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Numero do processo: 10218.720081/2007-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA.
A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõe-se do valor do imóvel, conforme Escritura pública, no exercício em questão, devendo esse ser utilizado.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindo-se o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2003, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tania Mara Paschoalin Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõe-se do valor do imóvel, conforme Escritura pública, no exercício em questão, devendo esse ser utilizado. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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VALOR DA TERRA NUA (VTN). REVISÃO. UTILIZAÇÃO DO SIPT. LAUDO DE AVALIAÇÃO INSUFICIENTE. RECONHECIMENTO PARCIAL PELO CONTRIBUINTE DE SUBAVALIAÇÃO NA DITR. VALOR DO IMÓVEL NA ESCRITURA. A subavaliação do Valor da Terra Nua (VTN) declarado pelo contribuinte autoriza o arbitramento do VTN pela Receita Federal. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. In casu o contribuinte admite que houve subavaliação e dispõese do valor do imóvel, conforme Escritura pública, no exercício em questão, devendo esse ser utilizado. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 81 /2 00 7- 51 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 67 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindose o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2003, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tania Mara Paschoalin – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tania Mara Paschoalin, Jose Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Contra o contribuinte interessado foi lavrada, em 24/09/2007, a Notificação de Lançamento nº 02103/00048/2007 de fls. 01/05, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 25.888,87, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR suplementar, do exercício de 2003, acrescido de multa de ofício (75,0%) no valor de R$ 8.261,70 e mais juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda São Luiz”, cadastrado na RFB, sob o nº 6.908.5250, com área declarada de 2.118,0 ha, localizado no Município de Santana do Araguaia/PA. A ação fiscal foi iniciada com o Termo de Intimação Fiscal constante das fls. 08 e 09, considerando que a declaração apresentada para o referido imóvel rural incidiu em parâmetros de Malha Fiscal, conforme fl. 10, apontando “quando o imóvel, cujo VTN declarado pelo contribuinte, confrontado com o menor valor das aptidões agrícolas informado no Sistema de Preços de Terra – SIPT para o município em questão, esteja abaixo do limite mínimo definido”. O contribuinte apresentou um “pedido de prorrogação” (fl. 18), demonstrando ter recebido a intimação fiscal, em 24 de setembro de 2007, mesma data da lavratura da Notificação de Lançamento, o que leva a crer que a documentação só foi apresentada após a realização do lançamento fiscal. Consta do processo o “Laudo de Avaliação”, para o “ITR exercícios 2003, 2004 e 2005”, assinado pelo Engenheiro Agrônomo Ivano Kuhn (ART na fl. 25), com data de 01 de outubro de 2007. Esse Laudo emite “opinião de valor” para o imóvel rural em questão, dizendo ter como fonte de pesquisa “Prefeitura Municipal, Banco do Brasil e Emater/PA”, atribuindo o valor de R$ 15,00 por hectare à terra nua, no exercício de 2003. Como bem ressaltou o julgador de 1ª instância, em seu voto: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 68 3 “Na análise das peças do presente processo, verificase que a autoridade fiscal entendeu que o VTN declarado estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela RFB em consonância com o disposto no art. 14, caput, da Lei 9.393/96, sendo alterado o VTN declarado, de R$ 940,00 ou R$ 0,44/ha, para R$ 129.028,56 ou R$ 60,92/ha, correspondente ao VTN/ha médio, apontado no SIPT, exercício de 2003, para o município onde se situa o imóvel (tela/Sipt de fls. 36). No presente caso é preciso admitir, até prova documental hábil em contrário, que o VTN Declarado, por hectare, de apenas R$ 0,44 (R$ 940,00 : 2.118,0 ha), referente ao exercício de 2003, está de fato subavaliado, posto que o mesmo está bem abaixo de VTN/ha médio, apontado no SIPT, de R$ 60,92, apurado com base nos valores informados nas DITR/2003, pelos próprios contribuintes do ITR, com imóveis rurais localizados no município de Santana do Araguaia – PA.”.(grifos originais) (....) “Nesta fase, não obstante a apresentação do “Laudo de Avaliação”, doc. De fls. 17/19, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Ivano Kuhn, com ART devidamente anotada no CREA/PA, doc./cópia de fls. 20/21, o requerente limitase a contestar o procedimento fiscal, argumentando, em síntese, não ser possível elaborar esse laudo retroativamente ao exercício de 2003 (art. 1º caput e art. 8º, § 2º, da Lei 9.393/96), pois não houve, àquela época, coleta de dados de mercado nem a avaliação propriamente dita do imóvel, ficando prejudicado o cumprimento dos itens 5, 7 e 9, da NBR 14.653 da ABNT.” Desta feita, após tecer considerações sobre a legalidade do procedimento fiscal, contestando as alegações do contribuinte de que seria impossível atender às exigências de elaboração de Laudo Técnico em 2007, relativamente ao exercício de 2003, dizendo que “além de não poder se falar em cerceamento do direito de defesa, pois é perfeitamente possível a elaboração de laudo técnico de avaliação, para fins de demonstrar, de forma retroativa, o valor fundiário do imóvel, o laudo apresentado não atende aos requisitos das Normas da ABNT (NBR 14.6533), não constituindo documento hábil para demonstrar, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2003.”, o julgamento a quo deuse para: “considerar improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, mantendose o crédito tributário consubstanciado na Notificação de fls. 01/03, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificado do Acórdão de 1ª instância em 27/10/2011, (fl. 56), apresentou recurso voluntário em 18/11/2011 (fl. 57). Em sede de recurso voluntário, narra que adquiriu a propriedade rural em 17 de novembro de 2003, mediante Escritura Pública de Cessão de Direitos Hereditários, pelo valor de R$ 102.500,00 (cento e dois mil e quinhentos reais). Diz ainda que “o dito imóvel, à Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 69 4 época, não possuía qualquer benfeitoria, sejam construções, cercas, pastagens artificiais (formadas), estando literalmente em seu estado bruto.” (grifei) Importante destacar ainda, conforme o recurso voluntário apresentado, as seguintes informações (fl. 58): “Assim, quando adquiriu, mediante cessão, os direitos hereditários da propriedade, outro fato que colaborou para sua desvalorização, o Recorrente pagou a cifra de R$ 48,40 (quarenta e oito reais e quarenta centavos) por hectare, posto que, conforme vislumbramos da cópia da Escritura Pública em anexo, o total do pagamento foi no importe de R$102.500,00 (cento e dois mil e quinhentos reais). Desta forma, quando o Recorrente procurou profissional que se dizia habilitado em contabilidade, no intuito de efetuar a declaração de ITR referente ao ano de 2003, entregandolhe cópia da dita Escritura de Cessão de Direitos Hereditários, determinou que fosse declarado, como valor da terra nua, cifra equivalente àquela que realmente havia pagado, ou seja, algo em torno de R$ 48,00 (quarenta e oito reais por hectare)” A seguir, o recorrente tece considerações sobre a contratação dessa profissional para elaboração de sua DITR e o acordado entre ambos; suposto “erro de digitação (“Realmente um absurdo!)” cometido pela mesma na elaboração da declaração (R$ 0,44/ha – quarenta e quatro centavos por hectare); sua surpresa ao receber a notícia de que o valor declarado “não tinha sido aceito pela Receita Federal”; a contratação de engenheiro para a elaboração de Laudo, crendo que “a problemática seria resolvida” e que ficou “estupefato” quando soube que o valor declarado em sua DITR 2003 para o imóvel em questão foi de R$ 0,44/ha, por “erro de digitação”. Assim, entende que “não pode ser penalizado com multa e correção monetária em cifra exagerada, tendo em vista que, por sua vontade, o valor da terra nua deveria ter sido declarado em R$ 44,00 (quarenta e quatro reais) por hectare, naquele ano de 2003, pugnando desde já pela retificação da declaração do ITR daquele ano”(grifei) É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. Conheço do recurso, já que tempestivo e com condições de admissibilidade. Apesar da manifestação do órgão preparador, na fl. 65, de que não consta autenticação de assinaturas nem autenticação de cópias na apresentação do recurso voluntário, entendo que esse lapso não pode prejudicar o contribuinte, em seu direito à ampla defesa, no seguimento de seu recurso, já que falha maior do responsável pela formalização do processo. Considerando a informalidade ou formalidade mitigada a orientar os processos administrativos, podese verificar por semelhança as assinaturas apostas no recurso Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 70 5 voluntário e na procuração, registrada em Cartório, na fl. 32. Também, o dado que mais interessa no documento anexado na fl.62, que é o valor da negociação do imóvel (R$ 102.500,00) confere com o valor aposto na DITR de 2003, recebida em 01/04/2005 (fls. 15 e 16). MÉRITO. DO ARBITRAMENTO DO VTN. A VERDADE MATERIAL. O valor da terra nua – VTN, declarado pelo contribuinte na DITR/2003, foi alterado com base no SIPT (Sistema de Preços de Terras da RFB) pela autoridade fiscal, uma vez que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, através de Laudo de Avaliação do imóvel, nos ditames da NBR 14.653 da ABNT, o valor declarado, passandose a considerar o valor de R$ 60,92 por hectare, por ela constatado, para o imóvel. É o que se depreende da Notificação de Lançamento. A tela informadora do sistema SIPT encontrase anexada na fl. 45. Ali observase que não constam informações sobre o “VTN médio por aptidão agrícola” para o Município de Santana do Araguaia/PA e que o valor utilizado no lançamento, de R$ 60,92 por hectare, é o “VTN DITR”, ou seja, o valor médio encontrado nas declarações de ITR para os imóveis no município em questão. Este procedimento é o orientado pela RFB às fiscalizações da espécie, como se pode observar nas instruções constantes da fl. 10, sob o título “Sistema de Malha Fiscal do Imposto Territorial Rural – Parâmetro 20: Cálculo do Valor da Terra Nua a partir de 2003”. O comentário sobre a fonte da informação do valor utilizado neste lançamento, aliás, já consta do processo, nas considerações muito bem feitas no Acórdão da DRJ, em 1ª instância, vejamos (fl. 49): “No presente caso é preciso admitir, até prova documental hábil em contrário, que o VTN Declarado, por hectare, de apenas R$ 0,44 (R$ 940,00 : 2.118,0 ha), referente ao exercício de 2003, está de fato subavaliado, posto que o mesmo está bem abaixo de VTN/ha médio, apontado no SIPT, de R$ 60,92, apurado com base nos valores informados nas DITR/2003, pelos próprios contribuintes do ITR, com imóveis rurais localizados no município de Santana do Araguaia – PA”(grifei) Já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF a impossibilidade de utilização do VTNmédio, calculado a partir das declarações de ITR para imóveis localizados em determinado Município, como base para arbitramento de valor da terra nua pela autoridade fiscal, uma vez que além de não encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que não reflete a realidade e a peculiaridade do imóvel, por não considerar a localização e dimensão e a capacidade potencial da terra. Senão vejamos: Acórdão nº 2801002.942 – 2ª Câmara / 1ª Turma Especial (12/03/2013) VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 71 6 Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. Acórdão nº 2201001.945 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (22/01/2013) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido. Assim, é importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 72 7 I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Desta feita, não é possível aceitar o valor arbitrado pela autoridade fiscal lançadora e mantido pelo julgamento de 1ª instância administrativa. Contudo, irreal e, como disse o contribuinte recorrente “absurdo”, é o valor declarado na DITR/2003, de R$ 0,44 (quarenta e quatro centavos de real) por hectare para a “terra nua” do imóvel em questão. Quanto ao Laudo apresentado com finalidade de demonstrar qual seria então este valor, mostrase sucinto, sem especificar critérios utilizados, formas de pesquisa, valores de referência, características peculiares do imóvel e fundamentação, e de forma alguma pode ser considerado para valoração da terra para fins de apuração do ITR, haja vista estar muito distante das normas estabelecidas pela ABNT – NBR 14.6533. Entretanto, em sede de recurso voluntário, traz o contribuinte recorrente informações e documento que nos levam à verdadeira realidade material sobre o imóvel, em 2003. Confessa que adquiriu, mediante cessão, o direito hereditário sobre a propriedade do imóvel, tendo formalizado a negociação em 17 de novembro de 2003, através de escritura pública (cópia anexa fl. 62) pelo valor de R$ 102.500,00 (cento e dois mil e Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 73 8 quinhentos reais). Relata ainda que o imóvel, na época, não possuía qualquer benfeitoria. E diz também que na declaração do ITR 2003, “determinou que fosse declarado, como valor da terra nua, cifra equivalente àquela que realmente havia pago, ou seja, algo em torno de R$ 48,00 (quarenta e oito reais) por hectare” Bem, R$ 48,00 por hectare é o valor decorrente da divisão do valor total pago, de R$ 102.500,00 pela área do imóvel, de 2.118 ha, com aproximação aos inteiros. Ora, que melhor parâmetro para se estabelecer qual era o valor da terra nua em 2003, que não este: o valor escriturado na negociação do imóvel, ocorrida no ano? Assim, não encontramos nos autos qualquer fato, documento ou ilação lógica que possa levar a utilizar o valor de R$ 44,00 (quarenta e quatro reais) por hectare, como pedido pelo contribuinte. É mera sugestão. Quanto às informações de que contratou profissional para elaborar e entregar a DITR, importante colacionar o Art. 4º da Lei 9.393/1996: “Lei 9.393/1996 Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” Em seguida, do Código Tributário Nacional, temos que: “Lei nº 5.172/166 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” Desta feita, não é possível, à luz da legislação tributária, levar em conta tais alegações de que contratou profissional para, em seu nome, elaborar a declaração e “combinou” valores a serem apostos e que houve erro por parte da mesma, com vistas à exclusão de responsabilidade pela infração detectada e sanções conseqüentes. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 74 9 Ademais, a alegação de que ocorreu um “erro de digitação” não se afigura verdadeira. Isso porque o valor da terra nua não é “digitado” na DITR e sim “calculado” a partir das informações de valor total do imóvel menos valor das benfeitorias, como se pode observar na cópia da declaração na fl. 15. Assim, ninguém “digitou” R$ 0,44/ha para a terra nua, mas sim informou o valor total do imóvel corretamente, R$ 102.500,00 e “inventou” um valor de “benfeitorias” de R$ 101.560,00, fazendo então com que o valor da terra nua fosse de inacreditáveis R$ 940,00, que divididos pela área total declarada do imóvel (2.118 ha) fizesse chegar aos irreais R$ 0,44 por hectare. Digo que o valor das benfeitorias foi “inventado” na declaração pois o próprio recorrente reconhece em seu recurso voluntário que ao adquirir os direitos sobre o imóvel, não havia no mesmo qualquer benfeitoria, “estando literalmente em seu estado bruto”. Assim, o que se pode crer é que não houve erro de digitação, mas clara intenção de reduzir o valor do imposto a pagar. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA Neste aspecto, importante frisar que a falta de recolhimento do imposto constatada nos autos enseja sua exigência por meio de lançamento de ofício, com a aplicação da multa de ofício de 75%, prevista na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44. Para aplicação da multa de 75,0% devese observar, primeiramente, o disposto no § 2º do art. 14, da Lei nº 9.393/1996, que assim dispõe: “Art. 14 (...) § 1º (...) § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais.” Essas multas, aplicadas aos tributos e contribuições federais, estão previstas no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, que estabelece: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Portanto, a cobrança da multa lançada de 75% está devidamente amparada nos dispositivos legais citados anteriormente (§ 2º do art. 14 da Lei nº 9.393/1996 c/c o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996). Também, importante lembrar da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 75 10 DOS JUROS DE MORA. Apesar de mencionado apenas “en passant”, pelo recorrente, naquilo que chama de “correção monetária em cifra exagerada” e com a qual não concorda arcar, destacamos que, neste aspecto, é pacífico o entendimento esposado nesta instância administrativa, inclusive já sendo matéria constante de Súmula. Assim, os créditos tributários são cobrados e pagos com a aplicação de juros de mora, com base na Taxa SELIC, vejamos: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4)” CONCLUSÃO Inaplicável o valor da terra nua arbitrado no lançamento, com base no SIPT, tendo como informação a média das DITR no ano, para o Município de localização do imóvel. Também inadmissível o valor constante de Laudo de Avaliação apresentado e anexado aos autos, por absoluta ausência de critérios. Entretanto, consta Escritura Pública onde foram negociados os direitos hereditários sobre o imóvel, no ano de 2003, atribuindo ao mesmo o valor total de R$ 102.500,00 reais, o que representa R$ 48,39 por hectare (2.118 hectares). Relata o contribuinte que o imóvel, na época, não possuía qualquer benfeitoria. Assim, segundo o próprio, o valor total da escritura corresponde ao valor da terra nua. Considerando que não havia qualquer benfeitoria no imóvel, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para alterar o lançamento, atribuindose o valor de R$ 48,39 (quarenta e oito reais e trinta e nove centavos) por hectare para o VTN do imóvel em questão, no exercício de 2003. Inalteráveis o percentual de multa de ofício aplicada, de 75% sobre o valor da infração que restar apontada e o percentual de juros de mora calculado na forma legal. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10218.720081/200751 Acórdão n.º 2801003.050 S2TE01 Fl. 76 11 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /06/2013 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10976.000279/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2004, 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS QUE NÃO SERIAM RECEITAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO MANTIDO. Não tendo sido provado pela recorrente a existência de reapresentação de cheques ou venda de ativo imobilizado, caracteriza-se omissão de receita a existência de depósitos de origem não comprovada.
