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Numero do processo: 15521.000227/2007-28
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2003-000.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta se manifeste sobre as incorreções apontadas, requeira documentação comprobatória de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte ano calendário 2002 e apresente novo demonstrativo/planilha com cálculo detalhado apurado do imposto de renda devido para os anos-calendário 2002, 2003 e 2004, levando-se em consideração as bases corretas e as deduções que forem devidas, excluindo-se os valores que já foram pagos.
(assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta se manifeste sobre as incorreções apontadas, requeira documentação comprobatória de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte ano calendário 2002 e apresente novo demonstrativo/planilha com cálculo detalhado apurado do imposto de renda devido para os anoscalendário 2002, 2003 e 2004, levandose em consideração as bases corretas e as deduções que forem devidas, excluindose os valores que já foram pagos. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente), Wilderson Botto e Francisco Ibiapino Luz. Relatório Autuação Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado auto de infração de fls. 172 a 179, em virtude da apuração da seguinte infração: · Dedução indevida de despesas médicas pleiteadas indevidamente nos anoscalendário 2002 a 2004, conforme descrito no Termo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 21 .0 00 22 7/ 20 07 -2 8 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 279 2 Verificação Fiscal e Demonstrativo de Deduções de Despesas Médicas de fls. 166 a 171. No auto de infração foram apurados com fulcro nos dispositivos legais de fl. 177: · Imposto de R$ 9.859,41; · Multa de 150% no valor de R$ 14.789,11; · Juros de mora de R$ 5.093,53 De forma sucinta, a fiscalização constatou as seguintes irregularidades, conforme Termo de Verificação Fiscal: Ano Calendário 2002: · Plano de saúde Ases Ltda não foi comprovado por meio de recibo o valor de R$ 39,00; · Hospital de Miracema R$ 5.591,25 não foram comprovadas a prestação do serviço nem o seu pagamento; · Valteir Fidelis dos Santos exerce a função de protético R$: 7.135,00 não foram comprovadas a prestação do serviço nem o seu pagamento; AnoCalendário 2003: · Osmar Passeado Dias Filho R$ 6.050,00 não foram comprovadas a prestação do serviço nem o seu pagamento; · Clínica de Diagnóstico e Tratamento Ltda R$ 5.850,00 notas fiscal fraudada, segundo circularização efetuada na empresa não foram comprovadas a prestação do serviço nem o seu pagamento; AnoCalendário 2004: · Francislei Pessanha da Silva R$ 6.065,00 serviços prestados não tem amparo legal para dedução; · Osmar Passeado Dias Filho R$ 5.755,00 não foram comprovadas a prestação do serviço nem o seu pagamento; Impugnação Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 184 a 198), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 234 a 240) que: Teria havido erros nos trabalhos da Auditora Fiscal ao elaborar o Demonstrativo de Apuração do IRPF e Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, partes integrantes do Auto de Infração e que esses erros teriam gerado obrigação inexistente, com agravamento da multa em 150%; Fl. 292DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 280 3 O auto de infração teria sido lavrado com inobservância do PAF, art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972; Os documentos apresentados pelo Contribuinte à Fiscalização seriam hábeis e idôneos para efeito de dedução, uma vez que se reitringiriam a pagamentos efetuados pelo Interessado para seu próprio tratamento; As deduções se limitariam a pagamentos especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu Tratariam também de pagamentos efetuados a empresa domiciliada no país, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento Plano de Saúde Ases ltda.; O contribuinte apenas teria exercido o direito de proceder as deduções que a lei de regência do imposto de renda permitiria, cabendo ao fisco aferir a correção desses dados, não havendo a possibilidade de não considerar tais deduções sem prova cabal de que fora baseado em erro ou ilegalidade; A inclusão de deduções previstas na lei não poderia ser encarada como faculdade, mas direito legalmente concedido; Os documentos apresentados se prestariam para justificar as despesas médicas efetivamente realizadas no total de R$ 25.044,00; As multas apuradas nos exercícios 2003 e 2005 deveriam ser reduzidas para 75%, sendo indevida a aplicação de multa qualificada de 150%; Caberia ser reconhecido o direito creditório de R$ 6.427,61, relativo ao anocalendário 2002, exercício 2003, e de R$ 4.969,69, no exercício 2005. Acórdão de Primeira Instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou o lançamento procedente em parte nos seguintes termos: Mantenhase o imposto lançado para os anoscalendário de 2003 e 2004 acrescido de multa qualificada de 150% e juros de mora regulamentares; Alterese o imposto lançado de R$ 3.336,41 para R$ 3.325,68, relativo ao anocalendário 2002, acrescido da multa qualificada de 150% e de juros de mora regulamentares. Recurso Voluntário Cientificado da decisão de primeira instância em 09/12/2008 (fl. 274), o contribuinte apresentou, em 07/01/2009, o recurso de fls. 245 a 259, e aduz os seguintes argumentos: I DOS FATOS O Auto de Infração é relativo aos exercícios de 2003 2004 e 2005, sendo alterada a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física, Fl. 293DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 281 4 por glosa de deduções a titulo de Despesas Médicas, consideradas como não comprovadas. 2 No exercícios de 2003 e 2005 a fiscalização retirou as Declarações de Ajuste Anual do contribuinte do processamento eletrônico e fez o processamento manual quando da lavratura do Auto de Infração. Entretanto ao elaborar o Demonstrativo de Apuração do IRPF, não computou o imposto retido pela fonte pagadora dos rendimentos, pago como antecipação. 3 Esse fato é relevante e merece atenção especial, pois Mesmo com as glosas efetuadas o saldo de imposto é negativo e passível de restituição, não tendo a Decisão recorrida Corrigido tal distorção e ilegalidade. 4 Aplicouse indevidamente Multa qualificada de 150%, com o agravante de que não há base de cálculo para se aplicar penalidade, uma vez que o imposto foi pago antecipadamente. 5 A decisão recorrida é extremamente equivocada, não apreciou os pontos de divergência e as provas apresentados na impugnação. II PRELIMIAR Ratifica se aqui todas as preliminares levantadas na pega impugnatória e em especial quanto ao demonstrativo de multas que aqui transcrevemos: (...) O acórdão recorrido ao apreciar as preliminares argüidas abordou o tema cerceamento de defesa e utilizandose de chavão que já está quase que incorporado no "copiar e colar," o Relator as rejeitou, sem atacar o cerne das alegações, quais sejam: o elemento erro, de vez que o imposto de renda retido pela fonte pagadora e pago por antecipação pelo contribuinte não foi computado no demonstrativo de apuração do imposto apurado. Sendo o saldo do imposto negativo, não há base de cálculo para se aplicar a multa lançada. Ao rejeitar as argüições de nulidade levantadas se prendeu ao artigo 59 do decreto 70.235 /1972, no sentido de que não ocorreu nos autos vícios insanáveis, quanto à incompetência do agente do ato e preterição do direito de defesa. Mas se as Autoridades Julgadoras entenderam que não houve vícios insanáveis, também não se pronunciaram quanto aos vícios que poderiam ser sanados. Em não declarando a nulidade do lançamento, cabe às Autoridades Julgadoras sanearem o lançamento para que não haja prejuízo ao contribuinte. Também neste sentido não se pronunciaram. O erro do lançamento sanável ou não, não foi objeto do acórdão recorrido mantendose, in totum o erro na base de cálculo do lançamento. III DO DIREITO APLICÁVEL E SUA INTERPRETAÇÃO II.1 AnoCalendário 2002 Exercício 2003 Com relação as despesas pagas por serviços prestados por Valteir Fidélis dos Santos, a decisão recorrida salienta: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 282 5 "... após ter sido intimado pela Fiscalização, o mencionado profissional afirmou não exercer a profissão de dentista, mas de protético e que não teria em seu poder nenhum documento que comprovaria os serviços prestados ao interessado." No decorrer de toda Decisão, salienta pontos esparsos, mas não se atém no cerne, no que efetivamente comprova as alegações de defesa, vez que conforme consta às fl 147, tal profissional declara : "confirmo a emissão do recibo correspondente à prestação de serviço de protético, função a qual exerço". Quanto ao fato de serem as despesas relativas a prótese dentaria (Recibo de fl. 52), também há amparo legal para sua dedutibilidade. Está demonstrado no processo que o contribuinte ora recorrente fez tratamento dentário no ano calendário, fato este reconhecido pela própria fiscalização, quando aceita como comprovadas as despesas efetuadas pelo cirurgião dentista Dr. Marcelo Eugênio Azevedo que entre outros serviços colocou" próteses de pinos e blocos coroas de metalo cerâmicas e núcleos metálicos. Em anexo, Declaração/Requisição do cirurgião dentista, Dr. Marcelo Eugênio Azevedo, requisitante dos serviços de próteses em questão. A decisão recorrida aceitou o valor R$ 39,00 relativo ao Plano Ases, mas na sua conclusão não considerou o valor do imposto de renda retido na fonte e pago como antecipação. Em seu demonstrativo partiu do imposto devido de R$ 1.693,75, incorrendo no mesmo erro constante do Demonstrativo de Apuração, anexo ao Auto de infração. Tal entendimento estaria correto se a Declaração tivesse sido processada eletronicamente, conforme extrato emitido pela RFB em anexo. E, se ao processar manualmente a AFRF também assim não procedeu, o lançamento é indevido e saldo de imposto de renda a pagar apurado no valor de R$ 3.325,68, constante da conclusão do Acórdão recorrido totalmente incabível. Somente para argumentar, se não se questionasse neste Recurso as demais glosas efetuadas, ainda assim, o saldo do imposto de renda apurado seria negativo como a seguir se demonstra: Relativamente às despesas pagas ao Hospital de Miracema no valor de R$ 5.591,25 a glosa não foi impugnada, entretanto, como demonstrado acima, ainda assim não há saldo de imposto pagar e sim a restituir. Por outro lado, o contribuinte, num primeiro momento não compreendendo o lançamento e seus demonstrativos, foi induzido ao Fl. 295DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 283 6 pagamento da parte não impugnada, consoante DARF juntado à impugnação, valor IRPF de R$ 1.363,56 mais multa e juros totalizando R$ 3.355,85. Como alegado na impugna tal recolhimento foi indevido, pois mesmo não impugnando parte da autuação, ainda assim, o saldo de imposto apurado é negativo. Sobre tais alegações, o Acórdão recorrido limitouse a consignar que: "o autuado, em sua impugnação, concordou com a exclusão dessa dedução, devendo, assim, ser confirmado o labor da fiscalização". É de se notar, que em momento algum do Acórdão recorrido o débito extinto pelo pagamento foi apreciado e, mais grave ainda, na conclusão do julgamento deste ano calendário foi mantido como Imposto de Renda a pagar apurado R$ 3.325,68, sem exclusão do débito já pago, quer seja o pago por antecipação, pois retido pela fonte pagadora, quer o pago após o lançamento DARF juntado ao processo. Do até aqui exposto e comprovado, cabe ratificar o pedido de restituição das parcelas pagas indevidamente e não apreciado pela Autoridade Julgadora de primeira instância, a saber: Além deste valor a restituir apurado no Processamento Manual da Declaração de ajuste, considerando a parte impugnada e agora recorrida, no valor de R$ 3.071,76 e ainda a restituição dos valores pagos indevidamente via DARF de R$ 3.355,85 num total de R$ 6.427,6. II.2 Ano Calendário 2003 exercício 2004 Relativamente aos serviços prestados pelo Doutor Osmar Passeado Dias Filho, reafirma aqui as alegações da peça impugnatória que transcrevemos: que o profissional talvez por desinteresse declarou não possuir documento, mas não nega a prestação de serviço; que juntou declaração do Osmar com firma reconhecida confirmando o serviço prestado que não houve manifestação da DRJ sobre tal documento que as falhas nos recibos foram supridas pela declaração de próprio punho do profissional. Sobre as despesas pagas à Clínica de Diagnóstico e Tratamento Ltda no valor de R$ 5.850,00, a glosa não foi impugnada, tendo o imposto Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 284 7 apurado sido pago e que não foi objeto de apreciação no acórdão recorrido. II.3 Ano Calendário 2004 Exercício 2005 Reafirmamos que as alegações de defesa apresentadas na impugnação e como já consignado neste, enfatizando, que para proceder a glosa, quarto ao Osmar P Dias Filho se prendeu ao fato de que os documentos, leiase fichas do paciente, naquela oportunidade não haviam sido localizadas, fato este saneado com o documento juntado ao processo anexo à impugnação e a este recurso. Fracislei Pessanha da Silva prestou serviços de terapia ocupacional, fato este não contestado nos autos, também não contestado o efetivo pagamento, logo incabível a glosa. A documentação acostada aos autos é hábil e idônea para a comprovação das despesas efetuadas. A Declaração de Ajuste do exercício de 2005, também não foi processada eletronicamente, não houve resgate de restituição apurada na Declaração a que o contribuinte faz jus, assim, repitase, como a Declaração apresentada pelo contribuinte não foi processada eletronicamente, conforme extrato emitido pela RFB, em anexo, e, se ao processar manualmente a AFRF autuante, também assim não procedeu, o lançamento é indevido e o saldo de imposto de renda a pagar apurado o valor de R$ 3.250,50, constante da conclusão do Acórdão recorrido totalmente incabível. O Acórdâo recorrido na sua conclusão também quanto a este exercício, não considerou o valor do imposto de renda retido na fonte e pago como antecipação, corroborou o lançamento sem qualquer correção. No Demonstrativo de apuração anexo ao Auto de Infração partiuse de um valor de imposto pago de R$ 1.939,39, sem considerar o valor de imposto pago por antecipação, gerando erro na base de cálculo do lançamento. Somente para argumentar, se não se questionasse neste Recurso as glosas efetuadas, ainda assim, o saldo do imposto de renda apurado seria negativo, como a seguir se demonstra, seguindo a mesma forma de apresentação utilizada pelo Relator: Entretanto, como as glosas efetuadas , neste exercício, foram totalmente impugnadas, ratificase o pedido de restituição do imposto pago por antecipação, pois retido na fonte e apurado na sua declaração e, não apreciado pela autoridade julgadora de primeira instância, a saber: Fl. 297DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 285 8 III.4 — Da Base de Calculo da Multa Aplicada A metodologia utilizada para aplicar multa está equivocada e desprovida de amparo legal. (...) Desta forma, a muita foi aplicada sobre o imposto apurado e não sobre o saldo de imposto á pagar. Ocorre que a previsão de multa de oficio em caso de declaração inexata só pode ser aplicada em havendo, após a revisão do lançamento de oficio, insuficiência imposto a recolher. Concluise que a multa de oficio é totalmente indevida, pois foi aplicada sobre crédito tributário extinto por pagamento, mesmo após ao revisão efetuada pela fiscalização. Certo é que não há base legal para a multa de oficio para contribuintes que mesmo após a revisão de lançamento, continuem com direito à restituição. III.5 — Da Qualificação da Multa de Ofício Reafirma e aqui as alegações da peça impugnatória, enfatizando: A justificativa da fiscalização apresentada no Termo de Verificação Fiscal (item 10 )para agravamento da multa é de todo ilógica No processo administrativo fiscal tributário é totalmente descabido,inaceitável e ilegal o agravamento da penalidade baseado em indícios. A par de tudo que até aqui se demonstrou e provou não ha comprovação de fraude ou sonegação como tipificado no art. 71 da Lei 4.502/64. Assim agindo indicou apenas os fundamentos que lhe pareceram suficientes fazendo eleição arbitraria daquilo que deve ser ou não apreciado. Não há nos autos prova e muito menos suficiente para agravar a multa.O que,temos justificando a majoração da penalidade, é um frágil relato de entendimento subjetivo , o que por si só, já invalida a multa agravada. Não havendo caracterização do dolo nesta instancia tributária não há que se falar em multa agravada. