível para a operação da Impugnante, e, se trata efetivamente de valor agregado ao produto carne. Deste modo, demonstrado está que os equipamentos de informática integram a produção dos produtos vendidos pela Impugnante, e, que os créditos sobre sua depreciação foram indevidamente glosados pelo Fisco porque não foi feita a necessária investigação sobre os fatos, tendo os Autos de Infração sido lavrados com base exclusivamente em conclusões apressadas e infundadas da Autoridade Fiscalizadora, a partir de preconceitos que não se aplicam ao caso concreto. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 15 14 Mais uma vez pedindo vênia, não me parece que haja razão para que os ditos "bens de informática" não possam ser considerados equipamentos utilizados na produção, pelo menos não em juízo imediato, apriorístico, como parece ter sido o caso. Se, de fato, são equipamentos utilizados no controle das etapas de produção, o contribuinte teria direito ao crédito sobre os encargos de depreciação correspondentes. Neste caso, entendo também que haja fortes razões para que a premissas antes defendidas acerca do ônus da prova sejam sopesadas. É fato que o contribuinte não fez prova de que esses bens são de fato utilizados no processo produtivo, mas também é verdade que a Fiscalização não parece terse interessado pelo assunto. Glosou os créditos porque se tratavam de bens de informática e não porque estavam sendo utilizados, por exemplo, em atividades administrativas. A despeito disso, como se viu antes, a empresa lançou indevidamente no mês de dezembro todos os encargos de depreciação incorridos no ano, o que termina por inviabilizar a apropriação dos créditos correspondentes. Por fim, passo às despesas com locação de veículos de transporte de carga. Neste ponto, a controvérsia se resume a definição do que sejam máquinas na acepção do inciso IV do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. A legislação tributária destinada à identificação/classificação de mercadorias trata separadamente os bens identificáveis como máquinas e os bens identificados como veículos, como a seguir se lê. SISTEMA HARMONIZADO DE DESIGNAÇÃO E DE CODIFICAÇÃO DE MERCADORIAS SEÇÃO XVI Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 16 15 MÁQUINAS E APARELHOS, MATERIAL ELÉTRICO, E SUAS PARTES; APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE SOM, APARELHOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO DE IMAGENS E DE SOM EM TELEVISÃO, E SUAS PARTES E ACESSÓRIOS 84 Reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes. 85 Máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes; aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios. SEÇÃO XVII MATERIAL DE TRANSPORTE 86 Veículos e material para vias férreas ou semelhantes, e suas partes; aparelhos mecânicos (incluindo os eletromecânicos) de sinalização para vias de comunicação. 87 Veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios. 88 Aeronaves e aparelhos espaciais, e suas partes. 89 Embarcações e estruturas flutuantes. No mesmo sentido, a Tabela de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados. Embora o assunto possa dar margem a controvérsia, pareceme que o melhor conceito a ser empregado para dirimir dúvidas acerca do alcance do termo utilizado pelo legislador ordinário seja o da lei tributária, especialmente a que trata da designação e classificação dos bens segundo a terminologia empregada. À luz de todas essas circunstâncias, creio que não seja possível reconhecer o direito ao crédito para nenhum dos gastos objeto dos autos. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 11080.011387/200869 Acórdão n.º 9303006.864 CSRFT3 Fl. 17 16 Diante do exposto, voto por conhecer em parte o recurso especial da Fazenda Nacional, somente na parte relativa à discussão do conceito de insumos no regime da não cumulatividade do PIS/Cofins, dandolhe provimento nesta parte para restabelecer a glosa sobre o crédito decorrente das despesas (i) de transporte realizado com frota própria; (ii) de encargos de depreciação de veículos pesados e bens de informática e (iii) com locação de veículos de transporte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 1256DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002935/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3201-000.206
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201103
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10925.002935/2007-37
conteudo_id_s : 5895200
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3201-000.206
nome_arquivo_s : Decisao_10925002935200737.pdf
nome_relator_s : LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 10925002935200737_5895200.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
id : 7403899
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585739034624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 434 1 433 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.002935/200737 Recurso nº Despacho nº 3201000206 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 01/03/2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RENAR MAÇÃS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o processo em diligência, nos termos do voto do relator. Mércia Helena Trajano D'Amorim Presidente Relator Luciano Lopes de Almeida Moraes. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Maria Regina Godinho de Carvalho. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, não cumulativa, decorrentes de operações no mercado interno, que remanesceram ao final do primeiro trimestre de 2005, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10925.002935/200737 Despacho n.º 3201000206 S3C2T1 Fl. 435 2 Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei nº 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maçã. Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. A própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com a finalidade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10925.002935/200737 Despacho n.º 3201000206 S3C2T1 Fl. 436 3 Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637 e ao Art. 66 na IN/SRF 247/2002 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluindo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem parte do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8.a Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4º) e como embalagem de transporte (art. 6º); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Em outro item de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte contesta a glosa de créditos vinculados a aquisição de cabeçote de impressora s600, fita de impressão tipo 60mm, fita de impressora iimak ksi e serviços de confecção, defendendo que tais produtos consistem de insumos consumidos durante o processo produtivo, integrando, portanto, o produto vendido. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e “packing house”. Assim explica: a)Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d’agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10925.002935/200737 Despacho n.º 3201000206 S3C2T1 Fl. 437 4 b) Bens utilizados no “packinghouse”: também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigoríficas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de “prateleira gigante” (Conjunto porta pallets em aço galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. (...) Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. No “packinghouse” ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. São lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. (...) A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso “na Lei n.o 10.833/2003, no seu art. 3º, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de produtos destinados à venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa”. A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta nº 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS nãocumulativo os valores contestados. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC manteve o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/FNS nº 20.007, de 21/05/2010, fls.385/399, assim ementada: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO Fl. 4DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10925.002935/200737 Despacho n.º 3201000206 S3C2T1 Fl. 438 5 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Às fls. 400 o contribuinte é intimado, apresentado recurso voluntário de fls. 418/430. Após, é dado seguimento ao processo. É o Relatório. Voto Fl. 5DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10925.002935/200737 Despacho n.º 3201000206 S3C2T1 Fl. 439 6 O recurso interposto atende aos requisitos de admissibilidade. Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de PIS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.389: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus ónus probandí) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10925.002935/200737 Despacho n.º 3201000206 S3C2T1 Fl. 440 7 com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se todos os bens ora debatidos são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa, listandoos. Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens. Ainda, deve ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia integral do mandado de segurança mencionado às fls. 262 ou, alternativamente, cópia das partes principais (inicial, sentença, acórdãos), bem como certidão narratória do processo. Realizada a diligência, deverá ser dado vista à recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada. Por fim, devem os autos retornar a este Conselheiro para fins de julgamento. Sala das Sessões, em 01 de março de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 7DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 01/03/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/04/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE
score : 1.0
Numero do processo: 16027.000044/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/1995 a 31/03/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Não sendo detectada contradição ou erro material do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, incabível qualquer retificação.
CONTAGEM. PRAZO. DECADÊNCIA. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO.
De acordo com a pacífica doutrina e jurisprudência, o prazo de decadência do direito dos contribuintes à restituição de tributos conta-se dos pagamentos indevidos - e não dos fatos geradores dos tributos. Afinal, trata-se de decadência do direito a repetir o indébito (e não do direito de efetuar o lançamento tributário), que só pode ser contada do pagamento, nos moldes do 168, inciso I do CTN, que deve ser lido conjuntamente do artigo 165, inciso I do mesmo Codex. Ou seja, é da data da extinção do crédito, que é justamente o pagamento, que se deve ter em conta o prazo em questão.
Em síntese, o "fato gerador" do indébito é o pagamento indevido, conforme todos os julgados que deram origem a Súmula CARF n. 91.