ESPONTÂNEIDADE. PERDA. A retificação da DCTF, após instaurada a fiscalização através de MPF, e sem que tenha ocorrido a inércia do ente tributante por 60 dias, não caracteriza espontaneidade.
REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 150% PARA 75%. PROCEDENTE. A existência de créditos/depósitos de origem não comprovada, sem a devida prova do dolo, da intenção, do agente não é subsidio suficiente para a qualificação da multa de oficio.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,
Numero da decisão: 1302-001.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício , reduzindo-a para o percentual de 75%.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 15/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS QUE NÃO SERIAM RECEITAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO MANTIDO. Não tendo sido provado pela recorrente a existência de reapresentação de cheques ou venda de ativo imobilizado, caracteriza-se omissão de receita a existência de depósitos de origem não comprovada. ESPONTÂNEIDADE. PERDA. A retificação da DCTF, após instaurada a fiscalização através de MPF, e sem que tenha ocorrido a inércia do ente tributante por 60 dias, não caracteriza espontaneidade. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 150% PARA 75%. PROCEDENTE. A existência de créditos/depósitos de origem não comprovada, sem a devida prova do dolo, da intenção, do agente não é subsidio suficiente para a qualificação da multa de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício , reduzindo-a para o percentual de 75%. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. EDITADO EM: 15/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS QUE NÃO SERIAM RECEITAS. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO MANTIDO. Não tendo sido provado pela recorrente a existência de reapresentação de cheques ou venda de ativo imobilizado, caracterizase omissão de receita a existência de depósitos de origem não comprovada. ESPONTÂNEIDADE. PERDA. A retificação da DCTF, após instaurada a fiscalização através de MPF, e sem que tenha ocorrido a inércia do ente tributante por 60 dias, não caracteriza espontaneidade. REDUÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 150% PARA 75%. PROCEDENTE. A existência de créditos/depósitos de origem não comprovada, sem a devida prova do dolo, da intenção, do agente não é subsidio suficiente para a qualificação da multa de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício , reduzindoa para o percentual de 75%. EDUARDO DE ANDRADE Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 02 79 /2 00 9- 02 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 581 2 MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 15/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, PAULO ROBERTO CORTEZ, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA Fl. 581DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 582 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto, em face da decisão da DRJ, pela recorrente LIDERPLAST DO BRASIL EMBALAGENS LTDA. Em um primeiro momento, o feito foi distribuído para 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, por se tratar de lançamento tributário de IPI, que declinou a competência, uma vez que as exigências tributárias estão lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ e seus reflexos. O processo trata de dois autos de infração lavrados em 27/05/2009 (fls. 010 a 024 e 029 a 045) correspondentes a lançamentos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, do período de junho de 2004 a setembro de 2004 no valor de R$ 756.851,37 e referente ao período de outubro de 2004 a dezembro de 2005 no valor de R$ 6.946.745,34, incluindo o principal, multa de ofício de 150%, e juros de mora. O lançamento dos débitos tributários foi efetuado mediante aferição de (i) diferenças entre o valor do saldo devedor apurado pelo contribuinte em seu livro de Registro e Apuração do IPI (RAIPI) e (ii) Omissão de Receita através de depósitos bancários de origem não comprovada. A recorrente tendo tomado ciência dos lançamentos em 02 de junho de 2009, apresentou impugnação a Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora/MG em 07 de junho de 2019 (fls. 208 a 513), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJJuiz de Fora, nestes termos: Impugnação: a) preliminarmente, nulidade do lançamento, por abuso de autoridade, tendo em vista que o autor da ação fiscal não é profissional habilitado pelo Conselho Regional de Contabilidade para realizar trabalhos de auditoria ou revisão contábil; b) ainda em preliminar, nulidade do feito, por vício formal, em virtude de a autoridade tributária haver deixado de observar o disposto no art. 10, II, do Decreto 70.235/72, que estabelece que o auto de infração deverá conter obrigatoriamente o local, a data e a hora de sua lavratura; c) não há como prosperar a dupla autuação sobre o mesmo período de apuração. Veja que a segunda autuação do IPI chegou ao estratosférico valor de R$ 6.946.745,43; d) em relação aos depósitos/créditos realizados nas contas correntes mantidas pela empresa no Banco Daycoval S/A e no Banco baú S/A, o auditor deixou de excluir as transferências entre contas de mesma titularidade, conforme laudo pericial anexado (fls.242/252); Fl. 582DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 583 4 e) por outro lado, apenas o Banco Daycoval S/A forneceu à ora impugnante os extratos bancários de forma detalhada. Assim sendo, em relação aos créditos/depósitos efetuados neste banco, foi possível aos auditores independentes contratados pela empresa realizar auditoria complexa, demonstrando que os lançamentos a crédito na contacorrente se deram em virtude de notas fiscais emitidas; f) como o Banco baú S/A, até o momento, não atendeu ao pedido da interessada para apresentação dos extratos bancários de forma detalhada (em virtude da falta de apresentação foi, inclusive, proposta ação de exibição de documentos fls. 230/241), os auditores independentes ficaram impossibilitados deverificar a_ origem_dos_créditos/depósitos efetuados na respectiva contacorrente; g) a fiscalização desconsiderou as notas fiscais de entrada bem como o livro Registro de Entradas apresentados pela empresa. É fundamental que se considere os créditos de IPI relativos à entrada de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados no processo industrial, regularmente contabilizados na escrita fiscal. Reitere que nenhum crédito foi considerado pelo auditor; h) não é devido o IPI pretendido nas operações de saída dos produtos fabricados pelo estabelecimento, tendo em vista a suspensão de que trata o art. 29 da Lei n° 10.637/2002, alterado pela Lei n° 10.684/2003; i) a fiscalização valeuse exclusivamente da alíquota de 15% para imprimir a autuação, esquecendose que sobre grande parte das vendas da empresa incide alíquota de 10%; j) o art. 80, II, da Lei n° 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430/96, fundamento legal para imposição da multa qualificada (150%), foi revogado pelo art. 40, I, da Lei n° 11.488/2007, razão pela qual a multa deve ser afastada; k) é de se notar que o mandado de procedimento fiscal originário não abrangia a fiscalização do IPI, logo, a falta de recolhimento só admitiria imposição de multa moratória; 1) essa multa moratória, por seu turno, não poderia estabelecer se nesse ou naquele percentual fixo. Vêse, pois, que a imposição de multa penal de tal ordem implica em verdadeiro confisco; m)como se não bastasse, foram lançadas duas multas sobre o mesmo fato gerador (fl. 6); n) seja como for, por força do disposto no art. 106, II, "c", do CTN, a multa aplicável é a prevista no art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/96, por ser menos gravosa; o) o cálculo dos juros de mora mediante a utilização da taxa Selic afronta os princípios da legalidade, da anterioridade, da Fl. 583DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 584 5 indelegabilidade da competência tributária, da segurança jurídica e da hierarquia das leis; p) a fiscalização desconsiderou as informações prestadas nas DCTFs retificadoras, sob o fundamento de que sua apresentação ocorreu após o início da ação fiscal. Tal procedimento revelase arbitrário, já que a retificação da declaração, quando não vise a excluir ou reduzir tributo, pode se dar a qualquer tempo (art. 147, § 1°, do CTN), não havendo que se falar, assim, em quebra da espontaneidade. A Segunda Turma de Julgamento da DRJJuiz de Fora/MG manteve em parte o lançamento, proferindo o Acórdão nº 0926.662, de 21 de outubro de 2009 (fls. 536/546), com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É de se afastar a presunção legal de omissão de receitas quanto aos créditos/depósitos realizados em contacorrente da contribuinte, originários de outra conta de sua titularidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 ESPONTANEIDADE. PERDA. Não se consideram espontâneos os atos praticados pelo sujeito após a ciência do termo de inicio da ação fiscal. Isso posto, devem ser objeto de lançamento de , oficio as diferenças entre os valores dos tributos e contribuições registrados na contabilidade da empresa, e aqueles informados ao Fisco através das DCTFs apresentadas antes do inicio do procedimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente foi cientificada da decisão de primeira instância em 23 de novembro de 2009, (fls. 554) e interpôs recurso voluntário em 14 de fevereiro de 2012 (fls.818/879), oportunidade em que repisou grande parte dos argumentos trazidos na impugnação. Em síntese, argui o seguinte: (i) Inicialmente alega nulidade do lançamento, por abuso de autoridade, tendo em vista que o autor da ação fiscal não é profissional habilitado pelo Conselho Regional de Contabilidade para realizar trabalhos de auditoria ou revisão contábil; (ii) A fiscalização desconsiderou as informações prestadas nas DCTFs retificadoras, sob o fundamento de que sua apresentação ocorreu após o início da ação fiscal. Portanto, teria ocorrendo o afastamento da espontaneidade; Fl. 584DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 585 6 (iii) Vários lançamentos em contacorrente seriam decorrentes de cheques reapresentados o que não caracterizaria nova receita; (iv) Os créditos em discussão podem ter sido lançados em razão da venda de imobilizado, fato em que tais receitas não haveria a incidência de IPI; (v) Não houve a consideração dos créditos de IPI na entrada de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem regularmente registrado no livro fiscal; (vi) O IPI pretendido não é devido visto que as operações de saída da recorrente estão abrangidas pela suspensão do imposto (IPI) nos exatos termos do artigo 29 da lei 10.637 de 30 de dezembro de 2002; (vii) Ainda que devido o IPI, devese aplicar a alíquota de 10% e não a de 15%; (viii) Seja como for, por força do disposto no art. 106, II, "c", do CTN, a multa aplicável é a prevista no art. 61, § 2°, da Lei n° 9.430/96, (20%) por ser menos gravosa; (ix) O cálculo dos juros de mora mediante a utilização da taxa Selic afronta os princípios da legalidade, da anterioridade, da indelegabilidade da competência tributária, da segurança jurídica e da hierarquia das leis. É o relatório. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 586 7 Voto Conselheiro Relator O recurso voluntário apresenta todos os requisitos de admissibiidade e é tempestivo, assim dele conheço. Passo a analisar as alegações da recorrente a este órgão colegiado de julgamento. 1. DAS ALEGAÇÕES PRELIMINARES – DA NULIDADE PROCESSUAL A recorrente alega ter ocorrido nulidade processual, pois não restou comprovado que o AFRFB estava habilitado junto ao Conselho Regional de Contabilidade – CRC para a prática de ato próprio de profissional de contabilidade, razão pela qual, argumenta a recorrente, o presente auto de infração estaria eivado de nulidade. Quanto a este tema, este Conselho já possui opinião consolidada em sentido diverso ao juízo da recorrente. Por força do art. 72, §4º, do Regimento Interno deste Conselho, adoto a súmula n. 8 do CARF, cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Da leitura do supracitado dispositivo e comparando com a situação ocorrida, é impossível identificar nulidade no processo, sendo que o auto de infração foi lavrado por pessoa competente. Dou como improcedente, portanto, o pedido de nulidade do auto de infração por inobservância do devido processo legal. 2. DAS ALEGAÇÕES DO MÉRITO 2.1 Da retificação após o inicio da fiscalização O AFRFB iniciou a ação fiscal em 23/03/2007, para verificação de créditos e débitos de IPI, através do MPF 06110002007000919, o qual culminou na lavratura do auto de infração em 02/06/2009. A DCTF original referente ao 2º semestre de 2006 foi entregue pela recorrente em 15/10/2007, na qual não consta lançamento de débito referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados (fl. 143 a 144). Fl. 586DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 587 8 Em 17/04/2009, a recorrente entregou DCTF retificadora referente ao mesmo período, mas com valores dos débitos de IPI. Em sua defesa, a recorrente faz menção ao art. 147, § 1º, do CTN, in verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. (grifo não original) Assim, segundo a recorrente, como a retificação teve por objeto a majoração dos tributos devidos e anteriormente declarados, deve ser anulado o auto de infração correspondente ao 2º semestre de 2006, não havendo qualquer vedação legal. Com o devido respeito, não merece procedência a argumentação. Em verdade, já havia processo de fiscalização instaurado através de mandado de procedimento fiscal (MPF) quando da retificação acima mencionada, razão pela qual tem lugar o parágrafo único do art. 138 CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo não original) Portanto, voto pela improcedência da anulação do auto de infração quanto ao 2ª semestre de 2006, pois não configura denúncia espontânea a transmissão de DCTF retificadora após a ciência do início dos procedimentos de fiscalização através de MPF. 2.2 Da reapresentação de cheques. Alegou a recorrente (fl. 564) que determinados depósitos de cheque seriam oriundos de reapresentação, o que não representaria uma nova receita, mas apenas a nova entrada de um valor anteriormente estornado. Contudo a recorrente não apresentou prova, através de documentos hábeis e idôneos, de que certos e determinados cheques foram depositados várias vezes por conta de devolução por motivo qualquer. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 588 9 Nem mesmo a perícia contratada pela recorrente (fls. 249 e ss.) foi capaz de identificar quais dos depósitos constantes no extrato juntados aos autos são oriundos de cheques reapresentados. Inobstante, o êxito do presente argumento da recorrente depende da apresentação de extratos bancários, demonstrando os débitos referentes às devoluções de cheques, com indicação das cártulas e respectivos valores. Ao meu entender, somente assim seria possível concluir, com segurança, que seria devida a redução da base de cálculo empregada pelo AFRFB, uma vez que, com toda certeza, não representa nova receita a reapresentação de cheques devolvidos, mais sim uma nova tentativa de obtêla. Desta forma, embora o argumento da recorrente esteja de acordo com as decisões que este Conselho tem proferido, entendo que não ficou comprovado o objeto da alegação, ônus que recaia sobre a recorrente (art. 333, II, CPC), sobretudo em razão da presunção legal que incide no caso. Portanto, voto pela improcedência do recurso voluntário neste ponto. 2.3 Da venda de imobilizado. A recorrente alega também que determinados depósitos poderiam ser originários da venda de ativo imobilizado, o que igualmente não representaria uma receita da atividade (fl. 564). Novamente, não foram apresentados documentos hábeis e idôneos da ocorrência de tais vendas. Sendo assim, voto pela improcedência do argumento da recorrente. 2.4 Do crédito de IPI registrado no livro fiscal Solicita a recorrente (fl. 565/566) que sejam considerados os créditos de IPI devidamente registrados no livro fiscal. Entretanto, conforme se nota das fls. 20/23 e 41/45, o AFRFB recompôs a escrita de IPI da recorrente, aproveitando todos os créditos que ali estavam escriturados. Na verdade, nem sequer foi distinguido matériaprima, de produto intermediário e de material de embalagem. Ainda, a recorrente havendo constatado omissão de créditos líquidos e certos por parte do AFRFB, deveria esta ter apresentado minuciosamente tais omissões, para que este colegiado pudesse avaliar sua legalidade, como não o fez não há subsídios fáticos para considerar tais “omissões”. Assim, voto pela improcedência do recurso voluntário neste ponto, tendo em vista que as recomposições efetuadas pelo AFRFB fazem total prova do aproveitamento, ao contrário do que alega a recorrente. 2.5 Da suspensão do IPI Fl. 588DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 589 10 Ainda, alega a recorrente (fl. 566) que não é devido o IPI na saída dos produtos fabricados por ela, tendo em vista a suspensão prevista no art. 29 da 10.637/2002 com alteração trazida pela lei 10.684/2003, in verbis: Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) [...] § 7o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; II declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. [...] Contudo a recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de comprovar seu direito a suspensão do IPI. Ainda, pela análise das notas fiscais por ela emitidas e acostadas ao presente processo (fl. 254/368), vêse que consta a tributação do IPI, ora pela alíquota de 10%, ora pela alíquota de 15%. Desta forma, voto pela improcedência do recurso quanto à alegação de suspensão de IPI nas vendas praticas pela recorrente. 