Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.723941/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. DECLARAÇÃO FINAL
No encerramento das atividades da pessoa jurídica o prejuízo fiscal acumulado e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido acumulada podem ser compensados com o Lucro Real e com a base de cálculo da CSLL observado o limite de 30% previsto nas Leis nºs 8.981 e 9.065, ambas de 1995.
MULTA DE OFÍCIO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS SEM EFICÁCIA NORMATIVA
As decisões administrativas proferidas em processos administrativos de exigência de crédito tributário não possuem eficácia normativa reconhecida, requisito para a exclusão da multa de ofício quando da sua observância.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO - INAPLICABILIDADE - Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.
Numero da decisão: 1202-001.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, no mérito, nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora), Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno, sendo o redator designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à matéria incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Marcos Antonio Pires, nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Limda Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: tfd yutuyt
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. DECLARAÇÃO FINAL No encerramento das atividades da pessoa jurídica o prejuízo fiscal acumulado e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido acumulada podem ser compensados com o Lucro Real e com a base de cálculo da CSLL observado o limite de 30% previsto nas Leis nºs 8.981 e 9.065, ambas de 1995. MULTA DE OFÍCIO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS SEM EFICÁCIA NORMATIVA As decisões administrativas proferidas em processos administrativos de exigência de crédito tributário não possuem eficácia normativa reconhecida, requisito para a exclusão da multa de ofício quando da sua observância. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO - INAPLICABILIDADE - Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.723941/2010-79
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5383710
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1202-001.174
nome_arquivo_s : Decisao_11080723941201079.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : tfd yutuyt
nome_arquivo_pdf_s : 11080723941201079_5383710.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, no mérito, nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora), Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno, sendo o redator designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à matéria incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Marcos Antonio Pires, nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Limda Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5639652
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030094364672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2446; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.723941/201079 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.174 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria IRPJ Recorrente FERRAMENTAS GERAIS COMERCIO E IMPORTAÇÃO S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. DECLARAÇÃO FINAL No encerramento das atividades da pessoa jurídica o prejuízo fiscal acumulado e a base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido acumulada podem ser compensados com o Lucro Real e com a base de cálculo da CSLL observado o limite de 30% previsto nas Leis nºs 8.981 e 9.065, ambas de 1995. MULTA DE OFÍCIO. DECISÕES ADMINISTRATIVAS SEM EFICÁCIA NORMATIVA As decisões administrativas proferidas em processos administrativos de exigência de crédito tributário não possuem eficácia normativa reconhecida, requisito para a exclusão da multa de ofício quando da sua observância. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, uma vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, no mérito, nos termos do voto vencedor, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta (relatora), Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno, sendo o redator designado o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima; e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso quanto à matéria incidência dos juros de mora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 39 41 /2 01 0- 79 Fl. 516DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 2 sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo e Marcos Antonio Pires, nos termos do relatório e voto proferidos pela relatora. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Limda – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Contra a contribuinte FERRAMENTAS GERAIS COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO S/A (CNPJ 92.664.028/000141), foi lavrado Auto de Infração com as seguintes exigências, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora com base na taxa SELIC: COFINS, referente ao anocalendário de 2005; Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ – referente ao ano calendário de 2007, no montante de R$ 24.241.814,91; e, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL – referente ao ano calendário de 2007, no montante de R$ 8.778.181,79. Essas exigências foram motivadas por: (i) falta de declaração e recolhimento referente à Cofins do mês de julho de 2005 (R$ 114.679,15); e, (ii) a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL sem a observância da trava de 30% do lucro líquido após os ajustes relativos às adições e exclusões, em desacordo com a previsão legal contida nos artigos 42 e 56 da Lei nº 8981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9065/95. A contribuinte foi intimada por via postal, em 11 de novembro de 2010, apresentou Impugnação em 9 de dezembro de 2010. De início, informa a autorização legal para proceder às compensações efetuadas. Em seu entender, a autorização vem dos dispositivos previstos nas Leis nºs 8981/95 e 9065/95, que subentendem que há comunicação entre os períodos de apuração, vez que há restrição à compensação de prejuízos anteriores, sem que haja qualquer menção a períodos posteriores. Tal entendimento é corroborado pelo próprio texto legal, que, ao mencionar expressamente “anoscalendário subseqüentes” e “prejuízos apurados”, pressupõe a continuidade das atividades empresariais como prérequisito para a limitação legal para a compensação. Diz que, Fl. 517DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Acórdão n.º 1202001.174 S1C2T2 Fl. 3 3 “Em outras palavras, a própria legislação condiciona, expressamente a incidência da limitação de 30% à continuidade da atividade empresarial.” Na hipótese de encerramento das atividades, não há que se falar em limites. Nesse sentido, ainda que não houvesse tal pressuposto, devese levar em consideração a finalidade do texto legal, que no entender da impugnante, “a finalidade subjacente das mencionadas Leis é precisamente garantir o aproveitamento dos prejuízos, desde que dentro de determinados limites percentuais. Podese com isso dizer que o direito à compensação faz parte da teleologia imanente das referidas Leis. E, em sentido oposto, a perda do direito a compensação não faz parte do seu objetivo. Em outras palavras, a finalidade da lei é garantir o aproveitamento e não acabar com ele. ... Assim, diante de situações que possam conduzir ao perecimento do direito à compensação, caberá ao aplicador, que compreender a norma de maneira mais ampla, efetuar uma redução do âmbito da sua aplicação, para o efeito de retirar do alcance da lei os casos não abrangidos pelo próprio sentido objetivo da lei. Com esse proceder, o aplicador não deixará que aconteça aquilo mesmo que o legislador quis evitar que um mero alongamento do direito de compensar se transforme na sua verdadeira aniquilação.” Nessa esteira, a tarefa de interpretar não é alargar ou mesmo alterar a lei, mas fazer com que seja aplicada naquilo que a própria lei prevê. É mister que a interpretação considere o fato da atividade empresarial continuar ou não, já que se tratam de situações opostas. Acrescenta que nenhuma interpretação legal pode desconsiderar o Princípio da Igualdade, que exige que casos diferentes sejam tratados de forma diversa. Com isso, a “face negativa da igualdade” irá retirar os casos não abrangidos pela sua finalidade objetiva, para não romper com a lei e com a aplicação coerente do critério de tributação. A limitação da compensação em 30% também aos casos em que há sucessão empresarial, viola também o conceito de renda e lucro previstos na legislação e no Código Tributário Nacional CTN. Discorrendo sobre os conceitos de renda e lucro, informa que a limitação à compensação, como a imposta à impugnante, é violadora do conceito de renda que está definido no artigo 43 do Código Tributário Nacional CTN. Continuando, diz que o conceito de renda defendido em referida legislação é o de acréscimo patrimonial efetivo. Junta jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que entende amparar sua pretensão, a saber: IRPF – RENDIMENTO AUTOMATICAMENTE DISTRIBUÍDO – PRESUNÇÃO LEGAL – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DEVE SER EFETIVO – Não obstante a presunção legal prevista na Lei nº 7988/89, sobre rendimento automaticamente distribuído, a tributação do rendimento deve se vincular ao conceito Fl. 518DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 4 determinado pelo art. 43 do CTN, cabendo, inafastavelmente, ficar comprovado o efetivo acréscimo patrimonial, prevalecendo, portanto, a lei complementar – CTN – hierarquicamente superior a lei ordinária em comento. (...) (Recurso Voluntário nº 128466, 6ª Câmara, Relator Paschoal Police Junior, DJ 29/01/2003). IRPJ – DEDUTIBILIDADE DE CUSTO OU DESPESA INCORRIDOS – VERDADE MATERIAL – PREVALÊNCIA SOBRE O FORMALISMO – É certo que o imposto de renda recai sobre o acréscimo patrimonial, o que impede ajustar o conceito em tela ao resultado positivo entre as receitas auferidas e as despesas e os custos incorridos para conseguir obtêlas, no período de apuração. (...)(Recurso Voluntário nº 139995, 3ª Câmara, Relator Flávio Franco Corrêa, DJ 22/06/2006)” Assim, entende que é fundamental que se considere o lucro em sua totalidade, e, não, isoladamente dos prejuízos anteriores, sob pena de distorção no real valor patrimonial. Ou seja, para o sujeito passivo, é inadmissível examinar a renda e o lucro sem analisar as despesas e os custos formadores dos prejuízos que o geraram. Cita ainda: “...se a despesa e os custos são a matéria formadora de eventual prejuízo, também não se pode separar o conceito de renda do conceito de prejuízo. A renda futura – isto é decisivo – é resultado de prejuízos anteriores. Há, portanto, um elo indissociável entre prejuízos anteriores e lucros posteriores. Em outras palavras, é inadmissível examinar a renda e o lucro sem analisar as despesas e os custos formadores dos prejuízos que os geraram”. ... “As considerações anteriores demonstram que da necessidade de a apuração ser anual não decorre a conclusão de que o âmbito material a ser objeto de consideração também deve ser restrito a um ano. Aqui o ponto nuclear: o problema relativo ao tempo de cômputo não pode ser baralhado com o problema relacionado ao objeto do cômputo. Como a renda é dinâmica e decorre de um processo contínuo, ela não termina em 31 de dezembro para recomeçar do zero em 1º de janeiro do próximo ano. O cômputo anual não impede que o período de verificação reinicie com o cômputo dos prejuízos de exercícios anteriores. A esse respeito, convém enfatizar que um prejuízo não pode ser qualificado apenas como uma mera “ausência de renda”, que deixou de ser auferida, mas como uma “renda negativa” sofrida pelo contribuinte e indicativa de incapacidade contributiva. Esta constatação repercute decisivamente sobre a compensação de prejuízos do IRPJ e de base de cálculo negativa da CSLL, pois a técnica periódica de arrecadação não importa automaticamente numa limitação da dedução de prejuízos. Em outras palavras, em relação ao prejuízo, o princípio da independência dos exercícios não pode ser absoluto, já que, se num exercício o lucro não for suficiente para cobrir o prejuízo, o lucro do exercício seguinte será fictício, porque o patrimônio continua perdendo valor. Assim, é preciso quebrar a Fl. 519DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Acórdão n.º 1202001.174 S1C2T2 Fl. 4 5 periodicidade e autorizar a dedução do prejuízo para frente, do contrário haveria violação ao próprio conceito de renda definido pelo Código Tributário Nacional” Aqui entende ser importante que o lapso temporal a ser considerado na análise não deve ser anual, muito embora a apuração o seja. Entende que a renda é dinâmica e a limitação temporal do anocalendário não traduz empecilho para a análise dos exercícios posteriores. Proceder em desacordo com estes ditames implica ofensa ao Princípio da Capacidade Contributiva e da Igualdade, já que a limitação imposta representa ônus maior a uma empresa que passou por reestruturação societária, especialmente nos casos em que há extinção de atividades, o que pode, inclusive, levar à exclusão do direito de compensação integral dos prejuízos. Diz que o CTN prevê expressamente no artigo 108, II, que a Administração Pública deve estar atenta aos princípios gerais de direito tributário. Cita uma decisão do CARF: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. INTERPRETAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A interpretação dada à norma deve estar em consonância com os princípios jurídicoconstitucionais. Outrossim, a lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, quando mais de uma interpretação mostramse factíveis, à luz do que determina o art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN. (...) (Recurso Voluntário n 129391, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, DJ 15/05/2003).” Ainda, aduz que, se não houver absorção, no mesmo período de apuração dos prejuízos, despesas e custos anteriores, pelos lucros, o que será atingido pela tributação representam valores diversos da capacidade contributiva, sendo indicativos apenas da capacidade econômica, atingindo, ao invés de renda, o próprio patrimônio da contribuinte. Tal situação alça a tributação ao nível confiscatório, atingindo valores necessários à manutenção da fonte produtora. No que tange ao valor total dos prejuízos acumulados e da base de cálculo negativa da CSLL, informa, inicialmente, que os valores dados nos autos de infração devem ser revistos, prevalecendo os informados na peça impugnatória pela contribuinte, eis que estes não condizem com os prejuízos obtidos pela pessoa jurídica incorporada. Informa que o valor real e correto é o registrado no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR apresentado com a impugnação. Aduz que a discrepância dos valores ocorre em virtude dos prejuízos fiscais e das bases de calculo negativas da CSLL, relativas aos anos – calendários de 1999 a 2001, não terem sido calculados à época própria, indicando as declarações montantes inferiores aos efetivamente experimentados. Tal situação levou a execução de ajustes no LALUR, já que é impossível a retificação das declarações no momento em que foram feitos os ajustes. Ainda, aduz que a fiscalização não considerou, na composição do saldo de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL, os valores apurados no período de 1º/09/2000 a 31/12/2000, conforme DIPJ entregue em 29/6/2001. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 6 Entende que, ante a indicação no LALUR dos aludidos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativa, deve ser afastada eventual omissão na declaração anteriormente apresentada, especialmente se gerar prejuízo à contribuinte. Junta jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes que entende amparar sua pretensão: “CSLL. BASE DE CÁLCULO. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovado o erro de fato na declaração de rendimentos, por juntada do LALUR e verificação do equívoco quanto ao lançamento de alínea da base de cálculo da CSLL, justificando a diferença da malha fazenda, é de se acolher a retificação para reconhecer a improcedência do lançamento. Embargos acolhidos. (Recurso n. 149979, Acódrão n. 10809555, 8ª Câmara, julgado em 06/03/08)” PRELIMINAR DE NULIDADE. REVISÃO DO LANÇAMENTO. (...). COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. O prejuízo fiscal compensável no cálculo do lucro real é aquele apurado e controlado no LALUR, Livro de Apuração do Lucro Real. Erro de fato no preenchimento da Declaração de Rendimentos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica não deve ser levado em consideração para a exigência do tributo. Preliminar rejeitada. Recurso Provido. (Recurso nº. 122848, Acórdão n. 1086656, 8ª Câmara, Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, julgado em 19/09/2011).” Analisando a questão da aplicação da multa de ofício, informa que, à época da utilização dos prejuízos fiscais de IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL, a jurisprudência da antiga Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconhecia a inaplicabilidade do limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais nas hipóteses de incorporação. Esse entendimento não era isolado, e era encontrado de maneira pacífica inclusive nas Câmaras do antigo Conselho de Contribuintes. Colaciona jurisprudência que ampara o entendimento desse Colegiado. Assim, ante o posicionamento reiterado da jurisprudência administrativa, não são cabíveis penalidades à contribuinte que apenas agiu de acordo com elas, sendo perfeitamente cabível as disposições do artigo 100, parágrafo único, do CTN. Em seu entender, o aludido dispositivo legal pressupõe a existência de divergências entre o texto normativo e decisões administrativas reiteradas, de forma a proteger a contribuinte que segue as disposições da jurisprudência. Informa que este é o seu caso, eis que baseou suas condutas em presunção de validade das decisões da esfera administrativa, não sendo, portanto, cabível sua punição em multa de oficio e juros moratórios, os quais pedem sejam afastados em virtude de eventual não apreciação da totalidade da impugnação. Portanto, são aplicáveis os artigos 136 (multa) e 161 (juros) do CTN, não cabendo tal cobrança. A 1ª Turma da DRJ/POA ao julgar o feito no Acórdão 10032.809 (fls. 427/433), houve por bem indeferir a impugnação. Ao analisar a questão fática, informa que é controversa na seara administrativa a questão da compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL até o limite de 30%, previsto nos artigos 42 e 58 da Lei nº 8981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9065/95, devido ao encerramento das atividades da empresa por sua posterior incorporação. Informa que há posicionamento no sentido de que inexiste previsão legal para a aludida compensação, ainda que no encerramento das atividades da pessoa jurídica, e, também, há quem entenda que, sendo a compensação permitida por lei em relação a todo prejuízo fiscal ao longo do tempo, por consequência lógica, se na extinção houver lucros, a lei permite o aproveitamento de uma só vez, eis que não haverá tempo suplementar para o aproveitamento. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Acórdão n.º 1202001.174 S1C2T2 Fl. 5 7 Nessa última hipótese, permitirseia o aludido aproveitamento, pois, se assim não fosse, haveria tributação sobre um “acréscimo não patrimonial”, situação vedada pelo CTN (artigos 43 e 44) e pelo artigo 150, I, da Constituição Federal. Informa que esta divergência vem de longa data, desde decisões do antigo Conselho de Contribuintes e subsiste na atualidade nas turmas do CARF, mas que, para o julgador, as decisões que devem prevalecer estão na primeira interpretação. Ainda, que esse era o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes (cita o Acórdão nº CSRF/0105.101), que persiste na atual Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, trazendo à colação o Acórdão nº 910100.401. Informa ainda que é posição do Supremo Tribunal Federal que o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em anos anteriores é reflexo do benefício fiscal em favor da contribuinte, ponto inclusive decidido em sede de Recurso Extraordinário (RE nº 3449940), que concluiu pela constitucionalidade dos artigos 42 e 58 da Lei nº 8981/95. Nos termos do Acórdão recorrido “Os fundamentos que levaram a essa conclusão são no sentido de que as empresas deficitárias não têm “crédito” oponível à Fazenda Pública, pois o lucro ou o prejuízo são contingências do mundo dos negócios e, por isso, inexiste direito líquido e certo à socialização dos prejuízos. A autorização para o abatimento dos prejuízos, mais além do exercício social em que foram apurados, é por benesse da política fiscal, atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos. Como favor fiscal, a compensação se restringe às condições fixadas em lei” (fl.431). Assim, seu voto é no sentido de que não há autorização nas Leis nºs 8981/95 e 9065/95 para a compensação integral dos saldos de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, quando do encerramento das atividades. Ainda, para elucidar seu entendimento, prossegue informando que “a base de cálculo dos tributos é definida em lei e corresponde ao resultado positivo do período, ajustado segundo a lei vigente à data da ocorrência do fato gerador. Se a pessoa jurídica não apurar resultado tributável, não se tributa o lucro inexistente dentro do período de apuração. A compensação, como benefício fiscal que é, não pode ter suas normas interpretadas de forma mais abrangente em beneficio do sujeito passivo, na forma restritiva do art. 111 do Código Tributário Nacional.”, motivo pelo qual mantém os lançamentos. Prosseguindo no exame do mérito, em relação ao montante do saldo dos prejuízos fiscais e da base de cálculo da CSLL, em relação aos anoscalendários de 1999 a 2001, ensina a autoridade julgadora que o IRPJ é apurado com base em lançamento por homologação, situação que a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento, sem interferência da autoridade, concluindo com a homologação expressa da aludida autoridade, nos termos do artigo 150 do CTN. Assim, o Fisco só tem o conhecimento da atividade desenvolvida pelo sujeito passivo no momento em que este os informa, pela entrega da DIPJ – Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica. A autoridade, então, tem o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, para a homologação expressa, que se não ocorre, implica em homologação tácita, nos termos do artigo 150, §4º do CTN. Por isso, entende que, ultrapassado o prazo legal, a contribuinte tem direito à manutenção do valor apurado, ainda que haja irregularidade. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 8 Nesse sentido, informa ser a decadência causa de imutabilidade dos valores apurados pelo sujeito passivo, sendo o mesmo entendimento cabível quanto ao procedimento do fisco, motivo pelo qual a contribuinte somente pode alterar o prejuízo fiscal enquanto não houver a homologação do lançamento. Ainda, segundo o Acórdão: “Sonegar informações ao Fisco para depois, sob a justificativa de que se encontram escrituradas nos livros fiscais, utilizálas em benefício próprio não se coaduna com a moralidade que deve reger as relações fisco/contribuinte”. Ante a não apresentação das DIPJs retificadoras dentro do prazo legal, informa a impossibilidade de se aceitar os novos valores trazidos, relativos aos anoscalendário de 1999 a 2001. Porém, especificamente em relação ao anocalendário de 2000, diz não constar nos controles da base de cálculo negativa de CSLL e dos prejuízos fiscais (SAPLI) da Receita Federal do Brasil, os valores apurados na DIPJ nº 106197849 (respectivamente, os valores de R$ 4.815.197,21 e R$ 4.809.547,99). Assim, informa que, se vencido seu entendimento e aplicada a limitação de 30%, como já discutido no voto, os valores acima devem ser acrescidos aos já existentes no Auto de Infração. Apreciando a questão da multa de ofício e da exigência de juros, ante a alegação da contribuinte de que não caberia a punição nos termos do artigo 100 do CTN, pois baseou suas condutas na presunção de validade de decisões administrativas, entende o julgador, que o dispositivo legal citado, impõe a “observância das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa (inc. II) exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo”. Porém, indica que decisões proferidas em sede de procedimento administrativo fiscal não possuem eficácia normativa reconhecida, não havendo vinculação nem mesmo em relação às decisões proferidas pelas turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sendo correta a exigência de juros moratórios e da multa de oficio. Assim, sua decisão é no sentido da manutenção dos lançamentos, afastando a impugnação. A contribuinte foi intimada em 15 de agosto de 2011, e apresentou seu Recurso Voluntário em 13 de setembro do mesmo ano. De início, informa que, diferentemente, do que entendeu o Acórdão recorrido, o direito à compensação de prejuízos fiscais existe em decorrência do Princípio da Capacidade Contributiva em sentido objetivo, sendo este aquele instrumento indispensável para que a renda tributável seja de fato, reflexo da capacidade contributiva. Assim sendo, este é um direito de natureza fiscal e não beneficio fiscal, como entendeu o julgador de primeira instância. Disso decorre que, não sendo benefício fiscal, não é faculdade e sim dever do legislador sua concessão, o que iria ferir direitos constitucionais como o Princípio da Capacidade Contributiva e da Igualdade, bem como do postulado da proibição de confisco. Mas, configurase como conseqüência normativa do aludido Princípio da Capacidade Contributiva, afastandose da idéia de benefício fiscal. Sobre as diferenças apuradas no cálculo do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa, que não foram objeto de retificação da DIPJ por impossibilidade, traz decisões desse colegiado sobre o tema: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Acórdão n.º 1202001.174 S1C2T2 Fl. 6 9 “ERRO MATERIAL – Comprovado o erro no preenchimento da DIPJ, não pode subsistir a exigência fiscal baseada exclusivamente em erro material. CSLL – ESTIMATIVAS – Os valores dos créditos comprovadamente recolhidos no curso do ano calendário devem ser deduzidos do valor devido ao final do exercício Recurso Voluntário Provido em Parte. (Recurso Voluntário nº 151.849, Acórdão nº 198 – 00043, Oitava Turma Especial/Oitava Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, Relator João Francisco Bianco, DJ 20/10/2008)” “ERRO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO – Confirmado, pela escrituração do sujeito passivo, que a autuação pautouse em elemento equivocadamente informado em declaração de rendimento, cumpre afastar a exigência. (Recurso Voluntário nº 142.621, Acórdão nº 10196235, Primeira Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, Relatora Sandra Maria Faroni, DJ 04/07/2007)”. No mais, reitera as alegações trazidas no bojo de sua peça impugnatória. Assim, requer que o Recurso voluntário seja julgado procedente, declarando a insubsistência dos autos de infração. Alternativamente, requer o afastamento da multa de ofício e dos juros moratórios com base na taxa SELIC e também incidentes sobre a multa de ofício. Em sessão de 4 de dezembro de 2012, esta Turma de Julgamento emitiu a RESOLUÇÃO Nº 1202.000.153, onde, por maioria de votos, decidiuse pelo sobrestamento do julgamento desse Recurso Voluntário, com fundamento no fundamento no disposto no art. 62 A, § 1º do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 e Repercussão Geral do Tema de nº 117, listado no sítio do site do Supremo Tribunal Federal. Na seqüência, foi publicada a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, a qual revogou os §§s 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Por essa razão, os autos retornaram a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, Relatora. Conheço do Recurso porque é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Tratamse os autos de exigência de IRPJ e CSLL, relativa ao anocalendário de 2007, em virtude da não aceitação, por parte da autoridade lançadora, da compensação integral do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL de anos anteriores, sem considerar o limite de 30%, contrariando os artigos 42 e 56 da Lei nº 8981/95 e artigos 15 e 16 da Lei nº 9065/95. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 10 Além da compensação integral, a autoridade lançadora desconsiderou os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL referente aos anoscalendários de 1999 a 2001, uma vez que não constavam da DIPJ enviada à Secretaria da Receita Federal. Também foram desconsiderados os prejuízos e bases negativas apurados no período de setembro a dezembro do anocalendário de 2000, conforme DIPJ nº 185508698. A contribuinte requer também a exoneração da multa de ofício de 75% e dos juros moratórios tendo em vista que efetuou a compensação integral com base nas decisões proferidas por esse colegiado, valendose, portanto, do artigo 100 do CTN. Primeiramente, adentraremos à discussão do mérito relativo à limitação de 30% das compensações dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL. COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS Como se verifica dos autos, a compensação integral sem a observância do limite de 30%, deuse uma vez que a empresa Ferramentas Gerais Máquinas e Materiais Elétricos foi incorporada à contribuinte, em 29 de julho de 2007. A contribuinte, assim, é sucessora em direitos e em obrigações daquela. A legislação fiscal sempre regulou os efeitos que os prejuízos fiscais e as bases negativas, acumulados pela pessoa jurídica, gerariam na apuração do IRPJ e CSLL, impondolhes restrições de natureza temporal ou de natureza quantitativa. Com base na legislação atual, temos duas limitações: (i) a limitação introduzida pelo Decreto nº 2.341/87, que veda a possibilidade da empresa resultante de fusão ou incorporação aproveitar os prejuízos fiscais da empresa extinta; e (ii) a limitação prevista na Lei nº 8.981/95 (artigos 42 e 58), cumulada com a Lei nº 9.065/95 (artigos 15 e 16), as quais estabeleceram, em substituição à limitação temporal (quatro anoscalendários), uma limitação percentual (quantitativa) anual, autorizando a utilização do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em até 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado obtido, sem limitação de prazo no tempo. Essa limitação quantitativa atende à necessidade de fluxo de caixa do Erário e não retira da contribuinte o seu direito à utilização do prejuízo fiscal e da base negativa, mas limita sua utlização em 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões. Outro ponto importante de se considerar é que a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL tem origem no lucro líquido contábil, o qual advém da contabilidade, logo, tem origem nas apurações e demonstrações contábeis. Por sua vez, a contabilidade se baseia no Princípio da Continuidade da pessoa jurídica, o qual pressupõe que a pessoa jurídica continuará a operar, ou seja, suas atividades terão continuidade. Todavia, a existência de exercícios financeiros (assim como de períodos de apuração) é mera ficção, “determinada pela necessidade de se tomar o pulso do empreendimento de tempos em tempos” (conforme NPC 27 do IBRACON). Também, nesse sentido, temos o Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis, emitido pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) e tornado obrigatório pela CVM, através da Deliberação nº 539/08, sobre a continuidade da pessoa jurídica: “Continuidade Fl. 525DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Acórdão n.º 1202001.174 S1C2T2 Fl. 7 11 23. As demonstrações contábeis são normalmente preparadas no pressuposto de que a entidade continuará em operação no futuro previsível. Dessa forma, presumese que a entidade não tem a intenção nem a necessidade de entrar em liquidação, nem reduzir materialmente a escala das suas operações; se tal intenção ou necessidade existir, as demonstrações contábeis terão que ser preparadas numa base diferente e, nesse caso, tal base deverá ser divulgada. ” (grifamos) A recorrente trouxe esse mesmo argumento em seu Recurso ao expor que o pressuposto da continuidade e a consideração dos efeitos interperíodosbase(ou anos calendários) é evidente para apuração da renda/lucro, donde se pode depreender que renda pode ser a diferença entre receitas e despesas/custos num determinado período, mas também pode ser considerada como um acréscimo de valor apurado pela comparação entre os balanços de abertura e fechamento de período diferente do anocalendário. Com base nessa premissa e tendo em vista o Princípio da Continuidade, o artigo 189 da Lei nº 6.404/64 diz que, do resultado do exercício, devem ser deduzidos os resultados negativos (prejuízos), a fim de que seja apresentada a real situação patrimonial. "Art. 189. Do resultado do exercício serão deduzidos, antes de qualquer participação, os prejuízos acumulados e a provisão para o Imposto sobre a Renda. Parágrafo único. O prejuízo do exercício será obrigatoriamente absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, nessa ordem,"(grifamos) Como vemos, também no âmbito da Lei das S.A., o efeito interperíodosbase é verificado: o lucro líquido de um período não pode ser distribuído aos sócios, sem a consideração dos prejuízos acumulados, assim como o cancelamento de dívida para com o sócio deve ser utilizado para a absorção de prejuízo acumulado, sempre na finalidade de preservação do patrimônio da pessoa jurídica. Temos assim que o patrimônio líquido da pessoa jurídica espelha os efeitos interperíodosbase uma vez que representa o resultado do capital investido e os resultados, positivos ou negativos apurados ao longo dos anos. Reforçamos que a mesma Lei das S/A determina que a distribuição de dividendos pressupõe que os prejuízos de anos anteriores sejam absorvidos pelos lucros dos períodos subseqüentes, de forma que a compensação é imprescindível para se apurar se é possível ou não distribuir dividendos. O lucro líquido disponível para os acionistas/quotistas deve absorver os prejuízos apurados em anos anteriores. Seguindo o mesmo entendimento, a incidência do imposto de renda sobre os acréscimos obtidos num determinado anocalendário ou período, sem comunicarse com outros anos ou períodos anteriores, sem que se apure o acréscimo verdadeiro ocorrido, não resulta em incidência sobre a renda gerada pelo valor investido pelos acionistas/quotistas, tanto que não podem ser distribuídos ou mesmo tributados, pois não são considerados renda. O patrimônio é afetado pelos resultados negativos apurados nos diversos períodosbase, para evitar essas distorções é que são considerados esses efeitos interperíodos, da mesma forma temos os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas. Os prejuízos fiscais Fl. 526DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 12 e as bases de cálculo negativas são direito dos contribuintes, desconsiderálos seria como expropriálos desses ativos. No caso sob análise, houve a extinção da empresa por sua incorporação na recorrente. A incorporação impede a utilização dos prejuízos fiscais nos anos subseqüentes e, logo, autoriza a compensação integral no ano da incorporação. Se a compensação integral não é admissível no caso de incorporação, que resulta em extinção da empresa, estarseia subtraindo um direito da contribuinte, a incidência dos tributos não se dará sobre um aumento patrimonial, mas sobre o patrimônio, mormente porque se trata de excepcional situação em que o “ativo” da contribuinte deixará de ser um ativo, em razão da impossibilidade de transferência de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a pessoa jurídica sucessora nos termos do Decretolei nº 2341/87. O acréscimo patrimonial importa para a tributação da renda, mesmo que o momento da ocorrência do fato jurídico tributário se consume num determinado tempo (31 de dezembro de cada anocalendário), deve comportar todo o conjunto de elementos necessários a caracterizar o acréscimo patrimonial, respeitandose, certamente, as regras de apuração para tanto. Não se pode, assim, segregar a tributação da renda de tais pressupostos, sobretudo, como disse a recorrente, em razão do Princípio da Capacidade Contributiva e da Continuidade da pessoa jurídica. Repetindo, o prejuízo fiscal e a base negativa são imprescindíveis para a aferição da renda, materialidade de incidência tributária e no caso de comprovada impossibilidade de utilização futura desses prejuízos, o limite de 30% não é aplicável. Portanto, devese ter em mente que o limite de 30% foi introduzido para ser aplicado no pressuposto da continuidade da pessoa jurídica. Quando da extinção da pessoa jurídica, no caso de sua incorporação, não há o que se falar em limites ou trava na compensação, posto que não é aplicável. Não é aplicável porque, comprovadamente, não é possível a utilização futura dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL e, também, observado que não implique em transferências às avessas de tais resultados negativos para a sucessora. O Superior Tribunal de Justiça analisou a questão sob o ponto de vista do conceito de renda e da continuidade da pessoa jurídica, quando a Ministra Eliana Calmon asseverou, nos autos do Recurso Especial nº 993.975: "limitada a dedução de prejuízos ao exercício de 1995, não existia empecilho de que os 70% restantes fossem abatidos nos anos seguintes, até o seu limite total, sendo integral a dedução. A prática do abatimento total dos prejuízos afasta o sustentado antagonismo da lei limitadora com o CTN, porque permaneceu incólume o conceito de renda, com o reconhecimento do prejuízo, cuja dedução apenas restou diferida. (...) Como visto no início deste voto, não houve subversão alguma, porque não olvidou o prejuízo, mas apenas foi ele disciplinado de tal forma que tornouse escalonado". No Acórdão citado, a legalidade do limite ou da “trava” tem por premissa a postergação, no tempo, da utilização do prejuízo/base negativa, não implicando na sua eliminação, visto que seria sempre mantida a possibilidade de seu aproveitamento futuro. Assim, o entendimento é que um “não acréscimo patrimonial” não poderia estar sujeito ao IRPJ ou CSLL, pois se assim não fosse, seria tributável o patrimônio/capital aplicado. Fl. 527DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Acórdão n.