Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10675.001965/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3102-000.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10675.001965/2008-04
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350107
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-000.277
nome_arquivo_s : Decisao_10675001965200804.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
nome_arquivo_pdf_s : 10675001965200804_5350107.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
id : 5464576
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593591050240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 108 1 107 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.001965/200804 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3102000.277 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de julho de 2013 Assunto FAZENDA NACIONAL Recorrente Solicitação de Diligência Recorrida XINGULEDER COUROS LTDA. (NOVA DENOMINAÇÃO DE BRASPELCO IND. E COM. LTDA.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Adriana Oliveira e Ribeiro, Winderley Morais Pereira, Álvaro Lopes de Almeida Filho, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. RELATÓRIO Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo do pedido eletrônico de ressarcimento n° 10355.77621.270903.1.1.016886 (cópia resumida às fls. 01/02). no valor de R$21.727.63, relativo a saldo credor do IPI apurado no 1° trimestre de 2003 pelo estabelecimento 22.312.045/000134 (11. 02). O crédito informado no mencionado PER foi utilizado na compensação declarada por intermédio da DCOMP n° 26072.43398.281003.1.3.01 5074 (fls.03/05). O pleito da contribuinte foi analisado pela unidade de origem, que o indeferiu na sua totalidade. A autoridade competente fundamentou que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .0 01 96 5/ 20 08 -0 4 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10675.001965/200804 Resolução nº 3102000.277 S3C1T2 Fl. 109 2 o saldo credor relativo ao 1º trimestre de 2003 havia sido tratado no processo n° 10675.001350/200365 e que todo o direito creditório reconhecido em tal processo já havia sido aproveitado, tendo sido uma parte utilizada para compensações e outra parte ressarcida à interessada. E o que consta do despacho decisório de fls. 13/14. A contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 20/31 por intermédio da qual discorda do indeferimento de seu pleito. Em preliminar, a manifestante alegou a prescrição quanto ao direito de a Fazenda Pública indeferir o saldo credor pleiteado em ressarcimento, que no seu entender, esgotase cinco anos após o encerramento do trimestrecalendário de apuração daquele saldo credor. No mérito, arguiu que. em razão de o processo n° 10675.001350/2003 65, que cuida do direito creditório relativo ao trimestrecalendário em apreço, encontrarse em fase de recurso a ser examinado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). "não poderia ler sido encerrada a fase administrativa deste recurso'' (do presente processo n° 10675.001965/200804). Aduziu, também, que teria ocorrido erro em decisão proferida naquele processo n° 10675.001350/200365. que lhe teria sido prejudicial. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/09/2003. 03/10/2003 COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO RECONHECIDO. Permanece não homologada a compensação vinculada a pedido de ressarcimento cujo direito creditório reconhecido não foi suficiente para a compensação dos débitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. A verificação que a Administração deve promover, visando deferir ou indeferir pedidos de ressarcimento de créditos, não se subsume aos prazos decadenciais previstos nos artigos 150 e 173 do CTN por não se tratar de hipótese de constituição de crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Em face da convicção de que o julgamento do presente litígio dependia do resultado do julgamento de outro recurso, onde se discutem os créditos que se pretende extinguir com a compensação aqui discutida, decidiu o Colegiado, por meio da Resolução nº 3102000214, de 24 de maio de 2012, determinar que o presente processo seja remetido à unidade de jurisdição até o julgamento definitivo daquele onde se discute questão prejudicial. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10675.001965/200804 Resolução nº 3102000.277 S3C1T2 Fl. 110 3 Eis o dispositivo da Resolução: Assim, proponho a conversão do julgamento do recurso em diligência, a fim de que o processo seja encaminhado à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Jurisdição e que lá permaneça até o julgamento definitivo do recurso relativo ao processo nº 10675.001350/200365. Concluído tal julgamento, deve o órgão preparador apurar se o montante reconhecido naquele processo é suficiente para extinguir os créditos objeto de compensação no presente recurso e, caso não seja, informar o montante que remanesce devido. Findas tais providências, deve ser dada ciência dessa apuração ao sujeito passivo e concedidolhe o prazo de 30 dias para manifestação. Em cumprimento, a unidade de jurisdição juntou aos autos cópia do Acórdão 3401002.001, de 23 de outubro de 2012, que negou provimento ao recurso voluntário e devolveu os autos a este CARF. É o Relatório. VOTO Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. Penso, entretanto, que o presente processo ainda não está em condições de ser julgado. Como já mencionado, não há como há como ignorar que há evidente relação de prejudicialidade com o mérito do processo nº 10675.001350/200365, onde se discute o montante dos créditos que dariam suporte à compensação objeto do presente litígio, em que se debate, como se viu, a suficiência dos créditos disponíveis para compensação. Ocorre que, pelo menos até a data do presente julgamento, o Acórdão 3401 002.001 não teria se tornado definitivo, posto que, segundo informações colhidas do sitio do CARF, ainda não havia sido realizado o correspondente exame de admissibilidade do recurso especial interposto. Como é cediço, o julgamento só se tornará definitivo se o recurso especial não for admitido ou, se admitido, julgado pela CSRF. Assim, proponho a nova conversão do julgamento do recurso em diligência, a fim de que o processo seja encaminhado à unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Jurisdição e que lá permaneça até o julgamento definitivo do recurso relativo ao processo nº 10675.001350/200365. Concluído tal julgamento, deve o órgão preparador apurar se o montante reconhecido naquele processo é suficiente para extinguir os créditos objeto de compensação no presente recurso e, caso não seja, informar o montante que remanesce devido. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10675.001965/200804 Resolução nº 3102000.277 S3C1T2 Fl. 111 4 Findas tais providências, deve ser dada ciência dessa apuração ao sujeito passivo e concedidolhe o prazo de 30 dias para manifestação. Decorrido tal prazo, devem os autos retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. Sala das Sessões, em 25 de julho de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 7/05/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724900/2012-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009
INCORRETA CAPITULAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO. OFENSA AO CONTRADITÓRIO.
Afasta-se a exigência aplicada com incorreta capitulação legal da infração, quando for constatado que, não fosse isso, haveria ofensa ao princípio do contraditório, uma vez que as razões de defesa poderiam ser diferentes.
TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÃO. DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA.
Para a ciência contábil, tratar ou não os tributos com exigibilidade suspensa como provisão é uma decisão da administração da empresa baseada no conceito da essência sobre a forma.
CSLL. PROVISÃO. DEDUTIBILIDADE.
Por força do que dispõe o artigo 13, I, da Lei nº 9.249/95, os valores tratados como provisão não são dedutíveis também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL.
CSLL. DESPESAS OPERACIONAIS.
O conceito de despesas operacionais contido no artigo 47 da Lei nº 4.506/64 é aplicável também à CSLL porque o comando que consolidou a questão da dedutibilidade em matéria de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o artigo 13 da Lei nº 9.249/95, foi categórico ao ressalvar aquele dispositivo legal.
CSLL. PATROCÍNIO. LEI ROUANET. DEDUTIBILIDADE.
É vedada a dedução do valor do patrocínio como despesa operacional também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL.
CSLL. MULTAS POR INFRAÇÕES. DEDUTIBILIDADE.
Por não se tratarem de despesas operacionais consideradas como necessárias, usuais e normais, as multas por infrações, sejam elas de natureza tributária ou não, não são dedutíveis também para fins de apuração da CSLL.
Numero da decisão: 1102-000.963
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração relativa à glosa das despesas com multas por infrações, vencidos: (i) o conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que negava provimento ao recurso; (ii) o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava provimento ao recurso em maior extensão, para também cancelar a infração de glosa das despesas relativas aos tributos com exigibilidade suspensa; (iii) os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento integral ao recurso.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008, 2009 INCORRETA CAPITULAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO. OFENSA AO CONTRADITÓRIO. Afasta-se a exigência aplicada com incorreta capitulação legal da infração, quando for constatado que, não fosse isso, haveria ofensa ao princípio do contraditório, uma vez que as razões de defesa poderiam ser diferentes. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÃO. DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA. Para a ciência contábil, tratar ou não os tributos com exigibilidade suspensa como provisão é uma decisão da administração da empresa baseada no conceito da essência sobre a forma. CSLL. PROVISÃO. DEDUTIBILIDADE. Por força do que dispõe o artigo 13, I, da Lei nº 9.249/95, os valores tratados como provisão não são dedutíveis também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. CSLL. DESPESAS OPERACIONAIS. O conceito de despesas operacionais contido no artigo 47 da Lei nº 4.506/64 é aplicável também à CSLL porque o comando que consolidou a questão da dedutibilidade em matéria de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o artigo 13 da Lei nº 9.249/95, foi categórico ao ressalvar aquele dispositivo legal. CSLL. PATROCÍNIO. LEI ROUANET. DEDUTIBILIDADE. É vedada a dedução do valor do patrocínio como despesa operacional também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. CSLL. MULTAS POR INFRAÇÕES. DEDUTIBILIDADE. Por não se tratarem de despesas operacionais consideradas como necessárias, usuais e normais, as multas por infrações, sejam elas de natureza tributária ou não, não são dedutíveis também para fins de apuração da CSLL.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15504.724900/2012-94
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330588
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1102-000.963
nome_arquivo_s : Decisao_15504724900201294.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RICARDO MAROZZI GREGORIO
nome_arquivo_pdf_s : 15504724900201294_5330588.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração relativa à glosa das despesas com multas por infrações, vencidos: (i) o conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que negava provimento ao recurso; (ii) o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava provimento ao recurso em maior extensão, para também cancelar a infração de glosa das despesas relativas aos tributos com exigibilidade suspensa; (iii) os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento integral ao recurso. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
id : 5334439
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593628798976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2208; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 558 1 557 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.724900/201294 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1102000.963 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2013 Matéria CSLL. Glosa de tributos com exigibilidade suspensa, de despesas com patrocínios e de multas por infrações. Recorrente CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 BASE DE CÁLCULO DA CSLL. LUCRO REAL. REGRAS DE APURAÇÃO. O artigo 57 da Lei nº 8.981/95 não autoriza aplicar à base de cálculo da CSLL as mesmas regras expressamente endereçadas pela lei para a apuração do lucro real. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. PROVISÃO. DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO DA EMPRESA. Para a ciência contábil, tratar ou não os tributos com exigibilidade suspensa como provisão é uma decisão da administração da empresa baseada no conceito da “essência sobre a forma”. CSLL. PROVISÃO. DEDUTIBILIDADE. Por força do que dispõe o artigo 13, I, da Lei nº 9.249/95, os valores tratados como provisão não são dedutíveis também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. CSLL. DESPESAS OPERACIONAIS. O conceito de despesas operacionais contido no artigo 47 da Lei nº 4.506/64 é aplicável também à CSLL porque o comando que consolidou a questão da dedutibilidade em matéria de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o artigo 13 da Lei nº 9.249/95, foi categórico ao ressalvar aquele dispositivo legal. CSLL. PATROCÍNIO. LEI ROUANET. DEDUTIBILIDADE. É vedada a dedução do valor do patrocínio como despesa operacional também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. CSLL. MULTAS POR INFRAÇÕES. DEDUTIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 00 /2 01 2- 94 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 559 2 Por não se tratarem de despesas operacionais consideradas como “necessárias”, “usuais” e “normais”, as multas por infrações, sejam elas de natureza tributária ou não, não são dedutíveis também para fins de apuração da CSLL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 INCORRETA CAPITULAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO. OFENSA AO CONTRADITÓRIO. Afastase a exigência aplicada com incorreta capitulação legal da infração, quando for constatado que, não fosse isso, haveria ofensa ao princípio do contraditório, uma vez que as razões de defesa poderiam ser diferentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração relativa à glosa das despesas com multas por infrações, vencidos: (i) o conselheiro José Evande Carvalho Araujo, que negava provimento ao recurso; (ii) o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que dava provimento ao recurso em maior extensão, para também cancelar a infração de glosa das despesas relativas aos tributos com exigibilidade suspensa; (iii) os conselheiros Marcelo Baeta Ippolito e João Carlos de Figueiredo Neto, que davam provimento integral ao recurso. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Marcelo Baeta Ippolito, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Fl. 559DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 560 3 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase de recurso voluntário interposto por CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A contra acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte que concluiu pela procedência dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, referentes à CSLL, devida nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, totalizaram o valor de R$ 61.288.372,47. Tal autuação foi fundamentada em glosa de tributos com exigibilidade suspensa, de despesas com patrocínios e de multas por infrações. Da autuação: Em seu relatório, o voto condutor da decisão recorrida assim transcreveu o feito fiscal: TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA A interessada ajuizou Ação Ordinária Tributária n° 2008.38.00.0182725 visando à exclusão do ICMS (IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES RELATIVAS À CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE INTERESTADUAL E INTERMUNICIPAL E DE COMUNICAÇÃO) da base de cálculo tanto do PIS/PASEP (CONTRIBUIÇÃO PARA OS PROGRAMAS DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DE FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO DO SERVIDOR PÚBLICO), quanto da COFINS (CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL). Releva esclarecer que a interessada foi autorizada ao “depósito mensal das parcelas correspondentes à parte da exação em discussão”. A respeito destes valores, a Autora do feito escreve: 4.5. [...] o contribuinte não adicionou à CSLL os tributos com exigibilidade suspensa nos anoscalendário de 2008 e 2009. [...] os valores do PIS/PASEP com exigibilidade suspensa foram contabilizados na conta contábil "2213140052 Provisão PASEP", pertencente ao grupo do Passivo Não Circulante. Os valores da COFINS com exigibilidade suspensa foram contabilizados na conta contábil "2213140062 Provisão COFINS", pertencente ao grupo do Passivo Não Circulante. 4.9. Ressaltese que os lançamentos contábeis relativos a tributos e contribuições com exigibilidade suspensa caracterizamse como provisões, por não refletirem obrigações fiscais efetivamente constituídas, sujeitas a exigência certa futura, mas, sim, um provisionamento contra eventuais riscos de a ação impetrada ter resultado desfavorável, precavendose a empresa contra os consequentes impactos negativos que tal resultado traria a seu patrimônio. Impõese, portanto, a adição dos respectivos montantes na determinação da base de cálculo da CSLL por força do art. 2°, parágrafo 1º, Fl. 560DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 561 4 letra "c", item 3 da Lei 7.689/1988, na redação dada pelo art. 2º da Lei n° 8.034, de 1990, e art. 13, I, da Lei n° 9.249, de 1995. A Autora do feito examina o conceito de "provisão", com base na literatura contábil, e acrescenta: 4.11. Neste contexto, fica evidente a natureza provisional dos lançamentos contábeis relativos aos tributos (PIS e COFINS) cuja exigibilidade encontravase suspensa por estar sendo discutido judicialmente o seu cabimento. Cumpre notar que a incerteza quanto à obrigatoriedade de pagá los é causa relevante à sua caracterização como provisão. 4.12. Assim, se é incerta a obrigação de pagar contribuição instituída pelo Estado em razão de pendências judiciais, o seu registro contábil assume inexorável caráter de provisão e, como tal, precisa ser adicionado ao lucro líquido do períodobase na apuração da base de cálculo da CSLL, por imposição do art. 13, I, da Lei n° 9.249, de 1995 [...]. 4.13. Tal entendimento encontrase corroborado pelos Art. 41, § 1° e Art. 57 da Lei 8.981/95, verbis: [...] 4.14. A interpretação sistemática da lei não deixa margem de dúvida: a regra da indedutibilidade dos tributos e contribuições com exigibilidade suspensa para fins de apuração do lucro real (art. 41, §1°) é norma de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas, que o art. 57 estende de forma expressa à CSLL. Basta ver a topografia legal do art. 41: inserese na subseção I (Das Alterações na Apuração do Lucro Real) da seção III (Do Regime de Tributação com Base no Lucro Real) do capítulo III (Do imposto de renda das pessoas jurídicas) da lei. Quer dizer, a própria lei define como norma de apuração do lucro real (e, portanto, do imposto de renda) a disciplina acerca da dedutibilidade de despesas. Nesse sentido, parece óbvio que, quando o art. 57 manda aplicar à CSLL as mesmas normas de apuração do IRPJ, inclui nessa ordem o disposto no §1° do art. 41 o qual, nunca é demais repetir, encontrase sob a égide da subseção legal cuja rubrica é: Das Alterações na Apuração do Lucro Real. [...] DESPESAS COM PATROCÍNIO – LEI ROUANET Quanto a este ponto, a Autora esclarece que a interessada [...] informou na linha 06 da Ficha 05 A, coluna "Parcelas Não Dedutíveis", da DIPJ dos anoscalendário de 2008 e 2009 as despesas com patrocínios, no valor de R$ 8.150.474,67 e R$ 4.824.883,20, respectivamente. Observa também que as doações de que trata o artigo 18 da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991, são despesas operacionais não dedutíveis, devendo ser adicionadas à base de cálculo do imposto de renda devido, conforme dispõe o parágrafo 2º do mesmo artigo, combinado com o artigo 249, inciso I, do Decreto n° 3000 de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR). Uma vez que, de acordo com o artigo 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, aplicamse à CSLL as normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ – Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, conclui ela que tais valores devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL, com as seguintes ressalvas: Fl. 561DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 562 5 [...] Com relação ao anocalendário de 2009, [... a ] empresa adicionou o valor de R$ 545.000,00 à base de cálculo da CSLL, não havendo lançamento de ofício relativo a este valor. Portanto, o valor referente ao Patrocínio de que trata a Lei 8.313/91 (Lei Rouanet) no anocalendário de 2009 é de R$ 4.279.883,20 (R$ 4.824.883,20 R$ 545.000,00). [...] 