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Numero do processo: 15374.917005/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Da verificação dos pressupostos objetivos (extrínsecos) do recurso interposto, observa-se que o relativo à tempestividade não obedeceu às formalidades legais. A interposição extemporânea do recurso resulta em preclusão temporal
Numero da decisão: 3803-004.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ser intempestivo.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1622; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 4 1 3 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.917005/200949 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.478 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de agosto de 2013 Matéria Compensação Recorrente PRECE PREVIDENCIA COMPLEMENTAR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Da verificação dos pressupostos objetivos (extrínsecos) do recurso interposto, observase que o relativo à tempestividade não obedeceu às formalidades legais. A interposição extemporânea do recurso resulta em preclusão temporal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ser intempestivo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 05 /2 00 9- 49 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Tratase de compensação não homologada. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico emitido em 09/04/2009, a autoridade administrativa após analisar o crédito constante de DARF pelo seu valor original, constatou a sua utilização integral para pagamento de outros débitos próprios, não restando saldo credor suficiente para a compensação declarada. Por conseguinte não homologou a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade ao teor do despacho a interessada aduziu pela existência de erro material no preenchimento da DCTF, mês de competência de novembro/2002, eis que o valor efetivamente devido seria de R$ 7.469,02 e não de R$ 22.226,13, para requerer pelo reconhecimento do crédito e extinção do débito indevidamente imputado . Conclusos foram os autos levados a sessão de julgamento em 14/07/2011, quando por meio do Acórdão nº 1238.691 a 3ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu decisão sintetizada ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. I0F. ANOCALENDÁRIO DE 2003. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado .pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. 10F. ANOCALENDÁRIO 2003. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A ciência da decisão deuse por meio de AR em 16/09/11(sextafeira), e a interposição do recurso voluntário em oposição à mesma ocorreu em 19/10/11(quartafeira), Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.917005/200949 Acórdão n.º 3803004.478 S3TE03 Fl. 5 3 conforme consta do envelope digitalizado anexo (cópia da postagem enviada pela Agência de Correios e Telégrafos). Na ocasião a interessada reiterou minudentemente os termos exarados na exordial, inclusive conclamando pela conversão do julgamento em diligência, se porventura a prova produzida não for suficiente para à comprovação da regularidade da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso interposto não preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele não conheço. Como relatado à ciência da decisão a quo deuse por meio de AR em 16/09/11(sextafeira), e a interposição do recurso voluntário em oposição à mesma ocorreu em 19/10/11(quartafeira), conforme consta do envelope digitalizado anexo (cópia da postagem enviada pela Agência de Correios e Telégrafos). O artigo 5º do Decreto nº 70.235/72 e o art. 210 do CTN estabelecem que os prazos serão contínuos, excluindose o dia do início e incluindose do vencimento. De outra parte o artigo 33 do mesmo córtex dispõe que da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Logo, sendo o dia 19/09/2011 (segunda feira) o primeiro dia útil após o da ciência (16/09/2011, sextafeira), portanto o dia do início da contagem do prazo recursal de um lapso temporal de 30 (trinta) dias, a data do vencimento deuse em 18/10/2011 (terçafeira). Ocorre que a Recorrente somente postou o envelope em 19/10/2011, portanto após o exaurimento do prazo legal. Isto dito resta prejudicada a apreciação das matérias devolvidas a esta Corte por ocorrência de preclusão temporal, sendo esta a razão pela qual deixo de conhecer do recurso interposto. É como voto Sala de sessões em 20 de agosto de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.907032/2012-82
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/12/2008
SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS.
O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação.
Numero da decisão: 1802-002.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/12/2008 SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 70 32 /2 01 2- 82 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Tratase de Pedido de Restituição das contribuições sociais retidos na fonte por ocasião de pagamento de serviços de terceiros. Na fundamentação do Despacho Decisório que indeferiu o Pedido, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição (...) Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: o crédito, cuja restituição se pretende decorrente de retenção indevida praticada pela Impugnante referente a serviço prestado por pessoa jurídica optante do SIMPLES Nacional, nos termos em que instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. ... Consoante relatado e conforme comprovam os respectivos documentos fiscais, a Impugnante contratou a prestação de serviços da pessoa jurídica de direito privado ‘Guarapuã Florestal Ltda – EPP’ (...). Com base nas disposições do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 e da Lei nº 10.833/2003, a Impugnante é obrigada a reter os valores concernentes ao imposto de renda e às contribuições sociais CSLL, PIS e COFINS Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 4 3 incidentes sobre as operações e repassálos (...) na condição de substituta tributária. Todavia, a Impugnante constatou posteriormente que a pessoa jurídica substituída fornecedora dos serviços contratados à época dos fatos geradores ora considerados, era optante do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, situação em que permaneceu no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, como bem comprovam os documentos inclusos. ... Por esta peculiar sistemática, o adimplemento dos mencionados tributos dáse de modo unificado, por meio de uma alíquota única, ao encargo da pessoa jurídica optante do SIMPLES, o que indelevelmente a desonera as empresas porventura obrigadas às retenções de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, como a Impugnante, a assim procederem. ... Nesta esteira, a retenção praticada pela Impugnante não teve sentido algum e o montante recolhido por ela por ocasião da operação retratada notadamente constitui indébito, cuja restituição se justifica (...).” A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 30/12/2008 SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. Ainda que indevida a retenção de tributos devidos por prestadora de serviços optante pelo Simples, a restituição de valores depende da demonstração da assunção do ônus tributário por parte da tomadora dos serviços que efetuou as retenções por ocasião do pagamento das respectivas notas fiscais, sem o que esta última não preenche os requisitos para que lhe sejam restituídos os valores eventual e indevidamente recolhidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 29/10/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27/11/2013. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 5 4 No Recurso faz arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário, eis que tem autorização expressa da empresa para a qual o encargo foi transferido para pleitear a devolução do indébito. Este é o Relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. A análise feita sobre o pedido apresentado pela contribuinte se deu no âmbito do processamento eletrônico de declarações, meio legítimo e eficiente de verificação dos pleitos formalizados pelos sujeitos passivos, também de forma eletrônica, em busca dos créditos que entendem possuir contra a Fazenda Pública. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na sequ ência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Desse modo, para a homologação desse crédito a Administração Fazendária solicitou que o contribuinte juntasse ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento ao pedido de restituição. A Recorrente por ocasião de sua Manifestação de Inconformidade juntou: a) consulta feita na internet em que consta a informação de que a empresa Guarapuã Florestal Ltda – ME estaria compreendida no Simples no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, o que abarca os pagamentos tidos por indevidos. b) notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços nas quais estão destacadas as parcelas referentes aos tributos que teriam sido indevidamente retidos. Os valores segundo análise da DRJ são compatíveis com o montante do crédito inscrito no Pedido de Restituição. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 7 6 c) documento endereçado à contribuinte, no qual consta a seguinte solicitação: “GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, cadastrada no CNPJ sob o nº 10.296.543/000151, estabelecida à Rua Ruy Barbosa, nº 685 – Centro, município de Buri/SP, vem solicitar através desta a restituição de imposto descontado indevidamente em notas fiscais devido empresa ser optante do SIMPLES NACIONAL, conf. Demonstrativo abaixo” Com isso a Recorrente requer a restituição de apenas uma parcela do valor recolhido por meio do DARF inscrito no Pedido, razão pela qual não foi possível a verificação, a partir dos valores, da exata composição do DARF de forma a aferir se o valor recolhido corresponde efetivamente ao tido por indevido. Uma demonstração da composição do DARF seria indispensável para a efetiva comprovação da inclusão dos valores eventualmente indevidos nos recolhimentos efetuados. Seria caso de baixar esse processo em diligência, caso a Recorrente não viesse reiteradamente se evadindo em demonstrar que de fato assumiu o ônus do tributo retido da prestadora de serviço indevidamente. Pelo contrário, deu todos os indícios, inclusive com a declaração da empresa Guarapuã Florestal Ltda – EPP, que não assumiu o ônus, mas que apenas se prendeu a parte final do CTN, artigo 166, onde mediante autorização de quem sofreu o ônus do tributo, haveria a possibilidade de efetuar o pedido de restituição em nome próprio. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Nesse sentido a Lei nº 9.430/96, art, 74, § 12, II, “a” veda expressamente a trasferência de créditos tributários para terceiros. A esse respeito já há jurisprudência consolidada, senão vejamos: "TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS A TERCEIROS – LEI 9.430/96 – IN SRF 21/97 E 41/2000 – LEGALIDADE. A Lei 9.430/96 permitiu que a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, autorizasse a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. O art. 15 da IN 21/97, permitiu a transferência de créditos do contribuinte que excedessem o total de seus débitos, o que foi posteriormente proibido com o advento da IN 41/2000 (exceto se se tratasse de débito consolidado no âmbito do REFIS) e passou a constar expressamente do art. 74, § 12, II, "a" da Lei 9.430/96. Dentro do poder discricionário que lhe foi outorgado, a Secretaria da Receita Federal poderia alterar os critérios da compensação, sem que isso importe em ofensa à Lei Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 8 7 9.430/96. (REsp 677874/PR Ministra ELIANA CALMON DJ 24.04.2006)". A autorização de restituição a quem não teve o ônus seria o mesmo que a Administração Fazendária anuir com o enriquecimento ilícito ou sem causa, também denominado enriquecimento indevido, ou locupletamento, pois configuraria aumento patrimonial sem causa jurídica, ou o que se perderia sem causa legítima. Isso porque em momento algum está estabelecido que o produto da restituição será repassado a quem teve o ônus. Nesse sentido prescreve o Código Civil: “Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituíla, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido.” Isso porque a despesa já incorrida foi integralmente registrada em conta de resultado atribuida ao fornecedor, sendo sua contrapartida registrada em conta de passivo, uma parte devida ao fornecedor e o restante em tributos retidos de terceiro. A recuperação do crédito tributário daria ensejo ao registro em conta redutora de passivo com a contrapartida em caixa / bancos. Essa prática daria ensejo a obteção de uma receita decorrente da cessão de créditos tributários, essa vedada pela legislação ora em vigor, sem qualquer tributação. No presente caso, havendo crédito tributário a ser restituído, caberia somente a empresa GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, contribuinte do tributo para solicitar a restituição. Sendo assim, resta claro que a parte final do caput do art. 166 do CTN deve ser interpretado de acordo com o restante do sistema jurídico que rege a matéria, em especial os citados anteriormente. Por oportuno cabe salientar ainda que se trata apenas de “Pedido de Restituição”, pois em caso de “Pedido de Compensação” a Recorrente estaria sujeita à multa correspondente a compensação não declarada, nos termos do diploma legal supra citado. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo a decisão da delegacia de origem. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 9 8 Declaração de Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Faço a presente declaração de voto para demonstrar os fundamentos que me levam a acompanhar o relator no não provimento do recurso voluntário. O art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN, trazido à baila para o exame das questões suscitadas, guarda relação com a antiga classificação dos contribuintes em “contribuinte de direito” e “contribuinte de fato”. O chamado “contribuinte de fato”, na lógica dos tributos indiretos (p/ ex., IPI e ICMS), desimportante para o direito tributário num primeiro momento, adquire relevância nos casos de restituição de indébito, eis que de acordo com o referido artigo: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. O problema é que essa lógica não se aplica aos tributos retidos na fonte. Ocorrida a retenção de tributo e presente o respectivo beneficiário do pagamento que ensejou essa retenção, tal situação refoge ao campo do art. 166 do CTN. A fonte pagadora é encarregada de cumprir um dever administrativo (de reter e recolher o tributo), na condição de mero responsável, mas não ocupa a posição do chamado “contribuinte de direito” (que se perfaz na pessoa do fabricante, no caso do IPI, e do comerciante, no caso do ICMS). Tratandose de retenção na fonte, a condição de contribuinte, desde o início, cabe ao beneficiário do pagamento/rendimento, ou seja, àquele que sofreu a retenção do tributo, e é somente ele quem poderá reivindicar a repetição do tributo retido e que se configurou como indébito tributário. Nesse caso, a fonte pagadora não possui legitimidade para figurar no pólo ativo da repetição de indébito. Não se aplica aqui a autorização mencionada no art. 166 do CTN, eis que a situação seria de apropriação/aproveitamento de crédito de terceiro, o que não é admitido pela legislação (Lei nº 9430, art. 74), e a referida autorização não poderia servir a esse fim – transferência de direito creditório de um contribuinte para outro. Por essas razões, acompanho o relator e também nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 11442.000194/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 01 94 /2 01 0- 41 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 3 2 Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 5 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 7 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 8 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 9 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 11 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11522.000323/2008-96
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA. CONFISCO
Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández quanto à preliminar.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA. CONFISCO Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA. CONFISCO Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández quanto à preliminar. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 03 23 /2 00 8- 96 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração de fls. 85/97, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, exercícios 2004 e 2005, anos calendário 2003 e 2004, que resultou em crédito total apurado de R$ 174.117,71. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 91) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 13), o lançamento de ofício decorre da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente por não ter o recorrente comprovado a origem dos depósitos bancários. Inconformada, o recorrente interpôs Voluntário de fls. 205/234. com vistas a obter a reforma do julgado, alegando em pequena síntese: a) nulidade do mandado de procedimento fiscal, por ausência do número do telefone do chefe da ARRF, da data do encerramento da ação fiscal e autorização de prorrogação pela autoridade competente e suas respectivas datas de validade; b) inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário e; c) legitimidade da origem dos depósitos; d) incorreta tributação dos valores transferidos e depositados na conta da recorrente por parte de seu cônjuge e e) caráter confiscatório da multa. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A presente ação fiscal decorre da análise de informações bancárias fornecidas à RFB pelo sujeito passivo, realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras efetuadas nos anos calendários de 2003/2004, pelo recorrente, correspondem efetivamente ao movimentado nas contas bancárias de sua titularidade. Parte dos extratos bancários foram apresentados “espontaneamente” pelo recorrente, informações estas complementadas com a expedição de RMF pela autoridade fiscalizadora (fl. 13). Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11522.000323/200896 Acórdão n.º 2802002.905 S2TE02 Fl. 120 3 De início, suscito preliminar de nulidade do lançamento por vício material na colheita das informações bancárias sem prévia ordem judicial, em violação ao já decidido pelo STF. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n.º 389.808/PR, decidiu dar interpretação conforme a constituição a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte, cuja ementa segue abaixo: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010). O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Apenas adotou interpretação conforme a Constituição, de sorte a compatibilizar o enunciado legal com os direitos e garantias constitucionais protegidos pela CF. É a conclusão que se extrai do seguinte trecho do voto do Relator: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Em verdade, a Corte Suprema realizou interpretação conforme a Constituição, técnica hermenêutica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. Importa ressaltar que a interpretação conforme a Constituição busca justamente evitar a simples declaração de nulidade de lei por incompatibilidade vertical com a Constituição. A ambigüidade da linguagem dos enunciados normativos cria vasto campo de significações possíveis, de sorte a permitir que o exegeta busque a construção de sentido mais próxima daquela prestigiada pelos princípios e regras contidos na Constituição. Ao agir desse modo, evitase a afronta à vontade popular expressada pelo texto legal e se atende ao objetivo de manutenção ou conservação das normas no ordenamento jurídica dada a presunção ainda que relativa de sua constitucionalidade. Apesar da semelhança do ponto de vista prático, a interpretação conforme a Constituição não se confunde com a declaração de nulidade sem redução de texto: (...) enquanto, na interpretação conforme a Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfälle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal1 Por isso, é de se afirmar: “interpretação conforme não é critério de aplicação de determinada lei em detrimento de outra, mas de aplicação de determinada interpretação (´critério de interpretação`) em detrimento de outra”.2 Em várias oportunidades, o STF se socorreu da interpretação conforme para evitar a declaração de nulidade de leis tributárias, de modo a reduzir, ampliar ou requalificar o alcance interpretativo do enunciado legal em exame (ADI n. 1.7584, RE 196.6467/RS e RE 169.7407/PR). É comum que na busca das significações possíveis de um enunciado normativo haja discordância quanto ao alcance e aplicação do texto legal em exame. É notório que a presunção de onisciência do legislador e da plenitude do sistema não passa de pressuposto lógico necessário de conhecimento do fenômeno jurídico e que não deve ser levado a enésima potência. Daí que a atividade de construção de sentido do aplicador da lei pode reduzir, ampliar ou requalificar o alcance do enunciado sob interpretação, de sorte a prestigiar a compatibilidade do resultado exegético com a Constituição Federal, em detrimento de qualquer outro sentido gramaticalmente possível. A utilização desse método não é vedada aos órgãos administrativos de julgamento. Pelo contrário, é imposição do próprio ordenamento jurídico, que não permite o desprezo de sentido compatível com a Constituição, quando da análise de legislação aplicável ao caso concreto posto à sua apreciação. Logo, é de se concluir: o impeditivo do artigo 26A, do Decreto n. 70.235/72, não veda aos órgãos de julgamento a utilização de interpretação conforme a Constituição, em situações nas quais a ambigüidade do enunciado em análise possa resultar em várias interpretações possíveis, ainda mais em situações nas quais o próprio STF assim já decidiu. 1 MENDES, Gilmar Ferreira. Jurisdição Constitucional. São Paulo: Saraiva, 1996. p.275. 2 ALMEIDA JUNIOR, Fernando Osório de. Interpretação conforme a Constituição e direito tributário. São Paulo: Dialética, 2002, p. 18. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11522.000323/200896 Acórdão n.º 2802002.905 S2TE02 Fl. 121 5 A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Por fim, decisão tomada com fulcro no artigo 557 do CPC, da atual Ministra do STJ, Regina Helena Costa, pelo reconhecimento da jurisprudência já dominante do STF sobre a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial AGRAVO LEGAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STF. I Nos termos do caput e §1°A, do art. 557, do Código de Processo Civil e da Súmula 253/STJ, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento ou a dar provimento ao recurso e ao reexame necessário, nas hipóteses de pedido inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a jurisprudência dominante da respectiva Corte ou de Tribunal Superior. II O Supremo Tribunal Federal, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei n. 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, decidiu pela impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial (cf.: RE 389808/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.10). III Entendimento incontrastável que se adota para determinar a abstenção do fornecimento da movimentação financeira relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal constante dos autos, sem a devida autorização judicial. IV Agravo legal improvido. (TRF3, AC n.º 2001.61.08.0036460/SP, Rel. Des. Fed. REGINA COSTA, Sexta Turma, j. 06/09/2012, D.E. 21/09/2012) Sendo assim, entendo que o lançamento não pode subsistir, dada a incompatibilidade entre a colheita da prova da materialidade do fato gerador e a Constituição Federal, da forma como decidido pelo STF. O Colegiado, entretanto, por maioria, rejeitou a preliminar acima arguida, nos seguintes termos. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. Logo, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I, do parágrafo único, do art. 62 do RICARF) a decisão proferida no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314; este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória pelos membros deste Colegiado. Vencido quanto à preliminar, passo ao mérito. Afasto, de plano, a alegada nulidade do MPF, por ausência do telefone do Chefe da AFRF e pela falta de prorrogação. Além de não se tratar de exigência legal, eventuais irregularidades no MPF, não são suficientes para invalidar o trabalho fiscal, desde que não causem, como no caso em apreço, prejuízo real à ampla defesa do contribuinte. Nesse sentido, farta jurisprudência deste E. Sodalício: O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF PRORROGAÇÃO NÃO COMUNICAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO O MPF constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte e objetiva informar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado para verificações fiscais e que o agente fiscal indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se correrem problemas com a prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(acórdão nº 10249346, de 0910 2008, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Moises Giacomelli Nunes da Silva) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2000 (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11522.000323/200896 Acórdão n.º 2802002.905 S2TE02 Fl. 122 7 inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. (...) (acórdão nº 19200107, de 18122008, da 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Rubens Maurício Carvalho) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002 NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Acórdão nº 40202898, de 28/01/2008, 2ª Turma da CSRF, Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim) Não acolho o pleito de nulidade por ausência de apreciação das provas apresentadas pela DRJ, dada a ausência de indicação precisa sobre quais documentos ou provas não foram devidamente analisados pelo órgão julgador. Quanto à origem dos depósitos, a recorrente reitera os argumentos lançados na Impugnação, no sentido de que os depósitos tinham como origem principal transferências que vinham de sua própria contapoupança das quais efetuava retiradas, bem como de transferências da conta corrente de seu cônjuge, além de depósitos efetuados em dinheiro também oriundo de doações feitas pelo marido, Alega ainda a realização de depósitos efetuados através de cheques que constituem devolução de empréstimo feito à empresa Casa do Macarrão Thainá Ltda. A DRJ reconheceu a procedência parcial do lançamento, mantendoo em parte com base em irregularidades existentes nas provas juntadas e nas alegações feitas com a finalidade de comprovar a origem dos recursos, nos seguintes termos: Em relação à transferência entre cônjuges não ficou demonstrada a natureza do negócio jurídico que ensejaram as referidas transferências, se doação ou se relacionadas à atividade comercial exercida por ambos, por exemplo. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 menciona em seu §3º que não serão consideradas os créditos "decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física1", portanto, mantém se, por insuficiência de prova, na base de cálculo do presente lançamento, os valores correspondem aos depósitos bancários referentes às transferências entre cônjuges. Nas razões do Voluntário, anexa contratos de mútuo firmados entre Tomasso Solito (cônjuge) e Casa do Macarrão Thainá Ltda. (fl. 247/250). Entretanto, tais contratos, desprovidos da respectiva escrituração contábil do empréstimo supostamente realizado na pessoa jurídica, não se prestam a comprovar a origem dos recursos depositados na c/c da recorrente, muito menos a excluílos da base tributável da omissão de rendimentos. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 De igual modo, a alegação de distribuição de lucros desprovida da respectiva escrituração contábil, não é meio de prova suficiente para a exclusão do valor da base tributável. Rejeito a alegação quanto à confiscatoriedade da multa de 75% aplicada e da violação ao conceito constitucional de renda e proventos de qualquer natureza, diante da vedação imposta a este órgão judicante pelo art. 26A do Decreto n. 70.235/72 e pela Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Pelo exposto, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16561.000107/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROVAS NÃO APRECIADAS. As provas documentais podem ser juntadas depois da impugnação, se justificada a demora, e quando isto ocorre depois de proferida a decisão de 1a instância, elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância. Demonstrado que a contribuinte assim procedeu, os embargos são acolhidos suprir a omissão na apreciação de tais provas.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. JUROS EM EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS. São afastadas as glosas de despesas provadas por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original.