º 1202001.174 S1C2T2 Fl. 8 13 Também na própria exposição de motivos de Medida Provisória nº 998 (posteriormente convertida na Lei nº 9.065/1995), há o entendimento de que se houver limitação temporal (por falta de continuidade da pessoa jurídica), não há que se aplicar o limite/trava na utilização de prejuízo fiscal. Vejase claramente na redação da exposição de motivos da Medida Provisória: “Arts, 15 e 16 do Projeto, ‘decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Medida Provisória 812/94 (Lei 8.981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva de arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar; até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo.” A possibilidade de se aproveitar integralmente dos resultados negativos na extinção da pessoa jurídica decorre da própria lógica de sua limitação, estando expressa na exposição de motivos da Medida Provisória acima transcrita. Se não houvesse a limitação do artigo 33 do Decretolei nº 2.341/87 e fosse possível a transferência do prejuízo para a sucessora, não haveria que se discutir a inaplicabilidade do limite de 30% nos casos de extinção da pessoa jurídica, uma vez que tal extinção não implicaria na perda do direito à utilização dos prejuízos fiscais no futuro. Como expôs a recorrente, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a despeito de algumas decisões que recentemente entenderam pela impossibilidade de aproveitamento integral, sempre foi esmagadoramente majoritária no sentido de ser possível a utilização integral do prejuízo fiscal e das bases negativas quando há extinção da pessoa jurídica, relativamente aos resultados gerados até a sua extinção. Nesse sentido, peço vênia para citar algumas decisões: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2003, 2004. Ementa: “TRAVA” DE 30% PARA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES NEGATIVAS NA INCORPORAÇÃO A finalidade da “trava” de compensação não é ceifar a compensação de prejuízos fiscais, mas manter ou aumentar o fluxo de caixa de arrecadação, tanto que se revogou o limite temporal de compensação. A regra de limitação quantitativa da compensação só tem sentido no tempo (“vida” da pessoa). Como o lucro é apurado segundo cortes temporais mais ou menos arbitrários, porém necessários, por imperativo de ordem prática a limitação quantitativa de compensação de prejuízos fiscais implica essa periodicidade (e a interperiodicidade). Diante da “morte” da pessoa jurídica, inclusive por incorporação, deixa de existir o conteúdo da regra limitadora da compensação quantitativa, pois deixa de existir a periodicidade e, assim, a interperiodicidade. Negar isso é contra o valor incorporado na regra de limitação quantitativa da compensação no tempo. (Acórdão nº 110300.619, sessão de 31/01/2012) Fl. 528DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 14 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001. PESSOA JURÍDICA EXTINTA POR INCORPORAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS ACIMA DO LIMITE DE 30%. A pessoa jurídica incorporada pode compensar no balanço de encerramento de atividades o prejuízo fiscal acumulado sem observância da “trava” de 30%, em razão da vedação legal à transferência de prejuízos para a sucessora. (Acórdão nº 110300.617, sessão de 31/01/2012) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL — LIMITE DE 30% — INCORPORAÇÃO — À empresa extinta por incorporação não se aplica, no período do evento, o limite de 30% do lucro líquido ajustado em relação ao prejuízo fiscal acumulado de períodos anteriores. (Acórdão nº 120100.165, sessão de 27/08/2009) INCORPORAÇÃO – DECLARAÇÃO FINAL DA INCORPORADA – LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS – INAPLICABILIDADE No caso de compensação de prejuízos fiscais na última declaração de rendimentos da incorporada, não se aplica a norma de limitação a 30% do lucro líquido ajustado. Recurso provido. (Ac. 108 06.682) IRPJ CSLL COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS APURADAS EM PERÍODOS ANTERIORES.CISÃO.INAPLICABILIDADE DA LIMITAÇÃO. Constitui pressuposto da aplicação da limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas acumuladas a continuidade das atividades do contribuinte e a paulatina apropriação dos prejuízos. Nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, com a conseqüente extinção da personalidade jurídica da sucedida, não se faz possível a aplicação do limitador, dês que tal determinaria o fenecimento do direito do contribuinte. Precedentes deste Conselho. (Ac. 10709.447) Compensação Prejuízo e Base Negativa — No caso de incorporação, uma vez que vedada a transferência de saldos negativos, não há impedimento legal para estabelecer limitação, diante do encerramento da empresa incorporada. (Ac. CSRF/01 04.258) IRPJ — COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO — LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA — À empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal. Recurso provido. (Ac. CSRF/01 05.100) IRPJ – COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL – LIMITE DE 30% EMPRESA INCORPORADA. A lei não traz qualquer exceção a regra que limita a compensação dos prejuízos fiscais à 30% do lucro líquido ajustado. Entretanto, havendo o encerramento das atividades da pessoa jurídica em razão de incorporação, não haverá meios dos prejuízos serem utilizados em anos subseqüentes, como determina a legislação. Neste caso, temse como legítima a compensação da totalidade do prejuízo fiscal, sem a limitação de 30%. Recurso voluntário provido. (Ac. 10195.872) Fl. 529DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Acórdão n.º 1202001.174 S1C2T2 Fl. 9 15 Ementa: COMPENSAÇÃO — PREJUÍZO FISCAL — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — INCORPORAÇÃO E CISÃO — A. empresa extinta por cisão e incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro liquido para fins de compensação do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa acumulados. (Ac. 1201 00.108, sessão de 18/06/2009). A motivação das decisões deste Colegiado que concordaram com a não aplicação do limite de 30% não divergem do que foi apresentado nesse voto, a norma que limita não se aplica quando se verifica a extinção e não continuidade da pessoa jurídica. A DRJ, por sua vez, menciona a decisão do Supremo Tribunal Federal no RE nº 545.308/SP e 344.994/PR. Todavia, é mister corrigir aqui pois o STF não analisou caso semelhante ao presente, onde haja extinção de pessoa jurídica, portanto, não pode servir como jurisprudência indutora das decisões desse colegiado. Não houve análise da questão para os casos em que não há continuidade da pessoa jurídica. O Supremo Tribunal Federal, nos mencionados Recursos Extraordinários, apenas decidiu pela constitucionalidade da denominada “trava de 30%” em um contexto de continuidade da pessoa jurídica, mas não decidiu que esta deve ser aplicada nos casos de extinção da pessoa jurídica detentora dos prejuízos/bases negativas, tampouco fez quaisquer considerações acerca da intertemporalidade dos anoscalendários ou mesmo analisou a questão sob o ponto de vista do Princípio da Capacidade Contributiva. Nesse sentido, em relação ao mérito, dáse provimento ao Recurso Voluntário. JUROS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A recorrente questiona ainda a incidência de juros sobre a multa lançada de ofícios, com o que concordamos e explicamos a seguir. Com base no artigo 43 e parágrafo único da Lei 9.430/96, temse a incidência de juros sobre a multa isolada, como segue: " Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Não trata o referido artigo de multas decorrentes de lançamento de oficio, as quais são disciplinadas no artigo 44 da mesma Lei 9.430/96, in verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 530DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 16 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § lo O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § lº deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº ll.488.de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3° Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4° As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal.” Os normativos que se referem à multa de ofício não tratam de incidência de juros de mora, ao contrário da multa isolada. Ademais, o fundamento da aplicação dos juros é o § 3º do artigo 61, da Lei n° 9.430/96, que diz: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Acórdão n.º 1202001.174 S1C2T2 Fl. 10 17 " Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3 o Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)." Assim sendo, há juros de mora somente sobre os débitos de que trata o caput do artigo 61, conforme o § 3º do mesmo, isto é, só se aplica os juros sobre os tributos e contribuições e, não, sobre as penalidades aplicadas aos tributos e às contribuições. Esse também foi o entendimento desse colegiado, cuja ementa do Acórdão assim dispõe sobre os juros sobre multa de ofício: “Processo nº 19515.003663/200527 Acórdão 10196523 Sessão de 23/01/2008 INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado. RV Provido em Parte.” Por todo o exposto, o voto é no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário em relação ao mérito e à incidência dos juros sobre o lançamento de multa de ofício. Nereida de Miranda Finamore Relatora (documento assinado digitalmente) Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 18 Tratase de divergência quanto à compensação de prejuízos fiscais na redução do lucro real para o IRPJ e da base de cálculo da CSLL e quanto à aplicação da multa de ofício de 75%. Em que pesem as considerações da I. Conselheira Relatora, entendo que a legislação não prevê casos da não observação do limite de 30% para a compensação do lucro líquido ajustado, salvo no caso de prejuízos fiscais decorrentes da exploração de atividade rural e de sociedade de empresa industrial titular de Programas Especiais de Exportação aprovados até 03/06/1993 pela Befiex. Destarte, quando a lei autorizou a compensação integral, esta ocorreu de forma expressa, em obediência à legalidade estrita, a qual se aplica de igual modo à cobrança de tributos e à compensação de prejuízos. A atual jurisprudência do STF trata a compensação como um benefício fiscal, o qual pode sofrer limitação pela União. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 344994, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 25/03/2009, DJe162 DIVULG 27082009 PUBLIC 28082009 EMENT VOL0237104 PP00683 RDDT n. 170, 2009, p. 186 194) Por conseguinte, a legislação que cuida de qualquer benefício fiscal possui interpretação restritiva, nos termos do art. 111 do CTN, aplicável ao caso. A 1ª Turma da CSRF decidiu, por meio do Acórdão n° 910100.401, pela observância do limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais, mesmo no caso de encerramento da empresa, com síntese na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. IRPJ, DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que Fl. 533DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11080.723941/201079 Acórdão n.º 1202001.174 S1C2T2 Fl. 11 19 permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Em face das razões expostas, ouso divergir da I. Conselheira Relatora para negar provimento ao presente recurso contra o limite de 30% na compensação de prejuízos fiscais. Em relação à aplicação da multa de ofício de 75%, não há reparos na decisão em primeira instância, cujos fundamentos passo a adotálos e transcrevêlos (Fls. 432 a 433): Em relação à aplicação da multa de ofício e a exigência de juros de mora, o contribuinte alega que as decisões administrativas à época dos fatos eram no sentido por ele defendido na impugnação. Assim, por ter baseado sua conduta na presunção de validade das decisões reiteradas do órgão máximo da jurisdição administrativa, não poderia ser punido com a aplicação de multa e juros, por força do parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional. Dispõe o art. 100 do Código Tributário Nacional: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa;(grifei) III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. De acordo com esse dispositivo, a observância das decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa (inc. II) exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Ocorre que as decisões dos órgãos de jurisdição administrativa, proferidas em processos administrativos fiscais de exigência de crédito tributário, não possuem eficácia normativa reconhecida (...). Destarte, o fundamento para aplicação da multa de ofício de 75% encontrase objetivamente previsto no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, independente de avaliação de dolo ou culpa. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO 20 Em face das razões expostas, ouso divergir da I. Conselheira Relatora para negar provimento ao presente recurso contra a aplicação da multa de 75%. É como voto. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HOR TA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 13896.912043/2009-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA..DECISÃO DA DRJ. ANULAÇÃO.
Anula-se a decisão de primeira instância administrativa que tenha apreciado fatos diferentes dos que compuseram o litígio e se omitido em relação a fato relevante para o deslinde da causa.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3801-002.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA..DECISÃO DA DRJ. ANULAÇÃO. Anula-se a decisão de primeira instância administrativa que tenha apreciado fatos diferentes dos que compuseram o litígio e se omitido em relação a fato relevante para o deslinde da causa. Processo Anulado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13896.912043/2009-91
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5373628
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-002.664
nome_arquivo_s : Decisao_13896912043200991.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 13896912043200991_5373628.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5592555
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030106947584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.912043/200991 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.664 – 1ª Turma Especial Sessão de 28 de janeiro de 2014 Matéria DCOMPELETRÔNICA PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente DALLAS RENT A CAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA..DECISÃO DA DRJ. ANULAÇÃO. Anulase a decisão de primeira instância administrativa que tenha apreciado fatos diferentes dos que compuseram o litígio e se omitido em relação a fato relevante para o deslinde da causa. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso no sentido de acolher a preliminar de nulidade suscitada para anular a decisão da DRJ por cerceamento do direito de defesa. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 20 43 /2 00 9- 91 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.912043/200991 Acórdão n.º 3801002.664 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo de PER/DCOMP em que a Delegacia da Receita Federal em Barueri não homologou a compensação declarada. O despacho decisório baseouse em análise do direito de crédito limitada ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP, que constatou que o pagamento informado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não tendo restado crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN) e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 26/12/1996. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual afirma que: i) Incluiu na base de cálculo da contribuição social receita de operações de mercado externo, o que acarretou pagamento indevido ou maior que o devido do tributo. ii) Retificou o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON para excluir as receitas provenientes do exterior da base de cálculo do tributo. iii) Em 15/07/2009, retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF para alteração do débito anteriormente declarado e, com isso, poder utilizar o pagamento indevido na compensação objeto da DCOMP previamente formalizada. iv) O DACON e a DCTF retificadores não devem ter sido processados pela Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, o que teria motivado a não homologação da compensação. v) O processamento das obrigações acessórias retificadoras evidenciaria que o DARF informado no PER/DCOMP não se encontra vinculado a nenhuma outra quitação e, por conseguinte, disponível para compensação com outros tributos federais. Pede o processamento das retificações, confirmandose a existência do crédito em seu favor, e que a decisão seja reformada, reconhecendose o crédito e homologandose a compensação declarada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2007 a 28/02/2007 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.912043/200991 Acórdão n.º 3801002.664 S3TE01 Fl. 4 3 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CORREÇÃO DE INFORMAÇÕES. COMPROVAÇÃO. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Consideramse confissão de dívida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes, consistentes na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de dívida.” Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual afirma que o acórdão recorrido apresenta vícios que o tornam incompreensível, cerceando o regular exercício do direito de defesa. Cita doutrina e jurisprudência do CARF favoráveis à anulação da decisão de primeira instância administrativa em casos semelhantes. Pede que seja declarada a nulidade do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.912043/200991 Acórdão n.º 3801002.664 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade por cerceamento do direito de defesa. Na ementa do acórdão da DRJ/Campinas constou como período de apuração 01/02/2007 a 28/02/2007, quando o correto seria referirse ao mês de dezembro de 2007. Este erro não prejudicaria a defesa. Há outros erros, porém, que dificultam o entendimento dos motivos que levaram à decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade. No relatório do acórdão foi copiado despacho decisório de outro processo, o de nº 13896.911297/200991, que se refere ao PER/DCOMP 25470.25288.241208.1.3.04 8062. O PER/DCOMP correto é o nº 06611.52824.150709.1.3.041808. Com base no PER/DCOMP e no despacho decisório incorretos desenvolveu se toda a argumentação do voto condutor do acórdão. A decisão pela improcedência da manifestação de inconformidade amparou se, em especial, na afirmação de que a data da DCOMP seria anterior à da DCTF, o que não é correto, pois ambas foram recepcionadas em 15/07/2009. Assim, o relatório e o voto basearamse em informações de outro processo administrativo, tendo havido apreciação de fatos diferentes dos que compuseram o litígio e que foram determinantes na decisão da DRJ/Campinas, o que justifica sua anulação. O CARF e os Conselhos de Contribuintes, em situações semelhantes, decidiram pela anulação da decisão de primeira instância. Vejamse as seguintes ementas de acórdãos: Acórdão 10705.800, de 10/11/1999, da 7ª C/1º CC: “NULIDADE — É nula a decisão que enfrenta fatos e enquadramento diferentes dos que compuseram o litígio. Decisão de Primeira Instância Anulada.” Acórdão nº 3402001.710, de 22/03/2012, da 2ª TO/4ª C/3ª Sejul: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ementa: Fl. 327DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.912043/200991 Acórdão n.º 3801002.664 S3TE01 Fl. 6 5 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAÇÃO. OFENSA AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. NULIDADE. A omissão relativa a fato relevante para o deslinde da causa caracteriza cerceamento do direito de defesa, a demandar anulação do acórdão recorrido para que outro seja produzido com apreciação de todas as razões de inconformidade. Decisão Anulada.” Diz o Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para anular o acórdão recorrido, devendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento prolatar nova decisão. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 328DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.912043/200991 Acórdão n.º 3801002.664 S3TE01 Fl. 7 6 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001251/2007-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1995 a 30/04/1996
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso, contados da data da ciência da decisão. No presente caso, o contribuinte apresentou sua peça recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, tornando a decisão de primeira instância definitiva, notadamente porque não constam dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-003.626
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. Presente na sessão Advogada Dra Vanessa A. R. Baesse, OAB/DF nº32.576.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1995 a 30/04/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso, contados da data da ciência da decisão. No presente caso, o contribuinte apresentou sua peça recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, tornando a decisão de primeira instância definitiva, notadamente porque não constam dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11330.001251/2007-71
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5381783
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.626
nome_arquivo_s : Decisao_11330001251200771.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11330001251200771_5381783.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. Presente na sessão Advogada Dra Vanessa A. R. Baesse, OAB/DF nº32.576. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5629528
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030109044736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 297 1 296 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.001251/200771 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.626 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1995 a 30/04/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É de trinta dias o prazo para a interposição de recurso, contados da data da ciência da decisão. No presente caso, o contribuinte apresentou sua peça recursal fora do prazo previsto na legislação previdenciária. Não se toma conhecimento do recurso intempestivo, tornando a decisão de primeira instância definitiva, notadamente porque não constam dos autos documentos que justifiquem a desídia do contribuinte ao apresentar sua peça recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. Presente na sessão Advogada Dra Vanessa A. R. Baesse, OAB/DF nº32.576. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 51 /2 00 7- 71 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11330.001251/200771 Acórdão n.º 2803003.626 S2TE03 Fl. 298 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11330.001251/200771 Acórdão n.º 2803003.626 S2TE03 Fl. 299 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PETROBRÁS PETRÓLEO BRASILEIRO S/A., em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) que julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário, referente ao período de 01/11/1995 a 30/04/1996. 2. Foi lavrado em desfavor da empresa principal (PETROBRÁS tomadora do serviço) e da empresa solidária (MOJIPIL MONTAGENS, JATEAMENTO E PINTURA INDUSTRIAL LTDA – prestadora do serviço), DEBCAD nº 35.496.4224, tendo sido apresentada defesa pela empresa principal, nas fls. 40/45. A empresa prestadora de serviços não apresentou impugnação, embora tenha sido regularmente cientificada. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos considerou o lançamento procedente, tendo proferido a DecisãoNotificação de fls. 65/71. Contra esta decisão, foi apresentado recurso (fls. 80/86), com o pagamento do devido Depósito Recursal Extrajudicial. 3. A 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, ao julgar o recurso, anulou a DecisãoNotificação, por meio do acórdão nº 0001857 (fls. 95/109), para que o prestador de serviços venha a ser localizado, a fim de esclarecer a questão da cessão de mão de obra e para que sejam adotadas as cautelas mínimas de auditoria fiscal previdenciária, de modo a evitar a duplicidade de exação tendo por base a mesma dívida, sob o fundamento de responsabilidade solidária, 4. A Secretaria da Receita Previdenciária – SRP emitiu Pedido de Revisão do referido acórdão (fls. 111/116), tendo a contribuinte principal apresentado manifestação (fls. 119/122). Através do acórdão nº 988 (fls. 128/132), os membros da 2ª Câmara do CRPS decidiram não conhecer do Pedido de Revisão. 5. Após a realização da diligência solicitada pela 2ª Câmara do CRPS, foi emitido Relatório Fiscal Aditivo (fls. 168/170), no qual o Serviço de Fiscalização afirmou que, em relação à empresa contratada e prestadora dos serviços, nas competências em que houve o lançamento do crédito, não houve fiscalização com exame da contabilidade englobando o período referente ao lançamento em pauta e não consta emissão de CND de baixa, tendo o Sistema de Cobrança verificado que a empresa não aderiu a parcelamentos no período da NFLD em questão. 6. A contribuinte tomou conhecimento do Relatório Aditivo e apresentou nova manifestação (fls. 184/191), tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) considerado o lançamento procedente, conforme decisão constante das fls. 205/216.. 7. A contribuinte foi cientificado do referido acórdão no dia 11.03.2011 (fls. 222/225), tendo apresentado recurso voluntário (fls. 235/239) no dia 13.04.2011, pugnando pela reforma da decisão proferida pela DRJ. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11330.001251/200771 Acórdão n.º 2803003.626 S2TE03 Fl. 300 4 8. Sem contrarrazões, os autos foram enviados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11330.001251/200771 Acórdão n.º 2803003.626 S2TE03 Fl. 301 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Preliminarmente, analiso a tempestividade do recurso voluntário apresentado pela contribuinte. Para isso, importante ressaltar que o sistema da oficialidade, que preside o processo administrativo, caracterizase como uma sequência lógica e ordenada de atos rumo à solução final da demanda, iniciandose com a intimação do sujeito passivo e caminhando até alcançar uma decisão final. 2. Nesse sentido permitome tecer algumas considerações. Todo o prazo processual é delimitado por dois termos: o inicial (dies a quo), pelo qual surge a faculdade da parte em realizar algum ato, e o final (dies ad quem), em que se extingue efetivamente a faculdade assegurada inicialmente, tenha o interessado praticado ou não ato processual a ele assegurado. 3. E a norma adjetiva, disciplinando a matéria, estabeleceu um limite de prazo para que as partes possam produzir, de maneira válida, suas manifestações no processo. 4. Com efeito, o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 dispõe que “da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.” 5. No mesmo sentido do citado dispositivo, o artigo 5º, do Decreto n.º 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, assevera que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento, sendo que somente se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que ocorra o processo ou deva ser praticado o ato. 6. E sobre a questão, o Decreto n.º 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamento o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, repete a redação citada acima em seu artigo 9º, verbis: “Art. 9º Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º).” Fl. 302DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11330.001251/200771 Acórdão n.º 2803003.626 S2TE03 Fl. 302 6 7. De igual sorte, esta também é a determinação dos artigos 184 e 240, parágrafo único, do Código de Processo Civil, in verbis: “Art. 184. Salvo disposição em contrário, computarseão os prazos, excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento. § 1º Considerase prorrogado o prazo até o primeiro dia útil se o vencimento cair em feriado ou em dia em que: I for determinado o fechamento do fórum; II o expediente forense for encerrado antes da hora normal. § 2º Os prazos somente começam a correr do primeiro dia útil após a intimação (art. 240 e parágrafo único). [...]. Art. 240. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes, para a Fazenda Pública e para o Ministério Público contarseão da intimação. Parágrafo único. As intimações consideramse realizadas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia em que não tenha havido expediente forense.” 8. Importante também frisar que o próprio Código Tributário Nacional – CTN tratou da matéria: “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” 9. In casu, verificase que a empresa foi cientificada do Acórdão nº 12 17.772 – prolatado pela 15º Turma da DRJ/RJOI – no dia 11/03/2011 (sextafeira), conforme cópia do AR juntado à fl. 223, e seu recurso foi protocolado em 13/04/2011 (quartafeira), nos termos do documento de fl. 235, portanto, fora do prazo recursal (o último dia para recorrer seria 12/04/2011 – terçafeira). 10. Dessa forma, não conheço do recurso por não preencher o requisito formal – tempestividade – para admissibilidade recursal. Ressaltese que a contribuinte não colacionou juntamente com o recurso nenhuma prova que possa determinar a retificação do débito. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11330.001251/200771 Acórdão n.º 2803003.626 S2TE03 Fl. 303 7 CONCLUSÃO 11. Ante ao exposto, não conheço do recurso voluntário, por tratase de peça intempestiva. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904603/2012-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.904603/2012-38
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5382513
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.214
nome_arquivo_s : Decisao_13888904603201238.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 13888904603201238_5382513.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5633221
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030146793472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 19 1 18 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.904603/201238 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.214 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de maio de 2014 Matéria Compensação Recorrente INDUSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTICIOS CASSIANO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 46 03 /2 01 2- 38 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A contribuinte transmitiu o Per/DComp em 14/07/2009 (fl. ), referente ao ano calendário de 2004, sob a alegação de haver recolhido Cofins a maior, proveniente da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins (§1, art. 3º, Lei 9.718/98), portanto oriundo da inclusão indevida de ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A autoridade administrativa, por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº 024935759, ao proceder o exame desse fato verificou a inexistência de crédito para à satisfação da compensação declarada, não a homologando. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte arguiu que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal, assim considerando a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Aduziu que ao realizar as vendas de seus produtos efetuou o recolhimento de ICMS, imposto esse que repassa ao seu preço, incluindoo por tal razão em seu faturamento, com isso o ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins e, embora não seja faturamento, não se constitui como receita operacional da contribuinte, como também que o ICMS, como tributo estadual, é considerado como despesa do sujeito passivo da Cofins e, concomitantemente, receita do erário estadual, sendo injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência do PIS e da Cofins. No mais, o STF decidiu que o ICMS não é receita da venda de bens ou da prestação de serviços (RE nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, DJ de 06/02/2006), Ciente da inconstitucionalidade da aplicação dessa sistemática, dissociada da real base de cálculo do PIS/Cofins, requereu a compensação do valor recolhido indevidamente em 17/05/2007, eis que o ICMS não deve fazer parte da base de cálculo do PIS/Cofins, forçandose concluir por sua exclusão, mencionando, outrossim jurisprudência que trata do alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins, com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (18471.000899/200683). A contribuinte também fundamentou acerca da impossibilidade da cobrança do crédito tributário sob a égide do§ 1º do art. 475L, do CPC, com a redação dada pela Lei nº 11.232/05, in verbis: § 1º Para efeito do disposto no inciso II do caput desta artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005). Fl. 91DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904603/201238 Acórdão n.º 3803006.214 S3TE03 Fl. 20 3 Explicitou a interessada a maneira como apurou o direito creditório no mês 01/2005, mediante a realização do levantamento do ICMS total para o período que, multiplicado pela alíquota da Cofins, chegase ao montante do crédito a receber, pois pago sobre base de cálculo estranha à contribuição. Ao final requereu a anulação do despacho decisório impugnado e o reconhecimento do direito creditório, com fulcro no art. 26 do Dec. nº 70.235/72 e, não sendo este o entendimento profligado, requer a suspensão da cobrança do crédito até a prolação da decisão em definitivo pelo STF. Os autos foram conclusos para apreciação pela 6ª Turma da DRJ/RPOSP, que por meio do Acórdão nº 1443.440, proferiu decisão, cuja síntese encontrase na ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar nº 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado no pedido de restituição e/ou na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão em questão, ao se pronunciar acerca da suspensão do processo aduziu que o pleito não encontra amparo na legislação mencionada, pois o rito processual em tela se aplica às controvérsia acerca de pedido de restituição e compensação formalizados perante a RFB, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/96, com Fl. 92DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 a redação da Lei nº 10.833/2003, bem assim que o art. 265, IV, do CPC, estabelece a hipótese de suspensão aplicáveis a processos judiciais, conforme preceitua o art. 1º do próprio CPC, portanto rejeitando o pleito da manifestante. Relativamente à juntada posterior de documentos aos autos pela contribuinte entendeu a referida decisão que ocorreu a preclusão temporal, consoante o disposto no art. 15 do Dec. nº 70.235/72, bem assim que o requerimento nesse sentido foi genérico, ausentes os requisitos previstos no art. 16, § 4º, do mesmo diploma legal, rejeitando também este pleito. A discussão acerca do mérito pautouse sob dois aspectos, quais sejam: (i) a questão da comprovação da liquidez e certeza do direito creditório alegado, estando o ônus da prova sob a responsabilidade da manifestante e, quanto a este aspecto não laborou a parte interessada em demonstrar por meio de prova hábil e idônea o alegado, eis que não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior no período resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele período de apuração e o débito apurado, de acordo com o disposto no art. 923 do RIR/99; e (ii) a questão da exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Neste sentido também não logrou êxito a contribuinte, eis que nos termos do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, com redação da Lei nº 11.941/09, como também do art. 18 da Portaria RFB nº 10.875/07, DOU de 24/08/07, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Em consonância com essas premissas, complementarmente, aduziu que a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento, englobando a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, diminuído das deduções ex vi do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que somente a lei pode estabelecer a hipótese de exclusão, que tais possibilidades estão elencadas diploma legal retromencionado e que tais exclusões não contemplam a exclusão do ICMS incluído no preço da venda, nesse sentido se manifestando o enunciado da Súmula 94 do STJ. Por entender não haver a contribuinte comprovado nos autos a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação nos termos do art. 170 do CTN, não há se cogitar reparos no despacho decisório, nem tampouco nos procedimentos de cobrança levados a efeito pela autoridade administrativa. Cientificada do Acórdão nº 1443.440 em 25/10/2013, por decurso de prazo, haja vista a data de disponibilização em sua caixa postal em 08/10/2013, dele recorreu aduzindo sucintamente: Em relação à suspensão do presente processo até o julgamento final pelo STF do afastamento do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, a decisão a quo não observou o condito no art. 543B do CPC, que trata do reconhecimento da repercussão geral e do sobrestamento dos autos quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, nem mesmo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 62A, do RICARF/09. A CF/88, por meio do art. 195, I, 'b', ao tratar do financiamento da seguridade social por toda a sociedade, mediante recursos: do empregador, na forma da lei, incidentes sobre a receita ou o faturamento, ex vi do decidido no PAF nº 18471.000899/200683, pelo afastamento da exigência relativa ao alargamento da base de cálculo PIS/COFINS, declarado inconstitucional pelo STF. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904603/201238 Acórdão n.º 3803006.214 S3TE03 Fl. 21 5 No mais a contribuinte reitera os termos expendidos na exordial, minudentemente, resumidamente que o ICMS não traduz em receita do contribuinte, porém do Estado, na medida em que o contribuinte apenas participa da operação como substituto tributário. Ou seja, IMPOSTO NÃO É FATURAMENTO OU RECEITA. Requer ao final pela suspensão do presente processo em decorrência da repercussão geral reconhecida no RE nº 574.706, nos termos da Portaria MF nº 586; ou, alternativamente, o provimento do recurso para reforma da decisão a quo e para o reconhecimento do direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Fl. 94DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904603/201238 Acórdão n.º 3803006.214 S3TE03 Fl. 22 7 Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904603/201238 Acórdão n.º 3803006.214 S3TE03 Fl. 23 9 Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904603/201238 Acórdão n.º 3803006.214 S3TE03 Fl. 24 11 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904603/201238 Acórdão n.º 3803006.214 S3TE03 Fl. 25 13 § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e) quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904603/201238 Acórdão n.º 3803006.214 S3TE03 Fl. 26 15 Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904603/201238 Acórdão n.º 3803006.214 S3TE03 Fl. 27 17 geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito Fl. 107DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.904603/201238 Acórdão n.º 3803006.214 S3TE03 Fl. 28 19 alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906307/2012-71
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/11/2011
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 3802-003.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/11/2011 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.906307/2012-71
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5373582
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.273
nome_arquivo_s : Decisao_10935906307201271.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10935906307201271_5373582.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5592405
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030210756608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1705; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 11 1 10 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906307/201271 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802003.273 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de maio de 2014 Matéria NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Recorrente L A G MATERIAIS DE CONSTRUÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/11/2011 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 07 /2 01 2- 71 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 118/11/2011 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 54DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906307/201271 Acórdão n.º 1802003.273 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001761/2010-47
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA
Existindo subsunção do fato à norma é dever da autoridade administrativa a aplicação da multa de ofício, não podendo prosperar a alegação de inconstitucionalidade, uma vez que não cabe ao CARF a realização de controle de constitucionalidade, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02.
MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE
A majoração da multa de ofício disposta no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é aplicada nos casos em que a desídia do contribuinte, que se omitindo a atender uma intimação do FISCO, causa embaraço a fiscalização tributária. O fato de não deter os documentos não exime o contribuinte da multa, uma vez que, no mínimo deveria informar a situação para a autoridade fazendária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia De Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira Dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Existindo subsunção do fato à norma é dever da autoridade administrativa a aplicação da multa de ofício, não podendo prosperar a alegação de inconstitucionalidade, uma vez que não cabe ao CARF a realização de controle de constitucionalidade, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02. MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE A majoração da multa de ofício disposta no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é aplicada nos casos em que a desídia do contribuinte, que se omitindo a atender uma intimação do FISCO, causa embaraço a fiscalização tributária. O fato de não deter os documentos não exime o contribuinte da multa, uma vez que, no mínimo deveria informar a situação para a autoridade fazendária. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11020.001761/2010-47
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5383239
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.636
nome_arquivo_s : Decisao_11020001761201047.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11020001761201047_5383239.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia De Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5636076
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030224388096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 78 1 77 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.001761/201047 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.636 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente GRAMINHO MATRIZES E DISPOSITIVOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA Existindo subsunção do fato à norma é dever da autoridade administrativa a aplicação da multa de ofício, não podendo prosperar a alegação de inconstitucionalidade, uma vez que não cabe ao CARF a realização de controle de constitucionalidade, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02. MAJORAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE A majoração da multa de ofício disposta no art. 44, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 é aplicada nos casos em que a desídia do contribuinte, que se omitindo a atender uma intimação do FISCO, causa embaraço a fiscalização tributária. O fato de não deter os documentos não exime o contribuinte da multa, uma vez que, no mínimo deveria informar a situação para a autoridade fazendária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia De Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira Dos Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 61 /2 01 0- 47 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11020.001761/201047 Acórdão n.º 2803003.636 S2TE03 Fl. 79 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11020.001761/201047 Acórdão n.º 2803003.636 S2TE03 Fl. 80 3 Relatório 1 Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa GRAMINHO MATRIZES E DISPOSITIVOS LTDA., em face da decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) que julgou procedente o lançamento efetuado contra a recorrente Debcad n° 37.214.7623, consolidado em 11/06/2010. 2. A recorrente foi autuada por deixar de recolher contribuição relativa à parte de terceiros referente aos períodos de 1/2009 a 13/2009, perfazendo um montante de R$ 34.947,66 (trinta e quatro mil, novecentos e quarenta e sete reais e sessenta e seis centavos). 3. O valor consolidado é descriminado da seguinte forma: Valor atualizado R$ 15.886,16 Juros R$ 1.232,07 Multa de Ofício de 75%, agravada (50%) R$ 17.849,43 Total R$ 34.941,66 4. A autoridade fazendária informa que a recorrente participou do SIMPLES NACIONAL até 31/12/2008, tendo sido excluída em 01/01/2009, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/CXL nº 118724, de 22/08/2008, e mesmo assim, continuou fazendo os recolhimentos nos moldes daquele sistema. 5. Informou ainda que a multa de ofício foi agrava em 50%, nos termo da Lei, uma vez que a recorrente, mesmo regularmente intimada para prestar esclarecimento e apresentar documentos, quedouse inerte. 6. Tempestivamente, foi apresentada impugnação, na qual a recorrente alegou que não tinha conhecimento da decisão de exclusão do SIMPLES NACIONAL, no processo administrativo 11020.000960/201038, quando a Fazenda Nacional não conheceu do seu requerimento, por ilegitimidade passiva. 7. Ainda em impugnação, a recorrente requereu o parcelamento do débito, e rechaçou a multa aplicada. 8. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a impugnação da recorrente, e lavrou acórdão, cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/1212009 Ai Debcad n° 37.214.7615 MULTA DE OFÍCIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11020.001761/201047 Acórdão n.º 2803003.636 S2TE03 Fl. 81 4 Para a situação de falta de pagamento de tributo, foi introduzido no art. 35 A da Lei n° 8.212/91'a sistemática do art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, para apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento do tributo devido, quanto a não apresentação da GFIP ou a sua apresentação inexata. A aplicação do art. 44 da lei n° 9.430/96 ao lançamento de oficio, por força do art. 35A da lei n° 8.212/91 (introduzido pela Lei n° 11.941/2009), traz multa a ser aplicada pelo não cumprimento da intimação (agravamento da multa de oficio em 50%). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 9. A recorrente interpôs recurso voluntário para pleitear a reforma do acórdão recorrido, alegando, em apertada síntese, que: a) a recorrente não apresentou os documentos exigidos, pois não tinha conhecimento de sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, dessa forma não seria devida a multa incidente. b) a multa de 75% é inconstitucional, uma vez que desproporcional e confiscatória, bem como pugna pelo afastamento da multa de 50% pelo não atendimento de intimação. 10. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11020.001761/201047 Acórdão n.º 2803003.636 S2TE03 Fl. 82 5 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos. Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO MÉRITO RECURSAL 2. A controvérsia apresentada cingese na aplicação da multa de ofício pelo não recolhimento de contribuições sociais, bem como a majoração em 50% por ter, a recorrente, deixado de atender a intimação da autoridade Fazendária. 3. A recorrente alega que não entregou os documentos, pois não tinha conhecimento de sua exclusão do SIMPLES NACIONAL. 4. Ora, conforme declara a própria recorrente, ela apresentou impugnação no processo 11020.000960/201038, que versava sobre a exclusão do SIMPLES NACIONAL. Sendo assim, é possível inferir que foi oportunizado o exercício do contraditório em ampla defesa, que são direitos constitucionalmente garantidos. Extraise dos autos que referido processo teve tramitação nos termos da lei, vez que o mesmo foi regulamente publicado. Outrossim, a alegação da recorrente não pode prosperar, haja vista que o contribuinte pode ter acesso a exclusão do SIMPLES NACIONAL com simples consulta ao site da Receita Federal (http://www8.receita.fazenda.gov.br/SIMPLESNACIONAL/Servicos/Grupo.aspx?grp=6). 5. Sendo assim, se a recorrente não sabia de sua exclusão no SIMPLES, isto se deu por sua conduta desidiosa, o que não pode ser suscitado para elidir a aplicação dos acréscimos legais, aos valores, reconhecidamente, legítimos. 6. Em sua defesa, a recorrente arguiu o seguinte: “Mas como, não atendeu a solicitação, se ao final do relatório, (item 13) mencionado pelo mesmo Auditor, se há o Processo Administrativo n 2 11020.0009601201038, protocolado em 2910312010, no qual a empresa manifestou sua inconformidade Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11020.001761/201047 Acórdão n.º 2803003.636 S2TE03 Fl. 83 6 quanto ao indeferimento de sua opção ao SIMPLES NACIONAL, para o ano de 2009? 0 que se depreende é que na decisão a Receita Federal do Brasil não tomou conhecimento de tal manifestação de inconformidade, alegando ilegitimidade passiva, todavia, na consolidação dos débitos, 11/06/2010, apresentados e impugnados parcialmente, o referido processo tinha como situação "em andamento ". O que significa "em andamento"? Condição final ou ainda pendente de análise e/ou julgamento?” 7. Observese que, quando da intimação para apresentação de documentos, a recorrente poderia prontamente ter apresentado a documentação, bem como ter prestado os esclarecimentos, independente da existência de outro processo, mas, permaneceu inerte, sendo correta a aplicação da penalidade do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:” (...) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 2º Os percentuais de multa a que se refere o inciso I do caput e o § 1º desse artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado de intimações para: I – prestar esclarecimento.” 8. Por outro lado, em que pese as alegações de que a multa de 75% viola os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, impende salientar que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar a constitucionalidade do ato normativo. A referida matéria por diversas vezes já foi discutida neste Egrégio Conselho, e, seu entendimento foi cristalizado na Súmula CARF nº 02, que assim dispõe: “SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária.” Fl. 88DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 11020.001761/201047 Acórdão n.º 2803003.636 S2TE03 Fl. 84 7 9. Diante dos fatos e das fundamentações apresentadas, entendo que a recorrente não logrou êxito em demonstrar motivo legalmente plausível para a reforma do acórdão recorrido. CONCLUSÃO 10. De todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, negar lhe provimento, pelos fundamentos acima aduzidos. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 21/0 9/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11050.002180/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Exportação - IE
Período de apuração: 20/07/2001 a 28/12/2001
IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. RECURSO ESPECIAL 973.733. ARTIGO543-C, do CPC.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DEPÓSITOS INTEGRAIS.
Os juros de mora não devem integrar o lançamento exarado com o fim de prevenir a decadência de crédito tributário em discussão judicial, amparada por depósitos integrais. Súmula CARF nº 5.
Numero da decisão: 3101-001.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora para os períodos em que foi efetuado depósito integral e tempestivamente.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Exportação - IE Período de apuração: 20/07/2001 a 28/12/2001 IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. RECURSO ESPECIAL 973.733. ARTIGO543-C, do CPC. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DEPÓSITOS INTEGRAIS. Os juros de mora não devem integrar o lançamento exarado com o fim de prevenir a decadência de crédito tributário em discussão judicial, amparada por depósitos integrais. Súmula CARF nº 5.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11050.002180/2007-70
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5381740
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.552
nome_arquivo_s : Decisao_11050002180200770.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 11050002180200770_5381740.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora para os períodos em que foi efetuado depósito integral e tempestivamente. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Luiz Roberto Domingo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
id : 5628317
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030252699648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 476 1 475 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.002180/200770 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.552 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2013 Matéria Imposto de Exportação Recorrente INDÚSTRIA DE PELES PAMPA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Período de apuração: 20/07/2001 a 28/12/2001 IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. RECURSO ESPECIAL 973.733. ARTIGO543C, do CPC. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. DEPÓSITOS INTEGRAIS. Os juros de mora não devem integrar o lançamento exarado com o fim de prevenir a decadência de crédito tributário em discussão judicial, amparada por depósitos integrais. Súmula CARF nº 5. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os juros de mora para os períodos em que foi efetuado depósito integral e tempestivamente. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 21 80 /2 00 7- 70 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que manteve parcialmente o lançamento do Imposto de Exportação incidente sobre operações desembaraçadas sem o recolhimento do tributo em causa, por força de medida liminar concedida previamente à ocorrência dos fatos geradores apontados no auto de infração, em sede da ação mandamental n° 2001.71.01.0010722. Ao principal foram acrescidos juros moratórios, conforme a seguinte ementa: Período de apuração: 20/07/2001 a 28/12/2001 IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, com o mesmo objeto da autuação, importa renúncia às instâncias administrativas de julgamento. NULIDADE. O depósito judicial da quantia exigida, conquanto afaste a incidência dos juros moratórios e mantenha suspensa a exigibilidade do crédito tributário em questão até o trânsito em julgado de ação judicial de autoria da autuada, não representa impedimento para o lançamento, cuja inocuidade decorre da lei. Lançamento Procedente em Parte As exportações autuadas foram registradas no período compreendido entre os dias 09/01/2002 e 21/10/2002. A ciência do auto de infração foi firmada em 26/11/2007, conforme documento de fl. 313. Em defesa, a Recorrente informa e comprova mediante os documentos de fls. 352 a 442, ter efetuado depósitos judiciais que somam o valor do montante exigido, fato impeditivo do lançamento de oficio, mesmo que destinado à prevenção da decadência. Inobstante, requer seja afastada da exigência dos juros moratórios em face dos depósitos. No que respeita aos valores que compõe o montante exigido, protesta contra equívocos cometidos. Por fim clama pela nulidade do auto de infração lavrado ou, caso não seja essa nulidade declarada, que sejam excluídos da exigência os juros moratórios, bem como as parcelas lançadas em duplicidade. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11050.002180/200770 Acórdão n.º 3101001.552 S3C1T1 Fl. 477 3 Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Relator Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, cabe a apreciação da decadência apreciada pela DRJ com base no art. 49 da Medida Provisória 449/2008, que não foi confirmado na conversão da medida provisória na Lei nº 11.491/2009. O contribuinte foi intimado do auto de infração em 26/11/2007, dos fatos geradores 09/01/2002 a 21/10/2002. O lançamento do Imposto de Exportação é por homologação sendo que o prazo da decadência, a par da posição pessoal deste Relator, cumpre os desígnios interpretativos do recurso repetitivo do STJ que pacificou o entendimento acerca da contagem do prazo decadencial, quando o contribuinte não antecipa o pagamento, como é o caso: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício Fl. 254DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) e EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. INADIMPLEMENTO DO REGIME DE DRAWBACK, MODALIDADE SUSPENSÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. NÃOOCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA. OMISSÃO QUANTO À PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. 1. Não há omissão deste Tribunal Superior quanto à verificação da ocorrência de prescrição para a cobrança do crédito tributário se, ao interpor o recurso especial, o contribuinte limitase a indicar violação e interpretação divergente do art. 173, I, do CTN (que estabelece o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito), requerendo, ao final, o conhecimento e provimento do recurso "a fim de que seja reconhecida a decadência". 2. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp 658.404/RJ, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/02/2006, DJ 13/03/2006, p. 198) Diante do exposto, verifico que os fatos geradores objeto do lançamento não foram alcançados pela decadência, motivo pelo qual rejeito a preliminar. Quanto à incidência dos juros, entendo aplicável a Súmula CARF 5, por terem havido depósitos judiciais integrais: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 255DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11050.002180/200770 Acórdão n.º 3101001.552 S3C1T1 Fl. 478 5 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720263/2011-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Verificada a existência de obscuridade no acórdão embargado, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de sanar o vício.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3403-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para o fim de sanar a obscuridade apontada no acórdão embargado, passando o resultado do julgamento a ser o seguinte: "Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos fretes sobre transferências."
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Verificada a existência de obscuridade no acórdão embargado, acolhem-se os embargos de declaração para o fim de sanar o vício. Embargos acolhidos.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15586.720263/2011-33
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5373123
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3403-003.205
nome_arquivo_s : Decisao_15586720263201133.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 15586720263201133_5373123.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para o fim de sanar a obscuridade apontada no acórdão embargado, passando o resultado do julgamento a ser o seguinte: "Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos fretes sobre transferências." Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5591813
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030262136832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 2 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720263/201133 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3403003.205 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 21 de agosto de 2014 Matéria PIS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ADM DO BRASIL LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/03/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Verificada a existência de obscuridade no acórdão embargado, acolhemse os embargos de declaração para o fim de sanar o vício. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para o fim de sanar a obscuridade apontada no acórdão embargado, passando o resultado do julgamento a ser o seguinte: "Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos fretes sobre transferências." Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 63 /2 01 1- 33 Fl. 579DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão 3403002.761, sob o pressuposto da existência de obscuridade. Segundo a ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, o colegiado deu provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Entretanto, neste processo não teria havido a glosa de "fretes planta/planta". É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. Conforme se verifica no acórdão embargado, realmente o provimento foi parcial nos seguintes termos: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Entretanto, compulsando a planilha Excell que constitui o Anexo II (fls. 21 a 71) na qual a fiscalização glosou os fretes, verificase que assiste razão à ilustre Procuradora. Neste processo não houve glosa de fretes planta/planta, mas apenas e tãosomente de fretes sobre transferências. Sendo assim, voto no sentido de acolher os embargos de declaração para o fim de sanar a obscuridade apontada no acórdão embargado, passando o resultado do julgamento a ser o seguinte: "Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos fretes sobre transferências." Antonio Carlos Atulim Fl. 580DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/08/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003701/2003-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Nos casos de lançamento por homologação, em que não ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543-C do CPC c/c art. 62-A do RICARF, contando o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.445
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 01/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, em que não ocorre a antecipação do pagamento do imposto, deve-se aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543-C do CPC c/c art. 62-A do RICARF, contando o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.003701/2003-80
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5368624
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.445
nome_arquivo_s : Decisao_19515003701200380.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 19515003701200380_5368624.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5566111
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030285205504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1884; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003701/200380 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.445 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2014 Matéria IRPF Recorrente PAULO CEZAR DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, em que não ocorre a antecipação do pagamento do imposto, devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62A do RICARF, contando o dies a quo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 01 /2 00 3- 80 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 01/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 1998, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 162/164, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 3.572.471,12. A fiscalização apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. De acordo com a autoridade recorrida: 2.1. que o contribuinte foi programado para fiscalização devido à demanda da Justiça Federal conforme Ofício 2329/2003 (fl. 03). O referido Ofício encaminhou os extratos bancários utilizados na presente Ação Fiscal; 2.2. a movimentação financeira do contribuinte no anobase 1998 foi de R$ 6.097.661,81, nos Bancos Itaú, CEF e Real; 2.3. em 17/07/2003 o contribuinte tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização; 2.4. em 11/08/2003 em atendimento ao Termo de Início, o contribuinte apresentou o documento de fl. 87 no qual alega que em 1998 negociou Títulos da Dívida Pública mas não obteve receita nas intermediações. Também juntou cópias de alguns cheques devolvidos; 2.5. em 17/08/2003 (fl. 112) o contribuinte foi intimado a comprovar as operações bancárias efetuadas a crédito nas contascorrentes nos Bancos Itaú, CEF e Real referentes ao ano base 1998, relacionadas em cinco folhas anexas ao termo; 2.6. o contribuinte apresentou a DIRPF do exercício 1999, ano base 1998, em 29/09/2003 (fl. 123), após iniciada a Ação Fiscal, na qual não informou rendimentos tributáveis ou isentos bem como Bens Imóveis. A referida Declaração ainda não havia sido processada quando da lavratura do Auto de Infração; 2.7. ainda, até o momento da lavratura do AI não tinha sido apresentado qualquer documento comprobatório da natureza das operações que resultaram nos depósitos, apenas esclarecimentos alegando que não obteve receita nas transações Fl. 291DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003701/200380 Acórdão n.º 2201002.445 S2C2T1 Fl. 3 3 efetuadas e os demonstrativos de fls.138 a 155, não amparados por documentos; 2.8. face à não comprovação da origem das operações de crédito relacionadas às fls. 113/117, os depósitos não comprovados, deduzidos os cheques devolvidos e estornos de créditos (fls. 154/156), foram assim distribuídos para tributação: 100% na conta do Banto Itaú e na conta da CEF; 50% na conta do Banco real (conta conjunta com a esposa, que declarou em separado). Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: EXTRATOS BANCÁRIOS – INSUFICIENTES PARA APURAR RENDA. Após descrição dos fatos, sob este tema argumenta ser pacífico na jurisprudência que não se pode considerar renda, para efeito da apuração do imposto de renda, a simples ocorrência de depósitos bancários, conforme Súmula 182do TRF; 3.2. defende que, a conta bancária pode indicar uma movimentação de dinheiro de determinada pessoa, mas jamais, de forma conseqüente, poderá representar o ganho que essa pessoa teve, uma vez que a entrada e saída se deram em razão das negociações com Apólices, que na verdade, representam prejuízos ao contribuinte, conforme fls. que compõem os autos; 3.3. IRRETROATIVIDADE DA LEI. A fiscalização teve o seu nascedouro na movimentação financeira do Impetrante, cujos dados foram obtidos com base no artigo 11, § 2º da Lei nº 9.311, de 24/10/96, que instituiu a cobrança da CPMF; 3.4. argumenta que, assim, está afrontando a vedação de utillização das informações recebidas das instituições financeiras para constituição de crédito tributário, vedação expressamente prevista no § 3º, do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24/12/1996, criadora da CPMF; 3.5. defende que, a Receita Federal não poderia se valer destes elementos para justificar o início dos trabalhos fiscais, eis que o § 3º do já citado dispositivo legal veda completamente a sua utilização para fins de constituição de crédito tributário até 10/01/2001, data em que foi editada a lei nº 10.174/2001; 3.6. levanta, então, duas questões, a primeira é a de que se a lei nova poderá retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos anteriores a sua edição. A segunda seria quanto à constitucionalidade de suas diretrizes; 3.7. diz que, o assunto não comporta muitas discussões, pois sabese que as leis são feitas para terem vigência somente no futuro (LICC, art. 1º). Elas apenas retroagiriam para regular relaçõe anteriores já constituídas e não previstas, o que não é o Fl. 292DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 caso aqui em questão. Muito pelo contrário, aqui já existia uma lei que proibia a utilização das informações da CPMF para fins de instaurar procedimentos fiscais, abrindo exceção apenas para fiscalizar o próprio estabelecimento bancário quanto ao seu efetivo recolhimento aos Cofres Públicos; 3.8. busca amparo na Lei de Introdução do Código Civil, alterada pela Lei nº 3.238 de 01/08/1957, quanto ao conceito das expressões “ato jurídico perfeito e direito adquirido”; 3.9. esclarece que tal preceito encontrase hoje mantido na Constituição de 1988, art. 5º, inciso XXXVI; 3.10. destaca que, a ação fiscal reportase ao ano calendário de 1998, valendose de uma Lei editada em 2001 para atingir fatos ocorridos em 1998, quando o autuado estava protegido por lei de que estas informações seriam utilizadas para a verificação do regular recolhimento da CPMF por parte dos estabelecimentos bancários; 3.11. é incompatível com o artigo 150, III, “a” da Constituição Federal; 3.12. a fim de corroborar seu entendimentos, faz transcrição de ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes; 3.13. reforça que, as leis só poderão surtir efetios retroativos excepcionalmente, quando a própria lei assim o estabeleça, presumem irretroativas, restando ainda nessa exceção resguardados o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; 3.14. quando da publicação da Lei Federal nº 10.174, em 10/01/2001, independentemente da análise da materialidade introduzida pela lei: a possibilidade da “quebra do sigilo”, a lei não poderia voltarse para o passado e ser aplicada retroativamente por até 5 (cinco) anos (prazo decadencial) sem gerar a insegurança jurídica. 3.15. também o art. 105 do CTN é claro ao dispor que nova norma não pode retroagir atingido fatos e efeitos já consumados sob o império da antiga lei; 3.16. podese depreender, portanto, da interpretação conjunta do art. 150, III, “a”, da Consituição Federal e do artigo 105, do Código Tributário Nacional, que a lei nova, não poderá retroagir para alcançar fatos geradores pretéritos; 3.17. DA PESSOA JURÍDICA DE FATO. Complementa dizendo que, ainda que se entendesse devido o imposto de renda, há de se pesar que o autuado, em razão de sua atividade de intermediação na compra e vendade de apólices, como já explicado, exercia verdadeira atividade de pessoa jurídica; 3.18. daí, apesar de não ter criado, por meio de registro no órgão competente tal pessoa jurídica, essa existia de fato, entendimento pacífico na doutrina e jurisprudência, o que lhe Fl. 293DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003701/200380 Acórdão n.º 2201002.445 S2C2T1 Fl. 4 5 daria um tratamento diferenciado quanto à incidência de alíquotas referentes ao Imposto de Renda; 3.19. assim, conclui, deve ser entendida a atividade do autuado, como a de uma pessoa jurídica, informando que, as planilhas juntadas nos autos, na fase de préautuação, foram elaboradas de acordo com esse entendimento; 3.20. requer, então, sejam acolhidas as suas alegações de fato e de direito, determinandose o cancelamento do Auto de Infração, por ser insubsistente. A 7ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Não há como acatar pleito que vise equiparar o contribuinte à pessoa jurídica para fins de tributação por omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários de origem não comprovada, quando não estiver comprovado nos autos que os valores autuados provinham de atividade econômica desenvolvida com fim especulativo de lucro pela pessoa física. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 19/10/2010, fl. 237verso, conforme decisão judicial de fls. 263/267, Paulo Cezar de Souza apresenta, tempestivamente, Recurso Voluntário em 12/11/2010 (fls. 240/245), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, decadência do crédito tributário. É o relatório. Voto Fl. 294DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos no ano calendário 1998. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente. No que tange à decadência, cabe o registro de que as alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa física e jurídica a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificamse na modalidade de lançamento por homologação. E o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional fixa prazo de homologação de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, no caso em que a lei não fixar outro limite temporal. Entretanto, o art. 62A da Portaria MF n.º 586, de 21/12/2010, passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Em relação à decadência dos tributos lançados por homologação, temos como parâmetro o Recurso Especial nº 973.733/SC de 12/08/2009, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC. O julgamento determinou que nos casos em que houver pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, ainda que parcial, o termo inicial será contado a partir do fato gerador, na forma do § 4º do art. 150 do CTN. Contudo, na hipótese de não haver antecipação do pagamento, o dies a quo será contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme prevê o inciso I do art. 173 do CTN: Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No caso dos autos, como não houve pagamento antecipado e/ou imposto de renda retido na fonte, conforme Declaração de Ajuste de fls. 124/127, devese aplicar à regra contida no inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, contase o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, o fato gerador relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF do exercício de 1999, anocalendário de 1998, ocorreu em 31/12/1999, e o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado corresponde a 01/01/2000 e o término do prazo decadencial de 5 anos ocorre em 31/12/2004. Desse modo, como a ciência do Auto de Infração ocorreu em 18/11/2003, fl. 162, o crédito tributário não havia ainda sido atingido pela decadência. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003701/200380 Acórdão n.º 2201002.445 S2C2T1 Fl. 5 7 Quanto à alegação de prescrição do crédito tributário, em razão de sua inscrição na dívida ativa em 25/06/2007, fls. 223/225, impende esclarecer que tal fato ocorreu em função do erro na cientificação do recorrente da decisão de primeira instância. O acórdão DRJ/SPII nº 14271, de 06 de fevereiro de 2006, foi encaminhado a endereço diverso ao do contribuinte. Ato continuo, foi publicado Edital nº 215/2006, intimando o recorrente a pagar ou impugnar o crédito tributário lançado (fl. 218). Contudo, em razão da decisão judicial às fls. 233/234, foi declarada a inexigibilidade da inscrição do débito em Divida Ativa da União e, consequentemente, reaberto o prazo para a interposição de Recurso Voluntário. Vejase o teor da decisão: Assim, considerandose que a copia do acórdão foi encaminhada para endereço incorreto, vislumbro a alegada nulidade da intimação do impetrante por edital, com a conseqüente inexigibilidade da inscrição do débito em Divida Ativa da União sob o nº 8010704438659, a qual deverá ficar suspensa até o transito em julgado do processo administrativo fiscal. Posto isto, conheço os presentes EMBARGOS DE DECLARAÇÃO por tempestivos, e, no mérito, doulhes provimento para DEFERIR O PEDIDO LIMINAR, a fim de determinar à autoridade Impetrada que intime o impetrante acerca do acórdão n.o 14.271 proferido pela 7° Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Processo Administrativo n.o 19515.003701/2003 80 em seu endereço atual (Avenida Irerê, n.o 736, Planalto Paulista, São Paulo, Capital, CEP: 04064002 ou Avenida Ipiranga, n.° 318, Bloco A, 10° andar, conjunto 1001, Centro São Paulo, CEP: 01046010), reabrindose o prazo para interposição de eventual recurso, com a conseqüente (suspensão da exigibilidade da inscrição em Divida Ativa ... Assim, a partir da formalização do lançamento começa a fluir o prazo prescricional de 5 anos, previsto no art. 174 do CTN, que está sujeito à interrupção ou suspensão. Nesse sentido, a Impugnação/Recurso Voluntário suspende a exigibilidade do crédito tributário, conforme inciso III do art. 151 do CTN, e, portanto, suspende também o prazo prescricional, que somente começa a fluir com a constituição definitiva do crédito tributário. A chamada prescrição intercorrente não ocorre enquanto o processo estiver pendente de decisão (§ 2.º do art. 189 do DecretoLei nº 5.844/1943). Portanto, em razão de a cobrança do crédito tributário estar suspensa pelas impugnações e recursos apresentados pelo sujeito passivo, não se iniciou a contagem do prazo prescricional e, por conseguinte, não há que se falar em prescrição do crédito tributário. No mérito, pugna o contribuinte pelo provimento de seu recurso alegando para tanto que “... além de ser impossível fazer prova negativa, a justificativa se referia a movimentação bancária de passado já longínquo à época; assim, praticamente impossível a comprovação por documentos, das origens dos depósitos. A documentação existente se restringiu assim, aos extratos bancários, disponibilizados à Receita Federal e, ao Ministério Público Federal, que não impugnaram a declaração do investigado”. Conclui o suplicante que “Deve prevalecer, portanto, a declaração do contribuinte, inclusive em sua DIRPF referente ao ano base de 1998, de que não auferiu rendimentos tributáveis naquele ano e, que sua movimentação bancária considerada pretensamente incompatível com os rendimentos se deu pela compra e, venda de títulos da divida pública da União, o que terminou por gerar, não lucro, mas, ao contrário, prejuízo ao contribuinte". Fl. 296DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 De início, cumpre esclarecer que a tributação dos depósitos bancários sem origem comprovada é uma das formas colocadas à disposição do fisco para detectar omissão de rendimentos, edificandose aí, uma presunção legal, do tipo condicional ou relativa (juris tantum), que embora estabelecida em lei, não tem caráter absoluto de verdade e que impõe ao contribuinte a comprovação da origem dos depósitos e/ou créditos movimentados em sua conta bancária. Transcrevese a legislação que serviu de base ao lançamento, no caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, verbis: Art.42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Sobre os efeitos da presunção legal, mencionese a lição de José Luiz Bulhões Pedreira (Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTEC RJ, 1979, pág. 806): O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, diante da legislação precitada e dos comentários acima, se descarta, de plano, a argumentação do recorrente de que deveria prevalecer os dados da Declaração de Ajuste informada à Receita Federal ano base de 1998, já que não auferiu rendimentos tributáveis, pois obteve apenas prejuízos ao comercializar títulos da divida pública da União. Ressaltese o recorrente, além das questões de direito mencionados em sua defesa, não carreou aos autos qualquer documento capaz de ilidir a tributação perpetrada pela autoridade fiscal. Dessarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a exigência tributária em exame deve ser mantida. Ante a todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Fl. 297DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.003701/200380 Acórdão n.º 2201002.445 S2C2T1 Fl. 6 9 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 02/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000014/2008-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005
DECADÊNCIA - ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A APURAÇÃO DO LUCRO REAL - LUCRO ARBITRADO - MULTA QUALIFICADA - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Havendo prova de dolo, o prazo decadencial conta-se pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado A multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada (art. 124, I, do CTN). Respondem pelos créditos tributários lançados os gerentes que praticaram atos com infração à lei (art. 135, III, do CTN).
ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA.
Salvo nos casos de que trata o artigo 26-A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR.
Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONSTATAÇÃO FÁTICA.
Demonstrada pela autoridade executora do procedimento de fiscalização a relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído.
PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1402-001.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá que davam provimento. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
(Assinado digitalmente)
Frederico Augusto Gomes de Alencar - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201312
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA - ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A APURAÇÃO DO LUCRO REAL - LUCRO ARBITRADO - MULTA QUALIFICADA - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Havendo prova de dolo, o prazo decadencial conta-se pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado A multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada (art. 124, I, do CTN). Respondem pelos créditos tributários lançados os gerentes que praticaram atos com infração à lei (art. 135, III, do CTN). ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. Salvo nos casos de que trata o artigo 26-A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONSTATAÇÃO FÁTICA. Demonstrada pela autoridade executora do procedimento de fiscalização a relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16004.000014/2008-99
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372026
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-001.518
nome_arquivo_s : Decisao_16004000014200899.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ROBERTO CORTEZ
nome_arquivo_pdf_s : 16004000014200899_5372026.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá que davam provimento. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez - Relator (Assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
id : 5585776
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030301982720
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 62; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2464; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 5.302 1 5.301 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000014/200899 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.518 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de dezembro de 2013 Matéria IRPJ e OUTROS Recorrente FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA.e NIVALDO FORTES PERES, LUCIANO DA SILVA PERES, RODRIGO DA SILVA PERES, CARLOS ROBERTO ALVES E HYPPOLITO RODRIGUES JUNIOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCRO ARBITRADO MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Havendo prova de dolo, o prazo decadencial contase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado A multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada (art. 124, I, do CTN). Respondem pelos créditos tributários lançados os gerentes que praticaram atos com infração à lei (art. 135, III, do CTN). ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INEXISTÊNCIA. Salvo nos casos de que trata o artigo 26A, do Decreto nº 70.235, de 1972, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência para conhecer de matéria que sustente a insubsistência do lançamento sob o argumento de que a autuação se deu com base norma inconstitucional ou ilegal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 00 14 /2 00 8- 99 Fl. 5306DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.303 2 MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CONSTATAÇÃO FÁTICA. Demonstrada pela autoridade executora do procedimento de fiscalização a relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído. PIS. COFINS. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo ao PIS, à Cofins e à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá que davam provimento. Designado o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator (Assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Fl. 5307DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.304 3 Relatório FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA. ME, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 02.462.383/00014, com domicílio fiscal na cidade de Bady Bassitt, Estado de São Paulo, na Rodovia SP 355, s/nº Zona Rural, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Jose do Rio Preto SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 4812/4861, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 5242/5277. Da mesma forma, os designados como responsáveis solidários (Nivaldo Fortes Peres CPF. 785.735.99804, Luciano da Silva Peres — CPF. 217.280.06864, Rodrigo da Silva Peres — CPF. 276.282.42812, Carlos Roberto Alves — CPF. 697.636.40806 e Hyppolito Rodriguez Junior — CPF. 005.157.40802) apresentam de forma tempestiva os seus recursos voluntários. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP, em 02/12/2008, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); e da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) de (fls. 4103/4172), com ciência através de AR, em 11/12/2008 (fl. 4187/4193), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.552.226,89, a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa de lançamento de oficio qualificada de 150% (para os itens 1 e 2 do Auto de Infração); multa de lançamento de ofício normal de 75% (para o item 3 do Auto de In fração) e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições referentes aos exercícios de 2004 a 2006, correspondente aos anoscalendário de 2003 a 2005, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2004 e 2005, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRIA: Omissão de receitas de venda (à Couroada), Conforme Termo de Constatação Fiscal em anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 532 e 537, do RIR/99; 2 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA: Valor apurado conforme Termo de Constatação Fiscal em anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração. Infração capitulada nos arts. 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e arts. 532 e 537 do RIR/99; 3 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS: Valor apurado conforme TERMO DE Fl. 5308DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.305 4 CONSTATAÇÃO FISCAL em anexo, que faz parte integrante do presente Auto de Infração (referemse aos valores apurados e pagos indevidamente pelo SIMPLES). Infração capitulada no art. 532 do RIR/99. Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2003 06/2003 09/2003 12/2003 03/2004 06/2004 09/2004 12/2004 03/2005 06/2005 09/2005 12/2005. Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas abaixo enumeradas: Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 art. 530, inciso II, do RIR/99. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo de Constatação Fiscal (fls. 3918/4092), os fatos relativo às infrações cometidas. É de se observar, que a formalização da quebra do sigilo bancário do contribuinte e das pessoas correlacionadas foram através dos Processos da Justiça Federal sob nºs 2007.61.24.0002606, 2007.61.24.0007616 e 2008.61.24.0002143/1 da 24ª Subseção Judiciária do Estado de São Paulo (JalesSP), das respectivas datas 02/03/2007, 25/05/2007 e 28/02/2008 (fls. 427 a 454). Da mesma forma, se necessário observar, que para o cumprimento da decisão judicial foram emitidas as Requisições de Movimentações Financeiras junto às respectivas instituições financeiras onde o contribuinte, os sócios e a cônjuge de um dos sócios (Irani Castilho Viaes), mantiveram movimentação (com base na CPMF), solicitando os extratos bancários (em meio magnético ou em papel), fichas cadastrais, Procurações outorgando poderes a terceiros movimentarem contascorrentes, cópia de comprovantes de depósitos/créditos, etc.: • RMF n° 08107002007001358, de 31/05/2007, esta fiscalização requisitou a movimentação financeira ao Banespa S/A, solicitando os dados referentes ao período de 01/01/2002 a 31/12/2005, dos contribuintes: Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda. Me, Hyppolito Rodriguez Junior e Carlos Roberto Alves (fls. 625 a 628). • RMF n° 08107002007001366, de 31/05/2007, esta fiscalização requisitou a movimentação financeira ao Banco Sudameris do Brasil S/A, solicitando os dados referentes ao período de 01/01/2002 a 31/12/2005, dos contribuintes: Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda.ME e Carlos Roberto Alves (fls. 995 a 998). • RMF n° 08107002007001374, de 31/05/2007, esta fiscalização requisitou a movimentação financeira ao Banco Nossa Caixa S/A, solicitando os dados referentes ao período de 01/01/2002 a 31/12/2005, dos contribuintes: Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda.ME, Hyppolito Rodriguez Junior e Carlos Roberto Alves (fls. 982 a 985). • RMF n° 08107002007001382, de 31/05/2007, esta fiscalização requisitou a movimentação financeira ao Banco do Brasil S/A, solicitando os dados referentes ao período de 01/01/2002 a 31/12/2005, dos contribuintes: Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda.ME e Carlos Roberto Alves (fls. 961 a 964). • RMF n° 08107002007001633, de 06/06/2007, esta fiscalização requisitou a movimentação financeira ao Banco Itaú S/A, solicitando os dados referentes ao período de 01/01/2002 a 31/12/2005, do contribuinte: Carlos Roberto Alves (fls. 865 a 867). Fl. 5309DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.306 5 • RMF n° 08107002007001641, de 06/06/2007, esta fiscalização requisitou a movimentação financeira ao Banco Bradesco S/A, solicitando os dados referentes ao período de 01/01/2002 a 31/12/2005, do contribuinte: Carlos Roberto Alves (fls. 455 a 457). • RMF n° 08107002007001254, de 22/04/2008, esta fiscalização requisitou a movimentação financeira ao Banco Bradesco S/A, solicitando os dados referentes ao período de 01/01/2003 a 31/12/2004, da contribuinte: Irani Castilho Viaes (fls. 599 a 602). • RMF n° 08107002007001270, de 22/04/2008, esta fiscalização requisitou a movimentação financeira ao Banco Santander Brasil S/A, solicitando os dados referentes ao período de 01/01/2003 a 31/12/2004, da contribuinte: Irani Castilho Viaes (fls. 615 a 616). É importante ressaltar, que consta no Termo de Constatação Fiscal (fl. 4093) a observação de que “tendo em vista que a presente ação fiscal foi motivada por requisição da Justiça Federal, em virtude de operação deflagrada pela Policia Federal, deixamos de formalizar a representação fiscal para fins penais. Procederemos à comunicação da Justiça federal, bem como do Ministério Público Federal, dos fatos apurados na presente fiscalização.” Consta, ainda, nos autos às fls. 4175/4184 o Termo de Sujeição Passiva Solidária responsabilizando de forma solidária as seguintes pessoas: a) nos termos do artigo 124, inc. I, do Código Tributário Nacional, as pessoas dos sócios de fato da Pessoa Jurídica, Srs. Nivaldo Fortes Peres CPF. 785.735.99804, Luciano da Silva Peres — CPF. 217.280.06864 e Rodrigo da Silva Peres — CPF. 276.282.42812, que tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações principais; b) nos termos do artigo 135, inc. III, do Código Tributário Nacional, as pessoas dos sócios de direito (laranjas) que efetivamente exerceram a gerência nos frigoríficos do contribuinte, Srs. Carlos Roberto Alves — CPF. 697.636.40806 e Hyppolito Rodriguez Junior — CPF. 005.157.40802, e também por emprestarem seus nomes a Sociedade, inclusive cedendo as contas bancárias abertas em nome de suas Pessoas Físicas. Tais pessoas, na condição de gerentes e representantes da Pessoa Jurídica de Direito Privado, praticaram atos (ilícitos) com infração de lei. Em sua peça impugnatória de fls. 4197/4232, apresentada, tempestivamente, em 09/01/2009, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a empresa, FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA. ME, foi autuada pela Unidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, MPF 0810700/2008 004016 para exigência de recolhimento de créditos tributários através de Autos de Infração de: IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, dos anoscalendário de 2003 a 2005. As autuações fiscais, compostas do tributo e dos encargos de Juros de mora e a Multa de oficio, correspondem, respectivamente, a R$ 780.846,23 de Imposto de Renda; R$ 400.813,33 de Contribuição Social; R$ 247.391,09 de PIS e R$ 1.123.086,24 de Cofins; que é preciso esclarecer, de antemão, que parte do Termo de Constatação Fiscal lavrado pela fiscalização é totalmente estranha ao presente feito. Está calcada em conclusões policiais, sem provas materiais que possa corroborála. Foi baseada em "comentário Fl. 5310DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.307 6 do analista" da Policia Federal que analisando conversas telefônicas ou documentos apreendidos chega a conclusões, obviamente, sempre subjetivas. 0 trabalho policial é um trabalho de investigação e não de julgamento. Não sendo assim, o judiciário seria dispensável; que, no que diz respeito da preliminar de inexistência de enquadramento legal da infração, é de se dizer no que tange ao item 001 do auto de infração (omissão de receita de venda à Couroada), o enquadramento legal descrito diz respeito tão somente às regras de apuração do Lucro Arbitrado, nos termos dos art. 532 e 537, do RIR/99, nada mencionando, sobretudo quanto a eventuais dispositivos legais infringidos que caracterizem a irregularidade apontada; que, portanto, o auto de infração deixou de conter elemento essencial à sua validade, tal como previsto no art. 10, inciso IV supra, do Decreto 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal. Consequentemente, a imposição fiscal é nula de pleno direito e assim deve proclamar o ato decisório; que, no que diz respeito à preliminar de decadência do direito de constituição de parte do crédito tributário, é de se dizer, que a fiscalização aplicou a multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) com relação a determinados débitos (valor declarado em DJSI pelo SIMPLES) enquanto sobre os demais fez incidir multa no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), multa esta qualificada sob o argumento de utilização pelo contribuinte de método fraudulento e continuado de sonegação fiscal; que, nos lançamentos ora contestados, vêse que o fisco não zelou para exercitar, a tempo, a ação homologatória das atividades praticadas pela impugnante, em parte do anocalendário de 2003. Isto porque no encerramento de cada período trimestral (31/03/03, 30/06/03 e 30/09/03), ocorreu o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, e, conseqüentemente, essas datas marcam o termo inicial da contagem do prazo decadencial; que a ação fiscal só foi concluída com a lavratura dos autos de infração do qual foi cientificada em 11 de dezembro de 2008, quando já se esgotara o prazo hábil para investigação da regularidade dos atos praticados pela autuada, nos três primeiros trimestres de 2003, tais períodos foram atingidos pela decadência; que em igual situação se encontram as contribuições do PIS e da COFINS dos fatos geradores de 31/01/2003 a 30/11/2003, vez que na data da ciência dos autos de infração em 11/12/2008 havia transcorrido o prazo de cinco anos dentro do qual se permitiria ao fisco efetuar o lançamento. Como assim não procedeu, decaiulhe o direito de lançar; que, em suma, considerando o termo inicial prescrito no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, qual seja o momento da ocorrência do fato gerador, os supostos créditos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, dos períodos supracitados, foram fulminados pela decadência; que, no que diz ao mérito em discussão, é de se dizer, que a execução do lançamento é de relevante importância, pois provoca inúmeros efeitos jurídico sendo ato privativo da autoridade administrativa. Assim sendo, no cumprimento de sua tarefa o fisco deve estrita obediência ao disposto no art. 142, do CTN, que estabelece competir à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, Fl. 5311DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.308 7 determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível; que, no que diz respeito à omissão de receitas de venda à empresa COUROADA, é de se dizer, que em primeiro lugar cabe assentar que a suposta infração não restou regiamente catalogada nos termos da legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, qual seja a disposição legal infringida como prevê o art. 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72 (PAF), posto que do auto de infração não consta os dispositivos legais infringidos que caracterizem a irregularidade apontada; que, ademais, contrariamente à singela alegação da fiscalização (fl. 3998), a documentação de fls. 1391 a 1804 comprova que os recursos depositados em sua conta bancária pela empresa Couroada (fls. 3999/4004), se tratam de repasses autorizados pela empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda., por conta de acertos comerciais desta com a impugnante; que, ainda de acordo com a referida documentação, está comprovado, isto sim, que a receita da venda de produtos à Couroada pertence exclusivamente à Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo porque foi esta quem efetivamente efetuou as vendas e emitiu as notas fiscais, tanto que inexiste nos autos qualquer documento que demonstre que a Couroada em algum momento tenha contestado ou recusado quaisquer das operações de compra; que o porquê da transferência dos recursos para a Frigo Vale, está explicado nas correspondências emitidas à época das operações, a exemplo da carta de fl. 1426, isto é, a autorização para deposito na conta bancária da impugnante, por haver sido negociado entre as empresas. Agora, a fiscalização trilhou o caminho que julgou mais fácil. Valendose de material apreendido pela Policia Federal, que sequer foi submetido à perícia para verificação de sua autenticidade e determinação de seu real valor probatório, tomouo como verdade material, sendo que nele nada há de conclusivo, pois nem mesmo o processo criminal de onde se originaram essas pegas foi concluído; que, portanto, por si só a documentação carreada aos autos pela fiscalização (fls. 1408 a 1804) demonstra que os recursos dos depósitos relacionados às fls. 3999/4004 não se constituem em receita da Impugnante. E que a omissão de receita descrita no item 001 da Descrição dos fatos na folha de continuação do Auto de Infração do IRPJ, foi ilegalmente constituída pela fiscalização nos autos de infração; que, no que diz respeito à Omissão de Receita de Depósitos bancários de origem não comprovada, é de se dizer, que a movimentação bancária não caracteriza rendimento auferido, vez que, em principio, a movimentação registra valores patrimoniais ativos, sem qualquer influência na apuração do resultado. Porém, antes da discussão propriamente dita, ainda que se admitisse que o simples crédito bancário significasse obtenção de receita, cabe salientar que a fiscalização incorreu em erro ao tributar a suposta omissão, por presunção, com suporte no art. 42, da Lei no 9.430/96; que a própria fiscalização afirma em seu Termo de Constatação, à fl. 4007, ter ficado "evidente que o mesmo exerceu a atividade de compra de bovinos vivos (fornecidos por produtores rurais) e de venda dos produtos resultantes do abate dos bovinos, tendo como destinatários, seus clientes dos ramos de comércio e/ou indústria"; Fl. 5312DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.309 8 que nesse caso a fiscalização cometeu falha ao identificar a matéria tributável e proceder à tributação com base na movimentação financeira inclusive bancária como se de origem não comprovada, quando ela mesma alega que a receita da empresa tem origem no abate de bovinos e comercialização dos produtos dele resultantes. Tanto que, também por presunção, classificou como originário de receita de venda, os depósitos efetuados pela empresa Couroada; que não têm lugar a presunção de omissão de receita nos termos do art. 42, caput da Lei no 9.430/96, porque a não comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, elemento essencial à caracterização da infração; que da inexistência de prova de omissão de receita e de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Sendo assim, o Termo de Constatação Fiscal, que o fisco valeuse, para a determinação da matéria tributável e conseqüente apuração do Imposto de Renda e dos tributos reflexos, dos valores de depósitos/créditos constante de extratos bancários. Como se por si só significassem a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de receita; que a autoridade fiscal não tem o ônus legal de provar, mas o dever constitucional de investigar e provar o suporte fático tributário, em atendimento às exigências dos princípios da legalidade, da motivação e da própria definição legal de lançamento (art. 142 do CTN); que o simples depósito/crédito bancário não caracteriza obtenção de receita, portanto, sabese que a movimentação financeira constante de extratos bancários nem sempre configura a infração omissão de receita. Tratase de elemento indiciário que necessita de outros para se promover uma ligação causal entre uma forma de evasão (omissão de vendas, subfaturamento, etc.) e os respectivos depósitos não contabilizados, objetivandose uma convicção segura acerca do contribuinte fiscalizado; que a presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado por outra norma que têm força de lei complementar, no caso o Código Tributário Nacional; que os trabalhos fiscais que resultaram no Auto de Infração ora discutido tiveram inicio com Termo de Intimação Fiscal lavrado em 19/09/2007 (fls. 165), quando, entre outros, foi solicitada a comprovação da origem dos recursos que teriam ingressado nas contas bancárias, cujos créditos foram descritos em planilha elaborada pela Fiscalização, denominada "DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS A SEREM COMPROVADOS". No termo lavrado em 22/10/2007 (fls. 189), repetiu a intimação, referindose novamente a planilha; que os depósitos que se alega não ter origem comprovada estão relacionados em planilhas da fiscalização, que nada provam, pois unilateralmente produzida. A prova material — extrato bancário — não foi juntada ao processo. Isso extermina a suposta omissão de receita inserida no primeiro item da folha de continuação do auto de in fração (fls. 4.110) "002 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA"; que na constituição da matéria tributável apurada à vista da movimentação financeira do contribuinte, a fiscalização cometeu falhas que afrontam contra a certeza e liquidez que são indispensáveis à constituição do crédito tributário; Fl. 5313DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.310 9 que a confusão entre contas bancárias de titularidade do contribuinte e contas dos sócios ou pessoas ligadas, a fiscalização, além das contas bancárias do contribuinte, considerou também os extratos bancários dos sócios da empresa, e de suas esposas. Assim sendo, do item 13 do Termo de Constatação Fiscal consta que foram intimados para prestar esclarecimento o sócio Carlos Roberto Alves e sua esposa Nilce Fortes Peres Alves, e o ex sócio Hyppolito Rodriguez Junior e sua esposa Irani Castilho Viaes (contas individuais ou conjuntas); que o lançamento fiscal não pode se valer de sua própria dúvida, tal como ocorre neste processo. Uma vez que o procedimento adotado pelo fisco aponta para a iliquidez e incerteza do crédito tributário levantado, com afronta aos art. 3º e 142 do CTN, e à ineficácia das autuações fiscais; que a sobreposição do montante dos depósitos bancários à receita declarada na determinação da receita omitida. Assim sendo, na Lei 9.430/96 que autorize a alteração do entendimento já consolidado na doutrina e na jurisprudência judicial e administrativa, segundo o qual, meros depósitos bancários, ainda que de origem não comprovada, não autorizam o lançamento de imposto de renda, sem a demonstração da existência de renda consumida pelo contribuinte; que a precariedade e omissão nos exames realizados pelo fisco contaminam de insegurança e incerteza o lançamento tributário, motivos estes determinantes para o cancelamento das autuações fiscais; que os Auditores Fiscais procuram justificar o arbitramento do lucro tributável, alegando que os Livros Caixa apresentado pelo contribuinte não traduzem a realidade de sua movimentação financeira ou não contem a escrituração da movimentação financeira; que, neste contexto, operou irregularmente a fiscalização ao promover o arbitramento do lucro dos anoscalendário 2003 a 2005. Os fatos acima apontados são suficientes o bastante para desqualificar o arbitramento de lucro efetuado pelos Auditores Fiscais; que, no que diz respeito a multa de oficio de 150% ilegalidade do agravamento, confiscatório e irrazoável, é de se dizer, que no item 21 do Termo de Constatação Fiscal, singelamente, os Auditores Fiscais afirmam que duplicaram a multa, resultando no percentual de 150% do tributo devido, visto o método fraudulento e continuado de sonegação fiscal utilizado pelo contribuinte; que, em razão dos citados mandamentos nucleares, não pode o ato administrativo espelhar medida desproporcional e excessiva, ao revés, deve ser adequado e razoável no sentido revestirse de compatibilidade entre a medida restritiva (multa) empregada e a finalidade perseguida (educativa ressarcimento do dano, observados os justos limites), sob pena de ilegitimidade e dar ensejo a arbitrariedades; que a fiscalização formalizou, também, os autos de infração de: Contribuição Social sobre o L. Liquido (CSLL); Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição p/ Financiamento da Seguridade Social (COFINS), denominados reflexos da autuação principal; Fl. 5314DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.311 10 que, todavia, todo o alegado na presente Impugnação quanto ao IRPJ atinge, também, as contribuições sociais em tela, corolário da interrelação de causa e efeito existente entre os respectivos lançamentos tributários. Por conta disso, deve ser aplicado aos lançamentos decorrentes (PIS, COFINS e CSLL) o decidido quanto ao lançamento principal (IRPJ), pela relação de vinculação entre este e aqueles. LUCIANO DA SILVA PERES, como responsável solidário, apresenta a sua peça impugnatória de fls. 4323/4345, tempestivamente, em 09/01/2009, instruído pelos documentos de fls. 4348/4400, onde o mesmo se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o sujeito ativo afirma que a empresa Frigovale Indústria e Comercio de Carnes Ltda. deixou de recolher IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, nos anoscalendário de 2003 a 2006. Os tributos foram lançados, mediante arbitramento, por força do disposto no art. 530, II, "a" do Decreto n.° 3.000/99 e a multa de oficio agravada, de acordo com o art. 44, II da Lei n.° 9.430/96; que, na pior das hipóteses, caso as assertivas preliminares sejam todas rejeitadas, antes do mérito, o impugnante pede vênia para registrar que parte dos tributos lançados no auto de infração foi atingida pela decadência; que o auto de infração inclui o Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Todos se sujeitam a lançamento por homologação e, como tal, obedecem ao art. 150, 5 4. °, CTN; que a sua interpretação não reserva dúvidas. Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o credito tributário de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador; que se não há prova de que agiu com esse dolo. Se não hã, portanto, a prova da vontade fraudar ou simular o pagamento do tributo, aqui, tratase de hipótese de aplicação do art. 150, 4º, CTN; que isto posto e como foi intimado do auto de infração por aviso postal, no dia 11.dez.2008, os créditos relativos a fatos geradores, anteriores a 30.nov.2003, foram atingidos pela decadência e, como consequência última, devem ser excluídos; que, no que diz respeito à responsabilidade solidaria, é de se dizer, que como está, que a responsabilidade solidária de terceiros depende de prova inequívoca de seu interesse comum com o fato gerador do tributo, o impugnante alerta Vossas Senhorias de que ele não foi provado pela autoridade administrativa; que, essa afirmação preliminar pode parecer ousada, dada a infinidade de acusações que a autoridade administrativa lhe imputa. Entretanto, examinadas em conjunto, elas não passam de especulações sobre a vida do impugnante, que, na sua maioria, não se referem ao que, realmente, e relevante: o seu interesse comum na situação que e fato gerador dos tributos, objetos do auto de infração; Fl. 5315DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.312 11 que o impugnante alerta os julgadores que nada do que foi observado pela autoridade administrativa diz respeito à vinculação do impugnante com a pessoa jurídica Frigovale Indústria e Comércio de Carnes Ltda.; que, portanto, não há lei que proíba o filho de manter atividades empresariais com o seu genitor, concluise que a acusação da autoridade administrativa se limita à aquisição da "Fazenda Guará", que, no seu entender, teve o seu preço subfaturado e a diferença do valor suprida pela pessoa jurídica fiscalizada. (fls. 92); que, aliás, frisese que, embora a autoridade administrativa afirme que o impugnante "realizou diversas operações imobiliárias com o seu pai (supridas pelas empresas "paralelas")" (sic, fls. 92), a motivação do auto de infração se reduz â operação imobiliária acima referida c, portanto, é sobre ela que se ocupará a atenção do impugnante. RODRIGO DA SILVA PERES em sua peça impugnatória de fls. 4233/4254, apresentada, tempestivamente, em 09/01/2009, instruído pelos documentos de fls. 4257/4322 o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o sujeito ativo afirma que a empresa Frigovale Indústria e Comercio de Carnes Ltda. deixou de recolher IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, nos anoscalendário de 2003 a 2006; que o mais grave, todavia, e a imputação ao impugnante da responsabilidade passiva pelo credito tributário, porque, supostamente, ele teria interesse comum com os fatos geradores dos tributos devidos pela pessoa jurídica, o que se subsumiria t hipótese do art. 124, inc. I, CTN; que auto de infração não merece subsistir, porque foi lavrado por autoridade incompetente; que ele viola o CTN e a legislação tributária complementar. Porque, foi conduzido com abuso de poder. Portanto, os tributos lançados já foram atingidos pela decadência qüinqüenal. E porque o impugnante não e, e nunca foi, proprietário da referida empresa; que, portanto, assertivas preliminares sejam todas rejeitadas, antes do mérito, o impugnante pede vênia para registrar que parte dos tributos lançados no auto de infração foi atingida pela decadência; que o auto de infração inclui o Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) e a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Todos se sujeitam a lançamento por homologação e, como tal, obedecem ao art. 150, § 4.°, CTN; que, se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo para a Fazenda Pública constituir o credito tributário e de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador; Fl. 5316DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.313 12 que, no que diz respeito à relação de responsabilidade solidaria, é de se dizer, que a responsabilidade solidária de terceiros depende de prova inequívoca de seu interesse comum com o fato gerador do tributo, o impugnante alerta Vossas Senhorias de que ele não foi provado pela autoridade administrativa; que essa afirmação preliminar pode parecer ousada, dada a infinidade de acusações que a autoridade administrativa lhe imputa. Entretanto, examinadas em conjunto, elas não passam de especulações sobre a vida do impugnante, que, na sua maioria, não se referem ao que, realmente, e relevante: o seu interesse comum na situação que e fato gerador dos tributos, objetos do auto de infração; que, desta maneira, não há lei que proíba o filho de manter atividades empresariais com o seu genitor, concluise que a acusação da autoridade administrativa se limita à aquisição da "Fazenda Guará", que, no seu entender, teve o seu preço subfaturado e a diferença do valor suprido por empresas "paralelas". (fls. 93), A motivação do auto de infração se reduz a operação imobiliária e, portanto, e sobre ela que se ocupará a atenção do impugnante. HYPPOLITO RODRIGUES JUNIOR em sua peça impugnatória de fls. 4652/4690, apresentada, tempestivamente, em 12/01/2009, instruído pelos documentos de fls. 4691/4809 o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que tratase de Auto de Infração lavrado por supostas irregularidades praticadas pela empresa Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda. ME, relativas a omissões de receitas em depósitos bancários, as quais o Fisco pretende, sem causa justa, atribuir ao impugnante pretensa solidariedade passiva; que o Fisco atribuir ao Impugnante, como passivo solidário, tributação sobre operações tidas como omissão de receitas ocorridas nos anoscalendário de 2003 a 2005; que ocorre, honrados Julgadores, que os créditos supostamente devidos pela empresa Frigo Vale período de 01/2003 a 11/2003, estão decaídos; que os créditos tributários exigidos na autuação são regidos pela modalidade de LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO, em que os contribuintes oferecem as informações e, concomitantemente, calculam o tributo a pagar; que em se tratando de Auto de Infração lavrado no qual se exige tributo sobre supostas omissões de receitas sobre fatos regularmente declarados pela Contribuinte, pela modalidade de lançamento por homologação, do período de dezembro de 2003 a novembro de 2003, temse que comprovadamente decaídos; que requer aos honrados Julgadores, por tais razões, a decretação da decadência dos tributos exigidos no presente auto de infração do período mencionado, de janeiro de 2003 a novembro de 2003, levado em conta a constituição do crédito tributário em 11/12/2008; que, em 19 de maio de 2004, Hyppolito constituiu uma empresa em seu nome, na cidade de NHANDEARA, denominada NHANDEARA INDÚSTRIA E Fl. 5317DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.314 13 COMERCIO DE CARNES LTDA., com sede no prolongamento da Rua Benedito Carlos dos Reis, s/n°, zona rural, no município de NHANEARA; que, logo, não responde pelos atos praticados pela empresa FRIGO VALE a contar da sua retirada do quadro societário, ocorrido em 19 de maio de 2004, repitase, por ilegitimidade de parte; que tendo Hyppolito se retirado do quando societário da empresa FRIGO VALE, o Fiscal autuante não explicou em seu Termo de Constatação especificadamente de que conta contábil ou outro documento constante da escrituração contábil da contribuinte ou terceiras empresas, foram extraídas as importâncias ora lançadas a partir de 19.05.04 para efeito de sua responsabilidade pessoal; que misturou os períodos como se fosse uma única empresa quando, em verdade, são empresas distintas, com sócios distintos, com capital social distinto e responsabilidades distintas; que não demonstrou a existência do vinculo ou correlação dos valores depositados nas contas bancárias da FRIGO VALE cm as operações desenvolvidas pelo FRIGORÍFICO NHANDEARA a partir de 19.05.04, porquanto empresas distintas; que, dessa forma, constatase que o termo de responsabilidade passivo lavrado contra Hyppolito se apresenta eivado de nulidade, devendo ser cancelado de plano, sem a apreciação da questão de fundo; que, portanto, ausentes a clareza e a precisão quanto aos exatos descumprimentos apontados, e preterido o sagrado direito de defesa dos impugnantes, imperiosa a decretação de nulidade do presente Auto de Infração; que, portanto, o Frigo Vale, na pessoa de seu representante, compareceu na sede da repartição fiscal para tomar conhecimento das notas fiscais emitidas pela empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. para se defender com a plenitude necessária e não foi possível; que não houve a "lealdade das partes", em que o fisco assegura ao contribuinte o direito de conhecer se os fatos são ou não verdadeiros e deles se defender; que o Fisco achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica da empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO LTDA. exigindo da empresa FRIGO VALE os tributos eventualmente devidos por aquela empresa, sem contudo observar as normas legais que disciplinam a matéria; que tendo a empresa DISTRIBUIDORA SÃO PAULO entregue formalmente as DCTFs e recolhidos os tributos devidos, não pode, a cobrança dos tributos devidos por aquela ser redirecionados para o Frigo Vale, nem para a pessoa do impugnante, como solidário, por não configurar qualquer das hipóteses previstas no art. 135 do CTN; que o Fisco autuante atribuiu ao Frigo Vale a responsabilidade pelo recolhimento dos impostos devidos por outras empresas; Fl. 5318DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.315 14 que em nenhum momento os fiscais autuantes lograram comprovar a existência dos requisitos dos vínculos entre as empresas DISTRIBUIDORA SÃO PAULO e o Frigo Vale., razões pelas quais deve ser, de plano, decretada a insubsistência do lançamento fiscal; que os nobres autuantes, ao desconsiderarem a personalidade jurídica da empresa Distribuidora São Paulo, adotaram como