4.24. Além disso, em 2008, a CEMIG Distribuição lançou na linha 53 "Outras Exclusões" da Ficha 17 "Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido" as despesas de patrocínio da Lei Rouanet referentes aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007 as quais haviam sido adicionadas à base de cálculo da CSLL naqueles anos. Através do mesmo entendimento dos tributos com exigibilidade suspensa, a CEMIG entendeu que deveria adicionar as despesas de patrocínio somente à base de cálculo do IRPJ e não à base de cálculo da CSLL. Como havia adicionado tais valores nos anos anteriores, decidiu excluílos da base de cálculo da CSLL no ano calendário de 2008. Conforme discorrido anteriormente, estes valores devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL. Portanto, no anocalendário de 2008, o valor de R$ 19.339.857,76, excluído indevidamente da base de cálculo da CSLL,será adicionado a esta base de cálculo. [...] MULTAS NÃO DEDUTÍVEIS A interessada não deduziu da base de cálculo da CSLL as multas que ela própria, nas DIPJ – Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (linha 19 da Ficha 05 A) dos exercícios de 2009 e 2010 (anoscalendário 2008 e 2009), apontara como sendo não dedutíveis na apuração da base de cálculo de IRPJ – Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas. A este respeito, assim se manifesta a Autora do feito: 4.30. [...] pelo fato de o contribuinte ter adicionado ao Lucro Líquido na apuração do Lucro Real para o cálculo do IRPJ as multas indedutíveis e como à CSLL aplicamse as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, os valores de R$ 4.628.178,29 (anocalendário de 2008) e R$ 12.905.778,32 (anocalendário de 2009) devem ser adicionados à base de cálculo da CSLL. Da impugnação: Essencialmente, a empresa autuada apresentou em sua impugnação os mesmos argumentos que serão relatados no tópico “Do recurso voluntário”. Da decisão recorrida: Fl. 562DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 563 6 A já mencionada 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 0242.111, de 17 de janeiro de 2013, por meio do qual decidiu pela procedência do feito fiscal. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2009, 2010 CSLL Aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ. PROVISÃO Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos e, ressalvadas as exceções prescritas em lei, é incabível sua dedução no cômputo da base de cálculo da CSLL. DOAÇÕES E PATROCÍNIOS As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real não poderão deduzir como despesa operacional o valor da doação ou do patrocínio como incentivo de atividades culturais. MULTAS NÃO DEDUTÍVEIS Somente são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Do recurso voluntário: A empresa autuada repetiu em seu recurso voluntário os mesmos argumentos que haviam sido apresentados na impugnação. Essencialmente, alegou que: Quanto à glosa de tributos com exigibilidade suspensa, a) A DRJ entendeu que os valores dos tributos suspensos, os quais foram registrados em suas contas intituladas “Provisão PASEP” e “Provisão COFINS”, são, realmente, provisões, e, portanto, é imperativo legal que sejam adicionados à base de cálculo da CSLL. Porém, tal entendimento está equivocado por três motivos: (i) os depósitos judiciais caracterizam se como “contas a pagar”; (ii) o artigo 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95 não é aplicável ao caso; e (iii) a dedutibilidade de tais valores decorrem do conceito constitucional de lucro. b) Com relação à caracterização dos depósitos judiciais como “contas a pagar” e não como provisão, a doutrina de Edmar Oliveira Andrade Fl. 563DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 564 7 Filho, a Deliberação nº 594 da CVM e o Acórdão nº 110300.260 do CARF autorizam esse pensamento. c) Com relação à não aplicação do artigo 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95, isso se explica pelo fato de a vedação contida neste dispositivo referirse expressamente ao “lucro real” e de o artigo 57 da mesma Lei, utilizado pela fiscalização para estender sua aplicação também à CSLL, não poder ser invocado no caso. Reforça essa opinião com o pronunciamento expresso no voto do Conselheiro Marcos Takata contido na decisão proferida no processo nº 16327.001969/200659. d) Com relação ao conceito constitucional de lucro, os depósitos realizados implicaram efetiva saída de dinheiro do seu patrimônio, sendo transferida sua disponibilidade para o Tesouro Nacional. Só haverá acréscimo patrimonial, que constitui o lucro real da empresa em um determinado período, caso se sagre vencedora da ação judicial. Quanto à glosa de despesas com patrocínios, e) O artigo 13, § 2º, da Lei nº 9.249/95, admite, expressamente, a dedução das despesas com doações ao Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC). f) O caput do artigo 18 da Lei nº 8.313/91 (Lei Roaunet) trata da aplicação de parcelas do IRPJ devido. Por uma interpretação lógica, o § 2º do mesmo dispositivo, que trata das vedações às deduções das doações e patrocínios como despesas operacionais, só pode estar tratando do IRPJ. Neste sentido, cita a opinião de Hiromi Higuchi. g) Caso o legislador quisesse aplicar a restrição do artigo 18, § 2º, da Lei nº 8.313/91, à CSLL, teria feito expressamente. Para corroborar tal entendimento, novamente, cita um pronunciamento do Conselheiro Marcos Takata, desta feita, no julgamento do Acórdão nº 110300.463. Quanto à glosa de multas por infrações, h) O Conselho de Contribuintes, em sua composição pretérita (Acórdão nº 10192.553/99), bem como a doutrina de João Roberto Domingues, não admitem que valores indedutíveis para efeito do IRPJ sejam adicionados à base de cálculo de outros tributos sem expressa determinação legal. i) O fato de a empresa ter adicionado os valores correspondentes às multas por infrações para fins do IRPJ, em atendimento à expressa previsão legal, não significa que o mesmo procedimento deveria ter sido adotado para a CSLL. Neste sentido, cita doutrina de José Eduardo Soares de Melo. j) Rechaça, também para esta hipótese, a aplicação do artigo 57 da Lei nº 8.981/95. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 565 8 k) Outrossim, aduz que haverá patente violação ao conceito constitucional de lucro se as despesas com multas não forem deduzidas da apuração do lucro tributável, afrontando os princípios da legalidade, capacidade contributiva e segurança jurídica. l) Mesmo que se admitisse a indedutibilidade das multas com base no artigo 41, § 5º, da Lei nº 8.981/95, este dispositivo trata das multas por infrações de obrigações tributárias. Mas, a fiscalização glosou multas de outras naturezas. Por isso, na eventualidade de não se exonerar a glosa da totalidade das multas, há que se rever a decisão recorrida quanto às multas de natureza não tributária. Quanto à multa de ofício, m) A imposição de penalidade equivalente a 75% do valor do crédito tributário constitui afronta à vedação do confisco. Ao final, requer que seja totalmente reformada a decisão recorrida, mas, na eventualidade de isso não acontecer quanto à glosa das multas por infrações, que o seja quanto às multas de natureza não tributária. Subsidiariamente, caso não seja acatado o pedido de reforma quanto aos tributos lançados, que o seja quanto à multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, de pronto, rechaço os argumentos que sustentam ofensa ao conceito e princípios constitucionais do lucro, legalidade, capacidade contributiva, segurança jurídica e vedação do confisco. É que a atuação administrativa deve ser pautada pelas normas estabelecidas pela lei. A competência desta Casa está circunscrita a verificar os aspectos legais dessa atuação. Quanto a isso, já há o seguinte entendimento sumulado: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 566 9 Para examinar o presente caso, é necessário enfrentar uma questão que permeia as três infrações imputadas pela fiscalização, qual seja, o conteúdo normativo do artigo 57 da Lei nº 8.981/95. De fato, conforme evocado pela recorrente, o Conselheiro Marcos Takata, nos autos do processo nº 16327.001969/200659 (Acórdão 140100.058), tratou dessa questão. Na ocasião, da mesma forma que na primeira das infrações do presente processo, discutiase a possibilidade de se aplicar o citado artigo para estender à CSLL a vedação da dedução dos tributos com exigibilidade suspensa contida no § 1º do artigo 41 da Lei nº 8.981/95. Quanto a este aspecto do voto, entendo que a opinião proferida por aquele ilustre Conselheiro foi perfeita ao concluir que as regras endereçadas por expressa disposição legal, apenas ao lucro real, não são aplicáveis à base de cálculo da CSLL. Neste sentido, pela clareza da argumentação, peço vênia para reproduzir o seu pronunciamento: Notadamente a partir da Lei 8.541/92, a lei, quando quis prescrever certo tratamento para a determinação do lucro real e também para a da base de cálculo da CSL, ela o fez expressamente. Isso fica mais evidente na Lei 8.981/95 e nas leis posteriores. Dispunha o art. 42 da Lei 8.981/95: Art. 42. A partir de I° de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. Os arts. 57 e 58, dessa lei preceituam: CAPÍTULO IV DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1° Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: (...) Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo Fl. 566DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 567 10 negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. Vejase a dicção do art. 41 da Lei 8.981/95: Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. § 1º. O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966, haja ou não depósito judicial. § 2°. Na determinação do lucro real, a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o Imposto de Renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. § 3°. A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto. § 4°. Os impostos pagos pela pessoa jurídica na aquisição de bens do ativo permanente poderão, a seu critério, ser registrados como custo de aquisição ou deduzidos como despesas operacionais, salvo os pagos na importação de bens que se acrescerão ao custo de aquisição. § 5°. Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Por óbvio que os parágrafos de um artigo se subordinam a seu caput, que, no caso (art. 41 da Lei 8.981/95), trata da determinação do lucro real, além do que o § 2° repete o endereçamento. Nem o § 1° do art. 41, nem os demais parágrafos, nem o caput tratam da incidência da regra do § 1° do art. 41 para a determinação da base de cálculo da CSL. O art. 57 dessa lei é claro ao dizer que são mantidas a base de cálculo e as alíquotas da CSL, com as alterações introduzidas por essa lei. Esta lei introduziu diversas alterações na determinação da base de cálculo da CSL, entre as quais não se inclui o regramento previsto no art. 41, § 1º, retrodescrito. Se a lei (art. 57, caput) fala expressamente que ficam mantidas a base de cálculo da CSL e suas alíquotas, exceto quando ela disponha de forma diversa, não vejo como se possa aplicar à CSL regra prescrita para a determinação do lucro real sem existir tal previsão para a determinação da base de cálculo da CSL. O art. 57, caput, da Lei 8.981/95 chega a ser tautológico, mas tem a virtude de erradicar qualquer dúvida que pudesse emergir quanto à aplicabilidade de norma endereçada ao IRPJ, sem remissão à CSL. Os §§ 1° e 2° do art. 57 e o art. 58 da lei em questão trazem as alterações aplicáveis à determinação da base de cálculo da CSL. Ora, se ainda assim fosse concluível que o preceito contido no art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95 seria aplicável na determinação da base de cálculo da CSL, entendo Fl. 567DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 568 11 que seria forçoso se concluir, com identidade de razões, que, por ex., as normas sobre tributação do lucro em bases universais eram aplicáveis à CSL, mesmo sem o preceito contido no art. 21 da Medida Provisória 2.158/01 (pelo qual se passou a prever a tributação do lucro em bases universais para fins de CSL). Nem se diga que se houvesse artigo nessa medida provisória prevendo expressamente que o mencionado art. 21 só entraria em vigor a partir de certa data a questão não se colocaria, pois isso é de absoluta imprestabilidade para a interpretação em discussão. A questão é ser aplicável o regime de tributação em bases universais para a CSL, mesmo sem o art. 21 dessa medida provisória. Bem se sabe que concluir pela tributação da CSL em bases universais antes do advento do art. 21 da Medida Provisória 2.158/01 constituiria absurdo. Argumento ab absurdo, que comete à evidência não ser aplicável, na determinação da base de cálculo da CSL, a regra do art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95, preceituada para o lucro real. A pertinência lógica e sistemática da interpretação me conduz a dizer igualmente que, se o art. 41, § 1°, da Lei 8.981/95 fosse aplicável à CSL, também lhe seriam aplicáveis as regas dos arts. 32 e 33, do Decretolei 2.341/87, mesmo sem ou antes do advento do art. 22 da Medida Provisória 2.158/01, que preconiza a aplicação da preceituação dos arts. 32 e 33, do Decretolei 2.341/87 à CSL: Art.22. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei n" 2.341, de 29 de junho de 1987. Mas, sabidamente o art. 22 da Medida Provisória 2.158/01 inovou o ordenamento jurídico, i.e, sua preceituação à CSL só teve cabimento a partir da introdução desse dispositivo, mediante o art. 20 da Medida Provisória 1.8586, de 29 de junho de 1999 (atual art. 22 da Medida Provisória 2.158/01). (...) Entendo, pois, que as interpretações literal, lógica e sistemática não permitem extrair a exegese de que o art. 41, § 1º, da Lei 8.981/95 seja aplicável à CSL. Portanto, endosso as razões desse voto, relativamente à parte transcrita, para concluir que o artigo 57 da Lei nº 8.981/95 não autoriza aplicar à base de cálculo da CSLL as mesmas regras expressamente endereçadas pela lei para a apuração do lucro real. Com tal premissa delineada, passo, então, a tratar das infrações questionadas no recurso apresentado. Glosa de tributos com exigibilidade suspensa: Tem razão a recorrente quando afirma que não é possível sustentar a glosa de tributos com exigibilidade suspensa sob amparo da vedação contida no § 1º, do artigo 41, da Lei nº 8.981/95. Como visto acima, esse dispositivo é aplicável tãosomente à apuração do lucro real. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 569 12 Entretanto, a mesma sorte não lhe segue na questão da caracterização dos depósitos judiciais. É verdade que o Conselheiro Marcos Takata, na outra parte do voto antes suscitado, defendeu que os tributos com exigibilidade suspensa têm natureza de “contas a pagar” e não de provisão. Por isso, a vedação à dedução das provisões contida no artigo 13, I, da Lei nº 9.249/95, não se aplicaria ao caso (observese que, desta vez, a norma expressamente é estendida à base de calculo da CSLL), verbis: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (grifei) A opinião do ilustre Conselheiro é amparada no fato de que, para ele, a tradução jurídica do caráter das provisões é de serem obrigações incertas ou ilíquidas. Mas, por decorrer da lei, a qual possui presunção de constitucionalidade e legitimidade, a obrigação tributária será sempre líquida e certa até que ocorra uma decisão transitada em julgado que afaste aquela presunção. Além disso, do ponto de vista contábil, recorre também ao entendimento estampado no item 4 do Anexo II do Pronunciamento IBRACON NPC nº 22, o qual fora aprovado pela Deliberação CVM nº 489/05. O citado item trata de um exemplo que utiliza uma hipótese na qual uma empresa entra com uma ação alegando a inconstitucionalidade de uma lei federal tributária. De acordo com o seu entendimento, há no exemplo uma obrigação legal e não uma provisão ou uma contingência passiva. A Deliberação CVM nº 489/05 foi revogada pela Deliberação CVM nº 594/09. Isto, aliado ao fato de não ter vigor de legislação tributária, foi o argumento utilizado pela DRJ para afastar o entendimento contido no Pronunciamento. Nada obstante, em que pese a tradução jurídica defendida no voto do Conselheiro Marcos Takata, entendo que o conceito de provisão tem origem na ciência contábil e foi nesta área do conhecimento que o legislador se inspirou ao estatuir a vedação acima reproduzida. Sobre o exemplo contido no mencionado Pronunciamento, o Manual de Contabilidade Societária da FIPECAFI (São Paulo: Editora Atlas, 2010, pp. 339 a 341) relata: Ao afirmar que se trata o caso de uma obrigação legal e não de uma provisão, foi criada, no nosso entendimento, uma ideia inexistente na norma: a de que uma obrigação de natureza legal não pode ser reconhecida como provisão, ou então não Fl. 569DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 570 13 pode ser considerada de natureza possível ou remota, e sim tem que, obrigatoriamente, ser registrada como passivo líquido e certo, a pagar, independentemente da característica de probabilidade de desembolso futuro. E isso contraria frontalmente o texto da própria norma, como já visto. (...) A própria CVM também se opôs ao entendimento do referido exemplo no seu Ofício Circular nº 01/06 e menciona no tópico, 23.2 “Tributos”, subtópico 23.2.1 “Fundamentos na Estimativa para Contabilização dos Tributos”, que “A avaliação a respeito de obrigações tributárias é um exemplo de exercício de julgamento onde os limites são muito pequenos ou praticamente inexistentes. Se por um lado, a administração está limitada pelo ordenamento jurídico que impõe o cumprimento da legislação e consequentemente o reconhecimento contábil da obrigação tributária, por outro, os Princípios Contábeis garantem a prerrogativa de a administração efetuar o julgamento sobre o tratamento contábil a ser seguido.” No mesmo Ofício, no subtópico 23.2.2 “A Estimativa dos Tributos”, menciona que: “Com base nesses fundamentos, o exemplo em questão não deve ser encarado como uma posição extremada. No momento em que a administração se deparar com o exame acerca do tratamento a ser dispensado a um tributo, deve ter em mente que a Norma prevê o seu registro e, somente, em alguns raros casos tem ao seu dispor, desde que consubstanciada nos Princípios Fundamentais da Contabilidade, a prerrogativa de exercer seu julgamento quanto ao seu registro como uma obrigação. Se avaliar pela necessidade do registro, este deveria ser mantido até o momento de sua extinção por uma das formas previstas no art. 156 do Código Tributário Nacional.” A própria NPC 22 afirma que “44. As provisões devem ser reavaliadas em cada data de balanço e ajustadas para refletir a melhor estimativa corrente. Se já não for mais provável que uma saída de recursos será requerida para liquidar a obrigação, a provisão deve ser revertida em contrapartida da linha do balanço e/ou do resultado contra a qual ela foi originalmente constituída e/ou realizada” (grifo nosso). Em seguida, o referido Manual transcreve trechos da Interpretação Técnica nº 2/2006, do IBRACON, em que este adota uma posição mais cuidadosa “para o não registro das contas a pagar dessa origem e natureza, mas não para uma vedação cega de qualquer tratamento alternativo”. Por fim, os autores da FIPECAFI concluem que: Ratificamos nossa posição de necessidade de extremo zelo e devida prudência para essas situações aqui discutidas, mas reforçamos que a administração, em obediência ao conceito de Essência sobre a Forma, deve retratar da melhor maneira sua posição patrimonial e de resultados. Portanto, para a ciência contábil, tratar ou não os tributos com exigibilidade suspensa como provisão é uma decisão da administração da empresa baseada no conceito da “essência sobre a forma” (substituído pelo conceito de “representação fidedigna” no atual – Fl. 570DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 571 14 “Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis”). Dessa forma, há que se verificar como foram tratados os tributos com exigibilidade suspensa na própria contabilidade da empresa. Neste aspecto, o relato da fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal (fl. 21), não deixa margem de dúvida de que os depósitos judiciais foram contabilizados nas contas contábeis denominadas “2213140052 – Provisão PASEP” e “22131400062 – Provisão COFINS”. Por conseguinte, por terem tido o tratamento de provisão e por força do que dispõe o artigo 13, I, da Lei nº 9.249/95, os correspondentes valores não são dedutíveis também para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Cumpre ainda ressaltar que, movida por outros fundamentos, a Câmara Superior de Recursos Fiscais entende que os tributos com exigibilidade suspensa têm natureza de provisão e, como tais, não são dedutíveis na apuração da CSLL. Confirase as ementas de recentes julgados: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DEDUTIBILIDADE DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutiveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão. O mesmo ocorre com a provisão para juros sobre contingências fiscais os quais, por constituírem acessório dos tributos sobre os quais incidem, devem seguir a norma de dedutibilidade do principal. (Acórdão 910101.214, de 18/10/2011) CSLL. