Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19740.900037/2009-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material.
Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-003.072
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19740.900037/2009-41
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761180
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.072
nome_arquivo_s : Decisao_19740900037200941.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19740900037200941_5761180.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6902571
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466667270144
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1596; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19740.900037/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.072 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria Compensação Recorrente SUL AMERICA COMPANHIA DE SEGURO SAUDE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/2008 a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 90 00 37 /2 00 9- 41 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 19740.900037/200941 Acórdão n.º 3201003.072 S3C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo da Declaração de Compensação – Dcomp nº 16328.37073.200209.1.3.040340, por meio da qual a contribuinte em epígrafe realizou a compensação de débitos tributários próprios utilizandose do crédito no valor de R$ 185.468,61, relativo ao DARF de Cofins de Entidades Financeiras e Equiparadas (código 7987), recolhido em 20/09/2007, no valor R$ 742.384,06. Em 07/10/2009, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro – Deinf/RJ emitiu o despacho decisório de nãohomologação da compensação (rastreamento nº 848606578), pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP acima identificada estava integralmente utilizado para quitação do débito de Cofins (código 7987) do período de apuração de agosto de 2007, não restando saldo de crédito disponível para a compensação do débito informado na DCOMP acima citada. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 20/10/2009 e apresentou, em 19/11/2009, manifestação de inconformidade por meio da qual sustenta a existência do crédito informado na Dcomp. Alega que “em 22/09/2003, impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.61.000268000 (doc. 03), postulando o reconhecimento do seu direito de não se submeter à majoração da alíquota de COFINS imposta pelo artigo 18 da Lei nº 16.684/2003, posteriormente reiterada pelo inciso I do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, tendo depositado os valores em discussão em conta vinculada àquele feito.” Argumenta, também, que na DCTF retificadora apresentada em 18/09/2009 (antes da emissão do despacho decisório contestado) a Cofins do período de apuração de agosto de 2007 foi declarada no valor total de R$ 928.221,12 da seguinte forma: R$ 371.305,67, suspenso por depósito judicial efetuado em conta vinculada ao MS citado; e R$ 556.915,45, liquidado com o DARF recolhido em 20/09/2007, no valor total de R$ 742.384,06. Diz que recolheu indevidamente (por meio do DARF) a quantia de R$ 185.468,61 e que referido crédito consta demonstrado em planilha elaborada pelo contador responsável, na qual é envidenciada a base de cálculo da contribuição, e, também, em sua escrituração contábil (Livro Razão e Balancete). Pede, à vista do exposto, o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação efetuada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, por intermédio da 3ª Turma, no Acórdão nº 0649.601, sessão de 22/10/2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 19740.900037/200941 Acórdão n.º 3201003.072 S3C2T1 Fl. 4 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/Dcomp, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. CONDIÇÕES. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a contribuinte apresenta recurso voluntário com argumentos que repisam mesmo conteúdo da sua impugnação e outros que combatem a decisão recorrido. Em síntese suscita: A decisão da Delegacia de Julgamento é nula, pois indeferiu o direito creditório sob o único fundamento de que o DARF recolhido, do qual decorria pagamento a maior, tinha sido integralmente alocado em DCTF [a original]; Antes da prolação do despacho decisório [07/10/2009] procedeu à retificação da DCTF [18/09/2009] informando o débito da Cofins de agosto/2007, que confrontando com a originalmente transmitida revela um valor a menor, de R$ 928.221,12, que caracteriza seu direito creditório; Anexou à manifestação de inconformidade (i) demonstrativo da base de cálculo da Cofins de agosto/2007, assinada pelo contabilista responsável pela escrituração, (ii) cópias de folhas do livro Razão com a demonstração da "reversão de provisão" e lançamento a crédito de conta do ativo da parcela a compensar da Cofins decorrente dessa reversão, e (iii) parte do balancete que espelhava o saldo das contas; No acórdão, a DRJ limitouse a asseverar que a contribuinte não comprovou materialmente o indébito bem como a base de cálculo do débito da Cofins; Os julgadores reconheceram a existência de documentos que indicavam a contabilização do alegado indébito, contudo, se lhes restavam dúvidas quanto à validade da DCTF retificadora e dos documentos acostados aos autos, deveriam converter o julgamento em diligência; Requer que a nulidade da decisão da DRJ não seja pronunciada, pois entende que seu direito creditório é "fulgurante"; Materialmente, o direito creditório advém das exclusões permitidas de que trata o inciso II, do § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e que, relativamente ao mês agosto/2007, deduziu da base de cálculo a título de "sinistros efetivamente pagos" quantia menor que a assegurada pelo dispositivo legal, o que ocasionou o preenchimento incorreto da DCTF, elevando o valor a pagar da Cofins; Fl. 143DF CARF MF Processo nº 19740.900037/200941 Acórdão n.º 3201003.072 S3C2T1 Fl. 5 4 Após as correções, resultou que os "pagamentos de indenizações por sinistros" no mês [sic] julho/2007 foram maiores, o que reduziu a Cofins devida de R$ 1.175.512,60 para R$ 928.221,12, do qual apurou valor de Cofins a maior, na quantia de R$ 185.468,61, tendo transmitindo a DCTF retificadora Demonstrara na impugnação, e também neste recurso, o erro em não adotar o valor correto da base de cálculo dos créditos das Contribuições, relativas ao ano de 2012, fato que importa a nulidade do lançamento; A comprovação da apuração descrita fazse por meio de balancete (fls. 132/137), elaborado conforme Resolução Normativa ANS nº 14/2007. A ausência de retificação do Dacon em nada fragiliza o direito creditório, vez que se trata de documento meramente informativo. O processo foi distribuído e encaminhado a este Conselheiro para prosseguimento, de forma regimental. Cumpre observar que em sede de manifestação de inconformidade não foi suscitada a nulidade do despacho decisório. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Preliminar Nulidade do acórdão recorrido A recorrente argumenta que a decisão da Delegacia de Julgamento é nula pois indeferiu o direito creditório sob um único fundamento: o DARF recolhido, do qual decorria pagamento a maior, tinha sido integralmente alocado na DCTF original. Não assiste razão à recorrente quanto á nulidade da decisão, no termos requerido, conforme denotase dos excertos do seu voto: No caso, a compensação não foi reconhecida (homologada) porque o crédito indicado na DCOMP não existia, ou seja, na DCTF utilizada para a emissão do despacho decisório o DARF de Cofins (recolhido em 20/09/2007) indicado como origem do crédito para compensação estava totalmente utilizado para a quitação de um débito que foi validamente declarado em DCTF. Em contrapartida, na manifestação a contribuinte alega que o débito de Cofins de agosto de 2007 é menor do que aquele que foi inicialmente declarado. Inicialmente a o referido débito havia sido declarado no valor de R$ 1.175.512,60 (com o valor de R$ 433.128,54 vinculado à ação judicial e com o depósito efetuado) Fl. 144DF CARF MF Processo nº 19740.900037/200941 Acórdão n.º 3201003.072 S3C2T1 Fl. 6 5 e a interessada afirma que ele é de R$ 928.221,12 (com o valor de R$ 371.305,67 vinculado ao depósito judicial), de forma que o valor incontroverso foi reduzido de R$ 742.384,06 (R$ 1.175.512,60 – R$ 433.128,54) para R$ 556.915,45 (R$ 928.221,12 – R$ 371.305,67), resultando em um suposto crédito de R$ 185.468,61 (R$ 742.384,06 – R$ 556.915,45). Em que pese a existência de DCTF retificadora em 18/09/2009 (antes da emissão do despacho decisório contestado) o fato é que a contribuinte não logrou êxito em comprovar materialmente o indébito tributário alegado e nem tampouco a base de cálculo do referido débito de Cofins, nos termos em que previstos no art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional CTN . É bem verdade que a interessada juntou ao processo uma planilha demonstrativa da base de cálculo da contribuição e algumas fichas do Livro Razão que indicam a contabilização do indébito alegado. No entanto, referidos documentos, não comprovam por si sós o crédito alegado, uma vez que a interessada não apresentou os documentos contábeis que evidenciam o valor efetivo da base de cálculo da contribuição em discussão. Em adição, e corroborando a necessidade de evidenciação do valor devido da contribuição, a ser realizado com base nos documentos contábeis da empresa, anotese que o único Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon do período (entregue em 05/10/2007) contradiz a tese da interessada, uma vez que em citado demonstrativo a Cofins de agosto de 2007 consta declarado no exato valor de R$ 1.175.512,60. Ressaltese que, no presente caso, o ônus da prova cabe à contribuinte, pois a legislação pátria adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito. Citada interpretação pode ser depreendida da leitura do artigo 16, III, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e cujo rito processual deve ser adotado para a situação de fato (conforme previsão contida no § 11 do art. 74 da Lei 9.430/96, com as modificações da Lei 10.833/2003), e do artigo 333, do Código de Processo Civil (...) Constatase no entendimento do relator que, em realidade, o voto aponta para o motivo da não homologação da compensação expresso no despacho decisório, qual seja, o crédito indicado não existia, pois o DARF encontravase totalmente utilizado para quitação de débito declarado, não restando valor com direito a compensar. Os fundamentos eram a DCTF original. As razões de decidir dos julgadores a quo fundamentaramse na inexistência de conjunto probatório, ainda que se considerasse a DCTF retificadora, que ficou aclarada no enunciado da ementa ao expressar que "a retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN)". Fl. 145DF CARF MF Processo nº 19740.900037/200941 Acórdão n.º 3201003.072 S3C2T1 Fl. 7 6 Assim, para a decisão recorrida, a recorrente apresentou duas declarações, em que a segunda DCTF retificadora substituiu a original. Daí decorre que há divergência material de valores informados pela contribuinte que somente poderiam ser aceitos se restassem plenamente comprovados por documentos hábeis acostados nos autos que sustentassem os demonstrativos e cópias do livro Razão. Ademais, tratandose de direito creditório, inconteste que a prova era da contribuinte que alegara direito creditório. Acerca das nulidades, cumpre transcrever os dispositivos que regem a matéria no processo administrativo fiscal, o art. 59 do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Com efeito, nulo seria o ato administrativo se praticado por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa, situação que não se caracteriza nos autos. Não se colocou em dúvida a competência dos julgadores, não houve preterição do direito de defesa, vez que os julgadores enfrentaram todos os argumentos da manifestação de inconformidade da contribuinte capacitandoa a se defender plenamente através do presente recurso voluntário. Assim, não merece prosperar a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos requisitos legais apontados, não se enquadrando, portanto, em nenhum daqueles citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, os fatos suscitados que ensejam a nulidade serão enfrentados com mais profundidade no mérito, a seguir. Com essas considerações, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mérito O cerne da questão é em verdade o valor apurado da Cofins no mês maio/2007, cujo montante incontroverso apontado na DCTF original era de R$ 742.384,06 e reduziuse a R$ 556.915,45, na DCTF retificadora, transmitida em 18/09/2009. Da diferença decorre o valor alegado como crédito a ser compensado, de R$ 185.468,61, demonstrado no quadro: COFINS DCOMP Documento DCTF Paga (DARF) Pago a maior Crédito declarado direito creditório Despacho decisório (DCTF original) 742.384,06 742.384,06 zero 185.468,61 não há Despacho decisório (DCTF retificadora) 556.915,45 742.384,06 185.468,61 185.468,61 185.468,61 Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho Fl. 146DF CARF MF Processo nº 19740.900037/200941 Acórdão n.º 3201003.072 S3C2T1 Fl. 8 7 decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 147DF CARF MF Processo nº 19740.900037/200941 Acórdão n.º 3201003.072 S3C2T1 Fl. 9 8 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operou se ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: " Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do Fl. 148DF CARF MF Processo nº 19740.900037/200941 Acórdão n.º 3201003.072 S3C2T1 Fl. 10 9 administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Conclusão Diante do exposto, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o despacho decisório, por vício material. Paulo Roberto Duarte Moreira. Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003240/2007-54
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2004
DECLARAÇÃO DE APURAÇÃO DE TRIBUTOS. DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
Numero da decisão: 1802-000.831
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
Nome do relator: Nelso Kichel
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - multa por atraso na entrega da DIPJ
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2004 DECLARAÇÃO DE APURAÇÃO DE TRIBUTOS. DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49).
turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 13888.003240/2007-54
conteudo_id_s : 5752121
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1802-000.831
nome_arquivo_s : Decisao_13888003240200754.pdf
nome_relator_s : Nelso Kichel
nome_arquivo_pdf_s : 13888003240200754_5752121.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
id : 6877795
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466725990400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1288; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.003240/200754 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 1802000.831 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO Recorrente JAUSOLDA COMERCIAL LTDA Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE APURAÇÃO DE TRIBUTOS. DIPJ. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel e Edwal Casoni de Paula Feranandes Junior. Ausente o Conselheiro Alfredo Henrique Rebello Brandão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 52/58 interposto pela contribuinte em face da decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 45/48) que julgou procedente o lançamento fiscal de multa por atraso na entrega da DIPJ do exercício 2005, ano calendário 2004. Quantos aos fatos e enquadramento legal, consta do Auto de Infração de 05/09/2007 (fl. 08), in verbis: (...) Quanto aos fatos: A entrega da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica fora do prazo fixado enseja a aplicação da multa por atraso na entrega da declaração de 2% (dois por cento) ao mês ou fração sobre o valor do imposto de renda devido, ainda que tenha sido integralmente pago, respeitado o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$ 500,00 (Quinhentos reais). A multa cabível foi reduzida em 50% (cinquenta por cento) em virtude de entrega espontânea da declaração, exceto no caso da multa aplicada ter sido a multa mínima. Fundamentação: Art. 106, II, "c", da Lei nº 5.172/1988 (CTN), Art. 88 da Lei ngº 8.981/95, Art. 27 da Lei nº 9.532/97, art. 7º da Lei 10.428, de 24/04/2002. (...) O prazo limite para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória foi 30/06/2005; porém, a recorrente transmitiu eletronicamente a declaração, espontaneamente, somente em 24/11/2005 (fl. 09). Valor da multa: R$ 6.995,24, passível de redução para 50%, para pagamento até 29/10/2007 (fl. 08). Inconformada com o lançamento fiscal, a contribuinte apresentou impugnação junto à DRJ/Ribeirão Preto (fls. 01/06), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que não existiu, in casu, qualquer procedimento ou atividade fiscal para fins de exigência do imposto, anteriormente à entrega da DIPJ em questão. Vale dizer, que entre a data do vencimento da obrigação acessória e seu cumprimento a destempo, o fisco não procedeu a qualquer ato fiscalizatório para fins de cobrança do imposto; Fl. 73DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.003240/200754 Acórdão n.º 1802000.831 S1TE02 Fl. 2 3 que, por conseguinte, restou configurada a denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN; que – na defesa de sua tese pela exclusão da responsabilidade por infração e pelo afastamento da multa a interessada invocou e transcreveu precedentes jurisprudencias do antigo Conselho de Contribuintes (atual CARF) e da CSRF. que, ademais, o atraso na entrega da DIPJ não implicou prejuízo algum ao fisco. A DRJ/Ribeirão, ao apreciar a lide, manteve o lançamento fiscal, cuja ementa do Acórdão foi lavrada nos seguintes termos (fl. 45), in verbis: (...) Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. É legalmente prevista a cobrança de multa por atraso na entrega de declaração, mesmo que a entrega desta declaração se dê antes de qualquer procedimento de oficio. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Tratandose de ato puramente formal e de obrigação acessória sem relação direta com a ocorrência de fato gerador, o atraso na entrega de declaração não encontra guarida no instituto da exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea. Lançamento Procedente. (...) Irresignada com essa decisão da qual tomou ciência em 26/06/2009 sexta feira (fl. 51), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 28/07/2009 (fls. 52/58), reiterando as mesmas razões já deduzidas na instância a quo. Por fim, entendendo que o lançamento fiscal não tem consistência fática, nem jurídica, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e cumpre os pressupostos legais de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratase, conforme relatado, de lançamento de multa pela apresentação a destempo de declaração de rendimentos da Pessoa Jurídica. A recorrente alegou que não existiu qualquer procedimento ou atividade fiscal para fins de exigência dos tributos, anteriormente à entrega da DIPJ; que – por conseguinte – a entrega da DIPJ espontaneamente, embora fora do prazo, implicou o cumprimento da obrigação acessória; que tal situação configurou denúncia espontânea, implicando afastamento da responsabilidade por infração; que, sendo assim, incabível a exigência da multa objeto dos autos. A tese da recorrente não tem respaldo legal. A exigência fiscal, no caso, referese a penalidade aplicada pela apresentação de declaração de ajuste anual a destempo, ou seja, pelo descumprimento de obrigação acessória. Tal obrigação acessória está insculpida no artigo 7° da Lei n° 10.426, de 26 de abril de 2002, o qual transcrevo, in verbis: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirj), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 32; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.003240/200754 Acórdão n.º 1802000.831 S1TE02 Fl. 3 5 § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas : I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n° 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (...) (grifos meus) Como visto, a infração – descumprimento de obrigatória acessória – se consuma pela simples inobservância do prazo legal. No caso, pela inobservância do prazo tempestivo para entrega da declaração foi aplicada a multa objeto dos autos. A responsabilidade por infração tributária, em regra, é objetiva, independe da intenção do agente, e não se perquire a razão do descumprimento. Nesse sentido, transcrevo o disposto no art. 136 da Lei nº 5.172/66 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ainda, para entrega de declaração a destempo é inaplicável o instituto da denúncia espontânea. Ou seja: as infrações meramente formais não estão albergadas pelo instituto da denúncia espontânea, insculpido pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, a jurisprudência deste Conselho, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça. A propósito, transcrevo ementa de Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n.° 0201.046, Sessão de 18/06/01, in verbis: DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA – ESPONTANEIDADE INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. O Superior Tribunal de Justiça STJ, no mesmo sentido, já se manifestou reiteradas vezes acerca do cabimento da multa isolada no caso de entrega extemporânea de declaração, in verbis: DENÚNCIA ESPONTÂNEA, ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vinculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei nº 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138 do CTN. 4. Recurso provido . Processo: 190388 REsp Recurso Especial UF: GO Decisão: Superior Tribunal de Justiça – STJ, Primeira Turma, em 03.12.1998 Publicação: Dl em 22.03.1999 Relator: José Delgado Informações Adicionais: Decisão: Por unanimidade, dar provimento ao recurso. STJ REsp 190388 03.12.1998 –. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ENTREGA EXTEMPORÂNEA DA DECLARAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. INFRAÇÃO FORMAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÃNEA. I. A entrega da declaração do Imposto de Renda fora do prazo previsto na lei constitui infração formal, não podendo ser tida como pura infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. II. Ademais, "a par de existir expressa previsão legal para punir o contribuinte desidioso (art. 88 da Lei n° 8.981/95), é de fácil inferência que a Fazenda não pode ficar à disposição do contribuinte, não fazendo sentido que a declaração possa ser entregue a qualquer tempo, segundo o arbitrio de cada um". (REsp n° 241241RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 21.08.2000). III. Embargos de divergência rejeitados. (EREsp 208097/PR: órgão Julgador PRIMEIRA SEÇÃO. Data da Publicação/DJ: 15.10.2001). Por fim, no âmbito deste Egrégio CARF, a matéria, encontrase sumulada desde dezembro/2010, conforme Portaria CARF nº 49, de 01 de dezembro de 2010 anexo II: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13888.003240/200754 Acórdão n.º 1802000.831 S1TE02 Fl. 4 7 Por tudo que foi exposto, voto para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 78DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 06/06/2011 por NELSO KICHEL, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901220/2013-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO.
A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
Numero da decisão: 1201-001.789
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10875.901220/2013-40
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5758720
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.789
nome_arquivo_s : Decisao_10875901220201340.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10875901220201340_5758720.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6898712
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466729136128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.901220/201340 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1201001.789 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria IRPJ/CSLL DEDUÇÃO CRÉDITOS PIS/COFINS Recorrente AÇOS GROTH LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 CRÉDITOS DE PIS E COFINS. DEDUÇÃO. A sistemática de apuração do lucro líquido, que após as adições e exclusões legais, resulta no lucro real e na base de cálculo da CSLL, já prevê a dedução dos créditos de PIS e Cofins apurados sobre os insumos consumidos pelo contribuinte; deduzir mais uma vez resultaria em duplicidade, sem previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 12 20 /2 01 3- 40 Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10875.901220/201340 Acórdão n.º 1201001.789 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação PER/DComp em que o contribuinte requer direito creditório, para compensar débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou a compensação declarada, determinando o prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados, acrescidos de multa e juros de mora. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente. Cientificado, apresentou Recurso Voluntário tempestivo ao CARF, sintetizado a seguir. Informa que é contribuinte do Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, instituídos pela Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002 e Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, respectivamente. Afirma que a nãocumulatividade destas contribuições trazidas por estas legislações, criou uma nova materialidade tributária, qual seja a incidência do Imposto de Renda e da Contribuição Social Sobre o Lucro sobre os créditos de PIS e Cofins oriundos das aquisições de determinados bens e serviços. Que a base de cálculo de ambas contribuições é o total da receita bruta auferida de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, e as alíquotas são de 1,65% para o PIS e 7,6% para a Cofins; o contribuinte tem o direito de abater, do valor apurado, créditos gerados pelas aquisições de bens e serviços necessários à consecução do seu objeto social, definidos no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Apesar de rotulada de nãocumulativa, a sistemática guarda diferenças em relação à apuração de ICMS e IPI. Do ponto de vista contábil afirma que o §10 do art. 3º da Lei 10.833, de 2003, estabelece que o crédito apurado não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para a dedução do valor da contribuição; que o Ato Declaratório Interpretativo n° 3, de 2007, da SRFB, recomenda a contabilização dos créditos de PIS e Cofins como ativo fiscal, e expressa que em contrapartida não poderão ser contabilizados como receita; que, em assim sendo, alternativamente à contabilização dos créditos como receita, a pessoa jurídica optante pelo Lucro Real, e sujeita a sistemática nãocumulativa do PIS e Cofins, poderá adotar critério de Registro do crédito fiscal como redução do custo, isto é, créditos de PIS/Cofins terem o mesmo registro contábil que o aplicado aos de IPI e ICMS, ou seja, como redução do custo do bem adquirido (ou da despesa); diz que este procedimento foi inicialmente defendido pelo Parecer n.º 1/03 do Conselho Federal de na Interpretação Técnica nº 1, de 2004; e que procedimento técnico do reconhecimento dos créditos de PIS/ Cofins como redução do custo ou como receita, resultará no aumento do resultado contábil que, na apuração do Lucro Real e na Base de Cálculo, sofrerá a incidência do IRPJ e CSLL; cita a definição de receita bruta do art. 224 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), para concluir que a contabilização de tais créditos, seja com receita, seja como Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10875.901220/201340 Acórdão n.º 1201001.789 S1C2T1 Fl. 4 3 redução de custo, resulta em aumento do Lucro Real, que sofrerá a incidência do IRPJ e da CSLL. Do ponto de vista jurídico, interpreta que o §10 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e por analogia também a Lei nº 10.637, de 2002, prevêem a possibilidade de exclusão dos créditos de PIS e Cofins da base de cálculo do IRPJ e CSLL, dado que os créditos oriundos da nãocumulatividade foram afastados do conceito de receita bruta; postula que a exclusão dos créditos da base de cálculo do IRPJ e CSLL se reveste da característica de "Subvenção de Investimento" e tais créditos não devem ser considerados para fins de tributação. Conclui pleiteando que os créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins sejam excluídos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. É o Relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.782, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10875.901028/201515, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.782): 12. A partir das Leis nº 10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003, as empresas que optam, ou que são obrigada à tributação do IRPJ e CSLL pelo regime do lucro real, devem apurar os valores a recolher de PIS e Cofins, no regime de nãocumulatividade, que consiste, no seguinte cálculo: a. Débito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre a receita bruta; b. Crédito PIS/Cofins, apurados mediante as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, sobre dispêndios relacionados no art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003; c. PIS/Cofins a recolher: Débito () Crédito 13. A apuração do lucro líquido, que após ajustes, é base de apuração de IRPJ e CSLL: a. Receita Bruta () Débito de PIS/Cofins isto é, a apuração do lucro líquido parte da receita bruto, da qual se deduz o valor total do Débito de PIS/Cofins, apurado conforme explicado no item precedente. b. resulta que o Crédito, embutido no valor do Débito, está deduzido, conforme pleiteia a Recorrente. 14. Para melhor esclarecer, apresentase exemplo numérico da apuração da contribuição a pagar pelo contribuinte: a. Receita bruta hipotética R$1.000,00 Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10875.901220/201340 Acórdão n.º 1201001.789 S1C2T1 Fl. 5 4 b. Débito de PIS 1,65% x 1.000,00 = R$16,50 c. Insumos hipotéticos sobre os quais pode ser aproveitado crédito R$600,00 d. Crédito de PIS 1,65% x 600,00 = R$9,90 e. PIS a pagar 16,50 () 9,90 = R$6,60 15. Demonstrase a seguir a apuração, de forma simplificada, da base de cálculo de IRPJ e CSLL: Receita bruta 1.000 () débito de PIS 16,50 Lucro líquido 983,50 16. E em seguida, se demonstra que equivale a deduzir os créditos, bem como o valor que o contribuinte pagou: Receita bruta 1.000 () PIS pago 6,60 () crédito de PIS 9,90 Lucro líquido 983,50 17. No caso da Cofins, o procedimento é o mesmo, variando apenas a alíquota. 18. Fica evidente que o pleito do contribuinte seria de deduzir mais uma vez os créditos, ou seja, resulta em duplicidade de dedução, o que não está previsto na legislação. 19. Cabe esclarecer que o §10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e o ADI n° 3, de 2007, visaram esclarecer que o aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, não deve ser tratado como redução de custo ou como subvenção para custeio, dado que estes últimos são considerados receita tributável; o mesmo comentário se aplica à jurisprudência que a Recorrente colacionou. Conclusão Voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.009610/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/05/2009
INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA.
O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva.
REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007.
Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.465
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/05/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do Decreto-Lei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificando-as posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11128.009610/2009-03
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5788439
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.465
nome_arquivo_s : Decisao_11128009610200903.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 11128009610200903_5788439.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6984691
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466829799424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1894; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.009610/200903 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.465 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria MULTA REGULAMENTAR ADUANEIRA Recorrente COMPANHIA LIBRA DE NAVEGAÇÃO (incorporadora de CSAV GROUP AGENCIES BRAZIL AGENCIAMENTO DE TRANSPORTES LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/05/2009 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico (no caso, CNPJ do Consignatário) não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. REVOGAÇÃO ART. 45, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N.º 800/2007. Dispositivo normativo no qual se fundou a autuação, que trazia uma indevida extensão da determinação legal, foi expressamente revogado pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 96 10 /2 00 9- 03 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.009610/200903 Acórdão n.º 3402004.465 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra a Recorrente, na condição de agência de navegação responsável pela importação, para exigir multa de R$ 5.000,00 com fulcro na previsão do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei nº 37/1966, passível de ser aplicada "por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Conforme indicado no relatório fiscal da autuação, o fato que ensejou a lavratura da autuação foi a retificação de ofício e a destempo, de informações do Conhecimento eletrônico na forma solicitada pela Recorrente. No entendimento da fiscalização, a retificação solicitada pela Recorrente foi realizada a destempo por ter sido registrada de oficio, em desconformidade com os artigos 45, §1º e 50 da Instrução Normativa n.º 800/2007. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada integralmente improcedente pelo Acórdão 08028.272da 2ª Turma da DRJ/FOR, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/05/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA. LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. A agência marítima que atue como representante, no País, do transportador estrangeiro, é legítima para figurar no polo passivo do auto de infração e responde, em igualdade de condições com aquele, pela infração decorrente do descumprimento da obrigação de prestar, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, informação sobre o veículo e sobre a carga nele transportada. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.009610/200903 Acórdão n.º 3402004.465 S3C4T2 Fl. 4 3 Data do fato gerador: 29/05/2009 VÍCIO FORMAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste vício formal e não se configura o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento se reveste das formalidades legais essenciais e o autuado demonstra em sua impugnação haver compreendido as acusações a ele imputadas. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL. EFEITO INTER PARTES. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões judiciais proferidas com efeito meramente inter partes não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. CONTROLE ADUANEIRO. MOVIMENTAÇÃO DE EMBARCAÇÕES, CARGAS E UNIDADES DE CARGA NOS PORTOS ALFANDEGADOS. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE CONDIÇÕES. DESCARACTERIZAÇÃO. Não configura pedido de retificação de conhecimento de carga o pedido que não atenda a pelo menos uma das condições estabelecidas no artigo 23 da Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/05/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. O instituto da denúncia espontânea não se aplica à infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória. Impugnação Improcedente" Cientificada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, reiterando suas razões de defesa, alegando em síntese: (i) preliminarmente: (i.1) a ilegitimidade passiva da Recorrente por ter atuado na condição de agente dos transportadores marítimos; e (i.2) a nulidade do Auto de Infração por não ser claro, possuindo uma confusa descrição dos fatos que impediu o ampla exercício de defesa; (ii) no mérito: (ii.1) ausência de tipicidade, sustentando a não caracterização da infração imposta vez que todas as informação de conhecimento do transportador foram oportunamente apresentadas, somente retificadas após pedido do importador; e (ii.2) a necessidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea, com fulcro na nova redação do art. 102, §2º, do Decretolei n.º 37/1966 dada pela Lei n.º 12.350/2010, vez que solicitada a retificação da documentação antes do início do procedimento fiscal. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.009610/200903 Acórdão n.º 3402004.465 S3C4T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.436, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.003078/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal. Todavia, como fui vencido na votação, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.436): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, adentrando em suas razões. Primeiramente, importante consignar que, na condição de agente de navegação, representante da transportadora internacional, como reconhecido pela própria Recorrente, não há que se falar na hipótese em ilegitimidade passiva. A fiscalização se respaldou na Instrução Normativa n.º 800/2007 (art. 4º1) para autuar a Recorrente como agente marítimo, por ter sido a responsável pela inserção das informações no SISCOMEX CARGA, disposição normativa fundada do Decretolei n.º 37/1966 (art. 37, §1º2) e no Regulamento Aduaneiro/2002, vigente à época dos fatos (art. 30, §2º3). 1 "Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador." 2 "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)" (grifei) 3 "Art. 30. O transportador prestará à Secretaria da Receita Federal as informações sobre as cargas transportadas, bem assim sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o Ao prestar as informações, o transportador, se for o caso, comunicará a existência, no veículo, de mercadorias ou de pequenos volumes de fácil extravio. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.009610/200903 Acórdão n.º 3402004.465 S3C4T2 Fl. 6 5 Com efeito, quem teria cometido a irregularidade de prestação de informações no presente caso foi a Recorrente, responsável por inserir os dados da operação, navio e mercadorias no SISCOMEX em nome do transportador estrangeiro, ainda que sob sua orientação. Nesse sentido é a jurisprudência deste Conselho: "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/05/2008 AGENTE MARÍTIMO. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada responde pela multa sancionadora da referida infração. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003." (Processo 11128.007671/200847 Data da Sessão 25/05/2017 Relatora Maria do Socorro Ferreira Aguiar Nº Acórdão 3302004.311 grifei) "Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 06/02/2011 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. (...) Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 11684.720091/201139 Data da Sessão 27/11/2013 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 002.315) "Assunto: Obrigações Acessórias § 2o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, também deve prestar as informações sobre as operações que execute e sobre as respectivas cargas. § 3o Poderá ser exigido que as informações referidas neste artigo sejam emitidas, transmitidas e recepcionadas eletronicamente." Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.009610/200903 Acórdão n.º 3402004.465 S3C4T2 Fl. 7 6 Data do fato gerador: 03/11/2004, 04/11/2004, 08/11/2004, 12/11/2004, 15/11/2004, 18/11/2004, 23/11/2004, 26/11/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. MATERIALIZAÇÃO DA INFRAÇÃO. IMPOSIÇÃO DA MULTA. OBRIGATORIEDADE. O descumprimento do prazo de 7 (sete) dias, fixado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para o registro, no Siscomex, dos dados do embarque marítimo, subsumese à hipótese da infração por atraso na informação sobre carga transportada, sancionada com a respectiva multa regulamentar. INFRAÇÃO POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. PENALIDADE APLICADA CONTRA O AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na informação sobre carga transportada tem legitimidade para integrar o polo passivo da ação de cobrança da multa sancionadora da respectiva infração. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11050.001776/200914 Relator Jose Fernandes do Nascimento Nº Acórdão 3802001.565 grifei) Assim, não há que se falar no caso em ilegitimidade passiva. Por outro lado, por entender que cabe ser provido o Recurso Voluntário no mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente em conformidade com o art. 59, §3º do Decreto n.º 70.235/724. Isso porque, confirmase no caso em tela a ausência de tipicidade, inexistindo subsunção dos fatos descritos e documentados pela fiscalização à norma do art. 107, inciso IV, alínea "e" do Decretolei n.º 37/1966. Com efeito, como relatado, a autuação foi lavrada em razão de Pedido de Retificação apresentado pela Recorrente para modificar um dado do CE Mercante, qual seja, o número do CNPJ do Consignatário, indicado no CE mercante com o número 03.3403084/000109, mas que deveria ser alterado para o número 04.732138/000736. É o que se depreende do pedido de retificação anexado ao Auto de Infração (efl. 18): 4 "Art. 59. São nulos: (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.009610/200903 Acórdão n.º 3402004.465 S3C4T2 Fl. 8 7 Contudo, como se depreende da expressão do art. 107, IV, "e", do Decretolei n.º 37/1966, essa penalidade somente será aplicada quando as informações relativas ao veículo ou cargas neles transportadas, ou quanto às operações realizadas, deixarem de serem prestadas à Secretaria da Receita Federal. Tratase, portanto, de um tipo que exige uma conduta omissiva por parte do agente: "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e" (grifei) Atentandose para o presente caso, observase que não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX. Somente um dado do CE foi retificado (CNPJ do Consignatário) conforme solicitação do importador formulada em 30/07/2008 (efl. 66), após a atracação do navio. Desta forma, inexiste a subsunção do fato descrito pela fiscalização (frisese, de uma forma efetivamente confusa e genérica, como mencionado pela Recorrente) com a norma imputada, devendo ser cancelada a autuação. Nesse exato sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 148DF CARF MF Processo nº 11128.009610/200903 Acórdão n.º 3402004.465 S3C4T2 Fl. 9 8 Anocalendário: 1996, 1997, 1998 INFRAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informação de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Precedentes da Turma. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA REGULAMENTAR. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N.° 28/1994 (ART. 37). DECRETOLEI N° 37/1966 (ART. 107, IV, “E”). RETIFICAÇÃO DE CAMPO DO CONHECIMENTO ELETRÔNICO. INFRAÇÃO NÃO CONFIGURADA. O núcleo do tipo infracional previsto no art. 107, IV, “e, do DecretoLei n° 37/1966, pressupõe uma conduta omissiva do sujeito passivo: deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A simples retificação de um dos campos do conhecimento eletrônico não pode ser considerada uma infração, uma vez que, ao prestar informações na forma e no prazo legal, retificandoas posteriormente, o sujeito passivo não pratica uma conduta omissiva. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado." (Processo 11684.000246/201036 Data da Sessão 10/12/2014 Relator Solon Sehn Nº Acórdão 3802 003.962 Unânime grifei) Assim, inexistia respaldo legal para a exigência. Cumpre ainda acrescer que a autuação se fundamentava apenas em dispositivo infralegal do artigo 45, §1º da Instrução Normativa n.º 800/20075, que trazia uma extensão da aplicação do art. 107, IV, 'e' do Decretolei n.º 37/ para a "prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação". Contudo, além desta exigência não se respaldar na lei, como visto, ela foi expressamente revogada pela Instrução Normativa n.º 1.473/2014. 5 "Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei no 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei no 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 1o Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 2o Não configuram prestação de informação fora do prazo as solicitações de retificação registradas no sistema até sete dias após o embarque, no caso dos manifestos e CE relativos a cargas destinadas a exportação, associados ou vinculados a LCE ou BCE. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014)" Fl. 149DF CARF MF Processo nº 11128.009610/200903 Acórdão n.º 3402004.465 S3C4T2 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a exigência da penalidade também foi decorrente de retificação de dados no CE, ou seja, "não ocorreu na hipótese o tipo "deixar de prestar informação", vez que todas as informações envolvendo a operação foram efetivamente prestadas no SISCOMEX". Houve apenas a retificação de dado do CE após a atracação do navio. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.905750/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13603.905750/2012-74
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5750162
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.913
nome_arquivo_s : Decisao_13603905750201274.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 13603905750201274_5750162.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6877532
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466836090880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 307 1 306 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.905750/201274 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.913 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria COMPENSAÇÃOCOFINS (DDE) Recorrente PETRONAS LUBRIFICANTES BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 50 /2 01 2- 74 Fl. 319DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 20.157,65. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.462, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 320DF CARF MF Processo nº 13603.905750/201274 Acórdão n.º 3401003.913 S3C4T1 Fl. 308 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 321DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 322DF CARF MF Processo nº 13603.905750/201274 Acórdão n.º 3401003.913 S3C4T1 Fl. 309 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 323DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13603.905750/201274 Acórdão n.º 3401003.913 S3C4T1 Fl. 310 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728949/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora efetue imputação proporcional dos depósitos judiciais, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.728949/2014-55