Numero da decisão: 3402-005.307
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/1995 a 31/03/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Não sendo detectada contradição ou erro material do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, incabível qualquer retificação. CONTAGEM. PRAZO. DECADÊNCIA. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO. De acordo com a pacífica doutrina e jurisprudência, o prazo de decadência do direito dos contribuintes à restituição de tributos conta-se dos pagamentos indevidos - e não dos fatos geradores dos tributos. Afinal, trata-se de decadência do direito a repetir o indébito (e não do direito de efetuar o lançamento tributário), que só pode ser contada do pagamento, nos moldes do 168, inciso I do CTN, que deve ser lido conjuntamente do artigo 165, inciso I do mesmo Codex. Ou seja, é da data da extinção do crédito, que é justamente o pagamento, que se deve ter em conta o prazo em questão. Em síntese, o "fato gerador" do indébito é o pagamento indevido, conforme todos os julgados que deram origem a Súmula CARF n. 91.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16027.000044/2007-56
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887198
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.307
nome_arquivo_s : Decisao_16027000044200756.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
nome_arquivo_pdf_s : 16027000044200756_5887198.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7375565
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585742180352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1865; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16027.000044/200756 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402005.307 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de junho de 2018 Matéria PIS/PASEP Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICIPIO DE ITU ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1995 a 31/03/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração para sanar obscuridade, contradição ou omissão. Não sendo detectada contradição ou erro material do órgão julgador na análise de pedido, prova ou fundamento essencial sobre o qual deveria se pronunciar para a solução do caso, incabível qualquer retificação. CONTAGEM. PRAZO. DECADÊNCIA. DIES A QUO. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. DATA DO PAGAMENTO INDEVIDO. De acordo com a pacífica doutrina e jurisprudência, o prazo de decadência do direito dos contribuintes à restituição de tributos contase dos pagamentos indevidos e não dos fatos geradores dos tributos. Afinal, tratase de decadência do direito a repetir o indébito (e não do direito de efetuar o lançamento tributário), que só pode ser contada do pagamento, nos moldes do 168, inciso I do CTN, que deve ser lido conjuntamente do artigo 165, inciso I do mesmo Codex. Ou seja, é da data da extinção do crédito, que é justamente o pagamento, que se deve ter em conta o prazo em questão. Em síntese, o "fato gerador" do indébito é o pagamento indevido, conforme todos os julgados que deram origem a Súmula CARF n. 91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 7. 00 00 44 /2 00 7- 56 Fl. 471DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Fazenda Nacional, sob os pressupostos de contradição e erro de fato ou obscuridade no Acórdão 3402 004.922. O processo administrativo em questão tem por origem Recurso Voluntário, interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Ribeirão Preto, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte contra a não homologação de pedidos de restituição da Contribuição ao PIS/PASEP, relativamente ao período de 01/02/1995 a 31/03/1996. No julgamento do recurso, mediante o Acórdão nº 3402004.922, este Colegiado entendeu que o recurso voluntário era parcialmente procedente. Ao Acórdão foi atribuída a ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1995 a 31/03/1996 DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E ETJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Fl. 472DF CARF MF Processo nº 16027.000044/200756 Acórdão n.º 3402005.307 S3C4T2 Fl. 112 3 Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da restituição administrativa do indébito. PIS. PASEP. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS. No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inexistência de decadência, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi objeto de embargos de declaração por parte da Fazenda Nacional, cujo conteúdo acusa a decisão do vício de contradição, vez que, embora tenha adotado como pressuposto a decisão proferida no RE nº 566.621, ao aplicála ao caso concreto, considerou como marco inicial data diversa daquela estipulada no acórdão proferido pelo STF. Aduz que o vício poderia ser considerado como erro de fato ou obscuridade, pois. em que pese tenha considerado que o prazo para o contribuinte pleitear restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação, para aqueles pedidos apresentados antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, deve respeitar o que foi decidido em sede de repercussão geral pelo STF no RE nº 566.621, não aplicou corretamente o entendimento jurisprudencial, pois não fixou como marco inicial do prazo de prescrição a data de ocorrência do fato gerador conforme a tese consagrada como "cinco + cinco". Os embargos foram admitidos por despacho de fls. 467, que analisou os requisitos processuais para tanto. É o relatório. Voto Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, Relatora. De acordo com o despacho de admissibilidade, os Embargos de Declaração são tempestivos e preenchem os requisitos do artigo 65, §3º do Regimento Interno do CARF. Assim, passo ao mérito. Com relação às supostas contradição ou erro de fato no julgado, uma vez que, nas palavras da Recorrente "embora tenha adotado como pressuposto a decisão proferida no RE n. 566.621, ao aplicála ao caso concreto, considerou como marco inicial data diversa daquela estipulada no acórdão proferido pelo STF", haja vista que "deveria ter sido considerado como prescrito o direito de pleitear a restituição relativamente aos fatos geradores (e não recolhimentos) ocorridos antes de 13 de abril de 1995, considerandose que o pedido foi apresentado em 13 de abril de 2005", destaco o seguinte trecho do Acórdão embargado: "Inicialmente a posição que prevalecia no Superior Tribunal de Justiça (STJ) era a interpretação redacional do artigo 156, VII, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual somente com a homologação é que se daria a extinção do crédito tributário e, portanto, o início do computo do prazo para a Fl. 473DF CARF MF 4 repetição de indébito do artigo 168. Dessa forma, somandose o prazo de cinco anos para a homologação, com mais cinco anos para a repetição, o contribuinte detinha prazo de dez anos para pleitear a restituição de tributos. Tratavase da conhecida tese dos cinco mais cinco. Contudo, o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 (LC 118/2005), afirmando que, para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de (artigo 150, § 1º), o STJ reviu a questão. Em seus novos julgamentos (e.g. Recurso Especial 982.985, Relator: Ministro Luiz Fux. Julgamento: 10 jun. 2008. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJe, 07 ago. 2008), decidiu que não obstante a LC 118/2005 se autointitular interpretativa, evidentemente inovou a ordem jurídica tributária, alterando por completo o entendimento solidificado pelo STJ sobre o prazo prescricional para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (tese dos cinco mais cinco). Dessa forma, foi deliberado que, a partir de sua entrada, passaram a existir dois regimes jurídicos distintos: i) os recolhimentos indevidos feitos a partir da sua entrada em vigor (9 de junho de 2005) passaram a ter como prazo para sua restituição cinco anos contados a partir do instante em que é feito o pagamento antecipado; ii) já os pagamentos indevidos que ocorreram anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05 permanecem sob a disciplina que imperava à época, vale dizer, que a contagem do prazo de cinco anos para a restituição só se inicia a partir da homologação, expressa ou tácita, feita pelo fisco. Este último entendimento apresentado pelo STJ, entretanto, foi parcialmente modificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao analisar a matéria (RE 566.621/RS, Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie. j. 04.08.2011), 1 que entendeu como relevante não a data dos pagamento indevidos, mas sim a dada da formulação dos pedidos de restituição, para a contagem do prazo dos contribuintes. Pois bem. No presente caso, a Contribuinte indicou nas compensações que o indébito era referente a pagamentos efetuados entre 01/02/1995 e 31/03/1996. Por sua vez, o pedido de restituição da Municipalidade foi formalizados em 13/04/2005 (fls 143). Afinal, o pedido de restituição foi formulado em 13/04/2005, vale dizer, em data anterior a 09/06/2005, que segundo a jurisprudência acima destacada, é data antes da qual se utiliza o prazo decadencial de dez anos. Assim, todos os pagamento posteriores 13/04/1995, não foram atingidos pela decadência, sendo necessária a reforma parcial do Acórdão a quo." (grifei) Pois bem. Nas palavras de Candido Rangel Dinamarco, “contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem (p. ex., negar a medida principal pedida e conceder a acessória, que dela depende; julgar improcedente a reintegração de posse e procedente o Fl. 474DF CARF MF Processo nº 16027.000044/200756 Acórdão n.º 3402005.307 S3C4T2 Fl. 113 5 pedido de indenização etc)”.1 Trazendo o instituto para o âmbito do processo administrativo fiscal federal, o artigo 65 do Regimento interno do CARF dispõe que "cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma." Por tudo quanto exposto, já se constata que inexiste in casu a contradição tampouco o erro material alegados pela Embargante. Tratase, isto sim, de confusão feita pela Parte e pelo despacho de admissibilidade acerca do conteúdo das decisões do STJ e do STF supra mencionadas. Conforme o entendimento pretoriano (RE 566.621), para o presente processo a contagem da decadência deve observar a data do pedido de restituição para a constatação se é o caso aplicação do prazo de 10 anos. Haja vista que tal pedido foi formulado antes de 09/06/2005, sim, o prazo é de 10 anos. Daí surge a questão: esses 10 anos contamse a partir de quando? Dos fatos geradores dos tributos ou do seus respectivos pagamentos? Claro que dos pagamentos indevidos, afinal estamos contando decadência do direito a repetir o indébito (e não do direito de efetuar o lançamento tributário), que só pode ser contada do pagamento, nos moldes do 168, inciso I do CTN, que deve ser lido conjuntamente do artigo 165, inciso I do mesmo Codex. Ou seja, é da data da extinção do crédito, que é justamente o pagamento, que se deve ter em conta o prazo em questão. De fato, aqui tratamos de restituição de tributos, sendo pacífico na doutrina e na jurisprudência2 que o "fato gerador" do indébito é o pagamento indevido. 3 Por essa razão é que, todos os julgados que deram origem a Súmula 91 do CARF mal interpretada pelo despacho decisório , aplicam a contagem do prazo decadencial para a restituição administrativa do indébito exatamente conforme feito no Acórdão embargado. Vide, por exemplo, o Acórdão 1102000.915, no qual o pedido administrativo de restituição ocorreu em 27/12/2002, levando à conclusão de que os "pagamentos" de 1995 e 1996 não estavam decaídos, porque posteriores a 27/12/1992. Na mesma forma fez o Acórdão 2401003.108, julgando que tendo o pedido de restituição ocorrido em 1996, os "recolhimentos indevidos" de 1989 a 1995 não encontravamse decaídos, já que dentro dos 10 anos anteriores ao pedido. No caso em julgamento, lembremos, restou decidido que "o pedido de restituição foi formulado em 13/04/2005, vale dizer, em data anterior a 09/06/2005, que segundo a jurisprudência acima destacada, é data antes da qual se utiliza o prazo decadencial 1 Instituições do Direito Processual Civil, Malheiros Editores, 2005, vol. III, páginas 687688. 2 Assim se manifestou o STJ. Registrese: INFORMATIVO STJ DE 21/02/2012. “É cabível a repetição do indébito tributário no caso de pagamento de contribuição para custeio de saúde considerada inconstitucional em controle concentrado, independentemente de os contribuintes terem usufruído do serviço de saúde prestado pelo Estado. A declaração de inconstitucionalidade de lei que instituiu contribuição previdenciária é suficiente para justificar a repetição dos valores indevidamente recolhidos. Além do mais, o fato de os contribuintes terem usufruído do serviço de saúde prestado pelo Estado não retira a natureza indevida da exação cobrada. O único pressuposto para a repetição do indébito é a cobrança indevida de tributo, conforme dispõe o art. 165 do CTN. Precedente citado: AgRg no REsp 1.206.761MG, DJe 2/5/2011. AgRg no AREsp 242.466MG, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 27/11/2012.” 3 Por todos, cito Marcelo Forte de Cerqueira: “Esta norma individual e concreta da repetição de indébito, judicial ou administrativa, conterá no seu conseqüente a relação jurídica intranormativa de devolução e no sei antecedente o fato jurídico do pagamento indevido.” (CERQUEIRA, Marcelo Fortes de. Repetição do Indébito Tributário. São Paulo: Max Limonad. 2000, p. 261). Fl. 475DF CARF MF 6 de dez anos. Assim, todos os pagamentos posteriores 13/04/1995 não foram atingidos pela decadência, sendo necessária a reforma parcial do Acórdão a quo." Assim, entendo que a lide foi devidamente solucionada, não havendo contradição ou erro material no acórdão embargado a ser sanada por esse Colegiado, razão pela qual voto pela rejeição dos Embargos de Declaração. Thais de Laurentiis Galkowicz Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.967814/2012-63
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/08/2009
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA.
Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3002-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/08/2009 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontra-se eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.967814/2012-63
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5897169
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.295
nome_arquivo_s : Decisao_10880967814201263.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10880967814201263_5897169.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7409135
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585744277504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 404 1 403 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.967814/201263 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.295 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS/PASEP Recorrente JOHNSON CONTROLS BE DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/08/2009 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OCORRÊNCIA. Encontrase eivado de vício insanável o Acórdão que se fundamenta em situação diversa da realidade fática dos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 78 14 /2 01 2- 63 Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10880.967814/201263 Acórdão n.º 3002000.295 S3C0T2 Fl. 405 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 03/06), transmitido em 19/11/2010, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS/PASEP efetuado a maior. A compensação declarada foi parcialmente homologada, conforme despacho decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.". Após ser intimada da decisão em 13/11/2012, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 11/12), na qual informou que, em julho de 2009, a empresa apurou débito de PIS/PASEP no valor de R$ 97.206,38, tendo informado tal valor na DCTF do referido período. Porém, por um lapso, arrecadou o referido valor aos cofres Federais através de 2 DARF's: um no valor de R$ 10.912,69 e outro no valor de R$ 162.522,98, ambos pagos em 25/08/2009. O Sujeito Passivo alega, ainda, que procedeu a compensação do valor pago a maior através do envio de 2 PER/DCOMP´s, respectivamente, em 23/09/2010 e em 19/11/2010. Contudo, a Receita Federal equivocouse ao homologar parcialmente a compensação, pois o crédito pleiteado está correto. Por fim, requereu o deferimento da Manifestação de Inconformidade pelos motivos de fato e de direito mencionados. Para comprovar o seu direito, a ora recorrente juntou à Manifestação de Inconformidade cópias das DCTF´s retificadoras, referentes a julho/2009, julho/2010 e out/2010, e do DARF no valor de R$ 162.522,98. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10880.967814/201263 Acórdão n.º 3002000.295 S3C0T2 Fl. 406 3 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 120/137), no qual informou de forma mais detalhada as sucessivas retificações do valor de PIS/PASEP, referente a julho de 2009, e requereu a reforma do Acórdão recorrido, alegando, preliminarmente, a nulidade do Acórdão recorrido por falta de análise de todos os pontos suscitados no recurso, por falta de motivação e por falta de fundamentação e, por conseguinte, havendo afronta aos Princípios do Contraditório e o da Ampla Defesa. Posteriormente, no mérito, assevera a legitimidade da retificação da DCTF, o primado do Princípio da Verdade Material, a existência do crédito e a legitimidade da compensação, assim como da denúncia espontânea, visando a não incidência da multa de mora. Ademais, aduz que seria obrigação das instâncias julgadoras a conversão em diligência, conforme Parecer Normativo Cosit nº 02/2015. Por fim, requer a nulidade da decisão recorrida, a conversão do julgamento em diligência para apuração do crédito e a homologação da compensação pleiteada. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Nulidade Com efeito, da confrontação do teor do Despacho Decisório com o voto condutor do Acórdão recorrido, constatase que ocorreu discrepância entre a realidade fática do presente processo e a situação tratada no voto. Enquanto, em realidade, a compensação pleiteada foi parcialmente homologada, a análise realizada pelo relator daquele Acórdão consideroua não homologada totalmente. Transcrevese o seguinte excerto do voto condutor: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10880.967814/201263 Acórdão n.º 3002000.295 S3C0T2 Fl. 407 4 "Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF, ou seja, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à restituição ou compensação." (grifo nosso) Por outro lado, o voto condutor do Acórdão recorrido considerou que "A DCTF foi retificada posteriormente, reduzindo o débito anteriormente confessado. Entretanto, no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida", ou seja, considerouse que a DCTF foi retificada após a ciência do Despacho Decisório. Contudo, pelas cópias acostadas aos autos, verificase que a retificadora foi transmitida em 11/05/2012. Assim, a alteração na declaração foi promovida antes da emissão do Despacho Decisório. Dessa forma, não há como negar que, por ter se baseado em situação diversa da realidade fática dos autos, a motivação esposada no Acórdão recorrido encontrase eivada de vício insanável. Ademais, apenas visando aclarar outro ponto, ressaltese que o entendimento majoritário desta Corte é que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Entretanto, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar o crédito. Sendo do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, anulando o Acórdão recorrido e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.001716/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/04/2010
DEPÓSITO JUDICIAL TEMPESTIVO E INTEGRAL, REALIZADO COM O OBJETIVO DE SUSPENDER A INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA AFASTAM OS ENCARGOS MORATÓRIOS - SUMULA CARF N.05.
Os depósitos judiciais realizados de forma tempestiva e integral, efetivados com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, afastam os encargos moratórios, conforme a Súmula CARF n. 05.
Numero da decisão: 3302-005.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède- Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/04/2010 DEPÓSITO JUDICIAL TEMPESTIVO E INTEGRAL, REALIZADO COM O OBJETIVO DE SUSPENDER A INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA AFASTAM OS ENCARGOS MORATÓRIOS - SUMULA CARF N.05. Os depósitos judiciais realizados de forma tempestiva e integral, efetivados com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, afastam os encargos moratórios, conforme a Súmula CARF n. 05.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10611.001716/2010-70
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5879217
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.424
nome_arquivo_s : Decisao_10611001716201070.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAPHAEL MADEIRA ABAD
nome_arquivo_pdf_s : 10611001716201070_5879217.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède- Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7362311
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585752666112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10611.001716/201070 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.424 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria IPI encargos moratórios em lançamento para prevenir decadência Recorrente LIDER TAXI AÉREO S/A AIR BRASIL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/04/2010 DEPÓSITO JUDICIAL TEMPESTIVO E INTEGRAL, REALIZADO COM O OBJETIVO DE SUSPENDER A INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA AFASTAM OS ENCARGOS MORATÓRIOS SUMULA CARF N.05. Os depósitos judiciais realizados de forma tempestiva e integral, efetivados com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário, afastam os encargos moratórios, conforme a Súmula CARF n. 05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 17 16 /2 01 0- 70 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10611.001716/201070 Acórdão n.º 3302005.424 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente importou uma aeronave, minuciosamente descrita às fls. 06, em regime de admissão temporária e, por discordar da incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI sobre o bem, impetrou Mandado de Segurança (201038000084216) visando o reconhecimento do seu alegado direito de não recolher o tributo na entrada da mesma no território nacional. A recorrente não logrou êxito no intento de suspender a exigibilidade do crédito por meio de medida liminar em Mandado de Segurança (CTN art. 151, IV), fazendoo então por meio do depósito do montante do tributo (CTN art. 151, II), o que resulta na mesma consequência prática, qual seja a suspensão da exigibilidade do crédito e o não computo de eventuais acréscimos moratórios enquanto perdurar a referida suspensão. Quando da lavratura do lançamento para se prevenir a decadência, a autoridade fiscal lançou, além do tributo em discussão, encargos moratórios sem, contudo, exigilos. Em sede de Impugnação, a Recorrente insurgiuse contra o lançamento dos juros de mora, dentre outras matérias, que foram todas decididas pela DRJ, que entendeu pela sua improcedência, com a consequente manutenção do Auto de Infração, em razão de admitir que: "O depósito do montante integral do crédito tributário, a partir da data em que é efetivado, afasta a fluência de juros em favor da Fazenda Pública, o que será reconhecido ao término do processo judicial em que se discute o crédito tributário, quando o valor depositado será devolvido ao depositante, acrescido de juros moratórios, se a sentença lhe for favorável, ou, por ocasião de transformação do depósito em pagamento definitivo, cujos efeitos retroagirão à data de realização do depósito, extinguindo o crédito tributário, inclusive os juros de mora relativos a período posterior àquela data, na hipótese de decisão favorável à Fazenda Nacional. Entretanto, os encargos moratórios lançados deverão continuar a incidir normalmente, no caso excepcional de levantamento do depósito antes do encerramento da lide judicial." Todas as matérias arguidas foram julgadas improcedentes pela DRJ, contudo apenas os “juros de mora” foram objeto de Recurso Voluntário, no qual a Recorrente reitera as razões aduzidas na impugnação, especialmente pela aplicação da Sumula 05 do CARF, razão pela qual apenas esta matéria deverá ser apreciada por este Colegiado. É o relatório. Voto Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10611.001716/201070 Acórdão n.