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Numero do processo: 10880.940320/2009-36
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
IPI. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ.
A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito.
RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE.
Estando o valor do direito creditório disponível para compensação na data da transmissão do PER/DCOMP corretamente demonstrado nos anexos ao despacho decisório e, posteriormente explicitado, de forma inclusive didática, no voto condutor do acórdão recorrido; e, constatado que os documentos acostados ao recurso voluntário são exatamente aqueles em que fundamentou a autoridade fiscal que concluiu pela existência apenas parcial de saldo credor de IPI informado pelo contribuinte, bem assim os juntados na manifestação de inconformidade, não há como prevalecer a pretensão recursal quanto a existência de saldo credor de IPI suficiente para compensar os débitos declarados a título de PIS/Pasep e/ou Cofins.
Numero da decisão: 3001-000.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. Estando o valor do direito creditório disponível para compensação na data da transmissão do PER/DCOMP corretamente demonstrado nos anexos ao despacho decisório e, posteriormente explicitado, de forma inclusive didática, no voto condutor do acórdão recorrido; e, constatado que os documentos acostados ao recurso voluntário são exatamente aqueles em que fundamentou a autoridade fiscal que concluiu pela existência apenas parcial de saldo credor de IPI informado pelo contribuinte, bem assim os juntados na manifestação de inconformidade, não há como prevalecer a pretensão recursal quanto a existência de saldo credor de IPI suficiente para compensar os débitos declarados a título de PIS/Pasep e/ou Cofins.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 IPI. DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. Estando o valor do direito creditório disponível para compensação na data da transmissão do PER/DCOMP corretamente demonstrado nos anexos ao despacho decisório e, posteriormente explicitado, de forma inclusive didática, no voto condutor do acórdão recorrido; e, constatado que os documentos acostados ao recurso voluntário são exatamente aqueles em que fundamentou a autoridade fiscal que concluiu pela existência apenas parcial de saldo credor de IPI informado pelo contribuinte, bem assim os juntados na manifestação de inconformidade, não há como prevalecer a pretensão recursal quanto a existência de saldo credor de IPI suficiente para compensar os débitos declarados a título de PIS/Pasep e/ou Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 03 20 /2 00 9- 36 Fl. 206DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 92 a 204) interposto contra o Acórdão 11 40.634, da 6ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE DRJ/REC (fls. 84 a 89), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 24/34), mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem. Do Pedido de Ressarcimento O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação" PER/DCOMP 9431.70429.181008.1.1.011607, retificado pelo PER/DCOMP 25281.11300.191008.1.5.012741, transmitido em 19.10.2008, e o PER/DCOMP 22095.33340.201008.1.3.010740, transmitido em 20.10.2008, solicitou o ressarcimento do IPI, referente ao 4º trimestrecalendário do ano de 2007, para compensar com a Cofins NãoCumulativa, referente ao período de apuração de 09/2008, com vencimento em 20.10.2008 (fls. 02 a 20). Do Despacho Decisório Em face do referido pedido, foi exarado o despacho decisório Número de Rastreamento 850214884 (fls. 22 a 25): (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 5.535,00 Valor do crédito reconhecido: R$ 2.536,21 0 valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento inferior ao valor pleiteado. Utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento do trimestre em períodos subseqüentes, até a data da apresentação do PER/DCOMP. 0 crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 22095.33340.201008.1.3.010740 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10880.940320/200936 Acórdão n.º 3001000.033 S3C0T1 Fl. 207 3 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 25281.11300.191008.1.5.012741. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos Indevidamente compensados, para pagamento até 30/10/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 2.998,79 599,75 316,67 Para informações complementares da análise de crédito, identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar www.receita.fazenda.gov.br , opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto "Restituição...Compensação", Item PER/DCOMP, Despacho Decisório. Enquadramento Legal: Art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Da Manifestação de Inconformidade Diante da decisão supra, o contribuinte apresentou, em 04.12.2009, manifestação de inconformidade (fls. 27 a 32) para aduzir, em apertada síntese, que o valor do crédito acumulado no trimestrecalendário em questão é suficiente para atender à compensação declarada e, por conseguinte, para autorizar a homologação pelo órgão fazendário (RFB). Junta os seguintes documentos (fls. 33 a 81): (1) alteração e consolidação contratual da sociedade; (2) instrumento de procuração outorgada pelo sócio da sociedade; (3) cédula de identidade de estrangeiro do sócio da sociedade; (4) identidade do procurador; despacho decisório; (5) pedido de ressarcimento; (6) declaração de compensação; e (7) registro de apuração de IPI. Por considerar que existe o crédito no montante informado, invoca a improcedência do deferimento parcial de seu pleito, razão pela qual requereu a homologação da compensação declarada em PER/DCOMP. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do Acórdão 1140.634, exarado pela 6ª Turma da DRJ/REC, da Sessão realizada de 24 de abril de 2013, que por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a decisão proferida pela autoridade administrativa na repartição de origem, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 Fl. 208DF CARF MF 4 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. O valor do direito creditório disponível para compensação na data da transmissão do PER/DCOMP em foco foi corretamente demonstrado nos anexos ao despacho decisório. A alegação de que o saldo credor referenciado seria superior ao valor reconhecido pela RFB não pode ser sustentada pelo teor da manifestação de inconformidade e documentos anexos. Mantém se a decisão exarada pela repartição fiscal de origem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado ainda com o feito, o requerente interpôs recurso voluntário (fls. 92 a 204), que veio a reprisar, em suma, os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Os trechos a seguir transcritos confirmam essa identidade, vejamos: (...) Trata o caso em tela da hipótese de créditos escriturais de IPI relativos a aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados diretamente com o produto final comprovados através dos documentos anexos (Registro de Apuração do IPI) relativo ao período apurado do crédito compensado. Apesar do constante no despacho decisório referente ao presente processo, verificase dos documentos anexados (Registro de Apuração de IPI) demonstram haver créditos acumulados suficientes para fazer frente aos débitos compensados. Os créditos estão registrados no livro de apuração do IPI conforme se verifica dos documentos juntados. (LIVRO_REGISTRO_APURACAO_IPI) No entanto, a autoridade administrativa fiscal constatou que, até a data da apresentação do PER/DCOMP em tela, a interessada já utilizara parcialmente, na sua escrita fiscal, o saldo credor passível de ressarcimento relativo ao trimestre especificado no PER/DCOMP, utilizandoo para quitar outros débitos em períodos mensais subseqüentes ao trimestre referenciado no PER/DCOMP. Assim, o Despacho Decisório recorrido apontou o crédito remanescente reconhecido em valor insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados e, por isso, foi homologada apenas parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP. A razão não merece acolhimento à alegação supra. (...) O valor passível de ressarcimento no trimestrecalendário em tela foi gerado após abatimento dos débitos do IPI mensal e suficiente para compensar devidamente, os débitos das Contribuições Sociais do PIS e da COFINS até a data de transmissão do PER/DCOMP como se comprovará a seguir. (...) Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10880.940320/200936 Acórdão n.º 3001000.033 S3C0T1 Fl. 208 5 Perceba, preclaro Julgador, no final do mês 12/07 foi gerado saldo credor no montante de R$ 44.508,05 (mas, somente solicitado o crédito do trimestre no valor de R$ 5.535,00) e transferido para o mês subsequente, matematicamente falando, resta claro, que este saldo não foi utilizado na escrituração fiscal do Livro Registro de Apuração do IPI nos respectivos meses de apuração, bem como não foi utilizado no mês subseqüente e menos ainda, nos meses posteriores até a data da transmissão dos PER/DCOMP. (...) Em relação ao apontamento feito pelo Ilustre Agente Fiscal de Rendas que, a utilização se daria também por transmissão de outras compensações via PER/DCOMP em meses posterior a data efetivada da primeira compensação, não deve prosperar, haja vista a documentação digital comprobatória juntada que demonstra claramente que a recorrente somente efetivou compensação até o mês 11/2008 nada mais do que isto!! Arquivo magnético DOCUMENTAÇÃO COMPROI3ATORIA (...) Não obstante, a fim de se comprovar que o saldo credor passível de ressarcimento apurado no quarto trimestre de 2007 não foi utilizado na escrituração fiscal e tão pouco em outros PER/DCOMP, mas devidamente estornado (folhas de número 46 e 50 do LRAIPI) nos meses de 10/08 e 11/08 o montante de R$ 78.647,67, solicitado na data de transmissão. (...) Portanto, ínclito Julgador, não restando alternativa para recorrente, valerseá assim, do presente recurso voluntário, para comprovar o direito ao crédito do IPI pleiteado, conforme poderá observar por meio da documentação comprobatória (Cópia do Livro Registro de Apuração do IPI) que foi registrado no campo "SALDO CREDOR DO PERÍODO ANTERIOR" do mês 10/2008 o montante de R$ 78.842,24. Somando o montante de R$ 5.555,46, registrado no campo "001 — POR ENTRADAS DO MERCARDO NACIONAL" resultará no valor de crédito de R$ 84.397,70, ressaltando que toda essa operação, relativo ao mês 10/08! Continuando; subtraindo o montante de débito de IPI do próprio mês no valor de R$ 898,04 e o estorno de crédito (IPI — RESSARCIMENTO) devidamente efetivado no montante de R$ 44.685,60 o saldo final de apuração do mês será de R$ 38.814,06, ou seja, no mês existia saldo credor suficiente para amortização do crédito solicitado e compensação posterior com débitos do PIS e da COFINS. Arquivo magnético PEDIDO RESTITUICÃO RESSARCIMENTO 001 e 002 Finalizando a operação, no mês 11/08 foi estornado devidamente o saldo remanescente do crédito solicitado no montante de R$ 33.782,07 Fl. 210DF CARF MF 6 resultando na apuração final do saldo credor no montante de R$ 7.006,72. Com todo exposto, somando os valores dos estornos de créditos efetivados nos meses 10/08 e 11/08 nos valores de R$ 44.685,60 + R$ 33.782,07 resultará exatamente no montante do crédito solicitado pela recorrente no montante de R$ 78.467 67. A empresa contribuinte apurou saldo credor de IPI acumulado no trimestre calendário conforme artigo 11 da Lei 9.779/99 e IN SRF 33/99. (...) Assim, no presente caso houve total obediência à regras da lei n. 9.779/99 e à Instrução Normativa 33/99 eis que os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) havidos no trimestre calendário e que foram escriturados na forma da legislação específica e que diante disto foram utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos fiscais compensados em PER/DCOMP. Apenas para frisar, como pode ser verificado do Registro de Apuração de IPI anexo, ao final do trimestrecalendário, foram verificados créditos do IPI passíveis de ressarcimento, assim, requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI" anexo e utilizouos para compensação de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os créditos estão registrados no livro de apuração do IPI conforme se verifica dos documentos juntados. (LIVRO_REGISTRO_APURACAO_IPI) (...) III. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida o presente recurso voluntário com a homologação da compensação declarada em PER/DCOMP diante da existência de crédito. DOCUMENTOS JUNTADOS 1. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA 2. LIVRO_REGISTRO_APURACAO_IPI 3. PEDIDO RESTITUICAO RESSARCIMENTO 001 4. PEDIDO RESTITUICAO RESSARCIMENTO 002 Relativamente ao "Livro Registro de Apuração do IPI Modelo P8", foram juntados os registros de apuração referentes aos meses de Abril de 2006 a Dezembro de 2008. Quanto aos Recibos de Entrega das Declarações de Compensação DComp, foram juntadas a (1) Declaração nº 29906.25423.201008.1.3.016730, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de PIS/PASEP, no valor de Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10880.940320/200936 Acórdão n.º 3001000.033 S3C0T1 Fl. 209 7 R$ 6.127,34 (transmitida em 20.10.2008); (2) Declaração nº 4062.81245.201008.1.3.014018, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de PIS/Pasep e Cofins, no valor de R$ 7.436,32 (transmitida em 20.10.2008); (3) Declaração nº 16309.44189.201008.1.3.011581, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 6.297,66 (transmitida em 20.10.2008); (4) Declaração nº 0953.36888.201008.1.3.012055, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 5.773,61 (transmitida em 20.10.2008); (5) Declaração nº 2424.37807.201008.1.3.014403, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 5.109,02 (transmitida em 20.10.2008); (6) Declaração nº 13546.42469.201008.1.3.014828, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 7.899,30 (transmitida em 20.10.2008); (7) Declaração nº 22095.33340.201008.1.3.010740, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 5.535,00 (transmitida em 20.10.2008); (8) Declaração nº 26453.16454.201008.1.3.016206, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 507,35 (transmitida em 20.10.2008); (9) Declaração nº 30382.01631.191108.1.3.019490, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de PIS/Pasep e Cofins, no valor de R$ 6.456.48 (transmitida em data não legível); (10) Declaração nº 00922.87519.191108.1.3.012145, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 12.735,48 (transmitida em 19.11.2008); e (11) Declaração nº 07128.75878.191108.1.3.01 9676, que trata do ressarcimento do crédito de IPI, utilizado para compensar o débito de Cofins, no valor de R$ 14.590,11 (transmitida em 19.11.2008). Em relação aos Recibos de Entrega dos Pedidos de Ressarcimento PER, foram juntados o (1) Pedido nº 40793.65653.181008.1.1.010177, retificado pelo Pedido nº 02087.88403.191008.1.5.012729, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 7.436,32 (transmitido em 19.10.2008); (2) Pedido nº 14101.10637.181008.1.1.016573, retificado pelo Pedido nº 01015.60880.191008.1.5.014520, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 6.297,66 (transmitido em 19.10.2008); (3) Pedido nº 31610.50773.181008.1.1.015430, retificado pelo Pedido nº 07594.62437.191008.1.5.017247, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 5.773,61 (transmitido em 19.10.2008); (4) Pedido nº 28558.73480.181008.1.1.012411, retificado pelo Pedido nº 09663.67026.191008.1.5.010729, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 5.109,02 (transmitido em 19.10.2008); (5) Pedido nº 42631.47982.181008.1.1.015240, retificado pelo Pedido nº 04878.82484.191008.1.5.018809, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 7.899,30 (transmitido em 19.10.2008); (6) Pedido nº 29431.70429.181008.1.1.011607, retificado pelo Pedido nº 25281.11300.191008.1.5.012741, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 5.535,00 (transmitido em 19.10.2008); (7) Pedido nº 30183.98453.181008.1.1.016717, retificado pelo Pedido nº 36170.63409.191008.1.5.013443, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 6.963,83 (transmitido em 19.10.2008); (8) Pedido nº 11173.65519.181008.1.1.013415, retificado pelo Pedido nº 01285.25079.191008.1.5.011313, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 12.735,48 (transmitido em 19.10.2008); e (9) Pedido nº 1585.03017.181008.1.1.014039, retificado pelo Pedido nº 39262.71941.191008.1.5.013723, que trata do ressarcimento de IPI no valor de R$ 14.590,11 (transmitido em 19.10.2008). É o relatório. Fl. 212DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O recurso voluntário, conforme se depreende do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na CAC/Paulista, em 20.06.2013 (quintafeira). A ciência da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme carimbo aposto no Aviso de Recebimento "AR" CDD Veleiro São Paulo SPM (fl. 91), ocorreu em 27.05.2013 (segundafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto 7.574 de 29.09.2011, combinado com o art. 33 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Prolegômeno Antes e adentrar ao tema ao qual o litígio se restringe, importa destacar, por elucidativo, que o caso sob exame (processo 10880.940320/200936), afora a questão relativa ao período de abrangência dos PER/DCOMP em discussão, é absolutamente idêntico aos tratados nos processos 10880.936395/200912, 10880.936396/200967, 10880.936399/2009 09, 10880.936400/200997, 10880.936401/200931, 10880.936402/200986, 10880.936403/200921, 10880.940318/200967 e 10880.940319/200910, tanto isso é fato inconteste que igualmente são idênticos os recursos voluntários neles apresentados e os documentos a ele anexados. Do Mérito Em face da manutenção integral dos fundamentos do despacho decisório, efetuada pela 6ª Turma da DRJREC, quando da prolação do acórdão recorrido, o litígio posto à apreciação desta Turma de Julgamento, restringese em se determinar se os elementos de prova coligidos aos autos, com a apresentação do recurso voluntário, são hábeis e suficientes para infirmar a conclusão contida no voto condutor do acórdão vergastado, que referendou a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição de origem, ocasião em que homologou parcialmente a compensação declarada através do PER/DCOMP especificado, e com isto, reconhecer o direito creditório alegado pelo recorrente, confirmando a existência do saldo credor de IPI requerido, com relação ao trimestre/ano indicado no PER/DCOMP, utilizado para quitar débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. É inconteste que a presente contenda não se refere a uma possível discussão sobre a natureza do crédito de IPI, relativo a aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados ao produto final. Da mesma forma, não está se discutindo se o recorrente apurou saldo credor de IPI em desconformidade com a legislação de regência aplicável ao caso sob exame, notadamente as gravadas no artigo 11 da Lei 9.779 de 19.01.1999 e IN/SRF 33 de 04.03.1999. Posto que em nenhum momento discutiuse o direito ao aproveitamento de saldo credor de IPI, que resultou de aquisições de matériaprima, materiais intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10880.940320/200936 Acórdão n.