2.6 Da aplicação da alíquota de 15% A recorrente se manifesta de forma contrária ao AFRFB no que tange a aplicação da alíquota de IPI de 15% (fl. 566) sobre os valores de receita omitida. De forma resumida, argumenta que sobre grande parte das receitas de venda deveria ter sido aplicada a alíquota de 10%. A argumentação não se sustenta, uma vez que o art. 448, §§1º e 2º, do RIPI/2002 é claro quanto à aplicabilidade de alíquotas incidente sobre os créditos/depósitos de origem não comprovada: Art. 448. Constituem elementos subsidiários, para o cálculo da produção, e correspondente pagamento do imposto, dos estabelecimentos industriais, o valor e quantidade das matérias primas, produtos intermediários e embalagens adquiridos e empregados na industrialização e acondicionamento dos produtos, o valor das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo Fl. 589DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 590 11 de produção, assim como as variações dos estoques de matérias primas, produtos intermediários e embalagens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 108). §1º Apurada qualquer falta no confronto da produção resultante do cálculo dos elementos constantes desse artigo com a registrada pelo estabelecimento, exigirseá o imposto correspondente, o qual, no caso de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas e preços diversos, será calculado com base nas alíquotas e preços mais elevados, quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do estabelecimento. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) §2º Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, considerarseão provenientes de vendas não registradas e sobre elas será exigido o imposto, mediante adoção do critério estabelecido no § 1º. (Incluído pelo Decreto nº 4.859, de 14.10.2003) (grifo não original) Desta forma, ao caso em tela, aplicase o § 2º em combinação com o § 1º, ambos do art. 448 do RIPI/2002, incidindo a alíquota de 15% aos créditos/depósitos de origem não comprovada, dando como improcedente o recursos voluntário. 2.7 Da multa de 150% Ao lavrar o auto de infração, o AFRFB aplicou a multa de 150%, nos termos do art. 80, inciso II da Lei 4.502/64, que assim dispõe: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício: (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) II cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. (Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) (grifo não original) Contudo, a recorrente, ao impetrar recurso voluntário junto a este colegiado, diz que a multa aplicada (fl. 567) foi a constante no art. 44, inciso II da lei 9.430/96, que versa sobre a aplicação da multa de 150% para Impostos de Renda e Contribuição Social: Fl. 590DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 591 12 Portanto, vêse que a argumentação da recorrente está dissociada da realidade dos autos. Todavia, ainda assim, a requerente não pede ou argumenta a redução da sua multa de 150% para 75%, pede sim a redução para a multa de 20% (multa de mora) prevista no art. 61, § 2º da lei 9.430/96. Tal pedido não possui qualquer amparo legal e nem tem por base as decisões emanadas deste colegiado. Assim também julgo improcedente o presente recurso quanto a este item Porém, em virtude do dever de ofício em reconhecer qualquer ilegalidade na aplicação de um dispositivo legal, que possa inclusive acarretar a nulidade da multa aplicada, passo a analisar a possibilidade da redução da multa de 150% para 75%, ou seja, desqualificar a multa aplicada. Entendo no caso em tela não ocorreu o dolo de sonegação, já que durante o processo não foi comprovado pela AFRFB o evidente intuito de fraude por parte da recorrente ao não escriturar parte dos créditos/depósitos em sua contabilidade e livro de apuração de IPI e conforme sumulas 14 e 25 deste órgão: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (grifo não original) Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita oude rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multade ofício, sendo necessária à comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. (grifo não original) Deste modo, cumpre enfatizar que a mera omissão de rendimentos, a mera ausência de sua declaração perante o Fisco não pode ensejar a qualificação da multa. E porquê? Porque estes fatores, por si só, não conduzem à configuração do necessário evidente intuito de fraude. Ainda mais aqui neste caso que o auto é formado por duas partes: a) O primeiro correspondentes a lançamentos de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, do período de junho de 2004 a setembro de 2004 no valor de R$ 756.851,37, originário das diferenças entre o valor do Fl. 591DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 592 13 saldo devedor apurado pelo contribuinte em seu livro de Registro e Apuração do IPI (RAIPI); b) O segundo referente ao período de outubro de 2004 a dezembro de 2005 no valor de R$ 6.946.745,34, originário da Omissão de Receita através de depósitos bancários de origem não comprovada A aferição do dolo, obviamente, demanda uma análise que se revela, de certo modo, subjetiva. Subjetiva no sentido de que cumpre ao julgador, em face dos fatos apurados nos autos, avaliálos e atribuir a eles uma condição que permita a afirmação de que o contribuinte procedeu com intuito evidente (ou seja, alheio a qualquer dúvida) de fraudar o fisco, de lesar o fisco. O AFRFB buscou seu fundamento no fato de que “em tese” (fl.60) os fatos que ocorridos configuram crime contra a ordem tributária: Logo, o mesmo não conseguiu auferir com toda a certeza a ocorrência do dolo, da vontade da recorrente em praticar o ato de omissão dos créditos/depósitos de origem não comprovada, tanto no livro de apuração do IPI quanto em sua contabilidade. Na omissão de depósitos bancários estamos diante de uma presunção, e ai deve haver provas concretas e diretas do dolo, da fraude e da simulação, o que no presente caso não ocorre. Não podemos dizer que há dolo de fraude diante de uma presunção de omissão de receita. Diante do exposto, voto por reconhecer de ofício a redução da multa punitiva de 150% para 75% em virtude de haver apenas uma presunção legal e não prova direta do dolo por parte da recorrente. 2.8 Da utilização da taxa selic Por fim, alega a recorrente que taxa Selic deve ser afastada por ferir princípios esculpidos na Carta Magna e no Código tributário nacional, sobre esse tema este Conselho pacificou o entendimento de que não pode se manifestar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, motivo pelo qual deixo de analisála. É o que consta na súmula nº 2 o CARF, a qual adoto por força do art. 72, §4º, do Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Inobstante, vale ressaltar que a aplicação da taxa SELIC também restou pacificada por este Conselho, consoante o teor da súmula nº 4 do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Fl. 592DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO Processo nº 10976.000279/200902 Acórdão n.º 1301000.182 S1C3T1 Fl. 593 14 pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto voto pela improcedência do recurso voluntário quanto ao afastamento da taxa Selic, o que faço com fulcro nas súmulas nº 2 e 4 desde Colegiado, adotadas por força do art. 72, §4º, do Regimento Interno deste Conselho. 3. CONCLUSÕES Ante todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa qualificada do percentual de 150% para 75%, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 593DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 31/05/201 3 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO
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Numero do processo: 10920.001933/2004-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
PIS/PASEP NÃO-CUMULATIVO. ADIANTAMENTOS SOBRE CONTRATOS DE CÂMBIO (ACC) E DE CAMBIAIS ENTREGUES (ACE). DIREITO DE CRÉDITO.
Os juros e demais despesas cobrados pelas instituições financeiras nas operações de adiantamento sobre contrato de câmbio (ACC) e de cambiais entregues (ACE), dão direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep de incidência não-cumulativa, calculado na forma da redação original do inciso V, do art. 3º, da Lei n º 10.637/2002.
Numero da decisão: 3102-000.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. ADIANTAMENTOS SOBRE CONTRATOS DE CÂMBIO (ACC) E DE CAMBIAIS ENTREGUES (ACE). DIREITO DE CRÉDITO. Os juros e demais despesas cobrados pelas instituições financeiras nas operações de adiantamento sobre contrato de câmbio (ACC) e de cambiais entregues (ACE), dão direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep de incidência nãocumulativa, calculado na forma da redação original do inciso V, do art. 3o, da Lei n º 10.637/2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator. Redator designado. EDITADO EM: 07/07/2011 Fl. 721DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 0618.171, de 28/05/2008, da 3a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba/PR. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos, seus conteúdos, e fases processuais já vencidas. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 688691): Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Mercado Externo (fl. 236), protocolizado em 13/04/2005, relativo ao 2° trimestre/2004, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no montante de R$ 1.632.577,03. A parcela do referido crédito tributário correspondente a R$ 1.010.202,28 foi utilizada para compensação mediante a apresentação das DCOMP de fls. 01/02, 05/06 e 09/10. A DRF em Joinville/SC, por meio do Despacho Decisório de fls. 239/242, a partir das informações fornecidas pela interessada, deferiu parcialmente a solicitação, reconhecendo o crédito no valor de R$ 1.538.907,75, e autorizando a compensação e pagamento até o limite do crédito reconhecido. De acordo com o referido despacho decisório, a parcela não deferida consiste: 1. Na glosa parcial dos créditos relativos a despesas financeiras de empréstimos e financiamentos concernentes aos valores declarados a título de Juros s/ Financiamento Capital de Giro, Juros s/ Exportação, Variação Cambial ACE e Variação Cambial ACC, por não se enquadrarem na descrição de despesas financeiras do art. 3° da Lei n° 10.637/2002, quais sejam, despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica; 2. Na glosa parcial dos créditos relativos a despesas de aluguéis pagos a pessoas jurídicas, devido à apuração sob o regime de competência das despesas, segundo seus períodos de locação. À fl. 250, em atendimento ao Despacho Decisório de fls. 239/242, consta a informação a respeito da efetivação das compensações consignadas nas DCOMP de fls. 01/02, 05/06 e 09/10, bem como da existência de saldo credor remanescente no valor de R$• 528.705,57. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10920.001933/200428 Acórdão n.º 310200.834 S3C1T2 Fl. 322 3 Cientificada do despacho decisório de fls. 239/242 e do procedimento de compensação informado à fl. 251 em 18/04/2005 (AR, fl. 275), a interessada, por intermédio do procurador habilitado (fls. 262/264), apresentou, em 17/05/2005, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 254/261, cujo teor será a seguir sintetizado: De início, após fazer referência às glosas procedidas pela autoridade fiscal, diz que o recorrido despacho decisório deve ser reformado no que diz respeito à glosa dos créditos relativos às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoa jurídica; Quanto ao direito, alega que as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos de pessoas jurídicas podem ser descontadas como créditos na apuração do PIS/PASEP, de acordo com o art. 3°, V, da Lei n° 10.637/2002, e que os valores de operações de Adiantamentos sobre Contratos de Câmbio ACC e de Adiantamentos sobre Cambiais Entregues ACE enquadramse efetivamente na descrição de despesas financeiras constante do mencionado dispositivo legal, em conformidade com os art. 375 e 377 do Decreto n° 3.000/99 (RIR) e art. 9° da Lei n° 9.718/98. Argumenta, ainda, que os Juros sobre Exportação referem se aos juros cobrados pelas instituições financeiras domiciliadas no país, relativamente às operações de Adiantamento de Contrato de Câmbio ACC e Adiantamento sobre Cambiais Entregues — ACE. Neste sentido cita as Consultas SRRF/10°RF n° 208/2003 e 237/2004; Requer, pelo exposto, seja reconhecido o direito creditório da parcela correspondente aos valores declarados no demonstrativo de apuração do PIS/PASEP — Outras Operações com Direito à Crédito, relativos a Juros sobre Exportação, Variação Cambial ACE e Variação Cambial ACC. É o relatório. Ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, a 3a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba/PR, após circunscrever o objeto de análise à natureza dos Adiantamentos de Contrato de Câmbio – ACC e dos Adiantamentos sobre Cambiais Entregues – ACE, exarou entendimento no sentido de que ambas as operações não se enquadram no conceito de despesa financeira versado no art. 3o, inciso V, da Lei n º 10.637/2002 e respectivo da Lei n º 10.833/2003, sendo elas custos referentes ao contrato de câmbio, logo, sem previsão legal para integrarem a base para o cálculo utilizada para a apuração de créditos na sistemática não cumulativa da contribuição ao PIS e da Cofins. Regularmente cientificada do julgamento pela instância a quo, a contribuinte manejou Recurso Voluntário (fls. 697707) que ora é objeto de exame, pelo qual basicamente reitera os seus argumentos já lançados por ocasião da sua manifestação de inconformidade. Em acréscimo, procura esclarecer a natureza das operações (ACC e ACE) sobre as quais pretende ver assegurada a apuração de créditos sobre as respectivas despesas, na forma do art. 3o, inciso V, da Lei n º 10.637/2002 e respectivo da Lei n º 10.833/2003. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 É o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Relator, LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES.f Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Tratase de recurso voluntário pelo qual a Recorrente pretende que lhe seja assegurada, dentro da sistemática não cumulativa de apuração da contribuição ao PIS/PASEP, a apuração de créditos sobre despesas as quais reputam ser financeiras, suscitando como esteio legal a norma jurídico do art. 3o, inciso V, da Lei n º 10.637/2002, em sua redação vigente à época dos eventos. A solução da controvérsia perpassa pela análise das operações de Adiantamentos de Contrato de Câmbio – ACC e de Adiantamento sobre Cambiais Entregues – ACE, especificamente no sentido de se saber se poderiam ser tratadas como operações de financiamentos ou empréstimos, a quem a norma jurídica acima citada assegurou a manutenção de créditos às respectivas despesas vinculadas. Na decisão recorrida, a pretensão da contribuinte fora afastada pelas motivações contidas no trecho abaixo transcrito do referido acórdão: Ocorre que as despesas financeiras tratadas no presente caso são decorrentes de contratos de Câmbio, ou seja, não são decorrentes de contratos firmados pelo sujeito passivo para obtenção de empréstimos ou financiamentos. Assim, o Adiantamento de Contrato de Câmbio –ACC e o Adiantamento sobre Cambiais Entregues ACE, por constituíremse conseqüência do contrato de câmbio propriamente dito, sendo, pois, uma operação de compra e venda de moeda estrangeira, escapam ao conceito de operação de crédito, estando, por isto, fora do alcance do dispositivo legal supratranscrito. • O próprio nome Adiantamento sobre Contrato de Câmbio ou Adiantamento sobre Cambiais Entregues está a indicar que se trata de uma operação de antecipação da moeda nacional que se faz ao exportador, relativa à moeda estrangeira adquirida pelos bancos. Não se trata de operação de crédito, não podendo, portanto, o adiantamento ser confundido com um financiamento concedido ao exportador. Investigando a natureza das operações versadas, constatamos, contudo, que razão não assiste a instância a quo, posto que se revestem os Adiantamentos de Contrato de Câmbio – ACC e os Adiantamentos sobre Cambiais Entregues – ACE de características diversas daquelas desenhadas no acórdão vergastado, reclamando, assim, por consequências diversas. Embora admitindo que a nomenclatura eleita para as operações possa levar à confusão, como incorreu o acórdão recorrido, de que haveria um adiantamento do exportador (contribuinte) ao adquirente de seus bens, estou convencido de que existe nas referidas operações um adiantamento financeiro por este último aquele primeiro. Fl. 724DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10920.001933/200428 Acórdão n.