º 3302005.424 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator 1. Admissibilidade do recurso. O presente Recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 2. incidência de juros de mora sobre o valor lançado. O Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo expressamente referese a LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA, havendo informação expressa de que apesar de haver menção aos juros de mora, eles estão com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial do valor integral do tributo sob discussão. A única menção a juros de mora está às fls. 02, onde há referência de será utilizada a Taxa Selic acumulada mensalmente. No entanto, o Recorrente invoca a Súmula CARF n. 5, segundo a qual: “ São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa a sua exigibilidade, salvo quando existir depósito do montante integral." destaques nossos. Ocorre que com a efetivação do depósito judicial do valor integral do crédito tributário, a quantia é disponibilizada antecipadamente ao fisco, facultando ao contribuinte discutir a legitimidade da cobrança sem submeterse às consequências da mora, a contar da data da efetivação do depósito. Isto significa que caso o depósito integral seja realizado antes ou na data do vencimento do tributo, o contribuinte nada mais deverá ao fisco no caso de sucumbência. De outro lado, no caso de lograr êxito em seu intento, o contribuinte levantará o valor depositado, acrescido de acréscimos moratórios, representado pela "Taxa Selic". Assim, este é o caso de aplicação da citada Súmula CARF n. 5, que veda a exigência de juros moratórios no caso do sujeito passivo realizar depósito integral do valor do tributo sob discussão. Por esta razão, é de se dar total provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10611.001716/201070 Acórdão n.º 3302005.424 S3C3T2 Fl. 5 4 Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660406/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.807
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.660406/2012-83
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5878792
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-004.807
nome_arquivo_s : Decisao_10880660406201283.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10880660406201283_5878792.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7360203
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585760006144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.660406/201283 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.807 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ALL NET TECNOLOGIA DA INFORMACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 06 /2 01 2- 83 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660406/201283 Acórdão n.º 3401004.807 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660406/201283 Acórdão n.º 3401004.807 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660406/201283 Acórdão n.º 3401004.807 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660406/201283 Acórdão n.º 3401004.807 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660406/201283 Acórdão n.º 3401004.807 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.660406/201283 Acórdão n.º 3401004.807 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723838/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
Lucros Auferidos no Exterior. Imposto Pago no Exterior. Dedução.
A pessoa jurídica poderá deduzir o imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital.
Numero da decisão: 1301-003.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, a fim de admitir que sejam deduzidos do IRPJ, e se remanescer saldo, também da CSLL, os seguintes valores pagos no exterior a título de imposto sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital: a) para o ano base 2008: R$ 299.323,52; e b) para o ano base 2009: R$ 1.854.967,14 e R$ 641.736,63.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 Lucros Auferidos no Exterior. Imposto Pago no Exterior. Dedução. A pessoa jurídica poderá deduzir o imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.723838/2013-71
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5890370
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.228
nome_arquivo_s : Decisao_11080723838201371.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROBERTO SILVA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11080723838201371_5890370.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, a fim de admitir que sejam deduzidos do IRPJ, e se remanescer saldo, também da CSLL, os seguintes valores pagos no exterior a título de imposto sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital: a) para o ano base 2008: R$ 299.323,52; e b) para o ano base 2009: R$ 1.854.967,14 e R$ 641.736,63. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7388126
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585769443328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1621; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.284 1 1.283 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723838/201371 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.228 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IRPJ LUCROS NO EXTERIOR Recorrente INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR. DEDUÇÃO. A pessoa jurídica poderá deduzir o imposto de renda incidente no exterior sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, a fim de admitir que sejam deduzidos do IRPJ, e se remanescer saldo, também da CSLL, os seguintes valores pagos no exterior a título de imposto sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital: a) para o ano base 2008: R$ 299.323,52; e b) para o ano base 2009: R$ 1.854.967,14 e R$ 641.736,63. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 38 38 /2 01 3- 71 Fl. 1284DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.285 2 Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso interposto por INDUSTRIAL E COMERCIAL BRASILEIRA LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 10 45.885, da 5ª Turma da DRJ Porto Alegre, que negou provimento à impugnação da recorrente e, assim, manteve no todo o lançamento que dela exigia crédito tributário de IRPJ e de CSLL no montante de R$ 13.198.331,94, compreendendo tributo, multa e juros. A Fiscalização constatou, pelo exame das DIPJs do anos 2008 e 2009 (fls. 904 a 950 e 951 a 1.002), que a recorrente tinha auferido resultados positivos de participação no capital de empresa domiciliada no exterior. Constatou também que tais resultados não haviam sido oferecidos à tributação do IRPJ e da CSLL. Disse a Fiscalização: No 4º trimestre do anocalendário 2008, conforme linha 24 da Ficha 06A ("Demonstração do Resultado") da DIPJ 2009, o contribuinte obteve R$ 54.877.096,08 a título de "Resultados Positivos em Participações Societárias". Tal resultado foi excluído da apuração do lucro real do período, de acordo com o informado na linha 44 da Ficha 09A ("Demonstração do Lucro Real") da declaração, como "Ajustes por Aumento Valor de Invest. Aval, p/ PL". Na Ficha 52 dessa declaração ("Participação Permanente em Coligadas ou Controladas") é explicitado que esse valor corresponde ao resultado de equivalência patrimonial da controlada Incobrasa Cayman Ltd., situada nas Ilhas Cayman, na qual o fiscalizado possuiria o percentual sobre o capital total (e votante) de 64,05%. Já no 4º trimestre do anocalendário 2009, conforme linha 24 da Ficha 06A da DIPJ 2010, o contribuinte obteve R$ 13.588.900,02 a título de "Resultados Positivos em Participações Societárias", oriundos da equivalência patrimonial sobre o resultado de sua participação na Incobrasa Ltd., consoante informado na Ficha 62 dessa declaração. À semelhança do ocorrido no ano anterior, esse resultado foi excluído da apuração do lucro real do período, de acordo com o informado na linha 44 da Ficha 09A da declaração, como "Ajustes por Aumento Valor de Invest. Aval. p/ PL". (fl. 1.035) A recorrente, ainda no curso da ação fiscal, esclarecera os seguintes pontos: Informamos que a Industrial e Comercial Brasileira Ltda. possui participações no exterior além da Incobrasa Cayman. São elas: Incobrasa North America Ltd., Incobrasa Industries Ltd., Augusta Farms Ltd., Incobrasa Illinois Ltd., e Incobrasa Farms Ltd., todas localizadas nos Estados Unidos (USA). Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.286 3 Essa participação ocorre através do investimento que a Incobrasa Cayman Ltd. tem na Incobrasa North America Ltd., que por sua vez participa das demais empresas acima citadas. A Incobrasa North America é uma subsidiária integral da Incobrasa Cayman, e as demais são subsidiárias integrais da Incobrasa North America, que funcionava como holding nos Estados Unidos. (...) Nos Estados Unidos, a tributação do imposto de renda sobre os lucros é feito apenas na empresa holding, Incobrasa North America Ltd., envolvendo os lucros de todas as empresas subsidiárias existentes; assim sendo a Incobrasa North America é quem faz uma única declaração, envolvendo o lucro consolidado de todas as demais subsidiárias. Anexamos (a) cópia das partes principais das Declarações de Renda 2008 e 2009 da Incobrasa North America, para vosso exame imediato, onde fica comprovada a tributação dos lucros num percentual de 34% para o Imposto de Renda Federal e 7,3% para o Imposto de Renda Estadual. (...) A Incobrasa Cayman não tem nenhuma atividade que gere receita, exceto a participação (investimento) na Incobrasa North America. Assim sendo, todo o lucro auferido na Incobrasa Cayman provém de sua participação nos lucros da Incobrasa North America, reconhecidos via equivalência patrimonial os quais foram integralmente tributados e pagos nos Estados Unidos, nas alíquotas acima mencionadas. Em 2008 o lucro tributado foi de US$ 15.980.312,00 e em 2009 de US$ 15.379.093,00 conforme consta das declarações de renda da Incobrasa North America Ltd. & Subsidiárias. (g.n.) (fl. 1.036) O fato que motivou o lançamento foi assim descrito no Relatório de Ação Fiscal (fls. 1.032 a 1.049): O Fiscalizado apurou lucros na controlada Incobrasa Cayman Ltd., lucros esses que foram integralmente reconhecidos em sua contabilidade em 31/12/08 por meio de equivalência patrimonial, de acordo com os registros constantes a débito no Razão da conta n° 1.02.2.01.0001 (Incobrasa Cayman Ltd.), em lançamento cuja contrapartida foi realizada na conta n° 313801 (Equivalência Patrimonial), ver fl. 901. Todavia, como visto no item 3.1 deste Relatório, esse resultado foi integralmente excluído da apuração do lucro real do período, de acordo com o informado na linha 44 da Ficha 09A ("Demonstração do Lucro Real") da DIPJ do exercício 2009. (...) Em síntese, o contribuinte excluiu indevidamente da apuração do lucro real no anocalendário de 2008 R$ 14.474.623,89 a título de equivalência patrimonial sobre resultados auferidos no exterior, valor esse que deve ser