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761138
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2301-000.673
nome_arquivo_s : Decisao_11080728949201455.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOAO BELLINI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11080728949201455_5761138.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora efetue imputação proporcional dos depósitos judiciais, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6902140
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466842382336
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.728949/201455 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.673 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de agosto de 2017 Assunto CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COOPERATIVA ARROZEIRA PALMARES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora efetue imputação proporcional dos depósitos judiciais, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira, Wesley Rocha, Thiago Duca Amoni e João Bellini Júnior (Presidente). Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0131.938, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Belém (efls. 507 a 517). Os autos de infração (AI) abaixo relacionados são relativos a contribuições previdenciárias da empresa, para outras entidades e fundos e contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho (Gilrat), incidentes sobre a comercialização da produção rural do segurado especial e do produtor rural pessoa física, não declaradas em Gfip: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 28 94 9/ 20 14 -5 5 Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 3 2 · AI debcad 51.060.4129, R$3.616.169,67 – contribuição da empresa e Gilrat. Levantamentos PRRural e SARat. · AI debcad 51.060.4137, R$344.397,09 (incluído: valor atualizado, juros e multa de ofício), contribuição destinada ao Senar. Levantamento PR Rural. Consta do relatório fiscal (efls. 31 a 34), em síntese, que: (a) a recorrente ajuizou a Ação Ordinária 200871000289386/RS (SJRS do TRF4) contra o recolhimento do Funrural; no curso da ação, depositou judicialmente valores deduzidos dos produtores associados; (b) a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, art. 151, II, do CTN, não impede a realização do lançamento para prevenir a decadência, apenas a sua cobrança; (c) o depósito realizado não é o previsto no art. 151, II, CTN, já que não é do montante integral, pois inexiste crédito definitivamente constituído na esfera administrativa susceptível de ter sua exigibilidade suspensa; (d) o fato gerador da obrigação tributária é a aquisição pela entidade da produção rural de produtor rural segurado especial e produtor rural pessoa física; a base de cálculo é o valor das notas fiscais dos produtores rurais e segurado especial registrado nas notas fiscais de entrada de mercadorias emitidas pelo adquirente. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e seu acórdão recebeu as seguintes ementas: DEPÓSITO JUDICIAL. INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA. REQUISITOS LEGAIS. Posicionamentos jurisprudenciais sobre a desnecessidade da realização de lançamento tributário na hipótese de eventual depósito do montante integral não têm o condão de revogar norma que versa sobre o lançamento para prevenir a decadência. Nesta mesma norma, contida no art. 63 da Lei 9.430/96, não está incluído o depósito judicial como hipóteses de exclusão da multa, ainda mais quando o depósito não é no montante integral, não ensejando, nessas condições, nem mesmo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Tampouco cabe a utilização da analogia ou outro método integrativo, uma vez que tais matérias, nos termos do Código Tributário Nacional, somente podem ser estabelecidas por lei. IDENTIDADE DE MATÉRIA. PROCESSO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. EFEITOS DA CONCOMITÂNCIA. Em obséquio ao princípio da unicidade de jurisdição, não se toma conhecimento da parte da impugnação que tenha o mesmo objeto de ação judicial. A constatação da concomitância deve ser seguida da declaração da definitividade da exigência discutida, ou seja, mantém se a parte do lançamento concomitante e atrela seu destino a futura decisão judicial transitada em julgado. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 4 3 PAF. JULGADOR ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITAÇÃO. O julgador de litígios administrativos fiscais, no âmbito da Administração Tributária Federal, não recebeu autorização de nenhuma norma jurídica brasileira para decidir sobre a ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis que, eventualmente, fundamentaram a confecção de determinado lançamento tributário. Pelo contrário, a opção do sistema jurídico pátrio foi pela unicidade da jurisdição, portanto, é vedado ao julgador administrativo negar vigência a determinado dispositivo normativo sob a alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Esta atribuição foi reservada ao poder judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 29/06/2015 (efl. 526). Em 22/07/2015, foi apresentado recurso voluntário, na qual é alegado, em apertada síntese (efl. 529 a 581): EM PRELIMINAR, (a) a nulidade dos autos de infração, que incluíram, no mesmo lançamento, situações jurídicas distintas, com efeitos jurídicos distintos, quais sejam: (a.1) R$1.110.031,15 referese às contribuições retidas dos associados nãoempregadores e depositados na Justiça; (a.2) R$677.202,08 referese às contribuições NÃO retidas dos associados empregadores; a impossibilidade de suspender apenas uma parte do lançamento em face do depósito judicial integral, uma vez que as limitações do sistema de cadastro e registro dos lançamentos fiscais impõem que sejam dissociados débitos que 1) ficarão com exigibilidade suspensa automática e sem cobrança de multas daqueles que 2) estão em situação diversa; NO MÉRITO, (b) violação à decisão do STF em repercussão geral nos RE 363.852MG e RE 596.177/RS, já transitados em julgado, que declararam inconstitucional a contribuição social sobre comercialização rural prevista no art. 25 da Lei 8.212, de 1991 e exigida dos adquirentes da produção por força do art. 30 da referida lei, das quais faz minuciosa abordagem; (c) violação ao art. 151, II, do CTN, já que promoveu o depósito integral do crédito tributário, e a decisão recorrida “considerou que a existência de decisão judicial para não haver retenção e conseqüente não realização de depósito judicial de operações com alguns associados (empregadores) tornaria o depósito de outras operações com outros associados (nãoempregadores), parcial”; não possui amparo legal entender que se uma operação específica com associado (empregador) não teve retenção e não foi depositado, teria o efeito jurídico de desnaturar toda a natureza das demais obrigações tributárias existentes; assim, deve ser determinado que todo o valor depositado em Juízo, R$1.110.031,15, tenha sua exigibilidade suspensa; Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 5 4 (c) violação ao art. 151, V, do CTN, ao desconsiderar decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, na qual foi declarado expressamente a inconstitucionalidade da cobrança do tributo; dessa forma, o valor de R$677.202,08 também deve ter sua exigibilidade suspensa, eis que protegido pela decisão judicial; (d) verificada a hipótese de inexigibilidade do crédito tributário não pode a administração constituir a autuada em mora, impondolhe a cobrança de juros e multa, nem mesmo exigir e cobrar o débito com exigibilidade suspensa. Foram feitos os seguintes pedidos: (a) nulidade do lançamento; (b) seja determinado o retorno para a Delegacia de origem, a fim de desmembrar o lançamento para que os valores objeto de depósito judicial figurem em um lançamento, enquanto que os valores que deixaram de ser retidos e recolhidos por força de decisão judicial sejam apostos em outro lançamento; (c) a extinção do lançamento porque seu objeto diz respeito a tributo declarado inconstitucional pelo STF; (d) seja determinada a suspensão da exigibilidade dos valores contidos nas autuações, (e) sejam excluídas as multas aplicadas sobre valores depositados em Juízo. É o relatório. Conselheiro relator João Bellini Júnior Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. DA INCIDÊNCIA DE MULTA E JUROS A recorrente alega violação ao art. 151, II e V do CTN, já que: (a) promoveu o depósito integral do crédito tributário e não possui amparo legal entender que se uma operação específica com associado (empregador) não teve retenção e não foi depositado, teria o efeito jurídico de desnaturar toda a natureza das demais obrigações tributárias existentes; assim, deve ser determinado que todo o valor depositado em Juízo, R$1.110.031,15, tenha sua exigibilidade suspensa, em face do art. 151, II, do CTN e que o valor de R$677.202,08 também deve ter sua exigibilidade suspensa, eis que protegido por decisão judicial proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região; (b) verificada a hipótese de inexigibilidade do crédito tributário não pode a administração constituir a autuada em mora, impondolhe a cobrança de juros e multa, nem mesmo exigir e cobrar o débito com exigibilidade suspensa. Convém fazer uma síntese do desenvolvimento da Ação Ordinária (Procedimento Comum Ordinário) nº 2008.71.00.0289386/RS, promovida pela atuada contra a União (efls. 398 a 415, 447 a 487 e consulta ao sítio eletrônico do TRF4 e do STF). A ação foi proposta em 19/11/2008, tendo como objeto o reconhecimento da “ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, prevista no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, e alterações promovidas pelas Leis nºs. 8.540/92, 8.861/94, 9.528/97 e 10.256/01 e alterações posteriores, com a consequente repetição ou compensação do indébito”: Fl. 605DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 6 5 SENTENÇA I Relatório A COOPERATIVA ARROZEIRA PALMARES LTDA., devidamente qualificada na inicial, atuando em Juízo em nome de seus associados, propôs a presente Ação Declaratória de Inconstitucionalidade cumulada com Pedido de Restituição, em face da União Federal. Informa ter como objeto social a prestação de serviços e comércio de produção agrícola, em razão do que está obrigada à retenção da Contribuição sobre a Comercialização de Produto Rural pessoa física prevista no art. 25 c/c arts. 28 e 30 da Lei n.º 8.212/91. Alinhou argumentos acerca da legitimidade para propor a presente ação em nome de seus associados, colacionando julgados. Pediu seja reconhecida a interrupção da prescrição em razão de citação válida em ação extinta sem julgamento do mérito. Alegou que com a publicação da Lei nº 8.213/91 as contribuições devidas sobre a comercialização da produção rural foram extintas, sendo reinstituída a contribuição sobre a comercialização do produtor rural pessoa física segurado especial com a edição da Lei 8.212/91 e do produtor rural pessoa jurídica a partir da Lei n.º 8.870/94. A contribuição para o produtor rural pessoa física empregador somente restou devida a partir da Lei n.º 8.540/92. Portanto, a Lei n.º 8.212/91 importou na extinção das contribuições do produtor rural pessoa física empregador e pessoa jurídica, na medida em que não arrolou tais contribuições, que só foram previstas nas Leis nºs. 8.540/92 e 8.870/94, respectivamente. Discorreu acerca da inconstitucionalidade na instituição da sobredita contribuição a partir das Leis n° 8.212/91 e nº 8.870/94 e alterações promovidas pelas Leis n° 8.540/92, n° 8.861/94, n° 9.528/97 e n° 10.256/2001, pois referidas normas carecem de descrição do fato gerador, a base de cálculo não está prevista no art. 195 da Constituição Federal, exigindose lei complementar para contribuições novas, além do que, há bitributação pois a base imponível já é objeto de outros tributos, como a COFINS. Diante de tal situação requereu seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural, prevista no art. 25 da Lei n.º 8.212/91, e alterações promovidas pelas Leis nºs. 8.540/92, 8.861/94, 9.528/97 e 10.256/01 e alterações posteriores, com a consequente repetição ou compensação do indébito. Requereu condenação da parte ré nos ônus de sucumbência. Juntou documentos às fls. 35211. (Grifouse.) A sentença, de 15/06/2009, foi denegatória: III – Dispositivo Ante o exposto julgo improcedente a demanda. Condeno a parte autora ao pagamento de honorários advocatícios à parte ex adversa, os quais, considerando o disposto no § 4.° do art. 20 do Código de Processo Civil, fixo em R$ 2.000,00 (dois mil reais), e nas custas processuais, atualizáveis essas verbas monetariamente até a data do efetivo pagamento pelo IPCAE. Publiquese. Registrese. Intimemse. Interposta apelação ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), em 21/07/2010, a apelação foi julgada (parcialmente) procedente, para declarar indevido “o Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 7 6 recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização de produtos de produtor rural empregador, previsto no artigo 25 da Lei 8.212/91 e condenar a União à restituição dos valores indevidamente recolhidos àquele título, conforme fundamentado” (Grifouse.): VOTO (vencedor) Contribuição previdenciária sobre a produção rural (...) Pois bem, não há dúvidas de que a decisão proferida no RE n.