Numero da decisão: 1101-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para afastar PARCIALMENTE as glosas de prejuízos em aplicações em fundos de ações e de despesas de juros em empréstimos bancários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROVAS NÃO APRECIADAS. As provas documentais podem ser juntadas depois da impugnação, se justificada a demora, e quando isto ocorre depois de proferida a decisão de 1a instância, elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância. Demonstrado que a contribuinte assim procedeu, os embargos são acolhidos suprir a omissão na apreciação de tais provas. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. JUROS EM EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS. São afastadas as glosas de despesas provadas por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original.
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PROVAS NÃO APRECIADAS. As provas documentais podem ser juntadas depois da impugnação, se justificada a demora, e quando isto ocorre depois de proferida a decisão de 1a instância, elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância. Demonstrado que a contribuinte assim procedeu, os embargos são acolhidos suprir a omissão na apreciação de tais provas. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. JUROS EM EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS. São afastadas as glosas de despesas provadas por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para afastar PARCIALMENTE as glosas de prejuízos em aplicações em fundos de ações e de despesas de juros em empréstimos bancários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 07 /2 00 7- 17 Fl. 4232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 4233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório ARCOM S/A, já qualificada nos autos, embarga o acórdão nº 110200.036, proferido pela 2a Turma desta 1a Câmara, em sessão de 27/08/2009, sob relatoria da Conselheira e Presidente Sandra Maria Faroni (fls. 2153/2160). A embargante argüiu omissão do julgado, por não ter apreciado documentos que, apresentados depois da decisão de 1a instância, mas antes da ciência desta, não estariam juntados aos autos. As provas se refeririam à glosa de perdas na aplicação em fundos de investimentos e de despesas com juros de empréstimos bancários contabilizados por controlada no exterior, as quais foram mantidas integralmente no acórdão embargado (fls. 2182/2185). O Presidente desta 1a Câmara submeteu os autos à apreciação do Presidente da 2a Turma de Julgamento desta mesma Câmara, para deliberação sobre os embargos de declaração opostos pela Contribuinte e respectiva documentação que os instruem, enfeixada nos volumes 13 a 16 dos presentes autos (fls. 3154/3156). Apreciando os embargos, a 2a Turma de Julgamento desta 1a Câmara acolheu a proposta de diligência apresentada pela Presidente e Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, formalizandose a Resolução nº 110200.049, na qual foi determinado à autoridade jurisdicionante que juntasse aos autos os documentos alegados e conferisse seus efeitos probantes, cientificando a contribuinte para que esta se manifestasse sobre o resultado da diligência antes do retorno dos autos ao CARF (fls. 3157/3160). A autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar os documentos originais comprobatórios das despesas em referência (fls. 3163/3167), mas a autuada esclareceu que os documentos já integravam os autos na forma de quatro anexos, requerendo a conferência de seus efeitos probantes (fl. 3170). No relatório às fls. 3171/3176, a autoridade fiscal reconheceu que os documentos estão juntados aos autos, mas observou que sob o ponto de vista formal eles não estão registrados no Registro de Títulos e Documentos, como exigiria o art. 129, §6o da Lei nº 6.015/73, bem como não atendem ao que expresso no Manual de Serviço Consular e Jurídico, do Ministério das Relações Exteriores, em seu capítulo 4o, seção 7a, itens 4.7.1 e 4.7.2., qual seja, a legalização, pela Autoridade Consular brasileira, do original expedido em sua jurisdição consular. Já sob o aspecto material, reconheceu que os documentos apresentados pelo sujeito passivo são, ao menos em parte, pertinentes às despesas da controlada no exterior, Arcom Corporation, relativas aos prejuízos na aplicação em fundo de ações e juros decorrentes de empréstimos bancários. Na seqüência, relatou as verificações feitas por amostragem e concluiu: Quanto ao aspecto material, em que pese os documentos apresentados tenham pertinência com as despesas glosadas, não foram hábeis a comprovar na íntegra, as deduções objeto de glosa, ao menos em parte da amostra submetida a análise na presente diligência fiscal. Fl. 4234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 5 4 Cientificada em 09/04/2012, a contribuinte contestou o relatório de diligência fiscal por meio da petição de fls. 3177/3185, apresentada em 04/05/2012. Inicialmente observou que os documentos originais apresentados haviam sido anexados aos autos antes de proferida a decisão recorrida, a evidenciar a desnecessidade das cópias que instruíram os embargos. Quanto ao relatório de diligência fiscal, asseverou que os documentos foram apresentados por meio de suas traduções originais e que não há exigência legal de seu registro em Cartório de Títulos e Documentos, a qual somente se verifica quando a validade do ato dependa dessa formalidade. No caso, tratarseiam de instrumentos de mútuo e de contratos de aplicações financeiras em ações, estes últimos, inclusive, usualmente pactuados por contrato verbal. Apresentou outros argumentos para desmerecer a suposta necessidade de registro e argumentou que tratou de fazer tudo aquilo que estava ao seu alcance para demonstrar as perdas e despesas incorridas com juros, juntando aos autos toda a documentação probatória, as traduções juramentadas, em vias originais, dos documentos redigidos em língua estrangeira, e a declaração da sua autenticidade pelos responsáveis das instituições financeiras com as quais foram contratadas as operações, defendendo a aplicação do princípio do formalismo moderado, e reportandose a decisão judicial contrária ao excesso de rigor formal até mesmo no âmbito do processo civil. Por fim, discordou do método de amostragem aplicado pela autoridade fiscal, defendendo que a diligência solicitada deveria abranger cada um dos documentos anexados aos autos pela Recorrente. De toda sorte, anotou que na análise de prejuízos incorridos nas operações de renda variável somente houve ressalva à perda de US$ 5.562,00, e que na apreciação das despesas de juros afirmouse que elas correspondiam a apropriações em conformidade com os documentos apresentados. Afirmou incompreensível e contraditória a conclusão fiscal e pediu a apreciação do CARF acerca da regularidade de seus procedimentos, em face da sua conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos, como observado pela própria autoridade fiscal. Na sessão de 06 de março de 2013, este Colegiado converteu o julgamento dos embargos novamente em diligência nos termos do voto condutor desta Relatora, que integra a Resolução nº 1101000.065: A omissão recai sobre a apreciação de provas que se prestariam a desconstituir parte da glosa de despesas não comprovadas da Arcom Corporation, que resultaram na apuração de lucros na subsidiária integral, nos anos de 2003 e 2004, não oferecidos à tributação, nos valores de, respectivamente, R$ 6.828.516,92 e R$ 10.170.136,19. Tais lucros foram apurados a partir dos seguintes ajustes nos resultados produzidos pela controlada no exterior: Fl. 4235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 6 5 Período da DIPJ 2003 (01/01 a 31/12) 2004 (01/01 a 01/02) 2004 (02/02 a 31/12) Resultado apurado a partir da escrituração (1.057.067,30) (412.740,23) 378.234,42 Glosa de despesas efetuadas pela fiscalização 3.420.530,17 334.399,91 3.531.531,53 Resultado da sociedade controlada estrangeira 2.363.462,87 (78.340,32) 3.909.765,95 As glosas alcançaram os seguintes itens contábeis: Período da DIPJ 2003 (01/01 a 31/12) 2004 (01/01 a 01/02) 2004 (02/02 a 31/12) US$ R$ US$ R$ US$ R$ Despesas de depreciação 1.199.952,00 3.466.901,31 99.996,00 294.078,23 1.099.956,00 2.919.723,20 Despesas com taxas bancárias 434,83 1.256,31 5,00 14,70 6.167,55 16.371,14 Despesas custódia e taxas diversas 27.728,30 80.112,60 44.510,06 118.147,50 Prejuízos aplic. Fundos de Ações 316.194,53 913.549,23 192.357,00 510.592,42 Despesas juros empréstimos banc. 1.061.196,51 3.066.008,95 73.710,95 216.776,53 876.271,49 2.325.975,04 Demais despesas 815.024,00 2.354.767,34 160.687,96 472.567,22 1.312.269,43 3.483.287,97 Valor total da glosa 3.420.530,17 9.882.595,74 334.399,91 983.436,68 3.531.531,53 9.374.097,27 As parcelas que a contribuinte buscou comprovar por meio dos documentos apresentados em 10/03/2008 referemse aos itens Prejuízos aplic. Fundos de Ações e Despesas juros empréstimos banc.. Ao realizar a diligência solicitada, a autoridade fiscal inicialmente apontou irregularidades formais nos documentos, invocando o que dispõe a Lei nº 6.015/73: Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: [...] 6º) todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal; [...] Invocou, também, o Manual do Serviço Consular e Jurídico, do Ministério das Relações Exteriores, transcrevendo o seguinte excerto de seu Capítulo 4o: 4.7.1 Para que um documento originário do exterior tenha efeito no Brasil é necessária a legalização, pela Autoridade Consular brasileira, do original expedido em sua jurisdição consular, seja por reconhecimento de assinatura, seja por autenticação do próprio documento. 4.7.2 Caso o documento não esteja redigido em português, a tradução deverá ser feita obrigatoriamente no Brasil, por tradutor público juramentado, após a legalização do documento original pela Autoridade Consular brasileira. Todavia, cumpre considerar que não se trata, aqui, de glosa de despesas que afetaram diretamente o resultado da pessoa jurídica fiscalizada, situada no Brasil, mas sim da de despesas contabilizadas por controlada da fiscalizada no exterior que Fl. 4236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 7 6 interferiram na apuração do lucro considerado auferido por intermédio daquela investida, nos termos de normas tributárias específicas, que pouco abordam as obrigações acessórias dos contribuintes neste âmbito. De fato, a Lei nº 9.249/95, em seu art. 25, § 2o, inciso IV, diz que as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e, ao tratar dos lucros das coligadas, diz no §3o, inciso IV do mesmo dispositivo que a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. Para fins de compensação do imposto pago no exterior, o art. 26 da Lei nº 9.249/95 dizia que o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Contudo, a Lei nº 9.430/96 dispensou esta exigência quando a pessoa jurídica comprovasse que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (art. 16, §2o, inciso II), bem como condicionou a compensação do imposto à apresentação das demonstrações financeiras correspondentes, permitindo o arbitramento dos lucros das filiais, sucursais ou controladas quando não for possível a determinação de seus resultados. A Instrução Normativa SRF nº 38/96, por sua vez, assim disciplinou a prova a ser feita pelos contribuintes: Demonstrações Financeiras Art. 10. As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. § 1º Nos casos de inexistência de normas expressas que regulem a elaboração de demonstrações financeiras no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, estas deverão ser elaboradas com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, segundo as normas da legislação brasileira. § 2º As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas pela filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, depois de traduzidas em idioma nacional e convertidos os seus valores em reais, deverão ser classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, nas demonstrações financeiras elaboradas para serem utilizadas na determinação da base de cálculo do imposto de renda no Brasil. § 3º A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, será efetuada tomandose por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do país onde estiver domiciliada a filial, sucursal, controlada ou coligada. § 4º Caso a moeda do país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada não tenha cotação no Brasil, os valores serão primeiramente convertidos em Dólares dos Estados Unidos da América e depois em Reais. § 5º As demonstrações financeiras levantadas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, que embasarem as demonstrações financeiras em Reais, no Brasil, deverão ser mantidas em boa guarda, à disposição das autoridades fiscais da Secretaria da Receita Federal, até o transcurso do prazo de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir crédito tributário com base nas mesmas. § 6º As demonstrações financeiras em Reais das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, deverão ser transcritas ou copiadas no livro Diário da pessoa jurídica no Brasil. § 7º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, as participações em filiais, sucursais, controladas ou coligadas, bem assim as aplicações em títulos e valores mobiliários no exterior devem ser escrituradas separada e discriminadamente na Fl. 4237DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 8 7 contabilidade da pessoa jurídica no Brasil, de forma a permitir a correta identificação desses valores e as operações realizadas. A Instrução Normativa SRF nº 213/2002 praticamente não inovou quanto às orientações acerca das demonstrações financeiras das investidas no exterior, mas abordou mais extensamente a prova para fins de compensação do imposto pago no exterior: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. [...] § 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que tiver os lucros de filial, sucursal e controlada, no exterior, apurados por arbitramento, segundo o disposto nas normas específicas constantes desta Instrução Normativa, poderá compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da referida filial, sucursal ou controlada, cujos comprovantes de pagamento estejam em nome desta. § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o anocalendário correspondente. § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1 º de janeiro do ano subseqüente ao da compensação. [...] Não é razoável interpretar que os dispositivos invocados pela autoridade diligenciante prestemse a obrigar as pessoas jurídicas situadas no Brasil, que detenham investimentos no exterior, a registro no Cartório de Títulos e Documentos, ou legalização por Autoridade Consular, de todos os contratos ou outros documentos que resultem em itens redutores dos lucros auferidos por intermédio de controladas ou coligadas no exterior. Para tanto, a lei tributária que estabeleceu a tributação em bases universais assim deveria ter determinado. Observese, ainda, que a autoridade lançadora não apresentou restrições formais aos documentos que lhe foram apresentados em língua estrangeira (fls. 984/997, 1014/1034, 1042/1044 e 1045/1166), analisando seu conteúdo e explicitando as razões para não admitilos como prova das despesas questionadas (fls. 1655/1661). Assim, não seria mais possível, durante o contencioso administrativo, adicionar requisitos prévios à análise iniciada pela autoridade lançadora. De fato, a autoridade julgadora poderia, apenas, exigir que os documentos estivessem traduzidos na forma do art. 224 do Código Civil, não podendo o litigante imporlhe a apreciação de fatos não vertidos em língua nacional. Contudo, observa se que a contribuinte buscou resguardarse desta exigência, juntando dentre os elementos apresentados após a impugnação, várias traduções juramentadas, na sua maioria assinadas entre 02/01/2008 e 06/02/2008, datas posteriores à impugnação, apresentada em 05/11/2007. Assim, este óbice formal não dispensa a autoridade diligenciante de conferir o conteúdo material probante dos documentos apresentados. Contudo, o relatório da diligência fiscal deixa claro que o auditor fiscal responsável não apreciou todos os documentos que integram os Anexos I a IV por ele referidos. Embora tais Anexos não tenham sido digitalizados para apreciação desta Relatora, foi reconhecido que a contribuinte apresentou novamente os mesmos documentos por ocasião dos embargos de declaração, e observase às fls. 2390/3150 que há Fl. 4238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 9 8 documentos pertinentes a despesas glosadas que não foram apreciados durante a diligência, como por exemplo, aqueles relativos à glosa de prejuízos na aplicação em fundos de ações nos valores de US$ 41.784,04 (fls. 2395/2397) e de US$ 73.590,00 (fls. 2405/2410), e outros relativos à glosa de juros em empréstimos bancários nos valores de US$ 63.750,00 (fls. 2417/2421), e vários outros indicados à fl. 2552, que coincidem com as glosas apontadas nos itens 24, 31, 39 e 58. Os quadros abaixo demonstram os itens em litígio e a sua situação após a conclusão da diligência: [...] A amostragem feita pela autoridade fiscal não é suficiente para admitir ou rejeitar os elementos apresentados, tendo em vista as peculiaridades de cada operação e dos conjuntos probatórios juntados. Necessário se faz que seja apresentado parecer individualizado para cada item de despesa que a contribuinte pretendeu comprovar, de modo a permitirlhe contraditar tais razões. E isto também porque, nos termos do Decreto nº 70.235/72, embora a prova documental deva ser juntada à impugnação, o §4o do art. 16 admite sua apresentação em outro momento processual, desde que justificada a demora, o que se verifica nos autos, na medida em que os documentos referemse à escrituração contábil da controlada no exterior, e, ademais, encontravamse em língua estrangeira a exigir tradução que, como visto, somente foi concluída em 06/02/2008. Juntadas as provas depois de proferida a decisão de 1a instância, diz o §6o do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância, assegurandose melhor julgamento da lide se, antes da manifestação final da autoridade julgadora, a contribuinte tiver oportunidade de contraditar eventual interpretação equivocada dos fatos que pretendeu demonstrar. Por tais razões, o presente voto é no sentido de, novamente, CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade competente manifestese sobre todos os documentos apresentados pela contribuinte em 10/03/2008, indicando quais itens da autuação restaram por eles provados, e disto cientificando a contribuinte para complementação de suas razões de defesa, no prazo de 30 (trinta) dias, antes do retorno dos autos a este Conselho. Confrontando os documentos apresentados com as razões expostas pela autoridade lançadora para glosa das despesas, e destacando as parcelas cuja glosa foi admitida pela contribuinte, a autoridade fiscal individualizou no Relatório de Diligência Fiscal às fls. 4103/4114 as razões para admitir comprovadas parcialmente as despesas glosadas. Cientificada em 28/02/2014, a contribuinte manifestouse às fls. 4115/4117 apresentando esclarecimentos complementares acerca de prejuízos incorridos em aplicações em fundos de ações em 30/09/2003 (US$ 142,559.85), bem como indicando erro em ponto específico da abordagem fiscal acerca da glosa de juros, e reportandose ao efeito de operações anteriores ao anocalendário 2003. A autoridade fiscal, então, prestou as informações de fls. 4174/4177, manifestandose acerca dos questionamentos apresentados pela contribuinte às fls. 4115/4117, admitindo parte da comprovação dos prejuízos incorridos em aplicações em fundos de ações e retificando o erro apontado na apreciação da glosa de juros, bem como juntando aos autos versão retificada do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 4178/4189), cientificado à contribuinte em 11/04/2014. Fl. 4239DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 10 9 A contribuinte novamente se manifestou às fls. 4190/4192, aduzindo que a autoridade fiscal não examinou os documentos juntados em sua petição anterior, e questionando outros pontos da abordagem fiscal, requerendo nova diligência