º 310200.834 S3C1T2 Fl. 323 5 Aliás, tratandose de exportação de bens (mercadorias), fato este incontroverso, insensato seria imaginar, tal como fez a autoridade recorrida, que exatamente o exportador adiantasse recursos financeiros ao próprio adquirente, quando o trânsito de recursos se dá deste para aquele, como contraprestação ao negócio jurídico de compra e venda. As operações designadas por Adiantamento sobre Contrato de Câmbio – ACC e Adiantamento sobre Cambiais Entregues – ACE são, na realidade, financiamentos efetivos à exportação, pois concedidos mediante cobrança de taxa de juros e de spread de risco, como forma de viabilizar a respectiva atividade, seja ela produtiva ou comercial. Aliás, é o que se infere de nota explicativa sobre tais operações constante do sítio eletrônico do Ministério da Fazenda, em tópico sob o título “Mecanismos de Financiamento Privado a Exportação”, cujo texto reproduzimos: Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) e Adiantamento sobre Contrato de Exportação (ou sobre Cambiais Entregues) (ACE) Os Adiantamentos sobre Contrato de Câmbio (ACCs) e Adiantamentos sobre Contratos de Exportação (ou sobre Cambiais Entregues) (ACEs) são as modalidades de financiamento a exportações mais difundidas no mercado, respondendo historicamente por mais da metade do volume de câmbio contratado. Em ambas as modalidades, o exportador recebe antecipação, parcial ou total, em moeda nacional do valor equivalente à quantia em moeda estrangeira comprada a termo pelo banco, descontada a uma taxa de juros internacional à qual é somado spread que embute o risco da operação. Essa antecipação de recursos representa importante incentivo à exportação, na medida em que dá meios ao exportador para custear o processo de industrialização e de comercialização a taxas inferiores às do mercado doméstico. A Circular BACEN 2.632/95, que regula a modalidade, determina que o fim precípuo do mecanismo é o apoio financeiro à exportação. Apesar de serem modalidades idênticas quanto à forma de operação, os ACCs compreendem as operações préembarque (adiantamento até 180 dias antes do embarque, podendo ser estendido a 360 dias, para liquidação do câmbio), ao passo em que os ACEs englobam as operações pósembarque (até 60 dias após o embarque, podendo o prazo ser estendido até 180 dias). Com isto, os ACCs destinamse ao financiamento da produção, enquanto os ACEs destinamse quase que exclusivamente à geração de capital de giro. Uma operação conjugada de ACC e de ACE obtém prazo de até 540 dias para liquidação. Embora não vinculativas, de inestimável valor possuem as soluções de consulta colacionadas pela Recorrente, admitindo a tomada de créditos em relação as despesas vinculadas as operações em exame. Atentese: SOLUÇÃO DE CONSULTA No 237 de 16 de Julho de 2004. Órgão: Superintendência Regional da Receita Federal SRRF/ 10a Região Fiscal. ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 725DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 EMENTA: "REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. ADIANTAMENTO SOBRE CONTRATO DE CÂMBIO (ACC). Os juros pagos ou creditados a instituições financeiras domiciliadas no País, relativamente a operações de adiantamento sobre contrato de câmbio (ACC), bem como as variações cambiais passivas vinculadas a essas operações, dão direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep apurada segundo o regime de incidência nãocumulativa. Esse direito extinguir seá a partir de 10 de agosto de 2004. ASSUNTO: Contribuicão vara o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. EMENTA: REGIME NÃOCUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. ADIANTAMENTO SOBRE CONTRATO DE CÂMBIO (ACC). Os juros pagos ou creditados a instituições financeiras domiciliadas no Pais, relativamente a operações de adiantamento sobre contrato de câmbio (ACC), bem como as variações cambiais passivas vinculadas a essas operações, dão direito a crédito a ser descontado da Cofins cobrada segundo o regime de incidência não cumulativa. Esse direito extinguirseá a partir de 10 de agosto de 2004" SOLUÇÃO DE CONSULTA No 208 de 14 de Novembro de 2003 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: "ADIANTAMENTO SOBRE CONTRATO DE CÂMBIO (ACC). PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. DIREITO DE CRÉDITO. Os juros cobrados pelas instituições financeiras nas operações de adiantamento sobre contrato de câmbio (ACC), bem como as variações cambiais passivas relativas a essas operações dão direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep de incidência nãocumulativa, calculado na forma da lei". Pois bem. Não tendo como se negar às operações examinadas a natureza de financiamentos, temse como consectário lógico a admissão, na forma do então vigente redação do inciso V, art. 3o, da Lei n. 10.637/2002, do desconto de créditos decorrentes da sistemática não cumulativa de apuração da contribuição ao PIS, referentes a todas as despesas vinculadas a tais operações, naturalmente juros, spread de risco e demais taxas incidentes sobre elas. Confirase a redação da citada norma legal, cujo texto não deixa margens à interpretação diversa: Art. 30 Do valor apurado na forma do art. 20 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) • V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;". Diante das premissas ora estabelecidas, conheço do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO. LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Fl. 726DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10920.001933/200428 Acórdão n.º 310200.834 S3C1T2 Fl. 324 7 Fl. 727DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 07 /07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.937273/2008-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/11/2003
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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(sucessora por incorporação de Preference Serviços de Administração de Condomínio e Hotelaria Ltda.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/11/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/11/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 72 73 /2 00 8- 62 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório PREFERENCE SERVIÇOS DE ADMINISTRAÇÃO DE CONDOMÍNIO E HOTELARIA LTDA. transmitiu, em 29/06/2004, o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp nº 18634.57017.290604.1.3.041179, fls. 06 a 10, pretendendo extinguir débitos, no valor total de R$ 9.055,81, pela via de sua compensação com créditos decorrentes de recolhimento indevido de PIS (código de receita: 8109, período de apuração: 30/06/2003), efetuado em 14/11/2003, no valor total de R$ 7.878,73. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO), por meio do Despacho Decisório Eletrônico nº 791217794, fls. 01, indeferiu o pleito repetitório porque, a partir do DARF indicado, foram localizados pagamentos parcialmente utilizados para a quitação de débitos do Contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para a quitação da compensação dos débitos informados, resultando na homologação parcial da compensação declarada. Sobreveio reclamação, fls. 11, por meio da qual o interessado afirmou que apurou e declarou o pagamento em sua DCTF e que seu crédito é suficiente para amparar a compensação efetuada. Requereu a revisão do Despacho Decisório com o reconhecimento de seu crédito. Instruiu a peça de reclamação com cópias da tela da DCTF, do DARF da alteração do contrato social e de documentos pessoais da sócia. A 13ª Turma da DRJ/SP1 julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente por falta de prova do direito creditório. O Acórdão nº 1635.757, de 20 de janeiro de 2012, fls. 37 a 42, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 15/05/2001 Ementa: DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova quanto aos motivos determinantes das alterações nos débitos confessados originalmente por intermédio da DCTF, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.937273/200862 Acórdão n.º 3403002.244 S3C4T3 Fl. 60 3 DESPACHO DECISÓRIO. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 13ª Turma da DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 46 a 54, após síntese dos fatos relacionados com a lide, invoca o princípio da verdade material e argumenta que “a dita falta de "prova" do crédito não serve como fundamento ao indeferimento do mesmo, uma vez que não foi oportunizada à Recorrente a indicação desta famigerada "prova" e nem mesmo foilhe indicado o que se entende por "prova", uma vez que tudo o que servira de prova do crédito buscado foi informado pela Contribuinte.” Entende que a autoridade julgadora de 1ª instância deveria ter diligenciado à DRF responsável para que esta analisasse o crédito. Cita e transcreve jurisprudência que entende amparar sua argumentação. Requer diligência. Conclui, requerendo o recebimento e acolhimento do recurso para que seja declarada a nulidade da cobrança dos débitos residuais constantes do PER/DComp nº 18634.57017.290604.1.3.041179, a partir de seu despacho decisório, de modo que a DRF de Florianópolis analise os fundamentos do pleito à luz do princípio da verdade material e de toda a documentação e informações probatórias existentes, quer sejam anexadas ao processo ou constantes da base de dados de obrigações acessórias da RFB, a fim de que seja reconhecido o direito creditório da Recorrente em sua integralidade e por fim homologadas as compensações realizadas. Alternativa e sucessivamente, requer a inclusão dos débitos, para quais houve o indeferimento da compensação, no parcelamento previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 46 a 54 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJSP113ª Turma nº 1635.757, de 20 de janeiro de 2012. Matéria de extremada importância em sede processual é a referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas. Com efeito, da delimitação do onus probandi depende a definição de grande parte das responsabilidades processuais. Assim é nas relações de direito privado e, igualmente, nas relações de direito público, dentre as quais as relacionadas à imposição tributária. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 Neste campo, a legislação processual administrativotributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, não basta a afirmação, por parte da autoridade fiscal, de que ocorreu o ilícito tributário; pelo contrário, é fundamental que a infração seja devidamente comprovada, como se depreende da parte final do caput do artigo 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 PAF, que determina que os autos de infração e notificações de lançamento "deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". De outro lado, ao contribuinte a legislação impõe o ônus de provar o que alega em face das provas carreadas pela autoridade fiscal, como expresso no inciso III do artigo 16 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, que determina que a impugnação conterá "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Esse, portanto, o quadro nos lançamentos de oficio: à autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito; ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Já nos casos de repetição de indébito, como no presente processo, entretanto, o quadro resta um pouco modificado, como a seguir se verá. Quando a situação posta se refere à restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, como no caso que ora se apresenta, é atribuição do contribuinte a demonstração da efetiva existência do indébito. Tanto é assim que a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que regia, à época da transmissão do PER/DComp, os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários, assim expressa em vários de seus dispositivos: Art. 3° A restituição a que se refere o art. 2° poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § Iº A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante cio Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. [..1 § 4° Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3° serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.937273/200862 Acórdão n.º 3403002.244 S3C4T3 Fl. 61 5 [..1 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada. mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Como se percebe, em qualquer dos tipos de repetição é exigida a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prerrequisito ao conhecimento do pleito. E o que se deve ter por documentos comprobatórios do crédito? Por óbvio que os documentos que atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. Sem tal evidenciação, o pedido repetitório fica inarredavelmente prejudicado. Não é lícito ao julgador, tanto em sede de apreciação de lançamento de oficio, quanto em sede de pleito repetitório, dispensar a autoridade lançadora ou o pleiteante, conforme o caso, do ônus que a lei impõe a cada um deles; tanto quanto não lhe é lícito valer se das diligências e perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório que cabia a cada parte. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para fins de que sejam dirimidas questões para as quais exigese conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio – de natureza estritamente processual, e não material destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito repetitório seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/DComp comprova um recolhimento, de outro, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento seja Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN 6 indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. À exceção de algumas notas fiscais de venda, que nada provam quanto a comporem ou não a base de cálculo da contribuição por fazeremse desacompanhadas da escrituração contábilfiscal, nada mais há. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) Fl. 64DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10880.937273/200862 Acórdão n.º 3403002.244 S3C4T3 Fl. 62 7 PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) À falta da prova do erro, capaz de afastar o atributo de irretratabilidade da confissão de dívida, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. Deixo de conhecer o pedido de inclusão em programa de parcelamento do débito que emergiu inadimplido em razão da não homologação de sua compensação por falta de competência legal para apreciação de pleitos da espécie. Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 65DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10783.904828/2009-79
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-001.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva.
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ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 48 28 /2 00 9- 79 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório ARCA ARMAZENS GERAIS NORTE CAPIXABA LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. O presente processo tem como objeto a compensação que é objeto da declaração 40063.94082.261005.1.3.049965. 0 crédito pleiteado, no valor de R$ 3.025,83, referese a parcela de pagamento indevido de estimativa de CSLL (código 2484), mês 08/2001, no valor total de R$ 4.188,87. Conforme despacho decisório eletrônico de fls 05 a declaração de compensação foi não homologada sob o fundamento de que o recolhimento apontado como origem do crédito teria se esgotado para extinguir débito cuja receita, período e valor são coincidentes com aqueles do alegado crédito. Cientificada do despacho em 29/04/2009 (fls 17), a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls 01/04, na qual alega que, equivocadamente, informou no Per Dcomp que seu crédito seria referente a pagamento indevido de estimativa, referente a agosto de 2001, quando, na verdade, é oriundo de saldo negativo de CSLL apurado no mesmo ano. Aduz, ainda, que não teria logrado êxito em sua tentativa de promover a retificação do Per Dcomp, quanto à natureza do crédito. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão nº 1238.484, de 13 de julho de 2011 (fls. 25/28), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO. A declaração de compensação somente pode ser retificada enquanto pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 22/12/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 44 eproc), apresentou o recurso voluntário em 20/01/2012 fls. 46/51, onde reafirma seu direito ao crédito postulado indevidamente como pagamento a maior ou indevido, quando se trata na realidade de saldo negativo de CSLL. É o relatório Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10783.904828/200979 Acórdão n.º 1803001.748 S1TE03 Fl. 111 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de PER/DCOMP cujo direito creditório foi postulado como pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL relativa ao fato gerador 31/08/2001, pagamento realizado em 28/09/2001. Alega a recorrente em síntese que teria cometido lapso material no preenchimento da PER/DCOMP sendo que a estimativa recolhida compõe na verdade o saldo negativo de CSLL de 2001, conforme pode ser verificado junto a sua DIPJ. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, inicialmente não subsiste mais a restrição em relação a compensação de estimativas de IRPJ e CSLL recolhidas indevidamente, apontada como óbice pela Delegacia de Julgamento, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 84: (verbis) Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Já o único fundamento contido no despacho decisório (fl. 18 e 32 eproc) é de que o crédito pretendido já se encontra alocado para outros débitos do contribuinte. A confirmarse a efetiva existência de saldo negativo de CSLL de acordo com a sua DIPJ relativa ao ano calendário 2001 haveria em tese direito creditório frente a Fazenda Nacional. Considerando, a alegação de que o valor indevidamente recolhido integra o saldo negativo de CSLL, a este título deve ser considerado e apreciado pela unidade jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 16/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002242/00-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:19/06/2000
MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES.AUSÊNCIA DE TIPICIDADE.
Importação para reposição de mercadorias defeituosas, amparadas por licenças de importação, nos termos da Portaria MF 150/82.