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 286 9 Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações. É o relatório Voto Conselheira Sheila Aires Cartaxo Gomes Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O Recorrente alega em seu recurso ter havido erros nos trabalhos de auditoria ao elaborar os demonstrativos de apuração do IRPF e de multa e juros, e que, o IRRF não fora computado como dedução. Compulsando os autos às fls. 179 e 180, verificase que no Campo "B.Cálc. Decl/Consid Infrações" houve confusão de valores entre os anoscalendário 2003 e 2004. Cotejando as bases declaradas na DIRPF dos anos correpondentes às fls. 25 e 26, verificase que a Base de Cálculo contida nas declarações foi invertida ao ser digitada no sistema de auditoria fiscal. A seguir demonstramos a incorreção identificada: DIRPF 2004 ANOCALENDÁRIO 2003 Foi utilizada no cálculo a Base de Cálculo da DIRPF 2005 Ano calendário 2004 no valor de R$ 30.450,86 quando o correto seria R$ 25.513,80. Também verificase que foi invertido o valor do campo " () Imposto Pago" que deveria ser R$ 1.939,39 e foi digitado R$3.297,08. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 287 10 DIRPF 2005 ANO CALENDÁRIO 2004 Foi utilizada no cálculo a Base de Cálculo da DIRPF 2004 Ano calendário 2003 no valor de R$ 25.513,80 quando o correto seria R$ 30.450,86. Também verificase que foi invertido o valor do campo " () Imposto Pago" que deveria ser R$ 3.297,08 e foi digitado R$1.939,39. O recorrente também alega que o IRRF dos anoscalendário 2002, 2003 e 2004 não foram computados no campo dedução e que teria saldo de imposto a restituir ao utilizar esses valores: Fl. 300DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 288 11 Verificase nos autos às fls 57 e 71 comprovantes de rendimentos emitidos pelo Lab Americano de Farmacot S/A CNPJ: 61.150.819/000120 que comprovam que houve retenção de imposto de renda na fonte no ano calendário de 2003 no valor de R$ 6.256,74 e em 2004 no valor de R$ 8.266,77. Não localizei nos autos comprovantes do ano calendário 2002. Diante de todo exposto fazse necessário converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem se manifeste sobre as incorreções apontadas, requeira documentação comprobatória de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte ano calendário 2002 e apresente novo demonstrativo/planilha com cálculo detalhado apurado do imposto de renda devido para os anoscalendário 2002, 2003 e 2004, levandose em consideração as bases corretas e as deduções que forem devidas, excluindose os valores que já foram pagos. O sujeito passivo deverá ser intimado do resultado da diligência, sendolhe concedido prazo de trinta dias para manifestação. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 15521.000227/200728 Resolução nº 2003000.001 S2C0T3 Fl. 289 12 Conclusão Pelos motivos expendidos, converto o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes Fl. 302DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720285/2010-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.460
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 02 85 /2 01 0- 19 Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10925.720285/201019 Acórdão n.º 3402006.460 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa vinculada às receitas de exportação, transmitido através do PER/Dcomp, pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa deferiu parcialmente o referido pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.894. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10925.720285/201019 Acórdão n.º 3402006.460 S3C4T2 Fl. 4 3 Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: i) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. ii) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente, pela taxa Selic, desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.455, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720279/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.455): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outra matéria objeto do Despacho Decisório que não constou na sua primeira defesa, qual seja, a realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10925.720285/201019 Acórdão n.º 3402006.460 S3C4T2 Fl. 5 4 informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10925.720285/201019 Acórdão n.º 3402006.460 S3C4T2 Fl. 6 5 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa à realocação de crédito relativo a bens para revenda. De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida no tópico da peça recursal relativo à realocação de crédito relativo a bens para revenda. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10925.720285/201019 Acórdão n.º 3402006.460 S3C4T2 Fl. 7 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10925.720285/201019 Acórdão n.º 3402006.460 S3C4T2 Fl. 8 7 art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10925.720285/201019 Acórdão n.º 3402006.460 S3C4T2 Fl. 9 8 b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15922.720325/2012-20
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Recibos e declarações dos profissionais, apresentados em conjunto, constituem documentos hábeis e idôneos à comprovação do efetivo pagamento.
Numero da decisão: 2002-000.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar as glosas de despesas médicas, no valor de R$ 6.000,00 e de R$ 8.000,00, referente às profissionais: Flavia Galli Rodrigues de Melo e Luciana Cristina Piaia Roveroto Begiato, vencida a conselheira Claúdia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento; (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário no tocante à despesa médica no valor de R$ 6.000,00 realizada com a profissional Erika Fernandes Faria de Camargo, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao item (i) o conselheiro Virgílio Cansino Gil.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Recibos e declarações dos profissionais, apresentados em conjunto, constituem documentos hábeis e idôneos à comprovação do efetivo pagamento.
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Recorrente CARLOS APARECIDO RIGOLO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Recibos e declarações dos profissionais, apresentados em conjunto, constituem documentos hábeis e idôneos à comprovação do efetivo pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (i) por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário para cancelar as glosas de despesas médicas, no valor de R$ 6.000,00 e de R$ 8.000,00, referente às profissionais: Flavia Galli Rodrigues de Melo e Luciana Cristina Piaia Roveroto Begiato, vencida a conselheira Claúdia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (relatora) que lhe negou provimento; (ii) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário no tocante à despesa médica no valor de R$ 6.000,00 realizada com a profissional Erika Fernandes Faria de Camargo, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao item (i) o conselheiro Virgílio Cansino Gil. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 72 03 25 /2 01 2- 20 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15922.720325/201220 Acórdão n.º 2002000.931 S2C0T2 Fl. 145 2 (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de Lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 15/20), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2011. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$899,03 para saldo de imposto a pagar de R$7.177,51. A notificação noticia deduções indevidas com despesas médicas e com instrução (fls.16/17). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 10/8/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 30/8/2012, às fls. 2/46 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: Pede que sejam restabelecidas as despesas com a instrução de Leonardo Visentainer Rigolo e as despesas médicas pessoais e de seu dependente Leonardo, consoante recibos que apresenta. Defende que os recibos são prova hábil e suficiente a amparar a dedução em discussão. Protesta contra a multa aplicada, pois não foi caso de fraude. Invoca, ao longo da impugnação, posições jurisprudenciais que entende robustecer seus argumentos. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a impugnação, em decisão assim ementada (fls. 80/83): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EFETIVIDADE PAGAMENTOS. AUSÊNCIA DA PROVA. Mantémse a glosa de dedução a título de despesas médicas quando o sujeito passivo é intimado a comprovar a efetividade dos desembolsos e deixa de apresentar documentos aptos a fazê lo. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 15922.720325/201220 Acórdão n.º 2002000.931 S2C0T2 Fl. 146 3 DESPESAS COM INSTRUÇÃO. RESTABELECIMENTO. Os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação do contribuinte e de seus dependentes, respeitado o limite anual individual estabelecido na legislação, poderão ser deduzidos nas declarações de rendimentos. O colegiado de primeira instância decidiu por restabelecer as despesas com instrução. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 11/10/2013 (fl. 88), o contribuinte, em 6/11/2013 (fl. 90), apresentou recurso voluntário, às fls. 90/138, no qual alega, em apertado resumo, que: faria jus a deduzir as despesas próprias e de seu dependente efetuadas com fisioterapeuta, dentista e psicóloga, não podendo ser penalizado por eventuais falhas nos recibos emitidos pelos profissionais. teria juntado, além dos recibos, declarações emitidas pelos profissionais, que comprovariam os serviços prestados e sua boafé. teria efetuado os pagamentos em espécie, em conformidade com a lei e com jurisprudência administrativa citada. seria indevida a exigência da multa de 75%, uma vez que não teria sido apurada fraude de sua parte ou que os recibos não seriam verdadeiros. estaria acrescentando declarações emitidas pelas profissionais Luciana Begiato e Flávia de Mello. Voto Vencido Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15922.720325/201220 Acórdão n.º 2002000.931 S2C0T2 Fl. 147 4 Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 15922.720325/201220 Acórdão n.º 2002000.931 S2C0T2 Fl. 148 5 A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Em seu recurso, o contribuinte defende que os recibos são os documentos hábeis a fazer a prova exigida. Como exposto acima, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. É preciso registrar que no presente lançamento o interessado não está sendo acusado de ter agido com dolo, fraude o simulação, situação em que exigiria aplicação de multa qualificada de 150%, conforme estabelecido no § 1o, art. 44, da Lei nº 9.430/96, e, portanto, a exigência fiscal não conflita com a presunção de boafé do contribuinte. É certo que inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Cabe ressaltar que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter menos informações que o recibo, é aceito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Os recibos constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado, repisese, compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Fl. 148DF CARF MF Processo nº 15922.720325/201220 Acórdão n.º 2002000.931 S2C0T2 Fl. 149 6 Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) No caso concreto desses autos, intimado a apresentar comprovação do efetivo pagamento de parte das despesas médicas (fl.208), o recorrente limitouse a apresentar declarações e recibos emitidos pelas profissionais (fls.43/46 e 110/131), que não se revelam hábeis a fazer a prova exigida. Assim, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 149DF CARF MF Processo nº 15922.720325/201220 Acórdão n.º 2002000.931 S2C0T2 Fl. 150 7 Voto Vencedor Conselheiro Virgílio Cansino Gil Redator Designado Peço vênia para adotar o bem elaborado relatório feito pela Ilustre Relatora Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. No mérito, o contribuinte tem parcial razão. Quanto as despesas médicas com a profissional LUCIANA CRISTINA PIAIA ROVEROTO BEGIATO, o contribuinte trouxe aos autos recibos de pagamento de fls. 114/123 e declarações de fls. 110/111 que comprovam o efetivo pagamento das despesas tidas com o contribuinte e seu dependente LEONARDO VISENTAINER RIGOLO. Assim também procedeu com relação às despesas médicas com a profissional FLAVIA GALLI RODRIGUES DE MELO PEDROSO, tendo juntado recibos de fls. 124/130 e declarações de fls. 112/113. O cotejamento entre esses documentos hábeis e idôneos garantem a este relator a certeza do efetivo pagamento das despesas médicas. Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário e no mérito DOU PROVIMENTO PARCIAL para cancelar as glosas de despesas médicas, no valor de R$ 6.000,00 e de R$ 8.000,00, referente às profissionais: Flavia Galli Rodrigues de Melo e Luciana Cristina Piaia Roveroto Begiato. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.008296/2007-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO.
