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Numero do processo: 11128.005045/2008-16
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/06/2008
INFORMAÇÕES INCORRETAS. EMBARAÇO. OCORRÊNCIA.
A prestação de informações incorretas que embaraçam e dificultam a fiscalização sujeita o contribuinte à penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei nº 37/1966.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/06/2008 INFORMAÇÕES INCORRETAS. EMBARAÇO. OCORRÊNCIA. A prestação de informações incorretas que embaraçam e dificultam a fiscalização sujeita o contribuinte à penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do Decreto-Lei nº 37/1966. Recurso Voluntário Negado.
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EMBARAÇO. OCORRÊNCIA. A prestação de informações incorretas que embaraçam e dificultam a fiscalização sujeita o contribuinte à penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 50 45 /2 00 8- 16 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 104 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 0835.110 da DRJ/FOR, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa por embaraço à fiscalização, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Tratase de auto de infração pelo qual a fiscalização aplicou à empresa FOUR SHIPS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA., doravante referida apenas como FOUR SHIPS, a multa, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, tendo assim motivado o lançamento: a) Conforme Termo de Ocorrência n° 057/07, de 30/11/2007, na Visita Aduaneira ao navio GRAND MISTRAL, houve desembarque de 30 passageiros, mas que não constava no Termo de Visita Aduaneira n° 4797, protocolado em 29/11/2007; b) A empresa Fourship Agencia Marítima, responsável pelo navio, recebeu a Intimação n° 484/07, mas como resposta justificou que a solicitação do Comandante foi de última hora e que a falha foi decorrente da comunicação desencontrada entre o comandante do navio, o armador e o afretador; c) Dessa forma, ficou patente que a atitude da empresa causou transtornos que dificultaram e embaraçaram os procedimentos de controle e fiscalização aduaneiros. A empresa autuada foi cientificada do lançamento em 21 de agosto de 2008 (fls. 29), tendo apresentado, em 17 de setembro de 2008, a impugnação de fls. 3037, na qual argui a insubsistência total do lançamento e requer a anulação do auto de infração, alegando: a) que foi autuada por suposto embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação; b) que não há previsão legal ou normativa que exija dos navios de passageiros a informação antecipada e exata do número de passageiros que deverão desembarcar no porto e que essa informação pode perfeitamente ser transmitida no momento da visita aduaneira, pela ausência de norma divergente; c) que a única exigência quanto à visita aduaneira está prevista no art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 137/98, que exige que Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 105 3 o responsável informe a chegada da embarcação com antecedência mínima de 6 (seis) horas, não havendo, na referida norma, qualquer dispositivo que exija a informação do número de passageiros que irão desembarcar no porto, pois esta informação pode perfeitamente ser prestada no momento da visita aduaneira; d) que apesar de não haver previsão legal, a impugnante considera a atitude de informar com antecedência o número de passageiros que irão desembarcar é saudável e produtiva, tendo em vista que a atuação eficaz e coordenada da fiscalização é benéfica e interessante para todos os envolvidos, inclusive para o País; e) que, conforme comprovado pelos documentos por ela anexados e pelo que consta no próprio auto de infração, a impugnante realmente efetuou o pedido de visita aduaneira dentro do prazo exigido; f) que a fiscalização aduaneira foi imediatamente informada sobre o desembarque dos passageiros, conforme o Termo de Visita Aduaneira nº 4978/07 e a Lista de Desembarque, onde consta a informação dos 30 passageiros a desembarcar; g) que, logo que chegaram ao local, os Auditores da Alfândega foram recepcionados e tiveram acesso imediato ao navio, que todos os documentos exigidos pela fiscalização foram prontamente apresentados e que não há qualquer ressalva a este respeito no auto de infração; h) que a impugnante não cometeu qualquer omissão que possa ser considerada embaraço ou impedimento à fiscalização; i) que o próprio auto de infração comprova que a impugnante atendeu a intimação, apresentando resposta por escrito esclarecendo o ocorrido, mencionando que o caso foi excepcional e que seu objetivo era continuar colaborando com a fiscalização; j) que as obrigações da impugnante eram apenas informar a chegada do navio, com seis horas de antecedência, solicitar a visita aduaneira e providenciar a apresentação dos documentos exigidos pela fiscalização, e que todas foram cumpridas, inclusive a informação sobre o número de passageiros a desembarcar, efetuado no momento da visita aduaneira; k) que, conforme jurisprudência dominante do Conselho de Contribuintes, somente se caracteriza legalmente como embaraço à fiscalização a negativa não justificada de apresentar livros, documentos e informações a que o contribuinte estiver obrigado e que, descaracterizada a causa que justificaria o embaraço, deve ser anulado o Auto de Infração; l) que o simples fato de não informar o número de passageiros para desembarque não dificultou e nem impediu a ação fiscal, Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 106 4 porque não era obrigação da impugnante fornecer esta informação antes da visita aduaneira e porque foi apresentada resposta, dentro do prazo estipulado, à intimação efetuada pela Alfândega; e m) que, mesmo que a ausência da informação antecipada sobre o número de passageiros tenha causado algum incômodo ou ligeira sobrecarga na fiscalização aduaneira, a culpa deste fato não pode ser atribuído à impugnante, que agiu de acordo com a Lei e com as normas da SRF." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR) julgou a Impugnação improcedente, por Acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/06/2008 EMBARAÇO A AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. Aplicase a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao sujeito passivo que, por qualquer meio ou forma, tenha dificultado ação de fiscalização aduaneira. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (92/98), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 107 5 A questão posta em discussão se refere a pertinência e adequação da autuação fiscal imposta a ora recorrente por ter, supostamente, embaraçado ou dificultado a fiscalização e, por isso, ter ficado sujeita a penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; ......................................................................................................... (grifo nosso) Quanto ao ato em si, que teria caracterizado, segunda a fiscalização, o embaraço, isto é, a não informação, no Pedido de Visita Aduaneira, de que haveria passageiros a desembarcar do navio Grand Mistral no porto de Santos, a recorrente não o contesta, logo, temolo como incontroverso. Contudo, a recorrente alega , por seu turno, que a única exigência quanto à visita aduaneira estava prevista na Instrução Normativa SRF nº 137/98, a qual exigia que o responsável informasse a chegada da embarcação com antecedência mínima de 6 horas, não havendo nenhuma menção à necessidade de se informar, antecipadamente, os passageiros que iriam desembarcar. Quanto à ausência de disposição na IN SRF nº 137/98 que impingisse à contribuinte a obrigação de prestar informação antecipada sobre a quantidade de passageiros a desembarcar, assiste razão à recorrente. De fato, a Instrução Normativa citada não menciona tal necessidade, quando estabelece o prazo para a comunicação sobre a chegada de embarcações em viagem de cruzeiro: Art. 3o A chegada do navio em viagem de cruzeiro deverá ser informada à autoridade aduaneira que jurisdicione o porto de entrada no País, com antecedência mínima de seis horas, para fins de visita aduaneira. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 108 6 Contudo, por outro lado, o Regulamento Aduaneiro/2002, vigente a época dos fatos, Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, assim dispunha: Art. 52. Os transportadores, bem assim os agentes autorizados de embarcações procedentes do exterior, deverão informar à autoridade aduaneira dos portos de atracação, por escrito e com a antecedência mínima estabelecida pela Secretaria da Receita Federal, a hora estimada de sua chegada, a sua procedência, o seu destino e, se for o caso, a quantidade de passageiros. Como se percebe da leitura do artigo transcrito, a obrigação de transportadores e agentes informar, antecipadamente, em caso de navios procedentes do exterior, o horário de chegada, a procedência, os destinos e, o que interessa ao caso em tela, a quantidade de passageiros já estava prevista na legislação. Assim, a Secretaria da Receita Federal simplesmente estabeleceu a antecedência mínima requerida através da IN SRF nº 137/98. Importante salientar que a IN não mencionou nenhum dos dados que deveriam ser apresentados pelos transportadores e agentes, pois estes já estavam expressamente previstos no Decreto nº 4.543/02, restando para ela, então, tão somente a definição do requisito temporal. Logo, com efeito, a recorrente estava obrigada a prestar, antecipadamente, a informação sobre o número de passageiros a bordo da embarcação, embora, por certo, tal obrigação não incluía a informação antecipada do número de passageiros que iriam desembarcar. Entretanto, embora não houvesse previsão legal que a obrigasse a prestação dessa específica informação, a prática usual dos envolvidos no transporte internacional de passageiros era informar, visando à adequada preparação da fiscalização aduaneira, assim como o melhor atendimento aos passageiros, conforme a própria recorrente reconheceu em seu recurso inicial: "13. Neste ponto devemos esclarecer que a impugnante, sempre que possível, informa com antecedência o número de passageiros que irão desembarcar, para que os Auditores Fiscais da Alfândega possam planejar e preparar a ação fiscal com mais tempo. 14. Apesar de não haver previsão legal, a impugnante considera esta atitude saudável e produtiva, tendo em vista que a atuação eficaz e coordenada da fiscalização é benéfica e interessante para todos os envolvidos, inclusive para o pais." Nesse aspecto, devemos analisar se a atitude da recorrente, contrária à prática usual do mercado marítimo, por si só, caracterizaria o embaraço à fiscalização. Creio que, nesse aspecto, não. Pela falta de disposição legal, a praxe existente de informar antecipadamente o quantitativo de passageiros a desembarcar, na época dos fatos, era Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 109 7 voluntária, espontânea e facultativa, logo, mera liberalidade. Podendo sim, a meu sentir, ser realizada no momento da visita aduaneira. Evidentemente, não se está negando a importância fundamental dessa informação para o adequado preparo da atividade fiscalizatória, entretanto, se não havia a obrigatoriedade legal das agências informarem, antecipadamente, a quantidade de passageiros que iriam desembarcar, o Serviço de Fiscalização Aduaneira deveria se preparar com base apenas nos dados que tais intervenientes estavam legalmente obrigados a apresentar e que, efetivamente, tivessem sido informados. Reside justamente aí a chave para o deslinde da questão posta nos presentes autos. Por oportuno, colacionamos as informações adicionais prestadas pela recorrente no seu Pedido de Visita Aduaneira (fl. 13): Nitidamente, se constata que, no caso, não se trata de falta de informação, pois a ora recorrente informou, de fato, que não desembarcaria nenhum passageiro. Assim, por um lado, se era certo que a agência não estava obrigada por lei a prestar a informação, por outro, também é certo que, ao fazêlo de forma espontânea, estava obrigada a prestar uma informação correta e fidedigna, pois agindo de forma contrária estaria impactando no preparo de eventual fiscalização. Ademais, é importantíssimo notar que a empresa informou também não haver passageiros em trânsito, somente passageiros a embarcar, conseqüentemente, isto significava Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11128.005045/200816 Acórdão n.º 3002000.415 S3C0T2 Fl. 110 8 que o navio atracaria no Porto de Santos proveniente do exterior sem passageiros a bordo. Nesse ponto, repisese que a contribuinte estava legalmente obrigada a informar a quantidade de passageiros a bordo. Dessa forma, a partir desses dados, não haveria razão para a Alfândega do Porto se preparar e planejar uma fiscalização. Com efeito, considerando as declarações incorretas prestadas pela recorrente no Pedido de Visita Aduaneira, não há como negar que sua atitude embaraçou e dificultou a fiscalização e, por isso, vislumbrase correta a aplicação da penalidade prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo integralmente o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.720168/2010-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 16 8/ 20 10 -5 6 Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10320.720168/201056 Resolução nº 3201001.438 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 255DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.720155/2010-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 15 5/ 20 10 -8 7 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10320.720155/201087 Resolução nº 3201001.425 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 364DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.722128/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 09/09/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria.
Numero da decisão: 3301-005.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.722128/201443 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.109 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente MULTIMEX S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 09/09/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 21 28 /2 01 4- 43 Fl. 35826DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento em razão da falta de comprovação da origem lícita, da disponibilidade e da transferência dos recursos empregados na operação de importação, tendo se por configurado dano ao Erário em razão da interposição fraudulenta presumida na importação. Em sua Impugnação, o contribuinte requereu a declaração de nulidade do auto de infração ou, alternativamente, o cancelamento da ação fiscal, em razão da ausência de provas da prática das infrações apontadas, cancelandose a pena de perdimento imposta e extinguindose, por conseguinte, o respectivo processo administrativo. Foram apresentados os seguintes argumentos de defesa (ora descritos de forma sintética); a) nulidade da autuação por vício no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), em razão de ofensa aos princípios da legalidade, impessoalidade, isonomia, publicidade e quanto aos critérios norteadores da seleção para a nova fiscalização, bem como vício formal consistente na falta de autorização da autoridade competente para deflagrar o procedimento especial e vícios materiais decorrentes da imposição de restrições e exigências ao arrepio da lei; b) o auto de infração encontrase sedimentado em presunções, carregadas de subjetividade, devendo ser também no campo do provável que deveriam ser usados os argumentos da Impugnante, sempre em estrita obediência aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade admitidas em direito; c) quem não importou nem adquiriu mercadorias estrangeiras não pode ser sujeito da aplicação da penalidade de perdimento; d) foram apresentados os documentos requeridos pela Fiscalização, ainda que não na forma e nos formatos digitais requeridos, o que por si só não configura interposição fraudulenta presumida; e) regularidade da empresa como importadora, licitude e legalidade das importações da forma realizadas; f) ofensa ao princípio da verdade material, dada a impropriedade da alegação de interposição fraudulenta presumida; g) inexistência de falsidade ideológica e inexistência de simulação de negócio jurídico; h) ausência de demonstração do dolo específico de fraudar e impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; Fl. 35827DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 4 3 i) ausência de dano ao erário em razão do não cometimento das alegadas infrações (presunção de inocência) e em face do recolhimento dos tributos incidentes. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 16068.082, julgou improcedente a Impugnação, considerando configurado o dano ao erário e aplicável a pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao seu valor aduaneiro. Afirmou, ainda, a autoridade julgadora que a presunção decorre de lei e implica na inversão do ônus da prova, atribuindose ao importador a responsabilidade da demonstração da forma de financiamento de suas importações; e que a incidência do art. 33 da Lei nº 11.488/2007 é específica para a prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros onde o importador de fato (sujeito passivo oculto/real comprador) encontrase identificado. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos da Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF decidiu converter o julgamento da lide em diligência, com vistas a se verificar a existência de conexão entre este processo e outros processos administrativos. É o relatório. Fl. 35828DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.088, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 12466.720114/201576, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.088): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A primeira alegação preliminar feita pela recorrente foi quanto à nulidade da intimação do Auto de Infração por edital, uma vez que a recorrente possuía endereço certo e sabido. Conforme se consignou na decisão recorrida, houve mudança de endereço da Recorrente, mas a Fiscalização envidou esforços e logrou a efetiva intimação da contribuinte, conforme excerto abaixo (fl. 7201): A MULTIMEX recebeu sua correspondência no novo endereço em 15/05/2014. Nesse termo, intimouse a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por conta própria, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução, no prazo de 5 (cinco) dias úteis. Também a empresa foi cientificada do indeferimento da prorrogação de prazo para entrega dos arquivos digitais, solicitada na resposta de 29/04/2014. Importante destacar que, em 16/05/2014, compareceu perante a fiscalização procurador com poderes substabelecidos, que tomou ciência do TERMO DE INTIMAÇÃO N° 201400040006, conforme TERMO DE CIÊNCIA PESSOAL (CIÊNCIA PESSOAL 2014 00040 006). Em 14/05/2014, a MULTIMEX apresentou resposta (RESPOSTA 14 05 2014) ao TERMO DE DILIGÊNCIA E INTIMAÇÃO 201400040005. Foi através desse termo que a fiscalização comunicou à MULTIMEX sua inclusão no procedimento previsto na 228/2002, e a intimamos a apresentar livros, documentos e informações relativas ao período de 2014 incluído na fiscalização. Portanto, a fiscalização observou à legislação aplicável. Dessa forma, mantémse o entendimento da decisão recorrida nessa preliminar. Alega adiante (item III.1) a preliminar de nulidade do procedimento de fiscalização porque o Fiscal teria aplicado o procedimento especial da IN 228/02 sem prévia autorização do inspetor da Alfândega ou da Coana. Cumpre anotar que o Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento administrativo, cujo eventual descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a realização da fiscalização, nem Fl. 35829DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 6 5 para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc, abaixo transcrito: Art. 2º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1,192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; A recorrente alegou que a fiscalização não provou a imprestabilidade da contabilidade, nem a falta de origem lícita e disponibilidade dos recursos e presumiu que todas as importações foram fraudulentas. Neste ponto, conforme já informado na decisão recorrida, as alegações de falta de prova por parte da fiscalização a validar a presunção do § 2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, e as alegações de ilegalidade, atipicidade e cerceamento de defesa estão ligadas à produção probatória confundemse com o mérito. Salientase que a descrição dos fatos foi clara no sentido de aplicação da multa prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, transcrito abaixo, por presunção de interposição fraudulenta prevista em seu § 2º, abaixo transcrito, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for Fl. 35830DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 7 6 localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O mérito do litígio se concentra na comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos. Neste ponto, a recorrente arguiu que a fiscalização não provou que a contribuinte não possuía capacidade financeira, mas apenas presumiu, a partir da imprestabilidade da contabilidade mercantil, tal incapacidade. Alega a Recorrente que comprovou a origem lícita de recursos; demonstrando que obteve (fl. 7269): financiamento bancário efetivo, reiterado e contínuo ao longo dos anos para seu capital de giro; desconto de duplicatas em bancos de suas vendas no mercado nacional, gerando capital de giro; financiamento especial (FINIMP) na importação de máquinas e equipamentos para seu capital de giro; concessão de linha de crédito por seus fornecedores, de seus principais e maiores produtos, o que lhe permitiu fluxo de caixa com a origem de recursos dos seus próprios fornecedores no exterior. fluxo de caixa decorrente de suas vendas realizadas no mercado interno; fluxo de caixa decorrente dos recursos auferidos por meio das subvenções para investimento e/ou benefícios fiscais concedidas pelos Estados, especialmente de Rondônia e Espírito Santo, relativo ao ICMS; Ressaltese que a acusação fiscal é de que o importador MULTIMEX não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados no comércio exterior. Tratandose de importação por encomenda, é o importador o responsável pela aquisição da mercadoria no exterior, efetuando o pacto de compra e venda e sendo o responsável pelo pagamento do preço da mercadoria e das despesas de sua nacionalização. Assim, deve dispor de capacidade econômicofinanceira para tanto. A partir de indícios de incompatibilidade entre o volume transacionado e a capacidade econômicofinanceira da recorrente, a fiscalização deu início ao procedimento especial da IN SRF 228/2002 tendente à verificação da comprovação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. Das intimações, restou evidenciado que a contabilidade era imprestável, pois não apresentava os lançamentos relativos às movimentações financeiras, inclusive bancárias. Após intimações e reintimações, a recorrente também não entregou os extratos bancários, informando que estariam representados nos demonstrativos contábeis, as planilhas de formação de preços que identificam os custos e despesas incorridos nas importações, alegou não possuir os DANFES das notas fiscais emitidas, conforme consta do Auto de Infração (fl. 12): Em 29/04/2014, a MULTIMEX apresentou nova resposta (RESPOSTA 29 04 2014), onde informou, em resumo: alegou não ter condições nem conhecimentos técnicos para corrigir os leiautes dos arquivos da IN 86/2001, e solicitou mais 30 dias de prazo, que indeferimos, haja vista a constante demora no atendimento às intimações; alegou não possuir os DANFEs das NFe emitidas, e que não tem condições de apresentálos; apresentou uma caixa de arquivo morto contendo contratos de câmbio Fl. 35831DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 8 7 e, posteriormente, em 05/05/2014, complementou o atendimento apresentando mais duas caixas de arquivo morto com outros contratos de câmbio. Em relação ao pedido do extrato original das DI relativas às importações por conta própria, a Recorrente respondeu, conforme fl. 26/27 do Auto de Infração: que, devido à instauração do procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002, não tem condições de gerar faturamento e manter uma estrutura operacional mínima; que demitiu seus funcionários; e que não tem condições operacionais para separar os documentos e entregálos na forma solicitada, ou seja, agrupados por DI e em ordem cronológica. Requereu prorrogação de prazo até dia 06/06/2014. (...) Em 05/06/2014, intimamos a MULTIMEX a apresentar, em relação às importações por encomenda, os extratos originais das DIs e as vias originais dos documentos de instrução. A empresa não apresentou resposta e não prestou qualquer esclarecimento, razão pela qual foi autuada também em relação a esses documentos, através do Auto de Infração nº 0727600/00401/14, consubstanciado no Processo Digital nº 12466.722001/201424. Assim, ao longo dos trabalhos não foram disponibilizados os documentos solicitados ou o foram em desordem, com pedidos de prorrogação de prazos por vezes sem justificativa, pois que se referiam a documentos e arquivos aos quais a recorrente estava, legalmente, obrigada a mantêlos em perfeita ordem. Alegou, a recorrente, a falta de funcionários e conhecimentos técnicos para proceder ao atendimento de algumas entregas de documentos e arquivos digitais da contabilidade. A fiscalização concluiu que (fl. 22): A empresa não apresentou os documentos de instrução das DI, e nem dispõe de contabilidade idônea. Os documentos citados pela MULTIMEX nem sempre identificam a operação de importação, e a empresa sequer foi capaz de apresentar os documentos de instrução por DI, quanto mais os comprovantes de despesas e custos. A inexistência desses controles gerenciais é claro indício de interposição fraudulenta, onde a empresa que registra a Declaração de Importação em seu nome não é o verdadeiro responsável pela operação, mas uma mera mandatária, que não tem o total controle das operações e não pretende expor ao Fisco a forma que as operações são realizadas, para não revelar a fraude. (grifouse) De fato, a análise da ECD de 2010, 2011 e 2012 revelou as seguintes incorreções (fl. 45 e seguintes): 1. Com relação à escrituração de 2010, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (11104) e “Estoques” (11107), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (111), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (11102), devem estar nesse agrupamento; b. A conta “Caixa” (111010001) e “Bancos Conta Movimento” (111020025) só possuem dois lançamentos, no primeiro e último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: Fl. 35832DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 9 8 c. As contas de “Aplicações Financeiras” (11103) só possuem lançamentos no último dia do ano, sem históricos ou contra partidas que evidenciem a natureza econômica do lançamento ou façam referência ao documento probante, conforme abaixo: 2. Com relação à escrituração do anocalendário 2011, as contas do Ativo Circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.1.01.001.5), no primeiro dia do ano, conforme abaixo: Data Cód.Conta Conta D/C Valor Saldo D/C Histórico Fl. 35833DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 10 9 3. Com relação à escrituração de 2012, as contas do ativo circulante não foram adequadamente divididas no plano de contas, bem como não foram corretamente escrituradas, conforme explicitado abaixo: a. Todas as contas do ativo circulante, inclusive “Duplicatas a receber” (1.11.04.0000) e “Estoques” (1.11.07.0000), foram reunidas na conta sintética “Disponível” (1.11.00.0000), sendo que apenas as contas de disponibilidades, como “Caixa” (1.11.01.0001) e “Bancos Conta Movimento” (1.11.02.0000), devem estar nesse agrupamento; b. As contas do ativo circulante não foram escrituradas. Há apenas um lançamento na conta “Caixa” (1.11.01.0001), no primeiro dia do ano, cujo histórico aponta que não houve movimento, conforme abaixo: Verificouse que a contabilidade de fato era imprestável para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos utilizados nas operações de importação, pois não refletia as movimentações financeiras, especialmente as bancárias, efetuadas pela recorrente. Em resposta, a recorrente informou que tivera problemas com a contabilidade, que estaria empenhada em corrigila e solicitou prorrogações de prazo de 180 dias, embora tais problemas já eram de conhecimento da recorrente desde meados de 2012, quando já estava sendo fiscalizada em relação ao ano de 2008, cuja apresentação de ECD não fora cumprida. A fiscalização demonstrou que o Diário de 2010 possuía apenas 136 lançamentos, quase todos no primeiro e último dia do ano, sem qualquer vinculação com as operações efetuadas em cada DI, de modo a comprovar a disponibilidade dos recursos por ocasião do pagamento do preço e das despesas de tributos e outras aduaneiras. O Diário de 2011 possuía apenas um lançamento de Caixa a Capital Social e o de 2012, também um único lançamento de Caixa A Fornecedores. A fiscalização concedeu prazo até 28/05/2014 para apresentar a ECD de 2010 e até 28/07/2014 para apresentar as ECD de 2011, 2012 e 2013, mas a recorrente não cumpriu tais prazos e não prestou outros esclarecimentos. Posteriormente, apresentou a ECD de 2013, mas com apenas um lançamento de Caixa a Assistência Contábil de valor R$ 1,00 (cf. fl. 56). Está plenamente comprovada a imprestabilidade da contabilidade para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recurso utilizados nas operações de importação que giraram em torno de 2600 DI´s e R$ 33.423.039,79 no período de 2010 a 2014, sendo que deste montante, R$ 154.591.519,12 eram importações por conta própria. Sobre a exigência de se manter a escrituração contábil nas operações de importação e exportação está expressamente prevista no artigo 18 do Decreto nº 6.759/2009, assim como, de forma genérica, no artigo 251 do Decreto 3.000/1999 (RIR/99) e no artigo 509 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI/2010): Art. 18. O importador, o exportador ou o adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem têm a obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial Fl. 35834DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 11 10 estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, e de apresentálos à fiscalização aduaneira quando exigidos (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, caput): § 1º Os documentos de que trata o caput compreendem os documentos de instrução das declarações aduaneiras, a correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, os instrumentos de contrato comercial, financeiro e cambial, de transporte e seguro das mercadorias, os registros contábeis e os correspondentes documentos fiscais, bem como outros que a Secretaria da Receita Federal do Brasil venha a exigir em ato normativo (Lei no 10.833, de 2003, art. 70, § 1º).