° 363.852 declarou a inconstitucionalidade da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural em relação aos produtores rurais que não se amoldem à categoria dos segurados especiais, visto que o aludido recurso extraordinário foi interposto por pessoa jurídica adquirente de produtos cujos fornecedores eram pessoas físicas empregadoras. (Grifos no original.) (...) Em suma, a contribuição social sobre o resultado da comercialização da produção rural é legítima relativamente ao segurado especial (inciso VII do artigo 12 da Lei 8.212/1991). (Grifos no original.) Assim, tem razão a parte autora, não se podendo dela exigir o recolhimento de contribuição previdenciária prevista no artigo 25, I, da Lei 8.212/1991, relativamente aos produtos que comercializa, sendo devida a restituição dos valores recolhidos àquele título. (...) Conclusão Merece ser provido o apelo autoral, para julgar procedente o pedido inicial, no sentido de reconhecer indevido o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre o resultado da comercialização de produtos de produtor rural empregador, previsto no artigo 25 da Lei 8.212/91 e condenar a União à restituição dos valores indevidamente recolhidos àquele título, conforme fundamentado. (Grifouse.) Em 17/11/2010 foram acolhidos os embargos da União, tão somente para fins de prequestinamento: 17/11/2010 16:00 Julgamento do incidente (JUIZ P/ ACORDÃO: JOEL ILAN PACIORNIK) A TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA PARTE AUTORA E ACOLHER PARCIALMENTE OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS DA UNIÃO, APENAS PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. Em 28/09/2011 foram rejeitados novos embargos declaratórios da União: 28/09/2011 16:35 Julgamento do incidente (JUIZ P/ ACÓRDÃO: JOEL ILAN PACIORNIK) A TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU REJEITAR OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Fl. 607DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 8 7 Em 25/01/2012 foram rejeitados outros embargos declaratórios da União: 25/01/2012 15:00 Julgamento do incidente (JUIZ P/ ACORDÃO: JOEL ILAN PACIORNIK) A TURMA, POR UNANIMIDADE, DECIDIU REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.. Em 02/04/2012 o recurso extraordinário (RE) da União foi inadmitido pelo VicePresidente do TRF4, que, na mesma data, admitiu o RE da recorrente. Em 07/05/2012 a União interpôs agravo de decisão denegatória de RE. No Supremo Tribunal Federal (STF) o RE da recorrente foi autuado em 30/04/2013 sob o nº 747.833 e reautuado em 09/05/2013 para RE com Agravo (ARE) 749.569. Neste: (a) o RE da contribuinte teve o seguimento negado em 05/09/2013, (b) o agravo da União, solicitando o seguimento do RE, foi denegado em 17/10/2014; (c) em 09/08/2016, em face dos agravos regimentais no RE com agravo interpostos pela União e pela recorrente, ficou decidido reconsiderar “a decisão recorrida para aplicar os paradigmas da repercussão geral. Devolvamse os autos ao Tribunal a quo para os fins previstos no art. 543B do CPC/1973”. (Grifouse.) Data Andamento Órgão Julgador Observação Documento 18/02/2017 Processo recebido na origem TRF4 Tribunal Regional Federal da 4ª Regiao 15/02/2017 Remessa externa dos autos, Guia nº Guia: 5999/2017 TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO Termo de remessa 14/02/2017 Decorrido o prazo CERTIDÃO DE DECURSO DE PRAZO 17/11/2016 Juntada do mandado cumprido Mandado 2591/2016 PGFN 21/09/2016 Expedido(a) MANDADO DE INTIMAÇÃO DJE 20/09/2016 Comunicação assinada MANDADO DE INTIMAÇÃO DJE 20/09/2016 Certidão Certifico que elaborei 1 mandado de intimação com 2 decisões. 16/08/2016 Publicação, DJE DJE nº 171, divulgado em 15/08/2016 Decisão monocrática 16/08/2016 Publicação, DJE DJE nº 171, divulgado em 15/08/2016 Decisão monocrática 12/08/2016 Reconsidero e devolvo pelo art. 543B do CPC MIN. ROSA WEBER RE/363852.Em 09.08.2016: "(...) Contra a decisão monocrática na qual negado seguimento ao recurso extraordinário com fulcro no art. 557, caput, do CPC , maneja agravo regimental Cooperativa Arrozeira Palmares Ltda. (doc. 80). Ante o exposto, reconsidero a decisão recorrida para aplicar os Fl. 608DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 9 8 paradigmas da repercussão geral. Devolvamse os autos ao Tribunal a quo para os fins previstos no art. 543B do CPC/1973." (Grifouse.) 12/08/2016 Reconsidero e devolvo pelo art. 543B do CPC MIN. ROSA WEBER RE/566621.Em 09.08.2016: "(...)Contra a decisão monocrática na qual negado seguimento ao agravo em recurso extraordinário com fulcro no art. 21, § 1º, do RISTF , maneja agravo regimental a União (doc. 87). Ante o exposto, reconsidero a decisão recorrida para aplicar o paradigma da repercussão geral." Devolvamse os autos ao Tribunal a quo para os fins previstos no art. 543B do CPC/1973. (Grifouse.) Os paradigmas da repercussão geral a que se referem os despachos retro são: O Recurso Extraordinário 596.177 (tema 202), cuja tese de repercussão geral é: É inconstitucional a contribuição, a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pelo art. 1º da Lei 8.540/1992. (Grifouse.) O Recurso Extraordinário 718.874 (tema 609), cuja tese de repercussão geral é: É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. (Grifouse.) Neste processo administrativo estão constituídos créditos tributários dos anos de 2010 a 2012, já sob a incidência da Lei 10.256/2001, sendo aplicável, por conseguinte, apenas o tema 609/ Recurso Extraordinário 718.874. Quanto aos valores depositados, a fiscalização considerou não existir depósitos do montante integral, com base nos seguintes fundamentos: 1 O instituto do "Depósito do Montante Integral" previsto no art. 151, II do CTN somente se aplica na estrita hipótese da existência de um crédito tributário exigível pela Fazenda Pública, ou seja, definitivamente constituído na instância administrativa. O contribuinte realiza um depósito judicial o qual é vinculado a um crédito tributário exigível e no valor exato do montante integral deste, assim entendido o principal mais os acréscimos legais até a data da efetivação do depósito. Nesta hipótese, tal depósito tem como efeito jurídico a suspensão da exigibilidade do crédito até que o mérito definitivo transite em julgado na instância judicial. 2 Porém, no caso em tela, além de o depósito não ser valor exato do tributo sob discussão, tal depósito NÃO se consubstancia no "Depósito do Montante Integral" previsto no art. 151, II do CTN. Isto porque não Fl. 609DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 10 9 há, ainda, crédito tributário definitivamente constituído na esfera administrativa susceptível de ter sua exigibilidade suspensa. Em anexo, planilha " Depósito Produto Rural", onde está demonstrado o valor depositado pela Cooperativa. O total da contribuição previdenciária é de R$ 1.787.233,23 (Hum milhão setencentos e oitenta e sete mil, duzentos e trinta e três reais e vinte e três centavos) e o valor depositado é de R$ 1.110.031,15 ( Hum milhão, cento e dez mil, trinta e um reais e quinze centavos). (Grifos no original.) Ou seja, são dois os fundamentos das fiscalização para considerar inexistente depósito do montante integral: 1) o depósito não ser do valor exato do tributo sob discussão; 2) inexistir crédito tributário definitivamente constituído na esfera administrativa susceptível de ter sua exigibilidade suspensa. Considerando as bases de cálculo do lançamento do lançamento relativo aos AI debcad 51.060.4129 (contribuição da empresa e Gilrat) (efls. 04 a 15) e AI debcad 51.060.4137 (efls. 19 a 27) e a relação dos depósitos judiciais relativos aos períodos lançados (efls. 259 a 265), e tendo em conta que o vencimento da obrigação se dá no dia vinte do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção (art. 30, III, da Lei 8.212, de 1991), verifico que há depósito judicial nos seguintes meses (efls. 437 a 443): PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR AI DEBCAD 51.060.4129 VALOR AI DEBCAD 51.060.4137 TOTAL LANÇAMENTO VALOR DEPÓSITO jan/10 153.767,03 14.644,48 168.411,51 91.091,42 fev/10 50.516,10 4.811,06 55.327,16 55.327,15 mar/10 15.672,86 1.492,65 17.165,51 6.899,98 abr/10 0,00 0,00 mai/10 5.793,25 551,74 6.344,99 6.345,01 jun/10 56.323,41 5.364,13 61.687,54 188.562,81 jul/10 53.500,48 5.095,28 58.595,76 71.418,66 ago/10 55.412,05 5.277,34 60.689,39 74.547,30 set/10 64.579,20 6.150,40 70.729,60 20.806,47 out/10 37.646,78 3.585,41 41.232,19 7.756,60 nov/10 29.726,38 2.831,08 32.557,46 9.839,53 dez/10 93.653,17 8.919,35 102.572,52 44.718,39 jan/11 9.162,28 872,60 10.034,88 10.084,38 fev/11 2.365,90 225,32 2.591,22 mar/11 29.650,36 2.823,84 32.474,20 6.717,30 abr/11 12.682,68 1.207,87 13.890,55 2.875,23 mai/11 31.190,70 2.970,54 34.161,24 23.634,97 jun/11 34.751,92 3.309,71 38.061,63 147.376,89 jul/11 36.910,11 3.515,25 40.425,36 91.555,12 ago/11 56.581,61 5.388,73 61.970,34 76.392,81 set/11 16.629,50 1.583,76 18.213,26 1.141,21 out/11 3.549,58 338,05 3.887,63 nov/11 118.614,62 11.296,63 129.911,25 dez/11 101.919,98 9.706,66 111.626,64 2.008,95 Fl. 610DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 11 10 jan/12 106.738,85 10.165,60 116.904,45 25.719,66 fev/12 28.609,68 2.724,73 31.334,41 21.043,28 mar/12 37.460,90 3.567,70 41.028,60 1.623,40 abr/12 46.320,91 4.411,51 50.732,42 5.231,31 mai/12 50.934,96 4.850,95 55.785,91 3.408,45 jun/12 53.566,99 5.101,62 58.668,61 59.972,02 jul/12 50.538,40 4.813,18 55.351,58 20.147,91 ago/12 83.899,46 7.990,43 91.889,89 27.263,85 set/12 79.949,99 7.614,29 87.564,28 486,51 out/12 78.919,09 7.516,10 86.435,19 6.134,58 nov/12 51.676,32 4.921,55 56.597,87 dez/12 48.017,73 4.573,12 52.590,85 TOTAL DEPÓSITOS 1.110.131,15 Tal tabela, no respeitante ao valor dos depósitos judiciais, está plenamente de acordo com a elaborada pela recorrente à efl. 107. Verificase que, em relação ao valor apurado pela fiscalização, há meses em que (a) o depósito judicial foi menor (por exemplo, períodos 01/2010, 03/2010 e 09/2010 a 12/2010), (b) o depósito judicial foi maior (por exemplo, períodos 06/2010 a 08/2010) e (c) o depósito judicial foi equivalente (por exemplo, períodos 02/2010 e 05/2010); além disso, há períodos em que (d) a data do depósito está ilegível, não sendo possível atestar sua tempestividade (depósitos realizados em 07/2010, 05/2011, 08/2011, 04/2012, 09/2012) e há (e) um depósito manifestamente intempestivo (realizado em 24/06/2011, no valor de R$20.249,97). Na avaliação da incidência, ou não, da multa e de juros moratórios na constituição de crédito tributário destinado a prevenir a decadência, entendo que deve ser levado em consideração se há ou não mora em relação a cada período de apuração do tributo em questão. Ademais, diferentemente do que entende a fiscalização, para a qual depósito do montante integral é o depósito integral do crédito tributário lançado (definitivamente constituído na esfera administrativa), entendo que por “depósito do montante integral” deve ser considerado o depósito integral do tributo devido e, caso incidentes, acréscimos moratórios, na data do depósito. Assim, é integral o depósito tempestivo da totalidade do tributo devido no período de apuração em questão, independentemente de existir, ou não, lançamento. Caso intempestivo o depósito judicial, será do montante integral se, adicionado ao valor do tributo devido, forem depositados os correspondentes juros e multa moratórios. Nesses termos, caso houver depósito do montante integral, não serão devidos, por ocasião do lançamento para prevenir a decadência, acréscimos moratórios (multa e juros) – embora, como visto, se o depósito é feito a destempo, deve ser acompanhado dos respectivos acréscimos moratórios para ser considerado integral. Nesse sentido: A teor do relatado, a controvérsia a ser aqui dirimida cingese à questão do lançamento de juros de mora e de multa de ofício quando o sujeito passivo efetuou depósitos do montante integral do tributo em Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 12 11 litígio. A meu sentir, são incabíveis, posto que o depósito do montante integral ilide qualquer penalidade ao sujeito passivo, no pertinente à falta de pagamento do crédito tributário questionado, já que, na hipótese de o Fisco sair vencedor do litígio, a conversão dos depósitos em renda da Fazenda Nacional é considerada pagamento à vista, na data em que efetuados, conforme esclarece o item 23, nota 05, da Norma de Execução CSAr/CST/CSF nº 002/1992. Ora, se os depósitos são considerados pagamentos à vista na data em que efetuados, quando realizados dentro do prazo de vencimento do tributo sub judice, não vislumbro qualquer mora a justificar a inclusão de acréscimos legais ao auto de infração. Demais disso, a finalidade do depósito, é, justamente, permitir ao sujeito passivo contestar determinado tributo sem se sujeitar a qualquer penalidade. Para tanto, basta fazer como o fez a autuada, deposite em juízo o montante do crédito devido e nenhuma punição advirá se, eventualmente, a decisão judicial forlhe desfavorável. Aliás, outro não é o entendimento da Receita Federal, pois o Parecer COSIT nº 2, de 05 de janeiro de 1999, diz textualmente não caber a inclusão de juros moratórios no lançamento de ofício destinado a prevenir a decadência de crédito tributário cuja exigibilidade se encontre suspensa por força de depósito prévio de seu montante integral. Com mais razão ainda, devese excluir a multa de ofício nos casos de o crédito tributário litigado encontrarse garantido por depósito judicial de seu montante integral. (Ac. 9303001.283, de 07/12/2010, Relator Henrique Pinheiro Torres.) (Grifouse.) Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.(Grifouse.) Súmula CARF n° 17 (VINCULANTE): Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO JUDICIAL. COMPATIBILIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração (Súmula CARF nº 48), tampouco é nulo o lançamento que tem por objeto crédito tributário depositado judicialmente. (9202004.303, de 20/07/2016) Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11080.728949/201455 Resolução nº 2301000.673 S2C3T1 Fl. 13 12 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2008 01/02/2006 a 31/12/2008 LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, havendo lançamento para prevenir decadência, incabível a exigência de multa de ofício. Art. 63 da Lei n. 9.430/96 e Súmula Vinculante CARF n° 17. (Ac. 2401004.306, de 14/04/2016) AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL. Não cabe a exigência de multa de oficio nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa, inclusive nos casos do inciso II do artigo 150 do Código Tributário Nacional, a teor do que dispõe o Parecer Cosit n°02/99. (20312.528, de 19/10/2007) Além disso, se há depósito a maior do tributo em determinado mês, a diferença deve ser considerada no cálculo das parcelas seguintes, nas quais é possível se compensar do valor depositado a maior. Assim, para que seja definido, em cada período de apuração, se há ou depósito do montante integral, entendo que se deve converter os julgamento em diligência, para que a unidade preparadora efetue imputação proporcional dos depósitos judiciais que correspondem aos períodos lançados. No cálculo, devem ser excluídos os períodos de apuração fevereiro de 2010 e maio de 2010, meses que há coincidência do depósito com o montante lançado (com diferença de R$0,01 a menor no primeiro depósito e R$0,02 a maior no segundo). Conclusão Pelo exposto, voto, portanto, por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora efetue imputação proporcional dos depósitos judiciais que correspondem aos períodos lançados. No cálculo, devem ser excluídos os períodos de apuração fevereiro de 2010 e maio de 2010, meses que há coincidência do depósito com o montante lançado (com uma diferença de R$0,01 a menor no primeiro depósito e R$0,02 a maior no segundo). A recorrente deve ser intimada da imputação, abrindose prazo de trinta dias para se manifestar. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 613DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13784.000058/2011-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA.
Incabível a incidência do Imposto de Renda sobres rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
Numero da decisão: 9202-005.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA. Incabível a incidência do Imposto de Renda sobres rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63).