para que sejam supridas as omissões e obscuridades daí decorrentes. Depois do retorno destes autos ao CARF, a autoridade local solicitou a juntada do despacho de fls. 4198, informando inconsistências no SIEF acerca dos débitos em litígio, com vistas a subsidiar o registro do resultado de julgamento quando do retorno dos autos à origem. Em 31/07/2014 e 20/08/2014 a autoridade local requereu a devolução dos autos para operacionalização de desistência parcial formalizada pela contribuinte (fl. 4201, 4204 e 4229/4230), porém, a notícia destes pedidos somente foi constatada no processo depois de iniciada a sessão de julgamento. Em 25/08/2014 a contribuinte requereu a juntada, aos autos, da petição de fls. 4207/4226, na qual noticia que optou por aderir ao Programa Especial de Parcelamento, na modalidade pagamento à vista, conforme comprovantes de pagamento e planilha de conversão/atualização anexados (doc. 1), somente e unicamente no que diz respeito às despesas cuja glosa foi mantida por serem consideradas não comprovadas pela Il. Autoridade Fiscal Diligente, quais sejam: (a) perdas incorridas nos investimentos em fundos de ações no valor da glosa equivalente a US$ 855,492.26 e (b) despesas com juros de empréstimos externos cuja glosa também foi mantida, em valor correspondente a US$ 109,184.54. Juntou, também, demonstrativos de cálculo dos valores recolhidos e correspondentes DARF de recolhimento nos quais observase que a desistência teve em conta parcelas glosadas em 2003 e 2004, na medida em que integram a base de cálculo dos recolhimentos glosas de perdas em fundos de ações no valor de US$ 179,621.36 em 2003 e US$ 109,184.54 em 2004, bem como despesas com juros de empréstimos no valor de US$ 109,544.31 em 2003, além das parcelas a este mesmo título nos valores de US$ 4.42 e US$ 20,779.23 em 2004. Fl. 4240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, os embargos opostos nestes autos têm em conta, apenas, as glosas de despesas que afetaram os resultados da subsidiária integral Arcom Corporation, e assim evidenciaram insuficiência de adição, às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de lucros auferidos no exterior, nos anocalendário 2003 e 2004. Por oportuno observese que, nos períodos fiscalizados, a controlada estava sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Em impugnação, a contribuinte já deixara de questionar as glosas de despesas com taxas bancárias, despesas de custódia e de taxas diversas e “demais despesas”, e não obteve sucesso em seus demais argumentos. Apreciando o recurso voluntário nos termos do Acórdão nº 1102000.036, a 2a Turma desta 1a Câmara afastou a glosa de despesas com depreciação e manteve as glosas de prejuízos na aplicação de fundos de ações e de despesas com juros de empréstimos bancários por ausência, nos autos, de prova documental ou de demonstração de sua protocolização. A Relatora Conselheira Sandra Maria Faroni ressaltou que: Por outro lado, procedem as justificativas declinadas pela fiscalização para glosar os prejuízos/despesas contabilizados, quais sejam: não houve a apresentação de extrato que demonstrasse o valor da aplicação, impedindo aferir se a sociedade estrangeira incorreu em prejuízos; não comprovação de que a quantia identificada no documento é atinente a uma despesa incorrida; documento não oficial, que pode conter incorreções, segundo adverte o próprio banco; documentos que não fazem referência à sociedade estrangeira nem ao emissor; fichas de lançamento e extratos contábeis não comprovam dedutibilidade dos valores contabilizados, etc. ) Deve ser mantida a glosa. Ainda sobre essa terceira parcela (glosa de despesas da controlada estrangeira), na peça impugnativa a contribuinte alegou que a fiscalização considerou simplesmente os valores glosados como lucros distribuídos, mas não levou em conta os prejuízos auferidos pela Arcorn Corporation a partir de 2002. A decisão recorrida refutou essa alegação, afirmando que, ao contrário, a fiscalização não considerou simplesmente os valores glosados como lucros distribuídos, mas considerou os prejuízos apurados pela Arcom Corporation, como a seguir: [...] Perante esta instância, a Recorrente alega que a decisão não levou em conta os prejuízos auferidos pela Arcom Corporation no anocalendário de 2002. Todavia, o prejuízo auferido em 2002 não influencia a tributação dos anoscalendário seguintes, sendo computado no cálculo da equivalência patrimonial do período em que auferido, tal como fez a autoridade fiscal, conforme evidencia o demonstrativo às fls. 1642. De acordo com a lei, os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada ou controlada no curso do períodobase da pessoa jurídica (Lei 9.249/95, art. 25, § 3o, inc.II), os quais são considerados disponibilizados na data do balanço em que tiverem sido apurados (MP 2.15835, art. 74) Fl. 4241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 12 11 Assim, cumpre apenas apreciar os efeitos dos documentos apresentados depois da impugnação para afastar a glosa de prejuízos na aplicação de fundos de ações e de despesas com juros de empréstimos bancários, mormente tendo em conta que, como já dito, nos termos do Decreto nº 70.235/72, embora a prova documental deva ser juntada àquela defesa, o §4o do art. 16 admite sua apresentação em outro momento processual, desde que justificada a demora, o que se verifica nos autos, na medida em que os documentos referemse à escrituração contábil da controlada no exterior, e, ademais, encontravamse em língua estrangeira a exigir tradução que, como já dito, somente foi concluída em 06/02/2008. Juntadas as provas depois de proferida a decisão de 1a instância, diz o §6o do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância. A autoridade fiscal encarregada da diligência manifestouse pontualmente sobre as despesas glosadas, confrontando a acusação fiscal e os documentos apresentados pela defesa, razão pela qual a decisão será fragmentada de acordo com o agrupamento apresentado no Relatório Fiscal de Diligência. Contudo, em razão da desistência parcial comunicada às fls. 4207/4226, não serão submetidas à decisão do Colegiado as glosas mantidas ao final da diligência acima mencionadas. Inicialmente consta do Relatório fiscal a abordagem acerca das provas apresentadas para afastar as glosas de prejuízos na aplicação de fundos de ações: As despesas com Prejuízos na Aplicação em Fundo de Ações escrituradas na conta contábil 41102003 e glosadas no Auto de Infração IRPJ/CSLL, são as discriminadas na tabela que segue: Data Despesa (US$) Glosa (US$) 31/1/2003 9.985,00 9.985,00 31/1/2003 41.784,04 41.784,04 28/2/2003 40.735,00 7.670,00 31/3/2003 16.776,13 16.776,13 9/7/2003 92,39 92,39 30/9/2003 166.296,97 166.296,97 9/12/2003 73.590,00 73.590,00 Total das Despesas Glosadas no Ano de 2003 316.194,53 30/4/2004 142.559,85 142.559,85 30/9/2004 7.501,97 1.480,48 31/12/2004 48.316,67 48.316,67 Total das Despesas Glosadas no Ano de 2004 192.357,00 Passase, então, a abordagem dos itens acima: Fl. 4242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 13 12 Glosas de US$ 92.39 (09/07/2003), US$ 7,670.00 (28/02/2003) e US$ 1,480.48 (30/09/2004) Consoante destaca a autoridade fiscal, o contribuinte reconhece a procedência das glosas dos valores de US$ 92,39, US$ 7.670,00 e US$ 1.480,48 (peça impugnatória fls. 1.699/1.700). Em verdade, para a parcela de US$ 92.39 não havia sido apresentada qualquer justificativa nem mesmo durante o procedimento fiscal. Assim, estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio e dispensando a apreciação deste Colegiado. Glosa de US$ 9,985.00 (31/01/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Em relação ao valor deduzido e contabilizado em 31/01/2003, no montante de US$ 9.985,00, também se impõe a glosa. A despeito de ter sido apresentado um extrato do Banco Santander Central Hispano, exibindo a posição da aplicação em 31/01/2003, não houve a apresentação de extrato que demonstrasse o valor da mesma aplicação de 31/12/2002, impedindo aferir se, de fato, a sociedade estrangeira incorreu em prejuízos no mês de janeiro de 2003 (fls. 984/985)." Às fls. 189 e 190 do anexo I, foram juntados extratos do Banco Santander Central Hispano, exibindo a posição da aplicação em 31/01/2003, no valor de US$ 14.874.848,00, e exibindo a posição da aplicação em 31/12/2002, no valor de US$ 14.879.271,00, perfazendo um prejuízo na aplicação em fundo de ações no período, no valor de US$ 4.423,00, restando um montante de US$ 5.562,00 a título de prejuízo na aplicação em fundo de ações não comprovado, para o qual há de se considerar procedente a glosa. A abordagem fiscal não extrai adequadamente as informações constantes dos documentos em tela. A contribuinte já apresentara, durante o procedimento fiscal, extrato apontando como valor de suas aplicações em 31/01/2003 o montante de US$ 14,882,553 (fl. 946) e por ocasião da defesa novamente juntou este documento acompanhado de extrato semelhante com a posição em 31/12/2002, no valor de US$ 14,892,538. A diferença entre estas posições revela a perda de US$ 9,985.00, ao passo que as grandezas comparadas no Relatório Fiscal estão consignadas apenas em uma fita de soma anexada ao extrato e não guardam relação com a posição atualizada da carteira de investimentos consignada nos dois documentos citados. Sob esta ótica, a glosa deveria ser integralmente cancelada. Porém, como a glosa de US$ 5,562.00 foi mantida em diligência e está alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, descabe a apreciação deste Colegiado acerca daquela parcela. Logo, cumpre apenas cancelar a parcela de US$ 4,423,00, como indicado pela autoridade fiscal ao final da diligência. Glosa de US$ 41,784.04 (31/01/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: Fl. 4243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 14 13 "Igual tratamento também deve ser conferido ao valor deduzido em 31/01/2003, no montante de US$ 41.784,04, em relação ao qual houve a apresentação de documento emitido pelo JPMorgan Private Bank (fls. 986). A despeito de nele existira identificação de uma quantia correspondente ao valor deduzido (US$ 41.784,04), não há a comprovação de que efetivamente o valor é atinente a uma despesa incorrida. Tal valor apenas está localizado na coluna de uma tabela do demonstrativo. Como se não bastasse, no documento apresentado consta a seguinte informação: "O Banco JPMorgan adverte que esta planilha é meramente informativa e poderá conter imprecisões, tendo em vista que este foi realizado não pela área de operações do Banco, e sim pela área de relacionamento com o cliente, somente para atendimento a sua solicitação. Deverá ser considerado como documento oficial o extrato mensal encaminhado em anexo". Como o referido "documento oficial" não foi apresentado, plenamente justificada a glosa da despesa." Às fls. 193 e 194 do anexo I, foram juntados extratos do Banco J.P. Morgan (Suisse) SA, em língua inglesa, relativo à conta bancária n.° 2804660, de titularidade de Arcom Corporation, exibindo a posição da aplicação em 31/12/2002, no valor de US$ 4.139.547,94, e exibindo a posição da aplicação em 31/01/2003, no valor de US$ 4.097.763,99, perfazendo um prejuízo na aplicação em fundo de ações no período, no valor de US$ 41.783,95, restando comprovada a despesa deduzida pelo sujeito passivo. Os documentos às fls. 193/194 do Anexo I expressam o que consignado pela autoridade fiscal, razão pela qual a glosa deve ser cancelada. Glosa de US$ 16,776.13 (31/03/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "No que concerne à dedução de US$ 16.776,13, datada de 31/03/2003, também se impõe a glosa. Os documentos apresentados (fls. 995/997) não contêm qualquer referência à sociedade estrangeira ou mesmo a seu emissor. Como se não bastasse, no rodapé de todos eles consta a informação em inglês de que não há qualquer garantia de sua perfeição ou exatidão." Às fls. 197/198 do anexo I, foram juntados extratos do banco JP Morgan (Suisse) SA, em língua inglesa, relativo à conta bancária n.° 2804660, de titularidade de Arcom Corporation, onde consta o valor total de mercado em 28/02/2003, no montante de US$ 4.109.297,91, e em 31/03/2003, no montante de US$ 4.082.104,20, o qual adicionado ao valor intitulado Receitas e Despesas Diversas com saldo negativo de US$ 10.417,58, perfaz um prejuízo na aplicação em fundo de ações no valor de US$ 16.776,13, restando comprovada a despesa. Observase no extrato contábil à fl. 199 do Anexo I que a variação nos investimentos em referência foi distribuída em perdas de US$ 16,776.13 e despesas com administração de US$ 10,417.58. Assim, restando demonstrado nos extratos acima referidos a redução de US$ 27,193.71, contemplando ambas parcelas, a glosa correspondente às perdas deve ser cancelada. Fl. 4244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 15 14 Glosa de US$ 166,296.97 (30/09/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Foi glosada também a despesa contabilizada em 30/09/2003, no valor de US$ 166.296,97. Além dos documentos apresentados (fls. 1014/1016) não comprovarem inequivocamente a despesa, em um deles (fls. 1015), além de inexistir qualquer menção à sociedade estrangeira ou ao seu emissor, também consta a informação em inglês de que não há garantia de sua perfeição ou exatidão." Os documentos apresentados no curso da ação fiscal (fls. 1014/1016), efetivamente não são hábeis a comprovar inequivocamente a despesa, conforme concluiu a autoridade lançadora, bem como não foram apresentados quaisquer documentos adicionais, impondose a manutenção da glosa. Na petição que acompanha os documentos que complementaram a impugnação, a contribuinte limitase a dizer que junta extratos para comprovar as despesas apontadas nas linhas 1, 2, 5, 15 e 20, ao passo que a glosa em questão está apontada no item 13. Em impugnação, dissera que a Fiscalização não poderia desconsiderar os elementos apresentados por não considerálos oficiais, e que a coincidência das informações imporia a admissibilidade da perda. Ocorre que os registros contábeis dos correspondentes investimentos em setembro/2003 apresentam várias naturezas (fl. 1016), e ainda consignam receita de aplicação financeira concomitantemente com perda em aplicação financeira, sendo certo que nenhum dos documentos apresentados traz explicitamente a indicação do valor da perda contabilizada, e todos estão em língua estrangeira. Contudo, como estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, está dispensada a apreciação deste Colegiado acerca deste ponto. Glosa de US$ 73,590.00 (09/12/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Também se procedeu à glosa do valor contabilizado em 09/12/2003, no montante de US$ 73.590,00. Nos documentos apresentados (fls. 1020/1021) não há qualquer referência à sociedade estrangeira, impedindo concluirse que eles se referem efetivamente a esta. Ademais, os documentos apresentados contêm informações manuscritas que tampouco auxiliam na comprovação da despesa." Às fls. 201/202 do anexo I, foram juntadas cópias dos mesmos documentos acima mencionados, acompanhados de cópia de documento através do qual Arcom Corporation, representada pela sua Gerente Geral, solicita ao UnibancoUnião de Bancos Brasileiros (Luxembourg) SA, a confirmação de que a conta número 1600419, consignada nos extratos, é de titularidade da Arcom Corporation (fls. 204anexo I), documento este acompanhado de cópia de tradução feita por tradutor público (fls. 205anexo I). O Unibanco atende à solicitação e confirma a informação. Comprovada portanto, a despesa deduzida. Confirmada a titularidade da conta à qual se referem os documentos de fls. 1020/1021, observase que as informações manuscritas referidas pela Fiscalização, em verdade, afetam apenas a quantificação da receita reconhecida no mesmo período em questão. Fl. 4245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 16 15 Isto porque o extrato evidencia que a aplicação de US$ 10,000,000.00 foi avaliada em US$ 9,926,410.00 em 08/12/2003, ensejando a perda de US$ 73,590.00, sendo depois acrescida de receita equivalente a US$ 35,666.67, registrada parcialmente em dezembro/2003 no valor de US$ 26,155.56, correspondente aos 22 dias transcorridos até 31/12/2003. Assim, deve ser cancelada a glosa promovida. Glosa de US$ 142,559.85 (30/04/2004) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "A necessidade de glosa também se estende à despesa contabilizada em 30/04/2004, no valor de US$ 142.559,85. Os documentos apresentados (fls. 1024/1026) também não permitem concluir a ocorrência do prejuízo contabilizado, justificando o procedimento ora adotado." Os documentos apresentados no curso da ação fiscal (fls. 1024/1026), efetivamente não são hábeis e comprovar inequivocamente a despesa, conforme concluiu a autoridade lançadora, bem como não foram apresentados quaisquer documentos adicionais, impondose a manutenção da glosa. Cientificada, a contribuinte juntou outros demonstrativos e requereu sua apreciação (fls. 3225/3226). A autoridade fiscal então retificou o Relatório de Diligência para consignar que: Às fls. 3.234/3.255, foram juntados os extratos emitidos pelo J.P. Morgan Private Bank, relativos ao movimento financeiro da empresa Arcom Corporation, no período de 01/04/2004 a 30/04/2004, onde consta especificamente a página 2 de 22 (fls. 3.235), o resumo do portfólio de ativos financeiros, literalmente traduzido: dinheiro e curto prazo (cash & short term), renda fixa (fixed income), ações (equities), outros (other). Às páginas 5 a 9 de 22 dos extratos (fls. 3.238/3.242), constam informações individualizadas a respeito dos ativos financeiros, restando consignado na página 8 de 22 (fls. fls. 3.241), perdas líquidas relativas aos investimentos em ações no montante de US$ 34.855,79 (coluna unrealized/gain/loss/USD não realizado/ganho/perda/USD). Nos extratos apresentados, estas foram as únicas perdas claramente identificadas, pertinentes aos investimentos em aplicações financeiras em fundo de ações. Na planilha demonstrativa da apuração das referidas perdas, elaborada e intitulada pelo contribuinte como Anexo 1 (fls. 3.227/3.228), constam movimentações financeiras a débito e a crédito, cujos valores foram extraídos das informações constantes das páginas 14 a 16 de 22 dos extratos emitidos pelo banco J.P. Morgan (fls. 3.247/3.249), e extratos de fls. 1.024 e 1.026, resultando ao final, na apuração do prejuízo incorrido em aplicações em fundo de ações, no montante de US$ 142.559,85. Em que pese todos os valores consignados na planilha demonstrativa tenham sido extraídos dos extratos emitidos pelo banco J.P. Morgan, os cálculos apresentados pelo contribuinte não conduzem efetivamente à formação de convicção acerca da ocorrência do prejuízo em aplicações em fundo de ações, no valor de US$ 142.559,85, até mesmo porque os mesmos documentos atestam objetivamente a ocorrência do prejuízo no montante de US$ 34.855,79, em relação à referida aplicação, restando portanto parcialmente comprovada a despesa neste mesmo montante. Fl. 4246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 17 16 A contribuinte novamente manifestouse afirmando a absoluta falta de disposição e interesse da I. Autoridade Diligente no exame dos documentos anexados aos autos pela Requerente e nos esclarecimentos por ela prestados, justificando a manutenção da glosa com base em critérios obscuros e subjetivos, sem explicar porque os documentos apresentados não provariam a ocorrência do prejuízo. Complementou que a falta de informação satisfatória e objetiva acerca dos esclarecimentos prestados e documentos apresentados pela contribuinte prejudicaria o exercício de seu direito de defesa. Não tem razão a recorrente, pois a autoridade fiscal expôs com clareza o conteúdo que extraiu dos documentos juntados aos autos. Por sua vez, os registros contábeis dos correspondentes investimentos em abril/2004 apresentam várias naturezas (fl. 3230), e ainda consignam receitas de aplicação financeira concomitantemente com perda em aplicação financeira, sendo certo que nenhum dos documentos apresentados traz explicitamente a indicação do valor da perda contabilizada, e todos estão em língua estrangeira. É certo que outros extratos também foram apresentados, apenas, em