fundamento o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional; que, ocorre, honrados Julgadores, que a disposição acima se trata de norma de eficácia limitada, por depender de lei ordinária para sua regulamentação; que a doutrina pátria é por demais enfática ao dispor sobre o tema, sendo uníssona no sentido da não auto aplicabilidade do artigo 116, parágrafo único, do CTN, por ser norma de eficácia futura e condicionada, não podendo, pois, dar suporte a qualquer ação fiscal sem lei que crie os procedimentos pertinentes para tal fim, como ensina Ives Gandra da Silva Martins, in RDDT 119/120, ago/2005; que requer, portanto, a inaplicabilidade da responsabilidade dos atos praticados pela Distribuidora São Paulo e outras dos chamado "grupo Nivaldo", para a pessoa de Hyppolito, como se fosse "laranja", quando verdadeiramente fora sócio até 19 de maio de 2004; que, portanto, Hyppolito Rodrigues Junior foi efetivamente sócio da empresa FRIGO VALE IND. E COM. DE CARNES LTDA. ME ate 19 de maio de 2004, quando dela se retirou para constituição de uma nova empresa, de sua responsabilidade pessoal, denominada FRIGORÍFICO NHANDEARA IND. E COM. DE CARNES LTDA. ME, com sede na Rua Benedito Carlos dos Reis, s/n°, zona rural, na cidade de Nhandeara/SP, com inicio de funcionamento no mesmo dia, 19 de maio de 2004; que, não tem, pois, qualquer responsabilidade pela movimentação financeira da empresa FRIGO VALE a partir da data da sua efetiva retirada daquele estabelecimento industrial. NIVALDO FORTES PERES em sua peça impugnatória de fls. 4416/4445, apresentada, tempestivamente, em 09/01/2009, instruído pelos documentos de fls. 4446/4599 o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o ato praticado por autoridade incompetente As irregularidades apontadas ate o momento são, a bem da verdade, resultado de um procedimento arbitrário ab initio, praticado por servidores desprovidos de competência para fiscalizar o impugnante; que a lei complementar não deixa dúvidas de que o auditor fiscal só pode utilizar as suas prerrogativas de fiscalizar e, principalmente, de praticar o lançamento de oficio, quando instaurado procedimento fiscal regular; que a autoridade administrativa deveria ter expedido MPFF em seu nome, junto ao da pessoa jurídica Frigovale Indústria e Comercio de Carnes Ltda.. Em não o fazendo, ela nunca deteve competência para lavrar o auto de infração contra o impugnante, de modo Fl. 5319DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.316 15 que, outra conclusão não resta, senão a de que o lançamento não reúne este requisito de validade; que como todo ato administrativo praticado por autoridade incompetente, o auto de infração e nulo de pleno direito; que, portanto, a violação do art. 142 c/c art. 116 do CTN Não bastasse ter praticado uma sucessão de atos, despida de competência, o auto de infração viola, por completo, o art. 116, parágrafo único do CTN; que não havendo, portanto, procedimento que confira à autoridade administrativa poderes para desconsiderar os negócios jurídicos praticados pelo referido contribuinte, o auto de infração é nulo de pleno direito; que do abuso de poder, todos os vícios e as arbitrariedades denunciadas pelo impugnante levam ã conclusão de que o presente auto de infração e, na verdade, paradigma de abuso de poder; que não ha dúvidas, pois, que o auto de infração foi lavrado com abuso de poder pela autoridade administrativa, de modo que, outrossim, é nulo de pleno direito; que, portanto, as provas ilícitas e a contaminação do processo (The poisonous tree theory. Neste sentido, a prova cabal deste abuso de poder, o impugnante denuncia a nulidade de toda a informação bancária e financeira obtida pela autoridade administrativa, com fundamento na decisão judicial proferida pelo ATM Juízo Federal de Jales; que, isto posto, devem ser excluídas do auto de infração todas as informações obtidas, por meio das Requisições de Movimentação Financeira (RMF), com fundamento na decisão judicial proferida pelo MM. Juízo Federal de Jales, Subseção Judiciária do Estado de São Paulo, em 02.mar.2007, sob pena de nulidade de todo o PAF; que na pior das hipóteses, caso as assertivas preliminares sejam todas rejeitadas, antes do mérito, o impugnante pede vênia para registrar que parte dos tributos lançados no auto de infração foi atingida pela decadência; que, isto posto, e como foi intimado do auto de infração por aviso postal, no dia 11. dez.2008, os créditos relativos a fatos geradores, anteriores a 30.nov.2003, foram atingidos pela decadência e, como conseqüência última, devem ser excluídos; que observase, a autoridade administrativa, a responsabilidade do impugnante pelo auto de infração se fundamenta no art. 124, I, CTN; que, entretanto, o impugnante pede atenção aos julgadores no que, realmente, é relevante ao julgamento da questão: se possui interesse comum na situação que é fato gerador dos tributos devidos, supostamente, pela empresa Frigovale Indústria e Comercio de Carnes Ltda.; que, então, o que foi amealhado pela autoridade administrativa no item 19.1.1., de modo que, ao cabo desta petição, fique evidente que não passam de simples Especulações; Fl. 5320DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.317 16 que, acusações iniciais, no item 19.5.9 do relatório fiscal, a autoridade administrativa acusa o impugnante das maneiras mais variadas, as quais, conforme se demonstrará, não passam de pura especulação e, em algumas oportunidade, uma grande inverdade; que não há declaração do Banco Bradesco nesse sentido. Há, apenas, um boleto de caixa, que registra um valor aproximado ao do cheque, mas não no seu valor preciso. Vêse, pois, que mesmo quando os dados não refletem o que o Fisco pretende provar, qualquer número passa a ser utilizado, uma verdadeira "conta de chegar; que o supostos vínculos, neste sentido, o impugnante alerta os julgadores que nada do que foi observado pela autoridade administrativa diz respeito à vinculação do impugnante com a empresa Frigovale Indústria e Comercio de Carnes Ltda. Nada, simplesmente; que, portanto, deste tópico, nenhum indicio foi reunido pela autoridade administrativa, porquanto nada diz respeito à pessoa jurídica fiscalizada, quanto mais de eventual relação com o impugnante; que sobre os pagamentos do frigorífico Rio Preto para o impugnante, pode se observar, que o impugnante admite ter mantido movimentação financeira com a empresa Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda., o que, alias, é relacionado, por amostragem, às fls. 135/136; que a legislação tributária leva em consideração os fatos econômicos praticados pelos contribuintes na sua aplicação. Isto posto, a inidoneidade dos atos praticados pelo frigorífico Rio Preto não obsta o fato de que ele e impugnante mantiveram um negócio que produziu seus efeitos no passado e, para fins tributários, os produz ate hoje. E licita, pois, a movimentação financeira entre o impugnante e a referida empresa; que a transferência indireta de recursos com a aquisição de imóveis, no item 19.12.2. do relatório fiscal, a autoridade administrativa acusa o impugnante de adquirir imóveis com valores subfaturados e provenientes de diversas pessoas jurídicas, todas de titularidade do impugnante. Para tanto, reportase ao relatório fiscal do PAF n.° 16004.001550/200810; que por amor ao debate, o impugnante se debruça sobre a aquisição do imóvel rural "Fazenda Guará" pela empresa Sol Empreendimentos Imobiliários Ltda., tida como exemplo pela autoridade administrativa; que o subfaturamento do valor do imóvel rural e a sua irrelevância Em dez.2004, a empresa Sol Empreendimentos Imobiliário Ltda. (60.006.251/0001 05) adquiriu o imóvel rural pelo valor de R$ 423.000,00; que afinal, se as supostas omissões podem implicar, exclusivamente, no lançamento de IRPF da pessoa física do impugnante e IRPJ da Sol Empreendimentos Imobiliários Ltda., não há razão para que sejam trazidas a debate, a não ser para demonstrar, novamente, o abuso de poder com que o auto de infração foi lavrado; que o suposto pagamento efetuado pelo frigorífico Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda. Sendo assim, a autoridade administrativa afirma que o Sr. Aldino Palla recebeu R$263.096,00 pela venda do imóvel rural, suprido pela pessoa jurídica, ora fiscalizada. Sua Fl. 5321DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.318 17 acusação se fundamenta nos documentos juntados às fls. 3497/3521. Entretanto, a sua a firmação não passa de especulação, e mais grave, desvinculada da prova que ela própria faz referencia; que, isto posto, o impugnante ratifica o teor das informações prestadas pela Sol Empreendimentos Imobiliários Ltda., de que o valor pago pela aquisição do imóvel rural foi suprido com os recursos provenientes de venda da participação societária na empresa MALIBU Confinamento de Bovinos Ltda. (fls. 145); que a suposto pagamento efetuado pela empresa Sol Importadora e Exportadora de Couros Ltda. Em que o impugnante reitera o que foi afirmado no item 2.2.5 desta petição. Todas as informações bancárias, financeiras e fiscais, juntadas aos autos, são nulas de pleno direito, de modo que não possuem validade probatória alguma. Em caso contrário, o processo administrativotributário será contaminado por completo; que as benfeitorias nas propriedades da Viena Empreendimentos Ltda., no item 19.12.2.2, a autoridade administrativa demonstra, mais uma vez, a sua arbitrariedade na lavratura do auto de infração. A final, não bastasse estabelecer sua consciência individual para definir o critério de razoabilidade, o que, de plano, torna flagrante a sua discricionariedade, por outro lado, ela confessa seu completo desconhecimento do Código Civil; que as partes contratantes respeitaram a lei civil e, se respeitar a lei algo "pouco razoável", o impugnante teme o critério de razoabilidade da autoridade administrativa; que a utilização de notas fiscais inidôneas, podese observar, no item 19.12.2.3, a autoridade administrativa acusa o impugnante de ter utilizado notas fiscais inidôneas, urna vez que foram adquiridas pelos frigoríficos Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda., Valentim Gentil Abatedouro de Bovinos e Suínos Ltda. e Frigovale. Ou seja, já está pressuposto que as referidas pessoas jurídicas pertencem, de fato, ao impugnante; que nada do que é afirmado pela autoridade administrativa nesse tópico referese à pessoa jurídica fiscalizada e, portanto, não se presta como prova do interesse comum do impugnante com ela. Pede, pois, para que seja desconsiderado pelos julgadores; que a incompatibilidade com a movimentação financeira (fls. 152/153). Ou seja, no item 19.12.2.4., a autoridade administrativa afirma existir uma incompatibilidade entre a movimentação financeira das pessoas jurídicas e físicas que especula pertencerem um único grupo econômico, conforme demonstrativo de fls. 3575. Essa acusação é mais uma prova do descalabro da autoridade administrativa; que, isto posto, estas acusações não provam qualquer relação do impugnante com a empresa Frigovale Indústria e Comercio de Carnes Ltda.; que a autorização para saque por funcionária do frigorífico Rio Preto Abatedouro de Bovinos Ltda. No item 19.13.2, a autoridade administrativa dá mais uma mostra da mendacidade das suas acusações. Ela afirma que a Sra. Renata Tofolo, funcionária do frigorífico Rio Preto, teria autorização para movimentar a conta bancária pessoal do impugnante, porquanto ha assinaturas suas nos versos de cheques, juntados is fls. 3611/3898; que, entretanto, para que não paire dúvida de que a anotação não diz respeito com a Sra. Renata, de modo que não há, como nunca houve, qualquer relação com o Fl. 5322DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.319 18 frigorífico em questão, ele produzirá prova grafotécnica, quando deferido pela autoridade julgadora. Alem disso, a Sra. Renata está a disposição da autoridade julgadora para prestar depoimento sobre o fato; que para transferências de recursos (fls. 157/167) no item 19.13, a autoridade administrativa se dedica a acusar o impugnante de ter recebido transferências de recursos da pessoa jurídica empresa Frigovale Indústria e Comercio de Carnes Ltda. por meio de inúmeras operações bancárias; que ate que seja divulgado o resultado da prova técnica, que o impugnante roga seja deferida, ele rejeita todas as acusações; que a simulação da atividade rural do impugnante, neste sentido, o impugnante se reporta às assertivas do item 2.4.2. desta petição. A legislação tributária leva em consideração os fatos econômicos praticados pelos contribuintes na sua aplicação. Isto posto, a inidoneidade dos atos praticados pelo frigorífico Rio Preto não obsta o fato de que ele e impugnante mantiveram um negócio que produziu seus efeitos no passado e, para fins tributários, os produz ate hoje; que do grupo econômico, podese observar, que as acusações da autoridade administrativa não provam que o irnpugnante teve interesse comum com os fatos geradores dos tributos devidos pela empresa Frigovale Indústria e Comercio de Carnes Ltda., ele alerta os julgadores de que as acusações não contraditadas, explicitamente, não o foram, porque são irrelevantes ao convencimento da aplicação do art. 124, I, CTN; que embora a autoridade administrativa se reporte às modificações introduzidas pela Lei n.° 11.488/2007 na Lei n.° 9.430/96 para justificar a aplicação da multa agravada, ela própria admite que a sistemática anterior não foi modificada, vez que "qualquer conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo" (sic, fls. 83) acarreta no agravamento da multa; que, data venha, isso não pode ser admitido! Se a autoridade administrativa não logrou êxito em demonstrar o dolo especifico do impugnante, ele não pode ser punido com o agravamento da multa. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelos impugnantes, os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, concluíram pela improcedência das impugnações e pela manutenção do crédito tributário lançado e dos responsáveis solidários com base, em síntese, nas seguintes considerações: que as impugnações foram apresentadas com observância dos requisitos de admissibilidade, razão pela qual delas conheço; que as alegações de decadência veiculadas em várias das impugnações apresentadas tem por base os mesmos fundamentos. Em suma, alegase que os tributos lançados sujeitamse a lançamento por homologação e, tendo em vista que não foi provada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser contado consoante a regra prescrita pelo art. 150, § 4º, do CTN; Fl. 5323DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.320 19 que as alegações não procedem. Conforme será posteriormente demonstrado, há robustas provas nos autos de que o contribuinte praticou atos simulados e agiu dolosamente a fim de evadirse do recolhimento dos tributos devidos sobre suas operações. Portanto, a contagem do prazo decadencial na situação de que trata o presente processo administrativo obedece ao disposto no art. 173, I, do CTN, vale dizer, o termo inicial do prazo de cinco anos é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; que os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS alcançaram os fatos geradores ocorridos nos anos de 2003, 2004 e 2005. A contagem do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos em 2003 iniciouse em 10 de janeiro de 2004, encerrandose apenas em 31/12/2008. Tendo em vista que os autos de infração foram cientificados ao contribuinte em 11/12/2008, concluise que não ocorreu a alegada decadência do direito de lançar; que a FRIGO VALE alega que, no lançamento efetuado sobre supostas receitas omitidas decorrentes de vendas á COUROADA, o auto de infração limitase a invocar os arts. 532 e 537 do RIR/1999, que tratam do arbitramento do lucro, nada mencionando quanto a eventuais dispositivos legais infringidos que caracterizem a infração apontada; que, sendo assim, a alegação não procede, já que o art. 537 do RIR/1999 trata precisamente da inclusão das receitas omitidas na base de cálculo apurada pelo lucro arbitrado. Portanto, a inclusão, na base de cálculo do lançamento, das receitas omitidas decorrentes de vendas COUROADA está devidamente fundamentada; que a FRIGO VALE alega que não há prova material dos depósitos bancários que deram causa ao lançamento, pois não foram fornecidos os extratos bancários respectivos; que, assim sendo, o contribuinte equivocase na afirmação, já que os extratos bancários foram fornecidos pelas instituições financeiras, estando os documentos juntados às fls. 455 1014 dos autos. Há que se observar, contudo, que os documentos foram fornecidos em meio magnético pelas instituições financeiras, de modo que o formato dos extratos bancários não coincide com aquele habitualmente apresentado aos clientes bancários. Concluise, assim, que consta dos autos a prova dos depósitos bancários; que, as alegações não procedem. O contribuinte não aponta quais fatos descritos estão desacompanhados de provas. Ressaltese que a autoridade autuante faz referencias a documentos lavrados pela Policia Federal e a buscas e apreensões por realizadas por esta instituição, mas tomou o cuidado de acostar aos autos as provas dos fatos apontados. Em outras palavras, não importou do inquérito policial as conclusões. Apenas trouxe aos autos provas produzidas pela Policia Federal, mas avaliou esses elementos juntamente com os demais colhidos no curso da ação fiscal para chegar a suas próprias conclusões. Finalmente, há que se esclarecer que não há exigência legal de que documentos apreendidos pela Policia Federal sejam submetidos a perícia para verificação da respectiva autenticidade. O contribuinte sequer tem o cuidado de apontar quais documentos têm autenticidade duvidosa. A oportunidade de contraditálos é oferecida precisamente por ocasião da apresentação de impugnação aos autos de infração lavrados, de modo que o contribuinte, caso efetivamente vislumbrasse algum documento falso nos autos, deveria pronunciarse nessa oportunidade; que é curioso notar que o contribuinte faz esta afirmação e omitese acerca de todas as provas produzidas em sentido contrário. Nesse sentido, comprovouse que a Fl. 5324DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.321 20 DISTRIBUIDORA é uma empresa aberta em nome de "laranjas", controlada de fato pelo Sr. Valder Antônio Alves, dedicandose à atividade de venda de notas fiscais "frias". Tal fato foi atestado por depoimentos de diversos funcionários da DISTRIBUIDORA e pelos próprios arquivos magnéticos apreendidos pela Policia Federal, nos computadores da empresa; que a circularização efetuada pela autoridade autuante apenas confirmou tais fatos. Nas respostas às intimações, as contrapartes citam diversas informações relativas à FRIGO VALE, como o fato de que as aquisições de produtos (carnes) se deram através do Sr. Carlos, pelos telefones (17) 38187674 e (17) 38187644, junto à FRIGO VALE, havendo, em alguns casos, referências à. unidade localizada na cidade de Bady Bassitt/SP, enquanto outros citam a unidade localizada em Nhandeara/SP. Assim se manifestaram ANA LUCIA BENZATTI TOME SJDO RIO PRETO, ANTONIO CARLOS ZAMPOLLA, CASA DE CARNES SÃO SEBASTIÃO DE GUAPIAÇU LTDA., ALAÍDE VILELA PEREIRA, ODAIR SANTO ZANCHETTA GUAPIAÇU e LUANA ROBERTA PIVARO; que, da mesma forma, informações relacionadas à FRIGO VALE são citadas por fornecedores de gado relativamente a operações acobertadas por notas fiscais da DISTRIBUIDORA emitidas com os códigos 82 (Bady Bassitt) e 142 (Frigovale Ind. Com . Carnes Ltda.). Nesse sentido, afirmam alguns que as vendas de gado foram efetuadas através do Sr. Hippolito Rodrigues Junior, enquanto outros asseveram que os contatos foram efetuados com o Sr. Carlos Roberto Alves. Os fornecedores informam que as vendas foram efetuadas ao FRIGO VALE, havendo referências à unidade de Nhandeara/SP e à unidade de Baddy Bassitt/SP. Assim se manifestaram ANTONIO JOSÉ PASSOS, EDEMUNDO PASSOS BELTRAMINI, NESTOR CASTELLINI, OSCAR ROBERTO DOS REIS, OSVALDO DEZORDI e OSVALDO MANCINI; que disso não se infere que houve comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias utilizadas pelo contribuinte. A base legal para a apuração das receitas omitidas foi corretamente adotada pela autoridade autuante. Com efeito, tendo em vista que os depósitos bancários não tiveram a origem comprovada, agiu com acerto a autoridade ao reputálos receita omitida, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Sabese que o contribuinte exerceu a atividade de compra de bovinos vivos e venda dos produtos resultantes do respectivo abate, mas não se tem a comprovação da origem de cada um dos depósitos que ingressaram nas contas bancárias utilizadas pelo contribuinte. Comprovar a origem significa apresentar a documentação contábil e fiscal da operação que deu causa ao depósito, como notas fiscais, contratos, livros etc.; que a utilização, nas atividades da FRIGO VALE, das contas do Sr. Hyppolito, abertas individualmente ou em conjunto, também foi confirmada por terceiros. Nesse sentido, o Sr. Gilberto Arid Zeinum, após ser intimado, afirmou que o cheque administrativo, no valor de R$ 18.000,00, compensado em seu favor em 25/10/2004, e debitado em conta mantida em nome dos Srs. Carlos Roberto Alves e Hyppolito Rodrigues Junior, foi recebido em razão da venda de 16 novilhas, adquiridas pelo Sr. Carlos, dono da FRIGO VALE.Também a INDÚSTRIA AGROQUÍMICA BRAIDO LTDA. afirmou , quanto a diversos TEDs por ela efetuados em favor de conta mantida pelos Srs. Carlos Roberto Alves e Hyppolito Rodrigues Junior, que comprou barrigada junto ao Frigorífico Nhandeara (filial da FRIGO VALE), cujo contato era o Sr. Hyppolito; que o Sr. Carlos Roberto Alves, sóciogerente da FRIGO VALE, devidamente intimado, afirmou que os créditos constatados em suas contascorrentes, abertas Fl. 5325DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.322 21 individualmente ou em conjunto com sua esposa, Sra. Nilce Peres Alves, eram provenientes, em sua grande maioria, de operações de compra e venda de gado e de carne realizadas pela DISTRIBUIDORA, sendo alguns valores referentes a comissões recebidas, não se referindo a operações mercantis próprias. Posteriormente, intimado a comprovar a origem dos créditos, efetuados no período de 01/01/2003 a 31/12/2005, constatados em contas bancárias . mantidas em seu nome e em conjunto com sua esposa ou com seu sócio na FRIGO VALE, Sr. Hyppolito Rodriguez Junior, não apresentou resposta; que é curioso notar que, na petição de fls. 41884189, apresentada pelo Sr. Carlos Roberto Alves após a ciência dos autos de infração lavrados, são apresentadas assertivas genéricas, desacompanhadas de provas. Afirma ele que "Um ou outro depósito pode representar alguma comissão recebida por mim relativa a intermediação de compra e venda de gado, porém quais são, impossível dizer". Assevera que "a grande maioria deste dinheiro não me pertencia mas sim a Distribuidora São Paulo, penso que nos documentos desta empresa acharão os comprovantes"; que, como se vê, as afirmações carecem de consistência. Há provas contundentes de que a DISTRIBUIDORA apenas vendia notas fiscais "frias" para acobertar operações de terceiros e que a FRIGO VALE utilizou notas fiscais daquela empresa para ocultar suas operações. O Sr. Carlos Roberto Alves não apresenta qualquer prova das alegadas "comissões recebidas". E correta, portanto, a conclusão de que estas contas bancárias foram utilizadas pela FRIGO VALE; que a soma das receitas declaradas às receitas omitidas para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorre do fato de que a FRIGO VALE, a despeito de intimada a tanto, não demonstrou, mediante documentos hábeis e idôneos, como ocorreram os ingressos da receita bruta declarada, inclusive com identificação da conta contábil em que foram lançados tais valores, tal receita não foi subtraída da receita omitida apurada. Não há lançamentos diários da movimentação financeira nos Livros Caixa apresentados, de modo que é impossível checar se dentre os valores depositados/creditados estão os depósitos/créditos bancários relativos As receitas declaradas. Cabe ao contribuinte manter a escrituração regular a fim de possibilitar tais verificações; que a FRIGO VALE, em sua declaração de SIMPLES, tributou seu faturamento declarado como sendo proveniente da prestação de serviços, declarando que sua atividade principal é a de abate de bovinos e preparação de carnes e subprodutos. Esta é a razão pela qual as receitas declaradas, incluídas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL foram reputadas como provenientes da prestação de serviços. Em outras palavras, foi o próprio contribuinte quem assim as qualificou; que, ocorre que, a partir das respostas apresentadas a intimações efetuadas junto a terceiros que com ela negociaram, fica evidente que houve o exercício de atividade de compra de bovinos vivos e venda dos produtos resultantes do abate. Dai a conclusão no sentido de que a atividade principal exercida pelo contribuinte foi a de comércio de carnes e derivados, de modo que como tal deve ser tributada, exceto quanto à receita declarada, qualificada pelo próprio contribuinte como prestação de serviços no abate de animais. Tal entendimento resulta em apuração mais benéfica ao contribuinte, já que a tributação pelo lucro arbitrado da atividade de comércio/indústria é mais branda que a de prestação de serviços; que a FRIGO VALE, nos anos de 2003, 2004 e 2005 foi optante pelo SIMPLES FEDERAL. Para o anocalendário 2002, foi constatada omissão de receitas Fl. 5326DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.323 22 decorrente de vendas efetuadas a COUROADA COMERCIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA. (doravante apenas COUROADA) e omissão de receitas apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Em conseqüência, foi lavrado auto de infração para constituir créditos tributários devidos segundo a sistemática do SIMPLES FEDERAL formalizados por meio do processo administrativo n° 16004.001200/200764. As receitas omitidas apuradas para o ano de 2002, somadas às declaradas, ultrapassaram o limite admitido para permanência no SIMPLES FEDERAL, razão pela qual foi editado o Ato Declaratório Executivo n° 07/2008, que excluiu o FRIGO VALE da referida sistemática de apuração de tributos federais, com efeitos a partir de 10 de janeiro de 2003. Este Ato foi formalizado no presente processo administrativo. Intimado a manifestarse, o contribuinte quedouse inerte; que, portanto, para os anos de 2003, 2004 e 2005 é descabida a apuração, nos termos do SIMPLES FEDERAL, dos tributos devidos. A apuração do lucro real não é possível, já que o contribuinte escriturou simplesmente os Livros Caixa em montantes mensais, sem considerar a movimentação bancária efetiva. Conforme ficou comprovado, o contribuinte utilizou notas fiscais "frias" emitidas pela DISTRIBUIDORA para ocultar suas operações e parte de sua movimentação financeira transitou por contas bancárias de terceiros, também com o fim de ocultála; que, no curso da ação fiscal, a FRIGO VALE foi intimada a regularizar sua escrituração. Limitouse, porém, a afirmar que toda a documentação foi apreendida pela Policia Federal e pela Receita Federal, de modo que não tinha condições de atender as intimações. Ocorre que em nenhum momento o contribuinte apresentou requerimentos destinados às respectivas repartições com o fim de atender as intimações. Além disso, os extratos bancários poderiam ser obtidos pela própria FRIGO VALE junto às instituições financeiras; que, no presente processo administrativo, constatouse que a FRIGO VALE foi constituída por interpostas pessoas, com o fim de ocultar seus verdadeiros titulares, a fim de evitar eventual responsabilização pelos tributos devidos. Não se trata, portanto, da hipótese de que trata o art. 116, parágrafo único, do CTN. As pessoas físicas arroladas como responsáveis solidárias atuaram dolosamente na constituição da FRIGO VALE por meio de interpostas pessoas, conforme ficou comprovado nos autos, a fim de resguardar os respectivos patrimônios de eventuais execuções fiscais pelos tributos devidos pela empresa. Notese que o CTN, nas hipóteses em que há dolo, fraude ou simulação, faz expressa referência a essas ocorrências, como nos casos dos arts. 149, VII, 150, § 4°, 154, parágrafo único, 155, I e 180, I. A situação contemplada no presente processo administrativo, portanto, não requer a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN; que o pedido judicial de quebra de sigilo bancário, com o fim de apurar fatos no âmbito de procedimento fiscal realizado pela Receita Federal do Brasil, nada tem a ver com a competência para o julgamento de denúncia oferecida pelo Ministério Público. Da ação fiscal pode resultar o lançamento de tributos e multas, enquanto da ação penal pode resultar a condenação por crime. Ainda que dos mesmos fatos resulte o lançamento de tributos e multas e a condenação por crimes, as instâncias são distintas. O lançamento compete ao AuditorFiscal da Receita Federal Brasil. A condenação penal é de competência do juiz. A colheita de provas para subsidiar ação fiscal não se confunde com a colheita de provas para subsidiar ação penal, de modo que as competências para apreciar pleitos em cada uma delas é distinta; que alega o Sr. Luciano da Silva Peres que o processo administrativo fiscal n° 16004.001549/200887, lavrado em desfavor da SOL EMPREENDIMENTOS, deve ser Fl. 5327DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.324 23 admitido como prova da confissão da autoridade administrativa de que o suposto subfaturamento na aquisição da Fazenda Guará não ocorreu, porquanto não foi considerado como fato gerador de tributos; que a alegação não procede, pois em nenhum momento a autoridade que lavrou o "Termo de Descrição dos Fatos" (fls. 44024412) constante do processo administrativo n° 16004.001549/200887, afirma que os recursos para a aquisição da Fazenda Guará que extrapolam os registrados na contabilidade da SOL EMPREENDIMENTOS tiveram por origem receitas omitidas da própria SOL EMPREENDIMENTOS. Aliás, a conclusão a que chegou a autoridade administrativa no "Termo de Constatação Fiscal do presente processo administrativo (fls. 40614066) é precisamente em sentido contrário, ao afirmar que o valor subfaturado foi suportado pelas empresas SOL COUROS e RIO PRETO ABATEDOURO. Portanto, o lançamento efetuado no processo administrativo n° 16004.001549/200887 não é incompatível com os fatos relatados no presente processo administrativo; que é preciso esclarecer, ademais, que as considerações feitas pela autoridade autuante quanto ao preço das terras no mercado constituem apenas um indicio do subfaturamento e foram o ponto de partida para as investigações sobre o fluxo de recursos entre as partes no negócio. Em outras palavras, a conclusão de que houve subfaturamento não está fundada apenas no preço do hectare, conforme dados fornecidos pelo IEA/SP. Houve rigorosa apuração do fluxo de recursos, com pesquisa junto à instituição financeira das respectivas origens e destinos. Para tanto, requisitouse junto ao Banco Bradesco alguns documentos (cópias de cheques e fitasdetalhe) nos quais há indícios de pagamento ao Sr. Aldino Paila. Tais documentos comprovam que parte dos recursos utilizados no pagamento da Fazenda Guará têm por origem a SOL COUROS e a RIO PRETO ABATEDOURO; que os responsáveis solidários pretendem que se prove que há coincidência entre os recursos utilizados por eles na aquisição dos imóveis e os recursos saídos da RIO PRETO ABATEDOURO e de outras empresas "paralelas . Porém, nas circunstâncias em que operavam as empresas integrantes do grupo Nivaldo, esta prova seria impossível. Com efeito, conforme amplamente demonstrado pela autoridade autuante, houve intensa migração de recursos entre estas empresas. Mais que isso, a RIO PRETO ABATEDOURO funcionou como verdadeiro caixa geral. Portanto, diante da confusão patrimonial promovida pelos Srs. Rodrigo da Silva Peres, Luciano da Silva Peres e Nivaldo Fortes Peres, não apenas entre eles, mas sobretudo entre as empresas integrantes do grupo, é descabido pretenderse a identificação precisa da origem dos recursos. Sabese que os três controlavam as empresas do grupo, que os recursos migravam intensamente entre elas, umas suprindo as outras quando necessário, e que eles auferiram benefícios diretos e indiretos dos ilícitos praticados, inclusive adquirindo imóveis. A conclusão de que há interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores apurados se impõe; que as várias impugnações apresentadas contém diversas alegações contra a multa qualificada (150%) aplicada. Alegase que a fraude não se presume, devendo ser comprovada a intenção prédeterminada e dirigida no sentido de obter determinado resultado contrário à ordem jurídica. Sustentase que não foi produzida prova do dolo ou da participação dos responsáveis na prática dos ilícitos imputados à FRIGO VALE. Afirmase que há violação aos princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Aduzse que a apuração de receitas omitidas com base em depósitos bancários de origem não comprovada não autoriza, por si só, a qualificação da multa de oficio; Fl. 5328DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.325 24 que intimado a comprovar a origem destes recursos, o contribuinte não apresentou os elementos solicitados. Constatouse, ademais, que sequer escrituração regular foi mantida no período fiscalizado. Tendo em vista a ausência de comprovação da origem dos créditos em conta bancária, concluiuse que houve omissão de receitas; que, portanto, estes elementos, conjugados com o entendimento já fixado anteriormente no sentido de que a omissão reiterada de receitas caracteriza evidente intuito de fraude, conduzem à conclusão segura de que é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% na hipótese de que trata os autos. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003, 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004, 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 DECADÊNCIA ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA A APURAÇÃO DO LUCRO REAL LUCRO ARBITRADO – MULTA QUALIFICADA RESPONSABILIDADE SOLIDARIA Havendo prova de dolo, o prazo decadencial contase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à. apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado A multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada (art. 124, I, do CTN). Respondem pelos créditos tributários lançados os gerentes que praticaram atos com infração h. lei (art. 135, III, do CTN). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004, 2005 AUTO REFLEXO Quanto A. impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Ano calendário: 2003, 2004, 2005 AUTO REFLEXO Quanto à. impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação Fl. 5329DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.326 25 a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificados da decisão de Primeira Instância, em 18/10/2011, conforme Termo constante às fls. 5241, e, com ela não se conformaram, os responsáveis solidários Luciano da Silva Peres, Nivaldo Forte Peres, Rodrigo da Silva Peres interpuseram, em tempo hábil (05/10/2011), o recurso voluntário de fls. 4982/5012, no qual demonstram irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. Cientificados da decisão de Primeira Instância, em 18/10/2011, conforme Termo constante às fls.5241, e, com ela não se conformando, o responsável solidário Hyppolito Rodrigues Junior interpôs, em tempo hábil (11/10/2011), o recurso voluntário de fls. 5147/5235, no qual demonstram irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 18/10/2011, conforme Termo constante às fls. 5242/5277, e, com ela não se conformando, Frigo Vale Indústria E Comércio De Carnes Ltda.. interpôs, tempestivamente (21/10/2011), o recurso voluntário de fls. 5242/5277, instruído pelos documentos de fls. 5278/5282, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que o relator da decisão recorrida, de maneira a impactar o trabalho da fiscalização, retrata o Termo de Constatação Fiscal de fls. 3918 a 4092, segundo o qual a ação fiscal foi desenvolvida no âmbito de operação por meio do qual foi desbaratada uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária. E que dentre as empresas envolvidas estava a Frigo Vale Indústria e Comércio de Carnes Ltda.; que quanto a tais insinuações, cabe dizer que até mesmo a imputação fiscal de prática de crimes contra a ordem tributária, previstos nas Leis 8.137/90 e 4.729/65, atribuída à recorrente e pessoas listadas no Termo de Constatação Fiscal, não logrou êxito na esfera do Poder Judiciário. Tanto que nos termos da Certidão anexa, consta que os autos do Processo nº 000258484.2010.403.6106, instaurado em face da Frigo Vale e das pessoas nela identificadas, foram arquivadas pela Justiça Federal que acolheu parecer do Ministério Público Federal, considerando a falta de base ou fundamento para a denúncia; que a execução do lançamento é de relevante importância, pois provoca inúmeros efeitos jurídicos sendo ato privativo da autoridade administrativa. Assim sendo, no cumprimento de sua tarefa o fisco deve estrita obediência ao disposto no art. 142, do CTN, que estabelece competir à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento, administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível; que a nulidade do lançamento é incontestável. Entretanto, se assim não decidir a Turma julgadora, o lançamento deve sucumbir à luz do direito fundado nas questões Fl. 5330DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.327 26 colocadas a seguir. De modo que a seguir se enfrentará as acusações da fiscalização, bem como as alegações da Delegacia de Julgamento; que, sobre a falta de Extratos Bancários, a decisão afirma à fl. 4932, que o contribuinte equivocase na afirmação de que há prova material dos depósitos bancários que deram causa ao lançamento, porque não foram fornecido os extratos bancários respectivos. Diz que os extratos estão juntados às fls. 4551014 dos autos, mas que os documentos foram fornecidos em meio magnético pelas instituições financeiras, de modo que o formado não coincide com aquela habitualidade apresentada aos clientes bancários; que não deve ser ignorado pelos nobres julgadores que a fiscalização tributou operações constantes de contas bancarias pertencentes aos sócios da empresa, e não só dela especificamente. Dessa forma, é primordial que a prova dos fatos representada pelo extratos bancários estejam nos autos. Como assim não procedeu a fiscalização, inexiste prova material da suposta infração, motivo pelo qual as autuações devem ser prontamente canceladas; que, da omissão de receitas de venda à empresa COUROADA, desta forma, cabe assentar que a suposta infração não restou regiamente catalogada nos termos da legislação do Imposto de Renda Jurídica, qual seja a disposição legal infringida como prevê o art. 10, inciso IV, do Decreto 70.235/72 (PAF), posto que do auto de infração não consta os dispositivos legais infringidos que caracterizam a irregularidade apontada; que os recursos dos depósitos advindos da COUROADA não constituem em receita da recorrente, pois se tratam apenas de repasses efetuados por conta da Distribuidora São Paulo. Porem, se assim não entender o e. Conselho, tais recursos não podem ao mesmo serem tributados sob a presunção de origem não comprovada nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996; que a omissão de Receita e Depósitos bancários de origem não comprovada, portanto, a movimentação bancaria não caracteriza rendimento auferido, vês que, em princípio, a movimentação registra valores patrimoniais ativos, sem qualquer influencia na apuração do resultado. Porém, antes da discussão propriamente dita, ainda que se admitisse que o simples crédito bancário significasse obtenção de receita, cabe salientar que a fiscalização incorreu em erro ao tributar a suposta omissão, por presunção, com suporte no art. 42, da Lei n° 9.430/96; que não têm lugar a presunção de omissão de receita nos termos do art. 42, caput da Lei n° 9.430/96, porque a não comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, é elemento essencial à caracterização da infração; que o simples depósito crédito bancário não caracteriza obtenção de rendimentos ou receita, segundo a decisão recorrida (fl.4933), diz que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional; que, sendo assim, a incongruências na determinação da matéria tributável objeto das autuações, ou seja, na constituição da matéria tributável apurada à vista da movimentação financeira, a fiscalização cometeu falhas que afrontam contra a certeza e liquidez que são indispensáveis à constituição do crédito tributário; que a confusão entre contas bancárias de titularidade do contribuinte e contas dos sócios ou pessoas ligadas. Neste sentido, a fiscalização, além das contas bancarias Fl. 5331DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.328 27 do contribuinte, considerou também os extratos bancários dos sócios da empresa, e de suas esposas. Assim sendo, do item 13 do Termo de Constatação Fiscal consta que foram intimados para prestar esclarecimento o sócio Carlos Roberto Alves e sua esposa Nilce Fortes Peres Alves, e o exsócio Hyppolito Rodrigues Junior e sua esposa Irani Castilho Viaes; que, o lançamento fiscal não pode se valer de sua própria duvida, tal como ocorre neste processo. Uma vez que o procedimento adotado pelo fisco aponta para a liquidez e incerteza do crédito tributário levantado, com afronta aos art. 3° e 142 do CTN, e à ineficácia das autuações fiscais; que a sobreposição do montante dos depósitos bancários à receita declarada na determinação da receita omitida, nada a na Lei 9.430/96 que autorize a alteração do entendimento já consolidado na doutrina e na jurisprudência judicial e administrativa, segundo o qual, meros depósitos bancários, ainda que de origem não comprovadas, não autorizam o lançamento de imposto de renda, sem a demonstração da existência de renda consumida pelo contribuinte; que, portanto, o Arbitramento do Lucro Tributável, os AuditoresFiscais procuram o arbitramento do lucro tributável, alegando que os Livros Caixas apresentados pelo contribuinte não traduzem a realidade de sua movimentação financeira ou não contem a escrituração da movimentação financeira; que, neste contexto, operou irregularmente a fiscalização ao promover o arbitramento do lucro dos anoscalendários 2003 a 2005; que, referente a multa de ofício de 150% ilegalidade do agravamento, confiscatória e irrazoável, no item 21 do Termo de Constatação Fiscal, singelamente, os Autores Fiscais afirmam que duplicaram a multa, resultando no percentual de 150% do tributo devido, visto o método fraudulento e continuado de sonegação fiscal utilizado pelo contribuinte; que, portanto, não é aplicável ao caso a multa qualificada, pois não há sequer certeza d lançamento. Não houve dolo. A fraude não se presume, deve ser provada pelo Fisco a intenção prédeterminada e dirigida no sentido de obter determinado resultado contrário à ordem, prova esta que não consta dos autos; que, assim sendo, a exigência de Contribuição Social L.Líquido, PIS e Cofins, concomitante ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, a fiscalização formalizou, também, os autos de infração de: Contribuição Social sobre o L. líquido (CSLL); Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição p/Financiamento da Seguridade Social (COFINS), denominados reflexos da autuação principal; que, todo o alegado na presente Impugnação quanto ao IRPJ atinge, também, as contribuições sociais em tela, corolário da interrelação de causa e efeito existente entre os respectivos lançamentos tributários. Por conta disso, deve ser aplicado aos lançamentos decorrentes (PIS, COFINS e CSLL) o decidido quanto ao lançamento principal (IRPJ), pela relação de vinculação entre este e aqueles. É o relatório. Fl. 5332DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.329 28 Voto Vencido Conselheiro NELSON MALLMANN, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Trata o presente de Recurso Voluntário (fls. 5242/5277), interposto contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (fls. 4197/4252). A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2004 a 2006, onde a autoridade fiscal lançadora apurou omissão de receitas decorrentes da venda de produtos de fabricação própria e omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Apurouse, ainda, que o contribuinte não mantinha escrituração regular para os anos de 2003, 2004 e 2005, de modo que o lucro foi arbitrado. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 4107/4114), CSLL (fls. 4125/4134), PIS (fls. 4147/4153) e COFINS (fls. 4166/4172), totalizando um crédito tributário de R$ 2.552.226,89. Conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal de fls. 3918/4092, a ação fiscal foi desenvolvida no âmbito da chamada "Operação Grandes Lagos", por meio da qual foi desbaratada uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, por diversas formas. Houve determinação judicial para que todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas fossem fiscalizadas pela Receita Federal. É de se observar, ainda, o Poder Judiciário autorizou a realização de buscas e apreensões, prisões, escutas telefônicas, quebra de sigilo bancário e determinou à Receita Federal que fiscalizasse os contribuintes envolvidos. A decisão recorrida entendeu, que havendo prova de dolo, o prazo decadencial contase pela regra inscrita no art. 173, I, do CTN. Caso o contribuinte não apresente escrituração regular, apta à. apuração do lucro real, a base de cálculo do imposto de renda deve ser apurada pelo lucro arbitrado a multa deve ser qualificada (150%) quando ficar caracterizada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. É cabível a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada (art. 124, I, do CTN). Respondem pelos créditos tributários lançados os gerentes que praticaram atos com infração à lei (art. 135, III, do CTN). Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito. Fl. 5333DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.330 29 Inicialmente é de se ressaltar que o processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar exaustivamente se, de fato, ocorreu à hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de recurso do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independentemente até mesmo do que foi alegado. Nesta linha de pensamento, é importante se observar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto – SP constituiu o crédito tributário baseado, exclusivamente, no arbitramento do lucro baseado na premissa única de que o contribuinte tenha deixado de escriturar a sua movimentação bancária no Livro Caixa. Assim sendo, o Estado não possui qualquer interesse subjetivo nas questões tributárias, inclusive no que diz respeito ao processo administrativo fiscal. Daí, os dois pressupostos basilares que o regulam: a legalidade objetiva e a verdade material. Sob a legalidade objetiva, o lançamento do tributo é atividade vinculada, isto é, obedece aos estritos ditames da legislação tributária, para que, assegurada sua adequada aplicação, esta produza os efeitos colimados (arts. 3º e 142, § único, do Código Tributário Nacional). Nessa linha, compete, inclusive, à autoridade administrativa, zelar pelo cumprimento de formalidade essenciais, inerente ao processo. Daí, a revisão do lançamento por omissão de ato ou formalidade essencial, conforme preceitua o art. 149, IX da Lei n.º 5.172, de 1966. Igualmente, o cancelamento de ofício de exigência infundada, contra a qual o sujeito passivo não se opôs (art. 21, § 1º, do Decreto n.º 70.235, de 1972). Sob a verdade material, citemse: a revisão de lançamento quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado (art. 149, VIII, da Lei n.º 5.172/66); as diligências que a autoridade determinar, quando entendêlas necessárias ao deslinde da questão (arts. 17 e 29 do Decreto n.º 70.235/72); a correção, de ofício, de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto (art. 32, do Decreto n.º 70.235/72). Como substrato dos pressupostos acima mencionados, o amplo direito de defesa é assegurado ao sujeito passivo, matéria, inclusive, incita no art. 5º, LV, da Constituição Federal de 1988. A lei não proíbe o ser humano de errar: seria antinatural se o fizesse; apenas comina sanções mais ou menos desagradáveis segundo os comportamentos e atitudes que deseja inibir ou incentivar. Todo erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, da forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. O fato gerador do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica é a situação objetivamente definida na lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Erros ou equívocos, em princípio, por si só, não são causa de nascimento da obrigação tributária. Dito isso, observo que o contribuinte em sua defesa assevera que houve irregularidades praticadas pela autoridade fiscal lançadora no que se refere, principalmente, ao arbitramento do lucro, cujos argumentos podem ser assim sintetizados: Fl. 5334DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.331 30 que a justificativa de arbitramento do lucro não se justifica à Recorrente, uma vez que tal como alegado desde resposta datada de 06/11/2007, conforme atestado pela d. Fiscalização (item 7 do Termo de Constatação) toda a documentação fiscal que a Recorrente necessitava a comprovar a origem dos recursos indicados em movimentação financeira estavam apreendidos pela Polícia Federal e pelo Fisco Paulista, que agiram em conjunto; que desde o início da Fiscalização, em resposta ao primeiro Termo, a Recorrente expôs o fato de que a documentação necessária a atender a d. Fiscalização estava apreendida pela DRT8São José do Rio Preto; que é importante ainda destacar que referidos documentos apreendidos não foram devolvidos à Recorrente, o que inclusive é corroborado pela documentação acostada aos autos, donde não consta em momento algum o Termo de Devolução dos Documentos; que a justificar as entradas em contas bancárias, que no entender da d. Fiscalização se mostrava insuficiente no livro caixa, inegavelmente que os Livros de Entrada, que são do período objeto do presente lançamento eram imprescindíveis, uma vez que sem estes a Recorrente não poderia sequer refazer a sua contabilidade a demonstrar e comprovar a origem dos recursos; que, portanto, sabendo que para cumprir o que exigia (reconstituição do livro), a Recorrente necessitava da documentação que estava em poder dele (fisco), a documentação nunca foi entregue à Recorrente a fim de que esta pudesse se manifestar, tampouco fazer a reconstituição do livro; que o que de fato impossibilitou a reconstituição do livro Caixa e a apresentação da documentação pertinente à origem da movimentação bancária, tal como exigido pela fiscalização (itens 5 e 6 do Termo de Constatação) foi que toda a documentação estava apreendida pela Polícia Federal e pela Receita Estadual/SP, conforme resposta levada aos Auditores Fiscais em 06/11/2007; que assim é incabível o arbitramento de lucros da Recorrente, sob o argumento de que os Livros Caixa apresentados são imprestáveis para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Até porque o arbitramento de ofício do IRPJ é forma excepcional de apuração desse tributo, que só tem lugar nas hipóteses rigorosamente previstas na legislação. É medida de exceção, que, como tal, não admite interpretação extensiva; que, em lealdade, apesar da d. Fiscalização ter oportunizado à Recorrente optar pela forma de tributação após sua exclusão do Simples, certo é que a Recorrente ainda assim ficou impossibilitada de fazêlo pelo simples fato de que toda documentação restava apreendida, conforme já destacado. Nesta linha de pensamento, entendo necessária a realização de uma análise criteriosa da peça acusatória constante do Termo de Constatação Fiscal (fls. 4093/4172), principalmente, as razões que levaram a autoridade fiscal lançadora a promover o arbitramento do lucro. Desta análise observo que o arbitramento do lucro foi determinado tendo por base os entendimentos abaixo transcritos: A formalização da quebra do sigilo bancário do contribuinte e das pessoas correlacionadas foram através dos Processos da Fl. 5335DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.332 31 Justiça Federal sob nº's 2007.61.24.0002606, 2007.61.24.0007616 e 2008.61.24.0002143/1 da 24ª Subseção Judiciária do Estado de São Paulo (JalesSP), das respectivas datas 02/03/2007, 25/05/2007 e 28/02/2008 (fls. 427 a 454). Foram emitidas as Requisições de Movimentações Financeiras junto às respectivas instituições financeiras onde o contribuinte, os sócios e a cônjuge de um dos sócios (Irani Castilho Viaes), mantiveram movimentação (com base na CPMF), solicitando os extratos bancários (em meio magnético ou em papél), fichas cadastrais, Procurações outorgando poderes a terceiros movimentarem contascorrentes, cópia de comprovantes de depósitos/créditos, etc.: [...] 5. De posse dos extratos bancários e demais documentos fornecidos pelos Bancos, formalizamos o Termo de Intimação Fiscal ao contribuinte, datado de 19/09/2007 (fls. 165 a 188), sendo cientificado via Correio (A.R. de 24/09/2007), referente aos anoscalendário de 2002 a 2005, a: a) Em obediência ao art. 7° da Lei no 9.317/96, parágrafo 1°, apresentar o Livro Caixa escriturado com lançamentos diários, com toda movimentação financeira, inclusive bancária, em face do Livro Caixa apresentado não conter tais lançamentos. b) Comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias de sua titularidade, cujos créditos encontramse descritos na planilha constante do referido Termo. c) Identificar, dentre os créditos descritos na referida planilha, quais os decorrentes de transferências de outras contas de sua titularidade, e informar, em caso positivo, a completa identificação dessa (s) conta(s). d) Considerando a Receita Bruta informada na DIPJ/2003 (SIMPLES) — ano base 2002 , demonstrar mediante apresentação de documentação hábil e idônea como ocorreram os ingressos de tais recursos (por meio de cheques, TED, boleto bancário etc.), identificando em que conta contábil os mesmos foram lançados. [...] 6. Não tendo atendido à referida Intimação Fiscal, em 22/10/2007, formalizamos o Termo de Reintimação Fiscal, com o mesmo conteúdo da Intimação original, tendo o contribuinte recebido a mesma, via Correio, conforme Aviso de Recebimento datado de 24/10/2007 (fls. 189 a 214). 7. Em resposta datada de 06/11/2007, o contribuinte alega que toda documentação foi apreendida pela Policia Federal e Fl. 5336DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.333 32 Receita Federal, ficando impossibilitado ao atendimento (fls. 215 e 216). 8. Rebatendo as alegações do contribuinte, de que a documentação estaria de posse da Policia Federal, Receita Federal e Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, esclarecemos, que, mesmo se algum (ns) documentos então apreendidos fossem necessários ao atendimento de nossas Intimações, em nenhum momento foi apresentado, por parte do contribuinte, quaisquer requerimentos destinados as respectivas Repartições com intuito de atendimento as nossas Intimações. Para atender a solicitação do fisco, bastaria o contribuinte, caso não tivesse em mãos os extratos bancários, solicitálos junto as respectivas instituições financeiras. Frisamos que foi solicitado que apresentassem somente os Livros Caixa escriturados na forma preconizada pela legislação fiscal (artigo 7° §1° alínea "a", da Lei 9.317/96), contendo toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, diariamente. Os Livros Caixa (2002 a 2005) apresentados pelo contribuinte não traduzem a realidade de sua movimentação financeira, ou melhor, não contem a escrituração da movimentação financeira (fls. 278 a 328). DO ANOCALENDÁRIO DE 2002: 9. Referente ao anocalendário de 2002 (período parcial do total programado no Mandado de Procedimento Fiscal, 2002 a 2005) foi lavrado o respectivo Auto de Infração do Simples, cujo Processo Administrativo Fiscal recebeu o n° 16004.001200/200764: a) Por Omissão de Receitas referente as suas vendas efetuadas ao cliente Couroada Comercial e Representações Ltda. — CNPJ. 02.522.287/000145, tendo se utilizado para acobertar tais operações, de Notas Fiscais "frias" de emissão da empresa "Noteira" Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda., cujos recebimentos foram depositados/creditados em contas bancárias em nome do contribuinte e de seus sócios; b) Por Omissão de Receitas (presunção legal) referente aos depósitos/créditos realizados em contas bancárias de sua titularidade, não tendo comprovado/apresentado a documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, de modo a respaldar legalmente a origem de tais recursos financeiros ingressados a seu favor. Na época da lavratura do Auto de Infração (dezembro de 2007) a fiscalização ainda não havia descoberto quem efetivamente eram os sócios de fato do contribuinte, tendo considerando somente os sócios de direito como Sujeitos Passivos Solidários do crédito tributário lançado, nos termos do artigo 124, inc. I, do CTN, Srs. Carlos Roberto Alves e Hyppolito Rodriguez Junior, por terem interesse comum na situação que constituiu o Fl. 5337DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.334 33 fato gerador da obrigação principal, inclusive emprestando sua conta bancária da Pessoa Física, para ocultar operações da Pessoa Jurídica. 10. Da receita apurada pelo Fisco, referente ao anocalendário de 2002, de R$2.160.696,16 (dois milhões, cento e sessenta mil, seiscentos e noventa e seis reais e dezesseis centavos), somada à receita declarada pelo contribuinte em Declaração Simplificada PJ (SIMPLES), de R$193.275,00 (cento e noventa e três mil, duzentos e setenta e cinco reais), o montante foi de R$2.353.971,16 (dois milhões, trezentos e cinqüenta e três mil, novecentos e setenta e um reais e dezesseis centavos), esta Fiscalização constatou ter infringido o artigo 9° da Lei 9.317/96, por ter ultrapassado os limites de faturamento de Microempresa e de Empresa de Pequeno Porte, portanto, a partir de ano calendário de 2003, não mais poder ser tributado pelo Simples, e sim pelo IRPJ sob os regimes de Lucro Presumido ou Lucro Real. Tal procedimento não foi obedecido pelo contribuinte. Conseqüentemente, o Fisco, baseado nos artigos 14 — inciso I e 15 — inciso IV, da Lei 9.317/96, formalizou a Representação Fiscal para Exclusão do Simples, datada de 02/01/2008, através do Processo Administrativo Fiscal n° 16004.000014/200899, resultando no ATO DECLARATORIO EXECUTIVO n° 07, de 17/01/2008, do Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Jose do Rio PretoSP., EXCLUINDO o contribuinte do SIMPLES a partir de 01/01/2003, cuja ciência do contribuinte se deu em 22/02/2008, conforme Aviso de Recebimento dos Correios (fl. 129). O contribuinte não se manifestou a respeito. DOS ANOSCALENDÁRIO DE 2003 A 2005: 11. Dando continuidade aos trabalhos fiscais, referente ao período de 01/01/2003 a 31/12/2005 (a que se refere o presente), o Fisco formalizou o Termo de Ciência de Continuidade da Ação Fiscal datado de 04/03/2008, informando o contribuinte sobre o novo Mandado de Procedimento Fiscal sob n° 08107002008 004016, abrangendo o tributo IRPJ referentes aos anos calendário de 2003 a 2005, cuja ciência se deu por via postal, conforme Aviso de Recebimento dos Correios, assinado em 07/03/2008 (fls. 221 e 222). 12. Através do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL datado de 16/06/2008, o Fisco intimou o contribuinte, haja vista o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO n° 07 (excluindoo do SIMPLES), sobre a possibilidade de apresentar no prazo de vinte dias, a Escrituração Contábil (Livros Diário e Razão) ou o Livro Caixa com escrituração diária, referente ao período de 01/01/2003 a 31/12/2005, caso lhe conviesse â tributação pelo Lucro Real (fls. 223 a 226). Fl. 5338DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.335 34 Até a presente data o contribuinte não apresentou os livros escriturados nos moldes previstos ao regime de Lucro Real, nem tendo se manifestado a respeito. [...] AUTO DE INFRAÇÃO: Por fim, considerando as respostas das mencionadas pessoas físicas que mantiveram em seus nomes as contascorrentes "emprestadas" para movimentação financeira da Pessoa Jurídica, esta fiscalização formalizou a Frigo Vale o TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL datado de 03/10/2008 (AR dos Correios de 14/10/2008), contendo os depósitos/créditos bancários tanto em nome da Pessoa Jurídica como os em nome das Pessoas Físicas, referentes ao período de 01/01/2003 a 31/12/2005, para comprovação hábil e idônea da(s) origem (ns) de tais recursos (fls. 227 a 273). Até a presente data nenhuma resposta foi protocolizada pelo contribuinte. Assim, de tudo analisado e exposto por esta Fiscalização, claro ficou que a Frigo Vale utilizouse de contas bancárias abertas em seu nome e principalmente em nome de Pessoas Físicas para acobertar as operações financeiras oriundas de seu "caixa 2", utilizandose de Notas Fiscais emitidas por empresa "noteira" para acobertar tais operações, sonegando de forma planejada e fraudulenta todos os tributos federais incidentes. [...] 14. Dentre os créditos constantes da planilha do "item anterior", encontramse também os referentes As operações de vendas realizadas pela Frigo Vale A empresa Couroada Comercial e Representações Ltda. — CNPJ.02.522.287/000145, conforme resposta desta ao nosso Termo de Intimação Fiscal (acompanhado do Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo), datado de 04/05/2007, que, em 19/06/2007, apresentou os respectivos comprovantes de depósitos bancários, tendo a vendedora se utilizado de Notas Fiscais "frias" emitidas pela Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda., cujas negociações eram efetuadas diretamente através do sócio da Frigo Vale, Sr. Carlos Roberto Alves. As vendas da Frigo Vale foram acobertadas com notas fiscais inid6neas da Distribuidora São Paulo, e os respectivos pagamentos efetuados pela Couroada, depositados em contas correntes mantidas em nome da Frigo Vale, conforme cartas autorizativas, escritas em papel timbrado da "suposta vendedora", Distribuidora São Paulo, "dando ares" de operações regulares e idôneas, conforme comprovantes em anexo (fls. 1391 a 1804). A infração descrita neste item, caracteriza OMISSÃO DE RECEITAS, por operações de vendas não registradas em seus livros fiscais/Livro Caixa, não declaradas em sua Declaração Fl. 5339DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.336 35 Anual Simplificada da Pessoa Jurídica — PJSISIMPLES, não se debitando e não pagando os respectivos tributos devidos, cujas vendas foram acobertadas com notas fiscais da "noteira" Distribuidora São Paulo. [...] O modus operandi do contribuinte foi o de utilizarse de contas bancárias abertas em nome da própria empresa, como também as abertas em nome dos sócios de direito/terceiros, sem lançá las nos Livros Caixa e não declarando nas DJSISIMPLES, conseqüentemente, deixando de tributar os respectivos valores. O Crédito Tributário apurado em decorrência dos valores aqui apurados de Receitas não Escrituradas, faz parte do "ITEM 001" do programa de emissão do Auto de Infração da Receita Federal do Brasil, em anexo. Enquadramento Legal: Arts. 532 e 537 do RIR/99 (Dec. 3000/99); arts. 16 e 24 da Lei 9249/95; art. 27 — inc. I da Lei 9430/96. 15. Também omitiu receitas, por presunção legal, conforme artigo 42 da Lei n° 9.430/96, deixando de tributar os valores a seguir relacionados, referente aos depósitos/créditos bancários efetuados em nome do contribuinte (Pessoa Jurídica) e das Pessoas Físicas dos sócios de direito e da cônjuge de um dos sócios (Irani Castilho Viaes), cuja(s) origem (ns) não foi (ram) comprovada(s), conforme o mencionado no "item 13" retro. Destarte, dos depósitos/créditos bancários da Frigo Vale, cujas origens não foram comprovadas (R$11.943.655,34), foram expurgados os valores referentes as vendas efetuadas a Couroada Comercial e Representações Ltda. — CNPJ. 02.522.287/000145, já considerados como omissão de receitas (valores não escriturados), relacionados no "item 14" (R$1.744.300,63), restando como omissão de receitas por depósitos bancários/créditos de origem não comprovada, nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96, o montante de R$10.199.354,71, conforme Planilha Demonstrativa a seguir: [...] O Crédito Tributário apurado em decorrência dos valores aqui apurados de Depósitos Bancários não Escriturados, faz parte do "ITEM 002" do programa de emissão do Auto de Infração da Receita Federal do Brasil, em anexo. Enquadramento Legal: Arts. 532 e 537 do RIR/99; arts. 27 inc. I e 42 da Lei 9430/96; arts. 16 e 24 da Lei 9249/95. 16. Ficaram caracterizadas no presente Auto de Infração, duas infrações a legislação tributária de OMISSÃO DE RECEITAS para os tributos IRPJ e seus Reflexos (CSLL, COFINS e PIS) sendo uma por vendas efetuadas ao cliente Couroada Comercial e Representações Ltda., descrita no "item 14", e outra, por Fl. 5340DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.337 36 presunção legal (artigo 42 da Lei 9.430/96), referente a depósitos/créditos bancários, cujas origens não foram comprovadas, descrita no "item 15". Intimado o contribuinte, não atendeu ao questionado sobre a movimentação financeira referente às receitas declaradas em suas DJSISIMPLES da Pessoa Jurídica, portanto, as mesmas não foram subtraídas do montante reclamado no presente Auto de Infração, considerando também não haverem lançamentos diários da movimentação financeira em seus Livros Caixa, ficando impossível checar se dentre os valores depositados/creditados incluemse ou não os depósitos/créditos bancários das receitas declaradas. O contribuinte declarouse como tendo atividade principal de Frigorífico (abate de bovinos e preparação de carnes e subprodutos), tendo inclusive, nas suas DJSISIMPLES, tributado seu "faturamento declarado" como sendo totalmente oriundo de Prestações de Serviços. Tal classificação de sua principal atividade econômica exercida, não condiz como sendo a de maior expressão econômica no período fiscalizado, haja vista, diversas respostas dadas por terceiros que operaram comercialmente com o fiscalizado, discorridas no "item 3", ficando evidente que o mesmo exerceu a atividade de compra de bovinos vivos (fornecidos por produtores rurais) e de venda dos produtos resultantes do abate dos bovinos, tendo como destinatários, seus clientes dos ramos de comércio e/ou indústria. Das respostas elencadas sobre as operações realizadas pelo contribuinte e verificandose que a maioria dos depósitos/créditos bancários são de valores relativamente altos, condizentes i venda de carnes e não prestação de serviços (estes obviamente seriam de menores monta), concluise, que, a atividade principal do contribuinte foi a de comercio de carnes e derivados, portanto, a tributação do IRPJ (e seus reflexos) aplicada pelo Fisco no presente Trabalho Fiscal, será considerada como de COMERCIO/INDÚSTRIA e não como de prestação de serviços, exceto quanto à receita declarada em DJSI que referiuse à atividade secundária, de prestação de serviços no abate de animais. Observamos que o constatado pelo fisco é mais benéfico ao contribuinte, já que a tributação pelo lucro arbitrado da atividade de comércio/indústria é mais branda que a de prestação de serviços. [...] 23. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO: O Decreto n° 3000/99 — Regulamento do Imposto de Renda, dispõe sobre o lucro arbitrado: "Art. 530 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do Fl. 5341DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.338 37 lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n°9.430, de 1996, art. 1°): II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária [...] Portanto, como já exposto anteriormente, tendo esta Fiscalização dado a oportunidade ao contribuinte, não tendo o mesmo obedecido às Intimações Fiscais e ao que determina a legislação fiscal, em apresentar o Livro Caixa ou o Livro Diário devidamente escriturados diariamente, inclusive com a movimentação financeira/bancária, não restou outra alternativa sendo tributar o aqui apurado pelo regime de LUCRO ARBITRADO. Da análise do conteúdo acima transcrito observase o seguinte: que a análise feita durante o procedimento fiscal restringiuse ao confronto entre os extratos bancário e Livro Caixa; que a reescrituração determinada pela fiscalização restringiuse ao Livro Caixa, e não à regularização da escrituração contábil da empresa, exigida pelo Lucro Real. De fato, não há qualquer indicio de verificação do Livro Razão, ou demais livros obrigatórios para apuração do lucro real, tanto que a intimação e a resposta fornecida pelo contribuinte referem se, tão somente, ao Livro Caixa; que desde o início da Fiscalização, em resposta ao primeiro Termo, a Recorrente expôs o fato de que a documentação necessária a atender a d. Fiscalização estava apreendida pela DRT8São José do Rio Preto; que é importante ainda destacar que referidos documentos apreendidos não foram devolvidos à Recorrente, o que inclusive é corroborado pela documentação acostada aos autos, donde não consta em momento algum o Termo de Devolução dos Documentos; que para justificar as entradas em contas bancárias, que no entender da autoridade fiscal lançadora se mostrava insuficiente no livro caixa, inegavelmente que os Livros de Entrada, que são do período objeto do presente lançamento eram imprescindíveis, uma vez que sem estes a Recorrente não poderia sequer refazer a sua contabilidade a demonstrar e comprovar a origem dos recursos; que para cumprir o que se exigia (reconstituição do livro), a Recorrente necessitava da documentação que estava em poder do Fisco, a documentação nunca foi entregue à Recorrente a fim de que esta pudesse se manifestar, tampouco fazer a reconstituição do livro; Fl. 5342DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.339 38 que impossibilitou a reconstituição do livro Caixa e a apresentação da documentação pertinente à origem da movimentação bancária, tal como exigido pela fiscalização (itens 5 e 6 do Termo de Constatação) foi que toda a documentação estava apreendida pela Polícia Federal e pela Receita Estadual/SP, conforme resposta levada aos Auditores Fiscais em 06/11/2007. Como visto, resta claro nos autos que a autoridade fiscal lançadora procedeu arbitramento do lucro em razão da falta de escrituração da movimentação bancária. A Carta Constitucional de 1988 instituiu o Estado Democrático de Direito, consagrando valores protetivos da sociedade, objetivos a serem atingidos, bem como prestigiando princípios que fizeram com que o poder de tributar adotasse perfil amplamente constitucional, a ser exercido harmonicamente com a Constituição. Significa isso dizer que o poder de tributar só encontrará fundamento constitucional se atender aos requisitos formais e materiais de sua emanação, e se os preceitos tributários estiverem voltados à construção da sociedade livre, justa e solidária prometida pelo legislador constituinte. O exame do sentido prático da legislação fiscal tornouse, por conseguinte, um parâmetro essencial para se aferir a constitucionalidade da tributação e de todos os atos que a cercam. É dizer, por exemplo, que a apuração dos impostos não pode implicar a inviabilização, ou mesmo o desincentivo da atividade geradora das receitas tributadas, porquanto, caso assim fosse, estaria dissonante dos objetivos constitucionais, que prestigiam a livre iniciativa. O Imposto de Renda calculado com base no lucro arbitrado constitui forma simplificada de apuração da base de cálculo do imposto e ocorre quando a Autoridade Fiscal verifica o não cumprimento às disposições vigentes quanto à manutenção da escrituração fiscal, e outras obrigações acessórias Justamente por ser aplicável quando do descumprimento de normas que rezam sobre a obrigatoriedade de guarda e manutenção da escrituração fiscal, é que se admite que o arbitramento do lucro possui natureza sancionatória. De fato, muito embora a Administração Fazendária, através de seus tribunais administrativos, possua diversas decisões no sentido de não constituir o arbitramento do lucro uma penalidade, e sim uma modalidade de determinação da base de cálculo do imposto, o que implica, por conseguinte, a necessária inclusão de imposição de multa pelo descumprimento das obrigações tributárias, simultaneamente ao arbitramento do lucro; preceitua também, em decisões outras, sobre a natureza sancionatória do arbitramento esta fulcrada na inobservância das regras da legislação comercial que exigem a escrituração de livros. Ressaltese que o arbitramento do lucro é, em verdade, uma necessidade. Evita problemas insolúveis para a fiscalização, tais como o oferecimento à tributação, pelo contribuinte, de lucro real impossível de se apurar na escrituração, ou que desmereça fé, do ponto de vista legal. Tal realidade revela, justamente, que as razões e as conseqüências geradas pela apuração do tributo através do arbitramento do lucro, é que lhe conferem validade constitucional. Evidentemente que, entre os critérios do lucro arbitrado, existe a situação de que quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de Fl. 5343DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.340 39 fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. Porém, mesmo havendo a possibilidade de a Administração arbitrar o valor do tributo a ser cobrado, baseandose em elementos idôneos de que dispuser, deve fazêlo de forma razoável. Não se pode confundir arbitramento com arbitrariedade. Nas hipóteses de arbitramento, a arbitrariedade será evitada com a rígida observância do princípio da reserva legal, do qual se infere que os atos de administração tributária, dentre os quais se destaca o lançamento, são atos administrativos