Caso concreto que não se subsume à hipótese do artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/1985, vigente á época.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3201-001.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Os conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:. Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Fábia Regina Freitas, Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador:19/06/2000 MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES.AUSÊNCIA DE TIPICIDADE. Importação para reposição de mercadorias defeituosas, amparadas por licenças de importação, nos termos da Portaria MF 150/82. Caso concreto que não se subsume à hipótese do artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/1985, vigente á época. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Os conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Marcos Aurelio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:. Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Fábia Regina Freitas, Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Importação para reposição de mercadorias defeituosas, amparadas por licenças de importação, nos termos da Portaria MF 150/82. Caso concreto que não se subsume à hipótese do artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/1985, vigente á época. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Os conselheiros Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Marcos Aurelio Pereira Valadão – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 22 42 /0 0- 78 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros:. Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Fábia Regina Freitas, Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Contra a ora Recorrente foi lavrado auto de infração para a exigência de crédito tributário no valor de R$ 51.685,81 referentes a imposto de importação, multa por falta de licença de importação, multa regulamentar por falta de mercadoria declarada (50%), multa regulamentar por falta de fatura comercial (10%), IPI, multa proporcional (75%), porque em ato de conferência aduaneira teria sido constatada divergência de mercadoria importada com a declarada. Através da declaração de importação n° 00/05497480, foi submetido a despacho mercadorias para reposição, em substituição de mercadorias anteriormente importadas, tendo em vista defeito e prazo de garantia concedido pelo exportador, conforme apurado no processo n° 12466.001288/9928, que autorizou o pleito da Recorrente. Em ato de conferência aduaneira a fiscalização constatou (Termo de Constatação de Divergências, fl .34) que as mercadorias declaradas na DI não foram apresentadas para despacho (quadro 1, fl. 34), mas sim, outras mercadorias com códigos e descrições divergentes daquela apresentada (quadro 2, fl. 34), que redundou na autuação. Apresentada a impugnação, a DRJ de Florianópolis determinou que o processo baixasse em diligência para elaboração de informação técnica pelo ITUFES, com o objetivo de verificar se as placas importadas atendiam às mesmas finalidades de uso das placas defeituosas devolvidas. Intimado o ITUFES para apresentação das informações requeridas, este encaminhou o Oficio 9/2010 (fl. 299), em 04/12/2010, em que informa não ter sido possível elaborar o laudo solicitado, pois, após inúmeras tentativas, restaram infrutíferas as tentativas de localizar a Recorrente. Intimada do resultado da diligência, a interessada apresentou aditamento impugnação (fls. 302 a 310) apresentada. Através do Acórdão 0725.244 1a Turma da DRJ/FNS, julgou improcedente o pedido da Recorrente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO LI Data do fato gerador: 19/06/2000 FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de licença para importação quando resta demonstrado, nos autos, que a mercadoria efetivamente importada estava sujeita a licença, e que referida licença não foi obtida, pelo importador, junto Fl. 395DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.002242/0078 Acórdão n.º 3201001.283 S3C2T1 Fl. 94 3 ao órgão competente para apresentação tempestiva por ocasião do despacho aduaneiro. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Na decisão ora recorrida, inicialmente delimitouse o litígio, para enfrentar apenas a exigência relativa à multa administrativa por falta de licenciamento na importação, uma vez que a Recorrente efetuou os pagamentos referentes à multa regulamentar II, o imposto II, multa proporcional (50%), IPI, multa proporcional IPI (50%), e seus respectivos juros (fl. 50). Preliminarmente, afastou o erro de identificação do sujeito passivo, com fulcro nos artigos 412, 499 e 500 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°91.030/85, a despeito de a Recorrente alegar ser importadora por conta e ordem Sobre o mérito, asseverou que por ocasião da verificação física das mercadorias, a fiscalização teria constatado que as mercadorias submetidas a despacho eram divergentes daquelas declaradas no despacho, ao passo que as mercadorias para as quais a interessada possuía licença de importação não foram encontradas. Assim, a alegada impossibilidade de repor mercadorias idênticas não afastaria a obrigação de a interessada descrever corretamente e obter a devida licença para as mercadorias que importou. Finalmente, em relação à aplicação do Parecer COSIT n° 54/98, imporia a aplicação da multa por falta de licença de importação para as mercadorias divergentes, contudo, no caso concreto, não seria aplicável, pois a Recorrente teria desbordado os limites de tolerância (5% quantidade), dado que conforme Termo de Constatação de Divergências (fl. 34) restara caracterizado a existência de 33 unidades em excesso e a falta de outras 33 unidades. No recurso voluntário apresentado, alegou a Recorrente: i. prescrição intercorrente, com fulcro no §4o, do art. 40 da Lei n. 6830/80; ii. a aplicação do art.24 da lei n. 11.457/2006, que prevê o prazo de 360 dias para o proferimento de decisões administrativas; iii.ofensa ao Princípio da Oficialidade, da Legalidade e da Razoável Duração do Processo; iv. a tecnologia das Placas de Circuito, sejam elas para PABX ou computador evoluem numa celeridade que se tornaria impossível receber material idêntico e muito menos com os mesmos números de série, tornando completamente inviável a substituição de tais mercadorias, considerandose, ainda, a garantia de 4 anos dessas mercadorias; v. a correição do procedimento adotado, de requerimento de reposição de mercadorias defeituosas, que estariam fora do campo de incidência dos tributos aduaneiros; Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 vi. aplicação do Parecer COSIT n. 54/98; vii. a prova de que as mercadorias importadas em reposição eram idênticas às inicialmente importadas, deve ser feita pelo Fisco, por força do Princípio da Presunção da Inocência e da Verdade Material; viii. que o processo administrativo 12.466.01288/9928, juntado em cópia simples aos autos, contém em seu bojo laudo técnico de verificação de mercadorias defeituosas foi deferido; ix. que o ITUFES omitiuse a elaborar laudo técnico requerido pela DRJ; x. aplicação do Princípio da Interpretação Mais Favorável ao Contribuinte. Assim, pede a procedência de seu recurso voluntário, seja pelo acolhimento de prescrição intercorrente, pelo vício de forma da autuação ou pelas razões meritórias expendidas. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, da exigência inaugural, apenas remanesceria o conflito no que tange à multa prescrita no artigo 526, inciso II do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/1985, vigente á época, que assim dispõe: Art. 526. Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas (Decretolei No 37/66, art. 169, alterado pela Lei n. 6.562/78, art. 2o): [...] II importar mercadoria do exterior sem guia de importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria; Muito embora a Recorrente em nenhum momento de seu recurso voluntário tenha se manifestado especificamente sobre o cabimento da referida penalidade, por força do Princípio da Verdade Material, impõese analisar as circunstâncias em que se deu a aplicação da sanção administrativa. Destarte, conforme se depreende dos autos, através do processo administrativo 12.466.01288/9928, foi deferido o pleito da devolução de mercadorias defeituosas ao exterior, bem como respectiva importação para a sua reposição, nos termos da Portaria MF 150/82. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.002242/0078 Acórdão n.º 3201001.283 S3C2T1 Fl. 95 5 A controvérsia surgiu quando do desembaraço das mercadorias em reposição, que, segundo a fiscalização aduaneira, não seriam mercadorias idênticas àquelas defeituosas. Por essa razão, a autoridade julgadora de primeira instância solicitou esclarecimentos técnicos ao ITUFES, para averiguar se as mercadorias substitutas guardavam equivalência com as defeituosas, sobretudo, por força de suposta atualização tecnológica inerente ao tipo de mercadoria em questão. Para tanto, foram formulados os seguintes quesitos: identificar a finalidade de uso das mercadorias devolvidas ao exterior; identificar a finalidade de uso das mercadorias enviadas em substituição; identificar se as mercadorias enviadas em substituição atendem às mesmas finalidades de uso das mercadorias devolvidas ao exterior. Contudo, o laudo técnico nunca chegou a ser elaborado, pois, conforme manifestação do instituto de fls. 299: Após exaustivas tentativas junto ao interessado, no intuito de conseguirmos a documentação necessária para que o consultor, prof. Getúlio V. Loureiro pudesse elaborar o laudo solicitado, não foi possível a finalização do mesmo tendo em vista que a documentação apresentada era insuficiente para os devidos esclarecimentos e resposta aos quesitos. Ato contínuo, foi intimada a Recorrente para aditar as razões de impugnação, proferindose a decisão ora recorrida. Os esclarecimentos técnicos do ITUFES são indissociáveis do cerne da controvérsia, pois se verifica que esta poderia ser dirimida por questões eminentemente probatórias, uma vez que todos os trâmites legais para o procedimento de reposição das mercadorias, foram observados, nos termos da Portaria MF 150/82, restando apenas a comprovação de importação de “mercadoria idêntica” defeituosa. E nesse ponto, não há quaisquer comprovações nos autos de que a Recorrente tenha sido “exaustivamente” instada a fornecer subsídios necessários à elaboração do laudo técnico, o que por si só, seria suficiente para macular o processo administrativo, por ofensa ao contraditório e à ampla defesa. Ademais, e, especificamente em relação à multa por falta de licenciamento de importação, não há subsunção do caso concreto à hipótese de incidência da penalidade. Com efeito, ao se analisar a Declaração de Importação 00105497480 acostada aos autos, constatase que, para cada uma das adições, encontrase a respectiva licença de importação: Adição: 00105497480 / 001LI.: 00/04278507 Adição: 00/05497480 / 002 LI.: 00/05457820 Adição: 00/05497480 / 003 LI: 99/03803446 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Adição: 001049 /48 0 / 004 LI.: 99/03805376 Observese que, em consonância com o procedimento estabelecido pela Portaria MF 150/82, temse que o registro de exportação da mercadoria defeituosa deve ser vinculado à licença de importação das novas mercadorias: 2. A autorização condicionase à observância dos seguintes requisitos e condições: a) a operação deve realizarse mediante a emissão, pela CACEX, de guia de exportação vinculada à guia de importação, sem cobertura cambial As respectivas LI´s vinculadas aos RE´s não foram revogadas, mantendo a produção de seus efeitos jurídicos, podendose cogitar que foram deferidas para mercadorias diversas das efetivamente importadas, caso o respectivo laudo técnico tivesse sido produzido. Considerandose, dessa forma, que a referida penalidade tem como núcleo a conduta antijurídica tipificada como “importar mercadoria sem licença de importação”, constatase a ausência da perfeita adequação do fato oponível à sua previsão legal específica, configurandose flagrante desrespeito ao princípio constitucional da Tipicidade, desdobramento do princípio da Legalidade, insculpido no artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal, segundo o qual se faz necessária a estrita subsunção do fato ocorrido aos preceitos estabelecidos na regra que o prevê. É dizer, na aplicação da norma jurídica sancionatória não faculta à Administração Pública o uso de subjetivismo de qualquer espécie por ato estritamente vinculado que é. Outrossim, conforme prescreve o artigo 48 do Decreto –lei n. 37/66, com a redação dada pelo Decretolei n. 2472/1988, o controle administrativo das importações, ao lado das competências relativas ao crédito tributário, da Secretaria da Receita Federal, é composto de feixe de normas jurídicas que disciplinam o exercício do poder de polícia estatal relativo às mercadorias que ingressam no território nacional, especialmente no que tange àquelas sensíveis à economia, à segurança e à saúde pública. No caso em apreço, reputase ausente conduta que implique violação a quaisquer dos valores protegidos pelas normas do controle administrativo às importações. Assim sendo, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12466.002242/0078 Acórdão n.º 3201001.283 S3C2T1 Fl. 96 7 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 01/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 12466.003317/2010-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 18/04/2008
PRESENÇA DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE.
O impedimento de prestar informação de carga internada em seu recinto alfandegário decorrente de atos de responsabilidade do contribuinte não o exonera da multa por falta de informação à autoridade aduaneira de presença da referida carga.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.946
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente
(Assinado digitalmente)
GILENO GURJÃO BARRETO Relator
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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INOCORRÊNCIA. Somente é imotivado o auto de infração que não justifica as razões da autuação. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 18/04/2008 PRESENÇA DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE. O impedimento de prestar informação de carga internada em seu recinto alfandegário decorrente de atos de responsabilidade do contribuinte não o exonera da multa por falta de informação à autoridade aduaneira de presença da referida carga. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto (relator), Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes, que davam provimento. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 33 17 /2 01 0- 90 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 2 (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO – Relator (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Adotase o relatório do acórdão de primeira instância. Versa o presente processo sobre aplicação de multas por descumprimento de obrigação acessória, sendo que uma das multas, no valor total de R$ 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais), foi aplicada, segundo a fiscalização (fls. 06 a 13, 17 a 23, 28 a 34, 39 a 45, 50 a 56, 61 a 67, 72 a 78, 83 a 89, e 93 a 100), em face de o interessado em epígrafe ter deixado de informar imediatamente à autoridade aduaneira a presença da carga, em seu recinto alfandegado, correspondente a parte dos veículos constantes dos B/L n.ºs EUKOHUBR335044, EUKOHUBR335045, EUKOHUBR335545, EUKOHUBR335546, EUKOHUBR335547, EUKOHUBR335548, EUKOHUBR335549, EUKOHUBR335550 e EUKOHUBR335043, que foram objeto dos trânsitos aduaneiros acobertados pelas Declarações de Trânsito de Contêiner (DTC) n.ºs 08/01752965, 08/01753015, 08/01752930, 08/01752671, 08/01752612, 08/01752698, 08/01752639, 08/01752620, 08/01752663, 08/01752540, 08/01752574, 08/01752590, 08/01752507, 08/01752361, 08/01752477, 08/01752337, 08/01752345, 08/01752370, 08/01752302, 08/01752426, 08/01752531, 08/01752655, 08/01752647, 08/01752515, 08/01753007, 08/01752884, presença de carga esta que deve ser informada com o registro, no Siscomex, do respectivo número identificador de carga (NIC), consoante determina o art. 5º da IN SRF n.º 680, de 2006. Aduz a autoridade autuante que outro recinto alfandegado removeu os veículos restantes, também como beneficiário e transportador para suas instalações que são diversas às da autuada. Em razão disso foi aplicada a multa prevista na alínea “f” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.º 37, de 1966, , com redação dada pelo art. 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. A outra multa, no valor total de R$ 135.000,00 (cento e trinta e cinco mil reais), foi aplicada em razão do descumprimento de requisito para executar atividade de Fl. 415DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.003317/201090 Acórdão n.º 3302001.946 S3C3T2 Fl. 415 3 movimentação de mercadoria, consistente no fato de o sujeito passivo em epígrafe, na qualidade de beneficiário do regime de trânsito aduaneiro, não ter solicitado trânsito para a totalidade da carga constante dos precitados conhecimentos marítimos, mas apenas para uma parcela desta carga. Mais precisamente, relata a fiscalização (fls. 13 a 16, 23 a 27, 34 a 38, 45 a 49, 56 a 60, 67 a 71, 78 a 82, 89 a 93 e 100 a 103) que o art. 9º, § 4º, da Portaria da Alfândega do Porto de Vitória n.º 134, de 20/07/2007, determina que o beneficiário do DTC solicite a remoção da totalidade dos contêineres acobertados pelo respectivo conhecimento de carga e proceda ao carregamento dos mesmos, na unidade de origem do trânsito, observando o prazo fixado pelo art. 7º, § 3º, da mencionada portaria. Neste contexto, aduz a fiscalização que, ao solicitar o regime de trânsito para apenas parte dos veículos constantes dos precitados conhecimentos de carga, o sujeito passivo descumpriu dois dos requisitos estabelecidos para proceder ao trânsito aduaneiro simplificado em relevo, sendo considerado, para efeito do cálculo da multa aplicada, os quinze dias decorridos entre a data do término do trânsito aduaneiro e a data de formalização do procedimento administrativo (PAF n.º 12466.001396/200/880) iniciado pelo consignatário da carga (CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S/A) que noticiou o fato de que nem toda a mercadoria constante do indigitado conhecimento de carga encontravase no recinto alfandegado do autuado. Em razão disso foi aplicada, para cada caso, a multa de R$ 1.000,00 (mil reais) por dia de descumprimento dos mencionados requisitos, prevista na alínea “f” do inciso VII do art. 107 do DecretoLei n.º 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 07/01/2011 (fl. 280), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 08/02/2011, a impugnação de fls. 336 a 351, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, que o procedimento fiscal em causa encontrase em descompasso com o disposto na Lei n.º 9.784, de 1999, e com o inciso IV do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, especialmente no que tange ao princípio da motivação, devendo, em razão disso, ser declarado nulo, eis que não há indicação específica da infração atribuída ao sujeito passivo, mas apenas indicação a esmo de dispositivo legal que comina penalidade; Quanto ao mérito, alega que os dispositivos legais apontados no feito como infringidos não guardam relação com os fatos descritos pela autoridade autuante, ao que aduz que a carga em questão sequer chegou a ser recebida no recinto aduaneiro que administra, no caso, o Porto Seco de Vitória I (PSVITI); Aduz que a empresa consignatária das mercadorias importadas ordenou, à sua revelia, que a transportadora contratada pelo ora impugnante desviasse o trânsito aduaneiro para recinto diverso, no caso o Porto Seco de Vitória II (PSVITII), pelo que alega ser vítima da ação de terceiros, sendo que isto também se encontra consignado nos autos de outros processos administrativos (PAF n.ºs 12466.004734/200835 e 12466.00155/201055), ao que indaga porque as autuações devem ser desmembradas em processos distintos, já que se trata de um único trânsito aduaneiro, a penalidade é aplicada por evento e está calcada também na quebra do lote de mercadorias importadas, sendo que a empresa consignatária das mercadorias e o Porto Seco de Vitória II (PSVITII) foram autuados pelo mesmo fato; Fl. 416DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 4 Em outro plano, alega que as disposições contidas no art. 5º, caput e § 1º, da IN SRF n.