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13784.000058/2011-96
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5753961
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.544
nome_arquivo_s : Decisao_13784000058201196.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 13784000058201196_5753961.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6880266
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466850770944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 163 1 162 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13784.000058/201196 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.544 – 2ª Turma Sessão de 27 de junho de 2017 Matéria ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NELY MEIRA MENANDRO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. REQUISITOS. MATÉRIA SUMULADA. Incabível a incidência do Imposto de Renda sobres rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão recebidos por portador de moléstia grave prevista em lei, devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Súmula CARF nº 63). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 78 4. 00 00 58 /2 01 1- 96 Fl. 163DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 14/03/2012, foi dado provimento ao Recurso Voluntário s/n, exarandose o Acórdão nº 220201.707 (efls. 105 a 118), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 MOLÉSTIA GRAVE. MAL DE ALZHEIMER. ALIENAÇÃO MENTAL ISENÇÃO. Os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão, auferidos pelos portadores de moléstia grave comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, estão isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992, combinado com o artigo 30 da Lei n° 9.250, de 1955. Nos casos de alienação mental é possível considerarse como laudo pericial emitido por serviço médico oficial o laudo do médico perito designado pelo Juízo no curso de ação judicial de interdição, desde que conste a data inicial da doença. Havendo nos autos laudos médicos confirmando de que o contribuinte é portador do chamado Mal de Alzheimer e que o quadro clínico apresentado caracteriza sua alienação mental, é de se concluir que o mesmo tem direito ao gozo da isenção prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541, de 1992. Recurso provido." O processo foi encaminhado à PGFN em 17/04/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 119). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a ciência presumida do Procurador ocorreria em 17/05/2012, e, em 14/05/2012 (Despacho de Encaminhamento de efls. 151), foi interposto o Recurso Especial de efls. 120 a 130. O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a isenção por moléstia grave, relativamente a portador do Mal de Alzheimer. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/n de 27/05/2013 (efls. 152 a 155). Em seu apelo a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, nos termos abaixo: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13784.000058/201196 Acórdão n.º 9202005.544 CSRFT2 Fl. 164 3 "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançados da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sidocontraída depois da aposentadoria ou reforma; XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004)" a partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei nº 9.250, de 1995: "Art. 30 A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n.) o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, incisos XXXI e XXXIII, bem como no §4º também trata da matéria: Fl. 165DF CARF MF 4 CAPÍTULO II RENDIMENTOS ISENTOS OU NÃO TRIBUTÁVEIS Seção I Rendimentos Diversos Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Pensionistas com Doença Grave XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). a Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: "Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...) XII proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia (...) Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13784.000058/201196 Acórdão n.º 9202005.544 CSRFT2 Fl. 165 5 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(g.n.) § 2º As isenções a que se referem os incisos XII e XXXV aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial." (g.n.) de acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção, um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro relaciona se com a existência da moléstia tipificada no texto legal; quanto ao requisito indispensável à concessão da isenção objeto da controvérsia neste feito, frisese que a doença discriminada nos documentos apresentados trata se de demência senil do tipo ALZHEIMER, ou doença de Alzheimer, moléstia esta que não se encontra discriminada na Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 29 de dezembro de 2004; sabese que, de acordo com o estabelecido na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser literal. Não há como interpretar de modo diferente o assunto; concluise, então, que a interessada não faz jus à isenção regulamentada pela Lei nº 7.713/1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, com a redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004; registrese ademais, no esteio da decisão administrativa de primeira instância, que não foi coligido aos autos laudo emitido por serviço médico oficial: "Da exegese dos dispositivos, deduzse que a isenção deve ser concedida se comprovados, concomitantemente: a) ser portador de moléstia grave prevista em lei; b) que os rendimentos auferidos pelo seu portador sejam decorrentes de aposentadoria, pensão ou reforma; c) que a enfermidade contraída antes ou após a aposentadoria, reforma ou pensão , esteja devidamente comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 167DF CARF MF 6 A interessada anexa o laudo pericial de fl..6 expedido pela Santa Casa de Misericórdia de Resende e documentos referentes ao convênio com o SUS. Em pesquisa efetuada nos sistemas da RFB verificase que a natureza da unidade é Associação Privada e portanto, tal documento não pode ser aceito como laudo emitido por serviço médico oficial. Não há como contornar a clareza do dispositivo legal transcrito acima: a enfermidade somente é comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Não há qualquer excepcionalidade ou menção de que documentos não oficiais, no que tange à concessão dessa espécie de isenção, têm o mesmo ou superior valor probante. Não custa lembrar o disposto no art. 111, do CTN, interpretase literalmente, no que tange à outorga de isenções, a legislação tributária. Além do laudo de fl. 6, foi juntada a declaração de fl. 23 expedida em março de 2008 pelo Fundo Municipal de Saúde,na qual não menciona doença expressamente prevista na lei isentiva. CID G30( Doença de Alzheimer) O artigo 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, é bem claro quando determina que a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. O laudo pericial oficial consiste num instrumento que, devido ao seu grau de detalhamento e especificidade, visa fornecer elementos suficientes para formar a convicção do seu destinatário. Dessa forma, concluise que os documentos apresentados são inábeis para comprovação do estado clínico da paciente, e, em conseqüência, para formar a convicção do seu destinatário, no caso, a Receita Federal do Brasil, de que a contribuinte é portador de moléstia grave". o mesmo raciocínio merece ser aplicado ao laudo pericial emitido em juízo, tendo em vista que: a) não há comprovação de que a perícia foi realizada por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; b) ainda que sob o aval de decisão do Poder Judiciário, tal como elencou a DRJ de origem, "O laudo pericial oficial consiste num instrumento que, devido ao seu grau de detalhamento e especificidade, visa fornecer elementos suficientes para formar a convicção do seu destinatário", logo, cabe a conclusão de que os juízes não são dotados, em regra dos conhecimentos necessários requeridos pela norma; e c) aquela decisão judicial não vincula a administração tributária para fins de isenção de imposto de renda; desse modo, concluise que acórdão hostilizado merece reforma. Ao final, a Fazenda Nacional pede o conhecimento e provimento do Recurso Especial, reformandose o acórdão recorrido e restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Cientificada, a Contribuinte quedouse silente (efls. 160/161). Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13784.000058/201196 Acórdão n.º 9202005.544 CSRFT2 Fl. 166 7 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de discussão acerca da isenção por moléstia grave, relativamente a portadora do Mal de Alzheimer. Além de argumentar que tal moléstia não se encontra relacionada no dispositivo legal de regência, a Fazenda Nacional questiona as provas colacionadas aos autos. O art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: "Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma." (grifei) A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No presente caso, tratase de rendimentos de pensão, referentes ao exercício de 2007, recebidos por portadora de Mal de Alzheimer desde 2001, o que foi comprovado por laudo pericial emitido pela Santa Casa de Misericórdia de Resende (fls. 06), integrante do SUS, conforme convênio de fls. 08 a 30. O laudo assim atesta: "Declaro, sob as penas da Lei, que Nely Meira Menandro é portadora, desde fevereiro de 2001 até a presente data, de Mal de Alzheimer, CID 10 Nº F002, moléstia referida no art.6º, inciso XIV, da lei nº 7.713/88, com a nova redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541/92, sob a rubrica de Alienação Mental. Fl. 169DF CARF MF 8 A referida paciente iniciou o quadro de Erosão Cognitiva, diagnosticada como portadora de Mal de Alzheimer, em fevereiro de 2001. Atualmente, ao exame físico, apresentase pouco cooperativa, parcialmente orientada quanto ao tempo e espaço, psicomotricidade danificada, memória de fixação e evocação danificada, pensamento de curso lento. A paciente é definitivamente incapaz para os atos da vida civil. A demência na Doença de Alzheimer é atualmente irreversível." Acrescentese que o profissional que firmou o laudo acima corroborou o quadro clínico de demência, por meio da declaração de fls. 23, emitida pelo Fundo Municipal de Saúde da Prefeitura Municipal de Resende. Assim, avaliandose e valorandose o conjunto probatório constante dos autos, concluise que a Contribuinte logrou comprovar que, no exercício em questão, encontravase efetivamente acometida de doença grave que, embora não relacionada na legislação concessiva de isenção, está associada a sintoma de alienação mental (demência), esta sim incluída no rol de moléstias cujo portador é passível de isenção. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721261/2010-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
COMPENSAÇÃO DE IRRF. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
O imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual, quando comprovada a retenção por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2202-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 COMPENSAÇÃO DE IRRF. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual, quando comprovada a retenção por documentação hábil e idônea.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10983.721261/2010-84
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5749481
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.061
nome_arquivo_s : Decisao_10983721261201084.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10983721261201084_5749481.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6876369
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466875936768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 214 1 213 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.721261/201084 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.061 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de julho de 2017 Matéria IRPF Omissão de rendimentos Recorrente WALDEMAR BARBOSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 COMPENSAÇÃO DE IRRF. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual, quando comprovada a retenção por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Reproduzo o relatório do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Por meio de Notificação de Lançamento de fls. 136 a 141, foi efetuado lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, código 2904, no valor de R$ 4.386,70, acrescido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 12 61 /2 01 0- 84 Fl. 214DF CARF MF 2 da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, relativo ao ano calendário de 2008. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal contidos no feito, o lançamento foi efetuado com base nas seguintes constatações: a) Omissão de rendimentos do trabalho, no valor de R$ 30.766,09, pagos pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SANTA CATARINA (CNPJ n.º 83.845.701/000159), conforme informação contida na DIRF apresentada pela fonte pagadora e documentos apresentados pelo contribuinte em resposta a intimação fiscal; b) Omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 7.551,82, pagos pelo BANCO DO BRASIL S/A (CNPJ n.º 00.000.000/000191), conforme informação contida na DIRF apresentada pela fonte pagadora; c) Omissão de rendimentos decorrentes de ação na Justiça Federal, no valor de R$ 7.400,18, pagos pela CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (CNPJ n.º 00.360.305/000104), conforme informação contida na DIRF apresentada pela fonte pagadora; Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2 e 3, onde, em síntese: Preliminarmente, alega ser nulo o lançamento atacado em face da inexistência de justa causa para a exigência fiscal, ao que aduz não ter violado os dispositivos legais citados no feito, não podendo prosperar a pretensão fazendária; No mérito, alega que não omitiu os rendimentos recebidos e que, de acordo com o comprovante apresentado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, o valor recebido em decorrência da ação judicial n.º 005.91.0016334 (precatório n.º 11867/2006), que tramitou na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Balneário Camboriú (SC), tratase de indenização por desapropriação, ao que aduz que tais rendimentos, no valor de R$ 30.766,09, foram informados na declaração de ajuste como rendimentos sujeito à tributação exclusiva/definitiva e que a retenção do valor de R$ 7.363,03 a título de imposto de renda na fonte é indevido, ao argumento de que a indenização decorrente de desapropriação não encerra ganho de capital, porquanto a propriedade é transferida ao poder público por valor justo e determinado pela Justiça a título de indenização, não ensejando lucro, mas mera reposição do valor do bem expropriado, segundo entendimento colhido em decisão prolatada pelo STJ; Na seqüência, referese ao rendimento de R$ 9.394,20 que foi informado na declaração de ajuste, no campo destinado à informação de rendimentos isentos e nãotributáveis, identificando referido valor como decorrente da soma de “Sobras Unicred” com “Recebimento de Ação Judicial”, sendo que do Tribunal foram recebidos R$ 9.107,40, conforme comprovante de rendimento; Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10983.721261/201084 Acórdão n.º 2202004.061 S2C2T2 Fl. 215 3 Alega que o lançamento combatido foi efetuado com base na documentação expedida pelo TJSC e que, se houve algum erro, este foi involuntário, já que o rendimento não é proveniente de trabalho assalariado, não sendo, pois, tributável; Finalmente, em face do exposto, requer o cancelamento da Notificação de Lançamento hostilizada. A 6ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS julgou procedente a impugnação, em relação à matéria litigiosa, tendo excluído da tributação o valor de R$ 30.766,09, referente ao pagamento de uma indenização por desapropriação. Cientificado da decisão em 08/07/2013 (fl. 183), o Contribuinte apresentou a petição de fls. 184/186 em 12/07/2013, onde se insurge contra o cálculo apresentado no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido. Ressalva que, em caso de não ser acatada a manifestação sobre o erro de cálculo, a petição seja recebida como Recurso Voluntário ao CARF. Em seu requerimento, o Contribuinte alega que não foi considerado no cálculo da decisão da DRJ o valor de R$ 7.363,03, retido na fonte sobre a desapropriação, embora tenha constado na linha 13 da Notificação de Lançamento. Apresenta em anexo a seguinte tabela de cálculos: Em 11/09/2013, o Contribuinte apresentou uma nova petição (fls. 196/209) em que afirma que não concorda com o despacho exarado pela Presidente da 6ª Turma da DRJ/FNS, a qual indeferiu seu requerimento sob a alegação de que o IRRF não estava sob litígio. O Recorrente repisa os argumentos da petição anterior. É o relatório. Voto Fl. 216DF CARF MF 4 Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Inicialmente, cabe destacar que acolho a petição do Contribuinte de fls. 184/186 como recurso voluntário. Considerando que a ciência da decisão da DRJ ocorreu em 08/07/2013 (fl. 183) e a referida petição foi apresentada em 12/07/2013, consideroa tempestiva. Como o recurso atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. O Contribuinte alega que não foi considerado no cálculo da decisão da DRJ o valor de R$ 7.363,03, retido na fonte sobre a desapropriação, embora tenha constado na linha 13 da Notificação de Lançamento. Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois na Notificação de Lançamento consta na linha 13 o valor de R$ 7.363,03 como IRRF sobre os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (fl. 137), não havendo razão para considerálo fora do litígio. Também se observa, pela tabela abaixo, constante da decisão da DRJ (fl. 178), que esse valor não foi considerado no cálculo do imposto de renda devido. Descrição Valores em Reais 1) Total de Rendimentos Tributáveis Declarados 159.681,50 2) Omissão de Rendimentos Não Impugnada 14.952,00 3) Total das Deduções Declaradas 13.099,46 4) Glosa da Deduções Indevidas 0,00 5) Previdência Oficial Sobre Rendimento Omitido 0,00 6) Base de Cálculo Apurada (1+23+45) 161.534,04 7) Imposto apurado após Alterações (Tabela Progressiva Anual) 37.835,93 8) Contrib. Prev. a Emp. Doméstico Declarado 0,00 9) Dedução de Incentivo Declarada 0,00 10) Glosa de Dedução de Incentivo 0,00 11) Total de Imposto Pago Declarado 14.910,42 12) Glosa de Imposto Pago 0,00 13) IRRF sobre Infração ou Carne Leão Pago 822,74 14) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após Alterações (789+1011+1213) 22.102,77 15) Saldo do Imposto a Pagar Declarado 18.813,71 16) Imposto já Restituído 0,00 17) Imposto Suplementar Não Impugnado 3.289,06 Somente foi considerado como IRRF os valores de R$ 600,73 (fl. 138) e R$ 222,01 (fl. 139), totalizando R$ 822,74. Assim, tendo em vista que o valor de R$ 7.363,03 foi retido na fonte, em relação aos rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, conforme Notificação de Lançamento (fl. 137), entendo que o Contribuinte tem direito a uma restituição de R$ 4.073,97 (R$ 7,363,03 menos R$ 3.289,06). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10983.721261/201084 Acórdão n.º 2202004.061 S2C2T2 Fl. 216 5 Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001746/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 07/01/2004 a 20/11/2007
REMISSÃO. MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO.
Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO.
Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
Numero da decisão: 3201-002.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 07/01/2004 a 20/11/2007 REMISSÃO. MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11444.001746/2008-01
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761911
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-002.870
nome_arquivo_s : Decisao_11444001746200801.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 11444001746200801_5761911.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6903583
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466881179648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 138 1 137 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11444.001746/200801 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.870 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2017 Matéria CPMF Recorrente ANTONIO CARLOS ALBERTI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/01/2004 a 20/11/2007 REMISSÃO. MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 17 46 /2 00 8- 01 Fl. 138DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 0540.237, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), que assim relatou o feito: Tratase de auto de infração relativo à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira –CPMF, lavrado em 05/12/2008, relativo a fatos geradores ocorridos em 07/01/2004 a 20/11/2007, constituindo crédito tributário total no montante de R$ 1.941,47. No corpo do auto de infração relata a autoridade fiscal: O Sujeito Passivo, com base em ações judiciais interpostas por ele ou por terceiros, não sofreu a retenção, pelas instituições financeiras nas quais era correntista, de valores referentes à Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Qualquer Natureza Financeira (CPMF). Tais medidas judiciais foram posteriormente revogadas tornandose, então, exigível a contribuição que deixou de ser retida e/ou recolhida. A Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, em seu art. 45, abaixo reproduzido, determinou os procedimentos a serem adotados pelas instituições responsáveis pela retenção da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Qualquer Natureza Financeira (CPMF), em relação aos valores que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial, posteriormente revogada: ... A Instrução Normativa SRF 450/2004, em seus artigos 23 a 25, disciplina a cobrança da CPMF não retida e não recolhida pelas instituições financeiras por força de medidas judiciais posteriormente revogadas, cujos valores não puderam ser cobrados conforme o disposto no art° 45 da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001. A referida IN SRF, dispõe em seu artigo 25: ... Em cumprimento ao disposto no inciso IV do art° 45 da Medida Provisória n ° 2.158/35 de 24/08/2001, as instituições Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11444.001746/200801 Acórdão n.º 3201002.870 S3C2T1 Fl. 139 3 apresentaram à RFB as informações necessárias para o lançamento de oficio da CPMF. O sujeito passivo foi intimado a apresentar comprovantes de pagamento (DARF), depósitos judiciais ou documentos/informações que modifiquem, completem ou ilidam o lançamento dos valores de CPMF. 0 Sujeito Passivo não respondeu à intimação. Ante o exposto, efetuamos o lançamento para constituição do crédito tributário da CPMF nos termos do art. 25 da Instrução Normativa SRF 450/2004. Cientificado do lançamento em 19/12/2008, o contribuinte interpôs impugnação em 14/01/2009, argumentando, em síntese o que segue: • foi beneficiário de medida liminar obtida em ação de Mandado de Segurança Coletivo impetrado por sindicato representativo de sua categoria profissional que determinou que as instituições financeiras suspendessem a retenção da CPMF nas movimentações financeiras dos representados; a liminar foi confirmada em decisão de primeiro grau; • a decisão foi reformada pelo TRF da 3ª Região no julgamento do Recurso de Apelação interposto pela União Federal, após o que as instituições bancárias retomaram a retenção da CPMF nas movimentações financeiras, inclusive as praticadas pela impugnante; • o crédito exigido foi remitido em face da edição da Medida Provisória nº 449, de 2008 que concedeu anistia aos débitos de até R$ 10.000,00; • a responsabilidade pela retenção da CPMF cabia às instituições financeiras, não havendo voluntariamente contribuído para o não recolhimento do tributo, não havendo motivo para a imposição da multa de 75%. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 07/01/2004 a 20/11/2007 REMISSÃO. MP Nº 449/2008. CONDIÇÕES. NÃO ATENDIMENTO. Uma das condições para o benefício da remissão de débitos concedida pela MP nº 449, de 2008, era a de que os débitos, em Fl. 140DF CARF MF 4 31/12/2007 deveriam estar vencidos há mais de cinco anos. Não atendida a condição incabível cogitar de remissão. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição correta formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pela análise dos fatos, tratase de auto de infração visando à cobrança de crédito tributário de CPMF que deixou de ser recolhido por força de decisão judicial, vindo, ao final, ser reconhecido como devido por sentença transitada em julgado. Inicialmente, aduz o contribuinte que o referido crédito tributário teria sido extinto por força da remissão instituída pela Medida Provisória nº 449 de 3 de dezembro de 2008. Todavia, conforme dispositivo transcrito pelo próprio Recorrente, a citada remissão, prevista no art. 14 da MP 449/08, apenas alcançava os créditos tributários que "em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há cinco anos ou mais", ou seja, créditos vencidos até 31 de dezembro de 2002. Na hipótese dos autos, contudo, os fatos geradores ocorreram entre 07/01/2004 a 20/11/2007, portanto, com vencimento posterior a 31 de dezembro de 2002, estando, à toda evidência, excluídos da norma de remissão. No mérito, alega o Recorrente que a cobrança não pode prevalecer uma vez que o desconto e recolhimento do tributo deveria ter sido efetuado pela instituição financeira. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11444.001746/200801 Acórdão n.º 3201002.870 S3C2T1 Fl. 140 5 Também não assiste razão nesse ponto. Anda que a norma imponha a terceiros a obrigação de calcular e recolher a CPMF, tal norma não altera a caracterização do sujeito passivo. Nesse sentido, a Lei nº 9.311/96: Lei nº 9.311, de 1996: Art. 5º É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2º; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2º; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2º. § 1º A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7º sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2º Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3º Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Ademais, a responsabilidade supletiva prevista no supra citado §3º se faz legítima e razoável, na medida em que a instituição financeira apenas deixou de recolher a CPMG por força de decisão judicial requerida pelo próprio contribuinte Recorrente. Desse modo, legítima a cobrança da CPMF do sujeito passivo da obrigação tributária. Quanto à cobrança da multa de ofício de 75%, aduz o Recorrente que esta deveria ser afastada, uma vez que não houve qualquer ato voluntário que pudesse ser considerado como fraude ou simulação. Contudo, conforme ressaltado pelo acórdão recorrido, a cobrança da referida multa independe da existência ou não de vontade do agente, possuindo caráter objetivo. Caso o contribuinte quisesse se liberar da referida multa, deveria ter efetuado o recolhimento do tributo antes que a Fiscalização iniciasse os procedimentos de lançamento de ofício. Por fim, o recorrente postula pelo reconhecimento da decadência do direito do Fisco em efetuar o lançamento dos valores apurados entre janeiro de 2004 e novembro de 2004, nos termos do art. 150, §4º do CTN, uma vez que o contribuinte só foi cientificado da autuação em 01 de dezembro de 2009. Fl. 142DF CARF MF 6 Muito embora a matéria não tenha sido aventada em sede de Impugnação e, conseqüentemente, pelo acórdão recorrido, passo ao seu exame uma vez tratarse de questão de ordem pública. Na presente hipótese, fazse necessário trazer ressalva quanto ao meu entendimento pessoal no sentido de que, caso tenha ocorrido declaração, pelo contribuinte (ou, no caso, terceiro obrigado) indicando a apuração do tributo, ainda que não recolhido, deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN. Esclareçase que tal entendimento está em perfeita concordância com a decisão proferida pela STJ em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973.733). Explicase. Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11444.001746/200801 Acórdão n.º 3201002.870 S3C2T1 Fl. 141 7 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Conforme se verifica pelo julgado do STJ acima transcrito, a regra do art. 173, I do CTN é aplicável, basicamente, em três hipóteses: (i) constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte e (ii) nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, (iii) a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Estas duas últimas situações estão condicionadas à inexistência de declaração prévia do débito pelo contribuinte. É o que se extrai da Súmula/STJ nº 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) Com efeito, é cediço que o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para exigir os tributos devidos é de 5 (cinco) anos. O que o legislador ordinário diferencia é, apenas, o termo inicial para a contagem do referido prazo. O art. 150, §4º, que dispõe ser tal prazo contado a partir da ocorrência do fato gerador, pressupõe a prévia ciência do Fisco acerca do nascimento da obrigação tributária. Isso Fl. 144DF CARF MF 8 ocorre naquelas situações em que o tributo é lançado de ofício ou quando o contribuinte efetua a competente declaração do tributo apurado. Ou seja, em ambas as hipóteses o Fisco teve a ciência da ocorrência do fato gerador, houve, verdadeiramente, o lançamento do tributo devido, seja de ofício, ou por meio do chamado "autolançamento". Nessas situações, por óbvio, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco não precisa ser alargado, já que, repisese, ele já tem ciência da ocorrência do fato gerador no momento da sua ocorrência. É exatamente o que ocorre quando o contribuinte apresenta a competente declaração do tributo, dando exata e inequívoca ciência ao Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Na hipótese dos autos, notase que não consta nos autos qualquer informação acerca do fato de a CPMF lançada ter sido ou não declarada pela Instituição Financeira. Assim, seria necessária diligência fiscal para a competente verificação. Não obstante, conhecedora do entendimento desta Turma, no sentido de que, não tendo ocorrido qualquer recolhimento do tributo, ainda que declarado, a regra decadencial a ser aplicada é aquela do art. 173 do CTN, sendo esta também a posição majoritária deste CARF, afasto a decadência arguida pelo Recorrente por preceito de economia processual. Diante de todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO nos termos do voto supra. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.003162/2004-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004
BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PIS/Pasep devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebida, sendo possível a exclusão das rubricas previstas em lei.
FUNDEF. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 9.424/1996 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição.
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Não cabe a esse Tribunal afastar lei ou tratado por vício de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 e artigo 62, do RICARF.
AÇÃO JUDICIAL PENDENTE. A mera existência de ação judicial discutindo a constitucionalidade de tributo não suspende sua exigibilidade, devendo haver o enquadramento em uma das hipóteses previstas no artigo 151, do CTN.