língua estrangeira, mas a simplicidade das informações neles contidas permitiu concluir pela correspondência com os fatos alegados pela contribuinte. Já no presente caso, nem mesmo para a parcela US$ 34,855.79 é possível admitir a comprovação apresentada. Subsistiria integralmente, portanto, a glosa em questão. Contudo, como estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, estaria dispensada a apreciação do Colegiado acerca deste ponto. Glosa de US$ 48,316.67 (31/12/2004) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Procedeuse também à glosa da despesa contabilizada em 31/12/2004, no valor de US$ 48.316,67, haja vista que nos documentos apresentados (emitidos pelo Unibanco fls. 1042/1044) não há qualquer menção à sociedade estrangeira, obstando a análise dos valores nele constantes e denotando a falta de comprovação da correspondente quantia deduzida." Às fls. 207/209 do anexo I, foram juntadas cópias dos mesmos documentos acima mencionados, acompanhados de cópia de documento através do qual Arcom Corporation, representada pela sua Gerente Geral, solicita ao UnibancoUnião de Bancos Brasileiros (Luxembourg) SA, a confirmação de que a conta número 1600419, consignada nos extratos, é de titularidade da Arcom Corporation (fls. 210, anexo I), documento este acompanhado de cópia de tradução feita por tradutor público (fls. 211, anexo I). O Unibanco atende à solicitação e confirma a informação. Comprovada portanto, a despesa deduzida. A titularidade da conta à qual se referem os documentos de fls. 1042/1044, de fato, está confirmada na defesa. Observase, porém, que eles, embora semelhantes àqueles apreciados com referência à glosa de US$ 73,590.00 em 09/12/2003, incorporam outros movimentos que afetam o saldo da conta de investimentos em 31/12/2004. É possível confirmar a receita de US$ 124,000.00 que em fita de soma anexada ao documento é deduzida do saldo final de US$ 10,451,250.00 para então confrontar o resultado com o saldo inicial de US$ 10,278,933.33 e evidenciar a perda de US$ 48,316.67. Todavia, além da receita referida, há outros movimentos cuja natureza não foi esclarecida, mormente tendo em conta que o Fl. 4247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 18 17 extrato está em língua estrangeira. De outro lado, a autoridade lançadora não questionou o conteúdo do documento apresentado, mas apenas a titularidade da conta de investimento nele apresentada. Assim, confirmada esta, deve ser afastada a glosa em questão. Por tais razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos de declaração e atribuirlhes efeitos infringentes para afastar parcialmente as glosas de prejuízos na aplicação de fundos de ações, conforme consolidado no quadro abaixo: Prejuízos na Aplicações em Fundos de Ações (valores em US$) Item Data Despesa Glosa Comprovado Desistência 1 9/7/2003 92,39 92,39 92,39 2 31/1/2003 9.985,00 9.985,00 4.423,00 5.562,00 3 31/1/2003 41.784,04 41.784,04 41.784,04 4 28/2/2003 40.735,00 7.670,00 7.670,00 5 31/3/2003 16.776,13 16.776,13 16.776,13 6 30/9/2003 166.296,97 166.296,97 166.296,97 7 9/12/2003 73.590,00 73.590,00 73.590,00 Total em 2003 316.194,53 136.573,17 179.621,36 8 30/4/2003 142.559,85 142.559,85 142.559,85 9 30/9/2004 7.501,97 1.480,48 1.480,48 10 31/12/2004 48.316,67 48.316,67 48.316,67 Total em 2004 192.357,00 48.316,67 144.040,33 Neste ponto observase que ao se manifestar acerca da desistência, a contribuinte apontou em seus demonstrativos de cálculo que das infrações verificadas em 2004, no total de US$ 192,357.00, a parcela de US$ 83,172.46 teria sido comprovada em diligência, de modo que a desistência alcançaria apenas a parcela de US$ 109,184.54. O demonstrativo acima, porém, evidencia a manutenção de valor superior àquele objeto de desistência (US$ 144,040.33) e isto porque esta Relatora discordou do entendimento manifestado em diligência acerca da reversão parcial da glosa tratada no item 8 acima. Em conseqüência, no presente voto foi mantida integralmente a glosa de US$ 142,559.85, ao passo que a autoridade fiscal que promoveu a diligência propôs que se admitisse comprovada a parcela de US$ 34,855.79. Desta divergência de entendimento resultou a declaração de desnecessidade da apreciação do litígio em torno da integralidade da glosa tratada no item 8 acima em razão da desistência. Todavia, na medida em que a desistência não alcançou a parcela de US$ 34,855.79, a procedência desta glosa deverá ser apreciada pelo Colegiado, razão pela qual a presente decisão serão atacada por embargos opostos por esta própria Relatora. Com referência às despesas com juros de empréstimos bancários, a autoridade fiscal abordou as provas apresentadas agrupando as despesas segundo a numeração que lhes foi atribuída pela autoridade lançadora. Seguese a apreciação de cada grupo. Fl. 4248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 19 18 Itens 9, 10, 11, 12, 26, 33, 40, 41, 42, 52, 53, 57, 58 e 66 A autoridade fiscal principia o relatório, nesta parte, observando que a contribuinte reconhece a procedência das glosas no valor total de US$ 19.915,10 relativo às despesas correspondentes aos itens 9, 10, 11, 12, 26, 33, 40, 41, 42, 52, 53, 57, 58 e 66 (peça impugnatória fls. 1700). A contribuinte ressalta que estas parcelas totalizam US$ 19.915,10, equivalentes a R$ 53.889,12. Contudo, como estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, está dispensada a apreciação deste Colegiado acerca deste ponto. Itens 23, 25, 27, 28, 32, 34, 37, 47, 48, 61 e 62 Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Em relação às despesas n° 23, 25, 27, 28, 32, 34 e 37, a fiscalizada apresentou documentos (fls. 1045/1063), alegando que tais despesas decorreram de empréstimos contratados pela controlada no exterior com o Unibanco. Porém, os documentos apresentados não são hábeis para a comprovação dos valores deduzidos. As fichas de lançamento e os extratos contábeis apresentados não comprovam a dedutibilidade dos valores contabilizados. Na verdade, as intimações lavradas tinham por exato objetivo que a fiscalizada apresentasse os documentos que lastreassem os lançamentos contábeis. Assim, para efeito de comprovação das despesas, os documentos da escrita contábil em nada suportam os lançamentos (inclusive a maioria das fichas de lançamento já haviam sido apresentadas como resposta a intimações anteriores). Os demais documentos tampouco se apresentam suficientes para comprovar as despesas em comento. Devese ressaltar que em todos eles não há qualquer menção à sociedade estrangeira, o que, por si só, já os torna inábeis para a pretendida comprovação. Como se não bastasse, em alguns deles sequer há a identificação do emissor dos documentos (supostamente o Unibanco) e um deles inclusive está ilegível (fls. 1057). Mas ainda que superados estes dois óbices intransponíveis, o que se faz apenas para afeito de argumentação, os documentos apresentados tampouco seriam suficientes para a comprovação das despesas deduzidas, visto que a partir deles os lançamentos contábeis realizados não são justificados. Assim, é imperioso concluir pela necessidade de glosa das despesas n° 23, 25, 27, 28, 32, 34 e 37." Às fls. 02/77anexo II, o sujeito passivo apresenta os mesmos documentos apresentados anteriormente (por cópia), além de planilha demonstrativa da memória de cálculo dos juros incorridos em decorrência de empréstimos bancários, bem como dois contratos de empréstimo celebrados entre a Arcom Corporation e o UnibancoUnião de Bancos Brasileiros (Luxemburgo) SA. em língua inglesa, nas datas de 09/12/2003 (fls. 16/23anexo II) e 11/12/2003 (fls. 24/30anexo II), ambos no valor de US$ 10.000.000,00. Foram apresentadas também as traduções dos contratos feitas por Tradutor Público (fls. 36/77anexo II). Na planilha de fls. 03anexo II o sujeito passivo apresenta a memória de cálculo dos juros incorridos, mediante a aplicação da taxa de juros pactuada nos contratos de empréstimo (taxa libor de três meses, mais 1,5 % ao ano) sobre o montante principal, sendo os juros calculados na base de um ano de 360 dias e na proporção dos dias efetivamente transcorridos em cada mês. Nos extratos apresentados por cópia (fls. 08/15anexo II), emitidos pelo Unibanco, estão consignados desembolsos trimestrais, cujos valores são coincidentes com Fl. 4249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 20 19 aqueles escriturados na conta contábil 21202005, a título de pagamento de juros sobre empréstimo contraído junto ao Unibanco (fls. 06/07anexo II). Nos mencionados extratos não há menção à sociedade estrangeira, mas fazse referência à conta número 1600419, a qual é de titularidade da Arcom Corporation, segundo extraíse do documento juntado às fls. 210 anexo I, acompanhado de cópia de tradução feita por tradutor público (fls. 211 anexo I). Os documentos comprobatórios, conforme indicado pelo sujeito passivo na planilha de fls. 04anexo II, são pertinentes a despesas com juros de empréstimos contraídos junto ao UnibancoUnião de Bancos Brasileiros (Luxemburgo) SA., apropriadas na conta contábil 41102005, e correspondentes aos itens glosados de n.° 23, 25, 27, 28, 32, 34, 37, 47, 48, 61 e 62 da tabela acima. Na referida planilha fica demonstrado que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido, conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Entretanto, levandose em consideração o período de apuração anual, o montante dos juros apropriados contabilmente não superaram o montante dos juros efetivamente devidos. Restaram comprovadas portanto, as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 23, 25, 27, 28, 32, 34, 37, 47, 48, 61 e 62. Os documentos apresentados evidenciam que a controlada da contribuinte contratou dois empréstimos junto ao Unibanco – União de Bancos Brasileiros (Luxemburgo) S/A, cada um no valor de US$ 10,000,000.00, ensejando a apropriação de despesas juros a partir de dezembro/2003 em valores compatíveis com os contabilizados, sendo que a partir de maio/2004 a apropriação dos juros verificouse apenas ao final do correspondente trimestre. Os extratos da instituição financeira também apontam os pagamentos trimestrais destes encargos. Assim, as glosas devem ser canceladas. Itens 02 e 03 Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Em relação às despesas n° 02 e 03, a fiscalizada apresentou documentos (fls. 1064/1074), alegando que tais despesas decorreram de empréstimos contratados pela controlada no exterior com o Banco Santander. Aqui também são aplicáveis as mesmas observações anteriores quanto aos extratos contábeis e fichas de lançamento apresentados. Foi apresentada também uma planilha, sem qualquer lastro em documentação idônea, intitulada "Trade Finance Offshore em 31/01/2003" (fls. 1067), que não comprova qualquer despesa. Tampouco se apresenta suficiente para tanto um suposto extrato bancário obtido aparentemente pela Internet, sem qualquer comprovação de origem ou menção a sociedade estrangeira (fls. 1069). O mesmo se diz em relação à mensagem eletrônica sem qualquer identificação (fls. 1070). Por fim, os documentos do Banco Santander (fl. 1072 e fl. 1074) também não evidenciam as despesas deduzidas. Diante do exposto, tais despesas também foram glosadas." Às fls. 79anexo III/119anexo IV, o sujeito passivo apresenta planilhas demonstrativas da memória de cálculo dos juros incorridos em decorrência de empréstimos bancários, bem como cinco contratos de empréstimo celebrados entre a Arcom Corporation e o Banco Santander Brasil SA em língua inglesa nas seguintes datas e valores: em 29/05/2002, no valor de US$ 115.500,00 (fls. 85/97 anexo III); em 30/04/2002, no valor de US$ 115.500,00 (fls. 140/151anexo III); em 29/05/2002, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 194/206anexo III); e em 30/04/2002, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 42/54anexo IV). Fl. 4250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 21 20 Foram apresentadas também as traduções dos contratos feitas por Tradutor Público (fls. 103/139anexo III, 157/193anexo III, 01/41anexo IV, 69/119anexo IV). Na planilha de fls. 80anexo III, o sujeito passivo apresenta a memória de cálculo dos juros incorridos, mediante a aplicação da taxa de juros pactuada nos contratos de empréstimo sobre o montante principal, sendo os juros calculados na base de um ano de 360 dias e na proporção dos dias efetivamente transcorridos em cada mês. Os documentos comprobatórios, conforme indicado pelo sujeito passivo na planilha de fls. 81anexo III, são pertinentes a despesas com juros de empréstimos contraídos junto ao Banco Santander Brasil SA, apropriadas na conta contábil 41102005, e correspondentes aos itens glosados de n.° 02 e 03 da tabela acima. Na referida planilha fica demonstrado que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido, conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Entretanto, levandose em consideração o período de apuração anual, o montante dos juros apropriados contabilmente, não superaram o montante dos juros efetivamente devidos. Restaram comprovadas portanto, as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 02 e 03. Os contratos firmados em 29/05/2002, no valor de US$ 115.500,00 (fls. 85/97anexo III), e em 30/04/2002, no valor de US$ 115.500,00 (fls. 140/151anexo III) apresentam vencimento no próprio anocalendário 2002, razão pela qual, salvo aditamento não provado, não poderiam justificar juros incorridos nos meses de janeiro e fevereiro/2003. Todavia, os juros calculados em razão dos empréstimos contraídos em 29/05/2002, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 194/206anexo III) e em 30/04/2002, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 42/54anexo IV), com vencimento em 27/05/2003 e 25/04/2003 apresentam valores compatíveis com as despesas glosadas indicadas nos itens 02 e 03, razão pela qual a glosa deve ser cancelada. Itens 01, 04, 05, 06, 07, 08, 13, 14, 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 63 Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Em relação às despesas n° 01, 04, 06, 07, 13, 16 a 21, a fiscalizada apresentou documentos (fls. 1075/1098), alegando que tais despesas decorreram de empréstimos contratados pela controlada no exterior com o Banco Safra. Especificamente em relação às despesas n° 17 e 21, houve a apresentação de um demonstrativo discriminando os juros provisionados (fls. 1075), um extrato contábil (fls. 1076) e duas fichas de lançamento (fls. 1077), além de um extrato emitido pelo Safra National Bank, abarcando o mês de junho de 2003 (fls. 1078/1079). Outrossim, tais documentos não comprovam tais despesas, ensejando a correspondentes glosas. Em relação às demais despesas supostamente decorrentes de empréstimos contraídos junto ao Banco Safra, houve a apresentação de relação de documentos (fls. 1080/1098), dentre os quais extratos contábeis, fichas de lançamentos, além de mensagens eletrônicas, os quais se mostram inábeis para a comprovação das despesas (conforme já discorrido em itens anteriores). Ademais, foram apresentados extratos bancários que aparentemente se referem a pagamentos efetuados pela sociedade estrangeira. Todavia, como já antes salientado, a comprovação de um pagamento (por meio da comprovação de um débito em conta) não é hábil para comprovar os juros incorridos e deduzidos segundo o regime de competência. Para tanto, deveria a fiscalizada apresentar extratos Fl. 4251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 22 21 bancários de meses consecutivos de forma que, por meio da diferença entre os valores atualizados dos empréstimos, pudessem ser apurados os juros efetivamente incorridos (salientando que muitos dos juros deduzidos foram assim comprovados). Poderia também apresentar documentos hábeis (notadamente os contratos firmados) que comprovassem os empréstimos contraídos e as taxas de juros pactuadas, de forma a tornar possível o cálculo dos juros periodicamente incorridos. Ante o exposto, tais despesas também foram glosadas." Às fls. 120/236 anexo IV, o sujeito passivo apresenta planilhas demonstrativas da memória de cálculo dos juros incorridos em decorrência de empréstimos bancários, bem como cinco contratos de empréstimo celebrados entre a Arcom Corporation e o Safra National Bank of New York em língua Inglesa nas seguintes datas e valores: em 20/02/2003, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 131/135 anexo IV); em 15/05/2003, no valor de US$ 10.000.000,00 (fls. 158/163 anexo IV); em 09/01/2004, no valor de US$ 30.000.000,00 (fls. 191/195 anexo IV); e em 13/11/2002, no valor de US$ 12.000.000,00 (fls. 216/219anexo IV). Foram apresentadas também as traduções dos contratos feitas por Tradutor Público (fls. 136/153 anexo IV, 164/181 anexo IV, 196/213 anexo IV, 220/236 anexo IV). Nas planilhas de fls. 121/124 anexo IV o sujeito passivo apresenta a memória de cálculo dos juros incorridos, mediante a aplicação da taxa de juros pactuada nos contratos de empréstimo (8% ao ano) sobre o montante principal, sendo os juros calculados na base de um ano de 360 dias e na proporção dos dias efetivamente transcorridos em cada mês. Os documentos comprobatórios, conforme indicado pelo sujeito passivo na planilha de fls. 125 anexo IV, são pertinentes a despesas com juros de empréstimos contraídos junto ao Safra National Bank of New York, apropriadas na conta contábil 41102005, e correspondentes aos itens glosados de n.