(Grifo nossos) Por seu turno, a recorrente juntou em impugnação contratos de empréstimo e financiamento à importação com diversos bancos, às fls. 911 e seguintes (BICBANCO, Banco do Brasil, Banco Santander, Banco Real, Banco Itaú); relação de faturas comerciais de importação (invoices), relação de DI´s, saldos de aplicação e empréstimos em 31/12/2010, 31/12/2011, 31/12/2012, relatório do Banco Central do Brasil indicando as operações com os bancos referidos, relação de extratos de descontos de títulos liquidados com extratos bancários, cópia dos termos de entrega dos arquivos SINTEGRA de 2012, 2013 e 2014; contratos de venda de máquinas, lubrificantes e outros produtos, notas fiscais de serviços tomados, notas fiscais de prestação de serviços de manutenção de máquinas, extratos de folhas de pagamento, contrato de representação comercial dos produtos da MULTIMEX, relação de clientes. As origens foram resumidas nas planilhas de fls. 1604/1605, e seriam decorrentes de descontos de duplicatas, empréstimos e capital de giro, financiamento de importações, recebimento de operações próprias e por encomenda, créditos de subvenções e créditos concedidos por exportadores. Segundo a Recorrente, os referidos documentos comprovariam a capacidade econômicofinanceira da recorrente e que o registro contábil não é o único meio de prova, conforme artigo 6º da IN SRF nº 228/2002. Realmente, referidos documentos são indicativos da origem de recursos lícita, conforme dispõe o artigo 4º e 6º da IN SRF nº 228/2002, abaixo reproduzidos: Art. 4º Durante o procedimento especial de fiscalização, a empresa será intimada a comprovar as seguintes informações, no prazo de 20 (vinte) dias:(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) I o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) II a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) [...] Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: Fl. 35835DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 12 11 a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Porém, devese ter em mente que a comprovação deve ser da origem lícita, da transferência e da disponibilidade dos recursos empregados nas operações de importação. Como bem esclarecido na decisão recorrida, é um trinômio que se deve comprovar e não apenas a origem ou a transferência ou a disponibilidade. Se os contratos apresentados podem servir de comprovação de origem, certamente não são suficientes para comprovar a transferência ou a disponibilidade. Se os extratos comprovam a transferência da liquidação dos descontos de títulos, certamente não são suficientes para comprovar a disponibilidade para execução das operações. Do mesmo modo, apenas a escrituração contábil, desacompanhada dos referidos documentos, também não é suficiente para comprovar a origem lícita, a transferência e a disponibilidade dos recursos. Assim, é o conjunto probatório que deve se mostrar idôneo a comprovar o trinômio, ou seja, a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações. Tal distinção restou bem explanada no acórdão atacado, cujos fundamentos abaixo transcrevo (fl. 7397/7398): Há que se ter em mente que para fins de comprovação do financiamento de operações de comércio exterior o trinômio origem, disponibilidade e transferência deve ser interpretado como um critério indivisível. A comprovação da origem, da disponibilidade ou da transferência de recursos utilizados em operações de comércio exterior tomados de forma isolada, não atende o preceito da norma: possibilitar a completa ciência do fluxo de dinheiro de que se vale o importador. De outra forma, em não se adotando essa postura rígida, correse o sério risco de se deixar uma brecha que viabilize a utilização de transações com o exterior para operações destinadas à “lavagem de dinheiro”. Para a demonstração do grau desse risco, que é elevado, procedese primeiramente com a conceituação em separado de cada um dos três termos: Origem Diz respeito à gênese lícita do recurso. Deve ser demonstrada de onde o recurso provém – se decorrente de atividades lícitas ou não e se em sua obtenção foram observadas as normas de incidência tributária, quando for o caso. Fl. 35836DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 13 12 É muito comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. Esse tipo de prova evidência apenas que no momento de honrar a transação o importador possuía aquela disponibilidade e que de fato a importação foi paga. Mas a fiscalização nunca põe em dúvida a existência do recurso para adimplemento da transação. Se não houvesse o recurso o contrato de câmbio não seria fechado. O depósito em conta corrente limitase a demonstrar que ocorreu o pagamento da mercadoria importada na data avençada. Nada mais. Outros se limitam a alegar a integração do Contrato Social. Mas a questão perdura: O recurso que integralizou o Contrato Social é de origem lícita? Ao se falar em origem se quer saber o que ocasionou o surgimento do recurso na conta bancária do importador. O que propiciou o depósito. Sua causa. De onde e quando adveio. Qual sua efetiva contrapartida lícita. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. Disponibilidade É a demonstração que o importador possuía esse recurso disponível no exato momento de honrar a transação com o fornecedor externo (fechamento do câmbio). É a paridade entre a posse do numerário e o pagamento da obrigação na data em que ela ocorre. O importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior demonstra que vendeu um imóvel registrado em seu nome e que com aquele dinheiro iniciou suas operações de comércio exterior. A origem lícita do recurso resta demonstrada, mas quem garante que efetivamente aquele recurso foi utilizado para honrar a transação com o exterior? É necessário que se demonstre a posse desse recurso no momento do pagamento da obrigação. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lícita se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía aquele mesmo recurso. Ao se satisfazer com a origem lícita proveniente da venda de um imóvel, por exemplo, correse o sério risco de se permitir que recursos de origem ilícita financiem as operações de comércio exterior, tendo apenas por limite o valor da venda do imóvel. Quanto maior for o valor dessa venda, que serve para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. Portanto, a comprovação origem lícita não é suficiente. É preciso que se demonstre a origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior. Transferência É justamente a ligação entre a gênese e o destino do recurso. A demonstração de que o recurso permaneceu e migrou pelas vias regulares (legais) desde sua origem lícita até o adimplemento da obrigação com o fornecedor externo. É o que se denominou até então de seu “oferecimento a regular tributação”. Em outros termos, o recurso contabilizado à disposição da empresa para adimplir suas obrigações. Um exemplo que ilustra bem a interação dessas três condições é a situação em que determinada pessoa jurídica foi constituída com um capital totalmente integralizado em dinheiro. Para que esse valor seja admitido em operações de comércio exterior, é necessário: que os sócios possuam disponibilidade para realizar a integralização (rendimentos declarados tributáveis, isentos ou não tributados). Se o valor integralizado pelos sócios está justificado em suas declarações de imposto de renda, presumese tanto a origem licita quanto sua disponibilidade; e Fl. 35837DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 14 13 comprovar a efetiva transferência, que nesse caso se faz por meio de crédito em contacorrente da empresa, coincidindo em data e valor com a integralização de capital. Admitese também como prova o saque do valor correspondente nas contas correntes bancárias dos sócios. Ou seja, em pelo menos "uma das pontas" da cadeia, deve ficar demonstrada a movimentação do recurso. Se o importador não consegue efetuar a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, isso implica na sua impossibilidade de demonstrar o trânsito dos recursos pelas vias legais. De nada vale exibir o saldo em conta corrente, o volume de receitas, a quantidade de vendas, a margem de lucro praticada, se o importador nenhum demonstrar o trânsito regular do recurso, assim compreendido: A origem do recurso, sua disponibilidade no momento do fechamento do câmbio, e sobretudo, o seu trânsito pelas vias contábeis para honrar cada importação praticada. O impugnante empresa MULTMEX alega no item (74) da impugnação: 74. Com relação ao Demonstrativo de Fluxo Financeiro, período compreendido entre 2010 e 2014, verificase que a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo em média superior a R$ 1.500.000,00. No ano, perfazia um fluxo de caixa positivo de R$ 17.000.000,00 considerando apenas receitas e despesas operacionais e empréstimos contraídos. Descontadas as despesas administrativas, o resultado continua positivo, em torno de R$ 4.330.287,89. Nos anos posteriores do período submetido à fiscalização, o fluxo de caixa situase na faixa de RS 20.000.000,00 sem considerar as despesas administrativas. Isso é clara evidência que a empresa possuía recursos suficientes a sustentar suas atividades. Como dito, é comum que o importador intimado a fazer a comprovação dos recursos empregados em operações do comércio exterior exiba o saldo, ou até mesmo o extrato bancário, para demonstrar que possuía numerário suficiente para honrar a transação na data do fechamento do câmbio. É preciso que se demonstre a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, coincidente em datas e valores, não só para fins de fechamento de câmbio, como também para suportar todo o encargo decorrente da nacionalização, circulação, distribuição e venda de bens importados. De nada vale se demonstrar que a origem do recurso é lastreada no volume de transações da empresa importadora se no momento de honrar a transação não se prova que de fato se possuía o recurso. Quanto maior for esse volume, que serviria em princípio para referendar a origem, mais quantidade de dinheiro se poderá “lavar”. E é onde a argumentação do impugnante nos remete: apresenta como origem um capital de giro anual da ordem de anual total de RS 89.537.008,96, o que corresponde a uma média mensal de R$ 7.461.418,00, mas é incapaz de demonstrar a triangulação do recurso: origem lícita do recurso e sua disponibilidade no momento de se honrar a operação de comércio exterior, dada que sua contabilidade é imprestável como será visto a seguir. Sem a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, fica caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX alega nos itens (78) e (79) da impugnação: 78. Assim, a contribuinte tanto valese de recursos próprios para importar mercadorias e nacionalizálas, como importa por conta e ordem de terceiros. O rol de atividades da contribuinte é vastíssimo, inclusive exercendo atividades de industrialização, remanufatura e diversas exportações. 79. Muito embora não tenha apresentado as demonstrações contábeis referentes aos exercidos abrangidos pela ação fiscal, nos exatos termos Fl. 35838DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 15 14 requeridos pela Fiscalização, os documentos acima colacionados constituem provas de que a contribuinte desenvolve atividades empresariais de forma lícita, bem como que dispunha de recursos próprios para empregar nas atividades de comércio exterior, empréstimos e financiamentos bancários e de fornecedores estrangeiros. Finalizando, importa considerar ainda que o volume das operações praticado pela Impugnante por mais de uma década não permite que sem qualquer critério a Fiscalização Aduaneira simplesmente declare que não houve comprovação de origem de recursos. De modo algum, pois sem a apresentação das demonstrações contábeis é inviável a demonstração da triangulação do recurso, ou em outros termos, a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação, o que implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. O impugnante empresa MULTMEX aborda esse assunto nos itens (97), (98) e (99) da impugnação: 97. Resta, porém, verificar se a imprestabilidade da contabilidade, poderia ser óbice insuperável, como quer a douta Fiscalização, à constatação que a contribuinte possuía condições econômicas, financeiras e operacionais para exercer suas atividades e realizar as operações de comércio exterior a que se propôs. 98. Na verdade, não poderia. Não poderia porque, como demonstrado, não há na legislação de regência norma jurídica que determine que somente os demonstrativos contábeis podem ser utilizados para fins de comprovar a origem, disponibilidade e transferência de recursos empregados em operações de comércio exterior. Na verdade, todos os meios admitidos em direito são válidos para se fazer a prova, ao contrário do que de forma subjetiva, discricionária, abusiva e arbitrária estabeleceu a Fiscalização. 99. Conforme demonstrado, a douta Fiscalização teve acesso aos dados de um auto de infração lavrado pela Delegada da Receita Federal em Vitória/ES, onde consta o balanço patrimonial de 2009 da MULTIMEX. Nesse balanço há provas suficientes que a Impugnante possuía recursos com origem lícita capaz de fazer frente às suas operações de comércio exterior (doc.2). Da análise das disponibilidades, do estoque declarado, do capital social e da reserva de lucro, bem como da capacidade de financiamento das operações, verificase facilmente a capacidade econômica e financeira da Impugnante. Ou seja, a referida demonstração contábil faz prova a favor da Impugnante. Não é possível atender o trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA a partir de um balanço patrimonial. Eventualmente, e vamos frisar que é uma situação bastante eventual, o importador até poderia identificar a origem dos recursos, mas jamais sua DISPONIBILIDADE e TRANSFERÊNCIA, pois como se sabe o balanço patrimonial reproduz uma situação estática, enquanto que as operações de importação são transações dinâmicas. De nada vale demonstrar que a empresa possuía o recurso no início do ano se não for comprovado que esse mesmo recurso financiou uma operação de importação em meados de setembro. Tal qual reproduzido no ‘ (74) da impugnação, é afirmado que ... a Impugnante possuía, no ano de 2010, saldo mensal positivo de origem de receitas e de recursos proveniente de descontos de duplicatas, empréstimos bancários para capital de giro, Finimp, valores recebidos de operações próprias e de encomenda e por créditos concedidos pelos exportadores, seja nas operações próprias, seja nas operações de encomenda,... E ainda destaque para o alegado pela empresa MULTMEX nos itens (148) e (149) da impugnação: 148. OS recursos utilizados para o pagamento das despesas com o fechamento do câmbio e com os tributos aduaneiros possuem como origem vendas de mercadorias no mercado interno. Fl. 35839DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 16 15 149. Frisese que as Notas Fiscais são consideradas documento idôneo para comprovar a origem de receita, consoante o posicionamento oficial do próprio Fisco, exemplificado pela seguinte decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008: O único mo do de se demonstrar que esses recursos ingressaram na empresa e serviram para financiar as operações de importação objeto do presente Auto de Infração, dentro do trinômio ORIGEM – DISPONIBILIDADE – TRANSFERÊNCIA, é através do registro das demonstrações contábeis. A ausência dos registro contábeis, além de não fazer prova que tais recursos ingressaram regularmente na empresa, implica na prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros, nos moldes do §2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. Quanto à decisão UNÂNIME proferida pela Delegada da Receita Federal de Julgamento no TJ, Acórdão n° 1221389, de 15/10/2008, diz respeito a um outro contexto que não guarda relação com a prática presumida de interposição fraudulenta de terceiros em operações em comércio exterior." A contabilidade regular, suportada em documentos, é que faz a prova regular das operações e sua ausência impede que se confirme a comprovação do trinômio origem lícita, transferência e disponibilidade. A contabilidade, como os demais documentos apresentados, são necessários, mas não suficientes, isoladamente, para comprovação do que aqui se pretendeu. Assim, concluise que a recorrente não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações, incidindo na presunção de que trata o §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976, configurando a interposição fraudulenta na operação de comércio exterior, apenada com a multa equivalente ao valor aduaneiro, em razão de as mercadorias não terem localizadas ou terem sido consumidas ou revendidas. Em relação à argumentação de que a falsidade ideológica não está contemplada no inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966, sem razão a recorrente. A redação é a seguinte: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Por sua vez o Decreto nº 6.759/2009 dispõe que: Art. 553. A declaração de importação será obrigatoriamente instruída com (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 2º):(Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; e (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): Fl. 35840DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 17 16 [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; [...] § 3ºA. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3ºB. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Assim, a falsidade a que se refere o inciso VI do artigo 105 do Decretolei nº 37/1966 é dos documentos de instrução da DI, ou seja, do conhecimento de carga, da fatura comercial e dos comprovantes de pagamento dos tributos. A acusação da fiscalização recaiu na ocultação do responsável pela operação, a qual, uma vez comprovada, ainda que por presunção legal, torna os documentos emitidos para instrução da DI ideologicamente falsos. Tal conclusão está exposta no artigo 13 da IN SRF nº 228/2002: Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Se há comprovação da interposição fraudulenta do responsável pela importação na condição de fornecedor dos recursos necessários à efetivação da importação, então tal ocultação somente é materializada na ausência de referido responsável nos documentos de importação, seja na condição de real importador seja na condição de real adquirente. Em qualquer dos casos, seu nome deveria constar nas faturas comercias ou no conhecimento de carga. Por fim, é preciso esclarecer que para efeitos de tipificação da interposição fraudulenta de terceiros, seja ela a EFETIVA (REAL) ou PRESUMIDA é absolutamente irrelevante que aquele que fornece o recurso seja denominado de importador, pois em nenhum dos dois tipos se exige a presença DO PEDIDO “importador”." No que tange à ausência de demonstração do dolo específico, não há que se exigir tal neste caso, pois estamos diante de uma presunção legal de interposição fraudulenta. Basta a não comprovação da origem lícita, transferência e disponibilidade dos recursos empregados na importação para se caracterizar a interposição fraudulenta nos termos do §2º do artigo 23 do Decreto nº 1.455/1976. Uma vez presumida, não há que se falar em demonstração de dolo por parte da fiscalização. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; Fl. 35841DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 18 17 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário configurase por uma determinação específica legal, tratase de uma presunção legal ou absoluta de dano ao erário nos casos enumerados. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Fl. 35842DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 19 18 Concernente à aplicação da multa de 10% por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, salientase que sua aplicação é cabível no caso de interposição real e não no caso de interposição presumida de que trata o presente processo. Tal situação restou esclarecida na IN SRF 228/2002 em seu artigo 11: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. 1º Na hipótese prevista no inciso I do caput, será aplicada, além da pena de perdimento das mercadorias, a multa de que trata o art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016) § 2º Na hipótese prevista no inciso II do caput, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, será instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1678, de 22 de dezembro de 2016). De fato, com a edição do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, à hipótese de aplicação da multa por cessão de nome não se aplica a declaração de inaptidão de que trata o artigo 81 da Lei nº 9.430/1996, hipótese de que tratam estes autos: Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive ediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430/1996: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Destacase, ainda que esse entendimento é consolidado, inclusive nesta turma: APLICAÇÃO DA MULTA POR CESSÃO DE NOME. SUBSTITUIÇÃO DA MULTA DO PERDIMENTO DA MERCADORIA PELA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica e nem substitui a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, Fl. 35843DF CARF MF Processo nº 12466.722128/201443 Acórdão n.º 3301005.109 S3C3T1 Fl. 20 19 do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria (Acórdão nº 3301 003.086 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Cumpre, por fim, citar decisão, cujos entendimentos foram adotados nesta decisão, com a mesma Recorrente, já decidido por este CARF, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède (Acordão Acórdão nº 3302005.468 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 06/07/2011 a 24/10/2012 Ementa: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A falta de comprovação da origem lícita, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de importação configura interposição fraudulenta presumida na importação consistindo em dano ao erário, sancionada com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, se impossibilitada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 35844DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.720079/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006
CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ
Segundo precedente firmado em Recurso Extraordinário com repercussão geral (RE n. 577.348) e Recurso Especial julgado sob o rito de recursos repetitivos (REsp n. 1.111.148), o crédito-prêmio de IPI teve vigência até 04 de outubro de 1990, por força do prescrito no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988.
Numero da decisão: 3302-006.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2006 CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ Segundo precedente firmado em Recurso Extraordinário com repercussão geral (RE n. 577.348) e Recurso Especial julgado sob o rito de recursos repetitivos (REsp n. 1.111.148), o crédito-prêmio de IPI teve vigência até 04 de outubro de 1990, por força do prescrito no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988.
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VIGÊNCIA DO BENEFÍCIO FISCAL. PRECEDENTES DO STF E DO STJ Segundo precedente firmado em Recurso Extraordinário com repercussão geral (RE n. 577.348) e Recurso Especial julgado sob o rito de recursos repetitivos (REsp n. 1.111.148), o créditoprêmio de IPI teve vigência até 04 de outubro de 1990, por força do prescrito no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 72 00 79 /2 01 2- 29 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de verificação de direito ao tomada de crédito objeto de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI, relativo ao período de apuração de 01/01/1999 a 30/06/2003. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma completa, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 4 3 O Acórdão 11.175/03/GD/2605/98, da Delegacia de Julgamento de Campinas, Sessão de 21 de dezembro de 1998, do qual foi extraído o relatório alhures Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 5 4 transcrito, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade, não reconhecendo o crédito pleiteado, tendo a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Preliminar de Nulidade: Rejeitada, porque não se concretizou nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, pois está plenamente demonstrada a existência de tipicidade entre as normas invocadas pelo lançamento e os fatos narrados pela fiscalização. IPI CréditoPrêmio à exportação. Transferência: O art. 4º do Decreto s/s de 25/04/91 revogou expressamente o Decreto 64.833/69, que autorizava o aproveitamento do créditoprêmio do IPI através da transferência entre estabelecimentos. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há na peça recursal alegação de matérias para discussão em sede de preliminares, razão pela qual passase a deliberar sobre o mérito do processo. Vale ressaltar que matéria idêntica foi objeto de análise pela 4ª Câmara, 2ª Turma Ordinária desse E. Conselho, no Acórdão nº 3402003.224, de relatoria do I. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, de onde, com a devida vênia, adotei as minhas razões de decidir. I Da vigência do créditoprêmio de IPI à luz dos precedente do STF e do STJ Passo a transcrever o voto do Acórdão nº 3402003.224, que tomo como minhas razões de decidir: "6. O presente caso não demanda uma acurada reflexão. Conforme exposto no relatório, tratase de pedido de ressarcimento de créditoprêmio de IPI que se refere às exportações realizadas pelo Recorrente no período de 04/11/2002 a 30/12/2002. Assim, a questão aqui se resume a Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 6 5 saber se no período em comento o aludido créditoprêmio de IPI estava ou não vigente no ordenamento jurídico nacional. 7. Acontece que tal questão já foi decidida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de recurso extraordinário afetado por repercussão geral. Foi escolhido por aquela Corte Suprema como leading case o RE nº. 577.3485/ RS, em substituição do RE nº 577.3027/ RS (onde foi reconhecida a repercussão geral1), o qual restou assim ementado: EMENTA TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido. (STF; RE 577348, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2009, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe035 DIVULG 25022010 PUBLIC 26022010 EMENT VOL0239109 PP01977 RTJ VOL0021401 PP00541) (g.n.). 8. No transcorrer do seu voto, assim se manifestou o Ministro Ricardo Lewandowski, Relator do caso: Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 7 6 9. Nesta mesma linha é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme se observa do precedente formado no Recurso Especial n. 1.111.148, julgado sob o rito de repetitivos e que restou assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. Recurso Especial representativo de controvérsia (art. 543C, § 1º, do CPC). pedido de desistência.Indeferimento. violação ao art. 535, do CPC. INOCORRÊNCIA. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/69 (ART. 1º). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. PRESCRIÇÃO. (...). 3. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1º do DL 491/69 (créditoprêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido benefício foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1º do Decretolei 1.658/79, modificado pelo Decretolei 1.722/79. Entendeuse que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do benefício, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1º do DL 1.724/79 e do art. 3º do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. 4. A segunda orientação sustenta que o art. 1º do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o benefício fiscal nele previsto. Entendeuse que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.06.83, foi restaurado sem prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1º do ADCT. 5. A terceira orientação é no sentido de que o benefício fiscal foi extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1º do ADCT, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerarseão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeuse que a Lei 8.402/92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o benefício do art. 5º do DecretoLei 491/69, mas não o do seu artigo 1º. Assim, tratandose de incentivo de natureza setorial (já que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 8 7 créditoprêmio em questão extinguiuse no prazo previsto no ADCT. 6. Prevalência do entendimento no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o crédito prêmio do IPI, previsto no art. 1º do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. Precedente no STF com repercussão geral: RE nº. 577.3485/ RS, Tribunal Pleno, Relator Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13.8.2009. Precedentes no STJ: REsp. Nº 652.379 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 396.836 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para o acórdão Min. Castro Meira, julgado em 8 de março de 2006; EREsp. Nº 738.689 PR, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 27 de junho de 2007. 7. O prazo prescricional das ações que visam ao recebimento do créditoprêmio do IPI, nos termos do art. 1º do Decreto 20.910/32, é de cinco anos. Precedentes: EREsp. Nº 670.122 PR Primeira Seção, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 10 de setembro de 2008; AgRg nos EREsp. Nº 1.039.822 MG, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 24 de setembro de 2008. 8. No caso concreto, tenho que o mandado de segurança foi impetrado em 27 de fevereiro de 2004, portanto, decorridos mais de cinco anos entre a data da extinção do benefício (5 de outubro de 1990) e a data do ajuizamento do writ, encontramse prescritos eventuais créditos de titularidade da recorrente. 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (STJ; REsp 1111148/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/02/2010, DJe 08/03/2010) (g.n.). 10. Tais precedentes, por seu turno, devem ser seguidos por este Tribunal Administrativo, nos termos do que prevê o art. 62, § 1º, inciso II, alínea "b" do RICARF, já com a redação que lhe foi dada pela Portaria n. 152, de 03 de maio de 2016. Desta forma, considerando que o período de apuração está compreendido em época que já havia sido revogado o crédito em comento, nos termos das decisões dos E. Tribunais Superiores, não há outra saída senão reconhecer a improcedência do pleito da contribuinte recorrente. II Conclusão Por todo o exposto, voto por reconhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13820.720079/201229 Acórdão n.º 3302006.031 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.009940/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PROVA DO EFETIVO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO.