1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014).
2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
Numero da decisão: 2402-007.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
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RETENÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Recorrente AGRICOLA DALL OGLIO IMP E EXP LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 82 96 /2 00 7- 02 Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10935.008296/200702 Acórdão n.º 2402007.153 S2C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa perspectiva, adotamos o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 10865.001232/201049, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em resistência ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias devidas pela empresa incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Devidamente intimado da decisão de Primeira Instância, o Contribuinte interpôs recurso voluntário pugnando pela improcedência do Lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Assim sendo, ao presente litígio aplicase a decisão de mérito plasmada no Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 10865.001232/201049, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, digno Relator da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 20. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10935.008296/200702 Acórdão n.º 2402007.153 S2C4T2 Fl. 4 3 Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Da declaração de inconstitucionalidade O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil ora vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte do Conselheiro. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí, porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10935.008296/200702 Acórdão n.º 2402007.153 S2C4T2 Fl. 5 4 Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. No caso concreto, vêse que o lançamento tem como fato gerador a prestação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto no inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, que era assim redigido: Lei nº 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016) Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do citado dispositivo (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). Segue a ementa da decisão: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10935.008296/200702 Acórdão n.º 2402007.153 S2C4T2 Fl. 6 5 do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) (destacouse) Foi, inclusive, negada a modulação dos efeitos da decisão, conforme se vê na ementa abaixo: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados.(RE 595838 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe036 DIVULG 24022015 PUBLIC 25022015) No âmbito do legislativo, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, para "suspender" a execução do dispositivo inconstitucional. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, tomadas, respectivamente, em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo devem ser reproduzidas por suas Turmas. Logo, diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10935.008296/200702 Acórdão n.º 2402007.153 S2C4T2 Fl. 7 6 dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento ora em debate. 3. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 445DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925396/2009-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE.
A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea.
PRODUÇÃO DE PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3002-000.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito pleiteado, condicionado à confirmação do montante pela unidade de origem no momento da execução do julgado.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea. PRODUÇÃO DE PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
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COMPENSAÇÃO. Recorrente CONSÓRCIO OPERACIONAL DO TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIRO POR ÔNIBUS DO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PROVA INSUFICIENTE. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea. PRODUÇÃO DE PROVA. SEGUNDA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, que lhe deu provimento parcial para fins de reconhecer o direito pleiteado, condicionado à confirmação do montante pela unidade de origem no momento da execução do julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 96 /2 00 9- 98 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.925396/200998 Acórdão n.º 3002000.734 S3C0T2 Fl. 111 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório Trata este processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor de R$ 11.742,93, relativo ao período de apuração abril/2005 (fls. 75 a 79). Por meio de Despacho Decisório às fl. 4 e 5, a Delegacia de Administração Tributária em Belo Horizonte decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o pagamento relativo ao Darf informado na declaração havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade na qual reafirmou a existência do crédito, o que teria sido demonstrado pela retificação da DCTF após o despacho decisório (fls. 2 e 3). Juntou, a título de prova, o Despacho Decisório, a DCTF retificadora e o contrato social (fls. 4 a 74). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 42.494 (fls. 85 a 87), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que a mera retificação da DCTF após o despacho decisório, desacompanhada de documentação hábil para amparar a redução do débito, não constituía prova. Além disso, o Dacon, que nunca foi retificado, confirma débito superior ao alegado na PER/Dcomp. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 18.03.2013, conforme AR constante à fl. 91, e protocolizou seu recurso voluntário em 15.04.2013, conforme carimbo do protocolo na capa do recurso fl. 92. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega que o direito ao crédito decorreu de erro na emissão do Darf e, para comprovar, junta cópia do Livro Diário registrado na Junta Comercial e com os respectivos termos de abertura e encerramento, cópia do Balancete extraído do Livro Diário e cópia do Livro Razão (fls. 92 a 107). É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.925396/200998 Acórdão n.º 3002000.734 S3C0T2 Fl. 112 3 Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Tendo em vista as alegações da recorrente, o cerne desta discussão será a prova no processo administrativo fiscal e o momento para sua produção. No que concerne aos argumentos contidos no Recurso, é de se dizer que não fazem frente ao que foi apontado no julgamento de primeira instância. O contribuinte resume se a alegar erro na emissão do Darf e reafirma que o débito de Cofins limitase a R$ 24.177,86, o que seria demonstrado por seus registros contábeis, que junta pela primeira vez aos autos nesta fase processual. O relator do acórdão da DRJ inseriu no voto uma tabelaresumo da situação do contribuinte, produzida a partir das informações prestadas por ele à Receita Federal, que copio a seguir. Por ela se constata que, no momento da emissão do Despacho Decisório, tanto o Dacon como a DCTF indicavam o mesmo débito de Cofins, no montante de R$ 42.267,78, o que invalida o argumento de que o erro se limitava à emissão do Darf. Se na contabilidade do contribuinte realmente constava um débito de apenas R$ 24.177,86, é de se estranhar que em todas as declarações prestadas à Receita Federal o valor fosse superior e idêntico. Assim, vemos que, em relação aos argumentos constantes do Recurso, a recorrente não foi capaz de trazer qualquer informação que pudesse alterar a decisão anterior. Quanto aos documentos trazidos nesta fase, é de se esclarecer que precluiu o direito de produção de provas, motivo pelo qual não conheço da documentação juntada aos autos neste momento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assim, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.925396/200998 Acórdão n.º 3002000.734 S3C0T2 Fl. 113 4 manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante o § 4º do art. 16, acima transcrito, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Entretanto, a única providência adotada pelo contribuinte para se contrapor ao Despacho Decisório foi juntar a DCTF retificada após a decisão. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por consequência, a preclusão temporal. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10680.925396/200998 Acórdão n.º 3002000.734 S3C0T2 Fl. 114 5 Ressalto que o entendimento exposto não constitui posição isolada, mas recorrente no Carf. A ver, por exemplo, julgamento recente (fevereiro/2019) na 3ª Seção da CSRF – Acórdão 9303008.093, do qual transcrevo a ementa: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2007 a 30/06/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/ 2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. A retificação da DCTF após o Despacho Decisório que nega a homologação da compensação não é suficiente, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário que se pretende compensar. É indispensável a comprovação da ocorrência de erro na DCTF original por meio de documentação hábil e idônea, apresentada no momento oportuno. Sem a demonstração da certeza e liquidez do crédito alegado, que nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente, não é possível o reconhecimento do direito. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 114DF CARF MF
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Numero do processo: 16370.000399/2008-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS.
Nega-se provimento ao Recurso Especial que, por lapso, não se contrapõe ao julgamento levado a cabo pelo Colegiado a quo mas sim a situação estranha aos autos, em que a inidoneidade dos recibos fora comprovada pela Fiscalização.
Numero da decisão: 9202-007.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS DE PROVA ADICIONAIS. Negase provimento ao Recurso Especial que, por lapso, não se contrapõe ao julgamento levado a cabo pelo Colegiado a quo mas sim a situação estranha aos autos, em que a inidoneidade dos recibos fora comprovada pela Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 00 03 99 /2 00 8- 16 Fl. 140DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física do exercício de 2006, anocalendário de 2005, acrescido de juros de mora e multa de ofício, tendo em vista a apuração de deduções indevidas de despesas médicas. Em sessão plenária de 18/04/2018, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2001000.387 (efls. 98 a 113), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento." O processo foi encaminhado à PGFN em 14/06/2018 (Despacho de Encaminhamento de efls. 114) e, em 15/06/2018, foi interposto o Recurso Especial de efls. 115 a 123 (Despacho de Encaminhamento de efls. 124), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir o critério de comprovação de despesas médicas. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 29/06/2018 (efls. 127 a 130). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: não há como considerar como comprovadas, para fins de dedução, as despesas médicas glosadas pela auditoria fiscal, dadas as particularidades do caso concreto examinado; Fl. 141DF CARF MF Processo nº 16370.000399/200816 Acórdão n.º 9202007.801 CSRFT2 Fl. 141 3 não obstante, a princípio, admitamse recibos para fins de deduções, é possível a exigência, pelo Fisco, de documentos adicionais para a comprovação da efetividade do tratamento e do real desembolso pelo contribuinte (ônus a cargo deste), sem os quais o recibo não é bastante para justificar o abatimento; tal linha de raciocínio encontrase colmatada pela jurisprudência administrativa, assente na necessidade de demonstração da efetiva prestação dos serviços médicos e do real dispêndio do contribuinte, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda; observese que a glosa objeto da controvérsia foi devidamente justificada pelo fiscal autuante, que desconsiderou os recibos apresentados por haver fortes indícios no sentido de sua inidoneidade; tratase de situação diferenciada, em que a autoridade fiscal trouxe aos autos razões para a exigência de comprovação do efetivo pagamento e , não obstante a intimação específica e fundamentada para tanto, o Contribuinte deixou de apresentar a prova necessária; em análise da questão, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE concluiu no seguinte da inidoneidade dos recibos; não obstante os indícios constantes dos autos, o julgado recorrido entendeu que a mera apresentação de recibos é suficiente para afastar a glosa das despesas, desacompanhada de qualquer prova documental idônea do efetivo desembolso. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida e restabelecendose o lançamento. Cientificado, o Contribuinte quedouse silente (efls. 135/136). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Não foram oferecidas Contrarrazões. Tratase de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a glosa de despesas médicas, referente ao anocalendário de 2005, no total de R$ 24.690,00, a saber: Giovanna Machado Rizzo (R$ 10.020,00); Suzana M. Gameiro (R$ 3.320,00); Camila Carvalho de Melo (R$ 2.500,00); Maria Fernanda L. Filipeto (R$ 2.500,00); Fl. 142DF CARF MF 4 Ana Paula Bacron (R$ 2.900,00); Rosangela Bacron (R$ 1.950,00); e Renata M. Tan (R$ 1.500,00). No acórdão recorrido, deuse provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendose a dedução das despesas médicas, ao argumento de que os recibos seriam suficientes, uma vez que teriam faltado indícios que os desabonassem. A motivação para a glosa, constante da Notificação de Lançamento, foi a seguinte (fls. 13): "Glosa do valor de R$ ********27.622,44, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. (...) Recibos de Ana Paula Bacron, Giovana M. Rizzo, Maria Fernanda Felipeto, Rosangela Bacron, Camila C.Melo, Renata M. Tan e Suzana M. Gameiro (total R$ 24.690,00) desconsiderados por não apresentar qualquer documento para comprovação do pagamento das despesas." Como se pode constatar, não consta da autuação que os recibos apresentados pelo Contribuinte tenham sido considerados inidôneos. Entretanto, as razões de recurso esposadas pela Fazenda Nacional levam à conclusão de que tratarseia de caso diferenciado, em que a Fiscalização teria colacionado provas da inidoneidade dos recibos. A leitura dos trechos que a Fazenda Nacional atribui à autuação e à decisão de Primeira Instância (que ela diz ser a DRJ em Recife/PE, porém tratase da DRJ em Curitiba/PR) mostram que houve equívoco de sua parte, trazendo caso estranho aos presentes autos. Confirase os citados trechos, com a omissão dos nomes do contribuinte e profissional citados, por não dizerem respeito ao presente processo: "Observese que a glosa objeto da controvérsia foi devidamente justificada pelo fiscal autuante que desconsiderou os recibos apresentados por haver fortes indícios no sentido de inidoneidade destes. Eis Eis a fundamentação do lançamento acerca do ponto: '(2) XXXXXX: R$ 8.500,00 – Tendo em vista que consta no sistema dossiê da SRF apenas recibo emitido por esta profissional para o próprio Contribuinte no ano e o fato de que o valor envolvido ser elevado, solicitamos que o Contribuinte provasse o pagamento como condição única para aceitação desta despesa, mas, no caso, o mesmo apresentou apenas os simples recibos e uma declaração da profissional neste sentido, já que não foi apresentado nenhuma prova do efetivo pagamento, seja em cheque ou extrato de conta corrente bancária comprovando saques para pagamento em dinheiro (uma média de R$ 700,00 por mês), desconsideramos esta despesa com base nos argumentos acima de que a mesma só emitiu recibos para ele neste ano.' Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16370.000399/200816 Acórdão n.º 9202007.801 CSRFT2 Fl. 142 5 Ora, tratase de situação diferenciada em que a autoridade fiscal trouxe aos autos razões para a exigência de comprovação do efetivo pagamento. Todavia, não obstante a intimação específica e fundamentada para tanto, o contribuinte deixou de apresentar a prova necessária. Em análise da questão, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE concluiu no seguinte sentido: '10. Reltivamente as despesas médicas em nome da Sra. YYYYYY, no valor total de R$ 8.500,00, o contribuinte anexou cópias dos recibos de fls. 56 a 68 e declaração de fl. 68. 11. Estes recibos não especificam em que teriam sido realizadas as sessões psicoterápicas, em prejuízo do disposto no art. 8°, §2°, II, da Lei n° 9.250/95, e art. 80, §1°, II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Decreto n° 3.000/1999). 12. A declaração de fl. 68, datada de 17/06/2005, e emitida em TeresinaPI, também de emissão da Sra. XXXXXX, não contém endereço da profissional, mas, por seu turno, informa que foi o próprio contribuinte que submeteu as sessões de tratamento psicológico, e esclarece que não pode fornecer as fichas de acompanhamento das sessões psicológicas a que o contribuinte, que tem domicilio em MaceióAL, foi submetido, por se tratar de material não mais existente, pois seu acompanhamento foi encerrado em dezembro/2003 e de acordo com o 'art. 60 & 3' do Código de Ética Profissional dos Psicólogos em caso de extinção do serviço psicológico, os arquivos serão incinerados pelo profissional responsável e isso foi o que fez. 13. A Sra. XXXXXX declarou rendimentos de pessoa física no anocalendário de 2002 apenas no valor de R$ 8.500,00, conforme informação da sua declaração entregue a Receita Federal no dia 28/04/2003, fls. 17 e 18, valor que coincide com o declarado pelo contribuinte como pago a mesma, em 29/04/2003, conforme fls. 73 a 76. 0 contribuinte, na sua impugnação, demonstrou conhecer da declaração da XXXXXX, ao assegurar que esta ofereceu tais rendimentos de R$ 8.500,00 a tributação. 14. É estranho que o contribuinte tenha conhecimento da declaração da Sra. XXXXXX, inclusive, já constando cópia da DIRPF 2003/2002 da mesma entre os documentos que acompanham a impugnação, e que no ano de 2002 a Sra. XXXXXX somente declarou como rendimentos de pessoa física os mesmos R$ 8.500,00, do que decorre que a Sra. XXXXXX teria prestado serviços de psicologia apenas ao contribuinte em todo o ano de 2002, ou seja, embora o tratamento não seja barato, o que requer uma qualidade de tratamento e de profissional de nível compatível, é de se estranhar que a referida profissional somente tenha prestado serviços ao contribuinte e não tenha tido outro cliente. 15. De toda sorte, o contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento como condição única para aceitação das despesas, conforme descrito à fl. 84, ou seja, foi intimado a Fl. 144DF CARF MF 6 comprovar a efetiva transferência dos numerários constantes dos recibos, não tendo realizado tal comprovação, o que poderia ser feito através de extratos bancários que demonstrassem operações de compensação de cheques ou saques nos mesmos valores e datas próximas aos que constam dos recibos e declarações. 16. Por todos estes aspectos, os recibos se mostram frágeis e mesmo insuficientes A comprovação das despesas e ao convencimento do julgador, tendo em vista o disposto no art. 29 do Decreto 70.235/72.' Reiterese que, não obstante os indícios constantes dos autos, o julgado ora recorrido entendeu que a mera apresentação de recibos é suficiente para afastar a glosa das despesas, desacompanhada de qualquer prova documental idônea do efetivo desembolso." (grifei) Nessas condições, não há como sequer analisar as razões de recurso, tendo em vista que estas não foram focadas no caso em julgamento mas sim em situação estranha aos autos. Partindo de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tratarseia de caso diferenciado, em que a autuação teria fundamentado a inidoneidade dos recibos, a Fazenda Nacional deixou de se contrapor às razões esposadas no acórdão recorrido, que trataram de situação diversa daquela retratada no Recurso Especial. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903781/2009-16
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
INOVAÇÃO DO PEDIDO EM GRAU DE RECURSO.IMPOSSIBILIDADE.