° 01, 04, 05, 06, 07, 08, 13, 14, 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 63 da tabela acima. Na referida planilha fica demonstrado que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Considerando o período de apuração anual, especificamente 2003, verificase que o somatório dos juros devidos nos termos pactuados nos contratos de empréstimo é inferior ao montante apropriado contabilmente. No ano de 2003, de acordo com os cálculos constantes das planilhas de fls. 121/124 anexo IV, consolidados na planilha de fls. 125 anexo IV, foram apropriados contabilmente juros no montante total de US$ 2.061.919,36, enquanto os juros efetivamente devidos totalizaram US$ 1.953.333,34, perfazendo uma diferença apropriada a maior no período, no valor de US$ 108.586,02, conforme demonstrado abaixo. Fl. 4252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 23 22 Mês de Competência Juros Devidos Juros Apropriados Juros Apropriados a Maior Juros Apropriados a Menor Juros Apropriados Indevidamente Itens Jan/2003 82.666,67 80.000,00 2.666,67 01 Fev/2003 80.888,89 80.000,00 888,89 04 Mar/2003 130.888,89 232.524,01 101.635,12 98.079,56 05, 06 Abr/2003 126.666,67 126.666,62 0,05 07, 08 Mai/2003 153.111,11 126.666,62 26.444,49 13, 14 Jun/2003 193.333,33 230.284,54 36.951,21 10.506,46 16, 17, 18, 19, 20, 21 Jul/2003 199.777,78 199.777,57 0,21 Ago/2003 199.777,78 206.222,23 6.444,45 Set/2003 193.333,33 186.888,88 6.444,45 Out/2003 199.777,78 212.666,68 12.888,90 Nov/2003 193.333,33 180.444,44 12.888,89 Dez/2003 199.777,78 199.777,77 0,01 Totais 1.953.333,34 2.061.919,36 157.919,68 49.333,66 108.586,02 Como se vê, nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, julho, setembro e novembro foram apropriados contabilmente juros a menor que o devido e nos meses de março, junho, agosto e outubro, foram apropriados juros a maior que o devido. Os juros apropriados a maior no mês de março, compensados com os juros apropriados a menor nos meses de janeiro e fevereiro, resultou em juros indevidamente apropriados no montante de US$ 98.079,56, correspondentes aos itens 05 e 06. Os juros apropriados a maior no mês de junho, compensados com os juros apropriados a menor nos meses de abril, maio e julho, resultou em juros indevidamente apropriados no montante de US$ 10.506,46, correspondentes aos itens 16, 17, 18, 19, 20 e 21. Enfim, os juros apropriados a maior e a menor que o devido nos meses de agosto a dezembro anulamse mutuamente, não resultando em diferenças apropriadas indevidamente. No que se refere à despesa com juros de empréstimos bancários correspondente ao item 63, no valor de US$ 9.724,20, contabilizada no mês de dezembro de 2004, os cálculos constantes das planilhas de fls. 121/124 anexo IV, consolidados na planilha de fls. 125 anexo IV, evidenciam que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, no curso do referido ano, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Entretanto, levandose em consideração o período de apuração anual, o montante dos juros apropriados contabilmente não superou o montante dos juros efetivamente devidos, e especificamente no mês de dezembro de 2004, as despesas passíveis de apropriação (US$ 23.465,03) superaram o montante efetivamente apropriado (US$ 9.724,20 item 63). Restaram comprovadas portanto, as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 01, 04, 07, 08, 13, 14 e 63, e parcialmente comprovadas as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 05, 06, 16, 17, 18, 19, 20 e21. Cientificada da primeira versão do Relatório Fiscal, a contribuinte apontou erro de cálculo, já corrigido na segunda versão do Relatório acima reproduzida. Disse, também, que a Fiscalização ignorou os efeitos dos juros apropriados em 2002 e 2004, que reduziriam a glosa de US$ 109,544.28 para US$ 50,075.45. Porém, como este segundo ponto não ensejou Fl. 4253DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 24 23 alterações no Relatório Fiscal, a contribuinte novamente se manifestou às fls. 4190/4192 apontando que a disparidade entre juros apropriados e aqueles efetivamente pagos decorre de liquidações antecipadas de contratos de empréstimo, levando ao ajuste do valor da despesa conforme planilha de fls. 86, reiterando que a dedutibilidade da despesa deveria ter sido avaliada tendo em conta todo o período abrangido pela operação de mútuo, que teve início em novembro de 2002 e término em janeiro de 2005, e não apenas o de 2004, como fez a autoridade fiscal. Questiona, assim, a conduta fiscal, que teria obstaculizado a busca da verdade material, requerendo a realização de nova diligência para por fim à controvérsia. Em que pese o empenho da autoridade fiscal que atendeu à diligência requerida nestes autos, constatase que a amplitude das análises acabou por exceder os limites estabelecidos pela acusação para admissibilidade da regularidade dos valores questionados, mormente tendo em conta que as verificações procedidas antes do lançamento buscavam apurar o lucro da controlada que, ao final do anocalendário, poderia ser considerado como disponibilizado à contribuinte autuada. De fato, observase nos autos que durante o procedimento fiscal a contribuinte apresentou os registros contábeis de sua controlada acerca das despesas de juros aqui questionadas, e neles constatase que os encargos foram apropriados depois da obtenção de empréstimos de US$ 7,000,000.00 em 24/02/2003, US$ 12,000,000.00 em 13/11/2002 e US$ 10,000,000.00 em 20/05/2003. Embora outras despesas de juros tenham sido agregadas às contas contábeis representativas destas obrigações, a autoridade lançadora glosou apenas parte delas, no total de US$ 884,309.66. De outro lado, a contribuinte comprovou que sua controlada não só contratou os empréstimos assim escriturados, como também outro, em 09/01/2004, no valor de US$ 30,000,000.00 (fls. 191/195 anexo IV). Além disso, apresentou planilhas de cálculo nas quais as taxas de juros e o período de sua aplicação são compatíveis com as disposições contratuais e resultam, para os primeiros contratos referidos, em juros totais de US$ 870,406.66, US$ 1,405,333.33 e US$ 1,151,111.11, respectivamente, passíveis de apropriação, em sua quase totalidade, nos períodos fiscalizados (2003 e 2004). A glosa foi motivada pela apresentação de documentação precária e concentrada, especialmente, na comprovação do pagamento do empréstimo. Daí porque a autoridade lançadora ressaltou que a comprovação de um pagamento (por meio da comprovação de um débito em conta) não é hábil para comprovar os juros incorridos e deduzidos segundo o regime de competência, afirmando necessária a apresentação de extratos bancários de meses consecutivos de forma que, por meio da diferença entre os valores atualizados dos empréstimos, pudessem ser apurados os juros efetivamente incorridos (salientando que muitos dos juros deduzidos foram assim comprovados), ou então a apresentação de documentos hábeis (notadamente os contratos firmados) que comprovassem os empréstimos contraídos e as taxas de juros pactuadas, de forma a tornar possível o cálculo dos juros periodicamente incorridos. Assim, considerando que a glosa alcançou, precisamente, os juros contabilizados no 1o semestre de 2003 em razão dos empréstimos de US$ 7,000,000.00 em 24/02/2003 e de US$ 12,000,000.00 em 13/11/2002, além das parcelas agregadas às despesas deste último em razão do seu controle conjunto com o empréstimo de US$ 10,000,000.00 de 20/05/2003 a 31/07/2003, na medida em que individualmente as despesas contabilizadas são compatíveis com aquelas esperadas em razão das disposições contratuais demonstradas na Fl. 4254DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 25 24 defesa, e tendo em conta que eventuais excessos podem repercutir em registros contábeis de ajuste posteriores, que neutralizariam seu efeito no que importa ao lucro distribuído à autuada, e ademais não foram glosados pela Fiscalização (somente foi identificada uma última glosa em 30/12/2004 no valor de US$ 9,724.12), impõese admitir que a contribuinte apresentou, em sua defesa, elementos suficientes para justificar as despesas contabilizadas por sua controlada. Assim, as glosas tratadas neste tópico deveriam ser canceladas. Contudo, como parte destas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, está dispensada a apreciação deste Colegiado acerca desta parcela, de modo que devem ser canceladas apenas as glosas indicadas na diligência, correspondentes aos itens de n.° 01, 04, 07, 08, 13, 14 e 63, e parcialmente aos itens de n.° 05, 06, 16, 17, 18, 19, 20 e 21. Itens 22, 24, 29, 30, 31, 35, 36, 38, 39, 44, 45, 46, 49, 50, 51, 54, 55, 59, 60, 64 e 65 Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Por fim, a fiscalizada apresentou diversos outros documentos relacionados a empréstimos que teriam sido celebrados com o Banco JP Morgan (fls. 1099/1166). Cabem aqui as mesmas considerações já tecidas relacionadas à apresentação dos extratos contábeis e fichas de lançamento. Ademais, os extratos bancários apresentados denotam apenas débitos em conta supostamente relacionados a empréstimos (nos extratos constam os dizeres em inglês: "We have debited your account in payment of interest on your loan"). Alguns desses extratos inclusive se reportam ao ano de 2005 (lembrando as despesas aqui examinadas alcançam apenas os anos de 2003 e 2004). Destarte, é inegável que não houve a comprovação das despesas contabilizadas, porquanto os débitos em conta não demonstram os juros incorridos segundo o regime de competência. Sem a comprovação das cláusulas contratuais celebradas, não restam demonstradas as supostas despesas incorridas e contabilizadas. Ante o exposto, todas as demais despesas também foram glosadas." Às fls. 78anexo II/78anexo III, o sujeito passivo apresenta planilhas demonstrativas da memória de cálculo dos juros incorridos em decorrência de empréstimos bancários, bem como cinco contratos de empréstimo celebrados entre a Arcom Corporation e o JPMorgan Chase Bank em língua Inglesa nas seguintes datas e valores: em 25/03/2004, no valor de US$ 5.000.000,00 (fls. 43/50anexo III); em 25/06/2004, no valor de US$ 8.000.000,00 (fls. 140/147anexo II) ; em 11/08/2004, no valor de US$ 1.200.000,00 (fls. 03/10anexo III); em 16/09/2003, no valor de US$ 13.200.000,00; e em 12/10/2004, no valor de US$ 25.000.000,00 (fls. 91/98anexo II). Foram apresentadas também as traduções dos contratos feitas por Tradutor Público (fls. 99/127anexo II, fls. 148/176anexo II, fls. 193/220anexo II, fls. 11/38anexo III, fls. 51/78anexo III). Nas planilhas de fls. 84/85/anexo II o sujeito passivo apresenta a memória de cálculo dos juros incorridos, mediante a aplicação da taxa de juros pactuada nos contratos de empréstimo sobre o montante principal, sendo os juros calculados na base de um ano de 360 dias e na proporção dos dias efetivamente transcorridos em cada mês. As planilhas e extratos emitidos pelo JP Morgan referentes à conta de n.° 400 656884, de titularidade de Arcom Corporation, de fls. 87/90anexo II, 128/139 Fl. 4255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 26 25 anexo II, 177184anexo II, 1/2anexo III e 39/42anexo III, atestam o pagamento dos juros devidos em períodos trimestrais, conforme disposto nos contratos de empréstimos. Os documentos comprobatórios, conforme indicado pelo sujeito passivo na planilha de fls. 86anexo II, são pertinentes a despesas com juros de empréstimos contraídos junto ao Banco JP Morgan, apropriadas na conta contábil 41102005, e correspondentes aos itens glosados de n.° 22, 24, 29, 30, 31, 35, 36, 38, 39, 44, 45, 46, 49, 50, 51, 54, 55, 59, 60, 64 e 65 da tabela acima. Na referida planilha fica demonstrado que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido, conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Entretanto, levandose em consideração o período de apuração anual, o montante dos juros apropriados contabilmente, não superaram o montante dos juros efetivamente devidos. Restaram comprovadas portanto, as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 22, 24, 29, 30, 31, 35, 36, 38, 39, 44, 45, 46, 49, 50, 51, 54, 55, 59, 60, 64 e 65. A contribuinte comprova os empréstimos bancários que, escriturados na forma apresentada antes do lançamento (fls. 1099/1166), motivaram as despesas de juros em referência. Por sua vez, a autoridade fiscal que realizou a diligência, confirmou a compatibilidade das despesas com as taxas de juros contratualmente fixadas. Logo, deve ser afastada a glosa das despesas indicadas nos itens de n.° 22, 24, 29, 30, 31, 35, 36, 38, 39, 44, 45, 46, 49, 50, 51, 54, 55, 59, 60, 64 e 65. Item 56 A autoridade fiscal encarregada da diligência observa que: Quanto à glosa pertinente à despesa com juros de empréstimos bancários de n.° 56, no valor de US$ 63.750,00, o contribuinte informa às fls. 03anexo I, tratarse de despesa decorrente de prejuízo incorrido em aplicação financeira contratada junto ao Unibanco. Às fls. 212/216anexo I, apresenta extratos emitido pelo Unibanco relativo à conta número 1600419, cuja titularidade é da Arcom Corporation, conforme atestam os documentos de fls. 215/216, anexo I. Mencionados extratos exibem a posição da aplicação em fundo de ações na data de 01/10/2004, no valor de US$ 10.127.500,00, e na data de 31/10/2004, no valor de US$ 10.063.750,00, perfazendo um prejuízo na aplicação em fundo de ações no período, no valor de US$ 63.750,00, restando comprovada a despesa deduzida. Observase no Termo de Verificação Fiscal que, embora intimada a comprovar a referida despesa, contabilizada a título de juros sobre empréstimos, a contribuinte não prestou os esclarecimentos pertinentes. Na documentação juntada à impugnação demonstra que uma de suas aplicações financeiras foi reduzida de US$ 10,127,500.00 para US$ 10,063,750.00 em 31/10/2004. Considerando a coincidência de datas e valores, bem como que a autoridade fiscal não questionou despesa semelhante contabilizada a título de prejuízos em aplicações financeiras, antes abordados, é razoável concluir que a controlada apenas errou a conta contábil na qual apropriara a despesa em tela, devendo ser afastada a glosa correspondente. Fl. 4256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 27 26 Itens 15 e 43 Finalizando, a autoridade fiscal encarregada da diligência observa que não foram apresentados quaisquer elementos hábeis a comprovar as despesas com juros de empréstimos bancários de n.° 15, no valor de US$ 492,19 e de n.° 43, no valor de US$ 989,65. Assim, deveriam ser mantidas as glosas correspondentes. Contudo, como estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, está dispensada a apreciação deste Colegiado acerca deste ponto. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos de declaração e atribuirlhes efeitos infringentes para afastar parcialmente as glosas de juros em empréstimos bancários, conforme consolidado no quadro abaixo: Juros em Empréstimos Bancários (valores em US$) Item Data Glosados Comprovados Desistência 1 31/1/2003 80.000,00 80.000,00 2 31/1/2003 44.345,16 44.345,16 3 27/2/2003 43.658,03 43.658,03 4 28/2/2003 80.000,00 80.000,00 5 31/3/2003 54.444,44 6 31/3/2003 178.079,57 134.444,45 98.079,56 7 30/4/2003 79.999,99 79.999,99 8 30/4/2003 46.666,63 46.666,63 9 30/4/2003 104,20 104,20 10 30/4/2003 98,58 98,58 11 30/4/2003 30,27 30,27 12 31/5/2003 233,05 233,05 13 31/5/2003 79.999,99 79.999,99 14 31/5/2003 46.666,63 46.666,63 15 18/6/2003 492,19 492,19 16 30/6/2003 82.665,17 17 30/6/2003 48.221,60 18 30/6/2003 91.111,02 19 30/6/2003 2.222,31 20 30/6/2003 4.508,19 21 30/6/2003 1.556,25 219.778,08 10.506,46 22 31/12/2003 64.464,58 64.464,58 23 31/12/2003 31.628,66 31.628,66 Total em 2003 1.061.196,51 951.652,20 109.544,31 24 31/1/2004 20.602,08 20.602,08 25 31/1/2004 53.104,45 53.104,45 26 1/2/2004 4,42 4,42 Total em 01/02/2004 73.710,95 73.706,53 4,42 Fl. 4257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 28 27 Juros em Empréstimos Bancários (valores em US$) Item Data Glosados Comprovados Desistência 27 29/2/2004 41.611,11 41.611,11 28 31/3/2004 49.641,67 49.641,67 29 31/3/2004 39.775,01 39.775,01 30 30/4/2004 7.098,34 7.098,34 31 30/4/2004 19.937,50 19.937,50 32 30/4/2004 33.477,81 33.477,81 33 2/5/2004 13,83 13,83 34 31/5/2004 24.422,23 24.422,23 35 31/5/2004 8.846,10 8.846,10 36 31/5/2004 20.701,25 20.701,25 37 30/6/2004 8.244,45 8.244,45 38 30/6/2004 8.541,67 8.541,67 39 30/6/2004 19.937,40 19.937,40 40 27/8/2004 10.944,81 10.944,81 41 31/8/2004 3.251,00 3.251,00 42 31/8/2004 0,17 0,17 43 31/8/2004 989,65 989,65 44 31/8/2004 5.301,72 5.301,72 45 31/8/2004 8.836,21 8.836,21 46 31/8/2004 20.624,89 20.624,89 47 9/9/2004 74.111,11 74.111,11 48 9/9/2004 48.555,56 48.555,56 49 17/9/2004 1.180,35 1.180,35 50 24/9/2004 14.951,15 14.951,15 51 30/9/2004 5.573,23 5.573,23 52 4/10/2004 2.639,13 2.639,13 53 25/10/2004 2.880,00 2.880,00 54 30/10/2004 30.671,48 30.671,48 55 30/10/2004 35.508,83 35.508,83 56 30/10/2004 63.750,00 63.750,00 57 30/10/2004 5,25 5,25 58 3/11/2004 0,87 0,87 59 30/11/2004 27.280,00 27.280,00 60 30/11/2004 25.449,99 25.449,99 61 9/12/2004 59.655,56 59.655,56 62 9/12/2004 84.933,33 84.933,33 63 30/12/2004 9.724,12 9.724,12 64 31/12/2004 27.252,19 27.252,19 65 31/12/2004 29.898,00 29.898,00 66 31/12/2004 54,52 54,52 Total em 31/12/2004 876.271,49 855.492,26 20.779,23 Fl. 4258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 29 28 Diante de todo o exposto, os embargos de declaração devem ser ACOLHIDOS com efeitos infringentes para cancelar as exigências decorrentes da reversão PARCIAL das glosas de prejuízos em aplicações em fundos de ações e de juros em empréstimos bancários, demonstradas neste voto. Reiterese que, uma vez constatado no momento da formalização deste acórdão, que remanesceu matéria em litígio não apreciado pelo Colegiado, esta Relatora está opondo, em paralelo, embargos contra a presente decisão, para que seja suprida a omissão constatada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13706.001435/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO.
Restando verificado nos autos a inexistência de contradição no Acórdão recorrido, os Embargos de Declaração devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 2101-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA.
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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CONTRADIÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO. Restando verificado nos autos a inexistência de contradição no Acórdão recorrido, os Embargos de Declaração devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 14 35 /2 00 9- 12 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 06/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Tratam os autos de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls.82), em face do Acórdão nº 2101001.886, prolatado na sessão de 19 de setembro de 2012 (fls.61/66). No arrazoado, a embargante denuncia contradição no acórdão, cujos fundamentos estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: "Pela análise do Acórdão 2101001.886, verificase que a e. 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, com base no Comprovante de Pagamento de fls. 53 do e processo, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para “restabelecer a contribuição para a previdência privada no importe de R$ 1.114,20”. Ocorre que o citado Comprovante referese ao exercício de 2005 e não ao, de 2006 dos autos. Quanto à dedução pretendida, fazse necessário invocar a Lei n º 9.250/95, verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas: (...) d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (Destaque nosso) O referido documento atesta que o pagamento de R$ 1.114,20 não ocorreu no exercício tratado no presente processo (2006). Portanto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que esse e. Colegiado, sanando a contradição apontada, limite a dedução aos pagamentos efetivamente realizados no exercício de 2006." A embargante denuncia contradição no acórdão embargado, relativamente à comprovação documental inadequada carreada aos autos pelo contribuinte, correlata não ao exercício de 2006 – objeto da autuação, e sim ao exercício de 2005. Voto Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Analisando o inteiro teor do processo administrativo em tela, entendo que não assiste razão à Embargante. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 06/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.001435/200912 Acórdão n.º 2101002.648 S2C1T1 Fl. 88 3 O Contribuinte afirma "que ingressou no Gboex — Previdência Social Privada em 27/08/1968, e que anexava os comprovantes de pagamento do exercício 2006 ano base 2005 — 1° semestre não encontrado, com reajuste no 2° semestre (julho a dezembro) , mensal de R$98,50 no subtotal de R$591,00 mais R$523,20 do 1° semestre". Para comprovar a sua alegação, apresentou um comprovante de pagamento do mês de julho de 2005 no valor de R$98,50 (efls 22 e 25). A decisão de 1a instância reconheceu tal pagamento e destacou que "Acatase a dedução da contribuição à Previdência Privada somente quando ficar comprovado nos autos a efetividade da mesma." (efl. 38) Visando instruir o seu Recurso Voluntário, o Contribuinte solicitou à Gboex – Previdência Social Privada que declarase o valor por ela recebido, a fim de que pudesse ser restabelecida a dedução pleiteada (efl. 53). Provavelmente por adotar o conceito de exercício financeiro, a declaração teve o título de "COMPROVANTE DE PAGAMENTOS EXERCÍCIO DE 2005". Refazendo as contas dos valores pagos, percebemos que o contribuinte pagou o valor de R$ 90,30 por mês durante o primeiro semestre e R$ 98,50/mês no segundo semestre, ambos do anocalendário em discussão. Ora, em vista que todas as evidências juntadas aos autos, corroboram com o que vem sendo afirmado pelo Contribuinte desde a sua Impugnação, entendo que não existe a contradição apontada pela Fazenda Nacional. Assim, NEGO provimento aos Embargos de Declaração. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 06/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004006/2010-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/04/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/04/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/04/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/04/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 40 06 /2 01 0- 56 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004006/201056 Acórdão n.º 3803006.615 S3TE03 Fl. 394 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/04/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004006/201056 Acórdão n.º 3803006.615 S3TE03 Fl. 395 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004006/201056 Acórdão n.º 3803006.615 S3TE03 Fl. 396 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004006/201056 Acórdão n.º 3803006.615 S3TE03 Fl. 397 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 19311.720479/2011-80
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATANTE. RETENÇÃO. SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA PARA ÓRGÃOS PÚBLICOS. POSSIBILIDADE. REQUISITOS. AUSÊNCIA.