É facultado à autoridade fiscal intimar o contribuinte para demonstrar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, sem prejuízo da apresentação dos recibos correspondentes à prestação de serviços. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos.
Numero da decisão: 2401-005.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. Vencidos os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam o provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PROVA DO EFETIVO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. É facultado à autoridade fiscal intimar o contribuinte para demonstrar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, sem prejuízo da apresentação dos recibos correspondentes à prestação de serviços. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. Vencidos os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam o provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada).
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PROVA DO EFETIVO PAGAMENTO. INEXISTÊNCIA DE DÚVIDA RAZOÁVEL. CONJUNTO PROBATÓRIO. É facultado à autoridade fiscal intimar o contribuinte para demonstrar o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, sem prejuízo da apresentação dos recibos correspondentes à prestação de serviços. No entanto, cabe restabelecer as deduções glosadas pela fiscalização quando não há dúvida razoável no que tange à realização das despesas médicas, que demande a necessidade de complementação da prova, tendo em conta a avaliação do conjunto probatório carreado aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. Vencidos os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam o provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 99 40 /2 00 7- 91 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 180 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), por meio do Acórdão nº 0225.952, de 08/03/2010, cujo dispositivo considerou procedente em parte a impugnação apresentada, mantendo parcialmente o crédito tributário lançado (fls. 125/132): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Verificada omissão de rendimentos, a autoridade tributária lançará o imposto de renda, de ofício, com os acréscimos e as penalidades legais, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. A comprovação dos valores descontados pela fonte pagadora, a título de contribuição à Previdência Privada, importa no restabelecimento da dedução pretendida. DEPENDENTES. Comprovada a relação de dependência, nos termos da legislação tributária, é de se restabelecer a dedução pleiteada. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a estabelecimentos de educação pré escolar, incluindo creches, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, observado o limite permitido para o respectivo exercício e desde que devidamente comprovados os gastos. DESPESAS MÉDICAS. É mantida a glosa de despesas médicas, quando os recibos apresentados forem considerados insuficientes e o contribuinte Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 181 3 não deixar evidenciado nos autos a efetividade dos pagamentos correspondentes mediante apresentação de documentos que, de modo absoluto, espelhem a realidade dos fatos. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEPOSITO JUDICIAL. O direito à compensação de imposto depositado judicialmente depende do teor da decisão proferida nos autos do processo judicial. Impugnação Procedente em Parte Em face do contribuinte foi emitida a Notificação de Lançamento nº 2005/606435066863052, relativa ao anocalendário de 2004, decorrente de procedimento de revisão da Declaração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF), em que a fiscalização apurou as seguintes infrações (fls. 114/121): (i) dedução indevida de dependente, no valor de R$ 2.544,00; (ii) dedução indevida de despesas médicas, na importância de R$ 33.994,27; (iii) dedução indevida de previdência privada, no importe de R$ 6.654,52; (iv) dedução indevida com despesas de instrução, no valor de R$ 1.998,00; e (v) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no montante de R$ 1.058,00. A Notificação de Lançamento alterou o resultado de sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exigindose o imposto suplementar, juros de mora e multa. O contribuinte foi cientificado da autuação e impugnou a exigência fiscal em 26/07/2007 (fls. 02/03 e 12/19). Intimado por via postal em 05/07/2010 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 02/08/2010, em que alega os seguintes argumentos de fato e direito (fls. 140/142 e 143/156): (i) o recurso diz respeito às despesas médicas relativas aos pagamentos efetuados a Renata Melo Stehling, Flávia Henriques de Assis, Michel Peluci Aguiar e Humbertt Felipe Mayr, para as quais foi mantida a glosa pelo acórdão de primeira instância; (ii) desde a apresentação da impugnação as despesas estão comprovadas nos autos mediante recibos que Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 182 4 especificam os pagamentos efetuados, bem como os nomes, endereços e cadastros dos profissionais que realizaram os tratamentos de saúde; (iii) além disso, foram juntadas ao processo administrativo declarações assinadas pelos profissionais de saúde nas quais há a descrição do tratamento realizado e do valor pago ao prestador do serviço; (iv) os recibos fornecidos pelos profissionais de saúde revelamse suficientes para a efetiva comprovação dos pagamentos; (v) não é lícito à autoridade lançadora, com base em reiterada prática de deduções indevidas de outros contribuintes, proceder à glosa daqueles que cumprem os requisitos formais da legislação tributária, sem uma prévia investigação capaz de questionar a veracidade dos recibos apresentados, utilizandose, portanto, do instituto da presunção para a exigência de tributo; e (vi) a autoridade fiscal deve agir com bom senso nos pedidos de comprovação das deduções de despesas médicas declaradas, sob de pena de exigir a produção de prova impossível ao contribuinte de boafé, como é a hipótese dos autos. O contribuinte protocolou, em 29/03/2017, requerimento de prioridade na tramitação do presente feito, com base no estatuto do idoso (fls. 178). É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 183 5 Mérito O apelo recursal referese à glosa efetuada pela autoridade lançadora de despesas médicas que totalizam a importância de R$ 25.000,00, mantida pelo acórdão de primeira instância (fls. 107 e 131): (i) Odontóloga Renata Melo Stehling, no valor de R$ 2.000,00; (ii) Psicóloga Flávia Henriques de Assis, no montante total de R$ 13.000,00; (iii) Odontólogo Michel Peluci Aguiar, na importância total de R$ 9.000,00; e (iv) Odontólogo Humbertt Felipe Mayr, no valor de R$ 1.000,00 Além dos comprovantes das despesas médicas, o agente fazendário solicitou a demonstração do seu efetivo pagamento, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 2005/606371094451037, recebido pelo contribuinte em 01/12/2006 (fls. 122/124). Segundo a fiscalização, o contribuinte não atendeu a intimação, glosandose as despesas médicas por falta de comprovação, o que foi considerado correto pelo acórdão recorrido (fls. 116 e 130/131). Com vistas à reforma da decisão de piso, o recorrente defende que as declarações e os recibos fornecidos pela psicóloga e pelos odontólogos revelamse suficientes para a efetiva comprovação dos pagamentos, prescindindose da apresentação de qualquer documentação adicional. As cópias dos documentos juntados pelo contribuinte estão disponíveis para avaliação às fls. 26/29, 33/47 e 62/68. Pois bem. Com respeito à matéria em discussão, confirase o que diz a legislação tributária, por intermédio do Regulamento do Imposto de Renda, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): (...) Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 184 6 § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Como se observa, o recibo de quitação e/ou a nota fiscal foram eleitos pelo legislador como documentos hábeis para a comprovação da realização da despesa médica, os quais devem conter, pelo menos, a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem recebeu o pagamento. Entretanto, o recibo e a nota fiscal não constituem um prova absoluta do efetivo pagamento da despesa pelo contribuinte, que também é um requisito estipulado na legislação para a dedução, podendo a autoridade fiscal solicitar a exibição de elementos específicos de convicção a respeito do desembolso financeiro da importância registrada no documento. Não só é viável impor a comprovação do efetivo pagamento dentro do ano calendário a que se refere a dedução, como também a demonstração que o ônus financeiro tenha sido suportado pelo declarante ou, eventualmente, por terceiro integrante da entidade familiar. A legislação tributária outorga competência à autoridade fiscal para que exerça um juízo sobre a necessidade e pertinência de apresentação de prova complementar, como forma de dar efetividade à sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias, buscando a constatação da veracidade da declaração de rendimentos do contribuinte. Por meio da avaliação do caso concreto, incumbe ao agente fiscal determinar o grau de aprofundamento da auditoria quanto aos pagamentos efetuados, a partir de critérios objetivos, tais como perfil e histórico do contribuinte, valor das deduções, individualmente ou em conjunto, e natureza das despesas médicas. Negar tal permissão significa avançar indevidamente sobre a condução da ação fiscalizadora estatal, restringindo o dever legal de investigação dos fatos, devidamente autorizado pela norma regulamentar. De modo algum a exigência da comprovação da efetividade do pagamento conflita com a presunção de boafé do contribuinte, porquanto não se cogita, naquele momento, da existência de máfé na conduta do fiscalizado, mediante a prática de atos de falsidade, que levaria à aplicação de penalidade majorada. A comprovação do efetivo pagamento associado às despesas médicas é um ônus probatório que pode ser atribuído a todo contribuinte que faz uso de deduções na sua Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 185 7 declaração anual de rendimentos, na medida em que a despesa médica reduz a base de cálculo do imposto sobre a renda. Também a exigência de exibição de documentos subsidiários ao recibo de pagamento, nos moldes que se pretende, não configura a solicitação de prova impossível ou de difícil produção pelo contribuinte. Com efeito, a intimação é datada do final do ano de 2006 para comprovação de pagamentos efetuados durante o anocalendário de 2004. Para a comprovação é permitida a exibição de qualquer documentação idônea para tal fim, como cópias de cheques, comprovantes de saques, extratos bancários e transferências entre contas bancárias, conforme a realidade dos fatos. Não há obrigatoriedade de coincidência entre datas e valores, apenas a existência de correlação e vinculação com os dispêndios atribuídos aos serviços realizados pelos profissionais de saúde, num exercício de seriedade e convergência de documentos. Nada obstante, a questão controvertida foi submetida ao contencioso administrativo tributário, o que implica, por óbvio, a transferência ao julgador da decisão sobre a necessidade da comprovação da efetividade do pagamento como condição para fins de aceitação da dedução de despesa médica, com base na valoração do conjunto probatório presente nos autos. Ao apreciar o caso específico, a despeito da falta de juntada de prova do efetivo pagamento das despesas médicas, entendo não haver dúvida razoável quanto à sua realização, assim entendida a prestação dos serviços e o correlato pagamento pelo contribuinte, que torne inevitável a complementação da prova, considerando os recibos de pagamentos e as declarações dos profissionais de saúde, assim como a natureza e os valores das deduções médicas pleiteadas pelo contribuinte. De fato, com respeito aos pagamentos a Renata Melo Stehling, Michel Peluci Aguiar e Humbertt Felipe Mayr, no valor de R$ 2.000,00, R$ 9.000,00 e R$ 1.000,00, respectivamente, a documentação carreada aos autos descreve de maneira detalhada os tratamentos odontológicos realizados no contribuinte e/ou seus dependentes, não se podendo afirmar, a princípio, que há incompatibilidade entre os diversos procedimentos clínicos e os preços praticados no mercado (fls. 26/29 e 62/68). Por outro lado, no que tange aos pagamentos a Flávia Henriques de Assis, na quantia total de R$ 13.000,00, é verdade que não houve uma descrição pormenorizada dos serviços prestados pela psicóloga, em virtude da própria natureza e do sigilo profissional envolvido, já que os gastos efetuados dizem respeito a consultas de atendimento psicológico (fls. 33/47). Acontece que também os valores mensais estão compatíveis com o mercado, cujos serviços referemse a pagamentos de consultas para o contribuinte e esposa ao longo de todos os meses do ano de 2004. Como se sabe, a duração de um tratamento psicológico é variável, podendo ainda haver a decisão pela continuidade da psicoterapia conforme as características de cada indivíduo. Além disso, o acórdão de primeira instância reconheceu a dedutibilidade de despesas médicas com a empresa Estrutura Psicologia Clínica e Empresarial Ltda, no importe de R$ 5.160,00, pagos em parcelas mensais, o que sinaliza que o recorrente e seus familiares Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10680.009940/200791 Acórdão n.º 2401005.789 S2C4T1 Fl. 186 8 utilizaram serviços especializados de atendimento psicológico em todos os meses do ano calendário de 2004 (fls. 48/61). Em todos os casos acima os recibos juntamente com as declarações cumprem com as formalidades cumulativas exigidas pela lei para a comprovação das despesas (art. 80, § 1º, inciso III, do RIR/99). Não menos significativo é dizer que não há exagero nos valores do grupo das despesas médicas, individualmente ou em conjunto, frente ao total de rendimentos tributáveis declarados pelo autuado (fls. 97/108). Em suma, no caso em apreço, os autos estão desprovidos de indícios em desfavor dos recibos emitidos pelos profissionais, assim como das respectivas declarações sobre o tratamento de saúde. Mesmo o agente lançador não deixou consignado qualquer fato para levantar suspeita da existência de irregularidades nas despesas médicas. À vista disso, segundo minha convicção de julgador a partir dos elementos de prova carreados aos autos, cabe restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor total de R$ 25.000,00. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para restabelecer a dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 25.000,00. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 186DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000973/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COTA PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
O contrato de trabalho, sendo um contrato-realidade, não está vinculado ao aspecto formal, prevalecendo as circunstâncias reais em que estão sendo prestados os serviços. Se essas circunstâncias demonstram estarem presentes os requisitos estabelecidos no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, a Fiscalização deve considerar tal segurado como empregado.
Numero da decisão: 2402-006.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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COTA PATRONAL. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. O contrato de trabalho, sendo um contratorealidade, não está vinculado ao aspecto formal, prevalecendo as circunstâncias reais em que estão sendo prestados os serviços. Se essas circunstâncias demonstram estarem presentes os requisitos estabelecidos no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, a Fiscalização deve considerar tal segurado como empregado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Ricardo Moreira, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 73 /2 00 9- 29 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Foi lavrado Auto de Infração DEBCAD 37.241.6780 para cobrança das contribuições previdenciárias cota patronal e GILRAT incidentes sobre pagamentos a profissionais considerados pela autuada como prestadores de serviço através de contrato de parceria e qualificados pela Fiscalização como segurados empregados. Segundo o relato fiscal, as bases de cálculos foram aferidas indiretamente, com base na média das remunerações mensais declaradas pelos segurados (cirurgiões dentistas) em depoimentos constantes dos autos de processo movido pelo MPT e, no caso específico da Empresária Titular, obtidas através da DIRPF/07. Consoante se extrai do relatório do acórdão de piso, o recorrente aduziu em sua impugnação: Que a ação fiscal ofendeu o principio da legalidade, assim como o artigo 2º, § único, incisos I, VI, e VIII da Lei 9.784/99, vez que a ação fiscal iniciouse pela comunicação do MPT da existência de procedimento para apurar o possível vínculo de emprego existente entre a impugnante e os cirurgiões dentistas, antecipandose à decisão judicial, ainda inexistente. Que não é na esfera administrativa que se declara, ou não, o vinculo de emprego, mas sim na Justiça do Trabalho. Que a contribuição ao INSS da Sra Ana Cláudia Migliorini foi feita, conforme documentos em anexo. Que o empresário individual não é obrigado a retirar prólabore e nem recolher a contribuição de 11% sobre este, desde que recolha 20% sobe o salário mínimo como contribuinte individual. Que os valores constantes na DIRPF da sra Ana Cláudia podem ser considerados como simples retirada de lucro, tendo em vista não haver sócios. Que referidos os cirurgiõesdentistas pagam suas contribuições como autônomos, conforme documentos em anexo. Que o Auto de Infração está alicerçado em meras presunções acerca da existência do vínculo empregatício, uma vez que ausentes os requisitos essenciais estabelecidos pela legislação, doutrina e jurisprudência para caracterizálos como empregados. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 4 3 Que nos depoimentos prestados pelos próprios dentistas, junto à Procuradoria Regional do Trabalho, não há nenhuma afirmação no sentido de que são subordinados à impugnante. Que ninguém que é subordinado trabalha sem horário determinado, faz o horário de trabalho e almoço que quer, conforme suas necessidades, recolhe facultativamente seu INSS como autônomo, e tem ampla liberdade para faze os orçamentos dos serviços que irá prestar. Que os contratos de parceria para prestação de serviços estabelecem que não há o requisito da subordinação entre as partes. Que não devem incidir a multa de mora, de ofício e juros Selic, em função do recolhimento da Sra Ana Cláudia como contribuinte individual. Como já dito alhures, a DRJ julgou improcedente a Impugnação apresentada fls. 229/235. A autuada apresentou Recurso Voluntário às fls. 240/261 renovando as razões de sua impugnação e acrescendo i) que a decisão vergastada não teria considerada as provas documentais e testemunhais existentes no processo e citadas em sua impugnação; ii) que ao contrário do que afirmam os julgadores (DRJ), não houve depoimento dos envolvidos na esfera judicial; e iii) que a decisão recorrida não teria observado os princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e segurança jurídica. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator A autuada tomou ciência do acórdão de piso em 04.06.2010 (fls. 263) e apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário em 01.07.2010 (fls. 240). Preenchido os demais requisitos, dele passo a conhecer. Como já assentado nos autos, o ponto nevrálgico da lide reside em determinar se há, no que toca à relação entre a recorrente e os cirurgiõesdentistas, evidências da existência de subordinação a caracterizar a relação de emprego entre as partes, com vistas a concluir pela subsunção, ou não, ao disposto no artigo 12, I, "a" da Lei 8.212/91, c/c artigo 3º da CLT e, por conseguinte, no artigo 22 do mesmo diploma. A recorrente refuta a existência de subordinação aos argumentos de que nos depoimentos prestados pelos próprios dentistas, junto à Procuradoria Regional do Trabalho, não haveria qualquer afirmação no sentido de que seriam subordinados à impugnante e que nos contratos de parceria para prestação de serviços estaria estabelecido que não haveria o requisito da subordinação entre as partes. Que ninguém que é subordinado trabalha sem horário determinado, faz o horário de trabalho e almoço que quer, conforme suas necessidades, recolhe facultativamente Fl. 273DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 5 4 seu INSS como autônomo, e tem ampla liberdade para fazer os orçamentos dos serviços que irá prestar. De plano, cumpre destacar que a mera menção no contrato, no sentido de que não haveria subordinação, não é requisito definitivo/suficiente à comprovar tal condição, mas sim o que se evidencia da realidade dos fatos envolvidos. Prosseguindo ainda quanto à expressa determinação contratual de que não haveria subordinação (cláusula quarta a diante colacionada), cumpreme tecer algumas outras considerações. O fato de o contratado gozar de independência quanto à execução do seu trabalho, no que toca aos aspectos técnicos inerentes às suas competências, não quer dizer, por si só, que inexista subordinação a caracterizar a relação de emprego, pois como muito bem colocado pela decisão de piso, "a não ingerência técnica no trabalho e eventual flexibilidade de horário para almoço, como a possibilidade de faltas ao serviço, não desnaturam a subordinação, que é jurídica e não e técnica, mormente tratandose de profissionais liberais." Sobre esse aspecto, vale trazer à baila a seguinte lição de Maurício Godinho Delgado1: [...] no Direito do Trabalho a subordinação é encarada sob um prisma objetivo: ela atua sobre o modo de realização da prestação e não sobre a pessoa do trabalhador. É, portanto, incorreta, do ponto de vista jurídico, a visão subjetiva do fenômeno, isto é, que se compreenda a subordinação como atuante sobre a pessoa do trabalhador, criandolhe certo estado de sujeição ("status subjectiones"). Não obstante essa situação de sujeição possa concretamente ocorrer, inclusive com inaceitável frequência, ela não explica, do ponto de vista sócio jurídico, o conceito e a dinâmica essencial da relação de subordinação. Observese que a visão subjetiva, por exemplo, é incapaz de captar a presença de subordinação na hipótese de trabalhadores intelectuais e altos funcionários. Por questões técnicas e óbvias, a avaliação que precedia ao orçamento pelos serviços que seriam prestados era desempenhada exclusivamente pelo profissional dentista, que não tinha liberdade para, a partir de então, determinar o preço que deveria ser cobrado do paciente. Confirase os termos da cláusula segunda dos contratos de parceria: 1 DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 3ª ed. São Paulo: LTr, 2004, p. 303. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 6 5 Notese, a previsão de que determinado percentual do valor bruto do serviço prestado (80% nos casos de procedimentos de prótese e 70% nos de dentística, endodontia e exodontia) deveria ser repassado a autuada, não configura, em meu sentir, a assunção comum pelos "parceiros" dos lucros e perdas do negócio, circunstância típica nos contratos de parceria. Isso porque, além de os profissionais não terem, como já dito, autonomia para a fixação do preço pelos serviços prestados, era a autuada quem arcava com a totalidade das despesas necessárias para o desempenho das atividades daqueles profissionais, a teor da cláusula abaixo reproduzida. Vale dizer, diferentemente de determinada situação, na qual, por exemplo, o dono de um estabelecimento e um determinado profissional resolvem ser parceiros e acabam por assumir de forma proporcional e comum os lucros e perdas do negócio, no caso em exame, não se pode afirmar que a comunhão dos esforços tenha resultado nessa assunção compartilhada. Explico: uma vez que os profissionais receberiam em torno de 30% ou 20% da renda bruta auferida pelos serviços que prestavam, haveria de se demonstrar que os outros 70% ou 80% que cabiam a autuada, quando confrontado com as despesas que corriam exclusivamente por sua conta e que eram comuns a outros tantos "parceiros", lhe garantiriam uma participação liquida parecida com aquela experimentada pelos profissionais. Não é, pois, o caso. Por força da cláusula quinta encimada, a autuada arcaria com todas as despesas do negócio, inclusive com aquelas comuns a vários ou a todos os profissionais "parceiros", além daquelas de natureza fixa, fazendo com quê o risco da atividade empresarial recaísse, a rigor, exclusivamente sobre seus ombros. Ou seja, uma vez prestado o serviço, ao profissional era garantido, sem qualquer embargo aparente, o valor combinado. Por sua vez, o mesmo não se pode dizer com relação à participação da autuada no processo, que, a depender do volume de trabalho (quantidade de profissionais parceiros, clientes e atendimentos), sua parte poderia ser insuficiente a saldar as despesas que assumiu ou muito, mas muito maior do que a parcela recebida pelos cirurgiões, em termos proporcionais. Vale dizer, essa incerteza, típica da atividade empresarial, que pode levar o empreendedor ao "sucesso" ou ao "fracasso", não é suportada pelo profissional, mas somente pela autuada, o que, a meu ver, revela circunstância inerente à relação de emprego. Nesse contexto, não é absurdo aceitar que em função do forte interesse da autuada na maximização de suas receitas, ela promovesse o intenso controle na distribuição dos clientes aos dentistas, dos recebimentos em caixa, além de prédefinir os dias, segundo seus Fl. 275DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 7 6 critérios e possibilidades, para que fossem, dentre eles, escolhidos pelos profissionais para atendimento. Vale dizer, os profissionais escolhiam o dia e horários, dentre aqueles disponibilizados pela autuada. No que diz respeito aos recebimentos, contrariamente ao que dispunha a cláusula terceira do contrato, dando conta de que os profissionais entregariam diretamente à autuada o percentual lá estabelecido, pressupondo que os valores ingressavam, inicialmente, ao patrimônio do profissional para, só então, serem transferidos, naquele percentual, ao da autuada; o que foi admitido pela Empresária Titular é que, na prática, os pagamentos eram recolhidos ao caixa das clínicas, que posteriormente efetuava o pagamento das comissões aos dentistas, demonstrando, assim e ao meu ver, o exercício de uma das facetas da subordinação. Somemse a isso, os apontamentos promovidos pela decisão vergastada no sentido de que "a teor dos depoimentos anexados aos autos, constatouse que o comando dos serviços prestados pelos dentistas sempre foi da empresa, haja vista que as secretárias das clínicas marcavam e desmarcavam horários de atendimentos com os clientes. Esses eram captados pela clínica, e atendidos pelo profissional que estivesse disponível." Os pacientes, em regra, não procuravam a autuada em função de um ou outro profissional, já que não haveria atendimento por agendamento com hora marcada. O encaminhamento ao profissional davase por ordem de chegada àquele que estivesse disponível no momento, salvo nos casos de retorno para tratamento, quando então haveria uma espécie de "vinculação" para o atendimento. Ademais, como bem ressaltado pela julgador de piso, podese extrair do depoimento prestado pela Dra Alessandra Ribeiro Igreja, que haveria um horário a ser cumprido pelo profissional, independentemente, é o que se infere, de haver ou não pacientes aguardando e a ele direcionado, posto que os atendimentos, como já dito, não se davam por agendamento, mas sim por ordem de chegada à medida em que iam aparecendo os clientes, se fosse o caso. Com efeito, penso que a subordinação aqui não é aquela determinada simplesmente pelo viés das ordens e mandos no cotidiano da empresa, mas sim aquela, ainda que intrínseca, inerente à posição de quem assume, por inteiro, o risco do negócio, frente aqueles que recebem pelo trabalho prestado independentemente se as despesas da empreitada estão sendo ou não saldadas. E isso sim me parece bem razoável. Os fatos, a meu ver, levam a essa conclusão e não a presunção, como quer fazer crer a recorrente. Prosseguindo nas alegações recursais. Não merece acolhida a tese de que a declaração da existência de vínculo não deve se dar na esfera administrativa. O Auditor Fiscal é a autoridade competente para determinar a matéria tributável, ainda que a análise dos fatos que interessam ao caso, revele uma realidade não espelhada nos documentos apresentados pelo sujeito passivo. É a lógica do incido I do artigo 116 do CTN. 2 2 Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 276DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 8 7 Nessa mesma linha, valhome dos fundamentos e conclusões da decisão de piso, a seguir colacionada: Por sua, vez, no que tange à alegação de que os dentistas recolheriam a contribuição como autônomo, vale destacar que além de tal situação não se estender a todos os profissionais, como se extrai dos depoimento da Dra Alessandra Ribeiro Igreja e Dr Hermilton Machado de Melo Junior, tal condição não é hábil o suficiente a, isoladamente, legitimar a tese recursal no que toca à não caracterização da relação de trabalho entre as partes, em especial quando se tem evidências que militam em sentido contrário. Vejase que há inclusive profissional que presta serviço exclusivamente à autuada, consoante se verificado depoimento logo a diante. Dra Alessandra Ribeiro Igreja Fl. 277DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 9 8 Dr Hermilton Machado de Melo Junior Por derradeiro quanto ao tema, vale destacar o excerto do Relatório Fiscal onde é assentado que "O trabalho autônomo, segundo a doutrina especializada, só se caracteriza quando há inteira liberdade de ação, ou seja, quando o trabalhador atua como patrão de si mesmo, com os poderes jurídicos de organização própria, por meio dos quais desenvolve o impulso de sua livre iniciativa e presta serviços a mais de uma empresa ou pessoa." Passo a abordar, doravante, a exigência sobre os valores pagos/retirados pela Empresária Titular, Dra, Ana Cláudio Migliorini. O valores utilizados como base de cálculo foram extraídos da DIRF da empresa, onde foram declarados importâncias pagas mensalmente à titular, com natureza tributável. Logo, há de se presumir que não estamos a tratar da distribuição do lucros, que, se efetuada na forma da lei, não sofre a incidência do IR, por ser verba isenta para fins desse imposto. Assim, caberia a recorrente, com vistas a infirmar a declaração por ela própria prestada em sua DIRF, demonstrar, documentalmente, que tais pagamentos, tratarse iam, efetivamente, de lucros distribuídos e não do recebimento de prólabores, que no valor recebido, sujeitarseão à regra geral que se tem para os contribuintes individuais (cota patronal 20% sobre o valor pago), independentemente de qualquer valor recolhido pela titular empresária. Quanto ao pleito de que não deveria incidir a multa de mora, de ofício e juros Selic em função dos recolhimentos encimados, cumpre destacar que não houve o lançamento da multa de oficio de 75%, eis que o autuante valeuse da legislação da época por ser mais benéfica ao contribuinte. Vejase: Por outro lado, a multa e juros aplicados estão ancorados nos dispositivos legais apontados pela Fiscalização às fls 26, de observância obrigatória tanto pelo autuante, quanto pelos julgadores administrativos. No que tange aos argumentos de que a decisão vergastada não teria considerada as provas documentais e testemunhais existentes no processo e citadas em sua Fl. 278DF CARF MF Processo nº 15586.000973/200929 Acórdão n.º 2402006.743 S2C4T2 Fl. 10 9 impugnação, há de se ressaltar que a fundamentação adotada pelo julgador de piso, ao expor suas razões de decidir, acabou, por razões de lógica, desconsiderando os documentos lá acostados, a saber, recolhimentos efetuados por alguns dos dentistas na condição de autônomo. Da mesma forma, não me parece que a decisão recorrida não observara os princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e segurança jurídica. Muito pelo contrário, deu aos fatos então postos pelo autuante, a melhor interpretação segundo as normas que regem a matéria, em especial, os artigos 12, I, "a" da Lei 8.212/91, c/c artigo 3º da CLT. Por fim, vale reforçar, que a atuação da Fiscalização não está, em matéria tributária, condicionada e/ou vinculada às conclusões dos procedimentos investigatórios no âmbito do Ministério Público. Em outras palavras, uma vez verificada a inobservância à legislação tributária, seja lá por quem quer que tenha sido o noticiante, compete ao Fisco a tomada de providências com vistas a assegurar a cobrança do crédito tributário então devido e não declarado/recolhido. Face ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER do recurso para NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.724654/2014-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
IRRF. GLOSA. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. ANÁLISE COM RITO PRÓPRIO. IMPROCEDENTE.