vinculados. E é exatamente por essa razão que o arbitramento não pode ser confundido com uma atribuição legal de liberdade (discricionariedade) administrativa, porquanto representa um processo técnico alternativo e estrito para apuração do tributo devido. O arbitramento deve observar o princípio da razoabilidade interna, com a adequação do motivo (arrecadação imperfeita pelo contribuinte), meio (arbitramento) e fim (obtenção do quantum efetivamente devido). Caso o valor, apesar de razoável, seja incorreto, cabe ao contribuinte demonstrar o exato montante devido administrativa ou judicialmente, sem que possa gerar prejuízos à Fazenda, pela sua inércia ou mesmo máfé. Concluise que o arbitramento deve respeitar estritamente os princípios constitucionais que asseguram a tributação de acordo com a capacidade contributiva, não podendo ser realizado sob o prisma da conveniência e oportunidade da autoridade administrativa. Reza o Código Tributário Nacional, em seu artigo 142, competir privativamente à autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Esclarece, então, que o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. A desclassificação da escrita do contribuinte, com o conseqüente arbitramento do lucro é faculdade do poder público outorgada pela própria lei. Entretanto, é também incontroverso que, por se tratar de medida extrema, só deve ser adotada quando a escrita e a documentação do contribuinte não permitem a apuração do lucro real, tendo em vista as razões expendidas no voto do ilustre Conselheiro Fernando Cícero Velloso, fundamentador da decisão consubstanciada no Acórdão 010.017, prolatada pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, quais sejam: A desclassificação de escrita, é pacífico, somente deve ser adotada em casos extremos. No meu entender, é a última das opções admissíveis ao Fisco, que, ao contrário, deve se esforçar ao máximo para aproveitar aquilo que foi escriturado, sob risco, inclusive, de no futuro vermos 8 entre 10 escritas examinadas, totalmente desprezadas. Por outro lado, o que se objetiva com a desclassificação, ao contrário do que pensam alguns, é apenas apurarse um resultado que, em razão de inúmeras deficiências detectadas, Fl. 5344DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.341 40 não pode ser aquele que consta da escrituração, totalmente eivada de deficiências absolutamente incontomáveis. Não se procura um resultado maior ou menor, e penso, não se deve transmitir aos interessados a idéia de que a opção entre o arbitramento ou o lucro real se faz em função do lucro tributável a ser apurado. O arbitramento é mera forma de apuração de resultados, sem qualquer, mínimo que seja, conotação de penalidade ou castigo. Procurase com a utilização deste instrumento, apenas, restabelecer ou apurar um resultado que, por meio de práticas censuráveis ou com utilização de artifícios adotados por um determinado contribuinte, tomase impossível de ser conhecido, daí inclusive a preocupação constante da lei em aproximar ao máximo o resultado a ser apurado pelo arbitramento daquele que seda o normal ou compatível ao contribuinte, para que, inclusive, nos diz legislação recente, devemos considerar várias particularidades de cada contribuinte. Não é o caso, em hipótese alguma, de se argüir o brocado latino que, traduzido, diz "beneficiar o infrator com a própria torpeza". Não se trata disto, e sim, de saber, se a apuração ou determinação dos resultados pode ser feita com ou sem o abandono da escrita. A circunstância de por uma forma apurarmos menos imposto do que pela outra é absolutamente irrelevante, injurídica, até. Resta evidente de que o arbitramento é uma modalidade de apuração somente concebida em ocasiões excepcionais, quando haja evidente impossibilidade de aferir a verdadeira base de cálculo dos tributos por outros meios. Na hipótese sob exame verificase que o erro ou omissão detectado pela fiscalização falta de escrituração da movimentação bancária detectada pela fiscalização na escrita da recorrente não obstacularizaria a constatação do seu real movimento econômico e financeiro, tanto assim que a irregularidade apontada no Auto de Infração foi minuciosamente descrita pela autoridade fiscal lançadora. A falta de contabilização de movimentação bancária, sem dúvida alguma, indica possível omissão de receitas operacionais, bem como instaura insegurança quanto à fidelidade do lucro real declarado. Todavia, por si só, não é razão bastante para caracterizar a imprestabilidade da escrita e justificar o arbitramento do lucro. Se assim fosse, qualquer omissão de receita ou mesmo a falta de registro de alguma transação empresarial seria motivo suficiente para a desclassificação da escrita. Dessa forma, embora nos períodos fiscalizados esteja caracterizada a prática de omissão de receitas pela contribuinte, dada a confirmação de recursos depositados em contas bancárias, cujas origens não foram regularmente comprovadas, há que se concluir que o direcionamento dado ao trabalho fiscal, para o arbitramento do lucro sobre as receitas omitidas, apresenta falhas que comprometem sua fundamentação. A omissão de receita isolada não justifica o arbitramento do lucro, uma vez que para apuração do lucro real apresentase imprescindível a análise da contabilidade da empresa, além do Caixa, os livros Diário e Razão, cuja apreciação sequer foi mencionada no procedimento. Fl. 5345DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.342 41 Constatase, pois, contradição nos fundamentos da fiscalização para o arbitramento do lucro no período, uma vez que a simples constatação de omissão de receitas feita na escrituração, por si só, não é motivo para descaracterizar toda a escrituração, muito menos a falta de escrituração da movimentação bancária. Ora, a técnica do arbitramento da base tributável é medida extrema e a sua adoção requer motivação válida e bem fundamentada na impossibilidade de se aferir a verdadeira base de cálculo dos tributos por outros meios. Em apertadíssima síntese, o lançamento é um ato jurídico de aplicação da lei tributária ao caso concreto, e seu conteúdo será manifestado da constatação do fato jurídico no tempo e no espaço; da identificação do sujeito passivo descrito em lei; da definição das condições de sua exigibilidade, tais como prazo e forma de pagamento; e da adequada apuração do montante do tributo devido, através da correta apuração da base de cálculo e aplicação da alíquota prevista em lei. Assim, o lançamento eivado de nulidade deve, sempre, ser desconstituído, independentemente de este poder ser ou não revisto. Caso haja a possibilidade de sua revisão, é imprescindível que ocorra a edição de novo lançamento, se ainda não houver decorrido o prazo decadencial para a sua realização. A dispensa da edição de novo lançamento, ou seja, a alteração de ofício do lançamento fiscal, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, deve tão somente operar nas restritas hipóteses previstas no artigo 149 do Código Tributário Nacional, quais sejam: quando a lei assim o determinar; quando a declaração não for prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; quando a pessoa legalmente obrigada, embora tiver prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixar de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, se recusar a prestálo ou não o prestar satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; quando se comprovar falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; quando se comprovar omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da homologação do lançamento; quando se comprovar ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; quando se comprovar que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; quando for apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; quando se comprovar que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Qualquer outra hipótese que denote vícios no lançamento, tais como a inocorrência do fato gerador ou a errônea apuração da base de cálculo do tributo, irá requerer a decretação de sua nulidade, sendo que a exigência fiscal acertada implicará, necessariamente, na realização de um novo lançamento. Assim, considerando que o arbitramento se realizou unicamente em face de contas bancárias mantidas à margem da escrita, considerando que não houve por parte da fiscalização aprofundamento na ação fiscal, tendente a, comprovadamente, descaracterizar a escrita da recorrente, é de se dar provimento ao recurso. Como se infere do relato, as exigências da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Fl. 5346DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.343 42 (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantidas de forma integral pela decisão recorrida. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. QUANTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS – SUJEIÇÃO PASSIVA Deixo de analisar os recursos dos designados responsáveis solidários em razão da decisão de mérito. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de dar provimento aos recursos voluntários. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Voto Vencedor Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, Redator designado Com a devida vênia e todo o respeito dispensado ao i. Conselheiro Relator, ouso divergir do entendimento expressado em seu Voto. Considero que a decisão da DRJ acertadamente manteve o lançamento. Por essa razão, adoto seus fundamentos como razão de decidir, na forma a seguir exposta. Da preliminar de decadência As alegações de decadência veiculadas nas peças de defesa apresentadas têm por base os mesmos fundamentos: os tributos lançados sujeitamse a lançamento por homologação e, tendo em vista que não teria sido provada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser contado consoante a regra prescrita pelo art. 150, § 4º, do CTN. Fl. 5347DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.344 43 Como demonstrado a frente, existem robustas provas nos autos de que o contribuinte praticou atos simulados e agiu dolosamente a fim de evadirse do recolhimento dos tributos devidos sobre suas operações. Portanto, considero que a contagem do prazo decadencial na situação de que trata o presente processo administrativo deva obedecer ao disposto no art. 173, I, do CTN, vale dizer, o termo inicial do prazo de cinco anos é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COF1NS alcançaram os fatos geradores ocorridos nos anos de 2003, 2004 e 2005. A contagem do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos em 2003 iniciouse em 10 de janeiro de 2004, encerrandose apenas em 31/12/2008. Tendo em vista que os autos de infração foram cientificados ao, contribuinte em 11/12/2008, concluise que não ocorreu a alegada decadência do direito de lançar. Do mérito A Recorrente alega que, no lançamento efetuado sobre supostas receitas omitidas decorrentes de vendas à COUROADA, o auto de infração limitase a invocar os arts. 532 e 537 do RIR/1999, que tratam do arbitramento do lucro, nada mencionando quanto a eventuais dispositivos legais infringidos que caracterizem a infração apontada. A alegação não procede, já que o art. 537 do RIR/1999 trata precisamente da inclusão das receitas omitidas na base de cálculo apurada pelo lucro arbitrado. Portanto, a inclusão, na base de cálculo do lançamento, das receitas omitidas decorrentes de vendas COUROADA está devidamente fundamentada. A FRIGO VALE alega que não há prova material dos depósitos bancários que deram causa ao lançamento, pois não foram fornecidos os extratos bancários respectivos. O contribuinte equivocase na afirmação, já que os extratos bancários foram fornecidos pelas instituições financeiras, estando os documentos juntados às fls. 4551014 dos autos. Há que se observar, contudo, que os documentos foram fornecidos em meio magnético pelas instituições financeiras, de modo que o formato dos extratos bancários não coincide com aquele habitualmente apresentado aos clientes bancários. Concluise, assim, que consta dos autos a prova dos depósitos bancários. A Recorrente se insurge contra a utilização de presunções no Direito Tributário e, especialmente, contra a presunção de omissão de receitas baseada na constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. A propósito de sua inconformidade contra o art. 42 da Lei 9.430/96, cabe esclarecera que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar inconstitucionalidade e/ou invalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. É inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Em verdade, a autoridade encontrase vinculada ao estrito cumprimento da legislação tributária, estando Fl. 5348DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.345 44 impedida de ultrapassar tais limites para examinar questões outras corno as suscitadas na contestação em exame, uma vez que às autoridades tributárias cabe simplesmente cumprir a lei e obrigar seu cumprimento. Por oportuno, assinalese que tal é a determinação do art. 26A do Decreto 70.235/1972, incluído pelo art. 25 da Lei 11.941/2009: Art. 25. O Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucional idade. Ressalte se, finalmente, que a demonstração de ocorrência de acréscimo de acréscimo patrimonial era exigida quando da vigência do art. 6° da Lei 8.021/90, nos seguintes termos: Art. 6° O lançamento de oficio, alem dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4º No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6º Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. A exigência de demonstração de sinais exteriores de riqueza não mais subsiste quando da apuração de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Com efeito, o art. 42 da Lei 9.430/96 não faz tal exigência, bastando, para a aplicação da presunção, a comprovação da existência de depósitos bancários e a ausência de prova da respectiva origem. O contribuinte afirma que a documentação juntada pela autoridade autuante as fls. 13911804 comprova que os recursos depositados na conta da FRIGO VALE pela Fl. 5349DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.346 45 empresa COUROADA são repasses autorizados pela DISTRIBUIDORA, por conta de acertos comerciais. Sustenta que as conclusões da autoridade autuante fundamse em material apreendido pela Policia Federal que sequer foi submetido a perícia, sendo que nem mesmo o processo criminal de onde se originaram tais documentos foi concluído. As alegações não procedem. O contribuinte não aponta quais fatos descritos estão desacompanhados de provas. Ressaltese que a autoridade autuante faz referencias a documentos lavrados pela Policia Federal e a buscas e apreensões realizadas por essa instituição, mas tomou o cuidado de acostar aos autos as provas dos fatos apontados. Em outras palavras, não importou do inquérito policial as conclusões. Apenas trouxe aos autos provas produzidas pela Policia Federal, mas avaliou esses elementos juntamente com os demais colhidos no curso da ação fiscal para chegar a suas próprias conclusões. Finalmente, há que se esclarecer que não há exigência legal de que documentos apreendidos pela Policia Federal sejam submetidos a perícia para verificação da respectiva autenticidade. O contribuinte sequer tem o cuidado de apontar quais documentos têm autenticidade duvidosa. A oportunidade de contraditálos é oferecida precisamente por ocasião da apresentação de impugnação aos autos de infração lavrados, de modo que o contribuinte, caso efetivamente vislumbrasse algum documento falso nos autos, deveria pronunciarse nessa oportunidade. Não se sustenta a afirmação de que os documentos de fls. 13911804 atestam que as receitas da venda de produtos à COUROADA são exclusivamente da DISTRIBUIDORA. É curioso notar que o contribuinte faz esta afirmação e omitese acerca de todas as provas produzidas em sentido contrário. Nesse sentido, comprovouse que a DISTRIBUIDORA é uma empresa aberta em nome de "laranjas", controlada de fato pelo Sr. Valder Antônio Alves, dedicandose à atividade de venda de notas fiscais "frias". Tal fato foi atestado por depoimentos de diversos funcionários da DISTRIBUIDORA e pelos próprios arquivos magnéticos apreendidos pela Policia Federal, nos computadores da empresa. As notas fiscais "frias" da DISTRIBUIDORA emitidas ao FRIGO VALE ou a quem se utilizava dele para abater o gado ("taxistas" ou comerciantes) recebiam o código n° 82, quando o gado era abatido na matriz, estabelecida em Bady Bassitt/SP, ou o código n° 142, quando o abate ocorria na filial, estabelecida em Nhandeara/SP. A aquisição de notas fiscais "frias" da DISTRIBUIDORA foi admitida pelo Sr. Carlos Roberto Alves, sócio do FRIGO VALE, em depoimento por ele prestado. A Sra. Ana Claudia Valente Fioravante, exfuncionária da DISTRIBUIDORA, confirmou a codificação acima referida. A circularização efetuada pela autoridade autuante apenas confirmou tais fatos. Nas respostas às intimações, as contrapartes citam diversas informações relativas à FRIGO VALE, como o fato de que as aquisições de produtos (carnes) se deram através do Sr. Carlos, pelos telefones (17) 38187674 e (17) 38187644, junto à FRIGO VALE, havendo, em alguns casos, referências à unidade localizada na cidade de Bady Bassitt/SP, enquanto outros citam a unidade localizada em Nhandeara/SP. Assim se manifestaram ANA LUCIA BENZATTI TOME SJDO RIO PRETO, ANTONIO CARLOS ZAMPOLLA, CASA DE CARNES SÃO SEBASTIÃO DE GUAPIAÇU LTDA, ALAÍDE VILELA PEREIRA, ODAIR SANTO ZANCHETTA GUAPIAÇU e LUANA ROBERTA PIVARO. Fl. 5350DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.347 46 Da mesma forma, informações relacionadas à FRIGO VALE são citadas por fornecedores de gado relativamente a operações acobertadas por notas fiscais da DISTRIBUIDORA emitidas com os códigos 82 (Bady Bassitt) e 142 (Frigovale Ind. Com. Carnes Ltda). Nesse sentido, afirmam alguns que as vendas de gado foram efetuadas através do Sr. Hippolito Rodrigues Junior, enquanto outros asseveram que os contatos foram efetuados com o Sr. Carlos Roberto Alves. Os fornecedores informam que as vendas foram efetuadas ao FRIGO VALE, havendo referências à unidade de Nhandeara/SP e à unidade de Baddy Bassitt/SP. Assim se manifestaram ANTONIO JOSÉ PASSOS, EDEMUNDO PASSOS BELTRAMINI, NESTOR CASTELLINI, OSCAR ROBERTO DOS REIS, OSVALDO DEZORDI e OSVALDO MANCINI. Registrese, finalmente, que a inscrição da DISTRIBUIDORA no CNPJ foi declarada inapta, por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/SÃO JOSE DO RIO PRETO n° 53/2008, com efeitos a partir de 01/01/1999, tornando inidôneos os documentos fiscais por ela emitidos. Com base na circularização acima referida e tendo em conta também a utilização de notas fiscais "frias" emitidas pela DISTRIBUIDORA, concluiu a autoridade que o contribuinte exerceu atividade de compra de bovinos vivos e venda dos produtos resultantes do abate dos bovinos, tendo como destinatários seus clientes nos ramos de comércio e/ou indústria. Disso não se infere que houve comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias utilizadas pelo contribuinte. A base legal para a apuração das receitas omitidas foi corretamente adotada pela autoridade autuante. Com efeito, tendo em vista que os depósitos bancários não tiveram a origem comprovada, agiu com acerto a autoridade ao reputálos receita omitida, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Sabese que o contribuinte exerceu a atividade de compra de bovinos vivos e venda dos produtos resultantes do respectivo abate, mas não se tem a comprovação da origem de cada um dos depósitos que ingressaram nas contas bancárias utilizadas pelo contribuinte. Comprovar a origem significa apresentar a documentação contábil e fiscal da operação que deu causa ao depósito, como notas fiscais, contratos, livros etc. Não há incerteza no lançamento, tal como alega o contribuinte. A conclusão de que a FRIGO VALE utilizou contas bancárias de terceiros para ocultar suas operações fundase em sólidas provas, inclusive em declarações dos próprios titulares de direito das contas. O Sr. Hyppolito Rodrigues Junior, sóciogerente da FRIGO VALE no período de 18/03/1998 a 04/06/2004, foi intimado a comprovar a origem dos recursos financeiros depositados em contas bancárias abertas individualmente em seu nome e em conjunto com sua esposa, Sra. Irani Castilho Viaes, e com seu sócio na referida empresa, Sr. Carlos Roberto Alves. Em resposta, informou que os depósitos bancários que ingressaram nas contas tinham por origem a atividade exercida pela FRIGO VALE, com exceção de um TED no valor de R$ 75.000,00, datado de 27/06/2005, proveniente da venda de um imóvel rural havido por herança de seus sogros, valor reste que posteriormente foi dividido com os demais herdeiros. Esta exceção foi confirmada pela autoridade autuante, por meio da intimação do vendedor do imóvel, Sr. Júlio Cezar Motta, intimação esta respondida pela Sr. Adélia Fernandes Motta, viúva do intimado. Fl. 5351DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.348 47 A utilização, nas atividades da FRIGO VALE, das contas do Sr. Hyppolito, abertas individualmente ou em conjunto, também foi confirmada por terceiros. Nesse sentido, o Sr. Gilberto Arid Zeinum, após ser intimado, afirmou que o cheque administrativo, no valor de R$ 18.000,00, compensado em seu favor em 25/10/2004, e debitado em conta mantida em nome dos Srs. Carlos Roberto Alves e Hyppolito Rodrigues Junior, foi recebido em razão da venda de 16 novilhas, adquiridas pelo Sr. Carlos, dono da FRIGO VALE. Também a INDÚSTRIA AGROQUÍMICA BRAIDO LTDA afirmou, quanto a diversos TEDs por ela efetuados em favor de conta mantida pelos Srs. Carlos Roberto Alves e Hyppolito Rodrigues Junior, que comprou barrigada junto ao Frigorífico Nhandeara (filial da FRIGO VALE), cujo contato era o Sr. Hyppolito. O Sr. Carlos Roberto Alves, sóciogerente da FRIGO VALE, devidamente intimado, afirmou que os créditos constatados em suas contascorrentes, abertas individualmente ou em conjunto com sua esposa, Sra. Nilce Peres Alves, eram provenientes, em sua grande maioria, de operações de compra e venda de gado e de carne realizadas pela DISTRIBUIDORA, sendo alguns valores referentes a comissões recebidas, não se referindo a operações mercantis próprias. Posteriormente, intimado a comprovar a origem dos créditos, efetuados no período de 01/01/2003 a 31/12/2005, constatados em contas bancárias mantidas em seu nome e em conjunto com sua esposa ou com seu sócio na FRIGO VALE, Sr. Hyppolito Rodriguez Junior, não apresentou resposta. É curioso notar que na petição de fls. 41884189, apresentada pelo Sr. Carlos Roberto Alves após a ciência dos autos de infração lavrados, são apresentadas assertivas genéricas, desacompanhadas de provas. Afirma ele que "Um ou outro depósito pode representar alguma comissão recebida por mim relativa a intermediação de compra e venda de gado, porém quais são, impossível dizer". Assevera que "a grande maioria deste dinheiro não me pertencia mas sim a Distribuidora São Paulo, penso que nos documentos desta empresa acharão os comprovantes". Como se vê, as afirmações carecem de consistência. Há provas contundentes de que a DISTRIBUIDORA apenas vendia notas fiscais "frias" para acobertar operações de terceiros e que a FRIGO VALE utilizou notas fiscais daquela empresa para ocultar suas operações. O Sr. Carlos Roberto Alves não apresenta qualquer prova das alegadas "comissões recebidas". E correta, portanto, a conclusão de que estas contas bancárias foram utilizadas pela FRIGO VALE. A Sra. Nilce Fortes Peres Alves, sóciaadministradora da FRIGO VALE desde 04/06/2004, informou que somente exerce a atividade "do lar", e que toda a movimentação bancária realizada em seu nome é de responsabilidade de seu cônjuge, Sr. Carlos Roberto Alves. A Sra. Irani Castilho Viaes, intimada a comprovar a origem dos valores depositados nas contas bancárias abertas exclusivamente em seu nome, conjuntamente com Hyppolito Rodriguez Junior, e conjuntamente com Karlotta Peres Alves (filha de Carlos e Nilce), depósitos estes ocorridos no período de 01/01/2003 a 31/12/2005, afirmou que os valores se referiam a movimentação da FRIGO VALE, exceto quanto ao valor de R$ 75.000,00, creditado em 27/06/2005, referente a venda de um imóvel rural havido por herança da família. Fl. 5352DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.349 48 A soma das receitas declaradas às receitas omitidas para a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorre do fato de que a FRIGO VALE, a despeito de intimada, não demonstrou, mediante documentos hábeis e idôneos, como ocorreram os ingressos da receita bruta declarada, inclusive com identificação da conta contábil em que foram lançados tais valores, tal receita não foi subtraída da receita omitida apurada. Não há lançamentos diários da movimentação financeira nos Livros Caixa apresentados, de modo que é impossível checar se dentre os valores depositados/creditados estão os depósitos/créditos bancários relativos às receitas declaradas. Cabe ao contribuinte manter a escrituração regular a fim de possibilitar tais verificações. A FRIGO VALE, em sua declaração pela sistemática do SIMPLES, tributou seu faturamento declarado como sendo proveniente da prestação de serviços, declarando que sua atividade principal é a de abate de bovinos e preparação de carnes e subprodutos. Esta é a razão pela qual as receitas declaradas, incluídas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL foram reputadas como provenientes da prestação de serviços. Em outras palavras, foi o próprio contribuinte quem assim as qualificou. Ocorre que, a partir das respostas apresentadas a intimações efetuadas junto a terceiros que com ela negociaram, fica evidente que houve o exercício de atividade de compra de bovinos vivos e venda dos produtos resultantes do abate. Dai a conclusão no sentido de que a atividade principal exercida pelo contribuinte foi a de comércio de carnes e derivados, de modo que como tal deve ser tributada, exceto quanto à receita declarada, qualificada pelo próprio contribuinte como prestação de serviços no abate de animais. Tal entendimento resulta em apuração mais benéfica ao contribuinte, já que a tributação pelo lucro arbitrado da atividade de comércio/indústria é mais branda que a de prestação de serviços. A FRIGO VALE, nos anos de 2003, 2004 e 2005 foi optante pelo SIMPLES FEDERAL. Para o anocalendário 2002, foi constatada omissão de receitas decorrente de vendas efetuadas à COUROADA COMERCIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA (doravante apenas COUROADA) e omissão de receitas apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. Em conseqüência, foi lavrado auto de infração para constituir créditos tributários devidos segundo a sistemática do SIMPLES FEDERAL, formalizados por meio do processo administrativo n° 16004.001200/200764. As receitas omitidas apuradas para o ano de 2002, somadas às declaradas, ultrapassaram o limite admitido para permanência no SIMPLES FEDERAL, razão pela qual foi editado o Ato Declaratório Executivo n° 07/2008, que excluiu o FRIGO VALE da referida sistemática de apuração de tributos federais, com efeitos a partir de 10 de janeiro de 2003. Esse Ato foi formalizado no presente processo administrativo. Intimado a manifestarse, o contribuinte quedouse inerte. Portanto, para os anos de 2003, 2004 e 2005 é descabida a apuração, nos termos do SIMPLES FEDERAL, dos tributos devidos. A apuração do lucro real não é possível, já que o contribuinte escriturou simplesmente os Livros Caixa em montantes mensais, sem considerar a movimentação bancária efetiva. Conforme ficou comprovado, o contribuinte utilizou notas fiscais "frias" emitidas pela DISTRIBUIDORA para ocultar suas operações e parte de sua movimentação financeira transitou por contas bancárias de terceiros, também com o fim de ocultála. No curso da ação fiscal, a FRIGO VALE foi intimada a regularizar sua escrituração. Limitouse, porém, a afirmar que toda a documentação foi apreendida pela Policia Federal e pela Receita Federal, de modo que não tinha condições de atender as intimações. Fl. 5353DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.350 49 Ocorre que em nenhum momento o contribuinte apresentou requerimentos destinados às respectivas repartições com o fim de atender as intimações. Além disso, os extratos bancários poderiam ser obtidos pela própria FRIGO VALE junto às instituições financeiras. Portanto, não restou à autoridade outra alternativa senão o arbitramento do lucro. O Sr. Hyppolito Rodrigues Junior afirma que não constam dos autos as notas fiscais da DISTRIBUIDORA representativas das operações supostamente praticadas pela FRIGO VALE. Conclui que houve cerceamento ao direito de defesa. A alegação não procede, já que as informações acerca das notas fiscais "frias" emitidas pela DISTRIBUIDORA foram obtidas por meio de arquivos constantes dos HDs (discos rígidos) da DISTRIBUIDORA, apreendidos pela Policia Federal, especificamente nos códigos "82Bady Bassin" e "142Frigovale Ind. Com . Carnes Ltda. Estes códigos, presentes no rodapé das notas fiscais "frias" emitidas pela DISTRIBUIDORA, identificavam os respectivos "taxistas", comerciantes ou frigoríficos adquirentes das notas, conforme depoimentos de ex funcionários dela. As notas fiscais "frias" da DISTRIBUIDORA emitidas à FRIGO VALE ou a quem se utilizava dele para abater o gado ("taxistas" ou comerciantes) recebiam o código no 82, quando o gado era abatido na matriz, estabelecida em Bady Bassitt/SP, ou o código n° 142, quando o abate ocorria na filial, estabelecida em Nhandeara/SP. Além disso, os documentos de fls. 1391 a 1804 demonstram que as vendas da FRIGO VALE à COUROADA, acobertadas por notas fiscais inidôneas da DISTRIBUIDORA, contém cartas autorizativas, escritas em papel timbrado da DISTRIBUIDORA, para que os pagamentos sejam realizados em contascorrentes mantidas pela FRIGO VALE. Portanto, há provas robustas de que a FRIGO VALE utilizou notas fiscais "frias" da DISTRIBUIDORA. Respondem pelos créditos tributários decorrentes destas operações a FRIGO VALE e os respectivos responsáveis com base no art. 124, I, e 135, III, do CTN. A saída, em 18/04/2004, do Sr. Hyppolito Rodrigues Junior do quadro societário da FRIGO VALE não significa que ele deixou de participar da administração da empresa. É importante ressaltar que as contas bancárias abertas em nome dele e conjuntamente entre ele e a Sra. Irani Viaes foram utilizadas pela FRIGO VALE durante os anos de 2003, 2004 e 2005. Cabe ao Sr. Hyppolito e à Sra. Irani a prova da origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias. No curso da ação fiscal, intimados a tanto, eles admitiram que os depósitos decorreram das atividades da FRIGO VALE, com exceção de um TED, no valor de R$ 75.000,00, datado de 27/06/2005, proveniente da venda de um imóvel rural havido por herança de seus sogros, valor reste que posteriormente foi dividido com os demais herdeiros. Além disso, diversos fornecedores de gado informaram que os contatos comerciais para as vendas efetuadas A FRIGO VALE foram mantidos corn o Sr. Hyppolito, como o Sr. Antonio José Passos, o Sr. Edemundo Passos Beltramini e o Sr. Nestor Castellini. Fl. 5354DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.351 50 A atribuição de responsabilidade ao Sr. Hyppolito Rodrigues Junior se deu com base no art. 135, III, do CTN, vale dizer, em razão da sua atuação como administrador da empresa, pela prática de atos com infração da lei. Foi comprovada a utilização das contas bancárias dele em favor da FRIGO VALE, bem como a utilização de notas fiscais frias pela empresa, além da atuação dele nos negócios. Há diversas alegações que se reproduzem nas defesas apresentadas pelos coobrigados. Passase, a seguir, à apreciação conjunta delas. De inicio, é importante assentar que a qualificação da FRIGO VALE como empresa integrante do chamado "grupo Nivaldo" foi demonstrada por provas robustas. A FRIGO VALE foi constituída, em 23/03/1998, figurando no quadro social o Sr. Carlos Roberto Alves (cunhado do Sr. Nivaldo Fortes Peres) e o Sr. Hyppolito Rodrigues Junior. Em 04/06/2004, o Sr. Hyppolito foi substituído pela Sra. Nilce Fortes Peres Alves, irmã do Sr. Nivaldo. Constatouse que diversos funcionários da FRIGO VALE foram registrados em nome da DISTRIBUIDORA. Além disso, em diversos boletins de acidentes de trabalho lavrados contra funcionários registrados na DISTRIBUIDORA, consta como local de trabalho a empresa FRIGO VALE, revelando que os contratos foram simulados, já que real empregador era esta empresa. A Sra. Nilce Fortes Peres Alves é irmã do Sr. Nivaldo Fortes Peres e figura como sócia da FRIGO VALE. O total de rendimentos por ela declarados para os anos calendário de 2004 a 2006 é de apenas R$ 36.050,00 e sua movimentação financeira para os anos de 2002 a 2007, muito modesta. O Sr. Carlos Roberto Alves é cunhado do Sr. Nivaldo Fortes Peres e foi utilizado como "laranja" na constituição da FRIGO VALE. Diversos depósitos que ingressaram nas contas bancárias do Sr. Carlos foram supridos por empresas integrantes do grupo Nivaldo, notadamente a RIO PRETO ABATEDOURO e a DISTRIBUIDORA, além evidentemente da FRIGO VALE. Sua movimentação financeira é incompatível com os rendimentos declarados. Conforme já referido, nos anos de 2003 a 2005, os valores movimentados em suas contas bancárias pertencem, de fato, à FRIGO VALE, que também recebeu em suas contas recursos supridos pela DISTRIBUIDORA e pela RIO PRETO ABATEDOURO. Comprovouse que houve diversas transferências de recursos entre contas bancárias da FRIGO VALE, da RIO PRETO ABATEDOURO, do Sr. Carlos Roberto Alves e da DISTRIBUIDORA, neste caso por meio da conta n° 4.1009, controlada pelo grupo Nivaldo. O Sr. Carlos Roberto Alves também recebeu créditos supridos por pessoas jurídicas integrantes do grupo Nivaldo. Constatouse, ainda, que parte do saque de R$ 161.000,00, efetuado junto à conta bancária n° 28.4777 do Sr. Nivaldo, foi utilizada na aquisição do cheque administrativo no 006350, no valor de R$ 40.000,00, depositado em conta da VALE. Todos estes fatos confirmam que a FRIGO VALE é uma das integrantes do grupo Nivaldo. A autoridade administrativa tomou o cuidado de descrever em detalhes as empresas e as pessoas físicas envolvidas nos negócios do "grupo Nivaldo", revelando que as infrações apuradas para a FRIGO VALE reproduzem práticas adotadas em várias empresas do grupo. Em outras palavras, as infrações são tradução de um modus operandi comum a outras empresas do grupo. Fl. 5355DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.352 51 As relações entre as pessoas físicas e jurídicas integrantes do grupo Nivaldo foram demonstradas por diversos elementos referidos no Relatório, como o parentesco entre diversas pessoas físicas, o trânsito de recursos entre as contas bancárias das diversas empresas e pessoas físicas, as coincidências de datas de aberturas de contas bancárias, de datas de transações bancárias e de endereços entre as empresas. Dentre as transferências diretas de recursos entre as contas bancárias das pessoas físicas e jurídicas envolvidas, cabe destacar, por exemplo, que o Sr. Nivaldo Fortes Peres recebeu, em suas contas bancárias, vultosos recursos da RIO PRETO ABATEDOURO, da DISTRIBUIDORA e da COMERCIAL DE CARNES BASCO DE VOTUPORANGA. O Sr. Rodrigo da Silva Peres recebeu valores da DISTRIBUIDORA, da RIO PRETO ABATEDOURO, do Sr. Nivaldo Fortes Peres, do Sr. Luciano da Silva Peres, do Sr. Vinicius dos Santos Vulpini e do Sr. Jose Roberto Giglio. Também foram beneficiárias de depósitos provenientes das empresas e pessoas físicas integrantes do grupo as seguintes pessoas físicas: Carlos Alberto Ortega Marques, Paulo Bueno de Camargo, Edemir Egidio e Gilberto Giraldo Rodrigues Jardim Gouveia. Dentre as pessoas jurídicas integrantes do grupo Nivaldo, receberam vultosos recursos as empresas SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LTDA, FEISP LTDA, SOL IMPORTADORA E EXPORTADORA DE COUROS LTDA, AGRO RIO PRETO REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA E CMG. Dentre as transferências indiretas de recursos, a autoridade autuante constatou diversas aquisições de imóveis por valores sub faturados. Nesse sentido, apurou que a Fazenda Guará, localizada em Guzolândia/SP, foi adquirida pela SOL EMPREENDIMENTOS, em 10/12/2004, com o auxilio de recursos provenientes da SOL COUROS e da RIO PRETO ABATEDOURO, em negócio fechado pelo Sr. Nivaldo Fortes Peres quando este já não figurava como sócio da SOL EMPREENDIMENTOS. Posteriormente, em 04/07/2006, o imóvel foi transferido aos sócios da empresa, Srs. Rodrigo e Luciano da Silva Peres, por intermédio de uma operação de distribuição de lucros. O senhores Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres e Luciano da Silva Peres, aos quais foi atribuída responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados, sustentam que deveria ser emitido MPF — Fiscalização autorizando a investigação da participação deles na administração da FRIGO VALE. Equivocamse, já que não há exigência legal de