º 3001000.033 S3C0T1 Fl. 210 9 A celeuma está em saber se, com as informações disponíveis nos sistemas de controle da RFB, complementadas com a documentação apresentada pelo recorrente, o saldo credor do IPI, referente ao trimestre informado, é no montante indicado no PER/DCOMP transmitido na data da compensação pretendida ou se parte deste saldo já fora utilizado na compensação de outros débitos, por meio de outros PER/DCOMP, em meses subseqüentes ao trimestre em que foi apurado o saldo credor considerado. Já se viu que a documentação coligida aos autos neste momento processual é a mesma que havia sido apresentada nas fases inquisitorial e recursal antecedentes. Neste sentido, valhome da instrutiva análise contida no voto condutor do acórdão recorrido, o qual, desde já peço licença para reproduzir alguns trechos, para evidenciar que a interpretação dada pelo recorrente, quanto ao suposto saldo credor não se sustenta, vejamos o que importa destacar: (...) O despacho decisório recorrido e seus anexos explicitam a conclusão obtida a partir da análise fiscal procedida. Explicita se naqueles anexos ao despacho decisório, que o valor do remanescente saldo credor referenciado ao trimestre especificado no PER/DCOMP, efetivamente disponível para ressarcimento ou compensação é em valor inferior ao pretendido, identificando ambos os valores. Ao contrário do que alega a d. manifestante, a razão para a conclusão da autoridade fiscal foi devidamente explicitada nos anexos ao despacho decisório, tudo cientificado à interessada. Os anexos ao despacho decisório se formam a partir de um extrato do “Sistema de Controle de Créditos (SCC) PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito”, o qual foi desdobrado nos seguintes quatro (04) demonstrativos: (1º) Demonstrativo de Créditos e Débitos (Ressarcimento de IPI), (...); (2º) Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível, (...); (3º) Demonstrativo de Apuração após o período do ressarcimento. (...) (4º) Demonstrativo do Crédito Reconhecido para cada PER/DCOMP (...). No caso concreto, foi plenamente garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ademais, os fundamentos utilizados pela fiscalização, que serviram de base ao despacho decisório recorrido, foram devidamente cientificados ao contribuinte, conforme documentos anexos, e estão consoantes com o entendimento oficial. No entanto, a interessada, ora manifestante, apesar de alegar possuir crédito suficiente para a compensação pretendida, não foi capaz de contraditar a informação fiscal de que houve Fl. 214DF CARF MF 10 compensação de outros débitos, atestados em outros PER/DCOMP relacionados no terceiro demonstrativo dentre os anexados ao despacho decisório, fatos que determinaram a redução do saldo credor ressarcível referente ao trimestre referenciado no PER/DCOMP. (...) O despacho decisório, cuja conclusão foi corroborada pelo voto condutor do acórdão recorrido, teve como fundamento as informações prestadas pela própria empresa. Com referência ao crédito e compensação já parcialmente negados, não há mais espontaneidade da empresa, o que não dispensa a apresentação das declarações com as informações que entende corretas. A manifestação de inconformidade (primeiro) e o recurso voluntário (por fim) era a oportunidade para a empresa fornecer a devida comprovação do direito creditório e/ou do erro em que se fundou a declaração transmitida. O artigo 170 do CTN (Lei 5.172 de 25.10.1966) fixa pressuposto nuclear a ser atendido pelo contribuinte a fim de que possa ser corroborada a compensação pela Fazenda Nacional: que seus créditos estejam revestidos de liquidez e certeza. As alegações devem ser comprovadas com documentos hábeis e suficientes, nos termos dos artigos 15 e 16 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (aplicável tanto a impugnação e a manifestação de inconformidade, quanto a recurso, por força dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei 9.430 de 27.12.1996), cabendo ao interessado apresentar as provas necessárias para confirmar sua defesa: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/93). Para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, nos termos em que pretendido pelo interessado, necessário que demonstrasse que sua escrita contábilfiscal infirmasse a conclusão contida no acórdão recorrido, na medida em que não representasse a expressão a verdade. No entanto, no presente processo, nenhuma prova nova, que comprovasse o montante do saldo credor de IPI, para fins do ressarcimento pretendido, foi apresentada. Noutros termos, a documentação acostada ao presente recurso é a mesma que instruiu a declaração transmitida eletronicamente e a manifestação de inconformidade, qual seja o "LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO IPI MODELO P8", cujos registros não contradizem as informações contidas no “Sistema de Controle de Créditos (SCC) PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito”. Não se pode acolher a argumentação de que o saldo credor de IPI requerido, com relação ao trimestre/ano indicado no PER/DCOMP, foi suficiente para quitar débitos de Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10880.940320/200936 Acórdão n.º 3001000.033 S3C0T1 Fl. 211 11 tributos administrados pela RFB, conforme pretende o interessado. Não é possível reconhecer o direito se o contribuinte não traz documentação fidedigna apta a provar o direito alegado, pois é ônus exclusivo deste, provar o que alega, nos termos do artigo 373, do Código de Processo Civil CPC/2015 (Lei 13.105 de 16.03.2015.), abaixo transcrito: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Quanto à decisão recorrida, só seria cabível a sua reforma em julgamento com a comprovação taxativa e incontestável do erro em que se fundou a declaração original e do indébito apurado, o que, como exaustivamente evidenciado, não é o caso dos presentes autos. Da Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 216DF CARF MF 12 Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13123.000472/2008-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA A FÍSICA. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes. Devem ser mantidas as glosas quando não comprovada as despesas médicas.
FALTA DE DOCUMENTOS IDÔNEOS A COMPROVAR AS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE PARA AFASTAR A GLOSA EFETUADA.
O contribuinte não obrou comprovar por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devendo ser mantida a exigência fiscal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Fabio Piovesan Bozza, que dava provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes. Devem ser mantidas as glosas quando não comprovada as despesas médicas. FALTA DE DOCUMENTOS IDÔNEOS A COMPROVAR AS ALEGAÇÕES DO CONTRIBUINTE. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE PARA AFASTAR A GLOSA EFETUADA. O contribuinte não obrou comprovar por documentos idôneos que demonstrem a possibilidade de afastar a glosa do Imposto de Renda, ainda que em fase recursal, devendo ser mantida a exigência fiscal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Fabio Piovesan Bozza, que dava provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 3. 00 04 72 /2 00 8- 83 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13123.000472/200883 Acórdão n.º 2301005.135 S2C3T1 Fl. 90 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Thiago Duca Amoni, e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por LÍVIO FERNANDES CAVALCANTE, contra o acórdão de julgamento n.º 0340.785 (fls. 61/67), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em BrasíliaDF (6ª Turma da DRJ/ DRJ/BSB), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado, tendo em vista a glosa realizada no valor de R$10.667,64. A Notificação de lançamento se deu por dedução indevida de despesas médicas, conforme se transcreve parte do relatório da DRJ (fls. 61/67), in verbis: O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas glosa de dedução de despesas médicas, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração de Imposto de Renda. Valor: R$ 10.667,64. Motivo: parte das despesas médicas informadas não são do anocalendário 2005 ou não são do contribuinte ou de seu dependente. A base legal do lançamento encontrase à fi. 13 dos autos. O contribuinte em fase recursal apresenta seu recurso voluntário nas fls. 63/67, alegando, em breve síntese, que os valores glosados foram para custear os tratamentos do próprio recorrente, referente as seguintes despesas com os respecitvos profissionais: Flávio Kuhlmànn Souza, odontólogo, registado sob CPF n.º 046.487.44675, no valor de R$6.000,00 (seis mil reais), conforme declaração acostada na fl. 80; Patricia Augusta De Souza Costa, psicóloga, registrada sob CPF n.º,928.753.781 04,, no valor de R$3.700,00 (três mil e setecentos reais), conforme declaração acostada na fl. 81. O recorrente finaliza seu recurso solicitando a extinção do crédito fiscal, bem como requer o reconhecimento como próprias e adequadas as despesas médicas, reapresentadas, reabilitando as na DIRPF correspondente, reformando o decisórioprolatado. Diante dos fatos apresentados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha relator O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente. Portanto, deve ser conhecido. Sendo assim, passo a analisar o mérito. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13123.000472/200883 Acórdão n.º 2301005.135 S2C3T1 Fl. 91 3 O acórdão proferido pela DRJ de origem não acolheu a impugnação apresentada, em razão da não existir de documentos idôneos que pudessem comprovar os efetivos pagamentos quando da realização de serviços médicos glosados, especialmente por que o tratamento se daria a pessoa diversa que não o contribuinte. Analisando toda a documentação do processo administrativo fiscal, bem como do recurso apresentado, e dos documentos juntados em fase recursal, verificase que a assiste razão a DRJ, bem como da fiscalização atuante. Senão vejamos. O recorrente alega que os serviços odontológicos e piscoterápicos realizados no ano calendário de 2005 foram para seu próprio tratamento. Juntou inclusive declaração dos profissionais já citados. Contudo, em confrontação das declarações de fls. 80 e 81 com os recibos de fls. 42 e 43 verificase que não procede suas alegações. No caso os serviços odontológicos foram para custear tratamento da Sra. Almira de Almeida Pinto Rodrigues, no ano calendário de 2005, no mesmo valor da declaração (R$ 6.000,00) apresentado em sede de recurso, mas que de forma diversa do que consta do recibo juntado que foi para tratamento do contribuinte, em contradição ao alegado em sede recursal. O mesmo ocorre com o as despesas com a fisioterapeuta Patrícia Augusta de Souza Costa. Essa atestou que o valor de R$3.700,00 foi para custear tratamento do recorrente. Porém, no recibo acostado ao feito, a mesma profissional cita que o mesmo pagamento serviu para custear o tratamento de Ana Luiza R. A Cavalcante. Em análise da declaração de IRPF (fls. 31/34) não se verifica a pessoa indicada como sua dependente, tendo outra contradição no decorrer do processo e das afirmações apresentadas. Porém, diante da análise do conjunto probatório do processo, não é possível concluir que os recibos juntados nas fls. 35/40 foram efetivamente para custeio do tratamento em análise. Explico. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os dispositivos do art.8º, da Lei 9.250, de 26 de dezembro de 1995 assim transcrito: "Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13123.000472/200883 Acórdão n.º 2301005.135 S2C3T1 Fl. 92 4 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Nesse sentido o contribuinte deve comprovar de forma idônea as deduções pretendidas, consoante prescreve o artigo 73 e § I o do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26 de março de 1999, estabelece que: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. No que diz respeito aos comprovantes de pagamento, cito a Instrução Normativa n.º 1.500, de 2014, da Receita Federal do Brasil, em que seu artigo 97, dispõe o seguinte: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limitase a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: I nome, endereço, número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou CNPJ do prestador do serviço; II a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário caso seja pessoa diversa daquela; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13123.000472/200883 Acórdão n.º 2301005.135 S2C3T1 Fl. 93 5 III data de sua emissão; e IV assinatura do prestador do serviço. A instrução Normativa impõe alguns requisitos para o aceite do recibo (comprovante) emitido por profissional. No presente caso não é possível concluir os pagamentos feitos foram para custear tratamento do contribuinte ou de seu dependente, uma vez que os recibos apresentados são contraditórios em confrontação com as declarações emitidas pelos profissionais citados, e não eximem as dúvidas acerca dos pagamentos realizados, impondo a manutenção da decisão da DRJ. Assim, concluo que não foram atendidos os requisitos legais para a concessão do benefício da dedução do imposto de renda por despesas médicas. Conclusão Em face do exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13123.000472/200883 Acórdão n.º 2301005.135 S2C3T1 Fl. 94 6 Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722924/2012-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem, para se comprovar a idoneidade do documento utilizado para quitar o débito que impediu a adesão ao Simples Nacional, constante do Termo de Indeferimento de Opção, em 31/01/2012.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa -Presidente
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente) e José Roberto Adelino da Silva..
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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(assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente) e José Roberto Adelino da Silva.. Relatório Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1650.981 da 1ª Turma da DRJ/SP1, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débito, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 22 92 4/ 20 12 -8 2 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10580.722924/201282 Resolução nº 1001000.007 S1C0T1 Fl. 3 2 A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzido o voto: Tempestiva a insurgência. Conhecida. O critério de decidir segue no § 1ºA, inciso I, do art. 7º da Resolução nº 04, de 30 de maio de 2007, expedida pelo Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009, com valência a partir de 24/03/2009 (conforme art. 9º dessa última): Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º. A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA. Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) § 1ºB. O disposto no § 1ºA não se aplica às empresas em início de atividade. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) § 1ºC. Para os fins do disposto no inciso I do § 1ºA deste artigo, a ausência ou irregularidade na inscrição municipal ou estadual, quando exigível, também é considerada como pendência impeditiva à opção pelo Simples Nacional. (Incluído pela Resolução CGSN nº 64, de 17 de agosto de 2009) § 2º. No momento da opção, o contribuinte deverá prestar declaração quanto ao não enquadramento nas vedações previstas no art. 12, independentemente da verificação efetuada conforme disposto no art. 9º. § 3º. No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção,deverá ser observado o seguinte: [...]Digase ainda – e mesmo que soe um truísmo – que o limite da presente contenda está materialmente vincado pelos exatos e precisos débitos causa listados no Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional que ilustra os presentes autos, elementos que, enfim, conformaram o horizonte defensório do Contribuinte. Nada além, coisa alguma a mais, sob pena de inovação a cargo de agente, momento e meio impróprios. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10580.722924/201282 Resolução nº 1001000.007 S1C0T1 Fl. 4 3 Bem, o caso não é de pessoa jurídica em início de atividade (vide, por exemplo, requerimento de empresário à fl. 05). D’outro lado, como visto, a opção de que se cuida foi formalizada em 09/01/2012, isto é, já e agora sob a égide do mencionado § 1ºA, inciso I, do art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 2007, assim incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 2009. Logo, na espécie, tinha o Contribuinte até o último dia útil de janeiro/2012 para regularizar a pendência contra ele sacada. No caso, o débito anotado no Termo de Indeferimento (fl. 15), qualificado como impediente ao ingresso no Simples Nacional, só foi regularizado em 22/01/2013, conforme extrato de Dívida Ativa da União de fls. 16/20, bem que consulta aos sistemas eletrônicos da RFB à fl. 21, ou seja, em data posterior ao último dia útil de janeiro/2012. Isso considerado, o presente voto é pelo INDEFERIMENTO DO PEDIDO do Contribuinte. VOTO Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. No seu recurso, a recorrente alega que: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10580.722924/201282 Resolução nº 1001000.007 S1C0T1 Fl. 5 4 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10580.722924/201282 Resolução nº 1001000.007 S1C0T1 Fl. 6 5 A recorrente apresentou cópia de todos os recolhimentos efetuados. No entanto, não conseguiu emitir a Certidão Conjunta, o que, a meu ver, em si, não impede a opção pelo simples. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.722924/201282 Resolução nº 1001000.007 S1C0T1 Fl. 7 6 Diante das afirmações contidas e dos documentos apresentados, proponho converter o presente julgamento em diligência para que a DRF confirme a idoneidade da documentação apresentada pela recorrente, utilizada para quitação do débito, indicado no Termo de Indeferimento de Opção, na database de 31/01/2012, consoante o disposto no art. 17, inciso V,d a LC 123/2006. É como voto. (assinado digitalmente) Jose Roberto Adelino da Silva Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.902214/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2002
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.702
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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conteudo_txt : Metadados => date: 2017-11-08T15:27:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-11-08T15:27:35Z; Last-Modified: 2017-11-08T15:27:35Z; dcterms:modified: 2017-11-08T15:27:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-11-08T15:27:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-11-08T15:27:35Z; meta:save-date: 2017-11-08T15:27:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-11-08T15:27:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-11-08T15:27:35Z; created: 2017-11-08T15:27:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2017-11-08T15:27:35Z; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-11-08T15:27:35Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.902214/201277 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.702 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria PER/DCOMP PIS/COFINS Recorrente ANHAMBI ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2002 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 22 14 /2 01 2- 77 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10935.902214/201277 Acórdão n.º 3402004.702 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06041.739, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10935.902214/201277 Acórdão n.º 3402004.702 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10935.902214/201277 Acórdão n.º 3402004.702 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10935.902214/201277 Acórdão n.º 3402004.702 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10935.902214/201277 Acórdão n.º 3402004.702 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10935.902214/201277 Acórdão n.º 3402004.702 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10935.902214/201277 Acórdão n.º 3402004.702 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 17883.000398/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ARBITRAMENTO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA.