A matéria não contestada na manifestação de inconformidade resta preclusa. O contribuinte não pode inovar no pedido em grau de recurso voluntário.
Numero da decisão: 1003-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM GRAU DE RECURSO.IMPOSSIBILIDADE. A matéria não contestada na manifestação de inconformidade resta preclusa. O contribuinte não pode inovar no pedido em grau de recurso voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. INOVAÇÃO DO PEDIDO EM GRAU DE RECURSO.IMPOSSIBILIDADE. A matéria não contestada na manifestação de inconformidade resta preclusa. O contribuinte não pode inovar no pedido em grau de recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 37 81 /2 00 9- 16 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10882.903781/200916 Acórdão n.º 1003000.574 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1269.404, de 20 de outubro de 2014, da 15ª Turma da DRJ/RJO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não conhecendo do direito creditório. Aos 28/05/2009, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, nº de rastreamento 831697725, emitido em 20/04/2009, que não homologou a compensação declarada em razão de inexistência de crédito PER/DCOMP nº 11728.14851.220906.1.3.044115, na qual declarou ter apontado como o "tipo de crédito" no PER/DECOMP Pagamento Indevido ou a Maior", contudo o correto deveria ter sido "Saldo Negativo de IRPJ". Requerendo, ao final, o CANCELAMENTO do PER/DCOMP 11728.14851.220906.1.3.044115 e o CANCELAMENTO da cobrança do débito no valor original de R$ 3.988,00. A DRJ/RJO julgou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconhecei o direito creditório, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não sendo comprovado o direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, há de se decidir pela não homologação da compensação declarada. DCOMP. CANCELAMENTO. O Pedido de Cancelamento de Declaração de Compensação (DCOMP) obedece a rito específico, e seu exame cabe às unidades de jurisdição e somente é admitido enquanto pendente de decisão administrativa à data do envio do pedido de cancelamento. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO. CANCELAMENTO. A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo não constitui meio adequado para veicular o cancelamento do débito indicado na Declaração de Compensação (DCOMP). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário que, em síntese, destacou: Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10882.903781/200916 Acórdão n.º 1003000.574 S1C0T3 Fl. 4 3 (i) que, na sua manifestação de inconformidade, a Recorrente reconheceu ter havido erro formal (erro de nomenclatura) ao identificar o crédito da PER/DCOMP como "Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL", quando na realidade se tratava de "saldo negativo de CSLL", referente ao ano calendário 2003, no valor de R$ 24.808,97. Que o crédito se tratava de adiantamento de CSLL devida; (ii) que o r. acórdão não homologou o crédito por entender que o objeto de análise originária era avaliar se o crédito era efetivamente decorrente de "pagamento indevido ou a maior" e que a IN RFB 1.300/2012 não prevê tal procedimento, já que a manifestação de inconformidade não é meio adequado para o cancelamento do débito. Esse posicionamento da DRJ demonstra formalismo excessivo, o qual é incondizente com a recente regulamentação da Receita Federal, que deve ser regido pelos princípios da verdade material e da economia processual; (iii) que a Receita Federal argumenta inexistir previsão legal para cancelamento do PER/DCOMP, porém, independente da possibilidade de cancelamento, pode o julgador corrigir erro formal de ofício (atr. 149, III, CTN). Aterse a questões formais para negar o crédito declarado equivocadamente vai de encontro aos princípios acima citados. Apresenta trecho de parecer da COSIT e doutrina sobre essa matéria; (iv) que manter a não homologação na presente situação em que existe crédito de saldo negativo para realizar a compensação, já que ocorreu mero erro formal, representa violação às regras e princípios citados; Por fim, requereu a reforma da r. decisão a quo para reconhecimento do direito da Recorrente a ver homologada a PER/DCOMP nº 11728.14851.220906.1.3.044115, para que seja reconhecido o crédito de saldo negativo de CSLL no exercício de 2004 que totalizam R$ 24.808,97 como suficinete para quitar os débitos posteriores de PIS no montante original de R$ 3.988,00, referente a Maio de 2005. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Inicialmente, importante destacar que, na manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, esse, após informar ter havido erro no preenchimento do PER/ DCOMP e não o ter regularizado, requereu o cancelamento da declaração de compensação. Ou seja, a Recorrente, na manifestação de inconformidade, pediu unicamente o cancelamento do PER/DCOMP 11728.14851.220906.1.3.044115 e do débito no valor original de R$ 3.988,00. Concluise pela análise da manifestação de inconformidade da Recorrente que a mesma, embora tenha informado a origem do equívoco e seu suposto direito ao crédito, não requereu a análise do crédito com base em saldo negativo, mas sim solicitou o cancelamento do PER/DCOMP, haja vista ter reconhecido erro que inviabilizou a análise correta do crédito discriminado na DCOMP. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10882.903781/200916 Acórdão n.º 1003000.574 S1C0T3 Fl. 5 4 Ora, a matéria objeto deste processo suposto erro formal não foi, em verdade, impugnada, não se instaurando o litígio em relação à análise do crédito propriamente. Isso porque a análise realizada pela DRJ no r.acórdão restringiuse a verificar a possibilidade de cancelamento do PER/DCOMP na fase processual na qual se encontrava o processo. Eis o Relatório da DRJ em relação à manifestação de inconformidade: Cientificado da decisão em 29/04/2009, conforme documento de fls. 25, o interessado apresentou, em 28/05/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 6/8, alegando, em síntese: a) que informara equivocadamente no PER/DCOMP que se tratava de crédito de “pagamento indevido ou a maior”; b) que, efetivamente, não tem mesmo crédito a titulo de “pagamento indevido ou a maior"; entretanto, o valor do DARF quitado faz parte do conjunto do saldo negativo da DIPJ/2004; c) que, nesse sentido, tem crédito tributário suficiente para efetuar a compensação; mas deveria ter informado na PER/DCOMP que se tratava não de “pagamento indevido ou a maior”, mas, sim, de saldo negativo de tributo apurado anualmente; d) que equivocadamente não cancelou o PER/DCOMP; e) que os débitos compensados não foram utilizados nem declarados nas DCTF; f) que, percebendo o erro cometido, pede cancelamento do PER/DCOMP em tela, pela sua não utilização em nenhuma compensação de débitos, e, por conseguinte, pede ainda o cancelamento da cobrança do débito compensados. Contrariamente ao que faz crer a Recorrente nas suas razões recursais, o que fundamentou toda a decisão recorrida foi o pedido de cancelamento do PER/DCOMP. Nesta senda, merece trazer a baila a norma contida no Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências, deixando muito claro no seu art 17 a questão da preclusão. Vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Ou seja, quando não impugnada a matéria no momento devido, ocorre a preclusão, que pode ser definida como a extinção da faculdade de se praticar determinado ato processual devido já haver ocorrido a oportunidade para realizálo. No Recurso Voluntário, contudo, o pedido da Recorrente é no sentido de que seja reconhecido tratarse de mero erro formal a indicação do tipo do crédito (saldo negativo e não pagamento indevido ou a maior) e requerer o reconhecimento do crédito. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10882.903781/200916 Acórdão n.º 1003000.574 S1C0T3 Fl. 6 5 Claramente, a Recorrente inova o pedido no recurso voluntário, provocando pedido de uma nova análise do crédito. A fase processual para tal pedido, como já visto, deveria ter sido realizada desde a manifestação de inconformidade, o que, como demonstrado, não ocorreu. Em razão disso, entendo que está preclusa a análise quanto à liquidez e certeza do crédito, haja vista que esse não foi o motivo da impugnação apresentada pelo contribuinte, o qual se limitou a informar o equívoco e requerer o cancelamento da declaração de compensação e do débito. Não obstante a clara preclusão existente nos presentes autos, é oportuno tecer alguns comentários acerca das razões opostas no recurso voluntário. Alega a Recorrente, em síntese, que o erro cometido no preenchimento da DCOMP, qual seja, a indicação errada do tipo de crédito, é mero erro de fato e que, em razão da verdade material e economia processual, deve ser feita a alteração de ofício por parte da autoridade administrativa. O art. 170 do CTN, que rege a matéria, destaca como condição para realização da compensação a existência de direito líquido e certo, senão vejamos: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 destaca em seu artigo 74, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Vêse, conforme declaração da Recorrente, que a mesma errou quanto à informação em relação ao tipo de crédito. Em que pese seu argumento de se tratar de erro de fato, o equívoco apontado impede a análise do crédito. A Declaração de Compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10882.903781/200916 Acórdão n.º 1003000.574 S1C0T3 Fl. 7 6 Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no pedido podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente, como determina o art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. O equívoco que impede a autoridade julgadora de analisar a liquidez e certeza do crédito não pode ser considerado mero erro de fato ou material. Se o contribuinte informa tratarse de pagamento indevido ou a maior é em cima dessa declaração que a análise quanto ao crédito será realizada. O erro de preenchimento indicado impediu a análise do requerimento, isso porque os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação da Declaração de Compensação, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. A informação de que o direito creditório era de saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior na Declaração de compensação revestese, pois, de inovação da matéria, porque a autoridade administrativa deverá analisar, obrigatoriamente, a regularidade da apuração do lucro real e os pagamentos realizados para identificar a liquidez e certeza do crédito. Não se acolhe a alegação de celeridade e economia processual, visto que a competência para a análise da regularidade do crédito apontado não é do CARF, mas da DRF respectiva. Outrossim, a regra é de que a declaração de compensação somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, em conformidade com o art. 6º da Instrução Normativa RFB nº 432/2004. Por essa razão, entendo que não se trata de erro material passível de correção de ofício. Isto posto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.995322/2012-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA
A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo.
PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO.
Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO.
No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido.
DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE.
Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos.
Numero da decisão: 1401-003.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO. No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo-se incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1950; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.995322/201268 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1401003.149 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria PER/DComp; CSLL Recorrente SPORT PROMOTION SOCIEDADE SIMPLES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA A manifestação da DRJ acerca dos elementos probatórios juntados aos autos que permita a clara compreensão das razões de decidir, mesmo que singela, afasta a hipótese de cerceamento de defesa e a possibilidade de declaração de nulidade da decisão a quo. PEDIDO GENÉRICO DE JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PRECLUSÃO. Descabe, à luz da norma que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, o pedido genérico de apresentação, a qualquer tempo após a impugnação, de novos elementos de prova, sem que se demonstre a ocorrência de uma das possibilidades de exceção à regra geral de preclusão, qual sejam: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. DIREITO REPETITÓRIO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS PROBATÓRIO. No pedido de restituição/ressarcimento ou na declaração de compensação, o contribuinte tem o ônus de provar a existência, certeza e liquidez do crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. DESCONSIDERAÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL E FISCAL. DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 53 22 /2 01 2- 68 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.995322/201268 Acórdão n.º 1401003.149 S1C4T1 Fl. 3 2 Na análise do direito creditório decorrente de pagamento a maior ou indevido, o ônus probatório é do contribuinte, não sendo necessário que a Administração desconsidere a escrita comercial ou fiscal ou declare inidôneos os documentos juntados aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.995319/2012 44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Breno do Carmo Moreira Vieira (Conselheiro Suplente Convocado), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente processo de PER/Dcomp transmitido pelo contribuinte no qual demonstra crédito decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior e declara compensações. Ao processar o PER/DComp apresentado pelo contribuinte, a Autoridade Administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil exarou Despacho Decisório denegando o pedido repetitório e não homologando a compensação. A negativa deveuse à constatação de que o DARF apresentado pelo contribuinte como origem do crédito teria sido integralmente utilizado para pagamento de débitos tributários, não restando nenhum saldo a ser repetido. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou que a fiscalização não teria se atido a todos os elementos do crédito pleiteado. Ao final, pede a homologação das compensações declaradas. Juntou notas fiscais. Na decisão de piso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou que, nos termos do disposto no artigo 333 do Código de Processo Civil (CPC/73), incumbe ao contribuinte, no caso de pedidos de repetição de indébito, fazer prova de seu direito, que deve ser líquido e certo conforme determinação do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.995322/201268 Acórdão n.º 1401003.149 S1C4T1 Fl. 4 3 No caso concreto, a DRJ constatou que, efetivamente, o DARF indicado pelo contribuinte havia sido integralmente utilizado no pagamento de outros débitos. Também constatou que o débito no qual o pagamento foi integralmente aproveitado está declarado em DCTF e DIPJ. Ao analisar os documentos apresentados pelo contribuinte, a DRJ conclui que estes não têm o condão de demonstrar qualquer erro que possa levar à alteração do débito declarado em DCTF e DIPJ, no qual o valor do DARF foi integralmente utilizado. Desta forma, a DRJ decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendose incólume o Despacho Decisório de indeferiu o crédito postulado e não homologou a compensação declarada. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alegou, sucintamente: (i) nulidade da decisão de piso: o contribuinte não pede de forma expressa a declaração de nulidade da decisão da DRJ. Entretanto, alegou que a DRJ teria deixado de fundamentar sua decisão, pois, embora tenha julgado improcedente a Manifestação de Inconformidade com fundamento na falta de comprovação do direito creditório, os julgadores teriam deixado de apreciar os documentos juntados, tais como livros fiscais, DCTF e cópias de notas fiscais. A falta de fundamentação da decisão afetaria o direito de defesa do contribuinte; (ii) pagamento em duplicidade ou a maior: o contribuinte repisou a alegação de que teria ocorrido efetivamente o pagamento indevido ou a maior; (iii) falta de comprovação, por parte da Administração, de fato impeditivo do direito creditório: alegou o contribuinte que à Administração incumbiria a comprovação de fato impeditivo do direito creditório pleiteado, nos termos do artigo 333, II, CPC/73; (iv) documentação e contabilidade idôneas: considerando que não há nenhum ato que desqualifique a contabilidade ou declare inidôneos os documentos apresentados, pleiteia o afastamento de qualquer punibilidade imputada; (v) juntada de novos documentos: o contribuinte protesta pela possibilidade de juntar novos documentos que eventualmente sejam necessários para provar suas alegações. Era o que havia a relatar. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.995322/201268 Acórdão n.º 1401003.149 S1C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.142, de 20/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.995319/2012 44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.142): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele tomo conhecimento. A controvérsia do presente feito pode ser explicitada no seguintes pontos: (i) o contribuinte indicou o DARF por meio do qual teria ocorrido pagamento a maior ou indevido; (ii) com base nesse suposto pagamento indevido ou a maior, o contribuinte apresentou o PER/DComp requerendo o deferimento do crédito equivalente ao valor do pagamento indevido e a homologação da compensação declarada; (iii) a autoridade da DRF indeferiu o pedido porque o DARF havia sido inteiramente utilizado no pagamento de outros débitos e portanto, não havia nenhum saldo a ser repetido; (iv) a DRJ confirmou o Despacho Decisório ao constatar que o débito que foi quitado com o DARF em questão está declarado em DCTF e DIPJ. Diante desse quadro, o que seria necessário para configurar o pagamento indevido ou a maior? O contribuinte deveria, mesmo após o Despacho Decisório que denegou o direito creditório, retificar a DCTF e a DIPJ e demonstrar com documentos hábeis e idôneos que teria incorrido em erro de fato ao preencher as duas declarações. Somente a demonstração por meio da escrita contábil e fiscal, com a devida documentação de suporte, teria o condão de comprovar que houve um pagamento indevido e que haveria um saldo a repetir. Há diversos precedentes deste Conselho nesse sentido, como se pode ver nos excertos abaixo: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.995322/201268 Acórdão n.º 1401003.149 S1C4T1 Fl. 6 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 PERDCOMP. CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. (Acórdão nº 1302003.122, de 20/09/2018, relatoria do conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. NECESSIDADE. A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. (Acórdão nº 9303007.439, de 19/09/2018, redator designado conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal). No caso em apreço, o contribuinte não apresentou declarações retificadoras de DCTF e DIPJ. Também não trouxe as escritas contábil e fiscal que façam prova de que o tributo devido, que foi quitado com o DARF sob análise, seria inferior ao registrado nas declarações originais. O contribuinte, na impugnação e no recurso voluntário, limitou se a apresentar cópias de notas fiscais e singelos demonstrativos extra contábeis com relações de notas fiscais e demonstração de apuração (fora da escrita fiscal) das bases de cálculo dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) do terceiro trimestre do anocalendário. Tais elementos de prova não demonstram a retificação do débito que foi quitado com o DARF em questão. Não comprovam que teria ocorrido erro de fato nas declarações. Não comprovam que haja um saldo de pagamento indevido ou a maior a repetir. Não havendo liquidez e certeza do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN, não é de se deferir o pedido de repetição. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.995322/201268 Acórdão n.º 1401003.149 S1C4T1 Fl. 7 6 Passo, agora, à análise das matérias postas pelo contribuinte no recurso voluntário. Preliminar de nulidade da decisão de piso A DRJ, ao fundamentar seu acórdão, manifestase acerca dos documentos juntados pelo contribuinte à manifestação de inconformidade. A manifestação é singela, mas chega às mesmas conclusões deste relator, conforme exposto acima. O que se percebe é que há uma inconformidade do contribuinte em relação às conclusões a que chegou a DRJ na análise das provas juntadas aos autos e pretende rediscutir a matéria por forma transversa, ou seja, alegando que a DRJ não fundamentou sua decisão. Não se enxerga nenhum prejuízo ao direito de defesa ou ao contraditório na forma como a DRJ fundamentou sua decisão. Não há que se falar, portanto, em nulidade da decisão. Neste ponto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Juntada de novos documentos. O Decreto nº 70.235/72 regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União. O artigo 16, § 4º, deste diploma institui a regra geral de preclusão do direito de juntar novos elementos de prova com a impugnação. As exceções à regra geral de preclusão, que permitiriam a apresentação de provas em momentos processuais posteriores, resumemse a três hipóteses, a saber: (i) a impossibilidade de apresentação oportuna por motivo de força maior; (ii) a prova que se refira a fato ou direito superveniente; e (iii) a prova que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente processo, não há fatos ou direitos supervenientes e nem fatos e razões trazidas aos autos após o Despacho Decisório. Restaria ao contribuinte, para fundamentar um pedido de apresentação de provas a destempo, conforme dicção do § 5º do dispositivo aludido, demonstrar a ocorrência de motivo de força maior que tenha impedido a apresentação tempestiva dos elementos de prova necessários para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não encontra acolhida na norma processual mencionada, no atual estágio do processo, pugnar genericamente pelo direito de apresentar novos elementos de prova a qualquer tempo, caso sejam necessários. O que se constata de forma cristalina é que o contribuinte, desde o início e ao longo de todo o processo, não logrou apresentar os Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.995322/201268 Acórdão n.º 1401003.149 S1C4T1 Fl. 8 7 elementos probatórios necessários para demonstrar o crédito tributário pleiteado. Assim, neste ponto, voto por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova. Mérito. Pagamento em duplicidade ou a maior e falta de comprovação, por parte da Administração, de fato impeditivo de seu direito Conforme exposto anteriormente, com lastro na jurisprudência deste Conselho, incumbe ao contribuinte comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nos termos do artigo 170 do CTN. Neste sentido, a hipótese de distribuição do ônus probatório pelas partes, no caso vertente, é a veiculada pelo artigo 373, I, do CPC/2015, ou seja, incumbe ao contribuinte a prova quanto ao fato constitutivo de seu direito creditório. Em síntese, o contribuinte tem o ônus de comprovar a existência, liquidez e certeza de seu direito creditório. A consequência jurídica do não cumprimento do ônus probatório é o indeferimento do pedido. E o contribuinte não se desincumbiu minimamente desse ônus probatório. Os parcos documentos apresentados, desacompanhados da retificação de DCTF e DIPJ e das escritas fiscal e contábil, não são hábeis para demonstrar que teria efetivamente ocorrido um pagamento a maior ou indevido. Assim, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Documentação e contabilidade idôneas. Alegou o contribuinte que não houve nenhum ato declarando os documentos inidôneos ou desconsiderando a sua contabilidade. Por isso, pretende ver qualquer punibilidade afastada. Ora, tratase neste processo de duas normas jurídicas, uma de repetição de indébito e outra de compensação. A primeira tem como antecedente a existência de um crédito líquido e certo. E, como consequente, a relação obrigacional do Estado de repetir o imposto pago indevidamente ou a maior. A segunda norma jurídica tem no antecedente o crédito do contribuinte face ao Estado, decorrente da aplicação da norma anterior. E, no consequente, a satisfação de um débito pela compensação, sujeita à homologação. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.995322/201268 Acórdão n.º 1401003.149 S1C4T1 Fl. 9 8 O contribuinte não comprovou a existência de um crédito líquido e certo. Desta forma, não surgiu o direito à repetição. Destarte, como não há crédito, não se aplica a segunda norma e não se homologa a compensação. Nas duas hipóteses normativas, não há necessidade da Administração desconsiderar a contabilidade ou declarar a inidoneidade dos documentos. Na esteira da fundamentação deste voto, na medida que o contribuinte não comprova a liquidez e certeza do crédito pleiteado, não deve haver homologação da compensação declarada. Os débitos compensados indevidamente estão sujeitos à incidência de multa e juros. Desta forma, neste ponto voto pelo indeferimento do recurso voluntário. Conclusão. Em síntese, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão a quo, por declarar a preclusão e indeferir o pedido de juntada de novos elementos de prova e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendose incólume a decisão da DRJ. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011370/2005-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL, ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL, ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA).
OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, urna isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1º, da Lei n,º 6.,938/81.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
A partir do exercício de 2,002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da Área de reserva legal à margem da matricula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
Hipótese em que a Recorrente comprovou documentalmente a existência da Área de reserva legal, a sua aprovação pelo órgão ambiental e a respectiva averbação.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL, RECONHECIMENTO, INEXISTÊNCIA.
Para efeitos de exclusão da Área da base de cálculo do ITR, a reserva particular do patrimônio natural (RPPN) tem de ser reconhecida pelo IBAMA, o que não ocorreu no presente caso, conforme declarou expressamente a própria Recorrente.
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA
DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. APA SUL RMBH.