adicionado ao lucro real do exercício, via lançamento de ofício. (fls. 1.044 e 1.045) No ano base 2009, o procedimento se repetiu: Fl. 1286DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.287 4 Desse modo, na apuração do lucro real do anocalendário 2009 o contribuinte excluiu somente a equivalência patrimonial do resultado do investimento no exterior, calculada erroneamente como sendo de R$ 13.588.900,02, devido ao uso de taxas PTAX de compra (R$ 1,7404), e não de venda (R$ 1,7412), de maneira similar ao já ocorrido no exercício anterior. Pelas mesmas razões já abordadas no exame do anocalendário 2008, tal exclusão foi indevida, por ter sido efetuada em desacordo com a legislação regente da matéria, discriminada no item 3.2 deste Relatório, motivo pelo qual deve esse valor de R$ 13.588.900,02 ser adicionado ao lucro real anual. (fl. 1.046) A recorrente apresentou à Fiscalização documentos comprovando o pagamento, no exterior, do imposto sobre os resultados da Incobrasa North America. A autoridade lançadora, todavia, entendendo que o § 4º do art. 1º da Lei nº 9.532/1997 estabelecia um limite temporal (dois anos) ao aproveitamento desse imposto pago no exterior, não deduziu os respectivos valores. Nesse sentido, concluiu a autoridade fiscal, dizendo que: Não exercido esse direito à compensação pelo fiscalizado no mencionado prazo bienal, não há permissivo legal, por outro lado, para que essa compensação seja realizada por esta fiscalização, em sede de constituição de crédito tributário via auto de infração. (fl. 1.048) A contribuinte impugnou o lançamento, afirmando que, não obstante o imposto pago no exterior por sua controlada Incobrasa Cayman Ltd., no valor de R$ 14.474.623,89, ter sido superior ao imposto devido no Brasil, a autoridade fiscal não aceitou que o valor pago fosse compensado, como prevê a lei, sob o pretexto de que a exclusão do lucro fora feita de forma equivocada na DIPJ e no Livro de Apuração do Lucro Real Lalur. No entanto, diz a recorrente, o que ocorreu foi mera divergência na forma de cumprimento da obrigação acessória. Assim, todo o IRPJ e a CSLL devidos teriam sido integralmente pagos no exterior, inclusive em valores superiores aos que, no País, foram apurados como sendo os devidos. Poderia ter havido, quando muito, apenas uma divergência de interpretação acerca do cumprimento das obrigações acessórias, mais precisamente, erro no preenchimento das DIPJs dos anos de 2008 e 2009, mas que não acarretou prejuízo aos cofres públicos, já que o IRPJ e a CSLL devidos foram integralmente pagos no exterior, em valores inclusive superiores aos apontados no auto de infração. Disse que o eventual erro cometido ao preencher a declaração não pode anular o direito legítimo de deduzir o valor do imposto pago no exterior. E, por fim, invocou o princípio da verdade material, bem como alegou ofensa a diversos princípios consagrados na Lei nº 9.784/1999. A DRJ POA negou provimento à impugnação em acórdão assim resumido: Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.288 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 IMPOSTO INCIDENTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. O direito de compensar o imposto de renda incidente no exterior sobre o lucro auferido por controlada com o imposto de renda incidente no país sobre os referidos lucros é condicionado a que esse direito seja exercido até o final do segundo ano calendário subsequente ao de sua apuração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE. Tratandose de lançamento de ofício decorrente de infração ao dispositivo legal detectado pela administração em exercício de regular ação fiscalizadora, é legítima a cobrança de multa punitiva correspondente. LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da decisão a contribuinte recorreu, reproduzindo essencialmente os mesmos argumentos expostos na impugnação. Defendeu o direito à utilização do imposto pago no exterior, afirmando que nisso consistia toda a controvérsia posta nos autos. Disse a recorrente: 2.1.1 O cerne de toda a controvérsia, como já debatido na impugnação, consiste no direito da Recorrente à compensação do imposto de renda pago no exterior, contestado no auto de infração: (fl. 1.189) Fl. 1288DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.289 6 Vindo os autos a julgamento, esta Turma, na Resolução nº 1301000.377, deliberou a realização de diligência, devolvendo os autos à unidade de origem, para que lá fosse feito o exame dos documentos reunidos às fls. 381 a 451 e 574 a 631 e, à vista dessa documentação, apurasse o montante compensável do imposto recolhido no exterior, nos anos de 2008 e 2009, nos termos do disposto nos artigos 13, 14 e 15 da Instrução Normativa SRF n° 213/2002. As conclusões da diligência estão registradas no relatório de fls. 1.261 a 1.265, no qual foram apurados os seguintes valores passíveis de dedução R$ 299.323,52; R$ 1.854.967,14; e R$ 641.736,63. Intimada do resultado da diligência, a recorrente manifestou sua discordância (fls. 1.273 a 1.277), nos seguintes termos: A análise da auditora merece reparos, pois não considerou, nos cálculos que realizou, a dedução de prejuízos fiscais anteriores, havidos na Incobrasa North America Ltd., nos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente nos valores de US$ 15.980.312,00 e 10.320.743,00. Propositadamente, omitiu na diligência que a compensação efetuada pela Incobrasa North America Ltda. foi com os seus próprios lucros, e não com aqueles auferidos pela pessoa jurídica brasileira, no caso a Incobrasa Ltda. (fl. 1.275) Com a manifestação da recorrente, os autos retornaram ao CARF, para prosseguir o julgamento. É o relatório. Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.290 7 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia cingese a um ponto: saber se, no caso concreto, existe o direito de a recorrente deduzir o imposto pago, no exterior, incidente sobre lucros auferidos também no exterior, e tributados no Brasil pelo IRPJ e pela CSLL. A autoridade fiscal entendeu que não, no que foi acompanhada pela DRJ POA. Sustentaram ambas que, decorridos dois anos da apuração do lucro no exterior, o direito à dedução do pagamento se extingue; e, no caso em tela, o direito já estava extinto. Essa matéria, cerne da impugnação e do recurso, foi examinada com propriedade pelo ilustre Conselheiro Flávio Franco Corrêa, na Resolução nº1301000.377, nos seguintes termos: Como assinala a Recorrente, o cerne de toda a controvérsia consiste no direito à compensação do imposto de renda pago no exterior. No ponto, é preciso concentrar a atenção no seguinte trecho do Relatório de Ação Fiscal, às fls. 1.046/1.048: "O contribuinte trouxe, no curso deste procedimento, documentos comprobatórios do pagamento do imposto de renda federal e estadual no exterior sobre os resultados da Incobrasa North America, apurados em conformidade com as declarações prestadas aos Fiscos norteamericanos ver fls. 381/451 e 574/631. Sobre a compensação do IRPJ a ser pago no Brasil com os pagamentos efetuados no exterior, reza o art. 26 da Lei n° 9.249/95: "Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital." De acordo com o dispositivo supra referenciado, c/c o art. 25 da mesma lei, mais acima transcrito, os lucros auferidos no exterior, disponibilizados ou considerados disponibilizados pela controlada para a controladora situada no Brasil, devem ser adicionados na apuração do lucro real pelo valor antes da subtração do tributo pago no exterior. Logo, o tributo pago no exterior compõe o lucro disponibilizado ou o lucro considerado disponibilizado para a controladora no Brasil, para efeito de base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse tributo pago no exterior, desde que atendida a legislação de regência, pode ser compensado com o tributo apurado no Brasil sobre o lucro. A Lei n° 9.532/97, no § 4º do seu art. 1º, estabeleceu um limite temporal para o aproveitamento, no Brasil, do imposto pago no exterior: Fl. 1290DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.291 8 "§ 4º Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei n° 9.249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração." Notese que o texto é claro ao afirmar que os créditos de imposto de renda incidentes no exterior só podem ser compensados se referidos lucros forem "computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subsequente ao de sua apuração". Posteriormente, o artigo 74 da MP n° 2.15835/01 determinou que os lucros seriam considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço do ano em que foram auferidos. Considerando a mudança na legislação, primeiro concluise que, a partir de 2002, os lucros auferidos no exterior devem ser computados na base de cálculo do imposto de renda no dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário de apuração. Segundo, que a compensação com o pagamento efetuado no exterior é um direito que pode ser exercido, ou não, pela controladora/coligada sediada no Brasil. O texto do artigo 26 da Lei n° 9.249/95 é claro quando dispõe que "a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior (...)". A compensação tratada neste dispositivo não é compulsória, cabendo ressaltar que o direito ao crédito é considerado disponível, podendo ser exercido ou não por seu titular. Quando o contribuinte deixou de cumprir com seu dever de oferecer os lucros auferidos no exterior na determinação do imposto de renda devido nos dias 31/12/08 e 31/12/09, deixou, de outra parte, de exercer seu direito à compensação. Repitase, o fiscalizado não computou os lucros auferidos e apurados no exterior na base de cálculo do imposto de renda devido no Brasil, passados mais de dois anos de sua disponibilização, não havendo observado, por conseguinte, os ditames do art. 74 da MP n° 2.15835/01 c/c o art. 1º, § 4º da Lei n° 9.532/97. Muito pelo contrário, expressamente os excluiu dessa base de cálculo, conforme demonstrado no presente lançamento de ofício e atestado nos registros dos LALUR e das DIPJ dos anoscalendário 2008 e 2009. Não exercido esse direito à compensação pelo fiscalizado no mencionado prazo bienal, não há permissivo legal, por outro lado, para que essa compensação seja realizada por esta fiscalização, em sede de constituição de crédito tributário via auto de infração." Censurase a conclusão equivocada do autuante, que desprezou a razão subjacente do preceito inscrito no § 4º do artigo 1o da Lei n° 9.532/1997. Com efeito, a Lei n° 9.532/1997 prescreveu que os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, coligadas e controladas, devem ser tributados no Brasil no períodobase em que se tomarem disponíveis à pessoa jurídica domiciliada no território nacional. Coube ao § 1º do artigo 1º da lei acima mencionada