Não há erro ou deficiência na indicação do enquadramento legal do arbitramento tampouco nulidade do Auto de Infração, quando a indicação do fundamento legal permitir a compreensão do procedimento, proporcionando ao contribuinte o desenvolvimento de sua defesa.
PRELIMINAR DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE.
A instância administrativa é incompetente para manifestar-se sobre a constitucionalidade da legislação que ampara a exigência fiscal.
GANHO DE CAPITAL. ARBITRAMENTO.
Não sendo possível determinar o custo de aquisição de imóvel, que não foi declarado pelo contribuinte no Ajuste Anual e para o qual não existe documento relativo à transação imobiliária, cabe o arbitramento pelo valor zero na forma da legislação tributária.
GLOSA DE DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS E DEPENDENTES.
Consolida-se o crédito tributário apurado em relação à matéria não contestada pelo sujeito passivo, na forma do art. 17 do Decreto 70.23 5/72.
Numero da decisão: 2201-004.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da SIlva Risso - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. ARBITRAMENTO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Não há erro ou deficiência na indicação do enquadramento legal do arbitramento tampouco nulidade do Auto de Infração, quando a indicação do fundamento legal permitir a compreensão do procedimento, proporcionando ao contribuinte o desenvolvimento de sua defesa. PRELIMINAR DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para manifestar-se sobre a constitucionalidade da legislação que ampara a exigência fiscal. GANHO DE CAPITAL. ARBITRAMENTO. Não sendo possível determinar o custo de aquisição de imóvel, que não foi declarado pelo contribuinte no Ajuste Anual e para o qual não existe documento relativo à transação imobiliária, cabe o arbitramento pelo valor zero na forma da legislação tributária. GLOSA DE DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS E DEPENDENTES. Consolida-se o crédito tributário apurado em relação à matéria não contestada pelo sujeito passivo, na forma do art. 17 do Decreto 70.23 5/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da SIlva Risso - Relator. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra.
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INOCORRÊNCIA. ARBITRAMENTO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Não há erro ou deficiência na indicação do enquadramento legal do arbitramento tampouco nulidade do Auto de Infração, quando a indicação do fundamento legal permitir a compreensão do procedimento, proporcionando ao contribuinte o desenvolvimento de sua defesa. PRELIMINAR DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade da legislação que ampara a exigência fiscal. GANHO DE CAPITAL. ARBITRAMENTO. Não sendo possível determinar o custo de aquisição de imóvel, que não foi declarado pelo contribuinte no Ajuste Anual e para o qual não existe documento relativo à transação imobiliária, cabe o arbitramento pelo valor zero na forma da legislação tributária. GLOSA DE DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS E DEPENDENTES. Consolidase o crédito tributário apurado em relação à matéria não contestada pelo sujeito passivo, na forma do art. 17 do Decreto 70.23 5/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 03 98 /2 00 7- 73 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 17883.000398/200773 Acórdão n.º 2201004.018 S2C2T1 Fl. 278 2 Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da SIlva Risso Relator. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes os Conselheiros Dione Jesabel Wasilewski e Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJRJ2 que manteve o lançamento. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 112/115 ) por sua clareza e precisão: Fl. 278DF CARF MF Processo nº 17883.000398/200773 Acórdão n.º 2201004.018 S2C2T1 Fl. 279 3 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 17883.000398/200773 Acórdão n.º 2201004.018 S2C2T1 Fl. 280 4 3 – No julgamento de sua defesa a DRJ em decisão assim ementada decidiu pela manutenção do crédito tributário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 NULIDADE. INOCORRENCIA. ARBITRAMENTO. DEFICIÊNCIA NO ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 280DF CARF MF Processo nº 17883.000398/200773 Acórdão n.º 2201004.018 S2C2T1 Fl. 281 5 O erro ou a deficiência na indicação do enquadramento legal do arbitramento não dá causa à nulidade do Auto de Infração, mormente se a descrição dos fatos permitir a compreensão do procedimento, proporcionando ao contribuinte o desenvolvimento de sua defesa. PRELIMINAR DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para manifestarse sobre a constitucionalidade da legislação que ampara a exigência fiscal. GANHO DE CAPITAL. ARBITRAMENTO. Não sendo possível determinar o custo de aquisição de imóvel, que não foi declarado pelo contribuinte no Ajuste Anual e para o qual não existe documento relativo à transação imobiliária, cabe o arbitramento pelo valor zero na forma da legislação tributária. GLOSA DE DEDUÇÕES DE DESPESAS MÉDICAS E DEPENDENTES. Consolidase o crédito tributário apurado em relação à matéria não contestada pelo sujeito passivo, na forma do art. 17 do Decreto 70.23 5/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso – Relator 5 O recurso voluntário de fls. 120/124 é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 6 – A respeito da matéria de dedução com dependentes e despesas médicas dos anoscalendário de 2003 e 2004 deixo de conhecer das razões na medida em que o contribuinte apenas questiona esse assunto no recurso voluntário. Como não se trata de matéria de ordem pública tal e sim de ônus da prova do contribuinte (art. 373, II do CPC) que deveria arguir e questionar o assunto em sua defesa deve ser observado os termos do art. 16, III e 17 do Decreto 70.235/72: Fl. 281DF CARF MF Processo nº 17883.000398/200773 Acórdão n.º 2201004.018 S2C2T1 Fl. 282 6 Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 07 – Portanto, não conheço da matéria acima indicada tendo em vista a ocorrência da preclusão consumativa, mantendo a autuação nesse ponto. 08 – Quanto a questão do ganho de capital, não vejo nulidade a ser reconhecida ou decretada uma vez que o lançamento contem todos os requisitos do art. 142 do CTN e o fato de ter indicado de forma equivocada o art. 125, 128 e 129 do RIR/99 não inviabiliza o ato administrativo na medida em que os fatos narrados e provados durante a ação fiscal estão devidamente elencados às fls. 74: A fiscalização no curso da ação fiscal apurou alienação de imóvel pelo contribuinte no anocalendário 2004, imóvel este, não constante na declaração de rendimentos do próprio. Intimado a justificar a forma de transferência do imóvel (fls.61), O contribuinte apresentou, por escrito, que a operação se deu no ano de 2004, tanto a aquisição por valor de R$ 50.000,00, quanto a alienação no valor de R$ 58.000,00. Ressaltase que, no próprio documento, O declarante informa não possuir escritura particular de compra e venda do referido imóvel. A fiscalização em procedimento regular apurou os seguintes fatos contraditórios referentes à transação imobiliária dos quais tem a fazer as seguintes considerações: Fl. 282DF CARF MF Processo nº 17883.000398/200773 Acórdão n.º 2201004.018 S2C2T1 Fl. 283 7 Que a fiscalização tomando conhecimento do fato e observando a omissão da informação do imóvel nas declarações do contribuinte, intimou O comprador Sr. Marcelo Silva Reis, apresentar cópia do documento formalizador da operação. O intimado apresentou à fiscalização “CONTRATO PARTICULAR DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS COM QUITAÇÃO DE PREÇO”, com data de 09 de dezembro de 2004 (fls.68/69), que dentre outras registra informação contrárias do que apresentada pelo auditado a saber: Na cláusula 1” registra a informação da compra do imóvel, pelo contribuinte auditado, do Sr. Lacyr Celso Cerqueira de Amorim em contrato particular de promessa de compra e venda, firmado em 17/07/1998. Ora, o contribuinte informa à fiscalização que a aquisição do imóvel se deu em 2004, no mesmo ano da alienação do bem. O contribuinte estipula o valor de compra no montante de R$ 50.000,00, sem nenhuma apresentação de prova de pagamento do referido valor. Face ao exposto, a fiscalização à busca de determinar o valor de custo do imóvel para apuração de possível ganho de capital, entende que pela omissão da informação do bem nas declarações de imposto de renda e ainda, considerando que o valor de compra informado pelo contribuinte não é merecedor de fé por falta de apresentação de documentação idônea que dê respaldo a operação, fica autorizada a arbitrar o valor do custo igual a “ZERO”, em observância do disposto no artigo 125 do RIR/99. Portanto, a base de cálculo auferida para cobrança do imposto sobre o lucro na alienação de imóvel é o demonstrado abaixo, conforme apuração baseada nos documentos levantados: Valor da alienação : R$ 58.000,00 Custo do imóvel arbitrado: zero Base de cálculo: R$ 58.000,00 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 17883.000398/200773 Acórdão n.º 2201004.018 S2C2T1 Fl. 284 8 09 – Veja, que tanto na aplicação do art. 125 quanto o dos demais artigos do RIR/99 o resultado seria o mesmo, posto que o artigo 20 da lei 7.713/88 dispõe acerca da possibilidade de arbitramento do valor do imóvel quando as informações do contribuinte não mereçam fé: Art. 20. A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor ou preço, sempre que não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado, o valor ou preço informado pelo contribuinte, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. 10 – Conforme informado alhures houve a concessão de oportunidade ao contribuinte para apresentar o custo do imóvel vendido, e após entrega da documentação, com informações diversas das declaradas pelo contribuinte, legítima a forma como procedeu a autoridade fiscal ao aplicar os termos do artigo 18, IV da IN 84/2001: Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. Grifei 11 – A questão levantada pelo recorrente, portanto, quanto a nulidade do lançamento, não merece prosperar uma vez que a indicação de artigo diverso do regulamento não interferiu em nada na apuração da base de cálculo e aplicação da alíquota do imposto sobre o ganho de capital e por isso não interferiu em nada na higidez do lançamento. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 17883.000398/200773 Acórdão n.º 2201004.018 S2C2T1 Fl. 285 9 12 Os artigos questionados pelo contribuinte apenas dispõe de procedimento de arbitramento e, portanto não invalidam, mais uma vez a presente autuação. Merece indicar ainda que não houve omissão no lançamento quanto ao enquadramento legal porquanto às fls. 82 dos autos a fiscalização indica todos os dispositivos legais e normativos utilizados para fundamentar a autuação, verbis: 13 – No mais, os demais argumentos elencados pelo recorrente em nada contribuem para a modificação do lançamento e da decisão de piso, sendo que o contribuinte reconhece que houve o fato gerador da venda do imóvel e ganho de capital, mas apenas questiona a forma de apuração pela fiscalização o que já foi tratado alhures. Conclusão 14 Diante do exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 17883.000398/200773 Acórdão n.º 2201004.018 S2C2T1 Fl. 286 10 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 286DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679832/2009-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 16/03/2006
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.122
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 16/03/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 32 /2 00 9- 95 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.679832/200995 Acórdão n.º 3401004.122 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.679832/200995 Acórdão n.º 3401004.122 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 16027.665, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: COFINS Data do fato gerador: 16/03/2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.679832/200995 Acórdão n.º 3401004.122 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.679832/200995 Acórdão n.º 3401004.122 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10880.679832/200995 Acórdão n.º 3401004.122 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.679832/200995 Acórdão n.º 3401004.122 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10880.679832/200995 Acórdão n.º 3401004.122 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.005285/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
MATÉRIA PRECLUSA.
As matérias não expressamente atacadas em sede recursal consideram-se definitivamente constituídas na esfera administrativa.
NULIDADES DO LANÇAMENTO.
Estando presentes todos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 válido o lançamento constituído.
DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes somente são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, quando devidamente comprovadas.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-005.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Relatora
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior.