A restituição de IRRF pago a maior deve seguir procedimento próprio, com processo administrativo específico. Nesse sentido, a sistemática do pedido de restituição de valores no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96.
Assim, não é possível afastar a glosa de compensação de valores em processo administrativo de exigência do IRPF, onde se constatou recolhimento a menor do imposto, sem que se tenha tido a prova do devido recolhimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente).
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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GLOSA. COMPENSAÇÃO COM O IMPOSTO DEVIDO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL DO IRPF. ANÁLISE COM RITO PRÓPRIO. IMPROCEDENTE. A restituição de IRRF pago a maior deve seguir procedimento próprio, com processo administrativo específico. Nesse sentido, a sistemática do pedido de restituição de valores no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Assim, não é possível afastar a glosa de compensação de valores em processo administrativo de exigência do IRPF, onde se constatou recolhimento a menor do imposto, sem que se tenha tido a prova do devido recolhimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 46 54 /2 01 4- 45 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10730.724654/201445 Acórdão n.º 2301005.680 S2C3T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por EROS ROBERTO DA SILVA ROCHA, contra o Acórdão de julgamento que julgou improcedente a impugnação (efls. 59/62). O processo se refere a revisão da Declaração de Ajuste Anual com base nos arts. 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), onde foi lavrada, em 26/05/2014, a Notificação de Lançamento, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física, do ano calendário de 2010, exercício 2011, que reduziu o imposto a restituir apurado na declaração de ajuste anual retificadora, de R$ 145.435,28, para R$ 7.630,96. Assim, conforme se constata das informações da efl. 05, (descrição dos fatos e enquadramento legal) foi glosada a quantia de R$ 137.804,32, em razão da compensação indevida de imposto complementar. Em Recurso Voluntário apresentado nas efls. 66, e seguintes, o recorrente alega que teria recolhido em dobro os valores, uma vez que teria recebido valores de uma indenização decorrente de ação trabalhista, recebida em dois momentos, uma em 2010 e outra em 2016. Aduz a recorrente que "o recolhimento do imposto de renda foi realizado em 2011 (fls. 14), sob o Código 0211, depois de o Recorrente proceder com a declaração de ajuste do imposto de renda com referência ao anocalendário de 2010 e informar, no campo "Recebimento Tributável Recebido de Pessoa Jurídica", a quantia total de RS 699.829,44, sendo R$ 528.869,04 recebida no ano anterior como resultado da reclamação trabalhista". Em suas razões segue alegando que: "sobre aquele valor, somado aos outros rendimentos do Recorrente, foi calculado o imposto de renda à alíquota de 27,5%, totalizando o montante a pagar de R$ 169.842,81, sujeito a algumas deduções. O imposto pago, naquela oportunidade, somou R$ 137.804,32, conforme apurado na declaração de ajuste anual e recolhido no DARF datado de 29 de abril de 2011 (fls. 14)". Ao final, pede o recorrente que seja reformando a decisão da 1a Turma da DRJ/REC, reconhecendo seu direito à retificação da declaração de imposto de renda pessoa física de 2011, ano calendário de 2010, e determinado que a Secretaria da Receita Federal promova os atos necessários e restitua ao Recorrente o imposto pago em 29 de abril de 2011, sob o código 0211, no valor histórico de R$ 137.804,32, devidamente atualizado pela SELIC. É breve o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10730.724654/201445 Acórdão n.º 2301005.680 S2C3T1 Fl. 4 3 Conforme se constata do enquadramento legal e dos fatos apurados, junto à fl. 05, foi identificado um valor recolhido a menor, a título de Imposto de Renda pessoa Física, sendo glosado a quantia de R$ 137.804,32, a título de imposto complementar. A DRJ de origem lançou o seguinte entendimento: 5. Trata a presente lide da glosa da Compensação Indevida do Imposto de Renda Complementar, em decorrência da declaração de ajuste anual retificadora apresentada em 13/05/2014, para alterar os rendimentos tributáveis com base nos documentos acostados aos autos, às fls. 16/19, cujos valores foram acatados pela autoridade fiscal, como se verifica dos dados do demonstrativo de apuração do imposto devido, às fls. 25. 5.1 Verificase que o DARF anexado, não se trata de pagamentos de Imposto Complementar, mas de quotas do IRPF código 0211, apurado na DIRPF/2011, retificada. Portanto, não deveria ter sido informado como tal, o que deu origem a Notificação de Lançamento em questão. 5.2. Verificase dos dados das declarações de ajuste anual que o contribuinte informou o valor recolhido a titulo de imposto devido na sua DIRPF/2011 retificada como imposto complementar. Conforme se constata das informações do processo, a retificação foi acatada pela autoridade fiscal, mas não foi permitida nesse processo, com o intuito de ser realizado o pedido de restituição, tendo em vista não ser o procedimento adequado para tanto, bem como houve divergência encontrada nos códigos de recolhimentos. O Imposto de Renda Complementar é de recolhimento facultativo e o valor compensável é o efetivamente recolhido dentro do anocalendário. Diferente do carnêleão que é obrigatório ao contribuinte que recebeu proventos dentro do anocalendário Com isso, entendo que assiste razão a DRJ de origem, uma vez que o procedimento para solicitar a restituição de valores pagos a maiores ou equivocados possui rito específico e forma diferenciada do presente processo para análise do direito creditório. Não se trata de excesso de formalismo como citado pela contribuinte, mas de seguir rito e forma processual administrativo adequado. O pedido deve ser feito pelo PER (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso), uma vez que o valor devido deveria ter sido recolhido no ano calendário de 2010, do exercício de 2011. A retificação só ocorreu 4 anos depois, em meados de 2014. Nesse sentido, a sistemática do pedido de restituição de valores no âmbito Federal foi alterada no ano de 2002 pela Lei n.º 10.637 (oriunda da Medida Provisória n.º 66, de 29 de agosto de 2002, com vigência a partir de 1º de outubro de 2002), que deu nova redação ao art. 74 da Lei n.º 9430/96. Assim, deve a contribuinte realizar o pedido pela via adequada, em rito processual próprio. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10730.724654/201445 Acórdão n.º 2301005.680 S2C3T1 Fl. 5 4 Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, realizando a manutenção da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10730.724654/201445 Acórdão n.º 2301005.680 S2C3T1 Fl. 6 5 Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.903134/2009-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE
Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
Numero da decisão: 1301-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13005.901308/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13005.901308/2009-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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ERRO DE PREENCHIMENTO. POSSIBILIDADE Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Vencido o Conselheiro Roberto Silva Junior que votou por negar provimento ao recurso. O julgamento deste processo segue a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 31 34 /2 00 9- 22 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13005.903134/200922 Acórdão n.º 1301003.441 S1C3T1 Fl. 3 2 sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13005.901308/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado), e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o erro se deu basicamente na DComp, quando informou como origem do crédito Pagamento Indevido ou a Maior quando o correto seria Saldo Negativo de IRPJ, assim, requereu que sua Dcomp fosse retificada ou autorizada sua retificação. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum. Ademais, que não possuía competência para autorizar retificação de DComp ou assim determinála de ofício, nem mesmo se manifestar a respeito do indeferimento de pedido de retificação decidido pela Delegacia, por sêla definitiva. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defendese com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, ademais, destaquese planilhas de cálculo, LALUR e outros documentos. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13005.903134/200922 Acórdão n.º 1301003.441 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.432, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13005.901308/2009 12, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.432): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, porém, conforme reconheceu, na realidade tratavase de Saldo Negativo. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a PerdComp para realizar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. Apresentou planilha de cálculo, LALUR e DIPJ em sede recursal. O ponto aqui é que a PerdComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pelo recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que documentos sejam analisados a fim de analisar o efetivo erro e consequentemente seu direito de crédito. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13005.903134/200922 Acórdão n.º 1301003.441 S1C3T1 Fl. 5 4 Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da PerdComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas, prosseguindose assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.016223/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2002
VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES.
O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF.
A Súmula Vinculante n° 8 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91 que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos, previsto no CTN.
Tendo em vista a natureza tributária das contribuições destinadas aos terceiros, ficam afastadas as disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de dez anos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O arbitramento é hipótese legal de apuração do tributo devido, e quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. É lícita a aplicação da aferição indireta para o cálculo de contribuições previdenciárias quando há omissão de registros contábeis.
NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO FISCAL.
Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários.
CÓDIGO FPAS. ENQUADRAMENTO. ATRIBUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
O enquadramento do código do Fundo de Previdência e Assistência Social - FPAS, nos lançamentos de ofício, constitui-se atribuição privativa da fiscalização, e se dá pelo enquadramento da atividade principal desenvolvida pelo sujeito passivo na Classificação Nacional de Atividade Econômica - CNAE.
ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil.
AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 40%. PREVISÃO.
Aplica-se a alíquota de 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, nos termos do artigo 618, inciso I, da Instrução Normativa INSS/DC Nº 100, de 18 de dezembro de 2003, vigente à época dos fatos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso.
Numero da decisão: 2401-005.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência das competências 01/94 a 11/98. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento os valores apurados a título de pró-labore. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro .
Miriam Denise Xavier - Presidente.
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relator.
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2002 VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF. A Súmula Vinculante n° 8 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91 que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos, previsto no CTN. Tendo em vista a natureza tributária das contribuições destinadas aos terceiros, ficam afastadas as disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de dez anos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O arbitramento é hipótese legal de apuração do tributo devido, e quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. É lícita a aplicação da aferição indireta para o cálculo de contribuições previdenciárias quando há omissão de registros contábeis. NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO FISCAL. Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 62 23 /2 00 8- 15 Fl. 11398DF CARF MF 2 CÓDIGO FPAS. ENQUADRAMENTO. ATRIBUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O enquadramento do código do Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, nos lançamentos de ofício, constituise atribuição privativa da fiscalização, e se dá pelo enquadramento da atividade principal desenvolvida pelo sujeito passivo na Classificação Nacional de Atividade Econômica CNAE. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil. AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 40%. PREVISÃO. Aplicase a alíquota de 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, nos termos do artigo 618, inciso I, da Instrução Normativa INSS/DC Nº 100, de 18 de dezembro de 2003, vigente à época dos fatos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência das competências 01/94 a 11/98. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento os valores apurados a título de prólabore. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro . Miriam Denise Xavier Presidente. Luciana Matos Pereira Barbosa Relator. José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator designado. Fl. 11399DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Debito, lavrada cm desfavor da empresa ADLER Assessoramento Empresarial e Representações Ltda., que se refere às contribuições sociais devidas à Seguridade Social referente à empresa, segurados empregados e contribuintes individuais e as devidas a Terceiros, no período de 01/94 a 12/2002. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 542/562, o crédito tributário apurado decorreu de práticas fraudulentas por parte da empresa, traduzidas em omissão de faturamento pela prática criminosa de calçamento de notas fiscais e a consequente omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária em seus registros contábeis. Ademais, foram obtidas por volta de 1.800 (mil e oitocentas) notas fiscais calçadas no período de 01/1994 a 10/2000, representando uma omissão de faturamento, em valores originais, de mais de R$ 24.000.000,00 (vinte e quatro milhões de reais). Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa de fls. 9.305/9.381, alegando, em síntese: (i) o enquadramento no CNAE apontado no Relatório Fiscal encontrase errado, pois, conforme consta em seu CNPJ, o enquadramento correto seria 45.33.0.01 — construção de estação e redes de telefonia e comunicação; (ii) o período anterior a 12/2001 está desprovido de regular fundamentação legal do critério de aferição indireta, estando apenas as competências de 2002 adequadamente fundamentadas; (iii) as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados, tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado; (iv) as notas fiscais tidas como calçadas pelo fisco previdenciário já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte, nada existindo de omitido a respeito. Esclarece, ainda, que todas as obrigações fiscais incidentes sobre tais faturamentos, bem como o próprio lucro do contribuinte foram uma parte quitada, e outra, regularmente reconhecida como devida e incluída no REFIS; (v) a alíquota de 40% para fins de apuração do salário de contribuição foi exacerbada e inadequada; (vi) em relação aos levantamentos de "aferição indireta faturamento", não existe nos autos qualquer fundamentação legal ou normativa quanto aos critérios e alíquotas que validam o labor fiscal, no período anterior ao da vigência das IN 69 e 70, ambas de 2002; Fl. 11400DF CARF MF 4 (vii) os valores classificados como prólabore omitido, comissões não nominadas e despesas de representações, são, na verdade, valores componentes do montante de lucro distribuído aos sócios; (viii) em relação ao levantamento prólabore omitido, informa que os argumentos apresentados decorrem de seu exclusivo esforço dedutivo, com lastro apenas na planilha de fls. 351/430, haja vista não constar em nenhuma passagem do relatório fiscal qualquer menção a respeito deste levantamento; (ix) quanto aos empreiteiros, motoristas e engenheiros, alega que não foram demonstrados nos autos os pressupostos aptos a caracterizar a relação empregatícia; (x) possui créditos perante o INSS, objeto de processos de restituição que não foram apropriados de forma adequada na presente NFLD; Em seguida, às fls. 9.391/9.403, a ora Recorrente peticiona requerendo a nulidade do lançamento, posto que o MPF — Mandado de Procedimento Fiscal está vencido. Alega que o MPF fora emitido em 30.01.03 e tinha como prazo de validade 28.03.03, sendo que o MPF complementar fora expedido somente em 02.05.03, ou seja, trinta dias após o vencimento do MPF originário, o que caracterizaria vicio formal insanável. As fls. 9.513/9.517, consta conversão do processo em diligencia, a fim de sanar o possível equivoco quanto ao enquadramento da Recorrente, que encontrase enquadrada no CNAE, na Seção F construção, divisão 45 Construção, Grupo 453 Obras de Infraestrutura para Energia Elétrica e para Telecomunicações, e a Fiscalização entende que o correto grupo seria 454 Obras de Instalações. Em atendimento ao disposto acima, fora apresentada Informação Fiscal (fls. 10.167/10.303), alegando o correto enquadramento da fiscalização quanto ao CNAE da empresa e pronunciando pormenorizadamente os porquês da manutenção parcial do lançamento, para que sejam excluídos tãosomente os valores indevidos apurados a maior em relação ao LEVANTAMENTO 007 — AUTÔNOMOS (CONTR FIN). Posteriormente, às fls. 10.327/10.329, consta Despacho Saneador, informando que deve ser evitado o uso de expressões incompatíveis com a seriedade do processo administrativofiscal, que extrapolem os limites do litígio, desta feita, requer sejam riscadas as expressões: sensacionalismo, sensacionalista, maldosa, tendenciosa, tendencioso, tendenciosidade e desonesto, constantes da peça impugnatória e da Informação Fiscal. A fim de solicitar informações a respeito da possibilidade de arrolamento de bens pertencentes aos sócios administradores da empresa ora Recorrente, fora expedido Oficio (fls. 10.365/10.367) solicitando manifestação da Procuradoria Federal especializada. Em atendimento a consulta formulada, a Procuradoria do INSS, às fls. 10.373/10.377, concluiu ser plenamente legal o arrolamento de bens dos sócios, suscitando como argumento, a desconsideração da personalidade jurídica prevista no artigo 50 do Código Civil. Às fls. 10.690/10.708, há petição da ora Recorrente, requerendo, em suma, a nulidade da NFLD, aduzindo as mesmas razões quando da propositura de sua Defesa. Analisando todas as provas carreadas aos autos, a Decisão Notificação nº. 23.401.4/0150/2005, de fls. 10.714/10.774, julgou o lançamento procedente em parte, Fl. 11401DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 4 5 retificando apenas o valor lançado relativo à rubrica 007 AUTÔNOMOS (CONTR FIN). Confirase: “DIREITO PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL. ENQUADRAMENTO NO CNAE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AFERIÇÃO INDIRETA. DECADÊNCIA. OPERAÇÃO CONCOMITANTE. PROVA. O código CNAE, cadastrado junto à Secretaria da Receita Federal, em nada vincula o INSS, haja vista ter caráter meramente declaratório. O MPF complementar, emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI. As normas delineadoras dos parâmetros da base de cálculo, na aferição indireta, por terem natureza formal, devem se fundamentar na legislação em vigor na data do lançamento. Havendo prova de fraude, dolo ou simulação, poderão ser constituídos, a qualquer tempo, os créditos tributários. Para efetivação da operação concomitante, impõese a existência de crédito da mesma natureza, oriundo de processo de restituição ou de reembolso. O julgador administrativo emitirá suas conclusões com base na demonstração da ocorrência dos fatos que as partes proporcionarem através da prova, instrumento processual adequado para levar ao conhecimento do mesmo os fatos que envolvem a relação tributária. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE” Às fls. 10.895/10.945, consta nova manifestação da Recorrente reiterando os argumentos trazidos em sua Defesa. Em seguida, devidamente cientificada da Decisão Notificação nº 23.401.4/0150/2005 em 19/04/2005 (fls. 10.889), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 10.957/11.047), em que, mais uma vez, se repete todas as alegações já aduzidas anteriormente. Ato contínuo, o Contencioso Administrativo da Secretaria da Receita Previdenciária negou seguimento ao Recurso Voluntário (fl. 11.053), eis que não foi acompanhado do depósito recursal de 30% da exigência fiscal. Todavia, tendo em vista que o Plenário do Supremo Tribunal Federal entendeu ser inconstitucional a lei que determina a exigência de depósito prévio em recursos administrativos, a Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 11.073/11.075, determinou o encaminhamento dos autos para apreciação do recurso interposto. Naquela oportunidade, a 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, ao analisar o recurso (Resolução nº 230100.070 – fls. Fl. 11402DF CARF MF 6 11.083/11.087), não vislumbrou a possibilidade de julgamento deste processo, em razão de a fiscalização não ter examinado diversos pontos suscitados pela Recorrente na sua Defesa, que também são objeto do Recurso Voluntário, sem que este órgão pudesse sobre eles se manifestar. Desta feita, por unanimidade de votos, determinouse a conversão do julgamento em diligência para esclarecer: (i) se as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados, tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado; (ii) se as notas fiscais tidas como calçadas já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte; (iii) se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS; (iv) se as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base na aferição indireta foram corrigidas antes da Defesa do contribuinte e, em caso positivo, a repercussão destas correções no tributo devido. Cumprida a diligência (Informação Fiscal de fls. 11.173/11.175), o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, informou que: (i) O contribuinte não contabilizou, em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos Autos; (ii) Não houve o reconhecimento total das receitas omitidas por meio de emissão de notas fiscais “calçadas”, uma vez que a fiscalização juntou aos Autos documentos que demonstram que o contribuinte não apropriou corretamente as notas fiscais emitidas no período de 1994 a 2000; (iii) No que concerne ao questionamento sobre a inclusão de todas as obrigações fiscais no REFIS, impôs a fiscalização, que o REFIS foi rescindido em 17/11/2009, permanecendo em aberto 65 (sessenta e cinco) parcelas não quitadas; (iv) E, por fim, informou que as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base em aferição indireta não foram corrigidas antes da defesa do contribuinte, e que o Recurso Voluntário não trouxe nenhum elemento novo. Em que pese a fiscalização não ter dado ciência ao contribuinte, o Presidente da Terceira Câmara da Segunda Seção de julgamento, solicitou a comunicação e a abertura de prazo para as alegações do contribuinte, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório (fls. 11.177). Devidamente notificada em 06/07/2012 (Aviso de Recebimento de fl. 11.182), a empresa Recorrente apresentou sua resposta (fls. 11.184/11.201) ao resultado da diligência, alegando, em resumo, que: (i) A Diligência restou cumprida de modo precário, apoiandose comodamente em uma avaliação calcada em fatos pretéritos. Não houve, pois, novas análises; não se verificou o que consta dos escritos fiscais da recorrente, e, porquanto, obtevese limitadas informações; Fl. 11403DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 5 7 (ii) As obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas no momento da migração do REFIS para o parcelamento da Lei 11.941/09, tal afirmativa pode ser comprovada com as provas anexadas às alegações, bem como pelas informações contidas nos Sistemas informatizados da Própria Receita Federal do Brasil; (iii) Desprovida de fundamento se apresenta a afirmação da Autoridade Fiscal de que o contribuinte não contabilizou, em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos Autos, vez que todos os movimentos financeiros atinentes aos períodos que se encontram abarcados no lapso temporal que autorizaria a exigência dos tributos correspondentes foram devidamente sanados ou contabilizados; (iv) Todas as receitas omitidas foram apropriadas na contabilidade, na qualidade de ajustes de exercícios anteriores e na sequência deduzidas em uma conta relativa a débito de distribuição de lucros para os sócios da empresa, e assim sendo, não há como sustentar que as impontualidades no faturamento ainda persistiam. Com a escrituração desses valores, a recorrente reconheceu todos os tributos federais que sobre eles incidiam, optou pelo parcelamento destes e, conforme comprovantes, anexos à defesa, foram quitados; (v) A recorrente empreendeu todas as medidas necessárias para a correção do seu passado contábil e fiscal; (vi) Ilegítimo se apresentou o arbitramento das contribuições previdenciárias, vez que se encontra pautado em elementos insuficientes, vinculados apenas ao faturamento e a receita. Ao analisar o recurso, a 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária mais uma vez converteu o feito em diligência (Resolução nº 2302000.356 de fls. 11.233/11.238), tendo em vista que o Auditor fiscal cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Cumprida a diligência (fls.11.251/11.253), o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, informou que: (i) Primeiramente, cumpre esclarecer que a NFLD n° 35.675.4219 é relativa à infração de obrigações principais. O crédito é constituído dos seguintes levantamentos: 05 – Omissão de Folha de Pagamento, 06 – Pró Labore Omitido, 07 – Autônomos, 08 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 09 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 10 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas) e 11 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas); (ii) Conforme anexos aos processos n° 10166.722302/201083, fls. 68 a 274, n° 10166.722300/201094, fls. 76 a 104, e n° 10166.722307/201014, fls. 96 a 291, percebese que a Autoridade Fiscal, devido às inconsistências nos registros contábeis da empresa – que inclusive ocasionaram diversas penalidades por descumprimento de obrigações acessórias – e nos termos dos artigos 50, 52, 53 e 54 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto n° 356/1991, dos artigos 50, 52, 53 e 54 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173/1997 e dos artigos 231, 233, 234 e 235 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, sendo Fl. 11404DF CARF MF 8 vinculada a constituir o crédito tributário pelo lançamento relativo às obrigações principais, não viu outra opção senão utilizar