estabelecer que os lucros passaram a ser considerados disponíveis: a) às filiais e sucursais da pessoa jurídica no Brasil, na data do balanço em que ocorrer sua apuração; Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.292 9 b) às controladas e coligadas, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da pessoa jurídica no exterior. O § 4º do artigo 1º da Lei n° 9.532/1997 visava à antecipação do oferecimento à tributação sobre os lucros auferidos no exterior pelas coligadas e controladas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Isso porque a tributação a incidir sobre esses lucros, no Brasil, se subordinava à prévia ocorrência do pagamento ou do crédito dos lucros apurados. Portanto, ao se fixar um prazo para a compensação do tributo pago no exterior, incentivouse a antecipação da disponibilização e, por conseqüência, da tributação, no Brasil, sobre os lucros obtidos pelas coligadas e controladas. No entanto, esse cenário se alterou com o advento da Medida Provisória n° 2.15835, porquanto, desde então, conforme o disposto em seu artigo 74, os lucros apurados pelas coligadas e controladas no exterior são considerados disponíveis à controlada ou coligada no Brasil na data do balanço em que forem apurados. Como se pode inferir, a disciplina instituída com a MP n° 2.15835 eliminou a distinção entre filiais e sucursais, de um lado, e coligadas e controladas, de outro, quanto ao momento em que os lucros auferidos no exterior são considerados disponíveis à pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Em todos esses casos, os lucros são distribuídos, por ficção legal, na data do balanço de sua apuração. Nesses termos, o § 4º do artigo 1º da Lei n° 9.532/1997 perdeu sua razão de ser a partir da alteração produzida pelo artigo 74 da MP n° 2.15835. Tanto é assim que os artigos 14 e 15 da Instrução Normativa SRF n° 213/2002 não reproduzem o lapso temporal constante do § 4º do artigo 1º da Lei n° 9.532/1997. A propósito, o programa "Perguntas e Respostas" relativo ao anocalendário de 2016, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, confirma que a IN SRF nº 213/2012 manifesta o entendimento referido no parágrafo anterior, conforme resposta nº 7 do Capítulo IX Resultados Não Operacionais: "4) O art 1º, § 4º, da Lei n° 9.532, de 1997, dispõe que o imposto de renda incidente sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior somente será compensado com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração. No entanto, de acordo com a MP nº 2.15835, de 2001, art. 74, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados. A compensação do imposto de renda pago no exterior passou a ser disciplinada nos arts. 14 e 15 da IN SRF n° 213, de 2002."(grifo do Conselheiro Flávio Franco Corrêa) A mesma disciplina normativa sobre a tributação em bases universais para o imposto de renda das pessoas jurídicas foi estendida à CSLL, de acordo com o preceito do artigo 21 da MP n° 2.15835. Também o artigo 74 dessa MP fixou que, para fins de incidência da CSLL, em consonância com o citado artigo 21, os lucros auferidos por coligada ou controlada no exterior são considerados disponíveis à controladora ou coligada no Brasil na data em que forem apurados. O desaparecimento da razão de ser do § 4º do artigo 1º da Lei n° 9.532/1997, em função da disciplina normativa introduzida pelos artigos 21 e 74 da MP nº 2.158 35, explica a recente revogação do indigitado dispositivo pela Lei nº 12.973/2013. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.293 10 Assim, não havia razão para a negativa da compensação do tributo pago no exterior. Uma vez afastado o óbice referente ao prazo para compensação do tributo pago no exterior, exsurge a questão relativa à matéria fática constante dos autos. A esse respeito, é preciso apontar para o comportamento cooperativo da fiscalizada, que, em atendimento à Fiscalização, apresentou o seguinte rol de documentos citados à fl. 1.037, devidamente traduzidos para o vernáculo aqueles escritos originalmente em Inglês: a) cópia do contrato social de constituição da Incobrasa Cayman Ltd. e demais alterações (fls. 261/369), bem como os balanços patrimoniais e demonstrações de resultado do exercício dessa sociedade referentes aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, na moeda do país de origem e em reais (fls. 370/377); b) LALUR dos anoscalendário 2008 e 2009, nos quais constam registros compatíveis com as informações prestadas nas DIPJ desses anos, já mencionadas (fls. 11/42); c) cópia das Declarações de Renda da Incobrasa North America dos anos calendário 2008 e 2009, junto ao IRS (Internal Revenue Service, equivalente à Receita Federal, no Brasil) e ao IDR (Illinois Department of Revenue), equivalente à Secretaria de Fazenda Estadual (fls. 452/480 e 642/737); d) comprovantes diversos (guias de recolhimento, formulários, cheques, extratos bancários) atestando o recolhimento dos impostos de renda federal (E.U.A.) e estadual (Estado do Illinois) estadunidenses (fls. 381/451 e 574/631); e) demonstrativo de cálculo do resultado de equivalência patrimonial da Incobrasa Cayman Ltda., referente aos anoscalendário fiscalizados (fls. 257/260 e fl. 770). A Fiscalização salienta, à fl. 1.046, que os comprovantes do pagamento do imposto de renda federal e estadual estão reunidos às fls. 381/451 e 574/631. Também destaca, à fl. 1.037, que "os comprovantes de pagamento de imposto de renda nos Estados Unidos foram objeto de consularização, de acordo com o preconizado pelas normas atinentes à espécie." A Recorrente, por sua vez, expõe que faz prova do pagamento da importância de R$ 14.474.623,89, a título de imposto de renda pago no exterior, sem especificar se tal montante se refere à soma dos impostos dos anoscalendário de 2008 e 2009, ou se é exclusivo a um só dos ditos períodos, e se essa quantia resulta da soma entre os impostos federal e estadual. Com efeito, vejo entre os documentos citados na Tradução n° 2839/0388/2012, às fls. 382/388 e 575/581, referências à "Recolhimento de Imposto de Renda estimado e Compensação de Pessoas Jurídicas"; cheque no valor de U$ 85.654,00; "Formulário para Prorrogação automática de Recolhimento"; cheque no valor de U$ 387.384,00; declaração de que os comprovantes de recolhimento de imposto de renda do Estado de Illinois anexos foram emitidos a favor da Secretaria de Fazenda dos Estado de Illinois por Incobrasa Industries Ltd.". Assim, anoto que a Recorrente trouxe evidências de que efetivamente recolhera imposto de renda no exterior. E mais: está claro que a Fiscalização não deu a devida atenção a tal material, forte na crença de que a Recorrente não poderia aproveitar o imposto já recolhido na forma da legislação estrangeira, em razão do Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.294 11 transcurso do prazo prescricional de dois anos de que supostamente dispunha para efetivar a compensação antedita. (fls. 1.254 a 1.257) Com fulcro nessas razões, bem alinhadas pelo Conselheiro Flávio Franco Corrêa, deve ser reconhecido à recorrente o direito de deduzir o imposto pago no exterior. É precisamente o reconhecimento desse direito que deu sentido e razão de ser à diligência, que tinha como propósito "apurar o montante compensável do imposto de renda recolhido no exterior, nos anoscalendário de 2008 e 2009, discriminadamente, nos termos do disposto nos artigos 13, 14 e 15 da Instrução Normativa SRF n° 213/2002" (fl. 1.257). O despacho de diligência (fls. 1.261 a 1.265), atendose a tais limites, apurou os seguintes valores como passíveis de dedução: para o ano base 2008: R$ 299.323,52; e para o ano base 2009: R$ 1.854.967,14 e R$ 641.736,63. Frisese que, no relatório, foi observado o percentual de participação da recorrente no capital da empresa domiciliada no exterior (64,0583%). Ao ser intimada a se manifestar sobre a diligência, a recorrente julgou oportuno trazer à baila matéria que, até então, não havia sido suscitada na impugnação, nem no recurso. Confirase: A análise da auditora merece reparos, pois não considerou, nos cálculos que realizou, a dedução de prejuízos fiscais anteriores, havidos na Incobrasa North America Ltd., nos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente nos valores de US$ 15.980.312,00 e 10.320.743,00. Propositadamente, omitiu na diligência que a compensação efetuada pela Incobrasa North America Ltda. foi com os seus próprios lucros, e não com aqueles auferidos pela pessoa jurídica brasileira, no caso a Incobrasa Ltda. (fl. 1.275) A questão envolvendo compensação de prejuízo no exterior é completamente estranha ao que se discute nos autos desde o início. A controvérsia sempre girou em torno da possibilidade de deduzir o imposto pago no exterior. A recorrente chegou a fazer a seguinte afirmação no recurso voluntário: 2.1.3 No entanto, tal erro material não é de molde a permitir que se exija da Recorrente o pagamento de imposto indevido, já que, refeita a escrituração, haverá lucro tributável e portanto imposto e CSLL a pagar, de cujo montante a empresa contribuinte terá direito de compensar o valor do imposto de renda pago no exterior. E não pode ser de outra forma, pois no caso inexiste lesão aos cofres da Fazenda Nacional, na medida em que todo o IRPJ devido e, também, a CSLL, foram integralmente pagos no Exterior, inclusive em valores superiores aos que, no País, foram apurados como sendo os devidos, cuja diferença a favor da Recorrente não foi objeto de devolução. (g.n.) (fl. 1.191) Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 11080.723838/201371 Acórdão n.º 1301003.228 S1C3T1 Fl. 1.295 12 Notese que a recorrente não discutia o valor apurado pelo Fisco. Limitavase apenas a defender o direito de utilizar o pagamento feito no exterior, não obstante o decurso do prazo bienal. Portanto, compensação de prejuízo no exterior é matéria insuscetível de ser examinada. Quanto aos valores apurados no despacho de diligência, a recorrente não fez impugnação específica. Por último, as alegações de violação a princípios constitucionais igualmente não se mostram passíveis de exame na esfera administrativa, quando isso implica, como no caso em tela, afastar a vigência de ato legal. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe parcial provimento, a fim de admitir que sejam deduzidos do IRPJ, e se remanescer saldo, também da CSLL, os seguintes valores pagos no exterior a título de imposto sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital: a) para o ano base 2008: R$ 299.323,52; e b) para o ano base 2009: R$ 1.854.967,14 e R$ 641.736,63. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000812/2004-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 01/03/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PROVA. LAUDO LABANA.