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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As matérias não expressamente atacadas em sede recursal consideramse definitivamente constituídas na esfera administrativa. NULIDADES DO LANÇAMENTO. Estando presentes todos os requisitos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72 válido o lançamento constituído. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes somente são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, quando devidamente comprovadas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 52 85 /2 00 7- 21 Fl. 356DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0714.473, da 4ª Turma da DRJ em Florianópolis, que, por unanimidade de votos, julgou o lançamento procedente em parte, com a exclusão dos depósitos de até R$ 12.000,00, que nos anos calendário não superaram R$ 80.000,00, sendo excluídos em 2003 R$26.793,34; R$ 22.336,00 em 2004 e R$ 600,00, em 2005. A recorrente teve contra si lavrado o Auto de Infração em tela referente aos anoscalendário 2003 a 2005, nos quais foram configuradas as seguintes infrações, conforme relatório do acórdão recorrido: a) Omissão de Rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições de Previdência Privada e Fapi Anocalendário 2004 Multa de oficio de 75%; b) Omissão de Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos adquiridos em reais Anocalendário 2003 Multa de oficio de 75%; c) Dedução Indevida de Despesas Médicas Anoscalendário 2003 a 2005 Multa de oficio de 150%; d) Dedução Indevida de Despesas com Instrução Anos calendário 2003 e 2004 Multa de oficio de 150%; e) Dedução Indevida de Previdência Privada/Fapi Anos calendário 2003 e 2004 Multa de oficio de 75%; Í) Omissão de Rendimento Caracterizada por Depósitos Bancários com Origem não Comprovada Anoscalendário 2003 a 2005 Multa de oflcio de 75%. A justificar a aplicação da multa de oficio de 150%, a autoridade fiscal explica, às folhas 213 e 214: [...] Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 3 3 Como foi demonstrado acima, a contribuinte, reiteradamente, incluiu despesas médicas e despesas de instrução fictícias, com o intuito de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido nas suas declarações de ajuste. Por isso, se enquadra na previsão de multa qualificada de que trata o art. 95 7, inciso II, do RIR/1999. Cientificada do lançamento, apresentou impugnação alegando em síntese, também conforme descrito no relatório do acórdão recorrido: Em preliminar, às folhas 234 e 235, a contribuinte alega a nulidade do lançamento em vista da falta dos requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário, em conseqüência da ilegitimidade da exação e da improcedência de seus efeitos. . No mérito, sob o titulo 1 Omissão de ganho de capital, à folha 235, a contribuinte alega que não foram aplicadas as reduções previstas no Capítulo VIII, artigos 38, 39 e 40 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. Argumenta a contribuinte que foi aplicada alíquota de 15% diretamente sobre R$ 40.000,00, resultando no valor de R$ 6.000,00, que hoje totaliza R$ 14.823,00. No segundo tópico Falta de perícia nos documentos quando alegada adulteração de data de nota fiscal , às folhas 236 a 237, a contribuinte requer a anulação das alegações da autoridade fiscal de que houve adulteração de documentos. Defende que tal conclusão deve ser proferida por perito e que no presente caso não há laudo acostado aos autos. Sob 0 título 3 Cumulação de Multa e Juros, às folhas 237 a 243, a contribuinte discorda da aplicação de juros moratórios cumulados com multa de infração, por entender que ambos exercem, preponderantemente, a mesma função que é ressarcir o credor dos danos advindos do atraso no cumprimento da obrigação. Argúi a contribuinte que a cumulação dos institutos indenizatórios multa e juros sobre o principal implica em confisco e, por conseguinte, em ilegalidade e inconstitucionalidade. No tópico 4 Da violação da capacidade contributiva e Da multa confiscatória de 75% e 150%, às folhas 243 a 254, a contribuinte tece diversas considerações acerca do princípio da capacidade contributiva, do nãoconfisco e da proporcionalidade para concluir que a multa exigida de 150% é ilegal e inconstitucional. A contribuinte alega, ainda, que não houve dolo a justificar a imposição da multa de 150%. No tópico 5 Taxa Selic, às folhas 255 a 269, a contribuinte alega que a adoção da taxa selic como juros moratórios, por razões de variada ordem, é ilegal e inconstitucional. Requer a contribuinte a aplicação de juros de um por cento ao mês, conforme Acórdão do Superior Tribunal de Justiça, que cita. Fl. 358DF CARF MF 4 A contribuinte alega, sob o título 6 Do valor de R$ 40.000,00 relativo à empréstimo familiar, à folha 269, que comprovou a origem do valor de RS 40.000,00. Defende que o fato de o cheque não ser nominal a sua pessoa em nada interfere na comprovação da origem do crédito, uma vez que estava por ela endossado. A contribuinte alega que o endosso transmite todos os direitos resultantes do cheque e, portanto, entende que foi comprovada a origem do crédito de R$ 40.000,00, devendo tal valor ser excluído do lançamento. No sétimo tópico Do vício da investigação quanto ao valor de PDI, item 3.2.2.2, às folhas 269 e 270, a contribuinte alega que restou comprovada nos autos a origem do crédito de R$ 125.709,79, conforme documento autenticado pelo banco. E explica: [...] as alegações quanto ao PDI foram analisadas equivocadas. pois a data do PD1 é 07/08/2002 item 21 do PDI, doc anexo, sendo assim, próxima a data do crédito, outro ponto e' que o valor de R$ 113.492,04 e o valor somente da indenização item 25 do PDI, doc anexo, sendo que o valor total e' de R$ 118.968,37, que se aproxima em muito do depósito a posteriori de R3 125. 709, 79, que nada mais e' do que correção monetária até a data do crédito na conta da ora Recorrente. Sob o título Das despesas com educação e das despesas médicas x Do poder de polícia administrativa da Receita Federal, às folhas 270 a 273, a contribuinte tece diversas considerações doutrinárias acerca do conceito de poder de policia para alegar que à autoridade fiscal cabe, com base no poder de polícia, investigar a empresa Odonto Fama, emissora de recibos odontológicos, TR Fisioterapia e a empresa educacional Dynamic, que “desapareceu da cidade deixando dividas e sumindo com os documentos fiscais objetos desta fiscalização”. Discorda da atuação da autoridade fiscal que baseou o lançamento em declaração unilateral da empresa Odonto Fama, a qual não teria interesse em confirmar a emissão de nota fiscal. Indica uma funcionária da empresa como testemunha. Por fim, alega que não houve procedimento investigatório nas empresas que cita e, por conseguinte, não haveria fundamento para o lançamento. No último tópico Do requerimento, à folha 273, a contribuinte requer a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial à documental, testemunhal e pericial contábil. A DRJ/Florianópolis julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do Acórdão nº 0714.473, sessão de 07/11/2008 (efls. 320/340), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 4 5 Na apuração do ganho de capital, não havendo comprovação do custo de aquisição, este equivale a zero e, portanto, não há que se falar em atualização monetária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO COMPROVADA ORIGEM. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando O contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CRITÉRIOS DE APURAÇÃO. Para efeito de determinação da receita omitida, não serão considerados créditos bancários de origem não comprovada de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (Oitenta mil reais). DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes somente são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual, quando devidamente comprovadas. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEDUTIBIL1DADE. Somente são dedutiveis da base de cálculo no ajuste anual os gastos com instrução comprovados, desde que referentes ao próprio contribuinte ou a seu dependente, até o limite individual estabelecido na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS CARGO PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n. 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado aos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Fl. 360DF CARF MF 6 Os juros de mora são devidos em todos os casos de recolhimentos extemporâneos, sejam estes motivados por ato voluntário do contribuinte ou por imposição de ato de oficio da autoridade fiscal. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 IMPUGNAÇÃO POR MEIO DA NEGAÇÃO GERAL. INADMISSIBILIDADE. A contestação do lançamento efetuada por meio de meras alegações, sem a devida individualização das razões de insurgência e sem a indicação dos elementos de prova que contraditam o material probatório que embasou O procedimento de oficio, equiparase à processualmente vedada “negação geral”, restando inviabilizado seu acolhimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. Diante de matérias não expressamente impugnadas, impedido fica o julgador administrativo de pronunciarse em relação ao conteúdo do feito fiscal que com elas se relaciona. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. JUNTADA DE PROVAS. LIMITE TEMPORAL. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de O impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, ou que se refira ela a fato ou direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Lançamento Procedente em Parte Cientificada da decisão em 26/11/2008 (efl. 343), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de efls. 344 e ss, em 10/12/2008, em que apresenta as seguintes alegações, em síntese: Nulidade da autuação, em decorrência de erros do Fisco, na apuração da base de cálculo do lançamento; Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 5 7 Dos valores glosados: alega que efetuou os pagamentos a Odonto Fama (que, por sua vez, teria emitido notas calçadas), sendo essa a verdadeira responsável pela glosa das despesas declaradas pela recorrente; Falta de perícia nos documentos quando alegada adulteração de nota fiscal e recibos: sustenta que para que sejam consideradas fraudadas as notas fiscais/recibos apresentados pela recorrente é necessária a realização de perícia técnica. Requer a anulação das alegações do julgador nesse sentido. Despesas Médicas X Poder de polícia Administrativa da Receita Federal: alega que cabe à Receita Federal verificar junto às empresas emissoras dos recibos a veracidade dos mesmos e não punir a recorrente; Da comprovação da origem do PDI (Programa de Demissão Incentivada): não é cabível a glosa do valor referente a PDI uma vez que comprovado nos autos; Por fim, requer: que seja julgado procedente o recurso apresentado, tornando nula a notificação. Não há a juntada de novos documentos. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do recurso voluntário dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Matéria Preclusa A contribuinte deixou de se manifestar sobre a omissão de rendimentos Recebidos a Título de Resgate de Contribuições de Previdência Privada e Fapi e Dedução Indevida de Previdência Privada/Fapi em sua impugnação, conforme voto do julgador de primeira instância. Por sua vez, em sede recursal, a contribuinte não se manifestou sobre a omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos no anocalendário 2003 bem como sobre a dedução indevida de despesas com instrução. Portanto, em relação a tais matérias precluiu seu direito de defesa, restando definitivamente constituído o crédito tributário correspondente . Nulidade da autuação A recorrente sustenta a nulidade da autuação por falta de liquidez e certeza do crédito constituído, alegando que os valores glosados de despesas médicas e dependentes Fl. 362DF CARF MF 8 foram devidamente comprovados por meio de recibos e notas fiscais, os quais foram desconsiderados pela fiscalização por suposta prática de fraude pela empresa prestadora dos serviços (Odonto Fama). As nulidades, no processo administrativo fiscal, estão descritas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.) Outras irregularidades, omissões e incorreções diversas das descritas no artigo citado, não configuram nulidade e devem ser sanadas, desde que não tenham resultados em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio, conforme prescrito no art. 60 do mesmo diploma legal: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Não ocorrendo nenhuma das situações descritas acima, não há como reconhecer a nulidade pretendida. Rejeito a preliminar. Dos valores glosados Falta de perícia nos documentos quando alegada adulteração de nota fiscal e recibos Despesas Médicas X Poder de polícia Administrativa da Receita Federal Os três tópicos acima referemse todos à alegação de improcedência da glosa de valores declarados de despesas médicas supostamente suportados pela contribuinte em relação à empresa Odonto Fama. Alega a recorrente que apresentou os recibos ou notas fiscais de pagamento e que as mesmas foram desconsideradas pela fiscalização, porque a empresa teria negado a emissão das mesmas. Sustenta que há necessidade de perícia técnica, sendo inválida a mera Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 6 9 manifestação do AuditorFiscal e que a Receita Federal, através do seu poder de polícia administrativo, deve abrir procedimento administrativo junto às empresas para verificação da prática de crimes, ao invés de punir a recorrente. Para melhor elucidar a questão convém transcrever os seguintes excertos do relatório fiscal da autuação, acerca dos documentos comprobatórios apresentados durante o procedimento fiscal: (...) A fiscalizada recebeu a intimação SAFIS/GAB nº 076/2007 para apresentar a prova dos pagamentos de despesas médicas da Odonto Fama Ltda., TR Clínica de Fisioterapia e Reabilitação Ltda. e Fisiocorp Fisioterapia Ltda., através de cópia de cheque nominativos, saques bancários ou similar, coincidentes em datas e valores. Dentro do prazo fixado não o fez e, assim, deixou de provar a veracidade dos recibos apresentados. (...) A fiscalizada juntou a Nota Fiscal de Serviços nº 002887 expedida pelo Centro Radiológica Sul Ltda. relativo a radiograma panorâmico no valor de R$ 40,00. Examinada a nota, verificouse que a data foi adulterada, pois a emissão que era de 23. 02.2006 foi alterada para 23.02.2005, ou viceversa. A rasura afasta a como ser considerada como regular. A Fisiocorp Fisioterapia foi instada pela intimação SAFIS/GAB n° 071/2007 para se manifestar sobre os recibos apresentados pela fiscalizada e não foi encontrada no domicilio fiscal declarado à Receita Federal, tendo o envelope retornado com a anotação dos Correios de que “mudouse". Em consulta ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídica CNPJ verificouse que a Fisiocorp tem sua situação cadastral como INAPTA, desde 17.07.2004, tendo como motivo ser INEXISTENTE DE FATO, ou seja, consta como “omisso não localizada”. Assim, este é mais um indício de que se trata de despesas fictícias. Procedida a pesquisa junto ao cadastro do responsável pela empresa, Valdomiro Parron Lopes, CPF n" 039.228.52823, foi verificado que seu domicílio fiscal é na cidade de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, tendo residido anteriormente na cidade de Presidente Prudente, no interior do Estado de São Paulo. Seu endereço foi atualizado junto à base do CPF pela declaração de Ajuste Anual apresentada em 25.07.2003. Como existem documentos que teriam sido assinados por ele em Joinville, depois dessa data, evidentemente, que a conclusão que se impõe é que tais recibos não são de sua lavra. Fl. 364DF CARF MF 10 A Odonto Fama Ltda., atendendo à Intimação SAFIS/GAB n° 068/2007, informa que a fiscalizada não efetuou nenhum tipo de tratamento odontológico durante os anos de 2003, 2004 e 2005. Por isso, não houve emissão de notas fiscais a ela e ainda, que não emite "recíbos simples " aos seus pacientes/clientes e sim Nota Fiscal de Prestação de Serviço, sendo assim que desconhece a origem dos recibos que lhe foram apresentados em cópia. (...) A TR Clínica de Fisioterapia e Reabilitação Ltda., para atender à intimação SAFIS/GAB nº 070/2007, informa que os recibos que foram apresentados pela fiscalizada não foram de sua emissão. (...) Para fins de dedução das despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual o contribuinte deve comprovar de forma idônea as deduções pretendidas, consoante o disposto no art. 80, §1º, III do RIR/1999, aprovado pelo Decreto 3.000, de 1999, que estabelece: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(Grifamos) Ademais o Fisco pode glosar as deduções que não forem cabíveis, e ainda lançar de ofício, sempre que considerar inidôneo o documento apresentado, desde que haja um indício ou elemento de prova da falsidade ou inexatidão dos documentos comprobatórios apresentados. É o que se depreende do § 1º do art. 73, c/c § 1º do art.845, ambos do RIR/99: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 7 11 § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. ... Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive: ... § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão. (Grifos nossos) Apesar das manifestações da recorrente, verificase que a mesma não buscou comprovar a veracidade dos recibos e/ou notas fiscais não considerados pela fiscalização através da comprovação do efetivo dispêndio financeiro correspondente (cópia de cheque nominativo, extrato de cartão de crédito, saque em conta corrente em valor e data aproximados, etc). Também importa destacar que a apresentação de declaração de uma suposta empregada da empresa não serve como meio de prova do dispêndio com despesas para fins de dedução de IR. Portanto, não há reparos na decisão de piso sobre a matéria que assim se manifestou: Retomando ao caso concreto, verificase que há nos autos um quadro indiciário bastante claro que toma oportuna a suspeita levantada contra a contribuinte de que a mesma pode utilizar recibos como procedimento geral de redução de impostos. Neste caso cabe a exigência de que a contribuinte comprove com mais detalhes o pagamento e a efetividade dos serviços médicos e odontológicos declarados. As empresas Odonto Fama Ltda. e TR Clínica de Fisioterapia e Reabilitação Ltda. negaram, às folhas 83 e 92, a emissão dos recibos apresentados pela contribuinte, às folhas 48 a 63, bem como a prestação de serviços médicos à contribuinte e seus dependentes. A empresa Fisiocorp Fisioterapia, por sua vez, não foi localizada. A simples apresentação de recibos ou declaração de ex profissional da emissora dos recibos, neste caso, não se constituem em documentos de força probante capaz de elidir as glosas das deduções pleiteadas. Na realidade, para fortalecer o convencimento do julgador, e aceitarse plenamente os argumentos da interessada, bastaria comprovar efetivamente as importâncias despendidas. Provar nesse contexto seria demonstrar por meios objetivos e subjetivos aceitos pelo sistema juridico, de que ocorreu ou deixou de ocorrer um certo fato. ... A somarse aos indícios indicados nos parágrafos anteriores, está o fato de que o contribuinte, durante três anoscalendário consecutivos informou despesas odontológicas, em valores Fl. 366DF CARF MF 12 expressivos, dos quais não conseguiu comprovar, de forma inequívoca, sequer uma despesa. Lembrando que um único indício, desde que veemente, pode levar a conclusão da ocorrência de um fato ou a falta dele. Da mesma forma, vários indícios em si fracos podem, somados, levar a mesma conclusão. Assim, por tudo que dos autos consta, diante do quadro acima evidenciado não há como considerar os documentos trazidos aos autos como prova suficiente das despesas pleiteadas, mantendo se integralmente a glosa das despesas médicas declaradas e impugnadas. Sem razão à recorrente. Depósitos Bancários de origem não identificada Em sede recursal a recorrente limitase a afirmar que "O PDI foi devidamente demonstrado nos autos, não sendo cabível a glosa dos valores requeridos pelo fisco. Isto posto, requer seja aceita como comprovada a origem do débito PDI em questão." Alega a fiscalização sobre a matéria (Depósito bancário junto à CEF não comprovado): O crédito autorizado de R$ 125.709,79, ocorrido em fevereiro de 2005, cuja origem seria um PDI do falecido marido, ficou sem prova da sua origem. Foi juntado um documento do BESC como prova, no entanto, este é datado de 07.08.00 e o valor era de R$ 113.492,04. Como se vê, nem o valor é igual e nem a data é próxima. O extrato diz que houve um "créd autor" que seria uma autorização de crédito em 28.02.2005 e, portanto, essa é a comprovação necessária para afastar a presunção legal de rendimentos omitidos. Como se vê a autuação decorreu da falta de comprovação da origem de depósito bancário em conta da recorrente, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Por sua vez a recorrente entende que comprovou a origem do depósito com a documentação referente ao Pedido de Demissão Voluntária apresentada junto com a impugnação Termo de quitação plena (efl.300) e Termo de rescisão de contrato de trabalho (efl. 301). Entretanto os mesmos não servem para fins de comprovação do recebimento de PDI com o depósito bancário não comprovado, por lhes faltar coincidência entre datas e valores, conforme bem demonstrado pela decisão de piso, que transcrevemos: Do mesmo modo, quanto ao depósito bancário no valor de RS 125.709,79, não há comprovação de origem. Consta dos autos tãosomente um documento elaborado pelo Banco do Estado de Santa Catarina, à folha 204, datado de 7 de agosto de 2002, informando o pagamento, a título de PDI/2001, no valor de R$ 113.492,04. Neste caso, caberia à contribuinte comprovar que o referido pagamento do Programa de Demissão lncentivada, datado de Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10920.005285/200721 Acórdão n.º 2301005.171 S2C3T1 Fl. 8 13 2002, pelo BESC, tem relação com o depósito bancário efetuado em 2005, no valor de R$ 125.709,79. Como não foram juntados quaisquer outros documentos em sede recursal, não ficou demonstrada a vinculação entre o depósito bancário de origem não comprovada no ano de 2005, no valor de R$ 125.709,79 com o Termo de Rescisão datado de 07/08/2002, no valor líquido de R$ 118.968,37 (fl. 301). Sem razão à recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo a decisão recorrida na integralidade. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 368DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.721782/2011-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 17 82 /2 01 1- 17 Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10860.721782/201117 Acórdão n.º 9202006.088 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000280/2006-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2005
PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acata-se os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo.
PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO.
No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte.