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO. PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151, do Código Tributário Nacional CTN, são indedutíveis para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. (Acórdão 9101001.512, de 20/11/2012) Por tudo isso, há que concluir pela manutenção da glosa dos tributos com exigibilidade suspensa. Glosa de despesas com patrocínios: Fl. 571DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 572 15 Para abordar esse tema, vale à pena reproduzir novamente o conteúdo do artigo 13 da Lei nº 9.249/95. Desta vez, o foco visado pela decisão recorrida e pelo recurso apresentado concentrouse na vedação contida no seu inciso VI, que cuida das doações, e na exceção prevista no seu § 2º, I, concernente às doações tratadas na Lei nº 8.313/91. Confirase: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) VI das doações, exceto as referidas no § 2º; (...) § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; (grifei) A Lei nº 8.313/91, também conhecida como Lei Rouanet, instituiu o Programa Nacional de Apoio à Cultura – PRONAC. No âmbito tributário, seu funcionamento é melhor compreendido pela regulação estabelecida no artigo 15 da IN/SRF nº 267/02, a qual esclarece que as atividades culturais ou artísticas incentivadas pela Lei nº 8.313/91 constituem duas modalidades, verbis: Art. 15. A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido as quantias efetivamente realizadas no período de apuração a título de doações ou patrocínio, tanto mediante contribuições ao Fundo Nacional de Cultura (FNC) na forma de doações nos termos do inciso II do art. 5º da Lei n º 8.313, de 1991, quanto mediante apoio direto a projetos: I culturais aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) nos termos do inciso II do art. 26 da Lei nº 8.313, de 1991; II relacionados à produção cultural, a que se refere o art. 18, caput e §§ 1º e 3º, da Lei n º 8.313, de 1991, nos segmentos de: a) artes cênicas; b) livros de valor artístico, literário ou humanístico; c) música erudita ou instrumental; d) exposições de artes visuais; Fl. 572DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 573 16 e) doações de acervos para bibliotecas públicas, museus, arquivos públicos e cinematecas, bem assim treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para a manutenção desses acervos; f) produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual; e g) preservação do patrimônio cultural material e imaterial. (grifei) Portanto, são duas as modalidade de projetos culturais beneficiados pela Lei nº 8.313/91: os projetos culturais aprovados nos termos do seu artigo 26; e os projetos relacionados à produção cultural, a que se refere o seu artigo 18, cujos segmentos foram listados nas alíneas acima transcritas. Outra virtude da IN/SRF nº 267/02 foi distinguir, em seu artigo 18, os conceitos de doações e patrocínios. Vejase: Art. 18. Para os efeitos desta Seção, consideramse: I doações: a transferência gratuita em caráter definitivo a pessoa física ou pessoa jurídica de natureza cultural, sem fins lucrativos, de numerário, bens ou serviços para a realização de projetos culturais, vedado o seu uso em publicidade para divulgação das atividades objeto do respectivo projeto cultural; II patrocínios: a) a transferência gratuita, em caráter definitivo, à pessoa física ou jurídica de natureza cultural, com ou sem fins lucrativos, de numerário para a realização de projetos culturais, com finalidade promocional e institucional de publicidade; b) a cobertura de gastos ou a utilização de bens móveis ou imóveis do patrimônio do patrocinador, sem a transferência de domínio, para a realização de projetos culturais por pessoa física ou jurídica de natureza cultural, com ou sem fins lucrativos. c) apoio financeiro em favor de projetos de execução de planos plurianuais de atividades culturais apresentados por entidades culturais de relevantes serviços prestados à cultura nacional; (grifei) De tudo o que se expôs no relatório da autuação e do recurso voluntário, verificase que não há controvérsia quanto à modalidade de projeto e a espécie de transferência Fl. 573DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 574 17 financeira versadas no presente caso. Tratase do patrocínio de projetos relacionados à produção cultural, o qual encontrase referido no artigo 18 da Lei nº 8.313/91. Por conseguinte, numa primeira aproximação, já é possível afastar a alegação da recorrente segundo a qual o § 2º, do artigo 13, da Lei nº 9.249/95, admitiria, expressamente, a dedução de suas “despesas”. Isso porque tal dispositivo é categórico ao referirse, apenas, às doações, enquanto que sua modalidade de transferência financeira, como visto, é a dos patrocínios. Neste ponto, por já ter ficado claro que o patrocínio tratado está contido no artigo 18 da Lei nº 8.313/91, vale à pena também transcrevêlo: Art.18. Com o objetivo de incentivar as atividades culturais, a União facultará às pessoas físicas ou jurídicas a opção pela aplicação de parcelas do Imposto sobre a Renda, a título de doações ou patrocínios, tanto no apoio direto a projetos culturais apresentados por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas de natureza cultural, como através de contribuições ao FNC, nos termos do art. 5º, inciso II, desta Lei, desde que os projetos atendam aos critérios estabelecidos no art. 1o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.874, de 1999) §1º Os contribuintes poderão deduzir do imposto de renda devido as quantias efetivamente despendidas nos projetos elencados no § 3º, previamente aprovados pelo Ministério da Cultura, nos limites e nas condições estabelecidos na legislação do imposto de renda vigente, na forma de: (Incluído pela Lei nº 9.874, de 1999) a) doações; e (Incluída pela Lei nº 9.874, de 1999) b) patrocínios. (Incluída pela Lei nº 9.874, de 1999) §2º As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real não poderão deduzir o valor da doação ou do patrocínio referido no parágrafo anterior como despesa operacional.(Incluído pela Lei nº 9.874, de 1999) (grifei) É importante, desde já, deixar claro os contornos normativos prescritos ao caso. A União faculta a opção pela aplicação de parcelas do imposto de renda a título de patrocínios. O mecanismo para viabilizar essa aplicação é a dedução das referidas parcelas do imposto devido. Contudo, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real que se utilizarem dessa faculdade não poderão deduzir o valor do patrocínio como despesa operacional. Com todo o respeito, não é possível, como quer a recorrente, concordar que, por tratar da aplicação de parcelas do IRPJ devido, há que se fazer uma interpretação lógica do § 2º e concluir que a vedação dos patrocínios como despesas operacionais só poderia estar Fl. 574DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 575 18 tratando do IRPJ. A lei não disse isso. Diferentemente dos exemplos anteriormente colacionados, que nos levaram a concluir que o artigo 57 da Lei nº 8.981/95 não autoriza aplicar à base de cálculo da CSLL as mesmas regras expressamente endereçadas pela lei para a apuração do lucro real, aqui a norma não fala de “base de cálculo”. Ela fala de “despesa operacional”. Quando muito fala de “lucro real”, não para referirse diretamente ao critério de apuração desta base de cálculo, mas para referirse ao regime de tributação, qual seja, o das “pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real”. Como se sabe, esse regime é aplicável à apuração tanto do IRPJ quanto da CSLL. Portanto, não há na lei nenhuma indicação de que a vedação do patrocínio como despesa operacional seja restrita apenas à base de cálculo do IRPJ, ou seja, ao lucro real. Por outro lado, é de se indagar se o conceito de despesa operacional é o mesmo tanto para o lucro real quanto para a base de cálculo da CSLL. Afinal, se é verdade que a contabilidade tem seus critérios para definir o conceito, é também cediço que a legislação do IRPJ, para efeitos de apuração desse imposto, transformao sobremaneira. É o que ocorre no artigo 47, §§ 1º e 2º, da Lei nº 4.506/64, verbis: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. Como se vê, o conceito tributário de despesas operacionais é restrito ao que a lei considera como despesas “necessárias”, “usuais” e “normais”. Tratase de um conceito aberto, pronto para ser fechado nos casos concretos enfrentados pelo intérprete e, mais conclusivamente, para ser desenhado pela jurisprudência. Todavia, em certas circunstâncias, a própria lei, como na vedação do § 2º, do artigo 18, da Lei nº 8.313/91 (incluído pela Lei nº 9.874/99), assume o papel de fechar o conceito. Mas, não se diga que o artigo 47 da Lei nº 4.506/64 não se aplica à CSLL por ter sido editado numa época que ainda não existia essa contribuição. Isso porque o comando que consolidou a questão da dedutibilidade em matéria de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, o retromencionado artigo 13 da Lei nº 9.249/95, foi categórico ao ressalvar aquele dispositivo legal. Por oportuno, reproduzo, de novo, seu conteúdo: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (grifei) Fl. 575DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 576 19 Neste mesmo sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já manifestou seu entendimento segundo o qual as regras do artigo 47 da Lei nº 4.506/64 aplicamse também à CSLL. Confirase: CSSL. DESPESAS DESNECESSÁRIA. NÃO DEDUTIBILIDADE. Se fosse para manter o art. 47 da Lei nº 4.506/64 aplicável apenas para o IRPJ, não necessitava o legislador fazer referência a ele no caput do art. 13 da Lei nº 9.249/95, mesmo porque, ao vedar a dedutibilidade de algumas despesas, não estaria a regra do art. 13 derrogando a norma de caráter principiológico do art. 47. Fica, clara, a intenção do legislador de submeter a CSLL às disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64. (Acórdão nº 910101.312, de 24/04/2012) Portanto, diferentemente do que pensa a recorrente, não havia necessidade de o legislador expressamente declarar que a vedação contida no § 2º, do artigo 18, da Lei nº 8.313/91, aplicavase também à CSLL. Isso porque ao dizer que vedava a dedução do patrocínio como despesa operacional estava implicitamente utilizando o conceito que se aplica tanto ao IRPJ como à CSLL. Ademais, chego a dizer que, mesmo que não houvesse a aludida vedação, a dedução não seria permitida. O patrocínio (assim como seria com as doações) tem natureza de parcelas do imposto devido que, por autorização legal, podem ter uma destinação específica (o incentivo à cultura). Não se trata de recurso da pessoa jurídica, mas, sim, de recurso da União. Assim, não tem cabimento a empresa deduzir como despesa sua o valor correspondente a um dispêndio que não foi seu. Isso só seria admissível (como de fato o é para os projetos culturais aprovados nos termos do artigo 26 da mesma Lei nº 8.313/91, conforme seu § 1º) se a própria lei expressamente autorizasse a dedução como despesa. Na verdade, tratarseia de mais um incentivo. Diante disso, concluo também pela manutenção da glosa de despesas com patrocínios. Glosa de multas por infrações: A discussão agora converge para o conteúdo do artigo 41, § 5º, da Lei nº 8.981/95. Este dispositivo foi transcrito no trecho do voto do Conselheiro Marcos Takata acima reproduzido, mas, por sua pertinência ao presente tema, impõese sua nova transcrição: SUBSEÇÃO I Das Alterações na Apuração do Lucro Real Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 577 20 (...) § 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. (grifei) Mais uma vez surge o problema de saber se a norma contida no § 5º alcança a base de cálculo da CSLL. Como já corroborado no voto do Conselheiro Marcos Takata, o caput, expressamente, endereça seu conteúdo normativo para a “determinação do lucro real”. Isso não ocorre, contudo, com o § 5º. Aqui, a norma fixa a restrição no “custo ou despesas operacionais”. Nada obstante, a visão sistemática da regra permite concluir que a restrição está inserida no contexto do caput. Mais decisivo ainda é ter uma visão topológica e perceber que todo o artigo está inserido num subseção intitulada “Das Alterações na Apuração do Lucro Real”. Portanto, considerando a premissa antes levantada, de que o artigo 57 dessa mesma Lei não tem o condão de autorizar a extensão à base de cálculo da CSLL das mesmas regras expressamente endereçadas para a apuração do lucro real, entendo que o dispositivo não se aplica à apuração da CSLL. Por outro lado, há que se indagar se as multas por infrações, sejam elas de natureza tributária ou não, seriam dedutíveis para fins de apuração da CSLL. Com efeito, se para esta contribuição, não há uma norma de caráter especial como a do § 5º, da Lei nº 8.981/95, há a norma de caráter geral contida no artigo 47, da Lei nº 4.506/64. Essa regra, referida no tópico anterior, restringe a dedutibiliade às despesas operacionais consideras como “necessárias”, “usuais” e “normais”. E já se viu que ela tem plena aplicabilidade também no campo da CSLL. Movido por tal disposição normativa, a DRJ assim se pronunciou: De início, cabe ressaltar que as multas glosadas pela Autora do Feito não se enquadram no conceito de despesa operacional dedutível e não atendem ao disposto no art. 299 do RIR/1999, que condiciona a dedutibilidade das despesas a que elas sejam necessárias à atividade da sociedade empresarial e à manutenção da respectiva fonte produtora (PN CST nº 61, de 1979, item 6). A interessada, inteiramente consciente disso, ao apresentar as DIPJ referentes aos anoscalendário fiscalizados, não titubeou em assim considerálas ao computar a base de cálculo do IRPJ. Isto posto, a Autora do Feito limitouse, corretamente, a aplicar a tais penalidades o tratamento prescrito pelo artigo 57 da Lei n° 8.981, de 1995, tantas vezes referido neste Acórdão. Em assim sucedendo, quando a contribuinte aduz que a restrição do “art. 41, §5° da Lei n° 8.981/95” disporia apenas sobre “multas por infrações de obrigações tributárias”, está, na verdade, buscando desviar o foco da questão, que é o do Fl. 577DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 578 21 inequívoco impedimento à dedução das penalidades pecuniárias de fls. 26 e 27, tanto para o cálculo do IRPJ quanto, por expressa determinação legal, da CSLL. Portanto, esta parcela do lançamento também deve ser mantida. Apesar de concordar com a aplicabilidade do artigo 299 do RIR/99 (que repete o artigo 47 da Lei nº 4.506/64) à CSLL, como já exposto, no tocante à glosa das multas por infrações, discordo das demais razões do voto condutor da decisão recorrida, quais sejam, a possibilidade de aplicação dos artigos 41, § 5º, e 57, da Lei nº 8.981/95. O problema é que a autoridade fiscal não incluiu a citada capitulação legal (artigo 299 do RIR/99 ou o artigo 47 da Lei nº 4.506/64) em nenhuma parte do Termo de Verificação Fiscal ou do próprio Auto de Infração. Diante disso, poderia se pensar em aplicar o princípio do juria novit curia (“dême os fatos que eu te darei o direito”). Segundo o ensinamento de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez López (Cf. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª ed., São Paulo: Dialética, 2010, p. 285.), esse princípio também é aplicável ao processo administrativo fiscal, no sentido de que não se altera o critério jurídico do lançamento, já que a acusação e a infração são as mesmas, mas apenas sua fundamentação legal. Afinal, a autuada não se defende da capitulação legal da infração, mas, sim, dos fatos e da descrição fática narrados. No entanto, considero que tal providência caracterizaria ofensa ao princípio do contraditório, pois as razões de defesa poderiam ser diferentes caso a fiscalização tivesse aplicado a referida capitulação legal. Por isso, entendo que a glosa das multas por infrações devem ser integralmente canceladas. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas para exonerar os créditos tributários referentes à glosa das multas por infrações. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 578DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 15504.724900/201294 Acórdão n.º 1102000.963 S1C1T2 Fl. 579 22 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 09/12/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902129/2012-90
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/10/2004
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/10/2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10945.902129/2012-90
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5346979
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.065
nome_arquivo_s : Decisao_10945902129201290.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10945902129201290_5346979.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5446845
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593668644864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 9 1 8 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.902129/201290 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.065 – 1ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente CGS INDUSTRIA E COMERCIO DE MOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/10/2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 21 29 /2 01 2- 90 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902129/201290 Acórdão n.º 3801003.065 S3TE01 Fl. 10 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902129/201290 Acórdão n.º 3801003.065 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902129/201290 Acórdão n.º 3801003.065 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902129/201290 Acórdão n.º 3801003.065 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902129/201290 Acórdão n.º 3801003.065 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902129/201290 Acórdão n.º 3801003.065 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902129/201290 Acórdão n.º 3801003.065 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904482/2011-82
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat Jan 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero.
Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que dava provimento. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB-PE nº 25.620. Antecipado o julgamento para o dia 25 de fevereiro no período matutino a pedido da recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM: 10/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10850.904482/2011-82
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5330497
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.934
nome_arquivo_s : Decisao_10850904482201182.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10850904482201182_5330497.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que dava provimento. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OAB-PE nº 25.620. Antecipado o julgamento para o dia 25 de fevereiro no período matutino a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM: 10/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Sat Jan 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5334348
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593702199296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 96 1 95 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.904482/201182 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.934 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de janeiro de 2014 Matéria Regime Monofásico Recorrente AUTO POSTO DO IPE RIO PRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE COMBUSTÍVEL. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA EXCLUÍDO DA TRIBUTAÇÃO. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. A partir de 01/07/2000, o regime de tributação da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre os combustíveis, incluído o óleo diesel, passou a ser realizado em uma única fase (incidência monofásica), concentrada nas receitas de vendas realizadas pelas refinarias, ficando exonerada as receitas auferidas nas etapas seguintes por distribuidoras e varejistas, que passaram a ser submetidas ao regime de alíquota zero. Dessa forma, após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a venda de óleo diesel do distribuidor para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que dava provimento. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. Fez sustentação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 44 82 /2 01 1- 82 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 oral pela recorrente a Dra. Mary Elbe Gomes Queiroz, OABPE nº 25.620. Antecipado o julgamento para o dia 25 de fevereiro no período matutino a pedido da recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 10/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904482/201182 Acórdão n.º 3801002.934 S3TE01 Fl. 97 3 Relatório A Recorrente apresentou Pedido de Restituição de contribuições que por meio de despacho decisório de fls.e com fundamento na informação fiscal, constatouse que o interessado apurou créditos relativos às aquisições de gasolina e óleo diesel para pleitear ressarcimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), considerando as suas saídas com alíquota zero. O pedido do contribuinte foi indeferido, pois apesar de sair produtos com alíquota zero, as tributações do PIS/PASEP, referentes ao óleo diesel e à gasolina, ocorrem de forma concentrada (incidência monofásica) no produtor ou importador, não havendo previsão legal da possibilidade de manutenção de créditos na aquisição pelo distribuidor ou revendedor atacadista ou revendedor varejista. Diante disso, o despacho decisório concluiu que o interessado não tem direito ao ressarcimento pleiteado. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade insurgindose contra o teor do despacho decisório na qual alegou, em síntese, que por entender ter direito ao crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, em relação aos produtos que adquiriu, pleiteou o seu ressarcimento; que não pleiteou direito ao creditamento sobre álcool, gás liquefeito ou natural ou biodiesel, mas apenas ao creditamento na aquisição de gasolina A e óleo diesel, doravante englobados pelo termo combustível; que as normas devem ser interpretadas sistematicamente sob pena de desvirtuamento da ordem jurídica, sendo desejo expresso do legislador que não existisse mais qualquer vedação ao creditamento pretendido como forma de dar efetividade à nãocumulatividade; Assim, considerando que a contribuinte está obrigatoriamente sob a incidência das leis da nãocumulatividade, nos termos da Lei n.º 10.637/2002 (PIS não cumulativo) e que a legislação da cumulatividade não se destina à contribuinte já que os distribuidores, que apuram resultados para o imposto sobre a renda pelo lucro real, foram postos compulsoriamente na nãocumulatividade, entende, desse modo ter direito ao crédito. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DERIVADOS DE PETRÓLEO. COMBUSTÍVEIS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDA VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. SISTEMÁTICA DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito a creditamento de PIS/PASEP relativos às operações de distribuição e varejo de combustíveis, realizadas à alíquota zero, com base na sistemática da não cumulatividade. É incontroverso que a Lei n.º 9.990/2000 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 fixou a incidência monofásica do PIS/PASEP e da Cofins sobre combustíveis derivados de petróleo, permanecendo concentrada na produção e importação a incidência do tributo, inviabilizando, por esse motivo, o creditamento pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apresenta a Recorrente o presente recurso com base nos mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904482/201182 Acórdão n.º 3801002.934 S3TE01 Fl. 98 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da Contribuição para o PIS/Pasep supostamente incidente sobre aquisição de gasolina A e óleo diesel. Inicialmente, é oportuno esclarecer que as operações comerciais com os combustíveis derivados de petróleo, incluindo o óleo diesel e gasolina, desde a fonte até o consumidor final, normalmente se desenvolvem em três etapas bem definidas e distintas, a saber: a uma nas refinarias, na qualidade de produtoras, vendem o combustível para as distribuidoras; a duas, nas distribuidoras, por sua vez, revendemno aos varejistas; e a três nos varejistas, que, por último, revendem o produto aos consumidores finais. Em face das peculiaridades do setor de combustíveis derivados de petróleo e tendo conta a magnitude do volume de operações e valores envolvidos em toda a cadeia de comercialização, com o objetivo de tornar mais simples e eficaz o controle da arrecadação, ao longo do tempo, o regime de incidência das contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes da venda de tais produtos ocorreram de forma concentrada, seja sob a modalidade de substituição tributária para frente, seja sob a forma de tributação monofásica. Sob a forma de substituição tributária, enquanto vigente, a incidência das referidas Contribuições deuse da seguinte forma: a) até 31/01/1999, concentrada nas distribuidoras, na condição de contribuintes substitutas dos varejistas: em relação à Cofins, esta sistemática foi adotada desde a instituição desta contribuição pela Lei Complementar n.º 70, de 1991 (art. 4º); no que tange à Contribuição para o PIS/Pasep, ela foi introduzida a partir da vigência da MP n.º 1.212, de 1995 (art. 6º1), convertida na Lei n.º 9.715, de 1998; e, b) no período de 01/02/1999 a 30/06/2000, concentrada nas refinarias, na condição de contribuintes substitutas das distribuidoras e dos varejistas: com o advento da Lei n.º 9.718, de 1998 (art. 4º2), foi unificada a legislação sobre a forma incidência das duas Contribuições 1 Art. 6º A contribuição mensal devida pelos distribuidores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o menor valor, no País, constante da tabela de preços máximos fixados para venda a varejo, sem prejuízo da contribuição incidente sobre suas próprias vendas. 2 Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 sobre as receitas das vendas de combustíveis. Nesta nova forma de substituição, as refinarias foram indicadas como contribuintes substitutas no lugar das distribuidoras eleitas na sistemática anterior. A indicação das refinarias como contribuintes substitutas das distribuidoras (2ª etapa) e varejistas (3ª etapa) resultou na concentração dos recolhimentos das ditas Contribuições na origem da cadeia comercial, englobando as duas etapas seguintes (distribuição e varejo), caracterizando um típico regime de substituição tributária “para frente”, no qual as refinarias recolhiam de forma antecipada e direta, com base em fato gerador futuro e presumido, as contribuições que seriam devidas nas operações subseqüentes, efetuadas pelas distribuidoras e pelos varejistas (contribuintes substituídos), que sofriam a incidência de forma indireta. Dessa forma, antevendo a possibilidade da não ocorrência da última fase da cadeia de comercialização, em conformidade com o disposto no art. 150, § 7º, da CF/1988, foi assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica (contribuinte substituído), o ressarcimento dos valores das Contribuições para o PIS/Pasep e da Cofins (recolhidos na origem pela refinaria) relativos à última operação não realizada de aquisição de gasolina ou óleo diesel, isto é, possivelmente, a operação final entre os varejistas e os consumidores finais (3ª etapa), mediante compensação ou restituição (na verdade ressarcimento), na forma e de acordo com os requisitos estabelecidos no art. 6º da Instrução Normativa SRF n.º 6, de 29 de janeiro de 1999, a seguir transcrito: Art. 6º. Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1º Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2° A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2°, multiplicado por dois inteiros e dois décimos. §2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF n.º 24/99, de 25/02/1999) § 3º O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4º O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas na Instrução Normativa SRF n.º 21, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7°a 14 desta Instrução Normativa. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904482/201182 Acórdão n.º 3801002.934 S3TE01 Fl. 99 7 Essa sistemática, foi extinta a partir de 01/07/2000 pelos artigos. 2º e 43 da Medida Provisória n.º 1.99115, de 2000, que nesta específica edição, ao dar nova redação ao art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, aboliu a sistemática de substituição tributária, substituindo a pelo regime de tributação monofásica, na origem, ou seja, na refinaria de petróleo, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na nova sistemática de tributação as refinarias passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas das distribuidoras e dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme estabelecido no inciso I do art. 43 da mesma MP 1.99115, de 2000, que se tornou definitivo com a reprodução no inciso I do art. 42 da MP n.º 2.15835, de 24 agosto de 2001, assim expresso: Art.42.Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência monofásica, a tributação das refinarias e das distribuidoras e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pela refinaria não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre as refinarias, assim como os pagamentos por elas realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos nas refinarias. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária em debate. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 2000 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de combustíveis, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de derivados de petróleo. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904482/201182 Acórdão n.º 3801002.934 S3TE01 Fl. 100 9 Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das sistemáticas de apuração e cobrança das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de tributação, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida, não é possível estender a análise. Até tenho me posicionado que quando a empresa está sujeita aos dois regimes de tributação, poderá descontar créditos quanto aos combustíveis utilizados como insumo na prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso. Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos ao regime monofásico adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos ao regime para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 10 O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, com caráter interpretativo não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. O artigo 17 veio para suprir a dúvida que existia, por ex., para as empresas de embalagens que adquiriam insumos com tributação e para as quais se negava indevidamente o direito de crédito. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pela prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de combustíveis estão sujeitas à alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Em conseqüência, não estando a receita de venda de tais produtos sujeita ao regime de incidência nãocumulativa e submetida à alíquota zero, quando auferida pelos comerciantes atacadistas e varejistas (caso em apreço), nessas etapas, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Assim sendo voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10850.904482/201182 Acórdão n.º 3801002.934 S3TE01 Fl. 101 11 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720949/2011-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE.
Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1801-001.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201309
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10840.720949/2011-52
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5347897
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1801-001.655
nome_arquivo_s : Decisao_10840720949201152.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LEONARDO MENDONCA MARQUES
nome_arquivo_pdf_s : 10840720949201152_5347897.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
id : 5454569
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593739948032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 60 1 59 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.720949/201152 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.655 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de setembro de 2013 Matéria DCTF MULTA POR ATRASO Recorrente ISONET ISOLAMENTOS TÉRMICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTERPOSTO FORA DO PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. Não deve ser conhecido recurso voluntário interposto fora do prazo definido no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros da 1ª Turma Especial, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso, por intempestivo, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 09 49 /2 01 1- 52 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ em Ribeirão Preto, que manteve a multa de R$ 500,00, aplicada por atraso na entrega da DCTF relativa a fevereiro de 2009. Debateuse, na decisão recorrida, por força de questionamentos arguidos em impugnação, os efeitos suscitados pelo sujeito passivo quanto à aplicação do artigo 138 do CTN, sobre a entrega espontânea, mas extemporânea, da DCTF. A manutenção da multa foi fundamentada na alegação de que a norma inscrita no referido artigo não contempla a sanção por descumprimento de obrigação acessória. O recurso voluntário reitera as alegações veiculadas com a impugnação, adicionando precedentes desta E. Segunda Instância administrativa. Também invoca doutrina relacionada à exclusão da multa no caso de parcelamento de dívida tributária, antes de qualquer ato fiscal a ela relacionado. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator Conforme se verifica nos autos – extrato dos Correios relativo ao AR, protocolo aposto na primeira folha do recurso, e Despacho de Encaminhamento da DRF – a ciência do contribuinte se deu em 22/03/12, tendo o recurso sido interposto em 24/04/12. O recebimento ocorreu em uma quintafeira. Considerada a regra do Código Tributário Nacional (artigo 210), excluído o dia da intimação, o transcurso do prazo teve início na sextafeira, dia 23 de março. Contados os 30 dias, o prazo encerrarseia no dia 21 de abril, o qual, sendo sábado, levou o dies ad quem para 23 de abril de 2012. Houve transcurso de prazo superior aos 30 dias definidos no artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72 (norma dotada de força de lei), revelando a intempestividade do recurso voluntário. A extemporaneidade do recurso consubstancia preclusão, a perda da chance de se insurgir contra a decisão a quo, no processo administrativo, buscando a revisão deste E. Conselho. Ademais, não há, no recurso voluntário, qualquer apontamento quanto a eventuais circunstâncias (feriado local, fechamento da repartição) que pudessem deslocar o início ou o término da contagem do prazo em comento. Nem argumentação tendente a atribuir ineficácia da cientificação operada por via postal. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 61DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10840.720949/201152 Acórdão n.º 1801001.655 S1TE01 Fl. 61 3 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 15/05 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721245/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10140.721245/2012-75
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5348634
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2401-000.347
nome_arquivo_s : Decisao_10140721245201275.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10140721245201275_5348634.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5459978
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593779793920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1335; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721245/201275 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.347 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de fevereiro de 2014 Assunto DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, PATRONAL, SIMPLES Recorrente CONTAFÁCIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 21 24 5/ 20 12 -7 5 Fl. 623DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.338.6028, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, referentes as diferenças de contribuições declaradas em GFIP, considerando a exclusão da empresa do SIMPLES. Os fatos geradores compreendem o no período de 07/2007 a 12/2008, inclusive 13 salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 26 e seguintes, diante da constatação e caracterização de grupo econômico de fato e da consideração da receita bruta do grupo, elaborouse representação fiscal, propondo a exclusão do contribuinte Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda do regime tributário Simples Nacional, previsto na Lei Complementar 123, de 14/12/2006. O Ato Declaratório Executivo ADE n°. 14, de 21/05/2012, publicado no Diário Oficial da União n°. 99, Seção 1, de 23/05/2012, estabeleceu a exclusão do contribuinte do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/07/2007. O ADE estabeleceu ainda o prazo de 30 dias, contados da ciência deste, para a apresentação de manifestação de inconformidade. A ação fiscal estendeuse a todas as empresas, as quais são geridas pelo casal Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin, com suporte técnico do contador Luiz Fernando Ferreira da Silva. São elas: 1 Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP; 2 Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda – ME; 3 ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda – ME e 4 Pagueaqui Recebimento e Serviços Ltda – EPP; 5 ContafácilES Cobranças Atendimentos e Serviços LtdaME. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/05/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/05/2012. Consta informação fiscal fls. 442, acerca da cientificação dos sujeitos passivos – grupo econômico, onde consta a seguinte informação: No dia 24/05/2012 foram entregues as cópias dos ADE´s nº 11, 12, 13, 14 e 15, de 21/05/2012, e da "Representação Fiscal Exclusão do Simples" e seus anexos a Arthur Lemos Nogueira (Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, CNPJ 04.716.037/000171, e Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME, CNPJ 09.555.050/000100) e a Deyse Liliana Faccin Nogueira (Contafacil Serviços Expressos Ltda– EPP, CNPJ 06.253.153/000127, Contafacil MS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ Fl. 624DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 4 3 11.467.807/000155 e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.471.415/000160), conforme atestam os "Termos de Entrega de Cópia de Documento". Isto ocorreu na rua Rachid Neder, nº 115, Bairro Monte Castelo, Campo GrandeMS, endereço onde mantêm escritório comercial. 2. No dia 29/05/2012, conforme anteriormente agendado, compareci neste mesmo endereço para colher ciência nos autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra estas empresas. Desta feita, entretanto, Arthur Lemos e Deyse Liliana informaram que receberiam apenas os autos e termos das empresas Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME e ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, conforme orientação recebida de seu advogado. 3. Diante disto, os autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra as empresas Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME foram encaminhados por via postal para o endereço cadastral das sedes destes contribuintes, qual seja, rua Gonçalves Luiz Martins, nº 371, Centro, JaraguariMS. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 451 a 470. 1 A autoridade fiscal autuou, por solidariedade passiva tributária, os impugnantes ARTHUR LEMOS NOGUEIRA e DEYSE LILIANA FACCIN, porque ambos seriam "sóciosadministradores" da empresa ora, também, impugnante, sem, contudo, descrever os fatos que implicariam a atribuição de responsabilidade tributária a suas pessoas; 2 – a exclusão de ofício das empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL deverá ocorrer em observância à forma regulamentada pelo CGSN (Art. 29, § 3o). Ainda, a lei complementar assinala o marco a partir do qual são aplicáveis as regras gerais da tributação no caso das empresas excluídas: a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão (Art. 32, caput); 3 – de acordo com as disposições regulamentares a exclusão das microempresas e empresas de pequeno porte do SIMPLES NACIONAL somente se torna eficaz a partir do seu trânsito em julgado administrativo, isto é, a partir do momento em que houver decisão administrativa definitiva e desfavorável ao contribuinte. Isto, para o caso de o contribuinte ter impugnado o termo de exclusão; 4 a autoridade autuante constituiu o crédito tributário contra os impugnantes com base nas normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sem que ela estivesse sujeita ao regime jurídico geral da tributação. A primeira impugnante, quando da lavratura do auto de infração, sujeitavase ao regime do SIMPLES NACIONAL e não às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; 5 a autoridade fiscal autuou a primeira impugnante por violação à legislação tributária geral quando ela estava sujeita às normas do regime simplificado. De fato, ela pretendeu conferir à representação fiscal, mera proposta de exclusão, efeitos jurídicos que ela não possui; Fl. 625DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 5 4 6 tendo a primeira impugnante apresentado tempestivamente sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, esta não produz efeitos enquanto não se tornar definitiva a decisão favorável ao Fisco, caso ocorra. Assim, a primeira impugnante continua sujeita às normas do SIMPLES NACIONAL; 7 o Art. 75, § 5o, da Resolução CGSN n. 94/2011 prevê expressamente que é condição sine qua non para que se aperfeiçoe a exclusão de qualquer micro ou pequena empresa, que esta exclusão seja registrada no Portal do Simples Nacional na internet, sem o que não produz qualquer efeito; 8 a exclusão da primeira impugnante do SIMPLES NACIONAL, no caso em tela, é ineficaz, ainda não se tornou efetiva, na forma do Art. 32, caput c.c Art. 75, § 3o, da Resolução CGSN n. 94/2011. Em consequência, autuação é ilegal, pois que fundada em normas legais inaplicáveis, no caso, o regime geral da seguridade social previsto na Lei n. 8.212/91 e seu regulamento. DAS MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. 9 – há que se reconhecer a impossibilidade de aplicação aos impugnantes da multa prevista pelo Art. 35 da Lei n. 8.212/91, como pretendido pela autoridade fazendária; Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 10 uma vez excluída a empresa do SIMPLES NACIONAL, ela ficará sujeita ao recolhimento dos valores tributários devidos acrescidos, tão somente, de juros de moras, consoante Art. 32, § 1 o , da LC 123/2006; Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. § 1º Para efeitos do disposto no caput deste artigo, na hipótese da alínea a do inciso III do caput do art. 31 desta Lei Complementar, a microempresa ou a empresa de pequeno porte desenquadrada ficará sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando efetuado antes do início de procedimento de ofício. 11 – existe procedimento específico para a exclusão da ME ou EPP do SIMPLES NACIONAL. Primeiro, há que se excluíla, desenquadrála efetivamente, ou seja, com uma decisão definitiva no âmbito administrativo desfavorável ao contribuinte (Art. 75, § 3o , RCGSN 94/2011). Ato subsequente, à empresa deverá ser concedido prazo de Fl. 626DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 6 5 30 dias, na forma do Art. 160, caput, do CTN, já que não há previsão legislativa expressa a respeito, para que se efetue o pagamento "da totalidade ou da diferença dos respectivos tributos, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência", o que deverá ocorrer acrescidos, tãosomente, de juros de mora; 12 há que se instaurar, de modo sucessivo dois procedimentos administrativos distintos, quais sejam: O primeiro, visando a exclusão da ME ou da EPP do SIMPLES NACIONAL e, o segundo, na eventualidade de, tendo sido definitivamente excluída a empresa, e transcorrido in albis o prazo para pagamento do crédito tributário devido com o acréscimo dos juros de mora, a fiscalização de ofício, visando a aplicação das penalidades pecuniárias cabíveis, sendo que este último é absolutamente dependente do primeiro. 13 ilegal e indevida a aplicação das multas de mora e de ofício, pois embora proposta sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, ela ainda não se tornou definitiva, já que impugnada; e se tivesse sido efetivamente excluída, a LC 123/2006, regulamentada pela RCGSN n.94/2011, impõe como procedimento obrigatório, que se fixe o prazo para pagamento do crédito tributário eventualmente devido acrescido tão somente dos juros de mora. Somente depois disso, se escoado o prazo referido sem o pagamento na forma como prevista pelo Art. 32, § 1 o , da LC 123/2003, poderseia falar em procedimento fiscalizatório de ofício com a consequente aplicação das penalidades. 14 a autuação fiscal é improcedente, por ausência do fato antecedente a fundamentarlhe a imputação do crédito tributário na forma como pretendida e por violação ao Art. 29, I c.c § 3 o e Art. 32, caput e § 1 o , ambos da Lei Complementar n.123/2006, os quais disciplinam o procedimento de exclusão das ME's e EPP's do SIMPLES NACIONAL. DA SOLIDARIEDADE 15 as contribuições para o custeio da seguridade social, instituídas com suporte nos Arts. 149 e 195 da Constituição Federal de 1988, têm natureza tributária, de modo que se submetem às limitações constitucionais ao poder de tributar e às normas gerais de direito tributário. Desta forma, o inciso IX do Art. 30 da Lei n. 8.212/91 não guardou observância aos critérios estabelecidos no Art. 128 do CTN para fins de atribuição de responsabilidade tributária solidária ao pagamento de tributos, o qual exige que, para tanto, a terceira pessoa a qual se atribua a sujeição passiva por responsabilidade tributária tenha, obrigatoriamente, vinculação com o fato gerador da respectiva obrigação, conforme se depreende do texto do dispositivo; 16 não se pode responsabilizar qualquer terceiro pela arrecadação e recolhimento de tributos devidos à Seguridade Social, ainda que por norma legal expressa, ín casu, norma de solidariedade trazida pelo inciso IX do Art. 30, da Lei n. 8.212/91, a fim de atribuíla às empresas que integrem "grupo econômico", sem qualquer verificação de efetivo vínculo com o fato gerador das contribuições em questão; 17 a lei pode atribuir vínculo de solidariedade aos responsáveis tributários — salvo naqueles casos em que o CTN já tenha estabelecido de modo diverso, como acentuado pela doutrina e pela jurisprudência Fl. 627DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 7 6 — porém, o Art. 128 do CTN impõe um limite a tanto: exige a vinculação do terceiro responsável com o fato gerador do respectivo tributo; 18 não é qualquer tipo de vínculo com o fato gerador que pode ensejar a responsabilidade de terceiro; é necessário que esse vínculo seja de tal sorte que permita a esse terceiro, elegível como responsável, fazer com que o tributo seja recolhido sem onerar seu próprio bolso. 19 a imputação de solidariedade no pagamento das contribuições devidas à Seguridade Social requer a prova inequívoca de que as empresas envolvidas, de fato, configuram grupo econômico e que se encontram vinculadas ao fato gerador das contribuições ora imputadas; 20 o ônus da prova de configuração de grupo econômico é da Administração, sob pena de nulidade da autuação. In casu, a autoridade fazendária restringiuse a alegações desprovidas de provas, baseandose em meras suposições que acabaram por lastrear o ADE n. 12/2012, que excluiu a primeira impugnante do SIMPLES NACIONAL; 21 o inciso IX do Art. 30, da Lei n. 8.212/91 está eivado de ilegalidade, por inobservância dos requisitos essenciais estabelecidos no Art. 128 do CTN, lei complementar de caráter nacional, o que veda ao legislador ordinário alterálos ou suprimilos para atribuição de responsabilidade solidária a terceira pessoa, in casu, sem relação com o fato gerador das contribuições sociais; 22 a autoridade fazendária sequer logrou demonstrar que as empresas (i) CONTAFÁCILMS COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDAME, (ii) PAGUEAQUI RECEBIMENTO E SERVIÇOS LTDA EPP, (iii) CONTAFACIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA EPP, (iv) MAISFACIL CONSULTORIA E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME e (v) CONTAFACILES COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA ME configuram grupo econômico, quanto menos juntou aos autos prova inequívoca de que referidas empresas praticaram conjuntamente todos os fatos geradores referentes às contribuições sociais em questão, o que revela a inaplicabilidade do dispositivo, a despeito de sua ilegalidade; 23 a autoridade fiscal não provou a configuração de grupo econômico, justamente porque não há grupo econômico, nem de fato, nem de direito, na circunstância ora tratada. Há, sim, sociedades distintas que exercem, cada qual, atividades específicas: Uma exerce atendimento, outra exerce cobrança, outra presta serviço de senhas, outra lida com leituras — que foram criadas por diferentes indivíduos para desenvolverem atividade de prestação de serviços em diferentes localidades. Uma exerceu atividade em alguns municípios do Estado do RJ, do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul, ou do Espírito Santo — e para diferentes clientes — concessionárias de fornecimento de energia, concessionárias de fornecimento de água e coleta de esgoto, empresas privadas de diferentes naturezas —realizadas por pessoas da mesma família, aproveitando do networking de negócios criado pelos seus membros; Fl. 628DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 8 7 24 o auto de infração DEBCAD n. 37.338.6001 é nulo, seja por ausência absoluta de fundamentação legal, em face da ilegalidade do inciso IX, do Art. 30 da Lei n. 8.212/91; seja por ausência de prova inequívoca de que as empresas (i) CONTAFÁCILMS COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDAME, (ii) PAGUEAQUI RECEBIMENTO E SERVIÇOS LTDA EPP, (iii) CONTAFACIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA EPP, (iv) MAISFACIL CONSULTORIA E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME e (v) CONTAFACILES COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA ME, CNPJ 11.471.415/000160 formam grupo econômico de fato e, ainda, praticaram em conjunto todos os fatos geradores das contribuições sociais ora discutidas. SOLIDARIEDADE DOS SÓCIOSADMINISTRADORES 25 a autuação fiscal imputou responsabilidade solidária a ARTHUR LEMOS NOGUEIRA, sócioadministrador da impugnante, e a DEYSE LILIANA FACCIN, quem não possui qualquer vínculo com a impugnante; 26 – qt à imputação de solidariedade a DEYSE LILIANA FACCIN por ser "sócioadministrador" da impugnante, não há dúvidas de que não procede. A prova é o contrato social e sua última alteração consolidada, corroborada pela própria narrativa da autoridade fiscal no relatório fiscal e na representação fiscal para fins exclusão do Simples Nacional que acompanharam a autuação; 27 no que se refere a ARTHUR LEMOS NOGUEIRA, embora de fato sócioadministrador da primeira impugnante, é indevida, na situação, a imputação de responsabilidade tributária com vínculo de solidariedade com a impugnante e demais pessoas jurídicas arroladas como grupo econômico de fato; 28 o Art. 135 do Código Tributário Nacional enumera em três incisos os casos em que a responsabilidade tributária será pessoal dos terceiros ali previstos. Veicula regra que, mais propriamente, caberia no capítulo seguinte, que trata da responsabilidade por infração. 29 a característica individual que atrai a aplicação da responsabilidade tributária na forma do Art. 135, III, do CTN, é ser administrador "diretor, gerente ou representante" de pessoa jurídica de direito privado, e não ostentar a natureza de sócio; 30 fica afastada, portanto, qualquer intenção (ou confusão) de se afirmar haver solidariedade ou subsidiariedade na obrigação dos administradores prevista pelo Art. 135, III, do CTN. Solidariedade e subsidiariedade, recordese, consistem em graus de responsabilização entre coobrigados pelo adimplemento da relação jurídica. 31 a obrigação de efetuar o pagamento do tributo é do responsável tributário e só dele, eximindo, assim, a pessoa jurídica de direito privado da relação jurídica tributária; 32 – a responsabilidade tributária veiculada pelo art. 135, III, do CTN decorre de ter o administrador praticado "atos com excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatuto". Ou seja, a situação que Fl. 629DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 9 8 configura a hipótese de incidência desta responsabilidade é a prática, pelo administrador da pessoa jurídica de direito privado, de ato ilícito contra a sociedade, agindo voluntária e dolosamente contra ou em desacordo com os poderes e atribuições que lhe foram outorgados; 33 apenas se comprovadas as seguintes condições é que se estará diante da hipótese configuradora da responsabilidade tributária pessoal do "diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica de direito privado" de que trata o art. 135, III, do CTN: (i) o sujeito responsável deve ser o administrador da sociedade; (ii) é imprescindível que o administrador tenha agido "com excesso de poder, em infração de lei, contrato social ou estatuto" da sociedade por ele gerida, sendo que o mero inadimplemento das obrigações tributárias não se presta a caracterizar o fato da "infração de lei" de que fala o dispositivo legal; e (iii) em decorrência da "infração a lei" tenha ocorrido um evento tributável que tenha feito surgir uma obrigação tributária para a pessoa jurídica; 34 ao impugnante ARTHUR LEMOS NOGUEIRA não se pode imputar responsabilidade tributária, tanto menos vinculandoo em nível de solidariedade com a primeira impugnante e com as outras empresas do suposto "grupo econômico de fato" à qual alude a autoridade fiscal; 35 embora ARTHUR LEMOS NOGUEIRA exerça a função de administrador da primeira impugnante, Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, a autoridade autuante não logrou êxito em demonstrar a ocorrência de ato "com excesso de poder, infração à lei, ao contrato social e ao estatuto" da empresa; 36 enfim, é absolutamente ilegal a atribuição de responsabilidade tributária solidária a ARTHUR LEMOS NOGUEIRA e DEYSE LILIANA FACCIN, na forma e nos termos como efetuado na autuação fiscal. Seja porque, nos casos disciplinados pelo Art.135, III, do CTN não é possível falar em solidariedade; seja porque a impugnante Deyse não é, nem nunca foi administradora, formal ou faticamente, da primeira impugnante; e também porque não restou demonstrada a situação autorizadora prevista na hipótese do Art. 135, III, do CTN, qual seja, a ação praticada com "excesso de poder, infração de lei, do contrato social ou do estatuto" da Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, da qual tenha resultado em obrigações tributárias a ela. Do Pedido Os impugnantes requerem: 1 – Seja anulado o auto de infração DEBCAD n.37.338.6028, afastandose, por conseguinte, a cobrança dos valores exigidos; 2 protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, diligências e, se necessário, testemunhas, a fim de alcançar a verdade material e a legalidade objetiva que informam o processo administrativo tributário; 3 o acolhimento da impugnação para excluir do processo administrativo em questão a pessoa do ora impugnante, eximindo assim sua responsabilidade solidária pelos débitos apontados. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 10 9 O recorrente anexou a sua impugnação cópia da manifestação de inconformidade no processo n. 10140.721138/201247, no qual questiona a sua exclusão do SIMPLES, fls. 484 a 498. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 508 a 534, destacando àquela autoridade que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Transcrevese abaixo, ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES Os procedimentos atinentes ao ato de exclusão de empresas do programa Simples Nacional devem ser contestados em processo próprio, ou seja, em manifestação de inconformidade apresentada em razão do Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Empresa integrante de Grupo Econômico de Fato responde, solidariamente, pelo crédito tributário lançado, conforme determina o inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/91. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR. SÓCIO DE FATO. Caracterizada a intenção de ocultar do Fisco receitas auferidas em razão da atividade comercial da empresa, responde o sócio pela obrigação tributária. Provada a condição de sócio de fato, responde este, da mesma forma, pela obrigações fiscais. MULTAS DE MORA MULTA DE OFÍCIO. Excluídas do Simples Nacional, as empresas sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo que os créditos tributários apurados serão acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando o pagamento for efetuado antes do início de procedimento de ofício. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi emitido termo de Revelia para as empresas: Fl. 631DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 11 10 a) 29/06/2012 para PAGUE AQUI RECEBIMENTOS E SERVIÇOS LTDA EPP, MAIS FÁCIL CONS. E ASSESS. EMPRESARIAL LTDAM e CONTAFÁCILMS COBR. E ATEND. E SERV LTDAME. b) –6/07/2012 para CONTAFÁCILES COBR. E ATEND. E SERV LTDA MEA DRF apresentou embargos ao acórdão proferido, fl. 524. A DRF apresentou embargos ao acórdão proferido, fl. 524. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela empresa CONTA FÁCIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA, ARTHUR LEMOS NOGUEIRA E DEYSE LILIANA FACCIN, conforme fls. 591 a 616, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: (i)preliminarmente, improcedência da autuação em razão razão da falta de definitividade da exclusão da primeira recorrente do SIMPLES NACIONAL, conforme Arts. 29 c.c. 32 da Lei Complementar n. 123/2006 e Art. 75, §§ 3o e 4o da Resolução CGSN 94/2011; (ii) aplicação indevida das multas de mora e de ofício, por inobservância ao devido processo legamente estabelecido para exclusão e autuação das MEs e EPPS, em contrariedade ao Art. 32, § 1o , da lei complementar n. 123/2006; (iii) indevida atribuição de responsabilidade solidária às empresas do suposto "grupo econômico de fato", por ausência de provas e inobservância aos limites previstos no Art. 128 do CTN; (iv) indevida atribuição de solidariedade aos sóciosadministradores, por falta de amparo legal e em violação ao Art. 135, III, do CTN. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 12 11 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 618. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi indevido enquadramento no SIMPLES de acordo com informações prestadas pelo próprio auditor fiscal em seu relatório e na Representação de Exclusão, face a carcaterização de grupo econômico de fato. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, destacando que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Todavia, ao contrario do que entendeu referido julgador e mesmo considerando terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721138/201247, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Contudo, após pesquisas no sistema do CARF, não se identificou decisão final a respeito das mesma, ou mesmo ter sido o processo distribuído. Em ´pesquisa ao sistema e processo foi possível identificar a existência de despacho determinando o arquivamento do processo, porém existe pedido de juntada de documentos em aberto, onde conta recurso voluntário do recorrente. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo o autodeinfração ficar sobrestado aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721138/201247 seja julgado no âmbito do CARF, devem os autos retornar ao CARF para que seja dado prosseguimento ao julgamento. Fl. 633DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721245/201275 Resolução nº 2401000.347 S2C4T1 Fl. 13 12 CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 37324.007594/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1998
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. O lançamento combatido teve origem na ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias (pela prestadora de serviço - responsabilização da Recorrente por solidariedade), incidentes sobre a remuneração paga aos empregados por ocasião dos serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, nas competências de abril/1996 a dezembro/1998 (art. 31 da Lei n° 8.212/91 (na redação anterior à Lei n° 9.711/98). Neste toar, deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
Recurso Voluntário PROVIDO
Crédito Tributário EXONERADO
Numero da decisão: 2302-003.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. O lançamento combatido teve origem na ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias (pela prestadora de serviço - responsabilização da Recorrente por solidariedade), incidentes sobre a remuneração paga aos empregados por ocasião dos serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, nas competências de abril/1996 a dezembro/1998 (art. 31 da Lei n° 8.212/91 (na redação anterior à Lei n° 9.711/98). Neste toar, deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Recurso Voluntário PROVIDO Crédito Tributário EXONERADO
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 37324.007594/2006-31
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5348039
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.035
nome_arquivo_s : Decisao_37324007594200631.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 37324007594200631_5348039.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5455865
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593786085376
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2240; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 700 1 699 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37324.007594/200631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.035 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Sociais Recorrente CORREIO POPULAR SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1996 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. O lançamento combatido teve origem na ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias (pela prestadora de serviço responsabilização da Recorrente por solidariedade), incidentes sobre a remuneração paga aos empregados por ocasião dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, nas competências de abril/1996 a dezembro/1998 (art. 31 da Lei n° 8.212/91 (na redação anterior à Lei n° 9.711/98). Neste toar, deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Recurso Voluntário PROVIDO Crédito Tributário EXONERADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, pela fluência do prazo decadencial, nos termos do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi –Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 32 4. 00 75 94 /2 00 6- 31 Fl. 525DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 2 Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro e Juliana Campos de Carvalho Cruz. Fl. 526DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 37324.007594/200631 Acórdão n.º 2302003.035 S2C3T2 Fl. 701 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelas empresas CORREIO POPULAR S/A (tomadora do serviço) e EMPRESA SUPRE RECURSOS HUMANOS LTDA (prestadora do serviço), contra decisãonotificação/DN n° 21.424.4/0211/2006 (fls. 409/422) que julgou procedente em parte o lançamento. O crédito lançado contra os sujeitos passivos, no montante de R$ 48.311,88 (quarenta e oito mil trezentos e onze reais e oitenta e oito centavos), consolidado em 18/11/2004, compreendeu as competências de abril/1996 a dezembro/1998, e tem como fundamento à solidariedade na contratação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, com fundamento no artigo 31, da Lei n° 8.212/91, na redação anterior à Lei n° 9.711/98. Consta no Relatório Fiscal (fls. 44/48), que o débito referese às contribuições dos segurados, cota patronal, as relativas ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho SAT, até a competência junho/1997, e contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa, a partir de julho/1997, e as destinadas a terceiros (SalárioEducação, INCRA, SESC, SEBRAE). Constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias a remuneração paga a segurados empregados da empresa de trabalho temporário Supre Recursos Humanos Ltda (CNPJ no 56.555.451/000140), incluída em Nota Fiscal/Fatura quando da prestação de serviços à tomadora, respondendo esta solidariamente pelas contribuições devidas pela prestadora de serviços. O débito foi levantado com base nos registros contábeis relativos as notas fiscais/fatura e recibos, nas contas denominadas "mãodeobra temporária", conforme demonstrativo das contas no anexo de fls. 49/53. Ressaltou o auditor que a notificada não apresentou os comprovantes de recolhimento da prestadora para se eximir da responsabilidade solidária. Também não foram apresentados os Livros Diários n° 108 a 113 referentes ao período 01/1998 a 06/1998, os contratos de prestação de serviços e as notas fiscais/faturas ou recibos que embasaram a contabilidade, apesar de solicitados, reiteradamente, durante a ação fiscal, razão pela qual foi lavrado o auto de infração n° 35.523.1735 em 12/2003. Consta, ainda, no Relatório Fiscal as empresas que fazem parte do grupo econômico do qual a empresa Correio Popular S/A tem a maioria das cotas das ações: CNPJ Razão Social 2.909.019/000180 Agência Anhanguera de Noticias Ltda 64.669.427/000160 Datacorp Pesquisas Ltda 61.206.6797000110 Grafcorp Serviços Gráficos Ltda 67.369.926/000120 Empresa de Radiodifusão Correio Pop. S/A 5.038.028/000163 Factoring Corp. Fomento Com. Part. Ltda 03.901.698/000104 Cosmo Networks S/A Fl. 527DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 4 Em todas as empresas do grupo as pessoas físicas, abaixo relacionadas, compõem a diretoria: Sylvino de Godoy Neto DiretorPresidente Adhemar José de Godoy Jacob Superintendente Luiz Jorge Bias Tesoureiro Marco Aurélio Matalo Pavani Secretário O sujeito passivo Correio Popular S/A, ciente da notificação (fl.58), apresentou defesa, tempestiva (fls. 79/86, documentos fls. 87/126), alegando em síntese: a) Que de acordo com o art. 142 do CTN e art. 195 da CF, o lançamento deve identificar os salários/remunerações pagos e seus beneficiários para possibilitar a ampla defesa; b) Que o lançamento não está de acordo com a verdade real e que a documentação foi colocada à disposição da fiscalização. Ainda assim, se fosse caso de arbitramento, os critérios deveriam estar no auto de infração, o que não ocorreu; c) Sustenta a nulidade da autuação por inexistir determinação precisa do fato gerador; d) Que não foi informado se a prestadora de serviços pagou as contribuições sociais, sendo exigido o tributo por solidariedade simplesmente pelo fato da notificada não possuir os comprovantes de recolhimento da prestadora de serviços; d) Alega que para se exigir tributo por solidariedade é necessário que a prestadora não tenha pago. Não havendo estas informações na Notificação, não poderia constituir fato gerador de tributo a não entrega pela notificada de documentos comprobatórios do recolhimento pela prestadora de serviço; e) Aduziu que não há suporte legal algum para os índices de apuração da base de cálculo; f) Juntou boletim de ocorrência policial para o fim de justificar a não entrega de alguns documentos; g) Requereu a produção de provas, em especial, a verificação dos recolhimentos na prestadora e, ao final, a nulidade ou improcedência do lançamento. A empresa Supre Recursos Humanos Ltda. (prestadora do serviço), após intimada (fl. 67), apresentou defesa, dentro do prazo legal (fls. 128/134 documentos fls.135/376), aduzindo em breve síntese: a) Em preliminar, que a notificação deveria ser anulada, pois remetida para endereço antigo da empresa, conforme comprova a alteração contratual registrada na junta comercial em anexo. Além disso, a pessoa que a recebeu não guarda relação laboral com a empresa, devendo ser considerada a ciência na data em que compareceu espontaneamente nos autos pleiteando a retificação do endereço para futuras intimações; Fl. 528DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 37324.007594/200631 Acórdão n.º 2302003.035 S2C3T2 Fl. 702 5 b) Informou que a empresa se dedica ao ramo de locação de mãodeobra temporária, nos termos da Lei n° 6.019/74, conforme contrato social anexo, sendo que no período relacionado na notificação, encaminhou vários empregados temporários à empresa Correio Popular S/A, ressaltando que durante o período de fiscalização da tomadora de serviços, sequer foi comunicada a respeito. Caso tivesse ciência da intervenção fiscal, teria exibido as guias de recolhimento da Previdência Social referentes aos empregados contratados, requerendo oportunidade para comprovação destes recolhimentos; c) Alegou que caberia à fiscalização verificar todos os registros da empresa para verificar os recolhimentos efetuados e os valores que foram lançados na confissão de divida quando da adesão ao REFIS, sob pena de lançar valores em duplicidade. Em relação às notas fiscais foram incluídas algumas (no total de três notas) referentes a serviços de recrutamento e seleção que não dizem respeito a fornecimento de mão deobra temporária, pleiteando a exclusão das notas fiscais em anexo n° 042, de janeiro/1997, n° 073 de fevereiro/1997 e n°406 de agosto de 1997; d) Afirmou que as contribuições não recolhidas em época própria foram incluídas em documento de confissão de dívida quando da adesão ao REFIS, em regular andamento, anexando documentos comprobatórios do recolhimento do que foi lançado na presente Notificação Fiscal, estando os demais documentos à disposição da fiscalização, cuja análise requereu; e) Sustentou a ilegalidade dos acréscimos de juros e multa, devendo ser canceladas tais exigências; f) Pleiteou, ao final, a produção de prova pericial/diligência e a improcedência do lançamento. As empresas pertencentes ao grupo econômico do qual o Correio Popular S/A integra, tiveram ciência da notificação conforme informação fiscal de fls. 70/71 e comprovante à fl. 76. Tendo em vista as alegações da defesa, o julgamento foi convertido em diligência (fl. 377). Tais foram as alegações da auditora (fls. 391/393): a) Os fundamentos legais faltantes, não inseridos à época por falha do sistema de auditoria SAFIS, constam do relatório complementar de fl. 390, remetido para ciência das empresas solidárias; b) Em relação aos documentos juntados (cópias de GRPS acompanhadas das folhas de pagamento, notas fiscais relativas a recrutamento e seleção) pela empresa prestadora de serviços, procedese a exclusão da base de cálculo em relação às notas fiscais relativas a recrutamento e seleção (n° 042 e n° 073 de 01/97 e n° 406 de 08/97) e a revisão do débito, conforme demonstrativo abaixo, nas competências 04/96, 06/96, 07/96, 10/96, 01/97, 08/97, 11/97, 02/98, 07/98 e 10/98, sendo confirmados os 110 valores recolhidos nas GRPS juntadas na defesa, conforme telas de consulta aos sistemas de arrecadação do INSS as fls. 378/386: Comp Valor Retificado Fl. 529DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 6 Devido 04/96 680,54 0,00 06/96 533,94 0,00 07/96 1.231,74 0,00 10/96 529,20 0,00 01/97 782,29 0,00 08/97 269,50 232,94 11/97 372,70 231,35 02/98 428,00 135,46 07/98 119,94 71,45 c) No tocante aos valores constantes do Lançamento de Débito ConfessadoLDC n° 35.181.4850 e n° 35.181.4876, período de 08/95 a 12/98, declarados pela empresa prestadora de serviços para o parcelamento do REFIS, não há como apreciálos uma vez que não foi anexado na defesa nenhum documento que originou o lançamento (notas fiscais, folhas de pagamento, contratos), sendo que os LDC nº 35.181.4868 e n° 35.181.4884, período de 01/99 a 01/00 se referem a período diverso do lançamento; d) O relatório de coresponsáveis deveria ser retificado para atualizar os períodos de atuação dos diretores, conforme demonstrativo a seguir: DIRETORES Período de Atuação Adelson Romanini Junior 30/04/93 a 30/04/96 Alaor Pacheco Ribeiro 30/04/87 a 30/04/90 Elcy Pacheco Ribeiro Pessoa 30/04/87 a 30/04/93 Gilberto ParadeIla Oliveira Santos 12/05/88 a 30/04/91 Hermas Oliveira Santos 30/04/87 a 30/04/93 Hilton de Souza Ribeiro 30/04/90 a 30/04/93 José Achilles Faria 12/05/88 a 30/04/93 José Antonio Santos Ferraz 30/04/91 a 30/04/96 Lysandro Vial Ribeiro 26/04/89 a 30/04/91 Mário Alfredo Silva Neto 30/04/90 a 30/04/93 Paulo Scolfaro 30/04/87 a 30/04/90 Wilson de Oliveira Santos 30/04/87 a 30/04/90 Wladimir Camargo Penteado 30/04/93 a 30/04/96 Adhemar José Godoy Jacob 30/04/90 até presente data Luiz Jorge Elias Lauandos 30/04/87 até presente data Marco Aurélio Matalo Pavani 30/04/87 até presente data Sylvino de Godoy Neto 30/04/87 até presente data Correio Popular S/A, após intimada do Relatório Aditivo (fl. 396), apresentou defesa complementar (fls. 398/399), alegando, preliminarmente, prescrição quanto aos fatos geradores ocorridos até a competência de 2000, conforme art. 173 do CTN, no mérito, reiterou todas as alegações da impugnação. Fl. 530DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 37324.007594/200631 Acórdão n.º 2302003.035 S2C3T2 Fl. 703 7 A Empresa Supre Recursos Humanos Ltda., notificada do Relatório Aditivo (f1. 407), não se manifestou. Em decisão proferida pela SRP, DecisãoNotificação/DN n° 21.424.4/0211/2006 (fls. 409/422), foi considerado procedente em parte o lançamento. Inconformada, a empresa Correio Popular S/A interpôs Recurso Voluntário (fls. 436/451) reiterando os argumentos apresentados na impugnação. A empresa Correio Popular S/A impetrou Mandado de Segurança nº 2005.61.05.0071382, perante a 6ª Vara Federal em Campinas, buscando eximirse do depósito prévio. Na oportunidade, foi concedida a segurança para o fim de determinar o seguimento do Recurso Administrativo sem a respectiva exigência (fls. 473/476). A Empresa Supre Recursos Humanos Ltda. também apresentou Recurso Voluntário (fls. 453/462), repetindo todos os argumentos de sua defesa. A SRP ratificou os fundamentos expostos na DecisãoNotificação n° 21.424.4/0211/2006 de fls. 409/422 (fls. 481/483). Ao final, pleiteou a manutenção do crédito. Os membros da 4ª Câmara de Julgamento do CRPS, por unanimidade de votos, decidiram converter o julgamento em diligência (fls. 484/486). Atendendo à solicitação da 4ª Câmara (fls.487), o Serviço de Contencioso Administrativo informou que a Empresa Supre Recursos Humanos Ltda., no que tange a NFLD 35.774.6848 aderiu ao REFIS, estando ativa no programa (fl.493). Com relação aos débitos incluídos no parcelamento especial, constam os LDC's 35.181.4850, 35.181.4868, 35.181.4876 e 35.181.4884, períodos 10/1995 a 13/1998, 01/1999 a 01/2000, 08/1995 a 13/1998 e 01/1999 a 01/2000. Cumprida a diligência, retornaram os autos para julgamento pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Secretaria da Receita Federal. É o relatório. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 8 Voto Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, devendo ser conhecido e examinado. O lançamento está a cobrar da empresa o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes às competências de abril/1996 a dezembro/1998, com fundamento na solidariedade da contratação de serviços executados mediante cessão de mão deobra a teor do disposto no art. 31 da Lei n° 8.212/91 (na redação anterior à Lei n° 9.711/98). A princípio, observo que o crédito exigido nos presentes autos encontrase abrangido pela decadência, vejamos. O prazo decadencial foi objeto de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008. Na ocasião, por unanimidade de votos, foram declarados inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 os quais autorizavam a Seguridade Social constituir seus créditos no lapso de 10 (dez). Deste julgamento resultou a publicação da Súmula Vinculante nº 08. De acordo com o art. 103A da Constituição Federal/88, regulamentado pela Lei n° 11.417/06, com a publicação da mencionada Súmula, em 20.06.2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar o conteúdo normativo ali inserido. Desse modo, o prazo para a Seguridade constituir o crédito tributário foi reduzido ao lapso temporal de cinco anos tal qual exposto no Código Tributário Nacional, vide: "Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e Fl. 532DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ Processo nº 37324.007594/200631 Acórdão n.º 2302003.035 S2C3T2 Fl. 704 9 municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. As contribuições previdenciárias, assim como toda e qualquer obrigação tributária, uma vez não recolhidas dentro de certo período de tempo (cinco anos), serão exigidas pelo órgão fazendário no prazo decadencial previsto no art. art. 173, inciso I, do CTN no caso de não haver o recolhimento antecipado: "Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" No entanto, havendo pagamento antecipado, a contagem do prazo quinquenal deverá ocorrer nos termos do art. 150, §4º do CTN, alterando, com isso, o dies a quo. Se antes, o início da contagem ocorria com o primeiro dia do exercício seguinte, com esta nova norma, a contagem é iniciada com a ocorrência do fato gerador: "Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Esta Egrégia Turma não discrepa do entendimento trazido à baila. Cito como paradigma o Acórdão nº 2302, proferido no PAF nº 19515.002389/200901, em Novembro/2012, de relatoria da Conselheira Liegi Lacroix Thomasi cuja ementa segue abaixo: "DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional Fl. 533DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ 10 CTN. Assim, comprovado o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I." Na hipótese, o lançamento combatido teve origem na ausência de recolhimento das contribuições previdenciárias (pela prestadora de serviço responsabilização da Recorrente por solidariedade), incidentes sobre a remuneração paga aos empregados por ocasião dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, nas competências de abril/1996 a dezembro/1998 (art. 31 da Lei n° 8.212/91 (na redação anterior à Lei n° 9.711/98). Neste toar, deve ser aplicado o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Desse modo, considerando a data de ciência do contribuinte, em 13/12/2004 inferese que todas as parcelas estão abarcadas pela decadência, logo, nos termos do art. 156, inciso V, do CTN, extinto está o crédito previdenciário. Por todo o exposto: Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário e DOU PROVIMENTO, para reconhecer a decadência de todas as parcelas identificadas neste lançamento. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de Fevereiro de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por JULIANA CAMPOS DE CAR VALHO CRUZ
score : 1.0
Numero do processo: 19679.006252/2003-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL.