Para efeitos de exclusão da área da base de cálculo do ITR, a área de proteção ambiental tem de ser efetivamente criada pelo Poder Público, o que não ocorreu na hipótese dos autos.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2101-000.640
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR
provimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada de 2.711,80 hectares. Vencidos os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda e José Raimundo Tosta Santos, que negavam pro "inrento ao recurso. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Lauto de Oliveira Viatura AB-RJ 130.789.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL, ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fiuição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, urna isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1", da Lei n," 6.,938/81. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. AREA DE RESERVA LEGAL, A partir do exercício de 2,002, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4° do art. 16 do Código Florestal. A averbação da Area de reserva legal à margem da matricula do imóvel 6, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. Hipótese em que a Recorrente comprovou documentalmente a existência da Area de reserva legal, a sua aprovação pelo órgão ambiental e a respectiva averbação. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL,. RECONHECIMENTO, INEXISTÊNCIA. Para efeitos de exclusão da Area da base de cálculo do ITR, a reserva particular do patrimônio natural (RPPN) tem de ser reconhecida pelo IBAMA, o que não ocorreu no presente caso, conforme declarou expressamente a própria Recorrente. -^ roc sso n I 0680.011370/2005-37 cordão n °2101-00,,640 S2-C1T1 Fl. 308 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. AREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL. APA SUL RMBH. Para efeitos de exclusão da area da base de cálculo do ITR, a area de proteção ambiental tem de ser efetivamente criada pelo Poder Público, o que não ocorreu na hipótese dos autos.. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em DAR ovimento PARCIAL ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente clarada de 2_711,80 hectares. Vencidos os Conselheiros Ana Neyle Olímpio Holanda e José aimundo Tosta Santos, que negavam pro "inrento ao recurso. Fez sustentação oral, pêla - corrente, o Dr. Lauto de Oliveira Viatura AB-RJ 130.789. Cai,ia Marcos ândido --Presidente Alexandre Naoki Nishioka - Relator EDITADO EM: 0 0 5 JAN 2011 JAN 2011 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, lexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir ernandes e Gonçalo Bonet Allage. elatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 237/256) interposto em 13 de fevereiro de 008 contra o acórdão de fls. 222/231, do qual a Recorrente teve ciência em 16 de janeiro de o 008 (fl. 236), proferido pela 1' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de lgamento ern Brasilia (DF), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de fração de fls. 02/04, lavrado em 10 de agosto de 2005, em virtude da falta de recolhimento do rnposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: INIPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR 2 Processo n° 10680.011370/2005-37 S2-C1T1 Accirdfio n ° 2101-00.640 Fl 309 Exercício: 2002 DILIGÊNCIA. Cumpre indeferir o pedido de diligência, pois, o onus da prova é da contribuinte, ao qual cumpre guardar ou produzir os documentos, conforme o caso, ate a data de homologação do auto-lançamento, de acordo com o previsto no § 4° do art. 150, do CTN. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. As areas de preservação permanente, para fins de comprovação e exclusão do 1TR, devem estar devidamente discriminadas, conforme classificação definida no Código Florestal Brasileiro, no 'Laudo Técnico', nos termos exigidos pela fiscalização. DA ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA — RESERVA LEGAL. A area de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, deve estar averbada à margem da inscrição da matricula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, à época do respectivo fato gerador, nos termos exigidos pela fiscalização. Lançamento Procedente" (fl. 222). efonna do Não se conformando, a contribuinte interpôs recurso voluntário, pedindo a acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. o relatório. to Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele onheço. A Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, que devem ser xcluidas da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal e de declarado interesse cológico. Sendo recorrente a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de ecursos Fiscais (CARF), cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na „J uestâo especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de o npetância da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas o art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido A. baila, in verbis: 3 locqsso n° 10680 011370/2005-37 b6rd5o n ° 2101-00.640 S2-C111 Fl 31-0 "Art. 29. 0 imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tern corno fato gerador a propriedade, o domínio Útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." ik guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a Unido promulgou a i Federal n.° 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. , corno hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel i, r natureza, localizado fora da zona urbana do município". conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação tados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus doznizzi), 6 • t ma que não releva na análise do presente recurso, verifica-se que não há qualquer discussão a r I ' sp I eito da incidência do tributo no que toca As Leas de preservação permanente ou de reserva •restal legal. Corn efeito, muito embora ern tais áreas a utilização da propriedade deva servar a regulamentação ambiental especifica, disso não decorre a consideração de que ferida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se be, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5 0 da CF, pos-siri itação constitucional assentada em sua função social (art. 5', XIII, da CF). Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador a relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, • ntudo, "o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, ndamentalnzente, pelo poder de disposição. A vinctilação social da propriedade, .que legitima imposição de restrigbes, não pode ir ao pánto de colocá-la, única e exclusivamente, a sez Tip .Estado ou da comunidade" (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al). Curso de direito nstitucional. 4" ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine A regulação ambiental, deste modo, verifica-se que a legislação, uito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio nbiente ecologicamente equilibrado, na forma corno estabelecido pela Constituição da epública, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela gislação cível. I. Corn fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não, cidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, corno querem alguns, redução da base\ cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: "Art. 10. A apuração e o pagamento do serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior § 1 0 Para os efeitos de apuração do 'TR, considerar-se-A: [ II - Area tributável, a Area total do imóvel, menos as Areas: 4 -^ — Processo n° 10680 011370/2005-37 S2-CIT1 Aaalo n ° 2101-00.640 Fl 311 AI de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4371, de 15 de setembro de 1965, corn a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989" (grifei). Ii Havendo referido dispositivo legal feito expressa referencia a conceitos "desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, i oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo especifico, na Iforma indicada pelo ait. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas corno hipótese isenção do 1TR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada "área de preservação permanente" APP), dispae o Código Florestal, Lei n." 4371/65, atualmente regulada, também, pelas esoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura minima será: 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 - de 500 (quinhentos) metros par a os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, mantes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros ern projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões 5 line so n° 10680 011370/2005-37 1 AArddo n.° 2101-00,640 , metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se- o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo, Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; C) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor cienti fico ou histórico; " f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvicolas; h) a assegurar condições de bem-estar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só sera admitida corn previa autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária a execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2' As florestas que integram o Património Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei," Verifica-se, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação 94i:onsidera corno Area de preservação permanente, trazendo A baila a lição de Edis Milaré, as ' orestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua I calizaçâo e a sua função ecológica" (MILARt, Edis. Direito do ambiente: doutrina, j riprudência, glossário 5' ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas Areas de preservação permanente, ' ç nsoante esclarece o disposto pelo §1° do art. 3', citado supra, não há qualquer possibilidade d supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, a ividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a Area de preservação permanente, no entanto, a o amada area de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos- 91mente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redaçZio vigente, isto 6, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.166-67/2001, assim dispõe: "Art 16.. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em area de nreservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a titulo de reserva legal, no mínimo: - oitenta por cento, na propriedade mral situada em area de floresta localizada na Amazônia Legal; S2-C1 Ti Fl. 312 6 7 Processo n° 10680.011370/2005-37 S2-C11. 1 c n " 2101-00.640 • FI.313 II - trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra Area, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7 deste artigo; III - vinte por cento, na propriedade rural situada em Area de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV - vinte por cento, na propriedade rural em Area de campos gerais localizada em qualquer região do Pais, § l O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os indices contidos nos incisos I e II deste artigo § 2 .̀' A vegetação da reserva legal não pode set . suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3 5 deste artigo, sem prejuízo das demais legislações especificas. § 3n Para cumprimento da manutenção ou compensação da Area de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser . computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar . ou em consorcio com espécies nativas. § elP A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I - o piano de bacia hidrográfica; 11 - o plano diretor municipal; III - o zoneamento ecológico-econômico; IV - outras categorias de zoneamento ambiental; e V - a proximidade com outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 50 Poder Executivo, se for indicado pelo Zonearnento Ecológico Econômico - ZEE e pelo Zoneamento Agricola, ouvidos o CONAMA, o Ministério r, do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I - reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Areas de Preservação Permanente, os ecotonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva blodiversidade e os corredores ecológicos; e II - ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos indices previstos neste Código » em todo o território nacional. § 6 Sera admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das Areas relativas A vegetação nativa existente em area de preservação permanente no calculo Processo n 10680.011370/2005-37 S2-CIT1 ' A Ordfio n ° 2101-00..640 Fl 314 do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas Areas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em area de preservação permanente e reserva legal exceder a: I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do Pais; e III - vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2 do art. 1. § 7 0 regime de uso da area de preservação permanente não se altera -r-ia hipótese prevista no § 6'. § 8' A area de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matricula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, de desmembramento ou de retificação da Area, com as exceções previstas neste Código. § 9' A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Publico prestar apoio técnico e juridic°, quando necessário § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de titulo executivo e contendo, no minim, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal ern regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. C.-) Art. 44, 0 proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em - extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5' e 6, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I - recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada trés anos, de no minima 1/10 da area total necessária à sua complementação, corn espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II - conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III - compensa. r a reserva legal por outra Area equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento, § 1' Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural farniliaj Pr cesso n° 10680 011370/2005-37 S2-C1T1 Acórcliio n.° 2101-00.6 4 0 Fl 315 - § 2' A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio tempoiário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3' A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da Area. § 4" Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma micro-bacia hidrogifica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a area escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso § 5' A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de Area sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44-B, (.,.)" .0 Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARt, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação especifica Edis, op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que "ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da lopriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa", delimitando, assim, "a porgio a ser constituída como Reserva da Floresta Legal" (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para.a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "Lima obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "zunbilicahnente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem" (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões dd. Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.° 21„ Sao Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). luz do exposto, verifica-se que as restrições ambientais, tanto nos casos de Areas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não hi a exigência, para o cumprimento das normas ielativas ás áreas de preservação permanente, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tão-somente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos ,primários que disponham sobre o tema. 9 Em relação à reserva legal, entendo que a averbação à margem da matricula imóvel, corn a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tern natureza nstitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses pecificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em I independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização or' órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, mediante convênio, lo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4° art' . 16 da Lei n.° 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória n° 2.166- 7 'de 2001). Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a ecessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8° do art. 16 da Lei .° 1 .771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da Area de reserva legal, prevista pelo t. fl 55 do Decreto n.° 6.51412008, encontra-se atualmente prorrogada para 2011, de acordo m o que estatui o Decreto Federal rr° 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação loncedeu um período de adaptação aos proprietárias, a Ern de que possam cumprir referida etrminação legal, deixando de cominar-lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de verbação de referida Area. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos ercentuais fixados em lei para exploração de Area rural decorre de normas de ordem pública, ue não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este a ompetente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, endo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, coma já se verberou portunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim especifico de constituir as reas de reserva florestal legal, igualmente não havia, ate o exercício de 2000, qualquer ndamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fin e eduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, alias, dispunha o art. 17-0, da Lei Federal 6.938/81, corn a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17-0, Os proprietários rurais, que se beneficiarem corn redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - HR, com base em At Declaratúrio Ambiental - ADA, deverão recolher ao lhama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a titulo de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria!' (AC) "§ lc A utilização do .ADA para efeito de redução do valor a pagar do HR é opcionaL" Por esta razão, portanto, isto 6, por inexistir qualquer fundamento legal para a ntrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo 'revista pela legislação atinente ao 1TR, a 2" Turma da Camara Superior de Recursos Fiscais provou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria rt.° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o langamento de oficio relativo a fatos geradores ocoi idos até o exeiricio de 2000," .. Pois bem. Muito embora inexistisse, ate o exercício de 2000, qualquer fundament() para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, corn ocesso n° 10680.011370/2005-37 • S2-C1T1 6rildo a° 2101-00.640 Fl 316 1 0 S2-C1T1 Fl. 317 Processo e 10680011370/2005-37 Acordrio n ° 2101-00.640 o advento da Lei Federal 11. 0 10.165/2000 alterou-se a redação do §1° do art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art, 17-0. ( § 1n A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória" Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.° 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-0, §1°, da Lei n.° 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Entendo tal alteração na legislação da seguinte forma: o ADA, apresentado tempestivamente, tem a função de inverter o ônus da prova, passando este a ser do Fisco a partir da sua entrega. Caso não ocorra a entrega do ADA, pode o contribuinte se valer de outros meios de prova visando h. fruição da redução da base de cálculo. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine as regras tratadas corno exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim especifico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. Importante gizar, outrossim, ainda no que concerne à obrigatoriedade de 'aPresentação do ADA, que não há que se falar em revogação do referido dispositivo pelo §7° ih; art. 10 da Lei n.° 9.393/96, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166-67/01, tendo em vista que a inversão do ônus da prova prevista no referido dispositivo refere-se justamente às declarações feitas pelo contribuinte no próprio Ato Declaratório Ambiental (ADA), de modo que não estabelece referido dispositivo legal qualquer desnecessidade de apresentação deste Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto especifico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da inens legis que norteou a alteração do texto do art. 17-0 ' da Lei n.° 6.938/81. Analisando-se, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, pode-se inferir que a mudança de paradigma deveu- se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne A 'aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir 'que este iiltimo possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim especifico da fruição da redução da base de calculo do 1TR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da 11 cesso e 10680.011370/2005-37 S2-CIT 6n lo n.* 2101-00.640 Fl. 318 ceita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, ilizando-se, para este fim especifico, do poder de policia atribuído ao IBAMA. Em síntese, pode-se afirmar que a alteração no regramento legal teve por copo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de urn dever legal que permita, mo afirma Helenilson Cunha Pontes, uma "razoci»el efetividade da norma tributtiria" ONTES, Helenilson Cunha. O principio da praticiclade no Direito Tributtirio (substituiçõo ibiaciria, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e u. limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, V. 1, n.° 2. Beto Horizonte, 1/dez-2004, p. 57), no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do lIR, mais especificamente que atine As Areas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar urn mero extenso de contribuintes, exigir-se-ia, não fosse a necessidade da obrigatória oiocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso lime de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista ontimico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passou-se, com o advento da Lei Federal n. ° 10.165/00 exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base e cálculo do UR, declaração esta sujeita ao poder de policia do IBAMA. Tratando-se, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve_o licador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo ruicipiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferir-lhe o sentido elide elhor se amolda aos objetivos legais. Partindo-se desta premissa basilar, verifica-se que o art. 17-0 da Lei n. ° .938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastavel, o dever de apresentar o ADA, In estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo xai do pela Receita Federal pata o fim especifico de permitir a redução da base de cálculo do R. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim especifico da dução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3 0, do Decreto n. ° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002. Quer-se com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de aneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim spiecifico da redução da base de cálculo do ITR, não havia, sequer no âmbito do poder egulamentar, disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, ue possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação ermanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão o crédito tributário, na forma como denominada pd..) Código Tributário Nacional, são atérias que devem ser integralmente previstas em lei, na fbrma corno estatuido pelo art.. 97, o CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder egulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação ntempestiva do ADA.. 1 2 Processo n° 10680011 .370/2005-37 S2-C1T1 AcendUo n " 2101-00.640 Fl 319 Repise-se, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a Obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n,' 4.382/2002, o que, corn a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido qtfanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dippeie o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressalte-se, não é o caso. Nesse esteio, recorrendo-se à analogia para o preenchimento de referida lacuna, deve-,se recorrer h legislação do ITR relativa As demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine a DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9,393/96, aplicadas ao presente caso tendo-se sempre em vista o egcopo da norma inserida no texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81, isto 6, imprimir , praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, pára o fim especifico da isenção tributária . Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da Lea tributável, verifica-se que. cumpre o escopo da norma a sua entrega ate o inicio da fiscalização, momenta a partir do qual a apresentação ja.11ãO Tnais cumprirá seu desiderato. De fato, até o inicio da fiscalização em face do contribuinte, verifica-se que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base 6 cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do organ , ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa ‘ especifica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto 6, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas Ultimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "zibi eadem ratio, bi eaedem legis dispositio", isto 6, onde há o mesmo racional, a legislação não \r, pode aplicar critérios distintos. \\— A guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do inicio da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do 1TR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato.. Assim, aplica-se ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.189-49/01, que assim dispõe: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." 13 S2-CITI Fl 320 Processo n0 10680 011370/2005-37 Acórdão n ° 2101-00.640 14 , De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a ntrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o inicio da iscalizaça'o. Poder-se-ia sustentar, inclusive, que o ADA poderia ser substituído por utros documentos que comprovassem efetivamente as areas de preservação permanente e de eserva legal, a luz do que se extrai do próprio "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato eclaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a presentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornou-se anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte rocedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: "Ern virtude da impossibilidade de proceder-se à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores — por não haver retroatividade —, recomenda-se que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA — Exercício 2007 tornou-se ANUAL. E necessário, também, munir-se de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao 'balm, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural — pela não apresentação do ADA no Exercicio devido ela deverão ser apresentados." Mais adiante, em resposta a pergunta n. 40 ("Que documentação pode ser xrgida para comprovar a existência das areas de interesse ambiental?"), o IBAMA relaciona s seguintes documentos: "• Ato Deelaratório Ambiental — ADA e o comprovante da entrega do mesmo; • Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural corno Area de Preservação Permanente, Conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, que especifique e discrimine a Areas de Interesse Ambiental (Area de Preservação Permanente; Area de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Area de Declarado Interesse Ecológico; Area de Servidão Florestal ou Ambiental; Areas Cobertas por Floresta Nativa; Areas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do lbama relativo zi area de interesse ambiental; • Certidão do lbama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgã o. ambiental estadual) referente ás Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Area de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Area de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de Area imprestável, bem como, de Areas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual — Ato do Poder Público para Areas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que nao seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como unto Area de Interesse Ecológico. • Certidão de registro ou copia da matricula do imóvel com averbação da Area de Servidão Florestal; e Portaria do Ibama de reconhecimento da Area de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)." Pode-se concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra fact um propritan, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal tan efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das Areas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, ns hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, A. análise de cada caso concreto. Em relação a. reserva legal, esta está sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente após o exercício de 2002, ou, piediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4° do art, 16 da Lei n.° 4.771/65 (tendo em vista a redação dada pela Medida Provisória n°2.166-67, de 2001). No presente caso, a Recorrente alega que a área de sua propriedade estaria isenta do pagamento do 1TR, em sua integralidade, em razão da existência de: urna Area de 2.711,80 ha. destinada A preservação permanente, que pode ser comprovada por ADA, mesmo que intempestivo; uma Area de RPPN de 1.293,90 ha.; urna área de reserva legal de 1.047,15 ha. e outra Area de 11.564,50 ha. de declarado interesse ecológico que, por si só, já seria suficiente para desconstituir o lançamento tributário em sua totalidade. ' A Recorrente entregou o ADA antes do inicio da fiscalização, o que, nos termos da fundamentação exposta, tem o condão de inverter o ônus da prova em relação aos dados nele constantes, Da Area de preservação permanente Além de a Area ter constado em ADA entregue antes do inicio da fiscalização, importante mencionar que o segundo laudo apresentado pela Recorrente (fls. 262(264) confirma a informação prestada pela contribuinte em sua declaração, no sentido de qUe a Area de preservação permanente seria de 2.711,80 ha, (fl. 263), Se isso não bastasse, considerando-se que, nos autos do Processo 10680.720570/2007-46 (Recurso 342,841, também em pauta para julgamento nesta data), a própria fiscalização aceitou, como de preservação permanente, essa área de 2.711,80, é de se 'dar provimento ao recurso, neste ponto, para restabelecer a APP anteriormente declarada. Da Area de reserva legal , Processo n° 10680 011370/2005-37 Ac6rdiio n,* 2101-00.640 I r S2-CITI Fl 321 15 S2-C1 11 Fl 322 I, rocesso n° 10680 011370/2005-37 C6rdao n ° 2101-0 0.640 No que se refere à Area de reserva legal, tenho entendido que ainda que não ja necessária a averbação, a partir de 2002 a legislação exige a aprovação da reserva legal elo órgão ambiental competente, o que não aconteceu no presente caso. Dessa forma, o recurso deve ser improvido quanto a este aspecto especifico. Da Area de reserva particular do patrimônio natural (RPPN) A Area de reserva particular do patrimônio natural, por sua vez, esta art. 21 da Lei no 9985, de 18 de julho de 2000, in verbis: isciplinada no "Art. 21. A Reserva Particular do Patrimônio Natural é uma Area privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. § 1'. 0 gravame de que trata este artigo constará de termo de compronni-so assinado perante o órgão ambiental, que verificará a existência de interesse publico, e será averbado à margem da inscrição no Registro Público de Imóveis. § 2°, Só poderá ser permitida, na Reserva Particular do Patrimônio Natural, conforme se dispuser em regulamento: I - a pesquisa cientifica; - a visitação com objetivos turísticos, recreativos e educacionais".„ Por sua vez, para que urna Area seja caracterizada como de reserva particular o patrimônio natural, integral ou parcialmente, o proprietário do imóvel rural deve manifestar en interesse para tanto perante o Poder Público, nos termos do art. 10 do Decreto n.° 1.922/96, ue ora se transcreve: "Art. 1° Reserva Particular . do Patrimônio Natural - RPPN é Area de domínio privado a ser especialmente protegida, por iniciativa de seu proprietário, mediante reconhecimento do Poder Público, por ser considerada de relevante importância pela sua biodiversidade, ou pelo seu aspecto paisagístico, ou ainda por suas características ambientais que justifiquem ações de recuperação." Percebe-se, portanto, que foi conferida uma faculdade ao partictitar roprietário de áreas corn biodiversidade de interesse relevante de gravar sua propriedade rural ara fins de proteger os recursos ambientais representativos da região (art. 2° do Decreto a.' .922/93), cujo requerimento necessita de analise do Poder Público, a teor do que prescreve o 6° do mencionado Decreto ri.° 1.922/93: "Art, 60 0 órgão responsável pelo reconhecimento da RPPN, no prazo der, sessenta dias, contados da data de protocolização do requerimento, dever I - emitir laudo de vistoria do imóvel, com descrição da Area, compreendendo a tipologia vegetal, a hidrologia, os atributos naturais que se destacam, o estado de conservação da Area proposta, indicando as eventuais pressões potencialmente degradadoras do ambiente, relacionando as principais atividades desenvolvidas na propriedade; II - emitir parecer, incluindo a análise da documentação apresentada e, se favorável, solicitar ao proprietário providências no sentido de firmar, em duas vias, o termo de compromisso, de acordo corn o modelo anexo a este Decreto; 16 Processo n° 10680 011370/2005-37 fkc rdflo n.° 210 1 -00.640 S2-CITI Fl. 323 III - homologar o pedido por meio da autoridade competente; IV - publicar no Diário Oficial ato de reconhecimento da área como RPPN." No presente caso, a Recorrente não comprovou que houve o reconhecimento de, parte de sua propriedade como RPPN por meio de ato administrativo, nem demonstrou que teria cumprido a exigência legal quanto à averbação A margem da matricula do imóvel rural no ca lftório de registro competente do termo de compromisso em caráter perpetuo, nos termos do que dispõe o art. 60 da Lei 4371/65. Nesse sentido, cumpre esclarecer que a própria Recorrente requereu ao IBAMA, em virtude desse fato, "em caráter definitivo, arquivar toda a documentação protocolada nesta Superintendência, referente ao pleito da MBR sobre a constituição da RPPN Capitão do Mato" (fl. 168 dos autos do Processo 10680.720570/2007-46 - Recurso 342.841, também em pauta para julgamento nesta data). Assim, o recurso não deve ser provido quanto a este aspecto. Da Area de declarado interesse ecológico (APA SUL) Em se tratando de pedido de reconhecimento de area de preservação ambiental, melhor sorte não assiste h Recorrente, pois a só alegação de que sua propriedade estaria inserida nos limites da denominada APA SUL RMBH não é suficiente para que faça jus A' exclusão da base de cálculo do ITR, já que não trouxe elementos precisos no sentido de que seu imóvel rural poderia ser considerado como de interesse ambiental em sua integralidade. - A propósito, assim já havia se pronunciado o extinto 3° Conselho de Contribuintes, então competente para analisar feitos administrativos versando o ITR: "AREAS DE PROTEÇÃO AMBIENTAL APA Para efeito de isenção do ITR, não serão aceitas como de preservação permanente ou de interesse ecológico as Areas declaradas em caráter geral, por região local ou nacional, como situadas em APA. Sua comprovação deve ser feita por ato de órgão ligado A proteção ambiental, federal ou estadual, em caráter especifico para o imóvel rural objeto da tributação." (3° Conselho de Contribuintes, T. Câmara, Acórdão 302-38.822, de 07/08/2007, Relator Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira) No presente caso, não existe prova da existência de um ato especifico do órgão ambiental que constitua a Area de interesse ecológico, nem de que as restrições impostas 1Recorrente são maiores do que as já existentes para as de preservação permanente e de reserva legal. Cumpre observar ainda que os Decretos .35624/94 e 37812/96, que instituíram originariamente a APA Sul R.MBH não chegaram a "sair do papel", tanto que, em 26/07/2001, foi editada a Lei 13.960/2Q01, também de natureza programática, já que 'determinava a criação do zonearnento ecológico e econômico nela indicado, criação essa que não foi comprovada pela Recorrente. 17 ocesso n 10680,011370/2005-37 c6iciao n.* 2101-00.640 S2-C1 II Fl 324 Nego provimento portanto ao recurso também quanto a esta area de _ 1.564,50 ha. Em síntese, voto no sentido de DAR PARCIAL provimento ao recurso para stabelecer a área de preservação permanente anteriormente declarada (2.711,80 ha.). Sala das Sesseies-DF, em 29 de julho ce 2010 Li Alexandre Naoki Nishioka 18
score : 1.0
Numero do processo: 19647.003475/2007-65
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/03/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Nos termos do RESP 1.149.022/SP o instituto da denúncia espontânea é aplicável à situação em que há recolhimento a destempo, acompanhado de juros moratórios, de tributo que não tenha sido objeto lançamento, ou de auto-lançamento por sua confissão de dívida em DCTF.