Numero da decisão: 9303-005.926
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto à incidência da taxa Selic ao pedido de ressarcimento e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reformular o acórdão apenas em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2005 PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acata-se os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Da mesma forma os combustíveis e lubrificantes só dão direito ao crédito se utilizados diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. No presente caso, as glosas referentes a cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, materiais de manutenção/conservação, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, outros materiais de consumo, serviço temporário, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza, serviços de manutenção e reparos, outros serviços de terceiros, exportação e gastos gerais, não são essenciais ao processo produtivo da Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial quanto à incidência da taxa Selic ao pedido de ressarcimento e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reformular o acórdão apenas em relação ao equipamento de proteção individual, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen (suplente convocado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 80 /2 00 6- 41 Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 3 2 em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 330100.690, proferido pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que somente os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens geram créditos passíveis de ressarcimento, e gastos com mão deobra avulsa, ainda que contratada por intermédio de sindicato, não geram direito ao ressarcimento de créditos de PIS, por fim, afastou a possibilidade de correção monetária pela Taxa Selic, por ausência de previsão legal. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Cuidase de recurso em face do Acórdão n° 0620.366 3' Turma da DRJ/CTA (fls. 412/420, que deferiu apenas em parte o ressarcimento de créditos de insumos decorrentes da contribuição ao PIS/PASEP não cumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002, do período de apuração de 01/09/2005 a 31/12/2005. Cientificada em 09/02/2009 (AR fl. 422), a recorrente apresentou em 05/03/2009, o recurso de fls. 381/395, aduzindo que apesar de ter demonstrado o dispêndio financeiro (gasto) com custos de insumos aplicados diretamente na produção de bens destinados à venda de produtos, apurando, por conseqüência e nos termos da legislação vigente, os respectivos créditos da contribuição para o PIS/PASEP. Dentre os custos / insumos temse as aquisições dos seguintes itens: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 4 3 Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais O despacho decisório, cuja confirmação deuse pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, glosou os custos / insumos indicados no parágrafo acima, alegando que tais itens não foram expressamente mencionados pela legislação tributária federal, não permitindo, portanto, o crédito de PIS/PASEP. O acórdão recorrido restou assim ementado: "Período de apuração: 01/09/2005 a 31/12/2005 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DEDUÇÃO As despesas com alimentação, cesta básica, vale transporte, assistência médica/odontológica, uniforme e vestuário, equipamento de proteção individual, materiais químicos e de laboratórios, materiais de limpeza, materiais de expediente, serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza não geram créditos passíveis de dedução da contribuição mensal devida, bem como as despesas com mãodeobra pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo da contribuição para o PIS com incidência não cumulativa é a receita bruta decorrente da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, não sendo aplicável, no caso, a decisão do Supremo Tribunal Federal (RE346.084) que declarou a inconstitucionalidade do § I o do art. 3°, da Lei n° 9.718, de 1998. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a atualização do ressarcimento pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado". Ciente do referido acórdão e tempestivamente, a Contribuinte ingressou com embargos de declaração, fls. 1021/1022, alegando a existência de obscuridade no acórdão embargado. O Presidente da 3º Seção de Julgamento, rejeitou os embargos por entender que não houve nenhuma obscuridade no acórdão embargado. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, requerendo que seja dado provimento integralmente ao crédito pleiteado, ensejando, por conseqüência, a homologação das compensações vinculadas. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 3401001.713, 930301.741 e 9303002.101. Em seguida, o Presidente da 3º Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 5 4 Câmara da 3º Seção do CARF, deu seguimento parcial ao Recurso, conforme se extrai do despacho de admissibilidade, fls. 1119/1125. Vejamos: "Constata se, portanto, que o fundamento da decisão recorrida para vedar a atualização monetária sobre os ressarcimento de créditos de PIS foi a adoção dos fundamentos de dois acórdãos do extinto Segundo Conselho de Contribuintes que tratavam de ressarcimento de IPI e interpretaram o art. 39, §4º da Lei nº 9.250, de 1995. Assim, constatase o dissídio jurisprudencial, pois enquanto na decisão recorrida a atualização pela taxa Selic foi vedada pela interpretação do art. 39, §4º da Lei nº 9.250, de 1995, o paradigma aplicou acórdão proferido pelo STJ sob o rito de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), cuja interpretação da legislação, inclusive do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, resultou na possibilidade de atualização dos créditos objeto de ressarcimento pela taxa Selic. Portanto, presentes os demais pressupostos de admissibilidade, deve o recurso especial ser admitido quanto à interpretação do termo “insumo” e quanto à atualização dos valores pedidos em ressarcimento pela taxa Selic". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, às fls. 1130/1142, requerendo que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose incólume a decisão recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator Os Recurso foi apresentado com observância no prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Com efeito, as matérias divergentes posta a esta E.Câmara Superior, envolve à interpretação do termo “insumo” e atualização dos valores solicitados em ressarcimento pela taxa Selic". Quanto a divergência do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, tomo conhecimento da matéria. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 6 5 No que tange atualização dos valores solicitados em ressarcimento pela taxa Selic, não tomo conhecimento matéria. Explico e fundamento: Nos termos do exame de admissibilidade do Recurso, processo nº 10930.002522/200431, a Contribuinte apresentou o acórdão nº 9303002.101, o mesmo utilizado no presente Recurso. O Presidente da 3º Seção de Julgamento, entendeu naquele processo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a divergência. Vejamos: "Atualização pela taxa Selic sobre os valores passíves de ressarcimento. Para comprovar a divergência, a recorrente apresentou o seguinte paradigma: Acórdão nº 9303002.101 proferido pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na apreciação da matéria no paradigma, decidiuse pela aplicação do artigo 62A do RICARF, não tecendo, o relator, maiores considerações sobre o litígio. Por sua vez, o acórdão proferido pelo STJ, apresentado como representativo da aplicação do rito previsto no artigo 543C do CPC, AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS, interpretou a possibilidade de atualização monetária em vista da Lei nº 9.363, de 1996 e da Súmula nº 411 do STJ, as quais tratam do ressarcimento de créditos de IPI. Já o acórdão proferido no Recurso Especial nº 1.035.847 – RS (2008/00448972), precedente da controvérsia submetida ao rito de recurso repetitivo, analisou o artigo 11 da Lei nº 9.779. de 1999, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e o artigo 39 da Lei nº 9.250, de 1995. Por outro lado, o acórdão recorrido adotou os fundamentos da decisão de primeira instância, a qual interpretou, além de outros, o artigo 13 da Lei nº 10.833, de 2003, que trata da vedação legal quanto à atualização monetária ou incidência de juros sobre o aproveitamento de créditos da não cumulatividade da Cofins (aplicável ao PIS pelo artigo 15 da Lei nº 10.833, de 2003), dispositivo legal não interpretado no acórdão paradigma, o qual dispôs sobre a atualização monetária de créditos presumidos de IPI, nem referido nos acórdãos proferidos pelo STJ sob o rito do artigo 543C do CPC. Verificase, portanto, que a recorrente não logra comprovar a divergência suscitada, pelo fato de que a decisão atacada e o acórdão paradigma tratarem de situações fáticas e jurídicas distintas1". Em atenção ao despacho de admissibilidade do Processo nº 10930.002522/200431), a Contribuinte não logrou êxito em comprovar divergência jurisprudencial quanto atualização do pedido de ressarcimento pela Taxa Selic, portanto, o recurso não deve ser conhecido quanto esta matéria. 1 Despacho de Admissibilidade do Processo Paradigma nº10930.002522/200431, fls. 889/904. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 7 6 Passo ao julgamento da divergência do termo "insumo" previsto na legislação do PIS e da COFINS, de que trata o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Mercado Externo (II. 01). protocolizado cm 30/07/2004, relativo ao 1° trimestre/2003, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Cuidase de recurso em face do Acórdão n° 0620.366 3º Turma da DRJ/CTA (fls. 412/420, que deferiu apenas em parte o ressarcimento de créditos de insumos decorrentes da contribuição ao PIS/PASEP não cumulativo, com fundamento na Lei n° 10.637/2002, do período de apuração de 01/09/2005 a 31/12/2005. Cientificada em 09/02/2009), a Contribuinte apresentou em 05/03/2009, o recurso de fls. 381/395, aduzindo que apesar de ter demonstrado o dispêndio financeiro (gasto) com custos de insumos aplicados diretamente na produção de bens destinados à venda de produtos, apurando, por conseqüência e nos termos da legislação vigente, os respectivos créditos da contribuição para o PIS/PASEP. Com efeito, a decisão recorrida negou provimento ao Recurso Voluntário, ao entendimento de que somente os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção de bens geram créditos passíveis de ressarcimento, e gastos com mãodeobra avulsa, ainda que contratada por intermédio de sindicato, não geram direito ao ressarcimento de créditos de PIS, por fim, afastou a possibilidade de correção monetária pela Taxa Selic, por ausência de previsão legal. No presente caso foram glosados créditos decorrentes das despesas de aquisições dos seguintes itens: "Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laborara Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; O Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância, Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais". Neste passo, em outras oportunidades, consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumo no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 8 7 A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. In caso, verifico que a Contribuinte industrializa, comercializa no mercado interno e exporta diversos produtos (café solúvel, óleo de café, extrato de café, etc), de industrialização própria. Exporta ainda mercadorias adquiridas de terceiros. Tais valores estão devidamente registrados em seus livros contábeis/fiscais. Destarte, ressaltase que a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 9 8 da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. As aquisições estão relacionadas, por divisão, juntamente com amostragem dos documentos, às fls. 373 a 399 e 402 a 411. Os créditos aproveitados pela Contribuinte foram acrescidos do ICMS e diminuídos do IPI (divisão de embalagens). Deste modo, penso que o termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considero que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, entendo para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS não cumulativa nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 10 9 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Como visto, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS/COFINS, o que se coaduna com o presente caso ( PIS). Dessa forma, o conteúdo contido no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e COFINS. Diferentemente do presente caso, as glosas referentes alimentação; cesta básica; vale transporte; assistência médica/odontológica; materiais de manutenção/conservação; materiais químicos e de laboratório, materiais de limpeza; materiais de expediente; materiais de consumo; serviço temporário; serviços de segurança e vigilância, serviços de conservação e limpeza; serviços de manutenção e reparos; outros serviços de terceiros; exportação e gastos gerais, entendo não serem essenciais ao processo de produção da Contribuinte. Como se observa, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido previsto no § 10, do artigo 3º da Lei 10.637/2002, introduzido pelo artigo 25 da Lei 10.684/2003, que prevê a aplicação da alíquota de 1,155% (70% de 1,65%) sobre as referidas aquisições. Por outro lado, a Contribuinte não teve nenhum interesse em apresentar seu processo produtivo, e fundamentar seu direito, pelo contrario, em sua peça Recursal alega apenas que o direito a crédito " conceito de insumo" deve ser o mesmo aplicado ao imposto de renda, visto que, para se auferir lucro. Esta E. Câmara Superior, atual composição, tem como regra debater "insumo" por "insumo", para verificar se de fato os insumos utilizados no processo produtivo são essenciais ao processo de produção, salvo entendimento dos Conselheiros Fazendários que não adotam o critério da essencialidade. Neste sentido, em recente julgamento por esta Turma, os acórdãos de nºs 9303005.678 e 9303005.679, julgado na sessão de 19 de setembro, de Relatoria da Conselheira Tatiana Midori Migiyama, empreendeu toda fundamentação lastreada em laudos, processo de produção e essencialidade dos insumos utilizados no processo de produção. Como dito, a maior parte dos créditos se refere à aquisição de matéria prima (café cru) e de embalagens de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Nas aquisições de pessoas físicas já foi considerado o crédito presumido. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 11 10 Nos termos do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, como pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, entendo ser essencial atividade da Contribuinte, uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis. No que tange à exclusão da base de cálculo do PIS, do valor da indenização de seguro recebido pela Contribuinte, lhe assiste razão. A inclusão das receitas do Grupo 81 Outras Receita Operacionais na base de cálculo, as indenizações de seguro recebidas, ficou comprovado que tais valores não afetaram o patrimônio da Contribuinte tão pouco seu resultado operacional. Para ser receita, há que afetar o patrimônio da pessoa jurídica. A indenização de seguro tem a mesma natureza do bem sinistrado, já integrante do patrimônio do segurado, e não se confunde com alienação de bens porque o segurado não realizou operação mercantil alguma. Deve, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS valores líquidos lançados na contabilidade da recorrente referente a Indenizações de Seguros. Para que não se alegue, contrariedade, obscuridade e omissão, utilizo subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. in verbis: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso da Contribuinte, para reverter as glosas referente a uniforme/vestuário, equipamento de proteção individual, lubrificantes e combustíveis, excluindose ainda da base de cálculo do PIS, valores líquidos lançados na contabilidade da Contribuinte referente a Indenizações de Seguros. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo em parte de suas conclusões a respeito da possibilidade de apurar créditos da não cumulatividade relativa ao PIS e à Cofins. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto o relator aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Concordei com o relator em relação à maioria das glosas mantidas por ele. Nossa discordância é específica em relação a uniforme/vestuário e combustíveis/lubrificantes, tendo em vista que concordo com o afastamento da glosa relativa aos equipamentos de proteção individual na medida em que são consumidos, com o tempo, em aplicação necessária durante o processo de produção e não compõem o ativo imobilizado do contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 13 12 destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 14 13 serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. O legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto, antes de iniciado ou após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela lei). Ressalto que considero que os uniformes/vestimentas utilizadas na fábrica em razão de exigências de ordem sanitárias em decorrência de normas legais, podem ser apropriados como créditos em face de seu consumo, com o tempo, diretamente no processo produtivo. Porém uniformes/vestimentas adotados por mero interesse do fabricante, sem demonstração de que sejam utilizados no chão da fábrica, não se revestem da previsão legal ao direito ao crédito. Quanto aos combustíveis/lubrificantes observase que há previsão expressa no inciso II do art. 3º, acima transcrito, quanto à possibilidade do creditamento quando utilizados diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda. Acontece que estes créditos relativos aos combustíveis/lubrificantes já foram considerados e concedidos quando da análise original do pedido de ressarcimento. Portanto, eventuais consumo de combustíveis e lubrificantes utilizados antes de iniciado o processo produtivo ou em etapa posterior, não dão direito ao crédito por falta de previsão legal. Portanto os combustíveis/lubrificantes objetos da presente discussão não referemse ao uso direto no processo produtivo, mas aos usados em períodos anteriores ou posteriores à produção do produto destinado à venda. Assim, efetivamente não há base legal para sua concessão. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 16366.000280/200641 Acórdão n.º 9303005.926 CSRFT3 Fl. 15 14 Assim, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, somente para acatar o direito à apropriação de créditos com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1162DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.720485/2010-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR.
A dedutibilidade de despesas com Participação nos Lucros e Resultados - PRL submete-se à regra geral do artigo 299 do Decreto n. 3000/99, que exige a identificação de sua necessidade, registro como despesa conforme o regime de competência e comprovação de sua efetividade.