Conforme determina a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observando que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.
Já para o Decreto 3048/1999, enquadram-se na possibilidade de retenção o serviço realizado, mediante cessão de mão-de-obra, na operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou sub-concessão.
Para os fins da Lei citada, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação.
No presente caso, não ficaram demonstrados, em sua integralidade, as características da cessão de mão de obra, relacionadas pela Lei, motivo do provimento do recurso do contribuinte.
Numero da decisão: 9202-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATANTE. RETENÇÃO. SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA PARA ÓRGÃOS PÚBLICOS. POSSIBILIDADE. REQUISITOS. AUSÊNCIA. Conforme determina a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observando que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Já para o Decreto 3048/1999, enquadram-se na possibilidade de retenção o serviço realizado, mediante cessão de mão-de-obra, na operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou sub-concessão. Para os fins da Lei citada, entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. No presente caso, não ficaram demonstrados, em sua integralidade, as características da cessão de mão de obra, relacionadas pela Lei, motivo do provimento do recurso do contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado).
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LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRATANTE. RETENÇÃO. SERVIÇOS POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA PARA ÓRGÃOS PÚBLICOS. POSSIBILIDADE. REQUISITOS. AUSÊNCIA. Conforme determina a Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dez do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãode obra, observando que o desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Já para o Decreto 3048/1999, enquadramse na possibilidade de retenção o serviço realizado, mediante cessão de mãodeobra, na operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou sub concessão. Para os fins da Lei citada, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 79 /2 01 1- 80 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 No presente caso, não ficaram demonstrados, em sua integralidade, as características da cessão de mão de obra, relacionadas pela Lei, motivo do provimento do recurso do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Drª. Patrícia de Amorim Gomes Macedo. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Igor Araújo Soares (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Ronaldo de Lima Macedo (suplente convocado). Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pelo contribuinte, responsável, contra acórdão que decidiu dar provimento a recurso voluntário, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OPERAÇÃO DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS, INCLUSIVE NOS CASOS DE CONCESSÃO OU SUBCONCESSÃO. PREVISÃO NORMATIVA EXPRESSA. O artigo 219, § 2°, do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, é categórico no sentido de que a operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão, é passível de enquadramento na cessão de mão de obra, sem embargo da necessidade de comprovação, no caso concreto, do preenchimento de todos os pressupostos caracterizadores da cessão de mão de obra, que se encontram descritos no artigo 31 da Lei n° 8.212/91. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXECUÇÃO MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. OBRIGAÇÃO DA CONTRATANTE. RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DE 11% DO VALOR DA NOTA FISCAL OU FATURA EMITIDA PELA PRESTADORA DO SERVIÇO. Configurada a cessão de mão de obra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, há a obrigação de reter e recolher a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. PODER DE COMANDO. RELAÇÃO JURÍDICA QUE SE ESTABELECE ENTRE CONTRATANTE E CONTRATADO. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA ENTRE TOMADOR DE SERVIÇOS E TRABALHADORES Se o poder de comando ou de controle sobre os empregados estiver com o contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, restará configurada o contrato de emprego e, conseqüentemente, a intermediação ilícita de mão de obra (artigo 9° da CLT e Súmula 331, I, do TST). O poder de comando que deve haver na cessão de mão de obra é, exclusivamente, sobre os serviços contratados, o que é bem diferente de haver poder de comando do tomador de serviços sobre os trabalhadores. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Recurso de Ofício Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para restabelecer a integralidade do lançamento apenas quanto ao devedor Município de São Paulo Secretaria Municipal de Transportes, porque configurada a prestação de serviço com cessão de mão de obra, mantendo excluída a sujeição passiva solidária da empresa Himalaia Transportes Ltda. Vencidos na votação os Conselheiros Bianca Delgado Pinheiro, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pela ilegitimidade passiva do Município de São Paulo Secretaria de Transportes para figurar no pólo passivo da autuação fiscal. Em síntese, o litígio em questão versa sobre a existência, ou não de contratação de prestação de serviço mediante cessão de mão de obra pela recorrente, gerando a conseqüente obrigatoriedade da retenção de 11 % sobre a nota fiscal do serviço prestado. Em seu recurso especial o contribuinte alega, em síntese, que: 1. O Fisco entendeu que o Município, na condição de tomador de serviços relacionados com o transporte coletivo municipal, supostamente executados mediante cessão de mão de obra, deixou de efetivar a retenção da contribuição previdenciária, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/1991; 2. A DRJ, por unanimidade de votos, conheceu da defesa interposta e exonerou o crédito lançado, recorrendo de ofício ao CARF; 3. Na decisão da DRJ, ficou clara a ausência da configuração da cessão de mão de obra; 4. Na decisão recorrida entendeuse ser possível a cessão de mão de obra em contrato de concessão de serviço público, pelo fato do Município não delegar completamente sua concessão ao particular; 5. Há vários julgamentos, citados e com acórdãos anexados, de matérias idênticas, dissonantes, do CARF, com o que foi decidido no acórdão recorrido; 6. Dessa forma, fica clara a importância de julgamentos uniformes no CARF por questões idênticas; 7. Nos acórdãos citados, há duas matérias dissonantes do entendimento adotado pelo acórdão recorrido: 7.1 a norma impositiva, Art. 31, da Lei 8.212/1991, diz respeito somente à situação de contratação de serviços executados mediante cessão de mão Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 4 5 de obra, não se confundindo com o serviço prestado, com a concessão de serviço público; e 7.2 a distinção entre terceirização de atividades meio, que não se confundem com o objetos institucionais do órgão público, da concessão de serviços públicos, prestado diretamente pelo concessionário, é fundamental para a análise da incidência do Art. 31, caput, da Lei 8.212/1991; 8. Conforme argumentos dos acórdãos paradigmas, na terceirização a Administração Pública transfere a execução de atividades, ao passo que nas concessionárias e permissionárias de serviços públicos há a transmissão da gestão, conforme lição de Celso Antônio Bandeira de Mello; 9. Conforme decidido nos acórdãos paradigmas e conforme a verdade material, o ente público retirouse do encargo de prestar diretamente o serviço à população e o transferiu ao concessionário a qualidade de prestador do serviço ao usuário; 10. Ao fazêlo, ainda que subordinado a regras contratuais gerais, fica clara a ausência de relação direta do Município concedente com a mão de obra empregada pelo concessionário para a prestação das obrigações contratuais; 11. As concessionárias é que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, diretamente aos usuários; 12. Ausente está o poder de comando entre o Município e a mão de obra empregada pelo concessinário para a prestação de serviço público, nos termos do contrato; 13. Como consta dos acórdãos paradigmas, a estrutura de pessoal não está sob controle e responsabilidade direta do Poder Público; 14. São as concessionárias que arcam com os custos e recebem as tarifas, retribuição, pagas pelos usuários; 15. O usuário do serviço de transporte público é o verdadeiro tomador, custeandoo diretamente às concessionárias; 16. O usuário paga às concessionárias pelo serviço que lhe é posto à disposição; 17. Portanto, não há que se falar em retenção, pois ausente a cessão de mão de obra; Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 18. Há decisão judicial do RS que vai ao encontro da tese aqui defendida; 19. Também há decisão judicial, do TRF3, de 2008, que vai ao encontro da tese aqui defendida; 20. Os empregados das empresas operadoras (motoristas, cobradores, fiscais, etc) não ficam e nem nunca ficaram à disposição da contratante/recorrente e nem mesmo com ela se relacionam ou relacionaram diretamente; 21. As empresas particulares operadoras do transporte coletivo eram e são responsáveis pelos seus empregados, dirigindolhes os trabalhos e assumindo os riscos da atividade econômica pelos serviços prestados por eles; 22. Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), só haverá a retenção de 11% se, e somente se, a cessão de mão de obra estiver configurada; 23. Por conseqüente, demonstrada está a divergência entre acórdãos do CARF e a não incidência do art. 31, da Lei 8.212/1991, pois não ocorre a cessão de mão de obra; 24. Por fim, requer a admissão e o provimento de seu recurso. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. A PGFN apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, pela manutenção da decisão expressa no acórdão recorrido. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergências confirmadas e não reformadas conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Quanto ao caso, primeiramente cabem alguns esclarecimentos. A retenção de 11% (onze por cento), por serviços prestados por cessão de mão de obra, em casos de operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão, é possível, pois há essa previsão na norma regulamentadora da Lei 8.212/1991. Decreto 3.048/1999: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) ... § 2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Ainda em esclarecimentos, somente, questionamos essa possibilidade, na realidade dos fatos, pois as definições legais, clássicas e reiteradas de concessão e permissão de serviços públicos possuem diferenças incompatíveis com a definição de cessão de mão de obra, determinada na Lei 8.212/1991. Lei 8.987/1995: Art. 1o As concessões de serviços públicos e de obras públicas e as permissões de serviços públicos regerseão pelos termos do art. 175 da Constituição Federal, por esta Lei, pelas normas legais pertinentes e pelas cláusulas dos indispensáveis contratos. Parágrafo único. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 Municípios promoverão a revisão e as adaptações necessárias de sua legislação às prescrições desta Lei, buscando atender as peculiaridades das diversas modalidades dos seus serviços. Art. 2o Para os fins do disposto nesta Lei, considerase: I poder concedente: a União, o Estado, o Distrito Federal ou o Município, em cuja competência se encontre o serviço público, precedido ou não da execução de obra pública, objeto de concessão ou permissão; II concessão de serviço público: a delegação de sua prestação, feita pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, POR SUA CONTA E RISCO e por prazo determinado; III concessão de serviço público precedida da execução de obra pública: a construção, total ou parcial, conservação, reforma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de interesse público, delegada pelo poder concedente, mediante licitação, na modalidade de concorrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para a sua realização, por sua conta e risco, de forma que o investimento da concessionária seja remunerado e amortizado mediante a exploração do serviço ou da obra por prazo determinado; IV PERMISSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO: a delegação, a título precário, mediante licitação, da prestação de serviços públicos, feita pelo poder concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco. Art. 3o As concessões e permissões sujeitarseão à fiscalização pelo poder concedente responsável pela delegação, com a cooperação dos usuários. Art. 4o A concessão de serviço público, precedida ou não da execução de obra pública, será formalizada mediante contrato, que deverá observar os termos desta Lei, das normas pertinentes e do edital de licitação. Art. 5o O poder concedente publicará, previamente ao edital de licitação, ato justificando a conveniência da outorga de concessão ou permissão, caracterizando seu objeto, área e prazo. Para Celso Antônio Bandeira de Mello: “CONCESSÃO é o instituto através do qual o Estado atribui o exercício de um serviço público a alguém que aceite prestálo em nome próprio, por sua conta e risco, nas condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Poder Público, mas sob garantia contratual de um equilíbrio econômicofinanceiro, remunerando se pela própria exploração do serviço, em geral e basicamente mediante tarifas cobradas diretamente dos usuários do serviço Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 6 9 (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. São Paulo: Malheiros, 1998)” “PERMISSÃO é ato unilateral e precário, intuito personae, através do qual o Poder Público transfere a alguém o desempenho de um serviço de sua alçada, proporcionando, à moda do que faz na concessão, a possibilidade de cobrança de tarifas dos usuários (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. São Paulo: Malheiros, 1998)”. Por fim, cabe destacar, ponto interessante, lição da professora Maria Sylvia Zanella di Pietro sobre o assunto: “A forma pela qual foi disciplinada a PERMISSÃO pode tornar bastante problemática a utilização do instituto ou, pelo menos, possibilitar abusos, por ensejar o uso de meios outros de licitação, que não a concorrência, sob pretexto de precariedade da delegação, em situações em que essa precariedade não se justifique”. Como claro acima, tanto na Lei como na Doutrina, em síntese, a concessão e a permissão transmitem ao particular a prestação de serviços públicos, por sua conta e risco, cabendo, claro, a fiscalização pelo poder concedente. Já para a Lei que fundamenta o lançamento em questão, definese que somente nos serviços prestados mediante cessão de mão de obra, termo, também, definido pela Lei, haverá a retenção. Lei 8.212/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33 ... § 3o PARA OS FINS DESTA LEI, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 Portanto, em síntese, as definições legais de concessão e permissão determinam que o concessionário ou permissionário assumirá a prestação do serviço prestado por sua conta e risco, com a fiscalização do poder concedente. Já na definição legal de cessão de mão de obra, motivadora do lançamento, o prestador coloca, fornece ao contratante segurados para a realização de serviços. Nas peças dos autos citadas baixo está claro que se trata de serviço, seja por concessão, seja por permissão, pois os dois institutos são citados, em que o prestador assume o risco da atividade econômica: 1. Relatório Fiscal: A remuneração dos contratados era calculada por meio de planilha técnica de custos operacionais, elaborada de acordo com as fórmulas constantes das cláusulas contratuais que tratam “Da Remuneração pelos Serviços” e seus aditivos (Item 4.31); 2. Contrato: CLÁUSULA PRIMEIRA – DO OBJETO, onde fico demonstrado, em síntese, que o objeto do contrato é a prestação do serviço de transporte coletivo e não a colocação de mão de obra a disposição do contratante, como determina a Lei 8.212/1991 para a exigência da retenção; 3. Contrato: CLÁUSULA SÉTIMA – DA REMUNERAÇÃO PELOS SERVIÇOS, onde fica demonstrado que o contratado/concessionário/permissionário assume o risco da atividade econômica, por sua conta e risco, já que sua remuneração é variável, conforme a prestação dos serviço. Assim, não se configurou a cessão de mão de obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado. Destaquese decisões do CARF que vão ao encontro do decidido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RETENÇÃO 11% CESSÃO DE MÃODEOBRA . NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao dispos to no art. 37, da Lei 8.212/91 Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19311.720479/201180 Acórdão n.º 9202003.522 CSRFT2 Fl. 7 11 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujei to passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relat or(a) (Acórdão 2301003.992, Relatora: Bernadete de Oliveira Barros). ... ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 03/11/2010 RECURSO DE OFÍCIO. NEGADO. Quando a decisão de primeira instância está devidamente consu bstanciada no arcabouço jurídicotributário, o recurso de ofício será negado. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. NECESSIDADE. ÔNUS DO FISCO. AUSÊNCIA DEMONSTRA ÇÃO DO FATO GERADOR DAS CONTRIBUIÇÕES. O Fisco tem o ônusdever de demonstrar a efetiva ocorrência do fato gerador das contribuições lançadas. No presente caso, em se tratando de serviços prestados mediante cessão de mão de obra, deve o relatório fisca l conter toda a fundamentação de fato e de direito que possa permitir ao sujeito passivo exercer o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Logo, caberia ao Fisco a demonstração da ocorrência da prestação de serviços m ediante cessão de mão de obra, o que não aconteceu. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Carlos Henrique de Oliveira que davam provimento. O conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões. O conselheiro Carlos H enrique de Oliveira apresentará declaração de voto. Ausente, momentaneamente, o conselheiro L ourenço Ferreira do Prado. (Acórdão 2402003.882, Relator: Ronaldo de Lima Macedo). Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13710.001289/2006-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2000
Ementa:
RECOLHIMENTO DO IRFONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF
Deve-se reduzir a multa por atraso na entrega da declaração ao valor de R$165,74, quando o contribuinte comprova de forma inequívoca suas alegações.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-002.756
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e reduzir a multa por atraso na entrega da declaração para o valor de R$ 165,74.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIRPF Deve-se reduzir a multa por atraso na entrega da declaração ao valor de R$165,74, quando o contribuinte comprova de forma inequívoca suas alegações. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso e reduzir a multa por atraso na entrega da declaração para o valor de R$ 165,74. (assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 30/10/2014 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Lopo Martinez (Presidente), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Fabio Brun Goldschmidt. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fls.25 a 29), relativa ao ano-calendário 1999, para apurar imposto de renda suplementar no valor de R$32.921,45, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora e multa por atraso na entrega da DIRPF no valor de R$6.584,29. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foi apurada dedução indevida de imposto de renda retido na fonte fls. 27. Impugnou o lançamento alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, o seguinte: a peça defensória é tempestiva , uma vez que a informação prestada pelo CAC referente à data da ciência em 08/08/2005 não procede uma vez que não recebeu o auto de infração. Em relação à dedução indevida de imposto de renda retido na fonte afirma que os valores declarados pela fonte pagadora foram recebidos pelo espólio de Jorge Schnaider e declarados em sua DIRPF, ocasionando bi-tributação. A 2ª Turma DRJ/Rio de Janeiro II (RJ), conforme Acórdão 13-27.164– de 17 de novembro de 2009 de fls. 62 e ss, julgou procedente o lançamento, nos termos das seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2000 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.MULTA POR ATRASO NA ENTREGA D A DIRPF Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. IMPOSTO D E RENDA RETIDO N A FONTE. COMPROVAÇÃO. Cabe manter a dedução indevida do IRRF consignado na declaração de ajuste anual , quando não comprovada a sua retenção por meio hábil de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A ciência de tal julgado se deu em 24/03/2011, consoante termo ciência pessoal de fls. 54. Cientificado da aludida decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 01/04/2011, fls. 60. Eis as alegações recursais: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13710.001289/2006-13 Acórdão n.º 2202-002.756 S2-C2T2 Fl. 3 3 Assevera que é um dos herdeiros do Espólio de Jorge Schnaider - CPF 003.342.787-91, o qual é proprietário do imóvel sito no Rio de Janeiro, , na Rua do Catete n°s 78 e 80, o qual foi locado em 27 de abril de 1998 a Igreja Água Viva - CNPJ 02.300.711/0001-07, por contrato daquela data, aditado em 1 o de abril de 2003 (does.1/4).de infração abrangido fatos geradores mensais do ano de 2001. Cita uma vasta jurisprudência visando fundamentar suas alegações. No ano calendário de 1999, a locatária pagou ao locador alugueres no valor de R$ 143.423,46 (cento e quarenta e três mi), quatrocentos e vinte e três reais e quarenta e seis centavos), retendo na fonte Imposto de Renda do montante de R$ 35.121,48, como constante da Informação de Rendimentos Pagos, anexa (doc. 5). Não obstante, o CPF constante desse Comprovante de Rendimentos foi o do inventariante do Espolio, Nelson Goldenstein (CPF 633.583.527-49), e não o do Espólio-locador, como devido (doc. 5). Entregue a um contador os documentos do espolio e de seus herdeiros para a elaboração de suas declarações de ajuste do Exercício de 2000, esse profissional, inexplicavelmente, fez constar na declaração do ora recorrente aqueles rendimentos da locação - que foram do Espolio, e não seus - e o valor do imposto retido. Acresce que o equivocado procedimento da locatária quanto aos comprovantes de rendimentos pagos repetiu-se nos anos calendário de 2000, 2001, 2003, 2004 e 2005, o que a levou a retificações das informações originariamente prestadas (docs. 6/13). Também no exercício de 2001 o profissional encarregado de elaborar a declaração de ajuste do suplicante procedeu da mesma forma, o que deu causa a autuação fiscal e à instauração do processo fiscal n° 13710.-1290/2006-48, no qual ficou demonstrada a indevida inclusão de rendimentos de terceiros e do imposto retido sobre os mesmos rendimentos. Decisão, então proferida, deu acolhida a impugnação apresentada pelo ora recorrente (doc. 14) Com a juntada da documentação agora acostada fica evidenciado que os alugueres no valor de R$ 143.423,46 foram efetivamente pagos ao Espólio de Jorge Schnaider, ao qual incumbiam, e a ele diz respeito a retenção de tributo na fonte no montante de R$ 35.121,48, tudo constante do Comprovante emitido pela Igreja de Nova Vida do Catete (CGC 02.300.711/0001-07), nova designação da Igreja Água Viva. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 É de supor-se que a não-identificação de tal recolhimento deveu-se ao fato de - ao que se infere do documento n° 5 - ter sido o mesmo efetivado sob o CPF do inventariante. O proprietário do imóvel locado à entidade religiosa é o Espólio de Jorge Schnaider, e não seu herdeiro Rui Goldenstein, e a ele, Espólio, e não ao herdeiro, foram pagos os alugueres correspondentes A inépcia constrangedora com que agiram as partes envolvidas, à toda evidência, não cria rendimento que não existiu e, conseqüentemente há matéria econômica a tributar. Havendo pendência quanto ao exercício em questão, não é facultado ao contribuinte, no sistema da Receita Federal, retificar a declaração de ajuste correspondente, mas dos rendimentos declarados pelo suplicante, naquele documento, devem ser excluídos aqueles efetivamente percebidos por terceiro e, bem assim, o valor retido na fonte, que também não lhe é pertinente. QUANTO A MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO IRPF O recorrente solicita que seja aplicado o valor mínimo É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O Recurso é tempestivo e formalmente regular, razão pela qual dele tomo conhecimento. O LANÇAMENTO JÁ TINHA SIDO REVISTO DE OFÍCIO CONFORME DESPACHO DECISÓRIO DE FLS. 52, nos seguintes termos : 05. A origem do auto de infração foi a glosa do valor informado a título de imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 51.759,79 e a apuração da multa por atraso na entrega na declaração no valor:de R$ 9.911,98. 06. O contribuinte alega que os valores apurados no auto de infração foram informados erradamente pois referem-se ao espólio de Jorge Schnaider, CPF 003.342.787-91, seu avô. Informa também que não auferiu rendimentos tributados no ano calendário em causa, estando porém obrigado à entrega da declaração de ajuste anual por possuir cotas.de capital, obedecendo assim o disposto no artigo I o da IN SRF 110/2000. 07. 0 contribuinte anexou à fl.08 a certidão de óbito de seu avô Jorge Schnaider falecido em 22 de fevereiro de 1995. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13710.001289/2006-13 Acórdão n.º 2202-002.756 S2-C2T2 Fl. 4 5 08. Consultando os sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal anexamos às fls. 47 a 50 onde verificamos à fl.49 que a DIRF enviada refere-se ao Espólio Jorge Schnaider, CPF 003.342.787-91, não podendo ser confundida com a do contribuinte, anexada à fl.51, demonstrando não haver: auferido os rendimentos declarados no auto de infração, a retenção de imposto de renda na fonte restando apenas a multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual no valor de R$165,74, conforme dispõem os artigos 1º e 3º o da Instrução Normativa 110/2000. 09. Analisando os elementos do processo verificamos que procedem em parte as alegações do interessado razão pela qual somos pelo cancelamento do imposto suplementar de R$ 49.559,94 da multa de oficio de R$ 37.169,95 e a retificação da multa por atraso na entrega da declaração de ajuste de R$ 9.911,98 para R$ 165,74 fazendo os devidos acertos no PROFISC de fl.41. Às fls. 54 está o seguinte despacho da DIORT – DERAT-RJ: IRPF- IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Exercício 2 0 0 1 Ano - calendário 2 0 00 LANÇAMENTO REVISTO DE OFÍCIO Vistos e examinados os presentes autos e, a vista do Parecer de fls.52/53, cujo teor APROVO e que passa a integrar o presente julgado, DECIDO, face às disposições estabelecidas pelo artigo 2o da Ordem de Serviço Conjunta Derat/Defic/RJO N° 02/2004, REVER DE OFICIO o LANÇAMENTO consubstanciado no auto de infração para CANCELAR o imposto suplementar e a multa de ofício e RETIFICAR a multa por atraso na entrega da declaração de ajuste anual passando o valor da citada multa de R$ 9.911,98 para R$ 165,74 procedendo aos devidos ajustes no PROFISC de fl.41. Encaminhe-se ao apoio da EQPEF/DIORT/DERAT/RJ, para dar ciência do inteiro teor deste, despacho ao interessado e prosseguir na cobrança do débito remanescente.. Assim, com essa prova inequívoca entendo que deve se dado provimento ao recurso e reduzir a multa por atraso na entrega da declaração ao valor de R$165,74. É como voto. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001494/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007
INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA.