Mercadoria identificada pelo LABANA como Mástique, constituído de Polissiloxano, na forma de pasta, acondicionado para venda a retalho, cuja denominação comercial é BRASCOVED CONSTRUÇÃO TRANSPARENTE, deve ser classificada no código NCM 3214.10.10, conforme adotado pela fiscalização.
ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO.
Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, natureza diversa da mercadoria, com vistas a afastar a prova produzida pela fiscalização através do laudo LABANA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 01/03/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PROVA. LAUDO LABANA. Mercadoria identificada pelo LABANA como Mástique, constituído de Polissiloxano, na forma de pasta, acondicionado para venda a retalho, cuja denominação comercial é BRASCOVED CONSTRUÇÃO TRANSPARENTE, deve ser classificada no código NCM 3214.10.10, conforme adotado pela fiscalização. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, natureza diversa da mercadoria, com vistas a afastar a prova produzida pela fiscalização através do laudo LABANA. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11128.000812/2004-77
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5887207
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.668
nome_arquivo_s : Decisao_11128000812200477.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 11128000812200477_5887207.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7375591
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050585778880512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 543 1 542 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.000812/200477 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.668 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA Recorrente BRASCOLA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/03/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PROVA. LAUDO LABANA. Mercadoria identificada pelo LABANA como Mástique, constituído de Polissiloxano, na forma de pasta, acondicionado para venda a retalho, cuja denominação comercial é BRASCOVED CONSTRUÇÃO TRANSPARENTE, deve ser classificada no código NCM 3214.10.10, conforme adotado pela fiscalização. ÔNUS DA PROVA. ELEMENTO MODIFICATIVO OU EXTINTIVO DA AUTUAÇÃO. Cabe ao contribuinte comprovar a existência de elemento modificativo ou extintivo da autuação, no caso, natureza diversa da mercadoria, com vistas a afastar a prova produzida pela fiscalização através do laudo LABANA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 08 12 /2 00 4- 77 Fl. 543DF CARF MF Processo nº 11128.000812/200477 Acórdão n.º 3301004.668 S3C3T1 Fl. 544 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório O importador, por meio da declaração de importação DI n° 02/01797466, de 01/03/2002, efl. 15, importou a mercadoria descrita como "BASE QUÍMICA: POLIDIMETILSILOXANO+CARGAS+AGENTES AUXILIARES+RETICULANTES DE ACETOXISILANO ESTADO FÍSICO: PASTOSO QUALIDADE: INDUSTRIAL BRASCOVED CONSTRUÇÃO TRANSPARENTE REF: 493909/60029130", classificando a na NCM 3506.10.90, com alíquotas de 17,5% de imposto de importação e 0% do IPI. Segundo a fiscalização, a classificação fiscal correta para o produto é a NCM 3214.10.10, com alíquota do IPI de 10%. Baseouse a autuação no Laudo Labana n° 0748.01 de 07/03/2002, efls. 19 e seguintes. O Auto de Infração, de efls. 01 a 32, constituiu a exigência fiscal das diferenças de IPI, juros, multa de oficio, multa pela classificação fiscal incorreta e multa pela falta de guia de importação. Transcrevese as infrações imputadas à importadora: 001 IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE 0 importador através da D.I. n° 02/01797466, registrada em 01/03/2002, submeteu a despacho 33.408 bisnagas plásticas pesando 10.022,40 kg de " Polidimetilsiloxano + targas + Agentes Auxiliares + Reticulante de Acetoxisilano, estado pastoso, qualidade industrial, denominado Brascoved Construção Transparente ", tendo classificado tarifariamente o produto no código NCM 3506.10.90 e pago os impostos As alíquotas de 17,5% para o I.I. e de 0% para o I.P.I. . Ocorre que, quando do desembaraço aduaneiro da mercadoria, foi retirada amostra p/pedido de exame LAB 0549/Gcof, que resultou na emissão do Laudo de Análise no 0748.01 de 01/04/2002 . Analisando o resultado do mesmo, verificase ter sido definido que "não se tratava de Cola ou Adesivo Preparado, não especificado, nem compreendido em outras posições, acondicionado para venda a retalho " conforme indicado , mas sim efetivamente de " Mástique, constituído de Polissiloxano, na forma de pasta, acondicionado em embalagem para a venda a retalho " e com base na 1° e na 6° R.G.I./SH inferese que, para o produto realmente importado a classificação tarifária correta é no código NCM 3214.10.10, cujas alíquotas vigentes A época eram de 15,5% para o I.I. e de 10% para o I.P.I. . Fl. 544DF CARF MF Processo nº 11128.000812/200477 Acórdão n.º 3301004.668 S3C3T1 Fl. 545 3 Assim sendo, considerando que todo registro de D.I. junto ao "SISCOMEX" encontrase vinculado à concessão de Licenciamento de Importação ( LI ), automático ou não; e tendo ficado provada a declaração inexata da mercadoria e a omissão de elementos essenciais ao perfeito enquadramento tarifário da mesma, praticadas pelo importador, implicando na obtenção de LI para uma mercadoria diversa da que foi importada, lavrase este Auto de Infração para a cobrança da multa por falta de licenciamento de importação, com forme prescreve o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97, demonstrado nos anexos . 002 MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL Tendo em vista os fatos descritos anteriormente na infração 001 e considerando ter ficado provado que a mercadoria importada foi classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, uma vez que o código NCM correto é na posição 3214.10.10 e não 3506.10.90, como informado pelo importador, lavrase este Auto de Infração para'a Em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, foram apuradas infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados. 001 DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA 0 importador através da D.I. no 02/01797466, registrada em 01/03/2002, submeteu a despacho 33.408 bisnagas plásticas pesando 10.022,40 kg de "Polidimetilsiloxano + Cargas + Agentes Auxiliares + Reticulante de Acetoxisilano, estado pastoso, qualidade,industrial, denominado Brascoved Construção Transparente ", tendo classificado tarifáriamente o produto no código NCM 3506.1090 e pago os impostos As alíquotas de 17,5% para o I.I. e de 0% para o I.P.I. . Ocorre que, quando do desembaraço aduaneiro da mercadoria, foi retirada amostra p/pedido de exame LAB 0549/Gcof, que resultou na emissão do Laudo de Análise n° 0748.01 de 01/04/2002. Analisando o resultado do mesmo, verificase ter sido definido que "não se tratava de Cola ou Adesivo Preparado, não especificado, nem compreendido em outras posições, acondicionado para venda a retalho " conforme indicado , mas sim efetivamente de " Mástique, constituído de Polissiloxano, na forma de pasta, acondicionado em embalagem para a venda a retalho " e com base na 10 e na 6° R.G.I./SH inferese que, para o produto realmente importado a classificação tarifária correta é no código NCM 3214.10.10, cujas alíquotas vigentes à época eram de 15,5% para o I.I. e de 10% para IPI. Assim sendo, tendo ficado provada a declaração inexata da mercadoria e a omissão de elementos essenciais a perfeita identificação da mesma, praticadas pelo importador, lavrase este Auto de Infração para a cobrança da diferença de imposto, Fl. 545DF CARF MF Processo nº 11128.000812/200477 Acórdão n.º 3301004.668 S3C3T1 Fl. 546 4 apurada em face de tais incorreções, acrescidas de todos os gravames legais devidos, conforme demonstrado nos anexos . Em impugnação, a empresa alegou: 1. Preliminarmente, a ausência de legalidade e constitucionalidade da utilização da taxa SELIC. 2. Serem incabíveis as multas pela falta de pagamento do imposto e pela falta de guia de importação, pois estas só se aplicam em casos de práticas de condutas ilícitas. Cita também o ADN COSIT n° 29/80 e o ADN COSIT 10/97. 3. No mérito, alega que seu produto tem características adesivas, sem a necessidade de qualquer auxílio mecânico. Cita publicações técnicas. 