Numero da decisão: 9101-003.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Luis Flávio Neto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Adriana Gomes Rego, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Leonardo de Andrade Couto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida OPPORTUNITY DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. A dedutibilidade de despesas com Participação nos Lucros e Resultados PRL submetese à regra geral do artigo 299 do Decreto n. 3000/99, que exige a identificação de sua necessidade, registro como despesa conforme o regime de competência e comprovação de sua efetividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora) e Luis Flávio Neto, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Adriana Gomes Rego, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 04 85 /2 01 0- 61 Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Leonardo de Andrade Couto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Auto de Infração (Efls. 883 ss.), cientificado à contribuinte em 14.10.2010, para a exigência de IRPJ e CSLL, juros de mora e multa de 75% relativos aos anos calendário de 2006 a 2008, sob o entendimento fiscal de indedutibilidade das despesas incorridas pela contribuinte com o pagamento de participaçãoo nos lucros e resultados – PLR aos seus empregados, diante do descumprimento de regras previstas na Lei n. 10.101/2000, no caso, (i) a ausência de comprovação da eleição do representante dos empregados na composição do Comitê Executivo que elaborou o Programa PRL/2002; (ii) ausência de participação de representante indicado pelo sindicato da categoria dos empregados nesse comitê; e (iii) dedução de despesas em exerício posterior à sua efetivação, caracterizando postergação. Para maior detalhamento, sugerese a leitura do Termo de Verificação Fiscal (Efls. 870 ss.), resumido pela relatório da decisão da DRJ, que ora se aproveita: “Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a interessada acima identificada, consubstanciada no lançamento de imposto sobre a renda da pessoa jurídica (IRPJ) e contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), em valores respectivamente iguais a R$ 9.359.964,64 e R$ 4.151.596,94, já incluídos a multa de ofício e os juros de mora, este calculado com emprego da taxa Selic e aquela determinada à razão de 75%. Segundo consta do termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 870/882, o lançamento resultou da constatação de suposta indedutibilidade do pagamento de participações nos lucros e resultados (PLR) aos funcionários, em razão da não participação no denominado Comitê Executivo – que estabeleceu o Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PPR2002), de representante: (i) indicado pelo sindicato da categoria profissional e (ii) livremente escolhido pelos empregados. Aduziu a fiscalização que a primeira das irregularidades acima mencionadas se concretiza no parágrafo 1º da cláusula 2ª do acordo firmado, que estabelece a composição do aludido comitê como sendo de “02 cargos privativos por indicação do empregador e 01 cargo privativo de um representante dos empregados”, sem qualquer previsão de participação de representante sindical, tanto do empregador quanto dos empregados. Para confirmar a exclusão dos sindicatos da negociação, a fiscalização formulou pedido de esclarecimentos a tais entidades, recebendo de ambas respostas que confirmavam a não participação. Quanto ao procedimento seguido para a escolha do representante dos empregados, consta que a interessada, intimada sucessivas vezes a apresentar “toda a documentação relacionada ao processo eleitoral”, teria se limitado a entregar: (i) carta intitulada “escolha da comissão”, datada de 03/04/2002 e endereçada aos empregados, porém sem nenhuma assinatura, nem do subscritor e nem de algum empregado que dela tenha tomado ciência; (ii) carta emitida pelo sr. Wilson Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 4 3 Barcellos da Silva, datada de 04/04/2002 com a manifestação de interesse em ser o representante dos empregados; e (iii) carta da empresa, datada de 12/04/2002 e igualmente sem qualquer assinatura, informando aos empregados a aceitação do sr. Wilson como representante deles e abrindo prazo até o dia 17/04/2002 para impugnação do feito. Em 2006, o referido empregado foi substituído, na representação, pela sra. Cíntia Santana de Oliveira, tendo a interessada apresentado documentação equivalente à acima relacionada para comprovar o rito de escolha desta nova representante da força de trabalho. O PPR2002 foi concluído em 28/05/2002, ocasião em que a interessada teria levado os empregados a assinarem termo de concordância com as cláusulas lá apostas, na forma do document intitulado “lista de concordância dos empregados”, carreados a estes autos no anexo 01, e pelo qual os signatários firmaram adesão ao programa de participação nos lucros e reconhecem o sr. Wilson como seu representante. Ante os fatos, concluiu, a fiscalização, que “o processo de escolha foi mera indicação do empregador”. Ato contínuo, a fiscalização tomou como indedutíveis os valores de R$ 3.524.726,33, R$ 8.351.599,87 e R$ 6.850.000,00, respectivamente iguais às despesas com a constituição das PPR afetas às competências 2006, 2007 e 2008 e que serviram de base para o lançamento combatido nestes autos. Por oportuno, registrese que a fiscalização detectou que parte (R$ 539.439,17) do valor deduzido em 2006, era relativo ao segundo semestre de 2005, bem como parte (R$ 1.409.349,49) da dedução levada a efeito em 2007 era afeta à PLR do Segundo semestre de 2006. Por fim, a fiscalização informou a existência de lançamento concernente à mesma matéria, mas afeto ao ano calendário 2009 e autuado no corpo do processo administrativo n.º 12448.720493/201016. O enquadramento legal consta do auto de infração de fls. 883/898.” A contribuinte apresentou Impugnação (Efls. 910 ss.) defendendo haver atendido a legislação que rege a questão, com os seguintes esclarecimentos, também sintetizados pela decisão da DRJ utilizada acima: " 1. que atendeu a legislação pertinente ao tema, considerando que: • o art. 2º da Lei n.º 10.101/00 dispõe que “a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I – comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II – convenção ou acordo coletivo.”, conferindo assim ampla liberdade para as partes, inclusive deixando de estabelecer critérios para a escolha da comissão negociadora, sem nem mesmo mencionar a necessidade de eleição e fazendo referência à escolha “pelas partes” e não “pelos empregados”; • “o único empregado que manifestou interesse em compor a comissão negociadora (...) foi o Sr. Wilson Barcellos da Silva”, sendo que “a Impugnante não teve qualquer ingerência na vontade dos empregados que se candidataram à comissão e no aparente desinteresse dos demais em concorrer a tal posto”, razão pela qual “não restou demonstrado qualquer vício de consentimento na escolha da comissão que elaborou o Programa PLR/2002”; • “na cláusula sétima do referido programa consta a informação de que os empregados da Impugnante, mediante assinatura de listagem, tomaram conhecimento do Programa, tendo expressado a sua concordância”; • “ainda que fosse possível cogitar vício na representação dos empregados para a negociação do Programa em questão, tal vício teria sido sanado a partir da aprovação do Programa PLR/2002 pela integralidade de empregados que à época Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 5 4 trabalhavam na impugnante, manifestada por meio da assinatura da ‘Lista de Concordância’ anexa ao PLR/2002”, o que demonstraria que as regras “foram debatidas, colocadas por escrito e validadas com todos os empregados da Impugnante, os quais com elas concordaram expressamente e por escrito”; • “a participação sindical no processo de elaboração de planos de PLR não é uma exigência legal. Tratase, na verdade, de uma mera faculdade das partes interessadas na instituição de um plano para distribuição de resultados, quando se opta pela modalidade prevista no artigo 2º, inciso I, da Lei nº 10.101/00”, o que se constataria pelo emprego do legislador do vocábulo “também” no dispositivo, bem como “no fato de a natureza dos direitos envolvidos em um plano de PLR serem individuais, homogêneos e não coletivos” (sic), não se tratando, por conseguinte, “de interesses afeitos a toda a categoria de empregados de um dado segmento de mercado”, mas de “interesses de trabalhadores individualizados, que em nada se comunicam com o restante da categoria profissional”; • “não é demais lembrar que o Programa PLR/2002 efetivamente contempla a participação do sindicato profissional na sua confecção”, conforme dispõe o seu intróito; • “o sindicato profissional informou expressamente à fiscalização em outro procedimento fiscal que estava sendo realizado na Impugnante, que não só tinha ciência do Programa PLR/2002, mas também que estava de acordo com os seus termos”; e • “a presença do sindicato tornase prescindível quando, como no presente caso, todos os trabalhadores concordam com as regras do plano de PLR. Exigirse intermediação syndical seria privilegiar uma inútil prevalência da forma sobre o conteúdo”. 2. que, ainda que admitida a existência de irregularidades no PPR2002, as despesas com os valores pagos aos empregados são dedutíveis, pois podem ser consideradas gratificações, portanto usuais e necessárias a sua atividade, na forma do art. 299 do RIR/99, dos Pareceres Normativos Cosit n.º 32/81 e 109/75 e do artigo 34 da IN SRF n.º 93/97; e 3. que a dedução das despesas em exercício posterior ao da efetiva competência não trouxe prejuízo ao Fisco, conforme Parecer Normativo Cosit n.º 02/96. Culmina a peça de bloqueio com o pedido de improcedência do lançamento. Subsidiariamente, requer que, caso seja mantido o lançamento, não incidam juros de mora sobre a multa de ofício, com base no art. 161 do CTN.” A autuação foi mantida por decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (Efls. 971 ss.), no sentido de que (i) se aplicaria a regra específica e hierárquica e cronologicamente superior da Lei n. 10.101/2000 no lugar do artigo 299 do Decreto Lei 3000/99, concluindose que “para serem dedutíveis as despesas da pessoas jurídicas a título de pagamento de participação nos lucros ou resultados, fazse mister que o programa que contenha as regras do aludido pagamento seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante: comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; ou convenção ou acordo coletivo”. Adicionalmente, (ii) decidiuse pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Insurgindose contra a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 992 ss.), defendendo que esta não deve prosperar porque, (i) quando da Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 6 5 elaboração do Programa PLR/2002, atendeu todas as disposições previstas na Lei n. 10.101/2000, na medida em que comprovou com documentos hábeis e idôneos a participação do empregado efetivamente escolhido pelos seus pares na negociação do referido programa e que a participação de representante pelo sindicato seria facultativa e a sua ausência não trouxe qualquer prejuízo aos seus empregados; (ii) deveria considerar subsidiariamente a regra geral do artigo 299 do Decreto n. 3.000/99 para a dedutibilidade, tratando os pagamento como gratificações para esse fim; (iii) deixou de analisar o argumento que demonstra que a dedução das despesas em exercício posterior ao de sua efetiva competência não trouxe qualquer prejuízo ao Fisco, nos termos do Parecer COSIT n. 02/1996; e, por fim, (iv) não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. Do julgamento do recurso, resultou o Acórdão n. 1401000.944 (Efls. 1041 ss.), que lhe deu provimento, em razão de considerar não haver antinomia entre a Lei n. 10.101/2000 e o artigo 299 do RIR/99, este podendo servir de base para a dedutibilidade das despesas, independentemente do preenchimento das regras específicas daquela Lei, assim como serviria de fundamento também o seu parágrafo 3o., além de anuir com as alegações de postergação apresentadas pela Recorrente, no que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEDUTIBILIDADE. Para serem dedutíveis as despesas da pessoas jurídicas a título de pagamento de participação nos lucros ou resultados é despiciendo saber se houve ou não o cumprimento de normas técnicas relacionadas ao processo de instituição do PLR, pois o § 3º art. 299 do RIR/99 acolhe como dedutível as gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. POSTERGAÇÃO DE DESPESAS. A mera postergação de despesas por inobservância do regime de competência quando no caso concreto não implica em postergação de tributos ou redução indevida do lucro real em qualquer período não se torna apta a gerar uma infração fiscal com implicações tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do Colegiado,por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Maurício Pereira Faro. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Roberto Armond Fereira da Silva, Karem Jureidini Dias, Victor Humberto da Silva Maizman e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.” A Fazenda Nacional então interpôs Recurso Especial (Efls. 1056 ss.) sustentando haver divergência quanto à dedutibilidade de despesas com o pagamento de participação nos lucros ou resultados – PLR poder ser feita com base no artigo 299 do Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 7 6 RIR/99 ou depender do atendimento de legislação específica, como a Lei n. 10.101/2000, apresentando para tanto como paradigmas os acórdãos n. 180300.467 e 10807.945. Nesse sentido, defende que (i) o pagamento de PLR não seria despesa operacional da pessoal jurídica, mormente porque, havendo regra especial no artigo 462 do RIR/99 a seu respeito, a contrario sensu, significaria que o art. 299 do mesmo estatuto seria inaplicável à questão; e que (ii) as desconformidades com a Lei n. 10.101/2000, por si só, excluiriam o contribuinte da “vantagem fiscal”prevista no referido atigo 462. O recurso foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efls. 1097 ss.) que se deteve sobre os dois acórdãos paradigmas apresentados, dando seguimento ao recurso por considerar que, diversamente da decisão recorrida, esses teriam acompanhado a linha de que se deveria observar legislação específica para a dedutibilidade de despesas com PLR. A contribuinte, por sua vez, ofereceu Contrarrazões (Efls. 1101 ss.) sustentando o preenchimento das condições para o atendimento tanto da regra geral de dedutibilidade do artigo 299 do RIR/99, quanto aos requisitos da Lei n. 10.101/2000. Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 8 7 internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, verificase que a Fazenda Nacional interpôs recurso especial sustentando haver divergênciade na interpretação da legislação tributária quanto à dedutibilidade de despesas com o pagamento de participação nos lucros ou resultados – PLR poder ser feita com base no artigo 299 do RIR/99 ou depender do atendimento de legislação específica, como a Lei n. 10.101/2000, apresentando como paradigmas os acórdãos n. 180300.467 e 10807.945. Em suas razões, defendeu que (i) o pagamento de PLR não seria despesa operacional da pessoal jurídica, mormente porque, havendo regra especial no artigo 462 do RIR/99 a seu respeito, a contrario sensu, significaria que o art. 299 do mesmo estatuto seria inaplicável à questão; e que (ii) as desconformidades com a Lei n. 10.101/2000, por si só, excluiriam o contribuinte da “vantagem fiscal” prevista no referido atigo 462. Pois bem. Verificandose a ementa do primeiro paradigma apresentado, acórdão n. 180300.467, temse a seguinte redação: “PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO DE EMPREGADOS NOS LUCROS (PLR). DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade dos valores pagos à título de Programa de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), depende da adoção de regras claras e objetivas, consignada em acordo/convenção coletiva do sindicato da categoria ou acordo particular adotado através de prévia negociação com comissão de trabalhadores, contando com a participação do respectivo sindicato da categoria.” No contexto em que colocada pela Recorrente, no sentido de que se exigiria o cumprimento dos requisitos da Lei n. 10.101/2000 para a dedutibilidade das despesas com PRL, certamente que leva à indução de que não bastaria a regra geral do art. 299 do RIR/99. Mas se trataria de uma inferência, e não necessária, de modo que não se entende possível compreender de pronto e peremptoriamente que este acórdão, tal como proferido, poderia se prestar como paradigma para este julgamento. O que não foi colocado pela Recorrente, em seu recurso protocolizado datado de 16.05.2013, é que este paradigma foi integrado pelo acórdão n. 180300.946, que julgou os embargos de declaração contra ele opostos pela contribuinte daquele processo, em 28.06.2011, justamente com o intuito de aclarar omissão quanto à aplicabilidade do Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 9 8 artigo 299 do RIR/99, que havia sido objeto do recurso voluntário. E o novo voto foi lavrado com a seguinte redação, da qual se grifou determinados trechos: “Afirma a embargante que teria havido omissão no julgado em relação ao pedido alternativo de que independentemente do reconhecimento dos valores deduzidos a título de PLR – Participação dos Empregados nos Lucros nos moldes da Lei nº 10.101/00, as verbas pagas aos empregados seriam dedutíveis como despesa de natureza salarial nos termos do art. 299, § 3º do Regulamento do Imposto de Renda que tem a seguinte redação: (…) O dispositivo transcrito e citado pela embargante é do Regulamento aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, sendo que no período objeto do lançamento – 1997, vigia o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 1.041/94, cujo artigo correspondente é o artigo 242, com a mesma redação exceto justamente o § 3º enfatizado pela embargante. Já o ponto em que a recorrente abordou no recurso voluntário a dedutibilidade perante o IRPJ e CSLL dos valores glosados pela fiscalização, tem a seguinte redação: “b) A aplicação do disposto no artigo 462 do RIR 55. Se já não fosse por todos esses motivos, a decisão merece ainda ser revista em razão de que o próprio artigo 462 do Regulamento do Imposto sobre a Renda ("RIR"), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.3.1999, permite a dedução em questão. 56. Estabelece esse artigo que: Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro liquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica: I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória a° 1.76955, de 1999. 