A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES - CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP.
Recurso Voluntário Negado
APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO - APLICÁVEL.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Numero da decisão: 2401-003.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007 INCONSTITUCIONALIDADE - ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES - CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP. Recurso Voluntário Negado APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO - APLICÁVEL. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001494/200752 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.790 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2014 Matéria DIFRENÇA DE CONTRIBUIÇÕES, ISENÇÃO Recorrente FUNDAÇÃO BRASILEIRA DE TEATRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO CONTRIBUIÇÃO PATRONAL, SEGURADO NÃO DESCONTADA E TERCEIROS NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. O recorrente apenas alega nulidade e imunidade, sem apresentar qualquer argumentação acerca da inexistência dos fatos geradores ou incorreção dos valores lançados. Simplesmente alegar nulidade não determina a improcedência do lançamento quando todos os argumentos foram devidamente afastados pelo julgador de primeira instância e não trás o recorrente qualquer fato novo. CONDIÇÃO DE ISENTA NÃO COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEI 8212/91 LEI 3214/56 INAPLICABILIDADE À CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar. A alegada isenção concedida pela lei 3214/1956, é expressa em referirse a impostos, que assim, como bem descrito pelo auditor notificante não se confunde com contribuições previdenciárias. APLICAÇÃO DE JUROS E MULTA PELO RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO APLICÁVEL. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 14 94 /2 00 7- 52 Fl. 218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA DOS FATOS GERADORES CONCORDÂNCIA COM OS VALORES LANÇADOS. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AIOP. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de NFLD, lavrada sob n. 37.139.0737, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e a contribuição de segurados não descontada, bem como a contribuição destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2003 a 03/2007. Conforme o relatório fiscal, fls. 15 e seguintes, o crédito de que trata esta NFLD teve origem em várias situações encontradas na empresa, que tiveram seus fatos geradores cadastrados separadamente (conforme anexos em CD , arquivo : FOLHA e FLDETALHE). a) levantamento DG: valores pagos pela empresa conforme apurado em folha de pagamento e declarados em GF1P; h) levantamento NDG: valores pagos pela empresa conforme apurado em folha de pagamento e não declarados em GFIP; c) levantamento DAL: valores criados automaticamente pelo sistema com os valores de Juros e Multas recolhidos a menor pela empresa e recalculados corretamente pelo sistema.Ainda conforme o relatório o crédito de que trata esta NFLD originou se de diferenças obtidas do confronto entre os valores descontados nas Folhas de Pagamento, declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, pagos nos comprovantes de recolhimentos — GPS e os valores já existentes em outras LDC/LDCG/DCG já cadastradas. A entidade tentando comprovar a situação de isenta de contribuições previdenciárias apresentou tão somente os seguintes documentos: • Cópia da Lei 3.124/1957, conferindo isenção de todos os impostos federais para a Fundação Brasileira de Teatro; • Decreto de 1 de Julho de 1996, restabelecendo o título de utilidade pública federal; • Decreto (distrital) 22.706/2002, concedendo o Título de Utilidade Pública; • Certificado de Entidade beneficente de Assistência Social (CEBAS) com validade até 01/03/2002; • Cópia do Ato Declaratório 106/2002, declarando a Fundação Brasileira de Teatro imune quando ao Imposto Sobre Serviços — ISS. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Notese primeiramente que no caso em tela a Lei 3.124/1957 nada tem haver com as contribuições previdenciárias, pois as mesmas não se confundem com impostos. De fato os impostos, contribuições de melhoria, taxas, contribuições sociais compõem o gênero designado constitucionalmente de tributo, mas cada um deles é uma espécie separada e independente, logo, isenção de impostos e isenção de contribuições sociais não se confunde. Segundo, não há mais que se falar em direito adquirido a isenção após a Constituição Federal de 1998, pois conforme seu art. 195, §7°, in verbis: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [ ... ] § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Ou seja, para que a entidade seja isenta deve atender às exigências estabelecidas em lei (que é a Lei 8.212/91). Outrossim, nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, em seu art. 41, §1°, temos que: "Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerar seão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei". Deixando claro que quaisquer incentivos não confirmados por lei após dois anos da data da promulgação da Constituição seriam considerados revogados. Para tornar mais claras as exigências determinadas pela Lei 8.212/91, para que a empresa possa requerer a isenção junto ao INSS, temos o art. 55 e incisos: Ressaltando, que para que seja isenta deve REQUERER A ISENÇAO junto ao órgão e após análise dos requisitos elencados acima será ou não deferida à isenção, logo a entidade não pode se entender como isenta sem que tenha feito o devido requerimento de isenção e sem que este requerimento tenha sido deferido. O que não é o caso da Fundação Brasileira de Teatro que não deve pedido de isenção das contribuições sociais deferido pelo INSS. Logo, resumidamente entendemos que a Fundação Brasileira de Teatro não é entidade isenta em nenhum período (em particular no período de jul/2003 a mar /2007), primeiramente porque não há que se falar em direito adquirido conforme entendimento atual do STJ e, mesmo que fosse contrário o entendimento do STJ, a entidade só possuía isenção de impostos e não de contribuições sociais. Por fim, porque no período de jul/2003 a mar/2007 a entidade não cumpriu o que determina a Lei 8.212/91, no que tange a solicitar no tempo adequado a sua isenção ao INSS e também não cumpriu cumulativamente os requisitos, pois: a) Era detentora de certificado de utilidade pública federal a partir de 1996; b) Era detentora do certificado de utilidade pública Distrito Federal concedido em 2002; Fl. 221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 4 5 C) PORÉM, não era detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS (pois, a validade expirou em 01/03/2002); e d) E não entregou os documentos e relatórios obrigatórios, pois deveria anexar ao seu pedido de isenção a sua contabilidade e anualmente o relatório circunstanciado de suas atividades para demonstrar: d. l ) a gratuitamente dos seus serviços, d.2) a não percepção pelos seus diretores de remuneração ou vantagens e d.3) a aplicação correta do seu resultado operacional (novamente reforçamos que estes documentos e relatórios não foram apresentados em época própria ao INSS). Além de ter sido constatado nas suas folhas de pagamento salários para diretores, contrariando frontalmente a Lei 8.212/91 no seu art. 55, IV que diz literalmente que 1V não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título'. Para melhor esclarecer este ponto os nomes constatados em folha foram os de CRISTIANE JANSEN CABRAL MARTINS, CARGO DIRETORA e LUIZ FERNANDO DE MELO, CARGO VICEDIRETOR DE ADMINISTRACAO, durante todo o período de jul/2003 a Mar/2007. De todo o exposto verificase que a entidade não teve pedido de isenção deferido pelo INSS e não apresentou em momento algum os relatórios anuais circunstanciados de suas atividades, logo, a entidade não é isenta das contribuições previdenciárias devendo recolher como empresa normal todas as contribuições devidas. E caso deseje usufruir de isenção deverá cumprir os requisitos dispostos na Lei 8.212/91 e providenciar pedido ao INSS com todos os documentos exigidos, aguardando deferimento para que possa usufruir da isenção. Foram aproveitados todos os recolhimentos em Guia da Previdência Social — GPS existentes no sistema. Também foram abatidos da respectiva apuração os valores já lançados em DCG num. 35991047 5, 360037046, 360037054 e 360127274. Ressaltase que foram conferidas as rubricas nas quais incidem contribuição previdenciária da folha de pagamento e foram reenquadradas conforme anexo "Anexo com as rubricas consideradas pela fiscalização na apuração', conforme anexo em CD, arquivo: TAB_INCIDE. De todo o exposto verificase que os valores de créditos apurados são as diferenças não recolhidas pela empresa quando confrontados todos os valores devidos sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais de um lado, e todos os valores recolhidos do outro lado. E que a mesma NÃO SENDO ENTIDADE ISENTA deve recolher como uma empresa normal. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/12/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 18/12/2007. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 162 a 178. A DecisãoNotificação confirmou a procedência total da autuação, fls. 181 e seguintes, conforme ementa abaixo transcrita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2007 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Relatório Fiscal com discriminação clara e precisa com remissão a anexos da NFLD permite o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo e o atributo de certeza e liquidez do crédito para garantia da futura execução fiscal. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS E RELAÇÃO DE VÍNCULOS. Têm o objetivo de listar no processo e registrar nos sistemas da RFB as pessoas que possuem ou possuíam poder de mando/direção à época da ocorrência dos fatos geradores, não possuindo, por si • sós, o poder de atribuir a responsabilidade tributária de terceiros prevista no art. 135 do CTN. EMPRESA DECLARADA COMO SENDO DE UTILIDADE PÚBLICA FEDERAL. ISENÇÃO NÃO COMPROVADA. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei 8.212/91 apenas a entidade beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos requisitos dispostos no art. 55 da mesma lei. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. Presumemse verdadeiros os valores lançados pela autoridade fiscal fundamentado nos documentos apresentados pela empresa, cabendo a esta o ônus da prova em contrário. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento, salvo exceções previstas legalmente MULTA. A multa aplicada a título moratóno, incidente sobre Contribuições Sociais em atraso, tem previsão legal, inexistindo natureza confiscatória. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. No Processo Administrativo Fiscal, somente é permitida a juntada posterior de provas caso haja motivo de força maior, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 5 7 ocorrência de fato ou direito superveniente ou necessidade de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PARCELAMENTO DE DÉBITO Não cabe à Delegacia da Receita Federal do Brasil e Julgamento (DRJ) se pronunciar em pedidos de parcelamento de débitos tributários, sendo tal atribuição da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) de jurisdição do contribuinte. Lançamento Procedente Não concordando com os termos da decisão apresentou o recorrente recurso fls. 197 e seguintes, onde em síntese alega: Que houve erro da fiscalização quanto ao incorreto enquadramento legal do fato descrito, de onde resulta inocorrer fato imputável à recorrente e, em conseqüência, a nulidade & notificação fiscal; Que houve erro da fiscalização quanto ao incorreto enquadramento legal do fato descrito, de onde resulta inocorrer fato imputável à recorrente e, em conseqüência, a nulidade & notificação fiscal; que por ser a NFLD um ato administrativo vinculado ao princípio da reserva legal, a imprecisão e a falta de clareza quanto aos dispositivos legais que o autorizam e embasam nulificam o procedimento, adotado. Dessa forma, a imprecisão contida na notificação fere o disposto no art.37, da Constituição Federal, porque afasta o ato vinculado da lei, a qual não pode ser omitida em hipótese alguma na peça inicial do Processo Administrativo, o que significa cobrar tributo sem lei, ferindo, novamente a Constituição, cin seu artigo 150, inciso 1. que as alegações acima descritas (cerceamento de defesa) são facilmente constatáveis pela simples leitura da NFLD, pela expressão usada pelo fiscal:"DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA AI'LICADA", transcreve os fatos apurados no Relatório Fiscal da Infração e da. Multa Aplicada da notificação do AI 68; que a Fundação Brasileira de Teatro é instituição mantenedora da Faculdade de Artes, que possui 370 alunos tendo sido fundada pela atriz Dulcina de Moraes, personalidade histórica que de forma vanguardisla inaugurou o primeiro curso de artes cênicas e o primeiro curso de artes plásticas de Brasília e, preservando sua memória seus discípulos vão engrandecendo a cultura centrados principalmente no ensino da arte e na promoção cultural não somente a nível local, como Nacional e Internacional; que a Fundação goza de isenção de tributos por Lei Ordinária Federal n° 3.124, de 15/04/1957 e, como não foi revogada deve ser cumprida cm todos os seus efeitos, pugna, também, pelos cálculos apresentados, por não condizerem com a realidade legal, já que está cobrando (ia Fundação valor de contribuição Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 social majorada. por multa confiscatória, transcreve decisões e jurisprudências no que se refere à "Multa como confisco'; que o procedimento fiscal deve ser revisto ao que diz respeito ao Estatuto da Fundação, que impõe a responsabilidade ativa e passiva tão somente ao presidente, sendo que os demais, aos quais foi atribuída a condição de presidente conforme a seguir elencados, se excluem automaticamente: 1 Carlos Franco de Sá Santoro (falecido) 2 Gúilherme Nery de Oliveira (vice presidente) 3 José Maria Bezerra Paiva (presidente) 4Jorge das Graças Veloso (conselheiro) 5 Roberto Borges da Rocha (contador) ° que devem ser reconhecidos Iodos os certificados e julgamentos do CNAS da Fundação para que não seja fèita injustiça a unia entidade que presta serviços a mais de 52 anos a comunidade nacional. Ao final, requer a produção dos meios de provas cm direito admitidos principalmente a juntada de novos documentos e, caso seja vencido na demanda administrativa requer lhe seja assegurado desde já, os benefícios fiscais de redução ora permitidos de parcelamento e pagamento por rocio de precatórios. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 214. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: A base da alegação do recorrente é de cerceamento do direito de defesa, posto que o auditor não se desincumbiu de demonstrar a falta cometida, os fatos geradores que justificaram a autuação e a fundamentação legal. Contudo, entendo que a NFLD encontrase devidamente formalizada, não padecendo das irregularidades apontadas pelo recorrente. Batasnos a leitura do relatório fiscal, fls. 15 e seguintes, para que possamos identificar facilmente os fatos geradores incluídos na presente NFLD: "contribuição descontada dos segurados empregados e não recolhida em época própria", bem como os motivos pelos quais a empresa não se enquadra na condição de entidade isenta de contribuições previdenciárias. Transcrevo abaixo, trecho do próprio relatório fiscal, onde desincumbiuse o auditor fiscal de descrever na forma devida o lançamento fiscal, bem como a fundamentação legal: Tratase de NFLD, lavrada sob n. 37.139.0737, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e a contribuição de segurados não descontada, bem como a contribuição destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais, no período de 07/2003 a 03/2007. Conforme o relatório fiscal, fls. 15 e seguintes, o crédito de que trata esta NFLD teve origem em várias situações encontradas na empresa, que tiveram seus fatos geradores cadastrados separadamente (conforme anexos em CD , arquivo : FOLHA e FLDETALHE). a) levantamento DG: valores pagos pela empresa conforme apurado em folha de pagamento e declarados em GF1P; h) levantamento NDG: valores pagos pela empresa conforme apurado em folha de pagamento e não declarados em GFIP; c) levantamento DAL: valores criados automaticamente pelo sistema com os valores de Juros e Multas recolhidos a menor Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 pela empresa e recalculados corretamente pelo sistema.Ainda conforme o relatório o crédito de que trata esta NFLD originou se de diferenças obtidas do confronto entre os valores descontados nas Folhas de Pagamento, declarados nas Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, pagos nos comprovantes de recolhimentos — GPS e os valores já existentes em outras LDC/LDCG/DCG já cadastradas. A entidade tentando comprovar a situação de isenta de contribuições previdenciárias apresentou tão somente os seguintes documentos: • Cópia da Lei 3.124/1957, conferindo isenção de todos os impostos federais para a Fundação Brasileira de Teatro; • Decreto de 1 de Julho de 1996, restabelecendo o título de utilidade pública federal; • Decreto (distrital) 22.706/2002, concedendo o Título de Utilidade Pública; • Certificado de Entidade beneficente de Assistência Social (CEBAS) com validade até 01/03/2002; • Cópia do Ato Declaratório 106/2002, declarando a Fundação Brasileira de Teatro imune quando ao Imposto Sobre Serviços — ISS. Notese primeiramente que no caso em tela a Lei 3.124/1957 nada tem haver com as contribuições previdenciárias, pois as mesmas não se confundem com impostos. De fato os impostos, contribuições de melhoria, taxas, contribuições sociais compõem o gênero designado constitucionalmente de tributo, mas cada um deles é uma espécie separada e independente, logo, isenção de impostos e isenção de contribuições sociais não se confunde. Segundo, não há mais que se falar em direito adquirido a isenção após a Constituição Federal de 1998, pois conforme seu art. 195, §7°, in verbis: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [ ... ] § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Ou seja, para que a entidade seja isenta deve atender às exigências estabelecidas em lei (que é a Lei 8.212/91). Outrossim, nos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, em seu art. 41, §1°, temos que: "Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerar seão revogados após dois anos, a partir da data da Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 7 11 promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei". Deixando claro que quaisquer incentivos não confirmados por lei após dois anos da data da promulgação da Constituição seriam considerados revogados. Para tornar mais claras as exigências determinadas pela Lei 8.212/91, para que a empresa possa requerer a isenção junto ao INSS, temos o art. 55 e incisos: Ressaltando, que para que seja isenta deve REQUERER A ISENÇAO junto ao órgão e após análise dos requisitos elencados acima será ou não deferida à isenção, logo a entidade não pode se entender como isenta sem que tenha feito o devido requerimento de isenção e sem que este requerimento tenha sido deferido. O que não é o caso da Fundação Brasileira de Teatro que não deve pedido de isenção das contribuições sociais deferido pelo INSS. Logo, resumidamente entendemos que a Fundação Brasileira de Teatro não é entidade isenta