º 680, de 2006, não são aplicáveis à situação fática dos autos, já que o prazo e a forma estabelecida no caput diz respeito a cargas que tenham sido efetivamente internadas no recinto alfandegado ao passo que o § 1º referese à obrigação de informar falta ou acréscimo de mercadoria sem definir prazo e forma para a prestação dessa informação, além do que, por óbvio, essa obrigação igualmente diz respeito a mercadorias que tenham sido internadas no recinto alfandegado; Em reforço a essa interpretação, argumenta que o § 4º do art. 5º da mesma instrução normativa até prevê que a COTEC ou a COANA poderão expedir instruções complementares, mas que os atos administrativos citados pela autoridade autuante (AD COANA/COTEC n.º 13/1999, ADE COREP n.º 2/2008, ADE COANA n.º 63/2002 e ADE COANA/COTEC n.º 2/2003) não guardam relação com o fato apontado nos autos, além do que, ao responder tempestivamente a intimação n.º 31/2008, encaminhada pelo Fisco para que prestasse informação sobre o caso, alega que prestou tal informação no prazo e na forma estabelecidos pela autoridade aduaneira, pelo que não procede a alegação de que teria demorado quinze dias para informar à RFB sobre os fatos que ensejaram a lavratura do feito ora combatido; No que pertine à multa aplicada por descumprimento de requisito para executar atividade de movimentação de mercadoria, alega que a disposição contida no § 4º do art. 9º da Portaria da Alfândega de Vitória n.º 134, de 2007, estabelece um prazo de quarenta e oito horas para que ocorra a remoção da carga do porto de zona primária, denominada “carga pátio”e não para chegada dessa carga no Porto Seco, na zona secundária; Aduz que, não obstante isso, os veículos foram removidos do pátio do porto no prazo estabelecido, residindo o problema apenas no fato de que parte desses veículos não chegou ao destino correto, em razão da ação de terceiros conforme já alegado, não restando caracterizada, portanto, infração ao disposto no § 4º do art. 9º da citada portaria; Na mesma linha, alega que, não havendo a chegada de todos os veículos no Porto Seco de Vitória I, tampouco há falar que incorrera em infração ao disposto no art. 13 da Portaria ALF/VIT n.º 134, de 2007, cuja determinação é de que o depositário informe a chegada dos veículos ao local de destino, relativamente a todos os volumes e/ou unidades de carga de um conhecimento: a uma porque nem todos os veículos chegaram ao destino previsto, pelo que seria, a seu ver, impossível cumprir referida obrigação, e a duas porque não foi o responsável pela quebra do lote de veículos originalmente destinados ao Porto Seco que administra, mas sim a consignatária das mercadorias, cuja responsabilidade encontrase devidamente caracterizada nos autos do PAF n.º 12466.001396/200880; Em outro plano, alega que a fiscalização imputoulhe responsabilidade por infração descrita na alínea “a” do inciso VII do art. 107 do DL 37/1966, o que evidencia outro erro de tipificação da autoridade autuante, porquanto a multa nesse caso é calculada por volume depositado em local ou recinto sob controle aduaneiro, que não seja localizado, e não por volume que não tenha sido depositado e não seja localizado; Alega também que o lapso de quinze dias contados entre a data da remoção dos veículos do porto na zona primária (18/05/2008) e a data em que os veículos, que haviam sido depositados no Porto Seco de Vitória I, foram transferidos para o recinto COTIA (02/06/2008), por determinação da Alfândega do porto de Vitória, não pode ser atribuído a inércia do impugnante no cumprimento do disposto na alínea “f” do inciso VII do art. 107 do DL 37/1966, porquanto não foi o responsável pela quebra do lote de veículos; Fl. 417DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.003317/201090 Acórdão n.º 3302001.946 S3C3T2 Fl. 416 5 Finalmente, em face de tudo o quanto foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, votou pela procedência em parte da impugnação mantendo em parte o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão supra em 23/04/2012, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22/05/2012. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Compulsando os autos, verifico que a controvérsia resumese na penalização cominada a Recorrente em face de suposta infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea “f” do Decreto Lei nº 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/03 e IN nº 680/06, art. 5º, § 1º. Nos termos do artigo 107, inciso IV, alínea “f” do DecretoLei nº 37/66 aplicase as seguintes multas: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) f) por deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ao depositário ou ao operador portuário; Outrossim, o artigo 5 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 680/06, prescreve: Art. 5o O depositário de mercadoria sob controle aduaneiro, na importação, deverá informar à SRF, de forma imediata, sobre a disponibilidade da carga recolhida sob sua custódia em local ou recinto alfandegado, de zona primária ou secundária, mediante indicação do correspondente Número Identificador da Carga (NIC). § 1º Os sinais de avaria e a constatação de falta ou acréscimo de volume também devem ser informados pelo depositário à Fl. 418DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO 6 fiscalização aduaneira. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 957, de 15 de julho de 2009) Conforme exposto pela Recorrente, os artigos supracitados não se enquadram ao presente caso, pois discutese no processo em epígrafe a QUEBRA DE LOTE DE TRÂNSITO DTC, uma vez que os veículos em questão não chegaram, em sua totalidade, a serem recebidos no recinto alfandegado da Recorrente, nem tratase de recebimento com constatação de falta ou acréscimo de mercadorias, nos termos prescritos no § 1º do artigo 5º da INSRF nº 680/06. Muito embora parte dos veículos tivesse chegado ao PSVITI, tais veículos não foram internados, em face da quebra do lote de trânsito. Assim, não há que se falar que a Recorrente descumpriu uma obrigação acessória, pois a mesma estava impedida de informar à autoridade aduaneira, a presença de carga em seu recinto alfandegado, uma vez que parte dessa carga tinha sido removida para destino diverso do determinado pela Recorrente, fato esse causado pela ação de Terceiros. As normas alfandegárias impedem que os Contribuintes emitam NIC – Número Identificador de Carga, antes de toda a carga ser internada no recinto alfandegário da Recorrente. Conforme exposto pela Recorrente: “Em razão da quebra de lote por terceiros, e de requerimento dos mesmos à Alfândega de Vitória, todos veículos que seriam originalmente destinados à recorrente/PSVITI, foram ao final destinados a recinto diverso, para possibilitar o fechamento do trânsito aduaneiro. Conforme demonstrado, não houve disponibilidade, falta ou acréscimo de volumes atribuíveis ao PSVITI.” Por todo exposto, dou provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Voto Vencedor Conselheiro JOSÉ ANTONIO FRANCISCO, redator designado Em relação às questões preliminares, adoto, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, os fundamentos do acórdão de primeira instância. De fato, as disposições relativas ao processo legal, contraditório e ampla defesa dizem respeito à fase litigiosa do procedimento, que se inicia com a impugnação de lançamento, não se aplicando à fase oficiosa anterior. Nas fases de julgamento não houve ofensa aos princípios citados, uma vez que a Interessada apresentou suas razões na impugnação, que foram devidamente apreciadas pela Primeira Instância. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 12466.003317/201090 Acórdão n.º 3302001.946 S3C3T2 Fl. 417 7 Em relação à motivação, o auto de infração claramente expôs as razões da autuação, permitindo que a Interessada as contestasse na impugnação, não havendo que se falar em sua falta. Portanto, descabe razão à Interessada quanto às questões de nulidade. Quanto ao mérito, o Conselheiro Relator considero que houve força maior, questão que afastaria a aplicação de penalidade. Entretanto, o que consta dos autos não revela que tenha ocorrido somente força maior. De fato, não se pode admitir a argumentação de que a interessada teria sido apenas vítima de fatos que teriam fugido ao seu controle, uma vez que essa questão é irrelevante, pois a responsabilidade, no caso, é dela, que ela deveria ter tomado todas as providências para que a irregularidade não acontecesse. Identificase claramente no caso a culpa tanto na modalidade “in vigilando” como na modalidade “in eligendo”. A primeira diz respeito à responsabilidade de zelar pelas ações das contratadas no procedimento de desembaraço e a segundo, eventualmente, na de escolher empresa competente para realizar as tarefas. Nesse contexto, a responsabilidade tributária por todas as ações das contratadas recai sobre os ombros da Interessada, como consequência do que dispõe o art. 673 do Decreto n. 6.759, de 4 de fevereiro de 2009. Tendo claramente ocorrido a irregularidade, não lhe é lícito alegar ter sido vítima de fato decorrente de procedimento negligente da empresa contratada. Dessa forma, adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 420DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2013 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 13/02/20 13 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinad o digitalmente em 27/06/2013 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.921198/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ
Ano Calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO
Devem ser integradas ao saldo negativo do período as retenções confirmadas
por Dirf e/ou comprovantes de rendimentos.
Não possui liquidez e certeza o crédito oriundo de saldo negativo que traga
em seu bojo estimativas confessadas em declaração de compensação não
homologada, mesmo que ainda não haja decisão final na esfera
administrativa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NULIDADE.
Os casos de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal estão
adstritos as hipóteses de incompetência da autoridade administrativa ou
cerceamento do direito de defesa.
Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUSÊNCIA
DE CERTEZA E LIQUIDEZ.
Se o contribuinte não comprova as retenções na fonte que alega e não
demonstra que as receitas a elas correspondentes foram oferecidas à
tributação na declaração, seu alegado crédito carece de certeza e liquidez,
requisitos indispensáveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do
CTN.
MULTA DE OFÍCIO.
A multa de ofício exigida em lançamento de ofício decorre de disposição
expressa de lei específica, não havendo norma que a dispense.
Numero da decisão: 1301-000.892
Decisão: Os membros da turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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SALDO NEGATIVO Devem ser integradas ao saldo negativo do período as retenções confirmadas por Dirf e/ou comprovantes de rendimentos. Não possui liquidez e certeza o crédito oriundo de saldo negativo que traga em seu bojo estimativas confessadas em declaração de compensação não homologada, mesmo que ainda não haja decisão final na esfera administrativa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. Os casos de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal estão adstritos as hipóteses de incompetência da autoridade administrativa ou cerceamento do direito de defesa. Ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ. Se o contribuinte não comprova as retenções na fonte que alega e não demonstra que as receitas a elas correspondentes foram oferecidas à tributação na declaração, seu alegado crédito carece de certeza e liquidez, requisitos indispensáveis à compensação tributária, nos termos do art. 170 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício exigida em lançamento de ofício decorre de disposição expressa de lei específica, não havendo norma que a dispense. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.921198/200991 Acórdão n.º 1301000.892 S1C3T1 Fl. 2 3 Relatório Versa o presente processo de declaração de compensação enviadas eletronicamente pela contribuinte acima identificada em 27/10/2006 e 27/03/2007. O crédito pleiteado referese a saldo negativo de IRPJ, ano calendário de 2005, no valor de R$ 3.122.596,02. Conforme Despacho Decisório (fl. 15), foi reconhecido o direito creditório no valor de R$ 241.111,32, portanto, homologação parcial. Inconformada a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando que: preliminarmente, argui a nulidade do despacho recorrido por não descrever adequadamente as razões e os fatos que o fundamentam; quanto ao mérito alega que as retenções nos valores de R$ 3.649,39 e R$ 856,44 podem ser comprovados pelos documentos de fls. 10, 11 e 12; a parcela do crédito relativas a estimativas compensadas está atrelada as Dcomps objeto do processo administrativo 11020.001535/200507, o qual se encontra com Recurso Especial de Divergência pendente de julgamento. Razão pelo qual requer julgamento conjunto com o presente processo dado a relação de interdependência; a interessada obteve autorização judicial à exclusão do ICMS e do ISS da base de cálculo do Pis e Cofins. Ação judicial 00.713.7818 que tramitou na 21a. Vara Federal de Subseção Judiciária no Rio de Janeiro. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/RJI), decidiu a matéria por meio do Acórdão no. 1237.198, de 12/05/2011, considerando a manifestação de inconformidade procedente em parte, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Ano Calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO Devem ser integradas ao saldo negativo do período as retenções confirmadas por Dirf e/ou comprovantes de rendimentos. Não possui liquidez e certeza o crédito oriundo de saldo negativo que traga em seu bojo estimativas confessadas em declaração de compensação não homologada, mesmo que ainda não haja decisão final na esfera administrativa. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei.Dele conheço. No recurso voluntário a interessada repete as argumentações trazidas em primeira instancia e aduz mais: O despacho decisório proferido pela Autoridade Fiscal e repetido pela C. Turma de Julgamento, deixou de homologar a compensação realizada pela ora recorrente, mas não verificou em momento algum o procedimento compensatório ou trouxe as razões que supostamente levaram a proibir ou restringir o direito creditório do contribuinte; A inobservância, por parte de D. Autoridade Fiscalizadora, dos dispositivos legais citados (art. 10 e 11 do PAF e art. 50 da Lei 9.784/1999) é a violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, ensejando, assim, a declaração de sua nulidade nos exatos termos do art. 59 do Dec. 70.235/72. Cita jurisprudência administrativa em prol de seus argumentos; apesar de cabalmente comprovados (doc.do sistema Siafi, 10 e 11)), não foi reconhecido pela DRJ o valor de R$ 3.649,39 referente as retenções de fonte advindas de vendas efetuadas pela recorrente ao Comando do Exército e, dos valores de R$ 832.579,33 e R$ 2.040.717,32, também não homologados, pois atrelados a outros processos administrativos; Por fim, que seja afastada a multa aplicada, uma vez eu não há que se falar em débito tributário em aberto, pois a compensação, na forma como defendida pela recorrente, deve ser homologada, extinguindose a obrigação tributária principal e em decorrência todas as obrigações acessórias. Inicialmente, impende analisar as alegações da recorrente quanto ao eventual cerceamento de defesa e vício no devido processo legal que inquinaria de nulidade a decisão recorrida. A nulidade se imporia frente ao não enfrentamento pela autoridade administrativa de forma primitiva e depois reafirmado na decisão da DRJ, do direito creditório por não descrever adequadamente as razões e os fatos que fundamentaram a não homologação da compensação por ela (recorrente) efetuada. As hipóteses de nulidade de um ato administrativo no seio do processo estão adstritas ao rol do artigo 59 do Decreto n°. 70.235/72, abaixo transcrito in verbis: "Artigo 59. São nulos: 1 os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade Incompetente ou com preterição do direito de defesa." Ao meu ver, no caso, não se materializa o texto legal transcrito. O óbice para o reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação das compensações, de acordo com a fundamentação do Despacho Decisório e Acórdão recorrido, é a ausência da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.921198/200991 Acórdão n.º 1301000.892 S1C3T1 Fl. 3 5 Quanto ao mérito, o primeiro ponto diz respeito as parcelas da composição do crédito relativo ao IRRF. Consta do voto condutor que: O demonstrativo de fls. 43 indica quais parcelas de IRRF foram confirmadas e, ainda, quais foram rejeitadas, em função da falta de comprovação da retenção. Diz ainda, que o valor de R$3.649,39 não foi homologado pois os extratos SIAF apresentados as fls. 72 e 73, unicamente como documento probatório não se prestam à prova pretendida já que se referem as retenções do ano de 2004. Neste ponto, constato às fls. 72 e 73 do presente processo extratos do sistema SIAFI (consulta DARFArrecadação Financeira), com registros de retenção de fonte nos valores de R$ 8.716,50 e R$ 9.074,25 (vendas ao Comando do Exercito nos valores de R$ 149.00,00 e R$ 155.116,00). No entanto, compulsando os autos não encontro provas, por exemplo cópia da DIPJ com registro de que tais receitas foram oferecidas à tributação, ou seja, não há prova que as receitas integraram a base de cálculo do imposto no período. O IRRF constitui antecipação do IRPJ devido e, como tal, no caso da contribuinte que é optante pelo lucro real poderá ser deduzido do IRPJ a pagar apurado no encerramento do exercício. Somente após o encerramento do período de apuração, havendo saldo negativo de IRPJ é que se caracteriza o direito creditório, passível de ser utilizado para fins de compensação com outros tributos, lembrandose que, de acordo com a legislação de regência, somente pode ser deduzido do IRPJ devido o IRRF incidente sobre as receitas que integraram base de cálculo do lucro real. Sobre a matéria, assim dispõe o art. 231 do Decreto n° 3.000/1999, (Regulamento do Imposto de Renda/RIR/99): Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei n° 9.430, de 1996, art. 2o. ,§4o.): (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; E mais, a fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a recorrente deve instruir o seu pedido com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto n ° 70.235, de 1972. A comprovação do direito à restituição, para que sejam homologadas as declarações de compensação, requer que o crédito seja líquido e certo , conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Assim, atendendo ao disposto no art. 231, acima transcrito, as retenções de imposto de renda na fonte não constituem deduções para efeito de determinação do saldo a Fl. 277DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 pagar ou a ser compensado, posto que as correspondentes receitas não integraram a base de cálculo do lucro real. Entendo que, ao pleitear restituição/compensação de saldo negativo do IRPJ, composto, como no caso, integralmente por retenções de imposto de renda na fonte, caberia à interessada especificar com clareza a quais retenções se refere e quais as receitas a elas associadas, além de comprovar que essas receitas foram tributadas na declaração. Ao deixar de fazêlo, seu alegado crédito carece de liquidez e certeza, requisitos indispensáveis para a compensação tributária, nos termos do artigo 170 do CTN acima transcrito. Por fim contesta a multa de oficio. Neste ponto a questão está prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte: (..) Uma vez verificada a subsunção dos fatos às hipóteses previstas na legislação, não é possível ao Fisco deixar de aplicálas. Finalizando, ao meu ver, não cabe razão à recorrente quando argüi conexão com o processo 11020.001535/200507, mesmo porque este já foi objeto de julgamento (Acórdão 20218.978). Em face do exposto, não faço reparos à decisão recorrida, pelo que voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 278DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/ 04/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12259.004309/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE.
Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual.
PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária ou protelatória, com fulcro no § 2º, do artigo 38 da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.029
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de realização de perícia; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas a e b, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária ou protelatória, com fulcro no § 2º, do artigo 38 da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos moldes da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. EVENTUAIS IRREGULARIDADES. NULIDADE. NÃO APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. Na esteira da jurisprudência dominante no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a existência de eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, não tem o condão de ensejar a nulidade do lançamento, entendimento que, apesar de não compartilhar, adoto em homenagem à economia processual. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 25 9. 00 43 09 /2 00 9- 72 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/06/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 2 A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária ou protelatória, com fulcro no § 2º, do artigo 38 da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e de realização de perícia; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/06/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 12259.004309/200972 Acórdão n.º 2401003.029 S2C4T1 Fl. 297 3 Relatório WARNER MUSIC BRASIL LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre tempestivamente a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão nº 1234.497/2010, às fls. 164/172, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS, correspondentes à parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas a Terceiros, além de diferença de acréscimos legais DAL, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2004 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 79/83. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 18/12/2007, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 82.435,33 (Oitenta e dois mil, quatrocentos e trinta e cinco reais e trinta e três centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, do exame da contabilidade da contribuinte, constatouse a falta de recolhimento das contribuições ora lançadas, sendo os fatos geradores extraídos das Folhas de Pagamentos, GFIP’s, Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF e demais documentos contábeis da empresa. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 209/219, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pugna pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o princípio da verdade material, bem como o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, baseando a notificação em meras presunções, sobretudo em relação às contribuições destinadas ao SAT. Ainda em sede de preliminar, pretende seja reconhecida a nulidade do lançamento, em razão de vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF’s emitidos em face da fiscalizada, os quais foram prorrogados indevidamente, sem a observância aos prazos constantes da legislação de regência e ausente a devida ciência da contribuinte, ensejando a lavratura da Notificação fora do prazo do respectivo documento, o que a torna nula. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, contrapõese ao crédito tributário consubstanciado na peça vestibular do feito, notadamente em relação ao salário educação, aduzindo para tanto ter ajuizado ação judicial discutindo a exigência de referida exação, promovendo os depósitos judiciais até o mês de janeiro de 2004, conforme se constata dos documentos acostados aos autos. Defende que a fiscalização, ao promover o lançamento, não considerou nenhum recolhimento efetuado pela contribuinte a título de saláriomaternidade, muito embora devidamente declarado. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/06/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 4 Sustenta que a própria autoridade julgadora de primeira instância reconheceu que pode haver recolhimentos não considerados por ocasião do lançamento em razão de equívocos nos códigos informados pela contribuinte, entendimento que não tem o condão de prevalecer, uma vez que um simples erro formal na vinculação dos pagamentos realizados pela autuada não pode ser admitida como base de cálculo dos tributados ora lançados. Pugna pela conversão do julgamento em diligência com a finalidade de confrontar os valores lançados com aqueles constantes da contabilidade da contribuinte, bem como os recolhimentos efetuados. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/06/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 12259.004309/200972 Acórdão n.º 2401003.029 S2C4T1 Fl. 298 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Preliminarmente, pugna a contribuinte pela decretação da nulidade do feito, sob o argumento de que a autoridade lançadora não logrou motivar/fundamentar o ato administrativo do lançamento, de forma a explicitar clara e precisamente os motivos e dispositivos legais que embasaram a autuação, contrariando a legislação de regência, notadamente o artigo 142 do CTN e, bem assim, os princípios da ampla defesa e do contraditório. Em que pesem as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o lançamento, corroborado pela decisão recorrida, apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. A simples leitura dos anexos da autuação, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, às fls. 65/68, Relatório Fiscal da NFLD, às fls. 79/83, e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover o lançamento demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhe suportaram, ou melhor, os fatos geradores das contribuições previdenciárias ora exigidas, não se cogitando na nulidade do procedimento. Melhor elucidando, os cálculos dos valores objetos do lançamento foram extraídos das informações constantes dos sistemas previdenciários e fazendários, bem como das folhas de pagamento, GFIP’s, DIRF’s, recibos e demais documentos contábeis, fornecidos pela própria recorrente, rechaçando qualquer dúvida quanto à regularidade do procedimento adotado pelo fiscal autuante, como procura demonstrar à autuada, uma vez que agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/06/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 6 Destarte, é direito da contribuinte discordar da imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. PRELIMINAR NULIDADE MPF Ainda em sede de preliminar, pugna a contribuinte pela decretação da nulidade do lançamento, por entender haver vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal – MPF’s, emitidos em face da fiscalizada, os quais foram prorrogados indevidamente, sem a observância aos prazos constantes da legislação de regência e sem a sua devida ciência. Não obstante compartilhar com o entendimento da recorrente, no sentido de que eventual vício no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF enseja a nulidade do feito, conforme já manifestamos em inúmeras oportunidades, o certo é que a jurisprudência atual deste Colegiado e, principalmente, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, afasta a mácula no lançamento decorrente de pretensas irregularidades naquele ato, consoante se infere do julgado com sua ementa abaixo transcrita: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Recurso voluntário negado.” (2ª Turma da CSRF, Processo nº 10280.001818/200355 – Acórdão nº 920201.757 – Sessão de 27/09/2011) Assim, em homenagem à economia processual, nos quedamos ao posicionamento majoritário deste Egrégio Conselho, o qual não acolhe a nulidade do lançamento decorrente de eventuais irregularidades na emissão do MPF, razão pela qual deixaremos de analisar pontualmente os vícios suscitados pela recorrente, uma vez restar totalmente infrutífero o exame destas questões, o que impõe seja rejeitada a preliminar de nulidade arguida. PRELIMINAR REALIZAÇÃO PERÍCIA Quanto ao pedido de diligência para produção de prova, observese que a recorrente não observou os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, o que torna despicienda a produção de prova pericial. Com efeito, a realização de perícia se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: Fl. 650DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/06/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 12259.004309/200972 Acórdão n.º 2401003.029 S2C4T1 Fl. 299 7 “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia ao contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. MÉRITO No que concerne às demais alegações da contribuinte, mormente em relação à exigência do salário educação e SAT, não merece aqui tecer maiores considerações a respeito do tema, uma vez já atingidas pela preclusão, eis que não ofertadas em sede de impugnação. É o que se extrai do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, como segue: “ Decreto nº 70.235/72 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideramse precluídos, não se tomando Fl. 651DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/06/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAI O FREIRE 8 conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. [...] (Primeira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 149.545, Acórdão nº 20181255, Sessão de 03/07/2008) “PROCESSO ADMINISTRATISVO FISCAL PRECLUSÃO Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, operase a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidandose a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. COFINS CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Constatada, em procedimento de fiscalização, a falta de cumprimento da obrigação tributária, seja principal ou acessória, obrigase o agente fiscal a constituir o crédito tributário pelo lançamento, no uso da competência que lhe é privativa, vinculada e obrigatória. JUROS DE MORA O artigo 161 do CTN autoriza, expressamente, a cobrança de juros de mora à taxa superior a 1% (um por cento) ao mês calendário, se a lei assim o dispuser. TAXA SELIC Correta a cobrança da Taxa Referencial do Sistema de Liquidação e de Custódia SELIC como juros de mora, a partir de 01/01/1997, para débitos com fatos geradores até 31/12/1994, não pagos no vencimento da respectiva obrigação. Recurso a que se nega provimento.” (Terceira Câmara do Segundo Conselho, Recurso nº 111.167, Acórdão nº 20307328, Sessão de 23/05/2001) (grifamos) Dessa forma, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na impugnação, considerando tacitamente confessada pela contribuinte a parte do lançamento não contestada, operando a constituição definitiva do crédito tributário com relação a esses levantamentos, mormente em razão de não se instaurar o contencioso administrativo para tais questões. Registrese, que a própria fiscalização ao notificar o contribuinte do Auto de Infração tem o cuidado de informar, mediante o anexo “Instruções para o Contribuinte – IPC”, que a defesa poderá ser parcial ou total, considerando confessada a matéria que não fora objeto de contestação. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais argumentações da contribuinte, não se cogita em analisá las, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/06/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAI O FREIRE Processo nº 12259.004309/200972 Acórdão n.º 2401003.029 S2C4T1 Fl. 300 9 Por todo o exposto, estando Notificação Fiscal sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar as preliminares de nulidade de lançamento e de realização de perícia e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a exigência fiscal em sua plenitude, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 653DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 17/06/2 013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAI O FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000327/2009-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados e praticados.
AFERIÇÃO INDIRETA
A fiscalização previdenciária tem suporte legal para apurar as importâncias devidas por meio de arbitramento quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, constituindo-se em presunção legal relativa, cumprindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
DA COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR
as Súmulas n° 6 e 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF pacificaram a questão na forma respectivamente transcrita: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. e É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.
DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA
Em se tratando de lançamento de crédito apurado em decorrência de fraude, há que se aplicar a exceção prevista no § 4º do artigo 150 do Código Tributário NACIONAL CNT, contando-se, assim, o prazo decadencial a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme artigo 173, I, também do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA.
O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente.
MULTA DE MORA
As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.
MULTA MAIS BENÉFICA.
Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora
Carlos Alberto Mees Stringari Presidente
Ivacir Júlio de Souza Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados e praticados. AFERIÇÃO INDIRETA A fiscalização previdenciária tem suporte legal para apurar as importâncias devidas por meio de arbitramento quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, constituindo-se em presunção legal relativa, cumprindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. DA COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR as Súmulas n° 6 e 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF pacificaram a questão na forma respectivamente transcrita: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. e É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA Em se tratando de lançamento de crédito apurado em decorrência de fraude, há que se aplicar a exceção prevista no § 4º do artigo 150 do Código Tributário NACIONAL CNT, contando-se, assim, o prazo decadencial a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme artigo 173, I, também do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário Nacional-CTN aduz que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados e praticados. AFERIÇÃO INDIRETA A fiscalização previdenciária tem suporte legal para apurar as importâncias devidas por meio de arbitramento quando houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, constituindose em presunção legal relativa, cumprindo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. DA COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR as Súmulas n° 6 e 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF pacificaram a questão na forma respectivamente transcrita: “ É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” e “ É válido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.” DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA Em se tratando de lançamento de crédito apurado em decorrência de fraude, há que se aplicar a exceção prevista no § 4º do artigo 150 do Código Tributário NACIONAL CNT, contandose, assim, o prazo decadencial a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme artigo 173, I, também do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 03 27 /2 00 9- 76 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Ivacir Júlio de Souza – Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 523DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 2403001.563 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância ad quod produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado, com grifos de minha autoria, o transcrevi na íntegra: “Tratase do AIOP DEBCAD n.º 37.256.6081, lavrado pelo auditor fiscal Moacir Vieira Cardoso, em face do sujeito passivo acima identificado e consolidado em 03/12/2009, no valor total de R$ 187.838,75. O crédito lançado é relativo às contribuições previdenciárias (parte do segurado) incidentes sobre a remuneração dos empregados, cujas bases de cálculo foram apuradas com base nos recibos e cheques nominais e em outros documentos, conforme o Relatório Fiscal de fls. 28/36. DA IMPUGNAÇÃO Assevera o contribuinte que não pode prevalecer o AIOP, aduzindo em síntese que: 1 – Há vício formal no lançamento em decorrência da ausência dos Anexos do Relatório Fiscal, que não foram entregues ao impugnante; 2 faz prova de que os anexos do relatório fiscal não foram entregues ao autuado o "recibo de arquivos entregues ao contribuinte", em que consta, expressamente, que, para o AI 35.256.6081, foram entregues apenas: AI. IPC, DD, RDA, FLD E VÍNCULOS; 3 sem os anexos do REFISC fica impossível saber quais seriam os fatos geradores da obrigação previdenciária e qual a razão do A.I ou, ainda, quais critérios foram utilizados para o arbitramento da Base de Cálculo do tributo; 4 – o auditor não afirma com clareza onde buscou os dados para sustentar o A.I, não permitindo, assim, que o impugnante defendase condignamente. 5 o auditor não informa como ele sabe dos segurados pagos por fora da folha; 6 fazse mister que o Auditor esclareça quais documentos foram por ele manuseados para se chegar ao exorbitante valor do A.I, quais são os segurados fora da folha e que relação eles têm com a autuada; 7 – Não lhe foi oferecido, em todo o processo, oportunidade da ampla defesa e do contraditório; Fl. 524DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 8 ocorre vício formal em razão da ausência de competência para fiscalizar empresa, que tem domicílio fiscal em São Paulo, sendo que ficou extinto o estabelecimento que se localizava na Av. Principal, I, 855, em Campo GrandeMS; 9 – a contribuição previdenciária é tributo sujeito a lançamento por homologação (Art. 150, caput, CTN). Assim, para o período anterior a novembro/2004, fazse mister seja reconhecida a prescrição; 10 O Art. 148 do CTN explicita que o arbitramento só é cabível quando sejam omissos ou não mereçam fé os documentos apresentados pelo sujeito passivo, o que não é o caso. Sendo que, além disso, este arbitramento deve ser feito considerandose, no mínimo, a busca da verdade real; 11 o lançamento por arbitramento não é um ato discricionário do agente público, devendo ser precedido de motivação; 12 não foi utilizado, pelo auditor fiscal, para o periodo de 11/2004 a 03/2007, a análise de cheques emitidos pela autuada nessa época, como afirma que fez em relação ao período de 01/2004 s 10/2004. Poderia ter quebrado o sigilo bancário da autuada (Decreto 4.489/2002) para a análise de sua movimentação bancária. 