57. Tal dispositivo deixa claro que não são dedutíveis apenas os valores pagos nos termos da Medida Provisória n° 1.76933/ 99, posteriormente convertida na Lei n° 10.101/00. Com efeito, o inciso II do citado artigo assegura a dedutibilidade dos valores pagos aos empregados a titulo de participação nos resultados, desde que não haja discriminação. 58. No caso concreto, a Convenção Coletiva de Trabalho dos Empregados em Estabelecimentos Bancários deixa claro que todos os empregados terão direito ao beneficio, e a CCT do Sindicatão admite expressamente a aplicação de outras que não estejam ali contidas, desde que sejam mais benéficas à categoria, o que afasta por completo a hipótese de discriminação. 59. Assim, também por essa razão afigurase desprovida de fundamento a glosa dos valores pagos aos empregados. Aliás, é conveniente mencionar que a exigência em questão é tão desarrazoada, que procura ignorar que o verdadeiro beneficio da PLR não constitui na dedutibilidade dos valores pagos aos empregados, já que os salários pagos são integralmente dedutiveis, de acordo com as normas em vigor. Grifo do original 6o. Na verdade, o beneficio previsto nas regras atinentes à PLR consiste em que os valores pagos a tais títulos não se incorporam no chamado "salário de contribuição" e, por tal razão, não geram incidência de quaisquer verbas previdenciárias, nem devem ser computados no cálculo das férias e do décimo terceiro salário devido aos Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 10 9 empregados. Como se vê, o beneficio em questão é de natureza previdenciária e trabalhistas, mas não tributária! 61. Por isso mostramse equivocadas e imprecisas as assertivas de que o "beneficio da dedutibilidade" dos valores pagos a titulo de PLR dependem do cumprimento de uma série de formalidades. O cumprimento de tais requisitos poderia, sim, impactar no cálculo de verbas trabalhistas e previdenciárias, mas jamais teria qualquer relevância para o cálculo do IRPJ e da CSL. 62. Tanto isso é verdade que muito antes da edição das Medidas Provisórias que resultaram na Lei n° 10.101/00, o Fisco Federal já admitia a dedutibilidade de valores pagos a título de participação nos resultados. 63. Confirase, a esse respeito, os seguintes precedentes: (...)” Destarte, considerando o exposto, entendo efetivamente que faltou ao acórdão embargado a apreciação mais detalhada da alegação e portanto acolho os embargos para suprir a omissão apontada. Não obstante o empenho de seus patronos, no mérito não se pode prover os embargos apresentados pela requerente. Com efeito, inicialmente constatase que a matéria alegada nos subitens – 55 a 62 – do recurso voluntário não foi objeto de prequestionamento por ocasião da impugnação (fls. 59/77), sendo portanto preclusa e vedado em princípio o seu conhecimento sob pena de supressão de instância. No entanto, considerando tratarse de matéria constante de dispositivo expresso em norma tributária pode o julgador administrativo superar a preclusão da material não suscitada na impugnação. Vêse que a interessada apresentou nos embargos como suporte às suas alegações o § 3º do art. 299 do RIR/99, que trata de gratificações e não de participações nos lucros, sendo que no ano calendário de 1997, vigiam as disposições do RIR/94 em seus artigos 242, 280 e 299, com limites específicos para dedutibilidade de gratificações a empregados. No entanto, conforme dispõe o caput do art. 299 e seus §§, todos os dispêndios seja com participações nos lucros ou à título de gratificações, submetemse às normas gerais de dedutibilidade, devendo observar as regras específicas à cada modalidade de dispêndio para reunir as condições de dedutiblidade e estar inseridas nos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade. Outrossim, desde a impugnação vem a contribuinte sistematicamente defendendo a legitimidade da dedução realizada, como participação dos empregados nos lucros, nos termos da Lei nº 10.101/00, fato corroborado pela dedução na linha 28 da ficha 26 da DIPJ (fl. 22), não podendo agora darlhe natureza jurídica de gratificação. Por outro lado, o dispositivo invocado pela recorrente (art. 432 do RIR/99), tinha na vigência do RIR/94, como correspondente o art. 430, com a seguinte redação: “Art. 430. Podem ser deduzidas na apuração do lucro líquido do período base as participações nos lucros da pessoa juridica (DecretoLei nº 1.598/77, art. 58): I – asseguradas a debêntures de sua emissão; II – atribuídas a seus empregados segundo normais gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas. Constatase que a participação nos lucros aventada no inciso II do art. 430 do RIR/94, tendo como base legal o art. 58 do DecretoLei nº 1.598/77, é modalidade distinta da PLR regulada a partir das Medidas Provisórias nº 794/94 e 1.76955 de 1999 (atual Lei nº 10.101/2000), com requisitos e procedimentos próprios para fins de dedutibilidade, tanto que esta última mereceu atenção específica com o advento do RIR/99, conforme se observa dos artigos 359 e 626 e a inclusão do inciso III do art. 432, citado no recurso voluntário e já transcrito neste voto. Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 11 10 As participações nos lucros aventadas tem condições de dedutibilidade distintas bem como repercussões diferentes no âmbito previdenciário e trabalhista, afastando a suposta similitude entre as aludidas modalidades. Não comprovou contudo, que preencheu ao menos os requisitos exigidos no art. 430 do RIR/94, limitandose a mera alegação genérica que não pode ser acolhida por este colegiado julgador administrativo. Ou seja, se a contribuinte na primeira instância nada alegou neste sentido, em grau de recurso voluntário alegou a suposta identidade entre as participações nos lucros aventadas no RIR/99 (ainda não vigente no ano calendário 1997) não apresentando contudo qualquer prova de que reunia as condições prescritas ao menos em um dos institutos, sendo que nos embargos apresentou nova versão, pleiteando desta feita a possibilidade de dedutibilidade como gratificação. Destarte, se pretendia conforme foi sua manifestação na impugnação, efetuar a distribuição dos lucros na forma da Lei nº 10.101/2000, na vigência das Medida Provisórias nº1.539/96 e 1.619/97, deveria atender suas disposições sob pena de ver glosada a dedutibilidade para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, não se vislumbrando a suposta fungibilidade com a participação nos lucros prevista no art. 58 do DL 1.598/77. Ante o exposto, voto por acolher os embargos para no mérito negar provimento ao recurso, rerratificandose o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator” Vejo que o voto acima reuniu diferentes motivos para negar a aplicação do 299 – como o fato de a contribuinte desde o início ter sustentado à sua adequação à Lei n. 10.101/2000; tratar o PLR previsto no mencionado art. 430 de espécie diversa daquele regulado pela referida lei; não ter feito prova de que preenchia as condições de dedutibilidade desse artigo; bem como haver alterado o critério de PLR para gratificação apenas na última instância – o único trecho que poderia levar à conclusão de que afasta a possibilidade de dedução com base na regra geral do artigo 299 seria o seguinte: “No entanto, conforme dispõe o caput do art. 299 e seus §§, todos os dispêndios seja com participações nos lucros ou à título de gratificações, submetemse às normas gerais de dedutibilidade, devendo observar as regras específicas à cada modalidade de dispêndio para reunir as condições de dedutiblidade e estar inseridas nos conceitos de necessidade, normalidade e usualidade.” Embora reconheça que sua redação possa permitir a interpretação conferida pela Recorrente, entendo que sua redação não é totalmente clara no sentido que o art. 299 remete necessariamente às regras específicas da Lei n. 10.101/2000, como exigido pela fiscalização. Assim sendo, não vejo clareza suficiente sobre a divergência em questão para fim de credenciar esse acórdão n. 180300.467 como paradigma para o conhecimento do recurso. Passandose à análise do segundo paradigma, acórdão n. 10807.945, também não se vê a sua possiiblidade de se prestar como paradigma ao presente caso. Sobre o tema que importa à divergência, primeiramente, lêse de sua ementa: Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 12 11 “DESPESA INDEDUTIVEL — PARTICIPAÇÃO DE FUNCIONÁRIOS NO RESULTADO DO PERíODO — A dedução como despesa das participações cometidas aos empregados, só acontece quando obedece às determinações do artigo 364, I do RIR/80 e Parecer Normativo CST 99/78.” Do relatório, extraise sobre a defesa da recorrente: “À glosa das participações nos lucros e respectivos encargos sociais, pagos aos empregados, nos exercícios de 87,88,89 e 90, estaria de acordo com a norma contida no artigo 364,1 do RIR/80 e Parecer Normativo CST 99/78, portanto, equivocada fora a conclusão da autoridade de primeiro grau. O critério principal da premiação foi o de relacionar todos os funcionários, mesmo da atividade meio, que contribuíram para a obtenção das metas, frente ao faturamento e lucro liquido. As participações foram proporcionais aos salários individuais. Exceções ao critério de cumprimento das metas foram às participações do funcionário do ano e reconhecimento ao tempo de serviço prestado.” E, por fim, mais adiante, segue o único trecho que trata da questão, como efetiva decisão: “Quanto às participações dos lucros da forma que foi operacionalizada, também não atenderam aos critérios preconizados no regulamento do Imposto de Renda para reduzirem o resultado do período, representando mera liberalidade, não produzindo os efeitos pretendidos. As participações obedeceram a critérios subjetivos e não beneficiaram a todos os empregados da empresa, condição indispensável a tomálas dedutiveis como bem explicitado na decisão recorrida às fis.765/767.” Dessa totalidade de trechos extraídas do acórdão apresentado como segundo paradigma, não se consegue compreender – afinal, como foi possível no acórdão ora recorrido, assim como na decisão da DRJ – discussão sobre a aplicabilidade suficiente do artigo 299 ou necessidade de legislaçãoo específica. Ao contrário, nem o artigo 299 foi em qualquer momento mencionado, e também o Regulamento do Imposto de Renda foi utilizado como norma aplicável, ao que tudo indica. Por fim, com a devida vênia, não parece ser o papel do julgador, em âmbito de recurso especial, que requer a demonstração analítica da divergência, ter que buscar o teor das citadas fls. 765/767 da decisão recorrida que deu origem ao paradigma em questão, o que também não mudaria meu posicionamento pelo que já colocado. Mais uma vez, se trataria de uma inferência a partir destes poucos trecho e, como dito acima, não necessária. Por essas razões, também entendo imprestável o segundo paradigma, impedindo o conhecimento do recurso definitivamente. No entanto, na hipótese de restar vencida, esclareço que a divergência teria que se limitar à aplicabilidade do regulamento ou legislação específica para a dedutibilidade, sem poder adentrar na questão desenvolvida pela Recorrente quanto ao não atendimento das condições da Lei n. 10/101/2000. Primeiramente porque não foram Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 13 12 apresentados paradigmas para este ponto. Segundo porque, ainda que tivesse sido, não seria possível demonstrar a divergência simplesmente em razão de o acórdão recorrido não have lo feito, decidindo tão somente pela aplicablidade do artigo 299 do RIR/99, o que inclusive motivou o pedido da contribuinte de eventual retorno dos autos para se apreciar a questão, a depender do resultado de mérito. Assim, em conclusão, votase por NÃO CONHECER O RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. MÉRITO Na hipótese de restar vencida com relação ao conhecimento, devolve se, então, ao julgamento deste Colegiado a questão da (i) aplicação da regra geral do artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda à dedutibilidade das despesas relativas às debêntures com o pagamento de participação nos lucros e resultados – PLR. De plano, já registro que se a autuação foi realizada com fundamento tanto no artigo 299 e na Lei n. 10.101/2000, entendo que as despesas poderiam ser consideradas dedutíveis simplesmente pela regra geral do primeiro dispositivo, de modo que as exigência requeridas pela fiscalização nao seriam capazes de infirmar a necessidade das referidas despesas para fins fiscais. Com efeito, é sabido que não basta, para a tributação da renda, tão somente a verificação das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Exigese, para que se avalie o efetivo acréscimo patrimonial percebido, a dedução dos custos e despesas despendidos para a formação dessas receitas. Dizse, assim, que os custos correspondem à troca de recursos pré existentes no ativo da pessoa jurídica, ou mesmo à contração de dívidas, para a aquisição de um bem ou direito, enquanto as despesas aos gastos assumidos pela entidade, no emprego de valores ou contração de dívidas para o pagamento de encargos necessários à produção da renda, já utilizados ou consumidos, isto é, que não remanesçam no seu ativo. As despesas de possível dedução são as chamadas operacionais, assim definidas como aquelas não computadas nos custos e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, como prescrito pelo artigo 47 da Lei nº. 4.506/1964, reproduzido pelo artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda: Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 14 13 “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º) […].” De acordo com a redação desse dispositivo, além de não serem computadas como custos, para que sejam dedutíveis, as despesas devem ser pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações requeridas pela atividade da empresa, de modo normal e usual, o que significa, portanto, que ao menos quatro diferentes critérios devem ser analisados. O primeiro requisito à dedutibilidade das despesas, como apontado, é que estas não sejam contabilizadas como custos, ou seja, não correspondam à troca de recursos préexistentes no ativo da pessoa jurídica, ou mesmo à contração de dívidas, para a aquisição de um bem ou direito. Como um segundo critério, temse a exigência de que as despesas sejam necessárias para que possam ser deduzidas, o que deve ser corretamente interpretado, sem objetividade ou subjetividade desmedida. Explicase. É inerente ao ato de interpretar, vale dizer, de construir o sentido da norma jurídica, tomarse como ponto de partida o texto. Dele se parte e nele se têm os limites finais daquele processo. Embora o intérprete seja quem atribua conteúdo à referida norma, conferindolhe, inevitavelmente, seus valores, o subjetivismo contido nesta atividade não é ilimitado, como bem demonstra Paulo de Barros Carvalho1: Os predicados da inesgotabilidade e da intertextualidade não significam ausência de limites na tarefa interpretativa. A interpretação toma por base o texto: nele tem início, por ele se conduz e, até o intercâmbio com outros discursos, instaurase a partir dele. Ora, o texto de que falamos é o jurídicopositivo e o ingresso no plano de seu conteúdo tem de levar em conta as diretrizes do sistema […]. Com isso se quer afirmar que, para a configuração das despesas mencionadas no artigo 299 do RIR/99 como necessárias, o que se exige minimamente é que possuam relação com as atividades da empresa ou sua fonte produtora. Mas que isso, possivelmente, é estar impondo condição não prevista na lei. 1 Ibid., p. 194. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 15 14 A confirmar essa orientação, são válidas as palavras de Ricardo Mariz de Oliveira2: […] a lei vincula a dedutibilidade à existência de uma relação entre as despesas e as atividades da empresa ou a sua fonte produtora. Estabelecida a existência dessa relação, o que qualquer pessoa pode fácil e objetivamente fazer, a despesa será por todos reconhecida como necessária, independentemente do que qualquer um pense ou possa pensar, ache ou possa achar, quanto à sua conveniência ou por comparação com qualquer outro referencial de apreciação. Isto é da maior importância: o referencial legal para se constatar a necessidade é a relação objetiva entre a despesa e a empresa, isto é, entre a despesa e as atividades da empresa ou a sua fonte produtora! Qualquer outro referencial, que alguém queira subjetivamente utilizar, é imaterial e irrelevante perante a lei. Assim sendo, na medida em que o dispositivo define como necessárias as despesas que tenham relação com as atividades da empresa e a fonte produtora, trata se a dedutibilidade de regra geral, o que significa que, atendidas as condições impostas pela legislação, esse desconto independe de algo que declare especificamente as despesas como dedutíveis, não sendo possível a imposição de limitações subjetivas ao alcance da relação entre as despesas e as atividades da empresa ou fonte produtora3. Observese que, já no Parecer Normativo nº 32 de 1981, a Coordenadoria do Sistema de Tributação dispunha que “o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos”. 2 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008, p. 693. 3 Nesse sentido, a Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda já vem decidindo a longo tempo: “IRPJ – DESPESAS OPERACIONAIS – DEDUTIBILIDADE – NECESSIDADE – COMPROVAÇÃO. – O art. 47 da Lei nº. 4.506/64, consolidado no art. 191 do RIR/80, ao estabelecer que são operacionais as despesas não computáveis nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, criou na área do imposto de renda o que comumente se denomina de cláusula geral. Isto significa que o legislador evitou baixar norma exemplificativa ou, muito menos, taxativa. Se a pessoa jurídica consegue provar, por qualquer meio lícito de prova, que o gasto existiu e se trata de despesa normal ou usual no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, ainda que mediante simples notas fiscais simplificadas, não há como se glosar tal gasto”. (BRASIL. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso nº 124107. Acórdão nº 010900. Relator: Kazuki Shiobara. Sessão: 29 jun. 1989). Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 16 15 Na linha desenvolvida, remetese aqui a todas as despesas relativas à empresa, assim entendidas “em oposição a gastos absolutamente estranhos à sociedade e às suas atividades, ou que caracterizem mera liberalidade”4. Não se quer com isso afirmar que despesas alheias às atividades da pessoa jurídica não sejam necessárias, apenas que os atos de liberalidade não são precisos para a obtenção da renda. Ademais, a despesa incorrida não deve obrigatoriamente ser exigida de forma direta pela atividade da companhia, senão o que dizer dos juros incorridos, multas sofridas, gastos com acidentes? São despesas que envolvem a continuidade dos negócios, estratégias de riscos. São despesas, portanto, relacionadas à atividade da empresa e à manutenção de sua fonte produtora. Assim, concluindo com a definição de Ricardo Mariz de Oliveira5, podese afirmar, sem incorrer em qualquer equívoco, “que uma despesa é necessária quando ela for inerente à atividade da empresa ou à sua fonte produtora, ou for dela decorrente, ou com ela for relacionada, ou surgir em virtude da simples existência da empresa e do papel social que ela desempenha”, orientação esta inclusive incorporada pela jurisprudência administrativa, em trecho do seguinte acórdão6: A regra geral de definição do lucro real baseado no lucro líquido, ou seja, contábil, é no sentido de que, em princípio todos os dispêndios da empresa são dedutíveis. A lei, não podendo prever uma a uma as inumeráveis atividades e espécies de gastos da empresa, parte da definição genérica de que todos os custos e todas as despesas são admitidos na apuração da base de cálculo do imposto de renda e estabelece as exceções para cálculo do lucro tributável. […] Partindo dessa premissa, podemos dizer que uma despesa é necessária quando inerente à atividade da empresa, ou dela decorrente, ou com ela relacionada ou até mesmo que surge em virtude da simples existência da empresa e do papel social que desempenha. Em contrapartida, a despesa é não necessária quando for decorrente de ato de liberalidade, não no sentido de espontaneidade, mas no sentido jurídico de ato de favor, estranho aos objetivos sociais. […]. 4 LATORRACA, Nilton; OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. A dedutibilidade das multas fiscais face ao princípio da legalidade da obrigação tributária e a conceituação de custos e despesas operacionais. Revista de direito mercantil, industrial, econômico e financeiro. São Paulo: Revista dos Tribunais, n. 8, 1972, p. 140. 5 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 696. 6 BRASIL. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso nº 126251. Acórdão nº 10193720. Relatora: Sandra Maria Faroni. Sessão: 23 jan. 2002. Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 17 16 Passandose à questão da normalidade das despesas, esta se refere, em síntese, aos gastos comuns no ramo de atividade em que atua a companhia ou no tipo de operação envolvida, enquanto usuais seriam aqueles caracterizados pela habitualidade, pela frequência com que são incorridos. Segundo o Parecer Normativo da Coordenadoria do Sistema de Tributação nº 32/1981, editado para analisar a dedutibilidade de gastos necessários num determinado ramo empresarial, “despesa normal é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual, costumeira ou ordinária”, com a complementação de que “o requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitual na espécie de negócio”. O que se exige, efetivamente, é a relação de pertinência entre as despesas incorridas pelas pessoas jurídicas e suas atividades, sendo elas comuns neste ramo de negócio ou na espécie de transação ou operação objeto de análise, vale dizer, “consideradas despesas normais e habituais, notadamente se não evidenciada a sua desnecessidade à fonte produtora de recursos”7. Outras condições impostas à dedutibilidade de despesas diz respeito à sua escrituração e possibilidade de comprovação. No primeiro caso, somente podem ser descontadas na formação da base de cálculo do tributo aquelas despesas devidamente contabilizadas, regra esta flexibilizada em casos particulares. Relativamente à comprovação das despesas, num de seus aspectos, devese verificar a existência de prescrição legal quanto a alguma forma específica de prova, isto é, a exigência de que a despesa seja comprovada por meio de documento determinado, no que se refere ao tributo exigido.Por fim, para que as despesas sejam consideradas dedutíveis, devem ser deduzidas no lucro real no períodobase competente, quando, segundo o regime de competência, tiverem sido efetivamente incorridas8. A realidade é que, além da regra do citado artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, a legislação fiscal traz diversas outras normas impedindo a dedutibilidade de algumas despesas, limitando o seu valor, condicionandoas a certos 7 BRASIL. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Acórdão nº 10309030. Sessão: 10 abr. 1989. 8 Acerca do tema, vejase antiga lição de Sampaio Dória, para quem “despesa incorrida é a que: (a) resulta de obrigação formalmente contratada, líquida e certa, vencida ou não; (b) seja precisamente quantificável; (c) independa de evento futuro e incerto, que possa eliminar a respectiva obrigação, verificandose automaticamente seu vencimento (decurso de prazo, para exemplificar); e (d) possua titular (credor) identificado precisamente.” (DÓRIA, Antônio Roberto Sampaio. O regime de competência no imposto de renda e deduções de juros contratados. Revista de estudos tributários. São Paulo: IBET; Resenha Tributária, n. 3, 1979, p. 24). Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 18 17 requisitos ou atribuindolhe tratamento específico. De todo modo, quer parecer que o limite principal, que submete essas previsões a um juízo de razoabilidade e proporcionalidade, seria o próprio conceito de renda tributável. Nesse sentido, seja como gratificações – como colocado subsidiariamente pela recorrida –, seja como participação nos lucros e resultados, entendo que as despesas incorridas pela contribuinte assumem as características necessárias à sua dedutibilidade, não as perdendo simplesmente em função de uma participação de um representante do sindicato ou discussão quanto à forma de eleição do representante dos empregados no comitê executivo do PLR/2002. Com essa mesma orientaçãoo, vejase trechos do acórdão n. 1102 000.847, de relatoria da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa: “Matéria IRPJ Dedução de Participação nos Lucros e Resultados Recorrente BANCO BTG PACTUAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS. AUSÊNCIA DA REPRESENTAÇÃO SINDICAL NA NEGOCIAÇÃO. CONSEQÜÊNCIAS. Existindo acordo formal entre empregador e empregados fixando as regras para pagamento da remuneração, a ausência da representação sindical na negociação não é suficiente para impedir a dedutibilidade da despesa, para efeitos de apuração do lucro real. (...) Ao final, diz a autoridade lançadora, que os critérios de cálculo e pagamento da PLR competência 2004 teriam sido definidos em Acordo firmado, em 02/12/2004, entre a instituição financeira e comissão de empregados, sem a participação da entidade sindical que representa os interesses dos funcionários. Ou seja, nenhum outro vício foi afirmado no pagamento das participações glosadas. Assim, tratandose de valores contratualmente ajustados entre empregador e empregados, sem qualquer evidência de liberalidade, não há como negarlhes o caráter de remuneração e, dessa forma, assegurar sua dedução na apuração do lucro real, ainda que não atendidos todos os requisitos para sua caracterização como participação nos lucros ou resultados.” (grifouse) Por essas razões, acordase com a decisão recorrida, votandose no sentido de sua manutenção, que teve relatoria do então ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto e vale a transcrição por refletir toda a divergência em julgamento e o posicionamento que também se adota: “Como é sabido, as despesas em geral são regidas pela regra prevista no art. 299 do RIR/99: RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos,necessárias à Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 19 18 atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. As despesas com PLR estão mais especificamente previstas no art. 2° da Lei n.° 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa: Lei 10.101/00: Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I indices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade syndical dos trabalhadores. § 3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. § 1º Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. § 4o A periodicidade semestral mínima referida no § 2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 20 19 § 5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. (nossos destaques). A DRJ manteve o lançamento considerando a despesa indedutível na medida em que divisou uma antinomia jurídica e que foi resolvida através dos critérios convencionais (hierarquia, temporal e especialidade) em favor da aplicação dos ditames da Lei 10.101/00. Como a DRJ constatou um descumprimento relevante dessa norma específica, consequência jurídica divisada foi a indedutibilidade das despesas relacionadas ao pagamento do PLR aos funcionários. No caso, a DRJ deu prevalência ao princípio da especialidade em que norma mais específica tem primazia sobre norma de caráter geral. Considerou, pois, que a Lei 10.101/00 seria norma reguladora mais específica que a regra geral prevista no art. 299 do RIR/99. Eis as próprias palavras da DRJ para negar o pleito da Recorrente: Assim, em que pese o louvável esforço da criativa tese de defesa, é forçoso admitir, contrariamente ao que fora dito na peça de bloqueio, que o tema PLR é afeto a uma coletividade, qual seja, a totalidade de empregados de uma empresa e que pertencem a uma categoria profissional definida, tanto assim que há sindicato específico para albergalos. Mas nem é preciso envolverse em tal análise quando se extrai do texto legal o mandamento pelo qual a "comissão escolhida pelas partes, [deve ser] integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria". Por tal comando, resta evidente tanto o caráter imperative da participação de um representante sindical nas negociações, como a necessidade de legitimação prévia do acordo por meio da presença de empregado que tenha sido escolhido também por seus pares, o que não restou comprovado nos autos. Ao contrário, a apresentação de uma carta circular que, não bastasse nem ser assinada, não contém protocolo de ciência ao corpo laboral, reforça a tese de escolha unilateral dos membros da comissão pela interessada. Vejase, por exemplo, que, quando lhe conveio, a interessada cientificou todos os seus empregados, um a um, sobre o conteúdo do programa de PLR com redação já finalizada, como se bastasse a mera adesão deles a um conjunto de regras prontas. Peço vênia para discordar da conclusão supra. Por dois motivos, primeiro por não divisar antinomia, como ficará bem claro mais adiante. Por último, mas ainda ligado ao primeiro motivo, por não considerar que o descumprimento da norma técnica no âmbito da Lei nº 10.101/00 tenha como resultado a sanção negativa de tornar a despesa indedutível. Foi muito bem ressaltado pela doutrina do jusfilósofo Hart que dentro de qualquer sistema jurídico, ao lado das normas sancionadoras coexistem tantas outras normas, em que a sanção pode não ser a característica relevante da norma: normas de estrutura, de outorga de poder, normas técnicas etc. As chamadas normas técnicas são aquelas que apenas regulam como devem ser exercidos certos direitos ou praticados determinados atos, como a feitura de um testamento ou as condições para considerar o que seja um PLR, como é o caso. Quando da feitura de um testamento, por exemplo, terseá uma norma a determinar que se alguém quer fazêlo, deverá fazer como prescreve a norma. Se feito conforme a lei, o testamento será válido; caso contrário, será inválido. O caso que se cuida, podese divisar duas interpretações para o descumprimento das normas técnicas em questão. Podese entender que o descumprimento de alguns requisitos da norma não leva a sanção nenhuma, por não serem relevantes, ou podese atribuir, sim, efeitos sancionatório negativo, como foi o exemplo do Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 21 20 testamento. Nesse caso, a consequência jurídica seria a invalidade do PLR para efeito das normas do direito do trabalho. O PLR passa a ser considerado uma remuneração e com toda as conseqüências do âmbito trabalhista disso, pois ele não é incorporado aos salários, não incidindo assim em direitos trabalhistas como 13º, férias e aposentadoria. Portanto, pelas premissas postas no parágrafo anterior, despiciendo averiguar se houve ou não descumprimento das normas técnicas em questão, ou seja, desnecessário aferir se houve efetivamente a participação de um representante sindical nas negociações, como forma de legitimar o acordo, se houve anuência dos trabalhadores etc. Claro está que a consequência jurídica do descumprimento dessas normas técnicas se exaure no âmbito trabalhista. E não poderia ser diferente, justamente porque a norma do art. 299 do RIR/99 acolheria perfeitamente o resultado encontrado pela aplicação da Lei º 10.101/00 , que seria dotála de outra natureza, ou seja como um remuneração normal. Ora, a regra geral do art. 299 do RIR/99, especificamente o seu parágrafo 3º está em perfeita sintonia com essa conclusão: “§ 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.”. Daí porque afirmei alhures que não divisava qualquer tipo de antinomia na aplicação das normas jurídicas em relevo no caso concreto. A uma perfeita compatibilidade entre as normas. Cabe ainda uma outra justificação ao fato de que a Lei nº 10.101/00 tratou também de autorizar a dedutibilidade das despesas com PLR nos seus termos. Da inserção de um parágrafo afirmando que o PLR é dedutível nos termos daquela Lei não se pode extrair, utilizandose de uma argumento “quase lógico”, o argumento a contrário sensu e chegarse à conclusão de que as despesas seriam indedutíveis. E não se pode chegar ‘aquela conclusão pois é inseto a ele a chamada “falácia do falso antecedente”. Pois, se uma regra “p” implica “q”. Não se pode concluir com todo o rigor lógico que “não p” implique também em “não q”. Isso porque pode existir outras forma de chegarse a “q”. Por outras palavras, Se “p” (a existência e validade jurídica dos pagamentos na forma de PLR) > (implica) “q” (em sua dedutibilidade como despesas para efeito de Imposto de Renda). Isso não que dizer que se negarmos “p” (PLR, por qualquer que seja o motivo) estaremos negando necessariamente a existência de “q” (sua dedutibilidade). Pois, obviamente, outros antecedentes podem existir, como de fato existem na legislação, “r”, “s” etc que impliquem também em “q”, no caso não só o § 3o do art. 299 do RIR/99 já referido alhures, mas o próprio § 3º da Lei 10.101/2000 serve também de amparo para a dedutibilidade caso o programa de participação nos lucros ou resultados não satisfizer os preceitos da Lei 10.101/2000, uma vez que tal preceptivo prevê a possibilidade de a empresa adotar um outro programa de participação, mantidos espontaneamente: § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (…)” Por essas razões, votase por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL. Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 22 21 (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora Designada Com a devida vênia, voto pelo conhecimento do recurso especial da Procuradoria, eis que tanto o acórdão recorrido quanto o acórdão paradigma (nº 180300.467) tratam da dedutibilidade da Participação nos Lucros e Resultados (PLR). O acórdão paradigma referido condiciona a dedutibilidade ao cumprimento dos requisitos tratados pela Medida Provisória nº 1.61939/97, cujas reedições foram ao final convertidas na Lei nº 11.101/2001. Nesse sentido, destaco trecho do acórdão nº 180300.467: Conforme acima exposto, a empresa interessada em utilizar o instituto da participação dos empregados nos seus resultados, deve adotar um dos instrumentos previstos no art. 20 da Lei retromencionada, implantando comissão escolhida pelas partes da qual participe membro do sindicato da categoria ou inclui as regras do PLR em acordo ou convenção coletiva. Embora os pagamentos tenham sido realizados na vigência das Medidas Provisórias nº 1.539/96 e 1.619/97 e suas respectivas reedições, constatase a necessidade de prévia negociação da empresa e comissão escolhida entre seus trabalhadores, integrada ainda por um representante indicado pelo sindicato da categoria. Tal negociação visa fixar regras claras e objetivas contendo estipulação de metas para os trabalhadores e resultados positivos para as empresas, bem como os critérios de aferição do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos de revisão do acordo. (...) Se nenhum dos procedimentos foi adotado pela empresa, resta desfigurado o instituto legalmente regulamentado pela Lei n° 10.174/2001, pois não há meio de se aferir de se estar diante de um verdadeiro Programa de Participação nos Lucros — PLR. (...) Assim como a empresa pode invocar este ou aquele acordo ou convenção coletiva sem no entanto estar obrigada a qualquer um, inferese a conseqüente liberalidade no seu pagamento e a conseqüente indedutibilidade dos valores da base de cálculo do IRRT e CSLL. De outro lado, o acórdão recorrido também analisando a dedutibilidade conclui por afastar a exigência de cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/00 na esfera tributária, aplicando ao caso o artigo 299, do RIR/99: Como é sabido, as despesas em geral são regidas pela regra prevista no art. 299 do RIR/99: (...) As despesas com PLR estão mais especificamente previstas no art. 2° da Lei n.° 10.101/00, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa : (...) No caso, a DRJ deu prevalência ao princípio da especialidade em que norma mais específica tem primazia sobre norma de caráter geral. Considerou, pois, que a Lei 10.101/00 seria norma reguladora mais específica que a regra geral prevista no art. 299 do RIR/99. (...) Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 12448.720485/201061 Acórdão n.º 9101003.082 CSRFT1 Fl. 23 22 Peço vênia para discordar da conclusão supra. Por dois motivos, primeiro por não divisar antinomia, como ficará bem claro mais adiante. Por último, mas ainda ligado ao primeiro motivo, por não considerar que o descumprimento da norma técnica no âmbito da Lei nº 10.101/00 tenha como resultado a sanção negativa de tornar a despesa indedutível. (...) Claro está que a consequência jurídica do descumprimento dessas normas técnicas se exaure no âmbito trabalhista. E não poderia ser diferente, justamente porque a norma do art. 299 do RIR/99 acolheria perfeitamente o resultado encontrado pela aplicação da Lei º 10.101/00 , que seria dotáa de outra natureza, ou seja como um remuneração normal. Ora, a regra geral do art. 299 do RIR/99, especificamente o seu parágrafo 3º está em perfeita sintonia com essa conclusão: “§ 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem.” Daí porque afirmei alhures que não divisava qualquer tipo de antinomia na aplicação das normas jurídicas em relevo no caso concreto. A uma perfeita compatibilidade entre as normas. Ambos os acórdãos, portanto, tratam da interpretação dos dispositivos do RIR/1999 e da Lei nº 10.101/00 (fruto de conversão de Medidas Provisórias anteriormente reeditadas), para analisar a dedutibilidade do PLR quanto ao IRPJ. Diante disso, há de se conhecer o recurso especial, para análise da matéria por esta Turma da CSRF. Por tais razões, voto pelo conhecimento do recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1213DF CARF MF
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