em nenhum período (em particular no período de jul/2003 a mar /2007), primeiramente porque não há que se falar em direito adquirido conforme entendimento atual do STJ e, mesmo que fosse contrário o entendimento do STJ, a entidade só possuía isenção de impostos e não de contribuições sociais. Por fim, porque no período de jul/2003 a mar/2007 a entidade não cumpriu o que determina a Lei 8.212/91, no que tange a solicitar no tempo adequado a sua isenção ao INSS e também não cumpriu cumulativamente os requisitos, pois: a) Era detentora de certificado de utilidade pública federal a partir de 1996; b) Era detentora do certificado de utilidade pública Distrito Federal concedido em 2002; C) PORÉM, não era detentora de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social — CEBAS (pois, a validade expirou em 01/03/2002); e d) E não entregou os documentos e relatórios obrigatórios, pois deveria anexar ao seu pedido de isenção a sua contabilidade e anualmente o relatório circunstanciado de suas atividades para demonstrar: d. l ) a gratuitamente dos seus serviços, d.2) a não percepção pelos seus diretores de remuneração ou vantagens e d.3) a aplicação correta do seu resultado operacional (novamente reforçamos que estes documentos e relatórios não foram apresentados em época própria ao INSS). Além de ter sido constatado nas suas folhas de pagamento salários para diretores, contrariando frontalmente a Lei 8.212/91 no seu art. 55, IV que diz literalmente que 1V não Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título'. Para melhor esclarecer este ponto os nomes constatados em folha foram os de CRISTIANE JANSEN CABRAL MARTINS, CARGO DIRETORA e LUIZ FERNANDO DE MELO, CARGO VICEDIRETOR DE ADMINISTRACAO, durante todo o período de jul/2003 a Mar/2007. De todo o exposto verificase que a entidade não teve pedido de isenção deferido pelo INSS e não apresentou em momento algum os relatórios anuais circunstanciados de suas atividades, logo, a entidade não é isenta das contribuições previdenciárias devendo recolher como empresa normal todas as contribuições devidas. E caso deseje usufruir de isenção deverá cumprir os requisitos dispostos na Lei 8.212/91 e providenciar pedido ao INSS com todos os documentos exigidos, aguardando deferimento para que possa usufruir da isenção. Foram aproveitados todos os recolhimentos em Guia da Previdência Social — GPS existentes no sistema. Também foram abatidos da respectiva apuração os valores já lançados em DCG num. 35991047 5, 360037046, 360037054 e 360127274. Ressaltase que foram conferidas as rubricas nas quais incidem contribuição previdenciária da folha de pagamento e foram reenquadradas conforme anexo "Anexo com as rubricas consideradas pela fiscalização na apuração', conforme anexo em CD, arquivo: TAB_INCIDE. De todo o exposto verificase que os valores de créditos apurados são as diferenças não recolhidas pela empresa quando confrontados todos os valores devidos sobre as remunerações dos empregados e contribuintes individuais de um lado, e todos os valores recolhidos do outro lado. E que a mesma NÃO SENDO ENTIDADE ISENTA deve recolher como uma empresa normal. A própria decisão de primeira instância afastou ditas alegações, deixando claro que os documentos constantes do processos e os relatórios e planilhas entregues em meio magnético CD, fornecem todos os esclarecimentos necessários ao exercícios da ampla defesa e do contraditório. Após a decisão não rebateu o recorrente os pontos ali descritos, resumindo se a reprisar as mesmas alegações da impugnação. Assim, afasto qualquer alegação de nulidade. DO MÉRITO Importante informar, que meros argumentos não afastam os fatos e documentos descritos pela autoridade fiscal, para atestar o lançamento de contribuições. Ao apreciarmos os termos do recurso e impugnação apresentados, que digase são exatamente os mesmos, nem mesmo questionou o recorrente a imputação de desconto de contribuição dos segurados e não recolhimento, mas tão somente a condição de isenta e cerceamento do direito de defesa já afastado em sede de preliminar. DA CONDIÇÃO DE IMUNE Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 8 13 Conforme também devidamente indicado pelo auditor e apreciado pelo julgador de primeira instância, em relação as contribuições previdenciárias, a recorrente não possuía direito à isenção no período do presente lançamento, ou mesmo que considerarmos, como argumentado pelo recorrente, tratarse de imunidade, está será limitado ao cumprimento da lei em se tratando de contribuições previdenciárias, o que novamente não logrou êxito o recorrente em demonstrar, conforme se demonstrará adiante. Notese que a alegada isenção concedida pela lei 3214/1956, é expressa em referirse a impostos, que assim, como bem descrito pelo auditor notificante não se confunde com contribuições previdenciárias. No intuito de melhor esclarecer a recorrente acerca do seu direito a isenção (dita pela empresa como imunidade de contribuições), faça uma análise de toda a legislação que abarca a matéria, para esclarecer acerca do seu direito de entidade filantrópica. Inicialmente foi publicada a Lei n.º 3.577, de 4/7/1959, que concedeu o benefício fiscal aos Institutos e Caixas de Aposentadoria e Pensões, para as entidades de fins filantrópicos. De acordo com essa Lei, era concedida a isenção para as Entidades de Fins Filantrópicos reconhecidas como sendo de utilidade pública, cujos membros de sua diretoria não percebessem remuneração. Posteriormente foi publicado o Decreto n.º 1.117, de 01/06/1962, que regulamentou a Lei 3.577 e concedeu ao Conselho Nacional do Serviço Social – CNSS a competência para certificar a condição de entidade filantrópica para fins de comprovação junto ao Instituto de Previdência. Consideravamse filantrópicas as entidades, para fins de emissão do certificado, aquelas que: a) estivessem registradas no Conselho Nacional do Serviço Social; b) cujos diretores, sócios ou irmãos não percebessem remuneração e não usufruíssem vantagens ou benefícios; c) que destinassem a totalidade das rendas apuradas ao atendimento gratuito das suas finalidades. Em 1977, o DecretoLei n.º 1.572, de 01/09/1977, revogou a Lei n.º 3.577, não sendo possível a concessão de novas isenções a partir de então. Contudo, permaneciam com o direito à isenção de acordo com as regras antigas somente as seguintes entidades: I. As entidades que já eram beneficiadas pela isenção e que possuíssem: II. Decreto de Utilidade Pública expedido pelo Governo Federal; III. Certificado expedido pelo CNSS com prazo de validade indeterminado; IV. As que beneficiadas pela isenção fossem detentoras: V. de declaração de utilidade pública; VI. de certificado provisório de “Entidade de Fins Filantrópicos “ expedido pelo CNSS, mesmo com prazo expirado; desde que comprovassem ter requerido os títulos definitivos de Utilidade Pública Federal até 30.11.1977. Importante destacar que a entidade em questão não se enquadra nas exigências acima descritas. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, houve a previsão, em seu art.195 §7º, da permissão de isenção de contribuições para a seguridade social das entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos estabelecidos em lei. Esse dispositivo constitucional foi regulado por meio da Lei n º 8.212 de 24/07/1991. Nesse sentido, entendo que a alegação do recorrente de que que o dispositivo constitucional determina o reconhecimento da imunidade de contribuições patronais não lhe confiro razão. Considerando que a legislação previdenciária descreve as exigências legais para a que a empresa considerese isenta e esteja desobrigada de recolher a parcela patronal e a destinada a terceiros, o descumprimento de qualquer dos dispositivos legais afasta o direito do recorrente. Os pressupostos para obtenção do direito à isenção estavam previstos no art. 55 da Lei n ° 8.212/1991, com a seguinte redação original: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos, cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social CNSS, renovado a cada 3 (três) anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Conforme se depreende do texto legal, permaneciam isentas as entidades que já estavam beneficiadas com esse direito, desde que se adequassem as novas situações, qual seja: renovação do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos – CEFF a cada três anos, sendo o prazo para renovação até 24/7/1994, na forma do Decreto 612/92; sejam reconhecidas como de utilidade pública estadual, do Distrito Federal ou municipal, a serem apresentadas quando da renovação do CEFF. Por meio da Lei n ° 8.909 de 06/07/1994, foi estabelecido o prazo limite para as entidades registradas no CNSS se recadastrarem no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, criado pela Lei n.º 8.742 de 07/12/1993, prorrogandose a validade dos Certificados de Entidades de Fins Filantrópicos emitidos pelo CNSS até 31/05/1992. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 9 15 A Lei n.º 9.429 de 26/12/1996, reabriu o prazo até 25/06/1997 para requerimento da renovação do CEFF e de recadastramento no CNAS, para as entidades possuidoras do título e do registro com validade até 24/07/1994, que haviam perdido o prazo de solicitação da renovação e recadastramento. Além disso, essa Lei revogou os atos cancelatórios e as decisões emitidas pelo INSS, contra as entidades que não apresentaram renovação do pedido de renovação do CEFF até 31/12/1994; extinguiu os créditos decorrentes de contribuições sociais devidas a partir de 25/07/1981, pelas entidades que cumpriram, nesse período, os requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91. A Lei n° 9.249, alterou o inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91, exigindo concomitantemente o registro e o atestado de entidade de fins filantrópicos, e não mais a exigência alternativa, nestas palavras: Art. 55 (...) II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26 de dezembro de 1996) Em 1997, por meio da Lei n.º 9.528 de 10/12/1997, resultado da conversão da Medida Provisória n ° 1.5239 de 27/06/1997, foi alterado o inciso V do art. 55 da Lei 8.212/91, estabelecendo a exigência de apresentação de relatório anual das atividades ao INSS e não mais ao CNAS; prorrogandose o prazo de apresentação do relatório para 30 de abril de cada ano, nestas palavras: Art. 55 (...) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Com a publicação da Lei n ° 9.732 de 11/12/1998, houve inúmeras alterações no sistema de reconhecimento do direito à isenção. Entretanto, as alterações promovidas no art. 55 da Lei 8.212/91, pela Lei n.º 9.732/98 estão com eficácia suspensa, por decisão em liminar do STF na ADIn 2.0285/1999. Aplicandose portanto, a redação do art. 55 anteriormente à Lei n ° 9.732/1998. Já em 2001, foi publicada a Medida Provisória n ° 2.1296, de 23/02/2001, reeditada até a de nº 2.18713, de 24/08/2001, vigorando em função do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11/09/2001, que alterou o art. 55 da Lei n ° 8.212/1991. Houve a alteração da denominação do Certificado, que passou para Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, a ser fornecido pelo CNAS. Também foi incluído o § 6º ao art. 55, sendo a existência de débito motivo para o indeferimento ou cancelamento do direito à isenção de acordo com o previsto no § 3º do art. 195 da Constituição Federal. Dispõe o art. 195, § 3º da Constituição Federal, nestas palavras: § 3º A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. A redação em vigor atualmente do art. 55 da Lei n ° 8.212/1991 é a seguinte: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IVnão percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2ºA isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98 – eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 4o O Instituto Nacional do Seguro SocialINSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98– eficácia suspensa em função da ADIn 2028/5) §6oA inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3o do art. 195 da Constituição.(Parágrafo incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.01) Conforme comprovado nos autos, e apreciado pela autoridade julgadora a recorrente não comprovou cumprir todos os requisitos do art. 55 da lei 8212;91, mais especificamente não possui para o período objeto do lançamento CEBAS (não houve qualquer Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 10 17 alegação quanto a essa constatação fiscal) que constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da isenção pretendida a partir da expiração do prazo de validade do certificado anterior. Não formalização do pedido perante a previdência A Constituição Federal é clara no art. 195, § 7º ao prever que o benefício fiscal é condicionada ao atendimento dos requisitos em lei. O Decreto 2536/98, demonstra que a inércia do recorrente em pedir a renovação lhe tira o direito a usufruir do benefício pretendido, qual seja, ter o CEBAS válido para todo o período que pretendi ter a condições de filantrópica reconhecida. Senão vejamos o art. 3: “Faz jus ao Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social a entidade beneficente de assistência social que demonstre, cumulativamente:” §2 O certificado de Entidade de fins filantrópicos terá validade de três anos, a contar da data da publicação no Diário Oficial da União da resolução de deferimento de sua concessão, permitida sua renovação, sempre por igual período, exceto quando cancelado em virtude de transgressão de norma que regulamenta a sua concessão. §3 Desde que tempestivamente requerida a renovação, a validade do Certificado contará da data do termo final do Certificado anterior. O Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) é o principal instrumento de reconhecimento, pelo poder público, do preenchimento das condições de constituição e funcionamento de entidade que pretenda ser beneficiária da imunidade de contribuições para a seguridade social, de acordo com o que prevê o art. 195, § 7º, da Constituição Federal (CF). Tal imunidade é uma das poucas exceções à regra geral prevista na CF, que instituiu o princípio da solidariedade no custeio do sistema de seguridade social, assim, a ausência de cobertura para um determinado período afasta a imunidade pretendida pelo recorrente. QUANTO A FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO A competência para conceder os títulos de utilidade pública federal, estadual e municipal, bem como o registro e concessão do CEBAS, antes da entrada em vigor da Lei 12.101 de 2009, era realizada por cada um dos órgãos envolvidos, dentro de seus limites de competência. É sabido que o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, por exemplo, era processado no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, bem com os certificados de Utilidade Pública era, concedidos no âmbito de cada poder competente, seja, no âmbito Federal, Estadual e Municipal. Porém a lei deixa claro que a isenção, mesmo que cumpridos todos os requisitos anteriormente mencionados era adstrita ao INSS e a partir da edição da lei 11.457, de 2007 à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em nome do INSS, de acordo com o art. 55 da Lei n° 8.212, de 1991. Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Conforme podemos extrair do texto legal, diversas eram as exigências legais, mas dentre elas, encontravase expressa a manifestação do INSS (e posteriormente a SRRB), quanto ao necessário “pedido” e manifestação daquele órgão quanto a efetiva concessão do benefício. Assim, não haverseia de confundir a obtenção de documentos (digase também previstos na lei), como argumenta o recorrente, com a também exigência de “pedido formulado perante o INSS” para obtenção do benefício fiscal. Frisese que a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil restringiase à concessão, manutenção e cancelamento da isenção, verificando se os requisitos estariam sendo cumpridos. Dessa forma, a autoridade fiscal, durante o procedimento ora sob análise, ao constatar que a entidade, quando da ocorrência dos fatos geradores, deixava de cumprir quaisquer dos requisitos legais, para usufruir da isenção (ou mesmo imunidade descrita pelo recorrente) procedeu ao lançamento das contribuições devidas, indicando no relatório fiscal os motivos do seu não enquadramento. Portanto, restando claro, que as disposições contidas no art. 55 da Lei 8.212, de 1991, são legítimas, e, por conseguinte, a isenção deve ser requerida ao órgão da previdência social, concluise que, para usufruto desse beneficio, não basta à entidade portar títulos de reconhecimento de utilidade pública, decretos de filantropia ou demonstrar que exerce atividades filantrópicas ou mesmo elaborar relatórios de suas receitas e despesas. Ou seja, mesmo que o preenchimento dos demais requisitos previstos no art. 55, qualificassem o contribuinte a solicitar a isenção, a mesma não se dava de forma automática, considerando que da leitura do § 1°, artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991 para regular concessão seria necessário que a entidade procedesse ao requerimento junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que dispunha de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. Assim, também não cumpriu o recorrente requisito fundamental, qual seja, requerer junto ao INSS o pedido de isenção de contribuições, razão pela qual, mais um descumprimento, corretamente imputado pelo auditor, que tira do recorrente o direito ao gozo da isenção de contribuições previdenciárias. POSSIBILIDADE DE AFASTAR NORMAS INCONSTITUCIONAIS No que tange a possibilidade de afastar normas inconstitucionais, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa, ao contrário do que alega o recorrente, em relação a juros e multa aplicadas, as quais imputa confiscatórios. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991, principalmente no que se refere aos requisitos para concessão da isenção.. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual deve o auditor, no exercício de atividade vinculada, cumprir e aplicar todos os dispositivos da legislação previdenciária, sob pena inclusive de falta funcional. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 11 19 Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Nesse sentido, dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” QUANTO A MULTA IMPOSTA Em relação ao questionamento acerca do caráter confiscatório da multa, observamos, que o item 5 do relatório fiscal, foi muito esclarecedor em relação a multa aplicada. Conforme descrito no referido relatório, a multa originalmente prevista era a do art. 35 da Lei n ° 8.212/1991: No caso, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo que o fato de entender que a verba não constituiria salário de contribuição não é argumento válido para afastar a penalidade. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 14041.001494/200752 Acórdão n.º 2401003.790 S2C4T1 Fl. 12 21 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Como consta do relatório FLD, nos termos do art. 35da lei 8212/91 a ausência de recolhimento ensejava a aplicação de multa moratória, não competindo a este conselho afastar multa expressamente prevista em lei. Isto posto, entendo que ao decisão de primeira instância encontrase acertada e na conformidade com o s dispositivos legais. CONCLUSÃO Voto por CONHECER DO RECURSO, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto proferido. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 239DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 17/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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