4. Requer a realização de perícia técnica e apresenta quesitos. A 2ª Turma da DRJ/SP2, no acórdão n° 1720.402, negou provimento à impugnação da empresa, com decisão assim ementada: CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PENALIDADES Mercadoria identificada pelo LABANA como Mastigue, constituído de Polissiloxano, na forma de pasta, acondicionado para venda a retalho, cuja denominação comercial é BRASCOVED CONSTRUÇÃO TRANSPARENTE, deve ser classificada no código NCM 3214.10.10, conforme adotado pela fiscalização. Em seu recurso voluntário, a empresa alega a nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, uma vez que foi indeferido o seu pedido de nova perícia. No mérito, defende a classificação fiscal dada pela empresa e o afastamento das multas aplicadas. A 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, na Resolução n° 310100.058, converteu o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora do domicílio da Recorrente providenciasse “a efetivação de novo laudo sobre a mercadoria importada, desta vez a cargo do INT Instituto Nacional de Tecnologia, com os mesmos quesitos formulados quando do primeiro laudo, fl.18, intimando antes a recorrente, para formular quesitos suplementares e nomear perito para acompanhar a perícia, se quiser.” A diligência foi infrutífera, como informou a autoridade fiscal (efl. 506): Em 22 de julho de 2011, o citado Instituto, enviou a este Gralt o Ofício 291/INT com solicitação de informações quanto a Fl. 546DF CARF MF Processo nº 11128.000812/200477 Acórdão n.º 3301004.668 S3C3T1 Fl. 547 5 natureza química do fungicida e da carga inorgânica empregada e o fornecimento do componente fungicida padrão. Intimado a apresentar as informações em questão, o importador alegou impossibilidade de atender uma vez que não tem acesso a detalhes da fórmula, por se tratar de segredo industrial. Em 16 de setembro de 2011, notificamos o INT para que, em vista da informação do importador, informasse se seria possível a emissão de Parecer Técnico. Através do Ofício 71/INT (fls. 479), aquele Instituto encaminhou orçamento e informou que seria possível responder os quesitos formulados pela Receita Federal, mas os quesitos formulados pelo importador ficariam prejudicados. Encaminhamos ao importador cópia do citado Ofício, solicitando o protocolo de aprovação do orçamento junto ao INT (fls.480 ). Através de correio eletrônico, o representante legal do importador informou que já havia efetuado o pagamento (fls. 482 ). Devido a demora na emissão do Parecer Técnico, emitimos nova Notificação ao INT (fls. 486 ). Em resposta, nos foi informado que não houve o regular pagamento do Parecer Técnico. Questionado quanto ao comprovante de pagamento enviado a este Gralt, o INT informou se tratar de um outro processo. Mais uma vez intimamos o importador para que se manifestasse (fls.490). Em 23 de outubro do presente ano, recebemos o Ofício nº 574/INT (fls491), informando a impossibilidade de realizar o serviço, uma vez que a amostra sofreu processo de cura e está vencida. Nada mais tendo a providenciar neste Gralt, encaminhese ao GCOT/DICAT para posterior envio ao Terceiro Conselho de Contribuintes conforme determinado às fls. 395. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Em primeiro plano, não acolho a preliminar de nulidade na decisão de primeiro grau que indeferiu o pedido de perícia, porquanto a autoridade julgadora está livre para julgar de acordo com sua convicção, que é formada pelos elementos que estão nos autos. Entendeu a decisão recorrida que o laudo LABANA é suficiente para a solução da controvérsia, inclusive a decisão está devidamente fundamentada. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11128.000812/200477 Acórdão n.º 3301004.668 S3C3T1 Fl. 548 6 Quanto ao pedido de contraprova, o feito foi convertido em diligência, que restou infrutífera. Portanto, as preliminares não devem ser acolhidas. Mérito Não tendo havido prova nova que permitisse afastar aquela feita pela fiscalização, através do laudo LABANA, entendo que a decisão de piso não merece reforma. Diante disso, proponha a adoção de seus fundamentos, nos termos do art. 57, § 3º, do RICARF. O elemento principal da lide consiste em se determinar a classificação fiscal do produto descrito pelo importador como "BRASCOVED CONSTRUÇÃO TRANSPARENTE". Conforme as REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO, a classificação das Mercadorias na Nomenclatura regese pelas seguintes regras: 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos tem apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrarias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: ... A classificação adotada pelo importador para o produto é a NCM 3506.10.90: 3506 Colas e outros adesivos preparados, não especificados nem compreendidos em outras posições; produtos de qualquer espécie utilizados como colas ou adesivos, acondicionados para venda a retalho como colas ou adesivos, com peso liquido não superior a 1 kg. 3506.10 Produtos de qualquer espécie utilizados como colas ou adesivos, acondicionados para venda a retalho como colas ou adesivos, com peso liquido não superior a 1 kg. 3506.10.90 Outros A classificação indicada como correta pela fiscalização é a NCM 3214.10.10: 3214 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques; indutos utilizados em pintura; indutos não refratários do tipo dos utilizados em alvenaria. 3214.10 Mástique de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques indutos utilizados em pintura 3214.10.10 Mastigue de vidraceiro, cimentos de resina e outros mástiques Fl. 548DF CARF MF Processo nº 11128.000812/200477 Acórdão n.º 3301004.668 S3C3T1 Fl. 549 7 As Notas Explicativas da posição 3214 assim estabelecem: MÁSTIQUE DE VIDRACEIRO (MASSA DE VIDRACEIRO), CIMENTOS DE RESINA E OUTROS MASTIQUES Os mástiques utilizamse especialmente para obturar fendas, para assegurar a estanqueidade, em alguns casos, para assegura ra fixação ou a aderência de peças. Diferem das colas e de outros adesivos porque se aplicam em camadas espessas. Observando o resultado do laudo técnico de efl. 19, encontramos as seguintes afirmações: CONCLUSÃO Tratase de Mastigue, constituído de Polissiloxano, na forma de pasta, acondicionado em embalagens para venda a retalho. RESPOSTAS AOS QUESITOS I. Não se trata de Cola ou Adesivo Preparado, não especificado, nem compreendido em outras posições, acondicionado para venda a retalho. Tratase de Mástique, constituído de Polissiloxano, na forma de pasta, acondicionado em embalagem para venda a retalho. 2. Não se trata de preparação nem de composto de constituição química definida. De acordo com Referencias Bibliográficas, mercadoria dessa natureza é utilizada nas junções de alumínio/azulejo ou cerâmica e ralo, entre vidro e esquadria, entre rufo e a parede e nas juntas de granito ou mármore, etc. Deste modo, sendo conclusivo o laudo no sentido de caracterizar o produto analisado como um mástique, este encontra perfeita descrição na posição 3214. Ressaltese que as NESH dessa posição esclarecem que tais produtos se diferenciam das colas e adesivos em função da espessura das camadas de aplicação, podendo ter sim a função de fixação ou aderência das peças. Assim, a alegação da Recorrente de que o produto possui características adesivas apenas corrobora a classificação indicada pela fiscalização. Também irrelevante a presença ou não de elementos de fixação mecânicos, visto que em nenhum momento as NESH da posição 3214 citam isso como requisito para enquadramento naquela posição. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11128.000812/200477 Acórdão n.º 3301004.668 S3C3T1 Fl. 550 8 Então, a Fiscalização definiu corretamente o reenquadramento tarifário relativo ao produto importado, restando, dessa forma, cabível o tributo lançado, em função da diferença de alíquota. Por conseguinte, não há que se afastar as multas aplicadas. A multa pela falta de pagamento do imposto nos termos da Lei n° 9.430/96 é devida, em virtude de o importador ter recolhido o IPI em alíquota menor que a correspondente à época para a NCM 3214.10.10. Da mesma forma, como a descrição das mercadorias importadas foi feita de forma incompleta, omitindo a informação essencial de tratarse o produto de um mastigue, foi corretamente aplicada a multa pela falta de guia de importação. Por fim, tendo em vista o erro na indicação da NCM, também é cabível a multa prevista no art. 84, I, da MP n° 2.158/01. Em suma, a autuação deve subsistir integralmente. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 550DF CARF MF
score : 1.0