No caso, o débito objeto do recolhimento a destempo já constava de DCTF apresentada anteriormente. Portanto, não aplicável o instituto da denúncia espontânea.
Numero da decisão: 9303-008.394
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 31/03/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Nos termos do RESP 1.149.022/SP o instituto da denúncia espontânea é aplicável à situação em que há recolhimento a destempo, acompanhado de juros moratórios, de tributo que não tenha sido objeto lançamento, ou de auto-lançamento por sua confissão de dívida em DCTF. No caso, o débito objeto do recolhimento a destempo já constava de DCTF apresentada anteriormente. Portanto, não aplicável o instituto da denúncia espontânea.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Nos termos do RESP 1.149.022/SP o instituto da denúncia espontânea é aplicável à situação em que há recolhimento a destempo, acompanhado de juros moratórios, de tributo que não tenha sido objeto lançamento, ou de autolançamento por sua confissão de dívida em DCTF. No caso, o débito objeto do recolhimento a destempo já constava de DCTF apresentada anteriormente. Portanto, não aplicável o instituto da denúncia espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 34 75 /2 00 7- 65 Fl. 235DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 169 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 320100.653, de 02 de março de 2011 (fls. 166 a 175 do processo eletrônico), proferido pela Primeira Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado contra o Contribuinte para exigência de credito tributário de multa paga a menor no valor de R$ 25.069,82, referente ao débito de Imposto de Produtos Industrializados – IPI no valor de R$ 125.349,14, vencido em 08/04/2004 e pago pelo Contribuinte em 30/06/2004 Inconformado com a autuação, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese que a multa de mora exigida não é devida, pois, antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, denunciou espontaneamente a infração, mediante pagamento do tributo, acrescido de juros de mora, nos termos do artigo 138 da Lei n.° 5.172/1966 (CTN). Ainda, afirma que sua atitude em não recolher o valor da multa está respaldada no dispositivo legal acima mencionado, seguido inteiramente pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 170 3 A DRJ no Recife/PE julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado pelo voto de qualidade, negou provimento conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI EMENTA Data do fato gerador: 31/03/2004 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIDO COM ATRASO DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃOCARACTERIZAÇÃO INCIDÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA. Tributo sujeito a lançamento por homologação e recolhido com atraso, não se beneficia da denúncia espontânea, portanto, incide multa moratória. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 178 a 183) em face do acordão recorrido que negou provimento ao Recurso Voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito à incidência de multa de mora, no caso de pagamento, após o vencimento, de tributo sujeito a lançamento por homologação. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, O Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de n.ºs 10516.821 e 10808.956. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição de inteiro das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despachos de fls. 223/224 e 225, sob o argumento que pela análise do acórdão n.º 10516.821 ficou evidenciada a divergência jurisprudencial apontada pelo Contribuinte. Referente ao outro acórdão indicado como paradigma de nº 10808.956, entendeuse que não ficou comprovada a divergência, pois, a Câmara que o proferiu entendeu pelo cabimento da multa isolada, tendo apenas reduzidos seu percentual para 50 %. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 171 4 A Fazenda Nacional foi cientificada da decisão de admissibilidade do Recurso Especial, conforme se verifica às fls. 226 e 227, mas não apresentou contrarrazões. É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 223/224 e 225. Pois, pela análise do acórdão paradigma n.º 10516.821 ficou evidenciada a divergência jurisprudencial apontada pelo Contribuinte. Referente ao outro acórdão indicado como paradigma de nº 10808.956, entendeuse que não ficou comprovada a divergência, pois, a Câmara que o proferiu entendeu pelo cabimento da multa isolada, tendo apenas reduzidos seu percentual para 50 %. Desta forma, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Diante do exposto conheço o Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Do Mérito Fl. 238DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 172 5 A matéria tratada no presente recurso referese somente ao cabimento ou não da cobrança da multa moratória nos casos de pagamento a destempo, mas feito antes do início de qualquer procedimento fiscal. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Superior Tribunal de Justiça já decidiu a questão posta, sob a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Especial nº 1.149.022/SP, que trata da matéria, entendeu que não se configurava a denúncia espontânea o deliberado pagamento a destempo do tributo, não discutido judicialmente, cujo lançamento deve por ele ser efetuado. A decisão fala especificamente em pagamento concomitante com a retificação da DCTF, mas, pelo teor da decisão, da Súmula e dos precedentes nela citados (ainda que a contrario sensu), mais que claro e óbvio fica que o mesmo vale para pagamentos feitos anteriormente. Por força regimental – Portaria MF nº 343/2015, art. 62, § 2º, a decisão deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei n.º 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei n.º 12.844/2013, também Fl. 239DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 173 6 estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: NOTA PGFN/CRJ/Nº 1114/2012 (...) 5. ... em resposta à consulta da RFB, segue em lista anexa a esta Nota a delimitação dos julgados proferidos pelo STF e STJ, relacionados pela RFB, para efeitos de que aquele órgão proceda ao cumprimento, no seu âmbito,do quanto disposto no Parecer PGFN 2025/2011. (...) 45 RESP 1.149.022/SP (...) Resumo: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. No caso concreto, com base no que foi descrito pelo ilustre relator assentado nas informações constantes dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), atestouse que a empresa interessada entregou a primeira DCTF referente ao 1° trimestre de 2004, em 14.05.2004, informando débito de IPI no valor de R$ 409.612,89, com vencimento legal em 08/04/2004, valor que haveria sido compensado com um crédito seu, resultante de anterior recolhimento de valor indevido (o seu crédito foi vinculado a uma "compensação de pagamento indevido ou a maior"). Fls 75. Porém, em data posterior, 30.06.2004, percebendo erro que cometera quanto ao valor do indébito decorrente de recolhimentos anteriores tidos por indevidos ou a maior, a interessada procedeu ao recolhimento do valor parcial de R$ 128.144,42, sendo R$ 125.349,14 a título de IPI e R$ 2.795,28 a titulo de juros incorridos entre a data Fl. 240DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 174 7 de vencimento, 08.04.2004, e 30.06.2004, data do recolhimento do valor excedente ao crédito resultante do alegado indébito. Fls76 Observese, ainda, que a interessada apresentou a primeira declaração retificadora, em 31/08/2005, justamente para ajustar sua DCTF original, anteriormente apresentada, à verdade material somente percebida por ele em 30.06.2004, Foi a constatação do referido erro que o levou a efetuar o recolhimento, a título de IPI, do exato valor que excedia ao montante de seu crédito contra a Fazenda Nacional. Restou informado que do IPI devido na 2º Quinzena de marco, 1° trimestre de 2004, no montante de R$ 409.612,89, a parcela de R$ 125.349,14 foi efetivamente quitado mediante pagamento em 30.06.2004, e apenas o saldo devedor restante (R$ 284.263,75) foi objeto de compensação com o indébitosupramencionado. Outras declarações retificadoras relativas ao primeiro trimestre de 2004 foram posteriormente apresentadas, entretanto em todas essas declarações, foi mantida a informação quanto ao valor do IPI devido originalmente, de R$ 409.612,89, bem como quanto ao valor correspondente à extinção de parte do débito por pagamento, de R$ 125.349,14, inclusive a de n° 0000020061740475905, transmitida em 17/11/2006, que serviu de base para a lavratura do Auto de fls. 06/07. Ora, o auto de infração sob análise pretendeu cobrar multa de oficio pela suposta falta de recolhimento da multa de mora sobre o valor recolhido em 30.06.2004. Entretanto, ao meu ver, quanto àquela parcela de R$ 128.144,42, a situação descrita permite o enquadramento dos fatos ao previsto no art.138 do CTN. O recolhimento do valor excedente ao crédito decorrente de indébito anteriormente constatado, acompanhado dos juros incorridos desde a data de vencimento do tributo (IPI) até a data do efetivo recolhimento, fezse necessário depois de apurado pela própria interessada o erro que cometera na quantificação de seu crédito (por indébito), utilizado para compensação do saldo devido de IPI. O recolhimento referido se deu antes da apresentação ao fisco da primeira declaração retificadora referente ao 1° trimestre de Fl. 241DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 175 8 2004, que veio a ajustar a situação descrita na declaração original à verdade material, também ocorreu antes que o fisco conhecesse o erro na compensação originalmente declarada ou houvesse feito qualquer investigação a esse respeito. Nesse caso, devese excluir a responsabilidade pela infração espontaneamente denunciada ao fisco. Evidentemente, se já não cabia a exigência de multa de mora nessa hipótese, resulta absolutamente improcedente o lançamento da multa de oficio motivada na ausência de recolhimento espontâneo da multa de mora. E, neste caso, para essa exação específica, sobre a qual se cobra a referida multa de mora, não houve a confissão do débito através da apresentação de DCTF, por parte da Contribuinte, não se tratando, portanto, de tributo regularmente declarado, apesar de sujeito a lançamento por homologação. Sendo assim, não se aplica, neste caso, o que dispõe a Súmula 360 do Superior Tribunal de Justiça, porque tal exação não foi regularmente confessada ou declarada através de DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, ou através de qualquer outro meio. Simplesmente o Contribuinte percebeu o não pagamento e recolheu a exação, prestando as informações necessárias apenas após o efetivo pagamento. Como bem entende o STJ, é considerada declaração administrativa do débito tributário qualquer tipo de declaração sobre tal débito, por parte do contribuinte, perante o Fisco, antes de seu pagamento, dando conta de sua existência, equiparandose ao início de um procedimento administrativo e, descaracterizando, assim, a denúncia espontânea da infração, nos termos do artigo 138 e § único, do Código Tributário Nacional. Mas não foi isso o que aconteceu no presente caso. Ou seja, a Contribuinte nunca declarou seu débito perante o Fisco Federal antes do pagamento. Apenas recolheu o que entendia devido, sem ocorrer o início de qualquer procedimento administrativo, mesmo que através de DCTF. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 176 9 Por fim, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão n.º 9303005.874, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Possas, manifestouse no mesmo sentido: Processo nº 10980.004263/200730 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.874 – 3ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente INSTITUTO DE FLORESTAS DO PARANÁ Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. PAGAMENTO EM ATRASO, MAS ANTERIOR À APRESENTAÇÃO DA DCTF E ANTES DO INÍCIO DE QUALQUER PROCEDIMENTO FISCAL. AFASTAMENTO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no sentido de afastar a cobrança da multa de mora por pagamento em atraso, feito anterior ou até concomitantemente à apresentação da DCTF na qual o débito foi confessado, desde que antes do início de qualquer procedimento fiscal, por considerar, que, nestes casos, configurasse a denúncia espontânea do art. 138 do CTN, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. A vista do exposto voto por dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 177 10 É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado Em que pese a clareza dos fundamentos esposados pela ilustre Conselheira Relatora na análise do presente Recurso Especial, peço vênia para deles discordar. Com efeito, entendo que deva ser negado provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo, nos termos a seguir apresentados. Encontrase em discussão a necessidade de recolhimento de multa de mora, para fins de aplicação do instituto da denúncia espontânea, no caso de pagamento realizado a destempo, porém antes do início de qualquer procedimento fiscal. Registrese que, nos termos do que consta dos autos, relativamente ao 1º Trimestre de 2004, o Sujeito Passivo: I em 14/05/2004, apresentou DCTF originária, informando: (a) débito de IPI no valor de R$ 409.612,89, com vencimento em 08/04/2004; e (b) compensação do débito com crédito resultante de alegado pagamento indevido ou a maior. II em 30/06/2004, apresentou DCTF retificadora, para: (a) alterar o valor do crédito resultante do anteriormente alegado pagamento indevido ou a maior; e (b) informar o recolhimento dos valores de R$ 125.349,14 a título de tributo e R$ 2.795,25 a titulo de juros. Em apertada síntese, a Relatora, partindo dos pressupostos de que a DCTF retificadora é que representa a verdade material e que ela foi apresentada na mesma data do pagamento, concluiu pela aplicabilidade ao caso do disposto no RESP 1.149.022/SP, configurandose o instituto da denúncia espontânea objeto do art. 138 da Lei nº 5.172, de 1968 (Código Tributário Nacional CTN). Registro que, inclusive pela vinculação determinada pelo Art. 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015, também aplico o entendimento constante do antes referido RESP. Contudo, discordo quanto a sua aplicabilidade no caso dos autos. Com efeito, entendo que na data do pagamento o débito já havia sido confessado na DCTF originária. Por outro lado, na DCTF retificadora, somente foi alterada a Fl. 244DF CARF MF Processo nº 19647.003475/200765 Acórdão n.º 9303008.394 CSRFT3 Fl. 178 11 informação acerca da quitação desse débito, reduzindose a pretensa compensação com "pagamento indevido ou a maior" e inserindose a informação do pagamento a destempo. Nesses termos, verifico que o valor recolhido a destempo já havia sido objeto de autolançamento quando da confissão do débito, na DCTF original e, assim, não teria ocorrido situação em que fosse possível aplicar o instituto da denúncia espontânea, nos termos do RESP 1.149.022/SP. Em vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Sujeito Passivo (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 245DF CARF MF
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