a metodologia de apuração da remuneração da mãodeobra por aferição indireta, baseada no faturamento, 4. Alega o contribuinte, entretanto, no item 02.a, fls 11.188 a 11.191 de sua resposta à Informação Fiscal constante nas folhas 48 e 49 deste processo, esta solicitada pela Resolução n° 230100.070 da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF, que suas obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento, que estavam sendo pagas no parcelamento instituído pela Lei n° 9.964/2000 – REFIS, foram integralmente liquidadas, à vista, com os benefícios fiscais instituídos pela Lei n° 11.941/2009; (iii) É necessário esclarecer que os créditos tributários que foram consolidados no REFIS e que, segundo alegação do contribuinte, foram liquidados à vista em novembro de 2009, com benefícios da Lei n° 11.941, conforme telas dos sistemas anexadas aos autos, fls. 11.244 a 11.250, são relativos aos seguintes tributos: IRRF, IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. Dentre estes tributos, apenas o PIS e a COFINS, conforme art. 2° da Lei n° 9.718/1998, possuem como hipótese de incidência o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado e como base de cálculo o próprio faturamento; (iv) O PIS e a COFINS constituem fontes de financiamento da seguridade social previstas na alínea “b”, do inciso I, art. 195 da Constituição Federal de 1988. Não se confundem, portanto, com a contribuição social incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física prestadora de serviço, prevista na alínea “a” do mesmo dispositivo, embora também seja encargo do empregador, empresa ou a esta equiparada: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício b) a receita ou o faturamento c) o lucro;” (v) A Lei n° 8.212/1991, em seu capítulo IV, exerceu efetivamente a competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “a”, do inciso I, do art. 195 da CF/88, enquanto que a Lei n° 9.718/1998, por sua vez, exerceu efetivamente a competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “b”, do inciso I, do art. 195 da CF/88. Não resta dúvida, portanto, que Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) e PIS/COFINS tratamse de tributos diferentes, considerando que o art. 4° do CTN estabelece que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação e que os tributos citados possuem diferentes bases de cálculos e diferentes hipóteses de incidência; (vi) Esclareçase também, em tempo, que não há que se confundir critérios de apuração de bases de cálculo de tributos com as bases de cálculo propriamente ditas. De forma genérica, a Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), em seu artigo 148, possibilita que, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé os documentos expedidos pelo sujeito passivo, a Fl. 11405DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 6 9 autoridade lançadora realize o arbitramento do valor, preço ou direito que constitua base de cálculo de qualquer tributo. Não há no ordenamento jurídico tributário federal qualquer diploma legal vedando a utilização de determinadas grandezas como critério de arbitramento pelo simples fato de constituírem hipóteses de incidência de outros tributos; (vii) A Lei n° 8.212/1991 estabelece, no parágrafo 6°, do art. 33, a possibilidade de arbitramento da especificamente da Contribuição Previdenciária Patronal: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (viii) Dessa forma, percebese que o contribuinte se equivocou em sua impugnação, pois o faturamento, no caso em epígrafe, não foi utilizado como base imponível para cálculo da CPP, mas sim como método de arbitramento, estabelecido pela legislação infralegal, para se chegar à real base de cálculo da CPP, qual seja “o total das remunerações pagas devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados que prestaram serviços, destinadas a retribuir o trabalho”. Após a manifestação fiscal encimada, os presentes autos foram redistribuídos a esta Relatoria. A empresa às fls. 11.266/11.267, solicitou que lhe seja oportunizado prazo para se manifestar sobre a Informação Fiscal de fls. 11.251/11.253, em homenagem à ampla defesa e ao contraditório. Já às fls. 11.277/11.299 os Senhores Ernesto Calvet de Paiva Carvalho e Antônio Ricardo Sechis, sócios da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda, informam que seus bens foram alvo de arrolamento desde 16/11/2004, sendo que eles, na condição de pessoas físicas, não possuem nenhum débito perante os cofres públicos. Assim, a teor do que dispõe o artigo 37, § 2º da Lei nº 8.212/91, c/c os artigos 64 e 64A da Lei nº 9.532/97, além da IN RFB nº 1.088, onde todos os dispositivos deixam claro que o arrolamento só cabe contra os bens do sujeito passivo, no presente caso, só caberia arrolar bens da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda. Citam, ainda, a Súmula 88 do CARF e a decisão em sede de recurso repetitivo do STF no Recurso Extraordinário nº 562.276/PR que entendeu pela inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 8.620/93, na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente com seus bens pessoais junto à Seguridade Social, tanto por vício formal ( violação ao artigo 146, inciso III da CF /88), como Fl. 11406DF CARF MF 10 por vício material (violação aos artigos 5º, Inciso XIII, e 170, parágrafo único da CF/88). Citam ainda a Súmula Vinculante nº 211, de 29/10/2009 do STF e ao final requerem a anulação ou cancelamento do arrolamento de bens realizados em seus nomes. Sobreveio nova diligência (Resolução nº 2401000.579), determinando a intimação da Recorrente Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda. para se manifestar sobre o retorno da diligência constante às fls. 11.251/11.253. Devidamente intimada em 06/10/2017 (fls. 11.345), a empresa Recorrente apresentou manifestação (fls. 11.348/11.395), reiterando parte de suas alegações mencionadas nas manifestações precedentes e aduzindo que: Definitivamente, o presente lançamento, passados mais de doze anos de sua constituição, não ostenta qualquer possibilidade jurídica de ser mantido, inclusive por não ter logrado a fiscalização originária, nem atender o que foi determinado pelo CARF quanto a realização de determinadas e específicas diligências, nem tampouco minimizar a percepção, desde sempre existente, de que não há qualquer segurança jurídica na manutenção desta cobrança, dado os inaceitáveis níveis de incertezas na caracterização e na mensuração fiscal deste lançamento fiscal de índole previdenciária. As mais recentes manifestações fiscais, aliás, colaboram para a percepção de que nem mesmo a fiscalização se preocupa em produzir o que quer que seja para argumentar sobre a validade deste lançamento. Nada mais tem sido promovido pela fiscalização de útil à manutenção desta cobrança, acreditase, por já ter ela constatado o quão irregular foram a constituição e a mensuração deste lançamento, reconhecendo que o seu cancelamento é a medida esperada por soberana decisão do CARF. Por outro lado, vem o contribuinte reiterando os seus argumentos sustentados desde os primórdios de sua originária defesa, potencializados pelas ocorrências então supervenientes e com força determinante a interferir no desfecho deste contencioso, mormente no que se relaciona aos atos de regularização de registros contábeis e de adesão/REFIS. Ora, o simples fato de que ocorreram apropriações e regularizações contábeis de faturamentos decorrentes de recebimentos via notas fiscais anteriormente alheias à contabilidade do contribuinte (informadas no relatório fiscal da NFLD – ‘calçadas’), e que as incidências fiscais daí decorrentes foram assumidas pelo contribuinte, inclusive com correspondente inclusão/REFIS, já inviabiliza a manutenção dos levantamentos “aferição indireta – faturamento”, pro labore omitido e “pro labore indireto (NF calçadas)”, o que deve ser reconhecido pelo CARF, se já não o for previamente por ato espontâneo da RFB. Afinal, se os valores de faturamento posteriormente reconhecidos contabilmente como receitas de serviços, se prestaram à incidência de PIS/COFINS, inclusive com a incidência de IRPJ/CSLL quando fosse o caso, com a resultante de tais incidências levadas à inclusão em programas especiais de parcelamento, não podem tais mesmos valores se prestarem à caracterização de base a outras tributações e definições, como ocorre no caso dos autos, com a correspondente Fl. 11407DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 7 11 cobrança previdenciária que parte da base (a mesma) então considerada como sendo remuneração a contribuintes individuais ou celetistas. Ora, ou se prestam à incidência dos tributos sobre faturamento e lucro, ou se caracterizam como remuneração a contribuintes individuais ou celetistas. O que não se pode admitir é impor ao contribuinte esta dupla incidência e consequente dupla cobrança. Ou uma ou outra definição. E, se a própria RFB já validou a adesão/REFIS, a ponto de aceitar a adesão e os pagamentos realizados, estando discutindo apenas aspectos valorativos relacionados à atualizações monetárias, juros e multas, por óbvio é que se deve ter como consumada no mundo jurídico tal formal realidade. Com efeito, a presente cobrança, aos menos a calcada nos valores de faturamento/receita, deve ser considerada como uma cobrança nitidamente em duplicidade e, em razão, deve nestes pontos ser cancelada. Aliás, pouco importa se todos os valores faturados que se prestaram como base de incidência para os levantamentos “aferição indireta – faturamento”, pro labore omitido e “pro labore indireto (NF calçadas)” in casu, foram ou não registrados em contabilidade e com consequentes impostos pagos, pois, não se pode retirar a relevância conceitual de que, se não no todo em boa parte sim, o que o fisco considera nos presente autos como remuneração a contribuinte individual ou celetista (por aferição indireta), foi reconhecido pela RFB como faturamento/lucro com recolhimentos dos impostos consequentes. O contribuinte insiste que realizou de forma completa este reconhecimento (contabilmente e com o pagamento dos impostos devidos) e trouxe aos autos elementos documentais que permitem esta constatação. Mas, se o fisco se furta a promover diligência completas em tal sentido, aliás, já determinadas pelo CARF, com relação aos faturamentos que foram considerados como ausentes de contabilização e como remuneração a contribuintes individuais ou segurados (em jun/2004 – constituição do lançamento), mas que foram apropriados contabilmente e incluídos no REFIS (ao redor de 2009/2010), prestandose inclusive como base de incidência de PIS/COFINS e IRPJ/CSLL, é de se reconhecer, ao menos, haver intransponíveis níveis de incerteza neste lançamento. E a incerteza é incompatível com a segurança jurídica do lançamento, tornandose o seu cancelamento medida que se impõe e que se espera seja pelo CARF aplicada. Tal raciocínio se aplica de forma direta nos levantamentos, “aferição indireta – faturamento”, pro labore omitido e “pro labore indireto (NF calçadas)”, o que é induvidoso. Mas, também se aplica aos levantamentos “autônomos” e “omissão – folha de pagamento”, ambos constituídos e mensurados com exagerados e, em razão, ilegítimos, critérios de aferição indireta e arbitramento. Nada, absolutamente nada legitima a manutenção desta cobrança previdenciária. Passados tantos anos de sua constituição, seu processamento apenas consome de forma inadequada a força de trabalho atuante in casu, e, a cada dia que passa, só aumenta os seus inaceitáveis níveis de incerteza fiscal e de consequente insegurança jurídica. Fl. 11408DF CARF MF 12 E, por não terem ocorrido novas manifestações fiscais relevantes que pudessem oferecer cenários diversos ao defendido até o momento nesta manifestação, procurará o contribuinte reproduzir parte do que já está argumentado nestes autos em suas diversas manifestações, nos termos hábeis de serem verificados nos tópicos que seguem. II) CONTRAPONTOS ÀS INFORMAÇÕES FISCAIS DE FLS. 11.251/11.253 – CONSIDERAÇÕES PROCESSUAIS E MERITÓRIAS GERAIS Já disse o contribuinte que se impressiona como após tantas diligências, sejam determinadas por DRJ ou mesmo pelo CARF, ainda não se tenha alcançada qualquer perspectiva de certeza neste lançamento. Pelo contrário, a cada ato ou decisão que venham a se materializar in casu, mais a convicção de sua improcedência se potencializa, principalmente pelos absolutamente irregulares, exagerados e injurídicos critérios de arbitramento considerados para a mensuração do quantum aqui lançado como devido. E, com base em tais critérios, os parâmetros utilizados quando da constituição e mensuração da base lançada como devida, já não mais podem ser considerados atualmente, por não mais estarem presentes no mundo jurídico, o que já de há muito vem sendo sustentado pelo contribuinte. Afinal, e como já argumentado acima, a presunção de que existiam notas fiscais ‘calçadas’ (sobre as quais fora mensurada a base de incidência previdenciária) não pode mais prevalecer, pelo simples fato de que foi ajustada a contabilidade para agregar em seus termos e controles todos os faturamentos do contribuinte, atitude esta que, inclusive, gerou o passivo incluído e aceito em parcelamento especial (REFIS) junto à própria RFB. Ora, pouco importa para o contexto dos presentes autos se o referido parcelamento está quitado ou ainda se encontra em aberto, como se preocupa a fiscalização em apregoar, pois, o que realmente importa neste específico ponto é, apenas, a afirmativa incontroversa (pois homologada por ato formal da RFB com a consolidação de novos débitos e a adesão/REFIS) de que NÃO MAIS PRESENTES ESTÃO NO MUNDO JURÍDICO AS NOTAS TIDAS COMO “CALÇADAS” E QUE OFERECERAM OS VALORES SOBRE OS QUAIS FOI PRESUMIDA E ARBITRADA A BASE DE INCIDÊNCIA LANÇADA IN CASU. E, se não mais estão no mundo jurídico, justamente por ter o contribuinte retificado e ajustado a sua contabilidade para validar um correto faturamento (distinto daquele que serviu de base para o arbitramento fiscal realizado), por absolutamente evidente que não se pode dar qualquer respaldo jurídico aos cálculos utilizados pela fiscalização quando da mensuração das bases de incidência cobradas, o que não pode passar despercebido pelos senhores julgadores administrativos que atuarão nestes autos. Validar esta cobrança com os valores que a originaram, é validar um específico arbitramento que elegeu como parâmetros determinados valores já retificados formal e oficialmente, ou seja, é validar algo sem base na realidade, o que não se pode admitir inclusive em respeito ao Estado de Direito. Fl. 11409DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 8 13 Entendeu por bem o contribuinte iniciar esta sua manifestação com os alertas acima, justamente para demonstrar que o escopo da presente manifestação caminha no sentido de se tentar algo similar a “chamar o processo a ordem”, pois o que vem há anos sendo argumentado pelo contribuinte como de necessária avaliação fiscal, e, mesmo com determinações do CARF a respeito, não restou avaliado e muito menos concluído pela fiscalização de origem. E, insistese, mesmo que de forma repetitiva, que as determinações/CARF para a realização de diligências fiscais não foram atendidas, o que permite a confirmação de que este lançamento é INCERTO e, em razão, deve ser cancelado por desatender as exigências legais à sua validação. Ora, basta ler o que foi dito pela fiscalização na Informação Fiscal de 24/07/2015 (fls. 11.251/11.253), para se ter a plena convicção de que este lançamento está revestido de ilegítima incerteza, e que a própria fiscalização, permissa vênia, se perdeu no curso deste processamento, já não mais compreendendo o que foi realizado quando da constituição deste lançamento, o que, repetese, potencializa os elevados níveis de incerteza tendentes à pela anulação desta irregular cobrança. Tal atitude fiscal atrai as deveras sensatas deliberações firmadas pela Resolução/CARF motivadora da debelada diligência fiscal, que são adiante transcritas, in verbis: “Não vislumbro a possibilidade de julgamento deste processo, pelo menos neste momento, em razão de a fiscalização não ter examinado diversos pontos suscitados pela ora Recorrente na sua Defesa, que também são objeto deste Recurso Voluntário, sem que este órgão possa sobre eles se manifestar. (.............................................) Outrossim, a Recorrente afirma que a aferição indireta para se realizar o lançamento em comento deveria ter sido revista, na medida em que as irregularidades contábeis do passado podem ter sido corrigidas, como foi admitido pela própria autoridade fazendária no MPF 0110100.2010.00178. Todos esses pontos não apreciados pela fiscalização referemse a questões que podem afastar o lançamento decorrente de apuração indireta, nos termos do art. 148 do CTN e o art. 33, § 06º da Lei 8212/91. Ocorre que a autuação somente poderia ser concluída depois de rebatidas todas as questões suscitadas pelo contribuinte, o que não se deu no caso em tela, o que impõe a devolução dos autos à autoridade fiscal para o exame da situação fática apontada, diante da impossibilidade de fazêlas nesta instância recursal.” (grifos nossos) Ora, o quanto deliberado pelo CARF há anos atrás, efetivamente não foi atendido pela fiscalização, ATÉ HOJE, o que, insistese, potencializa a INCERTEZA deste lançamento que, em razão, deve ser cancelado. Aliás, diversos outros pontos já foram levantados pelo contribuinte, sem qualquer resposta Fl. 11410DF CARF MF 14 Tratamse de argumentos consistentes e já produzidos nos autos, mas, sem respostas. Assim, a Recorrente reafirma neste momento que as correções contábeis foram realizadas da única forma que lhe era possível assim fazer, e os tributos apurados em face da receita omitida foram integralmente recolhidos. E, se não o foram, devem ser cobrados em sede própria, o que não elimina a força do argumento de que as bases de incidência aqui questionadas são ilegítimas, por exageradas e não terem respaldo na realidade. Reconheceu o contribuinte erros do passado, e, em nov/2009 promoveu recolhimentos de tributos então parcelados em patamares superiores a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) o que demonstra de forma concreta e efetiva, e não meramente teorizada e subjetiva como se percebe ocorrer nos pronunciamentos fiscais in casu, a sua boafé e respeito às suas obrigações fiscais, o que, data vênia, poderia gerar um tratamento mais respeitoso, ou, ao menos meramente isento e técnico, por parte das autoridades fiscais atuantes in casu. Com efeito, servese o contribuinte da presente manifestação para, mais uma vez, demonstrar o quão surreal é o presente lançamento, que teve suas bases de incidências apuradas por presunções e parâmetros que já não mais estão no mundo jurídico dada as retificações contábeis levadas a efeito pelo contribuinte. Retificações contábeis estas que, de tão regulares e oficiais que foram, receberam a chancela da RFB, inclusive com formalização de parcelamentos, pagamentos e incidências diversas, tudo a corroborar com a convicção de os parâmetros iniciais utilizados pela fiscalização não mais se prestam à validação do que quer que seja, o que só potencializa o elevado nível de INCERTEZA desta autuação, que, em razão, deve ser cancelada na sua plenitude. Em resumo, são firmes as posições do contribuinte quanto (i) as diligências impostas pelo CARF não foram cumpridas, até hoje pela fiscalização; além do fato de que (ii) as Informações Fiscais de fls. 11.251/11.253 estão acima impugnadas e não passam de argumentos meramente teorizados, sem qualquer pertinência com a concreta hipótese dos autos, não merecendo qualquer viés de acolhimento; (iii) sem prejuízo de se considerar que já há nos autos sérios e fundamentados questionamentos promovidos pelo contribuinte no curso do processamento deste contencioso, inclusive, já tidos como relevantes pelo CARF a ponto de motivarem baixas em diligências, tendentes estas a, justamente, retirar a INCERTEZA desta cobrança, o que, já se viu pela precariedade da atitude fiscal nestes autos, apenas aumenta e se potencializa (a INCERTEZA). Assim, e na eventualidade de não sobrevirem novos movimentos fiscais a completarem as diligências determinadas pelo CARF, e que considerem os fatos supervenientes já insistentemente provados e considerados pelo contribuinte, outra alternativa não existirá senão o cancelamento desta cobrança, na sua integralidade para toda e qualquer finalidade de direito. Ficam, pois, contrapostas formalmente as Informações fiscais de fls. 11.251/11.253, com o reiterado pedido de cancelamento desta injurídica cobrança na sua plenitude. III DOS QUESITOS APRESENTADOS PELO CARF NA RESOLUÇÃO 230100.070 E DO POSICIONAMENTO DO CONTRIBUINTE A Fl. 11411DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 9 15 RESPEITO – DOS CONTRAPONTOS DO CONTRIBUINTE ÀS INFORMAÇÕES FISCAIS DE FLS. 11.173/11.174) Entende o contribuinte ser oportuno reproduzir na sequencia desta manifestação, com específicas e pontuais alterações, o quanto já produziu nestes autos sobre os quesitos apresentados pelo CARF, até o momento sem adequadas respostas oferecidas pela fiscalização, mesmo diante dos anos passados a respeito. E, por uma mera questão de didática, será alterada a ordem estabelecida nos itens da contraditada Informação Fiscal, mas, mantendose a referência numérica então consignada. a) item 05/IF, relacionado ao item ‘c’/Resolução (se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS) Afirma e comprova o contribuinte que as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram SIM efetivamente quitadas, quando da migração do chamado REFIS para o parcelamento instituído pela Lei 11.941/09. E, diante de tal afirmativa, absolutamente passível de ser identificada oficialmente pela autoridade fiscal diligente por meio de singelas pesquisas nos sistemas informatizados da RFB/DF, é de causar séria perplexidade a incompleta e nitidamente indutora a erro vinculada resposta dada no item 05 da debelada IF, relativamente à evidenciada opção/REFIS. Diz a debelada IF, in verbis: “Conforme consta na IF (fls. 5001 a 5006), e dados do Extrato do processo 10166.014927/0061 (fls. 5430 a 5466), o contribuinte aderiu ao REFIS em 01/03/2000 e em 17/11/2009 foi rescindido, permanecendo em aberto 65 parcelas não quitadas” Ora, REALMENTE HOUVE A RESCISÃO DO CHAMADO REFIS EM NOV/2009, MAS, A PEDIDO EXPRESSO E ELETRÔNICO DO CONTRIBUINTE, JUSTAMENTE PARA QUE HOUVESSE A MIGRAÇÃO DO SALDO DEVEDOR ENTÃO EXISTENTE, PARA OS TERMOS DAS MODALIDADES DE PARCELAMENTOS DA LEI 11.941/09. Segue anexo, como irrefutável prova de que a rescisão/REFIS se deu para fins de migração do saldo devedor então existente ao parcelamento da Lei 11.941/09, bem como que referido saldo foi QUITADO NA SUA PLENITUDE, os seguintes documentos: a) termo eletrônico de desistência do parcelamento instituído pela Lei 9964/00 (REFIS), nos moldes estabelecidos pelo regramento administrativo editado sob o prisma da Lei 11.941/09; b) planilhas demonstrativas da “consolidação dos débitos do REFIS de acordo com o “SICALC”, a indicar, de forma clara e pormenorizada que, para fins de quitação plena, o saldo devedor remanescente então migrado corresponderia ao valor de R$ 5.352.379,64; Fl. 11412DF CARF MF 16 c) onze (11) DARF/quitadas, no valor total de, exatamente, R$ 5.352.376,12, QUE COMPROVAM QUE TODO O SALDO DEVEDOR OUTRORA INCLUÍDO NO REFIS, FOI QUITADO NA FORMA DA LEI 11.941/09, o que evidencia uma atitude completamente desnecessária da autoridade fiscal diligente, de apregoar oficialmente que “65 parcelas ficaram em aberto”, quando já estavam, desde 2009, DEFINITIVA E CABALMENTE QUITADAS; É impressionante a falta de isenção na prestação de informações fiscais a este Colegiado, que, de todo o modo, só corrobora a argumentação defensiva de que este lançamento está plenamente desprovido de juridicidade, por incerto, ilíquido e com uma motivação vinculada absolutamente distante da realidade. Ademais, os valores envolvidos nesta noticiada quitação decorrem de levantamentos realizados pela própria RFB, sobre valores reconhecidos como faturados pelo contribuinte, inclusive com consequente respaldo contábil, o que retira qualquer perspectiva de manutenção das originais insinuações fiscais quanto a omissões de receitas. Faltou zelo e tecnicismo à Informação Fiscal, pois, houvesse o mínimo cuidado de analisar as razões de a recorrente ter rescindido o REFIS, teria tido a oportunidade de concluir que o foi simples e tão somente porque entendeu por bem quitar o débito parcelado de forma adiantada (vide documentos anexo). Por certo que chegaria a concluir, ainda, que a consolidação dos débitos incluídos em parcelamento, conforme documentos já juntados aos autos, abrangeu também a totalidade dos créditos tributários decorrentes das correções contábeis relacionadas a integral receita oriunda das notas tidas por “calçadas”, e igual inferência teria no que tange as supostas 65 parcelas em aberto, porque se o crédito foi quitado, como aqui está comprovado, e rescindido o parcelamento, foi porque nada mais era devido. Remanescem disputas quanto a valores de juros e multas, mas, não há polêmicas quanto a quitação dos valores principais, o que pode ser atestado pela RFB. Mas, mesmo que existissem polêmicas quanto aos montantes principais, evidente que não seriam suficientes para validar esta cobrança, já que os elementos que alicerçaram o entendimento fiscal afeto a remunerações sujeitas à incidência previdenciária, ou seja, as notas fiscais não contabilizadas, foram posteriormente apropriadas contabilmente com as incidências e pagamentos fiscais daí decorrentes, e, em razão, não se pode mais falar em se prestarem estes mesmos valores de base para incidências sobre remunerações. Portanto, nada do que afirma o Sr. fiscal neste item tem idoneidade fática suficiente para se manter o que, a bem da mais pura verdade e ora satisfatoriamente comprovado, expõe a fragilidade de apoiarse comodamente em uma avaliação calcada em fatos pretéritos, dissociados da realidade atualizada do Recorrente. Desta forma, e apenas para dar o devido destaque, a Recorrente reafirma, com suporte na documentação ora carreada em sua defesa, que todas as obrigações fiscais relacionadas ao faturamento foram cumpridas ao seu tempo, não havendo nada mais devido, o que não está infirmado objetivamente pela fiscalização (até por não ser possível), evidenciado, apenas por este viés, haver plena Fl. 11413DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 10 17 possibilidade jurídica de cabal reconhecimento da plena falta de qualquer prosperidade desta debelada NFLD. b) item 03/IF, e, ‘a’/Resolução (se as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado) Ao contrário do que alinha o respeitável agente fiscal em suas informações, é de ser afirmado que todos movimentos financeiros atinentes aos períodos que se encontram abarcados no lapso temporal que autorizaria a exigência dos tributos correspondentes, foram devidamente sanados ou contabilizadas, aliás, conforme bem demonstram os documentos já trazidos aos autos, nas diversas páginas que o compõem. Por outro lado, é preciso destacar que a informação fiscal em baila, para sustentar que a Recorrente não teria corrigido todos os problemas em foco, se escora nas planilhas e dados lançados tanto na decisão de primeira instância, quanto na diligência que a antecedeu. Significa dizer que, por certo, as dúvidas que inibiram este Colegiado de deliberar acerca do Recurso posto em julgamento, permanecem inalteradas. E, admitindose que a dúvida é incompatível com a certeza exigida de um lançamento fiscal, evidente ser o decreto de cancelamento desta NFLD medida que se impõe. Ora, a limitada avaliação dos fatos não permitiu à fiscalização constatar um detalhe crucial, qual seja: tanto a decisão recorrida quanto a avaliação que lhe precedeu, sustentam a manutenção da acusação em incorreções ocorridas, na sua maior parte, em períodos além de 05 (cinco) anos da efetivação do lançamento, ou seja, incorreções em períodos já decaídos e que, portanto, não podem servir de sustentação para desqualificação da contabilidade para períodos posteriores. Estas afirmativas fiscais decorrem das próprias palavras externadas na debelada IF (item 03 / fls. 11.173), in verbis: os documentos anexados nos autos demonstram que as movimentações bancárias e os cheques identificados pela autoridade fiscal não foram registrados na contabilidade, até o mês de novembro de 2000. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 244/254), as planilhas anexas, a Informação Fiscal (fls. 4982 va 5050) e a Decisão Notificação nº 23.401.4/0150/2005, especificamente nos itens 131 a 134 da DN fica cabalmente demonstrado que o contribuinte não contabilizou em todo o período fiscalizado as movimentações bancárias e os cheques identificados nos autos. Nítido que, além de não ter promovido qualquer diligência adicional ao que já estava produzido nos autos, apregoa a fiscalização uma pretensa falta de contabilização de cheques e movimentações financeiras até o ano 2000, ou seja, praticamente todo o período atingido pela decadência. Fl. 11414DF CARF MF 18 De toda forma, os cheques não contabilizados, conforme sustenta a fiscalização, vinculamse a receita decorrente das insinuadas “notas calçadas”, sendo certo que se as notas foram apropriadas contabilmente, os cheques, por direta implicação, também o foram. Com efeito, tanto pela premissa de que há regularidade contábil, inclusive já atestada pela SRF, quanto, pelas eventuais incorreções (não reconhecidas pelo contribuinte) apontadas de forma pontual pelo fisco (até 2000), e que, não podem repercutir por períodos posteriores, aliado ao fato de que não há qualquer pronunciamento fiscal quanto a irregularidades a respeito nos períodos posteriores a 2000, é de se ter como correto considerar desprovida de fundamento a vinculada acusação fiscal, de forma que, sob este fundamento, com, a devida vênia, o lançamento não pode prevalecer no mundo jurídico. 02.c) item 04/IF, e, ‘b’/Resolução (se as notas fiscais tidas como calçadas já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte) Neste especifico item, solicitou a Turma Julgadora que a auditoria fiscal avaliasse se as notas fiscais que teriam sido “calçadas” pela Recorrente foram ou não apropriadas em sua contabilidade, pelo que foi afirmado que, “de acordo demonstrações anteriores”, as apropriações contábeis não teriam se dado de forma correta. Em que pese a fiscalização sequer indicar as razões pelas quais considera incorretas as correções empreendidas na contabilidade da empresa, preferindo a cômoda repetição de uma avaliação anterior totalmente distorcida e distante da verdade dos fatos, certo é que todo o trabalho de escrituração das referidas notas se deu em face das notas fiscais que subsidiaram a acusação inicial. Na esteira desse ideal, o documento de fls. 1.055 e diante, em relação a períodos não decaídos, lista 152 (cento e cinquenta e duas) Notas Fiscais de Serviço e 18 (dezoito) de Venda Mercantil, cujos valores contabilizados estavam inferiores às notas verificadas, no seguinte patamar: R$ 788.632.41 (setecentos e oitenta e oito mil seiscentos e trinta e dois reais e quarenta e um centavos) – VENDA MERCANTIL; R$ 3.745.345.96 (três milhões setecentos e quarenta e cinco mil trezentos e quarenta e cinco reais e noventa e seis centavos) – SERVIÇOS. De acordo com o Livro Razão do 1º semestre de 2004, Pág. 689/693, as notas fiscais de serviços cujos valores contábeis estavam erroneamente indicados foram apropriadas e lançadas na conta contábil de nº 2.14.501.00002, como receitas de exercícios anteriores, gerando um valor apropriado de R$ 3.739.078,98 (três milhões setecentos e trinta e nove mil e setenta e oito reais e noventa e oito centavos). Ainda segundo o mesmo Livro Razão, só que relativo ao 2º semestre de 2004, p. 1026, as notas fiscais relativas à venda mercantil foram integralmente apropriadas na mesma conta contábil nº 2.14.501.0002, como receitas de exercícios anteriores, gerando um valor apropriado de R$ 788.632.41 (setecentos e oitenta e oito mil seiscentos e trinta e trinta e dois reais e quarenta centavos). Fl. 11415DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 11 19 Importante anotar que todas as receitas omitidas foram apropriadas na contabilidade na qualidade de ajustes de exercícios anteriores e registradas na conta a crédito como receita de exercícios anteriores e na sequência deduzidas em uma conta relativa a débito de distribuição de lucros para os sócios da empresa, de forma que não há mais como sustentar que as impontualidades no faturamento ainda persistiam. E, muito menos, que se pode caracterizar tais valores como base de remunerações a contribuintes individuais ou celetistas. Com a escrituração desses valores a Recorrente reconheceu os consequentes tributos federais que sobre eles incidiam, tendo feito a opção pelo seu parcelamento, conforme já argumentado, inclusive, com a vinculada quitação de tal saldo devedor, conforme, aliás, já comprovado (documentos juntados aos autos). Dessa forma, e em resposta objetiva ao que indaga esta Turma Julgadora, e ao contrário do que preferiu sustentar o sr. fiscal diligente, o faturamento omitido da Recorrente fora por ela contabilizado, e as obrigações fiscais dele decorrentes foram igualmente reconhecidas e os tributos devidamente incluídos em REFIS, e na verdade, já quitadas. Se não na totalidade (o que cabe a fiscalização provar, pois o contribuinte afirma que sim, inclusive com respaldo da RFB), em patamares mais do que suficientes para retirar a possibilidade jurídica de ter os lançamentos que consideraram tais valores como parcelas remuneratórias, absolutamente indevidos. Apenas a título de argumentação, transcrevese argumentação do próprio contribuinte já produzida nestes autos, oportuna de análise frente o ponto ora debelado, in verbis: (...) Errada a postura fiscal em apregoar no item 46/IF que o reconhecimento da receita não contabilizada e apurada pela fiscalização da SRF deixou de reconhecer os custos correspondentes à mãodeobra referentes a tais Notas Fiscais, justamente pelo fato de que TODOS OS CORRESPONDENTES CUSTOS CONTÁBEIS ENCONTRAMSE DEVIDAMENTE CONTABILIZADOS. Outra equivocada insinuação decorre da menção feita no item 48/IF no sentido de que o contribuinte não promoveu a retificação contábil referente ao levantamento realizado pela SRF em 2000, pois, se tal fato tivesse sido registrado no ano de 2000 alteraria o resultado daquele período, não permitindo a distribuição de lucros no valor de R$ 2.621.000,00. E, assim afirma argumentando que em se tratando de valores relativos a exercícios anteriores, com o encerramento e apuração de resultado de tais períodos já concluído, a única forma de registrar tais fatos é com a utilização de uma conta de AJUSTE DE EXERCÍCIOS ANTERIORES (no caso o título utilizado foi de ‘Retificação de Erros de Exercícios Anteriores), componente do Patrimônio Líquido. Ora, tal alegação não merece a menor credibilidade, pois, o reconhecimento da ‘Receita Omitida’ em qualquer época refletiria diretamente no Patrimônio Líquido, onerando os Lucros Acumulados em igual valor. Fl. 11416DF CARF MF 20 Portanto, se tal fato tivesse ocorrido no ano de 2000, a Contabilidade apresentaria como saldo de Lucros Acumulados o valor correspondente ao somatório da conta 2.1.41.201.0001 (R$ 3.044.966,88 – 2.983.684,34 que se refere ao Lucro do 04º Trimestre de 2000) e a conta 2.1.41.202.0002 (R$ 8.959.147,90) totalizando R$ 9.080.430,44, e, ao contrário do que é alegado na IF, existiria saldo suficiente para promover a distribuição de lucros no valor de R$ 2.621.000,00, distribuição esta, aliás, que só veio a ocorrer no ano 2001 e não em 2000, como alegado. Percebese, pois, o quão realmente frágil é o labor fiscal ora combatido, que, distorce a realidade contábil do contribuinte de uma forma que não se sustenta diante do contraponto da própria realidade.” Desta forma, a Recorrente reafirma neste momento que as correções contábeis foram realizadas da única forma que lhe era possível assim fazer, e os tributos apurados em face desta posteriormente reconhecida receita, foram integralmente recolhidos. Reconheceu o contribuinte erros do passado, e, em nov/2009 promoveu recolhimentos de tributos então parcelados em patamares superiores a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) o que demonstra de forma concreta e efetiva, e não meramente teorizada e subjetiva como se percebe ocorrer nos pronunciamentos fiscais in casu, a sua boafé e respeito às suas obrigações fiscais, o que, data vênia, poderia gerar um tratamento mais respeitoso, ou, ao menos meramente isento e técnico, por parte das autoridades fiscais atuantes in casu. Esta, aliás, uma afirmativa que sempre repetirá o contribuinte no bojo destes autos. d) item 06/IF e ‘d’/Resolução (se as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base na aferição indireta foram corrigidas antes da Defesa do contribuinte e, em caso positivo a repercussão destas correções no tributo devido) Nada que venha a ser dito em relação a este tópico pode retirar a certeza de que o contribuinte, imbuído em seu propósito de adequar sua contabilidade aos padrões de confiabilidade relacionados ao faturamento, empreendeu todas as medidas necessárias para a correção do seu passado contábil e fiscal, como aliás, já argumentado neste manifesto. E na busca desse objetivo envidou todos esforços humanos e financeiros necessários, e que lhe permitem, de forma segura, sustentar neste momento que não há qualquer razão que possa conduzir a manutenção do arbitramento na forma como levado a efeito nestes autos, sendo o que se espera ouvir deste e. Tribunal Administrativo. e) da falta de justificativa para o arbitramento de contribuições previdenciárias em razão de erros no faturamento – das conclusões quanto aos contrapontos à Informação Fiscal de fls. 11.173/11.174 Muito embora já tragam os autos as balizas necessárias para o correto julgamento do caso em baila, bem como de ter contraditado na plenitude todas as Informações Fiscais produzidas nestes autos, é de se reiterar o Fl. 11417DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 12 21 questionamento do arbitramento empreendido pela autoridade fiscal no caso sob apreciação, especialmente sob a justificativa de que haveria faturamento omitido, em razão de notas fiscais calçadas e cheques não contabilizados. Muito embora todas essas incorreções já terem sido devidamente corrigidas (insiste o contribuinte que corrigiu a totalidade), é de se admitir que não são esses “erros”, por si, justificativas hábeis para sustentar um procedimento arbitrado em relação às contribuições previdenciárias, na forma como se produziu nestes autos. Isso se afirma porque, ainda que se constate a existência de faturamento omitido da contabilidade, os registros remuneratórios não necessariamente se vinculam a esses dados, de forma que podem não sofrer impacto negativo, permanecendo em sua real dimensão. Em verdade, a omissão de receita, por meio de supostas notas calçadas, somente pode ter repercussão nos tributos relacionados ao faturamento e a receita, e que devem ser exigidos, ainda que seja por meio de recomposição presumida do valor a sofrer a incidência tributária. O mesmo, contudo, não se pode dizer em relação às contribuições previdenciárias, cuja tributação não levava em conta a receita da empresa, mas sim sua folha salarial. Por certo que a Recorrente não busca por meio do presente instrumento, contestar a faculdade legal dispensada à autoridade fiscal em buscar a tributação por meio de uma base presumida, quando não for possível, em razão da deficiência ou falta de apresentação de documentos, identificar a base tributável tida como real, e a consequente inversão do ônus probatório que isso acarreta. Muito pelo contrário, a insurreição assentada nas premissas aqui expostas situase na precisa correlação que deve existir entre o evento ou eventos chamados a justificar o arbitramento e a direta correspondência com a impossibilidade de descoberta da real base tributável, e que assim permite a sua substituição pela base indiciária. Sem dúvida que “os vícios, erros ou deficiências só legitimam a utilização do arbitramento se os mesmos tornarem a documentação imprestável para os fins a que se destina, vale dizer, se comprometem a descoberta do objeto que se pretende provar(...).1 Seguindo nesse raciocínio, as contribuições previdenciárias têm sua base imponível constitucionalmente fixada na remuneração que é dirigida aos empregados da empresa, motivo pelo qual, aliás, o § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/912, somente permite a adoção da base indiciária, no caso deste especifico tributo, quando os dados registrados na contabilidade não indicarem o movimento real da remuneração dos segurados empregados a seu serviço. O detalhe beira o óbvio, porque se o tributo toma como base a remuneração, apenas a inviabilidade da sua exata dimensão, através dos registros contábeis pertinentes a massa salarial do contribuinte, ainda que em contraste com dados externos a contabilidade, torna legítima a adoção de meios presumidos de tributação. O que se destaca aqui é que não é o erro contábil em si que torna 1 FERRAGUT, Maria Rita, Presunções no Direito Tributário, 2ª Ed., Quartier Latin, São PauloSP, pág. 273. 2 § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 11418DF CARF MF 22 legitima a postura fiscal ora discutida, mas sim que esse erro, de alguma forma, tenha repercussão e relação direta no montante remuneratório escriturado, de tal forma que este não mereça nenhuma fé3. Em verdade, se erros existem, mas, se eles não têm nenhuma correlação com o tributo objeto de investigação fiscal, não cabe a auditoria fiscal desconsiderar os valores registrados e informados pelo contribuinte, e substituir a base de incidência por um valor estimado e presumido. No caso objeto de apreciação desses Nobres Conselheiros, até o final de 2000, o único elemento invocado pela fiscalização para justificar o arbitramento das contribuições previdenciárias constituídas por meio da presente NFLD, foram os cheques e o faturamento omitidos da contabilidade. Nenhum dado ou razão foi aduzido no sentido de demonstrar que a movimentação remuneratória contabilizada estaria irregular, de forma que, por tudo o que disse em linhas volvidas, acredita a Recorrente que não caberia o arbitramento aqui empreendido. Vale esclarecer ainda que a Recorrente não se insurge nesta petição quanto a adoção do faturamento como base para obtenção do tributo previdenciário, mas, sim, quanto a ilegitimidade de se arbitrar contribuições previdenciárias em razão de problemas vinculados apenas ao faturamento e a receita. Desta forma, entende a ora Recorrente que o arbitramento das presentes contribuições, encontrase alicerçado em elementos insuficientes para sua adoção, esperando que esta Turma Julgadora afaste esta nítida arbitrariedade. E, que com esta afirmativa, ficam contrapostas as Informações Fiscais de fls. 11.173/11.174, bem como os critérios de aferição indireta e arbitramento utilizados pela fiscalização nestes autos. É o relatório. 3 AgRg no Resp 1121052/SC, 1ª Turma, Rel. Ministro Luiz Fux, publicado no DJE de 22/03/2010. Voto Vencido Conselheiro Luciana Matos Pereira Barbosa 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 18/04/2005 (fl. 10.889) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 17/05/2005, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 11419DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 13 23 2. Ausência de MPF válido. Inicialmente, a Recorrente argumenta que a sua tese de ausência de MPF válido, “não obstante ter sido formalizada nos autos antes do início das diligências fiscais realizadas in casu, inclusive com características incidentais (...), não fora enfrentada pela autoridade fiscal então diligente.” Todavia, alega que a matéria fora enfrentada de “maneira surpreendentemente precária pela decisão recorrida que, não se sabe com lastro em qual fundamento legal ou normativo, concluiu, inclusive, via ementa que; ‘O MPF complementar, emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI’”. Adiante, afirma que a NFLD é nula por não estar precedida de MPF válido, tendo em vista que, a emissão de MPF’s complementares só poderiam ocorrer dentro do prazo de vigência do MPF então precedente. Nesse sentido argumenta que “um MPF complementar, emitido após a extinção do prazo de validade do MPF que o precedeu, não pode ser admitido como um MPF complementar válido, e, portanto, qualquer ato fiscal praticado com tal alicerce deve ser tido como inválido para todo e qualquer efeito de direito”. Com essas considerações, requer seja reconhecida a invalidade dos MPF’s com a consequente declaração de nulidade da presente NFLD. Todavia, entendo que o recurso não comporta provimento. A jurisprudência pacífica da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que o MPF é apenas um ato interno da SRF, de cunho gerencial, que, por consequência, não afeta o Auto de Infração quando expedido ou executado sem respeitar os termos da Portaria ou mesmo quando não expedido, como podemos ver dos julgados das três turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais. “Ementa(s) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido. Recurso Especial do Contribuinte com provimento em parte” Fl. 11420DF CARF MF 24 (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Acórdão nº 9101001.798, Conselheiro Relator Marcos Aurelio Pereira Valadao, Data da Sessão 19/11/2013) “Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR EXERCÍCIO: 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso especial negado.” (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 2ª Turma, Acórdão nº 9202003.063, Conselheiro Relator Manoel Coelho Arruda Junior, Data da Sessão 13/02/2014) “Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1999 a 21/12/2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade, mormente quando comprovado, pela clara descrição dos fatos e alentada impugnação, não ter havido preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Nos casos de lançamento por homologação, aplicase o artigo 150, § 4° do CTN, contandose o prazo de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Não se incluem na base de cálculo da contribuição, os valores relativos ao crédito presumido do IPI. SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 11421DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 14 25 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO EM PARTE” (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3ª Turma, Acórdão nº 9303001.194, Conselheira Relatora Maria Teresa Martinez Lopez, Data da Sessão 25/10/2010) Da análise das ementas acima transcritas, é possível notar, do primeiro acórdão, que não há nulidade do procedimento de fiscalização, mesmo inexistindo MPF. O segundo acórdão deixa claro que a inobservância de MPF gera apenas conseqüências disciplinares à Autoridade Administrativa, não gerando nulidade para a fiscalização realizada. Por fim, o terceiro acórdão conclui que, tratandose de ato administrativo, só será nulo quando proferido por pessoa incompetente. Concordo com esse entendimento. Analisando a legislação tributária, vemos que no plano constitucional o artigo 145, § 1º possibilita que os entes tributantes identifiquem o patrimônio, os rendimentos e atividades do contribuinte, desde que “respeitados os direitos individuais e nos termos da lei”: “Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: [...] § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.” Em nosso entender, o direito individual mencionado acima é o direito de defesa, bem como outras garantias estabelecidas por lei que, desrespeitadas, haja previsão expressa de ensejarem a nulidade do procedimento. No que tange à prescrição “nos termos da lei”, encontramos no Código Tributário Nacional, por sua vez, os seguintes dispositivos: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. [...] Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes Fl. 11422DF CARF MF 26 das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. [...] Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo.” Em outros termos, a lei estabelece que a constituição do crédito tributário, por autoridade administrativa, deve respeitar os seguintes requisitos: 1) a autoridade ter competência para a prática do ato; 2) deve ser instaurado um procedimento; 3) se o procedimento depender de intimação do sujeito passivo, deve ser lavrado termo para que se documente a data de início; 4) prazo para findar; e, se necessário, 5) lavratura de auto de infração contendo a RMIT. Os dispositivos acima estabelecem, também, que a legislação tributária, ou seja, “os decretos e as normas complementares”, inclusive, regulará, observado o disposto nesta Lei, “a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação”. Nesse sentido, o artigo 7º do DecretoLei nº 70.235/72, recepcionado pela Constituição Federal/1988 com nível de lei ordinária, dispõe: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” Entendemos, ainda, que o artigo 194 do Código Tributário Nacional possibilita a instituição de duas espécies de normas: i) inaugurais e ii) regulamentares; podendo ser subdivididas em normas de direito material e normas processuais. Na lição do Prof. Paulo de Barros Carvalho, pautandose no artigo 5º, § 2º, da CF/88, “A lei e os estatutos normativos que têm vigor de lei são os únicos veículos Fl. 11423DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 15 27 credenciados a promover o ingresso de regras inaugurais no universo jurídico brasileiro pelo que as designamos por “instrumentos primários”, e “Todos os demais diplomas regradores de conduta humano, no Brasil têm sua juridicidade condicionada às disposições legais, quer emanem preceitos gerais e abstratos, quer individuais e concretos. São, por isso mesmo, considerados “instrumentos secundários” ou “derivados”, não apresentando por si só, a força vinculante que é capaz de alterar as estruturas do mundo jurídicopositivo”. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 90.) Ainda sobre o tema, ressalta que os instrumentos secundários não podem inovar a ordem jurídica, “fazendo surgir novos direitos e obrigações”. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 108.) Em sentido contrário, entendese que tampouco poderá restringir direitos ou obrigações. Pois bem. O artigo 6º da Lei nº 10.593/2002 é exemplo de norma inaugural de direito material, quando confere, privativamente, ao AuditorFiscal da Receita Federal a competência para “construir, mediante lançamento, o crédito tributário”. Por sua vez, o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, que confere atribuições às delegacias e departamentos internos são normas de direito material regulamentares. A importância da classificação acima está no fato de que, a nulidade de um ato só deve ser declarada quando a norma for: i) inaugural de direito material ou ii) de direito processual, com previsão expressa de uma consequência em caso de desrespeito à previsão legal ou infralegal. A partir dessa premissa, Auto de Infração lavrado por quem não é Auditor Fiscal é “nulo”, pois o artigo 142 do CTN combinado com o artigo 6º da Lei nº 10.953/2002 confere apenas a essa autoridade administrativa a competência para constituir o crédito tributário por meio de auto de infração. Todavia, procedimento estabelecido por ato regulamentar, “observado o disposto nesta Lei” (artigo 194, do CTN), que não preveja expressamente uma consequência quando ela não for respeitada, na seara tributária, não gera nenhum efeito, exceto se provado prejuízo ao exercício de direito de defesa – esta com base em instrumento inaugural, qual seja o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. É o que ocorre com o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF, outrora denominado Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Como bem fundamentou o ilustre Conselheiro Antônio Bezerra Neto: “O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada”. Acórdão nº 1401 001.223. Somase aos argumentos retro o fato que as garantias e privilégios do crédito tributário não podem ser afastados por meio de ato infralegal, nem mesmo por aplicação do “princípio da legalidade, da ampla defesa e do devido processo legal”, haja vista que o artigo 194 do CTN limita a regulamentação dos atos procedimentais “observando o disposto nesta lei”. Frisamos, nenhuma lei em sentido estrito foi ofendida. Por fim, como já fundamento acima, a competência para lavrar auto de infração é privativa de auditorfiscal, nos termos do artigo 142 do CTN, combinado com o artigo 6º da Fl. 11424DF CARF MF 28 Lei nº 10.953/2002. Eventual desrespeito a ato infralegal de “repartição de competência”, não gera nulidade do Auto de Infração. Em suma, não há que se falar em nulidade de acordo com o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, seja porque a autoridade lançadora era competente, seja porque não houve cerceamento do direito de defesa. 3. Da decadência. Insiste a Recorrente, que a matéria relativa às contribuições destinadas a terceiros já encontramse fulminadas pela decadência, razão pela qual devem ser excluídas da presente NFLD. Assiste razão à Recorrente quanto ao reconhecimento do prazo de cinco anos para o cálculo da decadência das contribuições sociais. Contudo, a decadência ocorrerá como regra geral, nos moldes do art. 173, I, do CTN, em obediência a Súmula Vinculante editada pelo STF, ao passo que o artigo 150, § 4º do CTN, será aplicado nos casos em que o contribuinte tenha realizado recolhimento parcial das contribuições, conforme determina o Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda. Vejamos: Anotase que até 11 de junho de 2008 a questão da decadência do crédito tributário decorrente das contribuições previdenciárias era regulada pelo então em vigor artigo 45 da Lei nº 8.212/91 que estabelecia o prazo de dez anos. Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do STF editou, entre outros, o seguinte enunciado de súmula vinculante publicado em 20 de junho de 2008 no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, de acordo com o § 4° do artigo 2° da Lei nº 11.417/2006. “Súmula vinculante n° 8 — São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008;RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min. Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; REI 38.