A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos.
LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA.
Cancela-se o auto de infração lastreado em falsa causa.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-002.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.158-35/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancela-se o auto de infração lastreado em falsa causa. Recurso voluntário provido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19679.006252/2003-59
anomes_publicacao_s : 201404
conteudo_id_s : 5336455
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-002.872
nome_arquivo_s : Decisao_19679006252200359.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 19679006252200359_5336455.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5378528
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:20:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593815445504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 3 1 2 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.006252/200359 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.872 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 27 de março de 2014 Matéria Cofins Recorrente CALTABIANO VEÍCULOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO INTERNA DE DCTF. NULIDADE FORMAL. A partir do advento do art. 7º, da Lei nº 10.426/2002, a lavratura do auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001 deve ser precedida de notificação prévia ao sujeito passivo para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. FALSA CAUSA. Cancelase o auto de infração lastreado em falsa causa. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 62 52 /2 00 3- 59 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de auto de infração eletrônico notificado ao contribuinte em data desconhecida, lavrado para exigir débitos em aberto da Cofins relativa aos fatos geradores ocorridos entre maio e dezembro de 1998. Segundo a descrição eletrônica dos fatos, ocorreu declaração inexata porque o crédito vinculado às compensações sem DARF não estaria confirmado, em razão de "proc jud inexist no Profisc", que deve significar que o contribuinte indicou na DCTF crédito com base em processo administrativo de compensação inexistente. Em sede de impugnação, a defesa alegou a nulidade do auto de infração, uma vez que não foi respeitado o art. 47 da Lei nº 9.430/96, que concede ao contribuinte sob ação fiscal o prazo de 20 dias para recolher os tributos declarados com os acréscimos do procedimento espontâneo. Nulidade por cerceamento do direito de defesa, pois o fato descrito na lacônica descrição dos fatos não se subsume aos dispositivos legais invocados como fundamento de validade do ato administrativo. Decadência do direito do fisco com base no art. 150, § 4º do CTN. No mérito, alegou que a autuação é improcedente, pois as compensações tiveram amparo no processo administrativo de compensação 13808.003062/9806. Conforme pode ser verificado pelo extrato do processo 13808.000211/9505, cujos esclarecimentos foram devidamente prestados no Processo Administrativo Fiscal nº 13808.003062/9806, que trata especificamente da compensação pleiteada. Em 09/06/1998 (data do extrato do processo) restava um valor não alocado em pagamentos da impugnante no total de R$ 1.019.534,06. Referido montante teve como origem depósitos realizados e correspondentes a valores discutidos em ação ordinária, através do processo judicial 92.58094 da 14ª Vara Federal do Distrito Federal e conexo ao Processo Administrativo Fiscal 13808.000211/9505. Assim, conforme demonstrado através do próprio extrato do processo administrativo fiscal nº 13808.000211/9505, após amortizados e alocados os respectivos saldos devedores existentes, restou ainda como não utilizado o montante de R$ 1.019.534,06, que foi utilizado regularmente através de DCTF entregues pela ora impugnante durante o anobase de 1998. Por meio do Acórdão 36.218, de 16/02/2012, a DRJ São Paulo I julgou a impugnação procedente em parte. Foi rejeitada a preliminar de nulidade porque o auto de infração apresenta todos os requisitos exigidos no art. 10 do PAF e não incidiu em nenhuma das hipóteses previstas no art. 59 do PAF. Foi decidido que não houve o alegado desrespeito ao art. 47 da Lei nº 9.430/96, pois na folha 31, no quadro Intimação consta que "Esta intimação é válida também para cobrança amigável". No quadro 1 do Anexo V Instruções para preenchimento do DARF, está incluída nas "Alternativas de para pagamento", a possibilidade de recolhimento até o vigésimo dia da ciência, com multa de 20%. Foi rejeitada a alegação de decadência do direito do Fisco, sob o argumento de que não tendo havido pagamento antecipado, o prazo deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. Quanto à compensação propriamente dita, entendeu a autoridade julgadora de primeira instância que no processo 13808.003062/9806 só foi compensado o débito de COFINS de maio de 1998. Os débitos de COFINS de junho de 1998 a setembro de 1998 não foram objeto de pedido de compensação e a simples informação da compensação nas DCTF não basta para atender ao disposto nas IN 21/97 e 73/97, que exigem a apresentação prévia de pedido de compensação. Ainda que exista saldo de crédito a favor do contribuinte no processo 13808.003062/9806, não há como acolher o pleito do contribuinte, pois a compensação de tributos de espécies distintas como o PIS, exige a formalização prévia de pedidos de compensação. A DRJ excluiu do lançamento os débitos de novembro e dezembro de 1998, por terem sido incluídos no PAES, e o débito de maio de 1998, por ter sido extinto por compensação. A multa de ofício foi excluída pela aplicação do princípio da retroatividade benígna ao art. 18 da Lei nº 10.833/03. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19679.006252/200359 Acórdão n.º 3403002.872 S3C4T3 Fl. 4 3 Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 08/03/2012, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/03/2012 no qual reprisou as alegações oferecidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, merece ser conhecido pelo colegiado. A simples leitura do relatório torna flagrante a improcedência do auto de infração eletrônico. A improcedência decorre de vícios formais e materiais. Vejamos. O auto de infração decorreu de revisão interna de DTCF e foi elaborado em 17/06/2003 (fl. 31) e notificado ao contribuinte em data desconhecida, pois não localizei no processo o aviso de recebimento, cuja juntada deveria ter sido providenciada pela autoridade administrativa. Nessa ocasião, já estava em vigor o art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 abril de 2002, cuja redação original estabelecia o seguinte: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: (...)” Grifei. Tendo sido detectada nas DCTF a ocorrência “Proc. Jud inexist no Profisc", que significa que o contribuinte vinculou os créditos a processo administrativo de compensação inexistente, era dever legal de a administração intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre a origem do crédito e somente depois disso, se fosse o caso, lavrar o auto de infração com base no art. 90 da MP nº 2.15835/2001. Esse vício formal de procedimento, acabou acarretando o vício material do qual decorre a improcedência do lançamento pelo mérito. Isto porque o contribuinte comprovou a existência do processo administrativo 13808.003062/9806, que versa sobre pedido de compensação de PIS e Cofins, conforme se verifica nas fls. 18 a 28. Pesquisa no Comprot revela que atualmente o processo de compensação 13808.003062/9806 se encontra arquivado na SAMF SP desde 22/02/2011. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Entretanto, diante dessa constatação, em vez de julgar o lançamento improcedente, resolveu a DRJ alterar os motivos da autuação, passando a exigir do contribuinte a apresentação prévia de pedido de compensação, pois se trata de compensação com PIS. Ora, a exigência feita pela DRJ deveria ter sido lançada originalmente na motivação do auto de infração, caso a autoridade administrativa tivesse se desincumbido do dever legal estabelecido no art. 7º da Lei nº 10.426/2002. Uma coisa é dizer que a compensação foi feita com base em processo administrativo inexistente e outra coisa totalmente distinta é não aceitar a compensação porque o contribuinte não formulou pedido prévio à Receita Federal. E no caso dos autos esse pedido prévio nem sequer poderia ser exigido, uma vez que este auto de infração não exige o PIS, mas sim a Cofins. Os créditos utilizados em compensação são originários da conversão em renda de depósitos judiciais efetuados na ação ordinária 92.58094 onde o contribuinte discutiu a exigência do Finsocial/Cofins (fls. 21/22). A Cofins e o Finsocial são tributos da mesma espécie, ainda que possuam códigos de arrecadação diferentes. Portanto, é ilegal a exigência contida no acórdão de primeira instância, uma vez que em 1998 a compensação de tributos da mesma espécie podia ser feita no âmbito do lançamento por homologação com base no art. 66 da Lei nº 8.383/91, independentemente de requerimento prévio à Receita Federal. Naquela época coexistiam no mundo jurídico o art. 66 da Lei nº 8.383/91 e o art. 74 da Lei nº 9.430/96, na sua redação original. Concluise daí, que (i) o vício de procedimento (falta de intimação prévia determinada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002), acarretou a falsa causa do auto de infração, conforme comprovado pela documentação anexa ao processo; e (ii) a exigência da Cofins consubstanciada neste auto de infração não pode ser mantida nem pelo fundamento invocado pela DRJ, pois em 1998 o contribuinte podia fazer a compensação de tributos da mesma espécie no âmbito do lançamento por homologação, independentemente de requerimento prévio à Receita Federal. Da obra de Hely Lopes Meirelles extraise o seguinte excerto: “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). No caso dos autos, é evidente o descompasso entre a motivação do auto de infração e a situação real do contribuinte: a autuação foi lastreada na falta de vinculação do crédito ao processo de compensação informado na DCTF, tido pela administração como inexistente, e o contribuinte elidiu a causa da autuação, comprovando a existência do processo 13808.003062/9806, que versa sobre compensação de PIS e Cofins. Com base nesses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19679.006252/200359 Acórdão n.º 3403002.872 S3C4T3 Fl. 5 5 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10380.015460/2007-43
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em declarações prestadas por plano de saúde, que confirma o efetivo pagamento das despesas declaradas, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em declarações prestadas por plano de saúde, que confirma o efetivo pagamento das despesas declaradas, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10380.015460/2007-43
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5350247
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.691
nome_arquivo_s : Decisao_10380015460200743.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10380015460200743_5350247.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5465037
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:21:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593820688384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 116 1 115 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.015460/200743 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.691 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de fevereiro de 2014 Matéria IRPF Recorrente LAURENO ANTONIO DE LOIOLA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em declarações prestadas por plano de saúde, que confirma o efetivo pagamento das despesas declaradas, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 54 60 /2 00 7- 43 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física, relativa ao anocalendário 2003,exercício 2004, fls. 48/53, para formalização da exigência do imposto de renda pessoa física suplementar, no valor de R$ 8.103,40, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 18.434,42, decorrente da constatação de deduções indevidas de despesas médicas, com instrução e dependentes na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, não comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. Apreciada a Impugnação de fls. 1/4, o lançamento foi julgado parcialmente procedente, por entender que o contribuinte logrou comprovar parte das deduções com despesas médicas, dependentes e instrução, para recalcular o imposto devido relativo a DIRPF/2004, suplementar no valor de R$ 3.946,25, com os acréscimos legais pertinentes. Portanto, a controvérsia objeto de recurso, limitase à manutenção da glosa apenas das despesas médicas constantes dos recibos, no total de R$ 14.350,00, que nos termos da decisão recorrida: “Com relação aos recibos médicos emitidos por profissionais (fonoaudiólogo, odontólogo e psicólogo), temos que esclarecer que a Lei n° 9.250, de 1995, no §2°, III, do mesmo artigo 8o , reforça, ainda, que a possibilidade de dedução prevista na alínea 'a' do inciso II limitase a pagamentos comprovados e logo a seguir enumera os requisitos formais dos quais estes comprovantes devem ser revestidos, como nome do emitente, endereço, CPF ou CNPJ. Nesse sentido, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar com comprovantes as despesas e que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução. Assim, os recibos trazidos aos autos pelo impugnante, mesmo emitidos nos termos exigidos pela legislação, não comprovam, por si sós a legalidade da dedução, se não estiverem acompanhados de outros elementos de provas complementares, como a prova da efetividade da prestação dos serviços e/ou seu efetivo pagamento”. Nas razões de Voluntário (fls. 70/73), o recorrente defende a suficiência dos recibos para comprovação das despesas declaradas, anexando aos autos cópias dos recibos de prestação dos serviços, acompanhados da declaração dos profissionais prestadores. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10380.015460/200743 Acórdão n.º 2802002.691 S2TE02 Fl. 117 3 Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A decisão do DRJ reconheceu a dedutibilidade das despesas médicas com o Plano de Saúde UNIMED Fortaleza, fls. 41/42, totalizando o valor de R$ 6.080,88, relativo a mensalidades pagas por ele, contribuinte (R$ 2.410,96), e sua mãe, sua dependente (R$ 3.669,92), bem como, o valor do IPM Saúde, de R$ 465,36. Apresenta Informe de Rendimentos emitido pelo Corpo de Bombeiros Militar, no qual consta a informação do valor de R$ 93,22, a título de despesas médicoodontohospitalares, totalizando R$ 6.639,46. Não foi reconhecida a dedutibilidade das despesas em relação aos recibos médicos emitidos por profissionais (fonoaudiólogo, odontólogo e psicólogo), pela ausência de prova de que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, mesmo com o reconhecimento expresso que os recibos e as declarações foram “emitidos nos termos exigidos pela legislação”. Conforme já decidido pela DRJ, a validade dos recibos e declarações deve ser avaliada apenas em virtude do que dispõe a lei, conforme exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250/95, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou do CNPJ do prestador. Com base nos enunciados legais acima apontados, passo à análise dos recibos glosados pela autoridade fiscal. As fls. 75 a 113, junta o recorrente declarações dos seguintes profissionais e nos seguintes valores: a) Dra. Ilza Maria Lopes Pessoa Cavalcante, no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais), divididos em dez parcelas de R$ 300,00 (trezentos reais) mensais; b) Dra. Karine Montenegro A. Cavalcante, CPF 502.076.523,68, fisioterapeuta, que atesta que recebeu pelos serviços prestados, o valor de R$ 1.300,00 (um mil e trezentos reais) pagos em três parcelas: R$ 500,00 (quinhentos reais) em 25/09/2003; R$ 400,00 (quatrocentos reais) em 25/10/2003 e R$ 400,00 (quatrocentos reais) em 28/11/2003; c) Dra. Lilia Silva Castelo Branco, CPF 485.99727320, fisioterapeuta, que atesta que recebeu pelos serviços o valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) pagos em dez parcelas de R$ 200,00 (duzentos reais) divididos entre os meses de janeiro a outubro/2003; d) Dra. Cacilda de Castro da Justa, CPF 416.072.10363, psicóloga, que atesta o recebimento serviços do valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais), divididos em oito parcelas de R$ 500,00 (quinhentos reais); e) Dra. Francisca Olberniza Simões Serra, CPF 209.246.58304, odontóloga, que atesta o recebimento do valor de R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais); f) Dra Maria Iraneide Mariano, CPF 164.191.11315, odontóloga, atesta que prestou serviços às dependestes do recorrente, Tricya Martins de Loiola Costa e Cinthya Martins de Loiola Costa, e recebeu por eles o valor de R$ 900,00 (novecentos reais), e; g) Dra Greyce Keller da Costa Melo, CPF 747.749.30300, fonoaudióloga, que atesta que prestou serviços às dependestes do requerente, Tricya Martins de Loiola Costa e Cinthya Martins de Loiola Costa, e recebeu por eles o valor de R$ 3.000,00 (três mil reais). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Assim reconheço a dedutibilidade das despesas comprovadas nos documentos de fls. 75/113. Neste sentido, já decidiu esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 2802 00.402, em 27/07/2010, relatoria do i. Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Pelo exposto, conheço e dou provimento integral ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 20/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721432/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. SALÁRIO INDIRETO. ART. 150, 4o DO CTN. Nos termos da Súmula n. 08 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos.
AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONCESSÃO DE REFEIÇÕES E CESTAS BÁSICAS. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados.
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA N. 60 DA ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO. RE 478.410/SP. Nos termos da Súmula n. 60 da Advocacia Geral da União, não incide a contribuição previdenciária sobre os valores de vale-transporte pagos em dinheiro. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça.
ABONO. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN. Nos termos do Ato declaratório 16/2011, não incide contribuição previdenciária sobre o abono pago em decorrência de convenção coletiva de trabalho, em parcela única, sem habitualidade e expressamente desvinculado do salário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílio-alimentação pago in natura, vale transporte pago em pecúnia, bem como, abono único pago de acordo com convenção coletiva de trabalho
Ana Maria Bandeira- Presidente Substituta.
Igor Araújo Soares - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. SALÁRIO INDIRETO. ART. 150, 4o DO CTN. Nos termos da Súmula n. 08 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONCESSÃO DE REFEIÇÕES E CESTAS BÁSICAS. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA N. 60 DA ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO. RE 478.410/SP. Nos termos da Súmula n. 60 da Advocacia Geral da União, não incide a contribuição previdenciária sobre os valores de vale-transporte pagos em dinheiro. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. ABONO. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN. Nos termos do Ato declaratório 16/2011, não incide contribuição previdenciária sobre o abono pago em decorrência de convenção coletiva de trabalho, em parcela única, sem habitualidade e expressamente desvinculado do salário. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10166.721432/2009-65
anomes_publicacao_s : 201403
conteudo_id_s : 5334204
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-002.669
nome_arquivo_s : Decisao_10166721432200965.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : IGOR ARAUJO SOARES
nome_arquivo_pdf_s : 10166721432200965_5334204.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílio-alimentação pago in natura, vale transporte pago em pecúnia, bem como, abono único pago de acordo com convenção coletiva de trabalho Ana Maria Bandeira- Presidente Substituta. Igor Araújo Soares - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
id : 5368404
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:19:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046593829076992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.721432/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402002.669 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de abril de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente BRASAL BRASILIA SERVIÇOS AUTOMOTORES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. SÚMULA N. 08 DO STF. SALÁRIO INDIRETO. ART. 150, 4o DO CTN. Nos termos da Súmula n. 08 do Supremo Tribunal Federal, o prazo decadencial para o lançamento de contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONCESSÃO DE REFEIÇÕES E CESTAS BÁSICAS. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011. NÃO INCIDÊNCIA. Com e edição do parecer PGFN 2117/2011, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional reconheceu ser aplicável a jurisprudência já consolidada do STJ, no sentido de que não incidem contribuições previdenciárias sobre valores de alimentação in natura concedidas pelos empregadores a seus empregados. VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA N. 60 DA ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO. RE 478.410/SP. Nos termos da Súmula n. 60 da Advocacia Geral da União, não incide a contribuição previdenciária sobre os valores de valetransporte pagos em dinheiro. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. ABONO. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN. Nos termos do Ato declaratório 16/2011, não incide contribuição previdenciária sobre o abono pago em decorrência de convenção coletiva de trabalho, em parcela única, sem habitualidade e expressamente desvinculado do salário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 14 32 /2 00 9- 65 Fl. 454DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/10/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por ANA MARIA BANDEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílioalimentação pago in natura, vale transporte pago em pecúnia, bem como, abono único pago de acordo com convenção coletiva de trabalho Ana Maria Bandeira Presidente Substituta. Igor Araújo Soares Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/10/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10166.721432/200965 Acórdão n.º 2402002.669 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BRASAL – BRASÍLIA SERVIÇOS AUTOMOTORES S/A, em face do acórdão de fls. 399/409, por meio da qual foi mantida a integralidade do crédito tributário lançado no Auto de infração n. 37.192.5584, lavrado para a cobrança de contribuições sociais destinadas aos Terceiros Outras Entidades e Fundos (SESC, SENAC, INCRA e SEBRAE) e incidentes sobre pagamento das rubricas “alimentação SESI” “cesta básica”, “alimentação em pecúnia”, “vale transporte em pecúnia” e “abono CCT”. A recorrente, quando intimada, não comprovou sua adesão regular ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, fazendo com que os valores acima referidos fossem incluídos no salário de contribuição dos beneficiários, independentemente da sua forma de concessão. Segundo o autuante, a recorrente comprovou a existência de convênio para arrecadação direta das contribuições para o FNDE (salárioeducação). O lançamento compreende o período de 01/2004 a 12/2004, tendo sido o contribuinte certificado em 29/06/2009 (fls. 01). Consta do relatório fiscal que no período apurado, a recorrente adotou diferentes formas de disponibilizar o benefício da alimentação aos seus empregados, o fazendo da seguinte maneira: Foram utilizados, concomitantemente, o fornecimento de refeições em restaurantes ‘self service’, de marmitas descartáveis, a concessão de cestas básicas e, ainda, o pagamento em pecúnia de verba específica em folha de pagamento, sob a rubrica “ALIMENTAÇÃOCÓD. 622”. Em suma, as refeições fornecidas em restaurantes selfservice e marmitas descartáveis foram firmadas com o Serviço Social da Indústria – SESI, conforme Notas Fiscais por este emitidas, as quais foram contabilizadas na conta do grupo de despesas – “PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO” constante do balancete contábil da recorrente. A base de cálculo foi apurada considerando a relação mensal apresentada pelo contribuinte, contendo a identificação do beneficiário e os valores recebidos e descontados em folha de pagamento; Já as cestas básicas foram garantidas pela Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre o Sindicato dos Empregados no Comércio do Distrito Federal e o SINCODIV – Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos do Distrito Federal; motivo pelo qual a recorrente concedeu aos empregados sindicalizados cesta básica in natura, com periodicidade mensal, o que foi verificado pelas Notas Fiscais contabilizadas na conta de despesas AJUDA DE CUSTO (03.05.02.08); Finalmente verificouse o pagamento em pecúnia de verba específica em folha de pagamento, sob a rubrica “ALIMENTAÇÃOCÓD. 622”. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/10/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por ANA MARIA BANDEIRA 4 Quanto ao vale transporte, a fiscalização apurou que o fornecimento de transporte aos empregados da recorrente foi feito na forma de pagamento em pecúnia (rubrica 435 – valetransporte da folha de pagamento) e contabilizado na conta de despesa 03.05.02.03 – VALE TRANSPORTE, conduta vedada pela legislação em vigor – Decreto nº 95.247/87, art. 5º, que regulamentou a Lei nº 7.418/85, apontando os referidos valores como em desconformidade com a legislação própria, constituindose salário de contribuição previdenciário, nos termos do art. 28, inciso I e §9º, letra “m” da Lei n º 8.212/91. Quanto ao abono CCT, ainda segundo a autoridade autuante, a recorrente pagou tal verba a seus empregados em cumprimento à Convenção Coletiva de Trabalho vigente para o período de 2003/2004, com a justificativa de ser esta verba indenizatória, haja vista que o índice de aumento concedido aos empregados, à época, foi inferior à inflação acumulada no período. Todavia, a considerou como verba salarial, porquanto representou uma recomposição de perdas salariais sofridas pelos empregados devido a um reajustamento de salários em índices menores que o aumento do custo de vida. Concluiu a autoridade lançadora pela formalização de Representação Fiscal para Fins Penais em desfavor da autuada, com encaminhamento à autoridade competente, considerando terse verificado, em tese, crime contra a ordem tributária. A autuada apresentou recurso no qual repete todos os argumentos contidos em sua impugnação, os quais foram devidamente apontados no relatório do Acórdão de Primeira Instância da Presidente e Relatora da 5ª Turma da DRJ/BSB, a seguir: que, conforme jurisprudência do STJ que cita, o fornecimento “in natura” de alimentação aos empregados da empresa, sem prévia inscrição no PAT, não constitui fato gerador de contribuição previdenciária; que o Decreto nº 95.247/87 extrapola a sua finalidade de regulamentar a Lei nº 7.418/85, inovando quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em dinheiro; que, conforme já pacificado pelo STJ, o valetransporte, quando descontado do empregado no percentual estabelecido em lei, não integra a sua remuneração; que a legislação previdenciária (art. 28, §9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212/91) afirma expressamente que o abono desvinculado do salário, caso ora em discussão, não integra o salário de contribuição; que o próprio relatório fiscal dispõe que a parcela do abono não tem caráter regular, costumeiro e sim único, razão pela qual não é devida qualquer contribuição previdenciária sobre a mesma. Requereu, por fim, a desconstituição do auto, em todos os seus termos, ou, caso fosse a aplicação da multa mantida, requereu o afastamento da responsabilidade dos sóciosgerentes da recorrente. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/10/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10166.721432/200965 Acórdão n.º 2402002.669 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES Quanto ao pedido para o reconhecimento da decadência, há se de considerar que Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, quando, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91, foi determinada a edição da Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, cujo teor é o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Logo, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (teor transcrito a seguir), o enunciado das Súmulas Vinculantes editadas e aprovadas pelo Eg. STF devem obrigatoriamente ser observados pelos órgãos da administração pública direta e indireta, como é o caso do CARF, confirase: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Em assim sendo, resta patente a necessidade de que para a contagem do prazo decadencial, em se tratando de lançamento por homologação, deverão ser aplicadas as regras dispostas pelo Código Tributário Nacional, seja a do art. 150, §4º, seja a do art. 173, I, cuja aplicação deverá ser verificada caso a caso, conforme tenha ou não havido antecipação, mesmo que parcial, do pagamento do tributo ou contribuição devida. No caso de ter havido antecipação, mesmo que parcial, deverá ser aplicado, para fins de contagem, o art. 150, §4º do CTN e quando não houve qualquer antecipação, deverá ser aplicado o art. 173, I. Tal orientação acerca da aplicação das regras de contagem do prazo decadencial, já fora inclusive objeto de análise e confirmação pelo Eg. Superior Tribunal de Fl. 458DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/10/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por ANA MARIA BANDEIRA 6 Justiça, quando do julgamento do RESP 973.733, julgado em 12/08/2009 , que se deu sobre o rito dos recursos repetitivos, com fundamento no art. 543C do Código de Processo Civil Brasileiro.Dessa forma, por força do art. 62A do RICARF, este Conselho deve reproduzir as decisões já tomadas pelo STJ nos julgamentos de Recursos Repetitivos. No caso dos autos o lançamento se reporta a parcelas que a fiscalização considerou como integrantes da remuneração dos segurados a serviços da recorrente. Dessa forma, em se tratando de salário indireto, tenho que deva ser aplicado ao presente caso o disposto no art. 150, 4o do CTN. Assim, reconheço como decadentes as competências lançadas até 05/2004. Passo ao mérito. MÉRITO No que se refere ao lançamento das contribuições incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de auxílio alimentação sem que a recorrente estivesse inscrita no PAT, há de se privilegiar a regulamentação da matéria por parecer de força vincultante junto à administração. O tema, por certo já envolveu calorosos debates e recentemente, sobre o assunto, foi publicado o parecer PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011 e Ato Declaratório n. 03 de 2011, mediante o qual a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional passou a reconhecer estar definitivamente vencida quanto no que se refere a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores de alimentação in natura, concedida pelos empregadores a seus empregados, conforme consolidada jurisprudência do STJ. O parecer restou assim ementado: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Entretanto, referido parecer claramente dita que : “Por outro lado, quando o auxílioalimentação for pago em espécie ou creditado em contacorrente, em caráter habitual, assume feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.” No caso dos autos, consta que a recorrente além de fornecer alimentação in natura a seus empregados (cestas básicas e refeições), esta também efetuava o pagamento de um valor em pecúnia a título de alimentação em folha de pagamento. Nos termos do parecer supra, não devem se incluir no conceito de salário in natura os valores pagos em espécie. Assim, deverão ser excluídos do lançamento somente os valores referentes à concessão do auxílioalimentação in natura. Também merece guarida a pretensão da recorrente para a exclusão do lançamento dos valores pagos a título de vale transporte em dinheiro, em homenagem à Fl. 459DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/10/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 10166.721432/200965 Acórdão n.º 2402002.669 S2C4T2 Fl. 5 7 jurisprudência do Eg. STJ e em observância a Súmula 60 da AGU, publicada no DOU de 12.12.2011, a seguir: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerado o caráter indenizatório da verba”. Tais valores também deverão ser objeto de exclusão do lançamento. Por fim, no que tange ao pagamento de verba a título de abono, alguns esclarecimentos se fazem necessários. Ao que se depreende do relatório fiscal o abono pago decorreu de convenção coletiva de trabalho vigente para o ano de 2003/2004, tendo sido o valor pago na competência de maio/2004, ou seja, em uma única parcela. Sobre o assunto fora editado o Ato Declaratório n. 16/2001, também pela PGFN, publicado no DOU de 21/12/2011, que dispensou os procuradores de apresentar contestação, interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que exista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Tendo em vista que o referido parecer reflete claramente o caso dos autos, também é de ser aplicado in casu para que referida rubrica seja excluída do lançamento. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para que sejam excluídos do lançamento os valores relativos a auxílioalimentação pago in natura, vale transporte pago em pecúnia e abono único pagão conforme convenção coletiva de trabalho, mantidos os demais lançamentos. É como voto. Igor Araújo Soares Relator Fl. 460DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 16/10/20 13 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 01/11/2013 por ANA MARIA BANDEIRA
score : 1.0