emissão de MPF — Fiscalização para a atribuição de responsabilidade solidária a terceiros nos termos do art. 124, I, do CTN. Nesse sentido, cabe ressaltar que o MPF tem o objetivo de dar transparência à atuação da Administração Tributária e esse fim é cumprido mediante a intimação do contribuinte. A responsabilidade solidária é atribuída àqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e esse interesse pode ser apurado no curso da ação fiscal levada a efeito diante do contribuinte. O reconhecimento da responsabilidade solidária no curso da ação fiscal cumpre a função de garantir ao responsável o exercício do direito de defesa na esfera administrativa, alem de subsidiar a Procuradoria da Fazenda Nacional no direcionamento de eventual execução fiscal a ser interposta para a satisfação do crédito tributário lançado. Em suma, basta a emissão de MPF prevendo que a ação fiscal se desenvolva no contribuinte. Para os responsáveis solidários não há necessidade de emissão de MPF. Eventualmente, pode ser emitido MPF — Diligência, diante da necessidade de colheita de provas junto aos responsáveis solidários. Fl. 5356DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.353 52 Alegam os responsáveis solidários que as conclusões da autoridade autuante só se sustentam caso sejam desconsiderados os negócios praticados pela FRIGO VALE, especialmente aqueles destinados a dissimular o responsável tributário. Afirmam que, ao assim proceder, a autoridade atuou com base no art. 116, parágrafo único do CTN, norma esta que nunca foi regulamentada por lei ordinária, razão pela qual é descabida a desconsideração dos negócios jurídicos e, como conseqüência, são nulos os autos de infração lavrados. Nesse ponto é preciso ressaltar que o art. 116, parágrafo único, do CTN, que ainda não foi regulamentado por lei ordinária, foi inserido no Código Tributário Nacional por meio da Lei Complementar n° 104/2001, com o fim de coibir as práticas de elisão tributária, assim considerada a economia de tributos por meio de atos que dissimulem a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. No presente processo administrativo, constatouse que a FRIGO VALE foi constituída por interpostas pessoas, com o fim de ocultar seus verdadeiros titulares, a fim de evitar eventual responsabilização pelos tributos devidos. Não se trata, portanto, da hipótese de que trata o art. 116, parágrafo único, do CTN. As pessoas físicas arroladas como responsáveis solidárias atuaram dolosamente na constituição da FRIGO VALE por meio de interpostas pessoas, conforme ficou comprovado nos autos, a fim de resguardar os respectivos patrimônios de eventuais execuções fiscais pelos tributos devidos pela empresa. Notese que o CTN, nas hipóteses em que há dolo, fraude ou simulação, faz expressa referência a essas ocorrências, como nos casos dos arts. 149, VII, 150, § 4°, 154, parágrafo único, 155, I e 180, I. A situação contemplada no presente processo administrativo, portanto, não requer a aplicação do art. 116, parágrafo único, do CTN. Asseveram os responsáveis solidários que o pedido de quebra do sigilo bancário das pessoas físicas e jurídicas citadas no "Termo de Descrição dos Fatos" foi feito indevidamente à Vara Federal de Jales, quando deveria ser dirigido à 3ª Vara Federal de São José do Rio Preto, em razão de decisão proferida por este Juízo em 22/11/2006, em virtude da qual passou a deter a exclusiva competência para o julgamento da persecução penal do impugnante. Sustentam que a quebra do sigilo bancário e fiscal só poderia ser decretada pela autoridade competente para o inquérito ou para o processo judicial. Concluem que, sendo nula a decisão judicial de quebra dos sigilos bancário e fiscal, nulas são todas as informações bancárias, financeiras e fiscais obtidas sob este fundamento, conforme preconiza a teoria dos frutos da árvore envenenada, encampada pelo Supremo Tribunal Federal em diversos julgados. A alegação não procede, já que o pedido judicial de quebra de sigilo bancário, com o fim de apurar fatos no âmbito de procedimento fiscal realizado pela Receita Federal do Brasil, nada tem a ver com a competência para o julgamento de denúncia oferecida pelo Ministério Público. Da ação fiscal pode resultar o lançamento de tributos e multas, enquanto da ação penal pode resultar a condenação por crime. Ainda que dos mesmos fatos resulte o lançamento de tributos e multas e a condenação por crimes, as instâncias são distintas. O lançamento compete ao AuditorFiscal da Receita Federal Brasil. A condenação penal é de competência do juiz. A colheita de provas para subsidiar ação fiscal não se confunde com a colheita de provas para subsidiar ação penal, de modo que as competências para apreciar pleitos em cada uma delas é distinta. Alegam os responsáveis solidários que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes firmou o entendimento de que a atribuição de responsabilidade com base no art. 124, I, do CTN requer a prova do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da Fl. 5357DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.354 53 obrigação principal. Afirmam que essa prova não foi produzida no presente processo administrativo. A alegação de que a atribuição de responsabilidade com base no art. 124, I, do CTN requer prova do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal é um truísmo. Com efeito, consta da redação do art. 124, I, do CTN que é responsável solidário aquele que tiver interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Portanto, a aplicação da regra exige a ocorrência no mundo fenomênico da hipótese nela contemplada. Este Conselho já entendeu pela possibilidade de responsabilização solidária da pessoa física na condição de verdadeira sócia da pessoa jurídica, com fundamento no artigo 124, I do CTN, vejase: "RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contascorrentes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal." (Processo n° 13603.002869/200301, Recurso n° 148917, Sessão de 16 de agosto de 2006, Acórdão n° : 10708692) As provas que levaram à conclusão de que os senhores Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres e Luciano da Silva Peres têm interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações tributárias apuradas estão relatadas de maneira minudente no "Termo de Constatação Fiscal". Aliás, observase que o recurso apresentado pelos responsáveis solidários têm uma característica curiosa, qual seja, a tendência de tomar os fatos apurados de maneira isolada, de modo a que se perca a visão do contexto geral. Ao assim proceder, buscase atribuir às operações referidas pela autoridade autuante foros de regularidade. Porém, quando se observa com rigor a imbricação entre os fatos apurados. As teses apresentadas no recurso não se sustentam, pois fica perfeitamente caracterizados o modus operandi do grupo Nivaldo. Nesse sentido, alegam que os autos de infração de que trata o presente processo administrativo foram lavrados contra a FRIGO VALE, de modo que quaisquer acusações sobre atos praticados pelas empresas RIO PRETO ABATEDOURO, SOL COUROS, AGRO RIO PRETO, SEBO SOL, VALENTIM GENTIL, AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA e AGROALTO INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LIDA podem resultar, exclusivamente, em lançamentos de oficio de tributos que estas eventualmente não tenham recolhido, de modo que os fatos relacionados a estas empresas não têm serventia para a elucidação da responsabilidade solidária dos impugnantes. Da mesma forma, alegam que as participações que têm em outras empresas são irrelevantes para a prova de eventual interesse comum na situação que é fato gerador dos tributos devidos pela FRIGO VALE. Finalmente, afirmam que as supostas coincidências entre funcionários, referências bancárias, endereços, telefones e parentescos, quando não relacionadas à FRIGO VALE, são irrelevantes. Fl. 5358DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.355 54 O raciocínio, evidentemente, é simplório. Todo o esforço probatório da autoridade autuante foi desenvolvido precisamente no sentido de desvendar as relações entre as diversas empresas que compõem o grupo Nivaldo, de modo a saber a função desempenhada por cada qual no esquema desbaratado e, sobretudo, perquirir onde os resultados econômicos provenientes das atividades desenvolvidas se encontram. Ressaltese que, conforme foi apurado, não se trata apenas de reconhecer que a FRIGO VALE não recolheu os tributos devidos. Para que os tributos devidos sejam realmente recolhidos aos cofres públicos é essencial saber para onde foram canalizados os recursos. Isto porque os fatos apurados demonstram grande sofisticação da organização na constituição de empresas por meio de "laranjas" e na migração de recursos entre estas empresas. Dai a relevância de se perquirir como se deu a constituição de cada uma das empresas do grupo, qual o papel por elas desempenhado e quais as pessoas físicas que arquitetaram a organização. É descabida, portanto, a pretensão de que os fatos apurados pela autoridade autuante relacionados às empresas RIO PRETO ABATEDOURO, SEBO SOL, VALENTIM GENTIL, SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS, FEISP, CMG, RPMC, SOL COUROS, AMÉRICA INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA, AGROALTO INDUSTRIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO LTDA, VIENA EMPREENDIMENTOS LTDA e FEIRP LIDA sejam sumariamente desconsiderados. 0 mesmo raciocínio se aplica à alegação de que são irrelevantes as supostas coincidências entre funcionários, referências bancárias, endereços, telefones e parentescos, quando não relacionadas à FRIGO VALE. Conforme dito anteriormente, ao conduzir a argumentação no sentido de isolar os fatos pertinentes à FRIGO VALE dos fatos pertinentes às demais empresas que compõem o grupo Nivaldo, os responsáveis solidários deixam de contestar diversas provas da maior gravidade. Nesse sentido, não há uma palavra sequer em seus recursos sobre a coincidência de endereços entre diversas empresas do grupo. Tampouco contestam os fatos relacionados as buscas e apreensões realizadas pela Policia Federal que demonstram as relações entre as empresas integrantes do grupo Nivaldo. A propósito, na Rua Lucia Gonçalves Vieira Giglio, 3111, domicilio fiscal das empresas SEBO SOL e CMG, foram apreendidos cinco talões de cheques e formulário continuo de cheques da SOL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS RIO PRETO LIDA, quatro talões de cheques e formulário continuo de cheques da SOL COUROS e formulário para impressão de boletos de cobrança tendo como cedente a DISTRIBUIDORA. Foram apreendidos, ainda, formulários para impressão de boletos de cobrança tendo como cedente a DISTRIBUIDORA, além de procuração conferida pela SEBO SOL ao Sr. Gilberto G. R. Jardim Gouveia, utilizado corno laranja na AGRO RIO PRETO. Portanto, entendo provada nos autos a existência de um grupo econômico, constituído por várias empresas, dentre as quais a FRIGO VALE, sendo que beneficiaramse das fraudes praticadas pelas empresas do grupo todos os responsáveis solidários apontados pela autoridade autuante. Noutro giro, alega o Sr. Nivaldo Fortes Peres que toda a movimentação financeira existente entre ele e a RIO PRETO ABATEDOURO decorre da comercialização de gado para abate, conforme atestam as notas fiscais de entrada, notas fiscais de produtor, romaneio do gado e laudo da Vigilância Sanitária. Afirma que a eventual cassação do registro da RIO PRETO ABATEDOURO não tem o condão de infirmar os fatos efetivamente ocorridos, por força do disposto no art. 118, I, do CTN. Fl. 5359DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.356 55 A autoridade autuante apurou que o Sr. Nivaldo Fortes Peres recebeu vultosos valores de diversas empresas integrantes do seu grupo e também da RIO PRETO ABATEDOURO. É curioso notar que nada é dito acerca dos valores por ele recebidos da DISTRIBUIDORA e da COMERCIAL DE CARNES BASCO DE VOTUPORANGA LTDA. Quanto à RIO PRETO ABATEDOURO, apurouse que esta empresa foi utilizada como verdadeiro caixa geral do grupo Nivaldo, tendo movimentado, ao longo dos anos de 2003 a 2006. R$ 233.338.957,87, em dezesseis contas bancárias de cinco instituições financeiras diferentes. Não obstante, recolheu A. Fazenda Nacional apenas R$ 500.000,00 a titulo de tributos. Mais que isso, apurouse que a contabilidade da RIO PRETO ABATEDOURO é imprestável, já que os lançamentos da conta "Bancos" foram efetuados por partidas: mensais, sem controle em livros auxiliares. Há que se assinalar que documentação apresentada junto do recurso não constitui prova legal, vale dizer, não vincula o entendimento da autoridade julgadora, cuja formação é regida pelo principio da livres persuasão racional. A RIO PRETO ABATEDOURO, segundo apurado, é empresa constituída por "laranjas". Todos estes fatos levam à conclusão de que os documentos apresentados pelo Sr. Nivaldo não são prova bastante da efetiva ocorrência das operações neles retratadas. Alega o Sr. Luciano da Silva Peres que o processo administrativo fiscal n° 16004.001549/200887, lavrado em desfavor da SOL EMPREENDIMENTOS, deve ser admitido como prova da confissão da autoridade administrativa de que o suposto subfaturamento na aquisição da Fazenda Guará não ocorreu, porquanto não foi considerado como fato gerador de tributos. A alegação não procede, pois em nenhum momento a autoridade que lavrou o "Termo de Descrição dos Fatos" (fls. 44024412) constante do processo administrativo n° 16004.001549/200887, afirma que os recursos para a aquisição da Fazenda Guará que extrapolam os registrados na contabilidade da SOL EMPREENDIMENTOS tiveram por origem receitas omitidas da própria SOL EMPREENDIMENTOS. Aliás, a conclusão a que chegou a autoridade administrativa no "Termo de Constatação Fiscal do presente processo administrativo (fls. 40614066) é precisamente em sentido contrário, ao afirmar que o valor subfaturado foi suportado pelas empresas SOL COUROS e RIO PRETO ABATEDOURO. Portanto, o lançamento efetuado no processo administrativo n° 16004.001549/200887 não é incompatível com os fatos relatados no presente processo administrativo. Ainda no tocante à compra da Fazenda Guará pela SOL EMPREENDIMENTOS, os responsáveis solidários alegam que o suposto subfaturamento baseiase no valor da terra nua para pastagem, do ano de 2004, fornecido pelo Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo (IEA/SP) e que os dados adotados pela autoridade autuante referemse ao município de General Salgado, sendo que a fazenda está situada no município de Guzolândia. Afirmam que há grande diferença entre o valor médio, referido pela autoridade, e os valores mínimos e máximos e que, examinandose os dados do IEA/SP, verificase que, no ano de 2004, os valores do hectare de terra nua na regido de Guzolândia variou entre R$ 3.719,00 e RS 4.958,00. Concluem que, diante de tal variação, nada impede que a SOL EMPREENDIMENTOS tenha conseguido um preço ainda mais vantajoso. Asseveram que há vários outros elementos que podem influir na definição do preço, de modo que não há nada de excepcional no valor que consta da escritura pública lavrada me que, ainda que houvesse subfaturamento, tal dado é irrelevante para o Fl. 5360DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.357 56 convencimento acerca do interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos devidos pela SOL COUROS, podendo resultar apenas em lançamento de IRPF na pessoa física do impugnante e de IRPJ na SOL EMPREENDIMENTOS. Aduzem que o termo das declarações prestadas pelo Sr. Aldino Palla, acerca da venda da Fazenda Guará, é inválido, pois as declarações foram reduzidas a termo pela mesma autoridade que imputou responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados ao Sr. Nivaldo Fortes Peres, de modo que houve violação ao principio da impessoalidade e que as declarações foram colhidas sem a presença deles e do respectivo defensor, infringindo o direito ao contraditório. Finalmente, alegam que os depoimentos pessoais não são modalidade de prova prevista no Decreto 70.235/1972 e a Lei 9.784/1999, em seu art. 41, estabelece que o interessado tem direito de ser informado do dia e local da diligência, sendolhe, pois, possível participar do ato processual, sob pena de invalidade. Quanto aos recursos utilizados para a aquisição da Fazenda Guará. pela SOL EMPREENDIMENTOS, afirmam que foram supridos com os valores provenientes da venda da participação societária na empresa MALIBU CONFINAMENTO DE BOVINOS LTDA. A propósito da alegação de invalidade das declarações colhidas junto ao Sr. Aldino Palla, há que se ressaltar que a redução a termo de declarações não importa em violação ao principio da impessoalidade. Tampouco há violação ao principio do contraditório na ausência do contribuinte ou dos possíveis responsáveis solidários quando da colheita de declarações de terceiros. A oportunidade de defenderse das imputações feitas nos autos de infração lavrados é garantida precisamente pela possibilidade de apresentar impugnação ao lançamento. Conforme ensina Alberto Xavier, a ação fiscal, até a lavratura do auto de infração, é procedimento inquisitório, razão pela qual não há que se falar em direito de defesa antes da lavratura do auto de infração. Eis a lição do mestre: Dificilmente se concebe, na verdade, que o lançamento tributário deva ser precedido de uma necessária audiência prévia dos interessados. Duas razões desaconselham tal audiência: em primeiro lugar, o caráter estritamente vinculado do lançamento quanto ao seu conteúdo torna menos relevante a prévia ponderação de razões e interesses apresentados pelo particular do que nos atos discricionários; em segundo lugar, o fato de se tratar de um procedimento de massas", dirigido a um amplo universo de destinatários e baseado em processos tecnológicos informáticos, tornaria praticamente inviável o desempenho da função, se submetida ao rito da previa audiência individual. No que concerne a atos deste tipo a garantia de ampla defesa não atua necessariamente pela via do direito de audiência previa à prática do ato primário (pretermination hearing), mas sim no "direito de impugnação" desse mesmo ato, pelo qual o particular toma a iniciativa da instauração de um processo administrativo em que o seu direito de audiência assumirá força plena (posttermination hearing). Assim, a audiência, apesar de não ser "prévia" à prática do ato primário (lançamento), ainda é "prévia" no que respeita á decisão final da Administração fiscal tomada pelo órgão de julgamento no processo administrativo. (Alberto Xavier. Princípios do Processo Adtninistrativo e Judicial Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 2005, pp. 89) Vinculada à alegação de invalidade do depoimento colhido junto ao Sr. Aldino Palla, os responsáveis solidários pedem a realização de diligência para que este seja ouvido, com a presença deles e, se for o caso, de seus procuradores. Tendo em vista as razões acima expostas, fica evidenciado que não há invalidade nas declarações do Sr. Aldino Palla Fl. 5361DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.358 57 reduzidas a termo pela autoridade autuante. A diligência requerida é, portanto, desnecessária razão pela qual a indefiro. Pelas mesmas razões, é descabida a pretensão de que sejam colhidos depoimentos da Sra. Ana Cláudia Fioravante, da Sra. Renata Cristina Motta Tofolo e do Sr. Honório Amadeu. Todas as considerações tecidas pelos responsáveis solidários acerca do preço das terras não bastaram para demonstrar que o negócio foi realizado dentro de padrões normais de mercado. Com efeito, depois de afirmar que a fazenda Guará se encontra no município de Guzolândia, vizinho dos municípios de Araçatuba e de Jales e que, segundo os dados obtidos junto ao Instituto de Economia Agricola do Estado de São Paulo (IEA/SP), os valores mínimos dos hectares da terra nua, sem benfeitorias, para pastagem, no ano de 2004, na região de Guzolândia, variou entre R$ 3.719,00 e R$ 4.958,00, concluíram os impugnantes que o valor do hectare praticado no negócio (R$ 2.092,00) corresponde a 56% do menor preço do hectare na região. Assim, mesmo partindo do menor preço praticado na região, segundo dados do IEA/SP, o negócio teria sido realizado por praticamente a metade deste valor. A alegação, portanto, não desconstitui a afirmação de que o preço praticado é forte indicio de subfaturamento. É preciso esclarecer, ademais, que as considerações feitas pela autoridade autuante quanto ao preço das terras no mercado constituem apenas um indicio do subfaturamento e foram o ponto de partida para as investigações sobre o fluxo de recursos entre as partes no negócio. Em outras palavras, a conclusão de que houve subfaturamento não está fundada apenas no preço do hectare, conforme dados fornecidos pelo IEA/SP. Houve rigorosa apuração do fluxo de recursos, com pesquisa junto à instituição financeira das respectivas origens e destinos. Para tanto, requisitouse junto ao Banco Bradesco alguns documentos (cópias de cheques e fitasdetalhe) nos quais há indícios de pagamento ao Sr. Aldino PaIla. Tais documentos comprovam que parte dos recursos utilizados no pagamento da Fazenda Guará têm por origem a SOL COUROS e a RIO PRETO ABATEDOURO. Assim, constatouse que a SOL COUROS emitiu diversos cheques e, ato continuo , foram adquiridos cheques administrativos, nominais à CEREALISTA MENDONÇA LTDA, de propriedade do Sr. Aldino PaIla. Para todos os cheques administrativos emitidos, tendo como beneficiária a CEREALISTA MENDONÇA LTDA, consta que esta empresa teria adquirido os cheques, revelando que houve participação de funcionários do Banco Bradesco na fraude praticada. E curioso notar que a própria instituição financeira identificou a origem e o destino dos cheques administrativos mediante apresentação de uma demonstrativo intitulado "Demonstrativo de Sonegação de CPMF Recursos Movimentados". Este procedimento foi adotado para quebrar o elo de identificação da origem e do destino dos recursos utilizados nos cheques administrativos. Também a RIO PRETO ABATEDOURO emitiu cheque cujos recursos foram utilizados para aquisição de cheques administrativos nominais à Sra. Mariângela Fernances PaIla, cônjuge do Sr. Aldino Palla, como se ela houvesse adquirido os cheques. No verso do cheque n° 002102, emitido pela RIO PRETO ABATEDOURO, consta que ele teria sido emitido para pagamento de diversas duplicadas e para aquisição de ch. Adm.". As fls. 40844086 dos autos consta a descrição precisa de corno foi utilizada a conta 00000019, conta interna do Banco Bradesco, para ocultar a origem e o destino dos recursos utilizados na aquisição da Fazenda Guará. Afirmam os responsáveis solidários que as cláusulas contratuais que estabelecem o proveito das benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias em favor da VIENA EMPREENDIMENTOS não violam o disposto no art. 578 do Código Civil. Fl. 5362DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.359 58 Esta alegação também se insere na estratégia de tratar de maneira parcial e atomizada os fatos apontados pela autoridade autuante. O contrato de arrendamento celebrado entre a VIENA EMPREENDIMENTOS LTDA (arrendante) e a RIO PRETO ABATEDOURO (arrendatária) contém cláusula estabelecendo que os maquinários novos incluídos pela arrendatária não poderão ser retirados findo ou rescindido o contrato e não serão indenizados. Registrese que o art. 578 do Código Civil estabelece, como regra geral, que o locatário tem direito de retenção nos casos de benfeitorias necessárias ou no de benfeitorias úteis, se estas tiverem sido feitas com expresso consentimento do locador. Essa regra pode, porém, ser excepcionada por disposição de vontade em contrário convencionada pelas partes. A regra geral, portanto, é que o locatário seja indenizado pelas benfeitorias necessárias e pelas úteis. A razão desta regra é óbvia, a disposição em sentido contrário poderia resultar em locupletamento injustificado do locador. A autoridade autuante em nenhum momento afirmou que a cláusula violava a lei. Asseverou apenas que não era razoável sob a perspectiva econômica e que isso era reflexo das relações umbilicais entre locador e locatário, empresas que integram o grupo Nivaldo. O fato de que o art. 578 do Código Civil autoriza disposição nesse sentido não infirma as conclusões da autoridade autuante. Alegam os responsáveis solidários que é irrelevante a acusação de que há incompatibilidade entre a movimentação financeira das pessoas jurídicas e físicas integrantes do suposto grupo econômico e as receitas e rendimentos declarados á. Receita Federal. Sustentam que as supostas omissões podem acarretar exclusivamente lançamento de IRPF e IRPJ nas pessoas envolvidas, nada provando acerca da relação, com a FRIGO VALE, dos senhores Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres e Luciano da Silva Peres. Há que se ressaltar que é relevante para a fixação da responsabilidade solidária a constatação de que há flagrante incompatibilidade entre a movimentação financeira das pessoas físicas e jurídicas integrantes do grupo Nivaldo. Contrariamente ao alegado nos recursos apresentados, esta constatação não teria como efeito apenas eventuais lançamentos de IRPF e de IRPJ das pessoas envolvidas. Aqui também revelase a estratégia de isolar fatos, retirandoos do respectivo contexto. As incompatibilidades entre a movimentação financeira das pessoas físicas e jurídicas integrantes do grupo Nivaldo, sobretudo aquelas relacionadas integralização do capital social das diversas empresas, são demonstração flagrante da prática de simulações, com o fim de ocultar os verdadeiros responsáveis pelas operações. Ora, o que se pretende com a atribuição de responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançamentos é precisamente identificar aqueles que tem interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações apuradas, vale dizer, identificar aqueles que efetivamente atuaram na consecução dos negócios, empregando os recursos necessários, tornando as decisões e percebendo os resultados deles decorrentes. Alega o Sr. Nivaldo Fortes Peres que é descabida a afirmação de que a Sr. Renata Tofolo, funcionária do frigorífico Rio Preto, teria autorização para movimentar sua conta bancária. Sustenta que esta afirmação está fundada em supostas assinaturas dela no verso dos cheques por ele emitidos, mas as fotocópias dos cheques atestam que não há assinatura, e sim o registro do nome e telefone do local de trabalho. Assevera que deve ser produzida prova grafotécnica, para aferir a autoria das anotações e que a Sra. Renata está à disposição para prestar depoimento sobre o fato. O pedido de perícia formulado pretende que sejam verificados Fl. 5363DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.360 59 os escritos nos versos das cártulas relativos à Sra. Renata Tofolo e à Sra. Márcia Helena de Oliveira. A propósito desta perícia, é preciso esclarecer que a autoridade autuante em nenhum momento afirmou que as anotações constantes dos versos dos cheques foram lavradas de próprio punho pelas Sras. Renata Cristina Motta Tofolo e Márcia Helena de Oliveira. Apenas a afirma que elas autorizavam os saques de cheques emitidos pela RIO PRETO ABATEDOURO, pela DISTRIBUIDORA e pelo Sr. Nivaldo Fortes Peres, correspondendo esta autorização à identificação, no verso das cártulas, do contato (nome), do telefone da empresa e do horário da autorização. Sabidamente, as instituições financeiras adotam como prática corrente, quando do pagamento de cheques na "boca" do caixa. a consulta informal ao emitente ou a algum preposto deste que usualmente responde perante o banco. Esta consulta é normalmente feita por telefone e as anotações são feitas no verso do cheque pelo próprio funcionário da instituição financeira. Portanto, os fatos apurados pela autoridade autuante são fortes indícios de participação das Sras. Renata Cristina Motta Tofolo e Márcia Helena de Olivera na administração das contas bancárias da RIO PRETO ABATEDOURO, do Sr. Nivaldo Fortes Peres e da conta bancária da DISTRIBUIDORA movimentada pelo grupo Nivaldo. A perícia requerida é desnecessária, já que a participação das Sras. Renata Cristina Motta Tofolo e Márcia Helena de Oliveira não é elemento decisivo para se aferir a regularidade do crédito tributário apurado e tampouco para averiguar o interesse comum nos fatos geradores dos responsáveis solidários apurados. Tratase apenas de mais um elemento de prova trazido aos autos para demonstrar as ligações existentes entre as diversas empresas que compõem o grupo Nivaldo e as pessoas fisicas envolvidas no esquema. Ainda que a participação das Sras. Renata Cristina Motta Tofolo e Márcia Helena de Oliveira na administração das contas fosse desconsiderada, as demais provas permaneceriam sendo suficientemente robustas para a formação da convicção necessária à apreciação da regularidade do lançamento e da atribuição de responsabilidade solidária ao senhores Nivaldo Fortes Peres. Indefiro, portanto, a perícia requerida. Por estas mesmas razões, indefiro o pedido de diligência para colher depoimento da Sra. Renata Cristina Motta Tofolo. Afirma o Sr. Nivaldo Fortes Peres que não há decisão administrativa irrecorrível acerca da titularidade de fato das empresas RIO PRETO ABATEDOURO, VALENTIM GENTIL ABATEDOURO DE BOVINOS E SUiNOS LIDA e FRIGO VALE, de modo que a afirmação de que elas utilizaram notas fiscais inidôneas não pode ter qualquer repercussão quanto a ele. A afirmação carece de sentido, já que a legislação não exige decisão administrativa irrecorrível para que a autoridade administrativa possa convencerse de um fato. Sobretudo tendo em conta as robustas provas produzidas. Afirmam os senhores Nivaldo Fortes Peres, Rodrigo da Silva Peres e Luciano da Silva Peres que a autoridade administrativa reúne contra eles uma série de evidências que, a rigor, configuram omissão de receitas e acréscimo patrimonial injustificado, de modo que os fatos necessariamente levariam a lançamentos de oficio contra as pessoas físicas. Argumentam que, em fiscalizações realizadas contra eles, não foi isso que se constatou. Asseveram que, no auto de infração de IRPF lavrado no processo administrativo n° 16004.000064/200957, contra Rodrigo da Silva Peres, foram verificadas Fl. 5364DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.361 60 apenas quatro supostos fatos geradores, quais sejam: não comprovação da origem de depósitos bancários;omissão de rendimento de ganho de capital da venda do apto. 402 do residencial Juliana II, em Sao José do Rio Preto/SP; apuração incorreta do resultado da atividade rural; omissão de rendimento da atividade rural. Aduzem que nenhum desses fatos geradores corresponde a lançamento pelos fatos a ele imputados no presente processo administrativo, de modo que a acusação é infundada. Alegam que o mesmo raciocínio se aplica ao processo administrativo 16004.000060/200979, no qual foi lavrado contra Luciano da Silva Peres auto de infração de IRPF. Neste processo administrativo foram constatados apenas dois fatos geradores, quais sejam: não comprovação da origem de depósitos bancários; omissão de rendimento de ganho de capital na venda do apto. 402 do residencial Juliana II, em São José do Rio Preto/SP. Concluem que a mesma conclusão se aplica ao processo administrativo 16004.000134/200977, no qual foi lavrado contra Nivaldo Fortes Peres auto de infração de IRPF. Neste processo administrativo foram constatados apenas quatro fatos geradores, quais sejam: omissão de rendimento de alugueres de um imóvel comercial/industrial em Novo Hamburgo/SP; omissão de ganho de capital na venda deste imóvel; não comprovação da origem de depósitos bancários; declaração indevida de rendimentos nas DIRPF dos anos calendário 2003 e 2004. Por meio destas alegações, os responsáveis solidários pretendem que se prove que há coincidência entre os recursos utilizados por eles na aquisição dos imóveis e os recursos saídos da RIO PRETO ABATEDOURO e de outras empresas "paralelas . Porém, nas circunstâncias em que operavam as empresas integrantes do grupo Nivaldo, esta prova seria impossível. Com efeito, conforme amplamente demonstrado pela autoridade autuante, houve intensa migração de recursos entre estas empresas. Mais que isso, a RIO PRETO ABATEDOURO funcionou como verdadeiro caixa geral. Portanto, diante da confusão patrimonial promovida pelos Srs. Rodrigo da Silva Peres, Luciano da Silva Peres e Nivaldo Fortes Peres, não apenas entre eles, mas sobretudo entre as empresas integrantes do grupo, é descabido pretenderse a identificação precisa da origem dos recursos. Sabese que os três controlavam as empresas do grupo, que os recursos migravam intensamente entre elas, umas suprindo as outras quando necessário, e que eles auferiram benefícios diretos e indiretos dos ilícitos praticados, inclusive adquirindo imóveis. A conclusão de que há interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores apurados se impõe. As várias impugnações apresentadas contém diversas alegações contra a multa qualificada (150%) aplicada. Alegase que a fraude não se presume, devendo ser comprovada a intenção prédeterminada e dirigida no sentido de obter determinado resultado contrário à ordem jurídica. Sustentase que não foi produzida prova do dolo ou da participação dos responsáveis na prática dos ilícitos imputados à FRIGO VALE. Afirmase que há violação aos princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Aduzse que a apuração de receitas omitidas com base em depósitos bancários de origem não comprovada não autoriza, por si só, a qualificação da multa de oficio. No caso de que trata os autos, foi aplicada a presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 5365DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.362 61 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Intimado a comprovar a origem destes recursos, o contribuinte não apresentou os elementos solicitados. Constatouse, ademais, que sequer escrituração regular foi mantida no período fiscalizado. Tendo em vista a ausência de comprovação da origem dos créditos em conta bancária, concluiuse que houve omissão de receitas. O Recorrente se insurge contra a aplicação de multa qualificada quando o crédito tributário lançado foi apurado com base em presunção legal, especialmente com base na presunção de omissão de receitas decorrente da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. A propósito desta objeção, devese esclarecer, como já dito acima, que os créditos tributários foram lançados, de fato, com base na presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96, em razão da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada. Entretanto, consoante o descrito no "Termo de Constatação Fiscal" reproduzido em grande parte neste Voto, verificouse com farta documentação e riqueza de detalhes que a Recorrente agiu ativamente com o fim de ocultar suas operações. Repisese, não exaustivamente, a comprovação de que o contribuinte utilizou notas fiscais "frias" emitidas pela DISTRIBUIDORA e movimentou os recursos em contas bancárias de terceiros. Entendo, nesse diapasão, que a intenção de fraudar ficou cabalmente demonstrada pelos documentos e fatos já narrados neste Voto. Estes elementos conduzem à conclusão segura de que é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% na hipótese de que tratam os autos. Vejase a jurisprudência deste Conselho: ARBITRAMENTO DO LUCRO E MULTA QUALIFICADA – Por força do contido na alínea "a" do inciso II do art. 530 do RIR/99, cabível o arbitramento do lucro na situação em que a escrituração apresentada pelo sujeito passivo revela evidentes indícios de fraude, uma vez que, em razão disso, ela se torna imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores a tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a titulo de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Acórdão 10515800, de 21/06/2006) Por fim, quanto às alegações de que a multa qualificada (150%) viola os princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, impende reiterar que a autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar a legalidade ou a constitucionalidade de lei ou ato normativo. Matéria pacificada neste Conselho pela Súmula CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 5366DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Processo nº 16004.000014/200899 Acórdão n.º 1402001.518 S1C4T2 Fl. 5.363 62 Por todo o exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários apresentados para manter as exigências conforme lançadas nos respectivos autos de infração e manter no pólo passivo da obrigação todos os designados como responsáveis solidários (Nivaldo Fortes Peres CPF. 785.735.99804, Luciano da Silva Peres — CPF. 217.280.06864, Rodrigo da Silva Peres — CPF. 276.282.42812, Carlos Roberto Alves — CPF. 697.636.408 06 e Hyppolito Rodriguez Junior — CPF. 005.157.40802). (Assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Fl. 5367DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
score : 1.0