Numero da decisão: 3401-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oiveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: Tiago Guerra Machado
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PIS/Pasep devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebida, sendo possível a exclusão das rubricas previstas em lei. FUNDEF. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 9.424/1996 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Não cabe a esse Tribunal afastar lei ou tratado por vício de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 e artigo 62, do RICARF. AÇÃO JUDICIAL PENDENTE. A mera existência de ação judicial discutindo a constitucionalidade de tributo não suspende sua exigibilidade, devendo haver o enquadramento em uma das hipóteses previstas no artigo 151, do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10935.003162/2004-44
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5751053
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.816
nome_arquivo_s : Decisao_10935003162200444.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Tiago Guerra Machado
nome_arquivo_pdf_s : 10935003162200444_5751053.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oiveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6877749
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466885373952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1752; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 478 1 477 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.003162/200444 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.816 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PASEP Recorrente SÃO JORGE DO PATROCÍNIO PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2004 BASE DE CÁLCULO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. A base de cálculo do PIS/Pasep devido pelas pessoas jurídicas de direito público interno é composta pelo valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebida, sendo possível a exclusão das rubricas previstas em lei. FUNDEF. BASE DE CÁLCULO. O fundo instituído pela Lei Federal 9.424/1996 não possui personalidade jurídica, não se qualificando como hipótese de dedução da base de cálculo da contribuição. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. Não cabe a esse Tribunal afastar lei ou tratado por vício de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2 e artigo 62, do RICARF. AÇÃO JUDICIAL PENDENTE. A mera existência de ação judicial discutindo a constitucionalidade de tributo não suspende sua exigibilidade, devendo haver o enquadramento em uma das hipóteses previstas no artigo 151, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 31 62 /2 00 4- 44 Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 479 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oiveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 442 e seguintes) contra decisão da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração referente à ausência de pagamento da Contribuição para o PASEP, durante o período compreendido entre 1999 e 2004. Do Lançamento de Ofício Em cumprimento a Mandado de Procedimento Fiscal, foi verificada a ausência de recolhimento da contribuição social ao PASEP. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 7 e seguintes), foi constatada ausência do recolhimento do PASEP entre maio de 1999 e junho de 2004, razão pela qual o auditorfiscal reconstituiu – a seu modo – a apuração da referida contribuição baseado nos balanços da Recorrente. Da Impugnação Irresignada, a Recorrente ofereceu impugnação (fls. 349 e seguintes), que, em síntese, assim afirmava: Em sede preliminar, alegou que o órgão autuante (à época, o INSS – Instituto Nacional da Seguridade Social) seria autarquia criada pela União Federal, inferior hierarquicamente aos entes políticos da Federação (União, Estado e Municípios), não sendo possível lançar multa de ofício contra a impugnante: “(...) somente poderá impor multa que detém superioridade sobre outrem e só poderá sofrêla quem padeça de inferioridade em relação ao impositor dela”. No mérito: (a) Inicialmente discorreu sobre o caráter confiscatório da multa de 75%, prevista na Lei Federal 9.430/1996 citando jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (sem repercussão geral) relativa a penalidades no campo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que não poderia ser superior a Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 480 3 20%, e concluindo pela inconstitucionalidade da multa lançada pelo auditor fiscal. (b) Argumentou que o artigo 11, do Decreto Federal 70.235/1972, preveria a necessidade de ser notificado de maneira anterior à lavratura do auto de infração de modo a estabelecer uma fase de defesa prévia. (c) Sobre a incidência da contribuição social, arguiu que sobre determinadas receitas nunca houve retenção na fonte, e que, por isso mesmo, sobre elas não incidiria a contribuição ao Pasep: (i) Fundef; (ii) Convênios; (iii) Recursos da Saúde; (iv) Programa de Alimentação Escolar; (v) Programa de Manutenção de Creche; (vi) Salario Educação; (vii) Transporte Escolar; (viii) Taxas Municipais; (ix) Contribuições de Melhorias; (x) Subsídios de Sementes ao Produtor Rural; (xi) Serviços de Hora Máquina subsidiados pelo Executivo Municipal; (xii) Restituição de Pagamento Indevido; e (xii) Ressarcimento de Salários Pagos. (d) Disse, ainda, que sobre tais receitas não se justificaria a incidência do Pasep, pois teriam o caráter de transferências vinculadas a gastos préexistentes dentro do orçamento, não sujeitas à tributação. (e) Ademais, questionou que teria deixado de ser vincular ao regime do PASEP por ocasião de publicação de lei municipal e que, ainda o PASEP seria eivado de inconstitucionalidade, haja vista: (i) desrespeito ao princípio constitucional da isonomia entre os entes federativos, no caso, entre a União e os Municípios; (ii) ofensa ao princípio constitucional da autonomia municipal; (iii) violação à imunidade recíproca entre as entidades federativas; (f) Questionou a constitucionalidade da Medida Provisória n° 1495/1996. (g) A fim de ressaltar a questão constitucional envolvida, informa que está questionando a exigência do PASEP em sede judicial e admitiu que a ação proposta, ainda não tinha tido transitado em julgado e que, por isso, pelo que não poderia acatar exigências administrativas de pagamentos do tributo, menos ainda das respectivas multas. Ressaltese que naquela oportunidade a Recorrente informara que não havia decisão liminar válida, tampouco foi informado qualquer depósito judicial ou outra medida suspensiva da exigibilidade do tributo, nos termos do artigo 151, do CTN. Da Decisão de Primeiro Grau Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 481 4 Sobrevindo o julgamento de primeira instância, a Delegacia de Julgamento manteve parcialmente o crédito lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/1999 a 31/07/1999 DECADENCIA. DECLARAÇAO DE OFICIO. Tratandose de matéria de ordem pública, a decadência deve ser declarada de ofício, em qualquer fase processual, ainda que não alegada pelas partes envolvidas no litígio. PASEP. LANÇAMENTQ. DECADENCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991, por meio da Súmula Vinculante n° 8, editada pelo STF, e por haver recolhimento antecipado de contribuições ao PASEP em nome da interessada, para o lançamento de ofício deve ser observado o prazo qüinqüenal de decadência, estabelecido no art. 150 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/1999 a 30/06/2004 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. BASEDE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. PASEP. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. MULTA DE OFÍCIO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. MOMENTO DE APLICAÇÃO. ENTENDIMENTQ DA COSIT E DA PGFN. Descabe a aplicação de multa de ofício, em razão do posicionamento da COSIT e da PGFN, de que o entendimento firmado no Parecer AGU nº AC 16/2004 aplicase apenas aos fatos geradores ocorridos a partir da data de publicação do referido parecer, que se deu em 15/07/2004. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte o lançamento, para que: (a) seja exonerado o montante de R$ 204.445,36 de multa de ofício; (b) seja exonerado o montante de R$ 6.691,94 de contribuição para o PASEP, além dos respectivos encargos legais, em face da decadência; e (c) seja mantido o montante de R$ 265.903,02 de contribuição para o Pasep, além dos respectivos encargos legais. Em síntese, as razões da decisão foram as seguintes: (a) Sobre a decadência do crédito lançado até julho de 1999 Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 482 5 “Afastada, portanto, a aplicação do artigo 45 da Lei 8.2l2/91 e tratandose de contribuição sujeita à sistemática do lançamento por homologação, aplicase a regra decadencial do § 4° do artigo 150 do Código Tributário Nacional, que determina que após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. No caso, conforme os demonstrativos DAF (distribuição da arrecadação federal) de fls. 270/347, constatase que houve retenção na fonte pelo Banco do Brasil de valores do PASEP, relativamente aos períodos de apuração maio/ l999 a julho de 1999. Assim, considerandose que a ciência ao Auto de infração deuse em 31 de agosto de 2004 (fl. 06) encontravase decaído o direito a constituição dos créditos referentes aos períodos de apuração de maio a julho de 1999, devendose anular, por conseguinte, o lançamento correspondente.” (b) Quanto à incidência e à base de cálculo do PASEP: No caso, vêse que os valores que serviram de base para o presente lançamento foram todos obtidos diretamente dos balancetes financeiros de fls. 27/58, 60/107, 109/156, 158/205, 209/256 e 258/269, relativos aos períodos de apuração 08/1999 a O6/2004, elaborados e fornecidos pela própria interessada, nos quais há a indicação daquelas receitas passíveis de compor a base de cálculo do Pasep. Com fundamento em tais peças o fisco elaborou os demonstrativos da base de cálculo do Pasep de fls. 26, 59, 108, 157, 208 e 257, relativos aos mesmos períodos de apuração. Dessa forma, devese reafirmar que a discriminação dos itens que compuseram as bases de cálculo da autuação, no tocante às receitas correntes e às transferências correntes e de capital, se deu com base em elementos fornecidos pela própria interessada, extraídos de sua escrituração contábil/fiscal. Assim, são descabidas as alegações de que a composição de tais bases é inadequada, posto que foram feitas a partir das peças fornecidas pela interessada (fls. 26/269), e aceitas pelo fisco, sem restrições. Vejase que tal composição está plenamente de acordo com a previsão legal (receitas correntes arrecadadas e transferências correntes e de capital recebidas). Dessa maneira, consoante disposto no art. 7° da Lei n° 9.715, de 1998, somente podem ser excluídos da base de cálculo da contribuição ao PASEP as transferências efetuadas a outras entidades públicas. O FUNDEF não é considerado entidade pública, portanto, apesar do procedimento adotado pelo Banco do Brasil S/A. quando da retenção da contribuição, os valores que foram repassados ao fundo não deveriam ser excluídos da base de cálculo da contribuição devida pelo Município (Parecer da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação Cosit n° 46, de 24 de junho de 1999). Por seu turno, na medida em que a própria fiscalização, no trabalho desenvolvido, adotou a mesma providência (demonstrativos de fls. 26, 59, 108, 157, 208 e 257), fica ressalvado o direito de o Fisco efetuar o devido lançamento (art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional), enquanto não decaído. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 483 6 (c) Quanto à opção pelo regime do PASEP e aos argumentos de linde constitucional Em decorrência, não se toma conhecimento de alegações relativas à desvinculação do Município das contribuições ao PASEP, bem como de alegações de eventual negativa no fornecimento de certidão negativa e de bloqueio de repasses do FPM, já que qualquer posicionamento implicaria decisão administrativa acerca de matéria apresentada ao Poder Judiciário, que, conforme ficou explicitado, ainda se encontra pendente de decisão final. Da mesma forma, especificamente, quanto às alegações de inconstitucionalidade da MP n.° 1.495, de 1996 (posteriormente, convertida na Lei n.° 9.715, de 1.998), cumpre reafirmar que a competência do referido exame é dada em nível constitucional exclusivamente ao Judiciário, pelo que este órgão julgador colegiado fica impedido de o fazer. (d) Quanto ao cabimento da multa de ofício Vêse, assim, que tanto a administração hierarquicamente superior desta Secretaria (COSIT), quanto o órgão encarregado de prestar assessoria jurídica no âmbito do Ministério da Fazenda (PGFN) pelos fundamentos expostos nos documentos transcritos, posicionaramse por se poder apliar multas a outras pessoas jurídicas de direito público somente no tocante a infrações ocorridas em data posterior a 15 de julho de 2004, entendimento que aqui se adota. Assim. sem entrar no mérito das questões levantadas pela contribuinte, mas pelas razões antes expostas, no presente lançamento, que diz respeito aos períodos de apuração maio de 1999 a junho de 2004 (cujos fatos geradores consideramse concluídos entre 31/05/1999 e 30/06/2004) entendese que descabe a aplicação de multa de ofício. Desse modo, ao fim, mantevese o lançamento quanto ao crédito tributário, excluindose a multa de ofício e a parcela do crédito já extinta por decadência. Do Recurso Voluntário Como decorrência da decisão da DRJ, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, em que veio a reprisar os argumentos da impugnação. É o relatório. . Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 484 7 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Da Preliminar Sobre a ilegitimidade da Receita Federal do Brasil em aplicar penalidade sobre outros entes da Federação (item II.1, do Recurso Voluntário), é forçoso mencionar que a decisão ora recorrida reconheceu sua inaplicabilidade, por motivação diversa das apontadas pela Recorrente, tanto na impugnação quanto no presente Recurso, razão pela qual não reside contencioso nesse particular. Nesse sentido, nego provimento à preliminar de nulidade apresentada. Do Mérito Entendo que o cerne do presente Recurso se divide nas seguintes partes: (a) Quais rubricas devem ser excluídas da base de cálculo da contribuição ao Pasep (item II.2.2, do Recurso Voluntário); (b) Inconstitucionalidades na exigência do PASEP aos entes municipais (itens II.2.1 e II.2.3, do Recurso Voluntário) (c) A Recorrente estaria desobrigada de efetuar o recolhimento do Pasep em vista de haver discussão judicial pendente (item II.2.4, do Recurso Voluntário); (d) Obrigatoriedade de se excluir da base de cálculo os valores retidos pelo Banco do Brasil (item II.2.5, do Recurso Voluntário) Passo às minhas considerações. (a) Quanto à base de cálculo do PASEP A base de cálculo do PASEP está prevista na Lei Federal 9.715/1998, em seu artigo 2º: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Ressaltese, ainda, que, à época dos fatos geradores sob análise, o parágrafo sétimo1, do mesmo artigo, não havia sido inserido ao texto original, de modo que não havia 1 §7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 485 8 previsão de exclusões da base de cálculo que não as referenciadas no artigo 7º, da mesma Lei, abaixo transcrito. Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. De tal sorte que é irrelevante que as receitas correntes do município estivessem “vinculadas a gastos préexistentes dentro do orçamento, que não estão sujeitas a tributação”. Da mesma forma, com relação à inteligência do artigo 7º, supramencionado, somente é possível a exclusão das “transferências efetuadas a outras entidades públicas”, sendo certo que deve se entender como “entidade pública” outra pessoa jurídica de direito público interno, de modo a ser evitar a incidência “em cascata” da contribuição, fazendoa incidir uma única vez, da origem do recurso à aplicação final do valor transferido. Contudo, a Recorrente deseja, ainda, ter os recursos destinados ao FUNDEF excluídos da base de cálculo. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) foi instituído pela Emenda Constitucional 14/ 1996, e regulamentado pela Lei Federal 9.424/1996. O FUNDEF foi implantado, nacionalmente, em 1° de janeiro de 1998, quando, a nova sistemática de redistribuição dos recursos destinados ao Ensino Fundamental passou a vigorar. O FUNDEF, semelhante ao seu sucessor, o FUNDEB, é caracterizado como um fundo de natureza meramente contábil, com o mesmo tratamento dispensado ao Fundo de Participação dos Estados (FPE) e ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Seus recursos são repassados automaticamente aos Estados e Municípios, de acordo com coeficientes de distribuição estabelecidos e publicados previamente. Portanto, o FUNDEF, é um fundo especial composto por recursos da União e dos Estados que não possui personalidade jurídica, não fazendo jus à sua inclusão no rol das deduções previstas no aludido artigo 7º. Nem se diga que a existência de registro perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) seria indício de que há personalidade jurídica de tais fundos, já que a legislação regulamentar do CNPJ prevê a obrigatoriedade de registro de entidades que, por sua vez, não possuem, indubitavelmente, personalidade jurídica, como os consórcios de empresas. Isto posto, somente poderão ser excluídas as rubricas expressamente previstas em lei, quais sejam, as transferências efetuadas a outras entidades públicas, de modo que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar que a autoridade fazendária teria deixado de efetuar tal dedução. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 486 9 Nesse sentido, entendo não haver razão para reduzir o lançamento impugnado, haja vista não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo preconizadas pela Recorrente. (b) Quanto às inconstitucionalidades apontadas pela Recorrente Quanto aos argumentos de linde constitucional, recorrome da Súmula CARF nº 2 e do artigo 62, do Regulamento do CARF, que vedam esse tribunal administrativo de exercer controle de constitucionalidade, de modo que inadmitindo tais argumentos, não é possível afastar o lançamento efetuado. (c) Quanto à discussão judicial pendente Conforme informado pela própria Recorrente, ainda não houve trânsito em julgado de ação judicial em que se discute a inconstitucionalidade da contribuição em virtude de lei municipal que veio a desvincular o Recorrente do PASEP. Porém, a Recorrente mesmo já reconheceu que não há amparo em medida liminar na referida ação. Nesse sentido, lembramos as hipóteses de suspensão da exigibilidade do tributo, previstas no Código Tributário Nacional: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Vêse que a Recorrente, não se enquadrando em nenhum caso acima, estará sujeita ao pagamento das contribuições, de maneira que igualmente não assiste razão à Recorrente. De fato, se vier a obter decisão final favorável, poderá reaver os recolhimentos indevidos mediante processo administrativo próprio. (d) Da exclusão das retenções efetuadas pelo Banco do Brasil A decisão recorrida já tinha admitido a possibilidade da exclusão os valores retidos pelo Banco do Brasil quando dos repasses financeiros provenientes de suas fontes de Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10935.003162/200444 Acórdão n.º 3401003.816 S3C4T1 Fl. 487 10 custeio municipal; porém, não só isso, naquela oportunidade, verificouse que tais retenções ocorreram em períodos de apuração em que a DRJ reconhecera, de ofício, sua decadência. Dessa forma, reside também inoportuna essa pretensão da Recorrente. Das Conclusões Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário, porém negolhe provimento, mantendo integralmente o lançamento de ofício. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 487DF CARF MF
score : 1.0