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei n°1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III” De acordo com a Lei nº 11.417/06, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Fl. 11425DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 16 29 Judiciário e A administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Nos julgamentos adotados como precedentes à edição da Súmula, o STF, por maioria, deliberou a aplicação de efeitos ex nunc, esclarecendo que a modulação deveria ser aplicada tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008. Consequentemente, estando definida pelo STF a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional. Considerando o entendimento sumulado da Egrégia Corte e o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, que obriga a todos os órgãos e entidades integrantes de sua estrutura à tese jurídica fixada (artigo 42 da Lei Complementar nº 73/1993), concluise que: (i) a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra geral do artigo 173 do CTN, e, (ii) o pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial, suscita a aplicação da regra prevista no §4° do artigo 150 do CTN. No que tange às contribuições sociais destinadas aos Terceiros, a Lei n° 11.457/07, que criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, dispõe que as citadas contribuições sujeitamse as regras da Lei nº 8.212/91, conforme se verifica nos dispositivos abaixo mencionados: “Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. [...] § 3º As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. [...] § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Fl. 11426DF CARF MF 30 Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2º desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial.” Portanto, entendese que o prazo decadencial das contribuições destinadas aos Terceiros deve obedecer ao prazo decadencial de 05 anos previsto no CTN, em face da interpretação sistemática dos dispositivos supramencionados. Assim, afastase a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91, bem como as demais disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de 10 anos para as contribuições destinadas aos Terceiros, em consonância com a Súmula vinculante n° 08 de STF. Com efeito, considerando que o presente lançamento foi consolidado em 07/06/2004 e que o contribuinte foi cientificado pessoalmente em 17/06/2004 (fls. 56), há que se reconhecer a DECADÊNCIA PARCIAL do lançamento objeto desta Notificação, no moldes do art. 173, I do CTN (ausência de recolhimento), nas competências 01/94 a 11/98 . Restando válido o período de 12/98 a 12/2002. 4. Da metodologia de arbitramento. Inicialmente, destaco que no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade material, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa competente não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente alega serem inexistentes nos autos, quais os específicos dispositivos legais e normativos que fundamentam e legitimam a aferição/arbitramento realizada pela Fiscalização. Argumenta que o Setor de Análise de Defesas e Recursos da Previdência Social, ao analisar o Relatório Fiscal, verificou pela leitura da fundamentação nele contida, que não ficou claro qual a norma efetivamente utilizada para todo o período apurado, o que poderia caracterizar cerceamento do direito de defesa, e, assim sinalizou pela possibilidade de emissão de um Relatório Fiscal Complementar, de modo a sanar eventuais omissões. Assim, argumenta que o despacho de fls. 9.433 merecia ter desdobramentos, mas, ao invés disso, insistiu a Autoridade Fiscal na manutenção do erro cometido, e, de acordo com a Recorrente, “cometeu um erro ainda maior, ao entranhar nos autos uma linha de raciocínio impossível de ser acolhida, no sentido de ser a ININSS/DC nº 100/03, o instrumento normativo que fundamenta os critérios da aferição indireta utilizados pelo INSS, no período, por exemplo, de 1994 a 1998”. Ademais, argumenta que, “em se trazendo aos autos esclarecimentos fiscais diversos ao anteriormente dito a respeito, no sentido de ser a IN 100/03 o único fator normativo a fundamentar todo o período desta NFLD, sem a lavratura de um Relatório Fiscal Complementar, é evidente a dúvida gerada quanto a sua validade no atual momento processual, o que deve ser ponderado.” Fl. 11427DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 17 31 Destaca que também deve ser ponderada a validade de tal raciocínio fiscal, na medida em que, é pacífico na jurisprudência administrativa, que deve ser aplicada a regra vigente à época do correspondente fato gerador. Dessa forma, sustenta que a IN 100/03 não pode retroagir seus efeitos no que pertine à caracterização e mensuração de bases de cálculos. Assim, questionada a conclusão fiscal de ser a IN 100/03 o instrumento normativo que fundamenta a aferição (nos quesitos caracterização e mensuração do salário de contribuição), permanece a dúvida do contribuinte quanto a qual ou quais atos normativos deve se pautar para a realização da sua defesa. Nesse contexto, afirma que permanecem as dúvidas não sanadas pela decisão recorrida. E questiona: Observado o exercício de 1998 e a hipótese dos autos, qual seria o adequado instrumento normativo aplicável: a OS 176/97, ou a 165/97? De igual forma, alega que o período de 1999 também suscita dúvidas, destacandose, como exemplo, se estaria a atividade do contribuinte sujeita à retenção na forma da OS 203/99, ou mesmo dos termos da OS 209/99? E mais, aplicarseiam os comandos da IN 18/00 na espécie dos autos no exercício de 2000, ou, ainda estaria sujeita a atividade do contribuinte às regras da OS 176/97? E, ao final, conclui da seguinte forma: É inadequada a utilização da IN 100/03, como instrumento normativo a fundamentar os parâmetros fiscais utilizados para a caracterização e mensuração das bases de cálculos constituídas nesta NFLD, no período anterior a sua vigência, não podendo ser admitido este raciocínio, culminando por se caracterizar estar esta NFLD desprovida de regular fundamentação normativa; Culmina o fisco previdenciário, outrossim, por caracterizar um novo vício de nulidade, decorrentes das contradições de raciocínio verificadas, ao tentar esclarecer na sua IF que apenas a IN 100/03 é elemento de fundamentação legal na espécie dos autos, contradizendose com o afirmado no RF/NFLD, que, para tanto, invocava, também, as INs 69 e 70, ambas de 2002; Valese o fisco previdenciário, inclusive a DN, de comandos internos para validar o seu raciocínio, aos quais o contribuinte não tem acesso, inviabilizando a sua utilização in casu, para qualquer finalidade, sob pena de ocorrência, também por esta vertente, de cerceamento de defesa; Aliás, persiste o cerceamento de defesa na espécie dos autos, justamente, por não estar claramente exposto qual o regramento legal aplicável no período anterior, agora, ao advento da IN 100/03 (OS 175/97 ou 165/97, em 1998; IN 18/00 ou OS 176/97, em 2000?), ou seja, diante dos esclarecimentos fiscais, A PLENITUDE DA NFLD ESTÁ DESPROVIDA DE ADEQUADA FUNDAMENTAÇÃO NORMATIVA, DEVENDO, EM RAZÃO, SER DECLARADA NULA. Pois bem. Compulsando detidamente os presentes autos, verificase que o Relatório Fiscal (fl. 558) aponta que “o critério de aferição do saláriodecontribuição dos segurados empregados foi pautado no faturamento, segundo estabelece o art. 74 da IN/INSS/DC nº 69 de 10/05/2002, art. 63 da IN INSS/DC nº 70 de 10/05/2002 e 440 a 442 da IN INSS/DC nº 100 de 18.12.2003”. Fl. 11428DF CARF MF 32 Após a apresentação da Defesa, os autos foram encaminhados ao Serviço de Análise de Defesas e Recursos da Previdência Social, o qual, após a análise dos argumentos apresentados pela empresa, em 26/08/2004 solicitou à Fiscalização, a emissão de um Relatório Fiscal Complementar, precedido do respectivo MPFD, desta feita, informando ao contribuinte as normas legais utilizadas para fins de apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias, devolvendo ao sujeito passivo o prazo para impugnação no que concerne a matéria modificada (fls. 9.429/9.435). Em resposta, a Fiscalização assim se pronunciou: “II – DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA AFERIÇÃO INDIRETA [...] 14. Percebese das alegações da defendente, que seu questionamento se refere aos aspectos formais do lançamento, mais especificamente quanto a sua fundamentação legal. Nesse sentido, há de ser analisado os preceitos do art. 144 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 15. Como se vê dos comandos acima transcritos, o lançamento no que se refere à fundamentação legal, revestese de natureza substancial e procedimental. A natureza substancial é reservada a lei, que deve ser a vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, regulará a base de cálculo, a tipicidade do fato gerador e a alíquota para cálculo da contribuição devida. Já a natureza procedimental é reservada à legislação (norma administrativa), vigente ao tempo do lançamento, que disciplinará o procedimento de lançar, os aspectos formais e os critérios de apuração, além das garantias e dos privilégios do crédito tributário. 16. Portanto, a norma que fundamenta a aferição para todo o período do lançamento ora em comento (01/1994 a 12/2002) é a ININSS/DC 100/03, vigente à época do lançamento (NFLD emitida em 15/06/2004 com ciência do contribuinte em 17/06/2004) e regularmente citada no item 5 do Relatório Fiscal de fls. 252. 17. Ao mencionarmos a ININSS/DC 69 e ININSS/DC 70 no Relatório Fiscal não o fizemos com a intenção de fundamentar período, como entendeu a defendente, concluindo que para o período anterior àquelas Instruções Normativas o lançamento estaria desprovido de fundamentação legal. Para esclarecimento da defendente, no período da antiga estrutura do INSS, o regramento administrativotributário Fl. 11429DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 18 33 era estabelecido pelo Diretor de Arrecadação através de Ordens de Serviços (OS) nomenclatura, inadequada para esse fim, uma vez que se reportava também à clientela externa (o contribuinte). Com a nova estrutura regimental do INSS, aprovada pelo DECRETO Nº 3.081 DE 10 DE JUNHO DE 199 – DOU DE 11/06/99, o regramento passou a ser atribuição da Diretoria Colegiada, e a divulgação destes atos através de Instruções Normativas. No mês de maio do ano de 2002, foi publicada uma série de IN estabelecendo Normas e Procedimentos, concentrado por assunto, tratando: a 65 sobre Órgãos Públicos; a 66 Isenção; a 67 Compensação e Restituição; a 68 Atividades Rural e Agroindustrial; a 69 Construção Civil; a 70 Procedimentos Fiscais e Planejamento da Arrecadação; e a 71 Normas Gerais de Tributação. 18. No final do ano de 2003 a Diretoria Colegiada do INSS resolveu consolidar as normais gerais de tributação e arrecadação em um único dispositivo, o que se deu com a publicação da ININSS/DC 100, de 18/12/2003. Ocorre que a IN citada não tratou dos procedimentos internos, o que ficou reservado à Orientação Interna (OI), sob a responsabilidade da Diretoria da Receita Previdenciária, que só foi publicada em 17/06/2004. 19. Desse modo, para manter a unicidade de procedimentos internos quanto à legislação aplicável, o Diretor da Receita Previdenciária editou a circular nº 021/2004, de 05/04/2004, dirigida aos Chefes de Serviços/Divisão da Receita Previdenciária das GerênciasExecutivas do INSS com os seguintes termos: Assunto: Procedimentos internos – Legislação aplicável. Considerando a entrada em vigor da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18.12.2003, com as alterações da IN/INSS/DC nº 105, de 24 de março de 2004; Considerando que a IN/INSS/DC nº 100, de 2003 não trata dos procedimentos internos, determinamos; Que sejam observados os procedimentos internos previstos nas Instruções Normativas IN/INSS/DC nº 65, 66, 67, 68, 69, 70 e 71, de 10 de maio de 2002, com as alterações posteriores, e na Instrução Normativa INSS/DC nº 89, de 11 de junho de 2003, até que seja publicada Orientação Interna disciplinando a matéria e convalidando os atos praticados com base nos referidos atos nesse período. 20. Diante do exposto, e considerando que a OI nº 7, que tratou do assunto, só foi publicada em 17/06/2004, portanto posteriormente a concretização do lançamento, a fundamentação da aferição indireta teve por base as IN/INSS 69/02 e 70/02. 21. Não obstante a tudo que aqui foi relatado, é importante salientar que o critério de aferição utilizado (faturamento), assim como a porcentagem de cálculo para a obtenção do saláriodecontribuição Fl. 11430DF CARF MF 34 (40% sobre a mãodeobra), sendo a mãodeobra a diferença entre o valor bruto da nota fiscal de serviço e o material aplicado, embora previsto em atos administrativos já revogados, sempre foi o mesmo em todo o período do lançamento constante dos autos. 22. Portanto, não existe nos atos normativos, vigentes à época do lançamento, qualquer obrigatoriedade por parte da autoridade administrativa em colecionar aos autos, a fundamentação legal no conceito a envolver normas administrativas como alega a defendente, o que é comprovado pela redação do art. 60 da IN/INSS 70/02 que pedimos vênia para transcrevêlo: Art. 60. No relatório da NFLD, o AFPS deverá, de forma clara e precisa, descrever os fatos geradores comprovadamente ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando os parâmetros utilizados, bem como, sempre que possível, os segurados envolvidos. 23. Desse modo, o que precisa ficar claro ao contribuinte, são os parâmetros utilizados na aferição da base de cálculo, de modo a permitir o amplo direito de defesa ao contribuinte, e isto está claramente definido nos artigos das IN citados no item 5 do Relatório Fiscal, assim como foi encontrada esta base de cálculo, o que se deu pela planilha de fls. 439 a 443, de conhecimento da defendente, tanto é que possibilitou sua defesa às fls. 4566 item II.2.b.” Em profunda análise ao que estampa o procedimento fiscal de que ora cuidamos, o crédito tributário pelo lançamento relativo às obrigações principais, foi constituído por metodologia de apuração da remuneração da mãodeobra por aferição indireta, baseada no faturamento da empresa Recorrente. Ao tempo do lançamento, vigoravam as seguintes normas que davam supedâneo à aferição indireta da contribuição previdenciária: “Lei nº 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; [...] Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de Fl. 11431DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 19 35 substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999: Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC Nº 100 DE 18 DE DEZEMBRO DE 2003 DOU DE 30/03/2004: DA APURAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DA MÃODEOBRA POR AFERIÇÃO INDIRETA Art. 440. A escolha do indicador mais apropriado para a avaliação do custo da construção civil e a regulamentação da sua utilização para fins da apuração da remuneração da mãodeobra, por aferição indireta, competem exclusivamente ao INSS, por atribuição que lhe é dada pelos §§ 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991. Seção I Da Apuração da Remuneração da MãodeObra Contida em Nota Fiscal, Fatura ou Recibo de Prestação de Serviços Art. 441. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Art. 442. Havendo previsão contratual de fornecimento de material, ou de utilização de equipamentos, ou de ambos, na execução dos serviços contratados, o valor dos serviços contido na nota fiscal, fatura ou Fl. 11432DF CARF MF 36 recibo de prestação de serviços deverá ser apurado na forma prevista no art. 619, observado o disposto no art. 623.” Sem embargos, o arbitramento é procedimento legitimo do qual podese valer a autoridade fiscal, para fins de alcançar a base a ser tributada, sempre que lhe for sonegado em ação fiscal, ou mesmo não mereçam fé, os documentos do contribuinte. Do relatório fiscal, constatase que a norma que fundamenta a aferição para todo o período do lançamento ora em comento (01/1994 a 12/2002) é a ININSS/DC 100/03, vigente à época do lançamento (NFLD emitida em 15/06/2004 com ciência do contribuinte em 17/06/2004) e regularmente citada no item 5 do Relatório Fiscal de fls. 558. Apesar do inconformismo da Recorrente, a utilização da aferição indireta como critério de lançamento estava amparada pelas normas vigentes; notese ainda que caberia ao Recorrente, em época própria, demonstrar o valor da base de cálculo, o que não foi feito. A contabilidade, se constituída com base nas técnicas adequadas e com observância da legislação e dos princípios contábeis da aceitação geral, é um sistema que evidencia fielmente o patrimônio e as variações patrimoniais de uma entidade. É por essa razão que ela se constitui em meio de prova eficaz dos fatos empresariais. Uma contabilidade desprovida do rigor que as normas contábeis determinam, ainda que se preste a fornecer alguma informação não terá valor comparativo, não poderá ser oposta a terceiros e não servirá de instrumento probante. Como em qualquer sistema, a contabilidade se sustenta no equilíbrio entre os elementos patrimoniais (bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido, neste contidos os elementos modificativos como as receitas e as despesas). Se um desses elementos é afetado por algum fenômeno, outro elemento sofrerá o efeito contrário, de forma a manter o sistema sempre em equilíbrio. No caso em questão, foram constatadas diversas movimentações financeiras sem o devido registro na contabilidade da Recorrente, emissão de Notas Fiscais “calçadas”, bem como ausência do registro das movimentações bancárias da contribuinte em sua contabilidade, até novembro de 2000, fato suficiente para se desconsiderar a contabilidade da empresa, lançando as devidas contribuições reputadas devidas à Seguridade Social, por metodologia da aferição indireta. Ademais, não vejo ofensa ao artigo 148 do Código Tributário Nacional, uma vez que, conforme constatado, as informações fiscais não eram dignas de fé. Ao contrário, vejo que o citado artigo dá sustentação ao procedimento adotado. Diante do exposto, voto no sentido de manter a decisão a quo nesse particular. 5. Do arrolamento de bens. Sobre a matéria em questão, às fls. 11.277/11.299 os Senhores Ernesto Calvet de Paiva Carvalho e Antônio Ricardo Sechis, sócios da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda, informam que seus bens foram alvo de arrolamento desde 16/11/2004, sendo que eles, na condição de pessoas físicas, não possuem nenhum débito perante os cofres públicos. Assim, a teor do que dispõe o artigo 37, § 2º da Lei nº 8.212/91, c/c Fl. 11433DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 20 37 os artigos 64 e 64A da Lei nº 9.532/97, além da IN RFB nº 1.088, onde todos os dispositivos deixam claro que o arrolamento só cabe contra os bens do sujeito passivo, no presente caso, só caberia arrolar bens da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda. Citam, ainda, a Súmula 88 do CARF e a decisão em sede de recurso repetitivo do STF no Recurso Extraordinário nº 562.276/PR que entendeu pela inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 8.620/93, na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente com seus bens pessoais junto à Seguridade Social, tanto por vício formal (violação ao artigo 146, inciso III da CF /88), como por vício material (violação aos artigos 5º, Inciso XIII, e 170, parágrafo único da CF/88). Citam ainda a Súmula Vinculante nº 211, de 29/10/2009 do STF. Ao final, requerem a anulação ou cancelamento do arrolamento de bens realizados em seus nomes. Todavia, as argumentações acima não devem ser conhecidas. Isso porque, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Nos termos do artigo 3º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, as matérias de competência do CARF, especificamente da 2ª Seção de Julgamento, se restringem à: “Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); II IRRF; III Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007;” Como se depreende do artigo 17, da Instrução Normativa RFB nº 1565, de 11/05/2015, a seguir transcrito, a apreciação da matéria relativa ao arrolamento de bens no âmbito administrativo é de competência da unidade da Receita Federal do Brasil (RFB) do domicílio tributário do sujeito passivo. “Art. 17. É facultado ao sujeito passivo apresentar recurso administrativo no processo de arrolamento de bens e direitos, no prazo de 10 (dez) dias, contado da data da ciência da decisão recorrida, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. § 1º O recurso será apreciado pelo chefe da divisão, do serviço, da seção ou do núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo que, se não o acatar, o encaminhará ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 11434DF CARF MF 38 § 2º A decisão proferida pelo titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo será definitiva na esfera administrativa.” As decisões deste Conselho caminham nesse sentido. Confirase: “ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. MATÉRIA DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência para se pronunciar sobre o processo administrativo de arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo. [...]” (CARF, 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 1302002.565, Conselheiro Relator Paulo Henrique Silva Figueiredo, Data da Sessão 22/02/2018) “[...] NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO SEM A INSTAURAÇÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. [...]” (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2202 003.853, Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Data da Sessão 10/05/2017) “[...] ARROLAMENTO DE BENS. COMPETÊNCIA. O exame de questões relacionadas ao arrolamento de bens encontrase fora dos limites de competência do CARF. [...]” (CARF, 1ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 1401001.529, Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto, Data da Sessão 02/02/2016) Em face do exposto, as alegações sobre a regularidade do arrolamento de bens dos sócios, não devem ser conhecidas. 6. Do enquadramento no FPAS. Inicialmente, a Recorrente alega que, por ser tratar de questão de ordem pública, a matéria em debate pode ser arguida a qualquer tempo, inclusive em sede de recurso. Narra que sempre promoveu o seu enquadramento no FPAS 515, desde a época da GRPS até o advento da GFIP. Assim, entendo a Autoridade Fiscal ser o FPAS correto para o contribuinte o código 507 e não o 515, é evidente que deveria ser observado o quanto disposto nos parágrafos 3º e 4º, do artigo 148 da IN 100/03. Fl. 11435DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 21 39 Destaca que a falta de observância ao disposto nas regras contidas nos parágrafos acima citados, resulta em ocorrência de mácula no procedimento fiscal, passível de gerar sua nulidade, inclusive por cerceamento de defesa. Todavia, não assiste razão à Recorrente. O cálculo do montante do tributo devido passa necessariamente pelo enquadramento da empresa auditada no Código do Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS específico, a partir do qual se identificam as outras entidades e fundos para as quais haverá destinação de contribuições sociais. Nesse sentido, a indicação do código FPAS nos lançamentos de ofício constituise atribuição privativa da Fiscalização, inerente à atividade fiscal de constituir o Crédito Tributário mediante o lançamento. Isso decorre da seguinte dicção do Código Tributário Nacional: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” O enquadramento do código FPAS se dá a partir da Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE à qual se encontra vinculada a empresa sob fiscalização, conforme assentamento no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, na forma estabelecida no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Assim, tendo em vista que houve o reenquadramento da empresa na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, eis que, conforme restou decidido no acórdão a quo – e não foi objeto de recurso voluntário – “o faturamento da empresa provém, basicamente, dos serviços de rede lógica e elétrica para computadores, sendo, neste tipo de serviço, desenvolvidas as atividades dos segurados empregados da recorrente, justificando, deste modo, o enquadramento da empresa no código 45.411 Obras de Instalações – Instalações Elétricas”., correto se mostra o seu reenquadramento, também, em relação ao Código do Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS específico, não havendo que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em desobediência ao contido nos parágrafos 3º e 4º, do artigo 148 da IN 100/03. 7. Do mérito. 7.1. Das provas utilizadas. A Recorrente se insurge contra a respeitável decisão de primeira instância administrativa e ao procedimento fiscal, alegando a “fragilidade e tendenciosidade do arcabouço probatório utilizado pelo fisco previdenciário nestes autos”. Fl. 11436DF CARF MF 40 Reitera o seu posicionamento de se tratarem as provas utilizadas nestes autos (apenas relações decorrentes de diversas anotações particulares) analisadas isoladamente, como inadequadas para a concepção de fatos geradores de obrigações previdenciárias. Todavia, o inconformismo do sujeito passivo não pode ser confundido com violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. No caso em análise, verificase que a decisão recorrida entendeu que “a alegação da empresa de que não houve o adequado cotejo entre tais provas e a contabilidade da empresa é totalmente infundada, além do que desacompanhada de qualquer prova de que tais movimentações foram corretamente contabilizadas” – fl. 10.762. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil vigente. Portanto, era dever da Recorrente apresentar documentação comprobatória das suas alegações, ônus do qual não se desincumbiu. Assim, diante da ausência de comprovação acerca dos argumentos lançados na peça recursal, não há como se acolher a tese ali apresentada. 7.2. Da Omissão de Receitas – fls. 11.005/11.011. Sobre o tema, a Recorrente reitera que todas as receitas da contribuinte foram contempladas pelas retificações contábeis feitas oportunamente e eventuais passivos fiscais apurados, fórum incluídos no REFIS. Insiste que o quanto afirmado pela fiscalização no item 48 da Informação Fiscal de fls. 10.209/10.211 é imprestável na medida em que o reconhecimento da Receita Omitida em qualquer época refletiria diretamente no patrimônio líquido, onerando os lucros acumulados em igual valor, ou seja, economicamente irrelevante o momento de tal ocorrência. E prossegue da seguinte forma: “Portanto, se tal fato tivesse ocorrido no ano 2000, a Contabilidade apresentaria como saldo de Lucros Acumulados o valor correspondente ao somatório da conta 2.1.41.201.0001 (R$ 3.044.966,88 – 2.893.684,34 que se refere ao Lucro do 04º Trimestre de 2000) e a conta 2.1.41.202.0002 (R$ 8.959.147,90) totalizando R$ 9.080.430,44, e, ao contrário do que alega o Sr. Auditor, existiria saldo suficiente para promover a distribuição de lucros no valor de R$ 2.621.000,00, distribuição esta que só veio ocorrer no ano de 2001 e não em 2000 como alegado. Ou seja, nada de irregular nesta operação, cujos correspondentes dados se encontram entranhados no bojo destes autos. Mas, a insistência do Sr. Fiscal é tamanha que, logra induzir a erro o próprio setor de análises conforme se constata no item 140/144 da DN. Ora, é obvio o que diz a DN no item 140, no sentido de que o valor de 2.983.684,34 estava incluído no montante de 3.044.684,34, A TANTO Fl. 11437DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 22 41 QUE NA EQUAÇÃO APRESENTADA, O PRIMEIRO VALOR É ABATIDO DO SEGUNDO VALOR. E, permanece a contabilidade do contribuinte à inteira disposição do fisco previdenciário para qualquer análise que se queira realizar a respeito. É inacreditável como é tratada no bojo destes autos a conduta do contribuinte que procurou reconhecer todas as suas pendências fiscais, inclusive, para se valer do REFIS. Busca o fisco previdenciário, de forma realmente desnecessária, deturpar esta saudável providência. Mas, o próprio fisco resvala em contradições ao insistir, no item 52/IF que não houve reconhecimento da receita omitida apurada pela SRF, alegando, inclusive, que se trata de um lançamento apenas escritural não tendo havido ingresso dos recursos no Caixa. Ora, apenas teoriza o fisco, sendo que nada a este respeito, além da manipulação de dados, é comprovado. A mero título exemplificativo, no sentido de demonstrar a existência de manipulação de dados contábeis, na letra ‘f’ do item 52/IF – FLS. 10.167/10.303, está errado o valor informado como transposto da conta Empenho Diversos a Receber para as contas individualizadas por clientes, no montante de R$ 10.730.634,15, quando na verdade, o valor transferido conforme os lançamentos contábeis fora de R$ 6.189.365,85. Assim, encerrase este tópico enfatizando o erro fiscal na alínea “f” do item 52/IF, contempladas pelo item II.2/DN, além de reiterar a regularidade do reconhecimento das receitas anteriormente omitidas, tudo, a consumar validade, não só às distribuições de lucros realizadas, mas, à toda a contabilidade de uma forma geral.” Quando da análise pela primeira instância administrativa, os julgadores concluíram da seguinte forma (fls. 10.758/10.760): “[...] 