13 – a motivação da autoridade fiscalizadora para apurar a base de cálculo sobre a qual incidiria o tributo exigido mediante arbitramento não foi razoável e congruente; 14 – o Auditor parte da premissa de que o faturamento da empresa,no período de 01/2004 a 10/2004 foi o mesmo do período de 11/2004 a 03/2007.Ocorre, no entanto, que seu faturamento diminuiu; DO PEDIDO Requer a impugnante: 1 – Seja declarada a nulidade do Auto de Infração.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.471, a 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/CGE, em 10 de novembro de 2011, exarou o Acórdão n° 0426.510, mantendo procedente o lançamento . DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” . Fl. 525DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 2403001.563 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro nos autos, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES Recurso voluntário é um instrumento processual do processo administrativo, meio de impugnação, previsto em lei, através do qual a parte ou quem esteja legitimado a intervir na causa, inconformada, requer o reexame da decisão proferida em instância “ad quod” para, no mesmo processo, reformar, invalidar ou esclarecêla por órgão de jurisdição superior. O recurso visa, sem dúvida, a busca de uma anulação ou reforma de uma decisão. Assim, o Recurso Voluntário deverá mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância do “ DECISIUM” e as razões e provas que possuir. Caso não concorde com a decisão de primeira instância, o contribuinte não está impedido de contestar todos os itens, entretanto, deverá apresentar quais são os pontos de discordância do julgado, qual efetivamente foi o argumento do julgador que à seu juízo, restou equivocado ou inválido. A simples reapresentação das alegações interpostas em primeira instância para não caracteriza eventuais omissões, obscuridade, erros, não enfrentamento ou enfrentamento equivocado do julgador “ ad quod”. Na forma do artigo 17 do Decreto 70.235/72, é compulsório que a matéria seja expressamente impugnada sob pena de não o fazendo ou em face de abordagem restar genérica o julgador não tome conhecimento com lastro no sobredito artigo, verbis: “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ( Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997)” Pedro Nunes em seu Dicionário de Tecnologia Jurídica, , 13 edição, Ed. Renovar, pg.608, leciona que impugnar é “ contrariar, aduzindo razões fundamentadas ..” O termo impugnação é termo amplo que não quer se referir apenas as alegações e razões de contrariedade trazidas à colação na peça vestibular em primeiro grau. Na dinâmica processual, à toda sorte de discordância com efetiva formalização, se observa impugnada a matéria eventualmente questionada. Desse modo, é preciso que fique claro para o julgador “ad quem” quais os pontos e quais são as razões da discordância da DECISÃO alhures prolatada. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Desse modo, considerando que Recorrente não expôs expressamente o motivo da impugnação da decisão de primeira instância e tendo aquele julgador se manifestado com arrazoado legalmente estruturado, não se vislumbra em que pontos específicos se assenta a inconformidade. A interposição do Recurso em apreço onde à exceção da preliminar do quorum para deliberação a Recorrente se dispôs a integralmente reiterar as alegações que fizera em primeira instância denota que sua real pretensão não é obter um reexame da decisão mas sim uma nova avaliação que eventualmente vistas sob outro prisma possa fazer prosperar as argüições já enfrentadas e improvidas em julgamento “ ad quod” . Isto posto passemos a análise do presente. DO QUORUM PARA DELIBERAÇÃO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA A recorrente reiterou na íntegra a impugnação introduzindo preliminar de que a composição da turma não obedeceu a legislação de regência do assunto (Art. 2 o da Portaria 58 do MF), na medida em que a Recorrente foi julgada por quatro, e não cinco, julgadores ). De fato na forma do art. 2º as Delegacias de Julgamento DRJs são constituídas por turmas, cada uma delas integrada por cinco julgadores, entretanto não há impedimento de deliberar em razão de estando a turma composta por quatro julgadores. Este total é regimental conforme o artigo 13 da referida portaria: “ Art. 13. Somente pode haver deliberação quando presente a maioria dos membros da turma, sendo essa tomada por maioria simples, cabendo ao presidente, além do voto ordinário, o de qualidade.” Assim, não dou provimento aos argumentos colacionados. DO VÍCIO FORMAL Reitera que o Auto de infração estaria maculado de Vício Formal em razão da ausência de Relatório Fiscal o que representaria prejuízo ao contraditório. Sem os anexos REFISC fica impossível examinar quais seriam os fatos geradores da obrigação previdenciária, aliás, sem este documento não há sequer como se saber qual a razão deste A.I, ou quais critérios utilizados pelo Sr. Fiscal para o arbitramento da Base de Cálculo do tributo. Esse relapso do Auditor Fiscal tornou essa defesa completamente comprometida. Contrapondo as alegações supra, consta que anexos mencionados pela recorrente foramlhe entregues, o que se pode constatar pela declaração firmada pelo próprio contribuinte, em 15/12/2009, ao receber o Auto de Infração, fl.01, nos seguintes termos: “DECLAROME CIENTE DESTE AUTO DE INFRAÇÃO E ANEXOS DOS QUAIS RECEBI A 2ª VIA”. Aduz que os anexos os quais recebera são descriminados no mesmo documento tal como abaixo se transcreve, incluindo o Relatório Fiscal: “ A discriminação dos fatos geradores, das contribuições devidas, dos períodos a que se referem e a fundamentação legal constam expressamente dos seguintes anexos, os quais fazem parte integrante deste Auto: IPC Instruções para o Contribuinte Fl. 527DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 2403001.563 S2C4T3 Fl. 5 7 DD Discriminativodo Débito RDA Relatório de Documentos Apresentados RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados FLD Fundamentos Legais do Débito VÍNCULOS Relatório de Vínculos REFISC Relatório Fiscal ” ( grifos de minha autoria) Também ás fls. 421/423 consta colacionado documento ASSINADO PELA Recorrente, através do mesmo procurador que assinou o Auto de Infração , na mesma data em 15/12/2009 que comprova o recebimento dos arquivos digitais contendo o Relatório Fiscal e os anexos que ora a Recorrente nega têlo feito: “ E:\Relatorios Fiscais e Dccumerrtos\AIOA423V> REFISC 423.pdf E:\\Relatorlos Fiscais a Documenk»\AIOA423\1 1 T1AFPDF E:\\Relatórios Fiscais e Dc«jmentosWOA423\1 2 JUSTIFICATIVA AO TIPF.pdf E:\Vteratartos Fiscais e Dcojmen«os\AIOA423\1.3 MPBAPDF ErttRelatórios Fiscais e l>»JMCMDS\AIOM23\1.4 Termo DE Constatação e mtimacao.PDF E:\\Relat6rtos Fiscais e Doamentos\AIOA423V1.5 CONTRATO SOCIAL E ALTERACOES.pdf E:\\Retetórtas Fiscais e Drxurnentos\AIOA423\2 TOTAIS DA FOLHA E DA GRP.POF ErWRetatórios Fiscais e L>)cumen4os\ArOA423\3 RECIBOS EMPREGADOS FORA DA FOLHAdoc E:\\Retatorios Fiscais e Dccurrerrtr^\AtOA423\4 RECIBOS CONTINDPV FORA DA FOLHAdoc Fl. 528DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 E:\\Retatório Fiscais e Drxumentos\AIOA423\5RECIBOS RETIRADA PRCWLABORE.OOC E:\\Rela»6rtos Fiscais e Docutrentos\AIOA423\0 RECIBOS TRANP ROD AUTONOMOS.doc E:\\Relalórios Fiscais e Dorjurnentos\AIOA423\ANEXO 1.doc E:\\Retert6rios Fiscais e Drjcumento6\AIOA423\ANEXO 2.doc E:\\Reiatórioa Fiscais e Documenkis\AIOA423>ANEXO 3 doe E:\NRelat6rios Fiscais e Dc<wm6r*e«\AIOM23\ANEXO 4.doc E:\\Relat6rtos Fiscais e DocumentosV\IOA423\ANEXO 5.doc E'.\\Reia»rios Fiscais e Documertos\AJOA423\ANEXO 6.doc E:\\Relatôrios Rscais e RJOCUMENTDS\AIOA424V0 REFISC424.doc E:\SRelat6rios Fiscais e Documentos\AIOA424\1 1 TIAF.PDF E.WRetatórios Fiscais e Documentos\A]QM24\1.2 JUSTIRCATIVA AO TIPF.pdf E:\\Retatórios Rscais e Documentos\AIOA424\1.3 MPBAPDF E.A\Relatòrios Fiscais e Documentos\AIOA424M.4 Termo de Constatação e rntimacao.pdf E:\VRelat6rios Fiscais e DocumantDS\AIOA424\1.5 CONTRATO SOCIAL E Al_TERACOES.pdf E:\VRelatorios Fiscais e Dccumentos\AIOA424\ANEXO 1.doc ” Não bastasse tudo o que foi exposto, os referidos anexos constam colacionados às fls. 36 a 95 subsidiado por farta documentação dispostas ao longo das fls. 96 a 419. Fl. 529DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 2403001.563 S2C4T3 Fl. 6 9 Assim, o por descabida e insustentável é desprovida a alegação . DA DECADÊNCIA É certo que a Recorrente fora notificada em 15/12/2009. Alega o contribuinte que a contribuição previdenciária é tributo sujeito a lançamento por homologação, assim, para o período anterior a novembro/2004, deve ser reconhecida a decadência. Em diversos votos de minha relatoria, diante de situações semelhantes, tendo havido os denominados “pagamentos antecipados” como no caso presente, tenho manifestado que a não aplicação do artigo 150 , § 4° para o reconhecimento da decadência para os tributos lançados por homologação requer seja comprovada as hipóteses previstas na parte final do comando do sobredito § 4°, isto é seja comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação : “ § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.”(grifos de minha autoria) A questão não pode ser determinada por simples indícios ou meramente em razão de a autoridade lançadora ter feito juízo de valor aplicando seu senso pessoal muitas vezes conjugando variáveis subjetivas que nos fóruns penais próprios não logram prosperar. Assim há que ser comprovada a conduta ilícita. No caso em tela, neste quesito em particular, a autoridade fiscal procedeu a motivação e conduziu o processo probante de forma inquestionável na forma dos itens 4 a 7.6 do 4 a 7.6 do Relatório Fiscal de fls. 25, aqui intencionalmente grafado com maiúsculas. Aduz o Relatório supra que : “ 4. Depois de reiteradas solicitações o sujeito passivo protocolou o expediente 2009/00007496 em 28/08/2009 recepcionado como JUSTIFICATIVAS ao não atendimento da intimação do TIAF. Nesta peça o sujeito passivo alega, dentreoutras, a impossibilidade de atender a intimação para apresentação de documentos porque: a) "todos os documentos" foram apreendidos pela Polícia Federal, b) a empresa encerrou suas atividades em junho de 2005. TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO. 5. Refutando as "justificativas" do sujeito passivo foi expedido Termo de Constatação e Intimação comunicando: a) que no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão n° 438/2004SC03 expedido nos autos do processo n° 2004.60.00.0087470, no interesse do IPL 319/02/DPF/MS realizado em dezembro de 2004 foram arrecadados documentos até o exercício de 2004, não alcançando os exercícios de 2005, 2006 e 2007, b) a existência nos sistemas corporativos da Receita Federal do Brasil como GFIP, RAIS, DIPJ, CNIS, de informações prestadas pelo sujeito passivo comprovantes de ocorrência de fatos geradores nos anos de 2005, 2006 e 2007. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 Afastadas as alegações ratificouse a intimação para apresentação de documentos. V. OCORRÊNCIA DE FRAUDE, SIMULAÇÃO OU DOLO. 6. Como tratado em diversos artigos do Código Tributário (149, VII, 150, § 4 e , 154, parágrafo único) e na Lei n õ 8.137/90 que define os crimes contra a ordem tributária (art. 1 Q , II, e art. 2 Q , I) a fraude tributária se materializa no emprego de ardis e estratagemas para ludibriar a autoridade fiscal. A simulação prevista no art. 150 do CTN traduzse pela falta de correspondência entre o ato praticado e o formalizado encerrando uma declaração enganosa visando a produzir efeito diverso do fato ocorrido. De acordo com o art. 18, Inciso I, do Código Penal (DecretoLei n Q 2848/40), crime doloso é aquele em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi lo, isto é, o dolo é elemento subjetivo da fraude e da simulação. 7. É o que se comprova no exame das Folhas de Pagamento referentes aos meses de janeiro a outubro de 2004 entregues pela empresa em meio digital com os documentos recolhidos na busca e apreensão. Nas folhas de pagamento achamse discriminados os valores pagos a empregados e contribuintes individuais, no entanto, os documentos de caixa apreendidos materializam omissão que impediram ou retardaram total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores, a saber: 7.1. RECIBOS. Especificam o valor, a natureza e os beneficiários de pagamentos suplementares às folhas de pagamento, isto é, estes fatos geradores foram sonegados ao fisco mediante apresentação do documento Folha de Pagamento com informações comprovadamente enganosas. 7.2. CÓPIAS DE CHEQUE. Comprovam que os valores discriminados nos ditos "RECIBOS" foram efetivamente recebidos pelos beneficiários (empregados e contribuintes individuais) através de cheques nominais, sem que estes valores fossem discriminados na folha de pagamento apresentada. 7.3. RAZÃO ANALÍTICO GERENCIAL. Consta o número de ordem dos "RECIBOS" e do cheque, com a discriminação de que a verba recebida pelos sócios Jaime Vallér e Getúlio Flores investidos na função de diretores administrativos foi paga a título de RETIRADA PROLABORE", não registrada na folha de pagamento apresentada. 7.4. CONTROLLER RELAÇÃO DE BAIXAS. Demonstra o número de ordem dos "RECIBOS" e a discriminação de que a verba recebida pelos sócios Jaime Vallér e Getúlio Flores investidos na função de diretores administrativos foi paga a título de "RETIRADA PROLABORE", não discriminada na folha de pagamento apresentada ao fisco. 7.5. FOLHAS DE PAGAMENTO fornecidas pelo sujeito passivo em arquivo digital gerado no padrão do Manual Normativo de Arquivos Digitais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, autenticados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Fl. 531DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 2403001.563 S2C4T3 Fl. 7 11 Arquivos Digitais SVA e processadas no Sistema de Auditoria Digital AUDIG, sem os fatos geradores citados nos subitens 7.1 a 7.4. 7.6 DECLARAÇÃO EM GFIP prestadas pelo sujeito passivo por meio do sistema SEFIP de informações à Previdência Social capturadas no sistema GFIP/WEB e processadas no Sistema de Auditoria Digital AUDIG.” Isto posto, o lançamento sucumbido ao comando do artigo art. 173, I do Código tributário Nacional – CTN, em razão dos prazos qüinqüenais de aplicação na forma ali prevista, e tendo a notificação ocorrida em, 15/12/2009, não permite que se reconheça ocorrido o instituto da decadência relativamente ao lançamento em questão, verbis: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;(grifei) Desse modo, nego provimento DO MÉRITO DO ARBITRAMENTO Reitera a recorrente que o arbitramento foi indevidamente realizado. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 31 constam os critérios para o arbitramento e ainda a informação de que o contribuinte não atendeu a intimação para apresentação de documentos, tendo, inclusive, apresentado justificativas por escrito, informando que tais documentos foram apreendidos pela Polícia Federal. Desse modo, motivado pelas próprias razões salientadas pela Recorrente, omissão dos documentos, a Autoridade fiscal procedeu ao arbitramento o qual justificou plenamente no Relatório Fiscal que lhe fora entregue. Ressaltese que no Relatório Fiscal consta registrado nos itens 6 a 13 , detalhadamente como requer a Recorrente, as origens do levantamento. Desse modo, nego provimento. DA COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR Afirmando ter domicílio fiscal em São Paulo, alega que ficou extinto o estabelecimento que se localizava na Av. Principal, 1.855, em Campo Grande MS, havendo, assim, vício formal em decorrência da ausência de competência para fiscalizar. A respeito de tal alegação, as Súmulas n 6 e 27 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF pacificaram a questão na forma do abaixo transcrito: Fl. 532DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 “ Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo.” Isto posto , nego provimento. DA MULTA. Relevante ressaltar que Recorrente foi notificada em 15/12/2009 em razão de inadimplir as obrigações vinculadas aos fatos geradores ocorridos no período 01/11/2004 a 31/03/2007 cuja penalidade prevista para infrações à época fora corretamente aplicada na forma do artigo 35, I, II, II da Lei n° 8.212/91. É compulsório destacar, também, que a Auditoria observou com exação o comando do artigo 144 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis: “ Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Na hipótese de novos critérios de apuração ou de novos processos de apuração é que se aplica a previsão do § 1º deste artigo: “ § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios ” O presente lançamento não está submetido à novos critérios de apuração. Posicionando geograficamente o ressaltado no primeiro parágrafo , aduz que na forma do registro de fls. 26, no Relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e Acréscimos Legais da Multa, o cálculo do valor da multa teve por base os parâmetros estabelecidos pelo revogado art. 35, I, II, II da Lei n°8.212/91. Entretanto o artigo supra foi alterado pela MP 449 de , 2008 consolidada pela Lei n° 11.941/2009, estabelecendo não novos critérios de apuração, determina que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Fl. 533DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 14120.000327/200976 Acórdão n.º 2403001.563 S2C4T3 Fl. 8 13 Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” Não há nos autos registro de que houvera sido efetuado quadro comparativo das imputações de penalidades revogadas com as atualmente previstas. A planilha supra haveria que permitir confrontar os valores calculados na forma do revogado artigo e respectivos incisos, 35, I, II, II da Lei n°8.212/91 com o artigo 35 da Lei 8.212/91, no que concerne aos acréscimos da multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% conforme determina a redação dada pela Lei 11.941/2009 : “ Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ( grifos de minha autoria) MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 de modo que comparando o resultado com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 prevaleça a multa mais benéfica. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa cuja a definição do cálculo se observará quando a liquidação do crédito for postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/RFB n°14, de 4 de dezembro de 2009: “Art. 2° No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei n ° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN.” CONCLUSÃO Conheço do recurso para NO MÉRITO CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando que o recálculo da multa de mora observe o comando do artigo 35 da Lei n° 8.212/91, incluído pela Lei n °11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20% , critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. É como voto. Ivacir Júlio de SouzaRelator. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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