131. Ao contrário do que alega o impugnante, de que todas as transações bancárias estariam contabilizadas, os documentos anexados aos autos pela autoridade fiscal demonstram que a movimentação bancária não era devidamente registrada, até o mês de novembro de 2000. 132. A título exemplificativo, veja o extrato do Banco do Brasil, da conta nº 200.0741 (fl. 4660), onde consta como data de abertura 05/11/1991, embora a primeira movimentação no Livro Razão – conta contábil 1.11.102.0001 (fl. 4663), data de 30/11/2000. Também se verifica, em diversas notas fiscais anexadas aos autos, a anotação para crédito em tal conta, a exemplo da NF 3562 (fl. 1228), datada de 31/10/1994 e a NF 3569 (fl. 1231), datada de 01/11/1994. Fl. 11438DF CARF MF 42 133. A partir da análise dos arquivos digitais, a fiscalização elaborou planilha (fls. 4664 a 4686) com a movimentação bancária do período de 10/2000 a 12/2000, contendo diversos dados relevantes, tais como conta movimentada, data da compensação, número e valor do cheque, demonstrando, ao final, existência de uma grande diferença entre a soma dos cheques movimentados e a soma dos cheques contabilizados. 134. Por outro lado, a empresa não apresentou qualquer prova objetiva de suas alegações. Nesse sentido, cabe salientar que é a prova o instrumento processual adequado para levar ao conhecimento do julgador administrativo os fatos que envolvem a relação tributária, visando esclarecimentos dos mesmos. O julgador administrativo emitirá suas conclusões com base na demonstração da ocorrência dos fatos que as partes proporcionarem através da prova. [...] 137. Deste modo, em não havendo qualquer prova em contrário, restou evidenciado, pelos documentos juntados aos autos pela fiscalização, que as movimentações bancárias anteriores a 11/2000 não foram devidamente contabilizadas. [...] 139. Neste tópico, novamente assiste razão à fiscalização. Primeiramente, porque o período coberto pela fiscalização da SRF foi menor do que o verificado pela previdência social: 01/1995 a 12/1997. Tal conclusão já seria, por si só, suficiente para se concluir que não houve o reconhecimento total das receitas omitidas através da emissão de notas fiscais ‘calçadas’, haja vista a fiscalização ter juntado aos autos documentos que demonstram que tal prática ocorreu desde o ano de 1994 até o ano de 2000. 140. Também as alegações do impugnante, às fls. 5233/5235, relativamente à distribuição de lucro no ano de 2000, merecem alguns esclarecimentos. Senão vejamos: visando demonstrar a existência de saldo suficiente para a distribuição de lucros no ano de 2000, apresenta o mesmo a seguinte equação para a composição da conta Lucros Acumulados: (R$ 3.044.966,88 – 2.983.684,34 + 8.959.147,90 = 9.020.430,44). 141. O primeiro equívoco detectado é utilização, na equação acima, do valor de R$ 2.983.684,34, referente ao lucro do 4º trimestre, posto que o mesmo já está contido no lucro apurado no final do exercício, que é de R$ 3.044.966,88. 142. Do mesmo modo, erra o defendente ao considerar, apenas, o valor de R$ 8.959.147,90, a crédito da conta 2.1.41.202.0002, relativo à receita omitida, esquecendose outros lançamentos daquela conta, referentes aos tributos e encargos lançados pela SRF, nas datas e valores abaixo e que deveriam também ser contabilizados no ano de 2000: POSIÇÃO DOS LUCROS ACUMULADOS NA CONTABILIDADE Fl. 11439DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 23 43 01/01/2000 PREJUIZOS ACUMULADOS A COMPENSAR 17.096,67 28/12/2000 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ERNESTO 650.000,00 28/12/2000 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS RICARDO 650.000,00 29/12/2000 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ERNESTO 650.000,00 29/12/2000 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS RICARDO 650.000,00 31/12/2000 LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 3.044.966,88 31/12/2000 SALDO NO FINAL DO PERÍODO 406.869,91 LANÇAMENTOS NO ANO DE 2001 E QUE DEVERIAM SER EFETUADOS NO ANO 2000 02/01/2001 AJUSTE EXERCÍCIOS ANTERIORES 825.323,30 31/01/2001 AJUSTE EXERCÍCIOS ANTERIORES 13.606,46 31/03/2001 AJUSTE EXERCÍCIOS ANTERIORES 9.186.459,47 31/03/2001 AJUSTE EXERCÍCIOS ANTERIORES 8.959.147,80 TOTAL (vide fl. 4266) 1.039.028,51 SALDO DE FATO NO FINAL DO ANO 2000 632.158,60 143. Frisese, também, que o valor de R$ 2.621.000,00 realmente foi distribuído no ano de 2000, e não em 2001, como alegado pela defesa, conforme vêse da folha de razão anexada pela defesa (fl. 4.525), bem como pelos recibos de retirada de lucros anexados na Informação Fiscal da diligência (fl. 4762 a 4765). 144. Assim, de acordo com o demonstrativo acima, constatase que, se realmente a retirada dos lucros acumulados tivesse sido contabilizada no ano de 2000, teria havido uma retirada, inexistente, no valor de R$ 632.158,60.” Todavia, conforme relatado, a 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, ao analisar o recurso (Resolução nº 230100.070 – fls. 11.083/11.087), não vislumbrou a possibilidade de julgamento deste processo, em razão de a fiscalização não ter examinado diversos pontos suscitados pela Recorrente na sua Defesa, que também são objeto do Recurso Voluntário, sem que este órgão pudesse sobre eles se manifestar. Desta feita, por unanimidade de votos, determinouse a conversão do julgamento em diligência para esclarecer: (i) se as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados, tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado; (ii) se as notas fiscais tidas como calçadas já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte; Fl. 11440DF CARF MF 44 (iii) se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS; (iv) se as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base na aferição indireta foram corrigidas antes da Defesa do contribuinte e, em caso positivo, a repercussão destas correções no tributo devido. Cumprida a diligência (Informação Fiscal de fls. 11.173/11.175), o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, o que segue: “[...] 3. Quanto ao item a) da solicitação: Os documentos anexados nos autos demonstram que as movimentações bancárias e os cheques identificados pela autoridade fiscal não foram registradas na contabilidade, até o mês de novembro de 2000. De acordo com o Relatório Fiscal – RL (fls. 244 a 254), as planilhas anexas, a Informação Fiscal – IF (fls. 4982 a 5050) e a Decisão Notificação nº 23.401.4/0150/2005, especialmente nos itens 131 a 134 da DN fica cabalmente demonstrado que o contribuinte não contabilizou em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos autos. 4. Quanto ao item b) da solicitação: De acordo com RL e planilhas anexas, tópico II.a, e subtópicos da IF e item II.2 da DN concluise que não houve o reconhecimento total das receitas omitidas por meio de emissão de notas fiscais ‘calçadas’, haja vista a fiscalização ter juntado aos autos documentos que demonstram que o contribuinte não apropriou corretamente as notas fiscais emitidas no período de 1994 até o ano de 2000. 5. Quanto ao item c) da solicitação: Conforme consta na IF (fls. 5001 a 5006) e dados do extrato do Processo nº 10166.0149227/0061 (fls. 5430 a 5466), o contribuinte aderiu ao REFIS em 01/03/2000 e em 17/11/2009 foi rescindido, permanecendo em aberto 65 parcelas não quitadas. Ressaltamos que o valor levantado pela RFB referese ao período 01/1995 a 12/1997 e de acordo com a documentação anexada aos autos não abrange todo o faturamento mediante calçamento de notas fiscais. 6. Quanto ao item d) da solicitação: analisando todas as provas juntadas aos autos, as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base na aferição indireta não foram corrigidas antes da Defesa do contribuinte e o Recurso Voluntário repete todas as alegações já apresentadas anteriormente e não trouxe aos autos nenhum elemento novo que venha elidir o crédito previdenciário lançado na estrita observância das disposições legais vigentes. [...]” Fl. 11441DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 24 45 Devidamente notificada em 06/07/2012 (Aviso de Recebimento de fl. 11.182), a empresa Recorrente apresentou sua resposta (fls. 11.184/11.201) ao resultado da diligência, alegando, em resumo, que: (i) A Diligência restou cumprida de modo precário, apoiandose comodamente em uma avaliação calcada em fatos pretéritos. Não houve, pois, novas análises; não se verificou o que consta dos escritos fiscais da recorrente, e, porquanto, obtevese limitadas informações; (ii) As obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas no momento da migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941/09, tal afirmativa pode ser comprovada com as provas anexadas às alegações, bem como pelas informações contidas nos Sistemas informatizados da Própria Receita Federal do Brasil; (iii) Desprovida de fundamento se apresenta a afirmação da Autoridade Fiscal de que o contribuinte não contabilizou, em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos Autos, vez que todos os movimentos financeiros atinentes aos períodos que se encontram abarcados no lapso temporal que autorizaria a exigência dos tributos correspondentes foram devidamente sanados ou contabilizados; (iv) Todas as receitas omitidas foram apropriadas na contabilidade, na qualidade de ajustes de exercícios anteriores e na sequência deduzidas em uma conta relativa a débito de distribuição de lucros para os sócios da empresa, e assim sendo, não há como sustentar que as impontualidades no faturamento ainda persistiam. Com a escrituração desses valores, a recorrente reconheceu todos os tributos federais que sobre eles incidiam, optou pelo parcelamento destes e, conforme comprovantes, anexos à defesa, foram quitados; (v) A recorrente empreendeu todas as medidas necessárias para a correção do seu passado contábil e fiscal; (vi) Ilegítimo se apresentou o arbitramento das contribuições previdenciárias, vez que se encontra pautado em elementos insuficientes, vinculados apenas ao faturamento e a receita. Ao analisar o recurso, a 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária mais uma vez converteu o feito em diligência (Resolução nº 2302000.356 de fls. 11.233/11.238), tendo em vista que o Auditor fiscal cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Cumprida a diligência (fls.11.251/11.253), o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, informou que: “1. Tratase de Requisição de Diligência da 2ª Turma da 3ª Câmara Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme Resolução n° 2302000.356, de 05 de novembro de 2014, a fim de que seja esclarecido se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento Fl. 11442DF CARF MF 46 foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, considerando que a resposta à diligência anterior se limitou a afirmar que permaneciam em aberto 65 (sessenta e cinco) parcelas. 2. Primeiramente, cumpre esclarecer que a NFLD n° 35.675.4219 é relativa à infração de obrigações principais. O crédito é constituído dos seguintes levantamentos: 05 – Omissão de Folha de Pagamento, 06 – Pró Labore Omitido, 07 – Autônomos, 08 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 09 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 10 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas) e 11 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas). 3. Conforme anexos aos processos n° 10166.722302/201083, fls. 68 a 274, n° 10166.722300/201094, fls. 76 a 104, e n° 10166.722307/2010 14, fls. 96 a 291, percebese que a Autoridade Fiscal, devido às inconsistências nos registros contábeis da empresa – que inclusive ocasionaram diversas penalidades por descumprimento de obrigações acessórias – e nos termos dos artigos 50, 52, 53 e 54 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto n° 356/1991, dos artigos 50, 52, 53 e 54 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173/1997 e dos artigos 231, 233, 234 e 235 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, sendo vinculada a constituir o crédito tributário pelo lançamento relativo às obrigações principais, não viu outra opção senão utilizar a metodologia de apuração da remuneração da mãode obra por aferição indireta, baseada no faturamento, 4. Alega o contribuinte, entretanto, no item 02.a, fls 11.188 a 11.191 de sua resposta à Informação Fiscal constante nas folhas 48 e 49 deste processo, esta solicitada pela Resolução n° 230100.070 da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF, que suas obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento, que estavam sendo pagas no parcelamento instituído pela Lei n° 9.964/2000 – REFIS, foram integralmente liquidadas, à vista, com os benefícios fiscais instituídos pela Lei n° 11.941/2009. 5. É necessário esclarecer que os créditos tributários que foram consolidados no REFIS e que, segundo alegação do contribuinte, foram liquidados à vista em novembro de 2009, com benefícios da Lei n° 11.941, conforme telas dos sistemas anexadas aos autos, fls. 11.244 a 11.250, são relativos aos seguintes tributos: IRRF, IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. Dentre estes tributos, apenas o PIS e a COFINS, conforme art. 2° da Lei n° 9.718/1998, possuem como hipótese de incidência o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado e como base de cálculo o próprio faturamento; 6. O PIS e a COFINS constituem fontes de financiamento da seguridade social previstas na alínea “b”, do inciso I, art. 195 da Constituição Federal de 1988. Não se confundem, portanto, com a contribuição social incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física prestadora de serviço, prevista na alínea ‘a’ do mesmo dispositivo, Fl. 11443DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 25 47 embora também seja encargo do empregador, empresa ou a esta equiparada: ‘Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício b) a receita ou o faturamento c) o lucro;’ 7. A Lei n° 8.212/1991, em seu capítulo IV, exerceu efetivamente a competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “a”, do inciso I, do art. 195 da CF/88, enquanto que a Lei n° 9.718/1998, por sua vez, exerceu efetivamente a competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “b”, do inciso I, do art. 195 da CF/88. Não resta dúvida, portanto, que Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) e PIS/COFINS tratamse de tributos diferentes, considerando que o art. 4° do CTN estabelece que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação e que os tributos citados possuem diferentes bases de cálculos e diferentes hipóteses de incidência. 8. Esclareçase também, em tempo, que não há que se confundir critérios de apuração de bases de cálculo de tributos com as bases de cálculo propriamente ditas. De forma genérica, a Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), em seu artigo 148, possibilita que, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé os documentos expedidos pelo sujeito passivo, a autoridade lançadora realize o arbitramento do valor, preço ou direito que constitua base de cálculo de qualquer tributo. Não há no ordenamento jurídico tributário federal qualquer diploma legal vedando a utilização de determinadas grandezas como critério de arbitramento pelo simples fato de constituírem hipóteses de incidência de outros tributos. 9. A Lei n° 8.212/1991 estabelece, no parágrafo 6°, do art. 33, a possibilidade de arbitramento da especificamente da Contribuição Previdenciária Patronal: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao Fl. 11444DF CARF MF 48 recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 10. Dessa forma, percebese que o contribuinte se equivocou em sua impugnação, pois o faturamento, no caso em epígrafe, não foi utilizado como base imponível para cálculo da CPP, mas sim como método de arbitramento, estabelecido pela legislação infralegal, para se chegar à real base de cálculo da CPP, qual seja ‘o total das remunerações pagas devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados que prestaram serviços, destinadas a retribuir o trabalho’.” Por sua vez, em que pese a Recorrente tenha se manifestado (fls. 11.348/11.395) a respeito da informação fiscal acima transcrita, no sentido de que “que as determinações/CARF para a realização de diligências fiscais não foram atendidas, o que permite a confirmação de que este lançamento é INCERTO e, em razão, deve ser cancelado por desatender as exigências legais à sua validação” e que “basta ler o que foi dito pela fiscalização na Informação Fiscal de 24/07/2015 (fls. 11.251/11.253), para se ter a plena convicção de que este lançamento está revestido de ilegítima incerteza, e que a própria fiscalização, permissa vênia, se perdeu no curso deste processamento, já não mais compreendendo o que foi realizado quando da constituição deste lançamento, o que, repetese, potencializa os elevados níveis de incerteza tendentes à pela anulação desta irregular cobrança”, entendo que o inconformismo não merece prosperar. Isso porque, após idas e vindas deste processo, convertendoo em inúmeras diligências, a Fiscalização constatou que, ao contrário do que alega a Recorrente, no sentido de que todas as transações bancárias foram devidamente contabilizadas, os documentos anexados aos autos demonstram que a movimentação bancária não era devidamente registrada, até o mês de novembro de 2000. Ou seja, concluise que não houve o reconhecimento total das receitas omitidas por meio de emissão de notas fiscais “calçadas”, haja vista a fiscalização ter juntado aos autos documentos que demonstram que o contribuinte não apropriou corretamente as notas fiscais emitidas no período de 1994 até o ano de 2000. E, conforme dito anteriormente, compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no artigo 373, II, do Código de Processo Civil vigente, ônus do qual a Recorrente não se desincumbiu. Portanto, nego provimento ao recurso nesse ponto. 7.3. Da alíquota de 40% + Extrafolha + Pro labore. Pretende a Recorrente, que sejam revistos e refeitos os cálculos de mensuração do salário de contribuição arbitrado sobre valores faturados, sem a utilização da alíquota de 40%, entendendo serem devidas as alíquotas indicadas quando da apresentação de sua defesa. Fl. 11445DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 26 49 Segundo alega, a partir do instante em que se identifica o custo de mãode obra em determinados serviços, tal parâmetro deve se sobrepor à genérica alíquota de 40%, mormente em se tratando de serviços que envolvam fornecimento de material e utilização de equipamentos. Sem razão o recorrente no que se refere a aplicação da aliquota de 40% (fornecimento de material e utilização de equipamentos) como base de incidencia celetista e extrafolhas, em face ao que dispõe a legislação que rege a matéria. Contudo, conforme já mencionado alhures, em que pese a legalidade do critério de aferição utilizado (faturamento) já que amparado pelas normas vigentes, bem como os extrafolhas, observase que, noutro giro, a porcentagem de cálculo utilizada para a obtenção do salário de contribuição sobre o prolabore), conforme descrito no item 07 do Relatório Fiscal, onde 100% dessa receita (valores faturados a título de mercadoria e faturado pelo contribuinte) se prestou a base de incidência de pro labore, fere o pincípio da razoabilidade e da proporcionalidade, já que se afasta das perspectivas da congruência e equivalência que deve imperar entre a medida adotada e o caso concreto, ou entre a medida e o critério utilizado. O princípio da razoabilidade consiste em uma análise do caso concreto na busca por evitar os excessos cometidos pela lei ou pelo agente público, não se admite que um ato estatal, destinado a promover a realização de um direito fundamental ou de um interesse coletivo, restrinja outros direitos fundamentais. Nesse esteira de entendimento, mantenho a aplicação da alíquota de 40% mais extrafolhas e entendendo que houve exagero na porcentagem utilizada para obtenção da base de cálculo realcionada aos valores referentes ao pro labore, razão pela qual dou provimento parcial à Recorrente para excluir da base de cálculo, integralmente, os valores referentes ao prolabore. 7.4. Da duplicidade de cobrança. De acordo com a Recorrente, no caso em análise, não logrou a fiscalização provar a ocorrência de nenhuma hipótese que caracteriza o nascimento da obrigação previdenciária. Narra que a alegação fiscal de subfaturamento ou de registro de valores menores fora detectado pela fiscalização da SRF em processo de fiscalização realizado na empresa e de conhecimento da auditoria previdenciária, conforme relato no RF/NFLD, item 7 (relatório fiscal originário). Adiante, argumenta que o fato gerador da contribuição previdenciária a cargo da empresa está no previsto artigo 22 da Lei nº 8.212/91, e não guarda sintonia quantitativa com o arcabouço conclusivo desta NFLD, que, não representa, nem de longe, um passivo previdenciário que contemple a verdadeira hipótese previdenciária do contribuinte. Alega que foram trazidos aos autos, supostos pagamentos realizados em favor de determinadas pessoas físicas, conforme planilhas às fls. 564/754, valendo destacar que alguns desses supostos pagamentos não identificavam beneficiários. A este respeito, argumenta que os valores, cujos eventuais beneficiários não foram identificados pela fiscalização não poderão compor a base de cálculo destes autos, tendo Fl. 11446DF CARF MF 50 em vista que não está aperfeiçoada a possibilidade de consumar a ocorrência do fato gerador, o que deverá estar plenamente identificado no lançamento. Assim, defende que com relação àquelas pessoas identificadas nas correspondentes planilhas, é certo que carecem de sustentabilidade a utilização de tais planilhas, isoladamente, como meios hábeis à viabilização de se impor, sobre os correspondentes valores, a incidência da obrigação previdenciária. Destaca, ainda, que o Agente Fiscal, ao lançar os valores constantes nas planilhas de fls. 756 a 858, o fez em duplicidade por se tratarem aqueles valores de distribuição de lucros efetivados aos dirigentes da empresa, declarados ao Imposto de Renda e já homologados pela Delegacia da Receita Federal. Por fim, conclui que se o fisco previdenciário pretende manter o critério de aferição utilizado, que aplique, pois, o percentual adequado sobre os valores faturados pelo contribuinte, tal qual demonstrado na originária defesa, para mensuração da mão de obra então utilizada, que, verificará a compatibilidade com o quanto oportunamente recolhido pelo contribuinte a título de contribuições incidentes sobre sua massa salarial. Mas, não apurar um volume de massa salarial extraído das faturas, e, além disso, promover novas cobranças a título de contribuições incidentes sobre a massa salarial, que, estará, induvidosamente, promovendo uma cobrança em duplicidade. Sem razão a Recorrente. De início, destaco que é assente o entendimento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que considerase preclusa a matéria que não tenha sido levada ao debate quando da apresentação da Impugnação na primeira instância, o que impossibilita a análise da matéria na segunda instância. E, no caso dos autos, a matéria aqui debatida não foi levada ao conhecimento dos julgadores de primeira instância, razão pela qual não merece ser conhecida. Ainda que assim não fosse, destaco que alegações genéricas, desprovidas de fundamentação e desacompanhadas de provas não são hábeis a demonstrar os alegados desacertos que pretende a Recorrente, cabendo a ela, conforme já exaustivamente demonstrado, o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no artigo 373, II, do Código de Processo Civil, ônus do qual a Recorrente não se desincumbiu. Por fim esclareço que o parcelamento e posterior quitação realizado em relação a PIS e COFINS foi realizado em 2009, em data muito superior ao lançamento em debate e não reflete nas contribuições previdenciárias em comento. 8. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL reconhecedo a decadência parcial do lançamento objeto desta Notificação, nos moldes do artigo 173, I do CTN, nas competências 01/94 a 11/98, bem como para excluir da base de cálculo, integralmente, os valores referentes ao prolabore, nos termos do relatório e voto. É como voto. Fl. 11447DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 27 51 (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relator Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Divirjo apenas em relação ao cancelamento dos valores apurados a título de prólabore. A fiscalização tomou o faturamento omitido, resultante das notas fiscais calçadas, como prólabore indireto aos sócios, integralmente na venda mercantil e, na prestação de serviços, pelo valor restante após a dedução de 40%, sendo esta parcela deduzida considerada como saláriode contribuição dos segurados empregados. Notese que se tributou apenas o faturamento omitido em razão das notas calçadas. O faturamento omitido em questão (integral na venda mercantil ou parcial na prestação de serviços) foi apropriado pelos sócios, eis que não foi reconhecido como integrante do patrimônio da empresa. Logo, o critério adotado no lançamento é razoável, sendo representativo do valor disponibilizado ao patrimônio do sócio em razão da emissão das notas calçadas. Não vislumbro ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Ainda que as notas calçadas tenham lastreado a correção da contabilidade em exercício posterior e que tenham sido recolhidos ou parcelados outros tributos, a empresa não apresentou documentação comprovando que o faturamento omitido não foi apropriado pelos sócios ao tempo da emissão das notas fiscais calçadas. O fato de posteriormente se contabilizar o recurso omitido como sendo de titularidade da empresa, não tem o condão de anular a anterior ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária (CTN, arts 116 e 117). Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para tão somente declarar a decadência das competências 01/94 a 11/98. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado. Fl. 11448DF CARF MF
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